REFLEXÕES A RESPEITO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO/PARA O CURSO TECNOLÓGICO EM RADIOLOGIA Elizabete Ribeiro Halfaeld Maciel – Universidade Estadual de Minas Gerais/Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais Jussara Biagini – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais Resumo A proposta ora apresentada tem como objetivo analisar a perspectiva da formação desse profissional, considerando como função de sua profissionalidade o ensino. Destaca-se e reconhece nessa função a essência de uma teoria. Esse profissional exerce o papel de formador do profissional tecnólogo que irá atuar no campo da radiologia. A partir de analises de documentos legais e de documentos consultados em um Instituto de Ensino Superior apuram-se preceitos, indicadores e dilemas respectivos à formação e profissão de professores no/para o curso Tecnológico em Radiologia. A intenção do artigo não se restringe a uma mera coleta de subsídios teóricos para mecanicamente reproduzir entendimento sobre a temática em questão. Busca-se, de fato, compreender essa formação. A elaboração do referencial teórico, aqui apresentado, constitui-se a partir da atitude aberta e flexível, para que seja realizado uma incursão por incursão por teorias que tomam como objeto à formação de professores, perfil profissionalizante necessário à docência. Na perspectiva de reconhecer pontos de vistas e identificar lógicas ideológico-conceituais, elabora-se um contexto textual as informações e dados apurados a partir de reflexões sobre formação e valorização identitária e profissional dos professores na particularidade do curso em apreço e na complexidade que configura o ensino superior. Há um espaço para que as práticas comecem a falar, a informar, a formar. Há um espaço para transformação das práticas em instrumentos pedagógicos de formação. No entanto, há também um espaço para a negação dessa possibilidade. Na dissonância, o sujeito pode optar por abandonar suas expectativas e seus desejos e conformar-se com o usual. Palavras-chave: tecnólogo, profissionalidade, formação do professor. I- Introdução A intencionalidade de refletir a respeito da formação de professores no/para o Curso Tecnológico em Radiologia está atrelada à proposição de transitar por itinerários discursos que explicitam ou ocultam condições dominância de “quem” decide a respeito da legitimidade de projetar referencias/modelos formativos necessários a esse profissional. A interlocução com quadro teórico não tem a finalidade de utilização para mecanicamente explicar certa realidade investigativa. Assim, as reflexões, aqui, desenvolvidas constituem em recuso para análise do objeto em questão. A profissão professor evoca entendimento a respeito das ações e dos saberes desse profissional, que num certo sentido referencia, parafraseando Nóvoa (2000), repostas à questão: “O que e porque faz na sala de aula?” Há nessa indagação a importância de conceber o processo identitário docência, uma vez que se percebe capacidade de exercer com autonomia o ofício da docência, pela via do poder e princípio de controle do trabalho. A partir do saber ensinado e aprendido, da metodologia adotada, da prática de linguagem, das relações sociais e de produção desenvolvida na rotina do trabalho pedagógico escolar que se percebe a difusão e/ou aceitação de formas particulares de visão mundo. Sob tal perspectiva, obtém-se o entendimento da sala de aula como espaço em que se configuram os veios ideológicos da reprodução/transformação identitária do docente. Em Docência no ensino superior (Pimenta e Anastaciou, 2005) caracteriza a formação docente como processo permanente e de valorização identitária e profissional dos professores. Por conseguinte, quatro premissas orientadoras entrelaçam e completam essa formação: A primeira matriz pontua o entendimento de que ensinar não se constitui apenas no repertório instrumental-metodológico do “como” transmitir determinados conteúdos/saberes, mas também explicita ou oculta as condições do “porque”, “para quem” estrutura-se a dinâmica ensino-aprendizagem. A segunda premissa arquiteta a profissionalização desse profissional por uma racionalidade que permiti, ao referido profissional, supor, julgar, decidir, modificar