PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA (PPMEC) JÚLIO CÉSAR FERREIRA BRAZ AVALIAÇÃO NUMÉRICA DO DESEMPENHO MECÂNICO DE UM MATERIAL COMPÓSITO PARTICULADO COMO REFORÇO EM VIGAS DE MADEIRA São João Del Rei, 2013 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA (PPMEC) JÚLIO CÉSAR FERREIRA BRAZ AVALIAÇÃO NUMÉRICA DO DESEMPENHO MECÂNICO DE UM MATERIAL COMPÓSITO PARTICULADO COMO REFORÇO EM VIGAS DE MADEIRA Dissertação apresentada ao curso de mestrado da Universidade Federal de São João Del Rei, como requisito para obtenção do título de mestre em engenharia Mecânica. Área de concentração: Materiais e processos de fabricação. Orientador (a): Profa. Dra. Vânia Regina Velloso Silva. Coorientador: Prof. Dr. André Luis Christoforo. São João Del Rei, 2013 B827a Braz, Júlio César Ferreira Avaliação numérica do desempenho mecânico do emprego de um material compósito particulado como reforço em vigas de madeira . – 2013. 80f. ; il. Orientador: Vânia Regina Velloso Silva. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica. Referências: f. 39-42. 1. Compósito – Teses 2. Vigas de madeira – Teses 3. Reforço estrutural - Teses 4. Engenharia mecânica – Teses I. Silva, Vânia Regina Velloso. (orientadora) II. Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica III. Título CDU: 624.13 UFSJ UNIVERSIDADE FEDERAL DE sAo JoAo DEL- REI PROGRAMA DE POS-GRADUA<;AO EM ENGENHARIA MECANICA AVALIA<;AO NUMERICA DO DESEMPENHO MECANICO DE EMPREGO DE UM MATERIAL COMPOSITO PARTICULADO COMO REFORCO EM VIGAS DE MADEIRA Autor: Julio Cesar Ferreira Braz Orientador: Prof. Dra. Vania Regina Velloso Silva Co-orientador: Prof. Dr. Andre Luis Christoforo A Banca Examinadora, composta pelos membros examinadores abaixo, considerou aprovada esta Dissertacao. Prof. Dra. Vania Regina Velloso Silva - Presidente da Banca Universidade Federal de Sao Joao del-Rei (UFSJ) Prof. Dr. Andre Luis Christoforo Universidade Federal de Sao Joao del-Rei (UFSJ) Universidade Federal de Sao Joao del-Rei (UFSJ) Prof. Dra. Sara Del Vecchio IF Sudeste MG - (Juiz de Fora) Sao Joao del-Rei, 18 de fevereiro de 2013. DEDICATÓRIA Aos meus queridos pais, irmão, tios, tias, madrinha e primos, por serem tudo na minha vida e me mostrarem o verdadeiro família. significado das palavras amor e AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a Deus, por me proporcionar a vida e a energia de encarar novos desafios; Aos meus queridos pais, que foram o início de tudo, pelo carinho, por sempre estarem ao meu lado me apoiando em todos os momentos e que sempre me incentivaram desde o início da minha caminhada, não importando a distância; Ao meu irmão, pelos momentos divertidos e inesquecíveis; Aos meus tios, tias e madrinha, pelo imenso amor, carinho e incentivo sempre; Aos meus avôs, que já não estão entre nós, mas pelo pouco tempo que passamos juntos, encheram de alegria a minha vida; À minha orientadora, Profª. Drª. Vânia Regina Velloso Silva, que acreditou em mim e me deu a oportunidade de desenvolver essa dissertação; Ao co-orientador Prof. Dr. André Luiz Christoforo, suporte fundamental para realização deste trabalho; Ao graduando em Engenharia Mecânica Roberto Bianchini Layber, pela intensa colaboração desde o início dos trabalhos. Aos demais amigos, que aqui não mencionei, mas que de alguma forma contribuíram para minha formação. "Não importa aonde você parou... Em que momento da vida você cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar". Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... É renovar as esperanças na vida e o mais importante... Acreditar em você de novo." Carlos Drummond de Andrade RESUMO Vigas são elementos estruturais presentes na maioria das estruturas. Em se tratando dos materiais comumente empregados na elaboração de construções civis destaca-se a madeira, por ser um material de fonte renovável, de baixa densidade e de desempenho mecânico satisfatório. O modo de execução de alguns detalhes construtivos e a exposição às diferentes condições ambientais influenciam na durabilidade dos elementos estruturais de madeira, comprometendo as finalidades para as quais foram projetadas, requerendo soluções na forma de reparo ou reforço. Neste contexto este trabalho objetiva o emprego de um compósito polímero-cerâmico constituído de resina epóxi e de cimento Portland branco estrutural como reforço em vigas de madeira. A verificação do desempenho mecânico do conjunto (viga de madeira com a adição do compósito) foi realizada com o auxílio do Método dos Elementos Finitos (MEF), através da simulação do modelo mecânico de flexão estática de quatro pontos. A madeira utilizada na simulação foi o Eucalyptus grandis, tendo suas propriedades mecânicas obtidas de literaturas especializadas na área de estruturas de madeira. Os resultados em deslocamentos e tensões obtidos da análise numérica indicaram que o material compósito desenvolvido foi capaz de resistir satisfatoriamente às tensões provocadas pelas cargas, o mesmo ocorrendo com a madeira. PALAVRAS-CHAVE: compósito particulado, vigas de madeira, reforço estrutural, Método dos Elementos Finitos. ABSTRACT Beams are structural elements found in most parts of construction designs. Among of the materials commonly used in civil constructions, highlight the wood, because it is a material of renewable source, low density and satisfactory mechanical performance. The mode of execution of some construction details and exposure to different environmental conditions influence the durability of structural elements of wood, compromising the purpose for which they were designed, requiring solutions in the form of reinforcing or repair. Therefore, this work aims at the use of a polymer-ceramic composite consisting of epoxy resin and white Portland cement structural as a way of reinforcing wood beams. The study of the mechanical performance of the assembly (wooden beam with adding the composite) was based on the Finite Element Method (FEM), using the mechanical model of four point bending. The wood used in the simulation was the Eucalyptus grandis, and their mechanical properties were obtained from specialized literature in the area of wood structures. The results for displacements and stresses obtained from numerical analysis indicated that the composite polymer-ceramic developed was able to successfully withstand the stresses caused by the loads, the same occurring with the wood. KEYWORDS: composite, wooden beams, structural reinforcement, Finite Element Method LISTA DE FIGURAS Figura 3.1 – Ensaio de flexão a quatro pontos..................................................... 26 Figura 3.2 – Condições experimentais avaliadas numericamente..................... 27 Figura 3.3 – Discretização com a malha utilizada............................................... 28 Figura 4.1 – Deslocamento (mm) × Força (N)...................................................... 32 Figura 4.2 – Distribuição das tensões normais para a viga sem defeito ........... 33 Figura 4.3 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 10 mm ................................................................................................................. Figura 4.4 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 20 mm ................................................................................................................. 33 34 Figura 4.5 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 30 mm ................................................................................................................. 