Ano 4 - Número 34 - R$ 7,00 ConVisão ISSN 1982-8381 Vinho&Cia Festival de vinhos em nova descoberta Descobrimos mais um restaurante imperdível no Sul: confira as criações do Chef José Forte com vinhos O Que Beber Dicas de custo-benefício para rechear a adega Vinhos que provamos antes para você beber melhor Tudo do Vinho Vinhos brasileiros de olhos bem puxados Piet Dreyer, o sul-africano rei das lulas Vinhos bons e baratos Brasil do Vinho A cozinha tailandesa do Nam Thai com vinhos O que acontece na Cidade Maravilhosa Um novo caminho em Porto Alegre Linguado em creme macerado de pitanga, abacaxi, cachaça e pimenta, do chef José Forte, acompanhado de Núbio Rosé Em Boa Cia Para onde vamos? Para a montanha? Beniamino Gigli e Marchesi di Barolo Ted Bebedor investiga o grampo Merlot & Bufê diferenciado: que rótulos harmonizam melhor 2 Vinho&Cia - No. 34 São Joaquim, Santa Catarina, a mais de 1300m de altitude Deixando o preconceito de lado, a gente descobre o que a altitude faz por um rosé Núbio Rosé No mundo não existe nada igual Fora do convencional, o Núbio Rosé Cabernet Sauvignon é encorpado e seco, e tem uma acidez que instiga o paladar. Já recebeu várias medalhas em degustações promovidas pelo Vinho&Cia e foi o mais elogiado por jornalistas e profissionais em jantar do projeto Harmonizando o Terroir. É produzido com uvas plantadas em até 1300m de altitude, na fria cidade de São Joaquim, num terroir que muitos enólogos do mundo invejam e que faz toda a diferença para um rosé. Sem preconceito, no mundo não existe nada igual. Aprecie com moderação SANJO: (49) 3233-0012, [email protected], www.sanjo.com.br, São Joaquim, SC Vinho & Cia - No. 34 3 Aperitivo Justiça, Vinho&Cia Ano 4 - Número 34 nacionais e importados U ma das coisas de que o país mais precisa hoje é Justiça. A grande imprensa ataca os erros do Executivo e do Legislativo, alvos fáceis, porém a Justiça está aí, sempre intocada. Processos demoram anos e anos para serem julgados, e os membros do Judiciário se manifestam em geral dizendo que o problema não é com eles. Essa falta de Justiça gera a cada dia mais injustiças e uma sociedade cada vez menos ética. Quem age corretamente fica com cara de otário, presa fácil para aqueles que se aproveitam da falta de Justiça com o objetivo de ganhar com atividades ilegais ou antiéticas. E os legisladores respondem muitas vezes às injustiças com novas leis radicais, que jogam na nossa cabeça um samba do crioulo doido, que nos obriga a buscar algumas explicações, como, por exemplo, por que quem tomou uma taça de vinho e dirigiu pode ter punição maior do que alguém que fumou cocaína. Por questão de justiça, no sul do país os produtores protestam há algum tempo contra certas situações do vinho nacional. Colocam-se em confronto com os importados. Isso poderia ser evitado se fossem considerados quatro pontos. 1- Parte da produção brasileira evoluiu muito nos últimos anos em termos de qualidade, e essa parcela é a que enfrenta hoje menos dificuldades. 2- A evolução do mercado brasileiro de vinhos, em qualidade e quantidade, ocorreu pela presença dos importados. 3- No mundo moderno, há que se ter condições competitivas equilibradas entre nacionais e importados, e não buscar benesses de governo ou restrições de mercado. 4- O contrabando destrói o mercado nacional e de importados. Se ambos os lados considerarem esses pontos e rumarem juntos em soluções coerentes, é provável que todos ganhem, principalmente nós consumidores. Por uma questão de justiça. Vinho & Saúde É verdade que... uma taça de vinho deixa uma pessoa incapaz de dirigir com segurança? Com essa dose de vinho, sob o ponto de vista fisiológico, a maioria das pessoas não teria comprometida a sua coordenação e capacidade de decidir e, portanto, de dirigir. Somente pessoas que têm baixo peso corporal e constituição gênica incomum poderiam ter algum problema. Mas a Lei 11705 pune rigorosamente quem assim for flagrado. É louvável a intenção dessa lei: punir exemplarmente quem dirige embriagado. Mas se deve indagar se é boa uma lei que permite quem não cometeu qualquer delito ser punido duramente. 4 Regis Gehlen Oliveira Publicação ConVisão Al. Araguaia, 933, 8o. and. Alphaville 06455-000, Barueri, SP Colaboradores Regis Gehlen Oliveira, editor Vinho Tinta Editor Adriana Bonilha Andréa Pio Beto Acherboim Carla Maicá Carlos Arruda Carlos Raimundo Paviani Cesar Adames Custódio (cartum) Daniela Zandonadi Denise Cavalcante Didú Russo Estevam Norio Ito (fotos em SP) Euclides Penedo Borges Fernando Quartim Jaqueline Barroso Jairo Monson Jorge Monti José Ivan Santos Maria Amélia Oscar Daudt Samuel de Souza (estagiário) Sérgio Inglez de Souza Walter Tommasi Assinaturas/Propaganda (11) 4192-2120 [email protected] Vinho & Cia é uma publicação da ConVisão relativa ao segmento de vinhos e suas companhias naturais, como gastronomia, restaurantes, prazer, conhecimento, viagens e outras. Circula principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, nos principais restaurantes e lojas especializadas. Pode ser adquirido por assinaturas ou em bancas selecionadas. Jairo Monson Médico e escritor [email protected] Os artigos e comentários assinados não refletem necessariamente a opinião da editoria. A menção de qualquer nome neste veículo não significa relação trabalhista ou vínculo contratual remunerado. Vinho&Cia - No. 34 ɝFFˍǸBOUÊ[VN8ƴŅM ǸBźVEǸBźVUFǸBÙEĢ $B E B WF [ R V F WP D Ð G B [ V N C S J O E F D P N W J O I P C S B T J M F J SP F T U È C S J O E B O E P U B N C Ï N P T N B J T E F Q SÐ N J P T D P O R V J T U B E P T O P T Q S J O D J Q B J T D P O D V S T P T J O U F S O B D J P O B J T F B T D SF T D F O U F T F Y Q P S U B Î Ü F T Q B S B P T N B J T F Y J H F O U F T N F SD B E P T & T U F Ï P SF T V M U B E P E F F Y U F O T B T Q F T R V J T B T F E P E F T F O WP M W J N F O U P E F O P W B T U F D O P M P H J B T F J OWF T U J N F OUP T G F J UP T F N W J O I F E P T F N O PWP T F R V J Q B N F OUP T F O B N P E F S O J [ B ÎÍ P E P T Q SP D F T T P T F O P M Ø H J D P T & T U F Ï J H V B M N F O U F P N B J P S U F T U F N V O I P E F R V F F T U B N P T Q SP E V [ J O E P H S B O E F T W J O I P T R V F F Y Q S F T T B N D P N Q F S G F J Î Í P B T D B S B D U F S Ó T U J D B T E P T E J G F S F O U F T U F S S P J S T E P # S B T J M XXXWJOIPTEPCSBTJMDPNCS " 1 3 & $ * & $0 . . 0 % & 3 "± °0 Vinho & Cia - No. 34 5 O Que Beber Recheie a sua adega “ Aqui estão indicações para se ter em casa um bom conjunto de vinhos com ótimo custo-benefício Siga o sentido da seta para a melhor escolha pratos mais leves pratos mais consistentes Vinhos tintos (temperatura de serviço preferencialmente entre 14oC a 200C) Mais adequados a carnes, queijos consistentes e massas mais condimentadas Tricyclo Cabernet, Franc 04 (R$46) Sommelier: (54) 3024-0751 Panizzon Montepulciano 06 (R$12) Panizzon: (54) 3297-5111 Traversa Cabernet Sauvignon 06 (R$24) Traversa: (11) 8303-1881 Salton Volpi Merlot 06 (R$23) Nobrese Cabernet Sauvignon 05 (R$25) Salton: (11) 2281-3300 Villagio Grando Merlot 06 (R$56) Villagio Grando: (49) 3563-1188 Suzin Merlot 05 (R$49) Sanjo: (49) 3233-0012 Don Diego Roble Syrah 06 (R$52) SP Gourmet: (11) 3375-9576 Carinae Reserva Cabernet Sauvignon 04 (R$53) Suzin: (21) 3371-3749 Volantis: (21) 2223-0211 Vinhos brancos e rosés (temperatura de serviço preferencialmente entre 8 a 140C) Mais adequados a peixes, frango, porco, queijos delicados e massas mais leves Dom Robertto Chardonnay 07 (R$45) Dom Robertto: (55) 3028-0800 Adega Avant Garde 90, da Art des Caves Santa Ema Gran Reserva Chardonnay 06 (R$51) Vinoteca: (41) 3373-3444 Vinhos espumantes (temperatura de serviço preferencialmente entre 5oC a 80C) Mais adequados a aperitivos (os do tipo brut) e a sobremesas (os dos tipos demi-séc e Moscatel) Espumantes estupidamente gelados? Estúpida é a idéia. Próxima à temperatura de congelamento, a bebida perde praticamente todos os seus aromas e produz a sensação de ser mais ácida do que é. Para aproveitar o máximo de um espumante, o melhor é servir entre 5oC e 8oC. Estrelas do Brasil Rosé Pinot Noir (R$32) Estrelas do Brasil: (54) 3455-8103 6 Cave Geisse Nature (R$42) Cave de Amadeu: (54) 3455-7461 Oremus Moscatel (R$19) Fante: (54) 3292-3000 Vinho&Cia - No. 34 QUALIDADE E TRADIÇÃO DESDE 1647 Cava Cristalino é um espumante espanhol reconhecido mundialmente e ganhador de prêmios internacionais durante estes anos Wine Spirits, 91 pontos: um espumante sofisticado Wine Cellar, Stephen Tanzers: extraordinário espumante pelo preço The New York Times: melhor borbulha e compra CAVA É CRISTALINO [email protected] www.vinotecabrasil.com.br (41) 3373-3444 Vinho & Cia - No. 34 7 O Que Beber Provamos antes para você beber melhor “ Entre os inúmeros produtos no mercado, aqui estão rótulos selecionados considerando ótimo benefício dentro de cada categoria de preço No seu lugar A uva Cabernet Franc foi uma das mais plantadas no país há alguns anos. Depois outras castas internacionais tomaram o lugar. Mas o Do Lugar mostra que essa uva tem o seu lugar. Um vinho bem feito pelo enólogo Dirceu Scottá. Delicioso, ótimo custo-benefício por R$20. Dal Pizzol: (11) 3743-4851 Conceito top É emblemático para o Brasil o nascimento e a evolução de uma vinícola concebida com o conceito de produzir apenas vinhos de elevada qualidade. Ainda mais considerando a implantação em uma região nova. A Villa Francioni, de São Joaquim, assim, é emblemática, e a consistência dos seus produtos nos faz enxergar um belo futuro, refletido no presente no seu tinto top, certamente entre os melhores no mercado nacional na faixa de preço. R$ 98. Villa Francioni: (49) 3233-2451 8 Branco para as nuvens Há momentos em que você pode querer ir aos céus, flutuar em nuvens. Para eles um vinho sublime é o Nicolas Potel Chassagne-Montrachet Premier Cru 2005. Simplesmente super seco, redondo, aromático e elegante. O bolso pode pesar, mas você não vai querer sair das nuvens. R$ 435. Premium: (31) 3282-1588 Vertical Uma degustação vertical, com garrafas de safras diferentes de um mesmo rótulo, serve para percepção das nunces de cada ano de produção e da evolução de um vinho. Provamos 5 anos distintos do Special Blend e percebemos o quanto cresce em qualidade o top da Bodega Del Fin Del Mundo. Num momento especial, tente você a safra de 2005. Divina! R$185. Reloco: (21) 2215-8055 Consistência Vinho&Cia foi o primeiro da imprensa especializada a mostrar a qualidade dos espumantes da Estrelas do Brasil. A dupla de enólogos Irineo Dall’Agnol e Alejandro Cardozo capricha no assunto. Prove o Brut e comprove você mesmo a consistência por apenas R$32 nas lojas. Estrelas do Brasil: (54) 3455-8103 Vinho&Cia - No. 34 Vinho & Cia - No. 34 9 Vinho está na moda e a gente faz o estilo Vinho&Cia 10 Vinho&Cia - No. 34 Harmonizando o Terroir Merlot & Bufê o que harmoniza melhor “ Com o bufê diferenciado do Ráscal Itaim, foram provados 5 Merlot nacionais e importados de diversos terroirs. Confira as dicas dos vinhos que combinam melhor, feitos com a segunda uva tinta mais vendida no mundo. V inho & Cia colocou o seguinte desafio a um grupo de profissionais reunidos no Ráscal Itaim, em São Paulo: provar às cegas 5 vinhos Merlot – sem nenhuma pista de terroir de origem e de qualidade dos vinhos –, identificar as diferenças entre eles e descobrir quais harmonizariam melhor com a diversidade de pratos do bufê diferenciado do restaurante. Uma primeira rodada de vinhos foi servida, para serem provados de modo puro, sem acompanhamento de comida, em contato direto entre o apreciador e o rótulo. Vinho&Cia - No. 34 Em seguida, os convidados fizeram seus pratos em sistema self service, com antipastos de saladas e frios, momento em que as diferenças entre as harmonizações começaram a ser sentidas. Os participantes passaram na seqüência a pratos quentes com massas do bufê, e a finalização foi com um Lombo de Cordeiro acompanhado de Risoto de Shitake e Shimeji, um dos pratos do dia do Ráscal. Considerando essa diversidade de sabores, típica dos consumidores frente a um restaurante de comida rápida com bufê diferenciado, foi feita uma enquete com as opiniões sobre os vinhos e as harmonizações, ainda sem identificar os vinhos. Somente após serem computados todos os votos dos participantes foram revelados os vinhos e os resultados. Entraram na degustação três vinhos nacionais exclusivos de Merlot (Salton Volpi Merlot e Salton Desejo, representando o terroir da Serra Gaúcha, e Villagio Grando Merlot, de altitude de Santa Catarina) e dois vinhos estrangeiros (Santa Ema Gran Reserva Merlot, do Chile, e Jean Bousquet Merlot, da Argentina). A maioria dos degustadores elegeu o Salton Desejo como o melhor vinho provado puro, seguido na preferência pelo Villaggio Grando Merlot. Considerando o conjunto de harmonizações com a variedade do bufê e dos pratos, essa preferência se inverteu: o Villaggio Grando foi considerado o melhor pela maioria. Nas próximas páginas, acompanhe o que os participantes sentiram e conheça mais sobre os vinhos e as vinícolas em destaque, além de detalhes sobre o palco da experiência, o restaurante Ráscal Itaim. 