I FUNDAÇÃO INSTITUTO CAPIXABA DE PESQUISAS EM CONTABILIDADE, ECONOMIA E FINANÇAS – FUCAPE CARLOS AUGUSTO BUENO BASSANI EVA COMO MEDIDOR ESTRATÉGICO: Um Estudo Empírico da Eficiência do Balanced Scorecard VITÓRIA 2007 I 1 CARLOS AUGUSTO BUENO BASSANI EVA COMO MEDIDOR ESTRATÉGICO: Um Estudo Empírico da Eficiência do Balanced Scorecard Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciências Contábeis da Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças (FUCAPE), como requisito para obtenção do título de mestre em Ciências Contábeis – nível Profissionalizante. Orientador: Prof. Dr. Valcemiro Nossa 2 FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pelo Setor de Processamento Técnico da Biblioteca da FUCAPE Bassani, Carlos Augusto Bueno. EVA como medidor estratégico: um estudo empírico da eficiência do balanced scorecard. / Carlos Augusto Bueno Bassani. Vitória: FUCAPE, 2007. 92p. Dissertação – Mestrado. Inclui bibliografia. 1. Gestão estratégica 2. Balanced scorecard 3. EVA – valor econômico agregado I.Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças II.Título. CDD – 657 3 Dedico este trabalho à minha esposa Edna, à minha filha Amanda e ao meu filho Giovanni Augusto, com amor. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, Conselheiro presente em todas as horas; Ao meu orientador professor Dr. Valcemiro Nossa, por compartilhar sua experiência nas críticas extremamente valiosas, na revisão geral da dissertação e no encorajamento para seguir adiante; Aos professores, Dr. Aridelmo Teixeira, Dr. Marcelo S. Pagliarussi, Dr. Emílio H. Matsumura pelas orientações dadas quanto a concepção do projeto, metodologia de pesquisa e estatística. Aos demais professores da Fundação Instituto Capixaba de Pesquisa em Contabilidade, Economia e Finanças pela competência apresentada nas disciplinas ministradas. Ao meu pai Carlos Alberto (in memoriam) e à minha mãe e professora Ruth Bueno pela transmissão de valores éticos de preço inestimável. A minha esposa Edna, amiga e companheira que mesmo em face das horas mais difíceis, sempre mostrou dedicação, respeito e cumplicidade. Aos meus queridos filhos, Amanda e Giovanni Augusto pela alegria que representam em minha vida. A minha irmã Ercilia pelo afeto intenso e persistente e aos demais familiares pelo constante apoio. Aos meus companheiros de mestrado, aqui representados por Luiz Fernando Dalmonech, Jadilson Duarte Freitas e Hudson dos Santos pela colaboração em diversos momentos do curso. Aos amigos David W. Dyer, Ezequiel da Silva, Geraldo Pereira, Mairton Melo e Marcio Barros pela amizade persistente e verdadeira. 5 “Quando contemplo os céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste que é o homem para que dele te lembres? Fizeste-o, no entanto, um pouco menor do que a ti mesmo, e de glória e de honra o coroaste”. (Davi – rei de Israel) 6 RESUMO Este trabalho consiste num estudo empírico que utilizou o EVA® (Economic Value Added) como medidor estratégico, em especial do valor adicionado pela aplicação do Balanced Scorecad em empresas do setor de Papel e Celulose. O objetivo de pesquisa foi avaliar o impacto nos resultados do EVA antes e após a implantação do Balanced Scorecard. Na coleta de dados utilizou-se a base de dados da Economática. Quanto à metodologia estatística, utilizou-se o teste de Mann Whitney. Os dois grupos de empresas apresentaram-se iguais no período anterior a implantação do BSC. No período posterior, a partir do qual as empresas de um dos grupos implantaram o BSC, os resultados dos dois grupos passaram a ser estatisticamente diferentes. Os resultados confirmaram outras pesquisas desenvolvidas por Rhyne (1986) dentro da Teoria da Organização Industrial, de que sistemas de planejamento com maior contemplação das variáveis do ambiente e focados no longo prazo, oferecem possibilidades superiores de melhoria da performance financeira, em especial retorno para os investidores. Finalmente, a combinação EVA e BSC é fortalecida como sistema de planejamento estratégico pelos resultados deste estudo empírico, integrando a métrica financeira ampliada de um com a metodologia multifocal de indicadores de outro. O EVA servindo como medidor da performance estratégica e o BSC como guia metodológico para criar e implementar planos cujo foco seja melhoria da geração de valor, isto é, aumento da riqueza dos acionistas. Palavras-chave: Gestão estratégica baseada em medição de desempenho, Balanced Scorecard, EVA, valor econômico adicionado, planejamento estratégico. 7 ABSTRACT This work consists of an empirical study that uses the EVA® (Economic Value Added) as a strategic measurement, more specifically of the value added by the application of the Balanced Scorecard in firms of the paper and cellulose industry. The survey’s objective was to evaluate the impact on the EVA results before and after the implantation of the Balanced Scorecard in paper and cellulose firms, compared with other enterprises with share capital in the same industry that have not implanted the BSC. In the collection of data we used figures of Economatica, with available data on the Stock Exchange of São Paulo - BOVESPA. As to the statistical method, the Mann Whitney Test. When we statistically analyzed these two groups of businesses, they came out equal for the time period before BSC has beem implanted. Previous to the time when one of these business groups implanted BSC, the results of the two groups became statistically different. The results confirm the research developed by Rhyne (1986) using the Industrial Organization Theory, that the planning systems which took into account the largest number of variables and focused on the long term, offered superior potential to improve the financial performance, especially concerning the financial return for investors. In conclusion, the combination of EVA and BSC is upheld as a valuable system for strategic planning by the results of this empirical study, integrating the financial measurements reinforced with a multi-focused methodology using indicators which reflect the performance of each part. The EVA serving as a measure of strategic performance and the BSC as a methodological guide to create and implement plans whose focus would be the improvement of value generation, that is the increasing of returns for the stock holders. Key-words: strategic management based on performance measurement, Balanced Scorecard, EVA, Economic Value Added, strategic planning. 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Estudos anteriores sobre a relação entre planejamento e desempenho 22 Tabela 2: Dados históricos da TJLP 51 Tabela 3: EVA médio das empresas na primeira fase quando todas estavam sem BSC. 58 Tabela 4: EVA médio das empresas na segunda fase quando as empresas passam a implantar o BSC 58 Tabela 5: EVA identificados por seu grupo em ordem ascendente na primeira fase sem BSC. 59 Tabela 6: EVA identificados por seu grupo em ordem ascendente na segunda fase com BSC. 59 Tabela 7: EVA médio das empresas e dos grupos E e C no período de 1994 a 1999. 62 Tabela 8: EVA médio das empresas e dos grupos E e C no período de 2000 a 2005. 62 Tabela 9. Resultados gerados pela execução do software Biostat 65 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – O continuum de Planejamento (Adaptado de RHYNE, 1986) 24 Figura 2 – Cadeia de Valores Genérica. 30 Figura 3 – O BSC como guia estratégico 40 Figura 4: As quatro perspectivas do Balanced Scorecard 43 Figura 5 – Esquema de seleção da amostras em duas fases distintas, antes e depois da implantação do BSC. 54 Figura 6 – Cronograma de implantação Bahia Sul / Suzano. 55 10 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Maiores produtores mundiais 18 Gráfico 2: Evolução do EVA das empresas durante o período de 1994 a 2005. 63 Gráfico 3: Evolução do EVA médio dos dois grupos utilizados na análise estatística. 64 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 13 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO .......................................................................................13 1.2 PROBLEMA .....................................................................................................16 1.3 OBJETIVO ......................................................................................................16 1.4 JUSTIFICATIVA 2 REFERENCIAL TEÓRICO ...........................................................................21 2.1 TEORIA DA ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO .............21 2.2 O ESTUDO DA CADEIA DE VALOR .....................................................................25 2.3 O EVA COMO MÉTODO PARA MENSURAÇÃO DA CRIAÇÃO DE VALOR ....................31 2.4 O BSC COMO GUIA METODOLÓGICO DA ESTRATÉGIA ...........................................36 3 ................................................................................................17 ASPECTOS METODOLÓGICOS ..................................................................... 49 3.1 A ABORDAGEM PARA A ESTIMAÇÃO DO CUSTO DE CAPITAL PRÓPRIO ..................49 3.2 METODOLOGIA DE CÁLCULO DO EVA ...............................................................52 3.3 ORGANIZAÇÃO DOS DADOS .............................................................................54 3.4 A PROVA ESTATÍSTICA U DE MANN W HITNEY ....................................................56 3.5 HIPÓTESE DA PESQUISA ..................................................................................60 4 RESULTADOS E ANÁLISES ........................................................................... 62 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 69 6 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 74 APÊNDICE A – DADOS DA ARACRUZ CELULOSE ................................................ 81 APÊNDICE B – DADOS DA BAHIA SUL .................................................................. 82 APÊNDICE C – DADOS DA KLABIN ........................................................................ 83 APÊNDICE D – DADOS DA VOTARANTIM ............................................................. 84 APÊNDICE E – DADOS DA RIPASA ........................................................................ 85 APÊNDICE F – DADOS DA IRANI ............................................................................ 86 APÊNDICE G – DADOS DA MELHORAMENTOS.................................................... 87 APÊNDICE H – DADOS DA MELPAPER ................................................................. 88 12 APÊNDICE I – DADOS DA SUZANO ....................................................................... 89 APÊNDICE J – EVA DAS EMPRESAS ..................................................................... 90 ANEXO A – CRONOLOGIA DE ESTUDOS ANTERIORES ...................................... 91 ANEXO B – TABELA ESTATÍSTICA DA PROVA DE MANN-WHITNEY .................. 92 13 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO Em 1916, aos 75 anos, o engenheiro francês Henri Fayol, definiu e sistematizou o planejamento e suas idéias foram ensinadas na Escola de Suprimentos da Marinha Francesa (MAXIMIANO, 2004). Na década de 60 observouse um domínio e auge das grandes burocracias de modelo mecanicista que utilizavam apenas alguns indicadores financeiros para avaliar seus desempenhos. Nessa época, graças à estabilidade dos mercados, com forte demanda por produtos e menor concorrência em comparação aos níveis atuais, estes indicadores permitiam às empresas diagnosticar sua situação geral e buscar alternativas para conseguir melhores resultados, ainda que baseados apenas nos resultados passados. Os conceitos que fundamentam o planejamento estratégico emergiram nos anos 70 como resultado de uma sucessão de ondas de choque que impactaram a indústria norte-americana – crise de energia, inflação de dois dígitos, estagnação econômica, concorrência japonesa vitoriosa e fim da reserva de mercado em setores industriais-chave. Anteriormente, as empresas podiam confiar em projeções de crescimento simples para planejar a produção, vendas e lucros (KOTLER, 1998, p. 71). O movimento TQM (Total Quality Management) e o aumento da competitividade internacional trouxeram forte apelo para a utilização das medições não-financeiras de performance. Em 1979, Detlev Kahrbek, um alemão naturalizado brasileiro, apresentou no IX European Management Symposium, em Davos na Suíça, uma metodologia 14 multifocal para medir e gerenciar o desempenho global de empresas que buscava atender as exigências impostas pelo novo cenário econômico, o Painel Estratégico. Mais tarde chamado de BAV (Balanced Added Value), a metodologia pautava-se tanto nos indicadores financeiros (de resultado) como nos não-financeiros (de tendência). Por meio desta metodologia, indicadores relacionados à qualidade, custo de produção e de mercado poderiam ser cruzados para se encontrar por simulações, alternativas estratégicas a serem implantadas a fim de se obter melhores resultados a médio e longo prazo (KAHRBEK, 2000). Entretanto, foi no início da década de 90 que uma metodologia direcionadora do planejamento estratégico teve grande repercussão no cenário acadêmico e empresarial: o Balanced Scorecard (BSC). Partindo do estudo intitulado “Measuring Performance in the Organization of the Future”, os pesquisadores desenvolveram um novo modelo de medição de desempenho que utilizava índices de progresso em atividades de melhoria contínua (KAPLAN; NORTON, 1997). O BSC rapidamente se transformou em sinônimo de sistema de medição e de gestão do desempenho empresarial global, considerado pela revista da Universidade de Harvard, como a maior contribuição ao desenvolvimento gerencial, nos últimos 75 anos. Outra importante contribuição para a análise da performance e planejamento estratégico das empresas que começou a ganhar força na década de 80 nos EUA veio pela divulgação do EVA® - Economic Value Added pela empresa Stern Stewart, de Nova York, detentora da marca registrada EVA®. Entretanto, muito antes disso, os economistas financeiros sabiam que custos medidos incluem um retorno normal sobre investimentos e que os lucros só ocorrem 15 após a cobertura deste retorno. Os prêmios Nobel Merton H. Miller (Universidade de Chicago) e Franco Modigliani (MIT) desenvolveram um modelo teórico do valor da empresa, publicado no artigo “Política de Dividendos, Crescimento e Avaliação de Ações”, escrito no ”Journal of Business” de outubro de 1961. Neste trabalho, os mestres elaboraram e responderam a seguinte questão: “que medidas de desempenho organizacional melhor representam a capitalização de mercado?” (STEWART, 1999 apud RODRIGUES, 2005). O uso de medições não-financeiras para gerenciar e avaliar o desempenho das empresas é recomendado por vários autores, como: Johnson e Kaplan, 1987; Berliner e Brimson, 1988; Nanni et al., 1988; Dixon et al., 1990; Rappaport, 1999 (todos citados por MALINA, 2001). Além dessas abordagens normativas também foram realizadas pesquisas empíricas procurando verificar a relação entre as medições não-financeiras e medições financeiras com Banker et al. (1989; 1993; 2000), Barth e McNichols (1994), Anderson (1995), Ittner e Larcker (1998), Hughes (2000), Pereira, Abernethy et al. (2003). Malina (2001) também cita Ghosh e Lusch (2000). Outros pesquisadores mostraram evidências de que sistemas múltiplos de medições nãofinanceiras parecem ser mais determinantes na performance da empresa (BECKER e GERHART, 1996; HUSELID, 1995; HUSELID et al., 1997). O BSC é colocado por Kaplan e Norton (2000) como um sistema que possui uma combinação de medições não-financeiras com medições financeiras. Eles afirmam que os executivos e funcionários atentam para aquilo que é medido e, portanto, não se pode gerenciar bem o que não se mede. Em conseqüência, a atenção e o esforço dos executivos concentravam-se demasiadamente em influenciar indicadores financeiros de curto prazo e insuficientemente em reforçar e 16 gerenciar os ativos intangíveis que fornecem as bases para o sucesso financeiro no futuro. Sem a melhoria do sistema de mensuração do desempenho, os executivos não desenvolviam nem mobilizavam com eficácia seus ativos intangíveis e, portanto, perdiam grandes oportunidades para a criação de valor (KAPLAN E NORTON, 2000). Dado o conceito do EVA, que sintetiza em termos econômicos o resultado das atividades que agregam valor às empresas, aplicou-se essa métrica às empresas brasileiras do setor de papel e celulose com ações na BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo para verificar se após a implantação do BSC, este produziu diferenciação na criação de valor. 