Universidade do Sul de Santa Catarina
Equações Diferenciais
Disciplina na modalidade a distância
Palhoça
UnisulVirtual
2012
equacoes_diferenciais.indb 1
28/03/12 11:09
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina | Campus UnisulVirtual | Educação Superior a Distância
Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: [email protected] | Site: www.unisul.br/unisulvirtual
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Coordenação Cursos
Coordenadores de UNA
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Roberto Iunskovski
Auxiliares de Coordenação
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Bernardino José da Silva
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Marciel Evangelista Catâneo
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Maria da Graça Poyer
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Roberto Iunskovski
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Horácio Dutra Mello
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José Humberto Dias de Toledo
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Coordenadores Pós-Graduação
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Bernardino José da Silva
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Giovani de Paula
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Roberto Iunskovski
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Gerência Administração
Acadêmica
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Secretaria de Ensino a Distância
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Giane dos Passos (Secretária Acadêmica)
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Felipe Wronski Henrique
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Paulo Lisboa Cordeiro
Paulo Mauricio Silveira Bubalo
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Simone Torres de Oliveira
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Vanilda Liordina Heerdt
Gestão Documental
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Poliana Simao
Schenon Souza Preto
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Marcia Luz de Oliveira
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Gerência de Desenho e
Desenvolvimento de Materiais
Didáticos
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Márcia Loch (Gerente)
Bruno Lucion Roso
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Desenho Educacional
Marketing Estratégico
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Aline Pimentel
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Eliete de Oliveira Costa
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Flavia Lumi Matuzawa
Geovania Japiassu Martins
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João Marcos de Souza Alves
Leandro Romanó Bamberg
Lygia Pereira
Lis Airê Fogolari
Luiz Henrique Milani Queriquelli
Marcelo Tavares de Souza Campos
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Pâmella Rocha Flores da Silva
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Verônica Ribas Cúrcio
Reconhecimento de Curso
Acessibilidade
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Rafael Bourdot Back
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Gerência de Ensino, Pesquisa e
Extensão
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Aracelli Araldi
Elaboração de Projeto
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Extensão
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Pesquisa
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Pós-Graduação
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Biblioteca
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Docente
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Daniela Cassol Peres
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Janaina Conceição (Núcleo Sul)
Joice de Castro Peres
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Kelin Buss
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Luiz Antônio Pires
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Michael Mattar
Vanessa de Andrade Manoel (Coord.)
Letícia Regiane Da Silva Tobal
Mariella Gloria Rodrigues
Vanesa Montagna
Avaliação da aprendizagem
Portal e Comunicação
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Andreia Drewes
Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Rafael Pessi
Gerência de Produção
Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
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Design Visual
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Alberto Regis Elias
Alex Sandro Xavier
Anne Cristyne Pereira
Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
Daiana Ferreira Cassanego
Davi Pieper
Diogo Rafael da Silva
Edison Rodrigo Valim
Fernanda Fernandes
Frederico Trilha
Jordana Paula Schulka
Marcelo Neri da Silva
Nelson Rosa
Noemia Souza Mesquita
Oberdan Porto Leal Piantino
Sérgio Giron (Coord.)
Dandara Lemos Reynaldo
Cleber Magri
Fernando Gustav Soares Lima
Josué Lange
Claudia Gabriela Dreher
Jaqueline Cardozo Polla
Nágila Cristina Hinckel
Sabrina Paula Soares Scaranto
Thayanny Aparecida B. da Conceição
Conferência (e-OLA)
Gerência de Logística
Marcelo Bittencourt (Coord.)
Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente)
Logísitca de Materiais
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Abraao do Nascimento Germano
Bruna Maciel
Fernando Sardão da Silva
Fylippy Margino dos Santos
Guilherme Lentz
Marlon Eliseu Pereira
Pablo Varela da Silveira
Rubens Amorim
Yslann David Melo Cordeiro
Avaliações Presenciais
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Ana Paula de Andrade
Angelica Cristina Gollo
Cristilaine Medeiros
Daiana Cristina Bortolotti
Delano Pinheiro Gomes
Edson Martins Rosa Junior
Fernando Steimbach
Fernando Oliveira Santos
Lisdeise Nunes Felipe
Marcelo Ramos
Marcio Ventura
Osni Jose Seidler Junior
Thais Bortolotti
Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.)
Bruno Augusto Zunino
Gabriel Barbosa
Produção Industrial
Gerência Serviço de Atenção
Integral ao Acadêmico
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Ana Paula Batista Detóni
André Luiz Portes
Carolina Dias Damasceno
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Denise Fernandes
Francielle Fernandes
Holdrin Milet Brandão
Jenniffer Camargo
Jessica da Silva Bruchado
Jonatas Collaço de Souza
Juliana Cardoso da Silva
Juliana Elen Tizian
Kamilla Rosa
Mariana Souza
Marilene Fátima Capeleto
Maurício dos Santos Augusto
Maycon de Sousa Candido
Monique Napoli Ribeiro
Priscilla Geovana Pagani
Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Scheila Cristina Martins
Taize Muller
Tatiane Crestani Trentin
Gerência de Marketing
Eliza B. Dallanhol Locks (Gerente)
Relacionamento com o Mercado
Alvaro José Souto
Relacionamento com Polos
Presenciais
Alex Fabiano Wehrle (Coord.)
Jeferson Pandolfo
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Diva Marília Flemming
Equações Diferenciais
Livro didático
Design instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
2 ª edição revista e atualizada
Palhoça
UnisulVirtual
2012
equacoes_diferenciais.indb 3
28/03/12 11:09
Copyright © UnisulVirtual 2012
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.
Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
Diva Marília Flemming
Design Instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
Assistente Acadêmico
Leandro Rocha
Daniela Siqueira de Menezes (2ª ed. rev. e atual.)
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Fernanda Fernandes
Revisão
B2B
ISBN
978-85-7817-489-7
515.35
F62
Flemming, Diva Marília
Equações diferenciais : livro didático / Diva Marília Flemming ; design
instrucional Karla Leonora Dahse Nunes ; [assistente acadêmico Daniela
Siqueira de Menezes]. – 2. ed., rev. e atual. – Palhoça : UnisulVirtual, 2012.
251 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-489-7
1. Equações diferenciais. I. Nunes, Karla Leonora Dahse. II. Menezes,
Daniela Siqueira. III. Título.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
00_eq_diferenciais_iniciais.indd 4
01/04/13 11:26
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7
Palavras da professora. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 - O que é uma equação diferencial? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
UNIDADE 2 - Equações homogêneas e equações exatas . . . . . . . . . . . . . . . 49
UNIDADE 3 - Equações diferenciais lineares de primeira ordem . . . . . . . . 77
UNIDADE 4 - Tipos especiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
UNIDADE 5 - Equações lineares de ordem n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
UNIDADE 6 - Noções finais no estudo das equações diferenciais . . . . . . 175
Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201
Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação . . . . . . . . . . . . . 205
Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251
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Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Equações
Diferenciais.
O material foi elaborado com vista a uma aprendizagem
autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e
relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem
didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre que sua caminhada, nesta disciplina, será acompanhada
e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da
UnisulVirtual. Nesse sentido, a “distância” fica caracterizada
somente na modalidade de ensino que você optou para sua
formação. É que na relação de aprendizagem, professores e
instituição estarão sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato. Você
tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso,
tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de
Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o
que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle
e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior
prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal
objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.
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Palavras da professora
Prezado(a) Aluno(a),
Seja bem-vindo à disciplina Equações Diferenciais!
Estamos chegando ao final do seu curso de matemática, e
para encerrar a sua formação no contexto da área de cálculos
diferenciais e integrais, apresentamos esta disciplina. Temos a
certeza de que você já domina os métodos e técnicas para lidar
com derivadas e com integrais. Dessa forma, agora basta colocar
em prática esses conhecimentos em situações mais reais.
Não vai ser possível abranger todo o estudo das equações
diferenciais, pois é muito amplo e, também, em algumas
vezes, bastante teórico. Vamos apenas discutir os métodos
algébricos para calcular equações diferenciais mais usuais
na Física, na Engenharia e em outras áreas mais específicas,
como, por exemplo, no contexto ambiental.
Vamos usar uma metodologia de estudo que prevê a inserção
de problemas variados. Registro, aqui, que vamos ter certa
limitação, pois os problemas práticos, que são modelados com
equações diferenciais, exigem conhecimentos mais amplos
ou complexos e que estão além do nosso Curso ou da nossa
área de atuação. Como exemplo, as aplicações no contexto do
cálculo estrutural na Engenharia Civil, o estudo dos circuitos
elétricos na telemática ou na Engenharia Elétrica. Portanto,
vamos delimitar o nosso estudo considerando, na parte mais
prática, apenas as situações que estão no nosso domínio de
conhecimentos. Sempre que possível, resgataremos os recursos
tecnológicos e históricos para ampliar nosso olhar no contexto
da Educação Matemática. Vamos iniciar?
Seja bem-vindo(a) ao mundo das equações diferenciais!
Profª. Dra. Diva Marília Flemming
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Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo(a) no desenvolvimento
da disciplina. Possui elementos que o(a) ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva
em conta instrumentos que se articulam e se complementam,
portanto a construção de competências se dá sobre a
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de
ação/mediação.
São elementos desse processo:
„
o livro didático;
„
o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
„
„
as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de
autoavaliação);
o Sistema Tutorial.
Ementa
Equações diferenciais ordinárias de 1a e 2a ordem. Equações
lineares de ordem n. Sistemas de equações diferenciais.
Noções de equações diferenciais parciais.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Objetivos da disciplina
Geral
Investigar, observar, analisar e delinear conclusões de problemas
práticos e situações didáticas que são modeladas por equações
diferenciais.
Específicos
„
„
„
„
„
Identificar e classificar diferentes tipos de equações
diferenciais;
Resolver problemas que podem ser modelados por
equações diferencias de primeira e segunda ordem;
Calcular, analiticamente, soluções gerais e particulares de
equações lineares de ordem n;
Resolver sistemas de equações lineares;
Identificar e discutir problemas práticos que são
modelados por equações diferenciais parciais.
Carga horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula.
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação.
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Unidades de estudo: 6
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Equações Diferenciais
Unidade 1 – O que é uma equação diferencial?
Nesta unidade, você terá a oportunidade de refletir, formalmente,
o conceito de equação diferencial e suas aplicações em diferentes
áreas do conhecimento. Além disso, poderá observar os diferentes
tipos de equações e as formas possíveis para a apresentação das
soluções. No momento de calcular as soluções das equações
diferenciais de variáveis separáveis, você terá a oportunidade de
constatar a importância das integrais neste estudo.
Unidade 2 – Equações homogêneas e equações exatas
A resolução das equações homogêneas e das equações exatas
será discutida nesta unidade, para tal, você vai poder aplicar
os conhecimentos do cálculo diferencial e integral. Os fatores
integrantes serão discutidos, pois esses se tornarão uma boa
ferramenta para trabalhar em outros tipos de equações.
Unidade 3 – Equações diferenciais lineares de primeira ordem
As equações diferenciais lineares são usadas em diferentes
situações práticas e dessa forma são sempre destacadas nos
estudos das equações diferenciais. Você terá a oportunidade de
analisar dois diferentes métodos que podem ser usados para a
obtenção das soluções. Em especial, a equação de Bernoulli e a
de Ricatti serão exemplificadas como redutíveis às lineares.
Unidade 4 – Tipos especiais
Nesta unidade, você poderá observar a grande aplicabilidade das
equações diferenciais de grau e ordem maiores que um. Em um
primeiro momento, poderá observar e analisar as envoltórias e
as equações de Clairaut, de Lagrange e, posteriormente, refletir
sobre problemas da física que envolvem alguns tipos especiais de
equações de segunda ordem.
13
equacoes_diferenciais.indb 13
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 5 – Equações lineares de ordem n
As equações lineares de ordem n serão discutidas nesta unidade,
tendo-se sempre, como suporte motivador, as suas aplicações.
São equações simples para serem resolvidas, mas requerem o
uso de conceitos algébricos e de métodos do cálculo diferencial
e integral. O estudo ficará concentrado nas equações que têm
os coeficientes constantes. Entretanto, para ilustrar o estudo,
as equações de Cauchy – Euler serão discutidas para que você
vivencie, pelo menos, um exemplo de equação cujos coeficientes
não são constantes.
Unidade 6 – Noções finais no estudo das equações diferenciais
Nesta unidade, você terá a oportunidade de conhecer os sistemas
de equações diferenciais e as equações diferenciais parciais.
Trata-se de dois grandes tópicos que podem ter um detalhamento
grande, mas que nesta disciplina serão tratados com a visão
inicial e introdutória. Portanto, não haverá a discussão formal e
detalhada de todos os métodos, técnicas e aplicações.
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equacoes_diferenciais.indb 14
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Equações Diferenciais
Agenda de atividades/Cronograma
„
„
„
Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura,
da realização de análises e sínteses do conteúdo e da
interação com os seus colegas e professor.
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
Use o quadro para agendar e programar as atividades
relativas ao desenvolvimento da disciplina.
Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)
15
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equacoes_diferenciais.indb 16
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UNIDADE 1
O que é uma equação
diferencial?
Objetivos de aprendizagem
„
Entender a origem das equações diferenciais e
identificar ordens e graus.
„
Estabelecer as diferenças entre as soluções completa,
particular e singular.
„
Analisar as representações gráficas das soluções de
uma equação diferencial ordinária.
„
Empregar as representações semióticas na
interpretação de problemas que utilizam as equações
diferenciais.
Resolver as equações diferenciais de primeira ordem de
variáveis separadas ou separáveis.
„
1
Seções de estudo
Seção 1
Seção 2
Seção 3
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Elementos introdutórios no estudo das equações
diferenciais
Problema de valor inicial
Equações diferenciais de primeira ordem de
variáveis separáveis
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, você inicia o estudo das equações diferenciais. É
interessante lembrar que as equações diferenciais, na maioria das
vezes, não são resolvidas por procedimentos fixos nem rotineiros,
pois nem todas as equações podem ser reduzidas a problemas de
simples integração.
No momento atual, as equações diferenciais ganham espaço
de estudos, pois um grande número de problemas da Física,
das Engenharias, da Química e de tantas outras áreas de
conhecimento tem mobilizado a atenção de muitos matemáticos.
Em alguns casos, temos que um problema real pode propiciar
a formulação de uma equação diferencial inédita, cuja solução
só é obtida por procedimentos que envolvem muita tecnologia e
programação computacional.
Nesta disciplina, discutiremos apenas os métodos algébricos
mais tradicionais que requerem conhecimentos do contexto do
Cálculo Diferencial e Integral. Dessa forma, cabe aqui lembrar
que você vai precisar muito dos métodos de integração e dos
procedimentos operacionais das diferenciais e das integrais.
Vamos visualizar novas aplicações do Cálculo Diferencial e
Integral? Sigamos!
Seção 1 – Elementos introdutórios no estudo das
equações diferenciais
Para iniciar o estudo das equações diferenciais, é importante
estabelecer alguns conceitos introdutórios. As palavras equação
e diferencial, com toda a certeza, já têm significados para você
e, portanto, basta reunir os dois conceitos para estabelecer a
definição de equação diferencial.
18
equacoes_diferenciais.indb 18
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Equação diferencial é uma equação que contém as
derivadas ou diferenciais de uma ou mais variáveis
dependentes em relação a uma ou mais variáveis
independentes.
Observe que o fato de estarmos diante de derivadas que
envolvem mais de uma variável independente já caracteriza
o indicativo de não estarmos trabalhando simplesmente com
uma função do tipo y = f(x). Quando estamos no contexto de
duas dimensões, ou seja, trabalhando com as funções y = f(x)
definidas em algum subconjunto do espaço R 2 (plano real),
vamos ter as Equações Diferenciais Ordinárias.
Quando ampliarmos a dimensão do espaço de estudo,
vamos ter as Equações Diferenciais Parciais.
Exemplos
(1) Equações diferenciais ordinárias:
„
y’ – 2y = x + 2
„
y’’’ – 2y’’ = „
(x – 2)dy + (y + 7x)dx = 0
+ 2
(2) Equações diferenciais parciais
„
„
+ y
+ y
= u
= 0
Observe que as equações em (1) apresentam apenas a derivada
de y em relação a x ou apenas as diferenciais dx ou dy, enquanto
que as listadas em (2) apresentam derivadas parciais. Nesse texto,
vamos canalizar a nossa atenção para as equações do tipo (1) e
somente ao final, na última unidade, vamos estabelecer noções
para as equações parciais.
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 19
19
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como as equações diferenciais surgem?
Você já trabalhou com as taxas de
variação no Cálculo I. Assim, revise
as aplicações e constate que estamos
diante da situação de uma taxa de
variação instantânea. O exemplo
típico é a velocidade de um carro
que, em geral, pode ser considerada
como uma velocidade média (taxa
média de variação), mas também
pode ser considerada em momento
pontual ou específico (você olhando
em um determinado momento o
velocímetro do carro) e, neste caso,
temos uma derivada expressa pelo
quociente das duas diferenciais.
As equações diferenciais surgem de situações práticas que são
modeladas por relações que envolvem taxas de variação. No
decorrer deste texto, apresentaremos exemplos que envolvem
situações: geométricas, da física, da engenharia e de ouras áreas.
Para deixar ainda mais claro a origem das equações diferenciais,
vamos apresentar alguns problemas. Lembre-se de que, neste
momento, não estamos com o compromisso de resolver os
problemas, pois ainda não discutimos os métodos de resolução.
Vamos aprender a discutir a interpretação do problema para
mostrar a formação da equação diferencial.
Leia atentamente os problemas que seguem e fique com eles em
mente, pois, nesta seção, vamos referenciá-los seguidamente.
P1: Suponha que um estudante infectado com uma virose
retorne para a universidade em um campus que tem 1000
alunos. Supondo-se que a taxa na qual a virose se espalha é
proporcional à quantidade de alunos infectados e, também,
proporcional à quantidade de alunos não infectados, determine
o número de alunos infectados após 6 dias. Após quatro dias,
observou-se que havia 50 alunos infectados.
P2: Uma lancha se move numa lagoa com uma velocidade
de 10 m/seg., em dado instante, seu motor é desligado, tendo
a lancha sofrido uma redução de velocidade proporcional
à resistência da água. Sabendo que ao cabo de 5 seg. a sua
velocidade é de 8 m/seg., qual será o tempo necessário para que
a lancha tenha uma velocidade de 1 m/seg.?
(Adaptação de ABUNAHMAN, 1986).
Você consegue perceber a presença das taxas de
variação?
20
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28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Para organizar as ideias, vamos usar uma representação semiótica
intermediária no formato de uma tabela. Observe que o formato
da representação é sempre igual, somente vamos anotar os dados
relativos a cada situação problema apresentada.
Representação semiótica intermediária do Problema P1
Vamos escrever a representação semiótica intermediária do
problema.
Tabela 1.1 – Representação semiótica do problema P1
Símbolos
Unidades de
medida
Quantidade de
alunos infectados
x
Número
1
50
?
Quantidade de
alunos não infectados
n
Número
999
950
—
Tempo
t
Dias
0
4
6
Variáveis
Condições
iniciais
Condições p/a
solução
Fonte: Elaboração da autora (2011).
As perguntas que podem ser feitas para a modelagem do
problema são:
„
Qual a relação entre as variáveis listadas?
„
Qual a função identificável?
„
„
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
Qual é a relação que envolve a taxa de variação? ou Qual
é a equação diferencial?
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 21
21
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Universidade do Sul de Santa Catarina
As respostas dessas questões nos levam à formulação do
modelo. Veja:
Relação:
x + n = 1000
Função:
x = x(t)
Taxa de variação*:
Equação diferencial:
* Variação do número de alunos infectados no decorrer do tempo.
Observe que a taxa de variação está escrita formalmente no
enunciado do problema – “a taxa na qual a virose se espalha
é proporcional à quantidade de alunos infectados e, também,
proporcional à quantidade de alunos não infectados”
Veja que a constante k está sendo usada para garantir a
proporcionalidade indicada no enunciado. Costumamos dizer
que é uma constante de proporcionalidade.
Representação semiótica intermediária do Problema P2
Vamos escrever a representação semiótica intermediária do
problema P2, observe que a formatação da representação
semiótica tem as mesmas características sempre, ou seja vamos
listar as variáveis, os símbolos, as unidades de medidas, as
condições iniciais e as condições para a solução.
Tabela 1.2 – Representação semiótica do problema P2
Variáveis
Símbolos
Velocidade
v
Tempo
t
Unidades de
medida
m/seg.
seg.
Condições
iniciais
10
0
Condições p/a
solução
8
5
1
???
Fonte: Elaboração da autora (2011).
22
equacoes_diferenciais.indb 22
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
As perguntas que podem ser feitas para a modelagem do
problema são:
„
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
Qual é a relação que envolve a taxa de variação? ou Qual
é a equação diferencial?
As respostas dessas questões nos levam à formulação do
modelo. Veja:
v = v(t)
Função:
Taxa de variação:
Equação diferencial:
Veja que, neste caso, a equação diferencial pode ser estabelecida
desde que saibamos as leis da física que regem esse tipo de
movimento. Temos:
„
F = m·a
„
a = „
F = –kv
Da segunda Lei de Newton, temos que: “a aceleração adquirida por
um corpo é diretamente proporcional à intensidade da resultante das forças
que atuam sobre o corpo e é inversamente proporcional a sua massa”.
Temos, também, da Física, que a aceleração é a taxa de variação
da velocidade no decorrer do tempo.
Agora que já discutimos a modelagem de cada um dos problemas
e observamos a presença das equações diferenciais, vamos avançar
um pouco mais, formalizando mais alguns conceitos essenciais
para a interpretação das soluções. Observe que, até o presente
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 23
23
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
momento, os problemas P1 e P2 ainda não foram resolvidos. Isto
será feito em momento posterior, quando discutirmos os métodos
de resolução das equações diferenciais.
A resolução de uma equação diferencial é similar a uma
equação algébrica?
Para resolver uma equação diferencial, vamos precisar das
ferramentas do cálculo diferencial e integral, portanto, é
fundamental que você tenha o domínio dessa ferramenta.
Em alguns livros, você vai encontrar as
terminologias “Primitiva” ou “Integrais
da equação diferencial”, quando se
refere às soluções da equação.
Outro ponto a ser discutido são as diferentes formas que as
soluções das equações diferenciais se apresentam. Em geral,
podemos dizer que:
Qualquer função definida em algum intervalo dos
conjuntos dos reais é dita uma solução de uma
equação diferencial, se ao ser substituída na equação
diferencial, reduz a equação a uma identidade.
Observe que de forma similar às soluções das equações
algébricas, vamos ter um domínio de solução da equação. Sempre
que este domínio é o conjunto dos reais, dispensamos a sua
indicação. Caso em que se tenham limitações, é fundamental
indicar qual o intervalo em que a solução é válida.
Exemplos
(1) A função y = x2 – 4 é solução da equação y’’ – y’ = 2 – 2x.
De fato, fazendo as derivadas e substituindo-se na equação,
vamos ter uma identidade.
y = x2 – 4
y’ = 2x
y’’ = 2
24
equacoes_diferenciais.indb 24
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Substituindo-se na equação temos:
y’’ – y’ = 2 – 2x
2 – 2x ≡ 2 – 2x
(2) A função y = Cxe2x, com C uma constante arbitrária é solução
da equação y’’’ – 5y’’ + 8y’ – 4y = 0.
De fato, fazendo as derivadas da função y = Cxe2x vamos ter:
y = Cxe2x
y’ = C(x·e2x·2 + e2x) = Ce2x(2x + 1)
y’’ = Ce2x(4x + 4)
y’’’ = Ce2x(8x + 12).
Substituindo na equação dada temos:
y’’’ – 5y’’ + 8y’ – 4y = 0
Ce2x(8x + 12) – 5·Ce2x(4x + 4) + 8·Ce2x(2x + 1) – 4· Cxe2x
≡0
Ce2x(8x + 12 – 20x – 20 + 16x + 8 – 4x) ≡ 0
Ce2x· 0 ≡ 0
0≡0
(3) A função definida implicitamente por x2 + y2 = C é solução da
equação diferencial yy’ + x = 0.
Neste caso, basta fazer a diferenciação implícita da função para
chegar à equação diferencial. Veja:
x2 + y2 = C
2x + 2yy’ = 0
x + yy’ = 0
Foi possível observar nos exemplos dados que as funções soluções
das equações diferenciais podem ser expressas explicitamente
(caso de (1) e (2)) ou implicitamente (caso (3)).
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 25
25
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Muitas outras observações interessantes ainda podem ser feitas,
conduzindo-nos para a classificação das soluções como:
„
geral;
„
particular;
„
singular.
Voltando o nosso olhar para o exemplo (2), podemos dizer que a
equação y’’’ – 5y’’ + 8y’ – 4y = 0 tem outras soluções. Por exemplo,
você pode verificar as identidades para:
a) y1= C1e2x
b) y2= C2xe2x
c) y3= C3ex
d) y = C1e2x + C2xe2x + C3ex
As soluções a), b) e c) são consideradas soluções particulares e
a solução d) é considerada uma solução geral. Na Unidade 5,
vamos analisar todos os detalhes relativos a este tipo de equação.
Como as constantes C1 e C2 são arbitrárias, podemos colocar no
lugar delas qualquer número para outras soluções particulares.
Por exemplo, as seguintes soluções são soluções particulares da
equação y’’’ – 5y’’ + 8y’ – 4y = 0:
e) y1 = 2e2x
f) y2 = 3xe2x
g) y3= 4ex
h) y = 2e2x + 3xe2x + 4ex
Sempre que temos uma solução geral é possível encontrar uma
solução particular mediante a substituição de condições iniciais.
26
equacoes_diferenciais.indb 26
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Exemplos
(1) A função y = 2e2x + 4ex é uma solução particular da equação
y’’’ – 5y’’ + 8y’ – 4y = 0 que tem como solução geral a função
y = C1e2x + C2xe2x + C3ex. As condições iniciais dadas são: Quando
x = 0 temos que y = 2 e y’= 8 e y’’= 12. Podemos também escrever
a frase anterior como: y(0) = 6, y’(0) = 8 e y’(0) = 12.
(2) A função implícita x2 + y2 = 9 é uma solução particular da
equação yy’ + x = 0, pois se trata de uma particularização da
solução geral, fazendo-se C = 9. Nesse caso, vamos precisar de
apenas uma condição inicial dada por “para x = 0 temos que y = 3”.
Na maioria dos exercícios dessa nossa disciplina, a resolução a
ser encontrada é a solução geral. Sempre que estamos resolvendo
problemas práticos, como o P1 e P2, dessa seção, vamos precisar
ter a solução particular que é única e as constantes arbitrárias
serão calculadas a partir das condições iniciais dadas.
A solução singular já indica que não vamos ter relação com a
geral nem com a particular, pois é uma solução singular. Somente
algumas equações têm esse tipo de solução, que não apresenta
constantes arbitrárias e não são originadas a partir de uma
solução geral. Veja o exemplo que segue:
Exemplo
A função y = 4 é solução singular da equação y’2 + y2 = 16. De
fato, fazendo as derivadas e substituindo na equação, vamos obter
uma identidade. Além disso, a solução geral dessa equação é
y = 4sen (x + C), assim, é fácil ver que y = 4 não foi originada de
y = 4sen (x + C).
Para finalizar essa seção, vamos voltar aos nossos exemplos iniciais
de equações diferenciais ordinárias e equações diferenciais parciais,
para discutir a Ordem e o Grau de uma equação diferencial.
A ordem da derivada de maior ordem em uma equação
diferencial é, por definição, a ordem da equação
diferencial.
Unidade 1
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27
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
y' – 2y = x + 2
y''' – 2y'' = Equação diferencial ordinária de primeira ordem.
+ 2
Equação diferencial ordinária de terceira ordem.
(x – 2)dy + (y + 7x)dx = 0 Equação diferencial ordinária de primeira ordem.
Quando uma equação diferencial se apresenta na
forma polinomial nas diversas derivadas da sua
composição, podemos usar a terminologia grau da
equação. Neste caso, grau da equação é dado pelo
grau da derivada mais elevada que figura na equação.
Exemplos
y'3 – 2y = x + 2
y''' – 2y'' = Equação diferencial ordinária de primeira ordem e grau 3.
+ 2
Equação diferencial ordinária de terceira ordem e grau 1.
(x – 2)dy + (y + 7x)dx = 0 Equação diferencial ordinária de primeira ordem e grau 1.
Agora que discutimos a ordem de uma equação diferencial,
podemos fazer uma observação interessante. A solução de uma
equação diferencial de ordem n é uma função que apresenta n
constantes arbitrárias. Podemos dar valores para essas constantes
para gerar uma família de soluções. Metaforicamente, podemos
lembrar os membros de uma família que têm características
marcantes da família, mas que cada membro tem as suas
características próprias que o difere dos demais.
Na seção que segue, vamos ampliar essa discussão no contexto
do problema de valor inicial, ou seja, vamos discutir um pouco a
existência das soluções.
28
equacoes_diferenciais.indb 28
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Seção 2 – Problema de valor inicial
Nos problemas P1 e P2, da seção 1, apresentamos, na representação
semiótica intermediária, a coluna das condições iniciais. Essas
condições são efetivamente essenciais para encontrarmos a solução
particular da equação diferencial que modela o problema.
Vamos discutir a situação para uma equação diferencial de
primeira ordem, que possa ser escrita como
= f(x,y), sujeita à
condição inicial y(x 0) = y 0, sendo que x 0 ∈ I e y 0 é um número
real arbitrário.
O problema de valor inicial é formulado da seguinte
forma:
Resolver:
= f(x,y)
Sujeito a: y(x 0) = y 0
Vamos visualizar graficamente esse problema com um exemplo.
Exemplo
A função y = x2 + 2x + C é solução da equação y’ = 2 + 2x. Seja a
solução particular y = x2 + 2x – 4. Na Figura 1.1, vamos apresentar
a família de curvas e observar o problema de valor inicial:
Resolver:
= 2 + 2x
Sujeito a: y(0) = –4
Podemos observar que a solução geral é uma família de
parábolas e que a solução particular é a parábola que passa pelo
ponto (0, –4). Essa solução particular é única para a condição
inicial dada.
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 29
29
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Solução particular
Figura 1.1 – Problema de valor inicial
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Veja o Teorema que segue, o qual nos dá a condição de existência
de uma única solução.