11 Harmonizando o Terroir Merlot no Ráscal: o que foi melhor Jane Levy, Pizzaria Prestíssimo Ficou claro na prova às cegas que a diferença de qualidade entre os brasileiros e os argentinos e chilenos está diminuindo. Os vinhos nacionais de Merlot ficaram muito bons nas harmonizações com os pratos do bufê do Ráscal. Ana Clara Carvalho, Forneria San Paolo O Salton Desejo é muito interessante no nariz e também muito sedutor. O Volpi me surpreendeu, mas o melhor mesmo, o mais elegante, foi o Villaggio Grando Merlot, o que melhor harmonizou com os pratos. Sérgio Inglez, colunista Eu sabia que o primeiro vinho era nacional, mas não sabia com precisão quem era o produtor. Não me assustei quando revelaram ser o Villaggio Grando, o melhor nas harmonizações, afinal é um grande produtor. O Salton Desejo também foi excelente. Álvaro Galvão, Divino Guia Surpresa ficou por conta do Jean Bousquet em todas as harmonizações. Pensei que fosse do Velho Mundo, mas não deixa de ser, já que é um argentino feito por franceses. 12 Fernando Quartim, colunista O Villaggio Grando é o campeão das harmonizações com o pratos do Ráscal, o que combinou de forma geral com os pratos. E a surpresa é saber que o vinho é nacional. Vicente de Paula, do Hotel Villa Rossa Todos os vinhos provados foram bons, mas o Villaggio Grando Merlot foi o melhor em todos os aspectos, provado puro e no conjunto das harmonizações Dulce Martinez, restaurante Le Foyer De forma geral o chileno Santa Ema foi o que mais me agradou em todas as harmonizações. Didú Russo, colunista O Villaggio Grando surpreendeu pela evolução, parecia ser mais velho. Muito bom com os pratos do bufê do Ráscal, especialmente com cordeiro e pato. Ralph Schaffa, restaurante Nam Thai Merlot vai muito bem com um bufê variado de antipastos e com cordeiro. O Villaggio Grando foi o melhor no conjunto das harmonizações. É muito mineral, bem forte. Cristina Barbosa, Piccola Forneria e ABS As duas surpresas foram o Villagio Grando e o Salton Desejo, que seguraram muito bem os pratos. O abacaxi na entrada também foi muito certo com o Salton Volpi. O Santa Ema é bom, eu gosto, mas os nacionais foram melhores com o bufê do Ráscal. Francisco Feitosa, Equipotel O Salton Desejo surpreendeu. Foi o melhor para harmonizar, o mais equilibrado. O Jean Bousquet foi bem com os pratos frios, pois é muito complexo. Armando Bisogni, sommelier O argentino Jean Bousquet foi a surpresa, pois harmonizou bem com os pratos leves, mas o Salton Desejo foi o grande destaque, o mais harmônico com o cordeiro do Ráscal. Vinho & Cia - No. 34 Harmonizando o Terroir Os vinhos de Merlot em destaque “ O novo terroir do Villaggio Grando “ O Desejo já famoso da Salton A C pós análises e estudos dos solos da região de Herciliópolis no município de Água Doce, em Santa Catarina, Maurício Carlos Grando e seu amigo, o enólogo francês Jean Pierre Rosier, colocaram em prática o projeto de cultivarem uvas que fossem capazes de produzir excelentes vinhos a partir de vinhedos em altitude de cerca de 1300m. As primeiras mudas foram trazidas da França no fim da década de 90, e hoje, a vinícola mantém um centro de pesquisas reconhecido internacionalmente, com mais de 80 variedades de vitis viniferas em 2 hectares, que são controladas para que seja feito um trabalho correto de adaptação das uvas ao terroir. Dos 52 hectares de produção da vinícola, surge o fino Villagio Grando Merlot, um vinho brilhante de cor rubi intenso com reflexos violáceos, cujo bouquet parte de frutas vermelhas. Um vinho jovem, mas com características fortes, com equilíbrio harmônico entre álcool (13,9%), tanino e acidez. Um rótulo que pode ser apreciado desde já, mas que segundo o enólogo atingirá o seu ponto exato de qualidade dentro de alguns anos. Vinho&Cia - No. 34 om mais de nove décadas de produção, a família Salton tem entre sua vasta variedade de rótulos o Volpi Merlot, de coloração roxa intensa e toques de frutas vermelhas, um rótulo de categoria reserva reconhecido como um dos melhores custo-benefício no mercado brasileiro. Mais cinco tipos de vinhos completam a linha Volpi, sendo eles: Brut Reserva Ouro, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Chardonnay e Pinot Noir. Villaggio Grando Merlot, equilíbrio harmônico entre álcool (13,9%), tanino e acidez. Um rótulo que pode ser apreciado desde já, mas que atingirá o seu ponto exato de qualidade dentro de alguns anos. Villaggio Grando: (49) 3563-1188 Salton Premium Desejo, de um roxo violáceo, com aromas complexos de baunilha e outros ingredientes, que resultam em um sabor prolongado e inconfundível. Salton: (11) 2281-3300 O elegante Salton Premium Desejo, ao lado do Salton Talento, é um vinho top da vinícola, que já recebeu diversas premiações e tem sido muito reconhecido pela crítica especializada. São dignos de representar o Brasil em qualquer confronto com vinhos estrangeiros na mesma faixa de preço. A vinícola, localizada no extremo sul do país, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, conta com 70 hectares diversificados, em altitude de cerca de 600m acima do nível do mar. As instalações de produção contam com o que há de mais moderno em aparelhagem enológica e com laboratório de controle de qualidade e pessoal próprio especializado em análises. 13 Harmonizando o Terroir Ráscal Itaim: bufê em harmonia com vinho O s pratos do Ráscal servidos nas harmonizações com os vinhos Merlot foram dignos de elogios, desde as entradas com saladas e frios em sistema self service, passando por massas, até finalizar com um Risoto de Shitake e Shimeji com Lombo de Cordeiro, todos sob a supervisão do chef Neilson Alves dos Santos. O carro-chefe da casa, o Ravióli Ráscal, não estava no cardápio do evento, mas é uma boa pedida para quem quiser apreciar com um bom vinho, que pode ser sugerido pelo simpático André Cavalcanti, o responsável pelas cartas de toda rede. meio a um moderno sistema de instalações, com cozinha à vista. A unidade propaga uma diretriz diferenciada: um trabalho de reciclagem quase que total, onde plásticos, papéis e outros materiais passam por processo de reutilização. O Ráscal Itaim, inaugurado há quatro meses, é um conceito de unidade modelo, segundo seus diretores. Possui amplo espaço bem decorado, com toques rústicos em A rede Ráscal recebe reconhecimentos sucessivos como um dos melhores locais e cozinhas no gênero no Brasil. Pelas características da região da casa, os 130 rótulos existentes no Ráscal Itaim formam a maior carta da rede, assim como a do Shopping Villa Lobos, também em São Paulo, superior à média das outras unidades, com 100 vinhos. Os comandantes dos vinhos e da cozinha Há nove anos na rede, André Cavalcanti, o humorado sommelier responsável pelos vinhos oferecidos pelo Ráscal, não esconde a ninguém a satisfação com que atua e a vontade em ser prestativo quando é solicitado. Fala com orgulho sobre o trabalho feito nos treinamentos dados aos sommeliers que formam a equipe do Ráscal e dos 130 rótulos que compõem a carta do Ráscal Itaim. É um profissional bastante respeitado pela crítica especializada. O chef Neilson Alves dos Santos está há quase 15 anos na rede Ráscal. Começou por baixo, como ajudante, e hoje, após passar por cargos e situações diferentes, é o responsável pelo que é servido na nova unidade do Itaim. “Tudo o que sei aprendi aqui. Comecei como ajudante, mas estava decidido a ser chef e fazia minha parte com dedicação. Levou tempo para chegar onde estou, mas valeu a pena”, comenta. 14 Vinho&Cia - No. 34 “ Conheça mais com quem mais entende de vinho TudodoVinho Vinhos brasileiros de olhos bem puxados H á mais de um século, imigrantes japoneses produzem não só os tradicionais hortifrutigranjeiros, mas aportam inovações efetivas que hoje fazem parte do sucesso brasileiro no teatro agrícola internacional. No vinho também pode ser sentida a participação nissei na nossa evolução rumo à qualidade mundial. tação da videira, a colheita é realizada na segunda dezena de maio, com produtividade de 1,5 kg por planta, maceração longa de até 20 dias e amadurecimento total em barricas francesas por 10 meses. Daí resulta um vinho robusto, de ataque forte na boca, um complexo varietal esbanjando frutas, especiarias e leve tostado: o Maestrale, com potência de 13,2 %. Esse vinho pede decanter para se acalmar. Depois do grande projeto da Cinzano em Pernambuco, na década de 1960, cuja morte prematura se deu por afogamento sob as águas da hidrelétrica de Itaparica, a vitivinicultura nordestina renasceu em iniciativas da década de 1970, com destaque para Mamoru Yamamoto. Mamoru Yamamoto adquiriu fazenda em Pernambuco, às margens do médio São Francisco, e, animado com as condições do semi-árido nordestino, realizou longa viagem ao redor do mundo vinícola, principalmente Califórnia e Israel. Em 1972 iniciou seu projeto, montando complexa instalação de captação, bombeamento, filtragem e distribuição da água do São Francisco nos vinhedos de sua Vinícola São Francisco. Em 1979, uma grande enchente botou por água abaixo sua iniciativa, levando-o a reiniciar na mesma região, porém em terras baianas do município de Casa Nova, aí protegidas por estarem às margens da represa de Sobradinho. Em 1985, seus vinhedos atingiam 50 hectares de uvas viníferas, como Cabernet Sauvignon, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Chardonnay e outras vinte castas. Neste ano pude degustar, com o enólogo Ivair Toniolo, os primeiros vinhos, entre os quais destacou-se o Cabernet Sauvignon, surpreendente pelas boas qualidades e pela tipicidade, vinho de grande potencial que agradou nariz e boca. Animado pela evolução dos vinhos, Vinho & Cia - No. 34 Finalmente, levando o processo de maturação quase ao extremo, colhendo uvas desde o dia 5 ao 21 de maio, com produtividade variando de 1,5 a 2,0 kg por planta, maceração a frio por 12 horas, apresentam um varietal rosé de Cabernet Sauvignon, aromático com expressão franca de morango, cereja, frutas silvestres e maçã, o Núbio, indiscutivelmente uma das maiores expressões rosadas do Brasil. Mamoru construiu a adega, projeto do Professor Angheben, lançando em 1986 os rótulos Vale Dourado Chenin Blanc, Grande Lago Sauvignon Blanc, Solar do Vale Pinot Noir e Solar do Vale Cabernet Sauvignon. A vida dá voltas, traz agravos e emboscadas, de forma que em 1991, depois de um período bem sucedido, a vinícola não suportou as pressões econômicas e fechou. Os primeiros vinhos de olhos puxados do Brasil, porém, traduziram pioneirismo e inovações, constituindo testemunhas de valiosa contribuição nissei para a vitivinicultura nordestina. Na história contemporânea novamente os nisseis voltaram-se para o vinho. Noutro extremo climático, em vinhedos de fria altitude, em Santa Catarina. Os associados da Cooperativa Sanjo formaram um vinhedo conduzido em espaldeira, explorando a variação de altitude de 1.100 a 1.380 metros. Acompanhando e estudando a questão do amadurecimento da uva. verificaram que diferentes altitudes poderiam constituir uma variável relevante para distintas versões de uma mesma