A RESPONSABILIDADE SOCIAL NA FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR: a percepção do estudante quanto à importância do tema. Andréa Soares Dias de Moura FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira Adriana Lopes Fernandes FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira Lilian Ponzo FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira No atual contexto mercadológico e de pressões sociais, as empresas têm buscado obter o lucro de forma socialmente responsável, ou seja, realizando ações com menos impacto ao meio ambiente e à sociedade. Diante disso, os gestores precisam estar preparados para gerir as organizações e a faculdades devem estar estruturadas para lecionar e preparar os alunos para esta nova realidade – a responsabilidade social, para que esses possam, nas empresas, gerir as funções tradicionais e também a responsabilidade social dentro de cada uma das áreas e da empresa como um todo. O presente estudo tem como objetivo verificar como a responsabilidade social é integrada aos cursos de Administração de uma instituição de Educação Superior de Itabira na percepção dos alunos, verificando se a instituição pesquisada possui a disciplina responsabilidade social na grade do curso, se os alunos conhecem e são envolvidos nos programas de responsabilidade social e por fim a relevância do assunto para os alunos. A estratégia de pesquisa adotada é quantitativa, quanto aos fins, descritiva, e quanto aos meios, pesquisa de campo. O universo de pesquisa é composto por 409 alunos matriculados no curso de administração da instituição pesquisada e a amostra contém 205 alunos. A pesquisa foi realizada por meio de questionários fechados e pesquisa documental, os dados foram analisados estatisticamente utilizando o software Excel. Os principais resultados mostram que não existe uma disciplina específica para responsabilidade social na graduação de Administração na faculdade pesquisada. A instituição desenvolve alguns programas de responsabilidade social e não realizam a integração dos alunos, acredita-se que devido a falta de divulgação ou aos meios de comunicação utilizados serem ineficazes. Podese considerar que os alunos consideram importante e relevante o estudo da responsabilidade social e que a faculdade pesquisada é capaz de formar gestores socialmente responsáveis. Palavras chaves: Administração. Responsabilidade social. Ensino Superior. In the current marketing context and social pressures, companies have sought to get the profit of a socially responsible manner, ie, performing actions with less impact to the environment and society. Therefore, managers must be prepared to manage organizations and colleges should be structured to teach and prepare students for this new reality - the social responsibility so that these can, in business, managing the traditional functions and also the social responsibility within each of the areas and the company as a whole. The present study aims to determine how social responsibility is integrated with courses in business administration from an institution of higher education in the perception of Itabira students, ensuring that the institution has researched social responsibility in the discipline of the course grade, if students know and are involved in social responsibility programs and ultimately the relevance of the subject for students. The research strategy adopted is quantitative, descriptive as to the purposes and on the means, the field research. The research universe is composed of 409 students enrolled in the institution's administration investigated and the sample contains 205 students. The survey was conducted by means of closed questionnaires and documentary research, the data were statistically analyzed using Excel software. The main results show that there is a specific subject to social responsibility in the administration of graduate college search. The institution develops some social responsibility programs and do not realize the integration of pupils, it is believed that due to lack of disclosure or the media used are ineffective. One can consider that students consider important and relevant to the study of social responsibility and the faculty surveyed are able to form socially responsible managers. Key words: Administration. Social responsability. Higher Education. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 1 INTRODUÇÃO A responsabilidade social é a forma de gerir as organizações com transparência e ética com todos os stakeholders com os quais a empresa possui relação e ainda buscar o desenvolvimento sustentável da sociedade, cuidando dos recursos ambientais e culturais, respeitando a diversidade e com objetivo de reduzir as desigualdades sociais (ETHOS, 2011). Essa nova forma de gerir as organizações traz para a discussão o papel do administrador nas empresas. Diante de um cenário em que problemas sociais e ambientais se agravam e as empresas são muitas vezes consideradas responsáveis por este desequilíbrio com florestas devastadas, escassez de água e poluição, miséria e fome da população, entre outros problemas, o administrador passa a ser peça fundamental para incorporar e desenvolver nas organizações a ideia de empresa responsável socialmente. Entretanto, o que se percebe é que os administradores não estão preparados para a nova realidade. Acostumados a atuar nas áreas de marketing, finanças, produção, gestão de pessoas, entre outras, para se manterem no mercado, desenvolver a empresa e obter o lucro, os administradores terão que desenvolver uma nova competência. O desenvolvimento desse novo gestor deve levá-lo a pensar não só no crescimento da empresa, mas também na sociedade como um todo. Faz-se necessário que o mesmo esteja preparado para atuar de modo sustentável na gestão e esta preparação passa primeiramente pelos cursos de graduação. Segundo Pessoa et al (2005) a graduação forma profissionais em diversas competências, essa formação deve ser consciente para que os profissionais possam atuar na área que escolheram de modo socialmente responsável e ético perante a sociedade. Este trabalho terá o intuito de verificar como a responsabilidade social é integrada no curso de administração em uma faculdade na cidade de Itabira/MG na percepção dos alunos. O tema pretende alertar docentes e discentes quanto à importância do envolvimento nas ações de responsabilidade social propostas por Instituições de Ensino Superior. