Universidade do Sul de Santa Catarina
Geometria I
Disciplina na modalidade a distância
3ª edição revista e atualizada
Palhoça
UnisulVirtual
2007
geometria_I.indb 1
11/12/2007 16:40:01
Créditos
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geometria_I.indb 2
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Relacionamento com o
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Distância
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Albuquerque (Secretária de
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Franciele da Silva Bruchado
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Lamuniê Souza
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Luana Tarsila Hellmann
Marcelo José Soares
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Maria Isabel Aragon
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Vilmar Isaurino Vidal
Disciplinas a Distância
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Logística
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Formatura e Eventos
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Logística de Materiais
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Costa (Coordenador)
José Carlos Teixeira
Eduardo Kraus
Secretária Executiva
Viviane Schalata Martins
Tecnologia
Osmar de Oliveira Braz Júnior
(Coordenador)
Jefferson Amorin Oliveira
Marcelo Neri da Silva
Pascoal Pinto Vernieri
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Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Geometria I.
O material foi elaborado, visando a uma aprendizagem
autônoma. Aborda conteúdos especialmente selecionados e adota
linguagem que facilite seu estudo a distância.
Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho/
a. Não se esqueça de que sua caminhada nesta disciplina também
será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da
UnisulVirtual. Entre em contato, sempre que sentir necessidade,
seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Ambiente Virtual
de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendêlo/a, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.
3
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Kelen Regina Salles Silva
Christian Wagner
Geometria I
Livro didático
Design instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
3ª edição revista e atualizada
Palhoça
UnisulVirtual
2007
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Copyright © UnisulVirtual 2007
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.
Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
Kelen Regina Salles Silva
Christian Wagner
Design Instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Duarte Miguel Machado Neto
Fernando Roberto Dias Zimmermann
Ilustrações
Edison Valim
Revisão Ortográfica
Amaline Issa Mussi
515.15
S58
Silva, Kelen Regina Salles
Geometria I : livro didático / Kelen Regina Salles Silva, Christian Wagner ; design
instrucional Karla Leonora Dahse Nunes, [Carolina Hoeller da Silva Boeing]. – 3. ed. rev. e
atual. – Palhoça : UnisulVirtual, 2007.
227 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-037-0
1. Cálculo. 2. Geometria. I. Wagner, Christian. II. Nunes, Karla Leonora Dahse.
III. Boeing, Carolina Hoeller da Silva. IV. Título.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
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Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3
Palavras dos professores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE
UNIDADE
UNIDADE
UNIDADE
1
2
3
4
–
–
–
–
Representação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Triângulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Teorema de Tales . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
Áreas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197
Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199
Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . 201
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227
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Palavras dos professores
Neste texto, apresentamos o conteúdo da disciplina de
Geometria I em conformidade com as definições do
projeto pedagógico do curso.
Pensamos que um livro de matemática deve ser acessível,
coerente e informativo. Assim, escolhemos adotar
diálogos informais introdutórios a cada unidade e seção,
tendo como interlocutores as personagens George,
um aluno igual a você, que deseja vencer no campo da
matemática, e seus amigos, os matemáticos, Euclides,
Pitágoras, Tales e Arquimedes. Através desses diálogos
informais, você terá acesso a aspectos históricos da
geometria, a pequenos lembretes, à formalização de
alguns conceitos, ou, mesmo, a assuntos complexos.
De outro lado, no desenvolvimento de cada unidade,
você verá discorrer sobre a geometria com o rigor que a
matemática exige, isto através de linguagem que colabore
com o processo de ensino-aprendizagem.
Em suma, o ensino, aqui, não resulta banalizado em
nome da simplicidade. Tampouco foi sofisticado às
expensas de uma linguagem hermética, não-assimilável.
Motivamos o aluno, em muitas partes do livro, a buscar
ferramentas computacionais para o estudo da geometria,
entre eles o Cabri-Géomètre. Compareça!
Outra recomendação: não deixe de fazer os exercícios que
lhe são propostos. Nós, autores e tutores, nos colocamos
à disposição para atendê-lo da melhor maneira possível,
e, para isso, estaremos interagindo por meio das
ferramentas disponíveis no ambiente virtual do seu curso.
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Vamos nos socializar e construir o conhecimento juntos, esse é o
caminho para o sucesso!
Vamos à luta!
E mãos à obra!
Prof. Christian Wagner, Msc
Profª. Kelen Regina Salles Silva, Msc
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Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo/a no
desenvolvimento da Disciplina. Nele, você encontrará
elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e
sugerirão formas de organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual
leva em conta instrumentos que se articulam e se
complementam. Assim, a construção de competências
se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das
diversas formas de ação/mediação.
São elementos desse processo:
„
o livro didático;
„
o Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA;
„
as atividades de avaliação (complementares, à
distância e presenciais).
Ementa da disciplina:
Representação axiomática da Geometria Plana.
Elementos de Geometria plana aplicada em situações
práticas. Construções geométricas. A geometria
integrada aos diversos conteúdos específicos de
Matemática. Análise de ferramentas computacionais
aplicáveis à geometria.
Carga horária:
60 horas – 4 créditos
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Objetivo(s):
Geral
Propiciar ao futuro educador, condições para que o mesmo
trabalhe na sala de aula o ensino de Geometria dentro de uma
abordagem atual.
Específicos
„
Proporcionar ao aluno uma visão dos conteúdos da
geometria plana, previstos nas Diretrizes Curriculares do
Ensino fundamental e Médio.
„
Aprofundar conceitos da geometria plana, estudados no
ensino fundamental e médio.
„
Adaptar estratégias e material didático para o ensino
fundamental e médio.
„
Explorar as relações entre a Geometria e a Álgebra.
„
Criar hábitos de dedução matemática.
„
Desenvolver conceitos de geometria plana dentro do
ambiente Cabri-géomètre.
„
Analisar conteúdos de geometria em livros-textos do
ensino fundamental e médio.
„
Mostrar através de materiais didáticos a aplicação da
geometria no dia-a-dia.
Conteúdo programático/objetivos
Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento de
habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste
sentido, veja a seguir as unidades que compõem o Livro Didático
desta Disciplina, bem como os seus respectivos objetivos.
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Unidades de estudo: 4
Unidade 1 - Representação Axiomática da Geometria Plana
„
Conhecer alguns períodos da história da geometria.
„
Identificar os principais axiomas da geometria.
„
Resolver problemas envolvendo segmentos e ângulos.
Unidade 2 - Triângulos
„
Conhecer e classificar triângulos.
„
Identificar triângulos retângulos e seus elementos.
„
Compreender e Aplicar o Teorema de Pitágoras.
„
Sintetizar relações trigonométricas num triangulo
retângulo.
„
Identificar triângulos congruentes, bem como o caso de
congruência.
„
Conhecer os pontos notáveis e algumas conclusões.
Unidade 3 – Teorema de Tales
„
Conhecer o axioma das paralelas.
„
Sintetizar o Teorema de Tales, e conhecer algumas
aplicações.
„
Aplicar os casos de semelhança de triângulos, quando
necessário.
„
Compreender uma demonstração do Teorema de
Pitágoras.
„
Aplicar as relações métricas no triângulo retângulo.
„
Compreender o cálculo da altura das pirâmides.
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geometria_I.indb 13
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Unidade 4 – Áreas de Figuras Planas
„
Identificar um polígono.
„
Calcular a área das principais figuras planas.
„
Conhecer a diferença entre círculo e circunferência.
14
geometria_I.indb 14
11/12/2007 16:40:07
Agenda de atividades/ Cronograma
„
Verifique com atenção o AVA. Organize-se para acessar
periodicamente o espaço da Disciplina. O sucesso nos
seus estudos depende da priorização do tempo para a
leitura; da realização de análises e sínteses do conteúdo; e
da interação com os seus colegas e tutor.
„
Não perca os prazos das atividades. Registre as datas no
espaço a seguir, com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no AVA.
„
Use o quadro para agendar e programar as atividades
relativas ao desenvolvimento da Disciplina.
Atividades
Avaliação a Distância
Avaliação Final (caso necessário)
Demais atividades (registro pessoal)
15
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geometria_I.indb 16
11/12/2007 16:40:07
UNIDADE 1
Representação Axiomática da
Geometria Plana
1
Objetivos de aprendizagem
„
Conhecer alguns períodos da história da geometria.
„
Identificar os principais axiomas da geometria.
„
Resolver problemas envolvendo segmentos e ângulos.
Seções de estudo
Seção 1 Aspectos históricos e noção intuitiva
Seção 2 Axiomas de Incidência e Ordem
Seção 3 Axiomas sobre medição de segmentos
Seção 4 Axiomas sobre medição de ângulos
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
Nesta unidade, você terá contato com um pouco da história da
geometria, sua evolução no tempo e a contribuição de alguns
povos na sua contextualização. Verá também que a geometria,
para ser construída, requer uma base sólida que se fundamenta
em algumas noções intuitivas e também numa série de
propriedades tidas como válidas, sem demonstração, os chamados
axiomas ou postulados. Ao final da unidade, pense e reflita como
a geometria é importante no seu caminho e no seu dia-a-dia.
Procure analisar e discutir bastante as atividades propostas nesta
unidade, para que todas as suas dúvidas sejam esclarecidas.
Lembre-se, o sucesso no campo da matemática requer esforço.
Nesta imensa aventura, que é o estudo da geometria, você vai
encontrar-se com vários personagens importantes da história da
matemática. Neste primeiro capítulo, você conhecerá Euclides e
um jovem que, como você, também está estudando geometria.
Seu nome é George. Toda vez que um assunto importante
requerer um pouco mais de cuidado, Euclides encontrará George
em um sonho e o ajudará no aprendizado. George gosta de ler,
estudar e, claro, de estar com a família. Ele não dispensa uma
balada com os amigos.
E então? Vamos conhecê-los e iniciar o estudo desta importante
área da matemática?
Acompanhe, a seguir, o diálogo entre Euclides e George.
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geometria_I.indb 18
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Geometria I
George: Estou tão preocupado com geometria que já estou até sonhando
com ela.
Euclides: Calma, meu rapaz.
George: Euclides? É você mesmo?
Euclides: Claro, quem mais poderia ser?
George: Devo estar sonhando.
Euclides: E está, vim aqui para ajudá-lo. Que mal o aflige?
George: A geometria. Estou preocupado, será que consigo entendê-la?
Euclides: Com certeza. Veja bem, quando você contempla um prédio, o
que o faz estar em pé?
George: Ora, a sua base bem sólida.
Euclides: Então, para você estar intimamente conectado com a geometria,
você tem de construir uma base sólida para ela.
George: E nisso você é craque, pois suas idéias de axiomas e postulados
fizeram com que a geometria fosse toda construída a partir deles.
Euclides: Então, meu jovem, parabéns, você já sabe por onde começar.
Mãos a obra.
George: Obrigado, Euclides! Vou começar agora mesmo, ou melhor, assim
que eu acordar.
Figura 1.1 - Teorema de Pitágoras na Babilônia?
Unidade 1
geometria_I.indb 19
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Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 1 – Aspectos históricos e noção intuitiva
Aspectos Históricos
Não se sabe ao certo quando a geometria teve início, mas sabese que muitos povos da antiguidade já a utilizavam nas suas
comunidades para muitos fins. Na Grécia antiga, por volta de
300 a.C., era afi xada a seguinte frase nas portas das principais
escolas:
Não entre nesta escola, se você não souber geometria.
Mas foi nos idos de 600 a.C. que aconteceram alguns dos grandes
momentos no desenvolvimento da geometria. Pitágoras e Tales de
Mileto deram os primeiros passos na sistematização
dos conhecimentos geométricos. Naquela época,
a geometria era puramente experimental, sem
demonstrações e conceitos dedutivos.
Contudo é Euclides que, em 300 a.C., na Grécia,
deu ordem lógica aos conhecimentos geométricos
adquiridos por tantos povos ao longo de anos. Ele desenvolveu
o raciocínio dedutivo, o qual diz que a geometria, por sua vez,
pode ser desenvolvida a partir do conhecimento de apenas
algumas idéias básicas - os chamados postulados ou axiomas. O
seu grande trabalho foi a publicação de treze livros chamados
de Elementos, nos quais apresenta todo o desenvolvimento da
geometria até sua época. Sua contribuição foi tão espantosa, que a
maioria das proposições existentes nos seus livros são adotadas até
hoje, motivo pelo qual a geometria usada por nós é chamada de
Geometria Euclidiana.
Curiosidades: Existem algumas geometrias que são
chamadas de Não-Euclidianas. São geometrias que
não obedecem às regras ditadas por Euclides. Essas
geometrias foram responsáveis pelo desenvolvimento,
por exemplo, da teoria da relatividade de Einstein. O
seu surgimento ocorreu a partir da tentativa de provar
o Axioma das Paralelas, que aparecerá na unidade III.
20
geometria_I.indb 20
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Geometria I
Mas, afinal, o que significa a palavra Geometria?
Os agrimensores egípcios já usavam a geometria para medir
terrenos e suas terras, o mesmo faziam os gregos e outros povos.
Esta atividade de medir terras, que com o tempo transformou-se
em ciência, recebeu o nome de:
A geometria, como se pode observar, é uma ciência de suma
importância, inclusive para o desenvolvimento da humanidade.
Deste modo, não é necessário buscar mais justificativas para
estudá-la: basta enumerar suas bases e contemplar o que há de
mais interessante na sua concepção.
Noção Intuitiva
Está lá, no diálogo entre Euclides e George, transcrito
no início desta unidade:
Quando contemplamos um edifício, sabemos que,
para se sustentar, deve ter uma base sólida. Partindo
desta idéia, pode-se imaginar a geometria como
um imenso edifício e, portanto, exigindo uma base
onde possa ser erguida. Diferente de muitas áreas
da matemática, a geometria é construída através de conceitos
primitivos ou intuitivos (ponto, reta e plano) e, também, através
de postulados e axiomas.
Axioma ou postulado é uma proposição admitida
como verdadeira, sem demonstração.
Unidade 1
geometria_I.indb 21
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11/12/2007 16:40:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como você viu anteriormente, foi o geômetra grego Euclides, em
seu livro Elementos, o primeiro a desenvolver um sistema de idéias
em geometria, no qual utiliza algumas afirmações simples, como
verdadeiras (axiomas), para demonstrar outras mais complexas.
Este sistema de idéias é chamado de dedutivo e inspirou muitas
outras áreas, entre elas, a física, estudada por Newton.
Observe a letra da música Aquarela, do cantor e compositor
Toquinho:
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva, Norte-Sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco à vela, branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião, rosa e grená
Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno indo
E se a gente quiser, ele vai pousar.
Esta letra de música expressa bem o que a geometria representa,
ou seja, que ela está presente no nosso cotidiano. Note que
apareceram muitas noções geométricas como retas, riscos e curva.
E algumas palavras usadas na composição musical sugerem uma
noção geométrica, por exemplo, um pingo de tinta nos dá a noção
de um ponto. O mar, por exemplo, parece um imenso plano, até
se perder na linha do horizonte. Com isso quer-se salientar que a
geometria está presente a sua volta e que, principalmente, as três
primeiras idéias intuitivas são:
22
geometria_I.indb 22
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Geometria I
Ponto: Não tem dimensão, não possui comprimento, largura ou
espessura.
Representa-se um ponto por letras latinas maiúsculas: Ponto A,
Ponto B, Ponto P e etc.
Por exemplo, as marcas que mostram as cidades em um mapa nos
dão idéia de ponto:
Figura 1.2 – Mapa de SC.
Reta: A reta tem somente uma dimensão, isto é, comprimento
infinito. Não possui largura nem espessura. No papel,
representamos apenas “uma parte” da reta.
Representa-se uma reta por letras latinas minúsculas: Reta a,
Reta b, Reta r, e etc.
Unidade 1
geometria_I.indb 23
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Por exemplo, um barbante esticado nos dá a noção de reta:
Plano: O plano tem duas dimensões: comprimento e largura.
Não possui espessura. Assim como a reta, para representarmos o
plano no papel, desenhamos apenas “uma parte” dele.
Representa-se um plano por letras gregas minúsculas: Plano α,
Plano β,...
Por exemplo, uma quadra de tênis nos dá noção de plano:
Figura 1.3 – Noção de plano.
Você sabia que as letras gregas são muito utilizadas
em Matemática? Veja, a seguir, as mais empregadas:
• α (alfa), β (beta), δ (delta), ε (epsilon), φ (fi),
γ (gama), η( ni), ϕ (psi), λ (lãmbida), µ (mi), π ( pi), θ
(teta), ρ (rô), σ ( sigma), κ (capa).
24
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11/12/2007 16:40:12
Geometria I
SEÇÃO 2 – Axiomas de Incidência e Ordem
E George adormece outra vez.
George: Euclides, você está aí?
Euclides: Oi meu jovem! E então, tudo entendido?
George: Até aqui, tudo ótimo! É fascinante saber que idéias tão simples,
ou seja, o ponto, a reta e o plano são tão fundamentais para o desenrolar
dessa fascinante disciplina, a geometria.
Euclides: E estas idéias são apenas o começo.
George: Estou começando a entender. Estas idéias intuitivas devem estar
todas relacionadas, não é? É aí que você entra?
Euclides: Exatamente.
George: São os axiomas, não são?
Euclides: Correto, novamente. Apenas considerei algumas idéias
verdadeiras e, a partir daí, foi possível provar outras mais complexas.
George: A geometria começa a se organizar.
Euclides: E o mais interessante, são idéias simples e de fácil entendimento.
George: Euclides, não leve a mal, mas preciso acordar, este nosso papo me
deixou empolgado para conhecer os tais axiomas. Um abraço, e qualquer
coisa eu o chamo de novo.
Euclides: Até breve, meu jovem. E sucesso!
Você deve estar se perguntando qual a importância
destes axiomas para a geometria?
Unidade 1
geometria_I.indb 25
25
11/12/2007 16:40:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
Pelo diálogo anterior, você percebeu que os mesmos são a base
de toda a geometria. Idéias simples, tidas como verdadeiras,
para provar outras mais complexas. Com os axiomas e algumas
definições, vamos relacionar as noções de ponto, reta e plano,
ordenar pontos, medir segmentos e ângulos, entender a idéia de
ângulo para, mais adiante, estarmos aptos a entrar no estudo da
geometria plana.
Axiomas de Incidência
Axioma I: Qualquer que seja a reta, existem pontos que
pertencem à reta e pontos que não pertencem à reta.
A
B
C
r
Figura 1.4 – Representação do axioma I.
Assim, dizemos que A ∈ r e B ∈ r, ou seja, A e B estão em r, ou a
reta r passa por A e B.
Dizemos também que C ∉ r, ou seja, C não está em r, ou r não passa
por C.
O símbolo ∈ representa pertence. Já o símbolo ∉
representa não pertence. No caso A ∈ r, lê-se “A
pertence a r”, e, no caso C ∉ r, lê-se “C não pertence a r”.
As retas e os pontos se relacionam da seguinte maneira:
Pontos colineares são pontos que pertencem a uma
mesma reta.
26
geometria_I.indb 26
11/12/2007 16:40:15
Geometria I
Veja a figura a seguir:
Dizemos que o ponto M, N e P são colineares.
Já os pontos M, N, P, A e B não são colineares.
Quantos pontos são necessários para obter uma única
reta?
Tente responder a esta pergunta! Você pode utilizar o
software Cabri-géomètre nessa tentativa.
O software Cabrigéomètre foi apresentado
na disciplina Informática
Aplicada à Educação
Matemática
A resposta é dois pontos. Na verdade, este é o axioma II.
Axioma II: Por dois pontos distintos passa uma única reta.
A
B
Figura 1.5 – Representação do Axioma II.
Observe que, neste caso, tomamos os pontos A e B para mostrar
que por eles passa uma única reta. Mas não se esqueça de que a
reta é infinita. Para denotarmos essa reta, utilizamos
.
Você já ouviu falar de alguns termos relacionados a
retas, como, por exemplo, semi-retas e segmento de
reta? Você sabe a diferença entre eles?
Unidade 1
geometria_I.indb 27
27
11/12/2007 16:40:15
Universidade do Sul de Santa Catarina
A seguir, mostraremos algumas definições muito importantes e
que são peças chaves na geometria:
Incidência: Dizemos que uma reta r, incide sobre o ponto A se
A∩r=A
O símbolo ∩ representa intersecção. No caso A ∩ r = A,
lê-se:
“A intersecção de A com r é igual a A ”.
Interseção entre duas retas: Dizemos que duas retas se
interceptam em um ponto, quando este ponto pertencer a cada
uma delas.
s
s
P
r
P
s
r
r
P
r
s
P
P
r
P
s
r
s
P
Semi-reta: Seja r uma reta e A e B pontos sobre r. A semi-reta
com extremidade em A, contendo o ponto B é a parte da reta r,
com extremidade em A, que contém o ponto B. Representamos a
semi-reta de origem em A e que contém o ponto B por .
Segmento de Reta: O conjunto constituído por dois pontos A e B
e por todos os pontos que se encontram entre A e B é chamado de
segmento de reta, neste caso segmento . Os pontos A e B são
chamados de extremos ou extremidades do segmento.
28
geometria_I.indb 28
11/12/2007 16:40:16
Geometria I
Esse segmento pode ser denotado por
ou . Só existe
diferença entre as notações, quando estivermos falando de
segmentos orientados.
Observe que, ao representarmos uma semi-reta,
utilizamos uma seta sobre as letras que representam
os pontos dessa reta; já, na representação de
segmento, utilizamos um traço.
Agora que já conhecemos segmentos, vamos mostrar uma
das figuras construída por três pontos não colineares e pelos
segmentos de reta determinados por estes três pontos.
A mais simples das figuras geométricas usando
segmentos de reta é o triângulo.
Você sabia que os triângulos são figuras geométricas
muito utilizadas no nosso dia-a-dia?
Olhe para os lados e tente identificar algum triângulo.
Encontrou?
Na unidade II, estaremos trabalhando com essa figura tão útil
e vamos aprender que, desde os tempos mais antigos, ela foi
fundamental para o desenvolvimento da geometria.
Agora, vamos continuar falando de ponto e reta.
Unidade 1
geometria_I.indb 29
29
11/12/2007 16:40:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Você já pensou quantas retas passam por um único
ponto?
Pegue uma folha, um lápis e uma régua e tente
descobrir.
O que você descobriu?
Pois é! Infinitas retas - e este é mais um axioma da geometria.
Axioma III: Por um ponto passam infinitas retas.
A
Figura 1.6 – Representação do Axioma III.
Com base nos três axiomas analisados, chamados axiomas de
incidência, já podemos provar alguns resultados mais complexos.
Teoremas são resultados mais complexos, que
podem ser demonstrados a partir de outros
resultados.
Teorema 1.1: Duas retas distintas, ou não se interceptam, ou se
interceptam em um único ponto.
30
geometria_I.indb 30
11/12/2007 16:40:17
Geometria I
E George cai em sono profundo:
Euclides: Você por aqui, meu jovem?
George: Problemas, Euclides, problemas. Preciso demonstrar um
resultado, usando apenas os axiomas, você pode me ajudar?
Euclides: Claro meu rapaz. Vamos mostrar isto por absurdo.
George: Como fazemos isso?
Euclides: Qual a hipótese do seu resultado?
George: Hipótese? O que é isso?
Euclides: É o que é dado no teorema como verdadeiro.
George: Ah bom! O teorema dá como hipótese que as retas são distintas.
Euclides: E a tese?
George: Tese? Também não sei o que significa.
Euclides: Tese é o que você quer demonstrar.
George: Só isso? A tese do problema é que devemos mostrar que as retas
não se interceptam, ou se interceptam em um ponto.
Euclides: Este teorema pode ser demonstrado por absurdo. Nesse caso
devemos negar a tese, ou seja, suponha que elas se interceptam em dois
pontos e chega-se a uma contradição da hipótese.
George: Humm... Boa idéia. Vamos ver.
Euclides: Mas lembre-se de que nem todos os teoremas e proposições são
demonstrados desta forma.
George: Ok! Vou lembrar disso.
Unidade 1
geometria_I.indb 31
31
11/12/2007 16:40:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Demonstração (por absurdo):
Hipótese: Dadas duas retas distintas r e s.
Tese: As retas r e s não se interceptam, ou se interceptam em um
ponto.
Dadas duas retas r e s, suponha que r e s se interceptam em dois
pontos A e B nesse caso. Pelo axioma II r e s são coincidentes o
que é absurdo já que por hipótese as retas são distintas. Logo, as
retas se interceptam em no máximo um ponto.
Axiomas de Ordem
Para dar uma ordenação nos pontos que pertencem a uma reta, é
necessário mais dois axiomas.
Axioma IV: Dados três pontos colineares, um e apenas um deles
localiza-se entre os outros dois.
Figura 1.7 – Representação do axioma IV.
Na figura 1.7: C está entre A e B.
Quantos pontos existem entre dois pontos de uma
reta?
Se você observar bem, responderá:
- Infinitos!
Isto parece simples, não é mesmo? O axioma V nos garante esta
certeza.
32
geometria_I.indb 32
11/12/2007 16:40:19
Geometria I
Axioma V: Dados dois pontos A e B, sempre existem um ponto
C entre A e B e um ponto D tal que B está entre A e D.
Figura 1.8 – Representação do axioma V.
Observação: Como conseqüência do axioma V, tem-se que
existem infinitos pontos entre dois pontos e que uma semi-reta
contém infinitos pontos além daqueles entre A e B.
Para finalizar o estudo desta seção, vamos definir as idéias de
segmentos colineares, consecutivos e adjacentes.
Segmentos consecutivos:
Dois segmentos são consecutivos, se a extremidade
de um deles é também extremidade do outro (uma
extremidade de um coincide com uma extremidade
do outro).
Figura 1.9: Segmentos consecutivos
Segmentos colineares:
Dois segmentos de reta são colineares, se estão numa
mesma reta.
Figura 1.10: Segmentos Colineares
Unidade 1
geometria_I.indb 33
33
11/12/2007 16:40:19
Universidade do Sul de Santa Catarina
Observe que na figura 1.10:
„
„
„
e
, apesar de serem colineares, não são
consecutivos (pois a extremidade do segmento
extremidade do segmento
).
e
não é
são consecutivos e colineares.
e
são consecutivos e colineares (pois o ponto N é
extremidade dos segmentos
e
).
Segmentos adjacentes: Dois segmentos
consecutivos e colineares são adjacentes, se possuem
em comum somente uma extremidade (não têm
pontos internos comuns).
Figura
1.11:
Segmentos Adjacentes
Dada a figura abaixo, determine o que se pede:
a. Segmentos consecutivos.
b. Segmentos colineares.
c. Segmentos adjacentes.
d. As semi-retas determinadas pelos
pontos A, B e C.
34
geometria_I.indb 34
11/12/2007 16:40:19
Geometria I
Solução:
a. Os segmentos
e
são consecutivos, assim como os
segmentos
e , pois ambos têm a extremidade do
ponto B em comum.
e
b. Os segmentos ,
pertencem à mesma reta.
são colineares, pois
c. Os segmentos adjacentes são
e
.
e
As semi-retas com origem no ponto A são denotadas por
. As Semi-retas com origem no ponto B são denotadas por
e . E finalmente, as Semi-retas com origem no ponto C são
e
.
Agora você já pode começar a fazer algumas das atividades de
auto-avaliação que estão no final da unidade, tente do 1o ao 9o.
SEÇÃO 3 – Axiomas sobre medição de segmentos
Euclides: Olá George, como vão os estudos?
George: Beleza, mas o que manda?
Euclides: Tenho uma pergunta a lhe fazer. Você sabe “Como” e “Quando”
foi criada a unidade metro?
George: Não. Poxa, na verdade eu nunca pensei nisso.
Unidade 1
geometria_I.indb 35
35
11/12/2007 16:40:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
Euclides: Então vou lhe contar. Em 1790, alguns matemáticos importantes
da época, entre eles Lagrange, Laplace e Monge, integraram uma
comissão criada pela Assembléia Constituinte da França, com o objetivo
de criar uma unidade de medida e comprimento. Depois disso, por volta
de 1795, estabeleceu-se o metro como unidade de medida padrão de
comprimento definido como “a décima milionésima parte do quadrante
de um meridiano terrestre”.
