UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS MARIANA JUSTI MONDARDO A FORMAÇÃO DO BACHAREL DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA UNESC: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO, AS EXPECTATIVAS DOS ACADÊMICOS E AS CARACTERÍSTICAS DESEJADAS PELO CURSO CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010 1 MARIANA JUSTI MONDARDO A FORMAÇÃO DO BACHAREL DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA UNESC: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO, AS EXPECTATIVAS DOS ACADÊMICOS E AS CARACTERÍSTICAS DESEJADAS PELO CURSO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção de grau de Bacharel no Curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientadora: Profª. Esp. Andréia Cittadin CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010 2 MARIANA JUSTI MONDARDO A FORMAÇÃO DO BACHAREL DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA UNESC: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO, AS EXPECTATIVAS DOS ACADÊMICOS E AS CARACTERÍSTICAS DESEJADAS PELO CURSO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção de grau de Bacharel, no Curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com linha de pesquisa em Formação e Exercício Profissional. Criciúma, 07 de Dezembro de 2010. BANCA EXAMINADORA Profª. Esp. Andréia Cittadin - Orientadora Profº. Esp. Edson Cichella - Examinador Profª. Esp. Milla Lúcia Ferreira Guimarães - Examinadora 3 Dedico este trabalho a minha mãe Marli, que me auxiliou sem medir esforços não apenas neste trabalho, mas em todas as conquistas que obtive até hoje. Minha gratidão a ela é imensa é inesgotável. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus, que iluminou o meu caminho durante esta caminhada, pelo presente da vida, coragem e disposição para conclusão deste trabalho e por todas as conquistas que obtive até hoje. Aos meus familiares, por todo amor, apoio e compreensão, e por estarem sempre ao meu lado. Em especial a minha mãe que em todos os momentos da minha vida esteve do meu lado de forma especial e paciente, fazendo papel de mãe e acima de tudo de amiga. Também expresso minha gratidão aos colegas que se tornaram verdadeiros amigos durante esses anos, que diretamente ou indiretamente contribuíram para a conclusão deste trabalho. Em especial: Ana Lúcia Mondardo, André Eyng, Bruna Pissette, Felipe Freitas, Gabriela Schulter, Karin Lopes, Leandro Warmling, Lucas Meller e Juliana Della Bruna, por todos os momentos que passamos juntos, tanto nos difíceis e principalmente os de felicidade, com certeza deixarão boas recordações. A minha orientadora, professora Andréia Cittadin, uma excelente profissional que não mediu esforços nesta trajetória, pela atenção, dedicação, revisão, incansáveis leituras e orientações dadas a este trabalho. A todo o corpo docente do curso, que contribuíram na minha formação e pela convivência, aos que sempre se mostraram dispostos a sanar as dúvidas e aos que se tornaram amigos. Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para a execução desta obra. 5 "Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória (Mahatma Gandhi) é o desejo de vencer" 6 RESUMO MONDARDO, Mariana Justi. A Formação do Bacharel do Curso de Ciências Contábeis da UNESC: uma Análise Comparativa entre as Exigências do Mercado de Trabalho, as Expectativas dos Acadêmicos e as Características desejadas pelo Curso. 2010. 86 p. Orientador (a): Andréia Cittadin. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. A evolução no mundo dos negócios vem exigindo das empresas a busca de novas formas de gestão que as auxiliem a desenvolver um diferencial competitivo e permanecer atuando no mercado, em meio a tanta concorrência. Desta forma, esta exigência atinge também os contadores, que são considerados atualmente peçaschaves nas organizações. Neste contexto, salienta-se que os profissionais da área contábil necessitam possuir competências e desenvolver habilidades que atendam a demanda deste novo ambiente que se transforma constantemente. Assim, acentua-se a responsabilidade das instituições de ensino superior em oferecer a estes profissionais uma formação adequada, que englobe desde conhecimentos técnicos e científicos, desenvolvimento de competência e habilidades e incentivo a busca individual por educação continuada. Diante desta realidade, o objetivo deste trabalho consiste em verificar se a formação do bacharel do curso de Ciências Contábeis da UNESC atende as exigências do mercado de trabalho e as expectativas dos futuros profissionais. Desta forma, caracteriza-se como descritivo, com procedimentos que abrangem pesquisa bibliográfica, survey e documental. Foi realizado por meio de questionários aplicados aos acadêmicos do curso de Ciências Contábeis da UNESC e profissionais da área contábil de Criciúma-SC e região filiados ao SINDCONT, e estudo do Projeto Político Pedagógico (PPP). As análises dos dados ocorreram de forma qualitativa e quantitativa. Os resultados apontaram que a organização curricular do Curso de Ciências Contábeis da UNESC atende aos conteúdos estabelecidos pelo MEC para a formação do bacharel em Ciências Contábeis. Com base nos dados dos questionários, foi possível verificar que os discentes consideram-se capacitados para atuarem no mercado de trabalho e que tem conhecimento da importância da educação continuada. Constatou-se, ainda, que tanto o mercado de trabalho como os alunos entendem que é necessário, além das habilidades e competências inerentes a profissão, atuar com ética. Palavras-chave: formação superior em ciências contábeis, perfil do profissional contábil, mercado de trabalho. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil.....................................23 Quadro 1: Principais Características das Competências dos Contadores..........31 Quadro 2: Competências e Habilidades do Contador............................................31 Quadro 3: Ramos de Atuação do Profissional Contábil.........................................42 Quadro 4: Caracterização dos Conteúdos...............................................................50 Gráfico 1: Área de atuação dos discentes...............................................................55 Gráfico 2: Fatores que motivaram o ingresso no curso de Ciências Contábeis....................................................................................................................56 Gráfico 3: Possíveis áreas de especialização dos discentes................................57 Gráfico 4: Frequência que os alunos procuram buscar outros conhecimentos fora da universidade..................................................................................................58 Gráfico 5: Meios utilizados para realização de formação complementar.............58 Gráfico 6: Segurança em relação a atuação profissional.......................................59 Gráfico 7: Grau de importância das disciplinas oferecidas pelo Curso...............60 Gráfico 8: Situação da profissão contábil na visão dos discentes.......................61 Gráfico 9: Atitudes consideradas mais importantes na opinião dos discentes.....................................................................................................................63 Gráfico 10: Habilidades em relação à capacidade para empreender na opinião dos discentes..............................................................................................................64 Gráfico 11: Habilidades em relação à capacidade para gerenciar na opinião dos discentes.....................................................................................................................64 Gráfico 12: Habilidades em relação à capacitação estratégica na opinião dos discentes.....................................................................................................................65 Gráfico 13: Área de atuação profissional.................................................................67 Gráfico 14: Tempo do término da graduação..........................................................67 Gráfico 15: Universidade que concluiu sua graduação..........................................68 Gráfico 16: Disciplinas de maior importância na visão dos profissionais...........68 Gráfico 17: Áreas de especialização........................................................................70 Gráfico 18: Frequência que os profissionais procuram buscar conhecimentos além dos adquiridos na universidade......................................................................70 Gráfico 19: Meios utilizados para realização de formação complementar...........71 8 Gráfico 20: Motivos para realização da formação continuada...............................72 Gráfico 21: Situação na profissão contábil na visão dos profissionais...............72 Gráfico 22: Atitudes consideradas mais importantes na opinião dos profissionais...............................................................................................................75 Gráfico 23: Habilidades em relação à capacitação para empreender na opinião dos profissionais........................................................................................................76 Gráfico 24: Habilidades em relação à capacitação para gerenciar na opinião dos profissionais...............................................................................................................76 Gráfico 25: Habilidades em relação à capacitação estratégica na opinião dos profissionais...............................................................................................................77 Gráfico 26: Competências de maior importância para contratar um profissional contábil na visão dos profissionais..........................................................................78 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Disciplinas que Compõem a Matriz Curricular nº 4 Agrupadas por Campo de Formação..................................................................................................51 Tabela 2: Disciplinas que Compõem a Matriz Curricular nº 5 Agrupadas por Campo de Formação..................................................................................................52 Tabela 3: Habilidades técnicas indicadas pelos discentes pesquisados.............62 Tabela 4: Habilidades gerenciais indicadas pelos discentes pesquisados.........62 Tabela 5: Habilidades pessoais indicada pelos discentes pesquisados..............62 Tabela 6: Motivos para atuar com ética na profissão segundo os discentes......66 Tabela 7: Habilidades técnicas indicadas pelos profissionais pesquisados.......73 Tabela 8: Habilidades gerenciais indicadas pelos profissionais pesquisados....74 Tabela 9: Habilidades pessoais indicada pelos profissionais pesquisados........74 Tabela 10: Motivos para atuar eticamente na profissão segundo os profissionais...............................................................................................................78 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS Art – Artigo N º – Número Res – Resolução CES – Câmera de Educação Superior CFC – Conselho Federal de Contabilidade CFE – Conselho Federal de Educação CNE – Conselho Nacional de Educação CPA – Comissão Própria de Avaliação CRC – Conselho Regional de Contabilidade IES – Instituições de Ensino Superior MEC – Ministério da Educação PPP – Projeto Político Pedagógico SC – Santa Catarina SINDCONT – Sindicato dos Contabilistas de Criciúma e Região Carbonífera UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense TCC – Trabalho de Conclusão de Curso 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 13 1.1 Tema e Problema................................................................................................ 13 1.2 Objetivos da Pesquisa ....................................................................................... 14 1.3 Justificativa......................................................................................................... 15 1.4 Metodologia ........................................................................................................ 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................. 19 2.1 Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil ............................................. 19 2.2 Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação em Ciências Contábeis ................................................................................................................................... 25 2.3 Projeto Político Pedagógico (PPP) ................................................................... 27 2.4 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador ................................. 29 2.4.1 Competências e Habilidades Necessárias ao Contador conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais e Exigências do Mercado de Trabalho .......... 33 2.4.2 Formação Continuada..................................................................................... 36 2.5 Importância da Ética na Profissão Contábil..................................................... 37 2.6 A Profissão Contábil e seus Campos de Atuação........................................... 41 2.6.1 Controller ......................................................................................................... 43 2.6.2 Professor.......................................................................................................... 44 2.6.3 Auditor.............................................................................................................. 45 2.6.4 Perito Contábil................................................................................................. 46 2.6.5 Contador Público............................................................................................. 46 3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ................................................................ 48 3.1 O Curso de Ciências Contábeis da UNESC ..................................................... 48 3.1.1 Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da UNESC ................... 49 3.1.2 Perfil do Egresso do Curso de Ciências Contábeis da UNESC de acordo com o PPP................................................................................................................. 53 3.2 As Perspectivas dos Acadêmicos em Relação a sua Formação ................... 54 3.2.1 Perfil dos Acadêmicos do Curso de Ciências Contábeis da UNESC.......... 54 3.2.2 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador na Visão dos Discentes .................................................................................................................. 61 12 3.3 Perfil do Profissional Contábil, Habilidades e Competências Necessárias ao Contador de acordo com o Mercado de Trabalho................................................. 66 3.3.1 Perfil do Profissional Contábil ....................................................................... 66 3.3.2 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador na Visão dos Profissionais da Área Contábil ............................................................................... 73 3.4 Análise Comparativa entre o Perfil Ideal dos Egressos conforme o PPP do Curso, a Percepção do Mercado de Trabalho e as Expectativas dos Acadêmicos ................................................................................................................................... 79 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 81 REFERÊNCIAS.......................................................................................................... 84 APÊNDICE................................................................................................................. 87 13 1 INTRODUÇÃO Neste capítulo apresenta-se o tema juntamente com o problema da pesquisa, que consiste na investigação do perfil desejado pelo mercado de trabalho em relação ao profissional contábil, bem como das expectativas dos futuros contadores no que tange ao exercício de sua profissão. Na seqüência, relatam-se o objetivo geral e os específicos que nortearam sua realização. Em seguida, descrevese a justificativa, que aponta a contribuição teórica, prática e social deste estudo. Por fim, apresenta-se a metodologia utilizada para sua elaboração. 1.1 Tema e Problema A abertura dos mercados e, consequentemente, o aumento da concorrência passou a exigir das organizações a implantação de instrumentos de gestão que as auxiliem na administração de suas atividades e no desenvolvimento de estratégias competitivas para garantir que estas continuem atuando neste ambiente globalizado. Desta forma, cabe observar que as entidades precisam de profissionais capacitados para gerenciarem seus processos adequadamente e conduzirem a empresa ao alcance dos objetivos organizacionais. Diante deste cenário, destacam-se os profissionais da área contábil, uma vez que esta profissão atualmente abrange muito mais do que as atividades de escrituração contábil, fiscal e patrimonial e os registros relacionados ao setor de pessoal. Os profissionais de contabilidade estão participando ativamente da gestão das organizações, auxiliando, por exemplo, no desenvolvimento dos planejamentos estratégico e operacional, definições e acompanhamento de orçamentos, registros e controles de custos, entre outras funções. Neste sentido, observa-se a necessidade de uma formação adequada aos contadores, tendo em vista o papel que exercem no processo decisório das entidades. Portanto, os gestores dos cursos de graduação em Ciências Contábeis devem estar atentos à qualidade do ensino ofertado, visando preparar profissionais aptos a atuarem no mercado de trabalho. 