UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS-MG RENATO VIEIRA ARCHANJO ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE OS INDICADORES DE LIQUIDEZ E PRAZOS MÉDIOS E A GERAÇÃO DE CAIXA OPERACIONAL VARGINHA/MG 2014 RENATO VIEIRA ARCHANJO ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE OS INDICADORES DE LIQUIDEZ E PRAZOS MÉDIOS E A GERAÇÃO DE CAIXA OPERACIONAL Monografia apresentada como parte dos requisitos para conclusão da graduação em Ciências Econômicas com Ênfase em Controladoria pela Universidade Federal de Alfenas. Orientador: Prof. Marçal Serafim Candido VARGINHA/MG 2014 RENATO VIEIRA ARCHANJO ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE OS INDICADORES DE LIQUIDEZ E PRAZOS MÉDIOS E A GERAÇÃO DE CAIXA OPERACIONAL A banca examinadora abaixo-assinada aprova o trabalho de conclusão de curso apresentado como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas com Ênfase em Controladoria pelo Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Alfenas – Campus Varginha RESUMO A contabilidade enquanto geradora de informações utiliza a análise das demonstrações para produzir informações como auxílio na tomada de decisão. O presente trabalho teve como objetivo geral analisar a relação entre os indicadores de liquidez e prazos médios e a geração de caixa operacional. Para o desenvolvimento desta pesquisa foram utilizados os dados publicados pela empresa petroleira Petróleo do Brasil – Petrobras – do período de 2006 a 2010. Em seguida foram feitos as apurações na Demonstração do Fluxo de Caixa, fazendo as análises, horizontal; vertical; de liquidez; ciclo financeiro; análises da influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional. Como resultado deste trabalho, através das análises e testes estatísticos confirmou que há influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional. Em específico na empresa Petrobras, os índices com maior influência foi à liquidez geral e prazo médio de fornecedores. Palavras-Chave: Caixa Operacional. Demonstração de fluxo de caixa. Indicadores de liquidez e de atividade. Lista de Ilustrações Tabela 1 - Demonstração do fluxo de Caixa – Petrobras – 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010......................................................................... 30 Tabela 2 - Análise horizontal – Petrobras ..................................................... 31 Tabela 3 - Análise vertical – Petrobras........................................................... 34 Tabela 4- Índice de liquidez e análise horizontal – Petrobras ...................... Tabela 5 - Ciclo financeiro e análise horizontal ............................................ 40 Tabela 6 - Tabela 6 - Estatística descritiva..................................................... 43 Tabela 7 - Correlação – Petrobras.................................................................. 44 38 LISTA DE ABREVEATURAS AH AV CEMIG CPC CVM CVRD DFC DMPL DRA DRE FCO IASB IBRACON ISE LC LG. LS MPE PMF PMRV PMRE PETROBRAS SPSS Análise Horizontal Análise Vertical Centrais Elétricas de Minas Gerais S/A Comitê de Pronunciamentos Contábeis Comissão de Valores Mobiliários Companhia Vale do Rio Doce Demonstração do Fluxo de Caixa Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Demonstração do Resultado Abrangente Demonstração do Resultado do Exercício Fluxo de caixa operacional International Accounting Standards Board Instituto Brasileiro de Contadores Índice de Sustentabilidade Empresarial Liquidez Corrente Liquidez Geral Liquidez Seca Micro e Pequena Empresa Prazo Médio Fornecedores Prazo Médio de Recebimento de Vendas Prazo Médio de Rotação de Estoque Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras statistical package for social sciences SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................8 2 REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................9 2.1 Origem da Contabilidade.......................................................................................9 2.2 A contabilidade no Brasil......................................................................................9 2.3 Contabilidade e o Profissional Contábil.............................................................10 2.4 Demonstrações Contábeis...................................................................................11 2.4.1 Balanço Patrimonial...........................................................................................12 2.4.2 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e Demonstração do Resultado Abrangente (DRA)..........................................................................................................13 2.4.3 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)...........................................................14 2.5 Análise de Balanços............................................................................................16 2.6 Índices.................................................................................................................19 2.6.1 Índices de atividade (prazos médios)................................................................ .20 2.6.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas – PMRV............................................... 20 2.6.1.2 Prazo médio de pagamento de contas..............................................................21 2.6.1.3 Prazo médio de renovação de estoques.......................................................... 21 2.6.1.4 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro................................................................ 21 2.7 Indices de Liquidez............................................................................................22 2.7.1 Liquidez imediata............................................................................................ . 23 2.7.2 Liquidez Corrente............................................................................................ .23 2.7.3 Liquidez Seca................................................................................................... .24 2.7.4 Liquidez Geral.................................................................................................. .24 2.8 Capital de Giro ou Capital Circulante............................................................... 24 3. METODOLOGIA............................................................................................26 3.1 Enquadramento metodológico...........................................................................27 3.1.1 Classificação quando aos objetivos.................................................................. .27 3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema................................27 3.2 Procedimentos para coleta de dados..................................................................27 3.3 Caracterização da amostra.................................................................................28 3.4 Seleção das Variáveis........................................................................................ 28 3.5 Correlação..........................................................................................................28 4. RESULTADO E ANÁLISE DE RESULTADOS.............................................29 4.1 Análise Horizontal.............................................................................................30 4.2 Análise Vertical..................................................................................................33 4.3 Análises da Liquidez..........................................................................................37 4.3.1 Liquidez geral....................................................................................................38 4.3.2 Liquidez Corrente..............................................................................................39 4.3.3 Liquidez Seca.................................................................................................. . 39 4.4 Ciclo Financeiro............................................................................................... 40 4.4.1 Prazo médio de estoques.................................................................................. 40 4.4.2 Prazo médio de fornecedores e Prazo médio de recebimento.......................... 41 4.4.3 Ciclo Financeiro e Ciclo Operacional.............................................................. 42 4.5 Análises da influencia dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional.............................................................................................................42 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................45 REFERÊNCIAS..............................................................................................................47 1 INTRODUÇÃO Em um mundo globalizado os negócios se encontram todos entrelaçados, e com as crises econômicas das últimas décadas, pode-se notar a fragilidade das empresas que eram consideradas sólida. As crises deixaram em evidencia a importância de uma instituição ter a contabilidade bem estruturada, quebrando o estima de “guarda-livros” para se tornar uma das peças de maior importância dentro da organização. A contabilidade vem evoluindo com o passar do tempo e apresenta hoje um meio essencial para qualquer organização que almeja o sucesso. Através de um sistema contábil sério, poderá conseguir que os resultados econômicos tendam ao satisfatório, ou seja, que alcance o lucro. Para alcançar o lucro é necessário que esteja atento as informações que possa ser geradas, pois auxiliará a administração a tomar suas decisões através das informações. Adicionalmente as empresas exerçam de maneira segura as praticas contábil, usa-se às normas contábeis, um conjunto de regras e procedimentos de conduta que devem ser seguidas, no Brasil estas normas são encontradas no Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC. Ciente das normas, as organizações conseguirão realizar com maior êxito as suas transações de compras, vendas, produção, comprimento de prazos entre outras. Uma das maneiras de se conseguir de forma segura estas informações é através das análises das demonstrações contábeis. Lá poderá encontrar de forma clara tudo que é necessário para tomar a melhor decisão e garantir que os investimentos de curto e longo prazo tenham bons resultados. Contudo, destaca-se a contabilidade utiliza o regime de competência para registrar todas as transações quando da sua realização, independente se ocorreu o pagamento, o recebimento ou não. Gerando com isso o resultado econômico com o confronto das receitas e despesas. Quando os prazos forem atendidos e houver o recebimento ou pagamento, serão registrados no regime de caixa. Neste regime as receitas e despesas serão registradas quando entrar ou sair recursos financeiros no caixa da instituição. Como o cotidiano de uma empresa é formado por prazos, cria-se um intervalo entre recebimento e o pagamento, formando um período de tempo entre o lucro e caixa. Ao examinar o lucro líquido, que é formado pela venda menos os custos e despesas, pode-se notar ao analisar estas duas contas que elas podem influênciar o fluxo de caixa 8 operacional, conta que indica o dinheiro recebido ou desembolsado pela empresa. Portanto o problema a ser investigado neste estudo é: qual a relação entre os indicadores de liquidez e prazos medios e a geração de caixa operacional? Assim, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a relação entre os indicadores de liquidez e prazos medios e a geração de caixa operacional. Para isso, têm-se como objetivos específicos: evidenciar a geração dos indicadores de liquidez e prazos medios em caixa operacional; analisar a influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Origem da Contabilidade A contabilidade segundo algumas teorias, surge junto com a civilização, havendo a necessidade de medir à riqueza acumulada pelo homem. No início vinha como um instrumento para a medição do rebanho, para saber se havia perca ou ganho do rebanho de uma estação climática do ano para outra estação, para fazer esta contagem utilizavase no início materiais simples, como pedrinhas. Ao se fazer esta contagem com as pedrinhas estava aplicada o inventário como dizem os contadores de hoje (PORTAL DA CONTABILIDADE, 2009). A história da contabilidade pode ser divida por períodos, o primeiro foi à contabilidade do mundo antigo marcado por Leonardo Pisano autor do livro Líber Abaci escrito em 1202, o segundo período foi à contabilidade do mundo medieval em que Frei Luca Pacioli que firmou o método das partidas dobradas, o terceiro período foi à contabilidade do mundo moderno recebendo características científica a partir de obras de importantes escritores como Francesco Villa e por fim a contabilidade do período científico que começa em 1840 e segue ate os dias atuais (PORTAL DA CONTABILIDADE, 2009). 