1 UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO ANTONIO ALVES PINTO A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA DO TRANSITO NO PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE MOTORISTAS PROFISSIONAIS MACEIÓ-AL 2012 2 ANTONIO ALVES PINTO A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA DO TRANSITO NO PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE MOTORISTAS PROFISSIONAIS Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. Orientador: Prof. Dr. Manoel Ferreira do Nascimento Filho. MACEIÓ-AL 2012 3 ANTONIO ALVES PINTO A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA DO TRANSITO NO PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE MOTORISTAS PROFISSIONAIS Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. APROVADO EM ____/____/____ ____________________________________ PROF.DR. MANOEL FERREIRA DO NASCIMENTO FILHO ORIENTADOR: ____________________________________ PROF. DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO BANCA EXAMINADORA ____________________________________ PROF. ESP. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA BANCA EXAMINADORA 4 DEDICATÓRIA Dedico aos meus pais José (in memoriam) e Madalena, que bravamente me ensinaram a enfrentar a vida com coragem, comprometimento e vontade de vencer sem negociar valores, mas agir de acordo com eles não obstante as tentações de caminhos fáceis para a materialização dos postulados para a vida. O meu muito obrigado por esse tributo de incalculável valor para uma pessoa construir a sua cidadania de modo admirável e amado pelos que dela fizerem parte. 5 AGRADECIMENTOS A Deus, arquiteto, força geradora, motora, sustentadora e transformadora do Universo por ter me chamado à existência, me dado a vida humana, inspiração, fortaleza, aprendizado, dedicação em tudo que faço e o verbo para comunicar o que por graça recebi. A Dinh’Ana (in memoriam) uma amante que deixou o coração do amado faltando um pedaço, dedico por ter me ensinado a ver do coração, a contemplar e perscrutar no silêncio o espetáculo teatral dos artesãos do mal; as decepções, frustrações e perdas como consequência da fragilidade dos corações endurecidos e petrificados pela expectância de visibilidade; e, no mesmo silêncio, navegar e lançar as redes para a pesca em águas mais profundas e esculpir a historia da vida, seja dos penhascos, mares ou vales da vida com os mais nobres sentimentos de bondade e seriedade. Aos meus irmãos, sobrinhos e afilhados pelo apoio e conforto de cada um dentro de suas possibilidades, em todos os momentos. Com votos de que minha vida sirva de paradigma e a minha história seja fonte de inspiração, encorajamento, força e determinação para eles enfrentarem as asperezas do caminhar sem medo, e com a certeza de que depois de uma noite contempla-se o sol amanhecer. O número de pessoas prestativas com quem teve o privilégio de experiências positivas que colaboraram para o meu aperfeiçoamento, e nesta hora solene, gostaria de agradecer pela colaboração material, pelo apoio moral, espiritual e psicológico nesta minha trajetória acadêmica. É grande o número destas pessoas, ficando difícil nomeá-las, pois contei com pessoas simples do cotidiano, acadêmicos, profissionais, professores em particular Professor Manoel Ferreira, colegas, amigos e admiradores. Obrigado a todos! 6 “O psicólogo é aquele que ajuda o indivíduo a perceber o invisível que faz o seu visível”. (Antonio Alves Pinto) 7 RESUMO O processo de recrutamento e seleção para o cargo de motorista profissional busca saber, principalmente, se ele exerce suas funções como motorista em consonância com o Código de Trânsito Brasileiro, bem como as condições necessárias para adaptar-se à cultura da empresa, resultando para a organização benefícios sociais, pela qualidade do desempenho, além de ganhos econômicos, pela produtividade. A Psicologia do Trânsito e a Organizacional podem contribuir significantemente com seus recursos para tal processo de recrutamento e seleção, fornecendo aos selecionadores subsídios imprescindíveis, a fim de detectar características e resultados do desempenho e perenidade do candidato a condutor. O presente estudo apontou carência de pesquisas que apontem elementos indicadores de pistas sobre os diversos efeitos de sofrimentos psíquicos e físicos que afetam a população trabalhadora, de modo especial os motoristas, que selecionada e, sem uma averiguação, habilidades e características exigidas pelo cargo, são colocadas para atuar, gerando um sobre esforço das funções psicofisiológicas do indivíduo, para responder a demanda requerida pela organização. Assim sendo, ficou evidenciado a importância do profissional em Psicologia do Trânsito no seu contexto de recrutamento e seleção de motoristas para atuarem nas organizações. A função de motorista exige um olhar mais delineador das condições físicas – diretamente ligado a atuação e posto às devidas adaptações no veículo na constatação de deficiência – como a psíquica, condição essencial a ação de condutor de veículos, por ser a chave do controle das ações e reações na sua atuação profissional. Percebeu-se que o processo de recrutamento e seleção deve ocorrer dentro de uma dinâmica de escolha e captação mútua, pautada por uma série de requisitos pessoais, profissionais, técnicos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos. Então, a avaliação do motorista em seus diversos aspectos possibilita preservar a conjuntura organizacional, assim como efetiva a expansão dos fundamentos psicológicos agregados à execução da função do profissional em condução de veículos. Palavras-chave: Psicologia, Trânsito, Recrutamento, Seleção, Motorista. 8 ABSTRACT The recruitment and selection process for the position of professional driver seeking to know, especially if he exercises his duties as a driver in accordance with the Brazilian Traffic Code, and the conditions necessary to adapt to the culture of the company, resulting to organizing social benefits, the quality of performance, and economic gains, with productivity. The Traffic Psychology and Organizational can contribute significantly to its resources for such recruitment and selection process, providing indispensable information selectors in order to detect characteristics and outcomes of performance and durability of the prospective driver. The present study showed a lack of studies that show elements indicators for clues about the effects of various physical and psychological sufferings that affect working people, especially motorists, who selected and without an investigation, skills and characteristics required for the position, are placed to act, creating a stress on psychophysiological functions of the individual, to meet the demand required by the organization. Thus, it was evident the importance of professional Traffic Psychology in context of recruitment and selection of drivers to work in organizations. The driver function requires a more eyeliner physical conditions - directly linked to performance and put the necessary adjustments to the vehicle on the finding of disability - such as psychic, essential action for drivers of vehicles, to be the key to the control of actions and reactions in their professional performance. It was felt that the process of recruitment and selection must occur within a dynamic of mutual choice and uptake, marked by a series of requirements personal, professional, technical, economic, social, cultural and psychological. Then, the evaluation of the driver in its various aspects enables organizational preserve the environment, as well as the expansion of effective psychological foundations aggregates enforcement function of professional driving. Keywords: Psychology, Transit, Recruitment, Selection, Driver. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 01: Os tipos de candidatos ............................................................. 29 FIGURA 02: Seleção de pessoal como uma comparação ........................... 41 FIGURA 03: Movimento da comunicação .................................................... 44 FIGURA 04: Movimentos da comunicação ................................................... 45 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 11 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................... 16 2.1 Características gerais e aspectos sócio-históricos da psicologia do trânsito............................................................................................................. 16 2.2 Recrutamento do motorista profissional...................................................... 23 2.3 Seleção de pessoas para a função de motorista......................................... 38 2.3.1 Técnicas de Entrevistas ............................................................................. 44 2.3.2 Técnicas de Dinâmica de Grupo................................................................. 54 2.3.3 Técnicas de avaliação psicológica para motoristas................................. 58 3. MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................. 64 3.1 Ética.................................................................................................................. 64 3.2 Tipo de Pesquisa............................................................................................. 64 3.3 Procedimentos para Coleta de Dados.......................................................... 65 3.4 Procedimentos para Análise dos Dados...................................................... 65 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................... 67 4.1 Contribuições da psicologia do trânsito para as organizações................. 67 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 72 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 77 11 1. INTRODUÇÃO O processo de recrutamento e seleção para o cargo de motorista profissional visa ser como uma bússola indicadora aos gestores e selecionadores do conhecimento, querendo saber do candidato para ocupação da vaga em disponibilidade na empresa se ele exerce suas funções como motorista profissional, em consonância com o Código de Trânsito Brasileiro, bem como as condições de adaptar-se à cultura da empresa, resultando para a organização benefícios sociais, pela qualidade do desempenho, além de ganhos econômicos, pela produtividade. A Psicologia do Trânsito e Organizacional pode contribuir significantemente com seus recursos para o processo de recrutamento e seleção de motorista profissional por fornecer aos selecionadores subsídios imprescindíveis para detectar características e resultados do desempenho e perenidade do candidato a condutor, na atuação como motorista profissional em organizações anteriores. Na tentativa de aprofundar esse aspecto, o problema da pesquisa está estruturado na seguinte questão: como a psicologia do trânsito contribui no processo de recrutamento e seleção de motoristas profissionais? Assim, a partir de pesquisas e estudos em torno de teóricos numa perspectiva exploratória e qualitativa, foram levantadas informações que favorecem análise sobre considerações relevantes na discussão do presente trabalho de conclusão de curso. Nesse sentido, Toglet (2007) disserta que o psicólogo assume o papel de avaliador/ orientador como agente significativo na seleção e formação dos futuros motoristas para a organização, assim como na reciclagem do colaborador motorista profissional em atuação. O trabalho do psicólogo especialista em psicologia do trânsito se caracteriza por princípios e etapas, que fazem o conjunto das partes inter-relacionadas e interdependentes, em termos de funcionamento do processo de recrutamento e seleção de motorista, bem como as vantagens da realização desse processo por pessoas qualificadas. Visto que a atuação de captar e selecionar profissionais tecnicamente preparados para assumirem a vaga de motorista profissional disponível segundo o perfil traçado pela empresa requer do selecionador conhecimento técnico, cientifico e legislativo. 12 A pesquisa tem por base o estudo sobre práticas que envolvem os processos de recrutamento e seleção de motorista e a contribuição da psicologia do trânsito e organizacional de forma a indicar maior possibilidade de acerto nas contratações arrefecendo fatores críticos como absenteísmo e turno ver que emperram o sucesso da empresa. Porém, a pesquisa não se propõe fornecer receitas prontas que supostamente dariam conta da questão, mas sim, oferecer princípios de estratégias para uma reflexão e clarificação sobre as características da função do condutor, suas relações com o as leis de trânsito brasileiro, com a sociedade, com o micro e macro sistemas da empresa. Previamente a essa ordem, inicia-se com um tópico generalista que apresenta as características gerais e os aspectos sócio-históricos do processo em estudo, observando que, desde o princípio, a necessidade de organização e de liderança é fator decisivo e preponderante para a sobrevivência do ser no mundo que o cerca. Segundo Adánez (1999), o domínio abarca uma conjuntura diversificada de indicadores próprios na representação do nível dos sujeitos no construto ou no atributo que se pretende avaliar. Desse modo, o fato de recrutar e selecionar indivíduos se apresenta como atitudes necessárias e decisivas para a formação de núcleos socialmente organizados, materialmente sistematizados e psicologicamente desenvolvidos, com habilidades e aptidões específicas para o crescimento de toda e qualquer organização. Posteriormente, aborda-se o recrutamento como processo imperioso adotado por todo sistema de organização que busca definir, através de seleção, profissionais aptos ao exercício da sua função. Para o motorista atuar dentro dos requisitos estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro, faz-se necessário um processo onde o agente executor deve ser capaz de atuar com certa precisão, eficiência e eficácia através de medidas que garantam a quantidade e qualidade dos candidatos e/ou profissionais envolvidos, rapidez na apresentação e execução, e custo baixo. Tudo isso ocorrendo dentro de uma dinâmica de recrutamento e escolha para capacitação em alguns requisitos fundamentais do ponto de leitura econômica, social, pessoal, profissional, técnica e psicológica. Na sequência, levanta-se a preposição voltada para a seleção levando em consideração as atuais condições do mercado de recursos humanos e da oferta de 13 trabalho. Profissionais, ou equipe de profissionais, tecnicamente qualificados busca avaliar aptidões e conhecimentos técnicos requeridos para o exercício do cargo em foco, para escolher dentre uma lista de prováveis candidatos o que melhor se adequar aos critérios estabelecidos para a seleção. Esse modo operativo é um comportamento não muito diferente do que ocorre com o processo de recrutamento, no qual nas etapas vão sendo excluídos os que não respondem às expectativas preconizadas para a vaga em tela. Na seleção, etapas e subitens de singular importância precisam ser materializados: técnicas de entrevistas, técnicas de dinâmicas de grupo e as técnicas de avaliação psicológica. A entrevista é um importante item no processo seletivo por funcionar como instrumento interpessoal em que se investigam competências, impressões, dúvidas e confirma ou rejeita hipóteses. Apontada nos estudos como sendo uma ferramenta basilar na escolha de pessoal, pois evidencia as habilidades de aceitação e de relacionamento, cujo resultado dependerá mais do entrevistador e dos métodos por ele utilizados do que do entrevistado. Portanto, cabe ao selecionador a tarefa de estruturar a entrevista de forma que esta lhe ofereça condições de avaliar o material colhido sob a ótica da técnica instrumental e psicológica. Pois, as dinâmicas de grupo instrumentos sempre presentes no processo seletivo, na formação dos motoristas, possibilitam a criação e a recriação do conhecimento através de técnicas e situações vivenciadas. As dinâmicas de grupo são mecanismos que avaliam comportamentos, valores, atitudes e aptidões dos candidatos pretensos à ocupação de motorista, cargo em voga neste estudo. No entanto, faz-se necessário definir as etapas da dinâmica e sua objetividade: verificação da atenção, dinamismo, clareza de ideias, visão de mercado, foco instrumental, raciocínio, comportamento e materialização do projeto apresentado. A avaliação psicológica se apresenta como uma ferramenta de condições singular para avaliar o indivíduo, por prever o comportamento, modo de ser e de agir, do postulante. Logo, é uma atividade exclusiva do profissional apto e habilitado para função – o psicólogo – que se utiliza de diferentes métodos com variadas finalidades. 14 Nessa perspectiva, ressaltam-se as muitas contribuições da Psicologia do Trânsito e Organizacional, pontuando com ênfase a atuação do profissional de psicologia como gerador e sustentador da saúde física e psíquica dos motoristas na organização e da organização em si. Cuidando da porta de entrada, evitando a contratação e/ou atuação de profissionais de adaptação improvável, desenvolvendo os comportamentos necessários ao bom exercício da função, neutralizando e combatendo comportamentos, posturas, atitudes e atuações sejam da organização ou dos motoristas que sejam patogênicas e tragam danos que afetem o indivíduo ou o sistema organizacional. Com base no exposto, o objetivo geral desse trabalho é compreender como se dá a contribuição da psicologia do trânsito no processo de recrutamento e seleção de motoristas profissionais; a partir dos objetivos específicos: descrever as maneiras de recrutar e selecionar indivíduos para vagas de motoristas profissionais, analisar as atuais condições do mercado, dos recursos humanos e da oferta de trabalho e descrever as técnicas necessárias em um processo de seleção. O propósito do estudo não foi esgotar a questão de recrutamento e seleção de motorista e a contribuição da Psicologia do Trânsito e Organizacional, e sim despertar nos gestores, interesse pela matéria mediante apresentação de conceitos e técnicas que aplicados de forma sistematizada na área de recursos humanos, arrefecem muitos dos problemas que afligem a organização na realização das metas preconizada mediante as expectativas junto à condução de veículos dentro do sistema de normas utilizadas pela empresa, mas instituída pela Legislação Brasileira de Trânsito e confiada à sociedade. A pesquisa torna-se relevante uma vez que o psicólogo assume o papel de avaliador/ orientador na seleção e formação dos futuros motoristas para a organização (TOGLET, 2007). O presente estudo pode ser justificado também por entender que a Psicologia do Trânsito ainda é uma área pouco estimulada/cativada na graduação quando comparada com outras áreas mais tradicionais da Psicologia. No âmbito social, esse trabalho é importante porque a Psicologia do Trânsito não contribui apenas para o recrutamento e seleção, mas também contribui para os planos estratégicos das empresas e para a melhora das atividades desempenhadas pelos seus motoristas profissionais. Na atuação do profissional em Psicologia do Trânsito e Organizacional, 15 enfrentam-se dificuldades de entendimento por parte de gestores, que não percebem a atuação desses profissionais como salutar à organização. Por fim, suje o objetivo de elaborar um estudo e produzir uma obra útil como material de apoio e incentivo a uma avaliação e aprofundamento do clima e desempenho do motorista profissional que fazem à vida das organizações. Faz-se referência para a elaboração de um plano estratégico que desenvolva os motoristas para a complexidade e interdependência das atividades, principalmente a de condutor de veículos, evitando transtornos que ocasionem efeitos em cascatas, com prejuízos para a qualidade de vida e para as metas da organização, consequentemente da sociedade que acopla os serviços do profissional, neste caso, do motorista. 