PERFIL PROFISSIONAL DOS CONTABILISTAS DA REGIÃO CENTRO-SUL DO ESTADO DE SERGIPE: uma análise sob a ótica dos usuários locais. Alysson Cristian Rocha Souza1 Ediran Rabelo de Almeida2 RESUMO Esta pesquisa analisou, por meio de estudo exploratório, a qualidade dos serviços contábeis prestados pelos contabilistas na região Centro-Sul do estado de Sergipe observando a perspectiva dos usuários locais. Além disso, buscou identificar as principais necessidades dos usuários tanto quanto os fatores limitativos ao exercício da profissão contábil, e o atendimento desses profissionais ao Programa de Educação Continuada. Palavras-chave: Perfil. Profissional Contábil. Serviços. Qualidade e Usuários. RESUME Through exploratory study, this research analyzed the quality of the accounting services provided by accountants in the central-southern state of Sergipe, observing the perspective of local users. Besides, we sought to identify the main needs of the users as well as the limiting factors to the accounting profession. We also identified the attendance of these professionals to the Continuing Education Program. Keywords: Profile. Professional Accounting Services. Quality And Users. INTRODUÇÃO A intensificação da globalização obrigou aos mercados a desenvolver novas regras na relação com os seus clientes e na elaboração de suas estratégias de marketing. Isso afetou a relação de competividade e concorrência entre as empresas, que por sua vez, partiu em busca da maior aproximação com o cliente. Essa mudança na estrutura econômica potencializada pela globalização modificou os rumos do mercado e os perfis das profissões. Podemos citar a concorrência e a competitividade como fatores inerentes da própria sociedade contemporânea, porque estes determinam as tendências, ritmo e caminho que o mercado seguirá beneficiando empresas e a população, guiados por uma 1 2 Professor Mestre - Faculdade José Augusto Vieira (FJAV), e-mail: [email protected] Discente de Ciências Contábeis pela FJAV, e-mail: [email protected] 77 busca constante pelo aperfeiçoamento de seus produtos e serviços a fim de expandir os negócios e maximizar os lucros. A contabilidade como ciência social aplicada, assim como todo e qualquer ramo do conhecimento, procura se adaptar ao meio no qual está inserida. A busca pelo aprimoramento da ciência contábil no Brasil é notável nos últimos anos, já que mudanças constantes envolvem sua prática. A edição de leis e resoluções a fim de aprimorar o exercício profissional acontece em ritmo acelerado o que exige um processo de qualificação constante dos profissionais da área. Por exigência do mercado, do próprio exercício profissional e do órgão regulador da classe, Conselho Federal e Regional de Contabilidade, o contabilista não deve resumir suas atividades a questões fiscais ou tributárias, deve também ser um profissional diligente no que concernem as normas e leis que regem a profissão, na busca pelo exercício zeloso da prática contábil, atenção às necessidades de seus clientes às necessidades de seu cliente e a honrar a classe como está previsto no próprio código de ética profissional: “Art. 2º São deveres do contabilista apud LISBOA (1997): I – exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observada a legislação vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais”.3 Buscando estimular e atentando para as novas exigências do mercado quanto ao exercício da profissão contábil, o Conselho Federal de Contabilidade criou o PEPC 4 por meio da resolução 945/2002 cujo objetivo inicial era incentivar a capacitação e qualificação técnica aos auditores independentes. Contudo, o programa foi estendido aos demais contabilistas pela clara relevância que o profissional contábil tem para o meio em que vive. Como afirma Gomes “[...] entre os especialistas há um consenso de que é necessário investir pesadamente em capacitação [...]”5, logo fica evidente que busca por qualificação não é somente uma determinação legal, mas também uma necessidade profissional, ainda de acordo com Gomes “[...] há uma demanda crescente por 3 LISBOA, Lázaro de Plácido. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 1997. 4 Programa de Educação Profissional Continuada 5 GOMES, Amaro Luiz de Oliveira. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, v. 1, p. 7-9. Março/abril, 2009. 78 profissionais qualificados e é uma demanda que não podemos desconsiderar.”6 O crescimento econômico do Brasil tem despertado interesse de investidores externos e movimentado o mercado interno. Isso acontece devido ao aumento do poder de compra das camadas menos favorecidas. O empresariado, por outro lado, vem se adaptando as novas condições de concorrência e competição impostas pelo mercado, diante disso, torna-se imprescindível para o empresariado a necessidade de informações precisas para o processo decisório. Além da evidente preocupação da entidade com o Balanço Social, pois será por meio deste que ela avaliará os impactos sociais, econômicos e ambientais de atuação e sua credibilidade junto aos clientes. Para a adequação das necessidades do mercado e a sobrevivência das empresas em um cenário cada vez mais competitivo, os profissionais da contabilidade necessitam estar sempre informados e atualizados para orientar com precisão nas decisões de seus clientes. As exigências do mercado para com os profissionais da área contábil são inúmeras. Nos dias atuais, aqueles profissionais que reconhecem somente como sua responsabilidade o cálculo e aferição das obrigações fiscais e tributárias estarão fadados ao anonimato. O contabilista não é mais responsável somente pela contabilidade da entidade, mas também pela gestão contábil, controle de gastos e financeiro, além de orientador de investimentos. Percebemos que nas últimas décadas a legislação contábil brasileira tem passado por constantes e significativas alterações que afetaram diretamente a prática contábil em todos os campos de atuação da referida ciência. Fruto do processo de internacionalização no qual a Contabilidade do Brasil e das demais nações do mundo estão envolvidas, essa convergência mundial aos padrões norte-americanos de contabilidade, justifica-se pelo interesse econômico que as multinacionais estadunidenses têm em explorar o potencial econômico das nações subdesenvolvidas. Contudo, para que esses investimentos efetivamente fossem realizados seria necessário que as demonstrações contábeis elaboradas no Brasil fossem entendidas por seus investidores independente de sua nacionalidade, aliados a esse cenário serviram como fomento para tais mudanças os aspectos econômicos que envolvem a política expansionista adotado pelo Governo através do estimulo a exportação e pela abertura de mercado claramente identificado pelo 6 Idem 79 crescimento da participação das empresas brasileiras no mercado externo. Destarte, salientamos que por se tratar de uma ciência social a Contabilidade está suscetível a todas as mudanças inerentes ao meio sejam elas políticas, econômicas ou sociais, logo se evidencia que possuir tão somente conhecimento técnico sobre contabilidade não é mais suficiente para o efetivo exercício da profissão, assim o profissional versado na ciência contábil deve valer-se de todo aparato de informações políticas, econômicas e sociais a fim de exercê-la com maestria. CONTEXTUALIZAÇÃO Uma pesquisa realizada pelo SEBRAE7 em parceria com o IBQP8 (GEM, 2011)9 demonstra que o número de empreendedores no país não deixou de crescer, segundo dados da pesquisa “O Brasil possui 27 milhões de brasileiros envolvidos ou em processo de criação de um negócio próprio, ficando atrás somente da China e Estados Unidos aparecendo em terceiro lugar no ranking de 54 países analisados [...]”