UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO CUSTOS DE TRANSAÇÃO E ARRANJOS INSTITUCIONAIS ALTERNATIVOS: UMA ANÁLISE DA AVICULTURA DE CORTE NO ESTADO DE SÃO PAULO ANTONIO CARLOS LIMA NOGUEIRA Orientador: Prof. Dr. DECIO ZYLBERSZTAJN SÃO PAULO 2003 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO CUSTOS DE TRANSAÇÃO E ARRANJOS INSTITUCIONAIS ALTERNATIVOS: UMA ANÁLISE DA AVICULTURA DE CORTE NO ESTADO DE SÃO PAULO ANTONIO CARLOS LIMA NOGUEIRA Dissertação apresentada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Mestre em Administração Orientador: Prof. Dr. DECIO ZYLBERSZTAJN SÃO PAULO 2003 iii Para Sílvio e Leodyr Pelos valores que duram para a vida toda Renata Pelo amor, paciência e dedicação demonstrados dia a dia iv AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Decio Zylbersztajn, pela orientação e motivação durante o estudo, pelo apoio na minha carreira profissional e principalmente pelo exemplo de ética e responsabilidade. Aos colegas do PENSA-Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, pela convivência enriquecedora e companheirismo. Ao Sr Érico Pozzer, pelo auxílio prestado na coleta dos dados dos integrantes da Associação Paulista de Avicultura. À Nice, pelo suporte nas mais diversas situações durante a realização do trabalho. Às colegas da Revista de Administração da USP, Sônia e Celeste, pelo apoio na fase final do trabalho. v RESUMO Neste estudo pretende-se analisar a coexistência de arranjos institucionais alternativos em sistemas produtivos agroindustriais, com foco no suprimento de frangos aos processadores na avicultura. Ainda que seja predominante na avicultura brasileira, o contrato de parceria com produtores coexiste com outros arranjos institucionais no Estado de São Paulo, como as transações via mercado com intermediários de frango vivo ou contratos de fornecimento temporário com produtores independentes. O objetivo do estudo é analisar a participação percentual dos arranjos institucionais alternativos no suprimento total dos processadores e as razões para que sejam adotados. As variáveis explicativas consideradas são algumas características e estratégias dos processadores, assim como percepções que eles têm sobre as transações, e o ambientes competitivo. Os dados foram obtidos em questionário aplicado para 30 processadores. A análise foi realizada considerando-se os arranjos institucionais individuais, o grau de integração medido pelo arranjo predominante (mercado, contratos e integração) e a escolha dicotômica do Mercado. Para cada nível de análise foram realizadas análises de estatística descritiva, análise de correlação, análise de correspondência e testes qui-quadrado para testar as hipóteses levantadas com base na Economia dos Custos de Transação. Palavras-chave: custos de transação, agroindustriais, coordenação vertical. arranjos institucionais, avicultura, sistemas vi ABSTRACT The study analyzes the coexistence of institutional arrangements in agri-food productive systems, with focus on supply of chickens to the processors in the poultry industry. Although it is predominant in the Brazilian aviculture, the partnership contract with producers coexists with other arrangements in the State of São Paulo, as spot market transactions with dealers of live chicken or contracts of temporary supply with independent producers. The objective of the study is to analyze the percentile participation of the alternative institutional arrangements in the total supply of the processors and the reasons why they are adopted. The considered explanatory variables are some characteristics and strategies of the processors, as well as perceptions that they have about the transactions, the competitive and institutional environments. The data was collected by questionnaires applied to a sample of 30 processors. The analysis had considered the institutional arrangements the degree of coordination measured by the predominant arrangement (spot market, contracts and vertical integration) and the dichotomist choice of spot market.. To each level of analysis, the data were treated by descriptive statistics, correlation analysis, correspondence analysis and chi-square test in order to test the hypothesis proposed, based on Transaction Cost Economics. Key-words: transaction costs, institutional arrangements, poultry industry, agri-food systems, vertical coordination. vii SUMÁRIO Página 1 O PROBLEMA............................................................................................................ 13 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 2 ECONOMIA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO......................................................... 19 2.1 2.2 2.3 2.4 3 Introdução................................................................................................................ 13 Situação-Problema ................................................................................................... 15 Objetivos e Delimitação do Estudo........................................................................... 17 Referencial Teórico .................................................................................................. 17 Justificativa .............................................................................................................. 18 Fundamentos............................................................................................................ 20 Dimensões das Transações ....................................................................................... 21 Arranjos institucionais.............................................................................................. 23 Ambiente Institucional ............................................................................................. 25 ANÁLISE DE ARRANJOS INSTITUCIONAIS.......................................................... 27 3.1 Tipos de Arranjos Institucionais ............................................................................... 27 3.2 Escolha dos Arranjos Institucionais .......................................................................... 31 3.3 Evolução dos Arranjos Institucionais........................................................................ 38 4 COORDENAÇÃO NA AVICULTURA DE CORTE................................................... 40 4.1 Ambiente Institucional ............................................................................................. 40 4.2 Ambiente Competitivo ............................................................................................. 41 4.3 Evolução dos Arranjos Institucionais........................................................................ 44 5 METODOLOGIA ........................................................................................................ 51 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 6 Definição de Variáveis ............................................................................................. 51 Hipóteses ................................................................................................................. 57 Instrumentos de Medida ........................................................................................... 64 Coleta de Dados ....................................................................................................... 65 Tratamento e Análise dos Dados .............................................................................. 66 Limitações do Método.............................................................................................. 69 RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................. 71 6.1 6.2 6.3 6.4 6.5 6.6 Considerações Gerais ............................................................................................... 71 Arranjos Institucionais ............................................................................................. 72 Perfil do processador................................................................................................ 76 Transação de Mercado.............................................................................................. 86 Ambiente Competitivo ............................................................................................. 88 Testes de Hipóteses .................................................................................................. 89 viii 7 CONCLUSÃO........................................................................................................... 124 ANEXOS .......................................................................................................................... 131 1. Estatísticas descritivas dos grupos Arranjos institucionais, Perfil do Processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo.............................................................. 132 2. Análise de Correlação para os grupos Arranjos institucionais, Perfil do processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo.............................................................. 135 3. Resumo da análise de correspondência para Perfil do processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo, cada grupo cruzado com Grau de integração ............. 139 4. Testes de Qui-quadrado para Perfil do processador, Transação de mercado, Ambiente competitivo e Mercado................................................................................................... 144 5. Questionário aplicado para processadores da avicultura do Estado de São Paulo ....... 148 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 150 ix LISTA DE FIGURAS Figura Página 1. Continuum de arranjos institucionais básicos da avicultura paulista................................. 53 2. Agentes e arranjos institucionais para fornecimento de frango vivo na avicultura paulista53 3. Arranjos institucionais de suprimento de frangos vivos ao processador (AB). ................. 54 4. Participação percentual média dos arranjos institucionais de cada processador ................ 73 5. Participação percentual dos arranjos institucionais no total de abate da amostra. ............. 73 6. Participação percentual dos casos conforme o Grau de integração adotado....................... 74 7. Participação percentual de adoção de Mercado no total de casos da amostra ................... 74 8. Histograma do ano de instalação das empresas na amostra. ............................................. 77 9. Distribuição percentual por décadas do ano de instalação das empresas na amostra......... 77 10. Histograma de freqüência das empresas na amostra por faixas de escala de produção (animais abatidos/dia). ................................................................................................. 79 11. Distribuição percentual das empresas na amostra por faixas de escala (animais abatidos/dia)................................................................................................................. 79 12. Histograma da empresas por faixa de participação do frango congelado. ....................... 80 13. Distribuição das empresas por faixas de participação do frango congelado.................... 81 14. Histograma de empresas por faixa de participação do frango exportado. ....................... 82 15. Distribuição das empresas entre exportadoras e não exportadoras.................................. 83 16. Histograma de empresas por faixa de concentração de vendas....................................... 84 17. Distribuição das empresas por faixas de concentração de vendas no maior comprador. . 85 18. Mapa de análise de correspondência entre Grau de integração e Instalação.................... 92 19. Mapa de análise de correspondência entre Grau de integração e Escala ......................... 93 20. Mapa de análise de correspondência para Congelamento e Grau de integração.............. 94 21. Mapa de análise de correspondência para Concentração e Grau de Integração............... 96 22. Mapa de análise de correspondência para Regularidade e Grau de integração................ 98 23. Mapa de análise de correspondência para Qualidade e Grau de Integração .................... 99 24. Mapa de análise de correspondência para Sanidade e Grau de Integração.................... 100 25. Mapa de análise de correspondência para Negociação e Grau de Integração................ 102 26. Mapa de análise de correspondência para Manutenção e Grau de Integração ............... 103 27. Mapa de análise de correspondência para Justiça e Grau de Integração ....................... 105 28. Mapa de análise de correspondência para Impostos e Grau de Integração.................... 106 29. Mapa de análise de correspondência para Previsão e Grau de Integração..................... 107 30. Mapa de análise de correspondência para Conquista e Grau de Integração .................. 108 31. Mapa de análise de correspondência para Informação e Grau de Integração ................ 109 32. Mapa de análise de correspondência para Insumo e Grau de Integração ...................... 111 33. Mapa de análise de correspondência para Comprador e Grau de Integração ................ 112 x LISTA DE QUADROS Quadro Página 1. Arranjos institucionais para diversos níveis de incerteza e especificidade de ativos ......... 33 2. Previsão da forma organizacional da coordenação vertical .............................................. 34 3. Quadro de referência para a tomada de decisão sobre coordenação vertical .................... 35 4. Variáveis dependentes correspondentes aos arranjos institucionais.................................. 54 5. Variáveis explicativas de perfil e percepções do processador........................................... 56 6. Critério para categorias das variáveis explicativas. ........................................................... 57 xi LISTA DE TABELAS Tabela Página 1. Variações esperadas nas variáveis de arranjos institucionais............................................ 64 2. Tabela de contingência para o cruzamento de Instalação e Escala ................................... 78 3. Tabela de contingência para o cruzamento de Congelamento e Escala............................. 81 5. Tabela de contingência para o cruzamento de Concentração e Escala............................... 85 6. Tabela de contingência pelo cruzamento de Instalação e Grau de integração ................... 91 7. Tabela de contingência para Escala e Grau de Integração ................................................ 93 8. Tabela de correspondência entre o Congelamento e o Grau de integração ....................... 94 9. Tabela de contingência para Exportação e Grau de integração......................................... 95 10. Tabela de contingência para Concentração e Grau de integração ................................... 96 11. Tabela de contingência para Regularidade e Grau de integração.................................... 97 12. Tabela de contingência para Qualidade e Grau de integração ........................................ 99 13. Tabela de contingência para Sanidade e Grau de integração ........................................ 100 14. Tabela de contingência para Negociação e Grau de integração. ................................... 101 15. Tabela de contingência para Manutenção e Grau de integração ................................... 103 16. Tabela de contingência para Tecnologia e Grau de integração ..................................... 104 17. Tabela de Contingência para Justiça e Grau de integração ........................................... 105 18. Tabela de contingência para Impostos e Grau de integração ........................................ 106 19. Tabela de contingência para Previsão e Grau de integração ......................................... 107 20. Tabela de contingência para Conquista e Grau de integração....................................... 108 21. Tabela de contingência para Informação e Grau de integração..................................... 109 22. Tabela de contingência para Insumo e Grau de integração........................................... 110 23. Tabela de contingência para Comprador e Grau de integração..................................... 112 24. Tabela de contingência para Instalação e Mercado ...................................................... 113 25. Tabela de contingência para Escala e Mercado............................................................ 114 26. Tabela de contingência para Congelamento e Mercado ............................................... 114 27. Tabela de contingência para Exportação e Mercado .................................................... 115 28. Tabela de contingência para Concentração e Mercado................................................. 115 29. Tabela de contingência para Regularidade e Mercado ................................................. 116 30. Tabela de contingência para Qualidade e Mercado ...................................................... 117 31. Tabela de contingência para Sanidade e Mercado........................................................ 117 32. Tabela de contingência para Negociação e Mercado.................................................... 118 33. Tabela de contingência para Manutenção e Mercado................................................... 119 34. Tabela de contingência para Tecnologia e Mercado..................................................... 119 35. Tabela de contingência para Justiça e Mercado ........................................................... 120 36. Tabela de contingência para Impostos e Mercado........................................................ 120 37. Tabela de contingência para Previsão e Mercado......................................................... 121 38. Tabela de contingência para Conquista e Mercado ...................................................... 122 xii 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. Tabela de contingência para Informação e Mercado .................................................... 122 Tabela de contingência para Insumo e Mercado .......................................................... 123 Tabela de contingência para Comprador e Mercado .................................................... 123 Estatísticas descritivas das variáveis dependentes........................................................ 133 Estatísticas descritivas das variáveis do grupo Perfil do processador ........................... 133 Estatísticas descritivas das variáveis explicativas do grupo Transação de mercado ...... 134 Estatísticas descritivas das variáveis explicativas do grupo Ambiente competitivo ...... 134 Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis dependentes do grupo Arranjos institucionais (significância entre parênteses) ............................................................. 136 47. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Perfil do processador (significância entre parênteses) ............................................................... 136 48. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Transação de mercado (significância entre parênteses)................................................................ 137 49. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Ambiente competitivo (significância entre parênteses) ............................................................... 137 50. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas e as variáveis dependentes (significância entre parênteses)............................................................... 138 51. Resumo da análise de correspondência para Perfil do processador e Grau de integração140 52. Resumo da análise de correspondência para Transação demercado e Grau de integração .................................................................................................................................. 141 53. Resumo da análise de correspondência para Ambiente competitivo e Grau de integração .................................................................................................................................. 143 54. Teste de Qui-quadrado entre Perfil do processador e Mercado..................................... 145 55. Teste Qui-quadrado entre Transação de mercado e Mercado ....................................... 146 56. Teste Qui-quadrado para Ambiente competitivo e Mercado ........................................ 147 1 1.1 O PROBLEMA Introdução A coordenação nas cadeias produtivas tem sido um tema cada vez mais relevante no estudo das organizações em razão da grande variedade de arranjos institucionais que têm surgido em diversas indústrias. Arranjos como os contratos de fornecimento de longo prazo, subcontratação (terceirização) de fornecedores de produtos e serviços, condomínios industriais onde fornecedores operam dentro das instalações do cliente, contratos de franquia, contratos de exclusividade de canal, entre outros, estão tornando as transações via mercado cada vez menos freqüentes. As inovações nos arranjos institucionais podem gerar novas questões relativas à defesa da concorrência para o setor público, desafios estratégicos para os agentes privados e temas de pesquisa para os acadêmicos que estudam as organizações. No âmbito do agronegócio, a coordenação tem especial interesse em virtude da tendência, verificada nas últimas décadas, de estreitamento das relações entre as diversas etapas produtivas. Considerando-se as crescentes exigências de variedade, qualidade e segurança do alimento por parte dos mercados consumidores domésticos e internacionais, os sistemas produtivos devem apresentar atualização tecnológica, padronização e uniformidade de oferta, em qualquer nível de processamento industrial envolvido. Um dos principais desafios nesse processo é conciliar o aumento da coordenação com os aspectos intrínsecos de sazonalidade, incerteza e perecibilidade da produção agropecuária. A compreensão dos determinantes da existência dos diversos arranjos institucionais que têm surgido representa um desafio para o enfoque tradicional da Teoria da Organização Industrial, que considera principalmente as alternativas de transação de mercado e integração vertical. Para Scherer e Ross (1990), essa teoria estuda as decisões dos agentes sobre a oferta de produtos, o uso de recursos escassos e a distribuição dos resultados com base numa abordagem de mercado. Considera-se que consumidores e produtores agem respondendo a sinalizações de preços gerados pelo confronto entre oferta e demanda em mercados com graus distintos de concentração e competição. 14 Segundo os mesmos autores, se o grau de integração vertical da indústria for analisado de forma estática, ela representa a extensão das firmas no espectro completo dos estágios de produção e distribuição. Por outro lado, se se considerar um processo de adaptação da estrutura da indústria, as firmas podem avançar em etapas a montante (para trás), passando a produzir matérias-primas ou produtos semi-elaborados usados como insumos, ou a jusante (para a frente), envolvendo processamento posterior ou distribuição. Os motivos citados para esses movimentos seriam a redução de custos na integração para trás e o aumento do controle sobre o ambiente econômico na integração para a frente. Para Mahoney et al. (1994), a coordenação ao longo da cadeia produtiva pode ser obtida por meio de vários mecanismos, incluindo mercados (preços), contratos implícitos e alianças, contratos formais, acordos acionários de joint-ventures e integração vertical. Propõese a existência de uma competição entre formas organizacionais alternativas, com os agentes econômicos escolhendo aquela que atinja seus objetivos (redução de custos de produção, compartilhamento de riscos, poder de mercado) ao custo mais baixo. Assim, os autores consideram que, no campo econômico, as políticas públicas deveriam permitir uma livre competição entre as formas organizacionais e, portanto, não poderiam restringir os agentes econômicos em sua escolha. De acordo com essa visão, a contratação vertical e a integração vertical financeira devem ser tratadas legalmente de forma equânime. A competição entre formas alternativas de coordenação vertical pode gerar situações de coexistência entre elas na mesma indústria, o que representa uma intrigante questão ainda sem resposta. O tema foi tratado por Zylbersztajn (2001), que procurou estabelecer as bases teóricas para a difusão de arranjos institucionais, partindo do pressuposto de que o arranjo mais eficiente será gradativamente adotado pelos agentes econômicos. Esse processo seria influenciado por três fatores: “(1) existência de capacidades dinâmicas não copiáveis, geradas em conjunto pelos agentes especializados que fazem parte da cadeia ou rede, (2) ambiente institucional no qual o arranjo ocorre, implicando que a observação de arranjos simultâneos pode representar uma situação temporária de desequilíbrio, com agentes adotando o novo arranjo institucional, (3) barreiras de natureza tecnológica, sob controle do grupo”. Outro conceito importante para que se entendam os arranjos verticais é o de subsistema estritamente coordenado, proposto por Zylbersztajn e Farina (1999), que representa a aplicação a uma cadeia produtiva do conceito de firma como um nexo de contratos, proposto por Ronald Coase. As proposições dos autores são: (1) uma cadeia de suprimento pode ser encarada como um nexo de contratos ampliado, cuja arquitetura resulta 15 de seu alinhamento com as características das transações e o ambiente institucional; (2) existem arranjos contratuais que reproduzem a arquitetura contratual existente na firma, e a motivação para a elaboração de um subsistema por algum agente dentro da cadeia parte das estratégias de mercado e da busca de eficiência em custos de transação. Assim, uma cadeia produtiva pode ser considerada uma entidade independente, ou um subsistema estritamente coordenado, se um grau suficiente de controle puder ser aplicado. Um subsistema apresenta maior probabilidade de ocorrência em cadeias de suprimento individuais do que em sistemas mais agregados. Além disso, diversos mecanismos de motivação e controle podem ser implementados, para dar suporte à idéia de gestão de uma cadeia de suprimento. Para Sauvée (1995), o processo de tomada de decisão pelos agentes sobre a estrutura de governança é complexo e ainda não está totalmente compreendido. Analisando-se o grau de coordenação que cada estrutura oferece, verifica-se que essas estruturas poderiam ser ordenadas em um continuum entre as formas extremas de mercado e de integração vertical, que seriam intercaladas por um conjunto de formas híbridas (contratos de longo prazo). Observa-se que as principais abordagens que buscam explicar o crescimento da coordenação no sistema produtivo baseiam-se na busca do poder de monopólio ou na eficiência. 1.2 Situação-Problema Na avicultura brasileira, o arranjo institucional dominante para o suprimento de frangos aos processadores tem sido o contrato de parceria com produtores, que surgiu no início da década de 60 no Oeste do Estado de Santa Catarina. Nessa estrutura, os processadores oferecem rações de fabricação própria, pintos de linhagens selecionadas, medicamentos, assistência técnica e veterinária durante a engorda, comprometendo-se a adquirir os frangos em peso de abate. Os produtores são responsáveis pelas instalações e equipamentos das granjas e pelo manejo, assumindo o compromisso de vender os frangos para o processador contratante. O contrato prevê o pagamento dos lotes de acordo com índices de eficiência do produtor no manejo, como conversão alimentar ou mortalidade. A disseminação dos contratos de parceria favoreceu o rápido desenvolvimento tecnológico da produção e industrialização de aves, gerando ganhos expressivos de produtividade, redução de custos, qualidade e padronização. Com isso, foi possível uma 16 redução consistente dos preços, aumento do consumo doméstico e o avanço em diversos mercados internacionais. Os produtos obtidos após o processamento podem ser o frango resfriado inteiro ou em cortes, o frango congelado inteiro ou em cortes e alimentos industrializados. As estratégias de produto dos processadores geralmente estão condicionadas aos mercados atendidos e ao nível de investimentos realizados em equipamentos. Produzir frango congelado inteiro ou em cortes exige maiores investimentos do que produzir somente frango resfriado, em razão da necessidade de túneis de congelamento. Os lideres da indústria têm dirigido os produtos de maior valor agregado para o mercado doméstico e o frango congelado inteiro ou em partes para a exportação. No Estado de São Paulo verifica-se a coexistência dos contratos de parceria com outras estruturas de governança, como as transações via mercado com intermediários de frango vivo ou os contratos de fornecimento temporário com produtores, que por sua vez podem subcontratar produtores de menor escala. A existência de preços mais elevados nos insumos para a ração (milho e soja), em relação a outras regiões produtoras de aves, e a competição acirrada por preços no varejo provocam redução nas margens de lucro dos processadores e produtores, contribuindo para o avanço dos contratos de parceria. O Estado apresenta pelo menos duas características que o diferenciam na avicultura brasileira. Primeiro, trata-se do local de origem da avicultura comercial do País, na década de 40, a qual desenvolveu-se a partir de agentes independentes nas diversas etapas e transações via mercado, até a entrada das grandes agroindústrias com projetos de parceria, após os anos 60. Portanto, existe uma tradição de produção independente importante e competitiva, tanto que São Paulo sempre esteve entre os quatro maiores Estados produtores do País. O segundo diferencial é que São Paulo abriga o maior mercado consumidor de frango inteiro resfriado, que apresenta baixa exigência de padronização e qualidade. Essa condição viabiliza a existência de processadores de menor porte produzindo apenas frango resfriado, opção que exige menores investimentos em instalações. Esses agentes adotam contratos de parceria, de fornecimento temporário ou fazem transações de mercado. A questão básica que motiva este estudo é compreender por que coexistem arranjos institucionais distintos no suprimento de frango aos processadores no Estado de São Paulo. 