Educação Inclusiva
MÓDULO 4
Centro de Formação continuada de Professores
Universidade de Brasília – UnB
Rede Nacional de Formação Continuada de Professores
Ministério da Educação (MEC)/Secretaria de Educação Básica (SEB)
M AS
O
OC
D
N
Brasília, 2005
A
H
ULA
A
BALEdição
APrimeira
R
D
E
O
ALA
Ã
T
A
U
S
N
S
NCL R NÇAS
D FE E :
I
M nda de Souza o
I
C
m
ra
de astr
na Q
i ue roz
A arali
ues
i a RodG
a
C
rigma
Vd
Car amastel r aM
u rães
l a Lucíli i del roM
i
s
e i
Fáti
ndes
de
e
a
Pe e r G
ve
LílianRogréi a onçal s
ri
Os fascículos que compõem os Módulos de Alfabetização e Linguagem não podem ser reproduzidos sem autorização dos
editores.
©
Centro de Formação Continuada de Professores (CFORM) da Universidade de Brasília (UnB) & Ministério da
Educação (MEC) / Secretaria de Educação Básica (SEB)
Pavilhão Anísio Teixeira – Sala AT-149 – Campus Universitário “Darcy Ribeiro” – Asa Norte – CEP 70904-970
Brasília-DF – Telefone: (61) 3307-3027 – Fax: (61) 3307-3627 – E-mail: [email protected] – Site: http://www.cform.unb.br
Coordenação do Centro de Formação
Continuada de Professores (CFORM) / UnB
Hélène Leblanc
Produção do site
Hudson Carlos de Souza Neves
Suênia Carvalho Vieira de Almeida
Coordenação da Área de Alfabetização e Linguagem
Stella Maris Bortoni-Ricardo
Preparação de originais e revisão
Valdinea Pereira da Silva
Gilberto Daisson Santos
Coordenação da Área de Educação Inclusiva
Amaralina Miranda de Souza
Coordenação da Área de Tecnologias na Educação
Leda Maria Rangearo Fiorentini
Coordenação dos Módulos
Amaralina Miranda de Souza
Maria Luiza Monteiro Sales Coroa
Silviane Bonaccorsi Barbato
Stella Maris Bortoni-Ricardo
Revisão final
Amaralina Miranda de Souza et al.
Criação de ícones, ilustrações,
editoração eletrônica e capa
Rogério Pinto
Fotolitos e impressão
FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NA ÁREA DE ALFABETIZAÇÃO E LINGUAGEM
Fascículo 2: Gêneros e Tipos
MÓDULO 1
Textuais
Leitura e Escrita: Estratégias de Apoio
e Práticas de Leitura, InterpretaçãoMaria
e Luiza Monteiro Sales Coroa
Produção de Textos no 1º e 2º Ciclos
Fascículo 3: Fatores de Textualidade
Vilma Reche Corrêa
Fascículo 1: Da Fala para a Escrita 1
Stella Maris Bortoni-Ricardo
Fascículo 4: Oralidade, Escrita e
Fascículo 2: Da Fala para a Escrita 2
Reflexão Gramatical
Stella Maris Bortoni-Ricardo
Vilma Reche Corrêa
Fascículo 3: A Produção de Textos
Fascículo 5: Variação Lingüística
na Escola
Marcos Bagno
Lilian Márcia Simões Zamboni
Fascículo 4: Redação Escolar:
Desenvolvimento e Avaliação
Lilian Márcia Simões Zamboni
Stella Maris Bortoni-Ricardo
Fascículo 6: Mudança Lingüística
Marcos Bagno
Fascículo 2: Processos Iniciais de
Leitura e Escrita
Rosineide Magalhães de Sousa
Fascículo 3: Literatura Infantil e o
Prazer de Ler
Tatiana Figueirêdo Nunes de Oliveira
Fascículo 4: Práticas de Leitura e
Escrita: Construindo o
Conhecimento com as Crianças e
suas Famílias
Silviane Bonaccorsi Barbato
Tatiana Figueirêdo Nunes de Oliveira
Norma Lúcia Queiroz
Celina Henriqueta Matos de Herédia
Nascimento
Fascículo 7: Texto e Interação:
Fascículo 5: A Construção da Leitura 1 Práticas de Análise Lingüística
Maria Luiza Monteiro Sales Coroa
Marcia Elizabeth Bortone
MÓDULO 4
Educação Inclusiva
Fascículo 6: A Construção da Leitura 2 Fascículo 8: Texto e Variação:
Marcia Elizabeth Bortone
Práticas de Análise Lingüística
Fascículo 7: Modos de Falar, de Ler e Vilma Reche Corrêa
Fascículo 1: Inclusão: História,
Conceitos e Problematização
Amaralina Miranda de Souza
Carla Castelar Queiroz de Castro
Fátima Lucília Vidal Rodrigues
Lílian Pereira de Medeiros Guimarães
Rogéria Gonçalves Mendes
de Escrever: Análise de Estruturas
Lingüísticas
Marcia Elizabeth Bortone
MÓDULO 3
Práticas de Linguagem Oral e
Escrita para Inclusão de
Alunos de 6 Anos no Ensino
MÓDULO 2
Fundamental
Leitura, Interpretação e Produção de
Textos no 3º e 4º Ciclos
Fascículo 1: Letramento,
Alfabetização e Escola na Infância
Fascículo 1: Texto, Linguagem e
Silviane Bonaccorsi Barbato
Interação
Maria Luiza Monteiro Sales Coroa
I37
Fascículo 2: Inclusão: Trabalhando
com as Diferenças na Sala de Aula
Amaralina Miranda de Souza
Carla Castelar Queiroz de Castro
Fátima Lucília Vidal Rodrigues
Lílian Pereira de Medeiros Guimarães
Rogéria Gonçalves Mendes
Inclusão : Trabalhando com as diferenças na sala de aula / Amaralina Miranda de Souza et al. –
Brasília : Centro de Formação Continuada de Professores da Universidade de Brasília –
CFORM/UnB : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica – MEC/SEB, 2005.
62 p.: il.
ISBN 85-230.0839-X
1. Inclusão. 2. Lingüística. 3. Necessidades especiais. 4. Formação de professores. 5. Prática
de ensino. I. Souza, Amaralina Miranda de. II. Castro, Carla Castelar Queiroz de. III. Rodrigues,
Fátima Lucília Vidal. IV. Guimarães, Lílian Pereira de Medeiros. V. Mendes, Rogéria Gonçalves.
VI. Título.
CDU 376
SOBRE AS AUTORAS DESTE MÓDULO
Amaralina Miranda de Souza
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB),
na área de Educação Especial. Especialista em Educação à Distância.
Mestre em Educação Especial pela Universidade de Salamanca, na
Espanha e Doutora em Ciências da Educação pela Universidade
Nacional de Educação a Distância (UNED), em Madrid, Espanha.
Pesquisadora na área de Informática Aplicada à Educação Especial, com
produções, publicações e prêmios na área. Trabalhou como psicóloga
do Centro de Orientação Médico Psicopedagógico (COMPP) de Brasília,
em atividades de diagnóstico e atendimento terapêutico a crianças e
jovens com dificuldades de aprendizagem. Trabalhou durante vários anos
na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, na área de
Educação Especial.
Carla Castelar Queiroz de Castro
Professora cedida da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal
para atuar na área de Educação Especial na Faculdade de Educação da
UnB. Formada em Artes Plásticas pela Faculdade Dulcina de Morais;
Especialista em Psicopedagogia pelas Faculdades Integradas do Rio de
Janeiro e em Administração e Gestão Escolar pela Universidade de
Brasília (UnB). Atua desde 1990 na área de Educação Especial.
Fátima Lucília Vidal Rodrigues
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB),
na área de Educação Especial e da Escola Superior Paulo Martins (ESPAM);
Mestre em Educação e Doutoranda pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), além de ser Psicopedagoga e Educadora Especial.
Trabalhou como professora da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
Lílian Pereira de Medeiros Guimarães
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB),
na área de Educação Especial; Mestre em Psicologia pela Pontifícia
Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP). Lecionou na
Universidade Federal de Uberlândia (UFU); na Universidade Católica
de Goiás (UCG) e trabalhou como Psicóloga do Centro de Educação
Especial de Uberlândia.
Rogéria Gonçalves Mendes
Professora da Área de Educação Especial na Faculdade de Educação da
Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Pesquisa Educacional pela
Universidade de Manchester, Inglaterra. Licenciada em Educação Física pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou como professora
de Educação Física no Hospital das Pioneiras Sociais Sarah Kubitschek e de
Educação Física Especial na Universidade Federal do Ceará (UFC).
SUMÁRIO
Página
Apresentando a nossa tarefa
7
Pressupostos da educação para todos
9
Então, quais são os melhores professores?
10
O ambiente escolar
12
A interdisciplinaridade como estratégia para favorecer a aprendizagem dos alunos
13
Sua prática de professor-pesquisador – 1
14
Adaptações curriculares
15
Falando da deficiência física
15
Sua prática de professor-pesquisador – 2
20
Sua prática de professor-pesquisador – 3
21
Falando da deficiência visual
22
Falando da deficiência auditiva
28
Sua prática de professor-pesquisador – 4
29
Sua prática de professor-pesquisador – 5
31
Falando da deficiência mental
32
Sua prática de professor-pesquisador – 6
34
Falando da deficiência múltipla e da surdocegueira
43
Sua prática de professor-pesquisador – 7
46
Falando de condutas típicas
47
Falando da superdotação/altas habilidades
54
E ao final...
61
Sinopses dos filmes indicados
63
Sites nacionais e internacionais
64
Leituras e autores recomendados
64
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
FASCÍCULO 2
INCLUSÃO:
TRABALHANDO COM AS
DIFERENÇAS
NA SALA DE AULA
Amaralina Miranda de Souza
Carla Castelar Queiroz de Castro
Fátima Lucília Vidal Rodrigues
Lílian Pereira de Medeiros Guimarães
Rogéria Gonçalves Mendes
Apresentando a nossa tarefa
Este fascículo está orientado para proporcionar a você, professor(a), Quer saber mais?
um aprofundamento sobre as questões relacionadas com as deficiências eVer Diretrizes Nacionais
para a Educação Especial
com as dificuldades de aprendizagem que caracterizam as necessidades na Educação Básica
educacionais mais comumente encontradas em sala de aula. Neste parti- Brasília: MEC/CNE/
CEB,2001.
cular levaremos em conta a definição de necessidades educacionais especiais formulada e oficializada pelo Ministério da Educação – MEC.
Em um primeiro momento abordaremos os pressupostos e estratégias da educação para todos, a saber: os dispositivos legais que orientam
a educação inclusiva ou a educação para todos; o perfil do professor
exigido por essa concepção educacional; o ambiente escolar a ser criado e promovido para favorecer a educação inclusiva; a interdisciplinaridade como estratégia fundamental para assegurar a todos os alunos o acesso ao processo de aprendizagem que considere as adaptações curriculares como dispositivo de inclusão escolar.
Em seguida, discorreremos sobre as deficiências físicas, a deficiência auditiva, a deficiência visual, a deficiência mental, a deficiência múltipla e a surdocegueira, bem como as condutas típicas e o autismo, e
ainda a superdotação/altas habilidades, que podem implicar na utilização de estratégias diferenciadas de ensino.
As estratégias pedagógicas sugeridas contemplam a perspectiva
interdisciplinar e visam despertar você, professor(a), para a necessidade
de diversificá-las a fim de atender melhor às demandas feitas por seus
alunos no cotidiano escolar.
7
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Com efeito, cabe relembrar que não existe, na Educação, uma fórmula perfeita sobre o fazer pedagógico. Assim sendo, este fascículo busca mais orientar do que apresentar receitas prontas. Entre as pessoas com
necessidades educacionais especiais aqui mencionadas, você vai perceber que cada aluno(a) vai precisar de sua atenção no sentido de
envolvê-lo(a) no processo educativo. Para ser inclusivo(a), o(a) professor(a)
não precisa conhecer necessariamente todas as necessidades educacionais especiais que existem, mas é imprescindível que tenha habilidade e
sensibilidade para perceber o(a) aluno(a) como indivíduo e para descobrir com ele ou ela as potencialidades de que é dotado(a).
É importante mencionar que você, professor(a), pode encontrar ao
longo de sua vida profissional alunos que apresentam outros tipos de
necessidades educacionais, que não estarão citadas neste fascículo.
Lembre-se que você deve estar atento(a) para eleger as melhores
estratégias, capazes de facilitar o processo de aprendizagem dos(as)
alunos(as). O importante é que o(a) aluno(a) – com suas diferentes características – disponha do espaço que lhe ofereça maiores oportunidades
para se desenvolver.
No mais, professor(a), esperamos que você possa acolher, assimilar e utilizar com proveito essa nossa contribuição à sua formação e ao
processo ensino-aprendizagem sob sua responsabilidade. Fazemos votos de que você, professor(a), se sinta instigado(a), motivado(a) e
animado(a) para ler e considerar o conteúdo deste fascículo na sua prática pedagógica.
8
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Pressupostos da educação para todos
Prezado(a) professor(a).
No fascículo 1 falamos sobre a INCLUSÃO. Conhecemos um pouco da história da Educação Especial, e pudemos compreender que o
termo “necessidades educacionais especiais” engloba muito mais do que
a pessoa com deficiência. Na realidade, este termo inclui pessoas que,
por algum motivo, necessitam, temporária ou permanentemente, de recursos e apoios educacionais especiais para aprender.
Nesta perspectiva queremos destacar algumas das leis que dão suporte e garantem o ingresso de todos à educação e que este acesso passa
necessariamente pela escola, porque ela é um espaço privilegiado onde
a pessoa pode aprender a aprender com o outro, a lidar com as diferenças, com as dificuldades e descobrir sobre seus potenciais, além de ser
um espaço de trocas sociais e de aprendizagem.
Legislação pertinente
Relembremos alguns dispositivos legais que orientam a educação inclusiva ou para todos:
– artigos 208 (atendimento aos por• CONSTITUIÇÃO FEDERAL
tadores de deficiência preferencialmente na Rede Regular de Ensino [RRE]) e 227 (criação de programas e garantia de acessibilidade).
– aprova o Plano Nacional de Educação, com
• LEI Nº 10.172/01
27 objetivos e metas para educação de Portadores de Necessidades
Especiais.
a [
– Estatuto da criança e do adolescente (art. 2º
• LEI Nº 8069/90
criança e o adolescente Portadores de deficiência receberão atendimento Especial] e art. 5º [nenhuma criança ou adolescente será
objeto de negligência...
]).
– Estabelece as diretrizes e bases da educação na• LEI Nº 939/96
cional (art. 4º [atendimento, preferencialmente, no ensino regular],
art.58 [serviços de apoio, oferecidos em classes, escolas ou serviços
especializados, incluindo o ensino infantil de 0 a 6 anos] e o art. 59
[currículo adaptado, terminalidade específica, professores especialistas em educação especial para o trabalho].
, de
• RESOLUÇÃO Nº
2 11/09/2001 institui as Diretrizes Nacionais
para a Educação Especial na Educação Básica.
9
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Quer saber mais?
Consulte o documento da
UNESCO, Understanding
and responding to
children's needs in
inclusive classrooms: a
, 2001.
guide for teachers
(Entendendo e
respondendo às
necessidades das crianças
nas classes inclusivas: um
guia para professores).
Tradução das autoras.
Educação Inclusiva
Então, quais são os melhores professores?
A Unesco (2001) aponta as nove regras de ouro para lidar com a diversidade em qualquer classe, mas principalmente naquelas em que existem crianças com necessidades educacionais especiais. Estas regras foram
consideradas por professores de diversos países como muito úteis. São elas:
inclusão de todas as crianças;
comunicação (professor – aluno – aluno – professor) e formas diferentes de comunicar;
identificação e criação de condições da sala onde cada aluno deve sentar de acordo com a necessidade dele: identifique e crie as condições mais fáceis para que todos se movimentem com liberdade;
planejamento das lições que os alunos vão realizar; quanto
mais bem planejada for a ação educativa, maior a chance de
prever as dificuldades que poderão ocorrer;
planejamento para os indivíduos: preveja o que cada criança deve aprender; considere que o planejamento inicial é
uma forma de conhecer melhor o seu aluno;
orientação individual ao aluno quando sentir que este necessita de algo mais direcionado para manter-se integrado
no processo de ensino-aprendizagem;
Para saber mais:
AINSCOW, M.
