UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO NÚCLEO DE PESQUISAS EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS LABORATÓRIO DE EPIDEMIOLOGIA MOLECULAR ASSOCIAÇÃO DO POLIMORFISMO CARBOXIPEPTIDASE (DCP1) INSERÇÃO/DELEÇÃO DO GENE DIPEPTIL- COM FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM ESCOLARES. Ouro Preto Agosto- 2009 I ASSOCIAÇÃO DO POLIMORFISMO CARBOXIPEPTIDASE (DCP1) INSERÇÃO/DELEÇÃO DO GENE DIPEPTIL- COM FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM ESCOLARES. Dissertação de mestrado apresentada ao Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Ciências Biológicas. Mestranda: Cristiane Vilas Boas Neves Orientadora: Renata Nascimento Freitas Co-orientador: George Luiz Lins Machado Coelho Ouro Preto Agosto- 2009 II III IV DEDICATÓRIA À minha família e amigos pelo apoio incondicional V AGRADECIMENTOS Ao CNPq e FAPEMIG pela concessão do financiamento para o projeto; À CAPES pela concessão da bolsa de mestrado; À Prof. Renata Nascimento Freitas, pela oportunidade, pela capacidade em transmitir seus conhecimentos, pela confiança no meu trabalho, pela paciência e pela amizade; Ao Prof. George Luiz Lins Machado Coelho pela acolhida no LEPI, pela disponibilidade e pelo incentivo; À Profa. Ana Paula Carlos Cândido, pelo auxílio incondicional, pelos conselhos, força, incentivo e carinho durante a execução deste trabalho. Agradeço pela amizade; À Profa Riva Oliveira de Paula pela atenção e apoio; Aos amigos do laboratório de Epidemiologia Molecular da Escola de Nutrição pela amizade, pelo espírito de equipe na execução do trabalho experimental, cada um auxiliando de formas diferentes mas todos com o empenho em executá-lo da melhor forma possível: Denise, Erica, Bruno, Alínia , Aninha, Fernando, Mariane; À bolsista de Iniciação Científica Denise Xavier Amora pela valiosa contribuição para esse projeto, pela amizade e companheirismo; À mestranda Alínia Bastos, pela disposição e companheirismo; Ao Wander Furtado, pela contribuição nos momentos iniciais deste projeto e pelas conversas e incentivo; Aos bolsistas de iniciação cientifica Aninha, Fernando e Mariane por sempre disponibilizarem tempo para auxiliar na execução dos experimentos, obrigada por fazer parte dessa equipe; VI À doutoranda Erica, agradeço pelos conselhos, incentivos, pelos ensinamentos e pela paciência; Ao doutorando Bruno pela convivência; Aos ex- alunos do LEM: Dani, Ângelo, Geórgia, Yara, Carol, Dárlen, Wander. Tivemos bons momentos no LEM, saudades; Aos Professores Marcelo Eustáquio Silva e Aureliano Claret da Cunha dos laboratórios de Nutrição Experimental e de Bromatologia da Escola de Nutrição, pelo apoio, e especialmente aos técnicos Jair e Rosângela pela disponibilidade; Ao Prof. José Geraldo Sabioni e ao técnico Caetano do Laboratório de Microbiologia dos Alimentos da Escola de Nutrição, pelo apoio; Ao auxiliar de laboratório Luiz Carlos pela autenticidade e prontidão em resolver nossas limitações físicas e de equipamentos; Aos professores do NUPEB pelos ensinamentos transmitidos; Ao Prof. Ieso de Miranda Castro por disponibilizar material, sempre que solicitado; Aos amigos do mestrado: Helen, Roenick pela convivência, amizade e cumplicidade; Aos técnicos Chicão, Bruno e Leandro que cederam equipamentos e laboratório para a realização da destilação do fenol; A todos os funcionários da Escola de Nutrição, especialmente “Zezinho” por tornar mais segura nossas empreitadas noturnas; à Elenice e Eliete companheiras e grande incentivadoras; ao Sérgio e a Lulu pelo apoio administrativo; À Cida, secretária do NUPEB, pela dedicação aos alunos e ajuda permanente; Aos amigos de LEPI, pela convivência; VII Enfim, agradeço a todos que de alguma forma tornou possível a execução deste trabalho. VIII RESUMO Foi realizado estudo epidemiológico transversal descritivo das associações entre fatores de risco para DCV (antropométricos, bioquímicos e clínicos) e o polimorfismo de inserção e deleção (In/Del) do gene da enzima conversora de angiotensina (DCP1) em escolares do ensino fundamental. O polimorfismo In/Del DCP1 foi determinado a partir do DNA obtido de 773 amostras de sangue pela amplificação por reação em cadeia da polimerase (PCR). As crianças foram agrupadas conforme o genótipo apresentado (DD, homozigotas para deleção; ID, heterozigotas e II, homozigotas para inserção) e variáveis contínuas (peso, altura, IMC, CC, %GC, glicose, colesterol total, HDL-c, LDL-c, triglicerídeos e pressão arterial) foram comparadas entre os grupos de genótipos considerando a amostra total e após estratificar por sexo e por maturação sexual. Observou-se que os níveis glicêmicos para as crianças DD (83,57 mg/dl) eram estatisticamente maiores que das crianças II (81,81 m g/dl) resultado similar foi encontrado ao avaliar os meninos no estádio pós-púbere. Os meninos DD também apresentaram percentual de gordura corporal estatisticamente maior que os meninos ID. Adicionalmente os meninos DD apresentaram níveis da pressão arterial diastólica (60,50 mmHg) menores do que meninos ID (61,56 mmHg) seguidos dos meninos II (63,21 mmHg), comportamento similar encontrado para todas as crianças no estádio puberal. Ao avaliar os meninos estratificados por estádio de maturação sexual, foram observadas associações apenas no estádio pré-pubere e pós-púbere. No estádio prépúbere, além de manter o comportamento para o percentual de gordura corporal mencionado, os meninos DD apresentaram níveis de TG (78,73 mg/dl) e IMC (17,49 Kg/m2) maiores do que meninos ID (16,31 mg/dl; 16,31 Kg/m2); e no estádio póspuberal, o comportamento da pressão arterial alterou, os meninos DD (113,8 mmHg) apresentaram níveis da pressão sistólica maiores do que os meninos ID (107,1 mmHg). Para as meninas foram encontradas associações entre as variáveis avaliadas e o polimorfismo apenas após a estratificação por estádio de maturação sexual. Observou-se que na fase pós-puberal as meninas DD apresentavam fenótipo associado ao menor risco para DCV que meninas ID ou II. Nossos resultados indicam uma interação entre o polimorfismo In/Del do gene DCP1 e fatores hormonais na determinação de fenótipos associados ao risco de DCV em crianças e adolescentes. IX ABSTRACT A descriptive cross-sectional study was accomplished on the associations between risk factors for CVD (anthropometric, biochemical and clinical) and the insertion/deletion polymorphism (In/Del) of the gene of the angiotensin-converting enzyme (DCP1dipeptidylcarboxipeptidase 1) in schoolchildren. The In/Del DCP1 polymorphism was determined from DNA obtained of 773 participants by the amplification for polimerase chain reaction (PCR). The children were grouped according to the genotype (DD, homozygous for deletion; ID, heterozygous and II, homozygous for insertion) and continuous variables (weigh, height, BMI, waist circumference, % body fat, glycemia, total cholesterol, HDL-c, LDL-c, triglycerides and blood pressure) were compared among the genotypes groups considering the total sample and after stratifying for sex and for sexual maturation. It was observed that the glycemia levels were statistically higher in children DD (83,57 mg/dl) than in children II (81,81 m g/dl); similar result was observed when evaluating boys in the post-puberty stage. The boys DD also presented % body fat statistically higher than boys ID. Additionally, boys DD presented lower levels of the diastolic blood pressure (60,50 mmHg) than boys ID (61,56 mmHg) followed by boys II (63,21 mmHg); similar behavior was found for all children in the pubertal stage. When boys stratified by stadium of sexual maturation were evaluated, associations were observed only at the pre-pubertal and pubertal stages. In the prepubertal stage, besides maintaining the behavior for the % body fat, boys DD presented higher TG (78,73 mg/dl) and BMI (17,49 Kg/m2) than boys ID (16,31 mg/dl and 16,31 Kg/m2, respectively); and in the pubertal stage, the behavior of the blood pressure altered, with boys DD presenting higher systolic blood pressure (113,8 mmHg) than boys ID (107,1 mmHg). For the girls, associations between risk factors and the polymorphism were found only after categorizing for sexual maturation stage. It was observed that in the pubertal phase, girls DD presented phenotype associated to lower risk for cardiovascular disease than girls ID or II. Our results indicate an interaction between the In/Del polymorphism of the DCP1 gene and hormonal factors in the determination of phenotypes associated to the risk of cardiovascular disease in children and adolescents. X LISTA DE FIGURAS E QUADRO Página Figura 1 Esquema ilustrativo de todos os órgãos e seus produtos 19 responsáveis pela formação da angiotensina II. Quadro 4.1 Seqüência das soluções utilizadas para corar os géis de 42 poliacrilamida seguindo-se uma adaptação do método descrito por Saguinetti et al (1994). Figura 2 Representação dos possíveis genótipos para o polimorfismo In/Del do gene da enzima conversora de angiotensina (DCP1). XI 48 LISTA DE TABELAS Página Tabela 5.1 Frequência alélica e genotípica do polimorfismo In/Del do gene 47 DCP1 em escolares do município de Ouro Preto, Minas Gerais. Tabela 5.2 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para 51 DCV em escolares de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.3 Média e desvio padrão dos fatores de risco selecionados para 53 DCV em escolares separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.4 Frequência do genótipo da DCP1 de acordo com os estádios de 56 maturação sexual dos escolares de 6-14 anos do município de Ouro Preto. Tabela 5.5 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para 57 DCV em escolares pré-puberes de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.6 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para 59/60 DCV em escolares pré-puberes separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.7 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para 63/64 DCV em escolares púberes de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.8 Fatores de risco selecionados para DCV em escolares púberes 65/66 separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.9 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares púberes separados por sexo de acordo com o XII 67/68 polimorfismo In/Del do gene DCP1. Tabela 5.10 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares pós-puberes separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. XIII 69/70 LISTA DE ABREVIATURAS DCV- Doenças cardiovasculares IMC- índice de massa corporal LDL-c- low density lipoprotein HDL-c High density lipoprotein CC- circunferência da cintura PAS- pressão arterial sistólica PAD- pressão arterial distólica GG% T- Gordura corporal obtido pela Tanita GG% Nhanes III- gordura corporal obtido pelo método Nhanes III WHO- World Health Organization IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Dcp1-dipeptidil-cardboxipeptidase In/Del DCP1- polimorfismo inserção/deleção do gene da dipeptilcarboxipeptidase XIV LISTA DE ANEXOS Página ANEXO 1 Questionário e termo de consentimento livre e esclarecido 111 ANEXO 2 Desenvolvimento Puberal Masculino e Feminino 142/143 ANEXO 3 Parecer do Comitê de Ética Projeto n° 054/2007 144 ANEXO 4 Parecer do Comitê de Ética n° 020/2005 145 XV SUMÁRIO Página Resumo IX Abstract X Lista de Figuras e Quadros XI Lista de Tabelas XII Lista de Abreviaturas XIV Lista de Anexos XV 1 Introdução 01 2 Revisão Bibliográfica 04 2.1 Dislipidemia 04 2.1.1 Dislipidemia e hábitos alimentares 04 2.1.2 Dislipidemia associada ao sexo e idade 05 2.1.3 Dislipidemia e obesidade 05 2.1.4 Dislipidemia e fatores genéticos 05 2.2 Diabetes Mellitus e hiperglicemia 06 2.2.1 Diabetes Mellitus 06 2.2.2 Hiperglicemia e hiperinsulinemia 08 2.3 Sobrepeso e Obesidade 09 2.4 Tabagismo, Sedentarismo, Hábitos alimentares 11 2.4.1 Tabagismo 11 2.4.2 Sedentarismo 12 2.4.3 Hábitos alimentares 13 2.5 Idade e gênero 13 2.6 Hipertensão Arterial 13 2.6.1 Prevalência da Hipertensão Arterial no Brasil 14 2.6.2 Estudos realizados com crianças 14 2.6.3 Hipertensão, idade e gênero 15 2.6.4 Hipertensão e fatores ambientais (obesidade, atividade física) 15 XVI 2.6.5 Fator ambiental: ingestão de sódio 16 2.6.6 Hipertensão e fatores genéticos 18 2.6.7 Hipertensão e Sistema Renina Angiotensina 19 2.6.7.1 Sistema Renina Renina Angiotensina 19 2.7 Polimorfismo Inserção/Deleção DCP_1 e DCV 22 3 Objetivos 32 3.1 Objetivo Geral 32 3.2 Objetivos Específicos 33 4 Material e Métodos 34 4.1 Área de Estudo 34 4.2 População e Amostra do Estudo 34 4.3 Delineamento do Estudo 35 4.4 Consentimento 36 4.5 Instrumentos de coleta de dados 36 4.5.1 Amostras biológicas e determinações bioquímicas 36 4.5.2 Aferição da pressão arterial 37 4.5.3 Variáveis antropométricas 37 4.5.3.1 Peso 37 4.5.3.2 Altura 37 4.5.3.3 Pregas Cutâneas 37 4.5.3.4 Porcentagem de gordura corporal 38 4.5.3.5 Maturação sexual 38 4.6 Extração de DNA 38 4.7 Avaliação e quantificação do DNA em espectofotômetro 39 4.8 Genotipagem do polimorfismo inserção/deleção do gene da enzima conversora da angiotensina I (DCP1) 40 4.8.1 Reação em cadeia da polimerase para polimorfismo inserção/deleção do gene da enzima conversora da angiotensina I (DCP1) 40 4.8.2 Reação em cadeia da polimerase para polimorfismo inserção/deleção do gene da enzima conversora da angiotensina I (DCP1) para amostras consideradas homozigotas para deleção 42 XVII 4.9 Processamento e Análise dos Dados 43 4.9.1 Bancos de Dados e Análises Estatísticas 43 4.10 Comitê de Ética 44 5 Resultados 45 6 Discussão 71 7 Conclusão 84 8 Perspectivas 85 9 Referências Bibliográficas 86 10 Anexos 111 XVIII 1 Introdução As doenças cardiovasculares (DCV) constituem importante causa de morte nos países desenvolvidos e também naqueles em desenvolvimento (LAURENTI, 2000), por isso, têm sido foco de estudo e preocupação. Vários estudos epidemiológicos têm demonstrando que fatores de risco cardiovascular são identificados ainda na infância e estes são considerados precursores do risco para doenças cardiovasculares na fase adulta (LI et al; 2003). Estudos têm evidenciado que a aterosclerose é um importante mecanismo para a doença coronariana, sendo uma importante causa de morte em todo mundo (mais de 16 milhões de mortes por ano). O processo aterogênico pode iniciar-se durante a infância e adolescência e permanecer como processo silencioso por muitos anos (STRUFALDI et al, 2008). Além disso, tem sido observado que eventos aterotrombóticos podem ocorrer precocemente (RABELO, 2001). Estrias gordurosas precursoras das placas ateroscleróticas podem aparecer na camada íntima da aorta aos três anos de idade e nas coronárias durante a adolescência (FORD, 2004), e as placas fibrosas podem ser observadas antes dos 20 anos de idade (RABELO, 2001). Corroborando com o relato acima mencionado, estudos de autópsia após morte inesperada em crianças e adultos jovens demonstraram que a presença e a gravidade de lesões ateroscleróticas correlacionam- se positiva e significativamente com os fatores de risco cardiovascular. O período de maior progressão das estrias gordurosas para placas fibrosas ocorre a partir dos 15 anos de idade (TRACY, 1995). Com isso, a aterosclerose passou, gradualmente, de um modelo de doença crônico-degenerativa não-transmissível e exclusivamente de pacientes de idade avançada para um modelo de doença inflamatória crônica subclínica, presente já na infância (VERRI, 1997). A possibilidade de desenvolvimento da DCV aumenta na presença de múltiplos fatores de risco resultantes de mudanças de hábitos de vida (CORONELLI, 2003) como sedentarismo, tabagismo, hábitos alimentares e obesidade. Em adição a esses fatores, a prevalência aumentada da doença crônica durante infância como hipertensão e diabete mellitus têm sido importante para detectar os fatores indicadores de maior risco cujo manejo pode prevenir a DCV na fase adulta (STRUFALDI et al, 2008). -1- Os fatores de risco cardiovascular como hipertensão, obesidade, dislipidemia, diabetes, podem se manifestar como resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais. A doença cardiovascular é uma doença multifatorial com uma predisposição genética clara associada a fatores de risco ambientais (SEKURI et al, 2005). Para identificar o risco de desenvolver uma doença cardiovascular precocemente, estudos de associação entre variantes do DNA e doenças tem sido extensivamente realizados com o intuito de identificar regiões no genoma ou genes candidatos que contribuem para o desenvolvimento de doenças, especialmente não-transmissíveis, como é o caso das doenças cardiovasculares ( ZINTZARAS et al, 2008). Portanto, o objetivo dos estudos de epidemiologia genética é identificar o perfil genético do indivíduo com alto risco de desenvolver uma doença usando a análise de polimorfismos ou variantes genéticas em diferentes loci do DNA. Na abordagem de genes candidatos são selecionados polimorfismos presentes em genes envolvidos no metabolismo dos lipídeos, na regulação dos níveis da pressão arterial, na coagulação e adesão das células endoteliais que poderiam revelar o caminho molecular que leva ao início e progressão da doença. Determinam-se então as freqüências alélicas e genotípicas e defini-se sua contribuição relativa para variação dos fatores de risco para doenças cardiovasculares (ALAVANTIC et al, 2006). Em Ouro Preto, como para muitas cidades brasileiras, a doença cardiovascular é a principal causa de mortalidade e representa segunda maior causa de hospitalização entre os adultos de 20 anos ou mais (DATASUS, 2007). Em 2001 foi realizado estudo na área urbana do município de Ouro Preto com a população a partir dos 15 anos de idade que mostrou uma alta prevalência dos fatores de risco para doenças cardiovasculares como sobrepeso (11%); obesidade (3,9%), hipertensão leve (17,4%) e dislipidemia (6,6%) na população de 15 a 19 anos (FREITAS et al, 2007). Foram também observadas frequências de 72% 20% e 8% para os alelos e3, e4 e e2, respectivamente do gene da apolipoproteína E (APOE) e a associação do alelo 4 com maior risco para ocorrência de dislipidemia (MENDES-LANA et al, 2007). Diante desses resultados, percebeu-se a necessidade em analisar a associação de fatores de risco para DCV e variantes genéticas na população jovem de Ouro Preto. -2- Nosso grupo iniciou então diferentes estudos que têm como objetivo analisar a associação de polimorfismos genéticos em genes candidatos com fatores de risco para doenças cardiovasculares em idades precoces. Assim, foi realizado estudo com escolares de 6 a 14 anos de idade de Ouro Preto que revelou prevalência de préhipertensão, hipertensão leve do tipo 1, hipertensão leve do tipo 2, de 1,2%; 1,2% e 1,5%, respectivamente. A prevalência de sobrepeso nesta população foi de 8,7% e de obesos foi de 6,2% e a prevalência de dislipidemia (colesterol elevado, 36,9% e LDL-c elevado, 5,8% e baixos níveis de HDL-c, 18,6%) foi notavelmente alta. Quase a metade dos indivíduos apresentou uma combinação de dois ou três fatores de risco para doenças cardiovasculares e, ainda 8,2% desses indivíduos tinham de quatro a seis fatores de risco. Este número de fatores de risco aumentou significativamente com a idade (CÂNDIDO et al, 2009). Esses achados apontam para a importância da realização de estudos que investiguem a interação entre polimorfismos genéticos e fatores de risco para DCV que possam contribuir na identificação de indivíduos que apresentam maior risco e que devem ser considerados em programas de atenção preventiva reduzindo assim o risco para doença cardiovascular futura. Assim, no presente trabalho propusemo-nos a avaliar as associações entre fatores de risco para DCV e o polimorfismo In/Del do gene da enzima conversora de angiotensina, que pode, de acordo com alguns estudos, estar relacionado com alterações dos níveis pressóricos e a um maior risco para DCV em adultos (ZHANG et al, 2006). Na secção a seguir será feita uma breve revisão bibliográfica sobre os principais fatores de risco para DCV e sua prevalência em crianças e adolescentes. Serão também revistos os estudos que avaliaram o polimorfismo In/Del e o risco para DCV. A seguir serão apresentados os objetivos do trabalho seguidos pela descrição dos materiais e métodos utilizados e da apresentação e discussão dos resultados. Finalmente serão apresentadas algumas limitações e perspectivas do presente trabalho no contexto de outros trabalhos realizados pelo grupo. -3- 2. Revisão Bibliográfica 2.1 Dislipidemia Segundo Rabelo (2001), a dislipidemia, é uma alteração dos níveis de lipídeos ou de lipoproteínas circulantes, causada pelas alterações na produção, no catabolismo ou no clearence, em conseqüência de fatores genéticos e/ou ambientais, dieta inadequada e/ou sedentarismo. Existem vários estudos na literatura que enfatizam as dislipidemias como fator de risco cardiovascular. De acordo com o Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NCEP, 2001), a hipercolesterolemia, em particular o aumento do LDL-c, é o principal preditor das DCVs porque as partículas de LDL-c contêm 70% de colesterol no sangue, sendo o principal alvo de intervenção médica. Níveis séricos aumentados de HDL-c diminuem o risco relativo para a DCV. O mecanismo para esse efeito protetor ocorre pela habilidade de o HDL-c fazer o transporte reverso do colesterol, ou seja, de removê-lo das células e transportá-lo para o fígado para posterior excreção. O HDL-c também previne a oxidação e agregação das partículas de LDL na parede arterial, diminuindo o potencial aterogênico dessa lipoproteína (GIULLUM, 2000). 2.1.1 Dislipidemia e hábitos alimentares As modificações de hábitos e preferências alimentares introduzidas na infância podem se tornar permanentes. Não obstante, a ingestão de gorduras durante a amamentação é fundamental para a mielinização do sistema nervoso central (BATISTA, 2003) e as recomendações para uma dieta pobre em gorduras saturadas e colesterol só são aceitáveis para crianças acima de dois anos de idade (ABRANTES, 2002). É importante evidenciar que a ingestão excedente de gorduras saturadas e trans têm mais efeito aterogênico do que a ingestão excedente de colesterol, sendo, portanto necessário atentar para o teor desses nutrientes na alimentação, uma vez que as gorduras saturadas em excesso são a principal causa dos aumentos do colesterol plasmático e do LDL-c (ADULT TREATMENT PANEL III, 2001). -4- 2.1.2 Dislipidemia associados à idade e sexo Os níveis de lipídeos e lipoproteínas sofrem variações importantes durante a fase de crescimento e desenvolvimento humano, com diferenças segundo idade e sexo. Os níveis séricos de lipídeos e lipoproteínas são superiores nas crianças e adolescentes do sexo feminino, sendo esta diferença mais expressiva durante a adolescência. Em média, as meninas apresentam níveis superiores de colesterol total, HDL- c e LDL-c (GIULIANO et al, 2005; RIBEIRO, 2000; BROTONS et al, 1998). As variações decorrentes da maturação sexual ocorrem em ambos os sexos. Nas meninas, observa-se um aumento progressivo do HDL- c a partir dos 10 anos, sendo este marcadamente superior ao dos meninos no final da adolescência. Também o LDL-c e o colesterol total elevam-se progressivamente a partir dos 14-15 anos nas meninas, sendo superiores aos dos meninos por volta dos 17-18 anos. Talvez a maturação sexual seja importante no desencadeamento deste fenômeno na adolescência. Nos meninos, a maturação sexual acarreta diminuição progressiva do colesterol total, LDL e HDL-c em função da evolução dos estágios puberais de Tanner (MORRISON et al, 2002). 