17 1.3 Objetivos e Delimitação do Estudo O objetivo geral desta dissertação é analisar a coexistência de arranjos institucionais alternativos em sistemas produtivos agroindustriais, focalizando o suprimento de frangos para processadores na avicultura de corte do Estado de São Paulo. Os objetivos específicos são: 1. analisar a participação percentual dos arranjos institucionais alternativos no suprimento total dos processadores; 2. analisar o perfil dos processadores, considerando-se as características da produção e das vendas; 3. analisar as percepções dos processadores sobre as transações de mercado, os impactos do ambiente institucional nessas transações e o ambiente competitivo; 4. identificar as relações de dependência dos arranjos institucionais alternativos adotados pelos processadores com o perfil e as percepções analisados. O estudo está delimitado às variáveis dependentes que representam os arranjos institucionais para suprimento de frango vivo adotados pelos processadores. Pretende-se pesquisar, com os processadores, qual a participação percentual de cada arranjo institucional em seu suprimento total e as razões para que sejam adotados. Como variáveis explicativas, são considerados aspectos relacionados ao perfil (características e estratégias) e às percepções dos agentes sobre as transações e o ambiente competitivo. 1.4 Referencial Teórico A Economia de Custos de Transação é o referencial teórico usado para o levantamento de hipóteses a ser testadas pela análise dos dados obtidos dos questionários. A coordenação de cadeias produtivas tem sido um tema central no âmbito da Nova Economia Institucional, particularmente em um de seus ramos: a Economia dos Custos de Transação (ECT). A significativa contribuição da ECT ao conhecimento sobre o tema tem sido possível porque ela oferece uma abordagem em dois níveis distintos e complementares. O primeiro nível é microanalítico, tratando das transações e dos arranjos contratuais entre e intrafirmas, enquanto o segundo é macroinstitucional, considerando os impactos das instituições formais e informais nas atividades econômicas e nas decisões dos agentes. Esse arcabouço teórico nasceu das idéias de Ronald Coase, apresentadas em 1937, sobre a relevância dos custos de transação e do caráter contratual das firmas. Os custos em questão 18 estariam relacionados à busca de informações, negociação, elaboração e monitoramento de contratos formais ou informais. No desenvolvimento da ECT destaca-se o trabalho de Oliver E. Williamson, que adota a transação entre agentes econômicos como unidade de análise, identifica suas principais dimensões e propõe um modelo teórico pelo qual os agentes escolhem os arranjos verticais mais eficientes, para um dado ambiente institucional, buscando a minimização de custos de transação. 1.5 Justificativa O estudo se justifica por contribuir para a aplicação empírica do referencial teórico e pela relevância do problema para a avicultura, aspectos detalhados a seguir. Com relação ao referencial teórico, o estudo avança ao buscar explicar a coexistência de estruturas de governança distintas na mesma indústria. Essa situação contraria o pressuposto de alinhamento dos arranjos institucionais com as transações num dado ambiente institucional, gerando o predomínio do arranjo mais eficiente em custos de transação. Para explicar esse paradoxo pretende-se analisar os perfis e as percepções dos agentes sobre a transação de mercado. Com relação à importância do problema para a avicultura de corte, deve-se destacar que as vantagens competitivas alcançadas por essa indústria nos mercados domésticos e internacionais de carnes devem-se principalmente à adoção da estrutura de governança baseada em contratos de parceria. Assim, torna-se relevante levantar as possíveis causas da coexistência desse modelo com outras alternativas no Estado de São Paulo, para orientar as ações dos agentes privados e públicos, dadas as tendências gerais da avicultura nacional e internacional. Trata-se de questionar as razões para a sobrevivência e a viabilidade futura das estruturas de governança diferentes do padrão predominante. A pesquisa se insere em uma seqüência de estudos que combinam análises do ambiente institucional e dos arranjos institucionais para a indústria avícola de outros países, como em Menard (1996), Souvée (1995) e Martinez (1999). 2 ECONOMIA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO A escolha da Economia dos Custos de Transação (ECT) como referencial teórico neste estudo se justifica pelo fato de esta apresentar duas linhas de pesquisa distintas mas complementares, identificadas por Williamson (1991) como Ambiente Institucional e Instituições de Governança. Essas ferramentas podem ser úteis para se analisar em profundidade a dinâmica da coordenação na avicultura paulista, considerando-se o quadro institucional e os aspectos microanalíticos. Buscando demonstrar a adequação da Economia dos Custos de Transação para explicar os objetivos das firmas, suas razões de existência e como elas tomam decisões, Williamson (2000) afirma que essa linha teórica sustenta o uso de critérios de eficiência econômica para a análise de contratos e organizações, e que a existência e a governança das firmas são os temas centrais dessa escola de pensamento. O autor considera que o conceito de firma como uma estrutura de governança ainda está em construção, mas que teria sido útil para o aprofundamento da compreensão de muitos fenômenos contratuais e organizacionais complexos, e funcionado como um mecanismo de verificação para evitar usos abusivos ou incorretos da ortodoxia. Com relação aos resultados obtidos em estudos empíricos, o autor afirma que a ECT é uma história de sucesso, e completa citando Paul Joskow, que observa que esse trabalho empírico está em condições bem melhores que o realizado na área de Organização Industrial em geral. A primeira seção deste capítulo apresenta conceitos fundamentais e pressupostos comportamentais do referencial teórico; a segunda seção trata das dimensões consideradas nas transações, que são as unidades básicas de análise; a terceira seção contém o tratamento dado pela teoria aos arranjos institucionais, elementos essenciais na abordagem microanalítica; a quarta seção contém o tratamento dado ao ambiente institucional. 20 2.1 Fundamentos A escolha da ECT como referencial teórico se justifica pelo enfoque microanalítico e institucional que a caracteriza e que contribui para uma análise detalhada dos arranjos institucionais e de suas relações com o ambiente institucional. O caráter microanalítico revela-se na análise aprofundada das transações e das múltiplas dimensões dos arranjos contratuais que as governam, considerando alguns pressupostos comportamentais dos agentes econômicos individuais. Essa abordagem contribui para que se possa identificar os determinantes da dinâmica dos arranjos contratuais adotados entre firmas e dentro delas. No caso das transações entre firmas, trata do grau de integração vertical adotado, enquanto dentro das organizações analisa os mecanismos de incentivo, monitoramento e mensuração de resultados individuais. A abordagem institucional envolve a análise conjunta de regras formais e informais relacionadas com direitos de propriedade, tributos, defesa da concorrência, meio ambiente e outros aspectos, que regulam a ação dos agentes, assim como as organizações instituídas para criar e aplicar essas regras e solucionar conflitos, como parlamentos, governos, tribunais e instâncias de arbitragem. Para Sauvée (1995), a coordenação vertical tem sido um campo importante da pesquisa econômica, tanto teórica quanto empírica. Para ele, a teoria da Organização Industrial tem enfocado a integração vertical e as decisões do tipo “fazer ou comprar”, baseada em uma abordagem tecnológica e de competição imperfeita. A Economia dos Custos de Transação (ECT) tem desenvolvido uma visão contratual das firmas e dos mercados, abrindo novas perspectivas para o estudo da coordenação vertical. A origem da ECT está em Coase (1937), no clássico artigo The Nature of the Firm, onde o autor argumenta que os custos das transações, da coordenação e da contratação deveriam ser considerados explicitamente para se entender a extensão da integração vertical. Desse ponto de vista, as firmas, na busca da maximização de lucros, passariam a realizar as atividades que envolvessem custos inferiores em relação à contratação no mercado. Os custos de transação foram definidos por Williamson, citado por Zylbersztajn (1995), como “os custos ex-ante de preparar, negociar e salvaguardar um acordo, bem como os custos ex-post dos ajustamentos e adaptações quando a execução de um contrato é afetada por falhas, erros, omissões e alterações inesperadas. Em suma, são os custos de conduzir o sistema econômico”. 21 Ainda segundo Zylbersztajn, o objetivo dessa teoria é “estudar o custo das transações como o indutor dos modos alternativos de organização da produção (governança) dentro de um arcabouço analítico institucional. Assim a unidade de análise fundamental passa a ser a transação, onde são negociados direitos de propriedade”. Esse autor relaciona os pressupostos da ECT: Custos de transação: aparecem tanto na utilização do sistema de preços como em transações regidas por contratos internos à firma, o que significa que todos os tipos de contratos (externos ou internos à firma) são importantes para o funcionamento da economia. Ambiente institucional: as transações ocorrem em ambientes institucionais estruturados (regulamentos formais ou informais nos diversos agrupamentos sociais) e as instituições interferem nos custos de transação, por afetarem o processo de transferência dos direitos de propriedade (uso, controle e apropriação de resultados dos ativos). Racionalidade limitada: considera-se que o agente econômico busca um comportamento otimizador e racional, mas que não conseque satisfazer esse desejo, dada sua limitação na capacidade cognitiva de receber, armazenar, recuperar e processar informações, o que faz com que não seja totalmente racional em suas decisões. Oportunismo: conceito que resulta da ação dos indivíduos na busca de seu autointeresse, mas com uma conotação não cooperativa. Ele pode ocorrer, por exemplo, quando um agente tem uma informação sobre a realidade não disponível a outro agente, e ela é utilizada de modo a permitir que o primeiro desfrute de algum benefício do tipo monopolístico. Com essas ferramentas, a teoria tem como objeto principal de análise as transações entre os agentes econômicos, em determinado ambiente institucional (externo e interno às firmas). Busca-se explicar e, se possível, prever a dinâmica dessas transações, com base na premissa de que os agentes têm como objetivo final minimizar os custos de transação, em busca de maior eficiência econômica. 2.2 Dimensões das Transações A hipótese central do trabalho de Williamson é que as transações estão relacionadas aos arranjos institucionais, que diferem entre si principalmente quanto à eficiência em custos de transação. Portanto, conhecendo-se as dimensões significativas das transações é possível prever os arranjos institucionais. As dimensões consideradas são a freqüência com que 22 ocorrem, o grau e o tipo de incerteza à qual estão sujeitas e a condição de especificidade de ativos (WILLIAMSON, 1979). Os impactos dessas características nos custos de transação são descritos a seguir. A incerteza é a característica da transação com efeitos menos conhecidos nos custos de transação. Definida como uma condição em que os agentes não conhecem os resultados futuros de determinada transação, representa uma situação diferente daquela na qual existe o fator chamado risco, geralmente associado a uma distribuição de probabilidades conhecida de eventos previsíveis. Aparentemente, quanto maior a incerteza, maiores os custos de transação em razão de uma maior necessidade de salvaguardas nos contratos, que reduzem os retornos por causa dos custos diretos ou da realização de investimentos inferiores aos necessários para uma escala de produção ótima. A freqüência das transações afeta os custos de negociar, elaborar e monitorar contratos, assim como o comportamento dos agentes quanto ao oportunismo e à construção de reputação. À medida que a freqüência aumenta, principalmente entre os mesmos agentes, caem os custos relativos aos contratos e os ganhos provenientes de ações oportunistas, visto que elas podem interromper o relacionamento. Por outro lado, o aumento da freqüência aumenta os incentivos para a construção de reputação positiva pelos agentes, pelo reforço à redução já mencionada nos custos relativos aos contratos. A especificidade dos ativos é o grau de perda de valor quando o recurso é excluído da transação e aplicado em sua melhor utilização alternativa. Quanto maior essa perda, maior a especificidade do ativo. Essa característica torna-se fundamental na análise das transações porque é uma das fontes de quase-rendas que podem ser criadas nas transações que envolvem esse tipo de ativo. Quando determinado agente realiza investimentos em ativos específicos, o outro agente envolvido na transação pode pretender se apropriar dessa quase-renda, para melhorar suas condições na negociação, contando com a perda a ser gerada ao primeiro agente se a transação não ocorrer. Williamson (1985) classifica os tipos de especificidades de ativos como: de local, de ativos físicos, de ativos humanos e de ativos dedicados, enquanto Masten et al. (1991) identificam a especificidade de tempo, conceitos detalhados a seguir: Especificidade de local: as partes envolvidas na transação se relacionam de modo muito semelhante ao da propriedade unificada: os ativos em questão são imóveis, implicando elevados custos para que sejam deslocados. A decisão de investimento (custo ex-ante) leva em consideração o compromisso das partes em manter o relacionamento durante a vida útil dos ativos, para economias em custos de transporte e estoques, entre outros. A quebra 23 contratual gera a perda dessas vantagens, implicando em custos de transação para o estabelecimento de novos acordos. Especificidade de ativos físicos: quando uma ou ambas as partes investem em equipamentos e maquinário cujas características físicas (capacidade, projeto, especificações técnicas, etc) são específicas para o propósito da relação e têm baixo valor em usos alternativos. Especificidade de ativos humanos: os investimentos em qualificação de pessoal e o processo de aprendizagem contínuo durante a realização das atividades tornam o capital humano dotado de habilidades específicas ao interesse das partes envolvidas. Especificidade de ativos dedicados: a expansão da capacidade produtiva adotada por uma das partes com o propósito único de responder ao incremento da quantidade demandada pela outra parte se converte em ativos específicos. Se o contrato for cancelado, o fornecedor ficará com excesso de capacidade de produção. Especificidade de tempo: em determinados produtos o tempo é um fator fundamental para a atribuição de valor ou para a eficiência no processo produtivo de determinados produtos. Assim, observa-se essa característica em jornais diários, que se tornam ultrapassados no dia seguinte, em alimentos perecíveis, pelos aspectos sanitários, e em processos produtivos agroindustriais ou da construção civil, pelo encadeamento rigoroso das etapas. Quanto maior a especificidade de tempo nos ativos, maior a probabilidade de integração vertical ou de aproximação física das partes. 2.3 Arranjos institucionais O estudo dos contratos tem sido uma vertente essencial ao longo da evolução da ECT, em razão do reconhecimento de sua função como de governar as transações. Considerados de forma ampla, eles representam os mais variados acordos entre os agentes, podendo aparecer entre firmas no mercado, como uma simples transação de compra e venda, ou dentro das firmas, como um contrato de trabalho. Zylbersztajn (1995) destaca o estudo das relações contratuais como uma das principais áreas da Nova Economia Institucional, da qual a ECT faz parte, que envolve outras áreas, como Economia, Direito e Administração, ainda que estas tenham enfoques diferentes sobre os contratos. A Economia considera os aspectos ligados à eficiência, enquanto para o Direito 24 o critério de avaliação dos contratos seria a justiça. O autor relaciona os seguintes aspectos dos contratos: Incompletude: característica fundamental de qualquer contrato, deriva da impossibilidade de se prever eventos ou comportamentos futuros, assim como da racionalidade limitada dos agentes, que seriam incapazes de considerar todos os aspectos relevantes das transações envolvidas. O desenvolvimento de uma teoria dos contratos deve contemplar regras para o preenchimento das lacunas inevitáveis dos contratos. Custos: relativos à negociação, elaboração, monitoramento, criação e aplicação de mecanismos para a solução de conflitos e para a punição de comportamentos indesejados. Uma das formas encontradas pela sociedade para reduzir os custos na solução de conflitos foi a criação de instituições estruturadas para esse fim, como tribunais formais ou informais. A firma pode ser considerada uma estrutura apta a resolver uma parcela significativa das disputas, através da hierarquia. Duração: concebidos em geral com prazo indeterminado, os contratos podem ser temporários a priori ou ter a duração interrompida por quebras contratuais unilaterais ou novas etapas de negociação. A presença de ativos específicos gera a necessidade de compromissos com prazos mais longos, suficientes para que se recupere o investimento realizado. Williamson (1991) oferece uma análise detalhada de três arranjos contratuais básicos, cada um representando uma estrutura de governança. Ele considera cada contrato como uma função de p (preços), k (especificidade de ativos) e s (salvaguardas). Para o contrato clássico, característico das relações de mercado, o preço é determinante, enquanto k e s são baixos, se não nulos. Nesses contratos, cláusulas formais especificam a maioria das características da transação em questão, sendo irrelevante a identidade dos participantes, e as transações são altamente monetizadas. No outro extremo das estruturas, o contrato de forbearance (controle) pode ser o contrato implícito das organizações formais, no qual p tem pequena influência, enquanto k e s têm valores elevados. Nesse arranjo, é crucial a adaptabilidade às mudanças do ambiente, e os ativos altamente específicos criam a possibilidade de oportunismo, que é reduzida com a construção de salvaguardas. Neste caso, a hierarquia é o principal instrumento de adaptabilidade, através do poder de fiat. Entre os dois arranjos citados estão os contratos neoclássicos, característicos das formas híbridas, onde os preços têm um papel importante de ajustamento, que é limitado pela presença de ativos específicos (k é positivo), e as salvaguardas são de difícil implementação. 25 O contrato neoclássico é tipicamente um arranjo de longo prazo, cujo objetivo é desenvolver um relacionamento continuado, no qual a identidade dos agentes é importante em virtude da existência de dependência bilateral, enquanto os mecanismos de ajustamento devem ser flexíveis o suficiente para permitir que as partes se adaptem a distúrbios de impacto moderado. 2.4 Ambiente Institucional A linha de pesquisa da ECT que trata do ambiente institucional surgiu do reconhecimento de que esse elemento afeta o comportamento dos agentes e por conseqüência, os custos de transação. Com isso, as instituições passaram a ser objeto de análise pela teoria. Para North (1991), instituições são restrições (normas) construídas pelos seres humanos, que estruturam a interação social, econômica e política. Elas consistem em restrições informais (sanções, tabus, costumes, tradições e códigos de conduta) e regras formais (constituições, leis e direitos de propriedade). Farina, Azevedo e Saes (1997, p. 59) consideram que algumas instituições podem impor restrições sobre outras instituições, ou seja, são instituições que servem para regular as restrições às ações humanas, servindo de parâmetro para a escolha de regras formais e informais. Para que as instituições sejam ainda mais abrangentemente definidas é necessário também incluir na definição anterior os instrumentos responsáveis pelo funcionamento adequado das regras que compõem as instituições. Ainda para esses autores, a principal contribuição da corrente Ambiente Institucional é o estabelecimento da relação entre instituições e desenvolvimento econômico, que estaria expresso no slogan da NEI: instituições são importantes e suscetíveis de análise. Essa corrente parte do pressuposto de que a especialização dos agentes, apesar de gerar ganhos de eficiência, aumenta a quantidade de transações necessárias e a dependência entre as partes, o que eleva os custos de transação. Assim, deve-se buscar um ponto de equilíbrio para o grau de especialização que o agente deverá atingir. O papel das instituições seria amenizar o crescimento dos custos de transação, tornando as transações viáveis em ambientes com diferentes graus de especialização. 26 A análise de Ambiente Institucional tem sido realizada consoante dois procedimentos: investigar os efeitos de uma mudança no ambiente institucional sobre o resultado econômico e teorizar sobre a criação das instituições. O primeiro tem se desenvolvido nos estudos voltados para a história econômica, revelando, por exemplo, evidências de que a existência de direitos de propriedade claramente definidos e o compromisso claro do Estado para que eles sejam cumpridos favorecem os investimentos e o crescimento econômico. O segundo tem encontrado mais dificuldades em seu desenvolvimento, principalmente porque os pressupostos adotados têm sido os mesmos da economia neoclássica, ou seja, que a tecnologia, dotações iniciais e preferências definem os preços relativos das ações humanas, incluindo o oportunismo. A tese básica é que à medida que passa a ser economicamente interessante o estabelecimento de uma instituição, via mudança nos preços relativos, os agentes se sentem incentivados a implementá-la. Entretanto, os resultados obtidos nos estudos dessa corrente têm sido contraditórios. O determinismo da correspondência entre instituições e preços relativos pode ser afetado justamente pela presença de custos de transação. Nesta condição, a escolha do quadro institucional não responderia com precisão às mudanças nos preços relativos (FARINA, AZEVEDO e SAES , 1997, p. 65-66). 3 ANÁLISE DE ARRANJOS INSTITUCIONAIS Este capítulo trata nos três itens seguintes, da análise dos arranjos institucionais em sistemas produtivos. O primeiro apresenta os tipos básicos de arranjos institucionais e suas características, o segundo discute as razões para que sejam escolhidos conforme diversas abordagens teóricas e o terceiro trata da evolução dos arranjos institucionais no tempo. 3.1 Tipos de Arranjos Institucionais Ao tratarem da integração vertical e do suprimento das firmas em cadeias produtivas, Brickley, Smith e Zimmerman (1997, p. 350) observam que as firmas podem mudar seu grau de integração ao longo do tempo e que escolhem a forma de suprimento (outsourcing) num conjunto seqüencial e contínuo (continuum) de possibilidades. Em uma das extremidades desse conjunto está o mercado, no qual produtos ou serviços podem ser adquiridos de qualquer agente de um grande número de fornecedores. Na outra extremidade está a integração vertical, com a realização interna do produto ou serviço. Entre essas duas opções extremas estão os contratos de longo prazo, que podem assumir diversas configurações. A seguir são comentadas essas três alternativas básicas. 3.1.1 Mercado Brickley, Smith e Zimmerman (1997, p. 354) apresentam os benefícios das transações em mercados competitivos, como a promoção da produção eficiente – realizada ao menor custo médio unitário possível. O preço seria igual ao custo médio, fazendo com que os compradores adquiram produtos ao menor valor que inclua uma taxa normal de retorno do investimento feito pelos produtores. No longo prazo, os produtores adotam avanços tecnológicos que reduzem os custos de produção e/ou aprimoram a qualidade do produto. A redução nos custos é repassada aos compradores na forma de preços mais baixos. Essa análise 28 sugere que quando existem mercados competitivos para a compra de produtos e serviços, as firmas devm usá-los. Na maioria dos casos, uma firma não consegue adquirir um produto de forma mais barata por meio de uma transação fora do mercado, que, em muitos casos, sai mais cara do que no mercado. Uma condição limitante significativa para a produção interna de insumos é a necessidade de se atingir um volume suficiente para se tirar proveito das economias de escala. Suponha-se que, em determinado mercado competitivo, o ponto de custo médio unitário é atingido para a quantidade Q, individualmente por algumas firmas. Se uma firma precisa de uma quantidade menor do que Q e produz essa quantidade, seu custo médio unitário será maior. Se ela decidir produzir Q, poderá vender o excesso no mercado. Entretanto, essa decisão implica entrar em um novo mercado que não é o seu foco original de negócios. Essa diversificação pode reduzir o valor da empresa, pois seu desempenho pode vir a ser inferior ao que seria se ela fosse mais focalizada. Outra questão a ser considerada no caso de suprimento obtido por meio de transações fora do mercado é a motivação para a produção eficiente. Divisões que fazem parte de grandes empresas podem ser ineficientes e ainda assim permanecerem operando, se elas forem subsidiadas por outras áreas mais lucrativas da firma. As firmas devem adotar sistemas de incentivo e controle para motivar gerentes internos a se engajar em uma produção eficiente. De forma semelhante, parceiros em contratos de suprimento de longo prazo precisam ser motivados para cumprirem suas responsabilidades no acordo. Por outro lado, firmas independentes estão sujeitas a pressões de mercado mais diretas. Se elas forem ineficientes em suas linhas de negócio, perderão dinheiro ou eventualmente serão forçadas a encerrar suas atividades. Apesar das vantagens no uso de transações de mercados competitivos, a maioria das transações são realizadas fora deles, com integração vertical ou contratos de longo prazo, também chamados de formas híbridas. As razões para essa situação serão tratadas no item “Escolha dos Arranjos Institucionais”. 3.1.2 Integração Vertical Analisando as vantagens e desvantagens da integração vertical, D’Aveni e Ravenscraft (1994) estudaram uma comparação entre as economias provenientes da integração e os custos burocráticos incorridos. O estudo testou as relações entre a integração vertical, os custos da 29 estrutura e a performance no plano da linha de negócios. Os resultados indicaram que a integração vertical resulta em economia mesmo depois que as economias características da indústria (economias de escopo e de escala) são controlados. Linhas de negócios integradas verticalmente economizaram em custos de publicidade, pesquisa e desenvolvimento, mas tiveram maiores custos de produção, tendo por isso lucratividades ligeiramente superiores às linhas independentes. Outro resultado foi que a elevação dos custos de produção esteve relacionada à integração para trás, sugerindo um isolamento das pressões do mercado e falta de incentivo para que se produza com custos menores. Assim, os autores concluem que os efeitos de eficiência e de custos burocráticos apareceram, e que os benefícios da integração superaram ligeiramente suas desvantagens. 3.1.3 Formas Híbridas O desenvolvimento dos mercados e das estruturas organizacionais levou ao aprofundamento da questão das fronteiras da firma. Joskow (1993) considera que esse limite oferece uma distinção bastante grosseira entre os dois mecanismos institucionais básicos para a alocação de recursos (firma e mercados), representando apenas o início e não o fim da questão. Isto porque as firmas podem adotar diversas estruturas organizacionais, assim como as transações de mercado podem adotar muitas formas, desde transações simples em mercados spot até contratos complexos de longo prazo. Ao discutir evidências empíricas que relacionam a especificidade de ativos com as relações verticais, o autor considera estas últimas como uma variável dependente, limitada a três situações: integração vertical, contratos de longo prazo e transações em mercado spot. Assim, espera-se que os agentes escolham com mais freqüência a integração vertical ou os contratos de longo prazo à medida que as quase-rendas associadas a investimentos específicos se tornem mais importantes e os benefícios associados aos acordos prévios aumentem. Para a análise empírica, necessita-se de alguma medida de especificidade de ativos a ser tomada como variável independente. O autor afirma ainda que existem diversos custos de transação e organizacionais associados à integração vertical e aos contratos de longo prazo que não aparecem nas operações em mercados spot. As dificuldades em elaborar, monitorar e exigir o cumprimento de contratos de longo prazo que possam responder eficientemente a mudanças no mercado podem provocar uma tendência de adoção da integração vertical. Por outro lado, custos 30 organizacionais, economias de escala, experiência e outros aspectos podem reverter a tendência no sentido dos contratos de longo prazo ou das operações no mercado spot. Menard (1996), ao tratar das formas híbridas de governança, faz uma revisão dos estudos recentes sobre a cordenação vertical, abordando Organização Industrial, que considera as questões tecnológicas ou o comportamento estratégico na decisão de integrar verticalmente ou não (TIROLE, 1988). Outros enfoques consideram a integração vertical como uma resposta à ameaça de apropriação oportunista de quase-rendas (KLEIN, CRAWFORD & ALCHIAN, 1978) ou como a busca de uma estrutura ótima de propriedade na qual os resultados são compartilhados de forma a manter os incentivos para os investimentos (GROSSMAN & HART, 1986). Uma das alternativas de formas híbridas é a subcontratação, também conhecida como terceirização, que consiste nos contratos de prestação de serviços para determinadas atividades da empresa, geralmente como forma de reduzir custos fixos. González et al. (2000) apresentam um estudo empírico sobre as causas da subcontratação na indústria da construção. Os resultados indicaram que as empresas tendem a subcontratar menos tarefas quando o risco de hold-up (comportamento oportunista do agente contratado), medido por índices de especificidade elaborados pelos autores, aumenta. Outro resultado foi que a incerteza não parece exercer qualquer efeito significativo na subcontratação, resultado tomado com ressalva pelos autores, que consideraram que esse efeito foi parcialmente anulado por outros fatores contrários. Em terceiro lugar, descobriu-se que a subcontratação aumenta quando o número de produtos diferentes, a especialização em design e o controle técnico aumentam. Ao analisarem as decisões sobre a integração vertical, Klein, Crawford e Alchian (1978) tratam da ameaça de rompimento de contratos quando existem quase-rendas apropriáveis. Quando um investimento específico (que gera perda de valor para o uso alternativo dos ativos) é realizado, e com isso, criam-se quase-rendas, existe a possibilidade de oportunismo. De acordo com o referencial de Coase, esse problema pode ser resolvido por integração vertical ou contratos. O pressuposto adotado pelos autores é o de que à medida que os investimentos se tornam mais específicos, aumentando as quase-rendas, os custos da contratação geralmente crescem mais do que os custos da integração vertical. 