INCLUSÃO ESCOLAR E A EDUCAÇÃO ESPECIAL
Sônia Cupertino de Jesus
PFJ-(DEPD)
PRB Urbano – 1
Mestranda em Letras
Professora de Libras Aplicada
7º período de Fonoaudiologia do
CES/JF
5º período do Normal Superior da
Faculdade Metodista Granbery
SETEMBRO/2005
EDUCAÇÃO ESPECIAL e a Inclusão Escolar
A Educação especial é um tipo de ensino que visa desenvolver todas as potencialidades
de pessoas Portadoras de necessidades especiais, condutas típicas ou altas habilidades, que
é oferecida, segundo a secretaria de Educação Especial, preferencialmente na rede regular
de ensino.
A Educação Especial atinge todos os níveis de ensino, desde a educação infantil ao
ensino superior. Esta modalidade de Educação é considerada como sendo um montante de
recursos educacionais e de estratégias de apoio que estando à disposição de todos os alunos
também oferecem diferentes alternativas de atendimento.
Entende-se por Pessoa Portadora de deficiência, aquela pessoa que apresenta, em
comparação com a maioria das pessoas, significativas diferenças físicas, sensoriais ou
2
intelectuais, decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter permanente, que
acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social, e que por essa razão,
estão enfrentando várias barreiras para tomar parte ativa na sociedade com oportunidades
iguais às da maioria da população, o que ainda é considerado difícil.
Conforme nos orienta em seu livro: Inclusão – Construindo uma Sociedade Para Todos
(1999), Romeu Kazumi Sassaki, um dos paladinos do processo do reconhecimento pela
sociedade dos Direitos das pessoas Portadoras de Deficiência:”O termo necessidades
especiais é utilizado com um significado mais amplo. Às vezes encontramos na literatura,
em palestras e em conversas informais o uso das expressões pessoas Portadoras de
Necessidades Especiais, Pessoas com Necessidades Especiais e Portadores de
Necessidades Especiais, como sendo melhor do que usar as expressões pessoas portadoras
de Deficiência, pessoas com Deficiência e portadores de Deficiência, no sentido de que,
assim, seria evitado o uso da palavra”Deficiência” supostamente desagradável ou
pejorativa.Todavia, “necessidades especiais” não deve ser tomado como sinônimo de
“deficiências” (mentais, auditivas,visuais, físicas ou múltiplas). (p.14).
Define-se o Portador de Necessidades Educacionais Especiais, como sendo a pessoa
que apresenta algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, etc.
, necessitando por isso, de recursos especializados para desenvolver plenamente o seu
potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades.No Brasil, nós temos a SEESP –
Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, que é responsável pela
coordenação, implementação, supervisão e fomento da Política Nacional de Educação
especial.tendo como função identificar oportunidades, estimular iniciativas, gerar
alternativas e apoiar negociações que encaminhem o melhor atendimento educacional às
pessoas com necessidades educativas especiais, garantindo, assim a sua integração escolar e
social.
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo (Brasília, 24/05/2002), cada vez
os pais e familiares de crianças portadores de necessidades especiais estão procurando as
escolas regulares. No ensino Público, registramos entre 1998 e 2001, um aumento de 54%
nas matrículas de alunos com necessidades especiais, segundo o Censo Escolar.Estas
crianças e jovens com deficiências físicas ou mentais que vieram para as escolas normais,
perfazem um total de 78.274. Nas escolas especializadas, o aumento das matrículas foi de
3
17% no mesmo período.No entanto, a maior parte dos portadores de necessidades especiais
continua a estudar nas chamadas escolas especiais: são 245,1 mil matrículas em colégios
exclusivos deficientes. Para educadora Maria Teresa Mantoan, da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), é preciso reforçar as políticas para estimular a Inclusão dessas
crianças nas escolas regulares. ( p/ o Jornal em 24/05/2002) “ O aumento é positivo, mas
enquanto as políticas não forem mais claras, a Inclusão não vai ocorrer como deveria”,
analisa a educadora.
Acredito que a falta de informação deve ser o grande problema que justifica a não
inclusão bem maior de crianças com deficiência no ensino regular brasileiro. Esta falta de
informação, aliada ao preconceito, ao medo, falta de elaboração de metas governamentais
para qualificar o ensino; tudo isso provoca a segregação de crianças, que vão perdendo
oportunidades de desenvolverem seu potencial e de exercerem cidadania. O ministério da
Educação ainda não é capaz de garantir a educação a todas as crianças portadoras de
deficiências. Outro fator é que, não adianta só as crianças matricularem-se nas escolas
regulares, o ensino brasileiro não está preparado para recebe-las com uma formação com
qualidade e onde a diversidade esteja presente de forma natural.
