UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA UFPB DANILO BATISTA MARTINS BARBOSA ESTUDO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DA ASSOCIAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cymbopogon winterianus Jowitt (CITRONELA) COM ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS SOBRE ESPÉCIES DE Aspergillus JOÃO PESSOA-PB 2011 1 DANILO BATISTA MARTINS BARBOSA ESTUDO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DA ASSOCIAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cymbopogon winterianus Jowitt (CITRONELA) COM ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS SOBRE ESPÉCIES DE Aspergillus Tese apresentada, como parte dos requisitos necessários para conclusão do Doutorado em Odontologia (UFPB/UFBA), área de concentração em Estomatologia com linha de pesquisa em Fitoterapia Aplicada à Odontologia. Orientadora: Profª. Dra. Edeltrudes de Oliveira Lima JOÃO PESSOA-PB 2011 2 DANILO BATISTA MARTINS BARBOSA ESTUDO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DA ASSOCIAÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Cymbopogon winterianus Jowitt (CITRONELA) COM ANTIFÚNGICOS SINTÉTICOS SOBRE ESPÉCIES DE Aspergillus Aprovada em: ______/______/_______ BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________ Profa. Dra. Edeltrudes de Oliveira Lima Orientadora (CCS - UFPB) ______________________________________________________ Profa. Dra. Cláudia Roberta Leite Vieira de Figueiredo (Examinadora - CCS - UFPB) _______________________________________________________ Prof. Dr. Fabiano Gonzaga Rodrigues (Examinador – CCS - UFPB) _____________________________________________________ Prof. Dr. Sérgio Bartolomeu de Farias Martorelli (Examinador – Faculdade de Odontologia do Recife) ___________________________________________________ Prof. Dr. Thúlio Antunes de Arruda (Examinador - UEPB) 3 "A excelência pode ser obtida se você se importa mais do que os outros julgam ser necessário; se arrisca mais do que os outros julgam ser seguro, sonha mais do que os outros julgam ser prático, e espera mais do que os outros julgam ser possível." Vince Lombardi 4 AGRADECIMENTOS A Deus, por tão me ofertar tantas graças, tantas bênçãos, muito mais do que preciso para ser feliz. À minha esposa e melhor amiga Iolanda, por me entender, mesmo quando não falo, me suster quando caio, me conduzir, quando paro e por fazer de minha vida algo muito melhor do que poderia ser. A Danton, por saber suportar, às vezes sem entender, as horas em que o pai esteve distante, mesmo quando presente, mostrando-me como se forma um verdadeiro homem. A Henrique, pela alegria que nos trouxe na esteira de sua vinda, unindo mais o que já era um só, tornando maravilhoso o que já era bom. A meu pai, Genival, por mostrar que um homem pode ser feito de aço, caminhar desertos, nadar oceanos e, passados séculos, continuar achando que nada é impossível. À minha amada mãe, Irany, pelo amor transbordante, inesgotável, por ter sempre o colo, o carinho, fazendo-nos sempre querer continuar crianças. Aos meus queridíssimos irmãos Danúsio, Michele e Daniele, com meus cunhados Andréia, Jefferson e Jonathan e meus sobrinhos Guilherme, Laís e Camila, pelo amor e suporte de todas as horas, apostando sempre em mim. Aos meus sogros Mac Arthur e Socorro, que me deram meu presente tão precioso. Aos meus cunhados Luizinho, Gizeuda, Janine e Bruno e ao meu sobrinho Davi, que formam minha segunda família, tão amada quanto a primeira. À minha avó Iolanda, por todos esses anos de dedicação e carinho constantes. Aos meus tios e primos, pela convivência querida, menos freqüente do que seria de nossa vontade. Aos meus amigos-irmãos de toda uma vida: George Bezerra, Odilon Aquino, Napoleão Carvalho, Agamenon Cunha Lima, Eduardo Franca, Genésio Rocha, José de Atenágoras, amizades que transcendem a barreira do sangue, companheiros para todo o sempre. Aos amigos-irmãos de agora para toda a vida: João Frank, essencial em um momento decisivo, soube fazer o que um amigo de toda uma vida faria, e Sérgio Carvalho, grande surpresa, mais querido a cada dia. 5 À minha orientadora Edeltrudes Lima, que rege a vida feito uma maestrina, como quem conduz a mais bela canção. Ao professor Thúlio Antunes, pela disponibilidade em dividir com desapego com quem chega à sua procura. A Fabiano Gonzaga e Tânia Lemos: só Deus pode mostrar como um evento fortuito pode definir nossa vida para sempre. Minha gratidão por todo o amor, encorajamento e acolhimento de todos os dias, todas as horas. A Sérgio Martorelli, o primeiro exemplo, o exemplo de sempre, o amigo fidelíssimo presente ao primeiro apelo. A Jean-Paul Meningaud, pai e amigo em uma terra estranha: o cirurgião que é parâmetro mundial para a Ciência é pequeno diante do homem de carne-e-osso; e a Caroline Meningaud, pelo carinho, sensibilidade e compreensão. A Jacques-Charles Bertrand, aquele que me mostrou como um mestre pode ser grande, pela proteção e apoio em todos os momentos. A meus amigos no exílio francês, Sílvio de Barros, Yuri Catunda, Marcelo e Paula Varella, Rafael Spinelli, Hassan Aboushadi, Francisco Guerra Ferraz, Xerxes Gusmão, Cássio Nery, Rafael Correia, Ismene Serra, Carlos Augusto de Souza, Michele Ribeiro, Marina Peregrino e Rommel Amorim (in memoriam), por provarem que o inverno mais frio e mais cinzento pode ser também quente e alegre. A Giliara Carol e Ricardo Castro, que, de meus alunos, passaram a meus professores com a serenidade e segurança que se espera dos grandes. Aos companheiros da pós-graduação Gustavo Agripino, Fabiano Pacheco, Ana Carolina Albuquerque, Betânia Fachetti, Keila Barroso, Maria Oliveira, Rosalya Coura, pelos alegres momentos vividos. Aos amigos de plantão Jocemir Paulino, André Ribeiro, Sávio Bruno e Eucimar Guimarães, pelas demonstrações de amizade e companheirismo. Aos coordenadores do Programa de Pós-graduação Lino João e Ricardo Duarte, pelo esforço e desvelo mostrado durante o curso. Aos professores e funcionários do Programa de Pós-Graduação pelo apoio e dedicação. Aos colegas do Laboratório de Micologia Wylly Oliveira, Igara Lima, Fillipe Pereira, Katiana Lima e Egberto Carmo, por todo o carinho e a paciência com que me receberam. 6 RESUMO Esta pesquisa se propôs a estudar as propriedades antifúngicas do óleo essencial de Cymbopogon winterianus Jowitt associado a antifúngicos sintéticos contra cepas de Aspergillus. Os parâmetros utilizados para esse fim se basearam na determinação da Concentração Inibitória Mínima, Índice de Concentração Inibitória Fracionada (método de associação – Checkerboard), bem como na curva de morte microbiana. A anfotericina B e o fluconazol, antifúngicos sintéticos de uso consagrado, foram empregados como controles positivos, sendo também utilizados nos testes de combinação com o produto natural. Todos os ensaios foram realizados em triplicata. A realização desse estudo possibilitou aprofundar os conhecimentos acerca dos efeitos terapêuticos do óleo essencial de C. winterianus, quando usado de forma isolada ou se relacionado às drogas aludidas anteriormente. Além disso, buscou-se encontrar alternativas viáveis ao tratamento das infecções por Aspergillus, atualmente baseados no uso prolongado de drogas alopáticas, onde os efeitos colaterais observados representam um fator limitante para seu pleno sucesso. Palavras-Chaves: Aspergillus, Cymbopogon, Fitoterapia, Óleo essencial, Agentes Antifúngicos. 7 ABSTRACT This research aimed to study the antifungal properties of essential oil of Cymbopogon winterianus Jowitt associated with synthetic antifungals against strains of Aspergillus. The parameters used for this purpose were based on the determination of Minimum Inhibitory Concentration, Fractional Inhibitory Concentration Index (method of association - Checkerboard) as well as in microbial death curve. Amphotericin B and fluconazole antifungal synthetic were used as positive controls, and is also used in combination with tests of the natural product. All tests were performed in triplicate. The present study allowed further our understanding about the therapeutic effects of essential oil of C. winterianus, when used in isolation or drug related alluded to earlier. In addition, we attempted to find viable alternatives to the treatment of Aspergillus infections, currently based on the prolonged use of allopathic drugs, where the observed side effects are a limiting factor to its full success. Keywords: Aspergillus, Cymbopogon, Phytotherapy, Volatile Oils, Antifungal Agents. 8 LISTA DE ABREVIATURAS ASD - Agar Sabouraud Dextrose ATCC - American Type Culture Collection CC S - Centro de Ciências da Saúde CF M - Concentração Fungicida Mínima CIF - C o n c en t ra çã o In ib it ó ria Fr ac io ná r ia CI M - Concentração Inibitória Mínima DMSO - Dimetilsufóxido L TF - Laboratório de Tecnologia Farmacêutica NCCLS - National Committee for Clinical Laboratory Standards O. E. - Óleo Essencial OMS - Organização Mundial de Saúde PCR - Reação em Cadeia de Polimerase UFPB - Universidade Federal da Paraíba 9 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Cymbopogon winterianus............................................................. 25 FIGURA 2 - Fluxograma do ensaio da cinética da morte microbiana.............. 48 10 LISTA DE QUADRO, ESQUEMAS E TABELAS QUADRO1 - Componentes do óleo essencial das folhas de C. winterianus ........... 41 ESQUEMA 1 - Representação da associação entre os antifúngicos sintéticos e o óleo essencial pelo método de Checkerboard. .................................. 46 ESQUEMA 2 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B sobre A. fumigatus (ATCC 16913) ............................... 51 ESQUEMA 3 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e anfotericina B sobre A. flavus (ATCC 16013)......................................................... 52 ESQUEMA 4 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre A. fumigatus (ATCC 16913) ...................................................... 53 ESQUEMA 5 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre A. flavus (ATCC 16013) ............................................................ 54 TABELA 1 - Concentração inibitória mínima de anfotericina B sobre cepas de Aspergillus .......................................................................................... 49 TABELA 2 - Concentração inibitória mínima do fluconazol sobre cepas de Aspergillus .......................................................................................... 50 TABELA 3 - Determinação da concentração inibitória fracionária da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B sobre cepas de Aspergillus ........................................................................... 55 TABELA 4 - Determinação da concentração inibitória fracionária da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre cepas de Aspergillus .................................................................................... 55 TABELA 5 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B (em mm)....................................................................... 56 11 TABELA 6 - Grau de inibição de A. fumigatus pela associação do óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B em relação ao controle (em %) ................................................................................................ 56 TABELA 7 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e fluconazol (em mm).............................................................................................. 57 TABELA 8 - Grau de inibição de A. fumigatus pela associação do óleo essencial de C. winterianus com fluconazol em relação ao controle (em %)...... 58 TABELA 9 - Crescimento radial fúngico de A. flavus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e fluconazol (em mm) ......... 59 TABELA 10 - Grau de inibição de A. flavus pela associação do óleo essencial de C. winterianus com o fluconazol em relação ao controle (em %)........ 59 12 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e anfotericina B .................................................................................... 57 GRÁFICO 2 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol .......................................................................................... 58 GRÁFICO 3 - Crescimento radial fúngico de A. flavus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol .......................................................................................... 60 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................15 2 OBJETIVOS...........................................................................................................17 2.1 Geral ...................................................................................................................17 2.2 Específicos ........................................................................................................17 3 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................18 3.1 Fitoterapia ..........................................................................................................18 3.2 Óleos Essenciais ..............................................................................................20 3.3 Cymbopogon winteriaunus Jowitt ..................................................................24 3.4 Fungos ..............................................................................................................27 3.5 Aspergillus ........................................................................................................29 3.5.1 Forma alérgica..................................................................................................31 3.5.2 Forma não invasiva ..........................................................................................32 3.5.3 Forma invasiva .................................................................................................33 3.6 Antifúngicos ......................................................................................................35 3.7 Estudo de associação – Checkerboard..........................................................37 4 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................39 4.1 Local do Estudo.................................................................................................39 4.2 Produto Natural Testado...................................................................................39 4.3 Óleo Essencial...................................................................................................40 4.3.1 Análise do óleo essencial .................................................................................40 4.4 Fármacos Antifúngicos.....................................................................................41 4.5 Microrganismos.................................................................................................42 4.6 Meio de cultura ..................................................................................................42 4.7 Inóculo das Espécies Fúngicas .......................................................................43 14 5 METODOLOGIA......................................................................................................44 5.1 Determinação da CIM – Técnica da Microdiluição..........................................44 5.2 Ensaio do Sinergismo – Método do Checkerboard........................................44 5.3 Interferência da Associação do