artigo original
A força de preensão manual como marcador
de saúde em adolescentes com sobrepeso
Ramires Alsamir Tibana, Dahan da Cunha Nascimento, Sandra Oliveira, Graciliano Rosa, Sandor Balsamo, Renato
André Sousa da Silva, Roberta Kelly Menezes Maciel Falleiros, Darlan Lopes de Farias e Jonato Prestes
DOI: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
RESUMO
Introdução. O excesso de peso é um sério problema mundial de saúde pública e poucos estudos analisaram e associaram a força muscular relativa em
adolescentes com e sem sobrepeso.
Objetivos. Comparar a força muscular relativa de
adolescentes de ambos os sexos com e sem sobrepeso, além de correlacionar a força muscular relativa
com a massa corporal, o índice de massa corporal,
o perímetro da cintura e a razão cintura-estatura.
Método. Foram avaliados 237 adolescentes (115
meninos) (12,8 ± 1,2 anos; índice de massa corporal
19,8 ± 3,4 kg/m2), os quais foram classificados em:
eutróficos (n = 184; massa corporal 45,9 ± 7,9 kg; índice de massa corporal 18,5 ± 1,9 kg/m2) e sobrepesados (n = 53; massa corporal 64,8 ± 12,6 kg; índice
de massa corporal 25,2 ± 2,8 kg/m2).
Resultados. A força muscular relativa foi menor
nos adolescentes com sobrepeso quando comparada a dos adolescentes eutróficos (0,45 ± 0,07 vs
0,55 ± 0,09; p = 0,001). Houve correlação negativa
da massa corporal (r = -0,23; p = 0,001), do índice
de massa corporal (r = -0,40; p = 0,001), do perímetro da cintura (r = -0,38; p = 0,001) e da razão
cintura-estatura (r = -0,47; p = 0,001) com a força
muscular relativa.
Conclusão. Os resultados do presente estudo sugerem haver possível influência negativa do excesso
de peso e de variáveis antropométricas na força
muscular relativa de adolescentes com sobrepeso.
Palavras-chave. Força muscular; obesidade; sobrepeso; adiposidade corporal
288 • Brasília Med 2013;50(4):288-295
Ramires Alsamir Tibana – profissional de Educação Física, Centro
Universitário Euro-Americano (Unieuro), Departamento de Educação Física,
Programa de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física
da Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Dahan da Cunha Nascimento – profissional de Educação Física, Centro
Universitário Euro-Americano (Unieuro), Departamento de Educação Física,
Programa de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física
da Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Sandra Oliveira – profissional de Educação Física, Programa de PósGraduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física da Universidade
Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Graciliano Rosa – profissional de Educação Física, Centro Universitário
Euro-Americano (Unieuro), Departamento de Educação Física, Brasília,
Distrito Federal, Brasil
Sandor Balsamo – profissional de Educação Física, Centro Universitário
Euro-Americano (Unieuro), Departamento de Educação Física, Programa
de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Ciências Médicas da
Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Renato André Sousa da Silva – profissional de Educação Física, Centro
Universitário Euro-Americano (Unieuro), Departamento de Educação Física,
Programa de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física
da Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Roberta Kelly Menezes Maciel Falleiros – médica endocrinologista, Unidade de Endocrinologia e Metabologia, Hospital Regional de
Taguatinga, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Darlan Lopes de Farias – profissional de Educação Física, Programa
de Pós-Graduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física da
Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Jonato Prestes – profissional de Educação Física, Programa de PósGraduação stricto sensu da Faculdade de Educação Física da Universidade
Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil
Correspondência: Ramires Alsamir Tibana. Programa de PósGraduação em Educação Física e Saúde. Universidade Católica
de Brasília, QS 7, lote 1, EPTC, bloco G, CEP 71966-700, Águas
Claras, Taguatinga-DF, Brasil. Telefone: 61 33569350.
Internet: [email protected]
Recebido em 19-9-2013. Aceito em 20-12-2013.
Conflito de interesses: nada a declarar pelos autores.
Ramires Alsamir Tibana e cols. • Força muscular e sobrepeso em adolescentes
ABSTRACT
Handgrip strength as a health marker in overweight
adolescents
Introduction. Excess body weight is a serious public
health issue worldwide, and few studies have compared
or analyzed the association between relative muscle
strength in adolescents with and without overweight.
