UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS DANIELA BAGGIO DEL CASTANHEL QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DE QUEIJOS COM REGISTRO DE INSPEÇÃO COMERCIALIZADOS EM CRICIÚMA, SANTA CATARINA CRICIÚMA, JUNHO 2008 DANIELA BAGGIO DEL CASTANHEL QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DE QUEIJOS COM REGISTRO DE INSPEÇÃO COMERCIALIZADOS EM CRICIÚMA, SANTA CATARINA Monografia apresentada à Diretoria de Pós-Graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense, para a obtenção do título de Especialista em Gestão de Recursos Naturais. Orientador: Prof. Dr. Robson dos Santos CRICIÚMA, JUNHO DE 2008 Dedico este trabalho, aos meus queridos pais Agenor e Maria, que com imensa sabedoria e paciência, souberam conduzir-me durante o percurso de minha vida, concedendo-me a serenidade e clareza que necessitei. AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus, pois sem o mesmo, nada teria eu alcançado. Aos meus pais Agenor Del Castanhel e Maria Baggio Del Castanhel, pelo amor, carinho, paciência e confiança, que sempre tiveram por mim, e por estarem sempre ao meu lado, incentivando e apoiando minhas decisões. Ao meu irmão Jorge Baggio Del Castanhel, que me divertiu durante toda minha infância, adolescência e agora, em minha vida adulta, me dando o apoio necessário. Ao meu querido noivo Maycon Dias de Souza, pelo seu amor, carinho, compreensão, e bom humor sempre me animando, estimulando e me fazendo acreditar, quando fraquejei. Ao meu orientador, professor Dr. Robson dos Santos, por acreditar em minha capacidade e responsabilidade. Ao PROBOLAB – Laboratório de Análises de Alimentos, onde todas as análises foram realizadas, principalmente a M.Sc. Clair Maria Martinello Baillargeon que contribui de forma incisiva para minha formação profissional, nela encontrei forças, incentivo e conhecimentos para finalizar este projeto. A minha amiga Bárbara Cechinel Gonçalves, por seus conselhos, sua ajuda e seu apoio, mostrando-se a cada dia uma amiga como poucas. A todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a melhoria deste projeto. E mais uma vez gostaria de agradecer a Deus, que selou essas uniões e generosamente me permitiu desfrutar da companhia de pessoas tão maravilhosas. “Concedei-nos Senhor, Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguirmos umas das outras”. Autor desconhecido RESUMO Avaliou-se a qualidade microbiológica do queijo minas frescal com registro de inspeção estadual e federal, comercializados em Criciúma, Santa Catarina. Foram analisadas nove amostras, a fim de verificar a ocorrência de coliformes termotolerantes no produto. Sete amostras (77,8%) apresentaram presença de coliformes termotolerantes, com valores entre 2,1x10+3UFC/g e 3,4x10+6UFC/g, resultados impróprios de acordo com resolução RDC nº 12/2001 da ANVISA. Não houve diferença estatística significativa entre os queijos com registro de inspeção estadual ou federal. Os resultados evidenciam que é necessária uma reavaliação das condições de fabricação, da matéria prima e conscientização dos produtores. Palavras-chave: Qualidade Microbiológica; Queijo Minas Frescal; Coliformes Termotolerantes; Inspeção Estadual; Inspeção Federal. LISTA DE TABELAS Tabela 1. Tipo de inspeção e origem, expressos nas embalagens das três diferentes marcas comerciais de queijo minas frescal avaliadas. .............................................. 22 Tabela 2. Ingredientes presentes nas três diferentes marcas comerciais de queijo minas frescal avaliadas. ............................................................................................ 23 Tabela 3. Correlação entre as marcas de queijo minas frescal, a adição ou não de bactérias lácticas e o limite máximo permitido para coliformes termotolerantes, conforme a Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001, para amostras indicativas.................................................................................................................. 24 Tabela 4. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 15/04/2008. ................................................................................... 24 Tabela 5. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 22/04/2008. ................................................................................... 25 Tabela 6. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 29/04/2008. ................................................................................... 25 Tabela 7. Resumo e média dos resultados das contagens de coliformes totais e termotolerantes em todos os ensaios realizados em amostras de queijos minas frescal, comercializados em Criciúma, SC. ............................................................... 26 Tabela 8. Contaminações de queijo minas frescal por coliformes termotolerantes, considerando índices condenatórios nas amostras com S.I.E. e S.I.F., sem e com adição de fermento lático. ......................................................................................... 28 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 8 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................. 10 2.1 A História e Origem do Queijo ......................................................................... 10 2.2 Definição e Classificação de Queijos .............................................................. 12 2.3 Contaminação dos Queijos .............................................................................. 13 2.4 A Importância da Obtenção Higiênica do Leite .............................................. 14 2.5 A Presença de Coliformes Termotolerantes em Queijos ............................... 16 2.6 Segurança Alimentar......................................................................................... 17 3 METODOLOGIA .................................................................................................... 