O SER E FAZER DOCENTE: O ENGATE ENTRE A FORMAÇÃO CONTÍNUA DO PROFESSOR E SUA ATUAÇÃO NA SALA DE AULA TOZATO*, Mariana de Oliveira – PUCPR [email protected] Resumo Observa-se que a atuação do professor universitário não se limita apenas a lecionar em sala de aula, mas ir além dela. Hoje observam-se no desenvolvimento do seu trabalho as multi – funções: pesquisador, palestrante e escritor. O professor está em aperfeiçoamento constante à busca de práticas inovadoras que transformem a realidade. Ser docente é investir na carreira, na formação continuada, que direcione ao encontro do saber inovador imbricado pelo Paradigma Emergente. Embora, o Fazer docente, enquanto atuante na sala de aula nem sempre vem ao encontro da inovação. Diante de tal fato, a presente pesquisa analisa se os novos conhecimentos adquiridos em cursos e pesquisas não se limitam em discursos, mas em intervenções na prática da sala de aula. O estudo na literatura referente a formação continuada, a docência universitária e questionários aplicados na pesquisa de campo permitiram analisar o engate entre o Ser e o Fazer docência e as competências profissionais para uma formação contínua articulada com a prática. Palavras–chave: Docente Universitário, Lecionar, Formação Continuada. A globalização e a revolução tecnológica exigem qualificação do professor no mundo contemporâneo. Para sobreviver no campo minado do mercado de trabalho o docente constantemente necessita atender as exigências de uma sociedade do conhecimento, no investimento em formação continuada. Percebe-se que a atuação do professor não se limita apenas a lecionar em sala de aula, mas ir além dela. Hoje se observam no desenvolvimento do seu trabalho as multi–funções: pesquisador, palestrante e escritor. * Especialista em Formação Pedagógica do Professor Universitário pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. 2222 Entendo que a profissão docente é atividade da educação, discute os significados desta na sociedade da informação e do conhecimento e o papel dos professores universitários. O exercício profissional e seus resultados se configuram de modos diversos, conforme as instituições de trabalho e as condições de emprego (PIMENTA et al, 2002, p.26). A construção da identidade do docente universitário e seu espaço de trabalho contemplam o âmbito intra e extra-sala de aula, caracterizado pelos constantes compromissos para a sua própria formação e, respectivamente para a formação dos graduados. Diante de tal fato, Ser docente enquanto investimento na carreira, na formação continuada, vem ao encontro do saber inovador imbricado pelo Paradigma Emergente. Embora, o Fazer docente, enquanto atuante na sala de aula nem sempre vem ao encontro da inovação. A partir da contextualização surge a tematização: O Ser e Fazer Docente: O engate entre a formação contínua do professor e sua atuação na sala de aula. A jornada de trabalho na sala aliada à busca de aperfeiçoamento torna instável o exercício do professor, no sentido de rever seu papel, como uma profissão inacabada. É um movimento contínuo com a difícil tarefa de acompanhar a dinâmica em que se desenvolve o processo educativo. Quando o docente chega à sala de aula e não percorre o caminho transformador, o regresso é constituído pela reprodução do saber. A relevância da temática levou a propor a investigação do problema: as diversas atuações do professor universitário influenciam no desenvolvimento do seu trabalho em sala de aula? Ser docente vem ao encontro do Fazer docência? Isto é, os professores universitários são pesquisadores, buscam a inovação e formação continuada. Será que ao atuar em sala de aula a prática pedagógica está sendo inovadora? Constata-se um avanço no discurso, mas a prática contínua apresentando-se incoerente com este discurso. É inegável, que alguns docentes procuram novos referenciais para trabalhar em seu espaço acadêmico, mas confrontam-se com medidas legais averiguadas ao passado[...]prescrições pedagógicas ligadas à reprodução do conhecimento (BEHRENS, 1996, p. 32). Tendo como referência o argumento de Behrens torna-se fundamental realizar a presente investigação para averiguar se o discurso inovador do docente está coerente com a prática da sala de aula. É intrínseco discutir na pesquisa o processo de reflexão e de intervenção, uma vez que eles são os objetos conscientes do trabalho pedagógico do professor. 