16 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Características gerais e aspectos sócio-históricos da psicologia do trânsito A história das coisas, dos seres e as ações observadas são fatores que contribuem para o desenvolvimento dos princípios motores e sustentadores da ação do homem, fazendo-se sentir que sua missão e seu destino são a posse sempre mais plena do universo e que com sua amplidão não faz outra coisa senão estimular a insaciável ambição de conhecimento e de poder através do qual constitui o seu ‘eu’. A partir disso, enriquece-se e a vida social se organiza cada vez mais firme e variada seja na economia, na política, na religião, na cultura, no aspecto afetivo e ou psicológico. A psicologia, ao longo de sua história, não obstantes as consideráveis mutações que sofreu já no século VI a.c, era aplicada na busca de um entendimento e explicação do cosmos. Na Idade Antiga, a preocupação era de conhecer o Homem e seus processos mentais e sua integração social. Na Idade Média, a psicologia esteve submetida ao poder religioso da fé cristã. Partindo desse pressuposto, Freire (1997) salienta que o longo domínio da fé cristã que reinou do século V ao XV, quando surgem, para o progresso da humanidade, teorias contrárias aos pensamentos dogmático do poder religioso vigente, transportando para o século XVIII o advento da psicologia como ciência. O planeta perpassa os tempos experimentando avanços eminentes na contextualização ambiental como dos seres vivos, pontuando de forma mais contundentes as dos seres humanos que passaram a revolucionar diuturnamente, intensificando-se ainda mais com reformas de ordem econômica, política, cultural e acadêmica. Uma revolução irreversível em consequência da globalização que tem provocado grandes influências nas mais diversas áreas de conhecimento no contexto social da vida humana. Nessa mesma linha, fica notório que nas últimas décadas, a evolução dos pressupostos visionados à Psicologia vem permitindo maior avanço na implantação de ações efetivas em várias áreas da sociedade assim como do comportamento humano. O estudo está voltado para o entendimento de como esses avanços geradores de novos conceitos e/ou expressões da Psicologia podem colaborar com 17 o mundo do trabalho e das organizações no processo de recrutar e selecionar motoristas profissionais para um mercado cada vez mais exigente. Segundo os estudos caracterizados em Hoffmann (2000), firma-se como um marco histórico para os psicólogos, não apenas pela organização de regulamentos e normas legais de avaliação da conduta humana no trânsito, mas em especial devido à mudança do processo de pensar a situação de trânsito não pelos seus objetos em si como a via, os veículos e ou a sinalização, mas a partir dos seres humanos, como uma transformação em direção a um espectro mais humanizado da circulação. Então, torna-se patente a caracterização de um novo olhar da Psicologia do Trânsito junto ao recrutamento e seleção do motorista profissional não somente nos contextos vislumbrados pelas organizações, mas de modo particular aos anseios almejados pelas sociedades e firmados nas leis e normas aprovadas no Código de Trânsito Brasileiro. Assim, pode-se descrever e trazer a Psicologia do Trânsito como um viés da ciência que estuda o comportamento humano e os processos mentais no trânsito, tendo em vista uma compreensão dos porquês de as pessoas pensarem, sentirem e, ainda, a maneira como praticam as ações pertinentes as responsabilidades no trânsito. Nesse sentido, Fiorelli (2007) coloca que as ações realizadas pelos homens acontecem de modo particular ou dentro de uma organização, seja de caráter privado ou de reconhecimento público. Dessa forma, compreende-se que a intervenção do psicólogo especialista no trânsito pode contribuir com uma resignificação das ações dos homens, então é fato que a educação e/ou a reeducação para o trânsito pode(m) possibilitar mudanças de conduta dos condutores de veículos, bem como dos pedestres. Pois a intervenção do psicólogo pode ir além do diagnóstico e tratamento clínico, abrangendo uma conjuntura de ação e comportamento do motorista de modo postular uma educação não somente na dimensão técnico/científico, mas também a político/social. Para maior entendimento da importância do psicólogo numa organização, Kanaane (1994, p. 30) diz que: A organização é um sistema socialmente estabelecido pelo conjunto de valores expressos pelos indivíduos que dela fazem parte, sendo assimilados e transmitidos sucessivamente pelos mesmos, daí a importância e a responsabilidade diante dos outros, das novas gerações. Tais valores representam a tecnologia, a estrutura de cargos, o status, o poder, e o 18 sistema de comunicação como elemento básico para a efetiva atuação organizacional. Partindo desse pressuposto, fica evidenciado que a Psicologia em uma organização, e de modo especial na organização profissiográfica de motorista remunerados, tem um papel fundamental na avaliação da relação do motorista com o trânsito tanto na ação para os campos clássicos da profissão quanto na parte clínica, assim como junto à organização e a escola. Pois, a intervenção psicológica fomenta a atividade cognitiva, afetiva e psíquica do indivíduo diante as ações do ato de conduzir um veículo seja numa organização ou mesmo por si resultando na qualidade profissional do motorista como previsto nas leis de trânsito e ambicionado pela sociedade. No sentido de ampliar o entendimento sobre a acuidade do psicólogo especialista do trânsito no recrutamento e seleção do motorista, salienta-se a cultura organizacional que é construída de forma paulatina ao longo da história da instituição, tornando-se elo entre as experiências passadas, necessidades atuais e expectativas de futuro. A cultura organizacional é formada por ideias, crenças, costumes, regras, técnicas do ambiente de trabalho, que compõem o modo de pensar e agir de uma instituição e que as distinguem das demais. Então, visto que as principais funções da cultura organizacional estão compreendidas no estabelecer limites, definir papéis para os seus integrantes e distinguir uma organização da outra. Uma atenção constante para manter o senso de identidade entre seus pares e ajuda manter a organização unida, dando sentido ao modo de fazer as coisas. De acordo com Tonglet (2007, p. 43): “Basicamente são diferentes tipos de atenção que focalizam uma multiplicidade de estímulos nas mais variadas unidades de tempo. Nesse sentido, são exigidos para sua investigação diferentes testes de atenção”. Assim, contextualiza-se como tarefa da Psicologia do Trânsito nas organizações, o de conhecer a cultura da empresa e analisar sua estrutura, visualizando a forma como a organização se articula para desenvolver a atividade de motorista. Em síntese, conhecer detalhadamente a área de trabalho, descrevendo o perfil da função de motorista e as qualificações e competências que venham atender à realidade da atividade a ser desenvolvida. 19 No que se refere ao método de conhecer e reconhecer a importância da Psicologia do Trânsito, está diluída na aplicabilidade diferenciada das ações investigadoras que possibilitam testar as condições psíquicas de um indivíduo antes, durante e futuramente, condizentes ao cumprimento do seu trabalho. E no recrutar e selecionar de motoristas é ainda mais imprescindível a visualização psicológica apropriada ao avaliar o profissional diante sua atenção, assim como execução do ato de dirigir. Trabalho, como entende e descreve Zanelli (2004, p.13), “é uma prática transformadora da realidade que viabiliza a sobrevivência e a realização do ser humano”. O trabalho tem como objetivo suprir as necessidades humanas sejam elas financeiras, de sobrevivência ou de existência, pois o trabalho forma a identidade do indivíduo. Desta forma, Spector (2006) coloca que a Psicologia Organizacional nasce da preocupação dos pesquisadores em desenvolver e aplicar princípios científicos no ambiente de trabalho, visando compreender o comportamento individual e coletivo, aumentando, assim, o bem-estar dos funcionários no ambiente de trabalho. Nessa perspectiva, busca-se transpor o entendimento em discurso comungado à ideia perene do nascer de uma placa de psicologia para atuar no conjunto organizacional e na aplicação de princípios científicos no ambiente de trabalho, não somente para atuarem diretamente com os problemas emocionais ou pessoais dos colaboradores, mas no sentido de agregar ao profissional, aqui em foco o motorista, a importância da sua boa atuação como profissional condutor de veículos. Para melhor compreender a preposição da Psicologia Organizacional, Spector (2006, p. 08) relata que: Psicologia Organizacional é uma criação do século XX, com raízes no final do século XIX. Ela existe praticamente desde o início do campo da psicologia. Os primeiros a realizar um trabalho de Psicologia Organizacional foram os psicólogos experimentais que estavam interessados em aplicar novos princípios de psicologia para resolver problemas em organizações. Os trabalhos iniciais concentravam-se em questões de desempenho no trabalho e de eficiência organizacional. As experimentações iniciais vêm a proporcionar variados ramos estimuladores de vertentes hábeis à construção permissíveis a Psicologia 20 Organizacional nas diferentes percepções, caracterizando as mais complexas experiências e estímulos viáveis para responderem às questões do trabalho ao mesmo tempo do processo cognitivo do indivíduo; focalizando a atenção, a motivação, a ansiedade dentre outros estados emocionais influenciadores de suas ações comportamentais como pessoa e ou como motoristas profissionais. Partindo desse pressuposto, Sena e Silva (2004) mostram que só a partir dos anos 50, a denominação de Psicologia Organizacional começa a tomar corpo, partindo de pesquisas para saber as condições de trabalho. Nesse ínterim, pressupõem-se novas formas de se pensar e trabalhar os condutores de veículos, preocupando-se não apenas com a seleção e o recrutamento destes profissionais, mas também com a conscientização destes, relevando sua formação para o trabalho e sua importância para a instituição, acabando com a visão mecanicista que vem desde a revolução industrial. Essas ações, no entender de Zanalli (2002, p.16), “demandam a presença do psicólogo que saiba lançar mão dos conhecimentos acumulados”, não apenas para diagnosticar, mas com a finalidade de solucioná-los, não perdendo de vista seu papel de resgatar e valorizar cada vez mais a dignidade humana, suas relações com a empresa e com a sociedade. E a partir da Psicologia Organizacional surge uma nova placa, a Psicologia do Trânsito, que nasce da necessidade de atender as demandas das organizações, que buscam entender melhor seu corpo de colaboradores, ou seja, almeja subsidiar as competências necessárias a um motorista. Especialmente o profissional atuante numa organização que precisa saber se pode confiar no condutor de sua empresa. Numa linha de pensamentos e vinculação, Campos (2008) fala que um longo caminho foi percorrido pela Psicologia do Trabalho em busca do espaço nos círculos acadêmicos e da significação de seu objeto de estudo, o comportamento humano. Nessa perspectiva, subjuga-se um trilhar minucioso da Psicologia do Trânsito no entrelaçamento de funções sobre o processo avaliativo das condições estipuladas ao comportamento humano na direção dentro do contexto funcional do ato de dirigir especificado ao trânsito. Para firmar a linha de estudos, Huffmann, Cruz e Alchiieri (2011, p.108) acrescentam que: 21 A Psicologia, como Ciências, pode contribuir na mudança de comportamento na mudança de comportamento de motoristas infratores, com o objetivo de reduzir os acidentes, uma vez que o trânsito é um fenômeno eminentemente social. Parece prioritário o desenvolvimento de estudos voltados ao conhecimento dos fenômenos envolvidos na situação de trânsito, que especialmente àqueles que procuram caracterizar as determinações e os condicionantes da conduta humana no trânsito. Assim, o uso ordinário do processo de recrutamento e seleção de motorista impulsiona e remete ao princípio filosófico de que a mente humana é naturalmente inquiridora do querer conhecer, do indagar sobre as origens e razões das coisas e forças das quais se é sujeito. Toda locução remete à importância da contribuição da Psicologia Organizacional no condicionamento da conduta dos motoristas, visto as diferentes situações de trânsito postuladas na sua atuação e as requeridas nas normas e leis vigentes no país. As origens e características do recrutamento e seleção é um viés difícil de ser precisado, no entanto, pode-se dizer que, quando os homens das cavernas escolhiam os mais fortes para caçar animais, provendo a alimentação do grupo, já era um processo de recrutamento e seleção para continuidade da ação de alimentar e preservação do grupo. Por isso, a Psicologia Organizacional tem o papel de visualizar de forma mais ampla o perfil do profissional a ser recrutado, selecionandoo da melhor maneira a execução do ato de dirigir. Segundo Silva (2002, p. 15): A primeira tentativa de selecionar pessoas de modo científico que se tem conhecimento data de 207 a.C., quando funcionários da dinastia Han, na China, criaram uma longa e detalhada descrição de cargo para os funcionários públicos. Mesmo assim, poucas contratações foram efetivadas. Pensando na mudança ocorrente nas sociedades, no ambiente e na relação das pessoas com todo processo de transformação que firma novas mudanças à Psicologia, tem-se a Psicologia de Trânsito na eclosão do processo de recrutar e selecionar profissionais do trânsito, ou seja, motoristas qualificados de forma a se inserir no contexto funcional, aptos e habilitados a atuação de condução. Ainda segundo Silva (2002), as ações de recrutamento e seleção de recursos humanos, começaram a ganhar caráter sistematizado em 1910, na Universidade de Harvard, com Hugo Munstenberg, que alargou os estudos iniciais sobre a eficácia e resultados do uso de tal técnica nas organizações. Processo inicial caracterizador do 22 alargamento do ato de recrutamento e seleção postulado nos víeis atuais das organizações para agrupar o que a sociedade tem de melhor na atuação profissional. Dentro da mesma conjuntura, buscam-se as afirmativas procedentes e a importância do psicólogo junto aos procedimentos do recrutar e selecionar ações voltadas à condução de veículos; sendo essa condução por meio de profissionais motoristas, em empresas, na atuação como trabalho ou mesmo motorista junto à sociedade no sentido de atuar para locomoção. Pois, a análise psicológica pode classificar, analisar e formar conceito próprio aos fundamentos psíquico do indivíduo diante a ação do ato de dirigir. Partindo desse pressuposto, respalda-se a questão em Silva (2002) ao fomentar que a sistematização da matéria passou a sugerir um procedimento racional e objetivo para a escolha de recursos humanos por entender que as pessoas se diferenciam por habilidades, interesses e traços de personalidades, e que cada profissão requer aptidões específicas, como diz o slogan, “a pessoa certa no lugar certo”, fez surgir as primeiras instituições destinadas a orientações e a seleção profissional. O Instituto Jean Jacques Rousseau, em 1916, o Laboratório de Psicologia Industrial de Charlo Henbourg, em 1918, e outros foram sendo edificados, abrindo precedentes para outras tantas edificações. No Brasil, não foi diferente. O processo de recrutar e o de selecionar passaram a ser real e o pioneiro nesse processo de orientação ao ato de recrutamento e seleção profissional foi o Engenheiro Roberto Mange com o Centro Ferroviário de Ensino, instituindo uma nova forma de pensar e agir ao admitir um profissional. E para contextualizar a explanação, Silva (2002, p.15) nos diz que “a partir de 1945 é que essa linha de ação toma corpo no Brasil com Dr. Emílio Mira y Lopes, que posteriormente dirigiu instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro”. Hoje, são muitas as organizações especializadas nesta atividade, tais como: escola, consultórios, agência de emprego e departamento interno da área de recursos humanos dedicados a esta tarefa na organização. Do exposto acima, depreende-se que, desde o princípio, a necessidade de organização e de liderança é fator decisivo e preponderante para a sobrevivência do ser no mundo que o cerca. 23 Então, o fato de recrutar e selecionar indivíduos são atitudes necessárias e decisivas para a formação de núcleos socialmente organizados, materialmente sistematizados e, psicológica e espiritualmente desenvolvidos o que requer observância no jogo de interesses, nas habilidades e aptidões específicas princípios fundamentais e básicos para o crescimento de toda e qualquer organização. 2.2 Recrutamento do motorista profissional O vertiginoso desenvolvimento tecnológico e a velocidade com que as informações se materializam num mundo globalizado geraram mudanças significativas no mundo do trabalho. E essas mudanças alteraram significativamente a natureza do trabalho e as relações entre empregados e empregadores. Em função deste avanço tecnológico, o mercado passou a exigir dos gestores, estratégias para recrutar e selecionar colaboradores. Assim, a admissão em uma organização passou a ser não mais uma questão reativa de foco operacional e sim de perfil, técnica e competência; uma ação proativa e estratégica, para obter pessoas tecnicamente preparadas que respondam às demandas da organização para com o mercado. Dessa forma, a Psicologia ganha espaço no contexto organizacional fortalecendo os pressupostos almejados nesta conjectura de recrutamento e seleção de profissionais. Visto o pensamento desencadeado à conjugação do ato de recrutar, Freitas (1991, p. 64) descreve que “o recrutamento consiste na convocação dos interessados a se inscreverem como candidatos às vagas para determinado emprego”. Nesse sentido, pode-se perceber que o psicólogo de trânsito tem em si a apropriação devida de técnicas e competências plausíveis no processo de admissão do motorista vista a sua condição psicológica, emocional e funcional dentro do previsto nas Leis de Trânsito do país. Para firmar a compreensão em discurso, Chiavenato (2004, p. 113) salienta que o recrutamento se trata de: Conjunto de técnicas e procedimentos que visa a atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização. É basicamente um sistema de informação por meio do qual a organização divulga e oferece ao mercado de recursos humanos as oportunidades de emprego que pretende preencher. 