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A Psicanálise como
Obra Aberta
Psychoanalysis as an
Open Work
RESUMO – Este artigo traz algumas reflexões acerca da contemporaneidade da teoria
e da prática psicanalíticas. Para tanto, são utilizados alguns dispositivos conceituais e
teóricos advindos da psicoterapia institucional. Esses dispositivos, que posteriormente foram traduzidos, incorporados e ampliados ao institucionalismo, trouxeram
contribuições importantes às rupturas já produzidas pela psicanálise. Tomando-se
como referência a idéia de descentramento do sujeito produzido pela teoria freudiana, a própria noção de sujeito do inconsciente e a primazia da palavra no trabalho
psicanalítico, pretende-se esboçar elementos que ofereçam condições de se continuar
problematizando o alcance, os avanços e as estagnações da obra freudiana. Ao percorrer-se algumas brechas do universo psicanalítico, é possível apropriar-se das críticas e das contribuições necessárias para que se possa continuar pensando e praticando a psicanálise de forma crítica.
Palavras-chave: psicanálise – inconsciente – subjetividade – institucionalismo.
ABSTRACT – This article brings some reflections to bear upon the current relevance of psychoanalytic theory and practice, using concepts and theories derived from
institutional psychotherapy. These concepts, originally developed under the rubric
of institutionalism, led to both important contributions and ruptures within
psychoanalysis. Taking as references the idea of the decentralization of the subject
as proposed by Freudian theory, concepts of the unconscious subject, and the importance of the word in clinical practice, the goal of this paper is to draft elements
which will facilitate our continued questioning into the achievements, advancements, and stagnations of Freudian work. By bridging some of the gaps in the
psychoanalytic universe, it is possible to incorporate the necessary criticisms and
contributions, enabling us to continue thinking about and practicing psychoanalysis in a critical fashion.
Keywords: psychoanalysis – unconscious – subjectivity – institutionalism.
impulso 111 nº26
MAURÍCIO LOURENÇÃO GARCIA
Mestre (PUC-SP) e doutorando
em Psicologia Clínica (PUC-SP).
Docente da Faculdade
de Psicologia da UNIMEP.
[email protected]
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E
INTRODUÇÃO
ste artigo procura refletir sobre algumas questões da psicanálise, tomando como referência as indagações geralmente
empreendidas ao se buscar uma reavaliação do percurso
freudiano. O interesse por esse tipo de questionamento – que tenta potencializar as brechas do pensamento psicanalítico até forçá-lo a ser revisto na contemporaneidade – parece ser uma potência da própria psicanálise, na medida em que não cessa de ser revisitada. A questão dos
desafios teóricos e/ou clínicos que se colocam hoje em dia – ou ainda
hoje em dia – à psicanálise remete-me a uma afirmação de André Green, por ocasião de uma conferência proferida no Rio de Janeiro. Ele
inicia dizendo: “Se me perguntassem (...) o que há de novo na psicanálise, eu lhes responderia: Freud”.1 Trata-se da possibilidade, sempre
em aberto, que a obra de Freud oferece de se fazer trabalhar o discurso
psicanalítico.
Lembremos os numerosos textos em que Freud retoma as bases
de sua doutrina para ressaltar os seus aspectos essenciais, como fez, por
exemplo, no seu último escrito, em 1938, “Esboço de psicanálise”.2 O
que ocorreu então? Ao escrevê-lo, Freud inventou ainda novos conceitos, mostrando aos seus leitores que a volta aos fundamentos comporta muitas vezes a gestação inesperada do novo, que o ensino se
transforma em pesquisa e o saber antigo, em verdade nova.
O conceito de inconsciente está completando um século de existência. Não é uma idade excessivamente avançada para um conceito,
embora cem anos não sejam pouco tempo: mostram que o conceito
sobreviveu e que essa sobrevivência está indissociavelmente ligada à
sobrevivência da teoria à qual pertence, em que pese as transformações
sofridas por ele, conceito, ou por ela, teoria. Já foi dito que os verdadeiros conceitos trazem a assinatura do seu autor;3 e poucos são aqueles que portam uma assinatura tão nítida quanto o conceito de inconsciente de Freud.
Por não serem puras abstrações formais produzidas artificialmente, por responderem a problemas reais, os conceitos estão sujeitos a
transformações e mutações, a renovações, que caracterizam a história
do saber. Houve uma sensível mudança no conceito de inconsciente,
como historicamente introduzido por Freud em 1900, no capítulo VII
de A Interpretação dos Sonhos,4 até os textos finais da chamada “se1
2
3
4
GREEN, 1990, p. 13.
FREUD, 1981b, tomo III.