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Breve histórico da responsabilidade social A responsabilidade social é um tema novo e atual. A sociedade percebeu que a riqueza das empresas deve ser retornada para a comunidade em forma de projetos que melhorem a qualidade de vida da população e também para o meio ambiente, ajudando na sua preservação. Esta necessidade e cobrança passaram a ser um diferencial competitivo, diante das mudanças do mercado. Diante do novo quadro mercadológico de alta competitividade, inexistência de barreiras territoriais, aliado à melhora nos níveis educacionais dos consumidores, que estão mais exigentes e questionadores, as empresas buscam alternativas para se destacarem e se diferenciarem dos concorrentes. Uma solução seria investir na qualidade dos produtos e no melhor relacionamento com seu público interno e externo, este estreitamento na relação pode ser por meio da responsabilidade social (ARAÚJO, 2006). Os consumidores possuem ferramentas políticas, econômicas e culturais VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br capazes de mudar a opinião das pessoas, seja de modo individual ou coletivo, com relação a empresas socialmente irresponsáveis (RAMPINELLI; GUIMARÃES, 2006). Por meio da pressão da sociedade, está havendo gradualmente uma mudança de um modelo tradicional, baseado puramente na obtenção do lucro para um modelo baseado na qualidade de vida dos indivíduos, ou seja, um modelo fundamentado na proteção do meio ambiente e nos direitos da sociedade (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004). A responsabilidade social é um assunto que começou a aparecer no século passado e que ao longo das décadas alterou a sua forma de atuação de acordo com o cenário econômico predominante no período, como será visto a seguir. Para melhor compreender a responsabilidade social, Tenório et al (2004) a dividiu em dois períodos; o primeiro entre o início do século XX até 1950 e o segundo da década de 1950 até os dias de hoje. No primeiro período estava ocorrendo a transição de uma economia agrícola para a industrial, com inovações tecnológicas e mudanças no sistema produtivo. A responsabilidade social reunia os princípios do liberalismo, que considerava o Estado o responsável pelas ações sociais e as empresas por sua vez, deveriam se preocupar com a geração de lucro, emprego e pagamento de impostos (TENÓRIO, 2004; LOURENÇO; SCHRÖDER, 2003). O liberalismo estabelecia uma separação nítida entre o primeiro (governos) e o segundo (empresas privadas) setor. O sistema liberal não incentivava a adoção de ações sociais pelas empresas e até as condenava, entendendo que a contribuição para o social não levava ao desenvolvimento da sociedade (LOURENÇO; SCHRÖDER, 2003). Por isso pequenas manifestações contra a busca incessante pelo lucro por parte das empresas eram isoladas e não organizadas (RAMPINELLI; GUIMARÃES, 2006). Essa transição ocorreu a partir do momento que o Estado não estava fazendo perfeitamente a sua parte, ou seja, fornecendo a população qualidade de vida, saúde, educação, segurança, entre outras ações de sua responsabilidade, e as organizações se tornando cada vez mais ricas e poderosas. As primeiras ações das empresas em prol da sociedade apareceram sob a forma de filantropia. No início século XX considerava-se a responsabilidade social como sendo a filantropia, ou seja, doações individuais e pontuais realizadas por empresários. Mais tarde, devido a pressões da sociedade, o cumprimento de obrigações legais (questões trabalhistas e ambientais) de modo contínuo passou a representar responsabilidade social. Desta forma, neste período chamado de clássico, a responsabilidade social assume sentido puramente econômico (TENÓRIO et al, 2004). Compartilhando da mesma ideia, Ashley et al (2004) esclarecem que a preocupação social das empresas era restrita ao agente econômico, suas ações muitas vezes eram consideradas não ideais, gerando pressão da sociedade. Segundo Rampinelli e Guimarães (2006) depois de 1950, período pós-industrialização, os movimentos sociais buscavam uma alteração na relação entre empresa e sociedade. Em função dos questionamentos da sociedade referentes ao modelo de aquisição do lucro e o papel das empresas, ocorrido por meio da mudança de valores da sociedade naquela época, depois de 1950, o conceito de responsabilidade se expandiu (TENÓRIO et al, 2004). Na concepção de Félix (2003) outros motivos levaram ao aumento da preocupação com a responsabilidade social: a crise do Estado de bem-estar social, as posturas neoliberais do governo, preocupação com o meio ambiente e aumento do marketing das empresas. A sociedade começou a pressionar as empresas com relação às suas práticas antiéticas e abusivas, pois a produção com o menor custo causava danos à comunidade e ao meio ambiente (ASHLEY et al, 2004). Enfim, todas essas preocupações tiveram origem na sociedade, o que seque refletiu nas organizações, ou seja, as empresas somente seguiram a direção dos acontecimentos, para que não ocorressem retração e falência nos negócios. Mendonça (2003) acrescenta que associado ao interesse da sociedade em geral, a globalização e a velocidade tecnológica e da informação, faz com que as organizações se adequem a esta nova VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br maneira de gerir suas atividades, considerando aspectos econômicos, sociais e ambientais, considerando a globalização mais um fator para a gênese da responsabilidade social (ASHLEY et al, 2004). Félix (2003) acrescenta que antes da globalização dos meios de comunicação, ações incorretas da empresa eram divulgadas somente nas regiões próximas e não tinha grandes impactos. Com a comunicação em massa e cada vez mais rápida, condutas negativas atingem consumidores em qualquer parte do mundo, gerando prejuízos. A transição de organização que visualizava somente o lucro, para uma organização socialmente responsável ocorreu por causa da pressão da sociedade. As empresas perceberam que o não financiamento em projetos sociais e ambientais iria refletir no lucro e com a adoção da responsabilidade social na empresa, este elemento mais uma vez aparece para a empresa lucrar e crescer ainda mais. Desta forma, a sociedade ganha, mas a empresa ganha ainda mais. Para entender como a empresa irá se beneficiar, primeiro é preciso entender o que é responsabilidade social, que será visto no próximo item. 2.2 Definições para responsabilidade social Com a evolução do tema responsabilidade social, seu conceito também evoluiu e passou a abranger não só o social, mas também o meio ambiente, a ética, a transparência, os funcionários, governos, entre outros públicos com o qual a empresa se relaciona. Pois não adianta a empresa participar de projetos sociais da população com o qual a mesma se relaciona e os funcionários estarem insatisfeitos dentro da empresa. Desta forma o tema se tornou abrangente, como pode ser visto a seguir. Um conceito único e formal para responsabilidade social, segundo Araújo (2006) não existe, pois persistem diversas visões particulares do assunto. Neste contexto entende-se por responsabilidade social uma série de interpretações e várias exigências, destacando a mudança comportamental e que envolvem todos os