14 Desse modo, destaca-se que durante a graduação, os acadêmicos devem construir conhecimentos técnicos e científicos referente à área contábil e desenvolver competências, habilidades e atitudes necessárias ao exercício da profissão. Para que ao término do curso possam ter condições de enfrentar os desafios impostos no decorre da vida profissional, tais como, mudanças constantes na economia e na legislação, desenvolvimento de novas tecnologias, entre outros. Neste contexto, verifica-se que cabe aos cursos de graduação desta área realizar constantemente avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Pois com isso é possível analisar suas matrizes curriculares verificando se os conteúdos trabalhados e as metodologias de ensino utilizadas são suficientes alcançar o perfil profissional desejado pelo campo de trabalho. Salienta-se, que este processo pode ser complementado por meio de pesquisas junto ao mercado de trabalho. Assim, mediante ao levantamento de dados com os profissionais que possuem experiência no ramo, pode-se identificar o perfil ideal para os futuros contadores de uma determinada região. Além disso, investigar junto aos acadêmicos dos cursos as suas perspectivas é fundamental para os gestores destes delinearem o perfil profissional desejados aos egressos e desenvolverem ações, se necessário, para melhorar a qualidade de ensino e formar profissionais competentes para atenderem as exigências do campo de trabalho. Diante disso, a problemática desta pesquisa concentra-se em responder a seguinte questão: a formação do bacharel do curso de Ciências Contábeis da UNESC atende as exigências do mercado de trabalho e as expectativas dos futuros profissionais? 1.2 Objetivos da Pesquisa O objetivo geral deste trabalho consiste em verificar se a formação do bacharel do curso de Ciências Contábeis da UNESC atende as exigências do mercado de trabalho e as expectativas dos futuros profissionais. Em relação aos objetivos específicos da pesquisa, pretende-se: 15 • verificar se a matriz curricular do curso em estudo atende aos conteúdos específicos da área exigidos pelo MEC para a formação do bacharel em Ciências Contábeis; • investigar junto ao mercado de trabalho o perfil esperado para o profissional da área e as perspectivas dos acadêmicos em relação a sua formação; e • efetuar comparação entre o perfil do egresso descrito no Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso, os aspectos que o mercado requer e as expectativas dos acadêmicos. 1.3 Justificativa Atualmente a exigência do mercado de trabalho em relação aos profissionais da área contábil vem aumentando tendo em vista, principalmente as funções gerenciais assumidas pelo contador. Diante disso, os autores Leal, Soares e Souza (2008, p. 1) ressaltam que, “o mercado exige dos profissionais da área contábil um conhecimento que transcende o processo específico pronto para o tecnicismo; busca-se um profissional com competências para entender o “negócio”, visando orientar o gestor e participar das decisões de forma consciente”. Neste sentido, Peleias et al (2007, p. 20) reforçam que, a evolução das sociedades apresenta características que demandam identificação, estudo e compreensão, e o progresso econômico requer profissionais mais qualificados para atuarem nas organizações. Como conseqüência, são necessárias condições de ensino para formação desses profissionais. Com isso, tem se tornado oportuno estudar essa relação entre a vida acadêmica e a realidade do campo profissional, que exige profissionais qualificados e com capacidade de adaptação as mudanças desta área. Desta forma, surge a necessidade de se investigar o perfil desejado pelo mercado de trabalho em relação ao contador, as expectativas dos acadêmicos no que tange a sua formação e compará-las com o perfil profissiográfico estabelecido pelos cursos de graduação em Ciências Contábeis. 16 De acordo com Hernandes, Peleias e Barbalho (2006, p. 133), o perfil profissiográfico é aquele esperado do profissional de acordo com as necessidades do mercado em determinada região geográfica, o que faz com que as instituições de ensino superior tenham necessidades de adaptar sua grade curricular à região onde inseridas, para que seus alunos terminem seus cursos com os conhecimentos necessários para atender as necessidades do mercado de trabalho. Assim, acredita-se que este estudo poderá contribuir com as pesquisas sobre o ensino da contabilidade, uma vez que busca descrever o perfil do profissional contábil desejado junto ao mercado de trabalho na região do Extremo Sul Catarinense, bem como as expectativas dos futuros bacharéis em Ciências Contábeis e compará-las ao perfil do egresso estabelecido pelo curso em estudo. Em relação aos aspectos práticos, este trabalho pode ser utilizado pelos gestores do curso pesquisado para revisão de sua matriz curricular, verificando se está aderente à necessidade da sociedade. E, assim, tomar decisões em relação à melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem, se necessário. Desta forma, acredita-se que é possível contribuir com o aperfeiçoamento do processo de formação do contador, nesta região e com a sociedade de modo geral. Isso porque, formando profissionais capacitados às exigências do campo profissional estes poderão auxiliar na gestão das organizações visando o desenvolvimento regional. 1.4 Metodologia A elaboração deste trabalho exigiu, inicialmente, a definição dos procedimentos metodológicos, que de acordo com Andrade (2005, p.119), consiste no “conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos.” Deste modo, quanto aos objetivos adotou-se a pesquisa descritiva, que segundo Gil (2002, p. 42), têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre 17 variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Diante disso, busca-se descrever o perfil do profissional contábil desejado pelo mercado de trabalho, bem como as expectativas dos acadêmicos e compará-las ao perfil do egresso estabelecido pelo curso em estudo. Quanto aos procedimentos, trata-se de pesquisa bibliográfica, que conforme Oliveira (2002, p.119) “tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição cientifica que se realizam sobre determinado assunto ou fenômeno.” Assim, realizou-se esta pesquisa, por meio da utilização de livros, internet, revistas e principalmente artigos. Utilizou-se, também pesquisa de levantamento ou survey e documental. A primeira de acordo com Gil (1994, p. 74) caracteriza-se, pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-se á solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes aos dados coletados. Em relação à pesquisa documental Gil (1994, p.73), destaca que, existem, de um lado, os documentos de primeira mão, que não receberam qualquer tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. De outro lado, existem os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc. Como instrumento de coleta de dados, fez-se uso de questionários que foram aplicados com os contadores da região de Criciúma/SC, sócios do Sindicont, e com os acadêmicos das fases concluintes (8ª e 9ª) do curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Para Lakatos e Marconi (1986, p. 178) “questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador.” Em relação a análise dos dados utilizou-se abordagem qualitativa e quantitativa. De acordo com Richardson (1999, p.80), os estudos “que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado 18 problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais.” A análise quantitativa, segundo Richardson (1999, p. 70): [...] como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações. Quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão etc. Desta forma, este trabalho caracteriza-se como descritivo, com procedimentos que abrangem pesquisa bibliográfica, survey e documental, realizado por meio de questionários e estudo do Projeto Político Pedagógico (PPP), sendo que as análises ocorreram de forma qualitativa e quantitativa. 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo expõe o referencial teórico sobre o tema abordado no presente trabalho. Deste modo, inicialmente faz-se uma breve descrição da evolução do ensino da contabilidade no Brasil. Posteriormente, apresenta-se as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em Ciências Contábeis, o projeto político pedagógico, as habilidades e competências necessárias ao contador e por fim, faz-se uma breve descrição sobre a profissão contábil e seus campos de atuação. 2.1 Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil Antes de descrever a origem e o desenvolvimento do ensino da contabilidade no Brasil, convém apresentar a diferenciação entre os termos educação e ensino. Neste sentido, Rosella et al (2006, p. 1) destacam que o ensino “é o ato de transmitir informação, de organizar as condições de aprendizagem para que o conhecimento seja construído.” Em relação à educação os autores escrevem que, educação engloba o ensinar. É a prática educativa que ensina o aluno a pensar, criar, inovar e construir novos conhecimentos. A educação cuida do desenvolvimento integral do homem, física, intelectual e moralmente, enquanto o ensino cuida da transmissão de conhecimentos acumulados, indispensáveis a educação. (ROSELLA et al, 2006, p. 1). Observa-se, deste modo, que o ensino consiste em transmitir informações e proporcionar a disseminação do conhecimento. Já a educação é mais abrangente, pois trata do desenvolvimento de outras competências, tais como, reflexão, criação, inovação, além da construção do conhecimento. Contudo, ambos possuem papel importante tanto na formação profissional como pessoal dos indivíduos. Isso porque, é por meio do ensino que os conhecimentos acumulados são transmitidos e, assim, possibilita a preparação de novos profissionais para atuarem no mercado de trabalho. A educação por sua vez é 20 responsável pela formação de profissionais qualificados ao campo de trabalho, como também pela formação de cidadãos éticos e comprometidos com a sociedade onde estão inseridos. Após apresentar a reflexão sobre o ensino e a educação de maneira geral, descreve-se o surgimento do ensino da contabilidade, sua evolução e como se configura atualmente no Brasil, para facilitar a compreensão do atual contexto da educação nesta área e suas perspectivas futuras. Diante disso, Moura e Silva (2009, p. 3) salientam que, é importante conhecer a história para entender as relações existentes entre os ranços e avanços que ocorreram no processo, proporcionando uma visão sistêmica do curso de Ciências Contábeis, contexto em que foi criado e possíveis perspectivas para o futuro. Sendo assim, primeiramente expõem-se como foi iniciado o ensino da contabilidade no Brasil, que de acordo com Laffin (2005, p. 105), a contabilidade foi, pois, surgindo de forma tímida como objeto e área de conhecimentos a ser transmitido. Primeiramente, como disciplina em cursos esparsos, e mais tarde surge como curso específico, com o objetivo de preparar profissionais com maior conhecimento nessa área de atuação. Neste contexto, Rosella et al (2006) destacam que, o ensino da contabilidade no Brasil teve início no século XIX, mais precisamente no ano de 1808, com a vinda da Família Real Portuguesa. Neste ano foram criadas as aulas de comércio, que exigiam alguns pré-requisitos para serem cursadas, tais como: ter mais de 14 anos de idade, ser aprovado no exame de gramática da língua nacional, aritmética e língua inglesa ou francesa. Este curso tinha duração de dois anos e abrangia disciplinas dirigidas para as necessidades diárias do comércio e dos negócios bancários. Conforme Laffin (2005), os cursos que o ensino comercial oferecia serviam para atender à demanda da classe média que iniciava naquele período, e eram destinados às profissões liberais e aos empregos públicos. Em relação aos conteúdos, Schmidt (2000, p. 205) destaca que, os estudos do comércio tiveram seus passos iniciais na obra de Visconde de Cairu (José da Silva Lisboa) publicada em 1804, Cairu tornou-se o primeiro a apresentar um sistema de direito comercial e a realizar os primeiros estudos de economia política do Brasil. 21 Salienta-se, entretanto, que na década de 50 do século XIX, ocorreram alguns fatos importantes para o ensino comercial e contábil brasileiro. Desta forma, com a criação do Instituto Comercial do Rio de Janeiro, foram incluídos um curso preparatório e outro profissional. Este era composto por três disciplinas de línguas estrangeiras (inglês, francês e alemão) e quatro disciplinas em áreas exatas (aritmética, álgebra, geografia e estatística comercial). Em 1880, passaram a serem oferecidas as seguintes disciplinas: geografia e estatística comercial, direito comercial e legislação de alfândegas e consulados, escrituração mercantil e economia política. (ROSELLA et al, 2006). Diante disso, Schmidt (2000, p. 206) ressalta que, “esse instituto passou a oferecer a disciplina Escrituração Mercantil como forma de qualificar seus alunos para a prática do registro contábil.” Segundo Rosella et al, (2006, p. 27), em 1902 é extinto o Instituto Comercial do Rio de Janeiro, sendo em seu lugar criada a Academia de Comércio do Rio de Janeiro. Por meio do Decreto nº. 1.339, de 9 de janeiro de 1905, a Academia de Comércio do Rio de Janeiro é declarada instituição de utilidade pública, passando seus diplomas a terem reconhecimento oficial. Os títulos dos diplomas concedidos pela Academia abrangiam dois níveis, uma vez que ela possuía dois cursos. Destaca-se, desta forma, que um dos cursos era de formação geral, denominado “Curso Geral”, o qual habilitava o profissional às funções, de: guardalivros, perito judicial e empregos da área da Fazenda. O outro, de nível superior, habilitava os acadêmicos a exercerem cargos de agentes-consultores, funcionários dos Ministérios das Relações Exteriores e chefes de contabilidade de estabelecimentos bancários e de grandes empresas comerciais. (LAFFIN, 2005). Posteriormente, outras importantes mudanças foram constatadas, principalmente, devido ao Decreto nº. 20.158, de 30 de junho de 1931, que reorganizou o ensino comercial, dividindo-o nos níveis técnico e superior e regulamentou a profissão de contador. Já o Decreto-lei nº 1.535, de 23 de agosto de 1939, alterou a denominação do curso de perito-contador para curso de contador. (ROSELLA et al, 2006). Após esse período, iniciou-se uma nova fase para o ensino da contabilidade, devido a vários fatores, como o desenvolvimento econômico causado pelo aumento de produção e crescimento da urbanização. Assim, a partir dos anos 40, com o forte desenvolvimento econômico e mediante pressão manifestada pelos 22 profissionais da área, surgiu a necessidade de uma evolução no ensino da contabilidade, consequentemente um maior reconhecimento dos profissionais desta área. Foi constituído, então, o curso superior de Ciências Contábeis e Atuariais, instituído pelo Decreto-lei n. 7.988, de 22 de setembro de 1945. Este curso possuía duração de quatro anos e concedia o título de bacharel em Ciências Contábeis para os que o concluíssem. (ROSELLA et al, 2006). Neste contexto, segundo Silva e Martins (2009, p. 129) salienta-se que, no ano de 1945, foi sancionado o Dec-lei 8.191, de 20.12.1945, que definiu as categorias profissionais que vigorariam após a criação do Curso de Ciências Contábeis e Atuariais e estabeleceu que as categorias de Guarda-livros, Atuários, Contadores, Peritos-contadores e bacharéis seriam agrupados em apenas duas, a saber: Técnico em Contabilidade para os Técnicos em Contabilidade e Guarda-livros (com este decreto o diploma de Guarda-livros foi substituído pelo diploma de Técnicos em Contabilidade) e Bacharel para os de nível superior, Contador e Atuários e Peritos-contadores. Verifica-se, assim, que com o Decreto-lei nº 7.988/45, foi instituído o curso superior em Ciências Contábeis e Atuariais, que concedia o título de bacharel em Ciências Contábeis. E pelo Decreto-lei 8.191/45 foram definidos as categorias profissionais de técnico em contabilidade e bacharel para os cursos de nível superior. No ano de 1951, com a Lei nº 1041, foram apresentadas novas reformas em relação ao curso de Ciências Contábeis e Atuariais, dividindo-o em dois cursos distintos, sendo: Curso de Contador e Curso de Atuário, não deixando de existir o curso anterior. (LAFFIN, 2005). Diante dos fatos mencionados em relação à evolução do ensino superior em contabilidade, pode-se observar que ocorreram muitas mudanças relacionadas a esta área, desde a criação das aulas de comércio até a instituição do curso superior em Ciências Contábeis. Dessa forma, cabe citar também, como um avanço da área, a implantação do curso de pós-graduação, em 1970. Reforçando essa idéia, Rosella et al, (2006, p. 34) salientam que, o crescimento do número dos cursos de Ciências Contábeis, aliado ao aumento da demanda por profissionais de Contabilidade com melhor formação acadêmica, trouxe como uma consequência a maior demanda pela pós-graduação, cujos objetivos principais são a maior qualificação profissional, a formação de pessoal qualificado para o exercício do magistério superior e para as atividades de pesquisa. 23 Assim, para um melhor entendimento apresenta-se na sequência uma figura, que demonstra os principais fatos ocorridos no ensino superior em contabilidade no Brasil. Figura 1: Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil Fonte: Rosella et al (2006) Convém mencionar ainda que outras mudanças ocorreram no decênio de 60, em relação ao ensino superior brasileiro de Ciências Contábeis. Neste sentido, destaca-se que em função da Lei 4.024, de 20.12.1961, fixou-se as Diretrizes e Bases da Educação Nacional e criou-se o CFE – Conselho Federal de Educação. Estas diretrizes determinavam os currículos mínimos e a duração dos cursos superiores destinados à formação para as profissões regulamentadas em lei. (SILVA; MARTINS, 2009). No ano de 1962, os currículos dos cursos de Ciências Contábeis foram divididos em formação básica e de formação profissional. A formação básica oferecia as disciplinas de matemática, estatística, direito e economia; e a formação profissional, referia-se as disciplinas de contabilidade geral, contabilidade comercial, 24 contabilidade de custos, auditoria, análise de balanços, técnica comercial, administração e direito tributário. (ROSELLA et al, 2006). No entanto, ressalta-se que no restante da década de 1960 e durante as décadas de 1970 e 1980 não foram constatadas outras alterações no ensino superior de contabilidade por determinações legais. Apenas em 1992, foram fixadas normas para que todas as instituições de ensino superior que contemplassem o curso de graduação em Ciências Contábeis elaborassem seus currículos, definindo o perfil do profissional a ser formado. (ROSELLA et al, 2006). Neste contexto, Silva e Martins (2009, p. 134) reforçam que neste ano, “o curso de Ciências Contábeis sofre outra reforma, pela Resolução 3/92 que fixou os conteúdos mínimos e a duração dos cursos em 2.700 horas.” A referida Resolução determinou, portanto, que as instituições de ensino superior elaborassem os currículos para os cursos de Contabilidade, definindo o perfil do profissional a ser formado. Além disso, podem ser destacados outros aspectos nesta resolução, tais como: elaboração do currículo por disciplinas e outras atividades acadêmicas de forma a alcançar o perfil por ela traçado; validade do diploma em âmbito nacional; assegurar condições para o exercício com competência e ética perante a sociedade; entre outras. (MARION, 2008) Salienta-se, de acordo com Rosella et al (2006, p. 31) que a Resolução n. 3/1992 distribuiu as disciplinas em três categorias de conhecimentos, apresentadas a seguir, categoria I – conhecimento de formação geral de natureza humanística e social, abrangendo disciplinas obrigatórias (língua portuguesa, noções de direito, noções de ciências sociais e ética geral e profissional, e outras obrigatórias e eletivas, a critério da instituição (como noções de psicologia, filosofia da ciência, cultura brasileira); categoria II – conhecimentos de formação profissional, compreendendo conhecimentos obrigatórios de formação profissional básica (administração geral, economia e direito aplicado), conhecimentos obrigatórios de formação específica (contabilidade geral, teorias da contabilidade, análise das demonstrações contábeis, auditoria, pericia contábil, administração financeira e orçamento empresarial, contabilidade pública, contabilidade de custos e análise de custos) e conhecimentos eletivos, a critério da instituição (contabilidade gerencial, sistemas contábeis, contabilidade aplicada etc.). categoria III – conhecimentos ou atividades de formação complementar, compreendendo conhecimentos obrigatórios de formação instrumental (como computação) e atividades obrigatórias de natureza prática, a critério de cada instituição (como jogos de empresa, laboratório contábil, estudos de caso, trabalho de fim de curso, estágio supervisionado e outros). 