24 Daí depreende-se que a necessidade do início do processo de recrutamento de motoristas se dá essencialmente para a composição do quadro funcional condizentes a uma organização. Quando tem início um processo de recrutamento, cabe ao responsável avaliar todas as tarefas, obrigações e responsabilidades que serão exigidas pelo cargo. Um segundo parâmetro a ser estudado está relacionado com o perfil que o candidato deve possuir, ou seja, quais as habilidades, vivências e conhecimentos que o pretendente deve ter. Baseado nos estudos voltados ao comportamento humano, na opinião de Tonglet (2007), torna-se evidente que a avaliação psicológica do condutor, passa ser um processo que garante ao psicólogo um papel imprescindível à formação significativa do motorista na sua preparação como profissional, favorecendo-o em diferentes áreas, mais especificamente no contexto do trânsito junto às normativas postuladas pelas leis. Dessa forma, a avaliação psicológica é embasada em técnicas como: testes psicológicos, entrevista psicológica, provas situacionais e dinâmicas de grupo cuja finalidade é favorecer o melhor diagnóstico possível. O foco dos testes psicológicos reside em avaliar a individualidade do candidato em confronto com os requisitos do perfil da função de motorista visando à atuação e o respeito as norma e leis postuladas pelo Código de Trânsito Brasileiro e requeridas pela organização no ato do recrutamento. De acordo com Vasconcelos (1985), o trânsito configura a conjectura do espaço físico acoplado ao tempo e aos equipamentos urbanos associados a diferentes negociações caracterizadas pela nossa sociedade, firmadas pela diversidade dos pensamentos políticos advindo da base ideológica ajustada à visão real das pessoas à sociedade e de seu acesso ao poder. Todo processo descrito indica que a importância de recrutar e selecionar motoristas por psicólogos organizacionais estava descontextualizado num passado não muito distante, no qual se contratava um profissional de qualquer área, observando-se apenas sua experiência profissional, quem o indicou apenas por sua capacidade técnica. Assim, o cargo em aberto era ocupado sem uma avaliação maior da condição psíquica, emocional, cognitiva e/ou comportamental. No entanto, hoje, numa abordagem moderna, isso não é mais assim, a tarefa de recrutar profissional é estratégica dentro de uma organização. Por esta razão, 25 essa atividade deverá ser entregue à área de recursos humanos, ou a pessoas tecnicamente preparadas e de responsabilidade, que possam absorver e conduzir o processo, sem mencionar que ainda existe a questão da terceirização que vem sendo amplamente utilizada por muitas organizações. Com a busca de qualidade profissional, o processo de recrutar necessita compor-se dentre os variados componentes do eixo de execução de recrutamento. O psicólogo na equipe garante melhor êxito diante tal desafio. Segundo Almeida (2009), recrutar pessoas no mercado de recursos humanos é uma atividade proativa com metodologia própria e não pode ser encarada como um evento reativo, subjetivo e sem importância. Para evidenciar ainda mais a importância do psicólogo no processo de recrutamento, Chiavenato (2004) disserta que se busca com o recrutamento atrair as pessoas com comportamentos e atitudes adequados à cultura, à missão, à visão e aos objetivos do empreendimento, ou seja, as pessoas certas, pelo custo certo, na hora certa, na quantidade exata para a obtenção de um resultado eficaz e bem sucedida. O ato de recrutamento perpassa muito mais do que o fato de escolher ou verificar as instruções, as habilidades de um profissional que se sobrepõe com a análise e ao mesmo tempo teste que realmente garantam a aptidão profissional mais o psíquico do indivíduo a ser recrutado. E mais, ao iniciar-se a procura para a materialização do evento requer comunicação e divulgação da vaga de forma ampla, utilizando os meios de comunicação que supostamente sejam mais acessíveis à comunidade dos possíveis candidatos. Almeida (2009) acrescenta dizendo que a expectativa da recepção de currículos para uma triagem de acordo com o perfil das características que a ocupação exige, e que previamente definido foi comunicado na divulgação da vaga, gera nos envolvidos internos e externos um efeito psicológico, de ansiedade e expectativa, pois se relaciona com aspectos de sobrevivência e autoestima de ambos, uma provisão de forma bem sucedida. É patente que os indicados pelas organizações e, portanto, responsáveis pelo recrutamento de motoristas no Mercado de Recursos Humanos, para o preenchimento de vaga no mercado de trabalho, da organização que representa, deve estar atento e considerar alguns elementos no processo, para evitar possíveis 26 inconvenientes para a organização. E o Psicólogo Organizacional com especialidade na Psicologia de Trânsito pode oferecer maior segurança nesse processo de recrutar o profissional almejado pela organização à vaga disponibilizada. Entretanto, inconvenientes como um processo reativo, que pela urgência da provisão, sente-se coagido e abre mão de investigações importantes que permitiriam uma obtenção de dados relevantes sobre o padrão de características e habilidades do candidato para executar com eficiência e eficácia as atribuições do cargo que ficara sobre sua responsabilidade, e o grau de alinhamento com a cultura da empresa contratante desencadeando a fragiliza da evolução de produção da instituição. Nesse sentido, Fiorelli (2007) lembra-nos que as consequências da ação imprópria posto ao recrutamento seriam a fragilidades do processo e aumentaria as chances de contratar uma pessoa não tão preparada como o cargo requisita. Silva (2002) acrescenta que é preciso que a organização e o profissional responsável pelo recrutamento se atentem para o que reza a Constituição Federal quanto aos direitos e deveres individuais e coletivos preconizados no Capítulo I, Artigo 5º da Constituição Federal, e dos direitos sociais no Capítulo II Artigo 7º. Uma ação de recrutamento, seleção não bem feita além de trazer prejuízos à organização, pode desencadear muito outros transtornos. Para percebermos com mais amplidão, Silva (2002) salienta que o não respeito ao preconizado nas profissões regulamentadas e às normas do Código de Ética Profissional das profissões que possuem, pode ser um elemento que fragilize o processo e como consequência um afastamento de potenciais candidatos, e ainda exponha os possíveis processos judiciais por discriminação ou inconstitucionalidade. Assim sendo, recrutar é uma tarefa extremamente importante e condição necessária “para a criação e manutenção de uma empresa, para implantação de unidades, ou seja, abertura de novas filiais e novos postos de trabalho”, afirma Silva (2002, p. 16). E mais, o recrutamento é uma ação que requer um conjunto de estratégias em consonância com a demanda. Devem vir para o foco do conjunto do ideal para a materialização da ação, a modalidade, as características do público alvo, a natureza do trabalho, as qualificações requeridas dentre outras habilidades. No entanto, diante da instabilidade do mercado de trabalho, no que se refere à oferta de emprego e as vagas existentes nas empresas, e o mercado de recursos 27 humanos que diz respeito ao conjunto de pessoas que buscam emprego ou que estão dispostas a uma mudança de trabalho necessita ter o profissional habitado a executar o processo de recrutamento. Segundo Chiavenato (2004), é temeroso falar de uma melhor estratégia para um recrutamento, pois estamos lidando com pessoas, que diante de estímulos produzem efeitos emocionais, tais como: ansiedade, angustia e frustração o que pode ocasionar um sofrimento nos candidatos. Portanto, a depender do tamanho da empresa e, por força das variáveis já citadas, as empresas mudaram sua forma de recrutar pessoas para atuarem como motoristas, passando de um ato pontual e reativo para uma ação proativa, que leva em conta um conjunto de fatores, técnicas e trabalho os quais evidenciam a atuação do profissional, evidentemente a posição da empresa junto à sociedade. Dessa forma, é notória a importância da Psicologia Organizacional acoplada à especialização da Psicologia de Trânsito no recrutamento e seleção de motoristas junto às necessidades pontuadas pelas organizações. Nesse sentido, Almeida (2009, p. 75) diz que com “qualidade, transparência, eficiência, eficácia e busca contínua de aprimoramento,” entende-se que esse modo de proceder seja o mais conveniente por assegurar a organização um contato permanente com candidatos promissores, uma imagem social sadia, o que despertaria interesse de candidatos e eliminaria a possibilidade da organização ficar refém de colaboradores com desempenho abaixo do preconizado. Nessa perspectiva, Chiavenato (2004) coloca que é tarefa do recrutador cuidar da essência de toda a organização, que são as pessoas. Seu trabalho tem início com a previsão da necessidade de pessoal, estende-se pela divulgação no mercado da oportunidade disponibilizada pela organização e vai até a escolha da pessoa que possui as características preconizadas para a vaga disponibilizada. Esse recrutamento pode ser tanto externo, quanto interno ou misto. O profissional responsável pela ação de recrutar, no entender de Almeida (2009, p. 26), “precisa ter muito mais que conhecimentos específicos e saber utilizar a tecnologia disponível no mercado. É preciso conhecer e dominar a mentalidade para negócios, saber combiná-la com a experiência em implementar ações na área de captação”. Depreende-se dessa fala que as habilidades em voga criam no 28 profissional um diferencial importante na difícil arte de conquistar a credibilidade de seus clientes. É pacífica a preocupação com a prática do senso ético, que todo ser humano deve fazer acontecer nas relações interpessoais no seu cotidiano. Não menos diferente é o que se requer do profissional recrutador no desempenho de suas atividades, um sereno e firme exercício da ética social e profissional, para assegurar o sigilo das informações do setor e cuidado no planejamento de suas ações para que aconteça em tempo hábil e os candidatos se sintam confortáveis e seguros quanto à seriedade e transparência do processo garantindo a todos uma participação, sem dúvida, o mais profissional possível, como requer o momento. Diz Almeida (2009, p. 28) que esse é “grande desafio”. Os técnicos, ou responsáveis pelo recrutamento e seleção de motoristas, têm a função de testar a condição física e psicológica do candidato mediante a vaga posta pela organização. A avaliação do indivíduo no processo de recrutamento e seleção determina a relação deste com sua atuação profissional, seus reflexos e suas vivências em espaços firmados por regras e normas seletivas a cada aptidão solicitada as necessidades pontuadas a cada organização. Segundo Chiavenato (2006, p. 72), verifica-se: Que o mercado de recursos humanos é constituído de um conjunto de candidatos que podem estar aplicados ou empregados (trabalhando em alguma empresa) ou disponível (desempregados). Os candidatos aplicados ou disponíveis podem ser reais (que estão procurando emprego ou pretendendo mudar de emprego) como potenciais (que não estão interessados em procurar emprego). Ocorre que os candidatos aplicados, sejam reais ou potenciais, estão trabalhando em alguma empresa, inclusive na nossa. Daí os dois meios de recrutamento: recrutamento interno e recrutamento externo. 29 Figura 01: Os tipos de candidatos. Fonte: Chiavenato, Idalberto. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos a sua empresa. São Paulo: Atlas, 2006, p. 72. A escolha de uma dessas duas fontes para o recrutamento e seleção dos motoristas e o uso adequado viabilizará a ação com probabilidade singular de atendimento ao postulado, seja no recrutamento interno que são os candidatos da própria empresa, ou externo, candidatos recrutados no mercado externo. E assim, Chiavenato (2006) coloca que em virtude das vantagens e desvantagens que são encontradas no processo de recrutamento interno e no recrutamento externo, uma via adotada pela maioria das organizações foi de um recrutamento misto, uma ação para envolver as duas fontes de recursos humanos tanto as fontes internas como as fontes externas. O processo de recrutamento interno requer um posicionamento da empresa que garanta subsídios favoráveis as suas expectativas de crescimento no desenvolvimento funcional e econômico acoplado as diferentes necessidades o ajuste seletivo ao profissional a ser recrutado a exercer a vaga postada. E visto o equilíbrio emocional, psíquico e postural mediante o recrutamento do profissional a sua função posta pela empresa, é preciso uma análise mais aguçada dos fatores que envolvem a situação do contratante e do contratado, a fim de qualificar com maior precisão o tipo de recrutamento a ser realizado como o nível do recrutado ao preenchimento da vaga disponibilizada. Para uma maior compreensão, Chiavenato (2004) diz que o recrutamento interno ocorre quando da existência de vaga, a organização procura utilizar os recursos próprios promovendo um recrutamento interno, feito na própria empresa, com os colaboradores atuais, esse tipo de ação favorece o aproveitamento 30 profissional garantido a valorização do empregador como da organização ao mesmo tempo em que fortalece os vínculos trabalhistas acentua o comprometimento funcional do profissional. É o que se pode chamar, segundo Paschoal (2006, p.38), “aproveitando a prata da casa”, um movimento para o preenchimento de vagas, por meio dos próprios colaboradores, mediante indicação do superior imediato, de observação de desempenho, que submetidos aos procedimentos de avaliações técnicas e psicológicas utilizados pela organização, são admitidos, o que repercute positivamente como promoção e desenvolvimento de pessoa. No entanto, as organizações devem utilizar recursos disponíveis na própria empresa. Os principais meios utilizados no processo de recrutamento interno de recursos humanos, dentre outros são: Cartazes de oportunidade de carreira, que disposto no quadro de avisos da organização para o pessoal, comunica “a” ou “as” vagas previstas. Esta é uma ferramenta que deve ser produzida profissionalmente e não uma fotocópia de algo que foi divulgado, pois nele devem estar contidas informações importantes quanto à vaga, além de combinar com a decoração do local. Outro meio apropriado é o banco de dados, caso a organização possua é um meio a ser consultado quando da disponibilidade de possíveis candidatos para o perfil da vaga em aberto na organização como também via Internet e ou e-mail para todos os funcionários da organização, e mesmo ex-funcionários que a empresa perdeu e gostaria de ver reintegrado ao corpo de colaboradores da organização. Visto os anúncios, diz Freitas (1991, p. 64), “são feitos de acordo com as técnicas que colocam em destaque aspectos atraentes que variam conforme o nível do emprego”. Então, sendo o recrutamento interno um processamento ou transformação de recursos humanos disponíveis na organização (CHIAVENATO, 2004); ele serve para oportunizar crescimento que as pessoas esperam da empresa num aproveitar melhor, do potencial humano que possui e, assim, produzir efeitos positivos nesses colaboradores como diz Paschoal (2006, p. 38), gerador de “confiança no futuro e na empresa, otimismo, entusiasmo e compromisso”. Consequentemente, benéficos à organização e seus colaboradores como um todo. Outra vantagem é a motivação e valorização que se torna uma ferramenta 31 poderosa no desenvolvimento motivacional, dos que vislumbram a possibilidade de crescimento dentro da organização, mediante as oportunidades disponibilizadas, aos que apresentam condições técnicas para uma futura promoção. Essa ação seletiva, escreve Fiorelli (2007, p. 232), é uma “necessidade de administrar a ‘porta de entrada’ e, em continuidade, assegurar o desenvolvimento contínuo dos profissionais”, gerando no corpo de colaboradores uma sadia e positiva competição entre o pessoal de autoaperfeiçoamento e de autoavaliação, no sentido de aproveitar as oportunidades de aperfeiçoamento. Esse processo produz um efeito psicológico gerador de clima sadio, que proporciona o progresso profissional, aumentando a moral e motivação dos funcionários que estão aprimorando seus conhecimentos, aumentando suas capacitações e promovendo um bom desempenho de suas atividades. Nesse sentido, Chiavenato (2006) lembra de que no processo de recrutamento interno há de se levar em consideração, certa dificuldades que poderão prejudicar a apresentação de candidatos da própria organização para o preenchimento de determinados cargos disponíveis, por requerer níveis acima do cargo que ora exercem. Isso diminui o interesse de muitos internos ao procedimento em voga. Pois, como no diz Silva (2002), a fragilidade dos recursos humanos disponíveis, o quadro de recursos humanos interno da organização pode não dispor de candidatos em condições técnicas de ocupar a vaga. O que mostraria uma vulnerabilidade técnica do potencial de qualificação do quadro atual. Entretanto, não se deve esquecer que todo método desencadeia diferente reações, como acentua Chiavenato (2006) que esse processo gerar conflitos de interesses, os colaboradores que não demonstram e não buscam capacitar-se, para estarem em condições de concorrem às eventuais promoções, tendem a criar atitudes negativas gerando desconforto, conflitos e ressentimentos no ambiente de trabalho, sobretudo quando chefes mais velhos não conseguiram avançar em posições além da atual. Silva (2002) reforça colocando que a administração incorreta de um recrutamento interno pode gerar, a depender da situação de desconforto, um aumento de custo em virtude de um recrutamento interno, reativo pela urgência da necessidade, sem levar em consideração a totalidade das condições técnicas 32 requeridas para a ocupação da vaga, o que pode gerar a necessidade de treinamento para que a provisão seja efetivamente cumpridora do preconizado. No entanto, política que oportuniza o crescimento dos funcionários da instituição, mediante promoções e até possíveis transferências de setor, ou em muitos casos até de cidade, estimulam a qualificação e aperfeiçoamento dos funcionários visto a possibilidade sinalizada a vaga divulgada pela organização. Esse redirecionamento da vaga de trabalho no ambiente interno, segundo Almeida (2009, p. 68), entende como “exercício da responsabilidade social”, que a nova lógica da economia globalizada precisa para atenuar os efeitos nocivos das mudanças provocadas pelo vertiginoso desenvolvimento da tecnologia. O segundo tipo de recrutamento, o externo, parte da necessidade em que a organização precisa buscar, no mercado, profissionais capacitados a preencher a lacuna, a vaga existente na empresa, de maneira a obter seu funcionamento e sua credibilidade mediante o desempenho desejado e ao mesmo tempo projetado dentro da funcionabilidade da organização. Nessa perspectiva, Chiavenato (2004, p. 113) diz que o recrutamento externo é aquele que “atua sobre candidatos no mercado de recursos humanos, portanto fora da organização, para submetê-los ao seu processo de seleção”. Isto é, a empresa por não dispor no seu sítio de um quadro profissional necessário para o momento, numa atitude reativa, busca no mercado candidatos reais ou potenciais, disponíveis ou inseridos em outras organizações, para compor seu quadro de colaboradores. Para contextualizar a discussão, Leme (2007, p. 55) salienta que o recrutamento externo é “a necessidade de trazer conhecimento ou gerar impacto na cultura organizacional.” Assim, compreende-se que, diante da necessidade de preenchimento de vagas, a organização gera um processo mediante convite, na busca de profissionais experientes de fora, para mesclar o quadro, o que é saudável ter sangue novo e conveniente por evitar um envelhecimento e empobrecimento da instituição. Então, fica evidenciado que toda ação do processo de recrutamento deve acontecer mediante um planejamento estratégico para o entendimento da visão dos objetivos organizacionais. E de acordo com Leme (2007), para sua materialização utiliza várias, e diferentes técnicas para divulgar a oportunidade de trabalho, 33 influenciar e atrair os que estão fora do mercado de trabalho, e buscam uma oportunidade. Dessa forma, as técnicas utilizadas são recursos cientificamente testados que as organizações dispõem para abordar e divulgar a existência da oportunidade de trabalho junto às fontes de recursos humanos mais adequados. Recursos esses que vão depender diz Leme (2007, p. 57), “da origem e objetivo da vaga”, e Silva (2002) completa colocando que assim como uma série de fatores entre os quais, pode-se destacar o custo operacional, a rapidez no atendimento e nos resultados, e também a eficiência no serviço prestado. Nessa ação de recrutamento externo, segundo Chiavenato (2006, p. 77), podem ser utilizadas duas abordagens: “uma abordagem direta ou uma abordagem indireta”. A abordagem direta é quando a organização faz contato direto com o mercado como escolas e universidades, outras empresas, entre outras fontes. Já na abordagem indireta, a organização se comunica via agencias de recrutamento, associações de classe, sindicato, dentre outros. No entanto, as técnicas ou meios utilizados, vista ainda no conceito de Chiavenato (2006, p. 76), é que vão incidir sobre candidatos “reais ou potenciais, disponíveis ou aplicados em outras organizações”. Assim, os veículos de recrutamento são os meios de comunicação que entre os mais utilizados