Ano 4 - Número 34 - R$ 7,00
ConVisão
ISSN 1982-8381
Vinho&Cia
Festival de vinhos em nova descoberta
Descobrimos mais um restaurante
imperdível no Sul: confira as criações
do Chef José Forte com vinhos
O Que Beber
Dicas de custo-benefício para rechear a adega
Vinhos que provamos antes para você beber melhor
Tudo do Vinho
Vinhos brasileiros de olhos bem puxados
Piet Dreyer, o sul-africano rei das lulas
Vinhos bons e baratos
Brasil do Vinho
A cozinha tailandesa do Nam Thai com vinhos
O que acontece na Cidade Maravilhosa
Um novo caminho em Porto Alegre
Linguado em creme macerado
de pitanga, abacaxi, cachaça
e pimenta, do chef José Forte,
acompanhado de Núbio Rosé
Em Boa Cia
Para onde vamos? Para a montanha?
Beniamino Gigli e Marchesi di Barolo
Ted Bebedor investiga o grampo
Merlot & Bufê diferenciado: que rótulos harmonizam melhor
2
Vinho&Cia - No. 34
São Joaquim, Santa Catarina, a mais de 1300m de altitude
Deixando o preconceito de lado,
a gente descobre o que a altitude faz por um rosé
Núbio Rosé
No mundo não existe nada igual
Fora do convencional, o Núbio Rosé Cabernet Sauvignon
é encorpado e seco, e tem uma acidez que instiga o paladar.
Já recebeu várias medalhas em degustações promovidas pelo
Vinho&Cia e foi o mais elogiado por jornalistas e profissionais
em jantar do projeto Harmonizando o Terroir.
É produzido com uvas plantadas em até 1300m de altitude,
na fria cidade de São Joaquim, num terroir que muitos enólogos
do mundo invejam e que faz toda a diferença para um rosé.
Sem preconceito, no mundo não existe nada igual.
Aprecie com moderação
SANJO: (49) 3233-0012, [email protected], www.sanjo.com.br, São Joaquim, SC
Vinho & Cia - No. 34
3
Aperitivo
Justiça,
Vinho&Cia
Ano 4 - Número 34
nacionais e importados
U
ma das coisas de que o
país mais precisa hoje
é Justiça. A grande imprensa ataca os erros do Executivo e do Legislativo, alvos fáceis,
porém a Justiça está aí, sempre
intocada. Processos demoram
anos e anos para serem julgados,
e os membros do Judiciário se
manifestam em geral dizendo
que o problema não é com eles.
Essa falta de Justiça gera a cada
dia mais injustiças e uma sociedade cada vez menos ética.
Quem age corretamente fica com
cara de otário, presa fácil para
aqueles que se aproveitam da
falta de Justiça com o objetivo
de ganhar com atividades ilegais
ou antiéticas. E os legisladores
respondem muitas vezes às injustiças com novas leis radicais,
que jogam na nossa cabeça um
samba do crioulo doido, que nos
obriga a buscar algumas explicações, como, por exemplo, por
que quem tomou uma taça de
vinho e dirigiu pode ter punição
maior do que alguém que fumou
cocaína.
Por questão de justiça, no sul
do país os produtores protestam
há algum tempo contra certas
situações do vinho nacional.
Colocam-se em confronto com
os importados. Isso poderia ser
evitado se fossem considerados
quatro pontos. 1- Parte da produção brasileira evoluiu muito
nos últimos anos em termos de
qualidade, e essa parcela é a que
enfrenta hoje menos dificuldades.
2- A evolução do mercado brasileiro de vinhos, em qualidade e
quantidade, ocorreu pela presença
dos importados. 3- No mundo
moderno, há que se ter condições
competitivas equilibradas entre
nacionais e importados, e não
buscar benesses de governo ou
restrições de mercado. 4- O contrabando destrói o mercado nacional e de importados. Se ambos os
lados considerarem esses pontos
e rumarem juntos em soluções
coerentes, é provável que todos
ganhem, principalmente nós
consumidores. Por uma questão
de justiça.
Vinho & Saúde
É verdade que...
uma taça de vinho deixa uma pessoa
incapaz de dirigir com segurança?
Com essa dose de vinho, sob
o ponto de vista fisiológico, a
maioria das pessoas não teria
comprometida a sua coordenação
e capacidade de decidir e, portanto, de dirigir. Somente pessoas
que têm baixo peso corporal e
constituição gênica incomum poderiam ter algum problema. Mas
a Lei 11705 pune rigorosamente
quem assim for flagrado. É louvável a intenção dessa lei: punir
exemplarmente quem dirige embriagado. Mas se deve indagar se
é boa uma lei que permite quem
não cometeu qualquer delito ser
punido duramente.
4
Regis Gehlen Oliveira
Publicação
ConVisão
Al. Araguaia, 933, 8o. and.
Alphaville
06455-000, Barueri, SP
Colaboradores
Regis Gehlen Oliveira, editor
Vinho Tinta
Editor
Adriana Bonilha
Andréa Pio
Beto Acherboim
Carla Maicá
Carlos Arruda
Carlos Raimundo Paviani
Cesar Adames
Custódio (cartum)
Daniela Zandonadi
Denise Cavalcante
Didú Russo
Estevam Norio Ito (fotos em SP)
Euclides Penedo Borges
Fernando Quartim
Jaqueline Barroso
Jairo Monson
Jorge Monti
José Ivan Santos
Maria Amélia
Oscar Daudt
Samuel de Souza (estagiário)
Sérgio Inglez de Souza
Walter Tommasi
Assinaturas/Propaganda
(11) 4192-2120
[email protected]
Vinho & Cia é uma publicação da
ConVisão relativa ao segmento de
vinhos e suas companhias naturais,
como gastronomia, restaurantes,
prazer, conhecimento, viagens e outras. Circula principalmente em São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais
e Rio Grande do Sul, nos principais
restaurantes e lojas especializadas.
Pode ser adquirido por assinaturas
ou em bancas selecionadas.
Jairo Monson
Médico e escritor
[email protected]
Os artigos e comentários assinados não refletem
necessariamente a opinião da editoria.
A menção de qualquer nome neste veículo não
significa relação trabalhista ou vínculo contratual
remunerado.
Vinho&Cia - No. 34
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& T U F Ï P SF T V M U B E P E F F Y U F O T B T Q F T R V J T B T F E P E F T F O WP M W J N F O U P E F O P W B T U F D O P M P H J B T
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R V F F Y Q S F T T B N D P N Q F S G F J Î Í P B T D B S B D U F S Ó T U J D B T E P T E J G F S F O U F T U F S S P J S T E P # S B T J M XXXWJOIPTEPCSBTJMDPNCS
" 1 3 & $ * & $0 . . 0 % & 3 "± °0
Vinho & Cia - No. 34
5
O Que Beber
Recheie
a sua adega
“
Aqui estão indicações para se ter
em casa um bom conjunto de vinhos
com ótimo custo-benefício
Siga o sentido da seta para a melhor escolha
pratos mais leves
pratos mais consistentes
Vinhos tintos (temperatura de serviço preferencialmente entre 14oC a 200C)
Mais adequados a carnes, queijos consistentes e massas mais condimentadas
Tricyclo
Cabernet, Franc 04 (R$46)
Sommelier: (54) 3024-0751
Panizzon
Montepulciano 06 (R$12)
Panizzon: (54) 3297-5111
Traversa
Cabernet Sauvignon 06 (R$24)
Traversa: (11) 8303-1881
Salton Volpi
Merlot 06 (R$23)
Nobrese
Cabernet Sauvignon 05 (R$25)
Salton: (11) 2281-3300
Villagio Grando
Merlot 06 (R$56)
Villagio Grando: (49) 3563-1188
Suzin
Merlot 05 (R$49)
Sanjo: (49) 3233-0012
Don Diego
Roble Syrah 06 (R$52)
SP Gourmet: (11) 3375-9576
Carinae Reserva
Cabernet Sauvignon 04 (R$53)
Suzin: (21) 3371-3749
Volantis: (21) 2223-0211
Vinhos brancos e rosés (temperatura de serviço preferencialmente entre 8 a 140C)
Mais adequados a peixes, frango, porco, queijos delicados e massas mais leves
Dom Robertto
Chardonnay 07 (R$45)
Dom Robertto: (55) 3028-0800
Adega Avant Garde 90,
da Art des Caves
Santa Ema Gran Reserva
Chardonnay 06 (R$51)
Vinoteca: (41) 3373-3444
Vinhos espumantes (temperatura de serviço preferencialmente entre 5oC a 80C)
Mais adequados a aperitivos (os do tipo brut) e a sobremesas (os dos tipos demi-séc e Moscatel)
Espumantes estupidamente gelados?
Estúpida é a idéia. Próxima à temperatura de congelamento,
a bebida perde praticamente todos os seus aromas e produz a
sensação de ser mais ácida do que é. Para aproveitar o máximo
de um espumante, o melhor é servir entre 5oC e 8oC.
Estrelas do Brasil
Rosé Pinot Noir (R$32)
Estrelas do Brasil: (54) 3455-8103
6
Cave Geisse
Nature (R$42)
Cave de Amadeu: (54) 3455-7461
Oremus
Moscatel (R$19)
Fante: (54) 3292-3000
Vinho&Cia - No. 34
QUALIDADE E TRADIÇÃO DESDE 1647
Cava Cristalino é um espumante espanhol reconhecido mundialmente e ganhador de prêmios internacionais durante estes anos
Wine Spirits, 91 pontos: um espumante sofisticado
Wine Cellar, Stephen Tanzers: extraordinário espumante pelo preço
The New York Times: melhor borbulha e compra
CAVA É CRISTALINO
[email protected] www.vinotecabrasil.com.br (41) 3373-3444
Vinho & Cia - No. 34
7
O Que Beber
Provamos antes
para você beber melhor
“
Entre os inúmeros produtos no mercado, aqui
estão rótulos selecionados considerando ótimo
benefício dentro de cada categoria de preço
No seu lugar
A uva Cabernet Franc foi
uma das mais plantadas
no país há alguns anos.
Depois outras castas
internacionais tomaram
o lugar. Mas o Do Lugar
mostra que essa uva tem
o seu lugar. Um vinho
bem feito pelo enólogo
Dirceu Scottá. Delicioso,
ótimo custo-benefício
por R$20.
Dal Pizzol:
(11) 3743-4851
Conceito top
É emblemático para o
Brasil o nascimento e a
evolução de uma vinícola concebida com o
conceito de produzir
apenas vinhos de elevada
qualidade. Ainda mais
considerando a implantação em uma região nova.
A Villa Francioni, de São
Joaquim, assim, é emblemática, e a consistência
dos seus produtos nos faz
enxergar um belo futuro,
refletido no presente no
seu tinto top, certamente
entre os melhores no
mercado nacional na
faixa de preço. R$ 98.
Villa Francioni:
(49) 3233-2451
8
Branco
para as nuvens
Há momentos em que
você pode querer ir aos
céus, flutuar em nuvens.
Para eles um vinho
sublime é o Nicolas Potel
Chassagne-Montrachet
Premier Cru 2005. Simplesmente super seco,
redondo, aromático e elegante. O bolso pode pesar,
mas você não vai querer
sair das nuvens. R$ 435.
Premium:
(31) 3282-1588
Vertical
Uma degustação vertical,
com garrafas de safras
diferentes de um mesmo
rótulo, serve para percepção das nunces de cada
ano de produção e da
evolução de um vinho.
Provamos 5 anos distintos do Special Blend
e percebemos o quanto
cresce em qualidade o top
da Bodega Del Fin Del
Mundo. Num momento
especial, tente você a
safra de 2005. Divina!
R$185.
Reloco: (21) 2215-8055
Consistência
Vinho&Cia foi o primeiro da imprensa especializada a mostrar a qualidade dos espumantes
da Estrelas do Brasil. A
dupla de enólogos Irineo
Dall’Agnol e Alejandro
Cardozo capricha no
assunto. Prove o Brut e
comprove você mesmo a
consistência por apenas
R$32 nas lojas.
Estrelas do Brasil:
(54) 3455-8103
Vinho&Cia - No. 34
Vinho & Cia - No. 34
9
Vinho está na moda
e a gente faz o estilo
Vinho&Cia
10
Vinho&Cia - No. 34
Harmonizando o Terroir
Merlot & Bufê
o que harmoniza melhor
“
Com o bufê diferenciado do Ráscal Itaim, foram provados 5 Merlot nacionais e importados de diversos terroirs.
Confira as dicas dos vinhos que combinam melhor, feitos com a segunda uva tinta mais vendida no mundo.
V
inho & Cia colocou o seguinte
desafio a um grupo de profissionais reunidos no Ráscal Itaim,
em São Paulo: provar às cegas 5 vinhos
Merlot – sem nenhuma pista de terroir
de origem e de qualidade dos vinhos –,
identificar as diferenças entre eles e descobrir quais harmonizariam melhor com a
diversidade de pratos do bufê diferenciado
do restaurante.
Uma primeira rodada de vinhos foi
servida, para serem provados de modo puro,
sem acompanhamento de comida, em contato direto entre o apreciador e o rótulo.
Vinho&Cia - No. 34
Em seguida, os convidados fizeram
seus pratos em sistema self service, com
antipastos de saladas e frios, momento em
que as diferenças entre as harmonizações
começaram a ser sentidas.
Os participantes passaram na seqüência
a pratos quentes com massas do bufê, e
a finalização foi com um Lombo de
Cordeiro acompanhado de Risoto de
Shitake e Shimeji, um dos pratos do dia
do Ráscal.
Considerando essa diversidade de
sabores, típica dos consumidores frente a
um restaurante de comida rápida com bufê
diferenciado, foi feita uma enquete com
as opiniões sobre os vinhos e as harmonizações, ainda sem identificar os vinhos.