DELEUZE & GUATTARI, 1992, p. 16.
FREUD, 1981b, tomo I.
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gunda tópica”. O modo como ele é pensado atualmente, após as
contribuições da lingüística, da lógica e da etnologia, sobretudo a partir da leitura feita da obra de Freud por Jacques Lacan, também nos
mostra visíveis modificações.
E, de qualquer forma, um século passou e os processos de indagações continuam a ser empreendidos em múltiplas direções, fundamentalmente naquelas colocadas a partir dos momentos de rupturas
decisivas na psicanálise teórica e institucional, nos levando a uma reavaliação do percurso freudiano.
Numa outra perspectiva, essa potência da obra freudiana dá-se
também pelo fato de que, segundo Rolnik,
(...) a vocação mesma do dispositivo psicanalítico é (...)
a de constituir condições de escuta das diferenças que
se produzem no tempo, cujo surgimento desestabiliza
as coordenadas vigentes do pensamento e da existência, o que se faz sentir na subjetividade através de um
mal-estar.5
Partindo-se dessas perspectivas, torna-se atribuição necessária
dos que pretendem continuar veiculando a teoria inaugurada por
Freud, situar a psicanálise no terreno histórico-conceitual em que ela
emerge. Essa tarefa exige um mapeamento das condições em que a
psicanálise surge e das peculiaridades que reivindica. Em outras palavras, significa entender em que medida a psicanálise está implicada no
seu tempo e o quanto ela significa ruptura, descontinuidade, inovação.
A abrangência de uma abordagem como essa é evidente. No presente artigo, o que se pretende é fazer um recorte, percorrer um fio
desse vasto tecido de questões. Para tanto, serão abordados alguns aspectos do chamado descentramento do sujeito produzido pela psicanálise, tomando para tanto algumas considerações acerca do conceito
de inconsciente na obra freudiana, a primazia da palavra no dispositivo psicanalítico e as contribuições do institucionalismo que, através
da corrente esquizoanalítica, oferece elementos para se ampliar o campo da subjetividade.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A REVOLUÇÃO NA
CONCEPÇÃO DE HOMEM PRODUZIDA PELA PSICANÁLISE
Se admitimos que a psicanálise envolve idéias, instituições, práticas e agentes que existem e se movimentam num mundo atravessado
5
ROLNIK, 1994, p. 1.
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por complexas redes de determinação, não podemos nos furtar a acolher a crítica externa, a pensar sua pertinência e a fazê-la render em
nosso proveito tanto quanto possível.
Uma das proposições polêmicas com as quais a psicanálise vem
se defrontando é aquela que a descreve como uma das técnicas de análise do psiquismo tributárias da formação do “homo psychologicus”
moderno. Nascida no momento de consolidação do individualismo
como ideologia hegemônica no Ocidente, ela seria a versão mais sofisticada das práticas que, durante séculos, foram moldando certa experiência subjetiva compartilhada pelos sujeitos humanos. Essa experiência se funda numa consciência de si enquanto universo único, dotado de uma dimensão interior insondável e articulada por uma imbricação entre subjetividade, sexualidade e verdade interior.
Conseqüência desse formidável processo de construção do homem
moderno, a psicanálise, vista por esse prisma, estaria longe de ser a
inovação surpreendente, a peste subversiva.6
Retirado o brilho de uma originalidade indevidamente reivindicada, restaria a ela apenas o papel da prática sofisticada de auto-exame, técnica de autoconhecimento que afirma e corrobora certa modalidade histórica de viver a subjetividade.
Para discutir a validade dessa proposição, seria necessário, primeiramente, retomar a perspectiva histórica e acompanhar a construção da concepção de homem que se tornou característica nas sociedades ocidentais modernas. O tema é evidentemente extensíssimo e por
razões óbvias não me debruçarei sobre ele.
Salientarei, outrossim, o aspecto da noção de sujeito da psicanálise, que nos remete imediatamente ao pensamento cartesiano. Como
observa Garcia-Roza,
Desde Descartes, a representação é o lugar da morada
da verdade, sendo o problema central o de saber se
chegamos a ela pela via da razão ou pela via da experiência. Racionalistas e empiristas diferem sobretudo
quanto ao caminho a tomar, mas ambos já sabem
onde querem ir: ao reino da verdade, da universalidade, da identidade.7
Com essa afirmação, o autor segue argumentando ser assim que
a filosofia moderna constrói uma subjetividade-representação no inte6 Alusão à psicanálise como uma das três “feridas narcísicas”, imagem criada por Freud, às quais associa os
efeitos de sua teoria àqueles produzidos pelas idéias de Copérnico e de Darwin.