2.1.3 Dislipidemia e obesidade Há uma associação positiva entre a incidência da obesidade e dislipidemia em crianças. Foram encontradas prevalências de cerca de 50% de dislipidemia em crianças com índice de massa corporal acima de percentil 99 para a idade, sendo a obesidade considerada um critério para triagem de perfil lipídico em crianças e adolescentes. Nestas crianças, a adiponectina possui uma associação positiva com a sensibilidade à insulina e com os níveis de HDL-c e negativa com os níveis de triglicerídeos. Por outro lado, a dislipidemia na infância pode estar associada ao desenvolvimento de obesidade na vida adulta, especialmente no sexo feminino. Isto pode sugerir que haja algum mecanismo geneticamente determinado que explique a associação dessas variáveis (WEISS et al, 2004). 2.1.4 Dislipidemia e fatores genéticos Os epidemiologistas genéticos (PERUSSE et al, 1989) calcularam que 50% da variação nas concentrações de colesterol na população geral podem ser explicados por polimorfismos nos genes que influenciam o colesterol total sérico e o LDL-colesterol (THOMPSON , 1990). -5- Então, provavelmente polimorfismos genéticos dos genes da Apo E, Apo B e dos genes dos receptores de LDL responsabilizam-se por grande parte da variabilidade nas concentrações de colesterol e alguns polimorfismos indubitavelmente contribuem para o desenvolvimento das dislipidemias. Portanto, a grande variabilidade de valores plasmáticos deve-se à interação poligênica e dos múltiplos fatores ambientais, acarretando, assim, uma ampla gama de fenótipos em nível populacional (HUMPHRIES et al,1995). Dessa forma, para melhor entender o processo que determina o desencadeamento das dislipidemias, é importante avaliar todos os fatores ambientais e genéticos relacionados a este fator de risco, sempre com o intuito de prevenção precoce. 2.2 Diabetes Mellitus e hiperglicemia 2.2.1 Diabetes Mellitus Diabetes Mellitus é uma doença crônica determinada pela diminuição ou total supressão da insulina (hormônio responsável pela captação da glicose sanguínea) pelas células β pancreáticas (ECDCDM, 2003). Até pouco tempo atrás, o diabetes encontrado na adolescência era exclusivamente conseqüência do diabetes tipo 1 (ou seja, doença resultante da destruição das células β pancreáticas mediadas pela resposta auto-imune celular, tendo como resultado a hiperglicemia em decorrência do déficit absoluto da insulina) (ATKISON et al, 1994). Enquanto o diabetes tipo 2 (ou seja, doença determinada pela supressão parcial da produção de insulina pelas células β pancreáticas, uma combinação de resistência à ação da insulina e à incapacidade das células β em manter uma adequada secreção de insulina) era exclusivo dos adultos (HOTU et al, 2004; GOBRAY et al, 2003). Entretanto, nos últimos anos, tem-se observado um aumento crescente na prevalência do diabetes mellitus tipo 2 entre os jovens. Anteriormente, essa forma correspondia de 12% dos casos de diabetes na juventude. Vários autores vêm relatando uma tendência no aumento da incidência do diabetes em adolescentes, com características similares às do diabetes mellitus do adulto (FAGOT-CAMPAGNA et al, 2000; PIHOKER et al, 2000; PINHAS-HAMOL et al, 1996; GLASER et al, 1995). Crianças e adolescentes de origem mexicana e da raça negra residentes dos EUA, além de populações indígenas, mostram maior susceptibilidade à doença em relação aos indivíduos brancos (PIHOKER et al, 2000; NEUFELD et al, 1998; PINHAS-HAMOL et al, 1996; GLASER et al, 1995). Sessenta e -6- nove a 75% dos adolescentes, residentes nos EUA, e portadores de DM2 são da raça negra (NEUFELD et al, 1998; PINHAS-HAMOL et al, 1996). Em contrapartida, esse aumento do DM2 na juventude não é fato exclusivo da América do Norte. Entre os japoneses em idade escolar, em vinte anos, essa incidência elevou de 0,2 para 7,6 por 100 mil indivíduos (KITAGAWA et al, 1994). No Brasil, dados do Plano de Reorganização da Atenção a Hipertensão Arterial e ao DM de 2001 apontaram para uma prevalência na população brasileira acima de 40 anos de idade de 10%, e estimou-se que, de mais de 3,6 milhões de usuários do sistema público, quase metade desconhecia este diagnóstico e apenas 2/3 destes indivíduos estão em acompanhamento nas unidades de atenção básica. Inúmeros estudos epidemiológicos demonstraram nas últimas décadas que a presença de alguns fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia, história familiar, sedentarismo, obesidade) explicam 90% do risco atribuível da doença ao redor do mundo. Em indivíduos adultos, o diabetes está associado a um alto risco de doença cardiovascular, em torno de 2 a 4 vezes maior em relação a indivíduos sem diabetes, sendo a doença cardiovascular a principal causa de mortalidade e morbidade em indivíduos com diabetes tipo 2 (FURTADO et al, 2007). Indivíduos com DM, mesmo sem doença aterosclerótica estabelecida, têm um risco elevado de desenvolver eventos vasculares no futuro. Estima-se em torno de 20% a taxa de desenvolvimento de evento cardíaco em um período de 7 anos em pacientes diabéticos sem doença cardiovascular prévia. Por este motivo, sociedades internacionais (American Heart Association, American Diabetes Association) corroboradas pelas respectivas sociedades brasileiras, definem essa condição como sendo “alto risco” para eventos cardiovasculares (FURTADO et al, 2007). Conforme NHANES III (Third National Health And Nutrition Survey, USA), pacientes diabéticos possuem uma maior prevalência de doença arterial coronariana (19,2%) quando comparados a indivíduos que não apresentam essa patologia. Como regra, indivíduos adultos jovens (<40 anos) e crianças têm um risco baixo de apresentar esse tipo de complicação, mas este risco depende das condições ambientais e genéticas a que estiverem expostos (FURTADO et al, 2007). -7- Os estudos mostram que a idade média de diagnóstico se situa entre doze e quatorze anos (PINHAS-HAMOL et al, 1996; GLASER et al, 1995). Ao avaliar a incidência estratificado por sexo, observa-se que sexo feminino, entre crianças, adolescentes e adultos jovens, mostrou-se mais susceptível ao risco de desenvolver o DM2 em praticamente todas as comunidades estudadas (PINHAS-HAMOL et al, 1996; KITAGAWA et al, 1994). A literatura demonstra que esse crescimento exacerbado do diagnóstico de diabetes tipo 2 em adolescentes, está atribuída a transição nutricional, ou seja, ao crescente aumento da obesidade nas crianças em idade escolar no mundo. 2.2.2 Hiperglicemia Como se sabe, a hiperglicemia é um estágio intermediário para desenvolvimento do diabetes (JOLLIFFE et al, 2006). Muitos estudos têm encontrado que a hiperglicemia se manifesta precocemente nas crianças e/ou adolescentes obesos ou com sobrepeso (JOLLIFFE et al, 2006). A hiperglicemia pode levar ao aumento na captação da glicose pelos tecidos e sua metabolização. Além disso, a hiperglicemia pode levar a glicosilação de proteínas extracelulares (como a LDL, que é mais aterogênica), geração de radicais livres (aumento do estresse oxidativo) e de produtos terminais de glicosilação avançada. A ligação desses produtos terminais aos receptores presentes no endotélio, músculo liso e fibroblastos pode levar ao aumento da permeabilidade vascular, da coagulação, diminuição da trombólise, maior proliferação celular e aumento da produção de proteínas de matriz extracelular. A geração de radicais livres pela hiperglicemia pode promover a aterogênese por meio da peroxidação da LDL (molécula mais aterogênica), pela oxidação do fibrinogênio (aumento da coagulação), por aumentar a ativação plaquetária pelo colágeno e por diminuir a produção do óxido nítrico (GIULIANO et al, 2005). Dentro do grupo pediátrico, hiperglicemia raramente ocorre (ALMEIDA et al, 2008). Estudos revelam uma associação entre obesidade e diabetes, principalmente em grupos étnicos considerados de alto risco para diabetes, como indianos, canadenses, africanos hispânicos, japoneses e asiáticos (INVITTI et al, 2003) e mais recentemente, em grupos multi-étnicos dos Estados Unidos da América. Nestas populações a evolução da hiperglicemia está associada com resistência a insulina e diminuição da capacidade secretora das células β, e com a deterioração destas, evolui para diabetes. Portanto, o risco de progressão da hiperglicemia crônica pode também estar relacionado a fatores -8- constitucionais, uma vez que crianças americanas de origem africana e jovens japoneses com hiperglicemia exibem maior e menor resposta insulínica, respectivamente, a uma elevação aguda dos níveis de glicose comparados aos caucasianos (INVITTI et al, 2003; GABBAY et al, 2003). Sabe-se que durante a puberdade, em função do aumento de esteróides sexuais, há profundas transformações na composição corporal e no perfil de secreções hormonais. O aumento do hormônio do crescimento pode ser determinante do aumento da resistência insulínica. Indivíduos predispostos podem não se adaptar a esta situação e, na presença de defeito na secreção de insulina pelo pâncreas, correm o risco de desenvolver a diabete mellitus tipo 2 na puberdade (GIULIANO et al, 2005) . Portanto, o Diabetes mellitus (DM) é uma condição crítica, com elevado impacto individual e coletivo ao considerar o risco para doenças cardiovasculares (FURTADO et al, 2007), devendo ser bem avaliado na fase escolar para prevenir problemas de saúde pública. 2.3 Sobrepeso e Obesidade Obesidade é um dos problemas crônicos mais comuns, sendo a obesidade infantil um importante problema de saúde pública. Primeiramente, devido ao fato de na infância e adolescência, estar associada a um número de fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) que incluem dislipidemia, diabetes tipo 2 e hipertensão. Segundo, a obesidade é um dos muitos fatores de risco associados com DCV que tem uma forte tendência a persistir na fase adulta. Portanto, a obesidade durante a infância e a adolescência aumenta o risco cardiovascular na fase adulta (COURTNEY, 2006). A Obesidade no âmbito internacional representa um dos mais importantes problemas de saúde pública, sendo o peso corporal em excesso o sexto fator de risco mais importante contribuindo para o peso global dessa doença; aproximadamente 110 milhões de crianças são classificadas, atualmente com sobrepeso ou obesidade (HASLAM et al, 2005). Esse fato ocorre especialmente em decorrência de uma rápida transição nutricional que acometeu o mundo, especialmente os países em desenvolvimento. A América Latina apresentou tendências crescentes de obesidade infantil determinada por -9- fatores ambientais como a disponibilidade de comida calórica e barata combinada com estilos de vida sedentários (CALI et al, 2008). Reforçando essa tendência mundial da obesidade infantil, Wang & Lobstein (2006) avaliaram população de escolares de 25 países e população em idade pré-escolar de 42 países, observando que a prevalência de sobrepeso infantil tem aumentado em quase todos os países e obesidade e sobrepeso tinham aumentado drasticamente em países economicamente desenvolvidos e em população urbanizada (CALI et al, 2008; STURM, 2003). Nos EUA, as porcentagens da obesidade para americanos de 12 a 17 anos variam de 13 a 36%, e as porcentagens de sobrepeso de 4 a 12%, dependendo do sexo e da raça. (SALGADO et al, 2008). De 1960 a 1990, a prevalência do sobrepeso em crianças cresceu de 5 para 11% (JONATHAN et al, 2002). Já a prevalência de adolescentes (12 a 19 anos) obesos aumentou de 5% para 15% na virada do século nos EUA (1976-1980). Similarmente, a prevalência de obesidade em jovens canadenses (12 a 17 anos) tem aumentado até três vezes (COURTNEY, 2006). A obesidade tem aumentado para ambos os gêneros e em todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos; entretanto, a prevalência da obesidade é desproporcionalmente maior dentre os africanos, mexicanos e americanos nativos quando comparados a outros grupos étnicos (CALI et al, 2008; COURTNEY, 2006). No Brasil a velocidade, com a qual a obesidade está aumentando, varia entre diferentes regiões geográficas, classe social, grupos de idade e sexo (STRUFALDI et al, 2008) e corroborando com a tendência mundial, a prevalência da obesidade tem aumentado significativamente nas últimas décadas (SALGADO et al, 2003; KUSCHNIR et al, 2007). Cole et al (2000) estudando adolescentes de 18 anos, encontraram prevalências para o sexo masculino e feminino de 4,7% e 15,2%, respectivamente. O Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF) com os dados da pesquisa sobre padrões de vida revelou que a prevalência de sobrepeso dentro dos adolescentes brasileiros foi 3,9% nos meninos e 7,5% nas meninas no período de 1974-1975. Nos anos 2002-2003, sobrepeso foi observado em 18% ao avaliar os meninos e 15,4% para - 10 - as meninas. A prevalência da obesidade nas crianças na fase pré-puberal estimado pelo IMC está cerca de 10% (STRUFALDI et al, 2008). Embora a mais severa complicação da obesidade não manifeste precocemente na vida, problemas cardiovasculares podem já estar evidente em idade jovens. A obesidade em crianças e adolescentes está associada com níveis aumentados de hipertensão, hiperlipidemia, diabetes tipo 2 e desenvolvimento de lesão aterosclerótica precoce. A presença desses fatores de risco não necessariamente representa morbidade em idade jovem mas um risco aumentado de desenvolvimento da DCV na fase adulta (COURTNEY , 2006; ROBISON et al, 2004; HANEVOLD et al, 2004; SALGADO et al, 2003). A obesidade é uma doença multifatorial sendo que o excesso energético que resulta na obesidade ocorre como resultado de fatores genéticos ou de mudanças adquiridas no comportamento alimentar e na prática de exercícios físicos. A eficiência do metabolismo e estoque energéticos são bons candidatos para serem determinantes na susceptibilidade a obesidade (PALOU , 2000). Sendo um importante preditor das DCV, o aumento da prevalência da obesidade na infância e na adolescência traz conseqüências em curto e longo prazo, por estar associada a fatores de risco para doenças cardiovasculares como hipertensão, dislipidemia e fatores genéticos (NCEP, 2001). 2.4 Tabagismo, Sedentarismo e Hábitos Alimentares 2.4.1 Tabagismo Além de ser fator de risco para o baixo peso ao nascer, para o escolamento prematuro da placenta e para doenças pulmonares, o tabagismo está associado a um risco elevado de doenças cardiovasculares e outras condições patológicas, sendo um dos fatores de risco em que a intervenção na infância é a mais claramente necessária e efetiva. Estudos sugerem que a exposição passiva ao tabaco está relacionada a baixos níveis plasmáticos de HDL colesterol, associado a uma disfunção endotelial significativa dose dependente (GOLD et al, 1998; MCGILL et al, 1996). Em relação aos efeitos diretos, há evidências demonstrando que leve obstrução nas vias aéreas e retardo de crescimento da função pulmonar em adolescentes estão relacionados ao tabagismo (GOLD et al, 1998). - 11 - No Brasil, até a década de 1980, o hábito de fumar entre estudantes dos níveis fundamentais e médios estava presente em 1 a 34% dos jovens entrevistados. Trabalhos mais recentes demonstram que o tabagismo continua presente em 3 a 12,1% dos adolescentes (BORDIN et al, 1991). Entretanto, vale ressaltar que investigações realizadas em 10 capitais brasileiras, envolvendo 24.000 alunos de Ensino Fundamental e Médio, nos anos de 1987, 1989, 1993 e 1997, revelaram um aumento progressivo na experimentação de cigarros pelos jovens em todas as capitais. Outra conclusão importante da pesquisa de 1997 diz respeito à tendência de equilíbrio no consumo entre estudantes de ambos os gêneros, diferentemente do que ocorria no ano de 1987, quando o predomínio era do gênero masculino. 2.4.2 Sedentarismo O sedentarismo tem sido apontado como outro fator de risco para as DCV, presente já na infância e adolescência. Observou-se que as crianças diminuíram o nível de atividade física por várias razões, como a menor tendência de caminhar e/ou andar de bicicleta e o aumento do uso de carros para transporte. Houve também uma diminuição de atividades recreativas e esportivas realizadas no tempo livre das crianças, com aumento de atividades sedentárias, como assistir à televisão, jogar videogames e fazer uso do computador (PINTO et al, 2001). Há poucos estudos sobre a prevalência do sedentarismo em crianças e adolescentes no Brasil, variando de 42% a 93,5%, o que depende do critério utilizado (SILVA et al, 2005). Embora alguns estudos demonstrem que adolescentes que praticam mais atividade física tendem a permanecerem mais ativos quando adultos jovens, outros autores demonstraram que a atividade física durante a infância não confere proteção cardiovascular se não estiver associada à permanência de um estilo de vida ativo, durante a fase adulta. Trabalhos demonstram que a atividade física de qualquer intensidade pode ser mais importante e um alvo mais real do que tentar determinar uma intensidade benéfica de atividade física. É importante ressaltar que a infância é a etapa ideal o estímulo à prática de atividades físicas, já que, a aquisição desse hábito durante a infância, aumenta a probabilidade de que o mesmo seja valorizado e permaneça na vida adulta (PELLANDA et al, 2002). A prática de atividade física exerce um efeito positivo para os riscos cardiovasculares em adultos, e, em crianças ela vinha sendo relacionada - 12 - como uma estratégia para o desenvolvimento físico (STEINBECK, 2001). Porém, alguns dados mostram que o menor nível de atividade física e o sedentarismo estão associados com maior prevalência de obesidade infantil, apontando o sedentarismo como um fator de risco presente em idades precoces (BYRNES et al, 1999). 2.4.3 Mudança nos hábitos alimentares Outro fator de risco que tem sido apontado como um dos responsáveis pela maior prevalência das DCV é a mudança nos hábitos alimentares. Essa mudança provocou a redução do consumo de vegetais e frutas e um aumento do percentual de gordura saturada e animal e da ingestão de sal e de carboidratos simples, acarretando uma menor ingestão de micronutrientes alimentares antioxidantes que são importantes para controlar ou reduzir a ação deletéria dos radicais livres no organismo (RIQUE et al, 2002) favorecendo a precocidade da ocorrência dos fatores clássicos para as doenças cardiovasculares como dislipidemia, hiperglicemia , obesidade e hipertensão arterial. 2.5 Idade e gênero Os riscos para as DCV aumentam com a idade, e a cada dez anos há uma possibilidade de aumentar em 2,5 vezes a mortalidade por essas doenças (RABELO et al, 2001). Considerando o gênero, percebe-se que as DCVs são as principais causas de morbimortalidade para ambos os sexos, mas a magnitude dos fatores de risco e a ocorrência de manifestações clínicas aparecem mais tardiamente em mulheres do que em homens. Essa diferença tem sido atribuída a menores concentrações dos hormônios esteróides na menopausa, mas as explicações biológicas para essas diferenças são mais complexas, uma vez que é necessário entender a fisiologia molecular e celular de cada hormônio esteróide sexual e seus receptores no sistema cardiovascular, mas esses mecanismos ainda estão sendo elucidados. Enquanto essas diferenças sexuais estão sendo analisadas minuciosamente, é unânime o papel tanto da testosterona para o desenvolvimento e do estrógeno na proteção contra os fatores de risco clássicos (hipertensão, dislipidemia e diabetes) para doenças cardiovasculares (OBER et al, 2008; HUXLEY, 2007; MENDELSOHB et al, 2005; REGITZ-ZAGROSEK et al, 2007). 2.6 Hipertensão Arterial - 13 - A hipertensão arterial sistêmica primária é uma doença multifatorial definida pelo III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO,1999) como uma síndrome caracterizada pelo aumento da pressão arterial associado a mudanças metabólicas e hormonais e fenômenos ambientais, na qual diferentes mecanismos estão implicados, levando ao aumento do débito cardíaco e da resistência vascular periférica. Por isso, hipertensão é um grave fator de risco independente para DCV, sendo também considerado um problema de saúde pública em todo mundo (SALGADO et al, 2003). Uma recente análise da hipertensão em diferentes regiões do mundo, estimou 972 milhões de desenvolvidos adultos com hipertensão em 2000, sendo 333 milhões em países e 639 milhões em países em desenvolvimento. Essa proporção irá aumentar em 60%, ou seja, 1,56 bilhões, até 2025 (KEARNEY et al, 2005). Adicionalmente, sabe-se que a magnitude da hipertensão contribui para predizer uma epidemia de doença cardiovascular mundial (MURRAY et al,1994). 2.6.1 Prevalência da Hipertensão Arterial no Brasil No Brasil, as síndromes coronarianas isquêmicas e DCV são responsáveis por um terço das mortes na população em geral ( SALGADO et al, 2003). Alguns estudos apontam prevalência de 22 até 44% entre os adultos. Embora a maior prevalência predomine nos adultos, em crianças e adolescentes brasileiros, a prevalência da hipertensão arterial não é desprezível. Os estudos epidemiológicos sobre hipertensão primária na infância e adolescência realizados no Brasil demonstraram uma prevalência que variou de 0,8% a 8,2% (GUS et al, 2004 ; FUCHS et al, 2001). No Rio Grande do Sul, observou-se uma proporção de 6,6% de adolescentes com níveis tensionais acima do percentil 95 para pressão diastólica e 12,9% para pressão sistólica. Em São Paulo, foi observada prevalência de 2,7% entre crianças e adolescentes (KUSCHNIR et al, 2007). Em Ouro Preto foi encontrada uma prevalência de 17,4% de hipertensão leve em jovens de 15 a 19 anos (FREITAS et al, 2007). 2.6.2 Estudos realizados da hipertensão arterial em crianças Vários estudos têm sido realizados para investigar a hipertensão na infância; estudos epidemiológicos de hipertensão na infância têm sugerido que crianças com altos níveis de pressão arterial durante a adolescência têm uma maior tendência a desenvolver - 14 - hipertensão durante a fase adulta (JONATHAN et al, 2002). Corroborando com estes estudos longitudinais tem sido demonstrado que níveis elevados da pressão arterial, inclusive dentro dos padrões normais, tendem a progredir ao longo da vida, com níveis maiores do que outros indivíduos e com maiores chances de tornarem um adulto com hipertensão (SALGADO et al, 2003 ; JONATHAN et al, 2002). 2.6.3 Hipertensão, idade e gênero A pressão arterial aumenta linearmente com a idade (VASAN et al, 2001). Em indivíduos jovens, a hipertensão decorre mais freqüentemente apenas da elevação na pressão diastólica, enquanto a partir da sexta década o principal componente é a elevação da pressão sistólica (FRANKLIN et al, 2005). A hipertensão essencial é raramente encontrada em crianças menores que 10 anos de idade, mas quando ocorrem os fatores de risco significativo para o desenvolvimento da hipertensão essencial incluem história familiar e IMC aumentado (KEAMEY et al, 2005 ). As diferenças encontradas entre os sexos para a hipertensão arterial também podem ser parcialmente explicadas pela proteção oferecida pelos hormônios esteróides femininos (estrógeno) e pelo favorecimento a altos níveis pressóricos determinado pelos hormônios esteróides masculinos (testosterona). Sendo assim, espera-se que durante o estádio puberal, as meninas estejam protegidas das alterações nos níveis pressóricos determinados pela ação do estrógeno, enquanto os meninos precisam ser mais monitorados por terem maior tendência, neste estádio, de apresentar alterações nos níveis pressóricos que podem determinar um fenótipo de risco caso o aumento perpetue até a fase adulta. Existem estimativas globais que sugerem taxas de hipertensão mais elevadas para homens até os 50 anos e para mulheres a partir da sexta década (HUXLEY ; 2007; KEAMEY et al, 2005). 