Nº 60 FGV PROJETOS Estudo indica prejuízos, desemprego e queda de arrecadação com eventual implantação de medidas propostas pela Anvisa COMÉRCIO ILEGAL Brasil perde R$ 2 bi em impostos com cigarros contrabandeados e prejuízo poderá aumentar 2011 Ano VII www.souzacruz.com.br Em entrevista exclusiva à DIÁLOGO, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, promete acelerar a votação de projetos de grande impacto popular e consolidar os caminhos para um diálogo construtivo entre os três Poderes Espaço para o entendimento Editorial Valores supremos AS DUAS CONSULTAS PÚBLICAS DA ANVISA QUE IMPLICAM em nova regulamentação para a industrialização e comercialização de cigarros, em andamento desde o final do ano passado e válidas até dia 31 de março, merecem uma reflexão aprofundada. A experiência de países que adotaram regulaENCARTE ESPECIAL mentação semelhante demonstra que houve incremento na comercialização de cigarros pirateados e Estudo da FGV indica contrabandeados, que, hoje, no Brasil, já ocupam impacto econômico das 27% do mercado. No Canadá, por exemplo, no pepropostas da Anvisa que ríodo em que as medidas foram implementadas, de alteram regras de fabricação 1999 a 2009, a participação do mercado ilegal crese comercialização ceu 21 pontos percentuais. de cigarros As propostas das Consultas Públicas, se adotadas, poderão causar sérios prejuízos para o setor de tabaco, que gera US$ 4 bilhões para a balança comercial brasileira e recolhe R$ 8,5 bilhões anuais em tributos. A Souza Cruz, com trajetória centenária pautada pela responsabilidade social em todos os segmentos de sua atuação, defende uma regulamentação equilibrada, que contemple os interesses de toda a sociedade. Questões tão importantes como a proteção da indústria nacional, o combate incessante ao contrabando e à pirataria e a preservação da cadeia produtiva do tabaco requerem um olhar mais efetivo e criterioso de todos os atores envolvidos. Preocupação semelhante à demonstrada pelo presidente da Câmara Federal, Marco Maia, entrevistado especial desta edição, ao invocar um diálogo construtivo entre os três Poderes e destes com a sociedade como forma de o Congresso Nacional avançar efetivamente nas questões mais prementes, de maior interesse da sociedade. Na verdade, todos querem um Brasil mais justo e menos amarrado ao excesso de regulamentações, de forma a fomentar a livre iniciativa, a economia e, por consequência, o bem-estar da sociedade. A livre expressão e os direitos e liberdades individuais são pilares do Estado Democrático de Direito, valores supremos, por vezes, duramente conquistados com a determinação e altivez de grandes nomes da história. Um exemplo é o ativista norte-americano Harvey Milk, cuja trajetória de vida foi retratada no premiado filme Milk – A Voz da Liberdade, analisado na página ao lado, em texto exclusivo para a DIÁLOGO, pelo crítico de cinema Luiz Zanin, do Jornal O Estado de S. Paulo. C rtas ao editor Gostaria de parabenizar a Souza Cruz pela publicação da Revista DIÁLOGO, que tem valioso conteúdo de utilidade pública, abrangente e de alto nível. Colocamo-nos à disposição para contribuir na troca de ideias e sugestões que valorizem nossa sociedade. Sucesso! N E S TA E D I Ç ÃO 3 Especial para a DIÁLOGO, artigo do jornalista e crítico de cinema Luiz Zanin 4 País perde R$ 2 bilhões por ano com comércio ilegal e prejuízo poderá aumentar 8 Entrevista: Marco Maia, presidente da Câmara Federal 10 Em Pauta: Projeto de Decreto Legislativo, do deputado Luís Carlos Heinze 12 Chuvisca, uma pacata cidade comprova a força da fumicultura 14 Carga tributária em debate: Jerônimo Goergen e José Luiz Stédile 16 Campanha de conscientização de varejistas da Souza Cruz alerta para a não venda de cigarros a menores Seções fixas 12 Campo aberto 16 Souza Cruz na mídia 16 Diálogo recomenda DIÁLOGO É UMA PUBLICAÇÃO DA SOUZA CRUZ Diretoria de Assuntos Corporativos Rua da Candelária, 66 - 7º andar CEP 20.091-900 - Rio de Janeiro - RJ (21) 3849-9079 - www.souzacruz.com.br Jornalista Responsável: Juliana Barreto I MtB JP 26974 RJ ([email protected]) Reportagem e revisão: Marcelo de Andrade ([email protected]) Coordenação de produção: Pedro Prata Projeto gráfico e produção editorial: Via Corporativa Comunicação (www.viacorporativa.com.br) Participaram desta edição a gerência de Assuntos Corporativos - RJ, o escritório de Brasília e a unidade de Santa Cruz do Sul (RS). Foto de capa: Agência Folha Vereador Mizair Lemes Goiânia (GO) [email protected] 2 Opinião Fotos: divulgação Sean Penn ganhou o Oscar em 2009 ao interpretar um ativista homossexual que, na década de 1980 nos Estados Unidos, se opôs às leis radicais e deixou como herança uma legislação liberal O valor da liberdade SU AS IDE IAS R SA DO IO INÍC MAIS DO QUE CINEBIOGRAFIA DE UM POLÍTICO, direito inalienável de cada um ser aceito como é. Milk – a Voz da Igualdade (disponível em DVD pela Mudou-se para São Francisco já nos anos 1970 e Universal Home Video) é uma apaixonada defesa estabeleceu-se como lojista na Rua Castro, junto dos direitos humanos e da livre expressão. A história, com seu companheiro. A partir de então, começou real, é a do ativista homossexual Harvey Milk que, à a desenvolver intensa campanha de conscientização custa de muita perseverança e confiança em si das pessoas sobre os direitos individuais. Nesse mesmo, conseguiu enfrentar preconceitos e ser o ponto, há uma virada na história e o filme, dirigido primeiro gay assumido a ocupar um cargo público, por Gus Van Sant, a detecta muito bem. Milk pero de supervisor da cidade, em São Francisco (EUA). cebe que a iniciativa individual tem