2.2 A contabilidade no Brasil No Brasil a contabilidade surge com a primeira regulamentação em 1770, onde a profissão era conhecida como os guarda-livros, quem a exercia teria que se cadastrar na junta comercial. Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, a profissão teve 9 maior destaque, pois com aumento da arrecadação e dos gastos públicos viu-se necessário maior fiscalização. Com isso foi criado o Erário Régio ou o Tesouro Nacional e Público, com o Banco do Brasil. A profissão de contador era muito valorizada somente em países do primeiro mundo, já no Brasil até a década de 60 os contadores ainda eram conhecidos como os guarda-livros. A partir da década de 70, que ficou conhecido pelo milagre econômico, o contador perdeu o título de guarda-livros e viu a profissão ganhar sua ascensão, onde se criou um excelente campo de trabalho. A contabilidade Brasileira vem se destacando mundialmente pela sua legislação. As entidades que mais se destaca na área contábil no Brasil tem sido o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Instituto Brasileiro de Contadores (IBRACON) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo eles que dão as melhores contribuições. com a introdução da Lei nº 11.638/07, que provocou alterações profundas na Lei das Sociedades por Ações, e com a Lei nº 11.941/08, que definitivamente desatrelou a autoridade da ligação da contabilidade com as normas tributarias (cada uma tem sua via própria agora), com a criação do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis e uma série de outras ações, tem-se agora inicio de uma nova era, sob a égide das normas internacionais de contabilidade emanadas do International Accounting Standards Board (IASB). (IUDÍCIBUS; MARION; FARIA, 2009, p.10) Com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), os órgãos reguladores contábeis brasileiros aprovam os documentos que são mantidos pelo CPC, e os tornam obrigatórios em seus respectivos âmbitos. Com isso o Brasil converte todas as suas normas contábeis para as normas contábeis do IASB. 2.3 Informação Contábil O desenvolvimento contábil esta ligado ao capitalismo, em que viu necessário analisar com mais detalhes e mensurar os ganhos e as perdas. Com o desenvolvimento econômico a contabilidade se tornou um instrumento indispensável. A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a Alta Administração a tomar decisões. Na verdade ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando-os e sumarizando-os em forma de relatórios que contribuem sobremaneira para a tomada de decisão. (IUDÍCIBUS; MARION; FARIA, 2009, p.22) 1 10 A contabilidade é utilizada por agentes que estão interessados em planejar, controlar e tomar decisões. Tornando-se de grande interesse de gerentes para saber analisar o passado e o presente para garantir o futuro do empreendimento. Os investidores que através de relatórios contábeis ficam cientes se a empresa que estão investindo é lucrativa. Os fornecedores e bancos que analisaram a confiabilidade. O governo que apresenta grande interesse nestas informações, pois é através das informações contábeis poderá mensurar o quanto tributar e arrecadar de impostos e entre outras áreas que também necessitam deste instrumento. 2.4 Demonstrações Contábeis De acordo com o Pronunciamento Técnico 26 – Apresentação da Demonstração Contábil – vem para auxiliar na tomada de decisões, apresentando a saúde financeira e patrimonial, do desempenho e fluxo de caixa de uma entidade financeira. E para apresentar estas informações se subdivide em: Ativos; Passivos; Patrimônio líquido; Receitas e despesas; Alteração no capital próprio; Fluxos de caixa. Ao elaborar uma demonstração contábil, ela informará se a entidade terá a capacidade de continuar atuando no futuro. O relatório apresentará com clareza todas às incertezas para a sua continuidade e terá de ser apresentado pelo menos anualmente. Quando apresentado a demonstração, será em regime de comparação, apresentando no mínimo dois balanços, que apresentará um balanço do passado e um do período corrente. Fazendo isso facilita na tomada de decisão, pois pode se ter a previsão nas contas da entidade. Para elaboração das demonstrações contábeis é utilizado o regime de competência, as receitas e despesas deverão ser contabilizadas, no período, em que foi gerada, não levando em conta o recebimento. 1 11 A demonstração deve conter claramente e para melhor compreensão as seguintes notas: (a) o nome da entidade às quais as demonstrações contábeis dizem respeito ou outro meio que permita sua identificação, bem como qualquer alteração que possa ter ocorrido nessa identificação desde o término do período anterior; (b) se as demonstrações contábeis se referem a uma entidade individual ou a um grupo de entidades; (c) a data de encerramento do período de reporte ou o período coberto pelo conjunto de demonstrações contábeis ou notas explicativas; (d) a moeda de apresentação, tal como definido no Pronunciamento Técnico CPC 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis; e (e) o nível de arredondamento usado na apresentação dos valores nas demonstrações contábeis. (CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis-pág.16) 2.4.1 Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinado a evidenciar a saúde financeira e economia ao término do exercício. Sua estrutura é formada por duas colunas; na coluna a esquerdo encontra-se o ativo e na coluna a direita encontra-se passivo e o patrimônio líquido. Ao término do balanço os resultados de ambas as colonas deverá chegar a um resultado semelhante, com isso demonstrará que o balanço é consistente. O grupo do ativo é subdividido em dois novos grupos. O primeiro é o ativo circulante, que entra todos os bens e direitos que podem ser transformados em dinheiro a curto prazo, como por exemplo: banco conta movimento, caixa, duplicatas a receber, entre outras. (a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante, pelo menos, doze meses após a data do balanço. (CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis-pág. 20) 1 12 O segundo grupo de contas é apresentado o ativo não circulante, são as atividades da empresa que irá se transformar em dinheiro a longo prazo, a um período superior a um ano, tem se como exemplos desta conta os empréstimos a controladas, contas a receber a longo prazo. E por fim os ativos com menor grau de liquidez, necessário para a realização das atividades da empresa. Já o grupo do passivo irá se subdividir em: passivo circulante e passivo não circulante. O passivo circulante será o primeiro item a ser analisado, estarão presentes aqui todas as obrigações que a empresa irá pagar no curto prazo, como fornecedores, salários e encargos a pagar, empréstimos, entre outras obrigações. (a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade; (b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado; (c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço; ou (d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Os termos de um passivo que podem, à opção da contraparte, resultar na sua liquidação por meio da emissão de instrumentos patrimoniais não devem afetar a sua classificação. (CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis-pág. 21) O grupo de contas a ser analisado do passivo é o não circulante, nele é encontrado as obrigações com terceiros que será liquidada a longo prazo, ao término do exercício social seguinte. O patrimônio líquido, são as aplicações de recursos na empresa, se divide em capital social, reserva de capital, lucros ou prejuízos acumulados, entre outros itens. Portanto, o Balanço Patrimonial representará o passado que ajudara a projetar o futuro da empresa que está sendo avaliado. 2.4.2 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) A demonstração do resultado do exercício demonstra todas as receitas, despesas, ganhos e perdas em um período, normalmente de doze meses, e será feito de forma simples definindo o lucro ou prejuízo do período. É elaborada simultaneamente com o balanço patrimonial, um complementando o outro. Com o pronunciamento técnico CPC 26 ficou decidido que devem ser aplicadas duas demonstrações, a do resultado do exercício e a do resultado abrangente. A entidade 1 13 deverá apresentar todos os dados, receitas e despesas, dentro do período normal, fazendo assim a Demonstração do Resultado do Exercício. As demais variações que ocorre no patrimônio líquido serão apresentadas na Demonstração do Resultado Abrangente. O resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e outros eventos que não derivados de transações com os sócios na sua qualidade de proprietário (IUDÍCIBUS, MARTINS, GELBCKE E SANTOS, 2010, p. 4). O lucro ou prejuízo líquido é apurado na DRE, que será adicionado ao patrimônio líquido da empresa, o lucro encontrado já estará com a dedução de todas as despesas, esta parcela representa o que será repartido entre os acionistas. 