161 ARTIGO ________________________________________________________ Conteúdo básico para estruturar o treino da visão periférica no futebol de salão Nelson Kautzner Marques Junior Mestrando em Ciência da Motricidade Humana pela UCB do RJ – Linha de pesquisa: Estudos dos Mecanismos e Processos de Aquisição de Condutas Motoras Resumo Objetivo da revisão foi de apresentar o conteúdo básico para o professor estruturar o treino da visão periférica (TVP) para os jogadores de futsal. Esta obra foi dividida em cinco capítulos para melhor compreensão sobre esse tema. Os capítulos foram os seguintes: visão, hemisfério, hemisfericidade, tática ofensiva e sessão para prescrever o TVP. Em conclusão, espera-se que esta revisão facilite os técnicos do futsal em estruturar o TVP. Palavras-chave: Visão; treino; futebol de Salão; visão periférica. Abstract The objective of the review was of show the basic content for the coach elaborate the training of the peripheral vision (TPV) for the indoor soccer players. The review has five themes for good comprehension. The themes are: vision, hemisphere, dominant hemisphere, attack tactics and season for prescribe the TPV. In conclusion, the review had content for indoor soccer coach elaborate the TPV. Key-words: Vision; training, indoor soccer; peripheral vision. Introdução Os primeiros registros sobre o treino do futebol que educa o atleta a jogar de cabeça erguida para ter ênfase na visão periférica que é própria para tarefas espaciais são remotos na literatura do futebol e similares (GUSKIEWICZ et alii, 2002; ZHONGFAN et alii, 2002). Um dos poucos históricos foi contado no programa Pontapé Inicial da ESPN em novembro de 2006. Por volta do fim dos anos 50 e início da época de 60, o técnico do Canto do Rio Football Club, da cidade de Niterói, Rio de Janeiro, orientava os aprendizes do futebol a jogar de cabeça erguida. Através desses ensinamentos apareceu um dos maiores armadores do futebol mundial que fez parte da equipe titular da Copa de 70. Em 1999, Pinto & Araújo denominaram essa sessão que educa o futebolista a atuar de cabeça erguida de treino da visão periférica. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 162 Contudo, o embasamento científico sobre essa sessão não é visto em referências do futebol e similares (FORD et alii, 2006; SMITH & CHAMBERLIN, 1992). Nem foram encontradas investigações originais afirmando que atuar de cabeça erguida melhora a participação do atleta na partida (BANGSBO, 1994; DRUST et alii, 2000). Entretanto, em recente dissertação de mestrado Marques Junior (2008) mostrou como ensinar o treino da visão periférica e foi evidenciado que atuar no jogo dessa maneira, ênfase na visão periférica, otimiza o ataque do futebol de salão (futsal). Mas qual conteúdo do treino do futsal o técnico deve estar embasado para estruturar essa sessão? As evidências científicas apenas informaram que a fixação visual aumenta a precisão em acertar a bola no alvo (HARLE & VICKERS, 2001), pode-se treinar a visão (WOOD & ABERNETHY, 1997), a adequada visão otimiza o tempo de reação (SPARROW et alii, 2006), conforme a experiência do atleta no desporto a visão é mais apurada (REINA et alii, 2007) e outros. Apesar das diversas pesquisas informarem sobre a visão, o conteúdo científico que é necessário para o professor estruturar o treino da visão periférica não é encontrado, mas essa revisão tem o intuito de amenizar esse problema. Portanto, o objetivo dessa revisão foi de apresentar o conteúdo básico para o professor estruturar o treino da visão periférica para os jogadores de futsal. Conteúdo do treino da visão periférica O conteúdo básico para estruturar o treino da visão periférica foi dividido em cinco seções para o leitor ter uma melhor compreensão. As seções foram organizadas da seguinte maneira: 1. Olho e sistema visual central, 2. hemisfério, 3. hemisfericidade, 4. tática ofensiva do futsal e 5. Sessão para prescrever o treino da visão periférica. Agora siga adiante para entender este treinamento. 1. Olho e sistema visual central A área 7, localizada no lobo parietal, é responsável pela visão. Formando com a área 5 da audição, o córtex parietal posterior, que também trata da atenção, da integração sensorial e visual (JENMALM et alii, 2000). Os componentes da visão, para funcionarem com qualidade, dependem da integração sensorial (CRAWFORD et alii, 2004). E a performance de qualquer modalidade depende dos olhos e do sistema visual central. Por esse motivo torna-se importante estudar essas estruturas para compreender o treino da visão periférica. O olho atua como uma câmara fotográfica Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 163 que focaliza a imagem por causa da retina, onde é convertida em impulso nervoso, que é encaminhado pelo nervo óptico para o encéfalo (GUYTON, 1988). A precisão visual na identificação do objeto, que é encaminhado para os dois hemisférios, depende de uma estrutura anatômica. Essa estrutura foi ensinada por Jacob et alii (1990): Anatomia Externa: a) Cavidade Orbitária: Região de gordura que acomoda o bulbo ocular, com forma de cone, sendo constituída por osso, para proteger o olho. b) Músculos Extrínsecos do Olho: Atuam na ligação do bulbo ocular à cavidade orbitária, são seis músculos responsáveis pela rotação e o suporte. Os músculos extrínsecos são compostos pelo reto superior, reto inferior, reto lateral, reto medial, oblíquo superior e oblíquo inferior. c) Pálpebras: Têm a função de proteger o olho da poeira, do impacto e de uma forte luz. São auxiliadas pelos cílios na proteção ocular, precisamente contra a poeira. As pálpebras são simplesmente, uma cortina móvel, situadas na região anterior do bulbo ocular. No canto lateral das pálpebras fica o carúncula lacrimal, de cor vermelha, com glândulas sebáceas e poucos pêlos. Nas extremidades das pálpebras é observada uma substância oleosa que é secretada pelas glândulas tarsais da placa tarsal, localizadas na extremidade livre de cada pálpebra. d) Membrana Conjuntiva: Cada pálpebra é coberta pela camada fina da membrana conjuntiva, com função protetora. e) Aparelho Lacrimal: Libera a lágrima que limpa e lubrifica os olhos. Anatomia Interna: a) Bulbo