25 Diante do exposto, pode-se destacar que foram três alterações de maior abrangência desde 1945 até os dias atuais, em relação ao ensino superior de contabilidade: o Decreto Lei nº 7.988, de 22/09/1945, que criou o curso e instituiu o currículo; a Resolução de 08/02/1963, que propôs alterações no currículo mínimo para os cursos de Ciências Contábeis; e a Resolução nº 3, de 03/10/1992, que definiu a duração e conteúdos mínimos para os cursos de graduação em Ciências Contábeis. (LAFFIN, 2005). Mencionadas as etapas que envolveram a origem e a evolução do ensino superior da contabilidade no Brasil, apresenta-se na sequência as Diretrizes Curriculares Nacionais vigentes para os cursos de graduação em Ciências Contábeis. 2.2 Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação em Ciências Contábeis Conforme destacado anteriormente, o currículo do curso de graduação em Ciências Contábeis foi fixado pelo Decreto Lei nº 7988 de 22/09/45, juntamente com a instituição desse nível de ensino. Posteriormente, mediante a Lei nº 4024 de 20/12/61, sua determinação legal foi transferida ao Conselho Federal de Educação, tendo como objetivo uma maior agilidade em relação aos ajustes necessários aos currículos dos cursos desta área. (LAFFIN, 2005). Cabe destacar, que atualmente a Resolução nº 10, de 16 de Dezembro de 2004, é quem determina as diretrizes para estes cursos, sendo que muitas mudanças aconteceram até que esta Resolução fosse completamente aceita e elaborada como se encontra. Neste contexto, Rosella et al (2007, p. 28), relatam como foi essa trajetória, a Resolução CNE/CES nº 6. De 10.03.2004, oficializou o Parecer CNE/CES nº 289/2003, e instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais. Porém novas mudanças ocorreriam. O Parecer CES/NES nº 206/2004 mudou as Diretrizes Curriculares Nacionais a pedido do IBA – Instituto Brasileiro de Atuária, para que se excluísse do texto da Resolução CNE/CES nº 6/2004 a menção de que o curso de Ciências Contábeis deveria abranger a inserção dos indispensáveis domínios da atividade atuarial. Isso levou à promulgação da Resolução CNE/CES nº 10/2004, em 16.12.2004, que cancelou e substituiu a Resolução CNE/CES nº 6/2004. 26 Assim, de acordo com o Art. 1º da Resolução 10/2004, é determinado que, este documento “institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, a serem observados pelas Instituições de Educação Superior.” Diante disso, conforme seu artigo 2º, as Instituições de Ensino Superior devem estabelecer a organização curricular para os cursos de Ciências Contábeis por meio do Projeto Pedagógico, com enfoque dos seguintes aspectos, I – perfil profissional esperado para o formando, em termos de competências e habilidades; II – componentes curriculares integrantes; III – sistemas de avaliação do estudante e do curso; IV – estágio curricular supervisionado; V – atividades complementares; VI – monografia, projeto de iniciação científica ou projeto de atividade – como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – como componente opcional da instituição; VII – regime acadêmico de oferta; VIII – outros aspectos que tornem consistente o referido Projeto. O Art 3º desta Resolução, determinada inclusive que os cursos de Ciências Contábeis devem proporcionar condições para que o futuro contador seja capacitado para: I – compreender as questões científicas, técnicas, sociais, econômicas e financeiras, em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização; II – apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens, noções de atividades atuarias e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de inovações tecnológicas; III – revelar capacidade crítico-analítica de avaliação, quanto às aplicações organizacionais com o advento da tecnologia da informação. Destaca-se, conforme o Art. 5º da Resolução 10/2004, que os cursos de graduação em Ciências Contábeis, devem contemplar, em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular, conteúdos que harmonizem as normas e padrões internacionais de contabilidade, observado o perfil definido para o formando e que atendam os seguintes campos de formação, I – conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística; 27 II – conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos atinentes às Teorias da Contabilidade, incluindo as noções das atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais, governamentais e não-governamentais, de auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao setor público e privado; III – conteúdos de Formação Teórico-prática: Estágio Supervisionado, Atividades Complementares, Estudos Independentes, Conteúdos Optativos, Prática em Laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para Contabilidade. Desta forma, pode-se observar que as Diretrizes Curriculares Nacionais servem como orientação para as instituições de ensino superior, na definição dos currículos para os cursos de graduação em Ciências Contábeis entre outros aspectos necessários a formação dos profissionais da área contábil, tais como: perfil profissional desejado, componentes curriculares, sistema de avaliação, entre outros. Esta organização curricular deve ser estabelecida mediante o Projeto Pedagógico do curso, que será abordado o tópico seguinte. 2.3 Projeto Político Pedagógico (PPP) No ensino de graduação o PPP consiste na organização interna, na qual são definidos os perfis dos profissionais que se deseja formar; as atividades e os projetos que pretende-se desenvolver em relação ao ensino e extensão; as formas de contratação e capacitação dos docentes; e os recursos necessários para o funcionamento adequado do curso, tais como: laboratórios, biblioteca, entre outros. (MASSETO, 2003) Contudo, de acordo com Baffi 2004 apud (PALMA; QUEIROZ, 2006, p. 185), o projeto pedagógico não é somente uma carta de intenções, nem apenas uma exigência legal de ordem administrativa, pois deve expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do sistema nacional de educação, bem como as necessidades, locais e específicas, das clientela da escola; ele é a concretização da identidade da escola e do oferecimento de garantias para um ensino de qualidade. Neste sentido, entende-se que o projeto pedagógico serve como orientação às instituições de ensino superior, pois é por meio dele que se definem os perfis dos 28 profissionais que estas pretendem formar. Desta forma, com base neste instrumento é que suas atividades são desenvolvidas, tendo em vista as necessidades do mercado; serve também como orientação na hora de contratar profissionais que atuarão nas instituições de ensino superior, pois é por meio destes profissionais que os acadêmicos terão suas primeiras instruções e obterão os conhecimentos necessários para atuarem no campo de trabalho. Nesse sentido, Guimarães et al (2008, p. 2) destacam que, a instituição de ensino superior (IES) exerce papel relevante na sociedade, ao contribuir para formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres e profissionais eficazes em suas áreas de atuação. Para cumprir esse papel, as IES precisam conhecer o perfil profissiográfico exigido pelo mercado de trabalho e seu ambiente. Destaca-se ainda, de acordo com Palma e Queiroz (2006) que o projeto pedagógico deve ser visto como um compromisso pelo qual o curso de ensino superior traça com a sociedade, pois é através da elaboração e execução do mesmo que os profissionais se nortearão em relação a sua postura em relação ao mercado de trabalho, é no projeto pedagógico que está contido o compromisso pelo qual as IES têm em relação à formação dos futuros profissionais que irão atuar em meio a sociedade. Para os cursos de Ciências Contábeis o projeto político pedagógico serve como base para estes cursos organizarem seus currículos, norteados nas condições exigidas pelo mercado de trabalho e as diretrizes educacionais. Assim, de acordo com o Art. 2º § 1º, da Resolução nº 10/2004, para o curso de graduação em de Ciências Contábeis o Projeto Pedagógico deverá abranger, I – objetivos gerais, contextualizados em relação às suas inserções institucional, política, geográfica e social; II – condições objetivas de oferta e a vocação do curso; III – cargas horárias das atividades didáticas e para integralização do curso; IV – formas de realização de interdisciplinaridade; V – modos de integração entre teoria e prática; VI – formas de avaliação do ensino e da aprendizagem; VII – modos de integração entre graduação e pós-graduação, quando houver; VIII – incentivo à pesquisa, como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica; IX – concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado, suas diferentes formas e condições de realização, observando o respectivo regulamento; 29 X – concepção e composição das atividades complementares; XI – inclusão opcional de trabalho de conclusão de curso (TCC). Diante disso, observa-se que no projeto pedagógico são definidos os objetivos gerais do curso, carga horária, formas de avaliação e integração entre a teoria e prática, entre outros elementos necessários para o desenvolvimento do curso. Desta forma, neste documento é necessário estabelecer o papel da instituição de ensino superior em seu contexto social, juntamente com a determinação do tipo de profissional que se pretende formar. (HERNANDES, PELEIAS e BARBALHO 2006). Sendo assim, conforme mencionado anteriormente, o projeto pedagógico serve como instrumento de orientação para as instituições de ensino superior no que tange a formar profissionais capacitados para atuarem no mercado de trabalho. 2.4 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador O contador é um profissional que pode desenvolver diversas atividades nas organizações, desde o registro dos procedimentos operacionais como os referentes às operações de compra e venda, apropriação de salários e tributos, até mesmo como apuração de custos, análises financeiras, orçamentos e auxílio ao processo decisório. Contudo, atualmente a tarefa principal deste profissional é disponibilizar informações úteis para a tomada de decisões. Diante disso, é necessário que esteja preparado para enfrentar os desafios impostos pelo atual contexto econômico. Nesse sentido, Almeida, Cardoso e Souza (2006, p. 275) destacam que, o atual ambiente operacional das empresas, caracterizado por acirrada concorrência, tem exigido de todos os seus agentes um repensar sobre a validade das estratégias, posturas e procedimentos, até então adotados pelos gestores e tidos como válidos. Os contadores também têm sido exigidos a ampliar suas habilidades para atender de forma eficaz as demandas desse novo ambiente. Desta forma, o profissional da área contábil precisa desenvolver algumas competências e habilidades necessárias para o exercício da profissão. Sendo assim, cabe conceituar estes termos, que de acordo com Hernandes, Peleias e Barbalho (2006, p.84), 30 habilidade é a capacidade de executar alguma atividade, é o modo de empreender uma ação de forma mais rápida, fácil e eficiente. É uma capacidade desenvolvida por meio de treinamentos, técnicas, métodos, regras e exercícios de naturezas física, motora e psicossocial. Em relação às competências, segundo (VIEIRA 2006, p. 77) esta palavra é “frequentemente utilizada na língua portuguesa para designar, habilidade, saber conhecimento e idoneidade.” Reforçando estas ideias Dutra (2004, p. 28) enfatiza que “as competências podem ser previstas e estruturadas de modo a estabelecer-se um conjunto ideal de qualificações para que a pessoa desenvolva uma performance superior em seu trabalho”. Já para Fleury e Fleury (2001, p. 20) competência pode ser definida como sendo “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem à organização e social ao indivíduo.” Para Zarifian (2001 p. 68) apud Vieira (2006, p. 78) competência profissional é “uma combinação de conhecimentos, de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um contexto preciso. Ela é constatada quando de sua utilização em situação profissional, a partir da qual é passível de validação.” Neste contexto, pode-se entender que habilidade é a capacidade de saber fazer algo; enquanto que a competência compreende conhecimentos, habilidades e comportamentos empregados no desenvolvimento de uma atividade. Neste sentido, Vieira (2006) destaca que são inúmeras as habilidades e competências requeridas a um contador, sendo que, as habilidades podem ser encontradas nas áreas técnicas, gerenciais e nas características pessoais. Deste modo, as habilidades técnicas são evidenciadas na forma de saber ouvir e escrever, ter uma boa capacidade de oratória, na organização, no trabalho em equipe e possuir conhecimentos técnicos em sua área de atuação. As habilidades gerenciais podem ser destacadas como sendo, finanças, tomada de decisões, controle das ações de uma organização e boa negociação. Já as características pessoais envolvem liderança, disciplina, inovação, entre outras. Quanto ás competências, Needles Jr. et al. (2001) apud (ALMEIDA, CARDOSO e SOUZA 2007) apresenta um quadro com as principais competências requeridas aos contadores. 31 Competências Conhecimentos Habilidades Valores Profissionais Características - Geral: pensar e se comunicar de maneira eficaz, base para conduzir consulta; - Organizacional e operacional: conhecimento amplo de negócios e organizações; - Tecnologia da informação: capacidade para avaliar e fornecer dados, desenvolver e gerenciar sistemas de informações; - Contabilidade e áreas correlacionadas: engloba conhecimentos sobre economia, métodos quantitativos, marketing e negócios internacionais. - Intelectual: capacidade de identificação e solução de problemas e de tomar decisões. Compreende pesquisa e raciocínio; - Interpessoal: capacidade de interação com outras pessoas; - Comunicação: capacidade de receber e transmitir informações de forma escrita e oral. Envolvem aspectos e atitudes que identificam os profissionais tais como integridade, ética e responsabilidade social. Quadro 1: Principais Características das Competências dos Contadores. Fonte: Needles Jr. et al. (2001) apud (ALMEIDA, CARDOSO e SOUZA 2007). Observa-se, assim, que as competências requeridas ao profissional da área contábil referem-se aos conhecimentos geral, organizacional e operacional, de tecnologia de informação, contábil e das áreas afins; as habilidades intelectual, interpessoal e de comunicação; à valores profissionais como integridade, ética e responsabilidade social. Complementando este entendimento, apresenta-se na seqüência um quadro que demonstra as competências e habilidades necessárias ao contador. Competências Capacitação para empreender Capacitação para gerenciar Capacitação estratégica Habilidades - conhecimento de si mesmo - aprender com a própria experiência - dedicação, motivação - espírito para inovar - análise de mercado - correr risco calculado - planejamento - delegar - liderar - negociar - espírito para inovar - análise de mercado - correr risco calculado - planejamento - identificar tendências - realizar alianças e parcerias - controlar e avaliar operações - estipular ações de longo prazo - procurar novos mercados Quadro 2: Competências e Habilidades do Contador Fonte: Adaptado de Hermenegildo (2002) apud (VIEIRA, 2006). 32 Verifica-se, conforme o Quadro 2 apresentado, que o profissional contábil necessita desenvolver competências como capacitação para empreender, gerenciar e estratégica. Desta forma, ressalta-se segundo Vieira (2006, p. 49) que o contador empreendedor, é aquele empreendedor visionário, indivíduo que faz a diferença, sabe explorar as oportunidades, é determinado e altamente dinâmico, dedicado ao trabalho, otimista e apaixonado pelo que faz, possui liderança incomum, sabe construir uma rede de relacionamentos externos à empresa, planeja cada passo do negócio, possui conhecimento, assume riscos calculados e cria valor para a sociedade. Portanto, é possível observar que há uma série de características e habilidades que o contador empreendedor deve possuir, dentre estas destaca-se a motivação, conhecimento de si mesmo, dedicação, planejamento, entre outras. Em relação à capacitação para gerenciar, Dutra (2004) destaca que essa competência é muito importante para atuação do profissional nas organizações, pois é necessário para o bom desempenho do profissional ter algumas atribuições gerenciais, tais como, delegar, liderar, negociar, ter espírito para inovar, análise de mercado, entre outras. Para Franco (1999) o contador gerencial, cuida não apenas de questões relacionadas com sistemas de Contabilidade baseados em transações, mas também de várias formas de criar valor na empresa. Assim, esse profissional terá de ser melhor treinado e equipado com maior conjunto de habilidades de que os contadores do passado. Deste modo, além de conhecimentos técnico-contábeis necessita possuir habilidades conceituais, de comunicação e de relacionamentos pessoais. Diante disso, convém destacar que para o contador apresentar competências gerenciais é necessário que ele busque desenvolver habilidades como, liderança, espírito para inovar; e que saiba, também, planejar seus atos para que suas atitudes não tragam no futuro prejuízos para empresa e consequentemente para ele mesmo. O Quadro 2 destaca, ainda, que o profissional contábil deve apresentar capacitação estratégica, e consequentemente possuir habilidades como, facilidade para identificar tendências, procurar novos mercados, controlar e avaliar operações, realizar alianças e parcerias, entre outras. 