UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS- GRADUAÇÃO “LATO SENSU” A PSICOMOTRICIDADE COMO BASE DE UM BOM DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ADRIANA MARIA MÂNCIO Prof. Orientadora: Maria Esther de Araújo Co- Orientadora: Giselle Böger Brand São Paulo 2014 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS- GRADUAÇÃO “LATO SENSU” A PSICOMOTRICIDADE COMO BASE DE UM BOM DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ADRIANA MARIA MÂNCIO Monografia apresentada ao Instituto A vez do Mestre como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicomotricidade. Orientador(a):Profª. Maria Esther de Araújo Co-Orientadora: Giselle Böger Brand São Paulo 2014 AGRADECIMENTOS À Deus primeiramente pela saúde e motivação para conclusão desse sonho. Aos meus filhos Luanny e Lineker Luiz , aos meus familiares, à Dra. Odete Keiko, amiga e psicóloga, a psicomotricista Prof.ª Sandra Franco, pelo incentivo. Ao Departamento de Educação da Ilha Comprida, na pessoa da sua diretora Roberta Fortes França Corona. À equipe da AVM Faculdade Integrada em especial à tutora Prof.ª Giselle Boger Brand, pela atenção dispensada durante as etapas do trabalho. DEDICATÓRIA Aos meus filhos, pelo amor e respeito que sempre pautaram nossas vidas. EPIGRAFE “Maravilhoso é volver os olhos para trás e constar quantos obstáculos vencidos ,quantos sacrifícios, quantos esforços, quantas preocupações”... “Mas é maravilhoso ainda olhar para frente com fé, sabendo que existe uma força maior, que nos acompanha dia-a-dia, e que, ao descortinarmos um novo horizonte poderemos fazer o bem, dando àqueles que precisam, um pouco do que sabemos”. (autor desconhecido) RESUMO Este trabalho é fruto de pesquisas bibliográficas, apresenta como foco a importância da psicomotricidade na educação infantil e suas respectivas contribuições para o desenvolvimento global da criança. Tendo como objetivo familiarizar a comunidade escolar e tornar mais acessível o entendimento do conceito da psicomotricidade e sua aplicabilidade por meio da prática no ambiente escolar, e este podendo ser um instrumento muito rico no auxílio da prevenção e na intervenção das situações de dificuldades no processo de aprendizagem. O desenvolvimento humano recebe influências de diferentes fatores hereditários, orgânicos, maturacionais e ambientais, que marcam o conjunto das características individuais, dando ênfase na integração da gênese das condutas globais da infância e de todo processo de mudanças ao longo do desenvolvimento. Além disso, a Psicomotricidade é fundamental no desenvolvimento afetivo, intelectual, emocional e nos aspectos sociais, onde as funções motoras exercem papéis fundamentais no desenvolvimento humano, destacando-se as técnicas psicomotoras como fundamentos para aquisição das habilidades que já podem ser aprimoradas na infância. Sua atuação tem base preventiva ou posteriormente reeducativa onde considera a criança em todos os seus aspectos. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 8 CAPITULO I ................................................................................................................................... 10 HISTÓRIA: O DESENVOLVIMENTO DA MOTRICIDADE HUMANA .................................. 10 CAPITULO II .................................................................................................................................. 15 O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA ....................................................... 15 CAPÍTULO III ................................................................................................................................. 20 DIFICULDADES PSICOMOTORAS........................................................................................... 20 3.1 Dificuldade motora .............................................................................................................. 23 3.2 Dificuldade intelectual ....................................................................................................... 23 3.3 Dificuldade do Esquema Corporal ................................................................................... 23 3.4 Dificuldade da Lateralidade ............................................................................................... 23 3.5 Dificuldade da Estrutura Espacial .................................................................................... 24 3.6 Dificuldade do Grafismo .................................................................................................... 24 3.7 Dificuldade Afetiva .............................................................................................................. 24 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................... 26 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................. 