casta, a Cabernet Sauvignon. A colheita é sempre manual, com descarte de cachos e seleção total das uvas desengaçadas, que são processadas em tanques de aço inoxidável. Com uvas colhidas no final de abril, na parte mais baixa do vinhedo, com produtividade de 2,5 kg por planta, maceração curta de cerca de seis dias, elaboram um vinho jovem e frutado, o Nobrese, com 12,3 % de álcool. Deixando a maturação avançar, realizam a colheita na primeira semana de maio, limitando a produtividade a 2.0 kg por planta. A maceração tem média duração (cerca de 10 dias) e 50% do volume passa por barricas francesas durante cinco meses. Com isso, oferecem vinho pronto, típico varietal da casta, com descritores da fruta e da madeira, o Núbio Tinto com 12,7%. Mantendo ainda mais a uva na alimen- A maior façanha destes nisseis está na forma de cultivar as uvas, nos tratos culturais, na calibragem da colheita e vinificação correta, que, já em seu primeiro lote de vinhos, têm estado sempre entre os primeiros colocados nos painéis de degustação às cegas. São vinho de olhos puxados que nos fazem beber com os olhos cerrados, viajando na grande fantasia aromática destes Cabernet Sauvignon. Vinhos no Mundo Sérgio Inglez de Souza Escritor e consultor [email protected] 15 América do Sul De profecias e realizações Euclides Penedo Borges Presidente da ABS-Rio [email protected] H á exatos trinta anos surgia a versão em espanhol do Atlas Mundial de Vinhos e Licores, de Hugh Johnson, editada pela Editorial Blume, de Barcelona. A única página – entre as trezentas da enciclopédia – que tratava da América do Sul terminava com uma frase profética: “Uma edição futura desta enciclopédia incluirá talvez alguns mapas surpreendentes”. Depois de dar uns poucos detalhes das viniculturas chilena e argentina nos anos setenta, ela se referia, en passant, ao Brasil e ao Uruguai como possuidores de uma indústria vinícola florescente, para o mercado local. Países menos destacados no mercado internacional de vinhos, como a Romênia, a Turquia e a Grécia, e sub-regiões pouco conhecidas, como o Vale Central da Califórnia, o Lago Balaton, na Hungria, e o norte da África, mereciam mais páginas e informações no livro do que o conjunto dos países sul-americanos. No entanto, era uma época em que a América do Sul elaborava uma em cada oito garrafas do vinho no mundo e em que a Argentina disputava com a União Soviética o quarto lugar na tabela da produção internacional. É certo que qualidade não era palavra muito repetida por aqui. E pouco se ouvia dos vinhos argentinos além muros, pois o mercado local era simplesmente insaciável. 16 A comparação feita por Johnson entre os caldos chilenos e argentinos nos anos setenta é no mínimo curiosa: os tintos argentinos são bons e apetitosos embora um tanto doces como os italianos; os do Chile são mais secos e de sabor semelhante aos franceses. O Cabernet Sauvignon chileno era frutado e rico em tanino, equilibrado e de fácil conservação. O Sauvignon Blanc, um vinho seco e potente mas suave, pleno de caráter. As previsões otimistas do Atlas já contrastavam com todo esse distanciamento: “... logo começará a soar o nome da Argentina no concerto mundial. A longo prazo o Chile tem assegurado um lugar no concerto das nações vinícolas importan- tes. Brasil e Uruguai possuem florescentes indústrias de consumo local...”. Em ambos os casos, qualidade – calidad quality - tornou-se a palavra-chave. O tempo evidenciou a correção de tais previsões. Brasileiros e uruguaios firmaram-se logo a seguir e, ainda que com menos vigor, seguem os passos dos outros países do Cone Sul, dentro de suas possibilidades e vocações, o Brasil com os espumantes e com a Merlot, o Uruguai com a Tannat. A inclusão de sub-regiões vinícolas do Chile (Maipo, Rapel, Maule), da Argentina (Mendoza, San Juan, Salta...), do Uruguai (Canelones, Colônia, Artigas) e do Brasil (Serra Gaúcha, Campanha, São Joaquim) nos mapas das enciclopédias de vinhos não mais surpreendem. Que o digam os produtores europeus, que enfrentam agora uma concorrência surpreendente. A Argentina passou a exportar, ampliou suas áreas de produção até Salta, para o Norte e até a Patagônia, para o Sul, seus tintos perderam a tal “doçura de estilo italiano”, o frutado da Malbec ocupou espaço no mundo. O Chile, que já exportava, expandiu a área produtiva para as proximidades do deserto de Atacama, no Norte, e para as frias encostas de Bio-Bio, ao Sul, e seus tintos assumiram uma tipicidade reconhecível, particularmente aquele corte de eucalipto com chocolate do Maipo Alto. Vinho&Cia - No. 34 Velho Mundo A Eszencia da uva para você ficar de joelhos Walter Tommasi Enófilo [email protected] P oucos vinhos doces são tão apreciados pelos especialistas em vinhos do mundo como o Tokay. Por quê? Leia e entenda os segredos deste húngaro maravilhoso. Os Tokay (Tokaji) tem origem na região de Tokaj-Hegyalja e apesar do seu nome já ter sido utilizado em outros países, como Itália e França, desde 2007 somente a Hungria tem o status de Designação de Origem Protegida. Apenas seis uvas são permitidas para a produção do vinho, sendo a Furmint a mais utilizada. Um dos segredos deste vinho vem da própria uva, pois a casca da Furmint quando amadurece torna-se mais fina e transparente, o que ajuda os raios de sol a penetrar e evaporar a água contida na baga, proporcionando uma maior concentração de açucares. Não quero escrever sobre todos os Tokay, mas me ater ao dourado e doce Aszú e ao raríssimo Eszencia. para venda, sendo que os Aszú Eszencia hoje encontrados no mercado equivalem a oito puttonyos, portanto, quando tiver a oportunidade de encontrar um, tome-o de joelhos. De cada Puttony extrai-se apenas 0,20 do Eszencia puro. Um litro deste precioso líquido contém de 500 a 700 gramas de açúcar, sendo que a safra 2000 surpreendeu a todos, chegando a ter 900 gramas. Pasmem, ele mantém a qualidade e pode ser tomado com até mais de 200 anos de envelhecimento . Tokaji Aszú – No processo as uvas, após doarem sua Eszencia, são esmagadas até produzirem uma pasta doce que é adicionada a um vinho base, não produzido com uvas botrytizadas, em “Göncs”, pequenas barricas com capacidade de 136 litros, para que o composto inicie sua longa fermentação. Neste processo as barricas são mantidas destampadas permitindo um certo grau de oxidação. O processo favorece também o desenvolvimento de bolores que irão ajudar o vinho a aumentar sua complexidade. O vinho é classificado por número de puttonyos, podendo ser 3 ,4 ,5 e 6, este último, tal qual ao Eszencia, só produzido em anos excepcionais. Para exemplifi Tokaji Eszencia - Tem seu grande diferencial definido logo após a colheita manual das bagas de uva atacadas pela Botrytis Cinerea (chamadas de Aszú) que são depositadas nos Puttony, recipientes de madeira usados para transportar a uva, que comportam por volta de 25 kg . As uvas são mantidas por até uma semana, estas comprimidas pelo próprio peso das que estão acima coçam a gotejar e o liquido extraído recebe o nome de Eszencia. Este precioso néctar é tão rico em açúcar que pode levar anos para fermentar. O Eszencia puro é raramente disponibilizado Vinho & Cia - No. 34 17 Novo Mundo Piet Dreyer: o rei das lulas, e dos vinhos Beto Acherboim Professor da Unip e são-paulino [email protected] Q uando fui incumbido da tarefa de entrevistar Piet Dreyer fiquei um pouco preocupado. Motivos não me faltavam, mas, ironicamente, a maior preocupação era se entenderia tudo! Pois, além de meu inglês andar um pouco “enferrujado”, sabia que o inglês dos sul-africanos também não é lá muito fácil de se entender. Pois bem. Na programação do Decanter Wine Show, realizado nos dias 5 e 6 de agosto, tivemos um almoço onde pudemos conversar com diversos produtores do catálogo da importadora. Proprietários, diretores e enólogos de vinícolas do calibre do Château de La Tour, Pio Cesare, Altas Quintas, Schild Estate, Chateau Montus, Raka, Luigi Bosca, Villard, dentre vários, foram “alvos fáceis” para a imprensa especializada. Em 1982, com a esposa Elna, resolveu fincar raízes sólidas, quando, por meio de um conhecido, chegou a um vale, aos pés das montanhas Kleinriver, próximo de Hermanus, onde comprou uma fazenda, atualmente com 68 hectares. Sentei-me em frente a um senhor alto, de feições ligeiramente “rudes”, com sorriso muito simpático. “O dono da fazenda”, contou-me sorrindo, “plantava cebolas!” O Sr. Piet Dreyer contou-me então um pouco de sua história. Desde muito cedo sua vida foi ligada ao mar. Em razão de um acidente com seu pai, teve que ajudar no sustento da casa, trabalhando com a pesca. Cresceu, tomou gosto pela coisa, e foi incrementando sua vocação e gosto, aliados a uma forma eficiente de gerenciar, que, após algum tempo, despontou como destaque na pesca de lulas, sendo chamado de “The Calamari King”, o maior produtor particular de lulas do país. Hoje possui uma frota de cinco barcos. “Arrancamos tudo – era horrível! – e tentamos algumas frutas cítricas, algum gado, mas ainda não estávamos satisfeitos, quando, em 1999, começamos a plantar uvas viníferas”. A fazenda – que, por questões óbvias – fica próxima do oceano, recebe influência das correntes marítimas vindas do Atlântico e do Índico, que interferem em seu microclima, auxiliando numa perfeita e lenta maturação das uvas, trazendo aos vinhos frescor e potência. Naquela época ainda dependia do mar para sobreviver e ter estabilidade financeira. A família cuidava então da fazenda, enquanto ele, por períodos longos, pescava. “Em 2002, tivemos nossa primeira safra, já com algum relativo sucesso... e, neste pouco tempo de vida da vinícola, sempre estivemos à frente da empresa, onde hoje trabalham, além de nós dois, nossos três filhos (um deles enólogo)”. Nestes pouco mais de cinco anos, vários prêmios vieram, que não mudaram a forma simples de ser do proprietário da Raka Wines, que adotou o lema “born of the sea, guided by the stars, blessed by the earth”. (nascido no mar, guiado pelas estrelas, abençoado pela terra) 18 estampado no rosto ao atender as pessoas, olhos brilhando ao falar de seus vinhos, sabe do que estou falando. Ele estava descalço (no melhor estilo “tirar a gravata do vinho”!). Para quem não foi, sugiro a prova de alguns de seus vinhos, com destaque para 4 deles: Sauvignon Blanc, da linha básica, e seus top wines Figurehead, Quinary e Biography. Valem muito a pena! Mr. Piet Dreyer, The Calamari King, é uma figuraça! E quem quiser comprovar pessoalmente, que vá à África do Sul visitar sua vinícola e se divertir com suas histórias e seu bom humor. Quem o viu durante a degustação do Decanter Wine Show, atrás de sua mesa, com as feições levemente rudes, sorriso Mas marque com ele antes, caso contrário estará no azul do mar curtindo sua grande paixão, os barcos... Vinho&Cia - No. 34 Vinho & Conceitos Vinhos bons e baratos José Ivan Santos Escritor e palestrante [email protected] E ste assunto vem à tona ao se perguntar: quanto uma pessoa está disposta a pagar por uma garrafa de vinho? O que é barato para um pode não ser para outro. O Chile, por exemplo, tem fama reconhecida de produzir vinhos bons e baratos, o que é uma sorte para nós, dada a sua proximidade. A França por outro lado é uma grande produtora de vinhos baratos e muitos deles são excelentes, especialmente aqueles que não vêm das regiões clássicas. Mas, ainda assim, um bom tinto do Loire, por exemplo, custa algo mais que 10 euros, o que pode ser barato para os europeus, mas para o nosso bolso não é tanto. Quantos de nós podemos ter como vinho diário um tinto que custa 30 reais? Nessa faixa de preços escasseiam os atributos dos vinhos com maior ambição e custo. Por exemplo, o traço mais marcante em um vinho barato é que ele não estagiou em barricas de carvalho novas. Por 20 reais é simplesmente impossível que algum produtor – que não deseje perder dinheiro, claro – tenha utilizado para seu vinho uma barrica que custa fácil perto de 800 dólares, ou às vezes muito mais. O produtor deve utilizar-se de barricas de segundo ou terceiro uso ou também chips de carvalho tostado, que oferecem