7 GARCIA-ROZA, 1991, p. 9.
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rior da qual mantém as mesmas exigências e os mesmos objetivos do
discurso platônico.
Uma das questões internas a esse modo de pensar do platonismo
é a ênfase na subjetividade, embora sua emergência só tenha se dado
com Descartes, no século XVII. Foi esse filósofo que formulou a noção
de sujeito contida no racionalismo, que supõe um agente pensante segundo uma razão consciente, ou seja, o cogito.
Se a psicanálise produziu uma derrubada da razão e da consciência do lugar sagrado em que se encontravam – ao fazer da consciência
um mero efeito de superfície do inconsciente –, podemos afirmar que
Freud operou uma inversão do cartesianismo que dificilmente pode ser
negada.
Cabe-nos, no entanto, concordar com a afirmação de Garcia-Roza:
(...) depois de tanto tempo e de tanta revolução prometida, aprendemos a ser cautelosos. Em primeiro lugar, aprendemos que inversão não é diferença; em segundo lugar, aprendemos também que revolução não
é guerra. Enquanto a primeira é disfarçadamente cartesiana, implicando promessas, planos, programas e
realizações futuras, a guerra é realmente produtora de
ruptura.8
Epistemologicamente – tal qual nos mostrou Foucault –, a psicanálise não se encontra em continuidade com saber algum, apesar de
arqueologicamente estar ligada a todo um conjunto de saberes sobre
o homem. Produz um jeito de entender a subjetividade, não mais identificada com a consciência e a racionalidade, mas como uma realidade
dividida em dois grandes sistemas e dominada por uma luta interna
em relação à qual a razão é apenas um efeito de superfície.
Diante do saber dos séculos XVII e XVIII, a psicanálise se apresenta
como uma teoria e uma prática que pretendem falar do homem enquanto ser singular.9
A mudança significativa operada pela psicanálise foi o descentramento do sujeito. É o sujeito do conhecimento que a psicanálise vai
desqualificar como referencial privilegiado a partir do qual a verdade
aparece. Melhor dizendo: a psicanálise não vai pôr em questão qual
seria o sujeito da verdade; pelo contrário, questionará sobre a verdade
8
GARCIA-ROZA, 1991, p. 20.
Assim é que, por exemplo, na história da psiquiatria, se no fim do século XVIII Pinel desacorrenta o corpo
dos loucos, no começo do século XX, Freud desacorrenta seu discurso.
9
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de cada sujeito. Irá perguntar exatamente por esse sujeito do desejo
que o racionalismo recusou.
Mas esse mesmo descentramento, que marca um importante
passo dado na direção de se constituir como uma outra teoria da subjetividade, convoca a outras questões igualmente reveladoras e instigantes. Mesmo surgindo como opositora à soberania da razão, a psicanálise, diversas vezes, deixa-se levar por um desvio iluminista: colocando-se como a criação última e definitiva sobre a subjetividade, pretende ser a teoria que detém e esgota tudo o que possa ser dito a
respeito do sujeito.
FREUD: OBSERVAÇÕES SOBRE O INCONSCIENTE
E A CONSTITUIÇÃO DAS INSTÂNCIAS PSÍQUICAS
Uma das contribuições fundamentais da psicanálise foi demonstrar que o ser humano se constitui como ser psíquico numa relação interpessoal. No texto “Projeto para uma psicologia científica”,10 escrito
em 1895, mas só publicado postumamente, já encontramos Freud
atento a essa questão, ao enfatizar as conseqüências psíquicas decorrentes do estado de desamparo da criança. Com isso ele pretende demonstrar que para a supressão da tensão provinda do interior do organismo (p. ex., a fome) é necessária uma ação específica no mundo
externo. Observa que a criança não é capaz de executá-la, dependendo
para isso da assistência alheia. Quando o adulto efetua a ação específica no mundo externo (p. ex., fornecendo-lhe o alimento), a criança
pode ter uma vivência de satisfação. Essa experiência estabelece o registro de toda uma seqüência de eventos, iniciada no estado de necessidade e que se finda com a gratificação propiciada pelo objeto; ela dá
origem ao desejo e ao lugar privilegiado que nele tem o objeto.
A relação interpessoal, como elemento fundamental na constituição do sujeito, aparece em várias outras concepções de Freud. Para
relembrar, basta lembrar complexo de Édipo e seu papel na estruturação da personalidade e na orientação do desejo, bem como a gênese
do ego e do superego, que a partir dos trabalhos de 1914/15 são concebidos como resultantes das identificações.
