A lei 10.639/03 e suas repercussões para o docente da cidade do Recife. Lis Cavalcanti Neeser1 Patrícia Smith2 Resumo: O presente artigo analisou o entendimento dos docentes da rede pública da cidade do Recife, através de questionários, sobre a Lei 10.639/03, à qual se refere ao ensino da História e cultura africana e afro-brasileira nas instituições escolares de ensino médio e fundamental. Durante a pesquisa percebemos as principais dificuldades encontradas atualmente quando pensamos na implantação desta Lei nas escolas. Ao fim da pesquisa pudemos concluir que muito ainda precisa ser feito para que esta Lei se torne uma realidade nas escolas públicas da cidade do Recife e consideramos de grande importância a formação docente, partindo desde a conscientização sobre a relevância de se trabalhar estes conteúdos, objetivando levar os alunos a refletirem criticamente e a mudarem seus valores e atitudes quando necessário. Palavras-chave: Lei 10.693/03, formação docente, ensino de História e cultura africana e afro-brasileira. 1 Aluna concluinte do curso de Pedagogia. ([email protected]) 2 Professora Doutora do Departamento de Métodos e Técnicas em Educação. “O que nos parece indiscutível é que, se pretendemos a libertação dos homens, não podemos começar por aliená-los ou mantê-los alienados. A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo.” Freire, 1987, p. 67. 1. INTRODUÇÃO O interesse pela pesquisa decorre em particular, pelo desejo de conhecer a temática em questão e, também, pelas inúmeras críticas relativas ao não cumprimento da Lei 10.639/03. Silva In Gonçalves, Oliveira e Pinto (2005), aponta como causa do não cumprimento da Lei, a falta de capacitação do docente e a “inexistência” de material que retrate o tema. Diante desta situação, percebemos a relevância deste trabalho que busca refletir acerca do entendimento que o docente tem com relação ao conteúdo exigido pela Lei, para tentarmos fazer uma análise da situação real visto que a abordagem de tal conteúdo se faz tão importante considerando-se que o Brasil é o segundo país de maior população negra do mundo. De acordo com o censo do IBGE 2002, foi constatado que 45% da população brasileira é afro-descendente. Mas antes de adentrarmos nesta questão, devemos primeiramente entender o que significa a Lei 10.639/03, suas características e suas implicações sociais e educacionais. Com apenas três artigos, a Lei Federal 10.639/03 determina que as escolas de Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada de todo o país incluam no currículo a temática da História e cultura afro-brasileiras. A importância desta Lei decorre principalmente da necessidade de se contar a História da população negra na constituição deste país, haja vista que a História que predomina nas salas de aula é a História contada pelo ponto de vista do dominador e isto nos revela uma interpretação equivocada do afrobrasileiro nos livros didáticos. Sobre esta questão Silva In Gonçalves, Oliveira e Pinto (2005), aponta que: “... a África, quando estava presente em texto escrito e em ilustrações, de forma implícita ou explícita, em geral representava o lugar de povos sem história, caracterizados como ‘bandos pré-históricos’, como representantes do pensamento mágico (feitiçaria, fetichismo, etc.), da pobreza e da desorganização social. Não havia uma preocupação dos autores estudados em especificar e articular as referências e relações que estabelecem com o contexto cultural daqueles povos, podendo assim dar margem a interpretações dúbias e estereotipadas a respeito dos afro-brasileiros e dos africanos.” (p.230). Diante da forma com que o afro-descendente vem sendo representado na escola, Santana (2004), coloca que é importante retratarmos a História do afro-descendente de forma que ultrapasse uma menção limitada às famosas contribuições como o acarajé, a capoeira ou o samba, comumente veiculado no livro didático. Completando esta idéia, Maia (2003), relata que o negro aparece nos livros basicamente quando se fala da Apartheid e da abolição da escravatura. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de História indicam como um dos objetivos do ensino de História, a sua contribuição para a construção da identidade pessoal. Ferreira (2000), considera identidade como “Uma referência em torno da qual o indivíduo se auto-reconhece e se constitui, estando em constante transformação e construída a partir de sua relação com o outro.” (p.47). Souza (2007), também coloca que a identidade e a cultura são conceitos intimamente relacionados porque a cultura é o referencial para a construção da identidade. Com relação a isto, Santana (2004), na sua condição de docente afirma que: “A partir do momento em que as questões da cultura, das heranças, da tradição africana e afro-brasileira forem contempladas para cada sala de aula, enquanto ciência, enquanto conhecimento científico, a estima da nossa população [afro-descendente]3 se elevará. A partir daí deslanchará o 3 Grifo meu. interesse pelo estudo de sua própria história. O interesse do aluno em se sentir gente, se sentir sujeito dessa história desse país, porque até então os livros didáticos nos colocam como apêndice da própria história.”4 Visando compreender como está sendo realizada essa construção da identidade afro-descendente por parte do docente, levando em consideração a proposta curricular defendida pela Lei 10.639/03 e partindo da consideração de Santana (2004), a qual defende que “a contribuição dos afro-descendentes é muito mais social, política, econômica e literária” é que pensamos na realização deste trabalho. Devido à necessidade de se fazer cumprir a Lei 10.639/03, principalmente pela sua contribuição na construção da identidade afrodescendente, consideramos que a presente pesquisa possa vir a ajudar os educadores em busca de um olhar crítico em relação aos conteúdos abordados pela temática e assim possam refletir acerca do mesmo, buscando o aprimoramento da sua prática docente. Nesse sentido, o objetivo dessa pesquisa se apresenta da seguinte forma: investigaremos a opinião dos docentes com relação à Lei 10.639/03, a importância do conteúdo defendido pela mesma; o que eles entendem por história e cultura afro-brasileira; se estes docentes receberam alguma capacitação; se ensinam ou não esta temática; se há alguma forma de apoio acompanhamento ou avaliação por parte da escola. Analisaremos posteriormente as respostas dos docentes da área de História e das demais áreas para ver se há convergências ou divergências de pensamentos e por fim faremos uma análise geral para revelarmos a situação atual da cidade do Recife com relação ao cumprimento da Lei. Antes de iniciarmos a nossa fundamentação teórica acreditamos ser relevante ressaltar que pela atualidade do tema em questão encontramos parte significante de nosso referencial em fontes alternativas. 