Teorema 1.1
Este teorema é devido ao
matemático Picard (1856–1941), um
francês que se destacou por suas
contribuições na área de equações
diferenciais. Deve-se salientar que
esse teorema dá uma condição
suficiente, mas não necessária, da
existência e unicidade de soluções.
Seja R uma região retangular no plano xy definida por a ≤ x ≤ b e
c ≤ y ≤ d, que contém o ponto (x 0, y 0) em seu interior. Se f(x, y) e
são contínuas em R, então, existe um intervalo I centrado em
x 0 e uma única função y(x) definida em I que satisfaz o problema
de valor inicial:
Resolver:
= f(x,y)
Sujeito a: y(x 0) = y 0
Esse teorema é aplicado sempre que necessitamos saber a
existência e unicidade da solução de uma equação, sem que esta
tenha sido encontrada. Sabemos que na prática muitos problemas
de valor inicial não têm solução algébrica e, nesses casos, a
indicação da solução numérica é feita desde que tenhamos a
certeza da sua existência.
É usual na resolução numérica apresentar os campos de direção
relativos à equação
= f(x, y).
30
equacoes_diferenciais.indb 30
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
O que é um campo de direção de uma equação
= f(x,y)?
O campo de direções de uma equação diferencial de 1a ordem
pode ser visualizado pelo desenho de pequenos vetores, num
conjunto representativo de pontos no plano. Esses pequenos
vetores são tangentes a curvas da família de soluções da
equação diferencial. Nos dias de hoje, temos vários sistemas
computacionais que possibilitam, de forma bastante simples,
a construção de um campo de direção. Em particular, vamos
apresentar exemplos, com o uso do software livre Máxima.
Exemplos
(1) Observe o campo de direção do problema de valor inicial,
apresentado no exemplo anterior:
Resolver:
= 2 + 2x
Sujeito a: y(0) = –4
Observe que, neste caso, não necessitamos da solução numérica,
pois podemos encontrar a solução algebricamente, mas vale
a pena visualizar a solução numérica apresentada do formato
gráfico, na Figura 1.2.
Figura 1.2 – Campo de direção da função
Fonte: Elaboração da autora (2011).
= 2 + 2x; y(0) = –4
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 31
O Máxima é um
sistema algébrico
para manipulação de
expressões simbólicas e
numéricas, incluindo a
diferenciação, integração,
série de Taylor, equações
diferenciais ordinárias,
sistemas de equações
lineares, polinomiais,
séries, listas, vetores,
matrizes etc. É derivado
de um sistema que
surgiu em 1968, no
Instituto de Tecnologia
de Massachusetts. Nos
dias de hoje, está sendo
bastante analisado e
estudado, tornado-se uma
opção financeiramente
viável, pois trata-se de
um software livre. A
tendência é que a cada
dia seja aperfeiçoado,
principalmente, para
ter uma interface mais
amigável. Você poderá
ver mais detalhes desse
software no EVA.
31
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
(2) Na Figura 1.3, apresentamos o campo de direção da equação
diferencial
= 9,8 – 0,2v de um corpo em queda livre, sendo v a
velocidade do corpo. Fazendo uma análise do gráfico, você pode
perceber que as soluções traçadas no campo de direções tendem a
um número próximo de 50. Dessa forma, podemos estimar que a
velocidade limite de queda é aproximadamente 50.
Na Figura 1.4, temos o problema de valor inicial
Resolver:
= 9,8 – 0,2v
Sujeito a: v(0) = 49
com a solução particular representada por uma reta. Assim,
podemos concluir que a velocidade limite é efetivamente igual a 49.
Figura 1.3 – Campo de direções da função
Fonte: Elaboração da autora (2011).
= 9,8 – 0,2v
Figura 1.4 – Problema de valor inicial
Fonte: Elaboração da autora (2011).
= 9,8 – 0,2v; v(0) = 49
Na seção seguinte, você vai ter a oportunidade de compreender
os mecanismos metodológicos para resolver uma equação
diferencial de primeira ordem de variáveis separáveis.
32
equacoes_diferenciais.indb 32
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Seção 3 – Equações diferenciais de
primeira ordem de variáveis separáveis
Nesta seção, vamos discutir a resolução das equações diferenciais
de primeira ordem denotadas como de variáveis separáveis.
Vamos constatar que em alguns casos as variáveis já estão
separadas e, neste caso, basta aplicarmos os procedimentos de
integração. Para os casos em que as variáveis estão misturadas,
vamos ter a necessidade de aplicar procedimentos algébricos para
separar as variáveis.
Para facilitar a identificação desse tipo de equação, vamos
estabelecer um formato inicial de visualização.
Equação Diferencial de Variáveis Separáveis: Uma equação
do tipo M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 é de variáveis separáveis sempre
que M(x, y)dx e N(x, y)dy são funções em que as variáveis podem
ser separadas.
O que significa separar as variáveis?
Ao afirmar que as funções M(x,y)dx e N(x,y)dy são funções em
que as variáveis podem ser separadas, estamos dizendo que após
procedimentos algébricos podemos reescrever a equação como:
g(x)dx + h(y)dy = 0
Nesse caso, a solução geral da equação diferencial será dada por:
∫ g(x)dx + ∫ h(y)dy = C.
Observe que C é a constante arbitrária que está indexando as
constantes de integração.
O termo indexando as
constantes significa
que estamos usando
a propriedade de que
múltiplos de constantes
ou combinações de
constantes podem ser
trocados por uma única
constante.
Por exemplo, podemos
fazer 2C1 + C2 = C.
Vamos observar a resolução das equações nos exemplos que
seguem.
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 33
33
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
(1) Resolver a equação (5 + x)dx – (2 – y)dy = 0.
Podemos observar que a equação já tem as variáveis separadas,
portanto, para resolvê-la basta estabelecer o processo de
integração. Vamos, neste primeiro exemplo, listar efetivamente
todas as constantes de integração, mas, nos próximos exemplos,
vamos otimizar o tempo já subentendo a agregação das
constantes. Temos:
∫ (5 + x)dx – ∫ (2 – y)dy = C .
1
Veja que a constante C1 aqui representa é a constante da integração
do zero. Lembre-se de que a derivada de uma constante é zero.
Fazendo as demais integrais vamos ter:
A expressão acima já é a solução da equação, mas podemos
simplificá-la:
10x + x2 + 2C2 – 4y + y2 – 2C3 = 2C1
x2 + y2 + 10x – 4y = C.
Observe, no desenvolvimento anterior que, inicialmente,
resolvemos formalmente as integrais. Em seguida, iniciamos
a simplificação, multiplicando toda a expressão por dois. Para
finalizar, realizamos a simplificação das constantes usando
2C1 – 2C2 + 2C3 = C.
A expressão x2 + y2 + 10x – 4y = C é a solução geral da equação dada.
34
equacoes_diferenciais.indb 34
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
(2) Resolver
.
Nesse exemplo, podemos observar que as variáveis não
estão separadas, portanto, vamos, inicialmente, separar as
variáveis e, posteriormente, estabelecer a solução. Observe,
no desenvolvimento a seguir, que vamos simplificar os passos
relativos às constantes, fazendo o entendimento que a constante
C já estará absorvendo as demais constantes. Veja:
Observe que para separar as variáveis multiplicamos toda a
equação por x. Seguimos com a aplicação da integração:
A solução geral já está apresentada, mas podemos fazer uma
última simplificação, multiplicando tudo por três e trocando 3C1
por C. Veja a solução geral simplificada:
(x2 + 1)3/2 + y3 + 3cos y = C.
Caso você esteja encontrando dificuldades com a
resolução das integrais, deverá buscar revisões. Para
facilitar seus estudos, você vai encontrar na midiateca
um anexo com as resoluções detalhadas. Dessa forma,
você vai poder sempre identificar notas com a indicação
da integral que está apresentada no anexo digital. Veja
assim:
Integral 1:
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 35
35
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
(3) Encontrar a solução geral da equação diferencial
y’ = (x + 1)(y – 2).
Observe que esta equação está apresentada de forma diferente dos
exemplos (1) e (2), mas podemos reescrevê-la. Veja:
= (x + 1)(y – 2)
dy = (x + 1)(y – 2)dx
(x + 1)(y – 2)dx – dy = 0
(x + 1)dx –
dy = 0
Observe que ao desenvolver algebrismos, você pode seguir
caminhos diferentes, desde que respeite sempre os procedimentos
operatórios. O caminho que apresentamos não é único. No
contexto acima, o caminho seguido foi:
„
„
„
multiplicar por dx;
subtrair toda a equação por dy para ficar um termo
igualado a zero;
dividir toda a equação por (y – 2).
Agora, podemos resolver, pois as variáveis já estão separadas.
Veja:
A solução geral encontrada é
+ x – ln|y – 2| = C.
Observamos que é possível fazer simplificações, mas também
podemos optar por deixar nesta forma.
36
equacoes_diferenciais.indb 36
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
(4) Veja a resolução que segue e, em especial, preste atenção
nas simplificações finais, pois elas serão usadas em métodos
posteriores.
Assim, a solução geral é dada por x + 3 = C(y – 5)2.
Usamos as propriedades de logaritmos para simplificar
a solução geral, também usamos ln C ao invés de
simplesmente C na constante de integração.
(5) Resolver o problema de valor inicial:
(x – xy2)dx = (4y + x2y)dy
s.a: y(1) = 0
Inicialmente, vamos encontrar a solução geral fazendo a
separação das variáveis. Temos:
x(1 – y2)dx – y(4 + x2)dy = 0
s.a. é uma abreviação
bastante usada no contexto
da matemática para
representar “sujeito a”.
ln |4 + x2| + ln|1 – y2| = ln C1
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 37
37
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
ln |4 + x2| + ln|1 – y2| = 2 ln C1
(4 + x2)·(1 – y2) = C.
Encontramos a solução geral (4 + x2)·(1 – y2) = C que representa
uma família de curvas. Para achar a solução particular, vamos
aplicar os dados do valor inicial, fazendo y(1) = 0 ou x = 1 e y = 0.
Assim,
(4 + x2)·(1 – y2) = C
(4 + 1)·(1 – 0) = C
C = 5
Portanto, a solução particular é dada por (4 + x 2 ).(1 � y 2 ) = 5 .
Vamos retornar ao problema P1, mas antes, vamos ver o que
o nosso amigo Phil tem para nos dizer sobre a História das
Equações Diferenciais.
Na História da Matemática muitos conceitos e procedimentos
operatórios surgiram da resolução de problemas. No caso das
equações diferenciais, temos registros do século XVII, com
situações denotadas como problema de tangente inversa. A
pergunta chave era: Como determinar uma curva a partir de
uma específica propriedade da tangente dada. Descartes tentou
resolver um problema desse tipo em 1638, mas coube a Newton
e seus contemporâneos elaborar métodos mais ou menos gerais
para a resolução das equações diferenciais. (EVES, 1995).
No EVA, você poderá ver, com um pouco mais de detalhes, uma
situação que mostra o Problema da tangente inversa.
O método que discutimos nesta seção, “Separação de Variáveis”,
já era do conhecimento de Newton e Leibniz, mas coube
ao Johann Bernoulli determinar as classes de equações que
poderiam ser resolvidas por esse método.
38
equacoes_diferenciais.indb 38
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Vamos aplicar esse método na resolução dos
problemas P1 e P2?
P1: Suponha que um estudante infectado com uma virose
retorne para a universidade em um campus que tem 1000
alunos. Supondo-se que a taxa na qual a virose se espalha é
proporcional à quantidade de alunos infectados e, também,
proporcional à quantidade de alunos não infectados, determine
o número de alunos infectados após 6 dias. Após quatro dias,
observou-se que havia 50 alunos infectados.
Revise a representação semiótica intermediária e verifique que
vamos ter o problema com as condições iniciais dadas:
Resolver:
= kx(1000 – x)
S.A: x(0) = 1 e x(4) = 50.
Veja que nesse problema vamos precisar de duas condições, pois a
constante de proporcionalidade precisa ser também definida.
Vamos resolver a equação usando a separação das variáveis.
Temos:
= kx(1000 – x)
Para resolver a primeira integral é necessário usar o método das
frações parciais. Observe que a fração pode ser representada por
uma soma de duas frações mais simples:
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 39
39
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Da expressão anterior resulta o sistema que nos leva aos valores
de A e B:
Assim, podemos retomar ao nosso cálculo das integrais da
equação:
1
k
1/1000
1 1/1000
dx + ∫
dx − ∫ dt = C
x
k 1000 − x
1
1
ln x −
ln |1000 − x | −t = C
1000k
1000k
∫
€
Aplicando a definição de logaritmos vem:
Vamos aplicar as condições iniciais dadas para encontrar os
valores particulares das constantes k e C.
40
equacoes_diferenciais.indb 40
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
Aplicando a condição x(0) = 1, temos:
Observe que esse resultado encontrado será usado no
desenvolvimento seguinte para facilitar a simplificação.
Aplicando a condição x(4) = 50 e o valor de C encontrado,
obtemos:
Como já encontrado anteriormente temos o valor
que substituído na expressão anterior vai nos dar:
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 41
,
41
28/03/12 11:09
Universidade do Sul de Santa Catarina
Podemos assim afirmar que o valor de C é dado por:
A função que modela o problema dado fica:
Observe que estamos com uma função que mostra o
comportamento do fenômeno. Na Figura 1.5, podemos observar
o comportamento dessa função que é denotada como uma
função logística e é muito usada para a previsão de crescimento
populacional na área da saúde. Observe que o número de
infectados aumenta muito no início, mas, posteriormente, há uma
tendência para se estabilizar. A função para um tempo muito
grande tende para o número de 1000 infectados.
Para responder à questão do problema, basta calcular o valor de x
quando t = 6 dias. Veja:
42
equacoes_diferenciais.indb 42
28/03/12 11:09
Equações Diferenciais
1000
x infectados
900
800
700
600
500
400
300
200
100
t (dias)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
Figura 1.5 – Função logística do P1
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Você deve ter observado que para fazer os
procedimentos operacionais do problema P1, foi
necessário o uso de um software ou uma calculadora
para agilizar os cálculos.
Vejamos, agora, o problema P2.
P2: Uma lancha se move numa lagoa com uma velocidade
de 10 m/seg., em dado instante, seu motor é desligado, tendo
a lancha sofrido uma redução de velocidade proporcional
à resistência da água. Sabendo que ao cabo de 5 seg. a sua
velocidade é de 8 m/seg., qual será o tempo necessário para
que a lancha tenha uma velocidade de 1 m/seg.?
(Adaptação de ABUNAHMAN, 1986).
Verifique o quadro das representações semióticas discutido na
seção 1. Vamos, então, resolver a equação diferencial que modela
o problema.
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 43
43
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Aplicando a condição inicial v(0) = 10 m/s temos:
m·ln 10 + k·0 = C
C = m·ln 10
C = m·2,3025.
Aplicando a segunda condição inicial v(5) = 8 m/s temos:
m·ln 8 + k·5 = C
m·ln 8 + k·5 = m·2,302
m·2,0794 – m·2,3025 = – k·5
– m·0,2231 = – k·5
k = 0,04462 m.
Dessa forma, a função que modela o problema P2 é dada por:
44
equacoes_diferenciais.indb 44
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Quando v = 1 m/s qual é o valor de t? Temos:
t = 51,59 – 22,41·ln|v|
t = 51,59 – 22,41·ln|1|
t = 51,59 segundos
Dessa forma, a resposta para a pergunta do problema é 51,59
segundos.
Síntese
Nesta unidade, estabelecemos os conceitos iniciais para o estudo
das equações diferenciais e também mostramos exemplos para
iniciar a reflexão sobre a aplicabilidade das equações diferenciais
para modelar problemas que apresentam taxas de variações.
Ressaltamos a apresentação inovadora da interpretação dos
problemas por meio da representação semiótica na forma tabular.
Unidade 1
equacoes_diferenciais.indb 45
45
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
1) Verifique que as funções dadas são soluções das correspondentes
equações diferenciais indicadas.
a) Equação: x 3y’’’ + 2x2y’’ – 6xy’ = 0; Solução: y = 1 + 2x–2.
– y = 0; Solução: y = Cex.
b) Equação:
c) Equação: y’’ – y’ – 2y = 0; Solução: y = C1e 2x + C2e–x.
2) Resolva as seguintes equações diferenciais:
a) (2x – 1)dx – y2 dy = 0
b) y2 dx – x2 dy = 0
c) ydx – xdy = 0
d) cotg x dy + ydx = 0
e) (ex + e–x)
= f) (yx2 +y)dx + (x2 + x – 2)dy = 0
3) Dada a equação diferencial dx – e3xdy = 0, encontre a solução geral
e a solução particular que atende à condição inicial y(4/3) = 0. Mostre
graficamente a família de curvas da solução geral e destaque a solução
particular encontrada.
4) Leia o texto que segue e resolva o problema apresentado.
Um fenômeno que tenha como modelo a equação diferencial
= kx,
possui crescimento (k > 0) ou decrescimento (k < 0) exponencial. Isso
porque a solução dessa equação é uma função exponencial. Essa
equação modela o crescimento populacional de bactérias, insetos
ou mesmo seres humanos, durante pequenos períodos de tempo.
Atualmente, temos aplicações para datar fósseis por meio de medida
de estabilidade de uma substância radioativa, denotada na Física como
meia-vida. A meia-vida é simplesmente o tempo gasto para que a
metade dos átomos de uma quantidade inicial A0 se desintegre ou se
transmuta em átomos de outro elemento. (ZILL E CULLEN, 2001).
Problema: Um reator converte urânio 238 em isótopo de plutônio 239.
Após 15 anos, foi detectado que 0,043% da quantidade inicial A0 de
plutônios se desintegrou. Encontre a meia-vida desse isótopo, se a taxa
de desintegração é proporcional à quantidade remanescente.
46
equacoes_diferenciais.indb 46
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Equações Diferenciais
Saiba mais
Para ampliar o contexto das aplicações das equações diferenciais,
sugerimos o livro Equações Diferenciais de Dennis G. Zill e
Michael R. Cullen, uma publicação da Editora Pearson Makron
Books, cuja terceira edição é de 2001.
Unidade 1
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equacoes_diferenciais.indb 48
28/03/12 11:10
UNIDADE 2
Equações homogêneas
e equações exatas
Objetivos de aprendizagem
„
Resolver equações homogêneas.
„
Identificar e resolver as equações exatas.
„
Discutir a existência de fatores integrantes que
conduzem à resolução de equações diferenciais quase
exatas.
2
Seções de estudo
equacoes_diferenciais.indb 49
Seção 1
Equações homogêneas
Seção 2
Equações exatas
Seção 3
Fatores integrantes
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, você vai ter a oportunidade de refletir e
desenvolver métodos de resolução das equações diferenciais
homogêneas e das equações diferenciais exatas, todas de primeira
ordem. Além disso, vamos discutir o uso dos fatores integrantes,
um mecanismo muito inteligente para transformar as equações
ditas “quase exatas” em equações exatas.
Não vamos desenvolver problemas nesta unidade, mas é importante
saber que os resultados que culminaram na resolução das equações
homogêneas já estavam presentes na obra de Euler, por volta de 1770,
na própria história do cálculo diferencial e integral.
Em geral, todo estudante de matemática que se identifica com os
raciocínios do cálculo diferencial e integral tem certo fascínio pelas
equações diferenciais, pois seus métodos de resolução propiciam
uma revisão sistemática das técnicas de derivação e integração.
Esperamos que você faça parte dessa comunidade de admiradores
das equações diferenciais!
Seção 1 – Equações homogêneas
Nesta seção, apresentam-se as equações diferenciais homogêneas
de primeira ordem. Para tal, vamos, inicialmente, discutir a
definição de funções homogêneas.
O que é uma função homogênea?
50
equacoes_diferenciais.indb 50
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Função homogênea de grau m.
Toda função do tipo f(x,y,z) é dita homogênea de grau m (m um
número real), se ao substituirmos x por kx, y por ky e z por kz,
temos:
f [kx,ky,kz] = km f(x,y,z)
O real m é dito o grau de homogeneidade da função.
Exemplos
(1) A função f(x,y,z) = x2 – 3xy + 2yz é uma função homogênea
de grau 2.
De fato:
f(x,y,z) = k2x2 – 3kxky + 2kykz
= k2(x2 – 3xy + 2yz)
= k2 f(x,y,z)
(2) A função M(x,y) = x3 – y3 é homogênea de grau 3.
De fato:
M(x,y) = x3 – y3
M(kx,ky) = k3x3 – k3y3 = k3(x3 – y3) = k3 M(x,y)
(3) Veja o exemplo de uma função que é homogênea de grau .
(4) A função u(x,y) = x3 – y2 não é homogênea, pois não satisfaz a
definição.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 51
51
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Como vamos usar essa definição na identificação da
equação diferencial homogênea?
Equação Diferencial Homogênea: Uma equação diferencial do
tipo M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 é homogênea de grau m sempre
que as funções M e N são funções homogêneas do mesmo grau
m (m é um número real).
Exemplos
(1) A equação (x2 – y2)dx – 2xy dy = 0 é homogênea de
grau 2, pois as funções M(x,y) = (x2 – y2) e N(x,y) = – 2xy são
homogêneas de grau dois. Veja:
M = x2 – y2
M(kx,ky) = k2x2 – k2y2 = k2(x2 – y2) = k2M
e
N = –2xy
N(kx,ky) = –2kxky = –2k2xy = k2(–2xy) = k2N
é homogênea de
(2) A equação
grau 1. De fato:
M(kx,ky) = 2kx – ky = k(2x – y) = kM(x,y) e
Como vamos resolver as equações homogêneas?
52
equacoes_diferenciais.indb 52
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
A ideia básica é usar uma substituição algébrica que permitirá
transformar a equação homogênea em equação diferencial de
variáveis separáveis. Vamos apresentar um roteiro de resolução
para organizar as ideias. Observe que estamos considerando
a equação escrita na forma M(x,y)dx + N(x,y)dy = 0. Caso as
variáveis estejam representadas por outras letras, devemos fazer a
devida adequação ao roteiro de resolução.
Roteiro de Resolução 1
1. Identifique se a equação é efetivamente homogênea.
2. Faça a troca de variáveis: y = ux ⇒ dy = udx + xdu.
3. Efetue todas as simplificações possíveis e constate que a equação
encontrada é de variáveis separáveis em u e x.
4. Resolva a equação encontrada aplicando a integração. Observe
que a solução geral está expressa nas variáveis u e x, portanto, vai ser
necessário a substituição indicada no item 5.
5. Fazer a substituição u = na solução, obtendo a solução geral nas
variáveis x e y.
Exemplos
(1) Vamos resolver a equação (x2 – y2)dx – 2xy dy = 0, já mostrada
no exemplo anterior que é homogênea de grau dois.
Tendo a certeza de que a equação é homogênea, segue a
substituição:
y = ux ⇒ dy = udx + xdu
(x2 – y2)dx – 2xy dy = 0
(x2 – u2x2)dx – 2xux (udx + xdu) = 0
x2 (1 – u2)dx – 2x2u2 dx – 2x3u du = 0.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 53
53
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos fazer as simplificações procurando deixar as variáveis
separadas para aplicarmos a integração.
Diante da equação de variáveis separadas, vamos aplicar a
integração.
Veja Integral 2:
no anexo digital.
Podemos apresentar o resultado encontrado, aplicando as
propriedades de logaritmos. Observe, também, que o fato de usar
ln C1 ao invés de C, é estratégico para fazer a simplificação da
solução geral.
ln|x| + ln|1 – 3u2| = C1
x(1 – 3u2)1/3 = C1
x3(1 – 3u2) = C
No resultado anterior, observe que elevamos tudo na terceira
potência e usamos a relação C13 = C para apresentar um resultado
mais simples.
54
equacoes_diferenciais.indb 54
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Para finalizar, em acordo com o item 5 do nosso roteiro, vamos
fazer a substituição u = .
x3(1 – 3u2) = C
(
x3 1 – 3
) = C
x3 – 3xy2 = C
Dessa forma, a solução geral da equação homogênea
(x2 – y2)dx – 2xy dy = 0 é x3 – 3xy2 = C.
(2) Vamos resolver a equação abaixo:
Resolver: (2x – y)dx – (x + 4y)dy = 0
Sujeito a: y(1) = 2.
Acompanhe os passos da resolução:
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 55
55
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, a solução geral é dada por 2x2 – 2xy – 4y2 = C. Para
encontrar a solução particular, temos que aplicar a condição inicial:
2x2 – 2xy – 4y2 = C
2·12 – 2·1·2 – 4·22 = C
∴
C = – 18.
Assim, x2 – xy – 2y2 + 9 = 0 é a solução particular.
É possível encontrar na literatura exemplos de equações que são
redutíveis a homogêneas ou redutíveis a variáveis separáveis. Os
exemplos clássicos são equações que têm a forma:
M(mx + ny + a)dx + N(px + qy + b)dy = 0,
sendo m, n, a, p, q e b números reais.
A partir dos valores dos coeficientes é possível identificarmos três
casos:
„
Caso 1: a = b = 0
Essa situação identifica a equação como uma equação homogênea
de grau 1, que poderá ser resolvida usando-se o roteiro dado.
„
Caso 2: a ≠ 0 ou b ≠ 0 e m, n, p, q não são proporcionais,
ou seja:
∆ = ≠ 0.
Neste caso, vamos estabelecer uma substituição conveniente para
transformar em uma equação homogênea.
„
Caso 3: a ≠ 0 ou b ≠ 0 e m, n, p, q são proporcionais, ou seja:
o determinante ∆ = = 0.
Acompanhe, a seguir, os roteiros de resolução dos casos 2 e 3.
Procure, inicialmente, ler o roteiro e, em seguida, identifique as
diversas etapas da solução no exemplo apresentado. Lembre-se
que estamos considerando a equação na forma
M(mx + ny + a)dx + N(px + qy + b)dy = 0.
56
equacoes_diferenciais.indb 56
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
O roteiro de Resolução 2 encaminha o caso 2 e o Roteiro de
Resolução 3, o caso 3.
Roteiro de Resolução 2
1. Inicialmente, confirme se a equação que você vai resolver é
efetivamente uma equação que atende ao caso 2, ou seja:
∆ = ≠ 0.
2. Resolva o sistema que segue e denote o par de raízes encontradas
por (x, y) = (h, k).
3. Faça a substituição
x = v + h ⇒ dx = dv
y = w + k ⇒ dy = dw
4. A equação fica reduzida à equação homogênea.
5. Resolve-se a equação homogênea em v e w, usando o roteiro de
resolução 1, lembrando-se de fazer a adequação das variáveis
(v = uw ⇒ dv = udw + wdu). Lembre-se de que no final, ao encontrar a
solução em u e w, vai ser necessário retornar para v e w, fazendo u = .
6. Você está diante da solução geral nas variáveis v e w, assim, para
concluir basta fazer a substituição final
v = x – h
w = y – k
Exemplo
Vamos resolver a equação (x + 2y – 5)dx – (2x + 2y – 6)dy = 0.
Acompanhe a resolução com o Roteiro de Resolução 2.
Temos que
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 57
57
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Resolvendo o sistema
obtemos que (x,y) = (h,k) = (1,2).
Assim, a substituição a ser feita é x = v + 1 e y = w + 2. Veja:
(v + 1 + 2(w + 2) – 5)dv – (2(v + 1) + 2(w + 2) – 6)dw = 0
(v + 2w)dv – (2v + 2w)dw = 0
Estamos diante de uma equação homogênea. Vamos fazer a
substituição v = uw ⇒ dv = udw + wdu
A segunda integral é resolvida pelo método das frações parciais.
Veja:
Fazendo a equivalência das frações vamos encontrar os valores de
A e B. Veja:
Dessa expressão podemos estabelecer o sistema:
58
equacoes_diferenciais.indb 58
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Assim, temos que A =
2+2
e
2 2
Levando esses resultados para a integral temos:
Para finalizar esses resultados devem ser levados para a equação
diferencial. Temos:
Substituindo u = temos:
Para finalizar, vamos fazer a substituição final
v = x – 1
w = y – 2
Assim,
é a solução geral da equação dada.
Unidade 2
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59
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Roteiro de Resolução 3
1. Inicialmente, confirme se a equação que você vai resolver é
efetivamente uma equação que atende ao caso 3, ou seja:
= 0.
∆ = 2. Faça a substituição
px + qy = v ⇒ dv = pdx + qdy ou
mx + ny = v ⇒ dv = mdx + ndy
3. Encontre dy em função de x e v e substitua na equação. A equação
encontrada é uma equação de variáveis separáveis.
4. Resolva a equação em v e x.
5. Substitua, na solução encontrada, v por px + qy ou por mx + ny em
acordo com a escolha feita em 1).
Exemplo
Vamos resolver a equação (2x – 3y + 1)dx + (4x – 6y – 3)dy = 0.
Seguindo o roteiro de resolução 3, após a constatação de que
= 12 – 12 = 0, ou seja, esta equação é do caso 3.
Vamos optar pela substituição:
v = 2x – 3y
dv = 2dx – 3dy
A partir dessa escolha, temos que
3dy = 2dx – dv
∴
dy = 60
equacoes_diferenciais.indb 60
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Equações Diferenciais
Substituindo na equação vem:
(2x – 3y + 1)dx + (4x – 6y – 3)dy = 0
Substituindo o valor de v = 2x – 3y, vem a solução geral em x e y:
49x = 14(2x – 3y) – 15 ln|7(2x – 3y) – 3| + C
49x = 14(2x – 3y) – 15 ln|14x – 21y – 3| + C
Vamos fazer uma paradinha para falar um pouco sobre a Turner
Collection, uma valiosa coleção de livros de matemática, originais
que haviam pertencido a Isaac Newton. Nesta coleção, existem
livros originais de Euclides e as fotos de páginas divulgadas em
Baron e Bos (1974) mostram ideias relacionadas com as equações
diferenciais, da obra de Euler no século XVIII. Essa valiosa coleção
recebeu o nome de Charles Turner que doou a coleção para a
Biblioteca da Keel University da Inglaterra. Infelizmente, esse
fantástico patrimônio foi vendido pela Universidade, de forma
sigilosa, para um comprador desconhecido. E desde então,
o mundo está privado de mais uma relíquia que mostra a
maravilha da Matemática em suas origens. (EVES, 1995)
Unidade 2
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61
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 2 – Equações exatas
Nesta seção, discutem-se as equações diferenciais exatas de
primeira ordem.
É necessário, inicialmente, conhecer o suporte conceitual que nos
dá as ferramentas para identificar esse tipo de equação.
O que é uma diferencial exata?