e adaptar suas ações tendo em vista o ambiente (sala de aula) no qual seu trabalho educativo é desenvolvido, tal afirmação implica em reconhecer que esse trabalho ultrapassa a simples transmissão de conhecimento/saberes. A terceira premissa idealiza as práticas formativas e saberes docentes na forma de ingredientes fundantes para o exercício e dinâmica de trabalho de qualidade. O desempenho da docência implica na consolidação de competência profissional postulada por valoração simbólica profissionalizante. Por fim, última premissa acentua a atividade profissional de todo professor ante r saberes e conhecimentos científicos, pedagógicos, educacionais, e, estar impregnada por tensões de valores e por exigências de posturas éticas e políticas. (Pimenta e Anastasiou, 2005, p.15) A temática formação de professores vem sendo trabalhada pelas autoras desse artigo na dimensão de considerar o que é ser professor, de modo a considerar a importância da atividade profissional da docência implicada na relação entre formas de viver o trabalho (“sentido de trabalho”) e maneiras de conceber a vida profissional docente dentro da organização escola (“construção da profissionalidade”). A reflexão, aqui apresentada, é tomada no sentido de pontuar alguns preceitos, indicadores e dilemas concernentes à formação de docentes no/para Curso tecnológico em Radiologia. II – Referencial teórico Para uma melhor compreensão do “porquê” deste estudo, faz-se necessário desenvolver um trabalho de incursão por um referencial teórico que toma como objeto a formação de professores, perfil profissionalizante necessário a docência. A realização dessa incursão (re) elabora mediante a finalidade de constituir-se em recurso para significação do objeto investigado deste artigo: formação de professores no/para o Curso Tecnológico em Radiologia. Profissão, profissionalismo, profissionalidade, formação profissionalizante do educador tornam palavras-chave de debates educacionais, fundamentalmente, a partir do momento em que questões relativas à qualidade do ensino em particular e da educação como todo constituem eixos condutores dos movimentos de reformas e de contra-reformas educativas. Penetrar nesses debates prevê perspectiva de idealizar a complexa tarefa de aprimoramento da qualidade do ensino e da educação, assim, percebe-se e valora o papel imprescindível e insubstituível exercido pelos professores. (Pimenta e Anastaciou, 2005). É nesse contexto intricado que se faz imperioso considerar a acuidade da competência do conhecimento, da sensibilidade ética e consciência política por parte do profissional docente, a fim que possa enfrentar desafios das situações de ensino (Ibid.). No âmbito das políticas públicas educativas na Europa norteadas, fundamentalmente, pela Declaração de Bolonha, Fernández Cruz (2007) infere que o desenvolvimento profissional docente torna-se objetivo de propostas educacionais. Para além do domínio de uma racionalidade técnica, formar o professor decorre entendimentos de que seus saberes, seus valores e suas experiências de vida e profissionais transformam-o em co-reponsável pela melhoria da qualidade social da escolarização. Nessa dimensão, destaca-se a emergência de dois preceitos complementares e interdependentes para sua formação profissionalizante: o primeiro preceito relaciona-se a inovação dos métodos de ensino e aprendizagem mediante o reconhecimento do potencial possível de tecnologias aplicadas à educação, equipamentos e programas informativo-educativos, aprendizado por meios eletrônicos. O outro preceito refere-se às inferências sobre modelo de competências como norteador da qualidade dos processos educativos, almejando alcançar a formação “tipo ideal”, de “dever ser social”. A noção de competência traz embutido o deslocamento do foco do trabalho educacional do “ensinar” para o “aprender”. O conhecimento a ser ensinado e aprendido, previamente, define-se por sua operacionalidade: ênfase no saber, no saber-fazer, saber buscar informações, saber produz resultados, saber manejar equipamentos, saber adaptar as mudanças. Trabalhar o tema sobre profissionalização docente consiste em proceder a leituras interpretativas a respeito de processos e/ou praticas formativas no campo da