FATORES DETERMINANTES NAS DECISÕES DE TERCEIRIZAÇÃO
DOS SERVIÇOS CONTÁBEIS DAS EMPRESAS DA CIDADE DE
PALOTINA-PR
Área: Ciências Contábeis
Caren Daniele Ricini
Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Marechal Cândido Rondon
Rua Guimarães Rosa, 57 – Bairro Jd Santa Mônica – CEP 85.950-000 – Palotina – PR.
E-mail: [email protected]
Aládio Zanchet
Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Marechal Cândido Rondon
Av Irio Jacob Welp, 1040 – Lot. Gauer – CEP 85.960-000 – Mal. Cândido Rondon – PR.
E-mail: [email protected]
Resumo
O objetivo deste trabalho é identificar e analisar os fatores determinantes nas decisões de
terceirizar ou não os serviços contábeis e o nível de satisfação dos gestores das empresas da
cidade de Palotina-Pr., quanto aos serviços contábeis contratados. A coleta de dados foi
realizada através de aplicação de questionário e entrevista semi-estruturada em uma amostra
composta por vinte empresas localizadas na cidade de Palotina, estado do Paraná,
selecionadas através de amostragem Por Acessibilidade ou Conveniência, sendo um grupo de
dez empresas que terceirizam os serviços contábeis (Grupo 1) e outro grupo de dez empresas
que não terceirizam esses serviços (Grupo 2). Os dados foram analisados através de análise
descritiva. Os resultados indicam que os principais fatores que influenciam as decisões de
terceirização ou não dos serviços contábeis são: tamanho da empresa, conhecimento dos
gestores sobre contabilidade e aspectos legais envolvendo a empresa, possibilidade de
dedicação exclusiva do contador às atividades da empresa, possibilidade de acompanhamento
do processo contábil pelos gestores das empresas, comprometimento do contador com os
objetivos da empresa, qualidade dos serviços, custo de contratação dos serviços e
comodidade. Os resultados também indicam que em ambos os grupos de empresas os gestores
se mostram satisfeitos com os serviços contábeis contratados.
Palavras-chave: Contabilidade. Serviços Contábeis. Terceirização.
1 INTRODUÇÃO
De acordo com Iudícibus (2007, p. 43), do ponto de vista puramente financeiro, as
perspectivas no mercado de trabalho para contador são excelentes, embora ainda a
importância da função da contabilidade não seja totalmente reconhecida dentro das entidades,
como também o número de profissionais qualificados com ampla visão de administração
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financeira seja muito escasso. São esses poucos profissionais que têm condições de assumir as
posições de controladores, diretores financeiros, chefes de departamento de contabilidade de
custos, auditores internos e externos. Profissionais com essa visão e formação estão sendo
reconhecidos e tendo uma remuneração satisfatória.
O principal objetivo da Contabilidade, segundo Iudícibus (2007, p. 25), é “[...] o
fornecimento de informações econômicas para os vários usuários, de forma que propiciem
decisões racionais [...]”. Conforme explicam Marion e Santos (2007), “Um profissional da
área contábil é um agente de mudanças, e como tal este profissional deve mostrar suas
diversas habilidades [...]”. O contador precisa ser um “profundo conhecedor” da empresa para
que possa auxiliar no seu crescimento, não sendo somente um “apurador de dados”. Também
precisa saber interpretar e traduzir aquilo que é transmitido através dos demonstrativos
contábeis para que as informações se tornem úteis às decisões dos usuários, especialmente em
se tratando de decisões envolvendo a gestão da empresa em seu dia-a-dia.
No que diz respeito à terceirização, Araújo (2001) esclarece que terceirizar significa
passar a responsabilidade pela execução de determinados serviços a terceiros. Mas, mesmo
com essa transferência de responsabilidade pela execução, a empresa que terceiriza o serviço
não deixa de ter responsabilidade sobre as funções passadas a terceiros e deve estar sempre
supervisionando a execução do serviço que foi terceirizado. Segundo o autor, terceirizando os
serviços contábeis a empresa pode obter vantagens de ordem financeira, tecnológica,
competitiva e operacional. Embora existam tais vantagens, o autor alerta que esses mesmos
fatores podem influenciar negativamente o desempenho da empresa, caso as decisões
envolvendo a terceirização desses serviços não tenham sido planejadas e dimensionadas
adequadamente.
Algumas críticas são dirigidas aos serviços contábeis terceirizados, prestados por
escritórios de contabilidade. Segundo os críticos esses serviços não produzem os mesmos
efeitos que uma contabilidade não terceirizada produziria. Conforme expõe Barros (2005), os
escritórios de contabilidade gastam mais tempo com a contabilidade financeira, aquela
voltada mais para as exigências fiscais e legais, em detrimento à contabilidade gerencial, a
qual está direcionada para a geração de informações que possam auxiliar na gestão da
empresa. Conforme o autor,
É rotineiro, nos meios acadêmicos, propagar-se que a Contabilidade sempre foi e
continuará sendo o melhor e mais completo sistema de informações para
embasamento das decisões gerenciais. Entretanto, é usual, também, ouvir-se que, na
prática, o profissional da área contábil direciona 95% de seu tempo de trabalho e de
seu esforço para o preenchimento de formulários, cumprimento de formalidades
legais e apuração de resultados para pagamento de impostos. Existe, inclusive, a
referência de que o contador, remunerado pela empresa que o contrata, atua,
predominantemente, como um funcionário público, isto é, sua ação beneficia os
órgãos arrecadadores de impostos e taxas.
