SER UM BOM PROFESSOR E NÃO APENAS PROFESSOR DE L 2
Dra. Profa. Vera Regina Silva da Silvai
Resumo
O estudo trata de mostrar características e competências de um bom professor de Língua
Espanhola como L2 partindo de referências de MOSQUERA(1984) ZABALZA(1994 -2004)
ZEICHNER (1993-1996) e RUBEM ALVES( 1987 – 2002 - 2005). Esse trabalho resultou de
uma Dissertação de Mestrado revisada e atualizada com a adesão de novos professores a cada
dois anos a partir de sua defesa. Trata de fazer uma reflexão sobre a prática como requisito
essencial para ser um bom profissional. A pesquisa de cunho descritivo exploratório usou
uma análise de conteúdo para interpretar a entrevista dada pelos profissionais da educação
entre os falantes nativos e não nativos da L2. Foram entrevistados 20 professores de espanhol,
universitários e de Centros Culturais, formadores de professores que contemplam um educador
voltado para o ensino global que domine a gramática, a comunicação escrita e oral e a cultura
da L2, e outros 10 professores de escolas particulares e públicas do ensino fundamental e
médio com os mesmos objetivos. Os resultados da pesquisa mostraram a necessidade de uma
mudança de paradigma do professor em relação ao aluno em particular. Para ser um bom
professor de L2 é preciso que haja uma trajetória de comprometimento e aperfeiçoamento do
profissional, para que ele seja um educador competente e que corresponda aos anseios de
aprendizagem do aluno. A pesquisa se definiu em 5 categorias de discussão que responderam
a três perguntas específicas de análise: como um professor de L2 adquire a competência de
ensinar? Que características deve ter esse professor para ser considerado competente? É
suficiente ser nativo da língua espanhola para ser considerado um bom professor?
Palavras-chave:
Língua Espanhola – Reflexão – formação – competência –
aperfeiçoamento
Introdução
Este artigo resultou de uma análise de conteúdo realizada a partir de dados referentes a
nossa Dissertação de Mestrado e tem sido atualizada com freqüência, a cada dois, com
objetivo de que ela sirva de informação, atualização e incentivo aos professores que lecionam
a Língua Espanhola como L2.
A proposta inicial surgiu da necessidade de um professor, que não é nativo da Língua
Espanhola – LE (assim denominada a partir desse momento) ensinar bem o espanhol na
escola e na Universidade, sabendo que o público compreende alunos brasileiros e em alguns
momentos alunos nativos, ou por outro lado, aqueles que convivem na fronteira com falantes
nativos. Ser professor de um idioma diferente da nossa língua nativa compreende aquisição de
várias características para lograr competência. Sendo assim, procuramos seguir uma trajetória
de estudos e questionamentos para saber como ser um bom professor de L2, para um público
cada vez mais globalizado.
Saber mais, falar bem e escrever bem para ensinar o melhor possível é uma obrigação
do professor de L2 de acordo com a nossa visão de educação. Assim procuramos saber através
de uma investigação, como os professores que tinham a função de formar os estudantes que
seriam professores pensavam sobre - ser um bom professor de espanhol - que qualidades
deveriam ter esses profissionais para serem considerados professores competentes. Essa era
questão inicial. Para essa finalidade elaboramos três questões que norteariam nossa pesquisa.
Pesquisa
Os objetivos eram saber:
1) Como o professor adquire a competência de ensinar ?
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2) Que características deve ter o professor para ser considerado competente?
3) É suficiente ser professor de Língua Espanhola para desenvolver um bom trabalho como
professor?
Para dar seqüência ao trabalho investigativo criamos a seguinte metodologia:
Metodologia
Para a pesquisa selecionamos os sujeitos entre professores de espanhol universitários,
nativos e não nativos da língua com experiência mínima de sete anos na docência em
Universidade e Centros Culturais de Porto Alegre, os quais foram convidados a participar da
entrevista e responder sobre o tema, perguntas estruturadas de acordo com as questões de
pesquisa em torno do problema que originou a investigação, individualmente em dias e
horários previamente agendados e indicados por eles.
As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra a partir das respostas dos
profissionais, sem nenhuma intervenção da investigadora. As questões para o questionário
foram essas: 1) O que é competência de um professor de espanhol? Como ele adquire a
competência de ensinar? Que
características ele deve ter para ser considerado um bom
professor de L2 ?
