Ecologia e anarquia Ana Godoy1 Resumo Valendo-me de trechos do livro O naufrágio do Titânic de Hans M. Enzesberger, bem como de outros poetas e artistas, proponho explorar a relação entre uma certa ecologia - a qual chamarei menor -, que remete àquilo que na vida permanece indomesticável, escapando insistentemente aos sistemas de ordenação, sejam eles quais forem; com a anarquia, esta última entendida como afirmação do desigual e do excesso, da diferença sem mediação, como o incondicionado de qualquer individuação possível e coextensiva às relações nas quais se entra, aos problemas inventados e às decisões tomadas. Ambas inseparáveis, portanto, de uma metamorfose no pensamento, de uma transformação no corpo, na linguagem e nas relações como meio de invenção e de combate aos modelos hierarquizantes e às conciliações conformistas e reativas que conservam condições e agentes como fatores e princípios que legislam sobre a vida encerrando a ecologia no estudo da organização dos corpos em que as metáforas da comunidade e do organismo tornam-se pertinentes á uma teoria global e globalizante que a tudo captura e à qual (aparentemente) não se poderia resistir; expropriando os corpos da “qualidade desconhecida do mundo único que constitui cada um”, como afirma Deleuze -, qualidade, sobretudo anárquica e anarquizante. [0] Nota (...) apenas um esboço – nada senão o esboço de um esboço2 Explorar a relação entre certa ecologia, por mim chamada menor e a anarquia não pode ser considerada uma tarefa – um tipo de fazer sobre o qual se tem mais ou menos domínio e que se espera seja cumprida mais ou menos bem e que, terminada, mantenha aquele que escreve e aquele lê ou escuta tranqüilos quanto ao feito, esclarecidos quanto às sucessivas etapas que descrevem seu conjunto para que possam, sem demora, sair desta sala para repetirem-na exaustivamente em outras salas ou fora delas. Digamos então que esta exploração escapa a qualquer domínio, e que seu caráter é antes o de uma experimentação visto não se saber de antemão aonde se vai chegar, tampouco quais encontros se darão pelo caminho. Assim colocada a experimentação é já a decisão de colocar-se a si mesmo e ao pensamento radicalmente em questão ao problematizar sua relação com uma imagem que já é o Estado em nós. Acontece, então, de nos vermos às voltas nestas primeiras linhas com o tema desta comunicação, ao menos naquela dimensão tão precisamente formulada por Deleuze ao 1 Doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP e pós-doutoranda na Faculdade de Educação da UNICAMP (bolsista FAPESP). Pesquisadora do Grupo Transversal/DIS/UNICAMP. E-mail: [email protected] 2 Herman Melville em Moby Dick. 1 perguntar: A que nos dedicaremos senão àqueles problemas que demandam a verdadeira transformação de nossos corpos e de nossa linguagem? Haveria, portanto aqui uma breve indicação de que a anarquia não pode ser compreendida como uma abordagem entre outras dentro de um conjunto pluralista de metodologias que nos permitiria preservar uma relativa estabilidade do campo ecológico e a integridade de um conjunto de indivíduos reconhecidos e identificados como seus praticantes. Tal concepção visaria tão somente garantir nossos corpos e linguagens no sentido de que não implicando aquele que pensa e tampouco o pensamento, funcionaria como uma espécie de princípio a partir do qual se poderia determinar usos e comportamentos ideais. Sem dúvida esta poderia bem ser uma explicitação da aliança entre a ecologia e a Lei, mas seria sobretudo o esforço de domesticação da anarquia ou sua instanciação negativa, visto o princípio sempre se colocar em proveito de um pensamento que toma a si mesmo como um ministério que, não por acaso está sempre às voltas com um homem de Estado que lhe aconselha ou repreende, e quer fixar um "objetivo"3. Esta aliança é, portanto aquela por meio da qual a ecologia se torna um meio para nos roubar o corpo e a linguagem, para produzir em nós um organismo e um sistema significante tornando-nos objeto de um outro regime de classificação e saber como parte de um exercício de retificação jurídica e política que faz coincidir cada um com o todo da comunidade como fim último que o princípio determinaria. Aqui será feito apenas o que é possível fazer segundo a lógica da ordem policial que esvazia a fala do excesso que a precede e que a segue e que afirma o começo. É preciso começar então. [1] Naufrágio Tudo começou com um barulhinho... [O impacto