Somente após serem computados todos os
votos dos participantes foram revelados os
vinhos e os resultados.
Entraram na degustação três vinhos nacionais exclusivos de Merlot (Salton Volpi
Merlot e Salton Desejo, representando o
terroir da Serra Gaúcha, e Villagio Grando
Merlot, de altitude de Santa Catarina) e
dois vinhos estrangeiros (Santa Ema Gran
Reserva Merlot, do Chile, e Jean Bousquet
Merlot, da Argentina).
A maioria dos degustadores elegeu
o Salton Desejo como o melhor vinho
provado puro, seguido na preferência pelo
Villaggio Grando Merlot. Considerando o
conjunto de harmonizações com a variedade do bufê e dos pratos, essa preferência
se inverteu: o Villaggio Grando foi considerado o melhor pela maioria.
Nas próximas páginas, acompanhe o
que os participantes sentiram e conheça
mais sobre os vinhos e as vinícolas em
destaque, além de detalhes sobre o palco da experiência, o restaurante Ráscal
Itaim.
11
Harmonizando o Terroir
Merlot no Ráscal: o que foi melhor
Jane Levy,
Pizzaria Prestíssimo
Ficou claro na prova às
cegas que a diferença de
qualidade entre os brasileiros e os argentinos e
chilenos está diminuindo.
Os vinhos nacionais de
Merlot ficaram muito
bons nas harmonizações
com os pratos do bufê do
Ráscal.
Ana Clara Carvalho,
Forneria San Paolo
O Salton Desejo é muito
interessante no nariz e
também muito sedutor.
O Volpi me surpreendeu,
mas o melhor mesmo, o
mais elegante, foi o Villaggio Grando Merlot, o
que melhor harmonizou
com os pratos.
Sérgio Inglez,
colunista
Eu sabia que o primeiro
vinho era nacional, mas
não sabia com precisão
quem era o produtor.
Não me assustei quando
revelaram ser o Villaggio Grando, o melhor nas
harmonizações, afinal é
um grande produtor. O
Salton Desejo também foi
excelente.
Álvaro Galvão,
Divino Guia
Surpresa ficou por conta
do Jean Bousquet em
todas as harmonizações.
Pensei que fosse do
Velho Mundo, mas não
deixa de ser, já que é
um argentino feito por
franceses.
12
Fernando Quartim,
colunista
O Villaggio Grando é o
campeão das harmonizações com o pratos do
Ráscal, o que combinou
de forma geral com os
pratos. E a surpresa
é saber que o vinho é
nacional.
Vicente de Paula,
do Hotel Villa Rossa
Todos os vinhos provados foram bons, mas o
Villaggio Grando Merlot
foi o melhor em todos os
aspectos, provado puro e
no conjunto das harmonizações
Dulce Martinez,
restaurante Le Foyer
De forma geral o chileno
Santa Ema foi o que mais
me agradou em todas as
harmonizações.
Didú Russo,
colunista
O Villaggio Grando surpreendeu pela evolução,
parecia ser mais velho.
Muito bom com os pratos
do bufê do Ráscal, especialmente com cordeiro
e pato.
Ralph Schaffa,
restaurante Nam Thai
Merlot vai muito bem
com um bufê variado de
antipastos e com cordeiro. O Villaggio Grando
foi o melhor no conjunto
das harmonizações. É
muito mineral, bem forte.
Cristina Barbosa,
Piccola Forneria e ABS
As duas surpresas foram
o Villagio Grando e
o Salton Desejo, que
seguraram muito bem os
pratos. O abacaxi na entrada também foi muito
certo com o Salton Volpi.
O Santa Ema é bom, eu
gosto, mas os nacionais
foram melhores com o
bufê do Ráscal.
Francisco Feitosa,
Equipotel
O Salton Desejo surpreendeu. Foi o melhor
para harmonizar, o mais
equilibrado. O Jean
Bousquet foi bem com os
pratos frios, pois é muito
complexo.
Armando Bisogni,
sommelier
O argentino Jean Bousquet foi a surpresa, pois
harmonizou bem com os
pratos leves, mas o Salton
Desejo foi o grande destaque, o mais harmônico
com o cordeiro do Ráscal.
Vinho & Cia - No. 34
Harmonizando o Terroir
Os vinhos de Merlot em destaque
“
O novo terroir do Villaggio Grando
“
O Desejo já famoso da Salton
A
C
pós análises e estudos dos solos
da região de Herciliópolis no
município de Água Doce, em
Santa Catarina, Maurício Carlos Grando
e seu amigo, o enólogo francês Jean Pierre
Rosier, colocaram em prática o projeto de
cultivarem uvas que fossem capazes de
produzir excelentes vinhos a partir de vinhedos em altitude de cerca de 1300m.
As primeiras mudas foram trazidas da
França no fim da década de 90, e hoje, a
vinícola mantém um centro de pesquisas
reconhecido internacionalmente, com
mais de 80 variedades de vitis viniferas
em 2 hectares, que são controladas para
que seja feito um trabalho correto de
adaptação das uvas ao terroir.
Dos 52 hectares de produção da vinícola, surge o fino Villagio Grando Merlot,
um vinho brilhante de cor rubi intenso com
reflexos violáceos, cujo bouquet parte de
frutas vermelhas. Um vinho jovem, mas
com características fortes, com equilíbrio
harmônico entre álcool (13,9%), tanino e
acidez. Um rótulo que pode ser apreciado desde já, mas que segundo o enólogo
atingirá o seu ponto exato de qualidade
dentro de alguns anos.
Vinho&Cia - No. 34
om mais de nove décadas de produção, a família Salton tem entre
sua vasta variedade de rótulos o
Volpi Merlot, de coloração roxa intensa e
toques de frutas vermelhas, um rótulo de
categoria reserva reconhecido como um
dos melhores custo-benefício no mercado brasileiro. Mais cinco tipos de vinhos
completam a linha Volpi, sendo eles: Brut
Reserva Ouro, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Chardonnay e Pinot Noir.
Villaggio Grando Merlot,
equilíbrio harmônico
entre álcool (13,9%),
tanino e acidez. Um
rótulo que pode ser
apreciado desde já, mas
que atingirá o seu ponto
exato de qualidade dentro
de alguns anos.
Villaggio Grando:
(49) 3563-1188
Salton Premium
Desejo, de um roxo
violáceo, com aromas
complexos de baunilha
e outros ingredientes,
que resultam em um
sabor prolongado e
inconfundível.
Salton:
(11) 2281-3300
O elegante Salton Premium Desejo, ao
lado do Salton Talento, é um vinho top da
vinícola, que já recebeu diversas premiações
e tem sido muito reconhecido pela crítica
especializada. São dignos de representar o
Brasil em qualquer confronto com vinhos
estrangeiros na mesma faixa de preço.
A vinícola, localizada no extremo sul
do país, no distrito de Tuiuty, em Bento
Gonçalves, Rio Grande do Sul, conta com
70 hectares diversificados, em altitude de
cerca de 600m acima do nível do mar. As
instalações de produção contam com o
que há de mais moderno em aparelhagem
enológica e com laboratório de controle de
qualidade e pessoal próprio especializado
em análises.
13
Harmonizando o Terroir
Ráscal Itaim:
bufê em harmonia com vinho
O
s pratos do Ráscal servidos nas harmonizações com os vinhos Merlot foram
dignos de elogios, desde as entradas com saladas e frios em sistema self service, passando por massas, até finalizar com um Risoto de Shitake e Shimeji
com Lombo de Cordeiro, todos sob a supervisão do chef Neilson Alves dos Santos. O
carro-chefe da casa, o Ravióli Ráscal, não estava no cardápio do evento, mas é uma
boa pedida para quem quiser apreciar com um bom vinho, que pode ser sugerido pelo
simpático André Cavalcanti, o responsável pelas cartas de toda rede.
meio a um moderno sistema de instalações, com cozinha à vista. A unidade propaga
uma diretriz diferenciada: um trabalho de reciclagem quase que total, onde plásticos,
papéis e outros materiais passam por processo de reutilização.
O Ráscal Itaim, inaugurado há quatro meses, é um conceito de unidade modelo,
segundo seus diretores. Possui amplo espaço bem decorado, com toques rústicos em
A rede Ráscal recebe reconhecimentos sucessivos como um dos melhores locais e
cozinhas no gênero no Brasil.
Pelas características da região da casa, os 130 rótulos existentes no Ráscal Itaim
formam a maior carta da rede, assim como a do Shopping Villa Lobos, também em
São Paulo, superior à média das outras unidades, com 100 vinhos.
Os comandantes dos vinhos e da cozinha
Há nove anos na rede, André Cavalcanti, o humorado sommelier responsável pelos vinhos
oferecidos pelo Ráscal, não esconde a ninguém a satisfação com que atua e a vontade em ser
prestativo quando é solicitado. Fala com orgulho sobre o trabalho feito nos treinamentos dados
aos sommeliers que formam a equipe do Ráscal e dos 130 rótulos que compõem a carta do
Ráscal Itaim. É um profissional bastante respeitado pela crítica especializada.
O chef Neilson Alves dos Santos está há quase 15 anos na rede Ráscal. Começou por baixo,
como ajudante, e hoje, após passar por cargos e situações diferentes, é o responsável pelo que
é servido na nova unidade do Itaim. “Tudo o que sei aprendi aqui. Comecei como ajudante,
mas estava decidido a ser chef e fazia minha parte com dedicação. Levou tempo para chegar
onde estou, mas valeu a pena”, comenta.
14
Vinho&Cia - No. 34
“
Conheça mais
com quem mais
entende de vinho
TudodoVinho
Vinhos brasileiros
de olhos bem puxados
H
á mais de um século, imigrantes
japoneses produzem não só os tradicionais hortifrutigranjeiros, mas
aportam inovações efetivas que hoje fazem
parte do sucesso brasileiro no teatro agrícola internacional. No vinho também pode
ser sentida a participação nissei na nossa
evolução rumo à qualidade mundial.
tação da videira, a colheita é realizada na
segunda dezena de maio, com produtividade de 1,5 kg por planta, maceração
longa de até 20 dias e amadurecimento
total em barricas francesas por 10 meses.
Daí resulta um vinho robusto, de ataque
forte na boca, um complexo varietal esbanjando frutas, especiarias e leve tostado:
o Maestrale, com potência de 13,2 %. Esse
vinho pede decanter para se acalmar.
Depois do grande projeto da Cinzano
em Pernambuco, na década de 1960, cuja
morte prematura se deu por afogamento
sob as águas da hidrelétrica de Itaparica,
a vitivinicultura nordestina renasceu em
iniciativas da década de 1970, com destaque para Mamoru Yamamoto.
Mamoru Yamamoto adquiriu fazenda
em Pernambuco, às margens do médio São
Francisco, e, animado com as condições
do semi-árido nordestino, realizou longa
viagem ao redor do mundo vinícola, principalmente Califórnia e Israel.
Em 1972 iniciou seu projeto, montando complexa instalação de captação,
bombeamento, filtragem e distribuição
da água do São Francisco nos vinhedos
de sua Vinícola São Francisco.
Em 1979, uma grande enchente botou
por água abaixo sua iniciativa, levando-o
a reiniciar na mesma região, porém em
terras baianas do município de Casa Nova,
aí protegidas por estarem às margens da
represa de Sobradinho.
Em 1985, seus vinhedos atingiam 50
hectares de uvas viníferas, como Cabernet Sauvignon, Chenin Blanc, Sauvignon
Blanc, Pinot Noir, Chardonnay e outras
vinte castas. Neste ano pude degustar, com
o enólogo Ivair Toniolo, os primeiros vinhos, entre os quais destacou-se o Cabernet
Sauvignon, surpreendente pelas boas qualidades e pela tipicidade, vinho de grande
potencial que agradou nariz e boca.
Animado pela evolução dos vinhos,
Vinho & Cia - No. 34
Finalmente, levando o processo de
maturação quase ao extremo, colhendo
uvas desde o dia 5 ao 21 de maio, com
produtividade variando de 1,5 a 2,0 kg
por planta, maceração a frio por 12 horas,
apresentam um varietal rosé de Cabernet
Sauvignon, aromático com expressão franca de morango, cereja, frutas silvestres e
maçã, o Núbio, indiscutivelmente uma das
maiores expressões rosadas do Brasil.
Mamoru construiu a adega, projeto do
Professor Angheben, lançando em 1986 os
rótulos Vale Dourado Chenin Blanc, Grande
Lago Sauvignon Blanc, Solar do Vale Pinot
Noir e Solar do Vale Cabernet Sauvignon.
A vida dá voltas, traz agravos e emboscadas, de forma que em 1991, depois de
um período bem sucedido, a vinícola não
suportou as pressões econômicas e fechou.
Os primeiros vinhos de olhos puxados do
Brasil, porém, traduziram pioneirismo e
inovações, constituindo testemunhas de
valiosa contribuição nissei para a vitivinicultura nordestina.
Na história contemporânea novamente os nisseis voltaram-se para o vinho.
Noutro extremo climático, em vinhedos
de fria altitude, em Santa Catarina. Os
associados da Cooperativa Sanjo formaram um vinhedo conduzido em espaldeira,
explorando a variação de altitude de 1.100
a 1.380 metros. Acompanhando e estudando a questão do amadurecimento da
uva. verificaram que diferentes altitudes
poderiam constituir uma variável relevante para distintas versões de uma mesma
casta, a Cabernet Sauvignon.
A colheita é sempre manual, com descarte de cachos e seleção total das uvas
desengaçadas, que são processadas em
tanques de aço inoxidável.
Com uvas colhidas no final de abril, na
parte mais baixa do vinhedo, com produtividade de 2,5 kg por planta, maceração
curta de cerca de seis dias, elaboram um
vinho jovem e frutado, o Nobrese, com
12,3 % de álcool.
