DIEGO DE OLIVEIRA ESTUDO DOS FATORES QUE DETERMINAM A MOTIVAÇÃO DOS COLABORADORES DA COOPERATIVA DE CRÉDITO MÚTUO DOS CONFECCIONISTAS DO VESTUÁRIO DA REGIÃO SUL CATARINENSE– SICREDI, UNIDADE DO MUNICÍPIO DE IÇARA Monografia apresentada para obtenção do grau de Bacharel em Administração de Empresas, no curso de Administração de Empresas, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientadora: Profª Gisele Silveira Coelho Lopes CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009 DIEGO DE OLIVEIRA ESTUDO DOS FATORES QUE DETERMINAM A MOTIVAÇÃO DOS COLABORADORES DA COOPERATIVA DE CRÉDITO MÚTUO DOS CONFECCIONISTAS DO VESTUÁRIO DA REGIÃO SUL CATARINENSE – SICREDI, UNIDADE DO MUNICÍPIO DE IÇARA Monografia aprovada pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Bacharel em Administração de Empresas, no Curso de Administração de Empresas da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Criciúma, 16 de dezembro de 2009 BANCA EXAMINADORA ________________________________________________ Profª Gisele Silveira Coelho Lopes - (UNESC) - Orientadora ________________________________________________ Profª Ana Angélica J. Harger - (UNESC) - Examinadora ________________________________________________ Prof. Paulo de Tarso F. Corrêa - (UNESC) - Examinador DEDICATÓRIA: Dedico aos meus pais, Osni de Oliveira e Maria de Freitas Oliveira, pela educação transmitida, por demonstrarem o caminho correto da vida, por estarem sempre ao meu lado, apoiando-me em minhas decisões e torcendo por minhas conquistas e por acreditarem nos meus sonhos a serem realizados. AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus, por me dar forças para lutar por meus objetivos. Aos meus pais, Osni e Maria, ao meu irmão Fabrício, ao meu sobrinho Fabio, e a minha cunhada Luciana, por acreditarem no meu potencial. A minha noiva, Marieza, por estar ao meu lado em todos os momentos que necessitei, não me deixando desistir nas horas difíceis pelas quais passei. Agradecimento esse estendido aos seus pais, Altair e Marilene, que me acolheram e me trataram sempre como um filho. Aos meus familiares, que sempre me trataram com muito carinho. Em especial aos meus tios, Jeferson e Márcia, que abriram as portas de sua casa quando precisei. À professora Gisele Silveira Coelho Lopes, que orientou este estudo, colocando seus vastos conhecimentos ao meu dispor, sempre com muita competência, seriedade e comprometimento com o resultado final. Aos demais professores do curso, que nos transmitiram seus conhecimentos e ensinamentos no decorrer da vida acadêmica. À SICREDI, que permitiu a realização deste estudo em suas dependências, bem como aos colaboradores que gentilmente aceitaram a participar do estudo, sem os quais esta pesquisa não se tornaria possível. E às demais pessoas que direta ou indiretamente forneceram auxílio e colaboração para a concretização deste estudo. “Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei... Sou muito das coisas que gostei. Entre umas e outras, errei. Entre muitas e outras, conquistei”. (Ramon Hasman) RESUMO OLIVEIRA, Diego de. Estudo dos fatores que determinam a motivação dos colaboradores da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Confeccionistas do Vestuário da Região Sul Catarinense - SICREDI, unidade do município de Içara. 2009. 73f. Monografia do Curso de Administração, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, Criciúma. Atualmente, as pessoas são consideradas como o principal ativo das organizações, responsáveis pela competência e manutenção das vantagens competitivas. Devido a isso, torna-se necessário a compreensão sobre como obter dos funcionários os seus mais altos níveis de participação e engajamento na empresa, acreditando-se que a motivação no ambiente de trabalho possa contribuir para aumentar esses atributos. Com base nessas considerações, o objetivo do estudo foi analisar os fatores motivacionais que estão ligados ao desempenho dos colaboradores da Sicredi do município de Içara – SC. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, descritiva e de campo, com abordagem qualitativa. A população considerada foi o universo de colaboradores que atuam junto ao Sicredi, de Içara-SC, em número total de 09 (nove) elementos. A amostra final ficou compreendida entre 07 (sete) funcionários. A técnica de coleta de dados utilizada foi a entrevista estruturada, com questões abordando 08 (oito) categorias. Os resultados indicaram que os aspectos capazes de gerar satisfação nos colaboradores e consequentemente a motivação no ambiente de trabalho, sobrepõem-se aos que limitam. Com isso, foi possível considerar que os profissionais encontram-se mais motivados e satisfeitos do que desmotivados na organização. Além disso, os dados revelaram que os aspectos considerados como desmotivadores referem-se principalmente à prática de políticas internas da empresa e não a fatores relativos ao próprio colaborador. Portanto, fatores extrínsecos ao indivíduo, que podem ser trabalhados no sentido de que se tornem apropriados, levando os mesmos a despertarem a motivação, para os quais foram sugeridas ações de melhorias à organização. Palavras-chave: Gestão de Pessoas. Administração de Recursos Humanos. Motivação. Teorias Motivacionais. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Administração como processo de tomar decisões sobre objetivos e recursos . 15 Figura 2: Gerência autoritária versus liderança .......................................................... 27 Quadro 1: Características de um gerente democrático e de um autoritário ................ 28 Figura 3: A hierarquia das necessidades, segundo Maslow....................................... 35 Quadro 2: Correspondência entre as teorias de Maslow com a Teoria de Herzberg .. 40 Figura 4: Organograma funcional da SICREDI Içara - SC .......................................... 49 Quadro 3: Análise geral da pesquisa: fatores motivadores e desmotivadores ........... 65 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 10 1.1 TEMA ................................................................................................................. 11 1.2 PROBLEMA ....................................................................................................... 11 1.3 OBJETIVOS ....................................................................................................... 11 1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................. 11 1.3.2 Objetivos Específicos .................................................................................... 12 1.4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................. 12 1.5 ESTRUTURA DO ESTUDO ............................................................................... 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 14 2.1 ADMINISTRAÇÃO: CONCEITO E FUNÇÕES .................................................. 14 2.2 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS .............................................. 17 2.3 AS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES .............................................................. 18 2.4 COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL ......................................................... 19 2.5 CULTURA ORGANIZACIONAL ......................................................................... 20 2.6 CLIMA ORGANIZACIONAL ............................................................................... 23 2.7 TRABALHO EM EQUIPE................................................................................... 24 2.8 LIDERANÇA ..................................................................................................... 25 2.9 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL ............................................................... 29 2.10 MOTIVAÇÃO .................................................................................................... 32 2.11 PRINCIPAIS TEORIAS MOTIVACIONAIS........................................................ 35 2.11.1 Teoria das Necessidades ............................................................................ 35 2.11.2 Teoria X ......................................................................................................... 36 2.11.3 Teoria dos Dois Fatores .............................................................................. 38 2.12 OUTRAS TEORIAS MOTIVACIONAIS ............................................................ 40 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. 44 3.1 TIPOS DE PESQUISA ....................................................................................... 44 3.2 ABORDAGEM METODOLÓGICA ...................................................................... 46 3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA ............................................................................... 46 3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ........................................................ 48 3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS .................................................. 48 3.5.1 Categorização dos dados ............................................................................. 48 3.6 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE PESQUISA ....................................... 49 4 A EXPERIÊNCIA DE PESQUISA.......................................................................... 50 4.2 ANÁLISE GERAL DA PESQUISA .................................................................... 63 4.3 SUGESTÕES A EMPRESA ............................................................................... 65 5 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 67 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 69 APÊNDICE .............................................................................................................. 72 10 1 INTRODUÇÃO Atualmente, as organizações na busca de se manterem manterem competitivas e atuantes no mercado, frente a acirrada concorrência em todos os setores, vão muito além da busca pela qualidade e eficiência de seus produtos e serviços. Passa também pela motivação e satisfação de seu quadro de colaboradores em todos os níveis hierárquicos, considerando-se que o capital humano é o seu principal investimento, por ser uma força capaz de lhe fornecer vantagens competitivas altamente compensadoras. Assim, com essa visão, a Gestão de Pessoas passou a adotar uma lógica que concebe que funcionários motivados tendem a comprometer-se mais com a obtenção de melhores resultados, considerando que pessoas motivadas são os principais recursos pelos quais pode-se para levar adiante os objetivos organizacionais. A motivação é uma força intrínseca oriunda do interior das pessoas, que faz com que os indivíduos dêem o melhor de si nas tarefas que executam ou nos objetivos a que se propõem realizar. Desse modo, pode-se entender que a motivação tem origem nos desejos intrínsecos, nas ações e necessidades do ser humano. No âmbito das empresas, a motivação reflete-se no aumento e na qualidade da produtividade e na satisfação com o trabalho. A motivação passa a ser uma ferramenta prática para estudar as formas de se poder influenciar as ações das pessoas dentro e fora do ambiente de trabalho, ajudando a entender o homem em sua constituição individual e frente a grupos de interação. Devido a isso, para que se possa reconhecer e perceber a importância das pessoas nas empresas, é necessário, num primeiro momento, compreender os motivos que levam a adoção de determinados comportamentos ou ações, visando-se a prevenção, a mudança ou o controle dos comportamentos futuros ou os resultados que são desejados pela organização. Com base no exposto, o tema deste estudo refere-se a um dos tópicos muito discutidos na área de Gestão de Pessoas ou Administração de Recursos Humanos, ou seja, a motivação, pois no contexto atual, as organizações sabem que ter colaboradores motivados é um dos quesitos para o aumento da eficácia organizacional. Este trabalho, portanto, insere-se na área de Administração de Recursos Humanos, buscando identificar os fatores que determinam a motivação dos colaboradores 11 de uma organização do ramo de cooperativa de crédito do município de Içara - SC, denominada Cooperativa de Crédito Mútuo dos Confeccionistas do Vestuário da Região Sul Catarinense - SICREDI. 1.1 TEMA Estudo dos fatores que determinam a motivação dos colaboradores da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Confeccionistas do Vestuário da Região Sul Catarinense - SICREDI, do município de Içara -SC. 1.2PROBLEMA A instituição financeira em estudo, integrante do segmento de cooperativas, a Sicredi Extremo Sul Catarinense SC, vem crescendo constantemente na região. O que deve ser levado em consideração é que este crescimento é o fruto do trabalho de todos os envolvidos, sobretudo das pessoas que integram a empresa, os colaboradores. Contudo, a organização em estudo não possui instrumentos que identifiquem o nível de motivação e satisfação dos seus colaboradores em seu ambiente de trabalho. Neste sentido, tem-se o problema em questão, que pode ser formulado da seguinte forma: quais os fatores motivacionais que estão ligados ao desempenho dos colaboradores da Sicredi do município de Içara – SC? 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Analisar os fatores motivacionais que estão ligados ao desempenho dos colaboradores da Sicredi do município de Içara – SC. 1.3.2 Objetivos Específicos - Identificar os fatores que promovem satisfação nos colaboradores; 12 - Verificar os fatores que causam a insatisfação nos colaboradores no ambiente de trabalho; - Apontar os fatores motivadores que os colaboradores encontram na organização; - Propor sugestões à empresa, mediante resultados da pesquisa. 1.4 JUSTIFICATIVA Para que se obtenha a eficiência e eficácia total dos serviços prestados pelos colaboradores na organização, é extremamente importante que a mesma entenda quais são os desejos, necessidades, sentimentos e vontades destes. A compreensão desses fatores contribui para o desenvolvimento motivacional do indivíduo em seu ambiente de trabalho. A motivação do colaborador é a chave que abre o caminho para que ele desempenhe sua função com maior satisfação, superando as dificuldades encontradas no dia a dia, e assim demonstrando todo seu potencial. Neste sentido, este estudo se propõe em oportunizar a cada colaborador a possibilidade de participação por intermédio do processo de avaliação do clima organizacional do ambiente de trabalho, e neste processo conhecer os fatores que levam a satisfação dos colaboradores, potencializando-os, assim como deve conhecer os fatores que provocam insatisfação para melhorá-los. Diante a realidade ora exposta, a realização deste estudo é considerada relevante, pois o conhecimento dos aspectos motivacionais é necessário no processo de compreensão do ambiente de trabalho, bem como para a elaboração de estratégias motivacionais, visando-se alcançar as expectativas de cada participante no contexto organizacional, e assim dando continuidade no planejamento e crescimento do negócio. O estudo é relevante para o acadêmico, pois visa fazer uma relação entre teoria e prática, possibilitando a utilização da teoria de diversos autores renomados na área de administração de recursos humanos para atuar na prática. Tentar compreender e analisar cada integrante de sua organização é um papel de fundamental importância para o administrador. É também relevante para a organização, pois pode elencar o nível de satisfação dos funcionários e dessa forma buscar estratégias de melhorias para seu 13 ambiente organizacional. Com as melhorias, a organização poderá ter um colaborador motivado, que vestirá a camisa da empresa, com maior produtividade, inspiração, inovação, e também um maior empenho nos serviços prestados pelo mesmo. Para o colaborador não é diferente, tendo em vista que, se a empresa se preocupa com o seu bem-estar, ele em troca se mostrará interessado em desenvolver o seu trabalho da melhor forma possível. Assim, todos saem ganhando. O pesquisador, que está inserido neste ambiente organizacional, terá a oportunidade em trazer contribuições positivas para a satisfação de seus colegas de trabalho, contribuindo através desse estudo com o desenvolvimento de seu próprio potencial e auxiliando a instituição em melhorias organizacionais. Acredita-se que o estudo é viável, pois a organização permitiu ao estudante a aplicação da pesquisa, pois tem interesse em compreender os aspectos motivacionais que norteiam os seus colaboradores, para assim suprir essas necessidades. 1.5 ESTRUTURA DO ESTUDO O trabalho inicia-se com este introdução, fazendo constar o tema, a delimitação do problema, os objetivos, a justificativa e a forma pela qual o estudo encontra-se estruturado. No capítulo posterior, é feita a revisão da literatura, reunindo-se tópicos referentes à Gestão de Pessoas, motivação e teorias motivacionais. Na sequência, são expostos os procedimentos metodológicos adotados para a realização da pesquisa e o histórico do ambiente de estudo, a SICREDI. Em seguida, faz-se o relato da experiência de pesquisa, buscando-se apresentar e analisar os resultados, fornecer uma análise geral dos dados obtidos e apresentar sugestões para a empresa. O trabalho prossegue com a conclusão, as referências e o apêndice, que tratase do roteiro estruturado para a realização das entrevistas com os colaboradores. 