UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PÓS- GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
A PSICOMOTRICIDADE COMO BASE DE UM BOM DESENVOLVIMENTO DA
CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
ADRIANA MARIA MÂNCIO
Prof. Orientadora: Maria Esther de Araújo
Co- Orientadora: Giselle Böger Brand
São Paulo
2014
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PÓS- GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
A PSICOMOTRICIDADE COMO BASE DE UM BOM DESENVOLVIMENTO DA
CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
ADRIANA MARIA MÂNCIO
Monografia apresentada ao Instituto A
vez do Mestre como requisito parcial
para obtenção do grau de especialista
em Psicomotricidade.
Orientador(a):Profª. Maria Esther de
Araújo
Co-Orientadora: Giselle Böger Brand
São Paulo
2014
AGRADECIMENTOS
À Deus primeiramente pela saúde e
motivação
para
conclusão
desse
sonho.
Aos meus filhos Luanny e Lineker Luiz , aos meus
familiares,
à Dra. Odete Keiko, amiga e
psicóloga, a psicomotricista Prof.ª Sandra Franco,
pelo incentivo. Ao Departamento de Educação da
Ilha Comprida, na pessoa da sua diretora Roberta
Fortes
França
Corona. À
equipe da AVM
Faculdade Integrada em especial à tutora Prof.ª
Giselle Boger Brand, pela atenção dispensada
durante as etapas do trabalho.
DEDICATÓRIA
Aos meus filhos, pelo amor e
respeito que sempre pautaram nossas
vidas.
EPIGRAFE
“Maravilhoso é volver os olhos para trás e constar quantos
obstáculos vencidos ,quantos sacrifícios, quantos esforços,
quantas preocupações”...
“Mas é maravilhoso ainda olhar para frente com fé, sabendo
que existe uma força maior, que nos acompanha dia-a-dia, e
que, ao descortinarmos um novo horizonte poderemos fazer
o bem, dando àqueles que precisam, um pouco do que
sabemos”.
(autor desconhecido)
RESUMO
Este trabalho é fruto de pesquisas bibliográficas, apresenta como foco a
importância da psicomotricidade na educação infantil e suas respectivas
contribuições para o desenvolvimento global da criança. Tendo como objetivo
familiarizar a comunidade escolar e tornar mais acessível o entendimento do
conceito da psicomotricidade e sua aplicabilidade por meio da prática no ambiente
escolar, e este podendo ser um instrumento muito rico no auxílio da prevenção e
na intervenção das situações de dificuldades no processo de aprendizagem. O
desenvolvimento humano recebe influências de diferentes fatores hereditários,
orgânicos, maturacionais e ambientais, que marcam o conjunto das
características individuais, dando ênfase na integração da gênese das condutas
globais da infância e de todo processo de mudanças ao longo do
desenvolvimento. Além disso, a Psicomotricidade é fundamental no
desenvolvimento afetivo, intelectual, emocional e nos aspectos sociais, onde as
funções motoras exercem papéis fundamentais no desenvolvimento humano,
destacando-se as técnicas psicomotoras como fundamentos para aquisição das
habilidades que já podem ser aprimoradas na infância. Sua atuação tem base
preventiva ou posteriormente reeducativa onde considera a criança em todos os
seus aspectos.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 8
CAPITULO I ................................................................................................................................... 10
HISTÓRIA: O DESENVOLVIMENTO DA MOTRICIDADE HUMANA .................................. 10
CAPITULO II .................................................................................................................................. 15
O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA ....................................................... 15
CAPÍTULO III ................................................................................................................................. 20
DIFICULDADES PSICOMOTORAS........................................................................................... 20
3.1 Dificuldade motora .............................................................................................................. 23
3.2 Dificuldade intelectual ....................................................................................................... 23
3.3 Dificuldade do Esquema Corporal ................................................................................... 23
3.4 Dificuldade da Lateralidade ............................................................................................... 23
3.5 Dificuldade da Estrutura Espacial .................................................................................... 24
3.6 Dificuldade do Grafismo .................................................................................................... 24
3.7 Dificuldade Afetiva .............................................................................................................. 24
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................... 26
BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................. 28
8
INTRODUÇÃO
O presente trabalho identifica-se por realizar e experenciar reflexões
referentes à importância da psicomotricidade na educação infantil, e de que maneira
esta, numa visão expressiva pode contribuir na formação e estruturação do
esquema corporal tendo como objetivo principal incentivar a prática de movimentos
e ações motoras em todas as etapas do processo infantil. Visando com essa prática
trazer benefícios para o cotidiano escolar. Perceber como a educação psicomotora
promove um melhor desenvolvimento das habilidades nos primeiros anos escolares.
Tratar o aspecto psicomotor como função primordial no desenvolvimento infantil,
para aquisição da aprendizagem, integrando as áreas afetiva, cognitiva e
psicomotora. Enfatizar, por meio de pesquisas a importância da psicomotricidade na
Educação infantil, e como esta favorece e serve de estímulo nesse contexto para o
desenvolvimento da criança, visando sua totalidade. Apresentar no decorrer do
trabalho de pesquisa os vários autores que apresentam os estudos de algumas
dificuldades de aprendizagem decorrentes das dificuldades ou perturbações
psicomotoras.
