Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Por: Henrique Maia Veloso, PUC – Minas Campus Poços de Caldas Gestão e Conhecimento, v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 http://www.pucpcaldas.br/graduacao/administracao/nupepu/online/numero0.htm Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso Resumo As alterações sofridas pelos bancos têm modificado, segundo a teoria, o modus operandi e, conseqüentemente, a relação do indivíduo com seu trabalho. Nesse sentido, é objetivo deste estudo analisar as fontes de pressão encontradas comparativamente à ótica proposta pelo modelo de COOPER e colaboradores (1988), procurando delinear até que ponto é possível compreender o fenômeno do estresse ocupacional pelos modelos desses autores. A estratégia metodológica tem como principal alicerce a realização de entrevistas semi-estruturadas com os profissionais de uma agência bancária. Como resultados, este estudo encontrou fontes de pressão que não podem ser entendidas com a utilização exclusiva do modelo proposto por Cooper e seus colaboradores. Percebeu-se que as fontes de pressão estão, em parte, associadas às transformações contextuais sofridas pela instituição pesquisada. Fez-se necessário entender o processo de trabalho dentro da agência, as visões do bancário sobre as transformações da sua profissão, os novos valores que estão atrelados à execução das tarefas, que não fazem parte, diretamente, das análises do modelo. Percebeu-se que as análises das outras vertentes e abordagens, como as propostas pela psicopatologia, psicossociologia e sociologia, podem ser utilizadas como formas complementares de se entender o processo de estresse ocupacional. 1) INTRODUÇÃO E ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS Pesquisas mostram que o setor bancário vem sofrendo uma série de transformações, que são impulsionadas por novas configurações de mercado, por mudanças econômicas e pelo avanço tecnológico. Isso tem se traduzido em fortes alterações no processo de trabalho executado dentro das agências bancárias. As estruturas e os processos de trabalho têm sido remodelados, resultando em processos de enxugamento, em automação bancária e em novas formas de gestão. Concomitantemente, percebe-se na literatura do setor que alguns autores relatam alterações nas relações entre o indivíduo e seu trabalho, além de problemas com a saúde dos bancários. Observa-se que estão surgindo questões tais como desemprego, pressões de trabalho, excesso de jornada de trabalho, insegurança profissional, estresse e doenças mentais que são fruto dessas novas configurações do setor. Um dos principais modelos de estresse ocupacional utilizados no Brasil é o de COOPER e seus colaboradores(1988) que tem como perspectiva de análise uma visão funcionalista das fontes de pressão no trabalho. Os autores desse modelo restringem o foco de estudo dos agentes estressores ao âmbito da organização, procurando disfunções como geradoras de estresse. Objetivam, nesse sentido, localizar as fontes de pressão para poder eliminá-las, uma vez que são consideradas empecilhos à produtividade. A indagação dessa pesquisa surge quando essas perspectivas são analisadas em conjunto. Por um lado, o modelo tem como enfoque a visão funcionalista e interna da organização. Por outro, as transformações macroeconômicas estão alterando as características das relações entre o indivíduo e o seu trabalho dentro das agências. Essas novas configurações estão resultando em novas fontes de pressão? Caso isso seja verdade, o modelo de Cooper e seus colaboradores é capaz de captar e explicar essas Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 1 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso novas fontes de pressão? Caso isso não se confirme, como podem ser compreendidas essas novas variáveis? São essas as principais indagações que este trabalho procurou estudar. Para responder essas questões, optou-se por uma perspectiva metodológica qualitativa, concentrando os esforços de pesquisa em um estudo de caso com observação dos postos de trabalho e entrevistas semi-estruturadas dentro de uma agência bancária. No total, foram observados dez postos de trabalho e realizadas vinte e uma entrevistas com funcionários de todos os setores e níveis hierárquicos de uma agência bancária de grande porte em Belo Horizonte. O Banco do Brasil foi a instituição escolhida para esta pesquisa, sendo que diversos fatores influenciaram essa opção, tais como a vasta literatura sobre a organização que evidencia que está passando pelas transformações e adequações semelhantes às do setor bancário, a importância e o papel social da organização, principalmente enquanto mecanismo de fomento do desenvolvimento econômico, e a receptividade da instituição para a realização de estudos. Durante a realização desta pesquisa, foi preciso recorrer a outros modelos de análise de estresse ocupacional para a compreensão das fontes de pressão no trabalho encontradas. Para tanto, fez-se necessário reconstruir as principais abordagens e vertentes de estresse. Também foi importante entender as transformações acontecidas no setor, assim como as características específicas da instituição pesquisada, para, somente então, analisar e compreender as fontes de pressão e a forma como se configuram. 2) AS FONTES DE OCUPACIONAL PRESSÃO NO TRABALHO E O ESTRESSE As fontes de pressão no trabalho são um dos principais elementos do estresse ocupacional e, na maior parte das vezes, são as desencadeadoras de todo o processo. Assim como os estudos do processo de estresse mudaram ao longo do desenvolvimento das diversas abordagens, as concepções e a forma como as fontes de pressão são vistas também foram alteradas. As fontes de pressão no trabalho estão ligadas às concepções dos diversos estudos de estresse ocupacional. Na medida em que há diferentes visões de estresse ocupacional, conseqüentemente, há diferentes concepções de quais seriam as fontes de pressão. Podese, segundo CHANLAT (1990), distinguir dois principais blocos de pesquisas que focam o estresse e o trabalho como variáveis: o dos países anglofônicos (principalmente EUA e Inglaterra) e o dos países francofônicos (Principalmente França e parte do Canadá). Nos países anglofônicos, estão localizados os principais núcleos de pesquisa que tratam diretamente do conceito de estresse ocupacional, que vem sendo trabalhado dentro de uma perspectiva