se faz necessário uma descrição dos atos mais pertinentes, visto a generalização do uso. E a Internet vem a ser uma ferramenta de amplitude singular por existir, em si mesma, um bojo de recursos que permitem e incentivam as organizações a divulgarem gratuitamente, ou por um custo muito baixo, as suas disponibilidades de trabalho. Na visão de Leme (2007), a internet é uma técnica de penetrabilidade e canal fácil, cômodo, ágil, de importante contato entre a organização e os candidatos, pois é muita a Web sites, disponíveis no mercado para navegação no item recrutamento no site da empresa. Muitas empresas também possuem seu sistema de gestão de recrutamento com softwares especializados que vão desde a oferta de trabalho, ou seja, a divulgação da vaga, até a pré-seleção, permitindo interação entre o candidato e recrutador. Chiavenato (2006) completa a discussão lembrando-nos das Campanhas Promocionais que vem a apoiar atividades comunitárias, tornando-se uma ferramenta geradora de visibilidade ao transmitir a idéia de que tal organização é um 34 lugar atraente para se trabalhar. Então, participar destes eventos é um ato criativo que gera imagem positiva para os futuros colaboradores de sua organização. Dentro dessa mesma linha, Leme (2007) salienta que o Anúncio de Imprensa é uma técnica que custa caro pela exigência técnica na elaboração do material a ser veiculado. O endereçamento escolhido para encaminhamento da mensagem e seu campo de abrangência, a urgência da necessidade e rapidez na captação, uma ferramenta portadora de ação mais quantitativa do que qualitativa considerada muito eficiente no recrutamento, por se dirigir e alcançar um público próprio do meio utilizado, e que pelo seu prestígio atrai os candidatos que respondem ao postulado da organização. Associado às discussões, Silva (2002) nota que todos os dias jornais e revistas, rádio, televisão e outros meios de comunicação apresentam anúncios procurando pessoas para se candidatarem a vagas disponíveis nas organizações. Esses anúncios visam despertar o interesse de pessoas a se candidatarem para o preenchimento dos espaços desprovidos de ocupação nas organizações. No entanto, não significa dizer que tal ação sempre consiga seu postulado, pois as linhas obtidas a partir dessa conjectura não atende a todas as aspirações evidenciadas no mercado de trabalho em torno do processo de recrutamento. Os recursos de recrutamento externos estão em número bastante considerável para serem comentados, no entanto, alguns vão estar relacionados a seguir: consulta ao arquivo de candidatos, conferências e palestras em sindicatos, escolas, associações, entidades do gênero, agências de recrutamento, entidades governamentais, feira de empregos, sua comunidade, recrutamento em outras localidades, apresentação de candidatos por parte dos funcionários, cartazes, dentre muitos outros. De acordo com Chiavenato (2006), o recrutamento externo traz sangue novo para organização. A entrada de recursos humanos recicla o quadro existente, ocasionando uma importação de ideias novas e de diferentes abordagens dos problemas internos da organização e, muitas vezes, uma revisão do modo como os assuntos são conduzidos dentro da empresa. Então, é perceptível que os meios de recrutamento descritos acima indicam a necessidade de a empresa investir em uma rede de relacionamentos. O departamento de relações públicas deve agir de forma agressiva, para criar uma 35 rede de relacionamento que aumentará em muito o pool de candidatos qualificados, com o perfil buscado pela organização, dispostos a nela trabalharem devido à visibilidade positiva gerada no meio social. Para melhor percepção da questão Paschoal (2006), discursa-se que todo processo de recrutamento na disponibilização de recursos externos permite à empresa, como organismo vivo, ter uma visão de mundo, em outras palavras, manter-se atualizada com o ambiente externo, informada do que ocorre em outras empresas. A renovação obtida com os novos colaboradores enriquece a equipe de recursos humanos da organização, por trazer profissionais experientes, com gabarito igual, ou melhor, do que se encontra na empresa. Essa é uma política positiva de oxigenação, revitalização e renovação da organização e dos colaboradores, pois os novos trazem consigo experiências não encontradas no momento naqueles que compõem o grupo de trabalho, mas requerida pela empresa para uma salutar atuação de sua missão junto às necessidades postuladas pela organização contratante. Mesmo sendo o recrutamento externo uma ação eficiente, que por situações diversas se mostra inevitável e até conveniente, segundo Paschoal (2006), não está isenta de desvantagens. E de acordo com Chiavenato (2006), que podem se não cuidadas, gerarem prejuízos para a cultura e imagem e ainda econômicos para a empresa. Portanto, existem desvantagens que os coordenadores do processo de recrutamento devem ater-se: o cuidado para evitar frustrações internas. Observando os diferentes saltitar dessa questão que Paschoal (2006) coloca, ainda é imprescindível o cuidado para não agredir a cultura interna, o que pode afetar negativamente a motivação dos atuais colaboradores da organização, por entenderem a ação como barreira para o crescimento profissional. E fora do seu controle como consequência, um menor comprometimento moral dos empregados. A partir das observações linhadas aos subsídios dos diferentes teóricos notase que o processo de recrutamento externo requer considerações nos critérios agregados as função dos colaboradores internos que almejam possíveis colocações no setor disponibilizado à nova contratação. Pois, a falta de ajustes setoriais dentro das afirmativas de necessidade da empresa veste a vagância na perspectiva de contratação externa ou possível ajustamento interno pode ocasionar futuros 36 desgastes na organização tanto ao desempenho dos profissionais já atuantes quanto para o desenvolvimento almejado pela empresa. Nessa linha de pensamento, Almeida (2009) enfatiza que os funcionários antigos podem se sentirem desvalorizados, dentro da empresa, provocando queda no desempenho de suas funções, passando a não se esforçarem para melhorar sua atuação. O que poderia ocasionar neles, em virtude de uma não clareza do processo, um impacto gerador de efeitos emocionais como angustia frustração, ansiedade e psicológico de umas baixas estimas, assim como reações físicas, comportamentais e sociais. Dessa forma, é importante considerar a visão do psicólogo organizacional para o processo de recrutamento externo uma vez que ele pode mediar às condições postas às necessidades da empresa as condições psicológicas do colaborador ao ingressar na instituição no processo de agregar-se aos preceitos da função a ser realizada como sua comunicação junto aos funcionários já existentes de forma a subsidiar ambas as expectativas vislumbradas por funcionários e empresa. O processo de recrutamento externo não é, segundo Silva (2002), um processo fácil, pois tem custos muito caro para a organização por exigir aplicação de técnica seletiva que requer normalmente investimentos com anúncios, honorários de agencias de recrutamento, ou técnicos contratados para formar a equipe de ação, além de todo material de escritório e os encargos sociais da equipe, etc. para a escolha dos candidatos externos que a organização precisa. O recrutamento externo desencadeia diversos caminhos mais todos com o objetivo localizar e atrair de maneira precisa e eficaz candidatos aptos a exercer na organização as funções disponibilizadas de forma bem sucedida as necessita que estejam demandadas no mercado de trabalho de maneira que venha preencher as vagas e ao mesmo tempo oxigenar a empresa com experiências e habilidades ansiadas num processo voltado ao desenvolvimento da organização. Partindo desse pressuposto, Chiavenato (2006, p. 87) diz que: Uma empresa nunca faz apenas um recrutamento interno ou apenas recrutamento externo. Um deve sempre complementar o outro, pois, ao fazer um recrutamento interno, o individuo deslocado para a posição vaga precisa ser substituído em sua posição atual. Se é substituído por outro empregado, o deslocamento produz uma vaga que precisa ser preenchida. 37 Desta concepção descrita entende-se que o processo de recrutamento é sempre híbrido. Pois, é consequência de complementação, do processo de recrutamento interno, que gera um deslocamento de individuo para outra posição, deixando descoberta a que exercia, devido à vacância. A reivindicação de provisão gera uma nova vaga para substituir a pessoa transferida, devendo assim, por força da circunstância, se fazer um recrutamento externo para suprir a demanda. Por outro lado, diz Chiavenato (2006) que, ao se produzir um recrutamento externo de imediato, produz-se uma demanda interna de horizonte para que o novo colaborador possa crescer, e caso contrário, buscará esta oportunidade em outra organização que possa lhe oferecer. No entanto, o recrutamento misto nasce em face das vantagens e desvantagens dos recrutamentos internos e externos, como uma via eclética que possibilita uma ampla mobilidade a organização nos seus processos de recrutamento humano de perfis preconizados, sem gerar maiores desconfortos internos. O recrutamento misto pode ser evocado como alternativa para o gerenciamento de três situações. Veja a seguir quando e em quais situações seu uso é condição importante para a organização, como se coloca Chiavenato (2006), primeiro quando um recrutamento externo não produz o efeito postulado de encontrar pessoal qualificado, num tempo hábil, ela lança mão de seu patrimônio de recursos humanos. A segunda alternativa advém da oportunidade dada à comunidade de recursos humanos internos que não conseguindo apresentar candidato com o perfil desejado para o preenchimento da vaga, busca-se de imediato, no mercado de trabalho, recursos humanos com a devida qualificação. Na terceira situação, o processo é híbrido, ou seja, ele ocorre concomitantemente. Essa é uma boa política de administrar, pois dá preferência aos candidatos internos sobre os externos, em caso de igualdade e de condições entre eles. Essa é uma forma proativa de administrar em que a empresa criando uma sadia competição assegura a capitalização de recursos humanos tecnicamente preparados. É importante que o profissional responsável pelo processo de recrutamento afira a eficiência e a eficácia desse processo através das métricas: quantidade e qualidade dos candidatos envolvidos, rapidez na apresentação dos candidatos e 38 custo do recrutamento. Considerando o descrito sobre o recrutamento de pessoal para as organizações, fica patente que esse é um processo dialético, proativo constante e interminável para prover uma necessidade de recursos humanos da empresa. Assim, a materialização do recrutamento precisa de um planejamento estratégico, com procedimentos adequados às políticas de gestão, de pessoas adotadas pela organização, para atrair candidatos em consonância com a cultura da empresa, aptidões e conhecimentos técnicos e legais para o exercício da função. E o psicólogo organizacional tem efetiva propriedade para o processo de recrutamento que ocorre dentro de uma dinâmica de escolha e captação mútua pautada por uma série de requisitos pessoais, profissionais, técnicos, econômicos, sociais e psicológicos geradores de satisfação e visualizadores de qualidades. No mundo empresarial capitalista globalizado, no qual ocorre o relacionamento da compra e venda da mais valia, a empresa não pode errar na contratação de um colaborador nem o colaborador na sua escolha. Uma decisão reativa, sem os devidos cuidados preconizados, poderá trazer prejuízos econômicos e danos sociais para ambos. O estudo em tela indica que as organizações, que cada uma, conforme seu tamanho e necessidade construam o seu sistema de recrutamento “sadio”, que venha lhe oferecer a provisão da sua demanda de forma a ajustar e manter as características e harmonia de sua equipe num funcionamento ajustado às necessidades dos clientes. Processo esse imperioso adotado por todo sistema de organização que busca definir, através de recrutamento interno, externo e/ou mista a contratação de motorista profissional para o exercício da função. Nesse processo, o profissional deve ser capaz de aferir com certa precisão a eficiência e a eficácia desse procedimento através de medidas de: quantidade e qualidade dos candidatos envolvidos, rapidez na apresentação e custo do recrutamento, tudo isso ocorre dentro de uma dinâmica de escolha e capacitação mútua em que alguns requisitos são fundamentais: econômico, social, pessoal, profissional, técnico e psicológico. 2.3 Seleção de pessoas para a função de motorista O processo de seleção de pessoas para exercerem a atividade laboral de motorista perpassa por diversos critérios estipulados de acordo com as vertentes 39 aspiradas à função a ser apreciada junto à necessidade pontuada pelo mercado de trabalho. No processo de seleção evidenciado à demanda da escolha de motoristas instituído pelas normas de trânsito eminentes no país, exigem-se peculiaridades precisas ao determinar a seleção apta ao profissional motorista, requerendo exatidão das condições exigidas nas leis que rege tal função. Para que a seleção de motoristas ocorra de forma exímia, precisa-se ter no processo profissionais hábeis à conotação das condições psíquicas, emocionais, intelectuais como a postura mediante aos valores num mesmo baluarte das relações pessoais e interpessoais que determinam o ser de cada pessoa. E nessa conjuntura, evidencia-se o psicólogo no tratar das proeminências requisitadas no processo de seleção de pessoas para a função de motorista de forma significativa ao responder os anseios das organizações na seleção de colaboradores capazes de executarem suas atividades. Nessa perspectiva, a seleção de pessoas para a função de motorista, segundo Chiavenato (2004, p.131), “é o processo pelo qual uma organização escolhe, de uma lista de candidatos, a pessoa que melhor alcança os critérios de seleção para a posição disponível, considerando as atuais condições de mercado”. Ainda pode ser, conforme o mesmo autor, definida singelamente como a “escolha do homem certo para o cargo certo” (CHIAVENATO, 2006, p. 92). Considerando os conceitos descritos, o processo seletivo busca nos seus procedimentos, informações necessárias para avaliar as habilidades, atitudes e valores nos candidatos, indispensáveis na realização das atividades da função específica da vaga disponível, e que estrategicamente foi planejada para obter os resultados. Pois, a escolha da “pessoa certa”, para o “lugar certo”, ou seja, candidatos que, por suas características pessoais e/ou profissionais, melhor se integrarão às exigências do cargo, à cultura organizacional vigente, às necessidades e expectativas atuais e futuras da organização. Assim, independente do tamanho da organização, a captação e seleção de pessoas é uma realidade. No entanto, com a globalização e avanço tecnológico, as empresas se obrigaram a uma reestruturação na qual progressivamente foram automatizando suas ações e não foi diferente o que ocorreu com o setor de recrutamento e seleção, uma terceirização da atividade, parcial ou total, foi adotada por muitas empresas. O que por força das circunstâncias levou muitos profissionais 40 a entrarem no jogo da multi-funcionalidade. O que produziu vantagens e desvantagens, entre as quais algumas estão descritas a seguir (SILVA, 2002). Ainda com Silva (2002), a vantagem é que, ao assumir e acumular novas tarefas por força da competitividade presente no mercado, o profissional recrutador ficou mais integrado às atividades da empresa. O recrutador e selecionador estando inseridos nas áreas solicitantes têm melhores condições de contratar pessoas com o perfil que a função requer. Desvantagens também acompanham essa nova realidade e, segundo Almeida (2009), muitos dos profissionais da área se sentem desmotivados a buscarem desenvolvimento e especialização por conta de que a maioria das empresas, em função das metas de lucros, corta os investimentos em pessoas tecnicamente qualificadas, não entendendo o trabalho do profissional recrutador e selecionador como proativo e fundamental para a qualidade do quadro de colaboradores qualificados, e sim como uma atividade temporária reativa. Visto as necessidades acopladas no processo de seleção por um profissional qualificado à adequação da vaga disponibilizada pela organização e a condição do candidato a preenchê-la, pressupõe-se que o profissional em psicologia do trânsito venha ser especial nessa relação seletiva conjugando ambas as estimativas entrelaçadas, entre a vaga disponibilizada e o candidato a assumi-la de forma significativa a responder os anseios junto ao desenvolvimento da organização como da funcionabilidade do contratado. Dessa forma, Fiorelli (2007) relata que um processo de seleção requer profissional ou uma equipe de profissionais tecnicamente qualificados para a execução de procedimentos adequados específicos para explicitar e avaliar aptidões e conhecimentos técnicos requeridos para um relevante exercício do cargo em foco. E a importância do profissional de Psicologia do Trânsito no processo seletivo, para a vaga de motorista, torna-se singular por ser uma pessoa tecnicamente preparada em sua formação acadêmica para utilizar intensamente todos os sentidos em sua atividade de observação em campo. O processo de seleção requer técnicas no avaliar das condições psicológicas do indivíduo peculiares a cada profissão observando a forma de operar os instrumentos que permitem detectar ao mesmo tempo em que abstrai do indivíduo informações apropriadas a analise do potencial psicológico, intelecto e social 41 imprescindível ao cargo a ser ocupado pelo candidato a vaga em processo seletivo. Nessa mesma perspectiva, Chiavenato (2006) salienta que a seleção se apresenta como um processo de comparação entre duas variáveis, devido à configuração do seu processo que tramita basicamente entre, as especificações do cargo numa margem, e na outra os indivíduos candidatos, com uma enorme gama de diferenças individuais, tanto na condição física quanto psicológica, que impulsionam a terem diferentes modos de perceberem, agirem, reagirem diante de situações, e desempenharem suas potencialidades profissionais. Nesse contexto de firmação da importância do psicólogo do trânsito na seleção de pessoas para assumir a especificidade de motorista, colocada junto à vacância funcional de uma organização, uma vez que este profissional deve está apto a exercer a função solicitada na sua forma física e psíquica, torna-se evidente a significância da atuação psicológica no resultado do quadro que responde as ponderâncias e classificações postadas ao indivíduo em consonância as requisições profissional à organização. Observe a locução abaixo que mapeia uma forma mais sintetizada da condição do processo seletivo, salientando as especificidades, requerências e análises a serem postuladas ao cargo a ser ocupado; assim como as classificações e condições do candidato à vaga junto ao legado pontuado pelas técnicas ajustadas ao processo de seleção na visão considerada cientificamente. Figura 02: Seleção de pessoal como uma comparação . Especificações do Cargo O que o Cargo Requer Análise e Descrição do Cargo para saber quais os requisitos que o cargo exige de seu ocupante Características do Candidato O que o Candidato oferece Técnicas de seleção para saber quais as condições pessoais para ocupar o cargo Fonte: Chiavenato, Idalberto. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos a sua empresa. São Paulo: Atlas, 2006, p. 94. 