Objectives. The aim of this study was to compare the
relative muscle strength of overweight and normalweight adolescents of both sexes. The authors also
attempted to correlate relative muscle strength with
body weight, body mass index, waist perimeter, and
waist-height ratio.
Method. 224 adolescents were evaluated (115 boys)
(12.8 ± 1.2 years; body mass index 19.8 ± 3.4 kg/m2) and
classified as having normal weight (n = 184; body weight
45.9 ± 7.9 kg; body mass index 18.5 ± 1.9 kg/m2) or being
overweight (n = 53; body weight 64.8 ± 12.6 kg; body mass
index 25.2 ± 2.8 kg/m2).
Results. Relative muscle strength was lower in
overweight adolescents when compared with those who
had normal weight (0.45 ± 0.07 vs 0.55 ± 0.09; p = 0.001).
A negative correlation between relative muscle strength
and body weight (r = -0.23; p = 0.001), body mass index (r
= -0.40; p = 0.001), waist perimeter (r = -0.38; p = 0.001) and
waist-height ratio (r = -0.47; p = 0.001) was found.
Conclusion. The results of the present study suggest
a probable negative influence of excess weight and
anthropometric variables on the relative muscle strength
of overweight adolescents.
Key words. Muscle strength; obesity; overweight;
corporal adiposity
INTRODUÇÃO
Os índices de obesidade vêm crescendo de forma alarmante na maioria dos países, chegando a
mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
a obesidade é uma doença crônica epidêmica, que
atinge crianças, adolescentes e adultos de países
com diferentes níveis de desenvolvimento e inclusive supera a desnutrição e as doenças infecciosas.
Essa epidemia global requer atenção especial dos
serviços de saúde, pois até 2015, estima-se que
aproximadamente dois bilhões e trezentos mil indivíduos apresentarão sobrepeso e mais de setecentos milhões, obesidade.1
Em adolescentes, informações provenientes de
estudos longitudinais evidenciam aumento significativo na ocorrência de sobrepeso e constituem
assim importante fonte de preocupação para profissionais da área da saúde. Nesse aspecto, apresenta-se uma favorável condição para que crianças e
adolescentes obesos tornem-se adultos obesos2
com grandes possibilidades de sofrerem as consequências desse agravo, como diabetes tipo 2,
doenças cardiovasculares, doença aterosclerótica,
hipertensão arterial, transtornos ortopédicos e articulares, doenças de pele, maior risco cirúrgico,
dentre outras complicações.3
Por outro lado, a atividade física está diretamente
relacionada à redução dos riscos de desenvolvimento de diversas doenças. Em estudos recentes,
a força muscular, por exemplo, mostra relação inversa com pressão arterial,4,5 síndrome metabólica6 e obesidade7,8 em mulheres de meia-idade sedentárias, de tal modo que é importante fator de
saúde já na juventude.9 Andersen e colaboradores10
demonstraram que baixos níveis de aptidão aeróbica na infância e na adolescência relacionaram-se
com maiores riscos de doenças cardiovasculares na
idade adulta. Em relação à força muscular, similarmente, estudos demonstram associações inversas
entre a força muscular com os fatores de risco cardiovascular11-13 e mortalidade em adolescentes.14
Por conseguinte, estão bem definidos na literatura
os impactos negativos da obesidade sobre a saúde
cardiovascular dos adolescentes, mas ainda são limitadas as informações sobre como a força muscular pode relacionar-se com a adiposidade corporal
em adolescentes. Portanto, o objetivo do presente estudo foi comparar a força muscular relativa
de adolescentes com sobrepeso e sem sobrepeso,
além de correlacionar a força muscular relativa
Brasília Med 2013;50(4):288-295 • 289
artigo original
com a massa corporal, com o índice de massa corporal, com o perímetro da cintura e com a razão
cintura-estatura.
MÉTODO
Amostra
Este foi um estudo transversal, realizado no período
de julho de 2011 até maio de 2013 em adolescentes
residentes no Distrito Federal. Após os pais assinarem um termo de consentimento livre e esclarecido, participaram desse estudo de forma voluntária
(amostra de conveniência), 237 adolescentes (115
meninos) (12,8 ± 1,2 anos etários; índice de massa
corporal 19,8 ± 3,4 kg/m2), classificados em eutróficos (n = 178; massa corporal 45,9 ± 7,9 kg; índice de
massa corporal 18,5 ± 1,9 kg/m2) e sobrepesados (n
= 46; massa corporal 64,8 ± 12,6 kg; índice de massa
corporal 25,2 ± 2,8 kg/m2). O critério de inclusão para os participantes foi ter idade de 12 a 15 anos.