Deixando a maturação avançar, realizam a colheita na primeira semana de
maio, limitando a produtividade a 2.0 kg
por planta. A maceração tem média duração
(cerca de 10 dias) e 50% do volume passa
por barricas francesas durante cinco meses.
Com isso, oferecem vinho pronto, típico
varietal da casta, com descritores da fruta e
da madeira, o Núbio Tinto com 12,7%.
Mantendo ainda mais a uva na alimen-
A maior façanha destes nisseis está
na forma de cultivar as uvas, nos tratos
culturais, na calibragem da colheita e vinificação correta, que, já em seu primeiro
lote de vinhos, têm estado sempre entre
os primeiros colocados nos painéis de
degustação às cegas.
São vinho de olhos puxados que nos
fazem beber com os olhos cerrados, viajando na grande fantasia aromática destes
Cabernet Sauvignon.
Vinhos
no Mundo
Sérgio Inglez de Souza
Escritor e consultor
[email protected]
15
América do Sul
De profecias
e realizações
Euclides Penedo Borges
Presidente da ABS-Rio
[email protected]
H
á exatos trinta anos surgia a
versão em espanhol do Atlas
Mundial de Vinhos e Licores,
de Hugh Johnson, editada pela Editorial
Blume, de Barcelona.
A única página – entre as trezentas da
enciclopédia – que tratava da América do
Sul terminava com uma frase profética:
“Uma edição futura desta enciclopédia
incluirá talvez alguns mapas surpreendentes”.
Depois de dar uns poucos detalhes
das viniculturas chilena e argentina nos
anos setenta, ela se referia, en passant, ao
Brasil e ao Uruguai como possuidores de
uma indústria vinícola florescente, para o
mercado local.
Países menos destacados no mercado
internacional de vinhos, como a Romênia,
a Turquia e a Grécia, e sub-regiões pouco
conhecidas, como o Vale Central da Califórnia, o Lago Balaton, na Hungria, e o
norte da África, mereciam mais páginas
e informações no livro do que o conjunto
dos países sul-americanos.
No entanto, era uma época em que a
América do Sul elaborava uma em cada
oito garrafas do vinho no mundo e em que
a Argentina disputava com a União Soviética o quarto lugar na tabela da produção
internacional.
É certo que qualidade não era palavra muito repetida por aqui. E pouco se
ouvia dos vinhos argentinos além muros,
pois o mercado local era simplesmente
insaciável.
16
A comparação feita por Johnson entre
os caldos chilenos e argentinos nos anos
setenta é no mínimo curiosa: os tintos argentinos são bons e apetitosos embora um
tanto doces como os italianos; os do Chile
são mais secos e de sabor semelhante aos
franceses.
O Cabernet Sauvignon chileno era
frutado e rico em tanino, equilibrado e
de fácil conservação. O Sauvignon Blanc,
um vinho seco e potente mas suave, pleno
de caráter.
As previsões otimistas do Atlas já contrastavam com todo esse distanciamento:
“... logo começará a soar o nome da
Argentina no concerto mundial. A longo
prazo o Chile tem assegurado um lugar no
concerto das nações vinícolas importan-
tes. Brasil e Uruguai possuem florescentes
indústrias de consumo local...”.
Em ambos os casos, qualidade – calidad quality - tornou-se a palavra-chave.
O tempo evidenciou a correção de tais
previsões.
Brasileiros e uruguaios firmaram-se
logo a seguir e, ainda que com menos
vigor, seguem os passos dos outros países
do Cone Sul, dentro de suas possibilidades
e vocações, o Brasil com os espumantes e
com a Merlot, o Uruguai com a Tannat.
A inclusão de sub-regiões vinícolas
do Chile (Maipo, Rapel, Maule), da Argentina (Mendoza, San Juan, Salta...), do
Uruguai (Canelones, Colônia, Artigas) e
do Brasil (Serra Gaúcha, Campanha, São
Joaquim) nos mapas das enciclopédias de
vinhos não mais surpreendem.
Que o digam os produtores europeus,
que enfrentam agora uma concorrência
surpreendente.
A Argentina passou a exportar, ampliou suas áreas de produção até Salta,
para o Norte e até a Patagônia, para o
Sul, seus tintos perderam a tal “doçura
de estilo italiano”, o frutado da Malbec
ocupou espaço no mundo.
O Chile, que já exportava, expandiu
a área produtiva para as proximidades do
deserto de Atacama, no Norte, e para as
frias encostas de Bio-Bio, ao Sul, e seus
tintos assumiram uma tipicidade reconhecível, particularmente aquele corte de
eucalipto com chocolate do Maipo Alto.
Vinho&Cia - No. 34
Velho Mundo
A Eszencia da uva
para você ficar de joelhos
Walter Tommasi
Enófilo
[email protected]
P
oucos vinhos doces são tão apreciados pelos especialistas em vinhos
do mundo como o Tokay. Por
quê? Leia e entenda os segredos deste
húngaro maravilhoso. Os Tokay (Tokaji)
tem origem na região de Tokaj-Hegyalja
e apesar do seu nome já ter sido utilizado
em outros países, como Itália e França,
desde 2007 somente a Hungria tem o status de Designação de Origem Protegida.
Apenas seis uvas são permitidas para a
produção do vinho, sendo a Furmint a
mais utilizada. Um dos segredos deste
vinho vem da própria uva, pois a casca
da Furmint quando amadurece torna-se
mais fina e transparente, o que ajuda os
raios de sol a penetrar e evaporar a água
contida na baga, proporcionando uma
maior concentração de açucares. Não
quero escrever sobre todos os Tokay,
mas me ater ao dourado e doce Aszú e ao
raríssimo Eszencia.
para venda, sendo que os Aszú Eszencia
hoje encontrados no mercado equivalem
a oito puttonyos, portanto, quando tiver a
oportunidade de encontrar um, tome-o de
joelhos. De cada Puttony extrai-se apenas
0,20 do Eszencia puro. Um litro deste
precioso líquido contém de 500 a 700
gramas de açúcar, sendo que a safra 2000
surpreendeu a todos, chegando a ter 900
gramas. Pasmem, ele mantém a qualidade
e pode ser tomado com até mais de 200
anos de envelhecimento .
Tokaji Aszú – No processo as uvas,
após doarem sua Eszencia, são esmagadas
até produzirem uma pasta doce que é adicionada a um vinho base, não produzido
com uvas botrytizadas, em “Göncs”, pequenas barricas com capacidade de 136 litros, para que o composto inicie sua longa
fermentação. Neste processo as barricas
são mantidas destampadas permitindo
um certo grau de oxidação. O processo
favorece também o desenvolvimento de
bolores que irão ajudar o vinho a aumentar
sua complexidade. O vinho é classificado
por número de puttonyos, podendo ser 3
,4 ,5 e 6, este último, tal qual ao Eszencia,
só produzido em anos excepcionais. Para
exemplifi
Tokaji Eszencia - Tem seu grande
diferencial definido logo após a colheita
manual das bagas de uva atacadas pela
Botrytis Cinerea (chamadas de Aszú) que
são depositadas nos Puttony, recipientes
de madeira usados para transportar a uva,
que comportam por volta de 25 kg . As
uvas são mantidas por até uma semana,
estas comprimidas pelo próprio peso das
que estão acima coçam a gotejar e o liquido extraído recebe o nome de Eszencia.
Este precioso néctar é tão rico em açúcar
que pode levar anos para fermentar. O
Eszencia puro é raramente disponibilizado
Vinho & Cia - No. 34
17
Novo Mundo
Piet Dreyer:
o rei das lulas, e dos vinhos
Beto Acherboim
Professor da Unip e são-paulino
[email protected]
Q
uando fui incumbido da tarefa de
entrevistar Piet Dreyer fiquei um
pouco preocupado.
Motivos não me faltavam, mas, ironicamente, a maior preocupação era se
entenderia tudo! Pois, além de meu inglês
andar um pouco “enferrujado”, sabia que
o inglês dos sul-africanos também não é
lá muito fácil de se entender.
Pois bem. Na programação do Decanter Wine Show, realizado nos dias 5 e 6 de
agosto, tivemos um almoço onde pudemos
conversar com diversos produtores do
catálogo da importadora.
Proprietários, diretores e enólogos
de vinícolas do calibre do Château de La
Tour, Pio Cesare, Altas Quintas, Schild
Estate, Chateau Montus, Raka, Luigi
Bosca, Villard, dentre vários, foram “alvos
fáceis” para a imprensa especializada.
Em 1982, com a esposa Elna, resolveu
fincar raízes sólidas, quando, por meio de
um conhecido, chegou a um vale, aos pés
das montanhas Kleinriver, próximo de
Hermanus, onde comprou uma fazenda,
atualmente com 68 hectares.
Sentei-me em frente a um senhor alto,
de feições ligeiramente “rudes”, com
sorriso muito simpático.
“O dono da fazenda”, contou-me sorrindo, “plantava cebolas!”
O Sr. Piet Dreyer contou-me então um
pouco de sua história.
Desde muito cedo sua vida foi ligada
ao mar. Em razão de um acidente com seu
pai, teve que ajudar no sustento da casa,
trabalhando com a pesca.
Cresceu, tomou gosto pela coisa, e
foi incrementando sua vocação e gosto,
aliados a uma forma eficiente de gerenciar,
que, após algum tempo, despontou como
destaque na pesca de lulas, sendo chamado de “The Calamari King”, o maior
produtor particular de lulas do país. Hoje
possui uma frota de cinco barcos.
“Arrancamos tudo – era horrível! – e
tentamos algumas frutas cítricas, algum
gado, mas ainda não estávamos satisfeitos,
quando, em 1999, começamos a plantar
uvas viníferas”.
A fazenda – que, por questões óbvias
– fica próxima do oceano, recebe influência das correntes marítimas vindas do
Atlântico e do Índico, que interferem em
seu microclima, auxiliando numa perfeita
e lenta maturação das uvas, trazendo aos
vinhos frescor e potência.
Naquela época ainda dependia do
mar para sobreviver e ter estabilidade
financeira. A família cuidava então da
fazenda, enquanto ele, por períodos longos, pescava.
“Em 2002, tivemos nossa primeira
safra, já com algum relativo sucesso... e,
neste pouco tempo de vida da vinícola,
sempre estivemos à frente da empresa,
onde hoje trabalham, além de nós dois,
nossos três filhos (um deles enólogo)”.
Nestes pouco mais de cinco anos,
vários prêmios vieram, que não mudaram
a forma simples de ser do proprietário da
Raka Wines, que adotou o lema “born
of the sea, guided by the stars, blessed by
the earth”. (nascido no mar, guiado pelas
estrelas, abençoado pela terra)
18
estampado no rosto ao atender as pessoas,
olhos brilhando ao falar de seus vinhos,
sabe do que estou falando. Ele estava
descalço (no melhor estilo “tirar a gravata
do vinho”!).
Para quem não foi, sugiro a prova de
alguns de seus vinhos, com destaque para
4 deles: Sauvignon Blanc, da linha básica,
e seus top wines Figurehead, Quinary e
Biography. Valem muito a pena!
Mr. Piet Dreyer, The Calamari King,
é uma figuraça!
E quem quiser comprovar pessoalmente, que vá à África do Sul visitar sua
vinícola e se divertir com suas histórias e
seu bom humor.
Quem o viu durante a degustação do
Decanter Wine Show, atrás de sua mesa,
com as feições levemente rudes, sorriso
Mas marque com ele antes, caso contrário estará no azul do mar curtindo sua
grande paixão, os barcos...
Vinho&Cia - No. 34
Vinho & Conceitos
Vinhos bons
e baratos
José Ivan Santos
Escritor e palestrante
[email protected]
E
ste assunto vem à tona ao se perguntar: quanto uma pessoa está
disposta a pagar por uma garrafa
de vinho? O que é barato para um pode
não ser para outro.
O Chile, por exemplo, tem fama
reconhecida de produzir vinhos bons e
baratos, o que é uma sorte para nós, dada
a sua proximidade. A França por outro
lado é uma grande produtora de vinhos
baratos e muitos deles são excelentes,
especialmente aqueles que não vêm das
regiões clássicas. Mas, ainda assim, um
bom tinto do Loire, por exemplo, custa
algo mais que 10 euros, o que pode ser
barato para os europeus, mas para o nosso
bolso não é tanto. Quantos de nós podemos ter como vinho diário um tinto que
custa 30 reais?
Nessa faixa de preços escasseiam os
atributos dos vinhos com maior ambição e
custo. Por exemplo, o traço mais marcante
em um vinho barato é que ele não estagiou em barricas de carvalho novas. Por
20 reais é simplesmente impossível que
algum produtor – que não deseje perder
dinheiro, claro – tenha utilizado para seu
vinho uma barrica que custa fácil perto
de 800 dólares, ou às vezes muito mais.
O produtor deve utilizar-se de barricas de
segundo ou terceiro uso ou também chips
de carvalho tostado, que oferecem esse
lado de madeira queimada que o público
em geral tanto aprecia.
Vinho & Cia - No. 34
O que sugere esta ausência de madeira
é a fruta, sendo que o sabor da variedade
é que teria que predominar em um vinho
barato. Os vinhos “varietais” apelam a
esse sabor básico, muitas vezes simples,
porém rico em frutuosidade. No entanto,
a concentração do gosto de frutas não é
a mesma nos vinhos de preços baixo que
naqueles de mais alto custo. A explicação
é simples: nos vinhos baratos, cuja produção é geralmente elevada, a quantidade
de cachos por parreira é alta. Para um
vinho barato uma parreira pode produzir
facilmente de cinco a dez quilos de uvas.
