DEPRESSÃO E CANCER
Um resumo baseado no volume da WPA “Depression and Cancer”
(Kissane D, Maj M, Sartorius N, eds. – Chichester: Wiley, 2010)
Epidemiologia da depressão em pacientes com
câncer
• Muitos grupos já pesquisaram depressão em pacientes com
câncer ao longo dos anos e as prevalências publicadas variam
bastante (depressão maior, 3 a 38%; síndromes do espectro
depressivo, 1,5 to 52%).
• Os tipos de câncer altamente associados com depressão
incluem: cérebro (41-93%), pâncreas (até 50%), cabeça e
pescoço (ate 42%), mama (4,5-37%), ginecológico (23%) e
pulmão (11%).
Fonte: Massie MJ et al. The prevalence of depression in people with cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Problemas metodológicos em estudos
epidemiológicos sobre depressão em pacientes
com câncer
• A grande variação das prevalências reflete as diferenças entre os
estudos (diferentes definições de depressão, usos de questionários
auto-preenchidos ou entrevistas psiquiátricas, tipos de câncer ou
estagio, tratamentos para câncer).
• Depressão pode ser difícil de identificar em pacientes com câncer,
pois os sintomas depressivos ocorrem num continuum de
sentimentos normais de tristeza até um transtorno depressivo maior.
• Fazer o diagnóstico de depressão em paciente com câncer pode ser
um desafio, pois os critérios diagnósticos do DSM-IV se sobrepõe
com sintomas de câncer ou com efeitos colaterais do tratamento
(perda de apetite, perda de peso, distúrbios do sono, fadiga, perda de
energia, dificuldade de concentração, retardo psicomotor).
Fonte: Passik SD, Lowery AE. Recognition and screening of depression in people with cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Depressão e desmoralização
Depressão em pacientes com câncer deve ser distinguida de
desmoralização. A pessoa deprimida perde a habilidade de
experimentar
prazer
em
geral,
enquanto
uma
pessoa
desmoralizada pode aproveitar a alegria do momento, se
distraída de seus pensamentos desmoralizantes. A pessoa
desmoralizada sente-se inibida em sua ação por não saber o
que fazer, sentir-se desesperançada e incompetente; a pessoa
depressiva perdeu a motivação e o ânimo e está incapaz de agir
mesmo quando conhece a direção mais apropriada.
Fonte: Massie MJ et al. The prevalence of depression in people with cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Barreiras para o reconhecimento de depressão
em pacientes com câncer
• As visitas do oncologista tendem primariamente a focar no
tratamento físico e no manejo dos efeitos colaterais e
secundariamente na dor e manejo de sintomas. Sintomas
emocionais podem ser negligenciados ou mesmo descreditados
como conseqüência esperada de ter câncer.
• Os pacientes podem ficar relutantes em visitar seu médico
devido a uma queixa emocional por medo que isso possa
distrair o médico de seus esforços curativos ou por medo de
uma atitude cultural negativa em relação a depressão.
Fonte: Passik SD, Lowery AE. Recognition and screening of depression in people with
cancer. In: Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester:
Wiley, 2010.
Avaliação de ferramentas de screening para depressão em
pacientes com câncer
Medida
N. itens
N.
estudos
N. participantes Generalização
Confiança
Validade
Julgamento
Distress
Thermometer
PHQ-9
1
15
4,088
Sim
Moderada
Moderada
Suficiente
9
2
390
Ainda não
Alta
-
Não claro
BSI-18
18
4
10,749
Sim
Alta
Alta
Bom
CES-D
20
4
1,002
Sim
Alta
Alta
Excelente
EPDS
10
4
470
Cuidados paliativos
Alta
Moderada
Bom
HADS
14
41
10,203
Sim
Alta
Moderada
Bom
ZSDS
20
6
1,459
Sim
Alta
Moderada
Pobre
BDI
21
4
398
Sim
Alta
Alta
Excelente
GHQ-28
28
2
170
Sim
Alta
Alta
Excelente
Dados baseados na meta-analysis por Vodermaier et al. (J. Natl. Cancer Inst. 2009;101:1464-1488).