1.2 PROBLEMA Diante do exposto a questão de pesquisa que este trabalho pretende investigar é: a implantação do BSC gera impacto na agregação de valor na empresa, refletida no EVA? 1.3 OBJETIVO Identificar se a implantação do Balanced Scorecard em indústrias de papel e celulose contribui para agregação de valor econômico EVA ao compará-las com as demais empresas de capital aberto do mesmo setor que não implementaram o BSC. 17 1.4 JUSTIFICATIVA Em função da globalização e conseqüente crescimento da concorrência, as empresas são cada vez mais obrigadas a implementar e rever continuamente suas estratégias. Os sistemas de gestão baseados na mensuração do desempenho, utilizando indicadores multifocais, financeiros e não financeiros que contemplam os ativos intangíveis das corporações, vêm ganhando cada vez mais espaço como ferramenta estratégica gerencial, talvez pelo fato de criar uma ponte entre os aspectos técnicos e comportamentais nas organizações. Levantamentos nos USA, no Reino Unido e em outros países como Dinamarca, Noruega e Suécia indicam que a maioria das empresas desses países adotaram o BSC (HEPWORTH, 1998, FRANCIS, 2000, KALD, 2000 apud EL-SHISHINI, 2001). Segundo pesquisa da Fundação Dom Cabral, mais de 20% das 500 maiores empresas no Brasil já utilizam o BSC (LUIZ, 2004). Estes números sinalizam a relevância deste tema e justificam estudos que avaliem a capacidade efetiva de se criar valor pelo uso desse sistema de gestão. A polêmica criada ao redor do BSC provoca ainda mais o interesse em avaliá-lo através da metodologia científica. A grande utilização do EVA ao longo dos anos 90 como método para medir o desempenho empresarial de modo mais amplo que as demais métricas traz grande apelo para realização deste estudo, pois, dado seu conceito de agregação de valor, permite mensurar o grau de eficiência com que a empresa utiliza seus ativos, ou em outras palavras, evidencia o esforço empreendido para gerar resultados lucrativos. Outro fator que justifica a realização deste trabalho é a relevância do setor de papel e celulose do Brasil. O setor tem contribuído para o desenvolvimento econômico e social, tanto pela geração de renda, de tributos e de empregos, como 18 pelas negociações no mercado internacional, com parcela importante no aumento de divisas para o país. O gráfico1 apresenta a evolução dos maiores produtores mundiais em dois períodos distintos: 1990 e 2004. Nele observa-se que o avanço na produção de celulose de fibra curta colocou o Brasil como líder mundial. Gráfico 1: Maiores produtores mundiais Fonte: www.global21.com.br A principal vantagem comparativa do Brasil para aumentar suas exportações se dá em função do desenvolvimento da celulose de fibra curta à base de eucalipto que alcançou grande aceitação no mercado internacional. Esse tipo de celulose permite uma redução de custo e do tempo de corte da madeira, o que gera uma redução do custo próximo a 25% do custo da celulose. Entretanto, outros países também vêm desenvolvendo novas técnicas, com redução nos custos de produtos químicos e de pessoal, e conseqüentemente a participação das exportações brasileiras no comércio mundial tem diminuído um pouco. Países como a Indonésia 19 conseguem produzir celulose tão barata quanto a brasileira intensificando a concorrência (ANÁLISE... 2001). O desenvolvimento de pesquisas fundamentadas na Teoria da Organização Industrial (OI) que garantam às empresas maior competitividade também fortalece o interesse de realizar esse estudo, já que, conforme preconizado por seus defensores, acabam produzindo melhoria de suas estratégias gerenciais. A escolha do setor também está relacionada com a sua homogeneidade e maturidade. A homogeneidade garante maior confiabilidade dos resultados, frente à metodologia estatística escolhida, o teste comparativo entre duas amostras de empresas, que considera se os dois grupos são semelhantes ou diferentes estatisticamente. A maturidade do setor está relacionada com o nível de mudanças tecnológicas que a atividade está sujeita. Alguns setores como, por exemplo, o de telefonia, tem um ritmo de mudanças tecnológicas tão intenso que fatalmente, produziria distorção na comparação entre as empresas. No caso do setor de papel e celulose, os produtos e as técnicas para sua produção não sofrem transformações bruscas e dessa forma, colaboram para que a comparação estatística produza resultados mais confiáveis. Particularmente, a publicação do artigo “A eficiência do Balanced Scorecard medida por meio do EVA: o caso da Cia Suzano de Papel e Celulose” (LUIZ, 2004) e a divulgação das Demonstrações Contábeis da Aracruz Celulose, Suzano e Bahia Sul após a implantação do BSC também motivaram a realização deste trabalho. O artigo trouxe à realidade a atualidade do tema e sua importante contribuição para a contabilidade gerencial. A sugestão de tratar o tema de maneira mais 20 aprofundada no aspecto teórico, com uma nova metodologia estatística mais acurada e o fato de poder trabalhar com uma amostra experimental composta de três empresas que implantaram o BSC, ampliando a representatividade estatística, foram importantes fatores motivadores. 21 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 TEORIA DA ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Vários termos da Teoria da Organização Industrial (OI) como barreiras à entrada, novos entrantes, estratégia competitiva, vantagem competitiva, comportamento oportunista, custos de transação, custos de informação, o próprio modelo estrutura-conduta-desempenho, fazem parte do vocabulário dos estudiosos de estratégia e mostram que os conceitos da OI são largamente aplicados para explicar a empresa e sua correlação com o mercado. Queiroz (2004) afirma que a Teoria da Organização Industrial e suas aplicações têm contribuído para o desenvolvimento da capacidade gerencial. O desenvolvimento da Teoria da Organização Industrial intensificou estudos relacionados aos impactos das estratégias no desempenho das empresas. Os estudiosos em estratégia têm sustentado que o principal objetivo das organizações amplamente planejadas é alcançar um nível competitivo de congruência ou alinhamento entre o seu ambiente e suas capacidades internas. Entre esses estudiosos, segundo Rhyne (1986) estão Ansoff (1965, 1979), McNichols (1977), Hofer e Schendel (1978), Summer (1980), Venkatraman e Camillus (1984) e Prescott (1984). Em uma fase inicial os estudos empíricos trouxeram apenas subsídios para confirmar o valor do planejamento formal. Os estudos com dados apontavam para a diferença entre as organizações com planejamento e as sem planejamento formal. As características específicas do processo de planejamento e sua associação com o desempenho haviam recebido pouca atenção (ARMSTRONG, 1982). 22 A Tabela 1 seguinte sumariza várias pesquisas citadas em artigos que tratam da relação entre planejamento e desempenho: Tabela 1: Estudos anteriores sobre a relação entre planejamento e desempenho Número e Tipo de amostra Situação em termos de planejamento Mendidas de Desempenho Efeitos Resultados Setoriais Thune e house, 1970 36 Indústrias Estratégia, Objetivos, Programas de ação para 3 anos Vendas, preço de ações, LPA, RPL, ROA, de 6 a11 anos Sim Desempenho superior dos planejamentos formais Ansoff, et al., 1970 62 Manufaturas dos USA Estabelecimento e implementação sistemática dos planos 21 indicadores financeiros Não Empresas com planejamento superam as sem planejamento e têm desempenho mais consistente Herald, 1972 10 Indústrias Estratégia, Objetivos, Programas de ação para 3 anos LAJIR, gastos com P&D, 7 anos Sim Desempenho superior dos planejamentos formais sobre os planejamentos informais Fulmer e Rue, 1974 386 Indústrias de bens duráveis, não duráveis e de serviço Estratégia, Objetivos, documentos compreendendo 3 anos Crescimento das vendas, Sim margens líquidas,ROA , para 3 anos Não foi encontrada relação na aplicação da técnica de painel Karger e Malik, 1975 38 Industrias Plano de 5 anos para a corporação e divisões com detalhes 1-2 anos 13 indicares financeiros, para 10 anos Sim Empresas com planejamento superam as sem planejamento em quase todos indicadores Wood e 41 Bancos dos USA LaForge, 1979 Sem planejamento, com planejamento parcial e com planejamento pleno Receita Líquida, RPL, 5 anos Sim Empresas com planejamento pleno superam as empreas sem planejamento. Não foi encontrada relação entre planejamento pleno e parcial Kudla, 1980 129 Manufaturas Sem planejamento, com planejamento parcial e com planejamento pleno Retornodos estoques Não mensais ajustados pelos efeitos de mercado e risco Empresas com planejamento tiveimpactaram seus retornos e apenas reduziram o risco transitoriamente Leontiades e Tezel, 1980 61 entre as 1000 da revista Fortune Importância e contricuição do planejamento na percepção dos executivos Vendas, rentabilidade ações, ROA, RPL, LPA, de 4-7 anos Nenhuma relação encontrada Estudo Não Robinson, 51 pequenas empresas Não definido explicitamente Crescimento das vendas, Não lucratividade,venda/ emVozikis e Pearce, 1981 Fonte: Rhyne, 1986 (Traduzida por Bassani, 2005) pregado, contratações Planejamento melhora eficiência Lindsay, et al., 1981 144 Indústrias dos USA Fracamente programado e de bens duráveis, não com planejamento crescenduráveis e de serviço te Crescimento das vendas e Sim ganhos, margens líquidas , ROA , 5 anos Não foi encontrada relação consistente entre planejamento e desempenho Robinson e Pearce, 1983 85 pequenos Bancos Planejamento formal e Margem de lucro,ROA, Nenhuma relação formalizado 3 anos Sim Os autores desses estudos a técnica de Painel (cross-sectional) RPL, endividamento, planejamento não utilizaram Welch, avaliar 49 empresas da Bolsa Planejamento estratégico e Preço médio/ ganhos P/G foi maior nas empresas com e para o relacionamento causal entre planejamento eSimdesempenho financeiro 1984 de Valores de NovaYork planejamento sem estratégia múltiplos (P/G), 5 anos planejamento estratégico tiveram percepção comum em relação a médio 3 dificuldades para desta Frederickson euma 27 empresas de produ- Nível de entendimento Retorno sobre os Sim Relação utilização negativa entre o nível Mitchell, 1984 tos florestais ativos, crescimento das vendas, 5 anos mais elevado de entendimento e e desempenho da empresa técnica, a saber: a definição de planejamento, a seleção dos indicadores de Frederickson, 1984 38 produtores de tinta e materiais de acabamento Nível de entendimento Retorno médio sobre os ativos, crescimento das vendas, 5 anos Sim Relação positiva entre o nível mais elevado de entendimento e e ROA, negativa com o crescimento das vendas desempenho e fato de se considerar ou não os efeitos setoriais sobre as empresas. Chama-se por planejamento estratégico formal um processo explícito de determinar objetivos mais abrangentes para as organizações, procedimentos para gerar e avaliar estratégias alternativas e um sistema para monitoramento dos resultados do plano depois de implementado (ARMSTRONG, 1982, p.3). 23 Armstrong (1982) realizou um levantamento de pesquisas empíricas publicadas em todos os campos que avaliaram o planejamento formal e identificou que os resultados mostraram que o planejamento como definido acima apresentou resultados positivos em 10 das 15 comparações em 12 estudos analisados. Esses estudos sugerem, portanto, que o planejamento formal afeta positivamente os resultados globais das empresas que o praticam, não informando, entretanto quais causas ou características são mais relevantes para provocarem esses resultados. Uma importante pesquisa intitulada “The Relationship of Strategic Planning to Financial Performance” realizada por Lawrence Rhyne em 1986 examinou o planejamento, considerando características como foco externo ou interno e perspectiva de longo ou curto prazos, e sua correlação com os resultados obtidos. Para investigar os sistemas de planejamento Rhyne (1986) desenvolveu um continuum1 do nível corporativo de planejamento baseado em sua “abertura” para o externo e as perspectivas de tempo no horizonte de planejamento. O continuum apresenta cinco níveis: previsões de curto prazo, orçamento, planejamento anual, planejamento de longo alcance e planejamento estratégico, conforme representado na Figura 1. A perspectiva de tempo foi disposta no eixo vertical em uma graduação de 1 a 4. Quanto maior este número, maior a perspectiva de tempo considerada no planejamento. A perspectiva relacionada à “abertura” para o cenário externo foi disposta no eixo horizontal em uma graduação de 1 até 5. Nesta perspectiva, deve- 1 Continuum - Na matemática o continuum é a seqüência de todos os números reais. No plano das idéias, os elementos ou as opiniões são agrupados em “correntes” ao longo de muitos continuums conceptuais. Os opostos estão em extremos polares de um continuum, mas freqüentemente um não pode existir sem o outro. O continuum lembra-nos que as idéias têm limites vagos e que a maioria dos fenômenos não podem ser explicados de forma discreta e sim, de maneira gradativa. No Oxford Advanced Learner`s Dictionary encontramos definido como uma seqüência gradual de coisas similares, de modo que as mais próximas são quase idênticas, mas aquelas mais distantes são significantemente distintas. (HORNBY, 1989). 