CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO UNIFAE MESTRADO ACADÊMICO EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E QUALIDADE DE VIDA JUREMA CRISTINA DOS SANTOS PERES QUALIDADE DE VIDA E A RELAÇÃO COM O TRABALHO: percepção do Enfermeiro docente SÃO JOÃO DA BOA VISTA/SP 2013 JUREMA CRISTINA DOS SANTOS PERES QUALIDADE DE VIDA E A RELAÇÃO COM O TRABALHO: percepção do Enfermeiro docente Dissertação apresentada ao Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE, Curso de Mestrado em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida, sob orientação da Profª. Dra Érica Passos Baciuk. SÃO JOÃO DA BOA VISTA/SP 2013 FICHA CATALOGRÁFICA Catalogação na publicação elaborada pela Bibliotecária Eloísa H. Graf Fernandes, CRB – 8/3779, Biblioteca do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE. J51q Peres, Jurema Cristina dos Santos Qualidade de vida e a relação com o trabalho: percepção do enfermeiro docente. Jurema Cristina dos Santos Peres. São João da Boa Vista, SP: [88], 2013. il. Dissertação (mestrado) – Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – FAE; Orientadora: Profª. Drª. Érica Baciuk 1.Qualidade de vida 2.Enfermeiro 4.Trabalho I Baciuk, Érica. II UNIFAE. III Título 3.Docente CDU-613.71 DEDICATÓRIA Aos meus pais “in memorian” que, mesmo não estando mais neste plano, acompanhando de perto os meus passos, na alegria ou na tristeza, diante dos muitos obstáculos enfrentados, sei que sempre estiveram me incentivando e apoiando espiritualmente. Ao meu esposo Sérgio, pelo apoio, carinho e respeito, sempre me acompanhando e incentivando em meu progresso acadêmico. Sem você, nada seria possível! Aos meus filhos: Lucas, Luana e Adriana que, mesmo não compreendendo a complexidade dos caminhos percorridos para esta conquista, estiveram ao meu lado, me apoiando e orando para a concretização deste estudo. Amo vocês! E sou grata pela vida e pelos ensinamentos! AGRADECIMENTOS A Deus, Jesus, Maria e José, pelas conquistas, pela força espiritual e mãos amigas durante esta longa jornada. À minha orientadora, Profª. Drª. Érica Passos Baciuk, por seu carinho, saber, compreensão diante das dificuldades e tropeços, pela sua competência e grande colaboração na realização deste estudo. Agradeço ao professor Dr. Marcolino Fernandez Neto que, com sua competência intelectual, ensinou-me os caminhos do saber e da humildade que todo pesquisador deve possuir. Agradeço à professora Valdete Maria Ruiz que aceitou participar da banca, e por meio de suas correções, ajudou-me a tornar o trabalho com maior qualidade. Agradeço à professora Maria Helena Cirne de Toledo, pelas contribuições no desenvolvimento deste trabalho e, acima de tudo, pelo apoio psicológico que sempre recebi nos momentos mais difíceis da minha caminhada. Agradeço ao professor convidado Sérgio Fernando Zavarize que gentilmente aceitou participar da banca contribuindo com considerações relevantes ao trabalho. Agradeço ao professor Dr. William Regone pela colaboração imprescindível na descrição dos dados. À minha amiga, Maria Regina Guimarães Silva, ex-coordenadora do curso de Enfermagem do UNIFEG, pelo grande incentivo na busca pelo aprimoramento, capacitação e na conquista deste título, orientando-me e me apoiando sempre! À minha amiga de ginásio e de trabalho, a professora Mestre em Informática do UNIFEG, Adriana Carvalho dos Santos pela grande ajuda, principalmente nos momentos de dificuldade, sempre me incentivando a não esmorecer. Aos Enfermeiros docentes, sujeitos deste estudo, pela disposição, atenção e valiosa contribuição para a sua realização. Aos coordenadores dos cursos de graduação em Enfermagem das Faculdades Libertas, UNIVAS e UNIFENAS, pelo apoio e colaboração na coleta dos dados. Aos colegas do Mestrado, docentes e, em especial, às duas verdadeiras amigas conquistadas nesta longa jornada: Denise Rondinelli Cossi Salvador e Eliane Terezinha Mendes, por compartilharem experiências, dificuldades, alegrias e pelo companheirismo de sempre na busca pela realização dessa trajetória e no alcance dos maiores objetivos! A todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste estudo! Muito obrigada! Autobiografia da Autora Jurema Cristina dos Santos Peres nasceu em 30 de Agosto de 1973 na cidade de Guaxupé, filha de José Roberto dos Santos e Maria Lúcia dos Santos. É graduada em Enfermagem pela antiga Escola de Enfermagem, Farmácia e Odontologia de Alfenas (EFOA), atual Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) em 1994. Trabalhou em vários hospitais da região do Sul de Minas como Muzambinho, Juruaia, Guaranésia e Guaxupé, e do estado de São Paulo como a cidade de Caconde-SP. Teve experiência na área da saúde pública, trabalhando como enfermeira responsável pela Unidade Básica de Juruaia e em Guaxupé, onde implantou o Programa Agente Comunitário de Saúde (PACS). Fez especialização na área de Gestão e Controle de Infecção Hospitalar pelo Instituto de Hoyler em São Paulo em 2005-2007, onde neste último ano, ingressou na área acadêmica como docente no curso de graduação em Enfermagem pelo Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé – UNIFEG. Em 2008, deu início à sua participação no Comitê de Ética em Pesquisa como membro, em 2009, como vice-coordenadora e em 2010, como coordenadora do CEP-UNIFEG onde atuou até Fevereiro de 2013, assumindo, neste mesmo período, a coordenação do curso de Enfermagem. No ano de 2010 deu início ao Mestrado acadêmico em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida pela UNIFAE- São João da Boa Vista – SP com término em Maio de 2013. QUALIDADE DE VIDA E A RELAÇÃO COM O TRABALHO: percepção do Enfermeiro docente Jurema Cristina dos Santos Peres [email protected] Profª. Drª Erica Passos Baciuk. [email protected] RESUMO O presente trabalho objetivou identificar a percepção dos docentes enfermeiros sobre sua Qualidade de Vida (QV), a relação desta com o trabalho e possíveis estratégias utilizadas para a sua promoção. Tratou-se de uma pesquisa de campo, descritiva e aplicada com delineamento transversal, utilizando fontes bibliográficas e base de análise quantitativa. Foram avaliados 30 enfermeiros docentes de Instituições de Ensino superior, localizadas no sul do Estado de Minas Gerais. Utilizou-se o WHOQOL-bref para a avaliação da Q V e para aspectos relacionados à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) utilizou-se o questionário QWLQ-bref e a ficha de caracterização dos participantes. A amostra foi caracterizada por idade de 43,3 ± 10,2 anos, 97% do sexo feminino, 70% casados, 23,3% solteiros, e 53% possuem mais de 08 anos de experiência na docência. Com relação à percepção sobre a Qualidade de Vida Geral (QVG), a média foi de 3,6. Sobre a satisfação com a própria saúde, a média foi de 3,6. O escore médio da QV no domínio físico foi de 69, no domínio psicológico foi de 67, no das relações sociais foi de 67, no domínio meio ambiente foi de 74, todos representando uma posição intermediária de satisfação. O escore médio da QVT foi de 72. A média dos escores para o domínio físico foi de 68, o que representa uma posição satisfatória, no domínio psicológico foi de 75, o que representa uma posição que varia entre satisfatório e muito satisfatório, no domínio pessoal foi de 79, o que representa uma posição muito satisfatória e, no domínio profissional foi de 68, o que representa uma variação entre a posição neutra e a muito satisfatória. Ao correlacionar os quatro domínios da qualidade de vida com os quatro domínios da qualidade de vida no trabalho, observou-se correlação positiva entre todos eles, com p< 0,05 para o domínio psicológico da QV com os quatros da QVT, e com p< 0,01 para os demais domínios da QV com os quatros domínios da QVT. Não foi observada correlação entre o número de empregos, o regime de trabalho e qualquer aspecto da QV. Conclui-se que, os docentes enfermeiros do sul de Minas Gerais, apresentam satisfação intermediária com sua QV e apresentam-se satisfeitos com sua QVT, sendo que, aspectos relacionados às relações interpessoais no trabalho e liberdade de expressão e criação, apresentaram maior correlação com a QV. A partir desta avaliação, torna-se possível implementar atitudes que visam melhorar ou promover a sua QV. Palavras-chave: Enfermeiro, Docente, Qualidade de Vida, Qualidade de Vida no Trabalho. QUALITY OF LIFE AND THE WORKING ENVIRONMENT: perception of staff nurses ABSTRACT This study aimed to identify the perception of teaching nurses about their Quality of Life (QoL), its relationship with work and possible strategies used to promote it. It was a field research, applied descriptive and cross-sectional, using bibliographic sources and basis for quantitative analysis. A total of 30 nursing teachers of institutions of higher education, located in the southern state of Minas Gerais. We used the WHOQOL-BREF for QoL assessment and issues related to Quality of Work Life (QWL) was used QWLQ-BREF questionnaire form and characterization of participants. The sample was characterized by age 43.3 ± 10.2 years, 97% female, 70% married, 23.3% single, and 53% have over 08 years of experience in teaching. Regarding the perception of the Overall Quality of Life (OQL), the average was 3.6. About satisfaction with their own health, the average was 3.6. The mean score of QOL in the physical domain was 69, in the psychological domain was 67, in social relations was 67, in the environment domain was 74, all representing an intermediate position satisfaction. The mean score of QWL was 72. The mean score for the physical domain was 68, representing a satisfactory position on the psychological was 75, representing a position ranging from satisfactory and very satisfactory, in the personal was 79, representing a position very satisfactory, and in the professional field was 68, representing a change between the neutral position and very satisfactory. By correlating the four domains of quality of life with the four domains of quality of life at work, there was a positive correlation between all of them, with p <0.05 for the psychological domain of QOL with four of QWL, and p <0.01 for the other domains of QOL with the four areas of QVT. No correlation was observed between the number of jobs, working arrangements and any aspect of QOL. It is concluded that teachers nurses in southern Minas Gerais have intermediate satisfaction with their QOL and were satisfied with their QWL, and aspects related to interpersonal relationships at work and freedom of expression and creation strongest correlations with QOL. From this evaluation it is possible to implement actions to improve or promote their QOL. Keywords: Nurse, Teacher, Quality of Life, Quality of Work Life LISTA DE TABELAS Tabela 1: Caracterização dos participantes, enfermeiros docentes da região sul de Minas Gerais ..................................................................................................................... 45 Tabela 2: Coeficiente de correlação dos domínios da Qualidade de Vida e da Qualidade de Vida no Trabalho ........................................................................................ 53 Tabela 3: Percepção Docente com Relação à capacitação pedagógica ............................ 58 Tabela 4: Estratégias utilizadas pelos docentes para melhorar sua Qualidade de Vida .... 60 LISTA DE FIGURAS Figura 1: avaliação da Qualidade de Vida Geral e nos domínios físico, psicológico das relações sociais e meio ambiente ........................................................................... 49 Figura 2: avaliação da Qualidade de Vida no trabalho e nos domínios físico, psicológico, pessoal e profissional ............................................................................... 52 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 19 1.1 Justificativa ................................................................................................... 19 1.2 Problema ................................................................................................. 23 1.3 Objetivos ...................................................................................................... 23 1.3.1 Objetivo Geral ........................................................................................ 23 1.3.2 Objetivos Específicos ............................................................................ 24 1.4 Contribuições Pretendidas ............................................................................. 24 2. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................. 25 2.1 Qualidade de Vida (QV) e paradigmas contemporâneos ......................... 25 2.1.1 Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) ................................................ 27 2.1.2 As condições de trabalho e os efeitos sobre a saúde do Enfermeiro Docente ........................................................................................................... 32 3. MÉTODO ...................................................................................................... 36 3.1 Desenho do estudo ................................................................................. 36 3.2 Participantes .......................................................................................... 36 3.3 Critérios e procedimentos para seleção dos participantes ....................... 36 3.4 Variáveis de estudo ................................................................................ 36 3.5 Procedimentos de Coleta de dados ......................................................... 37 3.5.1 Instrumentos ................................................................................... 37 3.6 Procedimentos para determinação da amostra ....................................... 38 3.7 Processamento e análise dos dados ........................................................ 39 3.8 Aspectos Éticos ....................................................................................... 39 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................... 41 4.1 Caracterização da população estudada ................................................... 41 4.2 Qualidade de Vida .................................................................................. 44 4.2.1 Qualidade de Vida Geral ................................................................. 44 4.2.2 Qualidade de Vida por domínios ..................................................... 45 4.3 Qualidade de Vida no Trabalho .............................................................. 48 4.3.1 Qualidade de Vida no Trabalho por Domínios ................................. 48 4.4 Relação entre aspectos da Qualidade de Vida e Qualidade de Vida no Trabalho .......................................................................................................... 