. Embora a pesquisa apresente dados positivos quanto ao surgimento de novos empreendimentos, é relevante ressaltar que o índice de mortalidade dos novos negócios é considerável, pois em média 27,5% das empresas constituídas nos anos de 2005 e 2006 não sobreviveram a 2 anos no mercado como expõe estudo realizado pelo SEBRAE. Se analisarmos friamente esse percentual de entidades extintas, ele parece pequeno; porém quando aplicado ao contingente de 1.370.464, número de empresas constituídas em 2010, segundo a base de informações do governo, percebe-se que esse índice é bastante preocupante, por representar a extinção de 376.878 mil empresas. Os dados apresentados por esses estudos vêm ressaltar a importância de profissionais como administradores e contadores, principalmente dos contadores na longevidade das empresas, porque são esses profissionais que acompanham a entidade antes mesmo dela existir formalmente, através de orientações ao futuro empresário quanto à viabilidade do negócio em determinada região, sugestão de pesquisas e análise de mercado a fim de traçar um perfil do público alvo, e, acompanha os processos de 7 Serviço Brasileiro de Apoio ás Micros e Pequenas Empresas. Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade 9 Global Entrepreneurship Monitor 8 80 cadastro da empresa nos órgãos competentes, além de orientá-lo quanto à necessidade de licenças para funcionamento (ADEMA, IBAMA entre outros). Logo, esses profissionais não podem resumir como atividades de sua competência a escrituração fiscal e pessoal, cálculo de tributos ou mesmo a prestação de informações aos órgãos fiscalizadores como Ministério do Trabalho e a Receita Federal. Frente às novas exigências do mercado de trabalho e a crescente demanda tornase imprescindível o aprimoramento constante por partes dos profissionais, a busca por cursos de graduação para quem é técnico, de pós-graduação como especialização, mestrado ou doutorado para os graduados. Contudo, cabe salientar que mesmo com a notória demanda por aperfeiçoamento técnico-profissional os recrutadores destacam como uma das causas do insucesso nas entrevistas e mesmo na obtenção de emprego a falta de domínio da Língua Portuguesa, conhecimento considerado básico tendo em vista que se trata do idioma pátrio10. Na mesma matéria a gerente de treinamentos de uma empresa questiona: “Uma pessoa que não domina nem seu próprio idioma, como ela vai poder se destacar na empresa?”11 Com isso surge o questionamento: Será que os 1.244 cursos de graduação em Ciências Contábeis autorizados pelo MEC12 fornecem o conhecimento técnico, competências e habilidades necessárias para subsidiar os contabilistas quando estes ingressarem no mercado de trabalho? Qual o perfil dos profissionais contábeis no mercado brasileiro? Baseados nesses questionamentos propusemo-nos a pesquisar acerca do exercício da profissão contábil na região Centro-Sul do estado de Sergipe, buscando traçar o perfil desses profissionais, de seus clientes, mensurar a qualidade dos serviços prestados, os agravantes ao exercício profissional, e apresentar aos graduandos em Ciências Contábeis uma perspectiva do mercado de trabalho. Com o intuito de estabelecer um limiar para o desenvolvimento desse trabalho determinamos como objetivo geral analisar os serviços contábeis disponíveis na região Centro-Sul de Sergipe tendo como base para análise os serviços associados às necessidades dos usuários; e como objetivos específicos almejando a imersão no 10 Reportagem exibida pela Rede Globo no Jornal Hoje em 24/01/2011. Entrevista com gerente de treinamento da empresa visitada na reportagem exibida no Jornal Hoje em 24/01/2012. 12 Ministério da Educação e Cultura. Disponível em < http://emec.mec.gov.br/> acessado em 16/08/2012. 11 81 universo da pesquisa: descrever o perfil do contabilista da região Centro-Sul de Sergipe; analisar a atuação do profissional contábil na região Centro-Sul; verificar a receptividade e atendimento ao programa de educação continuada do Conselho Federal de Contabilidade; aferir as perspectivas do profissional contábil acerca da compatibilidade dos serviços prestados de acordo com as necessidades dos clientes. REFERENCIAL TEÓRICO Este trabalho está fundamentado em conceitos e categorias que norteiam as relações entre o contabilista e o usuário, destacando os serviços contábeis disponibilizados por esses profissionais. Como primeira definição é necessária à diferenciação entre contador e contabilista. “Contabilista – Profissional de Contabilidade pode ser tanto o técnico em contabilidade (2º grau) como o Contador (3º grau ou nível superior). Especialista em contabilidade”. MARION et al (p. 52, 2003). Segundo a descrição de Marion (2004), poderá ser denominado contabilista todo aquele que tenha qualificação técnica para exercer tal função, desde que esteja obrigatoriamente cadastrado junto ao CFC (Conselho Federal de Contabilidade) na esfera nacional e no Conselho Regional de Contabilidade na esfera estadual. Quanto às atividades profissionais inerentes a classe, o conjunto de todas estas atividades laborais é denominado serviços contábeis que pode ser definido como o produto oferecido pelos contabilistas ao mercado em troca de remuneração. E que na economia poderia ser chamada de moeda de troca, conceitua-se como serviços contábeis: “Trabalhos contábeis, todas as tarefas desenvolvidas por profissionais contábeis” IUDÍCUBUS et al (p. 212, 2003). Além das tarefas desenvolvidas enquadramse no leque dos serviços contábeis as orientações e informações prestadas aos tomadores desses serviços, que segundo Rios (p. 381 e 496, 2010), podem ser definidas respectivamente como: “Ato ou efeito de orientar. Direção, rumo, norte. Impulso, tendência e ato ou efeito de informar. Notícia recebida ou comunicada; informe. Conhecimento, instrução, direção”. Outro integrante da relação contabilistas e sociedade são os usuários pessoas que se utilizam da Contabilidade como meio para manter-se informados quanto à saúde 82 financeira das organizações (MARION, 2004). Ainda podemos conceituar este grupo como: “toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do progresso de determinada entidade, seja tal entidade empresa, ente de finalidades não lucrativas, ou mesmo patrimônio familiar”. IUDÍCIBUS et al. (p. 235, 2003). Cabe ressaltar que as exigências mercadológicas quanto às competências e habilidades dos profissionais da área contábil estão cada vez maiores. De acordo com Gonçalves (2009, apud JÚNIOR et al, p. 18, 2012) a “Ciência Contábil passou a exigir dos profissionais uma gama de conhecimentos multidisciplinares e uma capacidade de abstração em relação a novos mecanismos que anteriormente não constavam dos programas de formação da área”. Logo, percebe-se como evidenciado por Gonçalves que novas competências são exigidas do profissional contábil, tanto que, levou o conselho da classe (CFC) a editar uma resolução prevendo um Programa de Educação Profissional Continuada que inicialmente direcionava-se aos auditores independentes, mas que, atualmente atinge toda classe contábil. Para Girotto, “A profissão está se modernizando em ritmo acelerado, tornando-se mais complexa e sofisticada, e o mercado de trabalho reclama profissionais à altura”13. Dias e Moreira (2008, apud JÚNIOR et. al., 2012) corrobora afirmando que o profissional contábil deve “manter-se atualizado não apenas com as novidades de sua profissão, mas, de forma mais ampla, interessar-se por assuntos econômicos, sociais e políticos que tanto influem no cenário em que se desenrola a profissão.”