departamentos da organização (ASHLEY et al, 2004). Melo Neto e Froes (2001) consideram a melhor maneira de conceituá-la utilizando as visões que se tem a respeito, que são: atitude e comportamento ético e responsável; conjunto de valores; postura estratégica empresarial; estratégia de relacionamento, marketing, recursos, valorização de ações empresariais e de produtos e serviços; estratégia social de inclusão e desenvolvimento da sociedade; promoção de cidadania coletiva e individual; consciência ecológica; capacitação profissional e estratégia de integração social. Como é uma vasta gama de posturas a ser seguida, Melo Neto e Froes (2001) propõem escolher um foco e a partir dele construir as ações socialmente responsáveis. Resumidamente, Melo Neto e Froes (2001) colocam que responsabilidade social vai além do desenvolvimento da comunidade e preservação do meio ambiente, frisando o investimento no bemestar dos empregados por meio de ambiente de trabalho saudável, comunicando de forma transparente com acionistas, assegurando sinergia entre os parceiros e proporcionando satisfação de clientes e consumidores, podendo-se considerar aqui todos os stakeholders. A empresa socialmente responsável é aquela que tenta atender as expectativas dos seus stakeholders, desta forma a responsabilidade social ampliando a sua área de atuação, mudando de filantropia, em que a empresa beneficia pontualmente a comunidade, para se estender de maneira sólida e estruturada para os trabalhadores, clientes, acionistas, fornecedores, concorrentes, estado, governo, sindicatos, todos os públicos que a empresa se relaciona (ASHLEY et al, 2004). No conceito proposto por Ashley et al (2004) a organização deve agir para ser responsável socialmente e aborda a questão do desenvolvimento sustentável. Responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo proativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas com ela. A organização, nesse sentido, assume obrigações de caráter moral, VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas a suas atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos. Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. (ASHLEY et al, 2004, p. 6-7). O termo desenvolvimento sustentável foi criado pelo Word Business Council for Sustainable Development e que tem como propósito o crescimento econômico por meio da preservação do meio ambiente e respeito ao lado social, promovendo uma melhor qualidade de vida para a sociedade. Desta forma as organizações “conquistariam o respeito e admiração de consumidores, sociedade, empregados e fornecedores; garantindo a perenidade e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.” (TENÓRIO et al, 2004, p. 25). Ainda de acordo com o autor supracitado existem três interpretações distintas para responsabilidade social. A primeira interpretação está de acordo com Oliveira (1984) no qual o cumprimento de obrigações legais seria responsabilidade social. Este entendimento pode ser entendido da seguinte maneira: as empresas não cumprem a lei em sua totalidade, com isso quem cumpre a legislação é socialmente responsável. Por exemplo, ao pagar impostos a empresa está contribuindo com o desenvolvimento da sociedade e com o desenvolvimento econômico. O segundo tem ligação com o envolvimento das organizações com causas comunitárias e o terceiro entende-se que a organização tem compromisso não só com comunidade, mas também com clientes, fornecedores, meio ambiente, empregados. Na realidade todos os pontos colocados pelo autor são considerados por outros autores, o mesmo apenas desmembrou o conceito. Isso acontece conforme explica Ashley et al (2004), existem muitas definições para responsabilidade social, demonstrando que o conceito ainda está em construção e que ainda representará muitas discussões, colocando ainda que o termo responsabilidade social pode ser subdivido em: responsabilidade, responsividade, retitude e desempenho social corporativo, desempenho social dos stakeholders, auditoria e inovação social (ASHLEY et al, 2004). Não mudando os conceitos apresentados anteriormente, mas com palavras diferentes, Félix (2003, p. 19) coloca a sua definição para a responsabilidade social, como sendo “a integração voluntária, por parte das empresas, das preocupações sociais e ambientais com suas operações comerciais e com suas relações com seus representantes e sua área de influência”. Atualmente as empresas estão se envolvendo nas questões sociais e ambientais de modo obrigatório e não voluntário como expôs Félix (2003), isso porque se as organizações não se adaptarem perderão espaço no mercado. De acordo com o Instituto Ethos (2001) as organizações são socialmente responsáveis a partir do momento que as obrigações da mesma vão além de cumprir a legislação, oferecer ao trabalhador condições de saúde e segurança adequadas e pagamento de impostos. As empresas devem buscar a construção de uma sociedade mais justa, por meio de mudança de atitude com atenção especial a qualidade das relações e na geração de valor para todos os envolvidos na cadeira produtiva. Para Araújo (2006) o Instituto Ethos trabalha na tentativa de unificar o conceito de responsabilidade social. Este instituto desenvolveu indicadores com a finalidade de verificar a situação da responsabilidade social, são avaliados benefícios para todos os stakeholders da organização. (ETHOS, 2001). Os indicadores são qualitativos e quantitativos e são divididos em sete dimensões: valores e transparência, público interno, meio ambiente, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e sociedade (TENÓRIO et al, 2004). Corrêa e Medeiros (2003) colocam que são várias as ações que podem ser feitas em cada dimensão proposta pelo Instituo Ethos, mas sempre com transparência e ética. Ashley et al (2004) colocam que a transparência é um dos grandes desafios para as empresas que desejam ser socialmente responsáveis, pois devem construir relações de confiança, normas de conduta e agregar valor para toda a cadeia produtiva, nos aspectos ambientais, sociais e econômicos. As empresas antes de serem socialmente responsáveis devem verificar internamente seus valores e onde se pretende chegar, para que suas ações estejam coerentes com a estratégia da empresa. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Percebe-se atualmente que o simples fato da empresa cumprir a legislação já é um diferencial competitivo, porque a maioria não o faz. Por meio dos conceitos de responsabilidade social (RS) notase a dimensão do assunto, diante disso a empresa deve verificar o que mais impacta no seu negócio e começar a trabalhar nisso. Não adianta atacar em todas as frentes e não obter resultado satisfatório em todas as dimensões, o direcionamento é o melhor caminho. Para isso existem ferramentas para se trabalhar o assunto e avaliar a organização, como será visto a seguir. 