Essas críticas suscitam questões de ordem teórica e prática em relação ao processo de
terceirização dos serviços contábeis pelas empresas, pois elas contrastam com os objetivos
traçados pela contabilidade e com os cuidados recomendados para as decisões envolvendo a
terceirização de serviços. Mesmo assim, sabe-se que a terceirização desses serviços é prática
comum entre as empresas.
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Considerando o exposto, este trabalho busca responder à seguinte questão de pesquisa:
Quais os fatores determinantes nas decisões de terceirização dos serviços contábeis das
empresas do município de Palotina-Pr., e qual o nível de satisfação dos gestores dessas
empresas em relação aos serviços contábeis contratados? Diante desse problema, o objetivo
deste trabalho é identificar e analisar os fatores determinantes nas decisões de terceirizar ou
não os serviços contábeis e o nível de satisfação dos gestores das empresas da cidade de
Palotina-Pr., quanto aos serviços contábeis contratados.
2 QUADRO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
2.1 Terceirização
Araújo (2001, p. 89) ensina que terceirizar significa: “[...] passar adiante (para
terceiros e pagando) a responsabilidade pela execução de determinada atividade ou de
conjunto de atividades.”. De outra forma Ramos (2002), expõe que terceirização é “[...] uma
técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de
transferência, a terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas, que
são suas atividades-meio, permitindo a estas se concentrarem no seu negócio.”.
Araújo (2001) salienta também que a terceirização age sobre as funções de apoio da
empresa, as quais podem ser delegadas a terceiros, mas mesmo assim a empresa que
terceirizar o serviço não deixará de ter responsabilidade sobre as funções passadas a terceiros
e deve estar sempre supervisionando a execução do serviço, mesmo porque se não estiver
satisfeito com o serviço por falta de qualidade comprovada, poderá rescindir o contrato
assinado por ambas as partes. Terceirizar não é deixar de lado as funções de apoio por
completo, pois se essas funções não forem desempenhadas corretamente podem influenciar
negativamente no desempenho de outras funções.
Stein e Lopes (1998) explicam que o objetivo central da terceirização é permitir que os
esforços da empresa estejam focalizados nas suas atividades mais importantes. Não se trata
apenas de obter uma redução direta dos custos. Essa redução dos custos é um processo natural
quando bem sucedido. Nesse sentido Ramos (2002) vê a terceirização como sendo
[...] uma alternativa eficaz para as empresas empreendedoras melhorarem as suas
operações, tornando-as mais eficientes nos processos e com mais eficácia nos
resultados, ganhando competitividade e otimização econômica, flexibilizando as
suas atividades no sentido da agilidade, da satisfação do mercado.
Stein e Lopes (1998, p. 75) explicam que deve haver uma relação de parceria entre a
empresa e seus prestadores de serviços terceirizados. Segundo os autores, “[...] a escolha do
parceiro de produção é ponto crucial para o bom desempenho do processo de terceirização
[...]”. Salientam ainda que com a parceria as “[...] empresas tornam-se sócias e cooperam
entre si, havendo uma postura criativa nas organizações e certeza no fornecimento do bem ou
serviço em prazo hábil.”. O sucesso dessa relação de parceria, segundo Braga (2003) depende
do nível de especialização que o prestador dos serviços tem no processo em que se propõe a
executar. Ramos (2002) também salienta que a relação de parceria é um fator importantíssimo
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na terceirização do serviço e que uma condição fundamental e indispensável para a parceria é
a confiança mútua, pois “[...] os recursos são despendidos em conjunto e os dados
confidenciais são partilhados entre os parceiros. Essa é a palavra mágica de qualquer projeto
de terceirização [...]”, e que “[...] a parceria é a essência da terceirização [...]”.