42 As variáveis mapeadas na figura em tela trazem na sua primeira coluna, identificada com a letra “x”, análise e descrição do cargo e, na segunda, a letra “y” faz a identificação da variável que mensurará o perfil das características do candidato. A figura 2 apresenta o processo de seleção, embasada pelas concepções de Chiavenato (2006) que mostra este fluxo. Então, para análise da figura acima, o autor pontua que, no primeiro quadro, os requisitos do cargo exigem mais do que o perfil das características que o candidato oferece, entendendo-se que o candidato não tem condições ideais para ocupar o cargo postulado e, portanto considerado não apto para a função. Ainda nas considerações do mesmo autor, a segunda coluna, encontra-se uma paridade entre as variáveis “cargo” e “candidato”, é manifesto o ideal que se procura um candidato apto, ou seja, que tem as condições ideais para o cargo disponível. O que permite ao selecionador condições para aprovar o indivíduo candidato. E no terceiro, percebido numa outra análise que se depreende da figura, mostra que na situação onde os requisitos do cargo forem menores do que o encontrado no perfil do candidato entende-se que o candidato reúne mais condições que as características requeridas, ou seja, vem ser superdotado para o cargo. No processo de comparação descrito acima, observa-se o selecionador atuando como uma espécie de assessor que avalia as qualidades dos candidatos como um filtro entre o candidato e o requisitante, que tem a responsabilidade de decidir pela contratação. Então, pode-se notar a importância do selecionador ser um profissional conhecedor do comportamento humano, como o psicólogo, profissional habilitado e capacitado no processo de observação, análise e captação da condição humana. Nesse sentido, Almeida (2009) preconizar quais devem ser as etapas, técnicas e os procedimentos a serem utilizados num processo seletivo, é temeroso. Pois, o conjunto de procedimentos e instrumentos a serem utilizados num processo seletivo vai depender do tipo de demanda, da empresa, se um colaborador terceirizado, temporário ou com vínculo, ou seja, o tipo de contratação, natureza do trabalho, qualificações requeridas, as características do público-alvo, etc. Na sequência, o autor supracitado fomenta que a estratégia mais assertiva para um processo seletivo, passa pela escolha que a organização fizer da equipe técnica. Se a equipe possuir um conhecimento técnico suficiente do negócio, 43 conhecer bem a organização, o cargo, atuar com transparência e muita criatividade ajustando-se a cada necessidade detectada, a probabilidade da eficácia desse processo é alta. Pois, uma equipe estruturada em procedimentos e instrumentos minimiza o subjetivismo das avaliações permitindo visualizar o futuro desempenho dos candidatos em tela. Seguindo na mesma linha de pensamento, percebe-se que uma forma de conhecer as habilidades e aptidões do indivíduo para a vaga é a partir do conhecimento científico, através dos quais profissionais em Psicologia do Trânsito, podem validamente, desenvolver atividades técnicas adequadas ao processo de seleção de motoristas classificando de maneira significativa as habilidades necessárias exigidas pela vaga disponibilizada pela organização. E no processo de seleção de motorista torna-se mais evidente a importância do psicólogo do trânsito na análise de comportamento psíquico como na aplicação de teste que vem a determinar as condições reais do indivíduo no ato de conduzir veículos visualizando todo aparato instituído pela sociedade à profissão de motorista. Para consolidar a discussão retratada no discorrer dos estudos, Carvalho (2000) dialoga expondo que o psicólogo é imprescindível na seleção junto à aplicabilidade de atividades como: entrevistas, que podem ser individuais ou coletivas, dinâmicas de grupo, avaliação psicológica, aplicação de testes psicológicos, conhecimentos e situacionais que permitirão a coleta de material para o mapeamento e comparação de competências exigidas pela Organização, na busca de novos colaboradores em função dos resultados positivos postulados cada vez maiores. Na mesma conjuntura, serão abordadas as atividades técnicas como etapas do processo seletivo considerando as atuais condições de mercado onde a organização escolhe, dentro de uma lista de prováveis candidatos, aquele que melhor se adequar aos critérios estabelecidos para a seleção. Sabendo que esse comportamento não é muito diferente do que ocorre com o setor de recrutamento – necessidade de terceirização da atividade – que por força das circunstâncias leva muitos profissionais a se envolverem na multifuncionalidade requerida pelo mercado. Pois, esse profissional ou equipe de profissionais tecnicamente qualificados buscam avaliar aptidões e conhecimentos técnicos requeridos para o exercício do cargo em foco. 44 2.3.1 Técnicas de Entrevistas Esta etapa pode ser apreciada como importante no aumento da sensibilidade da administração da organização ao requerer a avaliação da conduta do eventual contratado visto à responsabilidade do seu papel funcional junto à necessidade pontuada pela organização. Nessa perspectiva, Francisco (2007) define técnicas de entrevistas como um meio de comunicação onde estão envolvidas duas pessoas, o entrevistador e o entrevistado, com o objetivo principal de coletar informações sobre determinado assunto em dada situação. Para se compreender significativamente o processo de entrevista, o autor descreve na figura abaixo cada ponto de seguimento na linha de conjugação da entrevista para uma possível ocupação da vaga disponibilizada pela uma organização que almeja contratar um individuo apto a assumir a função postada. Figura 03: Movimento da comunicação. Entrevistado Entrevistador Meio: Comunicação Verbal OBJETIVO Fonte: Francisco filho, Egildo. Entrevistas: técnicas e dinâmicas de grupos para não especialistas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007, p. 2. Segundo Silva (2002), ao observar a figura 3 percebe-se que a comunicação é uma das etapas mais importante no ciclo do trabalho a ser desenvolvido. Pois, em uma conversação bem direcionada, o selecionador de pessoal busca informações dos candidatos que não puderam ser mensuradas pelos testes. 45 A entrevista é o momento de contato direto entre a organização e o candidato, durante a qual, mediante uma proposição de perguntas ao indivíduo, a empresa busca materializar seu objetivo de averiguar e avaliar o potencial de determinadas habilidades requeridas ao perfil profissional em voga. Como diz Francisco Filho (2007, p.3), é “um instrumento de comunicação interpessoal” e que se dá no processo como regra geral no esquema apresentado na figura 4, situado no parágrafo abaixo. Figura 04: Movimentos da comunicação. Mensagem/Código Perguntas/Respostas ENTREVISTADOR ENTREVISTADO Respostas/Perguntas Mensagem/Código Fonte: Francisco Filho, Egildo. Entrevistas: técnicas e dinâmicas de grupos para não especialistas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007, p. 3. Na observação das figuras 3 e 4, nota-se um movimento de mão dupla numa dinâmica de inter-relacionamento e interdependência numa intersubjetividade de relações que visam à busca de dados por parte do entrevistador e o entrevistado que se apresenta como fonte de informações que requer do transmissor clareza no que se diz e no como dizer para que a mensagem não receba ruído e chegue descodificada ao receptor. Então, Faissal (2005) reafirma considerando a entrevista como uma técnica importante no processo seletivo, utilizada, portanto, com o objetivo de levantar 46 maiores informações primárias ou complementares, de investigar mais profundamente, de esclarecer fatos, impressões, tirar dúvidas, confirmar ou rejeitar hipóteses levantadas ao longo do processo de escolha do candidato mais qualificado, para preencher a vaga de trabalho em disponibilidade, como ferramenta basilar. No entanto, a notoriedade da importância do profissional de Psicologia do Trânsito na regência da entrevista torna-se patente para a aplicação exata dos critérios de avaliações tenham o desempenho desejado pela organização ao visualizar no funcionário contratado, os requisitos pontuados a vaga disponibilizada. Nesse sentido, Rabaglio (2006) coloca que a entrevista comportamental com foco em competências é vista como a mais atual, pois investiga a competência no repertório comportamental do avaliado, usando perguntas situacionais que obriga fazer uso da competência investigada. Partindo desse pressuposto, percebe-se que a entrevista não depende apenas do candidato, mas do entrevistador e dos métodos que serão utilizados. Quando o processo de seleção tem início, já foi levantada a real necessidade da contratação e já está claro o perfil do profissional que a empresa busca. Fatores como energia, foco, raciocínio, postura, vestuário, atitudes e comunicação contribuem para a classificação, e consequentemente a contratação, ou a desclassificação do candidato do processo. É preciso haver um encontro de interesses para dar certo. Muitas vezes, as organizações não estão em busca do mais inteligente, mas daquele que mais tenha condições de se adequar às necessidades delas. O que requer do selecionador uma estruturação da entrevista segundo o tipo de informação postulada, para organizar o tipo de pergunta a ser feita e a forma de sua realização. Segundo Robbins (2008), quanto à estruturação, a entrevista se classifica: em estruturadas e não estruturadas. A entrevista estruturada é uma ferramenta que ajuda a reduzir a variabilidade dos resultados e melhora a qualidade do material colhido, por ser uma técnica que requer dos candidatos uma resposta de como costumavam atuar em determinadas questões, em sua vida laboral anterior, fornecendo vantagem de respostas em função do perfil requerido no planejamento. E a não estruturada é de curta duração, onde o candidato responde a poucas perguntas e sem planejamento formuladas no decorrer do processo e guiadas pelo 47 cenário presente, sendo uma atuação sem objetividade, que dificilmente consegue mensurar o futuro desempenho do candidato na função. Para entender as diferentes concepções que agregam ao processo de entrevista quanto ao tipo de informação que se quer ter do perfil, segundo Faissal (2005, p. 126) “podem ser classificadas como entrevistas técnicas e entrevistas psicológicas”. E depois, explica que a entrevista técnica é a realizada no final do processo, geralmente pelo profissional superior a quem o escolhido se reportará no exercício da atividade, o que não impede o profissional selecionador fazer, caso tenha conhecimentos pertinentes para tal ação. Ela tem o objetivo de corroborar e aprofundar as informações sobre os conhecimentos técnicos, habilidades e experiência do candidato, item fundamental na escolha do candidato que mais responda às expectativas da empresa. O autor continua explanando que a entrevista psicológica deve ser uma ação ministrada pelo profissional que possui a devida competência para tal, que é em especial o psicólogo transito. Ela é uma entrevista que foca suas perguntas sobre aspectos da personalidade, e vida pessoais do entrevistado, inquirindo sobre questões de ordem familiar, história de vida, lazer, relações interpessoais. Partindo desse eixo, o psicólogo do trânsito caracteriza-se na excelência do ato de entrevistar, uma vez que depreende a competência na aplicabilidade de diferentes testes que amplia o ângulo de pesquisa e avaliação do candidato à vaga disponibilizada por uma organização, num progressivo resultado de expressões do comportamento visto os princípios morais, estabilidade, maturidade nas decisões e na atuação no trabalho. Ampliando as informações, Faissal (2005) reitera que a entrevista tem sido muito utilizada devido à aplicação de testes psicológicos nos processos de seleção feitos pela empresa, ou quando terceirizado, que são agências especializadas nesse serviço, contratadas pelas empresas para atuarem no mercado recursos humanos, para o mercado de trabalho, prestando esse serviço de seleção para a empresa. Isto porque para fazer uma leitura adequada e estabelecer as conexões dos dados obtidos e emitir laudo é tarefa do profissional em psicologia, o psicólogo. Visando elucidar ainda mais o processo que envolve a entrevista, Faissal (2005, p. 128), coloca que “quanto ao tipo de pergunta utilizada, as entrevistas podem ser classificadas como tradicionais situacionais e comportamentais”. E para 48 explicar, ele relata que o primeiro tipo é o da entrevista tradicional, aquela que faz uso do sistema híbrido, ou seja, entrevista os seus candidatos de forma aberta, quanto a assuntos de ordem técnica, bem como de ordem psicológica, na expectativa de respostas hipotéticas. Acrescentando mais informações a discussão, Almeida (2009) adiciona ao contexto que o objetivo de encontrar nas respostas dos candidatos as habilidades do perfil em foco pode ser frustrado pelo mascaramento que alguns candidatos mais habilidosos possam dar às respostas, manipulando-as para causar no entrevistador uma impressão de qualidade, esse é um viés que o entrevistador deve atentar-se, pontua. Continuando a explanação de Faissal (2005), o ponto se refere à entrevista situacional que é uma entrevista de perguntas abertas formuladas com foco em situações concretas de trabalho que podem vir a ser executadas pelo candidato entrevistado. E Almeida (2009) fortalece proferindo que é uma entrevista que remete o candidato para o mundo das ideias, uma situação hipotética do que efetivamente ele faria na circunstância apresentada. Essa teoria tem como idéia, a premissa de que perguntas que levem o candidato a falar de intenções, predizem seu comportamento no futuro. No terceiro tipo, tem-se a entrevista caracterizada como comportamental, entendida por Faissal (2005), como uma entrevista que faz perguntas abertas e específicas com base no desempenho, utilizando verbos de ação no passado, leva os candidatos a trazerem dados referencias como datas, números, locais, elementos que de fato possam ajudar o entrevistador a sentir que o evento existiu. Em outras palavras, o entrevistado para não ser evasivo em suas respostas, deve trazer um exemplo no qual tenha atuado efetivamente. Assim, a apresentação do exemplo deve conter o contexto, a ação em si e, o resultado que ele obteve como participante da ação apresentada. No entanto, é saudável lembrar que nenhum método ou técnica é infalível, por se tratar de ações com pessoas, que por sua própria natureza muda repentinamente de humor e comportamento, e às vezes tomam rumo inesperado, completamente diferente do apontado inicialmente ou do que vinha acontecendo no processo. Pois, entende-se que o ser humano tem em si vazões próprias ou advindas de outro contexto que pode interferir, de maneira inesperada, na sua forma 49 de pensar e agir sem que seja antes prevista por qual forma de avaliar o comportamento, o ser da pessoa. A avaliação utiliza diferentes processos com vários instrumentos no sentido de captar a forma de ser e agir de um indivíduo e ou grupos de pessoas, buscando perceber as diversas capacidades físicas e ou psíquicas elementares a sua inserção as ações sociais junto às capacidades embrionárias dos requisitos profissionais. Exemplo claro da necessidade avaliativa das condições psíquicas e físicas a uma atuação profissional de excelência é a de motorista. No entanto, ainda falta uma compreensão maior da importância dos processos e aplicativos. Na desmistificação do aplicativo de avaliativo na forma de entrevista, Almeida (2009 p. 107) diz que “quanto à forma de aplicação, as entrevistas podem ser realizadas com a participação de uma ou mais pessoas”. Em outras palavras, as entrevistas podem ser aplicadas ao candidato em particular, ou de forma coletiva, a um grupo de candidatos, por um ou mais entrevistadores, bem como por uma equipe de entrevistadores. Sendo que a individual, “é a mais utilizada”. Uma entrevista onde o candidato pode ser entrevistado mais de uma vez, e por diferentes entrevistadores, em tempo diferente, como local diferente. Partindo do mesmo pressuposto, Gehringer (2008, p. 114) reitera colocando que “em entrevistas, há respostas verdadeiras, e respostas adequadas”. Enquanto o entrevistador não encontrar o que quer ouvir, a entrevista continuará de candidato em candidato, à procura do ideal preconizado. Não há regras para o número de entrevistas, é uma questão de organização, da complexidade do cargo, da qualificação requerida e consequentemente de bom senso. Porém, há a entrevista em equipe ou painel. Diz Almeida (2009, p. 107) que “dois ou mais entrevistadores avaliam o candidato”. Nesse caso, um coordenará a ação de interrogar, e os outros se mantém como observadores. O que estiver coordenando poderá franquear a possibilidade aos demais observadores para que possam, caso julguem necessário, também arguirem o candidato. Um terá a incumbência de fazer as anotações pertinentes da exploração ou de sondagem feita ao candidato. Ainda nas falas do mesmo autor, a entrevista em equipe traz a vantagem de ter um número maior de observadores, o que partindo de uma ação alinhada favorece a avaliação das impressões e percepções do candidato a estar ou não apto 50 para a função. É um recurso utilizado no treinamento de gerentes, que exercerão essa atividade nas atribuições do seu cargo. Outra forma da aplicação da entrevista é a coletiva, ou seja, em grupo, quando vários candidatos são agregados ao mesmo tempo, num determinado espaço, para serem arguidos de suas habilidades, por um ou mais entrevistadores. Segundo Almeida (2009, p. 108), “esse tipo de entrevista não é a mais adequada quando se quer um retrato mais aprofundado da história do candidato, servindo para informações superficiais”. Considerando os diversos tipos de classificação utilizados nos processos seletivos, Almeida (2009, p. 105) entende e descreve: “no que se refere aos objetivos, às entrevistas podem ser classificadas em primeira entrevista de triagem ou pré-seleção, uma segunda entrevista de seleção, avaliação ou aprofundamento, e por último a entrevista final ou de decisão”. E retrata a entrevista de triagem ou pré-seleção como uma entrevista mais simples que visiona obter esclarecimentos sobre alguns itens do currículo dos candidatos, com a finalidade de avaliar se eles possuem ou não as habilidades mínimas preconizadas para a vaga. Já na entrevista de seleção, avaliação ou aprofundamento, o objetivo segundo Almeida (2009, p.105) é “obter um retrato mais detalhado sobre as competências e o potencial do candidato para a posição pleiteada”. Esse é um momento muito singular para o candidato, bem como para a organização, pois é a hora da decisão principal que define ou não a entrada do candidato na empresa, e que ela ou o candidato podem ser prejudicados caso o entrevistador paute sua decisão por impressões a priori. No sentido de ampliar a discussão e obter um entendimento mais preciso do processo de entrevista, Robbins (2008, p. 108) adiciona as seguintes informações: As evidências, no entanto, indicam que os entrevistadores fazem julgamentos de percepção freqüentemente errôneos. Além disso, quase não há concordância entre os entrevistadores, ou seja, entrevistadores diferentes vêem coisas em um mesmo candidato e chegam a conclusões diversas sobre ele. Os entrevistadores costumam criar impressões antecipadas, que se tornam rapidamente resistentes. Dessa forma, torna-se perceptível os vários perfis existentes num mesmo processo avaliativo, assegurando a importância da aplicação minuciosa do profissional aplicador da entrevista, qualificando ainda mais o valor do psicólogo no 51 papel de recrutar e selecionar, uma vez que se deve considerar as evidências de noções errôneas sobre a percepção analítica da aplicação da entrevista ao resultado emitido à organização e ao tempo que descentraliza o real ser do candidato a tal vaga. Seguindo a discussão, Almeida (2009) relata que a entrevista final ou de decisão, é uma entrevista que deve ser realizada pelo solicitante, pessoa, com quem os candidatos deverão exercer suas habilidades profissionais. Assim, entende-se como uma entrevista conduzida, tendo como base um relatório detalhado da visibilidade do desempenho dos candidatos quanto aos requisitos para o trabalho, que no decurso do processo os candidatos construíram no selecionador, a impressão de serem eles os indicados para a averiguação, pelo setor responsável da vaga ou vagas. De onde se espera que suja a escolha do melhor perfil técnico e comportamental, para realizar o trabalho com sucesso. Como toda atividade, não diferente, requer à entrevista que lhe seja dado um começo, um desenvolvimento e um fim, onde se observa cada etapa como importante na formação de uma consciência, se o candidato possui ou não o corpo de requisitos esperado. De acordo com Silva (2002), o número de entrevistas é um item necessário, mas que não se tem uma definição do número necessário para aquisição das informações pertinentes. Entende-se como ideal que sejam programadas quantas sejam indispensáveis, para que o candidato tenha ciência de a quantas ele pode se submeter e, com que objetivo cada uma das entrevistas vai se desenvolver. Partindo desse pressuposto, o entrevistador abstrairá melhor a evidência objetivada especificamente as necessidades da entrevista, a articulação no processo de postulação das informações disponibilizadas aos anseios da organização e das expectativas do entrevistado. Pois não existe situação mais constrangedora do que um entrevistador desarticulado das razões e condições do processo e dos resultados esperados a ele. Entre os muitos pontos observáveis para uma entrevista, diz Francisco Filho (2007, p. 14), que “o ambiente, a atmosfera, e as condições físicas sobre as quais a entrevista será realizada”, constituem fatores importantes e indispensáveis na entrevista, e são geradores de clima social. Valia singular para a imagem de todos os envolvidos, entrevistador, entrevistado e organização. 