eficácia até certo No cinema, Milk foi interpretado por Sean Penn, ponto, mas que poderia expandir muito sua inque recebeu o Oscar de melhor ator em 2009 por fluência caso viesse a ocupar um cargo público. seu trabalho. Com todos os méritos, pois Penn evita Candidata-se a supervisor e perde. Apresenta-se a qualquer custo transformar seu personagem em mais duas vezes e perde, até ser eleito em 1978. caricatura. Dá-lhe fisionomia matizada e envolSeu mandato, de apenas 11 meses, interromvente, sem jamais carregar nas tintas da capido pelo fim trágico (Milk foi assassinado racterização forçada. Esse tratamento junto com o prefeito George Mossóbrio lhe empresta grande dignicone em 1978), deixou o saldo de dade ao perfil do biografado e uma legislação extremamente lipermite a identificação imediata beral em relação aos homossedo público com esse homem xuais. Sua intuição de que a corajoso. partir de um cargo público poPorque, claro, foi preciso deria transformar a realidade mesmo muita coragem a Milk mais do que agindo individualpara impor seus pontos de vista mente revelou-se correta. O que NO PO S7 em meio a uma sociedade manão poderia adivinhar é que a inAR 0, UT L HAR VEY MILK DECIDIU chista e, na época, muito preconceitolerância iria se manifestar de matuosa em relação à sua orientação sexual. neira tão radical a ponto de cortar-lhe a Nascido na região de Nova York em 1930, nem vida aos 48 anos de idade. Foi mártir de um causa. sempre Harvey Bernard Milk sentiu-se impelido a Suas ideias prevaleceram. defender causas de qualquer espécie. Foi apenas após seu envolvimento com o ambiente libertário POR LUIZ ZANIN, CRÍTICO DE CINEMA DO CADERNO 2, da contracultura dos anos 1960 que resolveu asDO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO, ESPECIAL PARA A DIÁLOGO sumir sua sexualidade em público, como parte do Dinheiropeloralo erde Brasil p o razão d m e s e õ taria milh o e pira d n a b a r e eles cont os, entr is t u d o r sp do de vário e eletrônicos, s rem cigarro is de se al e íc if d s a atu crime os com ação id t a b liz com de fisca a r u t u r t es no País e t n e t is ex APREENSÃO DE CIGARROS PROVENIENTES DO PARAGUAI: APESAR DO ESFORÇO DE FISCALIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO, A ALTA CARGA TRIBUTÁRIA INCENTIVA O CONTRABANDO AO TORNÁ-LO EXCEPCIONALMENTE RENTÁVEL SÃO NÚMEROS INCÔMODOS. POR reunir uma das cinco maiores populações do planeta, quase 200 milhões de habitantes, o Brasil acaba sendo um mercado consumidor importante e atrativo para a venda de produtos pirateados e contrabandeados. Os prejuízos decorrentes dos delitos chegam a US$ 20 bilhões. O setor mais afetado é o de autopeças, com cerca de US$ 3 bilhões anuais de prejuízos. Em seguida, os de cigarros e combustíveis, comprometidos em US$ 2 bilhões. O crime organizado desova ainda artigos eletrônicos, com distribuição de 60% dos CDs e DVDs no mercado nacional, bugigangas chinesas e peças de roupas. A Receita Federal tem observado com preocupação a proliferação das lojas de roupas de marcas pirateadas, cujas cargas partem do Paraguai, cruzam o Rio Paraná e chegam por Foz do Iguaçu, no Brasil. O segmento de cigarros está entre os que apresentam dados mais preo- Rota preferencial 4 A maior parte das 60 fábricas clandestinas de cigarros insta- experiente coronel Joel Martins dos Santos. Durante oito anos ladas no Paraguai, conforme dados da Associação Brasileira ele atuou em postos policiais localizados na faixa de fronteira de Combate à Falsificação (ABCF), destina 100% de sua pro- e há quatro está no comando do DOF. dução ao mercado brasileiro. Quem está de olho nesses nú- As unidades de produção que alimentam ilicitamente o meros é o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), mercado nacional estão localizadas principalmente na faixa que tem se dedicado a fiscalizar ação dos contrabandistas. de fronteira. Segundo o DOF, elas se valem de estradas vici- “Só no ano passado, mais de 400 mil pacotes de produtos fa- nais para garantir o transporte do cigarro pirata, feito por ca- bricados sem higiene, controle ou garantia de qualidade minhões que levam 20 mil pacotes ou peruas kombis que foram apreendidos na região da fronteira seca, em especial na transportam 500 embalagens com 10 maços cada. Há ainda divisa entre o Mato Grosso do Sul e o país vizinho”, conta o o chamado “tráfico formiguinha”, composto por indivíduos À LUZ DO DIA, CONTRABANDISTAS LEVAM PRODUTOS ATÉ A MARGEM PARAGUAIA DO RIO PARANÁ PARA SEREM TRANSPORTADOS ILEGALMENTE AO BRASIL cupantes, por conta do volume expressivo do produto de origem ilegal que desembarca no País. “O Brasil tem oito fábricas, sendo que duas delas respondem por 70% do mercado”, diz Rodolpho Ramazzini, diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). Em seguida, ele compara: “No lado paraguaio, no entanto, são 60, das quais 38 só na região de Ciudad Del Este. Elas fabricam cigarro em larga escala e mandam para cá diuturnamente”, alerta, lembrando que o volume contrabandeado já chegou próximo a 30% do mercado. Os cigarros falsificados são fabricados sem nenhum padrão de qualidade e higiene. Em sua composição é comum haver plásticos e coliformes fecais. A rota de entrada do produto no Brasil é uma malha clandestina de estradas de terra, no interior de fazendas, estabelecida ao longo dos 400 quilômetros de fronteira seca, entre Guaíra, no Paraná, até Novo Mundo, em Mato Grosso do Sul. Uma extensão onde a fiscalização é deficiente. “A excessiva carga tributária sobre o setor é um convite à ilegalidade”, constata Ramazzini. “Enquanto o Brasil mantiver uma posição contrária à indústria