PERFIL PROFISSIONAL DOS CONTABILISTAS DA REGIÃO CENTRO-SUL DO
ESTADO DE SERGIPE: uma análise sob a ótica dos usuários locais.
Alysson Cristian Rocha Souza1
Ediran Rabelo de Almeida2
RESUMO
Esta pesquisa analisou, por meio de estudo exploratório, a qualidade dos serviços
contábeis prestados pelos contabilistas na região Centro-Sul do estado de Sergipe
observando a perspectiva dos usuários locais. Além disso, buscou identificar as principais
necessidades dos usuários tanto quanto os fatores limitativos ao exercício da profissão
contábil, e o atendimento desses profissionais ao Programa de Educação Continuada.
Palavras-chave: Perfil. Profissional Contábil. Serviços. Qualidade e Usuários.
RESUME
Through exploratory study, this research analyzed the quality of the accounting services
provided by accountants in the central-southern state of Sergipe, observing the
perspective of local users. Besides, we sought to identify the main needs of the users as
well as the limiting factors to the accounting profession. We also identified the attendance
of these professionals to the Continuing Education Program.
Keywords: Profile. Professional Accounting Services. Quality And Users.
INTRODUÇÃO
A intensificação da globalização obrigou aos mercados a desenvolver novas regras
na relação com os seus clientes e na elaboração de suas estratégias de marketing. Isso
afetou a relação de competividade e concorrência entre as empresas, que por sua vez,
partiu em busca da maior aproximação com o cliente. Essa mudança na estrutura
econômica potencializada pela globalização modificou os rumos do mercado e os perfis
das profissões.
Podemos citar a concorrência e a competitividade como fatores inerentes da
própria sociedade contemporânea, porque estes determinam as tendências, ritmo e
caminho que o mercado seguirá beneficiando empresas e a população, guiados por uma
1
2
Professor Mestre - Faculdade José Augusto Vieira (FJAV), e-mail: [email protected]
Discente de Ciências Contábeis pela FJAV, e-mail: [email protected]
77
busca constante pelo aperfeiçoamento de seus produtos e serviços a fim de expandir os
negócios e maximizar os lucros.
A contabilidade como ciência social aplicada, assim como todo e qualquer ramo do
conhecimento, procura se adaptar ao meio no qual está inserida. A busca pelo
aprimoramento da ciência contábil no Brasil é notável nos últimos anos, já que mudanças
constantes envolvem sua prática. A edição de leis e resoluções a fim de aprimorar o
exercício profissional acontece em ritmo acelerado o que exige um processo de
qualificação constante dos profissionais da área.
Por exigência do mercado, do próprio exercício profissional e do órgão regulador
da classe, Conselho Federal e Regional de Contabilidade, o contabilista não deve resumir
suas atividades a questões fiscais ou tributárias, deve também ser um profissional
diligente no que concernem as normas e leis que regem a profissão, na busca pelo
exercício zeloso da prática contábil, atenção às necessidades de seus clientes às
necessidades de seu cliente e a honrar a classe como está previsto no próprio código de
ética profissional:
“Art. 2º São deveres do contabilista apud LISBOA (1997):
I – exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observada a legislação
vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo
da dignidade e independência profissionais”.3
Buscando estimular e atentando para as novas exigências do mercado quanto ao
exercício da profissão contábil, o Conselho Federal de Contabilidade criou o PEPC 4 por
meio da resolução 945/2002 cujo objetivo inicial era incentivar a capacitação e
qualificação técnica aos auditores independentes. Contudo, o programa foi estendido aos
demais contabilistas pela clara relevância que o profissional contábil tem para o meio em
que vive. Como afirma Gomes “[...] entre os especialistas há um consenso de que é
necessário investir pesadamente em capacitação [...]”5, logo fica evidente que busca por
qualificação não é somente uma determinação legal, mas também uma necessidade
profissional, ainda de acordo com Gomes “[...] há uma demanda crescente por
3
LISBOA, Lázaro de Plácido. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. 2ª Edição. São Paulo: Editora
Atlas, 1997.
4
Programa de Educação Profissional Continuada
5
GOMES, Amaro Luiz de Oliveira. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, v. 1, p. 7-9. Março/abril,
2009.
78
profissionais qualificados e é uma demanda que não podemos desconsiderar.”6
O crescimento econômico do Brasil tem despertado interesse de investidores
externos e movimentado o mercado interno. Isso acontece devido ao aumento do poder
de compra das camadas menos favorecidas. O empresariado, por outro lado, vem se
adaptando as novas condições de concorrência e competição impostas pelo mercado,
diante disso, torna-se imprescindível para o empresariado a necessidade de informações
precisas para o processo decisório. Além da evidente preocupação da entidade com o
Balanço Social, pois será por meio deste que ela avaliará os impactos sociais,
econômicos e ambientais de atuação e sua credibilidade junto aos clientes. Para a
adequação das necessidades do mercado e a sobrevivência das empresas em um
cenário cada vez mais competitivo, os profissionais da contabilidade necessitam estar
sempre informados e atualizados para orientar com precisão nas decisões de seus
clientes.
As exigências do mercado para com os profissionais da área contábil são
inúmeras. Nos dias atuais, aqueles profissionais que reconhecem somente como sua
responsabilidade o cálculo e aferição das obrigações fiscais e tributárias estarão fadados
ao anonimato. O contabilista não é mais responsável somente pela contabilidade da
entidade, mas também pela gestão contábil, controle de gastos e financeiro, além de
orientador de investimentos.
Percebemos que nas últimas décadas a legislação contábil brasileira tem passado
por constantes e significativas alterações que afetaram diretamente a prática contábil em
todos os campos de atuação da referida ciência. Fruto do processo de internacionalização
no qual a Contabilidade do Brasil e das demais nações do mundo estão envolvidas, essa
convergência mundial aos padrões norte-americanos de contabilidade, justifica-se pelo
interesse econômico que as multinacionais estadunidenses têm em explorar o potencial
econômico das nações subdesenvolvidas. Contudo, para que esses investimentos
efetivamente fossem realizados seria necessário que as demonstrações contábeis
elaboradas no Brasil fossem entendidas por seus investidores independente de sua
nacionalidade, aliados a esse cenário serviram como fomento para tais mudanças os
aspectos econômicos que envolvem a política expansionista adotado pelo Governo
através do estimulo a exportação e pela abertura de mercado claramente identificado pelo
6
Idem
79
crescimento da participação das empresas brasileiras no mercado externo.