Ocular: Composto por três camadas, a externa, a média e a interna. Na camada externa localizam-se a esclera que atua na proteção e é fibrosa, e a transparente córnea que age como superfície refratora. A região média é constituída pela coróide, corpo ciliar e íris. A coróide é vascularizada e pigmentada. Esta pigmentação impede que a luz produza reflexo interno. Já o corpo ciliar, que é uma continuação da coróide, fabrica o humor aquoso, que enche as câmaras dos olhos. A íris, a região da cor dos olhos, situada na parte anterior do cristalino e posterior da córnea, tem a função de regular a quantidade de luz para o bulbo ocular. As fibras circulares da íris diminuem a pupila se a luz for abundante e na visão de perto, mas na pouca luz ou nenhuma, a íris aumenta a pupila através das fibras radiais. Essas fibras radiais também dilatam a pupila se a visão for distante. Na parte interna encontra-se a retina que atua na mudança da onda luminosa em impulso nervoso. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 164 b) Humor Aquoso: Atua como nutriente para a lente e a córnea, liberado pelos processos ciliares e absorvido pelo seio da esclera para o sistema venoso. c) Lente: Fica posterior à íris, aumentando na visão próxima e diminuindo na visão distante, com trabalho de focalizar os raios luminosos. Os mesmos autores (1990) mostraram na figura um a anatomia externa e interna do olho: Figura 1: Anatomia externa (A) e interna (B) do olho. A B A formação da imagem pelo olho é fascinante, e extremamente difícil de ser compreendido pelo estudante. Mas Bear et alii (2002) explicaram que esse acontecimento de forma concisa e clara: a íris e a pupila regulam a quantidade de luz que é absorvida, em seguida a córnea pratica uma refração na luz absorvida, ou seja, os raios de luz se curvam para se compactarem, proporcionando uma menor distância focal. Veja a figura dois: Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 165 Figura 2: Refração da córnea. Continuando a fisiologia do olho na visão, no cristalino a imagem torna-se mais nítida, a acomodação. A próxima etapa da luz é chegar na retina, que forma melhor a imagem através dos fotorreceptores. A imagem é encaminhada para o encéfalo, no sistema visual central. Ver esses componentes na figura três: Figura 3: Cristalino, retina e outros. A luz que passa pela retina é convertida em impulso nervoso no nervo óptico para a quiasma óptico e chegando no tracto óptico. Este percurso é denominado de projeção retinofugal. Os nervos ópticos e os tractos ópticos são dois, um para esquerda e outro para direita. Sendo que o nervo óptico esquerdo conduz o impulso nervoso pela quiasma óptico via tracto óptico direito, já o nervo óptico direito, encaminha o impulso nervoso para a quiasma óptico e em seguida este estímulo desemboca no tracto óptico esquerdo. Ambos componentes anatômicos são apresentados na figura quatro: Figura 4: Nervo óptico e tracto óptico ilustrado. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 166 Este fenômeno comprova que a visão é cruzada, fato que, também, ocorre no controle motor (DeSOUZA et alii, 2003). Continuando a explicar o sistema visual central, do tracto óptico, o estímulo nervoso passa pelo núcleo geniculado lateral (NGL) (NOWAK et alii, 1999), indo em direção ao córtex visual primário ou V1, onde ocorre a visão consciente (READ & CUMMING, 2005). Esse caminho da NGL para o córtex visual primário é denominado de radiação óptica. A figura cinco ilustra as explicações: Figura 5: O caminho da percepção visual consciente. O V1 que se situa no lobo occipital (área 17), a primeira área visual cortical a receber o impulso nervoso do NGL. O V1 encaminha a informação para V2 e V3. Estas regiões da área visual secundária, V2 e V3, possuem funções diferentes. A primeira, V2, atua na visão de profundidade, e a V3, encaminha o estímulo nervoso para V4 e V5, ambas também pertencem à área visual secundária. A área V4 está associada à identificação da cor, enquanto que V5 ou MT (área medial temporal) está relacionada com a identificação da mudança da ação de um objeto pelo campo visual, informam a direção, ajudam na análise (NERI et alii, 2004). A área medial superior temporal (MST) recebe eferência cortical da área V5, tendo função de navegação (noção dos objetos passarem por nós em diversas direções e velocidades), orientação do movimento dos olhos (habilidade de sentir e analisar o movimento com os olhos) e percepção do movimento (interpretação dos objetos em movimento). A área V1, V2 e V3 pertencem ao feixe antecipado, a área V4 e IT (lobo temporal inferior) são do feixe ventral e a área MT e MST são propriedades do feixe dorsal. A área IT recebe o impulso nervoso da V4, atuando na percepção e memória visual. Sendo a última região do encéfalo a participar da visão. Após a informação passar pelo IT ela se dirige para outras áreas ventrais, enquanto que na MST o estímulo é encaminhado para diferentes áreas, cuja atuação no olho e/ou no sistema visual central, a ciência ainda não conseguiu explicar. A figura seis mostra todas as áreas corticais atuantes na visão: Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 167 Figura 6: O encéfalo com suas áreas visuais. Anteriormente foi explicado que a visão é comandada contralateralmente pelo encéfalo, ou seja, o hemisfério esquerdo comanda o olho direito, enquanto que o hemisfério direito, a visão esquerda. Logo o tema do capítulo 2 foi hemisfério. 