2.3 Responsabilidade social no meio acadêmico Diante desta nova realidade que se apresenta para os gestores dentro das organizações, os indivíduos que já estão à frente das empresas precisam se qualificar por meio de cursos de pós graduação, participação em seminários sobre o assunto ou então se mantendo atualizados por meio da mídia, jornais e revistas. Por sua vez, os futuros gestores já devem chegar às organizações prontos, ou seja, conhecedores do assunto. Neste ponto que entra as instituições acadêmicas que devem preparar esse futuro gestor para a atual necessidade que o mercado apresenta. A globalização é quase sempre a solução ou a causa de problemas para o indivíduo e no meio organizacional é o resultado de uma série de mudanças, exigindo assim um novo perfil de gestor. De acordo com Rampinelli e Guimarães (2006) a tomada de decisão dos gestores no passado era pouco influenciada por questões externas a empresa, mas hoje devido à velocidade das transformações do mercado, as decisões são tomadas baseadas também no ambiente externo. Echeveste et al (1999) completam que a atual conjuntura cultural, econômica e social exige líderes pensantes, posicionados a manter vantagens competitivas e a seguir as mudanças numa velocidade nunca vista anteriormente. E a educação por meio do conhecimento torna-se mais uma vez o suporte para se manter neste universo de informação, inovação, decisões difíceis e rápidas. Em consonância com a ideia anterior, Pantzier (2001) afirma que, as organizações e os administradores acompanham essa nova era, por meio de uma constante atualização. Como explica Canopf (2003, p. 15) os gestores devem “estar preparados para enfrentar situações que envolvam aspectos éticos, sendo capazes de conciliar os interesses organizacionais aos interesses da sociedade”. Para que sejam administradores conscientes da realidade social que enfrentarão após concluírem a graduação, do seu papel social e que tenham conhecimento prático para desenvolver projetos que atendam o capital e a sociedade (PESSOA et al, 2005). Neste contexto as instituições de educação devem chamar para si a responsabilidade de proporcionar aos alunos, principalmente os administradores, uma formação que considere o lado social e ético (CANOPF, 2003). Visualizando está necessidade, o Ministério da Educação, por meio das Diretrizes Curriculares estabeleceu uma ligação direta entre ética e responsabilidade social e que o assunto não seja lecionado isoladamente, mas a sua relação com outras disciplinas de formação profissional. Desta forma Canopf (2003) entende que ocorrerá uma mudança na base da organização, tornado-se socialmente responsável. Assim devemos ir da organização baseada na informação para àquela baseada na responsabilidade em todos os seus âmbitos, na qual cada membro da organização assuma responsabilidade pelos objetivos da organização, pelas contribuições da mesma e pelo seu comportamento. Com cada membro agindo assim, a organização que é composta por pessoas, terá um comportamento responsável. (CANOPF, 2003, p. 61) Dentre as ações que as instituições podem assumir para contribuir com a responsabilidade social de seus alunos, é ter um olhar voltado para o crescimento da comunidade no qual a mesma está inserida, devido ao fato dos institutos de ensino superior ser um espaço qualificado na formação de profissionais, e acabam por contribuir no crescimento da região no qual atuam (PANTZIER, 2001). Desta forma fornecerá aos futuros gestores maneiras de se encontrar e ainda colaborar com novas possibilidades de negócios éticos e socialmente responsáveis (COSTA et al, 2004). Diante desta nova realidade, Echeveste et al (1999) e Canopf (2003) colocam que o desafio que se apresenta para os VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br administradores, exigirá deles estratégias, visão sistêmica e conhecedor transcultural para atender uma mão de obra global para um mercado de trabalho globalizado e ainda desenvolver a questão da responsabilidade social dentro das empresas. A contribuição dos centros de ensino é importante na evolução e adaptação ao atual contexto social, político e econômico. Esse ajustamento à realidade social é urgente, principalmente devido a transformações que está ocorrendo na sociedade em geral (PANTZIER, 2001). Como as verdades sociais alteram-se constantemente, e os padrões tidos como absolutos não mais existem, é essencial que a universidade esteja diuturnamente buscando ajustar-se a essas transformações. É necessário buscar o sentido de existência de cada curso, de cada disciplina, para não se correr o risco de formar profissionais que terão dificuldade de se situarem no mercado (PANTZIER, 2001, p. 3). Por isso Canopf (2003) coloca o projeto pedagógico como essencial, porque é por meio dele que a instituição descreve toda a significação do trabalho a ser desenvolvido, ou seja, é algo que vai além dos planos de ensino e das atividades. É um planejamento, uma direção de tudo que se pretende realizar. Do plano pedagógico dá origem ao currículo dos profissionais que saem das universidades e entram no mercado de trabalho. Costa et al (2004) consideram um bom currículo aquele que integra as disciplinas para uma melhor formação acadêmica e que ainda contenha práticas vivenciadas na instituição, como uma maneira de melhor preparação do aluno para o mercado de trabalho que se apresenta cada vez mais exigente e socialmente responsável. Devido à exigência do mercado, é evidente a importância da formação de gestores socialmente responsáveis para que possam atuar internamente e externamente as empresas, a tomada de decisão dentro das organizações ficou mais difícil pois deve-se verificar o impacto dos resultados e das decisões em toda a sociedade. E a faculdade tem um grande papel na formação desses gestores (PESSOA et al, 2005). Diante da realidade que se apresenta no sentido de que os gestores não estão preparados, isto acontece porque não obtiveram uma formação correta. O autor supracitado demonstra ainda que tal despreparo não constitui novidade, explicando que as instituições familiar e escolar deixaram de ser agentes de socialização. Canopf (2003, p. 115) chama a atenção que os “envolvidos no processo educacional, precisam de iniciativas para garantir uma boa formação e qualificação destes profissionais. Escolas, alunos, professores, Estado, sociedade e empresas devem ser conclamados a buscar soluções em conjunto”. Para Frade (2008) o objetivo das universidades é formar recursos humanos para diferentes áreas do conhecimento, cabendo a elas estabelecer relações com os públicos que a rodeiam, estabelecendo conceitos, teorias e argumentações que possam contribuir de maneira positiva na formação do indivíduo. Concordando com a ideia de Frade (2008), Pessoa et al (2005) colocam que a faculdade deve preparar os profissionais nas áreas de competência, mas com consciência de ética e responsabilidade social para com a sociedade. Outro ponto importante destacado pelos autores acima citados é a qualificação dos profissionais para atuarem não só nas empresas privadas, mas também nas organizações do terceiro setor, aplicando o que foi apreendido na graduação em projetos sustentáveis. A necessidade de gestores com conhecimento em responsabilidade social é uma realidade restando agora às instituições acadêmicas se adaptarem, oferecendo a seus alunos um ensino teórico e prático de qualidade relacionado ao assunto. 