Plano Local de Habitação de Interesse Social Prefeitura Municipal de Valinhos 1 Apresentação Pela primeira vez na história de Valinhos, elabora-se um Plano de Habitação que, articulado ao Plano Diretor, apresenta um diagnóstico completo da situação habitacional na cidade, define as diretrizes, estratégias, linhas de ação e programas, estabelecendo as metas para o atendimento das necessidades habitacionais do município. A Lei 3842/2004, que instituiu o Plano Diretor do Município, estabelece, em seu artigo 7º, os objetivos gerais da política urbana como “estabelecer o regime urbanístico, levando em conta o pleno desenvolvimento da função social do Município, a distribuição mais justa e racional dos serviços públicos no Município, a criação de melhores condições de vida, o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente natural e construído, de forma a assegurar a constante melhoria do bem-estar de seus habitantes.”, ratificando o artigo 6º da Constituição Federal que consagra o direito à moradia digna, “... garantir o direito universal à moradia digna, democratizando o acesso a terra e aos serviços públicos de qualidade”. A mesma Lei estabelece os objetivos e as diretrizes para a política municipal de habitação e, para o cumprimento dessas funções, o Poder Executivo Municipal ora elabora o Plano Municipal de Habitação. A questão do acesso a condições dignas e estáveis de moradia mediatiza o cotidiano de uma população, com reflexos em vários outros determinantes do desenvolvimento humano, social e econômico dos cidadãos do município. Conceber programas para compor a Política Habitacional exige, portanto, que os diagnósticos que orientam o planejamento partam de uma visão ampla e integrada de gestão pública, apontando de forma inequívoca quais são os atores sociais e os diferentes interesses que compõem a dinâmica desta área. 2 Tal ponto de partida essencialmente irá garantir uma concepção consistente dos problemas da habitação no município, suas causas e efeitos, permitindo escolhas que definam as prioridades a partir de critérios apropriados, atendendo ao interesse público e às reais necessidades dos cidadãos. A elaboração do PLHIS insere-se no contexto de mudanças no quadro institucional responsabilização no dos país, que municípios aponta pela para a progressiva permanente elaboração, execução e avaliação/adequação de políticas como a urbana e a habitacional. Marco inicial nesse quadro, a Constituição Federal de 1988, no bojo do processo de redemocratização pelo qual passava o país, concretiza a descentralização administrativa e fortalece o papel dos municípios. Fazem parte desse contexto a aprovação do Estatuto da Cidade, em 2001, a criação do Ministério das Cidades em 2003, e a criação do Sistema Nacional de Habitação (SNH), que se propõem a articular as ações e recursos das diversas esferas de governo e dos agentes comprometidos em enfrentar o problema habitacional. Neste Sistema, insere-se o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, fruto de anos de mobilização dos movimentos por moradia e reforma urbana. Esse moderno desenho institucional coloca para os municípios, a tarefa de criar e aperfeiçoar o seu quadro normativo próprio, a partir dos instrumentos criados pelo Estatuto das Cidades e das responsabilidades que passam a assumir, criando mecanismos administrativos, no âmbito de suas políticas habitacionais, que permitam atender às exigências dos Planos Diretores e, agora, a adesão ao SNH. Valinhos, com o PLHIS, completa as condições necessárias para ratificar sua adesão ao Sistema Nacional de Habitação, o que coloca o município, em tese, em posição adequada para obter recursos federais e estaduais para elaborar e executar seus programas e projetos. Com o PLHIS, o município passa também a dispor de um 3 instrumento que lhe permitirá dar um novo salto de qualidade na gestão de sua política habitacional. Neste contexto “Atender à demanda por ações de Política Habitacional de forma equânime, priorizando o atendimento aos cidadãos sob situação de vulnerabilidade e ou risco social, bem como, em situação de pobreza.”, é o objetivo maior do Governo. Tal prioridade orienta a questão do ordenamento e dos prazos de atendimento para execução dos programas, projetos e atividades, porém, sem qualquer reflexo no sentido de eliminar algum cidadão do conjunto que constitui o “público alvo” da política habitacional. Dentro deste cenário a Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação se constitui no gestor desta Política Pública agregando os parceiros e apoiadores necessários à consecução dos programas, projetos e atividades desta área. Ao constituir em uma Secretaria Municipal área específica para cuidar das questões da Habitação, o Poder Público explicita o grau de importância e prioridade desta Política Pública, tratando-a como um dos focos de suas ações estratégicas dentro do Plano Municipal de Governo. As diretrizes da Política Pública da Habitação, bem como seu objetivo geral permitem detalhar objetivos específicos para atuarem como “regras de decisão” a serem usadas pelos gestores públicos responsáveis pelo planejamento estratégico das ações. Assim a expressão pública do Plano Municipal de Governo poderá ser observada na fala dos gestores públicos e no conteúdo de suas práticas. 4 Sumário 1. O Município de Valinhos ............................................................... 9 1.1 Histórico e Evolução Urbana .................................................. 9 1.2 Aspectos Gerais .................................................................. 19 1.3 Aspectos Socioeconômicos .................................................. 21 1.4 Inserção Regional ................................................................ 25 2. Caracterização da Habitação no Município de Valinhos ............. 31 2.1 Histórico da Política Habitacional de Valinhos .......................... 31 2.2 Demanda Habitacional ......................................................... 33 2.2.1 Dados Municipais e o Cadastro Habitacional ......................... 33 2.3 Déficit Habitacional .............................................................. 36 2.3.1 Caracterização Áreas de Risco ............................................ 49 3. Custo da Habitação no município de Valinhos ............................. 52 4. Instrumentos de Gestão ............................................................. 55 4. 1 Marcos Regulatórios ........................................................... 55 4.2 Estrutura Institucional, Administrativa e Financeira ................. 60 5. Plano Local de Habitação de Interesse Social ............................ 66 5.1 Princípios, Diretrizes ............................................................ 66 5.2 Eixos Orientadores .............................................................. 68 5.3 Definições e Conceitos ......................................................... 69 5.4 Programas, Projetos e Ações................................................ 74 6. Sistema de Monitoramento e Avaliação....................................... 91 6.1 Diretrizes e Ações para o Monitoramento e Avaliação ............... 91 6.2 Sistema Municipal de Informações Habitacionais ..................... 91 6.2.1 Ações complementares............................................. 92 6.3 Objetivos ........................................................................... 93 Referências Bibliográficas ................................................................... 96 Siglas & Glossário .............................................................................. 98 ANEXOS ......................................................................................... 103 5 I ntrodução Este documento traz em seu corpo a terceira etapa do processo de elaboração do Plano Local de Habitação de Interesse Social – PLHIS de Valinhos, etapa esta que tem como finalidade articular a política habitacional vigente no município, suas diretrizes e estratégias, com a formatação da política pública habitacional municipal em torno de programas, metas e ações, de forma que sua implementação possa ser monitorada e avaliada através de um sistema pautado por indicadores que possam subsidiar a posterior revisão do plano num horizonte temporal não inferior a 10 anos. Ao tratar de um horizonte temporal não inferior a 10 anos, tal plano configura-se num planejamento de longo prazo, no qual são definidas as ações, metas e estratégias fundamentais para que os objetivos de tal política sejam atingidos. Desde a elaboração do Diagnóstico Habitacional do Município, incluindo a discussão da proposta metodológica para a elaboração deste e a formulação do PLHIS de Valinhos, todo o trabalho consistiu num processo no qual as atividades realizadas foram desenvolvidas com o envolvimento dos técnicos municipais e a partir de discussões com membros do Conselho Municipal de Habitação, e com a população do município. Tal dinâmica contou ainda, durante toda a sua elaboração, com a consultoria técnica externa, por meio da D’Accord Assessoria e Treinamento. Como resultado do processo acima descrito o presente texto traz consigo as propostas resultantes, consistindo assim o Plano numa sistematização das discussões e estudos realizados, para que possam servir de subsídio à tomada de decisão governamental, e também, para o acompanhamento do desenvolvimento da Política Habitacional local. 6 O texto divide-se em 6 capítulos. Os capítulos de 1 a 4 consistem na apresentação do Diagnóstico Habitacional do município, incorporada ao plano a fim de contextualizar a problemática habitacional do município, proporcionando assim o entendimento das ações apresentadas por este PLHIS. Os capítulos 5 e 6 tratam do PLHIS, sendo primeiramente apresentados os Princípios e Diretrizes, Eixos Orientadores e os Programas Projetos e Ações que compõem o PLHIS. Na sequencia o texto trata do Sistema de Monitoramento e Avaliação, apresentando diretrizes, conceitos e as ações necessárias para a realização do monitoramento e avaliação deste PLHIS. O documenta apresenta ainda em anexo a memória de todo o processo de elaboração deste PLHIS, por meio de lista de presenças e registros fotográficos. 7 Diagnóstico Habitacional do Município de Valinhos 8 1. O Município de Valinhos 1.1 Histórico e Evolução Urbana O processo de urbanização no município de Valinhos tem como ponto de partida o ano de 1732, quando o conde de Sardezas, Antonio Luiz de Távora, então governador da província de São Paulo, concedeu a sesmaria do Ribeirão Pinheiro ao sesmeiro Alexandre Simões Vieira. Esta concessão foi feita após Alexandre ter descoberto um novo caminho de Jundiaí a Goiás, que substituía o percurso utilizado até então por ser mais curto e de melhor acesso, assim favorecendo a exploração do ouro descoberto nas terras goianas. Além disso, o sesmeiro teria feito uma “roça” de proporções razoáveis, casas de moradas e pousos que serviam para dar suporte aos viajantes bandeirantes e tropeiros. Nomeado como Pouso de Pinheiros, o local é considerado como o primeiro marco oficial de uma área dentro do atual município de Valinhos. O início do povoamento da área data de 1741, quando Francisco Barreto Leme e sua família se instalaram na região. Pertencente ao município de Jundiaí, Campinas ainda chamava-se bairro de Campinas do Mato Grosso quando a sesmaria do Ribeirão Pinheiro foi outorgada. O bairro de Jundiaí, em 1774, é elevado à categoria de Distrito, já Campinas torna-se município em 1797. O desenvolvimento da área começa a partir do surgimento de grandes fazendas no local. Em 1819, Campinas possuía em torno de 100 engenhos, onde a produção alcançava cerca de duas mil arrobas. Com a valorização do café, em 1850, fazendas cafeeiras são implantadas para concorrerem com a produção de açúcar e, em 1860, Campinas já possuía em torno de 18 mil habitantes. Em 1870, devido às grandes geadas que arrasaram as lavouras da Província de São Paulo, se fez necessária a busca de terras “livres” para dar 9 continuidade a produção, e Campinas foi a solução. Assim, com a nova demanda para escoar o que era produzido na área, é inaugurada, em 1872, a via férrea entre Campinas e Jundiaí e também a pequena estação ferroviária de Valinhos. A produção de café crescia a cada temporada, e os aspectos econômicos e sociais mudavam na medida em que a área progredia. Um grande aumento populacional se deu, nas décadas de 1870 e 80, com a imigração européia e com abolição dos escravos. Além disso, outro fator importante que colaborou para chegada de novos moradores foi a epidemia de febre amarela ocorrida em 1889 em Campinas, que fez com que pessoas procurassem, entre outras, a vila de Valinhos como local de fuga. Nesse mesmo ano é convocada a assembléia Legislativa para que fossem tomadas providências sobre o saneamento básico da cidade e com isso evitar o aparecimento de novas epidemias. Assim, é transferida para Valinhos a Sexta Secção Eleitoral de Campinas e, em 1893, é inaugurado o “Distrito Policial de Valinhos”. Em 1896, começa a ser construída a Igreja de São Sebastião próximo a estação de trem, que na época já apresentava residências e pequenos comércios em seu entorno. Ainda em 1896, o Congresso Estadual criou a Lei 383 que elevou a vila de Valinhos à categoria de Distrito da Paz, da Comarca de Campinas, que utilizou as mesmas divisas do “Distrito Policial” para definir seus limites. O Cartório de Registros foi inaugurado em 1897 e, segundo registros nos últimos anos daquele século, Valinhos possuía, aproximadamente, as seguintes instalações: 22 fazendas grandes, 70 fazendas pequenas, uma fábrica de sabão, uma igreja, 7 escolas, 70 prédios, 8 ruas e uma praça. Valinhos, a partir de 1910, passa a ter reconhecimento nacional e internacional pela produção de Figo Roxo em escala comercial. 10 Conhecida como a capital do Figo Roxo, Valinhos tem até hoje, como seu principal evento turístico, a Festa do Figo. Já em 1921, é inaugurada a Fonte Sônia, propriedade de Orosimbo Maia, que fora prefeito de Campinas. Tratava-se de uma espécie de “hotel fazenda” que abriu portas para outros empreendimentos deste tipo no local. Em 1953, o Governo do Estado promulga a Lei 2456, criando o município de Valinhos. A primeira eleição aconteceu dia 3 de outubro de 1954, sendo eleito Jerônymo Alves Corrêa. O município é oficialmente instalado no dia 1º de Janeiro de 1955, quando tomaram posse o prefeito e os 13 vereadores. O processo de urbanização consiste na apropriação do espaço pelo homem através de diversas ações - habitar, recrear, trabalhar, circular - ocorrendo fisicamente de muitas formas, ou seja, através do uso e da ocupação do solo, envolvendo atualmente grandes concentrações populacionais, distribuídas de forma mais ou menos densa no território urbano. Em Valinhos, quanto ao crescimento populacional, decorrente do processo brasileiro de desenvolvimento, que, como outros, teve a indústria como mola propulsora, atraindo a população rural para as cidades e muitas vezes encampando como urbanas, áreas até então rurais, verifica-se que ocorreu de forma diferente da evolução da malha urbana. Este crescimento, ocorrido nas décadas analisadas, pode ser verificado na tabela a seguir. Ainda que as taxas de crescimento em estudo tenham decrescido nas décadas de 60 e 70, passando de 1,83% em 1960 para 1,61% em 1970, nas décadas de 80 e 90 elas crescem para 3,02% e 2,63% respectivamente. Com isso a população foi multiplicada por 8 neste período. 11 Evolução Urbana Fonte: SOUZA, Rodrigo Souza Busnardo de. A Fazenda Capuava em Valinhos: estudo de caso de evolução urbana. Campinas, 2009. Estes dados vêem demonstrar o crescimento desenfreado ocorrido, conseqüência do modelo econômico vigente e sem que tenha sido acompanhado do planejamento para a ocupação do espaço. Pois se é a cidade que dá condições de vida à população, como espaços de consumo coletivo, através das atividades antrópicas, estas geram conseqüências ou externalidades. No caso das metrópoles, as externalidades são, em sua maioria, negativas, pois que decorrentes do crescimento econômico calcado na acumulação industrial, propiciando característica ainda as deseconomias mais da acentuada aglomeração, nas metrópoles subdesenvolvidas. Kowarick & Campanário (1994, p. 54), ao apresentarem a Grande São Paulo como metrópole do subdesenvolvimento industrializado, afirmam que “a antiga divisão internacional do trabalho, caracterizada pela concentração de atividades manufatureiras na Europa e Estados Unidos, cedeu lugar a uma nova configuração, em que os novos países industrializados ganharam importância como centros de acumulação e valorização do capital multinacional”. A industrialização com a posterior diversificação de atividades de serviços e de relacionamento entre cidades criou um “surto de 12 superurbanização”, expressão cunhada por Cohen (apud Kowarick & Campanário, idem, p. 66) para o crescimento da RMSP desde 1950. É a mesma tendência que se verifica na RM Campinas, segundo Mello (1989, p. 28) a partir da mesma década, pois de 1945 a 1955 a área urbana de Campinas cresce em mais de 200% e após 1950 a população urbana praticamente dobra a cada década. De 1960 a 1980, a população da cidade de Campinas salta de 219,6 para 664,6 mil. Valinhos, inserida na região de Campinas, também sentiu os efeitos deste processo de desenvolvimento e crescimento populacional, atingindo nos dias atuais um altíssimo grau de urbanização, apresentado na Tabela 2. Atualmente, o grau de urbanização no Sudeste atinge um valor bem alto de 90,5% enquanto o de Valinhos, 94,6%. Grau de Urbanização Fonte: SOUZA, Rodrigo Souza Busnardo de. A Fazenda Capuava em Valinhos: estudo de caso de evolução urbana. Campinas, 2009. Com a emancipação de Valinhos em 1955, a cidade continuou se desenvolvendo, crescendo, enfim se urbanizando, sendo possível verificar nos gráficos 1 e 2 o ritmo de crescimento da malha urbanizada, por décadas, em número de unidades urbanas, sejam lotes, unidades autônomas em condomínios horizontais ou apartamentos em condomínios verticais, como também em metros quadrados de território. No gráfico 1, pode-se verificar que nas décadas de 50 e 70 há um aumento muito grande na geração de unidades urbanas, relativamente às décadas de 60 e 80, sendo 7.648 e 7.305, respectivamente. 13 O crescimento da década de 50 pode ser explicado pela industrialização, que, segundo Santos (1993, p. 27), é um “processo social complexo que inclui tanto a formação de um mercado nacional quanto esforços de equipamento do território para torná-lo integrado, como a expansão do consumo em formas diversas, o que impulsiona a vida de relações (leia-se terceirização)”. É esta lógica que a partir dos anos 1940-1950 “ativa o próprio processo de urbanização” e que, culminou, inclusive, na emancipação da cidade. O crescimento da década de 70 teve origem no “milagre econômico” brasileiro, que viabilizou maiores investimentos no país, inclusive no setor imobiliário, sendo nessa década, conforme Santa (idem, p. 69), que o processo de urbanização conhece uma aceleração e ganha novo patamar, consolidado na década seguinte. Fonte: Extraído do Plano Diretor III A década de 80 caracteriza-se pelo baixo crescimento tanto do número de unidades quanto da área urbanizada devido à recessão econômica que dominou o país (vide gráficos 1 e 2). 14 Fonte: Extraído do Plano Diretor III Já na década de 90 o crescimento é ainda maior que nas décadas de 50 e 70, atingindo 10.464 unidades aprovadas, sendo que destas, 8.783 estão disponibilizadas, ou seja, implantadas de fato, e 1145 estão em processo de implantação. Por outro lado, ao se analisar o gráfico 2, verifica-se que os picos de crescimento das áreas urbanizadas ocorreram nas décadas de 50, 60 e 70 (8.382.093,38m²; 13.883.903,49m²; e 10.076.141,32m² respectivamente) e diferentemente do observado no gráfico 2, a década de 90 apresenta-se com um valor relativamente baixo, 2.906.547,46m². Esta diferença é explicada pela forma de ocupação do território da cidade. Nas décadas de 50 a 70, o parcelamento do solo ocorreu sob a forma de chácaras de recreio, localizadas longe da malha urbana existente sendo que as áreas dos lotes variaram, em média, de 1.000m² (Vale Verde, Estância Recreativa San Fernando, Vale do Itamaracá) a 28.000m² (Chácaras das Nações), implicando em densidades muito baixas. A implantação destes loteamentos se efetivou com pouca infraestrutura, somente com abertura das vias e rede de energia elétrica. 