Educação Inclusiva MÓDULO 4 Centro de Formação continuada de Professores Universidade de Brasília – UnB Rede Nacional de Formação Continuada de Professores Ministério da Educação (MEC)/Secretaria de Educação Básica (SEB) M AS O OC D N Brasília, 2005 A H ULA A BALEdição APrimeira R D E O ALA Ã T A U S N S NCL R NÇAS D FE E : I M nda de Souza o I C m ra de astr na Q i ue roz A arali ues i a RodG a C rigma Vd Car amastel r aM u rães l a Lucíli i del roM i s e i Fáti ndes de e a Pe e r G ve LílianRogréi a onçal s ri Os fascículos que compõem os Módulos de Alfabetização e Linguagem não podem ser reproduzidos sem autorização dos editores. © Centro de Formação Continuada de Professores (CFORM) da Universidade de Brasília (UnB) & Ministério da Educação (MEC) / Secretaria de Educação Básica (SEB) Pavilhão Anísio Teixeira – Sala AT-149 – Campus Universitário “Darcy Ribeiro” – Asa Norte – CEP 70904-970 Brasília-DF – Telefone: (61) 3307-3027 – Fax: (61) 3307-3627 – E-mail: [email protected] – Site: http://www.cform.unb.br Coordenação do Centro de Formação Continuada de Professores (CFORM) / UnB Hélène Leblanc Produção do site Hudson Carlos de Souza Neves Suênia Carvalho Vieira de Almeida Coordenação da Área de Alfabetização e Linguagem Stella Maris Bortoni-Ricardo Preparação de originais e revisão Valdinea Pereira da Silva Gilberto Daisson Santos Coordenação da Área de Educação Inclusiva Amaralina Miranda de Souza Coordenação da Área de Tecnologias na Educação Leda Maria Rangearo Fiorentini Coordenação dos Módulos Amaralina Miranda de Souza Maria Luiza Monteiro Sales Coroa Silviane Bonaccorsi Barbato Stella Maris Bortoni-Ricardo Revisão final Amaralina Miranda de Souza et al. Criação de ícones, ilustrações, editoração eletrônica e capa Rogério Pinto Fotolitos e impressão FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NA ÁREA DE ALFABETIZAÇÃO E LINGUAGEM Fascículo 2: Gêneros e Tipos MÓDULO 1 Textuais Leitura e Escrita: Estratégias de Apoio e Práticas de Leitura, InterpretaçãoMaria e Luiza Monteiro Sales Coroa Produção de Textos no 1º e 2º Ciclos Fascículo 3: Fatores de Textualidade Vilma Reche Corrêa Fascículo 1: Da Fala para a Escrita 1 Stella Maris Bortoni-Ricardo Fascículo 4: Oralidade, Escrita e Fascículo 2: Da Fala para a Escrita 2 Reflexão Gramatical Stella Maris Bortoni-Ricardo Vilma Reche Corrêa Fascículo 3: A Produção de Textos Fascículo 5: Variação Lingüística na Escola Marcos Bagno Lilian Márcia Simões Zamboni Fascículo 4: Redação Escolar: Desenvolvimento e Avaliação Lilian Márcia Simões Zamboni Stella Maris Bortoni-Ricardo Fascículo 6: Mudança Lingüística Marcos Bagno Fascículo 2: Processos Iniciais de Leitura e Escrita Rosineide Magalhães de Sousa Fascículo 3: Literatura Infantil e o Prazer de Ler Tatiana Figueirêdo Nunes de Oliveira Fascículo 4: Práticas de Leitura e Escrita: Construindo o Conhecimento com as Crianças e suas Famílias Silviane Bonaccorsi Barbato Tatiana Figueirêdo Nunes de Oliveira Norma Lúcia Queiroz Celina Henriqueta Matos de Herédia Nascimento Fascículo 7: Texto e Interação: Fascículo 5: A Construção da Leitura 1 Práticas de Análise Lingüística Maria Luiza Monteiro Sales Coroa Marcia Elizabeth Bortone MÓDULO 4 Educação Inclusiva Fascículo 6: A Construção da Leitura 2 Fascículo 8: Texto e Variação: Marcia Elizabeth Bortone Práticas de Análise Lingüística Fascículo 7: Modos de Falar, de Ler e Vilma Reche Corrêa Fascículo 1: Inclusão: História, Conceitos e Problematização Amaralina Miranda de Souza Carla Castelar Queiroz de Castro Fátima Lucília Vidal Rodrigues Lílian Pereira de Medeiros Guimarães Rogéria Gonçalves Mendes de Escrever: Análise de Estruturas Lingüísticas Marcia Elizabeth Bortone MÓDULO 3 Práticas de Linguagem Oral e Escrita para Inclusão de Alunos de 6 Anos no Ensino MÓDULO 2 Fundamental Leitura, Interpretação e Produção de Textos no 3º e 4º Ciclos Fascículo 1: Letramento, Alfabetização e Escola na Infância Fascículo 1: Texto, Linguagem e Silviane Bonaccorsi Barbato Interação Maria Luiza Monteiro Sales Coroa I37 Fascículo 2: Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula Amaralina Miranda de Souza Carla Castelar Queiroz de Castro Fátima Lucília Vidal Rodrigues Lílian Pereira de Medeiros Guimarães Rogéria Gonçalves Mendes Inclusão : Trabalhando com as diferenças na sala de aula / Amaralina Miranda de Souza et al. – Brasília : Centro de Formação Continuada de Professores da Universidade de Brasília – CFORM/UnB : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica – MEC/SEB, 2005. 62 p.: il. ISBN 85-230.0839-X 1. Inclusão. 2. Lingüística. 3. Necessidades especiais. 4. Formação de professores. 5. Prática de ensino. I. Souza, Amaralina Miranda de. II. Castro, Carla Castelar Queiroz de. III. Rodrigues, Fátima Lucília Vidal. IV. Guimarães, Lílian Pereira de Medeiros. V. Mendes, Rogéria Gonçalves. VI. Título. CDU 376 SOBRE AS AUTORAS DESTE MÓDULO Amaralina Miranda de Souza Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), na área de Educação Especial. Especialista em Educação à Distância. Mestre em Educação Especial pela Universidade de Salamanca, na Espanha e Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância (UNED), em Madrid, Espanha. Pesquisadora na área de Informática Aplicada à Educação Especial, com produções, publicações e prêmios na área. Trabalhou como psicóloga do Centro de Orientação Médico Psicopedagógico (COMPP) de Brasília, em atividades de diagnóstico e atendimento terapêutico a crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem. Trabalhou durante vários anos na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, na área de Educação Especial. Carla Castelar Queiroz de Castro Professora cedida da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal para atuar na área de Educação Especial na Faculdade de Educação da UnB. Formada em Artes Plásticas pela Faculdade Dulcina de Morais; Especialista em Psicopedagogia pelas Faculdades Integradas do Rio de Janeiro e em Administração e Gestão Escolar pela Universidade de Brasília (UnB). Atua desde 1990 na área de Educação Especial. Fátima Lucília Vidal Rodrigues Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), na área de Educação Especial e da Escola Superior Paulo Martins (ESPAM); Mestre em Educação e Doutoranda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de ser Psicopedagoga e Educadora Especial. Trabalhou como professora da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Lílian Pereira de Medeiros Guimarães Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), na área de Educação Especial; Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP). Lecionou na Universidade Federal de Uberlândia (UFU); na Universidade Católica de Goiás (UCG) e trabalhou como Psicóloga do Centro de Educação Especial de Uberlândia. Rogéria Gonçalves Mendes Professora da Área de Educação Especial na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Pesquisa Educacional pela Universidade de Manchester, Inglaterra. Licenciada em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou como professora de Educação Física no Hospital das Pioneiras Sociais Sarah Kubitschek e de Educação Física Especial na Universidade Federal do Ceará (UFC). SUMÁRIO Página Apresentando a nossa tarefa 7 Pressupostos da educação para todos 9 Então, quais são os melhores professores? 10 O ambiente escolar 12 A interdisciplinaridade como estratégia para favorecer a aprendizagem dos alunos 13 Sua prática de professor-pesquisador – 1 14 Adaptações curriculares 15 Falando da deficiência física 15 Sua prática de professor-pesquisador – 2 20 Sua prática de professor-pesquisador – 3 21 Falando da deficiência visual 22 Falando da deficiência auditiva 28 Sua prática de professor-pesquisador – 4 29 Sua prática de professor-pesquisador – 5 31 Falando da deficiência mental 32 Sua prática de professor-pesquisador – 6 34 Falando da deficiência múltipla e da surdocegueira 43 Sua prática de professor-pesquisador – 7 46 Falando de condutas típicas 47 Falando da superdotação/altas habilidades 54 E ao final... 61 Sinopses dos filmes indicados 63 Sites nacionais e internacionais 64 Leituras e autores recomendados 64 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva FASCÍCULO 2 INCLUSÃO: TRABALHANDO COM AS DIFERENÇAS NA SALA DE AULA Amaralina Miranda de Souza Carla Castelar Queiroz de Castro Fátima Lucília Vidal Rodrigues Lílian Pereira de Medeiros Guimarães Rogéria Gonçalves Mendes Apresentando a nossa tarefa Este fascículo está orientado para proporcionar a você, professor(a), Quer saber mais? um aprofundamento sobre as questões relacionadas com as deficiências eVer Diretrizes Nacionais para a Educação Especial com as dificuldades de aprendizagem que caracterizam as necessidades na Educação Básica educacionais mais comumente encontradas em sala de aula. Neste parti- Brasília: MEC/CNE/ CEB,2001. cular levaremos em conta a definição de necessidades educacionais especiais formulada e oficializada pelo Ministério da Educação – MEC. Em um primeiro momento abordaremos os pressupostos e estratégias da educação para todos, a saber: os dispositivos legais que orientam a educação inclusiva ou a educação para todos; o perfil do professor exigido por essa concepção educacional; o ambiente escolar a ser criado e promovido para favorecer a educação inclusiva; a interdisciplinaridade como estratégia fundamental para assegurar a todos os alunos o acesso ao processo de aprendizagem que considere as adaptações curriculares como dispositivo de inclusão escolar. Em seguida, discorreremos sobre as deficiências físicas, a deficiência auditiva, a deficiência visual, a deficiência mental, a deficiência múltipla e a surdocegueira, bem como as condutas típicas e o autismo, e ainda a superdotação/altas habilidades, que podem implicar na utilização de estratégias diferenciadas de ensino. As estratégias pedagógicas sugeridas contemplam a perspectiva interdisciplinar e visam despertar você, professor(a), para a necessidade de diversificá-las a fim de atender melhor às demandas feitas por seus alunos no cotidiano escolar. 7 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Com efeito, cabe relembrar que não existe, na Educação, uma fórmula perfeita sobre o fazer pedagógico. Assim sendo, este fascículo busca mais orientar do que apresentar receitas prontas. Entre as pessoas com necessidades educacionais especiais aqui mencionadas, você vai perceber que cada aluno(a) vai precisar de sua atenção no sentido de envolvê-lo(a) no processo educativo. Para ser inclusivo(a), o(a) professor(a) não precisa conhecer necessariamente todas as necessidades educacionais especiais que existem, mas é imprescindível que tenha habilidade e sensibilidade para perceber o(a) aluno(a) como indivíduo e para descobrir com ele ou ela as potencialidades de que é dotado(a). É importante mencionar que você, professor(a), pode encontrar ao longo de sua vida profissional alunos que apresentam outros tipos de necessidades educacionais, que não estarão citadas neste fascículo. Lembre-se que você deve estar atento(a) para eleger as melhores estratégias, capazes de facilitar o processo de aprendizagem dos(as) alunos(as). O importante é que o(a) aluno(a) – com suas diferentes características – disponha do espaço que lhe ofereça maiores oportunidades para se desenvolver. No mais, professor(a), esperamos que você possa acolher, assimilar e utilizar com proveito essa nossa contribuição à sua formação e ao processo ensino-aprendizagem sob sua responsabilidade. Fazemos votos de que você, professor(a), se sinta instigado(a), motivado(a) e animado(a) para ler e considerar o conteúdo deste fascículo na sua prática pedagógica. 8 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Pressupostos da educação para todos Prezado(a) professor(a). No fascículo 1 falamos sobre a INCLUSÃO. Conhecemos um pouco da história da Educação Especial, e pudemos compreender que o termo “necessidades educacionais especiais” engloba muito mais do que a pessoa com deficiência. Na realidade, este termo inclui pessoas que, por algum motivo, necessitam, temporária ou permanentemente, de recursos e apoios educacionais especiais para aprender. Nesta perspectiva queremos destacar algumas das leis que dão suporte e garantem o ingresso de todos à educação e que este acesso passa necessariamente pela escola, porque ela é um espaço privilegiado onde a pessoa pode aprender a aprender com o outro, a lidar com as diferenças, com as dificuldades e descobrir sobre seus potenciais, além de ser um espaço de trocas sociais e de aprendizagem. Legislação pertinente Relembremos alguns dispositivos legais que orientam a educação inclusiva ou para todos: – artigos 208 (atendimento aos por• CONSTITUIÇÃO FEDERAL tadores de deficiência preferencialmente na Rede Regular de Ensino [RRE]) e 227 (criação de programas e garantia de acessibilidade). – aprova o Plano Nacional de Educação, com • LEI Nº 10.172/01 27 objetivos e metas para educação de Portadores de Necessidades Especiais. a [ – Estatuto da criança e do adolescente (art. 2º • LEI Nº 8069/90 criança e o adolescente Portadores de deficiência receberão atendimento Especial] e art. 5º [nenhuma criança ou adolescente será objeto de negligência... ]). – Estabelece as diretrizes e bases da educação na• LEI Nº 939/96 cional (art. 4º [atendimento, preferencialmente, no ensino regular], art.58 [serviços de apoio, oferecidos em classes, escolas ou serviços especializados, incluindo o ensino infantil de 0 a 6 anos] e o art. 59 [currículo adaptado, terminalidade específica, professores especialistas em educação especial para o trabalho]. , de • RESOLUÇÃO Nº 2 11/09/2001 institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. 9 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Quer saber mais? Consulte o documento da UNESCO, Understanding and responding to children's needs in inclusive classrooms: a , 2001. guide for teachers (Entendendo e respondendo às necessidades das crianças nas classes inclusivas: um guia para professores). Tradução das autoras. Educação Inclusiva Então, quais são os melhores professores? A Unesco (2001) aponta as nove regras de ouro para lidar com a diversidade em qualquer classe, mas principalmente naquelas em que existem crianças com necessidades educacionais especiais. Estas regras foram consideradas por professores de diversos países como muito úteis. São elas: inclusão de todas as crianças; comunicação (professor – aluno – aluno – professor) e formas diferentes de comunicar; identificação e criação de condições da sala onde cada aluno deve sentar de acordo com a necessidade dele: identifique e crie as condições mais fáceis para que todos se movimentem com liberdade; planejamento das lições que os alunos vão realizar; quanto mais bem planejada for a ação educativa, maior a chance de prever as dificuldades que poderão ocorrer; planejamento para os indivíduos: preveja o que cada criança deve aprender; considere que o planejamento inicial é uma forma de conhecer melhor o seu aluno; orientação individual ao aluno quando sentir que este necessita de algo mais direcionado para manter-se integrado no processo de ensino-aprendizagem; Para saber mais: AINSCOW, M. Necessidades especiais na sala de aula: um guia para a formação de – Instituto de professores Inovação Educacional. Lisboa, Portugal: Edições UNESCO.1998. utilização de material e equipamentos que julgar necessários para assegurar a aprendizagem do educando de acordo com suas necessidades peculiares; atenção ao comportamento do seu aluno: procure mantê-lo atento às atividades que se realizam em sala de aula e/ou em outros espaços da escola; trabalho coletivo (com outros professores, o grupo de apoio, etc). Outro estudo – apresentado por Ainscow (1998) sobre as respostas às necessidades educacionais em escolas regulares – aponta que os melhores professores são aqueles que: 10 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva ; dão ênfase àaprendizagem significativa estabelecem tarefas que são ao mesmo tempo realistas e desafiadoras para os alunos; asseguram-se de que os alunos progridem; proporcionam grande variedade de experiências para que a aprendizagem seja assimilada e acomodada; dão aos alunos possibilidades de escolha; têm expectativas elevadas sobre os alunos; criam uma atmosfera positiva; facultam uma abordagem consistente; reconhecem os esforços dos alunos e os resultados que estes conseguem alcançar; organizam os recursos de modo a facilitar a aprendizagem; Para Ausubel(1978), uma é aprendizagem quando uma significativa nova informação se articula com um aspecto significativo da estrutura cognitiva do sujeito e ocorre um novo conhecimento. Na aprendizagem significativa, portanto, o aluno aprende quando encontra sentido no que aprende e este sentido se dá a partir dos esquemas prévios, a partir da experiência prévia e