PHQ-9, Patient Health Questionnaire-9; BSI-18, Brief Symptom Inventory-18; CES-D, Center for Epidemiological
Studies - Depression Scale; EPDS, Edinburgh Postnatal Depression Scale; HADS, Hospital Anxiety and Depression
Scale; ZSDS, Zung Self-Rating Depression Scale; BDI, Beck Depression Inventory; GHQ-28, General Health
Questionnaire-28.
Fonte: Passik SD, Lowery AE. Recognition and screening of depression in people with cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Fatores que afetam a resposta emocional ao câncer
A resposta emocional de uma pessoa ao câncer é
determinada por três fatores: a) visão do diagnóstico (ex:
como um desafio ou como uma ameaça), b) percepção de
controle (algum ou nenhum) e c) visão do prognóstico (bom
ou ruim).
Fonte: Clarke DM. Psychological adaptation, demoralization and depression in people
with cancer. In: Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds).
Chichester: Wiley, 2010.
Estilos de ajustamento ao câncer
Visão da
doença
Controle
Prognóstico
Espírito
De luta
Desafio
Algum controle
Bom
Evitação
Ou negação
Ameaça
Mínima
Irrelevante
Bom
Fatalismo
Ameaça
Menor
Sem controle
Incerto - aceitação
com tranqüilidade
DesesperançaDesamparo
Grande ameaça Sem controle
ou perda
Inevitavelmente
negativo
Preocupação
Ansiosa
Ameaça
Maior
Incerto
Controle
Incerto
De acordo com Moorey and Grey (Psychological therapy for patients with cancer: a new
approach. Washington: American Psychiatric Press, 1989).
Fonte: Clarke DM. Psychological adaptation, demoralization and depression in people with
cancer. In: Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Citocinas e sintomas neurocomportamentais em
pacientes com câncer
• Citocinas pró–inflamatórias (incluindo TNF-alfa, IL-1 e IL-6)
podem induzir uma síndrome de comportamento doente que
possui diversas características que se sobrepõe a depressão
maior.
•A
síndrome
inclui
anedonia,
disfunção
cognitiva,
ansiedade/irritabilidade, retardo psicomotor, fadiga, anorexia,
alterações de sono e sensibilidade aumentada para dor.
• Citocinas pró–inflamatórias estão elevadas em pacientes com
câncer e depressão e seus níveis se correlacionam com os
sintomas dessa síndrome.
Fonte: Musselman DL et al. Biology of depression and cytokines in cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley,
2010.
A presença de depressão afeta a sobrevivência de
pacientes com câncer
• Um estudo de câncer de mama documentou que, num
seguimento de 5 anos, mulheres com níveis mais altos de
depressão
tinham
sua
chance
de
sobrevivência
significativamente diminuída (Watson et al., 1999).
• Num estudo populacional com mais de 10.000 participantes,
pacientes com câncer e depressão tiveram risco
significativamente maior de morte em seguimento de 8 anos do
que aqueles que não estavam deprimidos (Onitilo et al., 2006).
• Um mediador da relação entre depressão e sobrevivência ao
câncer é a não-aderência ao tratamento, que é maior quando o
paciente esta deprimido (DiMatteo et al., 2000).
Fonte: DiMatteo RM, Haskard-Zolnierek KB. Impact of depression on treatment
adherence and survival from cancer. In: Depression and Cancer. Kissane D, Maj M,
Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Maneiras pelas quais depressão afeta a
aderência aos tratamentos anti-câncer
• Inabilidade de integrar o diagnóstico de câncer e as informações de
tratamento
• Motivação reduzida para os auto-cuidados; dificuldade para planejamento
• Crenças negativas sobre a saúde e pessimismo sobre o tratamento
• Evitação de comportamentos que promovam a saúde
• Isolamento social e afastamento
• Redução do uso dos recursos da comunidade
• Maior dificuldade em tolerar os efeitos colaterais do tratamento
Fonte: DiMatteo RM, Haskard-Zolnierek KB. Impact of depression on treatment
adherence and survival from cancer. In: Depression and Cancer. Kissane D, Maj M,
Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
A presença de depressão aumenta o risco de
suicídio em pacientes com câncer
• Pacientes com câncer tem pelo menos duas vezes mais chance de
cometer suicídio do que a população em geral (Rockett et al., 2007).