Araújo (2001) explica que a terceirização dos serviços contábeis de uma empresa pode
ser vantajosa por diversas razões. A primeira delas é de ordem financeira, pois lhe pode
proporcionar redução de custos. A segunda é de ordem tecnológica, pois na medida em que a
empresa terceiriza o serviço à contratada, lhe estarão sendo disponibilizadas todas as
inovações tecnológicas existentes no mercado. Isso permitiria à contratante acompanhar essas
inovações como maior rapidez do que se o fizesse sozinha. A terceira é de ordem competitiva,
pois quando a empresa adere à terceirização ela esta disponibilizando maior tempo para se
dedicar às suas questões estratégicas. A quarta razão destacada pelo autor se refere a
excelência operacional, porque com a terceirização a contratante não abre mão da qualidade
dos serviços contratualmente delegados e ainda espera que a contratada se responsabilize e
execute o serviço da melhor forma possível. O autor acrescenta ainda outras vantagens
específicas da terceirização, tais como:
• A liberação de espaço na empresa: dessa forma libera espaço para outras
atividades;
• A criação de ambiente mais propício ao surgimento de inovações: a empresa
pode se dedicar a outras funções;
• A formalização de parcerias: manter um relacionamento profissional com a
empresa contratada;
• A valorização profissional: no caso de uma empresa resolver terceirizar um
serviço da empresa, algum funcionário pode ter habilidade no serviço e
resolver abrir uma empresa para terceirizar o serviço;
• O estabelecimento de novas micro, pequenas e médias empresas: quando a
empresa terceiriza o serviço, estará disponibilizando mais tempo para se
dedicar a outros negócios, como o estabelecimentos de novas empresas; e
• A redução da dependência da comunidade em relação a empresa: “O uso da
terceirização viabiliza a independência econômica das regiões em relação a
essa grande empresa.”.
Por outro lado, há também que se destacar as possíveis desvantagens da estratégia de
terceirização. Araújo (2001, p. 100), explica que em função da terceirização de determinado
serviço a empresa incorra em custos de demissões de pessoal já contratado. Essas ações
também podem gerar demissões equivocadas, o que acarretará custos com novas contratações
no futuro. Também sob o aspecto tecnológico, há o risco de que se estabelecer uma relação de
dependência com a contratada, o que poderá comprometer a atuação da empresa no futuro.
2.2 Contabilidade – objetivos, usuários e características qualitativas da informação
Diante das características e cuidados a serem tomados nas decisões de terceirização
dos serviços pelas empresas, se faz necessário avaliar constantemente se os objetivos
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definidos pela contabilidade estão sendo alcançados independentemente desses serviços
serem terceirizados ou não pelas empresas.
Iudícibus (2007, p. 35) expõe que “A Contabilidade reflete um dos aspectos mais
dominantes no homem hedonístico, isto é, põe ordem nos lugares em que reinava o caos, toma
o pulso do empreendimento e compara uma situação inicial com outra mais avançada no
tempo.”. A Contabilidade consegue reunir as informações de forma ordenada, fazendo com
que se possam analisar informações do passado, do presente e ainda visualizando o futuro.
Iudícibus e Marion (2002, p. 42) definem a Contabilidade como sendo
[...] o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões. Na verdade,
ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrandoos e sumarizando-os em forma de relatórios ou de comunicados, que contribuem
sobremaneira para a tomada de decisões.
De acordo com Iudícibus e Marion (2002, p. 51), “O objetivo da contabilidade pode
ser estabelecido como sendo o de fornecer informação estruturada de natureza econômica,
financeira e, subsidiariamente, física, de produtividade e social, aos usuários internos e
externos à entidade objeto da Contabilidade”. Hendriksen e Van Breda (1999) salientam que
os objetivos das demonstrações contábeis é transmitir informações úteis para os investidores,
credores e outros usuários que precisam tomar decisões racionais.
A Contabilidade possui usuários externos e internos. Como usuários externos podem
ser citados os bancos, o governo, os clientes, os fornecedores, os investidores e a sociedade
em geral. Como usuários internos estão os administradores, os funcionários e demais agentes
envolvidos com a gestão da empresa. Conforme Iudícibus e Marion (2002, p. 54), para os
usuários externos a contabilidade fornece
[...] as tradicionais demonstrações contábeis como o Balanço Patrimonial (posição
das contas num determinado momento), Demonstração de Resultado do Exercício
(uma demonstrações de Fluxos econômicos), Demonstração de Origens e
Aplicações de Recursos ou, mais recentemente, Fluxo de Caixa (demonstrações de
fluxos financeiros) e outras.
Já os usuários internos têm interesses diferenciados. Além das demonstrações citadas,
as quais são utilizadas como ponto de partida para subsidiar os tomadores internos de decisão,
eles necessitam de
[...] outros tipos de relatórios que aliem conceitos e informações derivantes do
sistema de Contabilidade Financeira (geral) – que produz os relatórios tradicionais, a
outros derivantes da contabilidade de custos, da administração financeira, da
administração da produção e outras disciplinas que apresentam conceitos
importantes para a tomada de decisões.
A Tabela 1 apresenta os principais tipos de usuários e o tipo de informação mais
solicitada por esses usuários.
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Tabela 1 - Usuários da informação contábil
Usuário da Informação Contábil
Meta que Desejaria Maximizar ou Tipo de
Informação mais Importante
Acionista minoritário
Fluxo regular de dividendos.
Fluxo de dividendos, valor de mercado da ação, lucro
por ação.
Fluxo de dividendos mínimos ou fixos.
Geração de fluxos de caixa futuros suficientes para
receber de volta o capital mais os juros, com
segurança.
Valor adicionado, produtividade, lucro tributável.