2.6.4 Hipertensão e fatores ambientais (obesidade e atividade física) O excesso de massa corporal é um fator predisponente para a hipertensão, podendo ser responsável por 20% a 30% dos casos de hipertensão arterial (WHO, 1997; V DBHA, 2007). Segundo a Organização Mundial de Saúde , 75% dos homens e 65% das mulheres apresentam hipertensão diretamente atribuível a sobrepeso e obesidade. Apesar do ganho de peso estar fortemente associado com o aumento da pressão arterial, nem todos os indivíduos obesos tornam-se hipertensos. Estudos observacionais - 15 - mostraram que ganho de peso e aumento da circunferência da cintura são índices prognósticos importantes de hipertensão arterial, sendo a obesidade central um importante indicador de risco cardiovascular aumentado (NISKANEN et al, 2004; CARNEIRO et al, 2003; WHO, 1997). Estudos sugerem que obesidade central está mais fortemente associada com os níveis de pressão arterial do que a adiposidade total. Portanto, indivíduos com nível de pressão arterial ótimo, que no decorrer do tempo apresentam obesidade central, tem maior incidência de hipertensão (DE SIMONE et al, 2006). Neste caso, a perda de peso pode acarretar redução da pressão arterial (NETER et al, 2003). Outro fator ambiental que deve ser mencionado é o sedentarismo, uma vez que este aumenta a incidência de hipertensão arterial. Alguns estudiosos sugerem que indivíduos sedentários apresentam risco aproximado 30% maior de desenvolver hipertensão que os ativos (FAGARD, 2007; PAFFENBARGER et al, 1991), especificamente quando realiza-se exercício aeróbico. Uma vez que o exercício aeróbio apresenta efeito hipotensor maior em indivíduos hipertensos que normotensos (WHELTON et al, 2002). Adicionalmente, o exercício não-aeróbico possui efeito hipotensor semelhante, mas menos consistente (COMELISSEN et al, 2005). 2.6.5 Hipertensão e fator ambiental: Ingestão de sódio Um dos fatores ambientais mais importantes na predição dos níveis pressóricos é a dieta, especialmente, a ingestão de altas concentrações de sódio. Vários estudos demonstram a associação entre ingestão de sódio e hipertensão em modelos animais e em humanos. Ainda são poucos os estudos realizados em crianças, mas percebe-se, ao investigar o efeito do sal dietético na pressão arterial de crianças e adolescentes, que uma restrição de sal dietético foi mais eficiente em pacientes com história familiar de hipertensão e em pacientes obesos comparados a população geral (FALKER & MICHEL et al, 1997). Estudo de meta-análise realizado por He et al (2006) revelou que uma redução modesta (1 mmHg tanto na pressão sistólica quanto na pressão diastólica) na ingestão de sal em crianças tem um efeito significante na pressão arterial, podendo ter uma importante implicação na saúde pública em termos de prevenção de doenças cardiovasculares no futuro. Além disso, este estudo evidenciou que os países desenvolvidos possuem uma - 16 - concentração de sal em fórmulas de leite 3 vezes maior quando comparada ao leite materno. Em contrapartida, países em desenvolvimento, apresentam concentrações similares de sódio em fórmula de leites àquelas encontradas no leite materno (HE et al, 2006). Estudos realizados na década de 80 revelaram que a ingestão de sal em crianças por causa do aumento dos alimentos processados, explica 80% do total de sal ingerido. Estudos realizados nos Estados Unidos mostrou que a proporção de alimentos consumidos em restaurantes e fast foods aumentou aproximadamente 300%, e as comidas produzidas nesses locais geralmente possuem altas concentrações de sal, açúcar e gordura. Um recente estudo com 856 meninos e 845 meninas da Grã-Bretanha quantificou o sal ingerido e encontrou uma ingestão de 5,2 g para os meninos e 4,6 g para meninas ambos com idade entre 4 a 6 anos. Com o aumento da idade, observou um aumento na ingestão de sal; entre 15 e 18 anos, a ingestão de sal foi de 8,2 e 5,7 g por dia para meninos e meninas, respectivamente. Portanto, ainda que a necessidade fisiológica para a ingestão de sal não tenha sido bem elucidade nessa faixa etária, é necessária cautela na ingestão deste nutriente em qualquer idade. Existem trabalhos em andamento sobre o efeito a longo prazo da ingestão de sal no controle da pressão arterial em humanos e os resultados preliminares revelaram uma similaridade com os resultados encontrados em modelos animais, sugerindo um efeito programado da ingestão de sal na pressão arterial em indivíduos jovens (HE et al, 2006). De qualquer forma, nem todos os indivíduos que consomem altas quantidades de sódio desenvolvem hipertensão. Este fenômeno é conhecido como sensibilidade ao sódio, e é mais freqüente em pacientes com hipertensão severa, em indivíduos negros, em pacientes com história familiar de hipertensão, em idosos e em pacientes com hiperaldosteronismo (SALGADO et al, 2003). Os mecanismos de sensibilidade ao sal são complexos e não totalmente conhecidos. Um consenso na literatura é que ocorre uma menor capacidade renal para excreção de sódio, com consequente aumento no volume circulante e da pressão arterial (CAMPESE E BIANCHI, 1994). Sendo assim, o excesso de consumo de sódio contribui para a ocorrência de hipertensão arterial. Como consenso, sabe-se que existe uma relação associado ao avanço da idade e uma maior ingestão de sal. Povos que consomem dieta com reduzido conteúdo deste - 17 - têm menor prevalência de hipertensão e a pressão arterial não se eleva com a idade. A população urbana brasileira foi identificada por ter a maior ingestão de sal nos níveis socioeconômicos mais baixos, sendo motivo de preocupação (V D B H A, 2007). 2.6.6 Hipertensão e fatores genéticos Considerando a hipertensão arterial uma doença multifatorial, percebe-se uma interação entre os fatores genéticos e ambientais para seu desenvolvimento. Estudos conduzidos no âmbito genético sugerem que fatores hereditários contribuem com cerca de 20 a 50% da variação na pressão arterial em humanos (SALGADO et al, 2003). Pesquisadores notaram que 49% dos pacientes com hipertensão infantil primária tinham um parente com hipertensão secundária. Adicionalmente, em outro estudo foi possível observar que adolescentes com hipertensão primária têm 86% de história familiar positiva para hipertensão. Um fator importante a ser considerado é a raça; sabe-se que na população adulta, a porcentagem da prevalência, morbidade, mortalidade em decorrência da hipertensão são maiores dentre os negros. Ainda não está bem estabelecida a mesma relação em crianças hipertensas (SALGADO et al, 2003), pois existem dados insuficientes para definir o papel da raça na hipertensão infantil. Muitos estudos mostram crianças negras com maiores níveis de pressão arterial comparadas as crianças brancas (GREGORY et al, 2006) . Adicionalmente, outro estudo detectou que algumas desordens do sono e raça negra podem ser fatores de risco potenciais para hipertensão essencial na infância (PAFFEMBARGER et al, 1991). Existem estudos que sugerem que a hipertensão é mais prevalente em mulheres afrodescendentes com excesso de risco de hipertensão de até 130% em relação às mulheres brancas (V D B H A, 2007). Diante do que foi exposto, fica clara que as DCVs podem ter sua origem na infância e adolescência e como são doenças multifatoriais, é importante monitorar as crianças em cada estádio da maturação sexual para evitar que as alterações determinadas pelos hormônios sexuais caracterizem um fenótipo de risco. Quando necessário deve ser realizadas intervenções precoces mais efetivas sobre os fatores de risco (alterações nos níveis lipídicos; nos níveis glicêmicos, nos níveis pressóricos, na composição corporal), reduzindo, a morbidade e mortalidade futura (SANTOS et al, 2008). - 18 - Considerando que as DCVs são poligênicas, a patogênese da hipertensão tem comportamento similar. Na seção a seguir iremos rever o papel de genes do Sistema Renina-Angiotensina, levando em conta que a ocorrência de alterações em alguns dos genes deste sistema ou a combinação dessas alterações podem resultar em manifestação clínica de hipertensão (SALGADO et al, 2003). 2.6.7 Hipertensão Arterial e o Sistema Renina-Angiotensina 2.6.7.1 Sistema Renina-Angiotensina O Sistema Renina-Angiotensina (SRA) é coordenado por uma cascata hormonal e protéica responsáveis por controlar as funções cardíacas, renais e das adrenais (CAREY et al, 2003) envolvidas em especial no controle do balanço eletrolítico, dos fluidos corporais e na pressão arterial. A figura 1 apresenta um desenho esquemático do funcionamento desse sistema. Figura 1: Esquema ilustrativo de todos os órgãos e seus produtos responsáveis pela formação da angiotensina II. Esta figura mostra que o angiotensinogênio (origem hepática) é substrato da renina (produzida pelos rins), enzima responsável pela degradação à angiotensina I e esta sob ação da enzima conversora da angiotensina I ( produzida por vários órgãos ,especialmente ,rins e pulmão) digere a angiotensina I em angiotensina II que é um potente vasopressor determinando assim um aumento da pressão arterial. - 19 - O sistema renina angiotensina clássico é constituído por quatro proteínas principais: renina (REN), angiotensinogênio (AGT), enzima conversora da angiotensina (ECA) e os receptores para a angiotensina II (AII) (LIMA et al, 2007). Portanto, os genes que codificam esses componentes possuem um papel central na determinação da susceptibilidade genética para desenvolvimento de doenças cardiovasculares e tem sido exaustivamente estudados (GUI-YAN et al, 2006; ZHU et al, 2003; PONTREMOLI et al, 1996; HARRAP et al, 1993 ). A seguir, vamos sintetizar todas as funções dessas proteínas e, posteriormente falar especificamente do polimorfismo da enzima conversora da angiotensina I estudos deste polimorfismo relacionado a doenças cardiovasculares que será o foco do presente trabalho. A renina é uma enzima circulante liberada pelas células justaglomerulares dos rins sendo responsável pela quebra do décimo aminoácido do angiotensinogênio convertendo-o a angiotensina I (que é um decapeptídeo) (ZHUO et al, 2007). No homem, o gene da renina (REN) está localizado na região do cromossomo 1q32 (LIMA et al, 2007) . Apesar de ser uma das proteínas que iniciam o processo de degradação, esta enzima não é o foco principal dos pesquisadores, por isso, ainda existem poucos artigos elucidando esse gene e seus polimorfismos. O angiotensinogênio é uma proteína circulante de origem hepática, composta por 13 aminoácidos, que requer glicocorticóides das glândulas adrenais e estrógeno das gônadas, e é o substrato da ação da renina (angiotensinogenase) (ZHUO et al, 2007) (Figura 1). O angiotensinogênio é expresso em muitos tecidos incluindo fígado, tecido adiposo, coração, veia, cérebro e rim (DICKSON ET AL, 2006) . Além disso, é codificado pelo gene AGT localizado no cromossomo 1q42-43 (DIKMEN et al, 2006) e contêm cinco exóns (DICKSON et al, 2006). Esta proteína pode ser clivada por diferentes enzimais para gerar angiotensina I ou angiotensina II diretamente. Muitos polimorfismos no exon e na região promotora do gene AGT (por exemplo: C532T; A217G; C18T; A20C; T+31C; T174M ; G6A e M235T) têm sido estudados em relação às doenças cardiovasculares (JEUNEMAITRE, 2008; XU et al, 2007). Angiotensina II - 20 - A angiotensina II é um octapeptídeo hormonal (RABELO et al, 2001) e potente vasoconstritor direto (FRANCO et al; 2007). As ações da angiotensina II ocorrem pela interação desta com receptores de membrana celular das células alvo, que ao ligar ao receptor tipo I determina um controle da pressão arterial (PA), ativando estruturas como vasos sangüíneos (arteríolas e veias sistêmicas) rins, coração, adrenais e SNS (ZHUO et al, 2007; BLOEM et al, 1995), promovendo vasoconstrição, promoção do crescimento das células do músculo liso vascular, aumento na síntese da matriz de colágeno extracelular, secreção de aldosterona e hormônio antidiurético (RABELO et al, 2001) como ilustrado na figura 1. Se acoplada ao receptor tipo II , apresenta efeitos antagônicos aos mencionados. Os componentes do SRA acima mencionados já foram encontrados em tecidos como coração, cérebro, rins, glândulas adrenais, vasos sangüíneos e órgãos reprodutores. (LIMA et al, 2007) e devem ser bem elucidados para melhor entender o mecanismo do SRA e suas possíveis correlações com as doenças cardiovasculares. Enzima conversora da angiotensina I ou dipeptilcarboxipepidase I (DCP1) Na literatura existem várias nomeclaturas para esta enzima, mas como a enzima conversora da angiotensina I é uma dipeptidil-carboxipeptidase (DCP1), iremos nomeála como DCP1. A DCP1 pertence à classe das metaloproteases de zinco (FRANCO et al, 2007; DIKMEN et al, 2006) com função principal de converter a angiotensina I (um decapeptídeo inativo) em angiotensina II (um octopeptídeo vasopressor), além de inativar a bradicinina (potente vasodilatador), ou seja, a DCP1 aumenta a produção da angiotensina II, além de ser responsável pela degradação da bradicinina, uma substância vasodilatadora e natriurética (LIMA et al, 2007). A importância da DCP1 na homeostase circulatória está bem documentada. Além de estar presente como uma enzima de ligação de membrana na superfície de células endoteliais vasculares, a DCP1 também circula no plasma. A enzima plasmática pode ser sintetizada no endotélio vascular (FRANCO et al, 2007; DIKMEN et al, 2006; YOO et al, 2005; IGIC et al, 2003; PONTREMOLI et al, 1996; HARRAP et al, 1993). - 21 - Em humanos, o gene DCP1 está localizado no cromossomo 17q23, contêm 26 exons interrompidos por 25 introns e codifica uma proteína de 21Kb (DIKMEN et al, 2006). Este gene é um dos principais alvos da pesquisa molecular ao mencionar sistema reninaangiotensina e hipertensão arterial. Mais de 100 polimorfismos foram identificados no locus da enzima conversora da angiotensina I (DCP1). Sendo que o mais comumente estudado é o polimorfismo de inserção e deleção (In/Del DCP1). 2.7 Polimorfismo In/Del DCP1 e doença cardiovascular O polimorfismo inserção/deleção do gene da enzima conversora da angiotensina I (In/Del DCP1) é caracterizado pela inserção ou deleção de 287 pares de base de sequência ALU no intron 16 (RIGAT et al, 1992). Alguns estudos relatam a associação deste polimorfismo com fatores de risco para doenças cardiovasculares (GESANG et al, 2006 ; SEKURI et al, 2005; SAEED et al, 2005 ; WANG et al, 2004; KUEZNETSOVA et al, 2004; HENSKENS et al, 2003; POCH et al, 2001; GINER et al, 2000; HIGAKI et al, 2000; JENG et al, 2000; TIRET et al, 1998; NAKANO et al, 1998; BARLEY et al, 1996; HIRAGA et al, 1996; DURU et al, 1994; MORISE et al, 1994; CAMBIEN et al, 1992; ZEE et al, 1992), embora evidência para esta hipótese tem variado em diferentes estudos (MIRIS et al, 2006; YOO, 2005; BORECKI et al, 1997; WINKELMANN et al, 1996; SINGER et al, 1996; VASSILIKIOTI et al, 1996; KIEMA et al, 1996; LINDPAINTNER et al, 1995; HARRAP et al, 1993; SCHMIDT et al, 1993). Em humanos, ao quantificar os níveis plasmáticos e intracelulares da DCP1 percebe-se que estes podem ser modulados por polimorfismos comuns (ZHU et al, 2003), como o polimorfismo de inserção-deleção. Segundo Rigat e colaboradores (1990) o polimorfismo In/Del DCP1 está fortemente associado com o nível de enzima circulante, sendo o nível da DCP1 plasmática para os indivíduos considerados homozigotos para deleção (DD) cerca de duas vezes maior que os II, e os indivíduos ID apresentavam níveis enzimáticos intermediários. Corroborando com alguns trabalhos (PONTREMOLI et al, 1996; RIGAT et al, 1990), Suehiro e colaboradores (2004) demonstrou que o alelo D do polimorfismo In/Del DCP1 leva a alta expressão do RNAm da DCP1 podendo afetar o sistema na região local. Portanto, sugere-se que este polimorfismo tem uma relação direta com a atividade - 22 - enzimática, ou seja, indivíduos que carreiam o alelo D por apresentar uma atividade enzimática maior, podem ter uma produção da angiotensina II maior, o que leva alterações nos níveis pressóricos. Harrap et al examinou a distribuição dos alelos I e D do gene DCP1 e quantificou a atividade enzimática DCP1, caucasianos jovens adultos com ou sem história familiar de hipertensão (HARRAP et al, 1993) . A frequência dos alelos I e D não diferiram entre as duas populações, mas a atividade DCP1 foi maior nos indivíduos carreadores do genótipo DD. Portanto, sugere-se que a presença do alelo D está associada com elevado risco de desenvolver doenças tanto micro quanto macrovasculares na hipertensão individual ( GINER et al, 2000). Todavia, o mecanismo que determina essa associação positiva ou negativa entre os alelos I/D do gene DCP1 e doença ainda não está claro (DIKMEN et al, 2006; SINGER et al, 1996). A maioria dos estudos genéticos é conduzida em adultos sendo que relativamente poucos estudos têm examinado a contribuição de genes candidatos e especialmente do polimorfismo In/Del DCP1, no fenótipo de pressão arterial, adiposidade e intolerância a glicose em crianças (EINSENMANN et al, 2009; KOURLABA et al, 2008; BLOEM et al, 1996). O primeiro pesquisador a elucidar essa possível correlação em adultos foi Cambien e colaboradores (1992) que demonstraram um possivel papel do genótipo DD como fator de risco cardiovascular. Em contrapartida, ao avaliar o efeito deste polimorfismo para o desenvolvimento de DCV em diferentes populações observa-se resultados conflitantes. Entretanto, a maioria dos estudos sugerem que o genótipo possa ser o primeiro passo para síndrome coronariana, apresentando um possível papel no mecanismo envolvido na estabilidade plaquetária, ulceração e trombose (KRETSWSKI et al, 2007; IGIC et al, 2003). Zee e colaboradores mostraram uma frequência significativamente menor do alelo D em indivíduos hipertensos com mais de 50 anos (ZEE et al, 1992). Esses resultados foram justificados pelo maior risco de mortalidade nos indivíduos DD. Como mostrado por Morris e colaboradores, a frequência diminui com a idade, neste estudo, apenas 14% dos indivíduos com hipertensão familiar severa com mais de 60 anos eram homozigotos para deleção (DD) (MORRIS et al, 1994). Ao avaliar o risco a aterosclerose, um estudo realizado por Arbustini e colaboradores (1995) encontrou que o alelo D, tanto homozigoto quanto heterozigoto, conferia maior - 23 - risco para aterosclerose. Adicionalmente, esse alelo estava significativamente associado com o risco de infarto (embora em menores extensões quando comparadas a aterosclerose permanente). Em contrapartida, a hipertensão parece não estar correlacionada com o genótipo In/Del DCP1 neste estudo. Similarmente, nenhuma associação foi observada entre o genótipo e infarto do miocárdio. Adicionalmente, dois estudos populacionais observaram ligação entre locus do gene DCP1 e hipertensão (O’DONNELL et al, 1998; FORNAGE et al, 1998). No Japão, estudo de coorte mostrou uma associação significante entre o locus do gene DCP1 com hipertensão e pressão arterial (HIGAKI et al, 2000), mas outros estudos transversais não encontraram diferenças na pressão arterial e prevalência da hipertensão (MATSUBARA et al, 2002). Estudo realizado por Pontremoli e colaboradores (1996), ao avaliar uma população italiana de adultos concluiu que o alelo D do gene DCP1 está associado com microalbuminúria bem como retinopatia, hipertrofia ventricular esquerda, e parece ser um fator de risco independente para dano do órgão na hipertensão essencial (PONTREMOLI et al, 1996), outro estudo realizado numa população italiana indicou um aumento do risco para doenças cardiovasculares na presença do genótipo DD (FANTINI et al, 2000). Thameem e colaboradores (2008) sugeriram que o polimorfismo In/Del DCP1 em sinergismo com outros polimorfismos (AGTM235T; AT1R-A1166C), pode modular os fatores de risco associados com doença renal e cardiovascular, numa população de mexicanos. Berge e colaboradores (1994) não encontrou nenhuma evidência de associação entre o polimorfismo In/Del DCP1 e os níveis de pressão arterial sistólica ou diastólica. Em adição, Lindpaintner e seus colaboradores (1995) também não confirmaram a associação entre genótipo DCP1 e hipertrofia ventricular esquerda em indivíduos do Estudo do Coração de Framingham. Em resumo, estes estudos não confirmaram a associação entre o alelo D e o risco aumentado de doença isquêmica ou infarto do miocárdio em estudo longitudinal de homens dos EUA. Similarmente, o estudo realizado por Winkelmann e colaboradores (1996) falhou em encontrar associação entre o polimorfismo In/Del DCP1 e a doença cardiovascular, embora o efeito da atividade enzimática tenha sido demonstrado. - 24 - Estudo realizado por Franken e colaboradores (2004) avaliando 80 jovens normotensos e divindindo-os em filhos de pais hipertensos e filhos de pais não-hipertensos, não encontrou diferenças entre os grupos considerando o polimorfismo do gene DCP1, assim como qualquer relação do polimorfismo com a espessura do septo e massa ventricular. Outro fato importante a ser relatado são as diferenças nas associações dos fatores risco para doenças cardiovasculares e este polimorfismo entre os sexos. Nos últimos anos, a diferenciação sexual na pressão arterial têm sido analisada em decorrência da regulação hormonal. A incidência e a severidade da hipertensão tem sido revelada ser menor em mulheres quando comparadas aos homens (AMLOV et al, 2006; MARIC et al, 2005; RECKELHOFF et al, 2001). Estudos enfatizam que nas crianças os níveis de pressão arterial aumentam tanto em meninos quanto em meninas. Entretanto, depois do início da puberdade, os meninos tem maiores níveis de pressão arterial comparados às meninas da mesma idade (HUXLEY,2007). Em adolescentes e na puberdade, quando os níveis de andrógenos estão aumentados, a pressão arterial é maior nos meninos quando comparados as meninas ( XUE et al, 2005; HINOJOSA-LABORDE et al, 2004; RECKELHOOF et al, 1998; BROSNIHAN et al, 1997), mas outros hormônios também podem estar envolvidos (LANDAZURI et al, 2008 ) . Por isso, aumentos da pressão arterial nas crianças mais velhas (SHANKAR et al, 2005; SÁNCHEZ-BAYLE et al, 1999), e a influência da puberdade na pressão arterial devem ser investigados. Alguns estudos sugerem que o estrógeno e a testosterona podem modular a atividade enzimática do gene DCP1 ( FRESHOUR et al, 2002; GALLAGHER et al, 1999). O efeito protetor proposto pelo estrógeno pode ser devido a ação na regulação da expressão da DCP1, reduzindo sua atividade com consequente redução nos níveis circulatórios da angiotensina II, como sugerido por Gallager e colaboradores (GALLAGHER et al, 1999). Muitos estudos têm também mostrado que os níveis de DCP1 variam com a idade (RIGAT et al, 1990; CAMBIEN et al, 1988). Em crianças, a atividade da DCP1 é alta e diminui com a idade, até alcançar níveis dos adultos, que parece ser constante no indivíduo, embora possa variar de um indivíduo para outro (RIGAT et al, 1990) . Em contrapartida, um estudo de caso-controle com 338 centenários comparados a adultos de - 25 - 20 a 70 anos, Schachter e colaboradores (1994) surpreendentemente, acharam que o genótipo DD predispõe a doença cardiovascular e tem uma freqüência aumentada nos centenários, sugerindo que os centenários mantiveram a alta atividade enzimática. DCP1 e obesidade Muitos componentes do SRA têm sido detectados no tecido adiposo ( ENGELI et al, 1999). O SRA local pode estar envolvido na regulação da fisiologia do tecido adiposo e, possivelmente, na patofisiologia da obesidade e obesidade associada a hipertensão. Desde então, tem sido revelado que a angiotensina II (Ang II) aumenta a lipogênese (JONES et al, 1997) por promover o crescimento e diferenciação dos adipócitos e por inibir a lipólise ao reduzir o fluxo sanguíneo nos tecidos esquelético e adiposo levando a um aumento no estoque de gordura em indivíduos com peso normal e obesos (GOOSSENS et al, 2004), assim como a Ang II aumenta a síntese de lipídeos e das células adiposas in vitro (JONES et al, 1997). Levando-se em conta as considerações acima, pode-se supor que níveis aumentados de Ang II observados em portadores do alelo D com alterações na oxidação de macronutrientes, possuem um maior estoque de gordura e ganho de peso (KOURLABA et al, 2008). Portanto, a ativação do SRA no tecido adiposo tem sido implicada na regulação da adiposidade e obesidade evidente pela