33 Neste sentido, Porter (1999) ressalta que o objetivo do estrategista é encontrar uma posição na qual a empresa seja capaz de se defender de possíveis ameaças que venham a impedir seu sucesso. Dessa forma, o contador com competências estratégicas possui papel relevante nas empresas, uma vez que este profissional tem conhecimento de diversas áreas, podendo assim usar desses conhecimentos para agir de forma a evitar possíveis fracassos à empresa e aperfeiçoar seus resultados. Segundo Figueiredo e Fabri (2000), além de todas as competências e habilidades mencionadas, convêm destacar algumas atitudes essenciais ao contador. a) Responsabilidade: o contador responsável é aquele que exerce suas funções sem a necessidade de ser supervisionado constantemente. b) Dedicação e pontualidade: dedicar-se ao trabalho significa ter prazer e envolvimento com que está sendo executado, além de aceitar a idéia de que o tempo, durante as horas de trabalho, pertence à empresa. Assim, é lógico que seja dedicado às tarefas envolvidas com a elaboração do serviço da entidade. c) Cooperação: a cooperação dos profissionais é de extrema importância nas organizações, pois é com a ajuda de todos que as tarefas são executadas. d) Bom-senso: o profissional responsável pela contabilidade, muitas vezes, exerce atividades fora do ambiente da empresa. Assim, vê-se obrigado a delegar funções a seus colaboradores, para dispor de tempo para concluir decisões maiores. 2.4.1 Competências e Habilidades Necessárias ao Contador conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais e Exigências do Mercado de Trabalho Convém enfatizar que existem algumas exigências impostas aos cursos de graduação em Ciências Contábeis em relação à formação do contador. Diante disso, salienta-se que as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Ciências Contábeis estabelecem no Art. 4º da Resolução 10/2004, que o curso de graduação em Ciências Contábeis deve formar profissionais que tenham, pelo menos, as seguintes competências e habilidades, 34 I – utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Contábeis e Atuariais; II – demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil; III – elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais; IV – aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis; V – desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a capacitação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão; VI – exercer suas responsabilidades com o expressivo domínio das funções contábeis, incluindo noções de atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, que viabilizem aos agentes econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional o pleno cumprimento de seus encargos quanto ao gerenciamento, aos controles e à prestação de contas de sua gestão perante a sociedade, gerando também informações para a tomada de decisão, organização de atitudes e construção de valores orientados para a cidadania; VII – desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial, revelando capacidade crítico analítica para avaliar as implicações organizacionais com a tecnologia da informação; VIII – exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos organizacionais. Portanto, os cursos de graduação em Ciências Contábeis devem proporcionar condições para formar profissional com capacidade para, elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários; aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis; desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial, revelando capacidade crítico analítica para avaliar as implicações organizacionais com a tecnologia da informação, entre outras, e assim estarem aptos a ingressarem no campo profissional. Nesse sentido, é oportuno destacar segundo Franco (1999, p. 86) que, as expectativas da sociedade crescem continuamente, uma vez que ela vê a profissão contábil como capaz de enfrentar os desafios do futuro e de cumprir suas responsabilidades. A profissão tem, portanto, de avaliar e reconhecer até onde ela pode atender às expectativas da sociedade, sempre crescendo, adaptando-se às novas situações, seu crescimento será segurado. Desta forma, Figueiredo e Fabri (2000) destacam algumas atribuições que estes profissionais precisam desenvolver para o desempenho adequado da profissão: • adaptar-se a futuros desafios profissionais, desenvolvendo os seguintes requisitos: competência, visão de futuro, flexibilidade, ética, capacidade de 35 adaptação às necessidades gerencias das organizações sob sua responsabilidade, capacidade de abertura às novas oportunidades advindas com a globalização; • contribuir para o desenvolvimento das ciências contábeis tanto no ambiente profissional, quanto no desenvolvimento de bases conceituais alternativas e otimizadas; • exercer, com habilidade de cidadão digno, sua responsabilidade social, valorizando-se profissionalmente pela qualidade do serviço oferecido. Observa-se, assim, que atualmente exige-se do contador muito mais que a técnica de debitar e creditar. É preciso possuir qualidades diferenciadas dos demais profissionais atuantes da área; é necessário acumular conhecimentos técnicos, devendo estar consciente que sua remuneração depende da boa qualidade do serviço prestado. Porém, esta qualidade só será atingida mediante a sua dedicação em relação aos estudos e ampliação de seus conhecimentos em diversas áreas da contabilidade. (VIEIRA, 2006). Neste contexto, Silva (2000, p. 26) enfatiza que, “o mercado atual requer modernidade, criatividade, novas tecnologias, novos conhecimentos e mudanças urgentes na visão através dos paradigmas, impondo, com isso, um desafio: o de continuar competindo.” Franco (1993, p. 477) destaca que, o profissional de contabilidades, no mundo moderno, deve ser, portanto, um eterno estudante, pois assim dele exige a profissão. Simples diploma escolar não é comprovação suficiente de que possui conhecimentos para exercer com eficiência sua profissão. Portanto, estas exigências que o mercado está impondo aos contadores, requer destes profissionais constante aperfeiçoamento, buscando sempre novos conhecimentos e diferenciais. Dessa forma, é possível enquadrar-se no perfil desejado pela sociedade, caso contrário será apenas mais um em meio a tantos. 36 2.4.2 Formação Continuada Conforme destacado anteriormente é fundamental que o profissional da área contábil busque constantemente educação continuada, identificando e explorando sempre novos conhecimentos e treinamentos, pois é visto que nos dia de hoje, a procura por profissionais diferenciados esta cada vez maior. Nesse sentido, Masetto (2003, p. 14) destaca que é necessário, profissionais intercambiáveis que combinem imaginação e ação; com capacidade para buscar novas informações, saber trabalhar com elas, intercomunicar-se nacional e internacionalmente por meio dos recursos mais modernos da informática; com capacidade para produzir conhecimento e tecnologia próprios que os coloquem, ao menos em alguns setores, numa posição não-dependência em relação a outros países: preparados para desempenhar sua profissão de forma contextualizada e em equipe com profissionais não só de sua área mas também de outras áreas. Deste modo, verifica-se que o contador deve ir à busca de aperfeiçoar suas competências e habilidades, inclusive em relação às áreas de informática. Assim, por meio desta ferramenta é possível disponibilizar informações que podem contribuir para os gestores na tomada de decisões; além disso, deve saber utilizar a internet de forma ágil. Diante disso, Thomé (2001, p. 76) cita que, nos últimos anos, a Internet vem se tornando uma das fontes de consulta mais importante para os profissionais da contabilidade. Diversos endereços, tanto de órgãos públicos como de entidades vinculadas à profissão, oferecem com rapidez admirável informações sobre novas medidas legais. Em relação à atualização, Thomé (2001) destaca que o profissional contábil não deve ter uma preocupação somente com as mudanças e novidades nas áreas técnicas, tributárias e contábil. É importante que esse profissional saiba buscar, com frequência, o aprimoramento de sua atividade, melhorando consequentemente a qualidade dos serviços prestados, e a relação com seus clientes, funcionários e fornecedores. 37 Além disso, Iudícibus (1991, p.7) salienta que, o contador deve manter-se atualizado não apenas com as novidades de sua profissão, mas de forma mais ampla, interessar-se pelos assuntos econômicos, sociais e políticos que tanto influem no cenário em que se desenrola a profissão. Verificando-se, assim, que o perfil do profissional contábil da atualidade se baseia em ter um conhecimento contábil amplo, fornecendo informações para diversos usuários internos e externos da contabilidade, voltadas principalmente aos resultados econômicos das organizações. (VIEIRA, 2006). Nesse contexto, Hernandes et al, (2006, p. 63) destacam que, em tempos competitivos, quando o profissional deve ser o mais completo possível, possuir apenas experiência em uma área específica é requisito primordial, mas insuficiente. Ao concluírem o curso superior, os estudantes deveriam adotar a postura de um profissional disposto a encarar os diversos obstáculos colocados pela realidade da profissão escolhida, e terem como grandes estímulos a vontade e a determinação de superar esses obstáculos. Desta forma, o perfil do contador depende não somente do ensino que lhe é oferecido, mas está relacionado também com a busca individual de cada profissional, que deve ser capaz de oferecer algo a mais, mediante atualização de seus conhecimentos e ampliação de suas competências e habilidades. Destaca-se, que além das características citadas anteriormente, as quais o profissional contábil da atualidade deve possuir, existe também outro elemento que é fundamental para o desempenho adequado da profissão, que é a ética profissional. Este assunto será abordado na sequência. 2.5 Importância da Ética na Profissão Contábil Assim como qualquer outra, a profissão contábil deve ser exercida com a combinação de determinadas habilidades e competências. Contudo, para obter e manter sucesso profissional é preciso um comportamento ético. 38 Para Nalini (2009, p. 19), é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. É uma ciência, pois tem objetivo próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do caráter cientifico de um determinado ramo do conhecimento. O objetivo da ética é a moral. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. Deste modo, para Figueiredo e Fabri (2000, p. 30) ética “é a idéia de compromisso, dentro de um contexto que define a interação social de direitos e deveres.” Vásquez (1980, p. 13) salienta que, a moral é definida como um conjunto de normas e regras destinadas a regular as ações dos indivíduos numa comunidade social dada, enquanto que a ética é identificada como uma reflexão crítica, um estudo sobre a dimensão moral do comportamento do homem. Seguindo essa mesma linha, Boska (2001, p. 104) diferencia ética da moral da seguinte forma, a ética aconselha, e até ordena; a moral é a expressão da coexistência. Tanto a ética quanto a moral relacionam-se com os valores e as decisões que levam as ações com conseqüência para todos. Podem os valores variar, todavia, todos relacionam-se com um valor de conteúdo mais importante, estando até mesmo, subentendido nos outros. Desta forma, para Tugendhat (1999, p. 41) “deve-se compreender a ética como reflexão sobre a moral.” Observa-se, neste sentido, que a moral consiste em um conjunto de normas e regras relacionadas ao comportamento das pessoas em uma determinada região. A ética refere-se ao estudo e normatização deste comportamento. Sílvia e Speroni (1998, p. 78) citam que, “a ética profissional tem como premissa maior o relacionamento do profissional com seus clientes e com outros profissionais, levando em conta valores como a dignidade humana, auto-realização e sociabilidade.” Assim, em relação ao contador, Viana (2006, p. 27) destaca que, o profissional contábil tem que ter um comportamento ético-profissional inquestionável, saber manter sigilo, ter conduta pessoal, dignidade e honra, competência e serenidade para que proporcione ao usuário uma informação 39 com a segurança e a confiabilidade que ele merece, são fatores condicionantes do seu sucesso. Ressalta-se que, diante de tantos desafios que a profissão contábil apresenta ser ético é fundamental, pois não adianta o profissional ser competente e não passar segurança e credibilidade aos usuários da contabilidade. É preciso a junção dessas qualidades, uma vez que além de dominar os conhecimentos da área contábil o contador precisa mostrar o seu valor como cidadão perante a sociedade. De acordo com Vieira (2006, p. 26), o contador ético é aquele que tem bom caráter, que acredita nos valores morais, na dignidade humana, na busca pela realização plena, tanto pessoal como profissional, pois é necessário estar feliz pessoalmente para conseguir ser feliz profissionalmente, e vice-versa. E todo contador deve atuar porque gosta realmente do que faz, pois, somente assim, sendo feliz, se sentindo realizado com a profissão contábil, ele será um profissional ético e sempre evidenciara a ética na sua profissão. Desta forma, verifica-se que os profissionais da área contábil têm um compromisso em relação à sociedade no que se diz a respeito ao desempenho de sua profissão. Sendo assim, são responsáveis pelo desenvolvimento da ciência contábil com ética. Neste sentido observa-se, conforme Jesus e Santos (2002, p. 11), que, os profissionais de contabilidade, além de responsabilidade como técnico competente, têm a missão de trabalhar a contabilidade como a ciência da verdade dentro dos padrões éticos. O profissional terá reconhecimento, respeito, credibilidade e confiança como resultado de seu trabalho, dando oportunidade de desenvolvimento e continuidade da ciência contábil. Destaca-se que o contador tem como instrumento norteador o código de ética, o qual estabelece normas que servem para orientar o profissional em relação aos seus deveres e proibições no que diz a respeito ao exercício da profissão. Diante disso, Fortes (2002, p. 117) cita que, o código de ética profissional do Contabilista, como fonte orientadora da conduta dos profissionais da classe contábil, tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os profissionais da contabilidade, sobretudo no exercício das suas atividades e prerrogativas profissionais estabelecidas na legislação vigente. 40 Segundo Camargo (2002, p. 35), “o código de ética por si não torna melhores os profissionais, mas representam uma luz e uma pista para seu comportamento.” Portanto, este instrumento é muito útil para o desenvolvimento da profissão contábil, pois estabelece princípios de como o contador pode ou não agir. Dessa forma, se este profissional usá-lo de forma correta, com certeza garantirá mais segurança na prestação de seus serviços. De acordo com Figueiredo e Fabri (2009, p. 32), o Código de Ética Profissional da categoria contábil está definido na Resolução CFC nº 803 de 10-10-1996, que estabelece os deveres e proibições da atuação nos diversos aspectos em que se desenvolve o trabalho; deve ser salientado como principal princípio da ética não só o entendimento ao cliente, mas também o relacionamento com os colegas. Vieira (2006, p. 115) cita que, segundo o Art. 2º do Código de Ética do Contabilista, são deveres deste profissional, I - exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observada a legislação vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais; II - guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade; III – zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu cargo, IV – comunicar, desde logo, ao cliente ou empregador, em documento reservado, eventual circunstância adversa que possa influir na decisão daquele que lhe formular consulta ou lhe confiar trabalho, estendendo-se a obrigação a sócios e executores; V – inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião sobre qualquer caso; VI – renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta de confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá notificar com trinta dias de antecedência, zelando, contudo, para que os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando declarações públicas sobre os motivos da renúncia; VII – se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre fatos que devam chegar ao conhecimento desse, a fim de habilita-lo para o bom desempenho das funções a serem exercidas; VIII – manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento para o exercício da profissão; IX – ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico. Assim, pode-se verificar que além de sua postura pessoal em relação a sua profissão, o contador pode fazer uso de instrumentos como o Código de Ética do 41 Contabilista, que auxiliarão no desempenho da profissão. Deste modo, se o profissional contábil realizar seu trabalho contemplando as competências e habilidades necessárias à área e comprometido em prestar seus serviços com ética, não há dúvidas que este terá seu reconhecimento perante a sociedade. 