52 Assim, o entrevistador deve cuidar do rapport, para com o candidato, a fim de promover uma integração serena deste para com o ambiente e o próprio entrevistador. O rapport é importante, segundo Arzeno (1995, p. 36) “para facilitar um clima aceitável”. O clima esse criado pelo entrevistador, da acolhida, de forma simpática ao candidato, não apenas com palavras, mas com gestos, a propiciar um quebra gelo, um ambiente agradável, onde o entrevistador e o candidato tenham condições de desenvolverem seu trabalho significativamente. Com o candidato mais à vontade, falando abertamente de suas habilidades, é o que deseja e precisa o entrevistador, para fechar seu trabalho. Firmando o entendimento da abordagem, Silva (2002) coloca que o entrevistador faz ciente o candidato do que está preconizado para o cargo desde as atividades a serem desenvolvidas, até os benefícios que a empresa oferece para seus colaboradores e os direitos constantes da legislação, ou seja, direitos e deveres claros no início do processo. E dadas às informações gerais, abre-se gentilmente para os candidatos a possibilidade de se manifestarem, sobre o exposto ou outra informação não disponibilizada e, que os candidatos envolvidos considerem pertinentes, prosseguindo o processo de forma clara. Feita a abordagem inicial, entende-se que para uma atuação frutuosa requer do entrevistador a clareza dos objetivos em voga para função e fazer as perguntas e os itens a serem observados que junto às repostas das perguntas, constituem o material de juízo quanto à condição de ação do candidato, na atividade disponível. Partindo dessa premisse, Francisco Filho (2007, p. 9) diz que deve ser “com uma colocação tipo você gostaria de dizer mais alguma coisa? Ou deseja alguma informação? Com o mesmo tom cordial do início, pois sem isso todo trabalho realizado seria comprometido”. E toda a indagação que é importante para a política de boas relações da empresa com o mercado de recursos humanos, o entrevistador deve informar ao candidato o próximo passo e cumpri-lo, pois a espera afeta o emocional, gerando expectativa e ansiedade, caso ele tenha se identificado com a empresa e a função. É momento de com o material colhido fazer as comparações com as especificações do cargo. Nesse sentido, Silva (2002, p. 124) diz que a comparação dos “dados deve ser com o cargo e não com a posição do candidato em meio aos outros concorrentes”. 53 É pertinente que se chame a atenção para esse item devido sua importância no processo de entrevista, pois é necessário, comenta Francisco Filho (2007, p. 12) o cuidado em “ter um tom de informal, amigo e espontâneo, falar o menos possível, despertar a confiança do entrevistado”. Essas atitudes levam o entrevistado a não recuar para a defensiva, permitindo ao entrevistador obter as informações que busca. Outra situação de cuidado é com modelos de entrevistadores que devem ser evitados. Segundo Gehringer (2008), existem vários tipos: tem o que se acha o super ocupado que atende falando; o que se acha o tal, que só diz humm; o impertinente relaxadão, o candidato fala e ele olhando aqui e ali; o onisciente ele já fez e sabe tudo; “o mala” tudo faz para complicar a vida do entrevistado, o sem emoções, inerte não se consegue visualizar em sua pessoa reação alguma, o que deixa o candidato a vontade. A entrevista é importante no processo por possibilitar ao selecionador investigar o desempenho de cada um dos entrevistados na vida profissional próxima passada. Uma investigação tem como objetivo buscar entre os candidatos entrevistados, o que melhor apresentou em sua fala requisitos do perfil da vaga disponível. O trabalho do recrutamento e seleção se apresenta como sendo o de encontrar e trazer para o corpo de colaboradores da empresa, indivíduos com o perfil das características do cargo que está em aberto. Na entrevista, mediante as respostas do candidato, capta-se material, que permite a construção de uma planta situacional dos candidatos, que representa parte da história passada dele na vida profissional, etc. Essa planta permite que o entrevistador localize potencialidades, bem como vulnerabilidades em relação à condição dele e em relação às características que o cargo exige para um desempenho dentro do esperado. O movimento conceitual indicar a importância da entrevista no recrutamento e seleção cria a percepção que a entrevista funciona como, “uma ferramenta de síntese de todos os resultados” (FAISSAL, 2002, p. 134). Observa-se num espaço de saúde que o profissional habilitado usa o estetoscópio para auscultar o paciente e a partir daí confirmar, ou não o motivo manifesto pelo paciente da sua presença naquele espaço. O profissional de recrutamento e seleção usa a entrevista como ferramenta, para escutar e auscultar o candidato para a confirmação das habilidades, características e conhecimentos, 54 apresentados por ele no currículo, e deste modo a organização obtenha o candidato mais sadio para seu quadro. Segundo Francisco Filho (2007), toda observação deve ser feita em função do resultado desejado quanto à estabilidade emocional, capacidade técnica, persistência, proatividade, flexibilidade, raciocínio, energia, foco, comunicação, relação interpessoal, honestidade, potencial, dentre outra. Tudo em relação ao cargo, os colegas com quem se relacionará e a organização como tal. Etapa importante no processo seletivo como instrumento interpessoal em que se investigam competências, impressões, dúvidas e confirma ou rejeita hipóteses. Essa técnica é uma ferramenta basilar na escolha de pessoal, ou seja, na identificação se o candidato possui ou não as habilidades requeridas para ser aceito. A comunicação do resultado em muito dependerá mais do entrevistador e dos métodos por ele utilizados do que do entrevistado. Na visão de Chiavenato (2004), durante a entrevista o entrevistador e entrevistado, cada um na subjetividade e objetividade do seu poder, estão julgando para escolher o melhor para seu presente e seu futuro. Isto porque, assim como a empresa busca um candidato com perfil preconizado em conformidade com o cargo, missão, visão e valores da organização, os candidatos também possuem sua cultura, valores e buscam empresas que respondam as suas expectativas, para que possam vender suas habilidades, conhecimentos e destrezas. Dessa forma, ao selecionador cabe a tarefa de estruturar a entrevista de forma que esta lhe ofereça condições de avaliar o material colhido, sob a ótica da técnica instrumental e psicológica. 2.3.2 Técnicas de Dinâmica de Grupo O processo que comporta as diferentes técnicas da dinâmica de grupo possibilita diversos mecanismos na inserção de instrumentos imbuída nas ideias postada às interferências das relações humanas num composto de ações e comportamentos atrelados ao convívio em grupo. E o levantamento de informações desvenda a capacidade do individuo de relação, decisão, iniciativa e liderança dentro da conjunção do grupo e das ações a serem requeridas. Nessa perspectiva, Rodrigues (2005) dialoga que a dinâmica de grupo, é um 55 modo de se estudar o funcionamento grupal quanto à coesão, normas, liderança, capacidade de decisão, identificação grupal, passa a ser utilizada no final da década de 1930, nos processos de recrutamento e seleção por influência dos estudos de respeito à credibilidade de Kurt Lewin, à cerca do comportamento dos grupos e das relações humanas. Assim, com finalidade de despertar nas pessoas a consciência de que num grupo, os problemas existem e é preciso que cada um assuma a responsabilidade individual de enfrentá-los e procurar uma solução mais adequada à resolução no contexto do grupo. Nesse argumento, Silva (2002) coloca que viver em grupo é uma atividade que leva o grupo a uma movimentação, a um trabalho em que se percebe, por exemplo, como cada pessoa se comporta em grupo, como é a comunicação, o nível de iniciativa, a liderança, o processo de pensamento, o nível de frustração, se aceita bem o fato de não ter sua ideia levada em conta. Na ação de seleção de motorista, a técnica da dinâmica de grupo é um processo pelo qual, através de técnicas e situações vivenciadas, consegue-se avaliar o comportamento, valores e atitudes desse profissional, levando em consideração o perfil solicitado. Nesse sentido, Francisco Filho (2007) reitera que as dinâmicas são instrumentos, ferramentas que estão dentro de um processo de formação e organização, que possibilitam a criação, a recriação e a utilização do conhecimento. Então, cabe ao profissional responsável esclarecer as situações, de forma que as pessoas interiorizarem seus problemas, provocando uma sincera reflexão, despertando a solidariedade grupal e ainda crie um ambiente de compreensão e de aceitação mútua, de autêntica fraternidade e de acolhida, para que cada qual, sustentado psicologicamente, encontre respostas positivas às suas inclinações naturais de segurança, de reconhecimento, de aceitação e de valorização pessoal. Na dinâmica de grupo, o participante tem seu estilo comportamental e seu modo de relacionar-se em grupo, avaliados. Esse trabalho é desenvolvido a partir de critérios, objetivos e técnicas pré-definidas. Portanto, durante a sessão, o avaliador (ou grupo de avaliadores) deverá estar atento a cada participante, avaliando desde a capacidade de liderança, comunicação, espírito empreendedor, até o nível de conhecimento profissional, cooperativismo, aptidões, personalidade, inteligência e outros fatores variáveis. 56 As aplicações das dinâmicas de grupo nos processos seletivos de motoristas são estruturadas em etapas o que facilita a busca do postulado. Segue a descrição dessas etapas, dada a sua importância como ferramenta útil na construção da avaliação preconizada, com o objetivo de encontrar a pessoa certa para a vaga em disponibilidade, ou seja, as características que o perfil requer. As dinâmicas revigoradoras, segundo Almeida (2009, p. 117) são “denominadas também de vivências iniciais, atividades de quebra gelo ou de aquecimento do grupo”. Para o autor em voga, as dinâmicas se apresentam com o objetivo de elevar a motivação do grupo, uma ambientação dos envolvidos, para que possa participar do processo com arrefecimento considerável da ansiedade que povoa os candidatos nas horas em que se submetem às situações de avaliação, que julgue e defina posições. A dinâmica aqui possui uma função harmonizadora. Ela postula uma leitura corporal do grupo para definir qual dinâmica e com qual objetivo se aplicará essa ferramenta. De acordo com Almeida (2009), entende-se que ação dessa atividade deve arrefecer ou eliminar a tensão existente nos candidatos, para que uma vez relaxados, voltados para si mesmos, tenham a energia, a atividade necessária para conseguirem responder as demandas que lhe são requeridas no processo, e como consequência da atuação obtenham um resultado dentro ou acima do esperado para o exercício do cargo. Como foi explicitado, a dinâmica possibilita verificar a criatividade, o dinamismo, a clareza de ideias, a visibilidade de mercado, foco, raciocínio, o comportamento em relação ao grupo e de que maneira cada um colaborou na materialização do projeto. Ou seja, como diz Tavares (apud BRUNO 2008), que a aplicabilidade dessa ferramenta permite entender o que as pessoas executam e porque executam. Nessa etapa da atividade, Silva (2002, p. 138) fortalece a dissertação, salientado que “é sempre baseado em debates ou histórias”. Dessa afirmação, entende-se que para acontecer o trabalho faz-se necessário que o grupo seja dividido pelo instrutor em duas partes. O instrutor apresente um tema da atualidade, de preferência polêmico, sobre o qual os participantes deverão discutir e desenvolver argumentação pertinente que será defendida em debate ao final. 57 Todo o processo de discussão mostra-nos que as atividades aplicadas na técnica de seleção abstraem o melhor dos candidatos, pois no envolvimento da aplicabilidade das atividades eles expõem suas emoções, suas insatisfações e ainda o seu potencial intelecto. E Silva (2002) lembra-nos que esta ação permite que seja avaliada a capacidade de argumentação dos candidatos, energia, conhecimento do assunto, atitude, poder de negociação, a capacidade de relacionamento interpessoal, facilidade de expor idéias, maturidade emocional e profissional, e o nível sociocultural. Nesta mesma linha, Silva (2002, p. 118) expõe ainda que “o processo pode ser feito verbalmente ou através da aplicação de questionários. Diante da apresentação de uma situação relacionada a problemas cotidianos das empresas, cada participante deve apontar possíveis soluções”. Uma atividade que para obter boa comunicação cabe uma divisão do grupo em equipes, onde cada uma apresenta sua produção. Dessa forma, percebe-se na afirmação do autor acima, que o foco desse trabalho é verificar se os candidatos em ação vão responder as características, que deles o perfil está requerendo, quanto à capacidade de compreensão, o poder de síntese, a habilidade em apresentar com uma comunicação clara, a aceitação do que foi exposto pelo grupo oponente e a habilidade analítica para dirigir negociação. No encerramento da atividade da dinâmica, discute-se sobre a realização da tarefa, sobre o que aconteceu, qual a sua importância, o que de positivo se pode extrair dessa vivência para o exercício do cargo. É pertinente, que na palavra final, os candidatos envolvidos no processo seletivo recebam do instrutor os agradecimentos pela disponibilidade, e a informação da data do resultado e a próxima etapa, caso ela esteja no planejamento. Sobre a etapa final da atividade da dinâmica, Faissal (2005) o traduz como sendo o fechamento, ao perceber nele a certificação de que, a dinâmica conseguiu produzir o seu objetivo, o de integrar o grupo. Pois, se aconteceu, o grupo foi apto e respondeu quantitativamente e qualitativamente o que se buscava para a seleção do candidato à vaga em aberto, que gerou todo o processo. Nesse sentido, nota-se que os instrumentos sempre presentes no processo seletivo, na formação e na organização da empresa devem possibilitar a criação e a recriação do conhecimento através de técnicas e situações vivenciadas. 58 Assim, fica evidenciado por meio das dinâmicas de grupo que se podem avaliar comportamentos, valores, atitudes e aptidões dos candidatos pretensos à ocupação do cargo em voga. Para tanto, faz-se necessário definir as etapas da dinâmica e sua objetividade: verificação da criatividade, dinamismo, clareza de ideias, visão de mercado, foco instrumental, raciocínio, comportamento e materialização do projeto apresentado. 2.3.3 Técnicas de Avaliação Psicológica para Motoristas A avaliação psicológica é um procedimento que visa avaliar através de instrumentos antecipadamente legitimados a execução de certa função, junto aos diferentes processos psicológicos que constitui para o indivíduo, ficando claro que o único profissional habilitado por lei para exercer esta função vem a ser o psicólogo. E de acordo com Rabaglio (2006), avaliar significa fazer análise e ter a oportunidade de rever, aperfeiçoar, fazer de forma diferente sempre em busca de eficácia e resultados no processo de construção de um conhecimento sobre um fenômeno decorrente de uma escolha teórica e metodológica. Então, a avaliação psicológica tem por finalidade o maior conhecimento do indivíduo, a fim de que sejam tomadas determinadas decisões; ela se dá por meio de coleta de dados e interpretações viabilizadas por meio de instrumentos psicológicos. Nesse contexto, Wechsler (1999) explana que a avaliação psicológica objetiva obter informações a respeito de diferentes dimensões psicológicas do indivíduo, tais como: capacidades cognitivas e sensório-motoras, componentes sociais, emocionais, afetivos e motivacionais da personalidade, atitudes, aptidões e valores. A partir dessas discussões constata-se que a avaliação psicológica é uma das atividades exclusivas do psicólogo tal como dispõe o § 1º do Art. 13 da lei brasileira 4.119/62, e pode ser utilizada com diferentes finalidades, sendo algumas delas: diagnóstico, intervenção, orientação psicopedagógica e vocacional, pesquisa e seleção. E a seleção é o enfoque postulado pelo Conselho Federal de Psicologia (2002). Assim sendo, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), em sua resolução nº 1 de 19 de abril de 2002, regulamenta a avaliação psicológica em concursos públicos 59 e processos seletivos, definindo-a como um processo realizado através do emprego de procedimentos científicos que possibilitam a identificação de aspectos psicológicos do candidato, objetivando um prognóstico do desempenho nas atividades referentes ao cargo almejado. Nessa resolução, é destacada, dentre outros aspectos, a necessidade do uso de instrumentos reconhecidos pela comunidade científica e escolhidos com base no perfil “profissiográfico” do cargo pretendido. Todavia, existem diferentes técnicas psicológicas que embasam a avaliação psicológica, como: testes psicológicos, entrevista psicológica, provas situacionais, dinâmicas de grupo, dentre outras técnicas. E baseado em Wechsler (1999), podese distinguir quatro etapas da avaliação psicológica, dentro do processo seletivo: seleção de instrumentos (ou planejamento), aplicação, correção e interpretação dos resultados, relato e devolução dos resultados. Diante disso, depreende-se que a seleção mediante instrumentos técnicos de observação psicológica permite elevada facilidade na avaliação de um futuro desempenho, maior garantia de uma contratação de sucesso, melhor adequação do profissional à empresa e ao cargo previsto, assim como o aumento de produtividade e baixa rotatividade de mão de obra. Nesse pressuposto, Silva (2002) reitera-nos que na obra a República do filósofo grego, Platão, (428-348) antes de Cristo já se tem presente indícios de discrições do como selecionar homens com um perfil diferenciado, para fazerem a segurança da república ideal. O processo de recrutamento e seleção não é por si só ferramenta suficiente a garantir uma escolha acertada, é preciso agregar a estes passos científicos diferentes técnicas. Pois, faz-se necessário que os gestores e/ou seus delegados para esse processo, percebam a nítida inter-relação e interdependência que o processo recrutamento, seleção e treinamento possuem para produzir o efeito