Destarte, salientamos que por se tratar de uma ciência social a Contabilidade está
suscetível a todas as mudanças inerentes ao meio sejam elas políticas, econômicas ou
sociais, logo se evidencia que possuir tão somente conhecimento técnico sobre
contabilidade não é mais suficiente para o efetivo exercício da profissão, assim o
profissional versado na ciência contábil deve valer-se de todo aparato de informações
políticas, econômicas e sociais a fim de exercê-la com maestria.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Uma pesquisa realizada pelo SEBRAE7 em parceria com o IBQP8 (GEM, 2011)9
demonstra que o número de empreendedores no país não deixou de crescer, segundo
dados da pesquisa “O Brasil possui 27 milhões de brasileiros envolvidos ou em processo
de criação de um negócio próprio, ficando atrás somente da China e Estados Unidos
aparecendo em terceiro lugar no ranking de 54 países analisados [...]”. Embora a
pesquisa apresente dados positivos quanto ao surgimento de novos empreendimentos, é
relevante ressaltar que o índice de mortalidade dos novos negócios é considerável, pois
em média 27,5% das empresas constituídas nos anos de 2005 e 2006 não sobreviveram
a 2 anos no mercado como expõe estudo realizado pelo SEBRAE. Se analisarmos
friamente esse percentual de entidades extintas, ele parece pequeno; porém quando
aplicado ao contingente de 1.370.464, número de empresas constituídas em 2010,
segundo a base de informações do governo, percebe-se que esse índice é bastante
preocupante, por representar a extinção de 376.878 mil empresas.
Os dados apresentados por esses estudos vêm ressaltar a importância de
profissionais como administradores e contadores, principalmente dos contadores na
longevidade das empresas, porque são esses profissionais que acompanham a entidade
antes mesmo dela existir formalmente, através de orientações ao futuro empresário
quanto à viabilidade do negócio em determinada região, sugestão de pesquisas e análise
de mercado a fim de traçar um perfil do público alvo, e, acompanha os processos de
7
Serviço Brasileiro de Apoio ás Micros e Pequenas Empresas.
Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade
9
Global Entrepreneurship Monitor
8
80
cadastro da empresa nos órgãos competentes, além de orientá-lo quanto à necessidade
de licenças para funcionamento (ADEMA, IBAMA entre outros). Logo, esses profissionais
não podem resumir como atividades de sua competência a escrituração fiscal e pessoal,
cálculo de tributos ou mesmo a prestação de informações aos órgãos fiscalizadores como
Ministério do Trabalho e a Receita Federal.
Frente às novas exigências do mercado de trabalho e a crescente demanda tornase imprescindível o aprimoramento constante por partes dos profissionais, a busca por
cursos de graduação para quem é técnico, de pós-graduação como especialização,
mestrado ou doutorado para os graduados. Contudo, cabe salientar que mesmo com a
notória demanda por aperfeiçoamento técnico-profissional os recrutadores destacam
como uma das causas do insucesso nas entrevistas e mesmo na obtenção de emprego a
falta de domínio da Língua Portuguesa, conhecimento considerado básico tendo em vista
que se trata do idioma pátrio10. Na mesma matéria a gerente de treinamentos de uma
empresa questiona: “Uma pessoa que não domina nem seu próprio idioma, como ela vai
poder se destacar na empresa?”11
Com isso surge o questionamento: Será que os 1.244 cursos de graduação em
Ciências Contábeis autorizados pelo MEC12 fornecem o conhecimento técnico,
competências e habilidades necessárias para subsidiar os contabilistas quando estes
ingressarem no mercado de trabalho? Qual o perfil dos profissionais contábeis no
mercado brasileiro?
Baseados nesses questionamentos propusemo-nos a pesquisar acerca do
exercício da profissão contábil na região Centro-Sul do estado de Sergipe, buscando
traçar o perfil desses profissionais, de seus clientes, mensurar a qualidade dos serviços
prestados, os agravantes ao exercício profissional, e apresentar aos graduandos em
Ciências Contábeis uma perspectiva do mercado de trabalho.
Com o intuito de estabelecer um limiar para o desenvolvimento desse trabalho
determinamos como objetivo geral analisar os serviços contábeis disponíveis na região
Centro-Sul de Sergipe tendo como base para análise os serviços associados às
necessidades dos usuários; e como objetivos específicos almejando a imersão no
10
Reportagem exibida pela Rede Globo no Jornal Hoje em 24/01/2011.
Entrevista com gerente de treinamento da empresa visitada na reportagem exibida no Jornal Hoje em
24/01/2012.
12
Ministério da Educação e Cultura. Disponível em < http://emec.mec.gov.br/> acessado em 16/08/2012.
11
81
universo da pesquisa: descrever o perfil do contabilista da região Centro-Sul de Sergipe;
analisar a atuação do profissional contábil na região Centro-Sul; verificar a receptividade e
atendimento
ao
programa
de
educação
continuada
do
Conselho
Federal
de
Contabilidade; aferir as perspectivas do profissional contábil acerca da compatibilidade
dos serviços prestados de acordo com as necessidades dos clientes.
REFERENCIAL TEÓRICO
Este trabalho está fundamentado em conceitos e categorias que norteiam as
relações entre o contabilista e o usuário,
destacando os serviços contábeis
disponibilizados por esses profissionais.
Como primeira definição é necessária à diferenciação entre contador e contabilista.
“Contabilista – Profissional de Contabilidade pode ser tanto o técnico em contabilidade (2º
grau) como o Contador (3º grau ou nível superior). Especialista em contabilidade”.
MARION et al (p. 52, 2003).
Segundo a descrição de Marion (2004), poderá ser denominado contabilista todo
aquele que tenha qualificação técnica para exercer tal função, desde que esteja
obrigatoriamente cadastrado junto ao CFC (Conselho Federal de Contabilidade) na esfera
nacional e no Conselho Regional de Contabilidade na esfera estadual.
Quanto às atividades profissionais inerentes a classe, o conjunto de todas estas
atividades laborais é denominado serviços contábeis que pode ser definido como o
produto oferecido pelos contabilistas ao mercado em troca de remuneração. E que na
economia poderia ser chamada de moeda de troca, conceitua-se como serviços
contábeis: “Trabalhos contábeis, todas as tarefas desenvolvidas por profissionais
contábeis” IUDÍCUBUS et al (p. 212, 2003). Além das tarefas desenvolvidas enquadramse no leque dos serviços contábeis as orientações e informações prestadas aos
tomadores desses serviços, que segundo Rios (p. 381 e 496, 2010), podem ser definidas
respectivamente como: “Ato ou efeito de orientar. Direção, rumo, norte. Impulso,
tendência e ato ou efeito de informar. Notícia recebida ou comunicada; informe.
Conhecimento, instrução, direção”.
