A RESPONSABILIDADE SOCIAL NA FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR: a percepção do
estudante quanto à importância do tema.
Andréa Soares Dias de Moura
FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira
Adriana Lopes Fernandes
FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira
Lilian Ponzo
FUNCESI – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira
No atual contexto mercadológico e de pressões sociais, as empresas têm buscado obter o lucro de forma
socialmente responsável, ou seja, realizando ações com menos impacto ao meio ambiente e à sociedade.
Diante disso, os gestores precisam estar preparados para gerir as organizações e a faculdades devem estar
estruturadas para lecionar e preparar os alunos para esta nova realidade – a responsabilidade social, para que
esses possam, nas empresas, gerir as funções tradicionais e também a responsabilidade social dentro de cada
uma das áreas e da empresa como um todo. O presente estudo tem como objetivo verificar como a
responsabilidade social é integrada aos cursos de Administração de uma instituição de Educação Superior de
Itabira na percepção dos alunos, verificando se a instituição pesquisada possui a disciplina responsabilidade
social na grade do curso, se os alunos conhecem e são envolvidos nos programas de responsabilidade social
e por fim a relevância do assunto para os alunos. A estratégia de pesquisa adotada é quantitativa, quanto aos
fins, descritiva, e quanto aos meios, pesquisa de campo. O universo de pesquisa é composto por 409 alunos
matriculados no curso de administração da instituição pesquisada e a amostra contém 205 alunos. A pesquisa
foi realizada por meio de questionários fechados e pesquisa documental, os dados foram analisados
estatisticamente utilizando o software Excel. Os principais resultados mostram que não existe uma disciplina
específica para responsabilidade social na graduação de Administração na faculdade pesquisada. A
instituição desenvolve alguns programas de responsabilidade social e não realizam a integração dos alunos,
acredita-se que devido a falta de divulgação ou aos meios de comunicação utilizados serem ineficazes. Podese considerar que os alunos consideram importante e relevante o estudo da responsabilidade social e que a
faculdade pesquisada é capaz de formar gestores socialmente responsáveis.
Palavras chaves: Administração. Responsabilidade social. Ensino Superior.
In the current marketing context and social pressures, companies have sought to get the profit of a socially
responsible manner, ie, performing actions with less impact to the environment and society. Therefore,
managers must be prepared to manage organizations and colleges should be structured to teach and prepare
students for this new reality - the social responsibility so that these can, in business, managing the traditional
functions and also the social responsibility within each of the areas and the company as a whole. The present
study aims to determine how social responsibility is integrated with courses in business administration from
an institution of higher education in the perception of Itabira students, ensuring that the institution has
researched social responsibility in the discipline of the course grade, if students know and are involved in
social responsibility programs and ultimately the relevance of the subject for students. The research strategy
adopted is quantitative, descriptive as to the purposes and on the means, the field research. The research
universe is composed of 409 students enrolled in the institution's administration investigated and the sample
contains 205 students. The survey was conducted by means of closed questionnaires and documentary
research, the data were statistically analyzed using Excel software. The main results show that there is a
specific subject to social responsibility in the administration of graduate college search. The institution
develops some social responsibility programs and do not realize the integration of pupils, it is believed that
due to lack of disclosure or the media used are ineffective. One can consider that students consider important
and relevant to the study of social responsibility and the faculty surveyed are able to form socially
responsible managers.
Key words: Administration. Social responsability. Higher Education.
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1 INTRODUÇÃO
A responsabilidade social é a forma de gerir as organizações com transparência e ética com
todos os stakeholders com os quais a empresa possui relação e ainda buscar o desenvolvimento
sustentável da sociedade, cuidando dos recursos ambientais e culturais, respeitando a diversidade e
com objetivo de reduzir as desigualdades sociais (ETHOS, 2011).
Essa nova forma de gerir as organizações traz para a discussão o papel do administrador nas
empresas. Diante de um cenário em que problemas sociais e ambientais se agravam e as empresas são
muitas vezes consideradas responsáveis por este desequilíbrio com florestas devastadas, escassez de
água e poluição, miséria e fome da população, entre outros problemas, o administrador passa a ser
peça fundamental para incorporar e desenvolver nas organizações a ideia de empresa responsável
socialmente.
Entretanto, o que se percebe é que os administradores não estão preparados para a nova
realidade. Acostumados a atuar nas áreas de marketing, finanças, produção, gestão de pessoas, entre
outras, para se manterem no mercado, desenvolver a empresa e obter o lucro, os administradores terão
que desenvolver uma nova competência.
O desenvolvimento desse novo gestor deve levá-lo a pensar não só no crescimento da
empresa, mas também na sociedade como um todo. Faz-se necessário que o mesmo esteja preparado
para atuar de modo sustentável na gestão e esta preparação passa primeiramente pelos cursos de
graduação. Segundo Pessoa et al (2005) a graduação forma profissionais em diversas competências,
essa formação deve ser consciente para que os profissionais possam atuar na área que escolheram de
modo socialmente responsável e ético perante a sociedade.
Este trabalho terá o intuito de verificar como a responsabilidade social é integrada no curso de
administração em uma faculdade na cidade de Itabira/MG na percepção dos alunos. O tema pretende
alertar docentes e discentes quanto à importância do envolvimento nas ações de responsabilidade
social propostas por Instituições de Ensino Superior.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Breve histórico da responsabilidade social
A responsabilidade social é um tema novo e atual. A sociedade percebeu que a riqueza das
empresas deve ser retornada para a comunidade em forma de projetos que melhorem a qualidade de
vida da população e também para o meio ambiente, ajudando na sua preservação. Esta necessidade e
cobrança passaram a ser um diferencial competitivo, diante das mudanças do mercado.
Diante do novo quadro mercadológico de alta competitividade, inexistência de barreiras
territoriais, aliado à melhora nos níveis educacionais dos consumidores, que estão mais exigentes e
questionadores, as empresas buscam alternativas para se destacarem e se diferenciarem dos
concorrentes. Uma solução seria investir na qualidade dos produtos e no melhor relacionamento com
seu público interno e externo, este estreitamento na relação pode ser por meio da responsabilidade
social (ARAÚJO, 2006). Os consumidores possuem ferramentas políticas, econômicas e culturais
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capazes de mudar a opinião das pessoas, seja de modo individual ou coletivo, com relação a empresas
socialmente irresponsáveis (RAMPINELLI; GUIMARÃES, 2006).