Freud percebeu, através do estudo dos sonhos, dos sintomas e
dos atos falhos, que o fenômeno psíquico não poderia ser identificado
exclusivamente por sua existência consciente. Descobre a eficácia do
inconsciente e organiza a primeira tópica, definindo o aparelho psíquico como formado por dois grandes sistemas, ou instâncias. Mas
10
FREUD, 1981a, tomo I.
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identifica que o inconsciente tem outras implicações, além disso, para
a pessoa, o que se passa é desconhecido. Refere-se a um tipo de funcionamento mental, sobre o qual, em seu texto de 1915 (“O inconsciente”11), afirma: nos processos mentais pertencentes ao sistema inconsciente, encontramos as características de falta de contradição, o
processo primário, a independência do tempo e a substituição da realidade exterior pela psíquica; essa última, regulada exclusivamente pelo
“princípio do prazer”.
No quadro da segunda tópica, as características do sistema inconsciente são atribuídas ao id, embora também reconheça no ego e
no superego uma origem e uma parte inconscientes. O id é concebido
como pólo pulsional. Ao procurar explicar a gênese do ego, Freud oscila: de um lado, toma-o como diferenciação adaptativa, a partir do id,
por influência da realidade externa; de outro, como produto das identificações. Nesse caso, com a introjeção do objeto na realidade, toda
uma relação é interiorizada. Para o desenvolvimento desse ponto, vejamos “Luto e Melancolia” (1915).12 Nesse texto, também o superego, parte clivada do ego, é personificado e se opõe ao ego, julgandoo, criticando-o, aprovando-o, ou seja, tomando-o como objeto.
Essas breves considerações acerca de alguns aspectos da metapsicologia freudiana indicam-nos um caminho para perceber características claras da prática freudiana na clínica psicanalítica: o próprio de
uma prática freudiana é pensar que a verdade do sujeito, a sua verdade
inconsciente, é suscetível de ser convertida em um saber, e que esse saber pode ser evidentemente formulado e devolvido ao sujeito, que não
sabia ou que sabia sem saber. O essencial é a idéia de que a verdade
possa vir a ser um saber (ou o saber que já era). É certo que essas questões em Freud são bem mais complexas do que isso; é certo também
que, a partir dos escritos sobre a técnica, Freud volta sobre essa questão e sua prática muda: torna-se mais silenciosa e ele pára de comunicar aos pacientes o saber psicanalítico.
A partir desse ponto de vista, existe uma oposição da prática
freudiana com a prática lacaniana, pois esta última parte justamente do
contrário: separar verdade e saber, por a verdade não ser suscetível de
transformar-se em um saber. Não parar de tentar transformar-se em
um saber é um efeito da neurose, na medida em que a constituição edípica, então neurótica do sujeito, implica ele apostar num pai como sujeito de um saber. A idéia mesma de que a sua verdade possa ser um
11
12
FREUD, 1981a, tomo II.
Idem, 1981b, tomo II.
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saber é uma idéia sustentada pela função paterna. Trata-se de um ponto extremamente importante, pois se a prática freudiana é fundada
nessa idéia – que a verdade pode converter-se num saber – isso nos explica a constatação decepcionada de Freud ao fim de sua vida, quando
no texto “Análise terminável e interminável”,13 de 1937, ele constata
que a psicanálise, de certa forma, irremediavelmente, não consegue levar um sujeito além da confrontação com a “rocha da castração”. É
dessa concepção que surge a aposta lacaniana a partir dos anos 60,
quando Lacan começa a pensar um além da rocha da castração, que
separe as noções de verdade e de saber. Por que tal necessidade? Se na
prática é sustentada a idéia de a verdade poder se converter num saber,
a prática analítica só pode fortalecer a função paterna que justifica a
suposição de a verdade ser um saber passível de ser conhecido.
A PRIMAZIA DA PALAVRA
Constituindo parte do material que um analisando apresenta
para ser analisado, encontramos alguns elementos privilegiados, como
sonhos, atos falhos, lapsos de memória, entre outros. Esses fenômenos
designam o que a psicanálise classicamente concebeu como derivados
do inconsciente ou formações do inconsciente. São fenômenos resultantes de uma combinação, da articulação de uma transição/transação
entre as instâncias do id, do ego e do superego. Em psicanálise esses
efeitos têm por característica, pelo menos fenomênica ou técnica, exprimir exclusivamente a problemática de um indivíduo, manifestá-la,
denunciá-la. Na aparência desses fenômenos, na materialidade
fenomênica, privilegiam-se, fundamentalmente, os efeitos verbais.