nacional e onerar o setor produtivo, esses produtos vão continuar garantindo sua participação no mercado”, acrescenta. Em fevereiro passado, por exemplo, agentes da Polícia Rodoviária Federal apreenderam 700 mil pacotes de cigarros contrabandeados no Mato Grosso do Sul, em blitz nas estradas federais que cortam o Estado. Segundo a corporação, o volume apreendido subiu cerca de 200% até agora, comparado ao mesmo período de 2010. O esquema é conhecido: os contrabandistas aliciam caminhoneiros para conseguir entrar no Brasil com os cigarros vindos do Paraguai, revela Ramazzini. O CORONEL JOEL MARTINS DOS SANTOS COMANDA AS AÇÕES DE INTELIGÊNCIA DO GOVERNO DO MATO GROSSO DO SUL, NO COMBATE AO CONTRABANDO, NA FRONTEIRA COM O PARAGUAI que, com mochilas lotadas, descarregam a mercadoria nos desbaratamento efetuada pelo DOF requer precisão e inteli- entrepostos. Esses locais que recebem o produto ilícito em gência. O efetivo de combate é obrigado a fazer um policia- menor quantidade, até formar uma carga completa que jus- mento ostensivo e de incessantes deslocamentos, de maneira tifique o transporte por caminhão, estão normalmente es- a surpreender os criminosos. “O grupo de inteligência iden- condidos dentro das matas e nas propriedades rurais. De tifica os locais e o ´modus operandi´ dos bandidos, ambos acordo com Santos, se o cerco policial aumenta, migram para em freqüente mudança, e informa as equipes de policia- outros pontos. mento itinerante”, conta Santos. “Por isso nunca anuncia- Como os entrepostos se distribuem ao logo dos 1.5 mil mos por onde iremos passar, para não facilitar a fuga dessas quilômetros de fronteiras, dos quais 480 quilômetros formam gangues. O nosso trunfo é manter os agentes de repressão a divisa seca, entre Mundo Novo e Corumbá, toda a ação de sempre informados”, revela. 5 Fiscalização precária OS NÚMEROS DO CONTRABANDO variam conforme o estado. Estimativas oficiais indicam que a evasão fiscal na venda de cigarros atinge R$ 2 bilhões por ano, valor suficiente para se construir 40 mil casas populares. Em função do fácil acesso, proximidade da fronteira e grande mercado consumidor, Paraná e São Paulo são os estados que mais sofrem com o problema. Os paranaenses perdem, em arrecadação de ICMS, R$ 150 milhões anuais. No Norte e Nordeste o problema é a existência de fábricas clandestinas. “Os cigarros vêm até com inscrições em espanhol, como se fossem feitos no Paraguai”, ironiza Ramazzini. Em opinião dele, para combater o problema de forma mais eficaz, o governo federal precisaria expandir o número de agentes de fronteira, quadruplicar o número de postos de controle da Receita Federal e de delegacias da Polícia Federal, especialmente na região de fronteira do Mato Grosso do Sul, Paraná e Mato Grosso. Além disso, treinar e qualificar esses agentes para que saibam identificar e apreender esse produto. “Coibir o contrabando de cigarros também significa inibir o tráfico de armas e drogas, que são crimes conexos porque as quadrilhas são as mesmas”, enfatiza, acrescentando: “Muitas vezes o crime organizado lucra mais atravessando dez carretas de cigarros do que transportando maconha ou cocaína”. Embora já existam em alguns estados delegacias da Polícia Civil especializadas no combate a falsificação e fraude, de acordo com Ramazzini, a estrutura de trabalho ainda é um tanto precária. Segundo ele, por mais que a ABCF faça um trabalho em conjunto com a Receita Federal, a Polícia Federal e a Polícia Federal RodoRODOLPHO RAMAZZINI: TRÁFICO DE ARMAS E DROGAS SÃO AÇÕES DAS MESMAS QUADRILHAS QUE ATUAM NO MERCADO ILEGAL DE CIGARROS viária para apreensão maciça desses produtos, interceptando carretas, barcaças e caminhões, a luta continua inglória. “Para fiscalizar o contrabando em Foz do Iguaçu temos apenas uma delegacia da Receita Federal e uma da Polícia Federal. Na represa de Itaipu, onde espalham-se mais de 200 portos clandestinos, não há nada e só esporadicamente se faz alguma fiscalização”, afirma Ramazzini acredita que enquanto essas fábricas de cigarros forem legais dentro do Paraguai, gerando emprego e renda locais, e o governo brasileiro continuar impondo regulamentação excessiva ao setor, tais produtos ilícitos vão continuar tendo participação expressiva no mercado brasileiro. Com esse cenário, é inevitável a migração de consumidores para o mercado ilegal, afirma Ramazzini. “Nós perdemos não só em arrecadação tributária, mas também na geração de empregos na industria nacional”, enfatiza. Nesse impasse Brasil e Paraguai, quem está levando vantagem é o país vizinho, finaliza. A vulnerabilidade dos portos Embora o Paraguai seja a grande porta de entrada de contra- 6 contrabando para a região paranaense de Foz do Iguaçu. bando no Brasil, um volume expressivo de produtos ilegais A porosidade portuária tem obrigado a Polícia Federal a desembarca no País pelos portos nacionais, por meio de em- apreender diversos contêineres que aportam dos Estados Uni- presas responsáveis por mudanças de brasileiros que moram dos. No ano passado, uma megaoperação que levou quatro no Exterior. O setor de Vigilância e Repressão da Receita Fe- anos de investigação desarticulou o contrabando em caixas en- deral tem percebido a incidência cada vez maior desse tipo viadas ao Brasil por empresas que operam no solo americano. O de crime. Se o que entra pelo Paraguai é mercadoria ilegal, o Ministério Público Federal proibiu sete delas de atuarem no seg- que chega das terras americanas é carga falsificada de artigos mento de envio de caixas, todas acusadas de contrabandear má- de qualidade. Os portos brasileiros só perdem em volume de