16/11/2015 Sociedade Simples Caroline da Rosa Pinheiro Aspectos Gerais A sociedade simples, como o próprio nome indica desenvolve o seu objeto de forma não empresária e é uma sociedade contratual. Apesar de não empresária, a sociedade simples faz jus à proteção de seu nome, pois é através deste que é identificada perante a sociedade. Por este motivo, para efeitos de proteção legal, deverá usar denominação. A responsabilidade dos sócios poderá ser limitada ou ilimitada, dependendo do contrato social. Mesmo no caso de responsabilidade ilimitada e solidária, os bens particulares dos sócios só podem ser alcançados depois da execução dos bens da sociedade (benefício de ordem). Contrato Os elementos essenciais do ato constitutivo estão previstos no art. 997, CC, e o pedido de registro no RCPJ deverá ser feito no prazo de 30 dias, contados da lavratura dos seus atos constitutivos.71 Em relação à modificação do contrato social é necessário observar o seguinte. Assunto Quórum Matérias do art. 997 Unanimidade Demais matérias Maioria absoluta • A sociedade simples é uma sociedade de pessoas, não de capital como a SA, por exemplo. Isto significa dizer que o elo que mantém os sócios unidos, a affectio societatis é mais forte neste caso. Há diversos mecanismos que comprovam o fato de a sociedade simples ser uma sociedade de pessoas. Um deles é o que trata da cessão total ou parcial de cotas, condicionando-a à anuência dos demais sócios (lembrando que deve ser averbada no órgão competente). 1 16/11/2015 Cessão de Quotas e Sócio Remisso No caso de cessão de cotas, o cedente responderá solidariamente com o cessionário pelas obrigações que tinha como sócio, perante a sociedade e perante terceiros. Essa responsabilidade solidária não poderá ultrapassar o prazo de 2 anos. A fluência desse prazo só tem início com a averbação da modificação contratual. O art. 1.004, CC trata da figura do sócio remisso. Remisso é o sócio que não cumpre com a sua obrigação de integralizar o capital social subscrito, mesmo 30 dias depois de regularmente notificado. Diante desta situação, a maioria dos demais sócios, podem: a) Requerer indenização pelo dano causado b) Excluir o sócio remisso da sociedade c) Reduzir a participação do sócio remisso no capital social ao montante já realizado Sócio Remisso e Contribuição Social No caso de exclusão do sócio remisso ou redução das suas cotas, se o valor faltante não for complementado pelos demais sócios, será necessário reduzir o capital social (Art. 1.031, § 1°, CC). Nesse tipo, é possível que alguns dos sócios contribuam com serviços. O sócio de serviços deve observar algumas restrições, tais como não poderá exercer a mesma atividade fora da sociedade, a não ser que haja expressa autorização no contrato social; não tem cotas sociais. Isto é, o sócio cuja contribuição consista em serviços, participará dos lucros com base na média do valor das cotas sociais existentes. Cláusula Leonina e Administração O art. 1.008, CC veda a instituição de cláusula leonina, isto é, a previsão contratual que prive os sócios da participação nos lucros e nas perdas sociais é considerada nula. Razões: atividade empresarial é um empreendimento de risco, o resultado pode ser tanto positivo como negativo, devendo ser partilhado entre os sócios em qualquer hipótese. Na sociedade simples, o administrador pode ser nomeado no contrato social ou em ato em separado, desde que este seja averbado. Caso o administrador pratique atos de gestão antes de proceder à averbação, responderá pessoal e solidariamente com a sociedade. 2 16/11/2015 Administração As atribuições dos administradores podem ser discriminadas ou não no ato que os nomear (contrato ou instrumento em separado). (Artigo 1.105) O mais comum é que tais atribuições não estejam definidas. Nesta hipótese os administradores podem praticar todos os atos regulares de gestão, ou seja, atos afetos ao objeto social. Em regra, como o administrador é órgão da sociedade (teoria da presentação), seus atos obrigam a própria pessoa jurídica perante os terceiros com quem contratar. Entretanto, o parágrafo único do art. 1.015 traz matérias de defesa da sociedade, na quais ela não responderia perante o terceiro, que só teria como se ressarcir no patrimônio do próprio administrador. É caso de de responsabilidade pessoal e direta do administrador pelos excesso praticados. Administração Se a limitação de poderes do administrador estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade = valorização do sistema registral que, confere publicidade aos atos praticados, sendo possível seu conhecimento por qualquer pessoa. Ainda que a limitação não estivesse devidamente arquivada, provando-se que era conhecida do terceiro = hipótese de terceiro de má fé, que não merece tutela do ordenamento jurídico. Operação evidentemente estranha ao objeto da sociedade = Trata-se da Teoria do Ato Ultra Vires Societatis, ou seja, atos do administrador estranhos ao objeto social não obrigam a sociedade. Administração Agindo com culpa, o administrador terá responsabilidade pessoal perante terceiros e perante a sociedade. A função de administração é personalíssima, mas permite mandato com poderes específicos. O sócio nomeado administrador no contrato social, não poderá ser destituído, salvo justa causa, apreciada judicialmente. Mas se o sócio ou qualquer outra pessoa foi nomeado administrador por ato em separado, seus poderes são revogáveis a qualquer momento. 