Num vinho ícone essa quantidade muitas
vezes é inferior a dois quilos. Em termos
práticos, sabe-se que a concentração de
sabores é menor quanto maior a produção
da parreira.
A ausência de madeira nos vinhos baratos muitas vezes faz ressaltar os aromas
de frutas. Por outro lado, nos vinhos caros,
além do excesso de madeira, as menores
produções por parreira oferecem maior
concentração e força, o que, por sua vez,
pode provocar um excesso de adstringência e também muito maior maturação.
A maior produção por parreira origina
vinhos baratos e mais leves, com maior
suavidade no paladar, que se associam à
simplicidade e ao consumo rápido. Esses
vinhos também se relacionam com comida
simples, com a pizza, o assado e o cozido.
Uma das regras fundamentais da harmonização entre comida e vinhos é: “vinho
simples, comida simples”.
Finalmente, outro aspecto importante:
as grandes vinícolas que produzem vinhos
ícones obtêm a maior parte de suas receitas com vinhos de baixo custo e, portanto,
sua consistência de ano a ano é fundamental. Para se obter isso é necessário que a
colheita seja de qualidade anualmente.
Para se conseguir a fidelidade a um rótulo
é preciso que a vinícola mantenha a consistência, colheita após colheita.
19
Vinho na Academia
Tecnologia
e arte nos vinhos
Carlos Arruda
Academia do Vinho
[email protected]
P
odemos dizer que no mundo do
vinho existem duas correntes vigentes em sua produção, opostas
em suas premissas, mas focadas em criar
produtos que agradem o público.
A primeira, romântica e poética,
valoriza a arte de produzir vinhos a partir
do talento do enólogo, da herança de
um trabalho de família, de um laborioso
aprendizado sobre um terroir através da
experiência e do tempo.
Nessa vertente está boa parte dos
vinhos europeus, marcadamente franceses
e italianos, com suas Denominações
de Origem abrigando vinhos de grande
qualidade e prestígio através da história.
Seguindo essa linha, temos os Vinhos
de Autor, ou vinhos de garagem, produzidos em pequenas quantidades, frutos
do cuidado e dedicação de um artistaenólogo que escolheu buscar a qualidade
a qualquer custo, mantendo sua produção
pequena para não abandonar seus métodos
artesanais e suas crenças.
Diversas excentricidades surgem nesse
grupo, como vinhedos sem suporte (os
galhos da videira se arrastando pelo chão),
territórios inóspitos, como tórridas ilhas
mediterrâneas, desertos desolados ou colinas geladas, lugares onde a observação,
o carinho e a persistência fazem surgir
vinhos únicos.
Recentemente aqui no Brasil o projeto
Tormentas começou a produzir algumas
centenas de garrafas apenas, usando técni-
20
cas laboriosas como o desengace manual
dos cachos. Também a Lídio Carraro mantém sua produção com detalhes únicos de
qualidade, como baixa produtividade, ausência de madeira e fermentação finamente
controlada. Na Argentina vem florescendo
diversos Vinhos de Autor, só encontrados
por lá, cada um com personalidade única,
alta qualidade e preço.
Os vinhos dos artistas, sempre bons,
podem ser excepcionais, freqüentemente
custam caro, mas nos proporcionam
experiências únicas, daí o valor desse
trabalho. Na França pequenos produtores
fazem vinhos sensacionais em minúsculas
quantidades, sendo vendidos apenas a uns
poucos felizardos. Alguns dos prestigiados Châteaux, como o Pétrus, fazem parte
dessa distinta minoria.
No segundo grupo estão os modernos
tecnólogos, produtores que investem em
pesquisa e tecnologia para obter vinhos
cada vez melhores com custos competitivos, mas também produtos únicos, frutos
de apuradas técnicas de alto custo em
pesquisa e inovação.
Um dos grandes exemplos é a vinicultura da Austrália, que floresceu no Novo
Mundo, onde tudo teve de ser reaprendido,
abandonando os critérios e as regras de
ouro da Europa. Os simpáticos cowboys
do vinho australiano se firmaram mais
como industriais que como artistas, se
permitindo misturar uvas de diferentes
regiões em um mesmo vinho (para terror
dos franceses), buscando equilíbrio e uma
nova personalidade. Estão conseguindo,
agregando arte e criatividade em doses
bem equilibradas.
Outra característica desse grupo é
experimentar variedades de uvas de todo
o mundo (de novo a Europa se rebela, mas
não tanto), buscando novas descobertas e
adaptações. Um ótimo exemplo é Aurélio
Montes, no Chile, que decidiu fazer um
vinho de Syrah em Apalta e o chamaram
de louco. O resultado, Montes Folly Syrah,
é decantado por sua qualidade, produzido
em pequena quantidade e custando hoje
algumas centenas de dólares.
Outro grande objetivo dos tecnólogos
é a economia de escala, otimizando métodos para produzir vinhos interessantes
em grandes quantidades, atingindo preços
competitivos e conquistando mercados.
Geralmente esses produtos de massa não
são bem vistos pelos puristas, mas trazem
vinhos honestos às mesas de menos poder
aquisitivo, um feito de valor. E podem
surpreender por seu custo-benefício.
Mas existem exemplos que reúnem as
duas filosofias, talvez obtendo o melhor
de dois mundos. Diversas vinícolas têm
tentado criar produtos que se valem de
tecnologias modernas para obter qualidade com competitividade, sem aban-
donar uma postura criativa, respeitosa e
poética. Como resultado temos vinhos
modernos, diferentes, acessíveis e de
muita qualidade.
Argentina, África do Sul, Espanha e
Sul da França são bons exemplos dessa
nova corrente, onde ao mesmo tempo
vemos o abandono de trabalhos com
barricas para gerar vinhos joviais, o uso
de madeiras com pontos de tostagem
finamente diferenciados para se adaptar
à personalidade dos vinhos, como fazem
Susana Balbo na Argentina, Clóvis Boscato na Serra Gaúcha e a Villa Francioni
em São Joaquim.
Esses e muitos outros exemplos
acabam combinando as duas correntes.
Vemos cada vez mais surgir um novo
perfil de vinicultores, parte artistas e parte
técnicos, em alquimias únicas, que nos
trazem novidades e surpresas.
Vinho&Cia - No. 34
BrasildoVinho
Opções de lojas
“
Fique por dentro
do que acontece
pelo país
com doses e consignação
N
a avenida Cidade Jardim, depois
de uma grande reforma, o Empório Santa Maria foi reaberto
com o mesmo glamour que marca a cena
paulistana há 15 anos. O grupo Saint
Marché adquiriu o Empório no final do
ano passado e já opera cinco unidades na
cidade de São Paulo.
O local continua sendo uma referência
de sofisticação gastronômica em São Paulo, mas agora oferece também produtos
para o dia-a-dia. Todos os ambientes do
Empório Santa Maria continuam aconchegantes, práticos e ao mesmo tempo
sofisticados. O projeto modernizou os espaços e fez uma releitura contemporânea
do visual da casa.
No restaurante, o Empório apresenta a
Enomatic, uma máquina italiana especial para degustação de vinhos. O cliente
utiliza um cartão com o qual pode se servir
de uma dose (pequena, média ou grande)
diretamente na máquina, onde encontra 48
opções de vinhos para variados estilos de
refeições. Além da variedade, o sistema de
conservação e climatização garante que a
bebida mantenha suas características por
mais tempo.
No Empório há cerca de 500 rótulos, e
a loja da Expand continua lá, com os mais
de 1500 rótulos dessa importadora, em
350 m2, sob o conceito de “warehouse”,
ou seja, com “auto-serviço” assistido, com
interferência dos vendedores somente
se solicitados. Todas as referências dos
vinhos e produtores estão em displays
informativos nas prateleiras. O sommelier
da casa é Marcio Santos, formado pela
Associação Brasileira de Sommeliers de
São Paulo, com experiência de 4 anos
na função no Grupo Rubaiyat. A loja da
Expand opera de modo independente do
Vinho&Cia - No. 34
esquema adotado pelo Empório, mas o
cliente pode pegar um vinho a preço da
importadora e tomar no restaurante.
No bairro de Moema, há hoje boas
opções de lojas de vinhos multimarcas.
Uma delas é o tradicional Armazém dos
Importados, comandado há 14 anos por
Flávio Maculan, que distribui produtos
de várias importadoras, como LVMH,
Diageo, Pernod Ricard e, também agora,
da Mercovino, da cidade de Ribeirão
Preto.
O Armazém dos Importados possui
mais de 800 rótulos em sua carta, além
de outras bebidas, como whisky, vodka,
cognac, tequilas e licores. Tem também
chocolates, massas, molhos, temperos e
conservas.
Um atrativo do Armazém é a oferta
de bebidas em consignação para eventos
corporativos e sociais. Assim, é possível
Empório Santa Maria:
Av. Cidade Jardim, 790, Jardim
Paulistano. São Paulo
(11) 3706-5211. De 2a a sáb das 8h
às 22h e domingo das 8h às 21h.
Armazém dos Importados
Al. dos Nhambiquaras, 463, Moema
(11) 3539-0970, São Paulo.
De 2a a 6a das 9h às 19h,
sáb das 9h às 18h. Fecha dom.
garantir a qualidade e a variedade de
bebidas para festas e encontros, sem se
precisar despender mais dinheiro do que
realmente se vai gastar. Já há grandes
empresas usufruindo dessa grande facilidade.
Lojas
em SP
Denise Cavalcante
Jornalista
[email protected]
21
Festival de Vinhos em SP
A Tailândia
do Nam Thai com vinhos
sta é a segunda vez que o restaurante Nam Thai
recebe a equipe do Jornal Vinho&Cia para mais
um delicioso desafio: harmonizar seus pratos geralmente picantes com vinhos que possam acompanhar
de forma correta as criações do chef David Zisman.
E
O segundo é Frango com 5 Especiarias (frango, cardamomo, aniz, cominho, canela e coentro em grãos).
E o terceiro prato é Mignon com Aniz e Chili (filé
mignon, aniz, brócolis, cebola e massa de arroz).
E agora é uma boa oportunidade para apreciação da
cozinha tailandesa com rótulos bem selecionados e a
preços justos. Em parceria com o Vinho&Cia, o Nam Thai
promove até o dia 31 de outubro um festival com três
pratos e vinhos harmonizados, escolhidos em degustação
às cegas pela equipe do jornal, e conta com a participação
de rótulos nacionais e importados.
Conhecendo o Nam Thai
Três pratos selecionados
O ambiente do Nam Thai possui pé-direito alto, tem
cores vivas e um charme todo particular, que encanta pelo
clima de descontração e também de romantismo.
Os três pratos são típicos da cozinha da Tailândia, com
toques pessoais do chef. O primeiro é Massa de Arroz
Pad-Thai, (massa de arroz, nam pua, açúcar, molho de
ostra, amendoim, camarão, repolho, omelete seca e leve
toque de pimenta tailandesa em pasta).
Grande sucesso no Rio de Janeiro, o Nam Thai já está
há um tempo em São Paulo, no efervescente bairro do
Itaim Bibi. A cozinha fica sob supervisão do chef David
Zisman, que depois de mais de 30 anos de atuação em
medicina formou-se como chefe e passou a dedicar-se à
culinária e à cultura tailandesa.
A sua carta de vinhos convencional é enxuta, mas
possui rótulos bem selecionados, com ênfase nos brancos,
mais adequados à maioria dos pratos tailandeses.
Nam Thai: Rua Manuel Guedes, 444, Itaim Bibi, (11) 3168-0662, São Paulo.
22
Vinho&Cia - No. 34
Festival de Vinhos em SP
Os vinhos selecionados
para o festival no Nam Thai
Para a Massa de Arroz Pad-Thai e o Frango com 5
Especiarias foram selecionados dois vinhos pela equipe
do Vinho&Cia, e para o Mignon com Aniz e Chili, três.
A Pad-Thai harmoniza bem com vinhos brancos aromáticos, em razão dos toques apimentados e da riqueza
de sabores, que dão ao prato uma dose de complexidade.
O chileno Santa Digna Reserva Gewürztraminer, com a
1
uva de origem alemã, e o argentino Mil Piedras, da uva
Viognier, são bons pares para o prato.
O Frango com 5 Especiarias, mais estruturado e bastante condimentado, porém sem pimenta, pode combinar
com branco ou com tinto. Boa opção é o branco espanhol
da Catalunha Torres Esmeralda, e a alternativa com tinto
é o chileno Falernia Reserva Carmenère
2
A
A carne do Mignon com Aniz e Chili pede tintos, e a
especiaria e a pimenta exigem para a harmonização um
vinho com bastante potência e impacto na boca. As três
alternativas selecionadas, de diferentes uvas e regiões, são
adequadas: Maestrale Cabernet Sauvigon, do Brasil, de
São Joaquim, Newen Malbec, da Patagônia, na Argentina,
e Falernia Reserva Syrah, de Elqui, no Chile.
B
a
b
c
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Massa de Arroz Pad-Thai
ord.
fornecedor
fone
produtor
origem
região
vinho
tipo
uva
safra
R$
1
Reloco
(21) 2215-8000
Miguel Torres
Chile
Curicó
Santa Digna Reserva
Branco
Gewürztraminer
2007
45
2
Premium
(31) 3282-1588
Vista Flores
Argentina
Mendoza
Mil Piedras Viognier
Branco
Viognier
2007
28
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Frango com 5 Especiarias
ord.
fornecedor
fone
produtor
origem
região
vinho
tipo
uva
safra
R$
A
Reloco
(21) 2215-8000
Miguel Torres
Espanha
Catalunya
Torres Esmeralda
Branco
N/I
2006
46
B
Premium
(31) 3282-1588
Falernia
Chile
Elqui
Falernia Reserva Carmenère
Tinto
Carmenère
2005
60
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Mignon com Aniz e Chili
ord.
fornecedor
fone
produtor
origem
região
vinho
tipo
uva
safra
R$
a
Sanjo
(49) 3233-0012
Sanjo
Brasil
São Joaquim
Maestrale
Tinto
Cabernet Sauvignon
2005
60
b
Reloco
(21) 2215-8000
Bodegas del Fin del Mundo
Argentina
Patagonia
Newen Malbec
Tinto
Malbec
2006
42
c
Premium
(31) 3282-1588
Falernia
Chile
Elqui
Falernia Reserva Syrah
Tinto
Syrah
2005
60
Os degustadores que selecionaram às cegas os vinhos para o festival foram: Adriana Bonilha, Beto Acherboim, Daniela Zandonadi, Denise Cavalcante, Didú Russo, Fernando
Quartim, Maria Helena Figueiredo, Regis Gehlen Oliveira e Walter Tommasi.