Outro integrante da relação contabilistas e sociedade são os usuários pessoas que
se utilizam da Contabilidade como meio para manter-se informados quanto à saúde
82
financeira das organizações (MARION, 2004). Ainda podemos conceituar este grupo
como: “toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do
progresso de determinada entidade, seja tal entidade empresa, ente de finalidades não
lucrativas, ou mesmo patrimônio familiar”. IUDÍCIBUS et al. (p. 235, 2003).
Cabe ressaltar que as exigências mercadológicas quanto às competências e
habilidades dos profissionais da área contábil estão cada vez maiores. De acordo com
Gonçalves (2009, apud JÚNIOR et al, p. 18, 2012) a “Ciência Contábil passou a exigir dos
profissionais uma gama de conhecimentos multidisciplinares e uma capacidade de
abstração em relação a novos mecanismos que anteriormente não constavam dos
programas de formação da área”. Logo, percebe-se como evidenciado por Gonçalves que
novas competências são exigidas do profissional contábil, tanto que, levou o conselho da
classe (CFC) a editar uma resolução prevendo um Programa de Educação Profissional
Continuada que inicialmente direcionava-se aos auditores independentes, mas que,
atualmente atinge toda classe contábil.
Para Girotto, “A profissão está se modernizando em ritmo acelerado, tornando-se
mais complexa e sofisticada, e o mercado de trabalho reclama profissionais à altura”13.
Dias e Moreira (2008, apud JÚNIOR et. al., 2012) corrobora afirmando que o
profissional contábil deve “manter-se atualizado não apenas com as novidades de sua
profissão, mas, de forma mais ampla, interessar-se por assuntos econômicos, sociais e
políticos que tanto influem no cenário em que se desenrola a profissão.”.
Para Júnior et al. (p. 18, 2012), “A educação continuada também é umas das
formas para se obter êxito no exercício contábil”. Franco (1993, apud JÚNIOR et al., p. 18,
2012) corrobora que “[...] a educação continuada evita que o profissional, no mundo
dinâmico de nossos dias se desatualize, técnica, cultural e profissionalmente, e perca sua
capacidade de exercer a profissão com competência e eficiência, causando desprestígio à
sua profissão”. A contabilidade surgiu com as primeiras sociedades, agrupamentos e
tribos nas eras mais remotas da existência do homem, acompanhando sua evolução e
adaptando-se de acordo com o contexto socioeconômico, e em detrimento do homem e
do meio essa ciência jamais deixará de existir.
Por esse motivo exigem-se além de habilidades e competências técnicas que
13 GIROTTO, Maristela. O que o mercado atual espera dos profissionais contábeis. Revista Brasileira de
Contabilidade. Brasília, v. 1, p. 13-25, setembro/outubro. 2010.
83
subsidiem e norteiem as atividades inerentes à prática contábil, a capacidade de enxergar
a contabilidade sob a perspectiva socioambiental por meio do desenvolvimento e
aprimoramento da inteligência múltipla ampliando desse modo às perspectivas de
atuação profissional bem como maior satisfação de seus clientes. (JÚNIOR et. al, 2012)
MATERIAIS E MÉTODOS
As técnicas para a coleta de dados utilizados para esse trabalho foram definidas de
acordo com as necessidades e para o desenvolvimento pesquisa. A pesquisa bibliográfica
foi utilizada com o objetivo de levantar informações necessárias para a compreensão e
desenvolvimento do trabalho. Com a leitura do material selecionado foram construídos
fichamentos para o registro das informações. Essa técnica contribuiu para a
fundamentação e discussão ao longo do trabalho.
Como buscou descrever percepções, expectativas, reclamações e sugestões da
população estudada, essa pesquisa se caracteriza como descritiva. Para Gil (2002, apud
OLIVEIRA e FERNANDES, p. 10, 2011) a pesquisa descritiva se refere à [...] descrição
das características de determinada população ou fenômenos ou o estabelecimento de
relações entre variáveis.
A observação foi outro instrumento utilizado para a coleta de dados e utiliza os
sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. (Marcone e Lakatos, 2005)
A utilização desta técnica de pesquisa se deu por meio da percepção e análise de
características pessoais e sociais dos grupos estudados. Esta técnica possibilitou a
imersão do pesquisador no universo pesquisado permitindo que este analise e compare
situações e comportamentos o que torna suas impressões mais consistentes e de maior
teor científico.
Para os propósitos dessa investigação foi utilizado à entrevista semiestruturada
(Apêndice A e B) e o questionário (Apêndice C e D). Na busca de aprofundar a
perspectiva dos usuários diante dos serviços oferecidos pelos contabilistas, assim como,
a aplicação dessa técnica com esses profissionais no intuito de apreender características
de sua prática. Marconi e Lakatos (p. 199, 2005) entendem esta modalidade de entrevista
como “[...] aquela em que não há roteiro, tópicos relativos ao problema que se vai estudar
e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões e motivos,
84
dá esclarecimentos, não obedecendo, a rigor, a uma estrutura formal”.
A entrevista pode fornecer dados precisos acerca do tema pesquisado, por meio
de roteiro pré-definido assim como o uso do questionário com perguntas fechadas
evidenciou a posição, ideias e opiniões do entrevistado.
O questionário proporcionou a compreensão geral do perfil profissional do
contabilista e os serviços oferecidos por esse. O roteiro foi composto por questões
fechadas e abertas. Para Gil (p. 123, 2008) nas questões fechadas “[...] pede-se aos
respondentes para que escolham uma alternativa dentre as que são apresentadas numa
lista”. Enquanto as questões abertas segundo Gil (p. 122, 2008) são aquelas que “[...]
solicita-se aos respondentes para que ofereçam suas próprias respostas”.
O questionário (Apêndice C e D) aplicado é classificado como misto, ou seja; é
composto por perguntas abertas e fechadas a fim de extrair o maior número possível de
informações acerca da classe a ser estudada.
Consideramos como amostra para esse estudo o número de 9 (nove) contabilistas
e 13 (treze) usuários distribuídos dentre os municípios da região Centro-Sul do estado de
Sergipe.
ESTADO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Regular ou instituir uma política monetária diferenciada com o intuito de reduzir ou
estimular a taxa de juros e, consequentemente, o poder de compra da população, é
dentre várias possibilidades uma das formas que o Estado pode intervir na economia.
O atual cenário da economia mundial tem demonstrado que países como Brasil,
Rússia, China e Índia que compõe o grupo denominado BRIC conquistaram seu espaço e
prestígio junto à comunidade econômica mundial. Contudo, essa moderada ascensão
junto às até então, grandes potências econômicas não aconteceu de forma natural, o que
até então representaria uma nova grande depressão para a economia mundial, a crise de
2008 que se instalou nos Estados Unidos e nos países da Europa significou para as
nações cognominadas subdesenvolvidas a abertura de mercados antes pouco
explorados. Não demoraria muito para que o mundo inteiro mergulhasse nessa crise, já
que boa parte das nações do mundo mantinha estreita relação comercial com os Estados
Unidos e com os países do Velho Mundo.