15 O abastecimento de água inicialmente se deu através de poços individuais, sendo posteriormente construídos poços profundos para abastecimento local; o esgotamento sanitário é feito por fossas sépticas. Na Tabela 3, fica demonstrado que as chácaras de recreio foram realmente significativas na forma de ocupação da cidade. Elas responderam por 28,58% do número de unidades urbanas geradas na década de 50, por 49,67%, na década de 60 e por 28,81% na década de 70. Parcelamento do Solo em Valinhos Fonte: Extraído do Plano Diretor III Assim, apesar da carência de infra-estrutura, esta forma de parcelamento é que conduziu a ocupação da cidade para o veraneio ou lazer, caracterizando a qualidade de vida. Pois este processo aliado aos fatores de não absorção dos problemas habitacionais da região metropolitana, fizeram da cidade um ‘oásis’ de vida saudável. Na década de 90, embasado no consolidado status de qualidade de vida, o que ocorreu foi diversamente oposto: de forma explosiva o crescimento das unidades urbanas processou-se com densidades comparativamente muito altas, pois a apropriação do espaço urbano se consolida com a ocupação sob a forma de condomínios ou loteamentos fechados com as áreas de suas unidades variando de 16 200m², como, por exemplo, o “Condomínio Tabatinga”, a 500m² como o loteamento “Reserva Colonial”. Devido à existência das chácaras de recreio, a cidade tornou-se atraente sob o aspecto habitacional para a população com perfil de melhor poder aquisitivo, classes média a alta que emigrou maciçamente da região em busca da segurança dos núcleos fechados, da inexistência de favelas, além de um pretenso padrão estético de beleza. Esta nova tendência reforçou o padrão superior de qualidade de vida, contribuindo definitivamente para criar um ciclo que mantém o status e conseqüentemente o elevado custo da terra. Além disso, reforçou também a tendência de “cidade dormitório” como primeira conseqüência. Até 1950 a ocupação se deu na região hoje central, na Vila Santana e ao longo da via férrea e do Ribeirão Pinheiros que cruzam a cidade no sentido leste-oeste. Nas décadas de 50 a 70, o crescimento foi ocorrendo ao redor da área central e mais distante da área urbanizada, a SE, sob a forma de parcelamento das antigas fazendas em chácaras de recreio, que, como já demonstrado acima, são a marca da cidade enquanto formas de ocupar e usar o espaço, pois, como afirmam Brunn & Willians (1993, p. 26), "as funções econômicas são chaves para o crescimento das cidades". Por isso, é neste período, de 50 a 70, que começa a se delinear um perfil de cidade de veraneio ou de fim de semana, já que as atividades econômicas não têm crescimento semelhante ao número de unidades urbanas geradas. Apesar de esta forma de ocupação apresentar-se com densidade populacional menor que a dos loteamentos efetivamente urbanos, já que sua finalidade não é estritamente urbana - lazer campestre - e apresentar-se também sem redes de abastecimento de água, esgotamento sanitário, sistemas de drenagem e pavimentação das 17 vias, sua localização e a efetiva utilização dessas chácaras imprimiram na cidade um logotipo de "qualidade de vida" que, na década de 90, atraiu os condomínios e loteamentos de 'luxo'. Estes se concentraram na região SE, a mesma onde se encontram a maioria dos loteamentos de chácaras. Por fim, pode-se afirmar que, apesar do caos urbano em que se encontram muitas cidades da região, a cidade de Valinhos ainda se destaca pelo bem-estar oferecido aos habitantes. MAPA DE EVOLUÇÃO URBANA 18 1.2 Aspectos Gerais Valinhos está situada a 90 km da capital São Paulo, é uma das 19 cidades da Região Metropolitana de Campinas e integra o Circuito das Frutas, criado para desenvolver o agroturismo na região. O município de Valinhos possui relevo fortemente acidentado, formado pelos últimos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Possui rios, ribeirões e córregos, somando 91.920 metros de águas, com vegetação típica da Mata Atlântica, sua composição hidrográfica compreende os rios Atibaia e Capivari; os ribeirões Dois Córregos, Bom Jardim e Pinheiros; e os córregos da Invernada, da Santa Escolástica e da Fazenda São Paulo. Ocupa uma área de 148,9 Km² e é o 7º município mais populoso da Região Metropolitana de Campinas, tendo idêntica posição na Densidade Demográfica com 696,82 Habitantes/Km², possui 105.728 habitantes, e estima-se que 95% seja população urbana e 5 % rural (FUNDAÇÃO SEADE). O município de Valinhos está cercado por amplo sistema viário de alta qualidade, tendo como eixos principais as rodovias Anhangüera, Bandeirantes, Dom Pedro I, e o anel viário José Magalhães Teixeira, que liga as rodovias Anhangüera e Dom Pedro I, além de rodovias secundárias ramificadas pelo município. Localizado próximo a cidades de grande e médio porte, encontramos como cidades limítrofes: Campinas ao norte e oeste, Vinhedo ao sul, Itatiba a leste, Itupeva no sudoeste e ao nordeste o município de Morungaba. Valinhos revela oportunidades de negócios em função da base produtiva, e a situação privilegiada de sua localização permite forte comércio e serviços. O município vem apresentando um crescimento 19 populacional muito acima da média das décadas anteriores. Sendo que, o crescimento populacional absoluto, entre os anos 70 e 90, a população aumentou em 52 mil pessoas e de 2001 a 2007 foram 24.500. Ou seja, a cidade cresceu nos últimos 9 anos praticamente a metade do total dos últimos 30 anos. A taxa de crescimento geométrica da população entre 2000 a 2010 é de 2,47%. Isso se deve principalmente a qualidade de vida, a localização privilegiada e as oportunidades que o município oferece. Ao mesmo tempo, Valinhos é uma cidade pequena territorialmente e restam apenas poucos terrenos e glebas em áreas com infraestrutura urbana necessária para moradia, o que leva o mercado imobiliário a optar pela verticalização das construções residenciais e não mais a criação de loteamentos ou condomínios horizontais. Observa-se também que o intenso crescimento urbano de Valinhos e cidades vizinhas provocaram o efeito da conurbação. Fonte: Plano Diretor III 20 1.3 Aspectos Socioeconômicos A produção industrial diversificada, com ênfase em setores dinâmicos e de alta tecnologia, coloca o município de Valinhos no 44° lugar em Valor Adicionado no Estado e 63º lugar em Valor Adicionado per capita (dados de 2008). O Produto Interno Bruto (PIB) total é de aproximadamente R$ 2.655.920,00 (dados de 2007). O PIB per capita é de R$ 27.152,75, o 5º dentre as 19 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) e 49º do Estado. (Fundação SEADE). O Setor primário, isto é, a agricultura é bastante valorizada, não somente no sentido econômico, mas também no sentido cultural. Valinhos é conhecida como a Capital do Figo Roxo, cultura agrícola que atraiu também o plantio de outras frutas, como goiaba (a principal delas), uva, pêssego, caqui, manga, acerola, lichia, siriguela e carambola, entre outras. O Valor Adicionado deste setor representa 1,25% do Total do Valor Adicionado do município. O setor caracterizada, metalurgia, farmacêuticos secundário, ou principalmente produtos e de de seja, pelas higiene, materiais e a economia indústrias é áreas de das alimentícios, equipamentos industrial de de limpeza, transporte, destacando-se cinco grandes indústrias: Unilever, Rigesa, Eaton, CHR-Hansen e Ativus. A participação deste setor no Valor Total Adicionado é de 45,98%, o perfil do município é considerado como industrial pela Fundação SEADE. Total de Estabelecimentos Industriais 405 Número de Empregos na Indústria 9726 Dados: Plano Diretor III No setor terciário, ou seja, a prestação de serviços e comércio, Valinhos não possui grande destaque no cenário nacional, entretanto, ao considerarmos o âmbito municipal temos neste setor econômico o 21 maior gerador de empregos do município, sendo que hoje a cidade tem à sua disposição uma estrutura adequada de fornecimento de bens e serviços. Hoje, existem instalados no município os seguintes segmentos dentro do setor de serviços: transporte, comunicação, pessoais, diversão, domiciliares, alojamento e alimentação, reparação e manutenção, médicos e odontológicos, ensino, sociais, serviços auxiliares e serviços públicos. A participação do setor de Serviços no Valor Total Adicionado é de 52,77%. Valor Adicionado Total, por Setores de Atividade Econômica, Produto Interno Bruto Total e per capita a Preços Correntes - 2007 Valor Adicionado Municípios Serviços (em milhões de reais) Agropecuária Indústria (em milhões de (em milhões Administração reais) de reais) Pública ESTADO DE SÃO PAULO 14.956,57 225.125,05 67.321,89 Valinhos 28,63 1.050,39 212,97 Total (2) Total (em milhões de reais) 519.980,79 760.062,40 1.205,37 2.284,39 PIB (3) (em milhões de reais) PIB per Capita (4) (em reais) 902.784,27 22.667,25 2.655,92 27.152,75 Fonte: Fundação Seade; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (1) Dados sujeitos a revisão. (2) Inclui o VA da Administração Pública. (3) O PIB do Município é estimado somando os impostos ao VA total. (4) O PIB per Capita foi calculado utilizando a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. No âmbito da organização social do município, podemos observar que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Valinhos é considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo seu valor de 0,842. Considerando apenas a educação o valor do índice é de 0,911, enquanto o do Brasil é 0, 849, o Índice da longevidade é de 0,782 (o brasileiro é 0, 638) e o de renda é de 0,832 (o do Brasil é 0,723). Ao 22 analisarmos os indicadores sociais do município com base nos dados do PNUD de 2000, observamos que Valinhos possui a maioria dos indicadores elevados, a taxa de alfabetização é 5,58. O coeficiente de Gini, usado para avaliar a desigualdade social, é de 0,401. A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 10,18 %. Valinhos tem melhorado todos os seus indicadores nos últimos anos, mostrando que a melhoria na qualidade de vida vem aumentando. A título de informação geral, os dados do último Censo do IBGE também mostram que a população valinhense é composta de 50,15% de mulheres. Uma análise das condições de vida de seus habitantes mostra que, em 2005, segundo dados da Fundação João Pinheiro, 14,69% dos domicílios de Valinhos (cerca de 3.267 unidades) tinham seus responsáveis com renda de até 3 salários mínimos e 17,55% ( cerca de 3.902 unidades) tinham seus responsáveis com renda de 3 a 5 salários mínimos. Por outro lado, é importante destacar que 37,01% dos domicílios (cerca de 8.230) tinham seus responsáveis com renda superior a 10 salários mínimos. Com base no Índice Paulista de Vulnerabilidade Social, divulgado periodicamente pela Fundação SEADE, podemos observar a distribuição dos domicílios acima citados quando avaliados por este critério. 1 Nota técnica: Se o Índice de Gini fosse igual a 1,00 teríamos o máximo de desigualdade e se fosse igual a 0,00 não haveria qualquer desigualdade. 23 Fonte: Fundação Seade “Uma análise das condições de vida de seus habitantes mostra que os responsáveis pelos domicílios auferiam, em média, R$1.202, sendo que 34,5% ganhavam no máximo três salários mínimos. Esses responsáveis tinham, em média, 7,1 anos de estudo, 45,5% deles completaram o ensino fundamental, e 5,8% eram analfabetos. Em relação aos indicadores demográficos, a idade média dos chefes de domicílios era de 46 anos e aqueles com menos de 30 anos representavam 12,9% do total. As mulheres responsáveis pelo domicílio correspondiam a 17,4% e a parcela de crianças com menos de cinco anos equivalia a 7,2% do total da população” (FUNDAÇÃO SEADE). Nota-se também que, em comparação ao estado de SP, Valinhos apresenta menores índices de vulnerabilidade social, concentrando 81,6% da população entre os níveis de nenhuma, muito baixa e baixa vulnerabilidade, enquanto o estado concentra 62,4% da população nessas faixas. Cabe destacar que o município concentra somente 2% da população no nível de muito alta vulnerabilidade, enquanto 9,8% da população do estado encontramse nesse nível. 24 Estado Valinhos Em % 40,0 33,5 33,5 35,0 30,0 23,3 25,0 22,2 20,2 20,0 18,0 17,6 15,0 10,0 6,9 9,8 8,4 4,6 5,0 2,0 0,0 1- Nenhuma 2- Muito Baixa Vulnerabilidade 3- Baixa 4- Média 5- Alta 6- Muito Alta Fonte: Fundação SEADE 1.4 Inserção Regional O município de Valinhos integra a Região Metropolitana de Campinas, formada por 19 municípios, contendo uma área total de 3.673 Km², representando 1,5% do território paulista e uma população de 2,63 milhões de habitantes. Esta região caracteriza-se por uma intensa dinâmica econômica marcada por grande concentração industrial, existência de centros universitários e de pesquisa de destaque e um amplo sistema viário. Possui também o aeroporto de Viracopos, localizado na cidade de Campinas, que é o segundo maior aeroporto do país, destacando-se pelo volume de cargas transportadas e com grandes empresas de carga expressa. Um terço das mercadorias exportadas e importadas pelo Brasil passa por esse aeroporto. 25 Região Metropolitana de Campinas Fonte: PLANO INTEGRADO DE TRANSPORTE URBANO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS. Campinas: STM, 2004. Valinhos é a 7º cidade mais populosa da região e possui taxa de crescimento de 2,45, sendo menor que a da RMC, porém maior que a estadual e a nacional. Seu território representa 4,1% do território total da RMC onde Campinas caracteriza-se por ser a principal centralidade. O território de Campinas representa 21% do total da região. A região tornou-se, a partir da década de 70, um dos principais pólos de interiorização do desenvolvimento econômico do estado de São Paulo. Este processo se reflete na taxa de crescimento da região que, apesar de recentemente apresentar queda, seguindo uma tendência nacional, ainda é maior que o nacional e o estadual. 26 Região Metropolitana de Campinas: Evolução da População Residente, segundo os Municípios: 1970-1980-1991-2000-2007 Fonte: PLANO INTEGRADO DE TRANSPORTE URBANO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS. Campinas: STM, 2004. Em relação ao crescimento populacional da região, de acordo com o cenário tendencial apresentado pelo Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU) para a Região Metropolitana de Campinas, prevê-se um crescimento populacional de 27,88% no período entre 2000 e 2015, levando a RMC a abrigar uma população total de 2,99 milhões de habitantes. A cidade de Valinhos tem uma tendência importante quanto às projeções de população, uma vez que é a 3º colocada da RMC no que diz respeito à população idosa, possuindo 11,83% de pessoas com 60 anos ou mais. 27 Estimativas elaboradas em 1991, relacionadas às condições de vida e vulnerabilidade da população, sobretudo nas famílias da RMC, apontam que “havia 86,9 mil chefes de domicílios vivendo abaixo da linha de pobreza extrema na Região Metropolitana de Campinas, enquanto em 2000, a quantidade de chefes de domicílios pobres tinha crescido para 105,9 mil.” (POCHMANN, 2002: 143) No âmbito do setor econômico, no que diz respeito aos vínculos empregatícios e ao rendimento médio dos trabalhadores, observamos que o setor terciário predomina no município de Valinhos, tanto na participação no total de vínculos empregatícios, quanto no rendimento médio dos trabalhadores. Porém, quando analisamos separadamente os setores de comércio e serviços notamos que o setor industrial predomina na cidade. Esse setor (industrial) possui maior representatividade também em comparação à Região Metropolitana de Campinas ao estado de São Paulo. Nota-se município, que na a RMC agropecuária e no segue estado, o sendo mesmo o setor sentido de no menor representatividade, seja no total de vínculos empregatícios, seja no rendimento médio dos trabalhadores, explicitando a predominância do meio urbano ao rural evidenciada na RMC como um todo. 28 Comportamento dos setores econômicos em Valinhos, RMC e Estado de São Paulo: vínculos empregatícios e rendimento médio dos trabalhadores Participação do setor no total de vínculos Rendimento Médio dos trabalhadores do Setor empregatícios em 2008 (%) Setor em 2008 Econômico Valinhos RMC Est. SP Valinhos RMC Est. SP Agropecuária 0,96 2,24 3,2 Indústria 39,86 31,83 23,46 2.341,42 2,65 3,56 4,39 1.002,55 1.401,61 1.297,33 Comércio 18,07 20,55 19,01 1.090,29 1.123,49 1.211,80 Serviços 38,46 41,82 49,93 1.564,80 1.799,00 1.771,40 712,24 844,89 2.167,53 876,36 1.975,31 Construção Civil Fonte: Fundação SEADE “A pesquisa origem/destino (OD), realizada em 2003, registrou que ocorriam, diariamente, 3.602.236 deslocamentos de pessoas entre os municípios da RMC. Deste total, 28,42% das viagens eram realizadas em transporte coletivo, 35,72% em transporte individual, e 64,14% em transporte motorizado. “Cabe destacar que as duas principais motivações para os deslocamentos na RMC são a educação (com 1.379.126 viagens) e o trabalho no ramo de serviços (840.182 viagens).” (Plano Metropolitano de Habitação de Interesse Social da RMC) 29 Região Metropolitana de Campinas: Produção e Atração de Viagens Fonte: PLANO INTEGRADO DE TRANSPORTE URBANO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS. Campinas: STM, 2004. Notamos, na análise do mapa de Produção e Atração de Viagens, que o predomínio de viagens realizadas no município de Valinhos se concentra no eixo Valinhos – Campinas, possuindo uma faixa de 2.000 a 5.000 viagens/dia. Este dado demonstra que, apesar do avanço das relações econômicas e comerciais internas, ainda existe considerável dependência em relação ao município central da Região Metropolitana. Mesmo com a dependência citada, observa-se que, em 2000 existia uma concentração das receitas correntes e de capital na RCM, sendo que 71,1% de toda a renda se concentrava em apenas cinco municípios, de acordo com o Plano Metropolitano de Habitação 30 de Interesse Social, de 2009. São eles: Campinas, Americana, Vinhedo, Valinhos e Paulínia. Portanto, é neste cenário que Valinhos hoje está inserida, das 19 cidades da RMC, o município é o 5º em número de indústrias e um dos que possui os melhores índices de qualidade de vida. (Plano Diretor III) 2. Caracterização da Habitação no Município de Valinhos 2.1 Histórico da Política Habitacional de Valinhos Antes de nos atentarmos ao histórico da política habitacional, especificamente, do município de Valinhos, devemos destacar brevemente a trajetória da política nacional deste setor, com o intuito de melhor compreender suas conseqüências e ações para a cidade de Valinhos. Entre as décadas de 1960 e 1980 o Brasil estruturou a política de Habitação com a criação do Sistema Financeiro de Habitação – SFH e do Banco Nacional de Habitação – BNH, extinto em 1986 cujos objetivos eram, segundo MILTON C.S.: a promoção da melhor distribuição geográfica dos investimentos atenuando os desníveis regionais e o ímpeto migratório para as metrópoles; a diminuição do processo de favelização; aumento do investimento nas indústrias de construção civil, de materiais de construção e bens de consumo duráveis. Resumindo, o BNH funcionava como o principal agente da política habitacional no Brasil, exercendo papel determinante na atividade da construção civil, e por conseqüência, no nível de atividade e emprego no país. O SFH possuía enquanto fontes de financiamento: a arrecadação do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) - conjunto da captação das letras imobiliárias e cadernetas de poupança e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS, 31 gerenciado pelo BNH, Banco Nacional da Habitação). Os recursos provindos do FGTS eram destinados prioritariamente para construção de casas de interesse social (conjuntos populares e cooperativas) e os principais responsáveis pela construção dessas unidades habitacionais eram as Companhias de Habitação (COHAB, empresas mistas com controle acionário do governo). A principal crítica apontada aos financiamentos do BNH é que, em sua grande maioria, as construções de edifícios e apartamentos eram destinadas à classe média, enquanto para as menores faixas de renda foram destinados conjuntos habitacionais de menor qualidade e afastados das zonas urbanas centrais, contribuindo para a intensificação de desigualdades sociais e territoriais no país. Outra crítica se relaciona à insuficiência do sistema, que produziu, durante trinta anos, apenas 5,6 milhões do total de 31,6 milhões de novas moradias produzidas no país. Devemos ressaltar que a política habitacional em toda RCM se deu com características semelhantes, implementada basicamente pela COHAB. É neste contexto que o município de Valinhos está inserido. Em abril de 1969, sob responsabilidade da Secretaria Promoção Social em parceria com a COHAB Bandeirante foi construído o primeiro núcleo habitacional contendo 293 unidades. Desde então, de 1969 a 2008 foram entregues 4.507 unidades habitacionais, das quais 2.082 foram construídas pelo município em parceria com a COHAB, 1.730 em parceria com a CDHU, 121 através de mutirões financiados pela prefeitura e 158 financiados somente pela prefeitura. Atualmente, está prevista a construção de 1.948 unidades habitacionais, tipo apartamento, através do Programa “Minha casa minha vida” em conjunto com o governo federal. Dessas moradias 688 serão para o atendimento de famílias na faixa de 0 a 3 salários 32 mínimos, 760 para a faixa de 3 a 6 salários, localizadas próximas ao bairro Parque das Colinas e aos apartamentos do Residencial Alvorada; e 500 para a faixa de 6 a 10 salários mínimos, no bairro Jardim Elisa. A partir do histórico da política habitacional do município descrito acima, podemos observar que a prefeitura municipal figura como o principal agente indutor da política habitacional do município, mesmo que atuando em parceria com outras esferas de governo como as esferas estaduais e federais. Ainda assim, cabe ressaltar importantes atores sociais no contexto da política habitacional do município, enquanto sociedade civil, com poder de influenciar a política habitacional do município como as associações Pró-Moradia do município, destacando a Associação dos Sem Casa, a Associação dos Sem Teto, a Cooperativa Habitacional e a Associação Habitacional Pró-Moradia de Valinhos. 