Os critérios de exclusão foram presença de doenças
cardiorrespiratórias (autorrelatada) e ou limitações
físicas (autorrelatada) que comprometessem o desempenho durante os testes. O estudo foi aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Católica de Brasília (resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde).
Antropometria
A medida da massa corporal foi realizada com o indivíduo descalço, com roupas leves, e foi utilizada
balança digital. A estatura foi medida com estadiômetro acoplado à balança e os avaliados tiveram
classificação de sobrepeso por meio do índice de
massa corporal por sexo e idade, segundo os pontos
de corte propostos por Cole e colaboradores.15
A mensuração do perímetro da cintura foi realizada no ponto central entre o último arco costal e a
crista ilíaca. A razão cintura-estatura (RCE) foi calculada por meio da equação: RCE = [circunferência
da cintura (cm)/estatura (cm)].16 A coleta dos dados
antropométricos foi realizada por somente um avaliador experiente e treinado.
290 • Brasília Med 2013;50(4):288-295
Força de preensão manual
A força de preensão manual foi obtida com dinamômetro mecânico manual (Takei, T.K.K, Japão),
respeitando o protocolo de España-Romero e colaboradores.17 Para tanto, os voluntários permaneceram em pé com os dois braços estendidos e o
antebraço em rotação neutra.17 Para todos os participantes, a empunhadura do dinamômetro foi
ajustada individualmente de acordo com o tamanho das mãos de forma que a haste mais próxima
do corpo do dinamômetro estivesse posicionada
sobre as segundas falanges dos dedos indicador,
médio e anular. O período de recuperação entre
as medidas foi um minuto. O teste foi realizado em
três tentativas na mão que o participante considerasse mais forte. A melhor marca dentre as três
tentativas foi utilizada como medida. A força relativa (FR) foi calculada com a equação proposta por
Prestes e Tibana,18 em que FR = [força muscular
absoluta (kg)/massa corporal (kg)]. A coleta dos
dados da força de preensão manual foi realizada
por um avaliador experiente e treinado.
Análise estatística
A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wik. Verificada a normalidade
dos dados o teste t independente foi utilizado
para comparação da força muscular relativa e
antropometria entre os adolescentes sobrepesados e eutróficos. Adicionalmente, com base
no valor da força muscular relativa, a amostra
foi estratificada em quintis para comparação da
massa corporal, do índice de massa corporal, do
perímetro da cintura e da razão cintura-estatura por meio da Anova one-way, seguida do teste
post-hoc de Bonferroni quando apropriado. Para
estabelecer correlações entre a variável força
muscular relativa e as medidas antropométricas, utilizou-se o teste de correlação de Pearson.
Como correlações múltiplas foram realizadas,
para não inflacionar o erro tipo I, a correção de
Bonferroni foi aplicada dividindo-se 0,05 por 4
(p ≤ 0,012). 19 Os dados foram analisados por
meio do programa Statistical Package for the Social
Sciences (SPSS, v.19, Chicago, IL) e o nível de significância adotado foi p < 0,05.
Ramires Alsamir Tibana e cols. • Força muscular e sobrepeso em adolescentes
Os adolescentes eutróficos apresentaram valores
menores de massa corporal (p < 0,001), índice de
massa corporal (p < 0,001), perímetro da cintura (p
< 0,001) e razão cintura-estatura (p < 0,001) quando
comparados a adolescentes com sobrepeso. A força
muscular relativa foi maior nos adolescentes eutróficos (p < 0,001) quando comparada a dos adolescentes com sobrepeso (figura 1). Além disso, quando os adolescentes foram alocados em quintis da
força muscular relativa, os adolescentes mais fracos (primeiro quintil) apresentaram maior massa
corporal, índice de massa corporal (p < 0,01), perímetro da cintura (p < 0,01) e razão cintura-estatura
(p < 0,01) quando comparados aos demais quintis
(figura 2), tanto nos meninos (tabela 2), bem como
nas meninas (tabela 3).
A
Massa corporal (kg)
80
60
*
*
*
40
20
0
1
2
3
4
0.8
Força muscular relativa
A tabela 1 apresenta as características da amostra.
