CENTRO UNIVERSITARIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANA LEE PEREIRA DE ALBUQUERQUE RESPONSABILIDADE SOCIAL: um estudo de caso junto ao Banco do Brasil S.A – Agência de Santa Rita na Paraíba João Pessoa 2008 2 ANA LEE PEREIRA DE ALBUQUERQUE RESPONSABILIDADE SOCIAL: um estudo de caso junto ao Banco do Brasil S.A – Agência de Santa Rita na Paraíba Monografia apresentada ao curso de Administração de Empresas do centro Universitário de João Pessoa, em cumprimento às exigências parciais para obtenção do titulo de bacharel em Administração. ORIENTADOR: Prof. Ms. Paulo Francisco Monteiro Galvão João Pessoa - PB 2008 3 ANA LEE PEREIRA DE ALBUQUERQUE RESPONSABILIDADE SOCIAL: um estudo de caso junto ao Banco do Brasil S.A – Agência de Santa Rita na Paraíba Monografia apresentada ao curso de Administração de Empresas do centro Universitário de João Pessoa, em cumprimento às exigências parciais para obtenção do titulo de bacharel em Administração. Aprovada em ____/____/2008 BANCA EXAMINADORA _____________________________________ Prof. Ms. Paulo Francisco Monteiro Galvão Orientador ______________________________________ Prof. Ms. Reginaldo Cipriano dos Santos Examinador _________________________________________________ Prof.ª Ms. Ana Flávia Uzeda dos Santos Macambira Examinadora 4 Dedico este trabalho aos meus pais, Belarmino J. P. de Albuquerque e Jacira D. de Santana e ao meu filho Daniel G.V.S. Filho, por toda dedicação e incentivo, e a todos que contribuíram para meu crescimento pessoal e profissional. 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente venho agradecer a Deus por está graça que foi tão difícil de alcançar, mas que sentir a presença dele em cada momento segurando a minha mão e me dando forças, sabedoria e discernimento para que pudesse ultrapassar todas as barreiras e obstáculos que ia surgindo em minha vida, e erguia minha cabeça e encorajando-me cada vez que algo surgia para me desanimar, e iluminando as minhas idéias sempre que sentia alguma dificuldade. No decorrer de nossas vidas, vão passando pessoas e começamos a notar que existem pessoas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho, e por tem lhe estimulado de alguma forma e por isso venho a agradecer a todos que colaboraram e incentivaram enquanto desenvolvia minha monografia e até mesmo no decorrer da minha graduação. Quero agradecer e dizer que são pessoas muito importantes como meus pais Belarmino J. P. de Albuquerque e Jacira Diniz de Santana, meu filho Daniel G. V.dos S. Filho, meus irmãos Belarmino J.P. de Albuquerque Jr., Bruce Lee P. de Albuquerque, Emerson José Martins por torcerem e estarem sempre ao meu lado me ajudando e dando forças, aos meus parentes e amigos mais próximos. Aos funcionários do Banco do Brasil agência Santa Rita que me deram força e me ajudaram no projeto de pesquisa e colaboraram de todas as formas, do gerente ao pessoal que trabalham na limpeza da agência. Aos funcionários do Cendac que contribuíram para que esta etapa da minha vida se concretizasse. Agradeço ao meu Orientador Profº Ms. Paulo Galvão por ter aceitado meu convite para me orientar e está sempre disponível para tirar as minhas dúvidas. Agradeço a profª. Nilza por me acompanhar nessa etapa e sempre me orientar na pesquisa e por toda sua paciência e dedicação. Agradeço também aos demais professores que estiveram me dando forças, incentivando e contribuindo para o meu aprendizado e crescimento profissional e pessoal. Agradeço aos meus colegas de turma, os quais não serão esquecidos jamais, pois se tornaram pessoas importantes na minha vida. Aos adolescentes trabalhadores que contribuíram para que essa pesquisa obtivesse êxito e por serem instrumentos de pesquisa. 6 E por fim agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para que esse sonho pudesse se tornar realidade. 7 ALBUQUERQUE, Ana Lee Pereira. Responsabilidade social: um estudo de caso junto ao Banco do Brasil S.A – Agência de Santa Rita na Paraíba, 66fls. Monografia (Graduação em Administração) – Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. RESUMO A responsabilidade social é um tema que está sendo muito discutido atualmente e vem gerando uma grande polêmica com relação a sua importância na sociedade e para quem pertence a responsabilidade pelo social. este trabalho abordou a responsabilidade social junto ao Banco do Brasil, e teve como objetivo analisar o grau de responsabilidade social do Banco do Brasil agência de Santa Rita em torno do relacionamento dos públicos interno e externos com a organização. Os procedimentos metodológicos utilizados nesta pesquisa foram, questionários constituído de questões do tipo objetiva. A pesquisa foi bibliográfica, caracterizando como estudo de caso do tipo descritiva, utilizando questionários que foram aplicados aos funcionários do Banco do Brasil agência de Santa Rita (PB), aos funcionários do órgão do governo (Cendac), e aos adolescentes trabalhadores que participam do projeto. Foi constatado que a organização tem um bom relacionamento com o CENDAC e com os Adolescentes e que desenvolve projetos ação social e a missão da empresa faz referencia a responsabilidade social contribuindo para o desenvolvimento social. Palavras-chave: Responsabilidade Social, Sustentabilidade, Ética Empresarial. 8 ALBUQUERQUE, Ana Lee Pereira. Social Responsability: a case study close to Bank of Brazil S.A. - Santa Rita´s agency in Paraíba, 66 fls. Monograph (Graduation in Administration) - Center Academical of João Pessoa - UNIPÊ. ABSTRACT The Social Responsibility is a theme very discussed now and it is generating a great controversy regarding importance in the society and for who belongs the Responsibility for the social. This work approached the Social Responsibility close to the Bank of Brazil, and had as objective analyzes the degree of Social Responsibility of the Bank of Santa Rita's Brazil agency around the internal and external publics' relationship with the organization. The methodological procedures used in this research were, questionnaires constituted of subjects of the type aim at. The research was bibliographical, characterizing as study of case of the descriptive type, using questionnaires that were applied to the employees of the Bank of Santa Rita's Brazil agency - PB, to the employees of the Government's organ (CENDAC), and to the hard-working adolescents that participate in the project. It was contacted that the organization has a good relationship with CENDAC and with the adolescents and that it develops projects of social action and the mission of the company makes reference the Social Responsibility contributing to the social development. Word-key: Social responsibility, Sustainability and Business Ethics. 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................09 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................................11 2.1 OS PRIMEIROS CONCEITOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUA EVOLUÇÃO...........................................................................................................................11 2.1.1 A Responsabilidade Social empresarial no Brasil..........................................................13 2.1.2 Os stakeholders nas organizações...................................................................................15 2.1.3 A responsabilidade social e as instituições financeiras...................................................16 2.2 RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA.....................................................................18 2.2.1 Ética nos Negócios..........................................................................................................20 2.3 A RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS BRASILEIRAS.......................23 2.3.1 Quando ser responsável socialmente...............................................................................23 2.3.2 Na prática quais as áreas que mais preocupam a sociedade ...........................................25 2.4 BANCO DO BRASIL S.A.................................................................................................26 2.4.1 Levantamento do histórico e perfil..................................................................................26 2.4.2 Ações sociais desenvolvidas pela organização................................................................29 2.5 CENDAC ...........................................................................................................................40 2.5.1 Programa adolescente trabalhador...................................................................................40 3 PROCEDIMENTOS METETODOLÓGICOS................................................................42 3.1 Caracterização da Pesquisa.................................................................................................42 3.2 Problematização..................................................................................................................42 3.3 Objetivos.............................................................................................................................43 3.3.1 Objetivo Geral..................................................................................................................43 3.3.2 Objetivos Específicos.......................................................................................................43 3.4 Campo Empírico................................................................................................................44 3.5 Universo e Amostra...........................................................................................................44 3.6 Instrumento de Coleta de Dados........................................................................................44 10 5 ANALISANDO O PROJETO DE INCLUSÃO SOCIAL QUE O BANCO DO BRASIL OFERECE AS COMUNIDADES CARENTES...................................................................46 5.1 Na visão dos funcionários do Banco do Brasil...................................................................46 5.2 Na visão dos funcionários do CENDAC............................................................................51 5.3 Na visão dos Adolescentes Trabalhadores..........................................................................54 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................58 REFERÊNCIAS......................................................................................................................60 APÊNDICES............................................................................................................................62 9 1 INTRODUÇÃO A Responsabilidade Social é um tema que vem sendo muito discutido no mundo, mesmo parecendo ser um assunto recente ele é um tema antigo que vem sendo debatido há muito tempo, desde a Idade Média, quando religiosos e pessoas comuns preocupadas em melhorar a vida do outro, discutiam sobre as necessidades dos mais pobres, e começaram a contribuir para diminuir esse sofrimento. No cenário mundial contemporâneo observam-se o processar de inúmeras transformações de ordem econômica, política, social e cultural que, por sua vez, ambientam o aparecimento de novos modelos de relações entre instituições e mercados, organizações e sociedade. No âmbito das atuais tendências de relacionamento, verifica-se a aproximação dos interesses das organizações e os da sociedade resultando em esforços múltiplos para o atendimento de objetivos compartilhados. Através da convergência entre metas econômicas e sociais, emergem os modelos de organizações preocupadas com a elevação do padrão de qualidade de vida de suas comunidades. Estas organizações–cidadãs desenvolvem o processo denominado responsabilidade sociais. As empresas estão desenvolvendo projetos de ações sócias voltadas para as comunidades, buscando manter com seus clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, governos, enfim, todos os grupos de interesses, um relacionamento de parceria, mais se comprometendo sempre em trabalhar e desenvolver os projetos com ética e responsabilidade social. Diante disso, surgiu a necessidade de analisar a política e o grau de responsabilidade social do Banco do Brasil S.A, agência de Santa Rita (PB), em torno dos benefícios que a empresa oferece e para a comunidade que interage. Espera-se que essa pesquisa sirva como meio de informações para que cada vez as empresas busquem conhecer qual a importância da responsabilidade social, e que contribuam para tornar as organizações cada vez mais responsáveis socialmente. Pois, muitas empresas não compreendem o verdadeiro sentido da responsabilidade social, e acreditam que para ser socialmente responsável basta apenas não prejudicar a sociedade. Sabe-se, porém, por isso não é suficiente, pois é preciso além de não prejudicar a sociedade, contribuir para o desenvolvimento da mesma. Responsabilidade social é um tema muito relevante, porém, ainda está pouco explorado, então este trabalho servirá para contribuir na conscientização da sociedade na 10 importância do desenvolvimento de ações sociais, e a respeitar o meio ambiente. Por fim este estudo servirá de instrumento de pesquisa para outras pessoas interessadas no tema respectivo. Este trabalho foi estruturado da seguinte forma: inicialmente são apresentados o referente a fundamentação teórica, que destaca a historia e os diversos conceitos de responsabilidade social, além de abordar questões éticas e práticas da responsabilidade social empresarial; em seguida os procedimentos metodológicos, que apresenta cada passo todos os meios utilizados para a construção desse trabalho; e ainda abordou o levantamento histórico da organização e as ações sociais desenvolvidas pela organização. Ainda foram enfocados as analises dos dados, e por fim que apresentaram as condições finais, as referencias utilizadas para a formação do estudo teórico e os apêndices compostos pelos questionários utilizados como instrumento de pesquisa. 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Responsabilidade Social é uma nova maneira de conduzir os negócios da empresa, tornando-a parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social, englobando preocupações com um público maior (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente). A ética é à base da Responsabilidade Social e se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização, sendo importante seguir uma linha de coerência entre ação e discurso. A Responsabilidade Social nunca se esgota, pois sempre há algo a se fazer, sendo um processo educativo que evolui com o tempo. As empresas podem desenvolver projetos em diversas áreas, com diversos públicos e de diversas maneiras.“Satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades, e consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade, um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". 2.1 OS PRIMEIROS CONCEITOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUA EVOLUÇÃO Apesar do tema de responsabilidade Social esteja chamando bastante a atenção de todos para o problema de conscientização global, podemos afirmar que este não é um tema recente, pois ele é discutido desde a Idade Média, quando havia a preocupação dos religiosos em torno do sofrimento dos pobres, quando perceberam a necessidade de diminuir o sofrimento dos pobres e começaram a se comprometer com os atos de caridade. No passar dos tempos, foi surgindo um agravamento dos problemas ambientais, de saúde, educacionais, entre outros, principalmente devido ao aumento das diferenças sociais, o que despertou; segundo Drucker, (1981, p. 23) a atenção não apenas das igrejas, mas, da sociedade em geral, dos sindicatos, das organizações e dos governos, que passaram a desenvolver ações nesse sentido. De acordo com Ashley (2003) tudo começou em 1919, a questão ética, da responsabilidade e da responsabilidade e da arbitrariedade dos dirigentes de empresas abertas veio a público com o julgamento do caso Dodge versus Ford, que tratava da competência de Henry Ford, presidente e acionista majoritário da empresa, para tomar decisões que contrariavam interesses dos acionistas Jonh e Horace Dodge. Em 1916, Henry Ford, alegando objetivos sociais, decidiu não distribuir parte dos dividendos esperados, revertendo-os para 12 investimentos na capacidade de produção, aumento de salários e fundo de reserva para redução esperada de receitas em função do corte nos preços dos carros. A suprema corte de Michigan foi favorável aos Dodges, alegando que a corporação existe para benefício de seus acionistas e que diretores corporativos não podendo usar os lucros para outros objetivos e que a filantropia poderia ser utilizada apenas realizada na medida em que favorecessem os lucros dos acionistas. A primeira conquista veio em 1953 quando se retomou o debate público sobre responsabilidade social corporativa, no caso de A.P. Smith Manufacturing company versus Barlow, nesse caso, interpretação da justiça de Nova Jersey quanto à inserção da corporação na sociedade e suas respectivas responsabilidades foi favorável à doação de recursos para a Universidade de Princeton, contrariamente aos interesses de um grupo de acionistas. Então foi entre os anos 50 e 60 que as organizações começaram a perceber a necessidade de investir em responsabilidade social e começar a promover ações para contribuir pelo bem estar dos seus colaboradores, fornecedores, clientes, acionistas e comunidades em geral, pois, começaram a perceber os problemas sociais e passaram a se preocupar em solucioná-los. Surgiram as questões sócio ambientais e começaram a divulgar as ações sociais em que as empresas desenvolvia. Então o tema começou a se tornar popular e se espalhar pelo mundo sendo mencionado e discutido em meios de comunicação de toda parte como, artigos de revistas e jornais se expandindo e obtendo aceitação das idéias por toda parte. De acordo com Oliveira, (2002, p. 201). “A importância do tema Responsabilidade Social começa a ganhar força nesse período, através da comunicação”. A visão mais clássica de responsabilidade social dava importância ao que o empresário realizava termos de ações filantrópicas, fora de seu expediente normal de trabalho, sendo, portanto, a responsabilidade social da empresa creditada aos atos beneméritos de seu proprietário. No geral, essa abordagem clássica não se preocupa tanto com a responsabilidade social das empresas, mas com a responsabilidade dos homens da empresa. Com o passar dos tempos, o conceito começou a ganhar contornos mais amplos. Ao chegar ao interesse acadêmico, por volta da década de 1960, nos EUA, seu entendimento já era ligado à responsabilidade da empresa entre si. Recuperando as últimas décadas de estudo sobre ética e responsabilidade social corporativa Asheley observou (2003, p.20) observam que a empresa socialmente responsável “é aquela que responde às expectativas de seus acionistas, chegamos à conclusão de que a 13 empresa socialmente responsável é aquela que está atenda para lidar com as expectativas de seus stakeholders atuais e futuros, na visão mais radical de sociedade sustentável.” Os stakeholders são quaisquer grupos ou indivíduo que é afetado ou que afeta o alcance dos objetivos das organizações. Assim, nesta categoria são incluídos todos os grupos de interesse da organização, quais sejam clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, proprietários, governo, e comunidade local (KARKOTLI, 2006, p.16). 2.1.1 A Responsabilidade Social empresarial no Brasil A iniciação da responsabilidade social no Brasil surgiu com a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE) Brasil, a qual reconheceu a função da empresa associada. Segundo Toldo (2002, p. 77) A partir da década de 80 houve mudanças radicais e singulares, não apenas pelo reflexo da velocidade da informação presente nas várias dimensões da sociedade, mas principalmente, “pela integração dos mercados financeiros e o crescimento singular do comércio internacional, chamam-se de globalização.” Se olharmos para a América Latina, percebe que uma sutil revolução desenrrola-se diariamente com o aparecimento de cidadãos com grandes dificuldades de inserção social na sociedade de consumo, como jovens, imigrantes, entre outras minorias. Como destaca Passador (2002, p.1) Em outras palavras, brasileiros, mexicanos, chilenos, argentinos etc. Com falta de acesso a bens, serviços, segurança, justiça e cidadania excluídas do mercado do trabalho com o desemprego ou empregos ruins e instáveis. No Brasil, o movimento de valorização da responsabilidade social empresarial ganhou forte impulso na década de 90, pó meio da ação de entidades não-governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas para a questão. O trabalho do instituto Brasileiro de Analises Sociais e Econômicas na promoção do Balanço social é uma de suas expressões e tem logrado; segundo Souza (2007.24) progressiva repercussão. Nesse período começou ser abordado o aspecto ético e moral da responsabilidade social nas empresas, ocasião em foi lançada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Campanha Nacional da ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. E foi criado também, nessa década o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social pelo empresário Oded Grajew, um dos fundadores da empresa Grow Jogos e Brinquedos. De acordo com Toldo (2002, p.77) Este instituto serve de intercâmbio entre os empresários e as causas sociais, com o objetivo de disseminar a prática da responsabilidade social empresarial por meio de publicação de experiências, programas e eventos para os interessados. 14 Com essa crescente competição e insegurança dos trabalhadores, cada vez mais a população irá depender de políticas públicas efetivas que garantam educação e treinamento adequado às exigências do mercado. É justamente neste ponto que encontramos uma das grandes incoerências da globalização: cada vez mais as políticas econômicas liberais reduzem o poder do Estado o transformando no que é chamado de Estado Mínimo. Por outro lado, cada vez mais cresce o número de pessoas que exigem políticas públicas de proteção, que ofereça seguro desemprego, programas de habitação, entre outras. O Brasil, por exemplo, em inúmeras oportunidades ao longo da sua história perdeu a oportunidade de construir um desenvolvimento integral do povo e do país. Essa dissociação segundo Passador (2002,p.2) “cavou abismos, gerou contrastes e produziu disparidades internas e externas. O Brasil econômico continua muito distante do Brasil social, marcado pela polarização social crescente, desintegração social e violência.” Hoje, a responsabilidade social no Brasil é amplamente discutida nos meios acadêmicos e empresariais e seus defensores alegam que o comportamento socialmente responsável é fator diferencial que ajuda a construir e a consolidar a marca empresarial, representando um investimento para a sustentabilidade e o sucesso de longo prazo. Conforme Passador (2002) um de seus grandes defensores é o Presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, Para Grajew (apude PASSADOR, 2002, p.2) A responsabilidade social não é uma atividade separada do negócio da empresa. É a nova forma de gestão empresarial. E, para uma empresa ter sucesso, para conquistar e ampliar mercado, para ter competitividade, a responsabilidade social é indispensável. A empresa que não aumentar suas políticas e não for socialmente responsável não terá espaço no mercado. De acordo com Oliveira (2002) a idéia de responsabilidade social supõe que a corporação tenha não apenas obrigações legais, mas também certas responsabilidades para com a sociedade, as quais se estendem além dessas obrigações. A atuação incansável da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança erradicação do trabalho infantil e a adoção do selo Empresa Amiga da Criança por número expressivo de empresas são exemplos vivos do poder transformador da iniciativa privada. As enormes carências e desigualdades sociais existentes em nosso país dão à responsabilidade social empresarial relevância ainda maior. A sociedade brasileira, segundo Souza (2002, p.24), espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma cultura, sejam atores de mudança social, sejam construtores de uma sociedade melhor. 15 Observa-se um crescente envolvimento de significativa parcela do empresariado nacional com as questões e as práticas relacionadas à responsabilidade social. E, como essa prática vem sendo realizada de forma constante em grandes centros nacionais, e sendo divulgadas em importantes meios de comunicação, percebe-se também que a responsabilidade social é um conceito em construção, mas suas práticas já podem ser observadas no comportamento empresaria brasileiro. 2.1.2 Os stakeholders nas organizações Para facilitar o entendimento e a análise das possíveis orientações estratégicas da empresas quanto à responsabilidade social nos negócios, podemos considerar as alternativas a seguir como representativas do foco fundamental de relação da empresa com cada stakeholders, essas orientações estratégicas podem ser combinadas entre si. O posicionamento de cada empresa estará associado ao perfil cultural dos públicos que efetivamente exercem poder sobre a direção dela, “esse perfil se reflete na orientação quanto a sua responsabilidade social” (ASHLEY, 2003, p.37). Para Hill e Jones (1998), os stakeholders são representados por atores individuais ou por categorias de atores, que possuem interesses e expectativas na existência da organização; Martins e Fontes Filho (1999) afirmam que existe a necessidade de ampliar o conceito de stakeholders atualmente em uso, porque a complexidade das organizações está crescendo no âmbito dos ambientes interno e externo. Responsabilidade social para acionistas é entendida como maximização do lucro. Não seria função da empresa cuidar do aspecto social e sim do Estado, ao qual cabe também todo o aparato legal e fiscal. A responsabilidade social é vista do aspecto econômico: só se faz o que aumenta os lucros, gerando valor para os acionistas. Assim, a contribuição voluntária deve partir do individuo e não da empresa, porque seria um tributo sobre os lucros. Para o Estado ou Governo a responsabilidade social da empresa está no estrito cumprimento de suas obrigações definidas e regulamentadas em lei. É vista apenas sob o aspecto jurídico/legal: só se faz o que a lei obriga. Em um contexto de incertezas jurídicas, pois o que era permitido hoje pode ser proibido amanhã, e a empresa pode estar preparada para mudanças rápidas de posicionamento e atitude. Em relação a comunidade a responsabilidade social é vista como um ato voluntário da direção, de forma esporádica ou estratégica. È a empresa quem toma a iniciativa, mesmo que impelida pelo mercado. A responsabilidade social tem um caráter assistencialista. Os empregados vêem a 16 responsabilidade social como forma de atrair e reter funcionários com qualificação, além de alcançar mercados com barreiras não tarifárias e a responsabilidade básica de gestão de Recursos Humanos e para a adoção de padrões e acordos internacionais, servindo de parâmetro para auditorias e certificações. Para os fornecedores e compradores a orientação faz com que a responsabilidade social percorra a empresa e se transponha para a cadeia de produção e consumo. A base è o comércio ético, seja nacional ou internacional, tanto com relação os fornecedores. Na orientação para publicação de relatórios e promoção da marca, o foco é a publicação do balanço social utilizando o modelo do Ibase e outros criados ou adaptados. legislação em curso pretende torna-lo obrigatório para empresas com mais de cem empregados. No caso da orientação para o ambiente natural, a responsabilidade social tem como objetivo o desenvolvimento sustentável, integrando fatores como tecnologia, recursos, processos, produtos, pessoas e sistemas de gestão ISO14000é o padrão internacional comumente utilizado para auditoria ambiental, certificação e comércio ecossensível. (ASHLEY, 2003, p. 38). 2.1.3 A responsabilidade Social e as instituições financeiras Os riscos ambientais tornaram-se cada vez mais determinantes para o negócio. A gestão inadequada das questões ambientais pode causar perdas financeiras irreparáveis para a empresa e, em decorrência, para os bancos. Os bancos, segundo Soler (2005, p.19) estão sujeitos a três tipos de riscos ambientais: “Riscos direto, riscos indiretos, riscos de reputação.” Risco direto são aqueles aos quais os bancos respondem diretamente como poluidores, riscos associados às suas próprias instalações, uso de papéis, equipamentos, energia, etc. Nessa modalidade se aplica diretamente o Princípio do Poluidor Pagador, ou seja, o banco deve internalizar nos seus custos os gastos com controle de poluição. No risco indireto o risco ambiental afetaria a empresa com a qual o banco tem relacionamento como intermediador financeiro, via operações de crédito ou como detentor de ativos financeiros (ações ou títulos de dívida). No que se refere ao risco de reputação os bancos vêm sofrendo pressão do público em geral e dos organismos não-governamentais (ONGS) para adotar uma política de financiamento e investimento ambientalmente correta, sob pena de terem sua reputação prejudicada diante da sociedade. A imagem dos bancos na sociedade é importante para o sucesso conjunto de suas atividades e é considerada como parte de seu patrimônio. 