24 se considerar que quanto maior for o valor, quanto maior é a consideração do cenário externo no planejamento. A vantagem básica do continuum de planejamento foi que ele permitiu mostrar o grau que cada empresa sob investigação estava aplicando em termos de esforços e da amplitude da metodologia. Dessa forma, como no plano cartesiano se trabalha duas dimensões de um fenômeno físico, o continnum permite trabalhar conceitos de planejamento de forma diferenciada, em que as Previsões de Curto Prazo estão em um pólo e o Planejamento Estratégico no extremo oposto, mais complexo e mais “potente” em relação às duas perspectivas mensuradas. PERSPECTIVA DA AMPLITUDE EM RELAÇÃO AO EXTERNO P E R S P E C T I V A 1 2 4 5 Previsão de Curto Prazo 1 2 3 Orçamento Planejamento Anual 3 T Planejamento Planejamento E de Longo Estratégico 1 – O continuum de Planejamento (Adaptado de RHYNE, 1986) M Figura 4 Prazo Fonte: Rhyne, 1996. P O O estudo baseou-se em um levantamento feito com 210 empresas listadas entre as 1000 maiores da revista Fortune, das quais 89 responderam ao questionário estruturado a partir do qual as empresas foram classificadas dentro do continuum. Baseado na teoria e em vários estudos empíricos, Rhyne (1986) sugere a seguinte proposição: a performance relativa financeira de longo alcance de uma 25 indústria será positivamente relacionada com o sistema de planejamento no nível mais alto do continuum. Após a análise estatística dos dados, os resultados apontaram para uma relação positiva da performance financeira com as empresas cujos planejamentos foram posicionados nos níveis mais altos da classificação. As empresas com sistemas de planejamento com maior contemplação das variáveis do ambiente econômico e alinhado a objetivos focados no longo prazo foram as que apresentaram performance financeira superior às demais tanto em termos relativos como absolutos. Enfim, a pesquisa indicou que o uso do planejamento estratégico pelas empresas apresentou em termos estatísticos retornos significativamente mais altos do que as outras categorias de planejamento. 2.2 O ESTUDO DA CADEIA DE VALOR A lógica da aprendizagem veio se fortalecendo na medida que cresceu a consciência de que outros fatores não-financeiros se tornaram preponderantes para melhorar o desempenho econômico das organizações. O estudo dos impactos destes fatores sobre as organizações foi importante para valorizar a gestão baseada em medições de indicadores de desempenho. Trabalhos realizados sobre a cadeia de lucros dos serviços (ou cadeia de valor dos processos internos) mostraram uma relação de causa-efeito entre a satisfação dos funcionários, a satisfação dos clientes, a lealdade dos clientes, a participação no mercado e o desempenho financeiro. Kelleher, principal executivo da Southwest Airlines afirma o seguinte: “qualquer um que veja as coisas somente em termos de fatores que possam ser facilmente quantificados está perdendo a parte mais importante dos negócios que é o fator humano” (HESKETT, 1994, p. 238). 26 Kaplan e Norton (2000) defendem a idéia de que medições não-financeiras como a satisfação do consumidor, a melhoria dos processos internos e as atividades de inovação e melhoria organizacional medidas em um determinado momento, refletem os efeitos da administração que serão revelados em termos financeiros somente no futuro. As ações programadas a partir da análise da Cadeia de lucros dos serviços trabalham a satisfação, a fidelidade e a produtividade dos funcionários no valor dos produtos e serviços oferecidos com o fim de gerar satisfação e fidelidade nos clientes. O valor de permanência de um cliente fiel é enorme, sobretudo quando calcula o valor econômico de todas as compras repetidas ao longo do relacionamento com a empresa e também a compra casada de outros produtos. Com base no monitoramento da qualidade dos relacionamentos, obtida a partir de diferentes meios, como números telefônicos gratuitos, mesas redondas periódicas com funcionários, entrevistas e pesquisas para medir a satisfação, a Cadeia de lucros dos serviços fornece uma estrutura para se quantificar e direcionar os investimentos na melhoria de processos internos e na melhoria do relacionamento com os clientes. Esta estrutura auxilia as empresas a determinar o que faz aumentar seus lucros e alargar sua visão para as ações que podem conduzir à lucratividade em longo prazo (HESKETT, 1994). Várias pesquisas foram realizadas buscando confirmar a relação entre a satisfação do consumidor e a performance financeira. Anderson et al. (1994) utilizando dados anuais de painel de 77 empresas suecas de diversos setores, encontrou uma relação positiva entre estas variáveis (ANDERSON et al., 1994, apud BANKER 2000). Ittner e Larcker (1998) estudaram a mesma relação com empresas de serviço e encontraram a mesma relação positiva. Entretanto as duas pesquisas 27 apresentaram algumas inconsistências em função de terem usado séries históricas muito curtas. Outra pesquisa trouxe mais consistência às evidencias de relacionamento entre a satisfação do consumidor e a performance financeira. Ela foi realizada com 18 empresas do setor hoteleiro com séries mais longas com 72 períodos, elevando consideravelmente a força estatística do estudo. Os resultados da pesquisa mostraram que as medidas de satisfação do consumidor são significativamente relacionadas com o lucro operacional dos negócios (BANKER, 2000). Os fatores causa-efeito estabelecem relações entre lucratividade da empresa, lealdade dos clientes, satisfação dos clientes, lealdade dos funcionários e sua produtividade. As relações são descritas nos parágrafos seguintes. Os lucros e o crescimento das vendas são estimulados pela lealdade dos clientes. Reichheld e Sasser em seu artigo “Zero Defections Quality Comes to Services”, estimaram para os setores de serviços de software e bancários que um aumento de 5 por cento na lealdade dos clientes produziriam aumentos de 25 a 85 por cento nos lucros (REICHHELD e SASSER,1990, apud HESKETT, 1994, p. 238). Eles concluíram que a qualidade da participação no mercado, medida em termos de lealdade dos clientes, merece tanta atenção quanto o volume da participação. Por essa razão empresas tem se preocupado em analisar o seu índice de retenção de clientes; o número de serviços usados por cada cliente ou profundidade de relacionamento; e o nível da satisfação dos clientes. A lealdade dos clientes é o resultado de sua satisfação. É possível mensurar a satisfação através de levantamentos feitos com os clientes. Quanto maior for o nível de satisfação dos clientes, maior a probabilidade deles retornarem para comprar novamente com o fornecedor. Pesquisas revelam que os clientes posicionados no 28 nível mais alto de satisfação têm 6 vezes mais chance de retornar que aqueles que estão a apenas 1 ponto abaixo deles numa escala entre 1 e 5 (HESKETT, 1994, p. 239). A satisfação dos clientes é dependente da percepção de valor dos produtos fornecidos. Os clientes atuais estão fortemente orientados para o valor. Isto significa um mercado mais crítico e consciente em relação ao custo-benefício dos produtos que ele deseja comprar. Aqueles que oferecem produtos com maior valor têm grande vantagem competitiva no mercado. O valor é criado pela produtividade dos funcionários. Muitas empresas medem sua produtividade apenas em termos numéricos, o que, para um mercado exigente como o que temos nos dias atuais, não é suficiente, tem que ser medida também em termos qualitativos. Isto inclui inspeções periódicas para se avaliar limpeza, pontualidade, cordialidade e outros atributos não numéricos que os clientes dão valor (HESKETT, 1994). A produtividade está atrelada à lealdade do funcionário. Como lealdade do funcionário, considera-se sua permanência na empresa contribuindo com seus talentos, seus vínculos com clientes e suas habilidades adquiridas através dos treinamentos. Baixo nível de lealdade por parte dos funcionários significa alta rotatividade e conseqüente perda de produtividade e redução da satisfação dos clientes. Na maioria dos casos este é o custo real, pois a empresa precisa gastar tempo para o nível de relacionamento interno e externo, no caso de ser alguém com contato direto com clientes (HESKETT, 1994). Só pode haver lealdade se houver satisfação de quem trabalha. Cada vez mais as empresas classificadas “de Classe Mundial” se preocupam com os índices 29 de satisfação de seus colaboradores, realizando entrevistas freqüentes e mesas redondas. O grande desafio das empresas é fazer com que cada funcionário tenha sua função dignificada através da premiação de seus triunfos, divulgação, remuneração em função de desempenho e, sobretudo treinamento, para desenvolver a capacidade profissional e realizar seu trabalho de forma cada vez mais bem feita (HESKETT, 1994). A satisfação dos funcionários resulta da qualidade interna, que pode ser considerada como a qualidade de vida no trabalho. Ela é a expressão visível da cultura da organização, uma expressão materializada por programas de apoio, com alta qualidade, que envolvem tecnologias da informação, equipamentos adequados para o trabalho, técnicas de escalonamento de tarefas, suporte gerencial bem capacitado e a própria organização do fluxo de trabalho, que deve ser moderna e flexível. Várias alternativas têm sido feitas no sentido de dar maior autonomia a funcionários e equipes, gerando compromisso e liberdade, com conseqüente aumento da qualidade de vida dos funcionários. Entre elas estão a formação dos times interfuncionais ou equipes autodirigidas, que têm liberdade de tomar suas próprias decisões sem supervisão gerencial direta; organizações invertidas, que colocam os funcionários no topo da organização e o presidente na base; as organizações em rede, nas quais as empresas são ligadas eletronicamente entre si para formar uma rede para fabricar produtos em conjunto; e até mesmo, corporações virtuais, que reúnem um time temporário de organizações independentes que otimizam seu papel no processo (HESKETT, 1994). Em meio a toda essa mudança nos mercados e nas próprias organizações, o grande desafio da administração da informação é permitir que as diversas variáveis envolvidas em toda cadeia de lucro dos serviços, bem como mercadológicas e 30 financeiras, possam ser mensuradas e integradas a sistemas que dêem aos gestores condições de tomar decisões em um ambiente mutável e cheio de incertezas. Os estudos com a cadeia de valor são importantes para justificar o uso das medições não-financeiras de performance como indicadores de tendência da performance financeira das empresas já que confirmam a relação de causa-efeito entre eles. A cadeia de valores genérica apresentada por Porter (1993, p. 51) representada na Figura 2 amplia ainda mais o conceito de causa e efeito entre atividades por considerar além das atividades primárias, as atividades de apoio. Infra-estrutura da empresa Gerência de recursos humanos Desenvolvimento de tecnologia Serviços Marketing e Vendas Logística Externa Operações Logística Interna Aquisição Figura 2 – Cadeia de Valores Genérica. Fonte: Porter, 1993. Porter (1993, p. 53) afirmou que a cadeia de valores de uma empresa deve ser administrada como um sistema, e não como uma coleção de partes separadas. Para ele, a reformulação da cadeia pela realocação, reordenação, reagrupamento ou mesmo eliminação das atividades é com freqüência, a raiz de um grande melhoramento na posição competitiva. 31 Por meio da Figura 2 pode-se perceber que a cadeia de valor é formada por operações externas e por funções internas criando interface entre fornecedores e clientes. Uma empresa é mais do que a soma de suas atividades. A cadeia de valores de uma companhia é um sistema interdependente, ou uma rede de atividades, unidas por ligações. Esses ocorrem quando a maneira pela qual uma atividade é desempenhada afeta o custo ou a eficiência das outras atividades. Elas criam, com freqüência, um intercâmbio no desempenho de diferentes atividades que deve ser otimizado. (Porter, 1993, p. 52). Na visão de Porter (1993) a vantagem competitiva se dá em função da competência com que a empresa administra todo esse sistema. As ligações fortalecem as atividades dentro da cadeia e criam maior interdependência entre uma empresa, seus fornecedores e canais de distribuição. Dessa maneira, uma empresa pode criar vantagem competitiva proporcionando valor comparável para o comprador, mas desempenhar suas atividades com mais eficiência do que seus concorrentes ou criando maior valor para o comprador obtendo como conseqüência maior preço. 2.3 O EVA COMO MÉTODO PARA MENSURAÇÃO DA CRIAÇÃO DE VALOR A palavra “valor” apresenta diversos significados, não admitindo uma definição exata. Na área financeira, “valor” se relaciona com o valor atual das futuras entradas de caixa (benefícios econômicos) que uma organização pode gerar. Já em contabilidade, segundo Martins 2001, valor está relacionado à avaliação do patrimônio, isto é, à quantificação monetária dos ativos e passivos. Para Copeland et al. (2000) a meta fundamental de todas as empresas deveria ser a maximização do valor para o acionista. A globalização e o crescimento da mobilidade do capital exigem que as instituições cada vez mais adotem o modelo 32 econômico baseado na maximização do valor. Empresas que não possibilitam aos seus acionistas um melhor retorno de seus investimentos sofrerão, ao longo do tempo, a escassez de capital e ficarão inferiorizadas na competição global. A determinação de valor de bens isolados é complexa, pois considera, entre outros aspectos, o grau de utilidade de um bem dentro da escala de preferência do consumidor, a moeda adotada para a avaliação e o efeito da inflação sobre essa moeda. Se a determinação de valor de um bem apresenta esta complexidade, a avaliação de uma empresa apresenta um grau de dificuldade bem superior (RODRIGUES, 2005). Para Neiva (1999), o valor da empresa pode ser expresso em duas concepções distintas. Pelo valor patrimonial o valor da empresa é representado pela soma dos bens que constituem o patrimônio da empresa. Já pelo valor econômico ele decorre do potencial de resultados futuros. O patrimônio das empresas é composto por bens de difícil mensuração (bens intangíveis), como marcas, patentes, ponto comercial, reputação e organização. O potencial de resultados futuros depende de fatores difíceis de serem quantificados, dentre os quais podem ser citados: o risco do negócio, o risco financeiro e o crescimento da empresa (RODRIGUES, 2005). As perspectivas econômicas em geral e as condições e perspectivas específicas de um determinado setor, a capacidade de pagamento da empresa dos dividendos, a composição dos ativos líquidos, o preço de mercado das ações, a natureza do negócio e a história da empresa, são alguns dos fatores importantes na avaliação de uma empresa. 