28 8 INTRODUÇÃO O presente trabalho identifica-se por realizar e experenciar reflexões referentes à importância da psicomotricidade na educação infantil, e de que maneira esta, numa visão expressiva pode contribuir na formação e estruturação do esquema corporal tendo como objetivo principal incentivar a prática de movimentos e ações motoras em todas as etapas do processo infantil. Visando com essa prática trazer benefícios para o cotidiano escolar. Perceber como a educação psicomotora promove um melhor desenvolvimento das habilidades nos primeiros anos escolares. Tratar o aspecto psicomotor como função primordial no desenvolvimento infantil, para aquisição da aprendizagem, integrando as áreas afetiva, cognitiva e psicomotora. Enfatizar, por meio de pesquisas a importância da psicomotricidade na Educação infantil, e como esta favorece e serve de estímulo nesse contexto para o desenvolvimento da criança, visando sua totalidade. Apresentar no decorrer do trabalho de pesquisa os vários autores que apresentam os estudos de algumas dificuldades de aprendizagem decorrentes das dificuldades ou perturbações psicomotoras. Tendo como enfoque o desenvolvimento infantil, fazer com que se observe que, por meio das atividades psicomotoras, a criança além de se divertir, pode criar interpretar e se relacionar com o mundo que vive de uma forma mais funcional e harmoniosa. Desenvolver soluções e intervenções que possam ser fonte de estímulos na aquisição de habilidades mais elaboradas para efetivação da aprendizagem da leitura e escrita. Que essas intervenções possam sanar ou amenizar as dificuldades decorrentes das dificuldades psicomotoras. Sabendo-se que, as pesquisas e os estudos, possibilitam melhor capacidade avaliativa e diagnóstica no cotidiano escolar. Entendendo que a psicomotricidade está presente em todos os gestos e ações no que diz respeito ao desenvolvimento da criança, faz-se necessário o cuidado com essa formação para que se resolva mais facilmente possíveis problemas de aprendizagem e no enfrentamento da sua existência futura com o 9 mundo adulto, objetivando sua dimensão simbólica corporal, individual e ao mesmo tempo trabalhando toda sua amplitude de diversidade como ser único. Nos capítulos, procuro a reflexão dos seguintes aspectos: de que maneira com o passar das décadas o ser humano, sofreu as modificações decorrentes das diversas realidades que se mostram no campo ambiental e psicológico, sua atuação na interação com o outro, e na aquisição das habilidades da leitura e escrita a partir da estimulação psicomotora ainda na infância. Com os estudos e pesquisas procurase abordar as dificuldades psicomotoras decorrentes muitas vezes da falta de estimulação nos primeiros anos do desenvolvimento infantil.No decorrer dos capítulos será abordado, a história da motricidade, focando os temas relacionados à psicomotricidade, o estudo do desenvolvimento psicomotor, e os esquemas que caracterizam o desenvolvimento infantil, e finalmente os distúrbios psicomotores que na maioria das vezes desencadeiam as dificuldades da aprendizagem. Com a realização desse trabalho na perspectiva de pesquisa qualitativa, espera-se atingir aos objetivos propostos. Sendo o mesmo, realizado através de levantamento bibliográfico sobre o tema. Essa técnica consiste numa revisão da literatura, ressaltando, autores como Henri Wallon, Ajuriaguerra, A. de Meur e L. Staes , Le Boulch, Vítor da Fonseca, entre outros. Possibilitando a reflexão de novas discussões e ampliações das abordagens já existentes e que estas possam ser sempre repensadas. Dessa forma as fontes de pesquisa serão os livros, artigos de revistas, internet e textos de palestras, e discussões a respeito do tema, nos diversos meios de comunicação, sendo o mesmo articulado no âmbito dos primeiros anos escolares, a Educação Infantil. 10 CAPITULO I HISTÓRIA: O DESENVOLVIMENTO DA MOTRICIDADE HUMANA A psicomotricidade surge da necessidade no âmbito médico de descobrir uma área que esclareça certos fenômenos clínicos. As primeiras pesquisas originárias do campo motor tinham um enfoque essencialmente neurológico (SBP, 2003). Surge essa necessidade quando o “esquema anátomo-clínico”, não conseguia determinar cada sintoma e sua correspondente lesão dentro de alguns fenômenos patológicos, visto que alguns estudiosos começam a constatar diversas disfunções graves, sem que o cérebro apresente lesão, ou que esta esteja localizada claramente. Historicamente a Psicomotricidade foi norteada no campo da educação francesa. Dupré, um neuropediatra, que por volta dos anos de 1909, introduziu o termo psicomotricidade nos seus primeiros estudos sobre a debilidade motora. Nesse panorama André Thomas e Saint-Anné Dargassie, começam a estudar o tônus axial. Em 1925 o médico e psicólogo Henry Wallon, enfoca o movimento humano como fator determinante e mecanismo de construção do psiquismo humano. Relaciona então, a ação do movimento ao afeto, ao meio, aos hábitos individuais e as emoções, ressaltando nos discursos o tônus e o relaxamento. Edouard Guilmain, neurologista, ocupa-se no desenvolvimento de exame psicomotor utilizados para fins de dignóstico, indicativo terapêutico e prognóstico. Em 1947, Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, reestrutura a conceituação sobre o debilidade motora, delimitando com mais lucidez os transtornos psicomotores que