FESURV - Universidade de Rio Verde
Faculdade de Medicina Veterinária
Bioclimatologia Animal
Estresse e Produção Animal
Pesquisa referente à matéria de
Bioclimatologia Animal, exigida
como
parte
do
processo
avaliativo.
Professor: Dr. Levy Rei de França
Rio Verde – GO
2009
Objetivo
Visa em ampliar o conhecimento populacional perante o estresse animal, a sua
adaptação ao meio juntamente com o bem-estar do animal, mostrando que assim como
os seres humanos, os animais necessitam de um cuidado especial e de viver de forma
natural como de sua origem.
Estresse e Produção Animal
O estresse, termo usado vulgarmente para designar o contrário de calma ou
relaxamento, refere-se, em termos médicos, a um vasto conjunto de fortes estímulos
externos, tanto fisiológicos como psicológicos responsáveis por uma resposta
fisiológica designada como síndrome geral de adaptação.
O estresse é uma resposta do organismo frente a um perigo, que prepara o corpo
para fugir ou lutar. Está presente nos animais com a finalidade de preservação da
espécie, como por exemplo, para fugir de um predador. Hoje não precisamos nos
defender de predadores, mas há muitas outras coisas que disparam o gatilho do estresse,
que podem ser externas ou internas, agudas ou crônicas. A externas incluem condições
físicas adversas (como dor, frio ou calor excessivos) e situações psicologicamente
estressantes (más condições de trabalho, problemas de relacionamentos, insegurança,
etc). Entre as internas estão também as condições físicas (doenças em geral) e
psicológicas.
Estresse ou Stress pode ser definido como a soma de respostas físicas e mentais
da incapacidade de distinguir entre o real e as experiências e expectativas pessoais. Pela
definição, stress inclui a resposta de componentes físicos e mentais. O stress pode ser
causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a
exposição a um determinado ambiente, que leva o animal a sentir um determinado tipo
de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo,
podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os mecanismos
de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a
possibilidade de vir a ocorrer doenças, especialmente.
Tanto o estresse de curto quanto o de longo podem ter efeitos sobre o seu corpo.
Estresse dispara mudanças no organismo e aumenta a probabilidade de ficar
doente. Ele também piora problemas de saúde já existentes.
Tratamento: Como o stress não é considerado como uma doença, mas um estado
do organismo, determinado por situações de tensão, o tratamento definitivo consiste em
eliminar os eventos irritativos. Entretanto, como este ideal é considerado difícil de ser
atingidas, algumas mudanças na forma de conduzir as situações cotidianas, podem ser
importantes sobre o controle dos efeitos do stress.
Fig. 1 - Situação de estresse a um animal
Fig. 2 - Situação de estresse a um animal
Síndrome da Adaptação Geral
A Síndrome de Adaptação Geral (SAG) constitui um conjunto de reações não
específicas desencadeadas quando o organismo é exposto a um estímulo ameaçador à
manutenção da homeostase.
Termo criado por Hans Selye para descrever uma tríade de sintomas que
apareciam sempre que um organismo é submetido a uma tensão adaptativa por período
prolongado, que tinham as seguintes características:
- aumento de tamanho do córtex das glândulas supra-renais;
- atrofia do timo, baço, nódulos e de outras estruturas linfáticas, diminuição e até
mesmo desaparecimento de leucócitos e
- aparecimento de gastrite e de úlceras perfuradas no estomago e no duodeno.
Selye também percebeu que essa tríade fazia parte de um grande esforço do
organismo para fazer frente a uma demanda; em outras palavras, estes sinais e sintomas
estereotipados eram parte de um esforço orgânico de adaptação.
Neste contexto, o fracasso ou esgotamento dessa tentativa de adaptação era o
fator que desencadeava a tríade observada e/ou os muitos outros sintomas que em seu
conjunto foram chamados de “doenças de adaptação”. Esse processo foi denominado de
“síndrome de adaptação geral”, que foi dividido posteriormente em três fases: alarme,
adaptação e exaustão, sendo este último aquele período em que se verifica a tríade
exposta acima.
Nesse conceito é definido o aspecto negativo do stress que, ao contrário do que
geralmente se usa dizer, não é um processo negativo.
