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AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
LÍNGUA PORTUGUESA : UMA ANÁLISE DOS PARÂMETROS
CURRICULARES
Autora: Alextania Piran da Silva
Orientadora: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes
ARIPUANÃ /2010
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AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
LÍNGUA PORTUGUESA : UMA ANÁLISE DOS PARÂMETROS
CURRICULARES
Autora: Alextania Piran da Silva
Orientadora: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes
“Trabalho apresentado como exigência
parcial para a obtenção do titulo de
Alfabetização e Letramento.”
ARIPUANÃ – MT
2010
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AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________
ORIENTADORA: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes
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AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a DEUS por ter me proporcionado à
oportunidade de cumprir mais uma etapa de minha vida.
Aos meus pais que além da vida me deram sempre incentivo e coragem
para o estudo.
Aos meus irmãos e colegas que compartilharam com ideais e me
alimentaram com incentivos para prosseguir na jornada, quais fossem os
obstáculos, deixando
aqui a conquista com a mais profunda admiração e
respeito.
Aos amigos companheiros, o preito imutável e duradoura amizade.
Aos mestres que transmitiram seus conhecimentos e experiências
profissionais e de vida com dedicação e amor, expresso aqui os meus maiores
agradecimentos e o meu profundo respeito, que sempre serão poucos diante
do muito que me foi oferecido.
5
DEDICATÓRIA
Ao meu esposo e filha
que souberam, com muito amor e carinho,
apoiarem-me nas horas de dificuldade
esmorecer.
e desanimo e nunca deixaram me
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EPÍGRAFE
“Qualquer que seja a raça, cultura, o espaço que ocupe,
o tempo em que vive o homem está sempre em contato
com outros homens inter - relacionando, comunicandose, e essa inter-relação se dá sempre através da
linguagem”.
(Possari e Neder, 2005, p.17)
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RESUMO
O ser humano é um ser histórico, ao longo de sua vida ele constrói
conhecimentos. A linguagem é representação que os seres humanos fazem no
meio em que está inserido. Esta representação acontece na vida de todos os
indivíduos desde muito pequenos. Nesse sentido, do reconhecimento da
linguagem ao longo de sua trajetória, o aluno ao iniciar a sua vida escolar já
detém conhecimentos prévios, que, devem ser considerados pela escola. Em
termos de Brasil existem diretrizes específicas que orientam a educação no
Brasil e são separados por disciplina, conhecidas como PCNs, - Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs) são diretrizes elaboradas pelo governo
Federal.Este trabalho sugere como formar um leitor competente, capaz de agir
na sociedade, visando aperfeiçoar e valorizar o cidadão pelas linguagens
artísticas, literárias e históricas a partir da compreensão do seu papel enquanto
sujeito histórico. Todavia, é importante enfatizar a parceria do educador como
facilitador na produção dos textos por parte dos alunos e possibilitam
desenvolver habilidades cognitivas, sociais e emocionais que buscam a
recriação intelectual, crítica e reflexiva dos problemas sociais. É necessário
ainda, discutir os Parâmetros Curriculares Nacionais e divulgar seu conteúdo,
motivando os professores a debater as propostas e a sugerir atividades.
Percebe-se também que a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita pelo
indivíduo ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sóciohistóricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.
Palavras-chave:
Parceria,Linguagem
Parâmetros
Curriculares
Nacionais,
Educador,
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..................................................................................................09
CAPÍTULO I : CAPÍTULO I: LÍNGUA
E LINGUAGEM: O ELO DO
DESENVOLVIMENTO HUMANO.....................................................................11
CAPÍTULO II: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.........................................14
CAPÍTULO III: CONHECENDO PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DE
LÍNGUA PORTUGUESA..................................................................................17
3.1 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO
FUNDAMENTAL
SEGUNDO
O
PARÂMETRO
CURRICULAR
NACIONAL.......................................................................................................21
3.2. ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA.............................................23
3.3. ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA NO PRIMEIRO
E SEGUNDO CICLO........................................................................................25
CONCLUSÃO .................................................................................................30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................32
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INTRODUÇÃO
A Linguagem direciona ideias, pensamentos e desejos. Como um meio
de intenção, é necessária para o homem, vital para sua participação social,
seja ela verbal ou não – verbal. A língua é produzida socialmente e, por isso,
esta em constante renovação. Em seus usos tanto na escrita como na fala, a
língua permite
ao homem a comunicação o registro de suas atividades, a
reflexão, a produção de novos conhecimentos e a socialização.
A prática de ensino deve centrar-se no desenvolvimento de habilidades
de uso da linguagem: da língua oral, para que os alunos saibam adequar suas
falas as diferentes contextos diários e da língua escrita, para que ao
compreender o uso de diferentes formas em que ela se apresenta, tornem-se
usuários competentes desse mecanismo de participação social.
Nesse sentido temos, portanto uma interação entre desenvolvimento e
aprendizagem, que se da seguinte maneira: em um contexto cultural
com
aparato biológico básico interagir, o individuo se desenvolve movido por
mecanismos de aprendizagens provocadas por mediadores. Nesse sentido
para Vygostsky (1998,p.22) “o processo de aprendizagem deve ser olhado por
uma ótica prospectiva, ou seja, não se deve focalizar o que a criança aprendeu,
mas sim o que ela esta aprendendo”. Em nossas práticas pedagógicas, sempre
procuramos prever em que tal ou qual aprendizado poderá ser útil àquela
criança não somente no momento em que é ministrado, mas para além dele.
Com isso percebe-se que o educador deve trabalhar alfabetização e
letramento desde que o educando chega na escola, estimulando-a o participar
ativamente do processo de construção da leitura e da escrita de seu mundo,
afim de experimentar novas linguagens.
Percebendo que é de fundamental importância trabalhar alfabetização e
letramento nas series inicias para que o indivíduo possa ampliar a habilidade
de uso da linguagem oral e escrita, que é um dos requisitos primordiais de
participação efetiva e social no meio em que se encontra. É pela interação que
nos comunicamos, nos informamos e expressamos nossos diferentes pontos
de vista.
