Alfabetização Matemática: como foi, é e poderá ser na perspectiva do letramento Iloine Maria Hartmann Martins1 GD1 – Educação Matemática nos anos Iniciais do Ensino Fundamental O presente artigo é parte de um estudo que se encontra em andamento, o qual tem como propósito constituir fontes orais sobre alfabetização matemática, por meio de relatos de professores e alunos do primeiro ciclo de alfabetização a respeito das relações estabelecidas com a matemática escolar pelos professores em sua infância, formação acadêmica e, em sua prática de sala de aula. Assim como as relações que estabelecem seus alunos na atualidade e ainda, que reflexões realizam os formadores de matemática e Língua Portuguesa que participam do Pacto Nacional de Alfabetização Na Idade Certa- PNAIC sobre estas fonte orais. O desenvolvimento do projeto se deu a partir de três questionamentos a respeito da alfabetização matemática. O primeiro questionamento feito aos professores: Como foi a alfabetização matemática? O segundo questionamento também para os professores e alunos: Como é a alfabetização matemática? O terceiro questionamento será feito aos formadores : Como a alfabetização matemática poderá ser na perspectiva do letramento? As reflexões realizadas pelos formadores a respeito dessas fontes orais serão organizadas após o término das transcrições e textualizações. Palavras-chave: Alfabetização Matemática. Letramento Matemático. Formação de professores. Historia Oral. O presente artigo apresenta um relatório parcial sobre a pesquisa de mestrado Alfabetização Matemática: como foi, é e poderá ser na perspectiva do letramento que tem como propósito constituir fontes orais por meio de relatos de professores alfabetizadores a respeito das 1 Mestranda em Educação Matemática pela Universidade Federal do Paraná. [email protected] Orientador: Professor Dr. Carlos Roberto Vianna. relações estabelecidas com a matemática escolar na infância, formação acadêmica e em sua prática de sala de aula, assim como as relações que estabelecem seus alunos na atualidade. Após as discussões teóricas sobre alfabetização matemática entrevistamos professores de diferentes municípios do Paraná, os quais relatam como suas relações com a matemática foram sendo construídas ao longo de suas vidas. Essas narrativas que neste momento estão sendo transcritas, serão na sequência textualizadas e organizadas em três momentos distintos. No primeiro momento, “como foi”, os professores relatam a respeito do seu próprio processo de alfabetização e sobre sua formação acadêmica; o segundo momento já introduz o questionamento da segunda parte desta dissertação: como é a alfabetização matemática. Neste, serão apresentadas as ideias dos professores onde contam a respeito do trabalho que desenvolvem em sala de aula com os alunos do primeiro ciclo e também fará parte deste momento, a fala dos alunos, sobre o que contam de suas relações com a Matemática. Após as transcrições e textualizações concluídas, será organizado um momento para leitura e discussões com seis formadores do PNAIC de Matemática e Língua Portuguesa, a respeito dessas fontes orais. Alfabetização matemática Discutir sobre questões que envolvem a matemática nas séries iniciais trouxe-me à memória lembranças da infância. Lembranças das minhas experiências com a minha família, com meus amigos, meus professores. Lembranças do que estes me contavam sobre o mundo. Estas histórias retratavam não a realidade em sí, mas relatavam a interpretação que meus pais, os adultos enfim, tinham construído sobre o mundo. Com as experiências vividas na infância e com estas histórias que ouvia, fui elaborando minhas próprias ideias sobre o mundo. As experiências com a leitura e com a matemática iniciaram muito antes de ir para a escola. Recordo-me que o acesso aos materiais impressos eram raros, mas ainda assim tínhamos acesso a uma variedade de gêneros: narrativas, parábolas, provérbios, cartas, documentos jurídicos, poesias. Apesar de fazermos ideia sobre as características que diferenciavam cada um desses gêneros e com frequência utilizar alguns deles em nossa vida diária, como a carta, bilhetes, receitas, as frases expressas nas preces feitas aos domingos na igreja, o calendário do Sagrado Coração que era acompanhado com muita expectativa até o dia do aniversário, dia do coelhinho, dia das crianças, natal, estes nunca fizeram parte do contexto da sala de aula. Assim como a leitura, a matemática também fazia parte do contexto rural em que vivíamos, mas não tinha relação