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Acredita-se que a motivação é um dos caminhos que devem ser estudados individualmente para que se obtenham os resultados esperados de cada participante no processo organizacional. No entanto, ao se falar em motivação muitos aspectos se apresentam como necessários para que esse conceito tenha seu real entendimento alcançado. Com base nisso, neste item apresenta-se a fundamentação teórica que busca aprofundar os conhecimentos na área de Recursos Humanos, com ênfase à motivação dos colaboradores nas organizações. Com isso, são apresentados conceitos que estão interligados à motivação e a aspectos motivadores, principal tema deste estudo. 2.1 ADMINISTRAÇÃO: CONCEITO E FUNÇÕES Administração é um conjunto de fatores que se interligam com um objetivo comum. Segundo Stoner e Freeman (2000), a administração já foi considerada como a arte de fazer coisas através de pessoas. Porém, a administração se reveste de tantas funções que nenhuma definição ainda foi universalmente aceita. Segundo Silva (2004), a administração é a ciência que busca o alcance de objetivos e metas por meio de esforços de pessoas capacitadas para tal, sendo um “conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais” (SILVA, 2004, p. 6). Para Maximiano (2000), a administração trata-se da atividade dinâmica ou processo, que se consiste na tomada de decisões sobre objetivos e recursos. Esse processo, ou seja, a tarefa de administrar observada em qualquer situação na qual há indivíduos que utilizam recursos para cumprir determinado tipo de objetivo. A finalidade básica do processo administrativo é garantir que os objetivos sejam realizados utilizandose a aplicação de recursos. Visando um melhor entendimento desse conceito, o autor apresenta o esquema representado na figura 1. 15 Figura 1: Administração como processo de tomar decisões sobre objetivos e recursos Fonte: Maximiano (2000, p. 25) Além desses processos, para Stoner e Freeman (2000), administrar é saber utilizar todos os recursos disponíveis na organização para o alcance dos objetivos. Também para Silva (2004), a administração tem como funções as atividades inerentes aos administradores para que busquem obter determinadas metas que são desejadas pela organização. Conforme Lacombe e Heilborn (2003), administrar tem como principal fundamento, saber planejar, organizar, liderar e controlar um grupo de pessoas, que possam contribuir para os resultados da empresa. No que se refere à função planejar, Stoner e Freeman (2000) consideram que os administradores devem pensar de forma antecipada em seus objetivos e metas, baseando seus atos e ações em algum método, lógicas ou planos, em detrimento de se tomar decisões ao acaso ou baseados em palpites. Na verdade, os planos é que fornecem à administração e aos seus gestores, as linhas-mestras pelas quais se pode obter e aplicar os recursos que são necessários para o alcance dos objetivos. Para Maximiano (2000, p. 26), o planejamento refere-se a “[...] tomar decisões 16 sobre objetivos e recursos necessários para realizá-los”. Sobre a função organizar, Stoner e Freeman (2000) afirmam que essa consiste no processo de alocar e arranjar o trabalho, a autoridade, bem como, recursos necessários capazes de fazer com que a organização consiga atingir seus objetivos de forma eficiente. Na visão de Maximiano (2000, p. 26), organização “consiste em tomar decisões sobre a divisão de responsabilidade entre pessoas e sobre a divisão para realizar tarefas e objetivos”. Com relação à função liderar, Stoner e Freeman (2000) consideram que essa significa dar o sentido de direção, liderança, mediante a influência e motivação dos colaboradores, para que possam cumprir as tarefas essenciais para o bom andamento da empresa. Essa função, na verdade, lida diretamente com o trabalho com as pessoas. No que tange à função de controlar, essa ocorre, segundo Stoner e Freeman (2000), porque o gestor administrativo deve se certificar de que as ações dos subordinados estão, de fato, conduzindo a empresa rumo aos objetivos estabelecidos. Para Maximiano (2000), o controle é a tomada de decisões para a ação no sentido de ver assegurada a realização dos objetivos. Nessa função, conforme Stoner e Freeman (2000), os administradores estabelecem os padrões do desempenho, mensuram o desempenho do trabalho e realizam a comparação entre esse desempenho com os padrões que foram determinados. Silva (2004, p. 10) sintetiza: - Planejamento: determinação de objetivos e metas para o desempenho organizacional futuro, e decisão das tarefas e recursos utilizados para alcance daqueles objetivos; - Organização - processo de designação de tarefas, de agrupamento de tarefas em departamentos e de alocação de recursos para os departamentos; - Direção - influência para que outras pessoas realizem suas tarefas de modo a alcançar os objetivos estabelecidos, envolvendo energização, ativação e persuasão daquelas pessoas; - Controle - função que se encarrega de comparar o desempenho atual com os padrões predeterminados, isto é, com o planejado. Assim, conforme se verifica, na Administração são delegadas quatro funções, as quais fornecem os métodos e as técnicas para que os administradores possam bem gerir os recursos da empresa: planejamento, direção, organização e controle. 17 2.2 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS A Administração de Recursos Humanos, modernamente chamada de Gestão de Pessoas, segundo Gil (2001), é a função de cunho gerencial que busca a cooperação dos indivíduos que atuam nas empresas visando à obtenção dos objetivos tanto do ponto de vista organizacional, como do ponto de vista individual. No entanto, a expressão Administração de Recursos Humanos ainda é a mais comum entre todas as formas usadas na atualidade para designar a área que lida com as pessoas nas organizações. Para Bateman e Snell (2006), no atual contexto, a Administração de Recursos Humanos vem assumindo uma função de cunho estratégico de considerável importância a partir do fato de que as organizações podem competir mediante o talento de seus colaboradores. Essa visão considera que as empresas possuem condições de criar vantagens competitivas quando mantém e desenvolvem pessoas. Também na visão de Dutra (2007), a forma como as empresas administram a gestão de pessoas está passando por expressivas transformações em todo o mundo. Essas transformações vêm sendo motivadas pela inadequação dos modelos tradicionais de gestão de pessoas no atendimento às necessidades e às expectativas das empresas e das pessoas. Desde os anos 80, fala-se da necessidade de rever a forma de gestão de pessoas e de repensar conceitos e ferramentas de gestão. Apesar disso somente a partir dos anos 90 é que surgem propostas mais concretas de mudança e observam-se resultados positivos em novas formas de gerir pessoas. Essas experiências positivas permitem observar a existência de um novo conjunto de premissas e conceitos que explicam melhor a relação entre organização e pessoas [...] (DUTRA, 2007, p. 11). O processo de Administração de Recursos Humanos, de acordo com Stoner e Freeman (2000) possui sete atividades básicas, a saber: planejamento, recrutamento, seleção, socialização, treinamento/desenvolvimento, avaliação de desempenho e atividades referentes a promoções, rebaixamentos, transferências e desligamentos. Considerando essas funções, Ribeiro (2006) afirma que lidar com pessoas nas empresas no atual contexto, consiste em uma responsabilidade expressiva, considerandose o passado recente. Isso porque, a área de recursos humanos visa principalmente gerir as relações da organização com os indivíduos que nela atuam, que passaram a ser vistos como parceiros do negócio do que simplesmente apenas recursos empresariais. Ainda segundo Ribeiro (2006, p.01): 18 Esse passou a ser o mais importante desafio interno das empresas, em plena era da informação – uma função estratégica demais para ficar centralizada nas mãos de poucos especialistas, que atuam simplesmente na esfera tática ou operacional. Portanto, as pessoas, nas organizações atuais, não estão mais sendo consideradas apenas como um recurso, mas, sim, como um dos principais elementos capazes de dotar a empresa de maiores possibilidades de garantir sua sobrevivência no mercado. 2.3 AS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES Atualmente, afirmam Tachizawa e Scaico (2006), as empresas de excelência estão buscando tratar os seus colaboradores com respeito e dignidade, considerandoos como parceiros, mediante os quais se consegue aumentar e sustentar a qualidade e a produtividade. Isso porque, as organizações bem reconhecidas pela comunidade são aquelas que procuram refletir um bom nível de relacionamento com seus diversos públicos, principalmente os seus funcionários. Os autores ainda afirmam: No universo empresarial, constata-se uma evolução gradual na forma de relacionamento das organizações com seus colaboradores. Cada organização segue seu ritmo de desenvolvimento, mas de maneira geral tem-se detectado a preocupação em buscar melhorias na forma de gestão do ambiente organizacional. O foco das preocupações tem ido além da concessão de benefícios e outras formas de melhoria do ambiente relacionado mais aos aspect os f ísi cos. Há um cui dado especi al com as quest ões de relacionamento e de respeito às pessoas e à justiça social. É a busca do tratamento igualitário a todos os colaboradores. Não se trata de aspectos ligados às políticas de remuneração ou de benefícios da organização, que trazem em sua concepção diferenciações entre grupos funcionais, mas sim da forma de tratar as pessoas (TACHIZAWA; SCAICO, 2006, p. 301). Para Milkovich e Boudreau (2000), mesmo que os recursos financeiros, as instalações físicas e os equipamentos se constituam em elementos necessários para as empresas atuarem de forma eficiente, os indivíduos estão sendo considerados como os recursos mais importantes, pois são as pessoas que atuam no planejamento e produção dos serviços e produtos, controlando a qualidade, vendendo os produtos, buscam investimentos financeiros e estabelecem as formas estratégicas capazes de garantir o alcance dos objetivos organizacionais. Desse modo, sem as pessoas, torna-se impossível para qualquer organização o alcance de seus objetivos. Devido a isso, conforme expõem Tachizawa e Scaico (2006), as empresas 19 devem buscar garantir a satisfação daqueles que nela atuam, por intermédio de objetivos sociais e políticas de gestão adequadas. A pessoa não pode ser considerada como uma máquina, mas como um elemento responsável por grande parte do sucesso organizacional. Todos os colaboradores devem ser tratados com igualdade, humanidade, criando uma filosofia de que cada um é fundamental para que o grupo atinja o objetivo final, que é a qualidade da organização. 2.4 COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Denomina-se comportamento organizacional, segundo Robbins (2002), à área de estudos que pesquisa o impacto que as pessoas, grupos e a estrutura administrativa são capazes de afetar o comportamento dos indivíduos no âmbito das empresas. Com isso, busca-se utilizar esse conhecimento visando promover melhorias no que se refere à eficácia organizacional interna. Em outras palavras, o comportamento organizacional trata-se de um campo ou área de investigação ou estudos, que atua no sentido de aplicar o conhecimento que obtém referente aos grupos, pessoas e o efeito da estrutura no comportamento dos indivíduos, objetivando com que as empresas atuem com mais eficácia. Ainda segundo Robbins (2002, p. 6-7): [...] o comportamento organizacional se preocupa com o estudo do que as pessoas fazem nas organizações e de como esse comportamento afeta o desempenho dessas empresas. Com o esse est udo est á v ol tado especificamente para situações relacionadas com o emprego, enfatiza-se o comportamento relativo a funções, trabalho, absenteísmo, rotatividade, produtividade, desempenho humano e administração. Para Wagner e Hollenbeck (2003), o comportamento organizacional refere-se a um campo de estudo, que busca a prever, bem como a explicação, compreensão e modificação do comportamento das pessoas no âmbito das empresas. Sobre o tema, Oliveira (2007) destaca que as empresas, atualmente, passaram a ser alvo de atenção por parte de especialistas da área de comportamento organizacional, que buscam compreender sua cultura para, dessa maneira, pode-se entender as formas de administrá-las. Isso porque, no dias atuais, a gestão da cultura organizacional tem se tornado um dos mais importantes desafios para os gerentes, quando se procura assegurar a sobrevivência das empresas. Desse modo, pode-se entender que os pressupostos relativos ao 20 comportamento organizacional devem ser levados em conta em todas as organizações para que possam melhor entender como os colaboradores agem frente a diversas variáveis no âmbito da empresa. 2.5 CULTURA ORGANIZACIONAL Um grupo de indivíduo que constituem uma empresa, tais como os seus fundadores, administradores e colaboradores, ao interagirem com o ambiente externo, dão origem a estruturas internas para lidar com essa interaçâo que vem de fora. Com isso, estabelecem formas de ação e interação. Isso faz com que seja criada uma identidade própria, que é denominada de cultura organizacional (TACHIZAWA; SCAICO, 2006). Assim, cada empresa, em função de sua cultura, difere das demais devido as suas características particulares, tais como os recursos, as atividades e o ambiente interno (TACHIZAWA; SCAICO, 2006). A cultura das organizações tem sido analisada pelos seus administradores constantemente, a fim de assegurar e manter sua sobrevivência e perpetuação. Com o propósito de evitar frustrações e conflitos entre diversos agentes envolvidos com a organização, (acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e parceiros). As empresas não devem ignorar a cultura existente em seu interior, ela deve administrá-la e compreendêla, se moldando conforme o que ela prega e cobra, e como os demais agem e acreditam (ROBBINS, 2002). A cultura pode ser entendida como “um sistema de crenças e valores compartilhados que se desenvolvem dentro de uma organização e guiam o comportamento de seus membros” (OLIVEIRA, 2007 p. 161). Silva (2004, p. 421) conceitua cultura organizacional como “[...] o sistema de valores, crenças, normas e hábitos compartilhados, que rege a interação dos elementos de uma organização”. Na definição de Robbins (2002), pode-se considerar como cultura organizacional um sistema de valores que é compartilhado e disseminado entre os membros de uma organização, sendo diferente de uma empresa para a outra. Em última análise, esse sistema é compreendido como um conjunto de peculiaridades que são valorizadas por uma organização. Em outras palavras: 21 A cultura organizacional se refere à maneira pela qual os funcionários percebem as características da cultua da empresa, e não ao fato de gostarem ou não delas. [...] representa uma percepção comum mantida pelos membros da organização (ROBBINS, 2002, p. 499). Para Robbins (2002), a cultura desempenha muitas funções dentro de uma empresa: delimita os horizontes entre uma empresa e outra, criando diferenciações entre uma determinada organização e outras. Também colabora no sentido de manter a organização coesa, ao proporcionar um senso de identidade e pertencimento entre os seus membros. Além disso, é capaz de facilitar o comprometimento com algo maior do que meramente os interesses individuais de cada colaborador, estimulando que o sistema social se mantenha estável, ao fornecer os padrões considerados adequados para aquilo que os colaboradores possam fazer ou falar. Além dessas funções, a cultura também serve como sinalizadora de sentido e atua como um mecanismo de controle orientador, dando forma aos comportamentos e atitudes dos funcionários que nela atuam. Para Oliveira (2007), mesmo que não se disponha de método nenhum para mensurar a cultura organizacional, as culturas das empresas podem passar por uma análise segundo a forma pela qual uma organização pode ser classificada no que se refere a dez características, a saber: 1. Identidade do membro: Refere-se ao grau com que os colaboradores se identificam com a empresa como um todo, e não somente com o tipo de trabalho que executam ou a especialidade profissional que possuem; 2. Ênfase no grupo: Diz respeito ao grau de organização com que são classificadas as atividades de trabalho, ou seja, considerando grupos ao invés de indivíduos; 3. Foco nas pessoas: Essa característica leva em conta o efeito que as decisões administrativas podem surtir nos resultados apresentados pelas pessoas da empresa; 4. Integração das unidades: Considera o grau com que os departamentos da organização são motivados a operar de forma interdependente e coordenada; 5. Controle: Leva em conta o nível com que as regras, os regulamentos e o estilo de supervisão são utilizados para a inspeção e o controle do comportamento dos colaboradores; 22 6. Tolerância a risco: Diz respeito ao grau de incentivo que as empresas fornecem aos funcionários, para que sejam inovadores, agressivos e propensos a correr e assumir riscos; 7. Critérios de recompensa: São relativos ao grau que as recompensas, tais como aumento de salários, promoções funcionais, entre outros, são alocadas, segundo critérios de desempenho apresentado pelo funcionário, de acordo com tempo serviço, o favoritismo e outros aspectos que não se referem ao desempenho em si; 8. Tolerância a conflito: Refere-se ao grau ou à maneira com que a empresa estimula os funcionários a expressarem conflitos e a realizar críticas de forma aberta; 9. Orientação meios-fins: Essa característica da cultura organizacional pode ser entendida como a forma utilizada pela administração para enfatizar os resultados ou efeitos do desempenho dos colaboradores, ao contrário de utilizar técnicas e processos que visem somente alcançar esses resultados; 10. Foco em sistemas abertos: É a forma com que a empresa busca monitorar e responder às mudanças oriundas do ambiente externo. No entanto, afirma Oliveira (2007, p. 163): “Essas características apresentadas são relativamente estáveis e permanentes ao longo do tempo. Assim como a personalidade de um indivíduo é estável e permanente - a cultura de uma organização também o é”. Mesmo assim, com base nessas características, observa-se que, a cultura de uma organização é moldada de acordo com a sua história, seus valores, suas crenças e seus hábitos, mas que todo esse processo cultural depende das pessoas que nesse ambiente se encontram (ROBBINS, 2002). De acordo com Stoner e Freeman (2000), a cultura organizacional é um elemento capaz de moldar as atitudes e ações dos empregados, determinando o modo como a empresa interage em relação aos seus ambientes. Segundo Silva (2004), a cultura é o fator mais favorável de todos os métodos da administração para gerar a motivação, tendo em vista que cada empresa constituise em um sistema complexo, como uma cultura própria, refletindo-se no que se denomina clima organizacional. 