1.1 Lei 10.639/03. 4 Não há página nas citações de Santana porque foi retirada de uma publicação virtual. De fato sabemos que houve muitas lutas e reivindicações para que chegássemos à promulgação da Lei Federal 10.639/03. Podemos apontar o Movimento Negro como um dos movimentos que mais pressionou o governo em busca da promulgação desta Lei. A Lei 10.639/03 é de autoria da deputada Esther Grossi (PT/RS), e foi promulgada pelo Presidente da República Luiz Inácio da Silva, em nove de janeiro de 2003. Esta Lei altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 1996 com apenas três artigos (26-A, 79-A e 79-B) 5. De acordo com a Lei 10.639/03, deve ser abordado o estudo de História e cultura afro-brasileira, levando-se em conta: a História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinente à História do Brasil. Estes assuntos devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar especialmente nas áreas de Literatura, Educação Artística e História Brasileira. A Lei ainda traz no artigo 79-B, que o calendário escolar deverá incluir o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra. Vianna (2007), diz que a Lei 10.639/03 veio resgatar a contribuição da raça negra no cenário brasileiro possibilitando assim o diálogo e a participação de todos que a compõem, sem distinções, promovendo o respeito mútuo e a justiça social. É sabido que a Lei veio para nos sensibilizar quanto às contribuições africanas e afro-brasileiras valorizando sua História e cultura em busca da formação de sua identidade, mas a criação desta Lei veio também para tentar acabar com o preconceito racial existente em nosso país e esse talvez seja o principal motivo. Backes & Valentin (2007), ressaltam que um dos argumentos que se reflete no estudo da história africana é a desconstrução das ideologias racistas brasileiras e do modo equivocado como a África e os africanos foram vistos pela história oficial. Os mesmos autores ainda afirmam que com o ensino deste 5 Dados retirados do site portal ibase, verificar referência. conteúdo defendido pela Lei 10.639/03, a África e, conseqüentemente o africano, sempre denominado como inferior, primitivo e subjugado, deixarão de ser assim compreendidos. O preconceito racial existente no Brasil atualmente é um preconceito silencioso e implícito. Gomes (2005), coloca que em sua pesquisa, 87% da população brasileira reconhece que há racismo enquanto que 96% dizem não ser racistas. Daí podemos inferir que o preconceito racial em nosso país se revela de forma camuflada e devemos lutar contra o racismo utilizando como uma das armas o esclarecimento acerca da História e cultura africana e afrobrasileira, pois como defende Zamparoni (2003), “O Brasil não vai se conhecer enquanto não estudar as culturas africanas e não as tratar com respeito”6 visto que, como ele mesmo ressalta, os brasileiros são os herdeiros das várias culturas africanas. Diante de tudo o que já foi explanado a respeito da Lei 10.639/03, acreditamos que com a implantação da mesma, iremos formar em nossas crianças uma consciência cidadã onde os mesmos possam compreender que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a grupos distintos, que possuem sua própria cultura e história igualmente valiosas e que constroem em conjunto sua história na nação brasileira. 1.2 Desafios à implantação da Lei 10.639/03. A Lei 10.639/03 está em vigor há mais de cinco anos e pouco se vê em termos de cumprimento da mesma e existem várias críticas em relação a este cumprimento, dentre elas destacamos como as principais: capacitação dos docentes; sensibilização para com a compreensão da relevância deste conteúdo; material didático referente à temática; e acompanhamento por parte das instituições de ensino. Iremos abordar cada uma dessas críticas de forma geral para que possamos entender um pouco mais sobre essas dificuldades encontradas atualmente e que estão atreladas ao cumprimento da Lei 10.639/03. 6 Não há página na citação de Zamparoni porque foi retirada de uma publicação virtual. 1.2.1 Capacitação dos docentes. Com relação à capacitação dos docentes, entendemos esta como a primeira ação a ser realizada para que se faça cumprir a Lei, pois o docente é a “ponte” que vai levar este conteúdo aos alunos, diante disto o mesmo deve estar ciente deste conteúdo e deverá saber como abordar o mesmo. Portanto acreditamos ser fundamental o desenvolvimento de uma política de formação docente, visto que de acordo com dados do SECAD7 a maioria dos educadores não tem conhecimento sobre a História e a cultura afro-brasileira. E seria ilusório acreditar que sem este conhecimento o professor ensinaria este conteúdo com plenitude, pois como nos coloca Taylor (1993), a falta de conhecimento pode causar dano, transformando o conteúdo em algo falso, deformado e redutor. Entretanto, a falta de capacitação não deve servir de argumento para o silenciamento dos docentes com relação a este ensino, pois se cabe ao mesmo a missão de transmitir este conteúdo, ele tem o dever de demolir os estereótipos e preconceitos que povoam as abordagens sobre este povo iniciando um processo de auto-estudo e planejamento para dar conta desta nova demanda. Para tanto, o docente deve suscitar discussões em sala de aula que levem à reflexão sobre esta temática, fazendo-se reconhecer a História e cultura africana e afro-brasileira, eliminando assim a visão ideológica negativa que permeia o pensamento com relação aos africanos e afro-descendentes ao longo dos séculos, em nosso país. 1.2.2 Sensibilização para com a importância deste conteúdo. Backes & Valentin (2007), relatam que ainda há