• Depressão é um fator conhecido na metade dos suicídios e
indivíduos que sofrem de depressão tem um risco 25 vezes maior
de suicídio (Breitbart et al., 2006).
• Fatores de risco adicionais para suicídio em pessoas com câncer
incluem sentimentos de ser um peso para os outros, perda da
autonomia, desejo de controlar a própria morte, sintomas físicos,
desesperança, preocupações existenciais, perda de suporte social
e medo do futuro (Hudson et al., 2006).
Fonte: Breitbart W et al. Suicide and desire for hastened death in people with cancer. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Guidelines para a identificacao do risco de suicidio em pacientes com cancer - I
Esteja alerta para suas próprias reações
Esteja aberto para ouvir preocupações
Identifique fatores que podem contribuir
•
•
•
•
Atente para como suas respostas influenciam as conversas
Monitore suas atitudes e reações
Demonstre consideração positiva em relação ao paciente
Busque supervisão
•
•
•
•
•
•
•
•
Gentilmente questione sobre preocupações emocionais
Atente para sinais verbais e não-verbais de desconforto
Encoraje a expressão de sentimentos
Escute ativamente sem interromper
Converse sobre o desejo pela morte utilizando palavras do paciente
Permita tristeza, silêncio e lágrimas
Expressa empatia, verbalmente e não-verbalmente
Reconheça diferenças nas respostas a doença
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Doença psiquiátrica prévia
Tentativas de suicídio prévias
Historia de abuso de álcool ou substância
Falta de suporte social
Sentimentos de esgotamento
Conflito familiar
Necessidade de assistência adicional
Depressão e ansiedade
Preocupações existenciais, perda do sentido e dignidade
Disfunção cognitiva
Sintomas físicos, especialmente dor grave
Baseado nos guidelines do National Breast Cancer Centre and National Cancer Control Initiative Clinical Practice
Guidelines (2003) and Hudson et al. (Palliat. Med. 2006;200:703-710).
Fonte: Breitbart W et al. Suicide and desire for hastened death in people with cancer. In: Depression and Cancer.
Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Guidelines para a identificação do risco de suicídio em pacientes com câncer - II
Responda a questões especificas
•
•
•
•
Reconheça medos e preocupações do paciente e familiares
Oriente fatores modificáveis que podem contribuir
Recomende intervenções
Desenvolva um plano para manejar as questões mais complicadas
Conclua a conversa
•
•
•
•
•
Faca um resumo e revise pontos importantes
Clarifique as percepções do paciente
Promova oportunidade para perguntas
Assista na facilitação de conversas com outros
Proporciona encaminhamentos apropriados
Após a conversa
• Documente a conversa com o paciente no prontuário
• Comunique-se com os membros da equipe de tratamento
Baseado nos guidelines do National Breast Cancer Centre and National Cancer Control Initiative Clinical
Practice Guidelines (2003) and Hudson et al. (Palliat. Med. 2006;200:703-710).
Fonte: Breitbart W et al. Suicide and desire for hastened death in people with cancer. In: Depression and
Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Terapia cognitiva para depressão em pacientes com câncer - I
Natureza da distorção cognitiva
Resposta realista após resignificação
Catastrofização: “O câncer certamente retornará. Minha
situação não tem esperança. Eu devo mesmo
desistir.”
“Meu oncologista me deu um bom prognóstico. Tenho sorte que
meu câncer é curável.”
Amplificação: “Essa dor nas costas é o meu câncer de
volta. Estou com problemas.”
“Estive jardinando. Minha dor nas costas passará até amanhã.
Comunicarei meu médico semana que vem se persistir.”
Pensamento tudo-ou-nada: “Se não posso ser curado,
não há porque fazer nada.”