17 A preocupação das instituições financeiras com as questões ambientais ocorreu inicialmente como forma de evitar a responsabilização legal por danos ambientais produzidos por bens que eram recebidos como garantia de empréstimos. A Comissão Européia, em 1989, emitiu diretiva sobre Responsabilidade civil para danos causados por resíduos. As instituições financeiras bancárias da Europa passaram a preocupar-se com questões ambientais, uma vez que a diretiva responsabilizava tanto o produtor dos resíduos quanto o atual controlador. Os financiadores poderiam também responder nessa última condição. Em 1990, nos EUA, a justiça considerou a Fleet Factors Corporation responsável pelos danos ambientais causados por um tomador de crédito, argumentando que esse banco tivera capacidade para influenciar nas decisões de gerenciamento de resíduos do tomador de crédito. Segundo Tosini (2005, p. 23) a justiça condenou o banco a proceder a descontaminação dos 20 imóveis. “Após essa condenação, uma pesquisa conduzida pela Associação dos Bancos Americanos constatou redução de 46% dos financiamentos para atividades consideradas ambientalmente arriscadas, como, por exemplo, a indústria química.” No Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 31 de janeiro de 1999, o SecretárioGeral das Nações Unidas, Kofi Annan, desafiou os líderes empresariais mundiais a apoiar e adotar o Pacto Global, tanto em suas práticas corporativas individuais, quanto no apoio a políticas públicas apropriadas. O Pacto Global é uma iniciativa que tem como objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional para a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, trabalho e meio ambiente. O Pacto Global foi criado para ajudar as organizações a redefinirem suas estratégias e ações, a fim de que todas as pessoas possam compartilhar dos benefícios da globalização, evitando que estes sejam aproveitados por poucos. O Pacto Global advoga dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos. Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. O Banco do Brasil aderiu ao Pacto Global em novembro de 2003. No Brasil, alguns bancos já manifestam sua preocupação com a variável ambiental nos negócios, aderindo aos Princípios do Equador. Procuram garantir que os projetos financiados sejam desenvolvidos de forma socialmente responsável e que reflitam boas práticas de gestão ambiental. 18 A adoção aos Princípios do Equador implica a revisão cuidadosa das propostas de clientes que solicitam financiamento de projetos, evitando-se, com isso, fornecer empréstimos a projetos. cujo interessado não concorde com as políticas e procedimentos socioambientais adotados pela instituição financeira. Até o momento (2007) 44 instituições bancárias já aderiram aos Princípios do Equador (Equator Principles, 2007), sendo que cinco do Brasil, incluindo-se aí o Banco do Brasil, que, em fevereiro de 2005, foi o primeiro banco oficial a integrar o grupo de instituições financeiras brasileiras. (AGENDA 21, 2007, p.22) O II Acordo de Capitais da Basiléia, a ser adotado a partir de 2007 pela maioria dos países – e não apenas pelos países membros –, considera outros riscos enfrentados pelos bancos para efeito de cálculo de capital regulamentar, exigindo modelos de gerenciamento de risco mais precisos, com especial atenção para o risco ambiental. 2.2 RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA O trabalho de buscar uma definição para Responsabilidade Social solicita inicialmente reflexões acerca do conceito de ética e do desenvolvimento do processo de cidadania. Falar sobre ética e sua relação com responsabilidade social nos remete diretamente ao problema do costume, hábitos ligados às manifestações de cada coletividade através de suas tradições, vivências e crenças. Especificamente na área de ética e responsabilidade social, há muitos trabalhos interessantes que mostram preocupação com a cultura. Em administração, vários autores também estão se voltando, com freqüência, para esses mesmos temas. Em comum entre essas duas vertentes da literatura acadêmica há um reconhecimento de que ética, cultura e valores morais são inseparáveis de qualquer noção de responsabilidade empresarial.afinal, o próprio fato de se considerar que uma organização tem determinadas responsabilidades para com seus interlocutores necessariamente envolve uma elaboração ética e vice-versa, qualquer reflexão sobre ética sempre tem em mente as responsabilidades percebidas como intrínsecas às organizações. Embora a aparência confunda, os conceitos de ética e responsabilidade social são diferentes. Responsabilidade Social, segundo Ferrel (2001, p.7) é a obrigação que a empresa assume com a sociedade. “Ser socialmente responsável implica maximizar os efeitos positivos sobre a sociedade e minimizar os negativos.” Ser socialmente responsável nos negócios vem se tornando imprescindível para as empresas tomando a ética como ponto de partida. 19 Especificamente na área de ética e responsabilidade social, há muitos trabalhos interessantes que mostram preocupação com a cultura. Conforme Ashley (2003, p. 50) hoje em dia as organizações precisam estar atentas não só as suas responsabilidades econômicas e legais,mas também a suas responsabilidades éticas, morais e sociais. Responsabilidade social que correspondem a atividades, práticas, políticas e comportamentos esperados ( no sentido positivo) ou proibidos (no sentido negativo) por membros da sociedade, apesar de não codificados em leis. Elas envolvem uma série de normas, padrões ou expectativas de comportamento para atender o que os diversos públicos (stakeholders) com as quais a empresa se relaciona consideram legitimo, correto, justo ou de acordo com seus direitos morais ou expectativas . Para Ashley (2003, p.51) em outras palavras, os valores morais de um grupo ou organização definem o que é ser ético para si e, a partir daí, elaboram-se rígidos códigos de éticas que precisam ser seguidos sob pena de ferirem os valores morais preestabelecidos. De acordo com Bateman (1998, p.141) o objetivo da ética é identificar as regras que determinam o comportamento das pessoas quanto ao “valor” que elas possuem. As decisões éticas seguem o valor de cada pessoa ou lugar, valores são princípios de conduta como proteção, honestidade, responsabilidade, manutenção de promessas, busca de lealdade, justiça, integridade, respeito pelos outros e cidadania responsável. Pode-se assim dizer que ética é esse conjunto de regras de acordo com o ambiente e os costumes das pessoas as quais estão relacionadas às decisões. Conforme Ashley (2003, p. 53) em uma época em que os vários contextos culturais ao redor do mundo estão cada vez mais interligados e o papel social da empresas está sendo repensado, principalmente por causa das grandes modificações que estão acontecendo no papel de outras instituições (tais como o Estado e a sociedade civil), pode-se dizer que a crescente atenção à ética e à responsabilidade social corporativa, bem como a idéia de que as organizações do terceiro milênio precisam ser socialmente responsáveis se quiserem sobreviver em meio à competição cada vez mais acirrada, fazem parte desses processos profundos de mudanças. 20 Em resumo, está se tornando hegemônica uma visão de que os negócios devem ser feitos de forma ética, obedecendo a rigorosos valores morais, de acordo com comportamentos cada vez mais universalmente aceitos como apropriados. 2.2.1 Ética nos Negócios Segundo ashley (2003, p. 51) a ética é mais sistematizada e corresponde a uma teoria de ação rigidamente, podendo variar de acordo com o país, o grupo social, a organização ou mesmo o individuo em questão. Para Ashley (apud CARROLL, 2000, p. 36) as organizações terão de aprender a equacionar a necessidade de obter lucros, obedecer às leis, ter um comportamento ético e envolver-se em alguma forma de filantropia para com as comunidades em que se inserem. De acordo com Srour (2003, p. 274) atualmente um dos maiores desafios das organizações está em conduzir seus negócios de forma ética, enquanto alcançam altos níveis de desempenho econômico, pois em uma economia competitiva como é atualmente, os empresários se deparam em considerar todos os interesses dos stakeholders em um mercado aberto e uma política liberal, isso se torna um enorme desafio para os administradores. Conforme Bateman (1987, p. 142) comportamento ético das empresas em relação às decisões nos negócios está se tornando cada vez mais freqüentes em jornais, notícias como: contribuições ilegais para companhias políticas, suborno e outros tipos de escândalos, criando assim uma imagem de que os empresários utilizam meios ilegais para alcançarem seus interesses, aumentar seus lucros e vantagens competitivas. Isso está acontecendo porque a competitividade dos negócios está cada vez mais acirrada e em busca de soluções para um problema, as empresas acabam por escolher ações erradas e antiéticas que terminam sendo descobertas. Segundo Bateman (1987, p. 142) as questões éticas fundamentais nos negócios são as mesmas em qualquer outra situação, o que a torna mais complexa é o fato de que agem de acordo com os interesses de outros, podendo essa decisão afetar muitos grupos de pessoas de forma profunda da responsabilidade social para o próximo não deixa de ser um valor cultural, além de um princípio ético e um valor moral, uma vez que se situa no nível das estruturas mentais de interpretação da realidade.” De acordo com Ashley (2003, p.57) Pode-se perceber porque a dimensão cultural é essencial para entendermos as formas que a responsabilidade social corporativa vem tomando no mundo dos negócios. Por outro lado, a responsabilidade social de uma empresa tem que ser 21 pensada em relação a sua inserção em um complexo mundo social e cultural regido por determinados valores e normas culturais comuns àquela sociedade. Por outro lado, a própria noção de responsabilidade social é um valor cultural cada vez mais aceito e comumente empregado ao redor do mundo, principalmente como conseqüência das atuais mudanças no modo como se concebe o papel social da empresa perante a sociedade. Para Ashley (apud FISCHER, 1999, p. 59) no Brasil teríamos dificuldades de criar culturas organizacionais fortemente demarcadas, tornando tarefa árdua e de difícil implantação a promoção, entre os funcionários menos graduados, dos valores éticos, morais e culturais privilegiados pelos altos escalões de uma empresa. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais apenas uma pequena parte das empresas e do empresariado brasileiros tenha declarado agir explicitamente de acordo com preceitos comumente associados à responsabilidade social corporativa, como ações sociais e filantrópicas. As empresas estão investindo mais em gestões éticas nas organizações, por causa do comportamento da sociedade, que está atenta as suas ações, às fiscalizações legais, aos movimentos de anticorrupção e a transparência da empresa, pois tais comportamentos estão se tornando questões estratégicas, fator diferencial de competitividade e consequentemente aumentando a sua produtividade. (YUNG; MORALES, 2002, p. 57). Conforme Srour (2000, p.59) uma característica marcante é a hibridez cultural brasileira, que faz com nossas empresas convivam, por um lado, com os princípios éticos racionais capitalistas derivados de um padrão internacional que define parâmetros de profissionalismo e imparcialidade, credibilidade e transparência como essenciais para a condução dos negócios e, por outro, com uma moral do oportunismo, um discurso não oficial, mas oficioso, segundo o qual seria desejável e até legitimo que cada individuo procurasse assegurar seus interesses em detrimento das leis e dos interesses dos colegas, dos outros funcionários e da própria empresa, numa versão empresarial da conhecida “lei de Gerson”, segundo a qual deve-se tentar “levar vantagem em tudo.” Segundo Barbosa (1992, p. 59) Assim no Brasil teríamos um conflito entre dois valores culturais: o da integridade e o do oportunismo ou entre dois traços culturais profundamente enraizados: a valorização da idoneidade nas relações sociais (que transparece, por exemplo, na reprovação geral à corrupção política) de um lado e, do outro, a lógica do “jeitinho”, segundo a qual consegue o que quer quem faz valer seus interesses, mesmo que de maneira excusa, e quem possui a melhor rede de relações pessoais influentes. 22 De acordo com Ashley (2003, p.56) a ética nos negócios é afetada também pelas experiências pessoais do administrador, suas crenças, sua religião, sua família e suas necessidades pessoais e financeiras, entre outras que irão determinar a conduta ética do profissional. O profissional que não possui um conjunto ético pessoal forte tem uma tendência a variar as suas decisões de uma situação para outra, à medida que maximizem os seus interesses pessoais. Enquanto que, o profissional que possui uma estrutura ética, com regras pessoais e estratégias éticas para tomar decisões, será mais confiante e estável nas suas escolhas. Para Srour, (2003, p. 274) a organização tem um importante papel no que se refere ao estabelecimento de normas de condutas, políticas formais e regras escritas, ainda que não garantam um resultado, são muito importantes no estabelecimento de um clima ético para a organização e entre todos os participantes, esses códigos sustentam e reforçam a cultura organizacional da empresa, influenciando de forma significativa sobre o comportamento ético. Por operarem com o ambiente externo, as organizações devem estar atentas aos competidores, leis e regulamentações governamentais. normas e valores sociais pois as leis interpretam os valores sociais e definem o comportamento apropriado das organizações e seus participantes, enquanto que, as regulamentações ajudam o governo a monitorar esses comportamentos e mantê-los dentro de padrões aceitáveis. As organizações devem estar atentas à conduta ética cumprindo os códigos de ética estabelecidos e respeitando-os seriamente ou estarão fora das atividades organizacionais. o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que afetam positivamente de modo amplo e a alguma comunidade de modo específico, atingindo pro ativamente e coerentemente no que tange a seu papel especifico na sociedade e a sua prestação de contas com ela. Para Ashley (2002, p.6) a organização, neste sentido, assume obrigações de caráter moral, além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas a suas atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos. Além disso, Fontes (2001, p. 16) complementa que o social não pode ser visto como um mero gasto, mas como um importante investimento. Isso principalmente quando estiver vinculado à promoção do desenvolvimento humano e social. 