Fluxo de caixa futuro capaz de assegurar bons
aumentos ou manutenção de salários, com segurança;
liquidez.
Retorno sobre o ativo, retorno sobre o patrimônio
liquido; situação de liquidez e endividamento
confortáveis.
Acionista majoritário ou com grande participação
Acionista preferencial
Emprestadores em geral
Entidades governamentais
Empregados em geral, como assalariados.
Média e alta administração
Fonte: Iudícibus (2007, p. 23)
A qualidade dos serviços contábeis está associada à utilidade que as informações
disponibilizadas pela contabilidade têm para seus usuários. Para conferir utilidade às
informações contábeis, busca-se revesti-las de algumas características, denominadas na
literatura contábil de Características Qualitativas da Informação Contábil.
Hendriksen e Van Breda (1999, p. 95) afirmam: “As características qualitativas
foram definidas [...] como sendo as propriedades da informação que são necessárias para
torná-la útil.” Relatam (1999, p. 96) ainda que “[...] a informação deve propiciar benefícios
superiores a seu custo [...]”, ou seja, se a informação tiver um custo maior do que seu
potencial de geração de benefícios, essa informação não será viável. Mas os mesmos autores
(1999) afirmam que fazer uma análise do custo benefício é extremamente difícil e talvez até
impossível. Iudícibus e Marion (2002, p. 64) explicam que uma maneira de verificar a
qualidade da informação contábil é “[...] analisar algumas qualidades ou características que
deve possuir, tais como: compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade
[...]”.
Segundo Iudícibus e Marion (2002, p. 64), “A informação contábil precisa ser
compreensiva, isto é, completa, e retratar todos os aspectos contábeis de determinada
operação ou conjunto de eventos ou operações [...]”. Da mesma forma, Iudícibus (2007, p. 85)
explica que, “A compreensibilidade revela a qualidade da informação contábil, que deve ser
exposta de forma mais compreensível possível, para que o usuário possa, efetivamente
entendê-la e utiliza-la de forma cabal nas tomadas de decisões.”.
Também de acordo com Iudícibus e Marion (2002, p. 65), “A informação possui a
qualidade da relevância quando ela influencia as decisões econômicas dos usuários ajudandoos a avaliar eventos passados, presentes ou futuros ou confirmando ou corrigindo suas
avaliações passadas [...]”. Santos (1998) salienta que para que uma informação seja relevante
ela precisa “[...] ser oportuna, possuir valor como feedback e apresentar valor preditivo [...]”.
Oportuna pois a informação precisa estar disponível ao tomador da decisão na hora certa,
antes que a decisão seja tomada. Valor como feedback pois deve possibilitar ao seu usuário
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avaliar as decisões tomadas no passado e valor preditivo pois deve ter a capacidade de auxiliar
nas decisões futuras.
Segundo Iudícibus e Marion (2002, p. 66), “A informação possui a qualidade da
confiabilidade quando ela está livre de erros materiais e vieses e pode ser aceita pelos usuários
como representando fielmente o que se propõe a representar, ou que poderia razoavelmente se
esperar que representasse [...]”. Para Hendriksen e Van Breda (1999, p. 99), para que a
informação seja considerada confiável ela precisa ter fidelidade de representação, ser passível
de verificação e ser neutra. Conforme os autores, “[...] para que alguém confie em
informações, é essencial que elas representem fielmente os fenômenos que pretende
representar [...]”, para ser verificável ela precisa ter “[...] a capacidade de assegurar, por meio
do consenso entre mensuradores, que a informação representa o que se destina a representar,
ou que o método de mensuração foi utilizado sem erro ou viés [...]”, e é neutra quando “[...]
representa a capacidade do procedimento de mensuração de proporcionar uma descrição
precisa do atributo considerado [...]”.
Para ter comparabilidade, de acordo com Iudícibus e Marion (2002, p. 66), “Os
usuários precisam ter condições de comparar as demonstrações contábeis de uma entidade
através dos anos a fim de identificar tendências em sua situação patrimonial e financeira e em
seu desempenho [...]”. Da mesma forma Iudícibus (2007, p. 85) diz que “[...] deve poder
propiciar ao usuário o discernimento da evolução, no tempo, da entidade observada ou
comparações entre entidades distintas, não devendo, entretanto, constituir entrave para a
evolução qualitativa da informação [...]”.
E para que os usuários possam fazer comparações, segundo Hendriksen e Van Breda
(1999, p. 101), a informação depende de dois aspectos importantes: uniformidade e
consistência. Conforme os autores, a uniformidade “[...] subentende que eventos iguais são
representados de maneira idêntica.” e é exigido “[...] consistência no uso de procedimentos
contábeis ao longo do tempo por causa da dificuldade de predições com base em séries
históricas de dados que não sejam medidos e classificados da mesma maneira em datas
distintas.”.