A expressão M(x,y)dx + N(x,y)dy é uma diferencial exata em
uma região R do plano, quando existe uma função potencial
u = u(x,y) cuja diferencial total se identifica com a expressão:
du = dx + dy = M(x,y)dx + N(x,y)dy.
Diante da definição dada, fica simples afirmar que:
Equação diferencial exata: Uma equação diferencial
M(x,y)dx + N(x,y)dy = 0 é exata quando, o lado esquerdo da
equação, expressa uma diferencial exata e de forma precisa a
diferencial total de uma primitiva na forma u(x,y) = C.
Para facilitar ainda mais a identificação da diferencial exata,
podemos usar a condição necessária e suficiente expressa no
Teorema que segue.
Teorema 2.1
Sejam M(x,y) e N(x,y) funções contínuas com derivadas parciais em
uma região retangular R = {(x,y) ∈ | a < x < b, c < y < d}. Então,
uma condição necessária e suficiente para que M(x,y)dx + N(x,y)dy
seja uma diferencial exata é
62
equacoes_diferenciais.indb 62
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
„
Prova
Para provar esse teorema, é necessário dividir em duas partes:
1. provar que a condição é necessária;
2. provar que a condição é suficiente.
Prova de que a condição é necessária.
Vamos supor que M(x,y) e N(x,y) tenham derivadas parciais de
primeira ordem contínuas em todo plano (x,y).
Se a expressão M(x,y)dx + N(x,y)dy é exata, existe alguma função
u tal que
M(x,y)dx + N(x,y)dy = dx + dy
para todo par (x,y) em R. Assim,
M(x,y)dx = ,
N(x,y)dy = .
A igualdade das derivadas parciais mistas pode ser considerada,
pois é uma consequência da continuidade das derivadas parciais
de primeira ordem de M(x,y) e N(x,y), logo
Prova de que a condição é suficiente.
Vamos calcular a integral ∫ M(x,y)dx, observando que o cálculo é
na variável x, independente da variável y. Seja ∫ M(x,y)dx = F(x,y).
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 63
63
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Precisamos mostrar que, verificada a condição
possível achar uma função C(y), tal que
,é
u(x,y) = F(x,y) + C(y)
(1)
seja, a menos de uma constante arbitrária, a função que
precisamos. Com efeito, derivando-se a expressão (1) em x e
em y, respectivamente, e tendo em mente as relações
M(x,y)dx = ,
N(x,y)dy = ,
podemos escrever:
= = M;
= + C’(y) = N;
Da última relação, podemos tirar que:
C’(y) = N – .
Analisando a última expressão, é possível dizer que o lado
esquerdo é independente de x, mas o lado direito precisa ser
investigado. Essa investigação é possível, lembrando que a sua
derivada é identicamente nula.
De fato, derivando-se em x, temos:
Considerando, agora, a relação anterior
= derivando em relação a y podemos dizer que
e, então, vale
– = – = M
= ,
= 0
ou seja, a hipótese:
64
equacoes_diferenciais.indb 64
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Para finalizar, observamos que a função C(y) pode ser definida
pela integração da expressão anterior C’(y) = N – .
Assim, a função procurada u estabelecida em (1) pode ser escrita
como:
(
u(x,y) = ∫ Mdx + ∫ N – )dy = C.
Observe que a expressão
(
u(x,y) = ∫ Mdx + ∫ N – )dy = C nos dá a solução
geral da equação diferencial exata.
O teorema nos conduz ao método para a resolução de uma equação
diferencial exata. Não recomendamos estabelecer fórmulas nesse
processo, mas exercitar o raciocínio gerado na demonstração do
teorema para a resolução das equações diferenciais exatas. Veja o
roteiro de resolução 4 e os exemplos que seguem.
Roteiro de Resolução 4
1. Certifique-se de que você está efetivamente diante de uma equação
.
diferencial exata (M(x,y)dx + N(x,y)dy = 0), testando a relação
2. Vamos pesquisar a função potencial u(x,y)
por meio do sistema ao lado:
3. Para a resolução do sistema, você deve escolher uma das equações
para resolver e aplicar o resultado obtido na outra. Esse processo é similar
ao raciocínio da segunda parte da demonstração do teorema. A solução
desse sistema é a função u(x,y).
4. A solução geral da equação é dada por u(x,y) = C.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 65
65
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
(1) Resolver a equação diferencial de primeira ordem
(3xy – 4y3)xdx + (x3 –6x2y2 – 3)dy = 0.
Inicialmente, é necessário constatar que a equação diferencial
.
dada é exata, observando que
Temos:
M(x,y) = 3x2y – 4xy3
⇒
= 3x2 – 12xy2;
N(x,y) = x3 –6x2y2 – 3
⇒
= 3x2 – 12xy2.
O sistema que vamos precisar resolver
é dado por meio do sistema ao lado:
Vamos escolher iniciar com a primeira equação. Observe que
a função C(y) surge naturalmente, pois a integral está sendo
resolvida considerando-se y como temporariamente uma constante.
= 3x2y – 4xy3
u = ∫ (3x2y – 4xy3)dx = yx3 – 2y3x2 + C(y)
O resultado obtido deve ser levado para a segunda equação do
sistema. Veja:
= x3 –6x2y2 – 3
(yx3 – 2y3x2 + C(y)) = x3 –6x2y2 – 3
x3 – 6y2x2 + C’(y) = x3 –6x2y2 – 3
C’(y) = –3
C(y) = ∫ –3 dy
C(y) = –3y + C
66
equacoes_diferenciais.indb 66
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Assim, a função potencial é dada por
u = yx3 – 2y3x2 – 3y + C.
A solução geral da equação é dada por u(x,y) = C, ou seja,
yx3 – 2y3x2 – 3y = C
Observe, na parte final, que o formalismo seria escrever
u = yx 3 – 2y3x2 – 3y + C1; sendo que a solução geral
seria yx 3 – 2y3x2 – 3y + C1 = C2. Fazendo-se C2 – C1 = C
teríamos a solução geral dada por yx 3 – 2y3x2 – 3y = C.
Para facilitar em muitos momentos, vamos passar
rápido por esse formalismo, considerando sempre que
a constante de integração no cálculo de C(y) já está
embutida na constante final.
(2) Resolver a equação diferencial de primeira ordem xy’ + y + 4 = 0.
Inicialmente, é necessário constatar que a equação diferencial
dada é exata. Para tal, vamos deixá-la na forma tradicional M(x,y)
dx + N(x,y)dy = 0, isto é
xy’ + y + 4 = 0
x
+ y + 4 = 0
xdy + (y + 4)dx = 0
(y + 4)dx + xdy = 0.
Temos:
1. M(x,y) = y + 4
⇒
= 1;
2. N(x,y) = x
⇒
= 1.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 67
Derivadas iguais!
A equação é exata.
67
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
O sistema que vamos precisar resolver é dado por:
Vamos iniciar pela primeira equação. Observe que a função
C(y) surge naturalmente, pois a integral está sendo resolvida
considerando-se y temporariamente uma constante.
= y + 4
u = ∫ (y + 4) dx + C(y)
u = yx + 4x + C(y)
O resultado obtido deve ser levado para a segunda equação do
sistema. Veja:
= x
(yx + 4x + C(y)) = x
x + C’(y) = x
C’(y) = 0
C’(y) = C.
Encontramos que a função C(y), neste exemplo, é efetivamente
uma constante. Assim, a função potencial é dada por
u = yx + 4x + C(y).
A solução geral da equação é dada por u(x,y) = C, ou seja,
yx + 4x = C.
68
equacoes_diferenciais.indb 68
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Seção 3 – Fatores integrantes
Em muitos casos, vamos observar que a equação diferencial não é
exata e, em uma linguagem mais informal, podemos dizer “quase
exata”. Com a multiplicação de uma função adequada, podemos
transformá-la em uma equação exata. Essa função adequada é
denotada como um fator integrante.
O fator integrante pode ser uma função em x, em y ou em x e y.
A definição desse fator não é uma tarefa simples. Somente para o
caso de ser em x ou em y, podemos estabelecer um método para a
sua busca.
Como fazer a pesquisa do fator integrante?
Vamos estabelecer as sequências de procedimentos que nos levam
a uma fórmula para definir, quando existir, um fator integrante.
Supondo que a equação M(x,y)dx + N(x,y)dy = 0 não seja exata,
ou seja,
≠
.
Vamos supor que existe uma função R = R(x) tal que
RMdx + RNdy = 0 seja uma equação exata, ou seja,
Desenvolvendo as derivadas da relação
,
usando a regra de produto, e fazendo algebrismos temos:
R
(
R
+ M
– = R
+ N
) = N
– M
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 69
69
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como a função R, por suposição é uma função em x, a sua
derivada em relação y é igual a zero.
(
Assim, podemos escrever: R
– ) = N
que é
uma equação a variáveis separáveis supondo-se que
(
– ) seja uma expressão somente em x.
Ao resolver essa equação, encontraremos o fator integrante. Veja:
(
R
∫
– ∫ (
= ln R = ∫ (
) = N
– – ) dx
) dx
A expressão
pode ser usada como uma
fórmula para calcular o fator integrante R = R(x). A sua
existência está condicionada à existência da integral
e mais especificamente a condição que
uma função somente em x.
(
)é
– De forma similar, podemos encontrar a expressão que vai nos dar
o fator integrante R = R(y).
, sendo que a expressão
Temos
ser uma função somente em y.
(
– ) deve
Leonhard Euler foi um escritor com uma surpreendente
produtividade em quase todos os ramos da matemática.
Devemos a Euler a ideia de usar o fator integrante na resolução
das equações diferenciais. Eves (1995) afirma que “quem
manipula formalmente a matemática, muitas vezes experimenta
a sensação desagradável de ver sua caneta superar sua
inteligência”. Euler confessou que muitas vezes não conseguia se
livrar dessa sensação.
70
equacoes_diferenciais.indb 70
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Veja, a seguir, como fica o roteiro para a resolução de uma
equação diferencial usando-se o método do fator integrante.
Roteiro de Resolução 5
1. Certifique-se de que a equação dada não pode ser resolvida
diretamente por variáveis separáveis ou por exatas. E tenha em mãos as
e .
derivadas parciais
2. Verifique se:
(a)
(b)
(
(
) é uma função somente em x;
) é uma função somente em y;
– – 3. Se vale o item (a) a pesquisa
a ser feita é para obter um fator
integrante em x e, nesse caso,
aplique a fórmula:
4. Se vale o item (b) a pesquisa
a ser feita é para obter um fator
integrante em y e, nesse caso,
aplique a fórmula:
.
.
Siga para a etapa 6.
Siga para a etapa 6.
5. Se não vale (a) nem (b), você deve parar e só seguir adiante caso
tenha em mãos a indicação de um fator integrante em x e y. Neste caso,
você já deve ir diretamente para a etapa 6.
6. Aplique o fator integrante da equação dada e confirme que a nova
equação é exata.
7. Siga os procedimentos do Roteiro de Resolução 4.
Exemplo
Verificar se existe um fator integrante que permita a resolução da
equação y2dx + (xy + 1)dy = 0.
Por uma inspeção rápida, é possível afirmar que a equação dada
não é de variáveis separáveis e nem homogênea.
Constatamos, também, que não é exata, veja:
1. M(x,y) = y2
⇒
2. N(x,y) = xy + 1 ⇒
= 2y;
= y.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 71
71
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos investigar a possibilidade de calcular um fator integrante.
Para tal temos:
(a)
(b)
(
(
– – Portanto:
) = ) = e
(a) não é uma função somente em x;
(b) é uma função somente em y;
Como vale o item (b), vamos encontrar o fator integrante que é uma
função em y. Para tal, conforme roteiro, basta aplicar a fórmula:
Vamos confirmar que a função R = é um fator integrante. Veja:
y2dx + (xy + 1)dy = 0
ydx + dy = 0
Fazendo as derivadas parciais das novas funções M e N vamos
ter:
1. M(x,y) = y
⇒
= 1;
2. N(x,y) = ⇒
= 1.
Derivadas iguais!
A equação é exata.
Seguindo os trâmites do Roteiro de Resolução 4, vamos
encontrar a solução geral. Observe o passo a passo:
O sistema que vamos precisar resolver é dado por:
72
equacoes_diferenciais.indb 72
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Vamos escolher iniciar pela primeira equação.
= y
u = ∫ y dx + C(y)
u = yx + C(y)
O resultado obtido deve ser levado para a segunda equação do
sistema. Veja:
= (yx + C(y)) = x + C’(y) = C’(y)) = C(y)) = ∫ dy
C(y)) = ln|y| + C.
Assim, a função potencial é dada por
u = yx + ln|y| + C.
A solução geral da equação é dada por u(x,y) = C, ou seja,
yx + ln|y| = C.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 73
73
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, desenvolvemos métodos de resolução das
equações homogêneas, exatas e o método dos fatores integrantes.
Nessa síntese, chamamos a atenção para o fato de que é de
fundamental importância analisar sempre o tipo da equação,
para que a escolha do método de resolução seja adequada.
Observamos, ainda, que uma equação pode ficar enquadrada em
mais de um tipo e, nesse caso, podemos optar por um método
que intuitivamente achamos ser o mais rápido ou o que recai em
integrais menos elaboradas.
Atividades de autoavaliação
Resolver as equações diferenciais de primeira ordem que seguem:
(
1) x sen – y cos
)dx + x cos
dy = 0
2) (3xy + y2 + x2)dx + xy dy = 0
3) (2x – y)dx + (1 – x)dy = 0
4) (2 cos x + 2xy)dx + x2 dy = 0
(
5) 2 + ln x + 2
)dx = (1 – 2 ln x)dy
6) y(x + y + 1)dx + (x + 2y)dy = 0
74
equacoes_diferenciais.indb 74
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Saiba mais
Para visualizar mais exemplos, recomendamos um livro que já
tem edição esgotada, mas ainda encontrado nas bibliotecas das
universidades ou nas livrarias que trabalham com “sebo”. Para
visualizar o uso dos métodos, esse livro é muito interessante
pela variedade de exemplos apresentados. Estamos falando de
um livro integrante da coleção “Curso de Cálculo Diferencial
e Integral” que trata, especificamente, de equações diferenciais
(Volume 4), da Editora Edgard Blucher Ltda., de autoria de
Willie Alfredo Maurer.
Unidade 2
equacoes_diferenciais.indb 75
75
28/03/12 11:10
equacoes_diferenciais.indb 76
28/03/12 11:10
UNIDADE 3
Equações diferenciais lineares
de primeira ordem
Objetivos de aprendizagem
„
„
„
Identificar e resolver as equações lineares usando
o método dos fatores integrantes ou o método da
variação dos parâmetros.
Reconhecer a equação de Bernoulli e a equação de
Ricatti como um caso redutível a equações lineares.
3
Discutir a modelagem de problemas práticos.
Seções de estudo
equacoes_diferenciais.indb 77
Seção 1
Equações lineares
Seção 2
Equações de Bernoulli e equações de Ricatti
Seção 3
Aplicações gerais
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, vamos discutir as equações diferenciais lineares de
primeira ordem e as equações de Bernoulli e Ricatti que podem ser
transformadas em lineares. As equações lineares são fundamentais,
pois têm aplicações na Geometria, na Física e na Engenharia.
Também vai ser interessante lembrar a história da família
Bernoulli. Os Bernoullis matemáticos têm uma árvore
genealógica com vidas marcadas por conflitos e por muita
produção científica.
A equação de Bernoulli fica reduzida a uma equação linear,
graças aos estudos dos irmãos Jacques e Jean Bernoulli e também
por Leibniz.
A equação de Ricatti foi estudada por Jacopo Riccatti e tem-se a
conjectura de que ele já tivesse estudado o caso especial analisado
por Bernoulli, pois a obra de Bernoulli foi bastante discutida na
Itália, local de estudos de Ricatti.
Vamos, então, detalhar métodos que foram estabelecidos
historicamente por grandes homens!
Seção 1 – Equações lineares
As equações diferenciais lineares são muito usadas no contexto
da Física, da Química e da Engenharia, além de muitas outras
aplicações geométricas e em outras áreas. Nesta seção, discute-se
apenas as de primeira ordem.
Quase sempre uma situação problema é destacada por ser de
grande importância para a Engenharia e para a Física. Aqui,
também serão destacados os problemas de Circuitos Elétricos.
Não pretendemos discutir as propriedades e características dos
Circuitos Elétricos, mas você tem a oportunidade de lidar com
esse objeto de estudo como um interessante exemplo de aplicação
das equações diferenciais lineares. Veja o problema P3:
78
equacoes_diferenciais.indb 78
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
P3: O crescimento da intensidade de corrente elétrica num
circuito do tipo RL é descrita pela Lei de Kirchhoff das tensões.
Supondo que um circuito
Da lei de Kirchhoff das
elétrico tenha um resistor R de
tensões, para o presente
R
resistência 1 Ohm; um indutor
problema, temos que vale
de indutância igual a 2 Henries
a relação L + Ri = E,
e uma força eletromotriz
igual a 4 Volts, calcule o valor E
sendo que estamos
da intensidade da corrente
supondo um circuito que
elétrica para o tempo t = 2
possui um resistor de
segundos, sabendo-se
resistência R, um indutor
L
que para t = 1 segundo, a
de indutância L e uma
intensidade da corrente mediu Figura 3.1 – Circuito elétrico do problema P3
fonte de alimentação
Fonte: Elaboração da autora (2011).
3,5 ampère. A Figura 3.1
constante E. A diferença
mostra o circuito.
de potencial do resistor é
Para resolver esse problema, é necessário discutir com detalhes as
equações lineares.
dada por VR(t) = Ri(t) e
a diferença de potencial
do indutor é dada por
VL(t) = L .
O que é uma equação diferencial linear?
Uma equação diferencial de primeira ordem é dita linear quando
a função y e a sua derivada y’ são ambas do primeiro grau.
Vamos identificá-la com uma forma típica
y’ + a(x)y = h(x).
Quando a função h(x) é igual a zero, a forma típica fica reescrita
como y’ + a(x)y = 0. Neste caso, dizemos que a equação linear é
incompleta ou homogênea.
Quando temos h(x) ≠ 0, dizemos que a equação linear é completa
ou não homogênea.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 79
É interessante ficar atento
que o grau e a ordem de
uma equação diferencial são
conceitos diferentes (rever a
seção 1 da unidade 1). Toda
equação linear é de primeiro
grau, mas não necessariamente
de primeira ordem. A equação
y’’ + 2y’ + y = 0 é de primeiro
grau (linear), mas é de segunda
ordem.
79
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
– y = 0
é uma equação diferencial linear de primeira
ordem incompleta ou homogênea.
– y = x + 1
é uma equação diferencial linear de primeira
ordem completa ou não homogênea.
Compare os exemplos dados com a forma típica e observe que:
no exemplo 1 temos a(x) = – e h(x) = 0.
no exemplo 2 temos a(x) = – e h(x) = x + 1.
Como resolver as equações diferenciais lineares?
Vamos analisar a resolução verificando, inicialmente, se estamos
diante de uma equação homogênea ou não homogênea.
Fique atento, pois daqui para frente,
usaremos com mais frequência a
terminologia homogênea ou não
homogênea ao invés de incompleta
ou completa respectivamente.
Lembre-se, também, que a
equação linear homogênea não é,
necessariamente, do tipo das Equações
Homogêneas. Você pode observar isso
nos exemplos ao longo desta unidade.
Resolução das equações diferenciais lineares homogêneas
Observe a forma típica da equação linear homogênea:
y’ + a(x)y = 0.
Observe isto no desenvolvimento que segue:
80
equacoes_diferenciais.indb 80
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Portanto, a solução geral é dada por:
∫
+ a(x) dx = ln C
ln y – ln C = – ∫a(x) dx
= e–∫a(x) dx
y = Ce–∫a(x) dx
Observe que y = Ce–∫a(x) dx é uma fórmula que dá a solução geral da
equação y’ + a(x)y = 0. Recomendamos que na resolução de exemplos
e exercícios, o uso de fórmulas seja evitado, para que os conceitos
básicos não fiquem “perdidos” entre os algebrismos das fórmulas.
Exemplos
(1)
∫
– y = 0
– dx = ln C
ln|y| – 2 ln|x| = ln C
= C
y = Cx2.
(2) y’ + x sen (x2 + 1)y = 0
+ x sen (x2 + 1)y = 0
+ x sen (x2 + 1) dx = 0
∫
+ ∫ x sen (x2 + 1) dx = ln C
ln|y| – cos (x2 + 1) = ln C
ln = cos (x2 + 1)
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 81
81
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
cos (x 2 + 1)
= e
y = Ce
cos (x 2 + 1)
.
Resolução das equações diferenciais lineares não
homogêneas
Vamos trabalhar mais intensamente
com os operadores diferenciais
lineares. No momento, basta
observar que, neste caso,
Ly = y’ + a(x)y e que o operador
linear L = D + a(x) tem as
propriedades de uma transformação
linear, discutida na Álgebra Linear.
Inicialmente, é interessante observar que a equação
y’ + a(x)y = h(x) não homogênea é, por definição, uma equação
que pode ser reescrita num intervalo I como Ly = h(x), sendo
que L é um operador diferencial linear de primeira ordem no
intervalo em que as funções a(x) e h(x) são contínuas. Podemos,
então, supor ao apresentar os métodos de resolução que a
existência da solução está garantida em função da existência das
integrais que envolvem essas funções.
Vamos apresentar dois métodos:
„
„
Método do fator integrante;
Método de lagrange ou
Método da variação dos parâmetros.
Método do fator integrante
Esse método já foi discutido, portanto, basta ter em mãos o fator
integrante para obter a solução da equação linear.
O fator integrante pode ser obtido seguindo o roteiro abaixo.
Acompanhe:
y’ + a(x)y = h(x)
+ a(x)y – h(x) = 0
dy + [a(x)y – h(x)]dx = 0
82
equacoes_diferenciais.indb 82
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Temos assim:
M(x,y) = a(x)y – h(x)
N(x,y) = 1
Calculando
⇒
(
– = a(x);
⇒
= 0.
) = a(x), podemos afirmar que
o fator integrante é uma função em x e que vale:
= e∫a(x) dx.
O fator integrante para a resolução das equações
diferenciais lineares y' + a(x)y = h(x) é dado por
R = e∫a(x) dx .
Exemplo
(1)
– = x + 1
Nesta equação, temos que:
a(x) = – e h(x) = x + 1.
Encontraremos, então, o fator integrante usando a expressão
R = e∫a(x) dx.
Temos,
R = e∫a(x) dx = e∫–
–2
= e–2 ln|x| = e ln x = x–2 = dx
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 83
.
83
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Aplicamos o fator integrante na equação dada e constatamos que,
agora, estamos diante de uma equação diferencial exata.
O sistema que precisaremos resolver é dado por:
Iniciaremos pela segunda equação. Observe que a função
C(x) surge naturalmente, pois a integral está sendo resolvida
considerando-se x temporariamente uma constante.
= u = ∫
u = dy + C(x)
y + C(x)
O resultado obtido deve ser levado para a primeira equação do
sistema. Veja:
84
equacoes_diferenciais.indb 84
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Assim, a função potencial é dada por
y – ln|x| +
u = + C.
A solução geral da equação é dada por u(x,y) = C, ou seja,
y – ln|x| + = C.
A seguir, discutiremos o segundo método para a resolução das
equações diferenciais lineares de primeira ordem.
Método de lagrange ou método da variação dos parâmetros
O método da variação dos parâmetros é muito interessante e
bastante simples.
A solução fica sempre apresentada na forma explícita. Partimos da
suposição de que a solução geral é da forma y = u1v, sendo que:
„
„
u1 = u1(x) é a solução particular da equação homogênea
associada u’ + a(x)u = 0 fazendo-se a constante de
integração igual a 1;
v = v(x) é uma função que pode ser encontrada por meio
da fórmula
.
A base desse método está alicerçada na propriedade da solução
geral das equações lineares que garantem a forma y = u1v. A
generalização dessa propriedade será usada quando discutiremos
as equações lineares de ordem n.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 85
85
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
A forma da função v = v(x) fica garantida fazendo-se:
y’ + a(x)y = h(x)
(u1v)’ + a(x)u1v = h(x)
u1v’ + vu1’ + a(x)u1v = h(x)
u1v’ + v(u1’ + a(x)u1) = h(x)
Por suposição, a expressão que está dentro dos parênteses
se anula, pois, u1 = u1(x) é a solução particular da equação
homogênea associada (u’ + a(x)u = 0). Assim:
Dada a equação
y’ + a(x)y = h(x), vamos sempre
denotar como equação homogênea
associada, a equação em que
h(x) = 0, ou seja, u + a(x)u = 0.
u1v’ + v(u1’ + a(x)u1) = h(x)
u1v’ = h(x)
v’ = ⇒
Segue, assim, o roteiro de resolução.
Roteiro de Resolução 6
1. Inicialmente, certifique-se que a equação está escrita na forma
y’ + a(x)y = h(x).
2. Escreve-se a equação homogênea associada: u’ + a(x)u = 0.
3. Resolver a equação homogênea associada obtida em 2, usando o
método das variáveis separáveis.
4. Particularizar a solução geral encontrada em 3, fazendo C = 1.
Procure apresentar a solução particular na forma explícita fazendo
u1 = e–∫a(x) dx .
5. Encontrar a função
. Observe que, nesse caso, vai
surgir a constante de integração C que não deve ser descartada.
6. A solução geral será y = u1·v.
86
equacoes_diferenciais.indb 86
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Exemplos
(1) Resolver a equação 2xy’ – y = 3x2.
Observar, inicialmente, que se deve apresentar a equação na
forma y’ + a(x)y = h(x). Veja:
2xy’ – y = 3x2
y’ – y = y’ – y = x
Assim, temos que a(x) = –
roteiro de resolução 6.
e h(x) = x e podemos seguir o
Vamos escrever a equação homogênea associada e resolvê-la.
u’ – u = 0
– ∫
= 0
– ∫
= ln C
ln|u| – ln|x| = ln C
ln u × x–1/2 = ln C
u = u = Cx 1/2.
Vamos, agora, particularizar a solução encontrada fazendo C = 1.
Temos:
u1 = x 1/2.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 87
87
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Agora, vamos encontrar a função v = v(x) usando a fórmula
. Veja:
v = x 3/2 + C.
Estamos, portanto, com as funções calculadas para escrever a
solução geral:
y = u1v
y = x 1/2(x 3/2 + C)
y = x2 + Cx 1/2
Resolver o problema P3, apresentado no início desta seção.
Inicialmente, leia o problema e, a seguir, confira a tabela que
segue com a representação semiótica intermediária:
P3: O crescimento da intensidade de corrente elétrica num
circuito do tipo RL é descrita pela Lei de Kirchhoff das tensões.
Supondo que um circuito
elétrico tenha um resistor R de
R
resistência 1 Ohm; um indutor
de indutância igual a 2 Henries
e uma força eletromotriz
igual a 4 Volts, calcule o valor E
da intensidade da corrente
elétrica para o tempo t = 2
segundos, sabendo-se
L
que para t = 1 segundo, a
intensidade da corrente mediu Figura 3.1 – Circuito elétrico do problema P3
Fonte: Elaboração da autora (2011).
3,5 ampère. A Figura 3.1
mostra o circuito.
88
equacoes_diferenciais.indb 88
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Tabela 3.1 – Representação semiótica do problema P3
Símbolos
Unidades de
medida
Condições
iniciais
Condições
para a solução
Intensidade de corrente elétrica
i
Ampère
3,5
????
Resistência
R
Ohm
1
—
Indutância
L
Henries
2
—
Força eletromotriz
E
Volts
4
—
Tempo
t
Segundos
1
2
Variáveis
Fonte: Elaboração da autora (2011).
„
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
Qual é a relação que envolve a taxa de variação? ou Qual
é a equação diferencial?
As respostas a essas questões nos levam à formulação do modelo
que está alicerçado na Lei de Kirchhoff. Veja:
Função:
i = i(t)
Taxa de variação*:
Equação diferencial:
* variação da intensidade de corrente elétrica no decorrer do tempo.
Podemos apresentar a equação acima na forma de uma equação
diferencial linear não homogênea. Veja:
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 89
89
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Substituindo os valores da resistência da indutância e da força
eletromotriz temos:
+ i = + i = 2
Temos, então, a equação linear não homogênea do tipo
y’ + a(t)y = h(t) sendo que a(t) = e h(t) = 2.
Segue a solução pelo método da variação dos parâmetros.
+ = 0
∫
+ ∫ = ln C
ln|u| + t = ln C
ln|u| – ln C = – t
ln
= – t
⇒
= e–1/2t
∴
u = Ce–1/2t
Particularizando a solução da homogênea associada temos
u1 = e–1/2t.
A função v é dada por:
= ∫ 2e 1/2tdt = 4e 1/2t + C
A solução geral é dada por:
i = u1(t)·v(t)
i = e–1/2t[4e 1/2t + C]
i = 4 + Ce–1/2t
90
equacoes_diferenciais.indb 90
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Vamos aplicar as condições iniciais i(1) = 3,5.
3,5 = 4 + Ce–1/2t
Ce–1/2 = 3,5 – 4
C = = –0,5 × e 1/2 = –0,5 × 1,648 = –0,824.
Assim, i = 4 – 0,824e–1/2t é a solução particular. Para dar a resposta
final do problema temos que calcular a imagem da função
encontrada no tempo 2 segundos. Temos
i = 4 – 0,824e–1/2·2 = 3,696 Ampère.
Seção 2 – Equações de Bernoulli e equações de Ricatti
Nesta seção, vamos discutir duas equações específicas que estão
relacionadas, pois a equação de Ricatti pode ser transformada
em uma equação de Bernoulli. Já a equação de Bernoulli pode
ser transformada em uma equação linear. Assim, ambas têm
seus métodos de resolução resumidos, pois após as devidas
substituições, aplicaremos um dos métodos das equações lineares
discutidos na seção anterior.
Qual a forma padrão para a identificação da equação
de Bernoulli?
A equação de Bernoulli tem a sua forma típica expressa por:
y’ + a(x)y = h(x)·yn
sendo n um número real qualquer.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 91
91
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Numa análise rápida, podemos dizer que:
„
„
Se n = 0 ⇒ y’ + a(x)y = h(x), estamos diante de uma
equação diferencial linear não homogênea;
Se n = 1 ⇒ y’ + [a(x)y – h(x)]y = 0, estamos diante de
uma equação diferencial linear homogênea.