Vinho&Cia - No. 34
23
Onde Beber
Itaim Bibi
Moema / V. Mariana
Pinheiros / V. Madá
Ávila
Fogo do Chão
Vinheria Percussi
Os móveis em madeira tornam o
ambiente aconchegante sem perder
o ar de sofisticação. A cozinha traz o
melhor da culinária argentina. Bela
adega climatizada. Vinhos de grandes
produtores, com 650 rótulos de 34 a
2.160 reais. Sommelier sempre à disposição para ajudar na escolha.
Um dos melhores rodízios do país
com carnes de primeira, ótimo serviço e carta de vinhos espetacular.
Cerca de 310 rótulos guardados
numa bela adega bem à vista. Os
preços variam 48 a 3.800 reais.
Todos os garçons possuem o curso
de sommelier.
O melhor restaurante para beber na
região em companhia de alta gastronomia, italiana, com os melhores sommeliers, Luciano e Lamberto Percussi e
Jonas. A bela adega vista de todos os
pontos convida ao vinho. Bons preços
e criteriosa seleção para os cerca de
300 rótulos, muitos tops.
R. Bandeira Paulista, 520
(11) 3167-2147. Não fecha.
Av. M o r e i r a G u i m a r ã e s , 9 6 4 ,
(11) 5056-1795 Não fecha.
R. Cônego Eugênio Leite, 523,
(11) 3389-4000. Fecha: 2ª/dom-jan
Vino!
Giardino
Chácara Santa Cecília
Anexa à loja de vinhos, a cantina
possui estilo informal e aconchegante
com a cozinha comandada pelo chef
Rodrigo Martins. Divisão de ambientes
feita por moderna adega de vidro, que
permite ver de perto as mais de 4 mil
garrafas climatizadas. Cerca de 800
rótulos de 21 a 3.183 reais.
Um quintal agradável, coberto por
teto retrátil, faz as vezes do salão
principal da casa. Traz cardápio enxuto e uma carta com legenda, que
fala das uvas e das suas regiões.
Contempla 83 rótulos de diversos
países, com preços que variam de
27 a 520 reais.
Bar e restaurante contemporâneo com
ambientes variados e muita natureza.
Logo na entrada, a adega mais atrativa
da região, com mais de 100 rótulos.
Carta por país e região, com marcadores médio, encorpado e leve. Os
preços variam de 31 a 1.200 reais, a
maioria na faixa dos 80.
R. Prof. Tamandaré de Toledo 51, (11)
3078-6442. Fecha 3a e dom-jan.
Av. Lavandisca, 437
(11) 5051-0918. Não fecha.
R. Ferreira de Araújo, 1081,
(11) 3034-6251. Não fecha
Rufino’s
Spadaccino
Cotações
Famoso no Guarujá, trouxe o hábito
de servir peixes e frutos do mar bem
frescos, o que garante qualidade aos
pratos. Para acompanhar, uma bela
carta com 340 rótulos, sendo 36 em
meia garrafa. Os preços variam de
50 a 1.550 reais, a maioria na faixa
de 60 a 150 reais.
Excepcional local onde beber
Muito bom local onde beber
Bom local onde beber
Cozinha italiana com bons pratos.
Ambientes agradáveis e varanda
gostosa.
Bom serviço de vinhos, bem selecionados pelo sommelier, em carta
enxuta, com ótimos preços para os
vinhos mais caros, a maioria entre
R$40 e R$80.
Local com atrativo para beber
R. Dr. Mário Ferraz, 377
(11) 3078-6301. Não fecha.
Local onde beber
La Tomate Bistronomique
Serviço de vinhos
Novo bistrô de alta gastronomia do
chef Jefferson Rueda, do Pommo-
a
variedade
vinhos baratos
rótulos especiais
taças e adega climatizada
orientado por sommelier
carta orientativa
a
sobrepreço
R. Mourato Coelho,1267 (11) 30328605. Fecha: seg/ alm e dom/jan
Guia em SP
Acontece em SP
NASCE UM NOVO MODELO:
O primeiro sommelier
A primeira ilha
Os primeiros 10 anos
Contratado pelo chef Allan
Espejo, Antonio Machado é
agora o primeiro sommelier
do grupo de restaurantes Don
Pepe Di Napoli após 25 anos
de existência. Ele está priorizando produtos que considera
de bom custo-benefício.
Um quiosque em forma de ilha,
para ser posicionado em shoppings, com adega totalmente climatizada, recheada com vinhos
separados em 11 estilos, para
diferentes de gostos, com indicações de harmonizações com
variadas comidas, é uma idéia
que tem tudo para dar certo.
O Félix Bistrot, na Granja
Viana, na Grande São Paulo,
completa 10 anos. A casa, com
boa comida e boa carta, é um
charme só, que vale a pena ser
conferido.
(11) 4702-3555 / 4612-2339
É a proposta da Wine Choice, que
implantou a primeira unidade em
Campinas, sob o comando dos
empreendedores João Galassi e
Virgínia Ventura, com a intenção de em breve implantarem
franquia.
De forma descontraída, a jornalista Júlia Reis revela o
perfil de várias chefs com suas
particularidades no seu primeiro livro, Elas à Mesa, lançado
pela Anhembi Morumbi. Na
faixa de R$28.
O terceiro curso
A ABS Litoral Paulista abre
inscrições para o III Curso
Básico de Vinhos, com 5 aulas
de 3h no período noturno, no
Piccola Forneria e começo em
10/09. R$500. (13) 3271-1200
ENOTECA DECANTER
O primeiro livro
Embaixador espanhol
Nos dias 13 a 23 de Agosto o
Brasil recebeu pela segunda
vez o programa “Embaixadores do Vinho Espanhol”,
organizado pela Academia del
Vino da Espanha e Stellium
Eventos. O curso tem propósito acadêmico, com reconhecimento do Governo
da Espanha, que apóia esta
iniciativa, e titulação reconhecida mundialmente, além de
ter o apoio e reconhecimento
da Wine & Spirit Education
Trust (WSET), e tem por
objetivo promover os vinhos
espanhóis em 21 países e 44
cidades, entre compradores,
importadores, educadores,
críticos e sommeliers.
O palestrante do curso foi
Pancho Campo, um dos dois
únicos candidatos espanhóis
ao prestigioso título de Master
of Wine e que escreve sobre
vinhos para numerosas publicações. Além disso, é professor dos cursos que a WSET
realiza na Espanha e fundador
do Simpósio Internacional do
Vinho&Cia - No. 34
Vinho. Criou também o primeiro
encontro mundial sobre “Aquecimento Global e o Vinho” e o
“Barcelona Wine Festival”.
A Academia del Vino é uma organização dedicada à formação
e titulação de profissionais da
indústria do vinho e é a representante oficial da Wine & Spirit
Education Trust (WSET) para
a Espanha.
Aproveitando ainda a presença de Pancho Campo, foram
desenvolvidas várias outras
atividades visando à difusão
do vinho espanhol no Brasil,
entre elas cursos específicos
sobre Jerez.
LOJA COM 600 RÓTULOS DE 12 PAÍSES
WINE BAR ACONCHEGANTE
CURSOS E DEGUSTAÇÕES DIRIGIDAS
ATENDIMENTO “FULL TIME” POR PROFISSIONAIS
R. JOAQUIM FLORIANO, 834
(11) 3073-0500, ITAIM BIBI, SÃO PAULO
25
Circuito do Vinho
Da ecologia
e do direito dos animais!
Fernando Quartim
Diretor da SBAV-SP
[email protected]
N
ão estaria o aquecimento global
afetando nosso raciocínio e influindo nas tomadas de decisão?!
Em tempo de grande preocupação
ecológica acabam acontecendo certos
excessos e algumas coisas inesperadas. É
verdade que por falta da tal consciência,
no passado também cometemos exageros.
Lembro-me bem do tempo em que as cachoeiras dos rios tinham uma só serventia:
virar hidrelétricas! Mas, e os peixes? Bem,
tentou-se repovoar os reservatórios, mas,
com qualquer espécie de peixe! Naquela
ocasião nem se questionava se os aquáticos eram originários dali ou não. Foram
erros cometidos...
Aprendemos graças às reclamações
dos, carinhosamente, “ecochatos” que
é necessário um estudo mais detalhado
quando se quer fazer alguma coisa que
provoque impacto ao meio ambiente.
Foi aprovada agora a continuação
das obras para instalação da usina Angra
III. Condição: encontrar solução definitiva para o lixo atômico! Caro Ministro
Carlos Minc, não existe país no mundo
que tenha encontrado esta solução, será
que a Eletronuclear, empresa brasileira,
responsável pela obra, irá? Desse jeito,
vai faltar energia!
E no campo dos direitos humanos, ou
melhor, dos direitos dos animais, há um
movimento querendo acabar com o foie
gras! E questionando o bife Kobe! Assim
não dá!
26
La Brasserie Erick Jacquin: Rua Bahia, 683, Higienópolis, (11) 3826-5409, São Paulo
Tá certo, não precisa maltratar os
bichinhos, mas que eles vão acabar na
panela, isto lá vão. Não somos culpados
por estarmos no topo da cadeia alimentar!
Trata-se de um determinismo.
pois já foi eleito, pelos nossos Guias, o
melhor francês da cidade. E, para ser fiel
à sua proposta, terá que manter no cardápio os deliciosos foie gras, uma de suas
grandes especialidades.
Mas por falar em foie gras, e fugindo
da briga, quero dizer que o mestre nesse
assunto, o Erick Jacquin, disse, em entrevista recente, que não irá abandonar
hábitos de sua cultura natal! Ainda bem,
pois, maus-tratos à parte, aprecio e muito
a iguaria.
Se a Cidade Luz é romântica, experimente o Piano Bar do Brasserie de sexta
a domingo! Acontece na área da entrada,
onde se passa o tempo entre um aperitivo
e outro, onde se pode em um aconchegante sofá passar momentos românticos
e relaxantes ao som de gostosa música.
Dá também para fazer a refeição por ali,
em clima de varanda.
Para os que se revoltam com tal voracidade, tem o seguinte raciocínio: tal
como a “Maldição de Montezuma” ataca
na cidade do México, se alguém comer
foie gras, em exagero, sofrerá de maldição
equivalente! Se duvidar, experimente...
A vontade do Erick é fazer do Brasserie um pedaço da França aqui em São
Paulo. Acho que muito pouco deve faltar,
Freqüentado por altas figuras de nossa
República, o Brasserie oferece um cardápio francófilo bem variado, suportado por
uma Carta de Vinhos de aproximadamente
140 rótulos, desde sofisticados, como um
restaurante parisiense exige, a novomundistas, que, quiçá, não se encontre por lá.
A par da elegância da carta, os sobrepreços
são moderados. E isso é bom!
Tanto o Maître Bezerra como o
Sommelier Eduardo podem atender, com
sugestões muito felizes, aos requintes de
uma boa harmonização.
Com total visibilidade da cozinha, o
salão principal do Brasserie oferece um
ambiente muito agradável, e preserva
cantinhos com mais privacidade ou, intimidade, dependendo das suas intenções.
Ponto alto também é a Confeitaria
comandada por Amanda Lopes, que
em breve estará no Le Buteque, a nova
empreitada do Erick, de volta à Haddock
Lobo ao lado do antigo Café Antique, que
já foi sua morada.
O La Brasserie Erick Jacquin pode
integrar o Circuito do Vinho, onde encontramos um ótimo serviço em ambiente
bastante agradável, em que o vinho, sempre presente, faz um final feliz!
Vinho&Cia - No. 34
O que acontece
na cidade maravilhosa
Jaqueline Barroso
Enófila
[email protected]
Espaço Vinirio
“João, abre um espaço para a gente beber
seus vinhos”. Era assim que os amigos
enófilos pediam ao João Manso para terem
a oportunidade de degustarem os vinhos
de suas representações (Herdade do Esporão, Quinta do Crasto, Villa Francioni,
Don Giovanni, Wine Company, Fabian,
Best Wine). Agora, finalmente, o pedido
foi atendido, e temos o Espaço ViniRio.
Este espaço é aberto aos enófilos que queiram degustar ótimos rótulos e harmonizar
com alguns acepipes. É só ligar e reservar.
Rua Barata Ribeiro, 370, loja 22
(21) 2256-0858, www.vinirio.com.br
Festival de sabores
Sud de France
Languedoc-Roussillon é aqui! Acontece
no Rio o II Festival de Sabores Sud de
France, no período de 2 a 12 de outubro
nos restaurantes e delicatessens da cidade.
Os restaurantes terão um prato inspirado
na região francesa e um vinho para harmonizar, claro!
Haverá em alguma revistas enogastronômicas um cupom para ser destacado e
levado aos restaurantes engajados, com
Rio 40 Graus
Caravana Rolidei
Quem pensa que Blumenau é só
Oktoberfest, muito chopp, salsichão e
calças curtas, vai ter de rever os seus
conceitos! Porque de lá foi que partiu
a caravana da Importadora Decanter
que deslumbrou os enófilos do Rio, São
Paulo, Curitiba e Belo Horizonte com
uma das melhores celebrações do vinho
dos últimos tempos. Impecável! Eram
tantos rótulos admiráveis que é injusto
escolher um só. Mas o Pio Cesare Barolo Ornato 2003 era tão bom que Ione
Barroca bebeu até a última gota!