3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa empírica foi realizada com uma amostra composta de vinte empresas
estabelecidas na cidade de Palotina, estado do Paraná. A amostra envolve dois grupos de
empresas. No primeiro grupo foram selecionadas dez empresas que terceirizam os serviços
contábeis e no segundo dez empresas que não terceirizam esses serviços. As empresas foram
selecionadas através da técnica de amostragem não probabilística Por Acessibilidade ou
Conveniência. Como instrumentos de coleta dos dados foram utilizados o Questionário e a
Entrevista Semi-estruturada.
A pesquisa se classifica, quanto aos objetivos, como pesquisa descritiva, quanto aos
procedimentos como levantamento ou survey e como pesquisa bibliográfica e quanto à
abordagem do problema, como pesquisa qualitativa. A pesquisa descritiva objetiva descrever
características de determinada população ou fenômeno ou estabelecer relações entre as
variáveis. Nesse tipo de pesquisa o pesquisador não manipula as variáveis, apenas as estuda,
observa, registra, analisa, classifica e as interpreta. No levantamento ou survey os dados
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podem ser coletados com base em uma amostra retirada de determinada população ou
universo que se deseja conhecer. A pesquisa bibliográfica se caracteriza quando o objetivo é
obter informações e conhecimentos prévios sobre determinado problema para o qual se
procura uma resposta ou acerca de uma hipótese que se quer experimentar. Por meio da
pesquisa bibliográfica se toma conhecimento sobre a produção científica existente. A pesquisa
qualitativa caracteriza-se pela análise mais profunda em relação ao fenômeno que está sendo
estudado e visa identificar características não observadas por meio de um estudo quantitativo.
(RAUPP e BEUREN et al., 2006).
Quanto a análise dos dados, de acordo com Colauto e Beuren et al. (2006, p. 136),
“[...] significa trabalhar com todo o material obtido durante o processo de investigação, ou
seja, com os relatos de observação, as transcrições de entrevistas, as informações dos
documentos e outros dados disponíveis [...]”. A forma de análise deste trabalho será a
descritiva, pois segundo aqueles autores (2006, p. 139): “[...] todos os estudos que envolvem
dados quantitativos, independentemente das questões, hipóteses ou pressupostos elaborados
para pesquisa, requerem analises descritivas [...]”.
4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Os dados coletados foram dispostos de forma a revelar: 1. O perfil da empresa
pesquisada; 2. O perfil dos gestores; 3. Os fatores determinantes nas decisões de terceirização
ou não dos serviços contábeis; 4. Os serviços atribuídos à área contábil pelos entrevistados; 5.
O relacionamento entre empresa e contador; 6. As vantagens e desvantagens percebidas pelos
gestores nas decisões tomadas, Para fins de denominação dos grupos de empresas
pesquisadas, adotou-se a denominação de “Grupo 1” para o grupo de dez empresas que
terceirizam os serviços contábeis e “Grupo 2” para o grupo de dez empresas que não
terceirizam esses serviços.
4.1 Perfil das empresas pesquisadas
O perfil das empresas pesquisadas foi identificado através da aplicação de
questionário, através do qual se apurou o volume de faturamento mensal, o número de
funcionário, o enquadramento fiscal, o ramo de atividade e o tipo de sociedade. O
questionário continha questões fechadas nas quais os respondentes assinalavam as opções que
melhor descreviam o perfil da empresa. O Quadro 1 apresenta a síntese dos resultados
obtidos.
Para identificação do volume de faturamento mensal da empresa o questionário
continha uma escala com 18 (dezoito) faixas. No Quadro 1 foram apresentadas apenas as
faixa de faturamento assinaladas pelas empresas. Os dados revelam que existe uma relação
direta entre o volume de faturamento e a terceirização dos serviços. Todas as empresas do
Grupo 2 apresentam faturamento superior a R$ 200.000,00 mensais, enquanto entre as
empresas do Grupo 1 nenhuma atinge esse volume.
Em relação ao número de funcionário, dado que também indica o porte da empresa, os
dados revelam que também há uma relação entre esse número e a opção de terceirizar os
serviços contábeis. Nove das 10 empresas do Grupo 1 apresentam um número de até 20
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funcionários, enquanto 9 das 10 empresas do Grupo 2 apresentam número superior a 50
funcionários.
O enquadramento fiscal ou Regime Tributário das empresas, variável que tem relação
direta com o volume de faturamento, também indica que o tamanho da empresa é fator
determinante nas decisões de terceirização. Todas as empresas do Grupo 1 estão enquadradas
como Microempresa ou Lucro Presumido. Por outro lado, 9 das dez empresas do Grupo 2
estão enquadradas no regime de Lucro Real.
Todas as empresas pesquisadas, de ambos os grupos, não se distinguem em relação ao
tipo de sociedade, todas estão constituídas sob a forma de Sociedade Limitada. Constata-se
também que as empresas do Grupo 1 se concentram, predominantemente, no ramo do
comércio, enquanto as do Grupo 2 na área de serviços.
