CENTRO DE DEBATES E IDÉIAS
GOVERNANÇA CORPORATIVA
Setembro de 2007
Responsabilidade social empresarial
Sérgio Augusto Santos Rodrigues
Sócio do Santos Rodrigues, Curi e Resende Advogados Associados
Mestrando em Direito Empresarial
Professor da Escola Superior Dom Helder Câmara
A atuação social empresarial se revela de várias formas e pode ser percebida desde
o século XVIII. Esgotando-se a sociedade industrial e iniciando a pós-industrial, o conceito e
a forma de atuação social evoluíram, passando a incorporar anseios dos agentes sociais nos
planos de negócio das empresas. Assim, além de filantropismo, surgiram o voluntariado
empresarial, a cidadania corporativa, a responsabilidade social e o desenvolvimento
sustentável.
O Instituto Ethos, organização não-governamental que define como sua atribuição
mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente
responsável, conceitua a responsabilidade social empresarial como uma “forma de gestão que
se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais
ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o
desenvolvimento sustentável da sociedade”.
Ser socialmente responsável, no período industrial do século XVIII, significava
manter a empresa aberta, maximizando lucros, gerando empregos e pagando tributos, sem
qualquer preocupação com questões ambientais ou trabalhistas. Esse posicionamento era
ratificado, inclusive, pelo influente liberalismo econômico, que predominou à época e
defendia ser função precípua da empresa gerar lucro e não fazer caridade.
Como decorrência natural dessa busca incessante pelo crescimento surgiram danos
sociais maiores, como poluição do meio ambiente e condições de trabalho precárias, com
fixação de padrões elevados de desempenho favoráveis à empresa e desfavoráveis aos
funcionários.
Nesta época, destaca-se a atuação de Henry Ford como exceção, buscando
melhores condições para seus funcionários e sendo marco do filantropismo empresarial
através da criação de fundações, modelo posteriormente copiado por outros magnatas como
Rockfeller e Andrew Carnegie.
Com o passar do tempo, o liberalismo exacerbado entrou em crise, atingindo seu
ápice com o crash da Bolsa de Nova York em 1929. Iniciou-se o New Deal de Roosevelt e o
Estado passou a interferir na economia com o objetivo de controlá-la, predominando nesta
época o pensamento de John Maynard Keynnes e sua tória do déficit público.
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MERCADO FINANCEIRO
Setembro de 2007
Paralelamente, as empresas também perceberam que deveriam exercer papel
diferente na sociedade, já que aquela maximização desenfreada dos resultados mostrou-se
falha. Passou-se, então, a buscar múltiplos objetivos para a empresa, isto é, além do lucro, o
ser humano deve ser valorizado tanto como indivíduo, através da relação de trabalho, como
ser pertencente a um ambiente comum que merece ser preservado.
Esse pensamento fortaleceu-se e predominou até, aproximadamente, a década de
1970. Com o estado regulando a economia houve redução nas incertezas do mercado, que
ficou mais propício e seguro para investimentos. Logo, o novo modelo havia prosperado.
Com o desenvolvimento da sociedade em geral em todos os aspectos, mormente
economia, tecnologia e, sobretudo, acesso à informação, os indivíduos tornaram-se mais
exigentes e, como consumidores, passaram a cobrar uma postura social das empresas em um
aspecto mais amplo, isto é, respeito aos trabalhadores, ao meio ambiente e à sociedade.
É quando, então, os próprios consumidores se tornam os principais fiscais das
empresas. Pesquisas demonstram que, principalmente em países com capitalismo mais
avançado, as empresas socialmente responsáveis tendem a ter seus produtos mais valorizados.
No Brasil, a maior prova disso é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)
criado pela BOVESPA, cujos números superam ao IBOVESPA, por exemplo, esclarecendo
portanto que essas empresas, para os investidores do mercado de capitais, possuem um valor
adicional agregado pela responsabilidade social.
Esta evolução histórica fez com que, hodiernamente, a Responsabilidade Social
Empresarial seja vista como um investimento – e não como um gasto - ou, ainda, como forma
de comportamento estratégico que objetiva resultados futuros.
Por essa atualidade e importância o tema deve ser cada vez mais debatido e
difundido, mesmo porque, tais práticas são benéficas para todos os agentes sociais e,
certamente, são de extrema importância para o desenvolvimento do país.
Artigo publicado originalmente no Estado de Minas - 31 de Julho de 2007
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