Óleo Essencial com os Antifúngicos Padrão sobre o Crescimento Micelial Radial ..................................................47 5.4 Tratamento Estatístico......................................................................................48 6 RESULTADOS.......................................................................................................49 6.1 Determinação da CIM dos Antifúngicos Padrão.............................................49 6.2 Determinação da CIF da associação dos antifúngicos sintéticos e o óleo essencial pelo método Checkerboard..............................................50 6.3 Interferência da Associação do Óleo Essencial com os Antifúngicos Padrão sobre o Crescimento Micelial Radial Fúngico ............55 7 DISCUSSÃO ..........................................................................................................61 8 CONCLUSÃO ........................................................................................................79 REFERÊNCIAS.........................................................................................................80 15 1 INTRODUÇÃO Aspergilose é um espectro de doenças que pode ser causado por várias espécies de Aspergillus (GUS et al., 2005). Esses microorganismos pertencem à classe dos ascomicetos, bastante comum na natureza. Apesar de cerca de 900 espécies terem sido descritas, apenas algumas se constituem em patógenos fúngicos sobre humanos (KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001). A. fumigatus é o agente mais frequente, mas A. flavus, A. niger e A. terreus também podem provocar a infecção (GUS et al., 2005). A inalação de esporos é a causa primária da doença, que pode apresentar três apresentações principais: a forma pulmonar, a invasiva e a alérgica broncopulmonar (MERCK, 1999). A contaminação também pode ocorrer pela colonização de ferimentos ou de cirurgias (SIDRIM; MOREIRA, 1999; CHAMILOS; KONTOYIANNIS, 2005; PASQUIER, et al., 2006). Eles também são os principais responsáveis pelas infecções fúngicas dos seios paranasais. Essas afecções podem ser iniciadas por duas vias: a via “aerogênica” ocorre quando os esporos são inalados, depositando-se diretamente nas cavidades sinusais, onde haverá proliferação, desde que se encontre condições anaeróbicas; a outra é aquela onde os esporos são introduzidos na cavidade por meio de uma comunicação buco-sinusal. Uma vez depositados nos seios, terão um comportamento oportunista, havendo multiplicação, desde que ocorra diminuição da ventilação sinusal, como ocorre em sinusites bacterianas pré-existentes (FALWORTH; HEROLD, 1996). O tratamento das aspergiloses se baseia, principalmente, em protocolos medicamentosos, associados, quando necessário, a complementação por cirurgia. Devido ao caráter destrutivo desses microorganismos, a necessidade de um tratamento prolongado e disciplinado e os efeitos colaterais resultantes das drogas adotadas, notadamente a anfotericina B, conhecida por seu potencial nefrotóxico (KEELE et al., 2001), observa-se um grande número de fracassos terapêuticos. Esses insucessos podem resultar em mutilações extensas, incapacitação funcional e óbito, principalmente quando há invasão da cavidade craniana, através dos seios 16 paranasais ou da órbita (NOTANI et al., 2000). As dificuldades expostas motivam a adoção de estratégias de tratamento mais eficazes. A utilização de produtos naturais para esse fim vem despertando um interesse freqüente, apresentando resultados animadores. Cymbopogon winterianus (citronela) é uma planta de notáveis propriedades terapêuticas, com uso consagrado pela literatura. Seu óleo essencial vem sendo indicado para diversos fins (CASSEL; VARGAS, 2006; QUINTANS-JÚNIOR et al., 2007; THANABORIPAT, 2007). Entretanto, sua estrutura complexa evidencia um potencial ainda inexplorado, suscitando a realização de estudos mais aprofundados, de modo a se optimizar suas possibilidades de uso. Assim, este trabalho se propôs a observar o comportamento antifúngico da associação entre drogas alopáticas de uso mais freqüente contra infecções por Aspergillus associados ao óleo essencial de C. winterianus. 17 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Avaliar a atividade antifúngica da associação do óleo essencial obtido a partir de C. winterianus com drogas sintéticas sobre espécies de Aspergillus. 2.2 Específicos Determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM) da anfotericina B e do fluconazol, drogas alopáticas de uso consagrado para o tratamento de infecções por Aspergillus. Determinar o padrão de atividade antifúngica da associação do óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B e o fluconazol, através do método de Checkerboard. Determinar a curva de morte microbiana a partir das associações entre o óleo essencial com a anfotericina B e com o fluconazol (ensaio de cinética). 18 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Fitoterapia A utilização de plantas com objetivos medicinais é bastante difundida em todo o mundo. Os vegetais têm sido, desde a Antiguidade, um importante recurso ao alcance do ser humano para esse fim. O homem encontrou nas chamadas plantas medicinais, virtudes que foram transmitidas de geração a geração. Elas representam um marco na história do desenvolvimento de nações. Nos países em desenvolvimento, entre 65 e 80% da população depende exclusivamente de plantas medicinais para seus cuidados básicos de saúde. (AGRA et al., 2007; BRASILEIRO et al., 2008; VEIGA-JÚNIOR, 2008). Todavia, até nas sociedades mais industrializadas, o uso de vegetais in natura pela população vem se intensificando (BRASILEIRO et al., 2008). Nesses locais, apesar do acesso fácil à medicina moderna, o uso de ervas medicinais mantém sua popularidade, amparada por fatores históricos e culturais (AGRA et al., 2007). É nesse contexto que o uso de plantas visando à cura de doenças ganha um interesse crescente em escala mundial. A Fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. Tal abordagem incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social (BRASIL, 2006). Para reforçar esta idéia, a possibilidade de introduzir a Fitoterapia no sistema público de saúde vem sendo considerada desde 1988, através da resolução n.8/88 da Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação (CIPLAN) e faz parte das diretrizes da I Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica – CNMAF - em 2003 (VENDRUSCOLO et al., 2005). Percebe-se, assim, o interesse governamental e profissional em associar o avanço tecnológico ao conhecimento popular e ao desenvolvimento sustentável, 19 visando uma política de assistência à saúde eficaz, abrangente, humanizada e independente da tecnologia farmacêutica (FRANÇA et al., 2008). O homem moderno pode ser compreendido e diferenciado dos demais por seu consumo elevado de medicamentos (VEIGA-JÚNIOR, 2008). O advento da medicina científica contribuiu para o aumento da sobrevida humana. E, no cotidiano das práticas de saúde, a aplicação de princípios científicos desencadeou a descoberta de terapêuticas que melhoraram a qualidade de vida das pessoas (FRANÇA et al., 2008). As pesquisas químicas e farmacêuticas ao longo do Século XX possibilitaram o alívio para males que assolaram a humanidade por séculos, como a tuberculose, a sífilis, o câncer e a hanseníase, assim como para as endemias do mundo atual, a exemplo da depressão, das cardiopatias e da AIDS. A grande oferta de medicamentos alopáticos, entretanto, não resolveu os problemas de saúde da maior parte da população (VEIGA-JÚNIOR, 2008). É nessa esteira que se pode notar o ressurgimento da Fitoterapia. Observa-se um interesse crescente em torno dos fitomedicamentos, e isso se justifica pelo fato de que estes apresentam diversas vantagens, quando comparados à terapêutica convencional, no que tange a menor incidência de efeitos colaterais, toxicidade relativa diminuída, baixo custo e no fato do Brasil apresentar uma enorme população de plantas medicinais em sua flora nativa. Considera-se também que o uso de destas pode representar uma alternativa de substituição aos anti-sépticos e desinfetantes sintéticos convencionais, visando evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana a esses compostos (SANTOS et al., 2006; SOUZA et al., 2007). Os fatores citados podem ter influenciado a redescoberta da medicina natural, e nesse ressurgimento, a Fitoterapia deixa de lado seu empirismo inicial, ganhando o respaldo de um crescente número de pesquisas e estudos, traduzindo-se como uma síntese da relação direta entre a medicina popular e o conhecimento científico (FRANÇA et al., 2008). Não obstante esse aporte de trabalhos científicos, atualmente a utilização majoritária dos fitoterápicos se dá de maneira informal. É importante lembrar que o uso desses medicamentos não está isento de riscos: a crença na “naturalidade inócua” dos fitomedicamentos e plantas medicinais não é facilmente contradita, pois as evidências científicas sobre a ocorrência de intoxicações e efeitos colaterais 20 relacionados a seu uso dificilmente chegam ao conhecimento dos usuários (SILVEIRA et al., 2006). Há estudos que alertam para o risco de toxicidade de fitoterápicos e de seu uso indiscriminado pela população leiga (AGRA et al., 2007). Além disso, ainda se observam lacunas no que concerne a indicação correta dos fitoterápicos para o tratamento de alguma doença (FRANÇA et al., 2008). Há uma tendência à generalização do uso de plantas medicinais por se entender que tudo que é natural não é tóxico nem faz mal a saúde. Este conceito é errôneo, porque existe uma imensa variedade de plantas medicinais que podem ser providas de toxicidade considerável. Observa-se que cada vegetal, em sua essência, pode ser alimento, veneno ou medicamento, e essa distinção entre as substâncias alimentícias, tóxicas e medicamentosas se faz apenas com relação à dose, a via de administração e a finalidade com que são empregadas. Em muitos casos, as pessoas subestimam as propriedades medicinais das plantas e fazem uso delas de forma desregrada. A preocupação mostra-se pertinente, uma vez que não há critérios rígidos no tocante à posologia e às doses tóxicas ou letais, permitindo que o uso aleatório desses princípios possa ser realizado sem qualquer controle. Não se pode descartar a possibilidade de efeitos colaterais dos fitoterápicos quando se associam duzentas ou trezentas substâncias ao princípio ativo desejado (FRANÇA et al., 2008). Observando-se os dados encontrados na literatura, constatou-se uma grande carência de estudos in vitro e in vivo, enquanto que o maior contingente de pesquisas disponíveis é composto de análises pré-clínicas (VENDRUSCOLO et al., 2005). Esses fatos corroboram a necessidade de trabalhos sérios na área, reafirmando, assim, a credibilidade do emprego de plantas medicinais no meio médico-odontológico e evidenciando sua essência científica. 3.2 Óleos Essenciais A Natureza pode ser um meio inóspito, oferecendo condições desfavoráveis e insalubres para a viabilidade dos organismos vivos. Estes têm sua sobrevivência 21 constantemente ameaçada por agressores animados e inanimados. Para assegurar sua sobrevivência, os vegetais necessitam de meios de defesa próprios contra organismos externos. Já é bem aceito que algumas plantas contêm compostos aptos a inibir o crescimento microbiano (SOUZA et al., 2005). As propriedades antimicrobianas dos vegetais foram relatadas devido à sua habilidade para sintetizar, por meio do metabolismo secundário, vários compostos químicos complexos dotados de atividade antimicrobiana, incluindo nesse rol os alcalóides, os flavonóides, os taninos, as cumarinas, os glicosídeos, os fenilpropanos e os ácidos orgânicos (SOUZA et al., 2005). Na pesquisa de produtos naturais, atualmente se observa uma tendência à busca pela obtenção de fitoconstituintes a partir de extratos, frações, óleos fixos ou essenciais, obtidas de espécies vegetais para uma possível aplicação no combate a processos infecciosos causados por fungos, bactérias, parasitas e vírus (ARRUDA, 2006). Dentre esses compostos, os óleos essenciais assumem uma posição de destaque, dadas suas propriedades singulares. Óleos essenciais são compostos líquidos, complexos, orgânicos, lipofílicos, voláteis, aromáticos, também sendo conhecidos, como óleos voláteis, óleos etéreos ou essências. São extraídos de diversas partes das plantas, como folhas, flores, sementes, brotos, galhos, cascas de caule, frutos e raízes (ARAÚJO, 2005). Recebem essa denominação por terem aparência oleosa à temperatura ambiente. Entretanto, sua principal característica é a volatilidade, diferindo, assim, dos óleos fixos, mistura de substâncias lipídicas, obtidos, geralmente, de sementes. Outra característica importante se dá pelo aroma agradável e intenso que a maioria de seus representantes apresenta (PEREIRA, 2006). As propriedades físicas, químicas e sensitórias desses compostos serão determinantes para seu aproveitamento prático (RANGAHAU, 2001). Algumas características dos óleos vegetais conferem às plantas que os produzem o papel de poderosas fontes de agentes biocidas, sendo largamente estudadas na agricultura por apresentarem atividades bactericidas, inseticidas e fungicidas (PEREIRA, 2006). Esses compostos vegetais podem apresentar diferentes estruturas e mecanismos de ação, quando comparados com substâncias antimicrobianas convencionalmente 22 empregadas para controle do crescimento e sobrevivência dos microorganismos (SOUZA, 2004). Historicamente, os óleos essenciais e os extratos de plantas têm servido de base para diversas aplicações na medicina popular (NASCIMENTO et al., 2007). Na Idade Antiga, estes eram usados regularmente em Roma, na Grécia, Egito e em todo o Oriente como temperos, desodorantes, medicações e antissépticos para embalsamamento. Seus extratos eram aproveitados para a fabricação óleos ou cremes (RANGAHAU, 2001). Sem que houvesse maior progresso sobre o conhecimento de suas propriedades, os óleos foram introduzidos na Europa. Só nos anos 1300, na Espanha e na França, sua destilação foi desenvolvida, visando produzir maiores concentrações de essências de Rosmarinus officinalis (alecrim) e Salvia officinalis (sálvia). As exigências da farmácia medieval obrigaram a uma incrementação de seu processo de destilação (RANGAHAU, 2001). Em 1550, alguns aspectos marcantes se observavam: o óleo de lavanda era produzido na França para fins de exportação; essências e aromas eram desenvolvidos a partir de uma variedade cada vez maior de plantas; por fim, químicos, farmacêuticos e físicos pesquisavam as propriedades químicas, físicas e terapêuticas dessas substâncias (RANGAHAU, 2001). A primeira medida experimental de suas propriedades bacterianas foi empreendida por De la Croix, em 1881. Entretanto, no decorrer dos séculos XIX e XX, seu interesse terapêutico perdeu importância, diante de sua aplicação como aromatizante e como perfume. Como resultado da evolução da tecnologia de destilação no último século, os óleos essenciais foram alçados à categoria de matérias primas industriais (RANGAHAU, 2001; BURT, 2004). Nos dias atuais, seu principal aproveitamento na Comunidade Européia é baseado nas indústrias alimentícias (aromatizantes), de perfumes e farmacêuticas (BURT, 2004). Quando se analisa os óleos essenciais, fica patente sua complexidade estrutural, uma vez que podem ser compostos por mais de 60 constituintes individuais, o que influenciará, sobremaneira, sua atividade biológica (LIMA et al., 23 2006). A avaliação das