Para que a equação y’ + a(x)y = h(x)·yn (n ≠ 0, n ≠ 1) se transforme
em uma equação diferencial linear, é necessário fazer a troca de
variável usando-se a relação
z = y1–n.
Lembrando que se z = y1–n, vale z’ = (1 – n)y–n·y’ ou
y’·y–n = Para visualizar mais facilmente como se comporta essa
substituição, vamos multiplicar toda a equação por y–n.
y’ + a(x)y = h(x)·yn
y’·y–n + a(x)y·y–n = h(x)·yn·y–n
y’·y–n + a(x)y1–n = h(x)
Substituindo y’·y–n = temos:
e z = y1–n na expressão anterior,
y’·y–n + a(x)y1–n = h(x)
+ a(x)z = h(x)
z’ + (1 – n)a(x)z = (1 – n)h(x).
Portanto, estamos diante de uma equação diferencial linear não
homogênea. Observe que a equação é na variável z e x e tem as
funções a(x) e h(x) multiplicadas pelo número (1 – n), gerando
novas funções, mas a forma da equação diferencial linear não
homogênea fica mantida.
Veja o roteiro para a resolução.
92
equacoes_diferenciais.indb 92
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Roteiro de Resolução 7
1. Multiplique a equação y’ + a(x)y = h(x)·yn (n ≠ 0, n ≠ 1), por y–n.
2. Faça a mudança de variável y’·y–n = e z = y1–n.
Constate que você está diante de uma equação diferencial linear não
homogênea, sendo que as variáveis envolvidas são z e x.
3. Resolva a equação encontrada por um dos métodos apresentados na
seção 1 desta unidade. A solução geral encontrada é nas variáveis z e x.
4. Faça a substituição final na solução geral obtida em 3) usando a
relação definida em 2), ou seja z = y1–n.
Exemplos
(1) Resolver a equação de Bernoulli y’ – y = 2xy2.
Observe, a seguir, os passos do roteiro de resolução 7, sendo que
a substituição a ser usada é
z = y1–2 = y–1 e
y’ – y = 2xy2
y’·y–2 – y–1 = 2x
–z’ – z = 2x
z’ + z = –2x.
Estamos diante de uma equação linear em que a(x) = e h(x) = –2x.
Vamos aplicar o Roteiro de resolução 6.
Neste caso, lembre-se
de que é possível usar
também o método do fator
integrante.
u’ + u = 0
∫
+∫
= ln C
ln u + ln x = ln C
u·x = C
⇒
u = .
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 93
93
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Particularizando a solução encontrada vem u1 = . A seguir,
vamos calcular a função v(x).
Temos, assim, a solução geral em z e x:
z = u1v
ou
, sendo que 3C1 = C.
Fazendo a substituição final na qual resgatamos a nossa relação
inicial z = y–1 para encontrar a solução geral da equação de
Bernoulli dada.
Podemos, agora, analisar a equação de Ricatti que se transforma em
uma equação de Bernoulli, após uma conveniente substituição.
A equação de Ricatti é considerada, na história da matemática,
como uma das mais interessantes estudadas no século XVIII. Sua
denominação foi dada por D’Alembert em homenagem a Jacopo
Ricatti (1676-1754), mas ela foi estudada por matemáticos da
família Bernoulli. Foi Euler o primeiro a chamar a atenção para o
fato de que quando se conhece uma solução particular (y1), então,
a substituição y = y1 + 1/z vai transformá-la em uma equação
diferencial linear em z. (BOYER, 1974).
Como identificar uma equação de Ricatti?
94
equacoes_diferenciais.indb 94
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
A equação de Ricatti na sua forma original não é uma equação
linear, nem de Bernoulli. Veja:
y’ = p(x) + q(x)y + r(x)y2.
Para transformá-la em uma equação de Bernoulli é necessário
conhecermos uma equação particular, denotada por y1. Essa
equação particular em alguns casos é observável por uma rápida
inspeção, mas em outros casos pode ser algo mais complicado.
Você poderá observar nos livros didáticos que, em geral, as
soluções particulares já são apresentadas tanto nos exemplos
como nas listas de exercícios.
Para transformar uma equação de Ricatti em uma
equação de Bernoulli, basta ter em mãos uma solução
particular y1 e usar as substituições y = y1 + w o que
implica em y' = y1' + w'.
É usual obter as soluções
particulares em problemas
práticos a partir das
condições da modelagem
do problema, mas neste
texto não vamos avançar
nesta discussão, pois pode
ser necessário envolver
objetos mais complexos
que não estão inseridos nos
objetivos dessa disciplina.
Aplicando as substituições e lembrando que
y1’ = p(x) + q(x)y1 + r(x)y12 ou
y1’ – p(x) – q(x)y1 – r(x)y12 = 0,
Não esquecer que y1 é
solução particular, por isso,
vale a relação dada.
vamos ter:
y’ = p(x) + q(x)y + r(x)y 2
y1’ + w’ = p(x) + q(x)y1 + q(x)w + r(x)(y12 + 2y1w + w2)
w’ – [q(x) + 2y1r(x)]w = r(x)w2
A equação obtida é uma equação de Bernoulli, w’ + a(x)
w = h(x)·wn, sendo que a(x) = q(x) + 2y1r(x); h(x) = r(x) e n = 2.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 95
95
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Roteiro de Resolução 8
1. Certifique que a equação dada é da forma y’ = p(x) + q(x)y + r(x)y 2 e que
você tem em mãos a solução particular y1.
2. Aplique as substituições y = y1 + w e y’ = y1’ + w’, ou vá direto para a
expressão simplificada w’ – [q(x) + 2y1r(x)]w = r(x)w2.
3. Identifique a equação de Bernoulli e siga o roteiro 7.
4. Para finalizar, você deve retornar a substituição aplicada em 2),
fazendo w = y – y1 na solução encontrada.
Exemplo
(1) Resolver y’ = –6 – y + y2.
Numa investigação rápida, é possível ver que y1 = 3 é uma solução
particular.
Observando que p(x) = –6; q(x) = –1; r(x) = 1 e aplicando direto
na expressão w’ – [q(x) + 2y1r(x)]w = r(x)w2 temos:
w’ –[–1 + 2 × 3 × 1]w = 1w2
w’ – 5w = w2.
A equação obtida é de Bernoulli. Aplicando o roteiro 7 temos:
w’ – 5w = w2
w’w–2 – 5ww–2 = w2w–2
–z’ – 5z = 1
z’ + 5z = –1.
96
equacoes_diferenciais.indb 96
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Equações Diferenciais
Encontramos a equação linear não homogênea. Aplicando o
Roteiro 6 temos:
z’ + 5z = –1
u’ + 5u = 0
+ 5dx = 0
∫
+ ∫5dx = ln C
ln |u| + 5x = ln C
ln |u| – ln C = –5x
ln
= –5x
u = Ce–5x
u1 = e–5x.
Calculando a função v(x) temos
Assim,
Retornado as variáveis iniciais w = y – 3, temos a solução geral final:
Na seção seguinte, analisamos mais aplicações das equações
discutidas nesta seção.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 97
97
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 3 Aplicações gerais
Para ampliar um pouco mais a prática de resolução de problemas
que são modelados com equações diferenciais, seguem três
problemas cujos enunciados e dados foram adaptados de
Frank (1994). Observe que em cada problema é necessário um
conhecimento da Física. Como o nosso objetivo é a visualização
e cálculo da equação diferencial, sempre que necessário
apresentamos uma nota relativa aos conceitos da Física.
P4: Uma aeronave de 48.000 toneladas para transporte de
cargas inicia o seu deslocamento com o empuxo de 100.000 N
das hélices propulsoras.
a) Estabelecer sua velocidade em função do tempo t, sabendo-se
que a resistência ao movimento em N é de 1.500v, sendo v a
velocidade em metros por segundo.
b) Calcular a velocidade no tempo t = 5 horas.
c) Definir a velocidade máxima.
Preste muita atenção ao completar a tabela das
representações semióticas para que os dados tenham
as unidades coerentes com o sistema internacional de
unidades.
Apresentamos, inicialmente, a representação semiótica
intermediária.
Tabela 3.2 – Representação semiótica do problema P4
Variáveis
Condições
Condições
iniciais para a solução
Símbolos
Unidades de medida
Massa da aeronave
m
Quilograma (kg)
4.800.000
—
Empuxo (força propulsora)
Fp
Newton (N)
100.000
—
Velocidade
v
Metro por segundo (m/s)
0
???
Tempo
t
segundo (s)
0
18.000
Resistência
Fr
Newton (N)
1.500v
—
Fonte: Elaboração da autora (2011).
98
equacoes_diferenciais.indb 98
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Temos que responder as seguintes questões:
„
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
Qual é a relação que envolve a taxa de variação?
Qual é a equação diferencial?
Antes de responder às questões padronizadas que propiciam a leitura
da representação, é interessante lembrar alguns conceitos da Física.
Da Física temos que para o presente problema vale a
relação:
Massa × aceleração = força resultante
= força propulsora – resistência.
Temos portanto:
Função identificável:
v = v(t)
Taxa de variação*:
Equação diferencial**:
* Aceleração. ** Analisando os dados que temos, obtemos a equação.
Aplicando os dados temos:
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 99
99
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Portanto, a equação que modela o problema é uma equação
diferencial linear não homogênea.
Veja a solução, usando os métodos discutidos nesta unidade.
Particularizando a solução da homogênea associada temos:
u1 = e–t/3200.
Calculando a função w que compõem a solução temos:
w=
Assim, fazendo v = u1 . w temos:
Usando a condição inicial v(0) = 0 temos que C = –
.
Assim, a solução particular que responde ao item (a) do problema é:
v = – e–t/3200.
A solução do item (b) é simples a partir do resultado anterior,
pois basta aplicar as condições da última coluna da tabela das
representações semióticas. Temos:
v = – e–18000/3200.
v = 66,426 m/s ≅ 239,11 km/h.
100
equacoes_diferenciais.indb 100
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Para responder ao item (c) é importante lembrar que usamos,
neste contexto, o termo velocidade máxima, portanto, estamos
supondo o tempo tendendo para o infinito, ou seja, estamos
analisando as potencialidades do aumento da velocidade no
decorrer do tempo.
Fazendo, então, o limite de v = – e–t/3200 quando t tende
m/s = 240 km/h.
para o infinito, vamos obter o valor v = P5: Um corpo de massa m cai, partindo do repouso, em um fluido
em que a resistência dada em Newton é proporcional à velocidade
dada em metros por segundo. Sabendo que a densidade do fluido
é ¼ da densidade do corpo, e que a velocidade máxima limite é de
8 m/s. Achar a velocidade ao final de 3 segundos.
(Usar a aceleração da gravidade com o valor aproximado de 10 m/s2)
Veja a representação semiótica intermediária do problema P5.
Tabela 3.3 – Representação semiótica do problema P5
Unidades
Símbolos de
medida
Variáveis
Massa
m
kg
Velocidade
v
m/s
Densidade do fluido
d1
kg/m3
Densidade do corpo
d2
kg/m3
Tempo
t
s
Condições
iniciais
Condições
para a solução
0
8
???
0
t→∞
3
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Temos que responder as seguintes questões:
„
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
Qual é a relação que envolve a taxa de variação?
Qual é a equação diferencial?
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 101
101
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Antes de responder às questões padronizadas que propiciam a leitura
da representação, é interessante lembrar alguns conceitos da Física.
Da Física temos que para o presente problema vale a
relação:
Força resultante = peso do corpo
– força devida ao fluido – resistência.
Peso do corpo = massa × aceleração da gravidade.
Temos, portanto:
v = v(t)
Função identificável:
Taxa de variação*:
Equação diferencial**:
* Aceleração.
** Analisando os dados que temos, obtemos a equação.
Aplicando o valor aproximado da aceleração da gravidade e
fazendo simplificações temos:
m = m – kv
= – v
+
v = A equação
.
+
v = é linear.
102
equacoes_diferenciais.indb 102
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Seguindo o roteiro de resolução 6, temos:
+
v = +
u = 0
∫
+ ∫ dt = ln C
ln|u| – ln C = – t
= e–
t
u1 = e– t.
é dada por:
A integral
Assim, a função velocidade pode ser escrita como:
Aplicando a condição inicial v(0) = 0 temos:
v = + Ce–
t
0 = + Ce–
·0
C = –
.
Assim, podemos reescrever a função velocidade como:
v = – e– t .
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 103
103
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para encontrar a constante de proporcionalidade k, podemos usar
a segunda condição, fazendo o limite de v, quando t tende para o
infinito, e aplicando o valor de v igual 8 m/s. Veja:
v = (
– )
e– t = = 8 ou
Assim temos:
= .
.
Novamente, a função velocidade pode ser reescrita como
v = 8 – 8e– t.
Usando essa relação, podemos identificar a velocidade no
decorrer do tempo. Em especial, temos que responder à pergunta
do problema para o tempo igual a 3 segundos. Veja:
v = 8 – 8e–
·3
≅ 7,5 m/s.
P6: Se um circuito elétrico tiver uma resistência de 10 Ohms
e um capacitor de capacitância igual a 10 –3 Farad e uma força
eletromotriz dada por E(t) = 100 sen (120πt) Volts, calcular:
a) a carga elétrica (q), supondo que q = 0 quando t = 0 s.
b) a intensidade da corrente elétrica (i), supondo que i = 5
ampères quando t = 0 s.
Veja, a seguir, a representação semiótica do problema P6.
Tabela 3.4 – Representação semiótica do problema P6
Variáveis
Símbolos
Unidades
de medida
Condições
iniciais
Condições
para a solução
Resistência
R
Ohms
10
Capacitância
C
Farad
10–3
Força eletromotriz
E
Volts
Tempo
t
Segundos
0
Intensidade da corrente elétrica
i
Ampère
5
???
Carga elétrica
q
Coulomb
0
???
Fonte: Elaboração da autora (2011).
104
equacoes_diferenciais.indb 104
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Podemos fazer os seguintes questionamentos para a análise da
representação semiótica:
„
Qual a função identificável?
„
Qual a taxa de variação presente no contexto do problema?
„
Qual é a relação que envolve a taxa de variação?
„
Qual é a equação diferencial?
Temos:
Função identificável:
q = q(t), i = i(t) e E(t) = 100 sen (120πt)
Taxa de variação:
Equação diferencial*:
* Das equações básicas de circuito elétrico
Aplicando os dados da representação semiótica, temos:
+
10
+
= 100 sen (120πt)
= 10 sen (120πt)
A equação obtida é uma equação diferencial linear não homogênea.
Para responder ao item do problema, vamos resolvê-la.
∫
+
= 0
+
dt = 0
+∫
dt = ln C
ln|u| – ln C = – 100t
= e–100t
u1 = e–100t.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 105
105
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Temos ainda que:
Veja integral 3:
∫e
10 sen (120πt)dt
100t
no anexo digital, disponibilizado no EVA.
Assim, temos a solução geral da equação diferencial:
Para a condição inicial q(0) = 0 temos
Assim, a solução particular é dada por
Para responder ao item (b) do problema, basta lembrar a relação
.
106
equacoes_diferenciais.indb 106
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Assim,
Aplicando as condições para o item (b), isto é, i(0) = 5 temos:
Finalizando temos:
Para finalizar esta unidade, é importante esclarecer que em alguns
momentos alguns formalismos matemáticos são omitidos, pois
algumas simplificações ficam implícitas. Por exemplo, na maioria
das vezes fazemos ln|u| = ln u, sem esclarecer que estamos em um
contexto prático em que os valores de u são positivos.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 107
107
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, foi possível analisar a resolução das equações
diferenciais lineares por dois diferentes métodos. No decorrer da
unidade, em geral, os exemplos foram resolvidos pelo método
da variação dos parâmetros, isso se deu pelo fato de já obtermos
as funções na forma explícita. Entretanto, o método do fator
integrante pode sempre ser usado e os resultados obtidos são
iguais após sofrerem simplificações.
Ainda nesta unidade, discutimos equações que podem ser
transformadas nas equações lineares.
Os problemas apresentados não esgotam o universo das
aplicações desse tipo de equação, apenas mostram a necessidade
de conhecer as leis do fenômeno em análise para que se possa
identificar os modelos adequados.
108
equacoes_diferenciais.indb 108
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Equações Diferenciais
Atividades de autoavaliação
1) Resolver as seguintes equações diferenciais, apresentando a solução
geral de cada item.
a) xy’ – (3x – 1)y = 3xe3x
b) sen t
+ 2r·cos t + 1 = 0
c) 3 xy’ – 2y = d) xy’ = y + x2·sen x
e) y’ = 9 + 6y + y2
2) Resolver xyy’ – 3y2 – x2 = 0, sujeito à condição y(–1) = 2.
3) Resolver a equação de Ricatti y’ = e 2x + (1 + 2ex)y + y2, considerando que
a solução particular conhecida é y1 = –ex.
4) Um corpo cai sob ação da gravidade e está sujeito à resistência do ar
que é proporcional à velocidade adquirida. Se a velocidade limite é de
58 m/s, achar a velocidade ao cabo de 10 segundos.
Saiba mais
De um modo geral, as equações lineares são as mais
exemplificadas nos livros de Equações Diferenciais e também
nos livros de conteúdos específicos de Engenharia. Em especial,
para saber mais, recomendamos o livro Equações Diferenciais
Elementares e Problemas de Valores de Contorno, dos autores,
William E. Boyce e Richard C. Di Prima, da Editora Livros
Técnicos e Científicos, edição de 1994.
Unidade 3
equacoes_diferenciais.indb 109
109
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equacoes_diferenciais.indb 110
28/03/12 11:10
UNIDADE 4
Tipos especiais
Objetivos de aprendizagem
„
Analisar graficamente a existência das envoltórias.
„
Discutir a resolução das equações de Lagrange.
„
Discutir a resolução das equações de Clairaut.
„
Resolver diferentes tipos de equações diferenciais de
segunda ordem e grau diferente de um.
„
Refletir o uso das equações diferenciais em diferentes
áreas de conhecimento, a partir de problemas práticos.
4
Seções de estudo
Seção 1
Seção 2
equacoes_diferenciais.indb 111
Equações de Lagrange,
equações de Clairaut e envoltórias
Tipos especiais de equações de ordem maior que um
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, discutiremos as equações de Lagrange e Clairaut.
O interesse no estudo dessas equações está no fato de podermos
mostrar a existência das envoltórias que coincidem com as
soluções singulares.
Na história da matemática, temos interessantes informações no
contexto da formação do conceito das envoltórias. Destacamos
um nome pouco comentado no dia a dia do professor da área do
Cálculo Diferencial e Integral. Trata-se de Tschirnhausen (16511708), que dedicou sua vida para estudar Matemática e Física.
Em 1682, introduziu as curvas catacáusticas, que são envoltórias
de raios de luz emitidos de uma fonte pontual, após refletirem-se
numa curva dada.
Não vamos, nesta seção, estudar esse tipo e envoltórias, pois
estamos com o nosso foco nas equações diferenciais, mas não
podemos deixar de fazer o registro desse grande matemático, cujo
nome nos lembra as envoltórias.
Vamos seguir e descobrir as envoltórias no contexto das equações
diferenciais!
Seção 1 – Equações de Lagrange, equações de Clairaut
e envoltórias
Nesta seção, discutiremos equações que são de primeira ordem,
mas tem grau diferente de um. Inicialmente, vamos analisar a
Equação de Lagrange e, posteriormente, o caso específico de
equação de Clairaut.
Como identificar a equação de Lagrange?
112
equacoes_diferenciais.indb 112
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
A equação de Lagrange assume a forma y = xf(y’) + g(y’). Para
resolver essa equação, usaremos um procedimento simples e a
solução pode ser apresentada na forma paramétrica, podendo, em
alguns casos, ter soluções singulares.
Observe a simplicidade do roteiro de resolução.
Substituir y’ = p, obtendo a equação dada por y = xf(p) + g(p). Em
seguida, fazer a diferencial, lembrando que dy = pdx.
Veja como fica a equação:
pdx = xf ’(p)dp + f(p)dx + g’(p)dp.
Essa expressão deverá ser simplificada e colocada na forma de
uma equação diferencial linear em x e p. Veja:
[p – f(p)]dx = xf ’(p)dp + g’(p)dp
[p – f(p)]
– = xf ’(p) + g’(p)
x = Comparando com a forma tradicional da equação linear não
homogênea
sendo que
a(p) = + a(p)x = h(p), vamos ter a identificação perfeita
e h(p) = .
A solução geral dessa equação vai nos dar a primeira expressão
da solução paramétrica, ou seja, x = x(p). A segunda expressão
da solução paramétrica é obtida quando colocamos o valor de
x = x(p) na forma inicial da equação de Lagrange, isto é, em
y = xf(p) + g(p). Assim, a solução paramétrica é dada por:
Se o parâmetro p puder ser eliminado, vamos obter uma solução
singular.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 113
A solução é dita
paramétrica, pois a função
solução y = f(x) está
expressa em termos de um
parâmetro p.
113
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Veja como fica o roteiro de resolução.
Roteiro de Resolução 9
1. Identificar, inicialmente, se a equação é efetivamente da forma de
Lagrange, ou seja, se está escrita como y = xf(y’) + g(y’).
2. Substituir y’= p na equação dada.
3. Fazer a diferencial e substituir dy = pdx.
4. Simplificar para identificar a equação linear não homogênea em x e p.
5. Resolver a equação encontrada em 4.
6. Apresentar a solução na forma paramétrica.
Exemplo
Resolver a equação y = 2xy’ + ln y’.
Observe que estamos diante da Equação da Lagrange
y = xf(y’) + g(y’), sendo que f(y’) = 2y’ e g(y’) = ln y’.
Vamos substituir y’= p e fazer a diferencial.
y = 2xy’ + ln y’
y = 2xp + ln p
dy = 2xdp + 2pdx + dp
pdx = 2xdp + 2pdx + dp
Simplificaremos para visualizar a equação diferencial linear em x e p.
pdx = 2xdp + 2pdx + dp
–pdx = 2xdp + dp
+ x = –
114
equacoes_diferenciais.indb 114
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Estamos diante da equação linear não homogênea. Seguindo,
agora, o Roteiro de Resolução 6 temos:
+ u = 0
∫
+ 2∫
= ln C
ln|u| + 2 ln|p| = ln C
= p–2
u1 = p–2
A função v(p) é dada por:
dp = –p +C
A solução é dada por x = p–2(–p + c) = .
Essa expressão é a primeira equação da solução paramétrica. Veja:
ou
é a solução paramétrica da equação dada.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 115
115
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Um caso particular da equação de Lagrange é a Equação de
Clairaut.
Alexis Claude Clairaut (1713-1765) foi um grande matemático. Sua
carreira científica inicia aos 10 anos de idade quando já lia textos
de Cálculo e Cônicas. Aos 13 anos, já estava produzindo para a
Académie des Sciences e, aos 18 anos, já era um dos membros desta
renomada academia de Paris. Nasceu em Paris e participou de uma
interessante pesquisa para dirimir as pendências sobre a forma
da terra. Em 1752, foi premiado com o seu trabalho Théorie de la
Lune – um inédito estudo matemático do movimento lunar. Aplicou
o processo de diferenciação à equação diferencial y = x(y’) + g(y’) e
encontrou a solução singular. Esse processo já era usado por Taylor.
É interessante dizer que em 1759, Clairaut calculou, com erro de
cerca de um mês, o retorno do cometa Halley – um cometa que
a nossa atual geração teve a alegria de visualizar, mas que muitos
jovens ainda não viram. Sua última aparição foi em 1985/1986, e a
próxima está prevista para o ano de 2061. (EVES, 1995)
Como identificar a equação de Clairaut?
A equação de Clairaut é um caso particular da equação de
Lagrange. Sua forma típica é y = xy’ + g(y’). O método de
resolução é o mesmo, apenas tem-se uma simplificação que
permitirá estabelecer a solução geral e a solução singular de
maneira mais rápida.
Roteiro de Resolução 10
1. Identificar se a equação é efetivamente da forma de Clairaut, ou seja,
se está escrita como y = xy’ + g(y’).
2. Substituir y’= p na equação dada.
3. Fazer a diferencial e substituir dy = pdx.
4. Simplificar para identificar a solução geral que tem a forma
y = Cx + g(C).
5. Eliminar a constante C para encontrar a solução singular.
116
equacoes_diferenciais.indb 116
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Exemplo
Resolver a equação y = xy’ + y’2.
Observe que estamos diante da Equação de Clairaut
y = xy’ + g(y’), sendo que g(y’) = y’2.
Substituí-se y’ = p e fazer a diferencial.
y = xy’ + y’2
y = xp + p2
dy = xdp + pdx + 2pdp
pdx = xdp + pdx + 2pdp
Vamos simplificar para visualizar a solução geral.
pdx = xdp + pdx + 2pdp
(x + 2p)dp = 0
Da última expressão, podemos concluir que temos:
dp = 0 ou
(x + 2p) = 0
„
Se dp = 0, temos que p = C.
„
Se (x + 2p) = 0, temos que x = –2p ou p = – .
Usando esses dois resultados aplicados na equação dada, podemos
ter:
„
Solução Geral:
„
Solução singular:
y = Cx + C2;
ou
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 117
.
117
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Na Figura 4.1, você pode observar soluções particulares geradas
da solução geral e a solução singular.
y
8
6
4
2
–8
–6
–4
–2
2
4
6
8
x
–2
–4
–6
–8
Figura 4.1 – Soluções particulares e solução singular
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Observe que a solução singular é uma envoltória das soluções
particulares.
O que é uma envoltória?
Seja a família de curvas dependente de um parâmetro f(x,y,C) = 0.
Uma envoltória dessa família de curvas é a curva que é tangente a
todas as linhas que constituem a família.
Podemos afirmar que existe uma ou mais envoltórias
para uma mesma família de curvas ou também
poderá não existir envoltória. As curvas da família são
denotadas de envolvidas.
118
equacoes_diferenciais.indb 118
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Um exemplo de família de curvas que não tem envoltória é a
família formada por circunferências concêntricas. A Figura 4.2
mostra este exemplo. Claramente, visualizamos a impossibilidade
de existir a envoltória.
6
y
4
2
–6
–4
–2
2
6 x
4
–2
–4
–6
Figura 4.2 – Família de circunferências concêntricas
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Para o caso de uma família de circunferências de mesmo raio
não concêntricas, vamos poder visualizar as envoltórias. Veja na
Figura 4.3, o caso da família (x – α)2 + y2 = 25 de raio igual a 5 e
centradas em (α,0).
y
6
4
2
–10 –8
–6
–4
–2
2
4
6
8
10 x
–2
–4
–6
Figura 4.3 – Família (x – α)2 + y2 = 25
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 119
119
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Como estabelecer algebricamente a envoltória?
Para estabelecer a existência da envoltória, podemos usar o
conceito de que duas envolvidas infinitamente próximas se
cortam num ponto situado sobre a envoltória. Portanto, podemos
dizer que os pontos da envoltória são os limites das intersecções
das curvas que compõem a família.
Algebricamente, podemos considerar que as duas curvas
infinitamente próximas podem ser escritas como f(x,y,α) = 0 e
f(x,y,α + ∆α) = 0 quando ∆α → 0.
A intersecção das curvas é expressa pelo sistema algébrico
Para ∆α → 0, podemos reescrever a segunda equação do sistema
como
Assim, o sistema fica
Para cada valor de α, o sistema nos dá um par de valores x e y, ou
seja, dá-nos uma envoltória.
120
equacoes_diferenciais.indb 120
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
A equação algébrica da envoltória pode ser obtida eliminandose o parâmetro α do sistema que a define. Observamos que a
existência da envoltória está relacionada com a existência de
solução para o sistema
.
Os pontos das envolvidas que pertencem à envoltória
são chamados pontos característicos. Dessa forma,
a envoltória é o lugar geométrico dos pontos
característicos.
Exemplos
(1) Definir a envoltória da família de circunferências de raio 5 e
centro no eixo dos x.
A envoltória dessa família já foi mostrada na Figura 4.3. Temos:
„
Equação da família:
(x – α)2 + y2 = 25
„
Sistema que define a envoltória:
Da segunda equação, temos que (x – α) = 0.
Levando esse valor na primeira equação obtemos:
(x – α)2 + y2 = 25
0 + y2 = 25
y2 = 25
∴
y1 = 5
e
y2 = –5.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 121
121
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Observe que encontramos exatamente as duas retas que estão
envolvendo a família de curvas na Figura 4.3.
Qual a relação das envoltórias com as equações
diferenciais que discutimos nesta seção?
Considerando-se que a solução geral de uma equação diferencial
é uma família de curvas do tipo F(x,y,C) = 0 onde C é uma
constante arbitrária. Podemos formalizar o sistema. Caso haja a
envoltória da família de curvas F(x,y,C) = 0, essa é exatamente a
solução singular da equação.
Na seção que segue, ampliamos a discussão da resolução de equações
diferenciais de ordem maior que um. As equações discutidas são
consideradas tipos especiais pela forma em que são apresentadas.
Seção 2 – Tipos especiais de equações
de ordem maior que um
Nesta seção, discutiremos tipos especiais de equações diferenciais
de ordem maior, que assumem formas tais como:
y(n) = f(x);
yn = f(y); y’’ = f(y’).
Todas têm aplicações práticas e, em alguns casos, são também
lineares e podem ser resolvidas pelos métodos das equações
lineares de ordem n.
Observe que somente no tipo I vamos ter ordens maiores que
dois. Nos demais tipos, discutiremos, especificamente, equações
de segunda ordem.
Sempre que representamos a equação de segunda
ordem, na forma y'' = f(x,y,y') dizemos que é uma
forma normal.
122
equacoes_diferenciais.indb 122
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Restringiremos o nosso estudo às equações que podem ser
reescritas na forma normal.
Ao resolver uma equação de ordem n, vamos obter uma solução
geral que contém n constantes arbitrárias. Para particularizar a
solução geral, vamos necessitar de n condições iniciais. Assim,
diante de n condições iniciais, vamos encontrar a solução
particular que é única.
Geometricamente, não vamos mais ter o visual de uma família
de curvas no caso da solução geral e um específico membro dessa
família para o caso da solução particular, pois, agora, estamos
lidando com mais objetos.
É possível, na equação de segunda ordem, associar a cada ponto
(x,y) de uma específica região do plano, não somente uma direção
y’, como acontece com a equação de primeira ordem, mas, ainda,
uma curvatura ou um raio de curvatura.
Vamos, a seguir, estabelecer detalhes adicionais na medida em
que vamos discutindo a resolução dos tipos especiais.
