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ARTIGO
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Conteúdo básico para estruturar o treino da visão periférica no futebol
de salão
Nelson Kautzner Marques Junior
Mestrando em Ciência da Motricidade Humana pela UCB do RJ – Linha de pesquisa: Estudos dos Mecanismos e Processos de Aquisição de Condutas Motoras Resumo
Objetivo da revisão foi de apresentar o conteúdo básico para o professor
estruturar o treino da visão periférica (TVP) para os jogadores de futsal. Esta
obra foi dividida em cinco capítulos para melhor compreensão sobre esse
tema. Os capítulos foram os seguintes: visão, hemisfério, hemisfericidade,
tática ofensiva e sessão para prescrever o TVP. Em conclusão, espera-se que
esta revisão facilite os técnicos do futsal em estruturar o TVP.
Palavras-chave: Visão; treino; futebol de Salão; visão periférica.
Abstract
The objective of the review was of show the basic content for the coach
elaborate the training of the peripheral vision (TPV) for the indoor soccer
players. The review has five themes for good comprehension. The themes are:
vision, hemisphere, dominant hemisphere, attack tactics and season for
prescribe the TPV. In conclusion, the review had content for indoor soccer
coach elaborate the TPV.
Key-words: Vision; training, indoor soccer; peripheral vision.
Introdução
Os primeiros registros sobre o treino do futebol que educa o atleta a jogar de
cabeça erguida para ter ênfase na visão periférica que é própria para tarefas espaciais
são remotos na literatura do futebol e similares (GUSKIEWICZ et alii, 2002;
ZHONGFAN et alii, 2002). Um dos poucos históricos foi contado no programa Pontapé
Inicial da ESPN em novembro de 2006. Por volta do fim dos anos 50 e início da época
de 60, o técnico do Canto do Rio Football Club, da cidade de Niterói, Rio de Janeiro,
orientava os aprendizes do futebol a jogar de cabeça erguida. Através desses
ensinamentos apareceu um dos maiores armadores do futebol mundial que fez parte
da equipe titular da Copa de 70. Em 1999, Pinto & Araújo denominaram essa sessão
que educa o futebolista a atuar de cabeça erguida de treino da visão periférica.
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Contudo, o embasamento científico sobre essa sessão não é visto em referências do
futebol e similares (FORD et alii, 2006; SMITH & CHAMBERLIN, 1992). Nem foram
encontradas investigações originais afirmando que atuar de cabeça erguida melhora a
participação do atleta na partida (BANGSBO, 1994; DRUST et alii, 2000). Entretanto,
em recente dissertação de mestrado Marques Junior (2008) mostrou como ensinar o
treino da visão periférica e foi evidenciado que atuar no jogo dessa maneira, ênfase
na visão periférica, otimiza o ataque do futebol de salão (futsal). Mas qual conteúdo
do treino do futsal o técnico deve estar embasado para estruturar essa sessão?
As evidências científicas apenas informaram que a fixação visual aumenta a
precisão em acertar a bola no alvo (HARLE & VICKERS, 2001), pode-se treinar a visão
(WOOD & ABERNETHY, 1997), a adequada visão otimiza o tempo de reação
(SPARROW et alii, 2006), conforme a experiência do atleta no desporto a visão é mais
apurada (REINA et alii, 2007) e outros. Apesar das diversas pesquisas informarem
sobre a visão, o conteúdo científico que é necessário para o professor estruturar o
treino da visão periférica não é encontrado, mas essa revisão tem o intuito de
amenizar esse problema. Portanto, o objetivo dessa revisão foi de apresentar o
conteúdo básico para o professor estruturar o treino da visão periférica para os
jogadores de futsal.
Conteúdo do treino da visão periférica
O conteúdo básico para estruturar o treino da visão periférica foi dividido em
cinco seções para o leitor ter uma melhor compreensão. As seções foram organizadas
da
seguinte
maneira:
1.
Olho
e
sistema
visual
central,
2.
hemisfério,
3.
hemisfericidade, 4. tática ofensiva do futsal e 5. Sessão para prescrever o treino da
visão periférica. Agora siga adiante para entender este treinamento.
1. Olho e sistema visual central
A área 7, localizada no lobo parietal, é responsável pela visão. Formando com a
área 5 da audição, o córtex parietal posterior, que também trata da atenção, da
integração sensorial e visual (JENMALM et alii, 2000). Os componentes da visão, para
funcionarem com qualidade, dependem da integração sensorial (CRAWFORD et alii,
2004). E a performance de qualquer modalidade depende dos olhos e do sistema
visual central. Por esse motivo torna-se importante estudar essas estruturas para
compreender o treino da visão periférica. O olho atua como uma câmara fotográfica
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que focaliza a imagem por causa da retina, onde é convertida em impulso nervoso,
que é encaminhado pelo nervo óptico para o encéfalo (GUYTON, 1988). A precisão
visual na identificação do objeto, que é encaminhado para os dois hemisférios,
depende de uma estrutura anatômica. Essa estrutura foi ensinada por Jacob et alii
(1990):
Anatomia Externa: a) Cavidade Orbitária: Região de gordura que acomoda o bulbo
ocular, com forma de cone, sendo constituída por osso, para proteger o olho.
b) Músculos Extrínsecos do Olho: Atuam na ligação do bulbo ocular à cavidade
orbitária, são seis músculos responsáveis pela rotação e o suporte. Os músculos
extrínsecos são compostos pelo reto superior, reto inferior, reto lateral, reto medial,
oblíquo superior e oblíquo inferior.
c) Pálpebras: Têm a função de proteger o olho da poeira, do impacto e de uma forte
luz. São auxiliadas pelos cílios na proteção ocular, precisamente contra a poeira. As
pálpebras são simplesmente, uma cortina móvel, situadas na região anterior do bulbo
ocular. No canto lateral das pálpebras fica o carúncula lacrimal, de cor vermelha, com
glândulas sebáceas e poucos pêlos. Nas extremidades das pálpebras é observada uma
substância oleosa que é secretada pelas glândulas tarsais da placa tarsal, localizadas
na extremidade livre de cada pálpebra.
d) Membrana Conjuntiva: Cada pálpebra é coberta pela camada fina da membrana
conjuntiva, com função protetora.
e) Aparelho Lacrimal: Libera a lágrima que limpa e lubrifica os olhos.