Conceitua-se a Inclusão Social como o processo pelo qual a sociedade se adapta para
poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e,
simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A
inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda
excluídas e a sociedade buscam, em parcerias, equacionar problemas, decidir sobre
soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. (Sassaki,1997,p.3)
Um ótimo livro da jornalista Cláudia Werneck, trata com muita competência do tema
da Inclusão Social: Ninguém Mais vai Ser Bonzinho na Sociedade Inclusiva (1997), uma
obra para ser lida e estudada por muita gente: pessoas com deficiência, familiares,
profissionais de diversas áreas como habilitação, reabilitação, educação especial, mídia, etc.
Para que se possa incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada, e não as
pessoas, a partir do entendimento de que ela é que necessita ser capaz de atender às
pessoas, a partir do entendimento de que ela é que necessita ser capaz de atender às pessoas
4
e efetuar mudanças. O crescimento, o desenvolvimento dos portadores de necessidades
especiais, por meio da educação, reabilitação, qualificação profissional, etc, deve ocorrer
dentro do processo de inclusão e não como uma exigência, para estas pessoas poderem
fazer parte da sociedade. Muitos princípios para a prática da Inclusão são considerados
incomuns, diferentes e difíceis, como: a aceitação das diferenças individuais, (muitas vezes
é difícil para os próprios pais aceitarem o problema dos filhos) a valorização de cada
pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da
cooperação, da ajuda mútua, do entendimento.
Esta diversidade humana é representada principalmente pela origem nacional, sexual,
religião, cor, idade, raça, gênero e deficiências. Infelizmente, muitas pessoas ainda são
excluídas por serem consideradas diferentes.
A inclusão social, portanto, é um processo que contribui para a construção de um
novo tipo de sociedade através de transformações, pequenas e grandes, nos
ambientes físicos, espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos, utensílios
mobiliário e meios de transportes e na mentalidade de todas as pessoas, portanto
também do próprio portador de necessidades especiais. (Sassaki,1999, p.42)
Pedagogos e psicólogos hoje não têm mais dúvidas de que a inclusão de pessoas
portadoras de necessidades especiais em salas de aulas regulares só é benéfica ao
aprendizado dessas crianças. Elas aprendem mais e interagem com os colegas de classe. “O
desenvolvimento pedagógico nessas condições é muito maior do que quando a criança é
educada em classes especiais, compostas apenas por portadores de deficiências”, afirma a
psicopedagoga Leny Magalhães, professora da PUC-SP, numa entrevista ao jornal: Diário
do grande ABC (09/06/2002), ela estuda a educação inclusiva há vinte anos.
Educação Inclusiva significa provisão de oportunidades eqüitativas a todos os
estudantes, incluindo aqueles com deficiências severas, para que eles recebam
serviços eficazes, com os necessários serviços suplementares de auxílios e apoios, em
classes adequadas à idade, em escolas da vizinhança, a fim de prepara-los para uma
5
vida produtiva com o membros plenos da sociedade.(Centro Nacional de
Reestruturação e Inclusão Educacional, 1994 apud Sassaki,1999)
De acordo com o Centro para o ministério com pessoas Deficientes, da Universidade de
Dayton, EUA,” todas as adaptações de sala de aula devem ser feitas com o menor
“estardalhaço” possível e com o máximo de boa vontade e hospitalidade. Em nenhuma
hipótese, deverá a deficiência ser apontada de uma forma constrangedora ou enfatizada,
nem tão pouco ignorada”. ( citado por SASSAKI,1999, p.125). São várias as mudanças
possíveis de se fazer que não prejudicam ninguém e vão facilitar a vida do portador de
necessidades especiais, como: o professor deverá sentar-se na frente da sala, falar
claramente, usar recursos visuais aprender e estimular outros a aprenderem a linguagem dos
sinais, aplicar técnicas de modificação de comportamento; identificar os pontos fortes deles
formar grupos de aprendizado cooperativo, usar dramatização, dar exames orais, usar livros
em braile, contar histórias para ensinar conceitos abstratos, usar materiais de fácil
manuseio, escrever na lousa com letras grandes, etc. A Educação Inclusiva é boa para
todos.