propriedades dos óleos extraídos de certas plantas revelou que alguns destes exibiam atividades antibacterianas, inseticidas e antifúngicas (SILVA et al., 2008). Sua composição química mostra-se extremamente intrincada, onde prevalece a presença de terpenos e fenilpropanóides, representando os elementos voláteis contidos em muitos órgãos vegetais e que se relacionam a várias funções imprescindíveis à sobrevivência vegetal. Exercem, assim, papel fundamental em sua interação química com outras plantas e na defesa contra o reino animal. Os óleos essenciais possuem conhecidas propriedades antifúngicas e um potencial para aplicação como agentes antimicrobianos (FARIAS; LIMA, 2000). Tem sido estabelecido cientificamente que cerca de 60% desses compostos possuem propriedades antifúngicas e 35%, propriedades antibacterianas (LIMA et al., 2006; PEREIRA, 2006; TRAJANO, 2008). Os pelas componentes propriedades fenólicos antibacterianas, são os possuindo, principais também, responsáveis alguma atividade antifúngica (OLIVEIRA et al., 2007). Seu caráter antisséptico é normalmente atribuído à presença, além dos compostos fenólicos, de aldeídos, e álcoois, tais como o citral, geraniol, linalol e timol, que têm alta atividade, superior ao próprio fenol (FENNER et al., 2006). Já se atribuiu que essas ações se deviam a suas propriedades lipofílicas e hidrofóbicas, permitindo o trânsito através das membranas e sua entrada no citoplasma (CHRISTIAN; GOGGI, 2008). Apesar de as características antimicrobianas dos óleos essenciais e de seus componentes terem sido estudadas no passado, seu mecanismo de ação ainda não foi elucidado completamente. Considerando o vasto número de compostos químicos presentes nos óleos essenciais, parece ser mais razoável supor que sua atividade antibacteriana não se ampare em um mecanismo de ação único, mas, sim, que ele atue em diferentes sítios celulares: degradando a parede celular; causando danos na membrana citoplasmática; alterando as proteínas da membrana celular; promovendo o escape do conteúdo celular; induzindo a coagulação do citoplasma. (BURT, 2004). Seu caráter hidrofóbico é um fator importante nesse mecanismo de ação, permitindo a separação dos lipídios da membrana celular e das mitocôndrias, 24 comprometendo sua integridade e tornando-os mais permeáveis. A despeito desses microorganismos tolerarem a saída de certo volume celular sem que sua vitalidade seja comprometida, a perda extensa desse conteúdo, de moléculas ou de íons vitais pode ser fatal. Vem sendo demonstrado que os óleos essenciais de maior atividade antimicrobiana dispõem de uma percentagem importante de compostos fenólicos, como o carvacrol, o eugenol e o timol em sua composição. Sua atuação se dá, principalmente pelo comprometimento da membrana plasmática, alterando a força motora dos prótons, o fluxo de elétrons, o transporte ativo por essa barreira e pela coagulação do meio celular. (BURT, 2004). As peculiaridades encontradas nos mecanismos de ação antimicrobiana dos óleos essenciais parecem incrementar seu modus operandi, justificando o crescente interesse científico sobre suas possibilidades de uso: vários antibióticos sintéticos tendem a apresentar diversos efeitos colaterais e espectro de ação limitada (MITSCHER et al., 1972). Além disso, é um fato preocupante o aparecimento de microorganismos multirresistentes em ambientes hospitalares e na comunidade, sugerindo-se a aplicação desses componentes naturais para tal fim (FARIAS; LIMA, 2000; EDRIS, 2007). Dada a importância de alguns desses óleos e o escasso estudo sobre suas possibilidades de uso, mostra-se interessante aumentar o conhecimento sobre suas concentrações inibitórias, buscando-se o equilíbrio entre aceitabilidade clínica e eficácia antimicrobiana (NASCIMENTO et al., 2007). Com o aprofundamento das pesquisas em questão, pode-se explorar o uso terapêutico das substâncias mencionadas de uma maneira mais eficaz, vencendo-se os inconvenientes inerentes aos antibióticos convencionais em melhores condições para controlar microorganismos refratários aos protocolos medicamentosos atuais. 3.3 Cymbopogon winteriaunus Jowitt Considerando os resultados terapêuticos promissores apresentados pelas espécies vegetais, nossa atenção recairá sobre uma espécie em particular: 25 Cymbopogon winteriaunus. Esse exemplar pertence à família Poaceae, também denominada Gramineae, que contém cerca de 668 gêneros, abrangendo em torno de 9500 espécies com ampla distribuição. Suas propriedades lhe conferiram notável importância econômica. Está representada por plantas herbáceas dotadas de raízes fibrosas, enquanto que a participação de arbustos ou árvores nesse contingente é bastante reduzida (FIGURA 1). As espécies vegetais dessa família detêm uma vasta gama de constituintes químicos, ao passo que vários desses compostos são aproveitados na indústria de alimentos, amido açúcar e óleos essenciais. Nota-se também a presença de alcalóides, saponinas, substâncias cianogênicas, ácidos fenólicos, flavonóides e terpenóides (EVANS, 1996). O cultivo das espécies da família Poaceae é feito em larga escala, notadamente em regiões tropicais e subtropicais, sua presença sendo percebida desde em regiões montanhosas de planícies até em climas áridos. Pode-se creditar essa ampla disseminação global a suas reconhecidas propriedades aromáticas (MARCO et al., 2007). FIGURA 1 - Cymbopogon winterianus. FONTE: Pereira, 2009. O gênero Cymbopogon constitui-se em um representante de grande importância da família Poaceae, estando composto por cerca de 120 espécies. Justifica-se boa parte do interesse despertado por esse grupo amparado por seu 26 aproveitamento econômico na produção de óleo essencial (LORENZI; MATOS, 2003). Também denominada citronela, é uma planta perene, largamente cultivada nas regiões tropicais do planeta por suas propriedades aromáticas. Há, basicamente, dois tipos conhecidos: Cymbopogon nardus var. lenabatu (L.) Rendle, também conhecido como lenabatu ou citronela do Ceilão, e Cymbopogon winterianus Jowitt, também denominado maha pengiri ou citronela de Java. Acreditase que ambas se originaram no Ceilão, sendo que a primeira é mais cultivada nessa ilha, enquanto que a segunda está mais presente em Java, Haiti, Honduras, Taywan, Guatemala e China. Provavelmente, todos os tipos de citronela se originam de Cymbopogon congertiflorus, conhecido como mara-grass, de fácil ocorrência no SriLanka (LORENZO et al., 2000; ROCHA et al., 2000). Observa-se um grande interesse por espécimes de Cymbopogon, amparado pela produção de seu óleo essencial (ROCHA et al., 2000). Até a primeira parte do século XX, C. nardus era mais exporado para a produção de óleo. Gradativamente, C. winterianus foi ocupando uma posição de maior relevância nesse quesito, dominando a preferência do mercado, por conta do maior rendimento encontrado em seu óleo. Assim, ele passou a ser cultivado em locais como Haiti, América Central, Pacífico Sul e África tropical. Mais recentemente, países como o Brasil passaram a contribuir com a produção do óleo de citronela (LORENZO et al., 2000). O cultivo de C. winterianus neste país toma importante espaço no mercado de produtos naturais, devido à grande procura por seu óleo essencial, tanto no mercado interno quanto para exportação (ROCHA et al.,2000). Nesse lugar, é possível sua cultura em diferentes regiões geográficas, uma vez que se mostra extremamente resistente a variações climáticas e a pragas (CASSEL; VARGAS, 2006). C. winterianus possui entre 0,6% e 1% de óleo essencial em suas folhas (AZEREDO et al.,2007). A presença desse composto tem influência marcante sobre as características farmacológicas da espécie vegetal em questão. Quintans-Júnior et al. (2008) analisaram a composição do óleo essencial de C. winterianus. Seu trabalho encontrou, como componentes majoritários, o geraniol (40%), citronelal (27,44%), citronelol (10,45%) e o geranial (8,05%), respondendo por 86% dos elementos formadores. A distribuição dos constituintes do óleo essencial de C. 27 winterianus irá variar, sob a dependência de inúmeras variáveis, tais como o local da coleta do produto vegetal, época da colheita, tipo de solo a origem da espécie vegetal, exposição à luz solar, processamento e temperatura de secagem, dentre outros (ROCHA et al., 2000). Esses compostos químicos maiores podem ser isolados, possibilitando uma melhor exploração comercial de suas propriedades (SHASANY et al., 2000). Os componentes voláteis do óleo essencial são usados na indústria de perfumaria, de cosméticos e na fabricação de medicamentos (GUENTHER, 1948; SHASANY et al., 2000). Suas propriedades farmacológicas permitem utilizá-lo como depressor do sistema nervoso central e anticonvulsivante (QUNTANS-JÚNIOR, 2008). O citronelol é excelente aromatizante de ambientes e repelente de insetos, além de apresentar ação anti-microbiana local e acaricida (MARCO et al., 2007). Outrossim, já se relatou ser dotado de ação ansiolítica (QUNTANS-JÚNIOR, 2008). Além das possibilidades de uso já descritas, já é patente o aproveitamento do óleo essencial de C. winterianus dando combate a patologias resultantes da ação de fungos. Atualmente, as infecções micóticas estão em expansão, representando uma questão desafiadora para a Ciência. O óleo essencial da espécie vegetal representa um eficiente inibidor fúngico, mas as doses necessárias são elevadas em demasiado para possibilitar seu uso clínico (THANABORIPAT, 2004). Esse aspecto estimula o aprofundamento de pesquisas para explorar tal possibilidade terapêutica de maneira viável, trazendo benefícios para a Humanidade. 3.4 Fungos Os fungos são microrganismos eucarióticos mais complexos, quando comparados às bactérias e aos vírus. Possuem espessa parede constituída por quitina e polissacarídeos, além de uma membrana celular, cujo principal componente é o ergosterol. Essas características peculiares tornam-nos naturalmente mais resistentes aos antimicrobianos utilizados no combate às infecções causadas por bactérias (FARIAS; LIMA, 2000; SOUZA, 2004). 28 Esses seres estão dispersos no meio ambiente, em vegetais, ar atmosférico, solo e água. Embora sejam estimados em 250 mil espécies, menos de 150 foram descritos como patógenos aos seres humanos (BRASIL, 2009). Estes organismos são comumente saprófitas do solo e da vegetação, sendo a transmissão de pessoa para pessoa bastante rara (ALMEIDA; SCULLY, 2002). Qualquer infecção de origem fúngica é chamada de micose. Esse tipo de evento tem, geralmente, caráter crônico, de longa duração, uma vez que os fungos crescem lentamente (TORTORA et al., 2001). No organismo do hospedeiro, em condições normais, não são danosos à saúde. No entanto, em situações de imunossupressão ou alterações sistêmicas, alguns assumem o comportamento de patógenos, causando manifestações infecciosas, que vão desde lesões mucosas superficiais até disseminações sistêmicas graves e invasivas. Por esse motivo, são denominados oportunistas (BUDTZ-JORGENSEN, 1990). O comportamento dos fungos no ambiente tem variado, conforme a época. O uso de regimes medicamentosos que debilitam o sistema imune, tal como a quimioterapia utilizada no tratamento do câncer assim como o crescente surgimento de pacientes com AIDS têm propiciado, recentemente, um aumento significativo de indivíduos imunossuprimidos, os quais estão altamente sujeitos a infecções fúngicas generalizadas. Esses microorganismos podem ser classificados em leveduriformes e filamentosos (FUNGARO, 2000). Leveduras são fungos capazes de colonizar o homem e outros animais, estando presentes sobre a pele, trato gastrointestinal e mucosas, vivendo comensalmente. São seres unicelulares e, frente à perda do equilíbrio parasitahospedeiro, podem causar diversos quadros infecciosos com formas clínicas localizadas ou disseminadas. O exemplo mais representativo são os organismos do gênero Candida (BRASIL, 2009). De modo contrário, fungos filamentosos ou bolores são organismos multicelulares, portanto, mais desenvolvidos. Possuem como elemento constituinte básico a hifa, que pode ser septda ou não septada (cenocítica). A partir da hifa, formam-se esporos para propagação das espécies. Na grande maioria dos fungos, os esporos podem ser chamados de conídios. Normalmente, não fazem parte da microbiota animal, e, desse modo, o homem não é um reservatório importante para 29 esse grupo de seres. As portas de entrada no hospedeiro são as vias aéreas superiores ou soluções de continuidade na barreira epidérmica após traumatismos com objetos perfuro-cortantes (BRASIL, 2009). Dependendo da progressão, as micoses podem causar prejuízos em graus variados para a saúde humana, desde discretos processos localizados até quadros patológicos generalizados com envolvimento sistêmico, resultando em grandes mutilações, atingindo até um curso fatal. Diferentemente da maioria das afecções virais e bacterianas, as doenças causadas por fungos apresentam características histopatológicas identificáveis, facilitando seu diagnóstico e possibilitando um tratamento mais precoce (ALMEIRA; SCULLY, 2002). Métodos moleculares, principalmente aqueles baseados em PCR (Reação em Cadeia de Polimerase) têm sido adotados na tentativa de melhorar a sensibilidade e especificidade, propiciando um diagnóstico mais acurado das patologias fúngicas (FUNGARO, 2000). Os fungos leveduriformes são mais resistentes do que aqueles do tipo filamentoso (FARIAS; LIMA, 2000; LACAZ et al., 2002). Deste último grupo, participam representantes de grande relevância tanto do ponto de vista microbiológico quanto no que tange os aspectos clínicos decorrentes das suas infecções: Aspergillus. 3.5 Aspergillus Esse fungo da classe dos Ascomicetos é um tipo de organismo extremamente comum no ambiente (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001). Sua freqüência sofre influência sazonal, aumentando no outono e inverno. Tem distribuição universal no ambiente, particularmente no solo, na água, em cereais e na matéria vegetal em decomposição (FALWORTH; HEROLD, 1996; DIMITRAKOPOULOS et al., 2005). Microscopicamente, pode ser identificado como uma estrutura filamentosa com diâmetro de 2 a 4µm. Sua unidade básica é a hifa, e, a partir desta, formam-se esporos para propagação das espécies. Na grande maioria dos fungos, os esporos podem ser chamados de conídios (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; BRASIL, 2009). 