85
[...] a organização política das sociedades modernas reconhece a
existência do Estado como a expressão máxima da autoridade dentro de
seu território. Como consequência, cabe ao Estado legislar sobre os mais
variados aspectos da vida dos indivíduos, entre os quais se incluem os
relativos às atividades econômicas e também o exercício de poder de
polícia com o objetivo de intervir e corrigir as falha e imperfeições do
mercado. (Silva, 2009, pág. 1)14
Corroborando com Silva, no Brasil um conjunto de políticas econômicas foi
implantado pelo Governo com intuito de minimizar os impactos da crise na economia
brasileira. Dentre as principais podemos citar a redução das taxas de juros, liberação de
crédito para pessoas numa faixa de renda menor, e principalmente a redução de impostos
para eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Todas essas medidas foram adotadas com
objetivo de manter aquecido o mercado interno ao mesmo tempo em que almejava
suavizar na economia brasileira os impactos da crise instalada no mundo, demonstrando
claramente a política protecionista implantada pelo governo brasileiro, e o poder
intervencionista do Estado.
O Estado como principal responsável pela gestão política e normativa de uma
sociedade deve adotar leis e políticas capazes de estimular novos empreendimentos e a
geração de emprego e renda como formas de alavancar o desenvolvimento
socioeconômico. Como prevê a Constituição de 1988:
Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos,
nos termos desta Constituição.
Embora regidos por uma Lei Magna que regulará as ações de qualquer ente
público; conforme prevê o artigo citado, cada ente público é autônomo e independente
cabendo a ele a responsabilidade de editar, executar e fiscalizar a implantação de leis e
programas que propiciem o desenvolvimento econômico e o bem-estar social.
Promover o bem-estar social, garantir o direito a saúde e a segurança são direitos
previstos pela nossa Constituição, e é obrigação do Estado em qualquer das esferas
prove-los a população. Contudo, ao analisarmos os aspectos avaliados pelo IDH15, o
14 SILVA, Lino Martins da. Contabilidade Governamental: um enfoque administrativo da nova contabilidade
pública. 8ª Edição – São Paulo: Atlas, 2009.
15
Índice de Desenvolvimento Humano foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a
qualidade de vida em todos os países.
86
atendimento as necessidades básicas de uma população, percebemos que a microrregião
estudada está bastante aquém das demais microrregiões e territórios do estado,
apresentando um índice de 0,614 (PNUD, 2000). Ao observar pormenorizadamente esse
índice surgem diversos questionamentos quanto à ação do ente público, isso porque essa
microrregião está estrategicamente falando; numa região privilegiada onde três de seus
municípios (Poço Verde, Simão Dias e Tobias Barreto) fazem divisa com o estado da
Bahia que para uma indústria ou comércio seria um grande diferencial competitivo pela
facilidade de escoamento de seus produtos.
É relevante observar que a agricultura de subsistência impera como principal fonte
de renda das famílias com menor poder aquisitivo e geralmente com maior número de
filhos, principalmente nas zonas rural e nos bairros de periferia. Vale salientar, que o
comércio é bastante significativo para receita de alguns municípios (Lagarto, mas
principalmente Tobias Barreto), enquanto a indústria se destaca na cidade de Lagarto, e
mais recentemente também na cidade de Simão Dias, no município de Tobias Barreto há
uma notória produção industrial cujo objetivo é a distribuição no comércio local. Evidenciase a necessidade de um programa de incentivos fiscais a fim de atrair empresários de
pequeno, médio e até grande porte para esses municípios, visando promover o
desenvolvimento econômico e social dessas localidades, além de estimular a
concorrência fator extremamente necessário para que as empresas busquem sempre
melhorar seus produtos e serviços, e consequentemente, expandir os negócios
garantindo dessa forma sua permanência no mercado como também a geração de
emprego e renda.
Para tanto, faz-se necessário salientar que para grandes industriários é preciso
mais que um programa de incentivos fiscais para despertar seu interesse pela
microrregião e fazer com que eles se sintam atraídos pela mesma. A disponibilidade de
matéria-prima, mão de obra abundante e qualificada, facilidade para escoar os produtos,
a existência de mercado consumidor local, como por exemplo, uma indústria têxtil em
Tobias Barreto tendo em vista algumas indústrias e o comércio varejista de confecção; e
uma empresa ou mesmo uma cooperativa para beneficiar o feijão em Poço Verde, cientes
de que o município é o maior produtor do estado; como também a instalação de uma
indústria produtora de derivados do milho em Simão Dias para absorver a produção local
87
são exemplos de como aproveitar o potencial econômico dos municípios, e também são
exemplos de fatores determinantes para que um empresário decida se instalar em
determinada região.
Embora a escassez de competência e falta de comprometimento do gestor para
administrar a máquina e os recursos públicos sejam notórios, cabe salientar que o estado
é corresponsável pela ascensão de qualquer unidade federativa de seu território,
principalmente no que diz respeito a incentivos e isenções fiscais, pois é esse ente quem
administra, regulamenta e institui o maior arrecadador de receitas do país, o ICMS16.
CONTEXTUALIZAÇÃO
A invasão dos produtos chineses no Brasil, assim como em outros países do
mundo, tem levado o empresariado de todos os segmentos da economia brasileira a
busca por profissionais cada dia mais capacitados e dotados de conhecimento técnico e
mercadológico a fim de desenvolverem projetos e sugira alternativas que para a redução
dos custos no processo de comercialização/fabricação, tornando com isso seus produtos
mais competitivos, garantindo seu espaço no mercado e consequentemente evitando a
extinção da entidade.
Uma pesquisa realizada pelo SEBRAE17 em parceria com o IBQP18 (GEM, 2011)19
demonstra que o número de empreendedores no país não deixou de crescer, segundo
dados da pesquisa “O Brasil possui 27 milhões de brasileiros envolvidos ou em processo
de criação de um negócio próprio, ficando atrás somente da China e Estados Unidos
aparecendo em terceiro lugar no ranking de 54 países analisados [...]”. Embora a
pesquisa apresente dados positivos quanto ao surgimento de novos empreendimentos, é
relevante ressaltar que o índice de mortalidade dos novos negócios é considerável, pois
em média 27,5% das empresas constituídas nos anos de 2005 e 2006 não sobreviveram
a 2 (dois) anos no mercado como expõe estudo realizado pelo SEBRAE. Se analisar
friamente esse percentual de entidades extintas parece pequeno, porém quando aplicado
16
Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de
transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação.
17
Serviço Brasileiro de Apoio ás Micros e Pequenas Empresas.