34 Figura 4.6 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 40 mm ................................................................................................................. 34 Figura 4.7 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 50 mm ................................................................................................................. 35 Figura 4.8 – Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 60 mm ................................................................................................................. 35 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Condições experimentais.................................................................. 22 Tabela 2.2 – Resultados experimentais médios e desvios-padrões..................... 22 Tabela 3.1 – Denominação das condições experimentais investigadas.............. 27 Tabela 4.1 – Deslocamentos (mm) obtidos no ponto médio referentes aos seis primeiros incrementos de carga............................................................................ Tabela 4.2 – Deslocamentos (mm) obtidos no ponto médio referentes aos seis últimos incrementos de carga............................................................................. Tabela 4.3 – Forças aplicadas para obtenção da flecha de 10,5 mm................. Tabela 4.4 – Valores de tensão normal para a condição de flecha igual a 10,5 mm............................................................................................................................... 30 31 32 35 Tabela 4.5 – Teste de hipóteses para os deslocamentos.......................................... 37 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS Letras Latinas CC Condição com defeito com emprego do compósito CP-V Cimento portland de alta resistência inicial DP Desvios-Padrões Dv Densidade Volumétrica E Módulo de Elasticidade Longitudinal Ec,0 Módulo de Elasticidade na Compressão Paralela às Fibras da Madeira Em Módulo de Elasticidade na Flexão fc,0 Resistência à Compressão Paralela às Fibras da Madeira ft,0 Resistência a Tração Paralela às Fibras da Madeira FRP Fibras Reforçadas com Polímeros G Módulo de Elasticidade Transversal GPa Giga Pascal kmod Coeficiente de Modificação kmod,1 Coeficiente parcial de modificação referente ao tipo de carregamento da madeira kmod, 2 Coeficiente parcial de modificação referente ao teor de umidade da madeira kmod, 3 Coeficiente parcial de modificação referente a categoria de madeira utilizada MLP Madeira Laminada Colada mm Milímetros MPa Mega Pascal N Newton Rc Resistência à Compressão SC Condição com Defeito sem o Emprego do compósito Polímero-cerâmica SS Condição sem a Presença de Defeito S11 Tensão Normal na Direção Paralela às Fibras 2D Duas Dimensões Letras Gregas γw Coeficiente de Ponderação ν Coeficiente de Poisson Abreviaturas ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRAF Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas ASTM American Society for Testing and Materials SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 14 1.1 Objetivos................................................................................................... 15 1.2. Justificativas............................................................................................ 15 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 16 2.1. Reparos em Vigas de Madeira por Materiais Compósitos..................... 17 2.2. Eucalipto como Matéria Prima................................................................. 20 2.3. Compósito Polímero-Cerâmico................................................................. 20 2.4. Conclusões da Revisão Bibliográfica........................................................ 23 3. MATERIAIS E MÉTODOS.............................................................................. 24 3.1. Simulação numérica................................................................................ 26 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES.................................................................. 30 5. CONCLUSÕES.............................................................................................. 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 39 APÊNDICE A – SIMULAÇÕES NUMÉRICAS CONSIDERANDO POISSON NULO................................................................................................. 43 APÊNDICE B – SIMULAÇÕES NUMÉRICAS VARIANDO-SE O VALOR DE POISSON..................................................................................................... 72 Capítulo 1 INTRODUÇÃO Segundo Christoforo (2007), as vigas são elementos estruturais presentes na maioria dos projetos estruturais. A madeira é uma material de fonte renovável, sendo uma de suas principais características a excelente relação entre resistência e densidade, sendo que esta chega a ser quatro vezes superior quando comparada ao aço (CALIL et al., 2003). A madeira cumpre também um papel essencial na construção de estruturas em geral, estando presente em pontes (CHRISTOFORO et al., 2012a), pavimentos, coberturas de edifícios entre outras aplicações. No entanto, o modo de execução de alguns detalhes construtivos aliados à exposição às diferentes condições ambientais influenciam na durabilidade dos elementos estruturais (BALSEIRO, 2008), sendo requeridas técnicas de reparo ou reforço para as estruturas danificadas. Além da condição de reforço em estruturas já projetadas, o emprego de materiais reforçantes no projeto estrutural a ser executado aumenta a potencialidade de uso dos componentes estruturais feitos com madeira, que segundo Miotto e Dias (2006), o baixo módulo de elasticidade longitudinal da madeira, quando comparado a outros materiais estruturais, faz com que as deformações sejam fatores limitantes em um projeto de vigas de madeira. De acordo com Fiorelli e Dias (2003), estruturas de madeira exigem reparos tanto para recuperar uma estrutura comprometida quanto para aumentar a capacidade de carga de seus elementos estruturais (reforço). O principais problemas apresentados por essas estruturas estão relacionados com a degradação por envelhecimento, à baixa eficiência de elementos estruturais e aumento da sobrecarga (FIORELLI, 2002), motivando o desenvolvimento de pesquisas envolvendo o estudo de reforços e recuperação para estruturas. Segundo Miotto e Dias (2006), recentemente vêm sendo utilizado materiais compósitos para se recuperar e reforçar estruturas, principalmente os elaborados com 15 Introdução polímeros e fibras reforçadas, por serem materiais flexíveis e resistentes, podendo substituir com vantagens, as técnicas convencionais de reforços como o emprego de reparos com aço e parafuso. 