Com base nesse estudo que originou uma dissertação de Mestrado e cujos resultados
serão apontados na discussão sobre o tema que apresentaremos nesse artigo, em 2006,
procuramos pesquisar outros oito profissionais para atualizar a pesquisa. Nesta oportunidade
os profissionais eram mais jovens porém, com as mesmas características - professores
universitários nativos e não nativos - o mesmo ocorrendo em 2009, quando nesta oportunidade
entrevistamos da mesma forma outros 14 concluintes do curso de Licenciatura em Letras
Espanhol para saber se os concluintes na carreira de professor de espanhol tinham opiniões
que se assemelhassem a dos mestres sobre o ensino da L2 ou se as opiniões e experiências
seriam diferentes indicando que em termos de aquisição de L2 havia acontecido alguma
mudança que viesse a acrescentar e contribuir para o ensino de línguas estrangeiras.
Para esses sujeitos também foram feitas perguntas sobre a competência do professor de
L2 . As perguntas versaram sobre: O professor de L2 deve ser considerado competente
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quando? Quando ele adquire a competência de ensinar? Que exigências o mercado de trabalho
impõe hoje aos professores de língua estrangeira para que sejam competentes? Procure dar
características de um melhor professor de espanhol.
Na primeira fase, dissertação de Mestrado originaram-se 5 grandes categorias:
Características de Personalidade do professor – Aperfeiçoamento do Professor – Amor pela
língua que vai ensinar – Reflexão crítica do professor – Competência lingüística comunicativa
e cultural.
Das entrevistas de atualização em 2006, surgiram categorias semelhantes às primeiras,
tendo sigo agrupadas às cinco categorias inicias para análise dos resultados.
No último grupo pesquisado, em 2009 destacaram-se duas novas categorias : Saber dividir
o conhecimento e ser um professor desafiador do seu aluno. Esse resultado serviu para a
discussão que foi baseada na teoria de comparação e referência dos teóricos reflexivos.
Resultados e Discussão
Realizada a coleta de todos os dados, observamos que os professores formadores de
professores, destacaram como primeira categoria as Características de Personalidade do
professor – que destacou a Amizade considerada por todos como sendo o começo de toda a
relação professor-aluno, seguida por Respeito – Honestidade - Humildade – Paciência Psicologia e Arte que segundo os profissionais demonstram como ser um bom professor.
Para ilustrar esse artigo citamos o depoimento de alguns sujeitos:
Sujeito nº 1 - “ Ser amigo, que ele procure dar e obter a simpatia do aluno, porque
aquilo que se faz de forma agradável e gostando (...) o aluno não vai esquecer”.
Sujeito nº 7 - “ ... O professor precisa ser compreensivo e ser amigo, próximo desse aluno.”
Sujeito nº 4 - “ Eu acho que o melhor amigo é aquele que te fala as tuas dificuldades e te
ajuda a resolvê-las. (...) Ser amigo para ajudar a pessoa a crescer”.
Sobre esse professor amigo e companheiro Rangel (1994) afirma:
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“Vejo no bom professor o amigo (...) o amigo que ensina, que esclarece, que corrige,
que estimula, que orienta (...) e faz tudo isso com prazer porque tem satisfação com
o que faz... porque vê, no aluno, uma pessoa que espera dele a compreensão, a
estima, a paciência e o companheirismo que têm os amigos(...) os bons amigos”.
(RANGEL, 1994, págs.32 e 33)
Entendemos que a amizade entre professor e aluno vai além da sala de aula e perdura
por muito tempo, esta constatação é vista quando o ex-aluno volta à
Universidade, já
diplomado e trabalhando na sua área; o professor que ele procura é aquele com o qual ele mais
interagiu e com quem mais trocou confidências.. O ser humano é carente de afeto e toda a
manifestação de carinho e afeição estimula o seu comportamento de forma positiva. Se há uma
sintonia entre o professor e o aluno, este aprende melhor, sua aprendizagem flui, pois haverá
mais interesse por parte do aluno.
A pesquisa contemplou o respeito, a honestidade e a humildade como fatores de
contribuição na educação do aluno e de seu melhor aprendizado como sendo uma
característica de personalidade do professor.
Sujeito nº 2 “ ...a honestidade de dizer para o aluno –não sei ”(...)” ( O professor se
preocupa
Ah! Mas se eu digo ele não vai pensar que eu não sei? ( e o sujeito complementa)”
“(...) não deixe o teu aluno sem respostas, diga que não sabe e vai atrás da resposta...”
