1 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO LÍNGUA PORTUGUESA : UMA ANÁLISE DOS PARÂMETROS CURRICULARES Autora: Alextania Piran da Silva Orientadora: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes ARIPUANÃ /2010 2 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO LÍNGUA PORTUGUESA : UMA ANÁLISE DOS PARÂMETROS CURRICULARES Autora: Alextania Piran da Silva Orientadora: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes “Trabalho apresentado como exigência parcial para a obtenção do titulo de Alfabetização e Letramento.” ARIPUANÃ – MT 2010 3 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ ORIENTADORA: Profa.Ma.Marina Silveira Lopes 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a DEUS por ter me proporcionado à oportunidade de cumprir mais uma etapa de minha vida. Aos meus pais que além da vida me deram sempre incentivo e coragem para o estudo. Aos meus irmãos e colegas que compartilharam com ideais e me alimentaram com incentivos para prosseguir na jornada, quais fossem os obstáculos, deixando aqui a conquista com a mais profunda admiração e respeito. Aos amigos companheiros, o preito imutável e duradoura amizade. Aos mestres que transmitiram seus conhecimentos e experiências profissionais e de vida com dedicação e amor, expresso aqui os meus maiores agradecimentos e o meu profundo respeito, que sempre serão poucos diante do muito que me foi oferecido. 5 DEDICATÓRIA Ao meu esposo e filha que souberam, com muito amor e carinho, apoiarem-me nas horas de dificuldade esmorecer. e desanimo e nunca deixaram me 6 EPÍGRAFE “Qualquer que seja a raça, cultura, o espaço que ocupe, o tempo em que vive o homem está sempre em contato com outros homens inter - relacionando, comunicandose, e essa inter-relação se dá sempre através da linguagem”. (Possari e Neder, 2005, p.17) 7 RESUMO O ser humano é um ser histórico, ao longo de sua vida ele constrói conhecimentos. A linguagem é representação que os seres humanos fazem no meio em que está inserido. Esta representação acontece na vida de todos os indivíduos desde muito pequenos. Nesse sentido, do reconhecimento da linguagem ao longo de sua trajetória, o aluno ao iniciar a sua vida escolar já detém conhecimentos prévios, que, devem ser considerados pela escola. Em termos de Brasil existem diretrizes específicas que orientam a educação no Brasil e são separados por disciplina, conhecidas como PCNs, - Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são diretrizes elaboradas pelo governo Federal.Este trabalho sugere como formar um leitor competente, capaz de agir na sociedade, visando aperfeiçoar e valorizar o cidadão pelas linguagens artísticas, literárias e históricas a partir da compreensão do seu papel enquanto sujeito histórico. Todavia, é importante enfatizar a parceria do educador como facilitador na produção dos textos por parte dos alunos e possibilitam desenvolver habilidades cognitivas, sociais e emocionais que buscam a recriação intelectual, crítica e reflexiva dos problemas sociais. É necessário ainda, discutir os Parâmetros Curriculares Nacionais e divulgar seu conteúdo, motivando os professores a debater as propostas e a sugerir atividades. Percebe-se também que a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita pelo indivíduo ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sóciohistóricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade. Palavras-chave: Parceria,Linguagem Parâmetros Curriculares Nacionais, Educador, 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................................09 CAPÍTULO I : CAPÍTULO I: LÍNGUA E LINGUAGEM: O ELO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO.....................................................................11 CAPÍTULO II: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.........................................14 CAPÍTULO III: CONHECENDO PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DE LÍNGUA PORTUGUESA..................................................................................17 3.1 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL SEGUNDO O PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL.......................................................................................................21 3.2. ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA.............................................23 3.3. ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA NO PRIMEIRO E SEGUNDO CICLO........................................................................................25 CONCLUSÃO .................................................................................................30 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................32 9 INTRODUÇÃO A Linguagem direciona ideias, pensamentos e desejos. Como um meio de intenção, é necessária para o homem, vital para sua participação social, seja ela verbal ou não – verbal. A língua é produzida socialmente e, por isso, esta em constante renovação. Em seus usos tanto na escrita como na fala, a língua permite ao homem a comunicação o registro de suas atividades, a reflexão, a produção de novos conhecimentos e a socialização. A prática de ensino deve centrar-se no desenvolvimento de habilidades de uso da linguagem: da língua oral, para que os alunos saibam adequar suas falas as diferentes contextos diários e da língua escrita, para que ao compreender o uso de diferentes formas em que ela se apresenta, tornem-se usuários competentes desse mecanismo de participação social. Nesse sentido temos, portanto uma interação entre desenvolvimento e aprendizagem, que se da seguinte maneira: em um contexto cultural com aparato biológico básico interagir, o individuo se desenvolve movido por mecanismos de aprendizagens provocadas por mediadores. Nesse sentido para Vygostsky (1998,p.22) “o processo de aprendizagem deve ser olhado por uma ótica prospectiva, ou seja, não se deve focalizar o que a criança aprendeu, mas sim o que ela esta aprendendo”. Em nossas práticas pedagógicas, sempre procuramos prever em que tal ou qual aprendizado poderá ser útil àquela criança não somente no momento em que é ministrado, mas para além dele. Com isso percebe-se que o educador deve trabalhar alfabetização e letramento desde que o educando chega na escola, estimulando-a o participar ativamente do processo de construção da leitura e da escrita de seu mundo, afim de experimentar novas linguagens. Percebendo que é de fundamental importância trabalhar alfabetização e letramento nas series inicias para que o indivíduo possa ampliar a habilidade de uso da linguagem oral e escrita, que é um dos requisitos primordiais de participação efetiva e social no meio em que se encontra. É pela interação que nos comunicamos, nos informamos e expressamos nossos diferentes pontos de vista. 