permeiam entre os caminhos neurológicos e psiquiátricos.Aproveita pois os estudos de Wallon em relação ao tônus. Giselle Soubiran (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007), enfocam que no Brasil, Antônio Branco Lefévre buscou junto às obras de Ajuriaguerra e Ozerestski, influenciado por sua formação em Paris, a organização da primeira escala de avaliação neuromotora para as crianças brasileiras, Dra. Helena Antipoff, assistente 11 de Claparéde, em Genebra, no Institut Jean- Jacques Rosseau e auxiliar de Binet e Simon em Paris, da escola experimental “La Maison de Paris”, trouxe ao Brasil sua experiência em deficiência mental, baseada na Pedagogia do interesse, derivada do conhecimento do sujeito sobre si mesmo, como via da conquista social... Em 1972, a argentina, Dra Dalila de Costallat, estagiária do Dr. Ajuriaguerra e da Dra. Soubiran em Paris, é convidada a falar em Brasília às autoridades do Ministério da Educação, sobre seus trabalhos em deficiência mental e inicia contatos e trocas permanentes com a Dra. Antipoff no Brasil”(ISPE-GAE, 2007). Nesse contexto a psicomotricidade se destaca das outras disciplinas, buscando sua especificidade e autonomia. Em torno da década de 1970, muitos autores definem a psicomotricidade como a motricidade de relação; no ano de 1979 é realizado o 1º Encontro Nacional de Psicomotricidade promovido pelo GAE (Grupo de Atividades Especializadas).Já em 1982 o ISPE-GAE promove o vínculo científicocultural com a Escola Francesa, através da Delegação Brasileira da OIPROrganisation Internationale de Psychomotricité et de Relaxation. Em 19 de Abril de 1980 foi fundada a SBP- Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, entidade sem fins lucrativos, de caráter científico- cultural, onde luta pela regulamentação dos profissionais e contribui para o progresso da ciência. A partir de então se delimita a diferença entre postura reeducativa e a terapêutica, observando-se as diferenças quanto às intervenções, num processo de ocupar-se quanto à importância do corpo em sua totalidade, nas suas relações, na afetividade e ao fator emocional. Os trabalhos como os de Wallon (1968) e de Ajuriaguerra, (1998) o primeiro, na perspectiva do desenvolvimento infantil, destaca os estádios, focados na atividade intelectual: impulsivo tônico emocional, sensório-motor, projetivo e personalítico, tornando-se responsável pelo aspecto da reeducação psicomotora, sendo mais tarde dirigidos mais enfaticamente e qualitativamente pelos doutores Julian Ajuriaguerra e Giselle Soubiran. Estabelecendo pois, dentro da teoria psicológica, as relações entre comportamento, o desenvolvimento humano e a maturação do sistema nervoso central. Ainda na década de 30, avançam as idéias de Jean Piaget(1976), de que a criança não é um “adulto em miniatura”, mas que, de acordo com o amadurecimento 12 corporal, vai adquirindo conhecimento e passando durante esse processo por mudanças psicológicas extremas. Wallon nos seus trabalhos sobre a psicologia do desenvolvimento demonstra sua postura interacionista, alertando que o ser humano não é só formado pela influência fisiológica, mas também pela influência social. Na teoria walloniana, a questão da motricidade é muito forte, apresenta-se como instrumento de comunicação psíquica. Quando a criança ainda não apresenta a linguagem verbal, ela procura exprimir por meio da motricidade suas diferentes necessidades juntamente com os aspectos afetivos de bem ou mal estar. Nesse contexto, Fonseca (2008, p.15) ressalta: A motricidade contém, portanto, uma dimensão psíquica, e é um deslocamento no espaço de uma totalidade motora, afetiva e cognitiva, que se apresenta em termos evolutivos segundo Wallon sob três formas essenciais: deslocamento passivos ou exógenos, deslocamento ativos ou autógenos e deslocamento práxicos. Destacando nessa análise que as contribuições de Wallon (1963) conduzirá sua teoria sobre os estágios e os transtornos do desenvolvimento mental e motor da criança, Piaget considerou-as pilares fundamentais na construção teórica no campo da motricidade; Freud e Spitz, pelo aspecto psicanalítico na incorporação e complementação desses estudos. Atualmente se investiga as causas das dificuldades da aprendizagem nas literaturas da psicologia do desenvolvimento. O período que marca o ser humano desde o nascimento até a fase adulta, revela-se na formação, de que todo organismo passa pelo desenvolvimento biológico, incorporado a uma espetacular organização maturacional, evolutiva e integrada. Dentro dessa evolução o corpo produz uma série de profundas modificações desencadeadas pelas diversas estimulações, levando-os à interação com o outro e com o meio no qual está inserido. Já no período gestacional, o sinal de vida do feto na relação com o ambiente exterior acontece quase que exclusivamente pela atividade motora, e esta vai com o decorrer do tempo, ampliando essa evolução. 