20 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS....................................................... 22 5 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 30 6 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 31 8 1 INTRODUÇÃO O queijo é obtido pela coagulação do leite seguido de uma desidratação da coalhada, podendo ser fresco ou maturado. Seu valor nutritivo o coloca entre os alimentos mais completo e recomendáveis para a dieta de um indivíduo, pois apresenta alta concentração de proteínas, gordura, sais minerais e vitaminas, comparando-o com a carne. O queijo também ajuda no fortalecimento dos dentes e ossos devido ao alto teor de cálcio e fósforo. O leite e seus derivados, como o queijo, são muito consumidos por pessoas de todas as camadas sociais de qualquer faixa etária, sobretudo por crianças, idosos e convalescentes de doenças. Com o alto consumo desse tipo de alimento, aumentou também o número de intoxicação alimentar causada contaminação bacteriana. Para garantir a qualidade do produto foram criadas normas que definem a fabricação do produto, desde a matéria prima até o produto final, sendo estabelecido também sua composição e o padrão de quantidade de microrganismos tolerável nos diferentes tipos de queijo. Os queijos devem conter o selo do registro de inspeção sanitária podendo ser municipal, estadual ou federal. Este registro assegura o cumprimento dessas normas. Segundo a legislação vigente, a qualidade microbiológica do queijo é assegurada, com as análises de coliformes termotolerantes, Staphylococcus aureus, Salmonella sp. e Listeria monocytogenes. A contaminação por coliformes fecais é indicativa de excelência das condições higiênico-sanitárias dos alimentos. A quantidade de microrganismos de importância sanitária encontrados em queijos com diferentes tipos de registro de inspeção estão correlacionadas com os níveis de inspeção? Para responder esta questão, neste trabalho os objetivos são verificar a qualidade microbiológica de queijos com registro de inspeção comercializados em Criciúma – SC., avaliar o nível de contaminação por coliformes termotolerantes dos queijos, comparar os resultados obtidos com os padrões de qualidade permitido para o produto de acordo com a resolução RDC 12/2001 da Agência Nacional de 9 Vigilância Sanitária (ANVISA) e verificar se o tipo de inspeção sanitária influencia na qualidade microbiológica de queijos. Está verificação será realizada em laboratório especializado, e os resultados posteriormente serão comparados com as normas. 10 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 A História e Origem do Queijo O queijo é um alimento cuja origem é anterior a Pré-História. Não há qualquer evidência conclusiva indicando onde a produção de queijo teve origem, se foi na Europa, Ásia Central ou Oriente Médio, mas essa prática já havia propagadose na Europa antes mesmo dos romanos, tinha tornado-se um sofisticado empreendimento quando do início da formação do Império Romano (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). Uma vez que peles de animais e órgãos internos inflados têm, desde os tempos antigos, servidos como recipientes para armazenar uma grande variedade de produtos alimentícios é provável que o processo de produção do queijo tenha sido descoberto acidentalmente ao estocar o leite em um recipiente feito do estômago de um animal, resultando na transformação do leite em coalhada e soro pela quimosina do estômago (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). A quimosina é uma enzima protease, que adicionada ao leite produz a primeira etapa de formação do queijo. A enzima converte partículas de caseinato de cálcio do leite no relativamente insolúvel paracaseinato de cálcio, que na presença de íons cálcio coagula para dar forma a um produto coagulado denominado “coalho” (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). A fonte tradicional de quimosina é o abomaso (ou coagulador, quarto estômago dos ruminantes) de bezerros lactentes ou de outros ruminantes jovens. Os bezerros recém-nascidos e outros ruminantes produzem no estômago a quimosina para coagular o leite ingerido produzindo uma massa semilíquida, que permite aumentar o tempo de permanência do leite no organismo (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). A produção de queijos pode também ter-se iniciado, independentemente disto, pela prensagem e adicionamento de sal ao leite coalhado a fim de preservá-lo. A observação de que o efeito de armazenar o leite em um recipiente feito de estômago de animal produzia coalhadas mais sólidas e de melhor textura, pode ter 11 levado a adição deliberada de coalho no leite (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). A mais antiga evidência arqueológica da produção de queijo foi encontrada nas pinturas de uma tumba egípcia, datando de cerca de 2.000 a.C.. É provável que os primeiros queijos tenham sido bastante ácidos e salgados (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). No Brasil, a técnica de produção do queijo foi introduzida pelos colonizadores portugueses, logo nos primeiros anos da Colônia. O leite proveniente do gado bovino trazido para cá, também nesta época, além de alimento foi utilizado para a fabricação do queijo tipicamente artesanal a partir da receita portuguesa da Serra da Estrela (QUEIJOS NO BRASIL, 2008). Na segunda metade do século XVIII, os exploradores de ouro partiram para as regiões das minas no Brasil central, levando a prática da elaboração artesanal do queijo para as fazendas, desenvolvendo, sobretudo, o chamado queijo Minas (QUEIJOS NO BRASIL, 2008). O queijo minas desenvolveu-se, então, baseado na técnica portuguesa da Serra da Estrela, com a variação no que diz respeito ao coagulante. O queijo da Serra da Estrela era fabricado com a aplicação de extratos de flores e brotos de cardo (planta de flores amarelas, folhas acinzentada com espinhos e caule ereto revestido de pêlos considerado praga da lavoura). O queijo minas era preparado mediante aplicação de coagulante desenvolvido a partir do estômago seco e salgado de bezerro ou cabrito (QUEIJOS NO BRASIL, 2008). O brasileiro, dependendo de sua região, consome o queijo de diferentes formas. Enquanto em Minas Gerais e Goiás o consumo de queijo é feito como degustação - só o queijo mesmo, especialmente o tipo minas -, no Sul, sobretudo por causa da imigração, o queijo é um acompanhamento de outros alimentos. De qualquer forma o estado de Minas Gerais é o principal fabricante de queijos do país, com 50% da produção (FREEMAN, 2008). 12 2.2 Definição e Classificação de Queijos Queijo é o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do leite ou leite reconstituído, ou de soros lácteos, coagulados pela ação física do coalho, de enzimas específicas, de bactéria específica, de ácidos orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar (BRASIL, 1996). A denominação queijo está reservada aos produtos em que a base láctea não contenha gordura e/ou proteína de origem não láctea (BRASIL, 1996). Queijo fresco é o que está pronto para o consumo logo após sua fabricação. Queijo maturado é o que sofreu as trocas bioquímicas e físicas necessárias e características da variedade do queijo (BRASIL, 1996). Segundo Furtado (1999), o componente mais importante do queijo é a proteína, devido a esse fator o queijo é denominado um alimento com uma alta concentração protéica-gordurosa, sendo que a gordura pode variar dependendo do tipo de queijo. Quanto à umidade os queijos podem ser classificados em queijos com baixa, média, alta e muita alta umidade. Quanto mais desidratados são os queijos, mais duros e com maior tempo de conservação eles são (PEREIRA, 1999). O queijo minas frescal é um queijo semi-gordo de muita alta umidade a ser consumido fresco, ele é obtido por coagulação enzimática do leite com coalho e/ou outras enzimas coagulantes apropriadas, complementada ou não com ação de bactérias lácticas específicas (BRASIL, 2004). O queijo-de-minas frescal é um queijo para consumo imediato e de curta vida de prateleira, devendo ser comercializado logo após a sua fabricação (FURTADO, 1999). 