Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Lato Sensu em Fisioterapia em Terapia Intensiva
PERFIL DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL EM
INDIVÍDUOS HIPERTENSOS E NÃO HIPERTENSOS APÓS
EXERCÍCIO AERÓBIO
Autor: Guilherme Negrão Pereira
Orientador (a): MSc Pedro Rodrigo Magalhães
Negreiros de Almeida
Brasília - DF
2011
GUILHERME NEGRÃO PEREIRA
PERFIL DA PRESSÃO ARTERIAL EM INDIVÍDUOS HIPERTENSOS E NÃO
HIPERTENSOS APÓS EXERCÍCIO AERÓBIO
Artigo científico apresentado ao Programa de
Pós-Graduação Lato Sensu em Fisioterapia em
Terapia Intensiva da Universidade Católica de
Brasília, como requisito parcial para a
obtenção do certificado de Especialista em
Terapia Intensiva
Orientador: MSc. Pedro Rodrigo Magalhães
Negreiros de Almeida
Brasília
2011
ARTIGO DE REVISÃO
PERFIL DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL EM INDIVÍDUOS
HIPERTENSOS E NÃO HIPERTENSOS APÓS EXERCÍCIO AERÓBIO
Profile of change in blood pressure in hypertensive and non-hypertensive individuals after
aerobic exercise
GUILHERME NEGRÃO PEREIRA
Resumo
A Hipertensão Arterial Sistólica (HAS), definida como elevações sustentadas no nível
pressórico sistólico (PAS) igual ou superior a 140 mmHg e/ ou diastólico (PAD) igual ou
superior a 90mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação antihipertensiva, é um dos mais graves problemas de saúde no país, não só pela elevada
prevalência, como também pela acentuada parcela de hipertensos não diagnosticados, ou não
tratados de forma adequada. Esse trabalho teve como objetivo analisar o perfil da variação da
pressão arterial em indivíduos hipertensos e não hipertensos através de uma revisão de
literatura na última década cruzando-se os termos: pressão arterial, hipertensão arterial e
hipotensão pós-exercício. Foram angariados 46 artigos dentre trabalhos clínicos
randomizados, trabalhos experimentais, monografias, livros e revisões de literatura. Em todos
existe um consenso de que a pressão arterial sistêmica reduz, significativamente, seus níveis
tensionais após treinamento de exercício aeróbico, tanto em indivíduos hipertensos quanto em
indivíduos não hipertensos.
Palavras-chave: Pressão Arterial, Hipertensão Arterial, Hipotensão Pós-Exercício
ARTIGO DE REVISÃO
Profile of change in blood pressure in hypertensive and non-hypertensive individuals after
aerobic exercise
Abstract
Hypertension (HPN), defined as sustained elevations in systolic blood pressure level (SBP)
greater or equal to 140 mmHg and / or diastolic (DBP) less than 90 mm Hg in subjects who
are not making use of antihypertensive medication, is one of the most serious health problems
in the country, not only by the high prevalence, but also by the steep portion of undiagnosed
hypertension, or not treated properly. This study aimed to analyze the variation of blood
pressure in hypertensive and nonhypertensive through a literature review in the last decade
across the terms: blood pressure, hypertension and post-exercise hypotension. 46 articles were
raised from randomized clinical trials, experimental studies, monographs, books and literature
reviews. In all there is a consensus that blood pressure significantly reduces their blood
pressure levels after aerobic exercise training, both in hypertensive and in non-hypertensive
individuals.
Keywords: Blood Pressure, Hypertension, Post-Exercise Hypotension
5
INTRODUÇÃO
Considerada um dos principais fatores de risco para morbidade e mortalidade
cardiovasculares, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), assim definida como elevações
sustentadas no nível pressórico sistólico (PAS) igual ou superior a 140 mmHg e/ ou diastólico
(PAD) igual ou superior a 90mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação
anti-hipertensiva (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001), ocasiona, ao longo do tempo e, muitas
vezes de forma assintomática, o desenvolvimento de lesão em vasos e órgãos-alvo. Estas
alterações crônicas explicam a causa de 40% das mortes dos pacientes hipertensos serem por
acidente vascular encefálico e 25% por doença arterial coronariana (V DIRETRIZES
BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2006).