2.4.3 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) Demonstração do Fluxo de Caixa representa a entrada e saída de dinheiro dentro da entidade, em um determinado período de tempo, com isso mostra as condições da entidade em gerar caixa e ajuda quando for necessário utilizar os fluxos de caixa. Muitas empresas ainda desprezam esta maneira de demonstração, no Brasil somente tornou obrigatório no ano de 2008 à elaboração de tais relatórios. Alguns estudos realizados contribuem para o entendimento sobre a DFC, como Braga e Marques (2001), que estudou a alteração que ocorreu na legislação societária, que substituiu as demonstrações das origens e aplicações de recursos pela demonstração do fluxo de caixa, que analisou a viabilidade pelos relatórios publicados por duas empresas, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Centrais Elétricas de Minas Gerais S/A (CEMIG), para os exercícios de 1997, 1998 e 1999. No estudo realizado, destaca que a DFC como as demais demonstrações, podem servir como base de cálculo para indicadores financeiros, através de quatro índices, colocados por eles, que são: O primeiro índice é de cobertura de juros com caixa quando comparada ao padrão do setor, a medida indica a capacidade relativa do negócio em atender os compromissos financeiros. O segundo índice terá os indicadores de qualidade do resultado que mede a proporção das receitas de vendas convertidas em dinheiro no exercício pelos recebimentos e cobranças de clientes. A terceira categoria indicará os dispêndios de capital que sinaliza a habilidade do negócio em atender suas necessidades 1 14 por dispêndios líquidos de capital (aquisições menos alienações), sendo calculado como fluxos de caixa operacionais retidos divididos pelos ativos produtivos (imobilizado). A DFC é apresentada em três subdivisões: fluxo de caixa das entidades operacionais, das atividades de investimentos e das atividades de financiamentos. Os usuários das demonstrações contábeis de uma entidade estão interessados em saber como a entidade gera e utiliza caixa e equivalentes de caixa. Esse é o ponto, independentemente da natureza das atividades da entidade, e ainda que o caixa seja considerado como produto da entidade, como pode ser o caso de instituição financeira. As entidades necessitam de caixa essencialmente pelas mesmas razões, por mais diferentes que sejam as suas principais atividades geradoras de receita. Elas precisam de caixa para levar a efeito suas operações, pagar suas obrigações e proporcionar um retorno para seus investidores…. (CPC 03-Demonstração do Fluxo de Caixa, p.3) Com isso, o indicador que foi apresentado no artigo de Braga e Margues (2001) terá sempre o intuído melhorar a geração de caixa para a empresa envolvida, como foi destacado no CPC 03, a geração de caixa é a peça mais importante para que ocorram as suas operações. Ao ampliar o conceito ou classificar este conceito, criam-se os equivalentes de caixa, classificará o dinheiro que estaria em uma conta, separada sem rendimento. Será classificado como equivalentes de caixa, todo investimento de curto prazo e com nível alto de liquidez, sendo utilizados para atender os compromissos de curto prazo. Assim “são investimentos de altíssima liquidez, prontamente conversíveis em uma quantia liquida conhecida de dinheiro e que apresentam risco insignificante de alteração de valor”. (IUDÍCIBUS, MARTINS, GELBCKE E SANTOS, 2010, p.568). Segundo Ferreira (2005), seguindo as normas baseadas na Financial Accounting Standards Board (FASB), as demonstrações dos fluxos de caixa, podem ser classificadas em três grupos Fluxo das atividades operacionais: que englobam as atividades ligadas à produção e à entrega de bens e serviços, além das transações não definidas como atividades de investimento e financiamento. Tendo a capacidade de fazer novos investimentos sem precisar utilizar de capital de terceiros. 1 15 Fluxos das atividades de investimentos: estão relacionados à aquisição e vende de ativos de longo prazo, nesta atividade dará remuneração a recursos que estariam ociosos ou a especulação. Fluxos das atividades de financiamentos: esta atividade está relacionada a empréstimos e financiamentos obtidos e a recursos captados perante investidores da companhia. Quando se prepara o fluxo de caixa que é proveniente das atividades operacionais, podemos usar de dois métodos para se elaborar a DFC, pelo método direto ou indireto. O método direto demonstra de maneira direta as entradas e saídas do dinheiro, mostrando a sua origem e onde foi aplicado, como o recebimento de uma venda e as quitações de suas obrigações. No método indireto as atividades operacionais serão feitas com base no capital de giro da entidade, juntando o lucro e com o caixa gerado pelas operações. Podendo a entidade escolher em qual das duas usar, não sendo obrigatório o uso de uma ou outra, o método indireto é mais utilizado pela sua facilidade na compreensão, e quando se utiliza o método direto é exigida da empresa “a conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais”. (IUDÍCIBUS, MARTINS, GELBCKE E SANTOS, 2010, p.575). Como apresentado na conclusão do artigo de Braga e Marques (2001), que as empresas brasileiras não possuem a tradição de se publicar as suas DFC, acredita-se que isso poderá ser mudado com a nova legislação societária. Portanto a Demonstração do Fluxo de Caixa constitui como parte essencial dentro da empresa, possibilitando o empresário a antecipar suas decisões. 2.5 Análise de Balanços Análise de balanço pode ser entendido como “a arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivemos em mente, dos relatórios contábeis tradicionais e de suas extensões e detalhamentos, se for o caso” (IUDÍCIBUS,2009, p.5). A análise pode ser considerada uma arte por não ser precisa, em que duas ou mais pessoas usando de mesmas técnicas podem chegar a conclusões parecidas, dificilmente serão iguais. 1 16 O objetivo da análise financeira é “meditação sobre os Demonstrativos Contábeis, objetivando uma avaliação da situação da empresa em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros (PADOVESE, 2004, p.215). As demonstrações financeiras de uma instituição nos fornecerão dados, que não provocará reação a quem foi apresentado. Para aplicar uma análise devemos transformar estes dados extraídos em informações, que quando apresentados provocará uma reação ou uma decisão, quanto maior o número de informações que se consegue extraírem, melhor será a análise. O trabalho de um analista de balanço começa quando termina o do contador, a preocupação de um contador é basicamente nos registros das operações, já de um analista irá se preocupar com as demonstrações financeiras, para transformá-las em informações. Fazendo esta transformação, e produzindo a maior quantidade de informações de qualidade, poderá dar um diagnóstico mais preciso sobre a saúde da entidade analisada, e assim podendo tomar decisões mais precisas. Ao se produzir a análise, diferentemente de uma demonstração que é carregada de termos técnicos, a linguagem de uma análise de balanço “são relatórios escritos em linguagem corrente.” (MATARAZZO, 2010, p.5). A linguagem apresentada deve ser de fácil compreensão, em qualquer pessoa que a ler, possa entender e compreender as informações nelas contidas. E possuindo uma função secundária de traduzir as informações contidas nas demonstrações contábeis. Para melhor compreensão sobre a análise, alguns estudos foram realizados como o de Barbosa (2010), que estudou sobre as diversas formas de análise financeira, visando esclarecer os métodos de análise, para as micros e pequenas empresas, para que possam tomar decisões com o mínimo risco e máxima eficiência. De acordo com o autor apresenta o uso de análise financeira para as pequenas empresas, é um recurso essencial para sua sobrevivência, já que está em um mercado de ampla concorrência, que eficiência e a eficácia das decisões determinam o sucesso ou fracasso das empresas. Segundo Matarazzo (2010), quando produzido um relatório, nele podem-se encontrar diversas informações, entre elas: Situação financeira. Situação econômica. Desempenho. 1 17 Eficiência na utilização dos recursos. Pontos fortes e fracos. Tendências e perspectivas. Quadro evolutivo. Adequações das fontes às aplicações de recursos. Causas das alterações na situação financeira. Causas das alterações de rentabilidade. Evidencias de erros da administração. Providencias que deveriam ser tomadas e não foram. Avaliação de alternativas econômico-financeiras futuras. Para Matarazzo (2010), uma análise para ser elaborada tem que seguir uma sequência de quatro etapas: 1° extraem-se índices das demonstrações financeiras; 2° comparam-se os índices com os padrões; 3° ponderam-se as diferentes informações e chega-se a um diagnóstico ou conclusões; 4° Tomam-se decisões. Quando feitas e seguidas estas etapas, dificilmente a análise ficará prejudicada. Em toda análise de balanço tem que se observar atentamente se estas etapas foram seguidas. No estudo realizado por Barbosa (2010) sobre as micros e pequenas empresas no Brasil, identifica que o problema delas. É que, muitas vezes, desconhecem sua própria capacidade financeira, ou suas disponibilidades, ou não sabendo lidar com o caixa e até mesmo os estoques, onde estas empresas perdem ou deixa passar informações úteis a elas. E se isso acontece, leva a empresa a perda de recursos. A análise pode ser realizada através dos índices, estes índices vêm ganhando cada vez mais importância, pelo auto grau de eficiência, visando analisar a situação econômica e financeira da empresa, sendo a técnica de análise mais utilizada. Com a utilidade desta técnica pode se chegar a uma avaliação do todo na empresa, o que é de extrema importância nas decisões de crédito. Segundo Padoveze (2004) existem quatro ferramentas básicas para a análise de balanço: 1 18 Análise vertical: se compõe da análise de participação percentual ou de estrutura dos elementos dos demonstrativos contábeis. Condicionando usar 100% nas contas quando for fazer as análises, ficando mais claro a compreensão. Análise horizontal: tem como objetivo analisar o crescimento ou a variação. Mostra a evolução das contas em relação às demonstrações anteriores. Indicadores econômico-financeiros: compreende a geração de um painel básico de indicadores para complementar as análises vertical e horizontal. Avaliação final: é um relatório sumariando as conclusões obtidas na análise dos Demonstrações Contábeis. Barbosa (2010) chega à conclusão em seu estudo, que em um cenário competitivo, exige respostas rápidas e a análise entra como peça fundamental neste cenário, através das decisões empresariais refletindo nos resultados da empresa e seu impacto no caixa. Constatando que análise das demonstrações, mesmo com todos os benefícios que traz a empresa, ainda é pouco utilizado como instrumento de planejamento e orçamento nas empresas. Portanto quando se prepara uma Análise de Balanço deve-se lembrar que: é uma arte, pois não existe um roteiro padronizado que leve sempre às mesmas conclusões, dentro das mesmas circunstâncias. Adicionalmente, a análise de balanços, pela sua natureza financeira, apresenta limitações, as quais serão sempre lembradas. (IUDÍCIBUS, 2009, p.6). 2.6 Índices Segundo Matarazzo (2010, p.81) Índice é a relação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. Os índices têm como objetivo tratar sobre a situação financeira ou econômica, podendo assim montar avaliações a respeito de uma empresa e fornecer um sinal de alerta aos administradores. Ir-se-á abordar dois índices: Índices de atividade (prazos médios) e Índice de Liquidez. 