educação. No desenvolvimento dessas leituras estruturam-se três matrizes orientadoras que se articulam entre si. A primeira matriz implica em ressignificar a profissão professor sob as bases da concepção do exercício de uma tarefa laboral educativa que está a serviço de uma coletividade, com definições de competências centradas na ação de ensinar. O trabalho desse profissional é exercido na organização escola e comportam conhecimentos específicos de diversas áreas (das ciências humanas e naturais, da cultura e das artes), conhecimentos didático-pedagógicos vinculados à prática profissional, compromisso ético e postura autônoma política (Imbernón, 200, p24). A segunda matriz alude sobre processos de profissionalizar esse profissional dentro do campo da educação superior. Nesse sentido, a abordagem sócio-histórica (Luria e Vygotsky, 1996) constitui-se em suporte para (re) conceber perspectivas formativas/educativas destinadas a particularidade da aprendizagem e do desenvolvimento da população estudantil adulta universitária. López López (2010) assinala que um dos princípios altercados a formar para docência incide em ponderar esse profissional como aprendiz que constrói ativamente ideias e códigos acerca do processo ensino-aprendizagem, dos conhecimentos disciplinares/científicos, da função de ensinar na estruturação do trabalho educativo escolar. A terceira matriz arquiteta a profissão professor por entendimentos referentes às ações e saberes desse profissional, de modo a configurar processo identitário docência, uma vez que se percebe capacidade de exercer com autonomia o ofício dessa profissão, pela (pro) posição de atenta para a maneira como ensina articulada diretamente com a trajetória de vida quando se exerce o ensino. Para explicar o ensinar do professor, Pimenta e Anastasiou (2005) definem seis componentes que, sinteticamente, são abordados no desenvolvimento desse ato: a – sujeitos envolvidos – pondera-se, fundamentalmente, o aluno como sujeito histórico, com características e especificidades próprias que se confrontam com a razão de ser da profissão docente; b - tempo – pontuam-se desafios e limites legais em adequar temporalidade dos cronogramas de currículo ao processo de ensino, sobretudo no que tange perspectiva de articular ou integrar as matrizes curriculares da formação geral e da formação profissional; c – conhecimento - concebe-se sua tradução pelos sujeitos do processo ensino-aprendizagem, baseando no quadro teórico da disciplina, do programa de aprendizagem, do curso como um todo; d - resultados – pressupõe-se síntese por parte do professor-aluno, considerando, primordialmente, a ampliação da herança cultural desse último; e – método de ensinar e de fazer aprender – indica-se esse último componente considerando a sala de aula como campo da transmissão e aquisição tem especificidade própria e não comporta modelos preestabelecidos. Pode-se dizer que estruturação desse campo depende, inicialmente, da visão de ciência, de conhecimento de saber escolar do professor. Huberman (1992) compreende o desenvolvimento da profissão professor como um processo e como uma mera série de acontecimentos. A articulação entre fase inicial da carreira e experiência de trabalho remete ao confronto com a complexidade do exercício da profissão. O domínio progressivo dessa profissão consiste em manifestar uma maior segurança e espontaneidade para lidar com a matéria ensinada, com a didática ou com a preparação das aulas. Gimeno Sacristán (2000) observa que desde muito tempo a preocupação da investigação pedagógica vem atentando para o papel mediador do professor nos processo de ensino, dentro do que se favoreceu o paradigma “mediacional” centrado no professor. Sob as bases desse paradigma passa-se a considerar o poder exercido por esse profissional na modelagem do currículo, o que tende propiciar possibilidades e limites de inovação e melhoria do currículo em ação. Pimenta e Anastasiou (2005) propõem a ação docente como mediadora entre o aluno, o conhecimento a ser sistematizado e a metodologia a ser aplicada. As autoras compreendem que essa perspectiva aprofunda-se pelas bases da analise sobre a visão de conhecimento escolar presentes nos currículos de formação universitária do docente. O