TIPO I Equações que assumem a forma y(n) = f(x)
A resolução desse tipo de equação é simples, pois vamos somente
aplicar sucessivamente a operação inversa da derivação. Veja os
exemplos que seguem:
A curvatura de uma
curva em um dado ponto
é a medida de quão
rapidamente a curva muda
de direção no ponto. A
definição matemática
depende de conceitos
do cálculo vetorial.
Especificamente, para o
caso de uma curva plana, a
curvatura é dada por
.
O raio de curvatura é
definido como r = 1/k.
Exemplos
(1) Resolver xy’’ = 3.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 123
123
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
(2) Resolver y(5) = 2x2 + x – 2.
Observe a notação de derivada de
quinta ordem. Podemos, também,
representar como y (5) = yv. Em
geral, com ordens superiores a três,
o usual é a representação y (5).
Estamos diante de uma equação de quinta ordem, portanto, a
sua solução geral deverá ter 5 constantes arbitrárias.
Temos as sucessivas integrações:
(3) Encontrar a solução particular para o seguinte problema de
valor inicial:
y’’ = x + ex;
y(0) = 0
e y(1) = e.
Neste caso, vamos, inicialmente, encontrar a solução geral e,
posteriormente, aplicar as duas condições iniciais para definir a
solução particular única.
124
equacoes_diferenciais.indb 124
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Aplicando as condições iniciais, vamos ter um sistema com duas
equações para resolver:
Da primeira equação temos que C2 = –1. Aplicando esse
resultado na segunda equação, vamos obter C1 = .
Portanto, a solução particular é dada por
Vamos, agora, destacar o seguinte problema:
P7: O estudo de flexão de vigas é uma prática do dia a dia de um
Engenheiro Civil, principalmente se atua no cálculo estrutural.
Para o caso da flexão de uma viga de comprimento L engastada,
fixa em A e livre em B (ver Figura 4.4), sujeita a uma carga Q,
aplicada em B, podemos deduzir a equação diferencial de
segunda ordem que modela a situação. Veja:
Temos que E é o módulo de elasticidade de Young dado em kg/cm2,
um valor fixo que depende da constituição do material da viga.
Temos, ainda, que I representa o momento de inércia da área da
seção transversal em relação a um eixo normal ao plano da figura.
Um sistema cartesiano é alocado com o eixo horizontal (x) tangente
à viga, e o eixo vertical (y) voltado para baixo (ver Figura 4.5).
A
N
O
–Q
T
A
C
P
R
B
Q
N
C
Q
Figura 4.4 – Viga engastada
Fonte: Maurer, 1975, p. 121 e 123.
Figura 4.5 – Sistema cartesiano
Fonte: Maurer, 1975, p. 121 e 123.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 125
125
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
A equação apresentada é do tipo I e sua resolução fica:
Vamos apresentar a solução particular considerando que as
condições iniciais são: y(0) = 0 e y’(0) = 0, obteremos as constantes
de integração iguais a zero. Portanto, a solução particular que
modela o problema é dada por:
Essa equação é conhecida como a equação da viga flexionada,
para a situação de engastada em uma extremidade.
TIPO II Equações que assumem a forma y’’ = f(y)
Veja o roteiro de resolução para esse tipo de equação.
Roteiro de Resolução 11
1. Identificar se a equação é da forma y’’ = f(y).
2. Aplicar a substituição y’ = = p e y’’ = = ·
= ·p.
3. Fazer as simplificações e resolver a equação encontrada que é de
variáveis separáveis em p e y.
4. Substituir o p pelo seu valor inicial, ou seja, p = .
5. Fazer as simplificações e resolver a equação encontrada que é de
variáveis separáveis em x e y.
126
equacoes_diferenciais.indb 126
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Exemplos
(1) Resolver a equação
.
Vamos fazer a substituição
.
Fazendo
= C2 vem,
ou
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 127
127
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Fazendo
cos C2 = A e
sen C2 = B temos a solução geral
apresentada como: y = A·sen kx + B·cos kx.
Nesse exemplo, vamos destacar outro problema prático.
P8: Uma partícula de massa m gramas se desloca ao longo
do eixo dos x atraída por outra com força F = –4mx–3 N, sendo
x > 0, que se acha situada na origem. Determinar a equação do
movimento, sabendo que para t = 0 segundos, tem-se x = 2 cm e
a velocidade v = – cm/s (adaptação de ABUNAHMAN, 1986).
Vamos fazer a representação semiótica do problema.
Tabela 4.1 – Representação semiótica do problema P8
Símbolos
Unidades
de medida
Massa
m
g
Força
F
N
Tempo
t
s
Velocidade
v
cm/s
Deslocamento
x
cm
Variáveis
Condições
iniciais
Condições
para a solução
0
t
2
???
–
Fonte: Elaboração da autora (2011).
As perguntas que podem ser feitas para a modelagem do
problema são:
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
„
Qual é a relação que envolve a taxa de variação?
„
Qual é a equação diferencial?
128
equacoes_diferenciais.indb 128
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
As respostas dessas questões nos levam à formulação do modelo.
Veja:
Função identificável:
x = x(t)
Taxa de variação:
Equação diferencial:
Veja que, nesse caso, a equação diferencial pode ser estabelecida
desde que saibamos as leis da física que regem esse tipo de
movimento. Temos:
F = m·a e a = Assim, estamos diante da equação
= –4x–3
que é uma equação do segundo tipo, apenas observando que a
função é x = x(t), portanto, ao aplicar o roteiro de resolução 10
precisaremos fazer as devidas adequações de notação simbólica.
Considerando-se que v = , podemos trabalhar com a variável v
ao invés de p, pois, nesse caso, estamos dando uma interpretação
para o parâmetro auxiliar p.
Vamos aplicar a substituição
= v e
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 129
= = ·
= .v.
129
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Aplicando a condição inicial temos:
x = 2
⇒
v = –
∴
(–
)2 =
4·2–2 + C1
3 = 1 + C1
∴
C1 = 2
Assim, podemos reescrever a expressão anterior como:
Vamos usar o sinal negativo, pois já sabemos que em x = 2 a
velocidade v é negativa.
Aplicando a condição inicial temos: t = 0 ⇒ x = 2.
Assim, podemos escrever a solução geral.
t = – (4 + 2x2)1/2 + 130
equacoes_diferenciais.indb 130
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Como o problema solicita a função x = x(t), podemos explicitar o
x, obtendo:
Observando que vamos usar apenas o sinal positivo, pois foi
imposto no enunciado do problema que x > 0.
Com esse resultado, podemos ter em mãos a posição da partícula
no decorrer do tempo.
TIPO III Equações que assumem a forma y’’ =f(y’)
Veja o roteiro de resolução para esse tipo de equação.
Roteiro de Resolução 12
1. Identificar se a equação é da forma y’’ = f(y’).
2. Substituir
= p.
3. Simplificar e resolver a equação de variáveis separáveis encontrada
em p e x.
4. Substituir novamente o valor de p para
.
5. Simplificar e resolver a nova equação encontrada em y e x.
Esse tipo de equação surge de forma sistemática quando analisamos
o movimento de um corpo em um meio resistente, por exemplo, um
pingo de chuva ou um paraquedista ao cair na atmosfera.
Inicialmente, tem-se um movimento acelerado, porém, ao aumentar
a velocidade, aumenta também a resistência do ar que acaba por
equilibrar a força da gravidade. Daí por diante, o movimento fica
uniforme. A velocidade constante adquirida nesses casos é denotada
como velocidade limite do corpo no meio resistente.
A equação que modela esse tipo de problema é do tipo
= g – k
,
É usual na literatura
encontrar esse tipo de
equação denotada por
.
sendo que x é o espaço percorrido no decorrer do tempo t.
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 131
131
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo
Resolver y’’ = y’2 + 4.
= p2 + 4
dp = (p2 +4)dx
∫dx – ∫
= C. Fazendo C = –C1, vem:
x – arctg = –C1
Antes de substituir novamente o p, vamos explicitar para facilitar
a resolução da nova equação.
x – arctg = –C1
2(x + C1) = arctg
tg [2(x + C1)] = p = 2 tg [2(x + C1)]
= 2 tg [2(x + C1)]
Agora, vamos resolver a equação em x e y.
= 2 tg [2(x + C1)]
∫dy – ∫2 tg [2(x + C )] dx = C
1
y – ln|sec(2 x + C1)| = C2
2
y = ln|sec(2 x + C1)| + C2.
Assim, a solução geral é y = ln |sec 2(x + C1)| + C2.
132
equacoes_diferenciais.indb 132
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Síntese
Nesta unidade, analisamos equações que têm soluções singulares
e, em seguida, analisamos equações consideradas especiais pela
sua forma de apresentação. Todas as equações discutidas nesta
unidade surgem em diferentes problemas práticos, que envolvem
tanto a Física como a Engenharia Civil. Na unidade seguinte,
você terá a oportunidade de retomar alguns casos para discutir
novas formas de resolução.
Atividades de autoavaliação
Resolver as seguintes equações:
a) y = xy’2 + y’3
b) y’2 + y = 2xy’
c) y – y’x = a(1 + y’2)1/2
d) y = xy’ + (1 – y’)y’
e) y(4) = 2x + sen 2x
f) y’’ = ln (2x + 1)
g) y’’ = 1 + y’2
Unidade 4
equacoes_diferenciais.indb 133
133
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Saiba mais
Para saber mais, recomendamos a leitura dos conceitos básicos
de curvatura no contexto do Cálculo Vetorial. Ver, por exemplo,
o livro de Cálculo (volume II) de James Stewart. Este livro é
considerado pelas editoras como o livro de Cálculo mais vendido
no mundo todo. Tem-se a versão em português pela Editora
Thomson, com a quarta edição de 2004.
134
equacoes_diferenciais.indb 134
28/03/12 11:10
UNIDADE 5
Equações lineares de ordem n
Objetivos de aprendizagem
„
Identificar as equações diferenciais de coeficientes
constantes homogêneas e não homogêneas.
„
Resolver equações diferenciais de ordem n pelo
método dos coeficientes a determinar.
„
Resolver equações diferenciais de ordem n pelo
método da variação dos parâmetros.
„
Resolver equações de Cauchy-Euler de primeira,
segunda e terceira ordem.
5
Seções de estudo
Seção 1
Introdução
Seção 2
Métodos para resolução das equações lineares de
ordem n
Equações de Cauchy-Euler
Seção 3
equacoes_diferenciais.indb 135
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Esta unidade é importante, pois as equações lineares são
aplicáveis em um grande número de problemas práticos. As
equações que discutiremos mais detalhadamente são as que têm
coeficientes constantes e os métodos atuais para a resolução foram
sistematizados a partir dos estudos de Leonhard Euler, que
trouxe “a chave” do entendimento das equações diferenciais pelos
seus estudos no contexto das funções.
Em algumas situações, depararemo-nos com equações
aparentemente simples, mas que, na realidade, são extremamente
complicadas. Muitas delas foram estudadas por mais de 50 anos.
A discussão em torno do método da variação dos parâmetros,
elaborada ainda no século XVIII, acrescentou a visão das
dificuldades que podemos enfrentar quando estamos com
equações lineares que não são “amigáveis”, como nos apresentam
os historiadores.
Vamos conhecer um pouco mais de perto os métodos e as
equações “amigáveis” e as “não amigáveis”?
Seção 1 – Introdução
Nesta seção, analisamos algumas definições e propriedades
necessárias na discussão das equações lineares de ordem n. Há
na literatura bastante diversificação na forma de apresentar os
objetos de estudos dessa unidade. Optamos por uma metodologia
que agrega conceitos e, por isso, torna-se mais rápido e prático no
momento dos estudos.
Os métodos das equações lineares de primeira ordem são usados,
sendo que algumas propriedades, características e procedimentos
são destacadas.
136
equacoes_diferenciais.indb 136
28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
Veja, na sequência, os tópicos que seguiremos para compor
esse quadro teórico necessário para a prática da resolução das
equações lineares de ordem superior.
1. Funções linearmente dependentes e linearmente
independentes.
2. Determinante Wronskiano.
3. Características básicas das equações diferenciais lineares
de ordem superior.
4. Problema de valor inicial e problema de contorno.
O que é um conjunto de funções linearmente
dependente?
O que é um conjunto de funções linearmente
independente?
O conceito básico sobre a dependência ou independência
linear é inicialmente discutido no contexto da Álgebra Linear,
envolvendo objetos vetoriais. Agora, vamos discutir esse
conceito com funções. Observamos que todos os conceitos aqui
apresentados estão sempre focados para o estudo das equações
lineares, denotadas como
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x),
sendo que n é um número natural maior ou igual a dois, para
que tenhamos a ordem superior a um. Dessa forma, algumas
especificidades de imediato serão apontadas.
Várias demonstrações serão omitidas, sendo que algumas delas
você poderá encontrar em livros clássicos de equações diferenciais
ou de cálculo avançado.
Unidade 5
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137
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Definição 5.1
Dizemos que um conjunto de funções f 1, f 2, f 3, f4, …, fn é
linearmente dependente (LD) em um intervalo I se existem
constantes C1, C2, C3, C4, …, Cn não todas nulas, tais que
C1 f 1 + C2 f 2 + C3 f 3 + C4 f4 + … + Cn fn = 0
para todo x no intervalo I. Quando o conjunto não for
linearmente dependente, dizemos que é linearmente
independente (LI).
Para verificar se um conjunto de funções é LI, basta constatar
que nenhuma delas é múltipla da outra em um intervalo e para
constatar que um conjunto de funções é LD em um intervalo
basta verificar se pelo menos uma função pode ser expressa como
uma combinação linear das outras funções.
Exemplos
No quadro que segue, apresentamos diversos exemplos de
conjuntos LD ou LI.
Conjunto
Intervalo
f 1(x) = sen 2x
(–∞,+∞)
f 2(x) = 2·sen x·cos
x
f 1(x) = x
f 2(x) = 2x
f 3(x) = 3x
(–∞,+∞)
f 1(x) = ex
f 2(x) = e 2x
f 3(x) = e–4x
f 1(x) = x
f 2(x) = |x|
(–∞,+∞)
(0,+∞)
LD ou LI
São LD, pois a expressão linear
C1·sen 2x + C2·2·sen x·cos x = 0 é satisfeita para
todo x ∈ (–∞,+∞). Se por exemplo, fazermos C1 = 1
e C2 = –1.
São LD, pois a expressão linear
C1·x + C2·2x + C3·3x = 0 é satisfeita para todo x ∈
(–∞,+∞). Se, por exemplo, fazermos C1 = 1, C2 = 1 e
C3 = –1.
São LI, pois a expressão linear
C1ex +C2e2x + C3e–4x = 0 é satisfeita somente quando
temos C1 = C2 = C3 = 0.
São LD, pois a expressão linear
C1x + C2|x| = 0 é satisfeita para todo x ∈ (0,+∞)
se, por exemplo, usamos C1 = 1 e C2 = –1.
Quadro 5.1 – Exemplos de conjuntos LD ou LI
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Lembre-se de que o intervalo de definição é de grande
importância na definição da dependência ou independência linear
(rever o último exemplo do quadro anterior).
138
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28/03/12 11:10
Equações Diferenciais
No decorrer da análise, nas equações diferenciais, é usual omitir
a indicação do intervalo, por estar subentendido que estamos
trabalhando no conjunto dos reais.
O que é o Wronskiano?
Definição 5.2
Dado um conjunto de funções diferenciáveis pelo menos (n–1) vezes,
f1, f2, f3, f4, …, fn, denominamos de Wronskiano, o determinante
As definições 5.1 e 5.2 são usadas no contexto das equações
diferenciais lineares, para identificar um conjunto de soluções LI.
Veja o Teorema 5.1.
Teorema 5.1 (Critério para independência linear de soluções)
Sejam y1, y2, y3, y4, …, yn um conjunto de n soluções para a
equação diferencial linear homogênea
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = 0
em um intervalo I. Então, o conjunto de soluções é LI em I, se, e
somente se, o Wronskiano W(y1, y2, y3, y4, …, yn) ≠ 0 para x ∈ I.
O nome Wronskiano é devido ao filósofo polonês, Josef Maria
Hoëne Wronski (1778-1853), que passou a maior parte da sua
vida na França. Acreditava que a verdade absoluta poderia ser
alcançada por meio da matemática. Na história da matemática,
basicamente a única referência ao seu nome é o determinante
Wronskiano. (ZILL E CULLEN, 2001).
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
(1) O conjunto
contém soluções particulares da equação y’’ – 5y’ + 6y = 0.
Observe que o Wronskiano W(y1,y2) ≠ 0 no conjunto dos reais.
De fato:
para qualquer x real.
(2) O conjunto
contém soluções particulares da equação y’’’ + 6y’’ + 12y’ + 8y = 0.
Observe que o Wronskiano W(y1,y2,y3) ≠ 0 no conjunto dos reais.
De fato:
que é diferente de zero para qualquer x real.
Quais as características das equações diferenciais
lineares serão destacadas nesta unidade?
140
equacoes_diferenciais.indb 140
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Equações Diferenciais
Vamos trabalhar com as equações da forma
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x),
Sendo:
1. an(x), an –1(x), …, a1(x), a 0(x)
funções contínuas em um intervalo I.
2. h(x) é uma função contínua.
3. an(x) ≠ 0 no intervalo I.
Se h(x) = 0 teremos uma equação diferencial linear de ordem n
homogênea, caso contrário, vamos dizer que a equação é não
homogênea.
Quando as funções an(x), an–1(x), …, a1(x), a 0(x) assumirem
valores constantes, vamos denotar como Equações Diferenciais
Lineares a Coeficiente Constantes.
Inicialmente, focamos o nosso estudo nas equações com
coeficientes constantes e, na sequência, apresentamos exemplos
com coeficientes variáveis.
Vejamos, então, algumas características que devem ser destacadas
das equações diferenciais lineares de ordem n:
1. As equações diferenciais lineares a coeficientes
constantes podem sempre ser reescritas com operadores
diferenciais.
2. O conjunto de n soluções, denotado por y1, y2, y3, y4, …,
yn, lineamente independente pode ser estabelecido para
a equação homogênea de coeficientes constantes. Esse
conjunto é denotado por Conjunto Fundamental de Soluções
e tem o Wronskiano diferente de zero no conjunto I.
3. A solução geral da equação homogênea
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = 0, com
coeficientes constantes, será expressa por uma função que
contém n constantes arbitrárias e com a forma
y = C1y1 + C2y2 + … + Cnyn, sendo que y1, y2, …, yn é o
Conjunto Fundamental de Soluções.
Unidade 5
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141
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Universidade do Sul de Santa Catarina
4. A solução geral da equação não homogênea
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x), será
expressa por uma função que contém n constantes
arbitrárias e com a forma y = yh + yp, sendo que
yh = C1y1 + C2y2 + … + Cnyn é a solução geral da
Homogênea Associada e y p é uma solução particular da
equação não homogênea.
As características listadas acima são usadas como ponto de
partida para os métodos de resolução. Todas podem ser provadas
por meio da formulação de propriedades ou Teoremas. Para
esclarecer as características citadas, veja alguns exemplos.
Lembre-se de que, neste momento, ainda não estamos aplicando
os métodos de resolução.
Exemplos
(1) Reescrever as equações que seguem usando operadores
diferenciais:
a) y(4) – 5y’’ + 6y = 0 temos (D4 – 5D2 + 6)y = 0.
b) y(8) + 6y’’’ – 5y’’ + 6y + 2y = 0 temos (D8 + 6D3 – 5D2 + 6D + 2)y = 0
(2) Verificar que y1 = 2xe–3x é solução particular da equação
(D + 3)2 = 0.
Temos que a equação (D + 3)2 = 0 pode ser reescrita como
(D2 + 6D + 9)y = 0 ou y’’ + 6y’ + 9y = 0. Vamos, então, encontrar
as derivadas da função y1 = 2xe–3x e aplicar na equação para
verificar a equivalência. Temos:
y1 = 2xe–3x
y1’ = 2e–3x – 6xe–3x
y1’’ = –12e–3x + 18xe–3x
Substituindo na equação temos:
y’’ + 6y’ + 9y = 0
–12e–3x + 18xe–3x + 6(2e–3x – 6xe–3x) + 9× 2xe–3x = 0
0 = 0
142
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Equações Diferenciais
Como vamos encontrar as soluções particulares das
equações diferenciais de ordem superior?
Podemos encontrar as soluções particulares das equações diferenciais
de ordem superior, usando o problema de valor inicial:
Resolver an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x)
Sujeita a: y(x 0) = y 0, y’(x 0), …, y(n–1)(x 0) = y 0(n–1).
Exemplo
A função y = 2e–2x + 2e2x – 2x2 + – 4 é uma solução particular da
equação y’’ – 4y = 8x2 – x + 12, pois é uma solução do problema
de valor inicial
Resolva y’’ – 4y = 8x2 – x + 12
Sujeita a y(0) = 0, y’(0) = .
Na seção seguinte, estabelecemos os métodos e vamos constatar
que y = C1e–2x + C2e2x – 2x2 + – 4 é a solução geral.
Ao aplicar as condições iniciais y(0) = 0, y’(0) = 1/4, vamos ter o
sistema que permite particularizar os valores de C1 e de C2. Veja:
y = C1e–2x + C2e2x – 2x2 + – 4
y’ = –2C1e–2x + 2C2e2x – 4x + y’’ = 4C1e–2x + 4C2e2x – 4
Aplicando as condições iniciais temos:
y(0) = C1 + C2 – 4 = 0
y’(0) = –2C1 + 2C2 + = Resolvendo o sistema gerado
Vamos encontrar os valores C1 = 2 e C2 = 2.
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 143
143
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
Outro tipo de problema que surge, neste contexto, consiste em
resolver uma equação diferencial de ordem superior sujeita a
condições em que a variável y ou suas derivadas são especificadas
em pontos diferentes. Neste caso, temos a condição de contorno
ou um problema de valor de contorno. Veja, no caso de uma
equação de segunda ordem:
Resolver a2(x)y’’ + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x)
Sujeita a: y(a) = y 0, y(b) = y1.
Temos que chamar a atenção que este problema pode ter várias
soluções, uma única solução ou não ter solução.
Este tipo de equação não será discutida neste texto. Ressaltamos,
apenas, que o problema de valor de contorno é muito usado nas
equações diferenciais parciais.
A seguir, vamos iniciar a discussão dos métodos de resolução.
Seção 2 – Métodos para resolução das equações
lineares de ordem n
Vamos, nesta seção, trabalhar com as equações diferenciais
lineares a coeficientes constantes da forma
an(x)y(n) + an–1(x)y(n–1) + … + a1(x)y’ + a 0(x)y = h(x).
com as condições estabelecidas na seção anterior. Para facilitar,
omitiremos a condição de que estamos trabalhando em um
conjunto I, em que as funções envolvidas existem e são contínuas.
Inicialmente, discutiremos as equações homogêneas e,
posteriormente, vamos discutir dois métodos para encontrar a
solução a yp, solução particular da equação não homogênea.
144
equacoes_diferenciais.indb 144
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Equações Diferenciais
Observe o roteiro de resolução que segue, lembrando-se de
acompanhar as notas que ampliam as explicações relativas a
algumas das etapas. Essas notas justificam as escolhas do roteiro.
Roteiro de Resolução 13
1. Inicialmente, certifique-se de que você está diante de uma equação
diferencial linear de ordem superior, com coeficientes constantes e
homogêneos (ver a Nota 1).
2. Caso a equação não esteja apresentada na forma de operadores, seu
primeiro passo será reescrever com a notação de operadores, denotada
por Ly = 0, sendo L o operador diferencial de ordem n.
3. Achar as raízes do operador, estabelecendo uma expressão fatorada.
4. Verificar a natureza das raízes e se forem:
„
Raízes reais e diferentes, observe as características
das soluções particulares no passo 5;
„
Raízes reais e múltiplas, observe as características
das soluções particulares no passo 6;
„
Raízes complexas simples, observe as características
das soluções conjugadas no passo 7;
„
Raízes complexas múltiplas, observe as características das soluções
no passo 8.
5. Supondo três raízes α, β, γ, vamos ter as seguintes três soluções
particulares LI (ver a Nota 2):
y1 = e ;
αx
y2 = e ;
y3 = e ;.
βx
γx
6. Supondo uma raiz α com multiplicidade três e uma raiz β com
multiplicidade dois, vamos ter o seguinte conjunto de soluções LI (ver
a Nota 3):
y1 = eαx;
y2 = xeαx;
y3 = x2eαx;
y4 = e βx;
y4 = xe βx.
7. Supondo que tenhamos as raízes complexas conjugadas a + bi
e a – bi, vamos ter o seguinte conjunto de soluções LI no campo dos
complexos (Ver Nota 4):
y1 = e(a + bi)x;
eiθ = cos θ + i sen θ ou
e–iθ = cos θ – i sen θ.
y2 = e(a – bi)x;
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 145
O conjunto de soluções
apresentado está no
campo dos complexos. É
possível reunir as soluções
oriundas das raízes
conjugadas em uma única
solução no campo dos
reais. Para tal, basta usar a
fórmula de Euler:
145
28/03/12 11:10
Universidade do Sul de Santa Catarina
8. Supondo que as raízes complexas conjugadas se repitam, vamos ter:
y1 = e(a + bi)x;
y2 = e(a – bi)x;
y3 = xe(a + bi)x;
y4 = xe(a – bi)x;
9. Você pode estar diante de uma situação que faça a combinação
linear das situações anteriores. Reúna todas as soluções particulares e
escreva a solução geral na forma:
y = C1y1 + C2y2 + … + Cnyn.
Notas importantes relativas aos passos do roteiro de
resolução 13.
Nota 1:
No passo 1, temos que o operador diferencial linear pode ser
denotado por L = anDn + an–1Dn–1 + … + a 0 sendo que Dny
significa
, ou seja, derivada de ordem n de y em relação a x.
Nota 2:
No passo 5, temos que y1 = eαx é solução particular da equação
homogênea, supondo que α é solução do operador diferencial L.
De fato, ao fatorar o operador, podemos visualizar o fator
correspondente à raiz α e como Ly = 0, cada fator pode ser
igualado a zero. Veja:
(D – α)y = 0
– αy = 0
– αdx = 0
∫
– α∫ dx = ln C
ln|y| – ln C = αx
= eαx
y = Ceαx.
146
equacoes_diferenciais.indb 146
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Equações Diferenciais
Nota 3:
No passo 6, na suposição das raízes múltiplas, por exemplo, com
a raiz α de multiplicidade dois, vamos ter soluções particulares na
forma y1 = eαx e y2 = xeαx. Neste exemplo, temos o fator do operador
escrito como (D – α)2. A solução y1 = eαx é solução de (D – α)2y = 0
e podemos constatar que a função y2 = xeαx também é solução.
Podemos fazer as derivadas e substituir na equação (D – α)2y = 0,
para constatar a equivalência. Veja:
y = xeαx
y’ = eαx(αx + 1)
y’’ = αeαx(αx + 2)
Ao substituir em (D – α)2y = 0 ou
(D2 – 2αD + α2)y = 0
y’’ – 2αy’ + α2y = 0
αeαx(αx + 2) – 2α[eαx(αx + 1)] + α2 xeαx = 0
0 = 0
Nota 4:
No passo 7, as soluções conjugadas no campo dos complexos
podem ser reescritas no campo dos reais. Basta desenvolver a
combinação linear e aplicar as fórmulas de Euler. Veja:
y = C1e(a + bi)x + C2e(a – bi)x
y = C1eaxebix + C2eaxe–bix
y = eax[C1ebix + C2e–bix]
Utilizando as fórmulas de Euler
eiθ = cos θ + i sen θ e e–iθ = cos θ – i sen θ,
vamos ter:
y = eax[C1(cos bx + i sen bx) + C2(cos bx – i sen bx)]
y = eax[(C1 + C2)cos bx + i (C1 – C2) sen bx]
Unidade 5
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147
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Fazendo C1 + C2 = A e i (C1 – C2) = B, podemos reescrever a
última expressão como
y = eax[A cos bx + B sen bx],
obtendo-se a solução geral na forma real, sendo que A e B são as
constantes arbitrárias.
Exemplos
(1) Resolver a equação y’’ – 5y’ + 6y = 0.
Vamos reescrever a equação dada com o uso dos operadores
diferenciais. Temos:
(D2 – 5D + 6)y = 0.
Observe que para encontrar as raízes do operador, podemos
usar todos os mecanismos da resolução de equações algébricas
elementares. Nesse caso, podemos aplicar a fórmula de Bhaskara,
pois temos uma expressão do segundo grau. Veja:
Assim, podemos reescrever a equação como
(D2 – 5D + 6)y = 0
(D – 2)(D – 3)y = 0
Estamos diante de raízes reais e diferentes e, em acordo com o
passo 5, vamos ter o seguinte Conjunto Fundamental de Soluções
Particulares LI:
148
equacoes_diferenciais.indb 148
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Dessa forma, a combinação linear dessas funções vai resultar na
solução geral:
y = C1e2x + C2e3x.
(2) Resolver as seguintes equações:
a) (D – 1)(D – 2)(2D + 5)y = 0
b) (D + 1)(D + 2)(2D – 5)y = 0
Para resolver as equações dadas, basta analisar, atentamente, o
valor das raízes, pois o operador já está fatorado.
Temos:
a) (D – 1)(D – 2)(2D + 5)y = 0
As raízes são 1, 2 e – . Assim, a solução geral é dada por:
y = C1ex + C2e2x + C3e– x.
b) (D + 1)(D + 2)(2D – 5)y = 0
As raízes são –1, –2 e . Assim, a solução geral é dada por:
y = C1e–x + C2e–2x + C3e x.
(3) Aplicar o método na equação y’’’ + 6y’’ + 12y’ + 8y = 0.
Vamos reescrever na forma de operadores (D3 + 6D2 + 12D + 8)
y = 0. As raízes, neste caso, poderão ser obtidas pelo Método de
Ruffini. Encontraremos a raiz –2 com multiplicidade três.
Podemos reescrever a equação como (D + 2)(D + 2)(D + 2)y = 0
ou (D + 2)3y = 0. Estamos diante da situação do Passo 6, com
raízes múltiplas e o Conjunto Fundamental das Soluções LI fica:
Unidade 5
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149
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A solução geral é dada por:
y = C1e–2x + C2xe–2x + C3x2e–2x.
(4) Para exemplificar o caso de raízes complexas, veja a equação
y’’ – 6y’ + 13y = 0.
Vamos reescrever na forma de operadores (D2 – 6D + 13)y = 0.