funcionalista, focando principalmente as disfunções organizacionais como fontes de pressão. Nos países francofônicos, predominam estudos que tratam da saúde e do adoecimento psíquico, que, por sua vez, tangenciam os estudos de estresse em alguns conceitos. Nessa corrente, as fontes de pressão resultam da inter-relação entre a subjetividade dos trabalhadores e as condições objetivas do trabalho. A seguir, serão expostos os dois blocos de países e as suas respectivas visões da questão do estresse ocupacional e das fontes de pressão no trabalho. Para tanto, serão utilizados os modelos dos dois pesquisadores que possuem maior projeção nas Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 2 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso pesquisas brasileiras, sendo Cary Cooper e seus colaboradores, dos países anglofônicos (principalmente EUA e Inglaterra), e Christophe Dejoursi, dos países francofônicos (parte do Canadá e França). a) Países Anglofônicos Existem diversos estudos que relacionam aspectos do trabalho e estresse dentro dos países anglofônicos. As abordagens utilizadas pelos pesquisadores são as mais diversas, buscando desde condições físicas de trabalho, modelos de organização da produção e características profissionais até modelos comportamentais dos indivíduos, visando sempre a associação desses elementos com problemas de saúde. Um dos modelos de análise que tem bastante repercussão e aceitação, dentro da perspectiva do estresse ocupacional, é o construído por Cary Cooper e seus diversos colaboradores (COOPER, COOPER & EAKER, 1988; COOPER, SLOAN & WILLIANS, 1988; ARNOLD, ROBERTSON & COOPER, 1991). O modelo de Cooper é amplamente aplicado na Inglaterra (país de origem das pesquisas) e é utilizado como referência para diversos pesquisadores no mundo todoii. Os autores construíram um modelo dinâmico que mescla características do trabalho e individuais para compreender o processo de estresse, integrando uma visão da organização que pode ser descrita como funcionalista. Ou seja, o modelo de análise procura achar as incoerências e disfunções organizacionais (fontes de pressão) que geram problemas de estresse nos indivíduos. Busca mostrar em que pontos a organização não está corretamente definida e, com isso, propor soluções para os problemas que vão diminuir os níveis de estresse na organização. Isso implica que o foco de análise das fontes de pressão fica exclusivamente dentro da estrutura da organização e das falhas advindas do planejamento mal executado. Outro ponto importante é que o estresse, nessa perspectiva, deve ser eliminado da estrutura organizacional, sendo um dos objetivos gerenciais para o aumento da produtividade. Isso porque o estresse causa prejuízos, tais como absenteísmo, turnover, prejuízos advindos dos custos de saúde, queda da produtividade dentre outros (COOPER, COOPER & EAKER, 1988). A partir de diversas pesquisas e consultorias, os autores do modelo construíram um instrumento para realizar o diagnóstico do estresse nas organizações: o Occupational Stress Indicator (OSI). Trata-se de um modelo de análise das principais variáveis que afetam o estresse dentro das organizações. Segundo o modelo do OSI de COOPER, SLOAN & WILLIANS (1988), os indivíduos, influenciados por seus valores e estruturas individuais (locus de controle e tipo de comportamento), ao sofrerem a influência de elementos estressores (fontes de pressão), escolhem formas individuais de regular sua situação (mecanismos de combate). A manifestação do estresse (estado de saúde ou satisfação com o trabalho) seria percebida caso as estratégias de combate escolhidas fossem falhas. As fontes de pressão no trabalho estão divididas, segundo o modelo teórico, em cinco grupos básicos que se subdividem em diversos pontos de análise. Segundo os autores, os grupos de variáveis apresentadas são os fatores intrínsecos ao trabalho, papel na organização, relacionamento interpessoal, carreira/realização e clima/estrutura organizacional. Esses grupos são considerados as principais questões que devem ser analisadas e que foram descobertas durante as pesquisas feitas por aqueles autores (COOPER, SLOAN & WILLIANS, 1988). Ressalta-se que as fontes de pressão focam Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 3 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso exclusivamente questões vinculadas às características funcionais do processo de trabalho. b) Países Francofônicos Nos países francofônicos, percebe-se uma forte difusão das visões da psicopatologia e da psicossociologia para análise dos fenômenos associados ao estresse ocupacional. Reitera-se que ambas as vertentes estão fortemente ligadas entre si em termos conceituais. A psicopatologia é a mais desenvolvida e difundida do que a psicossociologia, possuindo uma metodologia e uma vasta gama de pesquisas que utilizam seus conceitos. Uma das principais preocupações da psicopatologia em termos de sofrimento ocupacional é a questão da organização do processo de trabalho. Dejoursi concentra grande parte de seu esforço de pesquisa analisando a forma como o trabalho é estruturado no processo produtivo, pois a configuração pode ser danosa ao indivíduo, principalmente em termos de saúde mental. “Quando se coloca face a face o funcionamento psíquico e a organização do trabalho, descobre-se que certas organizações são perigosas para o equilíbrio psíquico e que outras não o são.” (DEJOURS, DESSORS & DESRIAUX, 1993:104) Para tanto, é preciso distinguir o trabalho prescrito – a forma como o trabalho foi desenhado, planejado, normatizado pela organização – do trabalho real – o trabalho como é efetivamente concretizado pelos trabalhadores. Sempre há uma diferença entre o trabalho prescrito e o real, provocada pela impossibilidade de serem previstas todas as situações que envolvem o executar das tarefas pelos operários. De uma certa forma, pode-se dizer que a intensidade ou o nível de prescrição das tarefas depende de uma determinação feita pela empresa. Ou seja, a organização pode prescrever mais ou menos o trabalho, ampliando ou limitando a possibilidade de ser desenvolvido de uma forma mais autônoma, mais livre, mais criativa, mais concebida pela sua própria imaginação. Quanto mais a organização do processo de trabalho for prescrita em normas rígidas, maior será o sofrimento gerado. O sofrimento surge porque, na visão de Dejours, a extrema prescrição significa uma anulação