Faturamento mensal
Até R$ 5.000,00
De R$ 5.001,00 à R$ 7.500,00
De R$ 20.001,00 à R$ 30.000,00
De R$ 30.001,00 à R$ 40.000,00
De R$ 40.001,00 à R$ 50.000,00
De R$ 70.001,00 à R$ 80.000,00
Acima de R$ 200.001,00
Grupo 1
1
2
1
2
1
3
-
Grupo 2
10
Número de Funcionários
Até 10 funcionários
De 11 a 20 funcionários
De 21 a 30 funcionários
De 31 a 40 funcionários
De 41 a 50 funcionários
Mais de 50 funcionários
Grupo 1
7
2
1
-
Grupo 2
1
9
Regime Tributário
Microempresa
Lucro Presumido
Lucro Real
Grupo 1
8
2
-
Grupo 2
1
9
Ramo de Atividade
Comércio
Indústria
Serviço
Comércio e serviço
Comércio, indústria e serviço.
Comércio e indústria
Grupo 1
6
1
2
1
-
Grupo 2
4
2
3
1
Tipo de Sociedade
Limitada
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quadro 1 - Perfil da empresa
Grupo 1
10
Grupo 2
10
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4.2 Perfil dos gestores
Para traçar o perfil dos gestores foram apresentadas questões que buscavam identificar
a posição, na empresa, do responsável pelas decisões em relação aos serviços contábeis, sobre
as noções que o responsável tem sobre contabilidade, escolaridade e área de formação. Os
resultados estão expostos no Quadro 2.
Entre as empresas do Grupo 1, há predominância do proprietário nas decisões sobre a
terceirização dos serviços contábeis. Já entre as empresas do Grupo 2 o poder de decisão é
transferida aos profissionais contratados (Administrador/Gerente/Funcionário).
Em relação ao nível de conhecimento sobre assuntos contábeis, os dados indicam que
entre as empresas do Grupo 2, 50% possui nível grande de conhecimento nessa área. Entre as
empresas do Grupo 1 o nível de conhecimento sobre contabilidade é menor, concentrando-se
em pouco ou médio nível de conhecimento.
Competência sobre decisões em relação aos serviços contábeis
Proprietário
Administrador/Gerente/Funcionário
Grupo 1
6
4
Grupo 2
3
7
Noção de Contabilidade
Nenhum
Pouco
Médio
Grande
Grupo 1
2
3
3
2
Grupo 2
3
2
5
Grupo 1
5
5
Grupo 2
4
6
Escolaridade
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Ensino Superior
Fonte: Elaborado pelos autores
Quadro 2 – Competência sobre decisões em relação aos serviços contábeis
No que se refere à escolaridade, nas empresas do Grupo 1 cinqüenta por cento
cursaram o Ensino Superior e 50% possuem apenas o Ensino Médio. Já entre as empresas do
Grupo 2, 60% de quem decide sobre os serviços contábeis cursaram o Ensino Superior,
enquanto 40% possuem apenas o Ensino Médio. Em relação às áreas de formação, nas
empresas do Grupo 1 quatro cursaram Administração e um possui Pós-Graduação em
Matemática. Nas empresas do Grupo 2, quatro cursaram Administração, um cursou Direito e
2 cursaram Ciências Contábeis. Nas empresas que possuem a contabilidade terceirizada
quatro cursaram faculdade de administração e um fez Pós Graduação em matemática.
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4.3 Fatores determinantes nas decisões de terceirização ou não dos serviços contábeis
Questionados sobre os motivos que levaram a empresa a terceirizar ou não os serviços
contábeis, obteve-se as seguintes respostas, conforme exposto no Quadro 6.
Variáveis
Grupo 1
Grupo 2
Dedicação exclusiva do contador à empresa
9
Acompanhamento no Processo Contábil
7
Conhecimento sobre aspectos legais
7
1
Tamanho da Empresa
6
6
Maior comprometimento com a empresa
6
Custo de Contratação do Serviço
6
1
Comodidade
6
Qualidade dos Serviços
2
5
Aproveitamento de Pessoal
2
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quadro 3 – Fatores determinantes nas decisões de terceirização ou não dos serviços contábeis
A variável dedicação exclusiva do contador à empresa foi citada por 9 das 10
empresas do Grupo 2 como determinante na decisão de não terceirizar os serviços contábeis.
Além disso, 7 delas mencionaram também a variável possibilidade de acompanhamento do
processo contábil como fator relevante. As variáveis tamanho da empresa e
comprometimento com os objetivos da empresa foram citadas por 6 das 10 empresas e a
variável qualidade dos serviços foi citada por 5 empresas.
Entre as empresas do Grupo 1, a variável desconhecimento sobre aspectos legais
envolvendo a empresa foi citada por 7 das dez empresa. As variáveis tamanho da empresa,
custo da contratação do serviço e comodidade foram citadas por 6 das dez empresas do
grupo.