50 4.5. Relação entre aspectos do Trabalho e Qualidade de Vida ..................... 54 4.6. Estratégias utilizadas pelos docentes enfermeiros para melhorar sua QV ...................................................................................................................... 56 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 58 6. REFERÊNCIAS ........................................................................................... 60 7. APÊNDICES ............................................................................................... 65 APÊNDICE A .............................................................................................. 66 APÊNDICE B .............................................................................................. 68 APÊNDICE C .................................................................................................. 72 8. ANEXOS .............................................................................................................. 73 ANEXO I ..................................................................................................... 74 ANEXO II ................................................................................................... 75 ANEXO III .................................................................................................. 80 ANEXO IV ...................................................................................................... 85 ANEXO V .................................................................................................... 88 19 1. INTRODUÇÃO O trabalho está presente na vida da maioria das pessoas e, grande parte do tempo, é passado dentro das organizações. Nesse sentido, a relação do homem com o trabalho pode ter influência sobre seu modo de viver e suas realizações e, consequentemente, sobre sua Qualidade de Vida. Por outro lado, a forma de viver das pessoas, seus desejos, aspirações e a satisfação das mesmas, provavelmente influenciam sua Qualidade de Vida no Trabalho. O termo Qualidade de Vida (QV), nos últimos anos, tem sido tema de grande preocupação dos profissionais de enfermagem, frente às demandas, muitas vezes excessivas, relacionadas às atividades exercidas por estes profissionais. O ser humano, desde a sua origem, vem buscando constantemente viver bem e de forma saudável. Para que este objetivo seja alcançado, é necessário haver condições favoráveis para a satisfação das necessidades humanas, iniciando pelas necessidades básicas como moradia, lazer, alimentação, saúde, educação, transporte, trabalho e a autoestima (SANTOS et al, 2011). Com o crescimento tecnológico efervescente, a globalização e a preocupação atual, nas esferas internacionais, em suprir as necessidades humanas e melhorar os índices de Desenvolvimento Humano de forma sustentável, buscar o significado de qualidade de vida para os profissionais de enfermagem tornou-se fundamental (LENTZ et al, 2000). O profissional de Enfermagem, além de exercer suas competências assistenciais no processo saúde-doença, nos três níveis de atenção à saúde: primária, secundária e terciária, muitas vezes, de forma concomitante, assume um papel cada vez mais presente nas áreas de Ensino e Pesquisa. Esta condição, faz deste profissional, um agente potencial de mudanças dentro do contexto em que estiver inserido. Este estudo teve como objetivo identificar a percepção do docente Enfermeiro sobre sua Qualidade de Vida (QV), instigando à reflexão para busca de possíveis estratégias para melhorar a qualidade de vida deste trabalhador e a satisfação na realização das suas atividades cotidianas. 1.1 Justificativa Atualmente há um número crescente de instituições na busca pelo desenvolvimento do trabalho com qualidade, sem dissociar da preocupação relacionada à saúde e segurança do trabalhador, assim como com sua qualidade de vida. A Qualidade de Vida dos trabalhadores 20 ganhou força através dos esforços empreendidos no campo da ciência e das organizações, representados nas diversas linhas de pesquisas, que hoje trazem como tema a saúde do trabalhador (MACHADO, 2002). “Algumas profissões parecem predispor seus profissionais a situações mais estressantes que outras. Por sua natureza, o magistério é, reconhecidamente, uma profissão estressante. No seu cotidiano de trabalho, o professor se depara com muitas variáveis que podem contribuir para o desequilíbrio de sua saúde física e mental”, e, consequentemente, influenciar sua Qualidade de Vida (GOULART JUNIOR e LIPP, 2008, p. 848). As condições de trabalho do enfermeiro docente não diferem muito de outras áreas do ensino. Rocha e Felli (2004) referiram que docentes enfermeiros apontam a remuneração como uma condição potencialmente negativa para a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Os autores identificaram como condições potencializadoras de Qualidade de Vida no Trabalho os aspectos de relacionamento interpessoal (amizade, ambiente saudável, aceitabilidade no grupo), a identificação profissional (fazer o que gosta e se sentir bem) e o investimento na capacitação docente. Por outro lado, há no ensino da área da saúde, em especial na Enfermagem, particularidades que contribuem para que esta atividade se torne ainda mais desgastante. As exigências para com as disciplinas do chamado ciclo profissionalizante necessitam da experiência clínica do docente enfermeiro em áreas mais complexas, que ultrapassam o ambiente escolar, como o hospital, a unidade básica de saúde, as instituições asilares, as creches, entre outros, que são considerados campos de aprendizagem para o futuro profissional enfermeiro. Cada um desses locais, por sua vez, tem exigências e especificidades, condicionando o docente enfermeiro que assume o compromisso com a educação superior à necessidade de pleno domínio e articulação destas duas áreas complementares: a sala de aula e a experiência clínica. O fato de grande parte dos profissionais enfermeiros terem, em seu trabalho, um direcionamento para a promoção da saúde faz pensar que ele deva estar articulado com estratégias para manutenção ou melhoria de sua própria saúde e Qualidade de Vida, posto que, na lei do exercício profissional, encontra-se especificado tal compromisso, relacionado “com a saúde e qualidade de vida da pessoa, família e coletividade”, “... na promoção da saúde, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais”. (COREN-SP 2011, p.47). Trabalhar estratégias de promoção da saúde tem sido uma diretriz na saúde pública nacional e mundial, visando à sustentabilidade da vida com qualidade. Atualmente, as 21 políticas públicas têm preconizado este trabalho, visando à possibilidade de garantir saúde para todos, minimizando assim, os custos elevados com a atenção à doença, em serviços especializados. Pois, já se sabe que os investimentos em promoção da saúde são bem menores do que os custos com tratamentos mais complexos (BRASIL, 2002). O mesmo pode ser pensado em relação à saúde ocupacional. As organizações que têm como foco a QVT, ou, mais especificamente, a saúde do trabalhador, tanto física como mental, já conseguem observar alguns benefícios, como a redução de absenteísmo, afastamentos, entre outros, resultando em melhor ambiente organizacional e maior produtividade (VILARTA e GUITIERREZ, 2007). Diante deste contexto, pode-se pensar que a rotina de vida adotada por docentes enfermeiros, muitas vezes com dupla jornada de trabalho e demais demandas, implica em uma carga de trabalho desfavorável para sua Qualidade de Vida. Com a globalização, é possível perceber um grande crescimento em todas as áreas do conhecimento. Em contrapartida, existe um problema de ordem maior, gerado em função desta conquista, que é a degradação contínua e ininterrupta do meio ambiente e da vida no planeta. Para que o ser humano possa conquistar a saúde, é necessário que todas as pessoas e comunidades saibam “identificar suas aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente”, em busca da promoção da saúde, que pode ser definida como “um processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo” (BRASIL, 2002, p. 19). A Declaração de Alma-Ata, em um dos seus trechos indica que: “A promoção e proteção da saúde da população é indispensável para o desenvolvimento econômico e social sustentado e contribui para melhorar a QV e alcançar a paz mundial” (BRASIL, 2002, p.09). No contexto do conceito de Desenvolvimento Sustentável, de acordo com as diretrizes de Sachs (2002) para os aspectos do Triple Bottom Line (social, ambiental e econômico), a presente pesquisa articula-se: a – No Aspecto Ambiental As questões ambientais ganham diariamente mais importância no contexto da saúde pública, pois, ao buscar o desenvolvimento econômico, a sociedade o faz sem preocupar-se com os danos causados à natureza, por sua vez, ao meio ambiente (BEZERRA et al, 2010), repercutindo consequentemente no processo saúde-doença. 22 Segundo Moysés et al (2004), a promoção da saúde depende das ações humanas, das interações sociais, das políticas públicas e sociais implementadas, dos modelos de atenção à saúde, das intervenções sobre o meio ambiente e de vários outros fatores. De acordo com Bezerra et al (2010), faz-se necessário o investimento em atividades educativas com o objetivo de capacitar a comunidade para a responsabilidade com o meio ambiente de forma saudável. Torna-se evidente a necessidade de mudança de paradigma da cultura contemporânea sobre o estilo de vida e hábitos cotidianos, para a preservação da vida com qualidade. Neste aspecto, o enfermeiro docente pode contribuir sobremaneira, através da educação em saúde, trabalhando estrategicamente para o empoderamento das comunidades. Entendendo como empoderamento a tomada de controle, por indivíduos e coletivos, de suas vidas e do meio ambiente, tornando possível a organização comunitária e a sustentabilidade dos projetos de promoção à saúde na comunidade (CARVALHO, 2004b). b-No Aspecto Social Atender a uma demanda crescente de condições potencializadoras da QV torna-se um desafio para o enfermeiro que tem na educação em saúde uma ferramenta importante para a informação e conscientização da população no seu processo de empoderamento. Para Rattner (1999, p. 240), “a participação consciente e ativa nas decisões sobre sua própria vida e a vida coletiva dá significado ao empenho humano”. A presente pesquisa se propõe a instigar os profissionais que trabalham junto à educação superior em saúde à reflexão, e mobilizar sobre o seu papel enquanto formador de opinião, envolvendo as políticas públicas vigentes, com foco na Qualidade de Vida. E, para que haja mudança é preciso mais do que campanhas voltadas à promoção em saúde e Qualidade de Vida, torna-se necessário o empoderamento individual e comunitário. Entendendo que o docente enfermeiro é um potencial multiplicador destas ideias, torna-se fundamental a reflexão entre este grupo de profissionais para, possivelmente, inicializar-se a mudança local ou regional nos espaços onde estes profissionais estão inseridos. c– No Aspecto Econômico Observa-se que quanto menor o grau de autonomia do indivíduo, maior a sua predisposição para a vulnerabilidade, tanto no aspecto da saúde, como social e consequentemente econômico. Quanto maior a vulnerabilidade, maior o grau de dependência 23 dos sistemas públicos e privados de saúde, maior o ônus para as organizações, o que repercute sobremaneira no cenário sócio econômico local e regional. O serviço de enfermagem, na rede pública ou privada, tem participação na auditora dos serviços prestados diretamente ao paciente, envolvendo a assistência médica, de enfermagem e de outros profissionais. Com a anotação de enfermagem dos diversos procedimentos prestados, é possível gerar a relação custo x benefício de cada atendimento fornecido ao usuário da saúde, bem como, controlar excessos e desperdício. Por meio desta ferramenta, a equipe multiprofissional também tem como avaliar o nível de prestação da assistência ao cliente. Diante da economia capitalista, que tem gerado várias crises para diversas instituições de saúde na sobrevivência no mercado, a auditoria e o registro de enfermagem tornam-se ferramentas para a garantia de recursos das empresas do sistema de saúde (SILVA e AREIAS, 2011). Diante do exposto, pode-se supor que ao questionar o docente enfermeiro sobre sua percepção quanto à sua Qualidade de Vida, dentro e fora do trabalho, assim como sobre as possíveis estratégias utilizadas por eles para promoção de sua Qualidade de Vida, provavelmente o presente estudo pode despertar nestes profissionais uma reflexão sobre o tema. Sendo este, necessariamente utilizado na rotina do docente enfermeiro, torna-se necessária a reflexão para que se possa contribuir para as políticas públicas ou organizacionais no espaço onde estes profissionais estão inseridos. 1.2.Problema Qual a percepção do enfermeiro docente sobre a sua QV? Como essa QV se relaciona com o trabalho? Quais estratégias o enfermeiro docente utiliza para a promoção de sua QV? 1.3. Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Identificar a percepção dos enfermeiros docentes sobre sua Qualidade de Vida, sobre a relação desta com o trabalho e sobre possíveis estratégias utilizadas para a promoção da qualidade de vida. 24 1.3.2 Objetivos específicos Avaliar a autopercepção da Qualidade de Vida do enfermeiro docente nos domínios: físico, psicológico, das relações sociais e no ambiente; Verificar a relação entre Qualidade de Vida e características do trabalho do docente enfermeiro; Verificar a relação entre a satisfação com o trabalho e a Qualidade de Vida do docente enfermeiro; Identificar as possíveis estratégias utilizadas por docentes enfermeiros para a promoção de sua Qualidade de Vida. 1.4. Contribuições Pretendidas Pretendeu-se com o presente trabalho verificar a percepção de enfermeiros docentes sobre sua QV, no contexto social e no ambiente de trabalho, assim como identificar estratégias adotadas para a sua melhoria, de forma a contribuir para a sensibilização sobre o tema, nesta e em outras áreas de ensino, nas instituições estudadas e nas demais instituições. É descrito na literatura que em um ambiente de trabalho com condições favoráveis ao exercício profissional com agradável clima organizacional, adequada estrutura física, bom relacionamento interpessoal, boa comunicação entre os stakholders, entre outros, pode-se minimizar a sobrecarga docente, e, consequentemente, os problemas relacionados à saúde, ao bem-estar e, principalmente, à adequada QV. Este estudo poderá ser replicado em outras instituições de ensino, em qualquer área do conhecimento, incluindo a da saúde, podendo incitar novas contribuições para a Qualidade de Vida de docentes e de outros profissionais. 