Necessidades especiais
na sala de aula: um guia
para a formação de
– Instituto de
professores
Inovação Educacional.
Lisboa, Portugal: Edições
UNESCO.1998.
utilização de material e equipamentos que julgar necessários para assegurar a aprendizagem do educando de acordo com suas necessidades peculiares;
atenção ao comportamento do seu aluno: procure mantê-lo
atento às atividades que se realizam em sala de aula e/ou em
outros espaços da escola;
trabalho coletivo (com outros professores, o grupo de apoio, etc).
Outro estudo – apresentado por Ainscow (1998) sobre as respostas
às necessidades educacionais em escolas regulares – aponta que os
melhores professores são aqueles que:
10
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
;
dão ênfase àaprendizagem significativa
estabelecem tarefas que são ao mesmo tempo realistas e
desafiadoras para os alunos;
asseguram-se de que os alunos progridem;
proporcionam grande variedade de experiências para que a
aprendizagem seja assimilada e acomodada;
dão aos alunos possibilidades de escolha;
têm expectativas elevadas sobre os alunos;
criam uma atmosfera positiva;
facultam uma abordagem consistente;
reconhecem os esforços dos alunos e os resultados que estes conseguem alcançar; organizam os recursos de modo
a facilitar a aprendizagem;
Para Ausubel(1978), uma
é
aprendizagem
quando uma
significativa
nova informação se
articula com um aspecto
significativo da estrutura
cognitiva do sujeito e
ocorre um novo
conhecimento. Na
aprendizagem
significativa, portanto, o
aluno aprende quando
encontra sentido no que
aprende e este sentido se
dá a partir dos esquemas
prévios, a partir da
experiência prévia e
relaciona adequadamente
entre si os conhecimentos
aprendidos. AUSUBEL, D.
P. Psicologia cognitiva
.
México: Trilas.1978.
incentivam os alunos a trabalhar cooperativamente;
feedback reorientam os seus progressos, proporcionam um
gular e criam condições para uma auto-alimentação do
seu trabalho.
Perceba, professor(a), que estes estudos não oferecem informações
sobre as necessidades educacionais especiais em sala de aula regular.
Na realidade, eles verificaram que a qualidade do trabalho pedagógico
está estreitamente ligada ao perfil desses professores. Estes dados não
indicam o quanto cada um dos professores sabe sobre cada deficiência
ou necessidade educacional especial. Eles, porém, especificam o quanto estas características vão ao encontro de uma maior qualidade do ensino e da aprendizagem.
Por isso, ao apresentarmos algumas das possíveis dificuldades de
aprendizagem, provenientes ou não de alguma deficiência, insistimos
em que você some estas informações aos seus conhecimentos e não
esqueça que as suas habilidades de professor(a) e a sua atenção ao aluno são da maior relevância. Você se certificará com a prática de que –
mesmo entre as pessoas com a mesma dificuldade – existem diferentes
formas de aprender. Portanto, o mais adequado para um(a) aluno(a) não
11
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
é necessariamente o mais eficaz para outro, porque mesmo em um grupo com características e necessidades especiais semelhantes, você identificará várias diferenças entre os seus alunos. Neste momento, é sua sensibilidade em reconhecer estas diferenças e a sua habilidade em atendêlas, que fará a diferença.
A Rede de Apoio
é
compreendida como a
integração e mobilização
dos diversos segmentos
da sociedade envolvidos
na dimensão escolar.
Quer saber mais?
Você pode saber mais
sobre a importância de
um ambiente adequado e
motivador acessando o
endereço da Revista
<http://
Nova Escola
revistaescola.abril.com.br>/
(novembro, 2005); lá
você vai ver um exemplo
de uma sala de aula
modelo.
Lembre-se, porém, de que você não está sozinho(a). Existe, ou precisa existir, umaRede de Apoio
que deve ser acionada para dar o suporte necessário para você e para o(s) seu(s) aluno(s). Não se esqueça de
que seu aluno e a família dele fazem parte desta Rede. Mais importante
do que ter conhecimento das necessidades, é querer ir ao encontro das
potencialidades dos seus alunos, e fazer o possível para não deixar ninguém para trás.
Porter e Brophy (citado por Ainscow, 1998) consideram que bons
professores são os profissionais que sabem quais são seus objetivos de
ensino; conhecem os conteúdos e as estratégias para chegar a esses objetivos; comunicam aos alunos o que é esperado deles e explicitam as
razões que os levam a esperar que eles atinjam estes objetivos. Estes
mesmos professores são capazes de utilizar o material existente com
profissionalismo; dedicam seu tempo a práticas que enriquecem e clarificam os conteúdos; conhecem bem seus alunos; são capazes de adaptar o ensino às necessidades deles; são hábeis em antecipar suas dificuldades e em localizar os pontos fracos na sua aprendizagem, para ajudálos a superar esses desafios.
Tenha certeza disto. Tenha expectativas elevadas e realistas. Conheça os recursos e ofereça diferentes experiências para os seus alunos.
Trace planos e metas. Acredite!
O ambiente escolar
Algumas providências práticas são relevantes para fomentar a
inclusão e assegurar a todos os alunos uma aprendizagem adequada. Entre essas medidas convém ressaltar: sala arejada, ampla e com
claridade suficiente para que os alunos possam olhar e entender
com nitidez os gestos e a fala do(a) professor(a); um quadro fisicamente conservado, bem localizado, que reflita adequadamente a
luz; recursos necessários para nele escrever (giz, caneta...). Além
disso, um espaço organizado, com regras definidas tanto no currículo quanto nas formas de avaliação, com aulas interessantes e estimulantes contribuem significativamente para o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Qual a pessoa que não gostaria de ter todas as suas habilidades
desenvolvidas e suas potencialidades descobertas e estimuladas? Qual o
professor que não gostaria de oferecer aos seus alunos oportunidades de
12
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
aprender a desenvolver suas capacidades? Sabemos que o espaço inadequado, a falta de motivação, a monotonia e a baixa expectativa são
fatores geradores do fracasso escolar. Por isso, professor(a), é muito importante que você esteja atento(a) para estes aspectos que farão grande
diferença na ação educativa.
A interdisciplinaridade como estratégia para
favorecer a aprendizagem dos alunos
A interdisciplinaridade pode ser entendida como ação integrada que trata os conteúdos das diversas disciplinas de forma interrelacionada, preservando a especificidade de cada área do conhecimento.
Quer saber mais?
Consultando a obra de
CURRIE, K. L.
Interdisciplinaridade na
. São Paulo:
prática
Papirus, 1998,
você pode aprofundar seu
conhecimento sobre
interdisciplinaridade.
Currie (1998) propõe a interdisciplinaridade a partir eixos
de geradores e relata a experiência de um grupo de professores em um município do Estado do Espírito Santo. Nessa experiência o primeiro dos eixos
propostos foi o “EU”. A partir deste eixo levantou-se o nome, o corpo, a
alimentação, o gasto com água, os animais, o lixo. Com base neste eixo
poesia com o próprio nome (acróstico);
a quanescreveu-se
calculou-se
tidade de água gasta para tomar banho em um dia, em uma semana, em
FREIRE, P.Pedagogia do
um mês; falou-se
sobre alimento;observou-se
e verificou-se
a quanti. Rio de Janeiro:
Oprimido
dade de lixo produzida pelo “EU” em sua casa.
Paz e Terra, 1974.
Atenção!
O Eixo geradorpossibilita a presença da realidade no currículo,
fazendo com que a multiplicidade de relações e valores da vida e
da prática social nele estejam presentes.
Segundo Paulo Freire (1974), o conhecimento é entendido
como construção interacionista e multidirecional, resultante da
relação entre o sujeito e a realidade. Ele não é estático, nem neutro. Possui uma função social. Nessa perspectiva, deve contribuir
para desvelar a realidade, para compreendê-la de maneira mais
profunda e crítica, capacitando-nos, educadores e educandos, a
agir sobre a realidade para transformá-la para melhor, permitindo que todos possam ser mais. Nesse sentido as disciplinas não
são vistas na forma tradicional, elas são o meio para dar suporte
às descobertas sobre a vida. Este autor nos alerta que a integração
entre a dimensão social e a dimensão cognitiva no curriculo se
dá a partir do eixo gerador. A educação para ele, é uma forma de
intervenção no mundo.
13
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Sua prática de professor-pesquisador – 1
Para que haja interdisciplinaridade o professor precisa estar em
sintonia constante com os seguintes aspectos:
o conteúdo que está sendo apresentado ao(à) aluno(a);
o relacionamento do conteúdo de sua disciplina com o conteúdo de outras disciplinas;
a interdisciplinaridade como a melhor forma de avaliar o ensino-aprendizagem;
a aprendizagem do aluno;
a melhor forma de atender às necessidades educacionais de
todos os alunos, inclusive daqueles que apresentam necessi
dades educacionais especiais.
Professor(a) anote no seu caderno outros aspéctos que considerar
importantes para uma prática interdiciplinar.
A interdisciplinaridade como estratégia de ensino tem sido apontada como facilitadora da aprendizagem pelo fato de ser motivadora para
o aluno e compensadora para o professor. Desta forma, você professor(a),
pode ser um instrumento ativo de resgate do vínculo e do intercâmbio,
integrando as diversas disciplinas na escola.
Quer saber mais?
A Pedagogia de Projetos,
enriquecida pela
interdisciplina, pressupõe
o interesse de diferentes
segmentos da
comunidade escolar e
prevê a problematização
,
o desenvolvimento
ea
do que será
síntese
trabalhado.
14
A interdisciplinaridade
é apresentada como fator relevante para a
aprendizagem do aluno em geral; mas ela o é particularmente para aquele
ou aquela que apresenta necessidades educacionais especiais. Com efeito, a interdisciplinaridade pode oferecer a estes possibilidades de associações entre os vários aspectos de um conteúdo e/ou associações entre
os conteúdos de várias disciplinas e desta maneira facilita a associação
dos vários saberes, que é de fundamental importância para a fixação de
aprendizagens significativas.
É importante, porém, compreender que a interdisciplinaridade não
se dá em um passe de mágica. É fundamental que esta prática não perca
o enfoque de seu conteúdo mas seja utilizada para desenvolver outras
aprendizagens. Para que a interdisciplinaridade aconteça é indispensável
que se crie um senso de união, de solidariedade e de conhecimento.
Então professor(a), como você avalia essa possibilidade de trabalho interdisciplinar na sua escola? Se você ainda não trabalha assim,
experimente fazê-lo e observe como essa prática vai repercutir nos alunos. Você pode fazer muitas frotas e ainda enriquecer sua prática
interdiciplinar e trabalhar tambem com aPedagogia de Projetos
. Vá em
frente e não esqueça de registrar a experiência!!!
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Adaptações curriculares
Para pôr em prática uma ação educativa inclusiva e capaz de atender
às necessidades educacionais dos seus alunos você precisa desenvolver,
além da interdisciplinaridade, estratégias de intervenções pedagógicas mais
específicas que assegurem uma melhor qualidade do ensino, levando em
conta as necessidades individuais de cada aluno em sua sala de aula e visando conferir maior eficácia a todo o processo de aprendizagem.
A adaptação curricular é toda adaptação que se realiza para atender às necessidades educacionais de um determinado aluno ou de um
grupo que apresenta singularidades em relação aos seus colegas para ter
acesso ao curriculo estabelecido de modo geral.
Faz-se mister esclarecer que, com a adaptação curricular, essas
estratégias pedagógicas devem ser encaradas não apenas em termos
de problemas e dificuldades que os alunos venham a experimentar
com relação ao currículo estabelecido para toda a classe, mas também em termos das necessidades que cada um(a) possa apresentar
com respeito à plena consecução das metas e objetivos estabelecidos pelo currículo.
Neste segundo fascículo serão focalizadas estratégias de intervenções pedagógicas – sempre numa perspectiva interdisciplinar – voltadas
para os alunos com necessidades educacionais especiais, considerando
a conceituação formulada pelo MEC na Resolução CNE/CEB no. 2, de
11 de setembro de 2001, que institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
Apresentamos a seguir informações importantes sobre as necessidades educacionais especiais mais encontradas em sala de aula,
discutindo aspectos específicos de suas características e formas de
aprender, assim como as adaptações curriculares e sugestões de algumas atividades na perspectiva interdisciplinar, para que você
professor(a), possa atender mais adequadamente as necessidades educacionais dos seus alunos.
Falando da deficiência física
A deficiência física é uma alteração de um ou mais segmentos do
corpo humano que afeta o aparelho locomotor e compromete o funcionamento do mesmo. Pode atingir o nível articular, ósseo, muscular e/ou
nervoso e ter causas variadas, que podem acontecer antes, durante e
depois do parto ou ao longo da vida da pessoa.
15
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Características mais comuns
Você sabia que...
Alguns autores classificam
as deficiências físicas em
sensoriais e não
sensoriais?
Deficiências físicas
sensoriais são aquelas que
ocorrem nos órgãos dos
sentidos, mais
especificamente nos da
visão e nos da audição?
Para eles, as deformidades
estéticas e aquelas que não
produzem dificuldades
para o desempenho das
funções, não são
consideradas deficiências
físicas?
A deficiência física pode se apresentar de diversas formas, e se caracteriza de acordo com o membro atingido. O mais importante, porém, é ter consciência de que o aluno vai precisar de algumas adaptações para garantir seu acesso a alguns espaços, de acordo com as suas
necessidades específicas, em função do segmento afetado de seu corpo
e da atividade que vai desempenhar.
De acordo com o Censo Demográfico (IBGE) de 2000 estima-se
que 14,5% da população brasileira, ou seja, cerca de 24,5 milhões de
pessoas têm algum tipo de deficiência. Aproximadamente 27% delas,
isto é, 6 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência física
ou alguma dificuldade motora. Estima-se ainda que 580.000 destas estão na faixa entre 0 a 14 anos de idade.
O que causa a deficiência física?
As causas mais prováveis da deficiência física são, entre outras: a
hereditariedade; as doenças e/ou traumas antes, durante e depois do
nascimento; a desnutrição da mãe; as quedas.
Dentre as diversas causas da deficiência física, a Paralisia Cerebral
é uma das mais conhecidas, mas existem outras causas que ressaltamos
pelo alto índice de incidência, pela necessidade urgente de prevenção
ou mesmo por serem deficiências que, possivelmente você pode vir a
encontrar na sua atividade docente. Podemos citar algumas delas:a
distrofia muscular, a espinha bífida, a artrogripose, a meningite,
assim
como aquelas decorrentes de causas traumáticas como afogamentos,
acidentes de trânsito e quedas, entre outras.
• Distrofia muscular
– grupo de enfermidades que produz uma
alteração que impossibilita ao indivíduo manter uma estrutura
diferenciada das fibras musculares ao longo de sua existência;
• Espinha Bífida
– deficiência que acarreta o desenvolvimento
incompleto do centro do canal ósseo da coluna vertebral;
• Artrogripose
– enfermidade caracterizada pelo desenvolvimento deficiente da musculatura esquelética associada com contratura simétrica e/ou múltipla.
a pena destacar a
Entre as enfermidades de orígemvale
infecciosa
ou inflamação das meninges – membranas que recobrem e
Meningite
protegem o sistema nervoso central. Esta infecção pode ser adquirida
após uma gripe ou outra doença causada por vírus ou bactéria; no
caso de bactéria, seus efeitos são normalmente mais brandos.
Fonte: <www.santalucia.com.br/virus/meningite-p.htm>
16
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
afeta o aparelho locomotor e pode afetar ouA paralisia cerebral
tras partes do corpo, dependendo da parte do cérebro que foi atingida.
Embora a paralisia cerebral possa não implicar necessariamente em comprometimento de ordem intelectual, as crianças que têm paralisia cerebral podem apresentar disfunções no aparelho locomotor. Sua origem é
múltipla: genética ou de má formação congênita; conseqüência de infecções da mãe durante a gestação; dificuldades no parto ou no processo de amadurecimento do cérebro da criança após o nascimento; meningite; traumas físicos, quedas; anóxia, entre outras possibilidades.