2.2 Demanda Habitacional 2.2.1 Dados Municipais e o Cadastro Habitacional O Cadastro Habitacional do município de Valinhos foi realizado em 2009 com o intuito de verificar a demanda por habitações na faixa salarial entre 0 e 3 salários mínimos. Portanto, este dado pode ser considerado a principal fonte de identificação da demanda nessas faixas salariais. O cadastro foi realizado devido ao início do Programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal, o qual possui como um dos focos, o atendimento de famílias entre 0 e 3. Foram 6048 inscritos, distribuídos por toda cidade e os dados levantados dizem respeito à composição familiar e de renda dos inscritos, além dos dados 33 habitacionais (habitação própria, alugada, cedida e outros tipos) e pessoais de cada inscrito. Atualmente a Instrução Normativa nº 1/2010, determina que os empreendimentos, para serem considerados de “manifesto interesse social” devem atender “Obrigatoriamente o a algumas empreendedor condições; deverá dentre utilizar o elas: cadastro municipal de interessados na aquisição de unidades habitacionais do Programa Federal “Minha Casa, Minha Vida”, já realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação. Deste modo, o cadastro se consolida como a principal ferramenta para averiguação da demanda habitacional na faixa de 0 a 3 salários mínimos, cabendo destacar que os índices nacionais nos indicam que o déficit habitacional se concentra nessa faixa de salários. Considerando que todos os inscritos residem no município(devido às regras do cadastramento), notamos que os mesmos representam 5,75% do total de habitantes de Valinhos. Nota-se que 22,85% dessa demanda concentram-se em cinco localidades (utilizamos localidades, pois a identificação no cadastro não é realizada, necessariamente por bairros, contendo 229 localidades, o que não condiz com o número de bairros.), sendo o São Marcos e o Jardim Pinheiros as localidades que possuem maior número de famílias inscritas 374 e 330, respectivamente. Por fim, apresentamos abaixo os gráficos contendo a distribuição das famílias por localidade, destacando os locais onde se concentram mais de 50 famílias. 34 Distribuição das famílias de 0 a 3 s.m. (cadastradas) por localidade 374 330 231 223 222 197 181 158 150 150 126 121 113 109 102 100 Fonte: Cadastro Municipal Distribuição das famílias de 0 a 3 s.m. (cadastradas) por localidade 96 93 81 81 80 80 73 70 69 67 67 66 65 61 50 50 50 Fonte: Cadastro Municipal 35 2.3 Déficit Habitacional Para a compreensão e definição do déficit habitacional do município de Valinhos, devemos analisar os diferentes dados disponíveis em fontes oficiais, além dos coletados em campo no momento da construção do diagnóstico habitacional do município. Para tal definição, consideraremos dados da Fundação João Pinheiro, da pesquisa realizada pela Fundação CEM/CEBRAP, da prefeitura municipal, além da construção de cenários utilizando a “Taxa de Chefia” com base dados da Fundação SEADE. Os dados oficiais sobre a população do município são conflitantes. Em 2008 a população era estimada pelo IBGE em 105.282 habitantes, apresentando uma densidade populacional de 557,30 habitantes por km²; já os dados oficiais do Governo do Estado de São Paulo (SEADE) estimam que o município de Valinhos possuía naquele ano, aproximadamente, 101.316 habitantes ou residentes. Hoje a Fundação SEADE estima uma população de 105.728, e destes 52.344 são homens e 53.384 são mulheres. Nos anos desta última década (2000/2009) a população do município cresceu a uma taxa de 2,47% a.a., contra taxas médias de 1,78% na Região de Campinas e 1,32% no Estado de São Paulo. As estatísticas vitais indicam que apenas 51% deste crescimento populacional podem ser creditados à taxa de natalidade apresentada pela população da cidade. Os 49% restantes se deve à migração. Ou seja, do ano 2001 até hoje, dos cerca de 20.600 novos habitantes de Valinhos, 10.200 vieram de outros municípios e apenas 10.400 são nascidos no município. Estes dados já refletem a compensação da taxa de mortalidade. Como dissemos, na última contagem populacional da população residente, datada de 2008, os dados do IBGE são conflitantes com os 36 da Fundação SEADE e, por questão metodológica, adotaremos os dados fornecidos por esta última. O levantamento e estimativas apresentam a seguinte composição etária: TABELA: composição etária da população de Valinhos – 2008 Faixa Etária - Quinquenal Homem Mulher Total 00 a 04 anos 3.316 3.166 6.482 05 a 09 anos 3.327 3.215 6.542 10 a 14 anos 3.490 3.340 6.830 15 a 19 anos 3.962 3.773 7.735 20 a 24 anos 4.434 4.400 8.834 25 a 29 anos 4.711 4.647 9.358 30 a 34 anos 4.520 4.476 8.996 35 a 39 anos 4.222 4.286 8.508 40 a 44 anos 4.031 4.177 8.208 45 a 49 anos 3.594 3.766 7.360 50 a 54 anos 3.032 3.140 6.172 55 a 59 anos 2.426 2.479 4.905 60 a 64 anos 1.769 1.912 3.681 65 a 69 anos 1.280 1.482 2.762 70 a 74 anos 957 1.156 2.113 75 anos e mais 1.147 1.683 2.830 Total Geral da População 50.218 51.098 101.316 Fonte: Fundação SEADE Uma importante conseqüência das tendências esperadas para os componentes demográficos é a expressiva modificação do perfil populacional, nos próximos 20 anos. A pirâmide etária projetada para 2020 revela uma população marcadamente adulta, em pleno processo de envelhecimento populacional. No Estado de São Paulo a população idosa, representada pelo contingente com idade superior a 65 anos, é a parcela que mais 37 aumentará nos próximos anos. Seu ritmo de crescimento nesses 20 anos deverá ser em média 3,7% ao ano. A principal conseqüência será o aumento em cerca de 67% da participação desse contingente na população total, passando de 6%, em 2000, para 10%, em 2020. A população menor de 15 anos, em 2020, representada principalmente pelos sobreviventes dos nascimentos dos próximos anos, deverá permanecer praticamente inalterada. Já o contingente adulto continuará a aumentar, resultando em uma população residente no Estado de São Paulo mais volumosa em 2020 do que a atual, embora com taxas anuais de crescimento desacelerando a cada período de projeção. Pelo método das taxas de chefia (headship rate), onde para projeção habitacional se parte do pressuposto de que o número de domicílios existente em uma população é igual ao número de chefes de família desta mesma população, podemos estimar a demanda habitacional para a população de Valinhos como um todo. No entanto, para se chegar ao Déficit Habitacional, ou seja, ao número real de habitações que corresponde à soma das “Necessidades de Incremento e Reposição do Estoque e as Inadequações dos domicílios”, sempre será necessário o ajuste feito através da ida a campo para verificação da realidade objetiva. Vejamos a seguir as estimativas que devem refletir a situação que existia no ano de 2008 e a demanda habitacional para os anos 2010, 2015 e 2020 todas baseadas nas taxas de chefia: 38 Demanda Habitacional – ano 2008 Faixa Etária - Habitações Homens Habitações Mulheres demandas Quinquenal demandas 15 a 19 anos 3.962 107 3.773 103 20 a 24 anos 4.434 1.073 4.400 423 25 a 29 anos 4.711 2.508 4.647 702 30 a 34 anos 4.520 3.240 4.476 844 35 a 39 anos 4.222 3.317 4.286 987 40 a 44 anos 4.031 3.347 4.177 1.161 45 a 49 anos 3.594 3.086 3.766 1.141 50 a 54 anos 3.032 2.656 3.140 1.063 55 a 59 anos 2.426 2.164 2.479 891 60 a 64 anos 1.769 1.586 1.912 738 65 a 69 anos 1.280 1.135 1.482 621 70 a 74 anos 957 801 1.156 499 38.938 25.020 39.694 9.173 TOTAIS NÚMERO DE HABITAÇÕES DEMANDADAS = 34193 39 Demanda Habitacional – ano 2010 Faixa Etária - Homens Quinquenal Habitações Mulheres demandas Habitações demandas 15 a 19 anos 3.920 106 3.631 99 20 a 24 anos 4.431 1.072 4.408 423 25 a 29 anos 4.890 2.603 4.852 732 30 a 34 anos 4.857 3.481 4.777 901 35 a 39 anos 4.356 3.422 4.387 1.011 40 a 44 anos 4.219 3.502 4.372 1.215 45 a 49 anos 3.874 3.326 4.064 1.231 50 a 54 anos 3.261 2.857 3.474 1.176 55 a 59 anos 2.704 2.411 2.763 993 60 a 64 anos 2.004 1.797 2.133 824 65 a 69 anos 1.380 1.223 1.613 676 70 a 74 anos 1.017 852 1.257 543 40.913 26.653 41.731 9.824 TOTAIS NÚMERO DE HABITAÇÕES DEMANDADAS = 36.477 40 Demanda Habitacional – ano 2015 Faixa Etária - Homens Habitações Quinquenal Mulheres demandas Habitações demandas 15 a 19 anos 3.619 98 3.551 97 20 a 24 anos 4.172 1.010 3.882 373 25 a 29 anos 4.709 2.507 4.695 709 30 a 34 anos 5.152 3.693 5.136 969 35 a 39 anos 5.065 3.979 5.014 1.155 40 a 44 anos 4.506 3.741 4.575 1.271 45 a 49 anos 4.314 3.704 4.523 1.370 50 a 54 anos 3.915 3.430 4.179 1.415 55 a 59 anos 3.240 2.889 3.541 1.272 60 a 64 anos 2.618 2.347 2.782 1.074 65 a 69 anos 1.878 1.664 2.111 884 70 a 74 anos 1.231 1.031 1.556 672 44.419 30.093 45.545 11.261 TOTAIS NÚMERO DE HABITAÇÕES DEMANDADAS = 41.354 41 Demanda Habitacional – ano 2020 Faixa Etária - Homem Habitações Quinquenal Mulher Habitações demandas demandas 15 a 19 anos 3.719 100 3.563 97 20 a 24 anos 3.780 915 3.714 357 25 a 29 anos 4.345 2.313 4.061 613 30 a 34 anos 4.877 3.495 4.879 920 35 a 39 anos 5.293 4.158 5.304 1.222 40 a 44 anos 5.165 4.288 5.150 1.431 45 a 49 anos 4.562 3.917 4.681 1.418 50 a 54 anos 4.322 3.787 4.601 1.558 55 a 59 anos 3.859 3.441 4.219 1.517 60 a 64 anos 3.122 2.799 3.537 1.366 65 a 69 anos 2.444 2.166 2.737 1.146 70 a 74 anos 1.672 1.400 2.028 876 43.044 29.215 43.709 10.499 TOTAIS NÚMERO DE HABITAÇÕES DEMANDADAS = 39.714 Nota Técnica: A fonte dos dados populacionais é a Fundação SEADE Portanto, a população atual de Valinhos teoricamente demandará durante o ano de 2010 aproximadamente 36.477 habitações. Dados do Cadastro Imobiliário da Prefeitura Municipal apontam que as estimativas mostram existir hoje no município pelo menos 34.000 imóveis residenciais. Assim, a primeira vista, se considerarmos a metodologia da “Taxa de Chefia”, o déficit habitacional geral pode chegar a mais de 2500 moradias. Dentre estas, as Habitações de Interesse Social, ou seja, aquelas voltadas para o público prioritário da política Habitacional de Valinhos devem significar um número expressivo. O cálculo para estimar tal segmento da demanda habitacional necessariamente demanda levantamentos permanentes de campo para que estes dados sejam ajustados à composição de renda da 42 população especificando a demanda advinda dos segmentos considerados prioritários pela Política Habitacional do município. É preciso ajustar também os dados frente ao número de domicílios alugados e o valor médio dos aluguéis. Da mesma forma, dados sobre os domicílios do município que podem ser caracterizados como improvisados, podem levar a mais um componente de déficit potencial de unidades. Portanto, dado à dinâmica econômica e populacional do Município, sempre haverá a necessidade de ajustes levando também em consideração as diretrizes da política Habitacional, respaldada no uso de conceitos consistentes como os citados na tabela referida acima. Podemos relembrar que dados da Fundação SEADE informam que em Valinhos, no ano de 2000, moradores de 13% dos domicílios consideravam que o espaço de moradia era inadequado / insuficiente frente ao número de residentes. Fato este que resultava à época num relativo déficit potencial de mais de 2200 unidades. Outro fator importante que leva a uma pressão de demanda por habitações é o “Ônus excessivo com aluguel”. Considera-se como déficit os domicílios com até 3 salários mínimos de renda familiar que despendem mais do 30% com o aluguel. Se levarmos em consideração que no ano de 2008, o rendimento médio dos trabalhadores assalariados em Valinhos foi de R$ 2.341,00 a R$ 712,00 dependendo do setor da economia, equivalentes à faixa de 4,6 a 1,4 SM, este fator pode ter seu peso fortemente diminuído. Portanto, se soubermos exatamente qual o número de domicílios residenciais no município, e se considerarmos nossas estimativas e os dados do Centro de Estatísticas e Informações da Fundação João 43 Pinheiro, para o cálculo do “Déficit Habitacional no Brasil 2007”2, que calculou a “Participação percentual do Déficit Habitacional em proporção ao número de domicílios particulares permanentes” e a “Distribuição percentual do Déficit Habitacional por faixas de renda média familiar mensal”, para o Estado de São Paulo, podemos chegar a um valor bem aproximado do déficit relativo às Habitações de Interesse Social. Partindo deste cenário passando para os dados presentes no Plano Diretor III do município de 2004, temos que desde 1990 a prefeitura através da Promoção Social vem realizando levantamentos constantes de dados acerca da problemática habitacional, através de pesquisas sociais realizadas em locais de sub habitações, como barracos, cortiços, e outros caracterizados pela ausência de infraestrutura e saneamento básico, os denominados “focos de bolsões de pobreza”. Através de entrevistas realizadas por técnicos da área social nos domicílios, foi traçado um perfil das famílias residentes em terrenos do município nas zonas rural e urbana, totalizando 611 famílias e 2.917 pessoas residentes nos domicílios já citados. As habitações caracterizam-se por construção em alvenaria (inacabadas e precárias), e algumas em madeira, em sua maioria desprovidas de energia elétrica, água tratada e esgoto e baixas condições de higiene e saúde dos moradores. Esta população é formada por oleiros, serventes de pedreiro, empregados domésticos, cortadores de pedra, batedores de tijolos diaristas, etc. Caracterizados pelo baixo nível de escolaridade, alto índice de evasão escolar, despreparo profissional e elevado número de trabalhadores informais e em situação de desemprego. A faixa salarial desta população varia de 0 a 2 salários mínimos e a renda per capita é aproximadamente inferior a ½ salário mínimo. 2 Déficit Habitacional no Brasil 2007/ Ministério das Cidades. Secretaria Nacional da Habitação. – Brasília 2009, 129p. 44 Identificou-se que, grande parte dessa população é procedente do Estado de São Paulo e também do Sul e Nordeste, com um tempo de moradia neste município, variável entre 02 a 30 anos. Diagnosticamos também uma segunda variável, que é constituída por famílias que residem em instalações cedidas ou alugadas, em cômodos nos fundos das casas de parentes e/ou locadores, caracterizando as moradias de “fundo de quintal”, com significativa demanda. MAPA BOLSÕES DE PROBREZA E NÚCLEOS HABITACIONAIS 45 Conforme apresentado nas tabelas a seguir, os dados da Prefeitura Municipal de Valinhos, da Fundação João Pinheiro e do CEBRAP, levantados recentemente para a elaboração do Plano Metropolitano de Habitação metropolitana de Campinas de Interesse trazem um Social panorama da região do déficit habitacional do município de Valinhos. Como já descrito acima, existem duas situações que compõe o Déficit Habitacional, a necessidade de novas unidades e as situações de inadequação habitacional, sendo estas classificadas como déficit quantitativo e qualitativo, respectivamente. Domicílios em assentamentos precários em Valinhos Fichas municipais Loteamentos Total de domicílios em áreas Cortiços Total Ilegais de risco* (nº de famílias) 6 101 95 0 CEM / CEBRAP 72 % 0,56 *Definição da Prefeitura Municipal de Valinhos Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005, adaptado pela Consultoria. A tabela acima traz o número de domicílios situados em assentamentos precários. Os dados da prefeitura municipal e do CEM/CEBRAP são conflitantes no que tange ao número total de domicílios situados em loteamentos precários. Os dados do CEM/CEBRAP demonstram que o município de Valinhos, possui 72 domicílios situados em assentamentos precários. Já os dados da prefeitura municipal demonstram que há 101 domicílios em assentos precários, destes 95 estão em favelas ou ocupações e apenas 6 em loteamentos ilegais. A tabela a seguir, traz o número de domicílios considerados inadequados de acordo com a classificação criada pela Fundação João Pinheiro. 46 Inadequação dos domicílios urbanos – 2000 ADENSAMENTO DOMICÍLIO S/ EXCESSIVO BANHEIRO % dos % dos Nº Nº domicílios domicílios INADEQUAÇÃO FUNDIÁRIA % dos Nº domicílios 468 2,1 1.160 5,22 133 CARÊNCIA EM INFRAESTRUTURA % dos Nº domicílios 0,6 2.876 12,93 Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005 Com base nestes dados, podemos observar a predominância dos domicílios considerados inadequados por carência em infraestrutura (2.876) representando 12,93% dos domicílios do município, seguido pelos considerados inadequados por adensamento excessivo (1.160, somando 5,22% dos domicílios do município), inadequação fundiária (468 representando 2,1% dos domicílios) e pelos domicílios sem banheiro (133 somando 0,6% dos domicílios do município). Domicílios Total totais 23.341 1.676 Urbana 1.658 Estimativas do déficit básico Déficit básico Domicílios vagos - FJP Rural % do % % Total Df/Dv % Urbano Rural total urbano rural 18 7,18 7,46 1,63 3.267 1,95 14 2.976 291 Déficit Total 6000 (cadastro municipal) 95 (rústico) Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005. Prefeitura Municipal de Valinhos Notas: (1) Déficit habitacional básico: soma da coabitação familiar, dos domicílios improvisados e dos rústicos. (2) Para municípios o déficit habitacional básico não inclui as estimativas de domicílios rústicos inferiores a 50 unidades. Os dados acima nos mostram que há necessidade de investigação mais profunda em relação aos domicílios vagos do município, pois estes totalizam 3.267 domicílios e o déficit básico representa 1.676, totalizando área rural e urbana. Portanto, o número de domicílios vagos não necessariamente impacta no déficit habitacional, mas sim no âmbito dos aluguéis e compras de imóveis. Cabe destacar que os dados relacionados ao déficit habitacional e aos domicílios rústicos foram fornecidos pela Prefeitura Municipal, já os dados relacionados à coabitação e domicílios improvisados foram os da Fundação João Pinheiro. 47 Déficit total 1.676 Estimativa dos componentes do déficit habitacional básico – 2000 Componentes do Déficit Básico Domicílios Improvisados Coabitação Cômodos Total % Urbana Rural Total % Urbana Rural Total % Urbana Rural 15 0,89 15 0 1.589 94,81 1.571 18 72 4,3 72 0 Domicílios Rústicos Total % Urbana Rural 0 0 0 Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005 A tabela acima nos mostra que o componente predominante no déficit habitacional básico, é a coabitação totalizando 1.589, representando 94,81% do total. Porém, é necessário que se enfatize que nem sempre famílias conviventes podem ser consideradas como déficit, pois existem situações familiares diversas que não representam somente a falta de moradia. No entanto, como o dado necessita de pesquisas mais detalhadas e não há possibilidade de auferir instantaneamente o número de famílias conviventes, consideramos, para o déficit, a totalidade das mesmas. Relacionando a coabitação familiar e os domicílios improvisados com a faixa de renda mensal das famílias do município, notamos que 791 famílias, representando 47,71% do total de famílias nessas situações possuem renda entre 0 a 3 salários mínimos, cabe ressaltar que 372 possuem renda de 3 a 5 salários mínimos, representando 22,44% do total, sendo assim, ao considerarmos famílias com renda de até 5 salários mínimos, observamos que estas representam 70,15% do total, somando 1163 famílias. Até 3 % 791 47,71 Coabitação familiar e domicílios improvisados urbanos por faixa de renda – 2000 FAIXAS DE RENDA MENSAL FAMILIAR (em s.m.) De 3 a 5 % De 5 a 10 % Mais de 10 % Total 372 22,44 382 23,04 113 6,82 1.658 Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005 Considerando os domicílios alugados por famílias com faixa de renda de até 3 salários mínimos, conforme tabela abaixo, a Fundação João Pinheiro chega no número de de 435 famílias, dividindo entre sem rendimentos, famílias até 1 salário mínimo, de 1 a 2 e de 2 a 3 salários mínimos. Porém, é necessário maior detalhamento no estudo dessa situação, pois a mesma pode se caracterizar como ônus 48 0 excessivo com aluguel, modalidade também considerada no cálculo do déficit habitacional. Domicílios alugados por famílias com renda familiar de até 3 salários mínimos FAIXAS DE RENDA RELAÇÃO TOTAL COABITAÇÃO Aluguel/ Coabitação S/ rend. % Até 1 % De 1 a 2 % De 2 a 3 % 435 32 7,36 30 6,9 147 33,79 226 51,95 1.661 0,26 Fonte: Fundação João Pinheiro, Déficit Habitacional no Brasil, 2005. Atualizado pela PNAD2005 As diversas fontes oficiais de informação, aliadas às metodologias de cálculos de projeções populacionais, retratam a complexidade da situação habitacional do município de Valinhos. Porém, devemos ressaltar que o diagnóstico é permanente e deve manter-se atualizado, pois as informações são dinâmicas e podem apresentar níveis de desatualização consideráveis, lembrando que as mesmas devem ser atualizadas no próximo Censo Demográfico (2010). Por fim, é indispensável, para o planejamento de uma política habitacional local, que se conheça e avalie as principais necessidades habitacionais com o intuito de delinear as ações por parte do poder público que supram tais necessidades. Para tanto, consideraremos como déficit, para atendimento prioritário das políticas habitacionais do município, uma junção de estimativas da Fundação João Pinheiro com os dados empíricos da prefeitura municipal. 