33 A perspectiva econômica geral e específica do setor a que a empresa pertence, enfatizam a necessidade de se compreender como a empresa está progredindo no mercado em relação às indústrias de produtos similares ou substitutos. Essa análise permite saber a grandeza dos lucros futuros da empresa. O EVA ressurgiu como uma das respostas à necessidade das organizações de possuírem indicadores de desempenho que expressem a real criação de riqueza das empresas, se constituindo em uma ferramenta que permite mensurar a criação de valor da empresa. O EVA é uma idéia e um indicador de trabalho. Observações indicam que administradores que conduzem seus negócios de acordo com os preceitos do EVA têm elevado significativamente o valor de suas empresas. A utilização desta ferramenta faz com que os administradores ajam como acionistas (RODRIGUES, 2005). O Valor Econômico Adicionado pode ser representado segundo Assaf Neto (2003) conforme se segue: EVA = ( ROI − CMePC ) × Investimento ou representado em termos da proporção: EVA(%) = (1 − ROI ) × 100 CMePC Onde: ROI = Retorno sobre o Investimento CMePC = Custo Médio Ponderado do Capital A idéia do EVA é obter máximos lucros que ultrapassem o custo de capital e assim aumentar a riqueza dos investidores. Isto já é falado há muito tempo no meio empresarial, mas as empresas normalmente perdem o foco deste objetivo. As empresas muitas vezes não têm noção de quanto capital elas utilizam para financiar suas operações e nem do custo deste capital. Smolje (1999) relata que quem 34 defende o EVA como uma medida adequada de desempenho apresenta três argumentações em seu favor: • Com o EVA o desempenho dos administradores pode ser melhor medido; • Trabalha-se objetivo máximo da administração que é criar valor para o acionista; • Valor é entendido como o valor atual líquido do fluxo de caixa descontado que gera o negócio. Além disso, podem-se destacar outras características: • Possibilita desenhar estratégias; • O EVA permite vislumbrar oportunidades de negócios; • Fixar objetivos claros e concretos; • O EVA permite avaliar projetos futuros ou em execução; • Mede concretamente os resultados da gestão. O EVA é realmente um indicador econômico utilizado para avaliar fatores como: a gestão de uma empresa, uma divisão, um segmento de mercado, uma atividade específica ou um projeto. E pode ser calculado sobre bases históricas (ou sobre bases predeterminadas, futuras) para obter uma medida de desempenho real (ou previsão de desempenho). (RODRIGUES, 2005). Martinez (1999) ressalta a possibilidade de se utilizar o EVA como: • Indicador de Desempenho - Se o EVA for positivo, foi criada riqueza para os acionistas; • Incentivo para a gerência - O EVA como um mecanismo de compensação da gerência próximo do valor da riqueza criada para os acionistas; • Referencial estratégico – O EVA definindo metas estratégicas; 35 O EVA se baseia em algo que sabemos há muito tempo: aquilo que chamamos de lucro, o dinheiro que sobra para remunerar o capital, geralmente nem é lucro. Até que um negócio produza um lucro que seja maior do que seu custo de capital, estará operando com prejuízo. Não importa que pague impostos como se tivesse um lucro verdadeiro. O empreendimento ainda retorna menos à economia do que devora em recursos [...]. Até então, não cria riqueza; a destrói. (DRUCKER, apud EHRBAR, 1999, p.2 ). Na verdade pode-se entender que os lucros verdadeiros não sobram até que o custo de capital, como todos os demais custos, tenham sido completamente cobertos. Pode-se dizer então que o EVA é, portanto a medida dos lucros verdadeiros. O EVA é o lucro operacional após o pagamento de tributos menos o encargo sobre capital, apropriado, tanto para o endividamento quanto para capital acionário. Quando o EVA é utilizado mais amplamente nas empresas torna-se muito mais do que somatórios de custos e lucros, tornando-se uma metodologia para medir e conduzir os diversos setores da empresa a agregar valor à suas atividades. Desta perspectiva, Ehrbar (1999) destaca que o EVA pode ser visto das seguintes maneiras: • A medida de desempenho empresarial mais diretamente ligada, tanto teórica quanto empiricamente, à criação de riqueza para acionistas. Quer dizer que existe uma relação direta entre os resultados do EVA e os resultados mais importantes para a administração que é gerar maior riqueza para os investidores. • A medida de desempenho que oferece a resposta que mais interessa aos acionistas. O EVA pode ser considerado uma medida de melhoria contínua já que, em contrapartida, ações que aumentam margens de lucros, lucro por ação e até mesmo taxas de retorno, às vezes destroem riqueza para acionistas. 36 • Um novo e abrangente sistema de gestão financeira empresarial que orienta cada decisão, desde orçamentos operacionais anuais até orçamentos de capital, planejamento estratégico, aquisições e redução nos investimentos. • Um método simples e eficaz de alfabetizar em negócios até mesmo os trabalhadores menos sofisticados. • A variável-chave num sistema singular de remuneração variável que realmente alinha os interesses de gerentes com os de acionistas. Pela gestão do EVA os gerentes passam a pensar e agir como acionistas. • Uma estrutura de medição que empresas poderão utilizar para comunicar suas metas e realizações a investidores, e que investidores poderão utilizar para identificar empresas com perspectivas de desempenho superior. • Um sistema interno de governança corporativa que motiva todos os gerentes e funcionários a trabalharem de forma cooperativa para alcançarem os melhores desempenhos. Wernke (2001) diz que apesar de que as medidas de desempenho como o EVA não sejam à prova de contestações, seus méritos na avaliação da riqueza gerada e sua superioridade diante de outras formas de mensuração são inúmeros. Medidas convencionais de avaliação de desempenho, como lucro, lucro por ação, crescimento do lucro, e todos os demais indicadores que não levam em consideração o custo de oportunidade do capital investido e o risco da decisão, têm pouca utilidade como critério de decisão e controle empresariais. Devem, outrossim, dar lugar a parâmetros financeiros voltados à criação de valor para os acionistas, coerente sempre com o objetivo de maximização de sua riqueza (ASSAF NETO, 2002, p.181). 2.4 O BSC COMO GUIA METODOLÓGICO DA ESTRATÉGIA Balanced Scorecard é uma ferramenta que atualmente vem sendo implementada em diversas empresas de grande porte, e despertando interesse de 37 empresas de menor porte. Isso vem ocorrendo devido à facilidade de se fazer uma ligação entre a visão e as ações da organização (KAPLAN e NORTON, 2000). A American Accounting Association aclamou o livro “The Balanced Scorecard” como a melhor contribuição teórica em 1997 (NØRREKLIT, 2003). Em meio a muitas discussões no meio acadêmico, é fato que no mundo dos negócios o BSC alcançou grande interesse internacionalmente. Kaplan e Norton (2000) afirmam que o BSC complementa as medições financeiras com avaliações sobre o cliente, identifica os processos internos que devem ser aprimorados e analisa as possibilidades de aprendizado e crescimento, assim como os investimentos em recursos humanos, sistemas e capacitação que poderão mudar substancialmente todas as atividades. Por isso, difere das ferramentas tradicionais de Avaliação de Desempenho por ampliar o escopo dos indicadores, não se limitando apenas na consideração de resultados financeiros. Além disso, devido ao processo de implementação do BSC, onde há a discussão da missão e da estratégia dentro dos valores organizacionais, consegue-se mais efetivamente estabelecer a relação entre a medida obtida e a ação a ser tomada para a consecução de uma melhoria organizacional. Isto faz com que o sistema deixe de ser apenas uma ferramenta tática ou operacional para configurar-se numa metodologia para alinhar e gerir os esforços do planejamento estratégico. O processo de planejamento estratégico, a partir da medição e gerência de indicadores que refletem a tendência dos resultados futuros de uma empresa, surgiu bem antes do lançamento do Balanced Scorecard em 1992. Em 1979, no IX European Management Symposium, em Davos na Suíça, foi apresentada uma nova metodologia para medir e gerenciar o desempenho global de empresas, o Painel Estratégico, mais tarde chamado de BAV (Balanced Added Value), que se pautava 38 tanto nos indicadores financeiros como nos de produção, mercado, produto e de pessoal. Para este evento, quinhentas unidades do Painel Estratégico (Strategy Board) foram exportadas pelo autor Detlev Kahrbek, um alemão naturalizado brasileiro, diretor geral da subsidiária brasileira da Albany International. Foi a primeira exportação de tecnologia gerencial brasileira segundo a Cacex (Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil). O BAV foi patenteado nos Estados Unidos, no Copyright Office em 1980, pelo autor em co-autoria com o Prof. Dr. Klaus Schwab, Presidente do World Economic Fórum. No Brasil o primeiro registro de patente ocorreu em 1979. Os direitos autorais da metodologia também foram registrados na Suíça, França, Canadá, Inglaterra, Itália, Bélgica, Áustria, Alemanha, Holanda, Suécia e Japão. (KAHRBEK, 2000). Apesar do pioneirismo, a metodologia sofreu com a conjuntura econômica brasileira. Durante um breve intervalo de tempo contou com o apoio do Ibrasa/Bnde (atual BNDES). Mas já em 1981 um corte de verbas irreversível atingiu todos os projetos de pesquisa. A alta inflação verificada durante toda a década de 80, aliada à falta de financiamento, foram elementos macroeconômicos que seguraram a expansão e divulgação do sistema BAV. Os investimentos foram em grande parte da aplicação prática do sistema em várias empresas. Atualmente já se encontra esse sistema na forma de software para efetuar simulações através de indicadores estratégicos, tomar decisões e efetuar análise de desempenho. (FINEP, 2003) Enquanto no Brasil os cenários econômicos e empresariais traziam dificuldades para a consolidação de uma metodologia que inovasse em termos gestão de desempenho, no início da década de 90 nos Estados Unidos se consolidava o Balanced Scorecard. Nesse período já se dominavam as técnicas de planejamento estratégico, mas faltava uma metodologia direcionadora deste 39 planejamento. Foi nesse contexto que os professores Robert S. Kaplan e David P. Norton, da Universidade de Harvard criaram o BSC. Eles complementaram a estrutura conceitual já existente, com uma filosofia de visão e direcionamento estratégico. Seu embrião foi quando o instituto Nolan Norton, a unidade de pesquisa da KPMG, patrocinou um estudo de um ano em diversas empresas, cujo título original era “Measuring Performance in the Organization of the Future”. A base desse estudo era de que a avaliação de desempenho empresarial apoiada apenas em indicadores contábeis e financeiros não era suficiente para um planejamento estratégico que pudesse criar valor econômico para o futuro. David Norton, executivo principal do Nolan Norton, foi o líder do estudo, Robert Norton, consultor acadêmico, e vários representantes de empresas discutiram sobre o assunto em reuniões a cada dois meses no ano de 1990 com o objetivo de desenvolver um novo modelo de medição de desempenho. Um dos estudos examinados nesse projeto foi o da Analog Devices que utilizava índices de progresso em atividades de melhoria contínua. As discussões do grupo levaram a uma ampliação do scorecard, que se transformou no “Balanced Scorecard” (KAPLAN e NORTON, 2000). O processo de construção do Scorecard abrange definição da missão, visão, os valores essenciais da organização, a análise dos fatores críticos de sucesso, a definição dos objetivos, os indicadores de desempenho, as metas e as iniciativas de melhoria da organização (KAPLAN e NORTON, 1997, 2000). 40 Figura 3 – O BSC como guia estratégico Fonte: Kaplan e Norton, 2000. O BSC é um sistema com medições múltiplas de desempenho empresarial e seu principal diferencial é exatamente reconhecer que os indicadores financeiros, por si mesmos, não são suficientes para guiar uma organização a consolidar sua estratégia, uma vez que só mostram os resultados dos investimentos, não contemplando os impulsionadores de rentabilidade de longo prazo que são compostos em sua maioria de ativos intangíveis. Como não existe conhecimento organizacional ou estratégia sem o fator chave que é o fator humano, a habilidade destes atores de se comunicarem eficientemente pode ser uma fonte de vantagem competitiva. Estas habilidades reafirmam a importância das medições não-financeiras na geração de resultados (TUCKER et al. 1996; DAFT e LEWIN 1993; GRANT 1991; SCHULZE 1992; AMIT SHOEMAKER 1990, apud MALINA, 2001). A construção da estratégia não é um trabalho simples. Na verdade depende fortemente de profissionais com alta 41 capacidade para selecionar indicadores cujas relações de causa e efeito realmente tenham correlação com a estratégia global da empresa. Também é importante que os responsáveis pelo planejamento consigam ter uma visão holística de sua corporação. O scorecard deve refletir a história da estratégia elaborada e por isso não pode ser vista como uma simples combinação de medidas financeiras e nãofinanceiras agrupadas nas quatro perspectivas críticas. A estratégia é representada pela integração das medidas de resultado com os vetores de desempenho. As relações de causa e efeito têm que ser constantemente observadas a fim de manter a coerência do sistema. As medidas de resultado indicam os grandes objetivos da estratégia. As medidas de desempenho são os indicadores que mostram as necessidades de se tomar decisões hoje para alcançar os resultados do futuro. Os gestores têm que estar bem capacitados para fazerem leituras corretas destes indicadores e procurar relacioná-los com os demais, de modo que um sempre seja suporte para o outro, e juntos, criarem uma sinergia que conduza a empresa aos resultados almejados. A busca desta correlação entre os indicadores é a maneira como o scorecard é construído e gerenciado. Kaplan e Norton (2000) acreditam que o aprendizado estratégico em nível executivo talvez seja o aspecto mais inovador do BSC. Este processo ocorre pela participação e acompanhamento das fases de criação, disseminação e compartilhamento da estratégia. O início do processo ocorre com a conscientização da necessidade de mudança na cúpula da empresa. A visão de futuro precisa ser colocada por cada representante da liderança para se buscar um foco único para a estratégia. Este foco permitirá alinhar os objetivos, metas, incentivos, recursos e iniciativas das diferentes perspectivas e manter a coesão entre elas. 42 O processo de comunicação é fundamental para nivelar os participantes e mobilizar todos os indivíduos em ações voltadas para a realização dos objetivos estratégicos. A ênfase na construção de relações de causa e efeito no scorecard gera um raciocínio sistêmico e dinâmico que permite aos indivíduos dos diversos setores da organização compreenderem como as peças se encaixam, como seu papel influencia o papel das outras pessoas, além de facilitar a definição dos vetores de desempenho e as iniciativas correlatas que não apenas medem as mudanças, como também as alimentam. (KAPLAN E NORTON, 1997, p.282) O processo de execução ocorre com as ações sendo colocadas em prática nos processos e rotinas da empresa. Por vezes, em função do amadurecimento gerado pela formulação da estratégia, algumas organizações operam uma reengenharia nos processos de trabalho. O processo de navegar tem como objetivo tornar a estratégia um processo contínuo. Esta é a fase que mais contribui para o processo de aprendizado estratégico. Algumas abordagens são importantes para corroborar este objetivo, entre elas, a análise de correlação, jogos gerenciais / análise situacional, relatórios verbais, revisão das iniciativas e as reuniões de revisão estratégica. 