foi leve como uma pluma4] Não é este exatamente o primeiro verso do estranho poema cômico sobre o naufrágio do Titanic escrito por Hans Magnus Enzensberger. O primeiro verso, o começo, foi perdido e o livro, finalmente escrito, começa com tudo aquilo que foi perdido, a história de um naufrágio que, para Enzensberger torna-se a expressão do fim do mundo como fim de um mundo. A questão para o poeta, tanto quanto para o pintor do Apocalipse, é então a de determinar o começo. Como se começa a pintar ou a vocalizar o fim de um mundo? Há aí uma série de questões técnicas e de composição já que, como afirma Enzensberger, destruir o mundo inteiro é um trabalho e tanto. Difícil, sobretudo, é pintar ou escrever os sons da catástrofe e das conflagrações, o véu dos templos sendo rasgados, os animais rugindo, os debates acalorados. É que, como diz o poeta, tudo deve rasgar-se, ser rasgado, menos a tela daquela que pinta ou o corpo daquele que escreve. O prazo do pintor é curto (uma semana lhe deu o comerciante que encomendou a tela), o do poeta é todo tempo do 3 4 Gilles Deleuze e Félix Guattari em Mil Platôs, v. 5, p. 40. Hans Magnus Enzensberger em O Naufrágio do Titanic, p. 14. 2 mundo porque como o naufrágio “as palavras chegam tarde demais ou cedo demais”5, o meu aquele cujo limite é a derrota que o estilo universitário de escrita impõe aos textos: o de fazer qualquer coisa com as palavras (ainda que as palavras não façam qualquer coisa em nós). Pois bem, o fim do mundo, ou melhor, o fim de um mundo, um naufrágio, afirma Enzensberger, começa com um barulhinho e se por ele nos tornamos náufragos isto pouco diz respeito a afundar, a afundar-se, mas a sair, a inventar a saída que conduzirá a composição e se a empresa é difícil é porque não há criação que não remonte a uma catástrofe, expressão da luta contra tudo o que aprisiona a vida. O barulhinho então é menos o do tormento e da perturbação crítica que se pode impor aos conceitos e as categorias para melhor reabilitá-los, e mais o da ruptura da coerência de nossos mundos próprios. Mundos que tão bem se sustentam sobre as imagens idílicas e otimistas - imagens tutelares da paz e do progresso cujo desígnio pauta-se na confiança na inteligibilidade da existência humana e na possibilidade de sua reforma. Mundos cujo desígnio poderia ser muito bem traduzido como pedagógico: aquele em que sabemos como são as coisas e, mais ainda aquele em que sabemos muito bem o que isso quer dizer. Poderíamos também chamar estes mundos de ecológicos visto que quem os habita é o homem do Todo, aquele que transforma tudo em Todo em nome de uma harmonia e equilíbrios aos quais cabe lembrar-nos de celebrar o fitness em proveito de uma total conectividade - a biosfera ou ecossistema global - e de uma catolicidade que quer tudo abarcar6 e cuja linguagem como uma linha de força geral é o discurso totalizante de um logos que diz o todo (da casa) para o todo do mundo. Feito isso haveremos de produzir em nós e por toda parte um organismo, e nos veremos finalmente às voltas com questões jurisdicionais a propósito das partes que o compõem segundo as funções que realiza7. Mundos sem dúvida alguma, pedagógica e ecologicamente administrados. Enzensberger insiste: O barulhinho com que tudo começou não era difícil descrever. Mas o que viria na seqüência eu não sabia8. [2] “uma ou duas linhas e por trás uma imensa paisagem”9 Posso começar? Sussurra, enquanto lê10. 5 Idem, p. 66. Bruno Latour refere-se em Políticas da natureza: como fazer ciência na democracia, ao efeito paralisante que a ecologia teórica experimentou ao querer “levar tudo em conta”, p. 323. 7 Richard Lewontin, em A tríplice Hélice: gene, organismo e ambiente, p. 91, evidencia essa aproximação ao afirmar que, tanto em biologia quanto em política, a questão das partes e do todo é uma questão de jurisdição. 8 Hans M. Enzensberger em o Naufrágio do Titanic, p. 77. 9 Parte do título do filme de João Moreira Salles, Poesia é uma ou duas linhas e por traz uma imensa paisagem (1990) sobre a poeta Ana Cristina César. 10 Fala da personagem no filme Poesia é uma ou duas linhas e por traz uma imensa paisagem (1990). 