George: Nossa, que legal, mas como eles fizeram isso?
Euclides: Agora é com você, tente descobrir.
George: Euclides, não me deixe com essa curiosidade. Euclidessss.
Tente você também desvendar o desafio proposto por
Euclides.
Agora que você já conhece a definição de segmento de reta,
está apto a medir estes segmentos. Para isso, temos mais alguns
axiomas que nos ajudam em uma etapa de construção.
Você já deve ter usado ou usa o mais conhecido instrumento de
medição: a régua graduada.
Figura
1.12 – Régua
Graduada.
Dizemos que dois conjuntos A e B têm uma
correspondência biunívoca, se todo elemento de A
está relacionado com um elemento de B e vice – versa.
Axioma VI: Cada ponto de uma reta tem
correspondência com um número real e vice-versa, ou
seja, existe uma correspondência biunívoca entre os pontos
de uma reta e os números reais. Fazendo a diferença
destes números, medimos a distância entre os pontos
correspondentes.
Como cada ponto corresponde a um número real e os
números reais são infinitos, observa-se intuitivamente que
a reta também é infinita.
36
geometria_I.indb 36
11/12/2007 16:40:22
Geometria I
O número correspondente a um ponto da reta é
denominado coordenada daquele ponto.
Assim, cada ponto da reta real é associado com um número real.
Considere o segmento de reta
.
Pelo axioma VI, A está relacionado ao número real a, e B está
relacionado ao número real b, o comprimento do segmento
é
dado por
As barras | | indicam que o número AB é sempre
positivo.
Observe que, quando falamos de comprimento do segmento
, a notação é AB. Ou seja, para representar a medida de
qualquer segmento, não utilizamos nem barra, nem seta
sobre a notação. Mas atenção, essa é uma convenção adotada
nesse material, você pode encontrar outras notações em livros
diferentes.
Unidade 1
geometria_I.indb 37
37
11/12/2007 16:40:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
1) Suponha que um segmento
da reta real,
onde o ponto A tem coordenada -5 e o ponto B tem
coordenada 3. Qual o comprimento deste segmento?
Solução:
2) Dada a figura abaixo, determine MN, sabendo que
AB = 27:
Pela figura:
Como
Assim
Note, pelo exemplo, que podemos ter outros segmentos com
extremidades em outros pontos, mas com o mesmo comprimento.
São segmentos diferentes, mas com a mesma medida, neste caso,
estamos falando de segmentos congruentes.
A seguir, explanaremos a idéia de segmentos congruentes que,
de maneira geral, se confunde com a idéia de igualdade entre
segmentos.
Congruência entre Segmentos
A palavra congruência é usada na geometria, quando dois
objetos geométricos do mesmo tipo são idênticos. Por objetos,
podemos entender segmentos, ângulos, triângulos, entre outros.
O símbolo que representa congruência é .
No caso
, lê-se “o segmento
congruente ao segmento
”.
é
38
geometria_I.indb 38
11/12/2007 16:40:23
Geometria I
Podemos então pensar que congruência é um termo primitivo,
utilizado em axiomas, para representar a relação entre dois
elementos do mesmo tipo.
Você sabe qual a diferença entre congruência e
igualdade?
Parecem ter o mesmo significado, não é mesmo?
Observe que duas figuras são iguais, quando o conjunto de
pontos que as formam são os mesmos.
Duas figuras são congruentes, quando se “encaixam” exatamente
umas sobre as outras, apesar de os pontos que as definem serem
diferentes.
Dois segmentos, são ditos congruentes se têm o
mesmo comprimento.
Figura 1.13: Segmentos Congruentes
Os Sinais |, ||, ||| sobre os segmentos representam
que aqueles que possuem o mesmo sinal tem
comprimentos iguais.
Na figura 1.13 os segmentos ,
denotamos por
≡
≡
.
e
Unidade 1
geometria_I.indb 39
são congruentes,
39
11/12/2007 16:40:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
Note que os segmentos são formados por pontos diferentes,
mas, se transportados um sobre os outros, se “encaixam”
perfeitamente, por isso dizemos que todos eles são congruentes.
Os segmentos
e
não são congruentes a nenhum
dos outros, pois o comprimento de cada um é diferente do
comprimento dos outros.
A seguir, você irá acompanhar as propriedades da congruência de
segmentos.
Propriedades são verdades provadas, que valem
sempre.
Propriedades: A congruência de segmentos satisfaz as seguintes
propriedades:
1) Reflexiva: Todo segmento é congruente a si mesmo:
2) Simétrica: Se
≡
3) Transitiva: se
≡
≡
, então
e
≡
≡
.
.
, então
≡
.
Axioma VII: Se um ponto C está entre A e B então,
Figura 1.14 – Representação do axioma VII.
O próximo resultado nos fala de um ponto muito importante,
o ponto médio. Mas este requer demonstração um pouco mais
extensa.
40
geometria_I.indb 40
11/12/2007 16:40:25
Geometria I
Num outro sono de George, Euclides aparece:
George: Amigo, preciso de você.
Euclides: Estou aqui para ajudar, o que houve?
George: Vou começar a estudar um assunto da geometria que é o ponto
médio, fiquei assustado.
Euclides: Por que?
George: Percebi que a demonstração é grande e deve ser confusa.
Euclides: Caro George, percebo que você nem leu a demonstração e já
acha que não conseguirá.
George: Verdade, só porque é extensa, já entrei em pânico.
Euclides: Extensa é, mas é apenas um conjunto de idéias que são
deduzidas a partir de outras mais simples.
George: Verdade, os axiomas mais uma vez.
Euclides: Isso mesmo. Então fique mais tranqüilo, e não se desespere
antes da hora.
George: Obrigado!
Dado um segmento de reta
, se conseguirmos um
ponto C deste segmento tal que, AC = CB, dizemos
que C é o ponto médio do segmento
.
Figura 1.15 – Representação de C como Ponto Médio do segmento
Unidade 1
geometria_I.indb 41
.
41
11/12/2007 16:40:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
Observe que o ponto médio divide o segmento em dois
e
.
segmentos congruentes
Teorema 1.2: Um segmento tem exatamente um ponto
médio.
Demonstração: Vamos dividir essa demonstração em duas
partes: a existência e a unicidade do ponto médio.
(Existência: Um segmento tem um ponto médio)
Considere um segmento de reta
dos extremos dados por a e b.
, com coordenadas
Considere também um terceiro número c e denote-o por:
O axioma IV nos garante que existe um ponto C da reta que tem
exatamente esta coordenada.
A idéia é mostrar que este ponto C está entre A e B, e, além
disso, AC = CB.
Calculando o comprimento do segmento
Ou seja, AC = CB. Mas como o número
segue que o ponto C está entre A e B, pois
e
.
está entre a e b,
é coordenada de
C. Pela definição de ponto médio, segue que C é o ponto médio
de
. Com isto provamos a existência de ponto médio cuja
coordenada é dada por:
.
42
geometria_I.indb 42
11/12/2007 16:40:27
Geometria I
(Unicidade: Este ponto é único)
Para isto, suponha a existência de um outro ponto médio D do
segmento , então AD = DB Considere a, b e d coordenadas
dos pontos A, B e D respectivamente. Portanto, para provar que
C = D, basta provar que as coordenadas destes pontos são iguais,
isto é, d = c =
.
Assim, se a < d < b, então a – d = d – b, pois d é coordenada do ponto
médio D, e, resolvendo a igualdade, tem-se que d =
.
E, se b < d < a, então, b – d = d – a, ou seja, d =
.
Logo se conclui que d = c e, pelo axioma IV, segue que D = C,
isto é, o ponto médio é único.
1) Sejam A, B e C pontos de uma reta. Faça um
desenho representando-os, sabendo que AB = 3 cm,
AC = 2 cm e BC = 5 cm.
Solução: O maior segmento é o segmento
está entre B e C. Então:
, logo A
2) Se, num segmento
, o ponto A tem coordenada
4 e o ponto B tem coordenada 8, qual a coordenada
do ponto médio M ?
Solução: Denotamos a coordenada do ponto M, por m,
então:
Propriedades da distância entre dois pontos:
a) Para quaisquer dois pontos A e B, tem-se
AB = 0, se, e somente se, A = B.
Unidade 1
geometria_I.indb 43
. Além disso,
43
11/12/2007 16:40:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
O axioma VI nos garante que a distância é sempre positiva, já
que a medida do segmento é dada pelo módulo da diferença das
coordenadas.
b) Para quaisquer dois pontos A e B, tem-se:
O axioma VI também nos garante isto, pois:
SEÇÃO 4 – Axiomas sobre medição de ângulos
George está no sono dos Deuses, depois de mais um dia de estudos, e
encontra, mais uma vez, Euclides.
George: Euclides, que prazer em vê-lo de novo!
Euclides: O prazer é todo meu. Venho acompanhando o seu desempenho
no estudo da geometria e confesso que estou gostando muito.
George: Ah, obrigado! Mas realmente o assunto é bem empolgante.
Euclides: E, então, qual o próximo passo?
George: Já sei medir segmentos e encontrar a coordenada do ponto
médio. Preciso de algo mais?
Euclides: Com certeza. Você, que é bem moderno, já deve ter ouvido falar
de GPS, de latitude, longitude.
44
geometria_I.indb 44
11/12/2007 16:40:27
Geometria I
George: Com certeza, e o que isso tem a ver com geometria?
Euclides: Ora, quando você fala de longitude e latitude, como você mede
isto?
George: Usando Graus.
Euclides: Exatamente, muitas coisas importantes da sua vida dependem
deste tipo de medição, que é o grau. Supõe-se que o homem começou
a medir ângulos por volta de 2800 a.C., com o objetivo de auxiliar
na astronomia. Veja que interessante: quando um astrônomo queria
saber a que distância a lua estava acima do horizonte, ele esticava o
braço e calculava quantos dedos comportavam o espaço entre a lua e
o horizonte, e assim utilizava essa medida para seus estudos. Pesquise
mais sobre isso e veja suas inúmeras aplicações ao longo dos anos, para o
desenvolvimento da humanidade.
George: Ah, então o grau tem tudo a ver com geometria também?
Euclides: E como! Quando falamos de segmentos de mesma origem,
podemos falar de grau.
George: Interessante, mais um conceito tão simples e tão importante. Já vi
que tenho trabalho para amanhã. Um abraço!
Euclides: Até breve.
A região do plano, compreendida entre duas semiretas com origem comum, é chamada de ângulo.
Figura 1.16 – Esboço do ângulo AÔB.
Existem algumas maneiras de representar um ângulo.
De acordo com a figura 1.16, podemos designá-lo
como ângulo Ô, ou AÔB, ou BÔA, ou apenas ângulo α.
A origem O é chamada de vértice e as semi-retas r e s
são os lados do ângulo.
Unidade 1
geometria_I.indb 45
45
11/12/2007 16:40:28
Universidade do Sul de Santa Catarina
Você acompanhará, a seguir, a definição de alguns conceitos
fundamentais para a continuação do nosso estudo.
Dois ângulos são consecutivos, se um lado de um
deles é também lado do outro.
Dois ângulos consecutivos são adjacentes, se não
têm pontos internos comuns.
Observe que, para que dois ângulos sejam adjacentes, eles devem
ser consecutivos.
Tente esboçar alguns exemplos de ângulos
consecutivos e adjacentes.
Um ângulo formado por duas semi-retas distintas, opostas,
pertencentes à mesma reta, é chamado de ângulo raso.
Figura 1.17 - Ângulo raso.
Os ângulos são medidos em graus e usa-se um
transferidor para medi-los.
46
geometria_I.indb 46
11/12/2007 16:40:29
Geometria I
Figura 1.18 - Transferidor.
Observação: Tome uma circunferência de raio qualquer e
a divida em 360 partes iguais, obtendo assim 360 arcos de
circunferência. Agora tome duas semi-retas com origem no
centro da circunferência, sendo que uma delas tem extremidade
no início de um destes arcos e a outra tem extremidade no fim
do mesmo arco. Esta região entre as semi-retas forma um ângulo
cuja medida chamaremos de grau. Representa-se, usando-se o
símbolo °.
Existem muitos objetos no cotidiano que dão a
noção de ângulo como, por exemplo, a região entre
os ponteiros do relógio, os raios de uma roda de
bicicleta, o braço e o antebraço, as hélices de um
helicóptero. E, se você olhar à sua volta, atentamente,
encontrará muitos outros.
Axioma VIII: Todo ângulo tem uma medida em graus
maior ou igual a zero. A medida de um ângulo é zero se ele
é constituído por duas retas coincidentes. A medida de um
ângulo é 180o (ângulo raso) se é formado entre duas semi-retas
opostas.
Figura 1.19 – Ângulos Zero e Raso.
Unidade 1
geometria_I.indb 47
47
11/12/2007 16:40:29
Universidade do Sul de Santa Catarina
Axioma IX: É possível colocar, em correspondência biunívoca,
os números entre 0o e 180o e as semi-retas de mesma origem
que dividem um dado Semi-plano, de modo que a diferença entre
estes números seja a medida do ângulo formado pelas semi-retas
correspondentes.
Figura 1.20
– Representação do
axioma IX.
Assim, a medida do ângulo AÔB, denotada por m(AÔB), pode
ser calculada como:
m(AÔB) =|bº - aº|
Exemplo: Considere o diagrama abaixo:
Note que m(AÔC) = 60º e m(BÔC) = 120º. Então, m(AÔB) =
|120º - 60º| = 60º
Dois ângulos são ditos suplementares, se a soma de
suas medidas é 180°.
48
geometria_I.indb 48
11/12/2007 16:40:31
Geometria I
Figura 1.21 – Os ângulos AÔB e AÔC
são suplementares.
Exemplos: Os ângulos de medida 30° e 150° são suplementares,
pois a soma de suas medidas é 180°. Já os ângulos de medidas 30°
e 60° não são suplementares, pois a soma de suas medidas não é
de 180°.
Duas retas distintas que se interceptam em um único
ponto são chamadas de concorrentes.
Figura 1.22 – Retas concorrentes - r
s = {A}
Duas retas concorrentes, formam-se quatro
ângulos. Dois destes ângulos são opostos pelo
vértice, quando os lados de um dos ângulos são
prolongamentos dos lados do outro.
Figura 1.23 – Ângulos opostos pelo vértice.
Unidade 1
geometria_I.indb 49
49
11/12/2007 16:40:32
Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim, os ângulos AÔB e DÔC são opostos pelo vértice, da
mesma forma como DÔA e CÔB também são opostos pelo
vértice.
Proposição: Ângulos opostos pelo vértice têm a mesma medida.
De acordo com a figura 1.23, AÔB e DÔC são opostos pelo
vértice e possuem o mesmo suplemento AÔD. Logo:
m(AÔB)+m(AÔD) = 180º
(1)
m(DÔC)+m(AÔD) = 180º
(2)
Da equação (1) temos que m(AÔD) = 180º - m(AÔB). Agora
substitua m(AÔD) encontrado na equação (2). Portanto:
m(DÔC)+(180º - m(AÔB) = 180º, ou seja, m(AÔB) = m(DÔC).
Um ângulo cuja medida é 90° é chamado de ângulo
reto.
Figura 1.24 – Ângulo reto.
Vamos utilizar o símbolo
ângulo reto.
para representar um
Exemplo: Mostre que o suplemento de um ângulo reto é um
ângulo reto.
50
geometria_I.indb 50
11/12/2007 16:40:32
Geometria I
Solução: Denote por x a medida do suplemento do ângulo reto.
Como o ângulo reto mede 90°, então temos:
Se x é um ângulo qualquer, então 180º - x é o seu suplemento.
Dois ângulos cuja soma é 90° são chamados de
complementares. Assim, se x é um ângulo qualquer,
então 90º- x é o seu complemento.
Exemplos:
1) Se x, a medida de um ângulo qualquer, escreva o dobro do seu
suplemento e, em seguida, a metade do seu suplemento.
Solução: Se x é um ângulo qualquer, então 180º - x é o seu suplemento,
logo o dobro do seu suplemento é dado por 2.(180º - x). Da mesma
maneira a metade do seu suplemento é dado por
2) Qual o complemento do ângulo que mede 16° e o suplemento
do ângulo que mede 55º?
Solução: Se x =16º é o ângulo dado, então seu complemento é
obtido por:
Já o suplemento de y = 55° é dado por:
3) Encontre as medidas de dois ângulos que sejam complementares
e em que a medida do menor seja 40° inferior à do maior.
Solução: Sejam a e b as medidas dos ângulos procurados e
suponha que a é a medida do ângulo maior.
Como a e b são complementares, a + b = 90º
Unidade 1
geometria_I.indb 51
51
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Como o ângulo menor mede 40° a menos que o maior, então b = a - 40º
Portanto temos:
Substituindo a segunda equação na primeira, temos:
Assim, o ângulo b mede b = a - 40o = 65o - 40o = 25o.
Os ângulos procurados medem 65o e 25o.
Veja na tabela a seguir, a medida dos ângulos e seus nomes.
Considere x, um ângulo que mede entre 0° e 180°.
Medida dos Ângulos
Nomes
x = 90º
Ângulo reto
x < 90º
Ângulo agudo
x > 90º
Ângulo obtuso
x = 180º
Ângulo raso
Suponha duas retas concorrentes. Se a medida de um
dos quatro ângulos for de 90°, então todos os outros
também medem 90o. Neste caso dizemos que as retas
são perpendiculares.
Teorema 1.13: Por um ponto dado de uma reta, num plano,
passa uma única perpendicular a esta reta.
Que tal você tentar demonstrar este teorema?
Use simplesmente o axioma IX e a idéia de
correspondência biunívoca.Veja a atividade de autoavaliação número 25.
52
geometria_I.indb 52
11/12/2007 16:40:33
Geometria I
Da mesma forma que falamos sobre congruência de segmentos,
podemos falar, também, sobre congruência de ângulos.
Congruência de Ângulos
Dois ângulos são ditos congruentes, se eles têm a
mesma medida.
Figura 1.25: Ângulos Congruentes.
Propriedades: A congruência entre ângulos satisfaz as seguintes
propriedades:
4) Reflexiva: todo ângulo é congruente a si mesmo: AÔB ≡ AÔB
5) Simétrica: se AÔB ≡ CÔD, então CÔD ≡ AÔB.
6) Transitiva: se AÔB ≡ CÔD e CÔD ≡ EÔF, então AÔB ≡ EÔF
Dado um ângulo AÔB, uma semi-reta
é chamada
de bissetriz do ângulo, se m(AÔC) ≡ m(CÔB).
Figura 1.26: Ângulo AÔB e sua bissetriz
.
Ou seja, a bissetriz de um ângulo é uma semi-reta interna ao
ângulo, com origem no vértice do ângulo e que o divide em dois
ângulos congruentes.
Unidade 1
geometria_I.indb 53
53
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo: São dados dois ângulos agudos adjacentes, cujas
bissetrizes formam um ângulo de 60o. Sabendo que a medida de
um deles é 42o, determine a medida do outro.
Solução: Sejam 2x e 2y as medidas dos dois ângulos assim pela
figura:
Como
Logo, os ângulos medem 42o e 78o.
George: Euclides, tudo bem com você?
Euclides: Com certeza, meu rapaz. E então, o que achou de todo o estudo?
George: Fascinante. Idéias simples, usadas para demonstrar resultados
importantes e, o mais legal, demonstrações não tão difíceis de entender.
Euclides: Que bom que você gostou, fico feliz em ter podido ajudá-lo
nesse maravilhoso mundo da geometria. Mas lembre-se, isto é apenas o
começo. Apenas o iniciei nos estudos.
George: Eu sei, Euclides, tenho muito que aprender ainda, esta é apenas a
ponta do iceberg.
Euclides: Acredito que a partir de agora nos encontraremos com menos
freqüência, pois você já consegue andar com suas próprias pernas. Mas,
como dizem vocês jovens modernos, foi maneiro te ajudar. Um grande
abraço!
54
geometria_I.indb 54
11/12/2007 16:40:34
Geometria I
George: Falou, Euclides, obrigado e até mais.
E George se despede de seu mais ‘antigo professor’ e vai em busca de
novos conceitos geométricos.
Síntese
Você estudou nesta unidade uma série de propriedades da
geometria: algumas delas são aceitas sem demonstração, os
axiomas; outras necessitam dos axiomas para serem verificadas.
O mais interessante – você deve ter notado – é que as idéias
são simples e a partir delas conseguimos a chegar a resultados
importantes. O que fizemos neste capítulo I foi dar a base para
a construção da geometria e fizemos isso com a ajuda da pessoa
que conferiu ordem lógica à geometria: Euclides. Agora você está
apto a estudar outros aspectos da geometria, como congruência e
semelhança de triângulos, trigonometria e área de figuras planas
conhecidas. E então, preparado? Mais assuntos interessantes o
aguardam nos próximos capítulos. Mãos à obra.
Antes de passar ao próximo capítulo, esclareça todas as suas
dúvidas com o seu professor tutor e bom trabalho.
Saiba mais
Se você gosta de História da Matemática e ficou interessado
nos axiomas de Euclides, sugerimos a leitura de Teorema do
Papagaio, um delicioso texto que mistura ficção com a realidade
da história da matemática.
GUEDJ, Denis. Teorema do papagaio. São Paulo: Companhia
das Letras, 1999.
Unidade 1
geometria_I.indb 55
55
11/12/2007 16:40:35
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
1) Responda às perguntas, usando a idéia de ponto, reta ou plano.
a)
Que idéia dá a marca de pênalti de um campo de futebol?
b)
Que idéia dá a página de um livro?
c)
Que idéia dá o barbante de sustentação de uma pipa?
2) Considere os seguintes elementos: O furo feito por uma agulha, a
superfície de uma piscina, as linhas divisórias de uma quadra de
futebol, uma corda esticada, a cabeça de um prego, uma folha de
papel, quais nos dão a idéia de:
a) Ponto?
b)
Reta?
c)
Plano?
56
geometria_I.indb 56
11/12/2007 16:40:35
Geometria I
3) Imagine-se num estádio de futebol, contemplando o campo e suas
linhas divisórias. Identifique, no campo, algo que dê a idéia de ponto,
reta e plano.
4) Encontre a sua volta pelo menos três objetos nos que dão idéia de
ponto, reta e plano.
Unidade 1
geometria_I.indb 57
57
11/12/2007 16:40:35
Universidade do Sul de Santa Catarina
5) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
A. ( ) Três pontos distintos são sempre colineares.
B. ( ) Quatro pontos todos distintos determinam duas retas.
C. ( ) Por quatro pontos todos distintos pode passar uma só reta.
D. ( ) Quaisquer que sejam os pontos A e B, se A é distinto de B, então
existe uma reta r tal que A ∈ r e B ∈ r.
E. ( ) Quaisquer que sejam os pontos P e Q e as retas r e s, se P é distinto
de Q, e P e Q pertencem às retas r e s, então r = s.
F. ( ) Qualquer que seja uma reta r, existem dois pontos A e B tais que A
é distinto de B, com A ∈ r e B ∈ r.
G. ( ) Se A = B, existe uma reta r tal que A, B ∈ r.
H. ( ) Duas retas distintas que têm um ponto em comum são
concorrentes.
I. ( )
Duas retas concorrentes têm um ponto em comum.
J. ( ) Se duas retas distintas têm um ponto em comum, então elas
possuem um único ponto comum.
6) Utilizando os axiomas de 1 a 5, discuta as seguintes questões:
a) Existem retas que não se interceptam.
b) Num segmento de reta existem infinitos pontos.
58
geometria_I.indb 58
11/12/2007 16:40:35
Geometria I
7) Quantas retas passam por quatro pontos todos distintos, sendo três
colineares?
8) Três pontos distintos de uma reta, quantos segmentos distintos podem
determinar?
9) Quantos segmentos há que passam por A e B distintos? Quantos há
com extremidades em A e B.
10) Sejam A, B e C pontos de uma reta. Faça um desenho representandoos, sabendo que C está ente A e B e que AB = 5 e AC = 2
Unidade 1
geometria_I.indb 59
59
11/12/2007 16:40:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
11) Sejam A1 e A2 pontos de coordenadas 1 e 2. Dê a coordenada do ponto
médio A3 do segmento A1A2. Dê a coordenada do ponto médio A4 do
segmento A3A2. Dê a coordenada do ponto médio A5 do segmento A3A4.
12) Desenhe uma reta e sobre ela marque dois pontos A e B. Suponha que
a coordenada do ponto A seja zero e a do ponto B seja um. Marque
agora pontos cujas coordenadas são 1,
,
,
13) Se o segmento
mede x + 3 e o segmento
ponto médio do segmento
, determine AB.
, 2, 0,-1, -3, -5,
,
.
mede 2x - 5 e M é o
60
geometria_I.indb 60
11/12/2007 16:40:36
Geometria I
14) Usando uma folha de papel, lápis e régua, desenhe duas retas
perpendiculares.
15) Dois ângulos são complementares e o suplemento de um deles mede
tanto quanto o suplemento do segundo, mais 30°. Quanto medem
estes dois ângulos?
16) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas alternativas abaixo.
A. ( ) A região compreendida entre duas semi-retas de mesma origem
recebe o nome de ângulo.
B. ( ) Um ângulo raso mede 90°.
C. ( ) Um ângulo formado por duas semi-retas distintas pertencentes a
uma mesma reta é um ângulo raso.
D. ( ) O aparelho usado para medir ângulos recebe o nome de régua.
E. ( ) Duas retas concorrentes e perpendiculares formam um ângulo de
90°.
F. ( ) O ângulo agudo é maior que 90° e o ângulo obtuso é menor que
90°.
G. ( ) Dois ângulos cuja soma é de 180° recebem o nome de
suplementares.
H. ( ) 30° e 120° são ângulos suplementares.
I. ( )
Se α é um ângulo qualquer, então o seu suplementar mede 180° - a.
J. ( ) Dois ângulos opostos pelo vértice são iguais.
Unidade 1
geometria_I.indb 61
61
11/12/2007 16:40:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
17) Demonstre que, se um ângulo e seu suplemento têm a mesma
medida, então o ângulo é reto.
18) Demonstre que o suplemento de um ângulo agudo é sempre obtuso.
Lembre-se de que você deve mostrar que o ângulo procurado é maior
que 90°
19) Dado um ângulo de medida x, encontre:
a) o triplo do seu suplemento;
b) a sétima parte do complemento;
c) o complemento de sua terça parte.
62
geometria_I.indb 62
11/12/2007 16:40:36
Geometria I
20) Encontre dois ângulos que sejam complementares e em que a medida
do maior seja quatro vezes a do menor.
21) Encontre dois ângulos que são suplementares e em que a medida do
menor seja a metade da medida do maior.
22) Encontre dois ângulos suplementares cuja medida do maior é 20°
inferior ao triplo do menor.
Unidade 1
geometria_I.indb 63
63
11/12/2007 16:40:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
23) Suponha que dois ângulos α e β de duas retas que interceptam
uma terceira são iguais e que α + β = 180º. Conclua que as retas são
perpendiculares. Faça desenho para auxiliar nas suas conclusões.
24) Classifique as sentenças a seguir em V (verdadeiro) ou F (falso), e
justifique:
A. ( ) se dois segmentos são consecutivos, então eles são colineares;
B. ( ) se dois segmentos são colineares, então eles são consecutivos;
C. ( ) se dois segmentos são adjacentes, então eles são colineares;
D. ( ) se dois segmentos são colineares, então eles são adjacentes;
E. ( ) se dois segmentos são adjacentes, então eles são consecutivos;
F. ( ) se dois segmentos são consecutivos, então eles são adjacentes;
Utilize o espaço abaixo para as justificativas:
64
geometria_I.indb 64
11/12/2007 16:40:36
Geometria I
25. Demonstre o teorema 1.3: Por qualquer ponto de uma reta passa uma
única perpendicular a esta reta.