dos comportamentos livres, uma despersonificação do trabalhador em seu ambiente de trabalho. Entretanto, o indivíduo cria mecanismos – coletivos e individuais, conscientes ou não - e formas de lidar com o trabalho, para reduzir seu sofrimento. Caso contrário, isso o levaria a uma descompensação mental. Dentre essas formas de lidar com o sofrimento, os indivíduos, coletivamente, criam ideologias defensivas, que são mecanismos para sobreviverem, por exemplo, às opressões mentais criadas pelos riscos físicos que o trabalho proporciona. Dejours aponta que os indivíduos podem construir mecanismos individuais (defesas comportamentais), mas são menos eficazes em termos de reduzir o sofrimento. Essas defesas comportamentais se assemelham muito ao mecanismo de lidar com estresse (coping) estudado pela corrente anglofônica. Em parte, CHANLAT (1990) aponta essa diferença de valorização dos mecanismos de combate pelas correntes em função da definição do foco de análise. Para os pesquisadores da corrente anglofônica, o indivíduo é o elemento central, enquanto para os estudiosos da francofônica o importante é o coletivo de trabalhadores. Dejours observou que as ideologias defensivas representam, muitas vezes, formas de produtividade organizacional, ou seja, servem como elementos impulsionadores ou Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 4 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso possibilitadores do andamento do processo produtivo. Para DEJOURS (1996), o sofrimento não pode ser eliminado da situação de trabalho. Entretanto, pode se manifestar de uma forma patogênica (prejudicial à saúde e improdutivo) ou de uma forma criativa (não prejudicial à saúde e produtivo). Por isso mesmo, diferentemente da perspectiva funcionalista, Dejours acredita que as organizações utilizem o sofrimento e as incoerências e contradições internas da organização como forma de obter produtividade. Para o estudo do estresse, esses conceitos podem ser importantes para compreender as fontes de pressão dentro do trabalho. O primeiro ponto é a questão entre o trabalho prescrito e o trabalho real. Uma rigidez excessiva da organização do processo de trabalho pode constituir um agente estressor, na medida em que impede a própria realização do trabalho pelo funcionário, que se vê forçado a ter que conviver com as incoerências das normas. A tensão no indivíduo é gerada por meio do conflito entre o sistema normativo da organização e as condições objetivas de trabalho, sendo que em ambos o trabalhador pode sofrer as punições, principalmente caso algo saia de seu controle. As incoerências das tarefas, as opressões impostas pela organização do trabalho podem não se concretizar em problemas mentais, mas a busca por manter a normalidade nesse sistema implica sofrimento, que, por sua vez, pode significar problemas somáticos. O segundo ponto é associado à criação de ideologias defensivas. Fontes de pressão que se configurem riscos reais à saúde do trabalhador podem deixar der ser potenciais problemas enquanto coletivamente forem criados mecanismos de defesa para serem ignorados. Além disso, como salienta Dejours, a organização pode se aproveitar desse mecanismo para gerar produtividade. É importante compreender, portanto, como os indivíduos se comportam frente aos agentes estressores e como isso afeta o processo de trabalho. A exploração do sofrimento mental pela organização do trabalho pode dar origem a uma ideologia defensiva que servirá como elemento de manutenção das sanidades mentais. Entretanto, essa ideologia defensiva, no momento em que ela se direciona para um comportamento improdutivo (patogênico), pode gerar um desgaste maior no indivíduo e, conseqüentemente, maior estresse. CHANLAT (1990) analisa comparativamente as duas fortes correntes de estudo sobre saúde ocupacional, a francofônica e a anglofônica. Esse autor ressalta que o estresse ocupacional e o burnoutiii têm predominado nos países anglo-saxões e nos países escandinavos, enquanto a psicopatologia do trabalho, nos países latinos da Europa, principalmente na França. Aparentemente, ambas as correntes estão preocupadas com a mesma questão, a doença gerada pelo trabalho, valem-se das mesmas disciplinas para a abordagem do tema – seja por meio da medicina, da psicologia, da sociologia, da administração ou da engenharia – sem, entretanto, haver qualquer comunicação entre as duas. Chanlat atribui a origem da separação das duas correntes e a falta de comunicação entre elas aos problemas de linguagem na qual os estudos são elaborados, à organização do campo científico de cada um dos grupos de países nas quais estão as correntes, às tradições intelectuais e ao contexto sócio-histórico. Todavia, ambas as correntes trabalham em uma questão que é perfeitamente complementar: o estudo dos elementos que desencadeiam o sofrimento no trabalho. A definição dos pontos de sofrimento do indivíduo é uma preocupação que permeia essas pesquisas. Não são abordadas nessas correntes, contudo, as transformações sociais às quais as organizações têm passado, as tendências sociais tais como o desemprego estrutural, a sociedade de consumo, a aceleração das mudanças tecnológicas, as novas relações do Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 5 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso homem com o trabalho dentre outras. Ou seja, constatar se há alguma relação entre essas mudanças e a constatação de ALBRECHT (1990) de que estamos vivendo em uma era da ansiedade e, principalmente, se novas fontes de pressão estão se configurando durante esse processo. Reitera-se que é necessário que sejam feitas análises mais amplas que envolvam as transformações recentes que as organizações vêm sofrendo e o impacto sobre o trabalho dos indivíduos, procurando desvendar possíveis novas configurações de fontes de pressão no trabalho. É nesse sentido que serão abordadas as configurações do setor bancário, assim como parte das transformações sofridas nos últimos anos. 3) TRABALHO BANCÁRIO Antes de compreender o impacto das transformações sobre o trabalho bancário, é preciso entender que essa atividade profissional possui algumas características que a distingue de muitas outras, principalmente quando comparada às demais atividades dos setores prestadores de serviços. Uma dessas características é a burocratização dos processos que está intrinsecamente associada à natureza do serviço