6 3 Os versos do poema de Hans M. Enzensberger, escrito em parte em Cuba no ano de 1969 e parte em Berlim em 1977, bem como trechos de outros escritores ou interferências de fragmentos de outras proveniências, não se apresentam como uma ilustração ou exemplo daquilo que se pretende dizer. Evidentemente não há a pretensão de analisá-los desde uma abordagem pertinente a critica literária, que marotamente poderia vir a servir, sob a forma de analogia, àquilo que se pretende dizer. Tampouco se trata de uma questão de gosto pessoal, convite fácil ao convencimento de uns quantos leitores das qualidades daquele que aqui escreve ou então de sua falta irremediável..., segundo o gosto. Tomo-os como material com o qual componho uma certa paisagem, começo de uma viagem. Mas trata-se, como aponta Nietzsche em Humano, demasiado humano, de um viajar, para o qual é exigida uma arte dos propósitos, pois se faz nas vizinhanças ou pelas vizinhanças de que só o pensamento disposto à errância é capaz11. Viaja-se, sim, mas para verificar algo, algo inexprimível... . Eis por que o caráter da viagem é sempre o de uma experimentação, e a experimentação não é outra coisa “que a exploração dos pontos sensíveis da vida”12. É forçoso notar que a viagem toma então as feições de um procedimento que se ocupa, tão somente, de anotar e fazer notar percursos singulares em que pequenos fragmentos se superpõem, mais do que se encadeiam, predominando, portanto a digressão e o desvio, isto é, a ruptura de uma continuidade discursiva. Há neste procedimento uma inequívoca vizinhança com certa concepção de Lezama Lima a propósito da viagem quando afirma que “a viagem é o passeio do desejoso”13, em nada equiparável aos deslocamentos extensivos – em que se vai de um ponto a outro – e em muito afeita ao conceito de nomadismo intensivo, apresentado por Deleuze-Guattari, em que o deslocamento se dá entre os diferentes níveis segundo as linhas ou agenciamentos de desejo nos quais se entra. “Desejoso”, diria Lezama Lima, em poema de 1942, “é aquele que foge [...]”14 e ao fugir faz fugir com ele uma certa configuração ou arranjo existencial, que se pretende estável. Tais fugas dizem da potência da vida para resistir ao que a sufoca e limita reduzindo-a a mera satisfação de necessidades empíricas, conformando-a aos modelos gestionários e às intervenções planificadas cujo fundamento repousa sobre os esquemas de legitimação que o acordo exprime15. [3] Habitar o acordo Ele vai ao ar domingo à noite, logo após o programa [de esportes. Ele é impagável. Ele é inevitável. Ele é melhor do que nada. 11 Friedrich Nietzsche em Humano, Demasiado Humano, §223. François Zourabtchvili em “O jogo da arte”, p. 1318. 13 Tomás Eloy Martínez em “Lezama Lima: El peregrino inmóvil (Essay and interview)”, s/p. 14 O poema Llamado del deseoso, data de 1942 e consta nas Obras Completas, primeiro tomo, publicado em 1975 pela editora Aguilar. Pode, também, ser encontrado, na tradução de Claudio Daniel, em http://www.revistazunai.com/traducoes/jose_lezama_lima.htm 15 Nesta perspectiva pode ser encontrada uma argumentação mais extensa em Deleuze e Guattari (1997); Passetti (2003) e Tótora (2006). A propósito da relação entre acordo e legitimação Rancière (1996). 12 4 Ele folga na segunda-feira. Ele é ecológico. Ele abre caminho para um futuro melhor16. O acordo não se pauta nas assertivas com que contemplamos, falando ou silenciando, a importância de “incutir no educando – todos os cidadãos - uma consciência crítica sobre a problemática ambiental”; o acordo nos põe no lugar do Mesmo, naquele cujo conforto é também o constante digladiar, debater e dialogar sobre o único possível que nos é dado, conforme a oportunidade com que tomamos a Terra e aqueles-para-aTerra numa incessante combinação de gestão e humanitarismo que se faz na vinculação entre o dado e outro dado, homens, animais, plantas e mercadorias; práticas que vem se afirmando na produção de modos de subjetivação marcados pela obrigação de bemhabitar. Ainda se trata de um acordo tanto mais abusivo e autoritário quando somos responsáveis pela sustentabilidade, prisioneiros de uma gregariedade ecossistêmica fundada na insistente contabilização da diversidade para que tudo e todos venham a caber na alargada e diversificada roupagem do Mesmo em proveito da vida que deve ser vivida, constantemente reiterada pelas imagens televisivas, pela opinião tão pessoal, pela percepção dos fatos, pela unidade da experiência. O lugar do acordo resta sendo aquele em que, sob o achatamento da contabilidade infindável da diversidade visível, somos incitados por meio do artifício do “educativo” e do “histórico” a conservar e a administrar “o quase nada” como garantia de vida fazendo o que é possível fazer. O acordo é o lugar