Anatomia Interna: a) Bulbo Ocular: Composto por três camadas, a externa, a média e
a interna. Na camada externa localizam-se a esclera que atua na proteção e é fibrosa,
e a transparente córnea que age como superfície refratora. A região média é
constituída pela coróide, corpo ciliar e íris. A coróide é vascularizada e pigmentada.
Esta pigmentação impede que a luz produza reflexo interno. Já o corpo ciliar, que é
uma continuação da coróide, fabrica o humor aquoso, que enche as câmaras dos
olhos. A íris, a região da cor dos olhos, situada na parte anterior do cristalino e
posterior da córnea, tem a função de regular a quantidade de luz para o bulbo ocular.
As fibras circulares da íris diminuem a pupila se a luz for abundante e na visão de
perto, mas na pouca luz ou nenhuma, a íris aumenta a pupila através das fibras
radiais. Essas fibras radiais também dilatam a pupila se a visão for distante. Na parte
interna encontra-se a retina que atua na mudança da onda luminosa em impulso
nervoso.
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b) Humor Aquoso: Atua como nutriente para a lente e a córnea, liberado pelos
processos ciliares e absorvido pelo seio da esclera para o sistema venoso. c) Lente: Fica posterior à íris, aumentando na visão próxima e diminuindo na visão distante, com trabalho de focalizar os raios luminosos. Os mesmos autores (1990) mostraram na figura um a anatomia externa e
interna do olho:
Figura 1: Anatomia externa (A) e interna (B) do olho.
A
B
A formação da imagem pelo olho é fascinante, e extremamente difícil de ser
compreendido pelo estudante. Mas Bear et alii (2002) explicaram que esse
acontecimento de forma concisa e clara: a íris e a pupila regulam a quantidade de luz
que é absorvida, em seguida a córnea pratica uma refração na luz absorvida, ou seja,
os raios de luz se curvam para se compactarem, proporcionando uma menor distância
focal. Veja a figura dois:
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Figura 2: Refração da córnea.
Continuando a fisiologia do olho na visão, no cristalino a imagem torna-se mais
nítida, a acomodação. A próxima etapa da luz é chegar na retina, que forma melhor a
imagem através dos fotorreceptores. A imagem é encaminhada para o encéfalo, no
sistema visual central. Ver esses componentes na figura três:
Figura 3: Cristalino, retina e outros.
A luz que passa pela retina é convertida em impulso nervoso no nervo óptico para a
quiasma óptico e chegando no tracto óptico. Este percurso é denominado de projeção
retinofugal. Os nervos ópticos e os tractos ópticos são dois, um para esquerda e outro para
direita. Sendo que o nervo óptico esquerdo conduz o impulso nervoso pela quiasma óptico
via tracto óptico direito, já o nervo óptico direito, encaminha o impulso nervoso para a
quiasma óptico e em seguida este estímulo desemboca no tracto óptico esquerdo. Ambos
componentes anatômicos são apresentados na figura quatro:
Figura 4: Nervo óptico e tracto óptico ilustrado.
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Este fenômeno comprova que a visão é cruzada, fato que, também, ocorre no
controle motor (DeSOUZA et alii, 2003). Continuando a explicar o sistema visual
central, do tracto óptico, o estímulo nervoso passa pelo núcleo geniculado lateral
(NGL) (NOWAK et alii, 1999), indo em direção ao córtex visual primário ou V1, onde
ocorre a visão consciente (READ & CUMMING, 2005). Esse caminho da NGL para o
córtex visual primário é denominado de radiação óptica. A figura cinco ilustra as
explicações:
Figura 5: O caminho da percepção visual consciente.
O V1 que se situa no lobo occipital (área 17), a primeira área visual cortical a receber
o impulso nervoso do NGL. O V1 encaminha a informação para V2 e V3. Estas regiões da
área visual secundária, V2 e V3, possuem funções diferentes. A primeira, V2, atua na visão
de profundidade, e a V3, encaminha o estímulo nervoso para V4 e V5, ambas também
pertencem à área visual secundária. A área V4 está associada à identificação da cor,
enquanto que V5 ou MT (área medial temporal) está relacionada com a identificação da
mudança da ação de um objeto pelo campo visual, informam a direção, ajudam na análise
(NERI et alii, 2004). A área medial superior temporal (MST) recebe eferência cortical da
área V5, tendo função de navegação (noção dos objetos passarem por nós em diversas
direções e velocidades), orientação do movimento dos olhos (habilidade de sentir e analisar
o movimento com os olhos) e percepção do movimento (interpretação dos objetos em
movimento). A área V1, V2 e V3 pertencem ao feixe antecipado, a área V4 e IT (lobo
temporal inferior) são do feixe ventral e a área MT e MST são propriedades do feixe dorsal.
A área IT recebe o impulso nervoso da V4, atuando na percepção e memória visual. Sendo
a última região do encéfalo a participar da visão. Após a informação passar pelo IT ela se
dirige para outras áreas ventrais, enquanto que na MST o estímulo é encaminhado para
diferentes áreas, cuja atuação no olho e/ou no sistema visual central, a ciência ainda não
conseguiu explicar. A figura seis mostra todas as áreas corticais atuantes na visão:
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Figura 6: O encéfalo com suas áreas visuais.
Anteriormente foi explicado que a visão é comandada contralateralmente pelo
encéfalo, ou seja, o hemisfério esquerdo comanda o olho direito, enquanto que o
hemisfério direito, a visão esquerda. Logo o tema do capítulo 2 foi hemisfério.
2. Hemisfério
O hemisfério de homens e mulheres possuem diferenças marcantes, fato
observado em estudo neuroanatômico (RABINOWICZ et alii, 2002). Os mesmos
autores (2002) identificaram que a densidade dos neurônios é maior no sexo
masculino, a quantidade de neurônios é superior em homens, no sexo feminino, o
hemisfério esquerdo, relacionado com a fala, predomina. O hemisfério esquerdo difere
do direito, geralmente o lado esquerdo é maior do que o direito. Parece que essa
superioridade de tamanho do hemisfério esquerdo está relacionada com a função da
fala. Essa assimetria dos hemisférios são as seguintes: o lobo frontal direito é mais
longo e comprido para frente, o lobo occipital esquerdo é mais comprido para trás e
mais largo, a fissura lateral de Sylvius no hemisfério esquerdo é mais na horizontal, a
fissura lateral de Sylvius no hemisfério direito é mais para cima, diferenças
neuroquímicas, o direito atua sob noroepinefrina e o esquerdo por dopamina e outras.