esse lado de madeira queimada que o público em geral tanto aprecia. Vinho & Cia - No. 34 O que sugere esta ausência de madeira é a fruta, sendo que o sabor da variedade é que teria que predominar em um vinho barato. Os vinhos “varietais” apelam a esse sabor básico, muitas vezes simples, porém rico em frutuosidade. No entanto, a concentração do gosto de frutas não é a mesma nos vinhos de preços baixo que naqueles de mais alto custo. A explicação é simples: nos vinhos baratos, cuja produção é geralmente elevada, a quantidade de cachos por parreira é alta. Para um vinho barato uma parreira pode produzir facilmente de cinco a dez quilos de uvas. Num vinho ícone essa quantidade muitas vezes é inferior a dois quilos. Em termos práticos, sabe-se que a concentração de sabores é menor quanto maior a produção da parreira. A ausência de madeira nos vinhos baratos muitas vezes faz ressaltar os aromas de frutas. Por outro lado, nos vinhos caros, além do excesso de madeira, as menores produções por parreira oferecem maior concentração e força, o que, por sua vez, pode provocar um excesso de adstringência e também muito maior maturação. A maior produção por parreira origina vinhos baratos e mais leves, com maior suavidade no paladar, que se associam à simplicidade e ao consumo rápido. Esses vinhos também se relacionam com comida simples, com a pizza, o assado e o cozido. Uma das regras fundamentais da harmonização entre comida e vinhos é: “vinho simples, comida simples”. Finalmente, outro aspecto importante: as grandes vinícolas que produzem vinhos ícones obtêm a maior parte de suas receitas com vinhos de baixo custo e, portanto, sua consistência de ano a ano é fundamental. Para se obter isso é necessário que a colheita seja de qualidade anualmente. Para se conseguir a fidelidade a um rótulo é preciso que a vinícola mantenha a consistência, colheita após colheita. 19 Vinho na Academia Tecnologia e arte nos vinhos Carlos Arruda Academia do Vinho [email protected] P odemos dizer que no mundo do vinho existem duas correntes vigentes em sua produção, opostas em suas premissas, mas focadas em criar produtos que agradem o público. A primeira, romântica e poética, valoriza a arte de produzir vinhos a partir do talento do enólogo, da herança de um trabalho de família, de um laborioso aprendizado sobre um terroir através da experiência e do tempo. Nessa vertente está boa parte dos vinhos europeus, marcadamente franceses e italianos, com suas Denominações de Origem abrigando vinhos de grande qualidade e prestígio através da história. Seguindo essa linha, temos os Vinhos de Autor, ou vinhos de garagem, produzidos em pequenas quantidades, frutos do cuidado e dedicação de um artistaenólogo que escolheu buscar a qualidade a qualquer custo, mantendo sua produção pequena para não abandonar seus métodos artesanais e suas crenças. Diversas excentricidades surgem nesse grupo, como vinhedos sem suporte (os galhos da videira se arrastando pelo chão), territórios inóspitos, como tórridas ilhas mediterrâneas, desertos desolados ou colinas geladas, lugares onde a observação, o carinho e a persistência fazem surgir vinhos únicos. Recentemente aqui no Brasil o projeto Tormentas começou a produzir algumas centenas de garrafas apenas, usando técni- 20 cas laboriosas como o desengace manual dos cachos. Também a Lídio Carraro mantém sua produção com detalhes únicos de qualidade, como baixa produtividade, ausência de madeira e fermentação finamente controlada. Na Argentina vem florescendo diversos Vinhos de Autor, só encontrados por lá, cada um com personalidade única, alta qualidade e preço. Os vinhos dos artistas, sempre bons, podem ser excepcionais, freqüentemente custam caro, mas nos proporcionam experiências únicas, daí o valor desse trabalho. Na França pequenos produtores fazem vinhos sensacionais em minúsculas quantidades, sendo vendidos apenas a uns poucos felizardos. Alguns dos prestigiados Châteaux, como o Pétrus, fazem parte dessa distinta minoria. No segundo grupo estão os modernos tecnólogos, produtores que investem em pesquisa e tecnologia para obter vinhos cada vez melhores com custos competitivos, mas também produtos únicos, frutos de apuradas técnicas de alto custo em pesquisa e inovação. Um dos grandes exemplos é a vinicultura da Austrália, que floresceu no Novo Mundo, onde tudo teve de ser reaprendido, abandonando os critérios e as regras de ouro da Europa. Os simpáticos cowboys do vinho australiano se firmaram mais como industriais que como artistas, se permitindo misturar uvas de diferentes regiões em um mesmo vinho (para terror dos franceses), buscando equilíbrio e uma nova personalidade. Estão conseguindo, agregando arte e criatividade em doses bem equilibradas. Outra característica desse grupo é experimentar variedades de uvas de todo o mundo (de novo a Europa se rebela, mas não tanto), buscando novas descobertas e adaptações. Um ótimo exemplo é Aurélio Montes, no Chile, que decidiu fazer um vinho de Syrah em Apalta e o chamaram de louco. O resultado, Montes Folly Syrah, é decantado por sua qualidade, produzido em pequena quantidade e custando hoje algumas centenas de dólares. Outro grande objetivo dos tecnólogos é a economia de escala, otimizando métodos para produzir vinhos interessantes em grandes quantidades, atingindo preços competitivos e conquistando mercados. Geralmente esses produtos de massa não são bem vistos pelos puristas, mas trazem vinhos honestos às mesas de menos poder aquisitivo, um feito de valor. E podem surpreender por seu custo-benefício. Mas existem exemplos que reúnem as duas filosofias, talvez obtendo o melhor de dois mundos. Diversas vinícolas têm tentado criar produtos que se valem de tecnologias modernas para obter qualidade com competitividade, sem aban- donar uma postura criativa, respeitosa e poética. Como resultado temos vinhos modernos, diferentes, acessíveis e de muita qualidade. Argentina, África do Sul, Espanha e Sul da França são bons exemplos dessa nova corrente, onde ao mesmo tempo vemos o abandono de trabalhos com barricas para gerar vinhos joviais, o uso de madeiras com pontos de tostagem finamente diferenciados para se adaptar à personalidade dos vinhos, como fazem Susana Balbo na Argentina, Clóvis Boscato na Serra Gaúcha e a Villa Francioni em São Joaquim. Esses e muitos outros exemplos acabam combinando as duas correntes. Vemos cada vez mais surgir um novo perfil de vinicultores, parte artistas e parte técnicos, em alquimias únicas, que nos trazem novidades e surpresas. Vinho&Cia - No. 34 BrasildoVinho Opções de lojas “ Fique por dentro do que acontece pelo país com doses e consignação N a avenida Cidade Jardim, depois de uma grande reforma, o Empório Santa Maria foi reaberto com o mesmo glamour que marca a cena paulistana há 15 anos. O grupo Saint Marché adquiriu o Empório no final do ano passado e já opera cinco unidades na cidade de São Paulo. O local continua sendo uma referência de sofisticação gastronômica em São Paulo, mas agora oferece também produtos para o dia-a-dia. Todos os ambientes do Empório Santa Maria continuam aconchegantes, práticos e ao mesmo tempo sofisticados. O projeto modernizou os espaços e fez uma releitura contemporânea do visual da casa. No restaurante, o Empório apresenta a Enomatic, uma máquina italiana especial para degustação de vinhos. O cliente utiliza um cartão com o qual pode se servir de uma dose (pequena, média ou grande) diretamente na máquina, onde encontra 48 opções de vinhos para variados estilos de refeições. Além da variedade, o sistema de conservação e climatização garante que a bebida mantenha suas características por mais tempo. No Empório há cerca de 500 rótulos, e a loja da Expand continua lá, com os mais de 1500 rótulos dessa importadora, em 350 m2, sob o conceito de “warehouse”, ou seja, com “auto-serviço” assistido, com interferência dos vendedores somente se solicitados. Todas as referências dos vinhos e produtores estão em displays informativos nas prateleiras. O sommelier da casa é Marcio Santos, formado pela Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, com experiência de 4 anos na função no Grupo Rubaiyat. A loja da Expand opera de modo independente do Vinho&Cia - No. 34 esquema adotado pelo Empório, mas o cliente pode pegar um vinho a preço da importadora e tomar no restaurante. No bairro de Moema, há hoje boas opções de lojas de vinhos multimarcas. Uma delas é o tradicional Armazém dos Importados, comandado há 14 anos por Flávio Maculan, que distribui produtos de várias importadoras, como LVMH, Diageo, Pernod Ricard e, também agora, da Mercovino, da cidade de Ribeirão Preto. O Armazém dos Importados possui mais de 800 rótulos em sua carta, além de outras bebidas, como whisky, vodka, cognac, tequilas e licores. Tem também chocolates, massas, molhos, temperos e conservas. Um atrativo do Armazém é a oferta de bebidas em consignação para eventos corporativos e sociais. Assim, é possível Empório Santa Maria: Av. Cidade Jardim, 790, Jardim Paulistano. São Paulo (11) 3706-5211. De 2a a sáb das 8h às 22h e domingo das 8h às 21h. Armazém dos Importados Al. dos Nhambiquaras, 463, Moema (11) 3539-0970, São Paulo. De 2a a 6a das 9h às 19h, sáb das 9h às 18h. Fecha dom. garantir a qualidade e a variedade de bebidas para festas e encontros, sem se precisar despender mais dinheiro do que realmente se vai gastar. Já há grandes empresas usufruindo dessa grande facilidade. Lojas em SP Denise Cavalcante Jornalista [email protected] 21 Festival de Vinhos em SP A Tailândia do Nam Thai com vinhos sta é a segunda vez que o restaurante Nam Thai recebe a equipe do Jornal Vinho&Cia para mais um delicioso desafio: harmonizar seus pratos geralmente picantes com vinhos que possam acompanhar de forma correta as criações do chef David Zisman. E O segundo é Frango com 5 Especiarias (frango, cardamomo, aniz, cominho, canela e coentro em grãos). E o terceiro prato é Mignon com Aniz e Chili (filé mignon, aniz, brócolis, cebola e massa de arroz). E agora é uma boa oportunidade para apreciação da cozinha tailandesa com rótulos bem selecionados e a preços justos. Em parceria com o Vinho&Cia, o Nam Thai promove até o dia 31 de outubro um festival com três pratos e vinhos harmonizados, escolhidos em degustação às cegas pela equipe do jornal, e conta com a participação de rótulos nacionais e importados. Conhecendo o Nam Thai Três pratos selecionados O ambiente do Nam Thai possui pé-direito alto, tem cores vivas e um charme todo particular, que encanta pelo clima de descontração e também de romantismo. Os três pratos são típicos da cozinha da Tailândia, com toques pessoais do chef. O primeiro é Massa de Arroz Pad-Thai, (massa de arroz, nam pua, açúcar, molho de ostra, amendoim, camarão, repolho, omelete seca e leve toque de pimenta tailandesa em pasta). Grande sucesso no Rio de Janeiro, o Nam Thai já está há um tempo em São Paulo, no efervescente bairro do Itaim Bibi. A cozinha fica sob supervisão do chef David Zisman, que depois de mais de 30 anos de atuação em medicina formou-se como chefe e passou a dedicar-se à culinária e à cultura tailandesa. A sua carta de vinhos convencional é enxuta, mas possui rótulos bem selecionados, com ênfase nos brancos, mais adequados à maioria dos pratos tailandeses. Nam Thai: Rua Manuel Guedes, 444, Itaim Bibi, (11) 3168-0662, São Paulo. 