ensino como prática social que incide entendimento a respeito da (re)produção de um conhecimento e da relação professor-aluno. A profissão professor é discutida por Cavaco (1999) faz-se pela via da analise evolutiva da pessoa que é o professor, ao longo da idade e com a profissão, da relação com outros intervenientes diretos do ato educativo, da relação com o saber, da relação consigo mesmo. (p.159) As formas de atuação do professor em sala de aula pressupõem descrições e registros referentes às perspectivas de conceber processo de formação inicial e continuada, identidade professor: individual e coletivamente, bem como organização curricular e prática de ensino em sala de aula. Na perspectiva foucaultiana, conhecimento/saber e poder estão estreitamente vinculados, nesse particular, entende-se que na escola aprende-se não apenas sobre o que fazer e o que conhecer. Ensinar os conteúdos sistematizados é também ensinar disposições, consciência e sensibilidade em relação ao mundo que está sendo descrito. Refletir sobre que tipo de conhecimento vale mais ensinar (Apple, 1982) traz no bojo reflexões a respeito “para quem” e “porque” o ensino é direcionado. Sob tais condições ensinar passa a ser significar processo de inculcação de certas culturas, que são concebidas como legítimas. Pérez Gomes aborda duas concepções contrapostas que identificam o professor como profissional do ensino: “professor como técnico-especialista que aplica com rigor as regras que derivam do conhecimento cientifico e o professor como prático autônomo, como artista que reflete que toma decisões e que cria durante a sua própria ação”. (1995, p.96) Neste trabalho reflexivo tem-se a aproximação ideológica com a segunda concepção pontuada pelo teórico, sem negar a força de poder da primeira. Não obstante, para compreender a natureza dessa profissão de ensinar reconhece-se a relação dialética teoria-prática. A percepção das tendências e das abordagens no campo conhecimento científico que tomam como objeto a referida profissionalidade é tomada no sentido de considerar grau de influência dessas tendências/abordagens no entendimento da atividade em sala de aula. A relação entre Saber e Trabalho enquadra-se com formas de viver o trabalho de conceber a vida profissional. No reconhecimento da “existência do trabalho” o professor expressa conhecimentos, atitudes, formas de saber-fazer relativos à organização estrutural da disciplina lecionada, planejamento da aula, esquema didático-pedagógico das atividades escolar-formativas. Os saberes dos professores são compreendidos em função do vinculo estreito com trabalho desenvolvido na escola e na sala de aula. Tardif (2002) expõe que as relações dos professores com os saberes não se firmam na esfera cognitiva: “são relações que medidas pelo trabalho que lhes fornece princípios para enfrentar e solucionar situações cotidianas”. Trata-se, portando de um lidar com o “saber do trabalho e não sobre o trabalho”, uma que se cria modos próprios de planejar as aulas, de se movimentar na sala, de se dirigir aos alunos, de utilizar os meios pedagógicos mais adequados. Um bom clima de trabalho, no qual os professores possam conceber as potencialidades formativas de uma reflexão sobre suas práticas, resulta do (des)cortinar as multifacetas das interações onde se desenrola o trabalho docente. (Therrien, 1996, p.58) A organização escolar para além de um lugar de trabalho, consiste em considerar a noção de aprendizagem do trabalho docente. A integração entre “lugar que aprende” e “lugar de fazer” faz-se expressar o poder e os princípios de controle como dispositivos norteadores dessa integração. Os professores não necessitam apenas desenvolver competências profissionais, mas práticas de formação fundamentadas e refletidas. Tardif (2002), diz que muitos trabalhos de tendência antropológica tentaram descrever os saberes dos professores. Segundo Altet (2001) o “saber oriundo da prática” ou o “saber vindo da prática”, isto é, o conhecimento elaborado pelo próprio professor a partir de experiências vividas, concordando com Schön (2000) que diz que o conhecimento do professor profissional forma-se sobre a experiência. As discussões teórico-reflexivas sobre formação inicial para docente no