nenhuma com a matemática aprendida na escola. Existia a matemática da vida e a matemática da escola. Tratava-se de um saber necessário para responder as perguntas feitas pelo professor. Para os questionamentos do dia a dia, esse parecia ter pouca utilidade. Assim como não tinha nenhuma utilidade na escola, os saberes adquiridos fora dela. Ao que parece, não há muita continuidade entre o que se aprende na escola e o conhecimento que existe fora dela. Há crescente evidência de que a escolarização está contribuindo muito pouco para o desempenho fora da escola. Dificilmente se mostra para o aluno a relação direta e óbvia que há entre a escola e a vida (MOYSÉS, 2012). A formação do pensamento da criança é complexa. Ocorre a partir das experiências na sua realidade concreta isto é, onde ela mora, estuda, brinca com seus amigos e família; com as histórias que as pessoas contam; com as informações transmitidas pela mídia; com as histórias contadas nos livros aos quais tem acesso quando vai à escola e outros. As origens do pensamento devem, portanto, ser encontradas nas condições sociais externas. Esses elementos ajudam a construir o sentido de cada criança, sobre o mundo. “Indivíduos constroem seu próprio sentido a partir de significados socialmente disponíveis” (DANIELS, 2011, p. 46). As relações sociais são mediadas pela linguagem. O desenvolvimento da linguagem em crianças ocorre após o pensamento. A linguagem é o sistema de signos mais importante para origem das funções mentais superiores e antes de ser interna foi relação social entre os indivíduos localizados no mundo (MINICK, 2002). O sentido construído pela criança sobre o mundo vai tomando forma quando o pensamento vai se realizando nas palavras. Este pensamento é um todo e se realiza nas palavras que a criança conhece. Quando pequena, o pensamento às vezes se realiza em uma única palavra. Conforme ela vai crescendo e conhecendo os significados de outras palavras, vai utilizando-as para que seu pensamento se torne cada vez mais verbal. De acordo com Minick (2002 ) para Vygotsky o significado das palavras é decisivo na comunicação entre os homens. A alfabetização se inicia pela palavra. Inicia pela parte e desta para o todo existente. Enquanto o pensamento é o todo e se realiza na parte. Um dos aspectos que trataremos nesta dissertação é da linguagem oral e da linguagem escrita e a relação destas com a linguagem ou linguagens matemática. A relação da matemática e a oralidade no período de alfabetização são essenciais para que ocorra a interação entre os alunos, alunos e professores e estes com o conhecimento. A dinâmica implícita e explicita na oralidade é o de explicar, de intervir, entender o que se quer dizer. Para a construção do conhecimento matemático, o diálogo entre a oralidade e a matemática se faz necessária, pois nessa interação entre oralidade e matemática, a aprendizagem da matemática se constrói. Constrói-se na inter-relação também com outros saberes e em particular com leitura e escrita na língua materna. “As alfabetizações da lingua materna e da matemática têm muito mais em comum do que a principio podemos imaginar” (ANDRADE, 2009, p.158) Nesse sentido, da mesma forma que os conceitos matemáticos vão sendo construídos pelos alunos por meio das investigações e problematizações, uma linguagem matemática também vai sendo produzida a fim de comunicar ideias ou mesmo servir de instrumento de reflexão do conhecimento produzido, por meio da argumentação e de registros pessoais. “A linguagem matemática ou a alfabetização matemática, a meu ver, não envolve a escrita e a leitura apenas de números e cálculos mas também de espaços, forma, medidas, grandezas, tratamento de informações- combinatória, probabilidade e estatística; uso de, por exemplo, unidades de medidas nãoconvencionais; construção, leitura e análise de gráficos e tabelas; registro e organização de informações coletadas etc, ou seja, leitura e escrita do mundo em que o individuo está inserido” ( ANDRADE, 2009, p. 158 ). Alfabetização matemática na perspectiva do letramento As razões que levam alfabetizar na perspectiva do letramento deve ser a formação de leitores e de escritores. A necessidade de aprender a ler e a escrever e o como se ensina e o como se aprende, é histórica. Antes de Gutemberg e depois de Gutemberg. Antes do telégrafo e depois do telégrafo. Antes e depois da televisão. Antes e depois do computador. A alfabetização é um processo incluso no letramento, e sem esse processo o letramento fica comprometido e sem