18
Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade
19
Global Entrepreneurship Monitor
88
ao contingente de 1.370.464 número de empresas constituídas em 2010, segundo a base
de informações do governo, percebe-se que esse índice é bastante preocupante, por
representar a extinção de 376.878 mil empresas.
Os dados apresentados por esses estudos vêm ressaltar a importância de
profissionais como administradores e contadores, principalmente dos contadores na
longevidade das empresas, porque são esses profissionais que acompanham a entidade
antes mesmo dela existir formalmente, através de orientações ao futuro empresário
quanto à viabilidade do negócio em determinada região, sugestão de pesquisas e análise
de mercado a fim de traçar um perfil do público alvo, e, acompanha os processos de
cadastro da empresa nos órgãos competentes, além de orientá-lo quanto à necessidade
de licenças para funcionamento (ADEMA, IBAMA entre outros). Logo, esses profissionais
não podem resumir como atividades de sua competência a escrituração fiscal e pessoal,
cálculo de tributos ou mesmo a prestação de informações aos órgãos fiscalizadores como
Ministério do Trabalho e a Receita Federal.
Frente às novas exigências do mercado de trabalho e a crescente demanda tornase imprescindível o aprimoramento constante por partes dos profissionais, a buscar por
cursos de graduação para quem é técnico, de pós-graduação como especialização,
mestrado ou doutorado para os graduados. Contudo, cabe salientar que mesmo com a
notória demanda por aperfeiçoamento técnico-profissional os recrutadores destacam
como uma das causas do insucesso nas entrevistas e mesmo na obtenção de emprego a
falta de domínio da Língua Portuguesa, conhecimento considerado básico tendo em vista
que se trata do idioma pátrio20. Na mesma matéria a gerente de treinamentos de uma
empresa questiona: “Uma pessoa que não domina nem seu próprio idioma, como ela vai
poder se destacar na empresa?”21
Com isso surge o questionamento: Será que os 1.244 cursos de graduação em
Ciências Contábeis autorizados pelo MEC22 fornecem o conhecimento técnico,
competências e habilidades necessárias para subsidiar os contabilistas quando estes
ingressarem no mercado de trabalho? Qual o perfil dos profissionais contábeis no
mercado brasileiro?
20
Reportagem exibida pela Rede Globo no Jornal Hoje em 24/01/2011.
Entrevista com gerente de treinamento da empresa visitada na reportagem exibida no Jornal Hoje em
24/01/2012.
22
Ministério da Educação e Cultura. Disponível em < http://emec.mec.gov.br/> acessado em 16/08/2012.
21
89
Baseados nesses questionamentos nos propuseram a pesquisar acerca do
exercício da profissão contábil na região Centro-Sul do estado de Sergipe, buscando
traçar o perfil desses profissionais, de seus clientes, mensurar a qualidade dos serviços
prestados, os agravantes ao exercício profissional, e como graduando em Ciências
Contábeis conhecer o mercado de trabalho.
ASPECTOS ECONÔMICOS DA REGIÃO
O Estado de Sergipe está localizado na região Nordeste com população exata de
2.068.031 hab. É o menor estado do país com área aproximadamente 21.910 km² o que
corresponde a 0,26% do território nacional com densidade demográfica de 94,35 hab./km²
possui 75 municípios divididos em meso, microrregiões, e territórios.
A região Centro-Sul selecionada como o objeto de estudo dessa pesquisa é
composta pelos municípios de Poço Verde, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto e
Riachão do Dantas essa microrregião abrange uma área de aproximadamente 3.520, 9
km² que corresponde a 16% da área do estado, aproximadamente 222.972 habitantes
representando 10,78% da população total, densidade demográfica de 63,33 hab./km² e
com PIB23 de R$ 1,23 bilhões alcançando o percentual de 6,3% do PIB estadual.
A exploração das características socioeconômicas desses municípios se faz
necessário devido ao fato deste trabalho estudar a qualidade dos serviços contábeis na
referida região, por esse motivo é relevante apresentar uma síntese dos setores da
economia que movimentam o mercado local e consequentemente evidenciar quais as
demandas do mercado no que concerne a serviços contábeis.
Ressaltamos a importância de investigar o território devido a pouca ou nenhuma
bibliografia existente sobre o tema escolhido, e que esse trabalho subsidiará os
profissionais contábeis servindo como guia para os contabilistas da microrregião
ajudando-os a conhecer e identificar seus clientes para melhor e mais eficiente prestação
de serviços.
Com o intuito de expor com maior detalhamento as características de cada
município do território discorreremos em um pequeno texto sobre cada unidade.
23
Produto Interno Bruto – Valor total dos bens e serviços finais produzidos num país por determinado
período.
90
Lagarto
Localizado a 78 km da capital Aracaju, o município tem uma área de 969,226 km² e
população de 94.861 habitantes. Segundo dados do censo 2009, o PIB desse município
ano de 2009 foi de R$ 614.668 distribuídos da seguinte maneira: serviços R$ 394.958, R$
87.627 pela indústria, R$ 77.944 produzidos pela agropecuária e R$ 54.138 produzidos
pela arrecadação de impostos sobre produtos líquidos.
Diante das informações apresentadas podemos verificar que o setor de serviços é
predominante no município de Lagarto com representação de aproximadamente 65% do
PIB local seguido pela produção da indústria com 14%, da agropecuária com 12% e da
arrecadação de impostos com cerca de 9%.
Poço Verde
Localizado a 145 km da capital Aracaju, o município é o menor do território com
área de 430,973 km² e população de 21.983 habitantes. De acordo com o IBGE/2009 o
PIB desse município é de R$ 98.134 desdobrando-se da seguinte maneira: R$ 74.117
serviços, R$ 12.956 com produção agrícola, R$ 7.184 com a produção industrial, R$
3.877 com arrecadação de impostos sobre produtos líquidos.
Como evidenciam os dados o setor de serviços é atividade preponderante no
município de Poço Verde representando 75 % do PIB local logo seguido da agropecuária
com 13%, da indústria com 7% e da arrecadação de impostos com 5%.
Riachão do Dantas
Com a menor densidade demográfica, 37 hab./km², e a segunda menor área do
território, 528.256 km², e população de 19.386. Este município fica a 99 km da capital
Aracaju. Segundo o IBGE/2009, o seu PIB é de R$ 96.154 segmentados da seguinte
forma: 65.701 para o setor de serviços, R$ 22.375 para a agricultura, para a indústria R$
5.734 e R$ 2.344 com arrecadação de impostos sobre produtos líquidos.
Como demonstram as informações supracitadas aproximadamente de 69% do PIB
é gerado pelo setor de serviços, 23% pelas atividades agropecuárias, 6% pela indústria e
cerca de 2% gerado pela arrecadação de impostos.