3 16/11/2015 Livros Em relação aos livros sociais, é importante destacar que, salvo estipulação expressa em contrário, o sócio pode, a qualquer tempo examinar os livros, documentos e o caixa da sociedade da qual participa.86 No que se refere à liquidação da cota de sócio, a lei impõe regime diferenciados para credores, cônjuge separado judicialmente e herdeiros: Credor particular do sócio Herdeiros de cônjuge de sócio ou cônjuge separado judicialmente Pode executar os lucros percebidos pelo devedor ou a parte que lhe couber na liquidação da sociedade. Não podem exigir desde logo a parte que lhes couber na quota social. Mesmo que a sociedade não esteja Concorrem à divisão periódica de lucros até dissolvida, o credor pode requerer a que a sociedade seja liquidada. cotapossível do devedor • liquidação Ao credor,daseria penhorar a cota de seu devedor que seja sócio em qualquer sociedade. • De acordo com o art. 649, CPC, as cotas não são bens impenhoráveis, ao contrário, aparecem na 6ª posição dos bens passíveis de execução, conforme art. 655, VI, CPC. • Para evitar a entrada de um terceiro, estranho ao quadro social e abalo à affectio societatis, principalmente nas sociedades de pessoas, o legislador facultou à própria sociedade adjudicar as cotas penhoradas para satisfazer o credor sem ter que tolerar o ingresso de novo sócio, conforme art. 685-A, § 4°, CPC. Resolução A resolução ocorre quando um sócio sai da sociedade, mas ela permanece em funcionamento. Há 3 hipóteses: (i) Morte de sócio (art. 1.028, CC) = em (ii) Exercício do direito de recesso/ retirada (art. 1.029, CC) (iii) Exclusão de sócio (art. 1.030, CC) Em regra, quando um sócio falece, sua quota é liquidada. Porém, de acordo com o art. 1.028, CC, ao invés da liquidação, é possível: a) Dissolver a sociedade ou b) Combinar com os herdeiros a substituição do sócio falecido. É importante lembrar que ninguém é obrigado a ficar associado eternamente. Por isso, qualquer um pode se retirar de uma sociedade (direito de recesso/ retirada) Resolução Além da exclusão do sócio remisso, é possível excluir um sócio por falta grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade superveniente. Essa exclusão tem que ser judicial (ao contrário da exclusão do sócio remisso) e deverá ser proposta pela maioria dos demais sócios. Nesses casos (de resolução da sociedade em relação a um sócio), a respectiva cota será liquidada. Importante: a retirada, exclusão ou morte do sócio não o exime ou a seus herdeiros de honrar com as obrigações assumidas pelo prazo de 2 anos a contar da averbação da modifi cação do contrato social. 4 16/11/2015 Resolução Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a um sócio, o valor da sua cota será liquidado com base em balanço patrimonial especialmente levantado para este fim. A base de cálculo será o valor efetivamente realizado. Esta quantia deverá ser paga em dinheiro no prazo de 90 dias, salvo estipulação contratual ou acordo em contrário entre as partes. O capital social deverá sofrer a respectiva redução caso os demais sócios não o complementem. A morte, retirada ou exclusão do sócio não o exime ou a seus herdeiros das obrigações sociais pelo prazo de 2 anos contados da averbação da resolução da sociedade. OBS: Atenção para não confundir o art. 1.003, parágrafo único com o 1.032, CC. Em que pese os dois trazerem o prazo de 2 anos, são hipóteses distintas: no primeiro caso cessão de cotas e no segundo referente à hipóteses de resolução da sociedade Dissolução É o procedimento de extinção da sociedade, que pode ocorrer pelas razões previstas nos arts. 1.033 e 1.034: a) Vencimento do prazo de duração; b) Consenso unânime dos sócios; c) Deliberação dos sócios por maioria absoluta, na sociedade por indeterminado; prazo d) Falta de pluralidade de sócios; e) Extinção da autorização para funcionar. Rol não taxativo! Dissolução Judicialmente a sociedade pode ser extinta se a sua constituição for anulada, se foi atingido o seu f m social ou ainda se se verificar que é impossível cumprir sua finalidade. A primeira etapa da dissolução é a dissolução stricto senso. Aqui se verifica a hipótese que ensejou a dissolução e todas as atividades da sociedade são interrompidas (com exceção daquelas inadiáveis, sob pena de responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores). Dissolvida a sociedade e cessadas suas atividades, é necessário providenciar a investidura do liquidante, que ficará no lugar do administrador. 5 16/11/2015 Dissolução A segunda etapa da dissolução é a liquidação. Nesta fase serão apurados o ativo e o passivo para que os credores sejam satisfeitos. Feito isto e partilhado o remanescente (caso existam sobras após o pagamento de todos os credores), o liquidante deverá convocar assembleia dos sócios para a prestação final de contas. Destaque-se que se durante o procedimento de liquidação o liquidante perceber que o passivo é maior que o ativo, tem a obrigação de confessar a falência. É importante destacar que durante todo este procedimento a sociedade liquidanda mantém sua personalidade jurídica. Aprovadas as contas do liquidante a fase de liquidação se extingue a com a averbação da ata da assembleia no registro competente, a sociedade perderá sua personalidade jurídica. Dissolução Caso algum sócio não concorde com a prestação de contas (mas tenha sido voto vencido) poderá promover a ação que entender cabível no prazo de 30 dias. Se o insatisfeito for credor da sociedade, poderá ajuizar ação contra os sócios para receber deles o que receberam na partilha (até o limite do que cada um recebeu) e ainda poderá propor ação de perdas e danos em face do liquidante. As duas ações devem ser propostas no prazo de 1 ano contado da publicação da ata de encerramento da liquidação. 6