Anais do Encontro Nacional de Recreação e Lazer
* Especialista em Recreação e Lazer (FMU).
** Doutora em Educação (USP). Membro do Grupo Interdisciplinar de Estudos do
Lazer (Giel) – USP/CNPq.
*** Especialista em Educação Física Escolar (FMU). Membro do Laboratório dos
Estudos de Lazer (LEL) – UNESP/Rio Claro.
**** Especialista em Organização de Eventos Esportivos – Pitágoras. Membro do
Grupo Interdisciplinar de Estudos do Lazer (Giel) – USP/CNPq.
Resumo
A contribuição das
atividades lúdicas
na integração e
produtividade dos
colaboradores de uma
empresa privada do
município de Campo
Grande (MS) Renato Reis Morais
Lima,* Michele Custódio Zanardi,* Roselene
Crepaldi,** Tiago Aquino da Costa e Silva,***
Alipio Rodrigues Pines Junior****
O mundo corporativo está competitivo, e a procura por profissionais qualificados cresce diariamente, assim como a cobrança pelo desempenho. Portanto
o colaborador passa por tensão e estresse que dificultam o bom convívio social com os demais colegas. O presente trabalho teve por objetivo observar a
contribuição das atividades lúdicas na produtividade coletiva, bem como na
integração dos colaboradores. Como procedimento metodológico, utilizouse uma pesquisa de campo, de caráter experimental e quantitativo-descritiva, com aplicação de um protocolo investigativo, seguido de intervenção e
reaplicação do protocolo. As intervenções aconteceram numa empresa privada de Campo Grande e contaram com a participação de 40 colaboradores
de 18 a 50 anos e de diferentes setores. As ações aconteceram durante um
mês, com duração de 1 hora semanal. Após a intervenção lúdica, 95% dos
relataram que o relacionamento interpessoal tornou-se mais eficaz e dinâmico, e 92,5% afirmaram que tiveram aumento de rendimento no trabalho.
Continuando, 97,5% melhoraram a sensação de bem-estar físico e mental. E
por fim, 90% afirmaram que houve uma melhora na integração entre líderes
e liderados. Os resultados evidenciam que as intervenções lúdicas atuam
de forma positiva na integração dos colaboradores, bem como na melhora e
aumento da produtividade da empresa.
Palavras-chave: Empresa. Atividades lúdicas. Integração.
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Introdução
Atualmente, o mundo corporativo vem apresentado cada vez mais competitividade, exigindo melhores resultados expressivos dos colaboradores. Com isso,
o ambiente de trabalho torna-se mais estressante, diminuindo o desempenho
profissional e contribuindo para uma baixa qualidade de vida do profissional.
Para Zanardi et al. (2013), ao discorrer sobre o mundo corporativo não se pode
desprezar que o mercado está cada vez mais competitivo, e a procura por profissionais qualificados cresce diariamente, logo, a cobrança pelo desempenho e
metas também aumenta. Na compleição destas exigências o colaborador passa
por tensão e momentos estressantes, e muitas vezes, diante da sobrecarga diária, não consegue ter um convívio social com os colegas de trabalho.
São cada vez mais frequentes as pesquisas referentes à utilização das atividades lúdicas em ambiente corporativo. Observa-se que as propostas lúdicas são
meio para diversos objetivos, como a diversão e a descontração, bem como a
promoção de um ambiente mais harmonioso e menos estressante, buscando o
desenvolvimento da socialização e o relacionamento interpessoal, entre outras.
Os escopos dessas vivências lúdicas podem ser determinados e estipulados
segundo as necessidades da empresa e de seus colaboradores (ZANARDI et
al., 2013).
Dessa forma, os colaboradores buscam alternativas para alcançar a meta dada
pela empresa. Justifica-se o presente estudo por criar novas alternativas e indicadores que contribuam de maneira eficaz no ambiente corporativo, tendo
referenciais teóricos que convençam os gestores a utilizarem as atividades lúdi-
A pesquisa utilizou o método de procedimento descritivo com estudo exploratório,
que tem por objetivo ampliar as hipóteses e a familiaridade do pesquisador com
o ambiente, a fim de obter novos conceitos do fenômeno estudado segundo
Marconi e Lakatos (2003).
Por fim, tratou-se de uma pesquisa de campo, de caráter experimental, do tipo
quantitativo-descritiva. Quanto ao caráter quantitativo, Callegari-Jacques (2004)
cita que nesse estudo os dados se expressam em valores numéricos, enquanto
que Gressler (2003) acredita que neste tipo de método o pesquisador tem mais
chances de não cometer erros na interpretação dos dados. Triviños (2008) define o estudo descritivo como aquele que tem por foco compreender o modo de
vida da comunidade, analisando seus traços característicos.