2.6 A Profissão Contábil e seus Campos de Atuação A profissão contábil é umas das profissões legalmente regulamentadas no Brasil, sendo regida pelo Decreto-lei nº 9.295, de 22/05/46, e dividida em duas categorias: contadores e técnicos em contabilidade. Segundo Fortes (2002, p. 58) o técnico em contabilidade é, um profissional de nível médio, portador do diploma de conclusão do segundo grau com habilitação de técnico em contabilidade, que também para exercer a profissão terá que estar devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. Enquanto que o contador é o profissional graduado no curso de Ciências Contábeis de nível superior. Assim, este profissional responde por todas as atividades contábeis, já os técnicos em contabilidade, que são formados em nível médio profissionalizante, respondem somente pelas prerrogativas que a eles forem atribuídas. (FORTES, 2002) Dentre as prerrogativas que são atribuídas aos técnicos em contabilidade ressalta-se, de acordo com o Art. 25 do Decreto-lei 9.295/46, as seguintes: a) organização e execução de serviços de contabilidade em geral; b) escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como de todos os necessários no conjunto da organização contábil e levantamento dos respectivos balanços e demonstrações; c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de contas em geral, verificação de haveres, revisão permanente ou periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. Diante disso, Figueiredo e Fabri (2000) destacam que existem algumas funções que são exclusivas do contador, entre as quais podem ser citadas: 42 • a de Auditor Independente; • a de Auditor Interno; • a de Perito Contábil; • a de Analista de Balanço. Neste contexto, Marion (2005) salienta que a contabilidade é uma ciência que pode auxiliar em diversos setores nas organizações. Desta forma, as perspectivas para os profissionais da área contábil são excelentes, uma vez que estes são capacitados a atuarem em diversos campos, desde lançamentos de escrituração até mesmo em relação à tomada de decisões. De acordo com Abrantes (1998, p. 79) a contabilidade é “considerada como uma das profissões mais antigas do homem e evoluiu junto com a sociedade, estando atualmente entre as mais requisitadas. Tendo o objetivo de prover informações e orientações aos diversos usuários.” Neste sentido, Iudícibus (2006, p. 43) complementa enfatizando que “do ponto de vista puramente financeiro, em termos de mercados de trabalho para o contador, as perspectivas são excelentes”. Desta forma, convém apresentar os campos de atuação do profissional da área contábil, conforme Quadro 3. NA EMPRESA • • • • • • • • Analista Financeiro; Contador Geral; Planejador Tributário; Contador de Custos; Contador Gerencial; Atuário; Auditor Interno; Cargos Administrativos. AUTÔNOMO • • • • • ÓRGÃO PÚBLICO • • • • • Auditor do Tribunal de Contas; Auditor do Banco Central do Brasil; Oficial Contador; Contador Público; Agente Fiscal de Renda. Empresário Contábil; Perito Contábil; Auditor Independente; Investigador de Fraude; Consultor. NO ENSINO • • • • • Professor; Escritor; Pesquisador; Parecerista; Conferencista. Quadro 3: Ramos de Atuação do Profissional Contábil Fonte: MARION (2005) 43 Observa-se, assim, que o profissional da área contábil pode prestar seus serviços tanto de forma independente, ou seja, ser um profissional autônomo, como também atuar nas organizações privadas e públicas como funcionário. Figueiredo e Fabri (2000) destacam que o profissional autônomo deve possuir algumas características pessoais, como: empreendedorismo, consciência ética e liderança. Além disso, deve estar sempre buscado atualizar-se nas mais diversas áreas da contabilidade e afins, isso pelo fato de que auxilia diversos tipos de clientes. Já os profissionais contratados por empresas privadas têm como principal função auxiliar os proprietários das organizações, principalmente na tomada de decisão; prestar informações ao fisco e aos usuários externos da contabilidade, como: bancos, investidores, entre outros. A seguir serão apresentados alguns campos de atuação do profissional contábil, tais como: controladoria, docência, auditoria, perícia e área pública. 2.6.1 Controller A controladoria tem por finalidade coordenar as áreas da empresa para alcançar as metas e prestar informações ligadas à gestão. É responsável, deste modo, por passar aos gestores o maior número de informações confiáveis em tempo hábil, para que estes possam tomar decisões precisas, e consequentemente atingir todos os objetivos determinados pela organização. Neste sentido, Schmidt (2002, p. 23) salienta que, a controladoria tem a função de coordenar os esforços dos gestores no sentido de garantir o cumprimento da missão da empresa e assegurar sua continuidade, gerando informações relevantes, fidedignas e tempestivas para a tomada de decisões dos gestores, ou seja, prover informações que induzam um resultado global sinergético na busca da eficácia empresarial e garantir sua sobrevivência. Desta forma, a controladoria tem como principal função propiciar aos gestores informações que demonstrem a real situação da empresa, para que se 44 possam tomar as providencias necessárias, visando melhorar o desempenho da mesma. Portanto, de acordo com Britto (2003, p. 22), “cabe ao controller o dever de projetar, programar, coordenar e manter um sistema de informações que possa atender a forma adequada as necessidades informativas do processo de planejamento e controle da empresa.” Segundo Figueiredo e Caggiano (1997, p. 28), o controller é um gestor encarregado do departamento de controladoria. Seu papel é por meio do gerenciamento de um eficiente sistema de informação, zelar pela continuidade da empresa, viabilizando as sinergias existentes, fazendo com que as atividades desenvolvidas conjuntamente alcancem resultados superiores aos que alcançariam se trabalhassem independentemente. Assim, os serviços executados pelo controller nas empresas é de extrema importância, uma vez que este atua diretamente no processo de gestão das organizações. 2.6.2 Professor Outro campo de atuação que o profissional contábil também pode seguir é o de professor. Para isso este profissional deve estar sempre atualizado em relação aos conhecimentos técnicos e científicos da área, bem como no que se refere as questões didáticas. Neste sentido, Masetto (2003) destaca que o papel do professor como apenas repassador de informações está no seu limite, uma vez que diariamente esses profissionais estão sujeitos a ser surpreendidos com informações novas de que se dispõem dos alunos. Cabe destacar, segundo Rossela et al (2006, p. 106), algumas vantagens da docência, outro aspecto promissor para a carreira de professor do ensino superior de Contabilidade é a possibilidade de desenvolver diversas atividades profissionais, como projetos de pesquisa, consultoria empresarial, elaboração 45 de pareceres técnicos contábeis, livros, artigos para revistas especializadas, palestras e seminários. Com base nas palavras do autor é possível verificar que o professor de ensino superior em contabilidade possui inúmeras oportunidades para realizar trabalhos paralelos ao exercício da docência, podendo assim estar sempre desenvolvendo uma educação continuada. 2.6.3 Auditor A auditoria classifica-se em dois tipos: a auditoria interna e externa. A auditoria interna pode ser definida pela característica do auditor, que é exercida por um profissional que possui vínculo empregatício com a empresa. Segundo Crepaldi (2000, p. 41) o auditor interno, é pessoa de confiança dos dirigentes; está vinculado à empresa por contrato trabalhista continuado e sua intervenção é permanente. Sua área de atuação envolve todas as atividades da empresa; predominam a verificação constante dos controles internos, a manipulação de valores e a execução de rotinas administrativas, o objetivo da auditoria interna é auxiliar todos os membros da administração no desempenho efetivo de sua função e responsabilidade, fornecendo-lhes análises, apreciações, recomendações e comentários pertinentes às atividades examinadas. Portanto, o papel do auditor interno consiste em auxiliar diretamente a gestão das empresas, pois avalia a eficiência dos controles e das rotinas administrativas. Em relação à auditoria externa, Jund (2001, p. 98) cita que, a auditoria externa é aquela realizada por profissional liberal, auditor independente, sem vínculo emprego com a entidade auditada que poderá ser contratado para auditoria permanente ou eventual. Atentando ao fim a que se destina, o auditor independente poderá realizá-las com seus próprios métodos e conveniências, desde que obedeça às normas usuais de auditoria e obtenha os elementos de convicção com os quais possa dar parecer sobre a matéria examinada. Desta forma, pode-se concluir que os auditores internos são empregados da empresa, já os auditores externos não possuem vínculo empregatício com a entidade, possuem plena independência, mas deve sempre respeitar o contrato 46 firmado com esta. Observa-se que, a profissão do auditor também é de extrema importância para as empresas, pois os trabalhos prestados por estes profissionais podem ajudar as organizações na identificação de erros, desvios e fraudes, ou até mesmo na implementação de um sistema contábil adequado. 2.6.4 Perito Contábil A perícia contábil é uma área de atuação da contabilidade de extrema importância para as organizações, pois é através dela que são comprovados ou demonstrados acontecimentos ocorridos dentro das mesmas. Sá (2000, p. 14) destaca que perícia contábil é, a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias indagações, investigações, avaliações, arbitramentos, em suma todo e qualquer procedimento necessário à opinião. Portanto, é possível destacar que o perito contábil é um profissional indicado pelo juiz ou contratado pela empresa. As perícias são desenvolvidas com três ou mais peritos, onde um é o perito do juiz e os outros os assistentes. Assim, os peritos escolhidos irão trabalhar juntos e formar um laudo coletivo. Desta forma, a perícia contábil é confiada ao contador a fim de informar, de modo específico, mediante exame de documentos, podendo inclusive opinar tecnicamente, se solicitado, por pessoa interessada. 2.6.5 Contador Público A contabilidade pública é outro ramo pelo qual o contador pode atuar Lima e Castro (2000, p. 16) destacam que a contabilidade pública, é o ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar os conceitos, Princípios e Normas Contábeis na gestão orçamentária, financeira e 47 patrimonial dos Órgãos e Entidades da Administração Pública, e, como ramo da Contabilidade, oferecer à sociedade, de maneira transparente e acessível, o conhecimento amplo sobre a gestão da coisa pública. Neste contexto, Kohama (1996, p.50) cita que a contabilidade pública “tem por objetivo captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações orçamentárias, financeiras e patrimoniais das entidades de direito público.” Segundo Kohama (1996, p.52), na administração pública, os serviços de contabilidade devem ser organizados de forma que seja permitido o acompanhamento da execução orçamentária desde o seu início, registrando os limites das cotas trimestrais atribuídas a cada unidade orçamentária e controlando e acompanhando, à medida que ela for se desenvolvendo. Desta forma, destaca-se que o contador da área pública, deve possui conhecimentos de todas as áreas ligadas a sua área, estar por dentro de todas legalidades das execuções orçamentária 48 3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS A elaboração desta pesquisa tem como principal premissa comparar o perfil dos acadêmicos que estão concluindo o curso de graduação em Ciências Contábeis da UNESC, com as exigências do mercado de trabalho em relação as habilidades e competências necessárias ao exercício da profissão. Desta forma, para efetuar este estudo foi realizada uma pesquisa de campo por meio de questionários aplicados aos acadêmicos concluintes deste curso, bem como aos contadores de Criciúma/SC e região, associados ao SINDCONT – Sindicato dos Contabilistas de Criciúma e Região Carbonífera. Diante disso, destaca-se segundo Schmidt (2000, p. 58) que, a discussão de adequação dos cursos de Ciências Contábeis a nova realidade de mercado de trabalho do contador motiva este tipo de pesquisa. Para que se possa pensar em como traçar um novo plano de ação para a formação do perfil do futuro profissional da contabilidade e de sua responsabilidade social, é preciso conhecer as atuais características dos alunos de Ciências Contábeis. Assim, acredita-se que este trabalho poderá contribuir com o curso de Ciências Contábeis da UNESC no que tange a definição do perfil do profissional que se deseja formar e no estabelecimento das ações para alcançar este objetivo. Deste modo, primeiramente apresenta-se um breve histórico da criação do curso, em seguida demonstram-se as matrizes curriculares vigentes. Na seqüência, expõem-se os resultados obtidos com a pesquisa de campo e por ultimo faz-se uma comparação com o PPP do curso. 3.1 O Curso de Ciências Contábeis da UNESC O curso de Ciências Contábeis da UNESC é oriundo da antiga Escola Superior de Ciências Contábeis e Administrativas pertencente a FUCRI. Sua criação ocorreu em 30 de junho de 1975, através do Decreto nº. 75.920, de 30.06.1975, 49 sendo reconhecido pela Portaria Ministerial n.º198, de 03.03.1980, publicada no D.O.U. n.º 42, em 03.03.1980. (PPP, 2010) O seu surgimento deu-se em virtude da necessidade da região, que precisava de profissionais qualificados para atender as organizações empresariais e demais usuários de serviços contábeis. Assim, para suprir esta demanda foi instituído em 1975, sendo que já formou mais de 2000 profissionais durante sua existência. Assim, busca oferecer uma formação que capacite os egressos à atuar nas áreas de: contabilidade geral, contabilidade de custos, contabilidade e direito tributário, contabilidade e direito, entre outras áreas. Este o Curso tem como principal objetivo formar profissionais com capacidade para atuar em diversos campos de trabalho, como: na área pública (Federal, Estadual e Municipal), privada, nos setores industriais, comerciais e de serviços. Desse modo, convém destacar que o curso de Ciências Contábeis da UNESC tem como missão “formar profissionais competentes, com visão empreendedora e globalizada, comprometidos com o desenvolvimento econômico e social.” Atualmente possui duas matrizes curriculares e conta com 670 alunos matriculados, conforme apresenta-se na seqüência. 3.1.1 Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da UNESC Conforme observado no tópico anterior, atualmente estão em vigor a matriz curricular nº. 4 (com carga horária total de 4.068 horas), implementada no 1º semestre de 2004; e a matriz curricular nº. 5 (com carga horária total de 3.000 horas), implantada no 2º semestre de 2009. Antes de apresentar as disciplinas que compõem as matrizes curriculares do curso, categorizadas por conteúdos de formação Básica, Teórico-Prática e Profissional, cabe demonstrar esta classificação conforme estabelecido pela Resolução CNE/CSE 10, de 16 de dezembro de 2004. 50 Categoria Formação Básica Conteúdos Estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística. Formação Teórico-Prática Estágio Curricular Supervisionado, Atividades Complementares, Estudos Independentes, Conteúdos Optativos, prática em Laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para Contabilidade. Formação Profissional Estudos específicos atinentes às Teorias da Contabilidade, incluindo as noções das atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais, governamentais e nãogovernamentais, de auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao setor público e privado. Quadro 4: Caracterização dos Conteúdos Fonte: Adaptado Resolução CNE/CSE 10 Diante disso, verifica-se, que os conteúdos de formação básica refere-se à estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo administração, economia, direito, métodos quantitativos, matemática e estatística; os conteúdos de formação teórico-prática relaciona-se ao estágio curricular supervisionado, atividades complementares, estudos independentes, conteúdos optativos, prática em laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para contabilidade; e os conteúdos de formação profissional são estudos específicos atinentes às teorias da contabilidade, incluindo as noções das atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais, governamentais e não-governamentais, de auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao setor público e privado. Desta forma, a seguir demonstram-se as matrizes curriculares nº 4 e nº 5 do curso de Ciências Contábeis da UNESC, sendo que as disciplinas foram agrupadas de acordo com a classificação acima. 