13 Guilmain (1981, p.24) com estudos empreendidos no início do século XX, no campo da motricidade, aborda com esses estudos fundamentalmente quatro direções, visto que ainda são complementares: - Síndrome de debilidade motriz; as relações entre essa síndrome e a debilidade intelectual. - Estudo do desenvolvimento das funções motrizes na criança, pesquisas de testes de níveis de desenvolvimento da habilidade manual e das aptidões motrizes de acordo com a idade. - Estudo da dominância da lateralidade, dos transtornos perceptivos motores em busca também das suas relações com as dificuldades de aprendizagem na aquisição das habilidades de leitura, escrita e cálculo, em crianças com nível de inteligência lógica normal. -Testes motores que possibilitem determinar características afetivas motrizes na criança; e as relações entre o comportamento motor do indivíduo, juntamente com as características fundamentais com relação ao seu caráter. O início da corrente das reflexões foram os estudos de Dupré (1909) sobre o tema, seus primeiros trabalhos foram publicados em uma revista de Neurologia, com o título de “Síndrome da Debilidade Motriz”, onde especificava que essa síndrome, apresenta características compostas por: movimentos involuntários quando da execução de uma ação (sincenesias), a incapacidade de relaxar uma musculatura voluntariamente (paratomias) e a falta de habilidades. Assim descreve Dupré: Numa série de trabalhos, descrevi, sob o nome de debilidade motora, um estado patológico congênito da motilidade, frequentemente hereditário e familiar, caracterizado pela exageração dos reflexos tendinosos, perturbações do reflexo da planta do pé, sincinesia, torpeza dos movimentos voluntários finalmente, por uma variedade de hipertonia muscular difusa em relação aos movimentos intencionais e que têm impossibilidade de realizar voluntariamente a resolução muscular. Propus, para designar este último problema, o termo de paratonia. Quase todos os sujeitos paratônicos são pouco aptos para a execução de movimentos delicados, complicados ou rápidos. Na vida quotidiana mostram-se inábeis, torpes, desajeitados como se costuma dizer.”(DUPRÈ apud et al LEVIN, 2000,p.24). Com esse estudo, colabora na formulação da noção do conceito da psicomotricidade, pautando-se numa linha neurológica, sugerindo uma estreita relação entre o desenvolvimento da psicomotricidade, da cognição e afetividade. 14 Heuyer (1936, p.46) reforça os estudos, propondo uma prática reeducativa para as perturbações psicomotoras: “ Em crianças que apresentam retardamento intelectual, é necessário conceder um lugar importante à educação motriz ao lado da instrução pedagógica particular...” Já Ajuriaguerra (1998) impulsiona de forma bastante expressiva a história contemporânea da psicomotricidade. Novas metodologias estruturadas, configuram os grandes conceitos que formam a psicomotricidade atual. Robert Vallet (1990, p.95), psicólogo educacional americano, parte do princípio de que a educação influencia o funcionamento e crescimento cerebral. “A educação neuropsicológica é constituída como uma forma de treinamento que tenta mudar ou melhorar o funcionamento e a operação do cérebro através de exercícios e tarefas especiais e atividades de aprendizagem prescritiva” Dentre os estudiosos brasileiros, destaca-se Suzana Veloso Cabral que desenvolve trabalhos na abordagem da Psicomotricidade Relaciona, para ela,”a Psicomotricidade Relacional no campo escolar utiliza-se do simbolismo do jogo para sua intervenção terapêutica e para promover o desenvolvimento mais harmonioso das crianças que a vivenciam em escolas e creches”(CABRAL,2001, p.23). Conforme Cabral (2001, p.89) afirma, ainda: o objetivo da Psicomotricidade Relacional é que o corpo possa encontrar-se vivo na escola, constituindo-se num instrumento de expressão e de relação do sujeito com o grupo, a própria escola, e com a aquisição de conhecimentos e o aprendizado. Nos fundamentos da psicomotricidade se estuda o movimento humano e a suas relações com o mundo, com estudos baseados na filogênese e ontogênese do aspecto humano, e este só tem sentido, quando a conseqüência motora da conduta, está entendida em suas relações com a conduta do ser, observando-se sua totalidade. 15 CAPITULO II O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade forma o conceito de Psicomotricidade como: “É uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado” (SBP,1999 apud LUSSAC, 2008,p.05). Propondo, pois com esse conceito uma relação entre o pensamento e a ação, podendo-se integrar a essa mecânica as fases do desenvolvimento infantil, ressaltando pois, a importância dos aspectos psicomotores no decorrer do processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, Loureiro apud ISPE-GAE (2007) relaciona corpo e mente: “a psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, psicocognitivos funcionais, sujeitos às leis de desenvolvimento e maturação manifestados pela dimensão simbólica corporal própria, original e especial do ser humano”. De acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto é um temo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em funções das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. Considerado um processo seqüencial e progressivo, diretamente ligado às idades cronológicas, é pelo desenvolvimento psicomotor que a criança vai adquirindo habilidades motoras, que progridem de movimentos simples e desarmônicos para execução de habilidades harmônicas e complexas. 