habilidade em aumentar o crescimento e diferenciação das células gordurosas, aumento da síntese, capacitação e armazenamento dos ácidos graxos e triglicerídeos (JONES et al, 1997). Embora a elucidação do mecanismo patofisiológico ainda esteja subentendido no risco associado com os genes polimórficos do SRA, é razoável assumir que variantes genéticas podem influenciar de diferentes maneiras na ativação do SRA em níveis sistêmicos. Muitas células vasculares bem como os adipócitos expressam todos os componentes do SRA, sendo a Ang II o componente mais efetor neste sistema (THAMEEM et al, 2008). Assim, a ativação do SRA no tecido adiposo pode representar uma importante ligação tanto com a obesidade como com a hipertensão, ou seja, variantes do SRA examinados podem estar associados com a ativaçao do SRA no tecido vascular e adiposo e, portanto contribuir para alteração da pressão arterial e no índice de massa corporal (IMC) (THAMEEM et al, 2008). Em particular, um estudo observou que a ingestão energética total está correlacionada com circunferência da cintura (CC), e a ingestão de - 26 - proteína associada com IMC (marginalmente) apenas dentre os carreadores do alelo D (e.x. genótipos ID or DD) (KOURLABA et al, 2008). Relação positiva entre peso corporal, adiposidade e pressão arterial tem sido observada (GUO et al, 1998) e sugere-se que a gordura corporal está relacionada à pressão arterial em crianças e que esta diferença é mais pronunciada nos extremos, ou seja, tendo um risco de 3,5 vezes maior de serem hipertensas aquelas crianças consideradas com sobrepeso comparadas àquelas com peso adequado. Adicionalmente foi encontrado que a história familiar de DCV não modificou a relação entre adiposidade e pressão arterial em crianças (EINENMANN et al, 2005). Corroborando com estes estudos, foi observada uma considerável variação na pressão arterial em indivíduos com níveis de adiposidade similares. Isto sugeriu que fatores genéticos podem modular a relação entre adiposidade e pressão arterial, especialmente nas crianças (CUI et al, 2002). Estudo realizado com crianças americanas observou que apesar da pressão arterial não ter alterado de acordo com o genótipo apresentado, a pressão arterial foi adversamente influenciada nas crianças com sobrepeso carreadoras do alelo D, ou seja, essas crianças apresentaram níveis pressóricos maiores comparadas às crianças eutróficas carreadoras do alelo I (EINSENMANN et al, 2009). A distribuição dos genótipos de DCP1 nos diferentes estudos populacionais pode ter um importante papel nesses resultados discrepantes, uma vez que acredita-se que o polimorfismo In/Del DCP1 modifique o efeito da ingestão da energia total e de macronutrientes na obesidade, revelando que este polimorfismo possa estar relacionado ao fenótipo obesidade, especialmente para os carreadores do alelo D (KOURLABA et al, 2008). Entretanto, os mecanismos não estão estabelecidos, e ainda existem muitas controversas nessa avaliação. Diabetes Estudo realizado em adultos chineses avaliou o polimorfismo In/Del DCP1 com relação aos níveis pressóricos e glicêmicos, e não encontrou associação deste polimorfismo com a pressão arterial; em contrapartida foi observada uma correlação entre o alelo I e diabetes tipo 2/ intolerância a glicose, além disso, este alelo foi mais encontrado nos indivíduos que possuíam maiores níveis glicêmicos (THOMAS et al, 2001). - 27 - Similarmente, estudo realizado por Cardoso e colaboradores (2008) determinou a freqüência do polimorfismo In/Del DCP1 e associação com fatores de risco para doenças cardiovasculares numa população adulta do Rio de Janeiro. Foi observado que altos níveis da atividade DCP1 e baixos níveis de HDL colesterol e glicose, foram associados com o genótipo DD. Finalmente, o genótipo II foi associado com variáveis relacionadas à intolerância a glicose (CARDOSO et al, 2008). Em concordância com esse estudo, Thomas e colaboradores (2001) observaram, numa população chinesa, que o alelo I foi significativamente mais freqüente no grupo que possuía diabetes tipo 2/ intolerância a glicose, e o alelo I foi associado a maiores níveis de glicose plasmática (THOMAS et al, 2001). Estudo realizado com adultos hipertensos da Malásia provou uma forte evidência de associação entre o gene DCP1 e diabetes tipo 2, sugerindo que esse alelo possa ser um importante marcador genético para diabetes nessa população (RAMACHANDRAN et al, 2008). Portanto, a maioria dos estudos concordam que o alelo I parece ter uma forte associação com níveis glicêmicos alterados, podendo ser um importante marcador genético para detectar precocemente as crianças com maior risco de desenvolver diabetes tipo 2. Etnia Há alguns anos vem ocorrendo uma migração e separação das populações ocasionando uma grande variedade na diversidade genética entre diferentes grupos raciais. Polimorfismos do SRA têm sido analisados como fatores de risco para doenças cardiovasculares em diferentes populações com resultados conflitantes. Acredita-se que polimorfismo In/Del DCP1 tenha uma freqüência diferenciada de acordo com o grupo étnico da população estudada. A relação entre esse polimorfismo e os níveis séricos de DCP1 foi descrita em estudo que incluía indivíduos brancos (FANTINI et al, 2000). Na verdade, este estudo de associação genética demonstrou relação em um grupo racial requerendo confirmação nos outros grupos. Adicionalmente, está bem estabelecido que diferenças entre grupos raciais existem no SRA, sendo relatado que os negros apresentam menor atividade da renina plasmática comparados aos brancos (BLOEM et al, 1996). Estudo realizado por Bloem e colaboradores (1996) ao avaliar o polimorfismo - 28 - In/Del DCP1 em relação à atividade sérica em crianças saudáveis em dois grupos raciais observou que em crianças e adolescentes a atividade enzimática estava relacionada ao polimorfismo em questão somente nas crianças brancas, mas não nas crianças negras, indicando uma importante variação na regulação genética da atividade sérica DCP1 e a relação do polimorfismo com a doença cardiovascular (BLOEM et al, 1996). Adicionalmente, Jeffery e colaboradores (1999) num estudo realizado em africanos concluiu que o alelo D mostra uma dominância comparada a co-dominância do alelo I. Revelando que na população africana houve predominância do alelo D, sugerindo ser esta uma característica genética deste grupo racial. Staessen e colaboradores realizou um amplo estudo de meta-análise de associação do polimorfismo In/Del DCP1 e desordens cardiovasculares. Este estudo incluiu dados de 175 trabalhos totalizando uma amostra de 49.959 indíviduos brancos, negros e asiáticos (STAESSEN et al, 1997). Comparando os genótipos II com DD, os indivíduos carreadores do genótipo DD mostraram um risco significativamente maior para doenças cardiovasculares. Quando analisaram todos os pacientes envolvidos no estudo de meta-análise, o genótipo DD não estava associado com um risco aumentado da hipertensão arterial. Considerando que os trabalhos foram significativamente heterogêneos, os autores optaram por estratificar a amostra em subgrupos mais homogêneos para mais adiante analisar, por exemplo, brancos, negros e asiáticos, homens, mulheres, jovens (<50 anos) e velhos (>50 anos). Realizando a análise separadamente, ao comparar com o genótipo II, o genótipo DD foi associado com um risco significativamente maior de hipertensão, somente nos pacientes asiáticos e em mulheres. Outra meta-análise (ZINTZARAS et al, 2008) incluindo 118 estudos envolvendo 43733 indivíduos com doença cardiovascular e 82606 indivíduos controles, observou uma heterogeneidade dos estudos. Quando comparou alterações cardiovasculares entre os carreadores dos alelos D e I, o polimorfismo In/Del DCP1 foi associado com 25% de aumento no risco para doenças cardiovasculares. Análise dos subgrupos para infarto agudo do miocárdio, diabetes mellitus, sexo masculino, raça branca, asiáticos e turcos mostraram associação significativa. Não foi encontrada associação entre outros grupos raciais/étnicos, em mulheres nos casos prematuros, ou em casos com baixos níveis dos fatores de risco. Este estudo de meta-análise demonstrou uma associação positiva - 29 - modesta entre os variantes polimórficos DCP1 e doenças cardiovasculares (ZINTZARAS et al, 2008). Estudo realizado com uma população caucasiana de 18 a 70 anos ao avaliar alguns polimorfismos do SRA concluiu que, para essa população, o polimorfismo In/Del DCP1 apresentou um sinergismo com outros polimorfismos, e ao associar a fatores de risco para doenças cardiovasculares, a presença do genótipo DD intensificava o risco cardiovascular, especialmente nos homens. Neste estudo, foi possível observar que o polimorfismo DCP1 tem um importante papel na susceptibilidade individual para o desenvolvimento da DCV, demonstrando que este polimorfismo pode se tornar um possível marcador genético para doenças cardiovasculares em caucasianos (FREITAS, et al, 2008). Um estudo realizado por Pereira e colaboradores (2001) analisou 382 indivíduos de três subgrupos de uma população urbana altamente heterogênea, sendo um grupo formado por 150 indivíduos brancos, outro grupo composto por 142 mulatos e finalmente um grupo constituído por 90 indivíduos negros. Os pesquisadores encontraram uma diferença significativa na distribuição da estrutura da população para o polimorfismo In/Del DCP1, sendo maior a frequência do alelo D para os negros, seguidos dos mulatos e os caucasianos apresentando as menores freqüências observadas (PEREIRA et al, 2009). Estudo realizado por Dalal e colaboradores (2006) com 268 indivíduos do norte da Índia com doença cardiovascular e 90 indivíduos controles pareando pela idade, observou que a freqüência do alelo D foi significativamente maior para os pacientes ao comparar com indivíduos controles. Portanto, concluiu que a doença cardiovascular no norte da Índia está fortemente associada com o alelo D do polimorfismo In/Del DCP1 (DALAL et al 2006). Convencionalmente, fatores ambientais que influenciam na pressão arterial incluem obesidade, falta de atividade física, alta ingestão de sal e de carboidratos que estão relacionada ao estilo de vida adulto (WHELTON, 1994). Portanto, cada background histórico pode promover uma oportunidade em testar o efeito combinatório entre polimorfismo genético comum e fatores ambientais. Talvez pelo fato da etiologia da - 30 - hipertensão ser multifatorial, ainda existem muitos estudos controversos (JUN-HYUN, 2005). Diante disso, propusemo-nos avaliar a correlação de alguns fatores de risco para doenças cardiovasculares, como pressão arterial, índice de massa corporal, níveis séricos dos lipídeos, níveis séricos glicêmicos com o polimorfismo DCP1 em escolares do ensino fundamental do município de Ouro Preto, MG. - 31 - 3 Objetivos 3.1 Objetivo Geral O objetivo geral desse trabalho foi avaliar a associação do polimorfismo de inserção/deleção da enzima dipeptidil-carboxipeptidase I (DCP1) com fatores de risco (antropométricos, bioquímicos, clínicos) para doenças cardiovasculares em escolares de 6 a 14 anos de idade do município de Ouro Preto, Minas Gerais. Hipótese 1: O polimorfismo In/Del do gene DCP1, pode estar associado com alterações da pressão arterial em crianças e adolescentes. Predição: A atividade do SRA consiste no principal mecanismo de regulação da pressão arterial e alterações nos componentes deste sistema podem causar hipertensão arterial primária e secundária. O polimorfismo In/Del de DCP1 está associado com 20 – 50% da variabilidade dos níveis da enzima conversora de angiotensina e alguns estudos mostram correlação com risco para hipetensão arterial em adultos. É possível que os efeitos do polimorfismo sobre os níveis pressóricos possam ser observados em fases precoces da vida antes mesmo de um quadro hipertensivo clinicamente detectável. Hipótese 2: O polimorfismo In/Del do gene DCP1, pode estar associado com outros fatores de risco para DCV como obesidade, porcentagem de gordura corporal, lipídios séricos e glicemia em crianças e adolescentes, como observado em adultos. Predição: Fatores genéticos interagem com fatores ambientais determinando a ocorrência de fatores de risco importantes para DCV como obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e hiperglicemia. O efeito de variantes genéticas podem ser melhor observados em fases onde os fatores ambientais ainda não exerceram efeito significativo sobre os fatores de risco acima mencionados. Hipótese 3: O efeito do polimorfismo In/Del do gene DCP1 associado a maturação sexual, sexo e fatores de risco para DCV. Predição: O dismorfismo sexual e o efeito da idade observado na epidemiologia da hipertensão arterial e DCV em adultos pode ocorrer em função de diferenças observadas na produção de hormônios esteróides sexuais. Desta maneira, a puberdade pode modular diferentemente as associações entre o polimorfismo e as variáveis estudadas. - 32 - 3.2 Objetivos específicos 3.2.1- Determinar a freqüência alélica e genotípica do polimorfismo In/Del do gene DPC1 na população; 3.2.2- Avaliar a associação entre o polimorfismo mencionado e variáveis antropométricas, bioquímicas e clínicas na população, utilizando diferentes modelos genéticos: dominante, recessivo e co-dominante; 3.2.3- Avaliar o efeito do sexo e do estádio de maturação sexual sobre as associações observadas. - 33 - 4 Material e Métodos 4.1 Área do estudo A área do estudo foi a sede do Município de Ouro Preto, Minas Gerais, situado a 98Km da região metropolitana de Belo Horizonte, no quilômetro 40 da Rodovia dos Inconfidentes. A cidade de Ouro Preto apresenta uma população de aproximadamente 9.730 crianças e adolescentes na faixa etária de 6-14 anos matriculadas em escolas públicas e privadas (INEP, 2003). A escolha da área se deveu ao fato de já ter sido realizado um estudo para identificar os fatores de risco prevalentes na população de adolescentes e adultos de Ouro Preto, tendo sido observado prevalência de hipertensão arterial acima do esperado em adolescentes. 4.2 População e amostra do estudo Foi utilizada a mesma população amostrada no projeto “Estudo dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares na população do ensino fundamental de Ouro Preto MG”. O referido estudo foi realizado nas escolas do ensino fundamental da área urbana da cidade de Ouro Preto com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade. Foram excluídas as crianças e adolescentes das Associações de Pais e Amigos dos Alunos Excepcionais (APAE). Em um universo de 6587 estudantes matriculados no ensino fundamental na cidade de Ouro Preto, foram selecionadas 850 crianças e adolescentes. O cálculo da amostra foi baseado em três parâmetros: (1) Proporção da população, na faixa etária estudada, com sobrepeso e obesidade (8%); (2) Precisão desejada de 2%; (3) 20% de perdas, devido à ausência de crianças no dia da coleta de dados ou às recusas (não consentimento da criança, dos pais ou responsável). - 34 - 4.3 Delineamento do estudo Foi realizado um estudo epidemiológico de delineamento transversal descritivo para a avaliar a associação dos fatores de risco para a doença cardiovascular e o polimorfismo In/Del do gene DCP1. O processo amostral utilizado foi o aleatório simples estratificado pela proporção de alunos matriculados em cada escola. Inicialmente foi calculada a frequência relativa de alunos de cada escola (municipal, estadual, particular) na população total de escolares a partir do levantamento dos Diários de Classe das 12 escolas municipais, 4 estaduais e 2 particulares. Posteriormente, foi calculada a proporção de meninos e meninas em cada escola na faixa etária de 6 a 14 anos. Utilizando o programa EPI-INFO e respeitando a proporcionalidade por escola, série, sexo e idade foram elaborados uma tabela de número aleatórios na qual os estudantes de cada classe foram numerados em ordem crescente para identificação das crianças a serem convidadas a participar do estudo. No caso de recusa ou transferência para outra instituição ou cidade, foi convidada a participar do projeto a próxima criança do mesmo sexo e idade constante do Diário de Classe. Após autorização da diretora da escola, uma carta convite citando os objetivos e procedimentos do trabalho foi encaminhada aos responsáveis pelas crianças. Na carta foram informadas a data e local (na própria escola) onde seriam realizados os exames antropométricos, bioquímicos, clínico-cardiológico, assim como a entrevista com os responsáveis para avaliar hábitos comportamentais, inclusive os alimentares e a atividade física. Todos os exames bioquímicos foram realizados no Laboratório Piloto de Análises Clínicas (LAPAC) da Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (credenciado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas). Após entrega dos laudos aos responsáveis, e feito o encaminhamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) do município de Ouro Preto (nutricionista, pediatra ou cardiologista) das crianças com alterações clínicas, foram proferidas reuniões-palestras enfocando um - 35 - programa de prevenção primária voltadas para os escolares e seus responsáveis, respeitando as características de cada faixa etária. 4.4 Consentimento Aos responsáveis legais e diretores do estabelecimento de ensino, depois de informados sobre os objetivos da pesquisa, o protocolo e os procedimentos a serem realizados, bem como os riscos e benefícios da participação no estudo, foram entregues folhas de informações impressas e solicitada a assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO 1). Das instituições escolhidas obteve-se a autorização dos diretores e foram estabelecidas formas adequadas de abordagem das crianças de maneira a não comprometer o andamento e rotina das atividades escolares. 4.5 Instrumentos de coleta de dados 4.5.1 Amostras biológicas e determinações bioquímicas As amostras de sangue foram coletadas por punção venosa na região anticubital dos pacientes após período mínimo de 12 horas de jejum. Foram coletados três tubos com sangue, sendo um tubo contendo 2 ml de sangue com EDTA para realização do hemograma e extração de DNA, um tubo com 2 mL com fluoreto para realização de glicemia, e um tubo de 6 mL para obtenção de soro. Após obtenção do soro, este foi fracionado em três alíquotas devidamente codificadas e acondicionadas em tubo âmbar a -200C. As dosagens bioquímicas para colesterol total, lipoproteína de alta densidade (HDL), triglicerídeos e glicose em jejum foram conduzidas pelo método enzimático colorimétrico, conforme especificado pelo representante Diagnóstica In vitro S/A, Itabira, MG, Brasil e adaptados ao analisador automático Airone 200 (Instrumento Crony, Roma, Itália). O cálculo da concentração da lipoproteína de baixa densidade (LDL) foi conduzido segundo a equação de Friedwald (1972). Os procedimentos como recompilação das amostras, métodos de calibragem, métodos analíticos, controle de qualidade interna e externa, codificação dos escolares em jejum ou não; foram normatizados no Laboratório Piloto de Análises Clínicas (LAPAC) (credenciado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas) da Escola de Farmácia da - 36 - Universidade Federal de Ouro Preto, a fim de uniformizá-los durante o período de execução do estudo. 4.5.2 Aferição da pressão arterial A aferição da pressão arterial foi realizada nas escolas durante o processo de coleta dos dados. Os valores de pressão arterial foram obtidos como uma média de três mensurações alternadas utilizando-se o aparelho oscilométrico digital (ONROM 705CP). Para tanto o indivíduo permaneceu sentado e com o braço esquerdo estendido na altura do coração. Nos casos em que se verificaram níveis pressóricos alterados, foi conduzida uma nova mensuração em data posterior para confirmação dos valores. Portanto, para esses casos, foram realizadas duas medições em ocasiões diferentes, conforme sugerido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2006. 4.5.3 Variáveis antropométricas 4.5.3.1 Peso O peso foi aferido em balança com bioimpedância TANITA (BF 542®), com capacidade máxima de 136 Kg. Após cada medição, a balança foi calibrada para que os participantes fossem pesados em pé, portando roupas leves e sem calçados ou objetos de metal. 4.5.3.2 Altura A estatura foi aferida por meio do estadiômetro de campo (WCS, Cardiomed, Curitiba, Brasil), com escala em centímetros e precisão de um milímetro, Para tanto o individuo foi encostado no aparelho estando de costas para o marcador, com os pés unidos, em posição ereta, olhando para frente, sendo que a leitura foi feita no milímetro mais próximo quando o esquadro móvel, que acompanha a haste vertical, encostava-se à cabeça do indivíduo. 4.5.3.3 Pregas cutâneas A espessura da prega triciptal foi medida no ponto médio da distância entre o acrômio e o olécrano, na face posterior do braço esquerdo. A espessura da prega subescapular foi medida no ângulo inferior da escápula, em diagonal a 45°. A espessura da prega cutânea bicipital foi feita com os cotovelos fletidos em 90°, meio caminho entre a axila e a fossa cubital. A medida da prega supra-ilíaca foi feita sobre a linha média axilar, entre a última costela e a crista ilíaca. Todas as medidas das pregas mencionadas foram - 37 - realizadas com adipômetro (Cescorf®) com uma precisão de 0,1 mm, conduzidas em triplicata, utilizando-se para análise dos dados a média dos dois valores mais próximos. 4.5.3.4 Percentual de gordura corporal O percentual de gordura corporal foi estimado pelas medidas das pregas cutâneas utilizando como referência as fórmulas de Deurenberg (1990) e com o aparelho de impedância bioelétrica tetrapolar (Quantum II, RJL System). Para as dobras cutâneas foram utilizadas a espessura das pregas triciptal, biciptal, suprailíaca e subescapular, considerando-se os estádios de maturação sexual. Na impedância bioelétrica estimou-se o percentual de gordura corporal através da resistência e da reactância em relação de acordo com a idade. 