51 Tabela 1: Disciplinas que Compõem a Matriz Curricular nº 4 Agrupadas por Campo de Formação Formação Profissional Formação Teórico-Prática Formação Básica Conteúdos Disciplinas Metodologia Científica e da Pesquisa Produção e Interpretação de Texto Comportamento Organizacional Atividade Física e Qualidade de Vida Contabilidade e Direito Civil Aplicado Psicologia Economia Micro e Macro Complementos de Matemática Estatística Aplicada a Contabilidade Economia Catarinense e Regional Subtotal Processo Interdisciplinar Orientado Contabilidade Informatizada/Estágio I Cont. e Projetos Empresariais/Estágio II Laboratório Contábil 1 e 2/Estágio 3 e 4 Elaboração de Projetos de TCC/Estágio 5 Contabilidade Decisorial I/Optativas Conteúdos Optativos Trabalho de Conclusão de Curso Atividades Complementares Subtotal Contabilidade 1,2,3,4,5 Ética e Legislação Profissional Cont., Meio Ambiente e Respons. Social Contabilidade Internacional Contabilidade Societária Avançada Contabilidade e Análise de Custos 1 e 2 Análise das Demonstrações Contábeis 1 e 2 Teoria da Contabilidade Auditoria 1 e 2 Perícia e Investigação Contábil Matemática Financeira Contabilidade e Mercado de Capitais Análise Financeira de Investimentos Contabilidade Pública 1 e 2 Contabilidade e Direito Empresarial Contabilidade e Direito Tributário Aplicado Contabilidade Tributária 1 e 2 Cont. Leg. do Trabalho e Previdenciária Contabilidade Orçamentária Empresarial Contabilidade Gerencial Subtotal Total Fonte: Elaborado pela autora Carga Horária % 1 1 1 1 2 2 2 2 3 3 72 72 72 72 72 72 72 36 72 36 648 1,77% 1,77% 1,77% 1,77% 1,77% 1,77% 1,77% 0.89% 1,77% 0,89% 15,93% 1,2,3,4,5,6,7,8,9 5 6 7,8 8 9 9 9 648 72 72 144 36 72 36 216 144 1.440 15,93% 1,77% 1,77% 3,54% 0,89% 1,77% 0,89% 5,31% 3,54% 35,40% 1,2,3,3,5 5 6 7 7 3,4 6,7 7 7,8 8 4 4 5 8,9 3 4 5,6 6 5 8 432 36 72 36 72 144 144 72 108 72 72 36 72 108 72 72 144 72 72 72 1.980 10,62% 0,88% 1,77% 0,88% 1,77% 3,54% 3,54% 1,77% 2,65% 1,77% 1,77% 0,88% 1,77% 2,65% 1,77% 1,77% 3,54% 1,77% 1,77% 1,77% 48,67% 4.068 100% Fases Verifica-se conforme a Tabela 1 que os conteúdos de formação básica da Matriz nº 4 equivalem a 15,93% da carga horária total do curso; enquanto que a 52 formação teórico-prática e profissional representam respectivamente 35,40% e 48,67%. Tabela 2: Disciplinas que Compõem a Matriz Curricular nº 5 Agrupadas por Campo de Formação Formação Profissional Formação Teórico-Prática Formação Básica Conteúdos Disciplinas Metodologia Científica e da Pesquisa Produção e Interpretação de Texto Comportamento Organizacional Matemática Aplicada à Contabilidade Economia Estatística Aplicada a Contabilidade Cont. e Instituições de Direito Público e Privado Sociologia Subtotal Estágios (1, 2, 3,4) Práticas Contábeis Estágio 5 - Elaboração de Projeto de TCC Conteúdos Optativos Trabalho de Conclusão de Curso Atividades Complementares Atividades Prática Específicas Subtotal Contabilidade Introdutória (1 e 2) Matemática Financeira Análise Financeira de Investimentos Contabilidade e Direito Empresarial Contabilidade. Leg. Trabalhista e Previdenciária Contabilidade Intermediária I e II Contabilidade de Custos Contabilidade e Direito Tributário Aplicado Contabilidade e Mercado de Capitais Ética e Legislação Profissional Contabilidade, Meio Ambiente e Respons. Social Contabilidade e Análise de Custos Contabilidade Avançada (1 e 2) Estrutura e Análise das Demonstrações Contábeis 1 e 2 Contabilidade Tributária (1, 2 e 3) Contabilidade e Governança Corporativa nas Empresas Contabilidade Orçamentária Empresarial Auditoria Contábil Teoria da Contabilidade Perícia e Investigação Contábil, e Arbitragem Contabilidade Gerencial Contabilidade Pública (1 e 2) Subtotal Total Fonte: Elaborado pela autora Carga Horária % 1 1 1 1 2 2 2 3 60 60 60 60 60 60 60 60 480 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 16,00% 5,6,7,8 8 9 9 240 60 60 180 180 120 840 120 60 60 60 60 120 60 60 30 30 60 60 120 120 180 60 60 60 60 60 60 120 1.680 8,00% 2,00% 2,00% 6,00% 6,00% 4,00% 28,00% 4,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 4,00% 2,00% 2,00% 1,00% 1,00% 2,00% 2,00% 4,00% 4,00% 6,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 4,00% 56,00% 3.000 100% Fases 1,2 2 3 3 3 3,4 4 4 4 4 4 5 5,6 5,6 5,6,7 6 7 7 7 8 8 8,9 53 Observa-se que na Matriz Curricular nº 5 os conteúdos de formação básica correspondem a 16% do total da carga horária do curso; os de formação teóricoprática 28% e de formação profissional 56%. Desta forma, constatou-se que os conteúdos de formação básica representam em torno de 15,93% do total da carga horária da matriz curricular nº 4 e 16% matriz curricular nº5. Os conteúdos de formação teórico-prática equivalem a 28% e 35,40% respectivamente, e os de formação profissional 56% e 48,67%. Assim, após apresentado as matrizes curriculares nº 4 e nº 5 do curso de Ciências Contábeis da UNESC, bem como sua classificação quanto aos campos de formação, verificou-se que a organização das mesmas atende aos conteúdos estabelecidos pelo MEC para a formação do bacharel em Ciências Contábeis. Salienta-se ainda, que além de atender os conteúdos propostos pelas diretrizes curriculares este curso possui componentes não obrigatórios, como: Estágio Supervisionado, Atividades Complementares, Interdisciplinaridade e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o que contribui para a formação do profissional. 3.1.2 Perfil do Egresso do Curso de Ciências Contábeis da UNESC de acordo com o PPP Ressalta-se que as características em relação ao perfil do egresso descritas no PPP do curso pesquisado fundamentam-se na Resolução nº 10 de 16 de dezembro de 2004 do Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação Superior. Assim, de acordo com o Projeto Político Pedagógico do curso de Ciências Contábeis da UNESC (2010, p.25), “o contador, como um profissional de formação específica e atuante em diversas áreas da gestão empresarial, necessita ser comprometido com posturas éticas relacionadas ao bom desempenho profissional, à cidadania e às questões sociais.” Além disso, está estabelecido no PPP (2010) que, esse profissional deve estar preparado para propor soluções no âmbito gerencial que atendam às demandas da sociedade e que auxiliem as organizações a permanecerem competitivas e sustentáveis neste ambiente de transformações tecnológicas, sociais e empresariais. 54 Deve, também, atualizar-se constantemente em relação aos conhecimentos teóricos e práticos a fim de adaptar-se as mudanças e exercer a profissão de forma coerente. O contador, deve ainda promover a investigação contábil contribuindo com a produção de novos conhecimentos na área. Segundo o PPP (2010) o contador formado pela UNESC, poderá atuar nos segmentos industrial, comercial e de serviços, bem como na área pública e docência. 3.2 As Perspectivas dos Acadêmicos em Relação a sua Formação Atualmente, o curso de Ciências Contábeis da UNESC possui 670 (seiscentos e setenta) acadêmicos matriculados no segundo semestre de 2010, destes 53 (cinquenta e três) cursam a 8ª fase e 51 (cinquenta e um) são formandos. Conforme metodologia proposta o questionário foi aplicado a estes discentes, tendo em vista a ingressão no campo de trabalho nos próximos semestres. Assim, dos 104 (cento e quatro) questionários aplicados obteve-se 83 (oitenta e três) respostas, correspondente a um percentual de 79,81% dos estudantes investigados. 3.2.1 Perfil dos Acadêmicos do Curso de Ciências Contábeis da UNESC Os dados indicaram que dos acadêmicos respondentes, 58% são mulheres e 42% são homens. As faixas etárias predominantes desses estudantes corresponde a: 42% entre 22 a 30 anos, 20% com menos de 22 anos e 31% de 31 a 40 anos; não há nenhum discente com idade acima de 50 anos. Observa-se, assim, que o gênero feminino prevalece atualmente entre os profissionais que ingressarão na área contábil nesta região. Além disso, a idade indica que os futuros contadores serão relativamente jovens, pois mais de 60% dos pesquisados possuem menos de 30 anos. Em relação à cidade em que estes acadêmicos residem, constatou-se que: 38% residem em Criciúma, 11% Nova Veneza, 8% Içara e 3% Siderópolis. Os demais citaram que residem nas cidades de: Maracajá, Urussanga, Forquilhinha, Torres, 55 Meleiro, Morro da Fumaça, Sombrio, Cocal do Sul, Turvo e Jacinto Machado, confirmando a área de abrangência da universidade, ou seja, o Extremo Sul Catarinense. Quanto à área de atuação destes estudantes, verificou-se que a maioria concentra suas atividades na área contábil, conforme demonstra-se no Gráfico 1. Gráfico 1: Área de atuação dos discentes Fonte: Elaborado pela autora É possível verificar, conforme o Gráfico 1, que 52% dos acadêmicos trabalham na área contábil; seguida pela administrativa, com 13%; e comercial e/ou industrial, com 11%. Observou-se, também, que apenas 2% dos estudantes atuam em entidades públicas e 5% não trabalham. Os que indicaram que atuam em outras áreas (5%) citaram: controladoria, custos, setor pessoal e fiscal. Em seguida, foi questionado o tempo em que estes acadêmicos estão atuando nesta área, sendo que 40% responderam que trabalham de 2 a 4 anos, 32% há mais de 5 anos, 19% de 1 a 2 anos e 9% há menos de 1 anos. Desta forma, é possível verificar que dos estudantes questionados, 72% estão no mercado no mercado de trabalho em um período superior há 2 anos. Quando questionados sobre o que lhes motivou a optar pelo curso de Ciências Contábeis, 61% responderam que escolheram este curso por perspectivas de mercado; 15% afirmaram que foi por realização pessoal; 11% por influência familiar; e 7% por estabilidade na profissão. Apenas 5% optaram pelo curso para prestar concurso público e 1% por outros motivos; dentre os quais destaca-se a indicação de psicólogos. Estes resultados são apresentados no gráfico a seguir. 56 Gráfico 2: Fatores que motivaram o ingresso no curso de Ciências Contábeis Fonte: Elaborado pela autora Interfere-se, deste modo, que o campo de atuação para o profissional da área contábil em Criciúma e região é amplo. Isso porque, 61% dos alunos pesquisados afirmaram que ingressaram neste curso devido as perspectivas de mercado. Além disso, os resultados apontaram que 59% já trabalham especificamente na área contábil, gerencial e pública, antes de concluírem o curso; e somente 5% não trabalham atualmente. Na sequência, foi questionado aos discentes se depois de formados estes pretendem se especializar em alguma área. Verificou-se, assim, que a maior parte dos respondentes, ou seja, o equivalente a 90% pretendem se especializar. Isso demonstra interesse dos futuros bacharéis, com a formação continuada. Neste contexto, apresenta-se as áreas que estes acadêmicos têm pretensão de se especializar, conforme Gráfico 3. 57 Gráfico 3: Possíveis áreas de especialização dos discentes Fonte: Elaborado pela autora Dos acadêmicos questionados, 35% responderam que pretendem se especializar em controladoria; 31% afirmam que desejam se especializar na área tributária; 15% em custos; 6% no ensino; e 4% em auditoria. As áreas de perícia e pública atingiram individualmente o percentual de 2% dos respondentes e 5% apontaram que pretendem se especializar em outras áreas, tais como: financeira, gerencial e sistemas de informação. Buscou-se identificar, também, se estes discentes possuem interesse em cursar outra graduação após sua formação no curso de Ciências Contábeis. Desta forma, 61% responderam que tem interesse, já 39% afirmaram que não. Os que afirmaram que possuem interesse em cursar outra graduação citaram em grande parte o curso de Direito (49%); e os demais apontaram cursos, como: Administração (15%); Sistemas de Informação (13%); Comércio Exterior (11%); Economia (8%); e Engenharia de Produção (4%). Posteriormente foi questionado a estes alunos se durante o curso de graduação eles procuraram e/ou procuram adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades e competências além dos adquiridos na universidade. Deste modo, apresenta-se o Gráfico 4 com as respostas assinaladas. 58 Gráfico 4: Frequência que os alunos procuram buscar outros conhecimentos fora da universidade Fonte: Elaborado pela autora Pode-se perceber que 50% dos discentes procuram adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades e competências além dos adquiridos na universidade; 31% responderam que sempre que possível; 13% afirmaram que às vezes e apenas 6% responderam que raramente. Quando questionados em relação aos meios utilizados para realizar sua formação complementar, constatou-se o seguinte: Gráfico 5: Meios utilizados para realização de formação complementar Fonte: Elaborado pela autora Observa-se que, 47% dos respondentes afirmaram que realizam formação complementar por meio de cursos da área contábil e afins; 33% por livros, informativos e internet; 12% mediante participação em seminários, encontros, congressos da área; 6% por meio de realização de visitas técnicas e viagens de estudo e 2% pela participação em grupos de pesquisa. 59 Desta forma, é possível inferir que a maioria dos acadêmicos procura de alguma forma adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades e competências além dos adquiridos na universidade. Esta prática realiza-se, principalmente, pela participação em cursos e atualização por meio de informativos, livros e internet. Acredita-se que a baixa representatividade na pesquisa ocorre, principalmente, porque 95% dos acadêmicos investigados são trabalhadores. Também foi questionado aos discentes a opinião deles em relação à formação que o Cursos oferece. Deste modo, os resultados demonstraram que para 53% dos discentes o curso oferece formação adequada; e 47% responderam que o Curso oferece formação parcialmente adequada para a atuação no mercado de trabalho. Com base nestas respostas, foi perguntado a estes alunos como eles se sentem em relação aos conhecimentos adquiridos durante a graduação para atuar no campo profissional. Gráfico 6: Segurança em relação a atuação profissional Fonte: Elaborado pela autora De acordo com o Gráfico 6, constatou-se que 58% dos entrevistados responderam que se sentem pouco seguro para atuarem sozinhos; 23% afirmaram que se sentem seguros; e os demais, correspondendo a um percentual de 19%, declararam que se sentem inseguros. Em relação às disciplinas específicas oferecidas pelo Curso durante a graduação, foi solicitado aos acadêmicos que enumerassem de 1 (um) a 7 (sete), as 60 áreas mais importantes para a formação do contador (sendo que o nº 1 é o mais representativo). A seguir expõem-se os resultados. Gráfico 7: Grau de importância das disciplinas oferecidas pelo Curso Fonte: Elaborado pela autora Constatou-se que: 35% dos entrevistados consideram a disciplina tributária como sendo de maior importância para a formação do contador; 19% indicaram a contabilidade gerencial; 16% a área de custos; 13% a contabilidade financeira; 11% a auditoria; 4% a área trabalhista e previdenciária; e por fim 2% afirmaram que consideram a disciplina de contabilidade pública. Acredita-se que a área tributária é a mais representativa na opinião dos alunos devido a alta carga tributária do Brasil e as especificidades da legislação nestes aspectos. Contudo, observa-se que a disciplina de contabilidade gerencial juntamente com a de custos equivalem ao mesmo percentual da tributária. O que indica o interesse dos acadêmicos no processo gerencial das organizações. Para finalizar os questionamentos em relação ao perfil dos acadêmicos do curso de Ciências Contábeis da UNESC, foi perguntado se estes acreditam que o sucesso na profissão depende exclusivamente da formação acadêmica. Com os resultados obtidos foi possível verificar que 94% acreditam que o sucesso na profissão não depende exclusivamente da formação acadêmica, enquanto que para 6% sim. Dentre as respostas citadas, evidencia-se as seguintes: “depende também do desempenho individual para o sucesso”; “a educação continuada é extremamente 61 importante”; e “depende do interesse do aluno, experiência prática e vontade de manter-se atualizado diante das exigências do mercado”. 3.2.2 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador na Visão dos Discentes Em relação às habilidades e competências necessárias ao contador, primeiramente foi questionado aos acadêmicos como eles vêem a profissão contábil nos dias de hoje. Desta forma, constatou-se que 59% dos discentes respondentes acreditam que esta profissão está em fase de expansão e reconhecimento; 33% que é uma profissão promissora; 6% afirmaram que atualmente iguala-se as demais profissões em termos de importância nas empresas; e para apenas 2% é mais uma profissão. O gráfico abaixo demonstra estes resultados. Gráfico 8: Situação da profissão contábil na visão dos discentes Fonte: Elaborado pela autora Observa-se assim, que para 92% dos alunos a profissão contábil está em crescente ascensão no atual contexto econômico. Na segunda questão relacionada às habilidades e competências necessárias ao contador, foi solicitado aos acadêmicos que enumerassem de 1 (um) a 4 (quatro), as habilidade mais relevante, nas categorias: habilidades técnicas, habilidades gerencias e habilidade pessoais a um bom profissional contábil (sendo 62 que o nº 1 é o mais representativo). Desta forma, a seguir apresenta-se os resultados da pesquisa. Tabela 3: Habilidades técnicas indicadas pelos discentes pesquisados Habilidades Saber ouvir e escrever Ter capacidade de oratória Saber trabalhar em equipe Possuir conhecimentos técnicos na área de atuação Total Fonte: Elaborado pela autora Número de alunos 11 7 25 40 83 Percentual (%) 13 9 30 48 100 Em relação às habilidades técnicas, pode-se observar que dos discentes questionados 48% consideram como sendo a habilidade mais relevante “possuir conhecimentos técnicos na área de atuação”; 30% afirmaram considerar “saber trabalhar em equipe”; 13% “saber ouvir e escrever”; e 9% responderam que o contador deve “ter capacidade de oratória” para ser um bom profissional contábil. Tabela 4: Habilidades gerenciais indicadas pelos discentes pesquisados Habilidades Conhecimento em finanças Capacidade de tomada de decisão Controle das ações de uma organização Capacidade de negociação Total Fonte: Elaborado pela autora Número de alunos 9 27 45 2 83 Percentual (%) 11 33 54 2 100 Quanto às habilidades gerenciais, verificou-se que 54% dos respondentes consideram a habilidade mais relevante ter “controle das ações de uma organização”; seguido por 33% que consideram “capacidade de tomada de decisão”; 11% “conhecimento em finanças”; e com apenas 8% foi indicado a alternativa “capacidade de negociação”. Tabela 5: Habilidades pessoais indicada pelos discentes pesquisados Habilidades Liderança Disciplina Inovação Ética e Responsabilidade Social Total Fonte: Elaborado pela autora Número de alunos 8 42 5 28 83 Percentual (%) 10 50 6 34 100 63 No que se refere às habilidades pessoais, observou-se que 50% dos entrevistados afirmaram que consideram “disciplina” como habilidade pessoal de maior relevância; por outro lado 34% responderam “ética e responsabilidade social”; enquanto que 10% revelaram considerar a “liderança”; e 6% dos alunos declararam considerar a habilidade de “inovação”. Na continuidade da pesquisa foram descritas algumas atitudes que Figueiredo e Fabri (2000) destacam que o contador deve possuir no exercício de sua profissão. Desta forma, solicitou-se aos discentes que enumerassem de 1 (um) a 5 (cinco) as mais relevantes, (sendo que o nº 1 representa o mais significativo). O resultado é demonstrado no gráfico a seguir. Gráfico 9: Atitudes consideradas mais importantes na opinião dos discentes Fonte: Elaborado pela autora Os resultados apontaram que 42% dos discentes consideram a dedicação como atitude mais importante; seguido de 37% que consideram a responsabilidade; 8% indicaram o bom senso; 7% cooperação; e por fim 5% apontaram a pontualidade. Posteriormente, foram citadas alguma habilidade que Hermenegildo (2002) apud (VIEIRA, 2006) considera importante para o contador desempenhar suas funções, tais como: capacitação para empreender, gerenciar e capacitação estratégica. Neste sentido, a seguir os Gráficos 10,11 e 12 demonstram as habilidades que os alunos apontaram como mais importantes. 64 Gráfico 10: Habilidades em relação à capacidade para empreender na opinião dos discentes Fonte: Elaborado pela autora Verifica-se que, dentre as habilidades mais relevantes para empreender na visão dos acadêmicos, a dedicação e motivação ficaram em primeiro lugar com 34%; seguidas pelo espírito para inovar com 19%; análise de mercado correspondendo a 14%; planejamento com 13%; aprender com a própria experiência com 11%, 5% correr risco calculado; e por fim conhecimento de si mesmo com 4%. Gráfico 11: Habilidades em relação à capacidade para gerenciar na opinião dos discentes Fonte: Elaborado pela autora O Gráfico 11 demonstra que a habilidade mais relevante para os acadêmicos em relação a capacidade de gerenciar refere-se principalmente ao planejamento (33%); espírito para inovar (20%); e com 14% a habilidade de negociar. 