As diferenças dos hemisférios são importantes na função de cada um deles.
Ribeiro (2006) informou que os hemisférios são ligados pelo corpo caloso, um feixe
nervoso na base da fissura longitudinal do córtex, que atua na comunicação entre
ambos. Apesar de serem divididos pela fissura longitudinal, cada hemisfério atua de
maneira contralateral nas ações do indivíduo, ou seja, o hemisfério esquerdo comanda
os movimentos do lado direito, enquanto que o hemisfério direito atua nas ações
dirigidas da região esquerda do ser humano. Nos hemisférios podem ocorrer
diferenças no fluxo sangüíneo, nas ondas eletromagnéticas e no córtex motor numa
ação (MEDENDORP et alii, 2005). Até a imaginação de uma seqüência motora da mão
esquerda pode não ser igual o estímulo magnético cortical, sendo geralmente mais
pronunciado no hemisfério direito (SOHN et alii, 2003). Também foi evidenciado em
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pesquisa que o córtex somatosenssorial primário e o córtex parietal posterior atuam
similares em alguns momentos e diferentes, nas ações e no sono. O estudo dos
hemisférios, a neurociência, ainda é tema a ser desvendado, por este motivo
renomados pesquisadores continuam pesquisando. O próximo capítulo continuará
explanando a diferença hemisférica e a distinção do trabalho dos hemisférios.
3. Hemisfericidade
Hemisfericidade é a dominância de um dos hemisférios para um certo número de
tarefas. A literatura afirma que 75 a 80% da população tem competência bi­
hemisférica, mas geralmente ou o hemisfério esquerdo ou o direito predomina nesse
indivíduo. Enquanto que 20 a 25% dos seres humanos possuem preferência em um
dos hemisférios, ou o esquerdo ou o direito. Torna-se importante conhecer o
hemisfério dominante de uma pessoa para o professor compreender o porquê certos
indivíduos aprendem mais rápido determinadas tarefas ou as desempenham melhor
(PAULA NETO, 2004). O hemisfério esquerdo é dominante na linguagem e possui
habilidade em coordenar a ação complexa. O hemisfério direito tem competência para
visão espacial e é hábil para atividades motrizes. Fairweather & Sidaway (1994)
informaram que atletas com hemisfério esquerdo aprenderam melhor através da
instrução verbal do técnico, enquanto que os competidores com hemisfério direito, o
conteúdo foi absorvido com boa qualidade através da orientação não-verbal. Medeiros
& Da Silva (2003) acrescentaram que o hemisfério esquerdo engramatizou o ensinado
com eficácia quando as tarefas foram analíticas e verbais, já o hemisfério direito,
aprendeu significativamente quando o treino foi holístico e não-verbal. O ensino nãoverbal para o hemisfério direito pode ser transmitido por observação de imagens,
copiando as ações do professor e de um colega etc. Não se pode esquecer que o
hemisfério esquerdo precisa de treino prático, muito eficaz para esses desportistas é o
treino cognitivo no qual o técnico faz perguntas o atleta responde e faz a tarefa
adequada. Geralmente esse procedimento é realizado após uma ação inadequada do
jogador.
Em relação ao aspecto da personalidade, a dominância hemisférica influencia no
processamento cognitivo. Ribeiro (2006) informou que o hemisfério esquerdo atua na
liderança de um grupo quando comparado ao direito, também o indivíduo com
hemisfério esquerdo dominante possui um auto-controle superior ao do bi-hemisférico
e hemisfério direito. Em contra partida, o ser humano com hemisfério esquerdo
preferencial é mais ansioso do que o bi-hemisférico. Mas as pessoas com preferência
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no hemisfério direito são mais independentes e desinibidas do que os com dominância
esquerda no hemisfério (MARQUES, 2004). Porém, o hemisfério direito costuma ser
mais ansioso do que o bi-hemisférico. Quando o bi-hemisférico é comparado com o
direito no auto-controle e liderança de uma equipe, ele se sai melhor. Comparando o
bi-hemisférico com o mono hemisfério de preferência esquerda, na independência,
liderança e ser extrovertido, os primeiros são superiores. Pável (2003) destacou as
competências do hemisfério esquerdo e do hemisfério direito, lembrando que se o
indivíduo for bi-hemisférico, ele possui um lado dominante, esquerdo ou direito. As
principais competências para o hemisfério esquerdo são: processamento da fala, no
pensamento intelectual, racional, verbal e de análise; percepção e processamento
temporal, processamentos analíticos, em especial na produção e compreensão da
linguagem; maior concentração de dopamina no globo pálido esquerdo, acarretando
numa prontidão de ação no comportamento humano; mais adaptado para processar
altas freqüências audiovisuais e extração de conclusões baseando-se na lógica, tudo
seguindo uma ordem lógica. Para o hemisfério direito são: percepção e orientação
espacial; processamento espacial dos aspectos motores; habilidades perceptivas visoespaciais; mais competente no processo viso-motor; conhecimento das coisas através
de uma relação não-verbal; competente na organização do esquema corporal e
melhor performance na realização de tarefas não-verbal relativas a espacialidade.