2.3.1 Caracterização Áreas de Risco A Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, através da Divisão de Gerenciamento Habitacional do município de Valinhos, vem realizando diagnóstico e monitoramento constante das áreas de risco do município, mediante pesquisas, quantitativas e qualitativas em locais de sub-habitação com construções precárias e subnormais. Esses levantamentos permitiram traçar o cenário do déficit habitacional do município, bem como a configuração do desafio a ser superado no enfrentamento da problemática habitacional. 49 Hoje se sabe que aproximadamente 66,67% dos assentamentos precários estão localizados em áreas particulares, frente a 33,33% situados em área pública. Tais assentamentos se caracterizam pela ausência de infraestrutura e saneamento básico, a população ali residente caracteriza-se pelo subemprego, baixa renda, baixa grau de escolaridade, analfabetismo e altos índices de evasão escolar principalmente entre os adolescentes. Neste ponto, cabe ressaltar que o adensamento dessa ocupação ocorre de forma desordenada, estando aquém de qualquer controle por parte do município. Abaixo apresentamos quadro síntese das áreas de risco do município, e a seguir, apresentamos breve caracterização de algumas das principais áreas de risco do mesmo. Sobre o conceito de área de risco utilizado pelo departamento de habitação da prefeitura de Valinhos, é importante esclarecer que as áreas definidas como áreas de risco são aquelas em que a área em si oferece risco (áreas de encostas de barrancos, por exemplo), e aquelas em que por estarem fora do processo de urbanização por completo estão sendo consideradas de risco devido às condições oferecidas pela localidade, como ausência de infra-estrutura, pois considera-se que tais condições expõem as famílias a situações de risco. Quadro Síntese – Áreas de Risco Localidades Nº de Famílias Nº Aproximado de Habitantes Situação Área Particular Área Pública Área Particular Área Particular Área Pública Área Particular Sítio São João (Biquinha) Jd. São Luiz Área Zacarias Ferrobam Jurema Cerâmica Barduchi 55 09 05 15 01 10 196 36 20 60 05 40 Total 95 348 Fonte: Prefeitura Municipal de Valinhos 50 • Sítio São João (Biquinha) De acordo com o levantamento realizado em Janeiro deste ano, residem no local 55 famílias totalizando 190 moradores, dado este que altera com certa freqüência perante o crescente número de novas pessoas que buscam o local como alternativa de moradia. O tempo estimado de moradia das famílias é de 5 a 35 anos. A priori podemos diagnosticar algumas manifestações da questão social a que são expostos esses moradores, quais sejam: precariedade das moradias e ausência de saneamento básico (ver documentação no ANEXO. Localizada em área de preservação ambiental podemos observar a crescente degradação ambiental decorrente da ocupação desordenada e irregular, e a comercialização ilegal de imóveis e terrenos com o conseqüente aumento da população no local, agravando o quadro de vulnerabilidade e interferindo diretamente na qualidade de vida desses moradores. • Jardim São Luiz A área está localizada no bairro Jd.São Luiz, trata-se de uma área publica cujas famílias moradoras do local possuíam vínculos empregatícios com a antiga fazenda que englobava esta área. Atualmente residem no local 10 famílias, e destas apenas uma não possui relação de consangüinidade entre si, as demais são filhos e netos que constituíram famílias e permaneceram no local. As construções são antigas e precárias, utilizam água de poço, e contam com fossa. Possuem energia elétrica e dispõem de um relógio da CPFL, utilizado para realizar adaptações nas moradias. 51 3. Custo da Habitação no município de Valinhos I. Custo de Aquisição de Terras Para a realização do cálculo do custo da aquisição de terras partimos da classificação das áreas em centrais e periféricas, em virtude do perfil do município que não dispõe de zonas de interesse social. Esta classificação tem como objetivo evidenciar diferenças de custo, e indicar possíveis necessidades de investimentos em diferentes modalidades habitacionais (prédios, casas, loteamentos). Tais modalidades podem ser inseridas em diferentes programas, com conseqüentes diferenças de financiamento e/ou subsídio público. Para calcular o valor da terra foram utilizados os dados levantados e fornecidos no mês de agosto de 2010 pela Prefeitura Municipal de Valinhos. Foi realizado cálculo, para cada um dos 2 (dois) grupos, do valor médio do m² a partir da soma do preço do m² de cada terreno que compõe a amostra. O m² de cada terreno, por sua vez, foi calculado de maneira individualizada, dividindo-se o valor de cada de terreno por sua respectiva área. Com base na metodologia de cálculo apresentada, o preço médio do m² localizado na área central é R$ 222,75 e na área periférica é R$ 146,66. O cálculo detalhado na tabela abaixo, considerando os 2 grupos, evidencia as diferenças de preços segundo a localização. Área Periférica Área Central VALOR DA TERRA Localização / Bairros São Cristóvão Santa Cruz Santana Santa Elisa Espírito Santo Santa Escolástica Valor médio / m² R$ 231,52 R$ 250,00 R$ 186,74 R$ 130,00 R$ 150,00 R$ 160 Valor Médio Centro R$222,75 Valor Médio Periferia R$ 146,66 Fonte: PMV Valinhos 2010. 52 Se comparado os valores médios, nota-se que o m² na área periférica representa 65% do valor observado na área central. Enquanto os valores observados dentro de cada grupo apresentam variação semelhante, cerca de 25%. Cabe ressaltar que estes valores refletem parâmetros para comércio imobiliário, podendo sofrer oscilações de mercado. II. Custo para Construção de Moradias A estimativa de custo de construção de moradias foi realizada a partir de duas modalidades habitacionais: vertical 3 e horizontal 4, ambas de perfil popular. III. Construção Vertical O custo da unidade foi dividido em três partes: Infra-estrutura, BDI (Bonificação e Despesas Indiretas) e custo de construção da área útil. Para tanto, foi utilizado os valores obtidos na PINIweb - O Portal da Construção, que estima em R$ 809,84/m² do apartamento. O custo para implantação da infra-estrutura foi estimado com a proporção de 15% sobre o total do custo da área útil e o BDI foi calculado com proporção de 22,5% sobre a soma do custo de infraestrutura com o total da área útil, neste caso R$ 121,48 e R$ 209,55, respectivamente. CUSTO DA UNIDADE COM INFRAESTRUTURA Vertical Tipo Componentes do custo Valor Custo de construção R$ 809,84 Infra-estrutura** R$ 121,48 BDI* R$ 209,55 Total Geral/m² R$ 1.140,87 Fonte: PMV Valinhos 2010. *Bonificação e Despesas Indiretas representam 22,5% do custo de construção + infraestrutura ** Representa 15% do Custo de construção *** Ref: Custo Unitário Pini de Edificações em São Paulo - Julho/2010 3 Descritivo segundo PINIweb: edifício residencial com 4 pavimentos, 4 apartamentos por andar, sem elevador, executado com: alvenaria de blocos de concreto; caixilhos de ferro com pintura esmalte; pintura interna e externa com caiação sobre massa grossa desempenada; cobertura com laje impermeabilizada e proteção térmica. 4 Descritivo segundo PINIweb: residência térrea, executada com alvenaria de blocos de concreto; vidros comuns em caixilhos de ferro com pintura esmalte; pintura interna e externa com caiação sobre massa grossa desempenada; cobertura com telhas de fibrocimento. 53 IV. Construção Horizontal O cálculo para a construção de cada unidade horizontal divide-se em três partes, tal qual a horizontal e estão baseados na mesma fonte de dado a PINIweb - O Portal da Construção, que estima em R$ 817,90/m² da casa. O custo para implantação da infra-estrutura foi estimado com a proporção de 15% sobre o total do custo da área útil e o BDI foi calculado com proporção de 22,5% sobre a soma do custo de infra-estrutura com o total da área útil, neste caso R$ 122,69 e R$ 121,48, respectivamente. Tipo Componentes do custo Valor Horizontal CUSTO DA UNIDADE COM INFRAESTRUTURA Custo de construção R$ 817,90 Infra-estrutura** R$ 122,69 BDI* R$ 211,63 Total Geral/m² R$ 1.152,22 Fonte: PMV Valinhos 2010. *Bonificação e Despesas Indiretas representam 22,5% do custo de construção + infraestrutura ** Representa 15% do Custo de construção *** Ref: Custo Unitário Pini de Edificações em São Paulo - Julho/2010 V. Custo Total de Construção de Moradias O cálculo do custo total considera o custo da terra e a modalidade habitacional, no entanto não avalia a relação do tipo de modalidade mais adequada a área em que o terreno está localizado. Deste modo, a análise estabelece 4 (quatro) combinações distintas, detalhadas na tabela abaixo: COMBINAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO CUSTO DA UNIDADE HABITACIONAL COMBINAÇÃO A B E F LOCALIZAÇÃO TIPO CUSTO MÉDIO DA TERRA R$ 222,75/m² R$ Vertical* Área Central 222,75/m² R$ Área Periférica Horizontal** 146,66/m² R$ Vertical* Área Periférica 146,66/m² Área Central Horizontal** CUSTO DA UN. NOVA CUSTO DA UN. COM INFRAESTRUTRURA E BDI CUSTO TOTAL DA UN. C/ Terreno R$ 44.984,50 R$ 63.371,91 R$ 107.921,91 R$ 44.541,20 R$ 62.747,42 R$ 71.100,54 R$ 44.984,50 R$ 63.371,91 R$ 92.703,91 R$ 44.541,20 R$ 62.747,42 R$ 68.247,17 Fonte: PMV Valinhos 2010. *Foi adotado lote mínimo de 600m² com 4 apartamentos por andar, sendo 4 andares. **Foi adotado lote mínimo de 200m² 54 As combinações expressas na tabela demonstram baixo incremento no custo final da modalidade vertical em função da localização no que se refere à área central. Tal dado indica que investir em habitações nesta área, havendo disponibilidade de terrenos, favorece a relação custo-benefício, uma vez que em geral trata-se de uma área maior infra-estrutura e equipamentos sociais, diferentemente da área periférica que demanda maior investimento social concomitante a política habitacional. Cabe destacar que um dos principais problemas do município de Valinhos, no que se refere à disponibilidade de terrenos, é exatamente a escassez de vazios urbanos em áreas centrais, sobretudo de terrenos públicos nessas áreas. Esta Problemática dificulta a ação do governo no sentido de manter os custos da moradia conforme levantamento realizado, pois as poucas áreas existentes podem ser adquiridas através de compra ou outro tipo de negociação, o que conduz para um aumento no custo da construção. 4. Instrumentos de Gestão 4. 1 Marcos Regulatórios Datam de 1972 e 1973 as primeiras iniciativas municipais de regulamentação do uso do solo no município de Valinhos, sendo estas a lei nº 1142 de 1973, as Leis de Parcelamento de Solo Urbano, o Código de Obras e o Plano Diretor. Esta legislação dividia o município em zonas de ocupação para uso residencial, misto e industrial. Em 1996 é promulgado o conjunto de leis que compõem o Plano Diretor do Município II. Este conjunto composto pelas Leis 2976/96 Plano Diretor, 2977/96 - Código de obras, 2978/96 - Parcelamento do solo urbano e 2979/96 - Uso e ocupação do solo O Plano Diretor II de 1996 consiste num instrumento da política de desenvolvimento do município, baseado nos aspectos de uso, 55 ocupação e parcelamento do solo bem como na execução de obras e utilização de edificações. Objetivamente, podemos dizer que os instrumentos para sua efetivação são as leis de uso e ocupação e de parcelamento do solo. Por sua vez, a Lei de Uso e Ocupação do Solo do município, (lei nº 2979/96), foi elaborada com base no padrão de ocupação vigente no município até 1993, seu limite de atuação se restringe apenas ao perímetro urbano do município, não delimitando regras específicas para o uso da zona rural. No perímetro urbano da cidade, a lei criou zonas de uso residencial (200 a 5000m² - Z3 A, B, C, D, E) ou misto de baixa a alta densidade – Z1B, Z2 (A, B, C), Z4 (A, B), incluindo neste termo desde pequenos comércios a grandes indústrias, distribuídas conforme lista de atividades permitidas para cada região da cidade. A lei criou ainda, as Zonas Especiais de Preservação – ZEP – com a finalidade de proteger e preservar as áreas de interesse paisagístico, arquitetônico, histórico, cultural ou ambiental, definindo 10 zonas especiais de preservação, onde o intuito é de preservar as principais bacias hidrográficas com potencial de abastecimento da cidade, caracterizadas por serem cabeceiras de nascentes, sua maioria localizada na zona rural. Vale ressaltar que para estas zonas não há regras definidas para uso e ocupação, exceto aquelas já previstas no Código Florestal. Por sua vez, o Plano Diretor III de 2004 que prevê em seu artigo 8º o uso dos vazios urbanos e a regulamentação da questão fundiária. Entretanto, o Plano Diretor não especifica a questão do uso e parcelamento do solo, prevendo apenas a ocorrência de macrozonas, sendo estas, as macrozonas urbana, composta pelas zonas residenciais, comerciais, de serviços, industriais, institucionais; as zonas corredores; áreas especiais de proteção e macrozonas rurais, 56 todas essas integradas pelo sistema viário básico municipal. Já nos artigos 76, 77 e 78, estão previstos o IPTU progressivo, a desapropriação ressarcida por títulos da dívida pública com base na delimitação de áreas de incidência, entretanto, a aplicação da norma fica a cargo de adaptações a serem realizadas na lei municipal. Por sua vez, a questão da regularização fundiária está presente nos artigos 91 a 94, relacionando-se às formas de titulação dos beneficiários. Já no artigo 94, o direito de preempção incluído como uma forma de proceder à regularização fundiária. O Plano Diretor III prevê ainda com base na Leitura Ambiental do município, formas de uso e ocupação do território considerando as potencialidades/restrições ambientais, equipamentos e infra-estrutura existentes. Como podemos ver na figura abaixo, o Plano prevê inclusive áreas passíveis de verticalização, ou não. LEITURA AMBIENTAL Fonte: Plano Diretor III 57 ABCDEFGHIJKL- Pode sofrer verticalização, desde que com os cuidados necessários(manutenção de drenagem e impermeabilização do solo Área bastante ocupada; permite a verticalização com os cuidados necessários Loteamentos de baixa densidade, zona passível de ocupação com preservação das matas remanescente e das margens dos cursos d água. Existem loteamentos populares e devido às condições de acessibilidade, é possível a expansão da ocupação urbana considerando a existência de vegetação natural e drenagens. Possível a expansão da ocupação urbana considerando a existência de vegetação natural e drenagens. Passiva de baixo adensamento, com muito estudo e cuidado devido à vegetação e lagoas de tratamento. Ocupação contínua de baixa densidade, passível ocupação do restante, considerando lei preservação. Ocupação de caráter industrial, um incremento deve levar em contar fatores ambientais. Ocupação rural, desejável manutenção dos usos atuais. Deve ser incentivado reflorestamento também. Ocupação rural com baixa densidade. Condições topográficas recomendam esse tipo de uso. Área com grandes condicionantes à ocupação, pela presença de manancial, legislação ambiental. Ocupação de sítios de recreio e serviços, o Plano indica ser interessante sua inclusão em área de proteção ambiental. Por fim, a Lei Municipal de Uso e Ocupação do Solo data de 1996, entretanto as alterações realizadas posteriormente a esse período não criam disposições específicas para a criação de Habitação de Interesse Social, bem como a legislação pertinente ao parcelamento do solo, a Lei nº 2.978/1996 e suas posteriores modificações não apresentam qualquer disposição significativa em relação à habitação de interesse social. Ainda assim, o Código de Obras do Município (Lei nº 2.977/1996) prevê em seu artigo 7º a criação de normas específicas pelo Poder Executivo, visando aprovar a criação de empreendimentos com foco na habitação de interesse social para moradores do município que ainda não possuam imóvel. Data de 2008 a promulgação da Lei nº 4.375, que cria o Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social – FUMAHB, e o Conselho Municipal de Habitação – COMHAB - criados com o objetivo de estudar e desenvolver as questões inerentes a formulação e implementação da política habitacional do município. A legislação mais recente tocante ao assunto consiste no Decreto nº 7.463, datado de 19 de Janeiro de 2010, e na Instrução Normativa 1/2010 baixada pelo Departamento de Habitação de Interesse Social, fundamentada no mencionado decreto. 58 O Decreto nº 7.463 suspende temporariamente a verticalização no município, suspendendo a construção de condomínios residenciais verticais, conjuntos residenciais verticais, conjuntos residenciais sobrepostos e residências multifamiliares verticais que dependam da rede de distribuição de água e esgoto municipal, excetuando-se aqueles públicos e/ou privados de interesse social, com envolvimento direto da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação, Secretaria Estadual de Habitação e suas subsidiárias – CDHU, Governo Federal, suas subsidiárias e a Caixa Econômica Federal, ficando a cargo da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente e ao Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos a responsabilidade para com o cumprimento deste decreto. Por sua vez, a Instrução Normativa 1/2010, estabelece os critérios aos quais os empreendimentos deverão atender para serem considerados de “manifesto interesse social”. Conforme o previsto em tal normativa, para ser considerado como de “manifesto interesse social” o empreendimento deverá utilizar como base o cadastro municipal de interessados na compra de unidades do programa “Minha Casa Minha Vida” realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, cujo foco é a população de 0 a 3 salários mínimos, a normativa estabelece ainda o número de andares da edificação, a destinação 2,5% do valor de custo do empreendimento para a construção de equipamentos públicos. Dessa forma, embora não tenha delimitado dentro de seu perímetro urbano as denominadas Zonas Especiais de Interesse Social – ZEIS, podemos observar que hoje há uma política direcionada a habitação de interesse social, ainda que esta tenha sido motivada por problemas na rede de distribuição de água e esgoto, podemos notar a priorização deste segmento na política habitacional do município. 59 4.2 Estrutura Institucional, Administrativa e Financeira • Constituição do Fundo Municipal de Habitação e do Conselho Municipal de Habitação (Lei nº 4.375/2008.) • Revisão e aprovação do Plano Diretor III ( Lei n° 3.841/04) • Aprovação de Lei de Ordenação do uso e ocupação do solo (Lei 4.186/07) O quadro institucional governamental é elemento determinante para a política habitacional empreendida no município. Em Valinhos a questão habitacional é concentrada na secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, tendo o Conselho Municipal de Habitação e o Fundo Municipal de Habitação vinculados à mesma. Conforme o explicitado pelo nome e organograma da SDSH de Valinhos, o Departamento de Habitação do município está vinculado à referida secretaria, entretanto, ao analisar sua estrutura de recursos humanos observa-se que o departamento conta com uma equipe reduzida, com a ausência de profissionais ligados às áreas jurídica e de arquitetura, por exemplo, fato este que por vezes influencia a execução das ações de política habitacional do município, sendo assim observada a necessidade de estruturação do departamento de habitação do município, a fim de proporcionar maior eficiência e eficácia nas políticas habitacionais do município. 