UFRRJ INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA DISSERTAÇÃO Monitoramento de bactérias de importância para a saúde pública em méis produzidos e comercializados no Estado do Rio de janeiro e investigação dos pontos críticos da produção apícola Bruno Oliveira de Carvalho 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA Monitoramento de bactérias de importância para a saúde pública em méis comercializados no Estado do Rio de janeiro e investigação dos pontos críticos da produção apícola Bruno Oliveira de Carvalho Sob a Orientação da Professora Dra. Maria Cristina Affonso Lorenzon Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências, no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Área de Concentração em Produção Animal Seropédica, RJ maio de 2011 Xxxxx xxxx Carvalho, Bruno Oliveira Monitoramento de bactérias de importância para a saúde pública em méis comercializados no Estado do Rio de janeiro e investigação dos pontos críticos da produção apícola / Bruno Oliveira de Carvalho. 2011. xxf. : grafs., tabs. Orientadora: Maria Cristina Affonso Lorenzon. Dissertação – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto Zootecnia. Bibliografia: f. xxxx. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA – PRODUÇÃO ANIMAL BRUNO OLIVEIRA DE CARVALHO Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Ciências, no Programa de PósGraduação em Zootecnia, área de Concentração em Produção Animal. DISSERTAÇÃO APROVADA EM / Maria Cristina Affonso Lorenzon Dra. UFRRJ (Orientadora) Shana de Mattos de Oliveira Coelho Dra. UFRRJ (Co-Orientadora) Irene da Silva Coelho Dra. UFRRJ Lidiane de Castro Soares Dra. USS/RJ Ingrid Annes Pereira Dra. FioCruz/RJ /2011. AGRADECIMENTOS RESUMO GERAL CARVALHO, Bruno Oliveira. Monitoramento de bactérias de importância para a saúde pública em méis comercializados no Estado do Rio de janeiro e investigação dos pontos críticos da produção apícola. 2011. xxp Dissertação (Mestrado em Zootecnia). Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2011. O mel é o principal produto da apicultura brasileira. Bactérias formadoras de esporos são de importância na qualidade do mel, uma vez que, permanecem viáveis no alimento durante longos períodos. A legislação brasileira atualmente não determina padrões bacteriológicos para o mel comercializado, permitindo assim que alimentos contaminados com bactérias de importância para a saúde pública sejam liberados para consumo. O objetivo do estudo foi caracterizar o mel circulante no mercado do estado do Rio de Janeiro, identificar a procedência, verificar se há a presença de um selo de inspeção nesses méis e verificar se a presença de selo de inspeção indica segurança para a saúde do consumidor. Foram analisadas 205 amostras de méis comercializadas no estado do Rio de Janeiro, sendo 173 produzidas no estado do Rio de Janeiro e 32 em outros estados. Foram realizados dois estudos. O primeiro comparou o percentual das amostras com contaminação detectável, o grau de contaminação, as diferentes espécies bacterianas isoladas e presença de Coliformes Totais, Salmonella spp. e Bacillus cereus entre as amostras produzidas no estado do Rio de janeiro com as produzidas em outros estados da Federação, alem de verificar se a presença de selo de inspeção denota qualidade bacteriológica para as amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro. O segundo estudo comparou o percentual de amostras contaminadas, o grau de contaminação, a presença de Bacillus cereus e a utilização de selo de inspeção nas amostras provenientes de municípios endêmicos e livres da Cria Ensacada Brasileira (CEB) no estado do Rio de janeiro. O primeiro estudo mostrou que o percentual de amostras contaminadas não diferiu muito em relação à procedência. 44% das amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro e 41% das amostras produzidas em outros estados apresentaram contaminação bacteriana. Porém, o grau de contaminação das amostras produzidas no estado do rio de janeiro se mostrou superior (20,355x102 UFC.g-1) comparado aos outros estados (3,385x102 UFC.g-1). B. cereus foi encontrado em 12% das amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro e 31% das amostras produzidas nos outros estados. Nenhuma amostra apresentou contaminação por Salmonella spp. e 3% do total de amostras comercializadas no estado do Rio de Janeiro encontravam-se contaminadas por Coliformes Totais. O segundo estudo mostrou que tanto o percentual de amostras contaminadas, quanto o grau de contaminação das amostras provenientes de municípios endêmicos para CEB eram superiores em relação as amostras proveniente de municípios livres da enfermidade. A presença de B. cereus não diferiu muito entre as regiões, pois 10% das amostras provenientes de municipos endêmicos para a CEB e 12% das amostras de municípios livres, foram positivas. A presença de selo de inspeção foi baixa em ambas regiões, 88% das amostras provenientes de municípios endêmicos para a CEB e 81% das amostras provenientes de municípios livres da enfermidade não apresentavam selo de inspeção. Palavras-chave: Bactérias. Qualidade do Mel. Selo de Inspeção. ABSTRACT CARVALHO, Bruno Oliveira. Monitoring of bacteria of importance to public health in honeys sold in the state of Rio de Janeiro and research of critical points of beekeeping. 2011. XXP Dissertation (Master in Zoology). Institute of Animal cience, Federal Rural University of Rio de Janeiro, Seropédica, 2011. Honey is the main product of beekeeping in Brazil. Spore-forming bacteria are important in the quality of honey, since, in food remain viable for long periods.Brazilian law currently does not determine the bacteriological standards for honey sold, allowing food contaminated with bacteria of importance to public health are released for consumption. The aim of this study was to characterize circulating in the honey market in the state of Rio de Janeiro, identify the source, check for the presence of a seal of inspection on these honeys and verify the presence of seal of inspection indicates safety for consumer health . We analyzed 205 samples of honey sold in the state of Rio de Janeiro, with 173 produced in the state of Rio de Janeiro and 32 other states. Two studies were conducted. The first compared the percentage of samples with detectable contamination, the degree of contamination, different bacteria isolated and the presence of coliform, Salmonella spp. and Bacillus cereus between samples produced in the state of Rio de Janeiro with those produced in other states of the Federation, also check whether the presence of seal of inspection denotes bacteriological quality for the samples produced in the state of Rio de Janeiro. The second study compared the percentage of contaminated samples, the degree of contamination, the presence of Bacillus cereus and use of seal of inspection in samples from endemic municipalities and Brazilian sac brood (BFB) free in the state of Rio de Janeiro. The first study showed that the percentage of contaminated samples did not differ significantly relative to the merits. 44% of the samples produced in the state of Rio de Janeiro and 41% of the samples produced in other states showed bacterial contamination. However, the degree of contamination of samples produced in the state of rio de janeiro was better (20.355 x102 CFU g -1) compared to other states (3.385 x102 CFU g1). B. cereus was found in 12% of the samples produced in the state of Rio de Janeiro and 31% of the samples produced in other states. No sample was contaminated by Salmonella spp.and 3% of the samples sold in the state of Rio de Janeiro were contaminated with coliform. The second study showed that the percentage of contaminated samples, as the degree of contamination of samples from endemic municipalities for BSB were higher for samples from municipalities free of the disease. The presence of B. cereus did not differ much between regions, because 10% of samples from municipal endemic to the BSB and 12% of municipalities free samples were positive. The presence of seal of inspection was low in both regions, 88% of samples from endemic municipalities for the BSB and 81% of samples from a municipality free of the disease had no seal of inspection. ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 Agrupamento dos isolados provenientes de amostras méis do estado do Rio de Janeiro. Tabela 2 Origem e número de amostras de meis provenientes de municípios do estado do Rio de Janeiro. 2010. Tabela 3 Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos no estado do Rio de Janeiro e em outros estados da Federação Tabela 4 Frequência de amostras de méis, contaminadas por espécies bacterianos, no estado do Rio de Janeiro.2010. Tabela 5 Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos no estado do Rio de Janeiro separados pela presença e ausência de selo de inspeção. Tabela 6 Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos em municipios endemicos e livres de CEB, no estado do Rio de Janeiro ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 Distribuição das amostras de méis presentes no comércio do estado do Rio de Janeiro, provenientes de outros estados. Figura 2 Proporção de Grupos de bactérias isoladas de méis Figura 3 Mapa do Estado do Rio de janeiro com destaque para as áreas endêmicas da Cria Ensacada Brasileira segundo censo apícola de 2006 e dados da FAERJ. Figura 4 Mapa do Estado do Rio de Janeiro com destaque para os municipios incluídas no presente estudo e diferenciação dos municípios endêmicos e livres da Cria Ensacada Brasileira Figura 5 Percentual de amostras de méis com contaminação bacteriana(a) provenientes de municípios endêmicos para a C.E.B e (b) de municípios livres da C.E.B. Figura 6 Percentual de amostras de méis contaminadas por Bacillus cereus provenientes de municípios (a) endêmicos para a CEB e (b) livres da CEB Figura 7 Proporção dos diferentes selos de inspeção em méis (a) de municípios endêmicos para a CEB e (b) municípios livres da CEB LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS APPCC Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle ASS Agar Salmonella-Shigella CEB Cria Ensacada Brasileira DTA Doenças Transmitidas por Alimentos Meio SIM Meio Sulfito, Indol e Motilidade Meio TSI Meio Triple Sugar Iron MYP Ágar Mannitol Yolk Polimixina NMP. g-1 Número Mais Provável por grama PCA Agar para Contagem em Placas Prova VP Prova Voges - Proskauer Prova VM Prova Vermelho de Metila SIM Selo de Inspeção Municipal SIE Selo de Inspeção Estadual SIF Selo de Inspeção Federal UFC. g-1 Unidade Formadora de Colônia por grama SUMARIO INTRODUÇÃO GERAL REFERENCIAS BIGLIOGRAFICA CAPITULO I - CARACTERIZAÇÃO DA QUALIDADE BACTERIOLÓGICA DE MÉIS COMERCIALIZADOS E PRODUZIDOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivos gerais 1.2.2 Objetivos especificos 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Local e Amostragem 2.2 Preparo das amostras 2.2.1 Fracionamento 2.2.2 Diluição 2.3 Analises 2.3.1 Determinação da Atividade de água (Aa) 2.3.2 Contagem das bactérias mesófilas heterotrófica aerobicas 2.3.3 Agrupamento dos isolados 2.4. Identificação 2.4.1 Bastonetes Gram positivos esporulados 2.4.2 Identificação dos bastonetes Gram positivos 2.4.3 Identificação dos Cocos Gram positivos Catalase positiva. 2.4.4 Identificação dos Coccos Gram positivos Catalase Negativa 2.4.5 Identificação do bastonetes Gram negativos 2.5 Detecção de Bacillus cereus e coliformes totais 2.6 Detecção de Salmonella spp. 2.7 Analises estatísticas 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Distribuição das amostras 3.2 Contagem das bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas 3.3 Principais grupos bacterianos encontrados 3.4 Identificação dos isolados bacterianos 3.5 Prevalência de Coliformes Totais 3.6 Prevalência de Salmonella spp. 3.7 Correlação entre presença de selo de inspeção e contagem de UFC.g-1 4. CONCLUSÕES 5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS CAPITULO II - PERFIL BACTERIOLÓGICA DE MÉIS PROVENIENTE DE MUNICÍPIOS LIVRES E DE MUNICÍPIOS COM CASOS DE CEB RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivos gerais 1.2.2 Objetivos especificos 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Local e Amostragem 2.2 Agrupamento das amostras 2.3 Preparo das amostras 2.4 Contagem das bactérias mesófilas heterotrófica aerobicas (UFC.g-1). 2.5 Detecção de Bacillus cereus 2.6 Analises estatística 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1Distribuição das amostras 3.2 Proporção de amostras contaminadas 3.3 Contagem das bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas 3.4 Prevalência de Bacillus cereus 3.5 Selo de Inspeção Sanitária 4. CONCLUSÕES 5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS INTRODUÇÃO GERAL A apicultura é uma atividade conservadora e uma das poucas no ramo da agropecuária que preenche todos os requisitos do tripé da sustentabilidade: o econômico - porque gera renda para os agricultores, o social- porque utiliza a mão-de-obra familiar no campo, diminuindo o êxodo rural e o ecológico - porque não se desmata para criar abelhas .(GUIMARÃES, 1986). A exploração apícola mundial representa uma fonte importante de ocupação e na maioria dos países de terceiro mundo, a apicultura é exercida em apiários familiares relativamente pequenos, onde a componente mão-de-obra familiar ou subcontratada representa um insumo importante para a atividade (MUNGUIA, 1998). A apicultura complementa e beneficia as demais atividades da propriedade além de evitar queimadas e aumentar a produção das culturas comerciais através da polinização (JOLLIVET, 1994). A apicultura, no Brasil, pode ser caracterizada por duas fases: a apicultura amadora, a partir das abelhas européias, e a profissional, a partir da abelha polihíbrida africanizada (GONÇALVES, 1994; 2004). O profissionalismo apícola se evidenciou pelo aumento da produtividade apícola (SOMMER, 1996). Ao longo de décadas, a apicultura brasileira se viu livre de doenças clássicas de abelhas, que afligem os apicultores em todo mundo (DE JONG, 1996). As abelhas africanizadas utilizadas na apicultura brasileira são consideradas resistentes às doenças (DE JONG, 1996) e o Brasil é visto como um país de poucos problemas na área de sanidade apícola. O mel é o principal produto da apicultura brasileira, quando comparado com outros produtos de origem animal, apresenta um baixo número e variedade de microrganismos, porém não é um alimento estéril e está susceptível a contaminações. A sua contaminação pode estar associada à veiculação de microrganismos pelas próprias abelhas melíferas, ao seu beneficiamento ou à manipulação inadequada, além de más condições de armazenamento e acondicionamento (GOMES, 2006). É um alimento de grande relevância e interesse, uma vez que pode ser usado tanto como ingrediente quanto como produto final. São atribuídas ao mel, várias propriedades medicinais, além de sua qualidade como alimento (CRANE, 1983; SATO; MIYATA, 2000; MOLAN, 2001).O mel pode ser usado como ingrediente em drogas, cosméticos, rações e como conservante de tecidos animais além de outros usos. Apresenta conhecida propriedade antibiótica e, sua aplicação tópica é útil no tratamento de processos gangrenosos e queimaduras. No entanto, o mel também constitui um veículo para agentes microbianos, em especial leveduras e bactérias formadoras de esporos. Estas últimas são de grande importância em saúde pública, uma vez que o mel é oferecido como alimento para crianças, sendo considerado um dos principais alimentos de risco na ocorrência do botulismo infantil (BOGDANOV, 2006), embora a detecção de esporos de Clostridium botulinum em méis ainda seja baixa (NEVAS, 2005) . REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS BOGDANOV, S.. Contaminants of bee products, Apidologie, 37, 1-18.2006. CRANE, E. O Livro do mel. São Paulo:Nobel, 226p.1983 DE JONG, D. Africanized honey bees in Brazil, forty years of adaptation and success. Bee World, v.77, p.67-70, 1996. GOMES, Ligia Portugal. Contaminação bacteriana em amostras de méis de Apis mellifera L. comercializados no Estado do Rio de Janeiro. 2006. 47p Dissertação (Mestrado em Microbiologia Veterinária). Instituto de Veterinária, Departamento de Microbiologia e Imunologia Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2006. GONÇALVES, L. S. A influência do comportamento de abelhas africanizadas na produção, capacidade de defesa e resistência às doenças. In: ENCONTRO SOBRE ABELHAS, Ribeirão Preto. Anais... Ribeirão Preto, 1994. p.72-77. 