Para o pesquisador estabelecer o hemisfério dominante do indivíduo, basta
utilizar a teoria do movimento conjugado lateral dos olhos, onde o teste de CLEM foi
elaborado. A ação dos olhos mais para esquerda significa que o indivíduo é hemisfério
direito, mas se a movimentação visual for predominantemente para direita, a pessoa
é hemisfério esquerdo. Caso venha ser bi-hemisfério, os olhos oscilam, sempre um
dos hemisférios tende a predominar, o esquerdo ou o direito. A aplicação do teste de
CLEM é bem simples, rápido e barato (MARQUES et alii, 2006). Inicialmente perguntase o atleta se está sem problemas físicos, emocionais e outros que interfiram na
avaliação. Em seguida é explicado o motivo do teste. O jogador de futsal senta numa
cadeira situada a 2 m de distância de uma cortina de cor escura que possui um orifício
para a lente da filmadora captar a ação dos olhos do atleta. O corpo da câmera e o
tripé ficam atrás da cortina, o mesmo ocorre com o professor e o gravador (Obs.: em
alguns casos é utilizado aparelho de som). Abaixo da lente da filmadora, deverá ser
fixada com durex uma cartolina branca de 5 cm de altura por 10 cm de largura, local
de referência para o desportista direcionar a visão. A última norma do teste é que a
sala da avaliação seja tranqüila. O avaliador deve orientar o atleta que não existem
respostas certas e erradas, alertando para o jogador que a resposta será dada
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mentalmente. As perguntas serão feitas através de uma gravação. Após essas
explicações é acionada a filmadora e logo depois o gravador. Nunca o contrário, o
gravador antes da filmadora, quando o gravador é ligado antes e o professor demora
apertar o botão de início da filmadora, a captação da imagem dos olhos do jogador
não acontece em todas as perguntas, o que torna o teste inválido. As primeiras
perguntas gravadas são para descontrair o avaliado, depois é praticado um bloco de
cinco perguntas analíticas e outro bloco de cinco perguntas espaciais. Entre cada
pergunta há uma pausa de cinco segundos. As perguntas para descontrair são: Qual o
seu nome?, Quantos anos tem?, Qual modalidade pratica? e Qual sua posição?
As perguntas para os problemas analíticos são: a) Tenho 26 balas para dividir
com 2 amigos. Com quantas balas ficará cada um?, b) Em um jogo de futebol, uma
equipe está vencendo por 5 a 2. Quantos gols a equipe que está perdendo deverá
fazer para conseguir empatar o jogo?, c) No céu, havia 18 pipas. Um vento forte levou
3 delas. Quantas pipas continuaram voando no céu?, d) Com 1 (um) real consigo
comprar 5 balas. Quanto custa cada bala? e e) Serão distribuídos 12 picolés entre 3
crianças. Quantos picolés receberá cada criança? As perguntas para os problemas
espaciais são: a) Uma pipa vermelha está voando no céu azul. De repente surge uma
nuvem cinza e esconde a pipa., b) Você está passeando numa floresta e encontra uma
árvore caída. Por onde você passa? Por cima ou por baixo dela?, c) Mentalmente
desenhe devagar um pequeno círculo. Ao finalizar o círculo, desenhe um quadrado e
coloque uma figura dentro da outra. Quando tiver concluído levante suas mãos., d)
Imagine que um animal bem grande e feroz aparece de repente à sua frente e pode
atacá-lo. Construa mentalmente e bem rápido uma barreira capaz de impedir que ele
lhe ataque., e) Você está participando de um jogo de futebol. Você vê que um atleta
adversário vai em direção ao seu gol com a bola dominada. Corra até ele para
interceptá-lo. No término da avaliação há a seguinte gravação: Fim do teste de CLEM!
Muito obrigado!!!
Terminado o teste, o técnico de futsal passa a gravação da filmadora via fio ouro
para a televisão com o intuito de analisar o movimento ocular de cada pergunta pela a
imagem da televisão, sendo marcado no sistema numérico da face do relógio. A figura
a seguir apresenta este scout:
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Figura 7: Scout para coletar as ações dos olhos no teste de CLEM.
Sistema Numérico Face do Relógio
Data: ……………
Nome: …………………………………………………
Idade: ………….
Para o professor estabelecer o hemisfério dominante precisa seguir as seguintes
normas: a) Observar a movimentação dos olhos durante as perguntas; b) Se durante
todo o tempo o atleta fizer desvio ocular para a esquerda nas perguntas analíticas e
espaciais, ele é classificada como hemisfério direito; c) Caso o desportista faça desvio
ocular em todas as perguntas analíticas e espaciais para a direita, ele é considerada
hemisfério esquerdo; d) Para o jogador ser bi-hemisfério, os olhos precisam oscilar de
um lado para o outro, sendo necessário um ou dois desvios para esquerda e para a
direita, em algumas perguntas; e) O bi-hemisfério com tendência no hemisfério direito
precisa possuir em algumas perguntas analíticas e espaciais, ações oculares iguais as
letras d e b, lembrando que para o competidor ser bi-hemisfério, basta que ocorra a
movimentação visual da letra d em uma ou mais questões, mas para ter tendência
direita, os resultados no scout face do relógio precisam aparecer várias vezes essa
movimentação ocular; f) O bi-hemisfério com tendência no hemisfério esquerdo precisa
possuir em algumas perguntas analíticas e espaciais, ações oculares iguais as letras d e
c, lembrando que para o atleta ser bi-hemisfério, basta que ocorra movimentação
visual da letra d em uma ou mais questões, mas para possuir tendência esquerda, os
resultados no scout face do relógio devem apresentar várias vezes essa movimentação
ocular. Depois da análise da movimentação ocular, o professor deve estabelecer o tipo
de hemisfério de preferência passando os valores do scout face do relógio para o scout
que estabelece a hemisfericidade. Neste scout os resultados são quantificados e
determina-se o hemisfério de dominância.
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Tabela 1: Scout para estabelecer a hemisfericidade.
PROBLEMAS ANALÍTICOS
Atletas
1
2
3
4
5
PROBLEMAS ESPACIAIS
1
2
3
4
5
Hemisferici
dade
1
2
Obs.1: Colocar em cada espaço do tipo de problema (analítico e espacial) o hemisério
encontrado no teste CLEM (BHD: bi-hemisfério direito / BHE: bi-hemisfério esquerdo / HD:
hemisfério direito / HE: hemisfério esquerdo) e posteriormente somar para estabelecer o
hemisfério dominante na região hemisfericidade.