relaciona adequadamente entre si os conhecimentos aprendidos. AUSUBEL, D. P. Psicologia cognitiva . México: Trilas.1978. incentivam os alunos a trabalhar cooperativamente; feedback reorientam os seus progressos, proporcionam um gular e criam condições para uma auto-alimentação do seu trabalho. Perceba, professor(a), que estes estudos não oferecem informações sobre as necessidades educacionais especiais em sala de aula regular. Na realidade, eles verificaram que a qualidade do trabalho pedagógico está estreitamente ligada ao perfil desses professores. Estes dados não indicam o quanto cada um dos professores sabe sobre cada deficiência ou necessidade educacional especial. Eles, porém, especificam o quanto estas características vão ao encontro de uma maior qualidade do ensino e da aprendizagem. Por isso, ao apresentarmos algumas das possíveis dificuldades de aprendizagem, provenientes ou não de alguma deficiência, insistimos em que você some estas informações aos seus conhecimentos e não esqueça que as suas habilidades de professor(a) e a sua atenção ao aluno são da maior relevância. Você se certificará com a prática de que – mesmo entre as pessoas com a mesma dificuldade – existem diferentes formas de aprender. Portanto, o mais adequado para um(a) aluno(a) não 11 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva é necessariamente o mais eficaz para outro, porque mesmo em um grupo com características e necessidades especiais semelhantes, você identificará várias diferenças entre os seus alunos. Neste momento, é sua sensibilidade em reconhecer estas diferenças e a sua habilidade em atendêlas, que fará a diferença. A Rede de Apoio é compreendida como a integração e mobilização dos diversos segmentos da sociedade envolvidos na dimensão escolar. Quer saber mais? Você pode saber mais sobre a importância de um ambiente adequado e motivador acessando o endereço da Revista <http:// Nova Escola revistaescola.abril.com.br>/ (novembro, 2005); lá você vai ver um exemplo de uma sala de aula modelo. Lembre-se, porém, de que você não está sozinho(a). Existe, ou precisa existir, umaRede de Apoio que deve ser acionada para dar o suporte necessário para você e para o(s) seu(s) aluno(s). Não se esqueça de que seu aluno e a família dele fazem parte desta Rede. Mais importante do que ter conhecimento das necessidades, é querer ir ao encontro das potencialidades dos seus alunos, e fazer o possível para não deixar ninguém para trás. Porter e Brophy (citado por Ainscow, 1998) consideram que bons professores são os profissionais que sabem quais são seus objetivos de ensino; conhecem os conteúdos e as estratégias para chegar a esses objetivos; comunicam aos alunos o que é esperado deles e explicitam as razões que os levam a esperar que eles atinjam estes objetivos. Estes mesmos professores são capazes de utilizar o material existente com profissionalismo; dedicam seu tempo a práticas que enriquecem e clarificam os conteúdos; conhecem bem seus alunos; são capazes de adaptar o ensino às necessidades deles; são hábeis em antecipar suas dificuldades e em localizar os pontos fracos na sua aprendizagem, para ajudálos a superar esses desafios. Tenha certeza disto. Tenha expectativas elevadas e realistas. Conheça os recursos e ofereça diferentes experiências para os seus alunos. Trace planos e metas. Acredite! O ambiente escolar Algumas providências práticas são relevantes para fomentar a inclusão e assegurar a todos os alunos uma aprendizagem adequada. Entre essas medidas convém ressaltar: sala arejada, ampla e com claridade suficiente para que os alunos possam olhar e entender com nitidez os gestos e a fala do(a) professor(a); um quadro fisicamente conservado, bem localizado, que reflita adequadamente a luz; recursos necessários para nele escrever (giz, caneta...). Além disso, um espaço organizado, com regras definidas tanto no currículo quanto nas formas de avaliação, com aulas interessantes e estimulantes contribuem significativamente para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. Qual a pessoa que não gostaria de ter todas as suas habilidades desenvolvidas e suas potencialidades descobertas e estimuladas? Qual o professor que não gostaria de oferecer aos seus alunos oportunidades de 12 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva aprender a desenvolver suas capacidades? Sabemos que o espaço inadequado, a falta de motivação, a monotonia e a baixa expectativa são fatores geradores do fracasso escolar. Por isso, professor(a), é muito importante que você esteja atento(a) para estes aspectos que farão grande diferença na ação educativa. A interdisciplinaridade como estratégia para favorecer a aprendizagem dos alunos A interdisciplinaridade pode ser entendida como ação integrada que trata os conteúdos das diversas disciplinas de forma interrelacionada, preservando a especificidade de cada área do conhecimento. Quer saber mais? Consultando a obra de CURRIE, K. L. Interdisciplinaridade na . São Paulo: prática Papirus, 1998, você pode aprofundar seu conhecimento sobre interdisciplinaridade. Currie (1998) propõe a interdisciplinaridade a partir eixos de geradores e relata a experiência de um grupo de professores em um município do Estado do Espírito Santo. Nessa experiência o primeiro dos eixos propostos foi o “EU”. A partir deste eixo levantou-se o nome, o corpo, a alimentação, o gasto com água, os animais, o lixo. Com base neste eixo poesia com o próprio nome (acróstico); a quanescreveu-se calculou-se tidade de água gasta para tomar banho em um dia, em uma semana, em FREIRE, P.Pedagogia do um mês; falou-se sobre alimento;observou-se e verificou-se a quanti. Rio de Janeiro: Oprimido dade de lixo produzida pelo “EU” em sua casa. Paz e Terra, 1974. Atenção! O Eixo geradorpossibilita a presença da realidade no currículo, fazendo com que a multiplicidade de relações e valores da vida e da prática social nele estejam presentes. Segundo Paulo Freire (1974), o conhecimento é entendido como construção interacionista e multidirecional, resultante da relação entre o sujeito e a realidade. Ele não é estático, nem neutro. Possui uma função social. Nessa perspectiva, deve contribuir para desvelar a realidade, para compreendê-la de maneira mais profunda e crítica, capacitando-nos, educadores e educandos, a agir sobre a realidade para transformá-la para melhor, permitindo que todos possam ser mais. Nesse sentido as disciplinas não são vistas na forma tradicional, elas são o meio para dar suporte às descobertas sobre a vida. Este autor nos alerta que a integração entre a dimensão social e a dimensão cognitiva no curriculo se dá a partir do eixo gerador. A educação para ele, é uma forma de intervenção no mundo. 13 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Sua prática de professor-pesquisador – 1 Para que haja interdisciplinaridade o professor precisa estar em sintonia constante com os seguintes aspectos: o conteúdo que está sendo apresentado ao(à) aluno(a); o relacionamento do conteúdo de sua disciplina com o conteúdo de outras disciplinas; a interdisciplinaridade como a melhor forma de avaliar o ensino-aprendizagem; a aprendizagem do aluno; a melhor forma de atender às necessidades educacionais de todos os alunos, inclusive daqueles que apresentam necessi dades educacionais especiais. Professor(a) anote no seu caderno outros aspéctos que considerar importantes para uma prática interdiciplinar. A interdisciplinaridade como estratégia de ensino tem sido apontada como facilitadora da aprendizagem pelo fato de ser motivadora para o aluno e compensadora para o professor. Desta forma, você professor(a), pode ser um instrumento ativo de resgate do vínculo e do intercâmbio, integrando as diversas disciplinas na escola. Quer saber mais? A Pedagogia de Projetos, enriquecida pela interdisciplina, pressupõe o interesse de diferentes segmentos da comunidade escolar e prevê a problematização , o desenvolvimento ea do que será síntese trabalhado. 14 A interdisciplinaridade é apresentada como fator relevante para a aprendizagem do aluno em geral; mas ela o é particularmente para aquele ou aquela que apresenta necessidades educacionais especiais. Com efeito, a interdisciplinaridade pode oferecer a estes possibilidades de associações entre os vários aspectos de um conteúdo e/ou associações entre os conteúdos de várias disciplinas e desta maneira facilita a associação dos vários saberes, que é de fundamental importância para a fixação de aprendizagens significativas. É importante, porém, compreender que a interdisciplinaridade não se dá em um passe de mágica. É fundamental que esta prática não perca o enfoque de seu conteúdo mas seja utilizada para desenvolver outras aprendizagens. Para que a interdisciplinaridade aconteça é indispensável que se crie um senso de união, de solidariedade e de conhecimento. Então professor(a), como você avalia essa possibilidade de trabalho interdisciplinar na sua escola? Se você ainda não trabalha assim, experimente fazê-lo e observe como essa prática vai repercutir nos alunos. Você pode fazer muitas frotas e ainda enriquecer sua prática interdiciplinar e trabalhar tambem com aPedagogia de Projetos . Vá em frente e não esqueça de registrar a experiência!!! Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Adaptações curriculares Para pôr em prática uma ação educativa inclusiva e capaz de atender às necessidades educacionais dos seus alunos você precisa desenvolver, além da interdisciplinaridade, estratégias de intervenções pedagógicas mais específicas que assegurem uma melhor qualidade do ensino, levando em conta as necessidades individuais de cada aluno em sua sala de aula e visando conferir maior eficácia a todo o processo de aprendizagem. A adaptação curricular é toda adaptação que se realiza para atender às necessidades educacionais de um determinado aluno ou de um grupo que apresenta singularidades em relação aos seus colegas para ter acesso ao curriculo estabelecido de modo geral. Faz-se mister esclarecer que, com a adaptação curricular, essas estratégias pedagógicas devem ser encaradas não apenas em termos de problemas e dificuldades que os alunos venham a experimentar com relação ao currículo estabelecido para toda a classe, mas também em termos das necessidades que cada um(a) possa apresentar com respeito à plena consecução das metas e objetivos estabelecidos pelo currículo. Neste segundo fascículo serão focalizadas estratégias de intervenções pedagógicas – sempre numa perspectiva interdisciplinar – voltadas para os alunos com necessidades educacionais especiais, considerando a conceituação formulada pelo MEC na Resolução CNE/CEB no. 2, de 11 de setembro de 2001, que institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Apresentamos a seguir informações importantes sobre as necessidades educacionais especiais mais encontradas em sala de aula, discutindo aspectos específicos de suas características e formas de aprender, assim como as adaptações curriculares e sugestões de algumas atividades na perspectiva interdisciplinar, para que você professor(a), possa atender mais adequadamente as necessidades educacionais dos seus alunos. Falando da deficiência física A deficiência física é uma alteração de um ou mais segmentos do corpo humano que afeta o aparelho locomotor e compromete o funcionamento do mesmo. Pode atingir o nível articular, ósseo, muscular e/ou nervoso e ter causas variadas, que podem acontecer antes, durante e depois do parto ou ao longo da vida da pessoa. 15 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Características mais comuns Você sabia que... Alguns autores classificam as deficiências físicas em sensoriais e não sensoriais? Deficiências físicas sensoriais são aquelas que ocorrem nos órgãos dos sentidos, mais especificamente nos da visão e nos da audição? Para eles, as deformidades estéticas e aquelas que não produzem dificuldades para o desempenho das funções, não são consideradas deficiências físicas? A deficiência física pode se apresentar de diversas formas, e se caracteriza de acordo com o membro atingido. O mais importante, porém, é ter consciência de que o aluno vai precisar de algumas adaptações para garantir seu acesso a alguns espaços, de acordo com as suas necessidades específicas, em função do segmento afetado de seu corpo e da atividade que vai desempenhar. De acordo com o Censo Demográfico (IBGE) de 2000 estima-se que 14,5% da população brasileira, ou seja, cerca de 24,5 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência. Aproximadamente 27% delas, isto é, 6 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência física ou alguma dificuldade motora. Estima-se ainda que 580.000 destas estão na faixa entre 0 a 14 anos de idade. O que causa a deficiência física? As causas mais prováveis da deficiência física são, entre outras: a hereditariedade; as doenças e/ou traumas antes, durante e depois do nascimento; a desnutrição da mãe; as quedas. Dentre as diversas causas da deficiência física, a Paralisia Cerebral é uma das mais conhecidas, mas existem outras causas que ressaltamos pelo alto índice de incidência, pela necessidade urgente de prevenção ou mesmo por serem deficiências que, possivelmente você pode vir a encontrar na sua atividade docente. Podemos citar algumas delas:a distrofia muscular, a espinha bífida, a artrogripose, a meningite, assim como aquelas decorrentes de causas traumáticas como afogamentos, acidentes de trânsito e quedas, entre outras. • Distrofia muscular – grupo de enfermidades que produz uma alteração que impossibilita ao indivíduo manter uma estrutura diferenciada das fibras musculares ao longo de sua existência; • Espinha Bífida – deficiência que acarreta o desenvolvimento incompleto do centro do canal ósseo da coluna vertebral; • Artrogripose – enfermidade caracterizada pelo desenvolvimento deficiente da musculatura esquelética associada com contratura simétrica e/ou múltipla. a pena destacar a Entre as enfermidades de orígemvale infecciosa ou inflamação das meninges – membranas que recobrem e Meningite protegem o sistema nervoso central. Esta infecção pode ser adquirida após uma gripe ou outra doença causada por vírus ou bactéria; no caso de bactéria, seus efeitos são normalmente mais brandos. Fonte: <www.santalucia.com.br/virus/meningite-p.htm> 16 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva afeta o aparelho locomotor e pode afetar ouA paralisia cerebral tras partes do corpo, dependendo da parte do cérebro que foi atingida. Embora a paralisia cerebral possa não implicar necessariamente em comprometimento de ordem intelectual, as crianças que têm paralisia cerebral podem apresentar disfunções no aparelho locomotor. Sua origem é múltipla: genética ou de má formação congênita; conseqüência de infecções da mãe durante a gestação; dificuldades no parto ou no processo de amadurecimento do cérebro da criança após o nascimento; meningite; traumas físicos, quedas; anóxia, entre outras possibilidades. A lesão provocada pela paralisia cerebral afeta primeiramente o aparelho locomotor. Caso esteja localizada nas áreas do cérebro, responsáveis pelo raciocínio lógico e pela memória, pode comprometer também a inteligência. De forma análoga, pode igualmente limitar a caVeja! pacidade visual e auditiva. Na medida que os músculos fonoarticulatórios Por exemplo, uma criança tenham sido igualmente atingidos, o indivíduo terá dificuldades para coque não tem os dois municar seus pensamentos e expressar suas necessidades por meio da braços poderá aprender a fala. Nesta última hipótese será necessário buscar formas alternativas de explorar o mundo dos objetos com o corpo e a comunicação, que permitam ao(à) aluno(a) assegurar sua participação escrever com os pés. Para na sociedade. outra criança, que não tem os antebraços, vai ser necessário colocar No caso da paralisia cerebral afetar a visão ou a audição, a pessoa apreadaptador para o seu lápis sentará dificuldades para obter e compreender as informações como normal-na extremidade do membro existente. mente são transmitidas. Estratégias pedagógicas deve levar em conta as A estratégia de intervenções pedagógicas informações acima explicitadas e as necessidades educacionais especiais delas decorrentes. A variedade de características das pessoas com deficiência do aparelho locomotor, adicionada às possibilidades com as quais se pode com ela trabalhar, nos leva a propor que você e a equipe responsável pela instituição de ensino procurem se informar sobre o(a) aluno(a), ouvi-lo(a) e identificar o que ele(ela) pode fazer, como pode fazer, e de que ajuda vai precisar. Ninguém melhor que ele(ela) pode dizer como levar em conta suas peculiaridades e habilidades. Perturbações somáticas: febre, dor de cabeça, dor de ouvido, cólicas intestinais, anemias, verminoses e todos os males que atinjam o físico de uma pessoa, levando-a a um estado anormal de saúde (DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios da São provi- Aprendizagem. Paulo: Ática, 2003) Fundamentado nessas informações, você está habilitado(a) a denciar os recursos pedagógicos e as adaptações materiais necessárias ao atendimento das necessidades específicas deste(a) aluno(a). Além da deficiência do aparelho locomotor sempre é bom lembrar que qualquer forma de pode causar dificuldades de perturbação somática aprendizagem. Por isso, é importante que se esteja atento às manifestações apresentadas por estes alunos em sala de aula. O quadro a seguir apresenta uma sinopse das necessidades educacionais mais freqüentes no(a) aluno(a) com deficiência física. 