Conforme apresentado na tabela 4, houve correlação negativa da massa corporal (r = -0,23;
p = 0,001; r = -0,23; p = 0,001), do índice de massa
corporal (r = -0,40; p = 0,001; r = -0,23; p = 0,001), do
perímetro da cintura (r =-0,38; p = 0,001; r = -0,23;
p = 0,001) e da razão cintura-estatura (r = -0,47;
p=0,001; r = -0,23; p = 0,001) com a força muscular
relativa em meninos e meninas, respectivamente.
*
0.6
0.4
0.2
Sobrepesados
5
Eutróficos
B
30
*
20
C
*
*
60
40
20
0
1
1
3
Quintis
4
5
*
*
0
1
2
3
Quintis
4
5
D
0.6
Razão cintura-estatura
Perímetro da cintura (cm)
*
80
*
10
Quintis
100
Figura 1. Força
muscular relativa nos
adolescentes com
sobrepeso e eutróficos.
*Diferença significativa
quando comparado
aos adolescentes com
sobrepeso (p < 0,001).
0.0
Índice de massa corporal (kg/m2)
RESULTADOS
*
0.4
0.2
0.0
1
2
3
4
5
Quintis
Figura 2. Massa corporal (painel A), índice de massa corporal (painel B), perímetro da cintura (painel C) e razão cintura-estatura
(painel D) da população amostral estratificada em quintis da força muscular relativa. *Diferença significativa em comparação ao
primeiro quintil (0,22-0,26) (p < 0,001); †Diferença significativa em comparação ao segundo quintil (0,37-0,40) (p < 0,001).
Brasília Med 2013;50(4):288-295 • 291
artigo original
120
Índice de massa corporal (kg/m2)
100
Massa corporal (kg)
40
r=-0,23*
80
60
40
20
0.2
0.4
0.6
Força muscular relativa
100
80
60
20
0.2
0.4
0.6
Força muscular relativa
20
0.8
0.2
0.4
0.6
Força muscular relativa
0.8
0.7
r=-0,38*
Razão cintura-estatura
Perímetro da cintura (cm)
120
30
10
0.8
r=-0,40*
r=-0,47*
0.6
0.5
0.4
0.3
0.2
0.4
0.6
Força muscular relativa
0.8
Figura 3. Dispersões dos dados em relação à reta de regressão da massa corporal, do índice de massa corporal, do perímetro da
cintura e da razão cintura-estatura em função da força muscular relativa. *(p = 0,001).
Tabela 1. Características da amostra de acordo com o sexo
Meninos
(n = 115)
Meninas
(n = 122)
Todos
(n = 237)
12,8 ± 1,4
12,8 ± 1,1
12,8 ± 1,2
0,97
Massa corporal (kg)
49,9 ± 13,5
49,7 ± 10,4
49,8 ± 11,8
0,89
Estatura (m)
1,59 ± 0,12
1,57 ± 0,07
1,58 ± 0,09
0,08
Índice de massa corporal (kg/m2)
19,5 ± 3,3
20,2 ± 3,6
19,8 ± 3,4
0,13
Perímetro da cintura (cm)
68,4 ± 8,4
67,7 ± 8,9
68,0 ± 8,7
0,59
0,43 ± 0,04
0,43 ± 0,05
0,43 ± 0,05
0,74
27,4 ± 8,6
25,1 ± 4,6
26,1 ± 6,8
0,01
0,55 ± 0,1*
0,51 ± 0,1
0,53 ± 0,1
0,003
Variáveis
Idade (anos)
Razão cintura-estatura
Força absoluta (kg)
Força relativa
*Diferença significativa entre meninos e meninas.