43 Figura 4: As quatro perspectivas do Balanced Scorecard Fonte: Kaplan e Norton (2000). O BSC foi concebido tendo como bojo principal o planejamento estratégico. Sua estrutura, portanto, apresenta-se fortemente associada ao processo de orçamentação e planejamento corporativo. Para Kaplan, os processos de planejamento estratégico e orçamento são importantes demais para serem tratados como atividades independentes. “O planejamento estratégico deve estar vinculado ao orçamento operacional para que a ação esteja vinculada à visão”. (KAPLAN E NORTON, 1997, p. 257). A afirmação de Kaplan, bem como as descrições das etapas de criação do scorecard, mostra que a implantação da estratégia se dá de cima para baixo, uma vez que o processo se dá através de várias reuniões da alta administração buscando consenso em relação aos indicadores e suas relações de causa e efeito. Ainda que existam diferentes níveis de alcance estratégicos, os objetivos e metas do BSC são mais bem trabalhados em períodos mais longos. Um dos motivos para isto é que as perspectivas que compõem o BSC (financeira, cliente, processos internos e, 44 aprendizagem e crescimento) são formadas a partir de indicadores muitas vezes difíceis de serem levantadas. A afirmação seguinte de Kaplan reafirma esta tendência do BSC: “As organizações que desejam a contribuição de todos os funcionários para a implementação da estratégia compartilharão suas visões e estratégias de longo prazo – concretizados no Balanced Scorecard”. (KAPLAN E NORTON, 1997, p.207). “Muitas organizações encontram dificuldades para decompor medidas estratégicas de alto nível, principalmente as de natureza não-financeiras, em medidas operacionais locais”. (KAPLAN E NORTON, 2000). “Infelizmente, é mais difícil decompor medidas não-financeiras, como satisfação dos clientes e disponibilidade de sistemas de informação”. (KAPLAN E NORTON, 1997, p.221). Gerentes são pessoas envolvidas em processos de tomada de decisão que para tal, necessitam de suporte para fazê-lo de forma adequada, e para que ocorra o processo são necessárias ferramentas, métodos e modelos disponíveis no ato da tomada de decisão (FREITAS e KLADIS, 1995). A afirmação de que o Balanced Scorecard é um modelo de controle estratégico capaz de conduzir a implementação da estratégia tem sido largamente criticada. Primeiramente, o modelo não monitora a concorrência e o desenvolvimento tecnológico. Isto implica que ele não leva em consideração nenhuma incerteza estratégica em termos do risco da ocorrência de eventos que possam ameaçar ou invalidem a atual estratégia. E segundo lugar, por ser uma implementação do tipo top-down hierarquizada, os autores do BSC não consideram nenhum problema de implementação e do pesado trabalho de suporte ao pessoal envolvido. Tal modelo de controle pode produzir um sério comportamento disfuncional e a perda do controle estratégico. (EMMANUEL & OTLEY,1995; SIMONS, 1995; NØRREKLIT,2000, apud NORREKLIT, 2003). 45 Embora a formulação e a mobilização de iniciativas que visem à realização de metas de superação sejam em grande parte um processo criativo, segundo Kaplan, existem três maneiras pelas quais um processo de planejamento, baseado no Balanced Scorecard, pode melhorar e canalizar essa criatividade: pelo programa das “medidas que faltam”, programas de melhoria contínua, relacionados a um indicador da velocidade da mudança e, iniciativas estratégicas, como programas de reengenharia e transformação relacionados à melhoria radical de vetores críticos de desempenho. Essas iniciativas seriam na concepção de Kaplan e Norton (2000) os elementos para ajustar a estratégia aos novos posicionamentos da concorrência e aos avanços tecnológicos que ameacem a empresa. No que se refere à implementação top- down e Kaplan e Norton dizem que o BSC pode ser utilizado para desenvolver o processo de feedback, apesar de reconhecerem ser este é o menos desenvolvido dos quatro processos gerenciais. Pelo que sabemos, apenas algumas empresas conseguiram implantar um novo processo de revisão estratégica, mas aquelas que o fizeram reconhecem tratá-se de uma nova e poderosa ferramenta gerencial. A atualização da estratégia faz com que a empresa complete o ciclo de volta ao primeiro processo gerencial – esclarecer e obter consenso sobre visão e estratégia – permitindo que a estratégia continue acompanhando mudanças nas condições de competitividade, mercado e tecnologia (KAPLAN E NORTON, 1997, p.206). A idéia central que permeia os processos gerenciais do BSC parece ser a criação de um círculo virtuoso em direção às metas propostas. Para Roberts (2004) para o BSC ser um efetivo instrumento de controle gerencial suas avaliações de desempenho devem ser precisas, objetivas e verificáveis. Ele argumenta que trabalhar o BSC com indicadores genéricos e amplos no aspecto conceitual pode gerar uma subjetividade prejudicial à aceitação e, conseqüentemente, à implantação da metodologia em uma empresa. 46 Já El-shishini (2001) questiona a avaliação da efetividade do BSC a partir dos resultados financeiros. Olhando mais cuidadosamente para o uso de medidas de performances financeiras como medida de efetividade, verifica-se que é provável que a performance financeira seja afetada por muitos fatores (por exemplo, concorrência, legislação governamental) incluindo o uso do BSC. Dessa forma, parece difícil atribuir a mudança na performance financeira somente ao uso do BSC (EL-SHISHINI, 2001). De fato a proposta de Kaplan e Norton (2000) pressupõe o desempenho financeiro como conseqüência das melhorias implementadas nas demais perspectivas, mas, como instrumento de planejamento, não pode deixar de considerar fatores externos como concorrência e legislação governamental. As medições da performance deveriam motivar o comportamento levando à melhoria contínua em áreas tais como satisfação do consumidor, flexibilidade e produtividade (LYNCH e CROSS, 1995, apud MALINA 2001). Elas deveriam refletir a relação de causa-efeito entre o comportamento operacional e os resultados estratégicos (ITTNER e LARCKER, 1998). Desta maneira, enquanto uma organização identifica novos objetivos estratégicos, ela também se conscientizará da necessidade de novas medições de performance para encorajar e monitorar novas ações (DIXON et al. 1990, apud MALINA, 2001). Uma argumentação que pode ser usada é que Kaplan e Norton forneceram um quadro simplista de um mundo complicado. Norreklit (2003) contestou a relação de causa e efeito proposta por Kaplan e Norton. Ela argumenta que uma relação de causa e efeito deve incluir espaço de tempo entre a melhoria de satisfação dos clientes, aprendizagem, processos internos e a apresentação da melhoria na performance financeira. 47 Não há nenhuma relação de causa e efeito entre as perspectivas sugeridas no BSC. Há uma considerável covariância, por exemplo, entre fidelidade de cliente e performance financeira. Não se pode generalizar que o incremento no nível de fidelidade do cliente é a causa da performance financeira de longo prazo. Além disso, é um conceito bem conhecido da estatística que não se pode concluir quando existe uma covariância entre duas variáveis que existe relação causal entre elas. Nesse caso, a lucratividade depende do faturamento e do custo de fazê-los satisfeitos ou de clientes fiéis (Norreklit, 2003). De forma similar El-shishini (2001) formula o seguinte questionamento: a melhoria no desempenho financeiro de um dado período é o resultado da melhora das medidas não financeiras de qual ano? Em resposta ao próprio questionamento ele cita o estudo de Davis e Albright (2001) com escala de tempo mais dilatada demonstrando que a implementação do BSC produz melhoria na performance financeira. De fato essas relações de causa-efeito estão em constante mutação em nossa sociedade. A criação de valor que antes era criada a partir dos ativos tangíveis das empresas, pela transformação de matérias-primas em produtos acabados, agora se concentra mais nos ativos intangíveis. Pesquisas realizadas nas duas últimas décadas do século XX mostraram que em 1982 o valor contábil dos ativos tangíveis representava 62% do valor de mercado e que ao final das duas décadas, passou a corresponder a somente 10 a 15% do valor de mercado das empresas (KAPLAN E NORTON, 2000). Baseado nestes dados pode-se constatar que as estratégias para a criação de valor devem sofrer alterações quanto à sua formatação e metodologia de mensuração. As estratégias devem considerar ativos que até bem pouco tempo não eram considerados em sua elaboração tais como: relacionamento com clientes, produtos e serviços inovadores, tecnologia de informação, além de capacidades, habilidades e motivação dos empregados. Conseqüentemente as ferramentas 48 precisam ser atualizadas para descrever e mensurar estes ativos e as estratégias criadoras de valor, construídas a partir desses ativos. As empresas que se atualizarem terão maior facilidade de gerir as estratégias com esses ativos e em conseqüência terão mais sustentação para obterem resultados positivos (KAPLAN e NORTON, 2000). 49 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS Para o desenvolvimento deste trabalho, foi adotada a pesquisa empíricoanalítica que, de acordo com Martins (1994, p. 26), refere-se a abordagens que “privilegiam estudos práticos. Suas propostas têm caráter técnico, restaurador e incrementalista têm preocupação com a relação causal entre as variáveis”. A pesquisa foi realizada com base nas Demonstrações Contábeis e Índices Financeiros disponíveis no banco de dados da Economática referentes às empresas da classificação setorial “Materiais Básicos – Papel e Celulose” da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) no período de 1994 a 2005. Três aspectos da metodologia merecem ser destacados neste trabalho: a. A abordagem utilizada para a estimação do Custo de Capital Próprio; b. A metodologia de cálculo do EVA; c. A prova U de Mann Whitney. 3.1 A ABORDAGEM PARA A ESTIMAÇÃO DO CUSTO DE CAPITAL PRÓPRIO O EVA (economic value added) foi criado para mensurar o retorno econômico criado pelas atividades operacionais da empresa. Isto quer dizer que com ele é medido o saldo do lucro operacional após a dedução do custo de capital investido na empresa. O cálculo do custo do capital investido é conseqüentemente uma etapa fundamental para a mensuração do valor agregado. Assaf Neto (2003) afirma que para se obter o EVA é necessário calcular o Custo Médio Ponderado de Capital ou WACC (Weighted Average Cost of Capital) e para tanto, se aplica a seguinte fórmula: 50 WACC = (%CapitaldeTerceiros × Ki ) + (%Capital Pr óprio × Ke) Onde: Ki = Taxa percentual que mede o Custo de Capital de Terceiros; Ke = Taxa percentual que mede o Custo de Capital Próprio; Existem várias maneiras de se calcular Ke. Copeland, Koller e Murrin (2002, P.378) dizem que a avaliação das empresas em países emergentes é muito mais difícil do que em países desenvolvidos em função, principalmente, dos elevados riscos associados à incerteza macroeconômica, da baixa liquidez dos mercados de capitais, dos controles sobre remessas de divisas e dos riscos políticos. Assaf Neto (2003, p. 361) acrescenta que no mercado brasileiro encontramos uma série de problemas que decorrem, principalmente, dos seguintes fatores: pouca transparência das companhias abertas; elevada concentração de algumas ações negociadas; baixa competitividade do mercado; e baixa representatividade de ações ordinárias no mercado brasileiro. Silva (2004), fazendo uma comparação entre algumas abordagens sugeridas para a estimação do Custo do Capital Próprio no Brasil, verificou que em função das dificuldades apresentadas no parágrafo anterior, surgiram vários modelos, cada um deles apresentando resultados consideravelmente diferentes. Em seu artigo o autor encontrou valores de 11,97% a 19,22%, mostrando portanto, que dependendo da metodologia empregada, ocorrerá grande variação na taxa do custo de capital próprio. A fórmula de cálculo do EVA sofreu algumas modificações de sua forma original, visando simplificação dos cálculos. O custo de capital próprio das empresas foi substituído pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), pois quando calculado por 51 uma entidade externa à empresa, incorre em estimativas que podem torná-lo impreciso. Tabela 2: Dados históricos da TJLP Custo Cap. Próprio = TJLP 31/12/1994 0.26010000 31/12/1995 0.21189552 31/12/1996 0.14970941 31/12/1997 0.09687724 31/12/1998 0.11076547 31/12/1999 0.12477209 31/12/2000 0.10251381 31/12/2001 0.09109481 31/12/2002 0.09454187 31/12/2003 0.10934032 31/12/2004 0.09396976 30/09/2005 0.09250000 Fonte: IPEA No Brasil a Lei nº 9.249/95 que trata da remuneração do capital próprio diz que os juros pagos ou creditados a titular, sócio ou acionista devem ser limitados à TJLP (IUDÍCIBUS et al, 2000). Dada a realidade econômica brasileira com juros elevados e custos de oportunidade em geral superiores aos valores históricos da TJLP no período de 1994 a 2005, considera-se que o interesse dos sócios investidores seria receber como remuneração no mínimo igual a TJLP, já que a lei não lhe permite receber uma taxa superior a esta. O capital próprio é universalmente considerado de maior custo, o que evidencia o fato de que se um sócio não tivesse o limite estabelecido pela lei, este exigiria mais e não menos que a TJLP como remuneração. 52 3.2 METODOLOGIA DE CÁLCULO DO EVA Neste tópico é apresentada a seqüência metodológica para se chegar ao EVA das empresas a partir de um exemplo fictício (CAVALCANTE, 2000, apud RODRIGUES, 2005): 1) O primeiro passo é classificar as contas do passivo em dois tipos: passivos operacionais (passivos relacionados às atividades normais da empresa) e em passivos de financiamento (capital de terceiros resultante de financiamentos de curto e longo prazos obtidos através de bancos, emissão de debêntures e outros papéis). 2) O segundo passo é calcular o valor econômico do capital empregado. Investimento = Ativo Total − Passivo de Funcionamento 3) O terceiro passo é calcular o Lucro Líquido Operacional Depois do Imposto de Renda ( LLOpDIR ), que se obtém pelas operações depois dos impostos e antes das despesas financeiras. 