A PERCEPÇÃO DE DOCENTES E CONTABILISTAS DO ESTADO DA PARAÍBA NA CONDUTA DA ÉTICA PROFISSIONAL Área Temática VIII: Outras abordagens relacionadas à temática central Resumo As atribuições de um profissional contábil são de grande relevância, visto que com o passar do tempo, informações gerenciais, contábeis, financeiras passaram a ser desempenhas pela classe. Desta forma, a correta conduta ética profissional e o conhecimento dos direitos e deveres constantes no CEPC - Código de Ética Profissional do Contador deverão sempre se correlacionar. O objetivo principal desta pesquisa consistiu em verificar a percepção de docentes e contabilistas do estado da Paraíba quanto a questões relativas à ética na profissão contábil, bem como demonstrar uma visão da relevância da mesma para a sociedade, tornando mais eficiente a escolha de profissionais éticos e com responsabilidade de dirimir de forma eficaz a prestação de serviços, especialmente no meio empresarial, onde suas informações poderão ser vitais para a continuidade das organizações, definindo estratégias e objetivos a serem seguidos pelas áreas competentes. Para tanto, realizou-se uma pesquisa descritiva e de campo, onde os dados foram coletados por meio da aplicação, por conveniência, de um questionário semiestruturado junto a contabilistas registrados no Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PB), que atuavam na cidade de João Pessoa-PB, e junto a professores do curso de graduação em Ciências Contábeis do Campus IV – LN (Litoral Norte) da UFPB, localizado no município de Mamanguape. A amostra do estudo caracterizou-se como não probabilística, pois foram entrevistados 45 contabilistas. Além destes, conseguiu-se aplicar o questionário junto a 05 professores (de um universo de 11), todos com graduação em Ciências Contábeis. De posse dos dados, os mesmos foram analisados quantitativamente através de técnicas de estatística descritiva, como distribuição de frequências absoluta e relativa. Ao término da pesquisa, verificou-se, com relação aos contabilistas, que a maior parte dos entrevistados atua na área financeira, com tempo de atuação na profissão de até 10 anos. Pode-se notar também que, de modo geral, os profissionais consideram que a base familiar interfere diretamente na postura do ser humano, seja no convívio pessoal ou profissional. Tais profissionais avaliam como sendo bom o nível de conhecimento sobre o Código de Ética Profissional do Contador e afirmam que não estão se deparando com situações de constrangimento ou efetuando procedimentos que venham comprometer a ética profissional. No entanto, julgam que as ações promovidas pelo CRC-PB e CFC são insuficientes nos aspectos que regem a ética na profissão contábil. Para eles, faz-se preciso a realização de novas ações de conscientização e normatização da ética na profissão, e julgam que as normas descritas no CEPC não são suficientes para impedir ações de profissionais antiéticos, pois não é viável definir diversas normas se não há uma efetiva fiscalização. Palavras-chave: Ética. Código de Ética do Contador. Profissional Contábil. Docentes. THE FACULTY OF PERCEPTION AND ACCOUNTANTS OF THE STATE IN PARAÍBA OF ETHICS CONDUCT Abstract 1 The duties of an accounting professional are of great importance, since over time, management, accounting, financial became desempenhas by the class. In this way, the correct professional ethical conduct and knowledge of rights and duties contained in the CEPC Code of Ethics of the Professional Accountant should always correlate. The main objective of this research was to verify the perception of teachers and state accountants of Paraiba for matters relating to ethics in the accounting profession and demonstrate a vision of the relevance of it to society, making more efficient the choice of ethical and professional responsibly to resolve effectively the provision of services, especially in the business world, where your information may be vital to the continuity of organizations, defining strategies and objectives to be followed by the relevant areas. To this end, we carried out a descriptive and field research, where data were collected through the application, for convenience, a semistructured questionnaire to accountants registered with the Regional Accounting Council (CRC-PB), who worked in the city of João Pessoa, and next to undergraduate course teachers in Accounting Campus IV - LN (North Coast) UFPB, located in the municipality of Mamanguape. The study sample was characterized as non-probabilistic, because respondents were 45 accountants. In addition, it was possible to apply the questionnaire to 05 teachers (of a universe of 11), all with a degree in Accounting. With this data, they were analyzed quantitatively by techniques of descriptive statistics, such as distribution of absolute and relative frequencies. At the end of the survey, it was found, with respect to accounting officers, the majority of respondents works in finance, with work experience in the profession for 10 years. It can also be noted that, in general, professionals believe that the family based directly affects the posture of the human being, whether in personal or professional contact. These professionals assess as being good level of knowledge about the Code of Ethics of the Professional Accountant and say they are not faced with embarrassment situations or performing procedures that may compromise professional ethics. However, think that the actions promoted by the CRC and CFC-PB are insufficient in aspects governing ethics in the accounting profession. For them, it is necessary to carry out new actions to raise awareness and standardization of ethics in the profession, and think that the rules established in CEPC are not enough to prevent actions unethical professionals, it is not feasible to set different rules if there is no effective oversight. Keywords: Ethics. Counter Code of Ethics. Accounting professional. Teachers. 