A lesão provocada pela paralisia cerebral afeta primeiramente o
aparelho locomotor. Caso esteja localizada nas áreas do cérebro, responsáveis pelo raciocínio lógico e pela memória, pode comprometer
também a inteligência. De forma análoga, pode igualmente limitar a caVeja!
pacidade visual e auditiva. Na medida que os músculos fonoarticulatórios
Por
exemplo,
uma criança
tenham sido igualmente atingidos, o indivíduo terá dificuldades para coque não tem os dois
municar seus pensamentos e expressar suas necessidades por meio da braços poderá aprender a
fala. Nesta última hipótese será necessário buscar formas alternativas de explorar o mundo dos
objetos com o corpo e a
comunicação, que permitam ao(à) aluno(a) assegurar sua participação
escrever com os pés. Para
na sociedade.
outra criança, que não tem
os antebraços, vai ser
necessário colocar
No caso da paralisia cerebral afetar a visão ou a audição, a pessoa apreadaptador para o seu lápis
sentará dificuldades para obter e compreender as informações como normal-na extremidade do
membro existente.
mente são transmitidas.
Estratégias pedagógicas
deve levar em conta as
A estratégia de intervenções pedagógicas
informações acima explicitadas e as necessidades educacionais especiais delas decorrentes. A variedade de características das pessoas com
deficiência do aparelho locomotor, adicionada às possibilidades com as
quais se pode com ela trabalhar, nos leva a propor que você e a equipe
responsável pela instituição de ensino procurem se informar sobre o(a)
aluno(a), ouvi-lo(a) e identificar o que ele(ela) pode fazer, como pode
fazer, e de que ajuda vai precisar. Ninguém melhor que ele(ela) pode
dizer como levar em conta suas peculiaridades e habilidades.
Perturbações somáticas:
febre, dor de cabeça, dor
de ouvido, cólicas
intestinais, anemias,
verminoses e todos os
males que atinjam o físico
de uma pessoa, levando-a
a um estado anormal de
saúde (DROUET, Ruth
Caribe da Rocha.
Distúrbios da
São
provi- Aprendizagem.
Paulo: Ática, 2003)
Fundamentado nessas informações, você está habilitado(a) a
denciar os recursos pedagógicos e as adaptações materiais necessárias ao
atendimento das necessidades específicas deste(a) aluno(a).
Além da deficiência do aparelho locomotor sempre é bom lembrar
que qualquer forma de
pode causar dificuldades de
perturbação somática
aprendizagem. Por isso, é importante que se esteja atento às manifestações
apresentadas por estes alunos em sala de aula.
O quadro a seguir apresenta uma sinopse das necessidades educacionais mais freqüentes no(a) aluno(a) com deficiência física.
17
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Necessidades
educacionais
mais freqüentes
no aluno com
deficiência física
Educação Inclusiva
NECESSIDADE DE
• Intervir na adaptação do seu corpo ao
•
SENSO-PERCEPTIVAS
•
•
•
meio em que vive.
Aumentar a funcionalidade de seus
órgãos sensoriais.
Oferecer uma percepção da realidade
não distorcida.
Intervir nas suas relações espaciais.
Melhorar sua organização espaçotemporal.
• Oferecer as ajudas técnicas de que
•
INTELECTUAIS
•
•
•
•
necessita, inclusive aquelas relativas à
comunicação.
Fomentar atividades de emprego ativo
do tempo de lazer.
Utilizar os recursos metodológicos
adequados à sua deficiência.
Trabalhar a nível atitudinal com seus
colegas.
Formar/capacitar o professor que vai
atuar com este aluno.
Trabalhar conjuntamente com a família,
para favorecer o desenvolvimento
global do aluno.
• Potencilizar um adequado nível de
interação social.
• Oferecer sistemas de comunicação
•
SÓCIO-EMOCIONAIS
•
•
•
alternativos e complementares.
Oferecer oportunidade de contatos
sociais favoráveis à comunicação.
Realizar programas de habilidades
sociais que facilitem a interação positiva
com o meio e a adaptação do aluno.
Criar ou potencializar um auto-conceito
positivo.
Experimentar sensações de êxito
provocadas pelo esforço.
Fonte: Palácios (org.) (2003, p. 325) Tradução e adaptação de Souza, A.M. do quadro 4.1
18
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
A intervenção pedagógica sobre as necessidades educacionais das
pessoas com deficiência do aparelho locomotor requer diferentes perspectivas sobre os procedimentos a serem utilizados. Ela deve levar em conta não
só a pessoa, mas principalmente o meio em que ela vive. Nesse sentido,
uma cadeira de rodas pode capacitar uma pessoa a se locomover e um
comunicador eletrônico pode permitir-lhe uma comunicação mais ampla.
Com esses instrumentos o aluno com deficiência física poderá realizar todas
as atividades como as demais pessoas, ainda que de forma diferente. Considerando a grande variedade de dificuldades motoras existentes e os diferentes graus que nelas se encontram, é muito difícil estabelecer uma série de
necessidades educativas especiais comuns a todas as variedades existentes.
Quer saber mais?
Entretanto, podemos oferecer – em maior ou menor medida – o
Você pode ter mais
apoio de que necessitam para participarem efetivamente do processo
informações a respeito
educativo a que têm direito. Lembre-se, professor(a), que esta estratégia no material editado pelo
chamado Saberes e
de intervenção pedagógica deve estar acompanhada da supressão das MEC
práticas da inclusão:
barreiras arquitetônicas.
, n. 05
deficiência física
As adaptações curriculares de
, para
as pessoas com deficiacesso
ência do aparelho locomotor, não pressupõem nenhuma alteração nos
objetivos e conteúdos que orientam o processo de ensino-aprendizagem, mas se referem aos aspectos ambientais, materiais e/ou pessoais
que permitem o seu acesso às aprendizagens do currículo regular.
de 2004
jogos didáticos e recreativos, bem
Adaptações do material, de
escolar
como as adaptações de acesso, com a remoção de barreiras arquitetônicas,
e a adequação do ambiente ,escolar
oferecem a estes alunos o acesso à
educação de qualidade a que todos os cidadãos têm direito.
A grande maioria dos alunos com deficiência com deficiência física se beneficia dos sistemas escolares comuns, mas é necessário que lhe
sejam proporcionados acesso e adequações nas escolas, mediante adaptações físicas que são do ambiente e do mobiliário.
É imprescindível que se olhe o sujeito a partir das suas possibilidades e não dos problemas que são mais visíveis, identificando que adaptações são indispensáveis para o seu desenvolvimento.
Em muitos casos, o aluno necessita, tão somente, de cadeiras especiais para que seu corpo esteja estabilizado confortavelmente, pois algumas dessas pessoas precisam ficar bem acomodadas às suas cadeiras
para que não caiam involuntariamente.
Em outros casos, o aluno com deficiência física precisa de uma
sala acessível em andar térreo ou de disponibilidade de elevador para
andares superiores, ou de um simples corrimão ao longo da escada. Vai
precisar provavelmente de um banheiro adaptado, assim como de apoio
para sua utilização. Este tipo de aluno necessita de um modo geral de
19
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
adaptações de acesso, tais como rampas e elevadores, entre outros, de
acordo com a gravidade de seu caso. De igual forma, sua condição física exigirá materiais específicos, como ajuda técnica ou tabuleiro, talvez
apoiado por um sistema de comunicação.
Como a criança nesta situação pode apresentar dificuldade em articular palavras, é altamente recomendável que se crie o hábito de ouví-la sem pressa. Em muitos casos será necessário buscar formas alternativas de comunicação, de linguagem e de avaliação.
se apresentam como um meio a mais para
As novas tecnologias
ajudar as pessoas com deficiência física, e por isso devem ser integradas
ao processo educacional, na medida em que facilitam o acesso do aluno às atividades escolares.
Pode ser que o aluno tenha uma dificuldade maior em escrever.
Pode acontecer também que se chegue mesmo à conclusão de que ele
nunca venha a escrever, embora seu problema não seja de natureza
cognitiva ou intelectual, mas de natureza exclusivamente física. Nesse
caso, outras formas de escrever devem ser facilitadas ao(à) aluno(a) como,
por exemplo, a utilização do computador com o teclado adaptado. Na
hipótese de não haver computador na sala, pode-se contar com a colaboração de um colega ou de outra pessoa que possa escrever. O(a)
professor(a) pode também adequar o material a ser utilizado na aula,
oferecendo a este aluno, por exemplo, o texto escrito.
Estas adequações – tanto as mencionadas, como outras que se
façam necessárias – são mais acessíveis do que você imagina. Você mesmo pode criar ou adaptar o material já existente, por exemplo, a utilização de lápis mais grosso e/ ou triangular, que facilite o seu uso pelo aluno. Pode-se mesmo utilizar réguas que delimitam o tamanho das letras e
palavras e facilitam o desenvolvimento e adequação da escrita.
Muitas dessas adaptações já são utilizadas no ensino infantil e são
facilmente encontradas no mercado. Existem outras, porém, que vão exigir uma elaboração maior. Na medida do possível, elas devem surgir a
partir de necessidades específicas dos alunos. Estas adaptações podem
ser demandadas pela Rede de Apoio.
Sua prática de professor-pesquisador – 2
Professor(a), procure conhecer mais sobre as possibilidades e adaptações existentes para apoio aos seus alunos. Experimente incluir no
seu planejamento alternativas de trabalho pedagógico em sala de aula
e de avaliação de aprendizagem. Não se esqueçaaque
avaliação da
, pensaaprendizagem do seu aluno deve ser um processo
contínuo
do para enriquecer o seu planejamento pedagógico e atender às necessidades educacionais mais diretas dos seus alunos.
20
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Não se esqueça de registrar essa experiência e de incluir suas
contribuições, porque com certeza você deve ter encontrado outras formas próprias para facilitar a aprendizagem de todos, inclusive do seu aluno com necessidades educacionais especiais.
Algumas necessidades dos alunos com deficiência no aparelho
locomotor estão estreitamente relacionadas com
o acionamento da
Esta rede inclui os profissionais da saúde, como o fisioRede de Apoio.
terapeuta, o fonoaudiólogo, assim como outros profissionais de suporte. Todos devem trabalhar de forma interdisciplinar e em estreita relação com o(a) professor(a). A este(a) compete assessorar toda a equipe
de profissionais bem como a família do aluno(a) e com eles planejar a
melhor maneira de garantir ao(à) deficiente do aparelho locomotor o
acesso a sistemas alternativos de acessibilidade aos espaços físicos e ao
currículo, para que este(a) possa participar de todas as atividades e consiga aprender com seus colegas.
Sua prática de professor-pesquisador – 3
A seguinte atividade é sugerida para o grupo de professores ou
. Então
para alunos acima de 12
anosprofessor(a), pensando na sua
prática em sala de aula, que tal propor à sua turma (ou na reunião
pedagógica) uma dinâmica para que você e seus alunos experimentem a sensação de ser outro?
Entregue uma tarefa simples para ser realizada por duplas, garantindo
que nenhum dos dois integrantes saiba qual a tarefa do outro. Precisarão,
contudo, realizá-la juntos. Sugerimos que seja por escrito. No papel, além
da tarefa, você deverá especificar as limitações físicas de cada um.
Por exemplo:
1) um (com os braços imobilizados) recebe a tarefa de abrir uma
garrafa de água e beber em um copo e o outro (de olhos vendados)
deverá ajudar o primeiro na execução da tarefa.
2) um(a) (com as mãos atadas e a boca vedada) recebe a tarefa de
explicar ao(à) companheiro(a) (também de boca vedada) que este(a)
último(a) deverá escrever com massa de modelar a primeira letra do
seu nome.
A explicação da dinâmica deve se restringir a dizer que eles receberão tarefas distintas e precisarão executá-las considerando as
limitações que os caracterizarão.
21
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Depois dessas vivências, faça com que os participantes comentem como se sentiram e procure dar atenção principalmente às formas alternativas que cada um utilizou para – com as restrições que
tinha – realizar a tarefa proposta.
Anote em seu caderno como foi o desenvolvimento da prática e
os comentários dos participantes.
MOMENTO PIPOCA
Você pode conhecer melhor a realidade e necessidades educacionais do aluno com deficiência física, de que falamos, assistindo
a filmes que têm abordado essa questão. Muitos deles têm base em
casos reais.
Então, sugerimos que você assista a esses filmes e faça as
suas reflexões, de preferência junto aos seus colegas, para que
também eles possam se envolver com o apoio que certamente
esse seu aluno necessitará em sua escola e comunidade:
•
•
•
•
A força de um campeão;
Meu pé esquerdo;
Feliz ano velho;
Amargo regresso.
Falando da deficiência visual
Quer saber mais?
O braille é um
código universal de leitura
tátil e escrita.
É consideradocegoaquele que apresenta desde ausência total de
visão até a perda da percepção luminosa. Aqueles que temvisão sub
apresentam desde a capacidade de perceber a
normal ou baixa visão
luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfere ou limita o
seu desempenho.
O que é cegueira ?
os sujeitos
A definição educacional diz que são
cegosque não têm
visão suficiente para aprender a ler em materiais impressos a tinta. Necessitam, portanto, utilizar outros sentidos (tátil, auditivo, olfativo, gustativo e
cinestésico) no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. O acesso
à leitura e escrita dar-se-á, entre outras formas, pelo sistema
.
Braille
Entre essas pessoas, há os que não podem ver nada; outros têm
apenas percepção de luz; alguns podem perceber o claro, o escuro e
22
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
delinear algumas formas. A mínima percepção de luz ou de vulto pode
ser muito útil para orientação no espaço, movimentação e habilidades
de independência (MEC-2002).
O que é baixa visão?
Segundo adefinição educacional têm baixa visão – anteriormente denominada visão parcial ou visão subnormal – os alunos que utilizam do seu pequeno potencial visual para explorar o ambiente, conheEles se diferenciam muito nas
cer o mundo e aprender a ler e escrever.
suas possibilidades visuais, embora necessitem aprender a utilizar a visão da melhor forma possível. Elas podem também utilizar, ao mesmo
tempo, os outros sentidos para aprendizagem, aquisição de conceitos e
construção do conhecimento (MEC-2002).
Segundo o Conselho Internacional para a Educação de Pessoas
com Deficiência Visual (ICEVI):
160 milhões de pessoas no mundo apresentam deficiência visual;
dessas, de 40 a 45 milhões são cegas;
1 milhão e meio de crianças estão em idade pré-escolar e escolar;
90% das crianças do mundo, em países em desenvolvimento,
são privadas de educação;
80% dessas crianças vivem em zonas rurais e
80% dos adultos cegos estão sem trabalho devido a falta de
capacitação e oportunidades de emprego.
Para você obter mais informações sobre a deficiência visual acesse
o site www.icevi-americalatin.com.ar
Existem três dimensões a serem consideradas para diferenciar
ou caracterizar as pessoas com deficiência
: o visual
momento de
aparição dos problemas visuais; a forma de aparição; e o grau da
perda de visão.
De acordo com COOL (2004), é importante lembrar que há diferenças entre os nascidos cegos e os que adquirem a cegueira um tempo depois.
Esses últimos, de alguma forma, podem estabelecer parâmetros do que
vivenciaram enquanto videntes. No entanto, é necessário o respeito às diferenças e às tipologias de apoio para que suas necessidades sejam atendidas,
facilitando a orientação na utilização dos sentidos remanescentes, tanto para
se moverem como para reconhecerem objetos.
23
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
convémvisual
ficar atento(a)
Para identificar alunos com deficiência
a alguns sinais que permitem constatar em um aluno uma possível dificuldade visual. Esses sinais são:
Quer saber mais?
Para você compreender
melhor onde ocorre
cada uma dessas
situações, você pode
acessar osite
<www.escolavesper.com.br/
olho_humano.htm>.
•o aluno demora muito a copiar algo do quadro e, muitas vezes,
não consegue terminar a tarefa;
•o aluno contrai os músculos dos olhos quando tenta ver algo
aproximando os objetos o máximo possível;
•o aluno aproxima-se muito do caderno ao escrever;
•quando escreve, o aluno não consegue acompanhar a linha do
caderno e a sua escrita é disforme.
Inúmeras sãoas causas da deficiência(cegueira
visual e baixa visão). Como causas principais, a literatura destaca:
•infecções;
•traumatismo;
•hereditariedade;
•tumores;
•diabetes;
•doenças hereditárias;
•outras doenças associadas;
•exposição do bebê prematuro a excesso de oxigênio, quando
na incubadora.