30 Cerca de 900 espécies foram identificadas, mas apenas algumas desempenham o papel de patógenos em humanos. Dentre estas, destacam-se A. fumigatus, A. flavus, A. niger e A. terreus (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001). Aspergillus é o maior implicado nas infecções fúngicas do seio maxilar, sendo que A. fumigatus é o tipo mais comum nesses eventos. Nota-se, porém, que A. flavus está associado às infecções mais agressivas (FALWORTH; HEROLD, 1996). Aspergilose se refere a um espectro de doenças que podem ser causadas por várias espécies de Aspergillus (GUS et al.2005). Sua principal via de inoculação é a aerogência, dando-se pela inspiração, penetrando no trato respiratório, que é o sítio primário mais comum. Nesse momento, observa-se um crescimento de caráter saprofítico, devendo assumir um curso patogênico, desde que haja condições anaeróbicas predisponentes. Assim, pessoas expostas continuamente ao ambiente apresentam maior possibilidade de desenvolver tal patologia (DIMITRAKOPOULOS et al. 2005; RODRÍGUEZ et al. 2008). Meios alternativos de contaminação se dão através de ferimentos, ou na ocasião da realização de uma cirurgia, quando esse processo será denominado iatrogênico (NOTANI et al., 2000). No meio hospitalar, espécies de Aspergillus podem ser isoladas do ar, da poeira acumulada e da superfície dos ambientes, facilitando a inoculação (MUZYKA; GLICK, 1995). Exemplos comuns na rotina odontológica se dão pela penetração de materiais obturadores endodônticos no interior do seio maxilar, ou quando da formação de uma comunicação buco-sinusal durante a realização de uma extração dentária (FALWORTH; HEROLD, 1996). Já foi demonstrado que materiais usados para tratamento de canais radiculares, notadamente a base de zinco, entrando em contato com a mucosa sinusal, podem estimular o desenvolvimento de aspergilose. Foi proposto que as substâncias que continham esse metal em sua formulação induziam o metabolismo de crescimento para o Aspergillus (KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001; YALTIRIK et al., 2003; GIARDINO et al., 2006). Fatores de risco associados à aspergilose incluem exposição ao patógeno em pacientes sujeitos a imunocomprometimento por diabetes, antibioticoterapia ou corticoterapia prolongadas, rádio ou quimioterapia, desnutrição, transplantados em 31 uso de imunossupressores e portadores de patologias imunossupressoras. Em se havendo imunocompetência, ocorre em pessoas relacionadas a condições ocupacionais predisponentes, a exemplo de fazendeiros, ou no caso de internações hospitalares por razões diversas. Sugeriu-se que o aumento da freqüência de suas notificações pode estar ligado ao aperfeiçoamento das técnicas diagnósticas e ao melhor conhecimento da doença por parte dos profissionais da saúde (DIMITRAKOPOULOS et al. 2005; COSTA et al., 2007; RODRIGUEZ et al.,2008). Assinalou-se também que a instituição de drogas mais eficazes em uso pelos pacientes infectados pelo vírus HIV e a melhor resposta aos novos protocolos quimioterápicos para o câncer possibilitaram uma maior expectativa de vida. Entretanto, essa maior taxa de sobrevida veio acompanhada de um incremento dos casos de micoses sistêmicas (HELMERHORST et al., 1999). De acordo com a interação do fungo com as defesas do hospedeiro, há dois cursos possíveis: o primeiro é o não invasivo, incluindo as formas saprofíticas e alérgicas em pacientes imunocompetentes, caracterizado por baixas morbidade e mortalidade; o segundo é o invasivo, onde há penetração tecidual, resultando em necrose severa, preferencialmente em pacientes imunocomprometidos. (DIMITRAKOPOULOS et al., 2005) A aspergilose invasiva representa uma ameaça maior à vida em indivíduos debilitados, sendo uma das causas mais comuns de infecções nesse grupo (WARN et al., 2003). Os achados variam, segundo a modalidade estudada (MYOKEN et al.2006). Estabeleceu-se 3 formas clínicas possíveis (KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001). 3.5.1 Forma alérgica Essa apresentação tem sintomatologia similar à bronquite alérgica. Acomete usualmente pessoas jovens, com histórico de asma ou pólipos paranasais. Clinicamente, resulta em obstruções nasais e sinusite, não respondendo aos tratamentos usuais. Esse processo se deve a uma reação de hipersensibilidade mediada por Ig-E (WILLARD et al., 2003). 32 É característico encontrar um paciente com pouca resistência orgânica, com obstruções sinusal e nasal e, secreção persistente, havendo cefaléia associada. Exames hematológicos são de grande valia: uma vez que esse processo se deve a uma reação mediada por Ig-E, o aumento em seus níveis séricos é bastante elucidativo. Quadros de eosinofilia também são comuns (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; WILLARD et al., 2003). A terapêutica deve englobar debridamento da mucosa sinusal comprometida com aumento da ventilação a esse nível, controle da alergia por corticoterapia e monitoramento dos níveis séricos de Ig-E. Drogas antifúngicas não serão importantes na obtenção da cura (FALWORTH; HEROLD, 1996; WILLARD et al., 2003). 3.5.2 Forma não invasiva Também conhecida como micetoma, aspergiloma ou bola fúngica, é tipo clínico mais comum, ocorrendo em pessoas saudáveis. Envolve, geralmente, o seio maxilar, principalmente de modo unilateral, sintomática ou assintomaticamente (PAGELLA et al., 2007). Quando há sintomatologia, ela inclui os sintomas clássicos da sinusite crônica, com secreção nasal, dor e, eventualmente, aumento de volume facial. Nos quadros assintomáticos, a descoberta é feita de maneira fortuita, em exames radiográficos de rotina (COSTA et al., 2007). Estes evidenciam uma imagem densa com aspecto de reação a corpo estranho, também conhecida como antrólito, localizado no interior da cavidade sinusal. O mesmo decorre da permanência de sulfato de cálcio ou fosfato de cálcio, que são depositados nas partes necróticas do micélio, em decorrência do metabolismo micótico (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; FALWORTH; HEROLD, 1996; KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001). Para sua cura, está indicado o debridamento das massas fúngicas, sem que haja indicação de antimicrobianos sistêmicos (PAGELLA et al., 2007). Advoga-se a realização de gestos para melhora da drenagem muco-ciliar e da ventilação sinusal, 33 além da eliminação das condições predisponentes. Seu prognóstico é excelente, e não são esperadas recorrências após a realização do tratamento adequado (FALWORTH; HEROLD, 1996; WILLARD et al., 2003; COSTA et al., 2007). A abordagem cirúrgica pode ser realizada de duas maneiras: - A primeira usa o método de Caldwell-Luc, onde o acesso ao seio maxilar é dado por trepanação da fossa canina, conferindo um amplo acesso à região de interesse cirúrgico. É uma técnica mutilante, de uso mais restrito nos dias atuais, estando reservada para os casos em que a remoção do tecido comprometido não possa ser conduzida por outras vias (COSTA et al., 2007). - A outra modalidade é feita por via endoscópica, minimamente invasiva e com taxas de complicação mais baixas. É considerada a técnica mais adequada para tratar essas afecções. (PAGELLA et al., 2007) O acesso trans-operatório e a via para drenagem e ventilação se fazem pelo óstio maxilar, constante da anatomia natural do seio. Seu único senão se refere à limitação de acesso ao ângulo entre o suporte ósseo do ducto lacrimal e a parede anterior do seio, onde a permanência de remanescentes micóticos pode predispor a recorrências (COSTA et al., 2007). 3.5.3 Forma invasiva É também denominada aspergilose fulminante (XAVIER et al.,2009). A forma invasiva de infecção por Aspergillus atinge pacientes imunocomprometidos podendo acometê-los de diferentes maneiras: se envolve o tecido pulmonar, cujo acesso se dá via vasos sangüíneos, resultará em broncopneumonia. Se presente nos seios paranasais encontramos congestão nasal, edema facial, dores e febre alta (MYOKEN et al.2006). Essa patologia pode invadir a parede dos vasos sangüíneos, provocando sua ruptura ou mesmo a ocorrência de fenômenos trombóticos (NOTANI et al., 2000). Exames complementares, como radiografias convencionais, tomografia computadorizada e ressonância magnética, evidenciam um processo em evolução, 34 cuja agressividade leva à destruição óssea, com possível invasão das estruturas vitais adjacentes (OGATA et al., 1997; DIMITRAKOPOULOS et al., 2005; RODRÍGUEZ et al. 2008). A evolução esfenoidal isolada é pouco comum, dada a pouca aeração dessa estrutura, e, em ocorrendo, terá caráter ameaçador. Clinicamente, pode-se relatar cefaléia, dor retroocular, diplopia, exoftalmia e cegueira. Tais achados oftalmológicos devem-se ao envolvimento do nervo óptico, sendo característicos do tipo de extensão mencionada. A partir desse ponto, a invasão craniana pode ocorrer rapidamente (RODRÍGUEZ et al., 2008). A aspergilose orbitária é mais comum em pacientes com baixa resistência orgânica. Tem curso rápido, podendo ser confundido com outros processos locais, como fenômenos inflamatórios e neoplásicos (GUS et al., 2005). Em casos avançados, com penetração na cavidade craniana, o processo é geralmente desfavorável, incorrendo, facilmente, na morte do paciente, a despeito da realização de debridamentos extensos e de terapia antifúngica maciça (DIMITRAKOPOULOS et al. 2005, MARINOVIC, et al., 2007). Um dos fatores desfavoráveis é a baixa difusão de drogas antifúngicas nos tecidos do sistema nervoso central. Um novo antifúngico, o voriconazol parece ser mais efetivo nesse quesito, prometendo uma melhor penetração na região mencionada (MARINOVIC, et al., 2007). O envolvimento da cavidade craniana se dá por 3 vias distintas: na primeira delas, há a propagação a partir de focos primários distantes, notadamente pulmonares, através da corrente sangüínea, sendo essa modalidade também denominada hematogênica; no segundo caso, tem-se uma extensão direta a partir de áreas primariamente contaminadas pelos microorganismos, tendo-se como exemplo mais comum a dispersão de Aspergillus presentes nos seios paranasais em direção a estruturas nobres adjacentes, tais como os globos oculares ou a base do crânio, configurando uma situação clínica de extrema gravidade; na terceira possibilidade, temos uma infecção direta no momento de um procedimento neurocirúrgico, sendo esta também denominada via iatrogênica (NOTANI et al., 2000). 35 Para que haja uma evolução benigna, a constatação precoce da doença é essencial, permitindo abordagens cirúrgicas e medicamentosas maciças (MYOKEN et al., 2006; XAVIER et al., 2009). Seu diagnóstico diferencial deve incluir mucormicoses, infecções por pseudomonas e doença de Weneger (FALWORTH; HEROLD, 1996). O tratamento de escolha preconiza a curetagem total dos tecidos necróticos e a terapêutica antifúngica tópica e sistêmica. A despeito da realização de protocolos vigorosos, o curso fatal é comum, principalmente pela demora entre o início do processo e a instituição dos primeiros cuidados (KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001; DIMITRAKOPOULOS et al. 2005; XAVIER et al., 2009). A despeito das evidências clínicas bem estabelecidas, em qualquer das apresentações, a certeza só poderá ser dada pela coleta de material e posterior análise histológica (KRENNMAIR; LENGLINGER, 1995; NOTANI et al., 2000; RODRÍGUEZ et al. 2008). 3.6 Antifúngicos Uma vez estabelecida a infecção, sempre há a possibilidade de agravamento do processo por disseminação para regiões nobres, como a cavidade craniana, quer seja por via hematogênica, quando a apresentação de origem é a forma pulmonar, ou por extensão direta pela contigüidade anatômica, nas infecções sinusais. Isto posto, a abordagem invasiva necessita de valiosa terapêutica adjuvante, representada pela administração de antifúngicos. A maioria das micoses responde bem à terapia tópica ou sistêmica com polienos ou azóis. Em geral, a administração oral de drogas em infecções fúngicas foi revolucionada pelo grupo dos triazóis, fluconazol e itraconazol (SAMARANAYAKE et al., 2009), particularmente em pacientes portadores de HIV (GREENBERG et al., 2008). A eficácia limitada das drogas antifúngicas disponíveis contra os microorganismos causadores de micoses severas, principalmente em pacientes 36 imunodeprimidos, está ligada ao desenvolvimento rápido de seres resistentes, diminuindo a capacidade terapêutica dessas substâncias (SVETAZ et al., 2007). Apesar do aumento do número de antimicóticos comercialmente disponíveis nos últimos anos, esses ainda se encontram sub-representados, quando comparados ao contingente de drogas antibacterianas. Ao mesmo tempo, a resistência aos antifúngicos tradicionais tem representado um grande desafio para a clínica (BATISTA et al., 1999). O tratamento convencional para as doenças fúngicas é muito restrito, particularmente devido ao espectro diminuído dos antifúngicos atuais e por conta do alto custo do tratamento, ainda mais quando se necessita de um uso mais prolongado. Esses fatores vêm encorajar a adoção de novas terapêuticas, dentre elas, o emprego mais extenso de produtos naturais (SILVA et al., 2008). Os antifúngicos mais conhecidos pertencem às classes dos compostos poliênicos, azólicos e ecocardinas (MUZYKA; GLICK, 1995; PATTERSON, 2006): a) Poliênicos: principalmente representados pela nistatina e anfotericina-B; b) Azólicos: esse grupo se divide em imidiazólicos (clotrimazol, miconazol e cetoconazol) e triazólicos (fluconazol, itraconazol e voriconazol) c) Ecocardinas: os mais citados são a caspofungina, micafungina e a anidulafungina. O tratamento farmacológico das aspergiloses invasivas está ricamente documentado, e a primeira escolha recai sobre anfotericina-B, fluconazol e itraconazol (ALMEIDA; SCULLY, 2002; RAMIREZ et al., 2004). A anfotericina-B foi, por mais de quatro décadas, primeira escolha para o combate à aspergilose, mas as altas doses necessárias, juntamente com a com nefrotoxicidade associada e o aparecimento de microorganismos resistentes vêm desestimulando seu uso (MYOKEN et al., 2006; PATTERSON, 2006). 37 O uso do fluconazol tem sido desencorajado devido à emergência de organismos resistentes à substância, (SAMARANAYAKE et al., 2009), particularmente em pacientes portadores de HIV (GREENBERG et al., 2008). Apesar da eficácia do itraconazol sobre Aspergillus, seu uso clínico sobre pacientes severamente acometidos fica bastante comprometido, devido à presença de interações medicamentosas, toxicidade e pela biodisponibilidade inadequada da suspensão oral (PATTERSON, 2006). Novas drogas, a exemplo do Voriconazol prometem resultados alentadores no tratamento de leveduras e de fungos filamentosos, mas essa afirmação ainda carece de fundamentação científica (SERRANO et al., 2004; RODRIGUEZ et al., 2008). Sendo assim, tem aumentado o número de pesquisas que apontam para o surgimento de cepas resistentes aos antifúngicos convencionais (JORGE, 1998), e, considerando a grande importância clínica dada às micoses, faz-se mister estudar de forma mais aprofundada o potencial antifúngico existente em compostos oriundos de espécies vegetais, ditas medicinais. Importa que sejam antifúngicos potentes e que possam ser usados para a produção de fármacos eficientes, seguros, estáveis e com pouca ou nenhuma toxicidade (ARRUDA, 2006). 3.7 Estudo de Associação - Checkerboard O tratamento das infecções por Aspergillus se mostra um fator de impacto para a ciência atual, tanto em se baseando na agressividade demonstrada por esse microorganismo como em se tomando em nota o surgimento de espécies resistentes às drogas tradicionalmente usadas para esse fim (KHONGKHUNTHIAN; REICHART, 2001; WARN et al., 2003; DIMITRAKOPOULOS et al., 2005; MARINOVIC et al., 2007; SVETAZ et al., 2007; XAVIER et al., 2009;). O combate a organismos patógenos refratários é um problema emergente nos dias atuais e se baseia em duas possibilidades: o desenvolvimento de novas drogas antimicrobianas ou a combinação de substâncias já existentes (DRAGO et al., 2007). 