Miss Enóloga
Magdalena Soza é linda, simpática, carinhosa, entusiasmada e cativante. Com
tantos predicados assim, nem precisaria
fazer nada na vida! Mas ela é a enóloga
da chilena Viña Casablanca e faz vinhos
maravilhosos! A convite da Casa Flora,
ela apresentou suas obras para o público
carioca em um jantar no Restaurante
Cais da Ribeira. O grande lance da noite
foi o Neblus 2002, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère.
Gol de placa!
Mar de Vinho
Marcelo Copello é um dos nomes mais
respeitados no mundo dos vinhos do
Brasil. E sua mais recente iniciativa, a
Escola Mar de Vinho, passou a oferecer
cursos e degustações para o público
do Rio de Janeiro. A palestra Vinho
em Julgamento foi uma boa amostra
da dinâmica que o jornalista pretende
imprimir nas atividades da escola: o
objetivo era comparar as notas dadas
pelos alunos para vinhos degustados às
cegas com aquelas dos grandes críticos
internacionais. E foram só vinhaços!
Como em todas as atividades, ao final os
alunos foram brindados com um jantar
preparado pela chef Ciça Roxo.
No clima
dos enoeventos
Virado prá lua
Que sorte que eu tive de participar do almoço no Giuseppe Leblon, oferecido pela
Importadora Vinci para a apresentação dos Champagnes da Maison Henriot. Cada
uma melhor do que a outra, mas José Paulo Schiffini e eu ficamos babando pela
Henriot Cuvée des Enchanteleurs 1995. Elegante, cremoso e prá lá de persistente,
foi com certeza o melhor Champagne que provei em minha vida!
0-800
Janani Vilela foi uma dos cerca de mil
enófilos que compareceram à Degustação do Velho Mundo, promovida pelos
Supermercados Zona Sul nos salões
do Hotel Sofitel Copacabana. Com um
requinte inimaginável para uma degustação desse porte – e, melhor ainda, de
graça – foram servidos grandes rótulos
que deixaram a multidão atordoada! O
Zona Sul, com essa, conquistou os corações e mentes dos apreciadores cariocas!
Os excelentes vinhos eram muitos, mas
eu tenho de destacar o Amarone della
Valpolicella Classico Sartori 2003.
Pouco custo para muito benefício!
28
Leia mais no site:
www.enoeventos.com.br
Oscar Daudt
Enófilo
[email protected]
Vinho&Cia - No. 34
Paralelo 30
Um novo caminho
em Porto Alegre
Foto de Ricardo Frantz/Divulgação MARGS
Capuccino Duplo, e o Café Santo de
Casa, este no 7º andar, local onde já
foi o Café Concerto Majestic. Aqui as
sugestões são etílicas, pois a carta de
vinhos é a que tem melhor margem de
preço dos arredores. Vinhos nacionais e
importados podem ser degustados tendo
como vista o pôr-do-sol no Guaíba. Se
bobearmos ainda, caímos na Tea Shake,
uma espécie de balada bem comportada
que acontece no primeiro sábado de
cada mês.
Carla Maicá
Colunista
[email protected]
O
Centro de Porto Alegre está
recebendo atenção especial nos
últimos anos. Uma espécie de revitalização da zona central abarca alguns
projetos interessantes, como o Caminho
dos Antiquários, Viva o Centro a Pé e,
mais recentemente, o Caminho do Livro,
que toma conta da rua Riachuelo em todos
os sábados das 10h às 16h. Mas, além
de arquitetura, antiguidades e literatura,
poderíamos pensar para o Centro num
Caminho dos Cafés!
Quem arrisca? Pique para tal, depois
de tantos cafezinhos, nós temos!
Uma das paradas obrigatórias no Centro,
o Café do MARGS está com nova carta de vinhos.
Foto de Cláudia Vagner
Caffè del Barbiere, na r. Jerônimo
Coelho, 188, junto da tradicional
Barbearia Elegante, de 1947.
Vinho&Cia - No. 34
O Centro está com várias possibilidades para os apreciadores de cafés, seja
ele aquele expresso nosso de cada dia, ou
receitas elaboradas com licores, sabores,
chantilly e, porque não, boas taças de
vinho.
Sigamos o aroma e chegaremos no Café
do MARGS. Não tem como nos perder.
Aqui já podemos ousar um pouco e pedir
uma taça de espumante, ou ainda um tinto
bem encorpado para aguentar o vento que
sopra do Guaíba.
Poderíamos começar pelo Café do
Mercado, que, embora pequeno, oferece
um dos cafés mais bem tirados da cidade.
Ali, um espresso curto para começar bem
o nosso percurso.
Depois andamos até o Santander Cultural, até o seu Café do Cofre, instalado
dentro do cofre do antigo Banco Nacional
do Comércio. Um pingado bem cremoso,
por favor.
Sim, não só de cafeína vivem os cafés
portoalegrenses, e isso fica claro na nossa
próxima parada: o Caffè del Barbiere,
na Jerônimo Coelho. Se for quarta ou
sexta-feira, melhor ainda, pois poderemos
almoçar um excelente menu do chef Marcelo Schambeck e ainda escolher um dos
rótulos disponibilizados no quadro negro.
Se não é um dia desses, nos rendemos aos
cafés, à boa música e ao bom gosto do ambiente. Café com Hortelã, Café Macuco,
Café à Brasileira, Província do Café...
Seguimos para o Museu de Artes do
Rio Grande do Sul, o MARGS. Aproveitamos para ver alguma exposição ou
para apreciarmos o acervo do museu.
O caminho é longo e o seu final é na
Casa de Cultura Mario Quintana, com
duas opções: o Café dos Cataventos,
onde obrigatoriamente a pedida é o
Final do caminho: pôr-do-sol,
música ao vivo e vinhos em conta
no Café Santo de Casa
29
Festival de Vinhos no Sul
A descoberta
do Chef José Forte
hegamos à 5ª edição de festivais
de vinho no Sul e, depois de Porto
Alegre e Gramado, é a vez de uma
nova descoberta: Novo Hamburgo sediar
mais um evento... E em grande estilo.
De 15 de setembro a 31 de outubro
você tem a possibilidade de saborear três
pratos harmonizados com vinhos que foram selecionados em degustação às cegas
no restaurante Chef José Forte – Cozinha
Contemporânea.
C
A apresentação dos pratos agrada os
olhos, com combinações de cores e texturas. E os pratos escolhidos para o festival
são apenas uma amostra. O cardápio é
novo e apresenta pratos com massas,
pescados e carnes.
A carta de vinhos também passou por
mudanças e apresenta rótulos do Novo
e do Velho Mundo. Excelentes taças e
adeguinha garantem um bom serviço de
vinho.
A descoberta
As criações
Depois de marcar presença em restaurantes de Porto Alegre e Florianópolis,
José Forte retorna a Novo Hamburgo com
o intuito de abrir um espaço diferenciado.
Localizado no bairro Hamburgo Novo,
área nobre da cidade, o restaurante exprime os princípios profissionais de José:
um bom ambiente, critério na escolha dos
ingredientes – matéria prima de sua arte
– e excelente atendimento.
O ambiente é clean e aconchegante:
cadeiras de vime e paredes de vidro dão
a sensação de leveza, algo quase como se
sentir em férias.
O Festival também serve para apresentar o novo cardápio da casa. Dele foram
escolhidos três pratos distintos para compor as opções de harmonização.
O primeiro é o “Linguado em creme
macerado de pitanga, abacaxi, cachaça e
pimenta”, que é bastante peculiar pela acidez do abacaxi e pelo equilíbrio do sabor
do peixe, que ameniza tal acidez.
O “Mini ravioli de vitelo ao molho
de cèpe e alho-poró crocante” tem molho
cremoso, muito gostoso. É um prato que,
sendo de massa, é leve, com nuances de
sabores dados por ingredientes bem equi-
30
librados: desde a textura do molho até o
toque dado pelo alho-poró.
O terceiro é o exótico e saboroso
“Trançado de mignon e parma ao chutney
de pêra e farofa thay”. O sabor da carne
e do parma estão muito bem combinados
com o chutney, que interage com a deliciosa farofa.
Chef José Forte
Av. Dr. Maurício Cardoso, 1216
Novo Hamburgo, RS
(51) 3582-8806
Festival dos pratos com os vinhos
de 15 de setembro a 31 de outubro
Vinho&Cia - No. 34
Festival de Vinhos no Sul
Os vinhos selecionados
para combinar com as descobertas
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Linguado em creme macerado de pitanga, abacaxi, cachaça e pimenta
ord.
fornecedor
fone
produtor
1
Sanjo
(49) 3233-0012
Sanjo
2
Miolo
(51) 2108-0150
Miolo
origem
região
vinho
tipo
uva
safra
R$
Brasil
São Joaquim
Núbio
Rosé
Cabernet Sauvignon
2005
45
Brasil
Campanha Gaúcha
Fortaleza do Seival Pinot Grigio
Branco
Pinot Grigio
2006
26
tipo
uva
safra
R$
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Mini ravioli de vitelo ao molho de cèpe e alho-poró crocante
ord.
fornecedor
fone
produtor
origem
região
vinho
A
Miolo
(51) 2108-0150
Miolo
Brasil
Campanha Gaúcha
Fortaleza do Seival Pinot Noir
Tinto
Pinot Noir
2007
26
B
Suzin
(49) 3233-1038
Suzin
Brasil
São Joaquim
Suzin Merlot
Tinto
Merlot
2006
49
vinho
tipo
uva
safra
R$
Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Trançado de mignon e parma ao molho ao chutney de pêra e farofa Thay
ord.
fornecedor
fone
produtor
origem
região
a
Sanjo
(49) 3233-0012
Sanjo
Brasil
São Joaquim
Maestrale
Tinto
Cabernet Sauvignon
2005
60
b
Suzin
(49) 3233-1038
Suzin
Brasil
São Joaquim
Suzin Cabernet Sauvignon
Tinto
Cabernet Sauvignon
2006
49
Linguado
Mini Ravioli
Trançado de Mignon e Parma
O Linguado, marcado pela acidez do abacaxi e
pela presença de pitanga e de pimenta, exige vinhos
mais estruturados, porém com aromas leves. O Núbio Rosé, da Sanjo, de Santa Catarina, se mostra versátil, principalmente na combinação com a pimenta.
Já o branco Pinot Grigio da Miolo, da Campanha
Gaúcha, por apresentar leveza de aromas e boa acidez, harmoniza melhor ainda quando a especiaria,
por escolha, não está presente no prato.
O segundo prato apresenta cremosidade interessante, dada pelo molho de cèpe em que os Mini
Ravioli são servidos. A marca do funghi é leve
e combina muito bem com tintos mais frutados,
como o Fortaleza do Seival Pinot Noir, da Miolo,
da Campanha Gaúcha, e o Suzin Merlot, de São
Joaquim, em Santa Catarina, que deixam o prato
mostrar os seus aromas.
O Trançado de Mignon e Parma é o prato que
exige tintos mais potentes, mas tintos que respeitem
os aromas das frutas que o compõem. Aqui dois
Cabernet Sauvignon com taninos equilibrados vão
muito bem no desafio: o Maestrale, da Sanjo, e o
Suzin, ambos de São Joaquim, em Santa Catarina.
1
2
A
B
a
b
Os vinhos foram selecionados às cegas pelos degustadores Carla Maicá, Edmur de Camargo Pinto, Gisele Lorenzini, José Luís Rodrigues, Magali Barberena, Maria Amélia,
Patrícia Possamai, Paulo Mazeron e Roberto Lorenzini.
Vinho&Cia - No. 34
31
Guia no Sul
Acontece no Sul
Onde Beber
Enologia e Saúde
De 24 a 26 de setembro o Parque de Eventos de Bento Gonçalves é a sede de dois eventos: XII Congresso Brasileiro
de Viticultura e Enologia, organizado pela Embrapa Uva
e Vinho, com o objetivo de discutir o desenvolvimento e a
tecnologia da viticultura brasileira para a projeção nacional e
internacional de nosso vinho, e o II Simpósio Internacional
Vinho e Saúde, organizado pela Associação Brasileira de
Enologia, que reune especialistas e pesquisadores de diversas
áreas, com apresentação de trabalhos sobre os benefícios do
vinho e do suco de uva à saúde.
Inscrições e informações:
www.enologia.org.br, (54) 3452.6289
Nhoque!
Para os supersticiosos, ou para os que apenas apreciam um
bom nhoque, a D.O.C. Champanharia e Risoteria promove
no dia 29 de cada mês o Nhoque da Sorte. O tradicional prato
pode ser acompanhado pelas opções de espumantes da casa,
ou de alguns rótulos de tintos que a casa oferece no inverno.
D.O.C. Champanharia e Risoteria
Rua Jaime Telles, 325 – Bela Vista
(51) 3332-9094
De segunda a sábado, jantar
Moinhos de Vento
Centro
Cidade Baixa
Tutto Riso
Atelier de Massas
Casa de Portugal
Num ambiente decorado em clima
italiano, os saborosos risotos criados
por Paula La Porta podem ser harmonizados com algum dos 122 rótulos da
Enoteca Conte Freire que são expostos na recepção com orientações e
dicas de harmonização. Bons vinhos
em taça na “Sugestões da Semana”.
Na carta 173 rótulos de vários países
e preços, ½ garrafas e, em taça, o
misterioso “sem rótulo”. Decoração
com garrafas e obras de arte. O chef
e proprietário Gelson Radaelli cuida
da carta, atento às novidades. Massas frescas e artesanais criativas. Já
realizou festival do Vinho&Cia.