Estratégias de intervenções pedagógicas para pessoas
Entre as estratégias de intervenções pedagógicas para pess
vale a pena destacar o código universal de leitura tátil e escrita, denominado Braille
, inventado por Louis Braille, em 1825 na França. Este método tornou-se um dos mais difundidos em todo o mundo. Braille baseouse no código noturno utilizado pelo capitão Charles Barbier para comunicação silenciosa no campo de batalha. Para escrever em
Braille,podemos usar areglete de bolso
que serve para anotações breves, pois é
pequena, relativamente leve e fácil de transportar; ou então lançar mão
da reglete em prancha
que dá mais firmeza na escrita. Para escrever
utiliza-se apunção
. Pode-se ainda usarmáquina
a
de escrever em Braille
que foi desenvolvida pelo Prof. David Abraham em 1939 nos EUA. Ela
tem nove teclas que correspondem aos pontos; uma tecla central para
dar espaço; uma tecla à esquerda para mudar de linha e uma tecla à
direita para fazer retrocesso.
Atualmente, podemos contar com os avanços da informática como,
por exemplo: os leitores de tela; softwares que auxiliam as pessoas com
deficiência visual a navegarem na tela do computador utilizando comandos especiais. Esses programas servem de sintetizadores de voz para
softwaresmais coverbalizar as informações contidas nas janelas. Os
nhecidos são DosVoxe Virtual Vision
, de produção nacional, e o
Célula BraileWindow Bridge
e oJaws
, que são importados.
24
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Imagem: Sinval Lemes - LDV
Um instrumento de grande utilidade para cálculo é sorobã
o
, surgido na Grécia por volta do século III a.c. e largamente difundido por
todo o Império Romano. Ele é composto de cinco contas por eixo e
borracha compressora para deixar as contas fixas, permitindo a leitura
tátil. O sorobã pode ser utilizado por alunos cegos para terem noção de
quantidade, contar em seqüência, comparar e relacionar quantidade e
para dominar as operações elementares.
Reglete + Punção
Em termos de adaptação curricular
as crianças cegas ou com Imagem: Sinval Lemes baixa visão não necessitam de um currículo diferente, mas sim de
adaptações e complementações curriculares tais como: adequação
de recursos específicos e materiais pedagógicos tanto para baixa
visão como para cegos, conforme sugestões indicadas. O cego necessita de estimulação sensorial para ampliar sua visão do mundo,
uma vez que sua percepção visual se dará por meio de outros sentiSorobã
dos como o tátil, o olfativo e o auditivo. É preciso levar em conta
que o cego necessita de mais tempo para apreender um novo objeto do que seu colega vidente. Esta é a diferença de maior destaque
entre ambos.
Os cegos necessitam ainda de formas de comunicação alternativa,
programas de orientação e mobilidade e atividade de vida diária que
são complementações curriculares que serão desenvolvidas em outro
período. Nesse contexto, deve ser acionada a Rede de Apoio, conforme
foi esclarecido no Fascículo 1, com salas de recursos ou centros
especializados para que o aluno não tenha prejuízo no seu processo de
aprendizagem na classe comum.
Para que as pessoas com deficiência visual tenham acesso ao currículo padrão, sugere-se alguns materiais pegagógicos e atividades que
podem ser utilizados adequando-os às necessidades de cada aluno. Entre eles citamos:
“Livros sensoriais”(livros texturizados)
Podem ser elaborados com materiais concretos, sucatas como potes de iogurte, canudo, pratinho talheres de plástico, material com texturas diferentes, tintas de alto relevo. Este livro pode ter como tema alguma
vivência da criança como um passeio ou a reescrita de alguma estória
contada em sala de aula.
Jogo de memória sonoro
Pode ser confeccionado com potes vazios de filme fotográfico onde
se coloca, em cada dupla objetos que produzam sons iguais; por exemplo, dois potes com feijão, outros com bolinhas de metal. O jogo consiste em achar os sons semelhantes.
25
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Dominó em alto relevo
É um dominó adaptado que pode ser feito com tinta de alto relevo.
Bolas com guizo
As bolas com guizos orientam as crianças cegas.
Para as pessoas com baixa visãopodem ser utilizados recursos
ópticos e não ópticos, buscando melhorar a adaptação do aluno em sala
de aula. Alguns desses recursos ópticos ou lentes que possibilitam o
almento das imgens são sugeridos a seguir:
• óculos;
• lupas manuais
(utilizadas para leituras de perto por serem bastante práticas, pois podem ser levadas nos bolsos, mas podem representar um problema para leitura mais prolongada ou quando a criança tem
alguma dificuldade em segurá-las firmemente);
• lupas de apoio
(utilizadas para leituras de perto por apresentarem
vantagem na leitura prolongada, podem ser apoiadas na base da mesa)
• Telescópio
(utilizado para leitura de longe quando a criança está
parada, pois o campo visual fica reduzido e a percepção de distância
alterada).
(são recursos que não utiliUtilização de recursos não ópticos
zam lentes):
Imagem: Sinval Lemes - LDV
•iluminação adequada;
•cadernos com pautas ampliadas;
•canetas de ponta porosa;
•lápis 6B ou 3B;
Lupa e Régua-Lupa
•livros, letras e números ampliados;
•guia de leitura (a leitura pode ser facilitada com o uso de uma
régua para marcar a linha ou uma cartolina preta com uma abertura no
centro, que serve para destacar a linha).
Sugestão de material pedagógico
•dominó, jogo de memória e ludo devem ser adaptados,por exemplo, com cores contrastantes e com tamanhos maiores. É importante dar
informações sobre as regras dos jogos, pois isto propicia atenção mate26
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
mática, atenção ao sistema de numeração, identificação de quantidade
e ainda estimula a inter-relação pessoal;
•gravuras: propicia a discriminação de detalhes e figura-fundo;
•seqüência lógica: propicia ordenar seqüência de ações;
•blocos lógicos: deve-se introduzir gradualmente as formas geométricas mais simples como círculo, quadrado, triângulo e retângulo;
•material dourado: as peças podem ser coloridas com cores
contrastantes para ajudar e facilitar a identificação e o reconhecimento;
•materiais de encaixe, quebra-cabeça e empilhamentos;
•exercícios de pareamento objeto/figura e figura/figura;
•exercícios de controle voluntário dos movimentos dos olhos através de contato visual com o objeto em movimento;
•cópia de figuras e símbolos;
•comparação visual usando objetos tridimensionais, bidimensionais e planos, usando o concreto e o desenho;
•reconhecimento de placas e símbolos. Resposta à luz, através
da focalização e fixação de objetos luminosos.
Os materiais para a estimulação visual devem ter formas bem definidas e cores contrastantes. É primordial deixar a criança manipular e
observar as peças, mantendo o olhar, observar cantos, formas, contornos, prestar atenção nas cores e quantidades de cada peça.
Assim, estes propiciarão o desenvolvimento da percepção visual,
coordenação visomotora, desenvolvimento do movimento do globo
ocular, discriminação visual, concentração, atenção, observação, identificação de cores, memória visual e reprodução de formas.
não necessita
A avaliação dos alunos cegos ou com baixa
visão
ser diferenciada da dos demais alunos. No entanto, é preciso que sejam
disponibilizados os recursos necessários para que eles tenham acesso à
avaliação. É indispensável que sejam proporcionadas para alunos com
baixa visão, prova ampliada e, para alunos cegos, prova em Braille, ou
sua disponibilização em programas apropriados.
Percebendo alguma dificuldade visual no seu aluno ou na sua aluna, você pode encaminhá-lo(la) para que seja atendido(a) pela
Rede de
. Esta deve contar com médico especialista em oftalmologia para o
Apoio
27
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
devido diagnóstico a fim de que o(a) aluno(a) receba o atendimento educacional adequado às suas necessidades.
Quanto à orientação e mobilidade para as pessoas cegas, esta é
realizada por equipe especializada em escolas ou institutos para cegos.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Sugerimos que você convide seus colegas, assistam e discutam os filmes abaixo mencionados:
• À primeira vista
• Janela da alma
• Ray Charles
• Perfume de mulher
Falando da deficiência auditiva
Quer saber mais?
Você pode ler mais a
respeito no livro
Vygotsky. L. S. (2001)A
construção do
pensamento e da
São Paulo:
linguagem.
Editora Martins Fontes.
consiste na perda maior ou menor da percepA deficiência auditiva
ção normal dos sons. Verifica-se a existência de vários tipos de deficiência
auditiva, de acordo com os diferentes graus de perda da audição. Assim,
as pessoas com deficiência auditiva podem ser classificadas como: as parcialmente surdas e as surdas. Há uma grande diferença entre uma surdez
adquirida (antes ou depois da aquisição da fala) e uma surdez congênita.
éo indivíduo com surdez leve (aquele(a) que
Parcialmente surdo
apresenta perda auditiva de até quarenta decibéis) ou com surdez moderada (condição do deficiente que apresenta perda auditiva entre quarenta e setenta decibéis).
Surdoé o indivíduo com surdez severa (perda auditiva entre setenta e noventa decibéis) ou profunda (perda auditiva superior a noventa
decibéis) MEC-2002.
Decibelé a unidade de
medida de intensidade
sonora e tem esta
denominação em
homenagem a Alexander
Graham Bell.
28
recomendado que o tesPara identificar crianças com ésurdez
te da orelhinha seja realizado até os 5 meses de idade, pois é nesse
período que o bebê dá início à lalação (sons elementares ou fonemas).
Nesta idade a criança emite sons e os adultos reagem aos mesmos
repetindo as vocalizações da criança e inserindo outros elementos
sonoros. Tem início neste momento um complexo processo
interacional por meio do qual a criança vai adquirindo os sons típicos do modelo fonético do idioma materno. A criança surda emite a
lalação, mas não insere novos fonemas por não conseguir ouvir. É
fundamental que se detecte o mais cedo possível a surdez para que o
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
bebê surdo possa fazer o processo interacional mais adequado às suas
necessidades e possibilidades.
Uma pessoa surda pode ser interpretada como desobediente, ou com
problemas de aprendizagem ou até mesmo com deficiência mental.
Em sala de aula também podemos identificar esse aluno, pois normalmente ele não executa o solicitado e tem uma tendência a se isolar.
Importante!Outro critério para a identificação da surdez refere-se ao período evolutivo em que a mesma ocorreu: surdez pré e
pós-lingüística. Asurdez pré-lingüística
é a que se apresenta até os
primeiros meses de vida do sujeito (na fase anterior ao desenvolvimento da fala) e asurdez pós-lingüística
é a que ocorre em uma
idade posterior ao desenvolvimento da fala. O período evolutivo
em que a surdez é detectada deve ser considerado de extrema importância para o âmbito educacional. Quanto mais precocemente
a surdez for identificada, maiores serão as possibilidades de sucesso no investimento educacional.
Sua prática de professor-pesquisador – 4
com os alunos surdos
A estratégia de intervenções pedagógicas
consiste em fazer da imagem o veículo de mediação primordial no
processo de aprendizagem. Eles(elas) se orientam por pistas visuais
presentes em todo lugar, realizando uma leitura intuitiva a partir
das seguintes sugestões:
indentificar marcas pelos seus logotipos (p. ex. rótulos);
identificar estabelecimentos comerciais pelas placas;
utilizar referências de cores para identificar cédulas de dinheiro, linhas de ônibus ou de metrô;
ler placas de trânsito;
diferenciar sanitários masculinos e femininos pelo desenho
na porta;
reconhecer símbolos de aparelhos eletrodomésticos como
microondas, fogão e controle remoto da televisão;
29
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
ao professor cabe a tarefa de selecionar imagens com o mesmo
rigor com que seleciona os textos;
perceber se a palavra é longa ou curta, podendo também
identificar a letra inicial.
Não esqueça de anotar em seu caderno outras estratégias de
interligações pedagógicas que considerar interessante à aprendizagem dos alunos.
A educação dos surdos pode ser bilíngüe ou seja, utilizar primeiro
a língua de sinais, no caso do Brasil a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e depois inserir uma segunda língua como a Língua portuguesa.
Para esta são utilizadas técnicas que permitem ao surdo comunicar através da fala.
O aluno com surdez deve sentar-se em local em que possa ver o
professor, para facilitar a leitura orofacial, bem como a leitura das outras
pistas visuais.
Recomenda-se a utilização de recursos visuais como: objetos
concretos, filmes, fotos, gravuras de livros e revistas, desenhos, escrita e ainda o uso da língua de sinais, da mímica , da dramatização,
de expressões faciais e corporais de gestos naturais e espontâneos
que ajudam a dar significado ao que está sendo estudado. A contribuição de um intérprete de libras facilita muito a aprendizagem do
aluno surdo.
De fundamental importância, porém,aépostura do(a) pro-fessor(a)
, que deve assumir os seguintes posiciona-mentos:
em sala de aula
o professor deve manter o aluno surdo informado;
é necessário socializar com os alunos ouvintes o que o
aluno surdo disse;
deve estimular a participação do aluno surdo;
enquanto fala ou sinaliza, o(a) professor(a) deverá expressar
no rosto sentimentos relativos à sua fala;
quando falar, o(a) professor(a) deverá utilizar frases curtas,
simples, porém completas. Os movimentos de lábios devem
30
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
ser bem definidos, sem contudo exagerar ou alterar o ritmo e
a entonação das palavras e frases;
Aparelhos auditivos: servem para ampliar os sons, mas o fato
de uma criança os estar utilizando não significa que está tendo audição normal.
Sua prática de professor-pesquisador – 5
quede palavras,
Entre as sugestões práticas ressaltamos o jogo
assim resumimos:
identificar a letra inicial da palavra e, se possível, deObjetivo:
senvolver hipóteses sobre o que está escrito.
: cartolinas recortadas do mesmo tamanho, revistas, teMaterial
soura e cola.
recorte palavras de revistas com
Produção do jogo de palavras:
todas as iniciais possíveis e também iniciais repetidas e cole em
cartolinas recortadas do mesmo tamanho.
distribuir as palavras entre os participanDesenvolvimento:
tes. Um jogador coloca uma palavra na mesa e todos que tiverem palavras começando com a mesma inicial colocam também (apenas uma carta de cada vez). O próximo jogador fará a
mesma coisa. Opção: pode deixar cartas para comprar. Vence
o jogo quem acabar as cartas primeiro.
: é mais satisfatório quando o jogo é construído
Observação
em sala de aula com os próprios alunos porque agrega a este significado adicional.
é a utilização mais freqüente do quadro na
Uma outra sugestão
sala de aula. É proveitoso lançar mão da diagramação, pois assim se
pode organizar visualmente as palavras no espaço, ajudando na compreensão das relações pretendidas.
31
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Desenvolva a atividade sugerida com o jogo de palavras em sua
classe e registrea em seu caderno. Avalie os resultados obtidos e crie
novas variações para o jogo.
Atenção!
O Brasil é um país
bilíngüe! Para saber mais,
recomendamos que você
leia a Lei nº 10.436, de
24 de abril de 2002,
assinada no dia 22 de
dezembro de 2005,
depois socialize com
seus colegas.
Importante!
Reilly(2004) em seu livro
Escola Inclusiva:
. São
linguagem e mediação
Paulo: Papirus, sugere
outros recursos, como a
prancha de atividades, que
consiste em colocar em
forma de desenho as
atividades que acontecerão
naquele dia.
Não há necessidade de adaptação curricular. A proposta curricular
para alunos com surdez é a mesma utilizada com os demais. É relevante
acionar a rede de apoio para que haja um intérprete de Língua Brasileira
de Sinais (LIBRAS) em sala de aula.
destes alunos deve-se observar
Na avaliação da aprendizagem
como está sua comunicação funcional, avaliando se conseguem se
fazer entender, seja por gestos ou expressão corporal ou por meio de
ambos. Por outro lado, pode-se aplicar a esses alunos avaliações escritas, levando em conta a sua expressão de pensamento peculiar em
decorrência das dificuldades de comunicação oral que apresentam.
Deve-se inclusive conceder-lhes maior espaço de tempo para responder à prova, dado que, para eles, a língua portuguesa é uma segunda língua.
É de grande relevância acionar a Rede Os
de estudos
Apoio. demonstram que o aluno surdo necessita de um contexto lingüístico para
aquisição da língua de sinais com pessoas fluentes nesta língua.
A
Sala
, através do atendimento de especialistas, poderá ser uma
de Recursos
opção para que ele tenha contato com outras pessoas surdas. Não se
espera que o(a) aluno(a) surdo(a) aprenda a língua de sinais com o professor regente que, na maior parte das vezes, é iniciante nesta língua e,
portanto, não a domina. E assim sendo, tem dificuldades de estabelecer diálogo com o aluno nesta língua.
Insistimos, porém, ser recomendável que, se você for o(a)
professor(a) de um aluno surdo busque conhecer a LIBRAS ou que,
pelo menos, tenha noção desta língua para melhor se comunicar com
seu aluno.