2223 A prática pedagógica do professor não é neutra, sua ação deve ser intencionalmente definida e comprometida, porque tem o propósito de questionar o Ser e o Fazer docência. O professor não pode realizar o seu trabalho sem que, antes explicite as suas concepções teóricas, nas quais esteja presente a sua opção por uma teoria de conhecimento que oriente uma prática. Analisando que a relação entre teoria e prática contribui para a competência no exercício docente, Vasconcelos (2000, p. 27) afirma que, dessa forma, "o professor trará para dentro da universidade dados efetivos de um mundo verdadeiro [...] coerente com a vida real”. De acordo com Vasconcelos (2000), é da competência pedagógica que surge, naturalmente, o comprometimento com as questões do Ensino e da Educação: seus objetivos, seus meios, seus fins, seu raio de influência, seu envolvimento com a sociedade, seu compromisso com os alunos. A pesquisa foi identificou se as diversas atuações, ou seja, a formação contínua do professor universitário influencia no desenvolvimento do seu trabalho em sala de aula. E considerando os objetivos: compreender a formação continuada do professor universitário fazendo uma revisão nas publicações sobre o tema, analisar a atuação do professor relacionando o estudo teórico com a pesquisa de campo e verificar se o discurso inovador do docente está coerente com a prática de sala de aula. Para a realização da pesquisa pretendeu-se averiguar se está presente o equilíbrio entre a busca do aperfeiçoamento profissional do professor e, se tal aperfeiçoamento resulta uma atuação inovadora na sala de aula, a partir dos estudos teóricos e pesquisa de campo. Ser docente: uma formação contínua Com a contradição ao paradigma tradicional, surgiu uma nova tendência pedagógica que é centrada na qualidade da aprendizagem do aluno, onde é preciso investir na formação continuada do docente. Tal tendência, conhecida como Inovadora revela o novo perfil de professor, em que se exige formação inicial e continuada para que este possa exercer sua ação com qualidade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96, reconhece a importância fundamental dos professores no processo de ensino - aprendizagem e dedica especial atenção à formação de professores. Segundo o artigo 63, “Os institutos superiores de educação manterão: III – Programas de educação continuada para os profissionais da educação em diversos níveis”. 2224 Pode-se dizer que há uma gama de oportunidades para que o professor busque saberes, pois a formação continuada comporta diferentes tipos de demanda, as diferentes formas pelas quais podem ser conduzidas as diferentes modalidades seja presencial, semi–presencial, a distância, individual ou realizada em grupo. O desenvolvimento profissional dos professores, não busca apenas assegurar e tornar disponível aos profissionais um amplo conjunto de estratégias e recursos de formação e ampliação de sua vida profissional, mas também adotar estratégias que permitam que os próprios profissionais sintam-se responsáveis pelo gerenciamento de sua própria formação continuada e de seu desenvolvimento profissional na perspectiva da construção de sua autonomia. De acordo com Grillo (1993), face ao sentido de totalidade do ensino de qualidade, que envolve o saber, o fazer, mas como ponto relevante o Ser, que a prescrição mais importante está dentro do próprio professor, como uma decisão pessoal e aponta a autoavaliação sobre a sua docência, as decisões que toma e as reorientações que considera necessária para seu aperfeiçoamento. A essência na formação continuada é a construção coletiva do saber e a discussão crítica reflexiva do saber fazer...os docentes precisam estar com vontade de mudar, sensibilizados pela necessidade de transformar a ação docente, em busca de um ensino de melhor qualidade. Ousa – se dizer que o docente precisa ser seduzido e seduzir-se para buscar a renovação de sua prática pedagógica (BEHRENS, 1996, p. 135) Em relação a precisão da renovação do saber-fazer educativo, tanto no que se refere à atualização em relação aos conhecimentos específicos das disciplinas pelas quais o docente é responsável, é também por uma razão premente à constituição do fazer pedagógico pelo domínio da práxis considerada inacabada. A essência