da representação dos conflitos ou de sua compreensão, de modo que venhamos a obter os elementos de uma solução possível. O lugar do acordo se chama maioria, ela designa o bem-habitar como habitar o possível de uma solução denegando, desta forma, o impossível que o habita. O lugar do acordo é a medida padrão, ainda que haja mais moscas e mosquitos do que homens... Ora, a concordância ou o acordo só se fazem se fundados sobre uma axiomática, ele é o ponto de vista a partir do qual se expressa o mesmo mundo e com o qual se silencia o heterogêneo, a partir do qual se estabelecem quais outros acordos serão ou não congruentes assinalando os graus de hierarquia e ordem. Os acordos se rompem quando as condições que garantem sua estabilidade tornam-se impossíveis. Neste momento temos um colapso entre as distinções/demarcações estabelecidas criando dissonâncias difíceis de resolver e ao mesmo tempo divergências fáceis de manter. Quando todos concordam de um lado, maior o mal do outro... Ele gera empregos. Ele aos poucos dá nos nervos. Ele é protegido por lei. Ele tem respaldo nas massas. Ele vem a calhar. Ele devia dar o que pensar aos responsáveis. Ele também não é mais o que costumava ser17. 16 17 Hans M. Enzensberger em O Naufrágio do Titanic, p. 60. Idem, ibidem. 5 [4] Umwelt: mundo próprio Sobre o palco tudo começou com um barulhinho: vento, talvez as máquinas de construção ou demolição, fluxo de carros, uma tempestade, quem sabe... Sobre o palco a coreógrafa francesa Maguy Marin dispôs alternadamente superfícies verticais, maleáveis e precariamente reflexivas de onde surgiam às vezes concomitantemente, às vezes em alternância homens e mulheres altas, baixas, magras ou nem tanto, brancos ou nem tanto que colocavam sobre suas cabeças a coroa do reizinho, ou o chapéu azul de praia ou o capacete de guerra ou amarravam seus roupões ou puxavam as calças ou ainda de quatro traziam uma ave na boca, de pé um osso nas mãos, ou uma arma, ou embalavam nos braços uma criança e jogavam sobre o palco, alternadamente ou simultaneamente, a ave despedaçada, o osso roído, o entulho – que parecia acumular-se em algum lugar -, ou a criança que chacoalhavam no ar e iam e vinham, agora coroados erguiam as calças ou socavam um outro e com seus chapéus de praia traziam uma ave na boca que atiravam contra um outro que trazia um capacete na cabeça e sobre o corpo um macacão de trabalho e de quatro traziam uma criança na boca ou fechavam seus robes entre beijos ou atiravam ossos uns nos outros ou mordiam uma maçã... Ao longo de duas horas os bailarinos saem de traz das superfícies sobre as quais sua imagem aparece trêmula e borrada (como se a qualquer momento tudo fosse se desmanchar), com seus atos corriqueiros e durante duas horas esperamos que, de traz das superfícies alguma coisa outra e surpreendente venha, e a cada vez o incômodo das combinações exaustivas, das acumulações se interpenetrando, se fazia maior quanto maior ficava a montanha de entulhos sobre o palco. Restos dos mundos próprios que oscilam? Ou tão somente lixo, crosta com a qual os cimentamos?18 Todavia, ali estão os restos dos mundos que habitamos e que nos habitam e ali estão também as carcaças eliminadas nas minúsculas e invisíveis guerras quotidianas que somos educados para desencadear em nome da estabilidade e do equilíbrio, e lá se encontra também o lixo cognitivo descolado das existências singulares gerado pela produção demente de palavras e imagens com que se pretende cimentá-las. O caráter da Lei, enquanto princípio suplementar de ordenação e organização é este de uma incrível crosta que recobre todas as coisas. O princípio, tal como mostrou Kafka em seus diferentes textos, é que nada pode se furtar a verdade, pois é com ela que se pretende controlar a variação que não para de ameaçar as significações e que foge a tudo aquilo que põe em comum, em comunidade. [5] “Na verdade nada aconteceu.”19 Brandimos pareceres, pêndulos, relatórios de pesquisa, fazemos mover as mesas, perguntamos: 18 19 O espetáculo pode ser visto em http://idanca.net/lang/pt-br/2008/10/06/umweltumwelt/ Hans M. Enzensberger em O Naufrágio do Titanic: uma comédia, p. 95. 