292 • Brasília Med 2013;50(4):288-295
p
Ramires Alsamir Tibana e cols. • Força muscular e sobrepeso em adolescentes
Tabela 2. Características dos adolescentes de acordo com os quintis da força muscular relativa
Quintil 1
(n = 23)
Quintil 2
(n = 23)
Quintil 3
(n = 23)
Quintil 4
(n = 23)
Quintil 5
(n = 23)
13 ± 1,4
13,1 ± 1,5
13,1 ± 1,3
13,6 ± 1,3
13,9 ± 0,8
Massa corporal (kg)
60,6 ± 16,0
58,7 ± 20,9
52,8 ± 12,8
50,8 ± 11,2
55,7 ± 8,8
Estatura (m)
1,59 ± 0,11
1,58 ± 0,14
1,63 ± 0,14
1,62 ± 0,11
1,68 ± 0,08
IMC (kg/m2)
23,5 ± 3,8
22,7 ± 4,7
19,6 ± 2,2*†
19,2 ± 2,1*†
19,6 ± 2,1*†
PC (cm)
75,4 ± 8,2
72,8 ± 12,6
68,2 ± 7,3*
67,3 ± 5,6*
69,1 ± 4,9*
RCE
0,47 ± 0,04
0,46 ± 0,06
0,42 ± 0,03*†
0,42 ± 0,03*†
0,41 ± 0,02*†
Força absoluta (kg)
24,1 ± 6,4
28,6 ± 10,1
28,9 ± 7,4
31,3 ± 7,3*
40,5 ± 6,3*†‡§
Força relativa
0,40 ± 0,1
0,49 ± 0,2*
0,55 ± 0,2*†
0,61 ± 0,3*†‡
0,73 ± 0,06*†‡§
Variáveis
Idade (anos)
IMC – índice de massa corporal. PC – perímetro da cintura. RCE – razão cintura-estatura. *Diferença significativa em comparação ao primeiro quintil (p
< 0,001). †Diferença significativa em comparação ao segundo quintil (p < 0,001). ‡Diferença significativa em comparação ao terceiro quintil (p < 0,01).
§
Diferença significativa em comparação ao quarto quintil (p < 0,001).
Tabela 3. Características das adolescentes de acordo com os quintis da força muscular relativa
Quintil 1
(n = 24)
Quintil 2
(n = 24)
Quintil 3
(n = 24)
Quintil 4
(n = 25)
Quintil 5
(n = 25)
Idade (anos)
12,8 ± 1,1
13,3 ± 1,0
13,4 ± 0,9
13 ± 1,2
13,2 ± 0,9
Massa corporal (kg)
60 ± 10,5
53,6 ± 7,8
51,4 ± 8,0
47,7 ± 6,8
45,6 ± 5,6
Estatura (m)
1,59 ± 0,06
1,59 ± 0,07
1,56 ± 0,06
1,56 ± 0,06
1,57 ± 0,05
IMC (kg/m2)
23,6 ± 3,8
21,3 ± 3,5
21 ± 2,5*
19,5 ± 2,3*
18,6 ± 2,2*†‡
PC (cm)
72,8 ± 7,3
68,5 ± 5,6
68,2 ± 5,4
63,5 ± 4,8*†‡
62,3 ± 3,9*†‡
RCE
0,46 ± 0,04
0,43 ± 0,04
0,44 ± 0,04
0,41 ± 0,03*†‡
0,40 ± 0,03*†‡
Força absoluta (kg)
22,5 ± 4,7
23,9 ± 3,4
25,4 ± 3,9
25,4 ± 3,7
28,1 ± 4,1*†
Força relativa
0,38 ± 0,1
0,45 ± 0,1*
0,49 ± 0,1*†
0,53 ± 0,1*†‡
0,62 ± 0,4*†‡§
Variáveis
IMC – índice de massa corporal. PC – perímetro da cintura. RCE – razão cintura-estatura. *Diferença significativa entre meninos e meninas. *Diferença
significativa em comparação ao primeiro quintil (p < 0,001). †Diferença significativa em comparação ao segundo quintil (p < 0,001). ‡Diferença
significativa em comparação ao terceiro quintil (p < 0,01). §Diferença significativa em comparação ao quarto quintil (p < 0,001).
Tabela 4. Correlação entre as variáveis antropométricas com a força muscular relativa em meninos e meninas
Meninos (n = 115)
Meninas (n = 122)
Variáveis
r
p
r
p
Massa corporal (kg)
-0,17
0,06
-0,51
0,001*
Índice de massa corporal (kg/m2)
-0,44
0,001*
-0,49
0,001*
Perímetro da cintura (cm)
-0,30
0,001*
-0,52
0,001*
Razão cintura-estatura
-0,52
0,001*
-0,45
0,001*
*Correlação significativa
Brasília Med 2013;50(4):288-295 • 293
artigo original
DISCUSSÃO
O objetivo do presente es­tudo foi comparar a força
muscular relativa de adolescentes com sobrepeso e
sem sobrepeso além de correlacionar a força muscular relativa com a massa corporal, com o índice
de massa corporal, com o perímetro da cintura e
com a razão cintura-estatura. Os resultados encontrados mostraram que os adolescentes sobrepesados têm menor força muscular relativa quando
comparados aos adolescentes eutróficos. Além disso, quando analisados os quintis da força muscular
relativa, aqueles que apresentaram menor força
muscular foram os que tiveram maior massa corporal, índice de massa corporal, perímetro da cintura e razão cintura-estatura. Assim, confirma-se a
hipótese de que a baixa aptidão da força muscular
na adolescência favorece os riscos à saúde tanto em
meninos como em meninas.