1.1. Objetivos Neste contexto, o presente trabalho objetiva investigar a potencialidade do emprego de um compósito polímero-cerâmico, constituída de resina epóxi e de cimento portland branco estrutural, como reforço em vigas de madeira de dimensões estruturais. A avaliação da eficiência do emprego do compósito como reforço neste trabalho é essencialmente numérica, fundamentada no Método dos Elementos Finitos, sendo as propriedades do compósito extraídas do trabalho de Panzera et al. (2010) e as da madeira (Eucalyptus grandis) provenientes da norma brasileira ABNT NBR 7190:1997 (Projeto de Estruturas de Madeira). Na grande maioria das pesquisas, a madeira é tratada como material isotrópico, consideração comumente utilizada em projetos estruturais, visto que a norma ABNT NBR 7190:1997 não faz referência sobre os procedimentos de cálculo para determinação dos módulos de elasticidade (E; G) e coeficientes de Poisson oriundos de sua anisotropia. Após investigar as condições experimentais com a consideração de coeficiente de Poisson nulo, será investigado a influência dessa propriedade nos deslocamentos da viga. 1.2. Justificativa As construções em madeira quando não tratadas corretamente requerem soluções na forma de reparo ou reforço, consistindo o emprego do compósito polímero-cerâmico em uma solução alternativa, possibilitando a recuperação de estruturas de madeira já projetadas. Conforme será apresentado na revisão bibliográfica, o emprego de materiais compósitos como forma de reforço em vigas de madeira se dá em maior parte com o uso de laminados, constituindo na experimentação o grande foco destas pesquisas. Capítulo 2 REVISÃO BILBIOGRÁFICA A madeira é um dos materiais de construção mais antigos, sendo utilizada principalmente em razão aos seguintes aspectos: disponibilidade na natureza, facilidade de manuseio, facilidade de fabricação, bom isolamento térmico e excelente relação resistência/peso (CALIL et al., 2003). A madeira se apresenta como um material celular, produzido por um mecanismo de crescimento contínuo das plantas. Existem diversas espécies de árvores espalhadas pelo mundo, mas todas com características comuns, tais como uma estrutura celular com um arranjo em forma de anéis concêntricos, o que garante propriedades mecânicas ortotrópicas, diretamente relacionadas com sua orientação em relação ao eixo principal (BALSEIRO, 2008). Propriedades químicas e mecânicas podem se diferenciar para uma mesma espécie de madeira de acordo com localização de sua extração. Outros parâmetros como clima e condições do solo podem afetar o crescimento da árvore, influenciando diretamente nas suas propriedades. Alem desses, fatores como a presença de nós, abertura de fendas durante a secagem e inclinação das fibras fazem com que as resistências das madeiras apresentem grandes variações (CHRISTOFORO et al., 2011). Em suma, de acordo com Calil et al. (2003), as propriedades mecânicas da madeira são dependentes da densidade básica, da porcentagem de madeira juvenil, da largura dos anéis, do ângulo das micro fibrilas, da quantidade de extrativos, do teor de umidade, da intensidade ao ataque de insetos, do tipo e da localização e quantidade de nós, dentre outro fatores, dificultando a obtenção de todos dos seu parâmetros elásticos a serem utilizados em projetos estruturais (CHRISTOFORO, 2012b). O Brasil apresenta vantagens pela grande disponibilidade de madeira em suas matas, tanto em reservas florestais como em políticas de reflorestamento, o que realça a necessidade da sua exploração adequada (ROCCO LHAR, 2008). Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas - ABRAF (2012), para fins estruturais, a produção mundial de madeira encontra-se por volta de 17 Revisão Bibliográfica cem milhões toneladas por ano, o que comprova a sua importância no contexto mundial. A utilização da madeira em estruturas adquiriu importância relevante no decorrer dos anos, seja pela diversidade, pela rigidez ou pela apresentação estética final que valoriza a construção. Suas características estruturais possuem grande atratividade mantendo certo status como material estrutural, apesar de hoje em dia razões ecológicas estejam pressionando para com a diminuição do seu uso (BALSEIRO, 2008). Infelizmente, estas estruturas apresentam deteriorações precoces quando não tratadas corretamente, principalmente devido à falta de manutenção, sendo necessária a reabilitação das mesmas através da técnica de reparo e reforço. 2.1. Reparos em Vigas de Madeira por Materiais Compósitos Existem diversas técnicas de reparo e reforço de estruturas de madeira, principalmente a base de materiais metálicos. Entretanto, estas apresentam limitações que vão desde a incompatibilidade dos materiais, quanto à fragilidade dos reforços quando exposto a condições ambientais mais reversas. Segundo Mettem e Robinson (1991), existem três métodos principais de se recuperar uma estrutura de madeira, os Tradicionais, em que a estrutura é recuperada com novas peças que substituem as degradadas, com dimensões e propriedades semelhantes às originais, entretanto devido às grandes dimensões das peças danificadas, essa prática vem encontrando limitações; os Mecânicos, em que os reparos estruturais são feitos utilizando conectores metálicos, todavia, algumas construções de madeira são expostas a intempéries, o que eleva o risco de corrosão dos metais utilizados e o Método Adesivo, onde são utilizadas variações de resina combinadas com reforços estruturais. Muitas pesquisas têm sido realizadas no campo de recuperação e reforço utilizando o método adesivo. Ritter (1990), afirma que a técnica em que se utiliza resina epóxi é mais eficiente para se recuperar uma estrutura de madeira. O epóxi é um gel de betume, que pode ser injetado manualmente na parte deteriorada devido a sua maleabilidade, promovendo desta forma o aumento da resistência mecânica da peça. Outras técnicas de reforço de estruturas de madeira vêm sendo relatadas na literatura, destacando-se o emprego de fibras reforçadas com polímeros. Fiorelli (2002) investigou a eficiência mecânica do emprego de fibras reforçadas com polímeros (FRP) coladas ao longo da parte inferior (região sujeita a forças de 18 Revisão Bibliográfica tração) de vigas de madeira das espécies Pinus elliottii e Eucaliptos grandis. Fiorelli concluiu experimentalmente que a técnica desenvolvida é de simples aplicação além de apresentar uma interessante característica, a presença de uma grande deformação antes da ruptura, justificada pelo rebaixamento da linha neutra, causando esmagamento de uma grande quantidade de madeira na parte comprimida. Miotto e Dias (2006) analisaram o emprego de fibras naturais (fibra de sisal) como forma de reforço em vigas de Madeira Laminada Colada (MLC). Os resultados mostram-se como uma prática viável para um melhor aproveitamento dos recursos florestais brasileiros. Os autores concluem, dentre outras, que a adição de fibras na face tracionada das peças de madeira garante excelente desempenho mecânico na flexão, entretanto, sendo modesta a contribuição em termos de rigidez. Discutem ainda que a adição de fibras de vidro ou carbono podem elevar a resistência da MLC na região tracionada, além de uma redução de 30% a 40% no volume da madeira, resultando no aumento da confiabilidade do material. Acrescenta-se ainda que o reforço aplicado a uma razão de 2% a 3% pode aumentar a resistência à flexão de vigas de MLC em mais de 100%. Campilho et al. (2010), através do ensaio de flexão estática a quatro pontos, avaliaram a influência do emprego de materiais compósitos laminados em fibras de carbono como forma de reforço em vigas de madeira. A presença do defeito foi simulada com a retirada de uma porção de madeira (Pinus Pinaster) da região mais solicitada pelas tensões de tração (face superior e ponto médio ao longo do comprimento da viga). Os resultados obtidos da análise experimental revelaram que o compósito laminado projetado para esforços de tração, mesmo inserido na região solicitada por tensões compressivas, ainda sim foi capaz de aumentar a resistência mecânica do conjunto. Além do trabalho de Campilho et al. (2010), as fibras de carbono como forma de reforço em vigas de madeira também foram foco das pesquisas experimentais desenvolvidas por Borri et