espaço europeu da Educação Superior faz com que seja (des)cortinadas desafios, limites e possibilidades de melhoria e otimização dos processos de ensinar que conduzem mudanças nessa formação embasadas em (Ibermón, 2006; Tedesco 20004; Zabalza, 2006; Garcia, 2006; López López 2010) - necessidade de prolongar o tempo dessa formação; - estabelecimento de novos mecanismos seletivos para ingresso na profissão baseados em critérios de qualificação intelectual, como também critérios relacionados a atitude política e sensibilidade ética; - substituição dos enfoques formativos exclusivamente normativos, para modelo genérico de educador assentado em competências (estándares) da profissão; - adequação dos conteúdos da formação inicial com a realidade prática do ensino; - redefinição dos planos de estudos de formação do educador, considerando forte enquadramento entre instituição formativa desse profissional (universidade) e local de realização da profissão (escola); - incorporação igualitária das tecnológicas como instrumentos validos e capazes de favorecer a relação entre professor-aluno-conhecimento. A partir dos estudos de Bolivar (1994 e 2004) compreende-se estrutura investigativa sobre o ensino como elemento estruturante da profissão de professor. Nesses Termos, imprimem-se quatro grandes sobre a função de ensinar: o que se conhece sobre o ensinar efetivamente? O que se conhece sobre a profissão professor? Quem define ou produz conhecimentos sobre o ensino? Quais conhecimentos são considerados essências para o ensino? Responder as questões incide perspectiva de mudanças ou de consolidação a respeito processo de investigação sobre essa função. No âmago do entendimento de tais indagações desenha-se uma trilha de réplicas relativa ao ensino como profissão, na medida em que se evidencia esquema conceitual-ideológico no qual se enquadram essas quatro perguntas: a primeira questão acertar enfoque funcionalista-positivista, uma vez que se buscar formula eficaz de ensinar pela relação processo-produto, pelo domínio de certo repertório instrumental-metodológico de “como” fazer a pratica de ensinar. A segunda questão envolve enfoque interpretativo no qual a “pessoa” que é o professor é situada no centro da profissão. A terceira questão condiz com o enfoque critico, pois se faz descortinar mecanismo de poder e principio de controle que explicitam ou ocultam as condições dominância de “quem” decide a respeito das atividades de ensinar e aprender. A última questão propõe uma articulação/mediação entre esses enfoques, no sentido de alcançar complementaridade de informações e dados sobre o ensino como elemento estruturante dessa profissão. A intenção deste artigo não se restringe a uma mera coleta de subsídios teóricos para mecanicamente reproduzir ponderações a respeito da formação de professores no/para o Curso Tecnológico em Radiologia. Busca-se, de fato, compreender essa formação. A elaboração do referencial teórico, aqui apresentado, constitui-se a partir da atitude aberta e flexível, para que seja realizado uma incursão por incursão por teorias que tomam como objeto à formação de professores, perfil profissionalizante necessário à docência. III – Objetivos O propósito desse artigo versa em estruturar uma linguagem argumentativo-teórica que transponha o senso comum. Ao optar por realizar um estudo refletivo sobre formação de professores no/para o Curso Tecnológico em Radiologia, desenvolvem-se reflexões que abarcam preceitos, indicadores e dilemas que reportar-se a essa formação. Admite-se o docente como profissional da “relação do saber,” conforme é mostrado nos estudos de Therrien (1996, p. 59). O caráter de cientificidade da pratica educativa e de saber de experiência da profissão insere-se no principio da pluralidade, como elemento constituinte do processo de construção conhecimento, de forma a envolver apropriação ativa dos saberes curriculares e disciplinares, e, ainda, dos saberes de formação inicial, prática profissional e de vida. IV- Metodologia A abordagem metodológica utilizada é da analise relacional a partir de pista ou evidências contidas em documentos legais e documentos consultados de um Instituto de Ensino Superior. Informações e dados afinados estruturam-se pela premissa