A educação inclusiva representa um passo muito concreto e manejável que pode ser
dado em nossos sistemas escolares para assegurar que todos os estudantes comecem
a aprender que o “pertencer” é um direito, não um status privilegiado que deva ser
conquistado. ( N.Kunc, 1992 apud SASSAKI, 1999)
Segundo Montoan (1997), “ a inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional,
pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas
apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na
corrente educativa geral”. (p.145)
É preciso afirmar que existem resistências à Inclusão, tanto no âmbito escolar,
profissional, familiar, como em outros setores, as principais resistências têm como origem o
preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos mais flexíveis. O medo do
novo, do desconhecido nos educadores tem origem na formação acadêmica a qual não os
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habilitou para o trabalho com a diversidade, nem tão pouco o engenheiro que projeta um
prédio sem rampas, e demais profissões que não previram uma sociedade para todos.
Os preconceitos em relação à inclusão poderão ser eliminados ou, pelo menos,
reduzidos por meio das ações de sensibilização da sociedade e, em seguida mediante a
convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas, das empresas inclusivas,
dos programas de lazer inclusivos.Resultados já existem que comprovem a eficácia da
educação inclusiva em melhorar os seguintes aspectos: comportamento na escola, no lar e
na comunidade; resultados educacionais, senso de cidadania, respeito mútuo, valorização
das diferenças individuais e aceitação das contribuições pequenas e grandes de todos os
envolvidos, no processo ensino-aprendizagem, dentro e fora das escolas inclusivas.
Quando os educandos dos mais diferentes estilos estudam juntos podem se beneficiar
com os estímulos e modelos comportamentais uns com os outros. O ser humano necessita
passar por esse tipo de experiência para se desenvolver integralmente. A convivência na
diversidade humana pode enriquecer nossa existência desenvolvendo, em variados graus, os
diversos tipos de inteligência que cada um de nós possui. O fato de cada pessoa interagir
com tantas outras pessoas, todas diferentes entre si em termos de atributos pessoais,
necessidades, potencialidades, habilidades, etc., é à base do desenvolvimento de todos para
uma vida mais saudável, rica e feliz.
Sabemos que durante muito tempo a Educação Especial funcionou como um sistema
paralelo e não como parte integrante do sistema geral de educação, e assim foi-se criando
um mito de que é difícil trabalhar com pessoas portadoras de necessidades especiais. É
claro que não é fácil, mas também não exige nenhuma hiper estrutura e nenhum super
educador.
Para modificar estas idéias precisamos agir, sensibilizando a sociedade e convivendo
com a diversidade humana dentro das escolas inclusivas, empresas inclusivas e dentro de
políticas públicas inclusivas. Estes são os alicerces do processo de inclusão.
Na Escola Inclusiva todas as pessoas portadoras de necessidades especiais e de
distúrbios de aprendizagem têm direito à escolarização, o mais próximo possível do normal.
O seu principal objetivo é acolher todos que apresentem alguma diversidade, portanto
estamos falando de uma sociedade de direitos para todos.
7
Estes são os reais objetivos da educação previstos na constituição. Pessoas que valorizem as
crianças portadoras de necessidades especiais, e métodos que valorizem o que a criança tem
de bom e não o que ela não tem, ou tem de ruim; isto seria uma escola inclusiva, dentro de
uma sociedade para todos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Um a Sociedade Para Todos. 3ª edição.
Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p.
ALMEIDA, Marina S.Rodrigues. Manual Informativo sobre Educação especial. Fonte:
Rede Saci, São Paulo.14/06/202. Disponível em: <http://www.sentidos.com.Br>
Autor [S.I.] Ensino Público. O Estado de São Paulo, Brasília, 24/05/2002.
8
Disponível em: <http://www.sentidos. com.br>
Site do MEC- Secretaria de Educação Especial. Fonte: MEC/INEP/SEEC.
Disponível em: <http://www.mec.com.Br>
PASCHOAL, Engel. Escola para Todos. Folha do estado de Cuibá, MT, 25/04/02.
Disponível em: <http://www.sentidos.com.br>
TAMASAASKAS,Nicolas.
Alunos
Especiais.Diário
do
Grande
ABC,
Ribeirão
Pires,09/06/02. Disponível em: <http://www.sentidos.com.br>
WERNECK, Claudia. Ninguém mais vai ser Bonzinho, na Sociedade Inclusiva, WVA, Rio
de Janeiro,1997.