31 3.2 3.2.1 Escolha dos Arranjos Institucionais Considerações Gerais Uma das questões que freqüentemente emergem ao se discutir o grau de integração vertical é a razão para que agentes aumentem seu controle em outras etapas no sistema em que atuam, seja por integração vertical financeira ou por contratos de longo prazo. A visão mais tradicional, baseada em conceitos da Organização Industrial, tende a considerar que a principal razão para esse movimento é a busca de poder monopolístico. Essa abordagem pode influenciar as políticas públicas de defesa da concorrência, no sentido de coibir ou punir práticas que aumentem a integração vertical nos sistemas produtivos com o pretenso objetivo de favorecer a concorrência. Entretanto, essa abordagem vem sendo superada pelo argumento da busca da eficiência, segundo o qual a organização do sistema produtivo depende do grau de coordenação necessário para as atividades realizadas em um dado ambiente institucional. Essa visão tem sido reforçada por grande número de evidências obtidas em estudos empíricos. Para Brickley, Smith e Zimmerman (1997, p. 350-360), existem pelo menos três razões básicas para a realização de transações fora do mercado: custos de transação, taxas ou regulação e poder de monopólio. Com relação aos custos de transação, os fatores considerados seriam a especificidade de ativos, os custos para medir a qualidade, problemas de coordenação e externalidades, detalhados a seguir. O investimento em ativos específicos por uma das partes cria vulnerabilidade a ações oportunistas da outra parte, que pode exigir melhores condições nas negociações, dada a perda de valor do ativo fora da transação. A dificuldade de medir a qualidade do insumo adquirido pode favorecer o relaxamento do fornecedor em suas atividades, o que incentiva o uso de contratos que permitam esse controle. Problemas de coordenação podem surgir decorrentes de características do sistema produtivo que dificultem o uso do sistema de preços, como a utilização da mesma ferrovia por diversas empresas independentes, ou a gestão de preços em pontos de varejo, que oferece melhores resultados globais se for centralizada, como nas redes de franquias de fast-food. As externalidades aparecem para distribuidores quando o produtor consegue criar uma reputação no mercado e fidelidade dos clientes. Entretanto, podem ocorrer comportamentos 32 de carona de distribuidores independentes, como a falta de investimentos em propaganda ou em recursos humanos, que prejudica as vendas. Esses problemas podem ser minimizados com a integração vertical dos canais ou com os contratos de longo prazo que incentivam os esforços de venda. A tributação e a regulação também influem na integração vertical. Se determinada etapa for fortemente taxada enquanto outra não, a firma pode realizar a integração vertical do estágio menos tributado. Analogamente, uma firma que atua em um segmento altamente regulado nos preços pode integrar verticalmente outras etapas com menor grau de regulação, aumentando seus lucros. Com relação ao poder de monopólio, é possível elaborar estratégias de integração que tenham como objetivo aumentar lucros provenientes dessa fonte. Uma delas é a possibilidade de discriminar preços em produtos finais distintos quando se controla a produção de insumos comuns (BRICKLEY, SMITH e ZIMMERMAN, 1997, p. 350-360). Nos itens seguintes desta seção aprofunda-se o tema da eficiência em custos de transação, são apresentadas abordagens que integram outras teorias da Nova Economia Institucional e finalmente consideram-se alguns aspectos sobre a influência das características dos agentes na escolha da estrutura de governança. 3.2.2 Eficiência em Custos de Transação Williamson (1985) discute aspectos teóricos e prescritivos da integração vertical, situando a evolução da compreensão do tema. O debate sobre esse tema iniciou-se no campo de estudo dos monopólios, com a discussão sobre qual seria a função principal da integração: a discriminação de preços, a sucessiva marginalização dos concorrentes ou a criação de barreiras de entrada. Mais recentemente, percebe-se que a discussão no campo da eficiência tem avançado significativamente, apesar da objeção dos que consideram as razões de monopólio e de tecnologia como predominantes. Assim, para esse autor, nas organizações mais complexas a integração vertical atende a muitos propósitos, mas o principal seria a eficiência, pela minimização dos custos de transação, e o fator predominante para a tomada de decisão sobre integrar é a condição de especificidade de ativo – perda de valor na melhor utilização alternativa. Se a especificidade de ativo não existir, a contratação via mercado das sucessivas etapas de produção pode ser eficiente, visto que os fornecedores podem agregar a demanda de 33 diversos clientes, e a busca de novos fornecedores teria custos desprezíveis, já que nenhuma das partes teria um interesse específico na continuidade do relacionamento. À medida que a especificidade aumenta, torna-se mais vantajoso incorporar a atividade na organização. A partir da abordagem de custos de transação, Brickley, Smith e Zimmerman (1997, p. 366) apresentam no Quadro 3 um modelo que indica os arranjos institucionais mais prováveis, combinando três níveis (baixo, médio e alto) de especificidade de ativos e de incerteza ambiental. Assim, quando a especificidade de ativos é baixa, a configuração ideal é o uso de transações de mercado para o suprimento. À medida que o grau de especificidade de ativos aumenta, as transações fora do mercado (contratos e integração vertical) tornam-se mais desejáveis. Quando a incerteza é baixa, é possível a elaboração de contratos relativamente completos. Assim, contratos podem ser usados para resolver conflitos de incentivos, motivados pela presença de ativos específicos. À medida que a incerteza aumenta, a contratação se torna mais dispendiosa, até o ponto em que a integração vertical de ativos específicos se torna a configuração mais adequada. Especificidade de ativos Quadro 1. Arranjos institucionais para diversos níveis de incerteza e especificidade de ativos Baixo Transação de Baixo mercado Contrato Médio Contrato Alto Incerteza Médio Transação de mercado Contrato ou integração vertical Contrato ou integração vertical Alto Transação de mercado Contrato ou integração vertical Integração vertical Fonte: Brickley, Smith e Zimmerman (1997, p.366) 3.2.3 Integração de Abordagens Ao tratar, com extensa revisão bibliográfica, da competição entre os diversos arranjos institucionais com extensa revisão bibliográfica, Mahoney et al. (1994) citam, como principais motivos para a coordenação vertical, a busca de poder monopolístico, compartilhamento de riscos e eficiência. Os autores identificam que a abordagem de eficiência apresenta aceitação generalizada na literatura de custos de transação, que considera 34 a ameaça de ações oportunistas quando existe especificidade de ativos (física, humana ou locacional), assim como destaca o papel da incerteza (de demanda ou tecnológica). Entretanto, para os autores, a Economia dos Custos de Transação negligencia os efeitos interativos dos problemas de mensuração apontados pela Teoria da Agência. Essa teoria enfatiza questões de assimetria informacional entre o principal e os agentes, como os problemas da inseparabilidade e da programabilidade da tarefa. O problema da inseparabilidade representa a dificuldade de identificar a ação individual dentro de um grupo. Se a recompensa não pode ser baseada no resultado, é necessário inserir um gerente para monitorar o comportamento dos agentes. O problema da programabilidade da tarefa refere-se ao conhecimento sobre o processo de transformação. Baixo nível de programabilidade de tarefas reduz a efetividade do esforço de monitoramento. A integração das abordagens de Custos de Transação e de Agência considera a programabilidade de tarefas, a inseparabilidade, a incerteza de demanda, a incerteza tecnológica e a especificidade de ativos como os cinco determinantes da forma organizacional. Ainda que as incertezas de demanda e tecnológica possam influir, os autores sugerem que seu efeito ainda é indeterminado e optaram por não considerá-las no modelo, que adota uma abordagem dicotômica (alto e baixo) das quatro restantes, conforme o Quadro 2. Quadro 2. Previsão da forma organizacional da coordenação vertical Baixa programabilidade de tarefas Baixa Alta especificidade especificidade Baixa 1. Mercados 2. Contrato de inseparabilidade spot longo prazo Alta 3. Contratos 4. Clã (hierarquia) inseparabilidade relacionais Alta programabilidade de tarefas Baixa Alta especificidade especificidade 5. Mercados 6. Joint ventures spot 7. Contrato 8. Hierarquia interno Fonte: Mahoney et al. (1994). Sauvée (1995) realiza um esforço de compilar e comparar abordagens de economia institucional, organizacional e de gestão estratégica, para analisar a questão da coordenação vertical. Para ele, o uso de novos conceitos e pressupostos permite uma visão mais realista e completa da coordenação e pode ampliar consideravelmente o escopo da análise. O autor reconhece que as escolas de pensamento são divergentes e estão longe da unificação, identificando grande oposição metodológica entre as áreas de gestão estratégica e de economia das organizações. 35 Ao elaborar um quadro de referência descritivo para a coordenação vertical, o autor inicia destacando a diferença entre os conceitos de ambiente institucional e de arranjo institucional. Para isso, ele cita Williamson, que afirma que o ambiente institucional é o conjunto de regras políticas, sociais e legais que estabelecem as bases para a produção, as trocas e a distribuição, dando como exemplos as regras de eleições, os direitos de propriedade e o direitos dos contratos. Um arranjo institucional é um acordo entre unidades econômicas que governa o modo pelo qual essas unidades podem cooperar ou competir. Ele fornece uma estrutura dentro da qual seus membros podem cooperar, ou um mecanismo que pode influir em mudanças das leis e dos direitos de propriedade. O quadro de referência desenvolvido por Sauvée tem os seguintes objetivos: fornecer uma descrição completa da coordenação vertical por meio de suas principais características institucionais e propor um modelo de tomada de decisão das firmas, no que se refere à escolha dessas características. São combinados elementos da Teoria dos Custos de Transação, Teoria da Organização Industrial, Teoria de Agência e Teoria das Convenções. O quadro de referência aparece no Quadro 5. Quadro 3. Quadro de referência para a tomada de decisão sobre coordenação vertical Foco Primeiro Passo Produção (ativos) Objetivos Entender a configuração dos estágios da cadeia produtiva Entender a emergência dos padrões de autoridade Determinar os objetivos estratégicos do processo de coordenação Variáveis Variáveis tecnológicas Especificidade de ativos para os agentes ou para as coalizões versus o ambiente competitivo Abordagens Análise de Organização Industrial Análise competitiva / institucional Análise de Teoria das Convenções Segundo Passo Trocas (transações) Analisar os mecanismos de controle e de troca Descrever os problemas de agência: - Seleção adversa - Risco moral Analisar os problemas de incentivo Características das Transações Incerteza Programabilidade e inseparabilidade das tarefas Análise de custos de transação e de coordenação Fonte: Sauvée (1995). Como conclusão, o autor observa que a habilidade de explicar porque as relações verticais heterogêneas surgem, permanecem e competem está longe de ser atingida. As decisões sobre coordenação vertical são resultado de procedimentos complexos. Apesar dos conceitos promissores e resultados significativos, um entendimento completo desse fenômeno desafia a pesquisa futura. A progressiva construção de uma análise institucional, combinando 36 economia das organizações com gestão estratégica, pode contribuir para essas futuras pesquisas. 3.2.4 Características dos Agentes Um aspecto ainda pouco estudado na literatura é o papel da estrutura organizacional e dos incentivos na elaboração dos contratos entre compradores e vendedores de produtos agrícolas. Baseando-se nas teorias de Agência, Contratos Incompletos e Custos de Transação, Sikuta e Cook (2001) analisam como as diferenças na orientação das empresas (para investidores) e tipos alternativos de cooperativas (para produtores) podem afetar os contratos com produtores agrícolas. Nas empresas, investidores em ações dispersos têm direitos de propriedade sobre os lucros, direitos que podem ser facilmente avaliados e transferidos. A relação das empresas com os fornecedores é um jogo de soma zero, onde os acréscimos nos preços pagos representam perdas nos lucros para os investidores, gerando uma tendência inerente de desconfiança entre os agentes envolvidos, o que favorece a assimetria informacional. Em cooperativas tradicionais, produtores proprietários investem em cotas na organização, mas a distribuição da renda residual pode ser definida por critérios de poder ou por acordos com as organizações. A relação entre a cooperativa e os fornecedores não é necessariamente um jogo de soma zero, visto que um preço superior pago a um fornecedor representa um pagamento equivalente a alguns investidores. Com os produtores participando da governança da organização, há menor grau de assimetria informacional, o que sugere maior confiança entre os participantes. Os autores consideram que, comparados aos das cooperativas, os contratos das empresas com produtores tendem a apresentar: mecanismos de monitoramento e definição de preços mais transparentes e facilmente verificáveis, verificação ou arbitragem por terceiros, direitos e responsabilidades mais detalhados sobre um universo maior de contingências (4) mais direitos de decisão dos contratantes sobre as atividades dos produtores e pagamentos, aos produtores, de valores menos correlacionados diretamente com os lucros da contratante. As cooperativas tradicionais são comparadas com as de “nova geração”, conforme classificação de Cook baseada nos direitos de propriedade, que seriam vagamente definidos nas tradicionais, gerando problemas como: caronas (cooperados desfrutam de benefícios sem a contribuição correspondente), horizonte (ganhos residuais não acompanham a extensão da 37 vida dos ativos envolvidos), portfolio (atividades podem estar desalinhadas com os interesses dos cooperados), controle (menor pressão de mercado na gestão), influência (decisões sobre a distribuição de riquezas). As cooperativas de “nova geração” têm maior controle na entrada de cooperados, nos direitos de entrega de mercadorias, e cotas transferíveis e precificáveis, gerando renda adicional ao cooperados pela valorização do capital. Assim podem reduzir o efeito carona e incentivar o reinvestimento dos lucros, tornando-se mais aptas para estabelecer contratos cujos preços sejam menos correlacionados com os lucros da organização e com cláusulas mais específicas, geralmente necessárias em produtos com maior valor agregado. Outra forma de analisar o papel das fronteiras da firma em sua estratégia é verificar se elas influem nas decisões de alocação de recursos. Mullainathan e Scharfstein (2001) tratam desse tema num estudo empírico sobre a correlação entre os investimentos em capacidade de produção e o grau de integração vertical. Os autores analisam o grau de integração da produção de monômeros de vinil clorídrico (VCM) com a etapa seguinte, onde o produto é um insumo na obtenção de polivinil clorídrico (PVC). A partir de um banco de dados global de produtores, os resultados obtidos pelos autores sugerem que existem diferenças no modo como firmas integradas e não integradas alocam os recursos. A capacidade dos produtores de VCM integrados parece ser insensível ao consumo na etapa a jusante da cadeia produtiva, enquanto esse parâmetro é bastante sensível entre produtores não integrados. A capacidade dos produtores integrados depende somente da demanda interna por VCM de suas próprias unidades de PVC. Além disso, identificou-se uma potencial alocação ineficiente de recursos, em razão da manutenção de capacidade ociosa em relação ao consumo. Os autores sugerem duas possíveis explicações: foco organizacional no mercado de PVC, o que leva à incapacidade de perceber oportunidades nos mercados de VCM, e diferenças no modo de definir preços de transferência e de mercado, que fazem com que os preços de transferência definidos pelos integrados não respondem tão rapidamente às mudanças na demanda de mercado quanto os definidos pelos não integrados. 38 3.3 Evolução dos Arranjos Institucionais Esta seção trata da análise dos arranjos institucionais ao longo do tempo. O tema tem sido pouco explorado pela ECT, visto que na literatura predominam as análises comparativas de arranjos institucionais discretos para situações estáticas. Assim, configura-se o desafio de manter os fundamentos dessa corrente teórica e adaptar suas ferramentas para a análise dinâmica da coordenação em sistemas produtivos. Inicialmente, é necessário identificar os tipos de contrato a ser abordados. Por estarem ligados a transações de mercado, os contratos neoclássicos são, por natureza, de curto prazo, não apresentando maior interesse com relação ao tema do presente capítulo. Os contratos de forbearance ocorrem dentro das firmas e têm prazo indefinido, mas o estudo da duração desses arranjos foge ao escopo deste estudo, por envolver outros aspectos organizacionais. Assim, os contratos de maior interesse são os contratos relacionais, por envolverem transações entre firmas e representarem arranjos institucionais híbridos, nas quais os agentes criam um relacionamento estreito, a especificidade de ativos está presente e existe flexibilidade para adaptações do contrato em resposta a choques externos. Por essas características, existe um interesse mútuo em que a transação perdure no tempo. As relações entre as estratégias das empresas e a evolução dos arranjos institucionais são tratadas em estudo sobre a organização da distribuição na indústria de refrigerantes norteamericana (MURIS, SCHEFFMAN e SPILLER, 1992). Os autores analisam, sob a ótica da Teoria dos Custos de Transação, a mudança nos canais de distribuição da Coca-Cola e da Pepsi-Cola, que utilizavam engarrafadores independentes e passaram a adotar a integração vertical com subsidiárias. A hipótese formulada é a de que as mudanças no ambiente e nas estratégias das empresas aumentaram os custos de transação com os engarrafadores independentes. O estudo abrange uma primeira etapa qualitativa de levantamento da hipótese, seguida da etapa quantitativa, com dois testes empíricos. O primeiro explora as diferenças entre a Coca-Cola e a Pepsi-Cola, na distribuição do produto para as máquinas de refrigerante. O segundo envolve análises estatísticas dos efeitos competitivos da maior integração vertical nos canais. Os testes suportaram a hipótese considerada. Ao estudarem as formas de coordenação entre produtores e processadores nos sistemas agroindustriais de suínos e bovinos nos EUA, LAWRENCE e HAYENGA (2002) observam uma significativa mudança das transações a mercado para os contratos de longo prazo ou para a integração vertical, no caso de suínos, enquanto no setor de bovinos predominam ainda o mercado spot e os contratos de curto prazo com processadores. Para os autores, as diferenças 39 nas formas de coordenação parecem estar relacionadas, no caso dos suínos, com a concentração de escala de produção, e a pequena quantidade de processadores disponíveis na região Sudeste e os maiores investimentos específicos de produtores independentes ou processadores detentores de marcas. Com relação ao setor de bovinos, observa-se uma cadeia produtiva com mais etapas e uma ênfase mais tardia em programas de valorização de marcas. Assim, no volume total de suínos, de 1993 a 2000 a participação percentual das transações a mercado passou de 87% para menos de 2%, a integração por processadores passou de 2% para 18% e os contratos evoluíram de 11% para 60%. Os contratos de suínos apresentam duração de 3 a 10 anos ou renovação perpétua. Analisando a coordenação vertical da indústria de suínos na Austrália, Gall e Schroder (2002) avaliaram as alternativas e as razões ds escolha dos produtores para o escoamento do produto, a situação atual e as perspectivas sobre o relacionamento com compradores e outros agentes de suporte à atividade. As principais mudanças identificadas nos produtores foram: passagem da comercialização por leilões para a negociação direta com os abatedouros, e mudança da operação independente para um relacionamento mais estreito com os principais compradores, outros produtores e principalmente veterinários e fornecedores de insumos. Os autores observam também que as maiores fontes de vantagem competitiva são provenientes de ganhos de produtividade relacionados à saúde dos animais. Os resultados da pesquisa indicam que o estreitamento das relações com veterinários e fornecedores de insumo gerou maiores impactos na qualidade e nas performances técnicas e financeiras dos produtores do que o relacionamento destes com os principais compradores, que são os processadores. 4 4.1 COORDENAÇÃO NA AVICULTURA DE CORTE Ambiente Institucional Ao analisar o sistema LABEL ROUGE da indústria avícola francesa, Menard (1996) aborda de maneira bastante abrangente a influência do ambiente institucional sobre os arranjos institucionais vigentes, que constituem formas híbridas (intermediárias entre as transações de mercado e a integração vertical). Utilizando conceitos da Teoria dos Custos de Transação, o autor levanta questões sobre o processo de coordenação existente, sua eficiência e a coexistência de diferentes estruturas organizacionais. Assim, identifica-se o papel das organizações certificadoras privadas, que estabelecem os padrões de processo e de produto para o uso da marca LABEL, com o suporte de organismos e regulamentos federais, o que reforça o conceito de autoridade para a coordenação das cadeias. Para o autor, trata-se de um tipo de poder concedido e limitado pelos agentes envolvidos, diferente da hierarquia nas firmas, a qual é resultado dos direitos de propriedade. No Brasil, é possível identificar a influência do ambiente institucional em diversos momentos da história da avicultura. Sua origem em moldes mais comerciais ocorreu nos anos 40, a partir da especialização da colônia de imigrantes japoneses da região de Mogi das Cruzes, no Estado de São Paulo. Temos, neste caso, a cultura e os hábitos de uma comunidade específica condicionando uma atividade econômica. Esse ambiente favoreceu a especialização de agentes independentes em cada etapa do sistema agroindustrial (ração, pintos, engorda e abate). A introdução, pioneira por uma agroindústria, dos contratos de parceria com produtores no Oeste de Santa Catarina ocorreu no início dos anos 60. A existência de financiamentos governamentais subsidiados para a atividade representou um suporte essencial para a disseminação do modelo. Também contribuiu para o sucesso da atividade na região a uniformidade cultural (imigrantes europeus) e de estrutura fundiária (pequenas unidades de produção) dos produtores, além da proximidade das propriedades. Essas condições 41 favoreceram a transmissão do pacote tecnológico, o controle do manejo zootécnico e veterinário e a logística de transporte de ração, pintos e frangos para abate. Outro evento significativo no âmbito institucional formal foi a decisão das autoridades econômicas de permitir a atuação de empresas estrangeiras de genética avícola no Brasil, que passaram a produzir avós e matrizes no país nos anos 60. A iniciativa dificultou o desenvolvimento tecnológico nessa área por empresas brasileiras. Trata-se de um segmento tradicionalmente controlado por algumas empresas multinacionais de grande porte, que inicialmente forneciam seus produtos no mercado e posteriormente estabeleceram contratos com as grandes agroindústrias processadoras do setor. Em 1995, no auge da crise provocada nos agronegócios pela implementação do Plano Real em 1994, com a sobrevalorização cambial e a abertura comercial, novamente o governo criou um programa de crédito rural específico para os sistemas de parcerias. Por meio desse mecanismo, vigente até hoje, os recursos são alocados pelos bancos às agroindústrias, que os repassam aos produtores parceiros. 4.2 4.2.1 Ambiente Competitivo Avicultura Mundial De acordo com a Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (ABEF, 2001), que cita dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), de 1996 a 2000 a produção mundial de frangos cresceu 4,8% ao ano, passando de 47,6 para cerca de 56,8 milhões de toneladas. O maior produtor mundial de frangos, os Estados Unidos, vem reduzindo sua taxa de crescimento, em razão dos baixos retornos econômicos da atividade e da forte concorrência no mercado externo. Em 2000 os EUA exportaram 2.190 mil toneladas (líder) e o Brasil ficou em segundo lugar, com 906 mil toneladas, seguido de Hong Kong (885 mil ton.), China (430 mil ton.) e França (350 mil ton.). Conforme Martins (2002), a carne de frango é a que tem apresentado maior aumento no consumo mundial, com taxas de crescimento anuais superiores a 3,3% nos últimos seis anos, crescendo mais de 8% apenas no ano de 1999. O crescimento das exportações mundiais tem sido superior ao do consumo, alcançando 10% em 2000 e 15% em 2001. O surgimento da doença da “vaca louca”, inicialmente circunscrita à Inglaterra mas que se manifestou em 42 diversos outros países europeus, favoreceu a exportação brasileira de carnes, especialmente a de frango, com maior demanda por parte do consumidor europeu. Entre 1990 e 2000, a avicultura brasileira aumentou sua participação na produção mundial de 9,6% para 13,7%, crescendo de 2,3 para 5,9 milhões de toneladas, enquanto a produção global se expandiu 66% no período. As exportações brasileiras cresceram fortemente de 1996 até 2001, passando de 569 mil toneladas para 1.249 mil toneladas em 2001 (MARTINS, 2002), o que representa uma variação de 119%. Os principais mercados consumidores dos produtos brasileiros, considerando-se o faturamento gerado em 2000, foram o Oriente Médio (37,5%), a Ásia (27,4%) e a União Européia (23,6) (ABEF, 2000). Esse desempenho tem sido obtido principalmente pelas principais agroindústrias do setor, com uma tendência discreta de desconcentração nessa participação. Enquanto os três principais grupos (Sadia, Perdigão e Ceval) controlavam 70% das exportações em 1995 (JANK, 1996), os três primeiros colocados em exportação no ano de 2000 (Sadia, Perdigão e Seara) responderam por 67,2% (ABEF, 2000). A competitividade da avicultura brasileira no mercado internacional tem sido conquistada pela conjugação de diversos fatores. Jank (1996) identificou como principais elementos: (1) o rígido controle sanitário na produção das aves, com a presença permanente de veterinários nas linhas de abate e em modernos laboratórios para a análise de produtos; (2) escala operacional de abate semelhante à dos EUA (250 a 400 mil aves por dia) para as empresas líderes brasileiras; (3) segmentação das exportações por regiões geográficas e adaptação do produto às exigências de cada mercado, oferecendo-se peito de frango sem osso e sem pele para a União Européia, asas e coxas desossadas para os países do Sudeste Asiático, com grande padronização de cortes especiais, frangos inteiros de pequeno porte (1 kg) para o Oriente Médio, frangos maiores (2 kg) e com a pele mais amarelada para a Argentina e, finalmente, produtos de baixo preço para países mais pobres (África e Ásia). A elevada competitividade da indústria avícola brasileira no contexto externo é evidente, o que explica a estratégia da Doux, de capital francês, ao adquirir a Frangosul e expandir sua produção para exportação. O excepcional desempenho alcançado pela indústria, principalmente nas três últimas décadas, assim como os padrões de competição vigentes estão intimamente ligados aos arranjos institucionais adotados, conforme detalhamento apresentado na próxima seção. 