1994. GONÇALVES, L. S. A expansão da apicultura brasileira e suas perspectivas em relação ao mercado apícola internacional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 15, Natal. Anais... Natal, 2004. p.1-7. 2004. GUIMARAES, N. P. Apicultura, a ciência da longa vida. Ed. Itatiaia Ltda. Belo Horizonte. 1986. JOLLIVET, M. Agricultura e meio ambiente: reflexões sociológicas. In: Estudos Econômicos: São Paulo, USP. Vol. 24º, nº especial, p.183-198. 1994. MOLAN, P.C. Why honey is effective as a medicine. Bee world v.82, n.1, p.22-40. 2001. MUNGUIA, M. A. Apicultura mexicana, mercado mundial de miel y problemática ambiental; un enfoque prospectivo. México: Educe Y Paual. 1998. NEVAS, M. et. al.Prevalence and diversity of Clostridium botulinum types A, B, E and F in honey produced in the Nordic countries. International journal of food microbiology, v.105, p.145-151, 2005. SATO, T.;MIYATA, G. The Nutraceutical Benefit, part III; honey Nutrition, v.16, n.6, 2000. SOMMER, P. G. Quarenta anos de apicultura africanizada no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 11,1996, Teresina. Anais... Teresina,. p.33-36. 1996 CAPÍTULO I CARACTERIZAÇÃO DA QUALIDADE BACTERIOLÓGICA DE MÉIS COMERCIALIZADOS E PRODUZIDOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESUMO DTA, Doenças Transmitidas por alimentos, são de grande importância, pois geram prejuízos tanto para o produtor quanto para o consumidor. O alto índice de casos de DTA é diretamente relacionado a problemas no processamento da matéria prima, envase e armazenamento do produto final. O estudo da microbiota bacteriana no mel é uma ferramenta de grande importância, pois revela os potenciais agentes infecciosos de importância para a saúde pública e sanidade apícola veiculados pelo mel. . O objetivo do estudo foi caracterizar o mel circulante no mercado do estado do Rio de Janeiro, identificar a procedência, verificar se há a presença de um selo de inspeção nesses méis e verificar se a presença de selo de inspeção indica segurança para a saúde do consumidor. Foram analisadas 205 amostras de méis comercializadas no estado do Rio de Janeiro, sendo 173 produzidas no estado do Rio de Janeiro e 32 em outros estados. O estudo comparou o percentual das amostras com contaminação detectável, o grau de contaminação, as diferentes espécies bacterianas isoladas e presença de Coliformes Totais, Salmonella spp. e Bacillus cereus entre as amostras produzidas no estado do Rio de janeiro com as produzidas em outros estados da Federação, alem de verificar se a presença de selo de inspeção denota qualidade bacteriológica para as amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro. O primeiro estudo mostrou que o percentual de amostras contaminadas não diferiu muito em relação à procedência. 44% das amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro e 41% das amostras produzidas em outros estados apresentaram contaminação bacteriana. Porém, o grau de contaminação das amostras produzidas no estado do rio de janeiro se mostrou superior (20,355x102 UFC.g-1) comparado aos outros estados (3,385x102 UFC.g-1). B. cereus foi encontrado em 12% das amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro e 31% das amostras produzidas nos outros estados. Nenhuma amostra apresentou contaminação por Salmonella spp. e 3% do total de amostras comercializadas no estado do Rio de Janeiro encontravam-se contaminadas por Coliformes Totais. Palavras-chave: Bacillus cereus. Contaminação. Mel. ABSTRACT FD, Foodborne diseases, are of great importance, as they cause damage to both the producer and consumer. The high rate of cases of FD is directly related to problems in the processing of raw materials, packaging and storage of the final product. The study of bacterial microbiota in honey is a tool of great importance, because it shows the potential infectious agents of importance to public health and sanity conveyed by honey bee. . The aim of this study was to characterize circulating in the honey market in the state of Rio de Janeiro, identify the source, check for the presence of a seal of inspection on these honeys and verify the presence of seal of inspection indicates safety for consumer health . We analyzed 205 samples of honey sold in the state of Rio de Janeiro, with 173 produced in the state of Rio de Janeiro and 32 other states. The study compared the percentage of samples with detectable contamination, the degree of contamination, different bacteria isolated and the presence of coliform, Salmonella spp. and Bacillus cereus between samples produced in the state of Rio de Janeiro with those produced in other states of the Federation, also check whether the presence of seal of inspection denotes bacteriological quality for the samples produced in the state of Rio de Janeiro. The first study showed that the percentage of contaminated samples did not differ significantly relative to the merits. 44% of the samples produced in the state of Rio de Janeiro and 41% of the samples produced in other states showed bacterial contamination. However, the degree of contamination of samples produced in the state of rio de janeiro was better (20.355 x102 CFU g -1) compared to other states (3.385 x102 CFU g-1). B. cereus was found in 12% of the samples produced in the state of Rio de Janeiro and 31% of the samples produced in other states. No sample was contaminated by Salmonella spp. and 3% of the samples sold in the state of Rio de Janeiro were contaminated with coliform., 1 INTRODUÇÃO A atividade apícola, a nível nacional, gera centenas de milhares de empregos diretos na manutenção dos apiários, na produção de equipamentos e na comercialização de seus produtos (SILVA & PEIXE, 2008). No Brasil, a importância da produção de mel é consolidada pela multiplicidade de reservas florais, o que permite que milhares de toneladas de méis sejam produzidos, para atender assim mercados mais exigentes (WIESE, 1993), e o estado do Rio de Janeiro apresenta um alto potencial de produção devido as suas características geográficas, conservacionais e de florada (LUZ, 2007). Apesar de tal relevância econômica, os aspectos legislativos relacionados ao mel são tardios e somente a partir de 1978 teve o início o processo de criação da legislação para resguardar a sua qualidade. A certificação de inspeção sanitária permite a legalização do comercio dos produtos apícolas, a adoção de boas práticas de higiene, o uso de equipamentos como centrífuga para extração do mel, bem como a existência de um local adequado para o manuseio e extração de mel, são ações fundamentais e prioritárias exigidas por lei (BRASIL, 2000) para a obtenção da qualidade do produto e a conseqüente certificação de inspeção sanitária (BARRETO et al., 2006; COSTA et al., 2005). Grande parte dos apicultores não consegue ter acesso a certificação pelos sistemas de inspeção por não atenderem as exigências (BOTH, 2006). O cooperativismo é a opção mais utilizada pelos pequenos produtores para legalização da sua produção e escoamento de seus produtos, melhorando sua qualidade e facilitando o acesso ao mercado consumidor (LENGLER et al, 2007) O mel é um alimento ácido, com baixa umidade e atividade de água (Aa), sua viscosidade é alta, devido a altas concentrações de açúcares e pressão osmótica. Estas condições tornam o mel um substrato pouco favorável ao desenvolvimento bacteriano. No entanto, a contaminação do mel pode ocorrer a nível natural, devido ao manejo apícola, e durante o seu processamento, quando não são adotadas medidas de Boas Práticas Apícolas (BOGDANOV, 2006; RISSATO, et al., 2007; RIAL-OTERO, et al., 2007; KUJAWSKI e NAMIÉSNIK, 2008). O sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) é baseado numa série de etapas interrelacionadas, inerentes ao processamento industrial dos alimentos, inclusive todas as operações que ocorrem a partir da produção até o consumo final. Assim, durante o processo de extração, beneficiamento e armazenamento do mel deve-se atentar aos critérios básicos de segurança da qualidade do produto, por meio do APPCC, cujo objetivo é a obtenção do alimento isento de contaminações prejudiciais à saúde do consumidor (BASSI, 2000). A falta de investimento na qualidade dos produtos e a não utilização de Boas Praticas por parte dos apicultores, observada em diversos apiários, se deve a falta de motivação pela apicultura e desconhecimento da real importância do setor apícola para a sociedade (SILVA & LEITE, 2010) O estudo da microbiota bacteriana no mel é uma ferramenta de grande importância, pois revela os potenciais agentes infecciosos de importância para a saúde pública e sanidade apícola veiculados pelo mel. Alem disso, apresenta as características dos procedimentos utilizados durante a sua produção, revelando a falta de utilização de Boas Praticas Apícolas, no caso de um produto altamente contaminado. Em nível nacional, poucos são os trabalhos que se empenham na caracterização da microbiota bacteriana do mel, a maioria dos trabalhos esta relacionado com a avaliação das características físico-quimicas do produto(SANTOS et al, 2010; SCHLABITZ et al, 2010; SILVA, 2000; SEREIA, 2005 ). Os estudos que incluem analises bacteriológicas são direcionados a detecção de Coliformes Totais e Salmonella spp.