38 Outra indicação muito precisa para a adoção da terapia combinada ocorre naqueles casos onde o caráter etólógico é polimicribiano, dificultando a obtenção da cura pela monoterapia (MITSUGUI et al., 2008). O uso combinado de agentes antimicrobianos é uma prática comum na rotina clínica. Esse recurso buscará sempre um incremento no papel terapêutico das drogas (NIGHTINGALE et al., 2007). A associação de antibióticos é realizada com base na susceptibilidade microbiana, pois a potencialização do efeito antimicrobiano é usualmente obtida quando o microrganismo é susceptível a cada uma das drogas adotadas. Porém, diferentes estudos têm demonstrado o aumento deste efeito, quando combinações de antibióticos são adicionadas, tanto em culturas de amostras bacterianas sensíveis quanto em amostras resistentes aos agentes testados (MITSUGUI et al., 2008). A maior vantagem dessa estratégia reside em uma esperada ampliação dos espectros de ação dos dois antibióticos e na prevenção da emergência de organismos resistentes (DRAGO et al., 2007). Entretanto, se em alguns casos a combinação de drogas tem resultado benéfico e em outras situações tal fato não ocorre, seria de grande valia conhecer o mecanismo que determina o sinergismo entre drogas, de modo a predizer quando uma associação será útil ou não (NIGHTINGALE et al., 2007). A realização dessa combinação racional de drogas antimicrobianas pode-se mostrar uma decisão grandemente benéfica para se traçar estratégias de combate a infecções causadas por organismos pouco sensíveis às terapêuticas convencionais. 39 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Local do Estudo As análises referentes ao estudo da atividade antifúngica dos produtos naturais selecionados foram realizadas no Laboratório de Micologia do Departamento de Ciências Farmacêuticas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, que disponibilizou as cepas de A. fumigatus e de A. flavus. Os ensaios tiveram início em novembro de 2009, sendo concluídos em março de 2010. 4.2 Produto Natural Testado A espécie vegetal de Cymbopogon winteriaunus foi selecionada para a obtenção e utilização do óleo essencial de suas folhas com base em informações registradas na literatura quanto às suas conhecidas atividades farmacológicas e ao seu uso na medicina popular como acaricida, repelente e antimicótico (THANABORIPAT et al., 2004; MARCO et al., 2007; QUINTANS-JÚNIOR et al., 2008). As folhas da planta foram coletadas em fevereiro de 2007, no setor de agricultura do CFT na cidade de Bananeiras, uma região localizada na microrregião do Brejo, incluída na mesorregião Agreste do estado da Paraíba. Esta espécie foi identificada pela Dra. Rita Baltazar de Lima, do Laboratório de Botânica do Departamento de Sistemática e Ecologia do Centro de Ciências Exatas e registrada no Herbário Prof. Lauro Pires Xavier, onde uma exsicata da mesma foi depositada com o registro JPB 41387. 40 4.3 Óleo Essencial O óleo essencial de C. winteriaunus utilizado nos ensaios biológicos foi disponibilizado pelo Dr. Paulo Alves Wanderley, do CFT, Campus III de Bananeiras-PB. As folhas frescas de C. winterianus (100g) foram cortadas em pequenas unidades e submetidas a hidrodestilação utilizando um aparelho de Clevenger ®. O óleo essencial apresentou isenção de resíduos, densidade de 0,8790g/mL, odor característico e coloração verde clara. O óleo foi conservado em um frasco âmbar e mantido sob refrigeração, a uma temperatura inferior a 4ºC. As emulsões do óleo essencial nas diferentes concentrações foram preparadas no momento de execução dos ensaios. Em um tubo de ensaio esterilizado, foi adicionado 30µL do óleo essencial, 0,04mL de Tween 80 como agente emulsificante e quantidade suficiente para 3mL de água destilada estéril. A mistura foi agitada por 5 minutos utilizando o aparelho Vortex ®, obtendo uma emulsão de concentração final de 10000 µg/mL. A partir desta, obtiveram-se as concentrações inferiores realizando diluições seriadas em razão de dois (ALLEGRINI et al.,1973). 4.3.1 Análise do óleo essencial A análise do óleo essencial de C. winterianus foi realizada no Laboratório de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (CG - EM), utilizando o instrumento QP-5050 ® equipado com um GC-17A - Shimadzu ® – Japão (MCLAFFERTY; STAUFFER, 1989; ADAMS, 1995). A composição do óleo será descrita a seguir (QUADRO 1): 41 _____________________________________________________________________________________________________ Picos Composto Percentual (%) Peso molecular Tempo de retenção(min) 1 2-metil-2-hepten-6-ona 0,13 126 6,99 2 β-mirceno 0,07 136 7,18 3 limoneno 3,39 136 8,58 4 linalol 1,34 136 11,13 5 citronelal 23,59 154 13,81 6 citronelol 11,74 156 17,00 7 geraniol 18,81 139 18,65 8 acetato de citronelil 5,29 138 22,30 9 β-elemeno 6,40 189 22,50 10 eugenol 10,34 164 23,96 11 germacreno 2,63 204 27,69 12 ∆-cadineno 2,63 204 27,69 13 elemol 6,73 204 30,67 14 endo-bourbonanol 1,01 222 31,52 15 farnesol 0,60 204 33,01 16 y-eudesmol 1,00 222 33,66 17 torreyol 1,65 204 34,08 18 trans-farnesol 3,01 222 34,69 QUADRO 1. Componentes do óleo essencial das folhas de C. winterianus. FONTE: Pereira, 2009. 4.4 Fármacos Antifúngicos Nesta pesquisa, foram utilizados como controle positivo ou drogas padrão a anfotericina B e o fluconazol, adquiridas sob forma de pó. As soluções foram preparadas no momento da execução dos testes para o alcance da concentração desejada nos testes de sensibilidade. 42 4.5 Microrganismos Para os ensaios de atividade antifúngica do óleo essencial, foram selecionadas cepas de fungos do gênero Aspergillus de meio ambiente, isoladas no Laboratório de Micologia do Centro de Ciências da Saúde – UFPB e cepas-padrão da American Type Culture Collection – ATCC, incluindo: A. fumigatus: - ATCC 16913 - ATCC 46913 - ATCC 40640 - IPP 210 A. flavus: - ATCC 16013 - LM 907 4.6 Meio de cultura O meio de cultura usado nos ensaios para determinação da atividade antifúngica foi ágar Sabouraud e caldo Sabouraud dextrose a 2% ASD (Difco Laboratories Ltda - Detroit / USA), preparado conforme as instruções do fabricante. O mesmo foi solubilizado e distribuído em balões de fundo chato com capacidade para 250mL e autoclavados a 121ºC por 15 minutos. 43 4.7 Inóculo das Espécies Fúngicas Para o inóculo, as cepas fúngicas foram selecionadas e mantidas em ágar Sabouraud inclinado durante 7-14 dias a temperatura ambiente. Inicialmente, foram preparadas suspensões das cepas em tubos de ensaio contendo 10mL de solução contendo salina (NaCl a 0,9%) estéril. Em seguida, tais suspensões foram agitadas durante 2 minutos com auxílio do aparelho Vortex ®. Após esse momento, cada suspensão foi comparada e ajustada à turbidez apresentada pela solução de sulfato de bário do tubo 0,5 da escala Mcfarland, que corresponde a um inóculo de aproximadamente 106UFC/mL (FROMTLING et al., 1983; DRUTZ, 1987; ODDS, 1989; CLEELAND; SQUIRES, 1991). Ensaios preliminares mostraram que tais concentrações celulares, determinadas através do uso da câmara de Newbaeuer, equivalem à leitura de 90% de transmitância em espectrofotômetro a 530nm (LIMA, 1996; NCCLS, 2000; BELÉM, 2001). 44 5 METODOLOGIA 5.1 Determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) - Técnica da Microdiluição A determinação das CIMs dos produtos estudados frente às espécies fúngicas testadas foram realizadas através da técnica da Microdiluição em placa de 96 orifícios e fundo em “U” com tampa, esterilizadas (INLAB/Indústria Brasileira). A CIM do óleo essencial de C. winterianus já fora estabelecida por estudo realizado no mesmo laboratório anteriormente, correspondendo a 312µg/mL (OLIVEIRA, 2011). Para os produtos sintéticos, distribuiu-se, inicialmente, 100 µL de caldo Sabouraud Dextrose, duplamente concentrado, a partir da primeira coluna (A) até a sexta (F). Cada placa se prestou ao cálculo da CIM de uma substância sintética em estudo – anfotericina B e fluconazol. Em seguida, foram distribuídos 100 µL das drogas antifúngicas sintéticas (anfotericina B e fluconazol), na concentração inicial estabelecida de 5.000 µg/mL, duplamente concentrada, na primeira linha das cavidades - A1 até F1. A linha 12 serviu de controle de crescimento, onde foi adicionado o meio com o inóculo, sem a adição dos antifúngicos. A partir da concentração inicial, foram feitas as diluições seriadas à razão de 2 nas cavidades das linhas de 1 a 11, obtendo-se as concentrações de 5.000 até 4,25µg/mL. O ensaio foi realizado em duplicata e incubado a temperatura ambiente durante 4 dias. Após o tempo de incubação adequado dos ensaios, foi realizada a primeira leitura dos resultados (BANSOD; RAI, 2008). 45 5.2 Ensaio de Sinergismo – Método de Checkerboard O efeito combinado das substâncias sintéticas com o óleo essencial de C. winterianus foi determinado a partir da técnica de diluição Checkerboard para derivação do Índice de Concentração Inibitória Fracionada (Índice CIF). As suspensões de A. fumigatus e A. flavus foram padronizadas pela escala 6 10 McFarland. Foram utilizadas soluções dos produtos testados em concentrações determinadas a partir de suas respectivas CIMs. Inicialmente, adicionamos 100 µL do meio de cultura Saboraud dextrose nos poços da microplaca estéril. Em seguida, 50 µL de cada produto testado, em diluições seriadas, foram dispostos de maneira ordenada: no sentido horizontal, da direita para a esquerda, há decréscimo da CIM do óleo essencial, e, no vertical, de cima para baixo, das drogas sintéticas. (ESQUEMA 1). O resultado mostra que, em cada poço, teremos uma combinação única de concentrações entre as duas substâncias (óleo e droga). (NIGHTINGALE et al., 2007). A Concentração Inibitória Fracionária (CIF) vai ser calculada através da soma do CIFA + CIFB. O CIFA, por sua vez, é calculado através da relação CIMA combinado/ CIMA sozinho, enquanto que o CIFB = CIMB combinado/CIMB sozinho. Este índice é interpretado da seguinte forma: sinergismo (<1), aditividade (=1), indiferença (>1 ou antagonismo (>1) (SINGH, 2000). Finalmente, o meio de cultura foi inoculado com 10 µL da suspensão fúngica. O crescimento fúngico se evidenciou através do método visual. O ensaio foi realizado em triplicata, e as placas foram incubadas para posterior análise (ELIOPOULOS; MOELLERING, 1991; DUTTA et al., 2004; NIGHTINGALE et al., 2007). 46 ESQUEMA 1 Representação da associação entre os antifúngicos sintéticos e o óleo essencial pelo método de Checkerboard. CIM x 8 CIM x 8 O.E. + CIM / 8 Drg CIM x 8 O.E. + CIM / 4 Drg CIM x 8 O.E. + CIM / 2 Drg CIM x 8 O.E. + CIM Drg CIM x 8 O.E. + CIM x 2 Drg CIM x 8 O.E. + CIM x 4 Drg CIM x 8 O.E. + CIM x 8 Drg CIM x 4 CIM x 4 O.E. + CIM / 8 Drg CIM x 4 O.E. + CIM / 4 Drg CIM x 4 O.E. + CIM / 2 Drg CIM x 4 O.E. + CIM Drg CIM x 4 O.E. + CIM x 2 Drg CIM x 4 O.E. + CIM x 4 Drg CIM x 4 O.E. + CIM x 8 Drg CIM x 2 CIM x 2 O.E. + CIM / 8 Drg CIM x 2 O.E. + CIM / 4 Drg CIM x 2 O.E. + CIM / 2 Drg CIM x 2 O.E. + CIM Drg CIM x 2 O.E. + CIM x 2 Drg CIM x 2 O.E. + CIM x 4 Drg CIM x 2 O.E. + CIM x 8 Drg CIM O.E. + CIM / 8 Drg CIM O.E. + CIM / 4 Drg CIM O.E. + CIM / 2 Drg CIM O.E. + CIM Drg CIM O.E. + CIM x 2 Drg CIM O.E. + CIM x 4 Drg CIM O.E. + CIM x 8 Drg CIM / 2 CIM / 2 O.E. + CIM / 8 Drg CIM / 2 O.E. + CIM / 4 Drg CIM / 2 O.E. + CIM / 2 Drg CIM / 2 O.E. + CIM Drg ] CIM / 2 O.E. + CIM x 2 Drg CIM / 2 O.E. + CIM x 4 Drg CIM / 2 O.E. + CIM x 8 Drg CIM / 4 CIM / 4 O.E. + CIM / 8 Drg CIM / 4 O.E. + CIM / 4 Drg CIM / 4 O.E. + CIM / 2 Drg CIM / 4 O.E. + CIM Drg CIM / 4 O.E. + CIM x 2 Drg CIM / 4 O.E. + CIM x 4 Drg CIM / 4 O.E. + CIM x 8 Drg CIM / 8 CIM / 8 O.E. + CIM / 8 Drg CIM / 8 O.E. + CIM / 4 Drg CIM / 8 O.E. + CIM / 2 Drg CIM / 8 O.E. + CIM Drg CIM / 8 O.E. + CIM x 2 Drg CIM / 8 O.E. + CIM x 4 Drg CIM / 8 O.E. + CIM x 8 Drg CIM / 8 CIM / 4 CIM / 2 CIM DROGA CIM x 2 CIM x 4 CIM x 8 CIM ÓLEO 47 5.3 Interferência da Associação do Óleo essencial com os Antifúngicos Padrão sobre o Crescimento Micelial Radial Fúngico A inibição do crescimento micelial das cepas dos fungos filamentosos foi determinada pela diluição em meio sólido através da medida diária do crescimento radial do micélio em ágar Sabouraud adicionado da associação do óleo essencial e com cada antifúngico padrão separadamente. Desse modo, a quantidade de cada produto adicionada foi ajustada para apresentar uma concentração final similar ao valor das CIM, CIM x 2 e CIM x 4 previamente determinadas. Para a execução da técnica, inicialmente, foram preparadas placas de Petri estéreis, contendo o meio de cultura (ASD) fundido e resfriado a 45 - 50ºC, adicionado das diferentes associações. Após solidificação do meio de cultura, partindo-se de culturas recentes, foi retirado um fragmento da colônia de cada fungo selecionado para estudo de, aproximadamente, 2mm de diâmetro. Escolheu-se apenas as associações que, no ensaio de associação checkerboard apresentaram resultados satisfatórios (aditividade ou sinergismo). As combinações onde se encontrou indiferença ou antagonismo foram excluídas dessa etapa do estudo. O sistema foi incubado a temperatura ambiente (28 – 30ºC) por 7 dias. Em intervalos temporais diários (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 dias após a incubação), o crescimento micelial radial da colônia fúngica foi medido, e o resultado expresso em milímetros (ADAM et al., 1998; HADACEK; GREGER, 2000; DAFERERA et al., 2003). O controle incluído neste ensaio consistiu na observação do crescimento micelial radial da cepa fúngica em ágar Sabouraud sem adição do óleo essencial ou das drogas estudadas anfotericina B e fluconazol (FIGURA 2). 48 INÓCULO (2mm) MEIO + ASSOCIAÇÃO INÓCULO (2mm) INÓCULO (>2mm) FIGURA 2: Fluxograma do ensaio da cinética da morte microbiana. 5.4 Tratamento Estatístico A técnica estatística empregada na análise dos dados foi uma estatística descritiva e os resultados obtidos foram organizados em tabelas e gráficos. 49 6 RESULTADOS 6.1 Determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) dos Antifúngicos Padrão Foram determinadas as concentrações inibitórias mínimas das substâncias antifúngicas padrão (anfotericina B e fluconazol), de acordo com sua interação com as cepas estudadas. Os resultados mostram que a anfotericina B apresentou inibição de 100% das cepas à concentração de 625µg/mL, ao passo que a 312µg/mL, apenas 66,6% dos microorganismos foram inibidos. Em relação ao fluconazol, a 2500µg/mL, 100% das cepas foram inibidas, sem que qualquer inibição parcial fosse observada em menores concentrações (TABELAS 2 e 3). TABELA 1 - Concentração inibitória mínima de anfotericina B sobre cepas de Aspergillus A. fumigatus A. fumigatus A. fumigatus A. fumigatus A.Flavus A.flavus ATCC 16913 ATCC 46913 IPP 210 ATCC 40640 ATCC 16013 LM907 5000 µg/Ml - - - - - - 2500 µg/Ml - - - - - - 1250 µg/mL - - - - - - 625 µg/mL - - - - - - 312 µg/mL - - + - - + 156 µg/mL + + + - - + 78 µg/mL + + + + - + 39 µg/mL + + + + - + 19 µg/mL + + + + + + 9,5 µg/mL + + + + + + 4,25 µg/mL + + + + + + Controle + + + + + + (meio + inóculo) - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 50 TABELA 2 - Concentração inibitória mínima do fluconazol sobre cepas de Aspergillus: A. fumigatus A. fumigatus A. fumigatus A. fumigatus A.Flavus A.flavus ATCC 16913 ATCC 46913 IPP 210 ATCC 40640 ATCC 16013 LM907 5000 µg/mL - - - - - - 2500 µg/mL - - - - - - 1250 µg/mL + + + + + + 625 µg/mL + + + + + + 312 µg/mL + + + + + + 156 µg/mL + + + + + + 78 µg/mL + + + + + + 39 µg/mL + + + + + + 19 µg/mL + + + + + + 9,5 µg/mL + + + + + + 4,25 + + + + + + Controle + + + + + + (meio + inóculo) - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 6.2 Determinação da Concentração Inibitória Fracionária (CIF) da Associação entre os Antifúngicos Sintéticos e o Óleo Essencial pelo Método Checkerboard Os ensaios mostraram que a associação entre o óleo essencial de C. winterianus e as substâncias antifúngicas no combate a cepas de A. fumigatus (ATCC 16913) e de A. flavus (ATCC 16013) mostraram interações bem 51 contrastantes. A associação do óleo essencial com a anfotericina B sobre A. fumigatus apresentou duas situações equivalentes onde houve uma maior redução da concentração das drogas, sempre com uma relação de sinergismo entre as substâncias (ESQUEMA 2). Já A. flavus se mostrou mais refratária à ação da mesma combinação, registrando-se uma resposta antagonista entre os compostos (ESQUEMA 3). Por seu turno, o fluconazol exibiu sinergismo sobre os dois microrganismos analisados. O comportamento para cada combinação efetuada está demonstrado a seguir (ESQUEMAS 4 e 5): ESQUEMA 2 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B sobre A. fumigatus (ATCC 16913). 