investigativa de situar uma compressão mais elucidativa sobre o objeto em estudos. Na perspectiva de reconhecer pontos de vistas e identificar lógicas ideológico-conceituais, elabora-se um contexto textual relativo aos preceitos, indicadores e dilemas respectivos à formação e profissão de professores no/para o curso Tecnológico em Radiologia. V- Desenvolvimento A formação de professores investigada é aquela destinada ao curso tecnológico em Radiologia. Esse curso pressupõe seguintes eixos condutores: primeiro eixo condiz com a forte tendência de vocacionalizar os processos educativos. Essa vocacionalidade educacional implica em estreito vinculo entre currículos escolares e campo econômico em todos os níveis escolarização. A vocalização da educação impõe a formação de sujeitos como trabalhadores “empregáveis” e como cidadãos ativos, de modo que a expressar “pensamento único” valorização de modelos educacionais que referenciam a sustentabilidade da transformação produtiva com equidade. Segundo eixo emoldura o poder diploma medido na tensa relação entre capital escolar acumulado e remuneração material e simbólica no mercado. O capital escolar incorporado ao diploma é valorizado quanto mais rigorosamente for codificada a relação diploma-cargo no mercado. A aquisição do diploma expressa competências de direitos que poderão corresponder ou não competências de fatos. O campo escolar e o campo da produção seguem lógicas diferentes e durações estruturais específicas, que indicam a autonomia relativa entre esses campos. Terceiro eixo trata o Ensino Superior como condição de sucesso das políticas de desenvolvimento de países em fase de construção de economia sustentável. Para muitos desses países a questão fundamental é ainda o acesso e sucesso a todos acedem desse ensino, não apenas porque isso é uma condição de justiça social, mas também porque essa é uma condição de eficácia, qualidade e até mesmo de sobrevivência das instituições que ofertam cursos de graduação. Ultimo eixo esta vinculado ao currículo profissionalizante que fixa uma variedade de iniciativas formativas, dentro delas a formação de tecnólogo. As formas de estruturação curricular profissionalizante sucede condição de projetar o futuro do aluno como trabalhador. Base de tal projeção se considera não somente processos acadêmicos e profissionalizantes destinados à preparação e ao aperfeiçoamento para o trabalho tecnológico, mas, sobretudo, compõe uma forma de educação voltada para a transmissão da componente tecnológica da cultura contemporânea. No Projeto Lei de 2007 que regulamenta a profissão de tecnólogo atribui-se as seguintes funções profissionalizantes: “ I - Analisar dados técnicas, desenvolver estudos, orientar e analisar projetos executivos; II – desenvolver projetos, elaborar especificações, instruções. Divulgação técnica, orçamentos e planejamentos; III – dirigir, orientar, coordenar, supervisionar e fiscalizar serviços técnicos dentro das suas áreas de competência contempladas no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do MEC e suas atualizações; IV – desenvolver processo, produtos e serviços para atender às necessidades do projeto e das demandas de mercado; V – realizar vistorias, avaliações e laudos técnicos; VI – executar e responsabilizar-se tecnicamente por serviços e empresas; VII – desempenhar cargos e funções técnicas no serviço público e instituições privadas; VIII – prestar consultoria, assessoria, auditoria e perícias; IX – exercer o ensino, a pesquisa, analise, a experimentação e o ensaio (grifo nosso); “X – conduzir equipes de instalação, montagem, operação, reparo e manutenção”. ( Art. 2º, projeto-lei, 2007) O texto legal evidencia que o perfil profissionalizante para atuar na área tecnológica em radiologia alude à formação de trabalhador qualificado pela dimensão de um “saber-fazer”, que recobre caráter pratico estreitamente vinculo com vinculado ao processo produtivo; pela dimensão e um “saber-agir”, que se refere às intervenções ou decisões “certas” diante da demanda produtiva. O exercício de uma dada profissão se justifica em função de manifestar o domínio da técnica do trabalho pelo saber. O destaque ao item que dispõe como atribuição a esse profissional: exercer o ensino, a