quinas, computadores e peças de carros, motocicletas e barcos. MERCADORIAS APREENDIDAS NO CAMELÓDROMO DA RUA URUGUAIANA, NO CENTRO DO RIO: PREJUÍZOS AOS COFRES PÚBLICOS Operações em massa A delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial não tem dúvidas: “A operação que realizamos na Rua Uruguaiana foi o maior orgulho da minha carreira”. A razão da euforia se deve à bem-sucedida ação repressiva e educativa efetuada no famoso centro de compras carioca, em janeiro passado, que envolveu 20 policiais da DRCPIM e 200 agentes de outros órgãos especializados no combate à pirataria. “Não queríamos acabar com o camelódromo, mas remover a ilegalidade e moralizar um ponto por onde circulam milhares de pessoas”, explica a delegada. Durante a operação policial, além da apreensão de produtos ilícitos, houve distribuição panfletos com conteúdo educativo, com o objetivo de alertar a população sobre os riscos de se comprar artigos piratas. Desde então, policiais da DRCPIM revezam-se diariamente no local durante o horário de funcionamento. O grupo circula pelos mais de 1.500 boxes, orientando os comerciantes informais e os consumidores. Foram recolhidos ao final da operação tênis, roupas, óculos e relógios adulterados, ente outros itens irregulares, num total estimado em R$ 20 milhões. “Com a fuga da pirataria do camelódromo, estamos contribuindo para reduzir números vergonhosos que são gerados por esse tipo de crime”, festeja a delegada. Valéria se refere aos dois milhões de empregos formais que deixam de ser criados e ao prejuízo financeiro causado pela sonegação de R$ 30 milhões de impostos por ano. “Fabricar, fornecer e vender produtos falsificados é um modelo de subsistência em que poucos lucram e todos perdem”, avalia, perplexa com a atitude dos criminosos de agirem à luz do dia. “O crime organizado está migrando para a pirataria porque a lucratividade é alta, as penas são brandas e há pouco risco de prisão”, assinala. Frota do crime Em São Paulo, megaoperações de combate ao comércio irregular na Rua 25 de Março, uma das principais artérias paulistanas de consumo popular, são parte da rotina local. No final do ano passado, a Operação Receita de Natal vasculhou 170 lojas suspeitas de praticarem crimes de contrabando e sonegação de impostos. A ação reuniu 100 agentes da Receita Federal, 80 policiais militares e 20 policiais federais. Além da apreensão de R$ 7 milhões em artigos falsificados - de celulares a perfumes, de isqueiros a brinquedos -, a equipe de repressão colheu documentos que serviam de prova de esquemas de importação irregular e contrabando. No Paraná, no ano passado, R$ 200 milhões em mercadorias contrabandeadas foram apreendidos, caracterizando o maior volume da história da Receita Federal. Comparado a 2009, o número cresceu em 40%. O esquema eficiente de trabalho no estado é uma das causas do êxito. Todo veículo que transporta mercadorias do Paraguai - eletrônicos, cigarros e peças de computador - é interceptado pelos fiscais. A frota a serviço do crime lidera a lista de apreensões da Receita Federal, com quatro mil carros proibidos de circular no ano passado. Em Foz do Iguaçu, o mesmo órgão federal apreendeu em janeiro último um total de R$ 16 milhões de artigos ilegais, valor 16% acima do registrado no mesmo mês de 2010. Os eletrônicos foram os mais confiscados, totalizando R$ 4,5 milhões, o que representa aumento de 68% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos percentuais, os relógios retidos registraram o maior aumento (98%) no valor das apreensões. Diante desse quadro nada abonador, medidas e ações drásticas estão sendo adotadas pela Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e outros órgãos ligados à repressão ao contrabando. Num esforço conjnto, foi lançada em março de 2010 a Operação Sentinela, que apreendeu em menos de um ano o equivalente a US$ 10 milhões, além de 597 veículos utilizados pelos criminosos. De 2000 a 2009, o volume anual de itens apreendidos nas áreas de fronteira do País cresceu 324,6%, passando de R$ 333 milhões para R$ 1,4 bilhão. 7 Entrevista: Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados “TEMOS DE APROFUNDAR O DEBATE DA REFORMA TRIBUTÁRIA E, ENQUANTO PRESIDENTE, Ag Brasil INCENTIVAREI ISSO” Aposta no diálogo O PRIMEIRO TORNEIRO MECÂNICO A PRESIDIR A CÂMARA DOS DEPUTAdos, em folgada eleição realizada em fevereiro passado, exerceu a atividade de metalurgia nas fábricas de Canoas (RS) nos anos 1980 e filiou-se ao PT em 1985. Com trajetória relâmpago dentro do Congresso, o também ex-militante sindical gaúcho Marco Maia, 45 anos, quer construir uma agenda positiva e acelerar projetos de impacto popular, exemplos do SuperSimples e do Plano Nacional de Banda Larga. Esperançoso, o deputado petista pretende alavancar a tão comentada e sempre adiada Reforma Tributária, “que tem pontos divergentes e conflitantes por envolver e afetar vários lados”, como diz em entrevista exclusiva à revista DIÁLOGO. Outra de suas preocupações é estabelecer um diálogo construtivo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas preservando a autonomia de cada um. Ele aposta que esta sintonia fina seja primordial para fazer avançar questões sociais importantes, caso da erradicação da pobreza, além de aprofundar projetos bem-sucedidos, como os voltados à agricultura familiar. “Durante o governo Lula, os pequenos produtores rurais e suas famílias deixaram de migrar para os centros urbanos em busca de sobrevivência.” 