Ao aplicar a fórmula de Bhaskara, você vai perceber a existência
das raízes complexas 3 ± 2i. Dessa forma, estamos diante da
situação do Passo 7.
O Conjunto Fundamental das Soluções LI no campo dos
complexos fica:
A solução geral no campo dos complexos é dada por:
y = C1e(3 + 2i)x + C2e(3 – 2i)x.
Usando os resultados apresentados na Nota 4, podemos
reescrever a solução geral no campo dos reais como
y = eax[A cos bx + B sen bx], ou seja
y = e3x[A cos 2x + B sen 2x].
(5) Apresentamos, agora, um exemplo em que surgem
diferentes tipos de raízes. Nesse caso, temos que aplicar todas as
considerações relativas aos correspondentes tipos de raízes. Veja a
equação já fatorada:
(D – 3)2(D – 2)3(D + 2)(D2 + 1)2Dy = 0
150
equacoes_diferenciais.indb 150
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Observe que estamos diante de uma equação de ordem 11. Para
encontrar as 11 raízes, basta analisar cada fator isoladamente. Temos:
„
„
„
„
„
fator (D – 3)2y = 0 indica a existência da raiz 3 com
multiplicidade dois;
fator (D – 2)3y = 0 indica a existência da raiz 2 com
multiplicidade três;
fator (D + 2)y = 0 indica a existência da raiz -2;
fator (D2 + 1)2y = 0 indica a existência das raízes
complexas +i e –i com multiplicidade dois;
fator Dy = 0 indica a existência da raiz zero.
Vamos, então, ter o seguinte Conjunto Fundamental de Soluções
LI no campo dos complexos:
{e3x, xe3x, e2x, xe2x, x2e2x, e–2x, eix, xeix, e–ix, xe–ix, 1}
A solução geral no campo dos complexos é dada por:
y = C1e3x + C2xe3x + C3e2x + C4xe2x + C5x2e2x + C6e–2x
+ C7 + C8eix + C9xeix + C10 e–ix + C11xe–ix
A solução no campo dos reais é dada por:
y = C1e3x + C2xe3x + C3e2x + C4xe2x + C5x2e2x + C6e–2x
+ C7 + e 0x(A cos x + B sen x) + xe0x(C cos x + D sen x)
ou
y = C1e3x + C2xe3x + C3e2x + C4xe2x + C5x2e2x + C6e–2x
+ C7 + A cos x + B sen x + x(C cos x + D sen x)
Observe que a solução
particular y11 = e0x já
está reescrita como
y11 = 1. Observe, também,
que apresentamos o
conjunto solução na
forma tradicional de
notação de conjuntos
para facilitar a sua
representação ou escrita.
Dessa forma, a ordem
em que apresentamos
ou numeramos as
soluções particulares não
interfere no momento de
escrevermos a combinação
linear da solução geral.
(6) Vamos resolver um problema de valor inicial.
Resolver (D – 1)(D + 2)(D + 1)y = 0
Sujeita a: y(0) = 1, y’(0) = 3, y’’(0) = –5.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A equação dada tem como solução geral
y = C1ex + C2e–2x + C3e–x.
Fazendo as derivadas dessa solução geral, temos:
y = C1ex + C2e–2x + C3e–x
y’ = C1ex – 2C2e–2x – C3e–x
y’’ = C1ex + 4C2e–2x + C3e–x
Aplicando as condições inicias, temos o sistema:
Resolvendo o sistema, obtemos os valores C1 = 1, C2 = –2 e
C3 = 2, resultando, então, a solução particular y = ex – 2e–2x + 2e–x.
Vamos destacar um problema prático.
P9: Um circuito elétrico apresenta as seguintes características:
uma indutância de 0,3 Henries, uma resistência de 15 Ohms e
uma capacitância de 20×10 –6 Farads. Achar a corrente i e a carga
q em dado instante, sabendo-se que ela vale 0,06 Coulombs,
quando i = 0 e t = 0 s, e que não há fonte geradora de tensão
neste circuito (E = 0).
Veja a representação semiótica intermediária deste problema:
152
equacoes_diferenciais.indb 152
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Tabela 5.1 – Representação semiótica do problema P9
Variáveis
Símbolos
Unidades
de medida
Condições
iniciais
Condições
para a solução
Indutância
L
Henries
0,3
Resistência
R
Ohms
15
Capacitância
C
Farads
20×10–6
Intensidade da corrente elétrica
i
Ampère
0
???
Tempo
t
Segundos
0
t
Carga
q
Coulombs
0,06
???
Força eletromotriz
E
Volts
0
Fonte: Elaboração da autora (2011).
„
„
Qual a função identificável?
Qual a taxa de variação presente no contexto do
problema?
„
Qual é a relação que envolve a taxa de variação?
„
Qual é a equação diferencial?
Função identificável:
i = i(t) e q = q(t)
Taxa de variação:
Equação diferencial*:
*dada por leis no contexto dos circuitos elétricos.
Aplicando os dados do problema, vamos ter:
Estamos diante de uma equação diferencial linear de segunda
ordem homogênea.
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 153
153
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Considerando-se os dados dessa equação, as raízes do operador
são complexas e com cálculos bastante grandes. Nesses casos,
recomendamos o uso de um recurso tecnológico para chegar à
solução. Veja, de forma detalhada, os cálculos no anexo digital.
A solução obtida é
q = e–25t[0,0036·sen (407t) + 0,06·cos (407t)] e
i = 25e–25t[–0,0014·cos (407t) – 0,9796·sen (407t)]
Como vamos resolver as equações lineares não
homogêneas?
As equações lineares não homogêneas podem ser resolvidas por
dois diferentes métodos. A escolha do método sempre é uma
decisão de quem está resolvendo e, em geral, requer habilidades
diferentes. Vamos discutir os métodos:
„
do coeficiente a determinar;
„
da variação dos parâmetros.
Método dos coeficientes a determinar
Este método vai ser usado para resolver as equações não
homogêneas que podem ser escritas como Ly = h(x). Inicialmente,
necessitamos determinar um operador L1 que anula a função h(x)
e, nesse caso, ao aplicá-lo na equação Ly = h(x), vamos obter uma
equação homogênea, pois L1Ly = L1h(x) = 0.
A equação L1Ly = 0 não é a equação Ly = h(x), mas a sua solução
é o suporte para a solução da equação não homogênea.
Como vamos encontrar o operador L1 que anula a
função h(x)?
154
equacoes_diferenciais.indb 154
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Equações Diferenciais
Veja que o operador L1 é um operador diferencial e, nesse
caso, basta lembrar o procedimento operacional inverso para
encontrá-lo. Existem muitas funções que não têm o operador que
anula. Isso nos indica que o método que estamos usando não vai
ser aplicável para todos os tipos de equações não homogêneas. A
sua aplicabilidade só é viável quando o operador L1 existe.
Exemplos
O quadro que segue nos mostra exemplos de operadores que
anulam e que surgem de forma mais sistemática nas equações
diferenciais lineares não homogêneas.
Função h(x)
Operador que
anula
Verificação
h(x) = ex
D – 1
(D – 1)ex = ex – ex = 0
h(x) = e–x
D + 1
(D + 1)e–x = –e–x + e–x = 0
h(x) = e–2x
D + 2
(D + 2)e– 2x = –e–2x + e–2x = 0
h(x) = x – 2
D2
D(x – 2) = 1
D2(x – 2) = D(1) = 0
h(x) = x2 – 2
D3
D(x2 – 2) = 2x
D2(x2 – 2) = D(2x) = 2
D3(x2 – 2) = D(2) = 0
h(x) = 2x 3 + x2 – 4x + 2
D4
D(2x3 + x2 – 4x + 2) = 6x2 + 2x – 4
D2(2x3 + x2 – 4x + 2) = D(6x2 + 2x – 4) = 12x + 2
D3(2x3 + x2 – 4x + 2) = D(12x + 2) = 12
D4(2x3 + x2 – 4x + 2) = D(12) = 0
h(x) = sen 2x e
h(x) = cos 2x
(D2 + 4)
(D2 + 4) sen 2x = D2(sen 2x) + 4sen 2x
= –4sen 2x + 4sen 2x = 0 e
(D2 + 4) cos 2x = 0
h(x) = e3x(A·cos 2x + B sen·2x) (D2 – 6D + 13)
com A e B constantes.
(D2 – 6D + 13)[e3x(A·cos 2x + B·sen 2x)] = 0
h(x) = x2 + sen (2x)
(D5 + 4D3)[x2 + sen (2x)] =
= D5(x2) + D5[sen (2x)] + 4D3(x2) + 4D3[sen (2x)] = 0
D3(D2 + 4) ou
(D5 + 4D3)
Quadro 5.2 – Exemplos de operadores diferenciais
Fonte: Elaboração da autora (2011).
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Fazendo uma reflexão sobre os exemplos do quadro anterior, é
fácil fazer conjecturas que podem ser comprovadas. Por exemplo:
1. As funções exponenciais do tipo h(x) = eαx têm como
operador que anula D – α. Se h(x) = xeαx vamos ter
(D – α)2.
2. As funções polinomiais de grau n têm como operador
que anula Dn+1.
3. As funções trigonométricas seno e cosseno estão
relacionadas com operadores que geram raízes complexas
conjugadas.
4. Sempre que temos a soma de funções de tipos diferentes,
vamos ter o produto dos operadores de cada parcela.
5. Outros operadores que anulam a função dada podem ser
definidos, mas nos interessa o operador de menor grau.
Um exemplo bem típico é o das funções polinomiais.
Como vamos aplicar a ideia de operadores que se
anulam?
A solução geral da equação
diferencial linear não homogênea
tem a forma y = yh + yp, sendo
que y = C1y1 + C2y2 + … + Cnyn
e a solução geral da Homogênea
Associada e yp é uma solução
particular da equação não
homogênea.
Vamos aplicar o operador que anula para encontrar uma equação
homogênea. Em seguida, vamos aplicar a quarta característica
das equações não homogêneas, citadas na seção 1, para alicerçar
os procedimentos do método dos coeficientes a determinar.
Veja, a seguir, o roteiro de resolução para aplicar o método dos
coeficientes a determinar.
156
equacoes_diferenciais.indb 156
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Roteiro de Resolução 14
1. Constatar que você está diante de uma equação diferencial linear de
ordem superior que pode ser escrita como Ly = h(x).
2. Identificar o operador diferencial, L1, que anula h(x).
3. Aplicar o operador L1 na equação para encontrar a equação
homogênea L1Ly = 0.
4. Resolver a equação L1Ly = 0, usando o roteiro de resolução 13.
5. A equação geral obtida tem o formato da equação geral da equação
inicial Ly = h(x), entretanto, temos constantes (coeficientes) que
precisam ser determinados. Assim, nesse passo, devemos identificar
quais os coeficientes devem ser determinados (usar a propriedade de
que y = yh + yp).
6. Formalizar a expressão da solução geral da equação homogênea
associada (yh).
7. Formalizar a expressão que identifica a solução particular yp e aplicá-la
na equação inicial Ly = h(x), para obter um sistema de equações
algébricas que tem como variáveis os coeficientes a determinar.
8. Calcular o sistema para encontrar os valores numéricos dos
coeficientes da solução yp.
9. Formalizar a solução geral na forma y = yh + yp.
Exemplos
Resolver a equação y’’ – 7y’ + 12y = 3e–x.
Inicialmente, temos a equação escrita na forma de operadores
fatorados:
(D2 – 7D + 12)y = 3e–x
(D – 3)(D – 4)y = 3e–x
O operador que anula h(x) = 3e–x é o operador (D + 1).
Observar que a constante 3, a qual está multiplicando a função
exponencial, não altera a escolha do operador que anula.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos aplicar o operador que anula:
(D – 3)(D – 4)y = 3e–x
(D + 1)(D – 3)(D – 4)y = (D + 1)3e–x
(D – 3)(D – 4)(D + 1)y = 0
Em acordo com o passo 4, resolve-se essa equação obtida, que é
homogênea de terceira ordem, com três raízes reais e diferentes 3,
4 e –1. Assim, a solução geral é:
y = C1e3x + C2e4x + C3e–x.
Ao comparar esse resultado com a expressão y = yh + yp, podemos
identificar que:
ou seja:
yh = C1e3x + C2e4x
yp = C3e–x
Procure não associar ordem nas parcelas da soma da
solução geral de L1Ly = 0, procure lembrar sempre da
definição de yh como sendo a solução geral da equação
homogênea associada [(D – 3)(D – 4)y = 0].
Agora, é preciso determinar o coeficiente da solução yp = C3e–x,
no caso o valor de C3.
Vamos fazer a derivada até segunda ordem e aplicar na equação
inicial y’’ – 7y’ + 12y = 3e–x. Temos:
yp = C3e–x
yp’ = –C3e–x
yp’’ = C3e–x
158
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28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
y’’ – 7y’ + 12y = 3e–x
C3e–x + 7C3e–x + 12C3e–x = 3e–x
20C3e–x = 3e–x
20C3 = 3
C3 = Assim, a função yp = C3e–x é reescrita como yp = e–x.
A solução geral é dada por
y = C1e3x + C2e4x + e–x.
(2) Resolver a equação y’’ – y = x2 – 2
A equação pode ser reescrita na forma de operadores fatorados
(D – 1)(D + 1)y = x2 – 2.
O operador que anula h(x) = x2 – 2 é D3. Então,
D3(D2 – 1)y = 0
Solução geral: y = C1ex + C2e–x + C3 + C4x + C5x2
Sendo yh = C1ex + C2e–x vamos identificar yp = C3 + C4x + C5x2.
Cálculo dos coeficientes:
yp = C3 + C4x + C5x2
yp’ = C4 + 2C5x
yp’’ = 2C5
Substituindo na equação inicial y’’ – y = x2 – 2 vem:
2C5 – C3 – C4x – C5x2 ≡ x2 – 2
Observe que, agora, teremos uma equivalência estabelecida, pois
temos três coeficientes para determinar. Montamos o sistema a
partir da relação de equivalência, lembrando que estamos fazendo
uma comparação entre os termos semelhantes no momento de
estabelecer o sistema.
Unidade 5
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Resolvendo o sistema obtemos:
C5 = –1; C4 = 0 e C3 = 0, assim, yp = –x2.
A solução geral da equação inicial dada é
y = C1ex + C2e–x – x2.
(3) Resolver (D2 – 1)y = sen x + e3x.
O operador que anula é L1 = (D2 + 1)(D – 3).
Aplicando na equação, vamos obter:
(D2 + 1)(D – 3)(D2 – 1)y = 0.
A solução geral obtida é:
y = C1ex + C2e–x + C3e3x + C4sen x + C5cos x
A solução da equação homogênea associada é dada por
yh = C1ex + C2e–x. Assim, vamos ter que
yp = C3e3x + C4sen x + C5cos x.
Para o cálculo dos coeficientes a serem determinados vamos ter:
yp = C3e3x + C4sen x + C5cos x.
yp’ = 3C3e3x + C4cos x – C5sen x.
yp’’ = 9C3e3x – C4sen x – C5cos x.
Substituindo na equação inicial (D2 – 1)y = sen x + e3x vem,
9C3e3x – C4sen x – C5cos x – C3e3x – C4sen x – C5cos x ≡ sen x + e3x
ou
(9C3 – C3)e3x + (–C4 – C4)sen x + (–C5 – C5)cos x ≡ sen x + e3x
160
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Equações Diferenciais
Da equivalência obtida, vamos estabelecer o sistema que propicia
o cálculo dos coeficientes:
Então, yp = e3x – sen x
E a solução geral é y = C1ex + C2e–x + e3x – sen x.
Método da variação dos parâmetros
As bases conceituais desse método são similares aos processos
das equações diferenciais lineares de primeira ordem. Trata-se
de uma nova maneira para encontrar a solução particular (yp)
que compõem a solução geral da equação diferencial linear não
homogênea (y = yh + yp).
Vamos mostrar as bases do método para o caso de segunda
ordem e, posteriormente, usar a generalização sem formalizar
uma demonstração.
A equação de segunda ordem, de forma genérica, pode ser escrita
como:
[a 0(x)D2 + a1(x)D + a2(x)] = h(x)
Devemos sempre trabalhar com a equação na sua forma normal,
que é identificável por ter o coeficiente da segunda derivada igual
a um. Sempre que a equação não estiver nessa forma, é possível
deixá-la assim aplicando algebrismo. Veja:
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 161
161
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para facilitar o manuseio, vamos fazer:
Assim, a equação fica:
[D2 + A1D + A 2]y = H(x)
Seja yh = C1y1 + C2y2 a solução da equação linear homogênea
associada.
Vamos supor que yp é da forma:
yp = C1(x)y1(x) + C2(x)y2(x)
Precisamos determinar os valores das funções C1(x) e C2(x).
Para tal, vamos fazer as derivadas de yp, até segunda ordem, para
aplicar na equação. Veja:
yp = C1y1 + C2y2
yp’ = C1y1’ + C2’y2 + C2y2’ + C1’y1
yp’’ = C1y1’’ + C1’y1’ + C1’y1’ + C1’’y1 + C2y2’’ + C2’y2’ + C2’y2’ + C2’’y2
Substituindo na equação:
[D2 + A1D + A 2]y = H(x)
C1y1’’ + 2C1’y1’ + C1’’y1 + C2y2’’ + 2C2’y2’ + C2’’y2 +
+ A1[C1y1’ + C1’y1 + C2y2’ + C2’y2] + A 2[C1y1 + C2y2] = H(x)
ou
C1[y1’’ + A1y1’ + A 2y1] + C2[y2’’ + A1y2’ + A 2y2] + + (C1’y1 + C2’y2)’ + C1’y1’ + C2’y2’ = H(x)
Observe que as expressões dentro dos colchetes, que estão
multiplicando C1 e C2, são iguais a zero, pois y1 e y2 são soluções
particulares da homogênea associada. Dessa forma, a expressão
anterior fica:
[C1’y1 + C2’y2]’ + C1’y1’ + C2’y2’ = H(x).
162
equacoes_diferenciais.indb 162
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Sem perda de generalidade, vamos impor a condição
C1’y1 + C2’y2 = 0. Assim, a expressão anterior fica reduzida em
C1’y1’ + C2’y2’ = H(x).
As funções C1(x) e C2(x) que queremos encontrar devem
satisfazer o sistema:
Resolvendo o sistema pela regra de Cramer, vamos ter a certeza
da existência das soluções, pois temos a presença do determinante
Wronskiano, W = W(y1,y2), diferente de zero.
Veja o sistema na forma matricial
Assim,
Integrando em um intervalo de existência das funções, vamos
encontrar as funções C1(x) e C2(x)
Apresentamos a dedução do processo para a segunda ordem, mas
é possível fazer a generalização para ordens superiores.
Veja, a seguir, o roteiro de resolução para a resolução da equação
diferencial linear não homogênea. Observe que o roteiro dado é mais
geral e poderá ser usado para ordens superiores e, também, para
casos especiais de equações cujos coeficientes não sejam constantes.
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 163
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Roteiro de Resolução 15
1. Certifique-se de que você está diante de uma equação diferencial
linear de ordem superior não homogênea normalizada.
2. Se a equação é de coeficientes constantes, siga o roteiro de resolução
13 para encontrar a solução geral da equação homogênea associada.
Caso não tenha coeficientes constantes, verifique se você tem em mãos
uma solução encontrada por outros métodos ou apresentada como
dado para a solução. Lembre-se de que essa solução será denotada por
yh = C1y1 + C2y2 + … + Cnyn.
3. Fazer a suposição que a solução particular da não homogênea terá o
formato
yp = C1(x)y1(x) + C2(x)y2(x) + … + Cn(x)yn(x).
4. A seguir, estabelecer o sistema que permite encontrar as derivadas
das funções C1(x), C2(x), …, Cn(x).
5. Resolva o sistema e obtenha a solução particular
yp = C1(x)y1(x) + C2(x)y2(x) + … + Cn(x)yn(x).
6. Escrever a solução geral da equação linear não homogênea, usando
y = yh + yp, sendo yh obtida em 2) e yp obtida em 5).
Exemplos
(1) Resolver a equação linear não homogênea y’’ + y = sec x.
Observe que a equação já está normalizada. Calcula-se, então,
inicialmente, yh, usando o roteiro de resolução 13 e, posteriormente,
encontrar yp usando o método descrito no roteiro 15.
Cálculo de yh:
Temos que (D2 + 1)y = 0 é a equação homogênea associada, cujo
operador tem as raízes complexas. Portanto,
yh = C1sen x + C2cos x.
164
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Equações Diferenciais
Cálculo de yp:
Iniciamos com a suposição que
yp = C1(x)sen x + C2(x)cos x
Vamos estabelecer o sistema:
Resolvendo temos:
Assim,
Portanto,
yp = x sen x + ln|cos x|cos x
A solução geral é
y = C1sen x + C2cos x + x sen x + ln|cos x|cos x
(2) Resolver a equação diferencial linear com coeficientes
variáveis xy’’ + y’ = x + 1, tendo como dado a solução geral da
homogênea associada yh = C1 + C2ln|x|.
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 165
165
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Inicialmente, precisamos deixar a equação normalizada. Veja:
A equação homogênea associada é dada por: y’’ + y’ = 0, que
tem como solução geral a função yh = C1 + C2ln|x|.
Veja que a solução yh nos dá a forma da equação yp:
yp = C1(x) + C2(x) ln|x|
O sistema fica:
Resolvendo o sistema vamos ter:
C1’ = x + 1
C2’ = –(x + 1) ln|x|
Integrando temos:
Substituindo na solução particular vamos ter:
yp(x) = + x
Assim, a solução geral é dada por:
y = C1 + C2 ln|x| + + x.
Na seção seguinte, analisamos um tipo especial de equação linear
com coeficientes variáveis.
166
equacoes_diferenciais.indb 166
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Seção 3 – Equações de Cauchy‑Euler
Esta equação é sempre lembrada, pois pode ser resolvida por um
método descoberto por Euler. É uma equação diferencial linear a
coeficientes variáveis não homogêneos, da forma:
Sendo que a, a 0, a1, a2, …, an e b são constantes.
Esta equação é resolvida reduzindo-a a uma linear de coeficiente
constante, por meio da transformação ax + b = aet. Outros
métodos podem ser estabelecidos, mas, nesse texto, vamos apenas
discutir o método que foi historicamente formalizado por Euler.
Roteiro de Resolução 16
1. Identificar que a equação dada é uma Equação de Cauchy-Euler.
2. Aplicar a substituição ax + b = aet, desenvolvendo a diferenciação
implícita para concluir que:
ax + b = aet
a dx = aet dt
⇒
= e–t
3. Preparar as derivadas em função da substituição proposta, fazendo:
A preparação das
derivadas vai requerer
o uso sistemático da
regra da cadeia, que foi
apresentada no Cálculo I.
De maneira análoga podemos obter:
E, assim, sucessivamente, para as demais derivadas em função da ordem
da equação que está sendo trabalhada.
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 167
167
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Universidade do Sul de Santa Catarina
4. Fazer todas as substituições na equação, inclusive no termo h(x),
simplificar e constatar que vamos ficar diante de uma equação linear de
coeficientes constantes nas variáveis y e t.
5. Resolver a equação obtida e retornar à variável inicial, fazendo a
substituição
ax + b = aet
Exemplos
(1) Resolver a equação (2x + 1)2y’’ – 2(2x + 1)y’ – 12y = 6x.
A equação dada é de Cauchy-Euler.
Observe que o expoente de cada um dos coeficientes
deve coincidir com a ordem da derivada do respectivo
termo.
Vamos, então, considerar a transformação
2x + 1 = 2et
2 dx = 2et dt
= e–t
∴
As derivadas deverão ser substituídas por:
= e–t
(
= – )e
–2t
Além disso, vamos precisar substituir o
h(x) = 6x = 6·
= 3(2et – 1).
168
equacoes_diferenciais.indb 168
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Na equação temos:
Obtemos uma equação linear não homogênea a coeficientes
constantes em y e t.
Podemos escrever na forma de operadores:
(4D2 – 8D – 12)y = 6et – 3.
A equação homogênea associada, (4D2 – 8D – 12)y = 0, tem
como solução geral yh = C1e–t + C2e3t.
O operador que anula 6et – 3 é L1 = D(D – 1). De fato:
D(D – 1)(6et – 3) = D(6et – 6et + 3) = 0, assim podemos escrever
D(D – 1)(4D2 – 8D – 12)y = 0
A solução geral tem o formato
y = C1e–t + C2e3t + C3et + C4.
Ao comparar com y = yh + yp, vamos ter que:
yp = C3et + C4
yp’ = C3et
yp’’ = C3et
Substituindo na equação vem:
4C3et – 8C3et – 12(C3et + C4) ≡ 6et – 3
4C3et – 8C3et – 12C3et – 12C4 ≡ 6et – 3
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 169
169
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Da equivalência obtida vamos obter os valores das constantes
C3 = –
e
C4 = .
A solução geral é
y = C1e–t + C2e3t – et + .
A solução de Cauchy-Euler é dada por:
Síntese
Nesta unidade, discutimos as equações lineares, consideradas por
todos os autores como a mais importante no estudo das equações
diferenciais. Essa importância é devida pela sua aplicabilidade
na modelagem de diferentes situações, em diferentes áreas do
conhecimento. É importante salientar que outros métodos
podem ser usados com o uso de outras ferramentas, como séries e
transformada de Laplace.
170
equacoes_diferenciais.indb 170
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Atividades de autoavaliação
1) Verificar se o conjunto de funções {ex, sen 2x, cos 2x} são soluções LI da
equação y’’’ – y’’ + 4y’ – 4y = 0.
2) Resolver as seguintes equações:
a) y’’’ + 3y’’ – 4y’ – 12y = 0
b) y IV + y’’’ – 3y’’ – 5y’ – 2y = 0
c) y’’ + y = 0
d) y(4) – 13y’’ + 36y = 0
e) y’’’ + 2y’’ – 5y’ – 6y = 0
f) y(4) – y = 0
g) y’’ – y’ + y = 0
h) y(4) + y’’’ – 3y’’ – 5y’ – 2y = 0
3) Encontrar a solução particular da equação diferencial
(D – 1)(D + 2)y = 0, sabendo que y(0) = 7 e y’(0) = – 5.
4) Resolver y’’ – 3y’ + 2y = 0
Sujeita a: y(0) = 1 e y(1) = 0.
5) Indicar o operador que anula cada uma das seguintes funções no
conjunto dos números reais:
a) h(x) = sen (3x) + e–x
b) h(x) = xex + x2
c) h(x) = ex sen (2x)
Unidade 5
equacoes_diferenciais.indb 171
171
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Universidade do Sul de Santa Catarina
6) Resolver as seguintes equações usando o método dos coeficientes a
determinar:
a) y’’ – 4y’ + 4y = 8e2x
b) y’’’ – 2y’’ = 3x2 – 2x + 1
c) y’’ + 3y’ = ex
d) y’’ – 4y’ = xe4x
e) y’’ = 9y + 4
f) y’’ + y’ – 2y = 8 sen 2x
7) Resolver as seguintes equações usando o método da variação dos
parâmetros:
a) y’’ – 7y’ + 10y = 8e 2x
b) y’’ – 3y’ + 2y = ex sen x
8) Sabendo que y1 = x2 e y2 = x3 formam um conjunto fundamental de
soluções da equação x2y’’ – 4xy’ + 6y = 0 em (0,+∞), encontrar a solução
geral para x2y’’ – 4xy’ + 6y = .
9) Sabendo que y1 = x e y2 = x ln x formam um conjunto fundamental de
soluções da equação x2y’’ – xy’ + y = 0 em (0,+∞), encontrar a solução geral
para x2y’’ – xy’ + y = 4x ln x.
10) Resolver as seguintes equações de Cauchy-Euler:
a) x2y’’ – 2xy’ + 2y = 3x
b) (x – 1)3y’’’ + 2(x – 1)2y’’ – 4(x – 1)y’ + 4y = 4 ln (x – 1)
172
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Equações Diferenciais
Saiba mais
Para quem deseja obter mais detalhes sobre o uso das séries e
das transformadas de Laplace para resolver equações lineares,
sugerimos o livro de William E. Boyce e Richard C. Di Prima,
com o título Equações Diferenciais Elementares e Problemas de
Valores de Contorno, da Editora LTC. Na quinta edição, esses
temas estão contemplados nos capítulos 5 e 6.
Unidade 5
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UNIDADE 6
Noções finais no estudo das
equações diferenciais
Objetivos de aprendizagem
„
Identificar diferentes tipos de sistemas de equações
diferenciais.
„
Resolver sistemas de equações diferenciais lineares.
„
Identificar tipos de equações diferenciais parciais.
„
Discutir soluções de tipos especiais de equações
parciais.
6
Seções de estudo
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Seção 1
Noções sobre sistemas de equações diferenciais
Seção 2
Noções sobre equações diferenciais parciais
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Os conteúdos relativos aos sistemas de equações diferenciais e
relativos às equações diferenciais parciais são apresentados de
forma bastante elementar, pois o nosso objetivo é apresentar as
noções básicas.
Os sistemas de equações diferenciais aparecem naturalmente em
problemas que envolvem diversas variáveis dependentes, sendo
que cada uma das funções envolvidas são funções de uma única
variável independente. Dessa forma, é fundamental que saibamos
sempre qual letra está simbolizando as variáveis dependentes e
qual letra está simbolizando a variável independente.
Já no contexto das equações diferenciais parciais, vamos ter a
situação de diversas variáveis independentes caracterizando,
assim, a existência das derivadas parciais.
Equações famosas da física podem ser citadas como exemplos
de equações diferenciais parciais, como a equação da onda, a da
condução do calor e a de Laplace. Dessa forma, vamos, nesta
unidade, trilhar por caminhos que exigem muita atenção, em
função do uso de diversas variáveis. Concentre-se e siga em
frente com seus estudos. Lembre-se de que você pode sempre
contar com seu professor virtual!
Seção 1 – Noções sobre sistemas de equações
diferenciais
Vamos focar os estudos dos sistemas de equações diferenciais
lineares. Para tal, será importante que você revise a resolução de
sistemas, buscando seus estudos no contexto da álgebra linear.
Inicialmente, veja como podemos apresentar os sistemas
diferenciais de primeira ordem.
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Equações Diferenciais
Forma implícita
Observe que temos n funções em x e a relação entre elas e suas
derivadas está apresentada de forma implícita.
Exemplo
Veja que neste exemplo vamos ter as funções y e z como
funções de x.