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Para entendermos esse processo, procuramos mostrar, por meio de
estudos bibliográficos o que está ocorrendo no processo de alfabetização e
letramento nas séries iniciais do ensino fundamental contido na proposta dos
Parâmetros
Curriculares
Nacionais
da
Língua
Portuguesa
(PCNs).
Pretendemos, ao longo da pesquisa compreender a sua proposta de
Alfabetização e Letramento observando o tratamento dado à Linguagem Verbal
e Não–Verbal e tecermos uma análise sobre ela.
A coleta de suporte teórico de deu por meio de livros alusivos ao tema e
pesquisa na web em sites específicos, além de revistas e apostilas. A redação
dessa monografia se deu no primeiro capítulo a Língua e linguagem: o elo do
desenvolvimento humano, no segundo a diferença entre letramento e
alfabetização e no terceiro a análise dos PCNs com relação à língua
portuguesa.
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CAPÍTULO I: LÍNGUA E LINGUAGEM: O ELO DO DESENVOLVIMENTO
HUMANO
A linguagem é a capacidade natural que o ser humano tem de se
comunicar, seja por meio de palavras, gestos, imagens, sons, cores,
expressões, etc. A linguagem pode ser classificada em: verbal e não verbal.
•
Verbal – quando usa palavras (escrita ou falada)
•
Não-verbal – quando utiliza gestos, sons, cores, imagens, etc.
Pode-se optar pelo uso de uma ou outra forma de linguagem, ou mesmo
utilizar a combinação das duas para se comunicar.
Mediante o trecho acima vimos que os seres humanos estão sempre
se interagindo uns com os outros pela linguagem tanto verbal como não –
verbal.
Somos seres de natureza falante, porém, ao entrar na escola, há uma
ruptura, a escola privilegia o ensino da língua que são as normas e regras para
se escrever e ler conforme a norma culta, o ensino do significado prevalece e
por muitas vezes atropela os significados que os alunos já conhecem sobre
determinado signo.
De acordo com Kato (1992, p.45)
A Linguagem não – verbal, que é a primeira a aprendermos, ainda
não esta sendo valorizada no âmbito escolar. Cabem as instituições
escolares estarem ampliando as concepções de ensino da
Linguagem, alguma vezes o termo ambiente alfabetizador vem sendo
confundido com a imagem de uma sala com paredes de textos
fragmentados que não dão oportunidades para que os alunos
participem e ampliem seus conhecimentos. Dessa maneira alguns
lingüísticos perceberam que havia alguma coisa alem da
alfabetização, que era mais ampla, e até determinante desta, que era
a oferta de textos variados e de diferentes gêneros voltado para o
ambiente de Letramento.
A língua é o conjunto de sinais que determinadas comunidades usam
para se comunicar. Para Kato (1992) é na escola que ela começa a construir
suas narrativas de forma mais sistemática, valorizando os aspectos
necessários para que seja compreendida.
12
Presume-se que a experiência de mundo facilite as práticas escolares,
do mesmo modo que os saberes aprendidos na escola tornem os cidadãos
mais preparados às exigências do mundo letrado.
Aprender a operar a concordância nominal e verbal, por exemplo, de
acordo com os ditames da tradição gramatical, ou reconhecer as
unidades de medida e monetária e operá-las em conformidade com as
convenções dos algoritmos matemáticos, representa equipar o cidadão
tecnicamente, de modo a tornar seu conhecimento tanto mais
específico quanto mais amplo, para adequá-lo às diferentes
necessidades lógico-lingüísticas que se lhes apresentam no cotidiano.
(KATO,1992, p.73).
Kato (1992), reforça ainda que nesse paradigma o objetivo de ensino da
língua escrita, visa à formação do leitor e produtor de textos competente,
possibilitando-o a fazer uso da leitura e da escrita no contexto social. O ato de
alfabetizar, nesse sentido, demanda um ensino pautado em todo tipo de
conhecimento que envolve a língua escrita (aspectos fonéticos, fonológicos,
morfológicos, sintáticos e culturais).
Podemos entender tal relevância no sentido da participação crítica nas
práticas sociais que envolvem a escrita, mas também no sentido de considerar
o diálogo entre os conhecimentos da vida cotidiana, constitutivos de nossa
identidade cultural primeira, com os conhecimentos de formas mais elaboradas,
próprias do contexto escolar, de explicar aspectos da realidade.
De acordo com Leite (2001), a necessidade de ampliar o conceito de
alfabetização, no sentido de projetar um processo crítico de aprendizagem da
leitura e da escrita que vá além do conhecimento da escrita e da leitura de
frases e textos simples, é um dos fatores que vêm determinando a discussão
sobre a noção de letramento.
A aprendizagem da escrita de um modo restrito não alteraria o
estado ou a condição do indivíduo no que diz respeito a
aspectos sociais, psíquicos, culturais, políticos, cognitivos,
lingüísticos e até mesmo econômicos; do mesmo modo, não
alteraria determinados grupos sociais, em relação a efeitos de
natureza social, cultural, política, econômica e lingüística que a
condição de letrado lhes poderia possibilitar. (SOARES, 1998
p.46).
Dessa forma torna-se relevante distinguir o acesso ao sistema de escrita
e ao seu conhecimento, enquanto tecnologia, do acesso ao mundo da escrita e
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dos conhecimentos aí implicados, isto é, à escrita como prática social, como
um saber, no caso do letramento. O profissional de educação deve ser capaz
de fazer sua interferência na realidade, o que certamente, gerará novos
conhecimentos, e isto, é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar
na mesma.
O letramento não está restrito ao sistema escolar, cabe à escola,
fundamentalmente, levar os seus educandos a um processo mais
profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. Saber
ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para
capacitar o indivíduo para a leitura diversificada, neste ponto entende se que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos.(KATO
1992, p.42).
Para o educador se tornar um “professor-letrador” é preciso que o
mesmo obtenha informações a respeito do tema, as suas dimensões e,
sobretudo, a sua aplicação. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e
investigação, que geram subsídios-suportes.