3 METODOLOGIA Esta pesquisa se caracteriza por uma abordagem quantitativa por ter o propósito de avaliar o resultado da integração do tema responsabilidade social ao curso de administração. Diehl e Tatin VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br (2006) ressaltam que a pesquisa quantitativa é caracterizada pela quantificação tanto na coleta quanto no tratamento das informações por meio de técnicas estatísticas, com o objetivo de garantir resultados e evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando uma margem de segurança maior quanto às interferências. Quanto ao tipo de pesquisa foi utilizada a descritiva. A escolha se deu pelo fato da pesquisa descritiva possibilitar registrar, analisar e correlacionar fatos sem manipulá-los (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Quanto ao método o trabalho foi caracterizado como pesquisa de campo. Foram aplicados 409 questionários a alunos de todos os períodos do curso de Administração, sendo que desses retornaram 205 sendo o suficiente para caracterizar a população amostral do universo pesquisado. Os alunos foram escolhidos por meio de uma amostra probabilística aleatória simples. O nível de confiança estabelecido foi de 95%, com um erro 5%. Além disso, para elaboração do questionário foi necessário o levantamento de fontes de dados primários, para tanto foi utilizada outra ferramenta para a coleta de dados: a pesquisa documental. O tratamento dos dados foi realizado através da estatística descritiva, utilizando os dados obtidos na tabulação através da frequência relativa, absoluta e a moda, para apresentar os resultados alcançados, a fim de responder aos objetivos propostos, sob a luz da teoria. Para que não ocorresse a invalidação da pesquisa e, tomando como base o que os autores de metodologia ponderam sobre o não retorno de questionários, tomou-se o cuidado de distribuir 235 questionários, número maior do que o mensurado no critério de amostragem, para que dessa forma tenha-se conseguido os 205 questionários que foram apurados, de forma estatística, como representativos do todo. No caso da pesquisa documental valeu-se de uma análise qualitativa para levantamentos dos dados a serem considerados para a adequação do questionário. O curso pesquisado é integrante da Faculdade de Ciências Administrativas e Contábeis de Itabira, da FUNCESI (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira), com sede em Itabira, Estado de Minas Gerais, foi criada em 5 de outubro de 1993 e tem como Instituidores a Prefeitura Municipal de Itabira, a Câmara Municipal de Itabira, a Companhia Vale e a Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano. A FUNCESI é uma Instituição comunitária e regional, reconhecida pelo Governo Federal. Atualmente a Instituição oferece 17 cursos nas áreas de Ciências Sociais Aplicas, Engenharias e Saúde. 4 ANÁLISE DOS DADOS O perfil dos respondentes são alunos do curso de Administração da instituição pesquisada. A maioria dos respondentes - 84% - se encontra na faixa etária entre 21 a 45 anos e o sexo dos alunos está equivalente, 49% homens e 51% mulheres, prevalecendo solteiros 70%. Metade dos alunos que responderam a pesquisa está entre o 3º e 6º período de curso de administração, os calouros (1º e 2º períodos) responderam a 31% dos questionários e os últimos períodos (7º e 8º) contribuíram com 19% das respostas. O primeiro ponto abordado no questionário diz respeito a responsabilidade social nas disciplinas do curso de administração na instituição. De acordo com os dados apresentados, o curso de Administração da instituição pesquisada está deixando de apresentar aos seus alunos um ensino teórico sobre a responsabilidade social; 91% dos entrevistados afirmam não possuir no curso a disciplina específica sobre responsabilidade social ou desconhecem sua a existência. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br O resultado está de acordo com o ementário do curso de Administração da instituição pesquisada – matriz curricular (2009), no total são 46 disciplinas ministradas e nenhuma específica para responsabilidade social. Ao verificar a ementa dessas disciplinas não se verificou nenhuma relação das mesmas com responsabilidade social. Diante dos dados apresentados, o curso de Administração da instituição parece deficitário quanto ao novo perfil de gestor exigido pelo mercado, o que pode prejudicar o desempenho dos alunos da instituição tanto no desenvolvimento de suas funções dentro de uma organização, como em uma simples entrevista de emprego pelo fato de desconhecerem ou conhecerem superficialmente a temática. Além disso, o fato ocasionará a busca por uma complementação da formação em cursos de extensão ou pós-graduação. Mesmo não possuindo uma disciplina específica para a responsabilidade social, o curso poderia introduzir o assunto de outras formas, por exemplo, na disciplina de gestão de pessoas capacitando os futuros gestores a identificar e motivar suas equipes ao trabalho sócioresponsável. Na área de marketing, por exemplo, poderia instigar os gestores a divulgar sua marca, produto, serviço dando destaque aos trabalhos de responsabilidade social desenvolvidas pela empresa. Mais uma forma de abordar este assunto na graduação de administração seria aumentar a periodicidade de palestras, seminários, participação em eventos e visitas a empresas que estão com suas ações de responsabilidade social desenvolvidas, conforme aponta os dados da pesquisa. De acordo com os alunos, essa abordagem da responsabilidade social durante o curso é realizada de forma superficial, pois 80% não conseguem percebê-la durante sua jornada. Aos olhos do pesquisador, essa percepção se deve ao fato da não existência da disciplina específica de RS, fazendo com que os alunos desconheçam o assunto, ou até mesmo não consigam perceber as ações desenvolvidas pela instituição pesquisada Este resultado está em desacordo com a concepção de Canopf (2003) no qual as instituições de educação devem chamar para si a responsabilidade de proporcionar aos alunos, principalmente os administradores, uma formação que considere o lado social e ético. Os alunos foram questionados quanto às experiências com a responsabilidade social na vida fora da FUNCESI; 35% afirmaram que já