Neste capítulo o estudante pôde observar como é fácil utilizar o teste de CLEM e
soube a importância de conhecer hemisfericidade, já que o hemisfério dominante pode
influenciar no aprendizado ou na tática ofensiva do time de iniciados do futsal. Embora
não se possa esquecer que o técnico precisa saber sobre a fundamentação científica do
ataque do futsal, que foi ensinado em diante com o intuito de estruturar as sessões
mais parecidas possível com a disputa (a especificidade) e conseguir identificar por
scout se o atleta está jogando de cabeça erguida.
4. Tática ofensiva do futsal
Desportos de invasão caracterizam-se por uma tática ofensiva que depende da
posse da bola. O aspecto metacognitivo dos atletas é de extrema importância para a
qualidade do ataque porque a tomada de decisão depende dessa variável, resultando
geralmente no chute para o gol. Contudo a qualidade da tomada de decisão está
diretamente ligada com o nível intelectual do atleta em entender o jogo e de um
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treino que obrigue o competidor a raciocinar, o treino cognitivo ou construtivista (é o
mesmo significado, só muda a nomenclatura). Essas sessões costumam ser
compostas pelo jogo ou pelo treino situacional, mas o técnico não dá a resposta em
uma jogada inadequada, ele faz perguntas para o atleta de futebol de salão (futsal)
sobre o motivo do lance errado, induzindo o competidor responder e depois tentar
resolver essa tarefa em uma jogada parecida com a ação recomendada. Essa tomada
de decisão no futsal pode ser treinada no jogo ou com recursos de vídeo o atleta
responde o que fazer da maneira mais eficaz, a metacognição (OLIVEIRA, 2002).
Bianco (2006) acrescentou que a percepção e a antecipação numa jogada tem alta
demanda da metacognição. Araújo (2003) lembrou que além da metacognição, há
outros fatores importantes numa tática ofensiva do futsal, diversos aspectos neurais
estão incluídos na jogada, por exemplo: o sistema límbico, o controle motor, o tipo de
hemisfério predominante (hemisfericidade), o sistema visual e outros como o sistema
cardiovascular e a atuação hormonal. Segundo Tavares & Faria (1996), 75% é gasto
para efetuar a tomada de decisão e 25% é o tempo que o atleta de futsal leva para
executar uma habilidade neuromotora. Mas com a atenção elevada o jogador
desempenha a tática ofensiva com mais rapidez (FONTANI et alii, 1999). Geralmente
as ações de ataque mais adequadas são dos desportistas mais experientes e bem
psicologicamente. Essas atividades bem realizadas na tática ofensiva não estão só
relacionadas com o tempo de treino, um fator importante é a inteligência de jogo ou
pensamento tático (FRENCH et alii, 1996). É mostrado em pesquisa que equipes de
futsal ou de outros desportos coletivos com alto nível do pensamento tático são
melhores qualificadas nas competições (GRECO et alii, 1998). A inteligência tática só
se desenvolve bem no educando do futsal a partir do período operacional formal, 12
anos em diante. Nesse momento o jovem domina o pensamento abstrato que facilita
a tomada de decisão, que depende muito da atenção. No educando do período
operacional concreto a concentração não ocorre com qualidade. Ele se distrai com
facilidade, talvez porque os neurônios não estejam todos mielinizados o que provoca
um impulso nervoso mais lento.
A visão periférica é responsável pela qualidade da jogada, assim o atleta é
orientado a jogar de cabeça erguida, ou seja, no plano de Frankfurt para exercitar
este componente (visão periférica) com maestria na tática ofensiva. Toda atividade do
futsal necessita da visão periférica e na idade de iniciação, 10 a 12 anos ou pouco
mais, os atletas já dispõem do padrão visual de adulto. Fato que não ocorre aos 9
anos ou menos idade, a visão é menos apurada para acompanhar a trajetória de um
objeto, o que ocasiona significativa limitação para iniciação desportiva desses
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menores. Então, a qualidade visual afeta na tomada de decisão, no tipo de ataque do
futsal e outras ações ofensivas desse desporto (GRÉHAIGNE et alii, 2001). Tavares
(1991) informou que conforme o desporto ou posição do atleta na equipe, esse
competidor tem um estímulo visual diferente para efetuar com velocidade a tomada
de decisão. Segundo Fairweather & Sidaway (1994),
conforme o hemisfério
dominante em processar a tarefa mental, a tática ofensiva apresentará um tipo de
qualidade
específica. O hemisfério com supremacia esquerda é mais apto para
atividades analíticas, o direto tem mais competência para trabalhos motrizes. Concluise que nos desportistas o hemisfério com dominância direita é o ideal. Outro fator que
pode influenciar o ataque do time, muito estudado em artigos que abordam a tática, é
a memória declarativa e não-declarativa (SOUZA et alii, 2000). A memória declarativa
é usada no dia-a-dia, serve para lembrar de fatos e eventos. A memória nãodeclarativa divide-se em vários grupos, o de maior interesse é a memória de
procedimento, atuante nas habilidades, hábitos e comportamentos. A memória de
procedimento resultante da experiência e a memória declarativa é adquirida pelo
esforço consciente. Greco (2006) informou que a memória declarativa atua no “o que
fazer” (tática) e a memória de procedimento no “como fazer” (técnica). Garganta
(2002) afirmou que o nível competitivo do atleta influi na qualidade da memória
declarativa e da memória de procedimento. Contudo, além da memória, a visão
periférica influi decisivamente na tática ofensiva de qualidade (RINK et alii, 1996).
Principalmente porque, o ataque conseguir desorganizar a defesa, depende da
imprevisibilidade, a fim de que o modelo de jogo ofensivo cause supremacia sobre os
beques do oponente. O modelo de jogo do ataque é uma regra pré-estabelecida, que
é alterada por uma situação problema, a fim do sistema ofensivo conseguir efetuar a
jogada com qualidade (BENTES, 2004). No futsal, a tática ofensiva é construída pela
condução da bola, drible, finta, passe e recebimento do passe. Sendo um ciclo que é
interrompido com a perda da bola ou com a finalização, geralmente um chute, mas as
vezes ocorre a cabeçada. Neste jogo, atletas da linha e até do gol podem atuar no
esquema ofensivo, observado no modelo de jogo, a tática. Conclui-se que a tática
ofensiva do futsal é uma atividade coreográfica, dependendo da ludicidade e da
inteligência de jogo dos futebolistas. Apesar da tática atuar como fator decisório no
jogo, ela é pouca pesquisada devido a sua dificuldade de investigação (MAIA, 2000).