Unidade 1
geometria_I.indb 65
65
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geometria_I.indb 66
11/12/2007 16:40:36
UNIDADE 2
Triângulos
Objetivos de aprendizagem
„
Conhecer e classificar triângulos.
„
Identificar triângulos retângulos e seus elementos.
„
Compreender e Aplicar o Teorema de Pitágoras.
2
„ Sintetizar relações trigonométricas num triangulo
retângulo.
Identificar triângulos congruentes, bem como o caso de
congruência.
„
„
Conhecer os pontos notáveis e algumas conclusões.
Seções de estudo
Seção 1 Definição e classificação de triângulos
Seção 2 Teorema de Pitágoras
Seção 3 Relações trigonométricas no triângulo
retângulo
Seção 4 Congruência de triângulos
Seção 5 Pontos Notáveis de um triângulo
geometria_I.indb 67
11/12/2007 16:40:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
Euclides: Olá, meu rapaz, estou orgulhoso de você.
George: Que bom Euclides, fico feliz por você reconhecer o meu esforço.
Euclides: Não é somente reconhecimento, é merecimento.
George: É, acho que me saí bem na Unidade 1. Sabe que entendi
muitas coisas sobre as quais tinha dúvidas? Que bom ter tido você me
acompanhando.
Euclides: Ótimo, como você se mostrou curioso e com vontade de
aprender, vou apresentá-lo a um novo amigo.
George: Um novo amigo? Mas quem?
Euclides: Para falar de triângulos, só poderia ser Pitágoras.
George: Arrasou, hein, cara!
Euclides: É, realmente Pitágoras é um dos nomes mais conhecidos, não
apenas na geometria, mas na matemática. Ele nasceu em Samos – Grécia,
pelos anos 582 a.C., viajou bastante e, ao ir para a Itália, fundou a Escola
de Crotona. Também conhecida como escola dos Pitagóricos, ensinava
filosofia, matemática, música e astronomia. Veja o princípio que a regia: ‘A
essência de todas as coisas é o número’.
George: E o tão famoso Teorema de Pitágoras?
68
geometria_I.indb 68
11/12/2007 16:40:37
Geometria I
Euclides: Pois é, se observarmos bem, o Teorema de Pitágoras está
associado a uma relação numérica de fundamental importância na
Matemática moderna. Observe sua afirmação: “o quadrado da hipotenusa
é igual à soma dos quadrados dos catetos”. Somente relações numéricas,
percebeu? Alguns historiadores dizem que o Teorema de Pitágoras já era
muito utilizado antes de Pitágoras, claro que nem tinha esse nome. E ele
foi nomeado assim, pois foi Pitágoras quem fez a primeira demonstração
desse teorema.
George: E o que você quis dizer sobre o número ser a essência de todas as
coisas?
Euclides: Os Pitagóricos estudaram os sons e mostraram que a música
e a matemática têm muito em comum. Descobriram que a altura de um
som tem relação com o comprimento da corda que, ao vibrar, o produz.
Ao longo de seus estudos, notaram que uma corda de determinado
comprimento daria uma nota. Reduzida a ¾ do seu comprimento, daria
uma nota uma quinta acima. Reduzida à metade de seu comprimento,
daria uma nota uma oitava acima. Assim os números 12, 8 e 6, segundo
Pitágoras, estariam em “progressão harmônica”, sendo 8 a média
harmônica de 12 e 6. Com isso desenvolveu a idéia de que o próprio
universo estivesse organizado sobre os números e as relações entre eles.
George: Tudo isso é muito interessante, quando vou conhecê-lo?
Euclides: Em breve, aguarde.
Nesta unidade, você vai conhecer informações fundamentais da
geometria dos triângulos. Ao longo das seções, poderá observar
que muitos conceitos que utilizamos intuitivamente possuem
uma base sólida dentro da geometria. Além de estudar triângulos
retângulos e suas aplicações, você conhecerá o Teorema de
Pitágoras e poderá observar que ele constitui uma ferramenta
útil, tanto para a geometria dos triângulos como para o nosso
dia-a-dia.
Figura 2.1. O método da paralaxe aplicado à medida Terra-Lua.
Por José Roberto V. Costa.
Unidade 2
geometria_I.indb 69
69
11/12/2007 16:40:37
Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 1 - Definição e classificação de triângulos
Na seção anterior, o triângulo foi apresentado como a mais
simples das figuras geométricas, formado por três segmentos de
reta. Talvez esse seja o motivo de ser a figura geométrica mais
utilizada na geometria antiga. A História conta que muitos
problemas foram solucionados utilizando-se triângulos: a
extensão de terras, a altura de construções e cálculo de distâncias
são exemplos da sua utilidade.
Veja, a seguir, um exemplo de como os gregos faziam o cálculo
para encontrar a distância de um barco até a costa. Observe a
figura:
Figura 2.2. Esboço da forma de medir distância entre um barco e a costa.
(Fonte: Dicionário Enciclopédico Conhecer - Abril Cultural)
70
geometria_I.indb 70
11/12/2007 16:40:37
Geometria I
Eram necessários dois observadores: um se colocava na costa,
de maneira que pudesse ver o barco sob um ângulo de 90o
com relação à sua posição e o outro ficava na mesma linha do
primeiro, mas observando o barco sob um ângulo de 45o. Em
seguida, utilizavam o teorema de Pitágoras, ou seja, medindo a
distância entre eles, os catetos eram iguais.
Para começarmos nosso estudo sobre essa figura tão importante,
vamos defini-la com muito cuidado.
Chama-se triângulo ABC a figura geométrica
formada pela reunião dos três segmentos
,
, onde os pontos A, B e C não são colineares.
e
Figura 2.3 - Triângulo ABC.
Notação: Triângulo ABC ou + ABC
Para trabalharmos com triângulos, temos de conhecer alguns
elementos fundamentais:
Vértices: os pontos A, B e C são vértices do triângulo;
ˆ
Ângulos: os ângulos internos do triângulo são BÂC ou  , ABC
ˆ ou Ĉ ;
ou B̂ , ACB
Lados: os lados do triângulo são os segmentos
( de medida b) e
(de medida a); o lado
ângulo  , o lado
( de medida c),
é dito oposto ao
oposto ao ângulo B̂ e o lado
oposto ao
ângulo Ĉ .
Unidade 2
geometria_I.indb 71
71
11/12/2007 16:40:37
Universidade do Sul de Santa Catarina
Perímetro: a soma dos lados de um triângulo é chamada
de perímetro, então o perímetro do triângulo acima é:
AB + BC + CA ;
Lado Adjacente: um lado adjacente a dois ângulos é o lado que
une os vértices desses dois ângulos. No triângulo ABC, o lado
é adjacente aos ângulos B̂ e  , o lado
ângulos Ĉ e B̂ e o lado
é adjacente aos
é adjacente aos ângulos  e Ĉ .
Os triângulos podem ser classificados de acordo com
os comprimentos de seus lados ou das medidas de seus
ângulos. Veja como:
Classificação de triângulos quanto aos lados:
„
Eqüilátero: o triângulo eqüilátero tem os três lados
congruentes. Assim, no triângulo ABC da figura 2.4,
temos a = b = c.
As letras minúsculas a, b e c representam,
respectivamente, os comprimentos dos
lados opostos aos vértices A,B e C, por isso
utilizamos o sinal de = (igual) e não o de ≡
(congruência).
„
Isósceles: o triângulo isósceles tem pelo menos dois lados
congruentes. Assim, no triângulo ABC da figura 2.5,
temos a = c.
Neste caso o lado
triângulo isósceles.
é chamado do base do
72
geometria_I.indb 72
11/12/2007 16:40:39
Geometria I
„
Escaleno: o triângulo escaleno não tem
lados congruentes. Assim, no triângulo
ABC da figura 2.6, temos a ≠ b ≠ c.
O símbolo ≠ significa “é diferente de”. No caso a ≠
b ≠ c, lê se “a é diferente de b e b é diferente de c”.
Um triângulo eqüilátero é também um
triângulo isósceles?
Sim, pois, se um triângulo tem os três lados congruentes, dois
dos seus lados são congruentes, o que basta para que ele seja
classificado também como isósceles.
Classificação de triângulos quanto aos ângulos:
„
Retângulo: todo triângulo retângulo tem
um ângulo reto.
Assim, no triângulo ABC da figura 2.7, o ângulo
A é o ângulo reto (m ( Â )= 90o).
„
Acutângulo: o triângulo acutângulo tem
os três ângulos agudos.
Assim, no triângulo DEF da figura 2.8, as
ˆ , EFD
ˆ , EDF
ˆ são
medidas dos ângulos DEF
o
menores que 90 .
Unidade 2
geometria_I.indb 73
73
11/12/2007 16:40:39
Universidade do Sul de Santa Catarina
Obtusângulo: o triângulo obtusângulo tem um
ângulo obtuso.
„
Assim, no triângulo JKH da figura 2.9, a medida do
ˆ é maior que 90o.
ângulo JHK
Exemplo: Um triângulo isósceles pode ser classificado segundo
seus ângulos, veja os exemplos a seguir.
SEÇÃO 2 – Teorema de Pitágoras
Pitágoras: Olá, George, tenho ouvido falar em você.
George: Olá, você deve ser o grande Pitágoras.
Pitágoras: Isso mesmo, meu caro, mas por que grande?
74
geometria_I.indb 74
11/12/2007 16:40:40
Geometria I
George: Você desenvolveu um dos teoremas mais famosos da
matemática.
Pitágoras: Desenvolvi não, eu apenas provei um resultado que já era
conhecido pelos Babilônios 1000 anos antes do meu nascimento. Mas, sem
dúvida, esse teorema é muito útil, além de famoso, e vem sendo aplicado
por muitos séculos em diversas áreas.
George: Eu acho interessante isto de o teorema de Pitágoras ser utilizado
por pessoas que a gente nem imagina. Eu tenho um amigo que é artista
naval, o Rodolpho; ele utiliza o Teorema de Pitágoras como referência para
definir escalas nos seus projetos de maquetes de embarcações. Ele diz
que aprendeu o teorema quando criança, e mesmo quando esquece seu
enunciado, sabe utilizá-lo no seu trabalho.
Pitágoras: Na verdade, a versatilidade desse teorema o torna inesquecível,
e quando aprendemos um conteúdo de verdade, não esquecemos jamais.
George: Eu fico surpreso ao ver crianças conseguindo utilizar o Teorema
de Pitágoras.
Pitágoras: Mostrar a importância de conceitos para nossos jovens é uma
das tarefas fundamentais para o crescimento da humanidade. Sem falar
que as crianças são nosso futuro, e, como eu sempre digo, eduque-as e
não será preciso punir os homens.
George: Estou vendo que você realmente é um sábio.
Pitágoras: Na verdade, sempre procurei viver conforme alguns valores e,
entre eles, este: “Pensem o que quiserem de ti, faze aquilo que te parece
justo”.
George: Isso é bom.
Nesta seção, vamos apresentar os elementos dos triângulos
retângulos e enunciar o Teorema de Pitágoras.
Seja o Triângulo ABC da figura 2.10:
Unidade 2
geometria_I.indb 75
75
11/12/2007 16:40:40
Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 2.10: Triângulo Retângulo reto em  .
Dado um triângulo ABC retângulo, definimos:
Hipotenusa: é o lado oposto ao ângulo reto;
Catetos: são os lados que formam o ângulo reto.
No triângulo da figura 2.10: Hipotenusa
e
.
, catetos
Observe que a hipotenusa é sempre maior que
qualquer um dos catetos.
Classificação de Triângulos Retângulos
Como qualquer triângulo, podemos classificar
os triângulos retângulos em relação aos seus
lados da seguinte forma:
„
Triângulo Retângulo Isósceles
O triângulo retângulo isósceles possui os dois
catetos iguais , na figura 2.11: b = c e m( Â )=
90o .
„
Triângulo Retângulo Escaleno
O triângulo retângulo escaleno possui todos
os lados com medidas diferentes, na figura
2.12: a ≠ b ≠ c.
76
geometria_I.indb 76
11/12/2007 16:40:40
Geometria I
Teorema 2.1 – (Teorema de Pitágoras): Se ABC é um triângulo
retângulo, o quadrado da medida da hipotenusa é igual à soma
dos quadrados das medidas dos catetos.
Do triângulo ABC da figura 2.13, o Teorema garante que:
a 2 = b2 + c2
Figura 2.13: Triângulo Retângulo ABC reto em A com
hipotenusa a e catetos b e c.
Pesquisas históricas mostram que esse teorema já era
conhecido pelos Babilônios por volta de 1500 a.C., e
que os chineses o conheciam talvez em torno de 1100
a.C. Pitágoras foi o primeiro matemático a demonstrálo. Mas existem inúmeras outras demonstrações,
vamos apresentar algumas no decorrer das seguintes
unidades, quando já tivermos estudado outros
conceitos necessários para cada demonstração.
Exemplos: 1) Utilize o Teorema de Pitágoras para verificar se os
triângulos abaixo são retângulos:
Solução: Se o triângulo for retângulo, ele deve satisfazer o
teorema de Pitágoras. O maior lado deverá ser a hipotenusa e os
demais os catetos.
No triângulo I, tomemos a= 13, b = 7 e c = 6.
Pelo teorema: 132 = 62 + 72, ou seja, 169 = 36 + 49.
Unidade 2
geometria_I.indb 77
77
11/12/2007 16:40:41
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como essa igualdade não é verdadeira, pois 36 + 49 =
85,
podemos garantir que o triângulo I não é retângulo.
Já no triângulo II, tomemos a = 10, b= 6 e c = 8.
Assim, 102 = 62 + 82, logo 100 = 36 + 64.
Como 36 + 64 = 100, concluímos que o triângulo II
é retângulo.
2) Determine o valor de x, no triângulo retângulo abaixo.
Solução:
Pelo Teorema: x2 = 72 + 122
x2 = 49 + 144
x2 = 193 então x = 193 ≅ 13,9
3) Suponha uma escada de 6 metros de comprimento encostada
em um muro de 5 metros de altura. Se a extremidade da escada
encosta na parte de cima do muro, determine a distância da
escada ao muro, no chão.
Solução: Podemos utilizar o Teorema de Pitágoras para resolver
este problema, admitindo que o comprimento da escada é a
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geometria_I.indb 78
11/12/2007 16:40:42
Geometria I
hipotenusa, um dos catetos é a altura do muro e o outro é a
distância que estamos procurando, assim:
62 = 5 2 + d2
36 = 25 + d2
36 - 25 = d 2
d2 = 11 então d = 11 ≅ 3,3
Pense em algum problema do seu dia-a-dia que pode
ser resolvido, utilizando o teorema de Pitágoras.
SEÇÃO 3 - Relações trigonométricas do triângulo
retângulo
George: Pitágoras, me ajude, por favor.
Pitágoras: Pois não rapaz, diga qual seu problema.
George: Eu tenho uma dúvida: a gente no colégio estuda Trigonometria,
e quase ninguém gosta. Minha curiosidade é saber o que afinal é
Trigonometria e onde ela é utilizada.
Pitágoras: Meu caro, acredito que algumas pessoas não gostem de
Trigonometria, por não conhecer bem esse assunto. Vou falar um pouco
sobre o desenvolvimento da Trigonometria.
Unidade 2
geometria_I.indb 79
79
11/12/2007 16:40:42
Universidade do Sul de Santa Catarina
Bem, a palavra trigonometria vem do grego: tri - três, gono - ângulo,
metrien - medida, ou seja, medida de triângulos.
George: Mas o que é medida de triângulos?
Pitágoras: É a relação entre os lados e ângulos de triângulos e serviu
à navegação, à agrimensura e à astronomia. Por volta de 300 a.C., a
Trigonometria estava diretamente relacionada à Astronomia. E somente
Leonhard Euler, um famoso matemático do século XVIII, desvinculou a
Trigonometria da Astronomia e a transformou em um ramo independente
da matemática. Hoje, a Trigonometria é usada em várias áreas das ciências,
como a Engenharia, a Física, a Astronomia, a Navegação, entre outras.
George: Nossa, deu para conhecer um pouco da história, mas não entendi
como a Trigonometria pode ser tão utilizada.
Pitágoras: Bem, nesta seção você verá a Trigonometria em triângulos
retângulos. Mas, desde o início, a Trigonometria era estudada também em
triângulos esféricos, e essa Trigonometria muito utilizada nessas áreas.
George: Triângulos esféricos? O que é isso?
Pitágoras: São triângulos formados por uma secção da superfície de uma
esfera. Mas depois você estuda isso. Agora vamos estudar a Trigonometria
Plana, em triângulos retângulos, ok?
George: Tô nessa!
Os elementos fundamentais do triângulo são os seus lados e seus
ângulos. Esses elementos podem ser utilizados para calcular
outros elementos do triângulo. Vamos ver essas relações a seguir.
Antes vamos re-nomear os catetos desse triângulo.
Os catetos recebem nomes especiais de acordo com a sua posição
em relação ao ângulo sob análise. Se estivermos operando com
o ângulo B, então o lado oposto indicado por b é o cateto oposto
ao ângulo B; e o lado adjacente ao ângulo B, indicado por c, é o
cateto adjacente ao ângulo B.
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geometria_I.indb 80
11/12/2007 16:40:42
Geometria I
Figura 2.14: Triângulo Retângulo ABC, reto em A, com ângulo
ˆ igual a α.
interno ABC
Num triângulo retângulo, podemos estabelecer razões entre as
medidas dos seus lados: catetos e hipotenusa. Consideremos o
triângulo retângulo ABC reto em  e um ângulo agudo B de
medida α (Figura 2.14).
As funções trigonométricas básicas são relações entre as medidas
dos lados do triângulo retângulo e seus ângulos. As três funções
básicas mais importantes da trigonometria são: seno, cosseno e
tangente. O ângulo é indicado pela letra α.
Razão 1: Seno de um ângulo
agudo:
Então, sen Bˆ = sen α =
sen
=
b
a
medida do cateto oposto a
medida da hipotenusa
Num triângulo retângulo, o seno
de um ângulo agudo é a razão
entre as medidas do cateto oposto
a esse ângulo e da hipotenusa.
Razão 2: Cosseno de um
ângulo agudo:
Então, cos Bˆ = cos α =
cos
=
c
a
medida do cateto adjacente a
medida da hipotenusa
Num triângulo retângulo, o
cosseno de um ângulo agudo é a
razão entre as medidas do cateto
adjacente a esse ângulo e da
hipotenusa
Unidade 2
geometria_I.indb 81
81
11/12/2007 16:40:43
Universidade do Sul de Santa Catarina
Razão 3: Tangente de um
ângulo agudo:
Então, tgBˆ = tg =
tg
=
Num triângulo retângulo, a
tangente de um ângulo agudo é a
razão entre as medidas do cateto
oposto a esse ângulo e o cateto
adjacente a esse ângulo.
b
a
medida do cateto oposto a
medida do cateto adjacente a
Exemplo: Dado o triângulo retângulo ABC, reto em A, conforme
a figura abaixo. Determine: sen α, cos α, tg α, sen β, cos β e tg β
Relação Fundamental
Algumas relações importantes podem ser obtidas dos triângulos
retângulos, para isso vamos tomar um triângulo retângulo ABC,
com hipotenusa de comprimento igual a 1 unidade, como na
figura abaixo:
Observe que sen =
b
= b , cos
1
=
c
=c
1
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geometria_I.indb 82
11/12/2007 16:40:43
Geometria I
Pelo teorema de Pitágoras:
12 = b 2 + c 2 = (sen ) 2 + (cos )2
sen 2
+ cos 2
=1
Também conhecida como identidade trigonométrica.
Exemplo: Determine o valor de x e y na figura abaixo, sabendo
que sen 30o = ½.
Ângulos Notáveis
Através do triângulo retângulo podemos analisar
os valores de seno, cosseno e tangente de alguns
ângulos específicos, conforme você verá a seguir.
1) Ângulo de 45o
Seja um quadrado de lado 1, como na figura abaixo.
Pelo teorema de Pitágoras, encontramos a diagonal do quadrado,
transformando-o em dois triângulos retângulos de catetos iguais
a 1.
Unidade 2
geometria_I.indb 83
83
11/12/2007 16:40:43
Universidade do Sul de Santa Catarina
2) Ângulos de 60o e 30o
Se o triângulo ABC é eqüilátero, como na figura 2.15, o
segmento AD divide o lado
ao meio, obtendo, assim, um
triângulo retângulo com hipotenusa 1, e cateto ½. Logo, pelo
teorema de Pitágoras, o outro cateto é 3 / 2 .
Utilizando o mesmo triângulo ABD, mostre que
sen 60o = cos 30o , sen 30o = cos 60o .
SEÇÃO 4 - Congruência de triângulos
Pitágoras: Olá, George, você precisa de ajuda?
George: Bem, na verdade estou meio curioso para entender essa história
de congruência de triângulos. É muito complexo o assunto?
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geometria_I.indb 84
11/12/2007 16:40:44
Geometria I
Pitágoras: Não, meu caro, é simples. Nós, matemáticos, já provamos tudo
para vocês, basta que entendam o raciocínio. Na verdade, a congruência
de triângulos segue uma ordem.
George: Como? Não entendi.
Pitágoras: O primeiro caso de congruência entre triângulos foi escrito
como axioma, e os demais são decorrentes deste e das definições
estabelecidas na seqüência. É uma construção muito bonita.
George: Mas isso não é complicado?
Pitágoras: De jeito algum, é só ter paciência e atenção.
George: Falou!
Vamos usar congruência para relacionar triângulos. Lembre-se
de que elementos congruentes são elementos que têm a mesma
forma e o mesmo tamanho e, apenas, não são iguais, pois os
pontos que os formam não são os mesmos.
Congruência de triângulos
Dois triângulos são congruentes, se têm a mesma
forma e o mesmo tamanho. Isso acontece, se os seus
lados são ordenadamente congruentes aos lados
do outro e se os seus ângulos são ordenadamente
congruentes aos ângulos do outro.
Figura 2.16: Triângulos ABC e DEF congruentes.
Unidade 2
geometria_I.indb 85
85
11/12/2007 16:40:45
Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim dados os triângulos da figura 2.16, dizemos que
∆ABC ≡ ∆DEF se AB ≡ DE , AC ≡ DF , BC ≡ EF , Aˆ ≡ Dˆ , Bˆ ≡ Eˆ
e Cˆ ≡ Fˆ
As condições de congruência anteriores (três
congruências entre lados e três congruências entre
ângulos) são totais. Podemos garantir a congruência
entre triângulos, utilizando apenas condições
mínimas. O axioma a seguir é considerado o
primeiro caso de congruência, isso quer dizer que, se
conhecemos alguns elementos de dois triângulos e
se eles satisfazem alguns dos casos de congruencia,
podemos garantir a congruência entre os triângulos.
Axioma X: Dados dois triângulos ABC e DEF, se
AB ≡ DE , AC ≡ DF e Aˆ ≡ Dˆ , então o triângulo ABC é congruente
ao triangulo DEF.
A interpretação do axioma é: Dois triângulos que possuem dois
lados e o ângulo compreendido entre esses lados respectivamente
congruentes, são congruentes. Esta é a congruência lado, ângulo,
lado (LAL).
Assim, se AB ≡ DE , Aˆ ≡ Dˆ e AC ≡ DF (LAL), então podemos
garantir que ∆ABC ≡ ∆DEF ou seja Bˆ ≡ Eˆ , BC ≡ EF e Cˆ ≡ Fˆ .
Exemplos: Dados os triângulos I, II, e III, observe que:
„
I e III são congruentes por LAL;
„
o triângulo II não é congruente a qualquer um dos
outros dois, pois o ângulo reto não está entre 5 e 4.
86
geometria_I.indb 86
11/12/2007 16:40:45
Geometria I
Existem quatro casos de congruência de triângulos. Considera-se
o axioma anterior como caso 1, e dele derivam os demais casos,
como apresentaremos a seguir.
Desse primeiro caso de congruência, deriva um
teorema importante para a geometria, o teorema do
triângulo isósceles, que garante a congruência dos
ângulos da base. Vamos demonstrar esse teorema a
seguir.
Teorema 2.2 (do Triângulo Isósceles): Se um triângulo é
isósceles, então os ângulos da base são congruentes.
Demonstração:
A Hipótese desse teorema é: Se o triângulo ABC é isósceles,
então os lados
e
são congruentes ( AB ≡ AC )
A Tese é: Então os ângulos da base B̂ e Ĉ são
Congruentes ( B̂ ≡ Cˆ )
Para essa demonstração, vamos considerar os triângulos ABC e
ACB, ou seja queremos associar os pontos A, B e C aos pontos
A,C e B respectivamente.
Como podemos utilizar um caso de congruência
entre dois triângulos para provar que um triângulo é
isósceles?
Para isso, consideramos o triângulo ABC de base
eo
triângulo ACB de base
. Lembre que os vértices A, B e C
estarão associados aos vértices A,C e B respectivamente:
ˆ ≡ CAB
ˆ (o
Assim, por hipótese, AB ≡ AC . Além disso, BAC
ângulo  é o mesmo para os dois triângulos ABC e ACB ).
Então, pelo axioma acima (LAL), os triângulos ABC e ACB
são congruentes, e, portanto, os ângulos B̂ e Ĉ também são
congruentes.
Unidade 2
geometria_I.indb 87
87
11/12/2007 16:40:45
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo: Se o triângulo ao lado ABC é isósceles de base BC,
determine x.
Solução: Pelo teorema acima, num triângulo
isósceles
os ângulos internos da base são iguais. Então:
2x – 10o = 30o ⇒ 2x = 40o ⇒ x = 20o
Vamos mostrar, agora, algumas relações entre os ângulos de
um triângulo. Lembre-se de que já definimos ângulo e ângulo
interno.
ˆ e
ˆ , BCA
Se ABC é um triângulo, os seus ângulos ABC
ˆ são chamados ângulos internos ou simplesmente
CAB
de ângulo de um triângulo. Os suplementos de cada um
dos ângulos são chamados de ângulos externos do
triângulo.
Figura 2.17: Triângulo ABC e ângulo externo θ.
ˆ é um dos ângulos
Na figura 2.17, o suplemento θ do ângulo BCA
externos deste triângulo.
ˆ mede 60o, então m(θ ) = 120o.
Exemplo: Se o ângulo BCA
Teorema 2.3 (do ângulo externo): Todo ângulo externo de um
triângulo é maior que qualquer ângulo interno não adjacente a
ele.
Por exemplo, na figura 2.17, podemos afirmar que o ângulo
ˆ , é maior que
externo θ ao triângulo ABC, suplementar ao BCA
ˆ (internos).
ˆ e CAB
os ângulos ABC
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geometria_I.indb 88
11/12/2007 16:40:46
Geometria I
Teorema 2.4: A soma das medidas de quaisquer dois ângulos
internos de um triângulo é menor do que 180°.
Demonstração:
Hipótese: Se ABC é um triangulo, cujos ângulos internos são  ,
B̂ e Ĉ ,
Tese: m( Aˆ ) + m( Bˆ ) < 180° , m( Aˆ ) + m(Cˆ ) < 180° e
m( Bˆ ) + m(Cˆ ) < 180° .
Com base no triângulo da figura 2.17, devemos mostra que
m( Bˆ ) + m(Cˆ ) < 180° .
Consideremos θ o ângulo externo ao vértice C, pelo teorema 2.3
θ > B̂ .
Mas θ e Ĉ são suplementares, logo m(θ ) + m( Ĉ ) = 180o, ou seja,
m(θ ) = 180o - m( Ĉ ).
Ora, como θ > B̂ e m(θ ) = 180° − m(Cˆ ) , segue que
180° − m(Cˆ ) > m( Bˆ ) e, portanto, m( Bˆ ) + m(Cˆ ) < 180° .
Corolário é uma conseqüência imediata de algum
teorema ou proposição.
Corolário: Todo triângulo possui pelo menos dois ângulos
internos agudos.