25 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Qualidade de Vida (QV) e paradigmas contemporâneos Pensar QV, atualmente, envolve discutir estilo de vida e práticas adotadas por pessoas ou grupos sociais, e o que leva à necessidade de haver reflexão e entendimento sobre os conceitos de QV e sustentabilidade. Simultaneamente, deve-se estar atento às inter-relações entre QV, saúde e desenvolvimento econômico e sustentável. Neste contexto, insere-se o conceito de Promoção da Saúde, que se constitui em estratégia chave da discussão da Qualidade de Vida, que, de acordo com a Carta de Ottawa, foi definida como: “o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da QV e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”, (BRASIL, 2002.a. p. 19). Assim, QV e saúde se relacionam às condições de vida que incluem, entre outros, o trabalho com sua organização e sistema produtivo, que, por sua vez, impactam a vida societária, o desenvolvimento econômico, social e ambiental. Com o processo de industrialização e ampliação do mundo capitalista, de fato surgiram inúmeros impactos na vida das pessoas. Segundo Rattner (2009, p.1970), “ignoravase na teoria e na prática no contexto da sustentabilidade, a dimensão ética da vida em sociedade, face à dinâmica perversa da acumulação e reprodução do capital e seus impactos devastadores na espoliação e alienação dos trabalhadores e dos recursos naturais”. A preocupação da ONU (Organização das Nações Unidas) em realizar um estudo sobre as alterações climáticas teve início com o trabalho realizado por Gro Haalen Brundtland que, apresentou um relatório que foi denominado por Relatório de Brundtland, o qual menciona sobre as mudanças sociais e ambientais pelas quais estavam passando a humanidade no século XX, surgindo desta forma o termo desenvolvimento sustentável. Este aspecto foi amplamente discutido na Rio 92, destacando-se as “questões sociais, principalmente no que se refere ao uso da terra, sua ocupação, suprimento de água, abrigo e serviços sociais, educativos e sanitários, além de administração do crescimento urbano” (BARBOSA, 2008, p. 1-2). A equivalência entre desenvolvimento e crescimento econômico tomou outra dimensão no final dos anos 80, quando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) criou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que combina a renda per capita com os indicadores de saúde, expectativa de vida e de educação (PNUD, 2009). 26 Concomitantemente, desde a 1ª Conferência Internacional de Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, no ano de 1986, que visava à melhoria da saúde da população, discutiase, de forma abrangente, sua relação com o termo Qualidade de Vida. No Brasil, com a Constituição Federal de 1988, esse modelo de atenção à saúde passou a ser visto de forma mais complexa, com a saúde entendida como um direito de todos e um dever do Estado. O Relatório de Brundland, apresentado na Conferência Rio 92, consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável como “aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras atenderem suas próprias necessidades” (UNITED NATIONS, 1987, pg. 48). Na referida Conferência, de acordo com Barbosa, (2008, p. 2) “o princípio da “Equidade” foi um dos principais conceitos discutidos, com participação efetiva da sociedade na tomada de decisões, visando à necessidade de descentralização na utilização dos recursos financeiros e humanos, ficando na responsabilidade do poder político municipal, favorecer as decisões e iniciativas locais”. Dentre as medidas pactuadas na promoção do desenvolvimento sustentável que podem refletir na Qualidade de Vida da população, podem-se relacionar algumas com as quais o profissional enfermeiro, na docência, pode contribuir. São elas: estimular discussões e reflexões sobre a necessidade de limitação do crescimento populacional; as possibilidades para a garantia de recursos básicos como água, alimentos e energia, no longo prazo; orientações sobre a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; a importância do desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis; o controle da urbanização e a integração entre campo e cidades menores. Para tanto, torna-se necessário o pleno entendimento do conceito de Qualidade de Vida, para que ocorra uma discussão madura sobre as decisões nas esferas locais (HERCULANO, 1998). Qualidade de Vida, de acordo com Herculano (1998, p. 78), pode ser definida como: A soma das condições econômicas, ambientais, científicoculturais e políticas, coletivamente construídas e postas à disposição dos indivíduos para que estes possam realizar suas potencialidades. Inclui a acessibilidade à produção e ao consumo, aos meios para produzir cultura, ciência e arte, bem como pressupõe a existência de mecanismos de comunicação, de informação, de participação e de influência nos destinos coletivos, através da gestão territorial que assegure água e ar limpos, higidez ambiental, equipamentos coletivos urbanos, alimentos saudáveis e a disponibilidade de espaços naturais amenos urbanos, bem como da preservação de ecossistemas naturais. 27 Já para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o termo Qualidade de Vida significa “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (THE WHOQUOL GROUP, 1995) No entanto, para que o indivíduo possa perceber e refletir sobre sua posição na vida, torna-se necessária a discussão e a construção coletiva destes padrões, expectativas e preocupações. A construção desta sociedade participativa ocorre por meio do exercício da cidadania, em busca do desenvolvimento sustentável, e está atrelada a vários fatores geradores de conflitos sócio ambientais. De fato, é no setor da educação, principalmente, que se conseguem angariar meios e esforços para a formação de pessoas envolvidas democraticamente em prol da qualidade de vida no âmbito familiar, social, cultural e ambiental. Neste contexto, a presente pesquisa pretendeu verificar as estratégias que o docente enfermeiro utiliza para enfrentar os seus problemas no mundo contemporâneo globalizado, e a manter sua qualidade de vida. Dentro das contribuições à educação para a sustentabilidade, os autores Carletto, Linsingen e Delizoicov (2006, p.12) apontam que, “o esforço para a construção de uma percepção de sustentabilidade que busque o fortalecimento dos processos negociados de tomadas de decisão, está intimamente vinculado ao processo pedagógico e requer vigorosa defesa de uma adequada formação de professores em todos os níveis e modalidades de educação. E que esta formação, associada à idéia de uma educação crítica e transformadora do sentir, pensar e agir deve visar à criação de condições que permitam ampliar o poder social dos cidadãos, através da construção de consciência crítica, aproximando a educação das condições reais de existência de seus atores”. A diversidade de espaços, culturas, crenças e atores sociais interferem diretamente, no desenvolvimento econômico e social sustentável de um grupo ou comunidade, o que é verdade, também, dentro das organizações, e tratando-se, mais especificamente da QV dos trabalhadores. 2.1.1. Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) 28 O trabalho é uma atividade exercida pelo homem e ocupa em torno de 65% da sua produção em vida. É por meio desta atividade que o ser humano adquire condições para sua sobrevivência. Torna-se importante, garantir ao trabalhador Qualidade de Vida neste ambiente, incluindo-se aí, o respeito à sua saúde, segurança, condições ideais, hora de descanso e jornada de trabalho (MAURO et al, 2004). Qualidade de Vida, para alguns, pode ser interpretada de acordo com a percepção que tem de si em um determinado momento, geralmente relacionado à saúde, ou ao estar saudável, sem considerar as condições de trabalho ou do ambiente (OLER et al, 2005). Além disso, em uma sociedade capitalista, é por meio do trabalho que a pessoa consegue o seu reconhecimento social, dignidade, atendimento às suas necessidades básicas e talvez, às suas aspirações de ordem maior. O trabalho é essencial para a manutenção da Qualidade de Vida e, está tão presente na vida das pessoas, que mais de um terço do seu dia é dedicado a ele. A preocupação com a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) teve início na década de 60 a 70 do século XX, recebendo atenção de cientistas, líderes sindicais, empresários e governantes. Naquele momento, a abordagem estava voltada para a saúde, segurança e à satisfação dos trabalhadores, com o propósito de otimizar a organização do trabalho (RODRIGUES, 2002). Diante disso, autores como Pilatti e Bejarano, trazem algumas considerações de como a QVT pode interferir no cotidiano dos trabalhadores, como citam no trecho abaixo: As iniciativas de QVT têm dois objetivos: de um lado, aumentar a produtividade e o desempenho; de outro, melhorar a qualidade de vida no trabalho e a satisfação com o trabalho. Muitos supõem que os dois objetivos estão ligados: uma maneira direta de melhorar a produtividade seria a melhora das condições e a satisfação com o trabalho, porém, a satisfação e a produtividade do trabalhador não seguem necessariamente trajetos paralelos. Isto não significa que os dois objetivos sejam incompatíveis, nem que sejam totalmente independentes um do outro. Sob determinadas circunstâncias, melhorias nas condições de trabalho contribuirão para com produtividade, (PILATTI e BEJARANO, 2005 p. 89). Limongi-França (2010), refere que o aumento da expectativa de vida, a busca pelos direitos à saúde, a responsabilidade social e o compromisso com o desenvolvimento sustentável são fatores que interferem no modo de viver das pessoas e das empresas. 29 As condições de trabalho e a sua organização são fatores relevantes para a saúde e a Qualidade de Vida dos trabalhadores pois, podem ser responsáveis pelo seu sofrimento psíquico. Na área da enfermagem, estas condições envolvem aspectos físicos, químicos e biológicos e, a organização está relacionada com a divisão do trabalho, a hierarquia, e o modo de gerenciá-lo (BELANCIERI e BIANCO, 2004). Para Oliveira et al (2012), a QVT envolve movimento nas ciências humanas e biológicas, buscando valores relacionados não somente com os sintomas produzidos no trabalho, bem como a diminuição da mortalidade e o aumento na expectativa de vida, mas gerenciar um nível de satisfação do empregado com a instituição a qual ele pertence, dentro de condições ambientais favoráveis para a promoção da saúde do trabalhador. Martins, Robazzi, e Bobroff (2010, pg. 1108) mencionam as características no trabalho da enfermagem, o qual, em sua maioria, está voltado para o sujeito doente, o que implica em estar em contato direto e quase sempre com “sofrimento, medos, conflitos, tensões, disputa pelo poder, ansiedade e estresse, convivência com a vida e morte, longas jornadas de trabalho, entre tantos outros fatores que são inerentes ao cotidiano desses trabalhadores.” Ruiz (2009) menciona que, falar sobre QVT é um desafio por se tratar de um tema que envolve a individualidade do homem e de toda a evolução relacionada ao trabalho. Para discutir QVT, faz-se necessário avaliar em conjunto a dimensão organizacional do trabalho, o trabalho no âmbito sócio econômico e também as condições humanas no trabalho, de acordo com as “escolas” de pensamento sobre o tema, consideradas por Limongi França (2009). Na dimensão organizacional devem ser considerados os aspectos técnicos específicos do local onde as relações de produção ocorrem. Nesta visão, o modelo elaborado por Walton, em 1973, para avaliação da QVT é bastante utilizado nos dias atuais (PEDROSO e PILATTI, 2009). Neste modelo, o autor propôs oito categorias de conceitos para avaliar a QVT: compensação adequada e justa; condições de segurança e saúde do trabalho; oportunidade imediata para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana; oportunidade futura para crescimento contínuo e segurança; integração social na organização de trabalho; constitucionalismo na organização de trabalho; o trabalho e o espaço total da vida; e a relevância social da vida do trabalhador (SCHIMIDT et al, 2008). De acordo com Valdisser (2008, pg. 08), as oito categorias podem ser assim definidas: 1) Compensação justa e adequada (conceito relacionado ao salário versus experiência e responsabilidade, e à média de mercado). Neste contexto, o trabalhador deve ser valorizado 30 pelas atividades que executa, de acordo com a sua capacidade e formação, não sendo privilegiado por outros, e nem por questões de gênero. 2) Condições de segurança e saúde no trabalho (horários, condições físicas e redução dos riscos). Aqui envolvem as questões relacionadas com o ambiente, sua organização, jornada de trabalho, exposição do trabalhador aos riscos físicos, químicos, ergonômicos, biológicos, entre outros. 3) Oportunidade imediata para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana (autonomia, informação, tarefas completas e planejamento). Neste contexto, percebe-se o aproveitamento do conhecimento do profissional por meio do emprego das suas habilidades. 4) Oportunidade futura para crescimento contínuo e segurança (carreira, estabilidade). Neste aspecto pode ser considerado o valor que a organização dá ao crescimento profissional de forma contínua, seja no aprimoramento, no aperfeiçoamento e no plano de cargo e carreira. 5) Integração social na organização do trabalho (ausência de preconceitos e de estratificação, senso geral de franqueza interpessoal). O relacionamento interpessoal na organização é de fundamental importância para que não haja conflitos e exista um clima de equipe e harmonia, gerando um ambiente de satisfação. 6) Constitucionalismo na organização de trabalho (normas que estabelecem os direitos e deveres dos trabalhadores, direito à privacidade, ao diálogo livre, tratamento justo em todos os assuntos). O respeito aos direitos do trabalhador faz com que ele se sinta amparado diante da constituição trabalhista, dando-lhe o senso crítico no agir, pautado no cumprimento das normas, bem como no atendimento das suas necessidades diante das leis trabalhistas. 7) O trabalho e o espaço total da vida (equilíbrio necessário entre o trabalho e os outros níveis da vida do empregado, como família e lazer). Este equilíbrio é o fator essencial para que não ocorra perda na qualidade de vida. Segundo Chiavenato (1999), as organizações para satisfazerem o cliente externo, primeiramente devem satisfazer o cliente interno. 8) Relevância social da vida no trabalho (valorização do próprio trabalho e aumento da autoestima). As atividades exercidas no cotidiano de uma instituição fazem com que o empregado se sinta útil e valorizado, sentimento este vivenciado por muitos quando estão satisfeitos com a organização, além da própria realização profissional que dignifica o homem. Na dimensão sócio econômica, falar em QVT implica em analisar as relações de trabalho e suas contradições na era da globalização, o que se relaciona aos conceitos de desenvolvimento sustentável, cidadania e responsabilidade social e preservação do ambiente (LIMONGI-FRANÇA, 2010). 