al. (2005), Dias et al. (2006), Jankowski et al. (2010) e Kim e Harries (2010), sendo constatados em todos os casos a eficiência do uso de material como reforço em estruturas de madeira. Carvalho et al. (2012) investigaram experimentalmente a influência do emprego de materiais compósitos laminados em fibras de sisal como reforço em vigas de madeira Pinus elliottii e Eucalyptus grandis, comparando-se os resultados das cargas aplicadas no ensaio de flexão a três pontos entre as condições: viga íntegra (sem defeito), com 19 Revisão Bibliográfica defeito e sem compósito, sendo o defeito representado pela retirada de uma porção da madeira localizada no ponto médio da viga e em sua face inferior (tracionada), e viga com defeito e com a adição do compósito laminado, sendo os deslocamentos no ponto médio da viga limitados a razão L/200 (L – comprimento da viga), medida de pequenos deslocamentos definida pela norma brasileira NBR 7190:1997 que garante linearidade física e geométrica das vigas testadas. Dentre outras, os autores concluíram que o emprego do material compósito fabricado foi capaz de aumentar o valor da carga quando comparada com a condição de viga danificada sem compósito, e inferior mais próximo ao valor da força aplicada na condição de madeira íntegra. Buscando alternativas de aplicações práticas e eficientes, o presente trabalho propõe o emprego de um compósito polímero-cerâmico (projetada para resistir a forças compressivas) a ser inserida em vigas de madeira (em regiões comprimidas) como forma de reparo e reforço. Por ser inserida em regiões comprimidas, a condição de interface entre os materiais não é tão significativa, por estar o compósito confinado na madeira. O trabalho aqui desenvolvido foi baseado na pesquisa elaborada por Christoforo et al. (2011). Entretanto, este trabalho, assim como será apresentado posteriormente, são investigadas condição de “defeitos” que ultrapassam a linha neutra da seção e também a influência da consideração do Coeficiente de Poisson, variáveis estas não tratadas no trabalho de Christoforo et al. (2011). Algumas características peculiares justificam o interesse em se estudar o emprego de materiais compósitos particulados como reforço em vigas de madeira. Quando utilizado compósito laminado como reparo, sua eficiência é dependente da eficácia do adesivo usado. Adesivo é uma substância capaz de unir materiais através do contato entre suas superfícies. Porém, segundo Fiorelli (2002), a capacidade da união destes materiais não é uma propriedade intrínseca da substância, mas dependente do contexto em que a mesma é utilizada. Balseiro (2008), com o objetivo de verificar a influência do tamanho da área de colagem e das condições higrotérmicas, realizou ensaios de colagem em corpos de prova de compósitos laminados em fibras de carbono em peças de madeira utilizando resina epóxi Sikadur®. A resistência apresentada nos corpos de prova que foram colados com um teor de água elevado foi muito reduzida ou nula, indicando que a presença de umidade nas peças de madeira durante a sua colagem é muito prejudicial. Já os corpos de prova que mostraram a influência do comprimento de colagem na ligação Revisão Bibliográfica 20 20 tiveram valores superiores aos esperados, sendo os de maior comprimento e área de colagem os que apresentaram maior resistência ao cisalhamento. 2.2. Eucalipto como Matéria Prima O Eucalipto é uma planta originária da Austrália, onde existem mais de 600 espécies. A partir do início deste século, o Eucalipto teve seu plantio intensificado no Brasil, sendo usado durante algum tempo nas ferrovias, como dormentes e lenha para as marias-fumaças e mais tarde como poste para eletrificação das linhas. No final dos anos 20, as siderúrgicas mineiras começaram a aproveitar a madeira do Eucalipto, tranformando-o em carvão vegetal utilizado no processo de fabricação de ferro-gusa. O gênero Eucalyptus se apresenta como uma das principais opções para a produção de madeira, devido ao seu rápido crescimento, adaptabilidade a diversos ambientes e pela grande diversidade de espécies, que possibilita o atendimento a diferentes segmentos da produção industrial madeireira (BALSEIRO, 2008). Devido a sua boa capacidade de rebrota e rápido crescimento, podendo chegar até 3 ciclos de corte para uma mesma muda original, o Eucalipto tornou-se um espécie amplamente cultivada nos dias de hoje, exibindo características favoráveis ao meio ambiente. Em se tratando de grandes construções, Calil (2006) afirma que o Eucalipto recentemente vem sendo empregado também em pontes e passarelas. Na indústria moveleira, de acordo com Silva (2002), o preço e a dificuldade de obtenção são fatores que influenciam na freqüente substituição da madeira nativa pelo Eucalipto, mostrando ser uma boa opção também para a confecção de móveis em geral, justificando-se dessa forma o seu uso como a espécie de madeira utilizada nas simulações computacionais desenvolvidas neste trabalho. 2.3. Compósito Polímero-Cerâmico A utilização e o desenvolvimento de produtos cimentícios poliméricos vêm sendo conduzidos em vários países há mais de quarenta anos. A adição polimérica à pasta cimentícia tornou-se o foco de inúmeras pesquisas no Japão e Europa na década de 70 e posteriormente, na década de 80 nos Estados Unidos (VAN GEMERT et al., 2004). Estes compósitos vêm sendo empregados na construção civil na fase de acabamento como também na fabricação de produtos pré-moldados. Revisão Bibliográfica 21 21 Recentemente, uma nova demanda por compósitos poliméricos ressurgiu, e um exemplo claro disso é a crescente produção de mármores e granitos artificiais a cada ano. Esta atividade vem sendo impulsionada pelos conceitos de sustentabilidade do século XXI, uma vez que o uso de rochas minerais para confecção de revestimentos na construção civil promove o consumo da fonte mineral e traz sérios problemas ambientais (RAI et al., 2003). Em termos de microestrutura, a fase polimérica tende a recobrir os grãos não hidratados de cimento, retardando o processo de hidratação parcialmente ou completamente. Em alguns casos, promove maior formação de produtos internos do que produtos externos de C3S, além de evitar a formação de cristais de etringita durante o processo inicial de hidratação (SILVA et al., 2006; RAI et al., 2003). Porém, é bem possível que a maior vantagem desses sistemas consista na redução da porosidade, com conseqüente diminuição dos caminhos livres para propagação de fissuras e aumento da resistência mecânica final. Ohama (1997) e Van Gemert et. al. (2005), revisaram diversos tipos de compósitos poliméricos cimentícios e cabe ressaltar que, não somente a fase polimérica é adicionada ao cimento, mas também um percentual de água para promover a hidratação dos grãos cimentícios. As propriedades mecânicas do compósito polímero-cerâmico utilizadas para as simulações computacionais do seu emprego como material reforçante nas vigas de madeira foram providas da pesquisa desenvolvida por Panzera et al. (2010), constituindo-se de um polímero termorrígido de alta resistência mecânica adicionado em cimento portland CP-V estrutural sem adição de água. Somente uma formulação de referência, isto é, pasta de cimento puro, foi confeccionada com água para efeito de comparação. Os compósitos cimentícios deste estudo foram fabricados com as seguintes proporções da fase polimérica: 100% (0% de cimento), 75%, 50%, 25% e 0% (100% de cimento). As condições experimentais investigadas no trabalho de Panzera et al. (2010) podem ser observadas na Tabela 2.1. 