23 Devido a isso, a cultura organizacional é um elemento que deve ser levado em consideração pelos administradores e líderes, pois fornece vários indicadores para compreender os aspectos que guiam o comportamento dos colaboradores nas organizações. 2.6 CLIMA ORGANIZACIONAL Nos últimos tempos, relatam Tachizawa e Scaico (2006), as empresas começaram a perceber que uma gestão eficiente de seu ambiente interno é capaz de fornecer excelentes resultados para os negócios. Com isso, passaram a ter a preocupação em criar um ambiente de trabalho no qual os indivíduos se sentissem respeitados em sua individualidade e a desfrutar de forma efetiva de uma participação da vida da organização. Além disso, as empresas passaram a estimular o trabalho em equipe e a possibilidade de as pessoas manifestarem e aplicarem suas competências de forma a contribuir para uma maior produtividade. Esse aspectos de criação de um ambiente propício ao trabalho, passou a ser chamado de gestão do clima organizacional, considerado como a propriedade do ambiente institucional em que um sentimento positivo é percebido ou experimentado por parte dos funcionários, capaz de influenciar o comportamento de seus integrantes. Com base nisso, Tachizawa e Scaico (2006, p. 313) conceituam clima organizacional como uma propriedade referente “ao ambiente interno, no qual convivem as pessoas que trabalham na organização, e está intimamente relacionado com o grau de motivação e satisfação de seus participantes”. Na definição de Silva (2004, p. 257): “Clima organizacional é o resultado do ambiente social dentro da organização [...] é um componente crítico da cultura organizacional”. Pode ser considerado como a atmosfera psicológica que resulta dos modelos de administração, das políticas empresariais, dos comportamentos, que se refletem nos relacionamentos e na percepção individual de cada colaborador (SILVA, 2004). Segundo Maximiano (2000), denomina-se clima organizacional o resultado dos sentimentos pessoais e grupais relacionados à realidade que é percebida nas organizações. Assim, o clima forma-se a partir do sentimentos que os indivíduos 24 compartilham na empresa e que são capazes de afetar de maneira negativa ou positiva, a motivação e a satisfação para o trabalho. Sentimentos negativos exercem impacto negativo sobre o desempenho. Um programa de demissão em massa, por exemplo, gera um clima em que predominam sentimentos como tensão, medo, ansiedade e tristeza. Hostilidade, desalento e agressividade são comportamentos que podem resultar desses sentimentos. Sentimentos positivos exercem impacto positivo. A realização de um objetivo grupal (como vencer uma competição) produz um clima que predominam sentimentos como alegria e desejo de continuar no grupo (MAXIMIANO, 2000, p. 260). Para Tachizawa e Scaico (2006), o clima organizacional é grandemente influenciado pelo conjunto que formam as atitudes e os valores que são capazes de afetar a forma pela qual os indivíduos se interrelacionam. Também refere-se às crenças que são compartilhadas pelos indivíduos da organização que determinam o que seria “bom” ou “ruim” para a própria pessoa e para a organização como um todo e acerca de até que ponto as expectativas estão sendo atendidas de forma real. De acordo com Silva (2004), o clima organizacional é próprio de cada organização e apresenta fatores externos e internos que são capazes de afetar o ambiente da empresa, refletindo-se na satisfação e motivação dos funcionários: comunicação, benefícios, objetivos e metas organizacionais, liderança, reconhecimento e padrões de qualidade. O clima organizacional torna-se favorável quando é capaz de proporcionar a satisfação dos anseios pessoais dos colaboradores, sendo, por outro lado, desfavorável no momento em que proporciona uma frustração das necessidades que são almejadas. Em outras palavras, o clima organizacional é um fator que influencia a motivação dos indivíduos, que, por sua vez, são influenciados por ele (TACHIZAWA; SCAICO, 2006). Desse modo, pode-se entender o estudo do clima e os fatores que podem afetar os sentimentos dos indivíduos na empresa, constitui-se na base para o entendimento acerca do desempenho e o interesse dos funcionários na organização. 2.7 TRABALHO EM EQUIPE Grande parte das novas tecnologias, dos novos formatos organizacionais e dos processos adotados nas organizações estão levando em consideração o trabalho em 25 equipe entre os colaboradores. Por isso, as equipes estão sendo consideradas como elementos de importância fundamental para o bom andamento das empresas (MILKOVICK; BOUDREAU, 2000). Nas organizações, as equipes são configuradas em uma enorme variedade de tipos, podendo ser: autonômas, semi-autônomas, autogeridas ou interfuncionais. Podem ser criadas para um determinado objetivo e em seguida ser desfeitas quando o projeto for aprovado pela chefia; podem ser organizadas por funcionários com habilidades similares, tais como funcionário de uma linha de montagem de um produto específico. As tarefas de uma equipe serão as mesmas, mesmo que os membros venham a mudar, no caso, por exemplo, dos membros chegarem ou deixarem a organização (MILKOVICK; BOUDREAU, 2000). Porém, para Vergara (2000), não se pode considerar como equipe um conjunto de pessoas que estejam trabalhando em conjunto, tendo em vista que, se esse conjunto tornar-se uma equipe é necessário que exista um elemento de identidade, que seja de cunho simbólico, mas capaz de unir as pessoas, estando esses indivíduos fisicamente próximos ou não. Wagner e Hollenbeck (2002, p. 226) apresentam três fatores que demarcam as características de uma equipe: 1 - Os membros das equipes são altamente interdependentes, via de regra interligados pela interdependência inclusiva. 2 – As equipes são formadas mediante o uso de agrupamento por fluxo de trabalho, de modo que seus membros são responsáveis pelo desempenho de diversas funções diferentes. 3 – Aptidões, conhecimento, experiências e informação geralmente se distribuem de forma desigual entre os membros de uma equipe, devido a diferenças de antecedentes, treinamento, talentos e acesso a recursos. [...]. Pode-se considerar que como uma das primeiras vantagens de se trabalhar em equipe a agilidade na captação de informações e o uso dessas informações. Outra grande vantagem do trabalho em equipe é o fato de que equipes tem idéias mais ricas, mais elaboradas, com mais qualidade, pois são baseadas em diferentes concepções, visões do fenômeno que está sendo focalizado. 2.8 LIDERANÇA A liderança, de acordo com Bateman e Snell (2006), é caracterizada por 26 algumas habilidades desenvolvidas por uma pessoa, que tem como característica influenciar os outros a alcançarem os seus objetivos. Ribeiro (2003) define que o supervisor, chefe ou líder é a pessoa que devido ao conhecimento técnico que dispõe, do envolvimento político ou de confiança junto aos gestores da organização, é levado a assumir o posto de comando, coordenando pessoas, projetos ou funções. Conforme Ribeiro (2003, p. 62): Liderança é a característica que se espera do gerente, chefe, ou supervisor, e que deve ser demonstrada na condução do processo produtivo, por meio do envolvimento e do aproveitamento pleno da criatividade do grupo a ele subordinado, de modo a alcançar a satisfação de todos. Para Stoner e Freeman (2000, p. 344): “Liderança é o processo de dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas dos membros de um grupo”. Conforme Maximiano (2000), existem diversas definições para a liderança, mas o autor destaca o conceito de liderança como o processo de condução das ações que buscam influenciar a atitude, a mentalidade e o comportamento de outros indivíduos. Em outra definição, Maximiano (2000) considera como liderança o processo pelo qual se obtém a realização de metas por meio de ações direcionadas aos colaboradores. O líder seria, então, a pessoa que prescreve com sucesso seus subordinados visando o alcance das metas ou finalidades traçadas. Na visão de Bateman e Snell (2006) existe diferenciação entre liderar e administrar. Administradores eficazes podem não ser verdadeiros líderes. Além disso, diversos administradores, altos executivos, supervisores podem desenvolver suas funções sem apresentar uma grande expressão de liderança: Administradores devem lidar com as complexidades correntes diariamente nas organizações. Os verdadeiros líderes dedicam-se com eficácia à ação de importantes mudanças. Enquanto administradores se ocupam das rotinas de orçamento, planejamento, os líderes fixam a direção (criam uma visão) da empresa. A administração exige a estruturação da organização, que ela seja formada com pessoal capacitado e a monitoração das atividades; a liderança vai além dessas funções, inspirando pessoas a atingir a visão. Os grandes líderes são as pessoas centradas em levar a organização para seu futuro ideal, motivando-as para superar obstáculos que existam no caminho (BATEMAN; SNELL, 2006, p. 393). Existem alguns estilos de liderança amplamente trabalhados na literatura sobre este tema. De forma geral, pode-se apontar três estilos, sendo: a gerência autoritária (ou autocrática), a liderança democrática e a liderança liberal (ROBBINS, 2002). 27 De acordo com Ribeiro (2003), Kurt Lewin (1890 - 1947) foi um grande psicólogo que deixou algumas contribuições para o estudo do comportamento humano. A preocupação do psicólogo era encontrar maneiras para formar líderes e grupos democráticos, quando então descreveu esses tipos de liderança, conforme abaixo: - Liderança autocrática: o líder fixa as diretrizes, sem qualquer sugestão ou opinião dos membros do grupo. Determina o que fazer e como fazer da sua maneira. É ele a pessoa que estabelece as providências e as técnicas que são necessárias para que as tarefas sejam executadas, determinando o que cada um deve fazer e determina quem deve ser o companheiro do trabalho, salientando-se que isso sempre é geralmente feito de modo imprevisível (RIBEIRO, 2003). - Liderança democrática: ao contrário da autocrática, as diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo de trabalho, solicitando a ajuda do líder que estimula e aconselha tecnicamente qual a melhor alternativa. A decisão de divisão de tarefas fica decidido entre o grupo, que possuem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho, mas que possuem um líder que limita os fatos em suas críticas e elogios (RIBEIRO, 2003). - Liderança liberal: é aquela em que o líder não avalia e nem regula qualquer procedimento nas tarefas a serem executadas, tudo fica a critério do grupo, somente fornece informações quando perguntadas (RIBEIRO, 2003). Nesse sentido, Ribeiro (2003) estabelece um paralelo entre gerência autoritária e liderança, conforme a figura 2: Figura 2: Gerência autoritária versus liderança Fonte: Ribeiro (2003, p. 63) 28 Com base na figura, Ribeiro (2003) explica que no estilo gerencial autoritário, os indivíduos são conduzidos a produzir de forma mecânica, automatizada, sem a oportunidade para que pensem, criem, participem, sempre inseridas em um ambiente que não motiva e satisfaz a pessoa no que se refere ao trabalho. Ao contrário, na liderança, as pessoas são levadas a produzir de maneira que se envolvam de forma criativa e participativa, o que leva à satisfação e contribuição de maneira mais eficaz para a qualidade e o crescimento da organização. Assim, afirma Ribeiro (2003), o líder ou o gerente pode apresentar as características de uma tendência democrática ou autoritária, conforme o quadro 1: Democrático É o indivíduo investido de comando por uma equipe; um consultor interno. Trabalha junto com seus subordinados. Adapta a estrutura organizacional às mudanças do mercado. Solicita sugestões. Compartilha informações. Tem universo de conhecimento expandido. Autoritário Considera-se chefe ou patrão. Convive apenas com pessoas próximas ao seu nível hierárquico. Trabalha sempre dentro de uma estrutura organizacional pouco flexível. Toma a maioria das decisões sozinho. Sonega informações. Especializa-se em uma única área. Sugere resultados a alcançar. Procura estimular e reforçar as relações interpessoais em todo o grupo. O grupo possui estrutura para sobreviver ao afastamento do líder (delegação). Exige longas jornadas de trabalho. Dita o padrão de relacionamento entre os membros do grupo. O afastamento do supervisor ou gerente pode provocar o caos ocasionando ruptura no grupo (centralização). Quadro 1: Características de um gerente democrático e de um autoritário Fonte: Ribeiro (2003, p. 66) Vergara (2000) considera que o principal papel do líder é provocar a motivação nos indivíduos de forma que os resultados que são buscados pela organização sejam plenamente atingidos. Para Maximiano (2000) pode-se considerar que o alicerce da liderança é a comunicação, tendo em vista que um dos grandes requisitos para um líder é a sua capacidade de transmitir as suas mensagens de forma que consiga persuadir, inspirar e provocar motivação em seus subordinados. No entanto, isso não significa somente a destreza de ser hábil com as palavras, mas, também, a forma de ser capaz de transformar as idéias em mensagens de modo convincente. 29 Assim, o que importa destacar é que o líder, nas organizações exerce papel preponderante para que a empresa possa funcionar de forma adequada. 2.9 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL Por comunicação, pode-se entender, segundo Bateman e Snell (2006), o processo de se transmitir uma informação com significado, ocorrendo de uma parte à outra parte, com a utilização de símbolos compartilhados. Conforme Maximiano (2008) comunicação é um processo pelo qual se pretende transmitir informações ou significados, que tem por objetivo a compreensão e o entendimento de todos os envolvidos. A comunicação é uma das ferramentas necessárias para o desenvolvimento da organização. No processo de comunicação, é onde ocorre à transmissão de informações e significados, exigindo a competência de quem está passando a informação e a compreensão de quem recebe a mesma (ROBBINS, 2002). De acordo com Robbins (2002), o processo de comunicação envolve alguns passos ou elementos, entre uma fonte e seu receptor, que irão resultar na transferência e no entendimento de um determinado significado. Como elementos do processo de comunicação pode-se apontar, conforme Silva (2004): - Transmissor ou emissor: é a pessoa que deseja transmitir a informação; - Codificação: é a maneira que deve ser traduzida a informação a ser transmitida através de gestos e palavras; - Mensagem: é o resultado da codificação com o objetivo de significado para o receptor; - Decodificação: é a maneira que o receptor compreende a informação, e interpreta conforme seu conhecimento, experiência; - Receptor: é a pessoa a quem se destina a informação; - Ruído: é qualquer interferência que prejudique e distorça o entendimento da informação, seja ele internamente ou externamente; - Feedback: é a reação que o receptor transmite perante a comunicação do transmissor. 