13 2.3 Contaminação dos Queijos Os queijos oferecem aos microrganismos todas as condições necessárias à multiplicação, tornando-os um potencial veiculador de bactérias patogênicas (JAY, 2005). Diversos relatos indicam que queijos do tipo minas frescal comercializados no Brasil são amplamente contaminados. Araújo et al. (1997), observaram que 100% das amostras de queijo-deminas frescal analisadas, obtidas em supermercados e padarias localizadas na cidade do Rio de Janeiro, revelaram a presença de coliformes fecais em níveis acima dos tolerados. Oliveira et al. (1998), relataram a detecção de coliformes totais e fecais acima dos permitidos, respectivamente, em 46,9% e 9,4% das amostras de queijode-minas elaboradas por seis fábricas de laticínios localizadas na região nordeste do estado de São Paulo. Pereira et al. (1999), observaram, em Belo Horizonte, que 90% das amostras de queijo-de-minas frescal analisadas no período de 1995-96 apresentaram coliformes fecais acima dos limites estabelecidos por lei. As contaminações, aliadas às alterações decorrentes podem, em poucos dias, tornar o queijo inaceitável ou até mesmo impróprio para o consumo (ROCHA, 2006). Existe uma correlação direta entre o número de microrganismos presentes no leite cru e número de microorganismos no leite processado. Deste modo, leites com contagens elevadas de microrganismos podem comprometer seriamente a qualidade do produto final, o queijo (GERMANO, 2003). O queijo-de-minas frescal apresenta grande susceptibilidade a contaminações microbianas, que podem ocorrer a partir do leite utilizado como matéria-prima, ou por contaminações cruzadas durante ou após o processamento (ROCHA, 2006). De acordo com Picoli (2006), a obtenção higiênica do leite é o primeiro ponto crítico no processo de fabricação de queijos e de outros derivados, uma vez 14 que o animal, os equipamentos e o ambiente da ordenha podem representar uma fonte importante de contaminação por microrganismos. Segundo Germano (2003), as indústrias devem concentrar esforços junto aos seus setores de captação de leite, uma vez que a produção representa, sob o ponto de vista microbiológico, o primeiro ponto crítico de controle no processamento de qualquer produto lácteo. Contribuem, também para a má qualidade do queijo, os processos improvisados de fabricação, geralmente em instalações deficientes e sem higiene, o armazenamento, transporte e exposição a altas temperaturas desde a produção até a comercialização. 2.4 A Importância da Obtenção Higiênica do Leite A produção higiênica do leite, tanto em nível de fazenda como a nível industrial, deve ser um fator indispensável, tanto do ponto de vista de saúde pública, como na obtenção de seus derivados. Mas, por melhor que seja esta obtenção do produto, microrganismos normalmente encontram-se como contaminantes do leite. Alguns deles são totalmente inofensivos a saúde, porém existem outros capazes de causar vários tipos de doenças. Assim sendo, a aplicação de tratamentos térmicos ao leite, como por exemplo, a pasteurização que visa eliminar todos os microrganismos patogênicos eventualmente presentes, é extremamente importante no sentido de assegurar ao consumidor um produto de alta qualidade sanitária, além de propiciar um aumento da vida útil do leite pela eliminação da maioria dos microrganismos presentes (OLIVEIRA, 1994). O leite deve ser obtido com a máxima higiene e mantido em baixa temperatura, desde a ordenha até a ocasião de seu beneficiamento, visando garantir as características físicas, químicas e nutricionais do produto final (GERMANO, 2003). Deve-se destacar que aproximadamente 58% do leite produzido no país é destinado a elaboração de produtos industrializados, principalmente de queijos (GERMANO, 2003). 15 Embora a pasteurização promova diminuição na população de microrganismos presentes no leite, algumas toxinas, não são inativadas, podendo causar intoxicações alimentares no consumidor. Ao lado disto, a recontaminação durante o processo de fabricação de queijo pode ser um fator importante na qualidade final do produto, principalmente naquele tipo frescal, nos quais não existe uma etapa de maturação. Dessa forma, as boas práticas de fabricação do queijo e as medidas de sanificação durante o processamento são cruciais para a garantia de um produto de qualidade (PICOLI, 2006). Apesar das exigências para que o leite destinado ao fabrico de queijos seja higienizado por meios mecânicos adequados e submetido à pasteurização ou tratamento térmico equivalente, é intensa a comercialização dos queijos Minas fora dessas especificações. Além disso, a contaminação do leite pós-pasteurização, a utilização de fermentos inativos e temperaturas inadequadas, e incorretas condições de manufatura e armazenagem contribuem, também, de forma efetiva, para a má qualidade do produto final (PEREIRA, 1999). A elevada proporção de casos de mastite, no rebanho leiteiro, ao lado das deficiências na higiene da ordenha são as principais causas da produção de leite com elevados teores de patógenos, e conseqüentemente de queijos com elevados níveis de contaminação bacteriana (GERMANO, 2003). Outro problema são os antibióticos administrados aos animais portadores de infecções, ou adicionados diretamente no leite para impedir o crescimento bacteriano. Esse processo dificulta a fermentação normal do queijo, favorecendo o desenvolvimento de coliformes, atingindo diretamente a saúde do consumidor. A flora microbiana presente no leite pode sofrer influência do estado de saúde da vaca, das condições de higiene e limpeza dos estábulos, dos equipamentos em contato com o leite e das condições de higiene e saúde do pessoal que atua desde a ordenha até a recepção do leite na indústria (FURTADO, 1999). A qualidade do produto final é influenciada pelas condições higiênicosanitárias em que o leite foi obtido, pelo processamento na indústria, pelas condições de sanificação do ambiente, qualidade da água e pelo armazenamento e transporte da matéria-prima e do produto (PICOLI, 2006). 16 Existe uma correlação direta entre o número de microrganismos presentes no leite cru e número de microrganismos no leite processado. Deste modo, leites com contagens elevadas de microrganismos podem comprometer seriamente a qualidade de certos produtos como o queijo (GERMANO, 2003). 