O ato de ler envolve habilidades individuais lingüísticas e psicológicas,
parte da decodificação do código até a compreensão do texto escrito. A
escrita também requer do indivíduo o domínio de habilidades e
conhecimentos que o possibilitem relacionar-se com os símbolos
sonoros e escritos e a partir disso comunicar-se com o leitor
expressando suas idéias e pensamentos, não basta o indivíduo contar
com as habilidades de ler e escrever se não o faz socialmente. ( KATO
1992, p. 54).
Em contrapartida apenas relacionar-se com a escrita sem dominar o
código também não garante, nesta perspectiva, que o indivíduo seja de fato
letrado. Nesse sentido cabe ao aluno dominar o sistema de escrita e realizar a
leitura de mundo isso é fundamental para o sucesso do ser social e individual.
No entanto as práticas sociais de leitura e escrita devem gerar
questionamentos, reforçar valores, tradições e formas de distribuição do poder.
14
CAPÍTULO II : ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: A DUPLA PARA A
APRENDIZAGEM
Conforme SOARES (1998, p.15) “Alfabetização em seu sentido próprio,
específico processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e
escrita”. TFOUNI (2000, p. 09) coloca que “A alfabetização refere à aquisição
da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e as
chamadas práticas de Linguagem”.
De acordo com Kato (1992), não é possível considerar apenas o
conhecimento escolar, uma vez que este por si só não garante a formação de
leitores e praticantes da escrita, capazes de usar a escrita como ferramenta de
crescimento pessoal, intelectual, e principalmente de transformação e
intervenção social.
Nesse sentido compreende-se que o letramento está relacionado à
apropriação de conhecimentos que constituem a cultura chamada letrada,
nossos estudos, nos levam a dimensionar o relevante papel que a escola tem,
especialmente para as classes populares, na constituição de sujeitos letrados.
De acordo com Soares (1998), Possari e Neder (2005), consideramos
que a alfabetização é um processo do qual o aluno se apropria da habilidade
da codificação e decodificação dos códigos escritos, porém, temos por
conhecimento que não é somente esse mecanismo que possibilitará uma
aprendizagem significativa para a formação de um cidadão crítico e
participativo no meio social, essa consideração apresentada acima segue a
proposta prevista no processo de Letramento.
Como afirma Soares (1998,p,19) “letramento é, pois, o resultado da ação
de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire
um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da
escrita”.
Conforme diz Kato (1992,p.38), “o letramento abrange mais que
simplesmente ler e escrever”. O indivíduo letrado inserido em práticas sociais
de leitura e escrita devem ser capazes de usar esse conhecimento em
15
benefício da sociedade e de si próprio. Tomando uma atitude crítica em relação
a tudo o que o cerca, buscando uma forma de transformar a sociedade em que
está inserido.
O processo de letramento que Possari e Neder (2005) consideram em
seus discursos é baseado em Kleiman (1995, p. 19) que diz que o “conjunto de
práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico e enquanto
tecnologia em contextos específicos para objetivos específicos”. E conforme
Matencio (1994,p.242) apud Kleiman (1995,p.19) “ [...] a construção de sentidos
pelos sujeitos, permeada por suas praticas sociais, culturais e discursivas,
construindo – o como tal no momento de enunciação”.
Possari e Neder (2005) apresentam a idéia que o Letramento é o que
permeia o cidadão em suas práticas sociais, culturais e discursivas, ou seja, o
indivíduo é um ser letrado, pois mesmo aqueles que ainda não se apropriam do
processo de decodificação e codificação dos signos linguísticos, possuem a
capacidade de refletir diante de fatos, acontecimentos, opiniões e etc., e dar
sentido a algo.
De acordo com Possari e Neder (2005,p.29) “Toda palavra que possui
um sentido é considerada um signo lingüístico”. Exemplo: “Livro” é um signo
lingüístico. Quando observamos o signo “livro” percebemos que ele é a união
de som, conceito e escrita, ou seja, significado e significante.
Enquanto SOARES (1998 p.18) descreve que “Letrar é mais que
alfabetizar é ensinar a ler e a escrever dentro de um contexto onde a escrita e
a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno”.
Assim, o processo de Letramento abrange os aspectos sociais,
culturais, ideológicos, intencionais e políticos de uma sociedade, que pela da
simbolização da escrita, exige que todos os seus participantes sejam letrados.
O processo de Letramento ocorre antes do individuo se alfabetizar, isso
devido a sua vivência em seu meio social, a partir do momento que se apropria
da habilidade da codificação e decodificação do código escrito possibilitara
melhores condições de ampliar o processo do Letramento. Magda Soares
(1998), em seus escritos destaca que há uma distinção do processo da
Alfabetização, segundo ela os dois processos se diferenciam porém, são
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indissociáveis, ou seja, pode–se letrar antes de alfabetizar ou ao contrário, para
que assim, ocorra um ensino que de sentido à vida escolar do aluno.
As autoras alinham-se no mesmo de pensamento referente à
Alfabetização e Letramento. Porém, Ferreiro (2001), enfatiza a Alfabetização e
o Letramento, como um único processo, que se denomina de Alfabetização.
Para Ferreiro (2001) alfabetização é o processo nada mecânico pelo olhar da
criança que está sendo alfabetizada, uma vez que para a autora “A criança
constrói seu sistema interpretativo, pensa, raciocina e inventa, buscando
compreender esse objeto social complexo que é a escrita. Essa mudança
conceitual sobre a alfabetização acaba levando à mudanças profundas na
própria estrutura escolar” FERREIRO (2001, p.15).
Ela não se utiliza do termo Letramento em suas obras em separado de
Alfabetização. Conceitua Alfabetização como um processo que vai além da
codificação e decodificação, concebe que alfabetizar é possuir habilidades para
ler o que os outros produzem, como também a capacidade de dizer por escrito
aquilo que se pensa, é a materialização do pensar em códigos de linguagem
que possibilitam a inserção desses códigos no papel, articulado pelas palavras
isentando-se do medo de expor suas idéias. Afirma que “A Alfabetização pode
e deve contribuir para a compreensão, difusão e enriquecimento de nossa
própria diversidade histórica e social”. (FERREIRO,2001, p. 17).
Emilia Ferreiro (2001) não distingue Alfabetização dissociada de
Letramento,
os
processos
estabelecem
uma
relação
dialética.