8 O senhor assumiu há pouco a Presidência da Câmara dos Deputados. Quais são suas expectativas em torno do estabelecimento de uma agenda de debates e votações que contemple os interesses de todos os setores da sociedade brasileira? Uma das minhas metas enquanto presidente é a construção de uma agenda positiva para a Câmara dos Deputados, de discussões e votações que dêem respostas rápidas aos temas de interesse da sociedade. Há alguns anos elencamos como prementes para o próximo período as reformas política e tributária, a erradicação da pobreza extrema, ações nas áreas da saúde, educação e segurança pública, o combate às drogas, em especial ao crack, a prevenção aos desastres naturais. São algumas das grandes preocupações da sociedade brasileira no momento. Dos temas mais relevantes em pauta na Câmara dos Deputados, quais serão possíveis de serem votados neste ano? Muitos projetos já estão prontos para serem apreciados e devem ser votados ainda esse ano. É o caso do SuperSimples, do Plano Nacional de Banda Larga, do Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e do Código Florestal. São programas de grande impacto para a população. Por meio do diálogo com os líderes e os partidos, vamos construir os acordos necessários para que eles sejam colocados em pauta. Como o senhor pretende contribuir para que as relações entre o Parlamento e o Governo sejam as melhores possíveis, apesar de eventual contingenciamento de emendas parlamentares e de bancada, por exemplo? Quando a presidente Dilma Rousseff fez a leitura da Mensagem do Governo ao Congresso Nacional, no início desta legislatura, demonstrou uma grande disposição em dialogar com o Legislativo. Da nossa parte, pretendemos estreitar ainda mais o relacionamento com o Executivo, mantendo, claro, a nossa independência. Muitos dos assuntos prioritários para o Governo, como as reformas tributária e política, o combate ao crack e a erradicação da pobreza, apenas para citar alguns, também são urgentes para nós. Estabelecido um diálogo construtivo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, vamos poder trabalhar em sintonia fina para avançar nessas questões que interessam à sociedade. “O COMBATE AO CRACK E A ERRADICAÇÃO DA POBREZA, APENAS PARA CITAR Entre os assuntos na fila de espera no Congresso, um dos mais polêmicos é a Reforma Tributária, em razão de conflitos de interesses regionais, muito mais do que pelas eventuais e democráticas divergências partidárias. Como fazer a Câmara avançar nesta questão? A Reforma Tributária é uma das principais preocupações dessa legislatura. Todos os parlamentares estão dispostos a debater, propor mudanças e avançar nesse tema. Ao mesmo tempo, ela tem pontos muito divergentes e conflitantes por afetar e envolver vários lados: a União, os empresários, os municípios, os Estados, o cidadão. Precisamos encontrar mecanismos que atendam às demandas de cada setor. É uma equação delicada, para a qual podemos encontrar soluções comuns. Uma eventual aprovação da Reforma Tributária produzirá alterações significativas no sistema tributário brasileiro? Não devemos nos restringir à perspectiva de que tais mudanças só serão expressivas se feitas por meio de uma grande reforma. Temos de aprofundar o debate da reforma tributária e, enquanto presidente, incentivarei isso. Mas, se não houver con- senso sobre uma ampla reforma, vamos construir acordos para avançarmos nos temas e pontos específicos em que já houver sintonia. Acredito que produzir um pequeno resultado, muitas vezes, é mais importante do que ficar estacionado, sem trazer nenhum benefício ou solução. E, pior, sem dar uma resposta à sociedade. O senhor é representante de um Estado (RS) com forte potencial agrícola e realidades econômicas distintas. Como vê o apoio à agricultura, em especial ao pequeno produtor rural, como forma de mantê-lo no campo e em condições dignas de existência? A agricultura familiar sempre foi uma das principais causas dos meus mandatos como deputado federal. Durante o Governo Lula, experimentamos um avanço significativo nesse setor. Foi criado o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que atua na criação de estoques e na aquisição da produção familiar. Temos o Programa Mais Alimentos, uma linha de crédito específica que permite ao pequeno agricultor de uma cidade no interior poder comprar uma máquina, construir seu sistema de irrigação ou adquirir veículos para transportar a carga. Vou citar o seguro rural, garantia à safra, uma política de preço mínimo. A criação de universidades regionais federais, com cursos voltados ao meio rural, também é um fator que contribui para manter os jovens no campo. ALGUNS ASSUNTOS, TAMBÉM SÃO URGENTES PARA NÓS” Que resultados concretos esses programas trouxeram? Formou-se um tecido socioeconômico de apoio à pequena propriedade, permitindo o fortalecimento da agricultura familiar, responsável por 70% do que é consumido pelos brasileiros. Agora, os pequenos produtores e suas famílias não são mais obrigados a migrar para os centros urbanos em busca de sobrevivência e viver, muitas vezes, em condições precárias. Foi uma conquista construída ao longo dos últimos anos e que consolidaremos ainda mais com o Governo da presidente Dilma Rousseff. Vamos dar à agricultura familiar as condições e o reconhecimento que merece. 