60 Organograma Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação Legenda *Departamento de Apoio Administrativo e de Apoio à Gestão das Políticas Públicas SECRETÁRIO Dpto. de Gestão da Assistência Social Div. de Atenção à Criança e ao Adolescente Div. de Atenção à Família e às Pessoas com Deficiência Div. de Capacitação Profissional e Geração de Renda Div. de Atenção ao Idoso Seção de Atendimento e Recepção D.A.A.G.P.P* Dpto. Habitação Div.de Adm. do Centro de Lazer e Cidadania Div. de Gerenciament o Habitacional Seção de Apoio ao Microcrédito Seção de Apoio à Casa dos Conselhos Municipais Seção de Apoio Adm. Além da Secretaria de Desenvolvimento Desenvolvimento Social e Habitação, a estruturação da política habitacional está relacionada diretamente a outras três Secretarias Municipais: Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, a Secretaria de Obras Públicas e Secretaria de Assuntos Jurídicos e Institucionais. Institucionais Um dos aspectos fundamentais para a execução do PMHIS é a adequação do orçamento da Prefeitura à execução dos programas definidos nas metas estabelecidas neste Plano. O PPA da Prefeitura incluiu para o período de 2010-2013 2010 2013 planejamento orçamentário de aproximadamente R$ 6.500.000,00 para o desenvolvimento e implantação de programas afetos à função Habitação e gestão da Política Habitacional. Normalmente os custos decorrentes da implantação dos empreendimentos ficam a cargo da Poder Público que pode buscar busc fontes de recursos nos diversos programas habitacionais do Governo 61 Federal com repasse pela CEF, como também buscar parcerias com o CDHU na execução de conjuntos habitacionais de prédios, ou mesmo de casas. O custo da unidade habitacional em valores atuais gira em torno de R$ 46.000,00 para prédios e R$ 42.000,00 para casas. Os limites operacionais dos programas do Governo Federal estão abaixo desses valores, sendo necessário, portanto, a utilização de uma composição de recursos para o fechamento da Planilha Orçamentária. Recursos do PAC, MCMV, Pró-Moradia e do FNHIS deverão compor as planilhas orçamentárias e a cada momento indicar as fontes disponíveis. De acordo com as diretrizes de elaboração do Plano, a Prefeitura Municipal já prevê no seu orçamento as verbas necessárias à contra-partida do município, e pretende desenvolver ações para utilizar a Parceria Público Privado na aquisição de terras. A Prefeitura Municipal não tem equacionada esta questão e a viabilidade orçamentária dos programas, sendo esta é uma das ações a serem definidas no PLHIS. Cumprindo o PPA a LDO fixou para o exercício de 2010, em seus anexos V e VI, planejamento orçamentário que descreve os Programas Governamentais / Metas / Custos para Exercício, bem como as Unidades Executoras e as Ações Voltadas ao Desenvolvimento dos Programas Governamentais para a Habitação; podemos constatar os dados dos anexos abaixo: 62 Já a LDO para 2011 prevê uma receita de R$ 250 milhões e destina para função Habitação um percentual de 0,6% , correspondentes a R$ 1.500.000,00 a serem usados na elaboração do Orçamento para o ano que vem. 63 64 65 5. Plano Local de Habitação de Interesse Social 5.1 Princípios, Diretrizes Os princípios, diretrizes deste PLHIS foram definidos pela Equipe Técnica da Prefeitura em conjunto com a Equipe Técnica da D’ACCORD, baseados na Constituição Federal, no Estatuto das Cidades, nas Resoluções da Conferência Nacional e do Conselho das Cidades, nas diretrizes da Política Nacional de Habitação da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, na Constituição Estadual, na Lei Orgânica Municipal, no Plano Diretor, no Conselho Municipal de Habitação e no diagnóstico feito sobre a situação habitacional de Valinhos. Observou-se ainda os princípios e diretrizes apontadas pelo Ministério das Cidades no Guia de Adesão ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. Tais princípios e diretrizes definidos por este PLHIS consistem em orientações para as ações que serão desenvolvidas pela política habitacional do município, são eles: Estruturar, elaborar e manter processo diagnóstico da demanda habitacional no Município, com horizonte temporal não inferior a dez anos, para orientação das ações de planejamento, execução, acompanhamento, monitoramento e ajustes dos diferentes programas, projetos e atividades; Assegurar a vinculação da política habitacional com as demais políticas públicas, com ênfase nas sociais, de geração de renda, de educação ambiental e de desenvolvimento urbano; Assegurar políticas fundiárias que garantam o cumprimento da função social da terra urbana; 66 Elaborar programas, projetos e atividades integrados, que contemplem de forma equânime cada um dos segmentos que compõem o universo de cidadãos que demandam ações afetas à Política Habitacional, com horizonte temporal não inferior a dez anos; Promover o acesso à terra e à moradia digna aos habitantes da cidade, com a melhoria das condições de habitabilidade, de preservação ambiental e de qualificação dos espaços urbanos, avançando na construção da cidadania, priorizando as famílias de baixa renda e todos os cidadãos sob situação de vulnerabilidade e ou risco social, eliminando moradias em áreas de risco; Manter disponíveis instrumentos legais (leis, decretos, normas, portarias, etc.) para suporte às ações dos gestores públicos, contemplando a dinâmica do planejamento setorial frente às exigências das relações institucionais entre os órgãos das três esferas de governo, e ainda, tornando viáveis as ações parceiras com agentes privados incluídos no Sistema Habitacional; Promover processos democráticos na formulação, implementação e controle dos recursos da política habitacional, estabelecendo canais permanentes de participação das comunidades e da sociedade organizada; Estimular a participação da iniciativa privada na promoção e execução de projetos compatíveis com as diretrizes e objetivos da Política Municipal de Habitação; e, 67 Contribuir para o incremento das atividades econômicas da construção civil, com possíveis impactos na geração de emprego e renda, bem como, para adoção de processos tecnológicos que garantam a melhoria da qualidade e a redução dos custos da produção habitacional e da construção civil em geral. 5.2 Eixos Orientadores Os eixos orientadores deste PLHIS consistem nas áreas de intervenção prioritárias nas quais as ações da política habitacional municipal devem atuar. Tais eixos foram definidos a partir dos principais problemas identificados na etapa de Diagnóstico, e estão em consonância com os princípios e diretrizes deste PLHIS. São eles: I. Redução do déficit habitacional, por meio da produção de lotes urbanizados e de novas habitações, com vistas à redução progressiva e ao atendimento da demanda gerada pela constituição de novas famílias; diversificação das formas de acesso à habitação para possibilitar a inclusão, entre os beneficiários dos projetos habitacionais, das famílias impossibilitadas de pagar os custos de mercado dos serviços de moradia; II. Urbanização Integral, com a melhoria das condições de habitabilidade das habitações existentes de modo a corrigir suas inadequações, inclusive em relação à infra-estrutura e aos acessos aos serviços urbanos essenciais e aos locais de trabalho e lazer; III. Urbanização e regularização de assentamentos precários, com reassentamento dos moradores de áreas impróprias ao uso 68 habitacional e em situação de risco, recuperando o ambiente degradado; IV. Promoção e execução da regularização fundiária e urbanística atendendo a padrões adequados de preservação ambiental de qualidade urbana. V. Consolidação e institucionalização da Intervenção Pública, com a melhoria da capacidade de gestão dos planos e programas habitacionais; 5.3 Definições e Conceitos Para apresentar os Programas, Projetos e Ações propostos por este PLHIS de forma clara e objetiva, utilizaremos uma ficha de documentação técnica desenvolvida pela Latus Consultoria, Pesquisa e Assessoria de Projetos, e adaptada por esta consultoria – D’Accord Assessoria e Treinamento, cujo modelo apresentamos abaixo. Para tal é necessário que façamos uma breve definição prévia dos conceitos utilizados, vejamos a seguir: Programa: conjunto articulado de ações estratégicas para enfrentar um problema identificado. Composto por ações e metas que devem estar alinhadas ao objetivo superior do Programa. Os programas apresentam ainda informações referentes à: sua coordenação; fontes de financiamento; total do investimento; indicador e prazo. Projeto: conjunto de ações que buscam um resultado exclusivo, possuem escopo de atuação reduzido em relação ao dos Programas com início meio e fim bem determinados. Os projetos apresentam ainda informações referentes à: sua coordenação; fontes de 69 financiamento; total do investimento; indicador e prazo. Objetivo Superior: descrição clara e precisa dos resultados que se pretende atingir com a implantação do Programa ou Projeto. Configuram um desfio atingível de forma a incentivar os diversos atores envolvidos. Coordenação: responsável órgão, pela departamento implementação do ou secretaria Programa ou Projeto. Fontes de Financiamento: descrição dos recursos de financiamento financeiros e/ou físicos e humanos disponíveis para os Programas ou Projetos, oriundos dos governos municipal, estadual e federal. Total do Investimento: montante financeiro global despendido na implementação e manutenção do Programa ou Projeto. Indicador: medida quantitativa usada como subsídio para a formulação, implementação e monitoramento dos Programas e Projetos desenvolvidos pelo poder público. Ações estratégicas: ações propostas com o intuito de solucionar problemas identificados, estão articuladas ao objetivo superior do Programa ou Projeto, possuem metas bem definidas articuladas ao indicador do Programa/Projeto, têm como finalidade contribuir para o alcance do objetivo do Programa/Projeto. 70 Metas: definem a quantidade de produtos a serem ofertados por ação, num determinado período de tempo. Tornando os objetivos um desafio realístico, orientando a escolha de indicadores que permitam acompanhar o alcance ou não das ações. Prazo: período de tempo determinado para o início e desenvolvimento das ações e para o cumprimento das metas. Neste PLHIS considera-se os prazos como: curto – 2 anos, médio – 3 a 6 anos e longo prazos – de 7 a 10 anos. 71 MODELO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA DO PLHIS Plano Local de Habitação de Interesse Social Coordenação: Eixo: Fontes de Financiamento: Programa: Total do Investimento: Objetivo Superior: Indicador: Prazo Ações Estratégicas Meta C M L MODELO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA DO PLHIS 72 Plano Local de Habitação de Interesse Social Coordenação: Eixo: Fontes de Financiamento: Projeto: Total do Investimento: Objetivo Superior: Indicador: Prazo Ações Estratégicas Meta C M L 73 5.4 Programas, Projetos e Ações Definidos com base nos apontamentos derivados do Diagnóstico Habitacional do município, e das discussões realizadas com técnicos da prefeitura, representantes do CMH e com a população, as ações propostas por este PLHIS estão sistematizadas em Programas ou Projetos que por sua vez encontram-se alinhados aos V Eixos definidos por este PLHIS. A definição dos programas, projetos, é de suma importância para a consolidação da política habitacional do município, daí a necessidade de defini-los de forma coerente, observando-se sempre seu alinhamento aos princípios, diretrizes e eixos da política habitacional local. Dessa forma, o modelo de documentação técnica utilizado neste PLHIS, busca organizar de forma lógica todas as informações relacionadas aos Programas, Projetos e Ações propostas, observando sempre seu alinhamento aos Eixos prioritários de atuação da política habitacional local. A seguir apresentaremos a ficha de documentação técnica composta pelas propostas deste PLHIS que reúne todas informações pertinentes aos Programas, Projetos e Ações aqui propostos. 74 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo I: Programa: Objetivo Superior: Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação; Gabinete do Prefeito; Secretaria de Obras Redução do Déficit Habitacional Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do município; Orçamento das secretarias envolvidas; FNHIS; Recursos de Financiamento Privados Programa de Incentivo à Produção Pública e Privada de Habitação de Interesse Social Atender a demanda habitacional em especial aquela relativa ao déficit habitacional do município por meio de parcerias com as esferas federal, estadual, municipal e iniciativa privada. Total do Investimento: 140.000.000,005 Indicador: Taxa Anual de Redução do Déficit Habitacional6 Prazo Ações Estratégicas Meta C M L • Produzir 688 unidades habitacionais voltadas à população na faixa de 0 a 3 s.m. Produzir unidades habitacionais de interesse social para atendimento do déficit básico podendo oferecer subsídio parcial e/ou integral; • Produzir 760 unidades habitacionais voltadas à população na faixa de 3 a 6 s.m. • Produzir 500 unidades habitacionais voltadas à população na faixa de 6 a 10 s.m. 5 6 O cálculo foi realizado com base no custo da construção de moradias estimado no diagnóstico A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de casas entregues às famílias cadastradas e o número de habitações requeridas pelas famílias cadastradas. 75 Produzir unidades habitacionais de interesse social para atender a demanda habitacional futura; • Produzir 1.200 unidades habitacionais no município até o prazo determinado; • Mapear rotinas burocráticas envolvidas nos processos de análise e aprovação de projetos habitacionais; • Processo redesenhado e rotina estabelecida; Estabelecer rotinas especiais de análise para a aprovação de projetos habitacionais; • Atuar por meio de Grupo Técnico de Trabalho, que, a exemplo do GRAPROHAB, centralize e agilize os procedimentos administrativos de aprovação. • Aprovar orçamentos e planos de aplicação de metas anuais e plurianuais dos recursos do FNHIS; Manter rotina de auxilio a Caixa Econômica Federal e outros parceiros na seleção das famílias a serem beneficiadas nos Programas Habitacionais; • Mapear rotinas burocráticas envolvidas no processo de seleção de famílias para participação nos Programas Habitacionais; • Estabelecer rotina e responsabilidades; Manutenção dos dados referentes à demanda; • Atualização do cadastro do déficit habitacional; • Estruturar estratégias de negociação para aquisição pública de áreas; Definir estratégias e instrumentos para a realização de parcerias e aquisição pública de áreas (lotes/terrenos/glebas). • Identificar áreas disponíveis para aquisição; • Avaliar instrumentos relacionados a parcerias; 76 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo I: Redução do Déficit Habitacional Assistência Técnica Permanente Programa: Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do município; Orçamento das secretarias envolvidas; FNHIS Total do Investimento: R$ 20.845.000,007∗ Objetivo Superior: Assegurar às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto de construção e melhoria de Indicador: suas moradias, por meio de projetos como o PROSOL e -Taxa Anual de Cobertura do Programa de outros. Assistência Técnica Permanente8 ;e , -Taxa de Redução da Demanda por Assistência Técnica Permanente9 7 O Valor estimado abrange o financiamento para 100% dos domicílios considerados inadequados segundo dados da FJP. Tal valor deverá ser distribuído nos dez anos de vigência do plano. ∗ O cálculo do custo de implementação do programa deverá ser realizado com base no valor das horas técnicas dos profissionais da prefeitura dedicadas ao programa. 8 A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de famílias atendidas pelo programa e o número de famílias que demandam assistência técnica 9 A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de demandantes do programa no ano de referência e o número de demandantes do programa no ano anterior. Este indicador consiste na taxa histórica de comportamento da demanda; OBS> espera-se nos primeiros anos do programa uma demanda crescente, seguida de posterior redução nos anos seguintes. 77 Prazo Ações Estratégicas Meta C Realizar levantamento e avaliação sócio-habitacional das famílias potencialmente beneficiárias dos projetos de assistência técnica. Criar e manter cadastro de famílias potencialmente beneficiárias dos programas de assistência técnica. M L • Identificação e caracterização de 100% das famílias potencialmente beneficiárias dos programas de assistência técnica. • Identificar as necessidades habitacionais da população residente em domicílios precários a fim de dimensionar e alocar recursos para os projetos de assistência técnica. •Estruturar banco de dados da habitação. Realizar trabalho multidisciplinar envolvendo as equipes técnicas atreladas ao segmento habitacional nas áreas social, arquitetura, urbanismo e engenharia, para apoiar os programas desenvolvidos com foco na população de interesse social. Implementar o PROSOL 10 . • Promover ação institucional integrada, visando o apoio e o desenvolvimento dos projetos de assistência técnica; • Efetivação das ações descritas no projeto. • Atender às exigências e especificações da lei 11.888/2008 Prover assessoria técnica pública e gratiuita para projetos de construção e melhorias de habitação de interesse social. Criar linha de financiamento público para concessão de crédito facilitado às famílias de 0 a 5 s.m., residentes em moradias consideradas inadequadas, para realização de reformas com vistas à melhoria das condições de habitabilidade, com a consequente redução do déficit habitacional neste quesito. 10 • Incluir 100% das famílias identificadas como potencialmente beneficiárias nos projetos de assistência técnica. • Aprovar Lei que institui mecanismo de financiamento público para concessão de crédito facilitado. • Definir na LOA verba específica para esta finalidade. Projeto instituído pela lei de nº 2.617/93, intitulado Projeto Solidariedade cujo objetivo é fomentar, estimular e auxiliar famílias carentes na edificação, ampliação e reforma de moradias. 78 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo II: Programa: Objetivo Superior: Coordenação: Secretaria de Obras; Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente; Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do município; Orçamento das secretarias envolvidas; FNHIS; Programas da União Urbanização Integral Programa de inclusão sócio-espacial. Possibilitar o exercício pleno do direito à cidade por meio de ações que promovam o acesso integral à infra-estrutura urbana permitindo a inclusão sócio-espacial das famílias. Ações Estratégicas Viabilizar o acesso a equipamentos públicos básicos (unidades de saúde, escolas, creches, etc.) e ao sistema de transportes, à população residente nas áreas urbanas já regularizadas e em processo de regularização. Prazo C M L Total do Investimento: Somatória dos recursos destinados às ampliações e construções de novos equipamentos públicos e das redes de esgoto previstas para os próximos 2 anos; recursos previstos no PPA por secretarias Indicador: Taxa de Cobertura do Programa de Inclusão sócio-espacial11 Meta • Construção ou ampliação dos equipamentos públicos (lista em anexo) • Garantir recursos em orçamento para integralização no Fundo Municipal de Habitação. 11 A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de áreas que foram urbanizadas integralmente e o número de áreas que demandam ações de urbanização integral. Entenda-se por áreas urbanizadas integralmente aquelas cujas inadequações de moradias foram corrigidas inclusive em relação à infra-estrutura e ao acesso aos serviços urbanos essenciais e aos locais de trabalho e lazer. 79 • Construção ou ampliação dos equipamentos públicos (lista em anexo) Nas áreas em que serão construídos os novos empreendimentos habitacionais, viabilizar o acesso a equipamentos públicos básicos (unidades de saúde, escolas, creches, etc.), garantir o acesso aos espaços de convivência social e a implantação de infra-estrutura mínima necessária: saneamento básico (abastecimento de água potável; escoamento de águas pluviais; coleta e tratamento de esgoto; limpeza urbana; manejo de resíduos sólidos), fornecimento de energia elétrica domiciliar, energia elétrica pública, abertura e pavimentação de vias públicas e sistema de transportes. Promover ações de urbanização nas áreas urbanas já regularizadas e em processo de regularização judicial, viabilizando o acesso a equipamentos públicos básicos (unidades de saúde, escolas, creches, etc.), garantir o acesso aos espaços de convivência social e a implantação de infra-estrutura mínima necessária: saneamento básico (abastecimento de água potável; escoamento de águas pluviais; coleta e tratamento de esgoto; limpeza urbana; manejo de resíduos sólidos), fornecimento de energia elétrica domiciliar, energia elétrica pública, abertura e pavimentação de vias públicas e sistema de transportes. Promover a permanência e sustentabilidade das famílias nas novas moradias, contribuindo com a inclusão sócio-espacial das populações reassentadas, por meio de ações de melhorias sociais focadas em saúde, educação, geração de renda. • Incluir 100% das áreas que possuem programas e novos empreendimentos habitacionais nos planos setoriais de urbanização do município (plano de saneamento básico, iluminação de vias públicas, sistema de transportes) e de manutenção e construção de equipamentos públicos. • Garantir recursos em orçamento para integralização no Fundo Municipal de Habitação. • Construção ou ampliação dos equipamentos públicos (lista em anexo) • Incluir 100% das áreas que possuem programas habitacionais nos planos setoriais de urbanização do município (plano de sanemaneto básico, iluminação de vias públicas, sistema de transportes) e de manutenção e construção de equipamentos públicos. • Garantir recursos em orçamento para integralização no Fundo Municipal de Habitação. • Incluir 100% das famílias reassentadas em programas geração de renda, saúde e educação. • Incluir 100% das áreas que possuem famílias reassentadas nos planos setoriais de urbanização do município, de manutenção e construção de equipamentos públicos. 