(SCHLABITZ et al, 2010; ALVES et al, 2009; LIEVEN et al, 2009; SILVA et al, 2008; SANTOS et al, 2010) com isso negligenciam as bactérias que causam um real risco para a saúde dos consumidores. As bactérias que comumente podem ser encontradas no mel são as produtoras de esporos, forma que lhes garante maior resistência (SNOWDON & CLIVER, 1996; MARTINS et al., 2003). Bacillus cereus e, Clostridium botulinum se destacam na contaminação do mel para consumo humano e Bacillus larvae e Bacillus alvei são as principais bactérias de ordem sanitária para a apicultura que já foram isoladas de amostras de méis (GILLIAM & MORTON, 1978; GILLIAM, 1985; SCHUCH et al, 2003). 1.1 Objetivos 1.1.1Objetivo geral Verificar a qualidade higiênica do mel comercializado no estado do Rio de Janeiro, de importância para a saúde pública, conforme os padrões legais recomendados pela legislação brasileira. 1.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Avaliar o nível de contaminação bacteriológico • Determinar a microbiota bacteriana total e realizar sua identificação taxonômica. • Determinar qual (is) bactéria (s) apresenta (m) real risco para a saúde pública • Verificar se o selo de inspeção denota a qualidade do produto. 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Local e Amostragem As amostras de méis foram adquiridas no estado do Rio de Janeiro, a partir de estabelecimentos comerciais da região metropolitana do Rio de Janeiro, de pontos comerciais de municípios e de apicultores, escolhidos aleatoriamente, para se obter uma amostragem representativa do Estado. A compra dos méis foi realizada entre março de 2009 e dezembro de 2010. Foram obtidas 205 amostras de embalagens de plástico e de vidro, de conteúdos diversos Todos os méis eram originários da criação de abelhas melíferas africanizadas (Apis mellifera L.). A medida que eram adquiridas as amostras, estas eram conduzidas ao Laboratório para registro e análise do teor de umidade; em seguida foi feito o fracionamento para atender as análises bacteriológicas, que foram realizadas no Laboratório de Bacteriologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(LaBac-UFRRJ). 2.2 Preparo das amostras 2.2.1 Fracionamento A medida que eram adquiridas as amostras, estas foram conduzidas ao Laboratório para registro e análise do teor de umidade; em seguida foram feitos os fracionamentos para atender as análises bacteriológicas, antes de realizar o fracionamento as embalagens foram desinfetadas com algodão embebido em álcool 70%, realizada em cabine de segurança biológica, em seguida, procedeu-se, assepticamente, a abertura da amostra. Foram pesados e separados 50g da amostra e transferidos para frasco de coleta de urina estéril para a realização das analises bacteriológica que foram realizadas no Laboratório de Bacteriologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e aferição da atividade de água (Aa)das amostras. 2.2.2 Diluição As diluições das amostras foram realizadas em água peptonada a 0,1%. Durante a diluição, 25g de cada amostra foi transferida para erlenmeyer com 225mL de água peptonada a 0,1%, esta mistura foi homogeneizada durante três minutos. A partir desta diluição 10-1, as suspensões foram semeadas em meios próprios para o tipo de agente que se pretendia isolar. 2.3 Analises 2.3.1 Determinação da Atividade de água (Aa) As amostras de méis foram imediatamente analisadas quanto a Aa, em equipamento AquaLab® modelo CX 2 (Decagon Devices Inc., Pullman, Washington, USA). Para sua mensuração, cada amostra foi colocada em um recipiente próprio do aparelho, de modo a preencher aproximadamente 1/3 de sua capacidade. O aparelho foi calibrado com soluçõespadrão de água destilada antes de cada aferição. As análises foram realizadas em sala climatizada, em temperatura média de 20°C. 2.3.2 Contagem das bactérias mesófilas heterotrófica aerobicas A semeadura foi feita em duplicata, através do método de spread plate a 0,1mL da diluição (10-1), inoculou-se em superfície de placas de Petri descartáveis estéreis com Agar para Contagem em Placas (PCA),depois de inoculada a solução foi espalhada com alça de Drigalski, previamente imersa em álcool iodado e flambada, em toda superfície das placas. Após a inoculação as placas foram incubadas a 37oC por 24 a 48 horas. Os resultados das contagens foram expressos em unidades formadoras de colônias por grama de amostra (UFC.g-1) (APHA, 2001). As colônias crescidas em Agar PCA após a realização da identificação presuntiva foram reisoladas e identificadas segundo Koneman et al. (2001). 2.3.3 Agrupamento dos isolados Foram preparadas lâminas de microscopia, foi feita a coloração de Gram e leitura a 1000X , para classificar os isolados segundo as características morfotintoriais e produção de catalase, conforme tabela 1. Tabela.1- Agrupamento dos isolados provenientes de amostras méis do estado do Rio de Janeiro. Grupos de Bactérias Tipos GRUPO 1 Bastonetes Gram (+), esporulados, catalase (+) GRUPO 2 Bastonetes Gram (+), não esporulados, catalase (+) GRUPO 3 Cocos Gram (+), catalase (+) GRUPO 4 Cocos Gram (+), catalase (-) GRUPO 5 Bastonetes Gram (-) 2.4. Identificação 2.4.1 Bastonetes Gram positivos esporulados As colônias do grupo 1 (tabela 1) foram reisoladas em Agar nutritivo, incubadas a 35ºC por 24 horas e a partir desse isolado, realizou-se as provas bioquímicas pertinentes ao gênero Bacillus spp. que inclui, teste da gelatinatinase, comportamento em Agar sulfeto indol motilidade (SIM), fermentação de açucares, redução de Nitrato a Nitrito e produção de acetoína(VP) (prova de Voges – Proskauer) . 2.4.2 Identificação dos bastonetes Gram positivos As colônias do grupo 2 (tabela 1) foram reisoladas em Agar Muller Hinton, incubado a 35ºC por 24 horas. As provas de identificação utilizadas para diferenciação do táxon (gênero) foram: comportamento em Agar sulfeto indol motilidade (SIM), teste da catalase e hidrólise da esculina. 2.4.3 Identificação dos Cocos Gram positivos Catalase positiva. O reisolamento das colônias do grupo 3 (tabela 1), foi realizado em Agar Manitol Vermelho de Fenol incubado a 35ºC por 24 horas. A partir desse isolado para a identificação das espécies bacterianas. 2.4.4 Identificação dos Coccos Gram positivos Catalase Negativa As colônias do grupo 4 (tabela 1) foram inoculadas em caldo Casoy, incubado a 37ºC por 24 a 48 horas. Em seguida, realizou-se o teste de CAMP, que utilizou uma cepa padrão de Staphylococcus aureus aureus, onde foi avaliada a presença ou não de sinergismo na hemólise. Após a prova de CAMP foram realizados testes de suscetibilidade a Bacitracina 0,04% e Cotrimoxazol e o teste da esculina, para a identificação das espécies. (KONEMAN et al., 2001). 2.4.5 Identificação do bastonetes Gram negativos As colônias do grupo 5 (tabela 1) foram inoculadas em caldo Muller Hinton, incubado a 37ºC por 24 horas e direcionadas ao protocolo de identificação, segundo Koneman et al. (2001), inoculadas em Agar SIM, Agar TSI, Agar Citrato, e realizados os teste de Vermelho de Metila (VM) e o teste de Voges-Proskauer (VP). 