1. Introdução Nos últimos anos, as empresas vêm competindo por um lugar de destaque no mercado de trabalho e, consequentemente, as exigências atribuídas aos profissionais que desempenham as funções contábeis vêm aumentando, os quais são responsáveis por preservar o patrimônio destas. Assim, pode-se dizer que essas exigências provêm da sociedade e dos usuários das informações, que buscam verificar as situações econômica e financeira das empresas, sua capacidade de gerar lucros e, consequentemente, oferecer retornos financeiros para acionistas e investidores em forma de dividendos. Além disso, não se pode deixar de mencionar o Governo que é o responsável pela arrecadação dos tributos e dita as regras da política monetária, que na maioria das vezes contraria os empresários devido a alta carga tributária, podendo influenciar na sonegação de impostos. 2 Segundo informações publicadas por Assis (2015) no jornal Valor Econômico “o Brasil tem a maior carga de impostos da América Latina e também supera aquela dos países ricos na média. Foi o único país da região que arrecadou mais que as nações ricas em 2013”. Destarte, nota-se que por ter uma das maiores cargas tributárias entre os países no mundo seu valor representa quase 40% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo informações do mesmo jornal. Refletindo sobre o ponto de vista histórico, Holland (2001) comenta que, antes da revolução industrial ocorrida no Brasil por volta de 1955, da expansão empresarial na década de 70 e do retorno da democracia política nos anos 80, a família, a igreja, as associações e as escolas tinham um papel preponderante na formação do indivíduo. Contudo, esses espaços estão sendo ocupados, atualmente, por instituições que buscam lucros, pelo governo, pela mídia escrita e falada que acabam por influenciar cada vez mais o comportamento da sociedade. Devido a esses múltiplos interesses, o profissional contábil depara-se com inúmeras situações conflitantes e problemas que exigem presteza na escolha de tomada de decisão que seja ética e não atinja os seus princípios moral. Dessa forma, torna-se necessário destacar que a contabilidade tem seus princípios, suas leis e normas elaboradas ao longo dos anos e que devem ser observadas pelos profissionais da classe. Para Fortes (2002, p. 89) “a ética é a grande responsável pela vinculação das boas ações do ser humano”. Nesse sentido, pode-se afirmar que cada profissional que atue na área contábil, seja ele contador, técnico, auditor, perito ou professor é responsável pelos seus atos. Além de desempenhar seu papel para com a sociedade, o profissional deverá cumprir um conjunto de elementos, como: deveres legais, normativos e positivos e as regras de boa conduta no trato com as pessoas. Este conjunto a ser cumprido denomina-se de código de ética. Contudo, na área contábil o profissional deve seguir o Código de Ética Profissional do Contador (CEPC), criado pelo Conselho Federal de Contabilidade segundo a Resolução CFC nº 803/1996, alterado pela Resolução CFC 1.307/2010, trazendo segurança para a classe. De acordo com Lisboa (1997, p. 24) “o código de ética profissional do contador contém os princípios éticos aplicáveis a sua categoria profissional que dizem respeito a sua responsabilidade diante da sociedade e deveres da profissão”. Dessa forma, significa dizer que a criação deste código auxilia os profissionais no exercício da profissão, na sua preservação como profissional resguardando os interesses de seus clientes e/ou empregados e o respeito aos colegas da classe. É nesse sentido que surge o seguinte problema de pesquisa: Qual a 3 percepção dos docentes e contabilistas do estado da Paraíba no que concerne a questões relativas à ética na profissão contábil? Visando responder ao problema de pesquisa exposto, este trabalho teve como objetivo geral verificar a percepção dos docentes e contabilistas do estado da Paraíba no que concerne a questões relativas à ética na profissão contábil. Para tanto, procurou-se demonstrar as diferenças e semelhanças de percepção entre os contabilistas e docentes quanto à conduta ética na classe contábil, num esforço de estabelecer assim, um comparativo entre os dois grupos que participaram da pesquisa. Assim, é interessante evidenciar que Arruda (2002) analisou 17 (dezessete) códigos de empresas originadas no Brasil, com base num modelo de análise e comparação de códigos de conduta proposto pelos pesquisadores holandeses Tulder e Kolk (2001) onde destaca que os principais componentes se reportam à ética como comportamento correto com as pessoas, à