31 Sobre isso, considere-se que “as empresas têm como missão fundamental fazer com que a sustentabilidade seja fator de referência em um mercado no qual o produto final não representa apenas o lucro financeiro, mas também a incorporação do social à sustentabilidade ambiental” (ZYLBERSZTAJN e LINS, 2010 pag. 8). Para Limongi-França et al (2002), Qualidade de Vida no Trabalho é uma compreensão abrangente e comprometida das condições de vida no trabalho, baseada no enfoque biopsicossocial da saúde, envolvendo aspectos de bem-estar, garantia da saúde e segurança física, mental e social, capacitação para realizar tarefas com segurança e bom uso da energia pessoal. Ferreira e Mendes (2003, p. 43 apud MORAES, 2006) referem que o prazer no ambiente de trabalho se origina no bem que o trabalho causa ao corpo e nas relações com as pessoas. As principais causas desse prazer se encontram nas dimensões da organização, das condições e das relações de trabalho que estruturam os contextos de produção de bens e serviços, e constitui-se em um dos indicadores de bem-estar no trabalho sob a forma de uma avaliação consciente de que algo vai bem o que, consequentemente, é um indicador de saúde psíquica. Manifesta-se por meio da gratificação, da realização, do reconhecimento, da liberdade e da valorização, resultando na satisfação no trabalho. Um fator que interfere nas condições ideais do trabalho, favorecendo a Qualidade de Vida está relacionado com o próprio ambiente onde são executadas as tarefas laborais, visando, igualmente, à proteção da saúde física e mental dos colaboradores (CHIAVENATO, 1999). Para isso, é imprescindível que o homem receba salário justo, mas que também se considere sua satisfação pessoal na realização de todas as atividades envolvidas por meio do seu esforço (MAURO et al, 2004). Em um estudo sobre nível de satisfação profissional, realizado com trabalhadores da saúde que atuam em serviços de controle de infecção, Peres (2007) utilizou seis componentes de avaliação: autonomia, interação/relacionamento, requisitos do trabalho, normas organizacionais e remuneração. Definiu-se satisfação, como a pessoa estar bem consigo mesma e com o ambiente em que vive, e, motivação como uma necessidade, um estímulo para se obter a satisfação final. Como resultado relacionado às normas organizacionais, os profissionais mencionaram a necessidade de apoio da administração, atrelando a esta questão, remuneração, autonomia e status profissional, como fatores a serem mais trabalhados nas instituições de modo geral. Para Moraes (2006), a realização no trabalho está relacionada com a experiência que o trabalhador tem diante de situações como a gratificação, o orgulho e a satisfação em obter o 32 atendimento das suas necessidades enquanto profissional, que pode gerar liberdade na organização do seu trabalho. Portanto, QVT tem sido cada vez mais abordada nas pesquisas como: melhora das condições físicas do trabalhador, necessidade de lazer, modo de vida, condições organizacionais que levam à satisfação e busca pela resolução das solicitações feitas pelos funcionários. Um profissional envolvido e satisfeito com o trabalho poderá ser bem mais produtivo. Ferreira (2010, pg. 52) realizou um estudo, com a participação de 90 enfermeiros docentes, avaliados entre outros quesitos, em relação ao nível de satisfação profissional. Na percepção destes docentes, a satisfação profissional é obtida através da realização das atividades inerentes à docência: “o docente tem a possibilidade de atender suas próprias necessidades pessoais, além de conviver com o aluno, o que contribui com a sua satisfação no trabalho”. Para Vilarta e Guitierrez (2010), QV deve estar contemplada dentro da organização como um dos pilares estruturais que favorecem o bom funcionamento e a qualidade do serviço prestado. Conceição et al (2012, p.321) mencionam que “ o magistério é a segunda maior opção de labor para os enfermeiros, sendo este mercado de trabalho público e privado, muito mais o privado, onde em ambos há contradições de salários, carga horária e proposta de trabalho. Os Avanços Legislativos que foram adquiridos, são descumpridos pelos representantes do poder e donos das universidades privadas”. Tabeleão et al (2011, p.2401) mencionam em seu estudo que “devido aos baixos salários, os docentes estendem sua carga horária em outras atividades, situação que é agravada pela falta de pausas para descanso, o que acaba gerando desconforto e em alguns casos adoecimento.” Diante do exposto, a pesquisa buscou avaliar a percepção da QV do docente enfermeiro e a sua relação com a QVT. 2.1.2. Condições de Trabalho e os efeitos sobre a saúde e QV do Enfermeiro Docente As condições de trabalho e o seu impacto na saúde e no bem-estar dos trabalhadores tem sido fonte de preocupação na busca das empresas por maior produtividade, sem causar danos à saúde do trabalhador ( levando ao absenteísmo, entre outras consequências). Penteado e Pereira (2007, p.241) apontam que 54,7% dos 128 professores do ensino médio, de quatro escolas estaduais da cidade de Rio Claro, estado de São Paulo, consideraram 33 o local de trabalho como nada ou pouco saudável, o que implica em condições desfavoráveis ao mesmo, destacando como aspectos negativos avaliados pelos docentes: as “salas quentes, mal ventiladas, com presença de poeira, sujeira, pó de giz, ruído interno e externo, além de problemas na organização do trabalho, com relações sociais estressantes, permeadas por sentimentos negativos como agressividade, indisciplina, desrespeito e violência”. Rocha e Felli (2004, pg. 32), referem que, na percepção dos enfermeiros docentes, o que mais favorece a Qualidade de Vida no Trabalho são as condições positivas no ambiente da instituição de ensino que se relacionam ao “investimento na capacitação docente, valorizando a implantação do mestrado na própria universidade”. Neves e Silva (2006) apontam que, para se compreender o funcionamento do trabalho docente, é imprescindível analisar a introdução da classe feminina no mercado de trabalho que, no século XIX (mantendo o rigor característico das tarefas domésticas) valorizava as profissões ligadas ao ensino, à enfermagem, entre outras. Todas estas, de certa forma, relacionadas com o cuidar e com responsabilidades direcionadas aos filhos, esposo e casa. O Ensino Universitário organiza-se no sentido de atender a uma demanda cada vez maior de alunos. Para isto, deve buscar uma configuração do sistema educativo no aspecto físico e organizacional com enfoque na eficácia, produtividade e excelência (ASSUNÇÃO e OLIVEIRA, 2009). De acordo com estas autoras, é o processo educativo atual que contribui para intensificar o trabalho docente pois, na medida em que a demanda de alunos aumenta, mais complexas se tornam as atividades didáticas. Outro fator conflitante é o despreparo destes profissionais diante de situações-problema o que, aliado às suas especialidades e à pouca experiência, faz com que encontrem dificuldades em resolver conflitos. Segundo Cruz et al. (2010), os docentes das universidades têm desempenhado grandes esforços, porém sem êxito diante dos percalços encontrados no gerenciamento dos processos de trabalho e das próprias condições do ambiente, envolvendo salário, satisfação e o status social desta função. Em razão disso, existe uma perda do valor da atividade docente, o que pode gerar no profissional docente sérias consequências à saúde, como desgaste físico, psicológico, absenteísmo e até abandono da profissão. Dentre as condições de trabalho do docente em um ambiente organizacional, um conjunto de atividades precisa ser seguido e delineado para que haja um resultado eficaz. Fazem parte desta demanda a participação na elaboração do Projeto Pedagógico do Curso, elaboração do plano do curso de cada disciplina, participação em reuniões pedagógicas do curso, participação em reunião geral com pró-reitoria acadêmica, produção científica, 34 elaboração de artigos para publicação, orientações de trabalho de conclusão de curso e projetos de iniciação científica (CARLOTTO, 2002). As condições de trabalho podem influenciar de forma positiva ou negativa na saúde do docente. No magistério superior, cuja carga de trabalho é intensa, pode-se verificar a presença cada vez maior de transtornos mentais e de comportamento com alguns deles tendo como causa, as longas jornadas de trabalho (BRASIL, 2001). Kuriacou e Sutcliffe (1978) e Moracco e Mafadalen (1982) citados por Reinhold (1996), apud (GOULART JUNIOR e LIPP, 2008, pg. 848) “definem o estresse dos professores como uma síndrome de respostas de sentimentos negativos, tais como raiva e depressão, geralmente acompanhadas de mudanças fisiológicas e bioquímicas potencialmente patogênicas, resultantes de aspectos do trabalho do professor e mediadas pela percepção de que as exigências profissionais constituem uma ameaça à sua auto estima ou bem-estar”. Para melhor exemplificar os tipos de comprometimento do processo saúde-doença manifestado nos docentes, citam-se: “... problemas relacionados à voz, processos alérgicos pela utilização de giz, déficit visual relacionado ao esforço constante da própria atividade (correção de provas, trabalhos e leituras), problemas de coluna vertebral, músculos e varizes. Além de alta taxa de câncer de mama e de doenças psicossomáticas” (NEVES e SILVA, 2006 p; 69). Em seus estudos sobre Qualidade de Vida, Almeida e Soares (2010) discutem quatro papéis que estão relacionados à formação e perfil do profissional Enfermeiro, seja ele docente ou assistencial: a educação, a assistência, a pesquisa e o strictu sensu. Referem a educação, como uma prática profissional da enfermagem e uma função já incorporada na sua formação, concernente ao cuidado e assistência de forma integral, bem como no preparo do enfermeiro docente para o ato de ensino e aprendizagem, possibilitando-lhe uma consciência crítica em relação ao desenvolvimento social. Ainda de acordo com os autores, na assistência, a educação em saúde é uma prática indispensável na transformação do indivíduo e sociedade, sendo empregada de forma a não ser incisiva e sim, participativa, com aproveitamento máximo do saber popular, pautado no conhecimento científico. É uma ferramenta sempre presente no cotidiano do enfermeiro. A área da pesquisa tem a educação em saúde comprovadamente como meio e instrumento do dia-a-dia do enfermeiro, seja na sua formação ou nas práticas profissionais relacionadas ao cuidado ao cliente. No campo Strictu Sensu, a educação em saúde é utilizada como meio para o desenvolvimento de uma consciência crítica do indivíduo e sociedade, buscando a participação, a responsabilidade e o empoderamento de ambos. 35 O empowerment (empoderamento) deve ser entendido em suas duas abordagens principais: o enfoque psicológico e o comunitário. No primeiro, o indíviduo fortalece a sua autoestima e capacidade de adaptação ao meio, bem como desenvolve mecanismos de autoajuda e solidariedade. No segundo, se elaboram estratégias cujo escopo é o aumento do controle de vida por parte dos indivíduos e comunidades, a eficácia política, maior justiça social e a melhoria na sua Qualidade de Vida (CARVALHO, 2004). As relações no trabalho de enfermagem diferenciam-se de acordo com o processo de trabalho realizado, e assim, o trabalho docente. O ensino é tomado como um processo intelectual e, por isso, mais privilegiado quando comparado com o processo de cuidar, pois as condições de trabalho (jornada, horário de trabalho, salário) são percebidas pelos enfermeiros como mais favoráveis. (ROCHA e FELI, 2004 pg. 28). Ao assumir o papel docente, além de absorver toda a demanda desta carreira, deve possuir embasamento profundo e atualizado em sua área específica. O enfermeiro tem sua formação voltada para a assistência ao paciente, o que na maioria das vezes pode não permitir o conhecimento aprofundado do trabalho pedagógico. 36 3. MÉTODO 3.1. Desenho do estudo Tratou-se de uma pesquisa de campo, descritiva e aplicada, com delineamento transversal, utilizando fontes bibliográficas e base de análise quantitativa. Para o levantamento bibliográfico, utilizaram-se bancos de dados como BDENF, LILACS, MEDLINE, COLECIONA SUS, MES, OPAS, SCIELO, com os seguintes descritores: Qualidade de Vida, enfermeiro docente e Qualidade de Vida no Trabalho. 3.2. Participantes Foram avaliados 30 enfermeiros, docentes de cursos de graduação em Enfermagem, de quatro faculdades do Sul de Minas Gerais. Critérios de Inclusão: atuar na docência há, no mínimo dois anos. 3.3. Critérios e procedimentos para seleção dos participantes Foi realizado contato com os representantes de cada uma das instituições de ensino do curso de enfermagem, localizadas na região sul do Estado de Minas Gerais. Após a concordância das instituições, fez-se uma reunião com os docentes enfermeiros para esclarecimentos quanto ao desenvolvimento deste trabalho. Os docentes que concordaram em participar, de forma voluntária, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A). Critérios de Exclusão: os motivos que puderam suspender ou encerrar a pesquisa em uma ou mais instituições, foram a sua não aceitação ou aprovação do projeto. Foram excluídos docentes que não concordaram em participar da pesquisa ou que, responderam aos instrumentos de forma parcial ou deixaram de responder. 3.4. Variáveis do estudo Foi avaliada a percepção do enfermeiro docente sobre a sua Qualidade de vida nos aspectos físico, psicológico, das relações sociais, do ambiente; e sua satisfação com a Qualidade de Vida no Trabalho. 37 A QV foi mensurada utilizando o instrumento validado WHOQOL-bref, 1998 (FLECK, 2000). A satisfação com a Qualidade de Vida no Trabalho e os aspectos relacionados ao trabalho foram identificados e, analisados, utilizando-se o questionário de avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho, QWLQ-bref (CHEREMETA et al, 2011), e a ficha de caracterização dos participantes, previamente elaborada pela autora. 