2. Hemisfério O hemisfério de homens e mulheres possuem diferenças marcantes, fato observado em estudo neuroanatômico (RABINOWICZ et alii, 2002). Os mesmos autores (2002) identificaram que a densidade dos neurônios é maior no sexo masculino, a quantidade de neurônios é superior em homens, no sexo feminino, o hemisfério esquerdo, relacionado com a fala, predomina. O hemisfério esquerdo difere do direito, geralmente o lado esquerdo é maior do que o direito. Parece que essa superioridade de tamanho do hemisfério esquerdo está relacionada com a função da fala. Essa assimetria dos hemisférios são as seguintes: o lobo frontal direito é mais longo e comprido para frente, o lobo occipital esquerdo é mais comprido para trás e mais largo, a fissura lateral de Sylvius no hemisfério esquerdo é mais na horizontal, a fissura lateral de Sylvius no hemisfério direito é mais para cima, diferenças neuroquímicas, o direito atua sob noroepinefrina e o esquerdo por dopamina e outras. As diferenças dos hemisférios são importantes na função de cada um deles. Ribeiro (2006) informou que os hemisférios são ligados pelo corpo caloso, um feixe nervoso na base da fissura longitudinal do córtex, que atua na comunicação entre ambos. Apesar de serem divididos pela fissura longitudinal, cada hemisfério atua de maneira contralateral nas ações do indivíduo, ou seja, o hemisfério esquerdo comanda os movimentos do lado direito, enquanto que o hemisfério direito atua nas ações dirigidas da região esquerda do ser humano. Nos hemisférios podem ocorrer diferenças no fluxo sangüíneo, nas ondas eletromagnéticas e no córtex motor numa ação (MEDENDORP et alii, 2005). Até a imaginação de uma seqüência motora da mão esquerda pode não ser igual o estímulo magnético cortical, sendo geralmente mais pronunciado no hemisfério direito (SOHN et alii, 2003). Também foi evidenciado em Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 168 pesquisa que o córtex somatosenssorial primário e o córtex parietal posterior atuam similares em alguns momentos e diferentes, nas ações e no sono. O estudo dos hemisférios, a neurociência, ainda é tema a ser desvendado, por este motivo renomados pesquisadores continuam pesquisando. O próximo capítulo continuará explanando a diferença hemisférica e a distinção do trabalho dos hemisférios. 3. Hemisfericidade Hemisfericidade é a dominância de um dos hemisférios para um certo número de tarefas. A literatura afirma que 75 a 80% da população tem competência bi hemisférica, mas geralmente ou o hemisfério esquerdo ou o direito predomina nesse indivíduo. Enquanto que 20 a 25% dos seres humanos possuem preferência em um dos hemisférios, ou o esquerdo ou o direito. Torna-se importante conhecer o hemisfério dominante de uma pessoa para o professor compreender o porquê certos indivíduos aprendem mais rápido determinadas tarefas ou as desempenham melhor (PAULA NETO, 2004). O hemisfério esquerdo é dominante na linguagem e possui habilidade em coordenar a ação complexa. O hemisfério direito tem competência para visão espacial e é hábil para atividades motrizes. Fairweather & Sidaway (1994) informaram que atletas com hemisfério esquerdo aprenderam melhor através da instrução verbal do técnico, enquanto que os competidores com hemisfério direito, o conteúdo foi absorvido com boa qualidade através da orientação não-verbal. Medeiros & Da Silva (2003) acrescentaram que o hemisfério esquerdo engramatizou o ensinado com eficácia quando as tarefas foram analíticas e verbais, já o hemisfério direito, aprendeu significativamente quando o treino foi holístico e não-verbal. O ensino nãoverbal para o hemisfério direito pode ser transmitido por observação de imagens, copiando as ações do professor e de um colega etc. Não se pode esquecer que o hemisfério esquerdo precisa de treino prático, muito eficaz para esses desportistas é o treino cognitivo no qual o técnico faz perguntas o atleta responde e faz a tarefa adequada. Geralmente esse procedimento é realizado após uma ação inadequada do jogador. Em relação ao aspecto da personalidade, a dominância hemisférica influencia no processamento cognitivo. Ribeiro (2006) informou que o hemisfério esquerdo atua na liderança de um grupo quando comparado ao direito, também o indivíduo com hemisfério esquerdo dominante possui um auto-controle superior ao do bi-hemisférico e hemisfério direito. Em contra partida, o ser humano com hemisfério esquerdo preferencial é mais ansioso do que o bi-hemisférico. Mas as pessoas com preferência Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 169 no hemisfério direito são mais independentes e desinibidas do que os com dominância esquerda no hemisfério (MARQUES, 2004). Porém, o hemisfério direito costuma ser mais ansioso do que o bi-hemisférico. Quando o bi-hemisférico é comparado com o direito no auto-controle e liderança de uma equipe, ele se sai melhor. Comparando o bi-hemisférico com o mono hemisfério de preferência esquerda, na independência, liderança e ser extrovertido, os primeiros são superiores. Pável (2003) destacou as competências do hemisfério esquerdo e do hemisfério direito, lembrando que se o indivíduo for bi-hemisférico, ele possui um lado dominante, esquerdo ou direito. As principais competências para o hemisfério esquerdo são: processamento da fala, no pensamento intelectual, racional, verbal e de análise; percepção e processamento temporal, processamentos analíticos, em especial na produção e compreensão da linguagem; maior concentração de dopamina no globo pálido esquerdo, acarretando numa prontidão de ação no comportamento humano; mais adaptado para processar altas freqüências audiovisuais e extração de conclusões baseando-se na lógica, tudo seguindo uma ordem lógica. Para o hemisfério direito são: percepção e orientação espacial; processamento espacial dos aspectos motores; habilidades perceptivas visoespaciais; mais competente no processo viso-motor; conhecimento das coisas através de uma relação não-verbal; competente na organização do esquema corporal e melhor performance na realização de tarefas não-verbal relativas a espacialidade. Para o pesquisador estabelecer o hemisfério dominante do indivíduo, basta utilizar a teoria do movimento conjugado lateral dos olhos, onde o teste de CLEM foi elaborado. A ação dos olhos mais para esquerda significa que o indivíduo é hemisfério direito, mas se a movimentação visual for predominantemente para direita, a pessoa é hemisfério esquerdo. Caso venha ser bi-hemisfério, os olhos oscilam, sempre um dos hemisférios tende a predominar, o esquerdo ou o direito. A aplicação do teste de CLEM é bem simples, rápido e barato (MARQUES et alii, 2006). Inicialmente perguntase o atleta se está sem problemas físicos, emocionais e outros que interfiram na avaliação. Em seguida é explicado o motivo do teste. O jogador de futsal senta numa cadeira situada a 2 m de distância de uma cortina de cor escura que possui um orifício para a lente