oferecido. Tudo precisa ser documentado, guardado e contabilizado de forma a possibilitar o controle do desempenho e o controle fiscal (possibilidade de eventuais auditorias). Isso implica forte prescrição de algumas tarefas, traduzidas em normas, procedimentos e regras a serem seguidas. Grande parte das normas é feita para a própria segurança do banco, dos clientes e dos funcionários, tais como conferência de assinatura, entrega de talão de cheque, a realização de transações financeiras etc. A natureza do objeto de trabalho também é sui generis. Isso por ser composto apenas por números, por valores financeiros, quantias vultosas e pequenas ao mesmo tempo, que, no final do dia, continuam a ser apenas dígitos que não expressam nenhuma conquista ou realização (FALQUETO,1997) . CODO (1995) classifica o trabalho bancário como sendo vazio, pois não constrói um produto final tangíveliv. Segundo esse autor, muitos funcionários relataram seu sofrimento como sendo decorrente de uma falta de satisfação com o trabalho executado. Uma das conseqüências do trabalho vazio, segundo esse autor, é a falta de identidade inerente ao trabalho – por lidar com números, não construir nenhum produto no final –, que pode gerar distúrbios psíquicos. MOULIN (1996 e 1997) aponta para o fato de que o bancário, muitas vezes, sente-se realizado em seu trabalho por meio do bom atendimento ao cliente. Entretanto, no relacionamento entre bancário e consumidor, a literatura sobre os bancos aponta problemas e conflitosv. Duas perspectivas, a partir da teoria, se abrem. Os clientes seriam a forma como os bancários têm seu trabalho reconhecido e, também, são responsáveis por uma enorme pressão sobre a forma como executam o trabalho. Essa seria uma variável difícil de ser explicada por um modelo cujo enfoque está exclusivamente direcionado para o interior da organização e para os processos internos, pois configuram-se como pontos contraditórios dentro de uma situação que envolve elementos de dentro e de fora da organização. Além de ser vazio para o funcionário, como preconiza CODO (1995), pode-se questionar o trabalho bancário enquanto não produtor de objetos para a sociedade de consumo, tal como foi descrita por BAUDRILLARD (1991). O serviço prestado pelo bancário não constrói um objeto que possa ser ponto de satisfação do consumidor. Pelo contrário, o trabalho bancário, em caso de problemas, pode ser um ponto de insatisfação Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 6 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso para o cliente, por estar lidando com o elemento essencial de inserção na sociedade de consumo: o dinheiro. O trabalho bancário é diferente em sua essência, também, porque os valores monetários são de outras pessoas. Ou seja, lidar com os valores de outras pessoas, as economias que elas fazem, as programações financeiras dos clientes, um dinheiro que não lhe pertence e que, em alguns casos, são elevados em comparação aos próprios salários. COUTO (2000), reiterando as assertivas anteriores, chama a atenção para alguns fatos importantes que podem ser considerados como características intrínsecas ao trabalho bancário nos dias atuais. Um dos pontos é que o cliente tem sido um dos que vêm exercendo pressão sobre o bancário. Isso porque o funcionário é a imagem viva da organização, representando seus valores, sua postura e seus objetivos. Durante a prestação do serviço, o funcionário é o responsável por reconstruir imagem institucional e repassá-la para o cliente, de forma que esse último reconheça no bancário e no serviço oferecido os valores repassados tanto pelas campanhas de propaganda e marketing quanto pelo discurso de valorização do consumidor. A contradição entre os valores repassados e o mau serviço prestado, seja por culpa do funcionário ou não, gera a insatisfação do cliente. Por ser o ponto de contato com o cliente, o bancário é o canalizador das reclamações quanto ao serviço prestado, constituindo uma fonte de pressão no seu cotidiano. Outra característica é a responsabilidade financeira que uma parte dos bancários tem em suas atividades, principalmente os caixas. O erro implica necessariamente reposição do próprio bolso dos possíveis prejuízos ao banco. Os caixas recebem um adicional no salário de quebra-de-caixa para funcionar como compensação pelo risco, mas há casos em que a diferença é grande e o funcionário acaba se endividando. E os erros tendem a aumentar na medida em que há uma sobrecarga de trabalho, ocasionada pela redução do quadro de funcionários ou pela expansão do volume de negócios no setor. As transformações acontecidas e relatadas no setor são responsáveis por grande parte das mudanças do trabalho bancário. A reestruturação do sistema financeiro e o aumento da competitividade implicaram fortes ajustes na organização do processo de trabalho e na estrutura dos bancos. Analisando as transformações do setor, GOMES (1994) concluiu que, após as inovações tecnológicas, o bancário reduziu a sua visão do trabalho como um todo, uma vez que tais profissionais tiveram seu trabalho simplificado. O bancário tem acumulado novas funções dentro das agências. O banco possui hoje uma diversificada cartela de produtos que são vendidos aos clientes por meio de planos de metas. É de responsabilidade do funcionário a venda desses produtos aos clientes. Alguns produtos, em função de suas características próprias, requerem um conhecimento diferenciado de finanças e de mercado financeiro, de forma que o funcionário possa aconselhar o cliente sobre suas opções. Isso também pode ser visto como uma forma de qualificação para o bancário à medida que exige uma visão de analista. O impacto mais visível das transformações atuais sobre o trabalho bancário é a redução dos postos de trabalho. Segundo estimativas do DIEESE (1998), mais de 348 mil postos de trabalho foram eliminados de 1989 a 1997, representando uma redução de 43% aproximadamente. Ressalta-se que o medo do desemprego é um dos problemas que têm sido visto como prejudiciais à saúde dos indivíduos (BORGES, 1997 e DINIZ, 1996). Observa-se que, com as estruturas mais enxutas, os bancos precisam reestruturar o processo produtivo. Com uma quantidade menor de pessoas, o trabalho é então Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 7 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso redistribuído para os demais, significando que, além das novas