Com o aumento da expectativa de vida, pode-se observar, com maior freqüência, a
ocorrência de algumas doenças, especialmente as doenças cardiovasculares, que são
responsáveis pela maior parte das mortes registradas no Brasil desde a década de 60
(JUNIOR, 2001). Segundo o III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial (2001), cerca de
15 a 20% da população brasileira pode ser considerada hipertensa. Estatísticas estimam que
13 milhões de brasileiros possuam níveis tensionais acima de 160 mmHg e/ou 95 mmHg e 30
milhões níveis de 140-159 mmHg e/ou 90-94 mmHg, dos quais 50% (+/- 15 milhões)
desconhecem ser hipertensos (SILVA et al., 2006).
A literatura tem revelado que a HAS isoladamente é um fator de risco para diversas
doenças, tanto cardíacas quanto vasculares (MEDIANO et al., 2005), desta forma trata-se de
um dos mais graves problemas de saúde no país, não só pela elevada prevalência, como
também pela acentuada parcela de hipertensos não diagnosticados, ou não tratados de forma
adequada (SILVA, 2004).
Muitos são os fatores de risco para essa afecção, tais como obesidade, sedentarismo,
tabagismo e estilo de vida, que conforme autores afirmam, têm raízes na infância e
apresentam efeitos aditivos na vida adulta (FUENTES et al., 2000).
Estudos têm revelado associação entre o baixo nível de exercício físico e a presença de
hipertensão arterial (KRINSKI et al., 2008). O tratamento da HAS também inclui
modificações no estilo de vida, com a introdução de exercício físico, orientações alimentares,
comportamentos saudáveis e diminuindo o estresse (MARCEAU, et al., 1993). A prática
regular de exercício físico conduz a importantes adaptações cardiovasculares, reduzindo a
pressão arterial sanguínea (PA) em indivíduos hipertensos (BASTER, 2005).
6
O exercício físico promove, conseqüentemente, melhoria da qualidade de vida, menor
morbidade e mortalidade por doenças do sistema cardiovascular e benefícios evidentes para
os hipertensos e indivíduos normotensos (LEWINGTON et al., 2002)0, como melhora na
força muscular e capacidade para realização de tarefas do dia-a-dia, além de apresentar efeitos
favoráveis em diferentes aspectos da saúde como o bem-estar psicossocial (UMPIERRE,
2007)0.
A terapêutica não medicamentosa vem sendo recomendada no tratamento da HAS de
maneira isolada, no caso de hipertensos leves (estágio I), ou associada à terapia
medicamentosa nos indivíduos com hipertensão moderada (estágio II) e severa (estágio III).
(BUENO, 20100; V DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL. 2006).
A melhora na saúde dos hipertensos que praticam exercício físico se deve à exposição regular
do organismo ao estresse físico sendo capaz de promover adaptações hemodinâmicas e
autonômicas favoráveis à queda sustentada da pressão arterial (PA) (KRINSKI et al., 2006).
Existem diversos fatores que podem influenciar a hipotensão pós-exercício, são eles:
neurais (redução da atividade nervosa simpática e modificação no barorreflexo), humorais
(secreção de opióides e epinefrina) e locais (liberação de óxido nítrico, adenosina e redução
da resposta alfa-adrenégica) (NEGRÃO, 2010).
Várias seriam as adaptações derivadas da prática regular de exercício físico, como
remodelamento excêntrico do coração, com redução da freqüência cardíaca e aumento do
volume sistólico e débito cardíacos, extensos ajustes na microcirculação de tecidos
exercitados (remodelamento eutrófico de arteríolas e aumento da densidade de capilares e
vênulas, com redução da resistência e aumento da condutância locais). Esses ajustes ajudam a
determinar nos hipertensos a redução da pressão arterial, previnem ou retardam a incidência
de hipertensão, além de outras comorbidades como obesidade e diabetes (NEGRÃO, 2010).