da filmadora captar a ação dos olhos do atleta. O corpo da câmera e o tripé ficam atrás da cortina, o mesmo ocorre com o professor e o gravador (Obs.: em alguns casos é utilizado aparelho de som). Abaixo da lente da filmadora, deverá ser fixada com durex uma cartolina branca de 5 cm de altura por 10 cm de largura, local de referência para o desportista direcionar a visão. A última norma do teste é que a sala da avaliação seja tranqüila. O avaliador deve orientar o atleta que não existem respostas certas e erradas, alertando para o jogador que a resposta será dada Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 170 mentalmente. As perguntas serão feitas através de uma gravação. Após essas explicações é acionada a filmadora e logo depois o gravador. Nunca o contrário, o gravador antes da filmadora, quando o gravador é ligado antes e o professor demora apertar o botão de início da filmadora, a captação da imagem dos olhos do jogador não acontece em todas as perguntas, o que torna o teste inválido. As primeiras perguntas gravadas são para descontrair o avaliado, depois é praticado um bloco de cinco perguntas analíticas e outro bloco de cinco perguntas espaciais. Entre cada pergunta há uma pausa de cinco segundos. As perguntas para descontrair são: Qual o seu nome?, Quantos anos tem?, Qual modalidade pratica? e Qual sua posição? As perguntas para os problemas analíticos são: a) Tenho 26 balas para dividir com 2 amigos. Com quantas balas ficará cada um?, b) Em um jogo de futebol, uma equipe está vencendo por 5 a 2. Quantos gols a equipe que está perdendo deverá fazer para conseguir empatar o jogo?, c) No céu, havia 18 pipas. Um vento forte levou 3 delas. Quantas pipas continuaram voando no céu?, d) Com 1 (um) real consigo comprar 5 balas. Quanto custa cada bala? e e) Serão distribuídos 12 picolés entre 3 crianças. Quantos picolés receberá cada criança? As perguntas para os problemas espaciais são: a) Uma pipa vermelha está voando no céu azul. De repente surge uma nuvem cinza e esconde a pipa., b) Você está passeando numa floresta e encontra uma árvore caída. Por onde você passa? Por cima ou por baixo dela?, c) Mentalmente desenhe devagar um pequeno círculo. Ao finalizar o círculo, desenhe um quadrado e coloque uma figura dentro da outra. Quando tiver concluído levante suas mãos., d) Imagine que um animal bem grande e feroz aparece de repente à sua frente e pode atacá-lo. Construa mentalmente e bem rápido uma barreira capaz de impedir que ele lhe ataque., e) Você está participando de um jogo de futebol. Você vê que um atleta adversário vai em direção ao seu gol com a bola dominada. Corra até ele para interceptá-lo. No término da avaliação há a seguinte gravação: Fim do teste de CLEM! Muito obrigado!!! Terminado o teste, o técnico de futsal passa a gravação da filmadora via fio ouro para a televisão com o intuito de analisar o movimento ocular de cada pergunta pela a imagem da televisão, sendo marcado no sistema numérico da face do relógio. A figura a seguir apresenta este scout: Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 171 Figura 7: Scout para coletar as ações dos olhos no teste de CLEM. Sistema Numérico Face do Relógio Data: …………… Nome: ………………………………………………… Idade: …………. Para o professor estabelecer o hemisfério dominante precisa seguir as seguintes normas: a) Observar a movimentação dos olhos durante as perguntas; b) Se durante todo o tempo o atleta fizer desvio ocular para a esquerda nas perguntas analíticas e espaciais, ele é classificada como hemisfério direito; c) Caso o desportista faça desvio ocular em todas as perguntas analíticas e espaciais para a direita, ele é considerada hemisfério esquerdo; d) Para o jogador ser bi-hemisfério, os olhos precisam oscilar de um lado para o outro, sendo necessário um ou dois desvios para esquerda e para a direita, em algumas perguntas; e) O bi-hemisfério com tendência no hemisfério direito precisa possuir em algumas perguntas analíticas e espaciais, ações oculares iguais as letras d e b, lembrando que para o competidor ser bi-hemisfério, basta que ocorra a movimentação visual da letra d em uma ou mais questões, mas para ter tendência direita, os resultados no scout face do relógio precisam aparecer várias vezes essa movimentação ocular; f) O bi-hemisfério com tendência no hemisfério esquerdo precisa possuir em algumas perguntas analíticas e espaciais, ações oculares iguais as letras d e c, lembrando que para o atleta ser bi-hemisfério, basta que ocorra movimentação visual da letra d em uma ou mais questões, mas para possuir tendência esquerda, os resultados no scout face do relógio devem apresentar várias vezes essa movimentação ocular. Depois da análise da movimentação ocular, o professor deve estabelecer o tipo de hemisfério de preferência passando os valores do scout face do relógio para o scout que estabelece a hemisfericidade. Neste scout os resultados são quantificados e determina-se o hemisfério de dominância. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 172 Tabela 1: Scout para estabelecer a hemisfericidade. PROBLEMAS ANALÍTICOS Atletas 1 2 3 4 5 PROBLEMAS ESPACIAIS 1 2 3 4 5 Hemisferici dade 1 2 Obs.1: Colocar em cada espaço do tipo de problema (analítico e espacial) o hemisério encontrado no teste CLEM (BHD: bi-hemisfério direito / BHE: bi-hemisfério esquerdo / HD: hemisfério direito / HE: hemisfério esquerdo) e posteriormente somar para estabelecer o hemisfério dominante na região hemisfericidade. Neste capítulo o estudante pôde observar como é fácil utilizar o teste de CLEM e soube a importância de conhecer hemisfericidade, já que o hemisfério dominante pode influenciar no aprendizado ou na tática ofensiva do time de iniciados do futsal. Embora não se possa esquecer que o técnico precisa saber sobre a fundamentação científica do ataque do futsal, que foi ensinado em diante com o intuito de estruturar as sessões mais parecidas possível com a disputa (a especificidade) e conseguir identificar por scout se o atleta está jogando de cabeça erguida. 