Tradicional casa de culinária portuguesa que oferece 89 rótulos para os
seus 34 pratos. Vinhos do Porto são
oferecidos em cálice. O restaurante
promove degustações de apresentação de algum vinho da carta, como
aconteceu recentemente com uma
vinícola.
Rua Dinarte Ribeiro, 116
(51) 3222-1934. Fecha domingo
R. Riachuelo, 1485, Centro
(51) 3225-1125. Fecha dom
Av. João Pessoa, 579, 3286-2067.
Fecha 2a
El Fuego
Gambrinus
Santíssimo
Opção dentro do espaço do shopping
Moinhos para almoços e jantares com
grelhados e saladas, em espaço bastante amplo. Carta com 180 rótulos de
vários países, com várias opções da
importadora Decanter. Adega climatizada e boas taças.
(51) 3346-2728
Restaurante mais antigo de PoA,
desde 1889, com público cativo e
rótulo próprio, Reserva Especial
Gambrinus, da Marson. Na carta,
atenção especial aos rótulos portugueses. Vinhos em conta e ambiente
agradável para pescados em pleno
burburinho do Mercado Público.
Casarão restaurado do século passado com decoração de antiquários
e cardápio variado com pratos com
nomes de santos. 97 rótulos, 25 chilenos. Tem guia de vinhos elaborado
junto com a Miolo, contendo história
do vinho, explicações, dicas, conservação, taninos, degustação...
Rua Olavo Barreto Viana, 36
Shopping Moinhos. Não fecha
Av. Borges de Medeiros, 85, Centro
(51) 3226-6914. Fecha dom
R. Sarmento Leite, 888, Cid. Baixa
(51) 3024-1939. Fecha alm
Bistrô Porto Alegre
Bistrô MARGS
Monte Polino
Bistrô do hotel Sheraton de Porto
Alegre. Carta enxuta com rótulos da
Argentina, Chile, Brasil e França com
preços justos. Atenção extra-carta ao
vinho nacional com jantares harmonizados. Boas taças. Bom atendimento
e ambiente clássico, com preços de
hotel internacional.
Localizado num dos principais pontos da cidade, o Bistrô do museu
MARGS é alternativa para almoço
ou happy hour para quem está no
Centro. Suas mesinhas na rua são
disputadas principalmente em época
da Feira do Livro. Carta enxuta e
rótulos conhecidos.
Na carta são 40 rótulos mas há oferta
maior. É só olhar ao redor e perceber
que o vinho é um dos motivos da
casa de culinária típica italiana. A
Taverna, que existe há mais de 20
anos, oferece rótulos nacionais, argentinos, chilenos e do Velho Mundo.
Boas taças e adega climatizada.
R. Olavo Barreto Viana, 18
(51) 2121-6057. Não fecha
Praça da Alfândega, s/n, Centro
(51) 3018-1380. Fecha jan sáb/dom
R. Br. do Gravataí, 531, Cid. Baixa
(51) 3224-2372. Não fecha
Nova loja em Porto Alegre
Agora é a vez da importadora Grand Cru se instalar na
cidade. Nesse mês uma das maiores importadoras de vinhos
do país abre suas portas na rua Schiller, no bairro Moinhos
de Ventos.
4a. edição
De 18 a 20 de setembro acontece a 4ª edição do Vinho&Arte
no Vale dos Vinhedos, organizado por Maria Amélia Flores e
Luciana Zotz. O evento é realizado no SPA do Vinho, e tem na
programação workshops e palestras com nomes importantes,
almoços, jantares e, claro, muitas degustações.
Maiores informações: Maria Amélia Duarte Flores
[email protected] (51) 9331-6098
Cotações
Excepcional local onde beber
Livros
Bom local onde beber
variedade
rótulos especiais
taças e adega climatizada
orientado por sommelier
Local com atrativo para beber
carta orientativa
a
Local onde beber
32
a
vinhos baratos
Muito bom local onde beber
Para os que tiverem interesse nos livros “Slaviero – João:
pioneirismo na viticultura gaúcha” e ‘Nossa Senhora da Uva”,
de Floriano Molon, anunciados na edição nº 32, o e-mail para
contato é: [email protected]
Serviço de vinhos
sobrepreço
Faixas
excepcional variedade
grande variedade
variedade razoável
ótimo sobrepreço
bom sobrepreço
margem intermediária
margem superior
Vinho&Cia - No. 34
Vinho é Arte
Vinhos
e experiências
Maria Amélia Duarte Flores
Enóloga
[email protected]
D
esde o início da minha carreira
como enóloga optei por algo diferente, que é trabalhar a cultura
do consumo de vinho. Sim, a elaboração
apaixona, acompanhar cada momento do
surgimento de um vinho é uma experiência única; conviver entre os vinhedos
então, com as pessoas que trabalham
nas vinhas, a natureza, tem sua magia.
Mas atuar junto ao apreciador, tentando
entender o que ele busca, trazendo ações
diferentes, com criatividade, acabou sendo
minha escolha de vida.
Tenho que ir além de marketing. Além
de novas marcas, busco a história, detalhes
e peculiaridades, e crio as experiências,
sejam degustações, viagens ou jantares.
Uma idéia foi brincar de harmonizar
vinhos com chocolates, uma combinação
muitas vezes desastrosa, mas que muita
gente adora. Não parti do preceito técnico,
mas da idéia de aprofundar o conhecimento de algo que as pessoas simplesmente
gostam de fazer. Obtive agradáveis surpresas: em todas as edições sempre os vinhos
brasileiros, principalmente os com base
em Tannat ou castas portuguesas foram os
preferidos. Talvez pelo bom corpo, taninos
presentes em boa quantidade para lutar
com o cacau, ou pelas notas que lembram
o vinho do Porto. Não saberia exatamente
a explicação, mas foram degustações onde
todos se divertiram.
Outra combinação que adoro “tentar”
é com comida tailandesa. Já realizei
cerca de quatro jantares junto ao Koh
Pee Pee, uma referência em Thai Food
Vinho&Cia - No. 34
Terraço do Villa Europa, Spa do Vinho, rodeado pelos vinhedos da vinícola Miolo em Bento Gonçalves
no sul do Brasil, e sempre foram grandes
acontecimentos. Os pratos tailandeses se
caracterizam pela pimenta, moída, em
molho, de todas as formas, alguns com
mais e outros com menos intensidade.
Ao que percebi, a companhia ideal são
os espumantes, que devem estar extremamente gelados. Outra opção são
vinhos que tenham algo de acidez, mas
também que lembrem a mel e amêndoas,
contrastando com molhos agridoces.
Neste último, utilizei um vinho do sul
da França, Duo Mythique Chardonnay
e Muscat, talvez o preferido na harmonização.
Nossa próxima experiência é o encontro Vinho e Arte, que este ano acontece no
SPA do Vinho, em Bento Gonçalves. Lá
aliamos o vinho à saúde, além de muita
arte, entre os dias 18 e 20 de setembro.
Enfim, temos que trabalhar ainda
mais a cultura do vinho, mostrar que não
é uma simples bebida, nem coisa apenas
de entendedores ou sofisticados demais: é
uma bebida que permite diversão, conhecimento, novos amigos.
Estimulando um consumo racional e
trazendo experiências diferentes, formamos novos consumidores e reforçamos
o conhecimento dos já apreciadores, valorizando, assim, enólogos, sommeliers,
produtores, restaurantes, enfim, toda esta
gente apaixonada por vinho.
Salut!
33
EmBoaCia
“
Viva mais
além das garrafas
de vinhos
Para onde vamos?
Para a montanha?
Espumante à beira da piscina na Pousada do Cedro,
em Santo Antônio do Pinhal, SP
Restaurante Nó de Pinho, no Solar D’Araucária,
na pacata Gonçalves, MG
U
ares de montanha é ideal para o nosso
caso. Entre diversas opções, destacamos
a Pousada do Cedro, que une natureza,
paisagem com vista para o Pico Agudo
e romantismo. E após uma trilha ou
cavalgada, para completar o relax, é
bom não nos esquecermos de aproveitar
saunas, hidromassagem e cromoterapia.
E para terminar o dia com chave de
ouro, aproveitar a carta de vinho com
70 rótulos.
podemos escolher o Solar D´Araucária,
que além de ter charme nos deixará mais
próximo do chef Sérgio Peres. Ele atualmente comanda o restaurante Nó de Pinho, e pode nos proporcionar experiências
inesquecíveis. Lá, até outubro, acontece o
Festival da Primavera, com foco na “alcachofra”. Será que o chef sabe cozinhar?
Eu já tive a oportunidade de saborear suas
criações e recomendo que você mesmo dê
a sua opinião.
Podemos continuar pela estrada, rumo
a Minas Gerais e chegar em Gonçalves,
onde, para relaxar, a melhor pedida é ficar
literalmente boiando nas águas geladas
de um poço de uma das inúmeras e belas
cachoeiras da região, se deleitando com
o azul do céu. Para nos hospedarmos,
Quer ficar com mais água na boca?
Então, anotemos: www.pousadadocedro.
com.br; www.solardaraucaria.com.br e
www.nodepinho.com.br.
ma mudança de rumo... Uma
mudança de casa... Excesso de
atividades e responsabilidades...
Nada melhor do que dar uma fugidinha,
buscando um recanto, um lugar ao sol (ou
à sombra!), acompanhado de um envolvente livro de romance (ou de seu estilo
preferido – este é o meu!) e de uma taça
“daquele” vinho.
Qual é o seu limite de quilometragem? Quer um lugar perto de Sampa e
uma boa estrada? Então, para lá vamos!
Sigamos pela Airton Senna e Carvalho
Pinto e subamos a serra. Você pensou em
Campos do Jordão? É uma boa pedida,
mas vamos parar 12km antes, em Santo
Antonio do Pinhal. A cidadezinha com
34
volante enquanto pensa na vida, então vá
à Bahia, a Pernambuco ou ao Ceará. Pode
ir de avião também, mas não se esqueça de
nos contar onde descolou uma boa taça!
Adriana Bonilha
Colunista
Agora, se você é daqueles que gosta
de uma estrada mais longa, de horas ao
[email protected]
Vinho&Cia - No. 34
Alta Gastronomia
Chocolate em alta
no Gran Concurso Maya
Jorge Monti
Presidente da Abaga
[email protected]
S
entimos que a cada dia há um crescimento considerável no consumo
de alimentos no Brasil, sendo o
chocolate, uma paixão no mundo dos
doces, uma preferência unânime neste
segmento, o grande destaque positivo
desta evolução.
Os confeiteiros brasileiros seguem
uma linha rígida de profissionalismo.
Aprimoram constantemente suas técnicas
de elaboração do chocolate, o que nos
permite contar com a participação destes
mestres em grandes eventos ao redor do
mundo. Vale destacar a criação da primeira seleção nacional de confeitaria através
da Abaga na participação no maior concurso de confeitaria da América Latina,
O Maya – nos dias 10, 11 e 12 de setembro na Cidade do México, no evento da
Abastur 2008 (www.abastur.com). Nove
países fazem parte de um confronto em
busca de três vagas para a copa do mundo
de confeitaria na cidade de Lyon, França,
em janeiro de 2009.
A equipe brasileira é formada pelos
seguintes integrantes: Rafael Barros,
coordenador do Centro de Gastronomia
Anhembi Morumbi, Ramiro Bertassim,
confeiteiro do Hotel Renassaince SP, e
Cledivânio Ajar, confeiteiro do Hotel
Intercontinental SP, que fecham o corpo
de confeiteiros do grupo. Os jurados são
Marcelo Pinheiro, chefe executivo do
Hotel Intercontinental SP e diretor de
Concursos da Abaga, e pela coordenadoria geral, no caso, eu, Jorge Monti de
Valssassina, presidente da Abaga.
O tema escolhido pelos membros é a
Amazônia. São apresentadas figuras de
açúcar e chocolate e três bolos diferen-
tes. Os três mais bem colocados recebem
a premiação em dinheiro no valor de
U$10mil, U$6mil e U$3 mil, além de
medalhas e garantia de participação na
copa do mundo, que, como citamos anteriormente, será realizada na França.
Patrocinado pelo Sindicafé, ABIC
(Associação Brasileira da Industria do
Café), APEX (Agência de Promoção de
Exportação e Investimentos), Atelier André Razuk, Fornos Prática, Abaga, Universidade Anhembi Morumbi e Nascimento
Turismo, o time brasileiro tem tudo para
vencer este concurso.
Vamos torcer pelo Brasil!
Combinando chocolate com vinhos
Não é fácil a tarefa de harmonização de vinhos com chocolate. Certas propriedades
do vinho e certas do chocolate entram em conflito. O vinho por natureza é ácido, e,
no caso dos tintos, taninoso. O chocolate, pelo seu lado, é doce, ácido e amargo. E
ácido não combina com amargo. Assim, pela lógica de sabores, só da pra combinar
vinho com chocolate se o vinho for doce, ou pouco ácido e pouco taninoso. Isso
recai nos vinhos de sobremesa, doces. As melhores combinações são em geral
com Banyuls, francês, e o licor de Tannat, uruguaio. Porto Vintage também em
geral combina, mas outros do tipo Porto, não. Também em geral não combinam
bem os doces brancos, do tipo Sauternes, em função das características específicas
de sabor. Mas o mundo do vinho é vasto, e podem haver certas combinações que
possam agradar ao seu gosto particular. É só tentar.