obediência a requisitos legais, aos interesses do consumidor e aos interesses comunitários. Nash (2001) também realizou uma análise em proporção superior ao de Arruda, com mais de 200 (duzentos) códigos, destacando os seguintes valores que movem o idealismo do indivíduo: a honestidade, a integridade, a família, a realização, a confiabilidade, a justiça, a lealdade, a credibilidade, o respeito pelos outros e o respeito por si próprio. Porém, no levantamento bibliográfico realizado durante a elaboração deste artigo percebeu-se que há poucos estudos ou o que parece ser os únicos disponíveis sobre a temática mencionada, sobretudo, quando se considera as pesquisas já realizadas pelos alunos do curso de Ciências Contábeis da UFPB. Tal temática é indispensável na contabilidade, pois a prestação de serviços fornecida pelos profissionais contábeis deverão apresentar confiança e idoneidade. Em termos sociais, a população poderá estar informada do comportamento dos docentes e, principalmente, contabilistas. A presente pesquisa torna-se importante, ainda, quanto aos direitos e deveres supracitados no Código de Ética Profissional do Contador (CEPC), demonstrando uma maior segurança na condução de assuntos relacionados à classe e a conduta profissional. 2. Referencial Teórico 2.1 A Ética e a Moral: Há Divergências? Apesar de terem conceitos associados, a ética surgiu desde a antiguidade na Grécia, onde Platão foi o primeiro filósofo grego que utilizou este tema, discutido até os dias atuais. A palavra ética originou-se do grego “ethos”, que significa caráter, índole e é descrita como a ciência da moralidade, do dever e da obrigatoriedade, que rege a conduta humana (MORAES; 4 BENEDICTO, 2003). Por outro lado, em se tratando da moral, Passos (2004) afirma que a palavra deriva do latim “mores”, cujo significado é relativo a costume e conduta. Seu conceito abrange a reunião de diversos fatores que entusiasmam o comportamento do ser humano de um modo geral, entre eles: a educação, a religião e a cultura. Os princípios ligados a moral dizem respeito à honestidade, bondade, respeito e virtude. Para Gouvêa (2002, p.13) “se desobedecer aos preceitos e não conseguir seguir os padrões de conduta, a pessoa vive na imoralidade”. Dessa maneira, pode-se afirmar que essa pessoa pode ser chamada de “amoral”, pois os padrões a serem seguidos tornam-se irrelevantes. Sung e Silva (2000, p. 13) ao fazer a distinção entre moral e ética relatam que “quando todos aceitam os costumes e valores morais estabelecidos na sociedade, não há necessidade de muita discussão sobre eles”. Todavia, os mesmos autores questionam a validade de determinados valores ou costumes vividos de uma forma prática. Murgel, Silva e Neves (2006) reforçam ao salientar que a ética dita a conduta das pessoas de acordo com preceitos que fazem destas atitudes humanas compatíveis com a concepção geral do bem e da moral. A moral tem um sentido próximo ao de ética, mas coloca-se no campo da prática ao impor regras, normas e princípios de comportamento. De acordo com os conceitos supracitados, distingue-se a ética da moral, pois a ética se associa ao conjunto de normas e valores morais que norteiam a boa conduta do ser humano para viver em sociedade, enquanto a moral são os costumes designados por cada sociedade, no entanto, ambas buscam o bem estar social. 2.2 Ética Profissional É na profissão onde o ser humano inicia sua caminhada para o êxito no mercado de trabalho, pois o indivíduo demonstra sua capacidade, habilidade, inteligência e o interesse em ultrapassar obstáculos a serem enfrentados no seu cotidiano. Mas, para obter uma carreira bem sucedida, não bastam apenas virtudes e desempenhos que almejem resultados, mas uma postura capaz de levar a uma conduta que preze pela ética e respeito. Para Silva et al (2003, p.18) “os profissionais deverão imbuir-se de uma postura ética perante as organizações, não se deixando manipular por atitudes inescrupulosas que venham, mais tarde, prejudicar a sua carreira profissional”. Ou seja, o profissional deve zelar pela prestação dos seus serviços não sendo corrompido por atitudes que comprometam seu caráter e seu valor, tanto de forma individual quanto coletiva. 5 Desta forma, o profissional no início de sua carreira pode necessitar de um determinado tempo para adaptar-se ao mercado de trabalho estando exposto a diversos fatores que venham a testar sua conduta ética, como por exemplo, o fato de concorrentes utilizarem estratégias antiéticas para atrair clientes e manipular resultados, criando números fictícios e contratando pessoas não qualificadas com baixos honorários. Porém, para aumentar a carteira de clientes, não significa dizer que a conduta de um profissional deverá ser modificada, pois as vantagens temporárias atribuídas a esta prática poderá acarretar em ônus. Logo, seguindo o raciocínio de Sá (1996, p.161) são apresentadas no quadro 1 algumas virtudes essenciais e comuns ao desempenho de quase todas as profissões, a saber: Quadro 1: Virtudes essenciais e comuns para o desempenho de profissões Honestidade Trata-se de uma conduta, não de um costume, pois irá acarretar o respeito e a lealdade para com o seu patrimônio e de terceiros; Parte de uma responsabilidade ou cuidado direcionado a alguma coisa