Unidade 2
geometria_I.indb 89
89
11/12/2007 16:40:47
Universidade do Sul de Santa Catarina
Esta demonstração se faz por absurdo e usa-se
imediatamente o teorema 2.4. Tente fazer. Para isso,
suponha que o triângulo não possui dois ângulos
internos agudos, e, então, mostre que isso é um
absurdo. Ver atividade de auto-avaliação número 14.
Caso 2: Dois triângulos que possuem dois ângulos e o lado entre
esses ângulos, respectivamente congruentes, são congruentes.
Esta é a congruência ângulo, lado, ângulo (ALA).
Este caso diz que, se Bˆ ≡ Eˆ , AB ≡ DE e Aˆ ≡ Dˆ (ALA), então
podemos garantir que ∆ABC ≡ ∆DEF e, conseqüentemente,
Cˆ ≡ Fˆ , BC ≡ DE e AC ≡ DF .
Demonstração: Dados os triângulos ABC e DEF da figura 2.18:
A Hipótese desse teorema é: Bˆ ≡ Eˆ ; AB ≡ DE; Aˆ ≡ Dˆ
A Tese é: Então
HJJG
Seja P um ponto da reta AC , tal que AP ≡ DF ,
conforme a figura 2.19.Comparando os triângulos
ABP ( da figura 2.19) e DEF ( da figura 2.18) temos:
AB ≡ DE e Aˆ ≡ Dˆ (por hipótese) e AP ≡ DF (por
construção). Assim, por caso1 LAL, concluímos que
.
ˆ .Com isso
ˆ ≡ Eˆ , mas, por hipótese, Eˆ ≡ ABC
Logo, ABP
ˆ não existe, ou seja, sua medida
concluímos que o ângulo PBC
90
geometria_I.indb 90
11/12/2007 16:40:48
Geometria I
é zero. Portanto P e C são pontos coincidentes, o que nos leva a
.
concluir que
Exemplos: Dados os triângulos I, II, e III:
Observe que:
„
os triângulos II e III são congruentes por ALA;
„
o triângulo I não é congruentes a qualquer um dos
outros dois, pois o lado 10 não está entre 70o e 30o .
Utilize o caso 2 de congruência para mostrar que:
“Se um triângulo possui dois ângulos congruentes,
então, esse triângulo é isósceles”.
Caso 3: Dois triângulos que possuem os três lados
respectivamente congruentes são congruentes. Esta é a
congruência lado, lado, lado ( LLL ).
Este caso diz que, se AB ≡ DE , AC ≡ DF e BC ≡ EF (LLL),
então podemos garantir que ∆ABC ≡ ∆DEF e, conseqüentemente,
Aˆ ≡ Dˆ , Bˆ ≡ Eˆ e Cˆ ≡ Fˆ .
Unidade 2
geometria_I.indb 91
91
11/12/2007 16:40:48
Universidade do Sul de Santa Catarina
Demonstração: Dados os triângulos ABC e DEF da figura
2.20:
A Hipótese desse teorema é: AB ≡ DE; BC ≡ EF ; CA ≡ DF
A Tese é: Então ∆ABC ≡ ∆DEF
Do triângulo DEF, obtemos a partir de D um ponto G,
ˆ ≡ ABC
ˆ e GE ≡ AB .
ver figura 2.21, tal que GEF
Como também DE ≡ AB ( por hipótese), concluímos que
DE ≡ GE . Conseqüentemente, o triângulo EDG é isósceles de
ˆ .
ˆ ≡ EGD
(*)
base DG , logo EDG
Por outro lado, como DE ≡ AB e EF ≡ BC ( por hipótese),
ˆ ≡ ABC
ˆ (por construção), então, por LAL, os triângulos
GEF
ABC e GEF são congruentes. Conseqüentemente, GF ≡ AC .
Ora, como também AC ≡ FD (por hipótese), então GF ≡ FD .
Concluímos que o triângulo FDG é isósceles de base DG , assim
ˆ .
ˆ ≡ FGD
FDG
(**)
ˆ .
ˆ e GDF
ˆ , temos o ângulo EDF
Somando os ângulos EDG
ˆ e FGD
ˆ , temos o ângulo EGF
ˆ
Somando, ainda, os ângulos EGD
ˆ .
o qual, pelas conclusões (*) e (**), é congruente ao ângulo EDF
ˆ ≡ EDF
ˆ e GF ≡ FD , por LAL
Portanto, como DE ≡ GE , EGF
o triângulo DEF é congruente ao triângulo GEF , que, por
construção, mostramos ser congruente ao triângulo ABC, logo
∆ABC ≡ ∆DEF .
92
geometria_I.indb 92
11/12/2007 16:40:49
Geometria I
Exemplos: Dados os triângulos I, II, e III,
Observe que:
„
os três triângulos I, II e III são congruentes entre si por
LLL.
Caso 4: Dois triângulos que possuem um lado, um ângulo
adjacente a esse lado e um ângulo oposto a esse mesmo lado,
respectivamente, congruentes, são congruentes. Esta é a
congruência lado, ângulo, ângulo oposto ( LAAo).
Este caso diz que: Se BC ≡ EF , Bˆ ≡ Eˆ e Aˆ ≡ Dˆ (LAAo), então
podemos garantir que ∆ABC ≡ ∆DEF e, conseqüentemente,
Cˆ ≡ Fˆ , AC ≡ DF e AB ≡ DE .
Demonstração: Dados os triângulos ABC e DEF da figura 2.22:
A Hipótese desse teorema é: Aˆ ≡ Dˆ ; BC ≡ EF ; Bˆ ≡ Eˆ
A Tese é: Então ∆ABC ≡ ∆DEF
Unidade 2
geometria_I.indb 93
93
11/12/2007 16:40:50
Universidade do Sul de Santa Catarina
Existem três possibilidades sobre a medida dos lados AB e DE :
a) AB ≡ DE
Assim, se AB ≡ DE , Aˆ ≡ Dˆ (por hipótese) e Bˆ ≡ Eˆ (por hipótese),
por ALA, concluímos que ∆ABC ≡ ∆DEF
b) AB < DE
JJJG
Seja P um ponto na semi-reta BA , tal que BP ≡ DE , ( ver figura
2.23), como Bˆ ≡ Eˆ e BC ≡ EF (por hipótese), pelo caso LAL
teríamos ∆PBC ≡ ∆DEF , logo Pˆ ≡ Dˆ .
Mas Aˆ ≡ Dˆ (por hipótese). Com isso, Aˆ ≡ Pˆ , o
que é absurdo, pois, no triângulo PAC, o ângulo
ˆ é externo e pelo teorema do ângulo externo
BAC
2.3, este deve medir mais que qualquer um dos
ângulos internos não adjacentes a ele.
Concluí-se que BP não pode ser maior que AB .
c) AB > DE
Utiliza-se o mesmo raciocínio para mostrar que esta hipótese é
absurda, portanto, a única possibilidade é que AB ≡ DE ou seja
∆ABC ≡ ∆DEF .
94
geometria_I.indb 94
11/12/2007 16:40:50
Geometria I
Exemplo: Dados os triângulos I, II, III, e IV:
Observe que:
„
os triângulos I e III são congruentes por LAAo;
„
o triângulo II não é congruente aos triângulos I e III,
pois o lado 7 é oposto a 50o, em vez de a 45o;
„
o triângulo IV não é congruente aos triângulos I e III,
pois o lado 7 está entre 50o e 45o .
Existe um caso especial de congruência de triângulos retângulos.
Caso Especial: Se dois triângulos retângulos têm ordenadamente
congruentes um cateto e a hipotenusa, então esses triângulos são
congruentes (HC).
Este caso diz que, se os triângulos ABC e DEF são retângulo
e AB ≡ DE e BC ≡ EF , então podemos garantir que
∆ABC ≡ ∆DEF e, conseqüentemente, Bˆ ≡ Eˆ , BC ≡ EF e Cˆ ≡ Fˆ .
Demonstração: Dados os triângulos ABC e DEF da figura 2.24:
A Hipótese desse teorema é: BC ≡ EF ; AB ≡ DE; Aˆ ≡ Dˆ (retos)
Unidade 2
geometria_I.indb 95
95
11/12/2007 16:40:51
Universidade do Sul de Santa Catarina
A Tese é: Então ∆ABC ≡ ∆DEF
No triângulo DEF, suponha um ponto P na semi-reta oposta
JJJG
a semi-reta DF ( ver figura 2.25), tal que DP ≡ AC . Como
AB ≡ DE e Aˆ ≡ Dˆ (por hipótese), pelo caso LAL concluímos
que ∆ABC ≡ ∆DEP , então podemos garantir que BC ≡ EP e
Cˆ ≡ Pˆ . Além disso, se BC ≡ EF (por hipótese) e BC ≡ EP , então
EF ≡ EP , logo o triangulo EFP é isósceles de base FP . Com
isso garantimos que Fˆ ≡ Pˆ , e como Cˆ ≡ Pˆ , então Cˆ ≡ Fˆ .
Considerando agora os triângulos ABC e DEF, temos BC ≡ EF ,
Cˆ ≡ Fˆ e Aˆ ≡ Dˆ , por LAAo concluímos que ∆ABC ≡ ∆DEF .
Exemplo: Dados os triângulos I, II, e III:
Observe que:
„
os triângulos I e III são congruentes por HC;
„
o triângulo II não é congruente a qualquer um dos
outros, pois a sua hipotenusa não é 4, como nos outros.
96
geometria_I.indb 96
11/12/2007 16:40:52
Geometria I
Será que podemos garantir a congruência de
triângulos nos casos ALL e AAA? Por quê?
SEÇÃO 5 – Pontos notáveis de um triângulo
Nesta seção, iremos apresentar algumas definições e conclusões
sobre triângulos, úteis para resolver determinados problemas.
Mediana de um Triângulo: Dado um triângulo
ABC, chamamos de Mediana a um segmento com
extremidade em um dos vértices e outra no ponto
médio do lado oposto a ele.
Na figura 2.26, M é o ponto médio do segmento
, e o segmento
é a Mediana relativa ao lado
ou ao ângulo A.
Observe que um triângulo possui três medianas,
cada uma relativa a um dos seus lados ou ângulos:
AM 1 relativa ao lado
BM 2 relativa ao lado
CM 3 relativa ao lado
ou ao ângulo Â
ou ao ângulo B̂
ou ao ângulo Ĉ
Baricentro de um Triângulo (G): Dado um triângulo
ABC, chamamos de Baricentro o ponto de interseção
das três medianas.
Teorema 2.5: Se G é baricentro de um triângulo, então ele divide
cada uma das medianas em segmentos tais, que a parte que
contém o vértice é o dobro da outra.
Unidade 2
geometria_I.indb 97
97
11/12/2007 16:40:52
Universidade do Sul de Santa Catarina
Incentro de um Triângulo (P): Dado um triângulo
ABC, chamamos de Incentro o ponto de intersecção
das três bissetrizes internas do triângulo.
Teorema 2.6: Se P é incentro de um triângulo, então P está a
igual distância dos lados do triângulo.
Mediatriz de lado de um Triângulo (m): Dado um
triângulo ABC, chamamos de mediatriz de um dos
lados, a reta perpendicular a esse lado que passa pelo
seu ponto médio.
Do triângulo ABC da
figura 2.27, temos que m é
a mediatriz relativa ao lado
, e M é o ponto médio do
segmento .
Observe que um triângulo possui três
mediatrizes, cada uma relativa a um dos seus lados,
ou ângulos:
m1 perpendicular a
, e M1 divide
m2 perpendicular a
, e M2 divide
m3 perpendicular a
, e M3 divide
ao meio.
ao meio.
ao meio.
98
geometria_I.indb 98
11/12/2007 16:40:53
Geometria I
Construa um triângulo e duas de suas mediatrizes.
A seguir, construa um círculo com centro no ponto
de encontro das duas mediatrizes e que passe por
um dos vértices do triângulo. O que você observa? E
depois de construir a terceira mediatriz, o que você
conclui? Ver atividade de auto-avaliação 23.
Circuncentro de um Triângulo (O): Dado um
triângulo ABC, chamamos de Circuncentro o ponto
de intersecção das três mediatrizes dos lados de
triângulo.
Teorema 2.7: Se O é circuncentro de um triângulo, então as
distâncias de O aos vértices do triângulo são iguais.
Altura de um Triângulo (h): Dado um triângulo ABC,
chamamos de altura de um triângulo, ao segmento
de reta perpendicular a um dos lados do triângulo e
extremidades neste lado e no vértice oposto a este
lado.
Do triângulo ABC da figura 2.28, temos que h
é a altura relativa ao lado , e H é o ponto de
intersecção do segmento
com a altura que
tem extremidade no vértice A.
Observe que um triângulo possui três alturas,
cada uma relativa a um dos seus lados, ou aos
vértices:
h1 perpendicular a
, e H1 intercepta
h2 perpendicular a
, e H2 intercepta
h3 perpendicular a
, e H3 intercepta
Unidade 2
geometria_I.indb 99
99
11/12/2007 16:40:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
Ortocentro de um Triângulo (H): Dado um
triângulo ABC, chamamos de ortocentro ao ponto de
intersecção das três alturas do triângulo.
Construa um triângulo. Trace as retas-suporte de suas
três alturas. A seguir, construa um segundo triângulo
de tal forma que seus lados sejam paralelos aos lados
do primeiro e passem pelos três vértices. Movimente os
vértices do primeiro triângulo e descubra qual a relação
entre a reta-suporte das alturas com o triângulo maior?
Se você descobriu a relação, o que você pode concluir
sobre as alturas? Ver atividade de auto-avaliação 24.
Pitágoras: E aí, George, gostou dessa seção?
George: Muito, aprendi bastante sobre os triângulos, não imaginava a
grande utilidade deles. Como vocês conseguiram provar tantas coisas?
Pitágoras: Estudando, pensando e, claro, acreditando.
George: Como acreditando?
Pitágoras: Ora, meu caro, temos que acreditar em nós mesmos e naquilo
que achamos importante para nossas vidas.
George: Isso é verdade, acredito que você tem razão. Uma coisa, poderia
então me ajudar nos exercícios?
Pitágoras: Não, rapaz, preste atenção, vou te dizer mais um lema no
qual acredito:” Ajuda teus semelhantes a levantar sua carga, mas não a
carregues”, ou seja os exercícios são seus.
George: Falou!
100
geometria_I.indb 100
11/12/2007 16:40:54
Geometria I
Síntese
Nesta unidade, você estudou como conhecer e classificar
triângulos segundo seus lados e ângulos. Também estudou
sobre congruência de triângulos, a trigonometria plana, várias
ferramentas especiais para resolver determinados tipos de
problemas. Conheceu o Teorema de Pitágoras e pôde observar
algumas aplicações. Observe, ao longo dos exercícios, como
utilizar cada uma das ferramentas e conceitos estudados nesta
unidade, e não se esqueça de tirar suas dúvidas com o seu
professor tutor.
Saiba mais
A partir do século V a.C, os matemáticos gregos desenvolveram
uma parte da Matemática, intimamente ligada à Geometria,
conhecida como Construções Geométricas com Régua e
Compasso. Os problemas de construções geométricas são muito
interessantes e alguns deles devem ser enfrentados por quem
está interessado em Geometria. É bom saber que os gregos
antigos propuseram e resolveram muitos problemas difíceis
de construção, mas não conseguiram resolver, ou melhor, não
conseguiram provar que não tinham solução os três problemas
conhecidos por:
(1) a trisecção de um ângulo;
(2) a duplicação de um cubo;
(3) a quadratura de um círculo.
Se você quiser saber mais sobre Pitágoras e seus estudos nas
áreas de matemática, filosofia, geometria, música, ética, moral,
educação e higiene, você deve ler:
CONTE, Carlos B.; Pitágoras- Ciência e Magia na Antiga
Grécia. Ed. Madras, 2006.
Unidade 2
geometria_I.indb 101
101
11/12/2007 16:40:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
1) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
A. ( ) Todo triângulo eqüilátero é isósceles.
B. ( ) Todo triângulo isósceles é eqüilátero.
C. ( ) Um triângulo retângulo pode ser isósceles.
D. ( ) Um triângulo isósceles pode ser obtusângulo.
E. ( ) Todos os triângulos retângulos são congruentes.
F. ( ) Todos os triângulos eqüiláteros são congruentes.
2) Dado o triângulo ABC isósceles, ao lado, determine o comprimento da
base.
3) Determine o comprimento dos lados de um triângulo ABC eqüilátero
cujos lados são AB = 15- 2y, BC = 3x-8 e CA = 7.
102
geometria_I.indb 102
11/12/2007 16:40:54
Geometria I
4) Dados os triângulos abaixo, determine a e b, sabendo que os triângulos
são eqüiláteros.
5) Determine x num triângulo EFG isósceles de base FG , sabendo que
Fˆ = 2 x − 40° e Gˆ = x + 20° .
Unidade 2
geometria_I.indb 103
103
11/12/2007 16:40:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
6) Se o perímetro de um triângulo eqüilátero é 45 cm, quanto mede cada
lado?
7) Se o perímetro de um triângulo isósceles de base 30 cm é 100 cm,
quanto mede cada lado?
8) Determine a medida da hipotenusa de um triângulo retângulo cujos
catetos medem 4cm e 3cm.
104
geometria_I.indb 104
11/12/2007 16:40:55
Geometria I
9)Calcule o seno, o cosseno e a tangente de cada um dos ângulos dos
triângulos abaixo:
10)Um observador, colocado a 10 m da base de uma chaminé, vê seu
ponto mais alto sob um ângulo de 60o. Calcule a altura da chaminé.
11)Calcule os ângulos de um triângulo retângulo cuja razão entre os
catetos é
3.
Unidade 2
geometria_I.indb 105
105
11/12/2007 16:40:55
Universidade do Sul de Santa Catarina
12)Uma pessoa, cuja altura é 1,70m, vê o ponto mais alto de um edifício
sob um ângulo de 60o. Quando recua 100m, vê o mesmo ponto sob um
ângulo de 30o. Suponha que a pessoa e o edifício estejam no mesmo
nível e determine a altura do edifício e a distância inicial da pessoal em
relação ao edifício.
13)Demonstrar o corolário do teorema 2.4. Veja a sugestão dada.
14)Mostre que se um triângulo possui dois ângulos congruentes, então
esse triangulo é isósceles.
106
geometria_I.indb 106
11/12/2007 16:40:55
Geometria I
15)Dados os pares dos triângulos abaixo, indique quais são congruentes e
qual caso de congruência.
16)Nos triângulos abaixo, indique os congruentes entre si e indique o caso
de congruência:
Unidade 2
geometria_I.indb 107
107
11/12/2007 16:40:55
Universidade do Sul de Santa Catarina
17) Dadas as figuras abaixo, determine os valores de x e y para que os
triângulos I e II sejam congruentes:
18) Dadas as figuras abaixo, onde os triângulos ABC e AED são
congruentes, determine x, y e z.
108
geometria_I.indb 108
11/12/2007 16:40:55
Geometria I
19) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
A. ( ) Se dois triângulos possuem três pares de lados congruentes e um
par de ângulos congruentes, então os triângulos são congruentes.
B. ( ) Se dois triângulos possuem dois pares de lados congruentes
e dois pares de ângulos congruentes, então os triângulos são
congruentes.
C. ( ) Se dois triângulos possuem os três ângulos internos
correspondentes congruentes, então os triângulos são
congruentes.
D. ( ) Se dois triângulos possuem 1 par de lados congruentes e três
pares de ângulos congruentes, e se o par de lados congruentes
é adjacente aos ângulos congruentes correspondentes, então os
triângulos são congruentes.
20) Mostre que não podemos garantir a congruência de triângulos nos
casos ALL e AAA.
21) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
A. ( ) O baricentro de um triângulo é interno a esse triângulo.
B. ( ) O ortocentro e o baricentro de um triângulo eqüilátero são
coincidentes.
C. ( ) O ortocentro é externo ao triângulo retângulo.
D. ( ) O ortocentro é externo ao triângulo obtusângulo.
E. ( ) O circuncentro está em um dos lados do triângulo isósceles.
Unidade 2
geometria_I.indb 109
109
11/12/2007 16:40:55
Universidade do Sul de Santa Catarina
22) Mostre que todo triângulo retângulo possui dois ângulos externos
obtusos.
23) Construa um triângulo e duas de suas mediatrizes. A seguir, construa
um círculo com centro no ponto de encontro das duas mediatrizes e
que passe por um dos vértices do triângulo. O que você observa? E
depois de construir a terceira mediatriz, o que você conclui?
110
geometria_I.indb 110
11/12/2007 16:40:55
Geometria I
24) Construa um triângulo. Trace as retas-suporte de suas três alturas. A
seguir, construa um segundo triângulo de tal forma que seus lados
sejam paralelos aos lados do primeiro e passem pelos três vértices.
Movimente os vértices do primeiro triângulo e descubra qual a relação
entre a reta-suporte das alturas com o triângulo maior? Se você
descobriu a relação, o que você pode concluir sobre as alturas?
Unidade 2
geometria_I.indb 111
111
11/12/2007 16:40:55
geometria_I.indb 112
11/12/2007 16:40:55
UNIDADE 3
Teorema de Tales
Objetivos de aprendizagem
„
3
Conhecer o axioma das paralelas.
Sintetizar o Teorema de Tales e conhecer algumas
aplicações.
„
„ Aplicar os casos de semelhança de triângulos, quando
necessário.
Compreender uma demonstração do Teorema de
Pitágoras.
„
„
Aplicar as relações métricas no triângulo retângulo.
„
Compreender o cálculo da altura das pirâmides.
Seções de estudo
Seção 1 Axioma das Paralelas
Seção 2 O Teorema de Tales
Seção 3 Semelhança de triângulos
geometria_I.indb 113
11/12/2007 16:40:56
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
Figura 3.1 – A semelhança de triângulos utilizada por Tales
para calcular a altura das pirâmides.
Euclides aparece em mais um sonho de George:
Euclides: E aí, meu rapaz, como vão as coisas?
George: Melhor do que eu imaginava. Confesso que estava com medo
dessa disciplina e vejo que ela é muito rica e apaixonante. Mas o que traz
você de volta, não me diga que é você quem vai me acompanhar nesta
unidade?
Euclides: Eu até poderia, mas acho mais conveniente apresentá-lo a um
novo amigo.
George: Já estou curioso, gostei muito do Pitágoras, quem virá agora?
Euclides: Tales, acho que você já ouviu falar dele, não?
George: Tales de Mileto? Do teorema de Tales?
Euclides: Esse mesmo, e vou até lhe contar um segredo: quando eu era
jovem como você, eu também me perguntava sobre a geometria, e o Tales
vinha conversar comigo.
114
geometria_I.indb 114
11/12/2007 16:40:56
Geometria I
George: É mesmo? Mas ele é mais velho que você?
Euclides: Sim, ele nasceu por volta de 624 a.C., deve ter vivido até 547
a.C., e eu sou bem mais jovem, nasci em 325 a.C. Vou contar um pouco
a respeito dele. Tales foi um comerciante considerado meio homem
meio lenda, já que era filósofo e matemático também. Na verdade, foi o
primeiro e mais famoso dos sábios da Grécia. Na geometria, ele teve papel
fundamental, pois transformou um aglomerado de noções esparsas em
um sistema lógico e coerente. Tales morou no Egito por muitos anos, e
se atribui a ele o fato de ter realizado a medição da altura das pirâmides,
mediante as sombras que projetam.
George: Nossa, eu só tinha ouvido falar no Teorema das Paralelas, não
sabia que ele era tudo isso.
Euclides: É, e tem mais, os antigos egípcios também atribuíram a ele o fato
de ter predito o eclipse do Sol ocorrido no ano de 585 a.C. Foi o primeiro a
dar uma explicação dos eclipses.
George: Então vamos logo, Euclides, estou curioso para conhecê-lo.
Euclides: Não seja ansioso, meu jovem, a pressa muitas vezes atrapalha.
Aguarde até o próximo sonho.
George: Mas Euclides, Euclides... Você não vai me abandonar, vai? Já foi.
Nesta seção, vamos conhecer um dos axiomas mais importantes
da geometria plana, o Axioma das Paralelas. Veremos, também,
que a partir dele surgiram algumas conclusões fundamentais,
como o Teorema de Tales e o conceito de semelhança de
triângulos. Mas observe a última frase de Euclides no diálogo
acima. Ele diz: “a pressa muitas vezes atrapalha”. Então, dediquese com tranqüilidade aos estudos e procure esclarecer suas
dúvidas, sempre que aparecerem.
Unidade 3
geometria_I.indb 115
115
11/12/2007 16:40:57
Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 1 – Axioma das Paralelas
Tales: Olá, George, você precisa de ajuda?
George: Tales? Que bom conhecê-lo! Quanto à ajuda, é sempre bemvinda.
Tales: Bem, vou mostrar-lhe um axioma muito importante, que gerou
muita discussão na época de sua apresentação.
George: Já sei do que se trata.
Tales: Já?
George: Deve ser o tal Axioma das Paralelas.
Tales: Exato. Mas como você sabe?
George: Eu já tinha me adiantado um pouco, só não me aprofundei.
Tales: Então chegou a hora.
George: Pelo jeito é bem importante, mesmo.
Tales: Historicamente, sim. Ele foi visualizado pelo nosso amigo Euclides e,
muitos depois dele, acharam que podiam demonstrá-lo. Não conseguiram,
e, a partir daí, surgiram outras geometrias.
George: Outras Geometrias, que estória é essa?
Tales: Vou contar um pouco de história. Como você já deve saber,
Euclides foi o primeiro matemático que apresentou a geometria de
forma sistemática, ao escrever a obra “Os Elementos”. Euclides escolheu 5
postulados (afirmações) que, por sua simplicidade, seriam aceitos. Porém o
quinto postulado, que dá origem ao axioma das paralelas, não foi tão bem
aceito por outros estudiosos. Ao longo de séculos, muitos matemáticos
tentaram demonstrar o axioma das paralelas, o que o transformaria em
um teorema. Proclus Diadochus, matemático crítico, que nasceu em 411,
não aceitava o tal postulado e tentou prová-lo de diversas formas, porém,
116
geometria_I.indb 116
11/12/2007 16:40:57
Geometria I
sem êxito. A criação de outras geometrias surgiu a partir da negação
desse postulado. Dois matemáticos, Lobachewsky e Bolyai, publicaram,
de maneira independente, e quase simultaneamente, por volta de 1830,
uma nova geometria, não euclidiana, que hoje é chamada de geometria
hiperbólica.
George: Nossa, que loucura. E do que trata essa geometria hiperbólica?
Tales: Isso você estuda depois. Que tal primeiro ficar craque na euclidiana
plana?
George: Acho melhor, mesmo. Bom, então preciso ir à luta e estudar as
tais paralelas.
Tales: Sim, pense que as paralelas são iguais às gangorras em que você e
seus amigos já se divertiram. Se estendê-las ao infinito, as duas jamais se
encontrarão em algum ponto.
George: Idéia simples que gerou confusão. Vou nessa, então. Tchau, Tales!
Tales: Até breve, George!
Retas Paralelas
Duas retas são paralelas se, e somente se, são
coincidentes (iguais), ou são coplanares (estão no
mesmo plano) e não têm nenhum ponto comum.
O símbolo // representa paralelas.
HJJG HJJG
HJJG
E, assim, a expressão AB // CD será lida AB é
HJJG
paralela à CD .
Unidade 3
geometria_I.indb 117
117
11/12/2007 16:40:57
Universidade do Sul de Santa Catarina
Reta transversal a duas retas dadas
Se a e b são duas retas distintas, paralelas ou não,
e t uma reta concorrente com a e b, então t é dita
transversal a a e b.
Observe que uma reta transversal a outras duas determina com
elas oito ângulos.
A seguir, vamos enumerar e descrever cada um deles.