30 Em outras palavras, Bateman e Snell (2006, p. 479-480) explicam: O emissor inicia o processo, veiculando informação para o receptor: a pessoa a quem se destina a mensagem. O emissor tem um significado que deseja comunicar e codifica o significado em símbolos (por exemplo, as palavras escolhidas para a mensagem). Então o emissor transmite, ou envia a mensagem através de algum canal, tal como um meio oral ou escrito. O receptor decodifica a mensagem (por exemplo, lendo-a) e tenta interpretar o significado do emissor. O receptor pode fornecer feedback ao emissor, codificando outra mensagem em resposta à que lhe foi enviada. Com base nessas considerações, para Gil (2001), a comunicação pode ser considerada como a habilidade requerida para todos os profissionais que atuam em funções gerenciais, sobretudo os que lidam com os recursos humanos, tendo em vista que, na maioria das funções por esses executadas é necessário que se exprimam de forma oral com uma ou mais pessoas. Na visão de Maximiano (2008), a comunicação organizacional será eficaz, quando as pessoas que nela se comunicam possuírem qualidade na comunicação. A partir do momento em que a comunicação se torna eficaz entre as pessoas, os processos organizacionais também se mostram eficazes. Para Robbins (2002), a comunicação apresenta quatro funções básicas no âmbito de uma organização ou de um grupo: o controle, a motivação, a expressão emocional e a informação (ou facilitadora de tomada de decisões). Com base nisso, Robbins (2002) explica que a comunicação age no controle do comportamento pessoal de diversos modos: quando informa a quem o funcionário deve reportar-se, quando apresenta as regras e instruções que os colaboradores devem seguir, quando comunica as diretrizes da organização, entre outros. No que se refere à função motivacional da comunicação, segundo Robbins (2002), essa cumpre o papel de estabelecer metas específicas, dar feedback sobre o desenvolvimento do que foi estabelecido, além de reforçar o comportamento desejável que estimulem a motivação. Com isso, a comunicação pode facilitar a motivação à medida que se esclarece aos funcionários o que deverá ser executado, bem como avalia a qualidade do desempenho, orientando as maneiras de se proceder para melhorar o trabalho. Quanto à função referente à expressão emocional, essa ocorre devido ao fato de que, segundo Robbins (2002), a comunicação gerada dentro do grupo de trabalho pode ser entendida como um mecanismo capaz de fazer com que os seus integrantes 31 expressem sentimentos de satisfação, insatisfação, frustrações, entre outros. Desse modo, a comunicação é um meio que fornece formas de expressão emocional de sentimentos no âmbito das organizações. Neste sentido, a função desempenhada pela comunicação, a de facilitar o processo de tomada de decisões, aponta Robbins (2002), ocorre porque a comunicação apresenta a capacidade de gerar informações necessárias, gerando dados para que as pessoas sejam capazes de identificar e buscar alternativas para a tomada de decisões. Sobre o tema, Robbins (2002, p. 277) complementa: Nenhuma dessas quatro funções deve ser entendida como mais importante do que as demais. Para que os grupos tenham um bom desempenho, eles precisam ter algum tipo de controle sobre os seus membros, estimula-los ao esforço, oferecer os meios para a expressão emocional e tomar decisões. [...] praticamente toda interação de comunicação que ocorre dentro de um grupo ou organização exerce uma ou mais dessas funções.Nenhuma dessas quatro funções deve ser entendida como mais importante do que as demais. Para que os grupos tenham um bom desempenho, eles precisam ter algum tipo de controle sobre os seus membros, estimula-los ao esforço, oferecer os meios para a expressão emocional e tomar decisões. [...] praticamente toda interação de comunicação que ocorre dentro de um grupo ou organização exerce uma ou mais dessas funções. A comunicação organizacional, de acordo com Silva (2004), normalmente flui formalmente na direção vertical e na direção horizontal, também possuindo comunicação informal. A comunicação vertical são comunicações que podem vir tanto de cima para baixo, como de baixo para cima. De acordo com Stoner e Freeman (2000, p. 397), a comunicação vertical refere-se a “qualquer comunicação que se processe para cima ou para baixo na cadeia de comando”. A comunicação de cima para baixo de acordo com Silva (2004), geralmente são políticas, métodos e procedimentos repassados pela diretoria. Complementa Maximiano (2008), que este tipo de comunicação, é efetuada para manter as pessoas informadas, para que trabalhem de forma correta. Já a comunicação de baixo para cima, é aquela em que os empregados fornecem informações para seus superiores, possuem liberdade de expressão, afim de melhorias e soluções de problemas. Esse tipo de comunicação, segundo Maximiano (2008), refere à comunicação que acontece entre as diversas áreas da empresa do mesmo nível ou de diferentes níveis hierárquicos, mas que permitem o funcionamento dos processos organizacionais. A comunicação informal é a comunicação que não tem oficialidade e ocorre 32 em qualquer direção da organização. São os legítimos boatos, rumores, deduções, que não tem nenhum valor formal (SILVA, 2004). Para Silva (2004, p. 35): “Quanto mais informações oficiais verdadeiras estiverem disseminadas, menos oportunidades de boatos serem espalhados, ocorrerão”. Finalmente, o processo de comunicação na empresa, portanto, quando bem gerido, é um fator que favorece a sinergia entre as organizações e os seus membros. 2.10 MOTIVAÇÃO De acordo com a colocação de Gil (2001), o mundo dos negócios vem se mostrando cada vez mais competitivo, que passa a exigir níveis mais elevados de motivação por parte das pessoas. Atualmente, sabe-se que funcionários motivados na realização de seu trabalho, tanto de forma individual como em grupo, tendem gerar resultados melhores. Devido a isso, “a motivação pode ser entendida como o principal combustível para a produtividade da empresa” (GIL, 2001, p. 201). Para Ribeiro (2003, p. 77), o fator motivação encontra suas raízes na relação entre ideal-trabalho-resultado na qual a pessoa, “ao expandir suas potencialidades, projeta-se profissionalmente, é premiado, e com isso vê conquistados os seus ideais de vida”. A palavra motivação, no entanto, afirma Maximiano (2000), é empregada sob os mais diferentes sentidos. Na área de administração, refere-se à capacidade de uma pessoa demonstrar um alto grau de disposição ao realizar uma atividade ou tarefa de qualquer natureza. Devido a isso, o estudo sobre a motivação para o trabalho tem despertado um profundo interesse por parte de administradores e pesquisadores, tendo em vista a importância de se entender e criar esforços no sentido de se manejar os fatores e as causas capazes de afetar a disposição dos trabalhadores em realizar suas tarefas. Segundo Gil (2001, p. 201): As empresas estão valorizando cada vez mais o comprometimento das pessoas. Os funcionários comprometidos é que vêm sendo convocados para fazer parte das soluções e é exatamente neles que as empresas mais tendem a investir. A motivação, por sua vez, é a chave do comprometimento. É muito mais fácil para as empresas conseguirem pessoas competentes do que comprometidas. Por isso, identificar fatores capazes de promover a motivação dos empregados e dominar as técnicas adequadas para trabalhar com ela vem-se tornando tarefa das mais importantes para os gerentes. 33 Nenhuma organização, segundo Stoner e Freeman (2000) é capaz de funcionar sem um adequado nível de esforço e comprometimento por parte de seus colaboradores. Devido a essa questão, teorias sobre a motivação sempre foram criadas por administradores e/ou por estudiosos da área da administração. Tudo para se conhecer quais fatores que podem ser responsáveis por canalizar, provocar e sustentar o comportamento dos indivíduos nas organizações. Contudo, para Robbins (2002) antes de se definir motivação, é necessário considerar o que não é motivação. Isso porque, diversas pessoas entendem de forma equivocada que a motivação refere-se a um traço do indivíduo, uma faceta pessoal, que alguns apresentam e outros não. Além disso, muitos líderes, no dia-a-dia das organizações, costumam definir funcionários desmotivados como sendo preguiçosos. Por isso, é preciso entender que a motivação trata-se do produto entre a interação da pessoa com a situação que se apresenta, variando de indivíduo para indivíduo. Sobre isso, Vergara (2000) explica que a motivação é um processo intrínseco, ou seja, nasce das necessidades interiores de cada pessoa. Devido a isso, não se pode dizer que se motiva os outros, pois ninguém motiva ninguém. A pessoa própria é que se motiva (ou não). “Tudo o que os de fora podem fazer é estimular, incentivar, provocar nossa motivação. [...] a diferença entre motivação e estímulo é que a primeira está dentro de nós e o segundo, fora” (VERGARA, 2000, p. 42). Na definição de Robbins (2002), a motivação refere-se a um processo que é responsável pela direção, persistência e intensidade com que uma pessoa emprega seus esforços para a conquista de uma meta específica ou determinada. Na definição de Stoner e Freeman (2000, p. 322), motivação são “os fatores que provocam, canalizam e sustentam o comportamento de um indivíduo”. Para Wagner e Hollenbeck (2003), a motivação é um dos fatores que afetam a produtividade nas organizações, mas pode ser gerenciada a fim de se evitar ou diminuir perdas no processo. É um determinante de suma importância para a realização tanto individual como das equipes de trabalho. Isso porque, os membros devem ser motivados de maneira suficiente, para que possam alcançar os resultados mediante o mais alto nível de produtividade que é permitido por seus talentos. Para Silva (2004, p. 221), motivação é “alguma força direcionada dentro dos indivíduos, pela qual eles tentam alcançar uma meta, a fim de preencher uma necessidade 34 ou expectativa”. Para Bateman e Snell (2006), a motivação são forças capazes de energizar, dirigir e sustentar os esforços de um indivíduo. Conforme os referidos autores, todos os comportamentos de uma pessoa (com exceção dos reflexos involuntários) são motivados. Na verdade, quando uma pessoa encontra-se altamente motivada, ele irá trabalhar com vontade visando atingir as metas esperadas por seu desempenho. Com isso, essa pessoa poderá ser altamente produtiva. Para Vergara (2000, p. 41): “[...] a motivação não é um produto acabado; antes, um processo que se configura a cada momento, no fluxo permanente da vida”. Em outras palavras, a motivação apresenta um caráter permanente de continuidade, que significa que a pessoa sempre terá a sua frente algo que irá lhe motivar. Na visão de Ribeiro (2003), o líder deverá buscar aumentar as condições consideradas ideais de trabalho visando transformar aquilo que os funcionários venham realizando torne-se fonte de satisfação. A liderança também deve estar ciente de que o motivo de insatisfação não se refere ao trabalho em si, mas as condições nas quais ele é executado. Por isso, deve treinar a pessoa para o trabalho, buscando que obtenha um nível de desempenho adequado e tenha seus esforços reconhecidos. O papel da empresa nesse processo é bastante relevante, pois a ela cabe tratar do estabelecimento de políticas e ações adequadas de seleção de seu pesssoal e remanejamento do mesmo, bem como buscar a promoção de atualização de forma permanente do quadro funcional, mantendo métodos atualizados no ambiente de trabalho, além de oferecer condições adequadas para que os colaboradores possam trabalhar. Para a pessoa, é extremamente importante que o seu trabalho seja avaliado e reconhecido, ela precisa saber que o progresso da organização teve origem também em seu esforço pessoal. “Ao líder cabe conduzir o processo com disciplina e liberdade de criação, mostrando atitudes positivas e gerando motivação dentro do seu grupo” (RIBEIRO, 2003, p. 78). De forma geral, existem muitas teorias que buscam explicar como ocorre o processo motivacional. Contudo, segundo Robbins (2002), entre elas, três se destacam por fornecer as explicações mais aceitas no que se refere como ocorre a motivação nos trabalhadores, sendo por isso as mais conhecidas: a Teoria da Hierarquia das Necessidades, a Teoria X e Y, e a Teoria dos Dois Fatores, de Herzberg, sobre as quais se discorre a seguir. 35 2.11 PRINCIPAIS TEORIAS MOTIVACIONAIS Nos próximos itens, busca-se apresentar as definições das principais teorias motivacionais e os pressupostos das mesmas. 2.11.1 Teoria das Necessidades A Teoria da Hierarquia das Necessidades, segundo Robbins (2002), é a mais conhecida quando o assunto é motivação. Formulada por Abraham Maslow, na década de 1950, aponta que no interior de cada pessoa há uma hierarquia composta por cinco necessidades, que são dispostas na forma de uma pirâmide: 1) as necessidades fisiológicas; 2) as necessidades de segurança; 3) as necessidades sociais; 4) as necessidades de estima e 5) as necessidades de auto-realização. Em outras palavras, de acordo com Stoner e Freeman (2000), a teoria de Maslow acredita que os indivíduos são motivados a satisfazer um número de cinco necessidades, que podem ser dispostas em uma hierarquia de níveis. Para melhor compreensão dessa teoria, a figura 3 apresenta a teoria de Maslow em sua forma original, a pirâmide. Figura 3: A hierarquia das necessidades, segundo Maslow Fonte: Maximiano (2000, p. 311) 36 Conforme Gil (2001), as necessidades fisiológicas são aquelas básicas e necessárias para a manutenção da vida: alimentação, água, saúde, abrigo e vestimenta. As necessidades de segurança são classificadas como sendo aquela necessidade de estar livre de perigos e com a sensação de que as necessidades fisiológicas básicas estão satisfeitas. Com as necessidades sociais, os indivíduos sentem a necessidade de relacionamento com outras pessoas, bem como vontade de participar de grupos e de serem aceitas pelos mesmos. A necessidade de estima diz respeito ao desejo de ter amor, afeto e reconhecimento dos outros. No nível das necessidades de auto-realização, as pessoas passam a desejar a ser aquilo que se consideram capazes. De acordo com Robbins (2002), Maslow hierarquizou essas necessidades em graus mais altos e mais baixos. Assim, as duas primeiras necessidades, fisiológicas e de segurança, são classificadas como necessidades de nível baixo, enquanto as necessidades sociais, de auto-estima e de auto-realização são as de nível alto. A diferenciação entre estes dois níveis parte da premissa de que as necessidades de nível alto são satisfeitas internamente (dentro do indivíduo), enquanto aquelas de nível baixo são satisfeitas quase sempre externamente (através de coisas como remuneração, acordos sindicais e permanência no emprego) (ROBBINS, 2002, p. 153) Para Maximiano (2000), quanto mais forte for a necessidade latente, mais intensa será a motivação. No entanto, uma vez satisfeita a necessidade, o motivo que direciona o comportamento é extinto e a motivação acaba. No âmbito das organizações essas necessidades podem ser traduzidas em termos de salários, trabalho em equipe, estilo de liderança, reconhecimento, entre outras. 2.11.2 Teoria X A teoria X e Y, segundo Robbins (2002), foi proposta por Douglas McGregor, que observando o modo como os líderes tratavam os subordinados, verificou que esses formam duas visões acerca da natureza do ser humano, visão essa amparada em determinados agrupamentos de concepções: uma em termos negativo, a Teoria X; e outra positiva, a Teoria Y. Conforme essa teoria, é a partir dessa visão que os líderes formam seu próprio comportamento sobre os funcionários. Segundo Stoner e Freeman (2000), a Teoria X considera que os indivíduos 37 possuem uma aversão natural ao trabalho, mesmo vendo-o como uma necessidade, tendem a evitá-lo sempre que podem. Ainda segundo essa visão: A maioria das pessoas, sendo preguiçosa e sem ambição, prefere ser dirigida e evitar responsabilidades. Assim, o trabalho tem importância secundária, e os administradores devem coagir os empregados ou motiva-los com salários ou mostrando consideração (STONER; FREEMAN, 2000, p. 322). Com base nessas premissas a Teoria X prega um estilo de administrar bastante rígido e centralizado, alicerçado em padrões e esquemas de trabalho bem planejados, visando atingir os objetivos organizacionais. À administração cabe ser responsável pelo gestão dos recursos, com o objetivo de buscar o interesse econômico exclusivamente, sempre em busca do controle do comportamento dos indivíduos para atingir as necessidades meramente da empresa. Desse modo, existe a necessidade de condução, controle e convencimento das pessoas, como forma de que elas executem o que a empresa quer. Além disso, essa teoria considera que as pessoas são motivadas por razões exclusivamente econômicas, por isso, utiliza a remuneração seja como meio de recompensa, quanto forma de punição (RIBEIRO, 2003). Em outras palavras: “A teoria X visa que as pessoas façam exatamente o que a empresa espera delas, independentemente de seus objetivos pessoais: o importante é o objetivo da empresa” (RIBEIRO, 2003, p. 73). A Teoria Y, por sua vez, apontam Stoner e Freeman (2000), é mais otimista e considera que o trabalho é considerado pelas pessoas tão prazeroso quanto o lazer, a diversão ou o descanso. Além disso, os indivíduos desejam tanto trabalhar e que, quando em condições adequadas, são capazes de obter muita satisfação trabalhando. A Teoria Y refere-se a um estilo oposto à teoria X, considerando que o indivíduo não tende a evitar o trabalho, mas pode resisti-lo não de forma natural, mas como o resultado de experiências que foram negativas em outras empresas (RIBEIRO, 2003). Sendo assim, o homem tem condições não só de assumir responsabiíidades, mas também de procurar por mais responsabiíidades em seu trabalho, ter autocontrole e autodisciplina para cumprir suas tarefas sem necessitar de constante supervisão (RIBEIRO, 2003, p. 74). De acordo Robbins (2002), a Teoria X acredita que os funcionários não tem prazer em trabalhar, são preguiçosos, tendem a evitar responsabilidades e necessitam sofrer pressão para que mostrem desempenho. A Teoria Y, por sua vez, parte da premissa de que os colaboradores possuem criatividade, gostam de executar o trabalho, 38 demonstram senso de auto-orientação e buscam responsabilidades. Conforme Robbins (2002), McGregor tinha a concepção de que as premissas da Teoria Y eram as mais válidas comparativamente à Teoria X. Com base nisso, propunha idéias sobre o processo decisório participativo, bem como tarefas desafiadoras, além da necessidade de um bom relacionamento entre os membros da equipe nas organizações, como formas de aumentar o nível de motivação dos colaboradores. Portanto, conforme se verifica, a Teoria X e Y também fornece suporte para que se compreenda o comportamento dos membros da organização. 