funções, o bancário assume quantitativamente o trabalho dos que saíram. Embora grande parte desse trabalho tenha sido assimilado pelas máquinas, novas tarefas surgem com a automação, tais como a conferências dos dados, a alimentação das máquinas, a manutenção dos sistemas de informação dentre outros. A relação percebida, entre aumento da qualificação formal versus exigências do cargo, pode, a princípio, ser explicada pela exclusão das pessoas menos qualificadas nos processos de enxugamento. O choque das duas variáveis, qualificação e exigência, pode significar uma insatisfação maior na execução das tarefas (inadequação de perfil, realização de tarefas abaixo da capacidade profissional etc). FREITAS (1995), por exemplo, que estuda o caso específico dos caixas, afirma que há uma apropriação do conhecimento do bancário na máquina, configurando um empobrecimento do trabalho desses profissionais. Sem dúvida, muitas outras transformações podem ser descritas no trabalho bancário. Entretanto, não se pretende esgotar esse tema aqui. Objetiva-se somente realçar o fato de que há uma série de mudanças na forma como o trabalho é executado e que pode ser responsável por impactos na saúde das pessoas que exercem essas atividades. 4) RESULTADOS E CONCLUSÕES DA PESQUISA As fontes relatadas pelos entrevistados foram: o cliente, problemas com o sistema de informática, metas organizacionais/ter que vender, excesso de trabalho, interrelacionamentos horizontais, inter-relacionamento verticais, falhas no processo de comunicação/excesso de produtos, segurança física/medo de assaltos, valor monetário e a responsabilidade sobre ele, não conseguir resolver o problema do cliente, falta de recursos humanos, insegurança profissional e falta de treinamento. Os resultados de pesquisa mostraram que o modelo de Cooper, no que diz respeito ao trabalho bancário da agência pesquisada, não foi suficiente para explicar sozinho todas as fontes de pressão encontradas neste estudo. O modelo precisou ser complementado com a análise de outros conceitos, principalmente para a compreensão de como os agentes estressores são construídos no processo de trabalho. Em alguns casos, foi preciso recorrer às análises de transformações macroeconômicas, setoriais, estruturais e conjunturais, procurando estabelecer explicações para os dados encontrados. É importante entender que variáveis contextuais, tais como o desemprego, a instabilidade e as dificuldades econômicas afetam os trabalhadores coletivamente, modificando e redefinindo as fontes de pressão no trabalho. A fonte de pressão metas, por exemplo, configura-se enquanto agente estressor à medida que o bancário possa ser mandado embora caso não as cumpra. Além disso, soma-se uma situação econômica em que o desemprego seja definido estruturalmente e que, conseqüentemente, a reinserção no mercado de trabalho formal fica mais difícil, principalmente dentro do próprio setor bancário. Ao mesmo tempo, alguns valores que foram alterados implicam visões diferenciadas da realidade. Um trabalhador que incorporou a empregabilidade dentro de seu vocabulário pensa de uma forma diferente em relação ao treinamento, à estabilidade, à culpa pelo desemprego, ao envolvimento com a organização, enfim, ao que é trabalho. Dessa forma, as fontes de pressão são modificadas, pois é preciso se preocupar constantemente em competir com os colegas de trabalho para se tornar mais empregável. Ainda nessa ótica, observa-se que as mudanças na forma como o trabalho é Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 8 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso realizado no banco estão relacionadas a uma série de valores que também foram alterados, resultando em uma nova identidade profissional. Essa nova identidade tem exigências diferentes e, algumas delas, configuram-se como fontes de pressão. As diversas fontes de pressão analisadas estão permeadas por essas alterações que aconteceram no contexto e no trabalho bancário. Conclui-se, nesse sentido, que, para compreender as fontes de pressão no trabalho bancário e, possivelmente, em outras profissões que sofram reestruturações do mesmo porte, é preciso ir além de análises das estruturas funcionais da organização. As fontes de pressão cliente e não conseguir resolver o problema do cliente são fruto de uma transformação na identidade do bancário, de uma modificação do trabalho e de novos valores que cercam a relação de atendimento ao consumidor. Por um lado, é necessário ver o lado do cliente que não se satisfaz com o trabalho bancário. Por outro, é preciso entender que o bancário é a imagem do banco e para ele são canalizadas as insatisfações do cliente. Essas fontes se concretizam por meio do inter-relacionamento conflituoso entre os dois lados e surge da insatisfação do cliente e da impossibilidade de satisfazê-lo por parte do funcionário, sejam por problemas estruturais do banco, por erros humanos ou ser efeito dos sistemas de informática. A fonte de pressão não se justifica somente por um problema da configuração do trabalho, como preconiza a visão funcionalista. Também não pode ser entendida como resultante de uma relação subjetiva do indivíduo com seu trabalho, como afirma a psicopatologia. Mas da integração das duas óticas do trabalho aliadas às interpretações das modificações as quais o setor está sofrendo. Dificilmente essa fonte de pressão pode ser compreendida caso não sejam analisadas as alterações sociais que vêm acontecendo na sociedade de consumo. Os problemas com o sistema de informática (não funcionamento dos computadores de forma geral) também não podem ser compreendidos somente dentro da perspectiva técnica, ou seja, a necessidade de se lidar com uma nova tecnologia por parte do bancário e pelas falhas técnicas do sistema. É preciso compreender o valor que a informática tem para o bancário, o que significou em termos de transformação do seu trabalho, a dependência da execução do trabalho gerada, a relação de controle, a prescrição e absorção do trabalho por meio das máquinas, além da impossibilidade de realizar as tarefas e a pressão feita pelo cliente quando o sistema cai. Ou seja, o significado que a informática tem e o valor que ela passa são tão importantes quanto a necessidade de se adaptar às novas tecnologias em si, no que se refere à configuração das fontes de pressão. Ressalta-se que a informatização, na ótica do mercado, é um processo