22 22 Revisão Bibliográfica TABELA 2.1: Condições experimentais. Fonte Panzera et al. (2010). Polímero (%) Cimento (%) Água (%) C1 100 0 0 C2 75 25 0 C3 50 50 0 C4 25 75 0 C5 0 100 30 Os corpos de provas foram elaborados utilizando cimento Portland CPB-40, do fabricante Cauê - indústria Brasileira. A resina epóxi é constituída de duas partes, sendo uma denominada araldite e a outra endurecedor. O Araldite usado foi LY 1564BR e o endurecedor Aradur 2954. A proporção em massa da mistura utilizada foi de 74% de araldite para 26% de endurecedor. Sete corpos de prova foram fabricados para cada condição experimental para os ensaios de compressão axial. Os testes foram realizados de forma aleatória. Os compósitos investigados foram medidos para um período de cura de 28 dias. Os módulos de elasticidade e resistência à compressão foram determinados em função dos gráficos tensão-deformação obtidos dos ensaios de compressão. A massa específica do compósito foi calculada dividindo a massa do compósito seco (após 24 horas na estufa a 105°C) pelo volume saturado das amostras (28 mm de diâmetro e 56 mm de altura). A Tabela 2.2 exibe as médias e os desvios-padrões (DP) dos resultados de resistência à compressão (Rc), módulo de elasticidade longitudinal (E) e densidade volumétrica (Dv) das condições experimentais investigadas no trabalho de Panzera et al. (2010). TABELA 2.2: Resultados experimentais médios e desvios-padrões. Fonte: Panzera et al. (2010). Rc (MPa) DP E (GPa) DP Dv (kg/m3) DP C1 64,33 0,23 23,76 1,43 1170 0,01 C2 67,07 0,56 25,29 1,52 1340 0,02 C3 98,80 2,11 33,98 4,69 1640 0,01 C4 81,73 2,55 46,27 4,65 1840 0,02 23 23 Revisão Bibliográfica C5 28,93 1,90 47,88 1,63 1920 0,03 Para a realização das simulações numéricas, optou-se pelo compósito C3, constituído de 50% de fase polimérica e 50% de fase cimentícia. Este compósito apresentou uma boa relação resistência mecânica e densidade volumétrica, exibindo baixa densidade e elevada resistência mecânica, além de alta tenacidade se comparado com os compósitos das condições C4 e C5. 2.4. Conclusões da Revisão Bibliográfica Pela revisão bibliográfica apresentada, o emprego de materiais compósitos como forma de reforço em vigas de madeira se dá em maior parte com o uso de laminados, consistindo na experimentação o grande foco destas pesquisas. A madeira do gênero Eucalipto se apresenta como uma boa opção de emprego em estruturas de madeira, em razão da sua boa capacidade de rebrota e rápido crescimento, sendo encontradas, além das construções usuais, também em pontes, passarelas entre outras. Os compósitos polímero-cerâmico elaborados no trabalho de Panzera et al. (2010) se apresentam como excelente opção na forma de reforço em vigas de madeira pelos excelentes valores dos módulos de elasticidade e resistências à compressão obtidos, além da facilidade envolvida na elaboração destes materiais (mistura direta entre as fases). Capítulo 3 MATERIAIS E MÉTODOS Assim como comentado anteriormente, a madeira adotada para as simulações foi o Eucalyptus grandis. Para a realização do ensaio numérico da madeira torna-se necessário o conhecimento da seguintes propriedades: módulo de elasticidade na flexão (Em), resistência à compressão paralela às fibras da madeira (fc,0) e resistência à tração paralela às fibras da madeira (ft,0). Estas características foram obtidas através da norma brasileira ABNT NBR 7190:1997. A resistência a tração e a compressão paralela da madeira Eucalyptus grandis são respectivamente iguais a ft,0=70,2MPa e fc,0 = 40,3MPa. No item 6.3.4 – Caracterização da rigidez da madeira deste código normativo, apresenta-se uma relação entre o módulo de elasticidade na flexão com o módulo de elasticidade na compressão paralela (Ec,0) para as dicotiledôneas expressa pela Equação 3.1. Em = 0, 90Ec ,0 (3.1) O valor do módulo de elasticidade do Eucalyptus grandis na compressão paralela é igual a Ec,0 = 12813MPa, resultando num módulo de elasticidade na flexão de 11531,7MPa. Admitindo-se os coeficientes (minorantes) parciais de modificação1 kmod,1=0,6; kmod,2=1,0 e kmod,3=1,0 chega-se ao valor do coeficiente de modificação kmod=0,6. K mod = kmod1.k mod 2 .kmod 3 (3.2) O valor efetivo do módulo de elasticidade na flexão (Em,ef) utilizado nas simulações numéricas é obtido com o uso da equação 3.3, sendo este de 6919 MPa. Em ,ef = kmod .Em 1 (3.3) Os coeficientes parciais de modificação kmod,1 , kmod, 2,e kmod,3 , referem-se ao tipo de carregamento que a madeira está solicitada (permanente, longa duração, etc), teor de umidade da madeira e a categoria da madeira utilizada respectivamente. 25 Materiais e Métodos A partir do valor do coeficiente de ponderação (γw) é possível determinar os valores das resistências à compressão e à tração paralelas de cálculo (fc0,d e ft0,d) da madeira (Equação 3.4). fd = K mod . f γw (3.4) Os valores de resistência à compressão e à tração paralela de cálculo da madeira obtidos são iguais a fc0,d=17,27MPa e ft0,d=23,4MPa. Neste trabalho a madeira é tratada como material isotrópico, consideração comumente utilizada em projetos estruturais visto que a norma ABNT NBR 7190:1997 não faz referências sobre os procedimentos de cálculo para determinação dos módulos de elasticidade longitudinal (E) e o modelo de elasticidade na transversal (G) e coeficientes de Poisson oriundos da sua anisotropia. O módulo de elasticidade transversal é obtido de forma empírica neste documento normativo, conforme Equação 3.5. G= E 20 (3.5) Esta relação quando substituída na Equação 3.6 (que estabelece a igualdade entre módulo de elasticidade longitudinal e transversal para materiais isotrópicos), ultrapassa os limites para o coeficiente de Poisson, podendo ultrapassar o valor máximo de 0,50 em dezoito vezes. Desta forma, aqui foi-se inicialmente considerado nulo o valor de Poisson da madeira nas simulações, admitindo-se sua pequena influência em projetos de vigas sujeitas à flexão. G= E 2(1 +ν ) (3.6) O módulo de elasticidade e o valor da resistência à compressão utilizado nas simulações para o compósito da condição C3 são respectivamente iguais a 33,98GPa e 98,80MPa (Tabela 2.2). O valor do coeficiente de Poisson (0,35) para o compósito foi adotado como sendo o da resina epóxi (DANIEL e ISHAI, 1994). Pelo fato do compósito ser empregado em uma estrutura de madeira já projetada (danificada por algum motivo), o mesmo não teve suas propriedades mecânicas minoradas, e para a condição de projeto, assim como assumido nas simulações numéricas a madeira teve 26 26 Materiais e Métodos então suas propriedades modificadas de acordo com as premissas de cálculo da norma Brasileira ABNT NBR 7190:1997. 