4.5.3.5 Maturação sexual Quando se pretende avaliar o crescimento físico envolvendo estado nutricional na adolescência, além do peso e da estatura, deve-se considerar a maturação sexual, uma vez que o estádio de maturação sexual, evidenciado pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, influencia o desenvolvimento pondero-estatural. Portanto, a maturação sexual é um parâmetro fundamental nas estimativas de crescimento físico na adolescência. Para situar em que fase da maturação sexual o indivíduo se encontra, segue-se o critério de Tanner (TANNER, 1962). Através da visualização de pranchas com figuras correspondentes aos estádios de maturação (mamas e pêlos pubianos no sexo feminino e genitália externa e pêlos pubianos no sexo masculino) é possível que o próprio adolescente identifique o estádio em que se encontra. (ANEXO 3) 4.6 Extração do DNA A obtenção de DNA genômico foi realizada no Laboratório de Epidemiologia Molecular/Escola de Nutrição/Universidade Federal de Ouro Preto segundo técnica descrita por Madisen e colaboradores (1987) com adaptações. Foi transferido aproximadamente 2 ml de papa de células de sangue para tubos de fundo cônico com capacidade para 15 mL (FalconTM, BD Biosciences) devidamente etiquetados. Nestes, foram adicionados aos tubos 10 ml de solução TRIS:NH4Cl ( 0,017 M Tris-HCl pH 7,65: NH4Cl 0,14M) - 38 - previamente aquecida à 37°C por aproximadamente 5 minutos. As misturas sofreram uma homogeneização lenta e contínua, e posteriormente foram incubadas a 37°C por 5 minutos. Após o período de incubação as amostras foram submetidas à centrifugação a 14 000 x g durante 10 minutos (CentriBio Modelo 80-2B). O sobrenadante foi descartado por aspiração em solução de hipoclorito a 5%, enquanto o sedimento de células foi mais uma vez lavado com solução de Tris-HCl : NH4Cl. Ao precipitado foram adicionados 10 ml de solução salina 0,85%, homogeneizado e centrifugado a 14000 x g durante 10 minutos. Depois de aspirado e descartado o sobrenadante, adicionou-se ao precipitado 1,5 ml de High TE (Tris HCl pH 8 0,1M; EDTA 0,04M pH 8), ressuspendendo-se fortemente o sedimento de células. Posteriormente, foi acrescentado 2 ml de mistura de Lise de Madissen (Tris HCl pH 8 0,1 M; EDTA 0,04 M pH 8; SDS 0,2%; NaCl 1M pH 8) pré-aquecida a 50°C com seringa descartável e agulha de calibre grosso. O tubo foi agitado em vórtex, adicionou-se 50µL de solução de proteinase K (20 mg/mL) e incubou-se a 37°C durante aproximadamente 12 horas (overnight). Na etapa posterior, acrescentou-se a cada tubo 4 mL de fenol saturado com TRIS e homogeneizou-se lenta e continuamente durante 20 minutos com centrifugação posterior a 14 000 x g durante 5 minutos. Na etapa seguinte, o sobrenadante contendo DNA foi aspirado e transferido para novo tubo ao qual foi adicionado 4 ml de clorofórmio:álcool isoamílico (24:1) à temperatura ambiente; homogeneizando por mais 20 minutos. Posteriormente centrifugou-se a 14 000 x g por 5 minutos, aspirou-se o sobrenadante que foi transferido para um novo tubo; foi adicionado 400 µL de acetato de amônio (1M), 4,5 mL de álcool isopropílico gelado homogeneizando lentamente até a precipitação do DNA. Finalmente, o DNA foi transferido para microtubo contendo 300 µL de Low TE (Tris HCl 10 mM, pH 8; EDTA 1 mM, pH 8). O tubo foi colocado em estufa a 50°C por 2 horas; incubados a 37°C overnight, e posteriormente estocados a 4°C. 4.7 Avaliação e quantificação do DNA em espectofotômetro A concentração de uma solução de DNA pode ser precisamente medida por espectrofotometria de absorbância de ultravioleta (UV). A quantidade de radiação UV absorvida pela solução de DNA é diretamente proporcional à quantidade de DNA na amostra. A absorbância é medida a 260 nm e, nesse comprimento de onda, uma - 39 - absorbância (A260) de 1,0 corresponde a 50 µg de DNA de fita dupla por mL de solução (GLASEL, 1995; STULNING et al, 1994). Para avaliar a quantidade de DNA presente nas amostras de DNA extraídas de sangue periférico foi utilizada uma solução 25 vezes diluída de DNA lidas no espectofotômetro (FEMTO 700S) a 280 nm e a 260 nm. Foram realizadas leituras em triplicatas a 260 nm e uma leitura a 280 nm. A partir desses valores foi obtida a concentração de DNA para cada amostra, multiplicando a média dos valores encontrados a 260 nm pelo fator de diluição (25) e por 50 (corresponde a 50µg de DNA cada A260), como na fórmula abaixo: [ DNA] = média A260 x 50 x fator de diluição (FD) Além disso, a absorbância de ultravioleta pode ser utilizada para verificação da pureza de uma preparação de DNA. Uma amostra sem contaminação deve apresentar uma razão da absorbância a 260 nm e 280 nm (A260/A280) ao redor de 1,8. Valores menores que 1,8 indicam que a preparação está contaminada com proteína ou fenol (GLASEL, 1995; STULNING et al, 1994). Após essa quantificação e a avaliação da qualidade das amostras, estas foram diluídas de tal forma que as amostras de trabalho (work solution) apresentassem uma concentração final de 20 ng/µl para serem utilizadas na reação em cadeia da polimerase (PCR). 4.8 Genotipagem do polimorfismo In/Del de DCP1 4.8.1- Reação em cadeia da polimerase para o polimorfismo In/Del do gene DCP1 O polimorfismo de inserção/deleção do gene da DCP1 foi detectado pela presença (alelo I de inserção) ou ausência (alelo D de deleção) do fragmento correspondente a 287 bp no intron 16 do gene da enzima conversora da angiotensina I localizado no cromossomo 17 com a técnica da reação em cadeia da polimerase como descrito por Rigat e colaboradores (1992) e modificado no laboratório de Epidemiologia Molecular/ENUT/UFOP. Para genotipagem deste polimorfismo foram realizadas duas amplicações. Na primeira amplificação realizada, utilizamos os seguintes iniciadores (Alfa DNA, Montreal, Canadá): - 40 - DCP1F- 5’ CTGGAGACCACTCCCATCCTTTCT DCP1R- 5’ GATGTGGCCATCACATTCGTCAGAT A mistura da reação, em volume final de 25µl, foi composta por: aproximadamente 200 ng de DNA genômico, tampão fornecido com a enzima (Invitrogen ou Promega), 250µM de dNTPs; 3 mM de MgCl2, 0,1 pmoles de cada iniciadores, 10% de BSA (soroalbumina bovina), 1U de Taq DNA polimerase (Invitrogen ou Promega) e água altamente purificada para completar o volume final da reação. Em cada experimento foi adicionado um controle negativo o qual não continha DNA molde, mas um volume correspondente de água e um controle positivo com genótipo conhecido (heterozigotoID). A amplificação foi realizada em termocicladores MJ96/MJ966 (Biosystems, Peltier Cycler) e Techine Modelo FPRO G054 (Progene) conforme o seguinte programa: uma desnaturação inicial a 95°C por 10 minutos seguidos de 35 ciclos de desnaturação a 95°C por 1 minuto e trinta segundos; anelamento a 52°C por um minuto e vinte segundos e extensão a 72°C por um minuto e vinte segundos. Foi realizada uma extensão final a 72°C por 5 minutos. Os produtos da PCR foram visualizados em gel de poliacrilamida a 6% por meio de corrida eletroforética, ao qual foi aplicado 5µL de produto de PCR em tampão TBE 1X, a 100 V, por aproximadamente 2 horas. Posteriormente, cada gel foi revelado por nitrato de prata para verificação e análise do material amplificado, seguindo-se uma adaptação do método descrito por Saguinetti et al (1994) que consiste na imersão de cada gel em uma série de soluções específicas, numa ordem definida (Quadro 4.1). Após o término do processo, os géis foram fotografados e devidamente armazenados. Os dois fragmentos esperados tinham aproximadamente 190 pb para alelo D e 490 pb para alelo I. - 41 - Quadro 4.1- Seqüência das soluções utilizadas para corar os géis de poliacrilamida seguindo-se uma adaptação do método descrito por Saguinetti et al (1994) Soluções Tempo Regular Solução Fixadora 5 minutos (etanol 10%, ácido acético glacial 0,5% (v/v)) Solução de nitrato de prata 10 minutos (50 mL de solução fixadora, 0,15 g de nitrato de prata e 100 mL de água destilada e deionizada.) Água destilada 2 lavagens Solução reveladora o suficiente (hidróxido de sódio 3% (p/v), formaldeído 0,3% (v/v)) 4.8.2 Reação em cadeia da polimerase para o polimorfismo In/Del do gene DCP1 para as amostras consideradas homozigotas para deleção Um dos artefatos da técnica de PCR é a amplificação preferencial do alelo menor (SASSE et al, 2006), portanto todas as amostras homozigotas para deleção foram reanalisadas por uma segunda amplificação independente com um iniciador desenhado para a sequência de inserção, produzindo um fragmento de tamanho mais similar ao fragmento produzido pela deleção. Após esta segunda amplificação obtivemos a confirmação dos genótipos para este polimorfismo. Nesta segunda amplificação o produto final esperado apresentava de 136 pb e foi utilizado o iniciador DCP1F 5’ CTGGAGACCACTCCCATCCTTTCT (Alfa DNA, Montreal, Canadá) usado anteriormente, com o iniciador específico para a sequência de inserção: DCP1INR- 5’ TTGCAG TGAGCCGAGATCC (Invitrogen, Brasil). A reação foi realizada em volume final de 25µl , com aproximadamente 200 ng de DNA genômico, tampão da enzima (Invitrogen ou Promega), 250µM de dNTPs, 3 mM de MgCl2, 0,1 pmoles de cada iniciador (DCP1F e DCP1INR), 10% de BSA (soroalbumina bovina), 1U de Taq DNA polimerase (Invitrogen ou Promega) e água - 42 - altamente purificada para completar o volume final da reação. Da mesma forma como descrito anteriormente em cada experimento foi incluído um controle negativo (sem DNA genômico) e um controle positivo heterozigoto (ID). A amplificação ocorreu por uma desnaturação inicial a 95°C por 10 minutos seguidos por 35 ciclos de desnaturação a 95°C por 1 minuto e trinta segundos; anelamento a 55°C por um minuto e vinte segundos e extensão a 72°C por um minuto e vinte segundos de 1 ciclo de anelamento a 55°C por 1 minuto e extensão final a 72°C por 5 minutos. Ao realizar essa amplificação foi possível visualizar em gel de poliacrilamida a 6% um fragmento de aproximadamente 136 pb para os alelos de inserção. Em todos os géis foram aplicados um controle positivo (ID) considerado heterozigoto a fim de assegurar o resultado da reação e confirmar as amostras amplificadas com o iniciador de inserção. Os géis foram corados pela prata para verificação e análise do material amplificado como descrito acima. Todos os géis foram fotografados e devidamente arquivados. A análise dos géis foi realizada por também outro pesquisador, para garantir a certeza dos resultados. 4.9 Processamento e Análise dos dados 4.9.1 Banco de dados e análises estatísticas O banco de dados contendo todas as informações dos questionários de identificação, antropometria, dados bioquímicos, clínicos e genéticos foram digitados e analisados no software SPSS (Software Package Statitical System)14.0 for Windows. Foi realizada contagem gênica para determinar a distribuição alélica e genotípica do polimorfismo In/Del DCP1 na população de escolares. Realizou-se o teste qui-quadrado para avaliar se a freqüência genotípica observada estava de acordo com a freqüência esperada pelo Equilíbrio de Hardy-Weinberg. Adicionalmente, foi realizada o teste kappa para analisar a concordância entre 2 observadores utilizando duplicata de aproximadamente 10% das amostras escolhidas aleatoriamente. Valores médios de variáveis contínuas foram comparados entre os grupos formados pelos diferentes genótipos por análises de variância (ANOVA). Esta comparação foi realizada utilizando-se três diferentes modelos genéticos: co-dominante, recessivo e - 43 - dominante. No modelo co-dominante os indivíduos foram separados em três grupos de genótipos: homozigotos para deleção (DD), homozigotos para inserção (II) e heterozigotos (ID). No modelo recessivo, os homozigotos para o alelo D foram comparados ao um grupo formado pelos heterozigotos e homozitos para o alelo I (DD vs ID+II); enquanto que no modelo dominante os indivíduoas carreadores do alelo D compuseram um único grupo que foi comparado aos homozigotos II (DD+ID vs II). Teste do qui-quadrado foi utilizado para comparar o estádio de maturação de acordo com as freqüências dos genótipos na população geral e separada por sexo. As mesmas análises acima descritas foram realizadas separadamente para meninos e meninas e após categorizar a amostra de acordo conforme o estádio de maturação sexual. Quando as variáveis quantitativas contínuas não apresentavam distribuição normal ou homogeinidade das variâncias, foi utilizado o teste Kruskal Wallis. Os resultados foram apresentados como posição média das observações. Para todos os testes foi utilizado como nível de significância estatística valor de P<0,05. 4.10 Comitê de ética Os protocolos para os projetos “Associações entre polimorfismos e fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares em crianças e adolescentes do município de Ouro Preto, MG” e “Estudo de fatores de risco para doenças cardiovasculares na população do ensino fundamental de Ouro Preto, MG” foram avaliados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (Pareceres n°2005/59 e n0 2004/46, ANEXOS 3 e 4). - 44 - 5 Resultados A tabela 5.1 apresenta a frequência alélica e genotípica encontrada na população geral e separada por sexo. A frequência do alelo D foi de 57,4% nos escolares, ao estratificar por sexo observou uma frequência deste alelo de 51,4% nas meninas e 48,6% nos meninos. O alelo I apresentou freqüência na população geral de 42,6%, e ao estratificar por sexo, a frequência foi de 52% e 48% para meninas e meninos, respectivamente. Ao avaliar a freqüência genotípica nesta população foram constados 32,3%; 50,2% e 17,5% para os genótipos DD, ID e II, respectivamente na população geral. Ao estratificar por sexo, as meninas apresentaram freqüências genotípicas de 50,8%, 52,1% e 51,9% para DD, ID e II, respectivamente, já os meninos as freqüências foram de 49,2% de homozigotos para deleção (DD), 47,9% de heterozigotos (ID) e 48,1% de homozigotos para inserção (II). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes nas distribuições das frequência alélicas (P=0,81) e genotípicas (P=0,95) entre os sexos. A freqüência observada dos genótipos estava de acordo com a freqüência esperada demonstrando que este polimorfismo está em equilíbrio de Hardy-Weinberg nesta população (P= 0,46). A genotipagem do polimorfismo In/Del DCP1 foi realizada para 773 crianças utilizando a técnica de PCR descrita por Rigat e colaborados (1992). Na primeira amplificação os indivíduos homozigotos para deleção (DD) apresentaram um fragmento de aproximadamente 190 pb (canaletas 2 e 4 da figura 2); os indivíduos homozigotos para inserção (II) apresentavam um único fragmento de aproximadamente 490 pb (canaleta 6 da figura 5), enquanto os indivíduos heterozigotos (ID) apresentavam os dois fragmentos: um fragmento de 190 pb e outro fragmento de 490 pb (canaletas 7 e 8 da figura 2). Todos os indivíduos homozigotos para deleção (DD), ou 287 crianças, tiveram sua tipagem confirmada por uma segunda amplificação conforme Sasse e colaboradores (2006). Nesta amplificação os indivíduos que não apresentaram o fragmento de 136 pb foram identificados como verdadeiros homozigotos para deleção, ou seja, 250 crianças. Por outro lado, aqueles que apresentaram o fragmento de 136 pb foram identificados como heterozigotos (ID) o que correspondeu a 37 crianças. Em todos os géis foi - 45 - utilizado um controle positivo (ID). Esses resultados podem ser visualizados na figura 5 que mostra um gel de poliacrilamida 6% corado pelo nitrato de prata. Na tipagem baseada no mesmo gel, mas interpretada por dois observadores diferentes, foi observado um valor de Kappa igual a um, ou seja, houve 100% de concordância entre os observadores. Quando um experimento independente foi realizado para repetir a genotipagem de 102 amostras, houve discrepância de apenas 1,7%, resultando em um valor de Kappa igual a 0,98 indicando que a técnica usada para tipagem deste polimorfismo apresenta boa concordância. - 46 - Tabela 5.1 Frequência alélica e genotípica do polimorfismo In/Del do gene DCP1 em escolares do município de Ouro Preto, Minas Gerais. Todos* Meninos Alelos† Meninas % D 57,4 48,6 51,4 I 42,6 48,0 52,0 Genótipos‡ n (%) DD 250 (32,3) 123 (32,9) 127 (31,8) ID 388 (50,2) 186 (49,7) 202 (50,7) II 135 (17,5) 65 (17,4) 70 (17,5) Total 773 (100) 374 (100) 399 (100) *χ2=0,55; P=0,46, para diferenças entre as frequências observadas e esperadas dos genótipos. † ‡ P= 0,81 para distribuição alélica entre meninos e meninas (qui-quadrado de Pearson). P= 0,95 para frequência genotípica entre meninos e meninas (qui-quadrado de Pearson). - 47 - Figura 2- Representação dos possíveis genótipos para o polimorfismo In/Del do gene da enzima conversora de angiotensina (DCP1). Foram realizadas reações de PCR conforme descrito em Métodos, utilizando DNA genômico e iniciadores que amplificam fragmentos de 490 pb para o alelo de inserção (I) e de 190 para o alelo de deleção (D). Um terceiro iniciador específico para a sequência de inserção foi utilizado para amplificar, em uma PCR independente, as amostras homozigotas D, produzindo fragmento de 136 pb. Os produtos da PCR foram resolvidos em gel de poliacrilamida a 6% corado por nitrato de prata. Canaleta 1: padrão peso molecular 25 pb ladder; Canaleta 2: amostra A, homozigota D (fragmento de 190 pb na 1ª reação); Canaleta 3: amostra A, heterozigota DI (fragmento de 136 pb na reação com iniciador específico para a inserção); Canaleta 4: amostra B, homozigota D (fragmento de 190 pb na 1ª reação); Canaleta 5: amostra B, homozigota D (não apresentou amplificação com iniciador para inserção); Canaleta 6: amostra C homozigota I; Canaleta 7: heterozigota ID; Canaleta 8: controle positivo ID; Canaleta 9: controle negativo (sem DNA genômico). - 48 - Ao realizar a segunda amplificação das amostras DD utilizando o iniciador que detectaria um fragmento de 136 pb correspondente a inserção, 13% das crianças anteriormente consideradas homozigotos para deleção foram genotipadas como heterozigotas, ou seja, de um total de 287 homozigotos para deleção 37 crianças foram consideradas heterozigotas. Sequencialmente, os genótipos foram separados em grupos para realizar as análises posteriores: homozigoto DD; heterozigoto ID e homozigoto II, na população geral e separada por sexo. As análises foram também realizadas utilizando um modelo recessivo, no qual se comparou o genótipo DD com os genótipos II e ID agrupados, uma vez que, de acordo com dados da literatura (EISENMANN et al, 2009), o genótipo DD estava associado com risco aumentado para hipertensão e obesidade; e um modelo dominante que comparou os genótipos DD e ID agrupados com o genótipo II. - 49 - A tabela 5.2 apresenta os valores obtidos pela análise de variância (ANOVA) com as variáveis contínuas: idade, altura, peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), porcentagem de gordura corporal, pressão arterial sistólica (PAS), e pressão arterial diastólica (PAD), colesterol total, colesterol LDL (LDL-c), colesterol HDL (HDL-c), triglicerídeos, glicose e hemoglobina, de acordo com o genótipo para a população geral. Para essa população, as variáveis % GC, PAD e os níveis séricos de HDL-c, que não apresentavam distribuição normal ou homogeneidade das variâncias, foram submetidas ao teste Kruskal-Wallis. - 50 - Tabela 5.2 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. DD ID II n=250 n=388 n=135 P* Idade (anos) 10,6 (2,4) 10,4 (2,4) ‡ 10,9 (2,6) ‡ 0,11 Altura (cm) 141,9 (14,9) 142,0 (15,1) 144,4 (15,4) 0,24 Peso (Kg) 37,8 (12,6) 37,6 (14,0) 39,2 (13,7) 0,50 IMC (Kg/m2) 18,2 (3,3) 18,0 (3,7) 18,2 (3,3) 0,72 CC (cm) 62,7 (9,0) 62,8 (10,0) 63,6 (9,5) 0,62 % GC- Nhanes III 19,9 (8,1) 19,0 (10,5) 19,3 (9,0) 0,43† %GC Tanita 23,1 (8,4) 22,9 (9,6) 22,3 (9,1) 0,70 PAS (mmHg) 99,8 (11,9) 100,4 (12,5) 98,7 (12,4) 0,37 PAD (mmHg) 61,2 (8,0) 62,1 (8,6) 62,8 (9,8) 0,32† Colesterol total (mg/dl) 161,8 (32,7) 158,1 (28,0) 157,8 (29,4) 0,26 LDL-c (mg/dl) 87,7 (33,0) 85,4 (28,9) 84,9 (28,1) 0,58 HDL-c (mg/dl) 58,9 (14,3) 58,1 (14,3) 58,7 (12,2) 0,60† TG (mg/dl) 75,8 (49,4) 76,7 (48,0) 71,7 (33,4) 0,56 Glicemia (mg/dl) 83,6 (8,1) ‡ 82,5 (7,9) 81,8 (8,2) ‡ 0,09 Hemoglobina (g/dl) 13,2 (1,2) 13,2 (1,1) 13,2 (1,2) 0,91 Variável Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para teste ANOVA entre os grupos de genótipos : DD, ID e II. † ‡ Valor de P para teste Kruskall-Wallis para variáveis heterogêneas. P=0,04. - 51 - A Tabela 5.3 apresenta os valores obtidos pela análise de variância (ANOVA) estratificada por sexo. A maioria das variáveis quantitativas contínuas analisadas para o grupo das meninas seguiu uma distribuição normal, com exceção da gordura corporal e os níveis de HDL-c que apresentaram heterogeneidade das variâncias e foram, portanto submetidas posteriormente ao teste Kruskal-Wallis. Não foi observada nenhuma diferença significativa para as variáveis analisadas entre os diferentes genótipos no grupo das meninas. Ao avaliarmos o grupo dos meninos, todas as variáveis quantitativas contínuas seguiram uma distribuição normal. Ao realizarmos comparações entre cada grupo de genótipo, foram encontradas diferenças significativas. Os meninos DD possuíam tanto %GC Nhanes III (18,6%) e %GC Tanita (19,0%) como os níveis glicêmicos médios (84,8 mg/dl) estatisticamente maiores em relação aos meninos ID (16,6%, 17,3% e 82,7 mg/dl, respectivamente). Adicionalmente, ao avaliarmos a PAD, observamos que os meninos DD tinham valores inferiores (60,5 mmHg) quando comparados aos meninos ID (61,6 mm Hg) seguido dos II (63,2 mm Hg), Ao realizar a análise de variância das médias para o modelo recessivo (DD vs II +ID) e para o modelo dominante (DD+ID vs II ) na população geral e separado por sexo, observou-se que não houve nenhuma diferença entre os genótipos do modelo dominante (dados não mostrados). Em contrapartida, ao considerar a população geral, no modelo recessivo, observou-se que os níveis glicêmicos tinham valores superiores para as crianças DD (83,6 mg/dl) comparadas as crianças II e ID (82,3 mg/dl). Ao estratificar o modelo recessivo por sexo, não foi observada nenhuma associação significativa para as variáveis contínuas analisadas e os grupos de genótipos entre as meninas. Ao avaliar o grupo dos meninos, todas as variáveis quantitativas contínuas seguiram uma distribuição normal, e foram observadas algumas diferenças significativas dentro do grupo dos genótipos. Assim, os resultados observados utilizando o modelo recessivo não apresentaram diferença substancial dos observados no modelo co-dominante. - 52 - Tabela 5.3 Média e desvio padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Meninos Meninas DD ID II DD ID II n=123 n=186 n=65 P* n=127 n=202 n=70 P* Idade (anos) 10,5 (2,4) 10,5 (2,4) 11,1 (2,7) 0,21 10,7 (2,5) 10,3 (2,4) 10,6 (2,5) 0,26 Altura (cm) 141,5 (14,9) 142,1 (15,1) 145,3 (15,8) 0,24 142,3 (14,9) 141,9 (15,1) 143,5 (15,2) 0,74 Peso (Kg) 37,5 (13,2) 36,5 (12,9) 39,0 (13,0) 0,41 38,0 (12,1) 38,6 (14,9) 39,3 (14,4) 0,82 IMC (kg/m2) 18,2 (3,4) 17,5 (3,1) 18,0 (2,7) 0,15 18,3 (3,1) 18,5 (4,1) 18,4 (3,8) 0,87 CC (cm) 63,2 (8,8) 62,0 (8,9) 63,5 (8,1) 0,38 62,2 (8,1) 63,4 (10,8) 63,8 (10,7) 0,45 %GC Nhanes III 18,6 (6,4) ‡ 16,6 (9,1)‡ 17,8 (6,1) 0,08 21,1 (9,4) 21,1 (11,1) 20,6 (10,9) 0,62† %GC Tanita 19,0 (8,0) § 17,3 (7,2)§ 17,2 (6,7) 0,11 27,0 (6,8) 28,0 (8,7) 27,0 (8,6) 0,48 PAS (mmHg) 101,4 (12,0) 102,0 (11,9) 99,9 (11,8) 0,50 98,2 (11,7) 99,0 (13,0) 97,5 (12,9) 0,68 PAD (mmHg) 60,5 (7,3) ‡ 61,6 (8,0)‡ 63,2 (8,7) ‡ 0,08 61,9 (8,7) 62,6 (9,0) 62,4 (10,7) 0,82 Colesterol total (mg/dl) 157,6 (27,7) 154,5 (27,1) 156,8 (30,0) 0,59 165,8 (36,6) 161,5 (28,4) 158,7 (29,1) 0,27 LDL-c (mg/dl) 83,78 (26,7) 83,6 (27,6) 83,9 (27,6) 0,99 91,5 (37,9) 87,2 (30,0) 85,9 (28,7) 0,39 HDL–c (mg/dl) 59,30 (13,54) 57,6 (13,8) 58,8 (11,9) 0,52 58,6 (15,0) 58,5 (14,8) 58,6 (12,6) 0,90† TG (mg/dl) 73,13 (34,8) 69,3 (32,4) 70,9 (34,6) 0,61 78,4 (60,3) 83,5 (58,0) 72,4 (32,4) 0,33 Variável 53 Glicemia (mg/dl) 84,76 (8,1) || 82,7 (7,7) || 82,9 (7,9) 0,07 82,4 (8,0) 82,3 (8,1) 80,8 (8,4) 0,34 Hemoglobina (g/dl) 13,26 (1,3) 13,3 (1,2) 13,4 (1,2) 0,84 13,1 (1,1) 13,1 (1,0) 13,0 (1,1) 0,75 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para comparação das médias entre os grupos (ANOVA). † Valor de P para comparação das variáveis heterogêneas ( teste Kruskall-Wallis) ‡ P=0,03; § P=0,05; || P=0,02.(teste t student) 54 Quando estratificamos a população quanto ao estádio de maturação sexual (Tabela 5.4), pôde-se observar que a maioria das crianças avaliadas se encontrava no período prépúbere, o que corresponde a 44,3%, seguidos por 30,2% no estádio púbere e 25,5% na fase pós-púbere. Ao avaliar a distribuição da freqüência de cada estádio de acordo com os genótipos do polimorfismo In/Del DCP1 não foi observada diferença entre os grupos (P=0,63). Ao avaliar essas freqüências estratificadas por sexo, também não foi observada diferenças na distribuição da frequência de acordo com o estádio de maturação sexual nem para meninos (P=0, 77) e tampouco para as meninas (P=0,33). Avaliamos a seguir, utilizando o modelo co-dominante, as mesmas variáveis na população geral e separada por sexo separadamente em cada estádio de maturação sexual. 