2.5 A Presença de Coliformes Termotolerantes em Queijos Os coliformes, representados pelos gêneros Escherichia, Enterobacter, Klebsiella, fermentadores de lactose da família Enterobacteriaceae, são freqüentemente utilizados como indicadores higiênico-sanitários, em controle de qualidade de água e alimentos (PEREIRA, 1999). Os coliformes fecais, população predominantemente constituída por Escherichia coli, caracterizam um grupo de microrganismos cuja presença em alimentos é indicativa de contaminação de origem fecal. Essa contaminação, além de identificar as más condições higiênicas do produto indica também, a possibilidade de transferência de patógenos causadores de doenças (JAY, 2005). A presença de coliformes fecais indica a falta de higiene no processo de produção dos queijos, desde a coleta do leite até a sua comercialização, conseqüentemente esse descaso com as normas abre as portas para outros contaminantes de alto risco a saúde. A denominação coliformes fecais foi utilizada durante muitos anos para descrever coliformes que fermentavam a lactose com produção de gás a 44,5ºC. Escherichia coli e algumas cepas de Klebsiella e Enterobacter apresentam esta característica de termotolerância, porém, somente E. coli tem como habitat primário o intestino humano e de animais. Klebsiella e Enterobacter podem ser encontrados em outros ambientes, como vegetais e solo, onde persistem por tempo superior ao das bactérias patogênicas de origem intestinal. Portanto, não é correta a relação direta da presença de coliformes termotolerantes em alimentos e água com contaminação de origem fecal, o que levou à necessidade de modificar, na legislação brasileira, a denominação coliformes fecais, para coliformes a 45ºC (SILVA, 2006). 17 O Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com a Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001, considera a denominação “coliformes a 45ºC” equivalente a denominação de “coliformes fecais” e “coliformes termotolerantes” (ANVISA, 2001). Os coliformes termotolerantes são bactérias na forma de bastonetes, Gram negativas, não esporogênicos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, capazes de fermentar a lactose com a produção de gás, em 24h a 45ºC (HAJDENWURCEL, 2004). No Brasil, a partir de 2001, passou a vigorar nova resolução que modificou os padrões microbiológicos previstos anteriormente, como forma de compatibilizar a legislação nacional com regulamentos harmonizados no Mercosul (ANVISA, 2001). Para queijo minas frescal sem a ação de bactérias, de acordo com a Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001, para amostra indicativa, o limite máximo permitido de coliformes termotolerantes é de 5,0x10+2 /g, a de estafilococos coagulase positiva é de 5,0x10+2/g, a de Salmonella sp. é ausente em 25g e a de Listeria monocytogenes é ausente em 25g (ANVISA, 2001). Para queijo minas frescal com a ação de bactérias, de acordo com a Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001, para amostra indicativa, o limite máximo permitido de coliformes termotolerantes é de 5,0x10+3/g, a de estafilococos coagulase positiva é de 5,0x10+3 /g, a de Salmonella sp. é ausente em 25g e a de Listeria monocytogenes é ausente em 25g (ANVISA, 2001). Coliformes termotolerantes têm sido usados para determinar condições sanitárias insatisfatórias de alimentos e presença potencial de patógenos (JAY, 2005). 2.6 Segurança Alimentar A saúde alimentar é um direito de todo cidadão, mas para que haja saúde é fundamental que os alimentos sejam produzidos em quantidade e com qualidade 18 apropriadas ao equilíbrio orgânico, o qual representa um fator de resistência às doenças. A ingestão de queijos em condições inadequadas para consumo pode trazer graves conseqüências para a população, sendo, portanto, um problema de saúde pública (ALEIXO, 2001). Surtos relacionados ao consumo de queijo contaminado com bactérias causadoras de doenças transmitidas por alimentos têm sido freqüentemente relatados. Existem diversas etapas, ao longo do processamento de queijos, em que os microrganismos podem ser introduzidos no produto (PICOLI, 2006). De acordo Germano (2003), os alimentos de origem animal e seus derivados, não são, totalmente, isentos de risco para a saúde, pois sua riqueza em proteínas e água facilita a rápida deterioração do produto, bem como a sobrevivência e multiplicação de inúmeros microrganismos patogênicos. Assim, as enfermidades de origem alimentar podem ser causadas através da ingestão de agentes infecciosos e parasitários ou por substâncias nocivas à saúde contidas no alimento. As toxinfecções alimentares devem ser preocupação constante na indústria de laticínios, pois as oportunidades de contaminação são muitas e o leite e seus derivados são alimentos propícios ao crescimento microbiano (PEREIRA, 1999). Falhas no controle de qualidade tanto da matéria prima, quanto no seu beneficiamento e estocagem, podem resultar em um produto de má qualidade e em risco de infecções e intoxicações nos consumidores (COSTA, 2007). É de grande importância para a fabricação de queijos a identificação e o controle das etapas do processo de fabricação que possam comprometer a qualidade microbiológica do produto (ASSUMPÇÃO, 2003). Para que a qualidade do alimento esteja assegurada é necessário que o mesmo passe pelas fiscalizações e vigilâncias exigidas pelos órgãos responsáveis. As normas existentes incluem parâmetros de excelência, no caso de queijos, para o local onde é feita a coleta do leite, o posterior transporte do leite da fazenda até a indústria de beneficiamento, a higiene dos utensílios na fabricação do queijo, até a parte final quando ele já está pronto para o consumo. 19 Nos mercados, mesmo sobre refrigeração, caso não haja uma higiene de balcões e utensílios podem ocorrer contaminações por patógenos, devido ao rompimento de alguma embalagem, mostrando assim, a importância do armazenamento na preservação do alimento (GERMANO, 2003). Todos esses parâmetros têm de ser seguidos para se alcançar um ótimo produto final, garantindo a segurança alimentar do consumidor. 