16 Esse processo ocorre de maneira dinâmica sendo possível ser moldada a partir de estímulos externos. A interação entre os aspectos individuais, ao ambiente ao qual está inserido e a aprendizagem a ser adquirida, atuam diretamente na aquisição das habilidades motoras. Sabe-se que muitos são os fatores que colocam em risco o desenvolvimento normal dessas habilidades, dentre eles, a questão biológica ou ambiental, que muitas vezes aumentam a probabilidade de deficiência no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. As principais causas de atraso motor podem ser: ao nascer, ter baixo peso, problemas cardíacos, respiratórios ou neurológicos, infecções neonatais, prematuridade, desnutrição, baixo nível de condições sócio econômica educacional e cultural. Quanto mais se apresentarem esses fatores, maiores serão as possibilidades de déficits no desenvolvimento. Ocorrem casos, porém de crianças que não apresentam seqüelas, mas algumas áreas do desenvolvimento neuropsicomotor estão comprometidos, alguns estudos destacam prejuízos mais comuns nas áreas da memória, na coordenação viso motora e na linguagem. Alguns outros fatores de ordem psicológica e social, como baixa autoestima, hiperatividade, isolamento, desencadeiam problemas na coordenação e controle dos movimentos que se prolongam até a idade adulta, dificultando com isso a interação social e o desempenho escolar. O teste de avaliação do desenvolvimento motor auxilia no diagnóstico, mostrando idade cronológica e área avaliada (força muscular, motricidade fina e ampla, a fala, o tônus e abrangendo mais avaliações das capacidades funcionais. Essas atuações ou intervenções devem ser postas em prática, já nos primeiros anos de vida (12 a 18 meses) onde acontece uma melhor plasticidade cerebral obtendo-se maiores ganhos e mais êxito no desenvolvimento motor. O processo de aprendizagem então acontece do mesmo modo que o corpo desenvolve-se, ocorrendo então a harmonia entre corpo e mente, no qual um auxilia e impulsiona o outro. Nas primeiras fases da infância, se faz de grande importância estímulos com atividades de movimento corporal. 17 De acordo com Fonseca apud Oliveira (2001) p psíquico e o motor devem ser enxergados como componente único, pois tratam de um só não se pode enxergar no termo psicomotricidade dois componentes distintos, o psíquico e o motor, pois ambos tratam – se de um só”. No momento do nascimento, no contato com o mundo externo, a criança já manifesta sua presença com movimentos reflexos, e à medida que o tempo passa, encontrará harmonia nos movimentos e desenvolverá o controle motor, então o desenvolvimento psicomotor será fruto da maturação do sistema nervoso e do meio ambiente. É por meio dos primeiros cuidados que a criança percebe seu próprio corpo como separado do outro, organiza suas emoções e amplia seus conhecimentos sobre o mundo (RCNEI, 1998, p.15). Nos primeiros anos do desenvolvimento infantil, os estímulos são fundamentais e decisivos para a formação da sua personalidade, sendo posteriormente, objetos de aprendizagem na descoberta de si mesma, do meio social e natural, da intercomunicação e linguagem. Ao longo desse processo a criança adquire habilidades que farão parte do seu meio social, como ser relacional, cuja fonte dinâmica dessa relação é a linguagem. A evolução da linguagem já acontece nos primeiros anos de vida, sendo que, a fase que vai dos três aos seis anos é uma das etapas mais importante, para isso é necessário que a criança apresente certo grau de maturidade. De acordo com A. De Meur e L. Staes (1989. p. 05)) A função motora, o desenvolvimento intelectual e o desenvolvimento afetivo estão intimamente ligados na criança: a psicomotricidade quer justamente destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica. 18 O ambiente com ações positivas favorecem e dão novo formato na moldagem dos aspectos do comportamento motor, facilitando o desenvolvimento normal, possibilitando a melhor exploração e interação com o meio. Especialistas ressaltam que num estudo onde foi pesquisada a influência do ambiente na aquisição de habilidades motoras em crianças pré-escolares, foi observada que o desenvolvimento de crianças saudáveis sofreu influências negativas dos fatores de risco ambientais, tais como a utilização de brinquedos inadequados para a faixa etária e a falta de orientação pedagógica em creches públicas. “Uma pesquisa sobre o efeito da desnutrição leve sobre o desenvolvimento neuropsicomotor de lactentes confirmou uma tendência de prejuízo nas áreas da linguagem e sociabilidade”. (UNIFESP, REVISTA ELETRONICA, 2008, p.226.) Nos estudos contemporâneos a respeito da psicomotricidade não se ressalta somente os problemas motores, mas também as ligações com a lateralidade, à estruturação espacial e a orientação temporal, juntamente com as dificuldades de aprendizagem de crianças de inteligência normal. Nesse contexto estrutura-se