Tendo como enfoque o desenvolvimento infantil, fazer com que se observe
que, por meio das atividades psicomotoras, a criança além de se divertir, pode criar
interpretar e se relacionar com o mundo que vive de uma forma mais funcional e
harmoniosa. Desenvolver soluções e intervenções que possam ser fonte de
estímulos na aquisição de habilidades mais elaboradas para efetivação da
aprendizagem da leitura e escrita. Que essas intervenções possam sanar ou
amenizar as dificuldades decorrentes das dificuldades psicomotoras. Sabendo-se
que, as pesquisas e os estudos, possibilitam melhor capacidade avaliativa e
diagnóstica no cotidiano escolar.
Entendendo que a psicomotricidade está presente em todos os gestos e
ações no que diz respeito ao desenvolvimento da criança, faz-se necessário o
cuidado com essa formação para que se resolva mais facilmente possíveis
problemas de aprendizagem e no enfrentamento da sua existência futura com o
9
mundo adulto, objetivando sua dimensão simbólica corporal, individual e ao mesmo
tempo trabalhando toda sua amplitude de diversidade como ser único.
Nos capítulos, procuro a reflexão dos seguintes aspectos: de que maneira
com o passar das décadas o ser humano, sofreu as modificações decorrentes das
diversas realidades que se mostram no campo ambiental e psicológico, sua atuação
na interação com o outro, e na aquisição das habilidades da leitura e escrita a partir
da estimulação psicomotora ainda na infância. Com os estudos e pesquisas procurase abordar as dificuldades
psicomotoras decorrentes muitas vezes da falta de
estimulação nos primeiros anos do desenvolvimento infantil.No decorrer dos
capítulos será abordado, a história da motricidade, focando os temas relacionados à
psicomotricidade, o estudo do desenvolvimento psicomotor, e os esquemas que
caracterizam o desenvolvimento infantil, e finalmente os distúrbios psicomotores que
na maioria das vezes desencadeiam as dificuldades da aprendizagem.
Com a realização desse trabalho na perspectiva de pesquisa qualitativa,
espera-se atingir aos objetivos propostos. Sendo o mesmo, realizado através de
levantamento bibliográfico sobre o tema. Essa técnica consiste numa revisão da
literatura, ressaltando, autores como Henri Wallon, Ajuriaguerra, A. de Meur e L.
Staes , Le Boulch, Vítor da Fonseca, entre outros. Possibilitando a reflexão de novas
discussões e ampliações das abordagens já existentes e que estas possam ser
sempre repensadas. Dessa forma as fontes de pesquisa serão os livros, artigos de
revistas, internet e textos de palestras, e discussões a respeito do tema, nos
diversos meios de comunicação, sendo o mesmo articulado no âmbito dos primeiros
anos escolares, a Educação Infantil.
10
CAPITULO I
HISTÓRIA: O DESENVOLVIMENTO DA MOTRICIDADE HUMANA
A psicomotricidade surge da necessidade no âmbito médico de descobrir
uma área que esclareça certos fenômenos clínicos. As primeiras pesquisas
originárias do campo motor tinham um enfoque essencialmente neurológico (SBP,
2003). Surge essa necessidade quando o “esquema anátomo-clínico”, não
conseguia determinar cada sintoma e sua correspondente lesão dentro de alguns
fenômenos patológicos, visto que alguns estudiosos começam a constatar diversas
disfunções graves, sem que o cérebro apresente lesão, ou que esta esteja
localizada claramente. Historicamente a Psicomotricidade foi norteada no campo da
educação francesa.
Dupré, um neuropediatra, que por volta dos anos de 1909, introduziu o termo
psicomotricidade nos seus primeiros estudos sobre a debilidade motora. Nesse
panorama André Thomas e Saint-Anné Dargassie, começam a estudar o tônus axial.
Em 1925 o médico e psicólogo Henry Wallon, enfoca o movimento humano
como fator determinante e mecanismo de construção do psiquismo humano.
Relaciona então, a ação do movimento ao afeto, ao meio, aos hábitos individuais e
as emoções, ressaltando nos discursos o tônus e o relaxamento.
Edouard Guilmain, neurologista, ocupa-se no desenvolvimento de exame
psicomotor utilizados para fins de dignóstico, indicativo terapêutico e prognóstico.
Em 1947, Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, reestrutura a conceituação sobre
o debilidade motora, delimitando com mais lucidez os transtornos psicomotores que
permeiam entre os caminhos neurológicos e psiquiátricos.Aproveita pois os estudos
de Wallon em relação ao tônus.