20 3 METODOLOGIA Para realizarmos uma pesquisa com qualidade, devemos decidir os instrumentos, técnicas e abordagem que vamos usar no estudo. Segundo Minayo (2000), a pesquisa possui um ciclo, um processo de trabalho em espiral que começa com um problema ou uma pergunta e termina com um produto provisório capaz de dar origem a novas interrogações. A pesquisa teve a abordagem qualitativa durante a coleta de dados, mas sua metodologia foi quantitativa. O material analisado foi queijo com registro de inspeção sanitária, comercializados em Criciúma, Santa Catarina. O tipo de queijo que será objeto de estudo é de muita alta umidade, com umidade não inferior a 55%, dando ênfase ao tipo minas frescal. Define-se como queijo frescal aquele que está pronto para o consumo, logo após sua fabricação, e por queijo maturado aquele que sofreu trocas bioquímicas e físicas necessárias e características da variedade considerada (PERERIRA, 1999). Foram coletadas nove amostras, por aquisição pelo pesquisador, em estabelecimentos comerciais da cidade, sendo três amostras para cada tipo de inspeção, ou seja: a) três amostras com registro de inspeção estadual, b) três amostras com registro de inspeção federal sem adição de fermento na fabricação do queijo e c) três amostras com registro de inspeção federal com adição de fermento na fabricação do queijo. As amostras foram coletadas em intervalos semanais, sendo adquirida uma de cada nível de inspeção por semana, respeitando-se os mesmos fabricantes na semana seguinte. Logo após a aquisição foram realizados os ensaios. Os ensaios que foram realizados são os de contagem de coliformes totais e fecais, utilizando a metodologia de contagem em placas, de acordo com a instrução normativa 62 da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) (BRASIL, 2003). De cada amostra foram pesados, assepticamente, 25 gramas do produto e adicionados 225mL de água peptonada tamponada 0,1%, a fim de obter-se a diluição inicial (10-1), a qual foi homogeneizada em homogeneizador tipo 21 “stomacher”. Posteriormente, 1mL desta diluição foi colocado num tubo contendo 9 mL de água peptonada tamponada 0,1%, obtendo-se a diluição 10-2 e tal procedimento foi repetido para obtenção das diluições 10-3. Foram inoculadas 1mL de cada diluição desejada em placas de Petri esterilizadas, adicionados a cada placa cerca de 15 mL de ágar cristal violeta vermelho neutro bile (VRBA), previamente fundido e mantido a 46ºC-48ºC em banho-maria, homogeneizados cuidadosamente e deixada em repouso até total solidificação do meio. Foram adicionados, novamente, nas placas cerca de 10 mL de VRBA previamente fundido e mantido a 46ºC-48ºC em banho-maria, formando assim uma segunda camada de meio, deixamos solidificar. Após completa solidificação do meio, as placas foram incubadas em posição invertida em temperatura de 36ºC por 18 a 24 horas. Foram selecionadas placas que continham entre 15 e 150 colônias e contamos as que apresentaram morfologia típica de coliformes, ou seja, colônias róseas, com 0,5 a 2mm de diâmetro rodeadas ou não por uma zona de precipitação da bile presente no meio. Foram contadas separadamente colônias típicas e atípicas, 6 colônias de cada uma foram submetidas à prova confirmativa, inoculando as culturas suspeitas de coliformes termotolerantes em tubos contendo caldo EC. Incubamos os tubos a 45ºC, por 24 horas em banho-maria com agitação. A presença de coliformes foi confirmada pela formação de gás (mínimo 1/10 do volume total do tubo de Durhan) ou efervescência quando agitado gentilmente. Os dados foram tabulados e foi feita a comparação com a RDC 12/2001 da ANVISA (ANVISA, 2001). 22 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS No presente estudo, avaliou-se a população de coliformes totais e termotolerantes, presentes em queijos minas frescal de três marcas e serviços de inspeção diferentes, adquiridos em semanas seguidas, em supermercados de Criciúma, SC, tomando-se o cuidado para que os lotes de fabricação fossem diferentes, visando verificar as variações na qualidade do produto e se o seu consumo oferece risco a população. Na tabela 1 são apresentadas as marcas coletadas, o serviço de inspeção e o estado de origem das amostras. Tabela 1. Tipo de inspeção e origem, expressos nas embalagens das três diferentes marcas comerciais de queijo minas frescal avaliadas. Marca Tipo de inspeção Estado de origem A S.I.E. Santa Catarina B S.I.F. Santa Catarina C S.I.F. Paraná A Lei Nº 7.889, de 23 de novembro de 1989, que dispõe sobre a inspeção sanitária e industrial dos produtos de origem animal, em seu artigo 7º estabelece que nenhum estabelecimento industrial ou entreposto de produtos de origem animal poderá funcionar no País, sem que esteja previamente registrado no órgão competente para a fiscalização da sua atividade. Em seu artigo 4º estabelece que a inspeção de produtos pelo Ministério da Agricultura (S.I.F.) em estabelecimentos que façam comércio interestadual ou internacional; as Secretarias de Agricultura dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (S.I.E.), nos estabelecimentos que façam comércio intermunicipal; as Secretarias ou Departamentos de Agricultura dos Municípios (S.I.M.), nos estabelecimentos que façam apenas comércio municipal (Brasil, 1989). Assim, os queijos com selo do S.I.E. só podem ser comercializados em seu estado de origem, os que possuem selo do S.I.F. podem ser comercializados em todo o país e também exportados. As exigências dos padrões de qualidade dos queijos são diferentes para cada tipo de inspeção. 23 No caso Desenvolvimento do Rural, S.I.E., a Secretaria juntamente com de a Estado da Companhia Agricultura Integrada e de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC), elaboraram um encarte com as Normas Básicas para a Instalação do S.I.E. (Santa Catariana, 2007), onde são apresentadas as normas para as instalações e outros documentos obrigatórios para a concessão do registro de inspeção estadual. No caso do S.I.F., os estabelecimentos devem seguir as normas presentes no Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal - R.I.I.S.P.O.A. (Brasil, 1952). Além deste, as queijarias devem seguir os Critérios de Funcionamento e de Controle da Produção de Queijarias, para seu Relacionamento junto ao Serviço de Inspeção Federal (Brasil, 2000). A tabela 2 indica os ingredientes presentes nos queijos das três marcas comerciais avaliadas de acordo com suas embalagens. Segundo Brasil (1996) o leite a ser utilizado, na fabricação de queijo minas frescal, deverá ser higienizado por meios mecânicos adequados e submetido à pasteurização ou tratamento térmico equivalente, para assegurar fosfatase residual negativa, combinado ou não com outros processos físicos e biológicos que garantam a inocuidade do produto. Todas as amostras apresentaram em seus rótulos leite pasteurizado, atendendo a exigência da legislação. Tabela 2. Ingredientes presentes nas três diferentes marcas comerciais de queijo minas frescal avaliadas. Marca Leite pasteurizado Coalho Ácido lático Cloreto de sódio (Sal) A X X X X X B X X X X X C X X X Fermento lático X Cloreto de cálcio X X = presença do ingrediente O coalho é ingrediente obrigatório na composição dos queijos. Todas as amostras apresentaram em seus rótulos o ingrediente, atendendo a exigência da legislação citada acima. O ácido lático, fermento láctico, o cloreto de sódio e o cloreto de cálcio são ingredientes opcionais nos queijos. 