4. Tática ofensiva do futsal Desportos de invasão caracterizam-se por uma tática ofensiva que depende da posse da bola. O aspecto metacognitivo dos atletas é de extrema importância para a qualidade do ataque porque a tomada de decisão depende dessa variável, resultando geralmente no chute para o gol. Contudo a qualidade da tomada de decisão está diretamente ligada com o nível intelectual do atleta em entender o jogo e de um Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 173 treino que obrigue o competidor a raciocinar, o treino cognitivo ou construtivista (é o mesmo significado, só muda a nomenclatura). Essas sessões costumam ser compostas pelo jogo ou pelo treino situacional, mas o técnico não dá a resposta em uma jogada inadequada, ele faz perguntas para o atleta de futebol de salão (futsal) sobre o motivo do lance errado, induzindo o competidor responder e depois tentar resolver essa tarefa em uma jogada parecida com a ação recomendada. Essa tomada de decisão no futsal pode ser treinada no jogo ou com recursos de vídeo o atleta responde o que fazer da maneira mais eficaz, a metacognição (OLIVEIRA, 2002). Bianco (2006) acrescentou que a percepção e a antecipação numa jogada tem alta demanda da metacognição. Araújo (2003) lembrou que além da metacognição, há outros fatores importantes numa tática ofensiva do futsal, diversos aspectos neurais estão incluídos na jogada, por exemplo: o sistema límbico, o controle motor, o tipo de hemisfério predominante (hemisfericidade), o sistema visual e outros como o sistema cardiovascular e a atuação hormonal. Segundo Tavares & Faria (1996), 75% é gasto para efetuar a tomada de decisão e 25% é o tempo que o atleta de futsal leva para executar uma habilidade neuromotora. Mas com a atenção elevada o jogador desempenha a tática ofensiva com mais rapidez (FONTANI et alii, 1999). Geralmente as ações de ataque mais adequadas são dos desportistas mais experientes e bem psicologicamente. Essas atividades bem realizadas na tática ofensiva não estão só relacionadas com o tempo de treino, um fator importante é a inteligência de jogo ou pensamento tático (FRENCH et alii, 1996). É mostrado em pesquisa que equipes de futsal ou de outros desportos coletivos com alto nível do pensamento tático são melhores qualificadas nas competições (GRECO et alii, 1998). A inteligência tática só se desenvolve bem no educando do futsal a partir do período operacional formal, 12 anos em diante. Nesse momento o jovem domina o pensamento abstrato que facilita a tomada de decisão, que depende muito da atenção. No educando do período operacional concreto a concentração não ocorre com qualidade. Ele se distrai com facilidade, talvez porque os neurônios não estejam todos mielinizados o que provoca um impulso nervoso mais lento. A visão periférica é responsável pela qualidade da jogada, assim o atleta é orientado a jogar de cabeça erguida, ou seja, no plano de Frankfurt para exercitar este componente (visão periférica) com maestria na tática ofensiva. Toda atividade do futsal necessita da visão periférica e na idade de iniciação, 10 a 12 anos ou pouco mais, os atletas já dispõem do padrão visual de adulto. Fato que não ocorre aos 9 anos ou menos idade, a visão é menos apurada para acompanhar a trajetória de um objeto, o que ocasiona significativa limitação para iniciação desportiva desses Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 174 menores. Então, a qualidade visual afeta na tomada de decisão, no tipo de ataque do futsal e outras ações ofensivas desse desporto (GRÉHAIGNE et alii, 2001). Tavares (1991) informou que conforme o desporto ou posição do atleta na equipe, esse competidor tem um estímulo visual diferente para efetuar com velocidade a tomada de decisão. Segundo Fairweather & Sidaway (1994), conforme o hemisfério dominante em processar a tarefa mental, a tática ofensiva apresentará um tipo de qualidade específica. O hemisfério com supremacia esquerda é mais apto para atividades analíticas, o direto tem mais competência para trabalhos motrizes. Concluise que nos desportistas o hemisfério com dominância direita é o ideal. Outro fator que pode influenciar o ataque do time, muito estudado em artigos que abordam a tática, é a memória declarativa e não-declarativa (SOUZA et alii, 2000). A memória declarativa é usada no dia-a-dia, serve para lembrar de fatos e eventos. A memória nãodeclarativa divide-se em vários grupos, o de maior interesse é a memória de procedimento, atuante nas habilidades, hábitos e comportamentos. A memória de procedimento resultante da experiência e a memória declarativa é adquirida pelo esforço consciente. Greco (2006) informou que a memória declarativa atua no “o que fazer” (tática) e a memória de procedimento no “como fazer” (técnica). Garganta (2002) afirmou que o nível competitivo do atleta influi na qualidade da memória declarativa e da memória de procedimento. Contudo, além da memória, a visão periférica influi decisivamente na tática ofensiva de qualidade (RINK et alii, 1996). Principalmente porque, o ataque conseguir desorganizar a defesa, depende da imprevisibilidade, a fim de que o modelo de jogo ofensivo cause supremacia sobre os beques do oponente. O modelo de jogo do ataque é uma regra pré-estabelecida, que é alterada por uma situação problema, a fim do sistema ofensivo conseguir efetuar a jogada com qualidade (BENTES, 2004). No futsal, a tática ofensiva é construída pela condução da bola, drible, finta, passe e recebimento do passe. Sendo um ciclo que é interrompido com a perda da bola ou com a finalização, geralmente um chute, mas as vezes ocorre a cabeçada. Neste jogo, atletas da linha e até do gol podem atuar no esquema ofensivo, observado no modelo de jogo, a tática. Conclui-se que a tática ofensiva do futsal é uma atividade coreográfica, dependendo da ludicidade e da inteligência de jogo dos futebolistas. Apesar da tática atuar como fator decisório no jogo, ela é pouca pesquisada devido a sua dificuldade de investigação (MAIA, 2000). Atualmente o estudo da tática ocorre pela análise do jogo de uma equipe (CUNHA et alii, 2001). O estudo qualitativo da tática é de capital importância para o rendimento dos jogos desportivos coletivos, neste caso a tática ofensiva do futsal masculino. Porém Silva (2006) lembrou que a análise do jogo, a tática, é mais proveitosa