Por meio da pressão da sociedade, está havendo gradualmente uma mudança de um modelo
tradicional, baseado puramente na obtenção do lucro para um modelo baseado na qualidade de vida
dos indivíduos, ou seja, um modelo fundamentado na proteção do meio ambiente e nos direitos da
sociedade (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004).
A responsabilidade social é um assunto que começou a aparecer no século passado e que ao
longo das décadas alterou a sua forma de atuação de acordo com o cenário econômico predominante
no período, como será visto a seguir.
Para melhor compreender a responsabilidade social, Tenório et al (2004) a dividiu em dois
períodos; o primeiro entre o início do século XX até 1950 e o segundo da década de 1950 até os dias
de hoje.
No primeiro período estava ocorrendo a transição de uma economia agrícola para a industrial,
com inovações tecnológicas e mudanças no sistema produtivo. A responsabilidade social reunia os
princípios do liberalismo, que considerava o Estado o responsável pelas ações sociais e as empresas
por sua vez, deveriam se preocupar com a geração de lucro, emprego e pagamento de impostos
(TENÓRIO, 2004; LOURENÇO; SCHRÖDER, 2003). O liberalismo estabelecia uma separação nítida
entre o primeiro (governos) e o segundo (empresas privadas) setor.
O sistema liberal não incentivava a adoção de ações sociais pelas empresas e até as condenava,
entendendo que a contribuição para o social não levava ao desenvolvimento da sociedade
(LOURENÇO; SCHRÖDER, 2003). Por isso pequenas manifestações contra a busca incessante pelo
lucro por parte das empresas eram isoladas e não organizadas (RAMPINELLI; GUIMARÃES, 2006).
Essa transição ocorreu a partir do momento que o Estado não estava fazendo perfeitamente a
sua parte, ou seja, fornecendo a população qualidade de vida, saúde, educação, segurança, entre outras
ações de sua responsabilidade, e as organizações se tornando cada vez mais ricas e poderosas. As
primeiras ações das empresas em prol da sociedade apareceram sob a forma de filantropia.
No início século XX considerava-se a responsabilidade social como sendo a filantropia, ou
seja, doações individuais e pontuais realizadas por empresários. Mais tarde, devido a pressões da
sociedade, o cumprimento de obrigações legais (questões trabalhistas e ambientais) de modo contínuo
passou a representar responsabilidade social. Desta forma, neste período chamado de clássico, a
responsabilidade social assume sentido puramente econômico (TENÓRIO et al, 2004).
Compartilhando da mesma ideia, Ashley et al (2004) esclarecem que a preocupação social das
empresas era restrita ao agente econômico, suas ações muitas vezes eram consideradas não ideais,
gerando pressão da sociedade.
Segundo Rampinelli e Guimarães (2006) depois de 1950, período pós-industrialização, os
movimentos sociais buscavam uma alteração na relação entre empresa e sociedade. Em função dos
questionamentos da sociedade referentes ao modelo de aquisição do lucro e o papel das empresas,
ocorrido por meio da mudança de valores da sociedade naquela época, depois de 1950, o conceito de
responsabilidade se expandiu (TENÓRIO et al, 2004). Na concepção de Félix (2003) outros motivos
levaram ao aumento da preocupação com a responsabilidade social: a crise do Estado de bem-estar
social, as posturas neoliberais do governo, preocupação com o meio ambiente e aumento do marketing
das empresas. A sociedade começou a pressionar as empresas com relação às suas práticas antiéticas e
abusivas, pois a produção com o menor custo causava danos à comunidade e ao meio ambiente
(ASHLEY et al, 2004). Enfim, todas essas preocupações tiveram origem na sociedade, o que seque
refletiu nas organizações, ou seja, as empresas somente seguiram a direção dos acontecimentos, para
que não ocorressem retração e falência nos negócios.
Mendonça (2003) acrescenta que associado ao interesse da sociedade em geral, a globalização
e a velocidade tecnológica e da informação, faz com que as organizações se adequem a esta nova
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maneira de gerir suas atividades, considerando aspectos econômicos, sociais e ambientais,
considerando a globalização mais um fator para a gênese da responsabilidade social (ASHLEY et al,
2004). Félix (2003) acrescenta que antes da globalização dos meios de comunicação, ações incorretas
da empresa eram divulgadas somente nas regiões próximas e não tinha grandes impactos. Com a
comunicação em massa e cada vez mais rápida, condutas negativas atingem consumidores em
qualquer parte do mundo, gerando prejuízos.
A transição de organização que visualizava somente o lucro, para uma organização
socialmente responsável ocorreu por causa da pressão da sociedade. As empresas perceberam que o
não financiamento em projetos sociais e ambientais iria refletir no lucro e com a adoção da
responsabilidade social na empresa, este elemento mais uma vez aparece para a empresa lucrar e
crescer ainda mais. Desta forma, a sociedade ganha, mas a empresa ganha ainda mais. Para entender
como a empresa irá se beneficiar, primeiro é preciso entender o que é responsabilidade social, que será
visto no próximo item.
2.2 Definições para responsabilidade social
Com a evolução do tema responsabilidade social, seu conceito também evoluiu e passou a
abranger não só o social, mas também o meio ambiente, a ética, a transparência, os funcionários,
governos, entre outros públicos com o qual a empresa se relaciona. Pois não adianta a empresa
participar de projetos sociais da população com o qual a mesma se relaciona e os funcionários estarem
insatisfeitos dentro da empresa. Desta forma o tema se tornou abrangente, como pode ser visto a
seguir.
Um conceito único e formal para responsabilidade social, segundo Araújo (2006) não existe,
pois persistem diversas visões particulares do assunto. Neste contexto entende-se por responsabilidade
social uma série de interpretações e várias exigências, destacando a mudança comportamental e que
envolvem todos os departamentos da organização (ASHLEY et al, 2004). Melo Neto e Froes (2001)
consideram a melhor maneira de conceituá-la utilizando as visões que se tem a respeito, que são:
atitude e comportamento ético e responsável; conjunto de valores; postura estratégica empresarial;
estratégia de relacionamento, marketing, recursos, valorização de ações empresariais e de produtos e
serviços; estratégia social de inclusão e desenvolvimento da sociedade; promoção de cidadania
coletiva e individual; consciência ecológica; capacitação profissional e estratégia de integração social.