DESENVOLVIMENTO
1. MÉTODOS
A revisão da literatura foi realizada através das bases de dados vinculadas a pesquisas
médicas experimentais e clínicas. As bases de dados incluídas nesta pesquisa foram: Pubmed,
MedLine, Scielo, Lilacs, Portal Capes e Biblioteca Central da Universidade Católica de
Brasília. Foram utilizados nesta revisão os artigos publicados entre os anos de 2000 e 2010,
em língua inglesa e portuguesa através do cruzamento dos unitermos: hipotensão pós
exercício (post-exercise hypotension), hipertensão arterial (hypertension), pressão arterial
7
(blood pressure). Na análise foram incluídos 46 artigos dentre eles: trabalhos clínicos
randomizados, trabalhos experimentais, monografias, livros e revisões de literatura.
2. DEFINIÇÃO DE PRESSÃO ARTERIAL
Segundo Monteiro et al (2009), a pressão arterial pode ser definida como a força em
que o coração bombeia o sangue através dos vasos, a qual depende de dois fatores: a
resistência que o sangue encontra nas artérias e o volume de sangue que o coração bombeia
em cada sístole, ou seja, é determinada pelo débito cardíaco e pela resistência periférica.
Portanto, a resistência periférica dos vasos sanguíneos está diretamente associada à
pressão arterial. Quando há vasoconstrição, o fluxo sanguíneo fica dificultado,
conseqüentemente, o sistema cardiovascular precisará bombear o sangue com maior força de
ejeção. Em situações onde há vasodilatação, ocorre o contrário (SIMÕES, 2006).
3. EFEITO HIPOTENSOR DO EXERCÍCIO AERÓBICO
Devido à pressão arterial ser o produto do débito cardíaco e da resistência vascular
periférica, reduções na pressão arterial sangüínea observada após a realização de uma sessão
de exercício físico deve resultar da diminuição do débito cardíaco, da resistência vascular
periférica ou de ambos. Alguns autores verificaram que a hipotensão pós-exercício se devia
principalmente à redução da resistência vascular periférica, apesar de elevação no débito
cardíaco (NEGRÃO, 2010).
Da mesma forma, foi relatado em indivíduos normotensos, diminuições significantes
na pressão arterial diastólica e média após sessão de exercício sub-máximo em esteira.
Entretanto, nesse estudo a redução da resistência vascular ocorreu na musculatura ativa, visto
que foi observada diminuição na resistência vascular da panturrilha (NEGRÃO, 2010).
Já outros autores observaram, em hipertensos idosos, que a diminuição da pressão
arterial produzida por uma sessão de exercício físico se devia à diminuição do débito
cardíaco, apesar do aumento da resistência vascular periférica. Nesse estudo, a diminuição do
débito cardíaco ocorria devido à diminuição do volume sistólico, apesar da freqüência
cardíaca aumentar (NEGRÃO, 2010).
Alguns fatores neurais e humorais podem também estar relacionados às alterações
hemodinâmicas responsáveis pela diminuição da pressão arterial no período de recuperação.
Foi observado por Forjaz et al. (2004), que a atividade nervosa simpática muscular e as
8
concentrações plasmáticas de adrenalina permaneciam inalteradas em relação à concentração
de controle após uma sessão de exercício sub-máximo, sugerindo que a hipotensão pode
ocorrer em indivíduos normotensos na ausência de reduções da atividade nervosa simpática.
Entretanto, foi relatada e observada redução significativa da atividade nervosa simpática
muscular após o exercício físico avaliado pela técnica da microneurografia.
No pós-exercício, ocorre uma hipotensão que pode se prolongar até 90 minutos, em
função de liberação de óxido nítrico que causa vasodilatação nos vasos periféricos, não mais
oposta a uma compressão mecânica “o resultado líquido é um declínio pós-exercício em
pressão arterial média devido à redução da resistência periférica total em conjunto com o
débito cardíaco decrescente”. (GRAVES, 2006). Essa hipotensão arterial pós-exercício ocorre
em normotensos e hipertensos. Umpierre (2007) acompanhou dois grupos: um controle, que
não fez exercício físico, e outro grupo que praticou uma sessão de exercícios resistidos em
circuito. Eles observaram que durante o período de sono, houve queda significativa da PA
após a sessão de exercício resistido em comparação à condição controle. Negrão (2006) em
suas investigações , verificou queda da pressão arterial por até 10 horas após o exercício em
mulheres hipertensas em uso de Captopril.