4) No quarto passo calcula-se o Retorno sobre o Investimento ( ROI ). ROI = LLOpDIR Investimento 5) Depois chega-se ao ponto crítico que é encontrar o Custo Médio Ponderado de Capital ( CMePC ). CMePC = %CTerc × CustoCTerc + %C Pr óp × CustoC Pr óp Onde: %CTerc = Percentual do capital de terceiros; %C Pr óp = Percentual do capital próprio; 53 CustoCTerc = Custo do capital de terceiros; CustoC Pr óp = Custo do capital próprio; O custo do capital de terceiros ( CustoCTerc =) é a taxa que a empresa pagaria no mercado atual para obter capital de longo prazo. CustoCTerc = Despesas Financeiras × (1 − % IR) Capital de Terceiros Onde: % IR = Alíquota do Imposto de Renda; CapitaldeTerceiros = passivo de financiamento. O Custo do Capital Próprio ( CustoC Pr óp ) diz respeito a quanto os investidores esperam obter como retorno mínimo do seu negócio. O percentual do capital de terceiros ( %CTerc ) e o percentual de capital próprio ( %C Pr óp ) representam, respectivamente, a relação do capital de terceiros (passivo de financiamento) e do capital próprio (patrimônio líquido do Balanço Patrimonial), respectivamente, com relação ao investimento: % CTerc = Capital de Terceiros Investimento % C Pr óp = Capital Pr óprio Investimento O custo médio ponderado de capital ( CMePC ) então será: CMePC = %CTerc × CustoCTerc + %C Pr óp × CustoC Pr óp 6) Finalmente pode-se calcular o Valor Econômico Adicionado (EVA): EVA = ( ROI − CMePC ) × Investimento ou representado em termos da proporção: 54 EVA(%) = (1 − ROI ) × 100 CMePC 3.3 ORGANIZAÇÃO DOS DADOS O período histórico dos dados coletados da pesquisa foi dividido em duas fases: antes e depois da implantação do BSC. A Figura 5 ilustra como as amostras foram selecionadas nas duas fases distintas: 9 Empresas Papel &Celulose GRUPO 1A 3 Empresas sem BSC GRUPO 2A 6 Empresas sem BSC 9 Empresas Papel & Celulose IMPLANTAÇÃO BSC NO GRUPO EXPERIMENTAL GRUPO 1D 3 Empresas com BSC GRUPO 2D 6 Empresas sem BSC Figura 5 – Esquema de seleção da amostras em duas fases distintas, antes e depois da implantação do BSC. Fonte: o autor Pode-se observar que as comparações são sempre entre dois grupos específicos de empresas e não entre o mesmo grupo. Desta maneira as amostras são sempre independentes, garantindo a aplicação da prova U de Mann Whitney. O grupo, o experimental, é formado pelas empresas Aracruz Celulose, Bahia Sul e Suzano com dados anteriores à implantação do BSC e o segundo grupo, o de 55 controle, formado pelas demais empresas do setor de Papel e Celulose. Inicialmente a comparação foi feita entre as médias dos EVAs destes dois grupos buscando verificar se as duas amostras são consideradas pertencentes à mesma população. Posteriormente, a comparação envolveu dois grupos com as mesmas empresas, entretanto as médias dos EVAs foram extraídas dos resultados ocorridos após a implantação do BSC, nas datas específicas de suas implantações. Histórico de implantação do BSC na Bahia Sul e Suzano, bem como o processo de unificação dos BSCs em 2004 1998 2000 Implementação do BSC na Bahia Sul • Gestão permeando vários níveis da Organização (BSC como instrumento contínuo de gestão) 2001 Fórum de Planejamento Estratégico Processo de Fusão Suzano / Bahia Sul • Unificar e desenvolver • Construção e desdobramento do gestão com foco na estratégia BSC para os Níveis 0 (Corporativo), 1 (Diretorias) e 2 (Divisões) Implementação do BSC na Suzano 2005 2004 • Início da revisão dos BSCs existentes Processo de Planejamento Estratégico (Missão, Visão, Valores) Figura 6 – Cronograma de implantação Bahia Sul / Suzano. • Integração das culturas existentes BSC como instrumento Fonte: Companhia• de Suzano Papel e Celulose S/A. gestão dade Diretoria • Sentido de propósito e direção comum • Reestruturação empresarial • Criação da Holding Fórum de Planejamento Estratégico • Apresentação do plano plurianual • Validação do Mapa nível 0 • Identificação dos aspectos fundamentais junto aos gerentes A Figura 6 apresenta o histórico de implantação do BSC na Bahia Sul e Suzano. A Bahia Sul implantou o BSC como instrumento contínuo de gestão em meados de 1998. Na Companhia Suzano a implantação ocorreu no início do ano 2000. Em 2001 iniciou-se o processo de fusão das duas empresas. A partir de 2004 os BSCs existentes começaram a ser revistos e unificados. No caso da Aracruz Celulose a implantação do BSC se deu em meados de 2002. 56 3.4 A PROVA ESTATÍSTICA U DE MANN WHITNEY O teste utilizado para se efetuar a análise estatística foi o Mann Whitney Test (teste de soma de classificação) para duas amostras independentes. O teste de soma de classificação é utilizado quando o tamanho das amostras é pequeno e quando por algum motivo, não se deseja considerar que os dados em cada grupo obedeçam a uma distribuição normal. Uma questão bastante relevante diz respeito aos procedimentos de seleção da amostra. No caso de nosso estudo a seleção das amostras não se deu de maneira probabilística, isto é, não foi aleatória, ocorrendo em função de um parâmetro predeterminado pelo pesquisador. A não aleatoriedade dos dados é neste caso um motivo para não se considerar o pressuposto da normalidade. Para as amostras selecionadas, as duas condições para a utilização do teste Mann Whitney Test trouxeram melhor adequação a este teste em contrapartida ao teste t, mesmo existindo a alternativa de se utilizar algumas transformações normalizantes nos dados. Em testes comparativos com o teste to teste de soma de classificação apresenta resultados relevantes segundo alguns autores. (STEVENSON, 1981; LEVINE, 2000). O teste de soma de classificações de Wilcoxon mostrou-se quase tão eficaz quanto a sua contrapartida paramétrica (o teste t) em condições apropriadas para o último, e é provavelmente mais eficaz quando os pressupostos rígidos do teste t não são cumpridos (LEVINE, 2000, p. 382). Siegel (1979), por outro lado, comprovou a força da prova U de Mann Whitney em comparação ao teste t. Trata-se de uma das mais poderosas provas não paramétricas, e constitui uma alternativa extremamente útil da prova paramétrica t, quando o pesquisador deseja evitar as suposições exigidas por este último, ou quando a mensuração atingida é inferior à escala de intervalos (SIEGEL, 1979, p. 131). 57 Como o próprio nome sugere o teste se baseia em uma soma de classificações ou postos2. Para realizar o teste os dados foram dispostos como se todas as observações fizessem parte de uma única amostra. Por conveniência quando o tamanho das duas amostras é desigual faz-se com que n1 seja a amostra de menor tamanho e n2 a maior. Se Ho é verdadeira, os postos baixos, médios e altos deverão estar dispostos equilibradamente nas duas amostras. No caso de H1 ser verdadeira, uma amostra tenderá a ter mais postos baixos ou altos do que a outra e conseqüentemente, uma soma de postos menor ou maior do que a outra. A hipótese de nulidade pode ser assim definida. Ho: As empresas dos dois grupos, um experimental com 3 empresas e outro de controle com 6 empresas, são pertencentes ao mesmo universo, mantendo seus níveis de EVA diferenciados, porém identificados uns com os outros de forma a manterem a característica de sua população, independente da implantação do sistema de gestão BSC. Para a aplicação da estatística de teste U de Mann Whitney, combinou-se as observações ou scores de ambos os grupos, relacionando-os por ordem ascendente em duas fases diferentes: uma quando nenhuma empresa havia implantado o BSC e outra com o grupo experimental com o BSC. Na ordenação ascendente foram considerados os valores algébricos, com os postos mais baixos atribuídos aos maiores números negativos e os maiores aos mais positivos. 2 Postos dizem respeito ao posicionamento em ordem ascendente das observações dos valores analisados. 58 Tabela 3: EVA médio das empresas na primeira fase quando todas estavam sem BSC. PRIMEIRA FASE Grupo Experimental sem BSC Grupo de Controle sem BSC Empresas EVA Postos Empresas EVA Postos Bahia Sul -113,51% 3 Melhoramentos -397,53% 1 Suzano -76,53% 7 Melpaper -268,24% 2 Aracruz -21,24% 9 Ripasa -110,76% 4 -70,42% Klabin -99,97% 5 Irani -97,27% 6 Votarantim -54,67% 8 Fonte: o autor Tabela 4: EVA médio das empresas na segunda fase quando as empresas passam a implantar o BSC SEGUNDA FASE Grupo Experimental com BSC Grupo de Controle sem BSC Empresas EVA Postos Empresas EVA Postos Bahia Sul 23,59% 6 Melhoramentos -337,21% 1 Suzano 99,52% 8 Melpaper -329,51% 2 Aracruz 288,85% 9 Irani -108,82% 3 137,32% Ripasa -47,54% 4 Klabin -43,92% 5 Votarantim 56,43% 7 Fonte: o autor Para determinar a estatística U, relacionou-se primeiro esses scores em ordem ascendente, cuidando para manter identificado cada score com seu grupo de referência, se experimental ou de controle. A identificação foi feita utilizando as seguintes siglas: E-S1 = Grupo experimental sem BSC primeira fase E-C2 = Grupo Experimental com BSC segunda fase C-S1 = Grupo de Controle sem BSC primeira fase C-S2 = Grupo de Controle sem BSC segunda fase Focando na amostra com menor número de empresas n1, o valor da estatística U é dado pelo número de vezes que um score na amostra com n2 59 empresas precede um score na amostra com n1 empresas na classificação ascendente. Os scores observados para os dois grupos na 1ª fase são mostrados na Tabela 5. Tabela 5: EVA identificados por seu grupo em ordem ascendente na primeira fase sem BSC. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 -397,53% -268,24% -113,51% -110,76% -99,97% -97,27% -76,53% -54,67% -21,24% C-S1 C-S1 E-S1 C-S1 C-S1 C-S1 E-S1 C-S1 E-S1 1 1 1 2 Fonte: o autor A estatística U para os dois grupos na primeira fase, portanto, é igual ao número de scores identificados com a inicial E (experimental) que precedem cada score no grupo de controle, identificados com a inicial C. Vê-se que nenhum score E precede o score C (-337,21) assim como o score C (-268,24). No quarto item encontramos o primeiro score C (-110,76) precedido de um E (-113,51), e o mesmo é seguido de dois scores C que somam 1 ponto cada um na estatística U. No oitavo item o score C (-54,67) é precedido de dois scores E (-113,51 e -76,53). Sendo assim, temos a estatística U= 1+1+1+2= 5 na primeira fase da comparação entre os dois grupos. Os scores observados para os dois grupos na 2ª fase foram os seguintes: Tabela 6: EVA identificados por seu grupo em ordem ascendente na segunda fase com BSC. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 -337,21% -329,51% -108,82% -47,54% -43,92% 23,59% 56,43% 99,52% 288,85% C-S2 C-S2 C-S2 C-S2 C-S2 E-C2 C-S2 E-C2 E-C2 1 Fonte: o autor Para a segunda fase, procedeu-se da mesma maneira, registrando o número de scores identificados com a inicial E (experimental) que precedem cada score no 60 grupo de controle C. Verificou-se que somente no sétimo item foi encontrado um score C (56,43) precedido de um score E (23,59) fazendo com que se obtivesse uma estatística U= 1. Conhecida a distribuição amostral de U, sob Ho para cada uma das fases, podemos determinar a probabilidade associada à ocorrência, sob Ho (vide pág. 56). Como nem n1 nem n2 é superior a 8, utilizou-se a Tábua J constante no Anexo para determinar a probabilidade exata associada à ocorrência, sob Ho, de qualquer U, tão extremo quanto qualquer valor observado. A probabilidade é obtida consultando a Tábua cujo n2 é igual a 6. Com as informações de n1=3 e os valores de U obtidos para as duas fases, U= 5 e U= 1. Assim, encontramos que para U= 5 a probabilidade de ocorrência, sob Ho, é p=0,190 e para U= 1, p=0,024. Como as probabilidades na Tábua J são unilaterais, duplicouse cada um dos valores de p encontrados, passando então para p=0,380 para a primeira fase e p=0,048 para a segunda fase. Considerando o nível de significância como α=0,05, nossa decisão é que para a primeira fase, onde p=0,380, os dados não proporcionam evidência que justifique a rejeição de Ho ao nível de significância fixado, enquanto que para a segunda fase, com o valor de p=0,048, os dados fornecem evidência para justificar a rejeição de Ho no mesmo nível de significância de 5%. 3.5 HIPÓTESE DA PESQUISA H1: As empresas avaliadas obtiveram agregação de valor EVA® superior às demais empresas do setor após implantação do sistema de gestão Balanced 61 Scorecard que se baseia em indicadores multifocais, financeiros e não financeiros que contemplam os ativos intangíveis das corporações. 62 4 RESULTADOS E ANÁLISES A partir das Demonstrações Contábeis e Índices Financeiros disponíveis no banco de dados da Economática, calculou-se o EVA de todas as empresas do setor de papel e celulose presentes na BOVESPA no período de 1994 a 2005, obtendo-se os resultados conforme apresentados nas tabelas 6 e 7. Tabela 7: EVA médio das empresas e dos grupos E e C no período de 1994 a 1999. EVA 31/12/1994 31/12/1995 31/12/1996 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 Aracruz -64.90% -23.91% -63.11% -64.87% -87.94% 2.89% Suzano -113.73% -75.18% -106.32% -111.14% -119.64% -44.51% Bahia Sul -144.81% -95.11% -117.63% -106.18% -103.81% -94.93% Votorantim -120.25% -98.78% -111.13% -72.68% -65.07% 5.59% Klabin -105.90% -49.74% -109.01% -152.16% -165.26% -70.46% Ripasa -135.10% -91.57% -163.69% -161.95% -175.45% -59.19% Irani -106.21% -142.45% -52.53% -83.82% Melhor -512.30% -418.05% -223.03% Melpaper -149.78% -266.19% -299.43% -329.72% -280.01% -290.09% Médias 31/12/1994 Grupo E -107.81% Grupo C -127.76% Fonte: o autor 31/12/1995 -64.73% -101.26% 31/12/1996 -95.69% -170.82% 31/12/1997 -94.06% -228.54% 31/12/1998 -103.80% -192.73% 31/12/1999 -45.52% -120.17% Tabela 8: EVA médio das empresas e dos grupos E e C no período de 2000 a 2005. EVA 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 30/09/2005 Aracruz 91.61% 38.15% -19.04% 263.25% 224.73% 378.57% Suzano 34.84% 24.97% -6.98% 262.97% 105.14% 111.49% Bahia Sul 22.89% -13.24% 21.02% 242.93% -37.10% Votorantim 79.62% 60.77% 39.58% 81.25% 67.19% 33.38% Klabin -47.26% -49.54% -95.15% -75.57% 31.32% -30.66% Ripasa 11.64% -21.39% -39.42% -25.19% -66.65% -85.05% Irani -101.37% -123.08% -100.42% 9.48% -104.88% -225.18% Melhor -436.75% -511.75% -357.93% -224.28% -294.55% -297.55% Melpaper -262.47% -396.42% -249.68% -254.72% -365.01% -381.72% Médias 31/12/2000 Grupo E 49.78% Grupo C -126.10% Fonte: o autor 31/12/2001 16.63% -173.57% 31/12/2002 -1.67% -133.84% 31/12/2003 256.38% -81.51% 31/12/2004 97.59% -122.10% 30/09/2005 245.03% -164.46% 63 400% 300% 200% 100% Aracruz Suzano Bahia Sul Votorantim Klabin Ripasa Irani Melhor Melpaper EVA% 0% -100% -200% -300% -400% -500% -600% 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Anos Gráfico 2: Evolução do EVA das empresas durante o período de 1994 a 2005. Fonte: Banco de dados Economática No Gráfico 2 pode-se verificar que a Bahia Sul teve melhora significativa após 1999, 1 ano após a implantação do BSC, chegando ficar positivo pela primeira vez na série histórica. Entre 2002 e 2003 a empresa obteve um salto na agregação de valor, seguido, entretanto, por uma brusca queda em 2004, que atingiu praticamente todo o setor. A Suzano obteve no mesmo ano da implantação do BSC (2000), o primeiro EVA positivo de sua série histórica e se manteve ao longo de 2001. Depois de 2002, apesar da queda de 2004 manteve o EVA superior a 100%, em outras palavras, o lucro operacional da empresa foi mais de 100% superior ao custo de capital. Os resultados do EVA para a Aracruz, juntamente com as duas empresas do grupo, foram melhores a partir do final de 2002, ano em que foi implantado o BSC. Em 2003 e 2004 manteve o EVA superior a 200% e em 2005 ultrapassou os 300%. 