2.5 Detecção de Bacillus cereus e coliformes totais A solução 10-1 foi inoculada em duplicata em Agar MYP (Mannitol Yolk Polimixina – Manitol Gema Polimixina), para isolamento de Bacillus cereus e Agar MacConkey, para isolamento de coliformes totais. Das bactérias isoladas em Agar MYP, só foram consideradas as positivas para lecitinase, ou seja, que apresentarem halo de precipitação branco entorno da colônia. Para confirmação da presença de B. cereus, essas bactérias foram submetidas a análise de motilidade em Agar SIM e de sensibilidade a Penicilina em Agar Müeller Hinton. Para detecção de coliformes totais a mesma solução será inoculada em Agar MacConkey e os isolados serão identificados de acordo com o protocolo pertencente ao Grupo 5 (tabela 1), após a análise presuntiva. Os resultados serão expressos em UFC.g-1 e não em NMP.g-1, pois o objetivo do estudo foi determinar as espécies bacterianas e o grau de contaminação secundaria do mel, com isso a metodologia de diluição e inoculação em Agar é mais eficiente. 2.6 Detecção de Salmonella spp. Para realização do isolamento, tomou-se uma alíquota 25g da amostra de mel, que foi diluída em 225 mL de água peptonada a 0,1% e incubada a 37ºC por 24 horas, após incubação da solução inicial. Uma alçada dessa solução foi inoculada em caldo tetrationato e incubada a 37 ºC por 24 horas. Após incubação, uma alçada desse caldo foi inoculado em Agar SS (Salmonella-Shigella), e neste inoculante só foram consideradas as colônias transparentes com centro negro e pertencentes ao Grupo 5 (tabela 1). 2.7 Analises estatísticas Os dados foram analisados pela analise exploratória, onde serão comparadas as diferenças entre a qualidade do mel proveniente do estado do Rio de Janeiro e de outros estados da federação alem de comparar a qualidade dos méis com presença e ausência de selo de inspeção, pelo programa estatístico XLSTAT versão 7.5 (XLStat, 2010) 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Distribuição das amostras Foram adquiridas 205 amostras, das quais 173 provenientes de 49 municípios do estado do Rio de Janeiro e 32 amostras de 25 municípios de outros estados (São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraíba, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará) a distribuição das amostras provenientes dos outros estados esta apresentada na figura 1. PR CE GO 3% 3% 3% PB 3% PI 3% RS 3% SC 9% MG 54% SP 19% Figura 1- Distribuição das amostras de méis presentes no comércio do estado do Rio de Janeiro, provenientes de outros estados. As amostras eram provenientes dos seguintes municípios Fluminenses: Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Piraí, Quatis, Rio Claro, Rio das Flores, Valença, Volta Redonda, Mendes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Sapucaia, Três Rios, Carmo, Cordeiro, Nova Friburgo, Petrópolis, Santa Maria Madalena, Teresópolis, Trajano de Morais, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Maricá, Magé, Niterói, Paracambi, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Tanguá, Mesquita, Campos dos Goytacazes, Conceição de Macabu, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, Aperibé, Bom Jesus de Itabapoana, Itaocara, Caixoeiras de macacu, Areal, Laje de Muriaé, Natividade, Porciúncula, Casimiro de Abreu, Rio Bonito e Saquarema, e o numero de amostras provenientes de cada município esta apresentado na tabela 2. Tabela 2. Origem e número de amostras de meis provenientes de municípios do estado do Rio de Janeiro. 2010. Municípios amostras Municípios amostras Apiribé 2 Paracambi 1 Areal 2 Paraíba do Sul 7 Barra Mansa 5 Petrópolis 6 Barra do Piraí 2 Pinheiral 1 Bom Jesus 1 Piraí 5 Casimiro de Abreu 3 Porciúncula 2 Campos 1 Quatis 1 Carmo 1 Rio Bonito 4 Duque de Caxias 1 Rio Claro 6 Conceição de Macabu 2 Rio das Flores 3 Cordeiro 2 Rio de Janeiro 4 Itaboraí Itaguaí Itaocara Itatiaia Lages do Muriaé São Francisco de 1 Itabapoana 2 2 São Gonçalo 3 Santa Maria 5 Madalena 9 2 São Fidelis 20 São Sebastião do 2 Alto 2 Miguel Pereira 5 Sapucaia 5 Magé 1 Saquarema 1 Maricá 3 Tanguá 1 Mendes 2 Teresópolis 4 Mesquita Trajano de 1 Moraes 1 Nova Friburgo 10 Três Rios 5 Natividade 1 Volta Redonda 3 Niterói 1 Valença 4 Paty de Alferes 15 Total 173 3.2 Contagem das bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas Das amostras do estado do Rio de Janeiro 44 % (n=76) estavam contaminadas por bactérias. Fora do estado a contaminação foi maior, 41%( n=13) das amostras apresentaram contaminação bacteriana. Ao levar em consideração as características intrínsecas do mel, que dificulta a a presença de bactérias no mel esse percentual é considerado alto. O percentual de contaminação corrobora com os resultados encontrados por Schlabitz et al. (2010) (n=12 amostras). GOMES (2006), ao analisar 62 amostras de méis observou uma prevalência de 60,78% de amostras contaminadas percentual ainda mais alto do que o obtido no presente estudo. A contagem media de bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas nas amostras originarias do ERJ foi de 20,355x102 UFC.g-1 (IC 95%, 10,785x102; 29,925 x102UFC.g-1) e para os originarias de outros estados de 3,385x102 UFC.g-1 (IC 95%,; 1,648 x102; 5,121x102UFC.g-1). Ao tomar-se a mediana verifica-se uma contaminação média bem menor das amotras originarias do estado do Rio de Janeiro Demais resultados da analise estatística exploratória se encontram na tabela 3. O alto valor observado nas amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro foi devido a presença de 3 amostras com contaminação acima de 90x102UFC.g-1. Os valores médios de contagem de bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas apresentados no presente estudo é considerados alto, pois a maioria dos autores cita uma faixa de media entre 1x101 e 2x102UFC.g-1 (SCHLABITZ, et al., 2010; GOMES, 2006; PIANA et al. 1991). Um fator que contribui para o baixo valor esperado da contagem das bactérias mesófilas heterotrófica aerobicas dos méis, em relação a outros produtos de origem animal é a presença da lisozima, uma enzima bacteriostática de caráter lítico sobre a maior parte das bactérias gram-positivas (FRAZIER e WESTHOFF, 1978). Tabela 3 – Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos no estado do Rio de Janeiro e em outros estados da Federação. Rio de Janeiro Outros estados Num. de valores utilizados 76 13 Mínimo 1x102 1x102 Mediana 45 x102 2x102 Máximo 213 x102 11 x102 Media 20,355 x102 3,385 x102 Coeficiente de Variação 2.058% 0.849% 3.3 Principais grupos bacterianos encontrados Os grupos de bactérias isolados foram bacilos, cocos, bastonetes gram positivos e bastonetes gram negativos (figura 2). Dos grupos de bactérias isoladas nos méis os bacilos, bastonetes gram positivos formadores de esporos, foram os que mais se destacaram no estudo, por compreender 74% (n=69) do total de isolados. Essa prevalência de bacilos em relação aos outros grupos é devido as características intrínsecas do mel, que dificulta a presença de bactérias na forma vegetativa, no entanto, bactérias formadoras de esporos conseguem resistir a essas características e são responsáveis pela maioria das contaminações bacterianas no mel (SCHLABITZ, 2010; GOMES, 2006; PIANA et al. 1991; FINOLA et al. 2007). Bastonetes gram negativos Bastonetes gram 6% positivos+ 5% Cocos 16% BACILOS 74% Figura 2. Proporção de Grupos de bactérias isoladas de méis 3.4 Identificação dos isolados bacterianos Dentre as bactérias isoladas Bacillus cereus foi a que estava presente na maioria das amostras, conforme tabela 4. Esse fato corrobora com o encontrado por Gomes (2006). Essa bactéria estava presente em 12% (n=20) das amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro e em 31% (n=12) das amostras produzidas fora do estado. Tabela 4. Frequência de amostras de méis, contaminadas por espécies bacterianos, no estado do Rio de Janeiro.2010. Espécies Estado do Rio de Janeiro Outros estados B. cereus 20 9 B. polymyxa 17 3 B.licheniformis 11 2 B. subtitlis 2 0 B.thurigiensis 0 1 B. brevis 0 B. punilus 2 1 0 B. coagulans 1 0 B. sphaericus 1 0 B. mycoides 1 0 B. macerans 1 0 B. circulans 7 0 B. stearothermophilus 2 0 B. firmus 3 0 B. alvei 1 0 B.megaterium 4 0 Staphylococcus spp. coagulase negativa 11 0 Enterobacter aerogenes 2 1 Serratia spp. 3 1 Listeria spp. 4 0 Staphylococcus aureus 1 0 Além do B.cereus, também foram encontrados B. polymyxa e B. licheniformis em grande quantidade. Relativamente, ao gênero Bacillus, estudo anterior revelou predominância de B. cereus, B. megaterium, B. pumilus, e B. coagulans (LÓPEZ & ALIPPI, 2007). A caracterização microbiológica de méis da Argentina de diferentes proveniências, por Iurlina e Fritz (2005), revelou a presença de Bacillus cereus, Bacillus pumilus e Bacillus laterosporus, a distribuição destes foi semelhante para méis comerciais e comprados diretamente nos apiarios. A presença de B.cereus revela a importância de se realizar analises bacteriológicas no mel, haja visto, ser uma bactéria de importância para a Saúde pública. A presença de B.alvei em uma amostra analisada revela a importância de um monitoramento contínuo do mel, pois se trata de uma bactéria capaz de produzir uma enfermidade conhecida por Loque Européia em larvas de Apis mellifera, e o mel é um importante disseminador dessa doença(GILLIAM & MORTON, 1978; GILLIAM, 1985) Os isolados bacterianos encontrados nas amostras de mel deste trabalho validam os resultados de Snowdon e Cliver (1996) quando discutem a presença de Bacillus spp no ar e poeira, Listeria spp em plantas e seus derivados, Staphylococcus spp coagulase negativo e Corynebacterium spp na pele e mucosa de manipuladores o que gera uma contaminação do produto final. 