1 19 2.6.1 Índices de atividade (prazos médios) Os índices de atividade têm como objetivo analisar o grau de liquidez nas contas da empresa. Mostrando o tempo que receberá suas vendas, pagar suas contas e renovar os estoques. Sempre sendo consultado para as políticas de crédito e cobrança. Quando estudado estes indicadores, tem-se a clara noção da rotação do capital dentro da organização, de quando foi investido e quanto será recuperado. Estes indicadores de prazos médios deverão ser analisados conjuntamente e não separadamente. A conjugação dos três índices de prazo médios leva à análise dos ciclos operacionais e de caixa, elementos fundamentais para a determinação de estratégias empresariais, tanto comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a determinação de estratégias empresariais, tanto comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a determinação do fracasso ou sucesso de uma empresa. (MATARAZZO,2010, p. 260) Os três índices de prazos médios são: prazo médio de recebimento de vendas, prazo médio de pagamento de compras e prazo médio de renovação de estoques. 2.6.1.1 Prazo médio de recebimento de vendas É o tempo que a empresa levará para receber os produtos vendidos, até o ingresso do recurso derivado da venda. Importante ressaltar que “o volume de investimentos em duplicatas a receber é determinado pelo prazo médio de recebimento de vendas”. (MATARAZZO,2010, p.261). Para a empresa é vantajoso que o recebimento das vendas sejam efetuados no menor tempo possível. Praticando este tipo de ação, a organização assume riscos, pois esta concedendo um crédito a terceiros, sua política de crédito tem que ser muito bem estruturada, porque esta assumindo um risco de uma venda a vista não existir. Encontrará vantagens com este método, pois o escoamento das mercadorias será mais fácil. Os elementos que compões a fórmula de PMRV são três: vendas, duplicatas a receber e prazo médio de recebimento de vendas. 2.6.1.2 Prazo médio de pagamento de contas 2 20 Medirá o tempo que a empresa tem para saldar suas contas ou duplicatas. Estando relacionado diretamente ao crédito. Segundo Matarazzo (2010), esta teoria é análoga a teoria do prazo médio de vendas. Sua fórmula compõe por três itens: prazo médio de pagamentos de compras, saldo de fornecedores do balanço e compras. 2.6.1.3 Prazo médio de renovação de estoques É o prazo que o produto ficará estocado na empresa, ou seja, é o tempo de sua produção até sua venda. Quando menor for o número de dias que este produto ficar em estoque melhor para a firma. Segundo Ribeiro (1999), ao se fazer a estocagem tem se atentar aos custos de capitais, custo de instalação e o risco de se ter o estoque. Mesmo parecendo que o prazo médio de renovação de estoques seja teoricamente parecido com as anteriores, tem se que atentar com as duplicas, pois antes eram a pagar ou a receber decorrentes de vendas ou compras, agora é relacionado às vendas futuras. 2.6.1.4 Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro Ao se tratar de índices de prazos médios, deve se destacar a inter-relação entre eles, como já havia sido citado, estes índices serão eficientes quando todos são trabalhados conjuntamente. O ciclo operacional é a soma do prazo médio de renovação de estoque com prazo médio de recebimento de vendas, mostrando o tempo entre a compra e o recebimento. Este ciclo representa o prazo de investimento, uma forma de conceder um financiamento quando se fez a compra. Segundo Matarazzo (2010), o ciclo financeiro representará o tempo que a empresa pagará os fornecedores e o tempo que receberá suas vendas. Este período que a empresa analisará se precisará ou não de financiamentos extra para completar ou fechar o ciclo operacional. Quanto maior for o ciclo financeiro, pior para a empresa, pois mostra a necessidade de obter financiamentos complementares, gerando assim maior custo. O ciclo financeiro também conhecido como ciclo de caixa, é importante dentro da empresa, pois retratará a necessidade de capital de giro. 2.7 Índices de Liquidez 2 21 Através dos índices de liquidez consegue analisar a capacidade com que a empresa tem de saldar suas obrigações, relacionará os bens e direitos da firma com as obrigações, fazendo assim uma simples divisão. Para se fazer os cálculos destes índices, os dados são retirados do balanço patrimonial. Os principais índices de liquidez são: liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. Alguns estudos realizados contribuem para o entendimento sobre os índices, como de Aquegawa e Souza (2008), que estudou as empresas que sofreram e que não sofreram com a crise de 2008, crise esta que teve impactos mundiais, para a sua amostragem, buscou-se empresas constituintes do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Os pesquisadores destacam o ponto onde para eles cominou a crise de 2008, tomando à proporção que tomou, devido ao fato das organizações estarem preparadas para a sustentabilidade de longo prazo, sendo que se deve preocupar com o curto prazo, que é tão importante quanto o longo prazo. Pois as atitudes tomadas hoje influenciarão o futuro, esta foi uma das causas da crise, pois uma levaria a outra. Com isso destaca-se no artigo que, índices de liquidez que podem servir de termômetro na qualificação do mencionado curto e longo prazo de empresas. Pois em termos gerais, liquidez é fator essencial para se vencer crises e permanecer no mercado com planos sustentáveis. Se antes empresas com altos Índices de Liquidez eram criticadas por ociosidade de capital ou subutilização do mesmo (conservadorismo ou má gestão), durante o estouro da “crise de 2008” elas se tornaram mais valorizadas por transmitir maior segurança ao investidor. (AQUEGAWA; SOUZA, 2010. pag.3) Ao se fazer um estudo com 25 empresas que foi agrupada em conformidade de classificação setorial da BOVESPA, pode se chegar à conclusão que: Portanto, quando considerado o portfólio ISE, apesar de resultados animadores pelo comportamento dos Índices de Liquidez Geral, Circulante e Seca, pode-se dizer que a carteira sofreu diretamente e/ou indiretamente os efeitos da Crise de 2008, tendo em vista a combinação de resultados conceitualmente “negativos” no Índice de Liquidez Imediata e, principalmente, no Ciclo Financeiro. Entretanto, apesar da exposição à Crise de 2008, é possível observar que os impactos da mesma são minimizados no portfólio ISE em relação aos resultados isolados por setor, dado à proporção (ponderação) das 2 22 empresas afetadas e não afetadas diretamente e/ou indiretamente pela Crise de 2008. (AQUEGAWA; SOUZA, 2010. p.15). Portanto temos que os índices de liquidez são de extrema importância para a decisão de uma empresa, para que esteja preparada para crises inesperadas, como foi de 2008, não somente crises deste porte a empresa tem que estar preparada, mas para todo evento que venha a atingir a solidez de uma empresa. Com isso os índices de liquidez podem servir como ferramenta de ajuda para as organizações. 2.7.1 Liquidez imediata Este índice representa “o valor de quanto dispomos imediatamente para saldar nossas dívidas de curto prazo.” (IUDÍCIBUS,2009, p.93). Nele se exclui os estoques e contas e valores a receber, por não possuir liquidez imediata. Para se calcular: LIQUIDEZ IMEDIATA: DISPONÍVEL / PASSIVO CIRCULANTE O disponível representará tudo que está com liquidez imediata, como caixa, saldos bancários. No dominador encontra o passivo circulante, nele esta contida as obrigações de curto prazo da firma. 2.7.2 Liquidez Corrente O índice medirá “quantos reais dispomos, imediatamente disponíveis e conversíveis em curto prazo em dinheiro, com relação às dívidas de curto prazo.” (IUDÍCIBUS,2009, p.94). Neste indicador encontra o estoque, podendo gerar a queda da validade como um indicador de liquidez, pois o prazo de recebimento das suas vendas a prazo pode ser grande. Para se calcular: LIQUIDEZ CORRENTE: ATIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE No numerador que se encontra o ativo circulante; terá todos os direitos a curto prazo, como caixa, banco, estoques e cliente; no denominador onde se encontra o passivo circulante, localizará as dívidas de curto prazo, como empréstimos, fornecedores e impostos. 2.7.3 Liquidez Seca 2 23 A liquidez seca, de acordo com Silva (2006, p.314) “indica quanto à empresa possui em disponibilidades, aplicações financeiras a curto prazo e duplicatas a receber, para fazer face a seu passivo circulante”. É muito semelhante à liquidez corrente, mas neste excluirá o estoque, que representa um indicador de incerteza. O resultado deste indicador sempre será menor que o da liquidez corrente. Para se calcular: LIQUIDEZ SECA: ATIVO CIRCULANTE – ESTOQUES / PASSIVO CIRCULANTE 2.7.4 Liquidez Geral O índice serve para “detectar a saúde financeira (no que se refere à liquidez) de longo prazo do empreendimento.” (IUDÍCIBUS,2009 p.96). Este índice leva em consideração os ativos, passivos, direitos e obrigações de longo prazo. Acarretando queda de utilidade, por usar dados de longo prazo. Para se calcular: LIQUIDEZ GERAL: ATIVO CIRCULANTE + REALIZÁVEL A LONGO PRAZO / PASSIVO CIRCULANTE + EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 2.8 Capital de Giro ou Capital Circulante Segundo Padoveze (2004) capital de giro vem da divisão circular do processo operacional de geração de lucros: comprar estoques, produzir, vender e receber, voltar a comprar estoques, produzir e vender/receber. Estas contas entram no grupo do ativo circulante que “constitui-se no grupo de maior liquidez que se apresenta no ativo da empresa, afetando e sendo afetado, significativamente, por suas atividades operacionais.” (ASSAF NETO, 2010, p.142). Assim, compõe este ativo toda aquela conta que terá sua conversibilidade em um período muito curto. Em relação a estas contas, é definido pela legislação que “a duração dos elementos do circulante não deve superar o período de um ano ou no máximo o prazo de duração do ciclo operacional da empresa, se este se apresentar mais longo que o exercício social.” (ASSAF NETO, 2010, p.141) Ao se referir ao capital de giro “se refere aos recursos alocados (captados) pela empresa, e identificados no passivo, observou-se que os mesmos apresentam duas origens: próprias (patrimônio líquido) e não próprias (exigibilidade perante terceiros).” 2 24 (ASSAF NETO, 2010. p.142). Portanto a empresa terá duas fontes de financiamento quando necessitar, a primeira será dos recursos próprios, que é de origem dos proprietários, a segunda fonte de financiamento será de terceiros, sendo eles financiados a prazos curtos ou de longo prazo. O capital de giro apresenta três características segundo Metha (1978, p.11) Curta Duração: os prazos de conversão destes ativos não superarão o ciclo operacional. Rápida transformação e inter-relação: representa transformação rápida do ativo circulante em novo ativo circulante, notando uma inter-relação. O caixa será usado para compras de estoques, e estes estoques ao ser utilizados produzirão novamente caixa quando posto a venda a vista, a prazo ou por duplicatas. Este ciclo demonstrará o ciclo financeiro. Formas de ativos e sincronização dos níveis de atividade: em uma empresa possui três atividades básicas: produção, vendas e recebimento. Se elas funcionassem de forma perfeita e sincronizada não era necessário investimento em capital de giro. Isso na realidade não ocorre, colocando a incerteza e a não sincronização como elementos constantes na vida das empresas, a necessidade de uma gestão que seja capaz de administrar isso. Para ressaltar a importância do capital de giro, coloca-se como exemplo um estudo realizado por Neitzke, Oliveira, Quintana, Jacques (2011) que estudaram a mortalidade da Micro e Pequena Empresa – MPE, ressaltando a necessidade das informações econômicas – financeira, para a tomada de decisão. “Visto a relevância das MPE’s, este estudo faz-se necessário para mostrar como se dá o processo de utilização de ferramentas gerenciais pelas MPE’s, apontando-se sistematicamente as implicações decorrentes na gestão de capital de giro” (NEITZKE; OLIVEIRA; QUINTANA; JACQUES. 