6 quando é real aquilo que é real?20 O realismo então nos aparece em suas roupagens de ocasião, pois como lógica policial da ordem ele convoca, em nome das realidades observáveis, do saber e das misérias do mundo, instituições e especialistas aos quais caberá produzir-nos doses de otimismo e pessimismo. A ecologia não cessará de clamar pela salvação do meio ambiente, pois ainda que a sua existência seja apenas conceitual, é um meio eficaz para garantir a adaptação às normas. A adequação às normas faria redundar a concepção darwiniana de aptidão (fitness) dos organismos em face das suas circunstâncias ambientais, nas práticas terapêuticas e de fitness que implicam a taxação contínua de informação e peritagem sobre nós mesmos. Os mais aptos se fundem aos mais competentes, mais adequados, mais úteis, mais saudáveis e assim por diante. (Poder-se-ia, em todo caso, sugerir que quanto mais próximos estamos desta sadia atitude do espírito que é o realismo, mais distantes permanecemos de pensar quais as forças que trabalham as instituições...) Deste modo a conservação exprime-se em subjetividades conservadoras e é considerada tanto mais fundamental quando se apresenta como uma terapêutica do Todo, ali onde o que se manifesta é a própria exaustividade virtual. Segundo Richard Lewontin, as conclamações à salvação do ambiente e ao combate à extinção, marcas do discurso conservacionista, deveriam ser abandonadas, pois elas implicam a crença num mundo externo, autônomo, no qual os organismos devem inserir-se por meio da adaptação21. Porque persiste a imagem, e uma imagem que aponta para uma totalidade como origem e finalidade, a Terra pode ser pensada como organismo. Fazê-lo implica a substituição da vida como valor por um modelo que a justifica, na medida em que todo sofrimento e dor encontram uma razão primeira e última, permitindo ao senso comum reconhecer-se nelas, vendo-as em toda parte. A Terra, então, sofre e adoece da mesma doença e sofrimento do homem: de uma vida abrandada e enfraquecida22. Pois conservar é conservar os recursos que permitam alcançar uma vida melhor num mundo melhor; transformar é somente transformar o que se deve de toda maneira conservar, ou ainda, como salienta Zourabchvili, “conservar o que se transforma, adaptar-se”23, em nome de uma vida e um mundo melhores: um trabalho de resignação e obediência só alcançado à custa de já se haver interiorizado uma imagem que estabilize o pensamento, o tranqüilize, de maneira que se pense e se viva desinteressadamente, pois a necessidade e a vontade já há muito foram removidas do pensamento, e este permanece afastado da vida. Todavia, se a ecologia maior propõe-se a dominar a variação reduzindo a vida ao possível que lhe caberia gerir exprimindo a superioridade da conservação como sua garantia, a menor das ecologias abre o mundo à variação para que a vida afirme a potência de invenção e a precedência da expansão sobre a conservação. Enzensberger insiste mais uma vez: 20 Idem, p. 97. Cf. Richard Lewontin, A tripla hélice: gene, organismo e ambiente, particularmente o cap. 2. 22 Cf. Friedrich Nietzsche em A Gaia Ciência, §109. 23 François Zourabichvili em “Deleuze e o possível (sobre o involuntarismo na política)” p. 333. 21 7 Aliás, toda invenção remonta a uma catástrofe:24 [6] o Todo e a platitude burocrática Sou amplo, contenho multidões25 Se o que se pretende é ganhar para o discurso novos campos intelectuais o uso dos esquemas orgânicos no plano conceitual mostram toda sua eficácia. Não porque permitam a formulação de novos problemas, como afirma Judith Schlanger, mas porque garantem que os únicos problemas a serem colocados são aqueles para os quais as respostas já estão dadas e por esta razão operam exclusivamente no âmbito do possível. A recorrência da imagem do organismo como analogia põe o pensamento às voltas com a tipologização dos diferentes agrupamentos (comunidades) ou com um comportamento que se pretende global, mas que de todo modo permitiria compreender e prever o futuro. Deste o modo, o debate no âmbito da ecologia converge para a imagem do organismo individual que, sem dificuldade, passa a ser rebatida sobre cada unidade ecológica e sobre a superfície do socius. O que a analogia do organismo põe como problema é a existência de entidades eminentes, leis materiais ou aspectos determinantes que funcionariam como princípio explicativo não somente da existência, mas dos modos de organização e desenvolvimento dos indivíduos sejam eles humanos ou não-humanos que, tomados como um todo encontrariam nesta idéia sua origem ou finalidade. Deleuze evidentemente retomando as investidas de Nietzsche a propósito da idéia de organismo irá afirmar que este seria uma espécie de ilusão que ofuscaria inteiramente, a realidade