Forma explícita ou normal
Observe que agora as derivadas de primeira ordem das n funções
foram explicitadas.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo
Vamos apresentar o exemplo anterior na forma normal,
explicitando as derivadas.
Forma simétrica
Observe que é uma maneira não usual na álgebra, comum para
representar um sistema. Nesta representação, podemos escolher
qual variável será considerada como independente.
Exemplo
Podemos reescrever este sistema reunindo duas a duas igualdades
de forma conveniente. Veja:
ou seja, temos a forma explícita:
178
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Equações Diferenciais
Os sistemas de equações diferenciais lineares podem ser
apresentados com a notação de operadores.
Exemplo
Essa notação nos permite manusear os sistemas de equações
diferenciais lineares de modo similar aos sistemas algébricos
lineares.
Como resolver os sistemas de equações diferenciais
lineares?
Resolvem-se os sistemas de equações diferenciais lineares que
tem o número de funções incógnitas de uma mesma variável
independente, iguais ao número de equações dadas. Nesse caso,
dizemos que estamos diante de um sistema canônico.
A solução geral de um sistema com n equações será apresentada
como um conjunto de n funções.
Vamos usar a representação de operadores e aplicar todos os
métodos e procedimentos de resolução das equações diferenciais.
Além disso, podemos usar os métodos algébricos como referência
para os procedimentos metodológicos.
Unidade 6
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179
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
(1) Veja o exemplo que segue, no qual aplicamos procedimentos
similares ao método de adição dos sistemas algébricos.
Vamos reescrever usando os operadores.
Veja que estamos diante de um sistema com duas equações.
Queremos encontrar as funções y e z.
No método da adição, adicionamos
os termos semelhantes e a
estratégia básica é que uma função
seja eliminada.
Para usar o método da adição, vamos aplicar o operador D na
primeira equação. Veja,
Para que a função y seja eliminada ao fazermos a soma, vamos
multiplicar a primeira equação por (–1).
Observe que poderia ser a segunda
equação, pois o objetivo é eliminar
a função y.
Agora, vamos fazer a soma termo a termo.
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Equações Diferenciais
Atente que –D2z + z = 0 é uma equação diferencial linear
homogênea a coeficientes constantes. Para resolvê-la, usaremos o
Método de Resolução 13.
–D2z + z = 0
(D2 – 1)z = 0
(D – 1)(D + 1)z = 0
A solução geral é dada por z = C1ex + C2e–x
Substituindo-se a função z encontrada em uma das duas
equações do sistema, por exemplo, na primeira equação do
sistema dado inicialmente (para ser mais ágil), vamos ter:
y + Dz = sen x + cos x
y + C1ex – C2e–x = sen x + cos x
y = – C1ex + C2e–x + sen x + cos x
Portanto, a solução do sistema dado é o conjunto de funções:
z = C1ex + C2e–x
y = – C1ex + C2e–x + sen x + cos x
Ao resolver um sistema, procure sempre investigar
procedimentos que produzem um caminho mais curto.
(2) Vamos, agora, resolver um exemplo aplicando procedimentos
similares à regra de Cramer.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos reescrever usando os operadores:
O sistema pode ser reescrito numa forma matricial
Observe que estamos lidando com operadores e, portanto, o
procedimento operacional envolvido é a derivação. Com essa
ressalva, podemos aplicar a Regra de Cramer de forma muito
similar aos sistemas algébricos. Veja:
182
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Equações Diferenciais
Assim, temos as seguintes equações formalizadas:
Temos três equações diferenciais lineares não homogêneas a
coeficientes constantes para resolver:
(D3 – 2D2 – D + 2)x = 14 cos u – 18 sen u
(D3 – 2D2 – D + 2)y = 8 cos u – 8 sen u
(D3 – 2D2 – D + 2)z = 3 cos u – 7 sen u
Aplicando os métodos já conhecidos, vamos encontrar as
soluções:
x = C1eu + C2e2u + C3e–u – 5 sen u + cos u
y = C4eu + C5e2u + C6e–u + sen u – cos u
z = C7eu + C8e2u + C9e–u – sen u – cos u
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A solução do sistema pode ser simplificada, pois as constantes
listadas estão relacionadas. Para tal, basta substituir os resultados
no sistema e constatar a relação entre elas. Podemos, então, ter:
x = C1eu + C2e2u + C3e–u – 5 sen u + cos u
y = – C3e2u – C2e–u + sen u – cos u
z = C7eu + C3e2u + C2e–u – sen u – cos u
Uma maneira para chegar a esse resultado é substituir o resultado
da função x = C1eu + C2e2u + C3e–u – 5 sen u + cos u no sistema e
por algebrismos encontrar as demais funções.
Os mecanismos algébricos são variados assim como os
caminhos para chegar à solução. Observe que estamos
diante de uma resolução bastante trabalhosa, pois os
cálculos são extensos.
(3) Uma rede elétrica com mais de uma malha também dá
origem a um sistema de equações diferenciais. Por exemplo, para
o caso da Figura 6.1, vamos ter o sistema
A1
C1
B1
R1
i2
i3
i1
L1
E
R2
A2
B2
C2
Figura 6.1 – Circuito elétrico
Fonte: Elaboração da autora (2011).
184
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Equações Diferenciais
Em geral, nesses problemas, vamos ter condições iniciais para
uma resposta particularizada, sem constantes arbitrárias.
A resolução desse tipo de problema tem uma solução mais rápida
com o uso de ferramentas do Cálculo, não discutidas nessa nossa
disciplina, que são as transformadas de Laplace.
Podemos resolver um sistema apresentado na forma
simétrica?
Para encerrar essa seção, veja, a seguir, alguns exemplos de
resolução de sistemas de equações apresentados na forma simétrica.
Alguns casos são relativamente simples, mas, em outros casos,
vamos ter que usar procedimentos mais sofisticados para resolver.
Exemplos
(1) Veja a resolução do sistema
=
=
Podemos reescrever como:
O que nos leva à resolução de duas equações diferenciais
independentes uma da outra.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
„
Para a primeira
equação temos:
„
Para a segunda
equação temos:
=
=
2x dx – y dy = 0
3 dy – 2 dz = 0
∫ 2x dx – ∫ y dy = C
∫ 3 dy – ∫ 2 dz = C
x2 – 3y – 2z = C2
1
= C1
2
Assim, as funções implícitas que seguem formam o conjunto
solução do sistema dado.
x2 – = C1
3y – 2z = C2
(2) Veja, agora, a resolução do sistema
Vamos reescrever nas equações:
Resolvendo a primeira equação vem:
=
∫
– ∫
= ln C1
ln|y| – ln|z| = ln C1
= C1
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Equações Diferenciais
Para resolver a segunda equação, vamos precisar substituir o valor
da variável y. Veja:
3 dx – (C1 + 2) dz = 0
∫ 3 dx – ∫ (C + 2) dz = C
1
3x – (C1 + 2)z = C2
3x – 2
– 2z = C2
Portanto, a solução é o conjunto formado com as funções:
= C1
3x – – 2z = C2
Na seção seguinte, vamos discutir aspectos introdutórios das
equações diferenciais parciais.
Seção 2 – Noções sobre equações diferenciais parciais
As equações diferenciais parciais são aquelas que envolvem uma
ou mais derivadas parciais. Devem ter, portanto, ao menos duas
variáveis independentes.
A ordem de uma equação diferencial parcial é a da derivada de
mais alta ordem que nela figura.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplos
(1) A equação x + y
= z é uma equação diferencial parcial de
primeira ordem. Observe que temos uma função z = f(x,y), de duas
variáveis, envolvida e que representa uma solução da equação.
(2) A equação
+ 3
+ = 0 é uma equação diferencial
parcial de segunda ordem. Observe a presença das derivadas de
segunda ordem da função z = f(x,y).
Uma equação diferencial parcial pode ter a sua origem em
problemas da Física, da Engenharia e, também, em problemas
geométricos. Podemos, também, visualizar a formação de uma
equação parcial como resultado da eliminação de constantes
arbitrárias de uma expressão que relaciona variáveis. Temos,
ainda, a possibilidade de estar no contexto da eliminação de
funções arbitrárias.
Exemplos
(1) Eliminar as constantes arbitrárias de z = ax2 + by2 + ab.
Para eliminar constantes, vamos fazer as derivadas parciais da
função dada. Veja:
z = ax2 + by2 + ab
= 2ax
⇒
a=
= 2by
⇒
b=
Substituindo os valores de a e b da função dada, vamos encontrar
uma equação diferencial.
z = ax2 + by2 + ab
z=
z=
x2 + + y2 + + 4xyz = 2x2y + 2xy2 + 188
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Equações Diferenciais
(2) Eliminar a função arbitrária de z = f(x2 + y2).
Para eliminar a função arbitrária é importante visualizar a função
dada z = f(x2 + y2) como uma função composta, ou seja, z = f(u) e
u = x2 + y2.
Vamos, então, fazer as derivadas parciais:
=
·
=
.2x
=
·
=
.2y
Vamos, a seguir, fazer a divisão entre as duas derivadas
encontradas. Veja:
Assim, obtemos a equação x + y = 0 que é uma equação
diferencial parcial de primeira ordem.
Como ficam as soluções das equações diferenciais
parciais?
As equações diferenciais parciais podem ter soluções:
„
geral;
„
completa;
„
singular.
A solução geral contém funções arbitrárias. Geometricamente,
representa um conjunto de superfícies que são obtidas
particularizando-se as funções arbitrárias.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A solução completa é caracterizada por conter constantes
arbitrárias. Geometricamente, a solução completa representa uma
família de superfícies dependentes de dois parâmetros, sendo que
cada uma das superfícies é solução da equação e se denomina
superfície integral.
A solução singular representa a envoltória da família de
superfícies correspondente à solução completa. Dessa forma, não
resulta da solução geral nem da completa, mas quando existe, em
alguns casos, pode ser deduzida da solução completa a partir da
eliminação das constantes a e b do sistema
Observe que a ordem de uma equação diferencial
parcial não está relacionada com o número de funções
arbitrárias ou com o número de constantes arbitrárias.
Vejamos, agora, como se apresentam as equações diferenciais
parciais de primeira ordem lineares.
As equações diferenciais parciais de primeira ordem
lineares podem aparecer de duas formas:
(1) Pp + Q q = R sendo p =
;q=
e
P, Q e R são funções de x, y e z.
(2)
sendo z = f(x,y).
Observe que no caso (2), temos um sistema de equações
diferenciais ordinárias na forma simétrica e as equações são
chamadas de equações auxiliares.
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Equações Diferenciais
Como resolver esse tipo de equação parcial?
Vamos resolver essas equações, quando possível, pelo Método de
Lagrange.
Nesse método, vamos considerar o sistema
equações auxiliares.
e as
A solução encontrada é uma solução da equação parcial, desde
que se tenha a suposição inicial que:
u(x,y,z) = a
v(x,y,z) = b
sejam as soluções do sistema, sendo a e b constantes arbitrárias.
Nesse caso, consideramos que b = ϕ(a) ou v = ϕ(u) é a solução
geral procurada.
Podemos, ainda, ter u = φ(v) ou F(u,v) = 0 onde φ e F são funções
arbitrárias.
Exemplos
Resolver a equação y
– x
= 0.
Esta equação pode ser reescrita como um sistema na forma
simétrica. Temos:
Observe que o zero no
denominador, neste caso,
é simbólico para efetivar
a forma simétrica do
sistema.
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos, então, estabelecer as duas equações para serem resolvidas,
usando duas relações extraídas do sistema:
a) Usando as duas
primeiras frações:
–x dx = y dy
∫ x dx + ∫ y dy = C
+ =C
x2 + y2 = a
b) Usando a segunda
e terceira fração:
–x dz = 0
dz = 0
z=b
(usamos a = 2C)
Observe que estamos usando a e b como constantes
arbitrárias.
Considerando que b = ϕ(a) , assim temos a solução geral dada por
z = ϕ(x2 + y2).
Algumas equações são tratadas como se fossem equações diferenciais
ordinárias, pois são equações parciais cujas derivadas parciais
descritas na equação são apenas em relação a uma das variáveis.
Nesses casos, podemos contar com os métodos de resolução já
discutidos e substituir a constante de integração por uma função
arbitrária da variável não visível na equação.
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Equações Diferenciais
Exemplos
(1) Resolver a equação diferencial parcial x
= x + 2y + 2z.
Considerando-se que a derivada parcial visível é em relação a x,
vamos trabalhar inicialmente com essa equação, como se fosse a
equação diferencial ordinária
x
= x + 2y + 2z
x
= x + 2y + 2z
= 1 + 2 + 2
– z = 1 + 2
A expressão encontrada é uma equação diferencial linear de
primeira ordem não homogênea. Podemos resolvê-la pelo método
da variação dos parâmetros.
Vamos escrever a equação homogênea associada e resolvê-la.
u’ – u = 0
– 2
∫
=0
– 2∫
= ln C
ln|u| – 2 ln|x| = ln C
ln (u×x–2) = ln C
u=
= Cx2
Agora, particularizamos a solução encontrada fazendo C = 1.
Temos, então: u1 = x2
Unidade 6
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Na sequência, encontramos a função v = v(x) usando a fórmula
. Veja:
Observe que já colocamos a constante arbitrária que será
convertida em uma função arbitrária. Temos a solução geral:
Para finalizar, observe alguns tipos de equações diferenciais
consideradas famosas, pois servem de modelos para vários
fenômenos da Física e das Engenharias. Destacamos:
a) Equação da condução do calor: k
=
para k > 0.
Essa equação aparece na teoria do fluxo de calor, ou seja, o calor
transferido por condução em uma haste ou fio delgado. A função
u = u(x,t) é temperatura.
b) Equação da propagação das ondas: a2
=
.
Essa equação modela, por exemplo, problemas de vibrações
mecânicas. Podemos, de forma simples, dizer que a função u =
u(x,t), nesse caso, significa o deslocamento de uma corda ideal.
c) Equação de Laplace:
+ = 0.
Essa equação pode representar a modelagem da distribuição de
temperatura em uma placa delgada bidimensional, considerada
de estado estacionário, ou seja, não depende do tempo.
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Equações Diferenciais
A resolução dessas equações envolve um método denotado como
método de separação das variáveis, que não será aqui discutido,
pois é parte integrante de um curso que tem como objetivos
discutir apenas as equações diferenciais parciais.
Durante os dois últimos séculos, diversos métodos foram
desenvolvidos para resolver equações diferenciais parciais. O
método da separação de variáveis é um método bastante antigo
usado por D’Alembert, Daniel Bernoulli e Euler, nas investigações
das ondas e das vibrações, por volta de 1750. Posteriormente
novos estudos trouxeram refinamentos e generalizações, daí o
fato de ser usado até os dias atuais (BOYCE e DI PRIMA, 1994).
Ao encerrarmos esta unidade, lembramos que ao usar uma
equação diferencial parcial para modelar problemas físicos ou de
engenharia, estamos sempre diante de problemas que envolvem
as condições iniciais e as condições de contorno. Ao discutir esses
problemas, é usual aplicar novas ferramentas matemáticas como
as Transformadas de Laplace e as Séries de Fourier, encontrados
em livros de Cálculo Avançado.
Síntese
Nesta unidade, você estudou, de forma bastante resumida,
os sistemas de equações diferenciais lineares e as equações
diferenciais parciais. A complexidade dos cálculos em termos
de tempo de operacionalização ou em funções das sofisticadas
aplicações, levou-nos à apresentação apenas de noções básicas.
Essas noções deverão suscitar novos estudos, caso haja o interesse
específico para esses temas.
Unidade 6
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195
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
1) Resolver os seguintes sistemas de equações diferenciais:
a)
c)
b)
d)
2) Seja a rede elétrica da Figura 6.2, cuja modelagem é dada por
,
encontrar a função i1 = i2 + i3, , sabendo-se que:
R = 5 ohms
L1 = 0,01 henry
L2 = 0,0125 henry
E = 100 volts
com as condições i2(0) = i3(0) = 0.
i1
E
R
i3
i2
L1
L2
Figura 6.2 – Circuito do Problema (2)
Fonte: Elaboração da autora (2011).
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Equações Diferenciais
3) Eliminar as constantes arbitrárias a, b, c de z = ax + by + cxy para encontrar
uma equação diferencial parcial. Procure investigar várias opções.
4) Eliminar a função arbitrária de z = f(x2 + y2) para encontrar uma
equação diferencial parcial.
5) Resolver as seguintes equações parciais:
a) x2
+ y2
= z2
b)
– 5
+ 6z = 12x
c)
= x2 + y2
Saiba mais
Para ampliar os estudos dos dois temas apresentados nesta
unidade, recomendamos o livro de Equações Diferenciais
(Volume 2) de Zill e Cullen, da Editora Pearson Makron Books,
de 2001.
Unidade 6
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Para concluir o estudo
Prezados Alunos
Esta é uma disciplina da última fase do seu curso e
envolve um conteúdo que exige os conhecimentos do
Cálculo Diferencial e Integral. Alguns problemas foram
apresentados com o objetivo de mostrar aplicações.
Entretanto, reconhecemos que a amostra apresentada é
muito pequena em função das aplicações nesta área que
crescem a cada dia. Para um pesquisador que se dedica à
modelagem de fenômenos das Engenharias e de muitas
outras áreas, usar essa poderosa ferramenta é uma escolha
acertada, principalmente quando os problemas envolvem
taxas de variações.
Estamos concluindo essa disciplina com a sensação
de incompletude, principalmente no contexto das
equações diferenciais parciais e, também, no contexto
das aplicações práticas. No entanto, estamos cumprindo
o que foi proposto na ementa da disciplina. Estamos,
também, seguindo as orientações metodológicas do
curso que indica o estudo básico e amostras de caminhos
futuros. Temos a certeza de que você, enquanto um
estudante autônomo, terá condições de avançar em seus
estudos a partir das discussões apresentadas. Resta-me
apenas deixar um abraço carinhoso e o desejo sincero de
muito sucesso em sua vida profissional.
Um grande abraço!
Profª. Diva Marília Flemming
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Referências
ABUNAHMAN, S. A. Equações diferenciais. Rio de Janeiro: LTC,
1986.
AYRES JR. F. Equações diferenciais. 2. ed. São Paulo: Makron
Books, 1994.
BOYCE, W. E.; DIPRIMA, R. C. Equações diferenciais elementares
e problemas de valores de contorno. 6. ed. Rio de Janeiro:
Livros Técnicos e Científicos, 1999.
BOYER, C. B. História da matemática, 3. ed. São Paulo: Edgard
Blücher, 2010.
EVES, H. Introdução à história da matemática. Campinas:
Unicamp, 1995.
MAURER, W. A. Curso de cálculo diferencial e integral. Vol. 4.
São Paulo: Edgar Blucher, 1975.
STEWART, J. Cálculo. Vol. II. São Paulo: Thomson, 2004.
ZILL, D. G.; CULLEN, M. R. Equações diferenciais. Vol. 1 e 2. São
Paulo: Makron Books, 2001.
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Sobre a professora conteudista
Diva Marília Flemming é doutora em Engenharia de
Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC). É mestre em Matemática Aplicada e graduada
em Matemática, ambos pela UFSC. Aposentada como
professora pela UFSC, atualmente é professora e
pesquisadora na Universidade do Sul de Santa Catarina
(UNISUL). No contexto do ensino de Matemática,
tem desenvolvido suas atividades na Unisul com alunos
dos cursos de Engenharia e de Matemática. É autora
de livros de Cálculo Diferencial e Integral, adotados
em vários estados do Brasil. Como pesquisadora, no
Núcleo de Estudos em Educação Matemática (NEEM–
UNISUL), dedica-se à Educação Matemática com ênfase
nos recursos tecnológicos. Sua atual paixão profissional
está nos desafios da educação a distância, realizando
experimentos na formação de professores de Matemática.
Atualmente, coordena, na UnisulVirtual, o curso de
Matemática – Licenciatura. É autora de vários livros
didáticos utilizados na UnisulVirtual.
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Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação
Observação: Lembre-se de que ao conferir os seus exercícios,
temos caminhos diferentes que podem ser seguidos para
encontrarmos as soluções. Dessa forma, não considere as
soluções que seguem como a única maneira de desenvolver
as suas atividades de autoavaliação. Sempre que tiver dúvidas,
recorra ao seu professor no EVA.
UNIDADE 1
1)
a) De fato a função y = 1 + 2x–2 é solução particular da equação
x 3y’’’ + 2x2y’’ – 6xy’ = 0. Veja:
y’ = –4x–3
y’’ = 12x–4
y’’’ = –48x–5
x3(–48x–5) + 2x2(12x–4) – 6x(–4x–3) = 0
–48x–2 + 24x–2 + 24x–2 = 0
–48x–2 + 48x–2 = 0
0 = 0.
b) De fato, a função y = Cex é solução geral da equação
– y = 0. Veja:
y = Cex
y’ = Cex
Na equação temos Cex – Cex = 0.
equacoes_diferenciais.indb 205
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
c) De fato, a função y = C1e2x + C1e–x é solução geral da equação
y’’ – y’ – 2y = 0. Veja:
y = C1e2x + C2e–x
y’ = 2C1e2x – C2e–x
y’’ = 4C1e2x + C2e–x.
Substituindo na equação temos:
y’’ – y’ – 2y = 0
4C1e2x + C2e–x – 2C1e2x + C2e–x – 2(C1e2x + C2e–x) = 0
0 = 0
2)
a) (2x – 1)dx – y2 dy = 0
∫ (2x – 1)dx – ∫ y dy = C
2
2
– x – x2 – x – = C
= C.
b) y2 dx – x2 dy = 0
Sendo que –C = C.
206
equacoes_diferenciais.indb 206
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
c) ydx – xdy = 0
– = 0
∫
– ∫ = C
ln|x| – ln|y| = C
| | = C
ln| | = ln C
ln
= C
∴
x = Cy
d) cotg x dy + ydx = 0
e) (ex + e–x)
= 207
equacoes_diferenciais.indb 207
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
f) (yx2 +y)dx + (x2 + x – 2)dy = 0
3) dx – e3xdy = 0
– dy = 0
∫
∫e
–3x
– ∫ dy = C1
dx – ∫ dy = C1
– e–3x – y = C1
e–3x + 3y = –3C1
e–3x + 3y = C.
A solução geral é dada por e–3x + 3y = C ou
.
Para a solução particular temos:
e–3x + 3y = C
e–3×4/3 + 3×0 = C
C = e–4.
Assim, a solução particular é dada por e–3x + 3y = e–4 ou
.
A figura que segue mostra a família de curvas da solução geral com
o destaque para a solução particular encontrada com as condições
iniciais dadas.
208
equacoes_diferenciais.indb 208
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
(4) Vamos usar A = A(t) para denotar a quantidade de plutônio
remanescente no instante t. Estamos diante do problema de valor inicial:
Resolver:
= kA
Sujeito a: A(0) = A0 e A(15) = 0,99957A0.
Observe que estamos considerando que se 0,043% se desintegrou,
sobraram 99,957% da substância.
Daí o valor de A(15) = 0,99957A0.
Vamos resolver a equação diferencial
= kA.
– kdt = 0
∫
– ∫ kdt = ln C
ln|A| – kt = ln C
ln|A| – ln C = kt
ln
= kt
= ekt
A = Cekt
∴
Para as condições iniciais dadas temos:
A = Cekt
A0 = Cek×0
∴
C = A0.
209
equacoes_diferenciais.indb 209
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
A solução particular fica A = A0 ekt, pronta para aplicarmos a segunda
condição. Veja:
0,99957A0 = A0 ek×15
0,99957 = e15k
15k = ln 0,99957
k = = –0,00002867
Assim, temos A = A0 e–0,00002867t. Para definir a solução do problema é
importante ver o conceito dado no texto inicial, em que a meia-vida é o
tempo t no qual A(t) = . Assim, aplicando esse resultado, vamos ter:
= A0 e–0,00002867t
= e–0,00002867t
ln = –0,00002867t
t = ≅ 24176,74 anos.
UNIDADE 2
(
)
1) x sen – y cos dx + x cos dy = 0
Esta equação é homogênea, veja:
M(x,y) = x sen – y cos
⇒
M(tx,ty) = tx sen – ty cos
(
= t x sen – y cos
= t M(x,y)
N(x,y) = x cos
⇒
(
N(tx,ty) = tx cos = t x cos
= t N(x,y)
)
)
As funções M e N são homogêneas de mesmo grau.
210
equacoes_diferenciais.indb 210
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Vamos aplicar a substituição: y = ux ⇒ dy = udx + xdu.
(x sen
– ux cos
)dx + x cos
(udx + xdu) = 0
(x sen u – ux cos u)dx + ux cos u dx + x2cos u du = 0
x(sen u – u cos u + u cos u)dx + x2cos u du = 0
x sen u dx + x2cos u du = 0
+ ∫
du = 0
+ ∫
du = ln C
ln|x| + ln|sen u| = ln C
x sen u = C.
Vamos retornar às variáveis inicias para concluir a solução geral da
equação dada. Veja:
x sen u = C
x sen = C.
2) (3xy + y2 + x2)dx + xy dy = 0
Estamos diante de uma equação homogênea.
M(x,y) = 3xy + y2 + x2
⇒
M(tx,ty) = 3txty + (ty)2 + (tx)2
= t 2(3xy + y2 + x2)
= t 2 M(x,y)
N(x,y) = xy
⇒
N(tx,ty) = txty = t 2xy
= t 2 N(x,y)
As funções M e N são homogêneas de mesmo grau.
211
equacoes_diferenciais.indb 211
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos aplicar a substituição: y = ux ⇒ dy = udx + xdu.
Vamos retornar às variáveis inicias para concluir a solução geral da
equação dada. Veja:
3) (2x – y)dx + (1 – x)dy = 0
Estamos diante de uma equação exata. Veja:
M(x,y) = 2x – y
⇒
= –1
N(x,y) = 1 – x
⇒
= –1
Vamos, então, resolver o sistema:
212
equacoes_diferenciais.indb 212
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Usando a primeira equação temos:
= 2x – y
u = ∫(2x – y)dx + C(y)
u = x2 – yx + C(y)
Aplicando esse resultado na segunda equação temos:
= 1 – x
–x + C’(y) = 1 – x
C’(y) = 1
C(y) = ∫ dy = y + C
Dessa forma, a função potencial é dada por u = x2 – yx + y + C e a
solução geral é dada por x2 – yx + y = C.
4) (2 cos x + 2xy)dx + x2dy = 0
Estamos diante de uma equação exata. Veja:
M(x,y) = 2 cos x + 2xy
⇒
= 2x
N(x,y) = x2
⇒
= 2x
Vamos, então, resolver o sistema:
Usando a primeira equação temos:
= 2 cos x + 2xy
u = ∫ (2 cos x + 2xy)dx + C(y)
u = 2 sen x + yx2 + C(y)
213
equacoes_diferenciais.indb 213
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Aplicando esse resultado na segunda equação temos:
= x2
x2 + C’(y) = x2
C’(y) = 0 ⇒
C(y) = C.
Dessa forma, a função potencial é dada por u = 2 sen x + yx2 + C e a
solução geral é dada por 2 sen x + yx2 = C.
(
5) 2 + ln x + 2
)dx = (1 – 2 ln x)dy
A equação pode ser reescrita como
(2 + ln x + 2 )dx – (1 – 2 ln x)dy = 0
Estamos diante de uma equação exata. Veja:
M(x,y) = 2 + ln x + 2
⇒
= N(x,y) = –1 + 2 ln x
⇒
= Vamos, então, resolver o sistema:
Usando a segunda equação temos:
= –1 + 2 ln x
u = ∫(–1 + 2 ln x)dy + C(x)
u = –y + 2(ln x)y + C(x)
Aplicando esse resultado na primeira equação temos:
= 2 + ln x + 2
2y + C’(x) = 2 + ln x + 2
C’(x) = 2 + ln x
⇒
C(x) = ∫(2 + ln x)dx = 2x + x ln x – x + C.
214
equacoes_diferenciais.indb 214
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Dessa forma, a função potencial é dada por
u = –y + 2(ln x)y + 2x + x ln x – x + C
e a solução geral é dada por –y + 2(ln x)y + 2x + x ln x – x = C,
ou –y + 2y lnx + x – x ln x = C
6) y(x + y + 1)dx + (x + 2y)dy = 0
Essa equação não é homogênea nem exata, vamos resolver por fator
integrante.
M(x,y) = yx + y 2 + y
⇒
= x + 2y + 1
N(x,y) = x + 2y
⇒
= 1
Vamos usar a expressão
(
– ) para verificar a
possibilidade da existência do fator integrante. Temos,
(
– ) = (x + 2y + 1 – 1) = 1,
como é um valor constante não depende de y, portanto, podemos
encontrar o fator integrante usando a fórmula estabelecida na unidade 2.
Veja:
R = e∫dx = ex
Aplicando o fator integrante vamos ter:
y(x + y + 1)dx + (x + 2y)dy = 0
exy(x + y + 1)dx + ex(x + 2y)dy = 0
Agora, temos a igualdade entre as derivadas parciais que nos garantem
que a nova equação é exata:
M(x,y) = ex(yx + y2 + y)
⇒
= ex(x + 2y + 1) = xex + ex + 2yex
N(x,y) = ex(x + 2y)
⇒
= xex + ex + 2yex
215
equacoes_diferenciais.indb 215
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos, então, resolver o sistema:
Usando a segunda equação temos:
= xex + 2yex
u = ∫(xex + 2yex)dy + C(x)
u = xexy + exy2 + C(x)
Aplicando esse resultado na primeira equação temos:
= exy(x + y + 1)
exy + xexy + exy2 + C’(x) = xexy + exy2 + exy
C’(x) = 0 ⇒
C(x) = C.
Dessa forma, a função potencial é dada por u = xexy + exy2 + C e a
solução geral é dada por xexy + exy2 = C.
UNIDADE 3
1)
a) xy’ – (3x – 1)y = 3xe3x
Estamos diante de uma equação diferencial linear não homogênea, que
pode ser resolvida por um dos dois métodos apresentados na unidade 3.
Vamos apresentar a resolução pelo método da variação dos parâmetros.
Reescrevendo a equação temos: y’ – u = 0
u’–
–
∫
y = 3e3x.
dx = 0
–∫
dx = ln C
ln|u| – 3x + ln|x| = ln C
ln
= 3x
= e3x
⇒
u1 = .
216
equacoes_diferenciais.indb 216
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Vamos calcular a função
sendo que h(x) = 3e3x. Veja:
Assim,
y = u1v
y = b) sen t
(
)
x2 + C .