Quer saber mais?
: é um
Sala de Recursos
ambiente de natureza
pedagógica, orientado por
professor especializado,
que suplementa (no caso
dos superdotados) e
complementa (para os
demais alunos) o
atendimento educacional
realizado em classes
comuns da rede regular
de ensino ou ensino
especial. http://
<www.mec.gov.br/seesp/
perguntas.shtm#6>
32
Em síntese, aRede de Apoio
deve incluir a Sala de Recursos, o
intérprete da LIBRAS e outras formas de apoio tecnológico, como, por
exemplo, o software LÉXICOe outros já existentes que oferecem suporte para facilitar a comunicação entre ouvintes e não ouvintes.
Recomenda-se a adoção global do sistema de legenda nos filmes,
já adotado pelos meios de comunicação; todas as escolas devem, por
força de lei, oferecer disciplinas e espaços curriculares nos cursos de
nível superior para formação qualificada de especialistas em Língua Brasileira de Sinais. Enfatiza-se igualmente a necessidade do apoio a ser
prestado pelointérprete da LIBRAS
(especialista na língua brasileira de
sinais que intermediaa comunicação entre o surdo e o ouvinte) nas universidades federais.
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
O decreto 5.626 de 22 / 12 / 2005 define a pessoa surda e
reconhece a Libras como manifestação da sua cultura e estabelece a obrigatoriedade da Libras como disciplina curricular nos
cursos de formação de professores e fonoaudiólogos entre outras
determinações.
A familia constitui, também, uma das mais importantes fontes de
interlocução entre a escola, o aluno e a sociedade e, por isso, deve ser
considerada como uma grande aliada no processo ensino-aprendizagem de todos os alunos e muito particularmente, daqueles que apresentam deficiência auditiva.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Assista o filmeFilhos do Silêncio
Este filme se desenvolve no contexto de uma escola especial. Um profissional recém chegado na instituição busca envolver uma aluna surda no seu próprio processo de reabilitação, mas ela resiste e não quer colaborar. O filme realiza
uma crítica ao oralismo, apresentando a perspectiva do aluno surdo e o respeito pela opção de não vocalizar.
Falando da deficiência mental
definida pelo Decreto Nº 3.298/99 que regulaA deficiência mental,
menta a Lei nº7.853/89, art. 4º, refere-se ao funcionamento intelectual que
se apresenta significativamente inferior à média, com manifestação antes
dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer e trabalho. Esse referencial é importante por ser ele o determinante
legal da deficiência mental adotado atualmente em nosso País.
Na área educacional, a definição de Deficiência Mental adotada pelo MEC é a da Associação Americana para a Deficiência Mental –
, que orienta os Parâmetros Curriculares Nacionais. As AdapAAMD, de 1992
tações Curriculares do MEC explicitam na página 26: “A deficiência mental
caracteriza-se por um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com
limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da
33
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da
sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação; cuidados pessoais; habilidades sociais; desempenho na família e comunidade; independência na
locomoção; saúde e segurança; desempenho escolar; lazer e trabalho”.
É importante ressaltar que, apesar da maioria dos casos de deficiência mental ser identificada no período escolar, este diagnóstico, em alguns
casos, pode ser realizado antes da criança entrar na escola, já nos primeiros meses de vida, e deve ser feito sempre por uma equipe multiprofissional
das áreas de saúde, educação, psicologia, neurologia, serviço social, entre
outros. A escola tem um papel importantíssimo na indicação precoce desses alunos para sua avaliação, podendo assim garantir-lhes um atendimento de melhor qualidade, mais apropriado à demanda de suas necessidades educacionais especiais.
Além dessas definições, outras informações são também rel
Para omental.
alutes para um adequado entendimento da deficiência
no, a escola pode ser a primeira fonte de demandas intelectuais formais.
Por isso, os educadores devem ficar atentos a algumas questões. Lembremos que, por trás e muito acima de uma deficiência mental, está um
sujeito com vontades, experiências, definições orgânicas e vivências sociais que fazem parte desse sujeito e tanto quanto. Por isso, sua deficiência não pode ser objeto de um receituário único e próprio. O nível de
funcionalidade social que o sujeito poderá desenvolver não depende
tão somente do nível da deficiência mental mas do seu grau de comprometimento em relação às dificuldades oriundas da própria deficiência;
do contexto em que vive; assim como de sua história de vida; do apoio
familiar que recebe e das oportunidades a ele oferecidas. Esses alunos
não estão tão distantes de nós. A Organização Mundial de Saúde(OMS)
diz que dez por cento da população dos países em desenvolvimento
são deficientes e a metade destes apresenta a deficiência mental.
Sua prática de professor-pesquisador – 6
Para refletir...
Durante o seu período de vida, quantas pessoas você já encontrou com uma deficiência? Como essa informação chegou até você?
Quando as pessoas falaram sobre a deficiência dessas pessoas, falavam no sentido de ajuda ou para você tomar cuidado com elas?
Como ela era tratada pelas pessoas?
Discuta isso com seus colegas...
Analise as informações encontradas e você vai notar os mitos que
existem na sociedade sobre as pessoas com deficiência mental e como
essas informações construíram o seu imaginário sobre esta deficiência.
34
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Para compreender as características mais comuns desta deficiênciaé muito importante matizar algumas questões relativas às suas
potencialidades e aos vários níveis de comprometimento que apresentam as pessoas com deficiência mental. Com efeito, os estudos realizados na atualidade nos demostram que
o mais importante não é a classificação de uma pessoa com deficiência mental em determinada categoria, mas o conhecimento do seu real nível de desenvolvimento
. Na realidade, são essas as informações que devem orientar
individual
a ação pedagógica para este tipo de alunos.
Lembramos, professor(a), que nem todas as pessoas com deficiência
mental são afetadas da mesma forma. Esta constatação indica uma
heterogeneidade no nível de desenvolvimento desse grupo de alunos.
Conseqüentemente, as estratégias de ensino, o uso de materiais pedagógicos e os sistemas de apoio devem ser também diversificados para favorecer o processo de ensino e aprendizagem destes alunos/alunas.
Sabe-se que o aspecto a ser considerado na deficiência mental é o
baixo funcionamento intelectual, geralmente associado a limitações no
desenvolvimento geral e com repercussões específicas no processo de
aprendizagem. Com efeito, a deficiência mental acarreta dificuldades
importantes na inteligência conceitual, na inteligência prática e social,
bem como limitações na execução de algumas habilidades da vida diária. Essas últimas limitações estão, em geral, associadas a duas ou mais
áreas, tais como: habilidade adaptativa, comunicação, cuidado pessoal,
vida em família, habilidades sociais.
Estes aspectos são os que geralmente definem os apoios de que
essas pessoas necessitam. Definem igualmente a intensidade dos cuidados da família, da comunidade e do governo, no sentido de favorecer a inclusão educacional e social do deficiente mental, com base
no mesmo direito reconhecido a qualquer outro cidadão. Estes cuidados dizem respeito à saúde, à assistência social, à educação, bem
como ao desenvolvimento de habilidades acadêmicas funcionais,
de lazer e de trabalho.
Dada a heterogeneidade que caracteriza este grupo, não podemos falar de características determinantes na deficiência mental. Porém, muitos estudiosos apontam que determinadas áreas do seu desenvolvimento apresentam diferenças em relação ao desenvolvimento
considerado normal.
As áreas da comunicação, bem como do desenvolvimento motor,
cognitivo e socio-educacional, podem apresentar discrepâncias com
relação aos padrões de referência.
destacam-se as questões relacionadas com a mobiNa área motora,
lidade, o equilíbrio, além das dificuldades de locomoção e coordenação.
35
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
as pessoas com deficiência mental apresentam
Na área cognitiva,
dificuldades de aprendizagem. As questões relacionadas com atenção,
memória, resolução de problemas e transposição de conhecimentos se
apresentam como pontos de dificuldades para estes alunos.
Ressaltamos
, porque a palavra utilizada é “dificuldades” e não “impossibilidade”
que a despeito das dificuldades, essas habilidades precisam ser desenvolvidas. A compreensão é de que, nestas áreas, haverá grande progresso dos alunos com deficiência mental, embora em ritmo diferenciado.
como na área cognitiva,
estes alunos
Na área da comunicação
encontram maior dificuldade e quase sempre sofrem atrasos na aquisição da fala e da linguagem. Em sua maioria necessitam de atendimento
especializado pela importância que essa área representa para o êxito de
sua inserção social. De acordo com Vygotsky (1996), a linguagem desempenha papel importantíssimo no desenvolvimento geral da pessoa.
Por meio da linguagem, ela entende e se faz entender para o mundo.
Sendo assim, a linguagem é considerada como instrumento do pensamento para o desenvolvimento e a resolução de problemas cognitivos.
o(a) aluno(a) com deficiência mental
Na área socio-educacional,
apresenta lento desempenho em relação a todo aprendizado associado
a problemas de interação social. Esta dificuldade, em geral cria para ele/
ela barreiras à inserção escolar e social. Seu baixo desempenho nesta
área acaba fomentando preconceitos com relação às suas capacidades,
e gera consideráveis prejuízos com relação à sua auto-estima perante os
colegas e os ambientes de aprendizagem. Para estes alunos, o desenvolvimento de competências sociais é fundamental para que a sua inclusão
aconteça em todos os ambientes, notadamente na escola.
Quer saber mais?
A Associação Americana
para a Deficiência Mental
– AAMD é um
orgão Internacional que
estuda e pesquisa sobre a
Deficiência Mental e que
serve de referência para
as orientações relativas
ao atendimento
dispensado às pessoas
com deficiência mental
no mundo. (VERDUGO,
Miguel Angel. Retraso
. Madrid:
mental
Pirámide, 2003.)
Atenção!
Lembre-se que temos um patrimônio genético herdado dos nossos pais e enormes e variadas experiências ambientais e sociais
que nos formam enquanto sujeitos. Isso vale também para a pessoa com deficiência mental. Essa pessoa tem capacidades e incapacidades, interesses e desinteresses, como qualquer outra. Assim,
a compreensão de que necessita de apoios diferenciados nas diversas áreas de desenvolvimento, deve ser vista como natural. Com
efeito, esses apoios, necessários na maioria das vezes na sua rotina
diária, asseguram-lhe um atendimento adequado e a possibilidade
de melhor se desenvolver e se ajustar ao meio em que vive.
Partindo do princípio de que a pessoa com deficiência mental necessita de apoio para se adaptar ao meio social e dar conta das demandas postas para ela, AAMD
a
classificou ostipos de apoio
e seus níveis
(VERDUGO, 2003, p.15). São eles:
36
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Intermitente
O apoio intermitente ou do tipo “quando necessário” caracteriza-se por sua natureza episódica. Assim, a pessoa nem sempre necessita de apoio ou requer apenas apoio de curta duração durante
momentos de transição no ciclo vital (exemplo: perda de trabalho
ou agravamento de uma crise de saúde, etc). Os apoios intermitentes podem ser, conforme o caso, de alta ou de baixa intensidade.
Limitado
Apoio intensivo caracterizado por sua consistência temporal, por
tempo limitado, porém não intermitente. A pessoa pode requerer o
apoio de um menor número de profissionais ou apoio de menor
custo que outros níveis de apoio mais intensivos (por exemplo: treinamento profissional por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período de passagem da escola para a vida adulta).
Extenso
Apoio caracterizado por uma constância regular, diária, em pelo
menos alguns contextos, tais como sua residência ou no trabalho, e
com limitação temporal (exemplo: apoio de longo prazo e apoio
constante em casa para realização das suas habilidades básicas).
Generalizado
Apoio caracterizado por constante e elevada intensidade, em
distintos ambientes, com o objetivo de dar apoio à sua própria vida.
Este apoio generalizado costuma requerer mais pessoas envolvidas
no seu cotidiano e em maior intensidade do que o requerido nos
casos de apoio extensivo ou apoio por tempo limitado.
Levando em conta a definição de Deficiência Mental dada pela
AAMD, o Quadro a seguir procura dar uma visão dinâmica da deficiência mental, considerando as capacidades, o contexto em que vive a pessoa e o seu funcionamento em consonância com os apoios que recebe.
FONTE: Traduzido e adaptado de Luckasson et al. (1992) in Verdugo,2003), por Souza, A. M. (2006)
37
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
– são aqueles atributos que tornam possível um
Capacidades
funcionamento adequado na sociedade. Inclui tanto as capacidades inerentes de um indivíduo como sua habilidade para funcionar
no contexto social, ou seja, sua competência social.
– são aqueles lugares onde a pessoa vive, aprende,
Contextos
trabalha, se socializa e interage, de maneira que as capacidades individuais se relacionam com as demandas do meio.
– resultado da interação das capaciFuncionamento presente
dades de inteligência /adaptação com o contexto (demandas da vida)
na interveniência ou ausência dos apoios
.
As capacidades estão apresentadas do lado esquerdo do triângulo
representado no Quadro, para indicar que o seu funcionamento na deficiência mental está relacionado especificamente com limitações na inteligência e nas habilidades adaptativas, o que a distingue de outros estados de funcionamento limitado, relacionado com causas físicas ou emocionais. Do lado direito do triângulo estão representados os ambientes
nos quais a pessoa com deficiência vive, aprende, joga, trabalha, se socializa e interage.
Dispostos assim, os dois componentes (capacidades e contextos) nos dois lados do triângulo refletem que a interação entre ambos
é essencial no conceito de deficiência mental. O modelo indica também que as necessidades de apoio são reflexos do funcionamento da
pessoa e que a ausência de apoio pode influir reciprocamente no
funcionamento.
Professor(a), você deve estar se perguntando o que dá origem à deficiência mental.Suas origens são múltiplas, pois múltiplas são as cau
Pois é...sabemos que mesmo com recursos
os fatores que a determinam.
o avanço da ciência e a utilização de recursos médicos de ultima geração,
muitas vezes ainda não se consegue obter um diagnóstico claro em relação à deficiência mental,uma vez que as suas causas são multifatoriais.
Quer saber mais?
Para saber melhor sobre
essas causas da
deficiência, você pode
consultar o site http://
boasaude.uol.com.br/
38
A deficiência mental pode resultar causas
de
e ser transmigenéticas
tida hereditariamente.
podem
Doenças degenerativas e doenças
tumorais
provocar deficiência mental quando o órgão por elas afetado é o cérebro.
Alguns exemplos podem ser mencionados:
Neurofibromatose ou Doen. de Hunti
ça de Von Reckinghausen; Esclerose Tuberosa; Doença
Algumas doenças como aMicrocefalia
e Hidrocefalia,
entre outras, são caracterizadas por má formação cerebral. Elas já estão presentes
no nascimento, mas suas causas são desconhecidas.
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
que incidem sobre o óvulo, esExistem também causas pré-natais
perma, embrião e feto ao longo do período de gestação, desde a concepção até o início do trabalho de parto. Entre elas, convém ressaltar:
desnutrição materna; má assistência à gestante; doenças infecciosas como
a sífilis, rubéola, toxoplasmose; fatores tóxicos como alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos, poluição ambiental,
tabagismo; bem como fatores genéticos como alterações cromossômicas;
alterações gênicas e má formação.
, podem incidir
Há também fatores de risco e causas perinatais
sobre o período que vai do início do trabalho de parto até o 30º dia de
vida do bebê, e podem ser caracterizados como: má assistência ao
parto e traumas de parto; hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral
insuficiente); prematuridade e baixo peso (PIG - Pequeno para Idade
Gestacional); icterícia grave do recém nascido; incompatibilidade RH/
ABO, entre outros.
que podem incidir também
Fatores de risco e causas pós-Natais
sobre o período que se estende do 30º dia de vida até o final da
adolescência. Estes fatores e causas são decorrentes de: desnutrição,
desidratação grave, carência de estimulação global; infecções do tipo
meningoencefalites e sarampo.
São igualmente considerados fatores de risco e causas pós-natais
intoxicações exógenas (envenenamento) provocadas por remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio, etc.); acidentes de causas
diversas (trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas); bem como
infestações de neurocisticircose (larva da Taenia Solium).
Tais situações são acompanhadas de vários distúrbios, tais como:
atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor – a criança demora para
firmar a cabeça, sentar, andar, falar; dificuldades no aprendizado – tanto
escolar como familiar e social. Todas estas situações merecem uma avaliação mais detalhada.