3.5 Prevalência de Coliformes Totais Coliformes não são bactérias comuns em amostras de méis, porém das 205 amostras analisadas 7 estavam contaminadas por coliformes, isso representou 3 % do total, resultado semelhante já havia sido descrito (VARGAS, 2006). Matuella & Torres (2000) afirmaram que raras vezes se encontram bactérias entéricas no mel, porém identificaram a presença de Escherichia coli, bactéria que indica contaminação fecal. Abreu et al.(2005), ao trabalhar com amostras de mel não inspecionados no Estado do Rio de Janeiro, observaram que apenas uma amostra (2%) apresentou presença de coliformes a 35°C, e são consideradas impróprio para o consumo(BRASIL, 2000). Salamanca et al.(2001) relataram que a presença de enterobactérias totais no mel é indício de contaminação fecal originada de condições deficientes de extração e beneficiamento e da própria comercialização. Outros estudos em que se pesquisa a presença de coliformes não se consegue detecta-los(ALVES et al, 2009; LIEVEN et al, 2009; SILVA et al, 2008; SANTOS et al, 2010; SCHLABITZ et al, 2010) A Instrução Normativa nº 11, de 20 de outubro de 2000, do Ministério da Agricultura e Abastecimento, estabelece o regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de mel, estabelecendo como intolerável (<3,0 NMP/g) a presença de coliformes totais( BRASIL, 2000). Com isso, sete amostras, cinco produzidas no estado do Rio de Janeiro e duas fora do estado, foram consideradas impróprias para o consumo. 3.6 Prevalência de Salmonella spp. Todas as 212 amostras analisadas estavam livres de Salmonella spp. em 25 g. isso mostra que tanto as amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro quanto as produzidas fora do estado estavam de acordo com a legislação (BRASIL, 2000), o mesmo resultado foi encontrado por Santos et al. (2010). Não houve relato de contaminação por salmonela em amostras de méis. 3.7 Correlação entre presença de selo de inspeção e contagem de UFC.g-1 Ao analisar as amostras de méis sem selo de inspeção(n=85) e com selo de inspeção(n=42), observou-se que a presença de um selo de inspeção não indica uma melhora na qualidade microbiologica do mel. Pois, o percentual de amostras contaminadas por bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas nas amostras sem selo de inspeção foi de 34% (n=29) e das amostras que possuíam algum selo de inspeção foi de 38%(n=16). O grau de contaminação também revela que a presença do selo não remeteu em melhora na qualidade microbiológica dos méis. A contagem media de bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas nas amostras sem selo de inspeção foi de 13,48 x102UFC.g-1 (IC 95%, 6,744 x102; 20,221 x102UFC.g-1) e para as amostras que possuíam selo de inspeção a media das contagens foi de 41 x102UFC.g-1 (IC 95%,; 4,983 x102; 77,017 x102UFC.g-1), ao levar em consideração a mediana essa diferença reduz, mas as amostras com selo de inspeção continuam com o grau de contaminação mais elevado, conforme apresentado na tabela 5. Tabela 5. Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos no estado do Rio de Janeiro separados pela presença e ausência de selo de inspeção. sem selo de inspeção Núm. de valores utilizados Mínimo com selo de inspeção 29 1 2 x10 16 1 x102 6 Mediana 7 x102 80 x10 2 208 x10 13,483 x10 2 41 x10 Máximo Media x102 Coeficiente de variação 1,314% 2 2 1,649% Pela analise no teste T de student a diferença entre as médias dos graus de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas entre os grupos foi significativa(p=2,092). Isso indica que a falta de uma analise bacteriológica, principalmente para detecção de bactérias de importância para a saúde pública que apresentam a capacidade de produção de esporos, pode gerar o envio de produtos com potencial risco para a saúde publica com a autorização dos órgãos de inspeção. Uma reforma na legislação hoje vigente deve ser proposta para inclusão de um parâmetro bacteriológico especifico para o produto em questão para minimizar os riscos de transmissão das Doenças Transmitidas por Alimentos(DTA). A principal preocupação da legislação vigente é a caracterização do padrão físicoquímico do mel, com objetivo de minimizar a adulteração do produto. Todavia, têm-se constatado fraudes por parte de produtores e comerciantes desonestos (ARAUCO et al., 2008a, 2008b). 4. CONCLUSÕES • O mel não é um alimento estéril; • Ainda por possuir contaminantes, o mel é um dos produtos de origem animal mais seguros. • As amostras produzidas no estado do Rio de Janeiro apresentaram um grau de contaminação maior em relação as amostras produzidas em outros esstados da Federação. • Bactérias esporuladas foram as encontradas em maior proporção. • Bacillus cereus é uma bactéria de importância para a saúde publica que pode ser veiculada pelo mel, o que revela a importância do seu monitoramento. • Bacillus alvei, bactéria de importância para a sanidade apícola, pode ser difundida através do mel. • Selo de Inspeção não comprovou a qualidade bacteriológica do mel. 5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ABREU B.X., ROMANO V.P., RISTOW A.M. & CAVALLO E.G. Avaliação Microbiológica de méis não inspecionados no Estado do Rio de Janeiro. Revista Higiene Alimentar 19(128):109-112. 2005. 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Disponível, sob licença, em: <http://www.xlstat.com/xlstat2010.zip>. CapÍtulo II Perfil bacteriológica de méis proveniente de municípios livres e de municípios com casos de CEB RESUMO A cria ensacada Brasileira (CEB) é uma enfermidade que cursa com alta e rápida mortalidade das larvas pré-pupas, no estado do Rio de Janeiro se apresente de forma sazonal, com maior prevalecia nos meses entre outubro e março de acordo com a localidade estudada, O monitoramento bacteriológico do mel é a ferramenta mais importante no controle e prevenção das doenças apícola e doenças transmitidas por alimentos(DTA). A analise do grau de contaminação presente no mel aponta a falta da utilização de Boas Praticas Apícolas como motivo de predisposição a doenças apícolas, além de revelar os potenciais agentes infecciosos de importância para a saúde pública e sanidade apícola veiculados pelo mel. O objetivo do estudo foi verificar diferenças no padrão de contaminação de amostras provenientes de regiões endêmicas para CEB e de regiões livres da CEB. Foram analisadas 161 amostras, sendo 117 provenientes de municípios livres de CEB e 44 de municípios endêmicos para a CEB. O estudo comparou o percentual de amostras contaminadas, o grau de contaminação, a presença de Bacillus cereus e a utilização de selo de inspeção nas amostras provenientes de municípios endêmicos e livres da Cria Ensacada Brasileira (CEB) no estado do Rio de Janeiro. O segundo estudo mostrou que tanto o percentual de amostras contaminadas, quanto o grau de contaminação das amostras provenientes de municípios endêmicos para CEB eram superiores em relação às amostras proveniente de municípios livres da enfermidade. 