Sujeito nº 5 - “Precisamos ter respeito pelo aluno, ser tolerante, ser paciente (...)”. “O
professor não pode ter preconceito de nenhum tipo.”
Em relação ao dito pelo sujeito nº 2, compreendemos que o professor de L2 não é um
dicionário humano e ele tem o direito e o dever de dizer a verdade para o aluno, ele não é um
transmissor de conhecimentos, a sua função é compartir o conhecimento, indicar um
dicionário para o aluno pesquisar é uma forma de ensinar. O professor é o gestor e o
facilitador do conhecimento. Faz parte da educação ter e ser um orientador e isso muitas
vezes, pode resultar em que o educador tenha que ser um artista , uma pessoa especial, pois
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ministrar aulas requer uma competência específica, principalmente por tratar-se de ensinar um
idioma estrangeiro para pessoas que, às vezes, não dominam bem o próprio idioma.
Sujeito nº 2 - “ (...) o professor teria que ser um grande artista (...) um escultor. Nós
professores , não podemos escolher o material. Ele vem no 1º dia de aula, alguns são argila,
outros são de barro duro, madeira, outros são de barro grudento... não posso escolher...(...) Se
eu não sei nada de arte, tenho que começar a ser um pouco artista, ser prático, dinâmico.”
Sujeito nº 3 - “Eu acho que o professor competente tem que ... Ter habilidade tem que
formar e não informar,... Compreender que ele recebe, muitas vezes, e saber transformar
aquelas pedras em flores.”
De acordo com RANGEL (1994, pág. 38), ... “esculpir é transformar pedras em flores, e
isso obriga os professores à experiências arriscadas”. A arte no ensino faz do professor um
artista
e expressa um aspecto particular da dimensão humana do processo ensino
aprendizagem no que toca a sensibilidade e a emoção com que ele se dedica ao ensino.
Os sentimentos não revelados intervêm na relação de ensino e aprendizagem e assim
descobrimos que a competência não aparece em atos isolados, mas que ela é um processo que
surge de atitudes e comportamentos do educador.
Em relação à questão que mostrou a 2ª categoria de análise: Como o professor adquire a
competência de ensinar ? As respostas direcionaram o estudo para o aperfeiçoamento do
professor.
Para o Sujeito nº 2 - “... não é suficiente apenas adaptar-se, tem que reinventar,(...) Eu
tenho que me reciclar, me realimentar para reinventar essa realidade que já foi inventada há
milhões de anos, mas que eu tenho que apresentar a cada vez, a cada dia.”
O Sujeito nº 5 – afirma que “... O professor adquire a competência de ensinar, primeiro
na Universidade, com bons cursos de Didática, de Psicologia, de Metodologia da Educação e...
claro... com experiência e com estudo também, não é...? ! Fazendo pesquisa e não parando no
tempo. A gente tem que estar atualizado. O trabalho de investigação escolar continua no
trabalho”.
Em relação ao mesmo assunto, o Sujeito nº 7 - “ Estudar, em primeiro lugar fazer um
bom curso, estudar muito, se preparar bem além do exigido, buscar, ler, estudar, pesquisar,
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participar de encontros e congressos sempre que for possível e eu insisto, passar algum tempo
morando em um país, mesmo que seja um mês, umas férias de julho, que vá fazer um curso.
Um mês num país onde se fala Espanhol vale, sei lá, por um semestre, por um ano inteiro
estudando no país da gente.”
O Sujeito nº 10, perguntado sobre o mesmo assunto diz que: ...“ele tem que colocar
aquilo em prática e essa prática é só na escola, trabalhando diretamente com o aluno”. E o
Sujeito nº 11 diz que é importante a convivência em bares, cafés, fazer perguntas, aprender
gírias, aprendem os dois; o professor e o aluno, para que não terminemos o curso somente nos
livros ou textos. A linguagem coloquial e particular não está nos livros, mas na convivência.
Referente ao posicionamento desses sujeitos, HUBERMAN (1992, pág. 62) diz mais
sinteticamente o que eles pretendiam explicar em suas respostas:
“ Hasta el maestro mejor preparado y especializado siente que su rol dentro de
la enseñanza, dentro de la escuela, de la comunidad, ya no es el mismo, ni tan
estable, intuye (aceptándolo o no) que debería adquirir para enfrentarse o incluirse a
este nuevo estilo de vida que la sociedad y la escuela exigen o necesitan, capacidades
nuevas, actitudes nuevas para auto formarse de forma diferente y para forjarse una
autonomía capaz de ir reaccionando vital y profesionalmente ante las nuevas
situaciones que se le presentan en su vida intelectual, laboral, profesional, en síntesis,
en su persona total”.