Não é demais lembrar que esses fatores não são os únicos nem os
determinantes para que uma criança tenha deficiência mental. Este diagnóstico deve ser realizado, o mais precocemente possível, por uma equipe multiprofissional. Esta exigência requer uma série de estratégias de
ação educativa e de apoios variados para promover o desenvolvimento
e aprendizagem dos alunos que a apresentarem.
Estes apoios devem ter como foco o desenvolvimento de suporte para
que a pessoa com deficiência mental se insira nas atividades e exigências da
vida escolar, social, pessoal, emocional, etc. O importante é que esses sujeitos tenham possibilidades de desenvolver suas capacidades e habilidades,
com o apoio necessário a fim de se tornarem atuantes na sua vida.
39
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Quer saber mais?
Consultem César Coll
(2004) Desenvolvimento
psicológico e educação.
Porto Alegre: Artes
Médicas, 2a ed. 3v
Educação Inclusiva
para as pesA estratégia de intervenções pedagógicas/educativas
soas que apresentam deficiência mental deve ser planejada, com o objetivo fundamental de desenvolver a autonomia, para que possam usufruir
ao máximo de suas potencialidades durante a vida.
Partindo do ponto de vista de que a deficiência mental traz consigo uma dificuldade em relação ao desenvolvimento da área cognitiva, é
preciso ter a consciência de que a aprendizagem acontece, embora lentamente e de forma individualizada. Assim, não proporemos receitas,
mas formularemos alguns princípios educacionais norteadores para a
educação do aluno com deficiência mental.
Os princípios que seguem, quando bem compreendidos, servem
de respaldo para uma educação voltada ao desenvolvimento das
potencialidades de cada aluno(a) e preocupada com uma educação de
qualidade que seja eticamente comprometida com o seu sucesso. Esses
princípios podem ser assim formulados:
focalizar esforços e atenção nos objetivos fundamentais da
educação que queremos proporcionar criando situações de
aprendizagem, que sejam significativas para o currículo da
rede regular, mas ao mesmo tempo individualizadas para o
aluno em questão e levadas a cabo, preferencialmente, nos
ambientes naturais do educando, utilizando material concreto colocado à disposição tanto dos alunos como do(a)
professor(a);
favorecer um ambiente educacional motivador em condições de promover a auto-estima do aluno, valorizando seus
conhecimentos anteriores, levando sempre em consideração
as dificuldades experimentadas, em geral, por estas crianças, sobretudo no que diz respeito à aquisição e assimilação
de conceitos abstratos; este ambiente educacional motivador
deve igualmente fortalecer no aluno com deficiência mental
sua capacidade de generalizar e transferir comportamentos,
bem como de vivenciar as aprendizagens adquiridas nas situações práticas da vida;
dividir seus objetivos curriculares em sub-objetivos de forma
a graduar a dificuldade das aquisições tornando-as mais acessíveis. O insucesso na consecução dos objetivos cria no aluno desmotivação, provoca recusa às novas aprendizagens e
gera dificuldades adicionais ao processo de aprendizado;
40
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
nunca esquecer que o nosso objetivo maior com a educação é o da inserção do sujeito na vida, permitindo uma inclusão ativa e significativa na sociedade; desta forma, quanto mais esse aluno estiver perto do currículo da rede regular de ensino, maior suas possibilidades de inserção junto a
seus pares.
Alguns alunos, devido às suas condições e dificuldades, necessitam de adaptações deste currículo; deverá ser dada uma maior importância aos comportamentos adaptativos, buscando sempre o desenvolvimento da autonomia desse(a) aluno(a) com o objetivo de dotá-lo(a)
das competências necessárias para a vida em sociedade.
No trabalho com alunos mais comprometidos, as estratégias para a
aprendizagem deve adotar um caráter mais próximo da sua realidade.
Por exemplo, a aprendizagem da leitura deve estar mais voltada para as
necessidades diárias como a leitura de um recado, por exemplo, entre
outras sugestões.
Com relação aos comportamentos adaptativos, as questões que envolvem “Cuidados Pessoais”, motricidade, comunicação, aspectos sociais devem ser trabalhadas de forma a propiciar ao(à) aluno(a) um bom
desempenho no que diz respeito às demandas sociais.
Atenção!
Lembre-se de que uma educação de qualidade atende às necessidades individuais dos alunos, promovendo o desenvolvimento de habilidades e competências para uma vida autônoma
e participativa.
Para que essa orientação se concretize, não podemos deixar de
exigir dos órgãos competentes os apoios necessários para que essa educação ocorra.
A avaliação da aprendizagem do aluno com deficiência mental
deve ser inserida na sistemática de avaliação dos demais alunos, considerando sempre o seu progresso, comparando-o consigo mesmo a fim
de favorecer a tomada de consciência do seu avanço progressivo nas
aquisições gerais. Dada a heterogeneidade deste grupo de alunos cujo
desempenho geral varia de caso a caso, há necessidade de oferecer-lhes
alternativas de oportunidades diversificadas. Somente assim poderá ser
41
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
possibilitada a expressão dos conhecimentos apreendidos e do aperfeiçoamento de suas demais habilidades.
é de crucial relevância para
O acionamento da Rede de Apoio
atender às necessidades do(a) aluno(a) com deficiência mental. Com
efeito, este(a) aluno(a) precisa de apoio especial para desenvolver mais
plenamente suas potencialidades. Muitos deles, quando estimulados,
podem inclusive apresentar resultados visivelmente positivos que confirmam a necessidade da participação da Rede de Apoio no seu processo
de aprendizagem e escolarização. Na verdade, o(a) aluno(a) com
deficiência mental necessita de estímulos de toda ordem para aprender
e assim alimentar positivamente a sua auto-estima, minimizar suas dificuldades e prosseguir no seu processo de desenvolvimento global.
A família deve desempenhar um papel decisivo no seu desenvolvimento; o seu nível de independência e ajustamento social depende
muito da forma como ele se sente aceito na sua condição específica e no
contexto das dificuldades que é chamado a superar.
A Rede de Apoio deve proporcionar a este(a) aluno(a) todo o
suporte especializado que se fizer mister para atender às suas dificuldades de aprendizagem específica. Este apoio deve ser considerado como parte do trabalho inter e multidisciplinar da atividade
pedagógico/educacional desenvolvida pela escola.
Lembre-se, professor(a), que o seu papel com o aluno e sua família
é primordial para reforçar uma orientação adequada de trabalho conjunto a fim de oferecer a este(a) aluno(a) todas as oportunidades de aprendizado dentro e fora da escola. Em muitos casos, deve-se incluir a participação efetiva da equipe de saúde como forma de favorecer as condições adequadas para o seu desenvolvimento, aprendizagem e ajustamento social.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Filmes que abordam o tema “deficiência mental“
• Nicky and Gino
• Oitavo dia
• Forrest Gump – O contador de história
• Gilbert Grape – aprendiz de sonhador
• Simples como amar
• Meu nome é Rádio
• Do luto à luta
42
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Falando da deficiência múltipla e da
surdocegueira
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial do Ministério de Educação, definida em 1994,
a Deficiência Múltipla é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias
(mental/visual/auditiva/física) com comprometimentos que acarretam
Ressalatrasos no desenvolvimento global e na capacidade
adaptativa.
tamos que não se pode considerar a deficiência múltipla como um simples somatório de deficiências. Na verdade, ela precisa ser encarada como
a conjugação entre elas.
estão estreitamente reAs características mais comuns observadas
lacionadas com a prevalência de uma sobre a outra deficiência.
Algumas pessoas podem inferir que é mais complexo trabalhar com
uma pessoa com deficiência múltipla do que com aquela que apresenta
apenas uma única deficiência. Esta inferência, porém, nem sempre é
verdadeira. A avaliação a este respeito deve ser apreciada a partir da
análise de cada caso, em função de quatro fatores: o grau de comprometimento da pessoa; a capacidade desta em apreender e compreender o
mundo que a cerca; o contexto social em que está inserida; o apoio
pedagógico que ela tenha encontrado desde o início de seu desenvolvimento. É importante que você, professor(a), fique atento(a) para a existência de várias possibilidades.
O trabalho pedagógico com as pessoas com deficiência múltipla
se constrói a partir da configuração específica de cada deficiência. Por
isso, você poderá lançar mão das diferentes atividades e sugestões trazidas
aqui e em outras partes deste fascículo.
Neste momento optamos por trazer a especificidade da
surdocegueira. Gostaríamos de salientar, no entanto, que apesar dela
estar sendo tratada junto com a deficiência múltipla, não se caracteriza
como tal. A escolha pela surdocegueira foi feita em função de uma demanda encontrada nas escolas para maior discussão dessa necessidade
educacional especial tão singular.
O que é surdocegueira?
Segundo o MEC, oSURDOCEGO
é o indivíduo com deficiência
visual e auditiva. Apesar da presença e associação das duas deficiências
no mesmo indivíduo, o caso não se configura como o simples somatório
de ambas, mas como uma deficiência única que apresenta características peculiares com graves perdas auditiva e visual, levando quem a possui a ter formas específicas de comunicação para ter acesso a lazer, edu43
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
cação, trabalho e vida social. Não há necessariamente uma perda total
dos dois sentidos.
A surdocegueira apresenta um espectro amplo de possibilidades que permite distinguir diversos tipos, a saber:
cegueira congênita e surdez adquirida;
surdez congênita e cegueira adquirida;
cegueira e surdez congênitas;
cegueira e surdez adquiridas;
baixa visão com surdez congênita;
baixa visão com surdez adquirida.
são muitas. Apresentamos as mais
As causas da surdocegueira
comuns. Doenças contraídas na gravidez, como rubéola, toxoplasmose e
citomegalovírus podem causar surdocegueira na criança. Síndromes como
a de Usher (degeneração da retina
função
em de retinose pigmentar) também
pode ser uma das causas. Nestes casos, a origem é genética, ou seja, a criança
nasce com a síndrome que já aparece na infância ou que vem a se manifestar
um pouco mais tarde. Muitas pessoas nascidas surdas podem ser portadoras
da síndrome de Usher e apresentar perda gradativa da visão na adolescência
ou na idade madura. A retinose pigmentar, que gera perda visual progressiva,
também pode estar associada a outras síndromes, mas a mais conhecida é
a de Usher. Abuso de álcool e drogas por parte da gestante, caxumba,
meningite, acidente vascular cerebral (AVC), sífilis congênita, herpes, aids
e hidrocefalia, entre outros, também podem causar surdocegueira.
As pessoas que apresentam surdocegueira podemclassificadas
ser
O surdocego
de duas diferentes formas: pré-lingüísticas e. pós-lingüísticas
pré-lingüístico é aquele que nasce surdocego ou adquire a surdocegueira
ainda bebê, antes da aquisição de uma língua, apresentando graves perdas visuais e auditivas combinadas. Essas pessoas apresentam dificuldade de compreensão do universo que as cerca, devido à sua falta de percepção da luz e do som. Possuem a tendência ao isolamento. O surdocego
pós-lingüístico é aquele que adquire a surdocegueira após a aquisição
de uma língua (portuguesa ou de sinais).
A surdocegueira adquirida manifesta-se pela perda progressiva da
visão e da audição, ou de um dos dois sentidos quando o outro já está
comprometido, com as seguintes conseqüências: dificuldade de percepção de proximidade das pessoas; não percepção de objetos que caem;
44
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
dificuldade de participação em conversação ou jogos coletivos. A
surdocegueira congênita manifesta-se pela “ausência” na criança do mundo externo, ou seja, falta-lhe percepção de movimentos externos e, por
isso, o seu problema pode ser facilmente confundido com deficiência
mental, devido ao isolamento imposto pela ausência de luz e de som.
A observação de alguns aspectos podem ajudar a identificação
da criança com surdocegueira:
pode apresentar movimentos estereotipados e repetitivos;
não antecipa as atividades;
não demonstra saber as funções dos objetos ou brinquedos,
utilizando-os de maneira inadequada;
pode rir e chorar sem causa aparente;
pode apresentar resistência ao contato físico;
movimenta os dedos e as mãos em frente aos olhos;
não se comunica de maneira convencional;
pode apresentar distúrbio de sono;
não explora o ambiente de maneira adequada;
tropeça muito e bate nos móveis, objetos, etc..;
gosta de ficar em locais com luminosidade;
pode não reagir a sons.
O processo educacional das pessoas surdocegas varia de acordo
com a origem da deficiência (congênita ou adquirida) e está centrada
principalmente nas formas de comunicação possíveis para viabilizar sua
autonomia e inclusão social. São vários os recursos utilizados, entre os
quais: objetos de referência (por associação a fatos cotidianos), desenhos, movimentos corporais, expressão facial, língua de sinais tátil (conversação por sinais através de toque), alfabeto manual tátil (desenho de
cada letra do alfabeto na palma da mão), tadoma (compreensão das palavras pela percepção da vibração da voz através de toque próximo dos
lábios ou das cordas vocais), leitura labial (quando há resíduo visual),
Sistema Braille e guia-intérprete.
Que saber mais?
NASCIMENTO, F. A. A. A.
et COSTA, M. P. R.
Descobrindo a
surdocegueira: educação
e comunicação. São
Carlos: EdUFSCar, 2005.
45
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Sua prática de professor-pesquisador – 7
O professor de uma criança surdocega deve buscar meios alternativos de comunicação, quebrando a barreira do isolamento para
chegar a desenvolver suas potencialidades. A criança geralmente
tem dificuldades de antecipar o que vai ocorrer. Para que isto seja
amenizado, a proposta é montar no início do período da aula, caixas com pistas na ordem dos eventos que irão acontecer.
Exemplificando, pensamos na seguinte seqüência: o primeiro
evento será aula de artes. Então, na primeira caixa poderá ter um
pincel (lembre-se que deve ser algo que seja significativo para a
criança e que seja associado por ela à respectiva atividade). O segundo evento será a aula de música. Então na segunda caixa poderá ter um instrumento musical. O terceiro evento será o lanche.
A caixa poderá conter um garfo. E assim por diante. As caixas devem ser apresentadas à criança antes de cada atividade para que
ela a antecipe e se prepare.
Professor(a), anote em seu caderno sugestões de variações que
podem ser utilizadas para esta atividade.
deverá ser implantado um currículo
Como adaptação curricular
com objetivos educacionais adequados às necessidades específicas dos
alunos com deficiência múltipla ou surdocegueira, ao lado do currículo
padrão ou formal.
destes alunos deve ser contínua e levar em consideraA avaliação
ção aquilo que a criança consegue fazer, principalmente, em termos de
comunicação e relação social.
deve ser acionada, pois trata-se de trabalho
A Rede de Apoio
multidisciplinar onde cada profissional fará contribuições importantes
para a maximização da aprendizagem do aluno.
Quer saber mais?
Existem no Brasil algumas instituições e pessoas empenhadas
em promover a inclusão social de quem possui surdocegueira. Entre
elas encontram-se:
associação Brasileira de Pais e Amigos dos SurdoCegos e
Múltiplos Deficientes Sensoriais (ABRAPASCEM);
associação Brasileira de SurdoCegueira (ABRASC);
46
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
associação para Deficientes da Audio Visão (ADEFAV) – dirigida pela primeira educadora de surdocegos no Brasil,
Ana Maria de Barros Silva;
associação Educacional para Múltipla Deficiência (AHIMSA);
escola Anne Sullivan;
instituto Benjamin Constant;
centro de Treinamento e Reabilitação da Audição (CENTRAU);
grupo Brasil de Apoio ao Surdo-Cego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial.
exigem que você esteja
As estratégias de intervenções pedagógicas
atento a todos os aspectos abordados no início deste fascículo, para
proporcionar ao aluno com deficiência múltipla ou surdocegueira a
otimização de recursos, bem como a postura ética favorável a seu pleno
desenvolvimento.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Assista o filme O milagre de Anne Sullivan
Falando de condutas típicas e autismo
apresenta um espectro amplo e
O conceito de condutas típicas
ao mesmo tempo polêmico, segundo a vertente teórica pela qual você
tenha optado. De qualquer maneira, é importante para você ter claro
que, de modo geral, as questões comportamentais podem afetar tanto
o próprio sujeito como também o ambiente.
Para tomar como base um conceito comum no tocante às políticas públicas efetivadas no Brasil, transcrevemos a seguir o conceito
adotado pelo Ministério da Educação, segundo o qual são relevantes
para o processo educativo:
47
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
“As manifestações comportamentais típicas de portadores de
síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que
ocasionam atrasos no desenvolvimento e prejuízo do relacionamento social em grau que requeira atendimento educacional especializado” (Secretaria Nacional de Educação Especial – MEC – 1994).