3.1. Simulação Numérica As simulações numéricas foram desenvolvidas com o intuito de verificar a eficiência do emprego do compósito como reforço em vigas de madeira de dimensões estruturais, sendo avaliadas através do modelo estrutural de flexão estática a quatro pontos (Figura 3.1), esquema de ensaio proposto pela norma ASTM D198-97 que trata da determinação do módulo de elasticidade longitudinal em peças de dimensões estruturais. FIGURA 3.1: Ensaio de flexão a quatro pontos. As dimensões das peças de madeira foram definidas de forma a respeitar a relação L/h apresentada no trabalho de Rocco Lahr (1983), desprezando o efeito das forças cisalhantes no cálculo das deflexões de vigas, sendo comprimento (L), altura (h) e largura da seção transversal (b) respectivamente iguais a 2100 mm, 100 mm e 50 mm. As dimensões adotadas dos raios das cavidades semicirculares a serem “retiradas” da parte superior da seção transversal (defeito), localizadas no ponto médio da viga (região de ocorrência da maior tensão normal de compressão), para posterior emprego do compósito como reforço são iguais a 10, 20, 30, 40, 50 e 60 mm. Para a viga inicialmente sem defeito, descobriu-se, com o auxílio da resistência dos materiais, o valor aproximado da força no ensaio de flexão responsável por provocar um deslocamento máximo (meio do vão) próximo a 10,50 mm, respeitando-se a condição de pequenos deslocamentos (L/200) estipulada pela norma brasileira NBR 7190:1997, tendo-se garantia de comportamento linear físico e geométrico para a viga. 27 27 Materiais e Métodos Este valor de força foi dividido em doze incrementos iguais. Para cada incremento de força utilizado na consideração de peça sem defeitos foram realizados outros dois ensaios numéricos, com defeito sem reforço e com defeito e com reforço, com o objetivo de se verificar o deslocamento calculado no ponto médio para estas outras duas outras condições, consistindo na abordagem utilizada para avaliar a eficiência mecânica do uso do material reforçante. Dessa forma, as simulações consistem em avaliar treze condições, uma com a peça íntegra, sem a presença de “defeitos”, e para cada uma das seis dimensões de raio da cavidade semicircular foram analisadas duas condições, com e sem a presença do compósito. Para os ensaios numéricos adotou-se as nomenclaturas R1, R2, R3, R4, R5 e R6 para os entalhes de 10 mm, 20 mm, 30 mm, 40 mm, 50 mm e 60 mm de raio. As extensões SS, CC e SC foram utilizadas para identificar respectivamente a condição sem a presença de defeitos e com a presença do defeito preenchido ou não pelo compósito, assim como ilustrado na Figura 3.2 e apresentado na Tabela 3.1. FIGURA 3.2: Condições experimentais avaliadas numericamente. TABELA 3.1: Denominação das condições experimentais investigadas. Experimento SS Raio do entalhe Aplicação de (mm) reforço Sem Sem 28 28 Materiais e Métodos R1-SC 10 Sem R1-CC 10 Com R2-SC 20 Sem R2-CC 20 Com R3-SC 30 Sem R3-CC 30 Com R4-SC 40 Sem R4-CC 40 Com R5-SC 50 Sem R5-CC 50 Com R6-SC 60 Sem R6-CC 60 Com As simulações numéricas das vigas de madeira com e sem reforços foram desenvolvidas com o emprego de elementos finitos com o auxílio do software ANSYS®. As condições de contorno aplicadas foram à fixação de uma extremidade com restrição horizontal e vertical e a outra extremidade com restrição vertical (apoio fixo e móvel respectivamente). Foi utilizada uma malha de elementos finitos de geometria triangular (PLANE183) com aresta de 10 mm para a madeira e de 2mm para o compósito, assim como ilustrado na Figura 3.3. FIGURA 3.3: Discretização com a malha utilizada. O valor da força responsável por provocar um valor de deslocamento no ponto médio da viga aproximadamente igual a 10,5mm é de 1135N. Para tanto, como comentado anteriormente, este valor foi divido em doze partes iguais, aplicando-se 29 29 Materiais e Métodos sobre a estrutura incrementos de força iguais a 100N, possibilitando descobrir com exatidão o valor das forças para cada uma das treze condições experimentais elaboradas. Ressalta-se neste trabalho que o compósito polímero-cerâmico é injetado na cavidade semicircular da face superior da seção transversal. Esta condição implica que a compósito estará confinado na madeira por forças compressivas, tornando a sua eficiência menos dependente da adesão entre a resina e a madeira. Ainda, tratando-se da consideração de projeto, na condição de pequenos deslocamentos (linearidade geométrica) e comportamento linear físico para os materiais, tem-se maior segurança na integridade da interface entre a madeira e o compósito, permitindo-se a consideração de adesão perfeita entre os materiais. Depois de investigadas as treze condições experimentais com a consideração de coeficiente de Poisson nulo, hipótese geralmente adotada na prática dos profissionais da construção, foram realizadas outras simulações numéricas adotando-se os valores dos coeficientes de Poisson: 0,1, 0,2, 0,3 e 0,4, de modo a verificar a influência dessa propriedade nos deslocamentos das vigas avaliadas. Capítulo 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES As Tabelas 4.1 e 4.2 exibem os valores dos deslocamentos (mm) obtidos para cada condição experimental investigada mediante o emprego dos doze incrementos de força. TABELA 4.1: Deslocamentos (mm) obtidos no ponto médio referentes aos seis primeiros incrementos de carga. Forças (N) Condições Experimentais 100 SS 0,929 R1-SC 200 300 400 500 600 1,857 2,786 3,715 4,644 5,572 0,942 1,884 2,827 3,769 4,711 5,653 R1-CC 0,925 1,85 2,775 3,699 4,624 5,549 R2-SC 0,982 1,963 2,945 3,927 4,909 5,89 R2-CC 0,916 1,833 2,749 3,666 4,582 5,499 R3-SC 1,058 2,116 3,175 4,233 5,291 6,349 R3-CC 0,907 1,814 2,721 3,628 4,535 5,442 R4-SC 1,201 2,402 3,603 4,804 6,005 7,206 R4-CC 0,898 1,795 2,693 3,591 4,488 5,386 R5-SC 1,48 2,959 4,439 5,918 7,398 8,877 R5-CC 0,888 1,776 2,665 3,553 4,441 5,329 R6-SC 2,077 4,155 6,232 8,309 10,387 12,464 R6-CC 0,877 1,755 2,633 3,511 4,388 5,266 1 1 R1, R2, R3, R4, R5 e R6: denominação para os entalhes de raios 10, 20, 30, 40, 50 e 60 mm respecticamente. SS, CC e SC : extenções utilizadas para identificar respectivamente a condição sem a presença de defeitos e com a presença do defeito preenchido ou não pelo compósito. 31 31 Resultados e discussões TABELA 4.2: Deslocamentos (mm) obtidos no ponto médio referentes aos seis últimos incrementos de carga. Forças (N) Condições Experimentais 700 800 900 1000 1100 1200 SS 6,501 7,43 8,359 9,287 10,22 11,145 R1-SC 6,596 7,538 8,48 9,422 10,36 11,307 R1-CC 6,474 7,399 8,324 9,248 10,17 11,098 R2-SC 6,872 7,854 8,835 9,817 10,8 11,78 R2-CC 6,415 7,332 8,248 9,165 10,08 10,998 R3-SC 7,407 8,465 9,524 10,58 11,64 12,698 R3-CC 6,349 7,256 8,163 9,07 9,977 10,884 R4-SC 8,407 9,609 10,81 12,01 13,21 14,413 R4-CC 6,284 7,181 8,079 8,977 9,874 10,772 R5-SC 10,357 11,836 13,316 14,795 16,275 17,754 R5-CC 6,218 R6-SC 14,541 16,619 18,696 20,773 22,851 24,928 R6-CC 6,143 7,106 7,021 7,994 7,899 8,882 8,776 9,771 9,654 10,659 10,532 Através dos resultados apresentados nas tabelas 4.1 e 4.2, pode-se observar que os deslocamentos das peças no ponto médio da viga com a adição do reforço são menores que os deslocamentos das peças de madeira sem defeitos, revelando a eficiência mecânica do emprego do compósito como reforço. A Figura 4.1 exibe os valores dos incrementos de força juntamente com os deslocamentos obtidos para as treze condições numéricas avaliadas. 32 32 Resultados e discussões FIGURA 4.1: Deslocamento (mm) × Força (N). Nota-se na figura anterior o comportamento linear entre força versus deslocamentos para as treze condições numéricas avaliadas. Afim de se estimar com maior exatidão o valor de força responsável por provocar nos trezes casos investigados um deslocamento no veio do vão da viga igual a 10,5 mm, recorreu-se ao modelo de regressão linear por mínimos quadrados. Os valores encontrados estão apresentados na tabela 4.3. TABELA 4.3: Forças aplicadas para obtenção da flecha de 10,5 mm. Viga Força (N) Inteiriça (SS) 1130,6 R1-SC 1114,3 R1-CC 1135,4 R2-SC 1069,6 R2-CC 1145,7 R3-SC 992,2 R3-CC 1157,7 R4-SC 874,2 R4-CC 1169,7 R5-SC 709,7 R5-CC 1182,1 33 33 Resultados e discussões R6-SC 505,4 R6-CC 1196,3 Com os valores das forças apresentados na Tabela 4.3, treze novas simulações foram realizadas a fim de se comparar a magnitude do campo das tensões apresentadas pelo software ANSYS® com os limites de resistência dos materiais. A condição de interface entre o compósito e a madeira foi tomada como perfeita (fato já mencionado e justificado anteriormente), desprezando-se a análise das tensões normais e cisalhantes no contato entre os materiais. A figura 4.2 a 4.8 exibem as simulações numéricas envolvendo a análise das tensões normais na direção paralela às fibras (S11), destacando-se as suas distribuições nas seções transversais localizadas nos pontos médios das vigas. FIGURA 4.2. Distribuição das tensões normais para a viga sem defeito. FIGURA 4.3. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 10 mm. 34 34 Resultados e discussões FIGURA 4.4. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 20 mm. FIGURA 4.5. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 30 mm. FIGURA 4.6. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 40 mm. 35 35 Resultados e discussões FIGURA 4.7. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 50 mm. FIGURA 4.8. Distribuição das tensões normais para o raio de entalhe de 60 mm. Os resultados encontrados nas simulações ilustradas pela Figura 4.2 a 4.8 são apresentados na Tabela 4.4. TABELA 4.4: Valores de tensão normal para a condição de flecha igual a 10,5 mm. Condições Força (N) Tensão Máxima de Tensão Máxima Compressão na Viga de Tração na (MPa) Viga (MPa) Tensão Máxima de Compressão no Reforço (MPa) SS 1130,6 8,80 7,17 X R1-SC 1114,3 18,06 7,74 X R2-SC 1069,6 18,76 9,31 X R3-SC 992,2 19,47 11,55 X 36 36 Resultados e discussões R4-SC 874,2 20,56 14,23 X R5-SC 709,7 22,06 16,98 X R6-SC 505,4 22,84 19,11 X R1-CC 1135,4 9,60 7,20 9,60 R2-CC 1145,7 9,32 7,26 9,32 R3-CC 1157,7 9,92 7,34 9,92 R4-CC 1169,7 10,44 7,42 10,44 R5-CC 1182,1 10,87 7,49 10,87 R6-CC 1196,3 11,14 7,58 11,14 Os resultados apresentados na Tabela 4.4 revelaram que nas seis condições em que há apenas o defeito na viga (sem a presença do compósito) as tensões máximas de compressão atuantes ultrapassam o valor da resistência a compressão paralela de cálculo da madeira (17,27MPa). Entretanto, com a aplicação do compósito, houve uma redução nas tensões máximas de compressão em cerca de 50% em cada condição, levando-as a valores abaixo da fco,d da madeira e, com isso, assegurando que as peças projetadas resistiram com segurança aos carregamentos impostos. Com relação ao compósito, as tensões de compressão atuantes não ultrapassaram sua resistência, apresentando ser o maior valor (R6-CC) ainda 88,73% inferior a este limite. Com os valores precisos das forças responsáveis por provocarem deslocamentos da ordem de L/200 em cada um dos treze casos avaliados (Tabela 4.3), foram variados os valores dos coeficientes de Poisson atribuídos à madeira (0,1, 0,2, 0,3 e 0,4). Com o intuito de verificar a equivalência estatística entre os deslocamentos das vigas para os níveis de coeficiente de Poisson ajustados foi-se utilizado o teste de hipótese para equivalência entre médias (teste t de Student), sendo comparados os valores dos deslocamentos para os coeficientes de Poisson 0,1, 0,2, 0,3 e 0,4 com os deslocamentos das vigas considerando nulo o coeficiente de Poisson. Neste teste, a hipótese nula considerada foi o coeficiente de Poisson interferir nos deslocamentos da viga. A Tabela 4.5 apresenta os resultados do teste de hipótese. 37 37 Resultados e discussões TABELA 4.5: Teste de hipóteses para os deslocamentos. Teste de hipóteses Teste t: (Poisson) 0 -0,004772 ≤ µ ≤ 0,000921 0,3 0 Teste t: (Poisson) -0,003057 ≤ µ ≤ 0,000327 0,2 0 Teste t: (Poisson) -0,0014 ≤ µ ≤ 0,000026 0,1 0 Teste t: (Poisson) Intervalo de confiança (µ) -0,00687 ≤ µ ≤ -0,001124 0,4 Através do teste de hipótese, pode-se constatar, com 95% de confiança, a não equivalência estatística apenas entre os coeficientes de Poisson 0 e 0,4 pela não pertinência do zero no intervalo de confiança (µ ), visto que o 0 não está no intervalo compreendido entre -0,00687 e -0,001124, sendo equivalentes para os demais casos. Capítulo 5 CONCLUSÕES A utilização de um compósito polímero-cerâmico na região comprimida da madeira mostrou-se como uma excelente alternativa no reforço de vigas, dispensando-se o estudo prévio das condições de interface entre os materiais para pequenos entalhes, visto que o compósito foi avaliado como determina a norma Brasileira ABNT NBR 7190:1997. Nas condições de serviço, assim como esperado, a viga de madeira sem defeito (íntegra) foi solicitada de tal maneira que as tensões atuantes de tração e compressão foram bem inferiores aos valores limites de resistência, revelando a segurança do projeto na condição de estado limite de utilização. A inserção do compósito nas vigas danificadas proporcionou reduções significativas nas tensões atuantes, resultando na segurança estrutural em todos os casos investigados. A aplicação do compósito para a viga em questão foi mais significativa para a cavidade semicircular de raio igual a 60 mm. Isto se deve ao fato de se ter maior área de contato entre os materiais (maior dos raios estudados), minorando-se o valor das tensões cisalhantes na região de interface, além de possibilitar a aplicação de uma força em torno de 5,8% superior a força de referência aplicada na viga sem defeito. A avaliação do coeficiente de Poisson, fruto da consideração de isotropia da madeira, revelou a não equivalência entre os deslocamentos apenas entre os valores 0 e 0,4, sendo equivalentes para os demais, afirmando não ser significativa a sua consideração, hipótese geralmente assumida na prática por parte dos profissionais da construção visto a norma brasileira ABNT NBR 7190:1997 não apresentar informações referentes as propriedades mecânicas anisotrópicas das espécies de madeira. Propõe-se para futuros trabalhos a realização de simulações numéricas considerando a anisotropia da madeira e utilizar análise não linear para prever a forma de ruptura dos materiais reforçados pelo compósito. Referências Bibliográficas • AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM D198–97. Static tests of timbers in structural sizes. Philadelphia, PA, 1976. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR7190 - Projeto de estruturas de madeira. 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Na condição SS, em que não há a presença da cavidade e do compósito, as variações das intensidades das forças são apresentadas das Figuras A1 à Figura A12. Figura A1: Força 100N Figura A2: Força 200N Figura A3: Força 300N Figura A4: Força 400N 44 44 Apêndice A Figura A5: Força 500N Figura A6: Força 600N Figura A7: Força 700N Figura A8: Força 800N Figura A9: Força 900N Figura A10: 1000N 45 45 Apêndice A Figura A11: Força 1100N Figura A12: Força 1200N Na condição C1-CC, em que o raio da cavidade é de 10mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A13 à Figura A24. Figura A13: Força 100N Figura A14: Força 200N Figura A15: Força 300N Figura A16: Força 400N 46 46 Apêndice A Figura A17: Força 500N Figura A18: Força 600N Figura A19: Força 700N Figura A20: Força 800N Figura A21: Força 900N Figura A22: Força 1000N 47 47 Apêndice A Figura A23: Força 1100N Figura A24: Força 1200N Na condição C1-SC, em que o raio da cavidade é de 10mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A25 à Figura A36. Figura A25: Força 100N Figura A26: Força 200N Figura A27: Força 300N Figura A28: Força 400N 48 Apêndice A Figura A29: Força 500N Figura A30: Força 600N Figura A31: Força 700N Figura A32: Força 800N Figura A33: Força 900N Figura A34: Força 1000N 49 