os que se perguntam se existe mesmo a necessidade deste conteúdo nas escolas, ou por que ensinar este conteúdo ou ainda se a África tem história. Esse pensamento restrito é fruto de uma visão eurocêntrica que sempre esteve atrelada ao sistema 7 Dados encontrados no site do SECAD, verificar referência. educacional brasileiro que não contempla a pluralidade étnica e as características regionais que fazem parte da realidade brasileira. Percebemos que a falta de sensibilização com relação à importância do conteúdo defendido pela Lei, advém de vários setores, desde o diretor de uma escola até mesmo de um aluno, passando inclusive pelo educador e pelos pais dos alunos. De acordo com alguns relatos notamos que boa parte desta falta de compreensão para com o ensino deste conteúdo se encontra mascarado pelo preconceito racial. O Boletim Ebulição, que é uma publicação digital (www.controlesocial.org.br//boletim/ebul03/tem_verde_imp.html) sobre o tema, traz uma discussão interessante entre diretoras de escolas, que ilustra muito bem o preconceito no espaço escolar: fala de uma das diretoras “... Esses negros passaram pela escravidão, vivem na miséria até hoje e ainda estão aí; se começarem a ter espaço, daqui a pouco estão mandando no nosso país.” 8 Se ainda temos diretores de escolas com este tipo de pensamento podemos perceber o quanto se faz relevante o cumprimento desta Lei para que um dia talvez possamos enxergar na sociedade brasileira uma valorização real do afro-descendente, livre de qualquer tipo de preconceito racial. Oliveira (2007) relata que “Muitos professores de escola pública estão questionando a existência da Lei e afirmam que na sua escola não existe esse tipo de problema (práticas de racismo e preconceito)9 e em seguida falam que o tema sempre é abordado nas festas e datas comemorativas. Já nas escolas particulares a rejeição é justificada pela ausência de alunos negros nas instituições”.10 A partir deste relato notamos que a História e a cultura afro-brasileira não são temas valorizados e isso nos remete às idéias acima expostas sobre a visão que temos de mundo, impostas pela lógica européia. Será que este conteúdo deve ser abordado apenas quando se tem alunos negros em sala de aula? Ou ainda apenas em datas comemorativas? Não. Mesmo que não exista 8 Não há página porque foi uma fala encontrada em uma publicação virtual. 9 Grifo meu. 10 Não há página na citação de Oliveira porque foi retirada de uma publicação virtual. nenhum tipo de racismo nas escolas (o que acreditamos ainda não ser a situação no caso do Brasil), esta Lei deve entrar em vigor, porque este ensino independe da discriminação existente, ele vai além. Este conteúdo traz conhecimentos importantes acerca da identidade dos brasileiros, seja qual for sua cor/raça ou etnia. 1.2.3 Material didático referente à temática. A produção de material didático referentes ao tema é de fundamental importância, pois de acordo com pesquisas realizadas o livro didático não vem trazendo este conteúdo. Backes & Valentin (2007), dizem que ainda é comum nos livros didáticos, o povo africano aparecer em condições isoladas, de desvantagem, de inferioridade ou de submissão, construindo estereótipos no imaginário dos alunos. Santana (2004), ressalta em relação aos livros didáticos que: “Os mesmos continuam contemplando a questão africana como menor (...) a mais aberrante história contada nos livros didáticos se refere ao período desde o Brasil Colônia até a escravidão (...) é como se essa população que foi trazida da África na condição de escravos, sempre se conformasse com a escravidão (...) desmascarar este fato surte, no aluno, um efeito muito grande.” Com relação ao tema da escravidão Backes & Valentin (2007), colocam que, para tratar das questões étnico-raciais deve-se destacar que a escravidão sofrida pelos negros foi uma ação criminosa, indesculpável e injustificável. Devemos abolir, portanto, qualquer tipo de argumento que tente justificar essa ação seja ele por colonização ou até mesmo por natureza. Na opinião de Garcia (2003): “Os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital (...)”. 11 Ainda segundo o mesmo autor, as batalhas e lutas contemporâneas também devem ser retratadas nos livros. 11 Não há página na citação de Garcia porque foi retirada de uma publicação virtual. mais Soligo (2007), ao se referir ao livro didático diz que o mesmo representa para a criança a fonte de conhecimento valorizada pela sociedade, portanto a criança tende a acreditar em tudo que nele se encontra, passando a ver o seu conteúdo como verdade absoluta. Se o livro didático é um dos principais instrumentos de trabalho do professor e levando em consideração que ele também funciona como mediador entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento escolar e sabendo que o mesmo é utilizado largamente nas salas de aula da grande maioria das instituições de ensino do Brasil, não podemos fingir que o mesmo não tem poder sobre o saber. Portanto não devemos deixá-lo à parte do conteúdo defendido pela Lei 10.639/03. Diante destes posicionamentos com relação ao livro didático, notamos que o mesmo tem papel fundamental na construção da identidade e visão de mundo dos alunos, contudo acreditamos ser imprescindível que o conteúdo sobre a História e cultura afro-brasileira seja abordado nos mesmos, de modo a haver uma conscientização da amplitude de suas contribuições para a constituição da sociedade brasileira. 1.2.4 Acompanhamento por parte das instituições de ensino. Adami (2007), defende que a falta de fiscalização é a principal medida para que a Lei seja de fato cumprida e ressalta que o monitoramento deve ser realizado pela própria sociedade e principalmente pelo Movimento Negro. O mesmo autor defende ainda que encontrada alguma instituição que não esteja aplicando a Lei, ou seja, que não esteja contemplando os conteúdos defendidos pela mesma, a instituição deveria ser punida pelo Ministério Público. De fato, a fiscalização poderia ser um meio para se chegar à implantação da Lei nas escolas, entretanto acreditamos que esta é uma forma autoritária de se fazer cumprir a Lei e o ideal seria o apoio, juntamente com o acompanhamento e a avaliação na própria instituição, promovendo debates e trocas de idéias não só por parte dos docentes, mas de todos que compõem o âmbito escolar. Portanto a fiscalização poderia até ser realizada, mas pensamos que esta deveria ser a última ação a ser tomada, visto que a sensibilização para com a importância dos conteúdos, a capacitação dos docentes e a produção de materiais didáticos referentes ao tema, juntamente com o acompanhamento na própria instituição são medidas mais prementes que devem ser inicialmente supridas até porque, com todo esse suporte não existirão motivos pertinentes para que a Lei 10.639/03 não seja cumprida e a fiscalização não passará de uma simples confirmação. 