+ 2r·cos t + 1 = 0
Estamos diante de uma equação diferencial linear de primeira ordem
não homogênea que pode ser reescrita como
Veja:
Vamos calcular a função
sendo que h(x) = –1. Veja:
217
equacoes_diferenciais.indb 217
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim,
r = u1v
r = (–
)
t + sen 2t + C .
c) 3 xy’ – 2y = Estamos diante de uma equação de Bernoulli.
Vamos fazer a substituição z = y3 ∴ z’ = 3y2y’.
Resolvendo a equação linear encontrada pelo método da variação dos
parâmetros temos:
218
equacoes_diferenciais.indb 218
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Vamos calcular a função
linear em z e x.
sendo que h(x) = x2 da equação
Assim,
z = u1v
z = x2(x + C)
Voltando às variáveis da equação dada, temos a solução geral
y3 = x2(x + C).
d) xy’ = y + x2·sen x
Reescrevendo a equação y’ – y = x sen x, podemos observar que
estamos diante de uma equação diferencial linear de primeira ordem
não homogênea. Veja a resolução:
u’ – u = 0
∫
– ∫
= ln C
ln|u| – ln|x| = ln C
u
=C
u1 = x.
Vamos calcular a função
sendo que h(x) = x sen x.
= –cos x + C
Podemos escrever a solução geral:
y = u1v
y = x (–cos x + C)
219
equacoes_diferenciais.indb 219
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
e) y’ = 9 + 6y + y2
Estamos diante de uma equação de Ricatti, sendo que
p(x) = 9; q(x) = 6 e r(x) = 1.
Numa investigação rápida, é possível ver que y1 = –3 é uma solução
particular.
Aplicando direto na expressão w’ – [q(x) + 2y1r(x)]w = r(x)w2 temos:
w’ – [6 + 2×(–3)×1]w = 1w2
w’ – 0w = w2.
Nesse caso, encontramos uma equação de variáveis separáveis. Veja:
Precisamos retomar à variável inicial fazendo a substituição w = y – y1
ou w = y + 3. Assim, a solução geral fica:
2) A equação dada é uma equação de Bernoulli. Veja
xyy’ – 3y2 – x2 = 0
y’ – y = xy–1.
Vamos fazer a substituição z = y2 ∴ z’ = 2yy’.
y’ – y = xy–1.
y’y – yy = xy–1y
– z = x
z’ – z = 2x.
220
equacoes_diferenciais.indb 220
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Resolvendo a equação linear encontrada pelo método da variação dos
parâmetros temos:
u’ – u = 0
∫
– ∫ dx = ln C
ln|u| – 6 ln|x| = ln C
= C
u1 = x 6.
Vamos calcular a função
linear em z e x.
sendo que h(x) = 2x da equação
Assim,
Voltando às variáveis da equação dada, temos a solução geral
y2 = – x2 + Cx 6.
Precisamos aplicar a condição inicial dada. Veja
22 = – (–1)2 + C(–1)6
4 = – + C
C = 4 + = Assim, a solução particular é y2 = – x2 + x 6.
221
equacoes_diferenciais.indb 221
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) Estamos diante de uma equação de Ricatti sendo que p(x) = ex;
q(x) = 1 + 2ex; r(x) = 1. Temos a equação particular dada y1 = –ex.
Aplicando direto na expressão w’ – [q(x) + 2y1r(x)]w = r(x)w2 temos:
w’ – [(1 + 2ex) + 2(–ex)]w = w2
w’ – w = w2
A equação obtida é uma equação de Bernoulli. Vamos, portanto, aplicar
a substituição: z = w –1 ⇒ z’ = –w–2w’. Veja:
w’w –2 – ww –2 = w2w –2
–z’ – z = 1
z’ + z = –1
Resolvendo a equação linear não homogênea encontrada temos:
u’ + u = 0
∫
+ ∫ dx = ln C
ln|u| + x = ln C
= e–x
u1 = e–x
sendo que h(x) = –1 da equação
Vamos calcular a função
linear em z e x.
Assim,
z = u1v
z = e–x(–ex + C) = –1 + Ce–x.
Voltando às variáveis da equação dada em w temos a solução geral
w –1 = –1 + Ce–x
⇒
= –1 + Ce–x
Voltando às variáveis da equação dada inicialmente temos:
= –1 + Ce–x
⇒
= –1 + Ce–x.
222
equacoes_diferenciais.indb 222
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
4) Nesse caso, vamos usar os conhecimentos da Física relativos à queda
de corpos, sujeito a uma força F = ma = mg – kmv, sendo que a é a
aceleração e k é a constante de proporcionalidade.
Temos assim, a equação diferencial linear não homogênea:
a = g –kv
= 10 – kv
+ kv = 10
Resolvendo temos:
+ ku = 0
∫
+ ∫ kdt = ln C
ln|u| + kt = ln C
= e–kt
u1 = e–kt
Vamos calcular a função
sendo que h(x) = 10.
Obs.: Vamos usar v* para não confundir com a velocidade!
Temos:
Assim,
v = u1v*
(
)
v = e–kt 10· ekt + C .
Aplicando as condições iniciais dadas, vamos encontrar as constantes k
e C. Temos:
„
Condição 1: v(0) = 0
(
)
0 = e–k×0 10· ek×0 + C
C = –
223
equacoes_diferenciais.indb 223
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
A equação fica:
(
v = e–kt 10· ekt – „
)
Condição 2: v(∞) = 58
(
58 = e–kt 10· ekt – 58 = ∴ k = )
= A equação fica:
Para responder ao problema, vamos encontrar o valor da velocidade
para o tempo t = 10 segundos.
v(10) = 58 – 58e–(5/29)10 ≅ 47,657 m /s
Observar que no início outra aproximação foi usada relativa ao valor da
aceleração da gravidade.
UNIDADE 4
a) y = xy’2 + y’3
Observe que estamos diante da Equação da Lagrange
y = xf(y’) + g(y’), sendo que f(y’) = y’2 e g(y’) = y’3.
Vamos substituir y’ = p e fazer a diferencial.
y = xy’2 + y’3
y = xp2 + p3
dy = 2xpdp + p2 dx + 3p2 dp
pdx = 2xpdp + p2 dx + 3p2 dp.
Vamos simplificar para visualizar a equação diferencial linear em x e p.
pdx = 2xpdp + p2 dx + 3p2 dp
(p – p2)dx = 2xpdp + 3p2 dp
224
equacoes_diferenciais.indb 224
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Equações Diferenciais
Estamos diante da equação linear não homogênea.
+
A função v(p) é dada por:
.
A solução é dada por
.
Essa expressão é a primeira equação da solução paramétrica. Aplicando
o resultado em y vamos ter as equações paramétricas:
b) y’2 + y = 2xy’
Estamos diante da equação de Lagrange y = 2xy’ – y’2.
Vamos substituir y’ = p e fazer a diferencial.
y = 2xy’ – y’2
y = 2xp – p2
dy = 2xdp + 2pdx – 2pdp
pdx = 2xdp + 2pdx – 2pdp
225
equacoes_diferenciais.indb 225
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos simplificar para visualizar a equação diferencial linear em x e p.
Estamos diante da equação linear não homogênea.
A função v(p) é dada por:
A solução é dada por
.
Essa expressão é a primeira equação da solução paramétrica. Veja:
3
3
3
4
3
c) y – y’x = a(1 + y’2)1/2
Estamos diante da função de Clairaut y = y’x + a(1 + y’2)1/2.
Vamos substituir y’ = p e fazer a diferencial.
y = xp + a(1 + p2)1/2
pdx = xdp + pdx + a(1 + p2)–1/2(2p)dp
[x + a(1 + p2)–1/2p]dp = 0.
226
equacoes_diferenciais.indb 226
28/03/12 11:11
Equações Diferenciais
Da última expressão, podemos concluir que temos:
„
dp = 0 ou
„
x + a(1 + p2)–1/2p = 0
Se dp = 0 temos que p = C.
Se x + a(1 + p2)–1/2p = 0 temos que
.
Podemos escrever a solução geral:
y = xp + a(1 + p2)1/2
Podemos escrever a solução singular x2 + y2 = a2. De fato,
x2 + y2 = + [xp + a(1 + p2)1/2]2 = a2.
Observe os procedimentos operatórios para concluir o valor final de
expressão anterior.
d) y = xy’ + (1 – y’)y’
Estamos diante da equação de Clairaut y = xy’ + (1 – y’)y’.
Vamos substituir y’ = p e fazer a diferencial.
y = xy’ + (1 – y’)y’
y = xp + (1 – p)p
pdx = xdp + pdx + dp – 2pdp
(x + 1 – 2p)dp = 0
Da última expressão, podemos concluir que temos:
„
dp = 0 ou
„
(x + 1 – 2p) = 0
Se dp = 0 temos que p = C.
Se (x + 1 – 2p) = 0 temos que x = 2p – 1.
227
equacoes_diferenciais.indb 227
28/03/12 11:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Podemos escrever a solução geral:
y = xp + (1 – p)p
y = xC + (1 – C)C
Podemos escrever a solução singular
. De fato,
y = xp + (1 – p)p
e) y(4) = 2x + sen 2x
Para resolver essa equação, basta fazer as integrações sucessivas. Veja:
f) yn = ln (2x + 1)
Para resolver essa equação, basta fazer as integrações sucessivas. Veja:
y’’ = ln (2x + 1)
y’ = ∫ ln (2x + 1)dx = (2x + 1) ln (2x + 1) – x + C1
y = ∫
(
)
(2x + 1) ln (2x + 1) – x + C1 dx
y = (4x2 + 4x + 1) ln (2x + 1) – x(3x + 1) + C1x + C2.
228
equacoes_diferenciais.indb 228
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
g) y’’ = 1 + y’2
p’ = 1 + p2
∫
– ∫ dx = C1
arctg p – x = C1
tg (C1 + x) = p
y’ = tg (C1 + x)
y = ∫ tg (C1 + x)dx + C2
y = ln|sec (C1 + x)| + C2
UNIDADE 5
1) Inicialmente, podemos verificar que cada função representa uma
solução particular. Basta fazer as derivadas sucessivas e aplicar na
equação para identificar a equivalência com zero.
„
Para a função y1 = ex
y = y’ = y’’ = y’’’ = ex
ex – ex + 4ex – 4ex = 0
0 = 0
„
Para a função y2 = sen 2x
y2’ = 2 cos 2x; y 2’’ = –4 sen 2x; y2’’’ = –8 cos 2x;
y’’’ – y’’ + 4y’ – 4y = 0
–8 cos 2x + 4 sen 2x + 8 cos 2x – 4 sen 2x = 0
0 = 0
„
Para a função y3 = cos 2x
y3’ = –2 sen 2x; y3’’ = –4 cos 2x; y3’’’ = 8 sen 2x;
y’’’ – y’’ + 4y’ – 4y = 0
8 sen 2x + 4 cos 2x – 8 sen 2x – 4 cos 2x = 0
0 = 0
229
equacoes_diferenciais.indb 229
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Diante dos resultados acima, podemos usar o Wronskiano para mostrar
que são LI. Veja:
O resultado é sempre diferente de zero para todos os valores reais,
portanto, nesse caso de soluções particulares da equação diferencial,
temos a garantia que são LI.
2)
a) y’’’ + 3y’’ – 4y’ – 12y = 0
(D3 + 3D2 – 4D – 12)y = 0
„
Temos as raízes 2, –3 e –2.
„
A solução geral é dada por: y = C1e2x + C2e–3x + C3e–2x.
b) y IV + y’’’ – 3y’’ – 5y’ – 2y = 0
(D4 + D3 – 3D2 – 5D – 2)y = 0
„
Temos as raízes 2 e –1 com multiplicidade 3.
„
A solução geral é dada por: y = C1e2x + C2e–x + C3xe–x + C4x2e–x.
c) y’’ + y = 0
(D2 + 1)y = 0
„
As raízes são complexas e iguais a i e –i.
„
A solução geral no campo dos reais é dada por:
y = e 0x[C1cos x + C2sen x]
y = C1cos x + C2sen x
230
equacoes_diferenciais.indb 230
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
d) y(4) – 13y’’ + 36y = 0
(D4 – 13D2 + 36)y = 0
„
Temos as raízes –2, 2, 3 e –3.
„
A solução geral é dada por: y = C1e–2x + C2e2x + C3e3x + C4 e–3x.
e) y’’’ + 2y’’ – 5y’ – 6y = 0
(D3 + 2D2 – 5D – 6)y = 0
„
Temos as raízes 2, –3 e –1.
„
A solução geral é dada por: y = C1e2x + C2e–3x + C3e–1.
f) y(4) – y = 0
(D4 – 1)y = 0
„
As raízes são 1, –1, i e –i.
„
A solução geral no campo dos complexos é dada por:
y = C1ex + C2e–x + C3eix + C4 e–ix
„
A solução geral no campo dos reais é dada por:
y = C1ex + C2e–x + C3cos x + C4sen x.
g) y’’ – y’ + y = 0
(D2 – D + 1)y = 0
„
Temos as raízes complexas
.
„
A solução geral no campo dos reais é dada por:
231
equacoes_diferenciais.indb 231
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
h) y(4) + y’’’ – 3y’’ – 5y’ – 2y = 0
(D4 + D3 – 3D2 – 5D – 2)y = 0
„
Temos as raízes 2 e –1 com multiplicidade 3.
„
A solução geral é dada por: y = C1e2x + C2e–x + C3xe–x + C4x2e–x.
3) A solução geral é dada por y = C1ex + C2e–2x. Vamos aplicar as condições
iniciais para achar a solução particular. Temos:
y = C1ex + C2e–2x
y' = C1ex – 2C2e–2x
7 = C1 + C2
–5 = C1 – 2C2
Basta resolver o sistema:
Temos como solução os valores: C1 = 3 e C2 = 4. Assim, a solução
particular que atende às condições dadas é y = 3ex + 4e–2x .
4) Resolver y’’ – 3y’ + 2y = 0
Sujeita a: y(0) = 1 e y(1) = 0.
y’’ – 3y’ + 2y = 0
(D2 – 3D + 2)y = 0
(D – 1)(D – 2)y = 0
A solução geral é y = C1ex + C2e2x. Vamos aplicar as condições iniciais
para achar a solução particular. Temos:
y = C1ex + C2e2x
y = C1ex + C2e2x
1 = C1 + C2
0 = C1e + C2e2
Basta resolver o sistema:
Temos como solução os valores: C1 = e C2 = .
Assim, a solução particular que atende às condições dadas é
y = ex + e2x.
232
equacoes_diferenciais.indb 232
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
5)
a) h(x) = sen (3x) + e–x → (D + 1)(D² + 9)
b) h(x) = xex + x2 → D³(D – 1)²
c) h(x) = ex sen (2x) → D² – 2D + 5
6)
a) y’’ – 4y’ + 4y = 8e2x
(D2 – 4D + 4)y = 8e2x
(D – 2)2y = 8e2x
(D – 2)(D – 2)2y = 8e2x
y = C1e2x + C2xe2x + C3x2e2x
Assim temos:
yh = C1e2x + C2xe2x
yp = C3x2e2x
Vamos encontrar a constante da solução particular.
yp = C3x2e2x
yp’ = C3(2x2e2x + 2e2xx)
yp’’ = C3(4x2e2x + 4xe2x + 4e2xx + 2e2x) = C3(4x2e2x + 8xe2x + 2e2x)
Substituindo na equação, vamos ter:
y’’ – 4y’ + 4y = 8e 2x
C3(4x2e2x + 8xe2x + 2e2x) – 4C3(2x2e2x + 2e2xx) + 4 C3x2e2x ≡ 8e2x
2C3e2x ≡ 8e2x
∴
C3 = 4
A solução geral é dada por:
y = C1e2x + C2xe2x + 4x2e2x.
233
equacoes_diferenciais.indb 233
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
b) y’’’ – 2y’’ = 3x2 – 2x + 1
D3 – 2D2 = 3x2 – 2x + 1
D2(D – 2)y = 3x2 – 2x + 1
D3 D2(D – 2)y = D3(3x2 – 2x + 1)
D5(D – 2)y = 0
y = C1 + C2x + C3e2x + C4x2 + C5x3 + C6x4
yp = C4 x2 + C5x3 + C6x4
yp’ = 2xC4 + 3x2C5 + 4x3C6
yp’’ = 2C4 + 6xC5 + 12x2C6
yp’’’ = 6C5 + 24xC6
6C5 + 24xC6 – 2(2C4 + 6xC5 + 12x2C6) = 3x2 – 2x + 1
A solução geral é dada por:
y = C1 + C2x + C3e2x – x4 – x3 – x2
234
equacoes_diferenciais.indb 234
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
c) y’’ + 3y’ = ex
(D2 + 3D)y = ex
D(D + 3)y = ex
D(D + 3)(D – 1)y = (D – 1)ex
D(D + 3)(D – 1)y = 0
y = C1 + C2e–3x + C3ex
Sendo que:
yh = C1 + C2e–3x
yp = C3ex
Vamos encontrar a constante da solução particular.
yp = C3ex
yp’ = C3ex
yp’’ = C3ex
Substituindo na equação vem:
C3ex + 3C3ex ≡ ex
4C3ex = ex
4C3 = 1
∴
C3 = A solução geral é dada por:
y = C1 + C2e–3x + ex
d) y’’ – 4y’ = xe4x
(D2 – 4D)y = xe4x
D(D – 4)y = xe4x
D(D – 4)(D – 4)2 y = 0
y = C1 + C2e4x + C3xe4x + C4x2e4x
Sendo que:
yh = C1 + C2e4x
yp = C3xe4x + C4 x2e4x
235
equacoes_diferenciais.indb 235
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos encontrar as constantes da solução particular.
yp = C3xe4x + C4x2e4x
yp’ = C3(4xe4x + e4x) + C4(4x2e4x + 2e4xx)
yp’’ = C3(16xe4x + 8e4x) + C4(16x2e4x + 16xe4x + 2e4x)
Aplicando na equação temos:
y’’ – 4y’ = xe4x
16C3xe4x + 8C3e4x + 16C4x2e4x + 16C4xe4x + 2C4 e4x
– 16C3xe4x – 4C3e4x – 16C4x2e4x – 8C4 e4xx ≡ xe4x
Vamos ter o sistema para resolver:
8C4 = 1 ∴
C4 = 8C3 + 2 = 0
8C3 + = 0
8C3 = –
∴
C3 = –
A solução fica yp = –
xe4x + x2e4x
A solução geral fica y = C1 + C2e4x – xe4x + x2e4x
e) y’’ = 9y + 4
(D2 – 9)y = 4
(D – 3)(D + 3)y = 4
D(D – 3)(D + 3)y = 0
y = C1e–3x + C2e3x + C3
Sendo que:
yh = C1e–3x + C2e3x
yp = C3
236
equacoes_diferenciais.indb 236
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
Vamos encontrar o valor da constante da solução particular.
yp = C3
yp’ = 0
yp’’ = 0
Aplicando na equação:
y’’ = 9y + 4
0 = 9C3 + 4
∴
C3 = –
A solução geral fica: y = C1e–3x + C2e3x – f) y’’ + y’ – 2y = 8 sen 2x
(D2 + D – 2)y = 8 sen 2x
(D2 + 4)(D2 + D – 2)y = (D2 + 4)8 sen 2x
(D2 + 4)(D + 2)(D – 1)y = 0
Temos:
y = C1e–2x + C2ex + A cos 2x + B sen 2x.
Sendo que:
yh = C1e–2x + C2ex
yp = A cos 2x + B sen 2x
Vamos encontrar as constantes da solução particular:
yp = A cos 2x + B sen 2x
yp’ = –2A sen 2x + 2B cos 2x
yp’’ = –4A cos 2x – 4B sen 2x
Substituindo na equação, vamos ter:
y’’ + y’ – 2y = 8 sen 2x
–4A cos 2x – 4B sen 2x –2A sen 2x + 2B cos 2x
– 2A cos 2x – 2B sen 2x ≡ 8 sen 2x
237
equacoes_diferenciais.indb 237
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Resolvendo o sistema vamos obter: A = – e B = – .
A solução geral é dada por:
y = C1e–2x + C2ex – cos 2x – sen 2x.
7)
a) y’’ – 7y’ + 10y = 8e2x
(D2 – 7D + 10)y = 8e2x
(D – 5)(D – 2)y = 8e2x
yh = C1e2x + C2e5x
yp = C1(x)e 2x + C2(x)e5x
Armando o sistema vem:
A solução geral é dada por:
y = C1e2x + C2e5x + 2e2x
b) y’’ – 3y’ + 2y = ex sen x
(D2 – 3D + 2)y = ex sen x
(D2 – 3D + 2)y = 0
yh = C1e2x + C2ex
yp = C1(x)e 2x + C2(x)ex
238
equacoes_diferenciais.indb 238
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
Armando o sistema vem:
;
C1(x) = ∫ e–x sen x dx
x
0
x
0
= –
(sen x + cos x)|x0
= cos x|x0
= –
(sen x + cos x) + .
= cos x – 1
yp = –
(sen x + cos x)e2x + cos x ex
(sen x + cos x) + excos x
= –
= C2(x) = ∫ –sen x dx
(cos x – sen x)
A solução geral é:
y = Ae2x + Bex + A = C1 +
(cos x – sen x), sendo que
e B = C2 – 1.
8) Inicialmente, devemos normalizar a equação:
x2y’’ – 4xy’ + 6y = y’’ – y’ + y = A solução geral é dada por:
y = C1x2 + C2x3 + A(x)x2 + B(x)x 3
Neste caso, vamos usar o método da variação dos parâmetros. Veja o
sistema
239
equacoes_diferenciais.indb 239
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Resolvendo o sistema, vamos obter:
A solução geral é dada por:
9) Inicialmente, devemos normalizar a equação:
x2y’’ – xy’ + y = 4x ln x
y’’ – y’ + y = ln x
A solução geral é dada por:
y = C1x + C2x ln x + A(x)x + B(x)x ln x
Nesse caso, vamos usar o método da variação dos parâmetros. Veja o
sistema
Resolvendo o sistema, vamos obter:
A solução geral é dada por:
y = C1x + C2x ln x – (ln x)3x + 2(ln x)2x ln x
y = C1x + C2x ln x – x(ln x)3 + 2x(ln x)3
240
equacoes_diferenciais.indb 240
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
10) Resolver as seguintes equações de Cauchy-Euler:
a) x2y’’ – 2xy’ + 2y = 3x
Vamos fazer a substituição
x = et
dx = etdt
y’ = y’’ = = e–t
∴
e–t
(
– )e
–2t
Substituindo na equação vem:
x2y’’ – 2xy’ + 2y = 3x
(
(et)2·e–2t
(
– – ) – 2
) – 2e
t
e–t + 2y = 3et
+ 2y = 3et
(D2 – 3D + 2)y = 3et
Estamos diante de uma equação linear não homogênea
(D – 1)(D – 2)y = 3et
(D – 1)(D – 2)(D – 1)y = 0
y = C1et + C2e2t + C3tet
Sendo que:
yh = C1et + C2e2t
yp = C3tet
Vamos calcular as constantes da solução particular:
yp = C3tet
yp’ = C3(tet + et)
yp’’ = C3(tet + 2et)
Aplicando na equação temos:
(D2 – 3D + 2)y = 3et
C3(tet + 2et) – 3C3(tet + et) + 2C3tet ≡ 3et
C3 = – 3
241
equacoes_diferenciais.indb 241
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim, a solução pode ser escrita como:
y = C1et + C2e2t – 3tet
Voltando à substituição inicial temos:
y = C1et + C2e2t – 3tet
y = C1x + C2x2 – 3x ln x.
b) (x – 1)3y’’’ + 2(x – 1)2y’’ – 4(x – 1)y’ + 4y = 4 ln (x – 1)
Vamos fazer a substituição
(x – 1) = et
dx = etdt
y’ = = e–t
e–t
(
y’’’ = (
– y’’ = )e
– 3
–2t
+ 2
)e
–3t
Substituindo na equação vem:
(x – 1)3y’’’ + 2(x – 1)2y’’ – 4(x – 1)y’ + 4y = 4 sen (x – 1)
(
(et)3e–3t – 3
– 4et
+ + 2
) + 2 (e ) ·e (
t 2 –2t
– )
e–t + 4y = 4 ln (et + 1 – 1)
–3y’’ + y’’’ + 2y’ + 2y’’ – 2y’ – 4y’ + 4y = 4t
y’’’ – y’’ – 4y’ + 4y = 4t
Estamos diante de uma equação linear não homogênea
(D3 – D2 – 4D + 4)y = 4t
(D – 1)(D – 2)(D + 2)y = 4t
D2(D – 1)(D – 2)(D + 2)y = 0
y = C1et + C2e2t + C3e–2t + C4 + C5t
242
equacoes_diferenciais.indb 242
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
Sendo que:
yh = C1et + C2e2t + C3e–2t
yp = C4 + C5t
Vamos calcular as constantes da solução particular
yp = C4 + C5t
y’ = C5
y’’ = 0
y’’’ = 0
Aplicando na equação temos:
(D3 – D2 – 4D + 4)y = 4t
–4C5 + 4C4 + 4C5t = 4t
C4 = C5 = 1.
Assim, a solução pode ser escrita como:
y = C1et + C2e2t + C3e–2t + 1 + t
Voltando à substituição inicial temos:
y = C1et + C2e2t + C3e–2t + 1 + t
y = C1(x – 1) + C2(x – 1)2 + C3(x – 1)–2 + 1 + ln (x – 1).
UNIDADE 6
1)
a)
Vamos reescrever com operadores
243
equacoes_diferenciais.indb 243
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Vamos, agora, resolver usando o método da adição, inicialmente,
aplicando o operador (D – 1) na segunda equação e multiplicando a
primeira equação por (–1), obtemos:
(D2 + 1)y = –ex
Resolvendo essa equação, vamos obter:
y = A·cos x + B·sen x – Aplicando esse resultado na segunda equação, vamos obter o valor de z.
z = –
– 3y
z = –(3A + B)cos x + (A – 3B)sen x + 2ex.
b)
Usando pela Regra de Cramer para encontrar o valor de x temos:
(D2 + 1)x = –et
(D – 1)(D2 + 1)x = 0
x = A·cos x + B·sen x + Cet
x = A·cos x + B·sen x – et.
Substituindo esse resultado na segunda equação, vamos obter:
(D + 3)x + y = 0
y = –Dx – 3x
y = (–3A – B)cos x + (A – 3B)sen x + 2et.
Assim, a solução do sistema é dada por:
x = A·cos x + B·sen x – et.
y = (–3A – B)cos x + (A – 3B)sen x + 2et.
244
equacoes_diferenciais.indb 244
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
c)
Vamos resolver fazendo:
= ⇒
∫
= ∫
⇒
– = – + a
= ⇒
∫
= ∫
⇒
– = – + b
e
As funções – = a e – = b constituem a solução do sistema.
d)
Vamos resolver fazendo:
= ∫
= ∫
ln|x| = ln|y| + a
= ea
x = Ay
Levando esse resultado na relação seguinte temos:
y = (ln z – ln (az – 1)) + B
As funções x = Ay e y = (ln z – ln (az – 1)) + B formam a solução do
sistema.
245
equacoes_diferenciais.indb 245
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
2) Vamos substituir os dados no sistema
(0,0125D + 5)(0,01D + 5)i2 – 25i2 = 0
[(0,0125D + 5)(0,01D + 5) – 25]i2 = 0
i2 = Ae–900t + B
Substituindo esse resultado na primeira equação, vamos ter:
0,01
+ 5i2 + 5i3 = 100
0,01(–900Ae–900t) + 5(Ae–900t + B) + 5i3 = 100
i3 = [100 – 0,01(–900Ae–900t) – 5(Ae–900t + B)]
i3 = 20 + Ae–900t – B
A solução obtida é dada por:
i2 = Ae–900t + B
i3 = 20 + Ae–900t – B
Aplicando as condições iniciais temos
0 = A + B
0 = 20 + A – B
246
equacoes_diferenciais.indb 246
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Equações Diferenciais
Resolvendo o sistema
obtemos A = –
e B = .
Assim, a solução final do nosso problema é dada por i1 = i2 + i3, sendo que:
i2 = –
i3 = –
e–900t + e–900t + .
3) Vamos fazer as derivadas parciais:
z = ax + by + cxy
= a + cy
= b + cx
= 0
= 0
Podemos, então, ter as seguintes equações:
= 0 ;
z = x
= 0 ;
– xy
= 0
e
+ y
4) Vamos considerar que a função dada é uma função composta, sendo
z = f(u) e u = x2 + y2.
Temos,
= ·2x
e
= ·2y
Assim,
y
= x
247
equacoes_diferenciais.indb 247
28/03/12 11:12
Universidade do Sul de Santa Catarina
5)
+ y2
a) x2
= z2
Essa equação pode ser reescrita como um sistema de equações
auxiliares:
= = .
Usando as duas primeiras razões e, posteriormente, as duas últimas,
temos:
= ⇒
∫
= ∫
+a
⇒
= + a
⇒
a = – = ⇒
∫
= ∫
+b
⇒
= + b
⇒
b = – Como vamos fazer b = φ(a), temos a solução geral que contém funções
arbitrárias.
b)
– = φ
(
– = + φ
(
– – 5
)
).
+ 6z = 12x
Como as derivadas parciais são em relação apenas em x, podemos
resolver pelos métodos das equações diferenciais ordinárias.
Temos:
– 5
+ 6z = 12x
(D2 – 5D + 6)z = 12x
Aplicando o operador que anula 12x, temos:
D2(D2 – 5D + 6)z = 0
Temos as raízes 2, 3 e 0 com multiplicidade dois. Assim,
z = C1e2x + C2e3x + C4 + C5x.
248
equacoes_diferenciais.indb 248
28/03/12 11:12
Equações Diferenciais
Temos que:
zh = C1e2x + C2e3x
zp = C4 + C5x
Vamos encontrar os valores das constantes C4 e C5.
zp = C4 + C5x
zp’ = C5
zp’’ = 0
Assim,
(D2 – 5D + 6)z = 12x
0 – 5C5 + 6C4 + 6C5x ≡ 12x
Temos o sistema:
A solução do sistema é C5 = 2 e C4 = .
Portanto, a solução da equação diferencial parcial é dada por:
z = C1(y)e 2x + C2(y)e3x + + 2x.
c)
= x2 + y2
Nesse caso, vamos, também, resolver com os métodos das equações
ordinárias.
249
equacoes_diferenciais.indb 249
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equacoes_diferenciais.indb 250
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equacoes_diferenciais.indb 251
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