pesquisa, analise, a experimentação e o ensaio procedem a reflexão de que docência no ensino superior não requer, conforme observa Pimenta e Anastaciou (2005), formação inicial para o exercício no campo do ensinar. Sob tais circunstâncias, aponta-se um dilema para carreira da docência destinada ao curso via indicação legal simples e pouca esclarecedora sobre formar o profissional docente e sobre valorização identitária e profissionalizante. Exibe-se a seguir matriz curricular do Curso de Tecnológico em radiologia ofertado por Instituto de Ensino Superior O modelo de formação preconizado sobrevém desafio/perspectiva de colocar a prova no ambiente escolar à capacidade de trabalho do aluno, de forma que seja conjeturado o aprender a relaciona-se com os espaços e os objetos mediante a aproximação ao que vivenciará, quando ingressar no mundo do trabalho como técnico industrial. Nesses termos, indica-se a correspondência relativa entre campo educacional e campo da produção, na medida em que se concebe o esforço do processo educativo escolar para regular a conduta ou estilo de expressão do aluno, tendo em vista a formação de uma força de trabalho disciplinada e apropriadamente treinada. A matriz curricular analisada esboça um processo formativo na evidencia de uma base cientifica em que se enquadra transmissão de saberes específica a profissionalização e de uma base pratica em que modela domínio instrumentalizante para permanentemente aprender a fazer e a processar as informações que fundamentam o fazer profissional. A partir de consultas as fichas funcionais de docentes que lecionam no Curso de Tecnologia em Radiologia de um Instituto de Ensino Superior, ano 2010/2012, caracteriza-se a profissão e valorização da docência nesse curso. O intento de traze à tona insinua polir preceitos, indicadores e dilemas relativos à formar o profissional da , da docência na especificidade curso superior em tecnologia, bem como, refletir a respeito de modelos/referencias formativas que inspiram profissional necessário no/para ensino superior. A seguir, tem-se o trabalho desenvolvimento com base nas informações e dados extraídos dessas fichas. Gráfico 1- Idade Fonte: Informações e dados apurados da ficha funcional docente – Departamento De Pessoal do Instituto de Ensino Superior - Ano 2010/2011 A maior parte dos docentes que lecionam nesse curso encontra-se na faixa de idade entre 30 a 40 anos, seguido do grupo com idade entre 41 a 50 anos. Sob tais circunstâncias infere-se que ser professor universitário pressupõe enfrentamento de maturidade etária para o ingresso na profissão, e isso tende manifestar uma relação assimétrica de limites e possibilidades de valorização identitária e profissional dos docentes. Gráfico 2- Gênero Fonte: Informações e dados apurados da ficha funcional docente – Departamento Pessoal do Instituto de Ensino Superior - Ano 2010/2011 O curso de tecnologia em radiologia é constituído por um percentual significativo de professoras. A percepção dessa feminilização ultrapassa o preceito de mera composição sexual no/para exercer a docência nesse curso (VIANNA, 2002). Caracterizar a profissão docente articulada à valorização identitária e profissional passa pela unidade evocada entre o eu pessoal e o eu, independentemente de quem a exerce. Contudo, torna-se fundante indicar que processo de ocupação e espaços profissionalidade e de formar para a docência vem se configurando por um nicho de mercado de trabalho ocupado por mulheres, o que implica em viés ideológico de (des)considerar o ensino, profissional da docência, competências profissionalizantes. Gráfico 3- Profissão Fonte: Informações e dados apurados da ficha funcional docente – Departamento Pessoal do Instituto de Ensino Superior - Ano 2010/2011 A partir dos dados apresentados, reporta-se as análises de Pimenta e Anastasiou, (2005) relativas à problematização de tornar-se professor universitário hoje. Assim, compreende-se a atividade da docência correlata ao exercício profissional autônomo. Um percentual significado dos docentes trabalhados tomam profissionalidade base, como dentistas, médicos, psicólogos, engenheiros entre outras profissão que diferem da docencia. Nesse contexto, (res)significam as indagações: “O que é ser professor?” ”Como essa profissão é tomada no âmago do ensino superior?”