23 2.3 A RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS BRASILEIRAS Observa-se que no Brasil há várias organizações que desenvolvem projetos socioculturais nos mais diferentes campos: educação, crianças de rua, geração de renda, cinema, teatro, musica, literatura, patrimônio, artes plásticas, entre outros. Estes projetos são realizados por empresas públicas e/ou privadas, para prospectar o desenvolvimento da comunidade, da cidade, do país. Para Karkotli (2006, p.45) as organizações devem exercer a responsabilidade social em seu interior ( dando suporte aos seus funcionários, oferecendo aos mesmos melhorias na qualidade de vida) e no seu exterior proporcionando melhorias à comunidade. Segundo Fontes (2001, p. 16) Numa visão geral, responsabilidade social corporativa é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, possibilitando que as organizações demonstrem toda sua preocupação por meio de significativos projetos sociais. Contudo para Karkotli (2006, p. 45) a responsabilidade social é uma nova estratégia para aumentar o lucro e potencializar o desenvolvimento das empresas. Essa tendência decorre da maior conscientização do consumidor e conseqüentemente procura por produtos e práticas que geram melhoria para o meio ambiente ou comunidade, valorizando aspectos éticos ligados à cidadania. 2.3.1 Quando ser responsável socialmente Para Karkotli (apud Chiavenato, 1987, p. 32) com a escola estruturalista tem início a análise das organizações em interação com ambiente externo, ao ser influenciado pelas abordagens dos sistemas abertos. As organizações operam dentro de um contexto, do qual depende o seu desenvolvimento e a sua sobrevivência. É o ambiente que as organizações obtém recursos e informações necessários para o funcionamento, e é nele que colocam o resultado de suas operações. Na medida em que ocorrem mudanças no ambiente, as operações das organizações são influenciadas por essas mudanças. Conforme Toldo (2002, p. 80) quando as organizações não se comprometem em solucionar os problemas internos e externos de seus funcionários, abre-se uma lacuna, onde cada funcionário faz parte, não há inter-relacionamento e ninguém agrega valor. Não se preocupa com a família do funcionário, a sua alimentação, os baixos salários e as longas jornadas de trabalho, sucede o contrário do esperado: baixas produtividades e dedicação e alta 24 rotatividade. Compromete-se a qualidade dos produtos e serviços, além do desperdício de matérias-prima e horas de treinamentos. De acordo com Karkotli (2006, p. 32 ) o ambiente interno e externo assume importância singular nas decisões dos administradores, que necessitam estar em sintonia com um número maior de informações, variáveis dentre as quais estão as demandas empresariais não apenas de acionistas, dirigente e trabalhadores, mas de uma variedade de grupos e indivíduos com os quais a organização mantém algum tipo e relação. Para Toldo (2002, p. 81) O meio ambiente esquecido e negligenciado, é outro fator que se reflete na baixa qualidade de vida das pessoas. Gera um ônus para a sociedade, não só com os gastos e multas em fiscalização (o que em curto prazo é bastante considerável), mas também com consumo. Uma sociedade exigente boicota produtos e serviços que prejudicam e destroem o meio ambiente. Esse comportamento também ocorre quando a sociedade ou parte dela é desconsiderada, como é o caso, por exemplo, dos deficientes físicos, negros, mulheres, e velhos, essa situação se complica, pois dificilmente tais atitudes são aceitas, pois atualmente o mundo não consegue mais esconder tais situações, visto que a transparência nas ações das empresas com e pela comunidade é exigida a cada dia pela sociedade. Contudo para Toldo (2002, p. 81) a empresa tem responsabilidade que vão além da geração de riquezas para seus acionistas, investidores e dirigentes. Ela tem responsabilidade para com o desenvolvimento social. Sua contribuição ao bem público não é apenas gerar empregos e pagar impostos. Ela precisa comprometer-se coma sociedade, com ações duradouras que levam em conta o bem-estar da comunidade na qual está inserida. Segundo Ashley (2002, p. 41) A busca de alternativas para garantir crescimento e sobrevivência no mercado de alta competitividade tem estado permanentemente na agenda dos gestores organizacionais. É crescente a utilização de estratégias e processos que melhor traduzam, junto com o lucro, a sensibilidade e sintonia das organizações para necessidade de seus clientes internos e externos, relativamente a questões de qualidade de produtos ou serviços oferecidos; à proteção e uso adequado de recursos do meio ambiente natural; a relações éticas e justas para com trabalhadores, fornecedores e governos, como indicadores que retratam a responsabilidade de social da organização para com a comunidade da sofre e exerce influência. As organizações tem sido persuadidos a se tornarem mais atentos, pelo fato de estarem participando no desenvolvimento de atitudes e valores na sociedade. 25 2.3.2 Na prática quais as áreas que mais preocupam a sociedade administrativa De acordo com Karkotli (2006, p. 45) a responsabilidade social é uma obrigação das empresas. Alguns mecanismos já estão sendo propostos em forma de lei para que se assegure a alocação de recursos para gastos sociais por todas as empresas. Logicamente, o exemplo mais recente dessa tendência é o estabelecimento do conceito de balanço social das empresas. Conforme Montana (2003, p. 34) afirma que são diversas as áreas que preocupam a sociedade administrativa de certas empresas desde os anos 70, quando deu inicio a discurssão sobre esse tema, responsabilidade social. Essas áreas são importantes para a empresa não apenas pela obrigação social, mas também pela obrigação legal. As áreas que são mais discutidas são as sócio-ambientais: Poluição da água, do ar, sonora, visual, por lixo tóxico e sólido, e nas áreas humanas. Poluição da água, em conseqüência da evolução nas atividades do setor físico-químico e a detecção de poluentes em alimentos, a população está reivindicando por ações que fiscalizam a utilização de pesticidas químicos na agricultura e no tratamento municipal de esgotos. Na poluição do ar, os automóveis e as indústrias, principalmente, as indústrias do setor fabril são os principais poluidores do ar, mas por imposição da lei, em alguns lugares, as empresas têm procurado soluções a partir das inovações tecnológicas para reduzir a poluição do ar utilizando filtro, processos de lavagem de gás e precipitadores eletrostáticos para reduzir o nível de poeira em suspensão. No que se refere à poluição sonora, a perda da audição causada muitas vezes pelo barulho nas grandes cidades e nas indústrias tem preocupado os profissionais de saúde, por isso muitas cidades aprovam leis municipais que controlam esses níveis de poluição sonora. Existe também uma crescente preocupação na área da poluição visual, considerada qualquer coisa que deprecie a beleza natural ou o caráter essencial de uma área. Se tratando da poluição por lixo tóxico e sólido, a preocupação principal está em relação ao limite de capacidade dos aterros sanitários e do lixo sólido, pois sua deterioração é lenta, afetando assim o meio ambiente, isso tem levado os governos municipais e estaduais a autorizarem códigos sanitários que impõem exigências às empresas com relação ao manuseio do lixo sólido, estimulando a reciclagem e exigindo que as empresas tomem cuidado com o manuseio e a eliminação adequada das substâncias perigosas. Enquanto nas áreas de preocupação social, desde a Lei dos Direitos Civis de 1964, a empresa tem sido responsável pelas questões das minorias no local de trabalho. É exigido que a administração formule, execute e assuma responsabilidade pelas práticas empresariais no 26 local de trabalho, quando essas praticas afetam as minorias, essa é uma maneira adequada de corrigir injustiças sociais anteriormente cometidas contra tais minorias. 2.4 BANCO DO BRASIL S.A A pesquisa foi realizada no Banco do Brasil S.A agência de Santa Rita com o propósito de conhecer os projetos que a empresa desenvolve para beneficiar a comunidade e que o crescimento econômico é uma condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento sustentável, o qual pressupõe um processo de inclusão social com uma vasta gama de oportunidades e opções para as pessoas. Além de empregos de melhor qualidade e de rendas mais elevadas, é preciso que as pessoas desfrutem de uma vida longa e saudável, adquiram conhecimentos técnicos e culturais, tenham acesso aos recursos necessários a um padrão de vida decente. A responsabilidade social deixou de ser um sentimento de alguns para ser um valor da sociedade, para o Banco do Brasil é um compromisso que faz parte de sua estratégia corporativa. 2.4.1 Levantamento do histórico e perfil Em Portugal, o primeiro a compreender as vastas possibilidades de extrair vantagens para o Estado através dos mecanismos de crédito bancário foi o italiano Domingos Vandelli, que lecionara filosofia em Coimbra, a convite de Pombal. Lançada a semente, ela viria germinar em solo brasileiro em decorrência da transmigração da monarquia. Dom Rodrigo de Sousa Coutinho, um ilustrado típico, sugeriu em 1808 a fundação do Banco do Brasil, o qual teria por objetivo facilitar "os meios e os recursos de que as rendas reais e as públicas necessitarem para ocorrer às despesas do Estado" (alvará de 12 de outubro de 1808). O primeiro Banco do Brasil foi Instituído intencionalmente como organização comercial autônoma, o Banco contava com a captação de recursos privados para dar início às atividades. Suas ações, entretanto, foram dificilmente subscritas, vendo-se o governo na contingência de cumular os acionistas de favores para que, ao final de um ano, pudesse arrecadar a parcela mínima de capital necessário à sua instalação. As notas emitidas pelo banco circulavam no Rio de Janeiro e as suas emissões cobriam os déficits orçamentários provocados pela manutenção de uma corte numerosa e pela política externa expansionista de dom João VI. 27 A instituição era ainda jovem quando, do exílio, o jornalista Hipólito da Costa prenunciava: "O Real Erário muito tem exigido do Banco do Brasil obrigando-o a operações muito superiores às suas forças, pondo-o em circunstâncias de faltar a seu crédito". O favorecimento da monarquia atraía os subscritores, que estavam regionalmente assim distribuídos: do total de 1.380 ações negociadas, o Rio de Janeiro retinha 57%, na Bahia havia 15%, em Minas Gerais 8% e em São Paulo 5%. A degeneração das notas em papel-moeda inconversível não chegava a preocupar os acionistas, para os quais a situação do Banco era altamente rendosa. A distribuição de dividendos era generosa, pois estes eram calculados sobre os juros pagos pelo volume dos empréstimos concedidos, mais 5% sobre o fundo de reserva. Ora, o Estado era o maior cliente e solicitava sempre novas emissões para cobrir suas próprias necessidades e compromissos com o Banco, o que tornava fácil a política de agraciamento dos acionistas, em detrimento dos portadores das notas, isto é, do público em geral. Em 1817, o total dos descontos particulares montava apenas seiscentos mil réis, enquanto o Estado devia perto de sete mil contos de réis, o que bem traduz a política de desinteresse em oferecer crédito à iniciativa privada. A ampliação do raio de ação do Banco do Brasil com a autorização para organizar filiais em outras cidades do reino deve ser entendida como uma procura de acionistas e clientes em regiões com potencial financeiro. Tanto é assim, que logo após haver entrado em funcionamento a Caixa de Descontos de Salvador, em 1818, foi regulamentada a filial de São Paulo, que iniciou as atividades em 1820. Ficava patenteado que na Bahia, mesmo tardiamente, o banco procurava participar da euforia dos preços do açúcar e, em São Paulo, alimentava certa expectativa no sentido de sorver os excedentes monetários metálicos. A filial de Pernambuco não chegou a funcionar porque os revolucionários de 1817 queimaram as notas remetidas do Rio de Janeiro para dar início às operações da caixa. A monarquia pretendeu criar uma "carteira" do banco em Minas Gerais para a compra de ouro e prata através de bilhetes de emissão especial. Os mineiros não se deixaram enganar com essa operação e a "carteira" não teve movimento. "Era um plano organizado para desapossar Minas da circulação das reservas metálicas e trocar esse sangue pela água rala dos papéis impressos, sem nenhuma garantia", como disse Afonso Arinos. Com essas medidas, o governo pretendia aparelhar o banco para preparar o lastro da viagem de dom João VI a Lisboa. O público, pressentindo a manobra, apressou-se em converter as suas notas em ouro, mas encontrou a cavalaria nas portas do Banco para impedir o resgate. No Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo, onde quer que circulassem os bilhetes 28 do Banco, os metais preciosos desapareceram. O ouro se evadia no contrabando, na compra de escravos, nas importações britânicas. A volta de dom João VI a Portugal em 1821, levando consigo as reservas metálicas do Banco, legou uma situação financeira alarmante para o herdeiro do trono. Com um déficit superior a seis mil contos de réis, maior que seu capital e com um lastro metálico que cobria apenas 20% do valor nominal de suas notas, o Banco do Brasil tornou-se a instituição financeira de sustentação da Guerra de Independência. O primeiro ministro da Fazenda do novo reino, Martim Francisco, procurou garantir a sua solvabilidade utilizando-se de duas táticas: eliminar os impostos criados para sustentar a remuneração dos acionistas e proibir novas emissões, inclusive às destinadas ao pagamento dos dividendos. A desobediência a essas determinações foi flagrante e partiu do próprio Governo, que continuou a sacar contra o banco e acabou por afastar o ministro. Essas circunstâncias derivavam da incapacidade de a receita arrecadada cobrir as despesas públicas e assegurar os gastos militares na consolidação da Independência. A partir de 1824 a depreciação da moeda bancária se acentuou. O desempenho da instituição passou