A pesquisa contou com a colaboração do Sesc no Mato Grosso do Sul, que forneceu a relação das empresas da cidade a ela associada. Por meio de visita foi
apresentado às empresas uma proposta de realização de intervenção lúdica na
empresa, bem como a autorização para que ao final da ação fosse aplicado um
questionário com o objetivo de observar os indicadores sobre a importância da
ludicidade no ambiente corporativo.
As intervenções aconteceram em uma empresa privada e contou com a participação de 40 colaboradores de diferentes setores, de ambos os gêneros, e com
idades entre 18 e 50 anos.
As intervenções lúdicas basearam-se em dinâmicas e atividades de grupo onde
a finalidade era desenvolver a socialização e a integração do grupo. As ações
aconteceram durante um mês, com carga horária semanal de uma hora. Na
cas como meio interventor da melhora do relacionamento interpessoal entre os
última intervenção foi entregue a todos os participantes o questionário com as
colaboradores e o aumento da produtividade.
questões fechadas, para ser respondido mediante os indicadores contextuali-
O presente trabalho teve por objetivo observar a contribuição das atividades lúdicas na produtividade coletiva, bem como na integração dos colaboradores.
zados.
Depois de efetuada a coleta, os dados foram lançados em planilhas do programa Excel para sua quantificação. Aplicou-se o teste estatístico para realizar o
Procedimentos metodológicos
Foi realizada uma revisão bibliográfica, considerada como o primeiro passo para
uma pesquisa científica, pois faz um levantamento e uma seleção de outros
levantamento do nível de significância do estudo e para obter os dados necessários para conclusão da pesquisa, e os resultados serão apresentados de forma descritiva por meio de figuras com porcentagens encontradas (CALLEGARIJACQUES, 2004).
trabalhos já pesquisados (MATTOS; ROSSETTO JUNIOR; BLECHER, 2008).
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O profissional de educação física como recreador nas
empresas
É de suma importância ressaltar a necessidade de um planejamento na organização das atividades recreativas, para que estas ocorram de forma que tragam
satisfação aos participantes. E para tal sucesso é fundamental a participação
de um recreador, animador e/ou recreacionista qualificado e especializado para
tal. O conhecimento acadêmico para este profissional dará subsídios teóricos e
práticos para uma realização bem-sucedida na empresa, seja na organização de
um evento ou na promoção das atividades lúdicas e recreativas.
Assim como todo profissional, o animador tem a sua função específica, com alvo
certo no atendimento da pessoa. É considerado o técnico que se dedica a ocupar as pessoas que dispõem do tempo livre. O profissional de lazer e recreação
é o técnico que sabe ocupar, assemelha-se ao padre e ao médico. O padre,
pelo exercício do sacerdócio, conserva a saúde espiritual e moral da pessoa. O
médico atende a saúde física, e o técnico de lazer e recreação contribui para
manutenção da saúde social (MARCELLINO,1999).
Ainda de acordo com Marcellino (1999), o bom recreador nesse contexto é aquele
que vive a liderança na condição de participante, que sabe olhar o interesse
de todos, que escuta o desejo comum e que procura, na medida do possível,
aproximar-se de cada um, sem perder a noção de grupo.
Para uma atuação e formação profissional de qualidade, deve-se considerar que
o animador tenha uma bagagem de experiências e conhecimentos, onde nesse
caso, o senso comum não deve ser descartado, mas sim ser visto como parte
fundamental no processo de formação, para Silva e Silva (2013).
Para este estudo, a intervenção deste profissional nos diferentes espaços se apre-
[...] a de facilitar as condições de um envolvimento na vida da cidade, seja por
meio de uma atividade qualquer (esportiva, cultural, ambiental, cívica). Essa elaboração conjunta permite, passo a passo, a cada um construir-se como sujeito,
pensar e agir de maneira mais autônoma (GILLET, 2006, p. 34).
É fundamental que o profissional habilitado para a função de animador e recreador possa convergir os interesses e necessidades dos colaboradores para uma
intervenção dinâmica, criativa e interativa.
A recreação: breves reflexões
A recreação teve sua origem na pré-história, quando o homem primitivo se divertia
festejando o início da temporada da caça ou habitação de uma nova caverna.
Essa manifestação da vida humana se transformou em mudanças primitivas
de caráter de adoração, rituais fúnebres, invocação dos deuses, com aspectos
recreativos de alegria e vencimento de obstáculos (GUERRA, 1996).