2500 µg/mL + - - - - - - - 1250 µg/mL + - - - - - - + + + - - - - - + + + - - + - - + + + - - + + + - + + + - + + - + + + + + + + + - + + + + + + - 78 µg/mL 156 µg/mL 312 µg/mL 625 µg/mL 312 µg/mL 156 µg/mL 78µg/mL 39 µg/mL Óleo ↑ Anfotericina B → - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 625 µg/mL 1250 µg/mL 2500 µg/mL 5000 µg/mL 52 ESQUEMA 3 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e anfotericina B sobre A. flavus (ATCC 16013). 2500 µg/mL - - - - - - - - 1250 µg/mL - - - - - - - - - - - - - - - - - + + - + - + + - + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + 156 µg/mL 312 µg/mL 625 µg/mL 1250 µg/mL 625 µg/mL 312 µg/mL 156 µg/mL 78 µg/mL 39 µg/mL Óleo ↑ Anfotericina B → 78 µg/mL - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 2500 µg/mL 5000 µg/mL 53 ESQUEMA 4 - Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre A. fumigatus (ATCC 16913). 2500 µg/mL 1250 µg/mL 625 µg/mL 312 µg/mL 156 µg/mL 78 µg/mL 39 µg/mL + + + + + + + + + + + + + + - + + + + + + + + + - + + - 312 µg/mL 625 µg/mL 1250 µg/mL Óleo ↑ Fluconazol → - - - - 2500 µg/mL 5000 µg/mL 10000 µg/mL 20000 µg/mL - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 54 ESQUEMA 5: Associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre A. flavus (ATCC 16013). 2560 µg/mL 1250 µg/mL 625 µg/mL 312 µg/mL 156 µg/mL 78 µg/mL 39 µg/mL Óleo ↑ - + + + - - - - - + + + - - - - - + + + - - - - - + + + - - - - + + + + - - - - + + + + - - - - + + + - - - - - + + - - - - - 625 µg/mL 1250 µg/mL 2500 µg/mL 5000 µg/mL 10000 µg/mL 20000 µg/mL 312 Fluconazol → µg/mL - : inibição do crescimento do microorganismo + : crescimento do microorganismo 55 A interpretação dos achados das associações pelo método de Checkerboard está descrito a seguir (TABELAS 3 e 4): TABELA 3 - Determinação da concentração inibitória fracionária da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B sobre cepas de Aspergillus CIF O.E. C. winterianus CIF Anfotericina B CIF associação Tipo de interação A. fumigatus (ATCC 16913) 0,25 0,5 0,75 SINERGISMO A. fumigatus (ATCC 16913) 0,5 0,25 0,75 SINERGISMO A. flavus (ATCC16013) 1 0,5 1,5 ANTAGONISMO CEPA TABELA 4 - Determinação da concentração inibitória fracionária da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol sobre cepas de Aspergillus CIF O.E. C. winterianus CIF Fluconazol CIF associação Tipo de interação A. fumigatus (ATCC 16913) 0,125 0,5 0,625 SINERGISMO A. flavus (ATCC16013) 0,125 0,5 0,625 SINERGISMO CEPA 6.3 Interferência da Associação do Óleo Essencial com os Antifúngicos Padrão sobre o Crescimento Micelial Radial Fúngico Para esta etapa do trabalho, considerou-se selecionar apenas as associações que apresentaram resultados positivos (sinergismo ou aditividade), descartando-se aquelas onde os achados não eram relevantes (antagonismo). 56 A interação entre A. fumigatus com a associação entre o óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B é descrita a seguir (TABELAS 5, 6) (GRÁFICO 1): TABELA 5 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B (em mm): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Controle Dia 0 2 2 2 2 Dia 1 7 7 7 16 Dia 2 18 15 10 40 Dia 3 30 24 17 55 Dia 4 33 29 20 65 Dia 5 35 31 23 70 Dia 6 35 34 23 80 Dia 7 37 35 26 85 TABELA 6 – Grau de inibição de A. fumigatus pela associação entre o óleo essencial de C. winterianus e a anfotericina B em relação ao controle (em %): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Dia 1 64% 64% 64% Dia 2 58% 66% 79% Dia 3 47% 58,4% 72% Dia 4 51% 57% 71,4% Dia 5 51,4% 57,3% 69% Dia 6 58% 59% 73% Dia 7 60% 60% 71% Diâm etro do crescim ento radial 57 90 80 70 60 50 CIM 40 CIM X 2 30 CIM X 4 20 Controle 10 0 10 21 32 43 54 6 5 7 6 8 7 Dias GRÁFICO 1 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e anfotericina B. O comportamento de A. fumigatus na presença do óleo essencial de C. winterianus combinado com o fluconazol pode ser evidenciado a seguir (TABELAS 7, 8) (GRÁFICO 2): TABELA 7 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e fluconazol (em mm): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Controle Dia 0 2 2 2 2 Dia 1 5 4 2 16 Dia 2 7 4 2 40 Dia 3 10 4 2 55 Dia 4 11 5 2 65 Dia 5 12 8 2 70 Dia 6 13 10 2 80 Dia 7 15 13 2 85 58 TABELA 8 – Grau de inibição de A. fumigatus pela associação do óleo essencial de C. winterianus com fluconazol em relação ao controle (em %): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Dia 1 79% 86% 100% Dia 2 87% 95% 100% Dia 3 85% 96% 100% Dia 4 86% 95% 100% Dia 5 85% 91% 100% Dia 6 86% 90% 100% Dia 7 84% 87% 100% Diâmetro do crescimento radial 90 80 70 60 CIM 50 CIM X 2 40 CIM X 4 30 Controle 20 10 0 0 1 2 3 4 5 6 7 Dias GRÁFICO 2 - Crescimento radial fúngico de A. fumigatus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol 59 Os achados para a interação entre a ação combinada do óleo essencial de C. winterianus com o fluconazol no combate a A. flavus serão expostos abaixo (TABELAS 9, 10) (GRÁFICO 3): TABELA 9 - Crescimento radial fúngico de A. flavus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e fluconazol (em mm): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Controle Dia 0 2 2 2 2 Dia 1 2 2 2 20 Dia 2 3 2 2 36 Dia 3 3 2 2 50 Dia 4 4 2 2 55 Dia 5 5 2 2 67 Dia 6 10 5 2 75 Dia 7 14 7 2 80 TABELA 10 - Grau de inibição de A. flavus pela associação do óleo essencial do C. winterianus com o fluconazol em relação ao controle (em %): TEMPO/CONCENTRAÇÃO CIM CIM x 2 CIM x 4 Dia 1 100% 100% 100% Dia 2 97% 100% 100% Dia 3 98% 100% 100% Dia 4 96% 100% 100% Dia 5 95% 100% 100% Dia 6 89% 96% 100% Dia 7 85% 94% 100% Diâmetro do crescimento radial 60 90 80 70 60 50 CIM 40 CIM X 2 30 CIM X 4 20 Controle 10 0 10 12 23 34 45 56 67 78 Dias GRÁFICO 3 - Crescimento radial fúngico de A. flavus na presença da associação entre o óleo essencial de C. winterianus e o fluconazol. Os resultados do teste do crescimento micelial radial fúngico se mostraram discrepantes, principalmente quando se toma como parâmetro o comportamento de A. fumigatus sob a ação da associação entre a anfotericina B e o óleo essencial. As três concentrações tiveram um crescimento linear frente ao tempo, mas CIM e CIM x 2 provocaram um grau de inibição bem mais discreto em se comparando a CIM x 4. Se comparamos o comportamento de A. fumigatus submetido à associação entre fluconazol e o óleo essencial, é notável que as concentrações CIM e CIM x 2 controlam o crescimento das cepas de maneira mais eficiente do que no caso anterior, mas igualmente de modo uniforme. Já a concentração de CIM x 4 promoveu inibição completa do cresicmento da cepa em questão, mostrando maior eficácia nesse quesito. Na última associação testada, com o fluconazol e o óleo combatendo o desenvolvimento de A. flavus, houve um maior gradiente de inibição nas três concentrações. Os microorganismos submetidos à ação de CIM tiveram um crescimento muito discreto, porém uniforme. CIM x 2 ofereceu uma inibição completa até o dia 6, havendo pequeno crescimento a partir desse momento. Já a concentração de CIM x 4 mostrou inibição completa do crescimento. Esses resultados conferem a essa associação um comportamento inibitório mais efetivo nas três concentrações testadas. 61 7 DISCUSSÃO As infecções são eventos potencialmente ameaçadores para a vida. Desde que se reúnam as condições necessárias – virulência aumentada, resistência imunológica comprometida, tratamento inadequado ou ausente – o processo pode alcançar uma evolução agressiva, acarretando sérias repercussões para o organismo acometido. Aliado a isso, temos como fator agravante o surgimento de microorganismos MYOKEN et refratários al., 2006; aos tratamentos convencionais (JORGE, 1998; PATTERSON, 2006; GREENBERG et al., 2008; SAMARANAYAKE et al., 2009). Certas características estruturais dos fungos tornam-lhes mais resistentes aos antimicrobianos convencionais. (FARIAS; LIMA, 2000; SOUZA, 2004) As aspergiloses são infecções fúngicas com elevados índices de morbidade e mortalidade, estando A. fumigatus e A. flavus mais amiúde implicados (ZAMAN; SARMA, 2007). Dimitrakopoulos et al. (2005) afirmam que ,normalmente, a via de contágio é aerogênica, com inspiração dos conídios para o trato respiratório, ocorrendo um crescimento de caráter saprofítico. Um curso insidioso com freqüência estará ligado a condições orgânicas debilitantes. Ogata et al. (1997) afirmam que, nos últimos anos, as aspergiloses dos seios paranasais se tornaram eventos de ocorrência mais intensa. Apesar de terem grande associação com pacientes diabéticos, sob terapias antineoplásicas ou imunossupressivas, podem acometer, igualmente, indivíduos saudáveis. Segundo Beck-Mannagetta et al.,(1983), os cimentos de obturação de canais endodônticos contendo zinco em sua formulação podem servir como meio de crescimento para Aspergillus, desde que projetados iatrogenicamente no interior do seio maxilar. Opinião semelhante tem Giardino et al., (2006), que frisam a necessidade de se prevenir a introdução desse material a nível sinusal, evitando-se, assim, a multiplicação de Aspergillus e a indicação de tratamento cirúrgico adicional. 62 Em contraposição a essas afirmações, Odell e Pertl (1995) citaram a possibilidade de haver uma contaminação prévia das pastas de obturação por esporos de Aspergillus provenientes do ambiente, que, a nível intra-sinusal, encontrarão condições propícias para sua reprodução. Os mesmos autores lembram que um quadro de aspergilose em hospedeiros com déficit imunológico estará apto a desenvolver curso invasivo. Entretanto, Mylona et al. (2006) relatam o caso de uma aspergilose sinusal invasiva causada por Aspergillus fumigatus em paciente imunocompetente, com extensões para a cavidade nasal, seios esfenoidal e etimoidal. Rowe-Jones e Friedman (1994) frisam que a extensão intracraniana é um quadro de considerável morbidade, podendo ter início pela propagação direta a partir da cavidade sinusal adjacente ou mesmo por via venosa, a despeito da existência de paredes sinusais íntegras ou de um não acometimento mucoso. Notani et al. (2000) acrescentam uma terceira via de penetração na cavidade craniana, através de um gesto neurocirúrgico, sendo, por conseguinte, chamada de iatrogênica. Okamoto et al.(2006) enfatizam a importância da terapêutica cirúrgica vigorosa nesses casos, na ausência da qual o processo terá progressão rápida, possivelmente com resultados funestos. Já na opinião de Dimitrakopoulos et al.(2005) e Marinovic, et al.(2007), mesmo que se tenham sido consumadas medidas terapêuticas que incluam debridamento extenso e terapia antifúngica maciça, o curso fatal é freqüente. A aspergilose de localização facial tem prognóstico variado. Independente da extensão das infecções por Aspergillus, merecer, com freqüência, uma atenção multidisciplinar, com participação otorrinolaringologista, cirurgião simultânea bucomaxilofacial e do pneumologista, neurocirurgião, a grande ocorrência de aspergiloses sinusais e a etiologia endodôntica conferem a essas enfermidades um maior envolvimento com a rotina odontológica, impondo a realização de mais estudos explorando a aspergilose sob esse prisma específico, a exemplo do trabalho presente. 63 Segundo diversos autores, o tratamento convencionalmente proposto para as micoses invasivas se baseia no uso de drogas antifúngicas, como anfotericina B, fluconazol e itraconazol. Entretanto, esses regimes quimioterápicos são permeados de inconvenientes (SERRANO et al., 2004; RODRIGUEZ et al., 2008; KLAASSEN et al., 2010). Vários estudos advogam ainda ser a anfotericina B a droga de eleição contra infecções por Aspergillus. A despeito da reconhecida eficácia da droga sintética nesse campo, frequentemente, a dose de referência precisa ser reduzida, de modo a se minimizar os efeitos colaterais, mesmo sob o risco de comprometimento do regime antifúngico. Os reflexos adversos incluem febre, hipocalcemia, hipomagnesemia, anemia e, sobretudo, nefrotoxicidade (MUZYKA; GLICK, 1995; KANG et al., 2003; MYOKEN et al., 2006; PATTERSON, 2006). Ramos et al. (2003) corroboram essas afirmações, lembrando que se trata de uma droga onde a administração endovenosa e um protocolo de tratamento ultrapassando 90 dias de regime contínuo não raro se impõem (RAMOS et al., 2003). Patterson (2006) afirma que a terapêutica pela anfotericina B é pouco indicada hoje, uma vez que tem eficácia limitada, toxicidade substancial, associação a grande mortalidade. Além disso, por requerer infusão endovenosa, gera altos custos hospitalares. Ele cita o desenvolvimento da anfotericina lipossomal como uma promessa menos tóxica para o tratamento das aspergiloses. Entretanto, observou-se que as desvantagens representadas pelo preço proibitivo e pela intolerância a uma dose clinicamente eficaz desestimularam seu uso. Em contraste, Dimitrakopoulos et al. (2005) advogam que em aspergiloses intra-cranianas diagnosticadas precocemente, a adoção de debridamento cirúrgico extenso associado ao uso de anfotericina B é um recurso válido, podendo incrementar a expectativa de vida e as condições de tratamento. O fluconazol surgiu como uma solução auspiciosa no combate às micoses insidiosas, prometendo eficácia contra os organismos envolvidos, boa tolerância por parte dos pacientes e uma menor gama de efeitos colaterais, não estando, entretanto, isenta de sua ocorrência. Ao seu uso, foram atribuídos dor abdominal, 64 vômitos, diarréria, cefaléia e, mais raramente, dermatite esfoliativa, anafilaxia, plaquetopenia e leucopenia (SANTOS-JÚNIOR et al., 2005). De acordo com Helmerhorst et al (1999), a maior sobrevida de pacientes com HIV e câncer pelo aperfeiçoamento dos regimes quimioterápicos trouxe, paradoxalmente, um aumento dos índices de micoses sistêmicas. O grande consumo de antimicóticos com fins de profilaxia e tratamento nessas situações induziu ao aparecimento de mais casos provocados por microorganismos resistentes às drogas de uso mais rotineiro. Santos-Júnior et al. (2005) citam que essa situação se faz presente de maneira mais emblemática em relação ao fluconazol. Marinovic et al. (2007) frisam que um fator agravante para as micoses severas se dá pela baixa difusão da maioria dos antifúngicos no sistema nervoso central, dificultando o tratamento das patologias com envolvimento craniano. Em contrapartida, Santos-Júnior et al. (2005) lembram que o fluconazol apresenta uma boa penetração nesse meio, promovendo um aumento da resposta orgânica ao patógeno. Natarajan et al. (2005) ressaltam a importância do desenvolvimento novas drogas para esse fim, a exemplo da caspofungina, eficaz em casos invasivos e indicada para pacientes adultos refratários ou intolerantes à anfotericina B e ao voriconazol. Patterson (2006) defende o voriconazol como protocolo de primeira escolha para o tratamento dessa patologia, baseando-se na melhor evolução e maior sobrevida apresentada pelos pacientes. Porém, Serrano et al.