QUANDO NÃO É SÓ A SOCIOLOGIA EM PAUTA: OS DESAFIOS DA AULA INTERDISCIPLINAR DO PLANO DE AULA À DIDÁTICA DO TABLADO Jeniffer Modenuti1 Eliza Carvalho da Costa2 RESUMO: O desafio da interdisciplinaridade tem de ser enfrentado, na atualidade, através de uma proposta de ensino e aprendizagem que visa rejeitar o conhecimento fragmentado que é observado, em algumas situações, no interior das diversas instituições de ensino, seja na formação, seja na transmissão do conhecimento. A finalidade deste artigo é trazer uma luz à discussão sobre os desafios e benefícios de preparar e de aplicar uma aula quando todo o seu objetivo está definido em torno da necessidade de ser interdisciplinar, o que exige o encadeamento das diversas disciplinas dentro de uma mesma perspectiva. Apresentar aos alunos as contribuições de cada área de conhecimento pode trazer muitos benefícios para o conhecimento já sedimentado. Para tanto, apresentamos o marco teórico na qual estão presentes as discussões conceituais, de aplicabilidade e utilidade da interdisciplinaridade. Em seguida, serão tratadas as experiências com esta modalidade interdisciplinar de ensino. Experiências essas que partiram de aulas de Sociologia ministradas em parceria com outras áreas do conhecimento no Cursinho Especial Pré-Vestibular da Universidade Estadual de Londrina, que vem preparando alunos para o desafio do vestibular, e também formando estudantes de graduação desta Universidade para o exercício da Licenciatura desde 1996. PALAVRAS-CHAVE: Sociologia, Interdisciplinaridade, Plano de Aula. INTRODUÇÃO O Cursinho Especial Pré-Vestibular da Universidade Estadual de Londrina (CEPV-UEL) vem desde 1996 atendendo de maneira gratuita a comunidade externa e interna, considerada em vulnerabilidade social, e que assim não pode arcar com as despesas de um cursinho particular, utilizando-se de aulas preparatórias para que seus alunos venham a realizar a prova do vestibular a fim de adentrar a universidade. Este cursinho conta com recursos humanos de professores que pertencem aos cursos de graduação da mesma universidade, servindo, portanto, como uma escola não apenas para os alunos da comunidade externa que estão matriculados no cursinho, mas também aos instrutores das diversas disciplinas que são cobradas no vestibular, onde os 1 Graduanda do 5º período em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina. Professora de Sociologia do Cursinho Especial Pré-Vestibular da UEL. Colaboradora do LENPES, Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão do Ensino de Sociologia – UEL. Contato: [email protected] 2 Graduanda do 7º período em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina. Professora de Sociologia do Cursinho Especial Pré-Vestibular da UEL. Contato: [email protected] graduandos tomam o desafio de elaborar materiais e aulas, além do atendimento direcionado e participações em eventos que visam a integração dos alunos aos variados temas abordados nos vestibulares. Cada aluno de graduação da Universidade Estadual de Londrina, que pretende se unir a equipe do CEPV-UEL como instrutor (professor) passa por rigoroso processo de seleção que consiste em prova escrita, prova didática e entrevista com análise de currículo. Conquistando nota satisfatória nestas três etapas, o professor, para um bom trabalho cotidiano, precisa ter consciência da necessidade e importância do trabalho em equipe, que é a principal forma de se conquistar o sucesso e bom desempenho do cursinho seja nas suas atividades práticas, como simulados3, elaboração de apostilas, orientação profissional e etc., seja para os desafios que impõe a sala de aula. Esta parceria e diálogo fluente entre a equipe de professores é imprescindível, portanto, ao objeto de reflexão aqui tomado, que consiste em analisar os desafios da interdisciplinaridade, do seu conceito, plano de aula e prática do tablado. No primeiro momento temos presente o referencial teórico, que nos traz a uma visão sobre a interdisciplinaridade, seu conceito e principais implicações, o que nos permite discutir sua importância para o ensino e aprendizado, bem como para a formação de profissionais que sejam capazes de responder a este desafio. Por conseguinte, analisamos os desafios da formulação do plano de aula que se diga interdisciplinar e das práticas do tablado4, quando projetamos aos alunos tal modelo de aula. Tal análise é possível tomando por base as vivências que os professores de Sociologia tiveram no processo de elaborar e ministrar aulas interdisciplinares, que são previstas regularmente no planejamento anual do CEPV-UEL com aulas mensais somadas a chamada “Semana Inter” onde uma semana de aula é reservada inteiramente para aulas interdisciplinares, contando com a participação de toda a equipe. A QUESTÃO DA INTERDISCIPLINARIDADE A respeito da interdisciplinaridade como conceito e prática, foram analisados em uma pesquisa bibliográfica autores que tratam de questões pertinentes a este tema, assim possibilitando o levantamento teórico necessário a compreensão deste trabalho. 