“Apesar de meu câncer ser incurável, pode ser controlado com o
tratamento por vários anos.”
Atenção seletiva: “Tenho medo de que os efeitos
colaterais da quimioterapia me deixarão muito mal.”
“Quimioterapia reduz consideravelmente o risco de recorrência. Vale
a pena o desgaste dos efeitos colaterais para conseguir esse
benefício .”
Pessimismo, predizendo o futuro: “Tenho certeza que
perderei meu cabelo e meu companheiro me deixará.”
“Boa aparência, sentir-se bem me faz ter confiança em usar uma
peruca. Irei me divertir com meu marido explorando novos estilos.”
Fonte: Kissane DW et al. Psychotherapy for depression in cancer and palliative care. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Terapia cognitiva para depressão em pacientes com câncer - II
Natureza da distorção cognitiva
Resposta realística apos resignificação
Uso de verbos ‘deveria’ ou ‘tenho que’’: “Eu deveria ser “Quimioterapia causa um anemia leve que resulta em fadiga.
capaz de fazer tudo que fazia antes do câncer. Eu
Exercícios leves vão proteger contra a perda muscular.”
tenho que lidar melhor do que estou lidando.”
Rotulando: “Sou patético. Sou muito covarde.”
“Na verdade, radiação causa muita inflamação. Faz sentido
utilizar os analgésicos prescritos. Eu vou melhorar.”
Personalização: “Não me surpreende que eu tenha
câncer. Deve ser culpa minha.”
“Mudanças aleatórias do DNA causam câncer. Isso afeta todas
famílias É um mito antigo que estresse causa câncer.”
Pensamento ilógico: “Se não me sentir feliz logo, nunca “Antidepressivos demoram alguns dias para começar a funcionar.
vou melhorar deste câncer.”
Eu preciso de paciência para a medicação ajudar.”
Raciocínio emocional: “Por eu me sentir inadequado,
deve estar fazendo um trabalho ruim durante esse
tratamento quimioterápico.”
“Estou trabalhando para aumentar minha auto-estima. Contudo,
isso não esta ligado a como os outros me vêem. Meus colegas de
trabalho me apóiam.”
Fonte: Kissane DW et al. Psychotherapy for depression in cancer and palliative care. In: Depression
and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Terapia CALM para depressão em paciente com câncer
avançado - I
Módulo
Manejo dos sintomas e
comunicação com
profissionais de saúde
Objetivo
Atividade do Terapeuta
Desfechos
Explorar a experiência dos
sintomas e apoiar o
engajamento ativo no
tratamento e manejo da
doença, juntamente com
relações colaborativas com
provedores de cuidados
Terapeutas trabalham para
manter uma perspectiva
equilibrada do paciente e
para agir como um
intermediador entre o
paciente e outros
cuidadores
Melhor aderência aos
regimes de manejo de
sintomas; melhor trabalho
em equipe; melhor
coordenação dos cuidados;
acordos mais claros sobre
os objetivos dos cuidados
Prover sessões de família
ou de casal para abordar
as dinâmicas de
relacionamento, ajudar com
distúrbios no equilíbrio dos
relacionamentos e preparar
para futuros desafios e
tarefas que virão
Melhor entendimento e
consenso sobre os
objetivos dos cuidados;
melhorar a comunicação
relacional, coesão e apoio
mútuo
Mudanças pessoas e nas Abordar qualquer danos ao
relações com pessoas
senso de individuo e a
próximas
alterações nas relações
sociais e intimas que são
impostas por doença
avançada
Fonte: Kissane DW et al. Psychotherapy for depression in cancer and palliative care. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Terapia CALM para depressão em pacientes com câncer
avançado - II
Módulo
Espiritualidade ou senso
de sentido e propósito
Pensamento sobre o
futuro, esperança e