2.11.3 Teoria dos Dois Fatores A Teoria dos dois fatores, também chamada de Teoria da Higiene-Motivação, de acordo com Robbins (2002), foi formulada pelo psicólogo Frederick Herzberg, na década de 1960. No final dos anos de 1950, ao realizar uma pesquisa, explicam Stoner e Freeman (2000), sobre atitudes profissionais de 200 engenheiros e contadores, Herzberg concluiu que a satisfação e a insatisfação no ambiente de trabalho são decorrentes de dois conjuntos de fatores que são separados entre si. Entre os fatores de insatisfação (fatores “higiênicos”) estão as condições de trabalho e a política da empresa - todos afetam o contexto em que o trabalho era realizado. O mais importante desses fatores é a política da empresa, que segundo muitos indivíduos pode ser uma grande causa de ineficiência. Os pontos positivos atribuídos a esses fatores não levam à satisfação no trabalho, mas meramente à ausência de satisfação. Entre os f at ores de sati sf ação (f at ores m otiv antes) estão a real ização, o reconhecimento, a responsabilidade e o progresso relacionados ao conteúdo do trabalho e às recompensas ao desempenho profissional (STONER; FREEMAN, 2000, p. 327). Assim, segundo Maximiano (2000), a motivação resulta tanto dos fatores relacionados ao próprio trabalho, os chamados fatores motivacionais ou (intrínsecos), tanto de fatores relativos às condições de trabalho (fatores extrínsecos ou higiênicos). Conforme Robbins (2002), os fatores higiênicos são os relacionados a aspectos como a forma de gestão da empresa, políticas internas, remuneração e estilo de chefia. Estes fatores, quando adequados, farão com que as pessoas não se sintam insatisfeitas, porém, não estarão satisfeitas. Por isso, para se promover a motivação para o trabalho, deve-se alocar esforços para aumentar a percepção positiva nos fatores 39 relacionados ao trabalho em si, como oportunidades de crescimento pessoal, chances de promoção funcional, senso de responsabilidade, de realização e reconhecimento, tendo em vista que essas são as características intrínsecas que os funcionários reconhecem como recompensadoras. A figura 4 representa os fatores motivacionais e higiênicos, segundo a teoria de Herzberg. Fatores higiênicos Fatores motivacionais: CONTEÚDO DO TRABALHO AMBIENTE DE TRABALHO Figura 4: Categorias principais da teoria de Herzberg Fonte: Maximiano (2000, p. 316) Em essência, explica Maximiano (2000), a teoria de Herzberg considera que a motivação para o trabalho difere da satisfação com o ambiente de trabalho. Em outras palavras, o trabalho em si vai atender as necessidades, produzindo satisfações, mas é completamente diversa das que estão associadas com o ambiente e/ou às condições de trabalho. Com base nessa teoria, Ribeiro (2003) propõe uma correspondência entre a mesma e a Teoria das Necessidades Humanas, de Maslow, e a Teoria X e Y, de McGregor, representada no quadro 2. 40 Herzberg Maslow Fatores higiênicos Necessidades fisiológicas, de segurança e social Fatores motivacionais Necessidades de auto-estima e de auto-realização Herzberg McGregor Fatores higiênicos Teoria X Fatores motivacionais Teoria Y Quadro 2: Correspondência entre as teorias de Maslow com a Teoria de Herzberg Fonte: Ribeiro (2003, p. 82) Em outras palavras, pode-se entender que, a teoria de Herzberg tanto apresenta os fatores que indicam motivação, como os que vão favorecer a satisfação dos colaboradores nas organizações. 2.12 OUTRAS TEORIAS MOTIVACIONAIS Com base no exposto anteriormente, pode-se verificar que as teorias motivacionais se preocupam na determinação dos motivos que levam os indivíduos a adotarem determinados comportamentos ou ações, bem como a causa que leva a esses comportamentos. Devido a isso, existem outras teorias motivacionais, que buscam essa compreensão. A Teoria Comportamental, por exemplo, de acordo com Maximiano (2000), é uma das principais teorias que embasam a explicação de como os motivos podem ser capazes de determinar o comportamento. Esse modelo assume três pontos: o desempenho alcançado é proporcional ao esforço realizado; o esforço é proporcional ao valor da recompensa e se a recompensa for atrativa, será grande a motivação para realizar o esforço (MAXIMIANO, 2000). A Teoria da Expectativa, formulada por Victor Vroom, segundo Wagner e Hollenbeck (2002, p. 89): “[...] é uma teoria ampla sobre motivação que tenta explicar os determinantes das atitudes e dos comportamentos no local de trabalho”. Segundo Maximiano (2000), a Teoria da Expectativa busca entender a forma pela qual as expectativas e as crenças que os indivíduos possuem a respeito de seu trabalho são capazes de se combinar com a força de seus desejos e anseios para a produção de alguma forma de motivação. Sobre essa teoria, afirma Silva (2004, p. 241): 41 [...] refere-se ao relacionamento percebido entre um dado nível de esforço e um dado nível de desempenho. Isto se refere à intensidade com a qual o individuo acredita que seus esforços levarão ao primeiro nível de resultado, isto é, ao desempenho. De acordo com Milkovich e Boudreau (2000), a Teoria da Expectativa considera que os indivíduos podem ser motivados a adotar uma alternativa ou comportamento capaz de oferecer a maior possibilidade de produzir as consequências que deseja. Assim sendo, as pessoas necessitam crer que a aquisição das habilidades, conhecimento ou outros itens mediante o treinamento poderá conduzi-los aos resultados almejados, e que o treinamento será uma ferramenta que irá ser capaz de proporcionar-lhes esses conhecimentos e habilidades. A Teoria da Equidade, também chamada de teoria do equilíbrio, refere-se ao entendimento de que se os esforços são iguais, as recompensas também devem ser iguais para todos. Em outras palavras: Se duas pessoas realizam o mesmo esforço, a recompensa de uma deve ser igual à de outra. Portanto, deve haver equidade. As premissas da teoria da equidade estabelecem que as pessoas sempre fazem comparações entre seus esforços e recompensas com os esforços e recompensas dos outros, especialmente quando há algum tipo de proximidade (MAXIMIANO, 2000, p. 305). Em suma, a Teoria da Equidade, para Wagner e Hollenbeck (2002), refere-se a uma teoria de intercâmbio social que descreve a forma pela qual o processo que leva os indivíduos a definirem e a receberem tratamento justo em suas relações. A Teoria ERG, afirma Maximiano (2000), foi formulada por Clayton Alderfer e se consiste numa revisão da teoria das Necessidades, de Maslow. A sigla ERG provém de três grupos de necessidades: Existence (existência), que engloba as necessidades básicas, fisiológicas e de segurança; Relatedness (relacionamento), que integra as necessidades de relações pessoais e as necessidades de estima; e Growth (crescimento), na qual são compreendidas as necessidades de crescimento pessoal e auto-realização (MAXIMIANO, 2000). No entanto, esclarece Silva (2004), que, enquanto a teoria de Maslow enfatiza que o progresso das pessoas vai aumentando à medida em que eles sobem na hierarquia das necessidades, a Teoria ERC estabelece que mais de uma necessidade pode ser ativada ao mesmo tempo. Outra teoria motivacional amplamente conhecida que parte dos pressupostos 42 da Teoria de Maslow, é a Teoria da Realização, de David McClelland, também chamada de Teoria das Necessidades Adquiridas (MAXIMIANO, 2000). Conforme Silva (2004), McClelland identificou e estudou três necessidades específicas, que se enquadram nas teorias de Maslow, acrescentando mais subsídios à mesma: necessidade de realização; necessidade de poder e necessidade associação ou afiliação. Já a Teoria do Reforço, formulada por B. F. Skinner, segundo Silva (2004) apregoa que o reforço é capaz de exercer um controle sobre o comportamento. De acordo com Milkovich e Boudreau (2000), essa teoria considera que a freqüência de um determinado comportamento recebe influência devido as suas consequências. Conforme essa teoria: [...] para motivar os funcionários, os administradores não precisam identificar e entender as suas necessidades [...] ou entender como os funcionários escolhem comportamentos para realizá-los. Em vez disso, os administradores precisam entender a relação entre comportamentos e suas consequências e então prover circunstâncias que reforcem comportamentos desejáveis e desencorajem comportamentos indesejáveis (SILVA, 2004, p. 248). Em função desse fator, o comportamento pode ser moldado ao se reforçar de modo progressivo a aproximação o indivíduo junto as metas que são desejadas. Por isso, as atividades de reforço devem ser iniciadas assim que o comportamento desejado ocorra. Porém, é necessário levar em conta que esses reforços não são os mesmos para todas as pessoas, por isso, o líder deve adequá-los às características de cada indivíduo (MAXIMIANO, 2000). Conforme se percebe, há diversas teorias acerca da motivação para o trabalho e algumas delas compartilham premissas em comum. Para Silva (2000), cada uma das teorias de motivação é potencialmente importante e útil para os administradores e líderes. Contudo, no geral, o desempenho no trabalho, a satisfação e a motivação são fatores separados, mas interdependentes entre si e responsáveis pelos resultados nas organizações. “Na verdade, o que toda teoria procura é explicar o que acontece com o comportamento humano, e como alterá-lo da maneira mais adequada e para os melhores resultados possíveis, em toda condição ou circunstância” (SILVA, 2004, p. 250). Silva (2004) explica que o desempenho do indivíduo é afetado por variáveis individuais, tais como experiências e habilidades, também pelo suporte fornecido pela 43 empresa (tecnologia e recursos) e pelo esforço no local de trabalho, ou seja, ao ponto em que o nível motivacional o leva. Assim, quando o funcionário experimenta recompensas internas (intrínsecas) pelo desempenho de seu trabalho, a motivação vai ser direta e afetada de maneira positiva. Além disso, a motivação também pode ocorrer no caso da satisfação no trabalho resultar de qualquer forma de recompensa, seja internas ou externas. Por isso, “a chave para a motivação é a habilidade de criar um trabalho que estabeleça respostas positivas para as necessidades e metas das pessoas no trabalho” (SILVA, 2004, p. 249). Com base no exposto, pode-se considerar que essas teorias ajudam as organizações a gerenciarem os processos internos de modo a evitar ou minimizar falhas que podem ser evitadas do ponto de vista da satisfação dos colaboradores e sua produtividade. Na verdade, os funcionários devem estar motivados de forma suficiente para que a organização possa alcançar o maior nível possível de produtividade permitido pelo talento de seus colaboradores. 44 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Pode-se entender como método, de acordo com Barros e Lehfeld (2000), como o caminho sistemático e de forma ordenada que permite alcançar um fim. É entendido como um processo operacional, ou seja, uma forma lógica de organização do seqüenciamento das várias ações que permitem obter o fim ao qual se destina. Em outras palavras, “[...] é a própria ordenação da ação de pesquisar” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 3). Para Oliveira (1999), o método tem origem na metodologia e refere-se ao conjunto de processos a partir dos quais é possível o conhecimento de uma determinada realidade, produzindo um objeto determinado ou o desenvolvimento de certos comportamentos ou procedimentos. “O método é, portanto, uma forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, quer seja para estudá-lo, quer seja para explicá-lo” (OLIVEIRA, 1999, p. 57). Com base nessas considerações, neste item, é apresentado o percurso metodológico a ser adotado para a realização do estudo, em que são descritos o tipo de pesquisa, a abordagem metodológica, a população e amostra, o instrumento de coleta de dados a ser utilizado, como também a análise e a interpretação dos dados, e, também, a caracterização do local de estudo. 3.1 TIPOS DE PESQUISA De forma geral, segundo Barros e Lehfeld (2000), a atividade de pesquisa pode ser entendida como um processo de realizar empreendimentos que visam a descobrir, conhecer algo. É um ato dinâmico com base em indagações, questionamentos e aprofundamento. É o caminho para a busca de respostas que sejam significativas a um problema ou a uma dúvida. Para este estudo, foi adotada o método de pesquisa bibliográfica, descritiva, do tipo pesquisa de campo. A pesquisa bibliográfica, segundo Barros e Lehfeld (2000) é aquela que é realizada na tentativa de resolução de um problema ou para a aquisição de conhecimentos mediante o emprego de dados obtidos em materiais sonoros, gráficos e informatizado. 45 Sobre pesquisas bibliográficas, Raupp e Beuren (2003, p.80) explicam: Uma característica interessante da pesquisa exploratória consiste no aprofundamento de conceitos preliminares sobre determinada temática não contemplada de modo satisfatório anteriormente. Assim, contribui para o esclarecimento de questões abordadas sobre o assunto. A pesquisa bibliográfica, para Oliveira (1999), objetiva conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno. Objetiva ampliar generalizações, definir leis mais amplas, estruturar sistemas e modelos teóricos, relacionar e comparar hipóteses numa visão mais unitária do universo e gerar novas hipóteses por força da dedução lógica. A pesquisa descritiva, por sua vez, é conceituada por Barros e Lehfeld (2000), como sendo aquela em que o pesquisador não interfere, ou seja, por esse tipo de pesquisa, o objeto é descrito procurando-se descobrir com que freqüência um fenômeno pode ocorrer, bem como investiga sua natureza, causas, relações e conexões com outros fenômenos e, também, as características do mesmo. Para Oliveira (1999), o trabalho descritivo procura abranger aspectos gerais e amplos de um contexto social, possibilitando o desenvolvimento de um nível de análise em que se permite identificar as diferentes formas dos fenômenos, sua ordenação e classificação. Ainda segundo o referenciado autor, é um tipo de estudo que permite ao pesquisador obter uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno. Os estudos descritivos dão margem também à explicação das relações de causa e efeito dos fenômenos, ou seja, analisar o papel das variáveis que, de certa maneira, influenciam ou causam o aparecimento dos fenômenos. No que se refere à pesquisa de campo, Marconi e Lakatos (2006), essa referese ao método que é usado com o objetivo de se obter conhecimentos ou informações a respeito de um problema para o qual procura-se uma resposta, ou de verificação de hipóteses, que se busca comprovar. A pesquisa de campo também favorece o descobrimento de novos fenômenos ou as relações existentes entre eles. Sobre pesquisa de campo, Martins Júnior (2008) afirma que esse tipo de direcionamento requer um contato maior entre a população e/ou a amostra que se busca a investigar, como forma de verificar se há ocorrência de fenômenos que sejam capazes de oferecer influência no problema investigado. 46 3.2 ABORDAGEM METODOLÓGICA Pode-se considerar como método de abordagem, de acordo com Rauen (2002), como a forma pela qual são encaminhados os raciocínios relativos a uma pesquisa, sem os quais a construção de um trabalho científico não seria possível. Nesse sentido, a abordagem pode ser enquadrada como qualitativa, quantitativa ou mista. Diante disso, a abordagem metodológica deste trabalho pode ser enquadrada como qualitativa. A abordagem qualitativa, segundo Minayo (apud LUCIANO, 2001) além de não utilizar dados que podem ser quantificados, recorre à análise indutiva dos resultados, que pode ser concebida como o processo de dar significado aos dados coletados em campo. Esses são predominantemente descritivos, quando o material obtido descreve pessoas, situações, opiniões e acontecimentos, valorizando o que aparentemente pode ser trivial, simples, mas que pode passar a ser essencial à pesquisa. Segundo Mattar (1999), estima-se que as pessoas dão às coisas e às suas vidas significados diversos, o pesquisador qualitativo precisa considerar os diferentes pontos de vista dos participantes da pesquisa, tratando com acuidade as percepções dos mesmos, checando-as, discutindo-as ou confrontando-as com outros pesquisadores, permitindo-se confirmá-las ou não. 3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA A população ou universo de pesquisa, de acordo com Barros e Lehfeld (2000), diz respeito à totalidade ou ao conjunto de elementos que tem em comum as características determinadas que são ou foram definidas para um estudo. Segundo Rauen (2002), de forma geral, população e amostra indica o conjunto de elementos possuidores de, no mínimo, uma característica em comum. Gil (1999) afirma que se considera como universo ou população, o conjunto de elementos que possuem determinadas características, sendo a amostra, o subconjunto do universo ou da população, por intermédio da qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo. Assim, de acordo com Barros e Lehfeld (2000), cada membro ou unidade da população ou universo é denominado de elemento. Ao conjunto de elementos capazes 47 de representar o universo denomina-se de amostra. Desse modo, “[...] a amostra é um subconjunto representativo do conjunto da população” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 86). Na definição de Rauen (2002), a amostra refere-se ao conjunto de elementos de um determinado universo ou população, que são adotados levando em consideração alguma característica que tem em comum com a totalidade da população. Para este estudo, a população considerada foi o universo de colaboradores que atuam junto ao Sicredi, de Içara – SC, em número total de 09 (nove) elementos. Por ser uma população relativamente baixa em termos numéricos, a pesquisa pretendeu, num primeiro momento, envolver 100% desses colaboradores. Contudo, por motivos de viagem, 02 (dois) colaboradores não participaram do estudo. Com isso, a amostra final ficou compreendida entre 07 (sete) funcionários. 