A recreação compreende as atividades espontâneas, prazerosas e criadoras que
o indivíduo busca para ocupar seu tempo livre. A recreação tem como objetivo
principal criar as condições necessárias para o desenvolvimento integral das
pessoas, além de promover a participação de forma coletiva e individual em
ações que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas; possui ainda o
caráter educacional, auxiliando na preservação da natureza e na afirmação dos
valores imprescindíveis à convivência social e profissional.
A recreação apresenta, para Silva e Gonçalves (2010), características fundamentais: o participante atua de forma espontânea e livre; a ação deverá sempre buscar o prazer; a atividade proposta deverá estar de acordo com os objetivos e
necessidades do participante; e atua de forma criadora e de paz para quem
participa.
sentará como animação cultural. Para Lopes (2007), a animação sociocultural
A recreação tem a função de propiciar novas vivências, conhecimentos e momen-
é um conjunto de práticas sociais que visa estimular a iniciativa e a participa-
tos de diversão aos participantes, resgatando assim as ações lúdicas pertinen-
ção da população no processo do seu próprio desenvolvimento, e na dinâmica
tes à vida.
global da vida social e política em que estão integradas. Uma animação compreende uma participação comprometida com o processo de transformação da
sociedade, com implicações de ordem econômica, política, cultural e educativa.
Por fim, a função do animador é:
Para o Senac (1998), as atividades recreativas são classificadas em ativa e passiva, sendo que a ativa engloba atividades motoras, intelectuais, artísticas e de
risco; enquanto a passiva diz respeito às atividades sensoriais, ou seja, observase a participação, se esta é emotiva e física, podendo-se exemplificar, assistir ao
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jogo de futebol, situação na qual a pessoa grita, balança os braços, se envolve
emocionalmente; a passiva pode ser também transcendental, que envolve atividades contemplativas, que ajudam a relaxar, tranquilizar e iluminar a mente.
Recreação na empresa
Luckesi (1998) contempla a atividade recreativa como aquela que propicia plenitude de experiência, a pessoa que utiliza da ludicidade no contexto diário permite
um conhecimento amplo e perspicaz.
As atividades lúdicas, na forma de jogos, são apresentadas para o ambiente empresarial e têm por objetivo principal desenvolver melhorias na produção da empresa e promover a qualidade de vida dos colaboradores. As atividades poderão
desenvolver o autoconhecimento, motivação, liderança, socialização, integração, criatividade, entre outras, para Silva e Gonçalves (2010).
As atividades lúdicas na empresa possuem a mesma estrutura do jogo que acontece fora da empresa: tensão, fascinação, ludicidade, regras definidas e competição/cooperação.
Os jogos de empresa têm a simulação como essência, onde os participantes
atuam como executivos de uma empresa, avaliando e analisando cenários hipotéticos de negócios e as possíveis consequências decorrentes das decisões
adotadas, para Marques Filho e Pessoa (2000).
Para Crivelaro (1996), os jogos no ambiente corporativo podem ser utilizados no
desenvolvimento de colaboradores, no treinamento, na avaliação, no planejamento, no procedimento de mudança, na tomada de decisão, na triagem de
pessoal e na integração das equipes.
Segundo Caixeta a vivência dos jogos é uma grande oportunidade de descontração cultivada por meio das ações em grupo, e poderá propiciar a mudança de
atitude por parte do colaborador participante.
A recreação nas empresas sugere a evolução do modelo de aprendizado, pois permite o exercício pleno das competências pessoais e profissionais relacionando os conceitos à prática. Os jogos apresentam outros diferenciais: facilitam a
compreensão de questões complexas comuns ao ambiente de trabalho, desenvolvem o pensamento adaptativo e criam antevisão, além de propiciarem um
ambiente de competição saudável e criativo, finaliza Caixeta.
Resultados e discussões
Os dados obtidos com o questionário foram separados por ordem de investigação
e serão apresentados na seguinte ordem: relacionamento interpessoal com demais colaboradores, rendimento no trabalho, bem-estar físico e mental, integração com outros setores, importância do projeto na empresa.
Quanto ao primeiro questionamento no tocante ao relacionamento interpessoal,
38 entrevistados (95%) relataram que após a intervenção lúdica na empresa
melhorou seu relacionamento com os demais colegas de trabalho, e que as
dinâmicas de grupo favoreceram a aproximação interpessoal.
Para Silva e Gonçalves (2010), os treinamentos de excelência e as atividades em
grupo podem ser meios de resolução dos problemas da empresa, valorizando a
integração e o foco do trabalho.
Segundo Chiavenato (2000), o homem é um ser de relações, ninguém consegue
ser autossuficiente, e saber se relacionar também é um aprendizado. O lazer minimiza os conflitos inter e intrapessoais, ao incentivar lazer dentro da empresa
estabelece uma nova imagem institucional para todos os envolvidos, incluído a
família do trabalhador.