ou Zelo pessoa; Sigilo Assume papel de algo que é confiado e obrigatório à preservação do silêncio; É colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos, de modo que saiba Competência reconhecer suas limitações, para que não ocorram erros que prejudiquem a si próprio, nem ao cliente; Prudência Humildade Imparcialidade Uma virtude que foca em um bom julgamento da ação, zelo e cautela no momento de decidir; É de suma importância esta virtude, para reconhecimento dos erros cometidos e perceber que não há ninguém superior ao outro; Onde preconceitos, mitos, verdadeiros valores sociais e éticos, são decididos de maneira justa e neutra. Fonte: Elaboração própria a partir da leitura de Sá (1996, p.161). Ao analisar o quadro 1 pode-se afirmar que essas práticas podem ajudar os profissionais no exercício do seu trabalho, contribuindo para que eles apresentem um diferencial, agregando valor aos seus serviços, bem como evitando atitudes antiéticas perante seus clientes, equipe de trabalho dentro da organização e a sociedade em si. 2.3 Conduta Ética dos Contabilistas Diversos fatores ilícitos interferem no desempenho de um profissional contábil, ou seja, atitudes fraudulentas são artifícios para satisfação do seu ego ou necessidade. As fraudes contábeis referem-se aos atos intencionais relacionados à manipulação de resultados refletidos 6 nas demonstrações contábeis, o que afronta os princípios fundamentais da contabilidade, (conforme Resolução CFC 986/2003, NBC TI 01-Auditoria Interna). Segundo Iudícibus (2007), o objetivo da contabilidade é “prestar informação organizada de cunho econômico financeiro com a finalidade de demonstrar o grau de saúde da empresa aos usuários internos e externos da entidade objeto da contabilidade”. Destarte, para que o profissional contábil coloque em prática tal objetivo é de suma importância que adote uma conduta ética correta, exercida com zelo e baseada em princípios, de modo a cumprir o seu papel na sociedade. Lopes et al (2006) ressalta que o contabilista não deve deixar de lado a conduta ética ao exercer a profissão, sendo capaz de integrar o conhecimento técnico, apesar da elevada competitividade. Alves (2005) destaca que a classe contábil deve manter padrões éticos junto a sociedade, sendo uma questão de responsabilidade e sobrevivência perante esta. 2.4 Código de Ética Profissional do Contador De acordo com Alves et al (2007, p.59) “o código de ética profissional é utilizado como um guia que descreve os princípios éticos conhecidos e aceitos pela sociedade. Estes códigos possuem caráter coletivo”, ou seja, apresentam padrões de conduta que devem ser seguidos pela classe profissional e regras que devem ser respeitadas. Então, com a finalidade de nortear o indivíduo e a classe contábil de um modo geral a seguir princípios e posturas éticas, o Conselho Federal de Contabilidade, através da resolução CFC 803/1996, alterado pela Resolução CFC 1.307/2010, aprovou o Código de Ética Profissional do Contador (CEPC) que tem por objetivo formar profissionais capazes de exercer a profissão contábil com dignidade, responsabilidade, honestidade e zelo. É importante salientar que o artigo 2º do CEPC menciona os deveres e as proibições do contabilista, destacando como deveres zelar pela profissão e guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público; e como proibições, assumir, por exemplo, direta ou indiretamente, serviços de qualquer natureza, com prejuízo moral ou desprestígio para a classe, auferir qualquer provento em função do exercício profissional que não decorra exclusivamente de sua prática lícita e assinar documentos ou peças contábeis elaboradas por outrem, alheios à sua orientação, supervisão e fiscalização. Assim sendo, caso o profissional não siga o que determina o Código de Ética, é possível que, conforme sua percepção, além de não gerar punição, o descumprimento passe a 7 ser uma prática recorrente em suas ações, transformando-se num guia de conduta e reconhecimento de maneira espontânea, como um importante aspecto da atividade profissional (ALVES, 2005). 3. Procedimentos Metodológicos Para desenvolver este estudo, foi necessário realizar uma pesquisa de campo, de natureza descritiva, visando-se descrever a percepção de dois determinados grupos da área contábil, quais sejam: docentes e contabilistas. Sobre a natureza descritiva, Gil (2008, p. 28) acrescenta que é o tipo de estudo que tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno. A pesquisa envolveu ainda um levantamento bibliográfico por meio da leitura de artigos em periódicos científicos e de anais de congressos, de livros, monografias e dissertações, em meio eletrônico e impresso. Para obter os dados necessários à análise, recorreu-se à aplicação de um questionário semiestruturado. O método de pesquisa adotado foi o indutivo. Com relação ao universo da pesquisa, foi solicitado ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Paraíba (CRC-PB), no final do ano de 2014, o contato dos escritórios contábeis registrados ou o cadastro ativo dos contabilistas do Estado da Paraíba, para que fosse analisado e, em seguida, decidido onde a pesquisa seria realizada. O órgão da classe informou por meio do ofício Nº400/2014/DIR que existiam 346 escritórios cadastrados, mas