3 Simulados previstos no calendário anual destinam-se a simular as provas do vestibular, para assim preparar o aluno para o dia do concurso, bem como para que seja possível a análise do desempenho, por parte do aluno e dos professores. 4 O dito tablado corresponde ao espaço destinado ao professor para o exercício de uma aula. Este espaço comporta a lousa, mesa do professor e controle dos recursos didáticos. Além disso, este é um local destinado à experiência do lecionar e de colocar-se diante da classe interagindo com os alunos. Ao questionar o que significa a interdisciplinaridade, no seu mais pertinente conceito, temos em Fazenda (2011) que não há um termo etimológico preciso da palavra interdisciplinaridade, o que a faz ser considerada um neologismo, contudo, o princípio da interdisciplinaridade pode ser compreendido como a integração entre disciplinas de diferentes especialidades sob o prisma de um mesmo projeto, onde os especialistas contribuem, ainda que em diferentes graus de intensidade, à formação do objetivo em comum. Fazenda ainda observa que essa busca pela unificação do saber, tanto no ensino, quanto na pesquisa, se dá em resposta ao conhecimento fragmentado, típico da constante especialização fruto da modernidade, assim como também aponta Juares da Silva Thiesen: [...] a literatura sobre esse tema mostra que existe pelo menos uma posição consensual quanto ao sentido e à finalidade da interdisciplinaridade: ela busca responder à necessidade de superação da visão fragmentada nos processos de produção e socialização do conhecimento. Trata-se de um movimento que caminha para novas formas de organização do conhecimento ou para um novo sistema de sua produção, difusão e transferência. (THIESEN, 2008, p. 545). Nessa perspectiva temos que a interdisciplinaridade suplanta-se em uma busca de diálogo e integração entre as diversas ciências e áreas de conhecimento, a fim de dar novos rumos para a constante especialização e fragmentação a qual estão submetidos os saberes. Ainda sobre o conceito de interdisciplinaridade, Thiesen complementa que este surge na segunda metade do século passado, em resposta a uma necessidade verificada principalmente nos campos das ciências humanas e da educação: superar a fragmentação e o caráter de especialização do conhecimento, causados por uma epistemologia de tendência positivista em cujas raízes estão o empirismo, o naturalismo e o mecanicismo científico do início da modernidade. (THIESEN, 2008, p. 546). Em sua análise Thiesen defende que a interdisciplinaridade se dá na prática, mais que na definição do conceito, o que podemos entender que é possível conhecer a interdisciplinaridade ao se agir desta forma, e ele ainda complementa: O que se pode afirmar no campo conceitual é que a interdisciplinaridade será sempre uma reação alternativa à abordagem disciplinar normalizadora (seja no ensino ou na pesquisa) dos diversos objetos de estudo. Independente da definição que cada autor assuma, a interdisciplinaridade está sempre situada no campo onde se pensa a possibilidade de superar a fragmentação das ciências e dos conhecimentos produzidos por elas e onde simultaneamente se exprime a resistência sobre um saber parcelado. (THIESEN, 2008, p. 547). Fazenda (2011) analisa em sua obra “a utilidade, o valor e a aplicabilidade” da interdisciplinaridade, na qual considera que esta é um “ponto de vista que permite uma reflexão aprofundada, crítica e salutar sobre o funcionamento” do saber. Assim ela apresenta, como primeiro eixo, a interdisciplinaridade como “um meio de conseguir uma melhor formação geral”, onde o indivíduo que recebe esta formação interdisciplinar, se situa em sua realidade, apreendendo pelos diferentes pontos de visão a sua sociedade, podendo assim melhor atuar nela, de maneira mais crítica e consciente. É, para Fazenda, a união entre o saber e o fazer, a teoria e a prática onde o educador e o educando fazem parte do mesmo processo de partilha de saberes. E é no diálogo entre os diferentes conhecimentos que o saber se forma, e o diálogo só é possível graças a atitude interdisciplinar que permite a interação e participação de todos os agentes do processo de ensino e aprendizagem. Como segundo eixo, Fazenda (2011) destaca a