22 Vinho&Cia - No. 34 Festival de Vinhos em SP Os vinhos selecionados para o festival no Nam Thai Para a Massa de Arroz Pad-Thai e o Frango com 5 Especiarias foram selecionados dois vinhos pela equipe do Vinho&Cia, e para o Mignon com Aniz e Chili, três. A Pad-Thai harmoniza bem com vinhos brancos aromáticos, em razão dos toques apimentados e da riqueza de sabores, que dão ao prato uma dose de complexidade. O chileno Santa Digna Reserva Gewürztraminer, com a 1 uva de origem alemã, e o argentino Mil Piedras, da uva Viognier, são bons pares para o prato. O Frango com 5 Especiarias, mais estruturado e bastante condimentado, porém sem pimenta, pode combinar com branco ou com tinto. Boa opção é o branco espanhol da Catalunha Torres Esmeralda, e a alternativa com tinto é o chileno Falernia Reserva Carmenère 2 A A carne do Mignon com Aniz e Chili pede tintos, e a especiaria e a pimenta exigem para a harmonização um vinho com bastante potência e impacto na boca. As três alternativas selecionadas, de diferentes uvas e regiões, são adequadas: Maestrale Cabernet Sauvigon, do Brasil, de São Joaquim, Newen Malbec, da Patagônia, na Argentina, e Falernia Reserva Syrah, de Elqui, no Chile. B a b c Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Massa de Arroz Pad-Thai ord. fornecedor fone produtor origem região vinho tipo uva safra R$ 1 Reloco (21) 2215-8000 Miguel Torres Chile Curicó Santa Digna Reserva Branco Gewürztraminer 2007 45 2 Premium (31) 3282-1588 Vista Flores Argentina Mendoza Mil Piedras Viognier Branco Viognier 2007 28 Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Frango com 5 Especiarias ord. fornecedor fone produtor origem região vinho tipo uva safra R$ A Reloco (21) 2215-8000 Miguel Torres Espanha Catalunya Torres Esmeralda Branco N/I 2006 46 B Premium (31) 3282-1588 Falernia Chile Elqui Falernia Reserva Carmenère Tinto Carmenère 2005 60 Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Mignon com Aniz e Chili ord. fornecedor fone produtor origem região vinho tipo uva safra R$ a Sanjo (49) 3233-0012 Sanjo Brasil São Joaquim Maestrale Tinto Cabernet Sauvignon 2005 60 b Reloco (21) 2215-8000 Bodegas del Fin del Mundo Argentina Patagonia Newen Malbec Tinto Malbec 2006 42 c Premium (31) 3282-1588 Falernia Chile Elqui Falernia Reserva Syrah Tinto Syrah 2005 60 Os degustadores que selecionaram às cegas os vinhos para o festival foram: Adriana Bonilha, Beto Acherboim, Daniela Zandonadi, Denise Cavalcante, Didú Russo, Fernando Quartim, Maria Helena Figueiredo, Regis Gehlen Oliveira e Walter Tommasi. Vinho&Cia - No. 34 23 Onde Beber Itaim Bibi Moema / V. Mariana Pinheiros / V. Madá Ávila Fogo do Chão Vinheria Percussi Os móveis em madeira tornam o ambiente aconchegante sem perder o ar de sofisticação. A cozinha traz o melhor da culinária argentina. Bela adega climatizada. Vinhos de grandes produtores, com 650 rótulos de 34 a 2.160 reais. Sommelier sempre à disposição para ajudar na escolha. Um dos melhores rodízios do país com carnes de primeira, ótimo serviço e carta de vinhos espetacular. Cerca de 310 rótulos guardados numa bela adega bem à vista. Os preços variam 48 a 3.800 reais. Todos os garçons possuem o curso de sommelier. O melhor restaurante para beber na região em companhia de alta gastronomia, italiana, com os melhores sommeliers, Luciano e Lamberto Percussi e Jonas. A bela adega vista de todos os pontos convida ao vinho. Bons preços e criteriosa seleção para os cerca de 300 rótulos, muitos tops. R. Bandeira Paulista, 520 (11) 3167-2147. Não fecha. Av. M o r e i r a G u i m a r ã e s , 9 6 4 , (11) 5056-1795 Não fecha. R. Cônego Eugênio Leite, 523, (11) 3389-4000. Fecha: 2ª/dom-jan Vino! Giardino Chácara Santa Cecília Anexa à loja de vinhos, a cantina possui estilo informal e aconchegante com a cozinha comandada pelo chef Rodrigo Martins. Divisão de ambientes feita por moderna adega de vidro, que permite ver de perto as mais de 4 mil garrafas climatizadas. Cerca de 800 rótulos de 21 a 3.183 reais. Um quintal agradável, coberto por teto retrátil, faz as vezes do salão principal da casa. Traz cardápio enxuto e uma carta com legenda, que fala das uvas e das suas regiões. Contempla 83 rótulos de diversos países, com preços que variam de 27 a 520 reais. Bar e restaurante contemporâneo com ambientes variados e muita natureza. Logo na entrada, a adega mais atrativa da região, com mais de 100 rótulos. Carta por país e região, com marcadores médio, encorpado e leve. Os preços variam de 31 a 1.200 reais, a maioria na faixa dos 80. R. Prof. Tamandaré de Toledo 51, (11) 3078-6442. Fecha 3a e dom-jan. Av. Lavandisca, 437 (11) 5051-0918. Não fecha. R. Ferreira de Araújo, 1081, (11) 3034-6251. Não fecha Rufino’s Spadaccino Cotações Famoso no Guarujá, trouxe o hábito de servir peixes e frutos do mar bem frescos, o que garante qualidade aos pratos. Para acompanhar, uma bela carta com 340 rótulos, sendo 36 em meia garrafa. Os preços variam de 50 a 1.550 reais, a maioria na faixa de 60 a 150 reais. Excepcional local onde beber Muito bom local onde beber Bom local onde beber Cozinha italiana com bons pratos. Ambientes agradáveis e varanda gostosa. Bom serviço de vinhos, bem selecionados pelo sommelier, em carta enxuta, com ótimos preços para os vinhos mais caros, a maioria entre R$40 e R$80. Local com atrativo para beber R. Dr. Mário Ferraz, 377 (11) 3078-6301. Não fecha. Local onde beber La Tomate Bistronomique Serviço de vinhos Novo bistrô de alta gastronomia do chef Jefferson Rueda, do Pommo- a variedade vinhos baratos rótulos especiais taças e adega climatizada orientado por sommelier carta orientativa a sobrepreço R. Mourato Coelho,1267 (11) 30328605. Fecha: seg/ alm e dom/jan Guia em SP Acontece em SP NASCE UM NOVO MODELO: O primeiro sommelier A primeira ilha Os primeiros 10 anos Contratado pelo chef Allan Espejo, Antonio Machado é agora o primeiro sommelier do grupo de restaurantes Don Pepe Di Napoli após 25 anos de existência. Ele está priorizando produtos que considera de bom custo-benefício. Um quiosque em forma de ilha, para ser posicionado em shoppings, com adega totalmente climatizada, recheada com vinhos separados em 11 estilos, para diferentes de gostos, com indicações de harmonizações com variadas comidas, é uma idéia que tem tudo para dar certo. O Félix Bistrot, na Granja Viana, na Grande São Paulo, completa 10 anos. A casa, com boa comida e boa carta, é um charme só, que vale a pena ser conferido. (11) 4702-3555 / 4612-2339 É a proposta da Wine Choice, que implantou a primeira unidade em Campinas, sob o comando dos empreendedores João Galassi e Virgínia Ventura, com a intenção de em breve implantarem franquia. De forma descontraída, a jornalista Júlia Reis revela o perfil de várias chefs com suas particularidades no seu primeiro livro, Elas à Mesa, lançado pela Anhembi Morumbi. Na faixa de R$28. O terceiro curso A ABS Litoral Paulista abre inscrições para o III Curso Básico de Vinhos, com 5 aulas de 3h no período noturno, no Piccola Forneria e começo em 10/09. R$500. (13) 3271-1200 ENOTECA DECANTER O primeiro livro Embaixador espanhol Nos dias 13 a 23 de Agosto o Brasil recebeu pela segunda vez o programa “Embaixadores do Vinho Espanhol”, organizado pela Academia del Vino da Espanha e Stellium Eventos. O curso tem propósito acadêmico, com reconhecimento do Governo da Espanha, que apóia esta iniciativa, e titulação reconhecida mundialmente, além de ter o apoio e reconhecimento da Wine & Spirit Education Trust (WSET), e tem por objetivo promover os vinhos espanhóis em 21 países e 44 cidades, entre compradores, importadores, educadores, críticos e sommeliers. O palestrante do curso foi Pancho Campo, um dos dois únicos candidatos espanhóis ao prestigioso título de Master of Wine e que escreve sobre vinhos para numerosas publicações. Além disso, é professor dos cursos que a WSET realiza na Espanha e fundador do Simpósio Internacional do Vinho&Cia - No. 34 Vinho. Criou também o primeiro encontro mundial sobre “Aquecimento Global e o Vinho” e o “Barcelona Wine Festival”. A Academia del Vino é uma organização dedicada à formação e titulação de profissionais da indústria do vinho e é a representante oficial da Wine & Spirit Education Trust (WSET) para a Espanha. Aproveitando ainda a presença de Pancho Campo, foram desenvolvidas várias outras atividades visando à difusão do vinho espanhol no Brasil, entre elas cursos específicos sobre Jerez. LOJA COM 600 RÓTULOS DE 12 PAÍSES WINE BAR ACONCHEGANTE CURSOS E DEGUSTAÇÕES DIRIGIDAS ATENDIMENTO “FULL TIME” POR PROFISSIONAIS R. JOAQUIM FLORIANO, 834 (11) 3073-0500, ITAIM BIBI, SÃO PAULO 25 Circuito do Vinho Da ecologia e do direito dos animais! Fernando Quartim Diretor da SBAV-SP [email protected] N ão estaria o aquecimento global afetando nosso raciocínio e influindo nas tomadas de decisão?! Em tempo de grande preocupação ecológica acabam acontecendo certos excessos e algumas coisas inesperadas. É verdade que por falta da tal consciência, no passado também cometemos exageros. Lembro-me bem do tempo em que as cachoeiras dos rios tinham uma só serventia: virar hidrelétricas! Mas, e os peixes? Bem, tentou-se repovoar os reservatórios, mas, com qualquer espécie de peixe! Naquela ocasião nem se questionava se os aquáticos eram originários dali ou não. Foram erros cometidos... Aprendemos graças às reclamações dos, carinhosamente, “ecochatos” que é necessário um estudo mais detalhado quando se quer fazer alguma coisa que provoque impacto ao meio ambiente. Foi aprovada agora a continuação das obras para instalação da usina Angra III. Condição: encontrar solução definitiva para o lixo atômico! Caro Ministro Carlos Minc, não existe país no mundo que tenha encontrado esta solução, será que a Eletronuclear, empresa brasileira, responsável pela obra, irá? Desse jeito, vai faltar energia! E no campo dos direitos humanos, ou melhor, dos direitos dos animais, há um movimento querendo acabar com o foie gras! E questionando o bife Kobe! Assim não dá! 26 La Brasserie Erick Jacquin: Rua Bahia, 683, Higienópolis, (11) 3826-5409, São Paulo Tá certo, não precisa maltratar os bichinhos, mas que eles vão acabar na panela, isto lá vão. Não somos culpados por estarmos no topo da cadeia alimentar! Trata-se de um determinismo. pois já foi eleito, pelos nossos Guias, o melhor francês da cidade. E, para ser fiel à sua proposta, terá que manter no cardápio os deliciosos foie gras, uma de suas grandes especialidades. Mas por falar em foie gras, e fugindo da briga, quero dizer que o mestre nesse assunto, o Erick Jacquin, disse, em entrevista recente, que não irá abandonar hábitos de sua cultura natal! Ainda bem, pois, maus-tratos à parte, aprecio e muito a iguaria. Se a Cidade Luz é romântica, experimente o Piano Bar do Brasserie de sexta a domingo! Acontece na área da entrada, onde se passa o tempo entre um aperitivo e outro, onde se pode em um aconchegante sofá passar momentos românticos e relaxantes ao som de gostosa música. Dá também para fazer a refeição por ali, em clima de varanda. Para os que se revoltam com tal voracidade, tem o seguinte raciocínio: tal como a “Maldição de Montezuma” ataca na cidade do México, se alguém comer foie gras, em exagero, sofrerá de maldição equivalente! Se duvidar, experimente... A vontade do Erick é fazer do Brasserie um pedaço da França aqui em São Paulo. Acho que muito pouco deve faltar, Freqüentado por altas figuras de nossa República, o Brasserie oferece um cardápio francófilo bem variado, suportado por uma Carta de Vinhos de aproximadamente 140 rótulos, desde sofisticados, como um restaurante parisiense exige, a novomundistas, que, quiçá, não se encontre por lá. A par da elegância da carta, os sobrepreços são moderados. E isso é bom! Tanto o Maître Bezerra como o Sommelier Eduardo podem atender, com sugestões muito felizes, aos requintes de uma boa harmonização. Com total visibilidade da cozinha, o salão principal do Brasserie oferece um ambiente muito agradável, e preserva cantinhos com mais privacidade ou, intimidade, dependendo das suas intenções. Ponto alto também é a Confeitaria comandada por Amanda Lopes, que em breve estará no Le Buteque, a nova empreitada do Erick, de volta à Haddock Lobo ao lado do antigo Café Antique, que já foi sua morada. O La Brasserie Erick Jacquin pode integrar o Circuito do Vinho, onde encontramos um ótimo serviço em ambiente bastante agradável, em que o vinho, sempre presente, faz um final feliz! Vinho&Cia - No. 34 O que acontece na cidade maravilhosa Jaqueline Barroso Enófila [email protected] Espaço Vinirio “João, abre um espaço para a gente beber seus vinhos”. Era assim que os amigos enófilos pediam ao João Manso para terem a oportunidade de degustarem os vinhos de suas representações (Herdade do Esporão, Quinta do Crasto, Villa Francioni, Don Giovanni, Wine Company, Fabian, Best