10 Para entendermos esse processo, procuramos mostrar, por meio de estudos bibliográficos o que está ocorrendo no processo de alfabetização e letramento nas séries iniciais do ensino fundamental contido na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua Portuguesa (PCNs). Pretendemos, ao longo da pesquisa compreender a sua proposta de Alfabetização e Letramento observando o tratamento dado à Linguagem Verbal e Não–Verbal e tecermos uma análise sobre ela. A coleta de suporte teórico de deu por meio de livros alusivos ao tema e pesquisa na web em sites específicos, além de revistas e apostilas. A redação dessa monografia se deu no primeiro capítulo a Língua e linguagem: o elo do desenvolvimento humano, no segundo a diferença entre letramento e alfabetização e no terceiro a análise dos PCNs com relação à língua portuguesa. 11 CAPÍTULO I: LÍNGUA E LINGUAGEM: O ELO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO A linguagem é a capacidade natural que o ser humano tem de se comunicar, seja por meio de palavras, gestos, imagens, sons, cores, expressões, etc. A linguagem pode ser classificada em: verbal e não verbal. • Verbal – quando usa palavras (escrita ou falada) • Não-verbal – quando utiliza gestos, sons, cores, imagens, etc. Pode-se optar pelo uso de uma ou outra forma de linguagem, ou mesmo utilizar a combinação das duas para se comunicar. Mediante o trecho acima vimos que os seres humanos estão sempre se interagindo uns com os outros pela linguagem tanto verbal como não – verbal. Somos seres de natureza falante, porém, ao entrar na escola, há uma ruptura, a escola privilegia o ensino da língua que são as normas e regras para se escrever e ler conforme a norma culta, o ensino do significado prevalece e por muitas vezes atropela os significados que os alunos já conhecem sobre determinado signo. De acordo com Kato (1992, p.45) A Linguagem não – verbal, que é a primeira a aprendermos, ainda não esta sendo valorizada no âmbito escolar. Cabem as instituições escolares estarem ampliando as concepções de ensino da Linguagem, alguma vezes o termo ambiente alfabetizador vem sendo confundido com a imagem de uma sala com paredes de textos fragmentados que não dão oportunidades para que os alunos participem e ampliem seus conhecimentos. Dessa maneira alguns lingüísticos perceberam que havia alguma coisa alem da alfabetização, que era mais ampla, e até determinante desta, que era a oferta de textos variados e de diferentes gêneros voltado para o ambiente de Letramento. A língua é o conjunto de sinais que determinadas comunidades usam para se comunicar. Para Kato (1992) é na escola que ela começa a construir suas narrativas de forma mais sistemática, valorizando os aspectos necessários para que seja compreendida. 12 Presume-se que a experiência de mundo facilite as práticas escolares, do mesmo modo que os saberes aprendidos na escola tornem os cidadãos mais preparados às exigências do mundo letrado. Aprender a operar a concordância nominal e verbal, por exemplo, de acordo com os ditames da tradição gramatical, ou reconhecer as unidades de medida e monetária e operá-las em conformidade com as convenções dos algoritmos matemáticos, representa equipar o cidadão tecnicamente, de modo a tornar seu conhecimento tanto mais específico quanto mais amplo, para adequá-lo às diferentes necessidades lógico-lingüísticas que se lhes apresentam no cotidiano. (KATO,1992, p.73). Kato (1992), reforça ainda que nesse paradigma o objetivo de ensino da língua escrita, visa à formação do leitor e produtor de textos competente, possibilitando-o a fazer uso da leitura e da escrita no contexto social. O ato de alfabetizar, nesse sentido, demanda um ensino pautado em todo tipo de conhecimento que envolve a língua escrita (aspectos fonéticos, fonológicos, morfológicos, sintáticos e culturais). Podemos entender tal relevância no sentido da participação crítica nas práticas sociais que envolvem a escrita, mas também no sentido de considerar o diálogo entre os conhecimentos da vida cotidiana, constitutivos de nossa identidade cultural primeira, com os conhecimentos de formas mais elaboradas, próprias do contexto escolar, de explicar aspectos da realidade. De acordo com Leite (2001), a necessidade de ampliar o conceito de alfabetização, no sentido de projetar um processo crítico de aprendizagem da leitura e da escrita que vá além do conhecimento da escrita e da leitura de frases e textos simples, é um dos fatores que vêm determinando a discussão sobre a noção de letramento. A aprendizagem da escrita de um modo restrito não alteraria o estado ou a condição do indivíduo no que diz respeito a aspectos sociais, psíquicos, culturais, políticos, cognitivos, lingüísticos e até mesmo econômicos; do mesmo modo, não alteraria determinados grupos sociais, em relação a efeitos de natureza social, cultural, política, econômica e lingüística que a condição de letrado lhes poderia possibilitar. (SOARES, 1998 p.46). Dessa forma torna-se relevante distinguir o acesso ao sistema de escrita e ao seu conhecimento, enquanto tecnologia, do acesso ao mundo da escrita e 13 dos conhecimentos aí implicados, isto é, à escrita como prática social, como um saber, no caso do letramento. O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade, o que certamente, gerará novos conhecimentos, e isto, é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. O letramento não está restrito ao sistema escolar, cabe à escola, fundamentalmente, levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada, neste ponto entende se que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos.(KATO 1992, p.42). Para o educador se tornar um “professor-letrador” é preciso que o mesmo obtenha informações a respeito do tema, as suas dimensões e, sobretudo, a sua aplicação. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigação, que geram subsídios-suportes. O ato de ler envolve habilidades individuais lingüísticas e psicológicas, parte da decodificação do código até a compreensão do texto escrito. A escrita também requer do indivíduo o domínio de habilidades e conhecimentos que o possibilitem relacionar-se com os símbolos sonoros e escritos e a partir disso comunicar-se com o leitor expressando suas idéias e pensamentos, não basta o indivíduo contar com as habilidades de ler e escrever se não o faz socialmente. ( KATO 1992, p. 54). Em contrapartida apenas relacionar-se com a escrita sem dominar o código também não garante, nesta perspectiva, que o indivíduo seja de fato letrado. Nesse sentido cabe ao aluno dominar o sistema de escrita e realizar a leitura de mundo isso é fundamental para o sucesso do ser social e individual. No entanto as práticas sociais de leitura e escrita devem gerar questionamentos, reforçar valores, tradições e formas de distribuição do poder. 14 CAPÍTULO II : ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: A DUPLA PARA A APRENDIZAGEM Conforme SOARES (1998, p.15) “Alfabetização em seu sentido próprio, específico processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita”. TFOUNI (2000, p. 09) coloca que “A alfabetização refere à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e as chamadas práticas de Linguagem”. De acordo com Kato (1992), não é possível considerar apenas o conhecimento escolar, uma vez que este por si só não garante a formação de leitores e praticantes da escrita, capazes de usar a escrita como ferramenta de crescimento pessoal, intelectual, e principalmente de transformação e intervenção social. Nesse sentido compreende-se que o letramento está relacionado à apropriação de conhecimentos que constituem a cultura chamada letrada, nossos estudos, nos levam a dimensionar o relevante papel que a escola tem, especialmente para as classes populares, na constituição de sujeitos letrados. De acordo com Soares (1998), Possari e Neder (2005), consideramos que a alfabetização é um processo do qual o aluno se apropria da habilidade da codificação e decodificação dos códigos escritos, porém, temos por conhecimento que não é somente esse mecanismo que possibilitará uma aprendizagem significativa para a formação de um cidadão crítico e participativo no meio social, essa consideração apresentada acima segue a proposta prevista no processo de Letramento. Como afirma Soares (1998,p,19) “letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita”. Conforme diz Kato (1992,p.38), “o letramento abrange mais que simplesmente ler e escrever”. O indivíduo letrado inserido em práticas sociais de leitura e escrita devem ser capazes de usar esse conhecimento em 15 benefício da sociedade e de si próprio. Tomando uma atitude crítica em relação a tudo o que o cerca, buscando uma forma de transformar a sociedade em que está inserido. O processo de letramento que Possari e Neder (2005) consideram em seus discursos é baseado em Kleiman (1995, p. 19) que diz que o “conjunto de práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia em contextos específicos para objetivos específicos”. E conforme Matencio (1994,p.242) apud Kleiman (1995,p.19) “ [...] a construção de sentidos pelos sujeitos, permeada por suas praticas sociais, culturais e discursivas, construindo – o como tal no momento de enunciação”. Possari e Neder (2005) apresentam a idéia que o Letramento é o que permeia o cidadão em suas práticas sociais, culturais e discursivas, ou seja, o indivíduo é um ser letrado, pois mesmo aqueles que ainda não se apropriam do processo de decodificação e codificação dos signos linguísticos, possuem a capacidade de refletir diante de fatos, acontecimentos, opiniões e etc., e dar sentido a algo. De acordo com Possari e Neder (2005,p.29) “Toda palavra que possui um sentido é considerada um signo lingüístico”. Exemplo: “Livro” é um signo lingüístico. Quando observamos o signo “livro” percebemos que ele é a união de som, conceito e escrita, ou seja, significado e significante. Enquanto SOARES (1998 p.18) descreve que “Letrar é mais que alfabetizar é ensinar a ler e a escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno”. Assim, o processo de Letramento abrange os aspectos sociais, culturais, ideológicos, intencionais e políticos de uma sociedade, que pela da simbolização da escrita, exige que todos os seus participantes sejam letrados. O processo de Letramento ocorre antes do individuo se alfabetizar, isso devido a sua vivência em seu meio social, a partir do momento que se apropria da habilidade da codificação e decodificação do código escrito possibilitara melhores condições de ampliar o processo do Letramento. Magda Soares (1998), em seus escritos destaca que há uma distinção do processo da Alfabetização, segundo ela os dois processos se diferenciam porém, são 16 indissociáveis, ou seja, pode–se letrar antes de alfabetizar ou ao contrário, para que assim, ocorra um ensino que de sentido à vida escolar do aluno. As autoras alinham-se no mesmo de pensamento referente à Alfabetização e Letramento. Porém, Ferreiro (2001), enfatiza a Alfabetização e o Letramento, como um único processo, que se denomina de Alfabetização. Para Ferreiro (2001) alfabetização é o processo nada mecânico pelo olhar da criança que está sendo alfabetizada, uma vez que para a autora “A criança constrói seu sistema interpretativo, pensa, raciocina e inventa, buscando compreender esse objeto social complexo que é a escrita. Essa mudança conceitual sobre a alfabetização acaba levando à mudanças profundas na própria estrutura escolar” FERREIRO (2001, p.15). Ela não se utiliza do termo Letramento em suas obras em separado de Alfabetização. Conceitua Alfabetização como um processo que vai além da codificação e decodificação, concebe que alfabetizar é possuir habilidades para ler o que os outros produzem, como também a capacidade de dizer por escrito aquilo que se pensa, é a materialização do pensar em códigos de linguagem que possibilitam a inserção desses códigos no papel, articulado pelas palavras isentando-se do medo de expor suas idéias. Afirma que “A Alfabetização pode e deve contribuir para a compreensão, difusão e enriquecimento de nossa própria diversidade histórica e social”. (FERREIRO,2001, p. 17). Emilia Ferreiro (2001) não distingue Alfabetização dissociada de Letramento, os processos estabelecem uma relação dialética. Nela encontramos o sentido de letramento em suas considerações sobre alfabetização, como, também, é assim, que se encontra no PCNs - Parâmetro Curricular Nacional da Língua Portuguesa, apresenta as mesmas considerações das autoras Ferreiro e Soares na abordagem teórica, o que veremos nos textos a seguir. 