Atualmente o estudo da tática ocorre pela análise do jogo de uma equipe (CUNHA et
alii, 2001). O estudo qualitativo da tática é de capital importância para o rendimento
dos jogos desportivos coletivos, neste caso a tática ofensiva do futsal masculino.
Porém Silva (2006) lembrou que a análise do jogo, a tática, é mais proveitosa quando
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abrange os aspectos quantitativo e qualitativo. O treinador compreende a alta
quantidade de chutes de sua equipe porque as jogadas ofensivas vem sendo bem
organizadas a partir do meio-campo (qualitativo). Então, o scout da tática ofensiva do
futsal precisa fundamentar-se no número de ações de ataque, associado a conceitos
espaciais onde os lances começam e terminam, mas com uma classificação qualitativa
em relação à jogada, boa, ruim e outras. Na realidade, o que a análise do jogo tenta
responder para o treinador são quatro questões (GARGANTA, 2001): 1) Quem realizou
a jogada (quantitativo)?, 2) Como (ex. lançamento) e de que tipo (ex. boa ou ruim) é
praticada a ação tática (quantitativo e qualitativo)?, 3) Onde foi praticada a ação
tática (ex. do meio-campo para o ataque com perfeição) (quantitativo e qualitativo)?,
4) Quando é efetuado a atividade tática (ex. no momento que a defesa está adiantada
e tendo excelente lançamento) (quantitativo e qualitativo)?
Mas como realizar uma análise quantitativa e qualitativa do ataque do futsal
masculino? Como identificar que o atleta está fazendo uso da visão periférica? Será
que a visão periférica otimiza o ataque? Logo é interessante demarcar o local que
iniciou, foi construída e desenvolvida e foi concluída a jogada de ataque. Sugere-se
que as ações táticas no futsal sejam estudadas em quatro quartos (1° quarto: 0 a
10`, 2° quarto: 11 a 20`, 3° quarto: 21 a 30` e 4° quarto: 31 a 40`) (DIAS &
SANTANA, 2006) para que o treinador identifique melhor a otimização e decréscimo
nesses períodos, realizando uma análise mais criteriosa. Após o estudo dos quatro
quartos, recomenda-se a pesquisa dos valores do primeiro e segundo tempo em
separado, por último, a investigação de todos os dados ofensivos da partida para o
técnico possuir um panorama tático do ocorrido. O estudo tático das partes leva a
investigação do todo. Indica-se a análise do grau da tática ofensiva e do grau da visão
periférica no ataque. O grau é a pontuação sobre a qualidade da seqüência ofensiva e
o número de vezes desse acontecido, a quantidade. Atualmente, é possível realizar a
análise do jogo pela informática (BARROS et alii, 2002), mas este recurso tecnológico
é oneroso. A literatura nacional (CORRÊA et alii, 2004) e internacional (ANDERSEN et
alii, 2004) aceitam de bom grado apesar de ser uma atividade que exige tempo e
destreza do investigador (TAVARES & VICENTE, 1991), o scout que é um equipamento
confiável (MOUTINHO, 1991). Isto foi confirmado por Oslin et alii (1998) que
encontraram no scout proposto para o futebol uma correlação (r) de 0,84 na tomada
de decisão, um r de 0,97 na execução técnica e um r de 0,86 no auxílio do jogador ao
companheiro que está com a bola. O r é alto em dois momentos e excelente em uma
vez nesse scout. Entretanto, Tavares (2006) lembrou que o equipamento de ponta e o
scout possuem limitações, que são: a) a coleta de dados apresenta apenas o que o
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competidor realizou na jogada, mas não indica o que deveria fazer e a ação que não
fez; b) a análise é no jogador que está com a bola, esquecendo de estudar o que os
demais fazem para o sucesso e insucesso da jogada realizada; c) não é possível
observar todo um time, prejudicando também a averiguação do oponente; d) o
estudo do jogo não determina o aspecto psicológico, a influência da torcida, a
motivação em vencer a partida, as lideranças dentro do grupo e outros fatores que
influenciam na disputa, mas que não sejam ações táticas da equipe; e) só é avaliada
uma equipe, sem observar ao mesmo tempo a atuação do adversário; f) não
consegue predizer o comportamento individual e coletivo do time no decorrer da
partida, não podendo evitar a imprevisibilidade das ações do oponente e não
conseguindo dizer se a equipe se adaptou a mudança tática do adversário e outros.
Pode-se acrescentar outras limitações: g) não observa se a metacognição e o
condicionamento físico influenciam no jogo; h) não tem capacidade de identificar o
quanto o clima quente ou frio prejudica o desempenho na competição e i) não pode
estabelecer se a mudança de campo (jogar fora de casa) no aspecto espacial
prejudica os atletas na partida. E o mesmo autor português (2006) conclui:
Por conseguinte, as informações obtidas por observação podem apresentar
vários riscos. Por isso, os treinadores devem ter cuidado para que as suas
observações não sejam supervalorizadas. Com a mesma cautela devem ser
analisadas as estatísticas de jogo. Elas incidem sobre um número restrito de
observações e não deve, em caso algum, tornar-se o único critério para mudar
as opções de jogo. Orientar uma equipe unicamente com base em dados
estatísticos seria a pior das coisas (p. 63).
Baseado no aspecto quantitativo e qualitativo de análise do jogo, na relevância
que o scout possui na literatura internacional, apesar das suas limitações, indica-se o
scout para análise do jogo, em especial da tática ofensiva do futsal de iniciados do
sexo masculino. Marques Junior (2008) indicou o seguinte scout:
Figura 8: Scout do futsal para análise ofensiva.