Os ângulos anteriores podem ser classificados como:
Alternos Internos: 3̂ e 5̂ , 4̂ e 6̂
Alternos Externos: 1̂ e 7̂ , 2̂ e 8̂
Colaterais Internos: 3̂ e 6̂ , 4̂ e 5̂
Colaterais Externos: 1̂ e 8̂ , 2̂ e 7̂
118
geometria_I.indb 118
11/12/2007 16:40:57
Geometria I
Observe:
Se dois ângulos alternos são congruentes (como por exemplo
1ˆ ≡ 7ˆ ), podemos concluir que existe a congruência dos ângulos
ˆ ˆ ≡ 5,
ˆ 4ˆ ≡ 6ˆ ) bem
de todos os pares de ângulos alternos ( 2ˆ ≡ 8,3
como a congruência dos ângulos de todos os pares de ângulos
ˆ ˆ ≡ 7,
ˆ 2ˆ ≡ 6,3
ˆ 4ˆ ≡ 8ˆ );
correspondentes ( 1ˆ ≡ 5,
Axioma XI (Teorema das Paralelas): Por um ponto fora de uma
reta r, pode-se traçar uma única reta paralela a r.
Se duas retas r e s são infinitas em comprimento,
como podemos provar que elas não se interceptam?
O teorema a seguir mostra que, para responder a essa questão,
utilizamos uma transversal e os ângulos formados entre essa
transversal e as retas r e s.
Teorema 3.1: Se duas retas coplanares distintas e uma transversal
determinam ângulos alternos (ou correspondentes) congruentes,
então essas duas retas são paralelas.
Unidade 3
geometria_I.indb 119
119
11/12/2007 16:40:58
Universidade do Sul de Santa Catarina
Hipótese: Se α ≡ β
Tese: r // s
Demonstração: Se r e s não fossem paralelas, teriam um ponto em
comum, por exemplo, o ponto P, da figura 3.3.
Se A é o ponto de intersecção entre as retas s e t, e B o ponto de
intersecção entre as retas r e t, construímos o triângulo ABP.
Neste caso, pelo teorema do ângulo externo 2.3, teríamos α < β,
o que é um absurdo, de acordo com a hipótese.
Assim, as retas r e s são paralelas.
Exemplo: Dadas as retas r e s paralelas, conforme a figura abaixo,
determine os valores de x e y.
Vamos mostrar, agora, uma utilidade do teorema das paralelas.
Você já deve ter ouvido falar que a soma dos ângulos
internos de um triângulo é 180°. Mas será que
podemos provar isto?
120
geometria_I.indb 120
11/12/2007 16:40:58
Geometria I
Teorema 3.2: A soma dos ângulos internos de um triângulo é
180°.
Demonstração: Seja ABC um triângulo. Pelo vértice C, trace uma
paralela ao lado AB . Podemos fazer isto pelo axioma X.
Pela figura 3.4 observamos que 1̂ e 3̂ são ângulos externos do
Triângulo ABC ; e 2̂ , ângulo interno oposto pelo vértice C.
ˆ + m(2)
ˆ + m(3)
ˆ = 180°
Note que m(1)
AC é transversal às duas paralelas, logo 1ˆ ≡ Aˆ .
BC é transversal às duas paralelas, logo 3ˆ ≡ Bˆ .
Portanto,
ˆ + m(2)
ˆ + m(3)
ˆ = 180°
m( Aˆ ) + m( Bˆ ) + m(Cˆ ) = m(1)
Observe que, quando comparamos ângulos pelos
nomes, utilizamos o sinal de congruência. Quando
comparamos as medidas dos ângulos, por serem
números, utilizamos o sinal de igual.
Unidade 3
geometria_I.indb 121
121
11/12/2007 16:40:58
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo: Determine o valor de x no triângulo abaixo:
Solução:
Como a soma dos ângulos internos do triângulo
é 180o , então:
x + 60o + 70o = 180o
x + 130o = 180o
x = 180o – 130o
x = 50o
Mostre que, num triângulo eqüilátero, cada ângulo
interno mede 60o. Ver atividade de auto avaliação 5.
SEÇÃO 2: Teorema de Tales
George: Tales, você está aí? Ando curioso.
Tales: Isso é bom, a curiosidade é fundamental para o aprendizado.
George: Então me fale um pouco sobre esse teorema tão importante, o
Teorema de Tales.
Tales: Ah, essa conclusão é super simples. Como já dito antes, a beleza da
geometria está em sua construção. Por isso, a grande importância desse
teorema é que, a partir dele, foi possível deduzir outros teoremas.
George: Estou ansioso.
Tales: Então, vamos lá!
122
geometria_I.indb 122
11/12/2007 16:40:59
Geometria I
Antes de mostrarmos o teorema, vamos apresentar três conceitos
fundamentais.
1) Chama-se feixe de retas paralelas a um conjunto
de retas coplanares paralelas entre si.
2) Chama-se transversal do feixe de retas paralelas,
uma reta que é concorrente a todas as retas do feixe.
3) Dois segmentos são ditos proporcionais, quando
existe uma razão entre seus comprimentos.
Dados dois números reais, a e b, a razão entre eles é o quociente a/b.
Dadas duas razões a/b e c/d, se ocorrer a igualdade
a c
= , então ela é denominada proporção. Da figura 3.5, dizemos
b d
que os segmentos AB e AC são proporcionais aos segmentos A ' B ' e
A ' C ' , respectivamente, se: AB = A ' B '
AC A ' C '
Vamos, a seguir, apresentar dois teoremas úteis para a
demonstração do Teorema de Tales.
Teorema 3.3: Se uma reta paralela a um lado de um triângulo
intercepta os outros dois lados em pontos distintos, então ela
determina segmentos que são proporcionais a esses lados.
Unidade 3
geometria_I.indb 123
123
11/12/2007 16:40:59
Universidade do Sul de Santa Catarina
No triângulo ABC da figura 3.6, sejam D e E pontos de
AB e AC respectivamente, tais que DE é paralelo BC .
Então: AB = AC
AD
AE
Teorema 3.4: Se uma reta intercepta dois lados de um triângulo
e determina segmentos proporcionais a estes dois lados, então ela
é paralela ao terceiro lado.
No triângulo ABC da figura 3.7, seja D um ponto entre A e B, e
E um pontos entre A e C.
Se AB = AC , então:
AD
AE
DE é paralelo a BC .
Teorema 3.5: (de Tales): Um feixe de retas paralelas,
interceptado por duas retas transversais quaisquer, gera
segmentos determinados nas duas transversais proporcionais.
124
geometria_I.indb 124
11/12/2007 16:41:00
Geometria I
Demonstração: Na figura 3.8, considere o triângulo AEF, que
intercepta o segmento AF no ponto N. Como CD // EF , pelo
teorema 3.3 podemos garantir:
AC AN , conclusão (1). Considere agora o triângulo ABF.
=
CE NF
Como AB // ND , pelo teorema 3.3 concluímos: AN = BD ,
NF DF
conclusão (2). Portanto, das conclusões (1) e (2) temos AC = BD .
CE DF
Exemplo: Dada a figura abaixo, onde AB // CD // EF, determine
os valores de x e y, sabendo que a soma x + y =30 .
Solução:
Pelo teorema de Tales: x = y = x + y = 30 = 3 = 3
3
7
3+ 7
10 1
Portanto: x = 3 ⇒ x = 3 × 3 ⇒ x = 9 e y = 3 ⇒ y = 3 × 7 ⇒ y = 21
7
3
Unidade 3
geometria_I.indb 125
125
11/12/2007 16:41:00
Universidade do Sul de Santa Catarina
SEÇÃO 3 – Semelhança de triângulos
Nesta seção, você verá como a semelhança de triângulos foi
utilizada por Tales para calcular a altura das pirâmides. Mas,
primeiro, vamos introduzir alguns conceitos necessários para essa
demonstração.
Figuras semelhantes são figuras parecidas, de
mesma forma, mas tamanhos diferentes. Assim, duas
figuras são semelhantes, quando existe entre elas uma
proporção (chamada razão de semelhança).
Figura 3.9: Figuras semelhantes
Podemos afirmar que A e B são semelhantes, para os dois casos.
Se você observar, verá que, no seu cotidiano, aparecem muitos
casos de semelhança, como:
„
a planta da sua casa é a representação reduzida da casa
em tamanho real;
„
uma fotografia é a ampliação do negativo e a imagem
reduzida de um determinado momento.
Você observa outro caso de semelhança no seu dia a
dia?
No estudo da geometria, a semelhança é um conceito muito
utilizado, principalmente quando falamos de triângulos.
126
geometria_I.indb 126
11/12/2007 16:41:01
Geometria I
Outro conceito importante apresentado foi o conceito de
congruência. Mas qual a diferença entre congruência e
semelhança?
Dois triângulos são semelhantes, se os três ângulos
internos são ordenadamente congruentes e os lados
correspondentes proporcionais. Ou seja, triângulos
semelhantes têm a mesma forma, embora, não
necessariamente, o mesmo tamanho.
Figura 3.10: Semelhança entre os triângulos ABC e DEF ( ∆ABC ~ ∆DEF ).
O símbolo ~ representa semelhança. No caso
∆ABC ~ ∆DEF lê-se “o triângulo ABC é semelhante
ao triângulo DEF”.
Assim, se ∆ABC ~ ∆DEF , então podemos garantir que Aˆ ≡ Dˆ ,
a b c
Bˆ ≡ Eˆ , Cˆ ≡ Fˆ e = = = r
d e f
Você pode estar se perguntando: O que são lados
correspondentes proporcionais?
Lados correspondentes são tais, que cada um deles está em um
dos triângulos e ambos são opostos a ângulos congruentes.
Dois lados são proporcionais, se existe uma razão entre o
comprimento deles, ou ainda, se existe um número real tal, que a
divisão de um comprimento pelo outro correspondente for igual a
esse número.
Unidade 3
geometria_I.indb 127
127
11/12/2007 16:41:01
Universidade do Sul de Santa Catarina
Em triângulos semelhantes, essa razão deve ser a mesma para os
três lados correspondentes desse triângulo.
Exemplo: Os triângulos ABC e DEF são semelhantes. Observe
que seus ângulos são congruentes, e os lados do triângulo DEF
são exatamente a metade dos lados respectivos do triângulo ABC.
Observe que, se dividirmos os lados correspondentes, AC por DF,
AB por DE e BC por EF, temos a mesma razão (r = 2). Veja:
AB 10
BC 6
AC 8
=
=2 e
= =2
= = 2,
DE 5
EF 3
DF 4
Como nos casos de congruência, existem condições mínimas as
quais garantem a semelhança entre dois triângulos:
Caso 1: “Se dois ângulos de um triângulo são congruentes,
respectivamente, a dois ângulos de outro triângulo, então esses
triângulos são semelhantes”.
Assim, se Aˆ ≡ Dˆ e Bˆ ≡ Eˆ , podemos garantir que ∆ABC ~ ∆DEF ,
ou seja, Cˆ ≡ Fˆ e a = b = c = r
d
e
f
128
geometria_I.indb 128
11/12/2007 16:41:01
Geometria I
Exemplos: Nos triângulos I, II, Aˆ ≡ Dˆ e Bˆ ≡ Eˆ , determine a e b.
Pelo caso 1 de semelhança, podemos garantir que os triângulos
dados semelhantes, então podemos determinar a razão de
semelhança r por meio dos lados BC e EF, ou seja, 12 = 3 , logo
4
10
8
8 10
= 3⇒ b = .
=3⇒ a = e
b
3
a
3
Caso 2: “Se entre dois triângulos, um ângulo de um triângulo
for congruente a um ângulo do outro e os lados, incluindo
esses ângulos forem proporcionais, então esses triângulos são
semelhantes”.
c a
= = r e podemos garantir que
f d
∆ABC ~ ∆DEF , ou seja, Cˆ ≡ Fˆ Aˆ ≡ Dˆ e b = r
e
Assim, se Bˆ ≡ Eˆ ,
Unidade 3
geometria_I.indb 129
129
11/12/2007 16:41:02
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos: Dada a figura abaixo, determine a relação entre x e y.
ˆ e DCE
ˆ são opostos pelo vértice, então
Os ângulos ACB
ˆ ≡ DCE
ˆ . Pelo caso 2 de semelhança, se a razão entre os lados
ACB
AC e DC de semelhança é r, então a razão entre os lados CB e CE
também é r, assim como a razão entre os lados AB e DE.
Logo,
x 3
3
= ⇒ 4 x = 36 ⇒ x = 9 e
=r e
12 4
4
6 3
= ⇒ 3 y = 24 ⇒ y = 8
y 4
Caso 3: “Se entre dois triângulos, os três lados correspondentes
forem respectivamente proporcionais, então esses triângulos são
semelhantes”.
a b c
= = = r , podemos garantir que ∆ABC ~ ∆DEF ,
d e f
ou seja, Cˆ ≡ Fˆ , Aˆ ≡ Dˆ e Bˆ ≡ Eˆ .
Assim, se
130
geometria_I.indb 130
11/12/2007 16:41:02
Geometria I
Exemplos: Dados os triângulos abaixo, determine quais são
semelhantes entre si.
Pelo caso 3 de semelhança, podemos garantir que os triângulos
ABD e CBE são semelhantes, já que AB é congruente a CB, AD é
congruente a CE e BD é congruente BE.
O próximo teorema é conhecido como teorema fundamental da
semelhança de triângulos.
Teorema 3.6: Se uma reta é paralela a um dos lados de um
triângulo e intercepta os outros dois em pontos distintos, então o
triângulo que ela determina é semelhante ao primeiro. Neste caso
∆ABC ~ ∆ADE
Exemplo: Se um triângulo ABC tem os lados
AB = 12 cm, AC = 13 cm e BC = 15 cm.
HJJG
A reta DE paralela ao lado BC do triângulo ADE,
em que DE = 5 cm. Vamos calcular AD = x e AE = y.
Unidade 3
geometria_I.indb 131
131
11/12/2007 16:41:03
Universidade do Sul de Santa Catarina
Basta aplicar o teorema fundamental:
HJJG HJJG
5
13 
x
y

DE // BC ⇒ ∆ADE ~ ∆ABC ⇒
= = ⇒  x = 4, y = 
12 13 15 
3
Logo, AD = 4 cm e AE = 13 cm
3
Note que, se dois triângulos são congruentes, então
são semelhantes com r = 1. Porém o inverso não é
verdadeiro.
Relações métricas no Triângulo Retângulo
Os Triângulos Retângulos possuem outros elementos, além da
hipotenusa e dos catetos, que iremos apresentar a seguir.
Dado o triângulo retângulo ABC, da figura 3.15:
1) h é a medida da altura relativa à hipotenusa;
2) a é a medida da hipotenusa;
1) b e c são as medidas dos catetos;
2) n é a medida da projeção do cateto AC sobre a
hipotenusa;
3) m é a medida da projeção do cateto AB sobre a
hipotenusa.
132
geometria_I.indb 132
11/12/2007 16:41:03
Geometria I
A altura h relativa à hipotenusa do um triângulo retângulo ABC
divide esse triângulo em dois outros triângulos retângulos ACD e
ABD:
Pela semelhança de triângulos, como os ângulos internos são
congruentes, então garantimos as seguintes semelhanças:
∆ABC ~ ∆DBA ~ ∆DAC
E, a partir dessas semelhanças, apresentamos as seguintes
relações métricas no triângulo retângulo:
Da semelhança ∆ABC ~ ∆DBA
a c
b c
a b
2
= ⇒ bc = ah , = ⇒ ch = bm e = ⇒ c = am
c m
h m
c h
O quadrado de cada cateto é o produto da hipotenusa pela
projeção desse mesmo cateto sobre a hipotenusa.
Da semelhança ∆ABC ~ ∆DAC
a c
b c
a b
= ⇒ bh = cn e = ⇒ bc = ah
= ⇒ b 2 = an ,
b h
n h
b n
O produto da hipotenusa pela altura relativa à hipotenusa é igual
ao produto dos catetos.
Da semelhança ∆DBA ~ ∆DAC
c m
h m
a h
2
= ⇒ bh = cn , = ⇒ ch = bm e = ⇒ h = mn
b h
n h
b h
O quadrado da altura relativa à hipotenusa é igual ao produto das
projeções dos catetos.
Unidade 3
geometria_I.indb 133
133
11/12/2007 16:41:03
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo: Dado o triângulo abaixo, determine o valor de x, y, z e
w.
Como o triângulo ABC é retângulo, podemos aplicar o teorema
de Pitágoras para determinar o valor de x:
x 2 = 122 + 52 = 144 + 25 = 169 ⇒ x = 169 = 13
Para determinar os valores de y, z e w, utilizamos as relações
métricas no triângulo retângulo.
Observe que:
„
z é a projeção do cateto AB = 5 sobre a hipotenusa BC =
x= 13, assim:
52 = 13.z ⇒ 13 z = 25 ⇒ z = 25 /13
„
w é a projeção do cateto AC = 12 sobre a hipotenusa x =
13:
122 = 13.w ⇒ 13w = 144 ⇒ w = 144 /13
„
y é a altura do triângulo ABC, então:
y 2 = w.z =
25 144 3600
3600 60
⋅
=
⇒y=
=
13 13
169
169 13
134
geometria_I.indb 134
11/12/2007 16:41:04
Geometria I
Demonstração do Teorema de Pitágoras utilizando
semelhança de triângulos
Na unidade 2, falamos que demonstraríamos o teorema de
Pitágoras, quando tivéssemos apresentado conceitos suficientes
para tal.
A primeira demonstração que faremos, utiliza o conceito
de semelhança de triângulos. Veja a seguir.
Lembre-se de que o Teorema de Pitágoras diz: Se ABC
é um triângulo retângulo, o quadrado da medida da
hipotenusa é igual à soma dos quadrados das medidas
dos catetos.
Demonstração:
Hipótese: Se no triângulo ABC, Aˆ = 90°
2
2
Tese: BC = AB + AC
2
De fato:
Dado o triângulo ABC com BC = a , CA = b e AB = c , se o
ângulo reto é b 2 = a.n , então a altura relativa a esse ângulo divide
a hipotenusa a em dois segmentos m e n, tal que a = m + n.
Unidade 3
geometria_I.indb 135
135
11/12/2007 16:41:04
Universidade do Sul de Santa Catarina
Das relações métricas no triângulo retângulo tiramos:
b 2 = a.n e c 2 = am . Somando essas duas relações, temos:
b 2 + c 2 = an + am = a (n + m) . Como a = m+ n, temos
b 2 + c 2 = a.a = a 2 , logo
2
2
a 2 = b 2 + c 2 , ou seja, BC = AB + AC
2
Cálculo da altura de pirâmides
George: Tales, estou curioso, você já pode mostrar como calculou a altura
de pirâmides?
Tales: Claro, George: para fazer essa demonstração, eu só precisava que
você entendesse a idéia de semelhança de triângulos. Vou lhe contar,
passo a passo, o meu raciocínio:
Primeiro, eu enterrei uma estaca de altura conhecida m ao
lado de uma pirâmide, com o objetivo de observar a projeção
e suas sombras.
Assim, consegui observar dois triângulos retângulos:
O primeiro ∆ABC, formado pelo topo da Pirâmide A, a
extremidade da sombra C e o centro da base B. A altura da
pirâmide x é um dos catetos desse triângulo.
O outro cateto pôde ser obtido pela soma do comprimento
da sombra com a metade do lado (b = a ) . da base da
2
pirâmide (b + c).
136
geometria_I.indb 136
11/12/2007 16:41:05
Geometria I
O segundo triângulo MPN é formado pelo topo da estaca M, o ponto de
contato dela com o sol P e a extremidade da sombra N. Um dos catetos é
o comprimento da estaca m e o outro, o comprimento da sombra n. Então,
pelo caso 2 de semelhança de triângulos, pude garantir que os triângulos
ABC e MPN são semelhantes. E, assim, ficou fácil encontrar a razão entre
os catetos (b + c) e, conseqüentemente, determinar o comprimento da
pirâmide x por meios da seguinte regra de três: r = b +c = x .
n
m
George: Puxa, Tales, foi muito bom. E, vendo agora, parece super simples.
Como você conseguiu?
Tales: Pensando, meu caro, pensando.
Síntese
Nesta unidade você pôde conhecer um pouco sobre Tales de
Mileto e suas descobertas. Pôde entender o conceito de retas
paralelas e suas aplicações, bem como visualizar que a idéia de
semelhança de triângulos é uma ferramenta especial para resolver
determinados tipos de problemas.
Observe, ao longo dos exercícios, como utilizar cada um dos
conceitos estudados nesta unidade, e não se esqueça de tirar suas
dúvidas com o seu professor tutor.
Saiba mais
Para saber ainda mais sobre História da Matemática, dê uma
olhada no livro História da Matemática, um livro que conta o
desenvolvimento da matemática através dos grandes matemáticos.
BOYER, Caul B. História da Matemática. São Paulo: Editora
Edgard Blucher Ltda., 1996.
Unidade 3
geometria_I.indb 137
137
11/12/2007 16:41:05
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de auto-avaliação
1) Em cada uma das figuras abaixo, determine o valor de x, sabendo que
as retas r e s são paralelas:
2) Nas figuras abaixo, determine os valores de x e y, sabendo que as retas r,
s e t são paralelas:
3) Determine o valor de x nos seguintes triângulos:
138
geometria_I.indb 138
11/12/2007 16:41:05
Geometria I
4) Nos triângulos abaixo, determine os valores de x e y:
5) Seja ABC um triângulo isósceles. Se um ângulo externo da base é
o dobro do ângulo do vértice, calcule os ângulos internos desse
triângulo.
6) Mostre que, num triângulo eqüilátero, cada ângulo interno mede 60o .
Unidade 3
geometria_I.indb 139
139
11/12/2007 16:41:06
Universidade do Sul de Santa Catarina
7) Determine a medida dos ângulos internos de um triângulo, se estas
medidas estiverem na razão 3:4:5.
8) Determine as medidas dos ângulos internos agudos de um triângulo
retângulo, se estas estiverem na razão 4:5.
9) Mostre que um triângulo é eqüilátero, se os seus ângulos forem
representados pelas medidas x + 15, 3x – 75 e 2x – 30.
140
geometria_I.indb 140
11/12/2007 16:41:06
Geometria I
a
b
10) Se a, b e c são números positivos e = , então b é chamado a
b c
média geométrica entre a e c. Calcule a média geométrica entre os
números 12 e 3.
11)Dados os números abaixo, represente as razões do maior para o menor:
a) 20 para 30;
b) 5,2 para 0,6;
c) 4 para ½;
12)Aplique o Teorema de Tales para encontrar o valor da variável x nos
seguintes casos, onde as retas r, s e t são paralelas:
Unidade 3
geometria_I.indb 141
141
11/12/2007 16:41:06
Universidade do Sul de Santa Catarina
13)Dado o triângulo ABC da figura abaixo, calcule AB sabendo que
BC // PQ .
14) Um feixe de quatro paralelas determina sobre uma transversal
três segmentos que medem 8 cm, 11 cm e 16 cm respectivamente.
Determine os comprimentos dos segmentos que esse mesmo feixe
determina sobre uma outra transversal, sabendo que o segmento
compreendido entre a primeira e a quarta paralela mede 70 cm.
15) Dados os triângulos semelhantes ABC e DEF abaixo, determine os
valores de x e y em cada caso, se Aˆ ~ Dˆ e Bˆ ~ Eˆ .
142
geometria_I.indb 142
11/12/2007 16:41:06
Geometria I
16) Dado um triângulo ABC, se M é o ponto médio do segmento AB e se
N é ponto médio de AC , mostre que o triângulo ANM é semelhante ao
triângulo ABC.
17) Dados dois triângulos semelhantes, se a razão de semelhança entre
eles é x, mostre que existe também uma razão de semelhança entre
seus perímetros e essa razão também é igual a x.
18) Se um triângulo ABC, de perímetro 30 cm, é semelhante a outro
triângulo DEF, de lados 4 cm, 5 cm e 6 cm, determine o menor lado do
triângulo ABC.
Unidade 3
geometria_I.indb 143
143
11/12/2007 16:41:07
Universidade do Sul de Santa Catarina
19) Determine o valor de x nos triângulos abaixo:
20) Determine a menor altura de um triângulo retângulo cuja hipotenusa
mede 5 cm e os catetos 3 cm e 4 cm.
144
geometria_I.indb 144
11/12/2007 16:41:07
UNIDADE 4
Áreas de Figuras Planas
4
Objetivos de aprendizagem
„
Identificar um polígono.
„
Calcular a área das principais figuras planas.
„
Conhecer a diferença entre círculo e circunferência.
Seções de estudo
Seção 1 Polígonos
Seção 2 Área das figuras planas
Seção 3 Círculo e Circunferência
geometria_I.indb 145
11/12/2007 16:41:07
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de conversa
Euclides apresenta um novo amigo a George.
Arquimedes
Euclides: George, que saudades, meu rapaz.
George: Nossa, que surpresa vê-lo aqui nos meus sonhos novamente.
Euclides: Pois é, quero lhe apresentar um novo amigo.
George: Mais um para me ajudar?
Euclides: Com certeza. Você vai estudar área, não vai?
George: Isso mesmo, e quero começar entendendo tudo.
Euclides: Então você conhecerá Arquimedes.
George: Arquimedes? Mas por que ele?
Euclides: Por que ele foi um dos primeiros estudiosos a calcular a área
do círculo e uma aproximação do número pi. Na verdade, Arquimedes de
Siracusa nasceu por volta de 287 a.C. e morreu em 212 a.C., assassinado
por um soldado romano. Ele também ficou famoso por ter aperfeiçoado
métodos de integração que permitem calcular áreas, volumes e áreas de
superfícies de muitos corpos.
146
geometria_I.indb 146
11/12/2007 16:41:07
Geometria I
George: Métodos de integração? Naquela época?
Euclides: Sim, ele foi um grande estudioso, e seu mais famoso teorema
é conhecido por Princípio de Arquimedes, fornece o peso de um corpo
imerso num líquido.
George: Poxa, o cara era fera mesmo! Mas, já sei: tenho de aprender
primeiro geometria plana e depois me aprofundar em outros estudos.
Euclides: Por isso que gosto de você, cara esperto!
George: Abraços e até a próxima!
No antigo Egito, os agrimensores já calculavam a área de
terrenos depois das cheias do rio Nilo, portanto trata-se de
um assunto muito antigo. Nesta unidade, vamos nos dedicar à
geometria plana, seus conceitos fundamentais e, principalmente,
o cálculo de figuras planas.
Figura 4.1 – Área que ocupa o estado de Santa Catarina.
Unidade 4
geometria_I.indb 147
147
11/12/2007 16:41:08
Universidade do Sul de Santa Catarina
Procure analisar e discutir bem as atividades propostas
nesta unidade, para que todas as suas dúvidas sejam
esclarecidas. O sucesso no campo da Matemática
requer trabalho, então vamos adiante e bons estudos!
SEÇÃO 1 – Polígonos
Observe as curvas representadas a seguir:
Figura 4.2 – Exemplos de curvas.
Curvas que saem e voltam ao mesmo ponto, são linhas ditas
fechadas, como a figura 4.2(c) e figura 4.2(d).
As curvas fechadas são polígonos, quando formadas
por segmentos de reta e não passam duas vezes pelo
mesmo ponto, como na figura 4.2(c).
Os polígonos recebem nomes de acordo com seus
lados:
„
Três lados: triângulo;
„
Quatro lados: quadrilátero;
„
Cinco lados: pentágono;
„
Seis lados: hexágono;
148
geometria_I.indb 148
11/12/2007 16:41:08
Geometria I
„
Sete lados: heptágono;
„
Oito lados: octógono;
„
Nove lados: eneágono;
„
Dez lados: decágono;
„
Assim por diante.
Veja, a seguir, alguns exemplos:
Triângulos
Figura 4.3 – Polígonos de três lados, os triângulos.
Quadriláteros
Figura 4.4 – Polígonos de quatro lados, os quadriláteros.
„
Trapézio: Um par de lados paralelos com medidas
diferentes.
Figura 4.5 – Trapézio.
Unidade 4
geometria_I.indb 149
149
11/12/2007 16:41:08
Universidade do Sul de Santa Catarina
„
Paralelogramo: Tem dois pares de lados paralelos e
congruentes.