2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Nossa pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa e quantitativa. De acordo com Minayo (1993), a pesquisa qualitativa requer o envolvimento do pesquisador com seu objeto de estudo onde o mesmo deverá deduzir e tirar conclusões a respeito desse estudo. Completando, as características da investigação qualitativa Bogdan & Biklen (1994), acrescentam que a ênfase da pesquisa se encontra no processo e não no produto. Na pesquisa levamos em conta também, a abordagem quantitativa, visto que foi levada em conta a quantidade de participantes e a freqüência das respostas dadas pelos sujeitos participantes. Dentro destas abordagens buscamos compreender a opinião dos docentes com relação à Lei 10.639/03 e suas repercussões, para isto utilizamos um questionário composto por perguntas que remeterão aos problemas encontrados na revisão de literatura para a implantação da Lei, comentados ao longo da pesquisa. Fizemos a análise de conteúdo por temas, que segundo Chizzotti (1998), objetiva compreender criticamente o sentido das comunicações e as significações explícitas ou ocultas, procurando reduzir o volume amplo de informações contidas na comunicação a algumas características particulares ou categorias conceituais que permitam passar dos elementos descritivos à interpretação. Sujeitos da pesquisa: ao todo responderam ao questionário 15 docentes da rede pública da cidade do Recife, sendo 9 escolas da rede estadual e 6 escolas da rede municipal, atuantes na Educação Fundamental, sendo 8 docentes da área de História e 7 de outras áreas do saber dentre estes 9 eram mulheres e 6 eram homens, com faixa etária entre 22 e 58 anos. As etapas, portanto foram as seguintes: • Aplicação dos questionários com os docentes que aconteceu da seguinte forma: chegamos às escolas e procuramos a coordenadora das instituições e conversamos com a mesma sobre a importância de obtermos as respostas dos questionários para a pesquisa. A coordenadora então, se encarregava de entregar os questionários aos docentes. A distribuição dos questionários foi feita em uma semana e na semana seguinte passamos nas escolas para recolher os questionários respondidos. Em muitas escolas os docentes não quiseram responder e por conta do tempo tivemos que ficar com os poucos questionários que conseguimos. • Interpretação das respostas contidas nos questionários dividindo as mesmas por categorias, onde tentamos agrupar as respostas semelhantes obtidas. Depois fizemos comparações entre as respostas dos docentes da área de História e os docentes das demais áreas do saber. Analisamos também a freqüência das respostas para obtermos a porcentagem das mesmas. • Análise crítica acerca dos resultados da pesquisa procurando refletir juntamente com o aporte teórico utilizado. 3. ANÁLISE DOS RESULTADOS Antes de darmos início a nossa análise dos dados, gostaríamos de ressaltar que os resultados obtidos são aproximados e que se por ventura a quantidade ultrapassar a porcentagem, é porque nestes casos observamos que um mesmo docente teve sua resposta enquadrada em mais de uma categoria. Criamos duas tabelas, uma com as respostas dos docentes da área de História e outra com as respostas dos docentes das demais áreas do saber que se encontram no Anexo um e dois deste artigo. No Anexo três encontra-se uma cópia do questionário que utilizamos para a pesquisa. - Com relação ao conhecimento da Lei 10.639/03, 88% dos docentes da área de História e 86% dos docentes das demais áreas afirmam conhecê-la. - Todos os docentes da área de História (100%) e 86% dos docentes das demais áreas concordam com a Lei. Apenas um docente da área de Ciências discorda, por conta da obrigatoriedade da mesma. De acordo com estes dados percebemos que a Lei esta sendo bem difundida e que os docentes estão conscientes da relevância da mesma. - As opiniões relativas à importância dos conteúdos são muito semelhantes, tanto para os docentes da área de História quanto para os docentes das demais áreas. Dentre as respostas, criamos as seguintes categorias, que são representadas com as falas dos docentes abaixo: • Conhecimento e valorização das nossas origens (49%) “Para o conhecimento, respeito e valorização de nossas origens.” Docente F. • Todo conhecimento é importante (35%) “Devemos abrir caminhos para novos conhecimentos.” Docente L. • Combate ou diminuição do preconceito (28%) “Porque a cultura afro faz parte das nossas tradições e é uma forma de combater o preconceito.” Docente D. • Contribuição dos afro-descendentes na formação do país (14%) “Para conhecermos a incontestável contribuição do povo negro no Brasil.” Docente G. Como vimos durante nossa revisão bibliográfica, a Lei 10.639/03 surgiu com o intuito principal de resgatar a contribuição dos afro-brasileiros na constituição do Brasil, assim como também para valorizar a História e cultura dos mesmos. O objetivo foi trazer auto-estima a esse povo criando assim uma nova identidade, baseada em suas lutas, seus heróis, seus costumes, entre outros. Podemos perceber isto na fala de alguns docentes acima. (F, G) Sabemos que por trás de tudo isso há o preconceito racial que acreditamos ter sido uma das principais razões para a existência da Lei. Souza (2007), afirma que a escola brasileira é também espaço onde o preconceito racial é encontrado cotidianamente. Não só em sala de aula, mas em toda a nossa sociedade, independente do status social, percebemos este fenômeno. Em uma pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo 89% dos brasileiros concordam que a sociedade