Sem querer adentrar no mérito das várias interpretações e definições que se fazem da linguagem e de sua importância na clínica psicanalítica, salientarei apenas que essa ênfase ao verbal está referida à
idéia de que as relações da psicanálise com a linguagem e o discurso
são fundamentais. Tendo em vista que a fala constitui a matéria-prima
da experiência psicanalítica, não se pode representar o ato psicanalítico na exterioridade do campo do discurso. Tais relações, no entanto,
são múltiplas e implicam diferentes ordens de problemas, já que não
se trata apenas de constatar o óbvio – isto é, que o processo analítico
se realiza pelo discurso –, mas também de indagar sobre o modo de se
ordenar a estrutura do psiquismo para que o ato psicanalítico fundado
na palavra seja uma experiência possível.
13
FREUD, 1981a, tomo III.
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A psicanálise, como uma experiência entre alguém que fala e um
outro que escuta, constitui um espaço intersubjetivo fundado na transferência, na qual a linguagem é a condição de possibilidade, pois funda
a regra fundamental dessa experiência. O espaço analítico é constituído
por um eixo básico que se funda na oposição entre crença e verdade,
pois, se existe a exigência da livre associação sem censura para a figura
do analisando, é para que ele possa enunciar verdades sobre o seu desejo que lhe surpreendam, já que estão além de suas crenças.
A atenção flutuante, porém, é a contrapartida disso no lugar do
analista, pois a exigência de deslizamento pela escuta impossibilita que
este se fixe num sistema de crenças, teórico ou pessoal, que seria um
obstáculo epistemológico para que a verdade singular do analisando
pudesse se articular pela escuta na cena analítica.
Depois dos trabalhos de Lacan, a importância da linguagem na
reinterpretação de noções como inconsciente, sujeito, desejo, sexualidade e outros tornou-se evidente. Relendo Freud de maneira original,
Lacan mostrou como a psicanálise pode ser bem mais interessante
quando dispensa o velho equipamento cientificista e positivista de produção de teorias. Após essa releitura, a interpretação, a técnica, a clínica e o próprio processo psicanalítico passaram a ser vistos de modo
radicalmente diverso.14
Como observa Naffah Neto, na psicanálise francesa vamos encontrar exemplos de como a noção de significante funciona como
princípio transcendente, herança da tradição platônica.
Digo princípio transcendente porque, na medida em
que é posto como inconsciente, ele será em si mesmo
até mais inacessível do que a Idéia platônica: não será
nem mesmo evocável; funcionará na sua inacessibilidade, simplesmente como princípio ordenador e doador
de sentido. É o caso, por exemplo, do papel outorgado
ao significante falo em certas formulações lacanianas.15
Percorrendo o pensamento nietzscheano, Naffah Neto nos adverte para “o quanto há de enganoso na crença de que os signos verbais possam dar conta de qualquer realidade”.16 Nessa perspectiva, a
14
Retomadas de um outro ponto de vista, mas ainda como produto da virada lingüística em psicanálise, a
questão da linguagem é abordada por Jurandir Freire Costa e outros, naquilo que denominam de pragmática da linguagem. À luz da pragmática, criticam temas como a “concepção representacional da linguagem,
a imagem realista-essencialista da mente ou do psiquismo, a idéia de uma substância universal e a história
do sujeito”. Partem da idéia de que a linguagem nada mais é do que uma habilidade particular dos organismos humanos, desenvolvida na interação com o ambiente. Cf. FREIRE COSTA et al., 1995.
15 NAFFAH NETO, 1991, pp. 17-18.
16 Ibid., p. 22.
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linguagem só se presta à comunicação de objetos socializados, enquanto palavras úteis nas relações sociais. Vista por esse ângulo, à linguagem liga-se a consciência.17
Mas o que nos interessa de imediato é a relação existente entre
a análise do material inconsciente e a linguagem. Ao recorrer a Nietzsche, através de algumas leituras de Naffah Neto, o faço somente
para evidenciar que, embora no quadro do pensamento nietzscheano
o inconsciente enquanto conceito não exista, ele seria justamente essa
região que não se expressa em palavras, o domínio que escapa à linguagem, domínio, pois, do indizível.