3.5. Procedimentos de Coleta de dados Foi realizado o primeiro contato com as Faculdades para, que o desenvolvimento do projeto fosse autorizado pelas mesmas, para encaminhamento ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino (CEP-UNIFAE). O presente projeto foi aprovado em Março de 2012 (ANEXO I). Posteriormente, foi realizado um estudo piloto prévio, em três instituições do estado de São Paulo, que não fizeram parte da população estudada (ANEXO II). Após o exame de qualificação do projeto, realizado em Abril de 2012, retomou-se o contato com as coordenações dos cursos para então dar início ao levantamento dos dados. Cada enfermeiro que concordou em participar voluntariamente da pesquisa, após preencher o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A), respondeu ao questionário de Qualidade de Vida – WHOQOL-bref (ANEXO III), a uma ficha de caracterização previamente organizada (APÊNDICE B) e, ao questionário de avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho – QWLQ-bref (ANEXO IV), respeitando exatamente esta sequência. A coleta de dados foi realizada nas instituições de ensino nos momentos de folga dos docentes, entre uma aula e outra, ou durante suas horas-atividade. Os instrumentos foram distribuídos pela coordenação do curso, sem a presença do pesquisador no momento da coleta. Os participantes responderam de forma individual e, ao finalizarem, devolveram os questionários à coordenação. Não havendo dúvidas no momento. 3.5.1. Instrumentos O WHOQOL-bref (1998) é um questionário auto-aplicável, com 26 questões que envolvem aspectos diversos da vida cotidiana. As duas primeiras questões são gerais de Qualidade de Vida, as demais abordam quatro domínios da qualidade de vida: físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais. Para cada questão do questionário WHOQOL- 38 bref, o sujeito pode apresentar sua resposta por meio de escores que variam de um a cinco, sendo a condição pior no escore um e a melhor no escore cinco (FLECK, 2000). Os resultados dos domínios apresentam valores entre zero e cem, sendo piores os mais próximos de zero e melhores os mais próximos de cem. Dessa forma, um sujeito que apresente valor igual a 50 para determinado domínio pode ser considerado mediano para esse domínio. O cálculo dos domínios padronizados do WHOQOL-bref segue as expressões matemáticas conforme sintaxe apresentada no ANEXO V. As informações do WHOQOL-bref têm como referência as duas últimas semanas da coleta dos dados e, mesmo aplicado com um número reduzido de sujeitos, apresentam informações importantes com relação aos quatros domínios: físico, psicológico, relações sociais e o meio ambiente (CONCEIÇÃO, 2010). A Ficha de Caracterização dos participantes foi previamente elaborada pela autora. A elaboração deste instrumento baseou-se nos resultados do estudo piloto, ajustando-o para que o mesmo complementasse informações julgadas pelos pesquisadores, como pertinentes e que não estavam contempladas no QWLQ-bref. As estratégias utilizadas pelos docentes para a melhoria da QV, presentes no referido instrumento foi extraída da questão discursiva respondida no teste piloto. O QWLQ-bref (CHEREMETA et. al., 2011) é um instrumento desenvolvido para avaliar a QVT, validado estatisticamente, que apresenta um número de questões relacionadas ao trabalho, mais expressivas do que os outros domínios que envolvem a Qualidade de Vida e foi desenvolvido a partir do QWLQ-78 (REIS JÚNIOR , 2008), do qual 20 questões foram selecionadas para a versão abreviada do instrumento, QWLQ-bref. Essas questões abordam quatro domínios da Qualidade de Vida no Trabalho: físico/saúde, psicológico, pessoal e profissional. Para cada aspecto da Qualidade de Vida no Trabalho expresso no questionário QWLQ-bref, o sujeito pode apresentar sua resposta por meio de escores que variam de um a cinco, e para os resultados dos domínios, os valores apresentam-se entre zero e cem, ambos utilizando os mesmos princípios do WHOQOL-bref. O valor da QVT foi calculado a partir da média dos valores dos quatro domínios e a questão 8 tem suas notas invertidas para o cálculo (APÊNDICE C). 3.6. Procedimentos para determinação da amostra 39 No dia 04 de Agosto de 2011, foi realizada primeiramente uma busca no site do MEC, de todas as faculdades de enfermagem cadastradas nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Neste levantamento, havia 109 faculdades no primeiro estado e 145 no segundo. Optou-se por contatar apenas as Instituições do sul de Minas Gerais, com objetivo de deixar a amostra mais homogênea em sua caracterização. Em Agosto de 2011, foi enviado por email um ofício de solicitação e apresentação da pesquisadora a todas as coordenações dos cursos de Enfermagem. Posteriormente, realizou-se o agendamento de uma visita a fim de, melhor apresentar os objetivos da pesquisa e obter o aceite para o desenvolvimento do trabalho a ser realizado com os enfermeiros docentes dos respectivos cursos. Das seis faculdades onde se realizou o primeiro contato, somente quatro aceitaram participar da pesquisa. Desta forma, de um total de 51 enfermeiros docentes da região Sul de Minas Gerais, a amostra disponível foi de 45 enfermeiros docentes, que resultaram em 30 participantes no presente estudo. Dentre os fatores de exclusão estão: 07 participantes de uma das Instituições não receberam os instrumentos por mudanças na coordenação de curso, que resultou na redução do compromisso assumido com o presente estudo; 05 participantes de outra instituição não devolveram os instrumentos para a pesquisadora; e, 03 participantes responderam parcialmente os instrumentos, sendo este um critério de exclusão. O cálculo do tamanho da amostra (30 participantes) foi realizado utilizando-se o software livre. O nível de confiança utilizado foi de 95% e com um intervalo de confiança de 11,5. 3.7. Processamento e análise dos dados Os instrumentos foram revisados quanto ao seu preenchimento, legibilidade e qualidade de informação. A partir das informações contidas na ficha e nos questionários, os dados foram tabulados em planilhas dos softwares MS-Excel 2007 e SPSS 14.0. Foi realizada a análise descritiva unidimensional dos dados por meio de média aritmética e desvio padrão. Com o auxílio do software SPSS (Statistical Package for Social Sciences), foi realizada a análise de correlação de Pearson, sendo considerado o nível de significância de 5% (p<0,05), compatível com a área da saúde. 3.8. Aspectos éticos 40 Na realização desta pesquisa, foram cumpridos os princípios enunciados na Declaração de Helsinque de (1964) e da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (BIOÉTICA, 1996). O presente estudo não trouxe qualquer risco para os participantes, pois os mesmos responderam livremente a três instrumentos para avaliar aspectos relacionados à sua percepção sobre sua Qualidade de Vida e QVT. Os participantes puderam ter como benefício, o levantamento das estratégias utilizadas por eles no sentido de preservar ou criar condições para o seu favorecimento, tendo visto que, os resultados finais foram apresentados após a conclusão deste trabalho. A identificação dos voluntários foi preservada, assim como não houve por parte deles, qualquer gasto ao participar da pesquisa. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino-FAE, em Março de 2012, sob o número do protocolo 0032012, e a pesquisa teve início após esta aprovação. Todo o material coletado com a pesquisa foi utilizado com a finalidade de publicação, estando todos cientes, conforme explicitado no Termo de Consentimento Livre Esclarecido. 41 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Caracterização dos participantes A amostra estudada foi constituída por 30 docentes, de um total de 51 docentes enfermeiros. As características da amostra estão apresentadas na Tabela 1. Tabela 1: Caracterização dos participantes, docentes enfermeiros da região sul de Minas Gerais. variáveis Idade Número de Docentes 43,3 ± 10,2 % Gênero Homem Mulher 01 29 3,33 96,8 Estado civil solteiras casados divorciados 07 21 02 23,3 70 6,7 Número de filhos Nenhum Um Dois Três ou mais 11 07 07 05 36,7 23,3 23,3 16,7 Tempo de graduação inferior a três anos 3 a 6 anos 6 a 9 anos 9 a 12 anos 12 a 15 anos Acima de 15 anos 0 02 03 02 04 19 0 6,7 10 6,7 13,3 63,3 06 20 Graduação em outro curso Tempo experiência docente 2 a 4 anos 4 a 6 anos 6 a 8 anos Acima de 8 anos 04 08 02 16 13,3 26,7 6,7 53,3 Número de empregos apenas 1 emprego 2 empregos 3 ou mais empregos 14 15 01 46,7 50 3,3 13 40 Trabalham em outra IES Regime de trabalho na IES horista Parcial Integral 09 14 07 30 46,7 23,3 N. de aulas semanais na IES 2 a 4 aulas 5 a 8 aulas 9 a 12 aulas 13 ou mais aulas 03 07 04 15 10 23,3 13,3 50 04 13,3 Ministram aulas que não estão relacionadas à sua especialização na IES. Fonte: elaborada pela autora 42 A média de idade da população foi de 43,3 ± 10,2 anos, o que caracteriza uma população mais madura. Segundo Ferreira (2010, p. 38) “docentes com a faixa etária acima dos 42,5 anos denotam maturidade intelectual e experiência de vida que, geralmente, influem de maneira positiva em sua postura, tomada de decisões, relacionamentos e, consequentemente, em seu desempenho profissional”. Outros autores como Rocha e Felli (2004) mencionam que esta faixa etária está mais exposta a risco de doenças cardiovasculares e alterações metabólicas como diabetes, hipertensão arterial, além de problemas relacionados ao sobrepeso próprias da idade e, nas mulheres, o surgimento de alterações produzidas pelo climatério e a menopausa propriamente dita. Estes aspectos podem influenciar a QV destes, principalmente em relação ao domínio físico. Com relação ao gênero, 29 são mulheres e 01 homem, contemplando 96,8% e 3,3% respectivamente. A predominância do gênero feminino na profissão, provavelmente relacionase ao fato de que suas características estão mais direcionadas às tarefas desempenhadas pela mulher, como o cuidar, ensinar, que configuram o modelo Nightingaleano. O modelo “Nightingaleano surge com a guerra da Criméia em 1860, quando Florence Nightingale, precursora da Enfermagem moderna, criou a profissão de Enfermagem na Inglaterra, estabelecendo um vínculo entre o saber de enfermagem e o saber médico, numa situação de subordinação. Este modelo pode ser observado nos dias atuais, nas atitudes dos profissionais de enfermagem que são de obediência e submissão às “ordens médicas”, com evidente ausência de uma atitude questionadora e científica, bem como dificuldade ou quase inexistência de cooperação entre os elementos da equipe multiprofissional” (PADILHA et. al, 1997, p. 27). Este modelo de comportamento pode influenciar a QV, bem como a QVT, principalmente em relação ao domínio psicológico. Com relação ao estado civil, 21 são casados, contemplando 70% da população, sete são solteiros, representando 23,3%, e dois divorciados com 6,7%. Segundo Cavalcante (2009), a busca pela união estável tem aumentado muito na última década. O relacionamento afetivo, mesmo quando as pessoas envolvidas passam por dificuldades e conflitos, faz com que estas se tornem amadurecidas emocionalmente. Principalmente quando esta união encontra-se em um clima de cumplicidade, amor e companheirismo, contribuindo para mudanças no comportamento de forma positiva, podendo-se supor que esse fator para o docente, favorece a Qualidade de Vida no domínio psicológico e pessoal, tanto no trabalho quanto na vida pessoal e familiar. 43 Como característica de uma população mais moderna, que possui um número de filhos mais limitado, observam-se neste estudo, que apesar de sete docentes serem solteiros, onze docentes não possuem filho, sete deles têm apenas um filho, outros sete têm dois filhos, e cinco docentes têm três ou mais filhos. O número de filhos pode interferir na Qualidade de Vida do profissional docente, principalmente para aquele que enfrenta várias atividades e ou maior carga de trabalho (OLIVEIRA et al., 2012). De acordo com Neves e Silva (2006), quanto maior a jornada de trabalho, considerando-se o caso específico da mulher com o trabalho de casa, ocorre falta de tempo destinado para o lazer e até mesmo para o descanso, assim sendo, surge um sentimento de culpa por não agir de forma satisfatória aos trabalhos e atividades do lar e na atenção aos familiares. Para Queiroz (2008, p. 52) “como a educação, e os cuidados exigidos da maternidade são em geral responsabilidade da mulher, a existência de mais de um emprego pode interferir na vida familiar”, bem como na sua QV e QVT, tanto nos aspectos psicológicos como sociais. Observando o tempo de formação, não houve, na amostra estudada, qualquer docente com tempo inferior a três anos e a grande maioria, 63,3% (19), apresenta 15 anos ou mais de graduação, o que pode reafirmar a maturidade profissional da população do presente estudo. Seis docentes possuem graduação em outro curso, correspondendo a 20% do total, o que pode possibilitar a estes docentes uma diversidade de atuação ou maior preparo para atuar em sua área de preferência, interferindo talvez em sua QV e QVT, principalmente nos domínios psicológicos e profissionais, respectivamente. Dos docentes estudados, apenas quatro encontram-se entre dois a quatro anos nesta função, e 16 deles (53%) possuem mais de 08 anos de experiência na docência. O tempo de experiência na docência é um fator relevante para contribuir na capacitação pedagógica, que implica em uma vivência maior em sala de aula, favorecendo o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, podendo influenciar de forma positiva no domínio profissional da QVT pelas possibilidades de reconhecimento e valorização, no entanto, quanto maior o tempo de atividade profissional na docência, maior a possibilidade de um desgaste físico e emocional para este docente. Ferreira (2010, p. 49) aponta em seu estudo, uma insatisfação no trabalho docente com o avançar da carreira, este autor refere “que no aspecto geral ocorre uma tendência ao menor nível de satisfação com fatores específicos do trabalho entre os docentes com idade acima de 42,5 anos quando comparado com os docentes com idade abaixo de 42,5 anos”. 44 4.2 Qualidade de Vida 4.2.1 Qualidade de Vida Geral As questões 1 e 2 foram discutidas separadamente e tratam, respectivamente, da QV e da satisfação com a saúde. A Qualidade de Vida Geral (QVG) foi extraída pela média entre os quatro domínios da QV abordados no instrumento. Em seguida, são apresentadas as questões agrupadas por domínio. As questões com maiores e menores escores médios para cada domínio, são discutidas mais detalhadamente. Para a análise de frequências e medidas descritivas das questões, a pontuação é dada em uma escala do tipo Likert, de 1 a 5, onde 1 e 2 representam uma avaliação negativa, 3 intermediária e 4 e 5 representam uma avaliação positiva (FLECK, 2000). Como parâmetro para a análise dos dados obtidos, tomou-se como base o trabalho de Siviero (2003), no qual foram considerados os seguintes escores: até 25% são considerados como insatisfação, entre 25% a 75% posição intermediária de satisfação, e acima de 75% como satisfação. A média das respostas para a questão 1 que avaliou a Qualidade de Vida de modo geral, foi de 3,6 ± 0,7 (72% ± 14%), o que representa uma posição intermediária de satisfação. Dos colaboradores, 56,7% (17) avaliaram sua Qualidade de Vida como boa, porém 30% (09) optaram pela resposta nem ruim nem boa, e 6,7% (02) dos colaboradores escolheram a resposta muito boa para a avaliação de sua qualidade de vida. Sobre a satisfação com a própria saúde, questão 2, a média das respostas para a questão foi de 3,6 ± 0,8 (72% ± 16%). Dos 30 colaboradores, 43,3% (13) estão satisfeitos com sua saúde, 36,6% (11) escolheram nem satisfeito nem insatisfeito, enquanto 13,3% (4) dos colaboradores optaram pela resposta muito satisfeito com relação à sua saúde. O escore médio da QVG foi de 69 ± 16,3, o que representa uma posição intermediária de satisfação, variando de intermediário a satisfeito, reafirmando a média das respostas às questões 1 e 2. Diante destes resultados percebe-se que de um modo geral os enfermeiros docentes do presente estudo estão satisfeitos com a sua Qualidade de Vida, bem como com a sua saúde. Conceição et al (2012) verificaram que de 38 enfermeiros docentes, de três Universidades de uma capital do nordeste, 63,2% avaliaram sua QVG como boa, 31,6% nem boa nem ruim e 5,2% como ruim, corroborando com os resultados do presente estudo. 