9 Em pauta NO CONGRESSO Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 3034/2010 Autor: O que propõe: Susta os efeitos da Consulta Pública nº 112, de 29/11/2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Entenda melhor: Deputado Federal Luís Carlos Heinze (PP – RS) 10 A Anvisa lançou a Consulta Pública 112 com objetivo de receber contribuições acerca da Proposta de Resolução que propõe a proibição do uso de ingredientes usados na fabricação dos cigarros. Por considerar que “a proposta caminha em direção contrária aos interesses do Sul do Brasil, da economia nacional, da indústria e dos empregos”, o deputado Luís Carlos Heinze – Engenheiro Agrônomo, produtor rural e ex-presidente e membro titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados – propôs Projeto de Decreto Legislativo com objetivo de sustar os efeitos dessa consulta. As entidades ligadas ao setor de ta- baco também já se manifestaram contra a Proposta de Resolução da Anvisa. Para se ter uma ideia das consequências dessa medida, o cigarro, tal como é hoje, deixará de existir no mercado. Isso porque, todos os cigarros produzidos no Brasil contêm fumo Burley, que, por suas características originais, necessita da adição de açúcares e umectantes, ingredientes que a Anvisa propõe vetar. Dessa forma, o consumidor que desejar cigarro com o sabor semelhante ao atual terá como alternativa apenas o mercado ilegal, que não se submete às leis ou a qualquer controle sanitário. Hoje, o cigarro ilegal já ocupa 27% do mercado brasileiro. Quem será afetado diretamente: Opiniões 185 mil fumicultores; 400 mil varejistas; Mais de dois milhões e meio de empregados da cadeia produtiva de tabaco; Milhares de fornecedores; Indústria; Toda a sociedade, com a queda de investimento social e o aumento do mercado ilegal. Alguns motivos pelos quais as entidades representativas dos setores agrícola e de varejo são contrárias à proposta (*): Não existe comprovação científica de que a medida traria benefícios à saúde pública; “A proposta deveria ter sido discutida previamente em outras instâncias, inclusive no Legislativo. São inegáveis os efeitos socioeconômicos da medida nos mais diversos segmentos da sociedade e os seus iminentes prejuízos. Os produtores, IRO SCHÜNKE, PRESIDENTE DO SINDICATO as indústrias, DA INDÚSTRIA DO a economia de TABACO (SINDITABACO) 700 municípios e os cofres públicos serão seriamente abalados.Trata-se também de uma ameaça real à liderança brasileira no mercado mundial de tabaco, como maior exportador e segundo maior produtor”. “Outros setores da sociedade não estão sendo devidamente ouvidos nessa questão. No futuro, se essas propostas vingarem, os produtores de tabaco terão que ingressar no Bolsa Família”. ROMEU SCHNEIDER, PRESIDENTE DA CÂMARA SETORIAL DA CADEIA PRODUTIVA DO TABACO E DIRETOR DA ASSOCIAÇÃO DOS FUMICULTORES DO BRASIL (AFUBRA) Se a proposta for adotada, o mercado ilegal de cigarros, que não cumpre leis e financia o crime organizado, vai ganhar ainda mais espaço; A sociedade vai ser prejudicada na medida em que haverá menos investimento social em função dos impostos que deixarão de ser arrecadados. Hoje, o setor recolhe anualmente R$ 8,5 bilhões em tributos. (*) Sites do SindiTabaco, Afubra, Abresi e FHBA. 11 Cidade A CIDADE É PACATA E OFERECE BELAS PAISAGENS Município predominantemente agrícola, Chuvisca conserva suas tradições em meio a paisagens exuberantes Flor do campo Chuvisca, cujo nome se deve às constantes cerrações e chuviscos na região, tem uma história singular. De olho na preservação de suas tradições e cultura, a cidade recebeu influências de diversos povos colonizadores. Portugueses, alemães e poloneses vivem ali de forma harmoniosa, contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento do município. Um dos principais pontos turísticos da região é a Capela São José, homenagem ao padroeiro do município. Inaugurado em 1954, o altar da capela é da mesma HOMENAGEIA O PADROEIRO DA CIDADE Fotos: João Correia CAMINHO OBRIGATÓRIO PARA COLOnos e carroceiros que escoavam a produção local no início do século passado, Chuvisca sempre teve na agricultura sua principal fonte de renda. Com menos de 5 mil habitantes, o charmoso e pacato município serrano concentra na fumicultura 90% da sua produção agrícola. “O tabaco representa tudo para nós”, conta o prefeito Nelino Venzke, reforçando que a atividade não só sustenta as famílias como movimenta a economia da cidade. A CAPELA SÃO JOSÉ CAMPO ABERTO Laços de ternura Projeto musical da Souza Cruz reforça os vínculos da empresa com o Sul do País 12 MAIS DE 5 MIL PESSOAS ACOMPANHARAM O LANÇAMENTO do Projeto Música em Movimento 2011, em fevereiro, no Parque da Oktoberfest, na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul. Promovido pela Souza Cruz, o evento superou as expectativas dos organizadores, emocionou a plateia e reuniu artistas como Os Fagundes, Joca Martins, Renato Borghetti e a Orquestra Camerata Porto Alegre, sob a regência do maestro Telmo Jaconi. MÚSICA EM MOVIMENTO 2011 REUNIU DIVERSAS ATRAÇÕES, ENTRE ELES, RENATO BORGHETTI E A ORQUESTRA CAMERATA DE PORTO ALEGRE A MAIOR PARTE DOS MORADORES DA CIDADE RESIDE NO CAMPO Chuvisca (RS) Emancipação: 28/12/1995 Colonização: Alemã, polonesa e portuguesa Localização: 156 km de Porto Alegre Área: 220 km² Altitude: 250m época em que a cidade teve seu nome registrado oficialmente. Com grupos folclóricos, artistas regionais e atrações nacionais, a Agrifest (Agricultura Familiar em Festa) e a Festa do Fumo animam a população anualmente. São eventos que misturam gincanas, apresentações artísticas e degustação da típica culinária local. Tudo emoldurado pelas belas paisagens de Chuvisca, com suas cachoeiras e árvores silvestres que costumam encantar moradores e visitantes. Nelino Venzke, prefeito de Chuvisca Entrevista Quais são as principais atividades econômicas de Chuvisca? Nossa economia é totalmente baseada na agricultura. Temos plantações de fumo, uva, trigo, cana e de girassol, além da nossa bacia leiteira. Mas o fumo é o principal produto, representando aproximadamente 90% da produção agrícola. É a