tiveram tal experiência e 65% afirmaram que não. Desta forma pode-se deduzir que os alunos que mais percebem a existência de abordagens envolvendo a responsabilidade social dentro da faculdade são aqueles que já vivenciaram o tema na realidade. Para uma maior consolidação da informação recebida considerou-se necessário questionar os entrevistados de forma direta quanto à origem do envolvimento com o tema. Percebeu-se que o local que os alunos convivem com o assunto responsabilidade social em sua maioria é nas empresas no qual trabalham, compreendendo 55% do total de alunos que responderam possuir experiência com responsabilidade social. Outros locais que apareceram são comunidade 28%, política 4%, igreja 6% e faculdade 7%. Diante destes dados, percebe-se que as empresas já estão adotando algumas práticas de responsabilidade social no ambiente organizacional são as que precisarão de profissionais capacitados nesta área de conhecimento. A importância do conhecimento da responsabilidade social é válida não somente para aplicar a teoria na gestão, mas também como forma de conscientizar os futuros gestores de trabalharem, independentemente da área de atuação, de modo socialmente responsável. Para Drucker (1996) a tendência do politicamente correto e do socialmente responsável é sentida pelos gestores, que demonstram, entretanto, dificuldades VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br em conceituar e verificar sua extensão. Esta dificuldade se deve à falta de abordagem do assunto, seja de modo prático ou teórico, durante o curso de graduação e especificamente no caso desta pesquisa do curso de administração. Percebeu-se no levantamento desses dados que o elevado índice de conhecimento da responsabilidade social por meio da comunidade se deve ao fato desses respondentes atuarem em projetos da comunidade, por meio do terceiro setor e filantropia. As formas de atuação da responsabilidade social na comunidade são: campanha de Natal todos os anos, voluntariado no asilo, participação em grupos de voluntários e de escoteiros, participação no centro comunitário do bairro, doando sangue, conforme dados colhidos na pesquisa. O baixo índice de conhecimento da responsabilidade social na faculdade é interessante, pois confirma que a instituição está deixando a desejar neste quesito. Os alunos que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o assunto, seja no trabalho ou na comunidade, deveriam fazê-lo por meio do curso, mas como o mesmo ainda não lhe dá este embasamento e o aluno e encontra deficiente em sua formação, no que tange a temática pesquisada. A instituição pesquisada pode desenvolver a responsabilidade social dos alunos de várias maneiras, na teoria e principalmente na prática. O engajamento da instituição, do corpo docente e discente é importante. Um outro ponto pesquisado foi com relação ao conhecimento dos alunos do curso de Administração dos programas de responsabilidade social desenvolvidos pela instituição pesquisada. De acordo com análise documental realizada, a instituição possui programas de responsabilidade social, dado esse que foi confirmado pelos alunos, mas não de forma satisfatória, porque 33% dos respondentes responderam que sim, mas a maioria 67% colocaram que não ou que desconhecia. Por meio destes dados é possível deduzir que (1) não ocorre a ampla divulgação das ações para os estudantes ou (2) como o aluno não tem o conhecimento completo do assunto, não conseguem associar um determinado programa que a faculdade realiza como sendo de responsabilidade social, pois falta-lhe informação para fazer esta associação, ou ainda que (3) os programas de responsabilidade social realizados pela instituição ainda não estão totalmente inseridos na cultura da mesma. Ao questionar os alunos quanto à existência de dúvidas e questionamentos sobre o tema responsabilidade social apenas 5% aponta não ter dúvidas quanto ao tema. 67% afirmam ter questionamentos a serem feitos a cerca do tema. A falta da cadeira responsabilidade social ou o desconhecimento dos alunos da sua existência no curso de administração contribui para o elevado índice de dúvidas sobre o assunto. Caso a graduação tivesse esta disciplina ou os alunos fossem envolvidos nos programas desenvolvidos pela faculdade este índice poderia ser mais baixo. Um outro dado interessante diz respeito a à busca de informação quanto à responsabilidade social; 64% dos alunos afirmaram aprender mais sobre responsabilidade social em televisão, jornal, revista e trabalho do que na faculdade. Apenas 14% discordam dessa afirmativa e 22% não possui opinião formada. Entende-se que em locais como a televisão, jornal, revista e trabalho ocorre um aprendizado contextualizado à realidade do aluno. Entende-se que este conhecimento é válido, VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br mas também é importante o embasamento teórico, que aborde todas as nuances da responsabilidade social. Por exemplo, determinada empresa pode incentivar seus funcionários ao trabalho voluntário, que também é uma forma de responsabilidade social voltada para a comunidade, mas não valorizar o público interno. A valorização, desenvolvimento e o investimento nos trabalhadores também é responsabilidade social, mas como a empresa desenvolve somente ações junto à comunidade, erroneamente o empregado aprende apenas uma parte do assunto. De acordo com Félix (2003), a responsabilidade social com o público interno acarreta uma série de vantagens, como retenção de talentos, maior integração social dos empregados e de sua família; consequentemente os gastos com saúde são reduzidos, devido à diminuição de doenças ocupacionais, como por exemplo, o estresse, observando-se menor índice de absenteísmo, redução de custos com as causas trabalhistas, maior criatividade, inovação, auto-estima, melhora do clima organizacional. Diante disso, chega-se à conclusão da importância do ensino da responsabilidade social no meio acadêmico para desmembrar todas as ramificações do mesmo, criando um aluno crítico quanto à responsabilidade social que o cotidiano impôs sobre o mesmo. Além disso, incentivar os acadêmicos a se envolver nos programas e projetos relacionados ao assunto também é considerado importante para os alunos. Ao questionar aos alunos se a faculdade é capaz de formar gestores socialmente responsáveis, nota-se que 30% concorda plenamente com essa capacidade. Percebeu-se que muitos estudantes ainda possuem dúvidas quanto ao assunto, desta maneira ainda não podem considerar que serão gestores preocupados com a responsabilidade social. Outro fator é que tudo o que sabem sobre o assunto aprenderam no trabalho, na comunidade, por exemplo, e não na faculdade. Percebe-se que os futuros gestores que estão se graduando na instituição pesquisada poderão ficar para trás no atual mercado, pois de acordo com Tenório