80 Aprimorar os processos de manutenção das áreas e equipamentos públicos em assentamentos urbanizados. Revisão permanente do Plano Diretor, Lei de Uso e Ocupação do Solo e outras legislações correlatas. •Revisar processo de manutenção das áreas e equipamentos públicos em assentamentos urbanizados. •Ter rotina de manutenção das áreas e equipamentos públicos em assentamentos urbanizados estabelecida. • Ter mecanismo permanente de planejamento com horizonte não inferior a 10 anos. 81 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo III: Programa: Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento e Habitação; Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente Urbanização e Regularização de Assentamentos Precários Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do município/ Orçamento das Secretarias Envolvidas; FNHIS e Programas Específicos de Moradia Inclusão Habitacional Total do Investimento: RS 700.000,0012 Objetivo Superior: Inclusão das famílias residentes em áreas de risco e assentamentos precários em projetos habitacionais, proporcionando o acesso à moradia digna. Indicador: Taxa de cobertura do programa de Inclusão Habitacional13 Prazo Ações Estratégicas Meta C Monitorar permanentemente as áreas públicas ocupadas, a fim de prevenir ocupações irregulares. M L • Estabelecer e implementar rotina de acompanhamento intersetorial. 12 Verba correspondente à construção de moradias novas para reassentamento de todas as famílias nas áreas abrangidas pelo programa A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de famílias atendidas pelo programa e o número de famílias residentes em áreas de risco e assentamentos precários. 13 82 Monitorar continuamente as áreas de risco ocupadas e assentamentos precários por meio da atualização cadastral das famílias, entrevista domiciliar, visitas técnicas para atualização dos processos, caracterização de tais áreas e acompanhamento de famílias para inclusão nos programas de reassentamento; • Caracterização de 100% das áreas consideradas de risco e assentamentos precários. • Ter monitoramento ativo e efetivo. Concluir processo de selagem das moradias irregulares em áreas de preservação ambiental e promover ação continua junto ao Conselho Municipal de Habitação para discussão da situação local; • Garantir a não ampliação do número de moradias em áreas de preservação ambiental. Viabilizar o reassentamento das famílias residentes em áreas de risco e assentamentos precários, cujas áreas não permitam a permanência das famílias no local por razões físicas, ambientais ou judiciais. •100% de inclusão das famílias que precisarem ser reassentadas em programas habitacionais. Viabilizar o reassentamento no interior do próprio núcleo, avaliando-se para isso as condições e possibilidades físicas, ambientais e legais, e a relação custo-benefício; • Reassentamento de 100% das famílias nestas condições. Realizar ações sócio-educativas preventivas conjuntas, por meio dos departamentos de habitação, meio ambiente, urbanismo, defesa civil e assistência social, para a conscientização das famílias residentes em ocupações irregulares, a fim de evitar a ampliação das áreas ocupadas. • Ter programação ativa de reuniões com a população para a discussão da situação habitacional local. • Garantir a não ampliação do número de moradias nas áreas ocupadas. • Garantir a não ampliação do número de áreas ocupadas. Promover a inclusão social das populações reassentadas, por meio de ações integradas de melhorias sociais focadas em saúde, educação, geração de renda. • Definição conjunta dos procedimentos para as ações integradas. • Realizar trabalho sócio-educacional pré e pós reassentamento com 100% das famílias em tais situações. 83 Desenvolver ações de orientação e informação junto aos proprietários de terras sobre o processo de regularização fundiária, visando prevenir ocupações irregulares. Manter atualizado o cadastro de famílias residentes em assentamentos precários e áreas de preservação ambiental. Revisão e ratificação de critérios para a priorização do ingresso de famílias em Programas Habitacionais. • Promover campanha junto aos proprietários de terras, fornecendo informações e orientação legal sobre ações promovidas pelo poder público com foco nas ocupações irregulares. • Estruturação do banco de dados. • Cadastro atualizado. • Aprimoramento e aplicação da lei em vigor. 84 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo IV: Programa: Objetivo Superior: Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação; Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do município; Orçamento das Secretarias Envolvidas; FNHIS; Programas Específicos de Moradia Promoção e Execução da Regularização fundiária e urbanística. Regularização fundiária e urbanística Total do Investimento: R$800.000,0014∗ Promoção da Regularização Fundiária e Urbanística da Cidade. Indicador: Taxa do Território não Regularizado15 Prazo Ações Estratégicas Meta C Levantamento e análise da demanda por regularização fundiária; M L • Mapear 100% das áreas com necessidade de regularização fundiária; • Traçar o perfil da população moradora; 14 Média de R$ 80.000,00 a serem investidos anualmente. O cálculo do custo de implementação do programa deverá ser realizado com base no valor das horas técnicas dos profissionais da prefeitura dedicadas ao programa. 15 A base de cálculo do indicador é a razão entre a área dos territórios regularizados e a área total do município. ∗ 85 Mapear, identificar as áreas prioritárias para indicação ao programa de regularização fundiária de governo estadual “Cidade Legal”; Indicar as áreas passíveis de regularização de propriedade pública ou privada; • Indicar 100% das áreas prioritárias passíveis de regularização de propriedade pública ou privada; Realizar a regularização jurídica dos lotes através da titulação e registros dos mesmos com base em análise técnica do poder público municipal e no parecer do programa de regularização do governo “Cidade Legal”, para aquelas áreas indicadas ao programa. • Estudo aprofundado da legislação pertinente nas três esferas de governo;• Entregar e ou viabilizar a titulação de 100% das áreas Promover maior integração entre as equipes de habitação, desenvolvimento e controle urbano, capacitando os técnicos desses setores nos temas estratégicos de forma a permitir a agilização dos processos de regularização. • Ter processo contínuo e efetivo de capacitação ampliando aos demais setores. Estabelecer um conjunto de padrões e critérios mínimos, que permita a adoção de procedimentos de controle urbano em áreas urbanizadas e em processo de regularização, criando acordo e procedimentos entre os setores de habitação, controle urbano, cadastro fiscal e imobiliário, assuntos jurídicos e procuradoria municipal. • Integração entre os setores do segmento habitacional. • Estabelecer e aplicar diretrizes para aprovação de novos projetos. Articular ações com outras esferas de governo e instâncias de poder, legislativo e judiciário, buscando eliminar obstáculos que impedem ou dificultam o processo de regularização fundiária. • Simplificar o processo de licenciamento no âmbito local, agilizando os registros cartoriais. Executar a gestão do solo, a partir de uma visão sustentável e integrada da ocupação do território, por meio da cooperação entre agentes públicos e privados e a co-responsabilidade das esferas governamentais no atendimento às demandas habitacionais. •100% das ações de gestão realizadas de forma integrada e atendendo plenamente a legislação em vigor. Recuperação ou produção de imóveis em áreas centrais ou periféricas, para fins habitacionais de interesse social. • Identificar e demarcar vazios urbanos nas áreas centrais e periféricas para criação do banco de dados contendo as áreas e imóveis existentes; • Incluir áreas identificadas nos programas de redução do déficit habitacional. 86 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo V: Programa: Objetivo Superior: Consolidação e Institucionalização da Intervenção Pública. Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação Fontes de Financiamento: Recursos técnicos e humanos próprios do Estruturação da Área Habitacional da Prefeitura do Município município; Orçamento da Secretaria de Valinhos. Total do Investimento: O cálculo do custo de implementação do programa deverá ser realizado com base no valor das horas técnicas dos profissionais da prefeitura dedicadas ao programa. Consolidar a atuação da Prefeitura de Valinhos na política habitacional do município. Indicador: Taxa Anual de Execução da Política Habitacional Ações Estratégicas Criar comissão técnica para monitoramento e aprimoramento do plano de habitação; Monitorar e avaliar programas, projetos e ações do governo municipal e demais agentes, e seu impacto na diminuição do déficit e da inadequação habitacional. Prazo C M L Meta • Definição da comissão técnica no 1º semestre de 2011. • Garantir a revisão e atualização do plano. • Elaborar e implementar Sistema Municipal de Informações Habitacionais (SMIH). * as bases para esse sistema já estão previstas como anexo desse plano • Acompanhar os resultados da política habitacional e das metas estabelecidas no PLHIS. 87 • Socialização das estratégias de ação. Estruturar trabalho em rede nas diferentes áreas para atendimento e acompanhamento das famílias em situação de vulnerabilidade social; Criar comissão técnica composta por profissionais das áreas de habitação, educação, saúde, planejamento e saneamento para avaliação da infra-estrutura disponível e condições de atendimento dos equipamentos públicos nas áreas em que serão construídos os novos empreendimentos habitacionais, atuando dentro dos critérios de controle urbano estabelecidos no cenário pós-instrução normativa SDSH 1/2010; Formar grupo de trabalho para monitoramento do processo de verticalização iniciado pós-instrução normativa 1/2010 emitida pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação; • Atuação efetiva e articulada das diferentes secretarias. • Avaliação da infra-estrutura disponível e condições de atendimento dos equipamentos públicos nas áreas em que serão construídos os novos empreendimentos habitacionais concretizada. • Áreas em que serão construídos os novos empreendimentos habitacionais com sua urbanização integral planejada. • Revisão dos marcos legais da política de habitação de interesse social concluída até o final do 1º semestre. • Mobilizar segmentos específicos para discussão da problemática habitacional. Realizar a cada 2 anos as Conferências Municipais de Habitação. • Ratificar parâmetros para revisão permanente da política habitacional. Proceder à elaboração da legislação que especifica áreas prioritárias para a construção de unidades habitacionais, categorias de uso Habitação de Interesse Social – HIS, bem como da legislação que cria as ZEIS – Zona Especial de Interesse Social, tal como previsto no Plano Diretor; • Revisão dos marcos legais da política de habitação de interesse social. • Demarcação das ZEIS. Elaborar estudos urbanísticos, arquitetônicos e financeiros, complementares à aplicação dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor (edificação e urbanização compulsória, IPTU progressivo, outorga onerosa, definição do coeficiente de aproveitamento mínimo e máximo relacionado ao uso e ocupação do solo), para viabilizar empreendimentos de HIS e HMP nas ZEIS; • Ter estudos urbanísticos, arquitetônicos e financeiros prontos, quando da revisão do Plano Diretor. Contribuir ativamente para a elaboração e manutenção do Cadastro Único Regional de Habitação no âmbito da região metropolitana de Campinas. • Participar de 100% das atividades regionais com esta finalidade. 88 Plano Local de Habitação de Interesse Social Eixo V: Projeto: Objetivo Superior: Coordenação: Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação Consolidação e institucionalização da intervenção pública Fontes de Financiamento: Estruturação do departamento de Habitação da Prefeitura do Recursos técnicos e humanos próprios do município; Orçamento da Secretaria Município de Valinhos Total do Investimento: O cálculo do custo de implementação do programa deverá ser realizado com base no valor das horas técnicas dos profissionais da prefeitura dedicadas ao programa. Estruturar o departamento de habitação no âmbito de recursos humanos e físicos para o aprimoramento da execução das políticas habitacionais locais Indicador: Taxa Anual de Execução da Política Habitacional16 Prazo Ações Estratégicas Meta C Investir na diversificação dos recursos humanos do departamento de habitação para o aprimoramento da execução das políticas habitacionais. M L • Identificar perfil dos profissionais necessários para o atendimento da demanda do departamento. • Ampliação e diversificação do perfil profissional dos membros da equipe. 16 A base de cálculo do indicador é a razão entre o número de programas e projetos que constam do PLHIS em andamento e o número total de programas e projetos contido no PLHIS. Tal indicador deve ser medido anualmente. 89 Realizar estudo aprofundado da estrutura organizacional e administrativa do departamento de habitação para definição a da estrutura apropriada ao atendimento das demandas do departamento. • Criar áreas especificas para desenvolvimento e execução das políticas habitacionais. Estruturar banco de dados da habitação, com a caracterização da população e registro da demanda habitacional do município para subsidiar a elaboração e a implementação dos projetos habitacionais do poder público; • Sistema de informação disponível e atualizado. • Ter 100% dos profissionais do departamento capacitados nas competências exigidas pelo PLHIS. Capacitar continuamente os profissionais do departamento. • Proporcionar a participação dos técnicos e gestores do departamento, nos processos de capacitação nas esferas federal, estadual e municipal. • Garantir a participação dos técnicos e gestores do departamento em todas as oficinas regionais de capacitação. 90 6. Sistema de Monitoramento e Avaliação 6.1 Diretrizes e Ações para o Monitoramento e Avaliação A construção do sistema de monitoramento e avaliação da Política Habitacional requer a definição de diretrizes e ações, que permitam a utilização dos indicadores de forma sistêmica, para que seja um instrumento eficiente para o processo de monitoramento e avaliação do PLHIS e da política habitacional. Para tanto, a principal ação estratégica contida neste PLHIS é a criação do Sistema Municipal de Informações Habitacionais (SMIH), além de outras ações e diretrizes complementares. 6.2 Sistema Municipal de Informações Habitacionais O Sistema Municipal de Informações Habitacionais elaborado como principal ferramenta de monitoramento e avaliação deste PLHIS, tem como atribuições o recolhimento, a organização, a atualização e a sistematização das informações relativas ao diagnóstico habitacional e das ações em habitação desenvolvidas no município, fornecendo assim os subsídios necessários ao monitoramento e avaliação. Deverá monitorar continuamente as variáveis que compõem os cenários, fornecendo informações para correções de rota necessárias conforme a conjuntura vivenciada pelo município. Ao centralizar os produtos dos diversos Bancos de Dados correlatos às questões habitacionais no município, permitirá a atualização das informações habitacionais já disponíveis. Objetivando a plena consecução de seus objetivos desenvolverá as seguintes ações: 91 Estabelecer um fluxograma que garanta a contínua “alimentação” de informações ao Sistema, possibilitando o fornecimento de informações das variáveis do PLHIS atualizáveis pelo município (ex.: dados dos assentamentos precários, das famílias moradoras, da provisão de terras, dos custos dos programas e ações, dos investimentos realizados, das ações desenvolvidas etc.), articulando tanto os setores responsáveis pelos Bancos de Dados como o conjunto dos órgãos e setores da municipalidade responsáveis pela execução das ações em habitação; Ter definida sua estrutura institucional e administrativa; Articular-se com outros Sistemas de Indicadores, Observatórios e setores responsáveis pela sistematização de informações existentes na municipalidade. Buscar, junto a organismos externos à municipalidade responsáveis pelo fornecimento de informações e pela construção de indicadores, tais como o IBGE, a FJP, a Fundação SEADE, a padronização dos conceitos e dos indicadores utilizados no PLHIS, possibilitando o cruzamento de informações e a comparabilidade com a realidade externa à municipal. 6.2.1 Ações complementares Realização de uma avaliação geral do Plano Municipal de Habitação em 2012, e sempre após a publicação dos resultados dos Censos Demográficos pelo IBGE, em prazo a ser definido, com atualização dos indicadores e do diagnóstico, através de uma ampla discussão pública, culminando com a aprovação nos Conselhos Municipais de Habitação e de Política Urbana, com eventual redefinição dos programas, ações, estratégias e metas; Monitoramento permanente e avaliações expeditas anuais, cujos resultados devem ser levados à Conferência Municipal de Habitação e 92 aos Conselhos Municipais de Habitação e de Política Urbana, além de subsidiar a realização anual do Planejamento Estratégico Habitacional; Desenvolvimento de mecanismos para dar publicidade aos indicadores aferidos pelo sistema de monitoramento, bem como de avaliações periódicas, gerais ou específicas, ampliando a transparência e permitindo o controle social das ações; Aperfeiçoamento dos sistemas de apropriação de custos, no âmbito dos vários programas habitacional, e frentes permitindo de atuação melhorar as da Prefeitura avaliações de na área eficiência instrumental; Inclusão na programação orçamentária da Secretaria de recursos (internos ou externos) para a realização de pesquisas de satisfação e de pós-ocupação; Realização de pesquisa sobre a realidade habitacional do município, com vista a qualificar o diagnóstico já existente, permitindo sua atualização com variáveis que não puderam ser aferidas no PLHIS ou que apresentaram alguma inconsistência, tais como: famílias conviventes, domicílios vagos etc., bem como identificar e qualificar a demanda habitacional difusa (déficit e inadequação), quantificada no diagnóstico. 6.3 Objetivos Objetivos Gerais 1) O acompanhamento dos resultados da política habitacional e do cumprimento das metas estabelecidas no PLHIS, subsidiando sua aplicação e as tomadas de decisão a partir de mudanças ocorridas na sociedade e na economia, orientando ações eficazes da política habitacional. 2) A mensuração de desempenho e resultado a partir do conhecimento técnico da realidade. 93 3) O acompanhamento do impacto da política habitacional, na elevação do bem estar da sociedade através do planejamento e acompanhamento das ações. 4) Monitoramento de mudanças conjunturais que possam comprometer ou recomendar a revisão das práticas, estratégias e metas. Objetivos específicos: 1) Monitorar o impacto da política habitacional na diminuição do déficit e da inadequação habitacional. 2) Monitorar e avaliar os programas, projetos e ações do governo municipal e dos demais agentes da produção habitacional no município. 3) Acompanhar e monitorar as variáveis que compõem o diagnóstico habitacional do município, tais como as necessidades habitacionais (cálculo do déficit e da inadequação habitacional, crescimento da demanda demográfica), os custos dos programas e ações e a disponibilidade de recursos físicos e financeiros. 4) Tornar viáveis as alterações e adequações necessárias na gestão da política habitacional e urbana, orientando as decisões anuais do Planejamento Estratégico Habitacional, a partir das alterações detectadas no diagnóstico que sustenta o PLHIS. 5) Monitorar a evolução, destinação e o uso de terras para habitação. 6) Acompanhar a conjuntura sócio-econômica nos aspectos que impactam a oferta e o acesso à habitação pela população-alvo da política habitacional. 7) Acompanhar o comportamento do mercado imobiliário para as faixas de renda prioritárias para o PLHIS. 8) Apoiar a política habitacional através da melhoria do acesso à informação. 9) Contribuir para aumentar o conhecimento do poder público sobre a realidade habitacional e sobre o ambiente urbano em que se constrói. 