3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS A coleta de dados, segundo Barros e Lehfeld (2000), é a fase da pesquisa na qual ocorrem as indagações para se obter os dados relevantes para o estudo. É a fase em que se aplicam as técnicas de pesquisa, que irão depender do tipo de informação a que o pesquisador busca levantar ou do tipo de objeto de estudo. De acordo com Rauen (2002), segundo o tipo de informação que se deseja obter, existe uma série de procedimentos que podem prover o pesquisador a obter os dados que deseja. Para este estudo, a técnica utilizada foi a entrevista. Segundo Barros e Lehfeld (2000), por entrevista, pode-se entender a técnica capaz de permitir o relacionamento mais próximo entre o entrevistador e entrevistado. Barros e Lehfeld (2000) expõem que, levando-se em consideração a forma de operacionalização das entrevistas, essas podem ser classificadas em estruturadas e nãoestruturadas. A entrevista estruturada definem Barros e Lehfeld (2000), são aquelas em as questões formuladas previamente a partir de um roteiro prévio de questões a serem respondidas. Segundo Rauen (2002), as entrevistas não-estruturadas são caracterizadas pela ausência de um roteiro prévio de perguntas ou de uma lista de questões. Nas entrevistas não-estruturadas, afirmam Barros e Lehfeld (2000), o objetivo 48 do pesquisador é obter dados capazes de serem utilizados em análise qualitativa, através de conversação com os entrevistados. Para Rauen (2002, p. 125): “As entrevistas estruturadas são aquelas que trazem questões previamente formuladas. O pesquisador estabelece um roteiro prévio de perguntas”. Desse modo, não existe liberdade para se alterar os tópicos e nem para a inclusão de questões frente ao surgimento de possíveis outras questões (RAUEN, 2002). Com base nessa classificação, para este estudo foi adotada a entrevista estruturada para a coleta dos dados, utilizando-se um roteiro pré-definido (Apêndice A). A realização das entrevistas estruturadas contou com o apoio de gravador (MP3), onde foram registradas as falas dos entrevistados, para a posterior categorização e análise. 3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Na fase de análise e interpretação dos resultados, de acordo com Barros e Lehfeld (2000), o pesquisador examina e transforma os dados em elementos relevantes para comprovar (ou não) as hipóteses formuladas. De acordo com Marconi e Lakatos (2006), após a obtenção dos dados, o passo seguinte consiste na análise e interpretação dos resultados, sendo esse o passo considerado como núcleo central da pesquisa. 3.5.1 Categorização dos dados Com base nisso, para esta pesquisa, a análise dos dados foi realizada tendo como orientação método proposto por Minayo (2007) que compreende a ordenação, a classificação e análise final dos dados, descritos a seguir: A) Ordenação dos dados: nessa etapa, o pesquisador faz a organização dos dados obtidos nas entrevistas, incluindo a transcrição detalhada das informações, a digitação e a leitura das entrevistas. B) Classificação dos dados: nessa segunda, o pesquisador realiza a leitura repetida das entrevistas com intuito de identificar os aspectos mais relevantes e estabelecer, com base na questão norteadora do estudo, as categorias e subcategorias de análise. 49 c) Análise final: a análise final é realizada após o encerramento das atividades de campo e compreende o estabelecimento das articulações entre os dados obtidos nas entrevistas e referencial teórico do estudo, procurando responder à questão de pesquisa e cumprir os seus objetivos. 3.6 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE PESQUISA O estudo foi realizado na empresa do ramo de cooperativa de crédito – Sicredi – Sistema de Crédito Cooperativo, fundado no ano de 1902, no município de Nova Petrópolis - Rio Grande do Sul. Atualmente, o Sistema de Crédito Cooperativo - Sicredi opera com 130 cooperativas de crédito e mais de 1.000 pontos de atendimento em dez estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Rondônia, Goiás e São Paulo) (SICREDI, 2009). Em Içara, o Sicredi foi fundado em 01 de junho de 2007 e encontra-se localizado na Rua Ipiranga, nº 862, no Centro do município. Com uma média de 600 associados, o Sicredi Içara atua com 9 (nove) colaboradores, dos quais 7 (sete) são funcionários e 2 (dois) são estagiários (SICREDI, 2009). A figura 3 representa o organograma funcional da empresa. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO PRESIDENTE GERENTE DE UNIDADE GERENTE DE NEGÓCIOS GERENTE ADMINISTRATIVO ASSISTENTE DE NEGÓCIOS AUXILIAR ADMINISTRATIVO ESTAGIÁRIO ESTAGIÁRIO Figura 3: Organograma funcional da SICREDI Içara - SC Fonte: Elaborado pelo autor 50 4 A EXPERIÊNCIA DE PESQUISA O presente estudo tem como objetivo geral analisar os fatores motivacionais que estão ligados ao desempenho dos colaboradores da Sicredi do município de Içara – SC. Para alcançar o objetivo proposto, foi necessário realizar uma pesquisa de campo, em que consistiu em entrevistar os colaboradores da empresa sobre a problemática proposta. Neste sentido, com o intuito de facilitar a análise dos dados, as informações foram organizadas por categorias de análise, nas quais estão relacionadas aos objetivos específicos propostos no primeiro tópico deste estudo, que são: a) Categoria I: Fatores que motivam os colaboradores em trabalhar na empresa; b) Categoria II: Fatores que desmotivam os colaboradores em trabalhar na empresa; c) Categoria III: Fatores que interferem no desempenho profissional dos colaboradores; d) Categoria IV: Relacionamento com os colegas no ambiente de trabalho; e) Categoria V: Relacionamento com os líderes no ambiente de trabalho; f) Categoria VI: Perspectiva de carreira dos colaboradores para os próximos dez anos; g) Categoria VII: Definição de motivação – na visão dos colaboradores; h) Categoria VIII: Sugestões de melhorias no ambiente de trabalho. Desse modo, convém ainda mencionar, que as falas dos entrevistados foram gravadas e transcritas pelo pesquisador, que, posteriormente agrupou as falas por similaridade em cada categoria mencionada nas entrelinhas anteriores. Com este agrupamento, foi possível o pesquisador compreender melhor a opinião dos entrevistados sobre cada categoria, bem como, buscar sustentação teórica como forma de justificativa para tais argumentos. Os colaboradores foram denominados de AX 1 a AX 7, como forma de preservar a identidade dos mesmos, por questões éticas. Portanto, nos tópicos apresenta-se os resultados da experiência de pesquisa realizada, conforme os aspectos metodológicos anteriormente descritos. 51 a) Categoria I: Fatores que motivam os colaboradores em trabalhar na empresa: A análise dos dados nesta categoria revela que os fatores que mais motivam os colaboradores na empresa em estudo são: estar trabalhando em uma empresa de cooperativismo e o crescimento da organização e perspectiva de crescimento profissional. Estar trabalhando em uma empresa de cooperativismo foi um dos aspectos mais referidos por todos participantes como um fator que motiva os mesmos trabalharem na organização. Os depoimentos a seguir evidenciam a percepção de dois entrevistados AX4 e AX5: Na verdade o que me motiva mais hoje é o cooperativismo crescendo em si, principalmente a nossa cooperativa na nossa região, onde a região ainda é carente de cooperativas, não se falando somente de cooperativa de créditos, mas também outras de diversos ramos, e também o diferencial no atendimento que a gente tem perante os cooperados frente aos bancos, que é uma coisa mais próxima, mais calorosa, digamos assim. Isso é o que mais me motiva. E todo trabalho e toda prática que nós temos para trabalhar, todo potencial que a gente tem de crescer com essa equipe nova que está com gás total isso também me motiva muito (AX4). Na verdade é a visão que eu vejo dentro da cooperativa, sei que dentro da cooperativa eu posso crescer, sei que é uma cooperativa na região nova, e tem toda uma projeção de crescimento, e que está incomodando bastante os bancos, e eu vejo que vai ter um grande crescimento e é isso que estou buscando, antes eu trabalhava em outra organização onde eu não conseguiria crescer, e aqui não, é diferente, só depende de mim para buscar esse crescimento (AX 5). O cooperativismo pode ser entendido como o ato de cooperação de forma conjunta entre pessoas, que buscam objetivos comuns. O SESCOOP - Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo define o cooperativismo como a doutrina ou filosofia cultural e socioeconômica, fundamentada na liberdade humana e em princípios cooperativistas. O SEBRAE - Serviços de Apoio a Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (SEBRAE-MG, 2008) considera que uma sociedade do ramo de Cooperativa se distingue de outros tipos de formas de associações pelo seu caráter puramente social, já que um de seus principais objetivos é oferecer serviços ou produtos a seus cooperados com condições bem mais vantajosas do que os mesmos teriam se estivessem atuando 52 de forma isolada. Na definição de Cruz (2008), o cooperativismo refere-se a um sistema que opera sob o ponto de vista econômico e social, que é auto gerido com fundamentos democráticos e operacionalizado mediante ajuda mútua. Sua finalidade é satisfazer as necessidades dos membros que a ele são integrados. Conforme o SESCOOP (2003, p. 13): A cultura cooperativista busca desenvolver a capacidade intelectual das pessoas de forma criativa, inteligente, justa e harmônica, visando a sua melhoria contínua. Os seus princípios buscam pelo resultado econômico o desenvolvimento social, ou seja, a melhoria da qualidade de vida (SESCOOP, 2003, p. 13). Ressalta-se que a própria SICREDI, cooperativa em que os entrevistados encontram-se inseridos, também procura difundir esse espírito de cooperação e ajuda mútua, conforme pode-se observar em sua missão: “Como sistema cooperativo, valorizar o relacionamento, oferecer soluções financeiras para agregar renda e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos associados e da sociedade” (SICREDI, 2009). Além disso, consta, entre os valores difundidos pela instituição, os seguintes fatores: “Preservação irrestrita da natureza cooperativa do negócio”; “valorização e desenvolvimento das pessoas” e “eficácia e transparência na gestão”. Dentro deste contexto, observa-se que os colaboradores sentem-se motivados devido à cultura organizacional que a empresa apresenta. Segundo Silva (2004, p. 421), a cultura organizacional pode ser entendida como “[...] o sistema de valores, crenças, normas e hábitos compartilhados, que rege a interação dos elementos de uma organização”. Assim, confirma-se o entendimento de Stoner e Freeman (2000), ao acreditarem que a cultura organizacional refere-se a um elemento capaz de moldar as atitudes e ações dos funcionários. Da mesma forma, entende-se que esses resultados levam a classificar como adequado o posicionamento de Silva (2004), quando afirma que a cultura é o fator mais favorável de todos os métodos da administração capaz de gerar a motivação, devido ao fato de que cada empresa é constituída por um sistema complexo, refletindo-se no clima organizacional. Com base nisso, pode-se verificar que para os colaboradores entrevistados, atuar em uma empresa do sistema cooperativista, e particularmente na SICREDI, refere- 53 se a um fator que desperta motivação, fator esse que pode ser atribuído ao fato da filosofia e princípios que o cooperativismo adota, ou seja, a ajuda mútua e o espírito de colaboração, visão essa que ajuda a compor a cultura organizacional da empresa. A análise das respostas também permite evidenciar que a atuação em uma empresa do setor cooperativista também desperta motivação quanto a perspectiva de crescimento profissional. A empresa é considerada pelos colaboradores entrevistados como uma possibilidade de crescimento e com chances de expansão, conforme se pode observar nas respostas a seguir: “Um dos fatores que me motiva é o rápido crescimento da cooperativa Sicredi, que por conseqüência a tendência é você crescer junto” (AX2). Primeiro perspectiva, eu vim da empresa anterior buscando isso, porque o que me desmotivou foi perspectiva. Você chegar num ponto que não consegue galgar nada. A empresa não oferece algo mais do que aquilo ali, tu não vê outra realidade, eu acho que aqui a cooperativa está crescendo como um todo e isso é um fator bastante motivador, você saber que tem um plano de carreira sólido e isso vai ser conseqüência do meu trabalho, das minhas competências, mas que existe espaço para quem tem competência e para quem mostrar que tem força de vontade e comprometimento (AX3). A perspectiva de crescimento profissional, afirma Gil (2001), atrai novos profissionais, bem como pode motivar os colaboradores das empresas a buscarem habilitação para crescer cada vez mais em termos profissionais, além de reter talentos nas organizações. Assim, mediante os resultados obtidos, entende-se que o fato de considerarem o segmento em que estão inseridos (cooperativismo) como um setor que atua com bases em princípios democráticos e em franca expansão de crescimento, leva a confirmar as expectativas que os funcionários fazem da empresa, gerando perspectiva de crescimento profissional e, consequentemente, motivação no trabalho. b) Categoria II: Fatores que desmotivam os colaboradores em trabalhar na empresa: No que se referem aos fatores capazes de desmotivar os colaboradores no local de trabalho, a análise dos resultados permite evidenciar que a falta de reconhecimento ou a falta de oportunidade de progressão funcional, pode gerar desmotivação, mesmo porque, conforme a questão anterior, os entrevistados acreditam 54 que na empresa eles possuem chances de crescimento na carreira. As falas a seguir ilustram essa visão: “O que me desmotiva é o não reconhecimento, é você estar lutando por uma posição e futura contratação, e vem uma pessoa de fora já contratada de início” (AX2). O que me desmotiva é que às vezes eles não me dão tanta oportunidade, acho que é por causa do meu curso, eles não me dão tanta oportunidade quanto eu acho que merecia, o tanto que eu faço, tanto que eu ajudo, eu podia ter um pouquinho a mais, [...] eu quero, se der tudo certo e for pra frente, eu quero que deixem essa vaga para mim, todos sabem que eu quero. E o que mais desmotiva é isso aí (AX6). Conforme pode-se verificar, mesmo frente às perspectivas de crescimento profissional, estes dois entrevistados acreditam que a empresa não trabalha de forma efetiva para concretizar essa expectativa, ou seja, não cria oportunidades para que os mesmos possam crescer profissionalmente na organização, levando-os a uma percepção de falta de reconhecimento e, portanto, desmotivação. De acordo com Broxado (2001), pode-se entender como senso de reconhecimento a visão, por parte do colaborador de que seu trabalho é reconhecido e valorizado. Esse fator é considerado como um “combustível” que motiva para o desenvolvimento de tarefas no trabalho e inspira os trabalhadores para novas conquistas. Em outras palavras, quando o colaborador é reconhecido, estará sendo motivado para a realização de seu trabalho. A falta de oportunidade no trabalho, por sua vez, gera desmotivação no sentido de que a ascensão profissional faz o colaborador se sentir valorizado, principalmente se investe na sua competência e habilidades profissionais. c) Categoria III: Fatores que interferem no desempenho profissional dos colaboradores. Nessa questão, os resultados indicam que o acúmulo de funções é a principal categoria que emergiu entre os fatores que interferem no desempenho profissional. Os depoimentos a seguir ilustram essas percepções: Principalmente em virtudes das mudanças que vem acontecendo, [...] muita gente nova na grade dos colaboradores dessa unidade, então essa coisa que você tem que absorver mesmo que seja temporariamente algumas funções que não eram e que não cabiam a ti faz perder o foco, até semana passada conversava sobre perder o foco. Infelizmente a gente sabe que momentaneamente vamos precisar fazer isso, às vezes perder um pouco,55 desviar um pouco, para deixar a coisa redonda, mas essa coisa de absorver outras funções, essa perda de foco, é a coisa que mais me atrapalha (AX3). Hoje o que interfere é o acúmulo de função, de serviço que cada um tem, sei que isso pode prejudicar o meu conhecimento