o letramento a alfabetização fica limitada. Um sujeito letrado é muito mais que um leitor que apenas decodifica. Um sujeito letrado é alguém que compreende, interpreta e extrapola seja em textos escritos nos diversos gêneros, como nas intenções das falas, na expressão dos gestos, nas temáticas contemporâneas e nos programas e imagens do universo midiático. Para Pellatieri (2013), o ensino da matemática numa perspectiva de letramento deve essencialmente estabelecer relações com a língua materna, a qual se apresenta como um instrumento de comunicação de ideias matemáticas enquanto as crianças neste primeiro ciclo ainda não possuem domínio sobre a linguagem matemática. Não se trata de qualquer relação, como leitura de enunciados de problemas ou ainda de textos que abordam conteúdos da matemática "Trata-se de fazer uso da linguagem como instrumento para compreensão, interpretação e resolução de problemas matemáticos, voltando-se para as especificidades do texto matemático” (PELLATIERI, 2013, p.73). O sujeito letrado deve ser capaz de compreender a intenção dos textos que circulam socialmente, relacionando-se com as pessoas também através da produção de seus próprios textos, comunicando suas ideias iniciais sobre os fenômenos e depois reescrevendo com novas informações adquiridas na escola reelaboradas a partir de um processo de criação, vivo e significativo com a linguagem matemática. A alfabetização na perspectiva do letramento deve partir de uma perspectiva ampla, iniciando pelas interpretações de mundo das crianças, dos adultos, das ideias disponibilizadas em livros por autores com diferentes pontos de vistas, das ideias expressas nos gêneros textuais disponíveis no meio social. Essas diferentes fontes de informações precisam ser sistematizadas na escola, com intuito de que a criança avance para um conhecimento mais elaborado, isto é, um pensamento reelaborado que partiu dos conhecimentos elementares para um conhecimento superior. O aprendizado de leitura e de escrita das palavras e das características dos diferentes gêneros, possibilitará a criança expressar seu pensamento sobre o mundo de maneira elaborada, buscando intervir em situações que promovam um mundo melhor primeiro para ela e para os que estão ao seu lado. Formar leitores e escritores é muito mais que apenas ler as letras e números. É preciso aprender e ensinar a ler o mundo, saber interpretá-lo e escrever para comunicar suas ideias aos outros. Essa responsabilidade é de todos. Histórias da Tradição Oral e a História Oral O professor é um pesquisador de sua prática. Os saberes dos alunos devem ser ponto de partida para construção os saberes de professores. Esse engajamento social define quem nós somos. Para se constituir como sujeitos, portanto, precisamos ouvir as histórias dos outros, colocar-se no lugar destes. Ouvir e contar histórias são práticas antigas. Desde que nascemos, somos rodeados por histórias. “A oralidade, que constrói as narrativas folclóricas, foi sempre elemento inalienável da literatura no todo desde os primórdios de sua história” (PROPP, 2002, p. XVII). Para o referido autor é na realidade histórica do passado que se originaram os contos. O que se narra na atualidade era realizado em um determinado período histórico e o que não era realizado era imaginado. (PROPP, 2002). As contribuições teóricas a respeito deste debate entre as histórias da tradição oral e a história oral como metodologia de pesquisa, encontram-se em Alessandro Portelli (2010), professor de literatura norte-americana que ao longo de vários anos entrevistou trabalhadores, poetas, cantores populares contribuições que colaboram também na diferenciação entre contar histórias e contar a história. Para Portelli (2010), contar histórias (storytelling) são as experiências relembradas e contadas por fazerem parte da memória dos sujeitos e dos grupos sociais e para o tipo de história de que trata a história oral, Portelli contribuiu demarcando que se trata de contar a história (history-telling). Contar a história significa para a história oral “resultado da intervenção de um ouvinte “questionador” especializado: um historiador oral com seu projeto. Ele dá inicio ao encontro e cria espaço narrativo para o narrador-que tem uma história a contar, mas que não a contaria daquela mesma maneira em outro contexto ou a outro destinatário” (PORTELLI, 2010, p. 212), enquanto contar histórias remete-nos ao conhecimento transmitido de geração em geração. No uso popular as definições de história oral e tradição