Atualmente utilzamos a expressão “condultas típicas” para definir
estes alunos, mas provavelmente muito em breve deixaremos de utilizálo pelas diferentes características dos sujeitos hoje identificados com a
nomeclatura.
O trabalho escolar com alunos(as) nesta situação atípica requer
sempre uma nova construção pedagógica e um novo reposicionamento
psíquico frente ao desafio desta diferença. Das necessidades educacionais
especiais verificadas na escola, podemos dizer que as condutas típicas
são responsáveis pelos maiores estranha-mentos, que desafiam a nossa
incompletude.
Importante!
Abra a cabeça e o
coração e permita que
novos sujeitos freqüentem
a sua sala de aula e saiba
que muitos dos seus
colegas, Brasil afora, já
encararam esse desafio e
têm colhido frutos.
A beleza de acompanhar
um aluno se descobrindo
e aprendendo não tem
preço que pague!
Paradoxalmente, é a partir destes estranhamentos que revisitamos
a nossa extrema capacidade de inventar, compreender, aprender e mediar
conhecimento para atender aos alunos que exigem uma intervenção
pedagógica que, não raro, vai de encontro às grandes certezas que carregamos conosco acerca do que é ensinar na escola.
Todos nós – uma vez ou outra na vida – apresentamos comportamentos que estranham o outro. O importante, no caso das condutas típicas, é ser capaz de distinguir o que é o sintoma ocasional de um comportamento mais duradouro (e não necessariamente permanente) e intenso. Este discernimento nos obriga a promover constantemente ajustes
e adequações metodológicas, instrucionais e atitudinais, sempre que um
aluno revela e manifesta uma conduta típica e assim nos oferece a oportunidade de, por meio de nossa prática docente, desempenhar um lugar
importante no desenvolvimento e organização psíquica do sujeito.
Antes de conhecermos as condutas típicas mais comuns é fundamental alertá-lo(a) que, a este respeito, dispomos de diferentes abordagens teóricas que as conceituam e indicam determinadas intervenções
pedagógicas. Apresentamos uma proposta específica neste Módulo,
mas reconhecemos a diversidade possível, quando se trata de conceituar
e explicar, fenomenologicamente, os sujeitos considerados com condutas típicas.
Considerando a amplitude do espectro da expressão “condultas
típicas” e apesar de questionarmos a inclusão do autismo e do transtor-
48
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
no de déficite de atenção e hiperatividade neste grupo, por se caracterizarem por outras especificidades o apresentaremos aqui junto com a
estruturação psicótica.
Compreendemos que as crianças e adolescentes estão se constituindo psiquicamente, por isso, muitas mudanças podem acontecer. Além
disso, há uma variedade nos quadros de psicose e alguns desses quadros se combinam com síndromes e questões orgânicas. Todas essas
considerações e reflexões devem nos levar a sermos muito cuidadosos
ao adotar determinada intervenção pedagógica com esses sujeitos, assim como a utilização de algumas classificações.
é uma invenção recente e a devemos a
O conceito de psicose
Freud. O termo, no entanto, foi usado pela primeira vez por Von
Feuchtersleben em 1845. Os principais tipos de psicoses são a esquizofrênica e a paranóica. A psicose que provoca maior estranhamento nos
demais é a esquizofrênica. Suas manifestações mais comuns são: fala na
terceira pessoa; fala ecolálica; verborragia em certas temáticas; desorganização nos relatos; tratamento inanimado das pessoas e personificação
de objetos; facilidade para reconhecer letras, números e palavras, mas Quer saber mais?
Cinco critérios para
muita dificuldade em lhes atribuir um valor simbólico; movimentos
diagnóstico do TDA/H:
repetitivos e impulsividade; agressividade quando ameaçado (mesmo
que imaginariamente); pouca tolerância ao contato corporal.
1) Hiperatividade,
Sabemos que o sujeito psicótico desenvolve uma forma singular
de se relacionar com os objetos de conhecimento. Este fato faz com que
a escola seja uma forte aliada para auxiliar esses sujeitos a se constituírem subjetiva e socialmente.
foi utilizado pela primeira vez por Bleuler,
O conceito de autismo
contemporâneo de Freud, para descrever um dos sintomas da esquizofrenia em adultos. Posteriormente (na década de 1940), Leo Kanner
definiu como síndrome o que ele nomeou de “distúrbio autístico do contato afetivo”.
De modo geral, os sujeitos com uma estruturação autística em
seu primeiro ano de vida ficam indiferentes à presença dos adultos:
não voltam a cabeça para mãe quando esta entra no quarto e nem
fazem “festa” quando são pegos no colo. No segundo e no terceiro
ano de vida, tratam os objetos e as pessoas da mesma forma, ou seja,
de forma não-simbólica, parcial e sem nenhuma familiaridade. Com
freqüência, apresentam estereotipias motoras e dificuldade de relacionamento e aprendizagem.
impulsividade e/ou
desatenção.
2) Antes dos 7 anos de
idade.
3) Problemas causado
pelos sintomas acima
em pelo menos 2
contextos diferentes
(por ex., na escola, no
trabalho, na vida social
e em casa.
4) Problemas evidentes
na vida escolar, social
ou familiar por conta
dos sintomas.
5) Existência de outro
problema associado
com os sintomas - (tal
como depressão,
deficiência mental,
psicose, etc.) e se os
sintomas podem ser
atribuídos ao TDA/H.
O conceito de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
– TDA/Hé uma manifestação comportamental e constitui-se na presença
de pelo menos três sintomas que o caracterizam: impulsividade, desa49
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
tenção e hiperatividade, em dois ou mais ambientes, por um período
superior a seis meses. Tais sinais podem estar presentes na vida de
qualquer indivíduo em um momento de stresse/ou mudança de vida.
Porém, nas pessoas com TDA/H, eles se apresentam de forma mais intensa e freqüente e sem razão desencadeadora aparente. Independente
da faixa etária, o indivíduo com TDA/H pode ter comportamentos pouco
convencionais que afetam as suas vidas.
Cabe ressaltar que nada tem a ver com inteligência, pois, geralmente, estas pessoas são tão ou mais inteligentes que os sujeitos de sua
faixa etária e são bastante sensíveis à realidade do outro. As características mais visíveis são: agitação e inquietude extremas, dificuldade em
executar as tarefas iniciadas, desprezo pelo convencional, problemas
para lidar com a rotina e tarefas repetidas, dificuldade de se manter quieta, agressividade, compulsividade, desatenção para os detalhes, interesse em muitas áreas (o que pode acarretar conhecimento superficial) e
dificuldade em se concentrar.
No entanto, apresentam inteligência e sensibilidade aguçadas, diversidade de interesses, criatividade, dinamismo, preocupação com o
outro, habilidade motora surpreendente, pluralidade de papéis e espírito
de liderança de grupos.
deve responder às duas
A estratégia de intervenções pedagógicas
questões: Como oferecer de forma adequada os objetos de
conhecimento a essas crianças? Como agir e realizar uma intervenção
pedagógica adequada? Vejamos alguns pontos importantes que podem
ser facilitadores da sua prática na escola ao trabalhar com alunos com
características autísticas ou psicóticas:
De um modo geral na escola:
• lembre-se que os alunos intervêm na realidade escolar e a
escola precisa auxiliar esses alunos, pois o que está falhando é
exatamente a relação deles com a realidade;
• muitos destes alunos não aceitam as regras da escola e do(a)
professor(a) em sala de aula; saiba que não é a norma escolar
que está em jogo, mas a impossibilidade destes alunos em se
relacionar com a própria lei, que os colocam no mundo dos
falantes. Por isso, insista nas regras, normas e leis da escola!;
• é muito importante que você saiba que os alunos com condutas típicas não, necessariamente, apresentam deficiência men50
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
tal; na realidade, são pessoas com uma singularidade na sua
constituição psíquica; por isso, a intervenção escolar tem características pedagógico-terapêuticas; a adaptação curricular não
pode ser igual;
• a escolha da escola e dos professores é fundamental; uma
escola com muitos problemas e professores estressados, com
certeza, não se configura como o espaço ideal de estudo para
esse tipo de alunos; discuta com seus pares quais são os melhores espaços para eles;
• em alguns casos, a combinação de dois espaços inclusivos é
bem pertinente, tais como a escola especial e a escola comum;
a escola especial e a sala de recursos; ou a escola comum e os
laboratórios de aprendizagem. O tempo em cada um desses espaços será definido pela característica de cada aluno;
• a passagem da escola especial para a escola comum precisa
acontecer no tempo de cada aluno; não há uma obrigatoriedade
em mantê-los o tempo todo na escola comum; o fundamental é
que estejam bem, aprendendo e se socializando.
Na sala de aula:
• é comum que estes alunos tenham um lugar de “curiosos” ou
“pesquisadores vorazes” em alguns temas, o que faz com que
tenham centenas de datas decoradas; ajude-os dando condições para que eles “organizem” de alguma forma, o que trazem
para a sala de aula e dê sentido a isso, fazendo relações com o
que está sendo estudado;
• o aluno com uma estruturação autística ou psicótica tem dificuldade em entender metáforas; tende a entender tudo “no real”;
por isso tenha cuidado com a forma que você utiliza para elaborar as construções das atividades e como você se dirige a ele;
você é importante para o enriquecimento da sua linguagem;
•ofereça um objeto de conhecimento de cada vez; ao trabalhar
com pensamento lógico-matemático, leve em conta que ele tem
condições cognitivas, mas possui limitações, devido à sua posição singular com respeito à linguagem; não condicione a aprendizagem do cálculo mas ofereça as operações e o cálculo num
contexto que ele ajudou a construir;
51
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
• a escrita é uma modalidade da linguagem e, portanto, é constituinte do sujeito. Diferente da maioria das crianças, o nome
próprio não é um bom ponto de partida para a construção da
escrita. Muitas vezes eles não suportam e não entendem o fato
do seu nome começar com a mesma letra de mais dois ou três
colegas (por exemplo: Marcos, Marcelo e Maurício);
•a questão da marca na linguagem é também uma marca na
língua. Proponha um dicionário com a turma toda, no qual se
inventem novos sentidos para as palavras soltas que eles falam;
•integre os saberes especiais que ele traz de forma que o ajudem a se constituir subjetivamente (por exemplo, os casos de
alunos que calculam o calendário de cabeça);
•em caso de desorganização do aluno, tente manter a sua estabilidade e a do ambiente; isso é importante para que ele se sinta
tranqüilo novamente;
• por último, dedique atenção e respeito pelas singularidades
que ele apresenta.
Para alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
você professor tem uma função fundamental como mediador da sua
aprendizagem. Então, observe as orientações a seguir:
•Você, professor(a), vai ter uma função que é a de identificação e
de percepção das características apresentadas pela criança no processo ensino-aprendizagem;
•Tome sempre como base as potencialidades da criança
hiperativa, pois ela é criativa, tem senso de humor, é capaz de se
centrar intensamente em uma área de seu interesse, consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, é dotada de inteligência dentro da média ou acima dela; em contrapartida, sua limitação consiste na falta de persistência e compromisso, não acabando adequadamente muitas iniciativas começadas; é crucial estimulá-la
a concluir algumas tarefas, mostrando-lhe que vale mais terminar
completamente tarefas iniciadas do que abrir desmesuradamente
o leque de iniciativas, sem chegar a concluir nenhuma delas;
•direcione sua atenção principalmente nas suas habilidades e não
tanto nas suas principais limitações, tais como hiperatividade, falta de atenção e impulsividade. É fundamental que o(a) professor(a)
52
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
busque conhecer melhor os pontos fortes do(a) aluno(a) com
TDAH e o(a) ajude a desenvolvê-los; além das qualidades mais
comuns já enumeradas anteriormente, procure descobrir sua forma de pensamento e algumas de suas prováveis características,
tais como inteligência dentro da média ou até mesmo acima dela,
sua sensibilidade, sua atitude de compaixão e solidariedade para
com aqueles e aquelas que sofrem, bem como sua tendência a
ser bem intencionado e cooperativo;
•utilize o potencial destes alunos, levando em conta que eles erram, não porque são incapazes ou incompetentes, mas pela sua
dificuldade em fixar a atenção e pela sua tendência à impulsividade
e hiperatividade;
•o fereça-lhes oportunidade de se concentrarem, com atividades
que não exijam atenção por longo período; cuide para que eles
executem as tarefas do início ao fim;
•leia com eles a prova, se sentir que é necessário; reveja os exercícios e você ficará surpreso(a) por notar que eles sabiam muito daquilo em que ele errou.
Como qualquer outra necessidade educacional, as condutas típicas exigem também o acionamento da Rede de Apoio
com a movimentação e comprometimento de diferentes membros dos seus integrantes. Há algumas singularidades na rede para o acompanhamento
destes alunos:
• é importante que o fluxo de discussão entre todos os professores e membros da Rede de Apoio funcione, abrangendo professor de referência e itinerante, especialistas, sala de recursos ou
do laboratório de aprendizagem, serviços de orientação e supervisão. As reuniões devem acontecer com a freqüência necessária para que as estratégias pedagógicas possam ser discutidas e elaboradas;
• a inserção necessária, em raríssimos casos, de Acompanhamento Terapêutico (AT): o trabalho de AT tem como objetivo atuar
como um facilitador no processo de inserção e inclusão escolar
dos alunos com características autísticas ou psicóticas mais acentuadas. Pela experiência, temos visto que os sujeitos com uma
estruturação autística ou psicótica se beneficiam muito dessa modalidade, assim como o acompanhamento terapêutico auxilia a
prática do(a) professor(a).
53
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Em termos de avaliação todos estes alunos necessitam de um
acompanhamento longitudinal mais cuidadoso do que o dispensado
aos demais alunos que não apresentam necessidades educacionais
especiais. Você precisa acompanhar o processo do seu aluno e entender que as questões de linguagem são particularmente importantes. Considere sua relação com os objetos e com os colegas. Tente
formular perguntas norteadoras que garantam a construção de novos
instrumentos de intervenção! Em que momentos ele fica mais agitado
e desorganizado? Que atitudes causam nele um efeito organizador?
Como aproveitar em sala de aula o que ele traz e fala? Consigo trabalhar com a turma a sua diferença? Ele é objeto de riso ou desconforto?
Como tenho resolvido essas questões? O que ele, de fato, aprendeu e
como aprendeu?
Se pensarmos que o mais importante é garantir que o(a) aluno(a)
se sinta incluído(a) na aula, no espaço social da escola e, especialmente, no discurso escolar, então estaremos oportunizando um belo laço
com o social.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Filmes que abordam o tema “condutas típicas“
• Refrigerator Mothers
• Rain Man
• O menino maluquinho
Falando da superdotação/altas habilidades
A definição de Superdotação/Altas Habilidades é dada pelo R
que considera superdotados aqueles que apretório de Marland (1972),
sentam “notável desempenho e/ ou elevada potencialidade em algum
dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual
geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo,
capacidade de liderança, talentos especiais para artes e ou capacidade
psicomotora”. Esta é a definição utilizada pela Secretaria de Educação
Especial do MEC(SEESP/MEC -1994).
Alertamos a você, professor(a), que o termo”superdotado” utilizado
para definir esse grupo de alunos não significa que a criança seja “SUPER”
em tudo; indica apenas que ela apresenta algumas características específi54
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
cas no seu funcionamento que requerem uma atenção maior no sentido
de favorecer o atendimento adequado das suas necessidades educacionais especiais. Vale esclarecer também que, com a evolução dos estudos
nesta área, temos observado que o termo “Altas Habilidades” tem sido
utilizado também para definir este grupo de alunos no sentido de melhor
expressar a realidade de suas potencialidades específicas.
Curiosidade!!!
Segundo CAVALCANTE (2006), a pessoa pode ser considerada
precoce, prodígio ou genial, de acordo com o surgimento e a freqüência em que suas habilidades especiais se apresentam. Considera-se uma pessoa precoce quando ela apresenta alguma habilidade prematuramente desenvolvida em qualquer área do conhecimento, seja na música, seja na matemática, etc. A criança prodígio,
além de precoce, apresenta alguma habilidade extremamente
rara
e única (exemplo: Amadeus Mozart). Os gênios, no entanto, deixam contribuições extraordinárias à humanidade e até mesmo entre os extraordinários, eles se destacam, deixando suas marcas na
história.
Quer saber mais?
Leia Cavalcante, M.
“Superdotados – como
identidificar e atender
alunos tão especiais” Em
– Jan/
Revista Nova Escola
Fev.de 2006, Editora
ABRIL, 2006.