Giselle Soubiran (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007), enfocam que no Brasil,
Antônio Branco Lefévre buscou junto às obras de Ajuriaguerra e Ozerestski,
influenciado por sua formação em Paris, a organização da primeira escala de
avaliação neuromotora para as crianças brasileiras, Dra. Helena Antipoff, assistente
11
de Claparéde, em Genebra, no Institut Jean- Jacques Rosseau e auxiliar de Binet e
Simon em Paris, da escola experimental “La Maison de Paris”, trouxe ao Brasil sua
experiência em deficiência mental, baseada na Pedagogia do interesse, derivada do
conhecimento do sujeito sobre si mesmo, como via da conquista social... Em 1972, a
argentina, Dra Dalila de Costallat, estagiária do Dr. Ajuriaguerra e da Dra. Soubiran
em Paris, é convidada a falar em Brasília às autoridades do Ministério da Educação,
sobre seus trabalhos em deficiência mental e inicia contatos e trocas permanentes
com a Dra. Antipoff no Brasil”(ISPE-GAE, 2007).
Nesse contexto a psicomotricidade se destaca das outras disciplinas,
buscando sua especificidade e autonomia. Em torno da década de 1970, muitos
autores definem a psicomotricidade como a motricidade de relação; no ano de 1979
é realizado o 1º Encontro Nacional de Psicomotricidade promovido pelo GAE (Grupo
de Atividades Especializadas).Já em 1982 o ISPE-GAE promove o vínculo científicocultural com a Escola Francesa, através da Delegação Brasileira da OIPROrganisation Internationale de Psychomotricité et de Relaxation. Em 19 de Abril de
1980 foi fundada a SBP- Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, entidade sem
fins lucrativos, de caráter científico- cultural, onde luta pela regulamentação dos
profissionais e contribui para o progresso da ciência. A partir de então se delimita a
diferença entre postura reeducativa e a terapêutica, observando-se as diferenças
quanto às intervenções, num processo de ocupar-se quanto à importância do corpo
em sua totalidade, nas suas relações, na afetividade e ao fator emocional.
Os trabalhos como os de Wallon (1968) e de Ajuriaguerra, (1998) o primeiro,
na perspectiva do desenvolvimento infantil, destaca os estádios, focados na
atividade intelectual: impulsivo tônico emocional, sensório-motor, projetivo e
personalítico, tornando-se responsável pelo aspecto da reeducação psicomotora,
sendo mais tarde dirigidos mais enfaticamente e qualitativamente pelos doutores
Julian Ajuriaguerra e Giselle Soubiran. Estabelecendo pois,
dentro da teoria
psicológica, as relações entre comportamento, o desenvolvimento humano e a
maturação do sistema nervoso central.
Ainda na década de 30, avançam as idéias de Jean Piaget(1976), de que a
criança não é um “adulto em miniatura”, mas que, de acordo com o amadurecimento
12
corporal, vai adquirindo conhecimento e passando durante esse processo por
mudanças psicológicas extremas. Wallon nos seus trabalhos sobre a psicologia do
desenvolvimento demonstra sua postura interacionista, alertando que o ser humano
não é só formado pela influência fisiológica, mas também pela influência social.
Na teoria walloniana, a questão da motricidade é muito forte, apresenta-se
como instrumento de comunicação psíquica. Quando a criança ainda não apresenta
a linguagem verbal, ela procura exprimir por meio da motricidade suas diferentes
necessidades juntamente com os aspectos afetivos de bem ou mal estar. Nesse
contexto, Fonseca (2008, p.15) ressalta:
A motricidade contém, portanto, uma dimensão psíquica, e é um
deslocamento no espaço de uma totalidade motora, afetiva e
cognitiva, que se apresenta em termos evolutivos segundo Wallon
sob três formas essenciais: deslocamento passivos ou exógenos,
deslocamento ativos ou autógenos e deslocamento práxicos.
Destacando nessa análise que as contribuições de Wallon (1963) conduzirá
sua teoria sobre os estágios e os transtornos do desenvolvimento mental e motor da
criança, Piaget considerou-as pilares fundamentais na construção teórica no campo
da motricidade; Freud e Spitz, pelo aspecto psicanalítico na incorporação e
complementação desses estudos. Atualmente se investiga as causas das
dificuldades da aprendizagem nas literaturas da psicologia do desenvolvimento.
O período que marca o ser humano desde o nascimento até a fase adulta,
revela-se na formação, de que todo organismo passa pelo desenvolvimento
biológico, incorporado a uma espetacular organização maturacional, evolutiva e
integrada.
Dentro dessa evolução o corpo produz uma série de profundas modificações
desencadeadas pelas diversas estimulações, levando-os à interação com o outro e
com o meio no qual está inserido. Já no período gestacional, o sinal de vida do feto
na relação com o ambiente exterior acontece quase que exclusivamente pela
atividade motora, e esta vai com o decorrer do tempo, ampliando essa evolução.
13
Guilmain (1981, p.24) com estudos empreendidos no início do século XX, no
campo da motricidade, aborda com esses estudos fundamentalmente quatro
direções, visto que ainda são complementares:
- Síndrome de debilidade motriz; as relações entre essa síndrome e a
debilidade intelectual.
- Estudo do desenvolvimento das funções motrizes na criança,
pesquisas de testes de níveis de desenvolvimento da habilidade
manual e das aptidões motrizes de acordo com a idade.