Uma análise comparativa revela que as empresas do Grupo 1 têm duas preocupações
fundamentais: a primeira está relacionada a possibilidade da empresa não precisar se envolver
e não se preocupar com os aspectos legais, por essa razão buscam terceirizar o serviços; a
segunda está relacionada à capacidade que a empresa teria de arcar com os custos da
contratação de um profissional da contabilidade, pois citam com intensidade o tamanho da
empresa e o custo de contratação do serviço. Nessas empresas não se percebe preocupação
relacionada com a capacidade que informação contábil teria de agregar valor à empresa.
Por outro lado, as empresas do Grupo 2 apresentam preocupações mais voltadas para
segurança das informações geradas e para a possibilidade de utilização dessas informações no
processo decisório. Além de concordarem que o tamanho da empresa é fator importante,
citam a qualidade dos serviços, o maior comprometimento com a empresa, a possibilidade de
acompanhamento do processo contábil e a dedicação do contador às atividades da empresa
como determinantes para essa decisão.
4.4 Serviços atribuídos à área contábil na percepção dos entrevistados
Diante das diferenças constatadas nas perspectivas dos dois grupos de empresas em
relação aos fatores motivadores da terceirização, foi apresentada aos entrevistados uma lista
contendo os diversos serviços desenvolvidos nas empresas e lhes foi solicitado que
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
indicassem quais dessas atividades eles entendiam ser atribuição da área contábil. Os
resultados estão expostos no Quadro 4.
De maneira geral percebe-se que as empresas do Grupo 1 esperam que a contabilidade
lhes preste um serviço relacionado à solução de problemas de ordem tributária e legal.
Atribuem à contabilidade as funções de escrita fiscal, recursos humanos (parte tributária),
consultoria fiscal e previdenciária e constituição de empresas e alterações contratuais.
Portanto, não há expectativa por parte dessas empresas em relação à geração de informações
que lhes auxilie na tomada de decisões de gestão.
Atribuição da Contabilidade
Escrita Fiscal e Contábil
Recursos Humanos
Consultoria Fiscal e Previdenciária
Conciliações Contábeis
Constituição de Empresas e alterações Contratuais
Contabilidade Financeira
Contabilidade Gerencial
Levantamento de Custos
Levantamento de Imobilizado
Controle de Estoque
Controle das Transações Financeiras
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quadro 4 - Atribuição da contabilidade
Grupo 1
Grupo 2
10
10
7
8
1
1
-
9
1
8
8
6
6
5
4
4
2
1
Por outro lado, nas empresas do Grupo 2 se pode perceber que as atribuições da
contabilidade são muito mais amplas e estão relacionadas com o processo de gestão. Os
serviços relacionados com os aspectos legais e fiscais também são atribuídos à contabilidade,
no entanto fica evidenciado que outras áreas como contabilidade gerencial, custos,
conciliações, controles internos, entre outras, também são vistas como relacionadas à área
contábil da empresa.
4.5 Análise do relacionamento entre gestores e prestador do serviço contábil
Conforme exposto na parte teórica deste trabalho, o relacionamento entre contratante e
contratada dos serviços terceirizados é fundamental para o bom desempenho das atividades da
empresa. Nesse sentido, foram coletadas informações que permitissem traçar um perfil desse
relacionamento, conforme exposto no Quadro 5.
Grupo 1
Sim
Não
Questões
1 – Existe relação de confiança, transparência e de parceria entre a empresa
10
e o contador?
2 – Os relatórios apresentados pela contabilidade têm a sua atenção e
9
1
credibilidade?
3 – As informações contábeis são consideradas no processo decisório?
8
2
4 – Há informações que não estão disponíveis e que a contabilidade deveria
1
9
fornecer?
5 – O serviço que recebe atualmente da área contábil atende as suas
10
expectativas?
6 – O contador e o administrador se reúnem para discutirem assuntos
7
3
pertinentes à administração da empresa?
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quadro 5 – Análise do relacionamento entre gestores e prestador dos serviços contábeis
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
Grupo 2
Sim
Não
10
-
10
-
9
1
-
10
10
-
10
-
Os dados indicam que há excelente harmonia entre os gestores o os prestadores dos
serviços contábeis. Cem por cento das empresas pesquisadas (ambos os grupos) afirmaram
manter uma relação de confiança, transparência e parceria com o prestador dos serviços
contábeis. Além disso, indicaram que estão satisfeitas com os serviços contratados, utilizam
os relatórios contábeis na gestão da empresa e discutem periodicamente como os prestadores
dos serviços contábeis os assuntos pertinentes à administração da empresa.
Esses resultados devem ser analisados considerando os resultados obtidos no Quadro
4. Lá se identificou que as expectativas em relação ao tipo de serviço a ser oferecido pela
contabilidade diferem entre os dois grupos. Nesse sentido, a satisfação manifestada pelos
gestores em relação aos serviços contábeis contratados não significa que ambos os grupos
recebem e utilizam informações de mesma natureza. Os serviços contábeis têm atendido
ambos os grupos satisfatoriamente, mas os serviços prestados (informações geradas) são
diferenciados para cada grupo, de acordo com a expectativa de cada um.