é racista e apenas 10% admitem serem eles mesmos, racistas. Cavalleiro (2001), afirma que o “racismo no Brasil é um caso complexo e singular, pois ele se afirma por meio da sua própria negação.” (p.92). E de acordo com a mesma autora, o preconceito racial já se encontra na negação das tradições africanas e afro-brasileiras. Portanto, a negação da existência dos negros ou a sua desumanização, é a essência do racismo. Sendo assim, como o afro-brasileiro vai se identificar se não encontra na História nenhum personagem do qual o mesmo possa se espelhar para construir a sua própria identidade? Ou pior, quando há alguma representação nos livro sobre o afro-brasileiro, ela vem de forma negativa. Desta maneira, vemos que em alguns casos os próprios negros passam a querer buscar uma identificação com o padrão do “branqueamento” negando sua própria herança cultural, seus traços étnicos, etc. Isto porque como nos afirmam Araújo e Cardoso (2007), a História até então veiculada é contada a partir da visão do outro, de forma caricaturizada, deturpada e omissa, não revelando a real importância na formação da sociedade brasileira. De forma geral, é uma história em que os negros são percebidos como coadjuvantes, sem voz. Sendo assim, nós educadores devemos buscar desenvolver uma conscientização crítica em torno desse fenômeno do preconceito racial para então rompermos com essas atitudes não só no âmbito escolar. Como nos coloca Nieto in Cavalleiro (2001), uma educação realmente multicultural, legítima perpassa o âmbito escolar se encontrando presente em tudo. Para ele uma educação multicultural é como “uma filosofia, uma forma de ver o mundo, não simplesmente um programa, uma aula ou um professor.” (p.31). - As respostas relativas ao entendimento sobre História e cultura afro-brasileira também demonstram semelhanças nas respostas dos docentes, em geral. Entretanto notamos que as respostas dos docentes da área de História são mais elaboradas e específicas, enquanto que as respostas dos docentes das demais áreas são mais sucintas e abrangentes. Dentre todas as respostas criamos as seguintes categorias: • Contribuição dos afro-descendentes para a formação do Brasil (56%) “O resgate do povo negro nas áreas social, econômica e política na História do país.” Docente G. • O estudo das nossas origens (49%) “A História desse povo e seus descendentes, nossa História.” Docente A. • História e cultura oriundas da África (28%) “A História da formação e colonização no continente africano e o processo de exploração pelos colonizadores e a influência desse povo no Brasil.” Docente M. • Não respondeu (7%) Observamos também, que as respostas dadas pelos docentes com relação ao entendimento de História e cultura afro-brasileira são bastante semelhantes às respostas obtidas na primeira questão sobre a importância de se trabalhar este conteúdo em sala de aula. Para Cavalleiro (2001), um dos grandes dilemas com relação ao ensino deste conteúdo está na idéia de que a cultura africana é algo externo aos indivíduos de nossa sociedade, a mesma autora argumenta que: “... a cultura africana se apresenta restrita às danças, à música, ao futebol, à sensualidade da mulata, ao carnaval. Por fim, a cultura de tradição africana acaba se restringindo às datas comemorativas e às meras ‘contribuições’ para a formação da sociedade brasileira.” (p. 94). E para mudarmos a concepção de cultura citada acima, não basta querer, temos o dever de nos debruçarmos criticamente nas bibliografias que remetem a estes conteúdos para sabermos o que ensinar aos nossos alunos, para ultrapassarmos a idéia de cultura africana que citamos há pouco. Assim iremos compreender o significado e abrangência da cultura africana na construção e constituição da sociedade brasileira. - Apenas 25% dos docentes de História realizaram capacitação sobre o tema. Uma docente participou de um congresso realizado pela Prefeitura e a outra participou de um seminário de apresentação do Projeto “Valorizando a Negritude”. Já entre os docentes das demais áreas foi unânime a resposta de não ter participado de nenhuma capacitação sobre o tema. Através desta questão percebemos que muitos docentes não realizaram capacitação na área não obtendo, portanto um maior conhecimento em relação à temática. Diante desta situação acreditamos que deveríamos investir mais na formação deste profissional, capacitando não somente os docentes da área de História, mas todos, proporcionando uma conscientização da importância destes conteúdos. - Com relação ao ensino deste conteúdo há uma enorme divergência entre os docentes da área de História e os docentes das demais áreas. Enquanto 88% dos docentes de História afirmam realizar este ensino, 86% dos docentes das demais áreas do saber, afirmam que não realizam este ensino por vários motivos. Apenas uma docente de História não realiza o ensino e não explica o motivo. Interessante é que essa mesma docente afirma que o conteúdo é relevante e participou de uma capacitação sobre o tema. E só um docente da área de Português afirma realizar este ensino, mas o que nos chama a atenção é que este mesmo docente não responde à questão referente ao que se entende por História e cultura afro-brasileira, colocando como resposta a essa questão um ponto de interrogação.Dos vários motivos encontrados para a não realização do ensino, observamos: • Não leciono esta disciplina (21%) “Não realizo porque não leciono esta disciplina e pela falta de informação a respeito.” Docente M. • O assunto é pouco debatido (21%) “Não realizo porque esse assunto é pouco debatido.” Docente L. • Não explica (7%) A maioria dos docentes que não realizam este ensino é das demais áreas do saber e os mesmos não se sentem responsáveis por esse ensino. Colocam como justificativa o fato de não ensinarem História, entretanto, encontramos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de temas transversais o seguinte trecho: “Que se incluam como conteúdos as contribuições das diferentes culturas. Embora mais evidentemente ligados à História e Geografia, esses conteúdos referem-se também a Ciências Naturais (etnoconhecimentos), Língua Portuguesa (expressões regionais), Arte e Educação Física (expressões culturais).” (p.95). Ainda