24 O fermento láctico é composto por bactérias lácticas do gênero Lactobacillus, que produzem o ácido lático (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). A marca C contém fermento lático em sua composição, de acordo com seu rótulo. O ácido lático é usado na fabricação dos queijos para regular a acidez do produto (Brasil, 1996). O cloreto de cálcio tem um gosto extremamente salgado e é usado para dar um gosto salgado sem que aumente o conteúdo de sódio (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2008). Como a composição dos queijos são diferentes quanto à adição de bactérias lácticas, o limite máximo permitido de coliformes termotolerantes também é diferente. A tabela 3 correlaciona as marcas, a adição de fermento lácteo e o limite máximo permitido pela legislação brasileira. Tabela 3. Correlação entre as marcas de queijo minas frescal, a adição ou não de bactérias lácticas e o limite máximo permitido para coliformes termotolerantes, conforme a Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001, para amostras indicativas. Marca Adição de Bactérias Lácticas Legislação - RDC nº 12/2001 A Não 5,0.10 /g B Não 5,0.10+2/g C Sim 5,0.10 /g +2 +3 Nas tabelas de 4 a 6 são apresentados os resultados dos ensaios de coliformes de queijo tipo Minas Frescal comercializados na cidade de Criciúma - SC, no período de 15 a 29 de abril de 2008. Tabela 4. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 15/04/2008. Amostras de Queijos Minas Frescal Coliformes Totais (UFC/g) Coliformes Termotolerantes (UFC/g) Amostra 1 da Marca A 2,3.10+5 2,1.10+3 Amostra 1 da Marca B 7,6.10 Amostra 1 da Marca C 2,2.10+7 +5 +5 2,6.10 3,4.10+6 25 Todas as amostras adquiridas no dia 15/04/08 apresentaram índices para coliformes termotolerantes, acima dos padrões estabelecidos pela vigilância sanitária, conforme Resolução RDC nº 12. Tabela 5. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 22/04/2008. Amostras de Queijos Minas Frescal Coliformes Totais (UFC/g) Coliformes Termotolerantes (UFC/g) Amostra 2 da Marca A 2,6.10+6 1,5.10+6 Amostra 2 da Marca B 2,3.10 +6 4,5.10 Amostra 2 da Marca C 1,2.10 +8 3,0.10 +5 +6 Todas as amostras adquiridas no dia 22/04/08 apresentaram índices para coliformes termotolerantes, acima dos padrões estabelecidos pela vigilância sanitária, conforme Resolução RDC nº 12. Tabela 6. Contagens de coliformes totais, coliformes termotolerantes das amostras de queijo minas frescal, com registro de inspeção, comercializados em Criciúma, realizadas no dia 29/04/2008. Amostras de Queijos Minas Frescal Coliformes Totais (UFC/g) Coliformes Termotolerantes (UFC/g) Amostra 3 da Marca A 2,0.10+4 < 1,0.10+2 Amostra 3 da Marca B 3,3.10 +7 < 1,0.10 Amostra 3 da Marca C 1,2.10 +7 1,2.10 +2 +6 Das amostras adquiridas no dia 29/04/08, as amostras A, B apresentaram contagens de coliformes termotolerantes dentro dos padrões estabelecidos, portanto próprias para o consumo. A Amostra C apresentou índice fora do padrão estabelecido pela vigilância sanitária, conforme Resolução RDC nº 12. A tabela 7 relaciona todas as amostras e as médias dos resultados obtidos para coliformes totais e termotolerantes. Quando foram comparadas médias das marcas de queijos verificou-se que, em relação à contagem de coliformes totais e fecais, houve diferença entre as amostras. 26 Tabela 7. Resumo e média dos resultados das contagens de coliformes totais e termotolerantes em todos os ensaios realizados em amostras de queijos minas frescal, comercializados em Criciúma, SC. Amostras de Queijos Marca A Data de coleta Coliformes Totais (UFC/g) Coliformes Termotolerantes (UFC/g) 15/04/2008 2,3.10+5 2,1.10+3 22/04/2208 2,6.10 29/042008 2,0.10 Média Marca B Marca C +6 1,5.10 +4 < 1,0.10 9,5.10+5 +6 +2 5,0.10+5 +5 2,6.10 +5 +6 4,5.10 15/04/2008 7,6.10 22/04/2008 2,3.10 29/04/2008 3,3.10+7 < 1,0.10+2 Média 1,2.10+7 2,4.10+5 +7 +5 +6 15/04/2008 2,2.10 3,4.10 22/04/2008 1,2.10+8 3,0.10+6 29/04/2008 1,2.10+7 1,2.10+6 Média +7 5,1.10 +6 2,5.10 A marca C apresentou maior média na contagem de coliformes termotolerantes e totais. A marca B apresentou a menor média de coliformes termotolerantes, mas mesmo assim esta é superior ao máximo permitido pela legislação em vigor. As amostras das marcas A e B no dia 29/04 apresentaram coliformes termotolerantes dentro dos padrões estabelecidos pela vigilância sanitária, mas as suas médias encontram-se fora dos padrões. As médias de todas as amostras encontram-se fora dos padrões estabelecidos pela vigilância sanitária, conforme Resolução RDC nº12, para coliformes termotolerantes em amostras indicativas. Não existe legislação para coliformes totais. Em muitas das amostras os valores de coliformes totais foram muito próximos dos de coliformes termotolerantes, indicando que a microbiota contaminante, em sua maioria é de origem fecal, o que pode ser um indicativo da má qualidade do leite o que seu processo de pasteurização não está sendo eficiente. 27 Aleixo e Loguercio (2001), pesquisando 30 amostras de queijo-de-minas frescal, encontraram resultados maiores que 1,0.10+3NMP/g para coliformes termotolerantes em 93% das amostras, resultado em desacordo com a legislação com relação à determinação de coliformes termotolerantes, para queijos sem adição de fermento láctico. Nesta pesquisa, para os queijos sem adição de fermento láctico, 4 das 6 amostras mostraram resultados acima do limite permitido, com resultado máximo de 1,5.10+6 UFC/g. Nos queijos com adição de fermento láctico desta pesquisa, todas apresentaram resultados de coliformes termotolerantes acima do limite permitido pela legislação, com registro máximo de 3,4.10+6 UFC/g. Silva et al. (2006), ao investigar 28 amostras de queijo, encontrou cinco acima do padrão preconizado pela legislação brasileira, com resultado mínimo de 7,0.10+3 NMP/g e o máximo de 2,4.10+6 NMP/g, assim, a qualidade dos queijos por eles investigados, na cidade de Londrina – PR., é melhor do que os investigados nesta pesquisa, visto que eles encontraram 18% das amostras acima do padrão permitido e nesta pesquisa, foram de 100%. Costa et al. (2007), observaram em 62 amostras de queijo analisadas a presença de coliformes termotolerantes com contagens entre 2,77 e 5,81 log.UFC/g (equivalentes a 5,9.102 e 6,5.105, respectivamente) sendo que 52 amostras apresentaram contagens acima de 2,73-3,7log.UFC/g (de 5.102-5.103, respectivamente), ou seja, 84%. O autor não faz distinção entre os queijos com e sem adição de bactérias lácticas. Estes resultados são superiores aos encontrados nesta pesquisa, onde 7/9, ou seja, 78% das amostras apresentaram resultados acima do limite máximo permitido pela legislação. Apesar desta pesquisa e de outros autores terem encontrado a presença de coliformes termotolerantes, Picoli (2006), relatou a ausência de coliformes termotolerantes em todas as suas amostras realizadas. A tabela 8 correlaciona as marcas de queijo, o tipo de inspeção e a porcentagem de amostras classificadas pelo limite permitido pela legislação vigente. 