inexorável, principalmente pela necessidade de interligação das diversas instituições financeiras, tornando-se uma imposição. As metas (de vendas dos produtos bancários principalmente) e ter que vender estão atreladas a uma nova identidade do bancário, às possibilidades de punição por meio dos mecanismos de avaliação de desempenho, às dificuldades das vendas associadas à forma como os trabalhos foram configurados, ao perfil da gerência e à forma como esta estabelece administração da agência, à configuração comercial, à necessidade de sobrevivência financeira e ao acirramento da competitividade do setor. Também são influenciadas pelas fontes de pressão falta de treinamento, insegurança profissional, instabilidade, medo do desemprego, falta de recursos humanos, excesso de trabalho, falhas no processo de comunicação/excesso de produtos e problemas com o sistema de informática. Nesse sentido, as fontes de pressão atuam conjuntamente, reforçando-se mutuamente, interagindo entre si e com o indivíduo. Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 9 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso O excesso de trabalho é uma variável do modelo funcionalista, mas só pode ser compreendida caso sejam analisadas as transformações setoriais, estruturais do banco e conjunturais da agência. O aumento da competitividade, o novo perfil comercial do banco, a redução de custos, a automação do setor e da organização, a localização da agência, a falta de solidariedade entre os próprios bancários estão ligados diretamente à fonte de pressão. O banco precisa ter uma estrutura enxuta para poder sobreviver competitivamente e, dessa forma, precisa conviver com o excesso de trabalho. Não é apenas um problema funcional, mas uma necessidade estrutural imposta pelo ambiente de mercado. O inter-relacionamento horizontal (relacionamento com os colegas de trabalho) é uma pressão prevista pelo modelo funcionalista. Pode-se perceber, contudo, que esse problema está associado às transformações da identidade do bancário. A nova visão competitiva está vinculada ao novo perfil de trabalho bancário e, com isso, há uma desagregação do coletivo dentro da identidade anterior e a construção individualizada de um novo profissional. A competitividade permeia e é permeada por valores e políticas organizacionais, tais como a empregabilidade e desemprego, a avaliação de desempenho individualizada, as cobranças das metas e os conflitos de interesses (tarefas, vida pessoal e carreira). Até que ponto essa fonte de pressão pode ser entendida como uma disfunção organizacional e até que ponto não foi resultante de uma política fundamentada na busca pela competitividade? Possivelmente, as duas visões se mesclam em uma só, de forma que o problema é uma solução e vice-versa. De forma semelhante, o inter-relacionamento vertical (relacionamento entre gerente e subordinado) faz parte do modelo funcionalista. É, todavia, influenciado pela forma como são estruturadas as políticas de Recursos Humanos da organização. Os próprios funcionários reconhecem que o gerente é muito exigido em seu cargo e compreendem os motivo pelos quais são exigidos por ele. A fonte de pressão não é fruto somente do inter-relacionamento pessoal entre chefe e subordinado, mas de condições estruturais que impõem uma forma de gestão nas agências. Percebe-se, entretanto, que o gerente acaba tendo um papel essencial, na medida em que é responsável por repassar as determinações da superintendência. É o gerente que vai decidir se o trabalho será desempenhado rigidamente ou de forma mais flexível. No caso da agência pesquisada, foi possível visualizar que a gestão atual é vista como mais tranqüila, principalmente se comparada com o gestor anterior. As falhas no processo de comunicação/excesso de produtos (bancários) são fontes de pressão nas quais características do banco e variáveis funcionalistas mesclam-se de forma bastante singular. O excesso de produtos é uma necessidade comercial do banco para captação de recursos. Na medida em que os produtos são alterados e que, necessariamente, os bancários precisam saber dessas informações, gera-se uma necessidade de acompanhar sempre as comunicações feitas pelo banco. Ao mesmo tempo, as comunicações, segundo relatadas pelos entrevistados, são longas e demandam muito tempo para serem lidas, constituindo um problema funcional de informação. Também foi relatado que o banco disponibiliza as alterações ao mesmo tempo para clientes e funcionários, sendo que aqueles cobram destes mais informações sobre as alterações. O problema é agravado tanto pela falta de tempo, pelo excesso de trabalho, pelas cobranças dos clientes quanto pela insegurança técnica causada por uma falta de treinamento. A segurança física/medo de assaltos é uma fonte de pressão que não pode ser entendida como um problema funcional, na medida em que nenhum sistema pode dar Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 10 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso total segurança aos bancários. O crime e a violência na sociedade tornam-se mais presentes e o fato de lidar diretamente com valores monetários expõe os bancários diretamente ao perigo. Foi possível compreender que os funcionários da agência não pensam no perigo em função do porte e das características da agência, mas têm consciência de que não há segurança total. Já os funcionários dos Postos Avançados Bancários convivem diretamente com a insegurança, fazendo que o medo de assaltos seja mais claramente definido nas entrevistas. Essa fonte de pressão pode ser entendida como uma característica intrínseca ao trabalho bancário e não uma disfunção organizacional, sendo agravada pelo aumento da violência na sociedade como um todo. O valor monetário e a responsabilidade sobre ele também é uma característica do trabalho bancário. Mas é agravada pelo excesso de trabalho, pela insegurança profissional, instabilidade, medo do desemprego, pela redução salarial e pela necessidade de quebrar as normas de segurança para a execução do trabalho de forma eficiente. A possibilidade de erro ou de ter que pagar por fraudes aumenta proporcionalmente ao volume de trabalho. Em alguns casos, o erro pode significar o emprego no banco ou dívidas para os funcionários e é nesse contexto que a fonte se torna um ponto de preocupação. Os trabalhadores, principalmente os caixas, vivem em constante tensão durante a execução do