Wine). Agora, finalmente, o pedido foi atendido, e temos o Espaço ViniRio. Este espaço é aberto aos enófilos que queiram degustar ótimos rótulos e harmonizar com alguns acepipes. É só ligar e reservar. Rua Barata Ribeiro, 370, loja 22 (21) 2256-0858, www.vinirio.com.br Festival de sabores Sud de France Languedoc-Roussillon é aqui! Acontece no Rio o II Festival de Sabores Sud de France, no período de 2 a 12 de outubro nos restaurantes e delicatessens da cidade. Os restaurantes terão um prato inspirado na região francesa e um vinho para harmonizar, claro! Haverá em alguma revistas enogastronômicas um cupom para ser destacado e levado aos restaurantes engajados, com Rio 40 Graus Caravana Rolidei Quem pensa que Blumenau é só Oktoberfest, muito chopp, salsichão e calças curtas, vai ter de rever os seus conceitos! Porque de lá foi que partiu a caravana da Importadora Decanter que deslumbrou os enófilos do Rio, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte com uma das melhores celebrações do vinho dos últimos tempos. Impecável! Eram tantos rótulos admiráveis que é injusto escolher um só. Mas o Pio Cesare Barolo Ornato 2003 era tão bom que Ione Barroca bebeu até a última gota! Miss Enóloga Magdalena Soza é linda, simpática, carinhosa, entusiasmada e cativante. Com tantos predicados assim, nem precisaria fazer nada na vida! Mas ela é a enóloga da chilena Viña Casablanca e faz vinhos maravilhosos! A convite da Casa Flora, ela apresentou suas obras para o público carioca em um jantar no Restaurante Cais da Ribeira. O grande lance da noite foi o Neblus 2002, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère. Gol de placa! Mar de Vinho Marcelo Copello é um dos nomes mais respeitados no mundo dos vinhos do Brasil. E sua mais recente iniciativa, a Escola Mar de Vinho, passou a oferecer cursos e degustações para o público do Rio de Janeiro. A palestra Vinho em Julgamento foi uma boa amostra da dinâmica que o jornalista pretende imprimir nas atividades da escola: o objetivo era comparar as notas dadas pelos alunos para vinhos degustados às cegas com aquelas dos grandes críticos internacionais. E foram só vinhaços! Como em todas as atividades, ao final os alunos foram brindados com um jantar preparado pela chef Ciça Roxo. No clima dos enoeventos Virado prá lua Que sorte que eu tive de participar do almoço no Giuseppe Leblon, oferecido pela Importadora Vinci para a apresentação dos Champagnes da Maison Henriot. Cada uma melhor do que a outra, mas José Paulo Schiffini e eu ficamos babando pela Henriot Cuvée des Enchanteleurs 1995. Elegante, cremoso e prá lá de persistente, foi com certeza o melhor Champagne que provei em minha vida! 0-800 Janani Vilela foi uma dos cerca de mil enófilos que compareceram à Degustação do Velho Mundo, promovida pelos Supermercados Zona Sul nos salões do Hotel Sofitel Copacabana. Com um requinte inimaginável para uma degustação desse porte – e, melhor ainda, de graça – foram servidos grandes rótulos que deixaram a multidão atordoada! O Zona Sul, com essa, conquistou os corações e mentes dos apreciadores cariocas! Os excelentes vinhos eram muitos, mas eu tenho de destacar o Amarone della Valpolicella Classico Sartori 2003. Pouco custo para muito benefício! 28 Leia mais no site: www.enoeventos.com.br Oscar Daudt Enófilo [email protected] Vinho&Cia - No. 34 Paralelo 30 Um novo caminho em Porto Alegre Foto de Ricardo Frantz/Divulgação MARGS Capuccino Duplo, e o Café Santo de Casa, este no 7º andar, local onde já foi o Café Concerto Majestic. Aqui as sugestões são etílicas, pois a carta de vinhos é a que tem melhor margem de preço dos arredores. Vinhos nacionais e importados podem ser degustados tendo como vista o pôr-do-sol no Guaíba. Se bobearmos ainda, caímos na Tea Shake, uma espécie de balada bem comportada que acontece no primeiro sábado de cada mês. Carla Maicá Colunista [email protected] O Centro de Porto Alegre está recebendo atenção especial nos últimos anos. Uma espécie de revitalização da zona central abarca alguns projetos interessantes, como o Caminho dos Antiquários, Viva o Centro a Pé e, mais recentemente, o Caminho do Livro, que toma conta da rua Riachuelo em todos os sábados das 10h às 16h. Mas, além de arquitetura, antiguidades e literatura, poderíamos pensar para o Centro num Caminho dos Cafés! Quem arrisca? Pique para tal, depois de tantos cafezinhos, nós temos! Uma das paradas obrigatórias no Centro, o Café do MARGS está com nova carta de vinhos. Foto de Cláudia Vagner Caffè del Barbiere, na r. Jerônimo Coelho, 188, junto da tradicional Barbearia Elegante, de 1947. Vinho&Cia - No. 34 O Centro está com várias possibilidades para os apreciadores de cafés, seja ele aquele expresso nosso de cada dia, ou receitas elaboradas com licores, sabores, chantilly e, porque não, boas taças de vinho. Sigamos o aroma e chegaremos no Café do MARGS. Não tem como nos perder. Aqui já podemos ousar um pouco e pedir uma taça de espumante, ou ainda um tinto bem encorpado para aguentar o vento que sopra do Guaíba. Poderíamos começar pelo Café do Mercado, que, embora pequeno, oferece um dos cafés mais bem tirados da cidade. Ali, um espresso curto para começar bem o nosso percurso. Depois andamos até o Santander Cultural, até o seu Café do Cofre, instalado dentro do cofre do antigo Banco Nacional do Comércio. Um pingado bem cremoso, por favor. Sim, não só de cafeína vivem os cafés portoalegrenses, e isso fica claro na nossa próxima parada: o Caffè del Barbiere, na Jerônimo Coelho. Se for quarta ou sexta-feira, melhor ainda, pois poderemos almoçar um excelente menu do chef Marcelo Schambeck e ainda escolher um dos rótulos disponibilizados no quadro negro. Se não é um dia desses, nos rendemos aos cafés, à boa música e ao bom gosto do ambiente. Café com Hortelã, Café Macuco, Café à Brasileira, Província do Café... Seguimos para o Museu de Artes do Rio Grande do Sul, o MARGS. Aproveitamos para ver alguma exposição ou para apreciarmos o acervo do museu. O caminho é longo e o seu final é na Casa de Cultura Mario Quintana, com duas opções: o Café dos Cataventos, onde obrigatoriamente a pedida é o Final do caminho: pôr-do-sol, música ao vivo e vinhos em conta no Café Santo de Casa 29 Festival de Vinhos no Sul A descoberta do Chef José Forte hegamos à 5ª edição de festivais de vinho no Sul e, depois de Porto Alegre e Gramado, é a vez de uma nova descoberta: Novo Hamburgo sediar mais um evento... E em grande estilo. De 15 de setembro a 31 de outubro você tem a possibilidade de saborear três pratos harmonizados com vinhos que foram selecionados em degustação às cegas no restaurante Chef José Forte – Cozinha Contemporânea. C A apresentação dos pratos agrada os olhos, com combinações de cores e texturas. E os pratos escolhidos para o festival são apenas uma amostra. O cardápio é novo e apresenta pratos com massas, pescados e carnes. A carta de vinhos também passou por mudanças e apresenta rótulos do Novo e do Velho Mundo. Excelentes taças e adeguinha garantem um bom serviço de vinho. A descoberta As criações Depois de marcar presença em restaurantes de Porto Alegre e Florianópolis, José Forte retorna a Novo Hamburgo com o intuito de abrir um espaço diferenciado. Localizado no bairro Hamburgo Novo, área nobre da cidade, o restaurante exprime os princípios profissionais de José: um bom ambiente, critério na escolha dos ingredientes – matéria prima de sua arte – e excelente atendimento. O ambiente é clean e aconchegante: cadeiras de vime e paredes de vidro dão a sensação de leveza, algo quase como se sentir em férias. O Festival também serve para apresentar o novo cardápio da casa. Dele foram escolhidos três pratos distintos para compor as opções de harmonização. O primeiro é o “Linguado em creme macerado de pitanga, abacaxi, cachaça e pimenta”, que é bastante peculiar pela acidez do abacaxi e pelo equilíbrio do sabor do peixe, que ameniza tal acidez. O “Mini ravioli de vitelo ao molho de cèpe e alho-poró crocante” tem molho cremoso, muito gostoso. É um prato que, sendo de massa, é leve, com nuances de sabores dados por ingredientes bem equi- 30 librados: desde a textura do molho até o toque dado pelo alho-poró. O terceiro é o exótico e saboroso “Trançado de mignon e parma ao chutney de pêra e farofa thay”. O sabor da carne e do parma estão muito bem combinados com o chutney, que interage com a deliciosa farofa. Chef José Forte Av. Dr. Maurício Cardoso, 1216 Novo Hamburgo, RS (51) 3582-8806 Festival dos pratos com os vinhos de 15 de setembro a 31 de outubro Vinho&Cia - No. 34 Festival de Vinhos no Sul Os vinhos selecionados para combinar com as descobertas Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Linguado em creme macerado de pitanga, abacaxi, cachaça e pimenta ord. fornecedor fone produtor 1 Sanjo (49) 3233-0012 Sanjo 2 Miolo (51) 2108-0150 Miolo origem região vinho tipo uva safra R$ Brasil São Joaquim Núbio Rosé Cabernet Sauvignon 2005 45 Brasil Campanha Gaúcha Fortaleza do Seival Pinot Grigio Branco Pinot Grigio 2006 26 tipo uva safra R$ Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Mini ravioli de vitelo ao molho de cèpe e alho-poró crocante ord. fornecedor fone produtor origem região vinho A Miolo (51) 2108-0150 Miolo Brasil Campanha Gaúcha Fortaleza do Seival Pinot Noir Tinto Pinot Noir 2007 26 B Suzin (49) 3233-1038 Suzin Brasil São Joaquim Suzin Merlot Tinto Merlot 2006 49 vinho tipo uva safra R$ Vinhos que recebem a medalha Cia. de Ouro com Trançado de mignon e parma ao molho ao chutney de pêra e farofa Thay ord. fornecedor fone produtor origem região a Sanjo (49) 3233-0012 Sanjo Brasil São Joaquim Maestrale Tinto Cabernet Sauvignon 2005 60 b Suzin (49) 3233-1038 Suzin Brasil São Joaquim Suzin Cabernet Sauvignon Tinto Cabernet Sauvignon 2006 49 Linguado Mini Ravioli Trançado de Mignon e Parma O Linguado, marcado pela acidez do abacaxi e pela presença de pitanga e de pimenta, exige vinhos mais estruturados, porém com aromas leves. O Núbio Rosé, da Sanjo, de Santa Catarina, se mostra versátil, principalmente na combinação com a pimenta. Já o branco Pinot Grigio da Miolo, da Campanha Gaúcha, por apresentar leveza de aromas e boa acidez, harmoniza melhor ainda quando a especiaria, por escolha, não está presente no prato. O segundo prato apresenta cremosidade interessante, dada pelo molho de cèpe em que os Mini Ravioli são servidos. A marca do funghi é leve e combina muito bem com tintos mais frutados, como o Fortaleza do Seival Pinot Noir, da Miolo, da Campanha Gaúcha, e o Suzin Merlot, de São Joaquim, em Santa Catarina, que deixam o prato mostrar os seus aromas. O Trançado de Mignon e Parma é o prato que exige tintos mais potentes, mas tintos que respeitem os aromas das frutas que o compõem. Aqui dois Cabernet Sauvignon com taninos equilibrados vão muito bem no desafio: o Maestrale, da Sanjo, e o Suzin, ambos de São Joaquim, em Santa Catarina. 