da formação continuada está centrada na construção e na afirmação da identidade profissional do professor, fornecendo condições que atenda não somente às suas necessidades mais também, as necessidades da universidade e dos seus alunos. Fazer docência: a atuação do professor universitário A atuação do professor em sala de aula, numa perspectiva reflexiva, é uma tendência que vem obtendo um grande interesse por parte dos educadores e investigadores da educação. A construção de uma prática com base na reflexão sobre e na ação docente tem interessado 2225 professores dos diferentes níveis de ensino, especialmente do ensino superior, apontando, segundo Behrens (1998), para o "saber por que fazer". Dessa forma, as práticas voltadas à formação dos professores devem permitir que eles possam refletir e produzir tanto os seus saberes como os seus valores, num processo participativo de reflexão coletiva. De acordo com Porto (2000) a prática pedagógica é concebida como: “Processo ligado com o mundo sócio - político e com o cotidiano da educação e, por isso, constantemente confrontada com as condições de mudança e reinvenção da prática do professor” (PORTO, 2000, p.33). Para a atuação pedagógica no exercício docente, Masetto (1998, p.20) afirma que a "docência no nível superior exige do professor domínio na área pedagógica" e que esse domínio é o aspecto mais carente. Para o autor, o professor precisaria, no mínimo, inteirar-se dos quatro grandes eixos do processo ensino-aprendizagem: o próprio conceito desse processo, o docente como gestor do currículo, a compreensão da relação professor-aluno e aluno-aluno e ainda, a teoria e a prática da tecnologia educacional. Considerando os quatro eixos indicados por Masetto (1998), percebe – se que o professor de pedagogia necessita ter o conhecimento do todo, pois a totalidade expressa a conexão entre diversos saberes e permite a formação de um graduado desfragmentado de conhecimento. O paradigma emergente e a busca do saber inovador A formação contínua é um caminho que oportuniza o acesso ao saber, mas não parte deste e sim como um sistema integrado baseado na totalidade, pois o trabalho docente constitui os componentes: currículo, aprendizagem, relação professor – aluno e professor – professor. Nesse sentido, o conhecimento desfragmentado dissocia a inovação ao lecionar, resulta na profundidade de um único conhecimento permitindo a incapacidade de articulá – los com outros conhecimentos. A busca do aperfeiçoamento no trabalho da docência universitária implica na reforma de pensamento, de uma tendência que traz propostas inovadoras a ação pedagógica. O Paradigma Emergente é um modelo “no qual conexões de diferentes tipos se alternam, se sobrepõem ou se combinam e, por meio disso, determinam a textura do todo” (CAPRA, 1996, p. 42). 2226 A abordagem inovadora trata o conhecimento como uma “teia“ onde o professor faz a formação continuada para atingir melhores resultados ao lecionar, pois o acadêmico deve ser visto como um todo, constituído de inteligências múltiplas e de diferentes potencialidades. A ação docente é “inacabada”, sempre o professor está em busca do conhecimento visando a transformação na reflexão e prática pedagógica. Ao fazer a formação continuada o docente é um sujeito investigador, crítico e capaz de compor e transformar argumentos por meio da práxis ações eficazes. O Paradigma Emergente associa a prática com a teoria , o ensino – aprendizagem integrada a pesquisa que desenvolvem a transformação na ação docente, pois são agentes de conscientização. Uma ação pedagógica estruturada no Paradigma Emergente contribui para a produção do conhecimento. O apoio a pesquisa, ao acesso de informações com o auxílio das tecnologias educacionais e a (re) construção de saberes permitem maior envolvimento do professor no processo educacional. Um trabalho pedagógico capaz de não limitar - se a teoria, mas ir além dela faz com que o professor tenha a capacidade de “organizar atividades diferenciadas, de eventos que demandem criação, projetos desafiadores, que provoquem enfrentamento, diálogo com os autores e construção própria” (BEHRENS, 2000, p. 121). A formação continuada propicia o desenvolvimento de uma postura crítico – construtiva com relação ao conhecimento e, que somente desta forma o docente poderá criar condições de desejáveis