49 Apêndice A Figura A35: Força 1100N Figura A36: Força 1200N Na condição C2-CC, em que o raio da cavidade é de 20mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A37 à Figura A48. Figura A37: Força 100N Figura A38: Força 200N Figura A39: Força 300N Figura A40: Força 400N 50 50 Apêndice A Figura A41: Força 500N Figura A42: Força 600N Figura A43: Força 700N Figura A44: Força 800N Figura A45: Força 900N Figura A46: Força 1000N 51 51 Apêndice A Figura A47: Força 1100N Figura A48: Força 1200N Na condição C2-SC, em que o raio da cavidade é de 20mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A49 à Figura A60. Figura A49: Força 100N Figura A50: Força 200N Figura A51: Força 300N Figura A52: Força 400N 52 Apêndice A Figura A53: Força 500N Figura A54: Força 600N Figura A55: Força 700N Figura A56: Força 800N Figura A57: Força 900N Figura A58: Força 1000N 53 53 Apêndice A Figura A59: Força 1100N Figura A60: Força 1200N Na condição C3-CC, em que o raio da cavidade é de 30mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A61 à Figura A72. Figura A61: Força 100N Figura A62: Força 200N Figura A63: Força 300N Figura A64: Força 400N 54 54 Apêndice A Figura A65: Força 500N Figura A66: Força 600N Figura A67: Força 700N Figura A68: Força 800N Figura A69: Força 900N Figura A70: Força 1000N 55 55 Apêndice A Figura A71: Força 1100N Figura A72: Força 1200N Na condição C3-SC, em que o raio da cavidade é de 30mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A73 à Figura A84. Figura A73: Força 100N Figura A74: Força 200N Figura A75: Força 300N Figura A76: Força 400N 56 56 Apêndice A Figura A77: Força 500N Figura A78: Força 600N Figura A79: Força 700N Figura A80: Força 800N Figura A81: Força 900N Figura A82: Força 1000N 57 57 Apêndice A Figura A83: Força 1100N Figura A84: Força 1200N Na condição C4-CC, em que o raio da cavidade é de 40mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A85 à Figura A96. Figura A85: Força 100N Figura A86: Força 200N Figura A87: Força 300N Figura A88: Força 400N 58 58 Apêndice A Figura A89: Força 500N Figura A90: Força 600N Figura A91: Força 700N Figura A92: Força 800N Figura A93: Força 900N Figura A94: Força 1000N 59 59 Apêndice A Figura A95: Força 1100N Figura A96: Força 1200N Na condição C4-SC, em que o raio da cavidade é de 40mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A97 à Figura A108. Figura A97: Força 100N Figura A98: Força 200N Figura A99: Força 300N Figura A100: Força 400N 60 60 Apêndice A Figura A101: Força 500N Figura A102: Força 600N Figura A103: Força 700N Figura A104: Força 800N Figura A105: Força 900N Figura A106: Força 1000N 61 61 Apêndice A Figura A107: Força 1100N Figura A108: Força 1200N Na condição C5-CC, em que o raio da cavidade é de 50mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A109 à Figura A120. Figura A109: Força 100N Figura A110: Força 200N Figura A111: Força 300N Figura A112: Força 400N 62 62 Apêndice A Figura A113: Força 500N Figura A114: Força 600N Figura A115: Força 700N Figura A116: Força 800N Figura A117: Força 900N Figura A118: Força 1000N 63 63 Apêndice A Figura A119: Força 1100N Figura A120: Força 1200N Na condição C5-SC, em que o raio da cavidade é de 50mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A121 à Figura A132. Figura A121: Força 100N Figura A122: Força 200N Figura A123: Força 300N Figura A124: Força 400N 64 64 Apêndice A Figura A125: Força 500N Figura A126: Força 600N Figura A127: Força 700N Figura A128: Força 800N Figura A129: Força 900N Figura A130: Força 1000N 65 65 Apêndice A Figura A131: Força 1100N Figura A132: Força 1200N Na condição C6-CC, em que o raio da cavidade é de 60mm e há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A133 à Figura A144. Figura A133: Força 100N Figura A134: Força 200N Figura A135: Força 300N Figura A136: Força 400N 66 66 Apêndice A Figura A137: Força 500N Figura A138: Força 600N Figura A139: Força 700N Figura A140: Força 800N Figura A141: Força 900N Figura A142: Força 1000N 67 67 Apêndice A Figura A143: Força 1100N Figura A144: Força 1200N Na condição C6-SC, em que o raio da cavidade é de 60mm e não há a presença do compósito, as variações das intensidades de força são apresentadas das Figuras A145 à Figura A156. Figura A145: Força 100N Figura A146: Força 200N Figura A147: Força 300N Figura A148: Força 400N 68 68 Apêndice A Figura A149: Força 500N Figura A150: Força 600N Figura A151: Força 700N Figura A152: Força 800N Figura A153: Força 900N Figura A154: Força 1000N 69 69 Apêndice A Figura A155: Força 1100N Figura A156: Força 1200N Considerando o coeficiente de Poisson nulo (ν = 0), foram apresentadas as variações de força para cada condição, que variaram sua intensidade de 100N a 1200N. Entretanto, há uma intensidade de força específica para cada condição em que ocorre o deslocamento de L/200 (10,5mm) no meio da viga. Esses valores de forças foram calculados e utilizados para novas simulações, que são mostradas da Figura A157 à Figura A169. Figura A157: Inteiriça SS Figura A158: C1-CC Figura A159: C1-SC 70 70 Apêndice A Figura A160: C2-CC Figura A161: C2-SC Figura A162: C3-CC Figura A163: C3-SC Figura A164: C4-CC Figura A165: C4-SC 71 71 Apêndice A Figura A166: C5-CC Figura A167: C5-SC Figura A168: C6-CC Figura A169: C6-SC Apêndice B – Simulações numéricas variando-se o Poisson Nas diferentes condições experimentais investigadas, que levaram em conta o valor do raio e a presença ou não do compósito e da cavidade, foi-se obtido um valor de intensidade de força responsável por provocar o deslocamento L/200 para cada uma delas. Cabe lembrar que o coeficiente de Poisson foi considerado nulo (ν = 0) nessas simulações (Apêndice A). Em seguida, para as mesmas condições e os mesmos valores de força, variou-se então o Poisson para 0,1, 0,2, 0,3 e 0,4, de modo a verificar a influência dessa propriedade nos deslocamentos. Para o Poisson igual a 0,1, as tensões atuantes oriundas das diferentes condições experimentais são apresentadas nas Figuras B1 à Figura B13. Figura B1: Inteiriça SS Figura B2: C1-CC Figura B3: C1-SC 73 73 Apêndice B Figura B4: C2-CC Figura B5: C2-SC Figura B6: C3-CC Figura B7: C3-SC Figura B8: C4-CC Figura B9: C4-SC 74 74 Apêndice B Figura B10: C5-CC Figura B11: C5-SC Figura B12: C6-CC Figura B13: C6-SC Para o Poisson igual a 0,2, as tensões atuantes oriundas das diferentes condições experimentais são apresentadas nas Figuras B14 à Figura B26. Figura B14: Inteiriça SS 75 75 Apêndice B Figura B15: C1-CC Figura B16: C1-SC Figura B17: C2-CC Figura B18: C2-SC Figura B19: C3-CC Figura B20: C3-SC 76 76 Apêndice B Figura B21: C4-CC Figura B22: C4-SC Figura B23: C5-CC Figura B24: C5-SC Figura B25: C6-CC Figura B26: C6-SC Para o Poisson igual a 0,3, as tensões atuantes oriundas das diferentes condições experimentais são apresentadas nas Figuras B27 à Figura B39. Figura B27: Inteiriça SS 77 77 Apêndice B Figura B28: C1-CC Figura B29: C1-SC Figura B30: C2-CC Figura B31: C2-SC Figura B32: C3-CC Figura B33: C3-SC Figura B34: C4-CC Figura B35: C4-SC 78 78 Apêndice B Figura B36: C5-CC Figura B37: C5-SC Figura B38: C6-CC Figura B39: C6-SC Para o Poisson igual a 0,4, as tensões atuantes oriundas das diferentes condições experimentais são apresentadas nas Figuras B40 à Figura B52. Figura B40: Inteiriça SS 79 79 Apêndice B Figura B41: C1-CC Figura B42: C1-SC Figura B43: C2-CC Figura B44: C2-SC Figura B45: C3-CC Figura B46: C3-SC 80 Apêndice B Figura B47: C4-CC Figura B48: C4-SC Figura B49: C5-CC Figura B50: C5-SC Figura B51: C6-CC Figura B52: C6-SC