Sônia Cupertino de Jesus
PFJ-(DEPD)
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PRB Urbano – 1
Mestranda em Letras
Professora de Libras Aplicada
7º período de Fonoaudiologia do
CES/JF
5º período do Normal Superior da
Faculdade Metodista Granbery
SETEMBRO/2005
EDUCAÇÃO ESPECIAL e a Inclusão Escolar
A Educação especial é um tipo de ensino que visa desenvolver todas as potencialidades
de pessoas Portadoras de necessidades especiais, condutas típicas ou altas habilidades, que
é oferecida, segundo a secretaria de Educação Especial, preferencialmente na rede regular
de ensino.
A Educação Especial atinge todos os níveis de ensino, desde a educação infantil ao
ensino superior. Esta modalidade de Educação é considerada como sendo um montante de
recursos educacionais e de estratégias de apoio que estando à disposição de todos os alunos
também oferecem diferentes alternativas de atendimento.
Entende-se por Pessoa Portadora de deficiência, aquela pessoa que apresenta, em
comparação com a maioria das pessoas, significativas diferenças físicas, sensoriais ou
intelectuais, decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter permanente, que
acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social, e que por essa razão,
estão enfrentando várias barreiras para tomar parte ativa na sociedade com oportunidades
iguais às da maioria da população, o que ainda é considerado difícil.
Conforme nos orienta em seu livro: Inclusão – Construindo uma Sociedade Para Todos
(1999), Romeu Kazumi Sassaki, um dos paladinos do processo do reconhecimento pela
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sociedade dos Direitos das pessoas Portadoras de Deficiência:”O termo necessidades
especiais é utilizado com um significado mais amplo. Às vezes encontramos na literatura,
em palestras e em conversas informais o uso das expressões pessoas Portadoras de
Necessidades Especiais, Pessoas com Necessidades Especiais e Portadores de
Necessidades Especiais, como sendo melhor do que usar as expressões pessoas portadoras
de Deficiência, pessoas com Deficiência e portadores de Deficiência, no sentido de que,
assim, seria evitado o uso da palavra”Deficiência” supostamente desagradável ou
pejorativa.Todavia, “necessidades especiais” não deve ser tomado como sinônimo de
“deficiências” (mentais, auditivas,visuais, físicas ou múltiplas). (p.14).
Define-se o Portador de Necessidades Educacionais Especiais, como sendo a pessoa
que apresenta algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, etc.
, necessitando por isso, de recursos especializados para desenvolver plenamente o seu
potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades.No Brasil, nós temos a SEESP –
Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, que é responsável pela
coordenação, implementação, supervisão e fomento da Política Nacional de Educação
especial.tendo como função identificar oportunidades, estimular iniciativas, gerar
alternativas e apoiar negociações que encaminhem o melhor atendimento educacional às
pessoas com necessidades educativas especiais, garantindo, assim a sua integração escolar e
social.
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo (Brasília, 24/05/2002), cada vez
os pais e familiares de crianças portadores de necessidades especiais estão procurando as
escolas regulares. No ensino Público, registramos entre 1998 e 2001, um aumento de 54%
nas matrículas de alunos com necessidades especiais, segundo o Censo Escolar.Estas
crianças e jovens com deficiências físicas ou mentais que vieram para as escolas normais,
perfazem um total de 78.274. Nas escolas especializadas, o aumento das matrículas foi de
17% no mesmo período.No entanto, a maior parte dos portadores de necessidades especiais
continua a estudar nas chamadas escolas especiais: são 245,1 mil matrículas em colégios
exclusivos deficientes. Para educadora Maria Teresa Mantoan, da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), é preciso reforçar as políticas para estimular a Inclusão dessas
crianças nas escolas regulares. ( p/ o Jornal em 24/05/2002) “ O aumento é positivo, mas
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enquanto as políticas não forem mais claras, a Inclusão não vai ocorrer como deveria”,
analisa a educadora.
Acredito que a falta de informação deve ser o grande problema que justifica a não
inclusão bem maior de crianças com deficiência no ensino regular brasileiro. Esta falta de
informação, aliada ao preconceito, ao medo, falta de elaboração de metas governamentais
para qualificar o ensino; tudo isso provoca a segregação de crianças, que vão perdendo
oportunidades de desenvolverem seu potencial e de exercerem cidadania. O ministério da
Educação ainda não é capaz de garantir a educação a todas as crianças portadoras de
deficiências. Outro fator é que, não adianta só as crianças matricularem-se nas escolas
regulares, o ensino brasileiro não está preparado para recebe-las com uma formação com
qualidade e onde a diversidade esteja presente de forma natural.