43 4.2.2 Avicultura Brasileira Apesar do desempenho positivo no mercado internacional, o crescimento da produção apoiou-se principalmente no consumo interno, que cresceu de 2,0 para 4,9 milhões de toneladas (AVES E OVOS, 2001). O consumo brasileiro per capita passou de 14,2 kg em 1990 (APA, 2001), para 22,2 kg em 1996 e 29,9 kg em 2000 (ABEF, 2000), próximo do nível do Canadá (29,5 kg), mas ainda distante do índice em Hong Kong (43,4kg). Segundo dados da União Brasileira de Avicultura, citados por Brum (2000), a conversão alimentar apresentou expressiva evolução positiva neste século, visto que em 1930 eram necessários 3,5 kg de ração para se obter um kg de frango, 2,15 kg em 1990, 1,95 kg em 1997 e 1,9 kg em 2000, o que permitiu que se atingisse o peso de abate em 39 dias. Considerando-se a quantidade de animais abatidos, segundo dados do IBGE (2002) referentes a dezembro de 2001, os principais produtores são os Estados do Paraná (56,7 milhões), Santa Catarina (51,7 milhões), Rio Grande do Sul (47,6), São Paulo (35 milhões), para um total de 243,6 milhões no Brasil. São Paulo esteve entre os três maiores de 1990 até 1996, sendo ultrapassado pelo Rio Grande do Sul em 1997. Verifica-se expansão da produção na Região Centro-Oeste, com a instalação de abatedouros de grande porte, pela proximidade das matérias-primas da ração. Ainda em relação à quantidade de frangos abatidos, a indústria apresenta baixa concentração, com a participação de mercado das 4 maiores empresas atingindo 31,56% em 1999, seguidas de 15 firmas (comerciais e cooperativas) com participação acumulada de 26% (AVES E OVOS, 2000). As empresas líderes são a Sadia, com 12,24% dos abates, Perdigão (8,75%), Doux Frangosul (5,39%) e Seara (5,18%). Com relação aos preços, observa-se uma tendência persistente de queda no preço do frango desde a metade da década de 90. Rocha (2002) apresenta a evolução do preço do frango em dólares desde 1994, no qual se percebe um pico de US$ 1,50 em dezembro de 1994, provavelmente provocado pela sobrevalorização do Real. A partir desse ponto observase uma queda consistente, com alguns pontos de depreciação acentuada por excesso de oferta, como em abril de 2000 (US$ 5,00), atingindo seu menor valor em junho de 2002 (US$ 4,8). Para analistas consultados, além da desvalorização cambial no período (62,15%), o crescimento na oferta de frango e a queda da renda da população explicam a redução das cotações em dólar. Para um representante da União Brasileira de Avicultura, entretanto, o aumento da produtividade do setor é um dos principais motivos da redução nos preços. O 44 aumento da produção nos últimos dois anos foi estimulado pelas perspectivas de ganhos por parte do setor produtivo, por conta das crises sanitárias na Europa. No mercado interno, caracterizado por elevada rivalidade, aparentemente existem dois padrões básicos de concorrência na indústria. O primeiro, entre as empresas líderes, consiste na diferenciação através da diversificação e da agregação de valor em produtos (cortes temperados, embutidos e pratos congelados) e em expressivos investimentos em marca. O segundo se refere aos produtos padronizados, como o frango inteiro resfriado ou congelado, do qual participam, além das empresas líderes, também os demais abatedouros de pequeno porte. Nesse mercado, as exigências de qualidade são menores, existe baixa diferenciação entre as marcas, as barreiras de mobilidade são baixas e a competição está baseada em preço. Focalizando a análise no Estado de São Paulo, Martins (2002) observa que a avicultura deste Estado, constituída por empresas relativamente antigas e de pequena escala, vem passando por uma crise decorrente da competição com modelos de produção mais modernos instalados em outros Estados, que têm sido beneficiados por incentivos estaduais de caráter fiscal e financeiro. As desvantagens se agravam quando problemas conjunturais, como a escassez de milho, combinam-se com a saturação do mercado externo e a absorção pelo mercado consumidor paulista do excesso da produção. Observa-se que a participação relativa do Estado no total de carne de frango consumida no Brasil caiu consistentemente de 20% para 15% (estimativas) entre 1998 a 2002. Sua participação apresenta maior estabilidade na produção de pintos (de 22% para 19%) e no alojamento de matrizes de corte (de 19% para 18%). As potenciais saídas propostas pela autora implicam investimentos em plantas de congelamento, preferencialmente através da associação de pequenas empresas, visando à atuação conjunta no mercado internacional e talvez criando uma marca forte paulista. 4.3 4.3.1 Evolução dos Arranjos Institucionais Avicultura Mundial Com base na Economia dos Custos de Transação, Martinez (1999) analisou a evolução dos arranjos contratuais adotados pela indústria avícola dos EUA, visando a levantar previsões sobre o comportamento da indústria de suínos. O autor afirma que os contratos de produção e a integração vertical facilitaram a rápida adoção de tecnologias, melhoraram o 45 controle de qualidade e garantiram o escoamento da produção de frangos e o suprimento dos processadores. Com isso o consumo per capita de produtos de alta qualidade derivados do frango apresentou consistente crescimento, superando o das carnes bovina e suína. Ao longo da história da indústria avícola norte-americana, a partir da II Guerra Mundial, foram adotados seis tipos básicos de contratos, detalhados a seguir: (1) Contabilidade aberta. O primeiro firmado entre integradores (normalmente a empresa de rações) e produtores, previa a concessão de crédito ao produtor, que era responsável pelas construções, equipamentos, trabalho, combustível e outros insumos. Quando os frangos eram vendidos o produtor pagava o débito ao integrador, que obtinha lucros das margens nos produtos e da cobrança de tarifas fixas pela operação. À medida que os produtores se especializavam na produção de frangos, os riscos de preço e de produção se tornavam mais críticos. (2) Preço garantido. Esses contratos reduziram os riscos de preço e de produção dos produtores e suas restrições financeiras. A empresa de rações fornecia insumos por uma tarifa e assumia o risco de preço, visto que para o produtor havia garantia de preço. Quando o preço contratado excedia os custos do produtor, a diferença era repassada ao produtor, mas quando era inferior, a perda era cancelada. Assim, os integradores passaram a assumir uma parte dos riscos de produção. Os produtores ainda estavam sujeitos ao risco do preço dos insumos e a requerimentos elevados de capital. O preço garantido favoreceu o relaxamento dos produtores, resultando em aves de baixa qualidade. (3) Tarifa básica. Esses contratos se tornaram os mais utilizados nos anos 50 e 60. O integrador fornecia pintos, ração, medicamentos, assistência técnica periódica e tinha um título de posse dos frangos. O produtor não ficava devedor do integrador pelos insumos e recebia um valor fixo por ave entregue, unidade de peso ou semana de trabalho. Nessa configuração, as necessidades de capital e os riscos de produção dos produtores foram reduzidos. Os riscos de preços de insumos e de venda foram transferidos para o integrador. Como os pagamentos não eram baseados em ganhos de conversão alimentar e os esforços dos produtores eram dificilmente monitorados, havia incentivos ao relaxamento. (4) Compartilhamento. Para deter o relaxamento dos produtores, os integradores desenvolveram variações do contrato de tarifa fixa. Os integradores forneciam os pintos, ração, medicamentos e combustível, enquanto os produtores forneciam as instalações, equipamentos e o trabalho. As aves fornecidas que excediam os custos do integrador eram compartilhadas com o produtor, provocando um interesse parcial de um agente nos objetivos do outro. As perdas eram absorvidas pelo integrador, mas eram encorajados os aumentos de 46 margem nos insumos fornecidos, de modo a reduzir os lucros a ser compartilhados. Os produtores ainda estavam sujeitos a elevados requerimentos de capital e a riscos de preço de venda, e tinham algum incentivo ao relaxamento. (5) Conversão alimentar. Esses contratos foram desenhados a fim de fornecer incentivos para a melhoria das práticas de produção. Nesse arranjo, além da tarifa fixa, era pago um bônus pela conversão alimentar, baseado em unidades de peso de ração sobre o peso das aves. Os incentivos ao relaxamento do produtor eram reduzidos pela vinculação da renda ao desempenho, ainda que o produtor estivesse sujeito ao risco de produção e a restrições de capital. (6) Combinação. Esses contratos combinavam os atributos desejáveis dos contratos apresentados acima. Normalmente eles incluíam uma tarifa fixa ao produtor ajustada por algum bônus, para desencorajar o relaxamento. Esses bônus eram incluídos dependendo do compartilhamento de lucros, da eficiência na conversão alimentar, da mortalidade ou de outros indicadores. Além disso, o bônus era calculado com base na performance do produtor em comparação com a de produtores similares, e não em relação a algum padrão absoluto. O autor observa o rápido avanço dos contratos de longo prazo firmados inicialmente entre produtores e produtores de ração e, posteriormente, entre produtores e processadores. Enquanto em 1950 5% dos frangos eram produzidos sob contratos ou integração vertical e 95% com produção independente, cinco anos depois 86% da produção já era feita sob contratos e 10% com produção independente. A participação dos contratos tem se mantido praticamente estável, apresentando ligeira queda progressiva ao atingir 82% em 1994, quando convivem com a integração vertical em cerca de 15% da produção e os independentes respondem pelos 3% restantes. No âmbito da avicultura francesa, Menard (1996) analisa o sistema LABEL ROUGE a partir do conceito de estrutura institucional de produção, que significa caracterizar as formas híbridas de governança considerando outros elementos além dos arranjos contratuais. Ele conclui que, nessas estruturas, nem a tecnologia nem a propriedade são os principais determinantes da forma híbrida analisada. Trata-se de um arranjo institucional específico, desenvolvido deliberadamente pelos participantes através de uma rede de contratos e profundamente enraizado no ambiente institucional. Assim, para esse autor, os arranjos institucionais são mais amplos do que os arranjos contratuais específicos, abrangendo-os. 47 4.3.2 Avicultura Brasileira A estrutura de governança que favoreceu a dinamização da indústria tem como principal componente o contrato de parceria entre processadores e produtores rurais. Esse arranjo também é conhecido como contrato de integração, por criar uma situação semelhante à integração vertical, pelos processadores, da fase de engorda dos frangos, ainda que os agentes permaneçam como entidades distintas. Uma denominação mais precisa parece ser a indicada por Blois (1996), que discute a existência de uma situação chamada de quase-integração vertical, na qual algumas firmas conseguem obter as vantagens da integração vertical sem assumir os riscos ou a rigidez da propriedade. Para esse autor, trata-se do desenvolvimento de um relacionamento estreito entre clientes e fornecedores, baseado principalmente na dependência do fornecedor, relativa a uma parcela significativa de seus negócios, com relação a um cliente particular. O estudo indica que esse tipo de situação fornece ao consumidor um considerável poder de barganha sobre tais fornecedores, e que esse poder algumas vezes é exercido para exigir condições especiais ou termos de comercialização que podem aumentar a dependência do fornecedor. Conclui-se que esse relacionamento pode ser considerado um tipo de integração vertical sem formalização legal e que em diversas indústrias muitos fornecedores têm encontrado dificuldades em manter sua independência de gestão em relação a grandes clientes. Na configuração mais comum do contrato adotado na indústria avícola brasileira, o processador fornece ao produtor pintos de linhagens selecionadas, ração, assistência veterinária, medicamentos e garantia de compra. O produtor é responsável pelos investimentos em instalações e equipamentos, e pela mão-de-obra. Ao final do ciclo de engorda, o pagamento dos lotes de aves varia de acordo com índices de eficiência atingidos no processo (conversão alimentar, mortalidade, tempo de engorda). Outro elemento bastante comum nessa estrutura de governança é o controle por meio da integração vertical da fábrica de ração pelos processadores, que gera maior controle sobre as características e os custos de produção dos frangos, melhores condições na compra de insumos (milho e farelo de soja) e economias de escala na produção da ração para todos os contratados. Com essa estrutura de governança, o processador busca padronização na qualidade, regularidade na quantidade e pontualidade nos prazos para a aquisição dos animais com peso de abate. Além disso, ela facilita a implementação de inovações tecnológicas nas diversas 48 etapas da cadeia produtiva, o que explica os consistentes ganhos de produtividade e de conversão alimentar verificados nas últimas décadas. Para o produtor, a engorda de frangos com contrato de parceria é uma alternativa viável por reduzir riscos de demanda e de oscilações no fluxo de caixa. O contrato elimina os custos envolvidos em transações de mercado, como o acompanhamento e a negociação do preço, a busca de compradores e as operações de logística, aspectos razoavelmente definidos no contrato. Ao se concentrar na atividade pecuária, o produtor se especializa e pode buscar ganhos de produtividade e qualidade para o produto final (conversão alimentar, tempo de engorda e sanidade). O contrato de parceria tem se mostrado extremamente adaptado às estratégias das empresas líderes da indústria e das cooperativas de grande porte para os mercados interno e externo. Para o mercado interno, a ênfase é produzir carne de frango para uso como insumo de produtos com maior valor agregado. Para o mercado externo, trata-se de obter produtos (frango inteiro ou cortes) que atendam às necessidades do consumidor em cada região, que são diversificadas. 4.3.3 O Caso do Estado de São Paulo A avicultura de corte em moldes empresariais surgiu em São Paulo, na região de Mogi das Cruzes, nos anos 40. No final dos anos 50, observou-se uma reestruturação da produção, com novas granjas e novos métodos de manejo, que contavam com a atuação do Instituto Biológico de São Paulo no controle sanitário e de doenças. Mas foi a partir de 1960, com a importação de linhagens específicas para corte, que a avicultura paulista passou a se expandir nos moldes hoje observados, conforme Zirlis (1991) apud Nicolau (1994). Nessa época, iniciava-se em condições modestas a avicultura no oeste de Santa Catarina, organizada sob o sistema de contratos de parceria entre abatedouros e criadores, baseado no modelo americano de integração e na experiência acumulada na região pela parceria na produção de suínos. Ao analisar o processo de avanço dos contratos de parceria na avicultura paulista, Marques (1991) observa que os frigoríficos paulistas começaram a adotar lentamente essa estrutura de governança a partir de 1969, processo que ganhou impulso a partir de 1981, para atingindo cerca de 71% da produção em 1991. Observou-se uma crescente concentração no setor, considerando-se os oito maiores frigoríficos. Nessa obra, o autor considera que o produtor apresentava pequeno poder de barganha com os frigoríficos, que por sua vez 49 apontaram como principais motivos para a adoção dos contratos a busca de uma escala mínima de operação, a redução de custos de intermediação e de instalações, assim como a facilitação do planejamento da produção. Detectou-se também que o ambiente institucional relacionado aos tributos favorece os contratos, visto que as transferências entre processadores e produtores contratados ficam isentas. Em análise das disfunções da indústria avícola na macrorregião de Ribeirão Preto (SP), Azevedo et al. (1999) tratam da evolução dos arranjos institucionais. Os autores relatam que a avicultura dessa macrorregião começam a se destacar a partir da década de 70, quando existiam apenas produtores independentes. A partir do início dos anos 80, dado o elevado custo da ração, a existência desses produtores ficou ameaçada, e sobreviveram apenas aqueles que promoveram a integração vertical na produção da ração. Alguns chegaram a adquirir também abatedouros e matrizeiros próprios. Surgiu então, a figura do integrador, que, aproveitando a escala de produção de ração e o acesso a novas técnicas, passou a integrar pequenos produtores independentes, fornecendo ração, pintos de um dia e assistência técnica para a engorda dos frangos. Os autores esclarecem que ainda existem alguns produtores independentes, assim como abatedouros que não possuem granjas integradas. Desses produtores independentes, a grande maioria faz parte da Cooperativa Coperguaçu (Descalvado), que funciona como uma integradora, dispondo de parque industrial para abate e processamento, além de granjas de matrizes e incubatórios. A diferença desse sistema para o sistema de integração usual é que existe um rateio dos lucros (ou prejuízos) entre a cooperativa e os cooperados, ao invés de uma remuneração ao produtor. Apesar da presença do sistema cooperativo e de produtores independentes, predomina na região, como no resto do País, o sistema de integração. Outra peculiaridade do sistema de integração praticado na região é a presença de novos agentes, como a figura do intermediário e do corretor de frangos. A característica desse sistema é a integração do frango vivo, ou seja, os grandes integradores não possuem abatedouro próprio e, então, atuam no mercado paralelo, comercializando frango vivo. São encontrados, assim, abatedouros independentes e pequenas avícolas de frango vivo. Apesar de reconhecerem que esses intermediários desempenham função econômica ao gerenciar informações e coordenar ações entre os participantes da cadeia produtiva, os autores identificam ameaças à sua sobrevivência. Com a concorrência intensa na oferta de frango inteiro no varejo, as margens de toda a cadeia estão sendo reduzidas, ameaçando a sobrevivência dos abatedouros independentes, clientes dos intermediários integradores. 50 Deve-se destacar também outro agente característico da região – o corretor, que se situa eventualmente entre os abatedouros independentes e os intermediários integradores ou entre os primeiros e as granjas independentes. A existência desse agente pode ser justificada por sua atividade de concentrar e utilizar informações importantes sobre o mercado e por conseguir prazo maior de pagamento junto ao intermediário, questão muitas vezes significativa para os abatedouros. A sobrevivência desses agentes também está ameaçada pela redução das margens dos abatedouros e dos intermediários. 5 METODOLOGIA Neste capítulo são apresentados os métodos utilizados para estruturar, obter e analisar os dados necessários para que os objetivos do estudo sejam atingidos. A orientação geral da metodologia é obter informações sobre a coexistência entre os arranjos institucionais e o que a determina, com o maior detalhamento possível. São adotados dois procedimentos que podem contribuir para o aprofundamento da análise sobre a adoção dos arranjos. Primeiro, analisa-se a participação percentual de cada arranjo no suprimento total do processado, o que oferece mais informação do que a pesquisa simplesmente das escolhas do agente para o arranjo predominante. Segundo, incorpora-se na definição do arranjo institucional o agente envolvido na transação, o que pode permitir identificar preferências do processador sob esse aspecto. O capítulo está estruturado em seções que tratam da definição das variáveis (descrição e fundamentos para que sejam escolhidas), as hipóteses formuladas com base na teoria tratada nos capítulos anteriores, o instrumento de medida utilizado (descrição do questionário), a coleta de dados (informações sobre a amostra e sobre a forma de abordagem das empresas), métodos de tratamento dos dados e limitações da metodologia. 5.1 Definição de Variáveis Conforme Azevedo et al. (1999), os agentes presentes na avicultura paulista são os relacionados a seguir, com os códigos adotados para esta dissertação entre parênteses: a) processadores (AB) – empresas comerciais ou cooperativas que abatem e processam o frango vivo; b) corretores de frango vivo (CO) – intermediários com informações sobre mercados que viabilizam as transações entre processadores e produtores independentes; c) integradores de frango vivo (PV) – produtores independentes que adicionam à sua produção os frangos vivos tratados por outros produtores de menor porte, através de contratos; 52 d) produtores independentes (PI) – agentes que adquirem pintos de um dia no mercado e realizam a engorda para comercialização do frango vivo; e) produtores parceiros (PP) – agentes participantes de contratos de parceria com processadores. 5.1.1 Variáveis Dependentes Conforme a delimitação estabelecida neste estudo, as variáveis dependentes serão os arranjos institucionais. A partir da análise fornecida por Azevedo et al. (1999) e de contatos preliminares com agentes do setor, identificam-se no Estado de São Paulo alguns arranjos institucionais básicos para o suprimento dos processadores, para os quais são adotadas as seguintes denominações: a) Mercado (M) – representa o conjunto de transações esporádicas para a compra de frango vivo, com baixo conhecimento sobre o vendedor e seu processo de produção, e não envolve o compromisso de que a transação se repita no futuro. O preço pago é aquele definido pelas forças de oferta e demanda no momento da negociação. b) Fornecimento (F) – o contrato de fornecimento pode ser temporário ou de prazo indeterminado e estabelece um compromisso de fornecimento de frango vivo em volumes determinados. O preço pago é geralmente aquele definido pelo mercado no momento da transação, condição estabelecida no acordo; c) Parceria (P) – o contrato de parceria estabelece que o processador fornece os pintos, ração e assistência técnica ao produtor parceiro, que fica responsável elos investimentos em instalações e equipamento e por realizar o manejo para a engorda do frango até o abate, quando é remunerado de acordo com critérios específicos ao contrato. O arranjo é conhecido também por "integração", visto que o processador controla muitos fatores de produção e define os procedimentos durante a engorda, remunerando a prestação de serviço do produtor. O preço pago é definido por fórmulas que podem ser baseadas somente em coeficientes técnicos do manejo ou que incluem também o preço de mercado no momento do abate. d) Integração (I) – a integração vertical pelo processador representa o controle financeiro total da engorda dos frangos, incluindo a genética, produção de ração, instalações, equipamentos e remuneração da mão-de-obra; 53 Utilizando-se o conceito de continuum dos arranjos institucionais, as opções podem ser ordenadas pelo grau de coordenação vertical que oferecem, conforme apresentado na Figura 1. Mercado | M Fornecimento | F Parceria | C Integração | I Figura 1. Continuum de arranjos institucionais básicos da avicultura paulista Combinando-se os agentes com os arranjos contratuais possíveis, temos os fluxos do frango vivo apresentados na Figura 2, onde as setas indicam o sentido da transferência do frango entre os agentes e cada arranjo institucional completo foi definido como a combinação do arranjo básico com os agentes participantes. CPP PP MPV PPP FPV PV MPV’ CO AB IAB MCO FPI” MPI’ FPI PI MPI Figura 2. Agentes e arranjos institucionais para fornecimento de frango vivo na avicultura paulista As estruturas identificadas são: integração de AB (IAB); parceria entre AB e PP (CPP); fornecimento entre AB e PV (FPV); fornecimento entre AB e PI (FPI); fornecimento entre PV e PI (FPI”); mercado entre AB e CO (MCO); mercado entre AB e PV (MPV); mercado entre AB e PI (MPI); mercado entre CO e PV (MPV’); mercado entre CO e PI (MPI’). Conforme a delimitação deste estudo, são considerados somente os arranjos institucionais adotados pelo processador (AB). Alinhados em ordem crescente de coordenação vertical, esses arranjos formam um novo continuum que aparece na Figura 3. Como o processador pode adotar mais de um arranjo institucional simultaneamente, pretende-se avaliar a participação percentual de cada um no suprimento total, considerando-os 54 como variáveis dependentes contínuas com valores entre 0 e 100. Assim é possível analisar o grau de adoção de cada um de forma independente dos demais. mercado com PI mercado com CO mercado com PV contrato de fornecimento com PI contrato de fornecimento com PV contrato de parceria com PP integração vertical | MPI | MCO | MPV | FPI | FPV | CPP | IAB Figura 3. Arranjos institucionais de suprimento de frangos vivos ao processador (AB). Um resumo das variáveis dependentes é apresentado no Quadro 4. Quadro 4. Variáveis dependentes correspondentes aos arranjos institucionais. Agente envolvido Unidade Tipo Mercado PI Produtor independente % contínua Mercado CO Corretor de frango vivo % contínua Mercado PV Integrador de frango vivo % contínua Fornecimento PI Produtor independente % contínua Fornecimento PV Produtor integrador de frango vivo % contínua Produtor parceiro % contínua - % contínua Nome Parceria Integração Definidas as variáveis para os arranjos institucionais, são criadas duas novas variáveis categóricas a partir do agrupamento dos resultados originais. São elas: Grau de Integração. Trata-se de um critério de cluster subjetivo baseado na predominância de determinado arranjo institucional básico na composição de cada processador. É uma variável que pode assumir três categorias: Mercado, Contratos e Integração. O caráter subjetivo, atribuído à decisão do pesquisador, deve-se à possibilidade de que certos agentes tenham seu suprimento dividido igualmente entre duas categorias. Nestes casos adota-se como critério a classificação que resulte em maior equilíbrio numérico entre os clusters. Mercado: Essa variável representa a presença do arranjo institucional básico de mercado, com qualquer participação percentual diferente de zero e com qualquer agente envolvido. Por essa definição, torna-se uma variável dicotômica que pode assumir as categorias "Sim" ou "Não". 55 5.1.2 Variáveis Explicativas Neste estudo opta-se pela criação de três grupos de variáveis explicativas. O primeiro, denominado de Perfil do processador, inclui algumas características da produção e das estratégias do processador. São indicadores objetivos relatados pelo administrador. O segundo grupo de variáveis, chamado Transação de mercado, trata da percepção sobre a transação de mercado, que é governada pelo arranjo institucional com o menor grau de coordenação no continuum identificado para a avicultura paulista. Assume-se o pressuposto de que a percepção do administrador sobre essa transação influi na composição adotada entre os arranjos institucionais para o suprimento total de frango vivo. Neste grupo existem duas variáveis que tratam do impacto do ambiente institucional sobre a transação de mercado. O terceiro grupo, denominado Ambiente competitivo, contém indicadores subjetivos do administrador sobre a competição na avicultura paulista atual, focalizando o relacionamento e o poder de barganha da empresa com fornecedores, compradores e concorrentes. No Quadro 5 é apresentado um resumo das variáveis explicativas. 56 Quadro 5. Variáveis explicativas de perfil e percepções do processador Nome Descrição Unidade Tipo anos contínua aves/dia contínua Perfil do processador Instalação ano do início da operação Escala capacidade de processamento industrial Congelamento participação do frango congelado na produção total % contínua Exportação participação do frango exportado na produção total % contínua Concentração participação do maior comprador % contínua Transação de mercado Regularidade dificuldade de ser conseguida no fornecimento graus escalar Qualidade dificuldade de medir qualidade graus escalar Sanidade dificuldade de medir sanidade graus escalar Negociação dificuldade de negociar com fornecedores graus escalar Manutenção dificuldade para manter fornecedores fiéis graus escalar Tecnologia freqüência de mudança tecnológica do fornecedor graus escalar Justiça freqüência de disputas judiciais com fornecedores graus escalar Impostos carga de impostos na transação graus escalar Ambiente competitivo Previsão dificuldade de prever volume de vendas graus escalar Conquista dificuldade de conquistar novos compradores graus escalar Informação freqüência de troca de inf. sobre fornecedores com concorrentes graus escalar Insumos dificuldade de negociar com fornecedores de insumos para frangos graus escalar Comprador dificuldade de negociar com compradores graus escalar De modo similar ao adotado para as variáveis dependentes, as variáveis explicativas também têm seus resultados agrupados em categorias. A diferença é que elas continuam sendo tratadas individualmente. Na Tabela são apresentados os critérios para as categorias de cada variável. 57 Quadro 6. Critério para categorias das variáveis explicativas. Nome Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 Instalação Até 1970 De 1971 a 1980 De 1981 a 1990 De 1991 até hoje Escala Até 9.600 De 9.600 a 48.000 Acima de 48.000 Cabeças/dia Congelamento Menos que 33% De 33 a 67% Mais que 67% Exportação Não Sim Concentração Menos que 5% De 5 a 15% Mais que 15% - Regularidade De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Qualidade De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Sanidade De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Negociação De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Manutenção De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Tecnologia De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Justiça De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Impostos De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Previsão De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Conquista De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Informação De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Insumos De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - Comprador De 0 a 3 De 4 a 6 De 7 a 10 - 5.2 - - Hipóteses A seguir, são apresentadas hipóteses para os sinais da correlação entre as variáveis dependentes para os arranjos institucionais e as variáveis explicativas dos grupos Perfil do processador, Transação de mercado e Ambientes competitivo. Perfil do processador: 1. Instalação. Essa variável indica o ano em que a empresa foi instalada. Pressupõe-se que essa característica do processador esteja relacionada à freqüência das transações, visto que quanto mais antiga a empresa (menor o ano de instalação) aumenta a probabilidade de que a freqüência seja maior. Conforme o referencial teórico, o aumento da freqüência nas transações favorece a construção de reputação e cria incentivos para a continuidade do relacionamento, pela redução dos custos de transação. Quando isso acontece, existe maior possibilidade de que os agentes criem relacionamentos mais estreitos, como os contratos de longo prazo. Assim, levanta-se a hipótese de que quanto mais atual o ano de instalação, 58 ou mais recente for a firma, maior a dificuldade da empresa para estabelecer contratos de longo prazo, e maior a adoção do mercado e da integração vertical. 2. Escala. A variável indica a capacidade máxima de processamento da empresa, medida pela quantidade de aves que podem ser abatidas por dia. As instalações necessárias ao abate e processamento de frangos são ativos específicos, apresentando aplicação alternativa apenas para outras aves. Conforme o referencial teórico da ECT, quanto maior o investimento em ativos específicos realizado por determinado agente, maior será a necessidade de coordenação sobre a transação, para garantir a plena utilização dos ativos e minimizar o oportunismo dos outros agentes envolvidos nas transações. Assim, propõe-se a hipótese de que o aumento na escala exige maior coordenação do suprimento, para minimizar a capacidade ociosa da planta, favorecendo a adoção de contratos de longo prazo e da integração vertical. 3. Congelamento. A variável mede a participação percentual do frango congelado no total da produção. A produção desse item exige a utilização de túneis de congelamento e câmaras frigoríficas para armazenagem, que são ativos específicos. De acordo com o referencial teórico da ECT, quanto maior a especificidade de ativos, maior a necessidade de coordenação da transação. Propõe-se a hipótese de que quanto maior a participação do frango congelado, maior será a necessidade de coordenação do suprimento de frango vivo, para se obter regularidade de fornecimento e minimizar a capacidade ociosa nos equipamentos, promovendo a adoção de contratos e a integração vertical. 