(2004) afirmam que vários estudos já foram realizados demonstrando a efetividade do voriconazol sobre cepas de Cândida, mas poucas pesquisas foram empreendidas para avaliar sua ação sobre fungos filamentosos. Alertam, por fim, que há necessidade de estudos mais aprofundados que permitam conhecer melhor o potencial das substâncias de vanguarda usadas para o tratamento das aspergiloses. Drago et al. (2007) frisam que tão importante quanto a adoção de novos arsenais terapêuticos no combate às aspergiloses é a combinação racional entre 65 medicamentos já existentes, de modo a se suprir as deficiências encontradas nos regimes ora empregados. Corroborando tal afirmação, Warn et al.(2003) lembram que, ultimamente, tem sido notado um aumento dos insucessos terapêuticos envolvendo a aspergilose, sugerindo que esse fato se deva à emergência de organismos resistentes, que vêm a limitar a eficácia das drogas de uso corrente Tal situação tem obrigado os pesquisadores a buscar novos medicamentos que sejam eficazes, inclusive a partir de fontes vegetais. Souza et al. (2007) defendem que os fitoterápicos são menos sujeitos à resistência dos microorganismos, uma vez que atuam por mecanismos de ação distintos daqueles apresentados pelas drogas convencionais. Segundo Souza et al. (2005), corroboram essa informação, afirmando que os compostos naturais dispõem de estruturas e métodos de funcionamento diferentes, quando comparados com substâncias antimicrobianas usualmente empregadas para controle de crescimento dos microorganismos Bansod e Rai (2008) defendem que uma grande vantagem inerente aos fitoterápicos se explica por estes serem produtos naturais, logo representando meios terapêuticos seguros e isentos de efeitos colaterais. Já França et al. (2008) alertam que esse pode ser um raciocínio equivocado, uma vez que há uma tendência universal a se subestimar as propriedades medicinais das plantas, usando-as de forma indiscriminada. Lembram que se faz mister o estabelecimento de parâmetros atinentes à posologia e às doses tóxicas ou letais. A adoção de um óleo essencial para a realização deste experimento encontra respaldo nos trabalhos de Pereira (2006) e Souza et al. (2005), que enumeram a importância do composto na fisiologia da sobrevivência vegetal, atuando na defesa das plantas. A escolha do óleo de C. winterianus foi amparado pelos trabalhos de Duarte et al. (2005) e Mendonça et al. (2005), segundo os quais ele já vem sendo extensamente usado como repelente de insetos, larvicida, antisséptico e antifúngico. O mesmo tem demonstrada eficácia no combate às micoses. Essa particularidade 66 justifica a busca da viabilidade clínica para o esgotamento da capacidade curativa do óleo, requisito básico para o sucesso deste estudo de associação. Diante de tais afirmações, justifica-se o interesse de se realizar uma pesquisa procurando definir as propriedades das substâncias envolvidas neste trabalho, tais como a concentração inibitória mínima (CIM) pela técnica da microdiluição. O intuito principal é conhecer detalhadamente as possibilidades de uso das drogas interessadas, estabelecendo-se critérios rígidos no tocante a segurança e confiabilidade. Dever et al. (1992) afirmam que o cálculo da CIM pela técnica de microdiluição é uma técnica de execução e interpretação simples. Nix et al. (1995) consideram esse método ponto de partida imprescindível para a maioria dos estudos de susceptibilidade a drogas. Ostrosky et al. (2008) lembram que essa técnica vem acompanhada de algumas particularidades: como desvantagens, citam a possibilidade de células de microorganismos aderirem ao fundo do poço, ou de permanecerem em suspensão, prejudicando a interpretação dos resultados; como características positivas, consideram-no um método proveitoso, por ser barato, reprodutível, sensível, requerer uma pequena quantidade de amostras e deixar um registro permanente. A determinação da CIM, primeira etapa deste trabalho, forneceu dados imprescindíveis para as fases subseqüentes. Analisando-se o comportamento dos microorganismos frente à ação da anfotericina B, observou-se que 100% das cepas de A. fumigatus e A. flavus foram inibidas à concentração de 625µg/mL, ao passo que, para a inibição de 66,6% destas, a concentração foi de 312µg/mL. No último caso, apenas as cepas IPP 210 de A. fumigatus e LM 907 de A. flavus não foram sensíveis a essa concentração. Em contrapartida, a cepa mais sensível foi A. flavus ATCC 16013, inibida pela concentração de 39µg/mL. Avaliando-se a ação do fluconazol, a concentração de 2500 µg/mL foi responsável por inibir 100% das cepas estudadas, não havendo inibição parcial em concentrações intermediárias da droga. Há que se observar que a dose foi bem mais elevada do que aquela encontrada para a anfotericina B. Constatou-se, assim, que não existiam cepas mais ou menos sensíveis aos efeitos dessa droga, informação 67 também contrastante em relação àquela encontrada para o antimicrobiano anteriormente testado. Tais resultados parecem mais pobres do que aqueles obtidos por Sutton et al. (2006), que, ao estudarem a eficácia da anfotericina B contra espécies de Aspergillus, obtiveram a CIM sobre A. fumigatus e A. flavus sempre com resultados próximos a 2µg/mL. Dever et al. (1992) lembram que, em vários estudos consultados, há grande discordância entre as CIMs de cada tipo de droga sobre os microorganismos analisados. Sugerem ser a solução para tal problema estabelecer uma uniformização da densidade do inóculo, da temperatura e do tempo de incubação. Ostrosky et al. (2008) acrescentam que para evitar tais transtornos é inevitável se ter um conhecimento profundo das condições experimentais e uma padronização rigorosa na execução do teste. De posse das CIMs das substâncias consideradas, outro problema se observou: cada uma delas apresentava incovenientes em seu uso clínico no combate às aspergiloses. Diversos autores, a exemplo de Kang et al. (2003), Keele et al. (2001), Muzyka e Glick (1995), Myoken et al. (2006) e Patterson (2006) alertam que a anfotericina B tem reconhecidos efeitos deletérios associados ao seu uso prolongado, inviabilizando, comumente, o sucesso clínico. Outros artigos, tais como aqueles de Greenberg et al. (2008) e de Samaranayake et al. (2009) lembram que a efetividade do fluconazol está comprometida para esse fim, dado o número crescente de microorganismos refratários à sua ação, particularmente em pacientes portadores de HIV. Por fim, para Thaboripat (2004), a ação fungicida do óleo essencial de C. winterianus já foi comprovada, mas sua utilização é freqüentemente contestada por requerer a instituição de altas doses, inviabilizando um emprego clínico seguro. Segundo Drago et al. (2007), o combate a organismos refratários passa por duas estratégias possíveis: a primeira consiste no desenvolvimento de novas drogas capazes de oferecer um tratamento mais eficaz; a segunda preconiza a combinação 68 de substâncias antimicrobianas já existentes, certamente um método mais simples e barato. Já para Mitsugui et al. (2008), um emprego útil da combinação de antimicrobianos seria naquelas infecções de caráter polimicrobiano, onde a monoterapia tem alcance, não raro, insuficiente. Para Nightingale et al. (2007), o método mais usado para a compreensão da associação de drogas antibióticas é aquele representado pela técnica de Checkerboard, de fácil execução e entendimento. Através desta, obteremos o cálculo da concentração inibitória fracionária (CIF) da associação de drogas. De acordo com o valor numérico obtido, será conceituado o comportamento da associação. Os parâmetros para essa designação variam entre os autores: Nightingale et al. (2007), atentam para a dificuldade de interpretação da técnica, onde os limites variam, segundo as fontes pesquisadas. Consideram a ocorrência de sinergismo (CIF ≤ 0,5), aditividade ou indiferença (0,5 < CIF ≤ 4) e antagonismo (CIF ≥ 4). Para Mitsugui et al. (2008), a interação pode apresentar as seguintes possibilidades: sinergismo (CIF ≤ 0,5), sinergismo parcial (0,5 < CIF < 1), aditividade (CIF = 1), indiferença (1 ≤ CIF < 4) e antagonismo (CIF >4). Entretanto, nenhum outro trabalho consultado apresentou o termo “sinergismo parcial”, nem esse estudo conceituou tal termo. A classificação considerada por Drago et al. (2007), propõe que a combinação pode apresentar sinergismo (CIF ≤ 0,5), aditividade ( 0,5 < CIF ≤ 4) e antagonismo (CIF > 4). Dada a ausência de um consenso para definir os limites precisos para classificar a interação entre as drogas pelo método de Checkerboard, tomamos como padrão o trabalho de Singh et al. (2000), segundo o qual a associação poderá ser sinérgica (CIF < 1), aditiva (CIF = 1) ou antagônica (CIF >1), pela simplicidade de conceituação e aplicabilidade mais lógica. Também, adotaremos a afirmação de Nightingale et al. (2007), que consideram que as situações de aditividade e indirefença correspondem a um mesmo tipo de interação. 69 De posse das CIMs do óleo essencial de C. winterianus – partindo de estudo previamente realizado no mesmo laboratório (OLIVEIRA, 2011), com valor igual a 312µg/mL – e das drogas sintéticas, pôde-se calcular a titulação pelo método de Checkerboard. Tomou-se, como parâmetro, uma cepa de referência de A. fumigatus (ATCC 16913) e outra de A. flavus (ATCC 16013). Cada uma delas foi exposta à ação combinada do óleo essencial com a anfotericina B e com o fluconazol. Desse modo, quatro ensaios foram realizados: Na combinação do óleo essencial com a anfotericina sobre A. fumigatus, encontramos duas situações possíveis: na primeira delas, temos que a concentração inibitória fracionária (CIF) da droga sintética foi igual a 0,5, e que a do óleo essencial foi igual a 0,25. No segundo contexto, a CIF do óleo foi igual a 0,5, e a da droga foi de 0,25. Ocorre assim que temos duas possibilidades onde há uma maior redução dos componentes: na primeira delas, a concentração da droga cai à metade, e a do óleo, à quarta parte; no segundo cenário encontrado, a CIF do óleo cai à metade, e a da droga cai a um quarto. Em ambos os contextos, a CIF da associação foi igual a 0,75, indicando sinergismo entre as substâncias testadas. Esse resultado mostra uma interação plenamente favorável, com a chance de se reduzir a concentração de ambos os componentes, sempre um deles em maior intensidade. Assim, pode-se optar por se fazer a escolha pela combinação melhor tolerada clinicamente. No segundo teste, foi observado o comportamento da associação entre o óleo essencial com a anfotericina B procurando a inibição de cepas de A. flavus. A CIF da droga sintética foi igual a 0,5, e a do óleo, a 1, sendo que a CIF da associação foi de 1,5, que denota haver antagonismo entre as duas substâncias testadas. Esse resultado mostra uma combinação desfavorável para os propósitos defendidos pelo estudo. No terceiro teste, opôs-se o conjunto do óleo essencial com o fluconazol a cepas de A. fumigatus. A CIF do óleo foi de 0,125, e o da droga foi de 0,5. O CIF da associação foi igual a 0,625, denotando também haver sinergismo entre os compostos. Assim, encontrou-se um grande decréscimo da concentração do óleo, ao passo que a modificação em relação ao fluconazol foi mais discreta. O quarto teste combinou o óleo essencial ao fluconazol para tentar a inibição de A. flavus. Os resultados foram semelhantes ao experimento anterior, com o CIF 70 do óleo igual a 0,125 enquanto que o da droga foi de 0,5, traduzindo, também, uma situação de sinergismo. Os resultados obtidos exibiram uma combinação eminentemente favorável na maior parte dos casos estudados. Excetuando a combinação entre o óleo com a anfotericina sobre A. flavus, onde o resultado constou como antagonismo, nas demais, os resultados sinérgicos se configuram em respostas desejáveis para o combate a cepas de Aspergillus.. A associação entre óleo e fluconazol sobre A. fumigatus teve um resultado sinérgico, onde a CIM do primeiro pôde ser reduzida à oitava parte, o mesmo ocorrendo na associação entre óleo e fluconazol sobre A. flavus. Tais comportamentos permitiram observar uma resposta terapêutica da associação a partir de uma fração nitidamente menor do óleo essencial, além de se reduzir o aporte da droga sintética à metade. Deduz-se terem sido obtidos achados plenamente favoráveis, uma vez que já foi relatada a necessidade de doses elevadas, inviáveis para a prática clínica, do óleo essencial de C. winterianus para que se alcançassem resultados fungicidas sobre Aspergillus (THANABORIPAT, 2004). A associação estudada capacita uma melhor aplicabilidade das possibilidades terapêuticas das associações, visando resultados superiores contra infecções invasivas por esses microorganismos filamentosos. Essa assertiva se torna ainda mais válida quando consideramos o trabalho de Singh et al. (2000), que, frisa que, quanto menor o cálculo da CIF da associação, maior o grau de sinergismo encontrado. Inúmeros estudos têm sido dedicados comprovar a eficácia do estudo de Checkerboard para a compreensão do comportamento de antimicrobianos em associação. Singh et al. (2006) compararam a resposta de pacientes transplantados, portadores de aspergilose invasiva, à combinação entre voriconazol e caspofungina, usando como controle uma população que havia feito uso apenas da formulação lipídica de anfotericina B. Os resultados, obtidos pelo método de Checkerboard evidenciaram que o uso da associação descrita estava ligado a uma maior sobrevida. 71 Cuenca-Estrella et al. (2006) pesquisaram o comportamento de Scopulariopsis brevicularis, patógeno emergente envolvido tanto em infecções superficiais, como as onicomicoses, como em casos mais graves, como em micoses profundas, meningites em pacientes com AIDS, endocardites, bolas fúngicas intrasinusais e pneumonias. Esse organismo tem-se mostrado resistente in vitro a anfotericina B, agentes azólicos, caspofungina e terbinafina. Para o estudo, observou-se sua interação com dez associações envolvendo os seguintes antifúngicos: anfotericina B, terbinafina, itraconazol, voriconazol, posaconazol e caspofungina. A associação entre as drogas foi realizada pelo método de Checkerboard. Encontrou-se ação sinérgica em algumas combinações, notadamente em posaconazol com terbinafina (68% das cepas). Outras combinações – anfotericina B com caspofungina, posaconazol com caspofungina e voriconazol com caspofungina – também exibiram sinergismo em algumas cepas. O exposto evidencia a importância do método Checkerboard para buscar alternativas viáveis para o combate a S. brevicularis, organismo que guarda inúmeras semelhanças com o Aspergillus, tais como as apresentações clínicas, o aparecimento de patógenos resistentes e a elevada morbidade, por meio de combinação eficaz entre drogas em uso. Se considerarmos o volume de trabalhos que demonstram confiabilidade do método de Checkerboard, é fácil aceitar a legitimidade de seu uso como recurso válido no desenvolvimento das terapias antimicrobianas combinadas. Entretanto, tal técnica merece ressalvas: Nightingale et al. (2007) lembram que não há consenso entre os autores quanto aos parâmetros válidos para cada resultado encontrado. Porém, para esse autor, a principal limitação reside no fato de que, para seu cálculo, as CIFs são determinadas a partir de concentrações fixas das drogas, ao passo que, in vivo, elas variam ao longo do tempo, com a metabolização das substâncias. Steinbach et al. (2003) ressaltam que, apesar de o método de Checkerboard decifrar a natureza da interação entre as drogas, ela não provê uma descrição mais detalhada da taxa de atividade antifúngica ao longo do tempo. Para Keele et al. (2001), ele não consegue detectar mudanças na tolerância bacteriana adquiridas durante o experimento. 