Nela
encontramos o sentido de letramento em suas considerações sobre
alfabetização, como, também, é assim, que se encontra no PCNs - Parâmetro
Curricular
Nacional
da
Língua
Portuguesa,
apresenta
as
mesmas
considerações das autoras Ferreiro e Soares na abordagem teórica, o que
veremos nos textos a seguir.
17
CAPÍTULO III: PCNs - PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DE LÍNGUA
PORTUGUESA.
Uma das discussões mais freqüentes atualmente na área de educação
engloba os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e seu reflexo no ensino.
No que se referem à língua portuguesa, os PCN vêm apresentar propostas de
trabalho que valorizam a participação crítica do aluno diante da sua língua e
que mostram as variedades e pluralidade de uso inerente a qualquer idioma,
conforme o PCNs (1997, p. 24)
O Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa está voltado
as reflexões sobre o ensino da língua oral e escrita que é
fundamental para a participação social efetiva do indivíduo no meio
em que se encontra inserido, pois é por meio dela que o ser humano
se comunica, tem acesso à informação e se expressa, defende ponto
de vista, constrói sua visão de mundo e produz conhecimento.
Ao analisarmos a proposta do Parâmetro Curricular Nacional de Língua
Portuguesa para as primeiras séries do ensino fundamental, percebemos que
se trata de um ensino voltado para as práticas interacionistas que prioriza a
troca interpessoal e que serve de referência, como fonte de consulta e de
objeto para reflexão e debate. Notamos também que o Parâmetro Curricular
Nacionais da Língua Portuguesa se divide em duas partes:
Conforme
o
PCNs
(1997).A
primeira
parte
faz
uma
breve
apresentação da área e define as linhas gerais da proposta, aborda questões
relativas à natureza e as características da área. Discute–se a área da
Linguagem e o ensino dessa disciplina (objetivos e conteúdos), relação de
texto oral e escrito, leitura, produções de textos orais e escritos, ou seja,
“apresenta uma idéia que o aluno considere a Língua em uma perspectiva mais
ampla e a relação da disciplina com outros temas, levando o educando a
ampliar suas capacidades de raciocínio e criticidade.” PCNs (1997, p.13),
Outro aspecto importante nos PCNs, (1997, p.13) é
a importância do trabalho com textos produzidos pelos próprios alunos.
As chamadas redações, geralmente textos sem objetivos e produzidos
meramente como avaliação, passariam a ser material de apoio para os
professores, uma vez que poderia ser analisadas e usadas em sala de
aula para mostrar aos alunos que eles são produtores de textos e que
não é algo tão abstrato. O PCN propõe, então, a reestruturação dos
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textos dos alunos como exercício de análise lingüística e prática
textual.
Na segunda parte, conforme o PCNs (1997, p.15), detalha que “[...] a
proposta para as quatro primeiras séries do ensino fundamental, em objetivos,
conteúdos e critérios de avaliação de forma a apresentá–los com a articulação
necessária para a sua coerência”.
O comentário dessa perspectiva de ensino de língua mais produtivo que
aparece no próprio texto do PCNs de Língua Portuguesa (1997,p.23) “Toda
educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições
para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva”.
Portanto, na percepção das situações discursivas que o aluno poderá
se constituir como cidadão e exercer seus direitos como usuário da língua.
Falar e escutar, além de ler e escrever são ações que permite produzir e
compreender textos. Cabe a escola desenvolver também a linguagem oral de
seus alunos, ou seja, é na sala de aula que é possível mostrar as falas mais
adequadas e eficientes nas diferentes situações cotidianas.
Nesse sentido percebe-se que é fundamental que os focos do ensino
saia das regras preestabelecidas para se basear na análise de textos, visando
à compreensão e produção. De acordo com a leitura dos PCNs (1997) nota-se
a grande preocupação na inclusão de textos orais no ensino de língua.
Dizemos novidade porque não é comum os livros didáticos e professores
enfatizarem a oralidade na sala de aula, ou seja, são poucas escolas que
ensinam os alunos falar com fluência em situações públicas.
Por meio dessa reestruturação, pode-se fazer uma reflexão sobre a
língua e linguagem comparando textos orais e escritos, dos mais diversos
gêneros, o aluno vai percebendo as variações lingüísticas.
Com relação á segunda parte, dos Parâmetros Curriculares Nacionais
do ensino fundamental para o terceiro e quarto ciclos, o que mais chama a
atenção é a maneira como são apresentadas as diferentes práticas de trabalho
com a Linguagem segundo o referencial teórico conforme (PCNs,1997,p.49).
O objetivo é desenvolver no aluno, o domínio da expressão oral e
escrita em situações de uso público da linguagem, levando em conta
a situação de produção social e material do texto e selecionar, a partir
19
disso os gêneros adequados para a produção ao texto operando
sobre as dimensões pragmáticas, semântica se gramaticais.
Dessa forma, ainda de acordo com os PCNs (1997, p.47)
a prática de escuta de textos orais/ leitura de textos escritos, a prática
de produção de textos orais e escritos. E ainda, a prática de análise
lingüística formaria um suporte na qual se sustenta o ensino de
Língua Portuguesa, funcionando como bloco na formação dos alunos,
valorizando e destacando diferenças e semelhanças fazendo com
que o aluno discuta o que vê/lê para conseguir sentir usuário da
língua e participante do processo de aprendizagem. Sendo capaz de
ouvir, interpretar e refletir sobre as ideias de outros, sabendo,
contrapor-lhes as próprias idéias.”
De acordo com a revista Nova Escola, PCNs (2003,p.22.) “Ler e
escrever são atividades que se complementam. Os bons leitores têm grandes
chances de escrever bem, já que a leitura fornece a matéria – prima para
escrita”. Observamos que é pela leitura que o aluno desenvolve a sua escrita,
porem, a escola ainda valoriza mais a escrita do que a leitura. A linguagem oral
esta sendo desenvolvido depois da escrita, o que traz dificuldades na interação
do locutor com o interlocutor, pois quem fala, não expõe com clareza para
quem escuta.