65 As menos relevantes são: análise de mercado (12%), liderar (11%), delegar (6%) e corres riscos calculados 4%. Gráfico 12: Habilidades em relação à capacitação estratégica na opinião dos discentes Fonte: Elaborado pela autora No que tange as habilidades em relação à capacitação estratégica, verificase que 27% dos respondentes assinalou a habilidade identificar tendências; 23% afirmaram considerar a habilidade de controlar e avaliar operações; 20% realizar alianças e parcerias; 19% estipular ações de longo prazo; e por fim com apenas 11% procurar novos mercados. Na seqüência, procurou-se identificar o grau de importância da ética em relação ao exercício da profissão na opinião dos respondentes. Desta forma, pode-se verificar que a maioria dos acadêmicos, ou seja, 87% consideram a ética muito importante e 13% considera importante. Não ouve nenhum discente que assinalou as opções: pouco importante e não é importante. Com base nas respostas, pode-se inferir que os estudantes possuem consciência de atuar eticamente no exercício de sua profissão. Na Tabela 6 apresenta-se os motivos que os alunos consideram de maior relevância para atuar com ética na profissão. 66 Tabela 6: Motivos para atuar com ética na profissão segundo os discentes Motivos Princípios morais Medo de sansões Convicção religiosa Total Fonte: Elaborado pela autora Número de alunos 78 4 1 83 Percentual (%) 94 5 1 100 Segundo as respostas dos discentes, é possível observar que a maioria dos questionados, ou seja, 97% consideram que o motivo para atuar eticamente na profissão referem-se aos os princípios morais; seguido de 5% que afirmam medo se sansões. 3.3 Perfil do Profissional Contábil, Habilidades e Competências Necessárias ao Contador de acordo com o Mercado de Trabalho A segunda parte da pesquisa foi realizada junto aos profissionais associados ao SINDICONT – Sindicato dos Contabilistas de Criciúma e região carbonífera, que possui atualmente 225 filiados. Deste modo, os questionários foram encaminhados por e-mail para 100% dos associados, de acordo com a relação fornecida pelo sindicato. Obteve-se um retorno de 72 (setenta e dois) questionários, que corresponde a 32% do total dos associados. Assim, os resultados serão apresentados a seguir, sendo que o questionário foi dividido em duas partes: (1) Perfil do Profissional Contábil e (2) Habilidades e Competências Necessárias ao Contador. 3.3.1 Perfil do Profissional Contábil Com relação ao perfil dos profissionais respondentes constatou-se que 92% são homens e 8% são mulheres. As faixas etárias predominantes destes profissionais correspondem a: 21% entre de 22 a 30 anos, 69% de 31 a 40 anos; 4% 67 de 41 a 50 anos e 6% com idade acima de 50 anos. Observa-se, assim, que os profissionais da área contábil nesta região atualmente são predominantemente do gênero masculino. Contudo, este cenário tende a se modificar, pois os resultados do questionário anterior demonstraram que 58% dos alunos formandos são mulheres. Em relação à área de atuação dos profissionais entrevistados, 44% responderam que são proprietários de empresas de serviços contábeis, 38% funcionário de empresa de serviços contábeis, 14% funcionário de empresa privada, 3% atuam como servidor público e apenas 1% são consultores, conforme demonstrase no gráfico a seguir. Gráfico 13: Área de atuação profissional Fonte: Elaborado pela autora Em relação ao tempo que estes profissionais atuam na área, verificou-se que 10% trabalham há menos de 1 ano, 31% de 1 a 5 anos, 33% de 6 a 10 anos e 26% afirmaram que atuam na área há mais de 10 anos. Na seqüência, perguntou-se há quanto tempo estes profissionais concluíram a graduação, sendo que os resultados são expostos no gráfico a seguir. Gráfico 14: Tempo do término da graduação 68 Fonte: Elaborado pela autora Desta forma, é possível verificar que 42% dos respondentes afirmam que concluíram a graduação entre 6 a 10 anos; seguido de 37% que concluíram há mais de 10 anos; 15% de 1 a 5 anos; e 6% há menos de 1 ano. Posteriormente, foi questionado aos profissionais da área contábil em qual universidade concluíram sua graduação. Sendo que os resultados serão apresentados na sequência. Gráfico 15: Universidade que concluiu sua graduação Fonte: Elaborado pela autora Com os resultados obtidos é possível observar que a grande maioria, ou seja, 78% concluíram sua graduação na UNESC; 16% citaram a UNISUL e os demais mencionaram a PUC/RS e a UNIDAVI (6%). Foi solicitado aos respondentes que enumerassem de 1 (um) a 9 (nove) as disciplinas oferecidas na graduação do curso de Ciências Contábeis de maior importância na visão deles (sendo que o nº 1 é o mais representativo). Deste modo, o gráfico a seguir expõe o percentual de cada resposta assinalada. Gráfico 16: Disciplinas de maior importância na visão dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora 69 Pode-se observar, conforme Gráfico 18 que 26% dos entrevistados consideram a disciplina de tributária como sendo de maior importância para a formação do contador; 24% afirmaram que consideram custos; e 18% responderam que consideram a disciplina contabilidade gerencial. Estes resultados estão de acordo com a visão dos acadêmicos, o que reforça o entendimento que a alta carga tributária no âmbito nacional exige do profissional contábil ter conhecimento nesta área. A visão dos respondentes em relação a questão: o sucesso da profissão depende exclusivamente da formação acadêmica, constatou-se que não. Pois, avaliando as respostas obtidas é possível observar que 96% dos profissionais acredita que o sucesso na profissão não depende exclusivamente da formação acadêmica, enquanto apenas 4% responderam que sim. Diante disso, foi solicitado a estes que citassem o por quê de sua resposta. Dentre as citações podem ser demonstradas algumas, como: • “pois além da graduação os profissionais devem buscar cursos direcionados para a função que exercem dentro da profissão ou organização que está em constante evolução. Tais como, especializações e cursos de educação continuada para seu desenvolvimento e sucesso profissional”; • “a formação acadêmica é importante, mas o bom profissional esta sempre se atualizando, reciclando, procurando acompanhar as exigências de mercado e em qual situação podem atuar para gerar retorno financeiro as mesmas”; e • “a formação acadêmica facilita o profissional a ingressar na área de atuação, mas o que vai depender mesmo será sua dedicação, buscar cursos de aperfeiçoamento, trocar informações com colegas experientes, a humildade e simplicidade no início é fundamental, porque não é o diploma que fará a diferença e sim o resultado esperado nos escritórios contábeis ou nas organizações”. Verifica-se, deste modo, que os profissionais de contabilidade entendem que somente a graduação não é suficiente para o exercício desta profissão, e enfatizam a formação continuada. Assim, em relação à formação continuada, foi questionado a estes profissionais se após a conclusão da graduação procuraram se especializar ou estão se especializando em alguma área. Desta forma, verificou-se que 83% dos entrevistados afirmaram que sim e 17% responderam que não. 70 Os dados apresentados no gráfico a seguir demonstram as áreas que os respondentes se especializaram ou estão se especializando. Gráfico 17: Áreas de especialização Fonte: Elaborado pela autora Conforme os dados apresentados no Gráfico 17 é possível verificar que 31% dos respondentes se especializaram ou estão se especializando na área tributária; 28% em custos; 19% auditoria; 3% perícia e contabilidade pública; 1% no ensino. Os que assinalaram a opção “outras”, ou seja, 5% dos profissionais, citaram: gestão financeira, gestão de pessoas, qualidade de serviços e contabilidade geral. Neste contexto, o gráfico a seguir demonstra a frequência que estes profissionais procuram buscar conhecimentos além dos adquiridos na universidade. Gráfico 18: Frequência que os profissionais procuram buscar conhecimentos além dos adquiridos na universidade Fonte: Elaborado pela autora 71 Observa-se que é expressiva a quantidade de profissionais que procuram adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades e competências além dos adquiridos na universidade, correspondendo a um percentual de 84% dos respondentes. Deste modo, em seguida foi questionado quais os meios que estes profissionais utilizam para realizar sua formação complementar, sendo que os resultados foram os seguintes: Gráfico 19: Meios utilizados para realização de formação complementar Fonte: Elaborado pela autora Constatou-se que: 40% dos respondentes afirmaram que efetuam formação complementar por meio de livros, informativos e internet; 34% realizam cursos da área contábil e afins; 17% participam de seminários, encontros, congressos da área; 8% por meio de visitas técnicas e viagens de estudo; e 1% participando de grupos de pesquisa. Estes resultados também estão de acordo com as respostas dos discentes, nas quais constatou-se que as principais formas de realização da formação complementar é mediante cursos e por meio de livros, informativos e internet. O motivo que influencia na decisão dos profissionais buscarem a formação continuada, será apresentado no Gráfico 20. 72 Gráfico 20: Motivos para realização da formação continuada Fonte: Elaborado pela autora No que se refere, aos motivos que levam os profissionais a buscarem a formação continuada, observou-se que 65% afirmam ser a necessidade para melhorar a qualificação profissional; 21% por desejo de fazer o curso; 10% possibilidade de salário mais alto; e apenas 4% dos respondentes por exigência do empregador. Outro questionamento efetuado aos profissionais refere-se a situação da profissão contábil atualmente. Assim, os resultados são expostos no Gráfico 21. Gráfico 21: Situação da profissão contábil na visão dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora 73 É possível evidenciar, de acordo com o Gráfico 21, que 59% dos entrevistados consideram que a profissão contábil se encontra em fase de expansão e reconhecimento; 34% como uma profissão promissora; 6% iguala-se as demais profissões em termos de importância nas empresas; e apenas 1% afirma ver a profissão contábil como mais uma profissão. Com base nestes resultados, pode-se inferir que os profissionais estão satisfeitos com a profissão e possuem expectativas positivos para o futuro. 3.3.2 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador na Visão dos Profissionais da Área Contábil Após demonstrar os resultados inerentes ao perfil dos profissionais da área contábil, demonstram-se nesta fase da pesquisa as habilidades e competências necessárias ao contador na opinião destes. Na primeira questão relacionada às habilidades e competências necessárias ao contador, foi solicitado aos respondentes que enumerassem de 1 (um) a 4 (quatro), as habilidade mais relevante, nas categorias: habilidades técnicas, habilidades gerencias e habilidade pessoais (sendo que o nº 1 é o mais representativo). A seguir apresentam-se as tabelas com o resultado das respostas. Tabela 7: Habilidades técnicas indicadas pelos profissionais pesquisados Habilidades Saber ouvir e escrever Ter capacidade de oratória Saber trabalhar em equipe Possuir conhecimentos técnicos na área de atuação Total Fonte: Elaborado pela autora Número de Profissionais 10 2 3 57 72 Percentual (%) 19 7 12 62 100 Em relação às habilidades técnicas verifica-se que: “possuir conhecimentos técnicos na área de atuação” ficou em primeiro lugar, com 62%; em segundo destaca-se “saber ouvir e escrever” com 19%; seguido por “saber trabalhar em equipe”; equivalente a 12%; e por último a habilidade “ter capacidade de oratória”, correspondendo a 7%. 74 Tabela 8: Habilidades gerenciais indicadas pelos profissionais pesquisados Habilidades Conhecimento em finanças Capacidade de tomada de decisão Controle das ações de uma organização Capacidade de negociação Total Fonte: Elaborado pela autora Número de Profissionais 3 58 7 4 72 Percentual (%) 4 81 10 5 100 A Tabela 8 demonstra, em relação às habilidades gerenciais, que 81% dos respondentes consideram a habilidade de maior relevância para o profissional a “capacidade de tomada de decisão”; 10% consideram “controle das ações de uma organização”; 5% “capacidade de negociação”; e com 4% conhecimento em finanças. Tabela 9: Habilidades pessoais indicada pelos profissionais pesquisados Habilidades Liderança Disciplina Inovação Ética e Responsabilidade Social Total Fonte: Elaborado pela autora Número de Profissionais 3 37 6 26 72 Percentual (%) 6 74 8 12 100 Quanto às habilidades pessoais, a Tabela 9 demonstra que: 74% consideram “disciplina” como a mais relevante; 12% “ética e responsabilidade social”; 8% “inovação”; e 6% liderança”. Desta forma, fazendo uma comparação entre as respostas dos alunos e dos profissionais da área contábil, observa-se que: em relação as habilidades técnicas, ambos consideram “possuir conhecimentos técnicos na área de atuação” como habilidade mais relevante. No que se refere às habilidades gerencias, os discentes indicaram a habilidade “controle das ações de uma organização” já os profissionais indicaram “capacidade de tomada de decisão”. Quanto às habilidades pessoais, observa-se que as duas categorias indicaram a “disciplina”. Posteriormente, foram descrita algumas atitudes que Figueiredo e Fabri (2000) destacam que o contador deve possuir no exercício de sua profissão. Desta forma, solicitou-se aos profissionais da área contábil que enumerassem de 1 (um) a 5 (cinco) as mais relevantes, (sendo que o nº 1 representa o mais significativo). O resultado será demonstrado no gráfico a seguir. 75 Gráfico 22: Atitudes consideradas mais importantes na opinião dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora É possível verificar que 37% dos pesquisados consideram a dedicação como atitude mais importante para o contador no exercício de sua profissão: seguido de 28% que consideram a responsabilidade; 24% a pontualidade; 7% cooperação; e 4% o bom senso. As respostas desta questão também estão de acordo com o entendimento dos acadêmicos, que apontaram a dedicação e responsabilidade como atitudes mais relevantes no exercício da profissão. Na continuidade da pesquisa, foram citadas algumas habilidades que segundo Hermenegildo (2002) apud (VIEIRA 2006) o contador deve possuir, tais como: capacitação para empreender, capacidade para gerenciar, e capacitação estratégica. Portanto, os Gráficos 23, 24 e 25 demonstram as habilidades que os profissionais apontaram de maior importância. 76 Gráfico 23: Habilidades em relação à capacitação para empreender na opinião dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora Verifica-se que, dentre as habilidades mais relevantes na visão dos respondentes, espírito para inovar fica em primeiro lugar, com 28%. Em segundo lugar destaca-se análise de mercado, correspondendo a 17%; dedicação e motivação (15%); conhecimento de si mesmo (12%); correr risco calculado e aprender com a própria experiência, com 10%; e por fim, planejamento com 8%. Gráfico 24: Habilidades em relação à capacitação para gerenciar na opinião dos profissionais 77 Fonte: Elaborado pela autora Em relação à competência para gerenciar, os profissionais questionados destacaram como sendo de maior relevância: a habilidade de planejamento (26%); seguido de habilidade de correr risco calculado (19%); espírito para inovar (17%); negociar (14%); liderar (13%); análise de mercado (7%); e delegar (4%). Gráfico 25: Habilidades em relação à capacitação estratégica na opinião dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora Quanto à capacitação estratégica, verificou-se que 50% dos respondentes assinalou a habilidade estipular ações de longo prazo; 23% afirmaram considerar a habilidade de identificar tendências; 17% controlar e avaliar operações; 7% procurar novos mercados; e com apenas 3% realizar alianças e parcerias. Observa-se, assim, que a indicação dos profissionais em relação à capacitação para empreender; capacitação para gerenciar; e capacitação estratégica diferencia-se da opinião dos acadêmicos. Destacando-se que apenas na capacitação para gerenciar, ambas categorias afirmaram considerar o planejamento como capacidade mais relevante. É possível verificar ainda, que as opiniões não se igualam, mas que tanto os alunos como os profissionais possuem conhecimento da importância destas habilidades para o exercício da profissão contábil. Na seqüência foi questionado aos profissionais quais as competências de maior importância no momento da contratação de um profissional contábil. A seguir demonstram-se os resultados desta questão. 78 Gráfico 26: Competências de maior importância para contratar um profissional contábil na visão dos profissionais Fonte: Elaborado pela autora Verifica-se que, 57% dos respondentes consideram conhecimentos práticos fundamentados tecnicamente; 28% a ética; 7% conhecimento teórico; 5% capacidade de liderança e 3% criatividade. Diante disso, interfere-se que na visão dos profissionais da área contábil o futuro contador precisa possuir conhecimentos práticos aliados a ética, para ser contratado. Assim, procurou-se identificar o grau de importância da ética em relação ao exercício da profissão na opinião dos profissionais da área. Desta forma, constatou-se que 94% consideram a ética muito importante e apenas 6% considera importante. As opções, pouco importante e não importante não foram citadas. Para finalizar, a Tabela 10 demonstra os motivos que os profissionais consideram de maior relevância para atuar com ética na profissão. Tabela 10: Motivos para atuar eticamente na profissão segundo os profissionais Motivos Princípios morais Medo de sansões Convicção religiosa Total Fonte: Elaborado pela autora Número de alunos 67 5 0 72 Frequência relativa (%) 93 7 0 100 É possível observar que a maioria dos respondentes, ou seja, 93% consideram que o motivo para atuar eticamente na profissão refere-se aos princípios 79 morais; seguido de 7% que apontaram de medo se sansões. Observa-se que nenhum dos respondentes assinalou a opção convicção religiosa. 