trabalho. Concomitantemente, muitas vezes, precisam quebrar as regras de segurança para poder atender bem o cliente e desempenhar o seu novo papel. Nesse sentido, essa fonte de pressão está interligada com as demais variáveis do trabalho bancário. A visão funcionalista não aborda essa variável diretamente, dentro da perspectiva do dinheiro, mas trabalha com a responsabilidade por objetos de valor como sendo uma fonte de pressão. A falta de recursos humanos (quadro de funcionários reduzido) é uma fonte de pressão associada ao excesso de trabalho, mas não pode ser entendida somente nessa perspectiva. Deve ser compreendido o que significaram os processos de enxugamento, a automação do trabalho, o fim da estabilidade e a obrigação de satisfazer o cliente. Os funcionários, no sentido em que descreveram essa fonte de pressão, mencionaram a impossibilidade de atender o cliente de uma forma personalizada, com tempo para resolver os problemas dele, de deixá-lo satisfeito e de concretizar uma venda. A fonte de pressão insegurança profissional, instabilidade, medo do desemprego pode ser compreendida em alguns aspectos pelo modelo funcionalista. Não pode, todavia, ser entendida sem a compreensão das transformações sofridas pelo trabalho e pelo profissional. A troca da auto-suficiência pela empregabilidade, o processo de automação, as políticas de avaliação de desempenho e as metas, as configurações do mercado de trabalho e as mudanças constantes dos rumos da organização afetam a fonte de pressão. E essa fonte de pressão afeta muitas outras, direta ou indiretamente. A falta de treinamento é um problema funcional. Mas no mercado predomina a visão de empregabilidade que se tornou um valor dentro das políticas de Recursos Humanos. O banco não é mais o responsável pela qualificação do bancário, assim como também não é responsável pela manutenção do emprego dele. O próprio funcionário precisa se suprir das qualificações e habilidades para o desempenho do cargo e, por isso, torna-se responsável pela manutenção do próprio emprego. Ao mesmo tempo, há uma imposição de uma nova identidade que demanda tanto treinamento técnico quanto treinamento de habilidades para o desempenho profissional, fazendo com que o funcionário se sinta pressionado pela falta de conhecimentos e habilidades. Algumas características específicas do trabalho bancário definem algumas das fontes de pressão e, portanto, não podem ser entendidas como sendo disfunções Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 11 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso organizacionais, mas elementos inerentes ao tipo de trabalho executado. O fato de lidar com dinheiro dos outros afeta diversas fontes tais como cliente e valor monetário e a responsabilidade sobre ele e segurança física/medo de assaltos. O fato de o trabalho ser vazio afeta, por exemplo, não conseguir resolver o problema do cliente e insegurança profissional, instabilidade, medo do desemprego. A necessidade de controle de todas as atividades associada à questão automação interfere nos problemas com o sistema de informática. Assim, essas características que são inerentes ao trabalho bancário afetam diretamente o modo como as fontes de pressão são construídas. Algumas dessas características não podem ser compreendidas como variáveis que a serem alteradas no nível da estrutura organizacional com o objetivo de reduzir o estresse, pois, em alguns casos, fazem parte do trabalho bancário. Outras características fazem parte de uma relação sócio-histórica do banco e da forma como se estabelece enquanto instituição comercial. O Banco do Brasil traz características próprias de atuação mercadológica que estão sofrendo alterações. O papel social do banco, a sua transformação comercial, as suas amarras burocráticas, as mudanças na forma como são estabelecidas as políticas de Recursos Humanos afetam a maioria das fontes de pressão. Essas características podem ser revistas pela própria gestão do banco, tanto pelas formas como têm sido implementadas as mudanças quanto pelos rumos definidos pela organização. Há problemas funcionais que acabam se configurando como fonte de pressão. Os problemas os inter-relacionamentos verticais e horizontais são fruto de uma deterioração das relações no ambiente de trabalho. O excesso de trabalho, a falta de recursos humanos e a falta de treinamento também são variáveis funcionais. Entretanto, para que sejam analisadas, é importante que sejam captados o momento e os valores das transformações do banco. As fontes de pressão só podem ser compreendidas caso sejam entendidas diversas outras variáveis, tais como a reestruturação passada pelo mercado financeiro, as transformações estruturais feitas pelo banco, as configurações conjunturais da agência e dos novos valores que estão sendo transformados nas relações sociais. Foi preciso compreender uma mudança de perfil do setor, do banco e, conseqüentemente, do bancário. Este último precisou alterar os seus valores, a sua forma de trabalhar e a sua forma de se relacionar com o banco e com os clientes. A organização do processo de trabalho foi alterada e, ao mesmo tempo, a estrutura da organização foi adaptada ao novo perfil de mercado. Constata-se que, no caso pesquisado, as fontes de pressão estão interligadas diretamente, sendo que uma influencia a outra numa relação dinâmica, de forma que não podem ser compreendidas isoladamente. Às vezes, uma fonte reforça a outra e ambas estão vinculadas a uma mesma situação ou contexto. As fontes de pressão não podem ser compreendidas como elementos que podem ser alterados facilmente, pois envolvem variáveis que extrapolam os muros organizacionais. Por outro lado, é possível atenuar o impacto causado pelas modificações, principalmente, nas políticas de Recursos Humanos e na organização do processo de trabalho. Em alguns casos, a organização parece que está deliberadamente querendo gerar uma pressão como forma de obter mais produtividade e, nesse sentido, os agentes estressores fazem parte de um tipo de gestão, não sendo, portanto, fruto de planejamento equivocado. Devemos reiterar que o mercado valoriza o imediatismo financeiro, o retorno rápido a qualquer preço. O custo em termos de saúde em longo prazo não interessa para a Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 12 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso organização, que pode muito bem substituir por