Os resultados do presente estudo corroboram as
evidências da literatura e indicam que o índice de
massa corporal, o perímetro da cintura e a razão
cintura-estatura são mais elevados em indivíduos
com menor força muscular.6-10 Jackson e colaboradores20 demonstraram que a prevalência e a incidência da obesidade diminuem sistematicamente
com o aumento da força muscular em homens
adultos, mesmo se corrigidas por idade, massa
corporal e aptidão cardiorrespiratória. De forma
análoga, Grontved e colaboradores13 analisaram a
associação da força muscular isométrica com os
fatores de risco cardiovascular em jovens durante doze anos. Os resultados mostraram que a cada desvio-padrão de diferença na força muscular
isométrica esteve inversamente associada com o
índice de massa corporal (-0,6 kg/m2), triglicerídios (-0,09 mmol/L) e pressão arterial diastólica
(-1,2 mmHg).
Recentemente, Jiménez-Pavón e colaboradores12
usaram um método parecido com a do presente estudo para avaliar a força muscular em adolescentes (teste de preensão manual) e associar
com marcadores de resistência a insulina. De
acordo com os resultados apresentados, a força
de preensão manual foi negativamente associada com a insulina de jejum. Similarmente, Lee e
294 • Brasília Med 2013;50(4):288-295
colaboradores21 demonstraram que a força muscular máxima foi correlacionada com a sensibilidade à insulina (r = 0,39) e com o teste oral de
tolerância a glicose (r = -0,32) em quarenta adolescentes obesos. Não obstante, Silventoinen e colaboradores11 mostraram que os adolescentes com
menor força muscular foram os que apresentaram
maiores probabilidades de ter doenças coronarianas e acidente vascular encefálico.
Além disso, os benefícios de os adolescentes serem
mais fortes e mais aptos fisicamente não se estendem apenas à composição corporal mais privilegiada e aos fatores de risco cardiovasculares mais
brandos. Estudos recentes demonstram que crianças e adolescentes que são mais ativos fisicamente
apresentam melhores desempenhos em testes de
memória e aprendizado, aumento na função cognitiva em tarefas que requerem percepção22 e melhores desempenhos acadêmicos.23
É oportuno destacar algumas limitações metodológicas do presente estudo. Em geral, investigações em
grupos não escolhidos aleatoriamente (amostras de
conveniência) têm como consequência produzir
estimativas que não correspondem às frequências realmente existentes na população. Ademais,
o estudo trata-se de uma pesquisa transversal que
impossibilita estabelecer relação de causa e efeito.
No entanto, estudos longitudinais têm demonstrado que a força muscular é capaz de predizer diversas afecções orgânicas e níveis de mortalidade.4,13,14
Além disso, a força muscular foi avaliada apenas pelo teste de preensão manual, apesar de estudos terem usado essa ferramenta como parâmetro na avaliação do estado geral de força.16,23 Adicionalmente,
essa metodologia é de fácil aplicação e não necessita
de equipamentos sofisticados, bem como de pessoal
treinado, o que possibilita sua utilização para avaliar
a força muscular em grandes populações.24 Por último, os adolescentes que apresentaram menor força
muscular relativa foram aqueles com maior massa
corporal, o que pode ter influenciado nos resultados
do presente estudo.
Em conclusão, os resultados do presente estudo
sugerem que, nas estratégias preventivas de obesidade, devem incidir não somente diminuição da
Ramires Alsamir Tibana e cols. • Força muscular e sobrepeso em adolescentes
gordura corporal e aumento da aptidão cardiorrespiratória, mas também aumento da força muscular,
sobretudo na prevenção da obesidade em adolescentes. De fato, o recente posicionamento da Academia
Americana de Pediatria recomenda a inclusão do
treinamento de força muscular com frequência de
duas a três vezes por semana em dias não consecutivos para crianças e adolescentes.25
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A força de preensão manual como marcador de saúde em