. Para Júnior et al. (p. 18, 2012), “A educação continuada também é umas das formas para se obter êxito no exercício contábil”. Franco (1993, apud JÚNIOR et al., p. 18, 2012) corrobora que “[...] a educação continuada evita que o profissional, no mundo dinâmico de nossos dias se desatualize, técnica, cultural e profissionalmente, e perca sua capacidade de exercer a profissão com competência e eficiência, causando desprestígio à sua profissão”. A contabilidade surgiu com as primeiras sociedades, agrupamentos e tribos nas eras mais remotas da existência do homem, acompanhando sua evolução e adaptando-se de acordo com o contexto socioeconômico, e em detrimento do homem e do meio essa ciência jamais deixará de existir. Por esse motivo exigem-se além de habilidades e competências técnicas que 13 GIROTTO, Maristela. O que o mercado atual espera dos profissionais contábeis. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, v. 1, p. 13-25, setembro/outubro. 2010. 83 subsidiem e norteiem as atividades inerentes à prática contábil, a capacidade de enxergar a contabilidade sob a perspectiva socioambiental por meio do desenvolvimento e aprimoramento da inteligência múltipla ampliando desse modo às perspectivas de atuação profissional bem como maior satisfação de seus clientes. (JÚNIOR et. al, 2012) MATERIAIS E MÉTODOS As técnicas para a coleta de dados utilizados para esse trabalho foram definidas de acordo com as necessidades e para o desenvolvimento pesquisa. A pesquisa bibliográfica foi utilizada com o objetivo de levantar informações necessárias para a compreensão e desenvolvimento do trabalho. Com a leitura do material selecionado foram construídos fichamentos para o registro das informações. Essa técnica contribuiu para a fundamentação e discussão ao longo do trabalho. Como buscou descrever percepções, expectativas, reclamações e sugestões da população estudada, essa pesquisa se caracteriza como descritiva. Para Gil (2002, apud OLIVEIRA e FERNANDES, p. 10, 2011) a pesquisa descritiva se refere à [...] descrição das características de determinada população ou fenômenos ou o estabelecimento de relações entre variáveis. A observação foi outro instrumento utilizado para a coleta de dados e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. (Marcone e Lakatos, 2005) A utilização desta técnica de pesquisa se deu por meio da percepção e análise de características pessoais e sociais dos grupos estudados. Esta técnica possibilitou a imersão do pesquisador no universo pesquisado permitindo que este analise e compare situações e comportamentos o que torna suas impressões mais consistentes e de maior teor científico. Para os propósitos dessa investigação foi utilizado à entrevista semiestruturada (Apêndice A e B) e o questionário (Apêndice C e D). Na busca de aprofundar a perspectiva dos usuários diante dos serviços oferecidos pelos contabilistas, assim como, a aplicação dessa técnica com esses profissionais no intuito de apreender características de sua prática. Marconi e Lakatos (p. 199, 2005) entendem esta modalidade de entrevista como “[...] aquela em que não há roteiro, tópicos relativos ao problema que se vai estudar e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões e motivos, 84 dá esclarecimentos, não obedecendo, a rigor, a uma estrutura formal”. A entrevista pode fornecer dados precisos acerca do tema pesquisado, por meio de roteiro pré-definido assim como o uso do questionário com perguntas fechadas evidenciou a posição, ideias e opiniões do entrevistado. O questionário proporcionou a compreensão geral do perfil profissional do contabilista e os serviços oferecidos por esse. O roteiro foi composto por questões fechadas e abertas. Para Gil (p. 123, 2008) nas questões fechadas “[...] pede-se aos respondentes para que escolham uma alternativa dentre as que são apresentadas numa lista”. Enquanto as questões abertas segundo Gil (p. 122, 2008) são aquelas que “[...] solicita-se aos respondentes para que ofereçam suas próprias respostas”. O questionário (Apêndice C e D) aplicado é classificado como misto, ou seja; é composto por perguntas abertas e fechadas a fim de extrair o maior número possível de informações acerca da classe a ser estudada. Consideramos como amostra para esse estudo o número de 9 (nove) contabilistas e 13 (treze) usuários distribuídos dentre os municípios da região Centro-Sul do estado de Sergipe. ESTADO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Regular ou instituir uma política monetária diferenciada com o intuito de reduzir ou estimular a taxa de juros e, consequentemente, o poder de compra da população, é dentre várias possibilidades uma das formas que o Estado pode intervir na economia. O atual cenário da economia mundial tem demonstrado que países como Brasil, Rússia, China e Índia que compõe o grupo denominado BRIC conquistaram seu espaço e prestígio junto à comunidade econômica mundial. Contudo, essa moderada ascensão junto às até então, grandes potências econômicas não aconteceu de forma natural, o que até então representaria uma nova grande depressão para a economia mundial, a crise de 2008 que se instalou nos Estados Unidos e nos países da Europa significou para as nações cognominadas subdesenvolvidas a abertura de mercados antes pouco explorados. Não demoraria muito para que o mundo inteiro mergulhasse nessa crise, já que boa parte das nações do mundo mantinha estreita relação comercial com os Estados Unidos e com os países do Velho Mundo. 