funcionários cada vez mais qualificados, principalmente em tempos de desemprego. É difícil prever qual é o prejuízo em termos de imagem da organização, de perda de conhecimento organizacional, de comprometimento do corpo funcional, do trabalho mal realizado pelos funcionários insatisfeitos dentre tantos outros custos, mas a organização parece desconsiderar esses elementos. Entretanto, quando essas questões passam a ser negligenciadas como se fossem uma tendência no mercado, os prejuízos sociais são evidentes, seja pela deterioração da qualidade de vida, seja pelo aumento do número de doenças relacionadas ao trabalho ou pelo aumento dos custos com saúde. Outro ponto importante encontrado nesta pesquisa e que, de certa forma, afeta a compreensão das fontes de pressão no trabalho é que a agência pesquisada e, possivelmente, o Banco do Brasil encontra-se dentro de perspectivas conflitantes de gestão. O setor, em função de suas necessidades de controle e de sua extrema normatização, exige um forte aparato burocrático por parte dos bancos. Essa é uma especificidade do setor que significou, durante muito tempo, tarefas rigidamente normatizadas pelas instituições. As regras de segurança são evidentes nesse sentido. A competitividade, que foi aumentada ao longo dos anos, e, especificamente no caso do Banco do Brasil, a inserção em um modelo comercial forçaram uma adaptação estrutural e uma nova forma de administração, cujo enfoque é o cliente, que pode ser definida como gestão por excelência. E os modelos entram em conflito exatamente no processo de trabalho, sendo que, por exemplo, o funcionário não tem autonomia (ou empowerment) para flexibilizar o seu trabalho ao mesmo tempo em que tem que deixar o cliente satisfeito. Também são contraditórios em muitos pontos os papéis assumidos pelo Banco do Brasil. O papel de empresa estatal, com função de desenvolvimento social e amarras burocráticas, e o comercial ao mesmo tempo traduzem políticas de gestão muitas vezes incoerentes, tendo impacto direto sobre o funcionário. Em alguns casos, a função de desenvolvimento social implica prejuízos ou lucros menores para o banco e, conseqüentemente, o lucro deverá ser extraído de outra forma, seja por vendas dos diversos produtos ou pela redução dos custos de operação (enxugamentos e automação). As diversas fontes de pressão encontradas por esta pesquisa não podem ser totalmente explicadas por um único modelo de estresse ocupacional. Tanto o modelo de Cooper e seus colaboradores quanto o de Dejours não podem, isoladamente, dar respostas à forma como se configuram as fontes de pressão. Nesse sentido, os modelos podem ser entendidos como instrumentos complementares para o estudo das fontes de pressão no trabalho. Além disso, vê-se a necessidade de complementação das pesquisas com variáveis ligadas às transformações das estruturas, do mercado, da tecnologia, dos valores sociais, principalmente nos casos em que profissões, como a dos bancários, que estão sofrendo impacto dessas mudanças. Nesse sentido, no que tange as pesquisas sobre as fontes de pressão, recomenda-se que os modelos sejam utilizados de forma complementar, juntamente com análise de transformações sociais, setoriais, estruturais das atividades profissionais pesquisadas. É preciso compreender que algumas profissões estão sofrendo o impacto de programas de reestruturação produtiva e, na medida em que essas modificações alteram a relação do indivíduo com a sua tarefa, o sentido do trabalho, os valores que são estabelecidos no ambiente produtivo, novas fontes de pressão podem se cristalizar. Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 13 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594 Transformações do Trabalho e Fontes de Pressão: uma análise dos modelos de pesquisa de estresse ocupacional frente à realidade bancária. Henrique Maia Veloso Esta pesquisa contribui também com a utilização de uma metodologia qualitativa, sendo aqui considerada como elemento importante no estudo das fontes de pressão no trabalho. A observação dos postos de trabalho serviu como ponto de partida para compreender o cotidiano do bancário, fornecendo subsídios ao pesquisador para a análise de diversos dados obtidos. A utilização das entrevistas como forma de coleta de dados proporcionou uma visão em detalhes das situações vivenciadas pelos bancários, enriquecendo a análise dos dados e dando voz aos que sentem as fontes de pressão no seu dia-a-dia. Dessa forma, foi possível captar elementos que muitas vezes ficam omissos nas pesquisas, tais como as falas e opiniões dos atores, as suas vivências dentro do trabalho e a própria interpretação daquilo que afeta enquanto fonte de pressão. Esta pesquisa procurou respostas na teoria para compreender a fonte de pressão o cliente. Recomenda-se, todavia, que sejam feitas pesquisas para compreender a agressividade do consumidor perante o atendimento bancário. É preciso estudar também como o consumidor encara o produto e o trabalhador dos bancos e definir qual é a imagem criada pelo consumidor. Acredita-se ser de suma importância a realização de novas pesquisas que analisem os novos valores defendidos pelas organizações assim como os rumos que nossa sociedade anda tomando. A infelicidade dentro das organizações tem sido justificada por uma felicidade espúria na sociedade de consumo. É esse o sentido do trabalho? Os caminhos tortuosos são inexoráveis para se chegar ao desenvolvimento? 5) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACOORSI, A. Automação bancária e seus impactos: o caso brasileiro. Revista de Administração. São Paulo, v.27, n.4. p. 39-46, out./dez., 1992. ALBRECHT, K. O gerente e o estresse: faça o estresse trabalhar para você. 2a.ed. José Ricardo Brandão Azevedo (trad.) Rio de Janeiro: Zahar, 1990. 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Entretanto, o burnout é considerado como sendo o estresse crônico, que acontece quando um indivíduo está sob fortes fontes de pressão durante um longo período de tempo e não consegue lidar de forma satisfatória com a situação, gerando uma falência generalizada do organismo. iv Tal questão é importante para se entender a questão do bancário com seu trabalho. Dessa forma, na sociedade de consumo, qual será o valor do trabalho do bancário? v Vide MOULIN (1996 e 1997). Gestão e Conhecimento PUC-Minas campus Poços de Caldas 17 v.1, n.0, Art.1, jul. /nov. 2004 ISSN 1808-6594