Sabendo-se do efeito do estrogênio na modulação da pressão arterial, o efeito
hipotensor pode variar de acordo com o gênero. A queda da pressão arterial após treinamento
físico em hipertensos parece ser mais freqüente em mulheres do que em homens na totalidade
dos estudos analisados com estas. Os estudos realizados em homens também demonstraram
queda, porém não unânime, da pressão arterial pós treinamento físico dinâmico (NEGRÃO,
2010).
A idade e etnia também influenciam a queda da pressão arterial pós treinamento.
Estudos comprovam maior magnitude da hipotensão pós exercício em indivíduos com faixa
etária entre 41 e 60 anos, justificando a maior gama de estudos envolvendo essa classe.
Quanto à etnia, observou-se maior freqüência da queda da pressão arterial em asiáticos em
relação a caucasianos. Apesar de poucos estudos com afro-descendentes, foi observada menor
incidência de hipertensão arterial nesses indivíduos, os efeitos hipotensores pós treinamento
também se mostraram benéficos nesse estrato (NEGRÃO, 2010).
4. O EXERCÍCIO FÍSICO AERÓBIO COMO TRATAMENTO
O exercício físico como tratamento de cardiopatas data de meados do século XVIII
em um estudo do médico inglês Willian Heberden, que observou melhora nos sintomas de um
9
paciente que sofria de angina e diariamente se obrigava a serrar madeira. Quase um século
depois, Willian Strokes relatou que sintomas e falência cardíaca eram revertidos com
caminhadas regulares de intensidade moderada e progressiva. Posteriormente, essa terapêutica
foi dada como proibitiva, estar associada a riscos de ruptura cardíaca, insuficiência cardíaca e
morte súbita. Somente na metade do século XX Levine & Lown introduziram o inovador
tratamento de mobilização precoce pós-infarto do miocárdio, mostrando que essa conduta
reduzia o número de complicações provenientes do repouso prolongado, marcando uma nova
era do tratamento de pacientes cardíacos (NEGRÃO, 2010).
Atualmente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2004) enfatiza que os exercícios
são indicados como atividade complementar no tratamento de doenças, ajudando a promover
adaptações favoráveis na função cardiovascular. O tratamento da HAS também inclui
modificações no estilo de vida, com a introdução de exercício físico, orientações alimentares e
comportamentos saudáveis, prevenindo o estresse (SIMÃO, 2008).
A
prática
regular
de
exercício
físico
conduz
a
importantes
adaptações
cardiovasculares, reduzindo a PA sanguínea em indivíduos hipertensos (MONTEIRO, 2007).
Felizmente, sabe-se que 75% dos pacientes hipertensos, que realizam exercício físico regular,
diminuem os níveis de PA (HARGBERG, 2000), o que faz com que essa conduta seja
considerada importante ferramenta no tratamento da HAS (RONDON, 2003; MONTEIRO,
2004;). Tem sido documentado também que o exercício físico pode controlar a HAS até
mesmo dispensando o uso de medicamentos (RONDON, 2003), ajudando a reduzir a dose ou
a quantidade de medicamentos anti-hipertensivos (OLIVEIRA, 2010), aumentando a
capacidade funcional e melhorando a qualidade de vida e o prognóstico de doenças
(BYBERG et al, 2001; LATERZA, 2006; BERRY, 2010).
Além de benefícios cardiovasculares, nota-se importante adaptação simpática
periférica. A freqüência de despolarização dos neurônios simpáticos guarda correlação direta
e pronunciada com os padrões de pulso arterial e ritmo respiratório sendo inibida e excitada
pela ativação dos barorreceptores e quimiorreceptores, respectivamente, e modulada de
maneira contínua pelas áreas suprabulbares de integração. Qualquer alteração nesse sistema
pode gerar hiperatividade simpática e aumento mantido da pressão arterial. O treinamento
aeróbico determina o aumento da atividade vagal e redução da hipertonia simpática,
ocasionando sensível melhora do controle neural da circulação observada em indivíduos
hipertensos pós exercício aeróbico (NEGRÃO, 2010).