Como é uma vasta gama de posturas a ser seguida, Melo Neto e Froes (2001) propõem escolher um
foco e a partir dele construir as ações socialmente responsáveis.
Resumidamente, Melo Neto e Froes (2001) colocam que responsabilidade social vai além do
desenvolvimento da comunidade e preservação do meio ambiente, frisando o investimento no bemestar dos empregados por meio de ambiente de trabalho saudável, comunicando de forma transparente
com acionistas, assegurando sinergia entre os parceiros e proporcionando satisfação de clientes e
consumidores, podendo-se considerar aqui todos os stakeholders.
A empresa socialmente responsável é aquela que tenta atender as expectativas dos seus
stakeholders, desta forma a responsabilidade social ampliando a sua área de atuação, mudando de
filantropia, em que a empresa beneficia pontualmente a comunidade, para se estender de maneira
sólida e estruturada para os trabalhadores, clientes, acionistas, fornecedores, concorrentes, estado,
governo, sindicatos, todos os públicos que a empresa se relaciona (ASHLEY et al, 2004).
No conceito proposto por Ashley et al (2004) a organização deve agir para ser responsável
socialmente e aborda a questão do desenvolvimento sustentável.
Responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma
organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e
atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma
comunidade, de modo específico, agindo proativamente e coerentemente no
que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas
com ela. A organização, nesse sentido, assume obrigações de caráter moral,
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além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas a suas
atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável
dos povos. Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e
qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da
sociedade. (ASHLEY et al, 2004, p. 6-7).
O termo desenvolvimento sustentável foi criado pelo Word Business Council for Sustainable
Development e que tem como propósito o crescimento econômico por meio da preservação do meio
ambiente e respeito ao lado social, promovendo uma melhor qualidade de vida para a sociedade. Desta
forma as organizações “conquistariam o respeito e admiração de consumidores, sociedade,
empregados e fornecedores; garantindo a perenidade e a sustentabilidade dos negócios no longo
prazo.” (TENÓRIO et al, 2004, p. 25).
Ainda de acordo com o autor supracitado existem três interpretações distintas para
responsabilidade social. A primeira interpretação está de acordo com Oliveira (1984) no qual o
cumprimento de obrigações legais seria responsabilidade social. Este entendimento pode ser entendido
da seguinte maneira: as empresas não cumprem a lei em sua totalidade, com isso quem cumpre a
legislação é socialmente responsável. Por exemplo, ao pagar impostos a empresa está contribuindo
com o desenvolvimento da sociedade e com o desenvolvimento econômico.
O segundo tem ligação com o envolvimento das organizações com causas comunitárias e o
terceiro entende-se que a organização tem compromisso não só com comunidade, mas também com
clientes, fornecedores, meio ambiente, empregados. Na realidade todos os pontos colocados pelo autor
são considerados por outros autores, o mesmo apenas desmembrou o conceito. Isso acontece conforme
explica Ashley et al (2004), existem muitas definições para responsabilidade social, demonstrando que
o conceito ainda está em construção e que ainda representará muitas discussões, colocando ainda que o
termo responsabilidade social pode ser subdivido em: responsabilidade, responsividade, retitude e
desempenho social corporativo, desempenho social dos stakeholders, auditoria e inovação social
(ASHLEY et al, 2004).
Não mudando os conceitos apresentados anteriormente, mas com palavras diferentes, Félix
(2003, p. 19) coloca a sua definição para a responsabilidade social, como sendo “a integração
voluntária, por parte das empresas, das preocupações sociais e ambientais com suas operações
comerciais e com suas relações com seus representantes e sua área de influência”. Atualmente as
empresas estão se envolvendo nas questões sociais e ambientais de modo obrigatório e não voluntário
como expôs Félix (2003), isso porque se as organizações não se adaptarem perderão espaço no
mercado.
De acordo com o Instituto Ethos (2001) as organizações são socialmente responsáveis a partir
do momento que as obrigações da mesma vão além de cumprir a legislação, oferecer ao trabalhador
condições de saúde e segurança adequadas e pagamento de impostos. As empresas devem buscar a
construção de uma sociedade mais justa, por meio de mudança de atitude com atenção especial a
qualidade das relações e na geração de valor para todos os envolvidos na cadeira produtiva. Para
Araújo (2006) o Instituto Ethos trabalha na tentativa de unificar o conceito de responsabilidade social.
Este instituto desenvolveu indicadores com a finalidade de verificar a situação da
responsabilidade social, são avaliados benefícios para todos os stakeholders da organização. (ETHOS,
2001). Os indicadores são qualitativos e quantitativos e são divididos em sete dimensões: valores e
transparência, público interno, meio ambiente, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e
sociedade (TENÓRIO et al, 2004). Corrêa e Medeiros (2003) colocam que são várias as ações que
podem ser feitas em cada dimensão proposta pelo Instituo Ethos, mas sempre com transparência e
ética. Ashley et al (2004) colocam que a transparência é um dos grandes desafios para as empresas que
desejam ser socialmente responsáveis, pois devem construir relações de confiança, normas de conduta
e agregar valor para toda a cadeia produtiva, nos aspectos ambientais, sociais e econômicos.
As empresas antes de serem socialmente responsáveis devem verificar internamente seus
valores e onde se pretende chegar, para que suas ações estejam coerentes com a estratégia da empresa.
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Percebe-se atualmente que o simples fato da empresa cumprir a legislação já é um diferencial
competitivo, porque a maioria não o faz. Por meio dos conceitos de responsabilidade social (RS) notase a dimensão do assunto, diante disso a empresa deve verificar o que mais impacta no seu negócio e
começar a trabalhar nisso. Não adianta atacar em todas as frentes e não obter resultado satisfatório em
todas as dimensões, o direcionamento é o melhor caminho. Para isso existem ferramentas para se
trabalhar o assunto e avaliar a organização, como será visto a seguir.