45 Penteado e Pereira (2007), estudando a QV de 128 professores do ensino médio, de quatro escolas estaduais de uma cidade do interior de São Paulo, observaram que o escore médio de avaliação da QVG foi de 66 pontos e, com relação à satisfação com a própria saúde 60,2% disseram estar satisfeitos, enquanto 14,9% consideraram-se insatisfeitos ou muito insatisfeitos. 4.2.2 Qualidade de vida por Domínios A média dos escores para cada domínio, que avaliou a Qualidade de Vida nos aspectos físico, psicológico, das relações sociais e meio ambiente, está apresentada na Figura 1. Figura 1: Avaliação da Qualidade de vida geral e nos domínios: físico, psicológico, das relações sociais e do meio ambiente. Fonte: elaborado pela autora O escore médio da QV no domínio físico foi de 69 ± 18, o que representa uma posição intermediária de satisfação, variando de intermediário a satisfeito. Conceição et al, (2012), verificaram que as respostas como muito bom, bom, e completamente corresponderam a 53% das respostas dos três grupos de docentes analisados. E para os demais escores, a soma foi de 47% referindo-se aos piores escores de QV. Sendo considerado por estes autores, como sobrecarga de trabalho relacionada às atividades de ensino, pesquisa extensão e administração do enfermeiro docente. 46 Penteado e Pereira (2007) verificaram que o escore médio para o domínio físico da QV dos professores do ensino médio foi de 68,2 ± 15,9. Tabeleão et al (2011) observaram um escore médio para o referido domínio de 70,6 ± 14 para 601 professores de ensino fundamental e médio, de escolas municipais e estaduais do município de Pelotas (RS). Ambos trabalhos reforçam a percepção do docente como um nível de satisfação variando de intermediário a satisfeito. O escore médio da QV no domínio psicológico foi de 67 ± 11, o que representa uma posição intermediária de satisfação, variando de intermediário a satisfeito. No estudo de Conceição et al (2012), 56,6% dos docentes enfermeiros referiram estarem bastante/muito satisfeitos, e completamente. Penteado e Pereira (2007) verificaram que o escore médio para o domínio psicológico da QV dos professores do ensino médio foi de 68,2 ± 12,4. Tabeleão et al (2011) observaram um escore médio para o referido domínio de 72,5 ± 17,3 para professores de ensino fundamental e médio. Os dois estudos reforçam a percepção do docente como um nível de satisfação variando de intermediário a satisfeito. O escore médio da QV no domínio das relações sociais foi de 67 ± 14,4, o que representa uma posição intermediária de satisfação, variando de intermediário a satisfeito. Penteado e Pereira (2007) verificaram que o escore médio para o domínio das relações sociais da QV dos professores do ensino médio foi de 70,3 ± 13,3. Tabeleão et al (2011) observaram um escore médio para o referido domínio de 60,7 ± 14,0 para professores de ensino fundamental e médio. Os estudos reforçam a percepção do docente como um nível de satisfação variando de intermediário a satisfeito. No estudo de Conceição et al (2012), 77,8% dos docentes enfermeiros referiram estarem satisfeitos e muito satisfeitos, corroborando com os resultados do presente estudo. O escore médio da QV no domínio meio ambiente foi de 74 ± 25,3, o que representa uma variação entre a posição intermediária de satisfação, variando de intermediário a satisfeito. No estudo de Conceição et al (2012), 69,4% dos docentes enfermeiros referiram estarem bastante/muito satisfeitos. Penteado e Pereira (2007) verificaram que o escore médio para o domínio meio ambiente da QV dos professores do ensino médio foi de 56,1 ± 12,7. Tabeleão et al (2011) observaram um escore médio para o referido domínio de 60,7 ± 14 para professores de ensino fundamental e médio. Os estudos reforçam a percepção do docente como um nível de satisfação variando de intermediário a satisfeito. Diante dos resultados obtidos nos quatros domínios, observa-se que os Enfermeiros docentes percebem sua QV em um nível de satisfação intermediária. 47 Cada domínio do Whoqol-bref aborda questões específicas, sendo respectivamente, no domínio físico - dor e desconforto, energia e fadiga, sono e descanso, mobilidade, atividades da vida cotidiana, dependência de medicação e de tratamento e capacidade de trabalho; no domínio psicológico - pensar, aprender, memória e concentração, autoestima, imagem corporal e aparência, sentimentos negativos, espiritualidade/ religião/ crenças pessoais; no domínio relações sociais - envolvendo amigos, parentes, conhecidos, colegas, apoio social e atividade sexual; no domínio meio ambiente - segurança física e proteção, ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados de saúde e sociais, disponibilidade e qualidade, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, participação e oportunidades de recreação/lazer, ambiente físico e transporte (THE WHOQOL GROUP, 1995). Ao analisar os resultados apresentados verificou-se que, o domínio com escore maior foi o meio ambiente, ressaltando mais uma vez, como o ambiente, seja ele familiar ou no trabalho, influencia na Qualidade de Vida das pessoas quer positivamente ou de forma negativa. A atenção dada ao ambiente deve ser feita com a mesma preocupação com os demais domínios que estão relacionados com a saúde. No caso específico do enfermeiro docente, é importante a atenção dada ao ambiente de trabalho, pois a estrutura física de uma sala de aula ou, o espaço onde o mesmo trabalha em outras funções que não a sala de aula, podem influenciar na QVT. A palavra lazer foi empregada no estudo realizado por Conceição (2010) relacionada ao domínio meio ambiente, com várias narrações trazendo significados positivos e negativos, pois, para alguns, o trabalho minimiza o tempo de lazer com a família ou da própria pessoa, e outros, mesmo com a demanda de trabalho qualificam a sua qualidade de vida como boa. Enfermeiros integrados à equipe da Estratégia da Saúde da Família encontram-se próximos à comunidade e convivem com suas dificuldades, sejam sociais, econômicas ou ambientais, podendo buscar alternativas que as minimizem ou solucionem (BESERRA et. al, 2010). Ramos (2009) menciona, em seu estudo, que a relação do espaço físico também contribui para a obtenção da QV, pois a disposição e a organização do ambiente de trabalho geram queda no desempenho das atividades do trabalhador, assim como a planta física, deve estar adequada para assegurar condições de segurança e saúde do mesmo. Estas observações são importantes para qualquer tipo de área ou serviço, não sendo aplicada apenas para a enfermagem no âmbito das instituições hospitalares. 48 4.3 Qualidade de Vida no Trabalho A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) foi avaliada pela média entre os quatro domínios da QVT considerados no instrumento. Em seguida, foram apresentadas as questões agrupadas por domínios. As questões com maiores e menores escores médios para cada domínio, foram discutidas mais detalhadamente. Para a análise de frequências e medidas descritivas das questões, a pontuação é dada em uma escala do tipo Likert, de 1 a 5, onde 1 e 2 representam uma avaliação negativa, 3 intermediária, e 4 e 5 representam uma avaliação positiva. Como parâmetro para a análise dos dados obtidos, tomou-se como base o trabalho de Cheremeta et. al. (2011) no qual foram considerados os seguintes escores: até 22,5 são considerados como muito insatisfatório, entre 22,5 a 45 considerados insatisfatório, entre 45 a 55 considerados posição neutra, entre 55 e 77,5 como satisfatória, e acima de 77,5 como muito satisfatório. O escore médio da QVT foi de 72 ± 14,4, o que representa uma posição de satisfação podendo variar de neutro até muito satisfatório. 4.3.1 Qualidade de vida no Trabalho por Domínios A média dos escores para cada domínio, que avaliou a Qualidade de Vida no Trabalho nos aspectos físico, psicológico, pessoal e profissional, está apresentada na Figura 2. O escore médio da QVT no domínio físico foi de 68 ± 15,9, o que representa uma variação na posição entre neutra e muito satisfatória. O escore médio da QVT no domínio psicológico foi de 75 ± 16,3, o que representa uma posição que varia entre satisfatória e muito satisfatória. O escore médio da QVT no domínio pessoal foi de 79 ± 13,6, o que representa uma posição que varia de satisfatória a muito satisfatória. O escore médio da QVT no domínio profissional foi de 68 ± 17,8, o que representa uma variação entre a posição neutra e a muito satisfatória. 49 Figura 2: Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho nos domínios físico, psicológico, pessoal e profissional. Fonte: elaborado pela autora Medeiros (2012), estudando a percepção sobre a QVT de 49 servidores de saúde de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, observou que os mesmos avaliaram sua QVG com 73,67 pontos e sua QVT com 69,21pontos. O mesmo atribuiu como uma possível causa do menor valor da QVT quando comparado com o QVG como uma forma de demonstrar o descontentamento destes profissionais com a organização onde trabalham. Os resultados para os domínios específicos da QVT neste trabalho foram: domínio físico/saúde 65,47 pontos, domínio psicológico 71,25 pontos, domínio pessoal 75,94 pontos e no profissional 64,67 pontos. Estes resultados mostraram-se semelhantes aos resultados do presente estudo, representando um nível de percepção que varia entre satisfatória a muito satisfatória em cada um dos domínios. É importante ressaltar que as quatro instituições estudadas são privadas, e no âmbito geral, todos os enfermeiros docentes consideraram como satisfatória a sua QVT, em especial no domínio pessoal que teve como resposta o escore de muito satisfatória. Neste quesito foram abordadas as seguintes questões: aspectos familiares, crenças pessoais e religiosas e aspectos culturais que influenciam o trabalho dos colaboradores. Este foi um resultado que chamou a atenção, pois embora a jornada de trabalho na docência seja grande e geradora de estresse, fator já discutido em outros estudos (NEVES e SILVA, 2006; ROCHA e FELII, 2004; GOULART JÚNIOR e LIPP, 2008; CRUZ et al, 2010; ASSUNÇÃO e OLIVEIRA, 2009) percebeu-se que os sujeitos desta pesquisa não 50 manifestaram posicionamento de insatisfação com a sua Qualidade de Vida no Trabalho, na referida dimensão (pessoal). 4.4 Relação entre aspectos da Qualidade de Vida e Qualidade de Vida no Trabalho De acordo com (CHEREMETA et. al., 2011, pg. 02). “O mercado de trabalho tornouse muito mais humanizado, agora os trabalhadores passam a ter prazer em realizar suas tarefas, de forma que as condições passaram de um nível desumano para um nível aonde se pode conciliar o trabalho e a vida pessoal. Frente a esse cenário é que se iniciou a percepção do nível de correlação entre a qualidade do trabalho e a QV propriamente dita”. A tabela 2 apresenta as correlações entre os domínios da QV e os domínios da QVT. Tabela 2: Coeficiente de correlação dos domínios da QV e da QVT QV QVT Físico Psicológico Pessoal Profissional Físico 0,704** 0,669** 0,530** 0,611** Psicológico 0,407* 0,446* 0,366* 0,402* Relação Social 0,534** 0,761** 0,541** 0,549** Meio Ambiente 0,703** 0,698** 0,605** 0,711** *p<0,05; **p<0,01 Fonte: elaborado pela autora Com relação à QV no domínio físico, observou-se uma relação positiva com os aspectos da QVT, apresentando uma correlação de 0,704 com aspecto físico/saúde do trabalho, com o aspecto psicológico do trabalho observou-se uma correlação de 0,669, com o aspecto pessoal do trabalho a correlação foi de 0,530 e, com o aspecto profissional a correlação apresentada foi de 0,611, todos os aspectos apresentando um nível de significância de 0,01. Para esta amostra, os quatro aspectos do trabalho influenciam a QV física destes indivíduos. Ao estratificarem-se os domínios da QVT e correlacionarem aos domínios da QV verifica-se que do aspecto físico/saúde da QVT, o sono é a questão que se destaca, com uma correlação de 0,586 (p<0,01), do aspecto psicológico da QVT, a motivação para trabalhar é a questão que apresenta maior correlação ao aspecto físico da QV (r=0,702; p<0,01), no 51 domínio pessoal da QVT, a questão que avalia a relação do docente com seus superiores e/ou subordinados apresentou maior correlação com o aspecto físico da QV (r=0,573; p<0,01) e a questão 11 da QVT, que se refere sobre a percepção do docente de como sua família avalia o seu trabalho, apresentou baixa correlação (r=0,181), não apresentado significância estatística; finalmente no domínio profissional da QVT, a questão que merece destaque na relação com o aspecto físico da QV, com uma correlação de 0,660 (p<0,01), é como o docente avalia a igualdade de tratamento entre os funcionários. Conceição (2010), em seu estudo, afirma que os enfermeiros docentes de uma determinada instituição de ensino Federal, encontram-se motivados no convívio com a juventude, família, comunidade por meio da função de docente na enfermagem, o que para eles torna-se prazeroso. O que confirma o resultado acima, no aspecto físico da QV relacionado ao aspecto psicológico da QVT que apresentou maior correlação. Com relação à QV no domínio psicológico, observou-se uma relação positiva com os aspectos da QVT, apresentando uma correlação de 0,407 com aspecto físico/saúde do trabalho, com o aspecto psicológico do trabalho observou-se uma correlação de 0,446, com o aspecto pessoal do trabalho a correlação foi de 0,336 e, com o aspecto profissional a correlação apresentada foi de 0,402, todos os aspectos apresentando um nível de significância de 0,05. O domínio psicológico da QV aborda aspectos como a frequência de sentimentos positivos e negativos, a auto estima, a