17 CAPÍTULO III: PCNs - PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL DE LÍNGUA PORTUGUESA. Uma das discussões mais freqüentes atualmente na área de educação engloba os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e seu reflexo no ensino. No que se referem à língua portuguesa, os PCN vêm apresentar propostas de trabalho que valorizam a participação crítica do aluno diante da sua língua e que mostram as variedades e pluralidade de uso inerente a qualquer idioma, conforme o PCNs (1997, p. 24) O Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa está voltado as reflexões sobre o ensino da língua oral e escrita que é fundamental para a participação social efetiva do indivíduo no meio em que se encontra inserido, pois é por meio dela que o ser humano se comunica, tem acesso à informação e se expressa, defende ponto de vista, constrói sua visão de mundo e produz conhecimento. Ao analisarmos a proposta do Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa para as primeiras séries do ensino fundamental, percebemos que se trata de um ensino voltado para as práticas interacionistas que prioriza a troca interpessoal e que serve de referência, como fonte de consulta e de objeto para reflexão e debate. Notamos também que o Parâmetro Curricular Nacionais da Língua Portuguesa se divide em duas partes: Conforme o PCNs (1997).A primeira parte faz uma breve apresentação da área e define as linhas gerais da proposta, aborda questões relativas à natureza e as características da área. Discute–se a área da Linguagem e o ensino dessa disciplina (objetivos e conteúdos), relação de texto oral e escrito, leitura, produções de textos orais e escritos, ou seja, “apresenta uma idéia que o aluno considere a Língua em uma perspectiva mais ampla e a relação da disciplina com outros temas, levando o educando a ampliar suas capacidades de raciocínio e criticidade.” PCNs (1997, p.13), Outro aspecto importante nos PCNs, (1997, p.13) é a importância do trabalho com textos produzidos pelos próprios alunos. As chamadas redações, geralmente textos sem objetivos e produzidos meramente como avaliação, passariam a ser material de apoio para os professores, uma vez que poderia ser analisadas e usadas em sala de aula para mostrar aos alunos que eles são produtores de textos e que não é algo tão abstrato. O PCN propõe, então, a reestruturação dos 18 textos dos alunos como exercício de análise lingüística e prática textual. Na segunda parte, conforme o PCNs (1997, p.15), detalha que “[...] a proposta para as quatro primeiras séries do ensino fundamental, em objetivos, conteúdos e critérios de avaliação de forma a apresentá–los com a articulação necessária para a sua coerência”. O comentário dessa perspectiva de ensino de língua mais produtivo que aparece no próprio texto do PCNs de Língua Portuguesa (1997,p.23) “Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva”. Portanto, na percepção das situações discursivas que o aluno poderá se constituir como cidadão e exercer seus direitos como usuário da língua. Falar e escutar, além de ler e escrever são ações que permite produzir e compreender textos. Cabe a escola desenvolver também a linguagem oral de seus alunos, ou seja, é na sala de aula que é possível mostrar as falas mais adequadas e eficientes nas diferentes situações cotidianas. Nesse sentido percebe-se que é fundamental que os focos do ensino saia das regras preestabelecidas para se basear na análise de textos, visando à compreensão e produção. De acordo com a leitura dos PCNs (1997) nota-se a grande preocupação na inclusão de textos orais no ensino de língua. Dizemos novidade porque não é comum os livros didáticos e professores enfatizarem a oralidade na sala de aula, ou seja, são poucas escolas que ensinam os alunos falar com fluência em situações públicas. Por meio dessa reestruturação, pode-se fazer uma reflexão sobre a língua e linguagem comparando textos orais e escritos, dos mais diversos gêneros, o aluno vai percebendo as variações lingüísticas. Com relação á segunda parte, dos Parâmetros Curriculares Nacionais do ensino fundamental para o terceiro e quarto ciclos, o que mais chama a atenção é a maneira como são apresentadas as diferentes práticas de trabalho com a Linguagem segundo o referencial teórico conforme (PCNs,1997,p.49). O objetivo é desenvolver no aluno, o domínio da expressão oral e escrita em situações de uso público da linguagem, levando em conta a situação de produção social e material do texto e selecionar, a partir 19 disso os gêneros adequados para a produção ao texto operando sobre as dimensões pragmáticas, semântica se gramaticais. Dessa forma, ainda de acordo com os PCNs (1997, p.47) a prática de escuta de textos orais/ leitura de textos escritos, a prática de produção de textos orais e escritos. E ainda, a prática de análise lingüística formaria um suporte na qual se sustenta o ensino de Língua Portuguesa, funcionando como bloco na formação dos alunos, valorizando e destacando diferenças e semelhanças fazendo com que o aluno discuta o que vê/lê para conseguir sentir usuário da língua e participante do processo de aprendizagem. Sendo capaz de ouvir, interpretar e refletir sobre as ideias de outros, sabendo, contrapor-lhes as próprias idéias.” De acordo com a revista Nova Escola, PCNs (2003,p.22.) “Ler e escrever são atividades que se complementam. Os bons leitores têm grandes chances de escrever bem, já que a leitura fornece a matéria – prima para escrita”. Observamos que é pela leitura que o aluno desenvolve a sua escrita, porem, a escola ainda valoriza mais a escrita do que a leitura. A linguagem oral esta sendo desenvolvido depois da escrita, o que traz dificuldades na interação do locutor com o interlocutor, pois quem fala, não expõe com clareza para quem escuta. Segundo o Parâmetro de Língua Portuguesa, (Revista Nova Escola, 2003, p. 22.) “As escolas deveriam tratar da expressão oral desde as séries iniciais”. Assim, percebemos que os seres humanos, são seres falantes. A expressão oral manifesta antes da escrita, cabe a escola unir a oralidade e a