A próxima questão foi referente aos indicadores do rendimento no trabalho. Neste
indicador 92,5% dos colaboradores responderam que tiveram aumento de rendimento no trabalho após intervenção lúdica.
De acordo com Sink e Tuttle (1993), a produtividade é definida operacionalmente
como a relação entre o que é gerado por um sistema organizacional e o que
entra neste sistema.
A terceira questão apresentou a percepção dos 40 participantes quanto ao bemestar físico e mental advindos das atividades lúdicas. Como resultado 97,5% dos
participantes apresentam uma positiva sensação de bem-estar físico e mental
após a vivência lúdica.
Para Bom Sucesso (1997) os colaboradores devem ter conscientização do quão
importante é ter qualidade de vida no trabalho, onde reconhecer sua função no
ambiente de trabalho e suas responsabilidades são promotores da relação bem
estar no trabalho. Muitas vezes, a exigência de mudanças de hábitos individuais e
o não comprometimento com tais ações fazem com que os programas fracassem.
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A última questão foi sobre a melhora da interação entre os colaboradores de diferentes setores: líderes e liderados. A pesquisa apontou que 90% dos colaboradores afirmaram que houve uma melhora na interação entre os participantes
– líderes e liderados.
Referências
Segundo Levy Junior (1973), a socialização é um processo contínuo no qual o indivíduo ao longo da vida aprende, identifica hábitos e valores característicos que o
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro:
Campus, 2000.
ajudam no desenvolvimento de sua personalidade e na integração de seu grupo.
Durkheim (1987) ressalta a importância da socialização ao mostrar que a sociedade só pode existir porque penetra no interior do ser humano, moldando sua vida,
criando sua consciência, suas ideias e valores.
Investir na promoção das atividades lúdicas e nos programas de lazer na empresa
não é apenas uma questão de ética e solidariedade para com o colaborador, não
é uma questão apenas de benefícios, mas é uma questão de desenvolvimento
dos recursos humanos como fator de produção, para Damineli (1995).
BOM SUCESSO, E. P. Trabalho e qualidade de vida. Rio de Janeiro: Dunya, 1997.
CALLEGARI-JACQUES, S. M. Bioestatística: princípios e aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2004.
CRIVELARO, Rafael. Dinâmica de jogos aplicados às organizações: jogos de empresa:
manual do instrutor. São Paulo: Espaço Empresarial, 1996.
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Lazer: formação e atuação profissional. Campinas: Papirus, 1995.
DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Nacional, 1987.
GILLET, J. C. A perspectiva socioeducativa da animação social. In: ARREGUI, C. C.;
WANDERLEY, M. B. (Org.). Colóquio de animação sociocultural. Lisboa: Arte, 2006.
GRESSLER, L. A. Introdução à pesquisa: projetos e relatórios. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2003.
GUERRA, M. Recreação e lazer. Porto Alegre: Sagra, 1996.
Considerações finais
LOPES, M. S. A animação sociocultural em Portugal. Animador Sociocultural: revista
iberoamericana, v.1, n.1, out./fev. 2007.
Os resultados permitem considerar que as intervenções lúdicas atuam de forma
positiva na integração dos colaboradores, bem como na melhora e aumento da
produtividade da empresa. É fundamental reconhecer a importância da ludicidade na ação e construção coletiva nas empresas, a fim de evidenciar e valorizar os valores éticos, cívicos, políticos e sociais.
LUCKESI, C. C. Ludicidade e atividades lúdicas: uma abordagem a partir da experiência
interna. [S.l.: s.n.], 1998. Disponível em: <http://www.luckesi.com.br/ludicidade_e_
atividades_ludicas.doc>. Acesso em: 4 ago. 2013.
Para uma intervenção de sucesso na empresa é preciso que o animador e/ou
recreador seja possuidor de uma formação adequada, assumindo perspectiva
cultural, comunitária e educativa, sendo capaz de criar, elaborar e executar uma
intervenção em diferentes ambientes, como as comunidades, por exemplo, organizando para tal ação as técnicas de recreação.
A formação do animador sociocultural é fundamental para uma intervenção eficaz, onde seja possível o fomento ao lazer e à recreação não somente como
divertimento, mas como ações transformadoras de uma sociedade.
Por fim, a promoção das atividades lúdicas na empresa deverá acontecer de forma
planejada e sistematizada a fim de atingir os objetivos propostos pela intervenção.
MARCELINO, N. C. Lazer e empresa. Campinas: Papirus, 1999.
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