SCOUT PARA IDENTIFICAR A TÁTICA OFENSIVA DO FUTSAL
Defesa
Meio-campo Defensivo
Meio-campo Ofensivo
Ataque
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Colocar no Campo: as Abreviações Ofensivas no Campo / o Grau da Jogada
INÍCIO OFENSIVO -
CONSTRUÇÃO e DESENVOLVIMENTO
IO
OFENSIVO - CDO Tiro de Meta
Lateral
FINALIZAÇÃO - F - TM /
-
LA
/
Condução da Bola – C / Passe – P / Drible – Chute Fora - ChF / Chute pert
DR / Lançamento – L
ChG / Lançamento – L / Drible - DR / Passe – P /
Condução da Bola – C /
Desarme – D / Falta
Intervenção do Oponente – Iop / Lateral –
Chute tirado pela defes
LA / Córner – Cor / Chute defendido pelo gole
Falta Indireta – FI / Jogada Ensaiada – JE
goleiro /
Indireta – FI
Gol de chute – G / Gol d
Outros:
Outros:
GC
Outros:
Grau e Classificação da Jogada de Ataque (fazer no IO, na CDO e na F): 0 muito fraco / 1 fraco / 2 médio / 3
bom / 4 excelente
Onde teve a Visão Periférica com o seu respectivo Grau e Classificação
Descrição da Ação
Gra
Classifica
u
ção
Joga olhando para a bola.
0
Muito fraco
Joga olhando para a bola e num
1
Fraco
determinado
momento
ergue
IO
a
CDO
F
cabeça, mas não faz o fundamento com precisão. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678
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Joga olhando para a bola e num
determinado
momento
ergue
2
Médio
3
Bom
4
Excelente
a
cabeça, fazendo o fundamento com
precisão.
Joga
de
cabeça
inconstante
na
erguida,
mas
precisão
é
do
fundamento. Embora faça a jogada
melhor do que a classificação médio.
Joga de cabeça erguida, fazendo o
fundamento com precisão.
No futsal a maioria dos gols ocorre no final do jogo, 2º tempo, entre 31 a 40
minutos (DIAS & SANTANA, 2006). O mesmo estudo demonstrou que o segundo
momento com mais gols é no final do 1º tempo, entre 11 a 20 minutos. Esse fato
corrobora as informações das referências, por causa da fadiga e devido ao decréscimo
do glicogênio muscular, geralmente é o período onde os gols são mais freqüentes,
final da primeira e segunda etapa (DA SILVA, 2006), o mesmo acontece no futebol de
campo. Logo é possível concluir que a fadiga dos atletas causa este fato. Mas, é bom
lembrar que, conforme se desenvolve o jogo, o oponente tende acostumar-se com o
sistema tático defensivo, podendo ser este outro motivo da maior ocorrência de gols
no fim do primeiro e segundo tempo. Impõe que se estude o assunto e seja verificada
se é apenas a fadiga, a única variável responsável pelos tentos no término da primeira
e segunda etapa. Segundo Amaral & Garganta (2005) a maior parte dos sucessos
ofensivos no futsal ocorrem no meio-campo ofensivo e no ataque. Geralmente a
atividade de ataque mais utilizada é a condução da bola, visando ultrapassar o
defensor. Isto pode indicar que a situação 1 contra 1 (1x1) é corriqueira no jogo.
Acontecem mais chutes no ataque e no meio–campo ofensivo, devido à proximidade
do gol, confirmando a afirmativa das pesquisas, que as situações ofensivas de 1x0 são
raras nesse desporto. O chute é a ação mais comum de finalizar os ataques do futsal.
Há variante como a cabeçada, com a coxa e outros. Essas jogadas de ataque
costumam ser em alta velocidade ou através de lances inesperados, como na
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cobrança do córner direto para o gol. O remate com êxito para o gol ou próximo da
baliza possui uma seqüência de quatro ou menos passes (HUGHES & FRANKS, 2005)
e/ou poucos toques de condução da bola do chutador. Na medida em que o número
de passes e condução da bola aumentam o ataque torna-se menos eficaz, diminui o
efeito surpresa, há dificuldade em desequilibrar a estrutura defensiva, prejudicando o
chute. Nesse mesmo raciocínio, Marques Junior (2004) afirmou que o ataque é mais
eficaz se a troca de passes for em alta velocidade, não permitindo que o adversário
posicione a sua defesa em condições ótimas. A precisão do passe é fundamental à sua
eficácia. Os vencedores da partida costumam ser as equipes que tem a posse de bola
por mais tempo (LAGOS OLIVO, 2002) e os que chutam mais para a meta. Contudo, é
bom lembrar que o tipo de marcação do oponente (individual, toda quadra, meiaquadra, por zona, losango e quadrado) pode influenciar no início ofensivo, na
construção e desenvolvimento ofensivo e na finalização da tática de ataque. Agora
que aprendeu sobre a tática ofensiva e análise do jogo, leia o próximo capítulo para
estruturar definitivamente o treino da visão periférica.
5. Sessão para prescrever o treino da visão periférica
O treino situacional consiste em o técnico decompor o jogo de futebol de salão
(futsal) em uma ou mais partes para trabalhar um momento específico da partida
simulando uma disputa oficial. Por exemplo, o treinador que quer otimizar o ataque a
partir do meio-campo ofensivo utilizando o treino situacional, pode elaborar uma
sessão de ataque com dois atacantes que orientados a fazer diversos passes entre si,
dribles e outros, para vencer a marcação de dois jogadores e depois finalizar para o
gol. O objetivo do treino situacional do futsal é a melhora do ataque, assim o foco de
atenção do técnico é a qualidade ofensiva, mas, ao mesmo tempo, os defensores e o
goleiro são treinados. Uma das vantagens dessa tarefa é a alta motivação que esse
trabalho ocasiona, o atleta vivencia uma parte do jogo e torna fácil o técnico corrigir
os erros, tem um aspecto econômico essa atividade porque em um treino é exercitado
ataque e defesa, e o aprendizado e/ou o aperfeiçoamento da tarefa proposta
acontece. O número de atletas participantes no treino situacional é variado, importa
que o professor converta as situações que deseja exercitar em um momento do jogo,
ele pode treinar um jogador contra um goleiro (1x1), um atleta de linha versus um
jogador e um arqueiro (1x1x1) e outras variações. Conforme o número de atletas no
treino situacional pode-se exercitar a tática individual, a tática em grupo (ações entre
dois ou três jogadores) e a tática coletiva (ações simultâneas entre três ou mais
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atletas). Garganta (1998) revelou que o trabalho tático do treino situacional exige
muito da memória declarativa e da memória de procedimento, capacitando o atleta a
resolver a situação-problema e segundo Freire Silva & Rose Junior (2005), esta sessão
permite ao jogador a analisar o erro no momento da partida através de considerações
técnicas e táticas com explicação precisa do treinador ou com raciocínio do desportista
pelo treino cognitivo. A concisão e a calma devem predominar nas preleções do
técnico aos seus atletas quanto às deficiências dos mesmos, sendo ideal um número
de informações moderadas. A instrução sóbria é benéfica porque não interfere na
tomada de decisão do desportista e permite uma engramatização do que é pedido.