escrita, para que o aluno possa produzir diferentes textos e perceber neles o tom, a inflexão da voz, ou seja, os elementos intencionais, que se formam na escrita é um dos elementos importantes para as crianças ampliarem suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas sociais. Ainda de acordo com o PCNs (1997, p.25) trabalhar com a linguagem se constitui em um dos eixos básicos nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, dada a sua importância para a formação do sujeito, para a interação com outras pessoas, na orientação das ações das crianças, na construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento”. Sendo assim, quanto mais as crianças puderem falar em situações diferentes, como contar o que lhes aconteceu em casa, contar história, dar 20 recados, explicar um jogo ou pedir uma informação, mais poderá desenvolver suas capacidades comunicativas de maneira significativa. Nesse sentido percebe-se que de acordo com os PCNs (1997, p.25) “a construção da linguagem oral não é linear e ocorre em um processo de aproximações sucessivas com a fala do outro, seja ela do pai, da mãe, do professor, dos amigos ou aquelas ouvidas na televisão, no rádio etc.” Sendo assim nas inúmeras interações com a linguagem oral, as crianças vão tentando descobrir as regularidades que a constitui, usando todos os recursos de que dispõem: histórias que conhecem, vocabulário familiar etc..Assim, acabam criando formas verbais, expressões e palavras, na tentativa de apropriar-se das convenções da Linguagem. Ainda de acordo com o PCNs (1997,p.46): Quando a criança fala com mais precisão o que deseja, o que gosta e o que não gosta, o que quer e o que não quer fazer, a fala passa ocupar um lugar privilegiado como instrumento de comunicação, podendo haver um predomínio desta sobre os outros recursos comunicativos. Além de produzirem construções mais complexas, as crianças são mais capazes de explicitações verbais de explicar – se pela fala. Nesse sentido a ampliação da comunicação oral ocorre gradativamente, ou seja, por meio de um processo de idas e vindas que envolvem tanto a participação das crianças nas conversas cotidianas, em situações de escritas e canto de musicas, em brincadeiras etc., com a participação em situações mais formais de uso da linguagem, como aquelas que envolvem a leitura de textos diversos. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 24) A língua é um sistema de signos históricos e sociais que possibilita ao homem o mundo e a realidade. Ainda ressalta que (1997, p.25): “o discurso, quando produzido, manifesta – se linguisticamente por meio de textos. Assim pode – se afirmar que texto é produto da atividade discursiva oral ou escrita que forma um todo significativo e acabado, qualquer seja sua extensão. Possari e Neder (2005, p. 17) dizem o seguinte que “ Qualquer que seja a raça, cultura, o espaço que ocupe, o tempo em que vive o homem esta 21 sempre em contato com outros homens inter – relacionando, comunicando – se, e essa inter – relações se dão sempre através da linguagem”. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997,p. 23), pesquisas na área da Linguagem tendem a reconhecer que o processo de Letramento é Produto da participação em praticas sociais que usam a escrita com sistema simbólico tecnologia. São praticas discursivas que precisam da escrita para torna – las significativas. “Dessa concepção decorre o entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas não existe grau zero de Letramento, pois nelas é impossível não participar de alguma forma, de alguma dessas praticas. A aprendizagem esta associada tanto na construção do discurso oral como no discurso escrito, ou seja, considerar os diferentes níveis de conhecimentos prévios que o aluno adquiriu em seu meio social. 3.1 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL SEGUNDO O PARÂMETRO CURRICULAR NACIONAL. O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p.41) propõe em sua obra algumas habilidades que se espera que o ao final do ensino fundamental o educando tenha adquirido em sua experiência escolar, tais propostas são reveladas no PCN como objetivos gerais que apresentam tais propostas • O aluno saiba se expressar em diferentes situações; • Saber expressar – se de diferentes maneiras; • Conhecer e respeitar as variedades lingüísticas do Português falado; • Saber distinguir e compreender o que dizem diferentes gêneros de texto; • Entender que a leitura pode ser uma fonte de informação, de prazer e de conhecimento; • Ser capaz de identificar os pontos mais relevantes de um texto organizar notas sobre esse texto, fazer roteiros, resumos, índices e esquemas; • Expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opções individuais; • Ser capaz de identificar e analisar criticamente os usos a língua como instrumento de divulgação de valores e preconceitos de raça, etnia, gênero credo ou classe. Esses objetivos trazidos pelo Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa é uma reflexão para os educando estarem repensando sua pratica 22 pedagógica e construir um ensino produtivo com seus alunos. Observem um trecho a respeito do que se espera que os alunos obtenham ao longo dos anos do Ensino Fundamental, conforme a idéia contida no PCN (1997, p.41) “Espera – se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado”. Os conteúdos da Língua Portuguesa citado nos Parâmetros Curriculares Nacionais, diz que o sistema tradicional do ensino da língua se divide em alfabetização, ortografia, pontuação, leitura em voz alta, interpretação de texto, redação, gramática. Encontramos no referencial teórico a organização dos conteúdos de Língua Portuguesa em função do eixo Uso -> Reflexão -> Uso que segundo o PCN (1997, p.44) Pressupõe um tratamento, cíclico, pois, de modo geral, os mesmo conteúdos aparecem ao longo de toda a escolaridade, variando apenas o grau de aprofundamento e sistematização. Para garantir esse tratamento cíclico e preciso seqüenciar os conteúdos dos segundo critérios que possibilitem a continuidade das aprendizagens.” São eles: “ * Considerar os conhecimentos prévios dos alunos; (...). * Considerar o nível de complexidade dos diferentes conteúdos (...). * Considerar o nível de aprofundamento possível de cada conteúdo em função das possibilidades de compreensão dos alunos nos diferentes momentos do seu processo de