17 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Necessidades educacionais mais freqüentes no aluno com deficiência física Educação Inclusiva NECESSIDADE DE • Intervir na adaptação do seu corpo ao • SENSO-PERCEPTIVAS • • • meio em que vive. Aumentar a funcionalidade de seus órgãos sensoriais. Oferecer uma percepção da realidade não distorcida. Intervir nas suas relações espaciais. Melhorar sua organização espaçotemporal. • Oferecer as ajudas técnicas de que • INTELECTUAIS • • • • necessita, inclusive aquelas relativas à comunicação. Fomentar atividades de emprego ativo do tempo de lazer. Utilizar os recursos metodológicos adequados à sua deficiência. Trabalhar a nível atitudinal com seus colegas. Formar/capacitar o professor que vai atuar com este aluno. Trabalhar conjuntamente com a família, para favorecer o desenvolvimento global do aluno. • Potencilizar um adequado nível de interação social. • Oferecer sistemas de comunicação • SÓCIO-EMOCIONAIS • • • alternativos e complementares. Oferecer oportunidade de contatos sociais favoráveis à comunicação. Realizar programas de habilidades sociais que facilitem a interação positiva com o meio e a adaptação do aluno. Criar ou potencializar um auto-conceito positivo. Experimentar sensações de êxito provocadas pelo esforço. Fonte: Palácios (org.) (2003, p. 325) Tradução e adaptação de Souza, A.M. do quadro 4.1 18 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva A intervenção pedagógica sobre as necessidades educacionais das pessoas com deficiência do aparelho locomotor requer diferentes perspectivas sobre os procedimentos a serem utilizados. Ela deve levar em conta não só a pessoa, mas principalmente o meio em que ela vive. Nesse sentido, uma cadeira de rodas pode capacitar uma pessoa a se locomover e um comunicador eletrônico pode permitir-lhe uma comunicação mais ampla. Com esses instrumentos o aluno com deficiência física poderá realizar todas as atividades como as demais pessoas, ainda que de forma diferente. Considerando a grande variedade de dificuldades motoras existentes e os diferentes graus que nelas se encontram, é muito difícil estabelecer uma série de necessidades educativas especiais comuns a todas as variedades existentes. Quer saber mais? Entretanto, podemos oferecer – em maior ou menor medida – o Você pode ter mais apoio de que necessitam para participarem efetivamente do processo informações a respeito educativo a que têm direito. Lembre-se, professor(a), que esta estratégia no material editado pelo chamado Saberes e de intervenção pedagógica deve estar acompanhada da supressão das MEC práticas da inclusão: barreiras arquitetônicas. , n. 05 deficiência física As adaptações curriculares de , para as pessoas com deficiacesso ência do aparelho locomotor, não pressupõem nenhuma alteração nos objetivos e conteúdos que orientam o processo de ensino-aprendizagem, mas se referem aos aspectos ambientais, materiais e/ou pessoais que permitem o seu acesso às aprendizagens do currículo regular. de 2004 jogos didáticos e recreativos, bem Adaptações do material, de escolar como as adaptações de acesso, com a remoção de barreiras arquitetônicas, e a adequação do ambiente ,escolar oferecem a estes alunos o acesso à educação de qualidade a que todos os cidadãos têm direito. A grande maioria dos alunos com deficiência com deficiência física se beneficia dos sistemas escolares comuns, mas é necessário que lhe sejam proporcionados acesso e adequações nas escolas, mediante adaptações físicas que são do ambiente e do mobiliário. É imprescindível que se olhe o sujeito a partir das suas possibilidades e não dos problemas que são mais visíveis, identificando que adaptações são indispensáveis para o seu desenvolvimento. Em muitos casos, o aluno necessita, tão somente, de cadeiras especiais para que seu corpo esteja estabilizado confortavelmente, pois algumas dessas pessoas precisam ficar bem acomodadas às suas cadeiras para que não caiam involuntariamente. Em outros casos, o aluno com deficiência física precisa de uma sala acessível em andar térreo ou de disponibilidade de elevador para andares superiores, ou de um simples corrimão ao longo da escada. Vai precisar provavelmente de um banheiro adaptado, assim como de apoio para sua utilização. Este tipo de aluno necessita de um modo geral de 19 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva adaptações de acesso, tais como rampas e elevadores, entre outros, de acordo com a gravidade de seu caso. De igual forma, sua condição física exigirá materiais específicos, como ajuda técnica ou tabuleiro, talvez apoiado por um sistema de comunicação. Como a criança nesta situação pode apresentar dificuldade em articular palavras, é altamente recomendável que se crie o hábito de ouví-la sem pressa. Em muitos casos será necessário buscar formas alternativas de comunicação, de linguagem e de avaliação. se apresentam como um meio a mais para As novas tecnologias ajudar as pessoas com deficiência física, e por isso devem ser integradas ao processo educacional, na medida em que facilitam o acesso do aluno às atividades escolares. Pode ser que o aluno tenha uma dificuldade maior em escrever. Pode acontecer também que se chegue mesmo à conclusão de que ele nunca venha a escrever, embora seu problema não seja de natureza cognitiva ou intelectual, mas de natureza exclusivamente física. Nesse caso, outras formas de escrever devem ser facilitadas ao(à) aluno(a) como, por exemplo, a utilização do computador com o teclado adaptado. Na hipótese de não haver computador na sala, pode-se contar com a colaboração de um colega ou de outra pessoa que possa escrever. O(a) professor(a) pode também adequar o material a ser utilizado na aula, oferecendo a este aluno, por exemplo, o texto escrito. Estas adequações – tanto as mencionadas, como outras que se façam necessárias – são mais acessíveis do que você imagina. Você mesmo pode criar ou adaptar o material já existente, por exemplo, a utilização de lápis mais grosso e/ ou triangular, que facilite o seu uso pelo aluno. Pode-se mesmo utilizar réguas que delimitam o tamanho das letras e palavras e facilitam o desenvolvimento e adequação da escrita. Muitas dessas adaptações já são utilizadas no ensino infantil e são facilmente encontradas no mercado. Existem outras, porém, que vão exigir uma elaboração maior. Na medida do possível, elas devem surgir a partir de necessidades específicas dos alunos. Estas adaptações podem ser demandadas pela Rede de Apoio. Sua prática de professor-pesquisador – 2 Professor(a), procure conhecer mais sobre as possibilidades e adaptações existentes para apoio aos seus alunos. Experimente incluir no seu planejamento alternativas de trabalho pedagógico em sala de aula e de avaliação de aprendizagem. Não se esqueçaaque avaliação da , pensaaprendizagem do seu aluno deve ser um processo contínuo do para enriquecer o seu planejamento pedagógico e atender às necessidades educacionais mais diretas dos seus alunos. 20 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Não se esqueça de registrar essa experiência e de incluir suas contribuições, porque com certeza você deve ter encontrado outras formas próprias para facilitar a aprendizagem de todos, inclusive do seu aluno com necessidades educacionais especiais. Algumas necessidades dos alunos com deficiência no aparelho locomotor estão estreitamente relacionadas com o acionamento da Esta rede inclui os profissionais da saúde, como o fisioRede de Apoio. terapeuta, o fonoaudiólogo, assim como outros profissionais de suporte. Todos devem trabalhar de forma interdisciplinar e em estreita relação com o(a) professor(a). A este(a) compete assessorar toda a equipe de profissionais bem como a família do aluno(a) e com eles planejar a melhor maneira de garantir ao(à) deficiente do aparelho locomotor o acesso a sistemas alternativos de acessibilidade aos espaços físicos e ao currículo, para que este(a) possa participar de todas as atividades e consiga aprender com seus colegas. Sua prática de professor-pesquisador – 3 A seguinte atividade é sugerida para o grupo de professores ou . Então para alunos acima de 12 anosprofessor(a), pensando na sua prática em sala de aula, que tal propor à sua turma (ou na reunião pedagógica) uma dinâmica para que você e seus alunos experimentem a sensação de ser outro? Entregue uma tarefa simples para ser realizada por duplas, garantindo que nenhum dos dois integrantes saiba qual a tarefa do outro. Precisarão, contudo, realizá-la juntos. Sugerimos que seja por escrito. No papel, além da tarefa, você deverá especificar as limitações físicas de cada um. Por exemplo: 1) um (com os braços imobilizados) recebe a tarefa de abrir uma garrafa de água e beber em um copo e o outro (de olhos vendados) deverá ajudar o primeiro na execução da tarefa. 2) um(a) (com as mãos atadas e a boca vedada) recebe a tarefa de explicar ao(à) companheiro(a) (também de boca vedada) que este(a) último(a) deverá escrever com massa de modelar a primeira letra do seu nome. A explicação da dinâmica deve se restringir a dizer que eles receberão tarefas distintas e precisarão executá-las considerando as limitações que os caracterizarão. 21 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Depois dessas vivências, faça com que os participantes comentem como se sentiram e procure dar atenção principalmente às formas alternativas que cada um utilizou para – com as restrições que tinha – realizar a tarefa proposta. Anote em seu caderno como foi o desenvolvimento da prática e os comentários dos participantes. MOMENTO PIPOCA Você pode conhecer melhor a realidade e necessidades educacionais do aluno com deficiência física, de que falamos, assistindo a filmes que têm abordado essa questão. Muitos deles têm base em casos reais. Então, sugerimos que você assista a esses filmes e faça as suas reflexões, de preferência junto aos seus colegas, para que também eles possam se envolver com o apoio que certamente esse seu aluno necessitará em sua escola e comunidade: • • • • A força de um campeão; Meu pé esquerdo; Feliz ano velho; Amargo regresso. Falando da deficiência visual Quer saber mais? O braille é um código universal de leitura tátil e escrita. É consideradocegoaquele que apresenta desde ausência total de visão até a perda da percepção luminosa. Aqueles que temvisão sub apresentam desde a capacidade de perceber a normal ou baixa visão luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfere ou limita o seu desempenho. O que é cegueira ? os sujeitos A definição educacional diz que são cegosque não têm visão suficiente para aprender a ler em materiais impressos a tinta. Necessitam, portanto, utilizar outros sentidos (tátil, auditivo, olfativo, gustativo e cinestésico) no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. O acesso à leitura e escrita dar-se-á, entre outras formas, pelo sistema . Braille Entre essas pessoas, há os que não podem ver nada; outros têm apenas percepção de luz; alguns podem perceber o claro, o escuro e 22 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva delinear algumas formas. A mínima percepção de luz ou de vulto pode ser muito útil para orientação no espaço, movimentação e habilidades de independência (MEC-2002). O que é baixa visão? Segundo adefinição educacional têm baixa visão – anteriormente denominada visão parcial ou visão subnormal – os alunos que utilizam do seu pequeno potencial visual para explorar o ambiente, conheEles se diferenciam muito nas cer o mundo e aprender a ler e escrever. suas possibilidades visuais, embora necessitem aprender a utilizar a visão da melhor forma possível. Elas podem também utilizar, ao mesmo tempo, os outros sentidos para aprendizagem, aquisição de conceitos e construção do conhecimento (MEC-2002). Segundo o Conselho Internacional para a Educação de Pessoas com Deficiência Visual (ICEVI): 160 milhões de pessoas no mundo apresentam deficiência visual; dessas, de 40 a 45 milhões são cegas; 1 milhão e meio de crianças estão em idade pré-escolar e escolar; 90% das crianças do mundo, em países em desenvolvimento, são privadas de educação; 80% dessas crianças vivem em zonas rurais e 80% dos adultos cegos estão sem trabalho devido a falta de capacitação e oportunidades de emprego. Para você obter mais informações sobre a deficiência visual acesse o site www.icevi-americalatin.com.ar Existem três dimensões a serem consideradas para diferenciar ou caracterizar as pessoas com deficiência : o visual momento de aparição dos problemas visuais; a forma de aparição; e o grau da perda de visão. De acordo com COOL (2004), é importante lembrar que há diferenças entre os nascidos cegos e os que adquirem a cegueira um tempo depois. Esses últimos, de alguma forma, podem estabelecer parâmetros do que vivenciaram enquanto videntes. No entanto, é necessário o respeito às diferenças e às tipologias de apoio para que suas necessidades sejam atendidas, facilitando a orientação na utilização dos sentidos remanescentes, tanto para se moverem como para reconhecerem objetos. 23 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva convémvisual ficar atento(a) Para identificar alunos com deficiência a alguns sinais que permitem constatar em um aluno uma possível dificuldade visual. Esses sinais são: Quer saber mais? Para você compreender melhor onde ocorre cada uma dessas situações, você pode acessar osite <www.escolavesper.com.br/ olho_humano.htm>. •o aluno demora muito a copiar algo do quadro e, muitas vezes, não consegue terminar a tarefa; •o aluno contrai os músculos dos olhos quando tenta ver algo aproximando os objetos o máximo possível; •o aluno aproxima-se muito do caderno ao escrever; •quando escreve, o aluno não consegue acompanhar a linha do caderno e a sua escrita é disforme. Inúmeras sãoas causas da deficiência(cegueira visual e baixa visão). Como causas principais, a literatura destaca: •infecções; •traumatismo; •hereditariedade; •tumores; •diabetes; •doenças hereditárias; •outras doenças associadas; •exposição do bebê prematuro a excesso de oxigênio, quando na incubadora. Estratégias de intervenções pedagógicas para pessoas Entre as estratégias de intervenções pedagógicas para pess vale a pena destacar o código universal de leitura tátil e escrita, denominado Braille , inventado por Louis Braille, em 1825 na França. Este método tornou-se um dos mais difundidos em todo o mundo. Braille baseouse no código noturno utilizado pelo capitão Charles Barbier para comunicação silenciosa no campo de batalha. Para escrever em Braille,podemos usar areglete de bolso que serve para anotações breves, pois é pequena, relativamente leve e fácil de transportar; ou então lançar mão da reglete em prancha que dá mais firmeza na escrita. Para escrever utiliza-se apunção . Pode-se ainda usarmáquina a de escrever em Braille que foi desenvolvida pelo Prof. David Abraham em 1939 nos EUA. Ela tem nove teclas que correspondem aos pontos; uma tecla central para dar espaço; uma tecla à esquerda para mudar de linha e uma tecla à direita para fazer retrocesso. Atualmente, podemos contar com os avanços da informática como, por exemplo: os leitores de tela; softwares que auxiliam as pessoas com deficiência visual a navegarem na tela do computador utilizando comandos especiais. Esses programas servem de sintetizadores de voz para softwaresmais coverbalizar as informações contidas nas janelas. Os nhecidos são DosVoxe Virtual Vision , de produção nacional, e o Célula BraileWindow Bridge e oJaws , que são importados. 