- Estudo da dominância da lateralidade, dos transtornos perceptivos
motores em busca também das suas relações com as dificuldades de
aprendizagem na aquisição das habilidades de leitura, escrita e
cálculo, em crianças com nível de inteligência lógica normal.
-Testes motores que possibilitem determinar características afetivas
motrizes na criança; e as relações entre o comportamento motor do
indivíduo, juntamente com as características fundamentais com
relação ao seu caráter.
O início da corrente das reflexões foram os estudos de Dupré (1909) sobre o
tema, seus primeiros trabalhos foram publicados em uma revista de Neurologia, com
o título de “Síndrome da Debilidade Motriz”, onde especificava que essa síndrome,
apresenta características compostas por: movimentos involuntários quando da
execução de uma ação (sincenesias), a incapacidade de relaxar uma musculatura
voluntariamente (paratomias) e a falta de habilidades.
Assim descreve Dupré:
Numa série de trabalhos, descrevi, sob o nome de debilidade motora,
um estado patológico congênito da motilidade, frequentemente
hereditário e familiar, caracterizado pela exageração dos reflexos
tendinosos, perturbações do reflexo da planta do pé, sincinesia,
torpeza dos movimentos voluntários finalmente, por uma variedade
de hipertonia muscular difusa em relação aos movimentos
intencionais e que têm impossibilidade de realizar voluntariamente a
resolução muscular. Propus, para designar este último problema, o
termo de paratonia. Quase todos os sujeitos paratônicos são pouco
aptos para a execução de movimentos delicados, complicados ou
rápidos. Na vida quotidiana mostram-se inábeis, torpes, desajeitados
como se costuma dizer.”(DUPRÈ apud et al LEVIN, 2000,p.24).
Com esse estudo, colabora na formulação da noção do conceito da
psicomotricidade, pautando-se numa linha neurológica, sugerindo uma estreita
relação entre o desenvolvimento da psicomotricidade, da cognição e afetividade.
14
Heuyer (1936, p.46) reforça os estudos, propondo uma prática reeducativa
para as perturbações psicomotoras: “ Em crianças que apresentam retardamento
intelectual, é necessário conceder um lugar importante à educação motriz ao lado da
instrução pedagógica particular...”
Já Ajuriaguerra (1998) impulsiona de forma bastante expressiva a história
contemporânea da psicomotricidade. Novas metodologias estruturadas, configuram
os grandes conceitos que formam a psicomotricidade atual.
Robert Vallet (1990, p.95), psicólogo educacional americano, parte do
princípio de que a educação influencia o funcionamento e crescimento cerebral.
“A educação neuropsicológica é constituída como uma forma de
treinamento que tenta mudar ou melhorar o funcionamento e a
operação do cérebro através de exercícios e tarefas especiais e
atividades de aprendizagem prescritiva”
Dentre os estudiosos brasileiros, destaca-se Suzana Veloso Cabral que
desenvolve trabalhos na abordagem da Psicomotricidade Relaciona, para ela,”a
Psicomotricidade Relacional no campo escolar utiliza-se do simbolismo do jogo para
sua intervenção terapêutica e para promover o desenvolvimento mais harmonioso
das crianças que a vivenciam em escolas e creches”(CABRAL,2001, p.23).
Conforme Cabral (2001, p.89) afirma, ainda: o objetivo da Psicomotricidade
Relacional é que o corpo possa encontrar-se vivo na escola, constituindo-se num
instrumento de expressão e de relação do sujeito com o grupo, a própria escola, e
com a aquisição de conhecimentos e o aprendizado.
Nos fundamentos da psicomotricidade se estuda o movimento humano e a
suas relações com o mundo, com estudos baseados na filogênese e ontogênese do
aspecto humano, e este só tem sentido, quando a conseqüência motora da conduta,
está entendida em suas relações com a conduta do ser, observando-se sua
totalidade.
15
CAPITULO II
O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA
A
Sociedade
Brasileira
de
Psicomotricidade forma
o
conceito
de
Psicomotricidade como: “É uma neurociência que transforma o pensamento em ato
motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas
pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado” (SBP,1999 apud
LUSSAC, 2008,p.05).
Propondo, pois com esse conceito uma relação entre o pensamento e a ação,
podendo-se integrar a essa mecânica as fases do desenvolvimento infantil,
ressaltando pois, a importância dos aspectos psicomotores no decorrer do processo
de aprendizagem.
Nessa perspectiva, Loureiro apud ISPE-GAE (2007) relaciona corpo e mente:
“a psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, psicocognitivos
funcionais, sujeitos às leis de desenvolvimento e maturação manifestados pela
dimensão simbólica corporal própria, original e especial do ser humano”.
De acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade é a ciência que
tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em
relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de
maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.
É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.
Psicomotricidade, portanto é um temo empregado para uma concepção de
movimento organizado e integrado, em funções das experiências vividas pelo sujeito
cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.