aprendizagem. Esses critérios são apontados no referencial teórico com intuito de oferecer idéias para favorecer a aprendizagem da melhor maneira possível. Os conteúdos são organizados em sub- blocos que se referem as praticas de uso da linguagem: Língua escrita e oral, usos e formas subdividem – se em práticas de leitura e prática de produção de texto, analise e reflexão sobre a Língua, a partir dessa contribuição, espera – se que o aluno se torne um produtor de discursos cada vez mais competente. De acordo com Magda Soares ( 1998, p.34) “O trabalho com a linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas, por isso, deve – se ter o planejamento da ação pedagógica, pois não basta deixar que as crianças falem apenas por falar em seu cotidiano. A exposição ao falar alheio não garantem a aprendizagem necessária. Assim, o desenvolvimento da capacidade de expressão oral depende de a escola constituir – se num ambiente que respeite a vez e a voz, a diferença e a diversidade e ensine o aluno a atuar e utilizar adequadamente a linguagem, em lugares públicos e, fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. 23 Para os PCNs (1997, p. 53), o ensino da língua escrita advém de muita leitura, pois ler e escrever são atividades complementares, assim, o trabalho com a leitura tem finalidade à formação de leitores competentes e, conseqüentemente, a formação de escritores, (...) não se trata de formar escritores no sentido de profissionais da escrita, e sim de pessoas capazes de escrever come ficaria, pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem origem na pratica de leitura. A leitura é um processo, no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. Portanto, pretende – se que no ensino da linguagem escrita forme cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam, e é preciso organizar o trabalho educativo, para que experimentem e aprendam isso na escola. 3.2. ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA Neste sub-bloco, o Parâmetro Curricular Nacional de Portuguesa, (1997, p.79) apresenta as seguintes considerações Língua “[...] O trabalho de reflexão sobre a língua é importante por possibilitar a discussão sobre diferentes sentidos atribuídos aos textos sobre os elementos discursivos que validam ou não essas atribuições de sentido.” Conforme o PCN, é necessário que os alunos aprendam e criem o habito de refletir sobre suas produções textuais tanto no oral como na escrita, porque há todo momento se esta fazendo o uso do discurso da língua, ao qual s adquiriu em suas vivencias. Ao aprender fazer a reflexão sobre o uso da língua, o educando esta ampliando a capacidade de compreensão e expressão em situações onde haja a necessidade de comunicação. Análise da Língua acontece, quando o educando passa a refletir sobre seu uso e atribuir sentido ao que se esta no discurso produzido, segundo as autoras Soares (1998), Tfouni (2000), Possari e Neder (2005), que apesar de se utilizarem de palavras diferentes em seus escritos atribuem suas considerações seguindo a mesma linha de pensamento, tratam o termo 24 Letramento como um processo no qual o aluno vai ao longo dos anos atribuindo sentidos, aos símbolos criados pela sociedade, daí a necessidade de se Alfabetizar Letramento. O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p. 84) nos coloca a necessidade de se alfabetizar criando significados às partes escritas e problemas que ajudem o aluno a refletir e aprender, ainda acrescenta que “Havendo informação disponível e espaço para reflexão sobre o sistema de escrita, os alunos constroem os procedimentos de analise necessárias para que alfabetização se realize”. Percebemos a importância que o referencial teórico apresenta em relação ao procedimento de levar o aluno a analisar o que se está construindo, são pelas análises que refletem sobre as instâncias dos discursos da textualidade decorrentes do meio da Língua: Uso -> Reflexão - > Uso. O PCN da Língua Portuguesa(1997, p.82) ressalta sobre alfabetização o seguinte “Para aprender a ler e a escrever é preciso pensar sobre a escrita, pensar sobre o que a escrita e como ela representa graficamente a linguagem”. Seguindo a linha de pensamento de Sares, Tfouni, Possari e Neder abordadas no decorrer do trabalho, cujos pensamentos aliam-se às ideias de Ferreiro (2004, p. 25) que observa que “Aquisição de uma técnica de transição de formas sonoras, e apontar como objetivo, a compreensão do modo de representação da Linguagem que corresponde a um sistema alfabético de escrita seus usos sociais e a construção e compreensão de textos coerentes e coesos”. Nessa linha de pensamento os critérios de Avaliação discorrido no PCN de Língua Portuguesa (1997,p.94) coloca que Foram definidos os critérios de avaliação para os dois primeiros Ciclos. Os critérios da avaliação não podem de forma alguma, ser tomados como objetivos, pois isso significaria um injustificável rebaixamento da oferta de ensino e, conseqüentemente, a não garantia de conquistas da aprendizagem consideradas essenciais. Outro fato importante, os critérios da avaliação devem ser tomados em conjunto considerados de forma contextual e, muito mais do que isso, analisados à luz dos objetivos que realmente orientaram o ensino oferecido ao aluno. Sendo, assim, os critérios de avaliação que podem ser realizados caso, a instituição ou educador tenha utilizado os critérios de ensino da obra, outra 25 coisa, é respeitar a individualidade do aluno e avaliá-lo dentro das situações de aprendizagem que lhe foi oferecido. O Parâmetro Curricular Nacional (1997, p. 96) ressalta que “Não há instrumento de avaliação da aprendizagem melhor do que buscar identificar porque o aluno teria dado as respostas que deu às situações que lhe foram propostas”. Assim, mostra que o educador não deve utilizar a avaliação para classificar seu aluno, mais sim, identificar e refletir sobre o ensino proposto e analisar através dela se esta tendo desenvolvimento no processo de ensino aprendizagem. O PCN (1997,p.97) fecha suas considerações sobre avaliação nos dizendo que Os critérios de avaliação devem ser compreendidos: por um lado, com aprendizagens indispensáveis ao final de um período; por outro como referencias que permitem a analise dos seus avanços ao longo do processo considerando que as manifestações desses avanços não são lineares, nem idênticas. Observamos que avaliação é mais um processo, do qual se faz sobre os avanços de aprendizagem dos educandos, e que se devem respeitar os avanços individuais de cada um. 3.3. ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA NO PRIMEIRO E SEGUNDO CICLO A implantação de ciclos de aprendizagem ancora-se legalmente no artigo 23 da LDB. Segundo Perrenoud (2004 pág.46): “a educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”, podendo ser no todo ou em parte. A lógica de organização dos tempos escolares por ciclos passa por uma política curricular do sistema de ensino que pretende ser uma nova forma de compreender e de praticar o currículo, numa perspectiva democrática e inclusiva. A implantação dessa estratégia de ensino exige o rompimento com uma concepção preconceituosa e elitista de que a educação voltada para as classes populares não precisa 26 preocupar-se com a formação do/a aluno/a na sua plenitude. Perrenoud (2004 pág.46) No primeiro ciclo deve-se propor aos alunos que leiam e escrevam, ainda que não o façam convencionalmente. Mas o fato de as escritas nãoconvencionais serem aceitas não significa ausência de intervenção pedagógica para a construção da escrita convencional, muito pelo contrário. Por ser condição para a constituição da autonomia leitora, escritora e também intelectual, o conhecimento sobre a natureza e o funcionamento do sistema de escrita precisa ser construído pelos alunos o quanto antes. Isto é, quanto mais rapidamente os alunos chegarem à escrita alfabética, mais e melhor poderão avançar na aprendizagem dos conteúdos propostos nesse ciclo. (PCN´s pág. 70). No segundo ciclo, o trabalho com a linguagem oral e escrita precisa ser planejado de maneira a garantir a continuidade do que foi aprendido no ciclo anterior e a superação de dificuldades que eventualmente se tenham acumulado no período. Para tanto, é necessário que o professor investigue quais conhecimentos o aluno já construiu sobre a linguagem verbal para poder organizar a sua intervenção de maneira adequada. Esse procedimento precisa ser garantido não só no início dos ciclos, mas durante todo o processo de ensino e aprendizagem: não é, portanto, esporádico. Após a realização das atividades, é possível (e desejável) saber o que foi aprendido pelos alunos para poder identificar o que é necessário ser trabalhado a seguir, tendo em vista os objetivos propostos. (PCN´s pág. 79) No entanto, a análise daquilo que foi ou não aprendido precisa ser realizada num contexto em que se considere também o que foi de fato ensinado e a maneira pela qual isso foi feito. É a partir da relação estabelecida entre ensino e aprendizagem que se torna possível ao professor compreender melhor por que alguns aspectos dos conteúdos abordados foram mais bem aprendidos que outros (ou não). Isso pode fornecer informações mais precisas para modificar a sua intervenção — caso seja necessário —, dotando sua prática de maior qualidade. (PCN´s pág. 79) Os conhecimentos linguísticos construídos por uma criança devem fazer a ligação entre os segmentos falados com os escritos da Língua 27 Portuguesa. É possível que isso aconteça com criança em processo de alfabetização, ainda que tenham pouquíssimo contato com a linguagem escrita, isto é, a troca interpessoal de informações, ou seja, as atividades são realizadas cooperadamente. As atividades em grupo possibilitam a todos, excelentes trocas de conhecimentos, em especial nas séries inicias do ensino do Ensino fundamental, pois eles começam a partir daí a descobrirem o valor social dos conteúdos pedagógicos. Para que isso seja realmente um interação grupal e cumpra seu papel didático, tornam necessário que os alunos realizem juntos certas atividades. A maior preocupação deve ser a de criar condições didáticas para a real interação, observando as atitudes comportamentais. Segundo a autora Emilia Ferreiro (2004, p18) É comum registrar nos objetivos expostos nas introduções de planos, manuais e programas, que a criança deve alcançar “o prazer da leitura” e que deve ser capaz de “expressar – se por escrito”. As praticas convencionais levam, toda via, a que a expressão escrita se confunda com a possibilidade de repetir formulas estereotipadas, a que se pratique uma escrita fora de contexto, sem nenhuma função comunicativa real e nem sequer com a função de preservar informação. Um dos resultados conhecidos de todos é que essa expressão escrita é tão pobre e precária que inclusive aqueles que chegam a universidade (uma superseleção daqueles que chegaram ao curso primário” apresentam serias deficiências que levaram ao escândalo da presença de “oficinas de leitura e de redação” em varias instituições de nível superior da região. Outro resultado bem conhecido é grande inibição que o jovens e adultos mal alfabetizados apresentam com respeito a língua escrita: evitam escrever, tanto por medo de cometer erros d ortografia como pela dificuldade de dizer por escrito o que são capazes de dizer oralmente”. É também no primeiro ciclo que se deve começar a chamar o aluno para a responsabilidade para com seu papel de estudante e sua vida social, respeitando as normas de convivência, preservação do seu espaço entre outras atitudes. Se o trabalho em grupo é condição para a interação social, o mesmo se torna condição para que o professor tenha metas para a formação de laços que construam regras de convívio e torne – o modelo de parceiro experiente e solidário. Torna – se importante, neste período, dedicarmos atenção especial ao trabalho de produção de textos, mesmos que sejam pequenos textos quebrando assim, o estigma de que textos só devem ser ensinados após a 28 alfabetização. Por ser condição para autonomia leitora, escritora e ate intelectual, o conhecimento da escrita precisa ser adquirido pelo aluno o quanto antes. Di Nucci (2001, p.54) alia-se aos conceitos trabalhados até agora, pois, para ele A alfabetização ocorre na instituição escolar e envolve o domínio sistemático das habilidades de ler e escrever. A escolarização, por sua vez, é uma pratica formal do institucional de ensino que visa à formação integral do individuo, sendo a alfabetização apenas uma de suas atividades. A escola tem projetos amplos, ao passo que a alfabetização é uma habilidade restrita. Ampliando a concepção de escrita para fora do contexto escolar, o Letramento envolve aprendizagem social e histórica da leitura e da