24 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Imagem: Sinval Lemes - LDV Um instrumento de grande utilidade para cálculo é sorobã o , surgido na Grécia por volta do século III a.c. e largamente difundido por todo o Império Romano. Ele é composto de cinco contas por eixo e borracha compressora para deixar as contas fixas, permitindo a leitura tátil. O sorobã pode ser utilizado por alunos cegos para terem noção de quantidade, contar em seqüência, comparar e relacionar quantidade e para dominar as operações elementares. Reglete + Punção Em termos de adaptação curricular as crianças cegas ou com Imagem: Sinval Lemes baixa visão não necessitam de um currículo diferente, mas sim de adaptações e complementações curriculares tais como: adequação de recursos específicos e materiais pedagógicos tanto para baixa visão como para cegos, conforme sugestões indicadas. O cego necessita de estimulação sensorial para ampliar sua visão do mundo, uma vez que sua percepção visual se dará por meio de outros sentiSorobã dos como o tátil, o olfativo e o auditivo. É preciso levar em conta que o cego necessita de mais tempo para apreender um novo objeto do que seu colega vidente. Esta é a diferença de maior destaque entre ambos. Os cegos necessitam ainda de formas de comunicação alternativa, programas de orientação e mobilidade e atividade de vida diária que são complementações curriculares que serão desenvolvidas em outro período. Nesse contexto, deve ser acionada a Rede de Apoio, conforme foi esclarecido no Fascículo 1, com salas de recursos ou centros especializados para que o aluno não tenha prejuízo no seu processo de aprendizagem na classe comum. Para que as pessoas com deficiência visual tenham acesso ao currículo padrão, sugere-se alguns materiais pegagógicos e atividades que podem ser utilizados adequando-os às necessidades de cada aluno. Entre eles citamos: “Livros sensoriais”(livros texturizados) Podem ser elaborados com materiais concretos, sucatas como potes de iogurte, canudo, pratinho talheres de plástico, material com texturas diferentes, tintas de alto relevo. Este livro pode ter como tema alguma vivência da criança como um passeio ou a reescrita de alguma estória contada em sala de aula. Jogo de memória sonoro Pode ser confeccionado com potes vazios de filme fotográfico onde se coloca, em cada dupla objetos que produzam sons iguais; por exemplo, dois potes com feijão, outros com bolinhas de metal. O jogo consiste em achar os sons semelhantes. 25 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Dominó em alto relevo É um dominó adaptado que pode ser feito com tinta de alto relevo. Bolas com guizo As bolas com guizos orientam as crianças cegas. Para as pessoas com baixa visãopodem ser utilizados recursos ópticos e não ópticos, buscando melhorar a adaptação do aluno em sala de aula. Alguns desses recursos ópticos ou lentes que possibilitam o almento das imgens são sugeridos a seguir: • óculos; • lupas manuais (utilizadas para leituras de perto por serem bastante práticas, pois podem ser levadas nos bolsos, mas podem representar um problema para leitura mais prolongada ou quando a criança tem alguma dificuldade em segurá-las firmemente); • lupas de apoio (utilizadas para leituras de perto por apresentarem vantagem na leitura prolongada, podem ser apoiadas na base da mesa) • Telescópio (utilizado para leitura de longe quando a criança está parada, pois o campo visual fica reduzido e a percepção de distância alterada). (são recursos que não utiliUtilização de recursos não ópticos zam lentes): Imagem: Sinval Lemes - LDV •iluminação adequada; •cadernos com pautas ampliadas; •canetas de ponta porosa; •lápis 6B ou 3B; Lupa e Régua-Lupa •livros, letras e números ampliados; •guia de leitura (a leitura pode ser facilitada com o uso de uma régua para marcar a linha ou uma cartolina preta com uma abertura no centro, que serve para destacar a linha). Sugestão de material pedagógico •dominó, jogo de memória e ludo devem ser adaptados,por exemplo, com cores contrastantes e com tamanhos maiores. É importante dar informações sobre as regras dos jogos, pois isto propicia atenção mate26 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva mática, atenção ao sistema de numeração, identificação de quantidade e ainda estimula a inter-relação pessoal; •gravuras: propicia a discriminação de detalhes e figura-fundo; •seqüência lógica: propicia ordenar seqüência de ações; •blocos lógicos: deve-se introduzir gradualmente as formas geométricas mais simples como círculo, quadrado, triângulo e retângulo; •material dourado: as peças podem ser coloridas com cores contrastantes para ajudar e facilitar a identificação e o reconhecimento; •materiais de encaixe, quebra-cabeça e empilhamentos; •exercícios de pareamento objeto/figura e figura/figura; •exercícios de controle voluntário dos movimentos dos olhos através de contato visual com o objeto em movimento; •cópia de figuras e símbolos; •comparação visual usando objetos tridimensionais, bidimensionais e planos, usando o concreto e o desenho; •reconhecimento de placas e símbolos. Resposta à luz, através da focalização e fixação de objetos luminosos. Os materiais para a estimulação visual devem ter formas bem definidas e cores contrastantes. É primordial deixar a criança manipular e observar as peças, mantendo o olhar, observar cantos, formas, contornos, prestar atenção nas cores e quantidades de cada peça. Assim, estes propiciarão o desenvolvimento da percepção visual, coordenação visomotora, desenvolvimento do movimento do globo ocular, discriminação visual, concentração, atenção, observação, identificação de cores, memória visual e reprodução de formas. não necessita A avaliação dos alunos cegos ou com baixa visão ser diferenciada da dos demais alunos. No entanto, é preciso que sejam disponibilizados os recursos necessários para que eles tenham acesso à avaliação. É indispensável que sejam proporcionadas para alunos com baixa visão, prova ampliada e, para alunos cegos, prova em Braille, ou sua disponibilização em programas apropriados. Percebendo alguma dificuldade visual no seu aluno ou na sua aluna, você pode encaminhá-lo(la) para que seja atendido(a) pela Rede de . Esta deve contar com médico especialista em oftalmologia para o Apoio 27 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva devido diagnóstico a fim de que o(a) aluno(a) receba o atendimento educacional adequado às suas necessidades. Quanto à orientação e mobilidade para as pessoas cegas, esta é realizada por equipe especializada em escolas ou institutos para cegos. ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Sugerimos que você convide seus colegas, assistam e discutam os filmes abaixo mencionados: • À primeira vista • Janela da alma • Ray Charles • Perfume de mulher Falando da deficiência auditiva Quer saber mais? Você pode ler mais a respeito no livro Vygotsky. L. S. (2001)A construção do pensamento e da São Paulo: linguagem. Editora Martins Fontes. consiste na perda maior ou menor da percepA deficiência auditiva ção normal dos sons. Verifica-se a existência de vários tipos de deficiência auditiva, de acordo com os diferentes graus de perda da audição. Assim, as pessoas com deficiência auditiva podem ser classificadas como: as parcialmente surdas e as surdas. Há uma grande diferença entre uma surdez adquirida (antes ou depois da aquisição da fala) e uma surdez congênita. éo indivíduo com surdez leve (aquele(a) que Parcialmente surdo apresenta perda auditiva de até quarenta decibéis) ou com surdez moderada (condição do deficiente que apresenta perda auditiva entre quarenta e setenta decibéis). Surdoé o indivíduo com surdez severa (perda auditiva entre setenta e noventa decibéis) ou profunda (perda auditiva superior a noventa decibéis) MEC-2002. Decibelé a unidade de medida de intensidade sonora e tem esta denominação em homenagem a Alexander Graham Bell. 28 recomendado que o tesPara identificar crianças com ésurdez te da orelhinha seja realizado até os 5 meses de idade, pois é nesse período que o bebê dá início à lalação (sons elementares ou fonemas). Nesta idade a criança emite sons e os adultos reagem aos mesmos repetindo as vocalizações da criança e inserindo outros elementos sonoros. Tem início neste momento um complexo processo interacional por meio do qual a criança vai adquirindo os sons típicos do modelo fonético do idioma materno. A criança surda emite a lalação, mas não insere novos fonemas por não conseguir ouvir. É fundamental que se detecte o mais cedo possível a surdez para que o Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva bebê surdo possa fazer o processo interacional mais adequado às suas necessidades e possibilidades. Uma pessoa surda pode ser interpretada como desobediente, ou com problemas de aprendizagem ou até mesmo com deficiência mental. Em sala de aula também podemos identificar esse aluno, pois normalmente ele não executa o solicitado e tem uma tendência a se isolar. Importante!Outro critério para a identificação da surdez refere-se ao período evolutivo em que a mesma ocorreu: surdez pré e pós-lingüística. Asurdez pré-lingüística é a que se apresenta até os primeiros meses de vida do sujeito (na fase anterior ao desenvolvimento da fala) e asurdez pós-lingüística é a que ocorre em uma idade posterior ao desenvolvimento da fala. O período evolutivo em que a surdez é detectada deve ser considerado de extrema importância para o âmbito educacional. Quanto mais precocemente a surdez for identificada, maiores serão as possibilidades de sucesso no investimento educacional. Sua prática de professor-pesquisador – 4 com os alunos surdos A estratégia de intervenções pedagógicas consiste em fazer da imagem o veículo de mediação primordial no processo de aprendizagem. Eles(elas) se orientam por pistas visuais presentes em todo lugar, realizando uma leitura intuitiva a partir das seguintes sugestões: indentificar marcas pelos seus logotipos (p. ex. rótulos); identificar estabelecimentos comerciais pelas placas; utilizar referências de cores para identificar cédulas de dinheiro, linhas de ônibus ou de metrô; ler placas de trânsito; diferenciar sanitários masculinos e femininos pelo desenho na porta; reconhecer símbolos de aparelhos eletrodomésticos como microondas, fogão e controle remoto da televisão; 29 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva ao professor cabe a tarefa de selecionar imagens com o mesmo rigor com que seleciona os textos; perceber se a palavra é longa ou curta, podendo também identificar a letra inicial. Não esqueça de anotar em seu caderno outras estratégias de interligações pedagógicas que considerar interessante à aprendizagem dos alunos. A educação dos surdos pode ser bilíngüe ou seja, utilizar primeiro a língua de sinais, no caso do Brasil a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e depois inserir uma segunda língua como a Língua portuguesa. Para esta são utilizadas técnicas que permitem ao surdo comunicar através da fala. O aluno com surdez deve sentar-se em local em que possa ver o professor, para facilitar a leitura orofacial, bem como a leitura das outras pistas visuais. Recomenda-se a utilização de recursos visuais como: objetos concretos, filmes, fotos, gravuras de livros e revistas, desenhos, escrita e ainda o uso da língua de sinais, da mímica , da dramatização, de expressões faciais e corporais de gestos naturais e espontâneos que ajudam a dar significado ao que está sendo estudado. A contribuição de um intérprete de libras facilita muito a aprendizagem do aluno surdo. De fundamental importância, porém,aépostura do(a) pro-fessor(a) , que deve assumir os seguintes posiciona-mentos: em sala de aula o professor deve manter o aluno surdo informado; é necessário socializar com os alunos ouvintes o que o aluno surdo disse; deve estimular a participação do aluno surdo; enquanto fala ou sinaliza, o(a) professor(a) deverá expressar no rosto sentimentos relativos à sua fala; quando falar, o(a) professor(a) deverá utilizar frases curtas, simples, porém completas. Os movimentos de lábios devem 30 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva ser bem definidos, sem contudo exagerar ou alterar o ritmo e a entonação das palavras e frases; Aparelhos auditivos: servem para ampliar os sons, mas o fato de uma criança os estar utilizando não significa que está tendo audição normal. Sua prática de professor-pesquisador – 5 quede palavras, Entre as sugestões práticas ressaltamos o jogo assim resumimos: identificar a letra inicial da palavra e, se possível, deObjetivo: senvolver hipóteses sobre o que está escrito. : cartolinas recortadas do mesmo tamanho, revistas, teMaterial soura e cola. recorte palavras de revistas com Produção do jogo de palavras: todas as iniciais possíveis e também iniciais repetidas e cole em cartolinas recortadas do mesmo tamanho. distribuir as palavras entre os participanDesenvolvimento: tes. Um jogador coloca uma palavra na mesa e todos que tiverem palavras começando com a mesma inicial colocam também (apenas uma carta de cada vez). O próximo jogador fará a mesma coisa. Opção: pode deixar cartas para comprar. Vence o jogo quem acabar as cartas primeiro. : é mais satisfatório quando o jogo é construído Observação em sala de aula com os próprios alunos porque agrega a este significado adicional. é a utilização mais freqüente do quadro na Uma outra sugestão sala de aula. É proveitoso lançar mão da diagramação, pois assim se pode organizar visualmente as palavras no espaço, ajudando na compreensão das relações pretendidas. 31 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Desenvolva a atividade sugerida com o jogo de palavras em sua classe e registrea em seu caderno. Avalie os resultados obtidos e crie novas variações para o jogo. Atenção! O Brasil é um país bilíngüe! Para saber mais, recomendamos que você leia a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, assinada no dia 22 de dezembro de 2005, depois socialize com seus colegas. Importante! Reilly(2004) em seu livro Escola Inclusiva: . São linguagem e mediação Paulo: Papirus, sugere outros recursos, como a prancha de atividades, que consiste em colocar em forma de desenho as atividades que acontecerão naquele dia. Não há necessidade de adaptação curricular. A proposta curricular para alunos com surdez é a mesma utilizada com os demais. É relevante acionar a rede de apoio para que haja um intérprete de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) em sala de aula. destes alunos deve-se observar Na avaliação da aprendizagem como está sua comunicação funcional, avaliando se conseguem se fazer entender, seja por gestos ou expressão corporal ou por meio de ambos. Por outro lado, pode-se aplicar a esses alunos avaliações escritas, levando em conta a sua expressão de pensamento peculiar em decorrência das dificuldades de comunicação oral que apresentam. Deve-se inclusive conceder-lhes maior espaço de tempo para responder à prova, dado que, para eles, a língua portuguesa é uma segunda língua. É de grande relevância acionar a Rede Os de estudos Apoio. demonstram que o aluno surdo necessita de um contexto lingüístico para aquisição da língua de sinais com pessoas fluentes nesta língua. A Sala , através do atendimento de especialistas, poderá ser uma de Recursos opção para que ele tenha contato com outras pessoas surdas. Não se espera que o(a) aluno(a) surdo(a) aprenda a língua de sinais com o professor regente que, na maior parte das vezes, é iniciante nesta língua e, portanto, não a domina. E assim sendo, tem dificuldades de estabelecer diálogo com o aluno nesta língua. Insistimos, porém, ser recomendável que, se você for o(a) professor(a) de um aluno surdo busque conhecer a LIBRAS ou que, pelo menos, tenha noção desta língua para melhor se comunicar com seu aluno. Quer saber mais? : é um Sala de Recursos ambiente de natureza pedagógica, orientado por professor especializado, que suplementa (no caso dos superdotados) e complementa (para os demais alunos) o atendimento educacional realizado em classes comuns da rede regular de ensino ou ensino especial. http:// <www.mec.gov.br/seesp/ perguntas.shtm#6> 32 Em síntese, aRede de Apoio deve incluir a Sala de Recursos, o intérprete da LIBRAS e outras formas de apoio tecnológico, como, por exemplo, o software LÉXICOe outros já existentes que oferecem suporte para facilitar a comunicação entre ouvintes e não ouvintes. Recomenda-se a adoção global do sistema de legenda nos filmes, já adotado pelos meios de comunicação; todas as escolas devem, por força de lei, oferecer disciplinas e espaços curriculares nos cursos de nível superior para formação qualificada de especialistas em Língua Brasileira de Sinais. Enfatiza-se igualmente a necessidade do apoio a ser prestado pelointérprete da LIBRAS (especialista na língua brasileira de sinais que intermediaa comunicação entre o surdo e o ouvinte) nas universidades federais. Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva O decreto 5.626 de 22 / 12 / 2005 define a pessoa surda e reconhece a Libras como manifestação da sua cultura e estabelece a obrigatoriedade da Libras como disciplina curricular nos cursos de formação de professores e fonoaudiólogos entre outras determinações. A familia constitui, também, uma das mais importantes fontes de interlocução entre a escola, o aluno e a sociedade e, por isso, deve ser considerada como uma grande aliada no processo ensino-aprendizagem de todos os alunos e muito particularmente, daqueles que apresentam deficiência auditiva. ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Assista o filmeFilhos do Silêncio Este filme se desenvolve no contexto de uma escola especial. Um profissional recém chegado na instituição busca envolver uma aluna surda no seu próprio processo de reabilitação, mas ela resiste e não quer colaborar. O filme realiza uma crítica ao oralismo, apresentando a perspectiva do aluno surdo e o respeito pela opção de não vocalizar. Falando da deficiência mental definida pelo Decreto Nº 3.298/99 que regulaA deficiência mental, menta a Lei nº7.853/89, art. 4º, refere-se ao funcionamento intelectual que se apresenta significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer e trabalho. Esse referencial é importante por ser ele o determinante legal da deficiência mental adotado atualmente em nosso País. Na área educacional, a definição de Deficiência Mental adotada pelo MEC é a da Associação Americana para a Deficiência Mental – , que orienta os Parâmetros Curriculares Nacionais. As AdapAAMD, de 1992 tações Curriculares do MEC explicitam na página 26: “A deficiência mental caracteriza-se por um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da 33 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação; cuidados pessoais; habilidades sociais; desempenho na família e comunidade; independência na locomoção; saúde e segurança; desempenho escolar; lazer e trabalho”. É importante ressaltar que, apesar da maioria dos casos de deficiência mental ser identificada no período escolar, este diagnóstico, em alguns casos, pode ser realizado antes da criança entrar na escola, já nos primeiros meses de vida, e deve ser feito sempre por uma equipe multiprofissional das áreas de saúde, educação, psicologia, neurologia, serviço social, entre outros. A escola tem um papel importantíssimo na indicação precoce desses alunos para sua avaliação, podendo assim garantir-lhes um atendimento de melhor qualidade, mais apropriado à demanda de suas necessidades educacionais especiais. Além dessas definições, outras informações são também rel Para omental. alutes para um adequado entendimento da deficiência no, a escola pode ser a primeira fonte de demandas intelectuais formais. Por isso, os educadores devem ficar atentos a algumas questões. Lembremos que, por trás e muito acima de uma deficiência mental, está um sujeito com vontades, experiências, definições orgânicas e vivências sociais que fazem parte desse sujeito e tanto quanto. Por isso, sua deficiência não pode ser objeto de um receituário único e próprio. O nível de funcionalidade social que o sujeito poderá desenvolver não depende tão somente do nível da deficiência mental mas do seu grau de comprometimento em relação às dificuldades oriundas da própria deficiência; do contexto em que vive; assim como de sua história de vida; do apoio familiar que recebe e das oportunidades a ele oferecidas. Esses alunos não estão tão distantes de nós. A Organização Mundial de Saúde(OMS) diz que dez por cento da população dos países em desenvolvimento são deficientes e a metade destes apresenta a deficiência mental. Sua prática de professor-pesquisador – 6 Para refletir... Durante o seu período de vida, quantas pessoas você já encontrou com uma deficiência? Como essa informação chegou até você? Quando as pessoas falaram sobre a deficiência dessas pessoas, falavam no sentido de ajuda ou para você tomar cuidado com elas? Como ela era tratada pelas pessoas? Discuta isso com seus colegas... Analise as informações encontradas e você vai notar os mitos que existem na sociedade sobre as pessoas com deficiência mental e como essas informações construíram o seu imaginário sobre esta deficiência. 34 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Para compreender as características mais comuns desta deficiênciaé muito importante matizar algumas questões relativas às suas potencialidades e aos vários níveis de comprometimento que apresentam as pessoas com deficiência mental. Com efeito, os estudos realizados na atualidade nos demostram que o mais importante não é a classificação de uma pessoa com deficiência mental em determinada categoria, mas o conhecimento do seu real nível de desenvolvimento . Na realidade, são essas as informações que devem orientar individual a ação pedagógica para este tipo de alunos. Lembramos, professor(a), que nem todas as pessoas com deficiência mental são afetadas da mesma forma. Esta constatação indica uma heterogeneidade no nível de desenvolvimento desse grupo de alunos. Conseqüentemente, as estratégias de ensino, o uso de materiais pedagógicos e os sistemas de apoio devem ser também diversificados para favorecer o processo de ensino e aprendizagem destes alunos/alunas. Sabe-se que o aspecto a ser considerado na deficiência mental é o baixo funcionamento intelectual, geralmente associado a limitações no desenvolvimento geral e com repercussões específicas no processo de aprendizagem. Com efeito, a deficiência mental acarreta dificuldades importantes na inteligência conceitual, na inteligência prática e social, bem como limitações na execução de algumas habilidades da vida diária. Essas últimas limitações estão, em geral, associadas a duas ou mais áreas, tais como: habilidade adaptativa, comunicação, cuidado pessoal, vida em família, habilidades sociais. Estes aspectos são os que geralmente definem os apoios de que essas pessoas necessitam. Definem igualmente a intensidade dos cuidados da família, da comunidade e do governo, no sentido de favorecer a inclusão educacional e social do deficiente mental, com base no mesmo direito reconhecido a qualquer outro cidadão. Estes cuidados dizem respeito à saúde, à assistência social, à educação, bem como ao desenvolvimento de habilidades acadêmicas funcionais, de lazer e de trabalho. Dada a heterogeneidade que caracteriza este grupo, não podemos falar de características determinantes na deficiência mental. Porém, muitos estudiosos apontam que determinadas áreas do seu desenvolvimento apresentam diferenças em relação ao desenvolvimento considerado normal. As áreas da comunicação, bem como do desenvolvimento motor, cognitivo e socio-educacional, podem apresentar discrepâncias com relação aos padrões de referência. destacam-se as questões relacionadas com a mobiNa área motora, lidade, o equilíbrio, além das dificuldades de locomoção e coordenação. 35 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva as pessoas com deficiência mental apresentam Na área cognitiva, dificuldades de aprendizagem. As questões relacionadas com atenção, memória, resolução de problemas e transposição de conhecimentos se apresentam como pontos de dificuldades para estes alunos. Ressaltamos , porque a palavra utilizada é “dificuldades” e não “impossibilidade” que a despeito das dificuldades, essas habilidades precisam ser desenvolvidas. A compreensão é de que, nestas áreas, haverá grande progresso dos alunos com deficiência mental, embora em ritmo diferenciado. como na área cognitiva, estes alunos Na área da comunicação encontram maior dificuldade e quase sempre sofrem atrasos na aquisição da fala e da linguagem. Em sua maioria necessitam de atendimento especializado pela importância que essa área representa para o êxito de sua inserção social. De acordo com Vygotsky (1996), a linguagem desempenha papel importantíssimo no desenvolvimento geral da pessoa. Por meio da linguagem, ela entende e se faz entender para o mundo. Sendo assim, a linguagem é considerada como instrumento do pensamento para o desenvolvimento e a resolução de problemas cognitivos. o(a) aluno(a) com deficiência mental Na área socio-educacional, apresenta lento desempenho em relação a todo aprendizado associado a problemas de interação social. Esta dificuldade, em geral cria para ele/ ela barreiras à inserção escolar e social. Seu baixo desempenho nesta área acaba fomentando preconceitos com relação às suas capacidades, e gera consideráveis prejuízos com relação à sua auto-estima perante os colegas e os ambientes de aprendizagem. Para estes alunos, o desenvolvimento de competências sociais é fundamental para que a sua inclusão aconteça em todos os ambientes, notadamente na escola. Quer saber mais? A Associação Americana para a Deficiência Mental – AAMD é um orgão Internacional que estuda e pesquisa sobre a Deficiência Mental e que serve de referência para as orientações relativas ao atendimento dispensado às pessoas com deficiência mental no mundo. (VERDUGO, Miguel Angel. Retraso . Madrid: mental Pirámide, 2003.) Atenção! Lembre-se que temos um patrimônio genético herdado dos nossos pais e enormes e variadas experiências ambientais e sociais que nos formam enquanto sujeitos. Isso vale também para a pessoa com deficiência mental. Essa pessoa tem capacidades e incapacidades, interesses e desinteresses, como qualquer outra. Assim, a compreensão de que necessita de apoios diferenciados nas diversas áreas de desenvolvimento, deve ser vista como natural. Com efeito, esses apoios, necessários na maioria das vezes na sua rotina diária, asseguram-lhe um atendimento adequado e a possibilidade de melhor se desenvolver e se ajustar ao meio em que vive. Partindo do princípio de que a pessoa com deficiência mental necessita de apoio para se adaptar ao meio social e dar conta das demandas postas para ela, AAMD a classificou ostipos de apoio e seus níveis (VERDUGO, 2003, p.15). São eles: 36 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Intermitente O apoio intermitente ou do tipo “quando necessário” caracteriza-se por sua natureza episódica. Assim, a pessoa nem sempre necessita de apoio ou requer apenas apoio de curta duração durante momentos de transição no ciclo vital (exemplo: perda de trabalho ou agravamento de uma crise de saúde, etc). Os apoios intermitentes podem ser, conforme o caso, de alta ou de baixa intensidade. Limitado Apoio intensivo caracterizado por sua consistência temporal, por tempo limitado, porém não intermitente. A pessoa pode requerer o apoio de um menor número de profissionais ou apoio de menor custo que outros níveis de apoio mais intensivos (por exemplo: treinamento profissional por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período de passagem da escola para a vida adulta). Extenso Apoio caracterizado por uma constância regular, diária, em pelo menos alguns contextos, tais como sua residência ou no trabalho, e com limitação temporal (exemplo: apoio de longo prazo e apoio constante em casa para realização das suas habilidades básicas). Generalizado Apoio caracterizado por constante e elevada intensidade, em distintos ambientes, com o objetivo de dar apoio à sua própria vida. Este apoio generalizado costuma requerer mais pessoas envolvidas no seu cotidiano e em maior intensidade do que o requerido nos casos de apoio extensivo ou apoio por tempo limitado. Levando em conta a definição de Deficiência Mental dada pela AAMD, o Quadro a seguir procura dar uma visão dinâmica da deficiência mental, considerando as capacidades, o contexto em que vive a pessoa e o seu funcionamento em consonância com os apoios que recebe. FONTE: Traduzido e adaptado de Luckasson et al. (1992) in Verdugo,2003), por Souza, A. M. (2006) 37 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva – são aqueles atributos que tornam possível um Capacidades funcionamento adequado na sociedade. Inclui tanto as capacidades inerentes de um indivíduo como sua habilidade para funcionar no contexto social, ou seja, sua competência social. – são aqueles lugares onde a pessoa vive, aprende, Contextos trabalha, se socializa e interage, de maneira que as capacidades individuais se relacionam com as demandas do meio. – resultado da interação das capaciFuncionamento presente dades de inteligência /adaptação com o contexto (demandas da vida) na interveniência ou ausência dos apoios . As capacidades estão apresentadas do lado esquerdo do triângulo representado no Quadro, para indicar que o seu funcionamento na deficiência mental está relacionado especificamente com limitações na inteligência e nas habilidades adaptativas, o que a distingue de outros estados de funcionamento limitado, relacionado com causas físicas ou emocionais. Do lado direito do triângulo estão representados os ambientes nos quais a pessoa com deficiência vive, aprende, joga, trabalha, se socializa e interage. Dispostos assim, os dois componentes (capacidades e contextos) nos dois lados do triângulo refletem que a interação entre ambos é essencial no conceito de deficiência mental. O modelo indica também que as necessidades de apoio são reflexos do funcionamento da pessoa e que a ausência de apoio pode influir reciprocamente no funcionamento. Professor(a), você deve estar se perguntando o que dá origem à deficiência mental.Suas origens são múltiplas, pois múltiplas são as cau Pois é...sabemos que mesmo com recursos os fatores que a determinam. o avanço da ciência e a utilização de recursos médicos de ultima geração, muitas vezes ainda não se consegue obter um diagnóstico claro em relação à deficiência mental,uma vez que as suas causas são multifatoriais. Quer saber mais? Para saber melhor sobre essas causas da deficiência, você pode consultar o site http:// boasaude.uol.com.br/ 38 A deficiência mental pode resultar causas de e ser transmigenéticas tida hereditariamente. podem Doenças degenerativas e doenças tumorais provocar deficiência mental quando o órgão por elas afetado é o cérebro. Alguns exemplos podem ser mencionados: Neurofibromatose ou Doen. de Hunti ça de Von Reckinghausen; Esclerose Tuberosa; Doença Algumas doenças como aMicrocefalia e Hidrocefalia, entre outras, são caracterizadas por má formação cerebral. Elas já estão presentes no nascimento, mas suas causas são desconhecidas. Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva que incidem sobre o óvulo, esExistem também causas pré-natais perma, embrião e feto ao longo do período de gestação, desde a concepção até o início do trabalho de parto. Entre elas, convém ressaltar: desnutrição materna; má assistência à gestante; doenças infecciosas como a sífilis, rubéola, toxoplasmose; fatores tóxicos como alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos, poluição ambiental, tabagismo; bem como fatores genéticos como alterações cromossômicas; alterações gênicas e má formação. , podem incidir Há também fatores de risco e causas perinatais sobre o período que vai do início do trabalho de parto até o 30º dia de vida do bebê, e podem ser caracterizados como: má assistência ao parto e traumas de parto; hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral insuficiente); prematuridade e baixo peso (PIG - Pequeno para Idade Gestacional); icterícia grave do recém nascido; incompatibilidade RH/ ABO, entre outros. que podem incidir também Fatores de risco e causas pós-Natais sobre o período que se estende do 30º dia de vida até o final da adolescência. Estes fatores e causas são decorrentes de: desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global; infecções do tipo meningoencefalites e sarampo. São igualmente considerados fatores de risco e causas pós-natais intoxicações exógenas (envenenamento) provocadas por remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio, etc.); acidentes de causas diversas (trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas); bem como infestações de neurocisticircose (larva da Taenia Solium). Tais situações são acompanhadas de vários distúrbios, tais como: atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor – a criança demora para firmar a cabeça, sentar, andar, falar; dificuldades no aprendizado – tanto escolar como familiar e social. Todas estas situações merecem uma avaliação mais detalhada. Não é demais lembrar que esses fatores não são os únicos nem os determinantes para que uma criança tenha deficiência mental. Este diagnóstico deve ser realizado, o mais precocemente possível, por uma equipe multiprofissional. Esta exigência requer uma série de estratégias de ação educativa e de apoios variados para promover o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos que a apresentarem. Estes apoios devem ter como foco o desenvolvimento de suporte para que a pessoa com deficiência mental se insira nas atividades e exigências da vida escolar, social, pessoal, emocional, etc. O importante é que esses sujeitos tenham possibilidades de desenvolver suas capacidades e habilidades, com o apoio necessário a fim de se tornarem atuantes na sua vida. 39 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Quer saber mais? Consultem César Coll (2004) Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2a ed. 3v Educação Inclusiva para as pesA estratégia de intervenções pedagógicas/educativas soas que apresentam deficiência mental deve ser planejada, com o objetivo