a ser questionado pela oposição tão logo o Congresso foi aberto. O antagonismo ao Banco do Brasil estava vinculado à luta contra o absolutismo que se exercia através da instituição que o financiava. A classe dominante de grandes proprietários e comerciantes, especialmente do Rio de Janeiro, era conivente com o Imperador e seu banco porque remunerava-se regiamente enquanto portadora das ações, na medida em que os juros dos empréstimos ao Tesouro eram contabilizados como lucro. Lesada por essa artimanha era a população, que a cada emissão via reduzir-se a capacidade de compra das notas em carteira, a mesma população que com o pagamento de impostos contribuía para o pagamento dos juros da dívida. Em 1828 o Banco estava contabilmente falido e o reconhecimento de sua falência implicava reconhecer a insolvabilidade do Tesouro Nacional. O ágio dos metais sobre as notas do Banco chegava a 100% quanto ao ouro, 40% quanto à prata e 12% quanto ao cobre. A oposição exigia a extinção imediata do Banco do Brasil. A monarquia desejava uma reestruturação que não matasse sua galinha dos ovos de papel. Demonstrando sua postura moderada, saiu vitoriosa do Parlamento a posição de liquidação gradual (lei de 23 de setembro de 1829). Pouco tempo depois começaram a surgir críticas contra a liquidação do primeiro Banco do Brasil. Historiadores, até os nossos dias, são unânimes em opinar que a economia não podia prescindir de um instituto regulador do crédito e o Governo de um aparelho auxiliar da 29 administração que servisse de apoio às finanças públicas e como elemento de equilíbrio do meio circulante. Missão da empresa é ser a solução em serviços e intermédio financeiro; atender a expectativa de cliente e acionistas; fortalecer o compromisso entre os funcionários e a empresa, e contribuir para o desenvolvimento do país. 2.4.2 Ações sociais desenvolvidas pela organização Responsabilidade socioambiental começa em casa Promovendo a cidadania interna Uma empresa com dimensões expressivas, como é o caso do Banco do Brasil, necessita instituir mecanismos participativos que possibilitem ouvir e dar conseqüência às opiniões, sugestões e críticas feitas por seus funcionários. Afinal, são as pessoas que fazem o dia-a-dia da Organização e que aplicam sua inteligência, seu afeto e sua energia na solução dos problemas e na promoção dos negócios. Inspirado no compromisso de manter o diálogo em caráter permanente com seus funcionários, de modo a assegurar níveis superiores de gestão compartilhada e transparência, o BB realizou, em 2003, o IV Fórum Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental, que mobilizou e garantiu a manifestação de todos os 84 mil funcionários. Foram colhidas cerca de 18 mil manifestações, entre críticas, sugestões e propostas, sistematizadas em uma expressiva pauta de contribuições para as decisões estratégicas da empresa. O BB vem, desde então, analisando as propostas em face às estratégias e políticas do Banco, implementando aquelas consideradas aderentes e justificando o eventual não acolhimento de outras. É importante assinalar que algumas propostas resultaram em modificações das próprias políticas e estratégias, em especial as relacionadas com Gestão de Pessoas. Investimento na formação dos funcionários o Banco do Brasil reconhece a importância da educação do indivíduo para sua inserção na sociedade e busca capacitar seus funcionários além das necessidades do negócio. A oferta de treinamento é voltada para todos os segmentos do corpo funcional. Em 2005 foram concedidas 3.304 bolsas de graduação, 3.583 bolsas de MBA, 200 de aperfeiçoamento e pós-graduação e 481 para estudos de língua estrangeira. O investimento total em treinamento e capacitação foi de mais de R$ 100 milhões. Ao final de 2005, 37.712 funcionários possuíam curso de nível superior e 10.127 tinham especialização. Além disso, para o ano de 2005, o Banco instituiu a meta organizacional de, no mínimo, 30 horas de 30 treinamento por funcionário, com impacto direto na pontuação que define a participação nos lucros da Empresa. Ao final do ano, a meta foi cumprida por 80.468 funcionários (96% do total). Está em curso, também, o projeto piloto da Universidade Aberta do Brasil (UAB), fruto da parceria entre o Banco do Brasil e o Ministério da Educação (ME), que visa oferecer ensino superior de qualidade a pessoas que residem em áreas de difícil acesso. Como parceiro pioneiro do ME, o Banco terá à sua disposição 7 mil das 10 mil 58 vagas oferecidas, que beneficiarão prioritariamente os funcionários que ainda não possuem diploma de graduação. O primeiro curso oferecido pela UAB, o de Administração de Empresas, terá duração de quatro anos e meio. Pela metodologia de ensino à distância, estão previstos, no máximo, quatro encontros presenciais por semestre, a serem realizados nos pólos escolhidos pelos candidatos. As despesas com deslocamento e hospedagem decorrentes dos encontros presenciais ocorrerão por conta dos funcionários. Neste primeiro momento, será atendida parte do Estado de São Paulo, pela Universidade Federal de Uberlândia, que instalou um pólo em Ribeirão Preto para atender aquela região. Encontram se em fase final as negociações com universidades da Bahia, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco e do Rio Grande do Sul. Pró-eqüidade de gênero Em 8 de março de 2006, na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Banco do Brasil anunciou a adesão ao programa Pró-Equidade de Gênero, coordenado pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres do Governo Federal. O objetivo é desenvolver novas concepções na gestão de pessoas e na cultura organizacional para alcançar a equidade de gênero no mundo do trabalho. As estatísticas internas apontam um percentual reduzido de mulheres exercendo cargos de primeira gestora, em torno de 8%, se comparado à quantidade de funcionárias na empresa hoje as mulheres representam cerca de 35% do quadro geral. Além disso, 30% das funcionárias exercem cargo de gerência média no Banco do Brasil. Em contrapartida, pode-se constatar que 32% das inscrições registradas para as certificações do Programa de Ascensão Profissional são do contingente feminino, indicando o interesse das mulheres em investir no seu desenvolvimento profissional. A primeira ação a ser desenvolvida, fruto do compromisso estabelecido, será a realização de pesquisa para identificar o perfil da diversidade na empresa e, entre outros aspectos, verificar se existem fatores que interferem no processo de ascensão profissional das mulheres. 31 Programa de reinserção funcional O Conselho Diretor do Banco do Brasil aprovou em novembro de 2003 medidas voltadas para a reinserção dos funcionários afastados por acidente de trabalho. Estas medidas também estão balizadas pelas reivindicações dos funcionários no IV Fórum Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental e encontram-se em fase de implantação. Gestão do desempenho profissional o modelo de gestão do desempenho profissional adotado pelo BB tem foco no desenvolvimento de competências, que representam combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes no desempenho profissional, dentro de determinado contexto ou estratégia organizacional. São objetivos do novo modelo: informações sistematizadas para a gestão do desempenho; vinculação desse desempenho aos objetivos da empresa; direcionamento de ações de capacitação; aprimoramento das competências necessárias para a melhoria dos resultados do Banco e para o crescimento profissional do funcionário; e a democratização das relações de trabalho. A avaliação é realizada a partir de cinco perspectivas: financeira, clientes, processos internos, comportamento organizacional e sociedade que são mensuradas com base em metas e competências (auto-avaliadas e avaliadas pelo gerente da equipe, pelos pares e pelos subordinados). Relações com colaboradores a postura de Responsabilidade social do Banco do Brasil não se restringe a seus funcionários. A preocupação em oferecer melhores condições de trabalho também abrange os colaboradores do Banco. Um exemplo foi a iniciativa de firmar em fevereiro de 2004 carta compromisso com a Confederação Nacional de Vigilantes, visando principalmente aprimorar as relações entre as entidades de classe e o Banco e zelar pela qualidade dos serviços e pelo cumprimento das obrigações trabalhistas por parte dos fornecedores contratados, buscando garantir o comprometimento dos fornecedores com a responsabilidade socioambiental. Outro caso a se destacar foi o estabelecimento da nova jornada de trabalho de quatro horas para o Programa Adolescente Trabalhador do Banco do Brasil, contra as cinco horas anteriormente vigentes. Cabe ressaltar que a legislação que ampara o Programa Lei 10.097, de 19 de dezembro de 2000, conhecida como Lei de Aprendizagem, regulamentada pelo Decreto 5.598, de 1º de dezembro de 2000) permite jornada de até seis horas diárias. A decisão não implicou alterações salariais, nem mudança na proporcionalidade de 75% e 25% das cargas teóricas e práticas previstas para a aprendizagem do adolescente. Atende, assim, reivindicações do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego, além de guardar consonância 32 com a Carta de Princípios de Responsabilidade Socioambiental. A medida proporciona aos jovens aprendizes mais tempo para o convívio familiar e para o lazer, além de propiciar mais segurança decorrente da possibilidade de estudo no período diurno. Inclusão de companheiros homossexuais como dependentes na Cassi (plano de saúde do banco) à luz dos compromissos estabelecidos nas políticas de responsabilidade socioambiental, que define o respeito à diversidade como um de seus princípios, o Banco do Brasil encaminhou em 2004 à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) estudo técnico defendendo a inclusão de pessoas homossexuais, companheiros e companheiras de funcionários e funcionárias da organização, como beneficiário-dependentes nos planos de saúde daquela Instituição. A proposta foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da Cassi em outubro de 2005. Programa de Assistência a Vítimas de Assalto e Seqüestro (Pavas) atento aos aspectos de saúde e de qualidade de vida no trabalho de seus funcionários, o BB revisou em 2005 o seu Programa de Assistência a Vítimas de Assalto e Seqüestro. As principais alterações foram: acompanhamento, pelas Gerências Regionais de Gestão de Pessoas, do cumprimento das ações de atendimento às vítimas e amparo a ameaças ou tentativas de assalto e seqüestro que implicam risco para a segurança dos funcionários. Atenção a pessoas com deficiência a partir da publicação do Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999, o Banco do Brasil passou a destinar 5% das vagas de cada seleção externa às pessoas com deficiência. Em 2005, a Diretoria de Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental da organização autorizou a posse de 105 candidatos com deficiência. No processo admissional, todos os candidatos aprovados são submetidos aos exames médicos pré-admissionais, que incluem avaliações médicas e laboratoriais. Durante essa fase e confirmando-se a condição de portador de deficiência, em conformidade com os Decretos 3.298/99 e 5.296/04, são registradas as recomendações médicas condizentes com as limitações apresentadas pelo candidato e são realizadas a análise ergonômica e as adequações necessárias do posto de trabalho. Alguns tipos de deficiência exigem modificações do mobiliário, reformas na estrutura física da agência para garantia da acessibilidade e instalação de recursos tecnológicos, tais como, softwares destinados à leitura ou amplificação de imagens utilizados por deficientes visuais. Todas essas ações objetivam assegurar melhores condições e bem-estar para o exercício da capacidade labor ativa sem prejuízo às limitações físicas já existentes, 33 possibilitando ao funcionário portador de deficiência o pleno desenvolvimento de suas potencialidades no ambiente profissional. A inserção do tema nos treinamentos internos com a produção de dois cursos autoinstrucionais, a divulgação de artigos pelos canais de comunicação da empresa e a formatação de curso para a disseminação da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) entre os funcionários, são outras ações empreendidas pela empresa. Em dezembro de 2005, foi lançado o Programa de atenção à Pessoa com Deficiência pela Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi). Sob o nome fantasia de Programa Bem Viver, tem como objetivo promover o acesso de pessoas com deficiência e de seus familiares ao atendimento de suas necessidades de saúde. Ouvidorias interna e externa do Banco do Brasil é um canal de comunicação criado para acolher denúncias, reclamações, e elogios dos funcionários, além de buscar a melhoria contínua dos processos, programas e políticas da área de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental. A Ouvidoria Interna tem como premissas humanizar o relacionamento do Banco com o seu público interno, atender o funcionalismo com cortesia e respeito e afastar-se de qualquer preconceito e pré-julgamento. Pauta-se pela imparcialidade em suas ações, porquanto não faz juízo de valor, e seu papel é mediar e buscar solução para os conflitos, garantindo sigilo das informações. A Ouvidoria Externa foi lançada em abril de 2005 e é destinada ao acolhimento de reclamações, denúncias, sugestões e elogios dos clientes e cidadãos. É a porta de entrada de críticas e sugestões desses públicos e evidencia que o Banco valoriza a opinião do cliente e da sociedade, razão de existir de qualquer empresa. Sala do acionista o Banco do Brasil tem como meta em sua estratégia corporativa adotar padrões de governança que sejam referências para o mercado. O estatuto do BB prevê práticas que garantam o equilíbrio de direitos entre os acionistas, a transparência e a prestação de contas do negócio. Com informações corporativas confiáveis e tempestivas, o Banco busca a melhoria da percepção de sua imagem no mercado de capitais, valorizando suas ações. Um exemplo é a sala do acionista, canal virtual de relacionamento, onde o investidor pode consultar, mediante informação de senha, sua posição acionária, o histórico de rendimentos e a compra e venda de ações, além de outras informações relativas ao mercado de capitais e ao próprio Banco. Relações com fornecedores o Banco também se preocupa com o aprimoramento da sua relação com fornecedores. O primeiro passo foi dado por meio do estabelecimento de uma 34 política de relacionamento que clarifica e torna transparente o que se espera