Simão Dias
Localizado a 100 km da capital Aracaju, esse município apresenta a segunda maior
densidade demográfica do território com 69 hab./km² aproximadamente, com população
total de 38.702 habitantes e área de 564.668 km². O seu PIB é de R$ 238.324 repartidos
91
em R$ 148.815 para o setor de serviços, R$ 41.891 para agricultura, R$ 32.158 para
indústria e R$ 15.460 com arrecadação de impostos.
Com os dados citados podemos verificar que o setor de serviços é predominante
no município de Simão Dias representando cerca de 60% do PIB local seguido pela
agropecuária com 17%, acompanhado pela indústria com aproximadamente de 13%, e
pela arrecadação de impostos com 10% do total do PIB do município.
Tobias Barreto
O maior município do território com uma área de 1.032 km² e com a segunda maior
população cerca de 50 mil, o município apresenta densidade demográfica de 47 hab./km².
Em consonância com o IBGE/2009 a soma de todas as riquezas produzidas pelo
município está distribuída da seguinte maneira: R$ 178.598 para o setor de serviços, pela
indústria R$ 32.902, pela arrecadação de impostos R$ 18.272 e pela agropecuária R$
13.931.
Conforme expõem os dados o setor que mais movimenta a economia local é setor
de serviços com cerca de 70%, seguido da indústria com 14%, pela arrecadação de
impostos com 9% e pela agropecuária com participação de 7%.
ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
Para a coleta de dados foram utilizadas duas técnicas o questionário e a entrevista,
aplicados em todos os municípios da microrregião de acordo com a disponibilidade que
tanto os contabilistas quanto os usuários apresentaram para respondê-los.
Contabilistas
Embora esse trabalho se proponha avaliar o perfil do profissional sob a ótica dos
usuários, as perspectivas e ponto de vista desses se fazem necessários para que
possamos ter uma visão aprofundada da relação cliente/contador. Dentre os municípios
que integram a microrregião foram aplicados 9 (nove) questionários com contabilistas
escolhidos em virtude da acessibilidade, desse universo foram extraídas as informações a
seguir:
1) Qual o seu grau de escolaridade?
Da amostra aproximadamente 44% dos contabilistas entrevistados possuem nível
92
técnico, 22% superior enquanto 34% cursam ou cursaram pós-graduação na área
contábil, é relevante salientar que dentre os profissionais que possuem o nível técnico 2
(dois) deles, ou seja, 50% desse segmento está cursando superior em Ciências
Contábeis, 1 (um) dos entrevistados cursa licenciatura em Geografia enquanto o último
disse instruir-se por meio de cursos da internet, no que concerne aos contabilistas que já
concluíram nível superior um dele não está cursando pós-graduação, enquanto o segundo
profissional mencionou fazer cursos na área fiscal e contábil, porém não mencionou o
órgão ou instituição de ensino.
2) Você costuma frequentar os cursos, palestras e eventos promovidos pelo CRC/SE?
Quando questionados quanto a frequência aos cursos e eventos promovidos pelo
CRC/SE24, aproximadamente 55% dos contabilistas afirmaram frequentar assiduamente,
ao contrário dos demais entrevistados que disseram comparecer ás vezes. Ainda que a
maioria frequente os eventos sempre que esses acontecem, os contabilistas praticamente
são unanimes ao ressaltar que a distância, horários incompatíveis e principalmente o alto
custo são fatores impactantes para que esses profissionais deixem ou frequentem menos
do que deveriam os eventos promovidos pelo órgão da classe.
A reclamação desses profissionais enquanto a distância se justifica pelo fato de
que o município da microrregião mais próximo da capital do estado (Aracaju) está a mais
ou menos 75 km de distância, e em relação aos altos custos é que os eventos são
realizados a noite, logo os contabilistas teriam gastos com hospedagem e alimentação
além do custo com inscrição e locomoção até o local do evento. Os contabilistas
ressaltaram ainda a necessidade de que mais cursos fossem promovidos nas
microrregiões do estado, pois dessa maneira haveria uma assiduidade maciça por partes
desses profissionais.
3) Como é constituída sua cartela de clientes? E quais os principais serviços
solicitados por eles?
Podemos inferir por meio da amostra que a maior parte das entidades que
constituem a cartela de clientes dos profissionais da região estudada são empresas
comerciais e prestadoras de serviços de acordo com 55% dos entrevistados, os demais
contabilistas
apresentam
uma
carteira
mais
24 Conselho Regional de Contabilidade de Sergipe.
93
diversificada
e
consequentemente
representam 45% dos respondentes. Baseado nessas informações pode-se inferir que
grande parte das entidades da microrregião estão constituídas na forma de Empresário
Individual, Empresa de Pequeno Porte ou Sociedade Simples, logo conclui-se que o
regime de tributação no qual estão enquadrados é o SIMPLES NACIONAL 25. No universo
dos profissionais entrevistados verificou-se que cerca de 80% dos clientes solicita
somente serviços relativos à área fiscal (escrituração, apuração de diferencial de alíquota
e do tributo incidente sob as empresas optantes pelo SIMPLES), e a área pessoal (cálculo
de folha de pagamento, recolhimento de contribuição previdenciária patronal, de
segurados, e guias de FGTS), enquanto os demais entrevistados, ou seja, 20% exigem
serviços mais completos como escrituração fiscal digital, SPED – PIS e COFINS, e DIRF
além de livros de entradas e saídas de mercadorias, livros de IPI quando indústria entre
outros.
4) Existe algum programa de incentivo fiscal no seu município para as empresas que
por conveniência resolvam se instalar nele?
Da amostra pode-se perceber que os contabilistas da região estudada
desconhecem de qualquer programa de incentivo fiscal municipal. Contudo, pode-se
constatar com esse trabalho a existência de um plano de incentivo fiscal no município de
Lagarto, esse programa é regido pela Lei Municipal 228/2007 e regulamentado pelo
Decreto Municipal 079/2010, importante ressaltar que nenhum momento quer da
entrevista ou da aplicação do questionário nenhum contabilista do município fez menção
ao referido programa.
5) Seus clientes costumam solicitar visitas? Em média quantas vezes por ano?
De acordo com os dados obtidos junto a amostra aproximadamente 45% os
contabilistas afirmam que seus clientes costumam mais de 8 (oito) vezes ao ano,
enquanto 11% dos entrevistados diz ser solicitado de 5 a 7 vezes, já 22% afirmam que
são solicitados somente de 2 a 4 vezes e, 22% dizem não serem convidados a aparecer
na empresa para a qual prestam serviços. Gostaria de ressaltar que entendemos como
visitas o deslocamento do profissional de seu local de trabalho até o estabelecimento do
empresário, é relevante ressaltar também, que se a visitar for para passar ao
25 SIMPLES NACIONAL é um regime de tributação diferenciado, e como próprio nome já sugere
simplificado, isso porque todos os tributos (PIS, COFINS, IRPJ, CPP, ICMS e ISS) são recolhidos em um
único documento (DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Instituído para os micros e
pequenos empresários por meio da Lei Complementar 123/2006 a fim de facilitar a arrecadação tributária.