85 [...] a organização política das sociedades modernas reconhece a existência do Estado como a expressão máxima da autoridade dentro de seu território. Como consequência, cabe ao Estado legislar sobre os mais variados aspectos da vida dos indivíduos, entre os quais se incluem os relativos às atividades econômicas e também o exercício de poder de polícia com o objetivo de intervir e corrigir as falha e imperfeições do mercado. (Silva, 2009, pág. 1)14 Corroborando com Silva, no Brasil um conjunto de políticas econômicas foi implantado pelo Governo com intuito de minimizar os impactos da crise na economia brasileira. Dentre as principais podemos citar a redução das taxas de juros, liberação de crédito para pessoas numa faixa de renda menor, e principalmente a redução de impostos para eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Todas essas medidas foram adotadas com objetivo de manter aquecido o mercado interno ao mesmo tempo em que almejava suavizar na economia brasileira os impactos da crise instalada no mundo, demonstrando claramente a política protecionista implantada pelo governo brasileiro, e o poder intervencionista do Estado. O Estado como principal responsável pela gestão política e normativa de uma sociedade deve adotar leis e políticas capazes de estimular novos empreendimentos e a geração de emprego e renda como formas de alavancar o desenvolvimento socioeconômico. Como prevê a Constituição de 1988: Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. Embora regidos por uma Lei Magna que regulará as ações de qualquer ente público; conforme prevê o artigo citado, cada ente público é autônomo e independente cabendo a ele a responsabilidade de editar, executar e fiscalizar a implantação de leis e programas que propiciem o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. Promover o bem-estar social, garantir o direito a saúde e a segurança são direitos previstos pela nossa Constituição, e é obrigação do Estado em qualquer das esferas prove-los a população. Contudo, ao analisarmos os aspectos avaliados pelo IDH15, o 14 SILVA, Lino Martins da. Contabilidade Governamental: um enfoque administrativo da nova contabilidade pública. 8ª Edição – São Paulo: Atlas, 2009. 15 Índice de Desenvolvimento Humano foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a qualidade de vida em todos os países. 86 atendimento as necessidades básicas de uma população, percebemos que a microrregião estudada está bastante aquém das demais microrregiões e territórios do estado, apresentando um índice de 0,614 (PNUD, 2000). Ao observar pormenorizadamente esse índice surgem diversos questionamentos quanto à ação do ente público, isso porque essa microrregião está estrategicamente falando; numa região privilegiada onde três de seus municípios (Poço Verde, Simão Dias e Tobias Barreto) fazem divisa com o estado da Bahia que para uma indústria ou comércio seria um grande diferencial competitivo pela facilidade de escoamento de seus produtos. É relevante observar que a agricultura de subsistência impera como principal fonte de renda das famílias com menor poder aquisitivo e geralmente com maior número de filhos, principalmente nas zonas rural e nos bairros de periferia. Vale salientar, que o comércio é bastante significativo para receita de alguns municípios (Lagarto, mas principalmente Tobias Barreto), enquanto a indústria se destaca na cidade de Lagarto, e mais recentemente também na cidade de Simão Dias, no município de Tobias Barreto há uma notória produção industrial cujo objetivo é a distribuição no comércio local. Evidenciase a necessidade de um programa de incentivos fiscais a fim de atrair empresários de pequeno, médio e até grande porte para esses municípios, visando promover o desenvolvimento econômico e social dessas localidades, além de estimular a concorrência fator extremamente necessário para que as empresas busquem sempre melhorar seus produtos e serviços, e consequentemente, expandir os negócios garantindo dessa forma sua permanência no mercado como também a geração de emprego e renda. Para tanto, faz-se necessário salientar que para grandes industriários é preciso mais que um programa de incentivos fiscais para despertar seu interesse pela microrregião e fazer com que eles se sintam atraídos pela mesma. A disponibilidade de matéria-prima, mão de obra abundante e qualificada, facilidade para escoar os produtos, a existência de mercado consumidor local, como por exemplo, uma indústria têxtil em Tobias Barreto tendo em vista algumas indústrias e o comércio varejista de confecção; e uma empresa ou mesmo uma cooperativa para beneficiar o feijão em Poço Verde, cientes de que o município é o maior produtor do estado; como também a instalação de uma indústria produtora de derivados do milho em Simão Dias para absorver a produção local 87 são exemplos de como aproveitar o potencial econômico dos municípios, e também são exemplos de fatores determinantes para que um empresário decida se instalar em determinada região. Embora a escassez de competência e falta de comprometimento do gestor para administrar a máquina e os recursos públicos sejam notórios, cabe salientar que o estado é corresponsável pela ascensão de qualquer unidade federativa de seu território, principalmente no que diz respeito a incentivos e isenções fiscais, pois é esse ente quem administra, regulamenta e institui o maior arrecadador de receitas do país, o ICMS16. CONTEXTUALIZAÇÃO A invasão dos produtos chineses no Brasil, assim como em outros países do mundo, tem levado o empresariado de todos os segmentos da economia brasileira a busca por profissionais cada dia mais capacitados e dotados de conhecimento técnico e mercadológico a fim de desenvolverem projetos e sugira alternativas que para a redução dos custos no processo de comercialização/fabricação, tornando com isso seus produtos mais competitivos, garantindo seu espaço no mercado e consequentemente evitando a extinção da entidade. Uma pesquisa realizada pelo SEBRAE17 em parceria com o IBQP18 (GEM, 2011)19 demonstra que o número de empreendedores no país não deixou de crescer, segundo dados da pesquisa “O Brasil possui 27 milhões de brasileiros envolvidos ou em processo de criação de um negócio próprio, ficando atrás somente da China e Estados Unidos aparecendo em terceiro lugar no ranking de 54 países analisados [...]”. Embora a pesquisa apresente dados positivos quanto ao surgimento de novos empreendimentos, é relevante ressaltar que o índice de mortalidade dos novos negócios é considerável, pois em média 27,5% das empresas constituídas nos anos de 2005 e 2006 não sobreviveram a 2 (dois) anos no mercado como expõe estudo realizado pelo SEBRAE. Se analisar friamente esse percentual de entidades extintas parece pequeno, porém quando aplicado 16 Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação. 17 Serviço Brasileiro de Apoio ás Micros e Pequenas Empresas. 