4.6 As vantagens e desvantagens percebidas em terceirizar os serviços contábeis
No referencial teórico foram abordadas algumas vantagens e desvantagens da
terceirização dos serviços contábeis. Os entrevistados apontaram algumas delas, de acordo
com a percepção de cada um. O Quadro 6 apresenta os resultado obtidos.
Os dados indicam que as empresas do Grupo 2 não vêem vantagem alguma numa
possível terceirização dos serviços contábeis e apontam como possíveis desvantagens o tempo
demandado para a obtenção de informações da contabilidade e a inexistência de critérios
adequados, por parte do escritório de contabilidade, para gerar informações que seriam úteis
às empresas.
Vantagens em terceirizar os serviços contábeis
Liberação de espaço na empresa
Valorização profissional
Maior disponibilidade de tempo para dedicação à empresa
Redução de custos
Dispêndio de tempo na busca de informações contábeis
Sistema contábil
Tamanho da empresa
Nenhuma vantagem
Desvantagens em terceirizar os serviços contábeis
Deslocamento entre empresa e escritório
Rapidez na obtenção das informações contábeis
Tamanho da empresa
Ausência de critérios adequados
Sistema contábil
Nenhuma desvantagem
Fonte: elaborado pelos autores
Quadro 6 – Vantagens da terceirização dos serviços contábeis.
Grupo 1
3
2
6
7
4
3
2
-
Grupo 2
Grupo 1
1
1
1
6
Grupo 2
7
1
2
1
-
10
De outro lado, as empresas do Grupo 1 percebem diversas vantagens e poucas
desvantagens na terceirização dos serviços contábeis. Apontam como vantagens a redução de
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
custos, a maior disponibilidade de tempo para dedicação às atividades fins da empresa e o não
envolvimento na busca por informações contábeis.
5 CONCLUSÃO
A problemática abordada neste trabalho envolve a identificação e análise dos fatores
determinantes nas decisões de terceirização ou não dos serviços contábeis pelas empresas da
cidade de Palotina, estado do Paraná, e o nível de satisfação dos gestores dessas empresas em
relação aos serviços contábeis contratados.
Quanto aos fatores determinantes que levam uma empresa a terceirizar ou não os
serviços contábeis, a pesquisa identificou as seguintes variáveis: tamanho da empresa,
conhecimento sobre contabilidade e aspectos legais envolvendo a empresa, dedicação
exclusiva do contador às atividades da empresa, possibilidade de acompanhamento do
processo contábil, comprometimento do contador com os objetivos da empresa, qualidade dos
serviços, custo de contratação dos serviços e comodidade.
Os resultados da pesquisa revelam que as empresas terceirizam os serviços contábeis
(Grupo 1) por serem de porte pequeno, pelo pouco conhecimento que os gestores possuem
sobre contabilidade e aspectos legais envolvendo a empresa, pelo custo elevado de
contratação dos serviços contábeis e pela comodidade gerada pela terceirização desses
serviços. Revelam também que essas empresas esperam que a contabilidade lhes preste um
serviço relacionado à solução de problemas de ordem tributária e legal. Atribuem à
contabilidade as funções de escrita fiscal, recursos humanos (parte tributária), consultoria
fiscal e previdenciária e constituição de empresas e alterações contratuais. Não há expectativa
por parte dessas empresas em relação à geração de informações que lhes auxilie na tomada de
decisões de gestão.
De outro lado, as empresas que não terceirizam os serviços contábeis (Grupo 2)
tomaram essa decisão por serem de porte mais elevado, por terem gestores com conhecimento
substancial sobre contabilidade e aspectos legais envolvendo a empresa, pela dedicação
exclusiva do contador às atividades da empresa e pelo seu comprometimento com os
objetivos da empresa, pela possibilidade de acompanhamento do processo contábil e pela
qualidade dos serviços contábeis. Diferentemente das empresas do Grupo 1, as empresas do
Grupo 2 esperam da contabilidade serviços mais amplos, voltados também para o processo de
gestão da empresa. Os serviços relacionados com os aspectos legais e fiscais também são
atribuídos à contabilidade, contudo, nesse grupo são atribuídos à área contábil serviços como
a contabilidade gerencial, apuração de custos, conciliações contábeis e controles internos.
Em relação à satisfação dos gestores quanto aos serviços contratados, conclui-se que
ambos os grupos de empresas possuem um bom relacionamento com os prestadores de
serviços da área contábil, utilizam os relatórios contábeis para tomar decisões e estão
satisfeitas com os serviços que vêm recebendo atualmente do contratado. Nesse aspecto é
importante considerar que os objetivos traçados pela contabilidade são comuns para todos os
tipos de entidades, no entanto, os resultados da pesquisa indicam que há diferenças nas
perspectivas dos usuários em relação aos serviços atribuídos à área contábil. Mesmo assim,
todas se mostraram satisfeitas com os serviços contábeis contratados, apesar de haver
Cascavel – PR – 17 a 19 de junho de 2008
distinção no conjunto de informações geradas pela contabilidade para os dois grupos de
empresas.
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