94
estabelecimento DARF ou guias para pagamentos não constitui visitas, pois o objetivo da
mesma seria procurar obter um “feedback” junto ao empresário quanto a prestação de
seus serviços, como também averiguar se o mesmo tem a pretensão de expandir os
negócios ou até ingressar em um novo segmento, para que com isso o contabilista possa
orientá-lo de forma clara e concisa quanto as ações, procedimentos necessário para
implantação do negócio, e até acerca da viabilidade de fazê-lo.
Usuários
O estudo acerca do mercado consumidor, ou seja, clientes e usuários dos serviços
contábeis se faz necessário por que é por meio da ótica dos tomadores de serviços que
procuraremos traçar o perfil do profissional. A amostra para coleta de dados é composta
de 13 usuários selecionados em virtude do acesso e pré-disposição que os mesmo
demonstraram para participar desse estudo.
1) Há quanto tempo sua empresa está no mercado?
Quando questionados quanto tempo de atuação no mercado cerca de 60% afirmou
está no mercado há mais de 7 anos, logo conclui-se que estes já conquistaram seu
espaço, quanto as demais entidades 25% delas estão no mercado há 3 e 4 anos, e os
15% remanescentes estão em funcionamento entre 1 e 2 anos período considerado mais
crítico pelo SEBRAE, pois são nos 2 primeiros anos de atividades que as empresas são
extintas, ou seja, que apresentam maior índice de mortalidade. Segundo o próprio
SEBRAE, embora os índices de mortalidade das empresas tenham apresentado
significativas diminuições as causas que levam a extinção da empresas continuam as
mesmas: Má administração, falta de conhecimento do negócio empreendido e falta de
orientação, aos profissionais de contabilidade não cabe à gestão do negócio em nosso
estado é comum que o dono assuma também a função de gestor, e nem sempre o
mesmo possui conhecimento técnico suficiente sobre administração ou gestão de negócio
para manter a entidade em funcionamento. Já ao contabilista cabe a função de orientador
sugerindo pesquisas para conhecer o mercado, a concorrência, se existe um público a ser
explorado que garanta a continuidade da empresa, e isso antes mesmo da concretização
efetiva do negócio para que se possa evitar desperdícios de tempo e dinheiro.
2) Há quanto tempo você utiliza os serviços de seu atual contabilista?
Pelo que se pode extrair da amostra existe uma relação pautada na confiança e no
respeito entre o tomador e o prestador do serviço, pois apenas 15% dos respondentes
95
estão com seu atual contabilista há menos de 3 anos, indicando claramente que o usuário
acredita na competência de seu contador.
3) Quantas vezes por ano o contabilista costuma visitar sua empresa?
Os dados coletados expõem que 46% dos usuários que responderam ao
questionaram afirmam que o contabilista costuma visitar a empresa de 2 a 4 vezes ao
ano, 23% assevera que as visitas são superiores a 8 visitas, 23% não recebe nenhuma
visita, e 8% dos clientes afirmam receber de 5 a 7 visitas anuais. Quando questionados
(os usuários) se eles costumavam solicitar a presença do contador na empresa 77%
afirmaram que não, e uma pequena minoria diz o fazer para solicitar outros serviços como
também para pedir a opinião do contabilista.
Ao confrontarmos essa última informação com o exposto no gráfico, perceberemos
que os números se invertem. Contudo, tanto pelo perfil do contabilista tanto quanto do
usuário inferimos que alguns respondentes do questionário associaram a entrega de
algum documento pelo contador em sua empresa a uma visita, o que não
necessariamente caracterizaria uma visita para fins de prestação de serviços e frente às
exigências do mercado quanto à atuação do profissional contábil.
4) Os contabilistas costumam demonstrar interesse no desempenho da empresa?
De acordo com informações levantas junto à amostra estudada cerca de 60% dos
clientes afirmam que os contabilistas não demonstram interesse pela situação econômicofinanceira da entidade, é surpreende aferir essa informação, principalmente porque
durante o curso de graduação os bacharelandos em ciências contábeis adquirem um
hábito de querer e gostar de visualizar sempre o lucro mesmo em empresas de terceiros,
é algo cultural, tanto nos cursos, porque desde os primeiros semestres os alunos são
orientados para apurar resultados e avaliar a situação econômico-financeira da entidade,
que em caso negativo leva-os a analisar quais medidas poderiam ser tomadas para
reverter esse quadro enquanto na prática do profissional contábil tal cultura é adquirida,
porque a sua cartela de clientes é construída por entidades com finalidade lucrativa. Creio
que essa maioria, ao contrário dos 40% de contabilistas que se mostraram interessados
pelo desempenho da entidade, não tem consciência de que quanto melhor o resultado da
entidade, maiores também seus honorários.
5) Você acha justo o valor cobrado pelo seu contador pelos serviços prestados?
Podemos aferir junto à amostra, como universo pesquisado os usuários avaliam os
96
honorários contábeis. Constatamos que aproximadamente 23 % julgam não achar justo o
valor desembolsado em troca da prestação de serviços, enquanto 77% desse grupo
admitiu ser justo o valor pago a tais profissionais. Embora a grande maioria declare justo
o valor desembolsado pela prestação dos serviços, o mesmo não acontece quando se
trata da satisfação quanto à qualidade dos serviços prestados cerca de 40% declarou
estar insatisfeito com seu contabilista dentre as principais reclamações cita-se:
“Ele nunca vem aqui na empresa, tem um escritório aqui e outro em Aracaju, ás
vezes preciso falar com ele e nem consigo nem por telefone.”26
“Ele não conversa muito, e às vezes demora para trazer as coisas que a gente
pede.”