as relações existentes entre o gesto e a afetividade. Sendo assim, essas técnicas podem desenvolver no indivíduo a formação do “eu”, a dominância lateral, a maneira com a qual se localiza no espaço e no tempo e como se situam as coisas, umas em relação às outras e como pode se expressar através dos desenhos e do grafismo. Segundo Ferreira (2011) a educação psicomotora auxilia no desenvolvimento das crianças, contribuindo na organização da sua unidade e globalidade de ser humano, organização espacial, temporal e de intensidades, tanto quanto nas suas relações afetivas por meio da interação com o outro. Nossa experiência pessoal nos permite constatar de que forma a inteligência e afetividade dependem intimamente da vivência corporal e motora e de que forma está o corpo implicado em todo o processo chamado intelectual (LAPIERRE e AUCOUTERIER,1977, p.3). 19 As experiências no período infantil são extremamente necessárias para desenvolver com mais precisão a maturação cerebral e função neural, possibilitando capacidade de modificação do sistema nervoso, sendo este então passível de alterações ocasionadas por estímulos naturais. È muito importante considerar o desenvolvimento motor infantil, pois atrasos motores acarretam prejuízos que podem se estender até a fase adulta. Sendo assim, os fatores de risco para o atraso no desenvolvimento devem ser eliminados sempre que possível. Com a identificação precoce de distúrbios no desenvolvimento motor, realizada através de uma avaliação criteriosa nos primeiros anos de vida, é possível determinar uma intervenção adequada, a fim de que as crianças com diagnóstico de atraso possam seguir a mesma sequência que as crianças com desenvolvimento normal. Esta intervenção tem demonstrado mais benefícios para as crianças quando a participação dos pais é associada com a atuação do terapeuta. Foca-se grande atenção no período dos 3 aos 5 anos, sendo justificado esse interesse como o período que ocorre o desenvolvimento dos principais elementos psicomotores, essenciais para a aprendizagem imediata e da criança. Essa fundamentação se pauta nos estudiosos que optam pela perspectiva psicogenética, nessa abordagem, concluem que a evolução psicomotora e a cognitiva, acontecem em estágios, estes, pois ocorrem de forma interdependente. Sendo assim, de acordo com essa proposta o desenvolvimento deve ser respeitado e o processo de aprendizagem deve ser condizente com cada estágio do desenvolvimento. 20 CAPÍTULO III DIFICULDADES PSICOMOTORAS Na procura de entender como ocorre na criança o desenvolvimento psicomotor, Coste apud Coll, Palacius e Marchesim (1995, p.39), afirmam que: a psicomotricidade está relacionada às implicações psicológicas do movimento e da atividade corporal na relação do organismo com o meio em que se desenvolve. O mundo da psicomotricidade é, pois, o das relações psiquismo- movimento e movimento – psiquismo. Na psicomotricidade há certos componentes maturativos, relativos ao calendário maturativo cerebral [...] E certos componentes relacionais, que têm a ver com o fato de que através de seu movimento e de suas ações a criança entra em contato com pessoas e objetos com os quais se relaciona de forma construtiva. A psicomotricidade é ao mesmo tempo fonte de conhecimento e expressão dos conhecimentos que já tem, meio de gerar vivências e emoções através da relação e expressão de vivências e emoção na relação. Os elementos básicos da Psicomotricidade mais utilizados são: Esquema corporal, Lateralidade, Estruturação espacial, Orientação temporal. Esquema corporal permite ter conhecimento do seu corpo, da relação das partes entre si e com o mundo que o rodeia. Na Lateralidade, expressa sua dominância da habilidade, da iniciativa de ação e das capacidades funcionais e psicomotoras de um dos lados do corpo que corresponde à assimetria dos hemisférios cerebrais (D/E). Estruturação espacial e temporal, consciência da orientação do corpo em relação ao outro, aos objetos, às situações, na resolução de problemas e nas suas contextualizações individuais e coletivas quanto ás variáveis ambientais. As intervenções e ferramentas psicomotoras visam detectar, amenizar ou sanar aspectos que desencadeiam as dificuldades de aprendizagem e com a qual é 21 possível diagnosticar e entender os mecanismos que conduzem e orientam o ser humano a vivenciar sua aprendizagem de maneira mais significativa. No início o corpo era trabalhado de forma mecânica sob o ponto de vista da psicomotricidade. Porém com os avanços dos estudos envolvendo a psicomotricidade, a psicanálise e a psicopedagogia, o corpo, com o surgimento das novas concepções e da imagem corporal, se transforma num instrumento de construção da inteligência; “[...] o corpo é o mediador que, através de sua linguagem, propicia a relação com o outro, denuncia o ser da falta, os processos transferenciais e a ação desejante” (COSTA, 2001, p. 18). Segundo Wallon, citado por De Meur; Staes (1991, p.9): O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança. É a representação relativamente global, científica e diferenciada que a criança tem do seu