capacidade de concentração e a espiritualidade (FLECK, 2000). Para a população estudada, os quatro aspectos do trabalho apresentaram baixa correlação com a QV no aspecto psicológico destes indivíduos, destacando-se a menor correlação entre o aspecto psicológico da QV e o pessoal do QVT. As questões referentes ao domínio pessoal da QVT abordam aspectos familiares, crenças pessoais e religiosas e aspectos culturais que influenciam o trabalho (CHEREMETA et al, 2011). Neste sentido, o que chama a atenção é que tanto o domínio psicológico da QV, quanto o domínio pessoal da QVT abordam a questão da espiritualidade e das crenças pessoais e religiosas, no entanto, no presente estudo não apresentou correlação. Ao estratificarem-se os domínios da QVT e os correlacionarem aos domínios da QV verifica-se que do aspecto físico/saúde da QVT, o sono também é a questão que se destaca, com uma correlação de 0,407 (p<0,05) com o aspecto psicológico da QV; do aspecto psicológico da QVT, a motivação para trabalhar é a questão que apresenta maior correlação com o aspecto psicológico da QV (r=0,426; p<0,05), no domínio pessoal da QVT, a questão que avalia em que medida o docente se percebe respeitado pelos colegas e superiores, com 52 uma correlação de 0,393 (p<0,05), e na relação entre o domínio profissional da QVT e o psicológico da QV, a questão que se destaca é a de número três, que avalia a igualdade de tratamento entre os funcionários (r=0,482; p<0,01). Para o docente é importante o reconhecimento dos colegas, como mencionado em uma das narrações do estudo realizado por Ferreira (2010, p. 64), que afirma que “o relacionamento com o corpo docente é permeado de respeito, coleguismo, confiança e cooperação. Com a coordenação do curso, é um relacionamento de cooperação, entendimento e apoio [...] isso é muito positivo”. Com relação à QV no domínio relação social observou-se uma relação positiva com os aspectos da QVT, apresentando uma correlação de 0,534 com aspecto físico/saúde do trabalho, com o aspecto psicológico do trabalho observou-se uma correlação de 0,761, com o aspecto pessoal do trabalho a correlação foi de 0,541 e, com o aspecto profissional a correlação apresentada foi de 0,549, todos os aspectos apresentando um nível de significância de 0,01. Para esta amostra, os quatro aspectos do trabalho influenciam a QV para as relações sociais. Destacando-se a relação entre o aspecto psicológico do trabalho com o aspecto das relações sociais estabelecidas por estes indivíduos. Ao estratificarem-se os domínios da QVT e correlacionarem ao domínio das relações sociais da QV, verifica-se que do aspecto físico/saúde da QVT, o sono também é a questão que se destaca, com uma correlação de 0,580 (p<0,01); do aspecto psicológico da QVT, a motivação para trabalhar é a questão que apresenta maior correlação ao aspecto das relações sociais da QV (r=0,684; p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia o orgulho pela sua profissão (r=0,622; p<0,01); no domínio pessoal da QVT, a questão que avalia a realização do docente com o trabalho que faz, com uma correlação de 0,517 (p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia a qualidade de sua relação com seus superiores e/ou subordinados (r=0,510; p<0,01); já a relação entre o domínio profissional da QVT e o das relações sociais da QV, a questão que se destaca é a que avalia a liberdade de criar coisas novas no trabalho (r=0,696; p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia a igualdade de tratamento entre os funcionários (r=0,660; p<0,01). Ferreira (2010, p. 65) refere-se à satisfação no relacionamento com os colegas de trabalho sendo muito bom. “Eu fui muito bem recebida pelos outros professores [...] sou respeitada pelo grupo e sempre que eu tenho alguma dúvida, seja por e-mail, por telefone ou por uma conversa informal no corredor, o grupo me auxilia. Isso é bom.” 53 Para Neves e Silva (2006, p. 72) “o relacionamento sócio-afetivo prazeroso com os alunos e a permanência de uma parte considerável dessas trabalhadoras na docência parecem também estar modulados pelo jogo da escolha da profissão, marcado por um elevado investimento psicoafetivo, [...] dimensão do prazer é facilmente evocada na relação afetiva que estabelecem com os alunos, e no fato de perceberem os resultados de seu trabalho”. Com relação à QV no domínio meio ambiente observou-se uma relação positiva com os aspectos da QVT, apresentando uma correlação de 0,703 com aspecto físico/saúde do trabalho, com o aspecto psicológico do trabalho observou-se uma correlação de 0,698, com o aspecto pessoal do trabalho a correlação foi de 0,605 e, com o aspecto profissional a correlação apresentada foi de 0,711, todos os aspectos apresentando um nível de significância de 0,01. Os quatro aspectos do trabalho apresentaram elevada correlação com o aspecto meio ambiente da QV. Pode-se inferir que os aspectos do trabalho influenciam a QV no domínio meio ambiente destes indivíduos. Ao estratificarem-se os domínios da QVT e correlacionarem ao domínio meio ambiente da QV, verifica-se que do aspecto físico/saúde da QVT, o sentimento de conforto no ambiente de trabalho é a questão que se destaca, com uma correlação de 0,594 (p<0,01), seguido pela questão da satisfação adequada das necessidades fisiológicas básicas (cor=0,522; p<0,01); do aspecto psicológico da QVT, a motivação para trabalhar também é a questão que apresenta maior correlação (r=0,627; p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia a liberdade de expressão no seu trabalho (r=0,576; p<0,01); no domínio pessoal da QVT, a questão que avalia a percepção do docente com relação ao respeito que ele tem dos colegas e superiores, com uma correlação de 0,597 (p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia a qualidade de sua relação com seus superiores e/ou subordinados (r=0,584; p<0,01); já a relação entre o domínio profissional da QVT e o meio ambiente da QV, a questão que se destaca também é a que avalia a liberdade de criar coisas novas no trabalho (r=0,696; p<0,01), seguido pela questão em que o docente avalia a igualdade de tratamento entre os funcionários (r=0,686; p<0,01). O sentimento de conforto no ambiente de trabalho, satisfação adequada das necessidades fisiológicas básicas, a motivação para trabalhar, liberdade de expressão no seu trabalho, relação ao respeito que ele tem dos colegas e superiores, como o docente avalia a qualidade de sua relação com seus superiores e/ou subordinados, avalia a liberdade de criar coisas novas no trabalho, igualdade de tratamento entre os funcionários foram questões que 54 tiveram maior destaque para os sujeitos desta pesquisa. Demonstrando a forte relação entre QV e QVT. Cruz et al (2010) mencionam em seu estudo sobre Saúde Docente, Condições e Carga de trabalho que o professor representa uma parte histórica e significativa da expressão das relações de trabalho, constituindo-se num dos principais modos de construção de processos institucionais no âmbito da educação e da aprendizagem humanas. Necessitando de novos estudos sobre as implicações de trabalho na própria comunidade universitária. 4.5 Relação entre aspectos do Trabalho e Qualidade de Vida Uma variável que pode influenciar a QV e a QVT é o número de empregos que este docente possui. Neste estudo, percebe-se que, apenas um docente possui três empregos ou mais. Dentre os demais docentes estudados, 50% encontra-se com dois empregos, sendo que 40% possuem vínculo com outra IES. Com relação ao número de aulas ministradas pelos docentes, 50% destes (15) ministram 13 aulas ou mais por semana e apenas 03 (10%) encontram se com 2 a 4 aulas por semana. A somatória de número de empregos e elevado número de aulas semanais ministradas por estes docentes poderia trazer uma sobrecarga de trabalho, influenciando negativamente sua QV. No entanto, para a amostra estudada não foi observada correlação entre estas variáveis e os aspectos da QV. A saber: a correlação entre o número de empregos e o domínio físico foi de -0,045, a correlação entre o número de empregos e o domínio psicológico foi de -0,037, entre o número de empregos e o domínio pessoal foi de -0,163 e a correlação com o domínio profissional foi de -0,049. Tão pouco houve, para a amostra estudada, correlação entre estas variáveis, número de empregos e número de aulas semanais, com aspectos da QVT. Lima (2009) afirma que algumas características do trabalho na enfermagem fazem com que o trabalhador venha se distanciando da almejada QVT, dentre elas o autor destaca carga horária elevada de trabalho, a dupla e às vezes tripla jornada laboral e o empenho em seguir a cultura organizacional na busca do lucro, embora estes resultados contraponham-se aos encontrados no presente estudo. Outro fator que pode estar relacionado à sobrecarga de trabalho é a diversidade de conteúdos/disciplinas que o docente muitas vezes assume. No presente estudo, esta condição 55 representa 13,3% dos avaliados e poderia ser outro fator que contribuiria para a sobrecarga de trabalho e, consequentemente, a QV. No entanto, não foi observada uma correlação entre estas variáveis e os aspectos da QV, nem com os aspectos da QVT. Com relação ao regime de trabalho, 14 docentes enfermeiros (46,7%) trabalham no regime parcial, 09 docentes (30%) como horistas e apenas 07 (23,3%) em regime de dedicação integral. A saber: a correlação entre o regime de trabalho e o domínio físico da QV foi de 0,170, a correlação entre o regime de trabalho e o domínio psicológico foi de 0,079, a correlação entre o regime de trabalho e o domínio pessoal foi de 0,347 e a correlação entre o regime de trabalho e o domínio profissional foi de 0,217. No entanto, o regime de trabalho não apresentou qualquer correlação com qualquer aspecto da QV, sem apresentar significância estatística (p>0,05). Não houve qualquer correlação entre estas variáveis e os aspectos da QVT (p>0,05). De acordo com os autores Rocha e Felli (2004), em seu estudo, avaliando a satisfação dos docentes, o regime de trabalho como horista foi predominante, o que dificulta o exercício da profissão, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de pesquisas. Para este grupo, os fatores desgastantes da QVT seriam em maior escala o regime de trabalho, relação teoria/prática, interferência na vida familiar, remuneração e aspectos pedagógicos. Resultados estes que se contrapõem aos encontrados no presente estudo. A tabela 3 apresenta a percepção docente com relação à capacitação pedagógica. Tabela 03: Percepção docente com relação à capacitação pedagógica. Variáveis Coordenadores de curso incentivam os docentes a buscar aprimoramento profissional Sim Não Número de Docentes 28 02 % 93,3 6,7 IES cobra titulação dos docentes Sim 30 100 IES investe em didático-pedagógica capacitação Sim Não 21 09 70 30 IES investe na pós-graduação dos docentes Fonte: elaborada pela autora Sim Não 21 09 70 30 Com relação à cobrança e ao incentivo à capacitação pedagógica dos docentes observou-se que, 93,3% deles referem que os coordenadores de curso incentivam os mesmos 56 a buscarem aprimoramento profissional, 100% mencionaram a cobrança por parte da IES pela titulação docente, este fato pode ser decorrente das exigências do Ministério da Educação (MEC), principalmente quando as Instituições estão em busca do credenciamento ou recredenciamento de curso ou institucional. No entanto, apenas 70% das IES investem na capacitação didático-pedagógica ou na pós-graduação dos docentes. A correlação entre o incentivo dos coordenadores para o aprimoramento profissional e os aspectos da QV não foi significativa (p>0,05). Já para o aspecto pessoal da QVT observouse correlação de -0,398 (p<0,05), não apresentando significância estatística para os demais aspectos da QVT. O que demonstra não influenciar na QV e QVT. A correlação entre o investimento da IES na capacitação didático-pedagógica e os aspectos da QV não foi significativa (p>0,05). A correlação com a QVT também não foi estatisticamente significativa (p>0,05), porém a correlação com o aspecto pessoal da QVT foi de -0,341 e com o aspecto profissional foi de -0,314. A correlação entre o investimento da IES na pós-graduação dos docentes e os aspectos da QV não foi significativa (p>0,05). Já para o aspecto pessoal da QVT observou-se correlação de -0,407 (p<0,05), não apresentando significância estatística para os demais aspectos da QVT, porém, a correlação com o aspecto profissional foi de -0,335. 4.6 Estratégias utilizadas pelos docentes enfermeiros para melhorar sua Qualidade de Vida Dos docentes enfermeiros avaliados, 86,7% (26) acreditam que sua atividade profissional na docência influencia sua QV, e 83,3% (25) acreditam que sua atividade profissional em outra função, que não a docência, influencia sua QV. Quando questionados sobre as estratégias utilizadas para melhorar a sua QV, os docentes enfermeiros destacaram em ordem decrescente: 40% realizam atividades em família; 16,7% realizam atividades que relaxam ou distraiam; 16,7% referem ter fé; 13,3% referem dormir o suficiente; 10,0% referem curtir a própria casa e os bichos; 3,3% referem manter a alimentação saudável. No entanto, as estratégias adotadas pelos docentes enfermeiros não apresentaram correlação com os aspectos da QV, nem com os aspectos da QVT, ambos com p>0,05. Estes resultados estão apresentados na tabela 4. 57 Tabela 04: Estratégias utilizadas pelos docentes para melhorar sua QV. Estratégias Realizar atividades em família Número de Docentes 12 % 40 Realizar atividades que relaxem ou distraiam 05 16,7 Referiram ter fé, e acreditar que as escolhas são nossas e os resultados dependem de nós 05 16,7 Referiram dormir o suficiente 04 13,3 Referiram curtir a própria casa e seus bichos 03 10 Referiu manter alimentação saudável Fonte: elaborada pela autora 01 3,3 No presente estudo, percebe-se que a valorização do ambiente familiar se destaca, reafirmando a percepção positiva sobre o domínio meio ambiente da QV, que obteve o maior escore na avaliação dos docentes enfermeiros. É importante observar que, as pessoas estão priorizando o ambiente, as atividades recreativas e a religiosidade para melhorar sua QV. Estas estratégias são abordadas nos domínios meio ambiente e psicológico da QV, respectivamente. 