94 10) Construir um sistema de indicadores habitacionais sólido, e que permita a comparação dos dados e sua interação com outros sistemas de indicadores, tanto internos à municipalidade, como externos, em particular com aqueles que estabelecem padrões de referência reconhecidos (ex.: IBGE, Fundação João Pinheiro, Fundação SEADE etc.); 11) Fornecer para a sociedade, em particular para os agentes envolvidos com a questão habitacional, informações e avaliações permanentes sobre a realidade habitacional do município e sobre a política habitacional desenvolvida. 95 Referências Bibliográficas FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO – FJP/ MINISTÉRIO DAS CIDADES – Secretaria Nacional de Habitação. Déficit Habitacional no Brasil 2006. Brasília, 2008. PLANO METROPOLITANO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL – AGEMCAMP. Campinas, 2009. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Cadernos Ministério das Cidades: desenvolvimento urbano. Política nacional de desenvolvimento urbano. Caderno nº 1. Série de Cadernos Ministério das Cidades. Brasília: Governo Federal, 2004a. __________. Cadernos Ministério das Cidades: habitação. Política nacional de habitação.Caderno nº 4. Série de Cadernos Ministério das Cidades. Brasília: Governo Federal, 2004b. PLANO INTEGRADO DE TRANSPORTE URBANO DA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS. Campinas: STM, 2004. (disponível em http://www.pitu.stm.sp.gov.br, acessado em setembro 2008). SOUZA, Rodrigo Souza Busnardo de. A Fazenda Capuava em Valinhos: estudo de caso de evolução urbana. Campinas, 2009. MARICATO, Ermínia. Política habitacional no regime militar. Petrópolis: Vozes, 1987. Legislação REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Lei n° 10.257 de 10/07/2001 – Estatuto da Cidade. Regulamenta os Artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Decreto Estadual nº 12.342 de 27/09/1978. Código Sanitário do Estado de São Paulo. REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Lei Federal nº 11.124/2005 - dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e institui o Conselho Gestor do FNHIS. PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. PLANO DIRETOR III, 2003. PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 01/2010 – SDSH. PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. DECRETO n° 7.463 de 19 /01/2010 - Suspende, temporariamente, atos administrativos de emissão de diretrizes e aprovação de projetos, na forma que especifica. 96 PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. Lei Municipal nº 2977/96, que dispõe sobre projetos, execução de obras e utilização de edificações PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. Lei n° 4.186 de 10/10/2007 - Dispõe sobre a ordenação do uso e ocupação do solo no Município e dá outras providências. PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. Lei nº 3.657 de 17/12/2002 - Altera redação do artigo 300 da Lei Municipal nº 2977/96, que dispõe sobre projetos, execução de obras e utilização de edificações. PREFEITURA MUNICIPAL DE VALINHOS. Lei nº 3.736 de 1/12/2003 - Altera dispositivos que especifica da Lei Municipal nº 2977/96, que dispõe sobre projetos, execução de obras e utilização de edificações, e dá outras providências. Sítios Eletrônicos SITE da Companhia de http://www.cohabcp.com.br) SITE da Empresa Paulista http://www.emplasa.sp.gov.br) Habitação de Popular Planejamento de Campinas (disponível em Metropolitano (disponível em SITE da Prefeitura do Município de Valinhos (disponível em http://www.Valinhos.sp.gov.br) SITE da Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo (disponível em http://www.planejamento.sp.gov.br) SITE do Plano Integrado de Transportes Urbanos do Estado de São Paulo (disponível em http://www.pitu.stm.sp.gov.br/) SITE da Secretaria de Habitação http://www.habitacao.sp.gov.br) do Estado de São Paulo (disponível em SITE da Fundação Sistema Estadual de Análise e Dados - SEADE (disponível em http://www.seade.gov.br) SITE do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (disponível em http://www.ibge.org.br) SITE do Ministério das Cidades - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (disponível em http//: www.cidades.gov.br) 97 Siglas & Glossário AEIS - Áreas de Especial Interesse Social BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento BIRD - Banco Mundial para a Reconstrução e o Desenvolvimento BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CDH - Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Estado de São Paulo CDHU - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo CDRU - Concessão de Direito Real de Uso CEF - Caixa Econômica Federal CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia DISE - Departamento de Indicadores Sociais e Econômicos EIA-RIMA - Estudo de Impacto Ambiental - Relatório de Impacto Ambiental FAR - Fundo de Arrendamento Residencial FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador FDS - Fundo de Desenvolvimento Social FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FJP - Fundação João Pinheiro FMH - Fundo Municipal de Habitação FNHIS - Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social GRAPROHAB - Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais HIS - Habitação de Interesse Social 98 HMP - Habitação de Mercado Popular IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPTU - Imposto Predial e Territorial Urbano LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias LOA - Lei Orçamentária Anual LUOPS - Lei de Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo PAR - Programa de Arrendamento Residencial PAT-PROSANEAR - Programa de Assistência Técnica ao Programa de Saneamento PD - Plano Diretor PEA - População Economicamente Ativa PIB - Produto Interno Bruto PLHIS - Plano Habitacional de Interesse Social PMH - Plano Municipal de Habitação PPA - Plano Plurianual de Investimentos PSH - Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SEADE - Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SFH - Sistema Financeiro da Habitação SFI - Sistema de Financiamento Imobiliário SISH - Secretaria de Inclusão Social SMIH - Sistema Municipal de Informações Habitacionais SNH - Sistema Nacional de Habitação SNHIS - Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social 99 TAC - Termo de Ajustamento de Conduta ZEIC - Zonas Especiais de Interesse Comercial ZEIS - Zonas de Especial Interesse Áreas de Ocupação de Interesse Social: são áreas destinadas à produção de habitação de Interesse Social, com destinação específica, normas próprias de uso e ocupação do solo; Assentamento subnormal: assentamento habitacional irregular (favela e assemelhados) localizados em terrenos de propriedade alheia, pública ou particular, ocupado de forma desordenada e densa, carente de serviços públicos essenciais, inclusive em área de risco ou legalmente protegidos; Carência de serviços de infra-estrutura: domicílios urbanos que não contam com um ou mais serviços de infra-estrutura urbana ou domicílios rurais que não contam com três ou mias dos serviços. São serviços de infra-estrutura: energia elétrica, rede de abastecimento de água com canalização interna; rede coletora de esgoto, pluvial ou fossa séptica; lixo coletado direta ou indiretamente. Coabitação familiar: compreende a soma das famílias conviventes secundárias e famílias que viviam em cômodos cedidos ou alugados Cômodos alugados e cedidos: A FJP considerou como coabitação disfarçada os pensionistas, que é a pessoa que, sem ser parente, pagava hospedagem ou contribuía para as despesas de moradia e alimentação do domicílio. Custo de acesso à habitação: os valores relativos à prestação de financiamento habitacional, contrapartida de arrendamento residencial, taxa de ocupação, aluguel ou derivados do direito de superfície, direito de uso, ou quaisquer outras formas de acesso à habitação; Densidade excessiva dos moradores por dormitórios: domicílios com três pessoas ou mais por Dormitório 100 Domicílios improvisados: aquele domicílio localizado em espaços não destinados exclusivamente à moradia, tal como: loja, sala comercial etc. Assim também foi considerado o prédio em construção, embarcação, carroça, vagão, tenda, barraca, gruta etc., que estivesse servindo de moradia. Domicílios rústicos: pelo IBGE, são aqueles domicílios que não têm paredes ou cobertura em material durável. São consideradas duráveis as paredes construídas em alvenaria e madeira aparelhada; e coberturas em telha, laje de concreto ou madeira aparelhada. Família de baixa renda: aquela cuja situação sócio econômica, definida segundo seu padrão de consumo, não lhe permita arcar, total ou parcialmente, com os custos de quaisquer formas de acesso a habitação, a preços de mercado; Famílias conviventes secundárias: As famílias conviventes secundárias são famílias constituídas por, no mínimo, duas pessoas que residem em um mesmo domicílio junto com outra família denominada principal. Financiamento habitacional: o mútuo destinado à aquisição de lote urbanizado, e/ou da construção, da conclusão, da recuperação, da ampliação ou da melhoria da habitação, bem como as despesas cartorárias e as de legalização do terreno; Habitação de interesse social: a habitação urbana, nova ou usada, com o respectivo terreno e serviços de infra-estrutura, com destinação à famílias de baixa renda; Habitação: a moradia inserida no contexto urbano, provida de infraestrutura básica, os serviços urbanos, os equipamentos comunitários básicos, ser obtida em forma imediata ou progressiva, localizada em área com situação legal regularizada; Inadequação fundiária urbana: domicílios próprios construídos em terrenos que não são de propriedade do morador, os domicílios sem identificação e situados em setores definidos como subnormais. Inexistência de unidade sanitária interna ao domicílios sem banheiro ou sanitário de uso exclusivo. domicílio: 101 Lote social: lote de terreno, urbano, situado em loteamento ou desmembramento aprovado pelo órgão municipal competente e registrado no Cartório de Registro de Imóveis, cujo preço seja igual ou inferior ao que vier a ser determinado por Conselho Municipal de Habitação, atendendo a parâmetros técnicos de padrão de consumo familiar; Ônus excessivo com aluguel: Considera-se como déficit os domicílios com até 3 salários mínimos de renda familiar que despendem mais do 30% com o aluguel. Lote urbanizado: parcela legalmente definida de uma área, conforme as diretrizes de planejamento urbano municipal ou regional, que disponha de acesso por via pública e, no seu interior, no mínimo, de soluções de abastecimento de água e esgotamento sanitário e ainda de instalações que permitam a ligação de energia elétrica; Padrão de consumo familiar: é o parâmetro para definir os indicadores de implementação, de aferição de programas habitacionais, e de enquadramento para o acesso à política de subsídio. Constituem estrutura de consumo, segundo metodologia a ser estabelecida em regulamento, em função, entre outras variáveis, do nível de renda, tamanho e faixa etária das famílias, grau de escolaridade, número de membros da família que trabalham e hábitos locais ou regionais. O poder aquisitivo deve ser definido pelo padrão de consumo mediano, apurado por meio de metodologia validada (PNAD-IBGE; IPEA e POF-DIEESE) e deve ser usado para estratificar as famílias de forma a permitir definir grupos homogêneos; Regularização fundiária: é o processo de intervenção pública, sob os aspectos jurídico, físico e social, que objetiva legalizar a permanência de populações moradoras de áreas urbanas, ocupadas em desconformidade com a lei. 102 ANEXOS 103 ANEXO 1 Fundamentos Teóricos do Diagnóstico Habitacional A questão habitacional, apesar de estar em ampla discussão na sociedade, tem sido objeto de poucos estudos quantitativos no Brasil. Destaca-se o trabalho da Fundação João Pinheiro – FJP (1996 e 2001) que estimou, para 1995 e 2000, as deficiências habitacionais nos respectivos anos, onde déficit o habitacional foi decomposto em componentes que retratam a situação habitacional no Brasil. O estudo da FJP entendeu como déficit habitacional a noção mais imediata e intuitiva de necessidade de construção ou adequação de moradias para a resolução de problemas sociais e específicos de habitação, detectados em certo momento. Consiste então na deficiência do estoque de moradias por não dispor de condições de habitabilidade. Entretanto, o conceito amplo de necessidades habitacionais abarca três diferentes segmentos: o incremento necessário ao estoque, a inadequação das moradias e a demanda demográfica. O incremento necessário corresponde àquelas moradias que não possuem condições de habitabilidade, por sua precariedade construtiva ou desgaste em sua estrutura física, e, ainda, por apresentar coabitação familiar. Já o conceito de inadequação de moradias reflete problemas na qualidade de vida dos moradores, não relacionados ao dimensionamento do estoque das habitações e sim a especificidades internas de um estoque dado. Por fim, o crescimento e a dinâmica populacional, resultam em uma demanda demográfica por habitações para atender ao surgimento dos novos núcleos familiares. Desta maneira, a estimativa da FJP refere-se à necessidade de reposição ou adequação imediata do estoque, de maneira a acomodar condignamente a população em um ponto no tempo, no caso as datas censitárias. A. DEFICIÊNCIAS HABITACIONAIS O conceito de deficiências habitacionais e as terminologias utilizadas pela Fundação João Pinheiro – FJP (2001) dividem as deficiências habitacionais em uma data em duas dimensões: o das Necessidades de Incremento e Reposição do Estoque e as Inadequações dos domicílios. O Incremento necessário ao estoque considera os domicílios rústicos, domicílios improvisados, e as famílias em coabitação. Desta maneira, o Incremento do Estoque é composto por aqueles domicílios que devem ser incorporados ao estoque de domicílios para não existir famílias em coabitação ou por sua precariedade construtiva (improvisados e rústicos). O conceito de Inadequação das Moradias considera moradias que, apesar de ser desnecessária a construção de uma nova residência, tem a demanda por investimentos, sejam eles de origem pública (serviços públicos) ou privada (reformas e ampliações). Estas questões incluem a Densidade excessiva dos moradores por dormitórios, a Carência de serviços de infra-estrutura pública, a Inadequação fundiária urbana e a Inexistência de unidade sanitária interna ao domicílio. 104 A TAB. 1, a seguir, resume as informações utilizadas para compor as deficiências habitacionais. TABELA 1 - Componentes do déficit habitacional. I). Incremento do estoque: A). Reposição do estoque 1). Domicílios rústicos: pelo IBGE, são aqueles domicílios que não têm paredes ou cobertura em material durável. São consideradas duráveis as paredes construídas em alvenaria e madeira aparelhada; e coberturas em telha, laje de concreto ou madeira aparelhada. B). Incremento do estoque: 1). Domicílios improvisados: aquele domicílio localizado em espaços não destinados exclusivamente à moradia, tal como: loja, sala comercial etc. Assim também foi considerado o prédio em construção, embarcação, carroça, vagão, tenda, barraca, gruta etc., que estivesse servindo de moradia. 2). Coabitação familiar: compreende a soma das famílias conviventes secundárias e famílias que viviam em cômodos cedidos ou alugados a). Famílias conviventes secundárias: As famílias conviventes secundárias são famílias constituídas por, no mínimo, duas pessoas que residem em um mesmo domicílio junto com outra família denominada principal. b). Cômodos alugados e cedidos: A FJP considerou como coabitação disfarçada os pensionistas, que é a pessoa que, sem ser parente, pagava hospedagem ou contribuía para as despesas de moradia e alimentação do domicílio. 3). Ônus excessivo com aluguel: Considera-se como déficit os domicílios com até 3 salários mínimos de renda familiar que despendem mais do 30% com o aluguel. II). Inadequação do domicílio A). Densidade excessiva dos moradores por dormitórios: domicílios com três pessoas ou mais por Dormitório B). Carência de serviços de infra-estrutura: domicílios urbanos que não contam com um ou mais serviços de infra-estrutura urbana ou domicílios rurais que não contam com três ou mias dos serviços. São serviços de infra-estrutura: energia elétrica, rede de abastecimento de água com canalização interna; rede coletora de esgoto, pluvial ou fossa séptica; lixo coletado direta ou indiretamente. C). Inadequação fundiária urbana: domicílios próprios construídos em terrenos que não são de propriedade do morador, os domicílios sem identificação e situados em setores definidos como subnormais. D). Inexistência de unidade sanitária interna ao domicílio: domicílios sem banheiro ou sanitário de uso exclusivo. Fonte: Fundação João Pinheiro (2002) e Notas metodológicas de pesquisas do IBGE. *Setor subnormal: conjunto (favelas e assemelhados) constituído por unidades habitacionais (barracos, casas etc.), ocupando, ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular), dispostas, em geral, de forma desordenada e densa, carentes, em sua maioria, de serviços públicos esse. 105 B. Projeção da demanda por domicílios A metodologia mais utilizada em anos recentes para projeção da demanda por domicílios tem sido a que faz uso das taxas de chefia de domicílios. O método das taxas de chefia (headship rate) para projeção habitacional parte do pressuposto de que o número de domicílios existente em uma população é igual ao número de chefes desta mesma população. Se a projeção por idade e sexo estiver adequada, pode-se obter uma razoável projeção do total de domicílios no futuro. Esta metodologia tem uma razoável vantagem sobre outras, pois reflete as mudanças populacionais esperadas da estrutura etária e sexo. Como a construção de uma projeção populacional reflete as tendências passadas e futuras na fecundidade, mortalidade e migração, o método pode refletir indiretamente estes três elementos de mudanças populacionais. Por outro lado, o método não leva em conta a dinâmica da formação, crescimento, contração e dissolução de domicílios e não é capaz de refletir esta dinâmica no estoque total de domicílios no futuro. O número de domicílios no futuro depende ainda de inúmeros fatores inter-relacionados tais como escolhas pessoais, mudanças de comportamento social e individual, como também nos atributos sócio-econômicos dos futuros chefes. A formação de uma nova residência ainda depende de variáveis como renda, emprego e oferta de habitação. A metodologia das taxas de chefia não considera todas estas variáveis uma vez que se trata de um método essencialmente demográfico. No entanto, o método pode responder de forma bastante adequada à necessidade de novas moradias dada à dinâmica demográfica do ciclo familiar. C. Taxas de chefia O método das taxas de chefia (headship rate) para projeção habitacional parte do pressuposto de que o número de domicílios existente em uma população é igual ao número de chefes desta mesma população. Os dados necessários para aplicação do método, controlando as taxas por vários atributos sóciodemográficos, podem ser facilmente obtidos por meio dos Censos Demográficos e através de outras pesquisas domiciliares, como por exemplo, a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios – PNAD. Desta forma, obtém-se o insumo necessário para estimar as taxas de chefia por várias categorias. A definição do chefe ocorre, na maioria das vezes, segundo uma hierarquia de provedor principal, como também uma hierarquia de idade, mantendo uma tradição de matriarcado ou patriarcado. O estoque inicial de domicílios necessários é calculado segundo a hipótese de que cada chefe represente a necessidade de uma moradia. A projeção de demanda habitacional mais usual (item 3 da ILUST. 