Os benefícios dos exercícios físicos são notados em médio prazo, como demonstrado
nos estudos de Viecili (2008), em que 48 indivíduos foram selecionados de forma aleatória, e
10
submetidos a um programa com sessões de exercício aeróbio. O aeróbio foi realizado na
forma de caminhada em esteira elétrica, três vezes por semana em sessões progressivas de 20
a 40 minutos, durante 12 semanas ininterruptas. Ao término do programa foram observados
os melhores resultados de redução de PAS e PAD a partir da 12a semana.
Estudos com exercícios aeróbicos de na água também se mostraram eficazes no
tratamento de hipertensão. Simões et al (2008), estudou esse efeito em mulheres hipertensas
após treinamento de 8 semanas, com sessões duas vezes por semana de duração de 45 minutos
e concluiu que houve um aumento significante do consumo máximo de oxigênio e uma
redução significante da freqüência cardíaca e da PAD após o esforço.
A prática regular de exercício aeróbio pode provocar reduções na PA sistólica de 2,72
a 4,97 mmHg e na PA diastólica de 1,81 a 3,35 mmHg, como demonstrado na metanálise
publicada por Whelton et al (2002). Já nos estudos de Cornelissen e Fagard (2005), ao
analisarem 30 estudos, observaram queda da PAS de 7 mmHg e da PAD de 5 mmHg em
hipertensos submetidos ao exercício físico.
Segundo os estudos de Oliveira, et al. (2010)0, realizados com 23 indivíduos em um
programa de exercícios de caminhada de 30 minutos por 10 semanas, os exercícios físicos
aeróbios demonstraram eficácia na redução do uso de medicação hipertensiva, redução dos
níveis pressóricos e na melhora da qualidade de vida dos indivíduos.
Os estudos de Simão (2008)0 realizados com 48 indivíduos sedentários e hipertensos
do sexo masculino, divididos em dois grupos (grupo de treinamento e grupo controle)
apontaram significativa redução da PAS após 16 semanas de treinamento aeróbio.
Naturalmente os efeitos benéficos do exercício também são igualmente verificados em
mulheres hipertensas, como demonstra o estudo de Monteiro (2007), no qual dezesseis
mulheres hipertensas foram submetidas a um treinamento aeróbio de 4 meses e obteve-se
expressiva melhora dos níveis de pressão arterial, além do condicionamento físico, perfil
lipídico e até mesmo flexibilidade.
Outro resultado interessante diz respeito à regressão da placa e da isquemia. Alguns
autores verificaram que pacientes com angina estável, submetidos a 12 semanas de exercício e
dieta hipolipídica podem apresentar melhora na perfusão miocárdica, mesmo que não ocorra
regressão da lesão aterosclerótica. Esses resultados sugerem que o aumento da perfusão
miocárdica em decorrência do exercício físico não é apenas dependente da regressão de placa
coronariana, mas também de aumento da circulação colateral, entre outros (NEGRÃO, 2010).
Também tem sido relatados benefícios do exercício físico em indivíduos que já
sofreram um infarto agudo do miocárdio (IAM). Nos estudos de Berry e Cunha (2010) 37
11
pacientes, sendo 27 homens e 10 mulheres, foram submetidos a um programa de reabilitação
três vezes por semana com sessões de 90 minutos. Para esses indivíduos, observaram-se
significativas alterações como aumento de 14% no VO2 pico, aumento na frequência cardíaca
máxima em 6,2% e na pressão arterial sistólica máxima de 6%. Além de redução nos níveis
séricos do colesterol total, fração LDL-c, triglicérides, glicose e elevação da fração HDL-c,
dentre outros achados. Todas essas alterações tiveram significância estatística e comprovam
que os benefícios se estendem à reabilitação em nível terciário, não somente no primário.
5. O
EXERCÍCIO
FÍSICO
AERÓBIO
COMO
ESTRATÉGIA
DE
PREVENÇÃO
O exercício físico regular exerce papel fundamental sobre os componentes da saúde,
uma vez que está inversamente relacionada com a presença de inúmeras enfermidades. O
Ministério da Saúde (2002) aponta que 60% da população brasileira adulta que vive em áreas
urbanas mantêm hábitos de exercício físico insuficientes, condição que contribui para a
preocupante projeção de que 73% dos casos de óbito em 2020 sejam atribuídos às doenças
crônicas advindas do sedentarismo, sendo a hipertensão arterial uma das principais.