72 Diante de tais justificativas, na etapa seguinte do trabalho, realizou-se o estudo da cinética da morte microbiana, também conhecido como cinética do crescimento radial. Segundo Singh et al. (2000), essa técnica, apesar de ter caráter diverso, é complementar ao método de Checkerboard. Para Lewis et al. (2000), o estudo da cinética da morte bacteriana fornece um entendimento importante da farmacodinâmica de drogas antimicrobianas, permitindo a elaboração de regimes terapêuticos que optimizem a atividade antifúngica, ao mesmo tempo em que minimizem o grau de exposição do paciente ao fármaco, reduzindo sua toxicidade resultante. White et al. (1996) defendem que a técnica de Checkerboard e o estudo da cinética se baseiam em fenômenos diferentes: no primeiro, a partir do conhecimento das concentrações inibitórias mínimas, pode-se observar a inibição do crescimento microbiano; no segundo caso, porém, o que se avalia é a intensidade da morte dos microorganismos. Aiyegoro et al. (2008) consideram-no um dos métodos mais confiáveis para determinar a resistência microbiana, consistindo na observação da taxa de morte dos microorganismos pela ação de uma concentração fixa de agentes antibióticos. Entretanto, alguns estudiosos são reticentes a essa técnica. Keele et al. (2001) afirmam que, no estudo da cinética, a concentração das drogas é estática e não sofre absorção, como ocorreria em um sistema vivo. Além disso, nesse modelo, não há interação das drogas ou fungos com proteínas. Por fim, o tipo de meio de cultura, as espécies de fungos selecionadas e as variações de metodologia entre os laboratórios podem ter efeito nos resultados. Assim, sugerem que esse ensaio deva ser considerado apenas como indicativo dos efeitos potenciais das drogas em um organismo vivo. White et al. (1996) apontam algumas limitações do estudo da cinética, tais como a influência do tamanho do inoculo escolhido, as dificuldades de interpretação dos resultados, dada a pequena variação de concentrações estudadas, e o trabalho dispendido para sua execução. 73 Em contraposição, para Dever et al. (1992), já foi demonstrado que essa técnica, mesmo sendo realizada in vitro, permite uma boa correlação com o estado de cura, quando relacionado com modelos animais ou ensaios clínicos. O estudo da cinética do crescimento radial arrematou a análise das propriedades antifúngicas das associações estudadas neste trabalho, possibilitandose conhecer dinamicamente a ação antimicrobiana destas frente às cepas observadas. Nesta fase, o ensaio da cinética de morte microbiana nos mostra ter havido, já a partir do segundo dia, inibição em todos os eventos analisados, sempre com resultados acima de 47%, tomando-se como parâmetro a placa controle (TABELAS 6, 8, 10). A efetividade sobre cepas de A. fumigatus se deu de maneira mais discreta a partir da associação com a anfotericina B. Considerando os testes relativos a essa droga com o óleo, ao fim do dia 7, CIM permitiu um crescimento radial de 37mm, CIM x 2 de 35mm, e CIM x 4 de 26mm. Mesmo em se pesando a diferença exígua entre as duas concentrações menores, a inibição, em seu momento de menor efetividade, ainda se manteve próxima a 50%, mostrando ter havido uma ação perceptível no controle do crescimento das cepas (GRÁFICO 1; TABELAS 5, 6). Tais resultados se alinham ao que defendem diversos autores: essa droga assume um papel fungicida em doses elevadas, ao passo que, em concentrações normais, há efeito apenas fungistático. Além disso, a mesma oferece a possibilidade de desenvolvimento de resistência fúngica (MUZYKA; GLICK, 1995; MYOKEN et al., 2006; PATTERSON, 2006). O caráter dose-dependente da anfotericina B está plenamente demonstrado pelo fato de sua ação inibitória aumentar de modo diretamente proporcional à sua concentração na associação, fornecendo um combate considerável ao crescimento fúngico. Não se pôde, entretanto, alcançar uma ação fungicida até a concentração CIM x 4 das substâncias associadas. Bansod e Rai (2008) lembram que um fato complicador que envolve o tratamento de várias doenças consiste na necessidade freqüente da utilização de altas doses de antimicrobianos, levando à ocorrência de efeitos colaterais 74 acentuados, com possibilidade de desenvolvimento de resistência microbiana e retardo a cura do processo infeccioso. Assim, se torna desejável a obtenção de estratégias que proporcionem um aperfeiçoamento da atividade terapêutica da anfotericina, principalmente em se reduzindo as concentrações necessárias a uma resposta antifúngica. Os ensaios provaram haver susceptibilidade dos microorganismos às associações empregadas. Pautando-se por tal filosofia, depreende-se que esta pesquisa logrou resultados animadores no tocante a se possibilitar um uso mais eficaz e seguro da anfotericina. Mata et al.(2009) procuraram determinar a incidência de patógenos e detectar o controle dos mesmos sobre as sementes de Jereus jamacaru (mandacaru), a partir da exposição a diferentes concentrações dos óleos de C. winterianus e de Pimpinella anisum. No tratamento controle, incidiram os fungos Aspergillus sp., Penicillium sp., Cladosporium sp., Curvalaria sp., Nigrospora sp. e Rhizophus sp. Os resultados mostraram que os óleos apresentaram efeito inibitório sobre a incidência de fungos sobre as sementes tratadas. Além disso, constatou-se que, quando nas maiores concentrações, reduziram a incidência de fungos e aumentaram a germinação das sementes de mandacaru. Os dados encontrados por estes autores corroboram os resultados do estudo presente, onde o aumento da concentração da anfotericina B e do óleo incrementaram a inibição das cepas estudadas. A combinação do óleo com o fluconazol sobre A. fumigatus, detentora de melhores resultados, sempre suprimiu o desenvolvimento das cepas acima de 79%, em todas as concentrações. Tomando-se CIM x 4, não houve registro de aumento no diâmetro radial durante o transcorrer do trabalho. Mesmo na menor concentração, a associação impediu o desenvolvimento fúngico em 87% já no dia 2, mostrando uma notável ação contra esse organismo. Os graus de inibição ao fim do dia 7 foram de 84% para CIM, 87% para CIM x 2 e 100% para CIM x 4 (GRÁFICO 2; TABELAS 7, 8). As informações contidas nesta etapa do trabalho confirmam a efetividade das associações testadas sobre A. fumigatus, sobretudo em se utilizando o fluconazol como composto sintético. Essa droga, cuja indicação para o tratamento das aspergiloses é contestada, dada a possibilidade de resistência fúngica, foi grandemente beneficiada pela 75 associação com o óleo essencial de C.winterianus. Esse achado se mostra em concordância com o trabalho de Singh et al .(2000), que defende que nos casos de aditividade ou sinergismo das associações, o incremento terapêutico pode ser explicado pela aceleração do seu tempo de ação, impossibilitando aos microorganismos de desenvolverem um fenótipo mais agressivo. Estudando isoladamente o comportamento da associação do óleo essencial com o fluconazol sobre as duas cepas, percebeu-se um elevado potencial inibitório em todos os momentos observados. Repetindo a tendência documentada na associação do óleo com a anfotericina, no ensaio com o fluconazol, A. fumigatus teve melhor resistência contra as concentrações CIM e CIM x 2. Ao fim do estudo, os crescimentos radiais foram de 15 e 13mm, contra 85mm do controle, correspondendo a inibições de 84 e 87%, lembrando que houve ausência de crescimento radial, quando submetido a CIM x 4, ação nitidamente fungicida. Já no último ensaio, A. flavus se mostrou bastante susceptível à ação da associação. As inibições no dia 7 sob a ação de CIM (85%) e de CIM x 2 (94%), mesmo estando aquém daquela encontrada em CIM x 4 (100%), já mostram um resultado ainda mais alentador no tocante às propriedades antifúngicas dessa associação contra a cepa. Deve-se frisar que, na concentração mais alta, também não houve aumento algum no diâmetro do inoculo, até o dia 7, repetindo o comportamento de A. fumigatus (GRÁFICO 3; TABELAS 9, 10) Santos-Júnior et al. (2005) fizeram um estudo avaliando as características da ação, do tratamento e da resistência fúngica ao fluconazol, afirmando que o mesmo não tem boa ação contra aspergilose, podendo ser usado como terapia alternativa em meningites por Aspergillus dada sua tolerabilidade e sua indução mínima de efeitos colaterais. Muzyka e Glick (1995), em trabalho de revisão sobre as infecções fúngicas orais e suas opções terapêuticas, atribuem à droga um caráter efetivo contra uma grande variedade de micoses em pacientes imunocompetentes e imunodeprimidos, induzindo menores reações indesejáveis. Suas indicações incluem candidíase oral, profilaxia da meningite criptocócica em pacientes com AIDS e histoplasmose. Entretanto, as aspergiloses estão ausentes no rol mencionado. 76 Contrapondo as afirmações anteriores, há obras que a defendem como uma das drogas de primeira escolha contra esses patógenos (ALMEIDA; SCULLY, 2002; SERRANO et al., 2004). Trata-se de um fármaco com ação fungistática em doses moderadas, podendo assumir comportamento fungicida em maiores concentrações, ou desde que usada sobre organismos susceptíveis (MUZYKA, GLICK, 1995). As informações acima confirmam os resultados dessa última etapa do trabalho, onde, na associação do óleo com o fluconazol contra A. fumigatus sob as concentrações de CIM e CIM x 2, houve uma ação fungistática bem demarcada, com diminuição do grau de crescimento radial das cepas em relação ao controle. Na concentração CIM x 4, evidenciou-se um comportamento fungicida bem definido, sem que houvesse qualquer crescimento do das cepas a partir do momento da inoculação. Quando esta associação foi testada sobre A. flavus, obteve-se resultados ainda mais animadores, com uma ação fungistática bem marcante à concentração igual a CIM. Com CIM x 2, viu-se uma inibição total do crescimento radial até o dia 5. Depois desse momento, notou-se um desenvolvimento micelial apenas discreto. Um comportamento similar se observou no estudo conduzido por Okungbowa e Usifo (2010), que testaram o crescimento radial fúngico de Aspergillus fumigatus e Penicillum sp. quando submetidos ao efeito antifúngico de três desinfetantes: metanol a 70 e a 90%, etanol a 90% e hipoclorito de sódio a 4%. Notou-se que o hipoclorito apresentou a melhor ação antimicrobiana, seguido pelo metanol a 90%. Entretanto, pelo estudo, pôde-se perceber que, após alguns dias, houve crescimento fúngico em todas as séries estudadas, evidenciando um comprometimento do efeito das drogas. Essa situação observada na interação entre o óleo essencial de C. winterianus com o fluconazol sobre A. flavus pode-se amparar no fato deste composto natural apresentar caráter volátil. Sendo assim, é plausível crer que, devido a um fenômeno de evaporação, a concentração do óleo pode ter diminuído, comprometendo o padrão fungicida da associação observado até então. Essas observações validam ainda mais os resultados alcançados por esse estudo, onde o fluconazol é grandemente beneficiado por seu uso em conjunto com o óleo essencial de C. winterianus. 77 Todos os dados obtidos nessa fase da pesquisa evidenciaram um comportamento bastante animador para os propósitos buscados pelo trabalho. Quando estudos semelhantes são tomados como parâmetro, nota-se que a interação entre o óleo essencial de C. winterianus e os fármacos adotados se configura em um recurso bastante válido contra as infecções por Aspergillus. Moreira (2009) procurou observar a atividade antifúngica do óleo essencial do Hyptis suaveolens sobre espécies patogênicas de Aspergillus. Obteve que a concentração inibitória mínima (CIM) foi igual a 40µL/mL. Empreendeu o teste da cinética da inibição do crescimento radial em meio sólido, sobre cepas de A.parasiticus (ATCC-15517) e de A. fumigatus (ATCC-40640), com incubação durante 14 dias e observações a cada 48 horas, sob a ação de CIM/2, CIM e CIM x 2. Encontrou resultados discretamente melhores do que aqueles obtidos nesse trabalho, onde, no primeiro dia, CIM/2 promoveu uma inibição de 78% das cepas, no dia 8, de 76%, e, no dia 14, igual a 94%. As concentrações CIM e CIM x 2 promoveram inibição total das cepas (igual a 100%) em todos os momentos estudados. Bankole e Somorin (2010) testaram a atividade antifúngica dos extratos de Ocimum gratissimum e Aframomum danielli sobre cepas isoladas a partir de arroz estocado. Acompanhou-se a inibição do crescimento radial fúngico sob a ação dos extratos dos produtos naturais em meio sólido a cada 24 horas durante 7 dias. Ao fim do experimento, notou-se que a inibição ocorreu de modo diverso: Aspergillus niger foi o organismo mais sensível a A. danielli, sofrendo um grau de inibição igual a 56,7%, em relação ao controle de crescimento, enquanto que Cladosporium sphaerospermum foi o mais resistente, com inibição de 46,4%. Já nas cepas submetidas ao extrato de O. gratissimum, Penicillium citrinum foi o organismo mais sensível, com inibição igual a 59,7%, ao passo que Cladosporium sphaerospermum foi o mais refratário, com inibição igual a 46,4%. Os achados obtidos no estudo citado foram mais modestos do que aqueles encontrados pela pesquisa presente, onde se puderam aferir inibições finais compreendidas entre 60 e 100%, configurando-se em um grau de efetividade mais importante sobre cepas de fungos filamentosos. 78 A associação de anfotericina e do fluconazol ao óleo essencial de C. winterianus se mostrou uma estratégia muito sagaz para que se possa explorar a ação antimicrobiana das três substâncias, sobretudo do composto natural, que exibe propriedades extensamente inexploradas. Ao se observar que, na maior parte dos experimentos, foram encontradas associações com sinergismo acentuado, pode-se compreender a importância desses ensaios para a elaboração de estratégias eficientes de combate às aspergiloses. Tal fato se ampara na possibilidade de emprego de doses sub-toxicas dos componentes envolvidos, de eficácia das associações contra cepas resistentes, ou mesmo de instituição de protocolos de tratamento mais curtos. Espera-se que essa pesquisa sirva de mote para o desenvolvimento de estudos in vivo, visando uma melhor interpretação da resposta dos microorganismos às associações adotadas e permitindo o aperfeiçoamento das capacidades terapêuticas interessadas. Assim sendo, a combinação racional do óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B e com o fluconazol terá grande destaque no combate às infecções fúngicas por Aspergillus, viabilizando um tratamento mais seguro e eficaz, minimizando os efeitos deletérios das drogas e esgotando seu potencial curativo. 79 8 CONCLUSÃO De acordo com os resultados obtidos nos ensaios de associação do óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B e o fluconazol, concluiu-se que: o A associação entre o óleo essencial de C. winterianus com as drogas sintéticas estudadas - anfotericina B e fluconazol - demonstrou haver propriedades antifúngicas marcantes sobre cepas de Aspergillus; o O cálculo da concentração inibitória mínima da anfotericina B e do fluconazol evidenciou a possibilidade de um uso antifúngico clinicamente viável; o A associação entre o óleo essencial de C. winterianus com a anfotericina B e com o fluconazol promoveu resultados favoráveis, exibindo um incremento positivo sobre a ação dos três compostos envolvidos, em relação às cepas testadas; o O estudo da cinética da morte microbiana confirmou a efetividade das associações avaliadas pelo método de Checkerboard. 80 REFERÊNCIAS ADAM, K.; SIVROPOULOU, A.; KOKKINI, S.; LANARAS, T.; ARSENAKIS, M. 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