interdisciplinaridade como um “meio de atingir a formação profissional”. Isso se daria posto que o indivíduo, ao formar seu conhecimento de maneira interdisciplinar, possui um aporte a mais para responder aos desafios práticos colocados pelas diversas profissões e às falhas que podem apresentar constante especialização, munindo o profissional de uma consciência mais crítica e refletindo a atitude interdisciplinar no seu cotidiano. A partir deste pensamento a autora expõe o terceiro eixo, em que valoriza a influência da interdisciplinaridade no “processo de formação de pesquisa e pesquisadores”, ao ampliar a percepção do pesquisado sobre seu objeto e auxiliá-lo na compreensão da união teoria e prática. A interdisciplinaridade “como exercício para uma educação permanente” é apontada por Fazendo (2011) como o quarto eixo, e sua importância se dá na necessidade da educação transcender os muros da escola, se fazendo presente no cotidiano dos alunos e refletindo, por sua vez, em toda a sociedade. Este movimento de expansão do pensamento crítico e participante parte de uma formação interdisciplinar que possibilita, segundo Fazenda (2011), “uma troca contínua de experiências”. No quinto eixo abordado, para discutir a interdisciplinaridade como superação da divisão entre ensino e pesquisa, Fazenda (2011) argumenta: O que se pretende ao propor a interdisciplinaridade como atitude capaz de revolucionar os hábitos já estabelecidos, como forma de passar de um saber setorizado a um conhecimento integrado, e uma intersubjetividade, é sobretudo frisar que a partir desse novo enfoque pedagógico, já não é mais possível admitir-se a dicotomia ensino-pesquisa, visto que nela, a pesquisa constitui a única forma possível de aprendizagem. (FAZENDA, 2011, p. 80). Para tanto, é necessário o constante treino do pesquisador, para lidar com esses desafios de superação, o que leva em conta todos os eixos anteriores. A utilidade de interdisciplinaridade figura no sexto eixo como “forma de compreender e modificar o mundo”, quando Fazenda (2011) argumenta que o homem é ao mesmo tempo agente e sujeito de um mundo que é múltiplo, portanto é necessário que se adquira um pensamento multifacetado sobre este mundo, podendo apreender todos os seus vários aspectos presentes numa mesma questão, em uma mesma realidade, lutando desta forma contra uma visão deturpada da realidade, que valorize a apreensão de só uma parte do todo. Desta maneira este homem que é agente da realidade pode atuar nela de maneira a construir uma melhor sociabilidade. A integração das diversas áreas do conhecimento, da visão ampla sobre a realidade e da teoria com a prática podem ser entendidas, segundo Fazenda (2011), como etapa essencial à interdisciplinaridade. Portanto no sétimo e último eixo na qual Fazenda está analisando “a utilidade, o valor e a aplicabilidade” da interdisciplinaridade, a autora traz à luz a “integração como necessidade e interdisciplinaridade”, considerando que integrar difere-se da atitude interdisciplinar, pois não basta unir várias discussões sob um mesmo tema, é essencial mostras as ligações e inter-relações, causar a discussão a participação. Permanecer apenas na integração de conteúdos, em vez de caminhar para uma mudança ou transformação da própria realidade, pode resultar somente num novo jogo de palavras, numa nova rotulação para velhos problemas, enquanto as causas reais permanecem sem solução, ou mesmo sem questionamento. A respeito, portanto, da integração em relação à interdisciplinaridade, conclui-se em favor da necessidade da integração como momento, como possibilidade de atingir uma “interação”, uma interdisciplinaridade com vistas a novos questionamentos, novas buscas, enfim, para uma mudança na atitude de compreender e entender. (FAZENDA, 2011, p. 84). Notamos, portanto, que a interdisciplinaridade está presente em todos os campos de construção do saber, sendo uma necessidade para a formação do profissional, bem como para colocar o estudante, em qualquer fase do ensino ou instituição, diante uma visão ampliada e aprimorada sobre sua realidade e os diversos temas, podendo assim compreender com mais precisão e entendimento os desafios que lhe são postos. No processo de ensino, as áreas do conhecimento se encontram divididas em disciplinas, que constituem uma classificação, ou divisão sobre o qual se estruturam os processos de pesquisa e ensino. Pensar em um estudo interdisciplinar, que trabalhe com o diálogo e colaboração entre as disciplinas: [...] não é propor a superação de um ensino organizado por disciplinas, mas a criação de condições de ensinar em função das relações dinâmicas entre as