Segundo o Parâmetro de Língua Portuguesa, (Revista Nova Escola,
2003, p. 22.) “As escolas deveriam tratar da expressão oral desde as séries
iniciais”. Assim, percebemos que os seres humanos, são seres falantes. A
expressão oral manifesta antes da escrita, cabe a escola unir a oralidade e a
escrita, para que o aluno possa produzir diferentes textos e perceber neles o
tom, a inflexão da voz, ou seja, os elementos intencionais, que se formam na
escrita é um dos elementos importantes para as crianças ampliarem suas
possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas sociais.
Ainda de acordo com o PCNs (1997, p.25) trabalhar com a linguagem
se constitui em um dos eixos básicos nas quatro primeiras séries do ensino
fundamental, dada a sua importância para a formação do sujeito, para a
interação com outras pessoas, na orientação das ações das crianças, na
construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento”.
Sendo assim, quanto mais as crianças puderem falar em situações
diferentes, como contar o que lhes aconteceu em casa, contar história, dar
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recados, explicar um jogo ou pedir uma informação, mais poderá desenvolver
suas capacidades comunicativas de maneira significativa.
Nesse sentido percebe-se que de acordo com os PCNs (1997, p.25) “a
construção da linguagem oral não é linear e ocorre em um processo de
aproximações sucessivas com a fala do outro, seja ela do pai, da mãe, do
professor, dos amigos ou aquelas ouvidas na televisão, no rádio etc.”
Sendo assim nas inúmeras interações com a linguagem oral, as
crianças vão tentando descobrir as regularidades que a constitui, usando todos
os recursos de que dispõem: histórias que conhecem, vocabulário familiar
etc..Assim, acabam criando formas verbais, expressões e palavras, na tentativa
de apropriar-se das convenções da Linguagem.
Ainda de acordo com o PCNs (1997,p.46):
Quando a criança fala com mais precisão o que deseja, o que gosta e
o que não gosta, o que quer e o que não quer fazer, a fala passa
ocupar um lugar privilegiado como instrumento de comunicação,
podendo haver um predomínio desta sobre os outros recursos
comunicativos. Além de produzirem construções mais complexas, as
crianças são mais capazes de explicitações verbais de explicar – se
pela fala.
Nesse
sentido
a
ampliação
da
comunicação
oral
ocorre
gradativamente, ou seja, por meio de um processo de idas e vindas que
envolvem tanto a participação das crianças nas conversas cotidianas, em
situações de escritas e canto de musicas, em brincadeiras etc., com a
participação em situações mais formais de uso da linguagem, como aquelas
que envolvem a leitura de textos diversos.
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 24)
A língua é um sistema de signos históricos e sociais que possibilita ao
homem o mundo e a realidade. Ainda ressalta que (1997, p.25): “o
discurso, quando produzido, manifesta – se linguisticamente por meio
de textos. Assim pode – se afirmar que texto é produto da atividade
discursiva oral ou escrita que forma um todo significativo e acabado,
qualquer seja sua extensão.
Possari e Neder (2005, p. 17) dizem o seguinte que “ Qualquer que seja
a raça, cultura, o espaço que ocupe, o tempo em que vive o homem esta
21
sempre em contato com outros homens inter – relacionando, comunicando –
se, e essa inter – relações se dão sempre através da linguagem”.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997,p. 23), pesquisas
na área da Linguagem tendem a reconhecer que o processo de Letramento é
Produto da participação em praticas sociais que usam a escrita com
sistema simbólico tecnologia. São praticas discursivas que precisam
da escrita para torna – las significativas. “Dessa concepção decorre o
entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas não existe
grau zero de Letramento, pois nelas é impossível não participar de
alguma forma, de alguma dessas praticas.
A aprendizagem esta associada tanto na construção do discurso oral
como no discurso escrito, ou seja, considerar os diferentes níveis de
conhecimentos prévios que o aluno adquiriu em seu meio social.
3.1 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO
FUNDAMENTAL SEGUNDO O PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL.
O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p.41) propõe em sua obra
algumas habilidades que se espera que o ao final do ensino fundamental o
educando tenha adquirido em sua experiência escolar, tais propostas são
reveladas no PCN como objetivos gerais que apresentam tais propostas
•
O aluno saiba se expressar em diferentes situações;
•
Saber expressar – se de diferentes maneiras;
•
Conhecer e respeitar as variedades lingüísticas do Português
falado;
•
Saber distinguir e compreender o que dizem diferentes gêneros
de texto;
•
Entender que a leitura pode ser uma fonte de informação, de
prazer e de conhecimento;
•
Ser capaz de identificar os pontos mais relevantes de um texto
organizar notas sobre esse texto, fazer roteiros, resumos, índices e
esquemas;
•
Expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opções
individuais;
•
Ser capaz de identificar e analisar criticamente os usos a língua
como instrumento de divulgação de valores e preconceitos de raça,
etnia, gênero credo ou classe.
Esses objetivos trazidos pelo Parâmetro Curricular Nacional de Língua
Portuguesa é uma reflexão para os educando estarem repensando sua pratica
22
pedagógica e construir um ensino produtivo com seus alunos. Observem um
trecho a respeito do que se espera que os alunos obtenham ao longo dos anos
do Ensino Fundamental, conforme a idéia contida no PCN (1997, p.41) “Espera
– se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à
linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso
aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado”.
Os conteúdos da Língua Portuguesa citado nos Parâmetros Curriculares
Nacionais, diz que o sistema tradicional do ensino da língua se divide em
alfabetização, ortografia, pontuação, leitura em voz alta, interpretação de texto,
redação, gramática. Encontramos no referencial teórico a organização dos
conteúdos de Língua Portuguesa em função do eixo Uso -> Reflexão -> Uso
que segundo o PCN (1997, p.44)
Pressupõe um tratamento, cíclico, pois, de modo geral, os mesmo
conteúdos aparecem ao longo de toda a escolaridade, variando
apenas o grau de aprofundamento e sistematização. Para garantir
esse tratamento cíclico e preciso seqüenciar os conteúdos dos
segundo
critérios
que
possibilitem
a
continuidade
das
aprendizagens.” São eles:
“ * Considerar os conhecimentos prévios dos alunos; (...).