4. Exportação. A variável indica a participação da quantidade de frango exportado em relação à produção total. A exportação de frangos exige o atendimento de padrões rígidos de qualidade, sanidade e uniformidade, além de envolver volumes elevados e estar vinculada ao produto congelado. Um dos custos de transação previstos pelo referencial teórico da ECT é a avaliação do cumprimento de padrões de produto ou processo. Em transações de mercado esses custos podem se tornar excessivos e inviabilizar a transação. A hipótese proposta é a de que o aumento da participação da exportação na produção total exige maior coordenação do suprimento, promovendo a adoção de contratos e a integração vertical. 5. Concentração. A variável mede a participação percentual do maior comprador na quantidade total vendida pelo processador. Quando determinado comprador passa a ter participação significativa das vendas, cria-se uma situação de dependência do vendedor em relação a esse comprador. Assim espera-se que o processador busque atender às necessidades desse cliente em volumes e atributos do produto, tornando-se necessário 59 garantir o fornecimento de frango vivo que atenda a essas condições. Portanto, propõe-se a hipótese de que o aumento da concentração nas vendas no maior cliente maior exige maior coordenação do suprimento, promovendo a adoção de contratos e a integração vertical. Transação de mercado: 6. Regularidade. A variável mede a dificuldade percebida para se conseguir regularidade no fornecimento de frangos em transações de mercado. A regularidade no suprimento de frango vivo pode ser definida como o grau em que os fornecedores conseguem entregar os produto nos volumes e prazos acertados anteriormente. A obtenção de regularidade representa uma incerteza para o processador, que está sujeito às falhas de entrega do fornecedor, seja por desvio do produto em ações oportunistas ou queda na produção por doenças durante o manejo. Conforme o referencial teórico da ECT, esse tipo de incerteza pode fazer com que o agente busque aumentar a coordenação sobre a transação. Assim, propõe-se a hipótese de que o aumento na dificuldade de se obter regularidade favoreça a adoção de contratos de longo prazo e da integração vertical. 7. Qualidade. A variável mede a dificuldade percebida para se medir a qualidade da carne de frangos em transações de mercado. De acordo com o referencial teórico da ECT, a aferição da qualidade representa um fonte de custos de transação, visto que é uma das ações de monitoramento dos contratos, a partir da avaliação dos resultados obtidos. A aquisição de frango em transações de mercado oferece o risco de que o produto não atenda requisitos mínimos de qualidade exigidos pelo mercado de destino. A qualidade do frango adquirido está associada às condições da carne obtida após o abate, que por sua vez está sujeita à alimentação e manejo oferecidos pelo produtor. O processador pode métodos de avaliação da qualidade analisando o frango vivo ou a carne obtida após o abate, incorrendo em custos de transação. Esses custos podem variar com o grau de confiança que o processador tenha no fornecedor. Conforme a ECT, se os custos de transação tornam-se muito elevados, o processador tende a buscar maior coordenação na transação. Assim, propõe-se a hipótese de que o aumento na dificuldade percebida para se medir a qualidade do frango adquirido em transações de mercado favorece a adoção de contratos e da integração vertical; 8. Sanidade. A variável avalia a dificuldade em se medir a sanidade do frango adquirido em transações de mercado. Esse aspecto é bastante similar à qualidade, sendo relacionado com o cuidados tomados pelo produtor durante a fase de engorda, principalmente no que se refere ao controle sanitário do ambiente e uso de medicamentos. A sanidade representa 60 uma elemento de risco para o processador e envolve custos para a realização de testes, que se caracterizam como custos de transação, conforme o referencial teórico da ECT. Se esses custos de transação aumentam excessivamente, o agente buscará aumentar a coordenação sobre o processo para que eles sejam reduzidos. Assim, propõe-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade percebida para se medir a sanidade, maior a tendência de adoção de contratos e integração vertical. 9. Negociação. A variável mede a dificuldade percebida em se negociar com fornecedores em transações de mercado. Essa negociação pode envolver itens como o preço, o prazo de pagamento, a responsabilidade pelo transporte, o peso médio das aves, entre outros. De acordo com o referencial teórico da ECT, esses aspectos são custos de transação decorrentes dos recursos utilizados (dinheiro, pessoas ou tempo) até que se chegue a um consenso entre os agentes. À medida que esses custos crescem a transação pode se tornar inviável, provocando atrasos ou a interrupção no suprimento. A avaliação dessa situação nas transações de mercado pode levar o processador a escolher outros arranjos institucionais mais eficientes em custos de transação. Propõe-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade percebida na negociação a mercado, maior será a participação de arranjos com maior grau de coordenação, como contratos e integração. 10. Manutenção. A variável mede a dificuldade percebida em se manter fornecedores fiéis em transações de mercado. O mercado é um contrato de curto prazo utilizado para a compra e venda de bens ou serviços padronizados, com preços definidos principalmente pela combinação das forças de oferta e demanda, e para o qual a identidade dos agentes tem pequena importância. Portanto, teoricamente não existem incentivos para que se criem relacionamentos formais de longo prazo. Entretanto, mesmo em transações de mercado, a geração de vínculos informais é desejável porque pode reduzir custos de transação. Se existe dificuldade para a manutenção de fornecedores fiéis a mercado, o processador poderá buscar outros arranjos institucionais. Portanto, formula-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade percebida para a manutenção de fornecedores fiéis em transações de mercado, maior a participação de arranjos institucionais que ofereçam mais coordenação, como os contratos e a integração. 11. Tecnologia. A variável mede a freqüência percebida na mudança tecnológica adotada pelo fornecedor em transações de mercado. Nas últimas três décadas a avicultura tem melhorado os níveis de produtividade e qualidade em virtude do contínuo desenvolvimento tecnológico. Uma das principais vantagens dos arranjos institucionais contratuais é justamente permitir a rápida adoção dos avanços tecnológicos por parte dos 61 produtores contratados. O objetivo dessa variável é avaliar o grau de atualização tecnológica dos produtores que não participam de arranjos contratuais. Em um ambiente de mudanças tecnológicas freqüentes, a desatualização dos fornecedores representa um risco para os processadores. Assim, propõe-se a hipótese de que quanto maior a freqüência percebida na mudança tecnológica dos fornecedores de mercado, menor a participação de arranjos institucionais que ofereçam mais coordenação, como os contratos e a integração. 12. Justiça. A variável mede a freqüência percebida nas disputas judiciais relativas a conflitos com fornecedores nas transações de mercado. Essa freqüência é influenciada pela quantidade e gravidade dos conflitos, pelos custos envolvidos e pela confiança na utilização das cortes formais. A abordagem de Douglass North do âmbito da Nova Economia Institucional sustenta que o ambiente institucional condiciona as decisões dos agentes econômicos. Se as regras formais e informais vigentes em determinado ambiente econômico não garantem o cumprimento dos contratos e a preservação dos direitos de propriedade, aumenta a incerteza dos agentes, que por isso reduzem seus investimentos ou adotam arranjos institucionais com maiores salvaguardas e maior coordenação. Considerando-se a reputação de baixa eficiência da justiça brasileira, com altos custos e prazos longos para a obtenção sentenças definitivas, as disputas judiciais parecem ser mais prováveis em casos muito graves ou que envolvam valores elevados. Assim, propõe-se a hipótese de que quanto maior a freqüência de disputas judiciais em transações de mercado, maior a participação de arranjos que ofereçam mais coordenação, como os contratos e a integração vertical; 13. Impostos. A variável mede o impacto percebido dos impostos em transações de mercado, que reduz a rentabilidade do processador. Trata-se de outro aspecto do ambiente institucional, relacionado ao sistema tributário vigente na avicultura. Por ser um item de custo facilmente mensurável, seu impacto na rentabilidade da atividade é evidente. Considerado como elemento de política pública, o imposto envolve um equilíbrio entre a necessidade de receita do Estado e o incentivo à sonegação fiscal gerado pelo custo direto da alíquota e pelos custos administrativos que acarreta às empresas. Quando o imposto passa a se tornar inviável na transação de mercado, a empresa buscará outras formas de suprimento. Portanto, quanto maior o impacto percebido dos impostos na transação de mercado, maior a participação de arranjos institucionais que ofereçam maior coordenação, como os contratos e a integração vertical; 62 Ambiente competitivo: 14. Previsão. A variável mede a dificuldade percebida para se prever o volume de vendas. A dificuldade para se prever vendas está relacionada à oscilação histórica da demanda do mercado e ao volume de informações que o agente dispõe sobre esse mercado. Trata-se de uma fonte de risco para o processador, já que a programação de sua produção depende basicamente da previsão de vendas. Adotando-se uma abordagem de Organização Industrial, supõe-se que os agentes com maior poder no mercado de frango abatido provavelmente possuem mais informações e maior capacidade de processá-las, o que facilita a elaboração de previsões e gera mais confiança para a adoção de maior coordenação no suprimento de frango vivo. Portanto, propõe-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade percebida para se prever vendas maior a participação das transações de mercado no suprimento. 15. Conquista. A variável mede a dificuldade percebida para se conquistar novos compradores. A conquista de novos compradores, desde que a empresa seja capaz de aumentar a sua produção, ocorre se houver demanda não atendida, se o mercado crescer ou com o deslocamento de concorrentes. Considerando o baixo crescimento econômico verificado nos anos recentes, supõe-se que a conquista esteja limitada ao deslocamento de concorrentes. Para que isso seja possível, considerando-se uma abordagem tradicional de Organização Industrial, o processador com maior poder no mercado de frango abatido teria maior facilidade de conquistar novos concorrentes ao oferecer vantagens em logística, preços ou prazos de pagamento ao varejista. Se isso for verdade, esse agente poderia adotar maior coordenação no suprimento para garantir a produção necessária aos novos compradores. Portanto, por oposição, supõe-se que a quanto maior a dificuldade percebida de conquistar novos compradores, maior a participação de transações de mercado. 16. Informação. A variável mede a freqüência percebida de troca de informações sobre fornecedores entre concorrentes. A troca de informações entre concorrentes é uma atitude cooperativa que pode favorecer a estabilidade do sistema produtivo. Ela funciona como um sistema informal de monitoramento e punição de ações oportunistas dos fornecedores durante a vigência de um contrato de longo prazo. Na visão tradicional de Organização Industrial, essa atitude poderia ser considerada um indício da existência de cartel, já que poderia favorecer a definição conjunta de preços. Entretanto, em mercados pulverizados essa iniciativa apresenta enorme dificuldade de execução. A troca de informações, reduz risco de ações oportunistas e assim os custos de transação para a adoção de contratos de 63 longo prazo tornam-se menores. Pelo exposto, propõe-se a hipótese de que quanto maior a freqüência de troca de informações sobre fornecedores, maior a participação dos contratos de longo prazo. 17. Insumo. A variável mede a dificuldade percebida de se negociar com fornecedores de insumos para a engorda de frangos. A negociação com fornecedores de insumos é necessária para os processadores que operam com integração vertical ou com contratos de parceria. Os principais insumos negociados são matérias-primas para a fabricação de ração, como a soja e o milho. As margens de negociação para commodities são muito estreitas, já que os preços são dados pelo mercado, e a obtenção de vantagens na compra só é possível em grandes volumes ou se existem oportunidades de arbitragem. Portanto, propõe-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade percebida para se negociar com fornecedores de insumos, maior a participação das transações de mercado e dos contratos de fornecimento. 18. Comprador. A variável mede a dificuldade percebida para se negociar com compradores. A negociação com compradores depende do poder de mercado que o processador possui, que se traduz em poder de barganha. A estratégia de montagem da carteira de clientes deve levar em conta esse aspecto, para que se evite a concentração excessiva em compradores com poder de barganha muito superior à do processador. Para o mercado em questão, os compradores mais poderosos são as grandes redes de hipermercados. A existência de negociações equilibradas ou favoráveis ao processador reduz o risco de quedas nas margens e aumenta a possibilidade adotar maior coordenação no suprimento. Assim, propõe-se a hipótese de que quanto maior a dificuldade de se negociar com compradores, maior a participação das transações de mercado. Na Tabela 1 são apresentados os sinais esperados para as variáveis independentes relacionadas com os arranjos institucionais, de acordo com as hipóteses formuladas: 64 Tabela 1. Variações esperadas nas variáveis de arranjos institucionais Variáveis explicativas Nome Variáveis dependentes Mercado Mercado PI CO Mercado Fornecimento PV PI Fornecimento PV Parceria Integração Instalação + + + - - - - Escala - - - + + + + Congelamento - - - + + + + Exportação - - - + + + + Concentração - - - + + + + Regularidade - - - + + + + Qualidade - - - + + + + Sanidade - - - + + + + Negociação - - - + + + + Manutenção - - - + + + + Tecnologia + + + - - - - Justiça - - - + + + + Impostos - - - + + + + Previsão + + + - - - - Conquista + + + - - - - Informação - - - + + + - Insumos + + + + + - - Comprador + + + + - - - 5.3 Instrumentos de Medida A partir das hipóteses formuladas, foi elaborado o questionário que consta no Anexo 2. O questionário tem 25 questões, que se dividem em quatro blocos, detalhados a seguir. Questões de 1 a 7: variáveis do grupo Arranjos institucionais, medidas pela participação percentual dos arranjos no suprimento total da empresa, para preenchimento dos valores pelo respondente nos campos indicados. Questões de 8 a 12: variáveis do grupo Perfil do processador, com características da produção e das estratégias de venda da empresa, e preenchimento dos valores pelo respondente nos campos indicados. Questões de 13 a 20: variáveis do grupo Transação de mercado, com percepções do respondente sobre a transação de mercado para aquisição de frango vivo, sobre o impacto do 65 ambiente institucional nessa transação. Foi utilizada uma escala do tipo Likert de 11 níveis identificados de zero a dez, onde o “0” representa o nível mínimo e “10” o máximo. Questões de 21 a 25: variáveis do grupo Ambiente competitivo, com percepções sobre o relacionamento com concorrentes e compradores na avicultura atual. Foi utilizada uma escala do tipo Likert de 11 níveis identificados de zero a dez, onde o “0” representa o nível mínimo e “10” o máximo. 5.4 Coleta de Dados Para o estudo dos processadores da avicultura no Estado de São Paulo, foi necessário, inicialmente, dimensionar e identificar a população total. A primeira medida adotada foi a obtenção de um banco de dados cadastrais de 217 processadores, de uma empresa que realiza pesquisas de mercado. Em dezembro de 2002 foram enviados para toda a população envelopes contendo o questionário e uma carta de apresentação solicitando a colaboração da empresa e informando as opções de envio da resposta, por via postal ou por fax. Em janeiro de 2003 foram feitos contatos telefônicos e novo envio dos questionários por fax ou por correio eletrônico para cerca de 30 empresas. A segunda ação foi um contato com a Associação Paulista de Avicultura (APA), para apresentação do questionário e busca de apoio à realização da pesquisa. Assim, foi obtida uma lista dos associados, composta de 21 empresas. Esse grupo concentra as empresas de maior porte do Estado de São Paulo, que participam de reuniões semanais. Os questionários foram encaminhados através da associação, com uma recomendação do responsável pela área de avicultura de corte para que fossem respondidos. Esse trabalho foi reforçado com a presença do pesquisador a uma das reuniões da associação. Dos 217 questionários enviados pelo correio, 49 retornaram em razão de endereço incorreto ou de fechamento da firma, restando 168 registros válidos. O resultado da coleta de dados foi uma amostra de 30 empresas, das quais 20 são associadas à APA e representam os principais processadores do Estado de São Paulo. 66 5.5 Tratamento e Análise dos Dados Os dados obtidos foram analisados em três níveis de agrupamento. O primeiro referese aos resultados originais das variáveis dependentes e explicativas, conforme os formatos do questionário aplicado. O segundo envolve o agrupamento dos resultados das variáveis dependentes na variável Grau de integração, com três categorias referentes aos arranjos predominantes em cada agente. As variáveis explicativas também são categorizadas em faixas de valores. O terceiro adota novo agrupamento das variáveis dependentes na variável Mercado de formato dicotômico (sim/não). Nesse nível adota-se a mesma categorização nas variáveis explicativas. As ferramentas de análise são detalhadas a seguir. 5.5.1 Análise de Estatística Descritiva. Trata-se da análise preliminar dos resultados obtidos para as variáveis dependentes e explicativas nos formatos originais do questionário. As estatísticas utilizadas são detalhadas a seguir, conforme Spiegel (1985): § Média aritmética: razão entre a somatória dos valores e a quantidade de casos. § Mediana: para um conjunto de valores ordenados em ordem de grandeza, é o valor médio ou a média aritmética dos dois valores centrais. Geometricamente a mediana é o valor de X correspondente à vertical que divide o histograma em duas partes de áreas iguais. § Moda: para um conjunto de números, é o valor que ocorre com a maior freqüência, isto é, o valor mais comum. A moda pode não existir e, mesmo que exista, pode não ser única. § Desvio-padrão: é a raiz média quadrática dos desvios em relação à media aritmética. § Mínimo: valor mínimo de uma série de números. § Máximo: valor máximo de uma série de números. § Curtose: é o grau de achatamento de uma distribuição, considerado usualmente em relação a uma distribuição normal. § Assimetria: é o grau de desvio, ou afastamento da simetria, de uma distribuição. Se a curva de freqüência de uma distribuição tem uma cauda mais longa à direita da ordenada máxima do que à esquerda, diz-se que a distribuição é desviada para a direita, ou que ela tem assimetria positiva. Se é o inverso que ocorre, diz-se que ela é desviada para a esquerda, ou que tem assimetria negativa. 67 5.5.2 Análise de Correlação. A correlação é o grau de relação entre as variáveis, que procura determinar o quanto uma equação linear, ou de outra espécie, descreve ou explica a relação entre as variáveis. A correlação linear é obtida a partir de um gráfico de dispersão das variáveis X e Y, formados pelos pontos (X,Y) em um sistema de coordenadas retangulares. Se todos os pontos desse diagrama parecem cair nas proximidades de uma reta, a correlação é denominada linear. Se Y tende a aumentar quando X cresce, a correlação é denominada positiva ou direta. Se Y tende a diminuir quando X aumenta, a correlação é denominada negativa ou inversa. Será calculado o coeficiente de correlação de Pearson entre pares de variáveis dentro de cada grupo de variáveis (Arranjos institucionais, Perfil do processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo) e principalmente entre as dependentes e as explicativas, comparando-se o resultado com as hipóteses propostas. Consideram-se os coeficientes que apresentam nível de significância suficiente para a rejeição da hipótese nula, nos níveis de 1%, 5% e 10%. 5.5.3 Análise de Tabelas de Contingência. 5.5.3.1 Tabelas de Contingência Uma tabela de contingência é formada por h linhas e k colunas formando células que são ocupadas por freqüências observadas. Em uma tabela h X k, para cada freqüência observada há uma esperada ou teórica, que é calculada de acordo com as regras da probabilidade. A freqüência total de cada linha é denominada freqüência marginal. Para investigar a concordância entre as freqüências observadas e esperadas, calcula-se a estatística: X2 = Σ j (oj – ej)2 ej 68 Nessa expressão é considerada a soma de todas as casas da tabela de contingência e os símbolos o j e ej representam, respectivamente as freqüências observadas e esperadas da casa de ordem j. Essa soma, contém hk termos. A soma de todas as freqüências observadas é representada por N e é igual à de todas as freqüências esperadas. O número de graus de liberdade, v, dessa distribuição de qui-quadrado é dado, para h> 1 e k > 1 por: a) v = (h – 1) (k – 1), quando as freqüências esperadas podem ser calculadas sem que se tenha que estimar os parâmetros populacionais por meio das estatísticas amostrais. b) v = (h – 1) (k – 1) – m, quando as freqüências esperadas somente podem ser calculadas mediante a estima de m parâmetros populacionais, por meio das estatísticas amostrais. Quando X2 = 0, as freqüências teóricas e observadas concordam exatamente, enquanto, quando X2 > 0, isso não se dá. Quanto maior for o valor de X2, maior será a discrepância entre as freqüências observadas e esperadas. 5.5.3.2 Testes de significância As freqüências esperadas em uma tabela de contingência são calculadas em uma hipótese Ho. Se, por essa hipótese, o valor de X2, for maior que alguns valores críticos (tais como X2 0,95 ou X2 0,99, que são os valores críticos nos níveis de significância 0,05 e 0,01, respectivamente) é possível concluir-se que as freqüências observadas diferem, de modo significativo, das esperadas e rejeitar-se H0 (hipótese nula) no nível de significância correspondente. No caso contrário, deve-se aceitá-la ou, pelo menos, não a rejeitar. Esse processo é denominado teste de Qui-quadrado da hipótese ou significância. 5.5.3.3 Análise de Correspondência Conforme Hair et al (1995), a análise de corresponência é uma técnica de interdependência que tem se tornado crescentemente popular para a redução dimensional e mapeamento perceptual. É uma técnica composicional porque o mapa perceptual é baseado na associação entre objetos e um grupo de características descritivas ou atributos especificados pelo pesquisador. Dentre as técnicas composicionais, a análise de fatores é a que mais se parece com ela, mas a análise de correspondência vai além dessa técnica. A sua aplicação 69 mais direta é a ilustração da correspondência entre categorias de variáveis, particularmente aquelas medidas em escalas nominais. Essa correspondência se torna a base para o desenvolvimento dos mapas perceptuais. Os benefícios da análise de correspondência estão em suas capacidades únicas de representar linhas e colunas, por exemplo referentes a marcas e atributos, em um mesmo espaço. O método consiste em duas etapas básicas, descritas a seguir. Cálculo da medida de associação. A análise de correspondência utiliza o qui-quadrado para padronizar os valores das freqüências e formar a base para as associações. A partir de uma tabela de contingência, calculam-se as freqüências esperadas e o valor de qui-quadrado para cada célula, considerando-se as diferenças entre as freqüências observadas e as esperadas. A padronização é necessária porque é mais fácil a ocorrência de diferenças em células com altas freqüências do que para aquelas com valores pequenos. Criação do mapa perceptual. Os valores de similaridade (qui-quadrado) oferecem uma medida padronizada da associação. Com essas medidas, a análise de correspondência cria uma medida em distância métrica e cria dimensões ortogonais sobre as quais as categorias podem ser projetadas, de forma a representar o grau de associação dado pelas distancias de qui-quadrado. 5.6 Limitações do Método A pesquisa do tipo survey, adotada neste estudo, caracteriza-se pela aplicação de questionários para uma amostra da população. A aplicação desse método em ciências sociais aplicadas, seu uso mais comum, apresenta algumas dificuldades e limitações, que são discutidas a seguir. Motivação para participar da pesquisa. Nos estudos em Administração, quando o objeto de análise é a firma, uma das dificuldades básicas é conseguir a adesão da pessoa que recebe o questionário. Pode ocorrer que a empresa tenha políticas de sigilo que impeçam a divulgação de algumas informações. Outro problema possível é a falta de tempo do profissional, que é comum, principalmente entre os ocupantes de níveis hierárquicos mais elevados. Outra ameaça é a desconfiança do entrevistado para com o entrevistador e suas intenções de uso das informações. Em geral esses problemas reduzem a quantidade de respostas para a pesquisa. 70 Dúvidas com o questionário. Quando o questionário é respondido sem a ajuda do pesquisador, existe o risco de aparecerem dúvidas para o respondente, o que pode prejudicar a fidedignidade das respostas. Buscando a minimização desse risco, o questionário foi submetido à Associação Paulista de Avicultura para avaliação preliminar. Entretanto, é possível que tenha ocorrido alguma distorção nas respostas, já que a maioria dos questionários da amostra foi respondida sem a ajuda do pesquisador. Escala tipo Likert. Essa escala envolve grande subjetividade nas respostas, visto que cada pessoa pesquisada pode ter percepções muito particulares sobre cada nível apresentado. Neste estudo busca-se minimizar essa dificuldade com a aplicação de uma escala de 11 níveis em que o respondente deve atribuir uma nota de zero a dez para cada tema proposto. Assim, permite-se grande variedade de respostas e utiliza-se um esquema razoavelmente conhecido de avaliação. Além disso, foram elaboradas perguntas com estruturas muito parecidas entre si, de modo a permitir um “aprendizado” do pesquisado durante as respostas. 6 6.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerações Gerais Neste capítulo são apresentados e discutidos os resultados obtidos e os tratamentos aplicados aos dados. As primeiras quatro seções do capítulo referem-se aos grupos de variáveis Arranjos institucionais (dependentes), Perfil do processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo (explicativas). Em cada seção os resultados das variáveis são tratados por estatísticas descritivas e análise de correlação dentro de cada grupo. A última seção apresenta testes de hipóteses entre as variáveis dependentes e explicativas, distribuídos em três itens. No primeiro item, os resultados originais das variáveis são tratados pela análise de correlação e comparados pelas hipóteses formuladas no Capítulo 3. No segundo item são considerados os resultados das variáveis explicativas nas categorias já definidas e a variável dependente categórica Grau de Integração, formando tabelas de contingência a serem tratadas por análise de correspondência. No terceiro item são consideradas as variáveis explicativas categorizadas e a variável dependente dicotômica Mercado, que formam novas tabelas de contingência, para as quais aplica-se o teste Quiquadrado. Com a análise de correlação pretende-se identificar o sinal e o grau de correlação entre as variáveis, tomadas duas a duas. O instrumento utilizado é o coeficiente de correlação de Pearson em análise bivariada. Trata-se de uma avaliação preliminar da correlação entre duas variáveis, que tem como limitação o fato de não isolar totalmente a influência das demais variáveis no comportamento daquelas focalizadas. A análise de correspondência trata de variáveis categóricas cruzadas em tabelas de contingência. De acordo com a quantidade de categorias, o método cria duas dimensões que formam gráficos, onde os pontos são as categorias das duas variáveis. Assim, é possivel visualizar semelhanças entre categorias da mesma variável e entre as variáveis de acordo com distância entre os pontos no gráfico. 72 6.2 6.2.1 Arranjos Institucionais Estatística Descritiva Os resultados das estatísticas descritivas para os resultados desagregados são apresentados na Tabela 42 do Anexo 1. Desta tabela foram extraídos os valores para a elaboração da Figura 4, onde se observa a participação percentual média de cada arranjo institucional em cada processador da amostra. Como esperado, a maior porcentagem é de contratos de parceria (33%), mas deve-se destacar a participação significativa da integração vertical (25%) e do total dos contratos de fornecimento (27%), quando se somam as dados de produtores independentes e de integradores de frango vivo. As transações totais de mercado atingem 14,9%, somando-se produtores independentes, corretores e integradores de frango vivo. Quando as participações dos arranjos no suprimento dos processadores são ponderadas pela escala, as porcentagens sofrem alterações significativas, conforme pode ser observado na Figura 5. Percebe-se um aumento da participação do contrato de parceria, que atinge 50%, e uma redução no total de contratos de fornecimento, que é reduzido para 14,1% do suprimento total da amostra. A integração vertical diminui ligeiramente para 24,3% e o mercado total passa para 12,6%. Considerando-se que a amostra inclui os principais processadores da avicultura paulista, esses valores representam uma boa estimativa da participação dos arranjos na capacidade total de abate do Estado. Esse resultado apresenta divergência com a situação relatada por Marques (1991), que afirma que os contratos de parceria representavam 71% da produção em 1991 no Estado de São Paulo. Saboya (2001), ao analisar a dinâmica de localização dos abatedouros de aves e suínos no Centro-Oeste, encontrou uma participação de 83% da capacidade total de abate por empresas “integradas”, que utilizam contratos de parceria. O mesmo autor relata que no Sul essa participação é praticamente 100%. O presente estudo indica uma situação peculiar em São Paulo quanto à participação do contrato de parceria, que estaria em patamar inferior e decrescente nos anos 90 em relação a outras regiões produtoras. 