Figura 4.6 – Paralelogramo.
„
Losango: Possui dois pares de lados paralelos e todos são
congruentes.
Figura 4.7 – Losango.
„
Retângulo: Tem dois pares de lados paralelos e
congruentes e todos os ângulos são retos.
Figura 4.8 – Retângulo.
„
Quadrado: Todos os lados são congruentes e os quatro
ângulos são retos.
Figura 4.9 – Quadrado.
Observe, na seqüência, mais algumas figuras com outros números
de lados:
150
geometria_I.indb 150
11/12/2007 16:41:09
Geometria I
Pentágonos
Figura 4.10 – Pentágonos.
Hexágonos
Figura 4.11 – Hexágonos.
Perceba que todo retângulo é um paralelogramo,
mas nem todo paralelogramo é um
retângulo. Isso acontece, pois um retângulo,
necessariamente, tem ângulos retos. Já um
paralelogramo pode, ou não, ter ângulos retos. O
mesmo vale para losangos e quadrados.
Existe um tipo especial de polígonos, que são os polígonos
regulares.
Polígonos Regulares
Polígono regular é todo polígono que tem os
lados congruentes e os ângulos internos também
congruentes.
Unidade 4
geometria_I.indb 151
151
11/12/2007 16:41:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos:
Figura 4.12 – Polígonos regulares
Na próxima seção, vamos estudar como calcular a área das
figuras descritas acima. Nosso amigo Arquimedes já nos deu
uma dica, mas George percebeu que ela não é tão simples assim.
Necessitamos de algo mais prático para o cálculo de área.
SEÇÃO 2 – Áreas de Figuras Planas
Em sono profundo, George encontra-se com Arquimedes:
Arquimedes: Olá, George, tudo bem?
George: Arquimedes, já ouvi falar de você, prazer em conhecê-lo.
Arquimedes: Igualmente, e mais prazeroso ainda será ajudá-lo.
George: Você é craque em áreas, é? Eu queria entender direitinho o que
significa área.
Arquimedes: Posso lhe dar uma explicação bem informal no momento,
que o ajudará bastante.
152
geometria_I.indb 152
11/12/2007 16:41:09
Geometria I
George: Mesmo? Estou ansioso.
Arquimedes: Imagine um quadradinho de lado 1 cm. Imaginou?
George: Sim, com certeza.
Arquimedes: Agora, imagine um retângulo de lados 2 cm e 3 cm. E lhe
pergunto: Quantos quadradinhos de lado um cabem nesse retângulo.
George: Ora, 6 quadradinhos.
Arquimedes: Perfeito, então a área deste retângulo é 6 cm2.
George: Só isso. Acho que entendi sua explicação.
Arquimedes: Pode falar para mim, então.
George: Calcular a área de uma figura é o mesmo que dizer quantos
quadradinhos de lado 1 cabem nesta figura.
Arquimedes: Exatamente. O problema é que não conseguimos fazer
isto tão facilmente em todas as figuras, como, por exemplo, em trapézio,
losango e círculo.
George: Verdade, vai sobrar uns pedacinhos que teríamos que preencher
com pedacinhos deste quadrado.
Arquimedes: Isso mesmo, por isso temos algumas fórmulas que nos
ajudam a fazer estas contas.
George: Estou ansioso para começar.
Arquimedes: Você verá a seguir que estaremos em contato com nosso
outro axioma.
George: Oba, mais um resultado importante, então.
Arquimedes: Com certeza. Vamos axiomatizar a área do retângulo e, com
ela, podemos expor a área das outras figuras. Você estudará algumas,
apenas.
George: Que legal. Minha ansiedade aumentou. Vou descansar, para estar
pronto para os estudos. Um forte abraço!
Arquimedes: Para você também, meu jovem.
Área é um número real, maior ou igual a zero, que
representa a medida de uma superfície.
Por meio do último diálogo e com esta definição, temos uma
idéia de área informal e de área formal. Podemos usar ambas para
encaminhar nosso conhecimento.
Unidade 4
geometria_I.indb 153
153
11/12/2007 16:41:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vejamos o exemplo: Suponha que você tenha um terreno com o
seguinte formato:
Figura 4.13 – Terreno para construção de uma casa.
Agora, você quer saber quanto de área você tem para construir
uma casa. Vemos que a idéia informal apresentada por nosso
amigo Arquimedes não é possível, pois os quadradinhos de
área 1 não são suficientes para preencher toda a área dada,
principalmente pelo fato de um dos ângulos entre dois lados
desta figura não ser reto, ou seja, a idéia dos quadradinhos
é muito interessante para figuras onde todos os lados
formam ângulos retos: quadrados e retângulos.
Neste momento, esta idéia poderia nos dar apenas uma
aproximação da área. Necessitamos, então, de outros métodos
para o cálculo da área deste terreno. Uma maneira de determinar
esta área é decompor a figura em outras figuras geométricas
planas simples e em seguida somar as diversas partes, por
exemplo, uma decomposição pode ser dada pela figura abaixo:
Figura 4.14 – Figura plana decomposta
Assim, decompomos o terreno em um retângulo e um triângulo.
Deste modo, a área do terreno é a área do retângulo, mais a área
do triângulo. Veja a seguir, o estudo de áreas de algumas figuras
planas conhecidas.
154
geometria_I.indb 154
11/12/2007 16:41:10
Geometria I
Axioma do Retângulo: Se ABCD é um retângulo, então a sua
área é dada pelo produto AB ⋅ BC . Chamando o segmento AB de
de altura, podemos
base e o segmento BC
dizer que a área
do retângulo é o produto da base pela
altura.
Assim,
A = AB ⋅ BC = b ⋅ h
A = b⋅h
Como conseqüência direta do axioma do retângulo, temos que a
área de um quadrado ABCD é dada por:
A = AB ⋅ BC = AB ⋅ AB = ( AB )
2
Ou seja, como um quadrado tem todos
os lados iguais,
digamos l, segue que sua área é dada pelo quadrado do seu lado.
Portanto temos que:
A = AB ⋅ BC = l ⋅ l = l 2
A = l2
Unidade 4
geometria_I.indb 155
155
11/12/2007 16:41:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo: 1) Necessito forrar uma chapa retangular de lados
5 m e 3 m, com camurça. Quantos m² de camurça vou usar?
Solução: Como a chapa é um retângulo, segue que sua área
total é dada por:
A = 5 ⋅ 3 = 15m 2
Logo, utilizarei 15 m² de camurça para forrar a chapa.
2) Uma piscina em forma de um quadrado tem lado 5 m. O
fundo da piscina será coberto com azulejos azuis de lado 0,1 m.
Quantos azulejos são necessários?
Solução: O fundo da piscina é um quadrado de lado 5 m, logo a
sua área é:
A = 5 ⋅ 5 = 25m 2
Cada azulejo de lado 0,1 m, em área:
Az = 0,1 ⋅ 0,1 = 0, 01m 2
Portanto, o número de azulejos necessários para cobrir o fundo
25
da piscina é dado pela razão
= 2500 , ou seja, são necessários
0, 01
2500 azulejos.
As áreas do paralelogramo, triângulo e trapézio podem ser
obtidas a partir do axioma do retângulo. Veremos como isso se
faz para a área do paralelogramo.
Proposição 1: A área de um paralelogramo é o produto do
comprimento de um de seus lados pelo comprimento da altura
relativa a este lado.
Demonstração: Devemos mostrar que
A = b⋅h
Onde b é a base e h é altura.
156
geometria_I.indb 156
11/12/2007 16:41:11
Geometria I
No paralelogramo ABCD, trace dois segmentos AE e BF
perpendiculares ao segmento DC .
O quadrilátero ABFE é um
retângulo cuja área é AB ⋅ BF , o
qual, em termos de notação, é exatamente o produto
da base pela altura, isto é, b · h.
Observe que os triângulos ADE e BCF são congruentes pelo caso
especial de triângulos retângulos e, portanto, compreendem a
mesma área, logo:
Área (ABCD) = Área (ABCE) + Área(ADE)
= Área(ABCE) + Área(BCF)
Mas note que a soma das áreas em questão é a área do retângulo
ABFE. Logo:
Área (ABCD) = Área (ABFE) = b · h
Portanto, a área do paralelogramo é dada pelo produto da base
pela altura.
Proposição 2: A área de um triângulo é a metade do produto do
comprimento de qualquer dos seus lados pela altura relativa a este
lado.
Figura 4.15 – Triângulos
Esta demonstração deixaremos para você tentar fazer. A idéia
básica é desenhar um triângulo e, a partir dele, construir um
paralelogramo.Então notamos que a área do triângulo é a metade
Unidade 4
geometria_I.indb 157
157
11/12/2007 16:41:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
da área do paralelogramo. Portanto, para um triângulo qualquer
como na figura 4.15, temos:
A=
b⋅h
2
Exemplo: 1) Agora já podemos
resolver o problema de área
do início da seção. Tínhamos o desenho do seguinte terreno:
2
Vamos denotar a área do retângulo por A1 , logo A1 = 9 ⋅ 5 = 45m
Denotando a área do triângulo por
A2 =
A2 , temos
4 ⋅ 5 20
=
= 10m 2
2
2
Logo, a área do terreno é dada por:
A = A1 + A2
A = 45 + 10
A = 55m 2
2) Qual a área de um triângulo eqüilátero de lado l?
Veja a figura a seguir:
158
geometria_I.indb 158
11/12/2007 16:41:12
Geometria I
Sabemos que, no triângulo eqüilátero, todos os lados são iguais.
Agora tome o triângulo retângulo formado pela altura, por
um dos lados e pela metade da base. Aplicando o teorema de
Pitágoras neste triângulo, temos:
2
l2
l 2 3l 2
l
l = h +   = h2 + ⇒ h2 = l 2 − =
4
4
4
2
2
2
Ou seja,
3l 2 l 3
=
4
2
h=
Logo, a área do triângulo eqüilátero é:
A=
b⋅h
=
2
l⋅
l 3
2
2 ⇒ A= l 3
2
4
Proposição 3: A área de um trapézio é a metade do produto do
comprimento da sua altura pela soma dos comprimentos de suas
bases.
Portanto,
A=
(base maior + base menor) × altura ( B + b) . h
=
2
2
Unidade 4
geometria_I.indb 159
159
11/12/2007 16:41:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
Se um dos lados não paralelos do trapézio formar
ângulo reto com as bases, este trapézio é chamado
de trapézio retângulo.
Para ilustrar a observação acima, tomemos nosso exemplo inicial
de área, do cálculo do terreno da figura 4.13.
Perceba que se trata de um trapézio retângulo. Portanto a área do
terreno pode ser calculada também usando a área do trapézio:
A=
(13 + 9) ⋅ 5 22 ⋅ 5
=
= 55m²
2
2
Notamos, portanto, que, em muitos casos, podemos tratar a área
de uma figura de várias formas, ou com uma decomposição, ou
mesmo diretamente, se a figura tem a forma conhecida.
Exemplo: 1) Suponha que um rico excêntrico tem uma
piscina, cuja vista plana das bordas tem a forma de um
trapézio, com base menor 8 m, base maior 15 m. Para
nadar de uma base à outra perpendicularmente, nadam-se
4 m. O proprietário quer recobrir a piscina com uma chapa
de acrílico ao final do dia. O metro quadrado do acrílico é
de R$ 105,00. Quanto ele gastará para construir esta chapa?
Solução: Vamos, primeiramente, calcular a área do trapézio,
tendo:
b=8
B=15
h=4
Logo, A =
(8 + 15) ⋅ 4
= 46m² .
2
Portanto, o total a ser gasto com a chapa é 46x105 = 4.830 reais.
Realmente um tanto excêntrico!
160
geometria_I.indb 160
11/12/2007 16:41:13
Geometria I
2) O canteiro de uma praça tem o formato de um trapézio
retângulo, como mostra a figura abaixo:
A base menor mede 5 m, a base maior mede 8 m e o lado não
perpendicular mede 5m também. Qual a área do canteiro?
Solução: Note que precisamos encontrar a altura e, para isso, basta
usar o triângulo retângulo da figura do trapézio. A hipotenusa
mede 5 m, e a base do triângulo mede (8-5) m, ou seja, 3 m.
Logo:
52 = 33 + h 2
h 2 = 25 − 9 = 16
h=4
Assim,
A=
(8 + 5) ⋅ 4
= 26m²
2
3) Mostre que a área de um losango é dada pela metade do
produto de suas diagonais.
Solução:
Denotemos por D a diagonal maior e por d a diagonal menor.
Perceba que a figura é formada por quatro triângulos
retângulos todos congruentes. Cada triângulo tem altura
dada por d e base D .
2
2
Unidade 4
geometria_I.indb 161
161
11/12/2007 16:41:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
D d
⋅
D⋅d
A= 2 2 =
2
8
Portanto, a área do losango é quatro vezes a área do triângulo:
A = 4⋅
D⋅d D⋅d
=
2
2
4) A base de um retângulo é o triplo de sua altura. Determine as
dimensões do retângulo, sabendo que a sua área é de 96 cm².
Solução: Temos que b=3h, logo
A = b ⋅ h = 3h ⋅ h = 3h 2
Como A = 96, tem-se:
3h 2 = 96
h 2 = 32
h = 32 = 4 2
b = 3h = 12 2
E, portanto,
5) Determine o lado de um quadrado, sabendo que, se
aumentarmos seu lado em 2 cm, sua área aumenta em 36 cm².
Solução: Seja l o lado do quadrado e A a sua área. Então A = l².
Aumentando l em dois centímetros, temos l + 2 e, portanto, a
nova área é A + 36, ou seja, A + 36 = (l + 2)2. Da ultima equação
temos:
A = (l + 2) 2 − 36
Substituindo na fórmula da área tem-se:
(l + 2) 2 − 36 = l 2
l 2 + 4l + 4 − 36 = l 2
4l = 32
l =8
162
geometria_I.indb 162
11/12/2007 16:41:14
Geometria I
6) Determine á área de um triângulo eqüilátero cuja altura mede
4 m.
Solução: Num triângulo eqüilátero, a altura é dada por h = l 3 .
2
Como h = 4, temos:
4=
Racionalizando: l =
l 3
8
⇒l =
2
3
8
3 8 3
⋅
=
3
3 3
Portanto a área do triângulo é dada por:
2
8 3 

 ⋅ 3 64 ⋅ 3 ⋅ 3
2
3
64
16
l 3 

3=
3 m2
A=
=
= 9
=
4
4
4
12
3
7) O perímetro de um losango é 16 cm. Calcule sua área, sabendo
que a diagonal maior vale o dobro da menor.
Solução: Num losango, todos os lados são iguais. Perímetro é a
soma dos lados, logo 4 A = 16 e, portanto, A = 4. Temos também
que D = 2d. Lembre-se de que um losango é formado por 4
triângulos retângulos e que, assim, pelo teorema de Pitágoras:
2
2
2
2
D d 
4 =   + 
 2  2
2
 2d   d 
16 = 
 + 
 2  2
d 2 5⋅ d 2
16 = d 2 +
=
4
4
64
8 5
d2 =
⇒d =
5
5
Unidade 4
geometria_I.indb 163
163
11/12/2007 16:41:14
Universidade do Sul de Santa Catarina
Agora D = 2d =
16 5
e então
5
16 5 8 5 128
⋅
5
5 = 5 = 128 = 64 cm²
A=
2
2
10
5
Depois de um dia longo de trabalho, nosso amigo George descansa.
Arquimedes: George, meu caro, tudo bem com você?
George: Arquimedes, já estava com saudades.
Arquimedes: Pois é, nosso encontro demorou, não?
George: Bom, eu estava muito empolgado com o assunto, e nem pensei
em descansar.
Arquimedes: Que bom, fico feliz em ouvir isso. Preparado para um
próximo passo?
George: Com certeza. O que temos pela frente?
Arquimedes: Polígonos regulares.
George: Regulares ???
Arquimedes: Isso mesmo, alguma idéia?
George: Regular, sei que são polígonos com lados iguais?
164
geometria_I.indb 164
11/12/2007 16:41:15
Geometria I
Arquimedes: Exatamente. E o melhor, todos podem ser decompostos em
vários triângulos isósceles.
George: Hummm, interessante. Triângulo fica mais fácil.
Arquimedes: E tem um mais fácil ainda que o hexágono regular.
George: Por que?
Arquimedes: O mesmo é a reunião de seis triângulos eqüiláteros.
George: Ah, então para calcular sua área é fácil, pois, anteriormente, já
tinha demonstrado a área do triângulo eqüilátero. Então basta pegar
aquela fórmula e multiplicar por seis.
Arquimedes: Perfeito, George, você a cada dia me surpreende mais.
George: Obrigado, meu mestre.
Arquimedes: Vou deixar você descansar, pois é necessário que sua mente
esteja bem preparada para a continuidade do estudo da geometria. Um
forte abraço.
George: Abraços e até a próxima.
Unidade 4
geometria_I.indb 165
165
11/12/2007 16:41:15
Universidade do Sul de Santa Catarina
Área de polígonos regulares
Observe os polígonos regulares a seguir:
Figura 4.16 – Polígonos regulares.
Pela observação, pode-se visualizar que todo polígono regular
de n lados pode ser decomposto em n triângulos isósceles
congruentes.
a é chamado de apótema do polígono, que nada mais é que a
altura do triângulo isósceles.
A fórmula da área de um polígono regular de n lados, calculado
em função do lado A e apótema a é:
A=
n.A.a
2
Considerando que o perímetro do polígono é dado por (n . A ) e
representado por p, pode-se escrever:
A=
p.a
2
Exemplos:
1) Deduza a área de um hexágono regular.
Solução: O hexágono regular é um polígono especial, pois é
formado por seis triângulos eqüiláteros. Observe:
166
geometria_I.indb 166
11/12/2007 16:41:15
Geometria I
A = 6 ⋅ AT ⇒ A = 6
A2
3
4
⇒ A=
3 A2
2
3
onde AT é a área do triângulo eqüilátero.
2) Determine a área do hexágono regular nos seguintes casos:
(a)
Seu lado mede 6 m
Solução: A =
(b)
3 ⋅ 62 3
= 54 3 m²
2
Seu apótema tem 2 3 m .
Solução: Lembrando que A =
p⋅a
temos:
2
Precisamos de uma relação
entre o apótema a e o lado l.
Chamamos o triângulo eqüilátero que forma o hexágono regular:
Como o apótema é a altura do triângulo eqüilátero, temos já
calculado anteriormente que:
a=
2a
2⋅2 3
l 3
⇒l =
⇒l =
⇒l =4
2
3
3
Unidade 4
geometria_I.indb 167
167
11/12/2007 16:41:16
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, A = n ⋅ l ⋅ a = 6 ⋅ 4 ⋅ 2 3 = 24 3 m²
2
2
Demonstração do teorema de Pitágoras, utilizando áreas:
Na unidade anterior, apresentamos uma demonstração do
teorema de Pitágoras, utilizando semelhança de triângulos.
Agora que já definimos área, podemos efetuar outras duas
demonstrações que envolvem esse conceito. Observe-as.
Lembre-se, novamente, que o Teorema de Pitágoras diz: Se
ABC é um triângulo retângulo, o quadrado da medida da
hipotenusa é igual a soma dos quadrados das medidas dos
catetos.
Demonstração 1: Considerando a hipotenusa de um
triângulo retângulo a, e os catetos b e c, podemos interpretar
o teorema de Pitágoras assim: A área do quadrado construído
sobre a hipotenusa (a2) é igual à soma das áreas dos quadrados
construídos sobre os dois catetos (b2 + c2) .
Figura 4.17: Interpretação geométrica do Teorema de Pitágoras, utilizando áreas.
Observe a figura 4.17. Suponha que:
o lado a mede 5 unidades, então a área do quadrado de lado a é
25 unidades de área;
„
168
geometria_I.indb 168
11/12/2007 16:41:16
Geometria I
o lado b mede 3 unidades, assim a área do quadrado de lado b é
9 unidades de área;
„
o lado c mede 4 unidades e a área do quadrado de lado c é 16
unidades de área.
„
Neste caso, a área do quadrado de lado a é 25 e é igual à soma
das áreas dos quadrados de lados b e c, ou seja: 16 + 9 = 25.
Claro que essa demonstração pode ser feita para outros valores,
não obrigatoriamente 5, 4 e 3.
Demonstração 2: Conhecida como demonstração do quadrado
chinês.
Dado um triângulo retângulo de catetos b e c e hipotenusa a:
Construímos um quadrado de lado c + b. E, neste quadrado,
dispomos quatro cópias do triângulo retângulo com catetos b e c
sobre os lados do quadrado. Pelo caso 1 (LAL) de congruência
de triângulos (apresentado na unidade 2), cada um destes quatro
triângulos é congruente ao triângulo dado, ou seja, todos têm
hipotenusa com medida igual a a. O quadrilátero formado pelas
quatro hipotenusas é um quadrado. Pelo axioma de área, a área
do quadrado maior é igual à área do quadrado menor mais a
soma das áreas dos quatro triângulos congruentes. Assim:
(b + c )
2
1
= a 2 + 4 b.c ⇒ b 2 + 2b.c + c 2 = a 2 + 2bc ⇒ a 2 = b 2 + c 2
2
Unidade 4
geometria_I.indb 169
169
11/12/2007 16:41:16
Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 4.18: Demonstração do teorema de Pitágoras utilizando o quadrado chinês.
Tente encontrar outra demonstração para o
Teorema de Pitágoras. Você verá que existem várias,
interessantes.
SEÇÃO 3 – Círculo e Circunferência
Nosso colega George dorme profundamente, depois de um dia cheio de
novos conhecimentos, e vai atrás de Arquimedes novamente.
George: Arquimedes? Você está aí?
170
geometria_I.indb 170
11/12/2007 16:41:17
Geometria I
Arquimedes: Claro, meu jovem, o que é essa aflição na sua voz?
George: Ah, meu amigo, vou começar a estudar circunferência e círculo.
Sempre achei que as duas palavras significavam a mesma coisa, mas, pelo
que tenho lido, não é assim, e acabei ficando confuso.
Arquimedes: De círculo eu entendo, fui um dos primeiros a calcular sua
área.
George: Mesmo?
Arquimedes: Na minha época, era mais difícil, pois não tínhamos as
ferramentas que vocês têm agora. Calculávamos, inscrevendo polígonos
regulares na circunferência, cada vez com um número maior de lados, o
chamado método da exaustão.
George: Interessante, mas trabalhoso.
Arquimedes: E como!
George: E, então, qual a diferença entre o círculo e a circunferência?
Arquimedes: Circunferência é um conjunto de pontos que tem a mesma
distância de um ponto dado.
George: Este ponto é o centro; e a distância é o raio.
Arquimedes: Absolutamente correto. Então circunferência é a linha que
delimita uma área; e círculo é a região limitada pela circunferência.
George: Acho que entendi. Então nunca calculamos a área da
circunferência e sim do círculo.
Arquimedes: Isso, o que calculamos na circunferência é o seu
comprimento. A circunferência delimita um círculo.
George: Show, demais! E muito fácil de entender. Vou já descansar mais
um pouco para acordar pronto para mais este desafio.
Arquimedes: Certo, George, bons estudos.
George: Obrigado!
Unidade 4
geometria_I.indb 171
171
11/12/2007 16:41:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Círculo e circunferência
No diálogo acima, percebemos, então, que as palavras
circunferência e círculo têm sentidos diferentes, apesar de
muitos livros tratarem o círculo ora como uma curva, ora como
a região por ela limitada, ou seja, o círculo, às vezes, tem sentido
ambíguo.
Em alguns casos, para evitar confusão, usam-se os termos
circunferência e disco, isto é, disco é a região do plano limitada
por uma circunferência. No nosso caso, usaremos os termos
círculo e circunferência com sentidos bem distintos, como nos
ensinou Arquimedes.
Veja as definições de Circunferência e Círculo:
Chamamos de Circunferência o conjunto dos pontos
de um plano cuja distância a um outro ponto dado
(centro – O) desse plano é igual a uma distância nãonula (raio – r) dada.
Figura 4. 19: Circunferência de Centro O e raio r
Chamamos de Círculo o conjunto dos pontos de um
plano cuja distância a um ponto dado (centro – O)
desse plano é menor ou igual a uma distância nãonula (raio – r) dada.
172
geometria_I.indb 172
11/12/2007 16:41:17
Geometria I
Figura 4. 20: Círculo de Centro O e raio r
Elementos da circunferência
Vamos definir alguns elementos da circunferência:
1) Chama-se Corda de uma circunferência, um
segmento cujas extremidades pertencem à
circunferência.
2) Diâmetro de uma circunferência, uma corda que
passa pelo centro;
3) Raio de uma circunferência, um segmento com
uma extremidade no centro e a outra num ponto da
circunferência.
Figura 4. 21: Corda, Diâmetro e Raio
Unidade 4
geometria_I.indb 173
173
11/12/2007 16:41:18
Universidade do Sul de Santa Catarina
Na 4.19, AB é uma corda, DE é o diâmetro e OP é o raio.
Dada uma circunferência de centro O e raio r, e dois
pontos A e B, dessa circunferência, que não sejam
extremidades de um diâmetro, chama-se:
1) Arco menor de uma circunferência, a reunião dos
conjuntos dos pontos A e B e de todos os pontos da
ˆ ;
circunferência que estão no interior do ângulo AOB
2) Arco maior de uma circunferência, a reunião dos
conjuntos dos pontos A e B e de todos os pontos da
ˆ .
circunferência que estão no exterior do ângulo AOB
Figura 4. 22: Arco menor e arco maior
Na figura 4.22, você pode observar a diferença entre arco menor
e arco maior.
Como fazemos para calcular o comprimento de uma
circunferência?
Vejamos um processo experimental e interessante. Veja a seguinte
circunferência:
Figura 4.23 – Circunferência e seu comprimento.
174
geometria_I.indb 174
11/12/2007 16:41:18
Geometria I
Primeiramente, suponha que você tome um barbante e coloque
em volta da circunferência. Em seguida você pega este
barbante e estica, obtendo um segmento, como na figura
4.23.
A medida deste segmento é o que chamamos de
comprimento ou perímetro da circunferência.
Agora, divida o comprimento C da circunferência pelo seu
diâmetro ( o dobro do raio) 2r. Obtém-se, deste modo, uma
constante, algo em torno de 3,141592654, que indicamos pela
letra grega π (pi). O interessante deste processo é que vale para
qualquer
tamanho de circunferência, ou seja, toda vez que
fizermos a divisão indicada, obteremos o mesmo número que
estamos chamando de π (pi). Assim, temos:
C
= π ⇒ C = 2π r
2r
Exemplos:
1) Qual é a medida do comprimento de uma circunferência de raio r =
3 cm?
Solução:Temos r = 3 cm e π = 3,14, portanto:
C = 2π r ⇒ C = 2 ⋅ 3,14 ⋅ 3 = 18,84 cm
Assim, a medida da circunferência é 18,84 cm.
2) O diâmetro de uma circunferência mede 10 cm. Qual o seu
comprimento?
Solução: Temos d = 10 cm e π = 3,14. Agora:
d = 2r ⇒ 10 = 2r ⇒ r = 5 cm . Assim
C = 2 ⋅ 3,14 ⋅ 5 = 31, 4 cm
Portanto, o comprimento da circunferência é 31,4 cm.
Unidade 4
geometria_I.indb 175
175
11/12/2007 16:41:18
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) A medida de uma circunferência é 25,12 cm. Calcule o seu
raio.
Solução: Temos que C = 25,12 cm. Então:
C = 2π r ⇒ 25,12 = 2 ⋅ 3,14 ⋅ r ⇒ 25,12 = 6, 28 ⋅ r ⇒ r =
25,12
= 4 cm
6, 28
.
Logo o raio da circunferência é 4 cm.
Relações entre retas e circunferências
Algumas posições, entre uma reta e uma circunferência, têm
nomes especiais, observe as principais:
Chama-se reta tangente a uma circunferência, uma
reta que intercepta a circunferência em um único
ponto.