Conceitua-se a Inclusão Social como o processo pelo qual a sociedade se adapta para
poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e,
simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A
inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda
excluídas e a sociedade buscam, em parcerias, equacionar problemas, decidir sobre
soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. (Sassaki,1997,p.3)
Um ótimo livro da jornalista Cláudia Werneck, trata com muita competência do tema
da Inclusão Social: Ninguém Mais vai Ser Bonzinho na Sociedade Inclusiva (1997), uma
obra para ser lida e estudada por muita gente: pessoas com deficiência, familiares,
profissionais de diversas áreas como habilitação, reabilitação, educação especial, mídia, etc.
Para que se possa incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada, e não as
pessoas, a partir do entendimento de que ela é que necessita ser capaz de atender às
pessoas, a partir do entendimento de que ela é que necessita ser capaz de atender às pessoas
e efetuar mudanças. O crescimento, o desenvolvimento dos portadores de necessidades
especiais, por meio da educação, reabilitação, qualificação profissional, etc, deve ocorrer
dentro do processo de inclusão e não como uma exigência, para estas pessoas poderem
fazer parte da sociedade. Muitos princípios para a prática da Inclusão são considerados
incomuns, diferentes e difíceis, como: a aceitação das diferenças individuais, (muitas vezes
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é difícil para os próprios pais aceitarem o problema dos filhos) a valorização de cada
pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da
cooperação, da ajuda mútua, do entendimento.
Esta diversidade humana é representada principalmente pela origem nacional, sexual,
religião, cor, idade, raça, gênero e deficiências. Infelizmente, muitas pessoas ainda são
excluídas por serem consideradas diferentes.
A inclusão social, portanto, é um processo que contribui para a construção de um
novo tipo de sociedade através de transformações, pequenas e grandes, nos
ambientes físicos, espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos, utensílios
mobiliário e meios de transportes e na mentalidade de todas as pessoas, portanto
também do próprio portador de necessidades especiais. (Sassaki,1999, p.42)
Pedagogos e psicólogos hoje não têm mais dúvidas de que a inclusão de pessoas
portadoras de necessidades especiais em salas de aulas regulares só é benéfica ao
aprendizado dessas crianças. Elas aprendem mais e interagem com os colegas de classe. “O
desenvolvimento pedagógico nessas condições é muito maior do que quando a criança é
educada em classes especiais, compostas apenas por portadores de deficiências”, afirma a
psicopedagoga Leny Magalhães, professora da PUC-SP, numa entrevista ao jornal: Diário
do grande ABC (09/06/2002), ela estuda a educação inclusiva há vinte anos.
Educação Inclusiva significa provisão de oportunidades eqüitativas a todos os
estudantes, incluindo aqueles com deficiências severas, para que eles recebam
serviços eficazes, com os necessários serviços suplementares de auxílios e apoios, em
classes adequadas à idade, em escolas da vizinhança, a fim de prepara-los para uma
vida produtiva com o membros plenos da sociedade.(Centro Nacional de
Reestruturação e Inclusão Educacional, 1994 apud Sassaki,1999)
De acordo com o Centro para o ministério com pessoas Deficientes, da Universidade de
Dayton, EUA,” todas as adaptações de sala de aula devem ser feitas com o menor
“estardalhaço” possível e com o máximo de boa vontade e hospitalidade. Em nenhuma
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hipótese, deverá a deficiência ser apontada de uma forma constrangedora ou enfatizada,
nem tão pouco ignorada”. ( citado por SASSAKI,1999, p.125). São várias as mudanças
possíveis de se fazer que não prejudicam ninguém e vão facilitar a vida do portador de
necessidades especiais, como: o professor deverá sentar-se na frente da sala, falar
claramente, usar recursos visuais aprender e estimular outros a aprenderem a linguagem dos
sinais, aplicar técnicas de modificação de comportamento; identificar os pontos fortes deles
formar grupos de aprendizado cooperativo, usar dramatização, dar exames orais, usar livros
em braile, contar histórias para ensinar conceitos abstratos, usar materiais de fácil
manuseio, escrever na lousa com letras grandes, etc. A Educação Inclusiva é boa para
todos.