das diferenças, visto introduzir “um análogo representacional fundado sobre o poder do desejo humano para esclarecer a ‘unitotalidade’ do organismo”26. Como afirma Nietzsche “o conceito de todo não reside nas coisas, mas em nós. Estas unidades que chamamos organismos são, entretanto, multiplicidades. (...) Na realidade não há nenhum indivíduo, tanto indivíduos quanto organismos não são nada mais que abstrações”27. Desta perspectiva organismo (eu) e objetos da representação (ambiente) ou ainda mecanismo e finalismo, deixam de se apresentar como opostos já que ambos dizem respeito aos caminhos humanos (demasiado humanos) da percepção operando no plano da nossa organização. Inventar um Todo ou tornar o Todo efetivo, pondo os direitos primeiros de uma totalidade orgânica, como aponta Deleuze em relação à literatura norte-americana, constitui também o paradoxo da ecologia. A comunidade fora da experimentação sempre repõe “nós em todos”, e sempre o faz em nome de um, seja ele o Pai, o Estado, a Sociedade 24 Hans M. Enzensberger em O Naufrágio do Titanic, p. 39. Walt Whitman em “Canção de mim mesmo”. 26 Alberto Toscano em “The Method of Nature, The Crisis of Critique - The Problem of Individuation in Nietzsche's 1867/1869 Notebooks”. Pli, p. 55-56. 27 Friedrich Nietzsche em Historisch-Kritische Gesamtausgabe (Beck, 1933-1940) citado por Alberto Toscano em “The Method of Nature, The Crisis of Critique - The Problem of Individuation in Nietzsche's 1867 /1869 Notebooks”. Pli, p. 57. 25 8 ou a Natureza. Um Eu monomaníaco prestes a fundir-se com tudo mais, a se identificar com tudo, a constituir uma identidade única, um sentido comum - “princípio de coesão do verdadeiro exército” -, apto a preservar a identidade do sujeito universal e a reencontrar, numa agitação benevolente, os mesmos valores que constituem, a um só tempo, a razão das coisas e sua finalidade. Nietzsche ao afirmar que a vida é possível sob um número surpreendente de formas irá afirmar o método da natureza em que a vida apresenta-se como produção, um incessante mar de possibilidades do qual nosso intelecto, nossa percepção apreende, ao isolar, algumas formas. A vida, irrepresentável e sem sentido, é a fonte de toda representação e finalidade de maneira que os organismos só podem ser considerados unidades ou centros para o nosso intelecto, pois cada indivíduo possui uma infinidade de indivíduos viventes nele28. Seriam antes, como afirma Deleuze em toda a sua obra, multiplicidades de multiplicidades, desprovidas de uma unidade ou de um centro, tampouco comandadas por um princípio ou finalidade ou qualquer variedade regulativa que as determine seja ela “um universal puro, seja as particularidades encerradas em pessoas, indivíduos ou Eus”29. Comunidade e organismo são, tão somente, analogias das quais a ecologia se vale para produzir “uma imagem coerente dos conjuntos de que ela estuda a organização”30; reduzida a esta tarefa ela reivindica um pensamento de segunda categoria ao qual caberia garantir a inteligibilidade do real que, todavia, não cessa de lhe escapar por todos os lados. Encaixotando-nos na diversidade visível, nas individualidades constituídas a ecologia, ao operar com modelos que se pretendem aplicáveis a qualquer meio, reivindica uma teoria global dos sistemas organizados por meio da qual ela atesta sua aliança com “as forças de repressão que sempre tiveram necessidade de Eus atribuíveis, de indivíduos determinados, sobre os quais elas pudessem se exercer”31. Tal qual ela se nos apresenta a relação entre indivíduos e meio é sempre da ordem da hierarquia e da regulação externa, é sempre da ordem da polícia, da vontade de previsão e precisão legal em que os indivíduos, assim como o mercado e o pensamento, desprovidos de ruído e de ambigüidade, são tomados como alvo de planificação global. Nunca mais, diz ele, será tão calmo, tão seco e quente como agora. Ninguém bate à porta nem grita por socorro. O rádio mudo. Ou já terminou, digo a mim mesmo, ou ainda não começou. Agora sim! Lá vai:32 28 Idem, p. 59. Gilles Deleuze em “A imagem do pensamento em Nietzsche”, p. 178. 30 Jean-Marc Drouin em L’Ecologie et son histoire, p.145. 31 Idem , ididem. 32 Hans M. Enzensberger, op. cit., p. 11. 