2.3 Responsabilidade social no meio acadêmico
Diante desta nova realidade que se apresenta para os gestores dentro das organizações, os
indivíduos que já estão à frente das empresas precisam se qualificar por meio de cursos de pós
graduação, participação em seminários sobre o assunto ou então se mantendo atualizados por meio da
mídia, jornais e revistas. Por sua vez, os futuros gestores já devem chegar às organizações prontos, ou
seja, conhecedores do assunto. Neste ponto que entra as instituições acadêmicas que devem preparar
esse futuro gestor para a atual necessidade que o mercado apresenta.
A globalização é quase sempre a solução ou a causa de problemas para o indivíduo e no meio
organizacional é o resultado de uma série de mudanças, exigindo assim um novo perfil de gestor. De
acordo com Rampinelli e Guimarães (2006) a tomada de decisão dos gestores no passado era pouco
influenciada por questões externas a empresa, mas hoje devido à velocidade das transformações do
mercado, as decisões são tomadas baseadas também no ambiente externo. Echeveste et al (1999)
completam que a atual conjuntura cultural, econômica e social exige líderes pensantes, posicionados a
manter vantagens competitivas e a seguir as mudanças numa velocidade nunca vista anteriormente. E
a educação por meio do conhecimento torna-se mais uma vez o suporte para se manter neste universo
de informação, inovação, decisões difíceis e rápidas.
Em consonância com a ideia anterior, Pantzier (2001) afirma que, as organizações e os
administradores acompanham essa nova era, por meio de uma constante atualização. Como explica
Canopf (2003, p. 15) os gestores devem “estar preparados para enfrentar situações que envolvam
aspectos éticos, sendo capazes de conciliar os interesses organizacionais aos interesses da sociedade”.
Para que sejam administradores conscientes da realidade social que enfrentarão após concluírem a
graduação, do seu papel social e que tenham conhecimento prático para desenvolver projetos que
atendam o capital e a sociedade (PESSOA et al, 2005).
Neste contexto as instituições de educação devem chamar para si a responsabilidade de
proporcionar aos alunos, principalmente os administradores, uma formação que considere o lado social
e ético (CANOPF, 2003). Visualizando está necessidade, o Ministério da Educação, por meio das
Diretrizes Curriculares estabeleceu uma ligação direta entre ética e responsabilidade social e que o
assunto não seja lecionado isoladamente, mas a sua relação com outras disciplinas de formação
profissional. Desta forma Canopf (2003) entende que ocorrerá uma mudança na base da organização,
tornado-se socialmente responsável.
Assim devemos ir da organização baseada na informação para àquela
baseada na responsabilidade em todos os seus âmbitos, na qual cada membro
da organização assuma responsabilidade pelos objetivos da organização,
pelas contribuições da mesma e pelo seu comportamento. Com cada membro
agindo assim, a organização que é composta por pessoas, terá um
comportamento responsável. (CANOPF, 2003, p. 61)
Dentre as ações que as instituições podem assumir para contribuir com a responsabilidade
social de seus alunos, é ter um olhar voltado para o crescimento da comunidade no qual a mesma está
inserida, devido ao fato dos institutos de ensino superior ser um espaço qualificado na formação de
profissionais, e acabam por contribuir no crescimento da região no qual atuam (PANTZIER, 2001).
Desta forma fornecerá aos futuros gestores maneiras de se encontrar e ainda colaborar com novas
possibilidades de negócios éticos e socialmente responsáveis (COSTA et al, 2004). Diante desta nova
realidade, Echeveste et al (1999) e Canopf (2003) colocam que o desafio que se apresenta para os
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administradores, exigirá deles estratégias, visão sistêmica e conhecedor transcultural para atender uma
mão de obra global para um mercado de trabalho globalizado e ainda desenvolver a questão da
responsabilidade social dentro das empresas.
A contribuição dos centros de ensino é importante na evolução e adaptação ao atual contexto
social, político e econômico. Esse ajustamento à realidade social é urgente, principalmente devido a
transformações que está ocorrendo na sociedade em geral (PANTZIER, 2001).
Como as verdades sociais alteram-se constantemente, e os padrões tidos
como absolutos não mais existem, é essencial que a universidade esteja
diuturnamente buscando ajustar-se a essas transformações. É necessário
buscar o sentido de existência de cada curso, de cada disciplina, para não se
correr o risco de formar profissionais que terão dificuldade de se situarem no
mercado (PANTZIER, 2001, p. 3).
Por isso Canopf (2003) coloca o projeto pedagógico como essencial, porque é por meio dele
que a instituição descreve toda a significação do trabalho a ser desenvolvido, ou seja, é algo que vai
além dos planos de ensino e das atividades. É um planejamento, uma direção de tudo que se pretende
realizar.
Do plano pedagógico dá origem ao currículo dos profissionais que saem das universidades e
entram no mercado de trabalho. Costa et al (2004) consideram um bom currículo aquele que integra as
disciplinas para uma melhor formação acadêmica e que ainda contenha práticas vivenciadas na
instituição, como uma maneira de melhor preparação do aluno para o mercado de trabalho que se
apresenta cada vez mais exigente e socialmente responsável.
Devido à exigência do mercado, é evidente a importância da formação de gestores socialmente
responsáveis para que possam atuar internamente e externamente as empresas, a tomada de decisão
dentro das organizações ficou mais difícil pois deve-se verificar o impacto dos resultados e das
decisões em toda a sociedade. E a faculdade tem um grande papel na formação desses gestores
(PESSOA et al, 2005).
Diante da realidade que se apresenta no sentido de que os gestores não estão preparados, isto
acontece porque não obtiveram uma formação correta. O autor supracitado demonstra ainda que tal
despreparo não constitui novidade, explicando que as instituições familiar e escolar deixaram de ser
agentes de socialização. Canopf (2003, p. 115) chama a atenção que os “envolvidos no processo
educacional, precisam de iniciativas para garantir uma boa formação e qualificação destes
profissionais. Escolas, alunos, professores, Estado, sociedade e empresas devem ser conclamados a
buscar soluções em conjunto”.
Para Frade (2008) o objetivo das universidades é formar recursos humanos para diferentes
áreas do conhecimento, cabendo a elas estabelecer relações com os públicos que a rodeiam,
estabelecendo conceitos, teorias e argumentações que possam contribuir de maneira positiva na
formação do indivíduo. Concordando com a ideia de Frade (2008), Pessoa et al (2005) colocam que a
faculdade deve preparar os profissionais nas áreas de competência, mas com consciência de ética e
responsabilidade social para com a sociedade. Outro ponto importante destacado pelos autores acima
citados é a qualificação dos profissionais para atuarem não só nas empresas privadas, mas também nas
organizações do terceiro setor, aplicando o que foi apreendido na graduação em projetos sustentáveis.