* Considerar o nível de complexidade dos diferentes conteúdos (...).
* Considerar o nível de aprofundamento possível de cada conteúdo
em função das possibilidades de compreensão dos alunos nos
diferentes momentos do seu processo de aprendizagem.
Esses critérios são apontados no referencial teórico com intuito de
oferecer idéias para favorecer a aprendizagem da melhor maneira possível. Os
conteúdos são organizados em sub- blocos que se referem as praticas de uso
da linguagem: Língua escrita e oral, usos e formas subdividem – se em práticas
de leitura e prática de produção de texto, analise e reflexão sobre a Língua, a
partir dessa contribuição, espera – se que o aluno se torne um produtor de
discursos cada vez mais competente.
De acordo com Magda Soares ( 1998, p.34)
“O trabalho com a linguagem oral deve acontecer no interior de
atividades significativas, por isso, deve – se ter o planejamento da ação
pedagógica, pois não basta deixar que as crianças falem apenas por
falar em seu cotidiano. A exposição ao falar alheio não garantem a
aprendizagem necessária. Assim, o desenvolvimento da capacidade de
expressão oral depende de a escola constituir – se num ambiente que
respeite a vez e a voz, a diferença e a diversidade e ensine o aluno a
atuar e utilizar adequadamente a linguagem, em lugares públicos e,
fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente.
23
Para os PCNs (1997, p. 53), o ensino da língua escrita advém de
muita leitura, pois ler e escrever são atividades complementares, assim, o
trabalho com a
leitura tem finalidade à formação de leitores competentes e,
conseqüentemente, a formação de escritores, (...) não se trata de
formar escritores no sentido de profissionais da escrita, e sim de
pessoas capazes de escrever come ficaria, pois a possibilidade de
produzir textos eficazes tem origem na pratica de leitura. A leitura é
um processo, no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção
do significado do texto.
Portanto, pretende – se que no ensino da linguagem escrita forme
cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se
defrontam, e é preciso organizar o trabalho educativo, para que experimentem
e aprendam isso na escola.
3.2. ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA
PORTUGUESA
Neste
sub-bloco,
o
Parâmetro
Curricular
Nacional
de
Portuguesa, (1997, p.79) apresenta as seguintes considerações
Língua
“[...] O
trabalho de reflexão sobre a língua é importante por possibilitar a discussão
sobre diferentes sentidos atribuídos aos textos sobre os elementos discursivos
que validam ou não essas atribuições de sentido.”
Conforme o PCN, é necessário que os alunos aprendam e criem o
habito de refletir sobre suas produções textuais tanto no oral como na escrita,
porque há todo momento se esta fazendo o uso do discurso da língua, ao qual
s adquiriu em suas vivencias. Ao aprender fazer a reflexão sobre o uso da
língua, o educando esta ampliando a capacidade de compreensão e expressão
em situações onde haja a necessidade de comunicação.
Análise da Língua acontece, quando o educando passa a refletir sobre
seu uso e atribuir sentido ao que se esta no discurso produzido, segundo as
autoras Soares (1998), Tfouni (2000), Possari e Neder (2005), que apesar de
se utilizarem de palavras diferentes em seus escritos atribuem suas
considerações seguindo a mesma linha de pensamento, tratam o termo
24
Letramento como um processo no qual o aluno vai ao longo dos anos
atribuindo sentidos, aos símbolos criados pela sociedade, daí a necessidade de
se Alfabetizar Letramento.
O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p. 84) nos coloca a
necessidade de se alfabetizar criando significados às partes escritas e
problemas que ajudem o aluno a refletir e aprender, ainda acrescenta que
“Havendo informação disponível e espaço para reflexão sobre o sistema de
escrita, os alunos constroem os procedimentos de analise necessárias para
que alfabetização se realize”.
Percebemos a importância que o referencial teórico apresenta em
relação ao procedimento de levar o aluno a analisar o que se está construindo,
são pelas análises que refletem sobre as instâncias dos discursos da
textualidade decorrentes do meio da Língua: Uso -> Reflexão - > Uso.
O PCN da Língua Portuguesa(1997, p.82) ressalta sobre alfabetização
o seguinte “Para aprender a ler e a escrever é preciso pensar sobre a escrita,
pensar sobre o que a escrita e como ela representa graficamente a linguagem”.
Seguindo a linha de pensamento de Sares, Tfouni, Possari e Neder abordadas
no decorrer do trabalho, cujos pensamentos aliam-se às ideias de Ferreiro
(2004, p. 25) que observa que “Aquisição de uma técnica de transição de
formas sonoras, e apontar como objetivo, a compreensão do modo de
representação da Linguagem que corresponde a um sistema alfabético de
escrita seus usos sociais e a construção e compreensão de textos coerentes e
coesos”.
Nessa linha de pensamento os critérios de Avaliação discorrido no PCN
de Língua Portuguesa (1997,p.94) coloca que
Foram definidos os critérios de avaliação para os dois primeiros Ciclos.
Os critérios da avaliação não podem de forma alguma, ser tomados
como objetivos, pois isso significaria um injustificável rebaixamento da
oferta de ensino e, conseqüentemente, a não garantia de conquistas da
aprendizagem consideradas essenciais. Outro fato importante, os
critérios da avaliação devem ser tomados em conjunto considerados de
forma contextual e, muito mais do que isso, analisados à luz dos
objetivos que realmente orientaram o ensino oferecido ao aluno.
Sendo, assim, os critérios de avaliação que podem ser realizados caso,
a instituição ou educador tenha utilizado os critérios de ensino da obra, outra
25
coisa, é respeitar a individualidade do aluno e avaliá-lo dentro das situações de
aprendizagem que lhe foi oferecido.
O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p. 96) ressalta que “Não há
instrumento de avaliação da aprendizagem melhor do que buscar identificar
porque o aluno teria dado as respostas que deu às situações que lhe foram
propostas”. Assim, mostra que o educador não deve utilizar a avaliação para
classificar seu aluno, mais sim, identificar e refletir sobre o ensino proposto e
analisar através dela se esta tendo desenvolvimento no processo de ensino
aprendizagem.