fundamental de desenvolver a autonomia, para que possam usufruir ao máximo de suas potencialidades durante a vida. Partindo do ponto de vista de que a deficiência mental traz consigo uma dificuldade em relação ao desenvolvimento da área cognitiva, é preciso ter a consciência de que a aprendizagem acontece, embora lentamente e de forma individualizada. Assim, não proporemos receitas, mas formularemos alguns princípios educacionais norteadores para a educação do aluno com deficiência mental. Os princípios que seguem, quando bem compreendidos, servem de respaldo para uma educação voltada ao desenvolvimento das potencialidades de cada aluno(a) e preocupada com uma educação de qualidade que seja eticamente comprometida com o seu sucesso. Esses princípios podem ser assim formulados: focalizar esforços e atenção nos objetivos fundamentais da educação que queremos proporcionar criando situações de aprendizagem, que sejam significativas para o currículo da rede regular, mas ao mesmo tempo individualizadas para o aluno em questão e levadas a cabo, preferencialmente, nos ambientes naturais do educando, utilizando material concreto colocado à disposição tanto dos alunos como do(a) professor(a); favorecer um ambiente educacional motivador em condições de promover a auto-estima do aluno, valorizando seus conhecimentos anteriores, levando sempre em consideração as dificuldades experimentadas, em geral, por estas crianças, sobretudo no que diz respeito à aquisição e assimilação de conceitos abstratos; este ambiente educacional motivador deve igualmente fortalecer no aluno com deficiência mental sua capacidade de generalizar e transferir comportamentos, bem como de vivenciar as aprendizagens adquiridas nas situações práticas da vida; dividir seus objetivos curriculares em sub-objetivos de forma a graduar a dificuldade das aquisições tornando-as mais acessíveis. O insucesso na consecução dos objetivos cria no aluno desmotivação, provoca recusa às novas aprendizagens e gera dificuldades adicionais ao processo de aprendizado; 40 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva nunca esquecer que o nosso objetivo maior com a educação é o da inserção do sujeito na vida, permitindo uma inclusão ativa e significativa na sociedade; desta forma, quanto mais esse aluno estiver perto do currículo da rede regular de ensino, maior suas possibilidades de inserção junto a seus pares. Alguns alunos, devido às suas condições e dificuldades, necessitam de adaptações deste currículo; deverá ser dada uma maior importância aos comportamentos adaptativos, buscando sempre o desenvolvimento da autonomia desse(a) aluno(a) com o objetivo de dotá-lo(a) das competências necessárias para a vida em sociedade. No trabalho com alunos mais comprometidos, as estratégias para a aprendizagem deve adotar um caráter mais próximo da sua realidade. Por exemplo, a aprendizagem da leitura deve estar mais voltada para as necessidades diárias como a leitura de um recado, por exemplo, entre outras sugestões. Com relação aos comportamentos adaptativos, as questões que envolvem “Cuidados Pessoais”, motricidade, comunicação, aspectos sociais devem ser trabalhadas de forma a propiciar ao(à) aluno(a) um bom desempenho no que diz respeito às demandas sociais. Atenção! Lembre-se de que uma educação de qualidade atende às necessidades individuais dos alunos, promovendo o desenvolvimento de habilidades e competências para uma vida autônoma e participativa. Para que essa orientação se concretize, não podemos deixar de exigir dos órgãos competentes os apoios necessários para que essa educação ocorra. A avaliação da aprendizagem do aluno com deficiência mental deve ser inserida na sistemática de avaliação dos demais alunos, considerando sempre o seu progresso, comparando-o consigo mesmo a fim de favorecer a tomada de consciência do seu avanço progressivo nas aquisições gerais. Dada a heterogeneidade deste grupo de alunos cujo desempenho geral varia de caso a caso, há necessidade de oferecer-lhes alternativas de oportunidades diversificadas. Somente assim poderá ser 41 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva possibilitada a expressão dos conhecimentos apreendidos e do aperfeiçoamento de suas demais habilidades. é de crucial relevância para O acionamento da Rede de Apoio atender às necessidades do(a) aluno(a) com deficiência mental. Com efeito, este(a) aluno(a) precisa de apoio especial para desenvolver mais plenamente suas potencialidades. Muitos deles, quando estimulados, podem inclusive apresentar resultados visivelmente positivos que confirmam a necessidade da participação da Rede de Apoio no seu processo de aprendizagem e escolarização. Na verdade, o(a) aluno(a) com deficiência mental necessita de estímulos de toda ordem para aprender e assim alimentar positivamente a sua auto-estima, minimizar suas dificuldades e prosseguir no seu processo de desenvolvimento global. A família deve desempenhar um papel decisivo no seu desenvolvimento; o seu nível de independência e ajustamento social depende muito da forma como ele se sente aceito na sua condição específica e no contexto das dificuldades que é chamado a superar. A Rede de Apoio deve proporcionar a este(a) aluno(a) todo o suporte especializado que se fizer mister para atender às suas dificuldades de aprendizagem específica. Este apoio deve ser considerado como parte do trabalho inter e multidisciplinar da atividade pedagógico/educacional desenvolvida pela escola. Lembre-se, professor(a), que o seu papel com o aluno e sua família é primordial para reforçar uma orientação adequada de trabalho conjunto a fim de oferecer a este(a) aluno(a) todas as oportunidades de aprendizado dentro e fora da escola. Em muitos casos, deve-se incluir a participação efetiva da equipe de saúde como forma de favorecer as condições adequadas para o seu desenvolvimento, aprendizagem e ajustamento social. ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Filmes que abordam o tema “deficiência mental“ • Nicky and Gino • Oitavo dia • Forrest Gump – O contador de história • Gilbert Grape – aprendiz de sonhador • Simples como amar • Meu nome é Rádio • Do luto à luta 42 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Falando da deficiência múltipla e da surdocegueira De acordo com a Política Nacional de Educação Especial do Ministério de Educação, definida em 1994, a Deficiência Múltipla é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física) com comprometimentos que acarretam Ressalatrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa. tamos que não se pode considerar a deficiência múltipla como um simples somatório de deficiências. Na verdade, ela precisa ser encarada como a conjugação entre elas. estão estreitamente reAs características mais comuns observadas lacionadas com a prevalência de uma sobre a outra deficiência. Algumas pessoas podem inferir que é mais complexo trabalhar com uma pessoa com deficiência múltipla do que com aquela que apresenta apenas uma única deficiência. Esta inferência, porém, nem sempre é verdadeira. A avaliação a este respeito deve ser apreciada a partir da análise de cada caso, em função de quatro fatores: o grau de comprometimento da pessoa; a capacidade desta em apreender e compreender o mundo que a cerca; o contexto social em que está inserida; o apoio pedagógico que ela tenha encontrado desde o início de seu desenvolvimento. É importante que você, professor(a), fique atento(a) para a existência de várias possibilidades. O trabalho pedagógico com as pessoas com deficiência múltipla se constrói a partir da configuração específica de cada deficiência. Por isso, você poderá lançar mão das diferentes atividades e sugestões trazidas aqui e em outras partes deste fascículo. Neste momento optamos por trazer a especificidade da surdocegueira. Gostaríamos de salientar, no entanto, que apesar dela estar sendo tratada junto com a deficiência múltipla, não se caracteriza como tal. A escolha pela surdocegueira foi feita em função de uma demanda encontrada nas escolas para maior discussão dessa necessidade educacional especial tão singular. O que é surdocegueira? Segundo o MEC, oSURDOCEGO é o indivíduo com deficiência visual e auditiva. Apesar da presença e associação das duas deficiências no mesmo indivíduo, o caso não se configura como o simples somatório de ambas, mas como uma deficiência única que apresenta características peculiares com graves perdas auditiva e visual, levando quem a possui a ter formas específicas de comunicação para ter acesso a lazer, edu43 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva cação, trabalho e vida social. Não há necessariamente uma perda total dos dois sentidos. A surdocegueira apresenta um espectro amplo de possibilidades que permite distinguir diversos tipos, a saber: cegueira congênita e surdez adquirida; surdez congênita e cegueira adquirida; cegueira e surdez congênitas; cegueira e surdez adquiridas; baixa visão com surdez congênita; baixa visão com surdez adquirida. são muitas. Apresentamos as mais As causas da surdocegueira comuns. Doenças contraídas na gravidez, como rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus podem causar surdocegueira na criança. Síndromes como a de Usher (degeneração da retina função em de retinose pigmentar) também pode ser uma das causas. Nestes casos, a origem é genética, ou seja, a criança nasce com a síndrome que já aparece na infância ou que vem a se manifestar um pouco mais tarde. Muitas pessoas nascidas surdas podem ser portadoras da síndrome de Usher e apresentar perda gradativa da visão na adolescência ou na idade madura. A retinose pigmentar, que gera perda visual progressiva, também pode estar associada a outras síndromes, mas a mais conhecida é a de Usher. Abuso de álcool e drogas por parte da gestante, caxumba, meningite, acidente vascular cerebral (AVC), sífilis congênita, herpes, aids e hidrocefalia, entre outros, também podem causar surdocegueira. As pessoas que apresentam surdocegueira podemclassificadas ser O surdocego de duas diferentes formas: pré-lingüísticas e. pós-lingüísticas pré-lingüístico é aquele que nasce surdocego ou adquire a surdocegueira ainda bebê, antes da aquisição de uma língua, apresentando graves perdas visuais e auditivas combinadas. Essas pessoas apresentam dificuldade de compreensão do universo que as cerca, devido à sua falta de percepção da luz e do som. Possuem a tendência ao isolamento. O surdocego pós-lingüístico é aquele que adquire a surdocegueira após a aquisição de uma língua (portuguesa ou de sinais). A surdocegueira adquirida manifesta-se pela perda progressiva da visão e da audição, ou de um dos dois sentidos quando o outro já está comprometido, com as seguintes conseqüências: dificuldade de percepção de proximidade das pessoas; não percepção de objetos que caem; 44 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva dificuldade de participação em conversação ou jogos coletivos. A surdocegueira congênita manifesta-se pela “ausência” na criança do mundo externo, ou seja, falta-lhe percepção de movimentos externos e, por isso, o seu problema pode ser facilmente confundido com deficiência mental, devido ao isolamento imposto pela ausência de luz e de som. A observação de alguns aspectos podem ajudar a identificação da criança com surdocegueira: pode apresentar movimentos estereotipados e repetitivos; não antecipa as atividades; não demonstra saber as funções dos objetos ou brinquedos, utilizando-os de maneira inadequada; pode rir e chorar sem causa aparente; pode apresentar resistência ao contato físico; movimenta os dedos e as mãos em frente aos olhos; não se comunica de maneira convencional; pode apresentar distúrbio de sono; não explora o ambiente de maneira adequada; tropeça muito e bate nos móveis, objetos, etc..; gosta de ficar em locais com luminosidade; pode não reagir a sons. O processo educacional das pessoas surdocegas varia de acordo com a origem da deficiência (congênita ou adquirida) e está centrada principalmente nas formas de comunicação possíveis para viabilizar sua autonomia e inclusão social. São vários os recursos utilizados, entre os quais: objetos de referência (por associação a fatos cotidianos), desenhos, movimentos corporais, expressão facial, língua de sinais tátil (conversação por sinais através de toque), alfabeto manual tátil (desenho de cada letra do alfabeto na palma da mão), tadoma (compreensão das palavras pela percepção da vibração da voz através de toque próximo dos lábios ou das cordas vocais), leitura labial (quando há resíduo visual), Sistema Braille e guia-intérprete. Que saber mais? NASCIMENTO, F. A. A. A. et COSTA, M. P. R. Descobrindo a surdocegueira: educação e comunicação. São Carlos: EdUFSCar, 2005. 45 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Sua prática de professor-pesquisador – 7 O professor de uma criança surdocega deve buscar meios alternativos de comunicação, quebrando a barreira do isolamento para chegar a desenvolver suas potencialidades. A criança geralmente tem dificuldades de antecipar o que vai ocorrer. Para que isto seja amenizado, a proposta é montar no início do período da aula, caixas com pistas na ordem dos eventos que irão acontecer. Exemplificando, pensamos na seguinte seqüência: o primeiro evento será aula de artes. Então, na primeira caixa poderá ter um pincel (lembre-se que deve ser algo que seja significativo para a criança e que seja associado por ela à respectiva atividade). O segundo evento será a aula de música. Então na segunda caixa poderá ter um instrumento musical. O terceiro evento será o lanche. A caixa poderá conter um garfo. E assim por diante. As caixas devem ser apresentadas à criança antes de cada atividade para que ela a antecipe e se prepare. Professor(a), anote em seu caderno sugestões de variações que podem ser utilizadas para esta atividade. deverá ser implantado um currículo Como adaptação curricular com objetivos educacionais adequados às necessidades específicas dos alunos com deficiência múltipla ou surdocegueira, ao lado do currículo padrão ou formal. destes alunos deve ser contínua e levar em consideraA avaliação ção aquilo que a criança consegue fazer, principalmente, em termos de comunicação e relação social. deve ser acionada, pois trata-se de trabalho A Rede de Apoio multidisciplinar onde cada profissional fará contribuições importantes para a maximização da aprendizagem do aluno. Quer saber mais? Existem no Brasil algumas instituições e pessoas empenhadas em promover a inclusão social de quem possui surdocegueira. Entre elas encontram-se: associação Brasileira de Pais e Amigos dos SurdoCegos e Múltiplos Deficientes Sensoriais (ABRAPASCEM); associação Brasileira de SurdoCegueira (ABRASC); 46 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva associação para Deficientes da Audio Visão (ADEFAV) – dirigida pela primeira educadora de surdocegos no Brasil, Ana Maria de Barros Silva; associação Educacional para Múltipla Deficiência (AHIMSA); escola Anne Sullivan; instituto Benjamin Constant; centro de Treinamento e Reabilitação da Audição (CENTRAU); grupo Brasil de Apoio ao Surdo-Cego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial. exigem que você esteja As estratégias de intervenções pedagógicas atento a todos os aspectos abordados no início deste fascículo, para proporcionar ao aluno com deficiência múltipla ou surdocegueira a otimização de recursos, bem como a postura ética favorável a seu pleno desenvolvimento. ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Assista o filme O milagre de Anne Sullivan Falando de condutas típicas e autismo apresenta um espectro amplo e O conceito de condutas típicas ao mesmo tempo polêmico, segundo a vertente teórica pela qual você tenha optado. De qualquer maneira, é importante para você ter claro que, de modo geral, as questões comportamentais podem afetar tanto o próprio sujeito como também o ambiente. Para tomar como base um conceito comum no tocante às políticas públicas efetivadas no Brasil, transcrevemos a seguir o conceito adotado pelo Ministério da Educação, segundo o qual são relevantes para o processo educativo: 47 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva “As manifestações comportamentais típicas de portadores de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionam atrasos no desenvolvimento e prejuízo do relacionamento social em grau que requeira atendimento educacional especializado” (Secretaria Nacional de Educação Especial – MEC – 1994). Atualmente utilzamos a expressão “condultas típicas” para definir estes alunos, mas provavelmente muito em breve deixaremos de utilizálo pelas diferentes características dos sujeitos hoje identificados com a nomeclatura. O trabalho escolar com alunos(as) nesta situação atípica requer sempre uma nova construção pedagógica e um novo reposicionamento psíquico frente ao desafio desta diferença. Das necessidades educacionais especiais verificadas na escola, podemos dizer que as condutas típicas são responsáveis pelos maiores estranha-mentos, que desafiam a nossa incompletude. Importante! Abra a cabeça e o coração e permita que novos sujeitos freqüentem a sua sala de aula e saiba que muitos dos seus colegas, Brasil afora, já encararam esse desafio e têm colhido frutos. A beleza de acompanhar um aluno se descobrindo e aprendendo não tem preço que pague! Paradoxalmente, é a partir destes estranhamentos que revisitamos a nossa extrema capacidade de inventar, compreender, aprender e mediar conhecimento para atender aos alunos que exigem uma intervenção pedagógica que, não raro, vai de encontro às grandes certezas que carregamos conosco acerca do que é ensinar na escola. Todos nós – uma vez ou outra na vida – apresentamos comportamentos que estranham o outro. O importante, no caso das condutas típicas, é ser capaz de distinguir o que é o sintoma ocasional de um comportamento mais duradouro (e não necessariamente permanente) e intenso. Este discernimento nos obriga a promover constantemente ajustes e adequações metodológicas, instrucionais e atitudinais, sempre que um aluno revela e manifesta uma conduta típica e assim nos oferece a oportunidade de, por meio de nossa prática docente, desempenhar um lugar importante no desenvolvimento e organização psíquica do sujeito. Antes de conhecermos as condutas típicas mais comuns é fundamental alertá-lo(a) que, a este respeito, dispomos de diferentes abordagens teóricas que as conceituam e indicam determinadas intervenções pedagógicas. Apresentamos uma proposta específica neste Módulo, mas reconhecemos a diversidade possível, quando se trata de conceituar e explicar, fenomenologicamente, os sujeitos considerados com condutas típicas. Considerando a amplitude do espectro da expressão “condultas típicas” e apesar de questionarmos a inclusão do autismo e do transtor- 48 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva no de déficite de atenção e hiperatividade neste grupo, por se caracterizarem por outras especificidades o apresentaremos aqui junto com a estruturação psicótica. Compreendemos que as crianças e adolescentes estão se constituindo psiquicamente, por isso, muitas mudanças podem acontecer. Além disso, há uma variedade nos quadros de psicose e alguns desses quadros se combinam com síndromes e questões orgânicas. Todas essas considerações e reflexões devem nos levar a sermos muito cuidadosos ao adotar determinada intervenção pedagógica com esses sujeitos, assim como a utilização de algumas classificações. é uma invenção recente e a devemos a O conceito de psicose Freud. O termo, no entanto, foi usado pela primeira vez por Von Feuchtersleben em 1845. Os principais tipos de psicoses são a esquizofrênica e a paranóica. A psicose que provoca maior estranhamento nos demais é a esquizofrênica. Suas manifestações mais comuns são: fala na terceira pessoa; fala ecolálica; verborragia em certas temáticas; desorganização nos relatos; tratamento inanimado das pessoas e personificação de objetos; facilidade para reconhecer letras, números e palavras, mas Quer saber mais? Cinco critérios para muita dificuldade em lhes atribuir um valor simbólico; movimentos diagnóstico do TDA/H: repetitivos e impulsividade; agressividade quando ameaçado (mesmo que imaginariamente); pouca tolerância ao contato corporal. 1) Hiperatividade, Sabemos que o sujeito psicótico desenvolve uma forma singular de se relacionar com os objetos de conhecimento. Este fato faz com que a escola seja uma forte aliada para auxiliar esses sujeitos a se constituírem subjetiva e socialmente. foi utilizado pela primeira vez por Bleuler, O conceito de autismo contemporâneo de Freud, para descrever um dos sintomas da esquizofrenia em adultos. Posteriormente (na década de 1940), Leo Kanner definiu como síndrome o que ele nomeou de “distúrbio autístico do contato afetivo”. De modo geral, os sujeitos com uma estruturação autística em seu primeiro ano de vida ficam indiferentes à presença dos adultos: não voltam a cabeça para mãe quando esta entra no quarto e nem fazem “festa” quando são pegos no colo. No segundo e no terceiro ano de vida, tratam os objetos e as pessoas da mesma forma, ou seja, de forma não-simbólica, parcial e sem nenhuma familiaridade. Com freqüência, apresentam estereotipias motoras e dificuldade de relacionamento e aprendizagem. impulsividade e/ou desatenção. 2) Antes dos 7 anos de idade. 3) Problemas causado pelos sintomas acima em pelo menos 2 contextos diferentes (por ex., na escola, no trabalho, na vida social e em casa. 4) Problemas evidentes na vida escolar, social ou familiar por conta dos sintomas. 5) Existência de outro problema associado com os sintomas - (tal como depressão, deficiência mental, psicose, etc.) e se os sintomas podem ser atribuídos ao TDA/H. O conceito de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDA/Hé uma manifestação comportamental e constitui-se na presença de pelo menos três sintomas que o caracterizam: impulsividade, desa49 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva tenção e hiperatividade, em dois ou mais ambientes, por um período superior a seis meses. Tais sinais podem estar presentes na vida de qualquer indivíduo em um momento de stresse/ou mudança de vida. Porém, nas pessoas com TDA/H, eles se apresentam de forma mais intensa e freqüente e sem razão desencadeadora aparente. Independente da faixa etária, o indivíduo com TDA/H pode ter comportamentos pouco convencionais que afetam as suas vidas. Cabe ressaltar que nada tem a ver com inteligência, pois, geralmente, estas pessoas são tão ou mais inteligentes que os sujeitos de sua faixa etária e são bastante sensíveis à realidade do outro. As características mais visíveis são: agitação e inquietude extremas, dificuldade em executar as tarefas iniciadas, desprezo pelo convencional, problemas para lidar com a rotina e tarefas repetidas, dificuldade de se manter quieta, agressividade, compulsividade, desatenção para os detalhes, interesse em muitas áreas (o que pode acarretar conhecimento superficial) e dificuldade em se concentrar. No entanto, apresentam inteligência e sensibilidade aguçadas, diversidade de interesses, criatividade, dinamismo, preocupação com o outro, habilidade motora surpreendente, pluralidade de papéis e espírito de liderança de grupos. deve responder às duas A estratégia de intervenções pedagógicas questões: Como oferecer de forma adequada os objetos de conhecimento a essas crianças? Como agir e realizar uma intervenção pedagógica adequada? Vejamos alguns pontos importantes que podem ser facilitadores da sua prática na escola ao trabalhar com alunos com características autísticas ou psicóticas: De um modo geral na escola: • lembre-se que os alunos intervêm na realidade escolar e a escola precisa auxiliar esses alunos, pois o que está falhando é exatamente a relação deles com a realidade; • muitos destes alunos não aceitam as regras da escola e do(a) professor(a) em sala de aula; saiba que não é a norma escolar que está em jogo, mas a impossibilidade destes alunos em se relacionar com a própria lei, que os colocam no mundo dos falantes. Por isso, insista nas regras, normas e leis da escola!; • é muito importante que você saiba que os alunos com condutas típicas não, necessariamente, apresentam deficiência men50 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva tal; na realidade, são pessoas com uma singularidade na sua constituição psíquica; por isso, a intervenção escolar tem características pedagógico-terapêuticas; a adaptação curricular não pode ser igual; • a escolha da escola e dos professores é fundamental; uma escola com muitos problemas e professores estressados, com certeza, não se configura como o espaço ideal de estudo para esse tipo de alunos; discuta com seus pares quais são os melhores espaços para eles; • em alguns casos, a combinação de dois espaços inclusivos é bem pertinente, tais como a escola especial e a escola comum; a escola especial e a sala de recursos; ou a escola comum e os laboratórios de aprendizagem. O tempo em cada um desses espaços será definido pela característica de cada aluno; • a passagem da escola especial para a escola comum precisa acontecer no tempo de cada aluno; não há uma obrigatoriedade em mantê-los o tempo todo na escola comum; o fundamental é que estejam bem, aprendendo e se socializando. Na sala de aula: • é comum que estes alunos tenham um lugar de “curiosos” ou “pesquisadores vorazes” em alguns temas, o que faz com que tenham centenas de datas decoradas; ajude-os dando condições para que eles “organizem” de alguma forma, o que trazem para a sala de aula e dê sentido a isso, fazendo relações com o que está sendo estudado; • o aluno com uma estruturação autística ou psicótica tem dificuldade em entender metáforas; tende a entender tudo “no real”; por isso tenha cuidado com a forma que você utiliza para elaborar as construções das atividades e como você se dirige a ele; você é importante para o enriquecimento da sua linguagem; •ofereça um objeto de conhecimento de cada vez; ao trabalhar com pensamento lógico-matemático, leve em conta que ele tem condições cognitivas, mas possui limitações, devido à sua posição singular com respeito à linguagem; não condicione a aprendizagem do cálculo mas ofereça as operações e o cálculo num contexto que ele ajudou a construir; 51 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva • a escrita é uma modalidade da linguagem e, portanto, é constituinte do sujeito. Diferente da maioria das crianças, o nome próprio não é um bom ponto de partida para a construção da escrita. Muitas vezes eles não suportam e não entendem o fato do seu nome começar com a mesma letra de mais dois ou três colegas (por exemplo: Marcos, Marcelo e Maurício); •a questão da marca na linguagem é também uma marca na língua. Proponha um dicionário com a turma toda, no qual se inventem novos sentidos para as palavras soltas que eles falam; •integre os saberes especiais que ele traz de forma que o ajudem a se constituir subjetivamente (por exemplo, os casos de alunos que calculam o calendário de cabeça); •em caso de desorganização do aluno, tente manter a sua estabilidade e a do ambiente; isso é importante para que ele se sinta tranqüilo novamente; • por último, dedique atenção e respeito pelas singularidades que ele apresenta. Para alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade você professor tem uma função fundamental como mediador da sua aprendizagem. Então, observe as orientações a seguir: •Você, professor(a), vai ter uma função que é a de identificação e de percepção das características apresentadas pela criança no processo ensino-aprendizagem; •Tome sempre como base as potencialidades da criança hiperativa, pois ela é criativa, tem senso de humor, é capaz de se centrar intensamente em uma área de seu interesse, consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, é dotada de inteligência dentro da média ou acima dela; em contrapartida, sua limitação consiste na falta de persistência e compromisso, não acabando adequadamente muitas iniciativas começadas; é crucial estimulá-la a concluir algumas tarefas, mostrando-lhe que vale mais terminar completamente tarefas iniciadas do que abrir desmesuradamente o leque de iniciativas, sem chegar a concluir nenhuma delas; •direcione sua atenção principalmente nas suas habilidades e não tanto nas suas principais limitações, tais como hiperatividade, falta de atenção e impulsividade. É fundamental que o(a) professor(a) 52 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva busque conhecer melhor os pontos fortes do(a) aluno(a) com TDAH e o(a) ajude a desenvolvê-los; além das qualidades mais comuns já enumeradas anteriormente, procure descobrir sua forma de pensamento e algumas de suas prováveis características, tais como inteligência dentro da média ou até mesmo acima dela, sua sensibilidade, sua atitude de compaixão e solidariedade para com aqueles e aquelas que sofrem, bem como sua tendência a ser bem intencionado e cooperativo; •utilize o potencial destes alunos, levando em conta que eles erram, não porque são incapazes ou incompetentes, mas pela sua dificuldade em fixar a atenção e pela sua tendência à impulsividade e hiperatividade; •o fereça-lhes oportunidade de se concentrarem, com atividades que não exijam atenção por longo período; cuide para que eles executem as tarefas do início ao fim; •leia com eles a prova, se sentir que é necessário; reveja os exercícios e você ficará surpreso(a) por notar que eles sabiam muito daquilo em que ele errou. Como qualquer outra necessidade educacional, as condutas típicas exigem também o acionamento da Rede de Apoio com a movimentação e comprometimento de diferentes membros dos seus integrantes. Há algumas singularidades na rede para o acompanhamento destes alunos: • é importante que o fluxo de discussão entre todos os professores e membros da Rede de Apoio funcione, abrangendo professor de referência e itinerante, especialistas, sala de recursos ou do laboratório de aprendizagem, serviços de orientação e supervisão. As reuniões devem acontecer com a freqüência necessária para que as estratégias pedagógicas possam ser discutidas e elaboradas; • a inserção necessária, em raríssimos casos, de Acompanhamento Terapêutico (AT): o trabalho de AT tem como objetivo atuar como um facilitador no processo de inserção e inclusão escolar dos alunos com características autísticas ou psicóticas mais acentuadas. Pela experiência, temos visto que os sujeitos com uma estruturação autística ou psicótica se beneficiam muito dessa modalidade, assim como o acompanhamento terapêutico auxilia a prática do(a) professor(a). 53 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Em termos de avaliação todos estes alunos necessitam de um acompanhamento longitudinal mais cuidadoso do que o dispensado aos demais alunos que não apresentam necessidades educacionais especiais. Você precisa acompanhar o processo do seu aluno e entender que as questões de linguagem são particularmente importantes. Considere sua relação com os objetos e com os colegas. Tente formular perguntas norteadoras que garantam a construção de novos instrumentos de intervenção! Em que momentos ele fica mais agitado e desorganizado? Que atitudes causam nele um efeito organizador? Como aproveitar em sala de aula o que ele traz e fala? Consigo trabalhar com a turma a sua diferença? Ele é objeto de riso ou desconforto? Como tenho resolvido essas questões? O que ele, de fato, aprendeu e como aprendeu? Se pensarmos que o mais importante é garantir que o(a) aluno(a) se sinta incluído(a) na aula, no espaço social da escola e, especialmente, no discurso escolar, então estaremos oportunizando um belo laço com o social. ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Filmes que abordam o tema “condutas típicas“ • Refrigerator Mothers • Rain Man • O menino maluquinho Falando da superdotação/altas habilidades A definição de Superdotação/Altas Habilidades é dada pelo R que considera superdotados aqueles que apretório de Marland (1972), sentam “notável desempenho e/ ou elevada potencialidade em algum dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança, talentos especiais para artes e ou capacidade psicomotora”. Esta é a definição utilizada pela Secretaria de Educação Especial do MEC(SEESP/MEC -1994). Alertamos a você, professor(a), que o termo”superdotado” utilizado para definir esse grupo de alunos não significa que a criança seja “SUPER” em tudo; indica apenas que ela apresenta algumas características específi54 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva cas no seu funcionamento que requerem uma atenção maior no sentido de favorecer o atendimento adequado das suas necessidades educacionais especiais. Vale esclarecer também que, com a evolução dos estudos nesta área, temos observado que o termo “Altas Habilidades” tem sido utilizado também para definir este grupo de alunos no sentido de melhor expressar a realidade de suas potencialidades específicas. Curiosidade!!! Segundo CAVALCANTE (2006), a pessoa pode ser considerada precoce, prodígio ou genial, de acordo com o surgimento e a freqüência em que suas habilidades especiais se apresentam. Considera-se uma pessoa precoce quando ela apresenta alguma habilidade prematuramente desenvolvida em qualquer área do conhecimento, seja na música, seja na matemática, etc. A criança prodígio, além de precoce, apresenta alguma habilidade extremamente rara e única (exemplo: Amadeus Mozart). Os gênios, no entanto, deixam contribuições extraordinárias à humanidade e até mesmo entre os extraordinários, eles se destacam, deixando suas marcas na história. Quer saber mais? Leia Cavalcante, M. “Superdotados – como identidificar e atender alunos tão especiais” Em – Jan/ Revista Nova Escola Fev.de 2006, Editora ABRIL, 2006. A Superdotação, porém, é um termo mais amplo, que enquadra todos os aspectos anteriormente citados. Joseph Renzulli (2005) propõe o atendimento à pessoa superdotada levando em consideração o Modelo , conforme representa a figura a seguir. De acordo com este dos Três Anéis modelo, os comportamentos de superdotação resultam de três características básicas: (1) habilidade acima da média em alguma área do conhecimento, (2) envolvimento com a tarefa, e (3) concentração e criatividade. Representação do modelo dos Três Aneis de Joseph Renzulli (2005) 55 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Segundo o mesmo autor, essas características nem sempre estão presentes com a mesma intensidade nas pessoas identificadas como superdotadas, mas elas se integram e precisam ser aproveitadas em todos os alunos. As características mais comuns das crianças identificadas c , de acordo com Cavalcante (2006), superdotadas/altas habilidades são as que seguem: No domínio da inteligência: 1 – Vivacidade mental e pensamento linear • produção superior em linguagem, comunicação e expressão; •interesse e sucesso em atividades extracurriculares; •boa linguagem e vocabulário rico (são falantes e perguntadoras); • curiosidade e interesses variados; • Presença e participação em todas as atividades, dentro e fora da sala; • vivacidade (são ativas, perspicazes e observadoras); • senso de humor (são levadas, engraçadas e arteiras). 