1 2 A B a b Os vinhos foram selecionados às cegas pelos degustadores Carla Maicá, Edmur de Camargo Pinto, Gisele Lorenzini, José Luís Rodrigues, Magali Barberena, Maria Amélia, Patrícia Possamai, Paulo Mazeron e Roberto Lorenzini. Vinho&Cia - No. 34 31 Guia no Sul Acontece no Sul Onde Beber Enologia e Saúde De 24 a 26 de setembro o Parque de Eventos de Bento Gonçalves é a sede de dois eventos: XII Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia, organizado pela Embrapa Uva e Vinho, com o objetivo de discutir o desenvolvimento e a tecnologia da viticultura brasileira para a projeção nacional e internacional de nosso vinho, e o II Simpósio Internacional Vinho e Saúde, organizado pela Associação Brasileira de Enologia, que reune especialistas e pesquisadores de diversas áreas, com apresentação de trabalhos sobre os benefícios do vinho e do suco de uva à saúde. Inscrições e informações: www.enologia.org.br, (54) 3452.6289 Nhoque! Para os supersticiosos, ou para os que apenas apreciam um bom nhoque, a D.O.C. Champanharia e Risoteria promove no dia 29 de cada mês o Nhoque da Sorte. O tradicional prato pode ser acompanhado pelas opções de espumantes da casa, ou de alguns rótulos de tintos que a casa oferece no inverno. D.O.C. Champanharia e Risoteria Rua Jaime Telles, 325 – Bela Vista (51) 3332-9094 De segunda a sábado, jantar Moinhos de Vento Centro Cidade Baixa Tutto Riso Atelier de Massas Casa de Portugal Num ambiente decorado em clima italiano, os saborosos risotos criados por Paula La Porta podem ser harmonizados com algum dos 122 rótulos da Enoteca Conte Freire que são expostos na recepção com orientações e dicas de harmonização. Bons vinhos em taça na “Sugestões da Semana”. Na carta 173 rótulos de vários países e preços, ½ garrafas e, em taça, o misterioso “sem rótulo”. Decoração com garrafas e obras de arte. O chef e proprietário Gelson Radaelli cuida da carta, atento às novidades. Massas frescas e artesanais criativas. Já realizou festival do Vinho&Cia. Tradicional casa de culinária portuguesa que oferece 89 rótulos para os seus 34 pratos. Vinhos do Porto são oferecidos em cálice. O restaurante promove degustações de apresentação de algum vinho da carta, como aconteceu recentemente com uma vinícola. Rua Dinarte Ribeiro, 116 (51) 3222-1934. Fecha domingo R. Riachuelo, 1485, Centro (51) 3225-1125. Fecha dom Av. João Pessoa, 579, 3286-2067. Fecha 2a El Fuego Gambrinus Santíssimo Opção dentro do espaço do shopping Moinhos para almoços e jantares com grelhados e saladas, em espaço bastante amplo. Carta com 180 rótulos de vários países, com várias opções da importadora Decanter. Adega climatizada e boas taças. (51) 3346-2728 Restaurante mais antigo de PoA, desde 1889, com público cativo e rótulo próprio, Reserva Especial Gambrinus, da Marson. Na carta, atenção especial aos rótulos portugueses. Vinhos em conta e ambiente agradável para pescados em pleno burburinho do Mercado Público. Casarão restaurado do século passado com decoração de antiquários e cardápio variado com pratos com nomes de santos. 97 rótulos, 25 chilenos. Tem guia de vinhos elaborado junto com a Miolo, contendo história do vinho, explicações, dicas, conservação, taninos, degustação... Rua Olavo Barreto Viana, 36 Shopping Moinhos. Não fecha Av. Borges de Medeiros, 85, Centro (51) 3226-6914. Fecha dom R. Sarmento Leite, 888, Cid. Baixa (51) 3024-1939. Fecha alm Bistrô Porto Alegre Bistrô MARGS Monte Polino Bistrô do hotel Sheraton de Porto Alegre. Carta enxuta com rótulos da Argentina, Chile, Brasil e França com preços justos. Atenção extra-carta ao vinho nacional com jantares harmonizados. Boas taças. Bom atendimento e ambiente clássico, com preços de hotel internacional. Localizado num dos principais pontos da cidade, o Bistrô do museu MARGS é alternativa para almoço ou happy hour para quem está no Centro. Suas mesinhas na rua são disputadas principalmente em época da Feira do Livro. Carta enxuta e rótulos conhecidos. Na carta são 40 rótulos mas há oferta maior. É só olhar ao redor e perceber que o vinho é um dos motivos da casa de culinária típica italiana. A Taverna, que existe há mais de 20 anos, oferece rótulos nacionais, argentinos, chilenos e do Velho Mundo. Boas taças e adega climatizada. R. Olavo Barreto Viana, 18 (51) 2121-6057. Não fecha Praça da Alfândega, s/n, Centro (51) 3018-1380. Fecha jan sáb/dom R. Br. do Gravataí, 531, Cid. Baixa (51) 3224-2372. Não fecha Nova loja em Porto Alegre Agora é a vez da importadora Grand Cru se instalar na cidade. Nesse mês uma das maiores importadoras de vinhos do país abre suas portas na rua Schiller, no bairro Moinhos de Ventos. 4a. edição De 18 a 20 de setembro acontece a 4ª edição do Vinho&Arte no Vale dos Vinhedos, organizado por Maria Amélia Flores e Luciana Zotz. O evento é realizado no SPA do Vinho, e tem na programação workshops e palestras com nomes importantes, almoços, jantares e, claro, muitas degustações. Maiores informações: Maria Amélia Duarte Flores [email protected] (51) 9331-6098 Cotações Excepcional local onde beber Livros Bom local onde beber variedade rótulos especiais taças e adega climatizada orientado por sommelier Local com atrativo para beber carta orientativa a Local onde beber 32 a vinhos baratos Muito bom local onde beber Para os que tiverem interesse nos livros “Slaviero – João: pioneirismo na viticultura gaúcha” e ‘Nossa Senhora da Uva”, de Floriano Molon, anunciados na edição nº 32, o e-mail para contato é: [email protected] Serviço de vinhos sobrepreço Faixas excepcional variedade grande variedade variedade razoável ótimo sobrepreço bom sobrepreço margem intermediária margem superior Vinho&Cia - No. 34 Vinho é Arte Vinhos e experiências Maria Amélia Duarte Flores Enóloga [email protected] D esde o início da minha carreira como enóloga optei por algo diferente, que é trabalhar a cultura do consumo de vinho. Sim, a elaboração apaixona, acompanhar cada momento do surgimento de um vinho é uma experiência única; conviver entre os vinhedos então, com as pessoas que trabalham nas vinhas, a natureza, tem sua magia. Mas atuar junto ao apreciador, tentando entender o que ele busca, trazendo ações diferentes, com criatividade, acabou sendo minha escolha de vida. Tenho que ir além de marketing. Além de novas marcas, busco a história, detalhes e peculiaridades, e crio as experiências, sejam degustações, viagens ou jantares. Uma idéia foi brincar de harmonizar vinhos com chocolates, uma combinação muitas vezes desastrosa, mas que muita gente adora. Não parti do preceito técnico, mas da idéia de aprofundar o conhecimento de algo que as pessoas simplesmente gostam de fazer. Obtive agradáveis surpresas: em todas as edições sempre os vinhos brasileiros, principalmente os com base em Tannat ou castas portuguesas foram os preferidos. Talvez pelo bom corpo, taninos presentes em boa quantidade para lutar com o cacau, ou pelas notas que lembram o vinho do Porto. Não saberia exatamente a explicação, mas foram degustações onde todos se divertiram. Outra combinação que adoro “tentar” é com comida tailandesa. Já realizei cerca de quatro jantares junto ao Koh Pee Pee, uma referência em Thai Food Vinho&Cia - No. 34 Terraço do Villa Europa, Spa do Vinho, rodeado pelos vinhedos da vinícola Miolo em Bento Gonçalves no sul do Brasil, e sempre foram grandes acontecimentos. Os pratos tailandeses se caracterizam pela pimenta, moída, em molho, de todas as formas, alguns com mais e outros com menos intensidade. Ao que percebi, a companhia ideal são os espumantes, que devem estar extremamente gelados. Outra opção são vinhos que tenham algo de acidez, mas também que lembrem a mel e amêndoas, contrastando com molhos agridoces. Neste último, utilizei um vinho do sul da França, Duo Mythique Chardonnay e Muscat, talvez o preferido na harmonização. Nossa próxima experiência é o encontro Vinho e Arte, que este ano acontece no SPA do Vinho, em Bento Gonçalves. Lá aliamos o vinho à saúde, além de muita arte, entre os dias 18 e 20 de setembro. Enfim, temos que trabalhar ainda mais a cultura do vinho, mostrar que não é uma simples bebida, nem coisa apenas de entendedores ou sofisticados demais: é uma bebida que permite diversão, conhecimento, novos amigos. Estimulando um consumo racional e trazendo experiências diferentes, formamos novos consumidores e reforçamos o conhecimento dos já apreciadores, valorizando, assim, enólogos, sommeliers, produtores, restaurantes, enfim, toda esta gente apaixonada por vinho. Salut! 33 EmBoaCia “ Viva mais além das garrafas de vinhos Para onde vamos? Para a montanha? Espumante à beira da piscina na Pousada do Cedro, em Santo Antônio do Pinhal, SP Restaurante Nó de Pinho, no Solar D’Araucária, na pacata Gonçalves, MG U ares de montanha é ideal para o nosso caso. Entre diversas opções, destacamos a Pousada do Cedro, que une natureza, paisagem com vista para o Pico Agudo e romantismo. E após uma trilha ou cavalgada, para completar o relax, é bom não nos esquecermos de aproveitar saunas, hidromassagem e cromoterapia. E para terminar o dia com chave de ouro, aproveitar a carta de vinho com 70 rótulos. podemos escolher o Solar D´Araucária, que além de ter charme nos deixará mais próximo do chef Sérgio Peres. Ele atualmente comanda o restaurante Nó de Pinho, e pode nos proporcionar experiências inesquecíveis. Lá, até outubro, acontece o Festival da Primavera, com foco na “alcachofra”. Será que o chef sabe cozinhar? Eu já tive a oportunidade de saborear suas criações e recomendo que você mesmo dê a sua opinião. Podemos continuar pela estrada, rumo a Minas Gerais e chegar em Gonçalves, onde, para relaxar, a melhor pedida é ficar literalmente boiando nas águas geladas de um poço de uma das inúmeras e belas cachoeiras da região, se deleitando com o azul do céu. Para nos hospedarmos, Quer ficar com mais água na boca? Então, anotemos: www.pousadadocedro. com.br; www.solardaraucaria.com.br e www.nodepinho.com.br. ma mudança de rumo... Uma mudança de casa... Excesso de atividades e responsabilidades... Nada melhor do que dar uma fugidinha, buscando um recanto, um lugar ao sol (ou à sombra!), acompanhado de um envolvente livro de romance (ou de seu estilo preferido – este é o meu!) e de uma taça “daquele” vinho. Qual é o seu limite de quilometragem? Quer um lugar perto de Sampa e uma boa estrada? Então, para lá vamos! Sigamos pela Airton Senna e Carvalho Pinto e subamos a serra. Você pensou em Campos do Jordão? É uma boa pedida, mas vamos parar 12km antes, em Santo Antonio do Pinhal. A cidadezinha com 34 volante enquanto pensa na vida, então vá à Bahia, a Pernambuco ou ao Ceará. Pode ir de avião também, mas não se esqueça de nos contar onde descolou uma boa taça! Adriana Bonilha Colunista Agora, se você é daqueles que gosta de uma estrada mais longa, de horas ao [email protected] Vinho&Cia - No. 34 Alta Gastronomia Chocolate em alta no Gran Concurso Maya Jorge Monti Presidente da Abaga [email protected] S entimos que a cada dia há um crescimento considerável no consumo de alimentos no Brasil, sendo o chocolate, uma paixão no mundo dos doces, uma preferência unânime neste segmento, o grande destaque positivo desta evolução. Os confeiteiros brasileiros seguem uma linha rígida de profissionalismo. Aprimoram constantemente suas técnicas de elaboração do chocolate, o que nos permite contar com a participação destes mestres em grandes eventos ao redor do mundo. Vale destacar a criação da primeira seleção nacional de confeitaria através da Abaga na participação no maior concurso de confeitaria da América Latina, O Maya – nos dias 10, 11 e 12 de setembro na Cidade do México, no evento da Abastur 2008 (www.abastur.com). Nove países fazem parte de um confronto em busca de três vagas para a copa do mundo de confeitaria na cidade de Lyon, França, em janeiro de 2009. A equipe brasileira é formada pelos seguintes integrantes: Rafael Barros, coordenador do Centro de Gastronomia Anhembi Morumbi, Ramiro Bertassim, confeiteiro do Hotel Renassaince SP, e Cledivânio Ajar, confeiteiro do Hotel Intercontinental SP, que fecham o corpo de confeiteiros do grupo. Os jurados são Marcelo Pinheiro, chefe executivo do Hotel Intercontinental SP e diretor de Concursos da Abaga, e pela coordenadoria geral, no caso, eu, Jorge Monti de Valssassina, presidente da Abaga. O tema escolhido pelos membros é a Amazônia. São apresentadas figuras de açúcar e chocolate e três bolos diferen- tes. Os três mais bem colocados recebem a premiação em dinheiro no valor de U$10mil, U$6mil e U$3 mil, além de medalhas e garantia de participação na copa do mundo, que, como citamos anteriormente, será realizada na França. Patrocinado pelo Sindicafé, ABIC (Associação Brasileira da Industria do Café), APEX (Agência de Promoção de Exportação e Investimentos), Atelier André Razuk, Fornos Prática, Abaga, Universidade Anhembi Morumbi e Nascimento Turismo, o time brasileiro tem tudo para vencer este concurso. Vamos torcer pelo Brasil! Combinando chocolate com vinhos Não é fácil a tarefa de harmonização de vinhos com chocolate. Certas propriedades do vinho e certas do chocolate entram em conflito. O vinho por natureza é ácido, e, no caso dos tintos, taninoso. O chocolate, pelo seu lado, é doce, ácido e amargo. E ácido não combina com amargo. Assim, pela lógica de sabores, só da pra