não poderia disponibilizar os contatos detalhados. Diante da situação, optou-se por realizar uma pesquisa por conveniência, ou seja, o pesquisador aplicar o instrumento de coleta de dados onde tivesse acesso. Assim, a amostra do estudo caracterizou-se como não probabilística, pois foram entrevistados 45 contabilistas localizados em João Pessoa-PB. Além dos contabilistas, conseguiu-se aplicar o questionário junto a 05 professores (de um universo de 11) do curso de Ciências Contábeis da UFPB, do campus do Litoral Norte (Mamanguape), todos com graduação em Ciências Contábeis, conforme mostra a tabela 1. Universo Professores Ciências Quantidade Tabela 1: Universo e Amostra % Amostra de Contábeis do campus IV da Quantidade % 5 45,45% Professores de Ciências 11 100% Contábeis do campus IV da UFPB UFPB 8 Amostra Não Probabilística Contabilistas 45 - Total de Questionários Aplicados Total de Entrevistados 50 Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Ao analisar a tabela 1 percebe-se que a quantidade de professores que responderam ao questionário, isto é, 05 participantes, correspondeu a 45,45% do universo existente, e como a amostra dos contabilistas foi de 45 entrevistados, totalizou-se assim, a aplicação de 50 questionários. Deve-se ressaltar que os questionários foram aplicados pessoalmente, um a um, onde o pesquisador visitava os escritórios de contabilidade aos quais tinha acesso na cidade de João Pessoa-PB. Quanto aos professores, o instrumento de coleta de dados foi aplicado junto aos que estavam presentes na universidade no dia da coleta. É importante evidenciar que a coleta de dados foi feita por meio de um questionário semiestruturado, ou seja, contendo perguntas objetivas e subjetivas, que buscavam identificar a percepção dos contabilistas da cidade de João Pessoa-PB e dos docentes do curso de Ciências Contábeis do campus IV da UFPB, sobre a conduta da ética contábil, com base nas premissas exigidas pelo CEPC (Código de Ética do Profissional Contábil), simulando-se cenários. Para Lakatos e Marconi e (2008) “a palavra questionário é definida como um instrumento de coleta de dados, formado por um conglomerado de perguntas ordenadas, as quais foram respondidas por escrito”. De posse dos dados, os mesmos foram analisados quantitativamente através de técnicas de estatística descritiva, como distribuição de frequências absoluta e relativa, cujos resultados foram apresentados em tabelas e gráficos. Segundo Reis (2008, p. 58), “a pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo uso da quantificação na coleta e no tratamento das informações por meio de técnicas estatísticas”. Ao organizar os dados em tabelas e gráficos, procurou-se demonstrar as diferenças e semelhanças de percepção entre os contabilistas e docentes no que concerne à conduta ética na classe contábil, num esforço de estabelecer assim, um comparativo entre os dois grupos que participaram da pesquisa. 4. Apresentação e Análise dos Resultados Nesta seção são expostos os resultados da pesquisa sobre o perfil geral dos profissionais contábeis (contabilistas e docentes) no que diz respeito à idade, gênero, área de atuação, tempo de atuação na área, grau de conhecimento sobre o Código de Ética do 9 Profissional Contábil (CEPC), situação de constrangimento relacionada à ética, opinião sobre a base familiar, ações promovidas pelo CRC e as normas descritas pelo CEPC. Torna-se fundamental destacar que para elaborar as tabelas e gráficos recorreu-se à estatística descritiva, FA (Frequência Absoluta) e FR (Frequência Relativa). Assim, quanto à faixa etária, observa-se de acordo com a tabela 2, que a maioria dos contabilistas (71,1%) tem de 20 a 40 anos de idade, demonstrando uma classe de profissionais com idade relativamente jovem no exercício da sua função. Já entre os professores, a maioria (60,0%) tem de 41 a 60 anos. Tabela 2: Faixa etária Contabilistas Faixa etária Professores de Contabilidade FA FR FA FR De 20 a 40 anos 32 71,1% 2 40,0% De 41 a 60 anos 12 26,7% 3 60,0% A partir de 61 anos 1 2,2% 0 0,0% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Entretanto, considerando-se a amostra da pesquisa em conjunto, se pode dizer que, quando se compara com a quantidade de profissionais com 61 anos ou mais de idade, observa-se a representação de apenas 01 (um), o que significa dizer que o mercado de trabalho está com profissionais cada vez mais jovens. Já na tabela 3 verificou-se um equilíbrio quanto ao gênero dos respondentes, sendo (48,9%) dos contabilistas do sexo feminino, contra uma relativa superioridade do sexo masculino (51,1%). Por sua vez, no grupo dos professores de contabilidade, houve a inversão dos resultados, onde o gênero feminino (60,0%) superou o gênero masculino (40,0%,). Gênero Tabela 3: Gênero Contabilistas Professores de Contabilidade Quantidade (%) Quantidade (%) Feminino 22 48,9% 3 60,0% Masculino 23 51,1% 2 40,0% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). 