A necessidade de gestores com conhecimento em responsabilidade social é uma realidade
restando agora às instituições acadêmicas se adaptarem, oferecendo a seus alunos um ensino teórico e
prático de qualidade relacionado ao assunto.
3 METODOLOGIA
Esta pesquisa se caracteriza por uma abordagem quantitativa por ter o propósito de avaliar o
resultado da integração do tema responsabilidade social ao curso de administração. Diehl e Tatin
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(2006) ressaltam que a pesquisa quantitativa é caracterizada pela quantificação tanto na coleta quanto
no tratamento das informações por meio de técnicas estatísticas, com o objetivo de garantir resultados
e evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando uma margem de segurança maior quanto
às interferências.
Quanto ao tipo de pesquisa foi utilizada a descritiva. A escolha se deu pelo fato da pesquisa
descritiva possibilitar registrar, analisar e correlacionar fatos sem manipulá-los (CERVO; BERVIAN;
SILVA, 2007).
Quanto ao método o trabalho foi caracterizado como pesquisa de campo. Foram
aplicados 409 questionários a alunos de todos os períodos do curso de Administração, sendo
que desses retornaram 205 sendo o suficiente para caracterizar a população amostral do
universo pesquisado. Os alunos foram escolhidos por meio de uma amostra probabilística
aleatória simples. O nível de confiança estabelecido foi de 95%, com um erro 5%. Além
disso, para elaboração do questionário foi necessário o levantamento de fontes de dados
primários, para tanto foi utilizada outra ferramenta para a coleta de dados: a pesquisa
documental.
O tratamento dos dados foi realizado através da estatística descritiva, utilizando os
dados obtidos na tabulação através da frequência relativa, absoluta e a moda, para apresentar
os resultados alcançados, a fim de responder aos objetivos propostos, sob a luz da teoria. Para
que não ocorresse a invalidação da pesquisa e, tomando como base o que os autores de
metodologia ponderam sobre o não retorno de questionários, tomou-se o cuidado de distribuir
235 questionários, número maior do que o mensurado no critério de amostragem, para que
dessa forma tenha-se conseguido os 205 questionários que foram apurados, de forma
estatística, como representativos do todo. No caso da pesquisa documental valeu-se de uma
análise qualitativa para levantamentos dos dados a serem considerados para a adequação do
questionário.
O curso pesquisado é integrante da Faculdade de Ciências Administrativas e Contábeis
de Itabira, da FUNCESI (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira), com sede em
Itabira, Estado de Minas Gerais, foi criada em 5 de outubro de 1993 e tem como Instituidores
a Prefeitura Municipal de Itabira, a Câmara Municipal de Itabira, a Companhia Vale e a
Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano. A FUNCESI é uma Instituição comunitária e regional,
reconhecida pelo Governo Federal. Atualmente a Instituição oferece 17 cursos nas áreas de
Ciências Sociais Aplicas, Engenharias e Saúde.
4 ANÁLISE DOS DADOS
O perfil dos respondentes são alunos do curso de Administração da instituição
pesquisada. A maioria dos respondentes - 84% - se encontra na faixa etária entre 21 a 45 anos
e o sexo dos alunos está equivalente, 49% homens e 51% mulheres, prevalecendo solteiros
70%. Metade dos alunos que responderam a pesquisa está entre o 3º e 6º período de curso de
administração, os calouros (1º e 2º períodos) responderam a 31% dos questionários e os
últimos períodos (7º e 8º) contribuíram com 19% das respostas.
O primeiro ponto abordado no questionário diz respeito a responsabilidade social nas
disciplinas do curso de administração na instituição.
De acordo com os dados apresentados, o curso de Administração da instituição
pesquisada está deixando de apresentar aos seus alunos um ensino teórico sobre a
responsabilidade social; 91% dos entrevistados afirmam não possuir no curso a disciplina
específica sobre responsabilidade social ou desconhecem sua a existência.
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O resultado está de acordo com o ementário do curso de Administração da instituição
pesquisada – matriz curricular (2009), no total são 46 disciplinas ministradas e nenhuma
específica para responsabilidade social. Ao verificar a ementa dessas disciplinas não se
verificou nenhuma relação das mesmas com responsabilidade social.
Diante dos dados apresentados, o curso de Administração da instituição parece
deficitário quanto ao novo perfil de gestor exigido pelo mercado, o que pode prejudicar o
desempenho dos alunos da instituição tanto no desenvolvimento de suas funções dentro de
uma organização, como em uma simples entrevista de emprego pelo fato de desconhecerem
ou conhecerem superficialmente a temática. Além disso, o fato ocasionará a busca por uma
complementação da formação em cursos de extensão ou pós-graduação.
Mesmo não possuindo uma disciplina específica para a responsabilidade social, o
curso poderia introduzir o assunto de outras formas, por exemplo, na disciplina de gestão de
pessoas capacitando os futuros gestores a identificar e motivar suas equipes ao trabalho sócioresponsável. Na área de marketing, por exemplo, poderia instigar os gestores a divulgar sua
marca, produto, serviço dando destaque aos trabalhos de responsabilidade social
desenvolvidas pela empresa. Mais uma forma de abordar este assunto na graduação de
administração seria aumentar a periodicidade de palestras, seminários, participação em
eventos e visitas a empresas que estão com suas ações de responsabilidade social
desenvolvidas, conforme aponta os dados da pesquisa. De acordo com os alunos, essa
abordagem da responsabilidade social durante o curso é realizada de forma superficial, pois
80% não conseguem percebê-la durante sua jornada.
Aos olhos do pesquisador, essa percepção se deve ao fato da não existência da
disciplina específica de RS, fazendo com que os alunos desconheçam o assunto, ou até
mesmo não consigam perceber as ações desenvolvidas pela instituição pesquisada
Este resultado está em desacordo com a concepção de Canopf (2003) no qual as
instituições de educação devem chamar para si a responsabilidade de proporcionar aos alunos,
principalmente os administradores, uma formação que considere o lado social e ético.