Apoiado no conceito de inconsciente primordial, Naffah Neto
nos dirá que esse
(...) será, pois, a experiência do devir, como um sim,
um deixar-se inicial, antes que a linguagem ordinária e
a consciência abstraiam e fixem os fluxos em representações e as recalquem, formando um sistema secundário. Será, após isso, a indivisão do sentir que subsiste,
num domínio marginal às representações da consciência. Buscar contato com esse domínio não implica, entretanto, um trabalho de desvelar o oculto. O psicanalista que se ocupa dessa tarefa detetivesca não sai do
domínio da consciência, das suas representações, dos
seus códigos morais; (...) Há um inconsciente (...) que
designa antes aquelas dimensões do sentir que resistem
aos processos de representação, que não cabem nos
códigos, que permanecem marginais a eles (...) [Esse
inconsciente] designa um universo indizível e invisível,
marginal à consciência (...), porque é fluxo, devir sem
forma ou representação definida, campo de forças
móveis e vibráteis.18
Essa forma de abordar o inconsciente, desgrudado das amarras
do significante, produz, necessariamente, muitas ressonâncias na clínica. Na medida em que todos os demais analisadores – que na prática
clínica habitual ficam rechaçados – possam porventura instaurar-se, o
17 Reproduzo aqui a citação que Naffah Neto faz de Nietzsche: “O homem como toda criatura viva, pensa
sem cessar, mas o ignora; o pensamento que torna consciente é somente a ínfima parte, digamos: o mais
superficial, o mais medíocre: pois somente esse pensamento consciente se produz em palavras, quer dizer
em signos de comunicação pelos quais se revela, por si mesma, a origem da consciência. Em suma, o desenvolvimento da linguagem e o desenvolvimento da consciência (mas não da razão) caminham lado a lado.
(...) A consciência, em geral, só pôde se desenvolver sob a pressão da necessidade de comunicação – desde o
começo, era somente nas relações de homem a homem, particularmente entre o que comanda e o que obedece, que a consciência era necessária, útil, e foi em função do grau dessa utilidade que ela chegou a se
desenvolver.” Cf. NAFFAH NETO, op. cit, p. 25.
18 Ibid., pp. 33-34.
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“material selvagem” apresentado pelo analisando desencadeia um processo gerador da diferença, da invenção, da criação, avesso a uma determinada forma instituída, historicamente localizada.
REPENSANDO A SUBJETIVIDADE:
ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES DO INSTITUCIONALISMO
Nos itens anteriores, foram abordados de forma sintética alguns
elementos que compõem o tecido da teoria e da prática psicanalítica.
Para que seja possível conduzir o texto a uma ampliação das questões
inerentes ao saber psicanalítico, vai-se apontar aqui de que forma o
institucionalismo oferece elementos preciosos para potencializar a psicanálise como uma obra aberta. Essa opção dá-se pelo fato de que o
institucionalismo é movido pela vontade de produzir novos problemas, pela necessidade de criação; sendo originalmente um dispositivo
de desnaturalização e de desarticulação das totalizações instituídas e reconhecidas, o institucionalismo dedica-se a fazer uma genealogia das
formas históricas de produção, para expor manifestamente os poderes
que estas envolvem, ao invés de orientar-se por uma visão epistemológica, ou seja, por critérios de verdade, sejam estes revelados, especulativos ou experimentais.
O institucionalismo pode ser considerado um conjunto aberto e
internamente diversificado de correntes que mostram certos valores
em comum, assim como marcadas diferenças. Trata-se de um universo
não totalizável, sem limites precisos, que compreende inúmeros saberes e fazeres que tomam por objetivo os coletivos sociais no que se referem à lógicas que os regem, às subjetividades que produzem e/ou reproduzem, às formas concretas em que estas se materializam, às finalidades que perseguem, assim como aos expedientes que se dão para
obtê-las.19
Muito sumariamente mencionada, a gênese social mais circunscrita do institucionalismo fala de uma passagem que ocorreu no campo
da saúde mental no início da década de 40: o impacto recebido pela
psiquiatria tradicional, positivista e classificatória, proveniente sobretudo da psicanálise, da pedagogia libertária e da antipsiquiatria. A partir
daí houve um questionamento de todos os aparatos da psiquiatria e
apareceram tentativas de operar eficiência terapêutica, utilizando as
próprias organizações da psiquiatria; deu-se o questionamento da ins19
Baseado no ideário da análise institucional, desenvolvi em minha dissertação de mestrado o conceito de
clínica ampliada, clínica essa comprometida com a crítica, construção e produção de uma subjetividade
heterogenética, aliançada com a escuta daquilo que propicia a criação e potencializa os processos de transformação do cotidiano. Cf. GARCIA, 1996.
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tituição psiquiátrica e a utilização dos hospitais como instrumento de
ressocialização e cura. O objetivo primordial naquele momento de
questionamento era transformar o hospital, que funcionava como uma
organização carcerária, e convertê-lo em um instrumento terapêutico.
Era preciso reorganizar a vida hospitalar de modo tal que se pudesse
formar aí dispositivos institucionais que favorecessem a desalienação.