Sugere-se o reforço positivo do treinador para a jogada adequada do treino
situacional, a fim de proporcionar aumento na motivação do atleta e maior empenho
na sessão. É importante no treino situacional que a tarefa prescrita faça parte do
modelo de jogo da equipe e a averiguação a posteriori se ocorreu a transferência da
atividade exercitada para o modelo de jogo da equipe durante a partida. Monge da
Silva (1988) informou que os desportos coletivos, no seu trabalho com bola,
pertencem ao grupo dos não mensuráveis, há uma carga subjetiva na elaboração da
sessão. É a complexidade dos exercícios do treino situacional que determina se o
trabalho da sessão é forte ou médio ou fraco. José Mourinho, técnico de futebol
profissional do Chelsea da Inglaterra, acrescenta que a intensidade desse tipo de
trabalho é definida pela concentração do atleta ao realizar os exercícios com bola no
treino situacional (Oliveira et alii, 2006). Estar concentrado (também conhecido como
concentração de decisão ou concentração tática) significa que o jogador realizará as
tarefas propostas com atenção e empenho. Quando decresce a concentração,
geralmente a fadiga central já está instalada. Daí a importância das pausas no treino
situacional, esses intervalos devem ter durações variadas de alguns segundos a
muitos minutos, como ocorre no jogo de futsal (Oliveira, 2003). Em relação ao volume
da sessão situacional, é difícil estabelecer quantas vezes deve-se fazer a tarefa. Mas
com a prática, o treinador percebe o valor adequado para cada exercício do treino
situacional. Costuma-se determinar o volume adequado de um tipo de treino
situacional quando a tarefa vem sendo bem feita e com máxima concentração. A
queda da qualidade das ações com bola (técnica e/ou tática) e da concentração
acusam um volume excessivo dessa atividade. É importante a inclusão dos tipos de
prática do aprendizado neuromotor no treino situacional. A prática em bloco é a
prescrição repetida de uma determinada tarefa, com baixa interferência contextual. Já
a prática aleatória é a realização de uma tarefa com um foco de treino e outras
atividades no mesmo bloco de tentativas, que acarreta alta interferência contextual.
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Entende-se como interferência contextual a intervenção de outras tarefas no foco do
treino. Por exemplos, o objetivo do treino é o chute. Então o tipo de prática atua da
seguinte maneira nessa sessão: na prática aleatória treina-se o chute e outras
tarefas, interferência no foco do treino, ocorrendo um esforço maior da memória em
reter a tarefa, enquanto que a prática em bloco, acontece a repetição do fundamento
na mesma seqüência, só depois o desportista passa para outra tarefa. Não
proporciona nenhuma interferência de uma atividade sobre outra. O treinamento de
aprendizagem deve-se iniciar com a prática em bloco que permite rápida aquisição.
Depois as sessões precisam ser ministradas pela prática aleatória que ocasiona
melhor retenção na memória do conteúdo desportivo. Após esse ocorrido, retenção
neuromotora desportiva, o treinador precisa continuar a aperfeiçoar essa tarefa e
outras para ter um time de futsal de excelência. Indica-se a mesma metodologia, a
inclusão das práticas do aprendizado neuromotor no aperfeiçoamento bio-operacional
competitivo dos atletas.
Conhecendo como se estrutura o treino situacional, o treinador deve saber que
essa metodologia de treino não otimiza sozinho o treino da visão periférica, ou seja,
jogar de cabeça erguida para possuir um melhor campo visual na execução das
jogadas de ataque. Para tal tarefa ocorrer, necessitam-se exercícios educativos, que
podem ser realizados no treino técnico, quando o atleta só realiza apenas o
fundamento (ex.: somente treinar a condução da bola), atento à biomecânica
desportiva, esquecido do jogo. Atividade que possui diversas nomenclaturas como:
treino fragmentado, treino técnico, método analítico-sintético, misto (tendo o treino
técnico numa parte da tarefa e depois o treino situacional) e outros. Conclui-se que o
treino situacional necessita da ajuda do treino técnico para a tarefa do treino da visão
periférica surtir efeito no modelo de jogo. A observação do efeito do treino da visão
periférica no modelo de jogo pode ser constatado na qualidade da seqüência ofensiva
dos fundamentos nas questões técnicas e táticas. Jogar de cabeça erguida talvez
resulte numa maior intensidade de trabalho da visão. A questão possibilita a formular
a hipótese que este maior trabalho visual ocasione uma diminuição do atraso
(aumenta a velocidade) do movimento sacádico dos olhos em perceber e acompanhar
um objeto. Será que o aumento da ação sacádica dos olhos otimiza a tomada de
decisão no ataque do futsal? Apesar do retardo do movimento sacádico, ele tem esse
nome porque efetua uma atividade balística rápida, numa sacada veloz permitindo
que a visão fique nítida.
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Conclusão
O treino da visão periférica para o professor estruturar para os jovens do futsal
ao profissional precisa que o educador físico saiba um pouco como funciona o olho e o
sistema visual central, ter um embasamento sobre hemisfério e hemisfericidade,
saber sobre o ataque do futsal e como identificar por scout se o jogador está atuando
de cabeça erguida e estar informado sobre os tipos de treino que podem ser prescritos
para o aprendizado e aperfeiçoamento desta sessão. Contudo, ainda são necessárias
mais pesquisas para comprovar a eficácia dessa sessão, somente o estudo de
Marques Junior (2008) evidenciou sobre esse treino. Espera-se que este trabalho de
revisão ajude os treinadores a prescrever o treino da visão periférica.
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Data de recebimento: 1408/08
Data de aceite: 02/09/08
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