quando Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 175 abrange os aspectos quantitativo e qualitativo. O treinador compreende a alta quantidade de chutes de sua equipe porque as jogadas ofensivas vem sendo bem organizadas a partir do meio-campo (qualitativo). Então, o scout da tática ofensiva do futsal precisa fundamentar-se no número de ações de ataque, associado a conceitos espaciais onde os lances começam e terminam, mas com uma classificação qualitativa em relação à jogada, boa, ruim e outras. Na realidade, o que a análise do jogo tenta responder para o treinador são quatro questões (GARGANTA, 2001): 1) Quem realizou a jogada (quantitativo)?, 2) Como (ex. lançamento) e de que tipo (ex. boa ou ruim) é praticada a ação tática (quantitativo e qualitativo)?, 3) Onde foi praticada a ação tática (ex. do meio-campo para o ataque com perfeição) (quantitativo e qualitativo)?, 4) Quando é efetuado a atividade tática (ex. no momento que a defesa está adiantada e tendo excelente lançamento) (quantitativo e qualitativo)? Mas como realizar uma análise quantitativa e qualitativa do ataque do futsal masculino? Como identificar que o atleta está fazendo uso da visão periférica? Será que a visão periférica otimiza o ataque? Logo é interessante demarcar o local que iniciou, foi construída e desenvolvida e foi concluída a jogada de ataque. Sugere-se que as ações táticas no futsal sejam estudadas em quatro quartos (1° quarto: 0 a 10`, 2° quarto: 11 a 20`, 3° quarto: 21 a 30` e 4° quarto: 31 a 40`) (DIAS & SANTANA, 2006) para que o treinador identifique melhor a otimização e decréscimo nesses períodos, realizando uma análise mais criteriosa. Após o estudo dos quatro quartos, recomenda-se a pesquisa dos valores do primeiro e segundo tempo em separado, por último, a investigação de todos os dados ofensivos da partida para o técnico possuir um panorama tático do ocorrido. O estudo tático das partes leva a investigação do todo. Indica-se a análise do grau da tática ofensiva e do grau da visão periférica no ataque. O grau é a pontuação sobre a qualidade da seqüência ofensiva e o número de vezes desse acontecido, a quantidade. Atualmente, é possível realizar a análise do jogo pela informática (BARROS et alii, 2002), mas este recurso tecnológico é oneroso. A literatura nacional (CORRÊA et alii, 2004) e internacional (ANDERSEN et alii, 2004) aceitam de bom grado apesar de ser uma atividade que exige tempo e destreza do investigador (TAVARES & VICENTE, 1991), o scout que é um equipamento confiável (MOUTINHO, 1991). Isto foi confirmado por Oslin et alii (1998) que encontraram no scout proposto para o futebol uma correlação (r) de 0,84 na tomada de decisão, um r de 0,97 na execução técnica e um r de 0,86 no auxílio do jogador ao companheiro que está com a bola. O r é alto em dois momentos e excelente em uma vez nesse scout. Entretanto, Tavares (2006) lembrou que o equipamento de ponta e o scout possuem limitações, que são: a) a coleta de dados apresenta apenas o que o Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 176 competidor realizou na jogada, mas não indica o que deveria fazer e a ação que não fez; b) a análise é no jogador que está com a bola, esquecendo de estudar o que os demais fazem para o sucesso e insucesso da jogada realizada; c) não é possível observar todo um time, prejudicando também a averiguação do oponente; d) o estudo do jogo não determina o aspecto psicológico, a influência da torcida, a motivação em vencer a partida, as lideranças dentro do grupo e outros fatores que influenciam na disputa, mas que não sejam ações táticas da equipe; e) só é avaliada uma equipe, sem observar ao mesmo tempo a atuação do adversário; f) não consegue predizer o comportamento individual e coletivo do time no decorrer da partida, não podendo evitar a imprevisibilidade das ações do oponente e não conseguindo dizer se a equipe se adaptou a mudança tática do adversário e outros. Pode-se acrescentar outras limitações: g) não observa se a metacognição e o condicionamento físico influenciam no jogo; h) não tem capacidade de identificar o quanto o clima quente ou frio prejudica o desempenho na competição e i) não pode estabelecer se a mudança de campo (jogar fora de casa) no aspecto espacial prejudica os atletas na partida. E o mesmo autor português (2006) conclui: Por conseguinte, as informações obtidas por observação podem apresentar vários riscos. Por isso, os treinadores devem ter cuidado para que as suas observações não sejam supervalorizadas. Com a mesma cautela devem ser analisadas as estatísticas de jogo. Elas incidem sobre um número restrito de observações e não deve, em caso algum, tornar-se o único critério para mudar as opções de jogo. Orientar uma equipe unicamente com base em dados estatísticos seria a pior das coisas (p. 63). Baseado no aspecto quantitativo e qualitativo de análise do jogo, na relevância que o scout possui na literatura internacional, apesar das suas limitações, indica-se o scout para análise do jogo, em especial da tática ofensiva do futsal de iniciados do sexo masculino. Marques Junior (2008) indicou o seguinte scout: Figura 8: Scout do futsal para análise ofensiva. SCOUT PARA IDENTIFICAR A TÁTICA OFENSIVA DO FUTSAL Defesa Meio-campo Defensivo Meio-campo Ofensivo Ataque Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 177 Colocar no Campo: as Abreviações Ofensivas no Campo / o Grau da Jogada INÍCIO OFENSIVO - CONSTRUÇÃO e DESENVOLVIMENTO IO OFENSIVO - CDO Tiro de Meta Lateral FINALIZAÇÃO - F - TM / - LA / Condução da Bola – C / Passe – P / Drible – Chute Fora - ChF / Chute pert DR / Lançamento – L ChG / Lançamento – L / Drible - DR / Passe – P / Condução da Bola – C / Desarme – D / Falta Intervenção do Oponente – Iop / Lateral – Chute tirado pela defes LA / Córner – Cor / Chute defendido pelo gole Falta Indireta – FI / Jogada Ensaiada – JE goleiro / Indireta – FI Gol de chute – G / Gol d Outros: Outros: GC Outros: Grau e Classificação da Jogada de Ataque (fazer no IO, na CDO e na F): 0 muito fraco / 1 fraco / 2 médio / 3 bom / 4 excelente Onde teve a Visão Periférica com o seu respectivo Grau e Classificação Descrição da Ação Gra Classifica u ção Joga olhando para a bola. 0 Muito fraco Joga olhando para a bola e num 1 Fraco determinado momento ergue IO a CDO F cabeça, mas não faz o fundamento com precisão. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 178 Joga olhando para a bola e num determinado momento ergue 2 Médio 3 Bom 4 Excelente a cabeça, fazendo o fundamento com precisão. Joga de cabeça inconstante na erguida, mas precisão é do fundamento. Embora faça a jogada melhor do que a classificação médio. Joga de cabeça erguida, fazendo o fundamento com precisão. No futsal a maioria dos gols ocorre no final do jogo, 2º tempo, entre 31 a 40 minutos (DIAS & SANTANA, 2006). O mesmo estudo demonstrou que o segundo momento com mais gols é no final do 1º tempo, entre 11 a 20 minutos. Esse fato corrobora as informações das referências, por causa da fadiga e devido ao decréscimo do glicogênio muscular, geralmente é o período onde os gols são mais freqüentes, final da primeira e segunda etapa (DA SILVA, 2006), o mesmo acontece no futebol de campo. Logo é possível concluir que a fadiga dos atletas causa este fato. Mas, é bom lembrar que, conforme se desenvolve o jogo, o oponente tende acostumar-se com o sistema tático defensivo, podendo ser este outro motivo da maior ocorrência de gols no fim do primeiro e segundo tempo. Impõe que se estude o assunto e seja verificada se é apenas a fadiga, a única variável responsável pelos tentos no término da primeira e segunda etapa. Segundo Amaral & Garganta (2005) a maior parte dos sucessos ofensivos no futsal ocorrem no meio-campo ofensivo e no ataque. Geralmente a atividade de ataque mais utilizada é a condução da bola, visando ultrapassar o defensor. Isto pode indicar que a situação 1 contra 1 (1x1) é corriqueira no jogo. Acontecem mais chutes no ataque e no meio–campo ofensivo, devido à proximidade do gol, confirmando a afirmativa das pesquisas, que as situações ofensivas de 1x0 são raras nesse desporto. O chute é a ação mais comum de finalizar os ataques do futsal. Há variante como a cabeçada, com a coxa e outros. Essas jogadas de ataque costumam ser em alta velocidade ou através de lances inesperados, como na Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 179 cobrança do córner direto para o gol. O remate com êxito para o gol ou próximo da baliza possui uma seqüência de quatro ou menos passes (HUGHES & FRANKS, 2005) e/ou poucos toques de condução da bola do chutador. Na medida em que o número de passes e condução da bola aumentam o ataque torna-se menos eficaz, diminui o efeito surpresa, há dificuldade em desequilibrar a estrutura defensiva, prejudicando o chute. Nesse mesmo raciocínio, Marques Junior (2004) afirmou que o ataque é mais eficaz se a troca de passes for em alta velocidade, não permitindo que o adversário posicione a sua defesa em condições ótimas. A precisão do passe é fundamental à sua eficácia. Os vencedores da partida costumam ser as equipes que tem a posse de bola por mais tempo (LAGOS OLIVO, 2002) e os que chutam mais para a meta. Contudo, é bom lembrar que o tipo de marcação do oponente (individual, toda quadra, meiaquadra, por zona, losango e quadrado) pode influenciar no início ofensivo, na construção e desenvolvimento ofensivo e na finalização da tática de ataque. Agora que aprendeu sobre a tática ofensiva e análise do jogo, leia o próximo capítulo para estruturar definitivamente o treino da visão periférica. 5. Sessão para prescrever o treino da visão periférica O treino situacional consiste em o técnico decompor o jogo de futebol de salão (futsal) em uma ou mais partes para trabalhar um momento específico da partida simulando uma disputa oficial. Por exemplo, o treinador que quer otimizar o ataque a partir do meio-campo ofensivo utilizando o treino situacional, pode elaborar uma sessão de ataque com dois atacantes que orientados a fazer diversos passes entre si, dribles e outros, para vencer a marcação de dois jogadores e depois finalizar para o gol. O objetivo do treino situacional do futsal é a melhora do ataque, assim o foco de atenção do técnico é a qualidade ofensiva, mas, ao mesmo tempo, os defensores e o goleiro são treinados. Uma das vantagens dessa tarefa é a alta motivação que esse trabalho ocasiona, o atleta vivencia uma parte do jogo e torna fácil o técnico corrigir os erros, tem um aspecto econômico essa atividade porque em um treino é exercitado ataque e defesa, e o aprendizado e/ou o aperfeiçoamento da tarefa proposta acontece. O número de atletas participantes no treino situacional é variado, importa que o professor converta as situações que deseja exercitar em um momento do jogo, ele pode treinar um jogador contra um goleiro (1x1), um atleta de linha versus um jogador e um arqueiro (1x1x1) e outras variações. Conforme o número de atletas no treino situacional pode-se exercitar a tática individual, a tática em grupo (ações entre dois ou três jogadores) e a tática coletiva (ações simultâneas entre três ou mais Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 180 atletas). Garganta (1998) revelou que o trabalho tático do treino situacional exige muito da memória declarativa e da memória de procedimento, capacitando o atleta a resolver a situação-problema e segundo Freire Silva & Rose Junior (2005), esta sessão permite ao jogador a analisar o erro no momento da partida através de considerações técnicas e táticas com explicação precisa do treinador ou com raciocínio do desportista pelo treino cognitivo. A concisão e a calma devem predominar nas preleções do técnico aos seus atletas quanto às deficiências dos mesmos, sendo ideal um número de informações moderadas. A instrução sóbria é benéfica porque não interfere na tomada de decisão do desportista e permite uma engramatização do que é pedido. Sugere-se o reforço positivo do treinador para a jogada adequada do treino situacional, a fim de proporcionar aumento na motivação do atleta e maior empenho na sessão. É importante no treino situacional que a tarefa prescrita faça parte do modelo de jogo da equipe e a averiguação a posteriori se ocorreu a transferência da atividade exercitada para o modelo de jogo da equipe durante a partida. Monge da Silva (1988) informou que os desportos coletivos, no seu trabalho com bola, pertencem ao grupo