Nesse sentido, vale destacar o estudo de coorte de Bueno, cujo estudo demonstrou que
atividades de baixa intensidade, como tarefas domésticas, danças e passeios, acarretam
redução significativa das manifestações das doenças coronárias. O nível de exercício físico
elevado é inversamente associado com mortalidade para doenças cardiovasculares, onde os
incrementos em atividade diária foram associados com redução de peso e gordura intraabdominal (BYBERG, 2001).
Esse efeito protetor do exercício físico também está relacionado à menor
morbimortalidade em homens e mulheres. Em relação à hipertensão arterial, a falta de
exercício físico está associada com maior risco de desenvolvimento de hipertensão arterial.
Dessa forma, o exercício físico regular vem sendo considerado um importante coadjuvante na
prevenção e tratamento da hipertensão arterial, contribuindo para melhoria de outros fatores
de risco cardiovascular, como dislipidemia, intolerância ao metabolismo da glicose e
obesidade (NEGRÃO, 2010).
Além de prevenção de complicações do quadro de HAS, o exercício físico aeróbico
também oferece benefícios no que diz respeito a indivíduos normotensos, visto que o efeito
hipotensor se estende também a esse grupo. Nos estudos de Corazza (2003) foram
comparados dois grupos de mulheres, normotensas x hipertensas limítrofes, em que foram
12
observadas reduções nos níveis de PAS, PAD e PAM até oito horas após atividade aeróbica
de 30 minutos em esteira rolante de ambos os grupos. Forjaz (2000) observou redução da PAS
e PAD de normotensos em torno de 7 e 4 mmHg, respectivamente, efeito este que se
prolongou nas 24 horas pós exercício.
Bueno (2010), destaca os benefícios da atividade e a aptidão física para a saúde e
redução da mortalidade e desenvolvimento de doenças do coração. A relação dose resposta
tanto do exercício físico como dos níveis de aptidão cardiorrespiratória mostrou-se
inversamente associada com as taxas de mortalidade por todas as causas (ativos vs
sedentários; razão de 1:2).
Diversas diretrizes internacionais foram publicadas propondo o aumento da atividade
física diária e dos exercícios regulares (ao menos 30 minutos por dia) associados à
alimentação balanceada, como formas prevenção de doenças e manutenção das condições de
saúde. Nestas comunicações o exercício físico é proposto como a alternativa mais adequada
para a prevenção e controle de morbidades crônico-degenerativas resultantes do
comportamento sedentário, por promover manutenção do peso corporal e ajustes importantes
no sistema cardiovascular (PESCATELLO, et al. 2004; HASKELL, et al. 2007;
THOMPSON, et al. 2007). Estas iniciativas são importantes quando se considera que os
custos com a terapêutica medicamentosa empregada junto aos pacientes em tratamento são
demasiadamente altos, mas de modo geral, particularmente em relação à hipertensão arterial,
não exercem efeito curativo, apenas controle dos níveis tensionais (ROLIM, 2007).
Por fim, é importante salientar que pacientes hipertensos só devem iniciar programas
de exercícios regulares após terem sido submetidos a avaliação clínica prévia. Os programas
de treinamento físico tanto para prevenção quanto para reabilitação cardiovascular devem
contar com atividades aeróbicas dinâmicas, como caminhadas, corridas leves, ciclismo e
natação. É recomendada freqüência de três a seis vezes por semana, com diferentes
intensidades para indivíduos condicionados e sedentários. As sessões de exercícios devem ter
a duração de 30 a 60 minutos (NEGRÃO, 2010).
CONCLUSÃO
A pressão arterial sistêmica reduz, significativamente, seus níveis tensionais após
treinamento de exercício aeróbico, tanto em indivíduos hipertensos quanto em indivíduos não
hipertensos.
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Guilherme Negrão Pereira - Universidade Católica de Brasília