Os alunos foram questionados quanto às experiências com a responsabilidade social na
vida fora da FUNCESI; 35% afirmaram que já tiveram tal experiência e 65% afirmaram que
não. Desta forma pode-se deduzir que os alunos que mais percebem a existência de
abordagens envolvendo a responsabilidade social dentro da faculdade são aqueles que já
vivenciaram o tema na realidade. Para uma maior consolidação da informação recebida
considerou-se necessário questionar os entrevistados de forma direta quanto à origem do
envolvimento com o tema.
Percebeu-se que o local que os alunos convivem com o assunto responsabilidade
social em sua maioria é nas empresas no qual trabalham, compreendendo 55% do total de
alunos que responderam possuir experiência com responsabilidade social. Outros locais que
apareceram são comunidade 28%, política 4%, igreja 6% e faculdade 7%.
Diante destes dados, percebe-se que as empresas já estão adotando algumas práticas de
responsabilidade social no ambiente organizacional são as que precisarão de profissionais
capacitados nesta área de conhecimento. A importância do conhecimento da responsabilidade
social é válida não somente para aplicar a teoria na gestão, mas também como forma de
conscientizar os futuros gestores de trabalharem, independentemente da área de atuação, de
modo socialmente responsável. Para Drucker (1996) a tendência do politicamente correto e do
socialmente responsável é sentida pelos gestores, que demonstram, entretanto, dificuldades
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em conceituar e verificar sua extensão. Esta dificuldade se deve à falta de abordagem do
assunto, seja de modo prático ou teórico, durante o curso de graduação e especificamente no
caso desta pesquisa do curso de administração.
Percebeu-se no levantamento desses dados que o elevado índice de conhecimento da
responsabilidade social por meio da comunidade se deve ao fato desses respondentes atuarem
em projetos da comunidade, por meio do terceiro setor e filantropia. As formas de atuação da
responsabilidade social na comunidade são: campanha de Natal todos os anos, voluntariado
no asilo, participação em grupos de voluntários e de escoteiros, participação no centro
comunitário do bairro, doando sangue, conforme dados colhidos na pesquisa.
O baixo índice de conhecimento da responsabilidade social na faculdade é
interessante, pois confirma que a instituição está deixando a desejar neste quesito. Os alunos
que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o assunto, seja no trabalho ou na
comunidade, deveriam fazê-lo por meio do curso, mas como o mesmo ainda não lhe dá este
embasamento e o aluno e encontra deficiente em sua formação, no que tange a temática
pesquisada.
A instituição pesquisada pode desenvolver a responsabilidade social dos alunos de
várias maneiras, na teoria e principalmente na prática. O engajamento da instituição, do corpo
docente e discente é importante.
Um outro ponto pesquisado foi com relação ao conhecimento dos alunos do curso de
Administração dos programas de responsabilidade social desenvolvidos pela instituição
pesquisada.
De acordo com análise documental realizada, a instituição possui programas de
responsabilidade social, dado esse que foi confirmado pelos alunos, mas não de forma
satisfatória, porque 33% dos respondentes responderam que sim, mas a maioria 67%
colocaram que não ou que desconhecia.
Por meio destes dados é possível deduzir que (1) não ocorre a ampla divulgação das
ações para os estudantes ou (2) como o aluno não tem o conhecimento completo do assunto,
não conseguem associar um determinado programa que a faculdade realiza como sendo de
responsabilidade social, pois falta-lhe informação para fazer esta associação, ou ainda que (3)
os programas de responsabilidade social realizados pela instituição ainda não estão totalmente
inseridos na cultura da mesma.
Ao questionar os alunos quanto à existência de dúvidas e questionamentos sobre o
tema responsabilidade social apenas 5% aponta não ter dúvidas quanto ao tema. 67% afirmam
ter questionamentos a serem feitos a cerca do tema. A falta da cadeira responsabilidade social
ou o desconhecimento dos alunos da sua existência no curso de administração contribui para o
elevado índice de dúvidas sobre o assunto. Caso a graduação tivesse esta disciplina ou os
alunos fossem envolvidos nos programas desenvolvidos pela faculdade este índice poderia ser
mais baixo.
Um outro dado interessante diz respeito a à busca de informação quanto à
responsabilidade social; 64% dos alunos afirmaram aprender mais sobre responsabilidade
social em televisão, jornal, revista e trabalho do que na faculdade. Apenas 14% discordam
dessa afirmativa e 22% não possui opinião formada.
Entende-se que em locais como a televisão, jornal, revista e trabalho ocorre um
aprendizado contextualizado à realidade do aluno. Entende-se que este conhecimento é válido,
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mas também é importante o embasamento teórico, que aborde todas as nuances da
responsabilidade social. Por exemplo, determinada empresa pode incentivar seus funcionários
ao trabalho voluntário, que também é uma forma de responsabilidade social voltada para a
comunidade, mas não valorizar o público interno. A valorização, desenvolvimento e o
investimento nos trabalhadores também é responsabilidade social, mas como a empresa
desenvolve somente ações junto à comunidade, erroneamente o empregado aprende apenas
uma parte do assunto. De acordo com Félix (2003), a responsabilidade social com o público
interno acarreta uma série de vantagens, como retenção de talentos, maior integração social
dos empregados e de sua família; consequentemente os gastos com saúde são reduzidos,
devido à diminuição de doenças ocupacionais, como por exemplo, o estresse, observando-se
menor índice de absenteísmo, redução de custos com as causas trabalhistas, maior
criatividade, inovação, auto-estima, melhora do clima organizacional.
Diante disso, chega-se à conclusão da importância do ensino da responsabilidade
social no meio acadêmico para desmembrar todas as ramificações do mesmo, criando um
aluno crítico quanto à responsabilidade social que o cotidiano impôs sobre o mesmo. Além
disso, incentivar os acadêmicos a se envolver nos programas e projetos relacionados ao
assunto também é considerado importante para os alunos.