próprio corpo. Faz-se necessário que a criança se desenvolva no aspecto psicomotor para que obtenha um bom desempenho escolar. Morais apud Silva e Borges destacam que: “Um esquema corporal mal constituído resultará em uma criança que não coordena bem seus movimentos, veste-se ou espere com lentidão, as habilidades manuais lhe são difíceis, a caligrafia é feia, sua leitura é inexpressiva, não harmoniosa”. (MORAES apud SILVA e BORGES, 2008, p.02). A ação educativa psicomotora permite que o ser humano, desenvolva segurança nas suas ações, movimentos harmoniosos e espontâneos, com uma carga de afetividade que o estimulará a passar pelo processo de aprendizagem das habilidades mais elaboradas, sem maiores dificuldades. O pediatra Jack P. Shonkof, diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard (EUA) explica o seguinte: “O cérebro se desenvolve desde o nascimento até a vida adulta. Os genes fornecem o projeto básico para esse progresso, mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam o modo como ele é colocado em ação. Se elas são positivas, felizes, a arquitetura do cérebro da 22 criança constrói uma fundação forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde”. Segundo Costa (2001, p.16), “O corpo é um instrumento comum na relação psicopedagógica e psicomotora, sede dos sintomas do não aprender e das experiências acumuladas para novas aprendizagens”. Também chamadas de “perturbações instrumentais”, as perturbações psicomotoras evidenciam os problemas de origem motora, cognitiva, social e afetiva e as interações que se apresentam entre esses diferentes tipos de perturbação. Quando se percebe que a criança não está num bom processo, quanto ao desempenho escolar, podemos obter muitas informações quando fazemos uma pesquisa para uma melhor compreensão dos aspectos que desencadeiam as dificuldades de aprendizagem. Elementos básicos formam o conjunto dos prérequisitos para uma boa aprendizagem que são: esquema corporal (este quando mal constituído não coordena bem os movimentos, consequentemente as habilidades manuais são prejudicadas, apresenta leitura expressiva não harmoniosa, não consegue seguir um ritmo), lateralidade (não distingue a diferença entre a direita e a esquerda, dificuldade em seguir a direção gráfica, por exemplo: leitura da esquerda para a direita, percepção espacial (dificuldade quanto aos conceitos de direita / esquerda, distinguir alto/baixo), orientação temporal e espacial (noção antes/depois, sequencia numérica, raciocínio lógico- matemático e construções geométricas). O desequilíbrio das funções psicomotoras, cognitivas e afetivas pode causar na criança em processo de alfabetização dificuldades de manejo do simbólico. Isso instalará uma dificuldade no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. (COSTA, 2001, p.46). De acordo com A. de Meur e L. Staes, (1991) ressalta que a estimulação psicomotriz se dirige a indivíduos que não apresentam nenhum tipo de deficiência, já a reeducação se trabalha com indivíduos que apresentam algum atraso, transtorno ou alguma deficiência no desenvolvimento, então apresenta com esses estudos as diferentes perturbações de ordem motora. 23 3.1 Dificuldade motora a) Déficits motores (hemiplegia); b) Apresenta atraso no desenvolvimento motor; c) Perturbações do equilíbrio (ações, atitudes e comportamentos não harmoniosos). d) Perturbações da coordenação (habilidades manuais inadequadas). 3.2 Dificuldade intelectual As elaborações executadas pelas crianças com esse tipo de perturbação, o elaborações inferiores à sua idade cronológica e apresentam a seguinte classificação: -Leve -Moderada -Grave -Profunda. 3.3 Dificuldade do Esquema Corporal Excluindo os casos que se referem aos problemas motores ou intelectuais, todas as demais perturbações na definição do esquema corporal tem origem no aspecto afetivo e emocional. 3.4 Dificuldade da Lateralidade Podem ser decorrentes de problemas motores, neurológicas ou emocionais: ambidestro (destro do pé, sinistro da mão); lateralidade cruzada; executa exercícios de precisão com uma mão e os de força com a outra. Essas dificuldades acarretam problemas de reconhecimento e preensão dos conceitos da direita/ esquerda, na direção gráfica, escrita espelhada e na discriminação visual. 24 3.5 Dificuldade da Estrutura Espacial Apresenta má integração do esquema corporal, perturbações de lateralidade e desorganização interna: - Dificuldades em participar de jogos; - Sua noção espacial é confusa; - Apresenta tendência em confundir letras (n-u, b-p,p-q); - Dificuldade quanto à sequenciação, ordem e quantidade; - Dificuldades quanto ao ritmo, reversibilidade, transposição e organização. 3.6 Dificuldade do Grafismo - Má coordenação motora; - Crispação ou rigidez dos dedos; - Problemas psicológicos como ansiedade e instabilidade emocional. 