Era uma vez uma casa nas dunas, voltada para o
mar. Nessa casa vivia um rapazito que passava os
dias a brincar na praia. Era uma praia muito grande
e quase deserta onde havia rochedos
maravilhosos. Às vezes passavam peixes. Os
caranguejos corriam por todos os lados com uma
cara furiosa e um ar muito apressado.
O menino tinha imensa pena de não ser peixe para
poder ir ao fundo do mar. Um dia estava a tomar
banho no mar, ouviu uma gargalhada muito
esquisita, parecia uma gargalhada de ópera…
Mas o mais extraordinário, foi que era uma
gargalhada humana, muito pequenina, muito fina
e muito clara. Foi então, que o rapazinho viu uma
menina muito pequenina e com muita curiosidade
perguntou-lhe. Como te chamas?
Eu sou a menina do mar. Não sei onde nasci. Um
dia uma gaivota trouxe-me para esta praia.
Tenho muitos amigos aqui. Amanhã quando
voltarmos, vou apresentar-tos e faremos uma
orquestra. Os peixes batem palmas com as
barbatanas, o polvo toca guitarra com os oito
tentáculos, o caranguejo toca castanholas com as
grandes tenazes e eu danço.
Enquanto o concerto decorria o rapazinho e a menina
do mar dialogaram. A Menina do Mar confidenciou ao
amigo que gostava muito de ir à Terra mas que era
impossível porque para viver precisava do oxigénio
existente na água. Foi então que o rapazinho teve
uma ideia!
-Já sei, amanhã trago um balde, enchemo-lo com
água e vamos a Terra para observares tudo o que
gostares.
-combinado disseram ambos e despediram-se felizes.
No entanto, havia um animal marinho, o búzio,
que ouviu a conversa e foi contar à Raia, para
quem a Menina do Mar dançava. Esta ficou
furiosa, e mandou que os polvos que fizessem um
circulo à volta da Menina do mar para ela não
poder ir ver as montanhas, as cidades e a Terra.
Passaram-se dias e dias, chegou o Inverno, o frio e
a chuva. O menino pensava na amiga e tinha
saudades dela.
Até que um dia o menino estava na praia e viu uma
gaivota com uma coisa muito brilhante no bico. Era um
frasco cheio de agua muito clara e luminosa. A gaivota
saudou o menino, dizendo – Bom dia!
Bom dia , respondeu o menino e perguntou: porque me
dás este frasco?
Sabes, disse a gaivota, venho da parte da menina do mar,
ela manda perguntar se queres ir ter com ela para o fundo
do mar.
Quero, quero, mas como é possível sem me afogar?
Perguntou o rapazinho.
Se beberes a água mágica passarás a ser como a Menina
do Mar. Ele sentiu-se alegre e feliz como um peixe.
Assim o menino podia viver dentro de água como os
peixes e fora de agua como os homens.
Nadaram, muitos, muitos dias e noites até que chegaram a
uma ilha rodeada de corais. No fundo do mar estava um
golfinho à sua espera para o levar mar fora ao encontro da
Menina do mar. O golfinho parou junto de uma gruta e aí
deixou o menino.
O rapaz entrou na gruta e espreitou...
Lá dentro estava a menina do mar que disse:
- Estou aqui! Estou aqui! Cheguei. Sou eu, o teu amigo da
Terra.
Ficaram muito felizes.
No dia seguinte, houve uma festa no palácio do rei. A
menina do mar e todos os outros peixes dançaram ate de
madrugada.
Estavam todos muito felizes.
Jardim de infância de Trutas - Sala B
Fátima Angélico Delgado
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A menina do Mar