A evolução da língua funciona como fator motivador do professor em busca do
aperfeiçoamento e da aquisição de melhores técnicas para ensinar. Novas metodologias
servem para que o professor se especialize acompanhando a evolução dessa língua e o
desenvolvimento do alunado.
A terceira categoria de análise surgiu da terceira questão de pesquisa: Que características
deve ter um professor de espanhol para ser considerado competente? O amor pela língua que
vai ensinar. Sobre o assunto, alguns sujeitos fizeram suas observações nas entrevistas:
Sujeito nº 1 - “... eu gosto, eu adoro ser professora de Espanhol, eu não me vejo fazendo
outra coisa. Para ser um bom professor de Espanhol é fundamental saber bem a língua, saber
bem o idioma e gostar, ter prazer em dar aula”.
Sujeito nº 4 - “ Tem que haver uma grande dose de paixão. Eu como sou apaixonada
pelas línguas estrangeiras, acho fascinante o aluno vir para a sala de aula e começar esse
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processo em que ele vai aprender a se comunicar usando outro código, que não é a sua língua
nativa...”
Sujeito nº 11 - “ O professor tem que despertar a paixão do aluno pelo ato de aprender.Aí ele se sente estimulado, ele vai gostar, ele vai em frente, porque se eu me reponho só ao
que é necessário, a coisa pode se perder e tu sabes que os nossos alunos fogem, eles acabam se
evadindo”.
Sujeito nº 12 - “... o professor deve gostar do trabalho que representa o ensino do
idioma ou idiomas que vai ensinar, pois quem trabalha com desgosto está fatalmente
condenado ao fracasso. Também deve gostar do convívio com os que serão os seus discípulos,
pelas mesmas razões”.
Segundo ALVES (1996) O que a memória ama permanece eterno, assim é com a
aprendizagem, assim é na vida, o que se ama não se esquece mais.
A quarta categoria surgiu do reconhecimento da realidade e compõe a reflexão crítica do
professor. Nessa categoria os professores pesquisados fizeram uma reflexão crítica a respeito
da atuação do professor de L2 em sala de aula e da importância desse comportamento para o
ensino-aprendizagem do aluno. O posicionamento de alguns sujeitos retratam de certa forma o
pensamento do grupo.
Sujeito nº 2 - “ ... quando tu pensas que dás uma aula magistral e alguém vem e diz, - a
tua aula foi uma M. Poxa! Tu vais para o teu quarto e pensa; mas eu preparei,,, será que foi a
minha aula, ou eu não estou bem apresentado hoje, não me entusiasmei com o conteúdo. Será
quê ... E aí está a auto-avaliação de ti como pessoa, como professor.(...) E agora o que eu
faço?
Sujeito nº 11 - “... e na tua prática, ação-reflexão-ação, que tu avalias o teu trabalho (...)
é essa comunicação respaldada de respeito(...) e logicamente não esquecendo da questão do
conhecimento, do aperfeiçoamento do professor que vocês vão encontrar algo diferente que
vai inquietá-los e fazer vocês pensarem. O que foi que eu não fiz? O que eu posso melhorar?
(...) e aí então, novas buscas...”
Sujeito nº 12 - “ ... o requisito indispensável para o sucesso em aula é uma preparação
minuciosa de cada lição, já que as improvisações são as mais freqüentes causas de fracasso”.
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Simplificando o posicionamento dos sujeitos observamos que o sujeito nº 2 – fala sobre
as suas frustrações e das frustrações dos alunos em relação a sua aula que o obriga a
adequações imprevisíveis que levam à reflexão sobre a prática. Outro sujeito falou sobre a sua
inquietação com a melhor forma de ensinar e sujeito nº 12, com mais de 50 anos na profissão
diz que o professor deve ser minucioso ao preparar a aula e que a improvisação pode levar ao
fracasso do professor e frustração do aluno.
Buscando amparo na teoria reflexiva, tentamos parafrasear VASCONCELLOS (1998),
cuja opinião é de que o professor deve avaliar sempre a sua prática; tanto na proposta como na
aplicação e se uma das duas está errada, não haverá a transformação do aluno, mas se o
professor sabe discernir o que está errado no ensino, no momento da intervenção, as soluções
serão satisfatórias.