mortalidade
Objetivo
Atividade do Terapeuta
Desfechos
Abordar as crenças
espirituais do paciente e/ou
seu senso de sentido e
propósito na vida em face
do sofrimento e doença
avançada
Terapeutas podem facilitar
e apoiar a elaboração do
sentido como uma
estratégia adaptativa para
manejar a situação a qual é
geralmente vivenciada
como fora do controle da
pessoa
Validação e/ou reavaliação
de prioridades e objetivos;
facilitação de uma
abordagem ativa para o
final da vida
Abordar medos e
ansiedades antecipatórias
e prover fórum para a
discussão do final da vida e
atividades de preparação
da morte
Normalizar ansiedades em
relação a morte e o morrer;
apoiar comunicação aberta
sobre futuro e planos
Aceitação de objetivos de
cuidados acordados;
equilíbrio entre as tarefas
de vida e de morte
Fonte: Kissane DW et al. Psychotherapy for depression in cancer and palliative care. In:
Depression and Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Intervenções para pacientes suicidas
Para paciente cuja ameaça de suicídio é vista
como séria
Para paciente que está agudamente suicida e
medicamente estável
• Provenha observação constante e reavaliações
• Objetos perigosos como armas ou intoxicantes devem ser
removidos do quarto ou residência
• O risco de comportamento suicida deve ser comunicado aos
membros da família
• O paciente deve concordar em chamar quando sentir-se
sobrecarregado, fazendo um contrato com o medico de falar sobre
pensamentos suicidas no futuro ao invés de atuar esses
pensamentos
• Buscas dentro do quarto devem ser feitas para se assegurar de
Para paciente Internado
Para pacientes ambulatoriais gravemente
suicidas cujos pensamentos suicidas não
são agudamente causados por sua condição
médica ou medicação
que não há meios disponíveis para comportamento auto-destrutivo
• A partir do momento em que pensamento suicidas foram
expressados o paciente deve estar sob constante observação
• Internação psiquiátrica está indicada, seja voluntaria ou
involuntariamente
• Um psiquiatra pode ajudar a fazer essas combinações. Documente
a ação médica e o raciocínio durante a crise
Adaptado de: Holland et al. (eds). Quick reference for oncology clinicians. Charlottsville: IPOS Press, 2006.
Fonte: Breitbart W et al. Suicide and desire for hastened death in people with cancer. In: Depression and
Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Antidepressivos e seu uso em pacientes com câncer - I
Classe
Antidepressivos tricíclicos
(Ex: amitriptilina,
imipramina, desipramina,
clomipramina)
Ação
Efeitos colaterais
Possíveis desvantagens
Inibição da recaptação de
serotonina e noradrenalina
Antimuscarinica
Efeitos colaterais
Possíveis vantagens
Ação em dor
Constipação, boca seca,
retenção urinaria,
disfunção de memória
Uso em pacientes
com Câncer
Geralmente não
utilizado pelo risco de
efeitos colaterais
antimuscarinicos, se
necessário, usar com
cuidado
Sonolência
Antihistaminica
Ação no sono
Hipotensão postural,
tontura, taquicardia reflexa
Hipotensão
Anti alfa 1
Inibidores seletivos da
recaptação de serotonina
(fluoxetina, fluvoxamina,
paroxetina, sertralina,
citalopram, escitalopram)
Inibição da recaptação de
serotonina
Disfunção sexual (5-HT2A) Alguns mais sedativos (ex:
citalopram) do que outros
Efeitos gastrointestinais
(náusea, vomito, diarréia)
(5HT3)
Usados
regularmente, com
exceção da
fluvoxamina (alta
interação com CYP),
Paroxetina interfere
com Tamoxifeno
Fonte: Grassi L et al. Pharmacotherapy of depression in people with cancer. In: Depression and Cancer.
Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Antidepressivos e seu uso em pacientes com câncer - II
Classe
Inibidores seletivos da
recaptação de
noradrenalina (ex:
reboxetina)
Ação
Efeitos colaterais
Possíveis desvantagens
Inibição da recaptação de
noradrenalina
Diminuição da pressão
arterial, tontura
Pouco antimuscarinico
Possível boca seca e
retenção urinaria
Efeitos colaterais
Possíveis vantagens
Uso em pacientes
com câncer
Melhora do ânimo e funções Não usado
cognitivas
rotineiramente
Inibidores seletivos da
Inibição da recaptação de
recaptação de serotonina e serotonina e noradrenalina
noradrenalina (ex:
venlafaxina,
desvenlafaxina, duloxetina,
milnacipram)
Possível risco de
hipertensão
Action on pain
Usado mais
freqüentemente
Inibidores seletivos da
recaptação de dopamina e
noradrenalina (ex:
bupropiona)
Ansiedade
Aumenta atenção e
concentração
Alguns dados em
pacientes com fadiga
ou em estágio
avançado. Checar
risco de convulsões
Inibição da recaptação de
dopamina e noradrenalina
Ativação psicomotora
Possível diminuição da
fadiga
Fonte: Grassi L et al. Pharmacotherapy of depression in people with cancer. In: Depression and Cancer.
Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Antidepressivos e seu uso em pacientes com câncer - III
Classe
Antidepressivos
noradrenérgicos e
específicos
serotoninérgicos (ex:
mirtazapina)
Ação
Efeitos colaterais
Possíveis desvantagens
Aumento da atividade
serotoninérgica e
noradrenérgica
Sonolência
Anti-histaminica
Inibidores da recaptação e Aumento da atividade
antagonistas de serotonina serotoninérgica
(trazodona, nefazodona)
Estimulantes (dextroAumento da atividade
amfetamina, metilfenidato, dopaminérgica
dexmetilfenidato, modafinil)
Efeitos colaterais
Possíveis vantagens
Uso em pacientes
com Cancer
Aumento do apetite e ganho Usado mais
de peso
freqüentemente.
Checar possível
Sonolência (útil em caso de (rara) neutropenia
insônia)
Ação no sono
Efeitos relatados em dor
Inquietude, agitação,
Efeito rápido
insônia, pesadelos, psicose, Ação em dor
anorexia, arritmia,
taquicardia, hipertensão
Tolerância, dependência
Convulsões
Usado no passado.
Nefazodona pode
causar problemas
hepáticos
Usado especialmente
em pacientes
terminais
Fonte: Grassi L et al. Pharmacotherapy of depression in people with cancer. In: Depression and Cancer.
Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Guidelines para uso de antidepressivos em
pacientes com câncer
• Inicie o tratamento com doses baixas seguindo um período de titulação para atingir uma
resposta ótima individual (doses baixas podem ajudar a evitar efeitos colaterais iniciais
indesejados, particularmente em pacientes em pobres condições físicas).
• Informe e ressegure os pacientes sobre o período de latência e possíveis efeitos colaterais, a
fim de evitar interrupções precoces, especialmente se os pacientes estão recebendo outras
medicações.
• Trate o paciente por 4-6 meses a fim de evitar recaídas ou novos episódios de depressão apos
a remissão.
• Monitore regularmente as variáveis físicas do paciente e concomitantemente o uso das
medicações para o câncer (ex: esteróides, antieméticos, antibióticos, antiestrogênicos e
agentes quimioterápicos).
• Suspenda medicações com diminuição da dose em 50% em duas semanas para reduzir o risco
de sintomas de retirada que podem ser perturbadores e podem ser confundidos com sintomas
de câncer ou de recaída da depressão.
• Ressegurança e educação dos pacientes é extremamente importante em ambientes de
oncologia.
Fonte: Grassi L et al. Pharmacotherapy of depression in people with cancer. In: Depression and
Cancer. Kissane D, Maj M, Sartorius N (eds). Chichester: Wiley, 2010.
Agradecimentos
Esse resumo faz parte do programa da WPA que objetiva aumentar o
conhecimento sobre a prevalência e implicações prognósticas da
depressão em pessoas com doenças físicas. O apoio ao programa por
parte da Lugli Foundation, Italian Society of Biological Psychiatry, Eli-Lily
e Bristol-Myers Squibb é gratamente reconhecido. A WPA agradece ao Dr.
Felipe Picon, Porto Alegre – RS, Brasil por sua ajuda na tradução deste
resumo para o português.