2011, p.2). Neste artigo relata a importância das micros e pequenas empresas para a economia, na geração de emprego e quando abastece o setor de serviços das cidades. O texto relata sobre as falências das micro e pequenas empresas, ressalta que as dificuldades de se aplicar uma boa gestão do capital de giro, é que: 2 25 a evidenciação de informações é feita tão somente para o uso interno, acarretando na gestão deficitária do capital de giro, o que, em última instância, pode vir a resultar no fechamento da empresa (NEITZKE; OLIVEIRA; QUINTANA; JACQUES. 2011, p 3). O estudo chegou à conclusão, que dentre as empresas analisadas foi possível identificar a utilização de ferramentas empresariais. Portanto, gestão deficiente do negócio e a falta de planejamento são fatores condicionantes da mortalidade das empresas e, com efeito, dos dados avaliados, conclui-se que a não utilização de ferramentas gerenciais resulta em administração do capital de giro, o que poderá vir a resultar em dificuldades financeiras. (NEITZKE; OLIVEIRA; QUINTANA; JACQUES. 2011, p.6) Considerando todo análise sobre o capital de giro, a administração sobre este recurso “corresponde basicamente ao monitoramento completo do ciclo operacional padrão ou ideal e do impacto financeiro que a magnitude do ciclo provoca nas necessidades dos recursos empresariais” (PADOVEZE.2004, p.201). Possuindo importante papel para o sucesso da organização, colocando assim ao gestor se informe e tome conhecimento desta prática de alta liquidez. 3. METODOLOGIA Segundo Richardson (1999, p.22) Método é o caminho ou maneira para chegar a determinado fim ou objetivo, distinguindo-se assim, do conceito de metodologia, que deriva do grego méthodos(caminho para chegar a um objetivo) + logos (conhecimento). Assim, a metodologia são os procedimentos e regras utilizadas por determinado método. Por exemplo, o método científico é o caminho da ciência para chegar a um objetivo. Deste modo os procedimentos descritos a baixo, serão utilizados para que o objetivo do trabalho seja alcançado. 3.1 Enquadramento metodológico 3.1.1 Classificação quando aos objetivos A pesquisa a ser realizada terá caráter descritivo, pois, 2 26 As pesquisas deste tido têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significantes está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. (GIL, 2010, p.28) Portanto, se justifica a utilização deste meio de pesquisa para procurar descrever os resultados, os fluxos de caixa das empresas e descrever os indicadores de liquidez e de atividade. 3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema Será utilizado para abordar o problema, a pesquisa quantitativa, que é, como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão etc. (RICHARDSON, 1999, p.70) Optou-se por esta linha de pesquisa pelo fato de utilizar a análise quantitativa para analisar a influência de um fenômeno sobre o outro, através de uma característica e sobre um grupo específico. 3.2 Procedimentos para coleta de dados Os dados serão coletados a princípio através de pesquisas bibliográficas, que é “desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, 2010, p.50). Nesta etapa as pesquisas bibliográficas são referentes à elaboração do referencial teórico, primeiramente se fez um apanhado da história contábil em âmbito geral e se descreveu as principais contas contábeis que serão utilizadas ao longo da pesquisa. Posteriormente utilizou-se da pesquisa documental que “vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa” (GIL, 2010, p.51). Neste estagio apurou os relatórios contábeis da empresa analisada, através principalmente do site da entidade, local onde se lança suas demonstrações e assim serão coletados os dados para análise. 3.3 Caracterização da amostra 2 27 Segundo Richardson (1999, p.158), definimos amostra como, Cada unidade ou membro de uma população, ou universo, denominase elemento, e quando se torna certo número de elementos para averiguar algo sobre a população a que pertencem, fale-se de amostra. Define-se amostra, portanto, como qualquer subconjunto do conjunto universal ou da população. Portanto, nesta pesquisa analisará as demonstrações contábeis da empresa petroleira brasileira Petrobras, na qual o governo federal brasileiro detém seu controle. A escolha por esta instituição se deve pela importância no cenário tanto nacional quanto mundial, aparecendo como uma das maiores empresas global e de mercado aberto, e pelo respeito à transparência das suas contas, ganhando prêmios por esta postura. Portanto será analisado o grupo de contas desta empresa. 3.4 Seleção das Variáveis As variáveis a serem analisadas serão o Resultado do Exercício, o Caixa Líquido Operacional, Liquidez Corrente (LC), Liquidez Geral (LG), Liquidez Seca (LS) Prazo Médio de Rotação de Estoque (PMRE), Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV), Prazo Médio de Pagamento de Fornecedores (PMPF), Ciclo Financeiro e Ciclo Operacional. 3.5 Correlação Segundo Wonnacott e Wonnacott (1985), pode se definir correlação como, O coeficiente de regressão simples b mostrou-se como variável Y se relaciona com outra variável X (ou como podia ser predita a partir dela). O coeficiente de correlação mostra-nos quão estritamente duas variáveis estão relacionadas. Usou correlação no presente trabalho para medir a influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional. Fez-se o teste e significância dos coeficientes de regressão, ao método do intervalo de confiança para o teste de hipóteses estatísticas. Em termos gerais, um teste de significância é um procedimento em que os resultados amostrais são usados para verificar a verdade ou a falsidade de uma hipótese nula. A ideia fundamental por trás dos testes de significância é a de um teste estatístico (estimulado) e a distribuição amostral dessa estatística sob a hipótese nula. A decisão de aceitar ou rejeitar Ho é 2 28 tomada com base no valor do teste estatístico dos dados disponíveis. (GUJARATI; POTER. 2011, p. 135) 4. RESULTADO E ANÁLISE DE RESULTADOS Foram utilizados os dados publicados pela Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras – em que apresentou relatórios anuais de suas demonstrações e conjuntamente as Demonstrações do Fluxo de Caixa Completas, foram calculados e analisados o período de 2006 a 2010.1 A Petrobras vem publicando anualmente seu relatório de sustentabilidade, cobrindo o período de primeiro de janeiro a trinta e um de dezembro, sustentado por três pilares de estratégia corporativa: crescimento, rentabilidade e responsabilidade social. As demonstrações de fluxo de caixa segundo a Petrobras foram preparadas de acordo com NPC20 emitida pelo IBRACON – Instituto de Auditores Independentes do Brasil. Como parte integrante apresenta a análise financeira e demonstrações contábeis, nela se encontra as DFCs, conforme a TABELA 1. 1 Segue em anexo a Demonstração do Fluxo de Caixa completo da empresa Petrobras do periodo de 2006 a 2010. 2 29 Tabela 1-Demonstração do fluxo de Caixa Operacional – Petrobras 2010.(em milhões) ANO 2006 Resultado do período (em milhões) 25919 (+) Ajuste 17740 Depreciação e amortização 9824 Variações cambiais e monetárias e encargos financeiros sobre financiamentos e opera. 869 Participação dos acionistas não controladores 1593 Participação em Investimentos Valor residual de bens baixados do ativo permanente Resultado de participações em investimentos relevantes 233 Variação cambial de ativo permanente 3057 Imposto de renda e contribuições diferidas 766 Variação de estoques -2334 Variação de contas a receber Variação de fornecedores 2470 Variação de Plano de Pensão e Saúde 2430 Variação de impostos, taxas e contribuições Variação de outros ativos e passivos Baixa de poços secos Perda na recuperação de ativos Outros Ajustes -1168 (=) Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais 43659 Fonte: Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013) 2007 21512 20385 10696 2008 32988 16964 11632 2009 28982 22856 14767 2010 35189 17682 14612 -1786 1743 4033 -2089 117 2752 14 692 -585 312 681 6803 477 -1430 874 84 4770 -1413 -193 603 1546 -3642 805 -3000 -360 1210 1052 623 -1188 1524 2658 -3339 2264 1144 1398 41897 49952 51838 1598 2791 5784 -851 -4422 542 1381 -3732 1124 2121 690 52871 Ao analisar esta demonstração, o primeiro dado a ser apurado é o Resultado do Período, já deduzido os custos e despesas, fica demonstrado claramente que os resultados oscilaram durante o período analisado de 2006 a 2010. Nota-se que o Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais, não teve esta mesma oscilação, tendo queda nos anos de 2006 e 2007 e nos anos de 2007 a 2010 passou por um crescimento. A seguir apresentam-se alguns índices que ajudará melhor a compreensão dos dados. 4.1 Análise Horizontal Apurando a tabela 1, pela análise horizontal, que é medida em termos de índices, fazendo assim uma análise da evolução ano a ano. Possuindo a “finalidade evidenciar a evolução dos itens da demonstração financeira ao longo dos anos” (RIBEIRO, 2001 pag.176). 3 30 Tabela 2-Análise horizontal – Petrobras R$ Resultado do período (+) Ajuste Depreciação e amortização Variações cambiais e monetárias e encargos sobre financ. Participação dos acionistas não controladores Participação em Investimentos Valor residual de bens baixados do ativo permanente Resultado de participações em investimentos relevantes Variação cambial de ativo permanente Imposto de renda e contribuições diferidas Variação de estoques Variação de contas a receber Variação de fornecedores Variação de Plano de Pensão e Saúde Variação de impostos, taxas e contribuições Variação de outros ativos e passivos Baixa de poços secos Perda na recuperação de ativos Outros Ajustes (=) Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais Fonte: Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013) 2007 AH -17% 15% 9% -306% 9% 2008 AH 53% -17% 9% -326% -220% 2009 AH -12% 35% 27% -97% -232% 192% 123% -38% -39% 28% -90% 900% -1% -35% 15% -62% -45% -83% 112% 87% 101% -32% -117% 619% -72% 1128% -55% 31% -699% 49% -57% -142% 4% -6% -40% 2% -4% 181% 19% 2010 AH 21% -23% -1% -88% -75% 2% A análise do ano de 2006, não foi possível ser realizada pela falta de dados do ano de 2005, pois para se fazer uma análise horizontal necessita dos dados do ano anterior. Análise começa a partir do ano de 2007. Neste ano o resultado do período teve retração em relação ao ano anterior de 17%, retração esta que não foi acompanhado no caixa gerado pelas atividades operacionais, que teve sua redução de 4%. Pela análise horizontal, identificou-se, que quatro contas foram responsáveis por esta redução, foram elas: variações cambiais, monetárias e encargos financeiros e operações de mútuo; imposto de renda e