58 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente estudo, foi possível observar que a satisfação com a QV nos domínios físico, psicológico, das relações sociais e no ambiente encontra-se variando de um nível intermediário de satisfação à satisfação para os enfermeiros docentes da região sul de Minas Gerais. Já com relação ao nível de satisfação com a QVT desta amostra, para os domínios físico/saúde, psicológico e profissional apresentam-se como satisfatório, e para o domínio pessoal da QVT em muito satisfatório. Houve uma correlação entre os quatro aspectos da QV e os quatro da QVT. E, ao estratificarem-se as questões relacionadas ao trabalho destacam-se algumas correlações, a saber: O sono, como questão de destaque do domínio físico/saúde da QVT apresentou correlação com os domínios físico, psicológico e das relações sociais da QV. A motivação, como questão de destaque do domínio psicológico da QVT apresentou correlação com os quatro domínios da QV. A questão que teve destaque do domínio pessoal da QVT foi à relação dos docentes com os superiores e/ou subordinados que apresentou correlação com os domíni meio ambiente. A questão que teve destaque do domínio profissional da QVT foi a igualdade no tratamento entre os funcionários que apresentou correlação com os domínios físico, psicológico e no domínio meio ambiente. O domínio meio ambiente da QV, apresentou correlação com as questões que avaliaram a percepção do conforto no ambiente de trabalho e a liberdade de expressão no trabalho. Para esta amostra, aspectos relacionados com número de empregos, número de aulas e número de disciplinas, e regime de trabalho, não apresentaram correlação com a QV nem com a QVT. Identificou-se que os aspectos relacionados às relações interpessoais no trabalho e liberdade de expressão e criação, apresentaram maior correlação com a QV, ao invés do volume de trabalho, como se pensou inicialmente. A partir da avaliação da QV e sua relação com aspectos da QVT torna-se possível implementar atitudes que visam melhorar as condições gerais que irão interferir na saúde, segurança e satisfação do enfermeiro docente, que poderão contribuir para a promoção da sua 59 QV. Ao concluir-se o presente estudo foi realizada a devolutiva dos resultados da pesquisa para despertar possíveis reflexões sobre o tema nas Instituições participantes. Sugere-se a implementação de programas e ações que norteiem os dirigentes na realização de estratégias para a satisfação geral dos colaboradores como, incentivar e proporcionar eventos e encontros que possam aproximar os docentes e outros profissionais da instituição, visando um bom relacionamento entre os mesmos. Por outro lado, verificou-se que os próprios profissionais percebem a necessidade de buscar recursos para o empoderamento da sua saúde e QV, por meio de hábitos de vida saudável na família ou mesmo no ambiente de trabalho conforme as estratégias identificadas pelos enfermeiros docentes. Estas estratégias podem ser utilizadas por estes enfermeiros em sua rotina de atividades docentes, entre outras, visando promover sua QV. Foi importante reconhecer no presente estudo que, os enfermeiros docentes estão se adaptando satisfatoriamente às diversidades que podem interferir tanto na QV como na QVT. Espera-se que este estudo possa ser replicado em outras áreas da docência ou mesmo profissional, para que haja mais informações a respeito da QV e a sua relação com o trabalho, e que as estratégias que foram identificadas pelos sujeitos desta pesquisa, possam servir de base para tomada de decisão destes participantes e de outros indivíduos. Embora a QV e QVT, sejam termos ainda muito subjetivos, por meio dos instrumentos psicométricos como o WHOQOL-bref e o QWQL-bref, podem ser identificadas e mensuradas para a obtenção e manutenção da promoção das mesmas. 60 6. REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. H; SOARES, C. B. Ensino de educação nos cursos de graduação em enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. Brasília, v. 63, n. 1, p. 11-16, jan-fev, 2010. ASSUNÇÃO, A. Á; OLIVEIRA, D. A. Intensificação do Trabalho e Saúde dos Professores. Educ. Soc., Campinas. v.30, n.107, p.349-372, maio/ago. 2009. Disponível em http://cedes.unicamp.br Acesso em 03 de Outubro de 2011. BARBOSA, G. S. 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Paulo de Almeida Sandeville, 15 (0_19) 3623-3022 www.fae.br [email protected] TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO EM PESQUISAS Curso: Mestrado Acadêmico em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida Título do Projeto: “Qualidade de Vida e a Relação com o Trabalho: percepção do enfermeiro docente” Pesquisadores: Jurema Cristina dos Santos Peres, acadêmica do Mestrado UNIFAE, Enfermeira – especialista em Gestão e Controle de Infecção Hospitalar, docente do curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário da Fundação Educacional GuaxupéUNIFEG Justificativa: Analisando o estilo de vida de alguns docentes enfermeiros que possuem jornada dupla, trabalham em instituição de ensino e na assistência de saúde, sejam como enfermeiros assistenciais, supervisores de unidade, coordenadores do serviço de enfermagem, entre outros aspectos, pode-se pensar que as particularidades no ensino da área da saúde, em especial na Enfermagem acabam influenciando a qualidade de vida destes profissionais. Objetivos: Identificar a percepção dos enfermeiros docentes sobre a sua Qualidade de Vida, sobre a relação desta com o trabalho e sobre possíveis estratégias utilizadas para promoção de sua QV. Objetivos específicos Avaliar a autopercepção da Qualidade de Vida do enfermeiro docente nos domínios: físico, psicológico, das relações sociais e no ambiente; Verificar a relação entre Qualidade de Vida e características do trabalho do docente enfermeiro; Verificar a relação entre a satisfação com o trabalho e a Qualidade de Vida do docente enfermeiro; Identificar as possíveis estratégias utilizadas por docentes enfermeiros para a promoção de sua Qualidade de Vida. Procedimentos: Cada enfermeiro que concordar em participar voluntariamente deverá preencher o consentimento formal de participação voluntária - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido no dia da reunião. Na sequência, responderá a um questionário de Qualidade de Vida – WHOQOL-bref, a uma ficha de coleta de caracterização dos participantes e a um questionário de avaliação da qualidade de vida no trabalho – QWLQ – bref. 67 Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino FAE, no dia 20 de Março de 2012, sob o número do protocolo 0032012. Este TERMO, em duas vias, é para certificar que eu, __________________________________________________________, concordo em participar na qualidade de voluntário do projeto científico acima mencionado. Estou ciente de que será mantido sigilo e privacidade quanto ao meu nome durante a pesquisa e após o término os resultados serão divulgados (apresentação em encontros científicos e publicação em revistas especializadas), porém sem que meu nome apareça associado à pesquisa. Estou ciente de que não haverá riscos para minha saúde resultantes da participação na pesquisa. Estou ciente de que sou livre para recusar e retirar meu consentimento, encerrando a minha participação a qualquer tempo sem penalidades e sem prejuízos aos atendimentos e tratamentos que recebo. Estou ciente de que não haverá formas de ressarcimento ou de indenização. Por fim, sei que terei a oportunidade para perguntar sobre qualquer questão que eu desejar, e que todas deverão ser respondidas a meu contento. Qualquer dúvida ou necessidade de esclarecimentos, poderei entrar em contato com a pesquisadora no telefone (035) 3551.3161. Email: [email protected] Pesquisador: Jurema Cristina dos Santos Peres Participante ou responsável: Testemunha Local:________________________ Data:________/___________/__________. 68 APÊNDICE B Ficha de Caracterização dos participantes: 1) Gênero: 1. Feminino 2) Estado civil: 2. Masculino 1. solteiro 2. casado 3) Nº de Filhos: 2. um 3. dois 4. três ou mais anos completos 5) Graduado em enfermagem há quanto tempo: 1. menor que 1 ano 2. 1 a 3 anos 3. 3 a 6 anos 4. 6 a 9 anos 6. 12 a 15 anos 7. acima de 15 anos 5.1) Graduado em outros cursos: 1. Sim 2. Não Quais?__________________________________ 6) Tempo de experiência na docência: 1. 2 a 4 anos 2. 4 a 6 anos 7) Número de empregos 1. 1 5. divorciado 1. nenhum 4) Idade: 3. viúvo 4. desquitado ou separado (judicialmente) 2. 2 3. 6 a 8 anos 4. acima de 8 anos 3. 3 ou mais 5. 9 a 12 anos 69 8) Regime de trabalho na instituição em que serão colhidos os dados: 1. horista 2. parcial 3. integral 8.1) Regime de trabalho em outra instituição, se trabalha em mais de uma: 1. horista 2. parcial 3. integral 9) Número de aulas semanais ministradas na instituição em que será colhido os dados: 1. 2 a 4 2. 5 a 8 3. 9 a 12 4. 13 ou mais 9.1) Número de aulas semanais ministradas no total, quando em mais de uma instituição: 1. 2 a 4 2. 5 a 8 3. 9 a 12 4. 13 ou mais 10) Número de disciplinas ministradas na instituição em que será colhido os dados 1. 1 2. 2 3. 3 ou mais 10.1) Número de disciplinas ministradas no total, quando em mais de uma instituição; 1. 1 2. 2 3. 3 ou mais 11) As Disciplinas que você ministra estão relacionadas à sua especialização na instituição em que serão colhidos os dados 1. Sim 2. Não 11.1) As Disciplinas que você ministra estão relacionadas à sua especialização no total quando em mais de uma instituição 1. Sim 2. Não 12) Você ministra aula em outros cursos na instituição em que serão colhidos os dados? 1. Sim 2. Não Qual?__________________________________ 12.1) Você ministra aula em outros cursos no total quando em mais de uma instituição. 1. Sim 2. Não Qual?__________________________________ 70 13) Quanto à forma de gestão do coordenador do curso, da instituição em que serão colhidos os dados ,responda: 1. ( ) incentiva a busca por aprimoramento profissional. 2. ( ) não incentiva, além de impedir o aperfeiçoamento. 14) A Instituição de Ensino onde serão colhidos os dados investe na capacitação didático- pedagógica? 1. Sim 15) 2. Não A Instituição de Ensino onde serão colhidos os dados cobra titulação dos docentes? 1. Sim 2. Não 16) A Instituição de Ensino onde serão colhidos os dados investe na pós-graduação dos docentes? 1.Sim 2. Não 17) Em sua opinião, sua atividade profissional na docência, influencia sua Qualidade de Vida? 1. Sim 2. Não Justifique a sua resposta: ____________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 17.1) Em sua opinião, sua atividade profissional em outra função, influencia sua Qualidade de Vida? 1. Sim 2. Não Justifique a sua resposta: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 71 18) Ordene somente as estratégias que você utiliza para melhorar a sua Qualidade de Vida. ( ) Realizar atividades em família ( ) Curtir minha casa, meus bichos. ( ) Realizar atividades que relaxem ou distraiam ( ) Descansar nos finais de semana ( ) Manter alimentação saudável ( ) Praticar atividade física ( ) Dormir o suficiente ( ) Passear ( ) Praticar um Hobby preferido ( ) Freqüentar a igreja ( ) Ter fé, e acreditar que as escolhas são nossas e os resultados dependem de nós ( ) Morar em contato com a natureza ( ) Planejar e distribuir as tarefas em um cronograma pessoal ( ) No trabalho, manter um bom relacionamento interpessoal com alunos e outros profissionais ( ( ) Concentrar as atividades de trabalho no ambiente de trabalho ) Outros. Especificar:__________________________________________ Fonte: Elaborado pela autora. 72 APÊNDICE C O cálculo dos domínios do QWLQ-bref seguiu as seguintes expressões: Domínio Físico/Saúde Q 4 6 Q 8 Q 17 Q 19 4 x 4 4 x 100 16 Domínio Psicológico Q 2 Q 5 Q 9 3 x 4 4 x 100 16 Domínio Pessoal Q 6 Q 10 Q 11 Q 15 4 x 4 4 x 100 16 Domínio Profissional Q 1 Q 3 Q 7 Q 12 Q 13 Q 14 Q 16 Q 18 Q 20 9 x 4 4 x 100 16 Onde cada Q corresponde ao valor atribuído à questão com numeração correspondente. Por exemplo: Q1 corresponde ao valor atribuído à questão de número 1 do questionário QWLQ-bref. 73 ANEXOS 74 75 ANEXO II: Instrumentos utilizados no Estudo Piloto ANEXO II-A: Ficha de Coleta de Dados Dados de Categorização: 2) Sexo: 1. Feminino 2. Masculino 2) Estado civil: 1. solteiro 2. casado 3. viúvo 4. desquitado ou separado (judicialmente) 5. divorciado 3) Nº de Filhos: 1. nenhum 4) Idade: 2. um 3. dois 4. três ou mais anos completos 5) Graduado há quanto tempo: 1. menor que 1 ano 2. 1 a 3 anos 3. 3 a 6 anos 4. 6 a 9 anos 15 anos 7. acima de 15 anos 6) Tempo de experiência na docência: 1. 2 a 4 anos 2. 4 a 6 anos 3. 6 a 8 anos 4. acima de 8 anos 5. 9 a 12 anos 6. 12 a 76 7) Regime de trabalho: 1. horista 8) 2. parcial Número de empregos 1. 1 2. 2 3. integral 3. 3 ou mais 9) Número de aulas semanais ministradas 1. 2 a 4 2. 5 a 8 3. 9 a 12 4. 13 ou mais 10) Número de disciplinas ministradas 1. 1 2. 2 3. 3 ou mais 11)A Disciplina que você ministra está relacionada à sua especialização? 1. Sim 2. Não 12) Você ministra aula em outros cursos? 1. Sim 13) 2. Não Qual?__________________________________ Quanto à forma de gestão do coordenador do curso, responda: 1. ( ) incentiva a busca por aprimoramento profissional. 2. ( ) não incentiva, além de engessar o aperfeiçoamento. 3. ( ) é centralizador e tudo tem que ser do seu jeito. 4. ( ) trabalha com gestão compartilhada 77 14) A Instituição de Ensino investe na capacitação didático-pedagógica? 1. Sim 15) 2. Não A Instituição de Ensino investe no aperfeiçoamento profissional dos docentes? 1. Sim 2. Não 16) Em sua opinião, sua atividade profissional seja na docência ou em outra função, influencia sua qualidade de vida? 1. Sim 2. Não Justifique a sua resposta: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________ 17) Qual ou quais estratégias você utiliza para melhorar a sua Qualidade de Vida? __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ______ 78 ANEXO II-B: ESCALA DE PERCEPÇÃO DOS INDIVÍDUOS QUANTO À QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO Atribua notas de 0 a 10 nos aspectos relacionados a seguir, considerando sempre sua opinião sobre o grau de satisfação dos seguintes indicadores: Lembre-se que a nota 0 representa “totalmente insatisfeito” e a nota 10 “totalmente satisfeito” Compensação justa e adequada Salário e remuneração Jornada de trabalho Condições de trabalho Ambiente físico Salubridade e conforto ambiental Uso e desenvolvimento de capacidades Autonomia no trabalho Estimo (ser querido no trabalho) Capacitação múltipla Informações sobre o trabalho Oportunidade de crescimento e segurança Carreira Desenvolvimento pessoal Estabilidade no emprego Integração social na organização Ausência de preconceito Habilidade social Valores comunitários Cidadania Direitos garantidos Privacidade na vida pessoa 79 Imparcialidade Trabalho e espaço total de vida Liberdade de expressão Vida pessoal preservada Horários previsíveis Relevância social do trabalho Imagem da empresa junto à sociedade de classificação Responsabilidade social da empresa Total de pontos: _________ Fonte: Adaptado por RODIGRUES, A. L. e LIMONGI-FRANÇA , A.C. (2005, P.172-173) de WALTON, R.E. In: DAVIS, L.E. e CHERNS, A.B. The quality of working life. New York: Freee Press, 1975. citado por (RUIZ, 2010). 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90