oral se modificam de acordo com Cruikshank (2006), enquanto a tradição oral é identificada como um conjunto de bens materiais do passado que são transmitidas as outras gerações, a história oral em geral referese a um método de pesquisa, onde é realizada a gravação de uma entrevista a respeito das experiências que ocorreram na sua vida. “É uma expressão mais especializada que em geral se refere a um método de pesquisa, no qual se faz uma gravação sonora de uma entrevista sobre experiências diretas ocorridas durante a vida de testemunho ocular” (CRUIKSHANK, 2006, p.151). Contar a história inclui dois sujeitos face a face mediados pelo microfone, enquanto na forma de contar histórias geralmente ocorre em uma roda de ouvintes. A narração oral da história só ocorre no encontro pessoal que acontece na pesquisa de campo. Nesse encontro, o entrevistador, por meio da sua presença, das perguntas, das reações provoca performances verbais e contribui para que em uma relação dialógica os conteúdos da memória sejam evocados. “História oral: uma narração dialógica que tem o passado como assunto que brota do encontro de um sujeito que chamarei de narrador e de outro sujeito que chamarei de pesquisador-encontro geralmente mediado por um gravador ou um bloco de anotações” (PORTELLI, 2010, p. 210). A história oral, entendida aqui como metodologia de pesquisa, nos remete ao passado e para isso, é necessário recorrermos à memória, para evocarmos nossas experiências vividas ou apenas sentidas. As entrevistas, vistas como documentos, não na forma como ocorreram os fatos, mas como são aprendidos e interpretados. Ouvir os professores alfabetizadores e seus alunos sobre suas relações com a matemática denotam os sentidos que construíram sobre a matemática no contexto de suas experiências, no período préescolar, de alfabetização e de formação acadêmica. Estes apresentam diferentes visões a respeito da mesma temática. Suas palavras me revelaram detalhes que não havia lido, não havia pensado. A escolha dos colaboradores da pesquisa A escolha dos entrevistados, denominados aqui de colaboradores de pesquisa, foi feita a partir da posição que ocupam e do significado de suas experiências no tema, os quais a meu ver podiam oferecer informações significativas para a pesquisa. “... em primeiro lugar, convém selecionar os entrevistados entre aqueles que participaram, viveram, presenciaram ou se inteiraram de ocorrências ou situações ligadas ao tema e que possam fornecer depoimentos significativos” (ALBERTI, 2005, p.31-32). O número de colaboradores, que até o presente momento foram entrevistados é composto de quatro alfabetizadores e cinco crianças que trabalham e estudam em diferentes contextos. As entrevistas foram organizadas de forma que os professores alfabetizadores falassem sobre suas relações com a matemática na infância, no período de formação e na sua atuação como alfabetizadores. Palavras chaves foram apresentadas a todos os entrevistados. O intuito era garantir uma unidade entre as entrevistas. Se um alfabetizador foi questionado por um tema o outro também, e isso permitiu diferentes versões sobre o mesmo assunto, pois cada entrevistado ainda que fosse alfabetizador, e participe do mesmo programa de formação ainda assim, ocupa diferentes posições neste contexto. Para Jaramillo (2009) os saberes dos professores são os conhecimentos produzidos por estes, ao longo de sua vida profissional e acadêmica e a partir de suas próprias experiências. “Os saberes das experiências são produzidos por cada um de nós a partir da leitura que fazemos sobre as experiências próprias ou alheias” (JARAMILLO, 2009, p. 164). Estes saberes são oriundos por diferentes fontes. Uma dessas é a formação inicial ou em pedagogia ou em matemática. A outra fonte são as experiências profissionais. Essas, associadas a sua experiência a partir de leituras enriquecem seu modo de ser e de constituir saberes. Os colegas, parceiros, amigos e os alunos os quais tem importância fundamental na constituição desses saberes. “A ação e os discursos praticados pelo professor, quando ensina matemática, decorrem do seu conhecimento e modo de ver a matemática, de como enxerga e escuta o aluno” (SANTOS, 2009, p. 118). Relatar experiências tem como propósito de que estes saberes se convertam em saberes de outros professores. “Esse relatar aos outros as experiências e possibilitar a produção de saberes é uma forma, algumas vezes, de o professor sair de sua solidão e de seu silêncio” (JARAMILLO, 2009, p.171). Ao com-partilhar