64 Estes resultados mostram a força de uma empresa que é líder mundial em tecnologia de produção de celulose. 300% 200% EVA % 100% 0% -100% -200% -300% 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Anos Sem o BSC Com o BSC após 1998 Gráfico 3: Evolução do EVA médio dos dois grupos utilizados na análise estatística. Fonte: Banco de dados Economática. O Gráfico 3, representa a evolução comparativa da média dos EVAs das empresas da cada grupo. Pode-se verificar um descolamento dos resultados do grupo experimental, formado pelas empresas que implantaram o BSC, em relação ao grupo de controle a partir de 1999. A fim de verificar se estatisticamente as duas amostras podem ser consideradas diferentes e confirmar a hipótese de pesquisa H1, os resultados foram analisados pela aplicação dos procedimentos estatísticos para as duas amostras independentes para as duas fases consideradas. Todos os cálculos estatísticos foram realizados através da consulta da tabela estatística própria para o teste e também através do software estatístico Biostat 65 (AYRES, et al., 2003) trazendo maior confiabilidade aos resultados, apresentados resultados semelhantes. Pela tábua J (MANN e WHITNEY apud SIEGEL, 1979, p. 302) os resultados foram os seguintes: Probabilidade de ocorrência, sob Ho ,na primeira fase = 0,380; Probabilidade de ocorrência, sob Ho ,na segunda fase = 0,048. Através do software Biostat® os resultados são apresentados na Tabela 9, a seguir: Tabela 9. Resultados gerados pela execução do software Biostat® (AYRES et al., 2003) Primeira fase sem BSC n1 = n2 = (p) = Segunda fase com BSC 3 n1 = 3 6 n2 = 6 0,3017 (p) = 0,0389 Fonte: o autor Na primeira fase, o teste mostrou que as duas amostras de empresas são iguais em termos de criação de valor. O p-value igual a 0,380 mostrou que os dois grupos são estatisticamente semelhantes. Como o nível de significância foi de 5% esta probabilidade mostra que não existem evidências que justifiquem a rejeição de Ho. Sendo assim, os resultados da primeira fase sinalizam que não existem evidências de que as empresas dispostas nos dois grupos sejam de populações diferentes. Até aqui, os resultados representam o que está caracterizado na própria classificação da BOVESPA, isto é, que todas estas empresas fazem parte do setor industrial, sofrendo pressões econômicas semelhantes e reagindo de formas semelhantes. A importância desta fase está no fato de mostrar que, apesar das particularidades das empresas pesquisadas, elas passaram por um teste estatístico 66 confirmaram uma identidade comum. O valor de p-value igual a 0,380 pode ser questionado, pois um pesquisador pode ser mais exigente e requerer um nível de significância maior ou igual a 38%, o que neste caso, traria evidência da diferença entre os dois grupos. Entretanto, este p-value mostra-se estatisticamente robusto para evidenciar que na primeira fase, todas as empresas apresentaram comportamentos semelhantes no que diz respeito à agregação de valor, representado em termos de EVA, mesmo que consideradas as diferenças de oportunidade de mercado ou qualquer outro de diferenciação. Dada a grande sensibilidade do EVA de refletir o desempenho operacional das empresas, as semelhanças ou as diferenças passam a ter maior significância estatística. Na segunda fase, o p-value igual a 0,048 mostrou que os dois grupos são estatisticamente diferentes, uma vez que se estabeleceu que o nível de significância mínimo para se rejeitar Ho foi de 5%. Deveríamos, portanto, obter uma probabilidade superior a 5% para evidenciarmos a relação de identidade entre as empresas dos dois grupos, no que diz respeito à agregação de valor representado pelo EVA das empresas. Houve, portanto, uma reversão da situação anterior. O p-value igual a 0,048 quer dizer que existem evidências para se rejeitar Ho ou ainda que a probabilidade de se concluir que no período após a implantação do BSC os dois grupos sejam iguais é de apenas 4,8%. Tal resultado sinaliza que, os dados analisados na segunda fase, dão evidência de que empresas que implantaram o BSC do grupo experimental e o as 67 demais empresas do grupo de controle, tornaram-se estatisticamente diferenciadas no nível de significância estabelecido. Tendo em vista que as mesmas empresas foram analisadas na primeira fase e apresentaram resultado completamente diverso, existem evidências de que a hipótese da pesquisa pode ser válida. Os estudos de Rhyne (1986) mostraram que as empresas com sistemas de planejamento com maior contemplação das variáveis do ambiente e focados no longo prazo foram as que apresentaram performance financeira de longo prazo superior às demais tanto em termos relativos como absolutos. A categoria planejamento estratégico obteve em termos estatísticos retornos significativamente mais altos que as outras categorias de planejamentos. Considerando que o BSC é um sistema de planejamento estratégico posicionado no mais alto nível do continuum proposto por Rhyne (1986) pode-se fazer algumas correlações entre os resultados encontrados aqui com os resultados de suas pesquisas. Os resultados confirmam a relação positiva entre performance financeira, mais especificamente, e o retorno para os acionistas com os sistemas de planejamento posicionados nos níveis mais altos da classificação já que o EVA é uma medida estritamente relacionada com o aumento da riqueza dos investidores. As características do BSC de ser um sistema com medições múltiplas de desempenho empresarial contemplando os impulsionadores de rentabilidade de longo prazo que são compostos em sua maioria de ativos intangíveis corrobora com as pesquisas de Rhyne no sentido de que consideram as relações com o ambiente externo e a perspectiva de longo prazo. 68 De forma semelhante a maneira do BSC trabalha a cadeia de valor, enfocando as quatro perspectivas e suas relações de causa e efeito, corrobora os pressupostos de Heskett (1994) e Porter (1993) de que a melhoria da eficiência das atividades que compõem a cadeia, promovem a criação de valor e conseqüentemente impactam positivamente os resultados financeiros. A sustentação de vários estudiosos citados por Rhyne (1986) de que o principal objetivo das organizações amplamente planejadas é alcançar um nível competitivo de congruência ou alinhamento entre o seu ambiente e suas capacidades internas ganha força com as evidências apontadas por esta pesquisa uma vez que o BSC tem como base construir a estratégia a partir da definição da visão holística da organização. Os resultados das empresas que implantaram o BSC podem ter fundamento nos pressupostos de Porter (1993). Quando as ligações fortalecem as atividades dentro da cadeia de valor e criam maior interdependência entre uma empresa, seus fornecedores e canais de distribuição ocorrem criação de valor. A vantagem competitiva se dá em função da competência com que a empresa administra todo esse sistema. O BSC, como guia estratégico para alinhar os esforços de todas as áreas da empresa pode ser um fator significativo para gerar sinergia e fortalecer a cadeia como um todo. Assim sendo, os dados analisados deixam evidências de que um sistema de planejamento estratégico posicionado no mais alto nível do continuum como o BSC, sustentado pelos pressupostos de Heskett (1994) e Porter (1993) poderia aumentar a vantagem competitiva por ser um elemento de integração e consolidação da estratégia. 69 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A intenção deste estudo foi avaliar o impacto nos resultados do EVA nas três indústrias de papel e celulose que implantaram o Balanced Scorecard, comparandoas com as demais empresas de capital aberto do setor. Como observado na discussão dos resultados, o BSC é um sistema de planejamento estratégico posicionado no mais alto nível do continuum proposto por Rhyne (1986) e analisado por outra metodologia, foram obtidas evidências semelhantes às encontradas por ele. O resultados estatísticos da primeira fase deram evidências de que as empresas dos dois grupos pertenciam à mesma população antes da implantação do Balanced Scorecard, apesar das particularidades das empresas pesquisadas, todas as empresas apresentaram comportamentos semelhantes no que diz respeito à agregação de valor, representado em termos de EVA, mesmo que consideradas as diferenças de oportunidade de mercado ou qualquer outro fator de diferenciação, com p-value igual a 0,380. Já os resultados subseqüentes, da segunda fase, com p-value igual a 0,048 mostraram evidências que os dois grupos são estatisticamente diferentes, uma vez que estabelecemos que o nível de significância mínimo de 5% para se rejeitar Ho. Este resultado sinaliza que os dados analisados na segunda fase dão evidência de que empresas que implantaram o BSC do grupo experimental e o das demais empresas do grupo de controle, tornaram-se estatisticamente diferenciadas no nível de significância estabelecido. Pode-se observar que a diferença entre o p-value encontrado e o nível de significância foi muito pequena. Entretanto, se utilizado um 70 nível de significância de 10%, por exemplo, ainda assim poderíamos considerar um resultado expressivo para a pesquisa. Evidentemente os resultados encontrados não podem ser generalizados para outros setores, dado o pequeno tamanho da amostra. Considerando que foram incluídas todas as empresas do setor com ações na BOVESPA, e que há uma especificidade do setor estudado, os resultados serão válidos apenas para a população analisada. A homogeneidade da população é um ponto importante para a pesquisa, pois garante maior confiabilidade dos resultados, frente à metodologia estatística escolhida, colocando todas as empresas sob as mesmas condições em termos de concorrência, legislação governamental para o setor e desenvolvimento tecnológico. A maturidade do setor de papel e celulose explicada na justificativa desse trabalho, caracterizada pelo baixo nível de mudanças tecnológicas que a atividade está sujeita, colaboraram a favor de uma comparação estatística com resultados mais confiáveis. Quanto à metodologia estatística, o teste se mostrou robusto para este tipo de análise e poderá ser aplicado em outros estudos que busquem medir o impacto de sistemas de gestão estratégica em outros segmentos de mercado, o que certamente, trará uma grande contribuição para reforçar os pressupostos desta e outras pesquisas, já que havendo semelhança confirmada estatisticamente de um número maior de empresas na primeira fase, maior evidência trará quando houver diferenciação numa segunda fase pela inclusão de um fator que tenha impacto sobre os resultados das empresas. 71 Por outro lado, amostras maiores também permitirão atender aos pressupostos de normalidade e utilizar a estatística de teste T. A utilização da TJLP para o cálculo do custo médio ponderado de capital reduziu a incerteza no cálculo do EVA, pelo fato de utilizar o mesmo critério para todas as empresas, mas, possui limitações inerentes ao caráter confidencial dessas informações. Outras taxas para mensuração do capital próprio poderiam ser utilizadas, mas, considerando-se um único índice para se aplicar em todas as empresas estudadas, esta representa um forte indicador, já que as empresas estudadas são obrigadas pela lei nº 9.249/95, a cumprirem sua determinação de remunerarem o capital próprio em no máximo igual a TJLP. Entretanto, caso outros pesquisadores tenham acesso a estas taxas e se confirme que empresas tenham pago uma remuneração menor a seus sócios, a aplicação destas taxas nos cálculos do EVA será de grande valia. Pode-se também, desconsiderar as obrigações legais e utilizar-se de outros critérios para avaliação do capital próprio pautando-se em índices de mercado. Os fabricantes brasileiros apontam basicamente três fatores que os impedem de crescer e aumentar a sua competitividade internacional: custo do capital, custos portuários e carga tributária. A indústria de papel e celulose se caracteriza pela presença de economias de escalas significativas, em função do próprio processo de produção com um produto praticamente homogêneo. A flutuação entre oferta e demanda faz com que haja significativas variações dos preços internacionais, pelo fato do ser o produto uma commodity industrial. Como a produção de celulose e a produção de papel estão integradas, os investimentos nesse setor também se direcionam para a integração da cadeia produtiva, tornando as empresas auto- 72 suficientes em matérias primas. Isso torna o setor intensivo em capital com longo prazo de maturação. Esta condição econômica favorece o tipo de pesquisa realizada, mas não garante que seus resultados possam ser conclusivos ou mesmo inferidos para outros setores, mesmo em setores economicamente maduros. Apesar dessa condição de commodity industrial, um estudo diferenciando o impacto financeiro dos diferentes produtos resultantes desse processo industrial é uma sugestão para trabalhos posteriores, preferencialmente em setores igualmente maduros, mas com um número maior de empresas a fim de garantir maior representatividade nas amostras dos dados. O número reduzido das empresas de papel e celulose restringiu uma abordagem separando-se grupos estratégicos distintos, o que pode ser considerado uma limitação da pesquisa. Como foi salientado no início deste estudo, o tema sobre medições de desempenho empresarial tem sido discutido largamente por profissionais e acadêmicos, tendo por objetivo responder questões que são relevantes para a confirmação dos pressupostos da Teoria da Organização Industrial e contribuir para o conhecimento da aplicabilidade de ferramentas de planejamento estratégico que melhorem a eficiência da gestão das empresas. Finalmente, esta pesquisa traz uma contribuição no sentido de deixar evidências de que o planejamento estratégico com contemplação de variáveis externas e internas em uma perspectiva de tempo mais dilatado tem força para alterar a performance das empresas. O BSC considera essas variáveis citadas e inclui múltiplas medições financeiras e não-financeiras destacando-se dentro da classificação proposta por Rhyne (1986) e reforça as evidências de que pode 73 produzir resultados diferenciados em termos de agregação de valor para as empresas. 74 6 REFERÊNCIAS ABERNETHY, A. 