Ao questionar aos alunos se a faculdade é capaz de formar gestores socialmente
responsáveis, nota-se que 30% concorda plenamente com essa capacidade. Percebeu-se que
muitos estudantes ainda possuem dúvidas quanto ao assunto, desta maneira ainda não podem
considerar que serão gestores preocupados com a responsabilidade social. Outro fator é que
tudo o que sabem sobre o assunto aprenderam no trabalho, na comunidade, por exemplo, e
não na faculdade. Percebe-se que os futuros gestores que estão se graduando na instituição
pesquisada poderão ficar para trás no atual mercado, pois de acordo com Tenório et al (2004)
e Fedato (2005) a gestão é avaliada não só por dados financeiros, mas principalmente pelas
informações sociais, o que fortalece as relações entre empresa, meio ambiente e sociedade.
O terceiro ponto pesquisado diz respeito ao envolvimento dos alunos do curso de
Administração nos programas ligados a responsabilidade social desenvolvidos pela
instituição.
Existem várias maneiras de exercer a responsabilidade social no meio acadêmico,
como por exemplo, trabalho voluntário, gincanas e competições em prol de uma entidade,
consultorias para entidades do terceiro setor, inserir a temática como objetivo específico em
algumas das disciplinas das diversas áreas da administração, entre outras. Com base nos dados
da pesquisa, grande parte dos alunos da instituição pesquisada não é envolvida nos programas
de responsabilidade social, pois ao questioná-los sobre este envolvimento 66% afirmou
desconhecer os programas, 13% disse não se envolver e 21% que possui algum envolvimento.
Este resultado confirma dados anteriores onde os alunos afirmavam não possuir ou
desconhecerem os programas de responsabilidade social da instituição pesquisada, ou seja,
não tem como o aluno se envolver em algo que não conhece ou que não existe.
Ao questionar os alunos quanto à importância de integrar programas de
responsabilidade social nas disciplinas cursadas na graduação de administração, observa-se
que a maioria, 77%, concorda totalmente ou com ressalvas da integração responsabilidade
social no curso de Administração.
Além de identificar a opinião sobre o grau de importância da integração, verificou-se
também se deve haver uma abordagem mais teórica do assunto na faculdade, ao que 64%
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concorda em que ela deve existir, 21% não possui opinião formada sobre o tema e apenas 15
% discorda dessa abordagem.
E ao questioná-los quanto a uma abordagem mais prática do assunto 78% dos alunos
se mostrou satisfeito com a proposta, 15% não demonstraram opinião e 7% discordam da
proposição.
Diante destes resultados, percebe-se que uma parcela significativa dos respondentes
encontra algumas restrições quanto à abordagem, seja teórico ou prático da responsabilidade
social na graduação, ou então não tem opinião formada. O restante considera importante o
ensino do tema durante o curso, mesmo com algumas restrições ao responder “concordo em
partes”. Ao comparar as respostas, pode-se perceber que os alunos preferem um ensino
prático, esta pode ser considerada a forma mais interessante de ensinar, por meio de exemplos
e da participação. Este entendimento está de acordo com Costa et al (2004), o qual considera
as práticas de responsabilidade social vivenciadas na instituição, como uma maneira de
melhor preparação do aluno para o mercado de trabalho e, consequentemente, melhora do
currículo do profissional.
Diante disso, foi questionado aos alunos o que as faculdades podem fazer para ensinar
responsabilidade social aos estudantes na graduação, questão na qual os respondentes
poderiam marcar mais de uma opção. A opção outros deste questionário tinha o intuito de
buscar outras formas de trabalhar a responsabilidade social com os alunos, além das opções
colocadas pelo pesquisador. Sendo assim, observou-se o seguinte resultado:
TABELA 1
Formas de inclusão da responsabilidade social na graduação
Formas de ensinar a responsabilidade social na graduação
Ter uma disciplina sobre Responsabilidade Social.
Incluir o tema Responsabilidade Social na ementa de disciplinas como Gestão de
Pessoas e Marketing.
Realizar seminários, palestras sobre o tema, levando executivos a contar
experiências práticas.
Desenvolver trabalhos sobre o tema, para os alunos aprenderem a prática.
Realização de um programa de trabalho voluntario para os alunos participarem.
Outros
Total
Moda
61
94
136
65
50
5
411
Fonte: dados da pesquisa.
Com base na modal, percebe-se que os alunos preferem conhecer o assunto por meio
de cases e de praticar o assunto e assim as sugestões com maior índice são aquelas atividades
mais práticas que podem ser trabalhadas durante a graduação. Desta forma os alunos apontam
a deficiência do curso quanto à falta de uma disciplina específica sobre responsabilidade
social e ainda sugere uma forma mais dinâmica e prática da sua abordagem.
A TAB. 1 aponta que incluir o tema responsabilidade social na ementa de disciplinas
como gestão de pessoas e marketing foi a segunda opção mais escolhida pelos alunos, o que
permite notar que eles percebem a interdisciplinaridade do tema responsabilidade com outras
disciplinas.
O último ponto abordado diz respeito à relevância do tema responsabilidade social
na visão dos alunos do curso de Administração.
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Ao questionar os alunos quanto da importância da responsabilidade social na prática
da Administração, 81% dos alunos estão de acordo com a afirmativa. Aprofundando o tema,
foi questionado a respeito da importância da responsabilidade social na graduação e o mesmo
percentual estava de acordo com a afirmativa.
É interessante a importância que os jovens alunos, pois a maior parte está entre 21 e 30
anos, dão à responsabilidade social. Os jovens possuem uma abertura maior a novas ideias e
têm aquele sentimento de querer mudar o mundo e a responsabilidade social é tema capaz de
fazer muitas mudanças, tanto na sociedade em geral, nas empresas e para quem realiza. As
empresas atualmente são as grandes incentivadoras dos jovens inovadores. Esta situação já foi
bem diferente como aponta Lourenço e Schröder (2003) no qual o sistema liberal não
incentivava a adoção de ações sociais pelas empresas e até as condenava, entendendo que
contribuir para o social não levava ao desenvolvimento da sociedade. No mundo
contemporâneo, esta situação mudou, a empresa passa a considerar não só o capital, mas
também o meio ambiente e as pessoas.
No intuito de consolidar a visão dos alunos quanto à importância do tema foi feita a
eles a seguinte questão: “Se a disciplina de responsabilidade social na graduação em
administração fosse optativa (não obrigatória) você a cursaria?” o que 78% dos alunos
respondeu que sim.