18 Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade 19 Global Entrepreneurship Monitor 88 ao contingente de 1.370.464 número de empresas constituídas em 2010, segundo a base de informações do governo, percebe-se que esse índice é bastante preocupante, por representar a extinção de 376.878 mil empresas. Os dados apresentados por esses estudos vêm ressaltar a importância de profissionais como administradores e contadores, principalmente dos contadores na longevidade das empresas, porque são esses profissionais que acompanham a entidade antes mesmo dela existir formalmente, através de orientações ao futuro empresário quanto à viabilidade do negócio em determinada região, sugestão de pesquisas e análise de mercado a fim de traçar um perfil do público alvo, e, acompanha os processos de cadastro da empresa nos órgãos competentes, além de orientá-lo quanto à necessidade de licenças para funcionamento (ADEMA, IBAMA entre outros). Logo, esses profissionais não podem resumir como atividades de sua competência a escrituração fiscal e pessoal, cálculo de tributos ou mesmo a prestação de informações aos órgãos fiscalizadores como Ministério do Trabalho e a Receita Federal. Frente às novas exigências do mercado de trabalho e a crescente demanda tornase imprescindível o aprimoramento constante por partes dos profissionais, a buscar por cursos de graduação para quem é técnico, de pós-graduação como especialização, mestrado ou doutorado para os graduados. Contudo, cabe salientar que mesmo com a notória demanda por aperfeiçoamento técnico-profissional os recrutadores destacam como uma das causas do insucesso nas entrevistas e mesmo na obtenção de emprego a falta de domínio da Língua Portuguesa, conhecimento considerado básico tendo em vista que se trata do idioma pátrio20. Na mesma matéria a gerente de treinamentos de uma empresa questiona: “Uma pessoa que não domina nem seu próprio idioma, como ela vai poder se destacar na empresa?”21 Com isso surge o questionamento: Será que os 1.244 cursos de graduação em Ciências Contábeis autorizados pelo MEC22 fornecem o conhecimento técnico, competências e habilidades necessárias para subsidiar os contabilistas quando estes ingressarem no mercado de trabalho? Qual o perfil dos profissionais contábeis no mercado brasileiro? 20 Reportagem exibida pela Rede Globo no Jornal Hoje em 24/01/2011. Entrevista com gerente de treinamento da empresa visitada na reportagem exibida no Jornal Hoje em 24/01/2012. 22 Ministério da Educação e Cultura. Disponível em < http://emec.mec.gov.br/> acessado em 16/08/2012. 21 89 Baseados nesses questionamentos nos propuseram a pesquisar acerca do exercício da profissão contábil na região Centro-Sul do estado de Sergipe, buscando traçar o perfil desses profissionais, de seus clientes, mensurar a qualidade dos serviços prestados, os agravantes ao exercício profissional, e como graduando em Ciências Contábeis conhecer o mercado de trabalho. ASPECTOS ECONÔMICOS DA REGIÃO O Estado de Sergipe está localizado na região Nordeste com população exata de 2.068.031 hab. É o menor estado do país com área aproximadamente 21.910 km² o que corresponde a 0,26% do território nacional com densidade demográfica de 94,35 hab./km² possui 75 municípios divididos em meso, microrregiões, e territórios. A região Centro-Sul selecionada como o objeto de estudo dessa pesquisa é composta pelos municípios de Poço Verde, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto e Riachão do Dantas essa microrregião abrange uma área de aproximadamente 3.520, 9 km² que corresponde a 16% da área do estado, aproximadamente 222.972 habitantes representando 10,78% da população total, densidade demográfica de 63,33 hab./km² e com PIB23 de R$ 1,23 bilhões alcançando o percentual de 6,3% do PIB estadual. A exploração das características socioeconômicas desses municípios se faz necessário devido ao fato deste trabalho estudar a qualidade dos serviços contábeis na referida região, por esse motivo é relevante apresentar uma síntese dos setores da economia que movimentam o mercado local e consequentemente evidenciar quais as demandas do mercado no que concerne a serviços contábeis. Ressaltamos a importância de investigar o território devido a pouca ou nenhuma bibliografia existente sobre o tema escolhido, e que esse trabalho subsidiará os profissionais contábeis servindo como guia para os contabilistas da microrregião ajudando-os a conhecer e identificar seus clientes para melhor e mais eficiente prestação de serviços. Com o intuito de expor com maior detalhamento as características de cada município do território discorreremos em um pequeno texto sobre cada unidade. 23 Produto Interno Bruto – Valor total dos bens e serviços finais produzidos num país por determinado período. 90 Lagarto Localizado a 78 km da capital Aracaju, o município tem uma área de 969,226 km² e população de 94.861 habitantes. Segundo dados do censo 2009, o PIB desse município ano de 2009 foi de R$ 614.668 distribuídos da seguinte maneira: serviços R$ 394.958, R$ 87.627 pela indústria, R$ 77.944 produzidos pela agropecuária e R$ 54.138 produzidos pela arrecadação de impostos sobre produtos líquidos. Diante das informações apresentadas podemos verificar que o setor de serviços é predominante no município de Lagarto com representação de aproximadamente 65% do PIB local seguido pela produção da indústria com 14%, da agropecuária com 12% e da arrecadação de impostos com cerca de 9%. Poço Verde Localizado a 145 km da capital Aracaju, o município é o menor do território com área de 430,973 km² e população de 21.983 habitantes. De acordo com o IBGE/2009 o PIB desse município é de R$ 98.134 desdobrando-se da seguinte maneira: R$ 74.117 serviços, R$ 12.956 com produção agrícola, R$ 7.184 com a produção industrial, R$ 3.877 com arrecadação de impostos sobre produtos líquidos. Como evidenciam os dados o setor de serviços é atividade preponderante no município de Poço Verde representando 75 % do PIB local logo seguido da agropecuária com 13%, da indústria com 7% e da arrecadação de impostos com 5%. Riachão do Dantas Com a menor densidade demográfica, 37 hab./km², e a segunda menor área do território, 528.256 km², e população de 19.386. Este município fica a 99 km da capital Aracaju. Segundo o IBGE/2009, o seu PIB é de R$ 96.154 segmentados da seguinte forma: 65.701 para o setor de serviços, R$ 22.375 para a agricultura, para a indústria R$ 5.734 e R$ 2.344 com arrecadação de impostos sobre produtos líquidos. Como demonstram as informações supracitadas aproximadamente de 69% do PIB é gerado pelo setor de serviços, 23% pelas atividades agropecuárias, 6% pela indústria e cerca de 2% gerado pela arrecadação de impostos. Simão Dias Localizado a 100 km da capital Aracaju, esse município apresenta a segunda maior densidade demográfica do território com 69 hab./km² aproximadamente, com população total de 38.702 habitantes e área de 564.668 km². O seu PIB é de R$ 238.324 repartidos 91 em R$ 148.815 para o setor de serviços, R$ 41.891 para agricultura, R$ 32.158 para indústria e R$ 15.460 com arrecadação de impostos. Com os dados citados podemos verificar que o setor de serviços é predominante no município de Simão Dias representando cerca de 60% do PIB local seguido pela agropecuária com 17%, acompanhado pela indústria com aproximadamente de 13%, e pela arrecadação de impostos com 10% do total do PIB do município. Tobias Barreto O maior município do território com uma área de 1.032 km² e com a segunda maior população cerca de 50 mil, o município apresenta densidade demográfica de 47 hab./km². Em consonância com o IBGE/2009 a soma de todas as riquezas produzidas pelo município está distribuída da seguinte maneira: R$ 178.598 para o setor de serviços, pela indústria R$ 32.902, pela arrecadação de impostos R$ 18.272 e pela agropecuária R$ 13.931. Conforme expõem os dados o setor que mais movimenta a economia local é setor de serviços com cerca de 70%, seguido da indústria com 14%, pela arrecadação de impostos com 9% e pela agropecuária com participação de 7%. ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS Para a coleta de dados foram utilizadas duas técnicas o questionário e a entrevista, aplicados em todos os municípios da microrregião de acordo com a disponibilidade que tanto os contabilistas quanto os usuários apresentaram para respondê-los. Contabilistas Embora esse trabalho se proponha avaliar o perfil do profissional sob a ótica dos usuários, as perspectivas e ponto de vista desses se fazem necessários para que possamos ter uma visão aprofundada da relação cliente/contador. Dentre os municípios que integram a microrregião foram aplicados 9 (nove) questionários com contabilistas escolhidos em virtude da acessibilidade, desse universo foram extraídas as informações a seguir: 1) Qual o seu grau de escolaridade? Da amostra aproximadamente 44% dos contabilistas entrevistados possuem nível 92 técnico, 22% superior enquanto 34% cursam ou cursaram pós-graduação na área contábil, é relevante salientar que dentre os profissionais que possuem o nível técnico 2 (dois) deles, ou seja, 50% desse segmento está cursando superior em Ciências Contábeis, 1 (um) dos entrevistados cursa licenciatura em Geografia enquanto o último disse instruir-se por meio de cursos da internet, no que concerne aos contabilistas que já concluíram nível superior um dele não está cursando pós-graduação, enquanto o segundo profissional mencionou fazer cursos na área fiscal e contábil, porém não mencionou o órgão ou instituição de ensino. 2) Você costuma frequentar os cursos, palestras e eventos promovidos pelo CRC/SE? Quando questionados quanto a frequência aos cursos e eventos promovidos pelo CRC/SE24, aproximadamente 55% dos contabilistas afirmaram frequentar assiduamente, ao contrário dos demais entrevistados que disseram comparecer ás vezes. Ainda que a maioria frequente os eventos sempre que esses acontecem, os contabilistas praticamente são unanimes ao ressaltar que a distância, horários incompatíveis e principalmente o alto custo são fatores impactantes para que esses profissionais deixem ou frequentem menos do que deveriam os eventos promovidos pelo órgão da classe. A reclamação desses profissionais enquanto a distância se justifica pelo fato de que o município da microrregião mais próximo da capital do estado (Aracaju) está a mais ou menos 75 km de distância, e em relação aos altos custos é que os eventos são realizados a noite, logo os contabilistas teriam gastos com hospedagem e alimentação além do custo com inscrição e locomoção até o local do evento. Os contabilistas ressaltaram ainda a necessidade de que mais cursos fossem promovidos nas microrregiões do estado, pois dessa maneira haveria uma assiduidade maciça por partes desses profissionais. 3) Como é constituída sua cartela de clientes? E quais os principais serviços solicitados por eles? Podemos inferir por meio da amostra que a maior parte das entidades que constituem a cartela de clientes dos profissionais da região estudada são empresas comerciais e prestadoras de serviços de acordo com 55% dos entrevistados, os demais contabilistas apresentam uma carteira mais 24 Conselho Regional de Contabilidade de Sergipe. 93 diversificada e consequentemente representam 45% dos respondentes. Baseado nessas informações pode-se inferir que grande parte das entidades da microrregião estão constituídas na forma de Empresário Individual, Empresa de Pequeno Porte ou Sociedade Simples, logo conclui-se que o regime de tributação no qual estão enquadrados é o SIMPLES NACIONAL 25. No universo dos profissionais entrevistados verificou-se que cerca de 80% dos clientes solicita somente serviços relativos à área fiscal (escrituração, apuração de diferencial de alíquota e do tributo incidente sob as empresas optantes pelo SIMPLES), e a área pessoal (cálculo de folha de pagamento, recolhimento de contribuição previdenciária patronal, de segurados, e guias de FGTS), enquanto os demais entrevistados, ou seja, 20% exigem serviços mais completos como escrituração fiscal digital, SPED – PIS e COFINS, e DIRF além de livros de entradas e saídas de mercadorias, livros de IPI quando indústria entre outros. 4) Existe algum programa de incentivo fiscal no seu município para as empresas que por conveniência resolvam se instalar nele? Da amostra pode-se perceber que os contabilistas da região estudada desconhecem de qualquer programa de incentivo fiscal municipal. Contudo, pode-se constatar com esse trabalho a existência de um plano de incentivo fiscal no município de Lagarto, esse programa é regido pela Lei Municipal 228/2007 e regulamentado pelo Decreto Municipal 079/2010, importante ressaltar que nenhum momento quer da entrevista ou da aplicação do questionário nenhum contabilista do município fez menção ao referido programa. 5) Seus clientes costumam solicitar visitas? Em média quantas vezes por ano? De acordo com os dados obtidos junto a amostra aproximadamente 45% os contabilistas afirmam que seus clientes costumam mais de 8 (oito) vezes ao ano, enquanto 11% dos entrevistados diz ser solicitado de 5 a 7 vezes, já 22% afirmam que são solicitados somente de 2 a 4 vezes e, 22% dizem não serem convidados a aparecer na empresa para a qual prestam serviços. Gostaria de ressaltar que entendemos como visitas o deslocamento do profissional de seu local de trabalho até o estabelecimento do empresário, é relevante ressaltar também, que se a visitar for para passar ao 25 SIMPLES NACIONAL é um regime de tributação diferenciado, e como próprio nome já sugere simplificado, isso porque todos os tributos (PIS, COFINS, IRPJ, CPP, ICMS e ISS) são recolhidos em um único documento (DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Instituído para os micros e pequenos empresários por meio da Lei Complementar 123/2006 a fim de facilitar a arrecadação tributária. 94 estabelecimento DARF ou guias para pagamentos não constitui visitas, pois o objetivo da mesma seria procurar obter um “feedback” junto ao empresário quanto a prestação de seus serviços, como também averiguar se o mesmo tem a pretensão de expandir os negócios ou até ingressar em um novo segmento, para que com isso o contabilista possa orientá-lo de forma clara e concisa quanto as ações, procedimentos necessário para implantação do negócio, e até acerca da viabilidade de fazê-lo. Usuários O estudo acerca do mercado consumidor, ou seja, clientes e usuários dos serviços contábeis se faz necessário por que é por meio da ótica dos tomadores de serviços que procuraremos traçar o perfil do profissional. A amostra para coleta de dados é composta de 13 usuários selecionados em virtude do acesso e pré-disposição que os mesmo demonstraram para participar desse estudo. 