Segundo Selye (1959), essa manifestação constituiu-se de três fases:
1 - Fase de Alarme : durante esta fase, que corresponde ao estresse agudo, a
medula da supra renal secreta hormônios na corrente sangüínea, Adr e Nor, em
consequência da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-supra renal, liberando ACTH ,
que se for muito intensa estimula a secreção de glicocorticóides pelo córtex da supra
renal. Entretanto, antes que isto ocorra pode haver tendências ao equilíbrio pela ação de
"feedback" negativo do ACTH no hipotálamo. Parte dessa fase assemelha-se à Reação
de Emergência de Cannon (Rodrigues, 1989, Pontes, 1987), desencadeadas pela
descarga de catecolaminas e glicocorticóides. Há também estimulação do sistema
autônomo simpático, podendo exaurir as catecolaminas e levar à fadiga em caso
crônico.
2 - Fase de Resistência : essa fase corresponde ao estresse crônico e o principal gerador
de respostas é a glândula adrenal, que secreta permanentemente os glicocorticóides. Há
aumento da atividade do córtex da supra-renal, com tendências de atrofia do baço, de
estruturas linfáticas, leucocitose, diminuição de eosinófilos e ulcerações. Nessa fase a
produção de respostas é mais localizada, ocorrendo reações às agressões, como perda de
encapsulamento e inflamações. Caso o agente estressor permaneça, a fase também
permanece, embora modificada, e o mecanismo de defesa pode falhar levando o
indivíduo a entrar numa terceira fase.
3 - Fase de Exaustão: praticamente há um retorno à fase de alarme e as reações
disseminam-se novamente, sendo que seu caráter inicial protetor pode ir além das
necessidades causando efeitos indesejáveis, como doenças e até a morte. A reação
psicossomática ao estresse pode ser considerada uma falha na defesa e o alerta é
traduzido em sistemas somáticos provocando alterações nos tecidos do corpo.
Bem estar animal
“Bem-estar animal é o estado físico e psicológico de um animal diante de suas
tentativas de lidar com o ambiente.”
A relação entre o homem e os outros animais deve ser vista apenas como mais
uma das relações naturais existentes. Em alguns casos é baseada em exploração e
predação e em outros, em simbiose e complementação. Ela não deve ser considerada
como uma característica especial do homem devido a sua “superioridade” sobre as
outras espécies. Esta é a idéia central de uma ciência chamada de Bem-Estar Animal
(BEA), cujo objetivo geral é conhecer, avaliar e garantir as condições para satisfação
das necessidades básicas dos animais que passam a viver, por diferentes motivos, sob o
domínio do homem.
BEA é uma ciência e Direito dos Animais é um movimento baseado em
conceitos filosóficos de que deve ser dado aos animais o direito de não sofrerem. A
defesa destas idéias depende de militância, sendo alguns grupos e atuações mais radicais
que outros. Como qualquer outra ciência, a BEA não deve ser conduzida por morais
éticas até a sua aplicação.
A relação entre homem e animais no contexto da BEA é analisada considerando
diferentes situações, entre as quais o animal de companhia (pets), animais de produção
(criações intensivas e extensivas), animais em zoológicos e animais usados em
experimentos (laboratórios). Para todas estas situações existem dois princípios que
funcionam como a filosofia e o ponto de partida de todos os estudos de avaliação do
estado de bem-estar de um determinado animal, principalmente aqueles criados para
fins exploratórios. São eles os conceitos das 5 liberdades e o dos 3Rs.
As cinco liberdades são:
• Ser livre de fome e sede
• Ser livre de desconforto
• Ser livre de dor, lesões e doenças
• Ser livre para expressar comportamento normal
• Se livre de medo e estresse
E os 3Rs (utilizado para experimentações e laboratórios), são:
1- Redução- do numero de animais utilizados
2- Substituição (Replacement , em ingles) –por outra alternativas sem animais
3- Refinamento- alterando protocolos de experiencias para diminuição de dor e
sofrimento.