maior fonte de receita para o município. O cultivo do fumo proporciona muitos benefícios ao município e aos agricultores? Respondendo como prefeito e produtor, porque eu também tenho a minha plantação, a fumicultura representa “Momentos de reencontro como esse são muito especiais, o Rio Grande do Sul tem a característica de abrir espaço para vários estilos musicais”, festejou Borghetti, que subiu ao palco ao lado da Orquestra Camerata Porto Alegre, numa feliz junção das músicas de raiz e erudita. No final, os artistas convidados se reuniram e interpretaram Canto Alegretense, clássico do cancioneiro gaúcho, e o Hino do Rio Grande do Sul, acompanhados em coro pela multidão. Carlos Palma, gerente de Assuntos Corporativos da Souza Cruz, ressaltou o sucesso do projeto: “Por ser diferente de todas as outras edições, esta superou as nossas expectativas. Ficamos muito felizes com a receptividade e a participação das pessoas”, revelou. “Estamos levando a arte e promovendo a cultura nas regiões onde atuamos, valorizando o relacionamento com a comunidade”, emendou Hélio Moura, gerente nacional de Produção Agrícola da empresa. hoje tudo para a nossa cidade. A maior parte da arrecadação do município vem da produção de fumo. Além disso, é dessas plantações que as famílias produtoras tiram o seu sustento, garantindo sua alimentação e renda. A cidade está preparada para enfrentar desafios dos tempos atuais? Somos um município pequeno. No ano passado sofremos com as enchentes que atingiram a região Sul, mas fomos bem atendidos pelo Estado e pela Defesa Civil. Felizmente a cidade já está praticamente restaurada. Apesar de sermos pequenos, temos uma economia bem estabelecida. Que projetos estão sendo desenvolvidos na cidade atualmente? Alguns estão em andamento, mas o nosso maior objetivo é melhorar o interior para atrair novos produtores. Atualmente, 95% moram no campo e menos de 300 habitantes vivem na área urbana. Claro que não esquecemos de quem está na cidade.O que estamos fazendo no interior é facilitar o acesso aos serviços públicos, escolas, investindo e melhorando a produção. Queremos ajudar os produtores para que sempre tenham boas oportunidades no campo e garantam o sustento de suas famílias. A ideia é expandir ainda mais as plantações e a variedade de produtos cultivados no município. Fotos: Rodrigo Assmann População: 4.944 habitantes O PÚBLICO SE ENTUSIASMOU E CANTOU JUNTO O Projeto Música em Movimento seguirá agora para os municípios de Frederico Westphalen, São Pedro do Sul e Cachoeira do Sul, com shows de César Oliveira e Rogério Melo, acompanhados pela Orquestra Camerata Porto Alegre. No segundo semestre deste ano, serão realizadas apresentações em cidades de Santa Catarina e do Paraná. DEBATE: Carga tributária A carga tributária no Ao lado da farmácia que citei, Brasil é alta? existe uma clínica que gera mais Bastante e compromete a empregos e não está contemplada competitividade do segmento nessa modalidade. Empresas assim, produtivo. Além disso, prejudica o para sobreviver, costumam setor público, incentiva a sonegação, sonegar impostos. Estou lutando aumenta a informalidade pela justiça tributária. e faz o Estado arrecadar menos. O peso da carga tributária não O dinheiro arrecadado de é proporcional à qualidade dos impostos é bem investido? serviços públicos prestados É desproporcional o número na segurança, saúde, de pessoas que paga impostos educação e outras áreas. comparado aos que não Arquivo pessoal desembolsam nada. Deputado federal JERÔNIMO GOERGEN (PP-RS) Advogado pós-graduado em direito empresarial, 35, foi duas vezes deputado estadual no Rio Grande do Sul, assessor especial no Ministério da Agricultura (2001) e coordenador da Frente Parlamentar do Agronegócio. Atualmente cumpre o primeiro mandato na Câmara dos Deputados e integra as Comissões de Finanças e Tributação e de Viação e Transporte. 14 É favorável ao imposto único? A máquina pública é mal gerida Trata-se da forma mais justa e fisiológica. Ela absorve o que de tributação porque não sobrepõe arrecada para se auto-sustentar impostos. Um amigo meu é dono e não oferece serviço em sua ponta. de uma farmácia na minha cidade, Sem contar o grave problema Santo Augusto, e paga R$ 4 mil de corrupção que a vitima. mensais de Simples. Não fica só nisso. Ele paga impostos Por que a reforma tributária de frete, fabricação de produtos, não sai do papel? de renda pessoal. Mais da metade Há muitas diferenças entre os do que ele comercializa. Estados mais e menos desenvolvidos. O imposto único seria uma É natural que aqueles que têm simplificação. O Simples não elimina maior capacidade de arrecadação o restante dos tributos que vêm não queiram dividir o bolo. no entorno da comercialização. Um dos fatores que impedem a discussão mais profunda é a O Simples não poderia definição de estrutura política ser ampliado ou aplicado e representativa dos Estados dentro a todas as empresas? do Congresso. Falta espírito Não, porque é um incentivo nacionalista ao País. voltado às pequenas empresas. No fundo, todo mundo sabe que Eu vou trabalhar para que a reforma tributária é necessária, profissionais liberais (advogados, mas que alguns vão perder. médicos, engenheiros) sejam Como a representatividade política incluídos no Simples. é distorcida, não sai do papel. O País aplica bem os recursos O volume arrecadado de alavancados em impostos? tributos é distribuído de forma Eu diria que o Brasil cresceu, melhorou justa no País? e a economia vai bem, porém, ainda Apenas os municípios brasileiros continua arrecadando e gastando mal fazem uma distribuição adequada os seus recursos. No período