de acordo com o PCN de temas transversais é tarefa da sociedade como um todo superar preconceitos, combatendo atitudes discriminatórias, mudando assim as mentalidades que envolvem lidar com valores de reconhecimento e respeito mútuo. Então, para a aquisição do direito à cidadania e para a evolução do processo de reconstrução da identidade étnico-racial e sua auto-estima, faz-se necessário formar o docente para utilizar os materiais didáticos em sala de aula de uma maneira crítica, na intenção de desconstruir as ideologias, os preconceitos e os estereótipos que desumanizam e desqualificam determinados grupos sociais. Para fecharmos esta idéia, acreditamos que nos devemos “tornar negro” levando em consideração a idéia de Gonçalves e Silva (1996), de que como educadores devemos compreender que fazemos parte de uma população culturalmente afro-brasileira, portanto, é fundamental a valorização da criança negra, pois esta atitude demonstra preocupação com nossa própria identidade brasileira que tem sua raiz africana, e se não a assumimos, nos mantemos alienados dentro de nossa própria cultura. - De acordo com as respostas dos docentes o conteúdo referente a este tema é encontrado principalmente em: • Internet (35%) • Livros (35%) • CD´s e DVD´s (14%) • Parâmetro Curricular Nacional sobre temas transversais (7%) • Palestras (7%) • Relatos e casos ocorridos em salas de aula (7%) • Jornais e revistas (7%) De acordo com estas respostas vemos que os docentes encontram os materiais mais diversos para trabalhar os conteúdos relativos à História e cultura africana e afro-brasileira, utilizando até mesmo a fala dos alunos e casos ocorridos em sala de aula. Apenas dois docentes citam especificamente os livros que utilizam um cita um livro do historiador africano Joseph Ki-Zerbo que contava a História da África de forma positivista, e outro docente cita a utilização dos Parâmetros Curriculares Nacionais sobre temas transversais. Temos conhecimento sobre o Kit do projeto “A Cor da Cultura” que foi produzido pelo MEC juntamente com a Fundação Roberto Marinho, a SEPPIR (Secretaria Especial de políticas de Promoção da Igualdade Racial), a Petrobrás, a Rede Globo e a CIDAN (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro). O material é composto por três livros, um dicionário, um CD, um jogo e seis Dvd´s. Estes materiais tratam dos assuntos referentes ao tema História e cultura africana e afrobrasileira e ensinam como os docentes podem estar trabalhando esses assuntos com os alunos em sala de aula. Acreditamos que se os docentes da rede pública da cidade do Recife tivessem acesso a esse kit eles iriam conseguir abordar este assunto de forma mais plena. - Com relação a algum tipo de auxílio, acompanhamento ou avaliação por parte das instituições escolares houve unanimidade nas respostas de todos os docentes, ao responderem que não existia nenhum tipo de ação por parte das escolas com relação a este tema. Apenas uma docente da área de História, a mesma que realizou a capacitação, e não realiza este ensino, afirma que existe um auxílio do grupo de trabalho em educação das relações étnicoraciais quando solicitado. Os docentes que afirmam realizar este ensino o fazem de várias formas dentre as quais destacamos: • Pesquisa e trabalhos com conteúdos referentes ao tema (21%) “Através de trabalhos.” Docente P. • Trabalhando os conteúdos que retratam a origem do nosso povo (14%) “Com conteúdos que resgatem a origem do nosso povo.” Docente E. • Combate ao preconceito em sala de aula (14%) “Trabalhando os conteúdos e combatendo o preconceito.” Docente D. • Através de danças e peças teatrais (14%) “Com apresentações trabalhando a música a dança e o vestuário não apenas em datas comemorativas.” Docente F. • Relacionando os conteúdos com a vivência dos alunos (7%) “Relacionando os conteúdos com temas atuais.” Docente B. • Ensinando assuntos referentes à África (7%) “Mostro um pouco da África e da chegada dessa cultura no Brasil.” Docente H. Aqui, nas respostas desses docentes, podemos perceber que não há uma postura crítica no ensino com relação aos conteúdos que são trabalhados e é fundamental que exista essa postura para que o aluno possa assimilar o que aconteceu no passado de forma reflexiva, buscando procurar entender as causas dos acontecimentos. Devemos ir além dos textos. Uma alternativa para este ensino seria pesquisar quem foi e quem é, nos dias atuais, os personagens afro-brasileiros de destaque, desde pensadores até artistas, ou podemos mesmo partir da própria história de vida dos nossos alunos afro-brasileiros para trabalhar os conteúdos relacionados à história de seus antepassados. Pois sabemos que o conteúdo se torna significativo para o aluno quando o relacionamos com a realidade do aluno. Sendo assim ensinaremos aos nossos alunos a questionar a realidade de forma pro ativa, participando ativamente do processo de construção e produção de um novo conhecimento. Portanto, nós educadores, devemos sempre propiciar o diálogo entre as várias culturas e visões de mundo, pois desta forma estaremos dando a oportunidade aos nossos alunos de conhecer a riqueza cultural existente em nosso país e fora dele. Após cinco anos da Lei 10.639/03 ter entrado em vigor já existe uma mudança de mentalidade e de visão, de forma geral as pesquisas mostram que já existem mais livros didáticos que retratam o tema, mais capacitações e, portanto mais docentes preparados, afirma Lot (2007). Entretanto ainda há muito que se fazer. E como percebemos em nossa pesquisa a realização deste ensino ainda fica a desejar, pois muitos docentes acreditam que não é de sua responsabilidade e observamos também que o ensino que preze por pesquisa e discussão de textos que abordam o conteúdo defendido pela Lei é pouco relatado. Para Cavalleiro (2001), é essencial a revisão dos currículos escolares para que a Lei entre em vigor. Silva (2001) retrata que “o currículo é sem dúvida, entre outras coisas, um texto racial.” Por isso devemos “arregaçar as mangas” e buscarmos o rompimento com o modelo hegemônico e de cunho eurocêntrico que permeia o currículo escolar em busca desta nova visão de respeito às diferentes culturas que compõem a sociedade brasileira. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nossa pesquisa buscou compreender se as opiniões dos docentes estavam condizentes com o que a Lei defende procurando entender também as repercussões da mesma. Percebemos que apesar de os docentes afirmarem conhecer a Lei saberem de sua importância e compreenderem de certa forma o conteúdo que deve ser trabalhado, o ensino sobre esta temática ainda fica a desejar. Portanto, não podemos falar em cumprimento da Lei 10.639/03, enquanto não encontrarmos em salas de aulas, docentes preparados com conhecimentos suficientes para abordar os assuntos retratados na Lei e material que aborde o tema. É imprescindível pensarmos na formação inicial e continuada destes docentes. Acreditamos ser da responsabilidade das Secretarias de Educação, assim como das Universidades e das escolas privadas, a preparação dos docentes com treinamentos, capacitações e elaboração de material didático para alcançarmos o ideal de ensino referente à História e cultura africana e afro-brasileira. A articulação entre a formação dos docentes e a temática em questão deve ser compreendida de forma positiva, como um aprimoramento na sua competência pedagógica e não de forma negativa, como um problema a ser enfrentado, devemos, portanto, buscar este conhecimento pensando no nosso crescimento pessoal e profissional, percebendo assim a real importância que estes conhecimentos têm para a nação brasileira como um todo. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMI, Humberto. Principais enfrentamentos na aplicação da lei. Ebulição Virtual nº. 03. Ação Educativa 10 Anos. Disponível em: <http://www.controlesocial.org.br/boletim/ebul03/tem_verde_imp.html>. Acesso em: 05.12.2007. ARAÚJO, Joel de, CARDOSO, Patrycia de Rezende. Alforria curricular através da Lei 10.639. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/030/30caraujo.htm>. Acesso em: 28.11.2007. BACKES, José Licínio, VALENTIM, Rute Martins. A lei 10.639/03 e a educação étnico-cultural/racial: reflexões sobre novos sentidos na escola. Disponível em: <http://www.neppi.org/anais/textos/pdf/lei_10639.pdf>. Acesso em: 06.12.2007. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: 70, 1979. BOGDAN, Robert, BICKLEN, Sari. Investigação Qualitativa em Educação. Portugal: Porto, 1994. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural, orientação sexual. Temas Transversais. Secretaria de Educação Fundamental-Brasília: MEC/ SEF, 1997. ______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. Secretaria de Educação Fundamental-Brasília: MEC/SEF, 1997. CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Selo Negro, 2001. CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisas em ciências humanas e sociais. 3º ed. São Paulo: Cortez, 1998. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. FERREIRA, Ricardo Franklin. Afro-descendente: Identidade em construção. Rio de Janeiro: Pallas, 2000. GARCIA, Antonia. In: DIAS, Suzana. Dia da consciência negra retrata disputa pela memória histórica. 10.11.2003. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/negros/03shtml>. Acesso em: 22.11.2007. GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: Uma breve discussão. In: Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal nº. 10.639/03. Brasília: MEC/SECAD, 2005. GONÇALVES, Luciane R. Dias, SILVA, Maria Vieira da. A Formação de Professores e o Multiculturalismo: Desafio para uma pedagogia da equidade. Disponível em: <http://www.rizoma.ufsc.br/html/900-of109-st2.htm>. Acesso em: 03.04.2008. LOT, Daniela. Um outro modelo civilizador. Disponível em: <http://comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=34&id=407>. Acesso em: 25.02.2008. MAIA, Ivanir. In: DIAS, Suzana. Dia da consciência negra retrata disputa pela memória histórica. 10.11.2003. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml>. Acesso em: 22.11.2007. MINAYO, Maria C. Souza. O Desafio do Conhecimento. São Paulo: Hucitec, 1993. NIETO, S. Affirming diversity:The sociopolitical contex of multicultural aducation. In:CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Selo Negro, 2001. OLIVEIRA, Rachel. Principais enfrentamentos na aplicação da lei. Ebulição virtual nº. 03. Ação Educativa 10 anos. Disponível em: <http://www.controlesocial.org.br//boletim/ebul03/tem_verde_imp.html>. Acesso em: 05.12.07. PROJETO de lei nº. 4530, de 2004. Da Comissão Especial de Políticas Públicas para a Juventude e dá outras providências. Disponível em: <http://www.soudeatitude.org.br/edelei/juventude/pnj.doc>. Acesso em: 22.11.2007. SANTANA, Arany. Consciência Negra - Arany Santana explica o que muda com a inclusão da história e cultura afro-brasileira nos currículos. Secretaria de educação do Estado da Bahia. 21.12.2004. Disponível em: <http://www.sec.ba.gov.br/entrevistas/entrevista5.htm>. Acesso em: 22.10.2007. SECAD-diversidade. Fóruns estaduais. Educação e Diversidade Étnico-Racial. Disponível em: <http://www.diversidade.mec.gov.br/sdm/publicacao/engine.wsp?tmp.area=4>. Acesso em: 05.11.2007. SILVA, Ana Célia da. Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático. In: GONÇALVES, Luciane Ribeiro Dias, SILVA, Maria Vieira da.A formação de professores e o multiculturalismo: desafio para uma pedagogia da equidade. Disponível em: <http://www.rizoma.ufsc.br/html/900-of10a-st2.htm>. Acesso em: 23.11.2007. SILVA, Marilene. O Ensino de História da África e cultura afro-brasileira em Goiânia. In: GONÇALVES, P. OLIVEIRA, I. PINTO, R. (org.). Negro e Educação. Escola, identidades, cultura e políticas públicas. São Paulo: Ação Educativa, ANPEd, 2005. SOLIGO, Ângela. O que estão ensinando as nossas crianças. Revista Época. São Paulo, Ed. 492 nº. 25 de outubro de 2007. SOUZA, Maria H. Viana. Construção da identidade dos alunos negros e afrodescendentes: alguns aspectos. UNIRIO GT: afro-brasileiros e educação nº. 21. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/28/textos/gt21/gt211276int.rtf>. Acesso em: 13.10.2007. TAYLOR, Charles. El multiculturalismo y “lá política del reconocimiento”. México: Fondo de Cultura Econômica, 1993 p. 44. TURRA, Cleuza, VENTURI, Gustavo. Racismo cordial. Data Folha. São Paulo: Ática 1995, p. 13. VARAL de idéias. Cultura afro nas escolas. Jornal da cidadania nº. 115. Fevereiro de 2003. Disponível em: <http://www.ibase.br/modules.php?name=conteudo&pid=807>. Acesso em: 14.10.2007. VIANNA, Guaraci de Campos. Boletim jurídico n; 23. Junho de 2007. Escolas do Rio de Janeiro devem incluir na grade curricular história afro. Disponível em: <http://www.sinepe-sc.org.br/boletim/BJ_23_portal_jun2007.pdf> Acesso em: 22.11.2007. ZAMPARONI, Valdemir. Desconhecimento cria idéia de uma “só África.” 10.11.2003. Disponível em: <http://www.pps.org.br/arquivo_acesse/negros/desconhecimento_uma_so_afric a.doc >. Acesso em: 16.10.2007. ANEXO 1 Respostas dos questionários dos docentes da área de História: Caracterização Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Homem Homem 50 anos 24 anos 44 anos 58 anos 46 anos 41 anos 50 anos 22 anos Escola Escola Escola Escola Escola Escola Escola Escola Municipal Estadual Municipal Municipal Estadual Estadual Estadual Estadual Conhecimento: Sim. Sim. Sim. Não. Sim. Sim. Sim. Sim. Concordância: Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Importância: Sim, porque o Sim, para Sim, porque Sim, Sim, Entendimento: conhecimento alçar a voz de debater sobre a a cultura afro para conhecimento conhecermo formação Realização e uma “minoria” nossa s alunos do ensino: valorização silenciada por identidade das origens muito tempo. fortalecer A O cultura história para percurso Sim, para o para para a dos faz parte de inovar na respeito nossas educaçã valorização incontestável diminuição a tradições e é o. das contribuição preconceito. uma Estudo origens. do povo Conhecimento da de combater de Características negro no história e cultura forma nossas a Sim, e afro- e Sim, e do desse povo e realizado brasileira. seus pelos Resgate o nossas relacionadas Brasil. descendentes, descendentes lutas históricas preconceito. origens. aos Resgate nossa história. africanos dos Conhecer Sim. descendentes povo Sim. Brasil. descendentes participação Com dos africanos. na conteúdo Sim. social, Sim. mostro um s que apresentações econômica e pouco da áfrica e economia, resgatem trabalhando a política da chegada dessa religião, a origem música a país. hábito... do nosso dança o Sim. Sim. povo. Com pesquisas e no das afro- Sim. em nosso país. desse peças Relacionando Não, na teatrais os conteúdos explica. com não temas atuais. a povo nossa Com e oriunda da áfrica e do negro área do vestuário não Debatendo apenas sobre os conteúdos datas consciência e comemorativa de que todos combatendo s. somos o ela é praticada hoje no Brasil. cultura no Brasil Trabalhando em como a iguais. preconceito. Capacitação: Não. Sim. Sim. Seminário Não. Onde encontra o Na internet e Congresso de História conteúdo: nos livros. realizado pela apresentação Auxílio, Não. PCR. do acompanhamento Livros, e avaliação internet nas instituições: Projeto valorizando e a Não. Não. Internet, O Brasil, jornais, temas pesquisas. outros africanistas internet, revistas transversais, Não. conseguidos e livros. letras Não. música, DVD´s da UFRPE. e Não. relato do dos negritude. alunos palestras. Isento. casos Não. Auxilio do grupo sala de aula. diversos. de trabalho em Não. Não. educação das relações étnicoraciais quando solicitado. e Não. PCN em de de textos Através Não. de Joseph Ki-Zerbo e biblioteca na central ANEXO 2 Respostas dos questionários dos docentes das demais áreas: Caracterização: Licenciatura em matemática Mulher 39 anos Escola Municipal Pós-graduação em Licenciatura Licenciatura Licenciatura Licenciatura Licenciatura em ciências em ciências em ciências em em letras letras Mulher Mulher Homem geografia Homem Homem 42 anos 46 anos Escola 48 Homem 42 anos 38 anos Escola Municipal Estadual Escola 30 anos Escola Escola Estadual Estadual Escola Municipal anos Estadual Conhecimento: Sim Sim. Não. Sim Sim. Sim. Sim. Concordância: Sim Não. Sim. Sim. Sim. Sim. Sim Importância: Sim, Sim, devemos Sim, porque Sim, devido Sim, Entendimento: qualquer abrir caminhos devem ser a formação desmistificar um crescimento Realização do ensino: que contribua para o importante para ministrados étnico- idéias sobre o moral. entendimento discordo com o fato conhecimentos no âmbito de cultural negro e sua Não respondeu. da lei obrigar. . todo nossa participação Sim através de O que é herdado, O estudo dos currículo nação. na formação trabalhos. Contribuições para a exemplo: a música negros e sua escolar. Relação do povo formação e a dança. cultura. A história da direta com brasileiro. Não, não explica. Não. formação nossos É hábitos partir da visão porque nossas conteúdo origens de é essencial. dos povos. Não. Porque Sim, acho o conteúdo é mas novos Porque o e da para contar a esse assunto é colonização citada apenas em pouco no continente cotidianos. do temas debatido. africano, o Não. Por suas origens, processo de falta de sua religião... transversais em matemática negro exploração instrução Não pelos por parte da ensino colonizadores Porque escola. Português e e a influência inglês e este desse conteúdo povo no Brasil. pertence à Não. Porque categoria de não assuntos leciono esta disciplina Sim, porque há diversificados. e pela falta de informação a respeito. Capacitação: Onde encontra o conteúdo: Auxílio, acompanhamento avaliação instituições: Não. Não. Não Não. Não. Não. Não. Isento. Isento. Isento. Isento. Isento. Isento. Internet, CD e Não. Não. Não. Não. Não. Não. DVD. Não. e nas ANEXO 3 Questionário. Formação: Idade: Sexo: ( ) feminino ( )masculino Instituição onde ensina: Você já ouviu falar da Lei 10.639/03? SIM ( ) NÃO ( ) Você concorda com ela? SIM ( ) NÃO ( ) Você acha que é importante trabalhar este conteúdo na escola? Por quê? SIM ( ) NÃO ( ) O que você entende por História e cultura afro-brasileira? Você recebeu ou fez alguma capacitação sobre este conteúdo? Qual? SIM ( ) NÃO ( ) Você tem realizado o ensino deste conteúdo? SIM ( ) Explique como. NÃO ( ) Por que? Obs: Se você respondeu não na pergunta anterior não precisa responder a próxima questão. Onde você tem encontrado estes conteúdos? Que materiais você utiliza para preparar estas aulas? Existe na sua escola alguma coordenação de área que auxilie os professores na aplicação da lei? Existe algum mecanismo de acompanhamento e avaliação desta aplicação? Se sim, quais são?