45% das amostras provenientes de municípios livres da enfermidade e 71% das amostras oriundas de municípios endêmicos para a CEB se apresentaram contaminadas por bactérias, com um grau de contaminação médio de11,41 x102UFC.g-1 nos municípios livres da CEB e 37,071 x102 UFC.g-1 nos municípios endêmicos.A presença de B. cereus não diferiu muito entre as regiões, pois 10% das amostras provenientes de municípios endêmicos para a CEB e 12% das amostras de municípios livres, foram positivas. A presença de selo de inspeção foi baixa em ambas regiões, 88% das amostras provenientes de municípios endêmicos para a CEB e 81% das amostras provenientes de municípios livres da enfermidade não apresentavam selo de inspeção. Palavras-chave: Mel. CEB. Bactérias. ABSTRACT The Brazilian Sac Brood (BSB) is a disease that leads to high and rapid mortality of larvae pre-pupae, the state of Rio de Janeiro are presented as seasonal, with more prevalent in the months between October and March, according to study location , The bacteriological monitoring of honey is the most important tool in the control and prevention of diseases and bee foodborne disease (FBD). The analysis of the degree of contamination present in honey points out the lack of the use of Best Practice Beekeeping as a reason for a predisposition to bee diseases not only reveals the potential infectious agents of importance to public health and sanity conveyed by honey bee. The aim of this study was to determine differences in the pattern of contamination of samples from endemic areas to BSB and the BSB-free regions. We analyzed 161 samples, 117 were free from cities and 44 municipalities BSB endemic to the BSB. The study compared the percentage of contaminated samples, the degree of contamination, the presence of Bacillus cereus and use of seal of inspection in samples from endemic municipalities and Brazilian free brazilian sac brood (BSB) in the state of Rio de Janeiro. The second study showed that the percentage of contaminated samples, as the degree of contamination of samples from endemic municipalities for BSB were higher for samples from municipalities free of the disease. 45% of samples from a municipality free of the disease and 71% of samples from endemic municipalities for the BSB is contaminated with bacteria, with a degree of contamination de11, 41 x102UFC.g-1 in the municipalities free of BSB and 37.071 x102 CFU g-1 in the municipalities endêmicos.A presence of B. cereus did not differ much between regions, because 10% of samples from endemic municipalities for the BSB and 12% of municipalities free samples were positive. The presence of seal of inspection was low in both regions, 88% of samples from endemic municipalities for the BSB and 81% of samples from a municipality free of the disease had no seal of inspection. 1.INTRODUÇÃO A disseminação de doenças das abelhas melíferas apícolas, como as loques de origem bacteriana, causam prejuízos significativos à apicultura. A falta de monitoramento microbiológico contribui para esta situação (FRIES et al, 2006). Além da perda econômica direta decorrente da perda da produção e morte de colméias, essas enfermidades prejudicam o comércio internacional de produtos apícolas, devido a fácil disseminação de seus agentes. O mel pode ser contaminado pelas abelhas durante durante a sua produção, Bacillus larvae, agente etiológico da loque americana, é isolado no trato intestinal de abelhas adultas durante a infecção da colméia (YOSHIYAMA & KIMURA, 2009), sendo a abelha adulta assintomática para essa doença, disseminado ainda mais essa bactéria através do mel. O monitoramento microbiológico do mel é considerado um método bastante eficaz para prevenir a disseminação de doenças de abelhas no âmbito regional e nacional. (GILLARD et al, 2008). No Brasil, a cria ensacada Brasileira (CEB) é uma enfermidade que cursa com alta e rápida mortalidade das larvas pré-pupas (MESSAGE, 2002). A colméia doente costuma apresentar invasão de outros insetos como formigas e forídeos (Pseudohypocera kertesi), ou fuga de enxames e sua etiologia ainda não está totalmente desvendada (PACHECO, 2006). No estado do Rio de Janeiro, a CEB se estabeleceu em mais de 14 municípios e se apresenta de forma sazonal, com maior freqüência no período da safra de mel (PACHECO, 2006), colocando em risco a qualidade e segurança do mel. Segundo dados do Censo Apícola de 2006 (PACHECO, 2006) a CEB, no estado do Rio de Janeiro se apresente de forma sazonal, com maior prevalecia nos meses entre outubro e março de acordo com a localidade estudada, o que, de certa forma, facilitaria um estudo detalhado da doença. Os municipios fluminenses consideradas endêmicas pelo censo apícola de 2006 foram: Petrópolis, Sapucaia, Magé, Piraí, Rio Bonito, Itaboraí, Carmo, Cachoeiras de Macacu, Itaguaí, Mendes, Niterói, Paraíba do Sul, Tanguá e Teresópolis, porem, Segundo a Federação das Associações de Apicultores do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), a CEB também foi notificada em: Silva Jardim, Guapimirim, Três Rios e São José do Vale do Rio Preto (PACHECO, 2006), conforme figura 3. Figura 3. Mapa do Estado do Rio de janeiro com destaque para as áreas endêmicas da Cria Ensacada Brasileira segundo censo apícola de 2006 e dados da FAERJ. Em 2006, o Ministério da Agricultura aprovou o Regulamento Técnico do Programa Nacional de Sanidade Apícola. O regulamento define as competências dos órgãos públicos, apicultores, veterinários, técnicos e laboratórios no combate às doenças de abelhas e padroniza ações profiláticas, de diagnóstico e de saneamento dos apiários e estabelecimentos que manipulam, processam ou comercializam os produtos apícolas (BRASIL, 2006). Embora esse seja o objetivo do Programa Nacional de Sanidade Apícola seja o controle das doenças apícolas, nada é mencionado sobre a CEB. A ausência de direcionamento frente a essa questão por parte do governo, aliada a falta de pesquisa direcionada a elucidação de sua etiologia remete a uma reflexão sobre a real ameaça da CEB, não só para a sanidade apícola, como também algum potencial risco de veiculação de patógenos com importância para a Saúde pública. A analise do grau de contaminação presente no mel proveniente de municípios endêmicos em comparação com áreas livres da CEB, apontaria a falta da utilização de Boas Praticas Apícolas como motivo de predisposição a essa doença, além de revelar os potenciais agentes infecciosos de importância para a saúde pública e sanidade apícola veiculados pelo mel. 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral O objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade microbiológica de méis comercializados no Estado do Rio de Janeiro através da analise bacteriológica e monitorar a presença de bactérias com importância para a saúde pública nesse alimento. 1.2.2 Objetivo específico Verificar se há diferença entre os perfis microbiológicos dos méis oriundos de municipios onde há um histórico de perda de colméias comparando aos resultados obtidos das analises dos méis oriundos de municipios onde não há um histórico de perdas. 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Local e Amostragem As amostras de méis foram adquiridas no Estado do Rio de Janeiro utilizando como pontos de coleta supermercados e mercearias, apiários e casas de mel. A compra foi realizada entre março de 2009 e dezembro de 2010. Foram obtidas 161 amostras em embalagens de 500g de mel de abelhas melíferas africanizadas (Apis mellifera L.), fornecidas pelo vendedor. A compra dos méis foi realizada de forma aleatória ocorrendo compra, tanto no comercio, como diretamente com o produtor, visando uma amostragem representativa do Estado. . A medida que eram adquiridas as amostras, estas eram conduzidas ao Laboratório para registro e análise do teor de umidade; em seguida foi feito o fracionamento para atender as análises bacteriológicas, que foram realizadas no Laboratório de Bacteriologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 2.2 Agrupamento das amostras As amostras foram separadas de acordo com a procedência, sendo dividias em dois grupos. No grupo 1 foi formado por amostras provenientes de municípios com histórico de Cra Ensacada Brasileira (CEB) e no Grupo 2 as amostras provenientes de áreas livres da CEB. 2.3 Preparo das amostras Após a desinfecção da superfície da embalagem de mel com algodão embebido em álcool 70%, realizada em cabine de segurança biológica, procedeu-se, assepticamente, a abertura da amostra. Inicialmente, foi aferido o teor de umidade das amostras. Em seguida, foram pesados e separados 50g da amostra e transferidos para frasco de coleta de urina estéril para a realização das analises bacteriológica; 25g dessa amostra foi transferida para erlenmeyer com 225mL de água peptonada a 0,1%, esta mistura foi homogeneizada durante três minutos. A partir desta diluição 10-1, as suspensões foram semeadas em meios próprios para o tipo de agente que se pretendia isolar. 