de 1995 dos recursos que recebem. a 2009, a carga tributária aumentou de Nas cidades, a comunidade se 27% para 35% do PIB. Se o montante envolve e os prefeitos prestam conta arrecadado resolvesse problemas sociais diariamente de suas ações. que observamos na saúde, segurança, Na partilha dos recursos, no entanto, infra-estrutura e agricultura, os municípios saem prejudicados. por exemplo, até poderia ser justificado. No plano federal, não há Mas não é isto que acontece e a preocupação com a justiça responsabilidade do Estado muitas vezes na hora de se repartir o que foi é transferida para a iniciativa privada. arrecadado. Muitas vezes as emendas parlamentares e os recursos O que poderia ser feito para ministeriais são divididos conforme simplificar a cobrança de tributos? interesses dos deputados e da Com o avanço tecnológico, ficou capacidade de articulação das facilitado o controle e a fiscalização dos prefeituras e Estados. Os critérios de tributos em todos os níveis. No entanto, igualdade e necessidade não acabam ainda é muito ineficaz o controle de pesando. Na prática, quanto mais quem sonega tudo. Para os que pagam pobre a comunidade menor serão as Deputado federal JOSÉ LUIZ STÉDILE tributos, será cada vez maior o rigor. suas chances de receber recursos. (PSB-RS) economia se perde em sonegação A Reforma Tributária seria uma Ex-metalúrgico e diretor causada pelo contrabando de produtos saída para a justiça tributária? sindical da categoria, 53, Enquanto isso, mais de 25% da ilegais. Se efetivamente todos pagassem, Todos a querem, porém, acho pouco já foi prefeito duas vezes da cidade o imposto poderia diminuir. provável que ela aconteça porque gaúcha de Cachoeirinha A simplificação tão necessária dos há muitos interesses em jogo. (2001-2004 / 2005-2008). tributos poderia ser alcançada com a am- Deveria existir uma tributação maior Formado em Gestão Pública pliação do Simples. A revisão dos sobre os lucros dos bancos, pela Universidade de Caxias do Sul limites da tabela hoje proposta para por exemplo. A produção precisa ser e em Economia do Trabalho apequena e média empresa deveria s prestigiada no lugar da especulação pelo Instituto de Economia er ampliada para todas. financeira. Para o Brasil ser mais justo, da Unicamp, cumpre o primeiro empresários, trabalhadores e mandato como deputado federal. O imposto único, defendido consumidores teriam de ter Faz parte das Comissões por alguns especialistas, seria uma consciência de seus respectivos papéis de Viação e Transportes solução viável? na sociedade. Se todos pagarem e de Finanças e Tributação. Sou favorável, mas reconheço que impostos, a carga tributária será as dificuldades técnicas para a sua menor. Se os recursos forem melhor implantação precisam ser resolvidas. distribuídos, seremos um Talvez com a reforma tributária. País socialmente melhor. 15 CARLOS TAVARES, DA LIVRARIA NEWSTIME, DE BELÉM (PA), COM VENDEDOR DA SOUZA CRUZ: 260 MIL VAREJISTAS RECEBERAM ORIENTAÇÃO Keilon Feio Megacampanha de conscientização sobre a proibição da venda de cigarros para menores 18 anos envolve 100% dos varejos que comercializam as marcas da Souza Cruz Varejo responsável COM O COMPROMISSO PERMAnente de propagar práticas de responsabilidade social entre parceiros em todos os segmentos de atuação, a Souza Cruz apoia a megacampanha que visa conscientizar comerciantes sobre a proibição da venda de cigarros para menores de 18 anos. Lançada por importantes entidades de classe do setor, a iniciativa envolve os 260 mil estabelecimentos que comercializam produtos da Souza Cruz e já teve eficácia constatada em pesquisa. De acordo com o levantamento, após o movimento, aumentou em 14 pontos percentuais o número de varejistas que tomaram conhecimento da lei que proíbe a venda de cigarro para menores de 18 anos. Realizada em duas fases: antes e após o lançamento da megacampanha, a pesquisa, que envolveu 1,2 mil varejistas das regiões Sul, Norte, Nordeste e do Estado de São Paulo, revelou ainda que, hoje, 93% dos comerciantes sabem sobre a existência da lei, contra 79% que a conhecia anteriormente. O número de varejistas que exigem identidade em caso de dúvida quanto à idade do cliente também aumentou da primeira para a segunda pesquisa, passando de 61% para 67%. Além de apoiar a campanha, a Souza Cruz exige dos seus parceiros o compromisso formal de cumprir a lei por meio de cláusula inserida em todos os seus contratos de marketing. www.fbha.com.br www.abrasel.com.br A Gazeta do Sul (RS) destacou o lançamento do projeto Música em Movimento 2011, realizado no Parque da Oktoberfest, em Santa Cruz do Sul, que contou com a presença de mais de cinco mil pessoas e apresentações de grandes artistas. Zero Hora (RS) publicou ampla matéria sobre os desafios do setor fumageiro no Brasil. A Souza Cruz foi destaque na matéria. Coluna Conta Social, no jornal O Dia (RJ), deu destaque à campanha da Souza Cruz de arrecadação de donativos para as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. O Brasil Econômico (SP) veiculou que a Souza Cruz propôs o desdobramento das suas ações na Bolsa de Valores, com o objetivo de aumentar a liquidez dos papéis e facilitar a compra por pequenos investidores. Valor Econômico (SP) citou a Souza Cruz como uma das empresas que cria projetos inovadores para estimular e engajar seus colaboradores com a sustentabilidade. Os jornais Rio Vale e Gazeta do Sul (RS) dedicaram espaço ao Projeto Jornada Escolar Ampliada, desenvolvido pela Souza Cruz, que direcionou mais de R$ 2 milhões para ações sociais em 29 municípios dos Estados da região Sul e beneficiou mais de 10,5 mil estudantes.