Este resultado valida o que 81% dos alunos consideram importante a responsabilidade
social na graduação. Praticamente os mesmos alunos cursariam esta cadeira mesmo sendo
optativa. Percebe-se, de forma clara, o interesse dos alunos pelo conhecimento e contato com
questões que fazem parte do contexto atual do mercado, no caso desta pesquisa a questão da
RS.
Por meio dos dados da pesquisa, percebeu-se que os alunos entendem a importância
da responsabilidade social e gostariam que o assunto fosse tratado durante o curso de
administração. A instituição deve acompanhar o que as empresas estão buscando e oferecer
aos seus alunos cursos alinhados ao que o mercado deseja.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A responsabilidade social é um assunto novo, muito presente nos meios de
comunicação e pouco discutido nas instituições de ensino superior, principalmente pela falta
de uma disciplina específica nas grades curriculares do curso de administração, o que
motivou a realização deste estudo. Diante disso, procurou-se, por meio da pesquisa
quantitativa verificar na percepção dos alunos sobre como a responsabilidade social é
integrada aos cursos de administração de uma Instituição de Educação Superior de Itabira.
Este objetivo geral originou quatro objetivos específicos que são apresentados a seguir,
juntamente com seus resultados.
Verificar se o curso de Administração na instituição pesquisada possui disciplinas
voltadas para a área de Responsabilidade Social sob a ótica dos alunos foi o primeiro
objetivo específico. Os resultados apontam que a instituição pesquisada não possui uma
disciplina específica para responsabilidade social no curso de Administração. E também a
responsabilidade social é pouco integrada no curso por meio de outras disciplinas,
seminários, palestras e eventos em geral, pois a minoria percebe estas ações por parte da
instituição. Este baixo índice na percepção das ações de responsabilidade social pode ser
entendido, no contexto desta pesquisa, por falta de divulgação e de conhecimento dos alunos
no assunto, desta forma eles não conseguem percebê-la. Outro resultado importante é que o
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contato que o aluno tem com a responsabilidade social acontece fora da faculdade,
principalmente nas empresas em que trabalham.
O segundo objetivo específico consistia em identificar se os alunos do curso de
Administração conhecem os programas de responsabilidade social desenvolvidos pela
instituição pesquisada. O resultado aponta que a instituição pesquisada possui programas de
responsabilidade social, mas são pouco divulgados. A principal forma de divulgação
percebida é o site da instituição e esta forma de divulgação não está sendo a melhor, pois os
alunos desconhecem os programas realizados pela faculdade. Devido à falta de abordagem do
assunto na faculdade, os alunos afirmam possuir muitas dúvidas com relação ao assunto e que
os locais em que mais aprendem sobre o assunto são em jornais, revistas, televisão e no
trabalho. Mas concordam que a instituição pesquisada é capaz de formar gestores socialmente
responsáveis.
O terceiro objetivo específico buscou verificar se os alunos do curso de
Administração são envolvidos nos programas ligados a responsabilidade social
desenvolvidos pela instituição. Por meio dos dados, percebe-se que os alunos não são
envolvidos nos programas de responsabilidade social propostos pela instituição e os alunos
afirmam ser importante esta integração. Os dados apontam ainda que os alunos preferem uma
integração mais prática do que teórica, por meio de palestras, seminários e experiências
práticas e também a integração da responsabilidade social com outras disciplinas, como por
exemplo, marketing e gestão de pessoas.
E por fim analisar a relevância do tema responsabilidade social na visão dos alunos do
curso de Administração foi o quarto e último objetivo específico. Os dados mostram a
importância e a relevância da responsabilidade social para os alunos. Estes mesmos alunos
gostariam que a instituição pesquisada proporcionasse mais espaço para o assunto no curso e
os discentes afirmam que cursariam a disciplina caso a mesma fosse optativa no curso.
Os dados sugerem a importância da responsabilidade social para os alunos, pois já
percebem a sua relevância para o mercado eo curso de graduação em Administração da
instituição pesquisada não está acompanhando esta nova realidade, pois não possui uma
disciplina específica do assunto na grade curricular do curso.
O entendimento de que a faculdade deve se antecipar as tendências de mercado, ou
seja, ser inovadora, e que assuntos novos e atuais devem ser rapidamente incorporados pelos
cursos de graduação não acontece na instituição pesquisada. Percebe-se uma menção ao
assunto de modo esporádico e sem ampla divulgação.
Outro dado importante é a falta de conhecimento do assunto para entender as ações de
responsabilidade social propostas pela instituição. A responsabilidade social é um assunto
amplo e não se restringe ao trabalho voluntário e à filantropia e desta forma ações realizadas
pela faculdade que podem ser de responsabilidade social não estão sendo vistas pelos
discentes como deveria.
Surpreende o resultado de que os alunos concordam que a instituição pesquisada é
capaz de formar gestores socialmente responsáveis, considerando-se que a pesquisa
demonstrou que a faculdade não oferece a disciplina de responsabilidade social, embora
existam ações de responsabilidade social, mas que não são divulgadas e que acontecem de
forma esporádica, além do fato de que na instituição não ocorre a integração do assunto com
outras disciplinas. Este resultado pode ser explicado pelos conhecimentos obtidos pelos
alunos fora do ambiente acadêmico – trabalho, comunidade, meios de comunicação – que faz
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com que percebam as ações de responsabilidade social realizadas pela faculdade e que as
considerem suficientes para ser socialmente responsável.
É interessante perceber que não a só faculdade é um local de aprendizado, mas que a
interação e envolvimento com a filantropia e voluntariado é um canal de conhecimento e
consequentemente de conscientização de que se precisa fazer algo pelo outro e não somente
aguardar pelas ações do governo. É a mudança de posicionamento primeiro do indivíduo para
depois mudar uma organização e torná-la socialmente responsável, como gestor.
A pesquisa estruturou-se na integração da responsabilidade social no curso de
administração em uma Instituição de Educação Superior de Itabira na percepção dos alunos.
Para pesquisas futuras, seria interessante verificar esta integração sob a ótica dos docentes e
coordenadores de curso, ou ainda em outros cursos de graduação, com a finalidade de
verificar a responsabilidade social abordada em diferentes cursos e públicos. Esta mesma
pesquisa também pode ser feita um comparativo entre diferentes instituições de ensino ou em
diferentes cidades, com o objetivo de verificar a realidade da responsabilidade social em
outras faculdades e compará-las.
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