contribuição diferidas; variação dos estoques e variação dos fornecedores. Dentre elas a que possui a maior representatividade, foi variações cambiais, monetários e encargos financeiros sobre financiamento e operações de mútuo que teve retração de 306%; em comparação ao ano anterior. Apesar da variação dos estoques apresentarem saldo negativo, conseguiu-se reduzir seu saldo negativo em relação ao ano de 2006. Para que a queda das atividades operacionais não fosse tão acentuada como foi na conta resultados, outras contas tiveram o papel de segurar esta perda. Como foi o caso do resultado das participações em investimentos relevantes que teve alta em 3 31 comparação ao ano anterior de 192% e à variação cambial de ativo permanente, que teve alta de 123%. No ano de 2008 o resultado do período teve alta expressiva de 54%, comparando com o período passado que foi negativo (-17%), mas o caixa gerado pelas atividades operacionais com alta de 19%, não tão expressiva quando o resultado do período. Esta alta foi impulsionada principalmente por duas contas, o imposto de renda e contribuições diferidas que aumentou em 900%, sendo que no ano anterior esta mesma conta teve um crescimento negativo. Outra conta que colaborou para o crescimento foi variações cambiais, monetários e encargos financeiros sobre financiamento e operações de mútuo; que saiu de um saldo negativo no ano de 2007 e crescendo 326% seu saldo e tornando positivo no ano de 2008. Este crescimento também foi impulsionado pela depreciação e amortização (9%); e resultado de participações em investimentos relevantes (28%). Esta alta só não pode ser maior, porque teve outras contas que retardaram este aumento, entre elas estão: participação dos acionistas não controladas (220%) e os outros ajustes que possuía um saldo negativo no ano de 2007 e este saldo negativo cresceu em 181% no ano de 2008, estes dois itens foram as que apresentaram maior representatividade. No ano de 2009 comparado com o ano de 2008, teve grande retração, passando para menos 12%, sendo que no ano de 2008 apresentou resultados positivos e expressivos. Este ano diferentemente do que ocorreu no ano de 2007 que tanto o resultado do exercício foi negativo e o caixa operacional também apresentou resultado negativo, aqui o resultado operacional foi negativo, mas o caixa gerado pelas atividades operacionais conseguiu apresentar um resultado positivo de 4%, mesmo sendo bem abaixo do que ocorreu no ano anterior. Esta pequena alta no caixa operacional deve-se algumas contas que apresentaram crescimento em relação ao ano anterior, entre estas contas as que tiveram maior representatividade foi à variação de fornecedores (101%), baixa de poços secos (49%) e participações dos acionistas não controladas que saiu de um saldo negativo e apresentando um enorme crescimento de 232% entre outras contas que ajudaram a consolidar esta alta. A alta não pode ser mais expressiva, pois houve grandes contas que contribuíram com a retração, são elas: variações cambiais e monetárias e encargos sobre financiamento que reduziu em 97%; imposto de renda e contribuições diferidas em 83% 3 32 e contas que já possuíam saldos negativos em 2008 passando a alterar este saldo negativo em 2009, como as variações nos estoques que aumento o saldo negativo em 112%, variação nas contas a receber em 87%. Isso beneficiou para que o ano não tivesse um grande crescimento, se comparado com o resultado do período, que apresentou saldo negativo, foi um bom resultado já que teve seu fechamento positivo. O ano de 2010 em comparação ao ano de 2009, sua conta resultado do período, apresentou um aumento de 21%, um aumento muito bom, pois o ano de 2009 comparado com o ano de 2008 apresentou um resultado negativo (-12%). Seu caixa operacional comparado com dados do ano anterior teve um crescimento de apenas de 2%, com pouca representatividade, comparado com o crescimento de 2008 e 2009. Este ano apresenta dados interessantes, com contas com expressiva alta e expressiva baixa. Como a variação das contas a receber que teve crescimento negativo em 1128%, esta conta que apresentou um saldo negativo no ano de 2009 reforçou este saldo negativo no ano de 2010, outra conta que também apresentou grande baixa foi à conta variação de impostos, taxas e contribuição que obteve queda de 699% em relação ao ano anterior, onde em 2009 apresentava saldo positivo, passando por grande queda em 2010. Mas outras contas apresentaram dados positivos, que contribuíram para este aumento de 2%, como o imposto de renda e contribuições diferidas com aumento de 619%. 4.2 Análise Vertical Apurou-se na tabela 3, pela análise vertical, que evidencia a participação de cada elemento do conjunto. Segundo Ribeiro (2001), o calculo é realizado com o calculo percentual de cada elemento ocupa em relação ao conjunto, o valor-base é igualado a 100, sendo os demais calculados em relação a ele. 3 33 Tabela 3 – Análise vertical – Petrobras (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010) R$ Resultado do período (+) Ajuste Depreciação e amortização Variações cambiais e monetárias e encargos sobre financ. Participação dos acionistas não controladores Participação em Investimentos Valor residual de bens baixados do ativo permanente Resultado de participações em investimentos relevantes Variação cambial de ativo permanente Imposto de renda e contribuições diferidas Variação de estoques Variação de contas a receber Variação de fornecedores Variação de Plano de Pensão e Saúde Variação de impostos, taxas e contribuições Variação de outros ativos e passivos Baixa de poços secos Perda na recuperação de ativos Outros Ajustes (=) Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais Fonte: Petróleo Brasileiro 2006 AV 2007 AV 2008 AV 2009 AV 2010 AH 41% 23% 49% 26% 34% 23% 44% 28% 33% 28% 2% 4% -4% 4% 8% -4% 0% 5% 0% 1% -1% 1% 1% 7% 2% -5% 2% 16% 1% -3% 6% 6% 4% 7% 2% 0% 10% -3% 0% 1% 3% -7% 2% -6% -1% 2% 2% 1% 4% 2% 3% 100% -3% -3% 3% 5% -7% 100% 100% 100% S.A – Petrobras 11% -2% -8% 1% 3% -7% 2% 4% 1% 100% (2013 ) Os cálculos foram realizados, medindo a participação de cada conta em relação ao caixa gelado pelas atividades operacionais. Ao analisar os ajustes podemos notar que teve oscilação ao longo do período, representando em 2006 um total de 41% sobre caixa gerado pelas atividades operacionais, aumentando sua participação de 41% para 49% em 2007 e tendo retração em 2008 passando para 34%, no ano de 2009 consegue aumentar novamente sua participação para 44% e em 2010 tem se uma nova queda de sua participação passando para 33%. Observa se que a conta que mais contribui nestas participações é a depreciação e amortização, em todo o período analisado foi a de maior representatividade, e seus resultados também oscilaram combinado ao resultado do período. Esta conta no ano de 2006 contribuía com 23% passando no ano de 2007 a 26%, um aumento de 3% nas participações, no ano de 2008 teve um decréscimo em sua participação passando para o nível de 23%, voltando ao mesmo nível de 2006, no ano de 2009 ouve um acréscimo 3 34 nas participações passando a 28% e no ano de 2010 manteve constante o nível em 28%. O que pode se notar que de 2008 a 2010 outras contas começarão a participar, contas estas que não fazia parte nos anos de 2006 e 2007. A conta variações cambiais, monetárias e encargos financeiros sobre financiamento e operações de mútuo; no ano de 2006 apresentava participação de 2% tendo um decréscimo brutal em 2007 indo para menos 4%, em 2008 apresentou grande recuperação, saindo do negativo e subindo ao nível de 8%, já no ano de 2009 teve queda e não chegou a representar 1% de participação, repetindo este mesmo fato no ano de 2010. Ao apurar a participação dos acionistas nas não controladas, temos que em 2006 representava 4%, mantendo o mesmo nível em 2007, em 2008 passa por queda brutal indo para menos 4%, em 2009 se recupera chegando ao nível de 5%, sendo o maior nível de participação entre os anos analisados, no ano de 2010 tem-se uma nova retração da participação marcando 1%, uma queda de 4%. Participação em investimentos que registraram dados somente no ano de 2010, sua participação neste ano foi negativa de 1% e no período de 2006 a 2009 não apresentou nenhum registro. O fato repete-se com a conta valores residuais de bens baixados do ativo permanente, que somente registrou participação no ano de 2010 no nível de 1%. Ao analisar a conta resultado de participações em investimentos relevantes, no ano de 2006 sua participação é de 1%, com uma alta foi para 2% no ano de 2007, mantendo este índice em 2008, no ano de 2009 teve uma retração, que seu nível não conseguiu alcançar 1% nas participações. No ano de 2010 não notou registro de participação. O item variação cambial de ativo permanente, sua participação demonstra grande representatividade no período de 2006 e 2007, tinha seu nível de participação de 7%, passando por uma grande alta em 2007, ficando em 16%, uma alta expressiva de 9%. No período de 2008 a 2010, já não foi constado nenhum registro referente a esta conta. A conta participação do imposto de renda e contribuições diferidas, no ano de 2006 tinha sua participação em 2%, tendo um leve declínio em 2007 quando atingiu 1%, sofrendo uma alta no ano de 2008, quando atingiu o nível de 10%, um aumento de um período ao pelo outro de 9%, a conta sofre uma brutal queda no ano de 2009, quando decrescem 8% e vai para o nível de 2%, voltando ao nível de 2006, no ano de 2010 a 3 35 conta se recupera e volta ater outro grande aumento, aonde o nível de participação chega a 11%, um aumento de 9% nestas participações. O item variação nos estoques apresentou em todo o período analisado, de 2006 a 2010, resultados negativos. Em 2006 representava -5% de participação, onde sua participação negativa tem uma melhora em 2007 chegando ao nível de -3%, em 2008 manteve o nível de 2007, mas esta tendência não foi seguida em 2009 quando tem uma perda e vai a -6%, no ano de 2010 consegue ter grande melhora nesta conta, quando o nível atinge -2%. A variação de contas a receber apresentou dados a partir do ano de 2008, o nível de participação no caixa gerado pela atividade operacional não consegue atingir 1%, em 2009 esta participação se torna negativa e atinge o nível de -1% e esta tendência se mantém quando o nível reduz mais no ano de 2010 atingindo -8%, uma grande piora de 7% nesta conta. Ao apurar a conta variação de fornecedores, no ano de 2006 representava 6% de participação, passando por retração no ano de 2007, indo ao nível de 4%, e seguindo a tendência em 2008, quando tem uma nova retração, passando a 1% a sua participação, no ano de 2009 consegue-se ter ligeira alta atingindo os 2%, em 2010 volta novamente ao nível de 1%. O nível de participação da conta variação de plano de pensão e saúde representava 6% no ano de 2006, e passa por ligeira alta em 2007 atingindo o nível de 7%, tendo grande queda em 2008 chegando a 3%, no ano de 2009 volta ater outra ligeira queda e chega ao nível de 2%, em 2010 tem-se leve recuperação e atinge os 3%. O item variação de impostos, taxas e contribuições; não apresentou nenhum registro nos anos de 2006 e 2007. Em 2008 representa -7% sua participação, tendo excelente recuperação em 2009, quando conseguiu atingir 1% sua participação, no