. As respostas às essas questões podem explicitar um devir que inscreve exigências conceitual-ideológicas no/para do exercício da profissão professor. Sobremaneira (des)cortina crises de identidade dos professores e sobre a construção da profissionalidade. Gráfico 4 - Titulação Fonte: Informações e dados apurados da ficha funcional docente – Departamento Pessoal do Instituto de Ensino Superior - Ano 2010/2011 Grande parte dos professores é especialistas, seguida de uma minoria de doutor, aponta, ainda, uma porcentagem expressiva de graduandos. É preciso confrontar a formação continuada, identidade do professor: individual ou coletiva desses profissionais, de modo a conceber a possibilidade de uma visão muito prática do ensinar. Sob tais circunstâncias, expressa que a noção do trabalho docente incide perspectiva de considera a organização escolar para além de um lugar de trabalho. A proposição assumida é construída com base no entendimento de perceber integração ente “ligar que aprende” e “lugar de fazer”, atentando-se para expressão o poder e principio de controle conferido a uma titulação no norteamento dessa integração. Gráfico 5 – Processo de Trabalho Fonte: Informações e dados apurados da ficha funcional docente – Departamento Pessoal do Instituto de Ensino Superior - Ano 2010/2011 O corpo docente do curso de tecnologia em radiologia forma-se primeiramente por professores substitutos seguidos pelos professores efetivos. Vem-se a pele, nessa observação, reflexões relacionadas ao sentimento de pertencia à profissão docente do curso e na instituição. Nessa medida, limites e possibilidades de consolidação pedagógica do ensino se situam em sentido de expressar graus de eficiência e melhoria do processo educativo escolar. VI - Escopo conclusivo Do que foi exposto de forma sucinta e, às vezes, por demais rápidas, é possível inferir que a formação de professores no/para o Curso Tecnológico em Radiologia propões chaves de dimensões teóricas e reflexivas de conceber esfera tênue e complexa acerca da temática: - (re)significar de formação profissional e valorização identitária e profissional docente , a fim de conceber sua professionalidade manifesta mediante uma racionalidade para além domínio-instrumental de “como” fazer a pratica de ensinar, implica explicar ou condições veios conceitual-ideológicos de entendimentos sobre: o que é ser professor e como essa profissão é tomada no âmago do ensino superior. - (re)codução do caráter profissionalizante do professor tendo marco formativo considerando a articulação entre “lugar que aprende” e “lugar de fazer”, atentando-se para expressão o poder e principio de controle conferido essa integração. -(re)direcionar as discussões sobre formação de professores no/para curso tecnologia em radiologia, faz-se pela prerrogativa em que docência não pode ser considerada como “ algo a mais”, e que trazem consigo uma bagagem puramente técnica da academia do seu curso de formação, sem o preparo didático-pedagógico para o enfrentamento de uma sala de aula, onde os atores ali envolvidos estão à procura de uma profissão que os levará ao mercado de trabalho. Mercado de trabalho que muitas vezes pode ser a própria sala de aula dos cursos técnicos em radiologia. Quando o tecnólogo exerce a profissão docente, leva consigo ensinamentos práticos da sua profissão e se depara com a mesma situação vivida pelos seus docentes no seu curso de formação. Situação de enfrentamento, de não saber como passar seus conhecimentos, e muitos utilizam material de seu próprio curso e também reproduzem atitudes, gestos, daqueles professores que mais se identificaram. Por fim, sem pretender evidenciar reflexões dogmáticas ou cerradas, se expressa que este estudo transmite esforço de não realizar analises lineares, mas estruturar ensaios que indicam possibilidades de continuidade da investigação temática Referências Bibliográficas ALTET, M. As competências do professor profissional: entre conhecimentos, esquemas de ação e adaptação, saber analisar. In PAQUAY, L. PERRENOUD, P., ALTET, M e CHARLIER, E. (Orgs). Formando professores profissionais. Quais estratégias? 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