55 Tabela 5.4 Frequência do genótipo da DCP1 de acordo com os estádios de maturação sexual dos escolares de 6-14 anos do município de Ouro Preto. Genótipos n (%) Maturação Sexual DD ID II Pré-púbere 108 (31,6) 176 (51,5) 58 (16,9) Púbere 76 (32,3) 122 (51,9) 37 (15,8) Pós-púbere 66 (33,7) 90 (45,9) 66 (20,4) Total 250 (100) 388 (100) 135 (100) Pré-púbere 64 (52,0) 93 (50) 28 (43,1) Púbere 37 (30,1) 57 (30,6) 21 (32,3) Pós-púbere 22 (17,9) 36 (19,4) 16 (24,6) Total 123 (100) 186 (100) 65 (100) Pré-púbere 44 (34,6) 83 (41,1) 30 (42,8) Púbere 39 (30,7) 65 (32,2) 16 (22,9) Pós-púbere 44 (34,6) 54 (26,7) 24 (34,3) Total 127 (100) 202 (100) 70 (100) P* Todos 0,63 Meninos 0,77 Meninas 0,33 Resultados apresentados como número (n) e frequência (%) de indivíduos em cada estádio de maturação sexual e grupo de genótipo. * Valor de P para comparação da frequência de indivíduos em cada estádio de maturação sexual entre os grupos de genótipos da DCP1 (qui-quadrado de Pearson) 56 A tabela 5.5 apresenta os resultados para a população geral no estádio pré-puberal. A maioria das variáveis contínuas analisadas seguiu uma distribuição normal, com exceção da idade e dos níveis séricos de HDL-c que apresentaram heterogeneidade das variâncias. Não foi observada diferença significativa para as variáveis contínuas entre os genótipos no estádio pré-puberal. Tabela 5.5 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares pré-puberes de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Variável DD ID II n=108 n=176 n=58 P* Idade (anos) 8,6 (1,6) 8,7 (1,5) 8,83 (1,9) 0,95† Altura (cm) 130,3 (10,5) 131,8 (10,3) 130,9 (9,7) 0,47 Peso (Kg) 29,2 (8,8) 29,0 (7,3) 28,6 (6,7) 0,90 IMC (Kg/m2) 16,9 (3,0) 16,5 (2,4) 16,5 (2,0) 0,28 CC (cm) 58,5 (8,7) 58,2 (6,7) 58,3 (5,6) 0,70 % GC- Nhanes III 17,0 (6,9) 15,2 (9,8) 14,7 (7,6) 0,16 %GC Tanita 20,6 (8,2) 19,8 (7,8) 19,8 (5,9) 0,67 PAS (mmHg) 96,3 (11,1) 96,5 (11,3) 93,7 (11,8) 0,24 PAD (mmHg) 58,8 (7,4) 59,6 (8,4) 57,7 (7,8) 0,28 Colesterol total (mg/dl) 162,7 (27,2) 159,2 (28,5) 155,6 (28,0) 0,27 LDL-c (mg/dl) 88,6 (27,5) 85,1 (29,5) 82,4 (28,2) 0,37 HDL-c (mg/dl) 58,6 (14,5) 59,1 (14,1) 59,4 (11,5) 0,84† TG (mg/dl) 76,1 (33,8) 74,9 (50,8) 68,8 (33,8) 0,57 Glicemia (mg/dl) 81,4 (8,1) 81,3 (6,9) 80,6 (7,7) 0,75 Hemoglobina (g/dl) 13,0 (1,1) 13,0 (1,1) 12,9 (1,0) 0,81 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para teste ANOVA entre os grupos dos genótipos : DD, DI e II. † Valor de P para teste Kruskall-Wallis para variáveis heterogêneas. 57 Na tabela 5.6 são apresentados os resultados no estádio pré-puberal separado por sexo. A maioria das variáveis contínuas analisadas para o grupo das meninas seguiram uma distribuição normal, com exceção do IMC, da CC e da %GC Nhanes III que apresentaram heterogeneidade das variâncias e foram, portanto submetidas ao teste Kruskal-Wallis. Ao avaliar os meninos no estádio pré-puberal, todas as variáveis contínuas seguiram uma distribuição normal. Foi observada diferença estatisticamente significativa entre os grupos de genótipos para as seguintes variáveis contínuas: IMC, %GC Nhanes III e triglicerídeos. 58 Tabela 5.6 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares pré-puberes separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Variável Meninos Meninas DD ID II n=64 n=93 n=28 DD ID II P* n=44 n=83 n=30 P* Idade (anos) 8,9 (1,6) 8,7 (1,5) 9,1 (2,1) 0,50 8,3 (1,45) 8,6 (1,5) 8,5 (1,70) 0,52 Altura (cm) 131,9 (10,8) 132,0 (10,4) 132,5 (9,3) 0,96 127,8 (9,6) || 131,6(1,3) || 129,4 (9,9) 0,13 Peso (Kg) 31,05 (10,3) 28,9 (7,2) 30,4 (6,8) 0,28 26,5 (4,6) 29,1 (7,4)¶ 27,0 (6,3)¶ 0,07 IMC (kg/m2) 17,5 (3,6) ‡ 16,3 (2,4)‡ 17,1 (2,1) 0,02 16,1 (1,5) 16,6 (2,4) 15,9 (1,9) CC (cm) 60,2 (10,2) 58,2 (5,9) 59,9 (5,9) 0,22 56,0 (4,9) 58,2 (7,6) 56,7 (5,0) 18,4 (6,9) ‡ 14,9 (10) ‡ 16,4 (5,8) 0,04 15,0 (6,5) 15,6 (9,6) 13,1 (8,8) %GC Tanita 18,7 (9,6) § 15,7 (6,7) § 17,4 (5,6) 0,06 23,2 (4,6) 24,3 (6,4) 22,0 (5,3) 0,16 PAS(mmHg) 98,2 (10,5) 98,6 (9,7) 96,9 (10,4) 0,74 93,5 (11,4) 94,1 (12,5) 90,8 (12,4) 0,44 § § %GC Nhanes III 0,77 † 0,40 † 0,60 † PAD(mmHg) 59,0 (7,1) 59,4 (7,6) 60,2 (7,9) 0,80 58,6 (7,9) 59,9 (9,2) 55,5 (7,1) 0,05 Colesterol T(mg/dl) 158,8 (28,3) 155,9 (26,5) 154,6 (29,8) 0,73 168,4 (24,8) 162,8 (30,3) 156,4 (26,8) 0,20 LDL-c (mg/dl) 82,7 (28,4) 83,4 (27,7) 81,1 (28,3) 0,93 97,23 (23,7)|| 86,9 (31,5) 83,7 (28,5)|| 0,08 59 HDL–c (mg/dl) 60,4 (14,3) 59,5 (14,2) 59,3 (11,7) 0,90 56,7 (14,6) 58,7 (14,0) 59,4 (11,3) 0,64 TG (mg/dl) 78,7 (36,5) § 63,4 (29,6) § 71,2 (39,7) 0,05 72,3 (29,3) 85,5 (65,6) 66,6 (27,6) 0,16 Glicemia (mg/dl) 82,5 (7,8) 81,6 (7,3) 81,0 (7,3) 0,63 79,9 (8,3) 81,0 (6,5) 80,2 (8,2) 0,70 Hemoglobina (g/dl) 12,9 (1,1) 13,0 (1,1) 13,0 (1,1) 0,86 13,1 (1,1) 13,0 (1,1) 12,8 (0,90) 0,61 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para comparação das médias entre os grupos (ANOVA). † Valor de P para comparação das variáveis heterogêneas ( teste Kruskall-Wallis) 60 ‡ P=0,01; § P=0,02; || P=0,05; ¶ P =0,03. Entre participantes no estádio puberal (Tabela 5.7), apenas a idade apresentou heterogeneidade da variância. Ao analisar diferenças entre os genótipos, apenas a PAD revelou diferença significativa, ou seja, crianças DD apresentaram valores médios de PAD inferiores (61,3 mm Hg) às crianças heterozigotas (62,4 mmHg) e estas inferiores as crianças II (66,7 mmHg). Adicionalmente as crianças ID apresentaram níveis médios da altura (143,8 cm) estatisticamente menores comparadas às crianças II (148,3 cm). Quando meninos e meninas no estádio puberal são analisados separadamente (Tabela 5.8), entre as meninas apenas a PAD apresentou diferença estatisticamente significativa entre os genótipos. Meninas DD (62,9 mmHg) e ID (62,6 mmHg) apresentaram níveis pressóricos menores do que os meninas II (70,3 mm Hg) seguidas das meninas ID. As meninas ID também apresentaram valores médios para altura e peso (140,8 cm; 37,2 Kg, respectivamente) estatiticamente menores que meninas II (147,9 cm e 44,1 Kg, respectivamente). Ao avaliar os meninos, apenas a PAD não seguiu uma distribuição normal e não foi observada nenhuma correlação entre as variáveis contínuas analisadas. Estes resultados reforçam a sugestão de uma influência do estádio puberal na relação entre o genótipo e as variáveis estudados e sugerem que a associação é diferente entre meninos e meninas. A tabela 5.9 apresenta os resultados a população no estádio pós-puberal, onde a maioria das variáveis contínuas analisadas seguiram uma distribuição normal, com exceção da %GC Nhanes III e %GC Tanita. Neste estádio, apenas a CC apresentou diferenças entre os grupos de genótipos. Crianças DD apresentaram medidas menores de CC (67,5 cm) que crianças ID (71,1 cm) e que crianças II (69,5 cm). A tabela 5.10 apresenta os resultados obtidos analisando meninos e meninas no estádio pós-puberal separadamente. No grupo das meninas, todas as variáveis analisadas seguiram distribuição normal e observamos diferenças significativas para as variáveis altura, peso, IMC, CC, %GC Nhanes III e %GC Tanita segundo o grupo do genótipo. Para altura e CC as meninas DD apresentaram medidas significativamente menores (155,4 cm e 65,4 cm, respectivamente) que as meninas ID (159,1 cm de altura e 72,2 cm de CC) e que as meninas II (158,2 cm e 69,8 cm, respectivamente). O mesmo comportamento foi também observado para peso, IMC, %GC Nhanes III e %GC Tanita. Meninas DD apresentaram medidas significativamente menores de IMC, %GC 61 Nhanes III e %GC Tanita (46,9 Kg; 19,4 Kg/m2; 24,2% e 29%, respectivamente) que meninas ID (54,7 Kg; 21,5 Kg/m2; 29,3% e 33,7%, respectivamente) e que as meninas II (51,5 Kg; 20,5 Kg/m2; 27,4% e 30,7%, respectivamente). Para os meninos no estádio pós-puberal observamos diferenças significativas para glicemia de acordo com o genótipo. Meninos DD apresentaram níveis glicêmicos maiores (90,2 mg/dl) que meninos II (84,5 mg/dl) e que os meninos ID (82,2 mg/dl). Em contrapartida, apesar da pressão arterial não ter apresentado diferenças estatisticamente significativas ao comparar os três genótipos, quando foi realizada a comparação em separado, foram encontradas diferenças significativas: meninos DD apresentaram níveis de PAS maiores (113,8 mmHg) que os meninos ID (107,1 mm Hg). 62 Tabela 5.7 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares púberes de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. DD ID II n=76 n=122 n=37 P* Idade (anos) 11,0 (1,7) 10,7 (2,0) 11,2 (1,2) 0,32† Altura (cm) 144,9 (10,4) 143,8 (12,3)‡ 148,3 (9,6)‡ 0,11 Peso (Kg) 39,5 (10,0) 38,5 (12,2) 41,8 (12,1) 0,30 IMC (Kg/m2) 18,6 (3,2) 18,2 (3,6) 18,8 (4,1) 0,65 CC (cm) 64,3 (7,9) 63,2 (9,8) 65,7 (10,4) 0,34 % GC- Nhanes III 21,6 (8,7) 19,7 (8,8) 21,3 (9,1) 0,32 %GC Tanita 23,9 (8,2) 23,6 (8,9) 23,1 (11,3) 0,88 PAS (mmHg) 99,6 (11,1) 101,9 (13,5) 100,4 (13,6) 0,49 PAD (mmHg) 61,3 (7,9) || 62,4 (8,8) § 66,7 (11,6)§,|| 0,01 Colesterol total (mg/dl) 161,4 (31,7) 160,0 (27,1) 166,3 (32,0) 0,52 LDL-c (mg/dl) 89,3 (31,1) 86,2 (26,0) 91,0 (27,3) 0,59 HDL-c (mg/dl) 57,9 (13,2) 57,6 (13,5) 58,7 (12,4) 0,91 TG (mg/dl) 71,1 (30,3) 80,8 (52,3) 83,2 (37,7) 0,24 Glicemia (mg/dl) 84,4 (7,4) 83,0 (7,7) 82,6 (9,4) 0,39 Hemoglobina (g/dl) 13,1 (1,1) 13,2 (1,2) 13,3 (1,3) 0,53 Variável 63 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para teste ANOVA entre os grupos dos genótipos : DD, DI and II. † Valor de P para teste Kruskall-Wallis para variáveis heterogêneas. ‡ P= 0,04; § P= 0,01; || P=<0,001. 64 Tabela 5.8 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares púberes separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Variável Meninos Meninas DD ID II DD ID II n=37 n=57 n=21 n=39 n= 65 n=16 P* P* Idade (anos) 11,5 (1,4) 11,4 (1,7) 11,6 (1,8) 0,88 10,6 (1,8) 10,0 (2,1) 10,7 (1,6) 0,25 Altura (cm) 146,0 (8,7) 147,3 (10,4) 148,5 (10,8) 0,63 143,8 (11,7) 140,8 (13,1)‡ 147,9 (8,0)‡ 0,09 Peso (Kg) 38,1 (7,5) 39,9 (11,5) 40,1 (11,2) 0,65 40,8 (11,9) 37,2 (12,7)§ 44,1(13,2)§ 0,10 IMC (kg/m2) 17,7 (2,2) 18,1 (2,9) 17,9 (3,3) 0,84 19,4 ( 3,7) 18,4 (4,1) 19,9 (4,8) 0,26 CC (cm) 63,1 (6,0) 63,4 (9,4) 63,9 (8,5) 0,95 65,4 (9,3) 63,0 (10,2) 68,0 (12,3) 0,17 %GC Nhanes III 18,6 (6,0) 18,0 (7,4) 19,0 (6,9) 0,81 24,4 (10,0) 21,2 (9,7) 24,1 (11,0) 0,25 %GC Tanita 18,6 (5,1) 18,7 (6,8) 17,4 (8,2) 0,71 29,1 (7,2) 27,9 (8,3) 30,6 (10,5) 0,48 PAS(mmHg) 100,0 (9,7) 104,6 (13,0) 98,7 (13,5) 0,08 99,3 (12,5) 99,4 (13,5) 102,6 (13,8) 0,66 PAD(mmHg) 59,9 (5,9) 62,2 (7,8) 63,9 (10,2) 0,19† 62,9 (9,4)¶ 62,6(9,6)|| 70,3(12,5)||,¶ 0,02 159,2 (27,5) 153,8 (26,6) 162,5 (31,1) 0,41 163,4 (35,4) 165,4 (26,6) 171,3 (33,4) 0,68 LDL-c (mg/dl) 89,1 (26,4) 83,9 (25,6) 87,6 (27,6) 0,62 89,4 (35,4) 88,3 (26,3) 95,5 (27,2) 0,69 HDL–c (mg/dl) 57,6 (10,7) 55,1 (12,8) 59,6 (12,2) 0,31 58,2 (15,3) 59,7 (13,8) 57,5 (12,9) 0,78 TG (mg/dl) 62,6 (28,5) 73,9 (34,7) 76,5 (31,6) 0,17 79,3 (30,1) 86,8 (63,5) 91,8 (44,0) 0,67 Colesterol total (mg/dl) 65 Glicemia (mg/dl) 85,5 (7,6) 84,8 (6,7) 84,3 (9,0) 0,82 83,4 (7,1) 81,4 (8,1) 80,5 (9,8) 0,36 Hemoglobina (g/dl) 13,1 (1,3) 13,4 (1,3) 13,4 (1,2) 0,47 13,0 (0,9) 13,0 (1,0) 13,2 (1,5) 0,83 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para comparação das médias entre os grupos (ANOVA). † Valor de P para comparação das variáveis heterogêneas ( teste Kruskall-Wallis) ‡ P=0,04; § P=0,05; || P=0,007; ¶ P=0,01. 66 Tabela 5.9 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares pós-puberes de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. DD ID II n=66 n=90 n=40 P* Idade (anos) 13,3 (1,0) 13,3 (0,9) 13,5 (1,2) 0,55 Altura (cm) 157,5 (7,8) 159,5 (7,3) 160,2 (7,5) 0,13 Peso (Kg) 49,8 (9,9) 53,1 (12,4) 51,9 (10,3) 0,18 IMC (Kg/m2) 20,0 (2,9) 20,8 (4,1) Variável ‡ 20,1 (2,9) 0,30 ‡ CC (cm) 67,5(7,6) 71,1(10,0) 69,5 (9,0) 0,05 % GC- Nhanes III 22,6 (7,7) 25,2 (10,6) 23,9 (7,6) 0,14† %GC Tanita 26,1 (7,8) 27,9 (11,2) 25,2 (9,9) 0,43† PAS (mmHg) 106 (11,9) 106,2 (11,0) 104,4 (8,8) 0,68 PAD (mmHg) 65,1 (7,7) 66,5 (6,5) 66,6 (6,9) 0,44 Colesterol total (mg/dl) 160,6 (41,5) 153,5 (27,8) 153,2 (28,0) 0,36 LDL-c (mg/dl) 84,9 (42,9) 82,8 (27,0) 82,4 (28,1) 0,91 HDL-c (mg/dl) 59,6 (14,4) 55,6 (13,7) 57,8 (13,3) 0,20 TG (mg/dl) 80,7 (79,8) 75,6 (34,7) 65,2 (25,7) 0,35 Glicemia (mg/dl) 86,1 (8,1) 84,1 (9,6) 82,9 (7,5) 0,16 67 Hemoglobina (g/dl) 13,7 (1,2) 13,6 (1,1) 13,4 (1,2) 0,65 Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para teste ANOVA entre os grupos dos genótipos : DD, DI and II. † Valor de P para teste Kruskall-Wallis para variáveis heterogêneas. ‡ P= 0,015. 68 Tabela 5.10 Média e desvio-padrão dos fatores de risco selecionados para DCV em escolares pós-puberes separados por sexo de acordo com o polimorfismo In/Del do gene DCP1. Meninos Meninas DD ID II DD ID II n=22 n=36 n=16 n=44 n=54 n=24 P* P* Idade (anos) 13,7 (1,0) 13,6 (0,8) 13,9 (1,5) 0,65 13,1 (1,0) 13,1 (1,0) 13,2 (0,8) 0,81 Altura (cm) 161,6 (8,9) 160,0 (9,8) 163,3 (9,2) 0,51 155,4(6,4)†,§ 159,1(5,2)§ 158,2(5,4)† <0,001 Peso (Kg) 55,4 (11,4) 50,8 (12,0) 52,6 (11,6) 0,35 46,95(7,7)|| 54,7 (12,5)|| 51,5 (9,6) <0,001 IMC (kg/m2) 21,1 (3,2) 19,7 (3,4) 19,5 (2,4) 0,21 19,4(2,6)|| 21,5 (4,4) || 20,5 (3,1) 0,02 CC (cm) 71,9 (9,1) 69,6 (9,2) 69,1 (8,0) 0,58 65,4 (5,7)† || 72,2(10,5)|| 69,8 (9,7)† <0,001 || 27,4 (6,9) 0,02 30,7 (7,7) 0,01 %GC Nhanes III 19,4 (5,5) 19,0 (8,4) 18,7 (5,4) 0,95 24,2(8,3) || 29,3(10,0) || || %GC Tanita 20,4 (6,6) 19,2 (8,1) 16,8 (6,5) 0,32 29,0 (6,7) PAS(mmHg) 113,8 (12,7)† 107,1(12,7)† 106,8 (9,2) 0,10 102,1 (9,4) 105,7 (9,9) 102,8 (8,4) 0,16 PAD(mmHg) 66,0 (7,7) 66,4 (7,2) 67,7 (5,7) 0,76 64,7 (7,7) 66,6 (6,2) 103,8 (9,5) 0,43 Colesterol total (mg/dl) 151,3 (26,5) 151,6 (29,7) 153,3 (29,6) 0,97 165,3 (46,9) 154,8 (26,6) 153,1 (27,6) 0,26 LDL-c (mg/dl) 79,2 (23,9) 80,6 (28,5) 83,9 (27,4) 0,86 87,7 (49,8) 84,2 (26,2) 81,4 (29,1) 0,78 HDL–c (mg/dl) 57,3 (12,5) 56,6 (14,0) 56,8 (12,1) 0,98 60,8 (15,2) 55,0 (13,6) 58,4 (14,2) 0,13 TG (mg/dl) 74,6 (36,7) 71,9 (35,1) 63,0 (28,4) 0,57 83,8 (94,5) 78,1 (34,6) 66,7 (24,3) 0,56 Glicemia (mg/dl) 90,2(7,0)‡§ 82,2(9,5)§ 84,52(6,9)‡ <0,01 84,0 (8,0) 85,4 (9,5) 81,8 (7,8) 0,23 69 33,7(9,1) Hemoglobina (g/dl) 14,5 (1,1) 13,9 (1,1) 13,9 (1,3) 0,20 13,3 (1,1) 13,4 (1,0) 13,1 (1,0) Abreviações: IMC, índice de massa corporal; CC, circunferência da cintura; %GC, porcentagem de gordura corporal; PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; LDL-c, colesterol LDL; HDL-c, colesterol HDL; TG, triglicerídeos. * Valor de P para comparação das médias entre os grupos (ANOVA). † P=0,05; ‡ P=0,04; § P=0,02; || P<0,001. 70 0,63 6 Discussão Realizamos a análise genética para o polimorfismo In/Del DCP1 para avaliar o comportamento dos fatores de risco cardiovasculares tradicionais, especialmente aqueles relacionados a hipertensão arterial. Para tanto, foi escolhida uma população jovem de escolares do ensino fundamental, uma vez que, nesta fase da vida, supõe-se que os fatores genéticos tenham um efeito maior do que os ambientais, considerando que estes últimos ainda não tiveram tempo suficiente para exercerem efeito no individuo, podendo portanto, ser o fator genético determinante do fenótipo nesta população (SEKURI et al, 2005). Após a realização das contagens gênica e alélica para o polimorfismo In/Del DCP1 na população estudada, observamos que este polimorfismo encontrava-se em equilíbrio de Hardy-Weinberg (CARDOSO et al, 2008; PEREIRA et al, 2001 ). Em estudos genéticos, é essencial conhecer a distribuição dos alelos de interesse na população e avaliar se essa distribuição alélica segue o que se chama de equilíbrio de Hardy-Weinberg (EHW), da mesma forma que é necessário avaliar se as variáveis contínuas de um estudo epidemiológico seguem uma distribuição normal. (ATTIA et al, 2009; RODRIGUEZ et al, 2009). O equilíbrio de Hardy-Weinberg (também princípio de Hardy-Weinberg, ou lei de Hardy-Weinberg) é a base da genética de populações. Foi demonstrado independentemente por Godfrey Harold Hardy na Inglaterra e por Wilhelm Weinberg na Alemanha, em 1908. Afirma que, em uma população mendeliana, dentro de determinadas condições, as frequências alélicas permanecerão constantes ao passar das gerações. Independentemente de um gene ser raro ou frequente, sua frequência permanecerá a mesma com relação aos outros desde que essas condições sejam mantidas. Por pura intuição poder-se-ia supor que alelos raros se tornariam cada vez mais raros e que alelos frequentes aumentassem cada vez mais sua frequência, simplesmente por já serem raros ou comuns, mas o princípio de Hardy-Weinberg demonstra matematicamente que isso não ocorre. Considerando a existência de 2 alelos em um locus particular, nomeados A e a, com freqüências p e q, respectivamente, depois de um ‘cruzamento’ aleatório, as freqüências genotípicas dos grupos AA, Aa e 71 aa na população serão p2, 2pq, q2. Sabendo que existem somente essas 2 possibilidades de alelos: A ou a, então p+q=1, e p2+ 2pq+q2 =1. Sendo assim, em um cruzamento aleatório de uma população homogênea, a amostra teria poucas chances de discordar do equilíbrio de Hardy-Weinberg, o que pode ser confirmado pela estatística paramétrica (RODRIGUEZ et al, 2009) onde se compara a freqüência dos alelos observada com a freqüência que seria esperada e oferecendo um resultado considerado acerto biológico para os genótipos (ATTIA et al, 2009), podendo-se excluir a possibilidade de erros no procedimento de genotipagem. Em contrapartida, a derivação do equilíbrio de Hardy-Weinberg na população pode ocorrer sob certas condições como: • Consangüinidade (por exemplo, por casamento fechado entre parentes), uma vez que o equilíbrio depende do cruzamento aleatório; • Derivação genética, ou seja, por um processo no qual uma população é isolada, apresentando um número limitado de cruzamentos possíveis; • Novas mutações, várias mutações podem modificar o equilíbrio HardyWeinberg porque esse equilíbrio é usualmente pesquisado dentro de uma geração em população suficientemente ampla; • Seleção, por exemplo, uma desvantagem seletiva do alelo particular que leva a morte fetal ou prematura; (ATTIA et al, 2009) Além dessas razões, a derivação do equilíbrio pode também ser ocasionada por problemas metodológicos, como erros sistemáticos na genotipagem ou padrões perdidos que podem gerar um desequilibrio HW relativamente consistente (por exemplo, desproporção de heterozigoto pode conduzir um padrão de desequilibrio HW consistente com um excesso de homozigoto) (ATTIA et al, 2009; RODRIGUEZ et al, 2009). Entretanto alguns pesquisadores alertam sobre a real sensibilidade deste teste, considerando o mesmo pouco sensível em detectar, especialmente os erros de genotipagem, alegando que as causas da derivação não implicam necessariamente em erros de genotipagem, sendo necessários métodos mais robustos para detectar tais erros (COX et al, 2006). De qualquer maneira, a avaliação do equilíbrio ainda é uma ferramenta importante para controle de qualidade da genotipagem em estudos genéticos, possibilitando um melhor 72 entendimento da característica genética da população (WITTKE-THOMPSON et al, 2005). Assim, considerando que encontramos uma freqüência alélica concordante com o princípio de HW, podemos concluir que o método utilizado para a genotipagem foi sensível e específico para a determinação do genótipo. Adicionalmente, calculamos a reprodutibilidade da técnica utilizada para tipagem do polimorfismo em questão e obtivemos uma concordância de 100% entre dois observadores o que implica que a técnica utilizada além de ter sido sensível e específica foi de fácil reprodutibilidade. Em nosso estudo, a prevalência do alelo D (57,4%) foi similar a encontrada em americanos de origem africana (60,3% a 65%) (PEREIRA et al, 2001; STAESSEN et al,1997; BLOEM et al, 1996) e em estudos com caucasianos (47% a 58%;) (EISENMANN et al, 2009; FRANKEN et al, 2004; GINER et al, 2000; FATINI et al, 2000; PONTREMOLI et al, 2000; HARRAP et al,1993), e foi maior que a prevalência observada em asiáticos (8% a 39%) (JOSHI et al, 2009; ZHANG et al, 2006; FRANKEN et al, 2004; HARRAP et al, 2003; TAMAKI et al, 2002; THOMAS et al, 2001; STAESSEN et al, 1997) e latinos residentes em Los Angeles e México, respectivamente (48,6% e 43%) (THAMEEM et al, 2008; HENDERSON et al, 2004). Nos três estudos brasileiros avaliados, nossos achados corroboram com os estudos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo onde foram encontradas freqüências do alelo D de 59% e 65%, respectivamente; em contrapartida, a freqüência da deleção encontrada na região amazônica foi de 14%, inferior a encontrada no presente estudo (CARDOSO et al, 2008; FREITAS et al, 2007; PEREIRA et al, 2001). Logo, ao avaliar a frequência alélica encontrada na população de Ouro Preto, percebemos uma similaridade a de africanos e caucasianos (EISENMANN et al, 2009; BAUTISTA et al, 2008; FRANCO et al, 2007; FRANKEN et al, 2004; PEREIRA et al, 2001; GINER et al, 2000; PONTREMOLI et al, 2000 ; FATINI et al, 2000; STAESSEN et al,1997; BLOEM et al, 1996; HARRAP et al, 1993). Considerando a frequência do genótipo DD (32,3%), esta foi maior na nossa população quando comparados a outros estudos com população de asiáticos e brancos (EISENMANN et al, 2009; THAMEEM et al, 2008; FREITAS et al, 2007; ZHANG et al, 2006; HARRAP et al, 2003; TAMAKI et al, 2002; PEREIRA et al, 2001; PONTREMOLI et al, 1996; HARRAP, 1993) e estudos avaliaram a frequência desse polimorfismo em populações de origem africana que revelaram uma maior prevalência do genótipo DD comparado a outras etnias (caucasianos, asiáticos, latinos)( HENDERSON et al, 2004). 73 Apesar de ainda não existirem estudos que revelam a estrutura genética da população de Ouro Preto, existem dados históricos relatando que durante o período da ocorrência do tráfico negreiro (1551-1850), aproximadamente 3,5 milhões de africanos chegaram ao Brasil, vindo da costa oeste africana para trabalharem em lavouras de cana de açúcar, de café, extração de ouro, diamantes e outras pedras preciosas (ALVES-SILVA et al, 2000). Por conta da intensa mineração na antiga Vila Rica, esta cidade contou com uma presença maciça de africanos que em determinado momento foi a etnia mais prevalente, e, com o término da extração do ouro, essa população manteve-se nesta cidade contribuindo de maneira predominante para o background étnico da população atual. Desta maneira, dada a maciça contribuição de africanos na formação da população de Ouro Preto, é esperado que esta população apresente similaridades genéticas com populações africanas. Vários estudos corroboram com o conceito de background étnico, ou seja, que a etnicidade determina a variação na freqüência do polimorfismo em algumas populações determinando o risco desta população (HUEMER et al, 2006). Durante a última década, muitos debates na literatura médica e científica têm questionado a relevância em se continuar mencionando a raça para diferenciação das populações. Embora alguns grupos do Projeto Genoma Humano sinalizem a iminência do fim da caracterização do indivíduo por raça, nos anos de 1990 e 2000, ainda tem-se discutido extensivamente como considerar raça/etnicidade em estudos genéticos (TUTTON et al, 2008). De maneira que, conhecendo-se a raça/etnicidade de um indivíduo ou do grupo populacional inserido, pode-se ter conhecimento do risco em desenvolver determinadas patologias. Outro fator importante a ser mencionado é que a atividade enzimática de DCP1 pode estar associada a grupos étnicos e alguns estudos têm avaliado se essa associação é limitada a certos grupos étnicos/raciais. Harrap e colaboradores (2003), ao avaliarem adolescentes e crianças negras, não encontraram associação do polimorfismo In/Del DCP1 e níveis da atividade enzimática DCP1, já nas crianças brancas essa associação foi encontrada, sugerindo que existe uma consistente diferença racial em como a atividade enzimática DCP1 é regulada em relação ao polimorfismo do gene DCP1 (HARRAP, 2003). Por isso, a importância de conhecer a etnicidade da população estudada para melhor interpretar os dados obtidos nos estudos genéticos. 