3.7 Dificuldade Afetiva De acordo com Meur e Staes (1991), todo conjunto humano é carregado de afeto, sendo assim, essa dificuldade permeia-se juntamente com todas as outras. Os problemas de ordem emocional e afetiva geralmente têm suas intercorrências associadas ao meio familiar, à relação entre pai e filho, nos conflitos conjugais, nas drogas, alcoolismo, nas perdas e separações, etc., ou seja, atitudes muito exigente, por parte da família. A psicomotricidade ajuda a viver em grupo. Nos exercícios psicomotores as crianças devem respeitar as regras dos jogos.Cada uma compreende rapidamente que o desrespeito às regras torna o jogo impossível ou injusto e, por esse meio aceita mais facilmente as regras da vida social.”(DE MEUR;STAES,1984,p.23). Em sala, o professor se utiliza dos conhecimentos teóricos e práticos, no campo psicomotor, para compreender melhor que cada criança em seu próprio ritmo de aprendizagem e que muitas das dificuldades apresentadas, pode ser dificuldade 25 psicomotora. No cotidiano escolar, oferecer jogos e brincadeiras contribui muito para um melhor desenvolvimento psicomotor. De acordo com Koyniak Filho (2001, p.35), “é necessário levantar um repertório de jogos e brincadeiras e identificar quais são os aspectos da motricidade que cada um deles estimula de forma mais intensa”. Jogos e brincadeiras bem planejados favorecem a prática psicomotora e apresentam um caráter preventivo quando oferecem possibilidades ao desenvolvimento dos elementos psicomotores, ou mesmo reeducativo quando contribui para amenizar ou sanar dificuldades já instaladas. Lapierre e Le Boulch, conforme Oliveira (1997, p.36), destacam que “a educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável a toda criança”. Le Boulch (1992, p.24) reafirma que, “ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares e escolares [...] deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas...” 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a finalização desse trabalho, procura-se resgatar objetivos e universalizar os estudos na área da psicomotricidade bem como sua abrangência e a importância desse profissional para o desenvolvimento psicomotor na infância com enfoque nas habilidades escolares. Sendo assim a psicomotricidade se constitui um tema para estudo altamente relevante. Com isso percebe-se e considera-se que a criança se desenvolve-se quando interage com seu corpo, com o meio e com as pessoas ao seu redor, uma vez que não vinculado com esses fatores, acarretará ao não vínculo também da concentração, da capacidade de cognição com relação ao aprendizado. Esse tema ressalta sobre a importância da relação entre o homem e seu corpo, considerando pois, não só os aspectos psicomotores mas também os aspectos cognitivos e sócio-afetivos que integram e constituem o ser humano.Espera-se que esses estudos contribuam de maneira expressiva na formação e estruturação do esquema corporal, objetivando-se incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida, com atenção especial no desenvolvimento infantil.Ressaltando a importância da ação psicomotora quanto à organização da personalidade da criança, enfocando que o trabalho educativo visa promover o desenvolvimento de suas potencialidades. Vale salientar que a psicomotricidade não deve ser estudada isoladamente pois apresenta-se enriquecida com inúmeras vias, tais como: a linguagem, o emocional, a imagem corporal, na percepção e na práxis de toda uma rede interdisciplinar, no estudo da ação do movimento humano. Acredita-se ser de extrema importância que o educador desenvolva um hábito de observação do seu aluno e se este apresenta um desenvolvimento psicomotor adequado.Com essas observações poderá buscar atividades e exercícios motores adequados, e que o ajudem no processo desse fase do desenvolvimento.Com isso a educação psicomotora é utilizada em caráter preventivo, anulando fatores que influenciem desencadeiam dificuldades psicomotoras. problemas de aprendizagem decorrentes das 27 Nesse sentido contribuir na busca por atividades psicomotoras diferenciadas que atendam a necessidade dos alunos e que norteiem os profissionais.O trabalho psicomotor é um meio de auxiliar à criança na superação das dificuldades de aprendizagem e na prevenção de inadaptações que possam surgir e auxiliar no processo de alfabetização. Com essas considerações espera-se ter contribuído com a ampliação desses estudos no que diz respeito ao desenvolvimento psicomotor, mas muito há de se estudar com relação a esse tema. 28 BIBLIOGRAFIA BARROS, D. BARROS, D.R. A Psicomotricidade, essência da aprendizagem do movimento especializado, 2005 COSTE, Jean Claude. A Psicomotricidade, 4ª ed.Rio de Janeiro: Guanabara,1989. CABRAL, S. V. Psicomotricidade Relacional: prática clínica e escolar, (2001). Disponível: http: //psiconet.com/libros/presentaciones/psicomotricidad.htm acesso em 12.jan.2014 FONSECA, Vítor da. Psicomotricidade: Retrogênese.2ª ed Editora Artmed,1998. Filogênese, Ontogênese e LEVIN, E. A clínica psicomotora: o corpo na linguagem. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. LE BOLCH, O desenvolvimento psicomotor do nascimento até 6 anos, a Psicocinética na Idade Pré-Escolar, (1981). Porto Alegre, Artes Médicas, 1986. MEUR, De A. ; STAES, L. Psicomotricidade Educação e Reeducação.1ª ed Barueri: Manole,1991. 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