A educação inclusiva representa um passo muito concreto e manejável que pode ser
dado em nossos sistemas escolares para assegurar que todos os estudantes comecem
a aprender que o “pertencer” é um direito, não um status privilegiado que deva ser
conquistado. ( N.Kunc, 1992 apud SASSAKI, 1999)
Segundo Montoan (1997), “ a inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional,
pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas
apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na
corrente educativa geral”. (p.145)
É preciso afirmar que existem resistências à Inclusão, tanto no âmbito escolar,
profissional, familiar, como em outros setores, as principais resistências têm como origem o
preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos mais flexíveis. O medo do
novo, do desconhecido nos educadores tem origem na formação acadêmica a qual não os
habilitou para o trabalho com a diversidade, nem tão pouco o engenheiro que projeta um
prédio sem rampas, e demais profissões que não previram uma sociedade para todos.
Os preconceitos em relação à inclusão poderão ser eliminados ou, pelo menos,
reduzidos por meio das ações de sensibilização da sociedade e, em seguida mediante a
convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas, das empresas inclusivas,
dos programas de lazer inclusivos.Resultados já existem que comprovem a eficácia da
educação inclusiva em melhorar os seguintes aspectos: comportamento na escola, no lar e
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na comunidade; resultados educacionais, senso de cidadania, respeito mútuo, valorização
das diferenças individuais e aceitação das contribuições pequenas e grandes de todos os
envolvidos, no processo ensino-aprendizagem, dentro e fora das escolas inclusivas.
Quando os educandos dos mais diferentes estilos estudam juntos podem se beneficiar
com os estímulos e modelos comportamentais uns com os outros. O ser humano necessita
passar por esse tipo de experiência para se desenvolver integralmente. A convivência na
diversidade humana pode enriquecer nossa existência desenvolvendo, em variados graus, os
diversos tipos de inteligência que cada um de nós possui. O fato de cada pessoa interagir
com tantas outras pessoas, todas diferentes entre si em termos de atributos pessoais,
necessidades, potencialidades, habilidades, etc., é à base do desenvolvimento de todos para
uma vida mais saudável, rica e feliz.
Sabemos que durante muito tempo a Educação Especial funcionou como um sistema
paralelo e não como parte integrante do sistema geral de educação, e assim foi-se criando
um mito de que é difícil trabalhar com pessoas portadoras de necessidades especiais. É
claro que não é fácil, mas também não exige nenhuma hiper estrutura e nenhum super
educador.
Para modificar estas idéias precisamos agir, sensibilizando a sociedade e convivendo
com a diversidade humana dentro das escolas inclusivas, empresas inclusivas e dentro de
políticas públicas inclusivas. Estes são os alicerces do processo de inclusão.
Na Escola Inclusiva todas as pessoas portadoras de necessidades especiais e de
distúrbios de aprendizagem têm direito à escolarização, o mais próximo possível do normal.
O seu principal objetivo é acolher todos que apresentem alguma diversidade, portanto
estamos falando de uma sociedade de direitos para todos.
Estes são os reais objetivos da educação previstos na constituição. Pessoas que valorizem as
crianças portadoras de necessidades especiais, e métodos que valorizem o que a criança tem
de bom e não o que ela não tem, ou tem de ruim; isto seria uma escola inclusiva, dentro de
uma sociedade para todos.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Um a Sociedade Para Todos. 3ª edição.
Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p.
ALMEIDA, Marina S.Rodrigues. Manual Informativo sobre Educação especial. Fonte:
Rede Saci, São Paulo.14/06/202. Disponível em: <http://www.sentidos.com.Br>
Autor [S.I.] Ensino Público. O Estado de São Paulo, Brasília, 24/05/2002.
Disponível em: <http://www.sentidos. com.br>
Site do MEC- Secretaria de Educação Especial. Fonte: MEC/INEP/SEEC.
Disponível em: <http://www.mec.com.Br>
PASCHOAL, Engel. Escola para Todos. Folha do estado de Cuibá, MT, 25/04/02.
Disponível em: <http://www.sentidos.com.br>
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TAMASAASKAS,Nicolas.
Alunos
Especiais.Diário
do
Grande
ABC,
Ribeirão
Pires,09/06/02. Disponível em: <http://www.sentidos.com.br>
WERNECK, Claudia. Ninguém mais vai ser Bonzinho, na Sociedade Inclusiva, WVA, Rio
de Janeiro,1997.
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