desejado, resultando em colaboradores motivados que produzem com qualidade ações que privilegiam a organização na qual ele foi incorporado. Para melhor entendimento da origem dos testes de seleção, é preciso compreender que estes vieram sendo utilizados ao longo da história, usados pelos filósofos e cientistas como procedimentos experimentais, na busca da materialização dos seus pressupostos teóricos. E Bock (2002) salienta que uma prática bem conhecida é a da filosofia, exercida há mais de 2300 anos antes do advento da 60 psicologia científica, quando os gregos na sua sabedoria, criaram e implantaram duas teorias: a platônica - que postulava a imortalidade da alma e concebida como separada do corpo - e a aristotélica que afirmava a imortalidade da alma a sua relação de pertencimento ao corpo. Assim, ao viajar na velocidade da luz pelos séculos, chega-se ao século XX quando temos enquanto instrumento da psicologia aplicada como bem coloca Binet (1905), a noção de teste psicológico como ferramenta psicométricas e Foulquie (1965) acrescenta que com as duas grandes guerras, contempla-se a ascensão dos testes no seu decurso. Na Primeira Guerra Mundial, (1914-1918), a aplicação de testes ganha visibilidade e aceitação com a necessidade de se selecionar uma grande quantidade de homens para servir às forças armadas. Nessa perspectiva, Piérron (1948, p. 143) descreve: Incumbindo-se dos exames dos recrutas, por meio de testes, a fim de determinar seu nível mental, escolhendo homens aptos aos quadros de oficias e precisando, ademais quais as aptidões próprias de um, o que viria facilitar a organização dos grupos especializados, na complicada organização da guerra. A aplicabilidade dessa ferramenta continuou de forma sistemática, e na segunda guerra mundial (1939-1945) ganhou força e notoriedade. O que possibilitou a entrada a passos largos nas organizações, com a finalidade de ajudar na administração dos recursos humanos; para seleção de candidatos, promoções, transferências, treinamentos, etc. O uso dos testes no processo seletivo, comenta Faissal (2005, p. 107), era “um sinal de seriedade, uma garantia de objetividade, e cientificidade”. Dessa forma, as definições quanto aos testes são de considerável número na literatura científica. Pichot e Scheeffer (1962); Erthal (1987, p. 52 apud SAMPAIO, 1998, p. 149) traz em seu artigo testes psicológicos nos processos de seleção de pessoal, a tese de que os testes devem ser vistos como uma “situação padronizada que serve de estímulo a um comportamento por parte do examinando; esse comportamento é avaliado por comparação estatística com os de outros indivíduos submetidos a mesma situação, permitindo assim sua classificação quantitativa e qualitativa” E para esclarecer com mais propriedade, Chiavenato (2006, p. 121) diz que os testes “são um conjunto de provas que se aplicam as pessoas para apreciar seu 61 desenvolvimento mental, suas aptidões, habilidades, conhecimento etc.” Essa conceituação remete a Scheeffer (1962) que concebe os testes como sendo ferramentas utilizadas pelos profissionais da psicologia na busca e mensuração das diferenças individuais. Já Anastasi (1977) compreende os testes como amostras de comportamentos que por uma medida objetiva e padronizada se pode preconizar a atuação de um candidato. Então, faz-se perceptível se depreender dos conceitos acima que os teóricos não se distanciam um do outro quanto à tese do que sejam os testes psicológicos, sua função de analisar, sob condições padronizadas, amostras do comportamento humano, comparando com padrões, com formatos tecnicamente estabelecidos para a busca de diferenças individuais, na execução de tarefas. Pois, todos o instrumentalizam como técnica para a abstração de procedimentos junto à avaliação do comportamento humano. E, quanto aos tipos, o teste não diferente dos conceitos é proprietário de uma gama significativa de classificações, as quais serão objeto de dissertação nesse estudo três tipos, pois tratar de outros fugiria à proposta da revisão bibliográfica do assunto em desenvolvimento. Os testes psicológicos: especificamente pode-se dizer que o foco do teste psicológico reside em avaliar a individualidade do candidato em confronto com os requisitos do perfil da função, e da cultura da empresa. A utilização dos testes psicológicos no processo seletivo de motoristas pode ser extremamente benéfica à empresa, por permitirem uma avaliação objetiva do candidato quanto ao seu potencial intelectual com os testes de “inteligência”. De acordo as considerações de Silva (2002), nos testes de “aptidões diferenciais”, como dessas aptidões têm-se: a atenção concentrada, atenção difusa, a memória do raciocínio mecânico, o raciocínio espacial, raciocínio, a capacidade de abstração, planejamento e organização. Nessa mesma conjuntura Chiavenato (2006), resignifica explanando que outra avaliação singular está nos testes de personalidade, que é uma ferramenta que permite a análise de traços e características significativas que determinam o caráter e diferencia uma pessoa da outra. Nesse sentido, fica nítida a importância da aplicação de teste na avaliação do comportamento humano, uma vez que ajuda a especificar a condição psíquica de modo mais provável. 62 Os testes podem ser projetivos, assim chamados por fazer uma projeção da personalidade. E também são chamados de específicos ao serem utilizados em pesquisas focadas na busca de traços ou aspectos da personalidade, como equilíbrio emocional, nível de motivação, tolerância às frustrações, capacidade de relações interpessoais, interesses dentre outras pontuações. Nesse contexto, há os testes de interesse vocacional que permitem predizer pela análise de questionários específicos se o candidato terá sucesso e satisfação na ocupação que postula por ele. Então, compreende-se que os testes de personalidade se propõem a identificar elementos da dinâmica da personalidade do candidato testado. A aplicação e mensuração dos testes de personalidade requerem imperiosamente a participação de profissional em psicologia, para ter validade. Pois, visto os estudos em Leme (2007) os testes de conhecimentos são os que têm o objetivo de avaliar ou não a portabilidade no candidato das características que o perfil requer e que foram divulgadas no anúncio da vaga. Portanto, fica patente que os testes são bastante utilizados em processos seletivos, por requererem dos seus participantes habilidade e objetividade nas respostas, tanto de questões objetivas de múltipla escolha que avalia conteúdos necessários ao cargo, ou às questões abertas, discursivas, para explorar do candidato diante de uma situação típica do seu dia a dia de trabalho, sua percepção e capacidade de uso dos conhecimentos, para analisar e solucionar o problema em voga. No entanto, Leme (2007) chama-se a atenção quanto a aplicabilidade desses testes, pois se não forem devidamente preparados e aplicados não passam de uma mera burocracia, geradora e motora de uma perda de dinheiro, pelos custos de material utilizado que vão das pessoas, equipamentos, e outros materiais indispensáveis à aplicação. Outros autores chamam a atenção quanto à diferença entre os testes psicológicos e os testes cognitivos, provas. Como descreve Chiavenato (2006), especificando que num teste psicológico o candidato tem avaliado suas diferenças individuais, que podem ser físicas, intelectuais de personalidade, uma ênfase na aptidão. Enquanto que as provas de conhecimentos ou capacidades medem o nível atual do candidato em desenvolver a atividade. 63 Dessa forma, é pertinente esclarecer que aptidão nasce com a pessoa, fica latente à espera do despertar, sendo independente de condição social ou acadêmica. A capacidade é uma habilidade adquirida do desenvolvimento da aptidão preexistente, que pelos conhecimentos teóricos e práticos em que o candidato se habilita a executar com eficiência. A avaliação psicológica do motorista tem por finalidade maior o conhecimento do indivíduo e essa é uma atividade exclusiva do profissional apto e habilitado para determinada função – o psicólogo – que se utiliza de diferentes métodos com diferentes finalidades. De fato, a avaliação psicológica é embasada em técnicas como: testes psicológicos, entrevista psicológica, provas situacionais e dinâmicas de grupo cuja finalidade é circundante do diagnóstico, da intervenção, da orientação psicopedagógica e vocacional. E o foco dos testes psicológicos reside em avaliar a individualidade do candidato em confronto com os requisitos do perfil da função, e da cultura da empresa 64 3. MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo e exploratório concebido na abordagem qualitativa, visando dar conta de compreender a contribuição da Psicologia do Trânsito no recrutamento e seleção de motoristas profissionais. 3.1 Ética Por tratar-se de dados secundários não houve necessidade do projeto de pesquisa ser submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, para atender à Resolução 196/96 do CNS-MS, assim como não foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) por ter as informações obtidas através de documentos públicos dos diversos órgãos. 3.2 Tipo de Pesquisa O processo de pesquisa qualitativa é integrado, afastando visões isoladas, parceladas ou estanques, devendo desenvolver-se de modo interativo e dinâmico, pois à medida que vamos produzindo os dados evidencia-se um processo de análise que se retroalimenta frequentemente destes. Esse tipo de pesquisa responde, ainda, a questões particulares e se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, melhor dizendo, trabalha com o universo dos significados (TRIVIÑOS, 2008; DEMO, 2000). A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas [...], em lugar da produção de medidas quantitativas de características e comportamentos. (RICHARDSON et al, 1999, p. 90). Diante dos objetivos apresentados, essa pesquisa foi classificada como descritiva e exploratória. As pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição das características do objeto estudado, ao passo que, as pesquisas exploratórias têm como propósito proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito (GIL, 2010). 65 Em se tratando do meio de investigação foi uma pesquisa bibliográfica. Dessa maneira, o presente estudo foi elaborado com base em material já publicado. A principal vantagem dessa modalidade de pesquisa, de acordo com Gil (2010), reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Entretanto, a pesquisa bibliográfica pode comprometer o estudo, uma vez que as fontes secundárias, algumas vezes, podem apresentar dados coletados ou processados de maneira equivocada, dessa maneira, um trabalho que se fundamenta nessas fontes pode reproduzir ou mesmo ampliar esses erros. Levando em conta o exposto, durante o desenvolvimento desse estudo, pensando em reduzir a possibilidade de equívocos, as informações colhidas foram analisadas em profundidades e as fontes de busca foram selecionadas de maneira criteriosa. 3.3 Procedimentos para Coleta de Dados As fontes utilizadas para coleta de dados foram livros de autores que contemplassem o assunto abordado, além de artigos disponibilizados na internet. Inicialmente, após a delimitação do tema, um levantamento preliminar das possíveis fontes a serem utilizadas foi realizado. Após a definição do problema de pesquisa, foi feita uma revisão de literatura e uma estruturação lógica do trabalho. O próximo passo consistiu em identificar, dentre as fontes selecionadas, aquelas que respondessem de maneira adequada ao problema em evidência. Após essa “garimpagem”, e considerando o material selecionado como suficiente, as leituras foram iniciadas. Assim, gradualmente o trabalho começou a ser construído a partir da organização de ideias com vistas em atender os objetivos propostos. 3.4 Procedimentos para Análise dos Dados Para realização da análise do material foi utilizada a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (1997) como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. Como toda técnica de pesquisa, essa tem determinadas 66 características metodológicas: objetividade, sistematização e inferência, esta última referindo-se à proposição em virtude de sua relação com outras proposições já aceitas como verdadeiras (RICHARDSON et al, 1999). Toda análise de conteúdo deve basear-se em uma definição precisa dos objetivos da pesquisa e desenvolver-se a partir de diferentes fases, organizadas cronologicamente: pré-análise; exploração do material e tratamento dos resultados, inferência e interpretação (BARDIN, 1997). A pré-análise é a fase de organização propriamente dita, sendo, portanto, bastante flexível por permitir a eliminação, substituição e introdução de novos elementos que contribuam para uma melhor explicação do fenômeno estudado; geralmente, possui três missões: escolha de documentos para análise, formulação de hipóteses e dos objetivos e elaboração de indicadores que fundamentam a interpretação final. A exploração do material refere-se a administração sistemática das decisões tomadas; consiste essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. Por fim, na fase de tratamento dos resultados obtidos e interpretação os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos (BARDIN, 1997). Dessa maneira, as informações obtidas foram lidas, analisadas e interpretadas, visando compreender como se dá a contribuição da psicologia do trânsito no processo de recrutamento e seleção de motoristas profissionais. 67 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Contribuições da Psicologia do Trânsito para as Organizações A Psicologia do Trânsito depreende contribuições imprescindíveis às conjunturas emitidas no processo de desenvolvimento funcional das organizações na seleção pessoas para atuarem como motoristas. Pois, o psicólogo pode desmistificar a funcionabilidade junto às expectativas das organizações posto as suas necessidades à pessoa a ser contratada, mediante a aplicação de avaliações na contemplação das capacidades e aptidões físicas e psíquicas que podem classificá-la a inserção dos requisitos a atuação disponibilizada pela numa organização. A partir dessa contextualização, Zanelli (2002) justifica que num movimentar através de referências literárias, históricas, filosóficas e técnicas, analisando as dimensões das contribuições da psicologia da transito para as organizações, delineiam uma história de atuação com profundo conhecimento e reflexão, mas também com limitações devido ao processo formativo, mas relevantes quando o profissional buscar ampliar e renovar essa formação. No víeis de contribuições para uma organização, a Psicologia do Trânsito agrega em seu contexto eficiência singular nos parâmetros do processo previsto a articular o empenho dos contribuidores no desenvolvimento estrutural, organizacional junto a resultados econômicos bem aguçados no retorno do investimento realizado em toda estruturação investido a funcionabilidade da organização. No entanto, o psicólogo do trânsito deve atuar levando em consideração que as organizações são como produtos do trabalho humano. E Zanelli (2004) chama a atenção ao que deve ser observado, e considerado como um importante suporte teórico na formulação de estratégias para as organizações que estão caracterizadas pela progressiva complexidade da dinâmica requerida pelo mercado no qual estar inserido. O campo de atuação para o profissional de psicologia do transito na organização é lato, e com áreas ainda a serem exploradas. Fiorelli (2007) acentua a afirmação das interações pontuadas que trabalhar na promoção da saúde física e 68 psíquica, na modificação do comportamento dos colaboradores e assinalando a importância da compreensão do fenômeno da aprendizagem, para as organizações e para os colaboradores precisam ser analisadas dentro das diferentes áreas. Partindo desse pressuposto, nota-se que o processo de atuação do psicólogo do transito na organização deve ser entendido como uma atuação sistêmica, teóricoprática, de resultados paulatinos mediante uma socialização de corresponsabilidade entre os agentes envolvidos para desenvolver competência e habilidade, lidar com as tensões existentes na dinâmica organizacional e, assim materializar o postulado. A partir dessas explanações Zanelle (2004) fomenta ser indispensável à presença do Psicólogo na organização, pois explicações e intervenções sobre fatores que afligem a saúde do trabalhador que são invisíveis, não perceptíveis à fisiologia e tão pouco à bioquímica médica, são matérias para as quais a psicologia prepara os seus profissionais. Assim, percebe-se que o trabalho desenvolvido através de pesquisa bibliográfica científico-descritiva possibilitou reflexões acerca de ferramentas como: testes, avaliações psicológicas, psicrométricas, dinâmicas, entrevistas dentre outras que são utilizadas para o trabalho do psicólogo nas organizações. Para melhor norte, Pooras (2001) lembra-nos que a psicologia, forma profissionais capazes de desenvolverem estratégias e medidas apropriadas para a solução de problemas que emergem continuamente nas organizações de trabalho de modo voluntário ou involuntário Nesse viés, constata-se que recrutamento e seleção de colaboradores para a execução de atividades variadas e múltiplas tem sido uma prática milenarmente adotada, com preocupação de conhecer o Homem e seus processos mentais assim como sua integração social. E segundo Freitas (1991) esse recrutamento passou a exigir por parte do psicólogo um mapeamento organizacional que facilitasse a identificação de conhecimentos, habilidades e atitudes condizentes à execução de atividades que o cargo ou função exigem. Nesse aspecto, a preocupação em selecionar, gerir e capacitar deve ser regra indispensável para que os indivíduos tornem-se colaboradores em potencial do desenvolvimento e crescimento da organização. Nesse aspecto, Fiorelli (2007) acrescenta ao discurso o que mais contribui para o desenvolvimento e crescimento em qualidade organizacional são as 69 habilidades no saber se relacionar e se comunicar; ser paciente e flexível; saber lidar com as pessoas utilizando bom senso, principalmente, para com aquelas que apresentam estilos e comportamentais diferentes. Assim sendo, o trabalho do psicólogo se caracteriza nas habilidades para negociar e convencer, demonstrando senso de humildade no agir, sabe escolher hora e maneira certa de intervir. É uma pessoa que demonstrar gosto pelo trabalho e prazer em lidar com seres humanos. Revitalizando a importância do psicólogo no processo de sustentação contratual postulado pelas organizações que Goulart Junior (1998) expõe a complexidade da atuação do psicólogo do trânsito no organizacional visto o melhor lidar e obter desempenho satisfatório de sua função ao acompanhar as pessoas no seu local de trabalho e dispensando-lhes maior atenção, ao lidar com a gama de sentimentos e emoções que cada um carrega e torna nebulosa, em muitos, a fronteira do que é pessoal e o que é profissional na relação de trabalho. A organização do recrutamento e seleção de motorista é um momento de suma importância, para as organizações, pois é nele que se registram as maiores dificuldades emocionais: aparecem as angústias, os conflitos emocionais e, é nesse contexto que o psicólogo deve atuar como um profissional mais aberto, mais conhecedor do mercado, dos negócios da empresa e das necessidades de seus colaboradores imprimindo seus conhecimentos em psicologia aplicada, buscando estabelecer o diferencial competitivo, ajustado as normas e leis que ampara a condução mediante a condição de cada candidato a suprir uma vaga de tão vasta responsabilidade organizacional como social. Portanto, é dever do psicólogo do trânsito nas organizações ter sempre em mente novas formas de fazer as coisas, adquirir conhecimento em outras áreas e aperfeiçoar as habilidades no trato com as pessoas, como é exigido num mercado onde as mudanças ocorrem continuamente, especialmente na conjunção aplicada as especificidade de um profissional que busca ser habilitado como motorista. Para um entendimento mais amplo, Dias (2008, p. 217), descreve que “é necessário mudanças na tecnologia, na estrutura, nos mecanismos de coordenação, nas pessoas e nos papéis da organização, [...]”