suas experiências, afirma o autor acima citado, o professor constitui sua identidade profissional no sentido de quem ele é. “O professor tem saberes e conhecimentos que o diferenciam dos outros, porque trabalha em outra escola, em outro contexto..., porque é outro. Mas, a partir desses outros, o professor pode-se constituir no professor que é. A constituição da identidade e da autonomia de cada professor se faz sempre permeada pelos outros” (JARAMILLO, 2009, p.171). A história oral com as crianças tem sido um desafio. Um deles foi de encontrar uma maneira que fizesse de forma muito espontânea, as crianças contarem sobre suas relações com a matemática. Para Vigotsky (2010) a criança antes mesmo de entrar na escola já teve suas experiências com a aritmética. “A aprendizagem escolar nunca começa no vazio, mas sempre se baseia em determinado estágio de desenvolvimento, percorrido pela criança antes de ingressar na escola” (VIGOTSKY, 2010, p. 476). Os elementos da realidade concreta se fazem presentes no pensamento das crianças. Para compreender suas ideias expressas em suas narrativas, é necessário entender o contexto em que vivem. Nessa perspectiva, as relações que as crianças estabelecem com o seu meio, produzem a sua história. Ouvi-las abre espaço para compreender que ideias desenvolvem. “A história dos homens comporta tanto a atividade prática de subsistência, como sua atividade reflexiva de produção de ideias” (SILVA; CAMBAÙVA, 2009, p. 20). Para realização das entrevistas com as crianças criei um jogo, (Jogo do desafio de contar histórias com a Matemática). Os desafios propostos no jogo tinham como enfoque as questões da escola e especificamente em relação à Matemática. As solicitações nos desafios tinham como foco a fala direta da criança a respeito de algumas questões relacionadas à matemática e também algumas solicitações para realização de determinadas atividades. Fazer desenhos, era uma delas. O desenho era um pretexto para que verbalizassem sobre aquilo que haviam desenhado. A criança ao desenhar o faz de memória e não desenha pelo que vê, mas pelo que conhece. “Quando uma criança libera seus repositórios de memória através do desenho, ela o faz à maneira da fala, contando uma história” (VIGOTSKY, 2007, p. 136). Conforme as entrevistas com as crianças foram sendo realizadas, percebi que poderia modificar a estratégia utilizada dentro da historia oral. Além do jogo já proposto, elaborei a partir de minhas experiências com a matemática antes de ingressar na escola, a história de Ana Maria. Propus às crianças, em seu mundo de brinquedo, uma situação imaginária, a qual tinha regras e nas próprias regras estavam às situações imaginárias. E a partir desta história contada à elas, fui questionando-as sobre suas próprias experiências com a matemática. A pesquisa se encontra no momento de transcrição das entrevistas que será seguida de textualização. Referências ALBERTI, Verena. Manual de história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2005, p.236. ANDRADE, M.C.G. As inter-relações entre iniciação matemática e alfabetização. In: LOPES, C.A.E. Escritas e leituras na educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p. 143-162. CRUIKSHANK, J. Tradição oral e história oral: revendo algumas questões. In: FERREIRA, M.M de; AMADO, J. Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: FGV, 2006, p. 149- 164. DANIELS, H. Vygostsky e a Pesquisa. São Paulo: Edições Loyola, 2011, p.11-47. JARAMILLO, D; FREITAS, M.T.M; NACARATO, A.M. Diversos caminhos de formação: apontando para outra cultura profissional do professor que ensina matemática. In: LOPES, C.A.E. Escritas e leituras na educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p.163-190. MINICK, N. O desenvolvimento do Pensamento de Vygotsky: Uma introdução a Thinking and Speech ( Pensamento e Linguagem). In: DANIELS, H. Uma Introdução a Vygotsky. São Paulo: Edições Loyola, 2002, p. 31-59. MOYSÉS, L. Aplicações de Vygotsky à Educação Matemática. Campinas, SP: Papirus, 2012, p. 59-81. PELLATIERI, M. Letramentos matemáticos escolares nos anos iniciais do ensino fundamental. Dissertação (mestrado)–Universidade São Francisco,126 f. Itatiba, 2013. Disponível em: file:///C:/Users/usuario/Downloads/2781814046174901%20(3).pdf.Acesso em: 3 mai. 2014. PORTELLI, A. Ensaios da história oral. São Paulo: Letra e Voz, 2010, p. 258. PROPP, V. As raízes históricas do conto maravilhoso. São Paulo: Martins Fontes, p. 471. SANTOS, V. M. 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