10 De acordo com o gráfico 1, pode-se observar que a amostra da pesquisa contemplou profissionais de diversas especialidades da classe contábil, os quais contribuíram com suas opiniões sobre a conduta ética do seu cotidiano, como também com sugestões de possíveis ações para aperfeiçoamento durante a prestação dos serviços à sociedade e melhoramento das ações do Conselho Regional de Contabilidade da Paraíba (CRC-PB). Nesse sentido, obteve-se um total de 23 questionários respondidos por contadores da área financeira, 06 auditores internos, 05 professores, 05 contadores da área pública, 02 auxiliares fiscais, 01 perito e 08 dos demais setores contábeis, o que corresponde respectivamente a 46,0%, 12,0%, 10,0%, 10,0%, 4,0%, 2,0% e 16,0% da amostra. Gráfico 1: Área de atuação Demais setores contábeis Perito Auxiliares fiscais 2% Contadores da área financeira 16% 4% 46% Contadores da área pública 10% 10% Professores 12% Auditores internos Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Com relação aos demais setores que foram mencionados pelos respondentes, destacam-se os profissionais do setor pessoal, analista de contabilidade, gestor administrativo, auxiliar contábil e controle interno. Convém ressaltar a significativa participação dos contadores da área financeira que trabalham com empresas privadas, representando 46% do total da amostra. Em contrapartida, dos profissionais que participaram da pesquisa apenas 01 (um) era perito, o que corresponde a 2% da amostra. No que concerne ao tempo de atuação profissional, verifica-se no grupo dos contabilistas que a maior concentração com experiência na área vai de 0 a 10 anos (66,7%) e a menor concentração, acima de 30 anos (4,4%). Quanto aos professores de contabilidade, há uma paridade no tempo de atuação de 11 a 20 anos e de 21 a 30 anos, ambos com 40,0%, não possuindo representação acima de 30 anos de atuação (0,0%). Esses dados podem ser visualizados na tabela 4. 11 Tempo de Atuação Tabela 4: Tempo de atuação Contabilistas Professores de Contabilidade Quantidade (%) Quantidade (%) De 0 a 10 anos 30 66,7% 1 20,0% De 11 a 20 anos 10 22,2% 2 40,0% De 21 a 30 anos 3 6,7% 2 40,0% Acima de 30 anos 2 4,4% 0 0,0% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Percebe-se que novos profissionais contabilistas estão ingressando no mercado de trabalho e/ou outros com certo período de atuação, adquirindo novas experiências e responsabilidades, elevando, por conseguinte, seu nível de conhecimento. Quanto às informações relacionadas ao grau de conhecimento dos contabilistas e professores de contabilidade sobre o CEPC (Código de Ética do Profissional Contábil), cujos dados são apresentados na tabela 5, verificou-se que a maioria dos profissionais possui um bom conhecimento sobre o referido código, dos quais 34 são contabilistas (75,6%) e três professores (60,0%). Conhecimento do CEPC Tabela 5: Grau de conhecimento do CEPC Contabilistas Professores de Contabilidade Quantidade (%) Quantidade (%) Excelente 2 4,4% 2 40,0% Bom 34 75,6% 3 60,0% Regular 7 15,6% 0 0,0% Ruim 2 4,4% 0 0,0% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Convém ressaltar que existem profissionais com responsabilidade e que se dedicam a ter conhecimento das atribuições que o código fornece, evitando atos inidôneos. Questionados se a base familiar exerce alguma influência sobre a conduta ética do profissional, a maioria dos contabilistas (82,2%) e os professores de contabilidade em sua totalidade (100%) acredita que a base familiar interfere diretamente no perfil ético de um profissional, ao considerar que sua conduta inicia-se na educação familiar, sendo a grande 12 responsável e o alicerce de toda estrutura ética, moral e comportamental do indivíduo. Essas informações são expostas no gráfico 2. Gráfico 2: Interferência da base familiar 100% 45 40 82,2% 35 30 25 20 15 10 100% 5 15,6% 100% 0% 2,2% 0% 0 SIM NÃO TALVEZ TOTAL Contabilistas 37 7 1 45 Prof Contabilidade 5 0 0 5 Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Os respondentes acrescentaram ainda que a conduta começa a ser constituída com a família em união, educação e paz, o que refletirá no seu trabalho futuramente. Ou seja, uma boa formação familiar refletirá no caráter e escolhas da atuação profissional e durante a existência do ser humano. Divergindo destas afirmações, sete contabilistas (15,6%) acreditam que a base familiar não interfere no perfil de um profissional, pois a família pode até servir de exemplo, no entanto, a decisão de ser ético depende somente do caráter profissional, ou seja, quando se tem ética e valores, nada intervém na conduta de um ser humano, sendo estritamente pessoal fazer o certo ou errado. Questionados sobre alguma situação que presenciou ou o estimulou a ferir a ética profissional, 37 contabilistas (82,2%) e 04 professores (as) de contabilidade (80%) não presenciaram situações desagradáveis que ferissem o código de ética. Entretanto, 08 contabilistas (17,8%) e 01 professor (a) de contabilidade (20%) já se depararam com situações constrangedoras no que concerne a atos ilícitos, cujas circunstâncias não quiseram comentar. Com relação às ações desenvolvidas pelo CRC e CFC, observa-se através da tabela 6 que a maioria dos participantes da pesquisa, ou seja, (53,3%) dos contabilistas e (60%) dos professores de contabilidade avaliam como insuficiente a atuação dos conselhos, uma vez que além das ações de conscientização sobre a importância da ética na profissão, os mesmos deveriam fiscalizar e punir severamente aqueles que denigrem a imagem da classe contábil com atitudes ilícitas. E