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Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% Data 1994 1,199323 154609 26023 1006930 2820918 0,05480804 0 0,2601 0,35695118 0,60040313 0,15616485 -64,90% Data 1995 1,120873 398641 31037 1580506 4035908 0,09877356 0,025331 0,21189552 0,39161101 0,56581443 0,12981344 -23,91% Data 1996 1,292973 189000 102000 1353000 3727000 0,05071103 0,12365115 0,14970941 0,36302656 0,61845989 0,13747792 -63,11% Data 1997 1,189172 122863 65914 1547934 3918327 0,03135598 0,08294359 0,09687724 0,39504972 0,5832257 0,08926814 -64,87% Data 1998 0,7042123 53044 62796 1875552 4110761 0,01290369 0,10643624 0,11076547 0,45625421 0,52780568 0,10702463 -87,94% Data 1999 3,463955 1008141 148363 1549281 3785205 0,26633723 0,45943931 0,12477209 0,4092991 0,56755737 0,25886342 2,89% Data 2000 2,316575 830636 227482 1138076 3711595 0,22379489 0,16408122 0,10251381 0,3066272 0,64857238 0,11679939 91,61% Data 2001 3,350668 703213 391785 2108049 4747903 0,14811023 0,13612293 0,09109481 0,4439958 0,51344836 0,10721049 38,15% Data 2002 6,004815 788785 429188 2971937 5503711 0,14331875 0,25801624 0,09454187 0,53998784 0,39875786 0,17702494 -19,04% Data 2003 9,91123 1495859 692979 4082611 7309355 0,20464993 0,02753459 0,10934032 0,558546 0,37460706 0,05633899 263,25% Data 2004 10,12 1241274 488169 4328284 8386068 0,14801621 0,01362711 0,09396976 0,51612794 0,41021132 0,04558079 224,73% Fechamento 2005 9,55 987353 263544 3989950 9042144 0,109194567 -0,04791464 0,0925 0,441261497 0,475241491 0,022816954 378,57% 82 APÊNDICE B – DADOS DA BAHIA SUL Dados para cálculo do EVA da Bahia Sul Datas da cotação das ações Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% Data 1994 17,12669 -122551 26217 814913 1970770 -0,062184324 0 0,2601 0,4134998 0,533578246 0,138783702 -144,81% Data 1995 7,527016 15823 31901 872915 2346219 0,006744042 0,030061232 0,21189552 0,372051799 0,597893036 0,137875191 -95,11% Data 1996 2,64926 -52499 50376 1089031 2333964 -0,02249349 0,116136914 0,14970941 0,466601456 0,490409449 0,127608563 -117,63% Data 1997 4,207649 -13489 61331 997970 2075057 -0,00650054 0,125468601 0,09687724 0,480936186 0,463331851 0,105228701 -106,18% Data 1998 1,262295 -8962 43866 979466 2093424 -0,00428102 0,116668572 0,11076547 0,467877506 0,521371686 0,112336581 -103,81% Data 1999 4,597083 21185 59734 1037222 2288553 0,009256941 0,255568143 0,12477209 0,453221752 0,536018611 0,182709204 -94,93% Data 2000 3,83015 310224 56554 862633 2356734 0,131633014 0,125477463 0,10251381 0,366029005 0,59689214 0,107118078 22,89% Data 2001 4,069971 251292 70996 1335807 2907675 0,086423689 0,114675623 0,09109481 0,459407258 0,515176903 0,099612756 -13,24% Data Data 2002 2003 4,745584 11,45712 679744 529966 114910 128346 1502728 1218358 3298842 3275132 0,206055337 0,161815157 0,271467491 -0,048986176 0,09454187 0,10934032 0,455531972 0,372002716 0,492889323 0,598212225 0,1702608 0,047185725 21,02% 242,93% 83 APÊNDICE C – DADOS DA KLABIN Dados para cálculo do EVA da Klabin Datas da cotação das ações Data Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% 1994 0,7619362 -15199 78777 671860 1992375 -0,00762858 0,00947072 0,2601 0,33721563 0,48496593 0,12933331 -105,90% Data 1995 0,6848764 153027 125643 819100 2555589 0,05987935 0,05051178 0,21189552 0,3205132 0,48583712 0,1191364 -49,74% Data 1996 0,7715281 -25516 78910 968154 2619524 -0,0097407 0,09838208 0,14970941 0,36959157 0,47899046 0,10807057 -109,01% Data Data 1997 1998 0,4158956 0,1883897 -119301 -186700 101845 123331 1173669 1185464 2741011 2655270 -0,04352445 -0,070313 0,09350498 0,1306232 0,09687724 0,11076547 0,42818836 0,44645705 0,44797887 0,44627401 0,0834367 0,1077494 -152,16% -165,26% Data 1999 1,241194 161430 205493 1484477 2983873 0,05410083 0,28268791 0,12477209 0,49750006 0,34087275 0,18316866 -70,46% Data 2000 1,249934 216173 291437 2511469 4065082 0,05317802 0,11305829 0,10251381 0,61781509 0,30217152 0,10082587 -47,26% Data 2001 0,8629994 70867 310901 2410722 4124011 0,017184 0,0095848 0,09109481 0,58455761 0,31231076 0,03405276 -49,54% Data 2002 0,9334731 39927 413269 2376702 4332658 0,00921536 0,30355947 0,09454187 0,54855518 0,25009267 0,19016335 -95,15% Data 2003 3,494109 131467 287466 1234497 3537432 0,03716453 0,27493765 0,10934032 0,34898113 0,51384762 0,15213231 -75,57% Data 2004 5,4 472971 341299 1308870 4026853 0,11745425 0,1238615 0,09396976 0,32503546 0,52336427 0,08943979 31,32% Data 2005 5,4 258213 335437 1521352 4376719 0,0589969 0,1055223 0,0925 0,347601 0,5232264 0,0850781 -30,66% 84 APÊNDICE D – DADOS DA VOTARANTIM Dados para cálculo do EVA da Votorantim Datas da cotação das ações Data Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% 1994 5,539257 -30765 39834 159737 798811 -0,03851349 0,01015356 0,2601 0,19996845 0,72327872 0,19015519 -120,25% Data 1995 3,169765 5328 57110 374117 2532166 0,00210413 0,05305239 0,21189552 0,14774584 0,77923248 0,17295414 -98,78% Data 1996 3,059449 -37960 71198 673599 2666176 -0,01423762 0,08659187 0,14970941 0,25264611 0,70855712 0,12795477 -111,13% Data 1997 3,575472 78150 55001 888657 2874402 0,02718826 0,11540594 0,09687724 0,30916239 0,65902821 0,09952401 -72,68% Data 1998 2,189251 130521 55842 1045106 2993484 0,0436017 0,1609254 0,11076547 0,34912697 0,61981156 0,12483712 -65,07% Data 1999 13,97752 751953 115719 1074970 3173456 0,23695082 0,43199931 0,12477209 0,33873796 0,6256318 0,22439595 5,59% Data 2000 9,970048 800068 108693 887213 3378238 0,23682997 0,23416913 0,10251381 0,26262596 0,68628853 0,13185295 79,62% Data 2001 14,64509 775431 199210 2258503 5060165 0,15324224 0,10859733 0,09109481 0,44632991 0,51424015 0,09531485 60,77% Data 2002 22,35633 1736536 309870 3802979 7035285 0,24683236 0,25763934 0,09454187 0,54055792 0,39744388 0,17684407 39,58% Data 2003 34,96914 999086 276781 3678836 7672314 0,13021964 0,04834934 0,10934032 0,47949497 0,44506612 0,07184694 81,25% Data 2004 43,3 1103872 306383 2834237 7343797 0,15031352 0,10308429 0,09396976 0,38593619 0,53338729 0,08990623 67,19% Data 2005 39,4 873890 392268 3765136 8907107 0,0981115 0,0668666 0,0925 0,4227114 0,489673 0,07356 33,38% 85 APÊNDICE E – DADOS DA RIPASA Dados para cálculo do EVA da Ripasa Datas da cotação das ações Data Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% 1994 0,8611903 -55601 31587 138756 762006 -0,07296662 0,11886621 0,2601 0,18209305 0,71601405 0,20787997 -135,10% Data 1995 0,6053761 13974 63406 133705 909406 0,01536607 0,14961221 0,21189552 0,14702454 0,75613093 0,18221742 -91,57% Data Data Data 1996 0,2310356 -82274 36606 202789 925645 -0,08888289 0,1640947 0,14970941 0,21907859 0,69210659 0,1395645 -163,69% 1997 0,2590399 -59109 47312 303810 944298 -0,06259571 0,11995688 0,09687724 0,32173106 0,64467255 0,10104795 -161,95% 1998 0,08401292 -80952 78595 186557 867432 -0,09332374 0,24308281 0,11076547 0,21506816 0,6447687 0,12369748 -175,45% Data 1999 0,9661486 56660 73889 186978 980189 0,05780518 0,33390185 0,12477209 0,19075709 0,62471829 0,14164155 -59,19% Data 2000 0,7892096 125390 69411 155282 1019957 0,12293656 0,20639095 0,10251381 0,15224367 0,76764413 0,11011584 11,64% Data 2001 1,090605 112619 89681 408401 1360093 0,08280243 0,15989922 0,09109481 0,30027432 0,62916139 0,10532697 -21,39% Data 2002 1,32756 101084 143525 878288 1929076 0,05240022 0,09113753 0,09454187 0,45528948 0,47597814 0,08649382 -39,42% Data 2003 3,097676 168614 133371 833066 1988338 0,08480148 0,13885454 0,10934032 0,41897605 0,504716 0,11336254 -25,19% Data 2004 4,16 67026 175343 750665 2022220 0,033144762 0,13540181 0,09396976 0,371208375 0,522693377 0,099379657 -66,65% Data 2005 4,25 24220 141723 681186 2031877 0,01192001 0,088737 0,0925 0,33524962 0,54037326 0,07973357 -85,05% 86 APÊNDICE F – DADOS DA IRANI Dados para cálculo do EVA da Irani Datas da cotação das ações Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% Data Data Data Data Data Data Data Data Data Data 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 0,0424576 0,0249701 0,01498 0,0824177 0,0772023 0,1299445 0,0764379 0,2786468 0,62001 0,62 -757 -3849 4183 2839 -219 -5154 -145 19316 -952 -19170 6268 8133 13581 21321 29536 34195 25558 27783 33946 37009 5821 6934 7280 12239 23813 35737 30881 21333 38726 53916 79276 82652 87284 105159 124802 125439 142843 145389 178435 197177 -0,0095489 -0,0465687 0,047924 0,0269972 -0,0017548 -0,0410877 -0,0010151 0,1328574 -0,0053353 -0,0972223 0,6521388 0,5098067 0,3267308 0,7391208 0,3496032 0,4360775 0,890975 0,4196456 0,2794866 0,1228856 0,1497094 0,0968772 0,1107655 0,1247721 0,1025138 0,0910948 0,0945419 0,1093403 0,0939698 0,0925 0,073427 0,0838939 0,0834059 0,1163857 0,1908062 0,2848954 0,2161884 0,1467305 0,2170314 0,2734396 0,70773 0,6909331 0,6654713 0,6476669 0,6013445 0,5900557 0,4900905 0,5467539 0,5179757 0,4763436 0,1538384 0,1097054 0,1009625 0,1668338 0,1283526 0,1779875 0,2389525 0,1213571 0,1093314 0,0776636 -106,21% -142,45% -52,53% -83,82% -101,37% -123,08% -100,42% 9,48% -104,88% -225,18% 87 APÊNDICE G – DADOS DA MELHORAMENTOS Dados para cálculo do EVA da Melhoramentos Datas da cotação das ações Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% Data Data Data Data Data Data Data Data Data 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2 2 2 4 3,1 -79146 -93393 -19292 -82551 -93664 -65884 -70246 -91685 -67436 63747 97576 36341 65980 78993 92464 90806 111978 136996 36028 30384 33788 52288 49781 70491 70478 74361 77700 205271 323691 182434 351812 347734 345440 800402 805765 788448 -0,3855683 -0,2885252 -0,1057478 -0,2346452 -0,2693553 -0,1907249 -0,0877634 -0,1137863 -0,0855301 0,4865494 0,8479989 0,4608796 0,6054716 0,5948052 0,472744 0,4671103 0,3562929 0,1978378 0,0968772 0,1107655 0,1247721 0,1025138 0,0910948 0,0945419 0,1093403 0,0939698 0,0925 0,1755143 0,0938673 0,1852067 0,1486248 0,1431583 0,2040615 0,0880533 0,0922862 0,098548 0,0838112 0,1003673 0,0047469 -0,198103 -0,216634 -0,2382556 0,2696545 0,2724814 0,257289 0,0935158 0,0907166 0,0859503 0,0696798 0,0654171 0,0739437 0,0706147 0,0584859 0,0432958 -512,30% -418,05% -223,03% -436,75% -511,75% -357,93% -224,28% -294,55% -297,55% 88 APÊNDICE H – DADOS DA MELPAPER Dados para cálculo do EVA da Melpaper Datas da cotação das ações Data Data Data Data Data Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% 1994 0,1301206 -13077 7326 14636 134163 -0,09747099 0,03711397 0,2601 0,10909118 0,73724499 0,19580623 -149,78% 1995 0,01387952 -51806 28592 23283 140840 -0,36783584 0,48497616 0,21189552 0,16531525 0,66616728 0,22133182 -266,19% 1996 0,01173913 -46322 24081 8290 141363 -0,32768122 1,29360676 0,14970941 0,05864335 0,59076986 0,16430524 -299,43% 1997 0,00652391 -35223 33957 5190 140427 -0,25082783 1,55861272 0,09687724 0,0369587 0,53247595 0,10918911 -329,72% 1998 0,021 -45329 62409 5303 177145 -0,25588642 2,68027532 0,11076547 0,02993593 0,5589884 0,14215314 -280,01% Data 1999 0,021 -53091 79421 13819 184246 -0,2881528 1,39164194 0,12477209 0,07500299 0,3784017 0,15159127 -290,09% Data 2000 0,01499 -39432 34920 22353 247137 -0,15955523 0,77828927 0,10251381 0,09044781 0,27128273 0,09820478 -262,47% Data 2001 0,006 -73142 54389 21298 248096 -0,2948133 0,91074279 0,09109481 0,0858458 0,23354669 0,09945834 -396,42% Data 2002 -44794 67668 27306 251812 -0,17788668 0,88954808 0,09454187 0,10843804 0,23672422 0,1188412 -249,68% Data Data 2003 0,0035 -53228 75059 30794 263671 -0,20187279 0,88799117 0,10934032 0,11678948 0,24477853 0,13047219 -254,72% 2004 0,0049 -74941 97132 40193 272555 -0,27495735 0,547070385 0,09396976 0,147467484 0,245601805 0,103754236 -365,01% 89 APÊNDICE I – DADOS DA SUZANO Dados para cálculo do EVA da Suzano Datas da cotação das ações COTAÇÃO PNA Preço da ação LLOpDIR Passivo de Funcionamento Passivo de Financiamento Investimento ROI Custo Cap. Terceiros Custo Cap. Próprio = TJLP %Cap.Terceiros %Cap.Próprio CMePC EVA% Data 1994 3,25225 -45148 63020 963646 3047197 -0,0148162 0,014603 0,2601 0,3162401 0,397231 0,1079378 -113,73% Data Data Data Data Data Data Data Data Data Data Data 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2,810036 1,603524 1,191978 0,3301483 3,301483 3,868455 3,780904 4,547432 11,87932 13,73 13 92508 -25975 -30618 -61201 311705 459390 702799 1146373 679443 732595 391566 102548 173049 136260 170065 195689 207971 180225 227043 292031 272305 286374 1129293 1984173 1223369 1451279 1350528 1281076 2394087 3250444 2977815 2226794 2730325 3713803 4898371 3186933 3242578 3260553 3733753 4734779 5995398 5706461 5719544 6679267 0,0249092 -0,0053028 -0,0096074 -0,0188742 0,0955988 0,1230371 0,1484333 0,1912088 0,1190656 0,1280863 0,0586241 0,0416011 0,0981506 0,112563 0,110436 0,2828325 0,1179455 0,1860754 0,328118 -0,0222836 0,0444841 -0,0423257 0,2118955 0,1497094 0,0968772 0,1107655 0,1247721 0,1025138 0,0910948 0,0945419 0,1093403 0,0939698 0,0925 0,3040799 0,4050679 0,3838703 0,4475695 0,4142021 0,3431068 0,5056386 0,5421565 0,5218322 0,3893307 0,4087761 0,4139686 0,2945034 0,4441876 0,4212013 0,4419508 0,4953164 0,2710458 0,2927177 0,4063627 0,4801538 0,48672 0,1003682 0,0838476 0,0862413 0,0960823 0,1722929 0,0912447 0,1187778 0,2055654 0,0328035 0,062439 0,0277199 -75,18% -106,32% -111,14% -119,64% -44,51% 34,84% 24,97% -6,98% 262,97% 105,14% 111,49% 90 APÊNDICE J – EVA DAS EMPRESAS EVA de todas empresas estudadas (em percentual) EVA 31/12/1994 31/12/1995 Aracruz -64.90% -23.91% Suzano -113.73% -75.18% Bahia Sul -144.81% -95.11% Votorantim -120.25% -98.78% Klabin -105.90% -49.74% Ripasa -135.10% -91.57% Irani Melhor Melpaper -149.78% -266.19% Médias Grupo E Grupo C 31/12/1994 -107.81% -127.76% 31/12/1995 -64.73% -101.26% 31/12/1996 -63.11% -106.32% -117.63% -111.13% -109.01% -163.69% -106.21% -299.43% 31/12/1996 -95.69% -170.82% 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 30/09/2005 -64.87% -87.94% 2.89% 91.61% 38.15% -19.04% 263.25% 224.73% 378.57% -111.14% -119.64% -44.51% 34.84% 24.97% -6.98% 262.97% 105.14% 111.49% -106.18% -103.81% -94.93% 22.89% -13.24% 21.02% 242.93% -37.10% -72.68% -65.07% 5.59% 79.62% 60.77% 39.58% 81.25% 67.19% 33.38% -152.16% -165.26% -70.46% -47.26% -49.54% -95.15% -75.57% 31.32% -30.66% -161.95% -175.45% -59.19% 11.64% -21.39% -39.42% -25.19% -66.65% -85.05% -142.45% -52.53% -83.82% -101.37% -123.08% -100.42% 9.48% -104.88% -225.18% -512.30% -418.05% -223.03% -436.75% -511.75% -357.93% -224.28% -294.55% -297.55% -329.72% -280.01% -290.09% -262.47% -396.42% -249.68% -254.72% -365.01% -381.72% 31/12/1997 -94.06% -228.54% 31/12/1998 -103.80% -192.73% 31/12/1999 -45.52% -120.17% 31/12/2000 49.78% -126.10% 31/12/2001 16.63% -173.57% 31/12/2002 -1.67% -133.84% 31/12/2003 256.38% -81.51% 31/12/2004 30/09/2005 97.59% 245.03% -122.10% -164.46% 91 ANEXO A – CRONOLOGIA DE ESTUDOS ANTERIORES Fonte: Fonte: Rhyne, 1996. 1986 Prior studies on relationship between planning and performance. 92 ANEXO B – TABELA ESTATÍSTICA DA PROVA DE MANNWHITNEY Tábua J - Probabilidades associadas a valores tão pequenos quanto os valores observados de U na prova de Mann-Whitney U \ n1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 1 0,143 0,286 0,428 0,571 2 0,036 0,071 0,143 0,214 0,321 0,429 0,571 n2 =6 3 0,012 0,024 0,048 0,083 0,131 0,190 0,274 0,357 0,452 0,548 4 0,005 0,010 0,019 0,033 0,057 0,086 0,129 0,176 0,238 0,305 0,381 0,457 0,545 5 0,002 0,004 0,009 0,015 0,026 0,041 0,063 0,089 0,123 0,165 0,214 0,268 0,331 0,396 0,465 0,535 6 0,001 0,002 0,004 0,008 0,013 0,021 0,032 0,047 0,066 0,090 0,120 0,155 0,197 0,242 0,294 0,350 0,409 0,469 0,531