73 mercado PI 7,3% mercado CO 3,7% integração vertical 25,0% mercado PV 3,9% fornecimento PI 8,9% fornecimento PV 18,1% parceria 33,0% 4. Participação percentual média dos arranjos institucionais de cada processador mercado PI 3,7% mercado CO 2,4% mercado PV 6,5% integração vertical 23,4% fornecimento PI 3,8% fornecimento PV 10,3% parceria 50,0% 5. Participação percentual dos arranjos institucionais no total de abate da amostra. 74 Integração 23,3% Mercado 16,7% Contratos 60,0% 6. Participação percentual dos casos conforme o Grau de integração adotado Tomando-se a agregação de resultados por processador, definida pela variável Grau de integração, temos o gráfico da Figura 6. Observa-se que 60% dos casos apresentam ênfase nas diversas formas de contratos, 16,7% optam por transações de mercado e 23,3% adotam a integração vertical Com a nova agregação de resultados definida pela variável Mercado, temos o gráfico da Figura 7 Sim 40,0% Não 60,0% 7. Participação percentual de adoção de Mercado no total de casos da amostra 75 6.2.2 Análise de Correlação no Grupo Observando-se as correlações entre os arranjos institucionais alternativos, que são variáveis dependentes, na Tabela 46 do Anexo 2, percebe-se que os sinais são negativos em todos os pares. Trata-se de uma situação esperada, visto que os valores das variáveis sempre somam 100% para cada processador. Essa condição faz com que a cada variação positiva em determinado arranjo corresponda uma variação negativa em outros arranjos para que a soma permaneça constante. Na maioria dos pares de variáveis os coeficientes de correlação não apresentam significância suficiente para que sejam aceitos. Nesses casos, não existem evidências estatísticas da correlação entre os arranjos institucionais. Duas exceções aparecem com a variável Fornecimento PV, que apresenta coeficiente de -0,372 com a Parceria, significativo a 5%, e coeficiente de -0,335 com a Integração, significativo a 10%. Esses dados podem ser interpretados como uma tendência dos adotantes do Fornecimento PV em considerar esses arranjos mais incompatíveis em um composto de suprimento do que os outros arranjos, com maior grau de rejeição da Parceria do que da Integração. É interessante notar que os três arranjos envolvidos com os coeficientes significativos são os que oferecem os maiores níveis de coordenação da transação Do ponto de vista do adotante do Fornecimento PV em porcentagens relevantes, a incompatibilidade revela um limite máximo de coordenação considerado adequado para a sua operação, visto que os outros dois arranjos oferecem maior coordenação e maiores níveis de investimento. Por outro lado, se considerarmos o ponto de vista dos adotantes de Parceria e Integração em níveis importantes, a incompatibilidade com o Fornecimento PV talvez seja um indicador de que esse arranjo é considerado pouco flexível ou envolve um grau de coordenação desnecessário para garantir o suprimento total de frango vivo, o que leva à adoção de outros arranjos complementares. 76 6.3 6.3.1 Perfil do processador Estatística Descritiva 6.3.1.1 Instalação A variável Instalação foi derivada da quantidade de anos que a empresa já atua na avicultura, informação obtida na pesquisa. A conversão para o ano de instalação foi feita para oferecer uma interpretação mais direta e evitar a necessidade de que o ano fosse calculado pelos leitores a partir da data de realização da pesquisa. A partir da Tabela 43 do Anexo 1 foram obtidos os dados de freqüência para a elaboração do histograma na Figura 6. A primeira constatação é a grande amplitude do período de instalação, que demonstra a longa história da avicultura paulista, dado que a empresa mais antiga da amostra instalou-se em 1960, tendo portanto 42 anos. Percebe-se um aumento na quantidade de empresas que se instalaram até 1970, e se observa um forte declínio nas duas décadas seguintes. A partir de 1990 observa-se um grande salto na freqüência, que atinge o maior valor da amostra em torno de 1990, com seis empresas, seguido de declínio, ainda que com mais nove empresas abertas até 2001. Outra forma de visualizar esses dados aparece na Figura 9, quando os dados são categorizados por décadas. Aqui se percebe que os grupos das empresas instaladas até 1970 e nas décadas de 70 e 80 representam, cada um, 20% dos casos. A concentração maior se dá na década de 90, com 40% dos casos. É interessante comparar esses dados com os fornecidos por Saboya (2001) sobre a distribuição da época de instalação de empresas de avicultura e suinocultura no Centro-Oeste. O autor informa que 74% das empresas se instalaram na década de 90, 15% na década de 80 e 11% até 1980. Percebe-se um movimento paralelo de instalação de indústrias nas duas regiões, com forte concentração na década de 90. 77 7 6 5 4 3 Freqüência 2 1 0 1960,0 1970,0 1965,0 1980,0 1975,0 1990,0 1985,0 2000,0 1995,0 instalação (ano) 8. Histograma do ano de instalação das empresas na amostra. de 1991 até hoje 40,0% até 1970 20,0% de 1971 a 1980 20,0% de 1981 a 1990 20,0% 9. Distribuição percentual por décadas do ano de instalação das empresas na amostra. 78 O cruzamento entre Instalação e Escala, com dados agrupados em faixas, permite uma análise mais aprofundada da distribuição das décadas de instalação por porte da empresa, conforme apresentado na Tabela 2. Nessa tabela observa-se na década de 70 instalaram-se 33% do total das atuais empresas grandes, seguida pela década de 90, quando instalaram-se 28% do mesmo universo. Deve-se destacar também que na última década do século vinte instalaram-se 60% de todas as atuais empresas médias. Tabela 2. Tabela de contingência para o cruzamento de Instalação e Escala Instalação até 1970 de 1971 a 1980 de 1981 a 1990 de 1991 até hoje Total Até 9.600 1 1 2 Escala (aves/dia) De 9.600 a Mais que 48.000 48.000 2 3 6 2 4 6 5 10 18 Total 6 6 6 12 30 6.3.1.2 Escala Com relação à escala de produção, percebe-se grande variabilidade nos casos, conforme pode ser observado no histograma da Figura 10, elaborado com dados da Tabela 39 do Anexo 1. Para um valor médio de 78.583 cabeças por dia, o mínimo é de 500 e o máximo atinge 276.000 cabeças por dia. Assim, convivem no Estado empresas com enormes diferenças em necessidades de suprimento, que podem se refletir nos arranjos institucionais adotados. Quando os dados de escala são categorizados em faixas, obtemos a Figura 11. As faixas são as mesmas utilizadas por Saboya (2001), que adapta os valores utilizados pela Secretaria de Defesa Agropecuária. Por esse critério, as empresas pequenas abatem até 9.600 cabeças/dia, as médias estão entre 9.600 e 48.000 e as grandes abatem mais do que 48.000. Na amostra estudada percebe-se forte concentração em grandes empresas (60%). 79 7 6 5 4 3 Freqüência 2 1 0 ,0 00 50 0 27 00, 00 0 25 00, 50 0 22 00, 00 0 20 00, 50 0 17 00, 00 0 15 00, 50 0 12 00, 00 10 0,0 00 75 0,0 00 50 0,0 00 25 0 0, escala (aves/dia) 10. Histograma de freqüência das empresas na amostra por faixas de escala de produção (animais abatidos/dia). até 9.600 6,7% de 9.600 a 48.000 33,3% mais que 48.000 60,0% 11. Distribuição percentual das empresas na amostra por faixas de escala (animais abatidos/dia). 80 6.3.1.3 Congelamento Conforme os dados apresentados na Tabela 43 do Anexo 1, a participação percentual de frango congelado no total da produção, expressa pela variável Congelamento, tem por média cerca de 20%, com um mínimo de zero e um máximo de 100%. Com uma mediana de 10% e uma moda de zero, percebe-se um predomínio das estratégias de distribuição local de frango resfriado, o que torna as empresas muito vulneráveis às oscilações de mercado. Quando ocorrem quedas na demanda ou superoferta do produto, gerando redução no preço, as empresas que oferecem somente frango resfriado são obrigadas a vender com margens comprimidas, por não possuírem estrutura de congelamento e armazenagem a frio. Além disso, seu raio de alcance da distribuição também é limitado, visto que o produto resfriado não permite armazenagem por longos períodos e uma parte significativa do prazo de validade é consumida durante o transporte. Essa situação pode ser visualizada no histograma da Figura 12, onde aparece a quantidade de casos nas diversas faixas de percentuais de congelado, e no gráfico da Figura 13, com as participações percentuais do total da amostra para três faixas de percentuais de congelado (menor que 33%, entre 33% e 67% e mais que 67%). 14 12 10 8 6 Freqüência 4 2 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 congelamento (%) 12. Histograma da empresas por faixa de participação do frango congelado. 81 mais que 67% 6,7% de 33% a 67% 20,0% menos que 33% 73,3% 13. Distribuição das empresas por faixas de participação do frango congelado. O cruzamento das variáveis Congelamento e Escala, com dados agrupados em faixas de valores, permite a elaboração da Tabela 3. Nessa tabela observa-se nas faixas de 33% a 67% e de mais que 67% de congelamento há o predomínio das empresas médias e grandes. Entretanto, deve-se destacar que 54% das grandes empresas operam com menos que 33% de frango congelado. A preferência pelo frango resfriado pode representar uma opção estratégica deliberada ou falta de recursos para investimentos, já que as grandes empresas têm escala que justificam o aumento da produção de frango congelado. Tabela 3. Tabela de contingência para o cruzamento de Congelamento e Escala Congelamento Total menos que 33% de 33% a 67% mais que 67% Até 9.600 2 2 Escala (aves/dia) De 9.600 a Mais que 48.000 48.000 8 12 2 4 2 10 18 Total 22 6 2 30 82 6.3.1.4 Exportação De acordo com os dados contidos na Tabela 43 do Anexo 1, verifica-se que a participação média do frango exportado na produção de cada processador é de 5%, em uma amostra com valor mínimo de zero e máximo de 70%. Conforme o gráfico da Figura 14, observa-se que a maior freqüência ocorre na faixa entre zero e 10%, e que apenas um processador apresenta o valor máximo de participação. A pequena participação da exportação é esperada, considerando-se a ênfase das empresas na produção de frango resfriado e o relevante mercado consumidor do Estado. O dados de Exportação agrupados em categorias dicotômicas são apresentados no gráfico da Figura 15, que contém a divisão da amostra entre exportadoras ou não. A existência de 23% de exportadoras revela que um grupo significativo de empresas tem interesse no mercado internacional, e já consegue direcionar uma pequena parcela da produção para esse fim. 30 20 Freqüência 10 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 exportação (%) 14. Histograma de empresas por faixa de participação do frango exportado. 83 Exportadoras 23,3% Não exportadoras 76,7% 15. Distribuição das empresas entre exportadoras e não exportadoras. O cruzamento dos dados de Exportação e Escala, agrupados em faixas de valores, gera a Tabela 4. Observa-se o predomínio total das exportadoras entre as grandes empresas, como era esperado. O dado que se destaca é a participação 47% de grandes empresas no total dasque não exportam. Essa situação é similar à participação do frango congelado nas grandes empresas, já que o direcionamento da produção para o mercado interno também pode indicar uma estratégia definida ou simplesmente a falta de recursos para os investimentos necessários à exportação. Tabela 4. Tabela de contingência para o cruzamento de Exportação e Escala Exportação Total Não Sim Até 9.600 2 2 Escala (aves/dia) De 9.600 a Mais que 48.000 48.000 10 11 7 10 18 Total 23 7 30 84 6.3.1.5 Concentração Os dados sobre a participação do maior comprador nas vendas são apresentados na Tabela 43 do Anexo 1. A média é de 11,6%, com um mínimo de zero e um máximo de 100%, e a maior freqüência aparece na faixa de zero a 10%, conforme o histograma da Figura 16. O gráfico da Figura 17 foi elaborado agrupando-se os dados de Concentração em três faixas de valores. Nesse gráfico verifica-se que 56% das empresas concentram menos que 5% das vendas no maior cliente. Percebe-se uma dispersão importante nas vendas, o que indica um mercado de frango abatido com elevada liquidez e com grande número de compradores de pequeno porte. O cruzamento da Concentração e da Escala, com dados categorizados, permite a elaboração da Tabela 5. Nessa tabela observa-se que as grandes empresas representam 64% das que concentram as vendas em até 5% no maior cliente, somam 70% no segmento que concentra vendas entre 5% e 15% e não estão representadas no grupo que concentra mais que 15% das vendas. Por outro lado, as empresas médias predominam absolutas na faixa de concentração acima de 15%. Portanto, aparentemente as grandes empresas aproveitam a pulverização do mercado para diluir riscos de inadimplência. 30 20 Freqüência 10 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 concentração (%) 16. Histograma de empresas por faixa de concentração de vendas. 100,0 85 mais que 15% 10,0% de 5 a15% menos que 5% 33,3% 56,7% 17. Distribuição das empresas por faixas de concentração de vendas no maior comprador. Tabela 5. Tabela de contingência para o cruzamento de Concentração e Escala Concentração menos que 5% de 5 a15% mais que 15% Até 9.600 1 1 Total 2 6.3.2 Análise de Correlação no Grupo Escala (aves/dia) De 9.600 a Mais que 48.000 48.000 5 11 2 7 3 10 18 Total 17 10 3 30 Os resultados da análise de correlação para as variáveis de Perfil do processador aparecem na Tabela 47, no Anexo 2. A variável Exportação apresenta coeficientes de correlação significativa entre as variáveis Escala (0,417 significativa a 5%) e Congelamento ( 0,517 significativa a 1%). A variável Escala apresenta coeficiente de correlação de –0,358 com a variável Instalação (significativa a 10%). No caso da Exportação, os coeficientes positivos estão de acordo com o esperado, considerando-se que as empresas com maior participação de frango exportado precisam operar com escalas mais elevadas e maior porcentagem de frango congelado, por ser exatamente esse o produto exportado. 86 A correlação entre a Escala e a Instalação revela que as empresas com maiores escalas são as que têm mais tempo de operação no mercado (menor valor para Instalação). Esse dado pode ser interpretado como o aproveitamento da vantagem de se entrar primeiro em uma indústria, o que permite a expansão das empresas pioneiras. Outra forma de analisar esse dado é considerar que as empresas mais recentes (maior valor para Instalação) têm conseguido competir com escalas de produção menores do que as das empresas mais antigas, o que pode revelar uma estratégia de distribuição com menor amplitude geográfica, provavelmente operando com frango resfriado. 6.4 6.4.1 Transação de Mercado Estatística Descritiva Neste item apresenta-se um resumo das estatísticas descritivas para as variáveis do grupo Transação de mercado. Consultando-se a Tabela 44 no Anexo 1, observa-se uma forte concentração dos valores médios entre os graus 4 e 5, que ocorre para as variáveis Regularidade (4,0), Qualidade (4,8), Sanidade (4,3), Negociação (4,2), Manutenção (4,2) e Tecnologia (4,9). A dispersão dos dados em torno da média é elevada, visto que os valores de desvio-padrão apresentam o mínimo de 1,938 para a Tecnologia, e situam-se entre 2,717 e 3,055 para as demais variáveis citadas. Assim, os administradores pesquisados têm praticamente a mesma percepção de dificuldade de nível médio para se conseguir regularidade de fornecimento, medir sanidade do frango adquirido, negociar com fornecedores e manter fornecedores fiéis. Ainda próximas desse nível, mas ligeiramente superiores estão as percepções sobre a freqüência na atualização tecnológica dos produtores e sobre a dificuldade de medir a qualidade do frango adquirido. As outras variáveis do grupo, Justiça e Impostos, apresentam resultados bastante divergentes entre si e das demais. Para a variável Justiça, o valor médio é 1,7, com desviopadrão de 2,28, enquanto o item Impostos apresenta média de 7,4, com desvio padrão de 2,59. A primeira variável revela um baixo índice de disputas judiciais com fornecedores, o que pode indicar que os eventuais problemas ocorridos durante as transações, alguns refletidos nas variáveis anteriores, não são considerados suficientemente graves para que sejam levados à Justiça. O resultado também poderia ser explicado pela reconhecida 87 ineficiência nos diversos níveis das cortes brasileiras, dados os custos elevados e os longos prazos envolvidos para a obtenção de sentenças definitivas. A variável Impostos apresentou o maior valor médio do grupo, representando uma percepção generalizada de que a atividade é fortemente penalizada por tributos incidentes nas transações de mercado. Esse resultado pode ser justificado pela alta competição existente na indústria avícola, principalmente de frango inteiro resfriado ou congelado, produtos que se comportam como commodities. Como os expressivos ganhos de eficiência obtidos pelos processadores nas últimas três décadas têm sido repassados aos consumidores em preços declinantes, as margens desses agentes são sempre pequenas ou até negativas. Assim, qualquer item de custo que agrave essa situação é considerado relevante. Na transação em questão, o principal tributo é o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços), regido por legislação estadual. 6.4.2 Análise de Correlação no Grupo As correlações entre as variáveis de Transação de mercado aparecem na Tabela 47 no Anexo 2. A situação de maior destaque é que a variável Manutenção apresenta coeficientes de correlação significativos a 1% com Regularidade (0,713), Qualidade (0,492), Sanidade (0,627) e Negociação (0,696). Com esses dados, pode-se considerar que as dificuldades em manter fornecedores fiéis com as transações de mercado são em parte decorrentes da falta de regularidade no fornecimento, custos elevados para medir qualidade e sanidade, e negociações difíceis sobre os termos da transação. Todos esses fatores são tipicamente custos de transação, por estarem relacionados à negociação, avaliação de resultados e monitoramento dos contratos. Dentro do grupo, a variável Regularidade também apresenta coeficientes de correlação de 0,670 com Negociação significativa a 1%, e de 0,390 com Sanidade significativa a 5%. Assim, os processadores que têm dificuldade em conseguir regularidade no fornecimento também percebem problemas para medir a sanidade e na negociação com os fornecedores. Outro caso de forte correlação aparece entre Qualidade e Sanidade (0,724 significativa a 1%), bastante razoável por se tratar de aspectos dependentes do manejo adotado durante a engorda do frango. As demais variáveis não apresentam coeficientes de correlação significativa. 88 6.5 6.5.1 Ambiente Competitivo Estatística Descritiva Neste tópico são apresentados os resultados para as variáveis do grupo Ambiente competitivo. Conforme os dados da Tabela 45, no Anexo 1, verifica-se que os valores médios se concentram entre os graus 5 e 6 para as variáveis Previsão (5,7), Conquista (6,0), Informação (5,6) e Comprador (5,9). Os valores de desvio-padrão para essas variáveis também são relevantes, ficando na faixa de 2,55 a 2,90. A variável Insumo situa-se ligeiramente abaixo dessa faixa, com média de 4,6 e desvio-padrão de 3,02. Ainda que a análise das médias fique prejudicada em razão dos níveis elevados de desvio padrão, é possível identificar algumas tendências gerais. Verifica-se que os resultados refletem percepções praticamente iguais de dificuldade em nível médio para a conquista de novos compradores e para negociar com os compradores atuais. No caso da Conquista, os agentes percebem a forte competição entre os processadores pela expansão do mercado, mas também que, em geral, existe demanda a ser atendida e há espaço para seu produto. Com relação à negociação com compradores atuais, que são os canais de distribuição, aparentemente os processadores enfrentam dificuldades em virtude da oscilação natural de preços em mercados de commodities, mas realizam negociações equilibradas no que se refere ao poder de barganha. Provavelmente essa situação é explicada pela baixa concentração de vendas no maior comprador, expressa na variável Concentração. As variáveis Previsão e Informação têm resultados semelhantes, ligeiramente inferiores ao patamar das demais, revelando também percepção de dificuldades em nível médio. Vendendo seus produtos diretamente para um grande número de varejistas e atuando em mercados locais com frango resfriado, os processadores, em tese, teriam informações suficientes para realizar previsões com certa facilidade. A dificuldade percebida pode estar relacionada com o desconhecimento das estratégias dos líderes da indústria, que possuem esquemas de distribuição de alcance nacional, por atuarem com frango congelado. A incerteza da entrada desses produtos nos canais de distribuição pode aumentar a dificuldade para se prever as vendas pelos processadores paulistas. O resultado da variável Informação pode indicar que, apesar de competirem fortemente na colocação dos produtos, os processadores apresentam um comportamento medianamente cooperativo no que se refere à troca de informações sobre fornecedores. 89 Provavelmente esse processo ocorre nas reuniões semanais da APA, visto que a amostra analisada contém quase a totalidade dos seus associados. 6.5.2 Análise de Correlação no Grupo Os resultados da análise de correlação das variáveis de Ambiente Competitivo aparecem na Tabela 49 do Anexo 2. A variável Insumo apresenta coeficiente de correlação de 0,658 significativa a 1% com Comprador e também de 0,375 significativa a 5% com Conquista. Assim, os processadores que tem dificuldades de negociar com fornecedores de insumos para a engorda de frangos também têm dificuldades para negociar com compradores e para conquistar novos compradores. 6.6 6.6.1 Testes de Hipóteses Análise de Correlação para Arranjos Institucionais Os resultados da correlação entre as variáveis dependentes e as explicativas aparecem na Tabela 50 do Anexo 2. A seguir, esses resultados são comparados com as hipóteses propostas no Capítulo 3, analisando-se cada arranjo institucional e as variáveis explicativas que apresentem coeficientes de correlação significativa. Mercado PI. Verifica-se um coeficiente de correlação de 0,379 significativa a 5% com Qualidade. O sinal não suporta a hipótese levantada, indicando que mesmo quando a dificuldade percebida para se medir a qualidade é elevada, o arranjo de mercado com produtores independente é adotado com participação relevante. Possíveis explicações para essa situação podem estar relacionadas à pequena preocupação com a qualidade, em virtude da baixa exigência dos consumidores ou da falta de alternativas para suprimento fora das transações de mercado. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Mercado CO. Observa-se o coeficiente de correlação de 0,513 significativo a 1% com a variável Concentração, contrariando a hipótese proposta. Com a variável Conquista existe um coeficiente de -0,418 significativo a 5%, também contrariando a hipótese proposta. Os 90 demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Mercado PV. Existe o coeficiente de -0,461 significativo a 5% com a variável Tecnologia, contrariando a hipótese proposta. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Fornecimento PI. Existe o coeficiente de 0,471 significativo a 1% com a variável Concentração. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Fornecimento PV. Observa-se o coeficiente de 0,417 significativo a 5% com Tecnologia, contrariando a hipótese proposta. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Parceria. Existem os seguintes coeficientes: 0,516 significativo a 1 % com Escala, suportando a hipótese proposta, 0,670 significativo a 1% com Congelamento, suportando a hipótese proposta, e o coeficiente de -0,398 significativo a 5% com Qualidade, contrariando a hipótese proposta. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. Integração. Verifica-se o coeficiente de 0,411 significativo a 1% com Qualidade, suportando a hipótese proposta. Os demais coeficientes de correlação obtidos não apresentam significância suficiente para a rejeição da hipótese nula. 6.6.2 Análise de Correspondência para Grau de Integração Neste item são apresentados os resultados da análise de correspondência entre as variáveis explicativas tomadas com resultados categóricos. e a variável Grau de integração. Avalia-se a tabela de contingência, os resultados do teste de Qui-quadrado, que aparecem nas Tabelas 51, 52 e 53 do Anexo 3, e o mapa da análise de correspondência, 91 6.6.2.1 Perfil do Processador 6.6.2.1.1 Instalação Aplicado aos dados da Tabela 6, O teste de Qui-quadrado resultou em um valor significativo a 10% para rejeição da hipótese nula, conforme os dados da Tabela 51 do Anexo 3, o que indica relação de dependência entre o ano de instalação e o arranjo institucional predominante. As preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 18. Nesse mapa observa-se a posição eqüidistante da faixa até 1970 entre Integração e Mercado, a proximidade entre a década de 70 e os Contratos, a eqüidistância da década de 80 de Contratos e Mercado, e a eqüidistância da década de 90 de Contratos e Integração. Verifica-se que quanto mais atual for o ano de instalação do processador maior o grau de coordenação adotado, o que contraria a hipótese 1 proposta no Capítulo 3. Uma possível explicação seria o acompanhamento da avicultura paulista, ainda que com arranjos institucionais próprios, à tendência de maior coordenação exigida na avicultura no plano nacional. Com isso a participação das transações de mercado reduziu-se nas últimas três décadas, o que pode ter forçado os entrantes a adotarem arranjos com grau crescente de coordenação quanto mais atual o ano de entrada. Tabela 6. Tabela de contingência pelo cruzamento de Instalação e Grau de integração Instalação até 1970 de 1971 a 1980 de 1981 a 1990 de 1991 até hoje Total Mercado 2 0 1 2 5 Grau de integração Contratos Integração 1 3 6 0 5 0 6 4 18 7 Total 6 6 6 12 30 92 de 1971 a 1980 de 1981 a 1990 Contratos Dimensão 1 de 1991 até hoje Mercado Integração até 1970 Mercado de 1981 a 1990 até 1970 Dimensão 2 Contratos de 1991 até hoje Integração de 1971 a 1980 grau de integração instalação 18. Mapa de análise de correspondência entre Grau de integração e Instalação 6.6.2.1.2 Escala Aplicado aos dados da Tabela 7, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 51 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência que suporte a relação de dependência entre Escala e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 19. Nesse mapa observa-se a proximidade das grandes empresas com os Contratos, a posição eqüidistante das empresas médias com Contratos e Mercado, e a maior distância do mapa entre as pequenas empresas e os Contratos. A proximidade entre as grandes empresas e os Contratos segue a tendência dos líderes nacionais da avicultura, que operam com contratos de parceria. Deve-se destacar, entretanto, a freqüência relevante de grandes empresas com ênfase em Integração, que revela uma coordenação total, mas com custos elevados. Essas empresas provavelmente não conseguiram atrair agentes para a elaboração dos contratos. Verifica-se a tendência, ainda que com baixa 93 significância estatística, no mesmo sentido da hipótese 2, do Capítulo 3, de que quanto maior a empresa maior o grau de coordenação adotado. Tabela 7. Tabela de contingência para Escala e Grau de Integração Escala até 9.600 de 96.000 a 48.000 mais que 48.000 Total Mercado 1 3 1 5 Grau de integração Contratos Integração 0 1 6 1 12 5 18 7 Total 2 10 18 30 mais que 48.000 Contratos Integração de 9.600 a 48.000 Dimension 1 Mercado até 9.600 até 9.600 Integração mais que 48.000 Dimension Mercado 2 Contratos de 9.600 a 48.000 grau de integração escala 19. Mapa de análise de correspondência entre Grau de integração e Escala 6.6.2.1.3 Congelamento Aplicado aos dados da Tabela 8, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 51 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Congelamento e Grau de integração. 