A quinta categoria de análise foi extraída da última questão
problema sobre as
características de um bom professor. Os sujeitos em todos os momentos da pesquisa foram
seguros ao afirmar que a competência linguística, comunicativa e cultural são fatores
fundamentais para um bom professor de L2. Conhecer somente a língua que deve ensinar não
caracteriza competência, o educador deve dominá-la completamente, conhecer seus quatro
princípios básicos: ler, escrever, ouvir e falar e saber aplicá-los adequadamente para dizerem
que sabem ensinar a língua estrangeira.
Os sujeitos da pesquisa se posicionaram da seguinte maneira:
Sujeito nº 1 - “ Há coisas muito práticas que têm relação com a competência. Que seria
por exemplo: as quatro habilidades lingüísticas que o professor precisa dominar. Eu começaria
por isso, por exemplo: que seria a compreensão auditiva, a expressão oral, compreensão
escrita e compreensão comunicativa, estas que nos vão dar conjunto para ensinar como base
quando ele domina essas habilidades lingüísticas e quando ele fala fluentemente”.
Sujeito nº 8 - “ser um professor competente é atingir os objetivos principais como
professor(...)
é atingir o aspecto cognitivo
global da matéria, da disciplina com seus
conteúdos e fundamentalmente a integração desses conteúdos dentro de um marco maior que é
onde o aluno vai aplicá-los”.
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Sujeito nº 9 - “... vais ter que aceitar o desafio, o desequilíbrio para poder se reencontrar
e as Faculdades, responsáveis pelas Licenciaturas, não estão ainda em condições dessas novas
exigências, muito menos os professores de 1º e 2º Graus.”
Sujeito nº 10 - “ ... o aluno ao sair da Faculdade tem 80% dessa competência adquirida,
mas em termos práticos te deixa a desejar, o diploma não é tudo, ele tem o diploma, mas não
tem experiência e sabe que como falante nativo da Língua Portuguesa terá um certo acento
portunhol la ge - la jota - y la A bien abierta. Ele deve aproveitar isso para trabalhar com o
aluno em aula.”
Sujeito nº 11 - “ Claro que conhecimentos são muito importantes, mas tem que conhecer
a cultura para que possa transmitir ao aluno essas possibilidades de comunicação”.
Sujeito nº 17 - “ O mais perfeito conhecimento teórico e prático, do idioma que vai
ensinar, é por razões óbvias , outra condição para seu sucesso”. É desafiar o aluno e desafiarse.
Pelo depoimento de alguns dos sujeitos procuramos enfocar aspectos que foram
pertinentes à maioria do universo pesquisado, algumas vezes, os sujeitos se repetem outras se
colocam contra determinados posicionamentos, mas a maioria concordou com os aspectos
enfocados nas categorias de análise incluindo o fato de que o professor não deve somente
saber, mas principalmente dividir o conhecimento com os seus alunos.
Dentro da teoria reflexiva fomos buscar apoio na teoria de NILDA ALVES( 1996, pág.
46)
“ O conhecimento é busca constante, é prático, se dá graças às experiências
práticas com o objeto, é social e trama as relações entre os homens, é histórico,
construído pelo ser humano com o passar do tempo. É um processo longo no
caminho que leva da ignorância ao conhecimento, além do mais é inacabado...”
Concordamos com a autora que obter um certificado e guardá-lo na gaveta do escritório
não vale a pena. A prática aliada à reflexão crítica do professor é que mostrará se o
aperfeiçoamento do professor virá em auxilio do aluno. Ser competente é usar o que aprendeu
para repassá-lo ao aluno e aprender com ele. Ensinar é aprender sempre.
Considerações Finais
Esta investigação nos chamou a atenção de que falar de competência desestabiliza de
certa forma as pessoas. A finalidade era encontrar respostas sobre uma realidade presente na
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vida de todos os que se dedicam a ensinar uma língua estrangeira como L2, nesse caso o
espanhol.
Ouvimos profissionais que atuam na educação de futuros professores e observamos pelas
respostas dadas na pesquisa que ser formado simplesmente não nos habilita totalmente e
competentemente a sermos bons professores. É necessário algo mais que fará diferença no
ensino; ter prazer, ser paciente, refletir sobre a prática, atualizar-se e ter competência
linguística, cultural e comunicativa são diferenciais que somam para os profissionais.