escrita em contextos informais e os usos contextualizados no cotidiano do individuo. A citação ratifica a idéia de que o ciclo inicial deve facilitar o aprofundamento e a expansão dos conhecimentos que nossos alunos já possuem sobre Linguagem, e oferecer condições para desenvolverem cada vez mais uma autonomia intelectual. A escola precisa disponibilizar materiais impressos da leitura que os ajudem como fonte de informação neste processo de aprendizagem da linguagem escrita. Nesta fase os principais conteúdos a serem administrados devem ser valores, normas e atitudes, deixando bem claro que isso deve configurar como conteúdo que eles levarão para a vida toda. Por sua vez, a atividade com a linguagem oral e escrita para o segundo ciclo, é necessário que sejam traçadas metas que possam garantir a seqüência do que foi aprendido no ciclo anterior superando eventuais dificuldades. A partir da relação estabelecida entre ensino e aprendizagem que se torna possível ao professor entender melhor quais aspectos dos conteúdos administrados foi mais bem aprendido ou não pelos alunos. Os objetivos da Língua Portuguesa para o segundo ciclo é compreender o sentido nas mensagens orais e escritas, ler com autonomia diferentes textos e quando diz – se ler com autonomia, isso vai alem da codificação e decodificação, significa compreender criticamente e interpretar segundo o que sugeri o autor. Utilizar ainda a linguagem para expressar 29 sentimentos, experiências e idéias, utilizar a linguagem oral e escrita, de forma a adequá-la a situações comunicativas. Espera–se do aluno ainda produção de textos escritos, estabelecendo coerência e coesão, ou seja, escrever e revisar seus próprios textos. Nessa fase o aluno já escreve alfabeticamente e já realiza atividades de leitura e escrita com maior autonomia. Podemos buscar como proposta de analise da Língua, uma maior clareza nas regras de ortografia e acentuação. Em suma, o segundo ciclo deve caracterizar – se por possibilitar ao aluno, maior confiança na realização de atividades dos conteúdos do ciclo anterior, bem como, introduzir novos conteúdos e diferentes formas e usos da Língua no dia – a – dia. Os Parâmetros Curricular Nacional de Língua Portuguesa sugeriram como avaliação, que o aluno reconte oralmente historias que já ouviu ou leu, bem como historias das quais ele tenha sido personagem estabelecendo, é claro, o tempo e ordem em que os fatos ocorreram. Que sua leitura não seja apenas uma decodificação por sinais, mas sim, codificar o sentido de seu texto lido. Suas produções devem ainda, conter o básico dos recursos de coesão, lendo sempre suas produções com o objetivo de aprimora – las, pois, as revisões tanto ortográficas quanto de coesão e coerência só se darão com a leitura e releitura de seus textos. Enfim, espera – se que o aluno já desenvolva textos não só para si, mas, para leitores, levando em conta que o leitor de seu texto não estará presente no ato de sua produção, que consiga transmitir com clareza e objetividade, seu objetivo sem ambigüidade. 30 CONCLUSÃO Pesquisas mostram como se pode melhorar a concepção dos alunos a respeito da própria língua e diminuir o preconceito lingüístico com atividades simples, que privilegiam o uso, a reflexão no lugar de apenas dividir e classificar termos e orações etc. O quê constatamos, ao compararmos os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa e as pesquisas relativamente recentes publicada sobre o ensino de Português, incluindo a análise da língua falada, fica patente, para o professor de nível fundamental e médio, o que se deve ser priorizado em sala de aula e que tipo de material deve ser trabalhado. Também é interessante verificar como se estrutura um trecho de conversão espontânea, mas não para identificar desvios da norma cult. É ilusão pensar que com essas atividades se esta trabalhando a oralidade. O ensino da Língua Portuguesa deve valorizar todas as possibilidades de produção textual, enfatizando os efeitos de sentido e as estruturas lingüísticas usadas. No caso da oralidade, sem desprestigiar os textos elaborados. Ao assumir um grupo de alunos, o professor necessita estar consciente de todos os obstáculos que se apresentam estando preparado para vencê-los. Sabe-se muito bem que esta responsabilidade não é tarefa fácil, uma vez que as cobranças são muitas e, às vezes, a ajuda é quase inexistente. No sistema educacional, o professor vive constantemente pressionado pela sociedade e incomodado com os problemas de aprendizagem apresentados diariamente em seu grupo. O ser humano é social por natureza. Desde muito jovens, vive-se em sociedade, fazemos parte e formamos grupos com pessoas das mais diversificadas crenças, origens e personalidades. Graças a esse convívio no decorrer de nossas vidas, vivemos situações que nos constrangem ou enaltecem, sofremos desilusões, aprendemos com nossos erros e acertos e, 31 através de comparações, conseguimos construir a nossa personalidade e interagir com o universo. Assim sendo, ensinar é transmitir o que se sabe a quem quer saber, portanto, é dividir sabedoria. Essa divisão, porém, não segue as leis matemáticas, pois, em vez de o conhecimento diminuir, ele aumenta; é dentro desse contexto que fala mais forte, a afetividade. É necessário ainda, entretanto, discutir os PCNs e divulgar seu conteúdo, motivando os professores a debater as propostas e a sugerir atividades. Afinal, por mais que se questione sua origem e utilidade, os PCNs têm como principal objetivo fazer com que o ensino fundamental forme cidadãos, e essa é a finalidade primeira de todo processo educativo. 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetro Curricular Nacionais: Língua Portuguesa, volume 2 – Brasília, 1997. FERREIRO, Emilia. Reflexão sobre Alfabetização, São Paulo: Editora Cortez,2001. ________________. Com todas as Letras. 12a. Edição. São Paulo: Editora Cortez, 2004. GARCIA, Regina Leite. Múltiplas linguagens na escola. Editora DPSA – São Paulo, 2000. KATO, Mary. A concepção da escrita pela criança. Campinas, Pontes ,1992. LEITE, S. A. S. (org.) Alfabetização e letramento – contribuições para as práticas pedagógicas. Campinas, Komedi/Arte Escrita, 2001. PARÂMETROS curriculares nacionais – terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental MEC, 1998. PERRENOUD, Philippe. 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