74 No nosso estudo foram encontradas diferenças importantes nas associações existentes entre genótipos e fatores de risco para doenças cardiovasculares. Considerando nossa população em geral, observamos que as crianças II apresentaram uma idade média (10,8 anos) ligeiramente maior do que as crianças ID (10,4 anos), sem maiores inferências. Ao avaliarmos os níveis glicêmicos, observamos que as crianças DD apresentaram glicemia aproximadamente 2 mg/dl maior em relação às crianças II e ao fazermos a estratificação por sexo observamos que esta diferença estava restrita ao grupo dos meninos DD em relação aos meninos ID. Embora os níveis médios encontrados não caracterizem hiperglicemia, a diferença observada pode indicar alterações precoces no metabolismo da glicose e como existem relatos do polimorfismo In/Del DCP1 associado à diabetes tipo 2, qualquer aglomeração de fatores de risco para doenças cardiovasculares pode favorecer o desenvolvimento das DCVs precocemente (RAMACHANDRAN et al, 2008). Podemos sugerir que o fenótipo de risco conferido pelo polimorfismo pode ser dependente da interação com fatores ambientais para se manifestar, o que poderia ocorrer em etapas posteriores da vida. De fato, desordens do metabolismo da glicose são incomuns em crianças (FERREIRA et al, 2007). Em contrapartida, um estudo brasileiro em adultos, detectou uma tendência dos níveis de glicose ser maiores nas mulheres com genótipo II (CARDOSO et al, 2008). Ao estratificar nossa população por sexo no modelo co-dominante, pudemos observar diferenças entre as associações de acordo com o sexo. As meninas não apresentaram nenhuma associação dos fatores de risco analisados com o genótipo enquanto que nos meninos observamos diferenças na PAD, glicemia e % GC. Pudemos observar que os meninos DD tinham níveis pressóricos 2,7 mmHg e 1 mmHg inferiores aos meninos II e ID, respectivamente. Segundo dados de estudos epidemiológicos prévios (SIGHAL et al, 2001) esse nível de redução na pressão arterial diastólica, pode reduzir, a longo prazo, a prevalência da hipertensão arterial de 17%, o risco de doença coronariana de 6% e o risco de infarto e ataques isquêmicos de 15%. Assim, uma PAD média 3 mmHg menor pode apresentar benefícios amplificados na fase adulta (SIGHAL et al, 2001). 75 Por outro lado, não observamos diferença nos níveis de pressão arterial sistólica, em concordância com outros trabalhos (CARDOSO et al,2008; ZHANG et al, 2006; HARRAP et al, 2003;TAMAKI et al, 2002; ZAMAN et al, 2001; KATO et al, 2000; MATSUBARA, 2000; GINER et al, 2000; BORECKI et al, 1997; VASSILIKIOTI et al, 1996; KIEMA et al ,1996; HARRAP et al, 1993; SCHMIDT et al,1993) que não encontraram diferença na pressão arterial com relação ao polimorfismo In/Del DCP1. Entretanto alguns estudos de população observaram apenas uma pequena associação entre o polimorfismo In/Del DCP1 e hipertensão (BAUTISTA et al, 2008; ISO et al, 1994). A literatura apresenta resultados discrepantes quando se trata de estudos de associação deste polimorfismo com a hipertensão arterial, e essas discrepâncias são difíceis de serem explicadas. A maioria dos estudos tem confirmado que sobrepeso, dieta rica em sal e ingestão severa de álcool são os principais fatores de risco para hipertensão (GUIYAN et al, 2006). Portanto, para avaliar o papel do polimorfismo e o fenótipo (pressão arterial) é necessário avaliar outros fatores de risco que possam estar determinando essa associação e antecipando o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Outra possível explicação para as discrepâncias é que o polimorfismo do gene DCP1 tenha apenas um pequeno efeito na pressão arterial, e que este efeito possa ser mascarado por diferenças no background genético ou fatores ambientais, incluindo estilo de vida, os quais poderiam afetar o locus da variante genética (TAMAKI et al, 2002). Acredita-se que essas diferenças com relação ao risco de hipertensão arterial são observadas inclusive entre os indivíduos que compartilham o mesmo background genético, dependendo dos fatores ambientais (WOLF-MAIER et al, 2003; COOPER et al,1997). Além disto, estudos recentes têm sugerido que o polimorfismo In/Del DCP1 está associado com hipertensão arterial de acordo com a idade. (NAKAMURA et al, 2002; YOSHIDA et al, 2000; FORNAGE et al, 1998; JOHNSON et al, 1996). Finalmente, muitos estudos têm sugerido que In/Del DCP1 pode ter um papel diferente na etiologia da hipertensão de acordo com gênero, raça ou idade (ZHANG et al, 2006). Ou ainda que possa existir uma interação entre o polimorfismo In/Del DCP1 e outro gene polimórfico correlacionado com a hipertensão. Portanto, acredita-se que o efeito do polimorfismo In/Del DCP1 na hipertensão pode ser mais evidente quando associado a outros fatores genéticos e não-genéticos (ZHANG et al, 2006). 76 Em resumo, em concordância com alguns trabalhos, não encontramos associação do polimorfismo e hipertensão arterial nas crianças em geral, e, ao estratificar por sexo, somente os meninos DD apresentaram menores níveis da PAD comparados os demais genótipos. É importante ressaltar que deve-se ter cautela ao comparar esses estudos, uma vez que a população do nosso estudo é composta por crianças e adolescentes, então o comportamento da pressão arterial tem um caráter diferenciado. Observamos também que a gordura corporal foi 2% maior nos meninos homozigotos para deleção (genótipo DD) que nos meninos ID. Nossos resultados estão em concordância estudo de Eisenmann e colaborados (2009) no qual meninos DD apresentaram maiores percentuais de gordura corporal do que os meninos ID. Além disso, no referido estudo, indivíduos carreadores do alelo D apresentaram maiores níveis de massa corporal, IMC, massa livre de gordura comparado as crianças II (EISENMANN et al, 2009). Estas observações sugerem que, apesar dos valores estarem na faixa desejável, se esse aumento percentual persistir na idade adulta, pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares precocemente na fase adulta. A literatura concorda com Kourlaba e colaboradores (2008) que sugeriu que na fase infantil e na adolescência, atualmente, é extremamente possível que a ingestão de energia em excesso, a composição de macronutrientes da dieta, os hábitos alimentares e o sedentarismo possa estar influenciando o aumento na obesidade infantil. Adicionalmente, foi encontrada associação positiva entre colesterol total, altos níveis de LDL-c ou sobrepeso/obesidade e o genótipo DD (NAKAMURA et al, 2002; YOSHIDA et al, 2000; FORNAGE et al, 1998; JOHNSON et al, 1996). Além disso, existem poucos estudos relacionando a dieta infantil, fatores de risco cardiovascular e genéticos, sendo, portanto, uma necessidade e preocupação principal (KOURLABA et al, 2008). Outro ponto importante a ser levado em consideração ao avaliar estudos de associação do genótipo com adiposidade é a forte evidência do efeito da dieta para o desenvolvimento da obesidade determinada por fatores genéticos. Adicionalmente, um estudo revelou que o polimorfismo In/Del DCP1 modifica o efeito da ingestão de energia total e da proteína na obesidade somente naqueles indivíduos DD, mas o mecanismo ainda não está claro (KOURLABA et al, 2008). 77 As discrepâncias observadas entre os estudos publicados sobre o efeito do polimorfismo sobre os fatores de risco para doenças cardiovasculares podem ser explicados, como dito acima, por diferenças no background genético entre diferentes populações, pela baixa penetrância do polimorfismo avaliado e pelo fato de que alguns estudos apresentam pequeno poder estatístico para detectar associações que podem estar restritas apenas a um subgrupo relativamente pequeno da população (FREITAS et al, 2008). Como dito anteriormente, o gênero e idade, além da raça e outros fatores ambientais podem influenciar o efeito do polimorfismo. Considerando que a faixa etária da nossa população é bastante ampla (6 a 18 anos) e que a produção hormonal pode influenciar de diferente maneira o efeito do polimorfismo, decidimos investigar estas relações categorizando a população de acordo com o estádio de maturação sexual. Estádio pré-puberal Ao avaliar o estádio pré-puberal na população em geral e nos meninos, nenhuma alteração significativa foi observada para os níveis pressóricos. Sugerindo que neste grupo, o estádio pré-puberal não determinou nenhuma alteração nos níveis pressóricos no modelo co-dominante, o que pode ser explicado pelo fato dos níveis de testosterona estarem relativamente baixos para caracterizar qualquer alteração na expressão gênica nos meninos. Ao avaliarmos a pressão arterial diastólica no estádio pré-puberal, observamos que as meninas ID apresentaram valores pressóricos médios maiores em 4,42 mmHg comparados as meninas II, sugerindo que o estádio pré-puberal teve um efeito, especialmente nas meninas carreadoras do alelo D. Embora as meninas ID do nosso estudo tenham apresentado valores pressóricos médios maiores (59,9 mmHg) do que as meninas II (55,5 mmHg), esses valores foram inferiores às meninas de 7 a 11 anos do município de Brasília, que apresentaram valores médios de 66 mmHg (FERREIRA et al, 2007). Entretanto, Lewington et al (2002) observaram que uma diminuição na pressão arterial diastólica de 5 mmHg poderia, a longo prazo, estar associada com redução em até 40% do risco de morte por doença cardiovascular na idade adulta (LEWINGTON et al, 2002). Portanto, seguindo o racíonio inverso, se as meninas mantiverem esse aumento de aproximadamente 5 mmHg na pressão arterial diastólica, isto pode implicar, a longo prazo, um aumento do risco de morte por doenças cardiovasculares em até 40%. 78 Na nossa análise observamos também que meninas DD apresentaram altura média menor em 3,8 cm comparadas as meninas ID. Adicionalmente as meninas DD apresentaram 2,13 Kg a mais do que as crianças II. Em partes, nossos resultados corroboram com os encontrados por Eisenmann (2009), neste trabalho as crianças de 3 a 12 anos carreadoras do alelo D apresentaram a mesma tendência de valores médios para o peso maiores em 2,7 Kg para as crianças DD comparadas às II, apesar dessa diferença não ter sido mantido para cada gênero. Considerando os meninos, percebemos que os DD apresentaram IMC maior em 1,18 Kg/m2 comparados aos meninos ID. Apesar de serem faixas etárias diferentes, nossos dados corroboram com estudo realizado com homens italianos que também encontrou associação de IMC significativamente maiores nos indivíduos DD (STRAZZULLO et al, 2003). Além das diferenças do IMC, encontramos diferenças no %GC entre os genótipos que foi aproximadamente 3% maior nos meninos DD comparados aos meninos ID. Esses achados corroboram com estudos em adultos, nos quais a associação do genótipo DCP1 e adiposidade relacionada à idade tem sido bem documentada. Foi observado que sobrepeso e adiposidade abdominal foi mais freqüente em homens com genótipo DD (OR=1,8), especialmente nos mais velhos (STRAZZULLO et al, 2003). Similarmente, estudo realizado por Cardoso e colaborados (2008) detectou uma tendência do IMC ser maior nos homens DD comparados aos homens II (CARDOSO et al, 2008) . Com relação aos níveis dos lipídeos no estádio pré-puberal, observamos que as meninas DD apresentavam níveis de LDL-c superiores em aproximadamente 14 mg/dl comparadas as meninas II. Corroborando com nossos resultados alguns autores encontraram associação positiva entre colesterol total elevado, altos níveis de LDL e o genótipo DD (SAYED-TABATABAEI et al, 2004). Apesar das meninas do nosso estudo não apresentarem níveis de lipídios que caracterizariam um fenótipo de risco, é de suma importância acompanhar a evolução e o comportamento dos níveis LDL-c dessas meninas, pois se esse aumento persistir na fase adulta, considerando a presença do alelo D, intensificaria a possibilidade de risco para doenças cardiovasculares. 79 Meninos DD apresentaram níveis de triglicerídeos superiores em 15,33 mg/dl comparados aos meninos ID. Similarmente, estudo realizado por Vittanen e colaborados também encontrou altos níveis de TG nos individuos DD (VIITANEN et al, 2001) . Em partes, nossos achados corroboram com estudo que encontrou a mesma tendência dos níveis de TG para os meninos DD, apesar de não ter diferença estatística significativa (REGITZ-ZAGROSEK et al, 2007). Estádio puberal Neste estádio, tanto as meninas quanto os meninos apresentam níveis hormonais mais elevados e é o momento propício para atuação dos hormônios esteróides. Na população em geral, apenas a pressão arterial diastólica apresentou alterações, sendo que as crianças genotipadas DD apresentaram níveis médios inferiores comparadas às crianças II. Então o genótipo DD para crianças no estádio puberal pode ter efeito protetor contra as doenças cardiovasculares. No entanto, ao estratificarmos por sexo, a diferença na pressão arterial diastólica manteve-se apenas para as meninas. Considerando que no estádio puberal a concentração de estrógeno está elevada, nossos resultados sugerem que o polimorfismo pode interagir com o estrógeno conferindo proteção para as meninas DD. De fato, um estudo mostrou o estrógeno tem um efeito protetor atuando na redução da atividade enzimática DCP1, que está associada a diminuição plasmática da angiotensina II e um aumento nos peptídeos vasodilatadores Angiotensina (1-7) favorecendo uma atenuação na pressão arterial (GALLAGHER et al, 1999). Estádio Pós-puberal Observamos que neste estádio apenas as meninas apresentaram diferenças nas variáveis de composição corporal de acordo com o genótipo. Meninas DD apresentaram valores médios inferiores de CC, altura, peso, IMC e%GC comparadas às meninas ID, provavelmente como resultado da interação do genótipo com os níveis de estrogênio que se encontram aumentados nesta fase, conferindo uma ação protetora para as alterações na composição corporal, assim como atua nos níveis pressóricos. Por outro lado, nesta fase os meninos apresentaram diferenças estatisticamente significantes para pressão arterial sistólica de acordo com o genótipo. Meninos DD apresentaram níveis médios da pressão arterial sistólica aproximadamente 7% superiores comparados aos meninos ID. Partindo da idéia do estudo de Lewington e 80 colaborados (2002), de que a redução de 10 mmHg na pressão arterial sistólica usual poderia, a longo prazo, estar associado com uma redução de cerca de 30% de morte por doenças cardiovasculares, podemos supor que se esta diferença persistir na idade adulta, indivíduos DD podem No nosso estudo, arrisco dizer que esse aumento de aproximadamente 7 mmHg na PAS persistir até a fase adulta, esses meninos podem apresentar o risco de morte por doenças cardiovasculares até 21% maior. ( LEWINGTON et al, 2002). É interessante notar que a pressão arterial é maior em homens comparada as mulheres dentre os adultos acima de 45 anos, aumentando assim o risco relacionado ao genótipo DD em homens (OBER et al, 2008). Ainda que os níveis médios de pressão arterial sistólica estejam dentro de limites desejáveis para faixa etária (<120 mmHg), o fato de que apenas os meninos no estádio pós-puberal tenham apresentado alteração na pressão relacionada ao polimorfismo, pode-se sugerir que a alteração tenha ocorrido pela atuação da testosterona que aumenta a expressão gênica do DCP1, potencializando as alterações na pressão arterial em indivíduos DD. Estas observações também apontam para a existência de um dismorfismo sexual relacionado aos efeitos do polimorfismo In/Del DCP1 sobre os fatores de risco como observado para outros polimorfismos (FREITAS et al, 2009). Os maiores níveis glicêmicos observados nos indivíduos DD persistiram na póspuberdade apenas nos meninos DD em comparação com os meninos ID e II. Assim, o alelo D pode conferir maior risco para diabetes. Este achado é consistente com o resultado de estudo realizado com população asiática no qual o alelo D do gene DCP1 mostrou ser um marcador genético para diabetes tipo 2 (RAMACHANDRAN et al, 2008). Cardoso e colaboradores (2008) também observaram um dismorfismo sexual na relação entre o genótipo In/Del DCP1 e níveis glicêmicos em adultos com mulheres DD, mas não homens, apresentando menores níveis glicêmicos. Tomados juntos, nossos resultados sugerem que a maturação sexual pode intensificar a ação determinada pelo genótipo In/Del DCP1 nos fatores de risco, particularmente pressão arterial, níveis glicêmicos e composição corporal determinando a evolução para um fenótipo de risco de maneira diferente em meninos e meninas. 81 O presente trabalho apresenta, no entanto algumas limitações que devem ser consideradas. Trata-se de estudo transversal no qual todas as observações são feitas em numa única oportunidade, o que pode distorcer a análise das relações entre evento estudado e a amostra analisada. Adicionalmente, quando a observação tem um cunho genético, ou seja, quando se trata de um estudo de associação de polimorfismos de baixa penetrância com relação a fatores de risco para DCV, como foi o caso deste estudo, o número de indivíduos avaliados deve ser grande o suficiente para que sejam possíveis maiores inferências. Neste caso, às vezes, o estudo se torna inviável pelo custo embutido neste tipo de pesquisa. A avaliação do estádio de maturação sexual de acordo com o critério de Tanner pode apresentar um viés do observador, pois embora acompanhado de quadros com desenhos explicativos, a classificação foi autodeclarada, sendo necessária cautela ao utilizar essa classificação. No entanto, acreditamos que tais limitações possam apenas atenuar as relações encontradas e não produzir relações espúrias. Assim, diante dos resultados apresentados, é importante considerar que a adolescência é uma fase de transição entre a infância e a fase adulta, sendo, portanto o momento em que ocorrem intensas e complexas transformações anatômicas e funcionais (LEAL & VARGAS, 2001). Transformações essas determinadas pelo dismorfismo sexual que se encontra em pequenos graus no nascimento, mas intensificam na puberdade. Esse dismorfismo atua de forma peculiar direcionado por fatores endócrinos, especialmente coordenados pelos hormônios de crescimento e esteróides gonodais (LOOMBA-ALBRECHT et al, 2009). Por isso, durante a puberdade é importante monitorar a composição corporal e todos os fatores clássicos para doenças cardiovasculares, uma vez que muitos destes aspectos durante este período são preditivos podendo perpetuar até a fase adulta determinando um fenótipo de risco incluindo dislipidemias, diabetes melitus, obesidade, hipertensão arterial (SIERVOGEL et al, 2003). Além disso, sabe-se que com a rapidez que essas mudanças ocorrem na adolescência, os fatores genéticos e étnicos passam a ser os principais fatores de influência sobre o desenvolvimento, contrastando com a fase adulta, em que se destacam os fatores ambientais (ANJOS et al, 1998). Portanto, independente do sexo, a avaliação deve ser realizada com intuito de impedir que os aumentos determinados pelos hormônios, seja pela ausência de estrógeno ora pela presença da testosterona, perpetuem com o avançar da idade, aumentando assim o 82 risco desta criança apresentar na fase adulta ou precocemente um fenótipo de risco. Em resumo, sabe-se que múltiplos determinantes genéticos e ambientais podem estar envolvidos na patogênese da hipertensão, obesidade, dislipidemia, diabetes tipo 2 cada um provavelmente executando um pequeno efeito. Portanto, deve-se considerar a interação sinérgica dos genes polimórficos do SRA com os fatores de risco tradicionais, e a maturação sexual das crianças para possibilitar identificação dos marcadores comuns na identificação do grupo com pior prognóstico para testar a terapêutica mais eficaz para aquele indivíduo. 83 7 Conclusões A partir da análise e discussão dos resultados encontrados neste trabalho podemos concluir que: A distribuição encontrada para o polimorfismo In/Del DCP1 na população de Ouro Preto é similar àquela encontrada em grupos étnicos não-asiáticos e negros, supondo que nossa população tenha uma prevalência de africanos na sua constituição. Não houve relação estatisticamente significativa entre o polimorfismo In/Del DCP1 com os fatores de risco cardiovascular tradicionais (idade, peso, altura, IMC, CC,%GC, PAS, PAD, Colesterol total, HDL-c, LDL-c, TG, glicemia) quando consideramos a população geral. Ao estratificarmos a população de acordo com o sexo observamos uma correlação gênero-específica na qual as crianças do sexo masculino DD apresentaram porcentagem de gordura corporal maiores e PAD menores quando comparados aos demais genótipos. Ao avaliarmos a relação do polimorfismo com os fatores de risco de acordo com o estádio de maturação sexual, nossos resultados indicam uma interação entre o polimorfismo In/Del do gene DCP1 e fatores hormonais na determinação de fenótipos associados ao risco de DCV diferente em meninos e meninas. No estádio pré-puberal, o alelo D foi associado a menores níveis de peso, estatura e PAD e maiores níveis de LDL-c em meninas e em meninos o alelo D foi associado níveis mais elevados de % GC, IMC e TG. No estádio puberal, o alelo D continuou associado a menores níveis de peso, estatura e PAD em meninas e nenhuma associação foi observada em meninos, sugerindo que no estádio puberal os níveis de testosterona não determinaram alterações na expressão gênica de DCP1 dependente do genótipo. No estádio pós-puberal o alelo D foi associado a menores níveis de peso, altura, IMC, CC e %GC em meninas e em meninos o alelo D foi associado a maiores níveis glicêmico e PAS. 84 8 Perspectivas Nossa equipe pretende avaliar outros polimorfismos do SRA, e de outros sistemas (como polimorfismos do metabolismo da homocisteína) para verificar a atuação sinérgica destes sobre os fatores de risco para DCV na população de Ouro Preto, na tentativa de encontrar marcadores eficazes na determinação precoce do risco cardiovascular. Além disso, pretende-se analisar o consumo alimentar dessas crianças correlacionando com o genótipo encontrado para avaliar possíveis associações, especialmente com relação à ingestão de sal e de macronutrientes que poderiam contribuir no desenvolvimento de fenótipos como hipertensão arterial, obesidade e diabetes tipo 2, por exemplo. 85 9 Referências Bibliográficas ALMEIDA, C. A. N. et al. 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( )Você acha que seu peso está muito alto para sua altura. 2. ( )Você acha que seu peso está alto para a sua altura. 3. ( )Você acha que seu peso está adequado para a sua altura. 4. ( )Você acha que seu peso está baixo para a sua altura. 