específico, mas hoje seria isso. Sei que isso é passageiro, daqui a pouco já volta ao normal, pois tem gente de férias e tem gente assumindo função, o que faz você assumir serviços e você acaba fazendo mais do que era feito (AX5). Às vezes, é um pouco difícil, o que interfere é eu saber um pouco mais das coisas aqui de dentro, mas eu estou tão envolvida com o Setor XXX que não tenho tempo de procurar o que o pessoal está fazendo como faz para imprimir um contrato, para abrir uma conta, pra mim isso interfere um pouco, então eu estou tão envolvida no Setor XXX que não consigo, mas mesmo assim, eu consigo ir ali e aqui e fazer um pouquinho (AX6). Conforme pode-se verificar, os colaboradores entrevistados mencionam situações que geram acúmulo de funções ou sobrecarga de trabalho, que interferem no desenvolvimento profissional. Nesse contexto, torna-se relevante mencionar que os entrevistados encontram-se inseridos em uma organização do setor financeiro, que mesmo não sendo um banco propriamente dito, as atividades e funções que exercem, bem como os procedimentos que executam, são relativamente similares aos encontrados em uma instituição bancária, nas quais os funcionários encontram-se cada vez mais sobrecarregados tanto de funções, como de metas e objetivos a serem alcançados. Segundo Fernaud (ano apud MORAES, 2003), comparando o passado recente com a situação atual das instituições financeiras, podem-se evidenciar as transformações no cenário e no negócio dessas organizações, devido principalmente, às tecnologias que passaram a ser adotadas. Com isso, é possível perceber que a indústria bancária, em todos os seus segmentos, evoluiu de uma situação praticamente previsível e estática, que enfatizava a eficiência no processo produtivo, para um ambiente altamente dinâmico e competitivo. Porém, com o avanço dos recursos tecnológicos, o nível de qualificação dos colaboradores aumentou, mas em contrapartida fez diminuir o número de postos de trabalho, o que faz com que os indivíduos que atuem nessas organizações, encontraremse sobrecarregados de funções, bem como, viverem o dia a dia envolvidos por pressões por maior rendimento e para o alcance de metas. No campo da motivação, essas características que envolvem os serviços e o profissional atuante em instituições financeiras apontam, conforme se verificou nos resultados, para fatores capazes de afetar o desempenho profissional, gerando 56 desmotivação. d) Categoria IV: Relacionamento com os colegas no ambiente de trabalho. Na categoria relacionada a relações com os colegas de trabalho, pode-se verificar que existe um consenso de que existe um ambiente propício para o trabalho em equipe na medida em que os colaboradores mencionaram haver um grau de relacionamento positivo entre si e os colegas de trabalho. As falas a seguir ilustram essa percepção por parte dos entrevistados: “Temos um relacionamento excelente com lanches e encontros fora do local de trabalho. Na empresa, a equipe trabalha conjuntamente num ambiente de responsabilidade coletiva pelos serviços prestados aos associados” (AX1). “Eu particularmente me relaciono bem com todos meus colegas” (AX2). É 100%, o que acontece mesmo as pessoas que estavam aqui até o momento, pois agora trocou um pouco o quadro, com os colegas que chegaram agora, acho que a relação entre os colaboradores é muito boa, aqui tem um ponto muito forte que é a humildade. O pessoal interage muito bem, o pessoal é bastante compreensivo e mostra ser muito disposto a te ajudar. A caixa está sempre prospectando e pedindo abertura de conta e já passa para os prospectores, o pessoal do negócio está sempre pronto para fazer alguma coisa, o que for necessário para auxiliar o administrativo, para o pessoal não ficar até muito tarde por causa da demanda de serviço, pois eu acho muito bacana essa questão do relacionamento, eu acho que a gente tem uma equipe bem sólida, pelo menos aqui, eu não sei a realidade das outras unidades (AX3). “A minha relação ainda é muito nova, graças a Deus é muito boa, a equipe me acolheu muito bem, então todo mundo gente boa” (AX4). Eu tento me dar com todos, claro que às vezes há discórdia de pensamentos entre um e outro, mas porque está na pilha, está na correria, e está até o último de coisa pra fazer, e às vezes acontecem atritos porque você estoura naquela hora, mas depois já está conversando, mas é uma coisa bem light não é aquela coisa que você entra não dá oi, nem cumprimenta, eu vejo que todo mundo se da muito bem, se alguém marca alguma coisa vai todo mundo (AX5). É muito boa, eu me dou bem com todo mundo. Eu nunca tive problema com ninguém, no começo a gente se bicava um pouco porque se cruzavam as informações, mas eram discussões básicas e agora é bem diferente, a gente se dá bem e eu me dou bem com todos (AX6). Conforme se verifica, mediante os depoimentos acima expostos, parece haver um bom relacionamento entre os colegas de trabalho, sendo esse um dos aspectos muito 57 influente no que se refere à motivação. Segundo Vergara (2000), relacionamentos agradáveis entre os membros de um grupo ou equipe é capaz de possibilitar melhor produtividade, desempenho e qualidade do trabalho, o que se traduz em motivação. Devido a isso, conforme Milkovich e Boudreau (2000), grande parte dos processos adotados nas empresas passaram a considerar o trabalho em equipe entre os colaboradores, bem como as equipes e o relacionamento entre os membros que nela se inserem a serem considerados como elementos de vital importância para o bom andamento das organizações, tendo em vista o grau de cunho motivador que essa variável é capaz de trazer para o ambiente de trabalho. e) Categoria V: Relacionamento com os líderes no ambiente de trabalho: No tocante à categoria que diz respeito às relações com o líder, emergem colocações por parte dos entrevistados sobre o estilo de liderança democrática e participativa na organização. Os depoimentos a seguir transcritos descrevem essa percepção: “Mantenho um bom relacionamento com o líder, manifestando a minha opinião sempre que a julgo oportuna e me engajando junto a ele na consecução dos objetivos propostos” (AX1). “Considero meu líder o Gerente de Unidade, nosso relacionamento é super recíproco, tenho total liberdade de conversar e expor minhas sugestões e aflições” (AX2). Eu me reporto ao meu gerente de negócios, eu sou auxiliar dele, tenho um relacionamento bem bacana , ele é muito prestativo, ta sempre me indicando, está me auxiliando, está me motivando da forma mais clara, mais transparente qual a função dele, o que ele tem que fazer, muita preocupação de não me deixar subir um patamar a mais no meu plano de carreira sem eu estar pronto, pois ele está sempre me passando informações, me mostrando como funciona [...]. No momento que você sobe de patamar, saber tudo isso que ele está me passando hoje, é pré-requisito, e não é hora de perguntar. E de uma forma geral todos os gerentes de negócios, gerente de unidade, o coordenador, todos eles se mostraram muito prestativos e preocupados com esta situação de transmitir informações para nós da forma correta, eu acho que isso é que te dá suporte pra trabalhar (AX3). Meu líder é uma pessoa bem importante, é uma pessoa bem aberta para diálogos, não fecha a porta se tiver algum problema para perguntar alguma coisa pra ele. Tenho muita coisa para aprender com ele, é uma pessoa bem inteligente e competente (AX5). 58 “Liderança aberta a novas idéias e de fácil acesso” (AX7). Conforme é possível verificar, as relações com o líder emerge como um ponto positivo na organização, levando a acreditar que existe um estilo de liderança democrático na instituição, capaz de promover a motivação dos colaboradores. O estilo de liderança, na verdade, é um dos fatores bastante difundidos quando o assunto é motivação. Para Vergara (2000), ao líder cabe principalmente o papel de gerar motivação nos indivíduos de maneira que os resultados a serem atingidos possam ser plenamente alcançados. Além disso, quando o estilo de liderança encontrado é o estilo democrático, conforme os resultados sugerem, esse tipo de líder representa um aspecto motivador, tendo em vista que nesse estilo de liderança, segundo Ribeiro (2003), as pessoas são levadas a uma maior produtividade, envolvendo-se de forma criativa e participativa, o que consequentemente leva à satisfação e por extensão, a funcionários mais motivados na organização. f) Categoria VI: Perspectiva de carreira dos colaboradores para os próximos dez anos: Quando levados a mencionar para uma projeção de futuro, estipulado no prazo de dez anos é possível verificar que os colaboradores possuem uma visão de que ainda estarão ligados à empresa a qual pertencem atualmente. As falas a seguir ilustram essa percepção. Na verdade daqui a 10 anos eu me vejo na cooperativa, não sei falar em cargo ou posição, também me vejo daqui a 10 anos olhando pra trás e dizendo: a cooperativa era pequena e agora é essa potência, e eu fiz parte desse crescimento, e esse crescimento é todo nosso, o nosso suor, nossa vontade, nossa determinação, e o resultado hoje é a cooperativa estar grande, e eu me vejo então daqui a 10 anos fazendo parte dela (AX4). Eu me vejo como uma pessoa realizada, conhecedor de quase todo o sistema, mas uma pessoa muito mais capacitada do que eu me encontro, eu entrei sem saber o que era uma instituição financeira, uma cooperativa, eu entrei para ser caixa e não sabia nada sobre caixa, no dia que eu entrei para fazer teste, e já me colocaram para fazer malote e tive que aprende [...] Hoje no administrativo está acontecendo mais ou menos isso, eu era considerado coringa, era o caixa, isso e aquilo, e dialogando muito eu aprendi, e eu me vejo como uma pessoa mais realizada, mais objetiva e cada vez tendo mais desempenho e mais capacidade de passar isso em outra oportunidade, e querendo cada vez crescer mais (AX5). Quem sabe uma GAF (Gerente Administrativo-Financeiro), eu gosto da parte administrativa eu sempre puxo mais para a área administrativa do que para parte do negócio, não que eu não renderia bem na parte de negócio, mas eu 59 acredito que eu me dou muito bem no administrativo, quem sabe a hora que abrir uma nova unidade (AX6). Nas falas anteriormente transcritas, identifica-se indicações de visão otimista de futuro, inclusive ligando-se a projeção profissional com a atual organização. Para Martins (2009), a característica mais comumente ligada ao comportamento motivado é a capacidade de pensar positivamente a respeito do futuro, sendo esse um dos princípios da motivação. Ainda segundo o autor: O fator “visão positiva do futuro” faz com que as pessoas tragam algum significado para suas vidas. Quando pensamos sobre nossos futuros estamos criando uma ponte para o sucesso. Nossas ações passam a ter um sentido à medida que organizamos os sonhos e ambições. É fundamental ter sonhos para que encontremos motivos em nossas vidas. O sonho é o primeiro passo para a concretização dos objetivos. [...]. À medida que projetamos estes sonhos em nossas mentes criamos condições favoráveis para vivermos motivados para alcançá-los. Em função disso, afirmo que para encontrar a motivação para o dia-a-dia é preciso primeiramente ter sonhos, projetos sobre o futuro, uma visão clara e significativa de onde se quer chegar ou o que se quer fazer com a própria vida. É preciso ter um sentido maior e que faça a diferença para si mesmo (MARTINS, 2009, p. 2). Também na visão de Ribeiro (2003), a motivação encontra suas raízes na relação entre ideal-trabalho-resultado na qual a pessoa, ao aumentar suas potencialidades, é capaz de projetar-se profissionalmente, recebe suas compensações e com isso conquista os seus ideais de vida. Com base nessas colocações e levando-se em consideração o cenário projetado pelos entrevistados, pode-se considerar que as respostas conduzem ao entendimento de que os colaboradores encontram-se motivados, e por isso, acabam despertando o seu grau de comprometimento com a empresa. g) Categoria VII: Definição de motivação – na visão dos colaboradores: Quando se questionou aos entrevistados como os mesmos definem motivação no ambiente de trabalho, verifica-se nas respostas que emergem aspectos como “perceber-se como importante”, “algo que vem de dentro para fora”, “ter vontade”, “ânimo”, “tudo aquilo que me faz sentir bem”, “força que depende exclusivamente de você”, portanto, aspectos intrínsecos ao ser humano. “Motivação é o ânimo que se tem para cumprir as atividades e rotinas do diaa-dia. É também perceber-se como importante e entender a relevância do seu trabalho dentro das políticas e objetivos da empresa” (AX1). 60 “[...] motivação é quando você vê que tem perspectiva de crescimento, que quando você faz algo e logo é recompensado” (AX2). Motivação é quando você tem vontade de mostrar resultado é quando você acorda empolgado, você já vai dormir pensando no amanhã, ter vontade de estar mostrando, de buscar resultado, isso te motiva é você se sentir bem fazendo o que você faz aqui, acho que motivação é isso, é ter consciência que as melhores horas de nossas vidas são passadas aqui, e você está fazendo delas as melhores horas de sua vida. Eu acho que motivação ninguém planta, acho que é algo que vem de dentro para fora, pois tudo que você acredita e levanta a bandeira, acho que você vai se sentir motivado. Acho que motivação se alimenta, a que você já tinha, mas não planta motivação em ninguém (AX3). Motivação para mim é sentir prazer em fazer o negócio, é ter vontade, ter ânimo. É levantar pela manhã e ter vontade de trabalhar, de ver o pessoal, de planejar o seu dia. Eu acho que só de elogio o ser humano não vive, acho que um incentivo financeiro e assistencial é importante, acho que tudo é um conjunto não só o dinheiro é importante, mas a parte de estar bem, a qualidade de vida no ambiente de trabalho é primordial também (AX4). Eu acredito que é tudo aquilo que faz a gente desempenhar um papel bom aqui dentro da cooperativa, que motive a gente, é um pontinho que vai me fazer desempenhar um papel bom aqui dentro. Motivação ela é muito importante no desempenho do trabalho, eu acredito. Motivação é tudo aquilo que me faz sentir bem, por exemplo, deixar um ambiente bom de trabalho, ter uma boa amizade com todos, isso tudo é motivação e tudo isso vai refletir no seu trabalho. [...] Eu adoro o que eu faço [...], porque realmente eu me motivo em trabalhar aqui (AX6). Otimismo, acreditar que nossos objetivos e nossas metas estabelecidas serão alcançadas. [...] Ter certeza de que tudo que se almeja só será alcançado se você acreditar em si mesmo. [...] A motivação depende de você mesmo, de sua vontade interior em querer mudar, alcançar seus objetivos. As pessoas que estão à sua volta podem ajudá-lo, mas essa força depende exclusivamente de você mesmo (AX-7). Essas falas reforçam o entendimento de que a motivação é algo intrínseco, ou seja, algo próprio do ser humano, que encontra nos ambientes onde está inserido, fatores para que possam motivar-se. De acordo com Vergara (2000), a motivação é um processo intrínseco, ou seja, tem origem nas necessidades interiores de cada indivíduo. A própria pessoa é que se motiva ou não. Também para Silva (2004), motivação refere-se às forças direcionadas no interior dos indivíduos, mediante a qual tentam alcançar uma meta ou objetivo, visando o preenchimento de uma necessidade ou expectativa. Portanto, a motivação pode ser considerada como uma direção e persistência por parte de um indivíduo para a ação. Assim, verificando-se os depoimentos obtidos, 61 pode-se verificar que os mesmos evidenciam atitudes positivas frente à organização e ao futuro profissional, devendo a empresa trabalhar para tentar manter esse sentimento oriundo dos colaboradores. Nesse caso, concebe-se, conforme Silva (2004), que a chave da motivação poderá ser a reestruturação das funções e cargos, para que sejam cada vez mais desafiadores e recompensadores, capazes de provocar oportunidades crescentes para a realização, crescimento e reconhecimento, com a organização oferecendo tarefas desafiadoras e gratificantes. Isso porque, a motivação de cada indivíduo é que vai determinar diretamente o esforço empregado no trabalho, portanto, a chave para a motivação é a habilidade de criar um ambiente em que o trabalho estabeleça respostas positivas para as necessidades, metas o objetivos das pessoas na organização. h) Categoria VIII: Sugestões de melhorias no ambiente de trabalho: Quando levados a mencionar sugestões de melhorias na empresa, algumas ações foram apontadas como capazes de promover uma melhor percepção acerca do ambiente de trabalho, emergindo questões referentes a melhorias assistenciais, contratação de mais colaboradores e treinamento. Os depoimentos a seguir ilustram esses posicionamentos dos entrevistados: Acredito que os colaboradores de qualquer empresa são extremamente motivados por melhorias assistenciais, como plano de saúde e participação da empresa no custeio dos estudos dos colaboradores, além de premiações, como viagens, jantares e confraternizações, concedidas em virtude do alcance de metas estipuladas (AX1). Acho que hoje o nosso trabalho é enxuto demais eu acho que falta gente, às vezes a demanda de serviço é muito grande, por exemplo, assim; o atendimento no Setor XXX, nós temos apenas um colaborador que trabalha diretamente no Setor XXX e a demanda é grande, eu penso que deveria ter mais um profissional nesse setor, mais colaboradores para atender melhor, Porque