1) baseia-se na aplicação de uma taxa constante sobre uma projeção populacional. Dado que a projeção da estrutura etária e do crescimento populacional faz parte dos pressupostos da projeção demográfica, a única fonte substancial de erro na 106 projeção de demanda seria a originada na manutenção da taxa de chefia constante. Em trabalho desenvolvido anteriormente por RIOSNETO, OLIVEIRA E GIVISIEZ (2003) os fluxos de entrada e saída de domicílios foram decompostos em três efeitos: tamanho da população, estrutura etária e taxa. Somente após esta decomposição, ou seja, com a mensuração destes três componentes, poderia se decidir se é prudente manter uma taxa constante para se estimar uma demanda futura por domicílios ou se é recomendável projetar uma taxa seguindo uma tendência temporal. Para se obter estimativas de demanda mais precisas, seria indicado projetar alguns cenários de taxa de chefia a fim de minimizar os erros provenientes das variações na taxa. Uma das metodologias indicadas para a projeção destas taxas é do uso de modelos Idade-Período-Coorte (IPC). O uso de um método demográfico para estimativas de demanda por domicílios justifica-se pelas demandas diferenciais ao longo das idades e pelo fato das etapas do ciclo de vida pelos quais passam todos os indivíduos de uma população condicionar demandas diferenciais. Apesar de a idade ser a primeira variável lembrada para análise de mudança social, ignorar os efeitos de período e coorte na interpretação dos processos demográficos é ignorar duas fontes de variação importantes que envolvem este processo. A taxa de chefia de domicílios depende da idade, do período e da coorte. Ela depende da idade porque os eventos que levam um indivíduo a se tornar chefe de domicílio estão fortemente correlacionados com a idade. Ela depende do período porque as incertezas e flutuações relacionadas ao ambiente econômico mudam o risco de entrada e saída da chefia de domicílio, fazendo um indivíduo adiar ou antecipar decisões que o levam à chefia de domicílio. Ela depende da coorte porque os padrões culturais prevalentes no passado afetam cada coorte de maneira particular que as torna única em seus padrões de entrada e saída da chefia de domicílios. Nesta perspectiva, a análise de processos demográficos ou mudança social pode envolver três níveis distintos: (i) análise “cross section” (efeitos de período); (ii) análise longitudinal (efeitos de idade) e (iii) defasagem temporal. Uma das vantagens da estimativa de um modelo empírico aos dados de taxas específicas de chefia é a possibilidade de extrapolar previsões futuras de comportamento dessas taxas a partir dos parâmetros estimados numa equação do modelo IPC. Existem evidências empíricas indicando o uso potencial deste modelo de estimativas em técnicas projetivas RIOS-NETO E OLIVEIRA (1999). Estimados os parâmetros, o problema consiste em estabelecer tendências futuras para as taxas de chefia à luz desses parâmetros. A projeção de taxas de chefia, a partir de cenários estabelecidos por meio dos resultados dos coeficientes estimados pelo modelo IPC, permite um cálculo mais acurado da demanda futura por novos domicílios. A taxa de chefia de domicílios (nTx – EQUAÇÃO 1) é formalmente definida pela porcentagem de pessoas chefes de domicílios ou principais de cada grupo de idade (Rodriguez, Curbelo e Martine (1991). Note-se que a taxa de chefia de domicílio 107 multiplicada pelo contingente populacional correspondente [nNx(t)] produz o número de domicílios associado a cada grupo de idade [nHx(t)]. Este procedimento possibilita a análise da dinâmica do estoque de domicílios, pois, para cada período se estabelece: (i) o montante de estoque total e dos grupos de domicílios classificados por idade (EQUAÇÃO 1); e (ii) a quantificação dos fluxos de entrada e saída que alimentam o estoque de domicílio (EQUAÇÃO 2). Conforme pode ser visto na EQUAÇÃO 3, a variação do número de domicílios é resultante da aplicação da taxa de chefia correspondente às variações produzidas na população existente em cada grupo de idade, no caso de manter a taxa de chefia constante para projeção de necessidade futura. Assim, a evolução da população e as alterações na estrutura etária constituem variáveis chaves de análise da demanda potencial. Vale ressaltar que os fluxos brutos de formação e desaparecimento de domicílios (EQUAÇÃO 3), tanto totais quanto desagregados por idade, têm comportamento distinto no que diz respeito a volume e sinal, uma vez que refletem mudanças nas taxas de chefia, além das mudanças na estrutura etária e evolução da população. 108 D. A Construção de Cenários A dinâmica demográfica brasileira será brevemente descrita aqui, focada nos desafios futuros, como subsídio à construção de cenários para o planejamento de longo prazo da política habitacional, contemplando a escolha metodológica que suporta as estimativas da demanda por habitações. a. Projeção da População do Brasil: 1980-2050 Toda projeção de população por sexo e grupos de idade, realizada por método demográfico, deve ser revista na medida em que novas informações surjam, sejam de Censos Demográficos, Pesquisas Domiciliares por Amostragem ou Estatísticas Vitais. Como este método consiste em trabalhar (projetar) separadamente cada componente demográfica, ou seja, a mortalidade, a fecundidade e os movimentos migratórios, faz-se necessário a revisão periódica das medidas e indicadores destes níveis à luz de novas informações. É um processo contínuo de atualização que faz com que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) possa fornecer estimativas populacionais para o Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e Municípios em sintonia com as pesquisas mais recentes. É neste contexto que, com a divulgação dos resultados do Censo demográfico de 2000, das Estatísticas de Registros Vitais e das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNAD), que ocorreram re-avaliações dos parâmetros demográficos implícitos na projeção da população do Brasil. Desta nova avaliação resultou o conjunto de informações ora compilado, bem como a referência aos documentos contendo as metodologias empregadas para projetar a) a população em nível nacional para o período 1980 - 2050 e b) os totais populacionais das Unidades da Federação num horizonte de 40 anos, ou seja, de 1980 até 2020, c) as populações das Unidades da Federação nos dias 1º e 15 de cada mês abrangendo o período 1991-2010 e d) as estimativas das populações dos 5560 municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2004. 1. Fecundidade O componente demográfico mais importante, em termos das implicações futuras imediatas na estrutura etária da população brasileira, é, sem dúvida, a fecundidade, pensada tanto em termos da sua trajetória passada quanto da sua tendência nas próximas décadas. A fecundidade passada causa um impacto nas flutuações da estrutura etária, que se associa à chamada inércia populacional, enquanto a fecundidade futura determina as mudanças mais imediatas na base da pirâmide, ou seja, na participação dos grupos etários mais jovens. 109 O Brasil chegou ao final do século XX tendo praticamente completado a chamada transição da fecundidade. A taxa de fecundidade total (TFT), definida como o número total de filhos que uma mulher teria ao final do período reprodutivo, passou de 6,3 filhos por mulher, em 1960, para 2,9 filhos em 1991 culminando com 2,3 filhos em 2000. Os resultados da PNAD de 2003 apontam uma taxa de fecundidade total de 2,1 filhos por mulher, o que representa o chamado nível de reposição. Isto quer dizer que, se esta taxa perdurar por um período de cerca de vinte e cinco anos, o crescimento populacional brasileiro convergirá para zero. O ponto mais relevante é que não há evidências claras de que a taxa de fecundidade total brasileira pararia em 2,1 filhos por mulher, fazendo com que se espere um padrão de fecundidade brasileira abaixo do nível de reposição nas primeiras décadas do século XXI, um resultado que poderá seguir aquele encontrado em países europeus, principalmente Espanha, Portugal, Itália, Grécia. Dois pontos característicos da fecundidade brasileira corrente merecem destaque e foram discutidos por Berquó e Cavenaghi (2004): o rejuvenescimento da fecundidade brasileira e os segmentos de pobreza com alta fecundidade. O rejuvenescimento da fecundidade brasileira é mostrado tanto pelo fato das taxas específicas de fecundidade de todos os grupos etários terem caído entre 1980 e 2000, exceto o grupo de mulheres de 15 a 19 anos. Além disso, a queda é mais pronunciada nos grupos de 25 a 44 anos de idade. Já o grupo de 15 a 19 anos representava 9,2% da taxa de fecundidade total em 1980, passando a 13,9% em 1991 e 19,9% em 2000. Isto quer dizer que cerca 20% da fecundidade total de 2000 é gerada por mães adolescentes, unidas ou não. Os dados apresentados nas Tabelas abaixo, compilados de Berquó e Cavenaghi (2004), são ilustrativos para mostrar a alta fecundidade nos segmentos de extrema carência. As mulheres sem instrução apresentam uma fecundidade total de 4,1 filhos e 3,6 filhos entre 1 e 3 anos de estudo,enquanto as mulheres com 9 anos de estudo ou mais apresentam a TFT abaixo do nível de reposição. As mulheres vivendo em domicílios com rendimento per capita abaixo de um quarto do salário mínimo apresentam uma taxa de fecundidade total de 4,6 filhos, enquanto os domicílios com renda domiciliar per capita acima de 1 salário mínimo já estão com a TFT abaixo do nível de reposição. TABELA TFT por anos de estudo das mulheres Brasil 2000 Grau de instrução – anos de estudo Sem Instrução 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 anos 9 a 11 anos 12 ou + Total TFT 4,1 3,6 2,9 2,4 1,6 1,1 2,4 110 TABELA TFT por rendimento domiciliar per capita, Brasil 2000 Rendimento domiciliar per capita Sem Rendimento até 1/4 1/4 a 1/2 SM 1/2 a 1 SM 1 a 2 SM 2 a 3 SM 3 a 5 SM 5 e + SM TFT 4,6 3,2 2,4 1,8 1,4 1,3 1,1 2,4 Total Em suma, a despeito da baixa fecundidade total em 2000, os segmentos de extrema pobreza e carência educacional ainda mostram altos níveis de fecundidade. 1. Mortalidade A população brasileira experimentou uma queda na mortalidade antes da queda na fecundidade, conforme indica o aumento na esperança de vida ao nascer, que passou de 43,6 anos na década de 40 a 53,7 anos na década de 60 -- uma variação de cerca de 10 anos durante o período. A mortalidade continuou sua tendência de declínio na década de 70, com a esperança de vida passando a 59,9 anos nos anos 70 -- um ganho de 6,2 anos em apenas dez anos. Em 1980, a esperança de vida ao nascer chegou a 62,4 anos (Carvalho, 1988). Estimativas do Atlas Racial Brasileiro (2004) apontam para uma esperança de vida equivalente a 64,7 anos em 1990 e 68,6 anos em 2000 (Tabela abaixo). De acordo com estudo do IBGE (IBGE- Tábua de Vida 2001), o diferencial de esperança de vida por sexo vem aumentando, em parte devido ao peso das mortes por causas externas. A esperança de vida das mulheres, em 1980, era de 66 anos, contra 59,6 anos dos homens, ou seja, 6,4 anos a mais para as mulheres. Em 2001, a esperança de vida feminina já era de 7,8 anos a mais que a dos homens -- 72,9 anos e 65,1 anos, respectivamente. A sobremortalidade masculina nas idades jovens e adultas, principalmente na faixa de 20 a 29 anos, é um dos fatores principais para o aumento da diferença na esperança de vida por sexo. Isto se deve, principalmente, ao impacto das mortes por causas externas (homicídios, acidentes de trânsito, suicídios, quedas acidentais, afogamentos, etc.). O impacto diferenciado das causas externas por sexo indica que a sua retirada acarretaria um aumento de 2,5 anos na esperança de vida masculina e apenas meio ano na feminina. O diferencial de mortalidade masculina é uma questão de gênero pouco enfatizada pela literatura como tal. Não se trata de subestimar os demais diferenciais por gênero, mas sim de destacar este fato na perspectiva de gênero, e não apenas como uma curiosidade dos estudos de 111 mortalidade. diferencial. Várias questões socioeconômicas estariam associadas a este TABELA - Esperança de Vida ao Nascer Ano da estimativa Anos e(0) 1980 62,35 1991 64,73 2000 68,61 2. A Dinâmica Demográfica e a Estrutura Etária O crescimento da população e as mudanças em sua estrutura etária são primordialmente afetados pelas tendências da fecundidade e da mortalidade e, em alguma medida, pelo saldo migratório internacional. A queda na mortalidade e os ganhos de esperança de vida pouco afetam a estrutura etária, num país que apresenta altas taxas de crescimento populacional. Sendo assim, durante um longo período, os ganhos de esperança de vida aumentaram a longevidade das gerações de nascimento, mas não envelheceram a população brasileira. Por outro lado, a queda na taxa de fecundidade total afeta bruscamente a estrutura etária da população, levando a uma redução na proporção de dependentes (crianças de 0 a 14 anos) e a um crescente envelhecimento da população (idosos de 60 anos e mais). Um ponto importante para a relação entre estrutura etária e projeção populacional, a ser discutido a seguir, refere-se ao fato de que os ganhos futuros de esperança de vida ainda terão impacto relativamente pequeno sobre a estrutura etária populacional, por outro lado, o impacto da fecundidade futura tenderá a ser mais diluído dado a baixa fecundidade já alcançada. Sendo assim, grande parte da mudança na estrutura etária futura será afetada pela inércia populacional, que possui grande componente caucado na fecundidade passada. TABELA Distribiução Percentual da População segundo Grupos Etários Brasil - 1970, 1980, 1991, 2000 Grupo Etário 0-14 15-59 60 e + Total 1970 42,10 52,83 5,07 100,00 Ano dos Censos 1980 1991 38,24 34,73 56,69 57,97 6,07 7,30 100,00 100,00 2000 29,60 61,84 8,56 100,00 112 3. A Projeção Populacional do IBGE e a Estrutura Etária O documento base deste item é uma revisão da projeção populacional do IBGE até 2050, divulgada por meio eletrônico na home-page do IBGE em outubro de 2004. O objetivo é tomar uma fonte oficial para mostrar a tendência futura da estrutura etária. A tábua de mortalidade utilizada para 2000 pressupõe uma esperança de vida ao nascer de 70,4 anos para ambos os sexos. A Tabela abaixo mostra a descrição clássica da razão de dependência total (jovens mais idosos), jovens (0-14/15-64) e idosos (65 e mais/15-64) entre 1980 e 2050. A razão de dependência de jovens refere-se, mais apropriadamente, à participação da população infantil na população ativa, que declina durante quase todo o período descrito, mas com maior queda precisamente nos anos noventa. O crescimento mais acentuado da razão de dependência dos idosos se dará a partir de 2010. A razão de dependência total apresenta a maior queda entre 1980 e 2000, apresentando um menor declínio até 2025, ponto a partir do qual esta razão começa a subir, como resultado do peso da razão de dependência dos idosos. Esta descrição clássica da projeção da razão de dependência já foi por demais descrita pela literatura que trata das implicações da dinâmica demográfica sobre a estrutura etária. Um refinamento da participação de segmentos da população em idade ativa sobre a população total pode ser esclarecedor. 113 TABELA - Razão de Dependência Razão de Dependência Anos Total Jovens Idosos 1980 73,17 66,22 6,95 1985 69,44 62,54 6,90 1990 65,81 58,58 7,23 1995 60,54 52,63 7,91 2000 54,37 45,97 8,41 2005 51,57 42,32 9,25 2010 50,69 40,59 10,10 2015 49,79 38,49 11,30 2020 48,79 35,80 12,99 2025 48,74 33,44 15,30 2030 50,15 31,93 18,22 2035 51,71 30,76 20,95 2040 52,96 29,58 23,39 2045 54,80 28,64 26,16 2050 57,87 28,15 29,72 A Tabela a seguir mostra o aumento no peso da PIA sobre a população total, entre 1980 e 2025. O aumento é substancial entre 1980 e 2000, sendo bem menor até 2025. O chamado segmento jovem da PIA, definido pela população de 15 a 24 anos, apresenta um ligeiro declínio da participação na população total entre 1980 e 2000, declinando mais fortemente até 2015 e mais levemente até 2050. O segmento adulto da PIA, que compreende o grupo etário de 25 a 44 anos, é composto pelas pessoas que auferem os ganhos de experiência nos seus rendimentos, além de passarem pela fase do ciclo de vida associada à constituição da família e criação dos filhos. Este segmento cresce entre 1980 e 2000, aumentando ligeiramente sua participação na população total até 2010 e declinando ligeiramente a partir deste período. O segmento da PIA que mais cresce entre 2000 e 2020 é o da PIA madura, compreendendo aqueles com 45 a 64 anos de idade. Em termos gerais, esta PIA madura já apresenta decréscimo de rendimento médio, se comparado ao grupo etário anterior. O pico da curva de rendimento por idade tende a ser atingido entre os 40 e 50 anos de idade. Há, 114 hoje, um amplo debate sobre o potencial de produtividade da PIA madura no mundo desenvolvido de baixa fecundidade e envelhecimento populacional, tema cada vez mais relevante para o país. O decréscimo da participação da PIA jovem e o crescimento da participação da PIA madura são os fatos novos ditados pela dinâmica demográfica na primeira metade do século XXI, com uma relativa constância (sanduíche) do segmento da PIA adulta. TABELA Estrutura Etária da População em Idade Ativa na População Total Ano da estimativa 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050 15-24 Percentual 21,11 20,73 19,53 19,20 19,74 19,08 17,09 15,94 15,82 15,63 14,92 14,04 13,43 13,03 12,62 Estrutura Etária da População 25-44 45-64 Percentual Percentual 24,57 12,07 25,80 12,49 27,89 12,89 29,47 13,61 30,14 14,90 30,40 16,50 30,70 18,57 30,58 20,24 29,99 21,40 29,18 22,41 28,17 23,51 27,66 24,22 27,48 24,47 27,05 24,52 26,34 24,39 15-64 Percentual 57,75 59,02 60,31 62,29 64,78 65,97 66,36 66,76 67,21 67,23 66,60 65,91 65,38 64,60 63,34 Fonte: Oliveira, Albuquerque e Lins, outubro de 2004. Projeção da População do Brasil por Sexo e Idade para o Período 1980-2050 – Revisão 2004, IBGE Um outro ponto relacionado com a estrutura etária refere-se à dinâmica da razão de sexos nos segmentos etários relevantes para o mercado de casamento, que tem o número de homens de 20 a 29 anos de idade no numerador e o de mulheres de 15 a 24 anos no denominador. Esta razão apresenta uma defasagem de cinco anos entre o intervalo masculino e feminino para indicar a demanda média por casamentos/ uniões, na qual, geralmente, o parceiro do sexo masculino é mais velho. Por causa desta defasagem etária, espera-se que as flutuações demográficas de curto prazo, ditadas pela existência de uma grande coorte de jovens nos anos noventa e um declínio da mesma nas duas primeiras décadas do século XXI, imporão uma flutuação no mercado de casamento. A Tabela abaixo indica que esta razão era próxima a 80% em 1980, cresce até 95% em 1990, se estabiliza com um ligeiro declínio entre 1990 e 2000, voltando a subir para 96% em 2005 e para 105% em 2010. Haverá um ligeiro declínio entre 2010 e 2020, mas a razão de sexo voltará a subir acima de 100% entre 2030 e 2050. Este 115 maior aquecimento no mercado de casamento não corresponde ao padrão histórico brasileiro, com razão de sexos para casamento abaixo de 100%. A experiência do qüinqüênio 2005-2010 deve ser observada com atenção, pois mostra um grande aquecimento neste mercado. TABELA Razão de Sexo Anos 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050 Razão Sexo H20-29/M15-24 81,17 87,76 94,66 93,42 90,06 96,15 104,65 101,94 96,95 98,23 102,60 104,93 104,17 103,54 104,41 Um tópico bastante importante para investigação será relacionar este aquecimento no mercado de casamento com a idade mediana de formação da união, a qual tem se mantido praticamente constante ao longo das gerações de mulheres brasileiras – em torno de 21 anos. Estudo feito para Belo Horizonte, comparando duas coortes de mulheres – 20 a 29 anos e 50 a 59 anos –, sugere que não há diferenças na idade à primeira união das mulheres das duas gerações. Ao longo dos 20 a 30 anos que separam estas coortes, a idade mediana à primeira união naquela capital permaneceu em torno de 23 anos (Simão et al., no prelo). O debate sobre a eventual operação de um efeito tempo positivo na fecundidade brasileira, causando uma queda ainda maior abaixo do nível de reposição, trata da possibilidade de emergência do chamado padrão europeu, marcado pelo aumento da idade de casamento ou de primeira união, além do adiamento do nascimento do primeiro filho. Se a razão de sexo aquecer o mercado de casamento nos próximos anos, então as chances da idade à primeira união aumentar são reduzidas. É possível que até mulheres com mais de 30 anos de idade, ainda solteiras, sejam atraídas para o mercado de casamento com homens mais jovens, em decorrência do “marriage squeeze” previsto pela razão de sexo. Uma possibilidade de se observar a operação do efeito tempo decorreria da eventualidade de um adiamento do nascimento do primeiro filho, mesmo que dentro de uma união já formada. Esta possibilidade não é plausível até o presente, uma vez que a concentração da fecundidade se dá nas idades mais jovens, entre 15 e 24 anos de idade, precedida ou não pela primeira união. Um tema da maior 116 relevância para o futuro imediato será cotejar a relação entre a tendência ao adiamento do casamento e do primeiro filho como decorrência do prolongamento do período devotado à freqüência escolar, visando o aumento da escolaridade, com a tendência ao casamento imediato como decorrência do aquecimento no mercado de casamentos. 117 ANEXO 2 - MAPAS 118 ANEXO 3 – Memória das Audiências e Plenárias Lista de Presença – 1ª Apresentação para o Conselho do Diagnóestico 119 Fotos - 1ª Apresentação para o Conselho do Diagnóestico 120 Lista de Presença – Plenária de Encerramento Do Diagnóstico 121 Fotos - Plenária de Encerramento do Diagnóstico 122 Lista de Presença – Audiência Pública - São Bento 123 Fotos – Audiência Pública - São Bento 124 Lista de Presença – Audiência Pública - Jurema 125 Fotos – Audiência Pública - Jurema 126 Lista de Presença – Apresentação da Minuta do PLHIS – Conselho Municipal de Habitação 127 Fotos – Apresentação da Minuta do PLHIS – Conselho Municipal de Habitação 128 Lista de Presença – Audiência Pública de Apresentação da Minuta do PLHIS 129 Fotos – Audiência Pública de Apresentação da Minuta do PLHIS 130 ANEXO 4 – DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA – ÁREAS VISITADAS Figura XXXXXX: Sítio São João Biquinha 131