. No entanto, o homem, ao longo de sua existência, adquiriu conhecimento e maturação dentro de organizações: família, escola, empresas pública e privada e à medida que aumenta o número de pessoas, aumenta de igual maneira o número de 70 organizações que trazem, pela própria carência organizacional, a complexidade para que se mantenham vivas. Dessa forma, Dias (2008) coloca que o trabalho do psicólogo do trânsito, não pode ser visto de forma individualizada, nem descontextualizada do ambiente onde a organização está inserida, devendo atuar como um profissional de Recursos Humanos capaz de desenvolver atividades que supram as carências das organizações e as auxiliem no aspecto da criatividade e da competitividade, para que possam sobreviver a um mercado sabidamente globalizado, onde o capital humano e a qualidade total definem seu o sucesso. O enfoque abordado nesse estudo traz à tona o desenvolvimento comportamental do indivíduo no qual será inserida a administração de Recursos Humanos que, ao contrário do que era aplicada nos modelos tradicionais ou clássicos a administração, é responsável pela organização dos elementos de uma empresa: dinheiro, materiais, equipamentos, tecnologia, vendas e desenvolvimento de pessoal capaz de gerir bons negócios e atingir os fins lucrativos. Nesse âmbito, Chiavanato (2004) acrescenta que as pessoas não se dão conta, mas passam a maior parte do tempo de sua vida, dentro de uma organização trabalhando, uma vez que a produção de bens e serviços não pode ser realizada por indivíduos numa atuação particular, desvinculada da organização. Porém, é parte integrante à psicologia manter instalado nas organizações o estímulo, a motivação, o comprometimento e a capacidade em assumir responsabilidades, além de dirigir o comportamento para os objetivos da organização onde estão presentes as pessoas. Cabe ao psicólogo do trânsito criar condições adequadas para que as pessoas possam se comportar de forma a manter em equilíbrio os interesses das organizações que passam pelo crivo não só do recrutamento, seleção e desenvolvimento de pessoal como também pela política de administração além da observância na comunicação interna e nas demais áreas subsidiadas pelo sistema de Recursos Humanos. Na visão de Chiavanato (1983), esses recursos estão muito bem definidos, pois, a evolução de ferramentas de recursos humanos é uma realidade que se faz presente para atender às demandas de um determinado contexto econômico, histórico social e organizacional, mas, em contra partida, se for observada a teoria do behaviorismo os processos de crescimento e desenvolvimento organizacional e, consequentemente, de pessoas estão vinculados às relações/interações em que se 71 observa uma estreita ligação entre administradores e colaboradores: um sequenciar o outro o tempo todo como se seus comportamentos devessem estar entrelaçados para a execução das atividades e a obtenção dos objetivos organizacionais. Enriquecendo ainda mais a discussão, Alencar (2007) pontua que o psicólogo analisa o comportamento aplicando um leque de prática e atuações, como também todo e qualquer manejo ambiental que facilite e proporcione através de análise e intervenções comportamentais, o desenvolvimento de estratégias competentes à obtenção de metas e técnicas capazes de gerenciar comportamentos que visem à prevenção de estresse na aquisição de qualidade de vida, o desenvolvimento de estímulos reforçadores positivos às organizações na finalidade de integração, processamento de dados e de informações de acordo as especificações das organizações. Assim, como profissional que deve atuar em consonância com os estudos da Psicologia Organizacional, do Trabalho e do Trânsito, espero dar contribuições substanciais atentando não só para todo o processo de recrutamento e seleção indivíduos, de motorista, mas precisamente na aquisição do saber lidar com o ser humano como Sujeito de todo processo, observando necessidades e especificidades da Organização, bem como atentar para a qualificação e o desenvolvimento de colaboradores que possam, de acordo com as posições hierárquicas operacionais, possam ser preparados a médio e curto prazo para assumirem funções como a de motoristas ou compatíveis com as necessidades especificadas e solicitadas pelas organizações. 72 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa de revisão bibliográfica, numa abordagem exploratória, realizada possibilitou a elaboração de hipóteses como procedimentos tecnicamente testados. O estudo apontou carência de pesquisas que apontem elementos indicadores de pistas sobre os diversos efeitos de sofrimentos psíquicos e físicos que afetam a população trabalhadora, de modo especial os motoristas, que selecionada e, sem uma averiguação, habilidades e características exigidas pelo cargo, são colocadas para atuar, gerando um sobre esforço das funções psicofisiológicas do indivíduo, para responder a demanda requerida pela organização. No entanto, a abordagem proporcionada à contextualização de elementos e subsídios pontuadores do recrutamento e seleção de motorista visto a contribuição da Psicologia do Trânsito ao âmbito organizacional; evidenciaram diferentes aspectos imprescindíveis à importância da atuação do psicólogo junto às várias organizações mediante as funções, norteando as condições analíticas que se fazem necessárias às especificidades acopladas às atuações, legislação e avaliação requisitadas e, sem dúvida importantíssimas nos requisitos a função do motorista como da sua habilitação à profissão. Então, considerando a organização como um campo de relações sociais, por conseguinte, conflitos latentes ou explícitos entre patrão e empregados, onde ambos enfrentam a concepção hegemônica do capital, que elabora, dita, modela e delega as estratégias da prática produtiva e profissional, e exigem das mesmas, que o processo de captação e seleção de seus colaboradores sejam feitos de forma técnica para responder e competir com as demandas do mercado, fica evidenciado a importância do profissional em Psicologia do Trânsito no seu contexto de recrutamento e seleção de motoristas para atuarem nas organizações. Mesmo assim, com o advento do capitalismo, o trabalho deixou de ser uma questão de consanguinidade e passa a ser uma questão de condição social em função das habilidades, aptidões, interesses e dons. Uma ideologia, mas ao mesmo tempo uma prática que coloca nas mãos do sujeito a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso profissional, como se tudo dependesse apenas dele, cabe às organizações especificar suas necessidades, buscando suporte para avaliar as 73 condições físicas e psíquicas dos colaboradores atuantes na organização como dos passíveis a futuras contratações Desse modo, percebe-se que a necessidade de uma avaliação minuciosa sobre as condições do colaborador a ser inserido na organização uma vez que o capital aberto controla desde a fonte de produção à comercialização, o que deixa o mercado de produção e o mercado de recursos humano reféns das exigências para a produção e, por conseguinte, a contratação dos colaboradores tecnicamente preparados para responder à demanda. Avaliação dirigida pelo psicólogo que detém habilidades específicas ao estudo, análise e técnicas avaliativas condizentes ao desflorar do comportamento humano. Assim, pressupõe-se que a ação do capitalismo e o avanço tecnológico influenciam de forma direta no processo de recrutamento e seleção de pessoal, o qual precisa ser dialético, proativo, constante e interminável para prover a necessidade evidenciada pelo setor de recursos humanos da empresa que precisa garantir a renovação e a continuidade de forma sustentável das atividades propulsoras do desenvolvimento das organizações. Para que ocorra a materialização do recrutamento, requer um planejamento estratégico com procedimentos adequados às políticas de seleção de pessoas adotadas pela organização, para atrair candidatos em consonância com a cultura da empresa, aptidões e conhecimentos técnicos ao exercício da função. Nesse víeis de adequação ao processo de recrutamento e seleção numa organização, mais contundente, no âmbito setorial da organização responsável pelo Trânsito, a contribuição da Psicologia torna-se eminente, pois é através da avaliação psicológica que se podem levantar as aptidões e os conhecimentos técnicos tão almejados nas organizações, principalmente na função de motorista. A função de motorista exige um olhar mais delineador das condições físicas – diretamente ligado a atuação e posto as devidas adaptações no veículo na constatação de deficiência – como a psíquica, condição essencial a ação de condutor de veículos, por ser a chave do controle das ações e reações na sua atuação profissional. Então, o processo de recrutamento e seleção deve ocorrer dentro de uma dinâmica de escolha e captação mútua, pautada por uma série de requisitos pessoais, profissionais, técnicos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos. 74 O fato perpassa pela questão de que no mundo empresarial capitalista globalizado, no qual ocorre o relacionamento da compra e venda da mais valia, a empresa não pode errar na contratação de um colaborador, nem o colaborador na sua escolha da empresa. Pois, uma decisão reativa de escolha, sem os devidos cuidados preconizados seria ácida e corrosiva, podendo trazer prejuízos econômicos e danos sociais para ambas as partes, contratante e contratado. Nessa perspectiva, que o estudo em tela indica um pensar sobre as organizações, a cada uma, conforme seu tamanho e necessidade construindo o seu sistema de recrutamento e seleção “sadio”. Um sistema que venha oferecer à empresa a provisão da sua demanda quanto aos colaboradores internos de forma a ajustar e manter as características e harmonia de sua equipe, num funcionamento condizente com as necessidades da sua missão de produzir e comercializar produtos e serviços juntos aos clientes, o mais profissional possível. E na conjuntura dos profissionais motoristas deve ser ainda mais saudável garantindo uma postura responsável no exercer de sua função, pois estes vão além da organização ao conduzir em diferentes espaços da sociedade o nome da empresa como também conecta a organização aos vários setores da sociedade, vinculando a imagem desta aos resultados dos serviços prestados atrofiando ou elevando o nome da mesma, determinando assim o seu crescimento ou estagnação economia. Portanto, intui-se a pesquisa aponta um imbicar rigoroso no processo de recrutamento e seleção de motorista aplicado com seriedade e de forma técnica, é difícil e penoso tanto para a organização quanto para os candidatos, mas uma necessidade real e imutável de adaptação e preservação de sua própria existência por conta da hegemonia do capital e da tecnologia ser saudável para ambos; empresa e colaborador por forçar uma atualização de conhecimentos e com isso permitir um desempenho ágil e de qualidade diante do mercado competitivo. O cenário do mundo do trabalho hoje sofre alterações devido aos avanços tecnológicos que obrigam as organizações, numa dinâmica particular, com a necessária reflexão e a pertinente aplicabilidade, em relação ao futuro, buscarem colaboradores com conhecimento, idéias, conceitos e habilidades capazes de processar, construir, monitorar, desenvolver, coordenar e garantir o controle da realidade em construção na organização. 75 Depreende-se que, mesmo com o avanço acumulado de estudos e atuação de psicólogo nas organizações, ainda é insipiente o entendimento e a importância que os gestores dispensam para esse profissional. Precisa haver uma compreensão de que o profissional de psicologia organizacional é uma ferramenta indicadora de saúde na organização, por esse profissional contar com conhecimentos mais adequados ao perfil exigido pelo cargo de recrutador e selecionador dos atores que devem atuar e, coordenador o desenvolvimento desses atores que compõem o cenário da empresa. Dessa forma, o estudo impede pensar que uma seleção por pessoas não qualificadas para contextualizar o processo num planejamento que se conheça a organização, o cargo, suas características e importância, daí a escolha das ferramentas para a filtragem na seleção, bem como a aplicabilidade de técnicas, e teste que indiquem o modo correto de atuar. É uma atuação reativa e remediativa onde poucos conseguirão averiguar as reais condições do candidato para convívio social, a não ser o psicólogo, na análise do escolhido que irá desempenhar as habilidades e comportamentos preconizados na missão da organização. Porém, os dados extraídos desta pesquisa descrevem um proceder técnico do recrutamento e seleção, indicando caminhos experimentados, de forma inteligente e mais acertada, os gestores possam recrutar e selecionar seus colaboradores, formando um quadro duradouro e hígido de recursos humanos que respondam às desconcertantes mudanças do processo de globalização muitas vezes nociva à empresa. Esse processo auxilia muito mais no recrutar e selecionar de motorista por ser uma atuação que tem a vida de indivíduos e da organização inserido diretamente no seu contexto funcional. Contudo, a pesquisa deixa uma leve reflexão sobre a importância da Psicologia nas organizações, com um enfoque maior no processo de recrutamento e seleção de motoristas, atuação profissional de grande conotação no contexto social e de exímia referência à organização. A avaliação do motorista em seus diversos aspectos possibilita preservar a conjuntura organizacional assim como efetiva a expansão dos fundamentos psicológicos agregados a execução da função do profissional em condução de veículos. Em suma, torna-se visível nos estudos bibliográficos um assinalar dos desafios da área de recrutamento e seleção de motoristas para as organizações, em 76 expansão, por conta das mutações do avanço tecnológico, que é uma realidade majestosa e impiedosa, que aliada à falta de informação por parte de muitos gestores teima em contratar por indicativos do senso comum, passando ser a bússola no entender o turnover e absenteísmo de colaboradores, uma realidade patológica que vem assolando e atormentando de forma ácida as organizações, na atuação para o cumprimento de sua missão, visão e valores. 77 REFERÊNCIAS ADÁNEZ, G.P. Avaliação Psicológica: perspectiva internacional. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. ALENCAR, E.T.S. (2007). Possibilidade de Analise do Comportamento Aplicado a Organizações. Coluna do Redpsi. Disponível em: <http://www.redepsi.com.br/ portal/modules/soapbox/article.php>. Acesso em 21. jan.2012. ALMEIDA, Walnice. Captação e seleção de talentos: com foco em competências. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ANASTASI, Anne. Testes psicológicos: teoria e aplicação. São Paulo: Herder, 1965. ARZENO, María Esther García. Psicodiagnóstico clínico: novas contribuições. Tradução de Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1995. BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro. Org. Pazetti, Arnaldo Luiz Theodosio. São Paulo: Ridel, 2011. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: edições 70, 1997. CAMPOS, Dinael Corrêa de. Atuando em psicologia do trabalho, psicologia organizacional e recursos humanos. Rio de Janeiro: LTC, 2008. CARVALHO, Antonio Vieira de. Seleção: princípios & métodos. São Paulo: Pioneira, 2000. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. _________. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos à empresa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Regulamenta a Avaliação Psicológica em Concurso Público e processos seletivos da mesma natureza. Resolução n.º 1, 19 de abril de 2002. DEMO, P. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000. DIAS, Reinaldo. Sociologia das organizações. São Paulo: Atlas, 2008. 78 FAISSAL, Reinaldo. Atração e seleção de pessoas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. FIORELLI, José Osmir. Psicologia para administradores: integrando teoria e prática. 5. ed. (2. reimpr.). São Paulo: Atlas, 2007. FOULQUIÉ, Paul. A Psicologia contemporânea. São Paulo: São Paulo Editora S.A., 1965. FRANCISCO FILHO, Egildo. Entrevistas: técnicas e dinâmicas de grupo para nãoespecialistas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. FREITAS, Maria Ester de. Cultura Organizacional: Formação, Tipologias e Impacto. São Paulo: Makron Books, 1991 a. FREITAS, A. B. A. A Psicologia, o homem e a empresa. São Paulo: Atlas, 1991 b. GEHRINGER, Max. Emprego de A a Z. São Paulo: Globo, 2008. GIL, A. C. Com o elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010. GOULART JUNIOR, Edward et al. Psicologia organizacional e do trabalho: relatos de experiências de estagio. Bauru: UNESP, 1998. KANAANE, R. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo ao século XXI. São Paulo: Nova Cultural, 1994. HUFFMANN, M. H.; CRUZ, R. M.; ALCHIERI, J. C. Comportamento Humano no Trânsito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. __________. Áreas de intervenção da psicologia do trânsito. Revista Alcanse, 2000. LEME, Rogério. Seleção e entrevista por competências com o inventário comportamental: guia prático do processo seletivo para redução da subjetividade e eficácia na seleção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. MOLON, Susana Inês. Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky. Rio de Janeiro: Vozes, 2003. PASCHOAL, Luiz. Gestão de pessoas: nas micros, pequenas e médias empresas: para empresários e dirigentes. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006. PIÉRON, Henri. Psicologia experimental. Tradução de Lourenço Filho. São Paulo: Melhoramentos, 1948. PORRAS, Christian Jeann Paul Leon. Lo papel fundamental do psicólogo na gestão de recursos humanos das organizações do século XXI, 2001. Disponível em:http://www.psicologia.com.pt/artigos; Acesso em: 15 jan. 2011. 79 RABAGLIO, Maria Odete. Ferramentas de avaliação de performance com foco em competências.Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006. RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 286 p. ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. Tradução técnica Reynaldo Marcondes. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. RODRIGUES, Aroldo et al. Psicologia social. 23 ed. Reform. Petrópolis: Vozes, 2005. SAMPAIO, Jader dos Reis. Testes psicológicos no processo de seleção de pessoal in psicologia do trabalho e gestão de recursos humanos - estudos contemporâneos. Iris Barbosa Goulart (ORG). São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998. SENA e SILVA, M. de F.; BRAZ DE AQUINO, C. A. (Orgs). Psicologia social: desdobramentos e aplicações. São Paulo: Escrituras Editora, 2004. SILVA, Marilene Luiza da. Recrutamento & seleção de pessoal. São Paulo: Érica, 2002. SPECTOR, Paul E. Psicologia nas organizações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. STERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. Tradução de Maria Regina Borges Osório. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. TOGLET, E.C. Bateria de Funções Mentais para Motoristas: testes de atenção. São Paulo: Vetor, 2007. TRIVIÑOS, A. N. S. Introducão à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação: o positivismo, a fenomenologia, o marxismo. São Paulo: Atlas, 2008. 175 p. WECHSLER, S. M. Guia de procedimentos éticos para a avaliação psicológica. In S. M. Wechsler, R. L. Guzzo (Orgs.). Avaliação psicológica: perspectiva internacional (pp.133-141). São Paulo: Casa do Psicólogo. 1999. VASCONCELLOS, E. O que é Trânsito? Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 1998. ZANELLI, José Carlos. O psicólogo nas organizações de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2002. ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.