diferentes disciplinas, aliando-se aos problemas da sociedade. A interdisciplinaridade torna-se possível, então, na medida em que se respeite a verdade e a relatividade de cada disciplina, tendo-se em vista um conhecer melhor. (FAZENDA, 2011, p. 89). OS PLANOS DE AULA E O PREPARO PARA O TABLADO Como observado, a interdisciplinaridade está preocupada em unir as diferentes áreas de conhecimento num processo de diálogo e interação entre as mesmas e dos profissionais para com os estudantes, em um movimento onde todos são agentes do conhecimento. Quando da proposta do CEPV-UEL em promover durante toda a grade anual aulas interdisciplinares, estes objetivos se destacam. Parte-se do pressuposto que ao aluno imergir nesta percepção multifacetada de um mesmo tema, desenvolve-se nele a percepção sobre tal e consequentemente de toda sua realidade, aprimorando-se sua capacidade de interpretação, raciocínio e compreensão. No planejamento anual do CEPV-UEL são previstas 2 aulas mensais, realizadas aos sábados, abordando temas interdisciplinares e no último trimestre do ano uma semana se encontra dedicada somente as aulas deste caráter, conhecida como “Semana Inter”. Esta atividade possui um tema norteador, onde as diversas disciplinas trabalham com temas derivados, unindo-se por aproximações e possibilidades de estabelecer um diálogo coerente, coeso e crítico. Cada aula pressupõe horas de estudo prévias, onde as áreas de conhecimento que se propuseram a trabalhar juntas devem pensar nos meios de realizar seu trabalho a fim de obter o entendimento e retorno dos alunos. A partir das experiências vividas, podemos extrair as seguintes observações, que foram separadas em itens: 1. Definição do tema: a temática a ser trabalhada define-se pela necessidade do conteúdo e também pelas possibilidades de contribuições que as diferentes áreas podem dar ao tema. Assuntos recorrentes à mídia: como Política, Fenômenos Naturais, Mulher, Oriente Médio, Gênios da Humanidade, Preconceitos, Direitos Humanos, etc., figuram como exemplos de temáticas norteadoras. 2. Delinear as Subtemáticas por Área de Conhecimento: é fundamental o diálogo e a integração entre os que se propõe realizar o trabalho interdisciplinar. Lembrando-se que não basta às disciplinas interagirem, elas precisam ser interdisciplinares, causarem o diálogo e o entendimento dos alunos. É preciso que o professor esteja aberto a receber opiniões e a partilhar suas ideias visando tal objetivo. 3. Levantamento Teórico: cada linha de conhecimento realiza a pesquisa necessária ao seu tema, atentando-se neste processo para as possíveis ligações com os outros subtemas. Neste momento se configura a experiência de realizar a pesquisa de maneira interdisciplinar. O professor vai além de sua formação partindo de um exercício de curiosidade, dedicação e cuidado metodológico que move o cientista. 4. Partilha das Informações Colhidas: para uma boa integração entre as áreas de conhecimento é necessário que haja a partilha de informações entre as disciplinas. Reuniões e trocas de materiais, como artigos, textos e livros são primordiais. Destaca-se nesse ponto o trabalho em equipe, que prescinde do empenho de todos em realizar com qualidade sua função para o bom resultado do todo. 5. Montagem dos Objetivos: com todas as informações reunidas e com a seleção dos assuntos que melhor se integram, parte-se para a escolha dos objetivos da aula - o que a equipe se propõe a passar para os alunos e, por conseguinte, os objetivos específicos de cada disciplina. Fundamental neste momento aos professores que planejam a aula considerarem as ligações entre a teoria e prática, essenciais à compreensão do aluno, onde este vê a aplicabilidade dos conceitos e a relevância de tal estudo. 6. Organização dos Conteúdos: é preciso haver uma sequência entre os conteúdos, ou seja, que eles venham a se complementar, seguindo a linha de raciocínio, partindo do mais simples ao mais complexo, também prevendo as possíveis dificuldades que possam vir a surgir em sala, uma vez que é primordial ao professor conhecer o seu aluno, entendendo sua realidade e buscando estratégias para que dele se aproxime. 7. Planejamento do Desenvolvimento da Aula: já no planejamento da aula é necessário pensar a sequência de ações que tomará a mesma. Assim como os conteúdos são apresentados aos alunos segundo o grau de complexidade, não se pode excluir no decorrer da aula a integração entre os professores. É preciso, portanto, se pensar quais são as possíveis brechas que as disciplinas venham a estabelecer um diálogo mais intenso, ou dar mais espaço para explorar algum conceito. O controle do tempo de cada professor ou assunto utilizará deve ser pensado previamente, a fim de evitar imprevistos desagradáveis. 