ano de 2010, tem se uma brutal queda e volta ao nível de -7%. Esta conta apresentou oscilações muito significativas em apenas 3 períodos. Variação de outros ativos e passivos, apresentou participação somente no ano de 2010, quando o nível de participação chegou a 2%. O item baixa de poços secos teve seus registros somente de 2008 a 2010. No ano de 2008 apresentava participação de 3% passada por pequena alta em 2009, quando atinge 4%, e mantendo este nível em 2010. Perda na recuperação de ativos foi outra conta que também teve sua participação somente no período de 2008 a 2010. No ano de 2008 a participação atingia o nível de 3 36 5%, passando por queda em 2009 atingindo 2%, e seguindo a tendência em 2010, quando teve novamente queda e marcou 1%. O item outros ajustes apresentou sua participação em 2006 de -3%, mantendo este mesmo nível em 2007, no ano de 2008 têm piora significativa marcando -7%, este item veio a melhorar no ano de 2009, quando passou um crescimento excelente e marcou 3%, já no ano de 2010 não teve nenhum registro referente à conta. Quando analisado o nível de participação de cada conta, observa-se a influência com o número total de contas que se apresentou em cada ano, nota-se que no período de 2008 a 2010, participaram-se mais contas do que nos outros dois anos. O ano de 2008 e 2010 foram os anos que apresentaram os menores níveis de participação entre o período analisado, avaliado pelo item ajuste, esta pequena participação é justificada porque foram os anos que apresentaram mais contas negativas. E em particular o ano de 2010, entre os itens analisados, apenas a depreciação e amortização; e imposto de renda e contribuições diferidas que apresentaram um resultado expressivo, e as demais, os índices tiveram poucos resultados positivos e mesmo assim com baixo grau de participação e muitos resultados negativos e com grau expressivas quedas. O ano de 2007 apresentou maior nível de participação no período analisado, três contas basicamente sustentaram esta alta, depreciação e amortização; variação cambial de ativo permanente e variação de plano de pensão e saúde, elas tiveram aumentaram expressivo, enquanto as demais oscilaram muito chegando ao negativo. 4.3 Análises de Liquidez Este tópico analisará os índices de liquidez (geral, corrente e seca), seus indicadores foram coletados na economatica. O período escolhido para análise é de 2006 a 2010, e os índices coletados neste período apresenta intervalos de três meses 3 37 Tabela 4- Índice de liquidez– Petrobras (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010). Petrobras ON PETR3 Ano Consolidado Meses LIQUIDEZ Liquidez Geral Liquidez Corrente Liquidez Seca Índice de liquidez 2006 2007 2008 2009 2010 31/12 12 31/12 12 31/12 12 31/12 12 31/12 12 0,8 0,7 0,6 0,6 0,7 1,4 1,1 1 1,3 1,9 1 1,5 1,1 0,8 0,7 Fonte: Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013) 4.3.1 Liquidez geral Neste tópico são apresentados os resultados obtidos através dos índices de liquidez geral apresentado na tabela 4. De acordo com a tabela 4, a Petrobras vem apresentando índice de liquidez decrescente. No ano de 2006 para cada R$1,00 disponível para cobrir os compromissos de curto e longo prazo assumidos com terceiros, a empresa dispunha de 0,8 Portanto este ano apresentou folga negativa, não conseguindo pagar a totalidade das dívidas assumidas. No ano de 2007, segue a tendência de 2006,ao apresentar índice de 0,7, fechando o ano com folga negativa e novamente não consegue pagar a totalidade de suas dívidas. No ano de 2008, também seguindo a tendência do ano anterior, não conseguindo saldas com a totalidade das suas dívidas, quando fechou o ano com o índice de 0,6. Em 2009 a exemplo do ano de 2008, também encerrou com índice negativo de 0,6. Demonstrando que foi mais um ano que a empresa Petrobras encerrou com folga negativa, e assim não conseguindo saldar com suas dívidas na totalidade. O ano de 2010, o último ano analisado não foi diferente dos outros anos analisados, quando encerrou com o índice de 0,7, não conseguindo atingir o mínimo necessário para conseguiu saldar com todas as suas dívidas. A empresa apresentou em todos os períodos quocientes menor do que um, demonstrando que a empresa encontra em situação de insolvência, podendo chegar à conclusão que o capital de terceiros financiaram o ativo circulante e realizável a longo prazo. 3 38 4.3.2 Liquidez Corrente Neste tópico apuram-se os resultados obtidos no índice de liquidez corrente, apresentado na tabela 4. Verifica que no ano de 2006 para cada R$1,00 de dívidas de curto prazo a Petrobras dispunha de uma folga 1,4; isso significa que a empresa no ano de 2006, tem folga no capital de giro, e poderá saldar com tranquilidade suas dívidas de curto prazo. No ano de 2007 este quociente seguiu a mesma tendência de 2006, permanecendo positivo 1,1. Fechando o ano podendo saldar todas as suas dívidas de curto prazo. Em 2008, a variação foi menor quando apresentou o quociente de 1. Mesmo assim neste ano a empresa consegue solvência para cobrir com todos os compromissos de curto prazo. No ano de 2009 apresentou quociente de 1,3, encerrando o ano com recuperação, comparado o quociente do ano anterior, tendo solvência suficiente para saldar com suas contas de curto prazo. O ano de 2010 apresentou o melhor quociente de todos os anos analisados de 1,9, encerrando com disponibilidade suficiente para quitar com suas dívidas de curto prazo. Portanto, em todos os anos analisados a Petrobras conseguiu saldar suas dívidas de curto, demonstrando que teve um ativo circulante para cada real de passivo circulante, e apresentando na maior parte uma folga em seus quocientes, demonstrando que poderá realizar transações sem prejudicar sua liquidez. 4.3.3 Liquidez Seca Neste item avaliam-se os resultados obtidos com o índice de liquidez seca, apresentados na tabela 4. De acordo com a tabela 4, a empresa Petrobras demonstrava que para cada R$ 1,00 de dívida a curto prazo, eliminando os estoques, apesar de serem classificados como itens do ativo circulante, não apresentou normalmente liquidez compatível com o grupo patrimonial. Portanto em 2006 uma folga quando encerrou o ano com o quociente de 1,1. Portanto mesmo que a empresa paralisasse os estoques, ainda teria um grau de solvência para pagar suas dívidas de curto prazo. No ano de 2007 é um ano que apresenta um índice de liquidez seca negativo quando se registrou o quociente de 0,8, demonstrando que a empresa não conseguiu 3 39 cumprir com os compromissos de curto prazo, pois sua capacidade financeira líquida é negativa. O ano de 2008 segue a mesma tendência do ano de 2007,quando se registra o quociente de 0,7; quociente este que não possibilita cumprir com os compromissos de curto prazo, pois não possui igualdade de ativo circulante líquido para cada um real de passivo circulante. Já em 2009 tem se uma recuperação, quando se registrou o quociente de 1, mesmo sem folga neste, teve a capacidade de saldar suas obrigações de curto prazo. No ano de 2010 apresenta caso semelhante com o ano de 2009, mas apresentando excelente recuperação ao se registrar folga de 0,5. Foi ano que teve a melhor recuperação comparado com o período analisado. 4.4 Ciclo Financeiro Neste tópico analisará o ciclo financeiro da empresa Petrobras, será apresentado o prazo médio de estoques, prazo médio de fornecedores, ciclo financeiro e ciclo operacional. Todos os indicadores foram coletados na economática, o período de análise é do ano de 2006 a 2010. Tabela 5 – Ciclo financeiro Petrobras (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010) Ciclo Financeiro Petrobras ON PETR3 2006 2007 2008 2009 Ano Consolidado 31/12 31/12 31/12 31/12 Meses 12 12 12 12 CICLO Prazo Md Estoques(dias) 60,6 60,7 50,8 70,7 Prazo Med Forneced(dias) 43,8 47,6 43,3 56,1 Prazo Med Recebim (dias) 31,5 23,9 24,9 27,6 Ciclo Financeiro (dias) 48,3 37 32,4 42,2 Ciclo Operacional (dias) 92,1 84,6 75,7 98,3 Fonte: Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013) 2010 31/12 12 52,4 45,1 21,8 29,1 74,2 4.4.1 Prazo médio de estoques O prazo médio indicará o número de dias, em que o estoque poderá movimentar ou ser renovado, assim tem o prazo entre a compra e venda ou consumo deste material. No ano de 2006 o prazo médio esteve em torno 60,6 dias. Sabe-se que quanto mais rápida é a rotatividade dos estoques, melhor para a empresa. 4 40 O ano de 2007 teve seu prazo médio com uma pequena alta em relação ao ano de 2006 quando registrou 60,7 dias o prazo para se renovar os estoques. No ano de 2008 apresenta uma excelente marca quando o prazo médio para renovar os estoques reduz para 50,8 dias. Já no ano de 2009 o ano encerra com uma forte alta no prazo médio de estoques quando marcar a média de 70,7 dias de rotação de estoque, demonstrando que foi o pior ano entre os analisados. Porém no ano de 2010 a empresa Petrobras consegue se recuperar e fecha o ano com uma excelente queda e marca 52,4 dias para renovar seus estoques. 4.4.2 Prazo médio de fornecedores e Prazo médio de recebimento Analisam-se os resultados encontrados por prazo médio de fornecedores e recebimentos, dados presentes na tabela 5. O ano de 2006 os prazos que a empresa dispôs para pagar suas obrigações variou em 43,8 dias. Já o prazo médio de recebimento variou 31,5 dias. Demonstrando resultado positivo, significaria que haveria recursos antes do término do prazo de pagamento. Em 2007 o ano seguiu a mesma tendência de 2006, os prazos médios com fornecedores variou em 47,6 dias. Em contrapartida o prazo médio de recebimentos registrou 23,9 dias. O ano que fechou positivamente, em tese teria dinheiro em caixa para pagamento dos fornecedores. O ano de 2008 repetiu a tendência dos outros anos quando registrou o prazo médio de fornecedores que foi de 43,3 dias e os prazos médios de recebimento registrou 24,9 dias, fechando positivamente o ano. Em 2009 os prazos médios de fornecedores registrou média de 56,1 dias. Já o prazo médio de fornecedores variou em 27,6; fechando também positivamente. O ano de 2010 seguiu a tendência dos outros anos analisados quando o prazo de fornecedores teve o quociente de 45,1 dias sendo maior que o prazo médio de recebimento que registrou 21,8, um ano que fechou positivamente, pois o prazo para pagar as suas obrigações foi maior que o recebimento das suas vendas efetuadas a prazo. Ao fazer a análise geral dos prazos em dias, pode-se ter a noção que a empresa Petrobras, encontra-se em uma situação confortável, pois o prazo para cumprir suas 4 41 obrigações com os fornecedores está maior, que o prazo que teve para receber de dos clientes. 