A Superdotação, porém, é um termo mais amplo, que enquadra todos os aspectos anteriormente citados. Joseph Renzulli (2005) propõe o
atendimento à pessoa superdotada levando em consideração
o
Modelo
, conforme representa a figura a seguir. De acordo com este
dos Três Anéis
modelo, os comportamentos de superdotação resultam de três características básicas: (1) habilidade acima da média em alguma área do conhecimento, (2) envolvimento com a tarefa, e (3) concentração e criatividade.
Representação do modelo dos Três Aneis de Joseph Renzulli (2005)
55
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Segundo o mesmo autor, essas características nem sempre estão
presentes com a mesma intensidade nas pessoas identificadas como
superdotadas, mas elas se integram e precisam ser aproveitadas em todos os alunos.
As características mais comuns das crianças identificadas c
, de acordo com Cavalcante (2006),
superdotadas/altas habilidades
são as que seguem:
No domínio da inteligência:
1 – Vivacidade mental e pensamento linear
• produção superior em linguagem, comunicação e expressão;
•interesse e sucesso em atividades extracurriculares;
•boa linguagem e vocabulário rico (são falantes e perguntadoras);
• curiosidade e interesses variados;
• Presença e participação em todas as atividades, dentro e
fora da sala;
• vivacidade (são ativas, perspicazes e observadoras);
• senso de humor (são levadas, engraçadas e arteiras).
2 – Profundidade e pensamento não-linear abstrato
•produção superior em Matemática e Ciências;
•boa memória;
•amplo acervo de conhecimentos e informações sobre
muitos assuntos;
•persistência e compromisso;
•independência, autonomia e iniciativa;
•segurança e confiança em si;
•pensamento analítico (são capazes de pensar e de tirar
conclusões).
No domínio da criatividade e do pensamento criador:
•produção superior nas artes;
56
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
•distração e desinteresse pelas aulas (mas não por atraso);
•senso crítico (sobre si e os demais);
•originalidade e fluência na produção de respostas.
No domínio da capacidade sócio-afetiva:
•presença constante e ativa dentro e fora da sala de aula e
participação em atividades extracurriculares;
•sensibilidade e bondade;
•preocupação com o bem-estar alheio;
•simpatia, amizade, boas relações;
•liderança, persuasão, capacidade de passar energia e
motivação ao grupo.
No domínio das habilidades sensório-motoras:
•desempenho superior em esportes, exercícios, dança e
outras atividades de expressão rítmica;
•habilidades manuais e motoras;
•sentidos muito apurados (acuidade visual e sensibilidade
auditiva, tátil, olfativa e gustativa).
Outros aspectos também podem ser considerados como indicadores de superdotação /altas habilidades, a saber:
•desenvolvimento físico precoce, podendo aprender a andar
mais cedo que a grande maioria;
•aquisição precoce da linguagem, podendo falar com fluência
antes da idade esperada;
•aprendizagem mais rápida, necessitando pouca instrução;
•curiosidade intelectual e desenvolvimento do gosto de
brincar com os seus conhecimentos;
•grande concentração e persistência, sendo capaz de
perseguir seus objetivos de forma quase obsessiva;
•super-reatividade (aos ruídos, dor, frustração).
57
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Muitas vezes a criança superdotada é confundida como hiperativa,
devido ao seu alto nível de energia.
Quando em fase escolar, a criança pode:
•aprender a ler antes do tempo;
•desenvolver fascínio por números e relações numéricas;
•ter boa memória para informação verbal e/ou matemática;
•ter destaque em raciocínio lógico e abstrato;
•ter tendência freqüente a brincar sozinha e apreciar a solidão;
•preferir amigos mais velhos que se enquadram melhor com a
sua idade mental;
•apresentar interesse por problemas filosóficos, morais,
políticose sociais.
O(a) aluno(a) pode apresentar indícios de superdotação em qualquer momento de sua vida e, por isso mesmo, deve ser estimulado(a) em
todas as áreas, para que sua superdotação seja identificada, aprimorada
e desenvolvida plenamente. É de suma importância, porém, que a avaliação diagnóstica seja realizada por uma equipe multiprofissional para
uma identificação adequada da superdotação/altas habilidades e a correspondente definição da oferta dos apoios necessários, para que o potencial detectado seja adequadamente desenvolvido.
Quer saber mais?
Consulte REIS, S.M. e
RENZULLI, J.S. (1986).A
case for the broadened
.
conception of giftedness
Um estudo para
aplicação da concepção
de superdotação.
Mansfield, CT: Creative
Learning Press.
Cada superdotado tem suas próprias áreas de interesse, que podem necessitar de diferentes apoios. É imperativo reconhecer esta
heterogeneidade. Por isso uma pessoa pode ter destaque em apenas uma
área ou na combinação de uma ou mais áreas .
Fica ainda a questão: com base nestas características
como identificar e diagnosticar a criança com Superdotação/Altas Habilida
Se considerarmos a superdotação apenas sob o critério de habilidade intelectual, com testes específicos para constatação de um Quociente
de Inteligência (QI) acima da média, saberemos que as estatísticas apontam que de 1 até 5% da população pode ser superdotada. Porém, se
considerarmos as outras áreas de altas habilidades e superdotação, que
não são reconhecidas por meio destes testes específicos, veremos que este
número cresce de 5% para 15-30% da população (Reis e Renzulli, 1986).
Existem alguns instrumentos para avaliar o desenvolvimento intelectual da pessoa. Porém, estes testes pouco informam sobre criatividade,
58
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
liderança, habilidades psicomotoras ou artísticas e, por isso, são ineficazes quando se trata de avaliar o talento para outras áreas do conhecimento; este diagnóstico ainda hoje merece estudos para seu aprimoramento, apontando para a necessidade de técnicas mais apuradas de identificação e instrumentos mais amplos e precisos.
Na situação de diagnóstico, o(a) aluno(a) passa por um processo de observação pelo(a) professor(a) em sala de aula. Esta observação dura em torno de 3 a 4 meses, quando será registrado todo o seu
desempenho e funcionamento em classe, a fim de obter dados concretos sobre seu potencial. Em seguida, o aluno será encaminhado
para a equipe multiprofissional, quando será avaliado por meio de
testes psicométricos. Esta segunda avaliação permite verificar dentro
de que medida o(a) aluno(a) atinge o equilíbrio dos três anéis propostos por Renzulli (acima citado), de acordo com as três características
básicas representadas pelos três anéis: habilidade acima da média
em alguma área do conhecimento; envolvimento com a tarefa; concentração e criatividade.
Com o diagnóstico apropriado é vital que o apoio seja oferecido
mediante de bons programas para o desenvolvimento e estimulação do
potencial de cada criança. É preciso ressaltar também o estabelecimento
de Políticas Públicas para melhor aproveitamento de talentos e competências. Estas políticas devem estar fundamentadas em uma visão
multidimensional da superdotação e assim levar em conta as diversas
formas que esta pode tomar.
recomendadas,
seAs estratégias de intervenções pedagógicas
–
gundo Cavalcante (2006:564), para esses alunos – devem inserir-se no
contexto natural das atividades desenvolvidas na sala de aula, mas também devem levar em consideração a área de interesse e habilidades
identificadas, contemplando métodos e processos de ensino-aprendizagem diversificados que permitam:
•incentivar o aluno que termina rapidamente ou já domina o
conteúdo a fazer atividades paralelas referentes ao assunto ou
sobre outros temas de seu interesse;
•sugerir que, se for de sua vontade, ajude os colegas com dificuldade, valorizando o conhecimento que ele já domina;
•observar os talentos e os interesses de cada um e trazer para a
sala de aula reportagens, textos, livros e materiais para que se
aprofundem no tema;
•convidar profissionais de diversas áreas para dar palestras, a fim
de despertar interesses ainda desconhecidos;
59
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
•verbalizar o que o(a) aluno(a) sabe fazer bem, pois ele(ela) pode
não ter se dado conta do próprio talento;
•propor atividades desafiadoras e que exijam reflexões, criação
e elaboração de soluções diferentes;
•ter na sala um canto com calculadora, relógios velhos e outros
objetos que possam ser desmontados, além de joguinhos (atividades em que os alunos não precisam escrever ou falar);
•deixar à disposição da turma diversos materiais de artes.
• combinar com professores de outras séries para que recebam os
mais adiantados em suas aulas após eles concluírem as tarefas
ou durante as supervisões.
Quer saber mais?
Leia Pérez,I.P. (2003).
Educación Especial:
.
Técnicas de intervención
Madrid: MacGrawHill.
Recomenda-se, porém, estratégias específicas que sugerem três
alternativas para a abordagem educacional destes alunos (PÉREZ,2003):
• Aceleração
– consiste em estabelecer condições e procediprocedimentos para flexibilizar, em caráter excepcional, a duração do período de escolarização obrigatória, possibilitando o
adiantamento do aluno;
• Agrupamento especial
esta–alternativa consiste em reunir os
alunos em aulas específicas – “Salas de Recursos”
– onde eles
podem receber estimulação da criatividade ou desenvolvimento
de projetos com orientação dos professores voltados para as áreas
relacionadas com os seus interesses;
• Enriquecimento
– consiste em promover ajustes curriculares específicos que possibilitem o desenvolvimento das capacidades
e o ajustamento social dos alunos.
É importante registrar que estas estratégias devem acontecer tanto
na sala de aula, como nas salas de recursos, que o(a) aluno(a) deve freqüentar em horário inverso ao horário em sala de aula.
A avaliação de aprendizagem do(o) aluno(a) identificado com
deve seguir a sistemática normalmente
superdotado/altas habilidades
utilizada para os demais alunos. Ressalta-se apenas a necessidade de
oferecer varias oportunidades e alternativas que possam favorecer a
expressão dos conhecimentos apreendidos e demais habilidades.
Diferentemente do que muitos acreditam,a criança superdotada
parade
desenvolou talentosa precisa do acionamento da Rede
Apoio
ver plenamente as suas potencialidades. Algumas crianças superdotadas
podem, inclusive, apresentar resultados medíocres caso não se perceba
60
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
que, na realidade, elas podem estar desmotivadas, desatentas,
desestimuladas com o que as cerca e excluídas do seu meio social. A
criança inadaptada pode até mesmo começar a forjar as notas que quer
tirar para conseguir sua melhor adequação ao ambiente.
tem uma função fundamental que é a de conhecer, comA família
preender, dar apoio e responder às necessidades do(a) filho(a) superdotado(a) e estar em sintonia com a escola e com o ambiente educacional.
Lembre-se que o seu papel com a família é de tranqüilizá-la e esclarecer
que crianças com superdotação / altas habilidades também recebem ajuda da Rede de Apoio
, e que pode contar com o suporte de todos os
profissionais que integram esta Rede.
Com efeito, o ideal é que se tenha
uma equipe multiprofissional composta pelo professor da sala de aula,
professores itinerantes, psicólogos, professores de educação física e outros. Esta equipe deve estar envolvida com o(a) aluno(a) desde o processo de identificação até o desenvolvimento das suas habilidades em Salas
de Recursos com ambiente pedagógico estimulador e enriquecedor
.
ATIVIDADE: MOMENTO PIPOCA
Filmes que abordam o tema
“superdotação/altas habilidades“
• Mentes que brilham
• Amadeus Mozart
• Um gênio indomável
E ao final...
Sabemos que a temática da inclusão, enfocando o trabalho com a
diferença na sala de aula, não se esgota com as discussões de que tratamos aqui. Buscamos, porém, contemplar neste fascículo as questões relevantes, sobretudo as que consideramos fundamentais para a educação calcada nos princípios da educação para todos. O atendimento às
necessidades específicas de cada aluno funciona como diferencial na
sua inclusão na sociedade.
Segundo o MEC/INEP (2006) temos na atualidade 640.317 alunos
na educação especial. Destes, 378.074 estão exclusivamente nas escolas
especiais ou nas classes especiais; 262.243 estão em escolas regulares
com ou sem apoio pedagógico especializado. Este dado é significativo e
61
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
indica a necessidade da preparação conjunta da escola para atender a
essa realidade. Em conseqüência, assistimos, também, a uma mudança
profunda na concepção de Educação Especial. Fala-se em alunos com
necessidades educacionais especiais e temos a convicção de que o sistema educativo precisa dispor dos meios necessários para dar respostas às
necessidades educacionais destes alunos, quaisquer que sejam elas. Mais
do que isso, necessitamos da implementação de uma ética inclusiva que
ratifique o direito de igualdade de oportunidades ao bem maior que é o
direito a uma educação de qualidade, comprometida com a justiça social.
O nosso objetivo, professor(a), é contribuir para que cada uma entenda que estar aberto para conhecer cada aluno(a) que encontramos
em nossas salas é mais importante do que ter conhecimentos isolados
sobre as deficiências e suas dificuldades.
Para sermos bons professores não precisamos conhecer uma lista
infindável de necessidades educacionais existentes. Mas, é fundamental
que tenhamos consciência de que o nosso trabalho educativo passa,
necessariamente, por conhecer e perceber o(a) aluno(a) como sujeito e
descobrir com ele(a) suas potencialidades. Conhecendo e amando esse
sujeito, teremos possibilidade de mediar com eficiência o processo ensino – aprendizagem e assim favorecer o seu pleno desenvolvimento.
62
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Sinopses dos filmes indicados
Meu pé esquerdo
Christy Brown (Daniel Day-Lewis), o filho de uma humilde família irlandesa, nasce com uma paralisia cerebral que lhe tira todos os movimentos do
corpo, com a exceção do pé esquerdo. Com apenas este movimento,
Christy consegue, no decorrer de sua vida, se tornar escritor e pintor.
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/meu-pe-esquerdo/meupe-esquerdo.htm#Sinopse
Janela da alma
Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia
discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e
como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o
músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego
franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta
Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações
pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a
personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado
de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade, se é que ela é a mesma para todos.
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/janela-da-alma/janelada-alma.htm
O meu nome é Rádio
É a história de um pacato rapaz negro, identificado como deficiente,
mental que anda no seu bairro catando objetos, colocando-os em um
carrinho de compras. Seu nome é Rádio pelo interesse que ele manifesta
por este objeto e pelo seu pronunciado gosto por música. Sua vida toma
um outro rumo quando o treinador do time de futebol americano da
escola local se vê envolvido com ele. É um filme agradável que discute
sobre expectativas, oportunidades e compromisso.
O milagre de Anne Sullivan
É a história de uma menina, Helen Keller, surda e cega, vítima de um
desajuste social, por causa da inabilidade das pessoas que a rodeiam, de
se comunicar com ela. A sua família contrata uma professora para darlhe apoio nesta comunicação. É um filme forte, envolvente, que mostra a
importância de conhecer a pessoa para contribuir mais eficazmente na
sua educação.
Rain Man
Conta a relação de dois irmãos que se conhecem só na idade adulta. Um
deles é autista, o que faz com que suas descobertas sejam mais singulares.
Mentes que brilham
O filme trata da vida de um menino com altas habilidades e sua trajetória na
escola, na família e nos grupos de enriquecimento. O filme é sensível e descreve com detalhes as questões psíquicas, sociais e seus laços de amizades.
63
Inclusão: Trabalhando com as Diferenças na Sala de Aula – Amaralina Miranda de Souza et al.
Educação Inclusiva
Sites Nacionais e Internacionais
http://www.conbrasd.com.br
http://www.mec.gov.br/seesp/
http://www.gifted.uconn.edu/ - Neag Center for Gifted Education and
Talent Development
http://www.gifteddevelopment.com/Articles/
http://www3.bc.sympatico.ca/giftedcanada/develop.html
http://www.rmplc.co.uk/orgs/nagc/index.html
http://www.once.es
http://www.feaps.org.es
Leituras e autores recomendados
ALENCAR, E. S. Criatividade e educação de super-dotados
.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
FIERRO, A. Os alunos com deficiência mental. IN: Coll, César
(2004) Desenvolvimento psicológico e educação
. Porto Alegre: Ara
tes Médicas, 2 ed. 3v.
Reilly, L. Escola inclusiva
: linguagem e mediação. Campinas, SP:
Papirus, 2004.
RIBEIRO, J. MONTEIRO, Kátia (org).
Autismo e psicose na criança. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2004.
PÉREZ, I. P.
. Educação Especial. Madrid:
Técnicas de Intervención
Mc Graw-Hill, 2003.
64
Download

Inclusão: Trabalhando com as diferenças na sala de aula.