8. Recursos didáticos: é bastante vasta a gama de materiais audiovisuais que podem ser utilizados para mostrar a integração entre as disciplinas, assim como para desencadear a aula, transferirem as falas entre os professores e os assuntos. Vídeos, imagens e músicas já devem ser definidos no planejamento aula, assim como as discussões que podem surgir a partir deles. Outra observação quanto aos recursos didáticos, se dá na formulação de show de slides. A apresentação em PowerPoint, visualmente é muito valorada, entretanto é necessário tomar alguns cuidados, como a padronização de plano de fundo, letra, tipos de imagens, efeitos e design da apresentação, a fim de tornar a aula mais limpa e agradável para os alunos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a Sociologia é de essencial importância à formação de indivíduos autônomos, que se transformem em pensadores independentes, críticos e atuantes, percebendo a essência do que está oculto nos discursos e na realidade fenomênica, formando assim o próprio pensamento e julgamento sobre os fatos, ou, ainda mais relevante, que tenham a capacidade de fazer as próprias perguntas. Segundo Anthony Giddens (2004), a Sociologia é o estudo da vida social humana, grupos e sociedades. É uma tarefa fascinante ao mesmo tempo em que constrangedora, na medida em que o tema de estudo é o nosso próprio comportamento. O autor (2004), defende que a Sociologia mostra que é necessário adotar uma perspectiva mais abrangente do modo como o indivíduo é, e das razões pelas quais age. Compreender as maneiras ao mesmo tempo sutis, complexas e profundas, pelas quais as vidas individuais refletem os contextos da experiência social é essencial à perspectiva sociológica. Neste caso, o desafio colocado ao professor de Sociologia é em desenvolver a “Imaginação Sociológica” proposta por Wright Mills (1975), a fim de estimular o pensamento crítico e desvendar as amarras fenomênicas da realidade. Quanto ao acesso a materiais e recursos didáticos uma vez que a disciplina de Sociologia possui facilidade de dialogar com diversas áreas do conhecimento, inclusive as que não se referem às Ciências Humanas, não existem grandes dificuldades. Neste domínio, a internet tem proporcionado um amplo campo de direcionamento de pesquisa, haja vista que, com maior facilidade é possível encontrar desde reportagens de jornais como produções acadêmicas, podendo atuar tanto como fonte para abertura de debate em sala, como material de estudo e pesquisa que auxiliem na montagem da aula. O sucesso da aula dependerá no nível de familiaridade do professor com o tema e as discussões, e consequentemente, do comprometimento deste em seguir as metodologias de pesquisa e planejamento de aula, valorizando a todo o momento a interdisciplinaridade. Cada área do conhecimento contribui para que seja trabalhado o tema desde o plano de aula. O diálogo entre todos os professores está na base para o bom desenvolvimento deste último e positivo desencadeamento dos assuntos para a aula, consequentemente a boa comunicação, criatividade, organização e dedicação são requistos necessários à equipe. Um segundo desafio está em abordar o tema sabendo buscar quais especificidades trabalhar, e desenvolvê-las de maneira objetiva e bem fundamentada teoricamente. Para finalizar este estudo, ressalta-se a necessidade em estimar a prática interdisciplinar de maneira a sempre manter em mente a utilidade, valor e aplicabilidade da mesma, haja vista que; A necessidade da interdisciplinaridade impõe-se não só como forma de compreender e modificar o mundo, como também por uma exigência interna das ciências, que buscam o restabelecimento da unidade perdida do Saber. O valor e a aplicabilidade da interdisciplinaridade, portanto, podem-se verificar tanto na formação geral, profissional, de pesquisadores, quanto como meio de superar a dicotomia ensino-pesquisa e como forma de permitir uma educação permanente. (FAZENDA, 2011, p. 84) REFERÊNCIAS FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: Efetividade ou ideologia. 6ª ed. São Paulo: Loyola. 2011. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. 4.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. SIQUEIRA, Alexandra. Práticas interdisciplinares na educação básica: uma revisão bibliográfica-1970-2000. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v.3, n.1, p.90-97, dez.2001. THIESEN, Juares da Silva. A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-aprendizagem. Rev. Bras. Educ., Dez 2008, vol.13, no.39, p.545554. ISSN 1413-2478.