27
“Ele deveria mostrar mais interesse pelo que eu pago.”28
Como evidenciam as falas dos clientes entrevistados há uma carência a ser
suprida, uma necessidade a ser atendida no que diz respeito aos serviços contábeis
prestados na microrregião. A ausência, morosidade em atender as solicitações de seus
clientes pode acarretar na evasão desses; o que é prejudicial, pois abala o prestígio e a
credibilidade do profissional. Além disso, é sabido por todo profissional contábil que sua
cartela de cliente é constituída por meio de “networking”29, logo se o usuário deixa de
tomar seus serviços por insatisfação, é evidente que ele deixará de indicá-lo para
conhecidos e para pessoas que busquem referências suas com ele.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao tomarmos como objeto para estudo o perfil do profissional contábil na região
Centro-Sul do estado de Sergipe, propusemo-nos a analisar o perfil dos tomadores dos
serviços desses profissionais, os usuários da informação, ou seja, seus clientes e, por
meios desse podemos constatar que a ausência ou insuficiência do contabilista em
atender as necessidades dos usuários, se dá por que esses profissionais prestam
serviços há dezenas de entidades e por esse motivo deixam de suprir as necessidades de
26 Entrevista com usuário da cidade de Tobias Barreto/SE 20/10/2011
27 Entrevista realizada com usuário na cidade de Poço Verde/SE em 10/11/2011.
28 Entrevista realizada com usuário na cidade de Lagarto/SE em 23/08/2012.
29 Networking ou rede de contatos (tradução não literal) é um termo utilizado pelos profissionais da área de
Administração para descrever clientes, fornecedores e parceiros, enfim pessoas com quem o profissional ou
empresa se relaciona que podem de alguma maneira contribuir para o seu sucesso profissional ou
maximização dos resultados.
97
seus clientes como também de explorar o potencial econômico dos mesmos.
Notamos que o profissional contábil da microrregião preocupa-se mais com o
número de clientes que possui do que com a qualidade dos serviços que presta. Para
esses profissionais qualidade nos serviços é sinônimo de cálculo de folha de pagamento e
contribuições geradas em tempo hábil, informações fiscais transmitidas a SEFAZ 30 e
RFB31 nos prazos estabelecidos e escrituração atualizada.
Observamos que embora os usuários reclamem da atuação do profissional
contábil, vale salientar que a grande maioria não tem consciência do papel do contabilista
para sua empresa, que vem o contabilista somente como alguém para calcular seus
impostos e que o lugar dele não é dentro de sua empresa “dando palpite” quando
procedimentos ou práticas administrativas corriqueiras, nem tampouco tomando
conhecimento sobre práticas extrafiscais adotadas, isso fica claramente demonstrado
quando esses omitem informações significativas para esse profissional gerando dúvidas
quanto ao desempenho e estabilidade financeira, além de sujeitar a entidade a
penalidades por sonegação fiscal. Porém, é relevante ressaltar que cabe ao contabilista
quebrar as barreiras geralmente impostas por seus clientes, para isso utilizar-se-iam das
informações que detêm para demonstrar o quão rentável pode ser a adoção de certas
práticas na entidade como, por exemplo, o cálculo do custo dos produtos e/ou
mercadorias vendidas aferindo por meio dessa técnica se a margem de lucro agregada é
suficiente para pagar todas as despesas e ainda impulsionar o desempenho da entidade.
Com isso, evidencia-se que fatores pessoais como comodidade, atitude pessimista,
insatisfação profissional e falta de comprometimento, além de fatores mercadológicos
como má remuneração, cultura da sonegação, limitação dos clientes impactam
diretamente no exercício da profissão afetando diretamente a qualidade dos serviços
disponibilizados na região.
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30 Secretaria do Estado da Fazenda
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APÊNDICE A – ENTREVISTA CONTABILISTAS
1- Como o senhor analisa o programa de educação continuada desenvolvida pelo
CFC?
2- Como profissional da área de contabilidade como o senhor analisa as perspectivas
de crescimento econômico da região Centro-Sul de Sergipe?
3- Para o senhor quais as perspectivas que a contabilidade tem no seu município?
4- O senhor percebe mudanças na postura do profissional de contabilidade em seu
município?
5- O que o senhor pensa que poderia acontecer para o crescimento da contabilidade
na Região Centro-Sul?
6- Como o senhor analisa a atuação do CFC em seu município e na região CentroSul?
7- Como o senhor avalia a relação profissional com os seus usuários?
APÊNDICE B – ENTREVISTA USUÁRIOS
1) Qual o papel do contabilista na sua empresa?
2) Como você avalia os serviços de seu contabilista?
( ) Ótimo ( ) Bom
(
) Regular
( ) Ruim. Justifique.
100
3) Como é o seu relacionamento com seu contador?
 Existe diálogo?
 As informações são claras?
 Ele costuma lhe orientar na administração da empresa?
APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO USUÁRIOS
1) Há quanto tempo sua empresa está no mercado?
( ) menos de 1 ano ( ) 1 a 2 anos ( ) 3 a 4 anos ( ) 5 a 6 anos ( ) mais de 7 anos
2) Há quanto tempo você utiliza os serviços do seu atual contabilista?
( ) Menos de 1 ano ( ) 1 a 2 anos ( ) 3 a 4 anos ( ) 5 a 6 anos ( ) mais de 7 anos
3) Quantas vezes por ano o contabilista costuma visitar sua empresa?
( ) 2 a 4 visitas ( ) 5 a 7 visitas ( ) mais de 8 visitas ( ) nenhuma
4) Você costuma solicitar a visita de seu contabilista?
( ) Sim ( ) Não. Se a resposta for Sim. Quais serviços costuma solicitar?
5) Os contabilistas costumam demonstrar interesse em saber como está a sua
empresa?
( ) Sim ( ) Não.
6) Você acha justo o valor cobrado pelos serviços contábeis de seu contador?
( ) Sim ( ) Não.
7) Você está satisfeito com os serviços de seu contabilista?
( ) Sim ( ) Não. Se Não, o que falta?
APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO CONTABILISTAS
1) Qual o seu grau de escolaridade?
( ) Nível Médio – Técnico
( ) Nível Superior
( ) Pós – Graduação
2) Você está fazendo algum curso ou desenvolvendo alguma atividade paralela á sua
atividade como contabilista?
( ) Sim
(
) Não
101
Se sim, qual? ______________________________________________
3) Você costuma frequentar os cursos, palestras e eventos promovidos pelo CRC/SE?
( ) Sim
( ) Não
( ) Ás vezes
( ) Raramente
4) Existe algum fator que dificulte ou impeça a sua frequência nos cursos promovidos
pelo CRC? Se sim, qual?
5) Como é constituída sua cartela de clientes?
( ) Comercias e de serviços ( ) Comerciais e Rurais ( ) Comerciais, rurais, serviços
e industriais.
6) Quais são os principais serviços solicitados por seus clientes?
( ) Fiscais e Pessoal ( ) Somente pessoal ( ) Somente fiscal ( ) Outros
______________
7) Existe algum programa de incentivo fiscal no seu município para que resolvam se
instalar nele?
( ) Sim
(
) Não. Se sim, qual?__________________
8) Seus clientes costumam solicitar visitas? Em média quantas vezes por ano?
( ) 2 a 4 vezes ( ) 5 a 7 vezes ( ) mais de 8 vezes ( ) nenhuma
102
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