você prospecta uma conta e você é o contato do associado quando ele tiver uma queixa, uma reclamação, ele liga para falar contigo, ele não vai querer falar com a caixa ou gerente administrativo que é quem vai responder por aquilo, ele vai querer falar com quem foi na empresa dele, com quem abriu a conta, que prometeu algum desconto um diferencial no atendimento, ele chegou aqui e esperou um tempão para ser atendido, isso é um problema. A gente trabalha enxuto demais, a gente podia ter uns colaboradores a mais em determinadas áreas na cooperativa em virtude da questão do melhor atendimento, hoje claro a gente possui alguns diferenciais, tem que ter uma gama bem grande de pessoal para o atendimento. Ser diferencial nessa questão, ficar mais próximo do cooperado e quando ele chega à cooperativa e vê que esta muito cheia, acho que isso acaba refletindo de uma forma não 62 positiva (AX3). Na verdade não seria melhorar, tem que entrar no ritmo, tem gente nova em função nova e o que acontece, tem pessoas que não estão no ritmo, eu sou um que não tenho um ritmo certo, o que acaba atrasando, prejudicando os outros indivíduos. Acredito que talvez falte treinamento, penso que é importante ter um conhecimento, um embasamento maior e melhor, e as pessoas que estão entrando novas também precisariam de treinamento (AX5). Um outro funcionário no Setor XXX para eu poder ter mais tempo, poder aprender mais, daí a pessoa de caixa responsável e eu apenas como auxiliar dela. Eu cuidaria da parte XXX, mesmo não sendo XXX, ou uma pessoa para fazer isso para mim, mas o que eu queria mesmo era sair da função XXX e fazer essa parte do setor Setor XXX. Pra mim isso seria bom hoje (AX6). “Por ser nova colaboradora, um treinamento mais amplo na função e até para outros colaboradores que ainda estão perdidos nas suas respectivas funções” (AX7). A contratação de mais colaboradores é evidenciada pelos depoimentos de AX3 e AX6, que reforçam o entendimento da questão anterior, quando se discutiu os aspectos do trabalho em instituições financeiras, notadamente marcado pela existência de pressão por resultados, sobrecarga de atividades e a falta de empregados suficientes nas instituições. Nesse sentido, convém destacar a preocupação de AX3, ao afirmar que a alocação de mais colaboradores inclusive resultaria em melhor atendimento por parte da instituição e, consequentemente, forneceria um diferencial competitivo frente à concorrência. Com relação à outra categoria que emergiu no que se refere as sugestões de melhorias para a empresa, o treinamento foi destacado por dois colaboradores (AX3 e AX7), conforme as falas acima expostas. O treinamento, conforme Stoner e Freeman (2000) é uma das sete atividades básicas da Administração de Recursos Humanos e se consiste em ações, por parte da organização, para dotar os colaboradores de maiores recursos, habilidades e subsídios a fim de que desenvolvam suas atividades com maior eficiência. Para Marins Filho (1995), o treinamento pode ser entendido como uma importante variável no que se refere à satisfação e à motivação dos colaboradores, pois se consiste em um processo de transmissão, desenvolvimento ou aprimoramento de habilidades, conhecimento e atitudes, com vistas a uma mudança de comportamento. Na visão do mencionado autor, o caminho para o sucesso das organizações é o treinamento, 63 pois o homem precisa sentir-se em desenvolvimento constante. Com base nisso, pode-se considerar que ações de treinamentos constantes são capazes de demonstrar o interesse da empresa no crescimento pessoal e profissional de seus colaboradores, fazendo-os sentirem-se melhores profissionais e melhores seres humanos, aumentando seu comprometimento e auto-estima. Portanto, o treinamento é capaz de influenciar positivamente o desempenho dos colaboradores, gerando, consequentemente, motivação. Ainda com relação a essa questão, convém destacar a visão de AX1, que mencionou que uma política de benefícios poderia contribuir para melhorias no ambiente de trabalho, gerando mais motivação em seus colaboradores. De acordo com Gil (2001), os benefícios são as remunerações não financeiras que as organizações podem oferecer a seus colaboradores como forma de melhor recompensá-los. Podem integrar uma política de benefícios sociais: os planos de saúde médica, os convênios com supermercados, farmácias, postos de abastecimento, valealimentação, creche no local de trabalho (ou auxílio creche), empréstimos, bolsa de estudo, ações de congraçamento e atividades festivas, colônia de férias, entre vários outros. Conforme coloca Robbins (2002), de maneira geral, os colaboradores esperam mais do que um simples salário de seu empregador; esperam também vantagens adicionais que melhorem sua qualidade de vida. Na verdade, os benefícios possuem uma natureza de cunho estratégico nas organizações, já que se destinam a atrair e manter funcionários e gerar motivação nos quadros funcionais. Portanto verifica-se que, ao se relacionar os planos de benefícios com melhorias no ambiente de trabalho, encontra-se um fator de grande importância no que se refere à motivação. 4.2 ANÁLISE GERAL DA PESQUISA A partir dos resultados expostos, pode-se verificar que a cultura organizacional contribui para difundir as bases do cooperativismo, levando os colaboradores a confirmarem a expectativa que fazem da empresa, gerando a perspectiva de crescimento profissional. Desse modo, essa combinação de fatores gera uma considerável motivação entre os colaboradores na empresa em estudo. 64 No entanto, apesar de possuírem a expectativa de crescimento profissional, não percebem oportunidades de crescimento na empresa, o que os leva a uma visão de falta de reconhecimento, gerando desmotivação. Esse fato foi destacado por dois entrevistados, no qual merece atenção dos gestores. No que se refere aos fatores que interferem no desempenho profissional, foi possível identificar que, o contexto de trabalho determinado por instituições financeiras, nas quais se inserem as cooperativas de crédito, a categoria sobrecarga de funções emergiu como a principal situação interferente no comprometimento do desempenho profissional. Em função disso, quando levados a sugerir ações de melhorias na empresa, algumas ações foram apontadas como capazes de promover uma melhor percepção acerca do ambiente de trabalho, das quais a contratação de mais colaboradores, treinamento e política de benefícios foram as apontadas. Relativamente à questão relacionada a relações com os colegas de trabalho ou o trabalho em equipe, foi possível diagnosticar que existe um consenso de que há um ambiente propício para o trabalho em equipe, tendo em vista que os colaboradores mencionaram haver um grau de relacionamento positivo entre si e os colegas de trabalho. De forma idêntica, pode-se observar, no tocante às relações com o líder, que há um estilo de liderança democrática e participativa na organização, fator de suma importância para a garantia de funcionários motivados em qualquer organização. Quando levados a mencionar uma projeção de futuro, estipulado no prazo de dez anos, é possível verificar-se que os colaboradores possuem uma visão de que ainda estarão ligados à empresa a qual pertencem atualmente. Pode-se considerar que as respostas conduzem ao entendimento de que os colaboradores encontram-se motivados com a empresa. No que se refere à concepção de motivação por parte dos colaboradores, constatou-se que existe uma visão de que os próprios funcionários são responsáveis por se sentirem motivados, a partir de respostas que sugerem que os mesmos concebem a motivação como algo intrínseco, própria de cada pessoa. Com base nesses resultados, pode-se fazer análise geral representada no quadro 3 sobre os fatores que apresentaram na pesquisa de campo como motivadores e desmotivadores 65 Fatores Motivadores Atuação em empresa de cooperativismo Fatores Desmotivadores Falta de reconhecimento ou falta de oportunidade de ascensão profissional Acúmulo de funções/sobrecarga de trabalho Ausência de uma política de benefícios sociais Falta de treinamento Crescimento da organização Perspectiva de crescimento profissional Relacionamento com os colegas Relacionamento com a chefia Visão positiva quanto ao futuro profissional Quadro 3: Análise geral da pesquisa: fatores motivadores e desmotivadores Fonte: Elaborado pelo pesquisador Conforme se pode observar no quadro 3, na organização em estudo, os resultados indicam que os fatores motivadores suplantam os fatores capazes de desmotivar os colaboradores. 4.3 SUGESTÕES À EMPRESA Pelos resultados obtidos, pode-se sugerir as seguintes ações de melhorias para a empresa: - Pelo fato de que os colaboradores demonstram-se satisfeitos pelo fato de atuarem em uma empresa do setor de cooperativa, a empresa pode disseminar cada vez mais os princípios e valores do cooperativismo dentro da cultura organizacional. Isso ajudaria a ampliar o conhecimento da filosofia do cooperativismo para que os colaboradores possam se sentir cada vez mais motivados por atuarem em uma empresa desse segmento empresarial. - Conforme se verificou, a perspectiva de crescimento pessoal é um dos fatores motivacionais reconhecido pelos entrevistados, porém, os colaboradores mostraram-se desmotivados quando o assunto é chance de crescimento ou ascensão profissional, bem como, oportunidade de ascensão de cargo. Devido a isso, sugere-se a adoção de ações no sentido de aumentar a percepção positiva quanto à visão de perspectiva de crescimento profissional, bem como criar formas de fazer com que os colaboradores tenham chances reais de alcançar esse crescimento, o que pode ser obtido por meio de política de reconhecimento e premiação e principalmente, recrutamento interno para cargos mais elevados ou de chefia. - Para que os colaboradores possam conhecer a política pela qual a empresa oferece oportunidade de ascensão profissional, seria necessário a divulgação do plano 66 de cargos e salários que já encontra-se implementado na organização, buscando difundir e esclarecer que todos têm oportunidade de ascensão profissional, segundo os critérios levados em consideração na promoção de um funcionário. - Em função da sobrecarga de trabalho e do acúmulo de tarefas que foram mencionados pelos entrevistados, a organização pode mapear a distribuição das funções e seus respectivos executantes, como forma de tentar observar onde ocorre a sobrecarga de tarefas, tentando melhor ordenar as funções, sobretudo as que acarretam acúmulo de atividades. Acredita-se que tal ação possa contribuir para o aumento do rendimento dos colaboradores e a percepção de um bom desempenho profissional. - Como forma de sanar a questão surgida no que se refere à falta treinamento, identificar as necessidades de treinamento, desenvolvimento pessoal/gerencial mediante avaliações e solicitações dos gerentes, bem como dos próprios colaboradores, no sentido de suprir essas necessidades por parte dos funcionários. - A empresa também poderia implementar uma política de benefícios capaz de gratificar ainda mais os colaboradores, premiando, inclusive, iniciativas individuais que tragam resultados positivos para a empresa ou recompensar individualmente os funcionários que se esforçaram para o cumprimento das metas estipuladas. Acredita que essas sugestões possam ajudar a organização a criar mais formas capazes de motivar seus colaboradores, acreditando-se ainda que a cultura da empresa é propícia para reavaliações de suas políticas, tendo em vista que a mesma prima pela qualidade de vida de seus colaboradores, bem com por melhorias constantes no ambiente de trabalho. 5 CONCLUSÃO A partir da realização deste estudo pode-se ter a oportunidade de aprender diversos aspectos ligados à àrea de Administração de Pessoas, quando foi possível verificar que essa área está sendo considerada de grande importância nas organizações atuais, a partir do entendimento de que são as pessoas o principal ativo que as empresas possuem. Devido a isso, as pessoas devem ser geridas de forma a se obter delas uma maior produtividade, oferecendo-lhes um ambiente de trabalho saudável e que forneça satisfação e qualidade de vida no trabalho. No que se refere à motivação, foi visto que esse tema tem merecido muito destaque na literatura de Gestão de Pessoas, pelo fato de que os indivíduos motivados apresentam maiores resultados, bem como traçam metas e objetivos capazes de impulsioná-los para o alcance dos mesmos. Porém, a motivação deve ser entendida como um estímulo interno, ou seja, intrínseco a cada pessoa, de onde decorre a expressão de que ninguém motiva ninguém, mas, sim, se oferece condições e oportunidades para que a pessoa possa se sentir motivada e assim, estimulada para vencer seus desafios, obter suas conquistas, além de se sentir mais satisfeita e motivada no ambiente de trabalho. Com amparo nessas considerações, este estudo teve por objetivo analisar os fatores motivacionais que estão ligados ao desempenho dos colaboradores da Sicredi do município de Içara – SC. No que se refere aos fatores que promovem satisfação nos colaboradores, identificou-se os seguintes argumentos: 1º) os colaboradores se sentem satisfeitos por estarem trabalhando numa empresa cooperativista; 2º) o fato da empresa estar crescendo continuamente no mercado; 3º) a perspectiva de crescimento profissional dentro da empresa; 4º) o relacionamento com os colegas; 5º) o relacionamento com a chefia; e 6º) e visão positiva quanto ao futuro profissional de cada colaborador individualmente. No tocante aos aspectos que causam a insatisfação nos colaboradores no ambiente de trabalho, foi possível constatar os seguintes fatores: 1º) a falta de reconhecimento ou falta de oportunidade de ascensão profissional; 2º) o acúmulo de funções ou sobrecarga de trabalho; 3º) a ausência de uma política de benefícios sociais; e, 4º) falta de treinamento. Assim, conforme se verifica, os aspectos capazes de gerar satisfação nos 68 colaboradores e consequentemente a motivação no ambiente de trabalho, sobrepõemse aos que limitam, podendo-seconsiderar que os profissionais encontram-se mais motivados e satisfeitos do que desmotivados na organização. Além disso, os dados revelam que os aspectos considerados como desmotivadores referem-se principalmente à prática de políticas internas da empresa e não a fatores relativos ao próprio colaborador. Portanto, fatores extrínsecos ao indivíduo, que podem ser trabalhados no sentido de que se tornem apropriados, levando os mesmos a despertarem a motivação, para os quais foram sugeridas ações de melhorias à organização. Assim sendo, acredita-se que este estudo cumpriu os objetivos a que se propôs, bem como, respondeu à pergunta norteadora da pesquisa. Com isso, sugere-se que a empresa deva realizar uma pesquisa de clima organizacional ou de satisfação dos colaboradores, como forma de poder identificar a visão dos mesmos acerca de outras variáveis relacionadas ao ambiente de trabalho, tais como salário, o estilo de comunicação, entre outros. Os resultados de tais pesquisas poderão embasar a adoção de estratégias com vistas a motivar cada vez mais os funcionários. Acredita-se que a cultura da empresa é bastante favorável ao desenvolvimento e à implementação de ações em resposta aos resultados da pesquisa efetuada, de modo que seja garantido aos colaboradores que suas visões, opiniões e concepções acerca do ambiente de trabalho sejam consideradas, pois essa é uma das formas para se viabilizar cada vez mais o grau de confiança entre a organização e seus membros, levando os mesmos a se sentirem cada vez mais motivados. Por fim, como sugestão de estudos futuros, pode-se mencionar a realização de pesquisa motivacional abrangendo um maior número de variáveis, articulando-se com as teorias motivacionais e com pesquisas de clima e satisfação no trabalho, utilizandose a abordagem qualitativa, que possibilita a identificação de aspectos inerentes a crenças, valores e atitudes dos participantes, o que favorece a apreensão do objeto de estudo de forma ampla. REFERÊNCIAS BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2000. BATEMAN; Thomas S.; Scott A. Administração: novo cenário competitivo. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006. BROXADO, Sílvio. A verdadeira motivação na empresa. Rio de Janeiro: Qualitumark, 2001. CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: método qualitativo, quantitativo e misto. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. CRUZ, Paulo Sérgio Alves da. 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Comportamento organizacional: criando vantagem competitiva. São Paulo: Saraiva, 2003. 72 APÊNDICE 73 APÊNDICE A ROTEIRO PARA COLETA DE DADOS 1 – Que fatores motivam você neste local de trabalho? 2 – Que fatores lhe desmotivam neste local de trabalho? 3 – Quais situações interferem no seu desempenho profissional? 4 – Que sugestões você daria para melhorias do ambiente de trabalho? 5 – Qual a relação que você tem com seus colegas de trabalho? 6 – Qual a relação que você tem com o seu líder? 7 – Como você se vê profissionalmente daqui a 10 anos? 8 – Como você definiria motivação no ambiente de trabalho? UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DIEGO DE OLIVEIRA ESTUDO DOS FATORES QUE DETERMINAM A MOTIVAÇÃO DOS COLABORADORES DA COOPERATIVA DE CRÉDITO MÚTUO DOS CONFECCIONISTAS DO VESTUÁRIO DA REGIÃO SUL CATARINENSE – SICREDI, UNIDADE DO MUNICÍPIO DE IÇARA CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009