Vinho & Cia - No. 34
35
Charutos & Destilados
Harmonizando
charutos e cervejas
César Adames
Consultor gastronômico
[email protected]
P
referência nacional, a cerveja nunca
foi levada a sério como bebida para
acompanhar um bom charuto. Isto
está mudando radicalmente com a descoberta das cervejas artesanais. Fabricadas
por micro-cervejarias elas começam a
fazer sucesso entre os apreciadores de
charutos. A diferença das artesanais para
as demais cervejas do mercado é que as
primeiras seguem a Lei de Pureza da Baviera (conhecida como Reinheitsgebot).
Proclamada na Alemanha pelo Duque
Guilherme IV, em 1516, esta lei garante
que apenas água pura, cevada, lúpulo e
fermento sejam utilizados no processo de
fabricação das cervejas.
Dos vários tipos de cervejas que
seguem este padrão a Rauchbier é uma
das que mais combinam com charutos.
Rauch, em alemão, significa fumaça, e
é produzida com maltes defumados da
região de Bamberg, na Alemanha, onde
fica a melhor e mais famosa maltaria do
mundo. Antigamente, todas as cervejas
tinham um toque defumado em seu sabor, pois todos os maltes eram secos com
fogo proveniente da queima de madeira.
Em meados de 1700, com a invenção de
secadores que utilizavam o carvão como
combustível, a maioria das cervejas abandonou o caráter defumado. As cervejarias
de Bamberg, porém, permaneceram fiéis
à tradição até hoje.
Não muito longe de São Paulo, na
cidade de Votorantim, a Bamberg Micro
Cervejaria começou a produzir a sua
própria Rauchbier. Para elaborar este tipo
de cerveja os proprietários convocaram o
Bier Sommèlier e mestre cervejeiro alemão Stefan Grauvogl. Grauvogl fez sua
primeira cerveja aos 15 anos de idade e
com 23 anos formou-se Mestre Cervejeiro
na Doemens em Munique. Neste período
começou a prestar consultoria para importantes cervejarias dos EUA, Japão,
Cingapura, China e Rússia.
Com teor alcoólico de 6,5%, a Rauchbier apresenta coloração acobreada e
paladar seco. O toque defumado vai de
encontro com os sabores presentes no
tabaco. A Bamberg Rauchbier será uma
cerveja que estará disponível o ano todo,
e a previsão é que ela chegue ao mercado
na primeira semana de setembro.
Eisenbahn Dama do Lago
Cerveja vencedora do primeiro concurso Mestre
Cervejeiro, organizado pela cervejaria Eisenbahn,
a Dama do Lago é uma belgian strong ale, do subestilo Belgian Dark Strong Ale, que tem 9% de
teor alcoólico. Encorpada, licorosa, maltada, com
médio amargor. Tem aroma e sabor frutado e de
especiarias, principalmente cravo, malte e toffe.
Preço médio de R$ 32 pela garrafa de 370 ml.
Baden Baden Tripel
Elaborada com a combinação de maltes especiais,
tripla fermentação e um longo processo de maturação, que lhe confere coloração ouro avermelhado,
corpo marcante, aroma adocicado e alto conteúdo alcoólico. Envasada numa exclusiva garrafa
de cerâmica preta, a cerveja tem aroma e sabor
complexos, com forte presença de frutas e notas
de avelã. Tem teor alcoólico de 14%, três vezes
mais do que as cervejas pilsens tradicionais. Preço
médio de R$70 e quantidade limitada a duas mil e
quinhentas garrafas numeradas.
Colorado Demoissele
Essa cerveja do estilo Porter, a primeira
escura da cervejaria de Ribeirão Preto, é feita
com maltes importados da mais alta qualidade
e café selecionado da região da Alta Mogiana.
A Demoiselle tem 6% de teor alcoólico e preço
médio de R$ 12
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Vinho&Cia - No. 34
Comportamento
Beniamino Gigli
e Marchesi di Barolo
Didú Russo
Confraria dos Sommeliers
[email protected]
N
os domingos lá em casa, o cheiro
do molho do macarrão que a minha mãe preparava, tomava conta
de todos os ambientes e transbordava para
a rua, misturado ao som de canzzonetas
italianas cantadas pelo Gigli.
É claro que havia outros cantores
também, como o Carlo Buti, o Franco
Corelli, o Titto Schipa, o Luciano Taioli,
o Domenico Modugno, mas o Gigli era
presença marcante, pois afinal, papai havia
sido amigo pessoal do Gigli, que quando
vinha a São Paulo, fazia questão de andar
no Hudosn do papai.
Quando o Gigli veio a São Paulo, o papai largou tudo e foi até o Hotel Esplanada,
e lá ficou até o Gigli atendê-lo. Acabaram
ficando amigos, papai cantou para ele,
e ele inclusive quis levar meu pai para
a Itália! “ Vou fazer de você um grande
tenor, Russo” dissera ele ao meu pai que,
acabou amarelando, coitado. Também o
homem acabara de montar seu escritório,
minha mãe já com uma filha nos braços e
meu irmão a caminho… Não deu.
O Gigli foi em casa comer da macarronada da Mamãe acompanhada sempre
de Marchesi di Barolo. Podia ser um
Spumante de Nebbilo, um Bracheto,
um Barbaresco, um Barolo até, mas do
Marchesi.
Vinho&Cia - No. 34
O papai ficou tão fanático pelo Gigli, que numa apresentação de Aida, os
produtores resolveram surpreender a
platéia, inserindo um elefante no palco do
Municipal. O papai havia comprado um
binóculo e ficou lá a ópera inteira só em
cima do Gigli, estudando suas reações,
como respirava, como entrava e saía da
cena, etc. Terminada a peça, todos se
perguntavam:
–
Que incrível, não? Um elefante
no palco!
–
Elefante?! Que elefante? Perguntou meu pai que não havia visto nada que
não fosse Beniamino Gigli…
Você pode imaginar em que figura
mítica se transformou o Gigli na minha
casa. Tenor para meu pai era o Gigli, o
resto não se comparava a ele. A cada novo
que aparecia, lá vinha o papai com o disco
do cara e comparava com o Gigli.
Assim foi com Giuseppe Distefano,
Gianni Raimondi, Mario Del Monaco,
Fritz Wunderlich e tantos outros que
nunca superaram o Gigli.
Ficaram as histórias e a amizade deles.
Tenho hoje discos autografados pelo Gigli
e uma foto com um carinhoso texto dele
para meu pai.
Hoje, possuo diversos CDs que comprei do Beniamino e sempre que os ouço
vejo meu pai a meu lado dizendo:
–
Veja meu filho, que meia voz
tinha ele, ouça Una Furtiva Lacrima e
ache alguém que chegue perto.
Assim, aos domingos hoje, lá em
casa, apura-se o molho para o macarrão,
que invade a praça, e ouve-se Beniamino
Gigli, sempre acompanhado de um bom
vinho italiano. Até os vizinhos já sabem
que não há outro igual, e dá-lhe O Sole
Mio, Santa Lucia, Core ‘Ngrato, Mamma,
e por aí a fora.
37
Crônica
Ted Bebedor
investiga o grampo
Regis Gehlen Oliveira
Editor do Vinho&Cia
[email protected]
M
ais um fim de tarde tranqüilo na
redação do Vinho&Cia. O Cesar Adames já foi para um dos
poucos bares que ainda aceita fumantes
no planeta, o José Ivan saiu para comprar
uma régua de cálculo novinha, o Beto
Acherboim foi contar alguma estória de
leão da África no seu haras virtual, o Didú
Russo disse que ia comprar uma gravata
borboleta nova para o evento de amanhã,
a Carla Maicá já ligou do Sul avisando que
iria tomar um espumante, o Oscar Daudt
falou do Rio que vai charlar com um mate
antes de um enoevento...
- Ted Bebedor, mais uma missão para
você!
O editor abre com força a porta bangue-bangue da redação e entra com todo
o ímpeto...
- Essa estória de grampo precisamos
investigar. Pode ser que os nossos telefones estejam em escuta. Já pensou se vem
a público tudo o que sabemos sobre o
mundo do vinho?
Bah!... Tranqüilidade não existe por
muito tempo. Como é dura a vida de
repórter do vinho!
- Bom, Ted, o caso está em suas
mãos!
O editor deixa a sala. A porta banguebangue faz plec, plec.
Bem... Resta planejar, traçar uma
estratégia, uma ação tática... Vamos colocar um CD com uma musiquinha para
inspirar.
“Eu canto / Porque o instante existe /
E a minha vida está completa / Não sou
alegre nem sou triste / Sou poeta...”
- Ted, o que você pensa fazer?
- Não sei ainda, caro leitor.
- Hum!... Me diz uma coisa... Bela
música, hein? Da Cecília Meirelles e
38
Fagner, né?
- Isso mesmo, caro leitor.
- Ted, está na hora de um vinhozinho,
não?
- Boa idéia, boa idéia! Esse assunto
é meio eletrizante, acho que merece um
tintão bem encorpado.
- Harmoniza bem com o momento...
Sabe, Ted, pensei numa coisa... Que tal
você ligar na operadora de telefonia e
perguntar se o telefone está grampeado?
- Grande idéia, caro leitor! Como não
tinha pensado antes?
Toca o CD...
“Irmão das coisas fugidias / Não sinto
gozo nem tormento / Atravesso noites e
dias / No vento”
Tuu, tuu, tuu...
- Boa noite! Bem-vindo ao atendimento digital da melhor operadora do país!
Por favor, digite o número do seu telefone
com o prefixo...
- Ted, o seu telefone é ainda daqueles
antigos, de disco. Será que funciona?
- Não sei, vamos tentar!
Bruu, bru, bruuuu, bruu, bru...
- Para falar com vendas, disque 576,
com manutenção disque 893, com serviço de contas, 999, ou aguarde para ser
atendido...”
- Ted, funcionou! Mas acho que não
tem um número para discar e falar sobre
grampos. Acho melhor você aguardar para
ser atendido.
Tuu, tuu, tuu, tuu...
- Parabéns, você está na melhor operadora do país! No momento todos os
nossos atendentes estão ocupados, mas
dentro de instantes alguém “estará lhe
atendendo”.
- Deve ser só alguns minutinhos,
Ted.
- Vamos com mais um gole do tintão
encorpado?
- Claro, claro...
- Parabéns! Daqui a pouquinho um
de nossos atendentes “estará lhe atendendo”.
- Será que riscou o disco, caro leitor?
- Ted, essa estória de disco riscado
é meio antiga, do tempo do Didú e do
Ivan. Hoje é tudo gravação digital, não
tem risco.
- Ah!...
- Boa noite, senhor! Meu nome é
Emanuel. Qual é o número do seu telefone
com o prefixo?
- Mas eu já digitei o número com o
prefixo.
- Senhor, é que, para sua segurança,
eu “estarei precisando” novamente do
número... Obrigado, em que poderei “estar
lhe sendo” útil?
- Eu gostaria de saber se o meu telefone está grampeado.
- Perfeitamente, senhor. Para sua segurança, vou “estar lhe pedindo” que me
confirme alguns dados... Seu RG... Sim...
Nome do pai... Sim... Data de batismo...
Obrigado, senhor... Só um minutinho, por
favor, enquanto “estarei confirmando”
alguns dados.
- Mais um gole de tintão, Ted?
- Acho que mais um, né, caro leitor?
“Se desmorono ou se edifico / Se permaneço ou me desfaço / Não sei se fico
/ Ou passo”
- Obrigado por estar aguardando,
senhor. O meu sistema diz que preciso
“estar transferindo” para outro setor...
Por favor, mais um minutinho enquanto
“estarei transferindo”...
- Ted, será que vamos conseguir obter
a informação sobre o grampo?
- Não sei... Mas o tintão está ótimo!
Só falta um bifão aqui.
- Hummmm!
Tuu, tuu, tuu...
- Por favor, digite o número do seu
telefone com o prefixo...
- Bah, Ted...
“Eu sei que canto e a canção é tudo
/ Tem sangue eterno a asa ritmada / E
um dia eu sei que estarei mudo / Mais
nada”.
Vinho&Cia - No. 34
FESTIVAL em Belo Horizonte
PIZZAS, VINHO&CIA
APRECIE A PREÇOS ESPECIAIS NA VINÍCIUS OS VINHOS QUE RECEBERAM
A MEDALHA CIA. DE OURO DO VINHO&CIA COM 3 TIPOS DE PIZZAS
PIZZA
MARGUERITA
PIZZA
QUATRO QUEIJOS
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VINÍCIUS
Alentex
Rosé
Alentejo
Casa Geraldo
Cabernet,
Merlot, Tannat
Domaine Conté
Selección
Carmenère
Domaine Conté
Selección
Chardonnay
Lurton
Malbec
Tinto
Rosso
Toscano
I Piaggioni
Alentex
Tinto
Alentejo
Côtes du Rhone
Domaine
La Soumade
Riparosso
Montepulciano
D’Abruzzo
R$43
R$15
R$42
R$42
R$30
R$55
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ATÉ 31 DE OUTUBRO DE 2008
SOMENTE NA VINÍCIUS, NA R. PIUIM-Í, 1259, SION, (31) 3287-7444, BELO HORIZONTE
Vinho&Cia - No. 34
39
DOIS FESTIVAIS IMPERDÍVEIS
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DO NAM THAI
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Rua Manuel Guedes, 444, Itaim Bibi, (11) 3168-0662, São Paulo, SP
A GRANDE COZINHA CONTEMPORÂNEA
DO CHEF JOSÉ FORTE
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Av. Dr. Maurício Cardoso, 1216, (51) 3582-8806
Novo Hamburgo, RS
ATÉ 31 DE OUTUBRO DE 2008, APRECIE A PREÇOS ESPECIAIS NOS DOIS RESTAURANTES
OS PRATOS E OS VINHOS QUE RECEBERAM A MEDALHA CIA. DE OURO DO VINHO&CIA
APOIO
APRECIE COM MODERAÇÃO
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Festival de vinhos em nova descoberta