5. ( )Você acha que seu peso está muito baixo para a sua altura 4- ANTROPOMETRIA 4.1-Altura atual: cm 4.2-Peso atual: kg 4.3-Gordura corporal bipolar: 4.4-Gordura corporal tetrapolar: 4.5-PC 4.6-PC Biciptal :1ª______2ª______ 3ª______mm Triciptal:1ª______2ª______3ª______mm 4.7-PC 4.8-PC suprailíacal:1ª_____2ª______3ª______mm 3ª______mm 4.9-Circunferência cintura: 4.10-Circunferência braço cm Subescapular Obs.: 5- PRESSÃO ARTERIAL Medida: Pressão arterial sistólica: Pressão arterial diastólica: 1a : 2a : 3a : Obs.: 6- LAUDO ECG 112 :1ª______2ª______ cm 7- COR DA PELE ( ) branca ( ) morena-clara ( ) morena- ( )preta ( ) não declarado escura 8- FREQÜÊNCIA ALIMENTAR 8.1- Doces, salgadinhos e guloseimas: meno ALIMENTO Medida QUANTID Nunc s de ADE a 1x mês 1. Batatinha tipo chips ou Salgadinho 2. Chocolate/ bombom 3. Bolo comum/ Bolo Seven Boys® 4. Sorvete massa/ picolé 5. Achocolatado em pó (Nescau®, Quick®, Toddy®, etc.) 6. Pipoca estourada (doce ou salgada) 7. Açúcar adicionado em café, chá, leite, etc. 8. Balas 9. Doces de frutas (goiabada, marmelada, doce abóbora) 10. Sobremesas tipo mousse 11. Doce de festa/ Brigadeiro 12.Gelatina 113 1a 1x 3x por mês sem 2 a 4x 1x sem dia 2 ou mais x dia 8.2- Salgados e preparações: meno ALIMENTO Medid QUANTID Nunc s de a ADE a 1x mês 13. Cheesebúrger de carne/ frango 14. Sanduíche (misto, queijo, frios ou quentes) 15. Sanduíche natural 16. Coxinha/ Risólis/ Pastel/ Enroladinho frito de presunto e queijo 17. Pão de queijo 18. Esfiha / Empada / Pão de Batata / Enroladinho assado de presunto e queijo 19. Salada de batata com maionese 20. Sopa (canja, feijão, legumes) 21. Farofa (de farinha de mandioca) 22. Pizza 23. Cachorro quente 24. Croissant presunto e queijo 114 2 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia ou mai sx dia 8.3- Leites e produtos lácteos: meno ALIMENTO Medida QUANTID Nunc s de ADE a 1x mês 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 25. Leite integral 26. Leite desnatado 27. Leite fermentado (Yakult®) 28. Iogurte natural/ frutas 29. Petit suisse (danoninho®, chambinho®) 30. Leite c/ chocolate (Toddynho®) 31. Iogurte diet 32. Queijo minas frescal/ ricota/ cottage/ prato 33. Requeijão 8.4- Cereais, pães e tubérculos: meno ALIMENTO Medida QUANTID Nun s de ADE ca 1x mês 34. Arroz cozido 35. Macarrão/ instantâneo/ ao sugo/ manteiga 36. Massas (lasanha, raviole, capeleti) 37. Biscoitos maria/ maisena/ cream cracker 38. Bolachas doces 115 1x dia 2 ou mais x dia (rosquinha) 39. Bolinho de chuva (doce, salgado) 40. Biscoitos com recheio 41. Pão francês/ forma/ integral/ caseiro/ pão de hot dog 42. Cereal matinal tipo Sucrilhos®/ Barra de cereal 43. Batatas fritas 44. Batatas (purê, sautée) 45. Polenta (angu) 46. Mandioca cozida 47. Batata baroa (cenoura amarela) 48. Inhame 8.5- Óleos e Gorduras: meno ALIMENTO Medida QUANTID Nunc s de ADE a 1x mês 49. Maionese tradicional 50. Manteiga (origem animal) 51. Margarina (origem vegetal) 116 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 8.6- Verduras e legumes: men ALIMENTO Medida QUANTID Nunc os ADE a de 1x mês 52. Alface 53. Acelga/ repolho 54. Agrião/ rúcula 55. Mostarda/serralha 56. Broto samambaia 57. Ora-pro-nobis 58. Couve-flor/ brócolis 50. Beterraba 60. Cenoura 61. Espinafre 62. Couve 63. Milho verde/ Ervilha 64. Pepino 65. Tomate 66.Quiabo 67. Chuchu 68. Abobrinha 69. Abóbora 8.7- Leguminosas: 70. Feijão 71. Soja 117 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 8.8- Frutas: meno ALIMENTO QUANTIDA Nunc Medida DE s de a 1x mês 1a 1x 2a 3x por 4x mês 2 ou 1x sem sem dia mais x dia 72. Abacate 73. Abacaxi 74. Banana 75. Laranja 76. Mexerica 77. Maçã/ pêra 78. Mamão 79. Melão/ Melancia 80. Manga 81. Morangos 82. Goiaba 83. Ameixa/ Kiwi 84. Uva 8.9- Carnes e Ovos: meno ALIMENTO Medid QUANTID Nunc a ADE a s de 1x mês 85. Carne cozida (bife role/ moída de panela/ picadinho) 86. Bife frito/ bife à milanesa 87. Frango cozido ( ) assado ( ) frito ( ) grelhado ( ) 88. Frango frito ( ) 89. Peixe assado ( ) 90. Peixe frito ( ) 118 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 91. Carne suína (bisteca/lombo) 92. Ovo frito ( ) 93. Ovo cozido ( ) 94. Embutidos (presunto/ peito de peru, mortadela, salame etc) 95. Salsicha frita ( ) 96. Salsicha cozida ( ) 97. Lingüiça frita ( ) 98. Lingüiça cozida ( ) 99. Chouriço 8.10- Bebidas: ALIMENTO Medida QUANTIDA Nunc DE 100. Refrigerante normal 101. Refrigerante diet 102. Chá mate com sabor 103. Suco de frutas com açúcar 104. Limonada/ laranjada com açúcar 105. Sucos naturais com leite/ Vitaminas de frutas 106. Sucos artificiais (em pó) 107. Sucos artificiais (Tial®, Kapo®, etc) 108. Gatorade® 109. Café 110. Cerveja 111. Vinho 112. Batida 119 a menos 1a 1x 2a de 1x 3x por 4x mês mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 113. Cachaça 114. uísque 115. vodca 116. conhaque 117. Água 8.11- Outros: meno ALIMENTO Medida QUANTIDA Nunc s de DE a 1x mês 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 118. Adoçante gotas/ pó 119. Ketchup 120. Mostarda 8.12- Não mencionados: meno ALIMENTO Medida QUANTID Nunc s de ADE a 1x mês 121. 122. 123. 124. 125. 120 1a 1x 2a 3x por 4x mês sem sem 1x dia 2 ou mais x dia 8.13- Consumo familiar QUANTIDADE ALIMENTO Mensal Semanal 126. Leite Condensado 127. Creme de Leite 128. Açúcar 129. Óleo* 130. Gordura 131. Azeite 132. Alho 133. Sal 134. Cebola 135. Pasta de alho e sal 136. Caldo de carne (Knor, outros) *137. Reaproveitamento: ( ) sim ( ) não 138.Toma suplemento vitamínico? 1.( ) Sim 2.( ) Não 139. Qual (is) tipo (s)? ___________________________________ 140. Quanto? ___________________________________________ 141. Freqüência: 1. ( )Menos de 1 vez por mês 2. ( )De 1 a 3 vezes por mês 3. ( )1 vez por semana 4. ( )De 2 a 4 vezes por semana 5. ( )1 vez ao dia 6. ( )De 2 a mais vezes ao dia 121 N0 PESSOAS 9- RECORDATÓRIO DE 24 HORAS 9.1. Que dia da semana foi ontem? (Atenção: o entrevistador deve responder esta questão, não solicite a resposta ao entrevistado) 1.Segunda-feira 3.Quarta-feira 5.Sexta-feira 2.Terça-feira 4.Quinta-feira 6.Sábado 7.Domingo CAFÉ DA MANHà 9.2. Ontem você tomou café da manhã? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 5- Período da Manhã) 9.3. A que horas você tomou seu café da manhã? _________ 9.4. Onde você tomou seu café da manhã? 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2. ( )Na escola: merenda ou qualquer outro alimento oferecido de graça pela escola. 3. ( )Na escola: alimentos trazidos de casa. 4. ( )Na escola: alimentos comprados na lanchonete da escola ou de vendedores de rua. 5. ( )Outro local. Qual? ______________________________________ CAFÉ-DA-MANHà ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) 122 PERÍODO DA MANHà 9.5. Ontem você comeu ou bebeu alguma coisa entre o café da manhã e almoço? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 7- Almoço) 9.6. Onde você comeu esses alimentos? 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2.( ) Na escola: merenda ou qualquer outro alimento oferecido de graça pela escola. 3. ( )Na escola: alimentos trazidos de casa. 4. ( )Na escola: alimentos comprados na lanchonete da escola ou de vendedores de rua. 5. ( )Outro local. Qual? ______________________________________ PERÍODO DA MANHà ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) ALMOÇO 9.7. Ontem você almoçou? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 10- Período da tarde) 123 9.8. A que horas você almoçou? _________ 9.9. Onde você almoçou? 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2. ( )Na escola: merenda ou qualquer outro alimento oferecido de graça pela escola. 3. ( )Na escola: alimentos trazidos de casa. 4. ( )Na escola: alimentos comprados na lanchonete da escola ou de vendedores de rua. 5. ( )Outro local. Qual? ______________________________________ ALMOÇO ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) PERÍODO DA TARDE 9.10. Ontem você comeu ou bebeu alguma coisa entre o almoço e o jantar? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 12- Jantar) 9.11. Onde você comeu esses alimentos? 124 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2. ( )Na escola: merenda ou qualquer outro alimento oferecido de graça pela escola. 3. ( )Na escola: alimentos trazidos de casa. 4. ( )Na escola: alimentos comprados na lanchonete da escola ou de vendedores de rua. 5. ( )Outro local. Qual? ______________________________________ PERÍODO DA TARDE ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) JANTAR 9.12. Ontem você jantou? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 15- Período da noite) 9.13. A que horas você jantou? _________ 9.14. Onde você jantou? 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2. ( )Na escola: merenda ou qualquer outro alimento oferecido de graça pela escola. 3. ( )Na escola: alimentos trazidos de casa. 4. ( )Na escola: alimentos comprados na lanchonete da escola ou de vendedores de rua. 5. ( )Outro local. Qual? ____________________________________ 125 JANTAR ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) PERÍODO DA NOITE 9.15. Ontem você comeu ou bebeu alguma coisa depois do jantar (ou antes de dormir)? ( ) Sim (passe para questão seguinte) ( ) Não (passe para questão 17- Hábitos alimentares) 9.16. Onde você comeu esses alimentos? 1.( ) Em casa. ( ) na frente da televisão ( ) sentado à mesa ( ) outro _____________________________ 2. ( )Outro local. Qual? ______________________________________ PERÍODO DA NOITE ALIMENTO/ BEBIDA QUANTIDADE (em medidas caseiras) 126 HÁBITOS ALIMENTARES Assinale as refeições realizadas normalmente (4 vezes por semana ou mais) e o respectivo local: 9.17. Café da manhã: ( ) Não ( ) Sim. Local?________________________ 9.18. Lanche da manhã/ merenda: ( ) Não ( ) Sim. Local?________________________ 9.19. Almoço: ( ) Não ( ) Sim. Local?________________________ 9.20. Lanche da tarde/ merenda ( ) Não ( ) Sim. Local?________________________ 9.21. Jantar: ( ) Não ( ) Sim. Local?________________________ 9.22. Lanche da noite: ( ) Não Local?________________________ 127 ( ) Sim. 10- QUESTIONÁRIO Dados do responsável 9.1-Nome: 9.2-idade: 9.3-Grau de parentesco: 9.4-Peso: 9.5-Altura: 9.6-% gordura: 9.7-C cintura: 9.8-Pressão arterial Mãe: 1a 2a : 3a : 9.8-Pressão arterial Pai: 1a 2a : 3a : 9.12-Grau de instrução: (b) ( primário )incompleto (a) analfabeto ou <4anos ) (c)ginasial ( completo ) ( (d) 20grau ( ) completo ( )incompleto completo ( (e) superior ( )incompleto ) completo ( )incompleto 9.13-Trabalha fora (a) sim (b) não 9.14-Tipo de trabalho: 9.15-Turno: 9.16-Doenças crônico –degenerativas: Apresenta alguma doença citada abaixo? ( ) hipertensão arterial ( ) diabetes mellitus ( ) osteoporose ( ) outras. Qual (ais)? 9.17-Medicamento(s)? Qual (ais)____________________________________________ 9.9-Número de filhos: 10.17 – Idade que a mãe teve o 10 filho: 9.11-Tipo de parto do(a) aluno (a): (a) normal n0 (b) cesariana História de doenças familiares: (a) sim (b) não 9.18-( ) hipertensão arterial 9.20-( ) diabetes mellitus 9.19-( ) osteoporose 9.21-( ) outras. Qual (ais)?_____________________ Dados da criança: 9.22-Fez pré-natal durante a gestação da criança (a) sim (b) não quantas consultas: 9.23-Peso ao nascer: __________________g 9.24-A criança teve alguma ( ) não sabe informar complicação pós-parto: (a) sim (b) não Qual?___________________________ 9.25-A criança já foi internada (a) motivo:______________________________________ Por quanto tempo: ________________________________ 128 sim (b) não Qual 9.26-Patologias atuais ( ) sim ( ) não Qual?______________________________________________ Medicamento?________________________________________________________________________ _ 9.27-Qual a data de nascimento do irmão que nasceu antes da criança: / / Sobre os hábitos da criança: 9.28-A criança mamou no peito: (a) sim (b) não ( ) Exclusiva ( )≤6 meses ( )>7meses < 1 ano ( )> 1 ano ( )Predominante ( )≤6 meses ( )>7meses < 1 ano ( )> 1 ano ( ) Complementar ( )≤6 meses ( )>7meses < 1 ano ( )> 1 ano 9.30-A criança faz suas refeições principais em frente à televisão (a) sim (b) não (c) às vezes 9.31-Qual o responsável que está presente nas refeições principais: ___________________________ 10- AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO SEXUAL SEXO FEMININO 10.1-Estágios de Tanner: Mamas: Pêlos Pubianos: 1. ( )M1 1. ( )P1 2. ( )M2 2. ( )P2 3. ( )M3 3. ( )P3 4. ( )M4 4. ( )P4 5. ( )M5 5. ( )P5 10.2-Menarca: 1.( ) Sim. Idade da menarca: Anos 2. ( )Não. 3. ( )Não sabe/ não lembra. SEXO MASCULINO 10.3-Estágios de Tanner: Genitália Pêlos Pubianos 1. ( )G1 6. ( )P1 2. ( )G2 7. ( )P2 3. ( )G3 8. ( )P3 4. ( )G4 9. ( )P4 5. ( )G5 10. ( )P5 129 11- AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA 11.1-Você pratica ou praticou esporte ou exercício físico em clubes, academias, ( ) Sim escolas de esportes, parques, ruas ou em casa nos últimos 12 meses? ) Não ( 11.2-Qual esporte ou exercício físico você pratica freqüentemente? ( ) futebol ( ) natação ( ) ginástica ( ) basquete ( ) vôlei ( ) caminhada ( ) handebol ( ) judô ( ) musculação 11.3-Quantas horas por dia você pratica? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.4-Quantas vezes por semana você pratica? ( ) 1-2 x/semana ( ) 3-4x/semana ( ) todos os dias 11.5-Você participa das aulas de Educação Física escolar? ( ) Sim ( ) Não ( ) É dispensado. Por que? 11.6-Quantas aulas por semana? ( ) 1-2 x/semana ( ) 3-4x/semana ( ) todos os dias 11.7-Qual a duração de cada aula? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas 11.8-Você costuma ir de bicicleta ou a pé para a escola, clube, academia ou cursos ( ) Sim em geral? ( ) Não 11.9-Quantas horas por dia você gasta nessas atividades? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.10-Quantas horas por dia você costuma assistir à televisão nos dias de semana? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.11-Quantas horas você costuma assistir à televisão nos finais de semana, somando sábado e domingo? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.12-Você costuma jogar vídeo-game? ( ) Sim ( ) Não 11.13-Quantas horas por dia você costuma jogar vídeo-game? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.14-Quantas vezes por semana você costuma jogar vídeo-game? ( ) 1-2 x/semana ( ) 3-4x/semana ( ) todos os dias 130 11.15-Você costuma usar o computador? ( ) Sim ( ) Não 11.16-Quantas horas por dia você costuma usar o computador? ( ) 30-1 hora ( ) 1- 2 horas ( ) mais de 2 horas 11.17-Quantas vezes por semana você costuma usar o computador? ( ) 1-2 x/semana ( ) 3-4x/semana ( ) todos os dias ANOTAÇÕES GERAIS: 131 12- CONDIÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Indicadores de Renda 12.1- Quantas pessoas na família recebem alguma remuneração por seu trabalho ou aposentadoria? 12.2- Quantos estão desempregados? 12.3- Há quanto tempo( em meses) estão desempregados? Individuo 1______________ Individuo 2______________ Individuo 3______________ Individuo 4______________ 12.4- Qual foi a renda total de sua família incluindo salários, aposentadorias, pensões e outros rendimentos (como aluguel) ? 132 13- CONSUMO DE BEBIDA A LCOÓLICA 13.1-Você ingere bebidas alcoólicas ? (0) sim (1) não 13.2-Qual a idade que você tinha quando bebeu pela primeira vez ? __________ 13.3- Qual a freqüência que você consome 6 ou mais doses de bebidas alcoólica em uma ocasião? (0) Menos que mensalmente (1) Mensalmente (2) Semanalmente (3) Diariamente ou quase diariamente 13.4- No último ano quantas vezes você ficou alcoolizado (tomou um porre)? (0) Nunca (1) Todos os dias (2) 5-6 dias/semana (4) 1-2 dias/semana (3) 3- 4dias/semana (5) 3-4 dias/mês (6) 1-2 dias/mês (7) menos 1 vez/mês 13.5- Quantas vezes durante os últimos 12 meses você precisou de uma primeira dose pela manhã para sentir-se melhor depois de uma bebedeira? (0) Nunca (2) Mensalmente (1) Menos que mensalmente (4) Diariamente ou quase diariamente (3) Semanalmente 13.6-Quantas vezes durante o ano passado você não conseguiu lembrar o que aconteceu na noite anterior por que você estava bebendo? (0) Nunca (2) Mensalmente (1) Menos que mensalmente (4) Diariamente ou quase diariamente (3) Semanalmente 13.7-Você foi criticado pelo resultado das suas bebedeiras? (0) Nunca (1) Menos que mensalmente Pai (2) Mensalmente (4) Diariamente ou quase diariamente (3) Semanalmente Mãe 133 13.8-Consome bebida alcoólica? ( )sim ( 13.9-Consome bebida alcoólica? ( )sim ( )não )não 13.10- Qual freqüência ele consome bebidas 13.11-Qual a freqüência que ele consome alcoólicas? bebidas alcoólicas? (0) Não se aplica (0) Não se aplica (1) Uma ou menos de uma vez por mês (1) Uma ou menos de uma vez por mês (2) 2 a 3 vezes por semana (2) 2 a 3 vezes por semana (3) 2 a 4 vezes por mês (3) 2 a 4 vezes por mês (4) 4 ou mais vezes por semana (4) 4 ou mais vezes por semana 13.12- Em sua casa há outros que consomem álcool? ( ) sim ( 13.13-O consumo de bebidas alcoólicas ocorre dentro de sua residência? ( ) sim ( ) não ) não Quem?__________________ 134 14- TABAGISMO 14.1-Você tem o hábito de fumar ? (0) sim (1) não 14.2-Qual a idade você tinha quando fumou pela primeira vez ? (0) abaixo de 9 anos (2) 10 anos (4) 12 anos (1) 9 anos (3) 11 anos (5) 13 anos (6) 14 anos 14.3-Que idade você tinha quando começou a fumar diariamente? (0) Não se aplica (2) 9 anos (4) 11 anos (6) 13 anos (1) abaixo de 9 anos (3) 10 anos (5) 12 anos (7) 14 anos 14.4-Qual a freqüência de uso do cigarro no último ano? (0) Atualmente não fumo (1) fumo todos os dias (2) 5-6 dias/semana (4) 1-2 dias/semana (6) 1-2 dias/mês (3) 3-4 dias/semana (5) 3-4 dias/mês (7) menos que 1 vez/mês 14.5-Se você fumava e parou, há quanto tempo está sem fumar (0) Não se aplica (2) até 1 mês (4) Mais de 1 anos e menos de 3 anos (1) 1 semana (3) mais de 1 mês e menos de 1 anos (5) mais de 3 anos 14.6-Quantos cigarros você fuma/dia? (0) 1 a 10/dia (2) 21 a 30/dia (4) mais de maços/dia (1) 11 a 20/dia (3) 31 a 40/dia 14.7-Após acordar, quanto tempo você demora para fumar o primeiro cigarro? (0) 5 minutos ou menos (1) 6-30 minutos (2) 31-60 minutos (4) 4 horas ou mais (3) 1 a 3 horas 135 2 14.8-Seu pai ou sua mãe tem o hábito de fumar? (0) Nenhum dos dois (2) Apenas minha mãe (1) Os dois (3) Apenas o meu pai 14.9-Sua mãe fumou durante a gravidez? ( ) sim ( ) não 14.10-Em sua casa há mais algum fumante? ( )sim ( )não Quem?_________________________ 14.11-O fumante tem o hábito de fumar dentro de sua residência? ( )sim ( )não 136 1. Anexo 01 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA E DO RESPONSÁVEL LEGAL NOME DO ALUNO (A):________________________________________________ DOCUMENTO DE IDENTIDADE No.________________ÓRGÃO EXPEDIDOR:__________ SEXO: M [__] F [__] DATA NASCIMENTO:____/____/____ RESPONSÁVEL LEGAL:_______________________________________________ NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.) __________________________ DOCUMENTO DE IDENTIDADE:________________ÓRGÃO EXPEDIDOR______ SEXO: M [__] F [__] DATA NASCIMENTO:____/____/____ ENDEREÇO:___________________________________________________________ BAIRRO:____________________________ TELEFONE: DDD (31) _____________________ 137 DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA: Estudo dos fatores de risco para doenças cardiovasculares na população do ensino fundamental de Ouro Preto,MG. Coordenação do Estudo: George Luiz Lins Pesquisadores Participantes do Estudo: Machado Coelho Ana Paula Carlos Cândido (NUPEB) (DEFAR/UFOP) Sílvia Nascimento de Freitas (DENCS/UFOP) Renata Nascimento de Freitas (DENCS/UFOP) Aline Cristina de Souza Lopes (UFMG) Waleska Teixeira Caiaffa (UFMG) AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: [__] SEM RISCO [ X ] RISCO MÍNIMO[__] RISCO MÉDIO [__] RISCO BAIXO [__] RISCO MAIOR DURAÇÃO DA PESQUISA: Quatro anos 138 CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO Declaro que, após convenientemente esclarecido(a) e ter entendido as informações acima explicitadas, consinto que meu (minha) _____________ participe do protocolo da pesquisa acima especificado. Autorizo também que as amostras de sangue coletadas sejam armazenadas no Laboratório de Epidemiologia sob responsabilidade do Prof. George Luis Lins Machado Coelho da UFOP para estudos posteriores desde que autorizados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Ouro Preto, de de 2006. _______________________________________________ Nome do aluno participante ________________________ ________________________ Assinatura do pesquisador MOTIVO Assinatura do responsável legal DA RECUSA: ___________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 139 REGISTRO DAS EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO PACIENTE OU SEU REPRESENTANTE LEGAL SOBRE A PESQUISA A pesquisa que a criança ou adolescente está sendo convidado(a) a participar tem como objetivos: (1) determinar a prevalência dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares na faixa etária de 7 a 14 anos na cidade de Ouro Preto, (2) identificar os fatores biológicos, ambientais e sócioeconômico que fazem com que um indivíduo tenha mais ou menos chance de apresentar uma doença do coração na idade adulta, e (3) promover o desenvolvimento de padrões comportamentais adequados (hábitos alimentares, atividade física) que previnam o desenvolvimento da doença cardiovascular na vida adulta. Nesta pesquisa os alunos serão avaliados nas escolas quanto às características antropométricas (peso, altura e percentual de gordura corporal), bioquímicas (proteína C reativa, vitaminas, minerais, colesterol total e frações, glicose, triglicérides e homocisteína), clínicas (avaliação da pressão arterial e eletrocardiograma) e genéticas (polimorfismos dos genes APOE, LDL-R, PPAR, MTHFR, MS, TYMS, OB, OB-R, NR3C1 e DCP1) em data e horário previamente agendados com a direção do estabelecimento de ensino. Para as análises bioquímicas e genéticas será necessário coletar 10 mL de sangue após jejum de 12 horas. As medidas antropométricas e a coleta do sangue serão realizadas por profissional qualificado e treinado. O responsável legal por cada participante deverá responder a um questionário aplicado pela equipe. Todas as análises serão realizadas por pessoas treinadas e orientadas, estando sob a supervisão dos orientadores do projeto. Os exames bioquímicos serão realizados por profissionais do LAPAC (Laboratório de Análises Clínicas da Universidade Federal de Ouro Preto) e as análises genéticas serão realizadas no Laboratório de Epidemiologia Molecular da Escola de Nutrição da UFOP. As amostras de sangue receberão um número (código) e apenas o coordenador do projeto terá conhecimento da origem dos dados. Estas amostras ficarão armazenadas sob a responsabilidade do Prof. George Luis Lins Machado Coelho e poderão ser utilizadas futuramente em outros estudos, de caráter semelhante, desde que com sua autorização e se esta não for possível, esta utilização deverá ser justificada e aprovada pelo Comitê de Ética. Em nenhum momento desse estudo, as pessoas que estarão trabalhando com o material das crianças e dos adolescentes saberão a quem pertence, garantindo o sigilo dos dados. Nenhuma outra pessoa ou instituição, que não aquelas envolvidas no presente projeto, terá acesso aos dados gerados por esta pesquisa. Os resultados deste trabalho serão publicados apenas em veículos de divulgação científica (revistas especializadas e congressos) garantindo-se o anonimato dos participantes. Os resultados das análises bioquímicas serão informados ao representante legal e se for do interesse deste, também os resultados das análises genéticas. Se necessário e se for de seu interesse, nossa equipe agendará uma consulta para aconselhamento genético. A participação ou não neste estudo - 140 - não influenciará de nenhuma forma o tipo e a qualidade do atendimento médico que a criança ou adolescente está ou poderá está recebendo no futuro. O responsável legal poderá solicitar aos pesquisadores o desligamento do estudo a qualquer momento. É através deste tipo de pesquisa que esperamos poder aumentar o nosso conhecimento sobre os riscos de desenvolver doenças do coração (pressão alta, colesterol alto, obesidade etc.), sobre as formas de se prevenir essa doença na fase adulta e os benefícios da prevenção e do tratamento que o participante poderá vir a receber. A participação dos alunos poderá ajudar a conhecer os fatores de risco presente nessa faixa etária e prevenir as doenças cardiovasculares na idade adulta. Ainda, o participante estará realizando uma série de exames e consulta médica que poderão identificar alterações que, tratadas ou prevenidas, irão diminuir a chance de se desenvolver essas doenças na fase adulta. Caso você queira se informar de mais detalhes sobre a pesquisa agora, ou no futuro, poderá entrar em contato com o Prof. George Luiz Lins Machado Coelho (Escola de Farmácia/Laboratório de Epidemiologia/UFOP- Tel: 35591638), Obrigado! ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO SUJEITO DA PESQUISA: Acesso, a qualquer tempo, às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para dirimir eventuais dúvidas. Liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e de deixar de participar do estudo, sem que isso traga prejuízo à comunidade da assistência. Salvaguarda da confidencialidade, sigilo e privacidade. Disponibilidade de assistência no Serviço Municipal de Saúde, por eventuais danos à saúde, decorrentes da pesquisa. - 141 - ANEXO2 Estádios de Maturação Sexual Tanner, 1962 - 142 - ANEXO2 Estádios de Maturação Sexual Tanner, 1962 - 143 - ANEXO 3 COMITÊ DE ÉTICA Projeto n°054/2007 - 144 - ANEXO 4 COMITÊ DE ÉTICA Projeto n°020/2005 - 145 -