O PCN (1997,p.97) fecha suas considerações sobre avaliação nos
dizendo que
Os critérios de avaliação devem ser compreendidos: por um lado,
com aprendizagens indispensáveis ao final de um período; por outro
como referencias que permitem a analise dos seus avanços ao longo
do processo considerando que as manifestações desses avanços não
são lineares, nem idênticas.
Observamos que avaliação é mais um processo, do qual se faz sobre
os avanços de aprendizagem dos educandos, e que se devem respeitar os
avanços individuais de cada um.
3.3. ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA NO PRIMEIRO
E SEGUNDO CICLO
A implantação de ciclos de aprendizagem ancora-se legalmente no
artigo 23 da LDB. Segundo Perrenoud (2004 pág.46): “a educação básica
poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância
regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na
competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização,
sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”,
podendo ser no todo ou em parte.
A lógica de organização dos tempos escolares por ciclos passa por
uma política curricular do sistema de ensino que pretende ser uma
nova forma de compreender e de praticar o currículo, numa perspectiva
democrática e inclusiva. A implantação dessa estratégia de ensino
exige o rompimento com uma concepção preconceituosa e elitista de
que a educação voltada para as classes populares não precisa
26
preocupar-se com a formação do/a aluno/a na sua plenitude.
Perrenoud (2004 pág.46)
No primeiro ciclo deve-se propor aos alunos que leiam e escrevam,
ainda que não o façam convencionalmente. Mas o fato de as escritas nãoconvencionais serem aceitas não significa ausência de intervenção pedagógica
para a construção da escrita convencional, muito pelo contrário. Por ser
condição para a constituição da autonomia leitora, escritora e também
intelectual, o conhecimento sobre a natureza e o funcionamento do sistema de
escrita precisa ser construído pelos alunos o quanto antes. Isto é, quanto mais
rapidamente os alunos chegarem à escrita alfabética, mais e melhor poderão
avançar na aprendizagem dos conteúdos propostos nesse ciclo. (PCN´s pág.
70).
No segundo ciclo, o trabalho com a linguagem oral e escrita precisa ser
planejado de maneira a garantir a continuidade do que foi aprendido no ciclo
anterior e a superação de dificuldades que eventualmente se tenham
acumulado no período. Para tanto, é necessário que o professor investigue
quais conhecimentos o aluno já construiu sobre a linguagem verbal para poder
organizar a sua intervenção de maneira adequada. Esse procedimento precisa
ser garantido não só no início dos ciclos, mas durante todo o processo de
ensino e aprendizagem: não é, portanto, esporádico. Após a realização das
atividades, é possível (e desejável) saber o que foi aprendido pelos alunos para
poder identificar o que é necessário ser trabalhado a seguir, tendo em vista os
objetivos propostos. (PCN´s pág. 79)
No entanto, a análise daquilo que foi ou não aprendido precisa ser
realizada num contexto em que se considere também o que foi de fato
ensinado e a maneira pela qual isso foi feito. É a partir da relação estabelecida
entre ensino e aprendizagem que se torna possível ao professor compreender
melhor por que alguns aspectos dos conteúdos abordados foram mais bem
aprendidos que outros (ou não). Isso pode fornecer informações mais precisas
para modificar a sua intervenção — caso seja necessário —, dotando sua
prática de maior qualidade. (PCN´s pág. 79)
Os conhecimentos linguísticos construídos por uma criança devem
fazer a ligação entre os segmentos falados com os escritos da Língua
27
Portuguesa. É possível que isso aconteça com criança em processo de
alfabetização, ainda que tenham pouquíssimo contato com a linguagem escrita,
isto é, a troca interpessoal de informações, ou seja, as atividades são
realizadas cooperadamente.
As atividades em grupo possibilitam a todos, excelentes trocas de
conhecimentos, em especial nas séries inicias do ensino do Ensino
fundamental, pois eles começam a partir daí a descobrirem o valor social dos
conteúdos pedagógicos. Para que isso seja realmente um interação grupal e
cumpra seu papel didático, tornam necessário que os alunos realizem juntos
certas atividades. A maior preocupação deve ser a de criar condições didáticas
para a real interação, observando as atitudes comportamentais.
Segundo a autora Emilia Ferreiro (2004, p18)
É comum registrar nos objetivos expostos nas introduções de planos,
manuais e programas, que a criança deve alcançar “o prazer da
leitura” e que deve ser capaz de “expressar – se por escrito”. As
praticas convencionais levam, toda via, a que a expressão escrita se
confunda com a possibilidade de repetir formulas estereotipadas, a
que se pratique uma escrita fora de contexto, sem nenhuma função
comunicativa real e nem sequer com a função de preservar
informação. Um dos resultados conhecidos de todos é que essa
expressão escrita é tão pobre e precária que inclusive aqueles que
chegam a universidade (uma superseleção daqueles que chegaram
ao curso primário” apresentam serias deficiências que levaram ao
escândalo da presença de “oficinas de leitura e de redação” em
varias instituições de nível superior da região. Outro resultado bem
conhecido é grande inibição que o jovens e adultos mal alfabetizados
apresentam com respeito a língua escrita: evitam escrever, tanto por
medo de cometer erros d ortografia como pela dificuldade de dizer
por escrito o que são capazes de dizer oralmente”.
É também no primeiro ciclo que se deve começar a chamar o aluno
para a responsabilidade para com seu papel de estudante e sua vida social,
respeitando as normas de convivência, preservação do seu espaço entre
outras atitudes. Se o trabalho em grupo é condição para a interação social, o
mesmo se torna condição para que o professor tenha metas para a formação
de laços que construam regras de convívio e torne – o modelo de parceiro
experiente e solidário.
Torna – se importante, neste período, dedicarmos atenção especial ao
trabalho de produção de textos, mesmos que sejam pequenos textos
quebrando assim, o estigma de que textos só devem ser ensinados após a
28
alfabetização. Por ser condição para autonomia leitora, escritora e ate
intelectual, o conhecimento da escrita precisa ser adquirido pelo aluno o quanto
antes.