Considerado um processo seqüencial e progressivo, diretamente ligado às
idades cronológicas, é pelo desenvolvimento psicomotor que a criança vai
adquirindo habilidades motoras, que progridem de movimentos simples e
desarmônicos para execução de habilidades harmônicas e complexas.
16
Esse processo ocorre de maneira dinâmica sendo possível ser moldada a
partir de estímulos externos. A interação entre os aspectos individuais, ao ambiente
ao qual está inserido e a aprendizagem a ser adquirida, atuam diretamente na
aquisição das habilidades motoras.
Sabe-se que muitos são os fatores que colocam em risco o desenvolvimento
normal dessas habilidades, dentre eles, a questão biológica ou ambiental, que
muitas vezes aumentam a probabilidade de deficiência no desenvolvimento
neuropsicomotor da criança. As principais causas de atraso motor podem ser: ao
nascer, ter baixo peso, problemas cardíacos, respiratórios ou neurológicos,
infecções neonatais, prematuridade, desnutrição, baixo nível de condições sócio econômica educacional e cultural. Quanto mais se apresentarem esses fatores,
maiores serão as possibilidades de déficits no desenvolvimento.
Ocorrem casos, porém de crianças que não apresentam seqüelas, mas
algumas áreas do desenvolvimento neuropsicomotor estão comprometidos, alguns
estudos destacam prejuízos mais comuns nas áreas da memória, na coordenação
viso motora e na linguagem. Alguns outros fatores de ordem psicológica e social,
como baixa autoestima, hiperatividade, isolamento, desencadeiam problemas na
coordenação e controle dos movimentos que se prolongam até a idade adulta,
dificultando com isso a interação social e o desempenho escolar.
O teste de avaliação do desenvolvimento motor auxilia no diagnóstico,
mostrando idade cronológica e área avaliada (força muscular, motricidade fina e
ampla, a fala, o tônus e abrangendo mais avaliações das capacidades funcionais.
Essas atuações ou intervenções devem ser postas em prática, já nos
primeiros anos de vida (12 a 18 meses) onde acontece uma melhor plasticidade
cerebral obtendo-se maiores ganhos e mais êxito no desenvolvimento motor.
O processo de aprendizagem então acontece do mesmo modo que o corpo
desenvolve-se, ocorrendo então a harmonia entre corpo e mente, no qual um auxilia
e impulsiona o outro. Nas primeiras fases da infância, se faz de grande importância
estímulos com atividades de movimento corporal.
17
De acordo com Fonseca apud Oliveira (2001) p psíquico e o motor devem ser
enxergados como componente único, pois tratam de um só não se pode enxergar no
termo psicomotricidade dois componentes distintos, o psíquico e o motor, pois
ambos tratam – se de um só”.
No momento do nascimento, no contato com o mundo externo, a criança já
manifesta sua presença com movimentos reflexos, e à medida que o tempo passa,
encontrará harmonia nos movimentos e desenvolverá o controle motor, então o
desenvolvimento psicomotor será fruto da maturação do sistema nervoso e do meio
ambiente.
É por meio dos primeiros cuidados que a criança percebe seu próprio corpo
como separado do outro, organiza suas emoções e amplia seus conhecimentos
sobre o mundo (RCNEI, 1998, p.15).
Nos
primeiros
anos
do
desenvolvimento
infantil,
os
estímulos
são
fundamentais e decisivos para a formação da sua personalidade, sendo
posteriormente, objetos de aprendizagem na descoberta de si mesma, do meio
social e natural, da intercomunicação e linguagem.
Ao longo desse processo a criança adquire habilidades que farão parte do
seu meio social, como ser relacional, cuja fonte dinâmica dessa relação é a
linguagem.
A evolução da linguagem já acontece nos primeiros anos de vida, sendo que,
a fase que vai dos três aos seis anos é uma das etapas mais importante, para isso é
necessário que a criança apresente certo grau de maturidade.
De acordo com A. De Meur e L. Staes (1989. p. 05))
A
função motora, o desenvolvimento intelectual e o
desenvolvimento afetivo estão intimamente ligados na criança: a
psicomotricidade quer justamente destacar a relação existente
entre a motricidade, a mente e a afetividade e facilitar a abordagem
global da criança por meio de uma técnica.
18
O ambiente com ações positivas favorecem e dão novo formato na moldagem
dos aspectos do comportamento motor, facilitando o desenvolvimento normal,
possibilitando a melhor exploração e interação com o meio.
Especialistas ressaltam que num estudo onde foi pesquisada a influência do
ambiente na aquisição de habilidades motoras em crianças pré-escolares, foi
observada que o desenvolvimento de crianças saudáveis sofreu influências
negativas dos fatores de risco ambientais, tais como a utilização de brinquedos
inadequados para a faixa etária e a falta de orientação pedagógica em creches
públicas.
“Uma pesquisa sobre o efeito da desnutrição leve sobre o desenvolvimento
neuropsicomotor de lactentes confirmou uma tendência de prejuízo nas áreas da
linguagem e sociabilidade”. (UNIFESP, REVISTA ELETRONICA, 2008, p.226.)