da conduta de cada uma das partes e entre estas. Dentro desse objetivo, espera-se que o Banco, além dos critérios relacionados à economia, ao atendimento à legislação, às especificações de qualidade dos produtos e serviços, e à confiabilidade nos prazos de suprimentos, também considere no relacionamento com fornecedores o atendimento aos requisitos de responsabilidade socioambiental. Como resultados, pode-se citar a adoção de Acordos de Nível de Serviços, documento que visa assegurar o comprometimento mútuo em relação às obrigações estabelecidas nos contratos e o lançamento, em março de 2005, de um canal direto entre o Banco do Brasil e seus parceiros no Portal Internet. Por este canal é possível conhecer a política de relacionamento do Banco e os prérequisitos para se tornar um fornecedor do Banco do Brasil, além do regulamento das licitações realizadas. A partir de uma relação de endereços e telefones disponibilizada no Portal, também é possível entrar em contato com as equipes responsáveis pelo relacionamento com fornecedores. Em breve, a página também contará com canais interativos para estabelecer contato direto com os fornecedores e viabilizar um fluxo de informações adequado às necessidades desse relacionamento. Relações com concorrentes em seu relacionamento com concorrentes, o Banco pratica a ética e a civilidade, mediante intercâmbio de informações e experiências realizado de maneira lícita e transparente. O Banco do Brasil participa ativamente de comissões na Federação Brasileira de Bancos, a Febraban. Na Comissão de Responsabilidade Social, por exemplo, pode-se citar o envolvimento no Projeto Cisternas, que viabiliza a construção de cisternas na região do semi-árido brasileiro. Além disso, destaca-se o convite do BB aos demais bancos para que realizem doações em favor dos Fundos de Infância e Adolescência, bem como para que se engajem no combate ao trabalho escravo e degradante, adotando medidas para eliminá-lo de sua cadeia de relacionamentos e negócios. Também participa, ao lado dos principais bancos e empresas brasileiras, de Câmaras Técnicas do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que têm como objetivo integrar os princípios e práticas do desenvolvimento sustentável no contexto de negócio, conciliando as dimensões econômica, social e ambiental. Eco eficiência pode ser definida como: “A estruturação de produtos e serviços que satisfaçam às necessidades humanas e tragam qualidade de vida, enquanto reduzem progressivamente os impactos ecológicos e a intensidade de uso de recursos durante seu 35 ciclo de vida a um nível compatível com a capacidade de suporte do planeta” (PNUMA/UNEP). Por meio do Eco eficiência, programa implementado a partir de janeiro de 2006, o BB incentiva o desenvolvimento de iniciativas relacionadas à reciclagem, combate ao desperdício de insumos, redução de custos operacionais e acompanhamento do impacto das atividades do Banco no meio ambiente, por meio do monitoramento e da avaliação sistemática e documentada do consumo de recursos naturais (como florestas, água e energia, por exemplo) e destinação de resíduos resultantes do processo produtivo. O programa integra e aprimora as diversas ações de redução de consumo, reutilização e reciclagem já realizadas nas dependências do Banco, tais como: o Programa de Racionalização do Consumo de Energia Elétrica (Procen), que representou economia de energia de 17% e R$ 25 milhões em redução de custos no período de 1998 a 2003; o Programa de Redução do Consumo de Água (Purágua), lançado em 2005 e que tem uma estimativa de redução de 25% no consumo de água; o Programa de Recondicionamento de Cartuchos e Toner, que em 7 anos de vida já reutilizou cerca de 490 mil carcaças, representando R$ 169 milhões de economia para o BB; e o Programa Nacional de Racionalização de Impressão, a ser iniciado no primeiro semestre de 2006, com projetos voltados à racionalização e revitalização do atual parque de impressão, ao gerenciamento das impressões e administração dos consumíveis, e à definição de novas políticas de impressão que abrangerão todos os segmentos do BB. Negócios com Foco no Desenvolvimento Sustentável Práticas Administrativas e Negociais com Responsabilidade Social Investimento Social Privado; Investimento na cidadania; Desenvolvendo ações sociais. A terceira dimensão da estratégia socioambiental constela as ações de cunho social que reforçam o caráter de empresa cidadã do Banco do Brasil. Além das ações mencionadas nas outras duas dimensões, que influenciam o modo de gestão do BB, outras iniciativas, já tradicionais, continuam a apoiar o desenvolvimento do País. A Fundação Banco do Brasil, criada em 1985, começou sua atuação a partir de dois grandes programas que já vinham sendo desenvolvidos há mais de dez anos pelo Banco do Brasil: o FIPEC, Fundo de Incentivo à Pesquisa Técnico-Científica, e o FUNDEC, Fundo de Desenvolvimento Comunitário, que provia assistência a comunidades urbanas e rurais. De lá para cá, a Fundação passou por muitas mudanças. Tanto o FUNDEC como o FIPEC foram extintos em meados da década de 90, dando lugar aos programas estruturados, como o AABB Comunidade, na área de Educação; e 36 Homem do Campo e Trabalho e Cidadania, na área de Geração de Renda. A partir de 1999, a Fundação Banco do Brasil deixa de ser uma organização financiadora de projetos de outras instituições, para se dedicar, com maior ênfase, aos projetos, programas e ações próprios. A partir de 2003, a Fundação começa a discutir e adotar formas de promover uma maior interação e contribuição para as políticas públicas, em particular para responder ao chamado do Governo Federal para as diretrizes do Programa Fome Zero. Assim, em interação com o Banco do Brasil, foram desenhadas ações dentro dos conceitos estruturais do Programa Fome Zero que produzissem empreendimentos de geração de trabalho e renda, além de priorizar as ações de educação que pudessem a elas ser integradas. O direcionamento foi de promover iniciativas de inclusão social que contribuíssem para que os pequenos produtores e os trabalhadores organizados se apropriem de um percentual maior da renda gerada numa determinada cadeia produtiva e se eduquem para assumir o protagonismo de suas histórias e de suas comunidades. Com esse direcionamento, a prioridade para intervenção social foi a região do SemiÁrido. A Fundação começou a atuar com algumas tecnologias sociais em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical, na caju cultura, nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia, que incluía ainda o Sebrae, o próprio Banco do Brasil e organizações vinculadas aos governos estaduais. Nessa direção, a Fundação promoveu o investimento social em outros territórios e regiões e buscou parceiros como o Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), na Amazônia Legal, a Articulação do Semi-Árido (ASA), e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCMR), para atuação nos grandes centros urbanos. Essas são organizações que mobilizam e qualificam a intervenção, que ajudam a transferir as tecnologias sociais e fortalecem os empreendimentos solidários. Na troca de experiências com parceiros, a Fundação aprendeu que a evolução dos projetos passa pelo avanço no acúmulo e no investimento no capital humano. Para estruturar grandes projetos, fica cada vez mais claro que é fundamental investir nas pessoas para que se organizem, para ter também o tempo de construir esse capital. Por isso, a integração de programas de geração de renda, educação e tecnologia social potencializa o salto de qualidade dos empreendimentos dessa natureza. O trabalho da Fundação Banco do Brasil, com a estratégia direcionada nesse contexto participativo, avançou a partir de 2004, inclusive com a expansão do foco inicial do semiárido para a região Amazônica e para o Cerrado. 37 Sempre por meio de parceiros, com destaque para redes como a ASA, o GTA e, mais recentemente, com a Rede Cerrado e entidades a ela filiadas. A expansão da área geográfica de atuação significa, entretanto, uma redução da capacidade de investimento. Assim, tornou-se ainda mais importante articular projetos e mobilizar parceiros, seja de órgãos públicos locais, seja de instituições de caráter nacional. Esse trabalho articulado da Fundação direcionou, a partir de 2006, a prioridade de intervenção a cinco cadeias produtivas – caju cultura, mandiocultura, apicultura, reciclagem e ovinocaprinocultura –, em projetos de desenvolvimento local, reaplicação de tecnologias sociais, além das intervenções em alfabetização de jovens e adultos, complementação escolar, inclusão digital, entre outras. Para isso, a Fundação percebe que o trabalho é mais poderoso quando se une forças com ministérios, ONGs e outros atores. Para garantir a integração das ações, identificaram se projetos em locais que já contavam com alguma articulação e investimentos por parte de algum dos parceiros como Sebrae e Petrobras, entre outros. Resulta desses esforços a confiança do Banco do Brasil e da sociedade organizada, que vêm aumentando sensivelmente o volume de recursos disponibilizados, hoje na casa de uma centena de milhões de reais por ano, para que a Fundação cumpra sua missão de transformação social e melhoria da qualidade de vida do brasileiro. Cidadania Empresarial ao longo de sua história, o Banco do Brasil sempre se posicionou como uma Empresa a serviço do País. A serviço não apenas do crescimento econômico, mas do desenvolvimento humano e social das comunidades onde se insere e com as quais se relaciona. Mais recentemente, seu compromisso com o Brasil ganhou novo impulso. O BB assumiu e disseminou, por toda a sua cadeia de negócios, princípios de responsabilidade socioambiental que estão levando ao aperfeiçoamento de seus produtos, programas e serviços. É nesse contexto que se enquadram as ações de Cidadania Empresarial. Ações com peso crescente na estratégia corporativa da organização e que fortalecem suas práticas gerenciais. Seus principais norteadores são as políticas públicas definidas pelo Governo Federal. O Banco do Brasil procura atuar em sinergia com as macro propostas para a área social. Somar esforços é sua premissa. Assim, especialmente nos últimos anos, foi dada grande ênfase ao Fome Zero. O Banco do Brasil vem atuando nos quatro eixos articuladores dessa estratégia (ampliação do acesso ao alimento, fortalecimento da agricultura familiar, geração de emprego e renda, 38 articulação e mobilização). Mais recentemente, suas ações de Cidadania Empresarial agregaram os desafios impostos pelas Metas do Milênio. Estabelecidas pelas Nações Unidas, têm como principal objetivo eliminar a fome e a pobreza extrema no mundo, bem como promover a sustentabilidade do planeta. Entre as ações em curso destacam-se: segurança alimentar e nutricional, alfabetização de jovens e adultos, complementação escolar para crianças e adolescentes, inclusão digital, disseminação de tecnologias sociais, fortalecimento da agricultura familiar, melhoria das condições de vida em comunidades quilombolas e indígenas, ampliação do acesso à leitura e à cultura, estímulo ao voluntariado, entre outras. Perante um cenário de demandas urgentes e amplas, o Banco do Brasil renova seu compromisso de ser um Banco a serviço das populações mais vulneráveis e do desenvolvimento do País. Suas ações sociais marcam presença em todo o território nacional, valendo-se da capilaridade da Empresa e da experiência de seu funcionalismo. A Fundação Banco do Brasil, como braço social da corporação, é um dos principais agentes na promoção dessas iniciativas. Envolvimento do Empresariado com Ações de Cunho Social “Segmento que rapidamente compreendeu a mudança de paradigma, procurando adaptar-se. Hoje, boa parcela dos empresários nacionais tem uma nova compreensão de seu papel como agente transformador de nossa sociedade. Os avanços não estão restritos à implementação de processos de gestão ambiental ou de desenvolvimento de programas de responsabilidade social. Recente pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão do Governo Federal, constata que a maior parte das empresas do setor privado brasileiro investe na área social principalmente por meio de ações assistencialistas. Das 9.140 empresas utilizadas na amostra de um total de 782 mil empresas privadas do País, 59% investiram de alguma forma na área social no ano 2000. O investimento chega a R$ 4,7 bilhões em 2000, o equivalente a 0,4% do PIB daquele ano”. Voluntariado o Banco conta com mais de 16 mil voluntários que estão se capacitando em diversas áreas de conhecimento para atuação nas comunidades e em organizações nãogovernamentais. O BB e a FBB assinaram protocolo – Projeto Voluntários BB – para apoiar a implementação de ações sociais voluntárias, voltadas à geração de trabalho e renda, desenvolvidas por funcionários em comunidades sob risco social. Foram destinados, em 2004/2006, R$ 3.038.884,88 a 38 projetos. Com o propósito de favorecer a execução das ações voluntárias e possibilitar ao Banco o gerenciamento desse público, foi lançado na intranet corporativa o sítio “Voluntariado”, que 39 dispõe informativos, bancos de projetos e de oportunidades, dados de voluntários e de comitês de cidadania. A participação em ações voluntárias tem sido valorizada funcionalmente, pontuando alguns processos internos de ascensão profissional, como ocorre, por exemplo, na seleção de gerentes para a rede regional de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental. O programa Voluntariado está em permanente construção, buscando incorporar sugestões apresentadas pelos funcionários. O Fundo da Infância e Adolescência (FIA) é um fundo especial criado para o financiamento de políticas sociais, programas e ações voltadas para a promoção e a defesa dos direitos da Criança e do Adolescente, cujos recursos são investidos a partir de deliberação dos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente. Parte dos recursos do FIA provém de doações que podem ser deduzidas do Imposto de Renda, no limite de 6% para pessoas físicas e 1% para pessoa jurídica, conforme Lei 8.069/90. O Banco do Brasil destinou, em 2003, R$ 4,5 milhões, em 2004, R$ 3,1 milhões em 2005, R$ 5,1 milhões para o FIA, referente a 1% do seu Imposto de Renda devido. No ano de 2006 foram repassados R$ 7,9 milhões, sendo que R$ 3,9 milhões foram para o Fundo Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que serão utilizados para a revitalização do Sistema de Informações para a Infância e a Adolescência (Sipia), beneficiando 5 mil Conselhos Tutelares, e para ações de formação à distância de Conselhos de Direitos e Conselhos Tutelares, beneficiando 10 mil conselhos e 12 mil conselheiros; e R$ 3,9 milhões foram para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal para construção do Instituto do Câncer Infantil e Hospital Pediátrico de Brasília, projeto da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Criança Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). Centros culturais e circuito cultural o Banco do Brasil apóia a promoção e divulgação da cultura por meio da realização das mais variadas manifestações artísticas nos Centros Culturais Banco do Brasil de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo e no Circuito Cultural que no ano de 2005 foi realizado em Fortaleza, Belo Horizonte, Natal, Florianópolis, Salvador, Recife, Curitiba e Porto Alegre. Em 2006, aproximadamente 4 milhões de pessoas visitaram esses espaços culturais. Foram realizados 1454 eventos com 12.362 apresentações nas áreas de música, dança, teatro, cinema, artes plásticas, audiovisuais, idéias e programas educativos. A maioria dos eventos é gratuita e outros têm preços populares, com doação de 20% da bilheteria a programas e projetos. 