Figura 4. 24: Reta tangente à circunferência
Na figura 4.24, t é tangente á circunferência de centro O, e
intercepta essa circunferência no ponto P, chamado de ponto de
tangência.
176
geometria_I.indb 176
11/12/2007 16:41:19
Geometria I
Chama-se reta secante a uma circunferência, uma
reta que intercepta a circunferência em dois pontos
distintos.
Figura 4. 25: Reta secante à circunferência
Observe na figura 4.25 que a reta s, intercepta a circunferência de
centro O em dois pontos P e Q.
Propriedades das relações entre retas e circunferências:
1) Dada uma circunferência, um raio é perpendicular a uma
corda, que não passa pelo centro da circunferência, se e somente
se a divide em dois segmentos congruentes.
JJJG
Figura 4. 26: Reta AB perpendicular ao raio
2) Se uma reta é tangente a uma circunferência, então ela é
perpendicular ao raio que liga o centro ao ponto de tangência.
Unidade 4
geometria_I.indb 177
177
11/12/2007 16:41:19
Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 4. 27: Reta
é perpendicular à reta t
3) Se uma reta t é perpendicular a um raio em sua extremidade,
então a reta é tangente à circunferência.
Figura 4. 28: Reta t perpendicular ao raio
Posição relativa entre duas circunferências
Dadas duas circunferências de raios de comprimentos diferentes
r1 e r2 e centros c1 e c2. Se d é a distância entre c1 e c2, pode ocorrer
um dos seguintes casos:
1) Se todos os pontos de uma circunferência são pontos da outra
circunferência, então ela é dita circunferência interna a outra.
Neste caso, d < r1 – r2.
Figura 4.29: Circunferência interna a outra circunferência.
178
geometria_I.indb 178
11/12/2007 16:41:20
Geometria I
2) Se duas circunferências possuem um único ponto comum e os
demais pontos da primeira são pontos internos da segunda, então
essa primeira circunferência é dita tangente interna da outra.
Neste caso, d = r1 – r2.
Figura 4.30: Circunferência tangente interna a outra circunferência.
3) Duas circunferências são secantes se têm em comum somente
dois pontos distintos. Neste caso, r1 – r2 < d < r1 + r2.
Figura 4.31: Circunferências secantes
4) Duas circunferências são ditas tangentes externas se têm um
único ponto comum e os demais pontos de uma são externos à
outra. Neste caso, d = r1 + r2.
Figura 4.32: Circunferências tangentes externas
5) Duas circunferências são externas se os pontos de uma delas
são externos à outra. Neste caso, d > r1 + r2.
Figura 4.33: Circunferências externas
Unidade 4
geometria_I.indb 179
179
11/12/2007 16:41:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos:
1) Dadas duas circunferências tangentes externamente. Se a
distância entre os seus centros é 25 cm e a diferença entre os raios
é 5 cm. Calcule os raios.
Figura 4.34: Circunferências tangentes externamente.
Solução: Temos duas informações sobre a relação entre as
circunferências, para satisfazê-las calculamos o seguinte sistema:
 r1 + r 2 = 25
30
⇒ 2r1 = 30 ⇒ r1 =
⇒ r1 = 15

1
2
5
r
−
r
=
2

r 2 = 25 − r1 ⇒ r 2 = 25 − 15 ⇒ r 2 = 10
Assim os raios das
circunferências são r1 =15 cm e r2 = 10 cm.
2) Dadas duas circunferências tangentes internamente. Se a soma
dos raios é 20 cm e a distância entre os centros é 4 cm, conforme
figura 4.31. Calcule os raios.
Figura 4.35: Circunferências tangentes internamente.
Solução: Da relação entre as circunferências, temos o seguinte
sistema:
 r1 + r 2 = 20
24
⇒ 2r1 = 24 ⇒ r1 =
⇒ r1 = 12

2
 r1 − r 2 = 4
r 2 = 20 − r1 ⇒ r 2 = 20 − 12 ⇒ r 2 = 8
Assim, os raios das circunferências são r1 =12 cm e r2 = 8 cm.
180
geometria_I.indb 180
11/12/2007 16:41:20
Geometria I
Área do Círculo
Da mesma forma que utilizamos um processo experimental
para o cálculo do comprimento da circunferência, mostraremos
um método análogo para obter a área do círculo. O primeiro a
trabalhar com essas idéias que serão apresentadas a seguir foi
nosso amigo Arquimedes. O processo é chamado de método da
exaustão. Para isso vamos relacionar circunferência e polígonos.
Dada uma circunferência e um polígono qualquer,
dizemos que o polígono é inscrito na circunferência
se os vértices desse polígono estão na circunferência.
Se os lados do polígono são tangentes à
circunferência, então o polígono é circunscrito à
circunferência.
Figura 4.36 a): Hexágono circunscrito na
circunferência.
Figura 4.36 b): Hexágono inscrito na
circunferência.
Propriedade: O perímetro de um polígono inscrito numa
circunferência qualquer é menor que o perímetro do polígono
circunscrito nessa circunferência. Veja figura 4.37.
Figura 4.37: Hexágono circunscrito e inscrito numa circunferência.
Unidade 4
geometria_I.indb 181
181
11/12/2007 16:41:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
Observe na figura 4.38, circunferências de raio r e polígonos
regulares (triângulo eqüilátero, quadrado, pentágono e hexágono)
inscritos:
Figura 4.38 – Polígonos regulares inscritos..
Note o seguinte: à medida que aumentamos o número de lados, o
polígono inscrito tende a se aproximar da circunferência. Observe
ainda que unindo o centro da circunferência aos vértices do
polígono, construímos triângulos isósceles congruentes inscritos
na circunferência, veja figura 4.39.
Figura 4.39 – Polígonos regulares inscritos divididos em triângulos congruentes.
Observe que o centro O da circunferência também está no centro
do polígono inscrito. E como todos os triângulos isósceles são
congruentes, eles têm a mesma base b e a mesma altura a.
Figura 4.40 – Polígonos regulares inscritos divididos em triângulos congruentes.
Chama-se apótema de um polígono à altura dos
triângulos isósceles congruentes inscritos na
circunferência dada.
182
geometria_I.indb 182
11/12/2007 16:41:21
Geometria I
Quanto maior o número de lados do polígono inscrito, o raio se
aproxima do apótema.
Figura 4.41 – Aproximação do raio e do apótema.
Assim, o perímetro dos polígonos inscritos tende a se aproximar
cada vez mais do comprimento da circunferência ( 2π ⋅ r ).
p⋅a
Você viu que a área de um polígono regular é dada por A = 2 .
Note pela figura 4.38 que o perímetro aproxima-se de 2π ⋅ r e o
apótema aproxima-se do raio r. Assim, a área do círculo de raio r
é dado por:
A=
p ⋅ a 2π ⋅ r ⋅ r
=
= π ⋅ r2
2
2
Ou seja,
A = π ⋅ r2
Existem inúmeras maneiras de chegar-se à fórmula da área do
círculo, esta é uma das mais primitivas. Outras, mais elegantes,
serão mostradas em uma outra ocasião, na disciplina (cálculo I).
Exemplos:
1) Qual a área de um círculo cujo raio mede 2 cm?
Solução: Como A = π ⋅ r 2 , então:
A = π ⋅ 22 = 4π = 4 ⋅ 3,14 = 12,56 cm²
2) O comprimento de uma circunferência mede 31,4 cm. Qual a
área da região por ela limitada?
Solução: Necessitamos, primeiramente, encontrar o raio da
circunferência. Como C = 31,4, temos:
Unidade 4
geometria_I.indb 183
183
11/12/2007 16:41:21
Universidade do Sul de Santa Catarina
31, 4
= 5 . Logo
6, 28
A = π ⋅ r 2 = 3,14 ⋅ 52 = 3,14 ⋅ 25 = 78,5
31, 4 = 2 ⋅ 3,14 ⋅ r ⇒ r =
Assim, a área da região limitada pela circunferência é 78,5 cm.
3) Uma tampa circular de uma mesa tem 25 cm de raio, será
revestida com uma lâmina de fórmica que custa R$2,00 o cm².
Qual o gasto para recobrir a mesa?
Solução: Primeiramente, calculamos a área da mesa:
A = π ⋅ r 2 ⇒ A = 3,14 ⋅ 252 = 1962, 25 cm² .
Agora, multiplicando a área por dois, temos o gasto G para recobrir a
mesa:
G = 2 ⋅1962, 25 = 3925 . Ou seja, gastará R$3.925,00.
Observação: Suponha que você divida a circunferência em n arcos
iguais. Se unirmos as cordas destes arcos, obteremos um polígono
regular de n lados, inscrito na circunferência. A figura 4.41 mostra
isso.
4) Suponha, na figura 4.40, o quadrado inscrito na circunferência.
Denotemos o seu lado por l4 . Escreva o lado em função do raio.
Solução: Note que podemos, a partir do centro, dividir o quadrado
em 4 triângulos retângulos. Faça um desenho para melhor visualizar.
Assim, cada triângulo retângulo tem a hipotenusa como sendo l4 e os
dois catetos como sendo o raio r da circunferência. Logo:
l4 2 = r 2 + r 2 ⇒ l4 2 = 2 r 2
l4 = 2 r 2 = r 2
Ou seja,
l4 = r 2
De maneira análoga ao exercício 4, verifique que
num triângulo eqüilátero inscrito: l3 = r 3 , e num
hexágono regular inscrito: l6 = r .
184
geometria_I.indb 184
11/12/2007 16:41:21
Geometria I
E George tem uma última conversa:
Euclides, Tales, Pitágoras e Arquimedes: Olá, grande jovem!
George: Euclides? Tales? Pitágoras? Arquimedes? Eu não acredito, todos os
meus mestres juntos?
Euclides: Isto mesmo. Viemos nos despedir.
Tales: Afinal, você merece todo o nosso apoio.
George: Mesmo, é?
Pitágoras: Você se mostrou um excelente aluno, mostrou muita garra e
por isso chegou até aqui.
George: Confesso que, com a ajuda de vocês, a geometria ficou muito
mais fácil. Afinal, estava com os especialistas de cada área, foi muito
gostoso aprender com vocês.
Arquimedes: Não apenas conosco, não esqueça dos seus mestres
verdadeiros, que o levaram a começar a gostar da geometria.
George: Destes não esquecerei, pois foram os primeiros a me
incentivarem a chegar aqui.
Euclides: Nós apenas demos um empurrãozinho a mais.
Tales: Todos nós esperamos que, a partir de agora, você busque novos
conhecimentos em geometria.
George: Com certeza, eu sei que posso aprender muito mais, com a base
que eu tenho agora.
Pitágoras: A geometria é muito vasta e, daqui para frente, as coisas se
tornarão mais fáceis.
Arquimedes: Todos nós estaremos olhando e torcendo por você.
Unidade 4
geometria_I.indb 185
185
11/12/2007 16:41:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
George: Isto quer dizer que não os verei mais.
Euclides: Não se sabe. Apenas queremos que você cresça por si só,
sabemos do seu potencial.
George: Obrigado por tudo e por confiarem na minha capacidade.
Tales: Você é capaz de muito mais. Esta é apenas a ponta do Iceberg.
Pitágoras: A matemática é muito prazerosa em todas as suas áreas.
Dificuldades aparecerão, com certeza!
Arquimedes: Seja sábio e faça as coisas com calma e com métodos, e,
lembre-se: “não deixe as coisas para a última hora”.
Euclides: Estes são os conselhos dos seus, agora, amigos. Tenha força.
Tales: Perseverança.
Euclides: Garra.
Arquimedes: E amor pelo que você faz.
George: Não quero dar um adeus, mas, quem sabe, um até logo. Tchau
amigos. Ainda tenho trabalho a fazer.
Euclides, Tales, Pitágoras e Arquimedes: Adeus, grande amigo!
Síntese
Nesta unidade, você estudou a resolução de área de figuras
planas. Percebeu que as figuras planas são formadas por lados
(segmentos de retas) e por vértices (pontos) e pertencem a um
plano. Portanto note que todos os conceitos desenvolvidos na
unidade 1 estão presentes para a formação das figuras planas
aqui estudadas, ou seja, o estudo da geometria é uma construção
sistemática que deve ser estudada passo a passo, sem avanços
precipitados. Chegamos ao topo de nossa construção a partir de
uma base sólida que foram os axiomas e as idéias de ponto, reta e
plano. Você, aluno, verá que nosso edifício (geometria) comporta
mais alguns andares ainda, pois você terá pela frente, numa
próxima disciplina, toda a construção da geometria espacial.
186
geometria_I.indb 186
11/12/2007 16:41:24
Geometria I
Saiba mais
Você, aluno investigativo, pode aprofundar um pouco mais o
estudo sobre áreas e ver algumas demonstrações extras no livro
Geometria Euclidiana Plana. Para ser mais exato, o capítulo 10.
Lá, você encontrará as outras demonstrações das áreas de figuras
planas.
BARBOSA, João L. M. Geometria Euclidiana Plana. Rio de
Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática, 1985.
Atividades de auto-avaliação
1) As medidas de um retângulo são 8 cm e 5 cm. Calcule a área do
retângulo.
2) Um terreno retangular tem 18 m de frente por 25 cm de lateral. Qual é a
área deste terreno?
Unidade 4
geometria_I.indb 187
187
11/12/2007 16:41:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) O quadro-negro da sala de aula tem 5 m de comprimento por 1,50 m
de altura. Qual a área deste quadro-negro?
4) Calcule a área de um quadrado de 11 cm de lado.
5) Um terreno quadrado tem 22 cm de lateral. Qual é a área deste terreno?
188
geometria_I.indb 188
11/12/2007 16:41:24
Geometria I
6) Um anúncio de forma quadrada, com 7 cm de lado, é colocado em um
jornal. Se o cm2 de anúncio, neste jornal, custa $ 0,80, quanto custou
este anúncio?
7) Qual a área de um triângulo que tem 8 cm de altura e 4 cm de base?
8) Num triângulo, a base mede 12 cm e a medida da altura é igual à
metade da medida da base. Calcule a área do triângulo.
Unidade 4
geometria_I.indb 189
189
11/12/2007 16:41:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
9) Um piso de cerâmica é triangular. Sua base mede 30 cm e sua altura
mede 15 cm. Qual a área deste piso?
10) Um hexágono regular tem lado igual a 6 cm. Qual a área deste
hexágono?
11) Se uma pessoa der 4 voltas em uma pista de cooper circular, de 100 m
de raio, quanto terá percorrido essa pessoa?
190
geometria_I.indb 190
11/12/2007 16:41:24
Geometria I
12) Um arquiteto fez um projeto de uma casa. O dono pediu que a
principal sala da casa tivesse o formato de um hexágono regular,
onde cada lado do hexágono medisse 1 metro. Pergunta-se: sabendo
que o metro quadrado de piso porcelanato custa 50 reais, quanto se
gastará para cobrir o chão desta sala? Quantos metros de rodapé serão
gastos? Lembre-se: Um hexágono regular é formado de 6 triângulos
eqüiláteros.
13) Um jardineiro dispõe de 60 metros de arame para fazer o jardim de
uma casa. O dono pediu que o formato do jardim seja um triângulo
eqüilátero ou um quadrado, desde que ocupe a maior área possível. E
então: Qual a escolha do jardineiro? Mostre suas contas.
Unidade 4
geometria_I.indb 191
191
11/12/2007 16:41:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
14) O vento quebra uma árvore durante uma tempestade. A copa dessa
árvore encosta-se no solo a 10m da base. Sabendo que o ângulo
formado entre a copa da árvore e o solo é de 30°, a altura da árvore em
metros é:
Dados: tg 30° =
3
3
cos 30° =
3
2
sen30° =
1
2
15) Considere um círculo de raio 3 e um quadrado circunscrevendo o
círculo, como mostra a figura abaixo. Encontre a área em negrito na
figura. Lembre-se: a área do círculo é dada por A = π ⋅ r 2 .
192
geometria_I.indb 192
11/12/2007 16:41:24
Geometria I
16) Na construção de um trapézio, um matemático distraído esqueceu-se
de colocar as medidas dos lados, dando apenas a informação de que
uma das base excede a outra em 4 cm, que a área é de 40 cm² e altura
tem 5 cm. Quais as dimensões deste trapézio?
Unidade 4
geometria_I.indb 193
193
11/12/2007 16:41:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
17) Um grande empresário comprou um terreno. Numa parte deste
terreno, o mesmo pretende construir uma piscina que tenha 90m de
perímetro. O empresário pediu ao engenheiro que a piscina tivesse
a forma de um triângulo eqüilátero ou de um trapézio isósceles de
base maior 30 e base menor 10, já que adora figuras geométricas.
A única condição que o empresário impôs ao engenheiro é que a
escolha seja aquela figura que tenha maior área possível, para que seus
convidados possam desfrutar de uma grande piscina. Qual a escolha do
engenheiro? Mostre todas suas contas e coloque a resposta completa.
194
geometria_I.indb 194
11/12/2007 16:41:25
Geometria I
18) Qual a área do quadrado da figura abaixo, sabendo que o raio da
circunferência é 20 cm.
Unidade 4
geometria_I.indb 195
195
11/12/2007 16:41:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
20) Numa praça central de um pequeno país chamado Brasilis, o
presidente local resolveu fazer uma bandeira do País como decoração
central desta praça. Veja um esboço do desenho:
As dimensões desta bandeira são: o retângulo mede 8m por 6m; os
vértices do losango tocam os pontos médios dos lados do retângulo.
Quantos metros quadrados de ladrilhos foram gastos para compor a parte
do losango, sabendo-se que a circunferência central tem 2 m de raio? Os
lados deste losango serão feitos de mármore. Quantos metros de mármore
serão gastos?
196
geometria_I.indb 196
11/12/2007 16:41:25
Para concluir o estudo
Parabéns pela sua dedicação no estudo da geometria.
Você ‘ouviu’ histórias, conheceu teoremas, aprendeu
conceitos novos e teve que resolver vários exercícios. A
partir daqui, acreditamos, você terá uma nova visão sobre
a geometria, tanto no que se refere aos conceitos, quanto
a sua utilização.
Agora, o momento é de pensar em todo esse processo
para que você perceba como foi seu crescimento ao
longo desse período. Como você se dedicou com afinco
verá que seu conhecimento, em relação à geometria e a
própria matemática, mudou. A idéia de utilizar conceitos
“verdadeiros” para demonstrar novas conclusões é
fundamental para o estudo da Matemática.
Entender a construção da geometria ao longo de séculos
dá uma idéia de como a matemática é bela e rica.
Continue assim estudioso.
Abraços dos autores:
Kelen e Christian
geometria_I.indb 197
11/12/2007 16:41:25
geometria_I.indb 198
11/12/2007 16:41:25
Referências
BARBOSA, J. L. M.; Geometria Euclidiana Plana – Rio de Janeiro
– Sociedade Brasileira de Matemática, 1985. 190p.
BOYER, Caul B. História da Matemática. São Paulo: Editora
Edgard Blucher Ltda., 1996.
CASTRUCCI, B., Fundamentos da Geometria - Rio de Janeiro,
Livros Técnicos e Científicos, 1993.
C. WAGNER; C. COELHO. Geometria. Palhoça: Unisul, 2004
D. GUEDJ. O Teorema do Papagaio. São Paulo: Companhia das
Letras, 1999.
DOLCE, O.;Pompeo, J. N. Fundamentos da Matemática
Elementar, 9: geometria plana – 7 ed. São Paulo: Atual, 1993.
GERONIMO, J. R.; Franco, V. S.; Geometria Plana e Espacial, Um
Estudo Axiomático – Maringá, PR: Massoni, 2005. 305p. : il.
J. R. GIOVANNI; J.R. BONJORNO; J.R.G. JUNIOR. Matemática
Fundamental – 2º
grau: volume único. São Paulo: FTD, 1994.
J. R. GIOVANNI; J.R. BONJORNO. Matemática – Uma nova
abordagem – vol 2.
São Paulo: FTD, 2000.
M.C. F. R. FONSECA. O Ensino de Geometria na Escola
Fundamental. Belo
Horizonte: Autêntica Editora, 2001.
RICH, Barnett; Teoria e problemas de Geometria – 3 ed. Porto
Alegre: Bookman, 2003 9 Coleção Schaum).
geometria_I.indb 199
11/12/2007 16:41:25
geometria_I.indb 200
11/12/2007 16:41:25
Sobre os professores conteudistas
Christian Wagner - Bacharel em Matemática e
Computação Científica pela Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), em 1998. Mestre em FísicaMatemática pela Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), em 2001.
Professor substituto na Universidade Federal de Santa
Catarina, no período de 2001 a 2003. Professor horista
na Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL),
com início em 2001.
Teve participações no VII e VIII seminários de iniciação
científica, realizados na Universidade Federal de
Santa Catarina, na área de equações diferenciais, com
apresentação e publicação em anais.
É co-autor do livro Geometria e Tópicos Especiais de
Matemática, ambos utilizados pela UNISUL no curso
de Especialização em Educação Matemática. Co-autor
nos livros de Matemática Básica, Matemática Elementar
e Cálculo I, todos utilizados em disciplinas a distância na
UNISUL.
Leciona no curso de pós-graduação em Educação
Matemática na UNISUL. Também atua no Núcleo
de Estudos em Educação Matemática (NEEM),
especificamente nas atividades de ensino e extensão
voltadas para as dificuldades de aprendizagem da
matemática.
Kelen Regina Salles Silva - Graduada em Licenciatura
em Matemática, pela Universidade Estadual de
Maringá / UEM – PR (1986). Mestre em Engenharia
de Produção, na área de Pesquisa Operacional, pela
Universidade Federal de Santa Catarina / UFSC (1994).
geometria_I.indb 201
11/12/2007 16:41:25
Professora na Universidade do Sul de Santa Catarina /
UNISUL, desde 2004, ministrando disciplinas para os cursos de
Matemática, Engenharias. Ainda, como professora, trabalhou na
Universidade Estadual de Maringá / UEM - PR (de 1988 a 1990
e de 1993 a 1995); na Fundação Universidade Federal de Rio
Grande / FURG (1992 e 1993); e na Universidade do Vale do
Itajaí / UNIVALI (de 1998 a 2005).
Também atua no Núcleo de Estudos em Educação Matemática
(NEEM), em atividades de ensino e extensão voltadas às
dificuldades de aprendizagem da matemática, bem como em
atividades da UNISUL virtual, como professora conteudista e
tutora.
202
geometria_I.indb 202
11/12/2007 16:41:25
Respostas e comentários das
atividades de auto-avaliação
Unidade 1
1)
a) Ponto
b) Plano
c) Reta
2)
a) Nos dão noção de ponto, o furo feito por uma agulha e a
cabeça de um prego.
b) Nos dão noção de reta, as linhas divisórias de uma quadra de
futebol e uma corda esticada.
c) Nos dão noção de plano, a superfície de uma piscina e uma
folha de papel.
3) Resposta individual do aluno.
4) Resposta individual do aluno.
5)
a) Falso, podem ser não colineares.
b) Falso, podem determinar uma reta se forem colineares, ou
mais de duas retas se não forem colineares.
c) Verdadeiro se forem colineares.
d) Verdadeiro, pelo axioma II.
e) Verdadeiro, pelo axioma II.
f) Verdadeiro, pelo axioma I e II.
g) Verdadeiro pelo axioma III.
h) Verdadeiro. Pelo Teorema 1.1.
geometria_I.indb 203
11/12/2007 16:41:25
i) Verdadeiro, pela definição de retas concorrentes.
j) Verdadeiro. Pelo Teorema 1.1.
6)
a) Pelo axioma II, por dois pontos passa uma única reta, e por um desses
pontos passam infinitas retas pelo axioma III, logo essas retas se
interceptam.
b) Pelo axioma V, dado dois pontos A1 e A2 existe um ponto entre eles,
digamos C, e entre A1 e A3 , pelo mesmo axioma V, existe um ponto
e assim sucessivamente.
A4
7) Quatro retas, ou uma reta se todos os pontos forem colineares.
8) Três segmentos.
9) Que passam por A e B distintos existem infinitos. Mas que tem
extremidades neste ponto, um único segmento.
10)
11) Chamamos de a3 a coordenada do ponto médio A3 do segmento A2
A1 , então:
a3 =
1+ 2 3
=
2
2
Agora seja a4 a coordenada do ponto médio A4 do segmento A3 A2 ,
então:
3
7
+2
7 1 7
a4 = 2
= 2= ⋅ =
2
2 2 2 4
204
geometria_I.indb 204
11/12/2007 16:41:25
Da mesma forma seja a5 a coordenada do ponto médio A5 do
segmento A3 A4 , então:
3 7 13
+
2
4 = 4 = 13 .
a5 =
2
2
8
12) Resposta do aluno.
13) Como M é o ponto médio de AB , então
AB = AM + MB = x + 3 + 2 x − 5 = 3 x − 2
14) Basta desenhar uma reta em uma folha de papel, em seguida dobre
a folha de papel de tal maneira que uma extremidade do segmento
coincida com o outro. Agora basta desenhar uma reta na dobra de
papel.
15) Sejam a e b os ângulos procurados. Temos que a + b = 90, já que são
complementares.
Seja 180 - b o suplemento de b e 180 - a o suplemento de a. Agora
digamos que o suplemento de a mede tanto quanto o suplemento de b
mais 30, logo,
180 – a = 180 –b + 30
a = b - 30 (1)
Como a + b = 90, então substituindo (1) nesta equação temos:
b – 30 + b
2b = 120 ⇒ b = 60
Mas como a + b = 90, então a + 60 = 90 e então a = 30
16)
a) Verdadeiro, pela própria definição de ângulo.
b) Falso mede 180°
c) Verdadeiro pela definição.
d) Falso, transferidor.
e) Verdadeiro pela definição.
f) Falso, é o contrário.
205
geometria_I.indb 205
11/12/2007 16:41:26
g) Verdadeiro pela definição.
h) Falso pois sua soma é de 150° e não de 180°.
i) Verdadeiro.
j) Verdadeiro pela definição.
17) Seja a um ângulo e 180 – a o seu suplemento. Por hipótese ambos tem
a mesma medida, então:
a = 180 - a
Resolvendo esta equação obtemos:
2a = 180
a = 90
Ou seja, se um ângulo e seu suplemento tem a mesma medida, então este
ângulo é de 90°, isto é, é um ângulo reto.
18) Seja a, um ângulo agudo, ou seja a < 90 e seja b = 180, o seu
suplemento. Vejamos:
Se a< 90, então - a > - 90, agora vamos somar 180 em ambos os lados da
desigualdade:
180 – a > 180 – 90
180 –a > 90
Mas 180 – a = b é o suplemento de a, e como é maior que 90°, segue que
o suplemento é um ângulo obtuso, como queríamos demonstrar.
19) Seja x um ângulo qualquer.
(a) Assim o seu suplemento é 180 - x, portanto o seu triplo é dado por
3 ⋅ (180 − x)
(b) O complemento de x é dado por 90 - x e portanto sua sétima parte é
dada por
90 − x .
7
(c) A terça parte do ângulo x é
parte é 90 −
x
.
3
x
e portanto o complemento da terça
3
206
geometria_I.indb 206
11/12/2007 16:41:26
20) Sejam a e b dois ângulos, como a e b são complementares então a + b
= 90. Suponha que a é o maior ângulo, assim a = 4b. Portanto temos o
seguinte sistema:
a + b = 90

a = 4b
Substitua a segunda equação na primeira. Então:
4b + b = 90, ou seja, 5b = 90 e portanto b = 18. Como a = 4b, segue que
a = 4 ⋅18 = 72 . Então os ângulos procurados são a = 72 e b = 18.
21) Sejam dois ângulos a e b, tal que a + b = 180. Suponha a como o
ângulo menor. Como a medida do menor é metade do maior, então
b . Portanto temos:
2
a + b = 180


b
a = 2
a=
Substituindo a segunda equação na primeira, obtemos:
3b
b
+ b = 180 ⇒
= 180 ⇒ 3b = 360 ⇒ b = 120
2
2
.