Nos estudos contemporâneos a respeito da psicomotricidade não se ressalta
somente os problemas motores, mas também as ligações com a lateralidade, à
estruturação espacial e a orientação temporal, juntamente com as dificuldades de
aprendizagem de crianças de inteligência normal. Nesse contexto estrutura-se as
relações existentes entre o gesto e a afetividade.
Sendo assim, essas técnicas podem desenvolver no indivíduo a formação do
“eu”, a dominância lateral, a maneira com a qual se localiza no espaço e no tempo e
como se situam as coisas, umas em relação às outras e como pode se expressar
através dos desenhos e do grafismo.
Segundo Ferreira (2011) a educação psicomotora auxilia no desenvolvimento
das crianças, contribuindo na organização da sua unidade e globalidade de ser
humano, organização espacial, temporal e de intensidades, tanto quanto nas suas
relações afetivas por meio da interação com o outro.
Nossa
experiência
pessoal
nos
permite
constatar
de que forma a inteligência e afetividade dependem intimamente da
vivência corporal e motora e de que forma está o corpo implicado em
todo
o
processo
chamado
intelectual
(LAPIERRE
e
AUCOUTERIER,1977, p.3).
19
As experiências no período infantil são extremamente necessárias para
desenvolver com mais precisão a maturação cerebral e função neural, possibilitando
capacidade de modificação do sistema nervoso, sendo este então passível de
alterações ocasionadas por estímulos naturais.
È muito importante considerar o desenvolvimento motor infantil, pois atrasos
motores acarretam prejuízos que podem se estender até a fase adulta. Sendo
assim, os fatores de risco para o atraso no desenvolvimento devem ser eliminados
sempre que possível.
Com a identificação precoce de distúrbios no desenvolvimento motor,
realizada através de uma avaliação criteriosa nos primeiros anos de vida, é possível
determinar uma intervenção adequada, a fim de que as crianças com diagnóstico de
atraso possam seguir a mesma sequência que as crianças com desenvolvimento
normal.
Esta intervenção tem demonstrado mais benefícios para as crianças quando
a participação dos pais é associada com a atuação do terapeuta. Foca-se grande
atenção no período dos 3 aos 5 anos, sendo justificado esse interesse como o
período que ocorre o desenvolvimento dos principais elementos psicomotores,
essenciais para a aprendizagem imediata e da criança.
Essa fundamentação se pauta nos estudiosos que optam pela perspectiva
psicogenética, nessa abordagem, concluem que a evolução psicomotora e a
cognitiva, acontecem em estágios, estes, pois ocorrem de forma interdependente.
Sendo assim, de acordo com essa proposta o desenvolvimento deve ser respeitado
e o processo de aprendizagem deve ser condizente com cada estágio do
desenvolvimento.
20
CAPÍTULO III
DIFICULDADES PSICOMOTORAS
Na procura de entender como ocorre na criança o desenvolvimento
psicomotor, Coste apud Coll, Palacius e Marchesim (1995, p.39), afirmam que:
a psicomotricidade está relacionada às implicações psicológicas do movimento e da
atividade corporal na relação do organismo com o meio em que se desenvolve. O
mundo da psicomotricidade é, pois, o das relações psiquismo- movimento e
movimento – psiquismo.
Na psicomotricidade há certos componentes maturativos, relativos ao
calendário maturativo cerebral [...] E certos componentes relacionais, que têm a ver
com o fato de que através de seu movimento e de suas ações a criança entra em
contato com pessoas e objetos com os quais se relaciona de forma construtiva. A
psicomotricidade é ao mesmo tempo fonte de conhecimento e expressão dos
conhecimentos que já tem, meio de gerar vivências e emoções através da relação e
expressão de vivências e emoção na relação.
Os elementos básicos da Psicomotricidade mais utilizados são: Esquema
corporal, Lateralidade, Estruturação espacial, Orientação temporal.
Esquema corporal permite ter conhecimento do seu corpo, da relação das
partes entre si e com o mundo que o rodeia. Na Lateralidade, expressa sua
dominância da habilidade, da iniciativa de ação e das capacidades funcionais e
psicomotoras de um dos lados do corpo que corresponde à assimetria dos
hemisférios cerebrais (D/E). Estruturação espacial e temporal, consciência da
orientação do corpo em relação ao outro, aos objetos, às situações, na resolução de
problemas e nas suas contextualizações individuais e coletivas quanto ás variáveis
ambientais.
As intervenções e ferramentas psicomotoras visam detectar, amenizar ou
sanar aspectos que desencadeiam as dificuldades de aprendizagem e com a qual é
21
possível diagnosticar e entender os mecanismos que conduzem e orientam o ser
humano a vivenciar sua aprendizagem de maneira mais significativa.
No início o corpo era trabalhado de forma mecânica sob o ponto de vista da
psicomotricidade.
Porém
com
os
avanços
dos
estudos
envolvendo
a
psicomotricidade, a psicanálise e a psicopedagogia, o corpo, com o surgimento das
novas concepções e da imagem corporal, se transforma num instrumento de
construção da inteligência; “[...] o corpo é o mediador que, através de sua
linguagem, propicia a relação com o outro, denuncia o ser da falta, os processos
transferenciais e a ação desejante” (COSTA, 2001, p. 18).