1) Há quanto tempo sua empresa está no mercado? Quando questionados quanto tempo de atuação no mercado cerca de 60% afirmou está no mercado há mais de 7 anos, logo conclui-se que estes já conquistaram seu espaço, quanto as demais entidades 25% delas estão no mercado há 3 e 4 anos, e os 15% remanescentes estão em funcionamento entre 1 e 2 anos período considerado mais crítico pelo SEBRAE, pois são nos 2 primeiros anos de atividades que as empresas são extintas, ou seja, que apresentam maior índice de mortalidade. Segundo o próprio SEBRAE, embora os índices de mortalidade das empresas tenham apresentado significativas diminuições as causas que levam a extinção da empresas continuam as mesmas: Má administração, falta de conhecimento do negócio empreendido e falta de orientação, aos profissionais de contabilidade não cabe à gestão do negócio em nosso estado é comum que o dono assuma também a função de gestor, e nem sempre o mesmo possui conhecimento técnico suficiente sobre administração ou gestão de negócio para manter a entidade em funcionamento. Já ao contabilista cabe a função de orientador sugerindo pesquisas para conhecer o mercado, a concorrência, se existe um público a ser explorado que garanta a continuidade da empresa, e isso antes mesmo da concretização efetiva do negócio para que se possa evitar desperdícios de tempo e dinheiro. 2) Há quanto tempo você utiliza os serviços de seu atual contabilista? Pelo que se pode extrair da amostra existe uma relação pautada na confiança e no respeito entre o tomador e o prestador do serviço, pois apenas 15% dos respondentes 95 estão com seu atual contabilista há menos de 3 anos, indicando claramente que o usuário acredita na competência de seu contador. 3) Quantas vezes por ano o contabilista costuma visitar sua empresa? Os dados coletados expõem que 46% dos usuários que responderam ao questionaram afirmam que o contabilista costuma visitar a empresa de 2 a 4 vezes ao ano, 23% assevera que as visitas são superiores a 8 visitas, 23% não recebe nenhuma visita, e 8% dos clientes afirmam receber de 5 a 7 visitas anuais. Quando questionados (os usuários) se eles costumavam solicitar a presença do contador na empresa 77% afirmaram que não, e uma pequena minoria diz o fazer para solicitar outros serviços como também para pedir a opinião do contabilista. Ao confrontarmos essa última informação com o exposto no gráfico, perceberemos que os números se invertem. Contudo, tanto pelo perfil do contabilista tanto quanto do usuário inferimos que alguns respondentes do questionário associaram a entrega de algum documento pelo contador em sua empresa a uma visita, o que não necessariamente caracterizaria uma visita para fins de prestação de serviços e frente às exigências do mercado quanto à atuação do profissional contábil. 4) Os contabilistas costumam demonstrar interesse no desempenho da empresa? De acordo com informações levantas junto à amostra estudada cerca de 60% dos clientes afirmam que os contabilistas não demonstram interesse pela situação econômicofinanceira da entidade, é surpreende aferir essa informação, principalmente porque durante o curso de graduação os bacharelandos em ciências contábeis adquirem um hábito de querer e gostar de visualizar sempre o lucro mesmo em empresas de terceiros, é algo cultural, tanto nos cursos, porque desde os primeiros semestres os alunos são orientados para apurar resultados e avaliar a situação econômico-financeira da entidade, que em caso negativo leva-os a analisar quais medidas poderiam ser tomadas para reverter esse quadro enquanto na prática do profissional contábil tal cultura é adquirida, porque a sua cartela de clientes é construída por entidades com finalidade lucrativa. Creio que essa maioria, ao contrário dos 40% de contabilistas que se mostraram interessados pelo desempenho da entidade, não tem consciência de que quanto melhor o resultado da entidade, maiores também seus honorários. 5) Você acha justo o valor cobrado pelo seu contador pelos serviços prestados? Podemos aferir junto à amostra, como universo pesquisado os usuários avaliam os 96 honorários contábeis. Constatamos que aproximadamente 23 % julgam não achar justo o valor desembolsado em troca da prestação de serviços, enquanto 77% desse grupo admitiu ser justo o valor pago a tais profissionais. Embora a grande maioria declare justo o valor desembolsado pela prestação dos serviços, o mesmo não acontece quando se trata da satisfação quanto à qualidade dos serviços prestados cerca de 40% declarou estar insatisfeito com seu contabilista dentre as principais reclamações cita-se: “Ele nunca vem aqui na empresa, tem um escritório aqui e outro em Aracaju, ás vezes preciso falar com ele e nem consigo nem por telefone.”26 “Ele não conversa muito, e às vezes demora para trazer as coisas que a gente pede.” 27 “Ele deveria mostrar mais interesse pelo que eu pago.”28 Como evidenciam as falas dos clientes entrevistados há uma carência a ser suprida, uma necessidade a ser atendida no que diz respeito aos serviços contábeis prestados na microrregião. A ausência, morosidade em atender as solicitações de seus clientes pode acarretar na evasão desses; o que é prejudicial, pois abala o prestígio e a credibilidade do profissional. Além disso, é sabido por todo profissional contábil que sua cartela de cliente é constituída por meio de “networking”29, logo se o usuário deixa de tomar seus serviços por insatisfação, é evidente que ele deixará de indicá-lo para conhecidos e para pessoas que busquem referências suas com ele. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao tomarmos como objeto para estudo o perfil do profissional contábil na região Centro-Sul do estado de Sergipe, propusemo-nos a analisar o perfil dos tomadores dos serviços desses profissionais, os usuários da informação, ou seja, seus clientes e, por meios desse podemos constatar que a ausência ou insuficiência do contabilista em atender as necessidades dos usuários, se dá por que esses profissionais prestam serviços há dezenas de entidades e por esse motivo deixam de suprir as necessidades de 26 Entrevista com usuário da cidade de Tobias Barreto/SE 20/10/2011 27 Entrevista realizada com usuário na cidade de Poço Verde/SE em 10/11/2011. 28 Entrevista realizada com usuário na cidade de Lagarto/SE em 23/08/2012. 29 Networking ou rede de contatos (tradução não literal) é um termo utilizado pelos profissionais da área de Administração para descrever clientes, fornecedores e parceiros, enfim pessoas com quem o profissional ou empresa se relaciona que podem de alguma maneira contribuir para o seu sucesso profissional ou maximização dos resultados. 97 seus clientes como também de explorar o potencial econômico dos mesmos. Notamos que o profissional contábil da microrregião preocupa-se mais com o número de clientes que possui do que com a qualidade dos serviços que presta. Para esses profissionais qualidade nos serviços é sinônimo de cálculo de folha de pagamento e contribuições geradas em tempo hábil, informações fiscais transmitidas a SEFAZ 30 e RFB31 nos prazos estabelecidos e escrituração atualizada. Observamos que embora os usuários reclamem da atuação do profissional contábil, vale salientar que a grande maioria não tem consciência do papel do contabilista para sua empresa, que vem o contabilista somente como alguém para calcular seus impostos e que o lugar dele não é dentro de sua empresa “dando palpite” quando procedimentos ou práticas administrativas corriqueiras, nem tampouco tomando conhecimento sobre práticas extrafiscais adotadas, isso fica claramente demonstrado quando esses omitem informações significativas para esse profissional gerando dúvidas quanto ao desempenho e estabilidade financeira, além de sujeitar a entidade a penalidades por sonegação fiscal. Porém, é relevante ressaltar que cabe ao contabilista quebrar as barreiras geralmente impostas por seus clientes, para isso utilizar-se-iam das informações que detêm para demonstrar o quão rentável pode ser a adoção de certas práticas na entidade como, por exemplo, o cálculo do custo dos produtos e/ou mercadorias vendidas aferindo por meio dessa técnica se a margem de lucro agregada é suficiente para pagar todas as despesas e ainda impulsionar o desempenho da entidade. Com isso, evidencia-se que fatores pessoais como comodidade, atitude pessimista, insatisfação profissional e falta de comprometimento, além de fatores mercadológicos como má remuneração, cultura da sonegação, limitação dos clientes impactam diretamente no exercício da profissão afetando diretamente a qualidade dos serviços disponibilizados na região. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICA GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2008. 30 Secretaria do Estado da Fazenda 31 Receita Federal do Brasil 98 GIROTTO, Maristela. O que o mercado atual espera dos profissionais contábeis. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, v. 1, p. 13-25, setembro/outubro. 2010. GOMES, Amaro Luiz de Oliveira. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, v. 1, pág. 7-9. Março/abril, 2009. GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de Projetos de Pesquisa Científica. 1ª Edição. São Paulo: Avercamp Editora, 2003. IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARION, José Carlos. Pereira, Elias. Dicionário de Termos de Contabilidade. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2003. JÚNIOR, Adalberto José das Neves. DOURADO, Carla de Lacerda Segala. RODRIGUES, Thâmila Caroline da Cruz C.. Retorno sobre educação: estudo dos egressos em Ciências Contábeis da Universidade Católica de Brasília (UCB). Brasília, v. 1, p.15-31, janeiro/fevereiro. 2012. LISBOA, Lázaro de Plácido. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 1997. MARCONI, Marina de Andrade. LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2005. MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 7ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2004. OLIVEIRA, Vilma Vieira Mião. FERNANDES, Maria Cristina da Silveira Galan. A prática pedagógica do “bom” professor de Contabilidade na percepção discente. Brasília, v. 1, 7-17, janeiro-fevereiro, 2011. RIOS, Dermival Ribeiro. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. 1ª Edição. São Paulo: Editora DCL, 2010. SILVA, José Erinaldo. A importância da Produção da Cultura do Feijão. Disponível em<http://www.webprofessores.com/novo/artigos/ver_artigo.php?cod_art=816>Acessado em 14/10/2012. SILVA, Lino Martins da. Contabilidade Governamental: um enfoque administrativo da nova contabilidade pública. 8ª Edição – São Paulo: Atlas, 2009. Sergipe em dados 2010. Disponível em <http://www.observatorio.se.gov.br/pesquisassocioeconomicas2.html> acessado em 14/03/2012. Mistério da Educação e Cultura. Disponível em < http://emec.mec.gov.br/> acessado em 16/08/2012. Junta Comercial do Estado de Sergipe. Disponível em <http://www.jucese.se.gov.br/modules/news/article.php?storyid=283>. Acessado em 14/08/2012. 99 BRASIL de 1988, Constituição da República Federativa do. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm> acessado em 20/10/2011. Serviço Brasileiro de Apoio ás Micro e Pequenas Empresas. Coleção Estudos e Pesquisas, Outubro/2011. Disponível em <http://www.sebrae.com.br/atender/customizado/estudos-e-pesquisas> Acessado em 14/08/2012. Disponível em <http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/02/14/total-de-empresas-criadas-nobrasil-cresce-mais-de-100-em-2010>. Acessado em 14/08/2012. Disponível em <http://www.agencia.se.gov.br/reportagens/leitura/materia:24029/agricultura_familiar_e_novas_industrias_i mpulsionam_a_producao_sergipana.html> Acessado em 14/10/2012. APÊNDICE A – ENTREVISTA CONTABILISTAS 1- Como o senhor analisa o programa de educação continuada desenvolvida pelo CFC? 2- Como profissional da área de contabilidade como o senhor analisa as perspectivas de crescimento econômico da região Centro-Sul de Sergipe? 3- Para o senhor quais as perspectivas que a contabilidade tem no seu município? 4- O senhor percebe mudanças na postura do profissional de contabilidade em seu município? 5- O que o senhor pensa que poderia acontecer para o crescimento da contabilidade na Região Centro-Sul? 6- Como o senhor analisa a atuação do CFC em seu município e na região CentroSul? 7- Como o senhor avalia a relação profissional com os seus usuários? APÊNDICE B – ENTREVISTA USUÁRIOS 1) Qual o papel do contabilista na sua empresa? 2) Como você avalia os serviços de seu contabilista? ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim. Justifique. 100 3) Como é o seu relacionamento com seu contador? Existe diálogo? As informações são claras? Ele costuma lhe orientar na administração da empresa? APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO USUÁRIOS 1) Há quanto tempo sua empresa está no mercado? ( ) menos de 1 ano ( ) 1 a 2 anos ( ) 3 a 4 anos ( ) 5 a 6 anos ( ) mais de 7 anos 2) Há quanto tempo você utiliza os serviços do seu atual contabilista? ( ) Menos de 1 ano ( ) 1 a 2 anos ( ) 3 a 4 anos ( ) 5 a 6 anos ( ) mais de 7 anos 3) Quantas vezes por ano o contabilista costuma visitar sua empresa? ( ) 2 a 4 visitas ( ) 5 a 7 visitas ( ) mais de 8 visitas ( ) nenhuma 4) Você costuma solicitar a visita de seu contabilista? ( ) Sim ( ) Não. Se a resposta for Sim. Quais serviços costuma solicitar? 5) Os contabilistas costumam demonstrar interesse em saber como está a sua empresa? ( ) Sim ( ) Não. 6) Você acha justo o valor cobrado pelos serviços contábeis de seu contador? ( ) Sim ( ) Não. 7) Você está satisfeito com os serviços de seu contabilista? ( ) Sim ( ) Não. Se Não, o que falta? APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO CONTABILISTAS 1) Qual o seu grau de escolaridade? ( ) Nível Médio – Técnico ( ) Nível Superior ( ) Pós – Graduação 2) Você está fazendo algum curso ou desenvolvendo alguma atividade paralela á sua atividade como contabilista? ( ) Sim ( ) Não 101 Se sim, qual? ______________________________________________ 3) Você costuma frequentar os cursos, palestras e eventos promovidos pelo CRC/SE? ( ) Sim ( ) Não ( ) Ás vezes ( ) Raramente 4) Existe algum fator que dificulte ou impeça a sua frequência nos cursos promovidos pelo CRC? Se sim, qual? 5) Como é constituída sua cartela de clientes? ( ) Comercias e de serviços ( ) Comerciais e Rurais ( ) Comerciais, rurais, serviços e industriais. 6) Quais são os principais serviços solicitados por seus clientes? ( ) Fiscais e Pessoal ( ) Somente pessoal ( ) Somente fiscal ( ) Outros ______________ 7) Existe algum programa de incentivo fiscal no seu município para que resolvam se instalar nele? ( ) Sim ( ) Não. Se sim, qual?__________________ 8) Seus clientes costumam solicitar visitas? Em média quantas vezes por ano? ( ) 2 a 4 vezes ( ) 5 a 7 vezes ( ) mais de 8 vezes ( ) nenhuma 102