2.4 Contagem das bactérias mesófilas heterotrófica aerobicas (UFC.g-1). A semeadura foi feita em duplicata, através do método de spread plate a 0,1mL da diluição (10-1), inoculou-se em superfície de placas de Petri descartáveis estéreis com Agar para Contagem em Placas (PCA/Difco®),depois de inoculada a solução foi espalhada com alça de Drigalski, previamente imersa em álcool iodado e flambada, em toda superfície das placas. Após a inoculação as placas foram incubadas a 37oC por 24 a 48 horas. Os resultados das contagens foram expressos em unidades formadoras de colônias por grama de amostra (UFC.g-1) (APHA, 2001). As colônias crescidas em Agar PCA após a realização da identificação presuntiva foram reisoladas e identificadas segundo Koneman e colaboradores (2001). 2.5 Detecção de Bacillus cereus A solução 10-1 foi inoculada em triplicata em Agar MYP (Mannitol Yolk Polimixina – Manitol Gema Polimixina), para isolamento de Bacillus cereus. Das bactérias isoladas só foram consideradas as positivas para lecitinase, ou seja, que apresentarem halo de precipitação branco entorno da colônia. Para confirmação da presença de B. cereus, essas bactérias foram submetidas a análise de motilidade em Agar SIM e sensibilidade a penicilina. 2.6 Analises estatística Os dados foram analisados individualmente pela analise descritiva para observar a existência de diferença entre as médias de contagem das UFC.g-1 entre os municípios com e sem a presença da CEB, utilizando programa estatístico XLstat versão 7.5 (XLSTAT, 2010) 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Distribuição das amostras Foram analisados méis provenientes de 49 municípios do Estado do Rio de janeiro, incluindo municipios livres e endêmicas para Cria Ensacada Brasileira. : Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Piraí, Quatis, Rio Claro, Rio das Flores, Valença, Volta Redonda, Mendes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Sapucaia, Três Rios, Carmo, Cordeiro, Nova Friburgo, Petrópolis, Santa Maria Madalena, Teresópolis, Trajano de Morais, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Maricá, Magé, Niterói, Paracambi, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Tanguá, Mesquita, Campos dos Goytacazes, Conceição de Macabu, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, Aperibé, Bom Jesus de Itabapoana, Itaocara, Caixoeiras de macacu, Areal, Laje de Muriaé, Natividade, Porciúncula, Casimiro de Abreu, Rio Bonito e Saquarema.As mostras foram agrupadas de acordo com a procedência, conforme figura 4. Figura 4. Mapa do Estado do Rio de Janeiro com destaque para os municipios incluídas no presente estudo e diferenciação dos municípios endêmicos e livres da Cria Ensacada Brasileira. 3.2 Proporção de amostras contaminadas Dentre as 117 amostras provenientes de municípios livres da CEB, 45% (n=53) se apresentaram contaminadas por bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas, semelhante ao encontrado em outros estudos (SCHLABITZ et al, 2010; GOMES, 2006). Das 56 amostras provenientes de municípios endêmicos para CEB 71% se apresentaram contaminadas,conforme figura 5, revelando que nesses municipios podem estar ocorrendo eventos que favoreçam a contaminação secundária dos méis, ou seja, não utilizam as Boas Praticas Apícolas. Vale lembrar que a falta de higiene na produção é o fator principal para a contaminação, também sendo relacionado ao aparecimento das doenças apícolas(BOGDANOV, 2006; RISSATO, et al., 2007; RIAL-OTERO, et al., 2007; KUJAWSKI & NAMIÉSNIK, 2008). (A) (B) 29% 45% 55% 71% sem contaminação com contaminação Figura 5. Percentual de amostras de méis com contaminação bacteriana(a) provenientes de municípios endêmicos para a C.E.B e (b) de municípios livres da C.E.B. 3.3 Contagem das bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas A contagem media de bactérias mesófilas heterotróficas aerobicas nas amostras, que apresentaram contaminação, originarias de municípios endêmicos para CEB foi de 37,071 x102 UFC.g-1 (IC 95%, 4.54x102; 69.60x102UFC.g-1) e para os originarias de municípios livres da CEB de 11,41 x102UFC.g-1 (IC 95%,; 4.39x102; 18.43x102UFC.g-1), Demais resultados da analise estatística exploratória se encontram na tabela 6. Os graus de contaminação de ambas regiões foram considerados altos em relação a estudos anteriores. Que citam uma faixa de contminação entre 1x101 e 2x102UFC.g-1 (SCHLABITZ, et al., 2010; GOMES, 2006; PIANA et al. 1991). Tabela 6- Analise exploratória do grau de contaminação por bactérias mesófilas heterotróficas aeróbicas (UFC.g-1) de amostras de méis produzidos em municipios endemicos e livres de CEB, no estado do Rio de Janeiro. com CEB sem CEB Núm. de valores utilizados Mínimo Máximo 14 53 1 x102 1x102 213 x102 180 x102 Mediana 14 x102 4 x102 Media 37 x102 11,4 x102 Coeficiente de Variação 1,520% 2,230% 3.4 Prevalência de Bacillus cereus Analisando a prevalência da contaminação por Bacillus cereus dos méis provenientes de municípios endêmicos da CEB, pôde-se observar que 10% (n=4) das 42 amostras estavam contaminadas,esse resultado não diferiu muito das amostras provenientes de muncipios livres da CEB, que apresentou 12%(n=14) das 117 amostras positivas para B.cereus, conforme figura 6. Esse valor é considerado alto, porém dentro do observado em estudo anterior (GOMES, 2006). (a) (b) 10% 12% sem B.cereus com B.cereus 88% 90% Figura 6. Percentual de amostras de méis contaminadas por Bacillus cereus provenientes de municípios (a) endêmicos para a CEB e (b) livres da CEB 3.5 Selo de Inspeção Sanitária O selo de inspeção sanitária indica que aquele produto passa por analises que comprovam a sua qualidade e segurança, para um produtor obter esse selo ele deve passar por uma analise que verifica sua instalação, localização e utilização de Boas Praticas Apícolas. Não houve diferença alta entre as amostras provenientes de municípios endêmicos e livres para a CEB. 88% das amostras oriundas de municípios endêmicos não apresentavam selo de inspeção, e 81% das amostras oriundas de municípios lvres para a CEB, também não apresentavam selo de inspeção, estudos anteriores não abordam essa questão que revela o alto percentual de produtos clandestinos circulantes no estado do Rio de Janeiro. Esse alto número de méis comercializados sem um selo de inspeção revela que a apicultura no estado do Rio de Janeiro apresenta-se de forma amadora. A dificuldade do acesso dos apicultores a certificação é um dos motivos desse baixo numero de méis inspecionados. A solução para essa questão pode estar no cooperativismo (LENGLER et al, 2007), segmentanto as responsbilidades entre os integrantes para atender as exigências da legislação em vigor. A proporção dos diferentes selos de inspeção encontrados nas amostras de méis comercializadas no estado do Rio de Janero esta apresentada na figura 7. 7% 5% 9% (b) (a) 0% 1% 9% sem SIE SIM SIF 88% 81% *SIM=Selo de Inspeção Municipal/SIE= Selo de Inspeção Estadual/SIF= Selo de Inspeção Federal Figura 7. Proporção dos diferentes selos de inspeção em méis (a) de municípios endêmicos para a CEB e (b) municípios livres da CEB 4. CONCLUSÕES * A proporção dos méis contaminados foi superior nas amostras oriundas de municípios com CEB. *A prevalencia de B.cereus no mel não sofreu influência do status de CEB dos municípios. *O percentual de méis não inspecionados foi elevado em todo estado 5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA APHA, American Public Health Association - Compendium of Methods for the Microbiological Examination of Foods. Washington, 4ª ed., 2001. BOGDANOV, S.. Contaminants of bee products, Apidologie, 37, 1-18.2006. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria nº 137, de 5 de junho de 2006. Regulamento Técnico do Programa Nacional de Sanidade Apícola – PNSAp. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, n.109, p.1-6, 8 jun. 2006. FRIES, I.; LINDSTROM, A.; KORPELA, S. Vertical transmission of American foulbrood (Paenibacillus larvae) in honey bees (Apis mellifera), Veterinary Microbiology, v 114, p 269274, 2006. GILLARD, M; CHARRIERE, J.D.; BELLOY, L. 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