Segundo Wallon, citado por De Meur; Staes (1991, p.9):
O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a
formação da personalidade da criança. É a representação
relativamente global, científica e diferenciada que a criança tem do
seu próprio corpo.
Faz-se necessário que a criança se desenvolva no aspecto psicomotor para
que obtenha um bom desempenho escolar. Morais apud Silva e Borges destacam
que: “Um esquema corporal mal constituído resultará em uma criança que não
coordena bem seus movimentos, veste-se ou espere com lentidão, as habilidades
manuais lhe são difíceis, a caligrafia é feia, sua leitura é inexpressiva, não
harmoniosa”. (MORAES apud SILVA e BORGES, 2008, p.02).
A ação educativa psicomotora permite que o ser humano, desenvolva
segurança nas suas ações, movimentos harmoniosos e espontâneos, com uma
carga de afetividade que o estimulará a passar pelo processo de aprendizagem das
habilidades mais elaboradas, sem maiores dificuldades.
O pediatra Jack P. Shonkof, diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil da
Universidade de Harvard (EUA) explica o seguinte: “O cérebro se desenvolve desde
o nascimento até a vida adulta. Os genes fornecem o projeto básico para esse
progresso, mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam o modo como ele
é colocado em ação. Se elas são positivas, felizes, a arquitetura do cérebro da
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criança constrói uma fundação forte para o aprendizado, o comportamento e a
saúde”.
Segundo Costa (2001, p.16), “O corpo é um instrumento comum na relação
psicopedagógica e psicomotora, sede dos sintomas do não aprender e das
experiências acumuladas para novas aprendizagens”.
Também chamadas de “perturbações instrumentais”, as perturbações
psicomotoras evidenciam os problemas de origem motora, cognitiva, social e afetiva
e as interações que se apresentam entre esses diferentes tipos de perturbação.
Quando se percebe que a criança não está num bom processo, quanto ao
desempenho escolar, podemos obter muitas informações quando fazemos uma
pesquisa para uma melhor compreensão dos aspectos que desencadeiam as
dificuldades de aprendizagem. Elementos básicos formam o conjunto dos prérequisitos para uma boa aprendizagem que são: esquema corporal (este quando mal
constituído não coordena bem os movimentos, consequentemente as habilidades
manuais são prejudicadas, apresenta leitura expressiva não harmoniosa, não
consegue seguir um ritmo), lateralidade (não distingue a diferença entre a direita e a
esquerda, dificuldade em seguir a direção gráfica, por exemplo: leitura da esquerda
para a direita, percepção espacial (dificuldade quanto aos conceitos de direita /
esquerda, distinguir alto/baixo), orientação temporal e espacial (noção antes/depois,
sequencia numérica, raciocínio lógico- matemático e construções geométricas).
O desequilíbrio das funções psicomotoras, cognitivas e afetivas pode causar
na criança em processo de alfabetização dificuldades de manejo do simbólico. Isso
instalará uma dificuldade no processo da aprendizagem da leitura e da escrita.
(COSTA, 2001, p.46).
De acordo com A. de Meur e L. Staes, (1991) ressalta que a estimulação
psicomotriz se dirige a indivíduos que não apresentam nenhum tipo de deficiência, já
a reeducação se trabalha com indivíduos que apresentam algum atraso, transtorno
ou alguma deficiência no desenvolvimento, então apresenta com esses estudos as
diferentes perturbações de ordem motora.
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3.1 Dificuldade motora
a) Déficits motores (hemiplegia);
b) Apresenta atraso no desenvolvimento motor;
c) Perturbações do equilíbrio (ações, atitudes e comportamentos não
harmoniosos).
d) Perturbações da coordenação (habilidades manuais inadequadas).
3.2 Dificuldade intelectual
As elaborações executadas pelas crianças com esse tipo de perturbação, o
elaborações inferiores à sua idade cronológica e apresentam a seguinte
classificação:
-Leve
-Moderada
-Grave
-Profunda.
3.3 Dificuldade do Esquema Corporal
Excluindo os casos que se referem aos problemas motores ou intelectuais,
todas as demais perturbações na definição do esquema corporal tem origem no
aspecto afetivo e emocional.
3.4 Dificuldade da Lateralidade
Podem ser decorrentes de problemas motores, neurológicas ou emocionais:
ambidestro (destro do pé, sinistro da mão); lateralidade cruzada; executa
exercícios de precisão com uma mão e os de força com a outra.
Essas
dificuldades acarretam problemas de reconhecimento e preensão dos conceitos
da direita/ esquerda, na direção gráfica, escrita espelhada e na discriminação
visual.
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3.5 Dificuldade da Estrutura Espacial
Apresenta
má
integração
do
esquema
corporal,
perturbações
de
lateralidade e desorganização interna:
- Dificuldades em participar de jogos;
- Sua noção espacial é confusa;
- Apresenta tendência em confundir letras (n-u, b-p,p-q);
- Dificuldade quanto à sequenciação, ordem e quantidade;
- Dificuldades quanto ao ritmo, reversibilidade, transposição e
organização.