Animais como sistemas biológicos
Nesta perspectiva o mais importante é o funcionamento do organismo,
levantando questões de bem-estar as situações de doença, dor, mal nutrição. Assim, um
animal atinge o seu bem-estar ao crescer e desenvolver-se normalmente, reproduzir-se,
ter as funções fisiológicas e comportamentais normais, ter uma longa longevidade e
elevado fitness. Alguns autores acreditam que os animais sentem o sofrimento, no
entanto como é um parâmetro difícil de ser avaliado, apoiam esta visão com o objectivo
de assim obterem melhores informações. Outros atribuem pouca importância ao que um
animal sente, pois são da opinião que questões de bem-estar só são preocupantes
quando os sistemas biológicos são afectados em termos de sobrevivência ou de
reprodução. Uma outra vertente defende ambas as perspectivas, no entanto coloca as
medidas de funcionamento biológico acima das comportamentais.
Natureza dos animais
Esta visão postula que o bem-estar animal é obtido se os animais se encontrarem
em locais naturais onde possam comportar-se de forma natural, ou seja, onde possam
realizar os comportamentos específicos da espécie. Para testar esta vertente muitos
estudos comparam o comportamento dos animais em estado selvagem e em cativeiro.
Outros tentam recriar as características do meio selvagem para que os animais usem
todo o seu repertório comportamental. Este conceito tem limitações respeitantes à
mutabilidade do comportamento animal, muitas vezes como forma de adaptação ao
ambiente que o rodeia.
Medidas de bem-estar animal
O bem–estar animal pode ser medido através de metodologias que reflitam com
exatidão este conceito em diferentes situações. Parâmetros e métodos que permitam esta
grandes grupos, fisiológicos e comportamentais.
Em termos fisiológicos, são comumente avaliados sinais de stress como as
endorfinas, corticosteróides, batimento cardíaco, entre outros. Contudo há limitações
respeitantes a esta análise, uma vez que fatores genéticos e/ou ambientais podem
produzir diferents outcomes físicos, mesmo que o estado mental do animal não esteja
comprometido. Por exemplo, um cão pode encontrar-se de perfeita saúde, mas ansioso,
apresentando parâmetros fisiológicos alterados por se estar pontualmente numa situação
de stress. Outra limitação reside na difícil interpretação desses fatores que podem ser
aumentados tanto por experiências positivas (presença de semelhante) como por
negativas (presença de predador).
Por outro lado, apesar de nos fornecer grande número de informações, o estudo
de emoções e fatores comportamentais nos animais é limitado. Uma das abordagens
desta avaliação é o estudo da comunicação entre animais. Estudos de Poindron & Levy
(1990) exemplificam este fato ao demonstrarem que nas ovelhas o fortalecimento de
relações parentais parece estar intimamente relacionado com a comunicação olfativa. A
nível comportamental, as medições são muitas vezes feitas às situações e não ao próprio
animal. As preferências e o esforço feito pelo animal em determinada tarefa dá
indicação de quanto o animal necessita de determinado recurso e de como a sua
ausência poderá afectar o seu bem-estar (Duncan & Mathews, 1997).
Alguns exemplos que podemos dar de animais com bem-estar afetado são os
animais de granja , frangos, muitas das vezes a quantidade de frango em uma baia é
muito maior do que a quantidade que ela é capaz de abrigar, com isso os animais ficam
estressados, pode vir a ocorrer presença de animal dominante e dominado, onde o
dominante pode fazer com que animais dominados nao se alimentem bem, os animais
nao podem expressar comportamentos naturais pois vivem fexados, levantam somente
para se alimentar, os alimentos muitas vezes não é o suficiente pois os animais
dominantes se alimentam primeiro deixando somente o resto para os demais, com isso
afeta o psicológico do animal podendo vir a ter uma queda do sistema imune, onde
aparecem as doenças, estresse, e um certo desconforto para o animal.
Animais domésticos como cães e gatos também não ficam livres de obter um bem-estar
afetado, os cães por exemplo, tem que ter um lugar onde ele possa ser livre para correr,
brincar, de preferencia que tenha um local com grama, e um outro “amiguinho” da
mesma espécie, para que possa expressar comportamentos naturais da sua espécie.