94 Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 20. Nesse mapa observa-se que a categoria de congelamento até 33% fica eqüidistante das categorias Contratos e Mercado, que o congelamento entre 33 e 67% torna-se mais próximo dos Contratos, e que o nível de 67% fica mais próximo da Integração. Na Tabela 8 observa-se que o uso de Contratos representa 54% das empresas que trabalham com menos de 33% de frango congelado, e 83% das empresas que operam com congelamento entre 33% e 67%. A análise sobre o impacto do congelamento sobre o grau de integração aparentemente ficou prejudicada porque 73% da amostra opera com menos de 33% de frango congelado. Tabela 8. Tabela de correspondência entre o Congelamento e o Grau de integração Congelamento Menos que 33% De 33% a 67% Mais que 67% Mercado 4 1 0 Grau de integração Contratos Integração 12 6 5 0 1 1 mais que 67% Total 22 6 2 Integração menos que 33% Dimensão 1 Contratos Mercado de 33% a 67% Mercado menos que 33% Integração Contratos de 33% a 67% Dimensão 2 mais que 67% grau de integração congelamento 20. Mapa de análise de correspondência para Congelamento e Grau de integração 95 6.6.2.1.4 Exportação Conforme verificado na análise de estatísticas descritivas, no item 6.1.2.4, o percentual médio de participação do frango exportado é de 14,7% e o histograma indica a maior freqüência para a Exportação ente zero e 10%. Assim, no agrupamento dos resultados para essa variável, opta-se pela criação de categorias dicotômicas (sim/não). Aplicando-se análise de correspondência entre Exportação e Grau de integração, o método cria apenas uma dimensão, inviabilizando a elaboração do mapa. Aplicado aos dados da Tabela 9, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 51 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Exportação e Grau de integração. Apesar dessa condição, as preferências dos processadores podem ser discutidas de forma qualitativa. Observa-se que no grupo de empresas exportadoras não há casos de Mercado e que 71% dessas empresas utilizam Contratos, enquanto nas empresas que não exportam os contratos participam com 56% dos casos. Portanto a utilização de Contratos é bastante difundida entre os dois grupos. Tabela 9. Tabela de contingência para Exportação e Grau de integração Exportação Não Sim Total Mercado 5 5 Grau de integração Contratos Integração 13 5 5 2 18 7 Total 23 7 30 6.6.2.1.5 Concentração Aplicado aos dados da Tabela 9, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 51 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Concentração e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 21. Pela Figura percebe-se que a faixa de menor concentração está eqüidistante de Integração e Mercado, o nível médio de Concentração tem a 96 menor distância dos Contratos e o nível mais elevado de Concentração fica eqüidistante entre Contratos e Mercado, ainda que mais distante. Tabela 10. Tabela de contingência para Concentração e Grau de integração Concentração Menos que 5% De 5 a15% Mais que 15% Total Mercado 3 1 1 5 Grau de integração Contratos Integração 10 4 6 3 2 0 18 7 Total 17 10 3 30 Integração de 5 a15% Contratos menos que 5% Dimensão 1 Mercado mais que 15% Mercado menos que 5% Integração Dimensão 2 Contratos de 5 a15% mais que 15% grau de integração concentração 21. Mapa de análise de correspondência para Concentração e Grau de Integração 97 6.6.2.2 Transação de Mercado 6.6.2.2.1 Regularidade Aplicado aos dados da Tabela 11, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Regularidade e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 22. Pela Figura, observa-se que os agentes que consideram nível Baixo apresentam ligeira preferência por Contratos em comparação com Mercado. Para o nível Médio, existe maior afinidade com Contratos, seguidos da Integração, e grande distância de Mercado. O nível Alto encontra-se eqüidistante de Mercado e Integração e mais afastado de Contratos. Tabela 11. Tabela de contingência para Regularidade e Grau de integração Regularidade Baixo Médio Alto Total Mercado 2 1 2 5 Grau de integração Contratos Integração 6 2 9 3 3 2 18 7 Total 10 13 7 30 98 Médio Contratos Baixo Integração Dimensão 1 Alto Mercado Baixo Mercado Contratos Médio Dimensão 2 Alto Integração grau de integração regularidade 22. Mapa de análise de correspondência para Regularidade e Grau de integração 6.6.2.2.2 Qualidade Aplicado aos dados da Tabela 12, o teste de Qui-quadrado apresentou significância suficiente para a rejeição da hipótese nula a 10%, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. Portanto, existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Qualidade e Grau de integração. As preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 23. Consultando-se a Figura, observa-se que os agentes que consideram nível Baixo estão bastante afastados de Mercado e Integração, com distâncias muito semelhantes. Os agentes que optaram por nível Médio têm maior afinidade por Contratos, seguidos da Integração, e estão mais afastados do Mercado do que os que escolheram nível Baixo, o que seria esperado. Os processadores que responderam nível Alto estão mais distantes dos Contratos e mais próximos da Integração e do Mercado, de forma eqüidistante. Os resultados da análise de correspondência indicam que a percepção da dificuldade de medir qualidade apresenta uma discreta influência positiva no aumento da coordenação da transação, suportando a hipótese formulada no Capítulo 3. Esse efeito é mais claro entre os 99 níveis Baixo e Médio, enquanto para o nível Alto, os agentes parecem confiar mais na Integração do que nos Contratos, ainda que não deixem de fazer transações de Mercado. A concessão ao uso de Mercado pode ser resultante da falta de alternativas para completar o suprimento total. Tabela 12. Tabela de contingência para Qualidade e Grau de integração Qualidade Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 7 0 8 4 3 3 18 7 Mercado 3 0 2 5 Total 10 12 8 30 Integração Alto Dimensão 1 Baixo Mercado Mercado Alto Integração Dimensão 2 Baixo qualidade 23. Mapa de análise de correspondência para Qualidade e Grau de Integração 6.6.2.2.3 Sanidade Aplicado aos dados da Tabela 13, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Sanidade e Grau de integração. 100 Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 24. A observação do revela grande afinidade dos optantes pelo nível Baixo com Contratos, mas também seu grande distanciamento da Integração, e o Mercado como situação intermediária. Os que escolhem o nível Médio apresentam grande afinidade com Integração e maior afastamento dos Contratos e do Mercado. Aqueles que optam pelo nível Alto têm maior afinidade com Contratos, seguidos da Integração e do Mercado. Tabela 13. Tabela de contingência para Sanidade e Grau de integração Sanidade Baixo Médio Alto Total Mercado 2 2 1 5 Grau de integração Contratos Integração 8 1 5 4 5 2 18 7 Total 11 11 8 30 Baixo Contratos Mercado Alto Médio Integração Alto Integração Contratos Dimensão 2 Baixo Médio grau de integração Mercado sanidade 24. Mapa de análise de correspondência para Sanidade e Grau de Integração 101 6.6.2.2.4 Negociação Aplicado aos dados da Tabela 14, o teste de Qui quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. estatística que suporte a relação de dependência entre Negociação e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no ma análise de correspondência da Figura 25. No mapa da Figura, verificao nível Baixo e Contratos, o nível Médio e Integração e o nível Alto e Mercado. Assim, agentes com percepção de alta dificuldade de negociação com fornecedore transações a mercado, talvez por não conseguir completar o suprimento com outros arranjos. Baixo (72%), enquanto a maior concentração de Integração aparece no nível Médio. Tabela 14. Tabela de contingência para Negociação e Grau de integração. Mercado Baixo Médio Total 1 2 Gau de integração Contratos 8 1 5 4 18 7 Total 12 7 102 Integração Médio Dimensão 1 Contratos Baixo Alto Mercado Mercado Alto Integração Dimensão 2 Médio Contratos Baixo grau de integração negociação 25. Mapa de análise de correspondência para Negociação e Grau de Integração 6.6.2.2.5 Aplicado aos dados da Tabela 15, o teste de Quiinsuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. Portanto, não exis Manutenção e Grau de integração. preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da -se que os optantes do nível preferência, mas em menor grau. Os processadores que adotam o nível Alto apresentam Pelos dados da Tabela 15, percebe se a predominância dos Contratos nos níveis Baixo e Médio (63,6%) em relação ao nível Alto (50%). A análise revela que a pe dificuldade de manter fornecedores fiéis em transações de mercado não influi na escolha do arranjo institucional predominante, contrariando a hipótese levantada no Capítulo 3. 103 Tabela 15. Tabela de contingência para Manutenção e Grau de integração Manutenção Baixo Médio Alto Total Mercado 3 0 2 5 Grau de integração Contratos Integração 7 1 7 4 4 2 18 7 Médio Total 11 11 8 30 Integração Contratos Alto Dimensão 1 Baixo Mercado Alto Integração Mercado Dimensão 2 Médio Baixo Contratos grau de integração manutenção 26. Mapa de análise de correspondência para Manutenção e Grau de Integração 6.6.2.2.6 Tecnologia Aplicado aos dados da Tabela 15, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Tecnologia e Grau de integração. A análise de correspondência para Tecnologia resultou em apenas uma dimensão, o que impediu a elaboração do gráfico. Os dados da Tabela 15 indicam que os Contratos são a forma predominante para os adotantes dos níveis Baixo (50%), Médio (66%) e Alto (50%). Essa condição revela que a percepção sobre a freqüência de mudança tecnológica dos fornecedores de mercado não tem 104 influência sobre o arranjo contratual predominante e explica a inexistência de significância ação de dependência. Tabela 16. Tabela de contingência para Tecnologia e Grau de integração Tecnologia Baixo Alto Total 2 1 5 Grau de integração Contratos Integração 1 12 3 1 7 6 18 30 6.6.2.2.7 Aplicado aos dados da Tabela 17, o teste de Qui quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. iça e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da percebeadotantes do nível Baixo e Contratos. Os que percebem nível Médio estão próximos do Mercado, seguidos da Integração. Destaca se a discreta afinidade entre os optantes pelo nível Alto e Contratos, e que estão muito distantes do A análise revela que a percepção da freqüência de disputas judiciais com fornecedores de nível Alto para a freqüência nas disputas judiciais contribui para esse resultado. Outro fator que afirma que quanto maior a freqüência de disputas, maior a coordenação adotada. 105 Tabela 17. Tabela de Contingência para Justiça e Grau de integração Justiça Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 15 6 2 1 1 0 18 7 Mercado 4 1 0 5 Mercado Médio Total 25 4 1 30 Integração Baixo Contratos Dimensão 1 Alto Integração Baixo Contratos Dimensão 2 Mercado Médio grau de integração Alto justiça 27. Mapa de análise de correspondência para Justiça e Grau de Integração 6.6.2.2.8 Impostos Aplicado aos dados da Tabela 18, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 52 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Impostos e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 28. Pelo mapa observa-se que os adotantes do nível Baixo estão em eqüidistantes de Mercado e dos Contratos, os que adotam nível Médio estão mais próximos do Mercado e os que optam pelo nível Alto estão próximos dos Contratos. 106 Tabela 18. Tabela de contingência para Impostos e Grau de integração Impostos Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 2 0 2 1 14 6 18 7 Mercado 1 1 3 5 Total 3 4 23 30 Integração Alto Contratos Médio Dimensão 1 Mercado Baixo Médio Mercado Integração Dimensão 2 Alto Baixo Contratos grau de integração impostos 28. Mapa de análise de correspondência para Impostos e Grau de Integração 6.6.2.3 Ambiente Competitivo 6.6.2.3.1 Previsão Aplicado aos dados da Tabela 19, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 53 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Previsão e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da 107 análise de correspondência da Figura 29. Pelo mapa observa-se que os adotantes dos níveis Baixo e Alto apresentam afinidade com Contratos, e os que adotam nível Médio estão mais próximos da Integração. Tabela 19. Tabela de contingência para Previsão e Grau de integração Previsão Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 6 2 4 3 8 2 18 7 Mercado 1 2 2 5 Total 9 9 12 30 Médio Integração Mercado Dimensão 1 Baixo Alto Contratos Baixo Integração Contratos Médio Dimensão 2 Alto grau de integração Mercado previsão 29. Mapa de análise de correspondência para Previsão e Grau de Integração 6.6.2.3.2 Conquista Aplicado aos dados da Tabela 20, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 53 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Conquista e Grau de integração. 108 Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 30. Pelo mapa percebe-se a proximidade do nível Baixo com a Integração, a posição quase eqüidistante do nível Médio com os Contratos e com a Integração, e a proximidade do nível Alto com os Contratos. Tabela 20. Tabela de contingência para Conquista e Grau de integração Conquista Baixo Médio Alto Total Mercado 1 1 3 5 Grau de integração Contratos Integração 2 2 6 3 10 2 18 7 Total 5 10 15 30 Integração Baixo Médio Dimensão 1 Mercado Contratos Alto Mercado Baixo Alto Dimension 2 Integração Contratos Médio grau de integração conquista 30. Mapa de análise de correspondência para Conquista e Grau de Integração 109 6.6.2.3.3 Informação Aplicado aos dados da Tabela 21, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 53 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Informação e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 31. No mapa percebe-se a proximidade eqüidistante do nível Baixo com a Integração e com Contratos, a afinidade do nível Médio com os Contratos, e a proximidade quase eqüidistante do nível Alto com Mercado e Integração. Tabela 21. Tabela de contingência para Informação e Grau de integração Informação Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 6 2 7 2 5 3 18 7 Mercado 0 1 4 5 Total 8 10 12 30 Mercado Alto Dimensão 1 Integração Médio Contratos Baixo Integração Baixo Alto Contratos Médio Dimensão 2 Mercado grau de integração informação 31. Mapa de análise de correspondência para Informação e Grau de Integração 110 6.6.2.3.4 Insumo Aplicado aos dados da Tabela 22, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 53 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Insumo e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 32. No mapa percebe-se a proximidade do nível Baixo com Contratos, a afinidade do nível Médio com a Integração, e a proximidade do nível Alto com Mercado. A afinidade do nível Baixo com Contratos pode indicar que muitos desses arranjos não incluem o fornecimento de alimentação aos contratados, o que libera os processadores da negociação com fornecedores de insumos. Tabela 22. Tabela de contingência para Insumo e Grau de integração Insumo Baixo Médio Alto Total Mercado 2 1 2 5 Grau de integração Contratos Integração 7 2 5 3 6 2 18 7 Total 11 9 10 30 111 Integração Médio Dimensão 1 Contratos Baixo Alto Mercado Mercado Alto Integração Dimensão 2 Médio Contratos Baixo grau de integração insumo 32. Mapa de análise de correspondência para Insumo e Grau de Integração 6.6.2.3.5 Comprador Aplicado aos dados da Tabela 23, o teste de Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme apresentado na Tabela 53 do Anexo 3. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Comprador e Grau de integração. Apesar de não apresentarem significância estatística para a relação de dependência, as preferências dos processadores podem ser visualizadas de forma qualitativa no mapa da análise de correspondência da Figura 33. Pelo mapa percebe-se que o nível Baixo está próximo de Contratos, podendo revelar processadores de maior escala e com maior poder de barganha com os distribuidores. O nível Médio encontra-se próximo do Mercado e o nível Alto da Integração. Essas afinidades podem estar relacionadas a processadores de menor porte. 112 Tabela 23. Tabela de contingência para Comprador e Grau de integração Comprador Baixo Médio Alto Total Grau de integração Contratos Integração 5 1 5 2 8 4 18 7 Mercado 0 2 3 5 Total 6 9 15 30 Mercado Médio Alto Integração Dimensão 1 Contratos Baixo Integração Alto Baixo Dimensão 2 Contratos Mercado Médio grau de integração comprador 33. Mapa de análise de correspondência para Comprador e Grau de Integração 6.6.3 Tabelas de Contingência para Adoção de Mercado Neste item são analisadas as tabelas de contingência entre as variáveis explicativas tomadas com resultados categóricos e a variável dicotômica Mercado. São analisados os testes Qui-quadrado que constam das Tabelas 54, 55 e 56 do Anexo 4. 113 6.6.3.1 Perfil do Processador 6.6.3.1.1 Instalação Aplicado à Tabela 24, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 54 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Instalação e Mercado. A tabela de contingência entre instalação e mercado indica que a maior concentração de processadores que não utiliza Mercado instalaram-se a partir dos anos 90. Assim, esses agentes já entraram no mercado com o arranjo institucional de parceria já estabelecido nacionalmente e difundindo-se em São Paulo. Tabela 24. Tabela de contingência para Instalação e Mercado Instalação até 1970 de 1971 a 1980 de 1981 a 1990 de 1991 até hoje Total Mercado Não Sim 2 4 4 2 4 2 8 4 18 12 Total 6 6 6 12 30 6.6.3.1.2 Escala Aplicado à Tabela 25, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 54 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Escala e Mercado. Pela Tabela 25 verifica-se que 70% das empresas médias não utiliza mercado, assim como 55% das grandes. Essa tendência contraria a hipótese de que quanto maior a escala, maior a utilização de formas híbridas ou integração vertical. Uma possível justificativa seria a dificuldade de se conseguir produtores para os contratos em uma conjuntura de margens estreitas na indústria. Com isso, as empresas de porte menor ainda conseguem suprimento suficiente, enquanto as grandes são obrigadas a buscar o mercado de forma complementar 114 Tabela 25. Tabela de contingência para Escala e Mercado Escala até 9.600 de 9.600 a 48.000 mais que 48.000 Total Mercado Não Sim 1 1 7 3 10 8 18 12 Total 2 10 18 30 6.6.3.1.3 Congelamento Aplicado à Tabela 26, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 54 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Congelamento e Mercado. Analisando-se a Tabela 26, percebe-se uma concentração de empresas com congelado que não utilizam mercado (59%), o que seria esperado pela maior necessidade de coordenação. Para os que não produzem congelado, a concentração é ainda maior (62%), mas sobre uma base menor de empresas. Tabela 26. Tabela de contingência para Congelamento e Mercado Congelamento Não Sim Total Mercado Não Sim 5 3 13 9 18 12 Total 8 22 30 6.6.3.1.4 Exportação Aplicado à Tabela 27, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 54 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Exportação e Mercado. Na Tabela 27, considerando-se as empresas que usam Mercado, percebe-se participação significativa (42%) das exportadoras, ainda que a base represente apenas 23% da amostra. Essa situação poderia ser explicada pela pequena participação percentual média da exportação nas empresas pesquisadas, permitindo o suprimento destinado a esse fim 115 proveniente de outros arranjos institucionais. A exportação exige níveis de qualidade e padronização dificilmente encontrados no mercado. Aparentemente a Exportação e o uso de Mercado convivem nas empresas da avicultura paulista porque ambas têm pequena participação na quantidade vendida total e no suprimento total, respectivamente. Tabela 27. Tabela de contingência para Exportação e Mercado Exportação Não Sim Total Mercado Não Sim 14 9 4 3 18 12 Total 23 7 30 6.6.3.1.5 Concentração Aplicado à Tabela 28, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 54 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Concentração e Mercado. Aparentemente a baixa concentração adotada e a pequena participação do Mercado no suprimento na maioria das empresas não criam efeitos detectáveis de interdependência. Na Tabela 28, observa-se que, para o grupo com menor Concentração, ocorre a maior freqüência de empresas que não adotam Mercado. Assim, empresas que teriam maior confiabilidade de suprimento aparentemente não buscam maior concentração de vendas, o que em tese seria possível. As razões podem ser a minimização de riscos relacionados aos compradores ou incapacidade de atender os volumes exigidos. Tabela 28. Tabela de contingência para Concentração e Mercado Concentração Total menos que 5% de 5 a15% mais que 15% Mercado Não Sim 11 6 5 5 2 1 18 12 Total 17 10 3 30 116 6.6.3.2 Transação de Mercado 6.6.3.2.1 Regularidade Aplicado à Tabela 29, o teste Qui-quadrado apresentou significância suficiente para a rejeição da hipótese nula a 5%, conforme apresentado na Tabela 55, do Anexo 4. Portanto existem evidências que suportam a existência de dependência entre Regularidade e Mercados. A maior freqüência aparece entre os que têm percepção de nível médio e não utilizam mercado (84%). Neste caso o nível médio de dificuldade parece ser suficiente para que as empresas evitem as transações de mercado. Para as empresas que utilizam o Mercado, aparentemente o fazem de modo acessório e com pequenas participação no suprimento total. Tabela 29. Tabela de contingência para Regularidade e Mercado Regularidade Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 5 5 11 2 2 5 18 12 Total 10 13 7 30 6.6.3.2.2 Qualidade Aplicado à Tabela 30, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Qualidade e Mercado. A maior freqüência aparece para os têm percepção de nível médio e não utilizam mercado (75%). Percebe-se uma tendência de evitar o mercado por dúvidas em relação à qualidade. Entretanto, não existe efeito estatístico porque as empresas aceitam oscilações da qualidade em virtude da baixa exigência do mercado consumidor. Com isso, a adoção do Mercado com pequena participação não prejudica os níveis de qualidades necessários para atender o merco. 117 Tabela 30. Tabela de contingência para Qualidade e Mercado Qualidade Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 5 5 9 3 4 4 18 12 Total 10 12 8 30 6.6.3.2.3 Sanidade Aplicado à Tabela 31, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Sanidade e Mercado. A maior freqüência aparece para os que têm percepção de nível médio e não utilizam Mercado (63%), seguida pelos casos de percepção de nível alto sem Mercado (62%). Aqui aparecem os riscos de sanidade podendo inibir as transações de mercado. A falta de relação de dependência pode estar relacionada à existência de padrões de sanidade já incorporados pelos produtores independentes e considerados fundamentais para a sobrevivência na atividade, já que fornecem frango para processadores dos mais variados portes. Assim, eles devem atender a padrões mínimos exigidos pelas empresas de maior porte. Tabela 31. Tabela de contingência para Sanidade e Mercado Sanidade Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 6 5 7 4 5 3 18 12 Total 11 11 8 30 6.6.3.2.4 Negociação Aplicado à Tabela 32, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Negociação e Mercado. 118 A maior freqüência aparece entre os que têm percepção de nível Médio e não utilizam o Mercado (66%), seguida pelo nível Baixo sem Mercado (63%). Para o nível Alto, a freqüência dos que não adotam o mercado é de 42%. As variações no nível percebido não provocam alterações significativas na opção relacionada à adoção do Mercado. De modo geral o ponto principal da negociação é o preço, e as dificuldades surgem porque o vendedor tenta sustentar o preço alegando que ele é definido pelo mercado, enquanto o comprador tenta reduzí-lo alegando que suas margens são estreitas pela competição no varejo. As variações de percepção de dificuldade podem apresentar viés se o respondente considerar que o preço não é objeto de negociação, por ser dado pelo mercado. Tabela 32. Tabela de contingência para Negociação e Mercado Negociação Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 7 4 8 4 3 4 18 12 Total 11 12 7 30 6.6.3.2.5 Manutenção Aplicado à Tabela 33, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Manutenção e Mercado. A maior freqüência aparece entre os que têm percepção de nível Médio e não utilizam Mercado (81%). Aparece aqui uma tendência de se evitar o mercado pela baixa fidelidade dos fornecedores. Entretanto, não aparece o efeito estatístico porque nas percepções de nível Baixo e Alto existe um equilíbrio nas posições antagônicas com relação ao uso do Mercado. Aparentemente, o mercado já possui padrões estabelecidos que dispensam a manutenção do mesmo fornecedor, apesar de ser uma situação vantajosa em custos de transação. Portanto a manutenção de um fornecedor fiel em transações de mercado parece não ser muito importante para os processadores, quando decidem adotar ou rejeitar esse arranjo. 33. Tabela de contingência para Manutenção e Mercado Total Manutenção Baixo Médio Total Sim 5 9 3 18 11 11 5 30 Tecnologia 4, o teste Quirejeição da hipótese nula a 10%, conforme apresentado na Tabela 55, do Anexo 4. Portanto, existe evidência estatística que suporta a relação de dependência entre Tecnologia e Mercado. A maior freqüência aparece para os que têm percepção de nível Médio e não utilizam atualização tecnológica dos fornecedores de mercado, reduzindo a predisposição para que adotem e a se abastecerem parcialmente pelo Mercado. Assim a avaliação geral parece ser a de que os fornecedores de mercado estão um passo atrás na corrida tecnológica, mas não estã Entretanto, essa defasagem reduz os negócios desse grupo. Tabela 34. Tabela de contingência para Tecnologia e Mercado Baixo Alto Mercado Não 2 14 4 4 18 12 6 6 6.6.3.2.7 Justiça Aplicado à Tabela 35, o teste Qui quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência 120 O nível baixo de disputas para o total da amostra apresenta concentração de 83%. Deste grupo, 60% não utiliza mercado. Assim, o indicador de disputas judiciais parece não influir na adoção de mercado. A pequena freqüência de disputas judiciais pode ser creditada à falta de conflitos ou à opção de não recorrer à Justiça. A primeira opção parece mais provável, por envolver um mercado altamente competitivo, com elevada padronização e grande diversidade de agentes compradores e vendedores. As transações são fortemente regionalizadas, o que gera incentivos para a construção de reputação, mesmo em transações de mercado. Tabela 35. Tabela de contingência para Justiça e Mercado Justiça Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 15 10 2 2 1 18 12 Total 25 4 1 30 6.6.3.2.8 Impostos Aplicado à Tabela 36, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 55 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Impostos e Mercado. Percebe-se a predominância da percepção em nível Alto no total da amostra (76%), dos quais 65% não utilizam mercado. Aqui a percepção de nível Alto para o impacto dos impostos não apresenta efeito estatístico porque é fortemente dominante, não importando a opção sobre a adoção do Mercado. Nessa percepção também pode estar atuando a compressão das margens resultante do aumento de custos com insumos, o aumenta o impacto dos impostos. Tabela 36. Tabela de contingência para Impostos e Mercado Impostos Total Baixo Médio Alto Mercado Não Sim 1 2 2 2 15 8 18 12 Total 3 4 23 30 121 6.6.3.3 6.6.3.3.1 Previsão Aplicado à Tabela 37, o teste Qui quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a estatística que suporte a relação de dependência entre Previsão e Mercado. -se a maior concentração entre o nível alto sem mercado (75%), seguido do não está de acordo com o esperado, visto que se existe maior incerteza nas vendas, o processador poderia evitar os contratos para não se mercado. Uma justificativa para que o mercado não seja adotado pode ser a falta de oferta 37. Tabela de contingência para Previsão e Mercado Total Previsão Baixo Médio Total Sim 6 6 9 18 9 9 3 30 6.6.3.3.2 Aplicado à Tabela 38, o teste Qui quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 56 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência Percebe se a mesma concentração nos níveis Baixo sem Mercado, Médio sem nível de percepção o Mercado é rejeitado por uma parcela significativa dos processadores. Por outro lado, para os dificuldade de conquista está mais relacionada a fraquezas internas dos processadores, como a descapitalização, o que inibe os investimentos para aumento da produção. 