29 9 [7] Oceanos O indescritível está ali, em toda parte, no rasgo, na inquietude33. O que aconteceria se nos tornássemos um pouco mais úmidos, mais líquidos? Se privilegiássemos as catástrofes em meios fluídos, como sugere Didi-Huberman?34 E se insistíssemos como Enzensberger, que não há criação que não remonte a uma catástrofe, não há embarcação que cedo ou tarde não faça água, que uma coisa, qualquer coisa não transborde ou vaze, e que ela se insinua por toda parte, que tudo ondeia, “que ela goteja, esguicha, jorra borbota”; que há filetes líquidos e que, como no Canto décimo quarto de O Naufrágio do Titanic, há um dilúvio e cada corpo, como nos diz Lezama Lima em Fugados, é a sucessão de ondas que se perseguem, encontrando-se e separando-se; precipitando-se umas sobre as outras, dobrando-se e desdobrando-se, avançando e retrocedendo, ora violenta, ora suavemente, corpos de sensação cujo delírio é o da própria Terra. E se nos tornássemos mais líquidos, mais fluidos e o movimento extravagante das ondas fosse o que nos designasse e ao mundo, errantes? Enzensberger, tal como Victor Hugo e Lezama Lima, “pensava em primeiro lugar não em definir o que via (aspectos), mas em afogar-se no que olhava, em afogar-se nos meios”35 de maneira que o Titanic do primeiro, a embarcação do segundo e a ilha do terceiro seriam, sobretudo, o expresso da vida em seu movimento, movimento que é também o do pensamento quando, suspensos os princípios que legislam sobre ambos, caberia ao pensamento no encontro com a vida como problema, dramatizar os processos de individuação, aqueles por meio dos quais tornamo-nos aquilo que somos: outros. Eles racham, se desdobram, se ramificam e se revolvem sobre si mesmos, arrastando-nos nesse movimento vertiginoso. A errância poderia muito bem ser uma maneira de designar sua fluidez. Os inventores de mundos serão ondas e farão ondas, tal como os homens-oceano; “palavra por palavra, eles caminham, ao risco da errância, e se espraiam no aberto que é sempre um excesso”36 inesgotável, indomesticável. Suspensos os princípios adviria então a ruína da transparência, da captura categorial, ruína que elegeríamos como lugar privilegiado e que exigiria uma outra ecologia, a menor das ecologias, a fim de pensar todas as coisas sob o ângulo do movimento e da atração, mas também sob o da corrosão, da destruição, da pulverização; uma ecologia que voltasse o olhar para o formigamento das coisas como uma incessante germinação do meio37, que tomasse cada individuo como uma constelação, uma galáxia cujo compasso “difere discorda dispauta...”38. Mundo profuso, que se despende excessivamente e no qual se é sempre um clandestino, sem lei e sem rei. Uma ecologia que afirmaria a anarquia, isto é, o desigual e o excesso, a diferença sem mediação, como o incondicionado de qualquer individuação possível e coextensiva às relações nas quais se entra, aos problemas 33 Victor Hugo em L’Homme qui rit, I, II, 6, p. 416. Didi-Huberman em “A imanência estética”, p. 16. 35 Idem, p. 8. 36 Idem, p. 20. 37 Idem, p. 12. 38 Haroldo de Campos em Galáxias, fragmento 17. 34 10 inventados e às decisões tomadas; transmutação sem princípio que arruína todo princípio suplementar de ordenação e organização. Se nos tornamos mais fluídos, se nos afogamos no meio - estranha espécie de náufragos -, é para inventarmos a nós e aos mundos que incessantemente produzimos e habitamos como lugar de nossos passeios, sem origem e sem finalidade. E a anarquia seria então aquilo desborda o mundo vertical e que nos habita e ao mundo como o começo que os excede, liberando-os deste mundo “em que se permanece fechado no organismo ou em um estrato que bloqueia os fluxos” nos fixando. Que tendas são essas? Quem as armou? De onde vem tanta gente? (...) Eu os reconheço! São nômades, nômades [...].39 [8] Linhas de fuga Isso joga sem jogadores40 Klossowski, em um artigo de 1972 a propósito da análise de alguns critérios presentes na obra de Nietzsche41, afirma que a gestão total da Terra, a planificação planetária da existência, obedece á lei de um movimento econômico irreversível, aquela que apanha tudo pela fixação - de metas, de objetivos, de caminhos, de itinerários, de ações calculáveis em nome de um futuro que se dá a ler nos planos e estatísticas e que consagraria a mentalidade reinante por meio de um embrutecimento do homem, sua mediocrização, o que exigiria, segundo ele, um outro movimento. Talvez aquele das linhas de errância no incessante desfazer das referências “com seus volteios, nós, velocidades, movimentos, gestos e sonoridades diferentes”42. Linhas cujo movimento exprimem uma outra política, que não reconhece fronteiras, prescinde do que se deve ser, fazer, pensar e sentir traindo os sistemas de significação, de referencialidade, afirmando outras e surpreendentes práticas, desobstruindo fluxos, criando outros fluxos desarranjando as maquinarias de controle e de submissão. Trair remeteria, então, à potência dos corpos para gozar do mundo e dele extrair os mundos com os quais se compõem, à potência para inventar-se como um lugar de passeios. Toda uma outra política, uma outra ecologia, a menor das ecologias. Aquela capaz de desmanchar os saberes e práticas, bem como rostos e paisagens que nos aprisionam, que 39 Hans M. Enzensberger, op. cit., p. 83-84. Gilles Deleuze em “Falha e fogos locais”, p. 209. 