Claro, que muita das vezes um cão acaba dominando o outro, e mostrando quem
“manda” ali. Mas animais criados dentro de casa, que ficam o dia todo em cima do sofá,
que usam roupinhas, lacinhos, perfuminhos, acabando esquecendo de expressar suas
necessidades, ficam sedentarios pois estão acostumados com seus donos levando
comidinha até onde estão, acostumados a dormir em sofás, cama, muita das vezes nem
brincam, ficam lá preguiçosos. Lógico, um animal deve dormir em lugares macios, mas
não ter hábitos humanos. Isso pode vir a deixar o animal sem vontade de fazer suas
necessidades de espécie, podendo até afetar o psicologico deixando-o com seu sistema
imune frágil.
Ética na produção animal
A palavra ética tem origem grega (ETHOS) e significa modo de ser, o caráter.
O ser humano não nasce com a ética, esta não é uma característica adquirida
geneticamente. É uma realidade humana que é constituída histórica e socialmente a
partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem
por isso ela é constantemente repensada e mudada. Ou seja, a ética é o julgamento do
que seria “certo” ou “errado”.
Ética na produção animal é um tema abrangente, e envolve necessariamente
vários aspectos da criação. Para Warris (2000), carne com “qualidade ética” seria
oriunda de animais que foram abatidos e tratados em condições de bem estar e que estas
condições criatórias sejam sustentáveis e ambientalmente corretas. Logo, para abordar o
tema da ética na produção animal é preciso considerar todos os fatores relacionados aos
sistemas de produção.
Por várias décadas a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico na agricultura
animal tem tido como critérios centrais a produção e a produtividade animal. O animal
era visto como “máquina” (DOMINGUES, 1960), e as conseqüências ambientais e
sociais eram em geral ignoradas. Em conseqüência, pouca ou nenhuma atenção foi dada
ao impacto das então novas tecnologias e sistemas criatórios no ambiente, na saúde do
produtor, na qualidade do alimento produzido, nas comunidades rurais e no bem-estar
dos animais.
A valorização do bem-estar animal parte de um aumento na preocupação da
sociedade em relação à qualidade de vida dos animais que são utilizados pelo ser
humano. É provável que exista uma relação direta entre a valorização da qualidade de
vida dos animais, a valorização dos profissionais responsáveis pelos animais e a
valorização dos produtos obtidos dentro de sistemas que preservem mais altos graus de
bem-estar animal. Todos os fatores mencionados apresentam dimensões positivas
importantes. O reconhecimento da necessidade de uma pecuária mais humanitária cria
uma oportunidade para elevação dos padrões éticos da produção animal.
Tal transição representa um avanço ético, uma vez que propõe a redução do
sofrimento animal existente atualmente.
Referências Bibliográficas
ESTRESSE. In: WIKIPEDIA, a enciclopedia livre, [S.I]: Wikimedia Foundation, 2009.
O
Que
é
o
Estresse.
;
Disponível
em:
<pt.wikipedia.org/wiki/Estresse#O_que_.C3.A9_o_estresse.3F >; Acesso em: 08 maio
2009.
LIMA, J. P. C.; Síndrome da Adaptação Geral; Rede PSI. 2008. Disponível em:
<www.redepsi.com.br/portal/modules/wordbook/entry.php?entryID=1183 >. Acesso
em: 08 maio 2009.
REVISTA DE PSICOFISIOLOGIA. Síndrome da adaptação geral. UFMG. Disponível
em: <www.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista2/reacoes/cap5_2.htm>.1998. Acesso em: 08
maio 2009.
RAMOS, J. B.; Instituto Ecológico Aqualung; Bem Estar Animal – Ciência de
Respeito
aos
Animais;
2006
p.4-5
Disponível
em:
<
www.institutoaqualung.com.br/info68.pdf >; Acesso em: 08 maio 2009.
BEM estar animal. In: WIKIPEDIA, a enciclopedia livre. [S.l.]: Wikimedia Foundation,
2009. Disponível em: < pt.wikipedia.org/wiki/Bem-estar_animal >; Acesso em: 08 maio
2009.
MOLENTO, C. F. M.; BOND, G. B.; Ciência Veterinária nos Trópicos; Produção do
bem estar animal - Aspectos Éticos e Técnicos da Produção de Bovinos; 2008.
Disponível: < www.veterinaria-nos-tropicos.org.br/suplemento11/36-42.pdf >. Acesso
em: 11 maios 2009.
Download

FESURV- Universidade de Rio Verde