3.6 Dificuldade do Grafismo
- Má coordenação motora;
- Crispação ou rigidez dos dedos;
- Problemas psicológicos como ansiedade e instabilidade emocional.
3.7 Dificuldade Afetiva
De acordo com Meur e Staes (1991), todo conjunto humano é carregado de
afeto, sendo assim, essa dificuldade permeia-se juntamente com todas as outras.
Os problemas de ordem emocional e afetiva geralmente têm suas intercorrências
associadas ao meio familiar, à relação entre pai e filho, nos conflitos conjugais, nas
drogas, alcoolismo, nas perdas e separações, etc., ou seja, atitudes muito exigente,
por parte da família.
A psicomotricidade ajuda a viver em grupo. Nos exercícios
psicomotores as crianças devem respeitar as regras dos jogos.Cada
uma compreende rapidamente que o desrespeito às regras torna o
jogo impossível ou injusto e, por esse meio aceita mais facilmente as
regras da vida social.”(DE MEUR;STAES,1984,p.23).
Em sala, o professor se utiliza dos conhecimentos teóricos e práticos, no
campo psicomotor, para compreender melhor que cada criança em seu próprio ritmo
de aprendizagem e que muitas das dificuldades apresentadas, pode ser dificuldade
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psicomotora. No cotidiano escolar, oferecer jogos e brincadeiras contribui muito para
um melhor desenvolvimento psicomotor.
De acordo com Koyniak Filho (2001, p.35), “é necessário levantar um
repertório de jogos e brincadeiras e identificar quais são os aspectos da motricidade
que cada um deles estimula de forma mais intensa”.
Jogos e brincadeiras bem planejados favorecem a prática psicomotora e
apresentam
um
caráter
preventivo
quando
oferecem
possibilidades
ao
desenvolvimento dos elementos psicomotores, ou mesmo reeducativo quando
contribui para amenizar ou sanar dificuldades já instaladas.
Lapierre e Le Boulch, conforme Oliveira (1997, p.36), destacam que
“a
educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável a toda
criança”.
Le Boulch (1992, p.24) reafirma que, “ela condiciona todos os aprendizados
pré-escolares e escolares [...] deve ser praticada desde a mais tenra idade;
conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir
quando já estruturadas...”
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a finalização desse trabalho, procura-se resgatar objetivos e
universalizar os estudos na área da psicomotricidade bem como sua abrangência e
a importância desse profissional para o desenvolvimento psicomotor na infância com
enfoque nas habilidades escolares. Sendo assim a psicomotricidade se constitui um
tema para estudo altamente relevante. Com isso percebe-se e considera-se que a
criança se desenvolve-se quando interage com seu corpo, com o meio e com as
pessoas ao seu redor, uma vez que não vinculado com esses fatores, acarretará ao
não vínculo também da concentração, da capacidade de cognição com relação ao
aprendizado.
Esse tema ressalta sobre a importância da relação entre o homem e seu
corpo, considerando pois, não só os aspectos psicomotores mas também os
aspectos
cognitivos
e
sócio-afetivos
que
integram
e
constituem
o
ser
humano.Espera-se que esses estudos contribuam de maneira expressiva na
formação e estruturação do esquema corporal, objetivando-se incentivar a prática do
movimento em todas as etapas da vida, com atenção especial no desenvolvimento
infantil.Ressaltando a importância da ação psicomotora quanto à organização da
personalidade da criança, enfocando que o trabalho educativo visa promover o
desenvolvimento de suas potencialidades.
Vale salientar que a psicomotricidade não deve ser estudada isoladamente
pois apresenta-se enriquecida com inúmeras vias, tais como: a linguagem, o
emocional, a imagem corporal, na percepção e na práxis de toda uma rede
interdisciplinar, no estudo da ação do movimento humano.
Acredita-se ser de extrema importância que o educador desenvolva um hábito
de observação do seu aluno e se este apresenta um desenvolvimento psicomotor
adequado.Com essas observações poderá buscar atividades e exercícios motores
adequados, e que o ajudem no processo desse fase do desenvolvimento.Com isso a
educação psicomotora é utilizada em caráter preventivo, anulando fatores que
influenciem
desencadeiam
dificuldades psicomotoras.
problemas
de
aprendizagem
decorrentes
das
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Nesse sentido contribuir na busca por atividades psicomotoras diferenciadas
que atendam a necessidade dos alunos e que norteiem os profissionais.O trabalho
psicomotor é um meio de auxiliar à criança na superação das dificuldades de
aprendizagem e na prevenção de inadaptações que possam surgir e auxiliar no
processo de alfabetização.
Com essas considerações espera-se ter contribuído com a ampliação desses
estudos no que diz respeito ao desenvolvimento psicomotor, mas muito há de se
estudar com relação a esse tema.
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adriana maria mâncio - AVM Faculdade Integrada