Algumas práticas detonaram esse movimento de mudança do
hospital psiquiátrico, denominado, em 1952, psicoterapia institucional. Teoricamente a psicoterapia institucional recolhe, de maneira bastante eclética, contribuições do marxismo, do existencialismo, da fenomenologia etc. Um momento decisivo, no que diz respeito aos novos caminhos da psicoterapia institucional, é a sua relação com a psicanálise, cuja contribuição opera deslocamentos importantes na forma
de se conceber o “não dito e o não sabido institucional”. A dimensão
inconsciente da organização passa a ser evidenciada a partir do momento em que se começa a perceber que o âmbito microssocial não
tem um poder autônomo de cura.
Um grupo de profissionais na França – do qual fazia parte Félix
Guattari – dá início a uma rearticulação da prática hospitalar com o
pensamento psicanalítico, na qual, segundo Rolnik – que traduziu, organizou, prefaciou e comentou o livro Revolução Molecular, de Félix
Guattari –, é feita toda uma crítica à utilização da psicanálise,
(...) que a reduz a mero apoio externo, análise de um
especialista, psiquiatra, pedagogo, ou mesmo de um
grupo analítico constituindo uma formação de poder.
A análise passa a ser vista como uma dimensão de toda
experimentação social, tendo como objeto o conjunto
de um complexo de processos sociais. Nessa perspectiva a análise não pode ser mais considerada uma especialidade da Saúde Mental, correndo o risco de ser
reificada como uma técnica da psicoterapia institucional. É no seio dessa problemática que Guattari sugere
o termo “análise institucional” (...) pela exigência de
um trabalho interdisciplinar entre a psicoterapia institucional e as práticas similares em outros campos: a
pedagogia, o urbanismo, o militantismo, o movimento
estudantil.20
Nesse desdobramento da psicoterapia institucional, identificamos o momento em que esta concebe o efeito terapêutico como efeito
20
GUATTARI, 1987, p. 103.
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institucional, e não como ato (médico ou psicanalítico). Ao abandonar
o isolamento técnico do analista tradicional pela convivência com os
loucos numa organização psiquiátrica, os psicoterapeutas tiveram que
se defrontar com as realidades do político e da política, abrindo dessa
forma um rico campo para a pesquisa e experimentação sobre as relações entre inconsciente e instituição, desejo e história.
Numa coletânea de artigos redigidos entre 1955 e 1970, Guattari21 conforma as bases de uma nova disciplina, a análise institucional,
que visaria precisamente estudar e intervir nas relações reais que os
grupos mantêm com as instituições.
Com a perspectiva assim aberta, a análise institucional consiste
em ver que, por trás da hierarquia indivíduo/grupo/sociedade e suas
várias modalidades sociológicas, movem-se interminavelmente
constelações fluidas e instáveis de forças ativas e de forças inertes, que
se organizam e desorganizam ao sabor das crises, dos desejos e dos
comprometimentos sempre provisórios.
Essa posição tem como conseqüência uma não-separação das esferas do político, econômico, psíquico. Essas esferas, assim isoladas entre si, referem-se às formas molares, nas quais, diferentemente do nível
molecular,22 a produção e o desejo são uma e mesma coisa; equivale
dizer que a substância ou a matéria última de todo real (social, psíquico, natural etc.) é a produção, é o produzir.
É praticamente impossível não reconhecer o fato de que a
invenção do inconsciente, tal qual Freud o descreveu no decorrer de
sua obra, contém uma riqueza efervescente e inquietante que não cessa
de produzir efeitos. Mas, ao mesmo tempo, faz-se mister reconhecer
que, segundo Guattari,
(...) atualmente não se podem dissociar as teorias do
inconsciente das práticas psicanalíticas, psicoterapêuticas, institucionais, literárias etc, que a elas se referem.
O inconsciente se tornou uma instituição, um equipamento coletivo compreendido em um sentido mais
amplo.23
21
GUATTARI, 1976.
Molar: ordem de realização do real em que as entidades características são os extratos e os grandes blocos representativos dos territórios constituídos. É o lugar dos códigos, da “forma sujeitos e objetos” definidos. É o campo da regularidade, da estabilidade, da conservação e da reprodução. É o mundo do macro.
Molecular: caracteriza os elementos que compõem a superfície da produção. É o lugar das matérias não formadas e das energias não vetorizadas, em que as máquinas se formam ao mesmo tempo em que funcionam.