do próprio fazer pedagógico. No entanto, posicionar – se de uma forma diferente, com a transferência do saber inovador adquirido na formação continuada à prática de sala de aula é um processo dialético que somente acontecerá a partir da conscientização e metacognição do professor. Metacognição no fazer docência Não basta buscar novos conhecimentos sem praticá–los. Existe a possibilidade dos professores aprenderem por meio da Formação Continuada estratégias inovadoras para aplicar em sala, porém o “medo” do novo e as resistências impedem transformar o fazer docência. Nesse sentido, a metacognição é uma característica fundamental ao trabalho do professor universitário, porque “correspondem processos mentais complexos que permitem ao sujeito conhecer a forma como aprende, desenvolve o pensamento e constrói o conhecimento” (FLAVELL, 1987, p.62). 2227 Pensar sobre o próprio desempenho ajuda ao docente refletir sobre os seus erros, impulsionar a busca do aperfeiçoamento e o essencial: tomar consciência de que os novos conhecimentos adquiridos na formação continuada venha ao encontro da intervenção em sala de aula. “Sendo assim, fica claro que uma nova competência pedagógica nasce da reflexão sobre a própria prática, no movimento dialético ação – reflexão – ação. Procura – se, pois anular a dicotomia teoria – prática evitando a ação fragmentada” (ALONSO, 1999, p. 55). O docente metacognitivo questiona sobre o seu saber, seu fazer e a junção destes dois aspectos para a construção de uma práxis reflexiva, criativa e crítica. Portanto cabe ao professor refletir e intervir, pois é o agente consciente de sua prática pedagógica para minimizar as dificuldades do seu meio de trabalho. Práxis: o engate entre o ser e o fazer docência A formação docente constitui-se um processo dinâmico e com possibilidade de aperfeiçoamento crescente, podendo-se entendê-lo como um processo contínuo. Formação continuada ou formação contínua, ou formação em serviço, em sentido mais estrito, todas as formas deliberadas e organizadas de aperfeiçoamento profissional do docente, seja através de palestras, seminários, cursos, oficinas ou outras propostas (SANTOS, 1998, p.124). Assim sendo, a formação contínua consiste em propostas que visem a qualificação, a capacitação, do docente para uma melhoria de sua prática, por meio do domínio de conhecimentos e métodos do campo de trabalho em que atua. Os conteúdos a serem desenvolvidos através da educação contínua podem ter como objetivos superar problemas ou lacunas na prática docente ou atualizar o professor, por meio de conhecimentos decorrentes de novos saberes das diferentes áreas de conhecimento. De acordo com Porto (2000), a formação continuada de professores e suas práticas pedagógicas não podem ser dissociadas, pois a formação se dá enquanto acontece a prática. Numa perspectiva dialética não há formação prática definitiva, mas antes um processo de criação constante, refletido, reorientado e avaliado, já que a dialética é essencialmente inquisidora. 2228 Em uma perspectiva inovadora, o espaço escolar é considerado, por Porto (2000, p.26), "como espaço estimulador da investigação, da criticidade, da criatividade, condições ou características essenciais da formação / prática pedagógica inovadora". Os ambientes de formação, construídos a partir das perspectivas dialógica, reflexiva e inovadora, além de contribuir para o desenvolvimento da autonomia, propiciam uma maior compreensão da indissolubilidade entre a formação continuada e a prática pedagógica. A formação permanente não se dá de forma linear, visto ser um processo complexo e dialético, o que possibilita tanto o aparecimento de formas de dominação quanto de resistência. Segundo Perrenoud (1997, p.149) ser professor universitário requer “uma sólida formação teórica” que somente terá fundamento se for articulada com a prática profissional, que de sentido a atuação em sala de aula. Portanto, não adianta buscar o saber inovador sem garantir uma conexão com prática na atuação em sala de aula, uma harmonia entre a teoria e a prática. Isso implica a necessidade de se buscar uma ressignificação tanto para a formação continuada de professores, como também para o conceito de prática pedagógica. As competências profissionais para uma formação contínua articulada com a prática. Observa-se em meios