41 Originalmente apresentado no encontro sobre Nietzsche que teve lugar em Cerisy-la-Safle em 1972 e posteriormente publicado na coletânea brasileira Por que Nietzsche? juntamente com outras conferências apresentadas na ocasião. 42 Gilles Deleuze e Félix Guattari em Mil Platôs, v. 4, p.117. 40 11 nos incitam a perceber o corpo somente pelo viés das técnicas e tecnologias que o estabilizam e conformam, e não pelo viés de sua potência para resistir, para inventar os órgãos de que necessita a fim de inventar o corpo e a Terra que lhe convém. Pensar novos modos de habitar é também habitar de outro modo o pensamento e implica seguir as linhas que fogem por todos os lados e que afirmam a invenção de existências singulares para além dos espaços dados ou dos dados sobre o espaço. Existências que se explicam, desdobram por meio de uma ética e uma estética e que, confrontando as condições da experiência possível, afirma a vida em sua heterogeneidade como condição da experiência real43. Não nos basta apenas, como afirma Pelbart, “colher as diferenças constituídas, sejam elas individuais ou coletivas, mas produzir novas diferenciações, fazer do homem um grande experimentador, um afirmador de modos de existência singulares”44. O que está posto aqui é a liberação do sensível do regime da lei e do contrato que tanto o subsumem quanto o colmatam seja ao referi-lo à recognição, seja à atração dos bens consumíveis. Uma outra política cujas implicações éticas, estéticas e filosóficas ultrapassam a difusão do consumo e de práticas corretas, como aponta Passetti em Anarquismos e sociedade de controle, e fogem às diversas formas de captura que habitam o tempo homogêneo no qual contemporaneamente circulamos. No entanto, sejam as capturas categoriais ou semânticas, elas sempre se colocam em relação ao aparelho de Estado e assim, imbuídas de uma “atitude sadia de espírito”, inspiram as analogias e metáforas que povoam os modelos globalizantes da ecologia no esforço inútil, ainda que violento, de expropriar os corpos da qualidade desconhecida do mundo único que constitui cada um - qualidade, sobretudo anárquica e anarquizante. No encontro com a anarquia a menor das ecologias afirmará: sim, isso joga sem jogadores. E não há regras pré-existentes desde que o jogo carrega já suas próprias regras, e isso que joga são as forças de futuro. Forças de expansão. Bibliografia: CAMPOS, Haroldo. Galáxias. São Paulo: Editora 34, 2004. 130 p. ISBN 85-73263-00-8 DELEUZE, Gilles. “Sobre Nietzsche e a imagem do pensamento” (trad. Tomaz Tadeu e Sandra Corazza). In: A ilha deserta e outros textos. São Paulo: Iluminuras, 2006. p. 175183. DELEUZE, Gilles. Francis bacon: Lógica da sensação (trad. Roberto Machado). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. 183 p. ISBN: 978-85-378-0025-6 43 Não desejando me alongar, mas a fim de melhor situar o leitor, a experiência real em Deleuze é a experimentação. O caráter da experimentação é sempre parcial, fragmentário e limitado tornando-se, deste modo, inseparável do perspectivismo nietzscheano, e explicitando não a perseguição de uma idéia a partir de vários ângulos, mas afirmando as intensidades que lhes são próprias. É esta dimensão intensiva inscrita no perspectivismo que lhe confere o caráter de experimentação (Gonzaga, s/d, p. 95). Nesse sentido a experimentação do/no pensamento é inseparável da experimentação da/na vida (Machado, 1999, p. 27) 44 Peter Pál Pelbart em “Um mundo no qual acreditar”, p. 60. 12 _____. “Falha e fogos locais” (trad. Hélio Rebello Cardoso Jr.). In: A ilha deserta e outros textos. São Paulo: Iluminuras, 2006. p. 203-209. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs, v. 5 (trad. Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa). 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