23 GUATTARI, 1992, p. 21.
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Esse mesmo inconsciente que deixou-se esfriar, recentrando-se
na análise do eu, na adaptação à sociedade ou na conformidade a uma
ordem significante, em sua versão estruturalista, passa a ser visto como
(...) um inconsciente que superpõe múltiplos estratos
de subjetivações, estratos heterogêneos de extensão e
de consciência maiores ou menores. Inconsciente, então, mais “esquizo”, liberado dos grilhões familiaristas,
mais voltado para práxis atuais do que para fixações e
regressões em relação ao passado. Inconsciente de fluxo e de máquinas abstratas, mais do que inconsciente
de estrutura e de linguagem.24
Se a psicanálise, como Freud a concebeu, já operou um descentramento do sujeito, rompendo com a tradição racionalista, observamos que numa perspectiva esquizoanalítica esse descentramento atinge maior extensão porque remete a um alargamento da noção de subjetividade. Esta é considerada como “produzida por instâncias individuais, coletivas e institucionais (...), plural, ‘polifônica’ (...) que não
reconhece nenhuma instâncias dominante de determinação que guie
as outras instâncias segundo uma causalidade unívoca”.25
Do ponto de vista da esquizoanálise, é possível pensar a subjetividade no marco de uma “produção desejante”. Para descrever essa
produção, Deleuze e Guattari26 irão circunscrevê-la segundo uma teoria que considera o desejo como pertencendo a sistemas maquínicos altamente complexos. Um desejo, cuja natureza é implacavelmente disruptiva e que precisa estar sempre sendo favorecida, liberada de suas
constrições. Um desejo que pode ter infinitas possibilidades de montagem, uma “máquina-desejante” ou uma “produção-desejante”.
Sinteticamente dizendo, a atividade esquizoanalítica – naquilo
que contribui para o alargamento dos sentidos dados ao conceito de
inconsciente – consistiria, então, em revelar “o pólo revolucionário, esquizóide, criativo”, em detrimento “do pólo paranóico reacionário incluso no investimento libidinal” e, por conseguinte, em todos os investimentos do social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que o institucionalismo nos mostra – em especial na vertente
esquizoanalítica que o compõe – é que sempre é possível buscar outros
24
25
26
GUATTARI, 1992, p. 23.
Ibid., p. 11.
DELEUZE & GUATTARI, 1976.
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movimentos que impeçam as cristalizações e as ortopedias do pensamento. Como um caldeirão efervescente, a lógica do pensamento psicanalítico aponta para a possibilidade de um desvencilhamento das
amarras de uma suposta acomodação histórica. Com isso, quero afirmar que pode ser desde a psicanálise, também, que se abra a possibilidade de um casamento entre a psique inconsciente e o indivíduo socialmente fabricado, entre a organização psíquica e a instituição da sociedade. Romper-se-ia, assim, a antinomia e a exclusão mútua que no
campo da subjetividade separa o indivíduo e o social, o público e o privado, e que posssibilitaria, a partir daí, pensar a subjetividade “desvinculada de qualquer instância dominante que guie as outras instâncias
segundo uma característica unívoca”.27
Nesse sentido, se podemos considerar a teoria psicanalítica como
um modo de produção de subjetividade entre outros, podemos igualmente reconhecer que esta contribuiu (e continua contribuindo) para
que a humanidade possa continuar pensando sobre a vida. Através da
psicanálise o homem pôde refletir sobre si e sobre os sentidos do vivido. Separar esse aspecto, digamos, subjetivo das circunstâncias políticas, econômicas e sociais é o que constitui erro de investigação, equívoco de interpretação, deformação técnica e científica.
Embora Freud considere enfaticamente as peculiaridades individuais do homem, o que ele não desconsidera é que esta individualidade compõe e é composta pelo conjunto das suas relações com o
mundo. Apesar do pessimismo do seu criador, a psicanálise nos ofereceu um modelo científico de entendimento do humano que habilita
o homem, enquanto tal, à percepção de uma vida coletiva humanizada. Ou seja, uma vida que se abre na perspectiva de um trabalho interno (porque tem o desejo como aquilo que anima o inconsciente) na
busca da construção do coletivo.
Freud fez a psicanálise para o homem, não para uma determinada categoria social de homens. Atualizá-la, contemplá-la e problematizá-la com elementos históricos, políticos, sociais e institucionais
tem sido tarefa de seus seguidores.
Utilizando a figura de linguagem do livro de Vidermam,28 podemos afirmar que a psicanálise sempre está por se construir e nunca
por se assentar como uma obra pronta e acabada. É próprio à psicanálise basear-se nos modos e nos meios de construir e não de solidificar
a construção acabada. Possuindo um estatuto não totalmente definido
27
28
GUATTARI, 1992, p. 11.
VIDERMAN, 1990.
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e determinado, a psicanálise prossegue seu caminho como uma disciplina indisciplinada, na qual, mais do que responder, ela nos ensina a
perguntar, e com isso novos campos de referência tendem a constituirse. O que sustenta as perguntas que a cada momento aparecem não é
a rigidez das possíveis respostas, mas sim um horizonte inesgotável de
possíveis caminhos para respondê-las.
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