acrescentam ainda que é necessário ampliar a grade do 13 desenvolvimento profissional relacionando o assunto por meio de comunicações e outras veiculações. Tabela 6: Ações promovidas pelo CRC e CFC sobre os aspectos éticos da profissão Contabilistas Professores de Contabilidade Ações dos Conselhos de Classe Quantidade (%) Quantidade (%) SUFICIENTES 7 15,6% 0 0% INSUFICIENTES 24 53,3% 3 60% NÃO TEM CONHECIMENTO DO CRC 12 26,7% 0 0% NÃO TEM CONHECIMENTO DO CFC 2 4,4% 2 40% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Quanto às sugestões de melhoria nas ações desempenhadas pelos Conselhos, os contabilistas e professores de contabilidade indicaram as seguintes ações: vídeos institucionais para a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, visitas do próprio órgão nas instituições de ensino e instituições contábeis, apresentações de trabalhos com estudos éticos de procedimentos ilegais com as punições devidas, aumento das fiscalizações e uma maior união da classe. Em se tratando das normas do CEPC, constata-se através do gráfico 3 que (55,6%) dos contabilistas e (60%) dos professores de contabilidade não acreditam que as normas descritas no código são suficientes para coibir as ações ilícitas, e ratificam que há uma deficiência nas fiscalizações e não existe uma ampla divulgação do código, o que facilita o surgimento de novas ações e condutas ilegais de profissionais da área contábil. Gráfico 3: Avaliação sobre a suficiência das normas do CEPC para inibir ações de más profissionais 100% 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Contabilistas Prof Contabilidade 55,6% 44,4% 100% 60% 40% SIM 20 NÃO 25 TOTAL 45 2 3 5 Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). 14 Por outro lado, os (44,4%) dos contabilistas e os (40%) dos professores de contabilidade que consideram as normas descritas pelo CEPC como suficientes, apoiam-se na percepção de que estas são rígidas e eficazes, e que a deficiência na verdade é na conscientização dos próprios contabilistas que não agem com integridade, onde a ambição e o oportunismo se sobressaem. No que tange à opinião dos respondentes sobre o fato de um recém-formado na área receber honorários para efetuar procedimentos ilegais de modo a atender ao pedido de alguém do seu meio social, verifica-se através da tabela 7, que 40 contabilistas (88,9%) e todos os professores de contabilidade (100%) discordam totalmente desta prática utilizada pelo jovem. Primeiramente, pelo fato de estar iniciando sua carreira profissional. E acrescentam que, em hipótese alguma, um profissional deverá efetuar procedimentos contábeis ou até mesmo em outras áreas de maneira ilegal para satisfazer conhecidos, pois os procedimentos adotados deverão ter legalidade e transparência, evitando qualquer prejuízo futuro de ambas as partes. Tabela 7: Quanto a um recém-formado que recebe honorários para efetuar procedimentos ilegais Contabilistas Professores de Contabilidade Atitudes antiéticas Quantidade (%) Quantidade (%) CONCORDO TOTALMENTE 0 0,0% 0 0% CONCORDO PARCIALMENTE 2 4,4% 0 0% INDIFERENTE 0 0,0% 0 0% DISCORDO TOTALMENTE 40 88,9% 5 100% DISCORDO PARCIALMENTE 3 6,7% 0 0% TOTAL 45 100% 5 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Quando questionados sobre a prática de atitudes antiéticas devido à falta de recebimento de honorários (tabela 8), (64,4%) dos contabilistas e os (100%) dos professores discordaram totalmente deste ato, uma vez que a atitude tomada estará sujeita a diversas consequências, como por exemplo, impactar negativamente na reputação, na credibilidade e no respeito. Nesse caso, o que deveria ser feito era entrar com um processo judicial, que é mais seguro e eficaz, apesar de levar certo tempo. Tabela 8: Quanto ao profissional que teve atitudes antiéticas por falta de recebimento de honorários Contabilistas Professores de Contabilidade Atitudes antiéticas Quantidade (%) Quantidade (%) 15 Concordo totalmente 2 4,4% Concordo parcialmente 6 13,3% Indiferente 0 0,0% Discordo totalmente 29 64,4% Discordo parcialmente 8 17,8% TOTAL 45 100% Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). 0 0 0 5 0 5 0% 0% 0% 100% 0% 100% O gráfico 4 reúne informações sobre os motivos que levam um profissional a ter atitudes ou práticas inidôneas. Para a maioria dos contabilistas (73,3%) e dos professores de contabilidade (80,0%) o principal motivo refere-se à existência de pensamentos ambiciosos. Os contabilistas e os professores de contabilidade ressaltam que muitos profissionais não estão preocupados com a qualidade dos serviços prestados, onde haja honestidade, transparência e responsabilidade, mas sim, com a aquisição de benefícios e vantagens. Gráfico 4: Quanto ao motivo que leva o profissional a tomar atitudes ou práticas inidôneas 100% 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 73,3% 80% 0% 0% Grande concorrênci a no mercado de trabalho Contabilista 0 Prof Contabilidade 0 15,6% 0% 11,1% 20% 100% Pensament os ambiciosos Imposição dos cliente Outros: TOTAL 33 4 7 0 5 1 45 5 Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Por fim, no que diz respeito ao posicionamento dos respondentes sobre o fato de um profissional recém-formado efetuar procedimentos ilícitos por possuir apenas um único cliente, nota-se, através da tabela 9, que 39 contabilistas (86,7%) e todos os professores de contabilidade (100%) afirmaram que não se deve aceitar em hipótese alguma que se efetuem procedimentos ilegais, por mais que seu cliente o deixe, pois um cliente pode ser temporário, entretanto, a credibilidade e transparência do profissional serão permanentes no mercado de trabalho. 