Como a =
b
120
, então a =
= 60 . Logo os ângulos procurados são
2
2
a = 60 e b = 120.
22) Sejam dois ângulos a e b, tal que a + b = 180. Suponha que a seja o
ângulo maior. Portanto de acordo com o enunciado a = 3b - 20. Assim
temos o seguinte sistema:
a + b = 180

a = 3b − 20
Substituindo a segunda equação na primeira, temos:
3b − 20 + b = 180 ⇒ 4b = 200 ⇒ b = 50 . Logo:
a = 3 ⋅ 50 − 20 ⇒ a = 130 .
207
geometria_I.indb 207
11/12/2007 16:41:26
23) Pelas hipóteses do problema temos
Portanto:
+
= 180° e que
.
+ = 180
2 ⋅ = 180
= 90
E assim temos também que = 90 , ou seja, ambas as retas
interceptam a terceira reta em um ângulo de 90°, isto é, as retas são
perpendiculares.
24)
(a) Falso.
(b) Falso. Pode ter um terceiro segmentos entre eles.
(c) Verdadeiro pela própria definição.
(d) Falso, pois seria necessário que fossem consecutivos.
(e) Verdadeiro pela própria definição.
(f) Falso, pois para ser adjacente é necessário que seja colinear também.
25) A demonstração desse teorema se divide em duas partes:
1a. (Existência da Perpendicular)
Dadas duas retas r e t distintas, que se interceptam em um ponto P.
Sejam A um ponto de r e B um ponto de t. Tomando r1 uma semi-reta
de r com origem em P e que passa por A e t1 uma semi-reta de t que
passa por B. Pelo axioma IX “existe uma correspondência biunívoca
entre 0o e 180o e as semi-retas de mesma origem”. Assim, o ângulo
ˆ pode ser um ângulo congruente ao ângulo de 90o , ou seja m(
APB
ˆ )= 90o e com isso as retas r e t são perpendiculares.
APB
2a. (Unicidade da Perpendicular)
Suponha que além de t, perpendicular a r, exista uma outra reta s,
distinta de r e t passando por P e também perpendicular a r. Seja C um
ponto de s, assim:
Se:
•
ˆ ) = 90o
t é perpendicular a r então m( APB
•
ˆ )= 90o
s é perpendicular a r então m( APC
Ora, se as retas r, s e t são distintas a conclusão acima é um absurdo.
Logo só existe uma reta perpendicular a r passando por P.
208
geometria_I.indb 208
11/12/2007 16:41:27
Unidade 2
1)
A. Verdadeiro, pois como um triângulo eqüilátero tem os três lados
congruentes ele satisfaz a condição de triângulo isósceles, ter dois
lados congruentes;
B. Falso, pois um triângulo isósceles só tem dois lados congruentes e para
ser eqüilátero precisa ter três lados congruentes;
C. Verdadeiro, pois existem duas classificações, uma em relação ao
tamanho dos lados e outra em relação aos ângulos. Um triângulo pode
ter dois lados congruentes e um ângulo reto;
D. Verdadeiro, pois um triângulo pode ter dois lados congruentes e um
ângulo maior que 90o.
E. Falso, pois para que dois triângulos sejam congruentes não basta que
tenham um dos ângulos congruentes;
F. Falso, pois um triângulo eqüilátero tem os três lados congruentes entre
si, isso não garante que outro triângulo eqüilátero tenha os lados
congruentes aos lados desse primeiro triângulo;
2) Como o triângulo é isósceles, os lados adjacentes á base são
congruentes, ou seja:
x + 2 = 8 ⇒ x = 8-2 ⇒ x = 6
3) Como o triângulo dado é eqüilátero, então os três lados são
congruentes, ou seja:
15-2y= 3x-8=7 ⇒ 15 – 2y=7 ⇒ -2y=7 – 15 ⇒ -2y=-8 (-1) ⇒ 2y=8⇒ y=4
e
3x – 8 = 7 ⇒ 3x = 7 + 8 ⇒ 3x = 15 ⇒ x =15/3 ⇒ x = 5
4) Como os triângulos são eqüiláteros, então os três lados são
congruentes, ou seja:
Triângulo I: 2a + 1=4a – 3=b ⇒ 2a+1=4a - 3⇒ 2a – 4a=-3 – 1⇒ -2a=- 4
(-1) ⇒ 2a = 4 ⇒ a = 4/2 ⇒ a = 2
e
2.2 + 1 = b ⇒ b = 4 + 1 ⇒ b = 5
Triângulo II: a + b = a + 4 = b + 3 ⇒
a+ b = a+ 4
⇒a+b–a=4⇒b=4
a + 4 = b+ 3
a = b + 3 - 4⇒ a= 4 + 3 – 4⇒ a = 3
209
geometria_I.indb 209
11/12/2007 16:41:27
5) Observe a figura:
Como
num
triângulo isósceles os
ângulos da base são congruentes:
2x – 40o = x + 20o ⇒ 2x – x = 20o + 40o ⇒ x = 60o
6) Perímetro é a soma dos lados, então se o triângulo é eqüilátero vamos
chamar o comprimento do lado de x, logo 3x = 45 ⇒ x = 45/ 3 ⇒ x = 15 cm.
7) Pelo enunciado do problema podemos esboçar o seguinte triângulo:
Se o perímetro é igual a 100 cm, podemos escrever:
2x + 30 = 100⇒ 2 x =100 - 30 ⇒ 2x = 70 ⇒ x =35 cm
8) Pelo teorema de Pitágoras, num triângulo retângulo, se a é a medida da
hipotenusa e c e b são as medidas dos catetos, temos:
a 2 = b 2 + c 2 Þ a 2 = 42 + 32 = 16 + 9 = 25 Þ a 2 = 25 Þ a =
25 Þ a = 5cm
9) Das relações trigonométricas no triângulo retângulo, se θ é um ângulo
não reto de um triângulo retângulo, temos:
cateto adjacente
cateto oposto
cateto oposto
cos =
tg =
;
;
hipotenusa
hipotenusa
catetoadjacente
Assim:
sen =
Triângulo I:
sen
=
3
1
3
;cos = ; tg =
sen
2
2
1
=
1
;cos
2
=
3
; tg
2
=
1
3
3
.
=
3
3 3
210
geometria_I.indb 210
11/12/2007 16:41:27
Triângulo II:
1
3
3
;cos =
× =
3
3 3
sen =
sen
2 3
6
× =
;cos
3
3 3
=
=
2 3
6
1
2
2
; tg =
× =
× =
3
2
3 3
2 2
1
3
3
× =
; tg
3
3 3
2
1
=
Triângulo III:
sen =
sen
=
2
2 2
×
2
2
2
2
2
2
;cos =
; tg = = 1
=
× =
2
2
2
2
2 2 2
×
2
2
=
;cos
2
2
2
2 2
=
2
2 2
×
2
2
=
; tg
2
2
2
=1
2
=
10) Esboçando o problema:
60
x
10
3
x
10
10 3
Então a altura da chaminé é 10 3 metros
x
11) Dado um ABC com catetos x e y , se =
pelas medidas dos ângulos notáveis: y
tg 60° =
ˆ x
3 e tg B = y =
3 , como
3 , então m( Bˆ ) = 60°
x
y
1
3
3
= 3 , então =
× =
y
x
3
3 3
y
3
Como tg Cˆ = =
e pela medida dos ângulos notáveis
x
3
3
tg 30° =
3
Concluímos que m(Cˆ ) = 30°
Por outro lado, se
211
geometria_I.indb 211
11/12/2007 16:41:28
12) Esboçando o problema, podemos ver dois triângulos I e II:
Sejam x a distância entre a pessoa e o edifício e y a altura do edifício em
relação aos olhos da pessoa.
y
x
Do triângulo I: tg 60
y
x
3
y
3x
Do triângulo II:
tg 30
y
x + 100
3
3
y
x + 100
3y
3x
3 100
Igualando as duas conclusões temos:
3 3x
3x
3100
(3 3 x
3x
3100) / 3
3x
x 100
3x
x 100
2 x 100
x = 50
Então a distância inicial entre a pessoa e o edifício é de 50 metros e a
altura do edifício é de ( 50 3 + 1, 70 ) metros.
13) Dado um triângulo ABC, suponha que os ângulos  e B̂ desse
triângulo não sejam agudos, ou seja m( Aˆ ) > 90° e m( Bˆ ) > 90° . Se
somarmos as medidas desses ângulos teremos m( Aˆ ) + m( Bˆ ) > 180°
o que é absurdo, pois pelo teorema 2.4, a medida de quaisquer dois
ângulos internos de um triângulo é menor que 180o.
Logo, um triângulo não pode ter dois ângulos internos obtusos.
14) Dada um triângulo ABC, com B̂ ≡ Cˆ . Considere um triângulo
ACB cujos pontos A, B e C estão associados aos pontos A, C e B
respectivamente. Comparando esses triângulos observamos que:
B̂ ≡ Cˆ , BC ≡ CB e Cˆ ≡ Bˆ , pelo caso 2 de congruência de triângulos,
ALA concluímos que ∆ABC ≡ ∆ACB e assim os lados AB e AC são
congruentes.
Portanto o triângulo ABC é isósceles.
212
geometria_I.indb 212
11/12/2007 16:41:29
15) a) São congruentes, caso LLL; b) Não são congruentes, pois o cateto de
um triângulo é congruente à hipotenusa do outro; c) São congruentes
por dois casos ALA e LAL.
16) São congruentes os triângulos: I e IV caso LAL, II e VII caso LAL, III e
VIII caso LAAo, V e VI caso especial triângulo retângulo.
17) a) Como a diagonal do retângulo é a hipotenusa dos dois triângulos,
eles serão congruentes se os ângulos adjacentes á hipotenusa forem
congruentes. Assim:
3y = 66o ⇒ y = 66o / 3 ⇒ y = 22o
2x = 24º ⇒ x = 12o
b) Os dois triângulos I e II têm um dos lados comum, para que eles sejam
congruentes, os demais lados devem ser congruentes também, assim:
3 x = 2 y + 5
⇒ x = 3y - 3

x + 3 = 3y
Substituindo na primeira equação 3 ( 3y – 3) = 2y + 5
⇒ 9y – 9 = 2y + 5 ⇒ 9y – 2y = 5 + 9 ⇒ 7y = 14 ⇒ y = 2
ex = 3. 2 – 3 = 6 – 3 ⇒ x = 3
18) Como os triângulos ABC e ADE são congruentes, concluímos que:
a)
y + 2 = 3y – 12 ⇒ y – 3y= -12 -2 ⇒ 2y = 14 ⇒ y = 7
e x + 5 = 10⇒ x = 10 –5 ⇒ x = 5
y − 6 = 3x + 6
⇒ 4x – 6 = 3x + 6 ⇒ 4x – 3x= 6 + 6 ⇒ x = 12
b) 

4 x = y
y = 4x ⇒ y = 4.12 ⇒ y = 48
19)
A.(V) caso LLL ou caso LAL ou caso ALA;
B.(V) caso LAL ou caso LAAo ou ALA;
C.(F) não existe o caso de congruência AAA;
D.(V) caso ALA ou caso LAAo;
213
geometria_I.indb 213
11/12/2007 16:41:30
20) Para mostrar que uma afirmação não é verdadeira, podemos mostrar
que ele falha para algum exemplo, ou seja, se não vale para um caso
não podemos garantir que vale para todos. Por isso vamos apresentar
um contra exemplo para cada um dos casos ALL e AAA:
Caso ALL: Observe que os triângulos ABC e DEF possuem congruência
ALL, mas não são congruentes.
Caso AAA: Observe que os triângulos MNO e PQR possuem congruência
AAA, mas não são congruentes.
21)
A. Verdadeiro, pois baricentro é o ponto de interseção das três medianas
do triângulo.
B. Verdadeiro, pois num triângulo eqüilátero os lados são congruentes e
as medianas coincidem com as retas suportes das alturas do triângulo.
C. Falso, pois um triângulo retângulo possui um ângulo reto e dois
ângulos agudos, e as retas suportes relativas às alturas se encontram no
interior do triângulo.
D. Verdadeiro, pois num triângulo obtusângulo o ortocentro se obtém
prolongando as alturas, fora desse triângulo.
B
A
C
O
214
geometria_I.indb 214
11/12/2007 16:41:30
E. Falso, pois o circuncentro é o ponto de intersecção das três mediatrizes
dos lados de triângulo, e como o triângulo é isósceles essas mediatrizes
se interceptam no interior do triângulo.
22) Dado um triângulo retângulo ABC reto em A.
Pelo corolário do teorema 2.4, todo triângulo possui pelo menos 2
ângulos internos agudos, neste caso se m( Aˆ ) = 90° então os ângulos
agudos são B̂ e Ĉ , ou seja m( Bˆ ) < 90° e m(Cˆ ) < 90°
Seja α o ângulo externo adjacente a Ĉ e β o ângulo externo adjacente
a B̂ . Como, um ângulo externo e o interno adjacente a ele são
suplementares, temos:
m(Cˆ ) m(a ) 180
m(a ) 90
m(Cˆ ) 180
m( a )
90
m( a )
90
180
m( a )
90 ( 1)
analogamente:
m( Bˆ ) m( b ) 180
m( b )
m( Bˆ ) 180
m( b )
90
m( b )
90
180
m( b )
90 ( 1)
90
Portanto α e β são obtusos.
23) Observe a figura:
Você mesmo pode construir a figura utilizando o software CabriGeomètré
215
geometria_I.indb 215
11/12/2007 16:41:30
24) Observe na figura os triângulos ABC e DEF:
Você mesmo pode construir a figura utilizando o software CabriGeomètré
Unidade 3
1)
a) Como as retas r e s são paralelas, pelo teorema 3.1: x = 40o
Assim x – 30o + 2x = 180o ·
b) Pelo teorema 3.1:
3x = 180o + 30o ⇒ 3x = 210o ⇒
x = 210o / 3 ⇒ x = 70o
2)
a) Pela figura:
x = 75 o e x + y = 180o ⇒ 75o + y = 180o ⇒ y = 180o – 75o ⇒ y = 105 o
b)
2 x = y + 10°
2 x 3 x 20
2.20
2 x 3x
y 10
40
20
10
x
y
20
y
30
3)
a) Como a soma das medidas dos ângulos internos de um triângulo é
igual a 180o, então: 90o + x + 60o = 180o
b) O ângulo interno oposto ao ângulo que mede 60o, também mede 60o,
assim:
x + 60o + 55o = 180o ⇒ x = 180o – 115o ⇒ x = 65o
216
geometria_I.indb 216
11/12/2007 16:41:31
c) Somando as medidas dos ângulos internos do triângulo, temos:
2x + x + x - 200 = 180o⇒ 4x = 180o + 20o ⇒ 4x = 200o ⇒ x = 200o / 4 ⇒ x = 50o
4)
a) Como o triângulo é isósceles, os ângulos da base são congruentes,
assim:
x + 10o = 30o ⇒ x = 30o – 10o ⇒ x = 20 o
Somando as medidas dos ângulos internos do triângulo:
y + 30o + 30o = 180o ⇒ y = 180o – 60o ⇒ y = 120o
b) Observe a figura, como os triângulos são isósceles, os ângulos das
bases são congruentes, assim:
x + y = 2 y - 20°
x + 2 y + x + y + y - 20° = 180°
x - y = - 20°
2 x + 4 y = 200°
x = y - 20º ⇒ 2 ( y - 20º ) + 4y = 200º ⇒
2y – 40º + 4y = 200º ⇒ 6y = 200º + 40º ⇒
6y = 240º ⇒ y = 240º / 6 ⇒ y = 40º
x = 40º - 20º ⇒ x = 20º
5) Esboçando o triângulo
x + ( 180o – 2x ) + ( 180o – 2x) = 180o ⇒
x – 2x – 2x = 180o – 180o – 180o ⇒
-3x = - 180o ⇒ x = 60 o
217
geometria_I.indb 217
11/12/2007 16:41:31
6) Dado um triângulo eqüilátero ABC, então os lados são congruentes e
conseqüentemente os ângulos internos também são congruentes. Seja
x a medida de cada um dos ângulos. Então 3x = 180o ⇒ x = 180o / 3⇒ x =
60o.
7) Sejam as medidas dos ângulos x, y e z, então:
x
y
y
z
3
4
4
5
x y
x=
x
z
z
3y
4
5y
4
180
3y
4
y
5y
4
3.60° 180°
=
= 45°
4
4
3y
180
z=
4y 5y
720
12 y
720
y
60
5.60° 300°
=
= 75°
4
4
8) Esboçando a figura:
x
y
4
5
5x
E
y
50º
4y
4y
5
4y
5
x
y
9) Se um triângulo é eqüilátero então os ângulos internos são
congruentes, ou seja:
x+ 15 o = 3x – 75o = 2x – 30o, assim
x 15 3 x 75
3 x 75 2 x 30
x 3x
75 15
3x 2 x
30 75
2x
x
90
45
x
45
Como os dois valores coincidem, concluímos que para que a medida
dos ângulos internos é 60o
218
geometria_I.indb 218
11/12/2007 16:41:31
10) Se a = 12 e c = 3 então:
11)
a
b
a) 30 = 3
20
b
c
b)
2
12
b
b
3
b2
36
5, 2 26
=
0, 6 3
b
c)
6
4
4 2
= × =8
1
1 1
2
12) Pelo Teorema de Tales:
a)
3
x
4
8
b)
2x + 3
5x- 1
4x
4
7
24
14 x 21
x
6
20 x 4
14 x 20 x
4 21
6x
25
x
25 / 6
13) Pelo Teorema 3.3
x- 6
x
6
9
9 x 54
6x
9x 6x
54
3x
54
x 18
14) Esboçando a figura:
Utilizando a somas das medidas dos segmentos, e aplicando o teorema de
Tales:
x 70
35 x 560 x 16cm
8 35
y 70
35 y 770 y 22cm
11 35
z 70
oux y z 70 16 22
16 35
z 70 38 z 32cm
z
70
15)
a) Para que os triângulos sejam semelhantes, a razão entre os comprimentos
dos lados correspondentes deve ser a mesma, assim:
A razão de semelhança pode ser obtida em função dos comprimentos
20
= 2 , logo a razão entre os comprimentos
10
32
2 y 32 y 16
dos lados AC e DF deve ser k 2
y
dos lados BC e EF : k =
219
geometria_I.indb 219
11/12/2007 16:41:32
, analogamente entre os comprimentos dos lados AB e DE também
k
2
26
x
2x
26
x 13
16) Pela figura:
Se M é ponto médio de AB então AM = MB , analogamente, se N é
ponto médio de AC , AN= NC.
Fazendo: AM =MB = x ⇒ AB = 2x e AN =NC = y ⇒ AC = 2y ⇒
Pelo caso 2, de semelhança como o ângulo  é comum
Então:
aos triângulos ABC e AMN, e os lados AB e AM são proporcionais
assim como os lados AC e AN , então temos que os triângulos ABC e
AMN são semelhantes
AB 2 x
=
=2
AM
x
AC 2 y
=
=2
NC
y
17) Sejam os triângulos da figura:
Como, por hipótese os triângulos ABC e DEF são semelhantes, e se k é a
razão de semelhança.
a
d
c
f
b
e
k
a = kd
c kf
b = ke
Por outro lado:
O perímetro do triângulo ABC é (a + b + c) e o perímetro do triângulo
DEF é (d +e+ f)
Assim a razão entre os perímetros é:
220
geometria_I.indb 220
11/12/2007 16:41:33
a + b + c kd + kf + ke k (d + e + f )
=
=
= k , o seja a razão entre os
d + e+ f
d + e+ f
d + e+ f
perímetros também é igual a k.
18) Sejam os triângulos da figura:
Sabemos que x + y + z = 30 e
4 + 5 + 6 = 15 .
x
Por outro lado a razão entre os lados é
4
y
5
z
6
k
x = 4k
y 5k
z = 6k
Então a razão entre os perímetros dos triângulos ABC e DEF é
x+ y+ z
15
4 k + 5k + 6 k
15
15k
15
30
15
15k
30
k
30
15
2
Como o menor lado é x , temos que x = 4.2 = 8 cm.
19) Utilizando as relações métricas no triângulo retângulo: Se h é a altura
do triângulo retângulo relativa a hipotenusa a, m é a projeção do cateto
c sobre a hipotenusa e n a projeção do cateto b sobre a hipotenusa,
temos
No caso a): h = 6, m = x e n = 9, como h2 = m.n ⇒ 62 = x.9⇒ x = 36/9 ⇒ x
=4
No caso b): h = x, m = 3 e n =12, h2 = m.n⇒ x2 = 12.3⇒ x2 = 36 ⇒ x =6
No caso c): c = x, m = 3 e n =9, como a = m+ n ⇒ a = 12 e c2 = a.m⇒ x2 =
12.3⇒
x2 = 36 ⇒ x =6
No caso d): c = 8, m = 4 e n = x ⇒ a = m+n ⇒ a = 4 + x ⇒ 82 = (4+x)4⇒
64 =16 + 4x ⇒ 4x = 64 - 16 ⇒ 4x = 48 ⇒ x = 12
221
geometria_I.indb 221
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20) Esboçando o triângulo:
Como a = 6, c = 5 e b = 4, pela conclusão bc = ah:
6h = 5.4⇒ 6h= 20 ⇒ h = 20/6 = 10/3 cm
Unidade 4
1) A = 8.5 = 40 cm2
2) A = 18.25 = 450 m2
3) Aq = 2 = 5. 1,5 = 7,5 m² .
4) Aq = l ² = 11² = 121 cm ² .
5) Atq = l ² = 22² = 484 m ² .
6) Primeiramente calculamos a área ocupada pelo anúncio que é um
quadrado:
Aa = 7² = 49 cm² .
Então o valor do anúncio é dado por:
Valor = 0,80 . 49 = $ 39,20
Assim gasta-se R$ 39,20 para a publicação do anúncio.
7) A =
b´ h 4 . 8
=
= 16 cm²
2
2
8) Como a altura é metade da medida da base temos:
h=
Então A=
9) Ap =
10) Ah =
b 12
=
= 6 cm
2 2
12 . 6
= 36 cm² .
2
30 . 15
= 225 cm² .
2
3 A2
2
3
=
3 . 62
2
3
= 54 3 cm ².
222
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11) O comprimento da pista é o comprimento de uma circunferência,
portanto:
Assim para cada volta a pessoa anda cerca de:
Para quatro voltas temos:
2,51 km.
, ou ainda
12) Primeiramente necessitamos calcular a área de um hexágono de lado
1 m.
A=
3 A2
2
3
=
3. A 2 3
= 2,59 m²
2
Portanto como o custo do metro quadrado é R$ 50,00, o valor gasto
para cobrir o chão desta sala é:
Valor = 2,59 x 50 = 129,5 reais
Gastou-se para cobrir o chão o valor de R$ 129,5.
13) Se o jardim for em formato de um triângulo eqüilátero os 60 metros de
arame formarão um triângulo de lado de 20 metros. Assim calculando
sua área temos que primeiramente calcular a altura deste triângulo:
202 = 102 + h 2
h 2 = 400 - 100
h=
300
h = 10 3
Portanto a área do triângulo é dada por:
A=
b ´ h 20 ´ 10 3
=
= 100 3 = 173, 20 m²
2
2
Já se o jardim tiver o formato de um quadrado, os 60 metros de arame
formarão um quadrado com lado de 15 metros. Então a área deste
quadrado será:
A = l 2 = 152 = 225 m²
Assim o jardineiro escolherá o jardim em forma de quadrado.
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14)
Chame de a o pedaço da árvore entre o ponto de quebra e o pé da
arvore e b o pedaço de árvore entre o ponto de quebra e a copa da
árvore.
Temos então
cos 30º
10
b
3
2
10
b
3b
20
b
20
3
11,54 m
Assim acabamos de encontrar o pedaço da árvore que se encontra
entre o ponto de quebra e a copa da árvore. Para calcular o pedaço da
arvore que sobrou em pé, usamos o teorema de Pitágoras:
11,542 = a 2 + 102
a 2 = 33.17
a = 33.17
a = 5, 75
Então a altura da árvore é soma de a e h. Portanto
h = a + b = 5, 75 + 11,54 = 17, 29 m
15) Neste caso basta fazer a área do quadrado menos a área do círculo.
Como o circulo esta inscrito no quadrado, então o lado do quadrado é
o diâmetro do círculo, assim l = 2r = 2 ´ 3 = 6 .
2
2
Área do Quadrado: AQ = l = 6 = 36
Área do círculo: AC =
´ r2 =
´ 32 = 9 = 28, 26
Então a área em negrito é: AN = AQ - AC = 36 - 28, 26 = 7, 74
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16) Chame de b a base menor e B a base maior, como uma das bases
excede a outra em 4 cm, temos: B = b + 4. A altura h = 5 cm e a área A =
40 cm².
A área do trapézio é dada por:
( B + b) ´ h
2
(b + 4 + b) ´ 5
40 =
2
80 = (2b + 4) ´ 5
80 = 10b + 20
10b = 60
b= 6
A=
Assim se a base menor mede 6 cm, então a base maior mede:
B = b + 4 = 6 + 4 = 10 cm.
Portanto as dimensões do trapézio são b = 6 e B = 10.
17) Se a piscina for em forma de um triângulo eqüilátero, cada lado deste
triângulo terá 30 m, já que o perímetro é 90 m. então necessitamos
primeiramente calcular a altura deste triângulo:
302 = 152 + h 2
h 2 = 900 - 225
h=
675
h = 15 3
Logo a área deste triângulo é dada por:
A=
b ´ h 30 ´ 15 3
=
= 225 3 = 389, 71 m²
2
2
Um trapézio isósceles é aquele cujos lados tirando a base maior e
menor, são iguais:
225
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Logo cada um dos lados mede 25 m, já que o total do perímetro é 90
m. Necessitamos calcular a altura deste trapézio e, portanto utilizamos
o teorema de Pitágoras:
252 = 102 + h 2
h 2 = 125
h = 125
h= 5 5
Logo a área do trapézio é dado por:
AT =
( B + b)h (30 + 10)5 5
=
= 100 5 = 223, 60 m²
2
2
.
Neste caso a maior área é a do triângulo, assim a piscina terá um forma
triangular.
18) Se o raio deste circulo é 20 cm, a diagonal do quadrado que passa
pelo centro da circunferência é o próprio diâmetro desta circunferência
e, portanto a diagonal do quadrado mede 40 cm. Note que a diagonal
do quadrado juntamente com dois de seus lados forma um triângulo
retângulo, então chamando de l o lado deste quadrado e de d a
diagonal do quadrado temos:
d 2 = l2 + l2
d 2 = 2l 2
d2
l =
2
2
40
l2 =
= 800
2
2
Mas l² é a própria área do quadrado, o objetivo do exercício. Assim a
área do quadrado é de 800 cm².
19) O que devemos fazer é calcular a área deste losango e diminuir da área
do círculo. Note que a diagonal maior deste losango mede exatamente
o lado maior do retângulo, 8m. Já a diagonal menor do losango mede
exatamente o menor lado do retângulo, 6m. Assim temos que a área do
losango é:
AL =
D d 8.6
=
= 24 m²
2
2
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Já a área do círculo é dada por:
AC =
´ r2 =
´ 2 2 = 4 = 12, 56 m²
Assim a área coberta de ladrilhos
ALa = AL - AC = 24 - 12,56 = 11, 43 m²
Agora necessitamos saber quanto de mármore será gasto para cobrir o
lado deste losango. Note pela figura os lados dos losangos formam com
os lados do retângulo 4 triângulos retângulos, onde os catetos destes
triângulos medem 4m e 3m, pois o lado do losango toca o retângulo
exatamente no ponto médio, portanto cada lado destes triângulo é
metade do lado do retângulo. Assim, usando o teorema de Pitágoras e
chamando de l o lado deste losango temos:
l 2 = 42 + 32 = 25 , então l = 5. Como o losango tem todos os lados
iguais, então o perímetro deste losango é: PL = 4 ´ 5 = 20 . Logo serão
gastos 20 m de mármore para cercar este losango.
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