Outro fator que encontramos com professores na segunda parte da pesquisa é a
necessidade do professor construir o conhecimento juntamente com os seus alunos, fazendo
com que eles caminhem junto na busca do conhecimento e aprendizagem e a flexibilidade em
aula; discutir com os alunos o currículo e a metodologia pode contribuir para um melhor
ensino e um melhor professor. É na discussão das causas, que se encontram os efeitos.
Segundo ALVES, (2005) para ser um bom educador é preciso refletir muito e criar
várias estratégias de mudança
Tivemos como objetivo encontrar características entre os professores que indiquem
quem é o bom professor de L2 elevá-los a reflexão sobre a prática, construindo o caminho
juntamente com seus alunos. Neste trabalho investigativo é provável que de alguma forma
todos tiveram que refletir sobre suas atitudes e seu ensino.
Uma das propostas finais da Dissertação de Mestrado, era de que fossem introduzidas nos
currículos de Licenciatura em Letras, disciplinas que permitissem aos estudantes fazerem um
estudo reflexivo pensando no futuro professor, que os ajudasse a desenvolver a consciência
reflexiva sobre a prática para una ação-reflexão-ação posterior, quando tivessem que atuar
como professores de L2. Essa proposta tornou-se realidade em 2006, com a inclusão dos
estudos reflexivos, que já haviam sido apontados por nossa investigação, nos currículos de
algumas universidades brasileiras.
Em 2009, observamos que os estudantes de Letras estão atentos a mudanças, buscam
estratégias, preparam seminários e fazem pesquisa sobre os temas que sejam de reflexão e que
venham a ajudá-los a desenvolver-se mais para a futura carreira. Ainda assim, permanece a
ansiedade pela competência comunicativa que segundo eles pode fazer a diferença no mercado
de trabalho.
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Quem trabalha com a educação enfrenta o “novo” a cada dia. Primeiro porque trabalha
com o ser humano, aluno, cabeças diferentes, realidades opostas, compreensões distintas.
Segundo porque a sociedade evolui. Todos os dias, há um fato novo acontecendo, um
acontecimento diferente. O professor deve estar devidamente preparado, pois o aluno pode
perguntar-lhe e ele precisa responder. Mais ainda, o professor de Espanhol já trabalha com o
novo, a língua diferente (no Brasil) da língua materna: Léxico, fonologia, costumes, cultura,
tudo isso é novidade. Ele tem que ter conhecimento de técnicas novas de ensino, mudanças
fonéticas e culturais de toda natureza. Além disso, precisa de um conhecimento especializado
sobre a educação e a língua estrangeira que vai ensinar.
Referências Bibliográficas
ALVES, Nilda. Formação de Professores: pensar e fazer.4ª ed. São Paulo, Cortez, 1996
ALVES, Rubem. Estórias de quem gosta de ensinar. 6ª ed. São Paulo. Cortez.1987
_____________. Estórias de quem gosta de ensinar. 6ª ed. São Paulo. Cortez, 2005
HUBERMAN, A.M. Como se realizam as mudanças em Educação. Tradução de Jamir
Martins, São Paulo, Cultrix 1992
MOSQUERA, Juan José Mouriño. Psicodinâmica do Aprender. 3 ª. Ed. Porto Alegre, :Sulina,
1976
Petrópolis. RJ; Vozes, 1994
RANGEL, Mary Representações e reflexões sobre o bom professor, 2ª. ed.Vozes, 1994
VASCONCELLOS, Celso dos S. Resgate do professor como sujeito de transformação: para
onde vai o professor? 6ª ed. São Paulo, Libertad, vol. 1, 1998
ZABALZA. Miguel Angel. Diários de Aula. Porto. Ed. Porto, 1994
ZEICHNER, Kenneth M. A formação reflexiva de professor: idéias e práticas, Lisboa; Educa,
1993.
i
Profª da PUCRS
Dra. em Linguística (trabalho sobre a Interface Psicolingüística e Literatura Infantil). Mestre em Educação
(trabalho sobre Características de um melhor professor de espanhol segundo testemunho de docentes).
Especialista em Educação – Formação de Professores. Profa. Convidada pelo Programa de Pós- Graduação da
FAPA para lecionar a disciplina de Práticas de Leitura e escrita na Alfabetização. Artigos publicados em anais
de Congressos sobre Leitura e Cognição - Alfabetização – Ensino do espanhol
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