122 Tabela 38. Tabela de contingência para Conquista e Mercado Conquista Médio Alto Total Mercado Não Sim 3 2 4 9 12 Total 10 15 30 Informação -quadrado apresentou significância suficiente para a se nula a 10%, conforme apresentado na Tabela 56, do Anexo 4. Portanto, existe evidência estatística que suporta a relação de dependência entre Informação e Mercado. A maior concentração ocorre para o nível Médio sem Mercado (80%), seguida do nível Baixo Assim, aparentemente os agentes que não adotam mercado tendem a trocar informações em níveis medianos ou baixos. Dada a grande representatividade de participantes da APA na o resultado é intrigante. A explicação possível é que essa informação não seja relevante, seja pela fidelidade dos fornecedores ou porque a informação já circule livremente 39. Tabela de contingência para Informação e Mercado Merca Informação Total Baixo Médio Total Sim 2 8 4 18 8 10 8 30 6.6.3.3.4 Aplicado à Tabela 39, o teste Quia rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 56 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência 123 A maior concentração ocorre para o nível Médio sem Mercado (66%), seguida do nível Alto sem Mercado (60%). Assim, os agentes que adotam maior coordenação podem perceber as maiores dificuldades na aquisição de insumos. Tabela 40. Tabela de contingência para Insumo e Mercado Insumo Baixo Médio Alto Total Mercado Não Sim 6 5 6 3 6 4 18 12 Total 11 9 10 30 6.6.3.3.5 Comprador Aplicado à Tabela 40, o teste Qui-quadrado apresentou significância insuficiente para a rejeição da hipótese nula, conforme a Tabela 56 do Anexo 4. Portanto, não existe evidência estatística que suporte a relação de dependência entre Comprador e Mercado. A maior concentração ocorre para o nível médio sem mercado (66%), seguida do nível alto sem mercado (53%). Assim, percebe-se que os processadores que exercem maior coordenação no suprimento (sem mercado) consideram que têm menor poder de barganha na venda, provavelmente porque negociam com distribuidores de maior porte. Tabela 41. Tabela de contingência para Comprador e Mercado Comprador Total Baixo Médio Alto Mercado Não Sim 4 2 6 3 8 7 18 12 Total 6 9 15 30 CONCLUSÃO s as considerações finais e reflexões do autor sobre o resultado da pesquisa. Considerando se o objetivo geral do estudo de analisar a coexistência de arranjos institucionais alternativos em sistemas produtivos agroindustriais, o estudo ama abrangente do tema na avicultura do Estado de São Paulo. e pela pesquisa sobre a participação percentual de cada arranjo no suprimento do processador contribuiu fo possível realizar análises em diversos níveis de profundidade, com o agrupamento sucessivo das informações. Assim, analisou se o suprimento dos processadores considerandoarranjo individualmente, a predominância relativa de mercado, contratos ou integração e, A seguir são apresentadas as conclusões relativas aos objetivos específicos do estudo. Arranjos Institucionais. O co visto que representa 33% do suprimento médio de cada processador, ou 50% do suprimento total da amostra. Esses dados indicam uma participação inferior à verificada nas principais do Brasil. Com relação à dinâmica de adoção, aparentemente houve um recuo do contrato de parceria no suprimento durante a década de 90, conforme dados obtidos O contrato de fornecimento aparece com destaque, participando em média c do suprimento de cada processador, ainda que essa participação reduza para 14,1% no suprimento total da amostra. Portanto, é um arranjo que não está associado às empresas de s envolvidos no contrato de parceria, como ração e assistência veterinária. Essa pode ter sido a alternativa das mercado altamente competitivo da avicultura. -se os agentes envolvidos nos contratos de fornecimento, os produtores suprimento total da amostra, enquanto os contratos de fornecimento com produtores 125 integradores de frango vivo participam, em média, com 18,1% do suprimento do processador e 10,3% do suprimento total da amostra. Os dados revelam a importância do integrador de frango vivo, figura que se estabelece de forma única no Estado, e cuja estratégia é a de contratar a produção de outros agentes de menor escala. Assim, o integrador de frango vivo assume alguns dos custos de gestão presentes no contrato de parceria que alguns processadores não poderiam suportar. Outro resultado de destaque é a relevante participação da integração vertical, aqui considerada no sentido literal de posse financeira dos ativos. Esse arranjo responde por 25% do suprimento médio de cada processador e 24,3% do suprimento total da amostra. Trata-se de outra situação distintiva do Estado em relação às outras regiões produtoras. O contrato de parceria pode oferecer alto grau de coordenação do suprimento sem a necessidade de investimento em instalações e mão-de-obra, razão pela qual ele substitui a integração vertical. A sobrevivência desse arranjo aparece é uma questão levantada pelo estudo. Possíveis explicações podem estar relacionadas à dificuldade de se encontrar produtores parceiros, dadas as margens estreitas em que a indústria tem operado. O mercado aparece como o arranjo de menor relevância, com uma participação média de 11% no suprimento de cada processador e de 6,1% no suprimento total da amostra. Na avicultura, verifica-se elevada competição, esquemas de distribuição de âmbito nacional operados pelos processadores líderes, ganhos de produtividade repassados ao consumidor na forma de preços mais baixos e pressão de custos provenientes de insumos que têm cotações internacionais (soja e milho). Com essas condições, a existência de um mercado de frango vivo com volumes significativos torna-se cada vez mais difícil, em virtude do enorme nível de risco para os operadores, compradores ou vendedores. No Estado, esse mercado parece sustentar-se somente se as transações forem destinadas à produção de frango resfriado para distribuição local. Considerando-se os agentes envolvidos nas transações de mercado, os produtores independentes respondem, em média, por 7,3% do suprimento do processador e 3,7% do suprimento total da amostra, enquanto os corretores de frango vivo participam, em média, com 3,7% do suprimento do processador e 2,4% do suprimento total da amostra e finalmente os integradores de frango vivo são responsáveis, em média, por 3,9% do suprimento de cada processador e 6,5% do suprimento da amostra. Por esses dados percebe-se que as transações de mercado com integradores de frango vivo estão associadas a volumes maiores, enquanto as transações com produtores independentes são de menor escala. Pela discreta participação 126 revelada, o corretor de frango vivo aparece como um agente em decadência, cuja sobrevivência é cada vez mais difícil em razão das estreitas margens operadas na indústria. Perfil do Processador. A pesquisa descobriu algumas características básicas do processador na avicultura do Estado de São Paulo. O levantamento sobre o ano de instalação surpreende pela enorme faixa de variação dos dados na amostra, visto que a empresa mais antiga instalou-se em 1960 e a mais nova em 2001. A maior concentração aparece a partir de 1991, com 40% das empresas, seguida de uma distribuição equilibrada nas outras três faixas – até 1970, de 1971 a 1980 e de 1981 a 1990, com 20% dos casos em cada faixa. Os dados revelam uma larga tradição da avicultura paulista e uma grande diversidade nos históricos das empresas que estão competindo atualmente. O levantamento da escala de produção revela uma média de 78 mil animais por dia para a capacidade máxima, com uma variação de 500 a 276 mil animais/dia. A maior concentração por faixa é de 60% de grandes empresas (acima de 48.000 animais/dia), seguida pelas médias (entre 9.600 e 48.000 animais/dia), com 33,3%, e as pequenas (até 9.600 animais/dia), com 6,7%. Trata-se de um parque industrial diversificado e com predominância de empresas de alta produção, que parecem ser as sobreviventes de um forte processo de falências identificado na devolução de questionários pelos Correios e nos contatos telefônicos. A pesquisa sobre congelamento revelou que a participação média do frango congelado é de 21,8%, com um mínimo de zero e um máximo de 100%. A maior concentração resultou em 73% na faixa até 33% de frango congelado. Esses dados indicam a predominância do frango resfriado como produto principal e de distribuição local, em razão do prazo de validade reduzido. A exportação revela-se extremamente tímida entre os processadores paulistas, visto que a participação média do frango exportado no total da produção é de 5%. A melhor medida dessa situação é a divisão da amostra entre empresas que não exportam, com 76,7%, e as exportadoras, que representam 23,3%. Esses dados estão de acordo com a informação sobre frango congelado, visto que o investimento em túneis de congelamento é a base para se trabalhar com qualquer produto exportável. A concentração de vendas no maior comprador revelou uma tendência de forte pulverização dos volumes, visto que a média ficou em 11,8%. Quando agrupado em faixas, verifica-se que a maior concentração (56,7%) é das empresas que vendem menos de 5% para o maior cliente. Esses dados revelam uma distribuição direta para muitos varejistas dos mais diversos portes. 127 Transação de Mercado. O trabalho identificou as percepções dos processadores sobre a transação de mercado em uma escala de dez níveis, sendo o zero a dificuldade mínima e dez a máxima. Em média, os agentes avaliam a dificuldade de manter a regularidade do fornecimento a mercado com o nível 4. A dificuldade de medir a qualidade do frango adquirido, com o nível 4,8. A dificuldade de medir a sanidade do frango adquirido, com o nível 4,3. A dificuldade de negociar com fornecedores, com o nível 4,2. A dificuldade de manter fornecedores fiéis, com o nível 4,2. A freqüência de atualização tecnológica dos fornecedores, com o nível 4,9. A freqüência de disputas judiciais, com o nível 1,7. O peso dos impostos na transação, com o nível 7,4. Na maioria dos casos a avaliação ficou em um nível médio, com exceção das disputas judiciais, com nível baixo, e do peso dos impostos, com nível alto. Neste grupo destaca-se a forte correlação positiva entre as variáveis de regularidade, qualidade, sanidade, negociação e manutenção, o que revela que são parâmetros altamente interdependentes e avaliados de forma bastante uniforme pelos agentes. Traduzindo-se os resultados pelo referencial da Economia dos Custos de Transação, os custos de transação relacionados à freqüência, ao monitoramento de atributos e processos (qualidade e sanidade), à negociação sobre as condições da transação e a criação de reputação de fornecedor são avaliados em nível mediano. O impacto do ambiente institucional parece ser relevante para a transação no caso dos impostos, e de pequena relevância na resolução de conflitos, que de resto parecem ser pouco freqüentes nessa transação, conforme os contatos realizados com os processadores. Ambiente Competitivo. O estudo revelou percepções dos processadores sobre o ambiente competitivo da avicultura atual, com a mesma escala de onze níveis já citada. Em média os agentes avaliaram a dificuldade de prever as vendas em 5,7, a dificuldade de conquistar novos compradores em 6,5, a freqüência de troca de informação sobre fornecedores com competidores em 5,5, a dificuldade de negociar com fornecedores de insumos para a engorda do frango em 5,0, e a dificuldade de negociar com comprador em 6,5. Avaliando-se as respostas, percebe-se que a incerteza de demanda, a rivalidade na disputa pelos compradores, a cooperação entre competidores, o poder de barganha dos fornecedores e o poder de barganha do comprador também são avaliados em nível mediano, ainda que ligeiramente superior ao atribuído no grupo de Transação de Mercado. Relações de dependência entre variáveis. A análise das relações entre os arranjos institucionais e as variáveis explicativas foi feita em três níveis: dados originais de todas as variáveis, dados categorizados das variáveis explicativas e arranjo predominante no 128 processador, e a mesma categorização das variáveis explicativas e escolha dicotômica de mercado. Seguem as conclusões para cada nível. Para os dados originais foi realizada a análise de correlação apresentada a seguir, citando os coeficientes signific aos coeficientes com significância insuficiente. . O uso de mercado com produtor independente tem coeficiente de correlação de 0,379 (5%) com a dificuldade de medir qualidade, o que sup levantada e revela que o arranjo é adotado mesmo quando a dificuldade para medir a qualidade é elevada. Explicações para isso podem ser a baixa exigência de qualidade dos Mercado CO O uso de mercado com corretor de frango vivo tem coeficiente de correlação de 0,513 (1%) com a concentração de vendas no maior comprador, contrariando a concentração são muito baixos para a amostra. Com a variável Conquista existe um -0,418 (5%), também contrariando a hipótese proposta. A explicação pode ser o compradores, que são as redes varejistas. Mercado PV. O uso de mercado com integrador de frango vivo tem coeficiente de -0,461 (5%) com a freqüência de atualização tecnológica dos fornecedores de es de mercado com integrador de frango vivo podem considerar os outros fornecedores de mercado atualizados fornecedores, ou então não estão preocupados com o grau de atualização do fornecedor de Fornecimento PI coeficiente de correlação de 0,471 (1%) com a concentração de vendas no maior comprador, suportando a hipótese proposta. Fornecimento PV tem coeficiente de correlação de 0,417 (5%) com freqüência de atualização tecnológica dos fornecedores de mercado, contrariando a hipótese proposta. Aparentemente, os processadores ue utilizam contrato de fornecimento consideram os fornecedores de mercado atualizados, já que estes podem ter o mesmo padrão oferecido pelo integrador de frango vivo e por seus 129 Parceria. O uso do contrato de parceria tem os seguintes coeficientes: 0,516 (1%) com escala de produção, suportando a hipótese proposta, 0,670 (1%) com participação do frango congelado, suportando a hipótese proposta e o coeficiente de correlação de -0,398 (5%) com a dificuldade de medir qualidade no frango adquirido, contrariando a hipótese proposta. A explicação para o coeficiente de qualidade que contraria a hipótese pode ser uma situação da indústria em que os padrões de sanidade estariam sendo adotados por todos os tipos de produtores. Com isso, a dificuldade de medir a sanidade seria reduzida. Integração. O uso da integração vertical tem coeficiente de correlação de 0,411 (1%) com a dificuldade de medir qualidade no frango adquirido, suportando a hipótese proposta. Para os dados categorizados pelo arranjo predominante, as conclusões são apresentadas a seguir. Perfil do Processador. Existe relação de dependência entre o arranjo predominante e a escala de produção, com 10% de confiança. Verifica-se forte concentração do uso de contratos nas empresas instaladas entre 1971 e 1980 e entre aquelas instaladas a partir de 1991. Para as variáveis do grupo não foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência. Transação de Mercado. Não foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência entre as variáveis de regularidade, qualidade, sanidade, negociação, manutenção, informação, tecnologia, justiça e impostos, e o grau de integração, medido pelo arranjo preferencial. Ambiente Competitivo. Não foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência entre as variáveis de previsão, conquista, informação, insumos e comprador e o grau de integração, medido pelo arranjo preferencial. Para os dados categorizados em escolha dicotômica do Mercado, as conclusões são apresentadas a seguir. Perfil do Processador. Não foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência entre as variáveis de regularidade, qualidade, sanidade, negociação, manutenção, informação, tecnologia, justiça e impostos e a adoção de mercado, medido de forma dicotômica. Transação de Mercado. Foram encontradas evidências de relação de dependência da dificuldade em se obter regularidade de fornecimento e da freqüência de atualização tecnológica do fornecedor a mercado com a adoção do mercado. Para a variável dificuldade, a percepção de nível médio tende a inibir a utilização de mercado. Para a variável tecnologia, a percepção de nível médio parece estar associada à ausência de adoção do mercado. Não 130 foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência entre as variáveis de qualidade, sanidade, negociação, manutenção, informação, justiça e impostos e a adoção de mercado, medida de forma dicotômica. Ambiente Competitivo. Foi encontrada uma evidência de dependência entre a freqüência de troca de informações sobre fornecedores com competidores e a adoção do mercado. Aparentemente, os agentes que não adotam mercado tendem a trocar informações em níveis medianos ou baixos. Não foram encontradas evidências que suportem a relação de dependência entre as variáveis de previsão, conquista, insumos e comprador e a adoção de mercado, medido de forma dicotômica. Limitação do Estudo. A principal limitação identificada está relacionada com a opção de se analisar somente a transação de mercado. Como é uma transação pouco utilizada, houve certa dificuldade em obter a percepção dos administradores sobre ela. A idéia inicial da pesquisa incluía a avaliação da percepção sobre as transações realizadas sob outros arranjos institucionais, mas foi abandonada para simplificar o questionário e a coleta de dados. Percebe-se que atualmente essa transação exerce pequena influência na escolha dos arranjos institucionais. Recomendações para novos estudos. O estudo levantou algumas questões que merecem a atenção de pesquisadores. A primeira diz respeito à importância de um estudo que compare o arranjo institucional estabelecido entre integradores de frango vivo e produtores de menor porte que fornecem frango vivo, com o contrato de parceria tradicional, adotado pelos processadores líderes da indústria. A segunda se refere à pertinência de uma avaliação aprofundada dos contratos de fornecimento, analisando-se a influência dos agentes participantes, assim como as características formais e informais desse arranjo. ANEXOS 132 ANEXO 1. Estatísticas descritivas dos grupos Arranjos institucionais, Perfil do Processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo 133 Tabela 42. Estatísticas descritivas das variáveis dependentes Estatística N Mercado PI Mercado Mercado Fornecimento Fornecimento CO PV PI PV Parceria Integração 30 30 30 30 30 30 30 Média (%) 7,300 3,733 3,933 8,883 18,133 33,000 25,017 Mediana 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 1,000 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 D. Padrão 20,9205 16,4378 18,2604 26,4313 37,2575 39,7752 34,3367 Assimetria 3,635 5,331 5,371 3,132 1,780 ,605 1,240 D. Padrão da Assimetria 0,427 0,427 0,427 0,427 0,427 0,427 0,427 Curtose 14,019 28,844 29,160 8,906 1,390 -1,378 ,318 D. Padrão da Curtose 0,833 0,833 0,833 0,833 0,833 0,833 0,833 Mínimo 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Máximo 100,0 90,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Moda Tabela 43. Estatísticas descritivas das variáveis do grupo Perfil do processador Estatística Instalação (ano) Escala (cab/dia) Congelamento (%) Exportação (%) Concentração (%) 30 30 30 30 30 Média (%) 1.983,42 78.583,33 21,80 5,07 11,58 Mediana 1.987,50 62.500,00 10,00 ,00 5,00 Moda 1.972 80.000 0 0 10 D. Padrão 13,073 67229,161 25,719 14,022 21,046 Assimetria -0,310 1,474 1,350 3,850 3,511 D. Padrão da Assimetria 0,427 0,427 0,427 0,427 0,427 Curtose -1,440 2,118 1,552 16,538 12,440 D. Padrão da Curtose 0,833 0,833 0,833 0,833 0,833 Mínimo 1.960 500 0 0 0 Máximo 2.001 276.000 100 70 100 N 134 Tabela 44. Estatísticas descr Sanidade Negociação Regularidade N Tecnologia Justiça 30 30 30 30 30 30 30 30 Média (%) 4,00 4,83 4,33 4,20 4,20 4,97 1,77 7,37 Mediana 4,00 5,00 5,00 4,00 4,50 5,00 1,00 8,00 0* 6 5 4 5 5 1 8* D. Padrão 2,717 3,270 3,055 2,917 2,917 1,938 2,285 2,593 Assimetria -,149 ,051 ,073 ,208 ,029 -,254 2,111 -1,185 D. Padrão da Assimetria 0,427 ,427 ,427 ,427 ,427 ,427 ,427 ,427 Curtose -1,048 -1,000 -1,032 -,713 -,994 ,573 4,970 1,131 ,833 ,833 ,833 ,833 ,833 ,833 ,833 ,833 Mínimo 0 0 0 0 0 0 0 0 Máximo 8 10 10 10 10 9 10 10 Moda D. Padrão da Curtose * Foram identificadas várias modas, sendo apresentado o menor valor. Tabela 45. Estatísticas descritivas das variáveis explicativas do grupo Ambiente competitivo Previsão Conquista Informação Insumo Comprador 30 30 30 30 30 Média (%) 5,77 6,00 5,57 4,60 5,87 Mediana 6,00 6,50 5,50 5,00 6,50 3* 8 5 7 8 D. Padrão 2,909 2,613 2,873 3,024 2,556 Assimetria -,094 -,696 -,420 -,021 -,903 D. Padrão da Assimetria 0,427 0,427 0,427 0,427 0,427 Curtose -,898 ,141 -,499 -,957 ,050 D. Padrão da Curtose 0,833 0,833 0,833 0,833 0,833 Mínimo 0 0 0 0 0 Máximo 10 10 10 10 9 N Moda * Foram identificadas várias modas, sendo apresentado o menor valor. 135 ANEXO 2. Análise de Correlação para os grupos Arranjos institucionais, Perfil do processador, Transação de mercado e Ambiente competitivo 136 Tabela 46. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis dependentes do grupo Arranjos institucionais (significância entre parênteses) Mercado PI Mercado PI Mercado CO Mercado PV Fornecimento PI Fornecimento PV Parceria 1 . Mercado CO -0,074 (0,696) 1 . Mercado PV -0,071 (0,709) -0,038 (0,840) 1 . Fornecimento PI 0,038 (0,843) -0,075 (0,694) -0,068 (0,722) 1 . Fornecimento PV -0,154 (0,416) -0,105 (0,580) -0,094 (0,622) -0,162 (0,392) 1 . Parceria -0,208 (0,269) -0,152 (0,421) -0,171 (0,367) -0,285 (0,127) -0,372(*) (0,043) 1 . Integração -0,156 (0,410) -0,064 (0,736) -0,118 (0,533) -0,215 (0,255) -0,335 (0,071) -0,244 (0,193) * A correlação é significativa no nível de 0,05 (bicaudal). Tabela 47. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Perfil do processador (significância entre parênteses) Instalação Instalação Escala Congelamento Exportação 1 . Escala -0,358 (0,052) 1 . Congelamento 0,179 (0,344) 0,251 (0,180) 1 . Exportação -0,143 (0,450) 0,417(*) (0,022) 0,517(**) (0,003) 1 . Concentraçao 0,302 (0,104) -0,179 (0,344) -0,235 (0,212) -0,126 (0,507) * A correlação é significativa no nível de 0,05 (bicaudal). ** A correlação é significativa no nível de 0,01 (bicaudal) 137 Tabela 48. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Regularidade Regularidade Qualidade Negociação Manutenção Tecnologia Justiça 1 . Qualidade 0,326 (0,079) 1 . Sanidade 0,390(*) (0,033) ,724(**) (0,000) 1 . Negociação 0,670(**) (0,000) 0,231 (0,219) ,391(*) (0,033) 1 . Manutenção 0,713(**) (0,000) 0,492(**) (0,006) 0,627(**) (0,000) 0,696(**) (0,000) 1 . Tecnologia 0,177 (0,350) 0,184 (0,330) 0,182 (0,335) -0,072 (0,706) 0,154 (0,418) 1 . Justiça 0,095 (0,619) -0,028 (0,881) 0,076 (0,691) 0,100 (0,598) 0,168 (0,376) 0,169 (0,371) 1 . Impostos 0,019 (0,919) -0,188 (0,320) -0,025 (0,897) -0,033 (0,863) -0,179 (0,345) -0,162 (0,392) -0,043 (0,820) * A correlação é significativa no nível de 0,05 (bicaudal). ** A correlação é significativa no nível de 0,01 (bicaudal). Tabela 49. Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis explicativas do grupo Ambiente competitivo (significância entre parênteses) Previsão Previsão Conquista Informação Insumo 1 . Conquista -0,027 (0,886) 1 . Informação 0,239 (0,203) 0,110 (0,562) 1 . Insumo 0,209 (0,269) 0,375(*) (0,041) 0,110 (0,562) 1 . Comprador 0,344 (0,063) 0,336 (0,070) 0,250 (0,183) 0,658(**) (0,000) * A correlação é significativa no nível de 0,05 (bicaudal). ** A correlação é significativa no nível de 0,01 (bicaudal). 138 Tabela 50. dependentes (significância entre parênteses) Mercado Mercado Mercado PV Fornecimento PI Fornecimento PV Parceria Integração Instalação -0,122 (0,522) 0,122 (0,521) -0,227 (0,228) 0,345 (0,062) 0,083 (0,665) -0,087 (0,646) -0,117 (0,537) Escala -0,210 (0,264) -0,096 (0,615) 0,169 (0,372) -0,234 (0,212) -0,255 (0,173) 0,516** (0,004) -0,056 (0,770) Congelamento -0,077 (0,684) -0,169 (0,373) -0,137 (0,471) -0,243 (0,195) -0,316 (0,089) 0,670** (0,000) -0,045 (0,814) Exportação -0,099 (0,604) -0,066 (0,728) -0,047 (0,806) -0,101 (0,596) -0,149 (0,432) 0,353 (0,056) -0,053 (0,782) Concentração -0,137 (0,469) 0,513** (0,004) -0,073 (0,702) 0,471** (0,009) -0,063 (0,741) -0,206 (0,274) -0,179 (0,345) Regularidade 0,335 (0,070) 0,109 (0,565) -0,252 (0,179) 0,300 (0,108) -0,085 (0,654) -0,127 (0,502) -0,113 (0,553) Qualidade ,379* (0,039) -0,213 (0,260) -0,260 (0,165) -0,054 (0,776) 0,092 (0,627) -0,398* (0,030) 0,411* (0,024) Sanidade 0,228 (0,226) -0,192 (0,308) -0,242 (0,198) -0,129 (0,496) 0,182 (0,336) -0,221 (0,240) 0,241 (0,200) Negociação 0,042 (0,826) ,402* (0,027) -0,259 (0,166) -0,043 (0,821) 0,077 (0,688) -0,057 (0,763) -0,064 (0,738) Manutenção 0,291 (0,119) -0,166 (0,3820 -0,250 (0,183) -0,019 (0,919) 0,012 (0,948) -0,063 (0,740) 0,110 (0,564) Tecnologia 0,226 (0,231) -0,286 (0,126) -0,461* (0,010) 0,151 (0,426) 0,417(*) (0,022) -0,189 (0,318) -0,106 (0,577) Justiça 0,204 (0,281) 0,016 (0,934) -0,131 (0,490) -0,068 (0,721) 0,175 (0,356) 0,035 (0,856) -0,239 (0,204) Impostos -0,150 (0,430) 0,210 (0,265) 0,212 (0,261) 0,026 (0,890) -0,069 (0,717) -0,183 (0,332) 0,145 (0,445) Previsão -0,076 (0,690) 0,245 (0,191) 0,009 (0,963) 0,019 (0,921) -0,042 (0,827) -0,071 (0,708) 0,037 (0,845) Conquista 0,320 (0,085) -0,418* (0,021) 0,012 (0,952) 0,151 (0,426) 0,101 (0,597) -0,017 (0,931) -0,207 (0,273) Informação 0,237 (0,208) 0,287 (0,125) 0,179 (0,344) 0,098 (0,607) -0,365* (0,047) -0,035 (0,854) -0,015 (0,937) Insumo 0,276 (0,140) -0,271 (0,148) 0,154 (0,415) -0,125 (0,511) -0,154 (0,417) 0,040 (0,832) 0,095 (0,616) Comprador 0,059 (0,755) 0,178 (0,347) 0,162 (0,394) 0,075 (0,695) -0,261 (0,163) 0,040 (0,835) -0,027 (0,886) * A correlação é significativa no nível de 0,05 (bicaudal). ** A correlação é significativa no nível de 0,01 (bicaudal). 139 3. Resumo da análise de correspondência para Perfil do processador, Transação de 140 Tabela 51. Resumo da análise de correspondência para Perfil do processador e Grau de integração Inércia QuiSig. Valor quadrado Singular Proporção da Inércia Responsável por Instalação Dimensão 1 2 Total Escala Dimensão 1 2 Total Congelamento Dimensão 1 2 Total Exportação Dimensão 1 Total ,599 ,141 ,392 ,257 ,307 ,112 ,247 ,359 ,020 ,379 Cum. Confiança Valor Singular Desv padrão ,947 1,000 1,000 ,112 ,155 11,365 ,078a ,947 ,053 1,000 ,699 1,000 1,000 ,171 ,172 6,590 ,159b ,699 ,301 1,000 ,094 ,012 ,107 ,883 1,000 1,000 ,114 ,108 3,206 ,524c ,883 ,117 1,000 ,061 ,061 1,000 1,000 1,000 1,000 ,070 1,828 ,401d ,984 ,016 1,000 ,984 1,000 1,000 ,145 ,183 ,154 ,066 ,220 Concentração Dimensão 1 ,236 ,056 2 ,030 ,001 ,056 1,693 ,792* Total Legenda para nível de significância: Instalação a 6 graus de liberdade Escala b 4 graus de liberdade Congelamento c 4 graus de liberdade Exportação d 2 graus de liberdade Concentração e 4 graus de liberdade Correlação 2 -,377 2 -,525 2 -,090 2 -,461 141 Tabela 52. Resumo da análise de correspondência para Transação demercado e Grau de integração Inércia QuiSig. Valor quadrado Singular Proporção da Inércia Responsável por Regularidade Dimensão 1 2 Total Qualidade Dimensão 1 2 Total Sanidade Dimensão 1 2 Total Negociação Dimensão 1 2 Total Manutenção Dimensão 1 2 Total Tecnologia Dimensão 1 Total Justiça Dimensão 1 2 Total ,247 ,064 ,433 ,273 ,285 ,067 ,368 ,128 ,384 ,120 ,367 ,168 ,047 ,061 ,004 ,065 Cum. Confiança Valor Singular Desv padrão Correlação 2 -,137 ,936 1,000 1,000 ,173 ,181 1,948 ,745a ,936 ,064 1,000 ,716 1,000 1,000 ,107 ,176 7,866 ,097b ,716 ,284 1,000 ,947 1,000 1,000 ,161 ,169 2,573 ,632c ,947 ,053 1,000 ,891 1,000 1,000 ,169 ,204 4,547 ,337d ,891 ,109 1,000 ,147 ,014 ,162 ,911 1,000 1,000 ,116 ,182 4,857 ,302e ,911 ,089 1,000 ,135 ,135 1,000 1,000 1,000 1,000 ,164 4,048 ,400f ,927 1,000 1,000 ,110 ,180 ,116 ,916 ,922g ,927 ,073 1,000 ,155 ,188 -,258 ,188 ,075 ,262 ,081 ,005 ,086 ,135 ,016 ,152 ,028 ,002 ,031 Impostos Dimensão 1 ,223 ,050 ,871 ,871 ,086 ,007 ,129 1,000 2 Total ,057 1,719 ,787h 1,000 1,000 Legenda para nível de significância: a e Regularidade 4 graus de liberdade Manutenção 4 graus de liberdade b Qualidade 4 graus de liberdade Tecnologia f 4 graus de liberdade c Sanidade 4 graus de liberdade Justiçag 4 graus de liberdade d Negociação 4 graus de liberdade Impostosh 4 graus de liberdade 2 -,695 2 -,090 ,018 2 -,380 142 143 Tabela 53. Resumo da análise de correspondência para Ambiente competitivo e Grau de integração Inércia QuiSig. Valor quadrado Singular Proporção da Inércia Responsável por Previsão Dimensão 1 2 Total Conquista Dimensão 1 2 Total Informação Dimensão 1 2 Total Insumo Dimensão 1 2 Total ,209 ,073 ,249 ,117 ,397 ,052 ,167 ,030 ,044 ,005 ,049 ,062 ,014 ,076 ,158 ,003 ,160 ,028 ,001 ,029 Cum. Confiança Valor Singular Desv padrão ,890 1,000 1,000 ,183 ,164 1,471 ,832a ,890 ,110 1,000 ,820 1,000 1,000 ,177 ,166 2,273 ,686b ,820 ,180 1,000 ,983 1,000 1,000 ,147 ,177 4,810 ,307c ,983 ,017 1,000 ,968 1,000 1,000 ,186 ,189 ,861 ,930d ,968 ,032 1,000 ,968 ,032 1,000 ,968 1,000 1,000 ,109 ,189 Comprador Dimensão 1 ,263 ,069 ,048 ,002 2 Total ,071 2,142 ,710e Legenda para nível de significância: a Previsão 4 graus de liberdade b Conquista 4 graus de liberdade c Informação 4 graus de liberdade d Insumo 4 graus de liberdade e Comprador 4 graus de liberdade Correlação 2 -,075 2 -,093 2 -,162 2 -,006 2 ,021 144 ANEXO 4. Testes de Qui-quadrado para Perfil do processador, Transação de mercado, Ambiente competitivo e Mercado 145 Tabela 54. Teste de Qui-quadrado entre Perfil do processador e Mercado Valor Graus de liberdade Sig. assintótica (bicaudal) Instalação Qui-quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 2,222 2,190 1,279 3 3 1 ,528 ,534 ,258 Escala Qui-quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,648 ,660 ,126 2 2 1 ,723 ,719 ,722 ,028 ,000 ,029 1 1 1 ,866 1,000 ,866 ,027 1 ,868 ,031 ,000 ,031 1 1 1 ,860 1,000 ,860 ,030 1 ,862 ,629 ,624 ,108 2 2 1 ,730 ,732 ,743 Congelamento Qui-quadrado de Pearson Correção de Continuidade (a) Razão de verossimilhança Teste exato de Fishert Associação linear Exportação Qui-quadrado de Pearson Correção de Continuidade (a) Razão de verossimilhança Teste exato de Fishert Associação linear Concentração Qui-quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear N 30 Sig. Exata (bicaudal) Sig. Exata. (mono) 1,000 ,604 1,000 ,597 146 Tabela 55. Teste Qui-quadrado entre Transação de mercado e Mercado Graus de liberdade Valor Sig. assintótica (bicaudal) Regularidade Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 6,580 6,980 ,347 2 2 1 ,037 ,031 ,556 Qualidade Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 1,875 1,931 ,009 2 2 1 ,392 ,381 ,924 Sanidade Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,218 ,217 ,138 2 2 1 ,897 ,897 ,710 Negociação Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 1,140 1,123 ,590 2 2 1 ,566 ,570 ,442 Manutenção Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 4,006 4,206 ,310 2 2 1 ,135 ,122 ,578 Tecnologia Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 5,926 6,035 ,000 2 2 1 ,052 ,049 1,000 Justiça Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,833 1,185 ,095 2 2 1 ,659 ,553 ,758 Impostos Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 1,316 1,296 1,272 2 2 1 ,518 ,523 ,259 N 30 147 Tabela 56. Teste Qui-quadrado para Ambiente competitivo e Mercado Graus de liberdade Valor Sig. assintótica (bicaudal) Previsão Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 3,958 3,970 3,432 2 2 1 ,138 ,137 ,064 Conquista Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,000 ,000 ,000 2 2 1 1,000 1,000 1,000 Informação Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear 5,972 6,099 4,006 2 2 1 ,050 ,047 ,045 Insumo Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,303 ,305 ,069 2 2 1 ,859 ,859 ,793 Comprador Qui-Quadrado de Pearson Razão de verossimilhança Associação linear ,556 ,558 ,431 2 2 1 ,757 ,757 ,511 N 30 148 ANEXO 5. Questionário aplicado para processadores da avicultura do Estado de São Paulo 149 Questionário para Processadores da Avicultura do Estado de São Paulo Preencha os quadros com a participação em porcentagem de cada opção no suprimento total de frangos vivos (%) para o abatedouro: % 1. Compra eventual de produtor independente 2. Compra eventual de corretor de frango vivo 3. Compra eventual de integrador de frango vivo 4. Contrato de fornecimento com produtor independente 5. Contrato de fornecimento com integrador de frango vivo 6. Contrato de parceria com produtor 7. Granja própria para engorda de frango Perfil do processador Resp. 8. Há quantos anos esta empresa atua na avicultura ? 9. Quantas aves podem ser abatidas por dia no máximo? 10. Qual a participação do frango congelado na quantidade vendida total (%) ? 11. Qual a participação do frango exportado na quantidade vendida total (%) ? 12. Qual a participação do maior cliente na quantidade vendida total (%) ? As questões abaixo devem ser respondidas com a indicação de níveis que variam de zero a dez. Assinale o nível atribuído para os temas seguintes, relacionados ao suprimento de frango vivo em transações no mercado livre, no passado ou no presente. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 13. O nível de dificuldade de se conseguir regularidade no fornecimento. 14. O nível de dificuldade para se avaliar a qualidade da carne que será obtida do frango vivo adquirido. 15. O nível de dificuldade para se avaliar a sanidade do frango vivo adquirido. 16. O nível de dificuldade em negociar com fornecedores. o o o o o o o o o o o 17. O nível de dificuldade em manter fornecedores fiéis. o o o o o o o o o o o 18. O nível que o Sr(a) atribui para a frequência da mudança tecnológica dos fornecedores. 19. O nível que o Sr(a) atribui para a freqüência de disputas judiciais com fornecedores. 20. O nível que o Sr(a) atribui ao peso dos impostos na transação, que reduzem as margens de lucro da atividade. Para a avicultura atual, avalie: o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o 21. O nível de dificuldade em se prever o volume de vendas. o o o o o o o o o o o 22. O nível de dificuldade de conquistar novos compradores. o o o o o o o o o o o 23. O nível que o Sr(a). atribui para a freqüência na troca informações com os concorrentes sobre fornecedores. 24. O nível de dificuldade em se negociar com fornecedores de insumos usados na engorda de frangos. 25. O nível de dificuldade em se negociar com compradores. o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRODUTORES E EXPORTADORES DE FRANGO. Relatório Anual 2000. São Paulo: ABEF, 2001. Disponível em: <http: www.abef.org.br>. Acesso em: 11 jul. 2001. ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE AVICULTURA. Consumo per capita de frango. São Paulo: APA, 2001. Disponível em: <http//:www.apa.com.br>. Acesso em: 20 mar. 2001. AVES E OVOS CONSULTORIA. Mercado mundial de carne de frango. São Paulo: Aves e Ovos, 2001. Disponível em: <http://www.aveseovos.com.br>. Acesso em: 25 mar. 2001. AZEVEDO, P.F.; GRIESE, L.; BATALHA, M.; BONACELI, M.B. 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