16 Tabela 9: Quanto a um profissional recém-formado que efetua procedimentos ilícitos por possuir apenas um único cliente Contabilistas Professores de Contabilidade Atitudes antiéticas Quantidade (%) Quantidade (%) Deve aceitar a solicitação, haja vista que o solicitante é sua única fonte de renda 0 0% 0 0% 1 2,2% 0 0% fique sem cliente 39 86,7% 5 100% Outros 5 11,1% 0 0% TOTAL 45 100% 5 100% Deve aceitar, contanto que esta prática seja realizada apenas esta vez Não deve aceitar em hipótese alguma, mesmo que Fonte: Elaboração própria a partir da pesquisa de campo (2015). Em se tratando da opção outros, destacam-se cinco contabilistas (11,1%) afirmando que antes de aceitar ou não efetuar procedimentos ilícitos, o profissional deverá reunir-se com o cliente para deixa-lo ciente dos riscos que poderão ser ocasionados ao mesmo e ao profissional. Em seguida, aceitaria mediante formalização detalhada da solicitação dos ajustes a serem realizados no balanço da empresa. 5.Considerações Finais e Recomendações Nesta pesquisa buscou-se verificar a percepção dos docentes e contabilistas do estado da Paraíba sobre questões relativas à ética na profissão contábil, haja vista que a conduta ética é de suma importância na vida do profissional contábil, contribuindo na prestação de serviços de qualidade à sociedade, priorizando a honestidade, a obtenção de respeito, a atuação no mercado de trabalho com transparência e, principalmente, com credibilidade. Para realizar o estudo optou-se pela adoção de uma pesquisa de campo e descritiva, de natureza quantitativa, cujos dados foram coletados através da aplicação de um questionário semiestruturado junto a 45 contabilistas da cidade de João Pessoa-PB, e junto a 05 professores da área de Ciências Contábeis lotados no campus IV da UFPB, Litoral Norte. Ao coletar os dados optou-se por organizá-los em tabelas e gráficos utilizando-se a estatística descritiva (frequência absoluta e relativa). Assim, quanto ao perfil dos respondentes, os resultados revelaram que a maior parte dos contabilistas atua na área financeira e tem tempo de atuação na profissão de até 10 anos. Pode-se notar também que, de modo geral, os profissionais consideram que a base familiar 17 interfere diretamente na postura do ser humano, seja no convívio pessoal ou profissional. Tais profissionais avaliam como sendo bom o nível de conhecimento sobre o Código de Ética Profissional do Contador (CEPC) e afirmam que não estão se deparando com situações de constrangimento ou efetuando procedimentos que venham comprometer a ética profissional. Quanto às questões subjetivas, os profissionais (contabilistas e professores) julgam que as ações promovidas pelo CRC-PB e CFC são insuficientes nos aspectos que regem a ética na profissão contábil. Para eles, faz-se preciso a realização de novas ações de conscientização e normatização da ética na profissão, e julgam que as normas descritas no CEPC não são suficientes para impedir ações de profissionais antiéticos, pois não é viável definir diversas normas se não há uma efetiva fiscalização. Por fim, quando observado o Código de Ética e aplicando-o na prática, verifica-se que os contabilistas e professores acreditam que por mais que o cliente esteja inadimplente com os honorários, não é correto reter documentos para que o mesmo efetue os pagamentos; estipular preços diferenciados por desconsiderarem o tempo necessário à realização dos serviços relativos à declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física e Jurídica; e não se deve aceitar em hipótese alguma que efetuem ajustes contábeis indevidos para obter melhores resultados, independente de qualquer circunstância. No que concerne às recomendações, considera-se interessante expandir a pesquisa, pois a mesma ficou restrita aos profissionais de João Pessoa-PB e aos professores da UFPB, campus IV-Litoral Norte. Sabe-se que o pesquisador tende a enfrentar muitas dificuldades na realização de pesquisa de campo, podendo-se citar como exemplo a insuficiência de disponibilidade de tempo, os altos custos envolvidos, além da dependência de cadastros (banco de dados). REFERÊNCIAS ALVES, J. S. et al.. Um estudo empírico do código de ética profissional para o contabilista. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, v.18, 2007. ALVES, F. J. S.. Adesão do contabilista ao código de ética da sua profissão: um estudo sobre percepções. São Paulo, 2005. ARRUDA, M. C. C. de. Código de ética: um instrumento que adiciona valor. São Paulo: Negócio Editora, 2002. ASSIS, M. Valor Econômico, em 10 de março de 2015. Brasil tem a maior carga tributária, diz OCDE. Disponível em:<http://www.valor.com.br/brasil/3946654/brasil-temmaior-carga-tributaria-da-america-latina-diz-ocde>. Acesso em: 13 jul. 2015. Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Resolução do CFC nº 1.307 de 14 de dezembro de 2010. 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