4.4.3 Ciclo Financeiro e Ciclo Operacional Neste item são analisados os resultados encontrados do ciclo financeiro e ciclo operacional, dados que estão apresentados na tabela 5. Ao analisar a tabela 5, no ano de 2006 a Petrobras tem que financiar o ciclo financeiro em media 48,3 que é o prazo utilizado entre a compra e o recebimento de suas vendas e que terá que pagar com 43 dias em média. Em 2007 o ciclo financeiro registrou média de 37 dias, o ciclo operacional registrou média 84,6 dias. A média para pagamento deverá ser de 47,6 dias. O ano de 2008 a Petrobras teve que financiar o ciclo financeiro 32,4 dias, considerando um ciclo operacional de 75,7 dias. Tendo em média para realizar seus pagamentos 43 dias. Ao apurar o ano de 2009 o ciclo financeiro da empresa Petrobras que apresentou uma média de 42,2 dias, e considerando o ciclo operacional no qual registrou média 98,3 dias com uma media para realizar os pagamentos de 56 dias. Em 2010 para financiar o ciclo financeiro a Petrobras teve 29,1 dias, considerando o ciclo operacional que apresentou 74,2 dias, estes períodos representando o prazo utilizado entre a compra e o recebimento de suas vendas e terá como prazo médio para saldas suas contas de 45 dias em média. Ao fazer uma análise geral à empresa Petrobras para financiar este prazo existente para pagamento, deverá de alguma forma financiar seu ciclo financeiro, seja por capital próprio ou de terceiros e, é neste momento que a empresa sofrerá algum impacto econômico em seus resultados. 4.5 Análises da influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional A análise de dados foi feita com o auxílio do software estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS) e do Microsoft Excel e aplicados técnicas de estatística descritiva e correlações de Pearson. 4 42 Tabela 6 – Estatística descritiva Desvio PaMédia drão CAIXA OPERACIONAL 48043,4000 4550,27266 Liquidez Geral ,6950 ,10990 Liquidez Corrente 1,3350 ,24121 Liquidez Seca ,9700 ,23193 Prazo Médio Estoque 61,4000 7,17026 Prazo Médio de Fornecedores 45,1650 5,16723 Prazo Médio Recebimento 26,6250 2,89153 N 20 20 20 20 20 20 20 Fonte: Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013). Na tabela 6 foi observada 20 elementos para cada grupo de conta, ao analisar esta tabela pelo desvio padrão, mostrando quanto de variação ou “dispersão” existe em relação a media (ou valor esperado). No grupo de liquidez, a liquidez geral é a que apresenta o desvio padrão menor e no grupo de prazos médios, o prazo médio de fornecedores é o que apresenta menor desvio padrão, mostrando que o baixo desvio padrão indica que os dois índices tendem a estar próximos da média. 4 43 Tabela 7 – Correlação – Petrobras CAIXAOP Correlação de Pearson Sig. (1-tailed) LG LC LS N Correlação de Pearson PMF PMR 20 -,797** LG LC LS PME PMF PMR 1 Sig. (1-tailed) ,000 N Correlação de Pearson 20 -,163 20 ,603** Sig. (1-tailed) ,246 ,002 N Correlação de Pearson 20 -,093 20 ,469* 20 ,951** Sig. (1-tailed) ,348 ,019 ,000 20 20 20 20 Correlação de Pearson -,212 ,396* ,263 ,149 Sig. (1-tailed) ,185 ,042 ,131 ,265 N Correlação de Pearson 20 ,593** 20 -,395* 20 ,019 20 ,081 20 ,336 Sig. (1-tailed) ,003 ,042 ,469 ,367 ,074 N Correlação de Pearson 20 ,310 20 -,220 20 -,105 20 -,058 20 ,222 20 ,575** Sig. (1-tailed) ,092 ,176 ,329 ,405 ,173 ,004 20 20 20 20 20 20 N PME CAIXAOP 1 N 1 1 1 1 1 20 Significante ao nível de 1% (** 0,01). Significante ao nível de 5% (* 0,05). Fonte:Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras (2013) Ao analisar os dados obtidos na tabela 7, rejeita-se Ho (hipótese nula) de que não há correlação entre os índices de liquidez geral, corrente e seca e o caixa operacional; prazos médios estoque, fornecedores e recebimentos e o caixa operacional. Uma vez que o valor de p (“Sig. 1-tailed”) é menor que 0,01; conclui-se em favor da hipótese alternativa de que o índice que mais participou, dentre os de liquidez, da geração do caixa operacional é a liquidez geral. À medida que a taxa de liquidez geral aumenta, o caixa operacional tende a diminuir, ou seja, quanto maior os valores investidos em estoque, contas a receber e outros ativos circulantes e realizavel a longo 4 44 prazo menores os recursos disponíveis. Portanto, chega-se a conclusão que os índices de liquidez geral, corrente e seca influenciam na geração de caixa operacional. Nota-se que o índice de liquidez geral é influenciado principalmente pela liquidez corrente, tendo uma relação direta entre os dois índices, pois à medida que a taxa de liquidez corrente aumenta, a de liquidez geral também aumentará. E o índice de liquidez seca, influencia diretamente o índice de liquidez corrente, também de uma forma direta, conforme o índice de liquidez seca aumenta o de liquidez corrente aumentará. Ao apurar os prazos médios e a influência no caixa operacional, uma vez que o valor de p (“Sig. 1-tailed”) é menor que 0,01; o prazo médio de fornecedores é a que possui maior influencia. Este resultado mostra a existência de uma relação positiva entre as contas, à medida que índice de prazo médio de fornecedores aumenta, o caixa operacional tende a aumentar, ou seja, quanto maior o tempo que a entidade dispõe, em media para pagar as suas obrigações provenientes de compras de mercadorias a prazo, maior será a disponibilidade de recursos financeiros de atividades operacionais. O prazo médio de fornecedores irá influenciar o caixa operacional em que o prazo médio de fornecedores aumenta, o caixa operacional tenderá a aumentar, ou seja, quanto maior se tem a renovação dos estoques de mercadorias ou de produtos, em função da venda, maior será o caixa operacional. Portanto, os indicadores de liquidez e de prazo médio de fornecedores, possuem uma correlação com caixa operacional, ou seja, influencia o caixa operacional diretamente (r positivo) ou inversamente (r negativo). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A contabilidade se tornou um instrumento de grande relevância no mundo dos negócios, se tornando indispensável para qualquer transição que se faça dentro de uma empresa. Então surgiu a necessidade de cada vez mais se obter informações precisas e confiáveis, para produzir resultado econômico satisfatório. Uma das maneiras para que isso aconteça, é analisando sua relação com as diversas contas dentro do fluxo de caixa da empresa a ser investigada. Dado esse fato, este trabalho objetivou desenvolver um estudo para analisar a relação dos indicadores de liquidez e prazos médios e a geração de caixa operacional. A motivação para tal relação se deu devido à importância que os prazos representam den- 4 45 tro de uma empresa, ou seja, o intervalo de tempo que se tem da compra das mercadorias e o recebimento da venda, e como isso influenciará os lucros e prejuízos. Como forma de colocar em prática a teoria e os dados coletados, começou a análise dos dados. Primeiro foi vereficada a evolução dos dados ao longo dos anos através da análise horizontal, que se verificaram evoluções diferentes entre o resultado do período e caixa operacional. Em seguida mediu a participação de cada conta em relação às atividades geradas ao caixa operacional. Fazendo também a análise da liquidez, para se verificar qual a capacidade da Petrobras de saldar suas obrigações naquele período. E através dos dados coletados na economática, verificou o ciclo financeiro, para se medir o tempo ou prazo médio decorrido, em dias, entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento dos valores relativos às venda dos produtos da empresa, na maioria dos resultados apresentados, a empresa teve fechamento positivo. Por fim, analisou-se a influência dos indicadores de liquidez e de atividade na geração de caixa operacional, com auxílio da estatística, podendo ser verificado através da estatística descritiva e da correlação, ambas as análises ficou comprovado a influência dos índices na geração do caixa operacional. Na empresa Petrobras os índices que mais influenciaram foi à liquidez geral e prazo médio de fornecedores. Os resultados obtidos devem ser interpretados como um fator importante nas empresas, quando for analisar suas demonstrações e verificar os resultados e o porquê de seus resultados não está fechando. Quando analisados as contas e verificar que as vendas de mercadorias e a entrada de dinheiro não se corresponde, podendo assim levantar hipóteses sobre o que está ocorrendo, verificando que há muita venda a prazo ou não. Analisar o estoque da empresa, se está ocorrendo renovação rápida ou lenta. Portando inúmeras hipóteses podem surgir dentro das contas do caixa operacional. Dessa forma, este trabalho visou contribuir para que possam ser analisadas as contas de curto e longo prazo, dentro do ciclo operacional, para identificar os fatores que influência nos indicadores de liquidez e prazos medios. Sabendo que cada empresa sofre com esta influência, mas cada uma delas tem uma conta em específico que terá maior influência em seus indicadores de liquidez e prazos médios, como isso a importância de se fazer uma análise detalhada nas demonstrações, para obter os melhores resultados. 4 46 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços: comércio e serviços, indústrias, bancos comerciais e múltiplos. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2010. AQUEGAWA, Haroldo Paulo; SOUZA, Emerson Santana de. Sustentabilidade financeira a partir dos índices de liquidez e ciclo financeiro: uma análise setorial do portfólio ISE frente à crise de 2008. Repositório Institucional da UFG, Goiás, Jul.2010. Disponível em: <h200127221174. ufg.br/handle/123456789/422>. 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Enc. s /financiamento e emp. vinculadas Participação dos acionistas não controladores Participação em Investimentos Valor residual de bens baixados do ativo permanente Resultado de participações em investimentos relevantes Variação cambial de ativo permanente Imposto de renda e contribuições diferidas Variação de estoques Variação de contas a receber Variação de fornecedores Variação de Plano de Pensão e Saúde Variação de impostos, taxas e contribuições. Variação de outros ativos e passivos Baixa de poços secos Perda na recuperação de ativos Outros Ajustes (=) Caixa Gerado pelas Atividades Operacionais (-) Caixa Utilizado em Atividades de Investimento Investimentos em E&P Investimentos em Refino e Transporte Investimentos em Gás e Energia Investimentos em Distribuição Investimentos no Segmento Internacional Investimentos em área de negócios Títulos e Valores Mobiliários Dividendos Outros Investimentos (=) Fluxo de Caixa Líquido (-) Recursos utilizados em atividades de financiamento Financiamentos Dividendos Aporte em caixa Gastos com emissão de ações Aquisição de participação de acionistas não controladores Captações Amortizações de principal Amortizações de juros Dividendos (+) Efeito de variação cambial sobre caixa e equivalente caixa (=) Variação líquida de caixa e equivalentes de caixa no período Caixa no Início do Exercício Caixa no Final do Exercício 2006 25.919 17740 9824 2007 21.512 20385 10696 869 1593 -1786 1743 233 3057 766 -2334 681 6803 477 -1430 2470 2430 1598 2791 2008 32988 16964 11632 4033 2009 28982 22856 14767 117 2010 35189 17682 14612 14 -2089 2752 692 -585 312 874 84 4770 -1413 -193 603 1546 -3642 805 -3000 -360 1210 1052 623 2264 1144 1398 51838 -70280 -32096 -19413 -10478 -581 -6381 387 68 -1776 -18442 31627 47067 -15440 -1168 43659 -45233 -17672 -4592 -2446 -633 -6727 -1188 41897 -45233 -20405 -9647 -5199 -916 -5238 1524 2658 -3339 49952 -53425 -26008 -13350 -6141 -1179 -5440 467 102 -1092 11066 -6654 97 -6751 -3123 71 -776 -3336 -11422 -3948 -7474 -274 232 -1265 -3473 5624 11837 -6213 4412 23417 27829 -14758 27829 13071 667 2818 13071 15889 -278 12907 15889 28796 5 50 5784 -851 -4422 542 1381 -3732 1124 2121 690 52871 -105183 -79777 -25406 -52312 53777 52433 -710 -580 36966 -18706 -6211 -9415 -294 1171 28246 29416