et al (2004) e Fedato (2005) a gestão é avaliada não só por dados financeiros, mas principalmente pelas informações sociais, o que fortalece as relações entre empresa, meio ambiente e sociedade. O terceiro ponto pesquisado diz respeito ao envolvimento dos alunos do curso de Administração nos programas ligados a responsabilidade social desenvolvidos pela instituição. Existem várias maneiras de exercer a responsabilidade social no meio acadêmico, como por exemplo, trabalho voluntário, gincanas e competições em prol de uma entidade, consultorias para entidades do terceiro setor, inserir a temática como objetivo específico em algumas das disciplinas das diversas áreas da administração, entre outras. Com base nos dados da pesquisa, grande parte dos alunos da instituição pesquisada não é envolvida nos programas de responsabilidade social, pois ao questioná-los sobre este envolvimento 66% afirmou desconhecer os programas, 13% disse não se envolver e 21% que possui algum envolvimento. Este resultado confirma dados anteriores onde os alunos afirmavam não possuir ou desconhecerem os programas de responsabilidade social da instituição pesquisada, ou seja, não tem como o aluno se envolver em algo que não conhece ou que não existe. Ao questionar os alunos quanto à importância de integrar programas de responsabilidade social nas disciplinas cursadas na graduação de administração, observa-se que a maioria, 77%, concorda totalmente ou com ressalvas da integração responsabilidade social no curso de Administração. Além de identificar a opinião sobre o grau de importância da integração, verificou-se também se deve haver uma abordagem mais teórica do assunto na faculdade, ao que 64% VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br concorda em que ela deve existir, 21% não possui opinião formada sobre o tema e apenas 15 % discorda dessa abordagem. E ao questioná-los quanto a uma abordagem mais prática do assunto 78% dos alunos se mostrou satisfeito com a proposta, 15% não demonstraram opinião e 7% discordam da proposição. Diante destes resultados, percebe-se que uma parcela significativa dos respondentes encontra algumas restrições quanto à abordagem, seja teórico ou prático da responsabilidade social na graduação, ou então não tem opinião formada. O restante considera importante o ensino do tema durante o curso, mesmo com algumas restrições ao responder “concordo em partes”. Ao comparar as respostas, pode-se perceber que os alunos preferem um ensino prático, esta pode ser considerada a forma mais interessante de ensinar, por meio de exemplos e da participação. Este entendimento está de acordo com Costa et al (2004), o qual considera as práticas de responsabilidade social vivenciadas na instituição, como uma maneira de melhor preparação do aluno para o mercado de trabalho e, consequentemente, melhora do currículo do profissional. Diante disso, foi questionado aos alunos o que as faculdades podem fazer para ensinar responsabilidade social aos estudantes na graduação, questão na qual os respondentes poderiam marcar mais de uma opção. A opção outros deste questionário tinha o intuito de buscar outras formas de trabalhar a responsabilidade social com os alunos, além das opções colocadas pelo pesquisador. Sendo assim, observou-se o seguinte resultado: TABELA 1 Formas de inclusão da responsabilidade social na graduação Formas de ensinar a responsabilidade social na graduação Ter uma disciplina sobre Responsabilidade Social. Incluir o tema Responsabilidade Social na ementa de disciplinas como Gestão de Pessoas e Marketing. Realizar seminários, palestras sobre o tema, levando executivos a contar experiências práticas. Desenvolver trabalhos sobre o tema, para os alunos aprenderem a prática. Realização de um programa de trabalho voluntario para os alunos participarem. Outros Total Moda 61 94 136 65 50 5 411 Fonte: dados da pesquisa. Com base na modal, percebe-se que os alunos preferem conhecer o assunto por meio de cases e de praticar o assunto e assim as sugestões com maior índice são aquelas atividades mais práticas que podem ser trabalhadas durante a graduação. Desta forma os alunos apontam a deficiência do curso quanto à falta de uma disciplina específica sobre responsabilidade social e ainda sugere uma forma mais dinâmica e prática da sua abordagem. A TAB. 1 aponta que incluir o tema responsabilidade social na ementa de disciplinas como gestão de pessoas e marketing foi a segunda opção mais escolhida pelos alunos, o que permite notar que eles percebem a interdisciplinaridade do tema responsabilidade com outras disciplinas. O último ponto abordado diz respeito à relevância do tema responsabilidade social na visão dos alunos do curso de Administração. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Ao questionar os alunos quanto da importância da responsabilidade social na prática da Administração, 81% dos alunos estão de acordo com a afirmativa. Aprofundando o tema, foi questionado a respeito da importância da responsabilidade social na graduação e o mesmo percentual estava de acordo com a afirmativa. É interessante a importância que os jovens alunos, pois a maior parte está entre 21 e 30 anos, dão à responsabilidade social. Os jovens possuem uma abertura maior a novas ideias e têm aquele sentimento de querer mudar o mundo e a responsabilidade social é tema capaz de fazer muitas mudanças, tanto na sociedade em geral, nas empresas e para quem realiza. As empresas atualmente são as grandes incentivadoras dos jovens inovadores. Esta situação já foi bem diferente como aponta Lourenço e Schröder (2003) no qual o sistema liberal não incentivava a adoção de ações sociais pelas empresas e até as condenava, entendendo que contribuir para o social não levava ao desenvolvimento da sociedade. No mundo contemporâneo, esta situação mudou, a empresa passa a considerar não só o capital, mas também o meio ambiente e as pessoas. No intuito de consolidar a visão dos alunos quanto à importância do tema foi feita a eles a seguinte questão: “Se a disciplina de responsabilidade social na graduação em administração fosse optativa (não obrigatória) você a cursaria?” o que 78% dos alunos respondeu que sim. Este resultado valida o que 81% dos alunos consideram importante a responsabilidade social na graduação. Praticamente os mesmos alunos cursariam esta cadeira mesmo sendo optativa. Percebe-se, de forma clara, o interesse dos alunos pelo conhecimento e contato com questões que fazem parte do contexto atual do mercado, no caso desta pesquisa a questão da RS. Por meio dos dados da pesquisa, percebeu-se que os alunos entendem a importância da responsabilidade social e gostariam que o assunto fosse tratado durante o curso de administração. A instituição deve acompanhar o que as empresas estão buscando e oferecer aos seus alunos cursos alinhados ao que o mercado deseja. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A responsabilidade social é um assunto novo, muito presente nos meios de comunicação e pouco discutido nas instituições de ensino superior, principalmente pela falta de uma disciplina específica nas grades curriculares do curso de administração, o que motivou a realização deste estudo. Diante disso, procurou-se, por meio da pesquisa quantitativa verificar na percepção dos alunos sobre como a responsabilidade social é integrada aos cursos de administração de uma Instituição de Educação Superior de Itabira. Este objetivo geral originou quatro objetivos específicos que são apresentados a seguir, juntamente com seus resultados. Verificar se o curso de Administração na instituição pesquisada possui disciplinas voltadas para a área de Responsabilidade Social sob a ótica dos alunos foi o primeiro objetivo específico. Os resultados apontam que a instituição pesquisada não possui uma disciplina específica para responsabilidade social no curso de Administração. E também a responsabilidade social é pouco integrada no curso por meio de outras disciplinas, seminários, palestras e eventos em geral, pois a minoria percebe estas ações por parte da instituição. Este baixo índice na percepção das ações de responsabilidade social pode ser entendido, no contexto desta pesquisa, por falta de divulgação e de conhecimento dos alunos no assunto, desta forma eles não conseguem percebê-la. Outro resultado importante é que o VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br contato que o aluno tem com a responsabilidade social acontece fora da faculdade, principalmente nas empresas em que trabalham. O segundo objetivo específico consistia em identificar se os alunos do curso de Administração conhecem os programas de responsabilidade social desenvolvidos pela instituição pesquisada. O resultado aponta que a instituição pesquisada possui programas de responsabilidade social, mas são pouco divulgados. A principal forma de divulgação percebida é o site da instituição e esta forma de divulgação não está sendo a melhor, pois os alunos desconhecem os programas realizados pela faculdade. Devido à falta de abordagem do assunto na faculdade, os alunos afirmam possuir muitas dúvidas com relação ao assunto e que os locais em que mais aprendem sobre o assunto são em jornais, revistas, televisão e no trabalho. Mas concordam que a instituição pesquisada é capaz de formar gestores socialmente responsáveis. O terceiro objetivo específico buscou verificar se os alunos do curso de Administração são envolvidos nos programas ligados a responsabilidade social desenvolvidos pela instituição. Por meio dos dados, percebe-se que os alunos não são envolvidos nos programas de responsabilidade social propostos pela instituição e os alunos afirmam ser importante esta integração. Os dados apontam ainda que os alunos preferem uma integração mais prática do que teórica, por meio de palestras, seminários e experiências práticas e também a integração da responsabilidade social com outras disciplinas, como por exemplo, marketing e gestão de pessoas. E por fim analisar a relevância do tema responsabilidade social na visão dos alunos do curso de Administração foi o quarto e último objetivo específico. Os dados mostram a importância e a relevância da responsabilidade social para os alunos. Estes mesmos alunos gostariam que a instituição pesquisada proporcionasse mais espaço para o assunto no curso e os discentes afirmam que cursariam a disciplina caso a mesma fosse optativa no curso. Os dados sugerem a importância da responsabilidade social para os alunos, pois já percebem a sua relevância para o mercado eo curso de graduação em Administração da instituição pesquisada não está acompanhando esta nova realidade, pois não possui uma disciplina específica do assunto na grade curricular do curso. O entendimento de que a faculdade deve se antecipar as tendências de mercado, ou seja, ser inovadora, e que assuntos novos e atuais devem ser rapidamente incorporados pelos cursos de graduação não acontece na instituição pesquisada. Percebe-se uma menção ao assunto de modo esporádico e sem ampla divulgação. Outro dado importante é a falta de conhecimento do assunto para entender as ações de responsabilidade social propostas pela instituição. A responsabilidade social é um assunto amplo e não se restringe ao trabalho voluntário e à filantropia e desta forma ações realizadas pela faculdade que podem ser de responsabilidade social não estão sendo vistas pelos discentes como deveria. Surpreende o resultado de que os alunos concordam que a instituição pesquisada é capaz de formar gestores socialmente responsáveis, considerando-se que a pesquisa demonstrou que a faculdade não oferece a disciplina de responsabilidade social, embora existam ações de responsabilidade social, mas que não são divulgadas e que acontecem de forma esporádica, além do fato de que na instituição não ocorre a integração do assunto com outras disciplinas. Este resultado pode ser explicado pelos conhecimentos obtidos pelos alunos fora do ambiente acadêmico – trabalho, comunidade, meios de comunicação – que faz VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br com que percebam as ações de responsabilidade social realizadas pela faculdade e que as considerem suficientes para ser socialmente responsável. É interessante perceber que não a só faculdade é um local de aprendizado, mas que a interação e envolvimento com a filantropia e voluntariado é um canal de conhecimento e consequentemente de conscientização de que se precisa fazer algo pelo outro e não somente aguardar pelas ações do governo. É a mudança de posicionamento primeiro do indivíduo para depois mudar uma organização e torná-la socialmente responsável, como gestor. A pesquisa estruturou-se na integração da responsabilidade social no curso de administração em uma Instituição de Educação Superior de Itabira na percepção dos alunos. Para pesquisas futuras, seria interessante verificar esta integração sob a ótica dos docentes e coordenadores de curso, ou ainda em outros cursos de graduação, com a finalidade de verificar a responsabilidade social abordada em diferentes cursos e públicos. Esta mesma pesquisa também pode ser feita um comparativo entre diferentes instituições de ensino ou em diferentes cidades, com o objetivo de verificar a realidade da responsabilidade social em outras faculdades e compará-las. REFERÊNCIAS ARAÚJO, M. R. M. Exclusão social e responsabilidade social empresarial. Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 2, p. 417-426, mai./ago. 2006. ASHLEY, P. A. et al. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2004. CANOPF, L. Concepções de responsabilidade social dos cursos de graduação em administração da região sudoeste do Paraná. 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