dos não mensuráveis, há uma carga subjetiva na elaboração da sessão. É a complexidade dos exercícios do treino situacional que determina se o trabalho da sessão é forte ou médio ou fraco. José Mourinho, técnico de futebol profissional do Chelsea da Inglaterra, acrescenta que a intensidade desse tipo de trabalho é definida pela concentração do atleta ao realizar os exercícios com bola no treino situacional (Oliveira et alii, 2006). Estar concentrado (também conhecido como concentração de decisão ou concentração tática) significa que o jogador realizará as tarefas propostas com atenção e empenho. Quando decresce a concentração, geralmente a fadiga central já está instalada. Daí a importância das pausas no treino situacional, esses intervalos devem ter durações variadas de alguns segundos a muitos minutos, como ocorre no jogo de futsal (Oliveira, 2003). Em relação ao volume da sessão situacional, é difícil estabelecer quantas vezes deve-se fazer a tarefa. Mas com a prática, o treinador percebe o valor adequado para cada exercício do treino situacional. Costuma-se determinar o volume adequado de um tipo de treino situacional quando a tarefa vem sendo bem feita e com máxima concentração. A queda da qualidade das ações com bola (técnica e/ou tática) e da concentração acusam um volume excessivo dessa atividade. É importante a inclusão dos tipos de prática do aprendizado neuromotor no treino situacional. A prática em bloco é a prescrição repetida de uma determinada tarefa, com baixa interferência contextual. Já a prática aleatória é a realização de uma tarefa com um foco de treino e outras atividades no mesmo bloco de tentativas, que acarreta alta interferência contextual. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 181 Entende-se como interferência contextual a intervenção de outras tarefas no foco do treino. Por exemplos, o objetivo do treino é o chute. Então o tipo de prática atua da seguinte maneira nessa sessão: na prática aleatória treina-se o chute e outras tarefas, interferência no foco do treino, ocorrendo um esforço maior da memória em reter a tarefa, enquanto que a prática em bloco, acontece a repetição do fundamento na mesma seqüência, só depois o desportista passa para outra tarefa. Não proporciona nenhuma interferência de uma atividade sobre outra. O treinamento de aprendizagem deve-se iniciar com a prática em bloco que permite rápida aquisição. Depois as sessões precisam ser ministradas pela prática aleatória que ocasiona melhor retenção na memória do conteúdo desportivo. Após esse ocorrido, retenção neuromotora desportiva, o treinador precisa continuar a aperfeiçoar essa tarefa e outras para ter um time de futsal de excelência. Indica-se a mesma metodologia, a inclusão das práticas do aprendizado neuromotor no aperfeiçoamento bio-operacional competitivo dos atletas. Conhecendo como se estrutura o treino situacional, o treinador deve saber que essa metodologia de treino não otimiza sozinho o treino da visão periférica, ou seja, jogar de cabeça erguida para possuir um melhor campo visual na execução das jogadas de ataque. Para tal tarefa ocorrer, necessitam-se exercícios educativos, que podem ser realizados no treino técnico, quando o atleta só realiza apenas o fundamento (ex.: somente treinar a condução da bola), atento à biomecânica desportiva, esquecido do jogo. Atividade que possui diversas nomenclaturas como: treino fragmentado, treino técnico, método analítico-sintético, misto (tendo o treino técnico numa parte da tarefa e depois o treino situacional) e outros. Conclui-se que o treino situacional necessita da ajuda do treino técnico para a tarefa do treino da visão periférica surtir efeito no modelo de jogo. A observação do efeito do treino da visão periférica no modelo de jogo pode ser constatado na qualidade da seqüência ofensiva dos fundamentos nas questões técnicas e táticas. Jogar de cabeça erguida talvez resulte numa maior intensidade de trabalho da visão. A questão possibilita a formular a hipótese que este maior trabalho visual ocasione uma diminuição do atraso (aumenta a velocidade) do movimento sacádico dos olhos em perceber e acompanhar um objeto. Será que o aumento da ação sacádica dos olhos otimiza a tomada de decisão no ataque do futsal? Apesar do retardo do movimento sacádico, ele tem esse nome porque efetua uma atividade balística rápida, numa sacada veloz permitindo que a visão fique nítida. Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 9, n. 13, Jul./Dez. 2008– ISSN 1679-8678 182 Conclusão O treino da visão periférica para o professor estruturar para os jovens do futsal ao profissional precisa que o educador físico saiba um pouco como funciona o olho e o sistema visual central, ter um embasamento sobre hemisfério e hemisfericidade, saber sobre o ataque do futsal e como identificar por scout se o jogador está atuando de cabeça erguida e estar informado sobre os tipos de treino que podem ser prescritos para o aprendizado e aperfeiçoamento desta sessão. Contudo, ainda são necessárias mais pesquisas para comprovar a eficácia dessa sessão, somente o estudo de Marques Junior (2008) evidenciou sobre esse treino. Espera-se que este trabalho de revisão ajude os treinadores a prescrever o treino da visão periférica. Referências AMARAL, R; GARGANTA, J. A modelação do jogo em futsal. Análise seqüencial do 1x1 no processo ofensivo. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 3, n. 5, p. 298-310, 2005. ANDERSEN, T. E.; TENGA, A.; ENGEBRETSEN, L.; BAHR, R. Video analysis of injuries and incidents in Norwegian professional football. British Journal of Sports Medicine, v. 38, n. 5, p. 626-631, 2004. ARAÚJO, D. A auto-organização da ação tática. Comentário a Costa, Garganta, Fonseca e Botelho (2002). Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 3, n. 3, p. 87-93, 2003. BANGSBO, J. Energy demands in competitive soccer. Journal of Sports Sciences, v. 12, p. 5-12, 1994. BARROS, R. M. L.; et al. Sistema para anotação de ações de jogadores de futebol. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 10, n. 2, p. 7-14, abr. 2002. BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. 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