2 – Profundidade e pensamento não-linear abstrato •produção superior em Matemática e Ciências; •boa memória; •amplo acervo de conhecimentos e informações sobre muitos assuntos; •persistência e compromisso; •independência, autonomia e iniciativa; •segurança e confiança em si; •pensamento analítico (são capazes de pensar e de tirar conclusões). No domínio da criatividade e do pensamento criador: •produção superior nas artes; 56 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva •distração e desinteresse pelas aulas (mas não por atraso); •senso crítico (sobre si e os demais); •originalidade e fluência na produção de respostas. No domínio da capacidade sócio-afetiva: •presença constante e ativa dentro e fora da sala de aula e participação em atividades extracurriculares; •sensibilidade e bondade; •preocupação com o bem-estar alheio; •simpatia, amizade, boas relações; •liderança, persuasão, capacidade de passar energia e motivação ao grupo. No domínio das habilidades sensório-motoras: •desempenho superior em esportes, exercícios, dança e outras atividades de expressão rítmica; •habilidades manuais e motoras; •sentidos muito apurados (acuidade visual e sensibilidade auditiva, tátil, olfativa e gustativa). Outros aspectos também podem ser considerados como indicadores de superdotação /altas habilidades, a saber: •desenvolvimento físico precoce, podendo aprender a andar mais cedo que a grande maioria; •aquisição precoce da linguagem, podendo falar com fluência antes da idade esperada; •aprendizagem mais rápida, necessitando pouca instrução; •curiosidade intelectual e desenvolvimento do gosto de brincar com os seus conhecimentos; •grande concentração e persistência, sendo capaz de perseguir seus objetivos de forma quase obsessiva; •super-reatividade (aos ruídos, dor, frustração). 57 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Muitas vezes a criança superdotada é confundida como hiperativa, devido ao seu alto nível de energia. Quando em fase escolar, a criança pode: •aprender a ler antes do tempo; •desenvolver fascínio por números e relações numéricas; •ter boa memória para informação verbal e/ou matemática; •ter destaque em raciocínio lógico e abstrato; •ter tendência freqüente a brincar sozinha e apreciar a solidão; •preferir amigos mais velhos que se enquadram melhor com a sua idade mental; •apresentar interesse por problemas filosóficos, morais, políticose sociais. O(a) aluno(a) pode apresentar indícios de superdotação em qualquer momento de sua vida e, por isso mesmo, deve ser estimulado(a) em todas as áreas, para que sua superdotação seja identificada, aprimorada e desenvolvida plenamente. É de suma importância, porém, que a avaliação diagnóstica seja realizada por uma equipe multiprofissional para uma identificação adequada da superdotação/altas habilidades e a correspondente definição da oferta dos apoios necessários, para que o potencial detectado seja adequadamente desenvolvido. Quer saber mais? Consulte REIS, S.M. e RENZULLI, J.S. (1986).A case for the broadened . conception of giftedness Um estudo para aplicação da concepção de superdotação. Mansfield, CT: Creative Learning Press. Cada superdotado tem suas próprias áreas de interesse, que podem necessitar de diferentes apoios. É imperativo reconhecer esta heterogeneidade. Por isso uma pessoa pode ter destaque em apenas uma área ou na combinação de uma ou mais áreas . Fica ainda a questão: com base nestas características como identificar e diagnosticar a criança com Superdotação/Altas Habilida Se considerarmos a superdotação apenas sob o critério de habilidade intelectual, com testes específicos para constatação de um Quociente de Inteligência (QI) acima da média, saberemos que as estatísticas apontam que de 1 até 5% da população pode ser superdotada. Porém, se considerarmos as outras áreas de altas habilidades e superdotação, que não são reconhecidas por meio destes testes específicos, veremos que este número cresce de 5% para 15-30% da população (Reis e Renzulli, 1986). Existem alguns instrumentos para avaliar o desenvolvimento intelectual da pessoa. Porém, estes testes pouco informam sobre criatividade, 58 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva liderança, habilidades psicomotoras ou artísticas e, por isso, são ineficazes quando se trata de avaliar o talento para outras áreas do conhecimento; este diagnóstico ainda hoje merece estudos para seu aprimoramento, apontando para a necessidade de técnicas mais apuradas de identificação e instrumentos mais amplos e precisos. Na situação de diagnóstico, o(a) aluno(a) passa por um processo de observação pelo(a) professor(a) em sala de aula. Esta observação dura em torno de 3 a 4 meses, quando será registrado todo o seu desempenho e funcionamento em classe, a fim de obter dados concretos sobre seu potencial. Em seguida, o aluno será encaminhado para a equipe multiprofissional, quando será avaliado por meio de testes psicométricos. Esta segunda avaliação permite verificar dentro de que medida o(a) aluno(a) atinge o equilíbrio dos três anéis propostos por Renzulli (acima citado), de acordo com as três características básicas representadas pelos três anéis: habilidade acima da média em alguma área do conhecimento; envolvimento com a tarefa; concentração e criatividade. Com o diagnóstico apropriado é vital que o apoio seja oferecido mediante de bons programas para o desenvolvimento e estimulação do potencial de cada criança. É preciso ressaltar também o estabelecimento de Políticas Públicas para melhor aproveitamento de talentos e competências. Estas políticas devem estar fundamentadas em uma visão multidimensional da superdotação e assim levar em conta as diversas formas que esta pode tomar. recomendadas, seAs estratégias de intervenções pedagógicas – gundo Cavalcante (2006:564), para esses alunos – devem inserir-se no contexto natural das atividades desenvolvidas na sala de aula, mas também devem levar em consideração a área de interesse e habilidades identificadas, contemplando métodos e processos de ensino-aprendizagem diversificados que permitam: •incentivar o aluno que termina rapidamente ou já domina o conteúdo a fazer atividades paralelas referentes ao assunto ou sobre outros temas de seu interesse; •sugerir que, se for de sua vontade, ajude os colegas com dificuldade, valorizando o conhecimento que ele já domina; •observar os talentos e os interesses de cada um e trazer para a sala de aula reportagens, textos, livros e materiais para que se aprofundem no tema; •convidar profissionais de diversas áreas para dar palestras, a fim de despertar interesses ainda desconhecidos; 59 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva •verbalizar o que o(a) aluno(a) sabe fazer bem, pois ele(ela) pode não ter se dado conta do próprio talento; •propor atividades desafiadoras e que exijam reflexões, criação e elaboração de soluções diferentes; •ter na sala um canto com calculadora, relógios velhos e outros objetos que possam ser desmontados, além de joguinhos (atividades em que os alunos não precisam escrever ou falar); •deixar à disposição da turma diversos materiais de artes. • combinar com professores de outras séries para que recebam os mais adiantados em suas aulas após eles concluírem as tarefas ou durante as supervisões. Quer saber mais? Leia Pérez,I.P. (2003). Educación Especial: . Técnicas de intervención Madrid: MacGrawHill. Recomenda-se, porém, estratégias específicas que sugerem três alternativas para a abordagem educacional destes alunos (PÉREZ,2003): • Aceleração – consiste em estabelecer condições e procediprocedimentos para flexibilizar, em caráter excepcional, a duração do período de escolarização obrigatória, possibilitando o adiantamento do aluno; • Agrupamento especial esta–alternativa consiste em reunir os alunos em aulas específicas – “Salas de Recursos” – onde eles podem receber estimulação da criatividade ou desenvolvimento de projetos com orientação dos professores voltados para as áreas relacionadas com os seus interesses; • Enriquecimento – consiste em promover ajustes curriculares específicos que possibilitem o desenvolvimento das capacidades e o ajustamento social dos alunos. É importante registrar que estas estratégias devem acontecer tanto na sala de aula, como nas salas de recursos, que o(a) aluno(a) deve freqüentar em horário inverso ao horário em sala de aula. A avaliação de aprendizagem do(o) aluno(a) identificado com deve seguir a sistemática normalmente superdotado/altas habilidades utilizada para os demais alunos. Ressalta-se apenas a necessidade de oferecer varias oportunidades e alternativas que possam favorecer a expressão dos conhecimentos apreendidos e demais habilidades. Diferentemente do que muitos acreditam,a criança superdotada parade desenvolou talentosa precisa do acionamento da Rede Apoio ver plenamente as suas potencialidades. Algumas crianças superdotadas podem, inclusive, apresentar resultados medíocres caso não se perceba 60 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva que, na realidade, elas podem estar desmotivadas, desatentas, desestimuladas com o que as cerca e excluídas do seu meio social. A criança inadaptada pode até mesmo começar a forjar as notas que quer tirar para conseguir sua melhor adequação ao ambiente. tem uma função fundamental que é a de conhecer, comA família preender, dar apoio e responder às necessidades do(a) filho(a) superdotado(a) e estar em sintonia com a escola e com o ambiente educacional. Lembre-se que o seu papel com a família é de tranqüilizá-la e esclarecer que crianças com superdotação / altas habilidades também recebem ajuda da Rede de Apoio , e que pode contar com o suporte de todos os profissionais que integram esta Rede. Com efeito, o ideal é que se tenha uma equipe multiprofissional composta pelo professor da sala de aula, professores itinerantes, psicólogos, professores de educação física e outros. Esta equipe deve estar envolvida com o(a) aluno(a) desde o processo de identificação até o desenvolvimento das suas habilidades em Salas de Recursos com ambiente pedagógico estimulador e enriquecedor . ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA Filmes que abordam o tema “superdotação/altas habilidades“ • Mentes que brilham • Amadeus Mozart • Um gênio indomável E ao final... Sabemos que a temática da inclusão, enfocando o trabalho com a diferença na sala de aula, não se esgota com as discussões de que tratamos aqui. Buscamos, porém, contemplar neste fascículo as questões relevantes, sobretudo as que consideramos fundamentais para a educação calcada nos princípios da educação para todos. O atendimento às necessidades específicas de cada aluno funciona como diferencial na sua inclusão na sociedade. Segundo o MEC/INEP (2006) temos na atualidade 640.317 alunos na educação especial. Destes, 378.074 estão exclusivamente nas escolas especiais ou nas classes especiais; 262.243 estão em escolas regulares com ou sem apoio pedagógico especializado. Este dado é significativo e 61 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva indica a necessidade da preparação conjunta da escola para atender a essa realidade. Em conseqüência, assistimos, também, a uma mudança profunda na concepção de Educação Especial. Fala-se em alunos com necessidades educacionais especiais e temos a convicção de que o sistema educativo precisa dispor dos meios necessários para dar respostas às necessidades educacionais destes alunos, quaisquer que sejam elas. Mais do que isso, necessitamos da implementação de uma ética inclusiva que ratifique o direito de igualdade de oportunidades ao bem maior que é o direito a uma educação de qualidade, comprometida com a justiça social. O nosso objetivo, professor(a), é contribuir para que cada uma entenda que estar aberto para conhecer cada aluno(a) que encontramos em nossas salas é mais importante do que ter conhecimentos isolados sobre as deficiências e suas dificuldades. Para sermos bons professores não precisamos conhecer uma lista infindável de necessidades educacionais existentes. Mas, é fundamental que tenhamos consciência de que o nosso trabalho educativo passa, necessariamente, por conhecer e perceber o(a) aluno(a) como sujeito e descobrir com ele(a) suas potencialidades. Conhecendo e amando esse sujeito, teremos possibilidade de mediar com eficiência o processo ensino – aprendizagem e assim favorecer o seu pleno desenvolvimento. 62 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Sinopses dos filmes indicados Meu pé esquerdo Christy Brown (Daniel Day-Lewis), o filho de uma humilde família irlandesa, nasce com uma paralisia cerebral que lhe tira todos os movimentos do corpo, com a exceção do pé esquerdo. Com apenas este movimento, Christy consegue, no decorrer de sua vida, se tornar escritor e pintor. http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/meu-pe-esquerdo/meupe-esquerdo.htm#Sinopse Janela da alma Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade, se é que ela é a mesma para todos. http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/janela-da-alma/janelada-alma.htm O meu nome é Rádio É a história de um pacato rapaz negro, identificado como deficiente, mental que anda no seu bairro catando objetos, colocando-os em um carrinho de compras. Seu nome é Rádio pelo interesse que ele manifesta por este objeto e pelo seu pronunciado gosto por música. Sua vida toma um outro rumo quando o treinador do time de futebol americano da escola local se vê envolvido com ele. É um filme agradável que discute sobre expectativas, oportunidades e compromisso. O milagre de Anne Sullivan É a história de uma menina, Helen Keller, surda e cega, vítima de um desajuste social, por causa da inabilidade das pessoas que a rodeiam, de se comunicar com ela. A sua família contrata uma professora para darlhe apoio nesta comunicação. É um filme forte, envolvente, que mostra a importância de conhecer a pessoa para contribuir mais eficazmente na sua educação. Rain Man Conta a relação de dois irmãos que se conhecem só na idade adulta. Um deles é autista, o que faz com que suas descobertas sejam mais singulares. Mentes que brilham O filme trata da vida de um menino com altas habilidades e sua trajetória na escola, na família e nos grupos de enriquecimento. O filme é sensível e descreve com detalhes as questões psíquicas, sociais e seus laços de amizades. 63 Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al. Educação Inclusiva Sites Nacionais e Internacionais http://www.conbrasd.com.br http://www.mec.gov.br/seesp/ http://www.gifted.uconn.edu/ - Neag Center for Gifted Education and Talent Development http://www.gifteddevelopment.com/Articles/ http://www3.bc.sympatico.ca/giftedcanada/develop.html http://www.rmplc.co.uk/orgs/nagc/index.html http://www.once.es http://www.feaps.org.es Leituras e autores recomendados ALENCAR, E. S. Criatividade e educação de super-dotados . Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. FIERRO, A. Os alunos com deficiência mental. IN: Coll, César (2004) Desenvolvimento psicológico e educação . Porto Alegre: Ara tes Médicas, 2 ed. 3v. Reilly, L. Escola inclusiva : linguagem e mediação. Campinas, SP: Papirus, 2004. RIBEIRO, J. MONTEIRO, Kátia (org). Autismo e psicose na criança. 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