28 Tabela 8. Contaminações de queijo minas frescal por coliformes termotolerantes, considerando índices condenatórios nas amostras com S.I.E. e S.I.F., sem e com adição de fermento lático. Queijo Minas Frescal Marca A Marca B Marca C Total Tipo de Inspeção 1 S.I.E S.I.F. S.I.F. X X X 2 Amostras acima do limite permitido pela legislação (%) Amostras dentro do limite permitido pela legislação (%) 66,66 33,33 66,66 33,33 100,00 0,00 77% 23% 1- Sem adição de fermento; 2- Com adição de fermento A Marca A, que apresenta Serviço de Inspeção Estadual (S.I.E.). apresentou uma amostra dentro dos limites permitidos pela legislação, assim como a Marca B, que possui Sistema de Inspeção Federal (S.I.F.). A marca C apresentou todas as amostras acima do limite permitido pela legislação. A má qualidade microbiológica evidenciada nos produtos inspecionados, conforme a tabela 8, permite questionar o controle realizado pelos órgãos de fiscalização, sobretudo no acompanhamento de etapas operacionais. Mesmo havendo distinção de legislação e controles exigidos isto não é evidenciado nos resultados apresentados nos produtos. Em análises efetuadas por Almeida e Franco (2003) em queijos comercializados no município do Rio de Janeiro – RJ, também foi evidenciada a ocorrência de falhas no controle da qualidade de queijos fiscalizados, indicando que o carimbo do Sistema de Inspeção Federal (SIF) não representa garantia de que os queijos estão enquadrados nas normas vigentes de segurança alimentar. Para a marca C, 100% das amostras encontram-se acima do limite permitido, resultado igual ao relatado por Araújo et al. (1997), observaram que 100% das amostras de queijo-de-minas frescal analisadas, obtidas em supermercados e padarias localizadas na cidade do Rio de Janeiro, revelaram a presença de coliformes fecais em níveis acima dos tolerados. Rocha et al. (2006), também verificaram contagens de coliformes acima de 5x103/g em 61% das amostras de queijo-de-minas analisadas, a contagem mais elevada de coliforme termotolerante foi de 7,83 log.UFC/g (6,8.107 UFC/g), resultados parecidos com os das marcas A e B, deste estudo, que foi de 66%, mas 29 com valores máximos superiores ao encontrado nesta pesquisa que foi de 3,4.106 UFC/g da marca C. Brant et al (2007), observaram que 60% (24) das amostras de seu estudo apresentaram coliformes termotolerantes acima de 5x103 UFC/grama, todas impróprias para consumo humano de acordo com a contagem tolerada pela resolução: RDC ANVISA nº12/01. Pereira et al. (1999) observaram, em Belo Horizonte, que 74,3% das amostras de queijo-de-minas frescal analisadas no período de 1995-96 apresentaram coliformes fecais acima dos limites estabelecidos por lei. Ao investigar a qualidade de queijo-de-minas, Peresi et al. (2001), constataram que 43,3% das 30 amostras de queijo-de-minas artesanal analisadas estavam em desacordo quanto ao número de coliformes termotolerantes. 30 5 CONCLUSÃO A qualidade microbiológica das três marcas de queijos minas frescal foi avaliada em 9 amostras, sendo 3 amostras por marca. Das nove amostras, sete (78%) apresentaram índices de contaminação acima do permitido pela legislação (RDC 12/2001). As médias das três marcas analisadas se encontram em condições higiênico-sanitárias insatisfatórias, de acordo com o padrão legal vigente, indicando sua contaminação direta ou indiretamente com material fecal, sendo classificadas como produtos impróprios para o consumo. Não foi significativa a influência do tipo de inspeção sanitária na qualidade microbiológica do queijo, visto que os índices de contaminação da amostra A, que possui selo S.I.E. foi de 66%, idênticos ao da marca B, que possui S.I.F, e melhores que o da marca C, que também possui S.I.F., mas que apresentou 100% das amostras impróprias para consumo, demonstrando que a eficácia da inspeção federal, não necessariamente, é melhor que a estadual. Os resultados dos queijos com registro de inspeção sanitária estadual foram melhores (33% aprovadas) que os com registro de inspeção sanitária federal (17%), todos apresentando apenas uma amostra dentro do limite permitido. Faz-se necessário reavaliar as técnicas higiênico-sanitárias aplicadas durante o processamento e manipulação dos queijos elaborados, uma vez que, os valores determinados para a sua microbiota foram elevados, podendo estas contaminações ser provenientes da água, da matéria prima, o leite, ação dos manipuladores e ainda da inadequação do processo de higienização dos equipamentos e do ambiente. É de extrema importância que a indústria tenha consciência do grave problema para a saúde que é a contaminação dos queijos e invista em programas de qualidade, principalmente de controle microbiológico da matéria-prima e do processo de fabricação, além de qualificação de pessoal, não esperando que a melhoria da qualidade seja apenas resultado da inspeção sanitária exigida pelos órgãos de fiscalização. 31 REFERÊNCIAS ALEIXO, J. A. G.; LOGUERCIO, A. P. Microbiologia de queijo tipo minas frescal produzido artesanalmente. Ciência rural, Santa Maria, v. 31, n. 6, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em: 13 mar. 2008. ALMEIDA, P. M. P.; FRANCO, R. M. Avaliação bacteriológica de queijo tipo minas frescal com pesquisa de patógenos importantes à saúde pública: Staphylllococcus aureus, Salmonella sp e coliformes fecais. Hig. Aliment., v. 17, n. 11, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.com.br>. Acesso em: 13 mar. 2008. ANVISA. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Aprova o Regulamento Técnico sobre padrões microbiológicos para Alimentos. Resolução RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001. Publicado no D.O.U. - Diário Oficial da União; Poder Executivo, de 10 de janeiro de 2001. Disponível em: <http://elegis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=144>. Acesso em: 8 abr. 2008. ARAÚJO, V. S. et al. Análise bacteriológica do queijo- de-minas frescal comercializados na cidade do Rio de Janeiro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MICROBIOLOGIA, 19., Rio de Janeiro, 1997. Anais... Rio de Janeiro: SBM, 1997. ASSUMPÇÃO, E. G. et al. Fontes de contaminação por Staphylococcus aureus na linha de processamento de queijo prato. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 55. n. 3, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 16 mar. 2008. BRANT, L. M.; FONSECA, L. M.; SILVA, M. C. C. Avaliação da qualidade microbiológica do queijo-de-minas artesanal do Serro – MG. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 59. n. 6, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 5 abr. 2008. BRASIL. Decreto nº 30691, de 29 de março de 1952. Aprova o novo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Publicado no Diário Oficial da União de 07/07/1952, Seção 1, Página 10785. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/ consultarLegislacao.do? operacao =visualizar&id=14974>. Acesso em: 8 abr. 2008. ______. Casa Civil. Subchefia de Assuntos Jurídicos. Lei 7889, de 23 de novembro de 1989. Dispõe sobre inspeção sanitária e industrial dos produtos de origem animal, e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União de 11/03/1996, Seção 1, Página 21529. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/consultarLegislacao.do?operacao =visualizar&id=192>. Acesso em: 8 ab. 2008. 32 ______. Ministério da Agricultura do Abastecimento e da Reforma Agrária. Portaria nº. 146, de 07 DE MARÇO DE 1996. Aprova os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos Produtos. Publicado no Diário Oficial da União de 11/03/1996, Seção 1, Página 3977. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/ consultarLegislacao.do? operacao=visualizar&id=1218>. Acesso em: 8 abr. 2008. ______. Ministério da Agricultura do Abastecimento e da Reforma Agrária. Resolução nº. 7, de 28 DE novembro de 2000. Oficializar os Critérios de Funcionamento e de Controle da Produção de Queijarias, para seu Relacionamento junto ao Serviço de Inspeção Federal. Publicado no Diário Oficial da União de 02/01/2001, Seção 1, Página 22. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/ sislegis-consulta/consultarLegislacao.do? operacao=visualizar&id=3297>. Acesso em: 8 abr. 2008. ______. Ministério da Agricultura do Abastecimento e da Reforma Agrária. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa nº 62, de 26 de agosto de 2003. Oficializa os Métodos Analíticos Oficiais para Análises Microbiológicas para Controle de Produtos de Origem Animal e Água. Diário oficial da união, Seção 1. Brasília, DF, p. 14-15. 2003. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/consultarLegislacao.do?operacao =visualizar&id=2851>. Acesso em: 8 abr. 2008. ______. Ministério da Agricultura do Abastecimento e da Reforma Agrária. Instrução Normativa nº. 4, de 01 de 01 DE MARÇO DE 2004. Altera a Portaria nº 352 de 04/09/1997. Publicado no Diário Oficial da União de 05/03/2004, Seção 1, Página 5. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegisconsulta/consultarLegislacao.do?operacao=visualizar&id=5974>. Acesso em: 8 abr. 2008. COSTA, M.; ZAFFARI, C. B.; MELLO, J. F. Qualidade bacteriológica de queijos artesanais comercializados em estradas do litoral norte do Rio Grande do Sul, Brasil. Ciência rural, Santa Maria, v. 37. n. 3, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 19 maio 2008. FREEMAN, S. Como funciona o queijo. Disponível em: <http://lazer.hsw.uol.com.br/queijo.htm>. Acesso em: 19 maio 2008. FURTADO, M. M. A arte e a ciência do queijo. 2. ed. São Paulo: Globo, 1991. ______. Principais problemas dos queijos: causas e prevenções. São Paulo: Fonte, 1999. GERMANO, P. M. L.; GERMANO, M. I. S. Higiene e vigilância sanitária de alimentos. 2. ed. São Paulo: Varela, 2003. 33 HAJDENWURCEL, J. R. Atlas de microbiologia de alimentos. v.1. São Paulo: Fonte, 2004. JAY, J. M. Microbiologia de alimentos. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria método criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. OLIVEIRA, C. A. F. et al. Características físico-químicas e microbiológicas de queijos minas frescal e mussarela, produzidos em algumas fábricas de laticínios do Estado de São Paulo. Hig. Aliment., v. 12, p. 31-35, 1998. Disponível em: <http://www.scielo.com.br>. Acesso em: 19 maio 2008. OLIVEIRA, A. J.; GALLO, C. R.; CARVALHO, C. M. Tratamento térmico do leite acondicionado em filme plástico em banho-maria. Ciência agrícola, Piracicaba, v. 51, n. 1, 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 19 maio 2008. PEREIRA, M. L. et al. Enumeração de coliformes fecais e presença de Salmonella sp. em queijo Minas. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 51, n. 5, 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 7 maio 2008. ______ et al. Avaliação de ensaios analíticos para detecção de coliformes fecais em queijo Minas. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 51, n. 5, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em 07 de maio de 2008. PERESI, J. T. M. et al. Queijo minas tipo frescal artesanal e industrial: qualidade microscópica, microbiológica e teste de sensibilidade aos agentes antimicrobianos. Hig. Alimen., v. 15, 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 11 abr. 2008. PICOLI, S. U. et al. Quantificação de coliformes, Staphylococcus aureus e mesófilos presentes em diferentes etapas da produção de queijo frescal de leite de cabra em laticínios. Ciência e tecnologia de alimentos, Campinas, v. 26, n. 1, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 11 abr. 2008. Queijo. In: FREE SOFTWARE FOUNDATION. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/queijo>. Acesso em: 19 maio 2008. QUEIJOS NO BRASIL. Queijo Minas. Disponível em: <http://www.queijosnobrasil.com.br/ queijo_minas_especial.htm>. Acesso em: 19 maio 2008. ROCHA, J. S.; BURITI, F. C. A.; SAAD, S. M. I. Condições de processamento e comercialização de queijo-de-minas frescal. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 58, n. 2, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 11 abr. 2008. 34 SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Normas Básicas para Instalação do SIE. 2007. Disponível em: <http://www.cidasc.sc.gov.br/html/servico_animal/MANUAL% 20NORMAS%20BASICAS%202007.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2008. SALVATORI, R. U.; BESSA, M. C.; CARDOSO, M. R. I. Qualidade sanitária de embutidos coletados no mercado público central de Porto Alegre – RS. Ciência Rural, Santa Maria, v. 33, n. 4, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 13 mar. 2008. SILVA, M. P.; CAVALLI, D. R.; OLIVEIRA, T. C. R. M. Avaliação do padrão coliformes a 45ºC e comparação da eficiência das técnicas dos tubos múltiplos e Petrifilm EC na detecção de coliformes totais e Escherichia coli em alimentos. Ciência e tecnologia de alimentos, Campinas, v. 26, n. 2, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 17 abr. 2008. SILVA, N. S.; JUNQUEIRA, V. C. A.; SILVEIRA, N. F. A. Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos. 2. ed. São Paulo: Varela, 1997. SILVA, M. C. D.; VILARDI, T. C. C.; TIBANA, A.. Avaliação de métodos para detecção de Listeria em queijos. Ciência e tecnologia de alimentos, Campinas, v. 18, n. 2, 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 17 abr. 2008. TEIXEIRA, L. V.; FONSECA, L. M.; MENEZES, L. D. M. Avaliação da qualidade microbiológica do soro de queijos Minas padrão e mozarela produzidos em quatro regiões do estado de Minas Gerais. Arq. bras. med. vet. zootec., Belo Horizonte, v. 59, n. 1, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 8 maio 2008.