40 sociais do Governo Federal. O Programa Educativo de visitas orientadas às exposições do Circuito Cultural e dos Centros Culturais possibilitou o contato de mais de 209 mil crianças e adolescentes com a arte, em sua maioria proveniente de comunidades carentes. Esporte em 2006, R$ 45,6 milhões foram investidos no marketing esportivo. O Banco do Brasil manteve o apoio às seleções brasileiras de vôlei feminino e masculino, ao velejador Robert Scheidt, organizou o circuito Banco do Brasil de vôlei de praia e desenvolveu o projeto Tênis Brasil. Nos eventos do vôlei de praia, os complexos esportivos receberam, nas 16 etapas, 164 mil visitantes. Foram arrecadadas 741 toneladas de alimentos, gerados 4.180 empregos temporários e atendidas 6.196 crianças de 8 a 16 anos nas clínicas de vôlei. Foram arrecadados, também, recursos destinados a entidades atendidas pelos Comitês de Cidadania dos Funcionários do Banco do Brasil para desenvolvimento de ações autosustentáveis. No projeto Tênis Brasil, os destaques ficaram por conta do patrocínio ao circuito Banco do Brasil de Tênis Juvenil e ao Brasil Open de Tênis, este considerado o maior evento de tênis do Brasil e único na categoria ATP Internacional Series (Torneio Profissional Masculino), gerando 1.200 empregos temporários. 2.5 CENDAC Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente é um órgão do governo, onde prepara crianças e adolescentes para que tenha uma profissão justa e honesta. O cendac desenvolve atividades profissionalizantes que ajudam e proporcionam à criança e adolescentes cursos, treinamentos que estimulem o lado educacional. O cendac tem parcerias de organizações privadas, públicas e entidades que investem na educação desses jovens. 2.5.1 Programa adolescente trabalhador O programa Adolescente Trabalhador começou em 2004 em Campina Grande e hoje já funciona em onze municípios. Gloria Guimarães afirmou que os jovens são selecionados em suas escolas a partir das melhores notas e do comportamento. O Banco do Brasil os contrata por dois anos, com carteira assinada, onde têm aulas sobre atividades bancárias e no sábado aulas no Cendac de Gestão e Cidadania e de Português e Matemática. Nos dois anos de estágio no Banco do Brasil, os jovens recebem, além do salário, vale transporte, vale alimentação e plano de saúde. 41 O programa tem demonstrado a cada dia uma positividade na questão da inclusão social, preparando os jovens cada vez mais para o profissionalismo e que possam ter um futuro melhor, proporcionando uma vida mais digna. 42 3 PROCEDIMENTOS METETODOLÓGICOS Os procedimentos metodológicos aplicado no projeto de pesquisa será um de caso baseado numa analise de pesquisa de campo, dentre vista a prática de responsabilidade social no Banco do Brasil. È a partir desse projeto que vamos observar que a responsabilidade para com próximo não deixa de ser um valor cultural, além de principio ético e um valor moral, uma vez que se situa no nível das estruturas mentais de interpretação da realidade. Assim, podemos perceber por que a dimensão cultural é essencial para entendermos as formas que a responsabilidade corporativa vem tomando no mundo dos negócios. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA O projeto de pesquisa será um estudo de caso, onde se baseará na realidade vivida por uma organização, dentre vista a prática de Responsabilidade Social na mesma. Que através dessa pesquisa vamos perceber se há uma coerência através da aplicação dos projetos nessa área dentro da organização. Iremos fazer uma avaliação se o projeto é eficaz. Uma pesquisa quando se trata de estudo de caso ela consiste em aprofundar-se na prática dentro de uma organização, tornando assim uma tarefa mais complicada. Segundo Gil (1996, p. 121), é difícil traçar os limites de um objetivo. A totalidade de um objetivo quer físico, biológico ou social, é uma construção intelectual. Não existem limites concretos na definição de qualquer processo ou objeto. Como lembram Goode, Hatt (1969, p. 423). “Mesmo o animal vivo é uma construção, e o ponto onde termina o animal e começa „meio‟ é arbitrariamente definido”. Da mesma forma, é um grupo de trabalho são construções que são definidas à medida que se tornam úteis para a pesquisa e perceber características práticas de vivência do ser humano. “Além de ser difícil traçar os limites de qualquer objeto social, é difícil determinar a quantidade de informações necessárias sobre o objetivo delimitado.” 3.2 PROBLEMATIZAÇÃO Responsabilidade Social é um tema que está sendo muito discutido e debatido no mundo globalizado, chamando a atenção de todos para um problema de conscientização, onde não apenas entidades voltadas aos trabalhos voluntários e de questões religiosas estão 43 envolvidas, mas as pessoas de um modo geral, e percebemos que cada vez mais a sociedade tem a necessidade de buscar viver melhor em conjunto e harmonia entre si e a natureza. Por isso o Banco do Brasil vem desenvolvendo um trabalho responsabilidade social em parceria com órgãos públicos enfocando a necessidade de incluir os jovens adolescentes pertencentes a comunidades carentes a adquirir experiência e conhecimento, para que possam obter um futuro de êxito na vida profissional e pessoal proporcionando assim oportunidades de seguir uma carreira de sucesso. O Banco do Brasil Também conscientiza a sociedade para a questão sócia ambiental, que visa alertar as pessoas para as necessidades que há em obter uma vida melhor, mais longa, mais saudável e segura. Diante a essa questão social, surgiu a necessidade de investigar a seguinte questão: O Banco do Brasil colabora com a sociedade no sentido de prestar serviços de responsabilidade social coerentemente? 3.3 OBJETIVOS 3.3.1 Objetivo Geral Analisar o grau de responsabilidade social do Banco do Brasil em torno do relacionamento dos públicos interno e externos com a organização, em relação ao seu comprometimento com a comunidade. 3.3.2 Objetivos Específicos Observar se os Objetivos da organização correspondem com as expectativas das comunidades inseridas no projeto; Avaliar o comprometimento da empresa em relação aos projetos de responsabilidade social; Verificar se há coerência da empresa nas ações sócias desenvolvidas; Avaliar o relacionamento da empresa pesquisada com a parceria entre órgão público para projetos sociais. 44 3.4 CAMPO EMPIRICO O campo empírico da pesquisa foi em torno do Banco do Brasil S.A, agência de Santa Rita (PB), empresa do setor financeiro de economia mista. De acordo com Mafra (1992), O campo empírico é relativo à doutrina filosófica, segundo a qual, o conhecimento que temos das coisas deriva da experiência sensível, que se apóia exclusivamente na experiência e na observância, e não em uma teoria. O Banco do Brasil foi escolhido para desenvolver a pesquisa devido aos grandes avanços das ações sociais nas comunidades mais carentes. Conforme se observa, a implementação dos programas e iniciativas que revelam a responsabilidade social das organizações deve incluir o planejamento, desde um diagnostico inicial da situação em que se encontra a empresa até a proposição final do conjunto de ações que pretende ver implantado. De acordo com Kartoli (2006, p. 45) as organizações devem exercer a responsabilidade social em seu interior, dando aos seus funcionários, oferecendo aos mesmos melhorias na qualidade de vida e no seu exterior proporcionando melhorias à comunidade. 3.5 UNIVERSO E AMOSTRA O universo é o conjunto de todos os elementos sobre os quais desejamos tirar alguma conclusão, de uma ou várias proposições ditas como verdadeiras. (Cooper, 2003, p.150). Dessa forma, o universo desta pesquisa foi constituído pelos funcionários do Banco do Brasil agência de Santa Rita (PB), pelo Órgão do Estado (CENDAC) e pelos Adolescentes Trabalhadores. Quanto às amostras, foram selecionados por 50% dos funcionários, 100% das pessoas que fazem participam do projeto no órgão do Estado e 100% dos adolescentes participantes do projeto adolescente trabalhador. 3.6 INSTRUMENTO E COLETA DE DADOS Os dados foram coletados pela pesquisadora, utilizando formulários em forma de questionários, os quais foram constituídos por perguntas objetivas. Conforme Gil (1999, p. 54) Como o questionário foi aplicado pela pesquisadora, dessa forma o questionário se classifica como contato direto. 45 È necessário salientar que tanto a organização, quanto a entidade não se opuseram na aplicação do questionário, ao contrário houve uma ótima receptividade por parte das pessoas que estavam sendo pesquisadas. De acordo com Cooper (2003, p. 23), a observação ocorre quando o observador está fisicamente presente e monitora pessoalmente o que ocorre. Além de questionário, foi utilizada a observação simples para coletar informações para a conclusão da pesquisa. 46 5 ANALISANDO O PROJETO DE INCLUSÃO SOCIAL QUE O BANCO DO BRASIL OFERECE AS COMUNIDADES CARENTES Os dados foram analisados quantitativamente, visando à objetividade dos fatos, uma vez que a análise quantitativa utiliza técnicas estatísticas que servem para demonstrar os resultados obtidos com os questionários. Os dados desta pesquisa são decorrentes da aplicação de 32 (trinta e dois) questionários, sendo que 10(dez) foram aplicados aos funcionários do Banco do Brasil, 2 (dois) aos funcionários do Cendac, e os outros 20 (vinte) questionários foram aplicados ao Adolescente Trabalhador. 5.1 NA VISÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Na visão dos funcionários do Banco do Brasil a quem se deve a obrigação da responsabilidade social 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Do governo Das Da sociedade organizações em geral e governo Das Ong's Outros Quadro1- Visão dos funcionários do Banco do Brasil sobre a responsabilidade social Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro1, Observa-se que dos 10 funcionários pesquisados 4 funcionários afirmam que a obrigação da responsabilidade social é das organizações e do governo, 3 funcionários dizem ser da sociedade em geral e os outros 3 funcionários dizem ser das ONG‟s. Nota-se com isso, que a opinião dos funcionários ainda é muito dividida. De acordo com Ashley (2003) a responsabilidade social assume outras características, englobando o publico interno e externo, além do investimento na preservação ambiental, mas não necessariamente privilegiando uma categoria em particular. 47 O Banco do Brasil estabelece uma boa comunicação com o Cendac no projeto Adolescente Trabalhador 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Sim Não Quadro2- A comunicação do BB com o Cendac no projeto Adolescente Trabalhador Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 2, percebe-se que a comunicação entre o Banco do Brasil com o Cendac é transparente, pois, dos 10 funcionários pesquisados, 9 funcionários afirmam a positividade da comunicação entre a organização e o órgão público e que apenas 1 funcionário afirmou não ter um boa comunicação. Nota-se com isso, que a maioria dos funcionários percebe que é importante atribuir a comunicação entre as duas partes, e assim procurar solucionar os problemas existentes no projeto. De acordo com Santos (2001) na responsabilidade social além de cuidar do meio ambiente saudável e do social, também é necessário contribuir para uma comunicação transparente nas atividades sociais. 48 O projeto Adolescente trabalhador, é uma iniciativa positiva para a inclusão social de menores carentes? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Sim Não Quadro 3: O projeto adolescente trabalhador Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 3, Dos 10 funcionários pesquisados todos ele afirmam ser positiva a iniciativa da empresa nesse projeto. E concordam que essa iniciativa dentre os projetos de responsabilidade social do Banco do Brasil é um dos mais positivos projetos existentes, onde possui um índice de positividade e de inclusão social muito significativo. Drucker (1981) chama a atenção para o fato de que é justamente em função da empresa ser bem sucedida no mercado que cresce a necessidade de atuação socialmente responsável, visando diminuir os problemas sociais. Assim, a responsabilidade social é um fator importante para que as companhias mantenham sua sustentabilidade. 49 A empresa desenvolve outros projetos de ações sociais? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Sim Não Quadro 4: A empresa desenvolve outros projetos de ações sociais Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 4, observa-se que os 10 funcionários pesquisados do Banco do Brasil, todos afirmam que conhecem pelo menos 1 tipo de projeto de ação social desenvolvido pela empresa e citaram algumas. Percebe-se que os funcionários pesquisados estão atentos aos projetos da organização o que é muito satisfatório para a empresa. De acordo com Santos (2001) o desenvolvimento de projetos sociais é extremamente importante no campo da responsabilidade social, porém esta vai além do desenvolvimento de projetos, relaciona-se ao comportamento ético da organização. Diante disso, cabe a organização além de desenvolver esses projetos sociais preocupase em divulgar entre os funcionários e a comunidade em que faz parte com ética e responsabilidade. 50 A missão da empresa faz referência à responsabilidade social? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Sim Não Quadro 5: A missão da empresa faz referência à responsabilidade social Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 5, observa-se que os 10 dos funcionários pesquisados afirmam que a missão da organização faz referência à responsabilidade social. Nota-se com isso, que o comprometimento do Banco do Brasil pelo social. Segundo Oliveira (2002) a doutrina da responsabilidade social determina que a instituição assuma as suas funções sociais, devendo o profissional responsável encarregar-se do redimensionamento da missão. 51 5.2 NA VISÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO CENDAC Na visão dos funcionários do Cendac a quem se deve a obrigação no que se refere a responsabilidade social? 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Do governo Das Da sociedade organizações em geral e governo Das Ong's Outros Quadro 6: Na visão dos funcionários do CENDAC de quem é a obrigação da responsabilidade social Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 6, dos 2 funcionários do CENDAC, 1 funcionário afirma que a obrigação é do governo e o outro funcionário diz ser da sociedade em geral. Independente de quem seja a responsabilidade pelo social de acordo com Santos e Mendes (2001), o desenvolvimento de projetos social é extremamente importante no campo da responsabilidade social, porém esta vai além do desenvolvimento de projetos, relaciona-se ao comportamento ético. 52 Como se classifica o relacionamento do Banco do Brasil com o CENDAC? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Otimo Bom Regular Quadro 7: Como se classifica o relacionamento do Banco do Brasil com o CENDAC Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 7, observa-se que os 2 funcionários pesquisados, todos afirmam ter um ótimo relacionamento com o Banco do Brasil. Diante disso nota-se que é importante e necessário para o projeto manter um bom relacionamento entre a empresa e o órgão do estado. Segundo Ashley (2003) a responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para ter para com a sociedade, expresso por meio de atos, atitudes e um bom relacionamento com a comunidade que afetam positivamente . 53 A parceria entre o Banco do Brasil e Cendac obtém resultados positivos? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Sim Não Quadro 8: A parceria entre o Banco do Brasil e o CENDAC obtém resultados positivos Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 8, observa-se que os 2 funcionários pesquisados a parceria entre o Banco do Brasil e o CENDAC obtém resultados positivos, o que é ótimo para todos os envolvidos no projeto. De acordo com Sour (2003), a empresa cidadã deve atender as necessidades de todos que fazem parte da sociedade, essa é uma atitude que demonstra responsabilidade pelo social trabalhando assim em parceria com a comunidade e sociedade em geral. 54 5.3 NA VISÃO DOS ADOLESCENTES TRABALHADORES Na visão dos Adolescentes Trabalhadores para quem é a obrigação no que se refere a responsabilidade social? 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Do governo Das Da sociedade organizações em geral e governo Das Ong's Outros Quadro 9: Na visão dos Adolescentes Trabalhadores para quem se deve a obrigação da responsabilidade social Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 9, observa-se que dos 20 adolescentes pesquisados, 8 adolescentes afirmaram ser obrigação do governo a responsabilidade social, 6 adolescentes afirmaram que a responsabilidade social é obrigação das organizações e governos, 4 adolescentes afirmaram que a obrigação é da sociedade em geral, e 2 adolescentes afirmaram que a obrigação é das Ong‟s. E Uma vez que os adolescente possuírem uma visão mais limitada por serem inexperientes ocorrendo assim opiniões tão divididas. Drucker (1981) afirma que a responsabilidade social não é um dever apenas das Igrejas, governos, sindicatos e Ong‟s mas de todas as organizações e da sociedade em geral. 55 Como é o relacionamento dos adolescente com o Banco do Brasil? 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Otimo Bom Regular Quadro 10: Como é o relacionamento dos adolescentes com o Banco do Brasil Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 10, observa-se que dos 20 adolescentes pesquisados, 18 afirmam que o relacionamento deles com Banco do Brasil é ótimo e apenas 2 afirmam que o relacionamento deles é bom. Esse resultado revela positividade, pois, o relacionamento entre a organização e os adolescentes na sua maioria é ótimo, demonstrando cada vez mais que a existência de responsabilidade nesse projeto. De acordo com Srour (2003) a empresa cidadã deve atender as necessidades de todos que fazem parte da sociedade, essa é uma atitude que demonstra responsabilidade pelo social. 56 Como é o relacionamento dos adolescentes com o Cendac? 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Otimo Bom Regular Fonte: Dados da pesquisa (2008) Quadro 11: Como é o relacionamento dos adolescentes com o CENDAC Conforme o quadro 11, dos 20 adolescentes pesquisados, 18 adolescentes afirma que o relacionamento com o CENDAC é ótimo e apenas 2 afirmam que o relacionamento com o CENDAC é bom, diante disso é possível afirmar que o CENDAC possui responsabilidade na aplicação desse projeto. De acordo com Oliveira (2002) a idéia de responsabilidade social supõe que a organização não tenha apenas obrigações legais, mas também responsabilidade com a sociedade, que pode ser revelada através de projetos de ação social, que visem, a melhoria de alguns aspectos da sociedade. 57 Desde a participação do projeto, os adolescentes obtiveram resultados positivos? 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Sim Não Quadro 12: Desde a participação do projeto, os adolescentes obtiveram resultados positivos Fonte: Dados da pesquisa (2008) Conforme o quadro 12, dos 20 adolescentes pesquisados, todos obtiveram resultados positivos desde que começaram a participar do projeto, esse resultado afirma que esse projeto é de extrema importância para comunidade. De acordo com Ashley (2003) num momento em que as organizações poderiam licitamente se eximir da responsabilidade social, a parceria e união de governo com empresas cidadãs, ajudando a liderar o processo de reconstrução social do país. Iniciativas de muito mérito surgiram, contando com adesão de empregados e das comunidades. Resultados muito positivos já podem ser detectados, e outros só com o tempo serão mensurados. Desse modo nesse último resultado revela que a parceria entre o Banco do Brasil e o CENDAC é positiva e demonstra que a inclusão e incentivos de atividades educacionais para esses jovens promove o equilíbrio e segurança numa sociedade. 58 CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer dos tempos cresceu entre empresários, políticos, cientistas sociais, lideres comunitários, ativistas de movimentos populares, artistas, historiadores da cultura, mulheres e homens comuns de todas as classes sociais, a percepção de que um novo mundo estava surgindo um mundo moldado pelas novas tecnologias, pelas novas estruturas sociais, por uma economia e uma nova cultura. Considerando-se os estudos teóricos realizados para aprofundar o tema deste estudo, e os dados analisados da empresa pesquisada, chegou-se às seguintes conclusões: Quanto ao relacionamento que o Banco do Brasil mantém com o CENDAC e os Adolescentes Trabalhadores. Pelo que foi observado tudo leva a crer que o relacionamento entre essa parceria é satisfatório e a comunicação entre eles é muito transparente. Com a pesquisa observou que os funcionários do Banco do Brasil, os funcionários do Cendac e os Adolescentes procuram manter o equilíbrio com uma parceria positiva. Apenas na questão que se refere para quem é a obrigação da responsabilidade social, houve opiniões divididas, nesse sentido a maioria dos funcionários do Banco do Brasil ressalta que a obrigação da responsabilidade social é das organizações e do governo, já para os funcionários do Cendac as opiniões se dividiram em achar que a obrigação cai para o governo e a sociedade em geral, e para os adolescentes a maioria afirma que a obrigação é do governo, porém, temos que levar em conta que são pessoas de formações diferentes, sendo considerável essa divisão. Por outro lado, observou-se que o relacionamento entre eles é positiva e que o projeto além de instruir os jovens ainda proporciona a eles confiança e demonstra interesse pelo seu aprendizado e evolução, o que é muito considerável. Com isso os jovens tende a lucrar, pois, desde a inclusão nesse projeto, através da pesquisa, notou-se que os adolescentes obtiveram grandes resultados positivos. O importante é que a organização tem consciência do quanto é necessário iniciativas de projetos como esse, e que a responsabilidade socioambiental começa dentro da organização e que os funcionários estão envolvidos nesse projeto. Na verdade, provavelmente a empresa realmente busca manter um bom relacionamento com o seu público interno e externo, pois além de desenvolver programas sociais, percebeu-se que não se trata de uma política imediatista, uma vez que a 59 responsabilidade social, realmente faz parte da missão da empresa, na verdade é um dos objetivos a ser perseguido pela mesma. Para Drucker (1981) a responsabilidade social é uma responsabilidade não apenas das organizações sem fins lucrativos, uma vez que se sabe que esta é uma responsabilidade de toda a sociedade. Por fim, pode-se concluir que o Banco do Brasil desenvolve políticas de responsabilidade social que envolve um relacionamento respeitoso, tanto para o público interno quanto para o publico externo. E que através dessa pesquisa o Banco do Brasil colabora com a sociedade no sentido de prestar serviços de ações sociais, comprometendo-se com a comunidade em cumprir de forma coerente as suas responsabilidades. È necessário salientar, que a pesquisadora não pretende com essa pesquisa, ser conclusiva, porém, criar novas possibilidades de estudos em torno desse tema. Recomendando-se outras realizações de estudos com o intuito de investigar a responsabilidade social em outras organizações. 60 REFERÊNCIAS ASHLEY, Patrícia Almeida, Ética e responsabilidade Social nos Negócios. 1ed. São Paulo: saraiva, 2003. BATEMAN,THOMAS S. Administração: construindo vantagens competitivas; São Paulo: Atlas,1998. COOPER, Donald R. Métodos de pesquisa em administração; 7ed. Porto Alegre: Bookman, 2003. DRUCKER, Peter Ferdnem. Fator Humano e desempenho: o melhor de Peter F. Drucker, São Paulo: Pioneira, 1981 DRUCKER, Peter Ferdnem. o melhor de Peter F. Drucker; a administração; São Paulo: Nobel, 2001. FERREL, O.C. Ética Empresarial: dilemas, tomadas de decisões e casos; Rio de Janeiro: Reichmanne e Afonso Editora, 2001 KARKOTLI, Gilson. Responsabilidade Social Empresarial; Rio de Janeiro Ed. Vozes, 2006 OLIVEIRA, Bernardina Maria Juvenal Freire. Conversa sobre normalização de textos acadêmicos; João Pessoa: Editora Universitária da UFPB SROUR, Robery Henry. Ética empresarial: a gestão da reputação; Rio de Janeiro: Campus, 2003. SOUZA, Luiz Oswaldo S. Moreira. Agenda 21: Banco da Sustentabilidade; Brasília Editora: Banco do Brasil, 2007 RESPONSABILIDADE SOCIAL. Disponível em <http.www.institutoethos.com.br>Acesso em 22/01/2008. 61 SUSTENTABILIDADE. Disponível em <http.www.bb.com.br> Acesso em 15/01/2008. . 62 APÊNDICES 63 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS FUNCIONÁRIOS Este questionário te como finalidade subsidiar um trabalho de conclusão do curso de Administração de Empresas, cujo objetivo principal consiste em analisar a responsabilidade social no Banco do Brasil – no que diz respeito a sua interação com seus clientes interno e externo. Suas respostas devem ser individuais e serão mantidas em absoluto sigilo. Pedimos que responda cada item o mais francamente possível. Não é necessário se identificar. 1. ( ( ( ( ( 2. Em sua opinião, a quem se deve a obrigação no que se refere a responsabilidade social? ) Para o governo; ) Organização e governo; ) Sociedade em geral; ) Das Ongs, governos, igrejas, sindicatos; ) Outros. A organização estabelece uma boa comunicação com a entidade parceira do projeto Adolescente Trabalhador? ( ) Sim 3. Em sua opinião, o projeto Adolescente Trabalhador, é uma iniciativa positiva para a inclusão social de menores carentes? ( ) Sim 4. ( ) Não ( ) Não A empresa desenvolve outros projetos de ações sociais? ( ) Sim ( ) Não Se for positivo, quais os projetos desenvolvidos pela organização que você conhece? 5. A missão da empresa faz referência à responsabilidade social? ( ) Sim ( ) Não 64 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO APLICADO A ORGÃO PARCEIRO (CENDAC) Este questionário te como finalidade subsidiar um trabalho de conclusão do curso de Administração de Empresas, cujo objetivo principal consiste em analisar a responsabilidade social no Banco do Brasil – no que diz respeito a sua interação com seus clientes interno e externo. Suas respostas devem ser individuais e serão mantidas em absoluto sigilo. Pedimos que responda cada item o mais francamente possível. Não é necessário se identificar. 1. Em sua opinião, a quem se deve a obrigação no que se refere a responsabilidade social? ( ( ( ( ( 2. ) Para o governo; ) Organização e governo; ) Sociedade em geral; ) Das Ongs, governos, igrejas, sindicatos; ) Outros. Como você classifica o relacionamento da organização Banco do Brasil com o Órgão parceiro (Cendac)? ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular 3. Em sua opinião, a parceria entre o Banco do Brasil e o Cendac obtém resultados positivos? ( ) Sim ( ) Não 65 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO APLICADO ADOLESCENTES TRABALHADOR Este questionário te como finalidade subsidiar um trabalho de conclusão do curso de Administração de Empresas, cujo objetivo principal consiste em analisar a responsabilidade social no Banco do Brasil – no que diz respeito a sua interação com seus clientes interno e externo. Suas respostas devem ser individuais e serão mantidas em absoluto sigilo. Pedimos que responda cada item o mais francamente possível. Não é necessário se identificar. 1. Em sua opinião, a quem se deve a obrigação no que se refere a responsabilidade social? ( ( ( ( ( 2. ) Para o governo; ) Organização e governo; ) Sociedade em geral; ) Das Ongs, governos, igrejas, sindicatos; ) Outros. Como è o seu relacionamento com a empresa pesquisada Banco do Brasil? ( ( ( ( 3. ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Péssimo Como é o seu relacionamento com o órgão do governo (Cendac)? ( ( ( ( ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Péssimo 4. Desde que você começou a fazer parte desse projeto, você conseguiu obter resultados positivos na sua vida? ( ) Sim ( ) Não