combinar vinho com chocolate se o vinho for doce, ou pouco ácido e pouco taninoso. Isso recai nos vinhos de sobremesa, doces. As melhores combinações são em geral com Banyuls, francês, e o licor de Tannat, uruguaio. Porto Vintage também em geral combina, mas outros do tipo Porto, não. Também em geral não combinam bem os doces brancos, do tipo Sauternes, em função das características específicas de sabor. Mas o mundo do vinho é vasto, e podem haver certas combinações que possam agradar ao seu gosto particular. É só tentar. Vinho & Cia - No. 34 35 Charutos & Destilados Harmonizando charutos e cervejas César Adames Consultor gastronômico [email protected] P referência nacional, a cerveja nunca foi levada a sério como bebida para acompanhar um bom charuto. Isto está mudando radicalmente com a descoberta das cervejas artesanais. Fabricadas por micro-cervejarias elas começam a fazer sucesso entre os apreciadores de charutos. A diferença das artesanais para as demais cervejas do mercado é que as primeiras seguem a Lei de Pureza da Baviera (conhecida como Reinheitsgebot). Proclamada na Alemanha pelo Duque Guilherme IV, em 1516, esta lei garante que apenas água pura, cevada, lúpulo e fermento sejam utilizados no processo de fabricação das cervejas. Dos vários tipos de cervejas que seguem este padrão a Rauchbier é uma das que mais combinam com charutos. Rauch, em alemão, significa fumaça, e é produzida com maltes defumados da região de Bamberg, na Alemanha, onde fica a melhor e mais famosa maltaria do mundo. Antigamente, todas as cervejas tinham um toque defumado em seu sabor, pois todos os maltes eram secos com fogo proveniente da queima de madeira. Em meados de 1700, com a invenção de secadores que utilizavam o carvão como combustível, a maioria das cervejas abandonou o caráter defumado. As cervejarias de Bamberg, porém, permaneceram fiéis à tradição até hoje. Não muito longe de São Paulo, na cidade de Votorantim, a Bamberg Micro Cervejaria começou a produzir a sua própria Rauchbier. Para elaborar este tipo de cerveja os proprietários convocaram o Bier Sommèlier e mestre cervejeiro alemão Stefan Grauvogl. Grauvogl fez sua primeira cerveja aos 15 anos de idade e com 23 anos formou-se Mestre Cervejeiro na Doemens em Munique. Neste período começou a prestar consultoria para importantes cervejarias dos EUA, Japão, Cingapura, China e Rússia. Com teor alcoólico de 6,5%, a Rauchbier apresenta coloração acobreada e paladar seco. O toque defumado vai de encontro com os sabores presentes no tabaco. A Bamberg Rauchbier será uma cerveja que estará disponível o ano todo, e a previsão é que ela chegue ao mercado na primeira semana de setembro. Eisenbahn Dama do Lago Cerveja vencedora do primeiro concurso Mestre Cervejeiro, organizado pela cervejaria Eisenbahn, a Dama do Lago é uma belgian strong ale, do subestilo Belgian Dark Strong Ale, que tem 9% de teor alcoólico. Encorpada, licorosa, maltada, com médio amargor. Tem aroma e sabor frutado e de especiarias, principalmente cravo, malte e toffe. Preço médio de R$ 32 pela garrafa de 370 ml. Baden Baden Tripel Elaborada com a combinação de maltes especiais, tripla fermentação e um longo processo de maturação, que lhe confere coloração ouro avermelhado, corpo marcante, aroma adocicado e alto conteúdo alcoólico. Envasada numa exclusiva garrafa de cerâmica preta, a cerveja tem aroma e sabor complexos, com forte presença de frutas e notas de avelã. Tem teor alcoólico de 14%, três vezes mais do que as cervejas pilsens tradicionais. Preço médio de R$70 e quantidade limitada a duas mil e quinhentas garrafas numeradas. Colorado Demoissele Essa cerveja do estilo Porter, a primeira escura da cervejaria de Ribeirão Preto, é feita com maltes importados da mais alta qualidade e café selecionado da região da Alta Mogiana. A Demoiselle tem 6% de teor alcoólico e preço médio de R$ 12 36 Vinho&Cia - No. 34 Comportamento Beniamino Gigli e Marchesi di Barolo Didú Russo Confraria dos Sommeliers [email protected] N os domingos lá em casa, o cheiro do molho do macarrão que a minha mãe preparava, tomava conta de todos os ambientes e transbordava para a rua, misturado ao som de canzzonetas italianas cantadas pelo Gigli. É claro que havia outros cantores também, como o Carlo Buti, o Franco Corelli, o Titto Schipa, o Luciano Taioli, o Domenico Modugno, mas o Gigli era presença marcante, pois afinal, papai havia sido amigo pessoal do Gigli, que quando vinha a São Paulo, fazia questão de andar no Hudosn do papai. Quando o Gigli veio a São Paulo, o papai largou tudo e foi até o Hotel Esplanada, e lá ficou até o Gigli atendê-lo. Acabaram ficando amigos, papai cantou para ele, e ele inclusive quis levar meu pai para a Itália! “ Vou fazer de você um grande tenor, Russo” dissera ele ao meu pai que, acabou amarelando, coitado. Também o homem acabara de montar seu escritório, minha mãe já com uma filha nos braços e meu irmão a caminho… Não deu. O Gigli foi em casa comer da macarronada da Mamãe acompanhada sempre de Marchesi di Barolo. Podia ser um Spumante de Nebbilo, um Bracheto, um Barbaresco, um Barolo até, mas do Marchesi. Vinho&Cia - No. 34 O papai ficou tão fanático pelo Gigli, que numa apresentação de Aida, os produtores resolveram surpreender a platéia, inserindo um elefante no palco do Municipal. O papai havia comprado um binóculo e ficou lá a ópera inteira só em cima do Gigli, estudando suas reações, como respirava, como entrava e saía da cena, etc. Terminada a peça, todos se perguntavam: – Que incrível, não? Um elefante no palco! – Elefante?! Que elefante? Perguntou meu pai que não havia visto nada que não fosse Beniamino Gigli… Você pode imaginar em que figura mítica se transformou o Gigli na minha casa. Tenor para meu pai era o Gigli, o resto não se comparava a ele. A cada novo que aparecia, lá vinha o papai com o disco do cara e comparava com o Gigli. Assim foi com Giuseppe Distefano, Gianni Raimondi, Mario Del Monaco, Fritz Wunderlich e tantos outros que nunca superaram o Gigli. Ficaram as histórias e a amizade deles. Tenho hoje discos autografados pelo Gigli e uma foto com um carinhoso texto dele para meu pai. Hoje, possuo diversos CDs que comprei do Beniamino e sempre que os ouço vejo meu pai a meu lado dizendo: – Veja meu filho, que meia voz tinha ele, ouça Una Furtiva Lacrima e ache alguém que chegue perto. Assim, aos domingos hoje, lá em casa, apura-se o molho para o macarrão, que invade a praça, e ouve-se Beniamino Gigli, sempre acompanhado de um bom vinho italiano. Até os vizinhos já sabem que não há outro igual, e dá-lhe O Sole Mio, Santa Lucia, Core ‘Ngrato, Mamma, e por aí a fora. 37 Crônica Ted Bebedor investiga o grampo Regis Gehlen Oliveira Editor do Vinho&Cia [email protected] M ais um fim de tarde tranqüilo na redação do Vinho&Cia. O Cesar Adames já foi para um dos poucos bares que ainda aceita fumantes no planeta, o José Ivan saiu para comprar uma régua de cálculo novinha, o Beto Acherboim foi contar alguma estória de leão da África no seu haras virtual, o Didú Russo disse que ia comprar uma gravata borboleta nova para o evento de amanhã, a Carla Maicá já ligou do Sul avisando que iria tomar um espumante, o Oscar Daudt falou do Rio que vai charlar com um mate antes de um enoevento... - Ted Bebedor, mais uma missão para você! O editor abre com força a porta bangue-bangue da redação e entra com todo o ímpeto... - Essa estória de grampo precisamos investigar. Pode ser que os nossos telefones estejam em escuta. Já pensou se vem a público tudo o que sabemos sobre o mundo do vinho? Bah!... Tranqüilidade não existe por muito tempo. Como é dura a vida de repórter do vinho! - Bom, Ted, o caso está em suas mãos! O editor deixa a sala. A porta banguebangue faz plec, plec. Bem... Resta planejar, traçar uma estratégia, uma ação tática... Vamos colocar um CD com uma musiquinha para inspirar. “Eu canto / Porque o instante existe / E a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste / Sou poeta...” - Ted, o que você pensa fazer? - Não sei ainda, caro leitor. - Hum!... Me diz uma coisa... Bela música, hein? Da Cecília Meirelles e 38 Fagner, né? - Isso mesmo, caro leitor. - Ted, está na hora de um vinhozinho, não? - Boa idéia, boa idéia! Esse assunto é meio eletrizante, acho que merece um tintão bem encorpado. - Harmoniza bem com o momento... Sabe, Ted, pensei numa coisa... Que tal você ligar na operadora de telefonia e perguntar se o telefone está grampeado? - Grande idéia, caro leitor! Como não tinha pensado antes? Toca o CD... “Irmão das coisas fugidias / Não sinto gozo nem tormento / Atravesso noites e dias / No vento” Tuu, tuu, tuu... - Boa noite! Bem-vindo ao atendimento digital da melhor operadora do país! Por favor, digite o número do seu telefone com o prefixo... - Ted, o seu telefone é ainda daqueles antigos, de disco. Será que funciona? - Não sei, vamos tentar! Bruu, bru, bruuuu, bruu, bru... - Para falar com vendas, disque 576, com manutenção disque 893, com serviço de contas, 999, ou aguarde para ser atendido...” - Ted, funcionou! Mas acho que não tem um número para discar e falar sobre grampos. Acho melhor você aguardar para ser atendido. Tuu, tuu, tuu, tuu... - Parabéns, você está na melhor operadora do país! No momento todos os nossos atendentes estão ocupados, mas dentro de instantes alguém “estará lhe atendendo”. - Deve ser só alguns minutinhos, Ted. - Vamos com mais um gole do tintão encorpado? - Claro, claro... - Parabéns! Daqui a pouquinho um de nossos atendentes “estará lhe atendendo”. - Será que riscou o disco, caro leitor? - Ted, essa estória de disco riscado é meio antiga, do tempo do Didú e do Ivan. Hoje é tudo gravação digital, não tem risco. - Ah!... - Boa noite, senhor! Meu nome é Emanuel. Qual é o número do seu telefone com o prefixo? - Mas eu já digitei o número com o prefixo. - Senhor, é que, para sua segurança, eu “estarei precisando” novamente do número... Obrigado, em que poderei “estar lhe sendo” útil? - Eu gostaria de saber se o meu telefone está grampeado. - Perfeitamente, senhor. Para sua segurança, vou “estar lhe pedindo” que me confirme alguns dados... Seu RG... Sim... Nome do pai... Sim... Data de batismo... Obrigado, senhor... Só um minutinho, por favor, enquanto “estarei confirmando” alguns dados. - Mais um gole de tintão, Ted? - Acho que mais um, né, caro leitor? “Se desmorono ou se edifico / Se permaneço ou me desfaço / Não sei se fico / Ou passo” - Obrigado por estar aguardando, senhor. O meu sistema diz que preciso “estar transferindo” para outro setor... Por favor, mais um minutinho enquanto “estarei transferindo”... - Ted, será que vamos conseguir obter a informação sobre o grampo? - Não sei... Mas o tintão está ótimo! Só falta um bifão aqui. - Hummmm! Tuu, tuu, tuu... - Por favor, digite o número do seu telefone com o prefixo... - Bah, Ted... “Eu sei que canto e a canção é tudo / Tem sangue eterno a asa ritmada / E um dia eu sei que estarei mudo / Mais nada”. Vinho&Cia - No. 34 FESTIVAL em Belo Horizonte PIZZAS, VINHO&CIA APRECIE A PREÇOS ESPECIAIS NA VINÍCIUS OS VINHOS QUE RECEBERAM A MEDALHA CIA. DE OURO DO VINHO&CIA COM 3 TIPOS DE PIZZAS PIZZA MARGUERITA PIZZA QUATRO QUEIJOS PIZZA VINÍCIUS Alentex Rosé Alentejo Casa Geraldo Cabernet, Merlot, Tannat Domaine Conté Selección Carmenère Domaine Conté Selección Chardonnay Lurton Malbec Tinto Rosso Toscano I Piaggioni Alentex Tinto Alentejo Côtes du Rhone Domaine La Soumade Riparosso Montepulciano D’Abruzzo R$43 R$15 R$42 R$42 R$30 R$55 R$43 R$93 R$47 APRECIE COM MODERAÇÃO ATÉ 31 DE OUTUBRO DE 2008 SOMENTE NA VINÍCIUS, NA R. PIUIM-Í, 1259, SION, (31) 3287-7444, BELO HORIZONTE Vinho&Cia - No. 34 39 DOIS FESTIVAIS IMPERDÍVEIS A GRANDE COZINHA TAILANDESA DO NAM THAI EM SÃO PAULO Rua Manuel Guedes, 444, Itaim Bibi, (11) 3168-0662, São Paulo, SP A GRANDE COZINHA CONTEMPORÂNEA DO CHEF JOSÉ FORTE EM NOVO HAMBURGO Av. Dr. Maurício Cardoso, 1216, (51) 3582-8806 Novo Hamburgo, RS ATÉ 31 DE OUTUBRO DE 2008, APRECIE A PREÇOS ESPECIAIS NOS DOIS RESTAURANTES OS PRATOS E OS VINHOS QUE RECEBERAM A MEDALHA CIA. DE OURO DO VINHO&CIA APOIO APRECIE COM MODERAÇÃO