3.4 Análise Comparativa entre o Perfil Ideal dos Egressos conforme o PPP do Curso, a Percepção do Mercado de Trabalho e as Expectativas dos Acadêmicos Os resultados da pesquisa apontaram semelhanças entre as expectativas dos acadêmicos e as exigências do mercado de trabalho, principalmente em relação às questões éticas, formação continuada e conteúdos mais relevantes para a área. Assim, no que se refere ao perfil ideal dos egressos do curso de Ciências da UNESC, o PPP determina que o contador necessita ser comprometido com posturas éticas. Desta forma, com os resultados da pesquisa, observou-se que, tanto os alunos como os profissionais da área tem conhecimento da importância de atuar com ética na profissão, correspondendo respectivamente a 87% e 94% dos pesquisados. Além disso, está estabelecido no PPP que o profissional da área contábil deve estar preparado para propor soluções no âmbito gerencial. Deste modo, com os resultados da pesquisa foi possível constatar que em relação aos conteúdos oferecidos pelo curso de graduação, os profissionais e acadêmicos indicaram a contabilidade gerencial como sendo a segunda disciplina de maior importância para a formação do contador. Isso demonstra que existe o conhecimento da importância que o profissional contábil representa para o processo de gestão das organizações atualmente. Destaca-se no que tange a formação complementar, que no PPP do Curso está estabelecido que o egresso deve atualizar-se constantemente a fim de adaptarse as mudanças e exercer a profissão de forma coerente. Neste aspecto, os resultados apontaram que dos acadêmicos questionados, 47% realizam formação complementar por meio de cursos da área contábil e afins; 33% por livros, informativos e internet; 12% mediante participação em seminários, encontros, congressos da área; 6% por meio de realização de visitas técnicas e viagens de estudo e 2% pela participação em grupos de pesquisa. Enquanto que dos profissionais: 40% realizam formação complementar por meio de livros, informativos e 80 internet; 34% pela realização de cursos da área contábil e afins; 17% por meio de participação em seminários, encontros, congressos da área; 8% por visitas técnicas e viagens de estudo; e 1% mediante participação em grupos de pesquisa. Diante disso, é possível observar que as características dos discentes do Curso de Ciências Contábeis da UNESC estão de acordo com o perfil ideal sugerido pelo PPP. No entanto, destaca-se que para melhorar a qualidade do processo de formação, tanto o curso quanto os acadêmicos devem cumprir seu papel. O aluno buscando outras formas de ampliar seus conhecimentos na área contábil e desenvolver habilidades e competências necessárias ao exercício da profissão. E o Curso, por meio de seus gestores, deve incentivar os professores e demais colaboradores a continuar buscando aprimoramento técnico e científico bem como em relação às questões pedagógicas, visando o aperfeiçoamento do processo de ensino e aprendizagem. 81 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o aumento da concorrência as organizações perceberam a necessidade de implantar instrumentos de gestão que as auxiliem na administração de suas atividades e no desenvolvimento de estratégias competitivas para garantir sua continuidade neste ambiente globalizado. Diante deste cenário, destacam-se os profissionais da área contábil, que atualmente estão participando ativamente da gestão das organizações, auxiliando, por exemplo, no desenvolvimento dos planejamentos estratégicos, definições e acompanhamento de orçamentos, registros e controles de custos, entre outras funções. Entretanto, existe a necessidade de uma formação adequada aos contadores, tendo em vista o papel que exercem no processo decisório das entidades. Assim, este trabalho foi realizado com o intuito de verificar se a formação do bacharel do curso de Ciências Contábeis da UNESC atende as exigências do mercado de trabalho e as expectativas dos futuros profissionais. Desta forma, diante dos objetivos específicos, verificou-se que a organização curricular deste Curso atende aos conteúdos específicos da área exigidos pelo MEC para a formação do bacharel em Ciências Contábeis. Além disso, possui componentes não obrigatórios, como: Estágio Supervisionado, Atividades Complementares, Interdisciplinaridade e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Em relação ao perfil dos acadêmicos do curso de Ciências Contábeis da UNESC, destaca-se que a maioria são mulheres; as faixas etárias predominantes desses estudantes estão entre de 22 a 30 anos; e a cidade predominante de residências é Criciúma-SC. Em relação à área de atuação, constatou-se que 52% dos acadêmicos trabalham na área contábil e que a maioria dos questionados possui estabilidade na profissão. Quanto ao motivo para ingressar no Curso de Ciências Contábeis, 62% responderam que optaram pelo curso por perspectivas de mercado. No que se refere a formação continuada verificou-se que 90% destes discentes pretendem se especializar em alguma área depois de formados, sendo que 35% tem como pretensão especializar-se na área tributária. Quanto às expectativas dos futuros profissionais, constatou-se que 59% acreditam que a profissão contábil está em fase de expansão e reconhecimento. No 82 que tange às habilidades e competências necessárias ao contador na visão dos discentes, verificou-se que: em relação às habilidades técnicas, 48% consideram como sendo a habilidade mais relevante “possuir conhecimentos técnicos na área de atuação”. No que se refere às habilidades gerenciais 54% dos discentes questionados consideram como a habilidade mais relevante “controle das ações de uma organização”. Quanto às habilidades pessoais, observou-se que 50% dos entrevistados afirmaram que consideram “disciplina” como habilidade pessoal de maior relevância. Destaca-se que como atitude de maior importância para o contador os discentes consideram a dedicação. Em relação ao grau de importância da ética na profissão contábil, 87% a consideram muito importante e a maioria dos alunos procuram atuar eticamente por princípios morais. Na segunda parte da pesquisa, aplicada ao mercado de trabalho, observou-se que 92% dos profissionais são homens e as faixas etárias predominantes estão entre 31 a 40 anos. Em relação à área de atuação dos profissionais entrevistados, 44% responderam que são proprietários de empresas de serviços contábeis. Destes profissionais, 78% concluíram sua graduação na UNESC. Foi possível verificar, também, que 96% dos pesquisados acreditam que o sucesso da profissão não depende exclusivamente da formação acadêmica. Em relação à formação continuada, 83% afirmaram que se especializaram ou estão se especializando em alguma área. Dentre as áreas de especialização a predominante é a tributária, sendo que 65% afirmaram que se especializaram por necessidade de melhorar a qualificação profissional. No que se refere às habilidades e competências necessárias ao contador na opinião dos profissionais, observou-se, em relação às habilidades técnicas que “possuir conhecimentos técnicos na área de atuação” ficou em primeiro lugar, com 62%. Dentre às habilidades gerenciais, 81% dos profissionais consideram a habilidade de maior relevância para o profissional “capacidade de tomada de decisão”. Quanto às habilidades pessoais, 74% consideram a habilidade mais importante a “disciplina”. Destaca-se que como atitude de maior relevância para o contador os profissionais consideram a dedicação; enquanto que 57% acreditam que os conhecimentos práticos fundamentados tecnicamente é a competência mais importante para contratar um profissional contábil. Em relação ao grau de importância da ética na profissão contábil, 94% consideram a ética muito importante e a maioria dos profissionais da área contábil procura atuar eticamente por princípios morais. 83 Quanto a comparação entre o perfil ideal dos egressos conforme o PPP do Curso, a percepção do mercado de trabalho e as expectativas dos acadêmicos, verificou-se, que é possível observar que as características dos discentes do Curso de Ciências Contábeis da UNESC estão de acordo com o perfil ideal sugerido pelo PPP. Em relação às expectativas dos futuros profissionais, foi possível verificar que os acadêmicos questionados tem uma boa expectativa em relação a profissão contábil, uma vez que estes declararam que consideram que o Curso fornece uma formação adequada, bem como em relação a situação da profissão, constatou-se uma boa expectativa destes futuros profissionais, pois os mesmos declararam que hoje a profissão contábil encontra-se em fase de expansão e reconhecimento. Diante destes resultados, deixa-se como sugestão para novas pesquisas estender este estudo à acadêmicos de outros cursos de Ciências Contábeis da região, bem como à profissionais que trabalham em empresas de grande porte, com a finalidade de investigar o perfil do profissional contábil desejado pelo campo de trabalho e as expectativas dos demais estudantes. 84 REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho cientifico. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2005. 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São Paulo: IOB Thomso, 2006. 87 APÊNDICE 88 UNESC-UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ACADÊMICA: MARIANA JUSTI MONDARDO – 9ª FASE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC INSTRUMENTO DE PESQUISA APLICADO AOS ACADÊMICOS DA 8ª E 9ª FASE DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA UNESC 1 Perfil dos Discentes 1 – Sexo 2 – Idade ( ) Masculino ( ) Feminino ( ( ( ( ( 3- Em que cidade você reside? 4- Qual sua área de atuação profissional atualmente? ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Criciúma ) Içara ) Nova Veneza ) Siderópolis ) Outra, qual? _____________ 5- Há quanto tempo você atua nesta área? ( ( ( ( ) menos de 1 ano ) de 1 a 2 anos ) de 2 a 4 anos ) mais de 5 anos ) menos de 22 anos ) de 22 a 30 anos ) de 31 a 40 anos ) de 41 a 50 anos ) acima de 50 anos ) Bancária ) Administrativa ) Financeira ) Contábil ) Comercial e/ou industrial ) Pública ) Não trabalha ) Outra, qual? _____________ 6- O que lhe motivou a optar pelo curso de Ciências Contábeis? ( ( ( ( ( ( ) Perspectivas de mercado ) Realização pessoal ) Prestar concurso público ) Influência familiar ) Estabilidade na profissão ) Outros, qual? _____________ 7- Depois de formado você pretende se especializar em alguma área? 8- Em caso afirmativo à questão nº 7, em que área você pretende se especializar? ( ) Sim ( ) Não ( ( ( ( ( ( ( ( 9 – Possui interesse em cursar outra graduação após sua formatura no curso de Ciências Contábeis? 10 - Em caso afirmativo à questão nº 9, qual graduação você pretende cursar? ( ) Sim ( ) Não ____________________________________ ____________________________________ ) Auditoria ) Perícia ) Custos ) Controladoria ) Tributária ) Pública ) Ensino ) Outra, qual?___________ 89 11 – Durante o desenvolvimento do seu curso de graduação você procurou e/ou procura adquirir conhecimentos e desenvolver habilidade e competências além dos adquiridos na universidade? ( ( ( ( ( ) Sim ) Sempre que possível ) Às vezes ) Raramente ) Nunca 13 – Considerando a formação que você está obtendo na universidade e as necessidades do mercado de trabalho, qual sua opinião sobre o curso: ( ) Oferece formação adequada para o mercado de trabalho ( ) Oferece formação parcialmente adequada para o mercado de trabalho ( ) Oferece formação inadequada para o mercado de trabalho 12- Em caso positivo à questão nº 11, quais os meios que você utilizou para realizar sua formação complementar? ( ) Realização de cursos da área contábil e afins ( ) Participação em grupos de pesquisa ( ) Participação em seminários, encontros, congressos da área ( ) Realização de visitas técnicas e viagens de estudo ( )Atualização por meio de livros, Informativos e Internet 14- Ao concluir o curso de Ciências Contábeis com os conhecimentos adquiridos, você se sente: ( ) Inseguro para atuar sozinho ( ) Pouco seguro para atuar sozinho ( ) Seguro para atuar sozinho 15- Em relação às disciplinas específicas oferecidas durante a graduação em Ciências Contábeis, enumere de 1 a 7, as áreas de maior importância para a formação do contador, em sua opinião (sendo que o 1 é o mais representativo): 16 – Você acredita que o sucesso na profissão depende exclusivamente da formação acadêmica? ( ( ( ( ( ( ( ( Por quê?______________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ ) Contabilidade Gerencial ) Contabilidade Financeira ) Auditoria e Perícia ) Custos ) Tributária ) Trabalhista e Previdenciária ) Contabilidade Pública ) Outra _______________ ( ) Sim ( ) Não 90 UNESC-UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ACADÊMICA: MARIANA JUSTI MONDARDO – 9ª FASE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC INSTRUMENTO DE PESQUISA APLICADO AOS PROFISSIONAIS ASSOCIADOS NO SINDICONT DE CRICIÚMA/SC 1 Perfil do Profissional Contábil 1 – Sexo 2 – Idade ( ) Masculino ( ) Feminino ( ( ( ( 3 - Qual sua área de atuação profissional? 4 – Há quanto tempo atua na área contábil? ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Proprietário de empresa de serviços contábeis ) Funcionário de empresa de serviços contábeis ) Funcionário de empresa privada ) Servidor público ) Consultor ) Outra, qual? _____________ 5 - Há quanto tempo concluiu a graduação? ( ( ( ( ) menos de 1 ano ) de 1 a 5 anos ) de 6 a 10 anos ) mais de10 anos ) de 22 a 30 anos ) de 31 a 40 anos ) de 41 a 50 anos ) acima de 50 anos ) menos de 1 ano ) de 1 a 5 anos ) de 6 a 10 anos ) mais de10 anos 6 - Em que universidade você concluiu sua graduação em Ciências Contábeis? ( ) UNESC ( ) Outra, qual? ____________ 7- Em relação às disciplinas oferecidas nos cursos de graduação em Ciências Contábeis, enumere de 1 a 9, as áreas de maior importância para a formação do contador, em sua opinião (sendo que o 1 é o representativo): 8 – Você acredita que o sucesso na profissão depende exclusivamente da formação acadêmica? ( ( ( ( ( ( ( ( Por quê?______________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ ) Contabilidade Gerencial ) Contabilidade Financeira ) Auditoria e Perícia ) Custos ) Tributária ) Trabalhista e Previdenciária ) Contabilidade Pública ) Outra _______________ 9- Após concluir sua graduação em Ciências Contábeis você se especializou ou está se especializando em alguma área? ( ) Sim ( ) Não ( ) Sim ( ) Não 10- Em caso afirmativo à questão nº 9, em que área você se especializou ou está se especializando? ( ( ( ( ( ( ( ( ) Auditoria ) Perícia ) Custos ) Controladoria ) Tributária ) Pública ) Ensino ) Outra, qual?___________ 91 11 – Você procura adquirir conhecimentos e desenvolver habilidade e competências para o exercício da sua profissão além dos adquiridos na universidade? ( ( ( ( ( ( ) Realização de cursos da área contábil e afins ( ) Realização de pesquisas científicas ( ) Participação em seminários, encontros, congressos da área ( ) Atualização por meio de livros, Informativos e Internet ) Sim ) Sempre que possível ) Às vezes ) Raramente ) Nunca 13- Marque o principal motivo que influencia na sua decisão de buscar formação continuada: ( ( ( ( ( ( ( 12- Em caso positivo à questão nº 11, quais os meios que você utilizou para realizar sua formação continuada? ) Exigência do empregador ) Facilidade oferecida (bolsa) ) Possibilidade de salário mais alto ) Necessidade para melhorar a qualificação profissional ) Desejo de fazer o curso ) Possibilidade de mudar de emprego ) Outro _____________ 14- Como você vê a profissão contábil hoje? ( ) Em fase de expansão e reconhecimento ( ) Como uma profissão promissora ( ) Como mais uma profissão ( ) Iguala-se as demais profissões em termos de importância dentro das empresas 2 Habilidades e Competências Necessárias ao Contador 1- Em relação às habilidades técnicas, gerenciais e pessoais necessárias a um bom profissional contábil, enumere de 1 a 4 as mais relevantes na sua opinião dentro de cada categoria, sendo que o 1 representa o mais significativo: técnicas ( ) saber ouvir e escrever ( ) ter capacidade de oratória ( ) saber trabalhar em equipe ( ) possuir conhecimentos técnicos na área de atuação gerenciais ( ) conhecimento em finanças ( ) capacidade de tomada de decisão ( ) controle das ações de uma organização ( ) capacidade de negociação pessoais ( ) liderança ( ) disciplina ( ) inovação ( ) ética e responsabilidade social 3 - De acordo com Hermenegilgo (2002) apud Vieira (2006) o contador deve possuir capacitação para empreender. Conforme sua opinião, enumere de 1 a 7 as habilidades necessárias que o contador deve ter para possuir essa competência, sendo que o 1 representa o mais significativo: ( ) conhecimento de si mesmo ( ) aprender com a própria experiência ( ) dedicação, motivação ( ) espírito para inovar ( ) análise de mercado ( ) correr risco calculado ( ) planejamento 2 – Figueiredo e Fabri (2000) destacam que o contador no exercício de sua profissão deve possuir algumas atitudes, as quais estão descritas abaixo. Em sua opinião, enumere de 1 a 5 as mais relevantes, sendo que o 1 representa o mais significativo: ( ( ( ( ( ) Responsabilidade ) Dedicação ) Pontualidade ) Cooperação ) Bom senso 4 - De acordo com Hermenegilgo (2002) apud Vieira (2006) o contador deve possuir capacitação para gerenciar. Conforme sua opinião, enumere de 1 a 7 as habilidades necessárias que o contador deve ter para possuir essa competência, sendo que o 1 representa o mais significativo: ( ) delegar ( ) liderar ( ) negociar ( ) espírito para inovar ( ) análise de mercado ( ) correr risco calculado ( ) planejamento 92 5 - De acordo com Hermenegilgo (2002) apud Vieira (2006) o contador deve possuir capacitação estratégica. Conforme sua opinião, enumere de 1 a 5 as habilidades necessárias que o contador deve ter para possuir essa competência, sendo que o 1 representa o mais significativo: ( ( ( ( ( ) identificar tendências ) realizar alianças e parcerias ) controlar e avaliar operações ) estipular ações de longo prazo ) procurar novos mercados 7 – Além das habilidades e competências apresentadas anteriormente, você entende que para o exercício da profissão a ética é: ( ( ( ( ) Muito importante ) Importante ) Pouco importante ) Não é importante 6- O que você considera mais importante na hora de contratar um profissional para atuar na área contábil? ( ) Conhecimento teórico ( ) Capacidade de liderança ( ) Ética ( ) Conhecimentos práticos tecnicamente ( ) Criatividade ( ) Outros _____________ fundamentados 8- Em sua opinião, qual o principal motivo para atuar eticamente no desenvolvimento de sua profissão? ( ) Princípios morais ( ) Medo de sansões ( ) Convicção religiosa ( ) Outro. Quais?_______________________________________________________________________