educativos e não - educativos o discurso sobre competências. Parece que este termo tornou em modismo e, por isso não deve ser tratado no senso comum. Afinal, o que é competência? Entende-se por competência o conjunto de conhecimentos, posturas e / ou ações que se pretende formar em alguém. De forma genérica, a cultura, as organizações e até a individualidade influenciam na construção das competências profissionais seja para favorecer o desenvolvimento delas ou reforçar as resistências. No meio educativo, a formação de competências variam de acordo com os paradigmas adotados pelo docente, seja pelo modelo tradicional ou inovador. “[...] competências são de ordem cognitiva, afetiva, conativa e prática. São também duplas: de ordem técnica e didática na preparação de conteúdos e de ordem relacional, pedagógica e social, na adaptação às interações em sala de aula” (PERRENOUD, 2001, p. 28). No ensino o professor universitário realiza a mediação entre o ambiente que se adquire informações, experiências e com o próprio conhecimento. Esta fusão abrange as competências 2229 de elaborar planejamento, a preparação cognitiva da aula e vivências advindas das interações entre docente – discente e docente – docente. Ser professor é estar além de um conjunto de competências. “É uma pessoa em relação e evolução” (PERRENOUD, 2001, p. 15). Diante de tantas transformações o professor necessita estar evoluindo o conhecimento para atualizar-se e adequar as mudanças à prática pedagógica. Um exemplo é o uso das tecnologias educacionais como um recurso que a cada dia tem presença marcante na sociedade atual. Isto quer dizer que, a competência não está no uso do recurso, mas na capacidade do professor explorar, interagir e descobrir, por meio dele, novas vias que resultam o acesso ao saber. Para relacionar e evoluir cabe ao docente impulsionar dispositivos que favoreçam seu desenvolvimento do conhecimento como no processo de formação continuada. Desde que conscientize e resulte simultaneamente “profissionais práticos (que tem rotinas, automatismos, esquemas de ação eficazes) e profissionais reflexivos, capazes de analisar e de teorizar sobre suas práticas” transformando na competência: articular teoria e prática (PERRENOUD, 2001, p. 15). A realização de estudos e reflexões críticas sobre temas teóricos ou experiências reorganizam os conhecimentos do docente, permitindo a competência de reconstruí-los, dando-lhes novo significado e que representem contribuição e discussão por seus alunos e seus pares. Portanto cabe ao professor estar atualizado constantemente por intermédio de participações em cursos de aperfeiçoamento, especializações; em congressos e simpósios; em intercâmbios com especialistas. A formação continuada enfoca além do aspecto cognitivo, mas desenvolve competências e habilidades de um profissional capaz e de um cidadão responsável pelo desenvolvimento de sua comunidade universitária com atividades práticas, integrando-se com teorias estudadas, a discussão de valores humanos (éticos, sociais, políticos e econômicos) e a intervenção na realidade. “Além de ser contínua deve buscar reflexões que aliem a teoria à prática. Este processo interativo reflexivo implica a convivência do formador e os formandos numa relação de colaboração e de partilha” (BEHRENS, 1996, p. 135). 2230 No exercício da docência universitária a formação continuada está aliada com o incentivo a pesquisa e novas tecnologias que facilitam o desenvolvimento da parceria e coparticipação entre professor e aluno. Uso de estratégias participativas, de técnicas que colocam o professor e o graduado em contato com a realidade ou a simulam; aplicação de técnicas que utilizam o ensino com pesquisa em parceria torna o processo de ensino-aprendizagem eficiente e eficaz. O professor deste final de século, mais do que nunca, precisa ser preparado para ser investigador, pesquisador e dinâmico. Estas características são novas na ação docente. O profissional do novo século se defrontará com novas perguntas. Os avanços tecnológicos demandarão preparo diferenciado da clientela que freqüenta as Instituições de Ensino (BEHRENS, 1996, p. 67). Os cursos de aperfeiçoamento trazem aos docentes novos saberes e novas formas de entender a prática pedagógica e possibilitar um trabalho dinâmico e transformador na sala de aula. Nesse sentido , cabe ao professor ter a competência de pesquisar e refletir sobre e na ação à busca de uma transformação no exercício da docência. As competências profissionais circundam variados conhecimentos seja teórico (conhecimento para ensinar e serem ensinados) e prático (conhecimento sobre a prática e conhecimento da prática). As competências somente têm significação quando traduzidas em atos e inscritas em projetos. (...) uma formação continuada que permita ao professor desenvolver suas competências profissionais a partir de, através de e para a prática. Este é um modelo de formação articulado com a prática, um tipo de formação elaborado a partir de uma ação em interação com a uma pesquisa que favorece a evolução de competências e desenvolve a adaptabilidade do professor profissional a uma variedade de situações educacionais (PERRENOUD, 2001, p. 19).. A conexão entre o Ser e o Fazer docência, por meio de uma formação contínua articulada com a prática, se faz pela compreensão da situação de trabalho em função das teorias para analisar as práticas de ensino, identificar as decisões tomadas. Dessa forma, a partir de confrontações o docente ampliará seu repertório de competências. 2231 Conclusão e/ou considerações finais Perante a presente pesquisa, verificou-se que “Ser” docente de pedagogia é estar envolvido com a pesquisa e o aperfeiçoamento profissional. A formação continuada é motivo de confronto, de questionamento e descoberta, pois o conhecimento em si vem ao encontro de novos saberes. Constatou-se que a busca de formação contínua revela uma nova forma de o professor pensar no seu trabalho em sala de aula, a partir de uma reflexão que resulta a metacognição. O professor ao auto avaliar-se está revendo suas posturas metodológicas, didáticas e tendências pedagógicas. O aperfeiçoamento traz reorientações e decisões consideradas necessárias no exercício docente. Numa relação dialética entende – se que não basta apenas Ser um docente que investe em formação continuada, porém “preso” a resistências. É essencial o engate entre a formação contínua do professor de pedagogia e sua atuação na sala de aula, ou seja, Ser docente inovador que esteja ao encontro do Fazer docência inovadora. Verificou-se que os professores universitários geralmente trabalham com a exposição dialogada o que significa a liberdade do acadêmico indagar, de se expressar e de crescer como pessoa. Os professores e alunos trabalhando juntos realizam uma prática pedagógica crítica, produtiva e transformadora. A exposição dialogada é um caminho que busca a produtividade do conhecimento, porque ela pode se manifestar em diversas técnicas que permitem na relação discente – docente reconstruir, disseminar e compartilhar saberes. A construção da identidade do docente universitário e seu espaço de trabalho contemplam o âmbito intra – acadêmico e extra – acadêmico, este caracterizado pelos constantes compromissos para sua própria formação e, aquele respectivamente para a formação dos graduandos. Constatou-se que Ser e Fazer Docente: O engate entre a formação contínua do professor de pedagogia e sua atuação na sala de aula é uma prática possível, porém difícil. Percebeu-se que a jornada dupla (dar aula e realizar formação continuada) exige do professor empenho integral ao trabalho. A dedicação é um desafio, pois a dificuldade de tempo e o acúmulo de serviço sempre estão presentes no exercício docente. 2232 Na sociedade do conhecimento, perguntas e respostas não são sinônimos de soluções definitivas. O processo contínuo de edificação do conhecimento é complexo e contraditório, porque a presente pesquisa revelou que mesmo buscando novos saberes o conhecimento é inacabado. Existe cada vez mais a necessidade do docente ler e discutir com mais profundidade com seus pares e com seus próprios alunos a melhoria da qualidade de ensino. O conhecimento faz a mediação entre Ser e Fazer inovação e, para que este engate aconteça cabe ao docente atuar coletivamente e que suas competências sejam expressas em ações que possibilitem a crítica, o diálogo e a transformação. REFERÊNCIAS ALONSO, Myrtes. O trabalho docente: teoria e prática. São Paulo: Pioneira, 1999. BEHRENS, Marilda. Aparecida. Formação continuada dos professores e a prática pedagógica. Curitiba: Champagnat, 1996. 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