Di Nucci (2001, p.54) alia-se aos conceitos trabalhados até agora, pois,
para ele
A alfabetização ocorre na instituição escolar e envolve o domínio
sistemático das habilidades de ler e escrever. A escolarização, por
sua vez, é uma pratica formal do institucional de ensino que visa à
formação integral do individuo, sendo a alfabetização apenas uma de
suas atividades. A escola tem projetos amplos, ao passo que a
alfabetização é uma habilidade restrita. Ampliando a concepção de
escrita para fora do contexto escolar, o Letramento envolve
aprendizagem social e histórica da leitura e da escrita em contextos
informais e os usos contextualizados no cotidiano do individuo.
A citação ratifica a idéia de que o ciclo inicial deve facilitar o
aprofundamento e a expansão dos conhecimentos que nossos alunos já
possuem sobre Linguagem, e oferecer condições para desenvolverem cada
vez mais uma autonomia intelectual. A escola precisa disponibilizar materiais
impressos da leitura que os ajudem como fonte de informação neste processo
de aprendizagem da linguagem escrita.
Nesta fase os principais conteúdos a serem administrados devem ser
valores, normas e atitudes, deixando bem claro que isso deve configurar como
conteúdo que eles levarão para a vida toda. Por sua vez, a atividade com a
linguagem oral e escrita para o segundo ciclo, é necessário que sejam traçadas
metas que possam garantir a seqüência do que foi aprendido no ciclo anterior
superando eventuais dificuldades.
A partir da relação estabelecida entre ensino e aprendizagem que se
torna possível ao professor entender melhor quais aspectos dos conteúdos
administrados foi mais bem aprendido ou não pelos alunos.
Os objetivos da Língua Portuguesa para o segundo ciclo é
compreender o sentido nas mensagens orais e escritas, ler com autonomia
diferentes textos e quando diz – se ler com autonomia, isso vai alem da
codificação e decodificação, significa compreender criticamente e interpretar
segundo o que sugeri o autor. Utilizar ainda a linguagem para expressar
29
sentimentos, experiências e idéias, utilizar a linguagem oral e escrita, de forma
a adequá-la a situações comunicativas.
Espera–se do aluno ainda produção de textos escritos, estabelecendo
coerência e coesão, ou seja, escrever e revisar seus próprios textos. Nessa
fase o aluno já escreve alfabeticamente e já realiza atividades de leitura e
escrita com maior autonomia. Podemos buscar como proposta de analise da
Língua, uma maior clareza nas regras de ortografia e acentuação.
Em suma, o segundo ciclo deve caracterizar – se por possibilitar ao
aluno, maior confiança na realização de atividades dos conteúdos do ciclo
anterior, bem como, introduzir novos conteúdos e diferentes formas e usos da
Língua no dia – a – dia.
Os Parâmetros Curricular Nacional de Língua Portuguesa sugeriram
como avaliação, que o aluno reconte oralmente historias que já ouviu ou leu,
bem como historias das quais ele tenha sido personagem estabelecendo, é
claro, o tempo e ordem em que os fatos ocorreram. Que sua leitura não seja
apenas uma decodificação por sinais, mas sim, codificar o sentido de seu texto
lido. Suas produções devem ainda, conter o básico dos recursos de coesão,
lendo sempre suas produções com o objetivo de aprimora – las, pois, as
revisões tanto ortográficas quanto de coesão e coerência só se darão com a
leitura e releitura de seus textos.
Enfim, espera – se que o aluno já desenvolva textos não só para si,
mas, para leitores, levando em conta que o leitor de seu texto não estará
presente no ato de sua produção, que consiga transmitir com clareza e
objetividade, seu objetivo sem ambigüidade.
30
CONCLUSÃO
Pesquisas mostram como se pode melhorar a concepção dos alunos a
respeito da própria língua e diminuir o preconceito lingüístico com atividades
simples, que privilegiam o uso, a reflexão no lugar de apenas dividir e
classificar termos e orações etc.
O quê constatamos, ao compararmos os Parâmetros Curriculares
Nacionais de Língua Portuguesa e as pesquisas relativamente recentes
publicada sobre o ensino de Português, incluindo a análise da língua falada,
fica patente, para o professor de nível fundamental e médio, o que se deve ser
priorizado em sala de aula e que tipo de material deve ser trabalhado.
Também é interessante verificar como se estrutura um trecho de
conversão espontânea, mas não para identificar desvios da norma cult. É
ilusão pensar que com essas atividades se esta trabalhando a oralidade.
O ensino da Língua Portuguesa deve valorizar todas as possibilidades
de produção textual, enfatizando os efeitos de sentido e as estruturas
lingüísticas usadas. No caso da oralidade, sem desprestigiar os textos
elaborados.
Ao assumir um grupo de alunos, o professor necessita estar consciente de
todos os obstáculos que se apresentam estando preparado para vencê-los.
Sabe-se muito bem que esta responsabilidade não é tarefa fácil, uma vez
que as cobranças são muitas e, às vezes, a ajuda é quase inexistente. No
sistema educacional, o professor vive constantemente pressionado pela
sociedade e incomodado com os problemas de aprendizagem apresentados
diariamente em seu grupo.
O ser humano é social por natureza. Desde muito jovens, vive-se em
sociedade, fazemos parte e formamos grupos com pessoas das mais
diversificadas crenças, origens e personalidades. Graças a esse convívio no
decorrer de nossas vidas, vivemos situações que nos constrangem ou
enaltecem, sofremos desilusões, aprendemos com nossos erros e acertos e,
31
através de comparações, conseguimos construir a nossa personalidade e
interagir com o universo.
Assim sendo, ensinar é transmitir o que se sabe a quem quer saber,
portanto, é dividir sabedoria. Essa divisão, porém, não segue as leis
matemáticas, pois, em vez de o conhecimento diminuir, ele aumenta; é dentro
desse contexto que fala mais forte, a afetividade.
É necessário ainda, entretanto, discutir os PCNs e divulgar seu
conteúdo, motivando os professores a debater as propostas e a sugerir
atividades. Afinal, por mais que se questione sua origem e utilidade, os PCNs
têm como principal objetivo fazer com que o ensino fundamental forme
cidadãos, e essa é a finalidade primeira de todo processo educativo.
32
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1998.
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