I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 AS CRIANÇAS, OS ADULTOS E OS TABLETS: REFLEXÕES A PARTIR DE UM PROJETO DE PESQUISA-INTERVENÇÃO Jacely Alves Florencio Silva [email protected] Mariana Santos Faria [email protected] Cleriston Izidro dos Anjos [email protected] RESUMO O trabalho que ora apresentamos é resultante de reflexões parciais desenvolvidas no âmbito do projeto: “Dispositivos Móveis (tablets) e suas implicações na formação de professores de Educação Infantil”. O projeto – contemplado com bolsas do Programa de Desenvolvimento AcadêmicoInstitucional da Universidade Federal de Alagoas (BDAI/UFAL) foi desenvolvido com um grupo de crianças com idade entre 4 e 5 anos em uma escola pública do município de Maceió, AL. As reflexões aqui apresentadas se referem à etapa exploratória do projeto, cujo objetivo era o de mapear as estratégias utilizadas pelas crianças no processo de exploração de tablets. Os resultados apontam para o fato de que as crianças constroem estratégias e colaboram entre si e com os adultos durante o percurso de exploração dos dispositivos móveis. PALAVRAS-CHAVE: Crianças. Tablets. Educação Infantil. 1 PROBLEMÁTICA DA PESQUISA A mudança do desenvolvimento tecnológico atua com ênfase na sociedade moderna, e para isso se faz necessária uma reestruturação da formação do professor, tendo como consequência a ampliação do desenvolvimento intelectual da criança. O projeto, portanto, parte do princípio de que as crianças já possuem contato com as tecnologias e, por isso, é preciso estudá-las para pensar no apoio as crianças e na formação de professores. Assim, de acordo com Almeida e Pereira (2014, p.3) É cada vez mais comum observar crianças que ainda nos seus primeiros meses de vida, de alguma forma, já fazem uso de aparatos tecnológicos, em especial aqueles com a tecnologia touch screen, tais como os tablets e smartphones. Ainda segundo Almeida e Pereira (2014, p. 3) “[...] se acredita na importância da escola despertar para a necessidade de criar estratégias pedagógicas efetivas do 1 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 uso das tecnologias que permeiam o cotidiano das crianças [...]”. Nessa perspectiva, a partir da defesa da necessidade de inclusão digital como um direito necessário ao exercício pleno da cidadania, Santos e Braga (2012) propõem que as TDIC devem estar inseridas no contexto educacional desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. No contexto educacional infantil, as TDIC se apresentam como um desafio aos protagonistas da área - professores e especialistas neste domínio - originando uma série de questionamentos acerca das implicações de seu uso na educação das crianças pequenas. Nesse contexto, encontramos aqueles que defendem e outros que criticam o uso das TDIC com crianças pequenas. Neste cenário, para além da polêmica do "deve ou não se deve", busca-se trazer a criança para o foco da discussão, aqui entendida como sujeito de destaque na Educação Infantil. 2 OBJETIVOS Realizar uma discussão acerca da sistematização dos estudos exploratórios realizados com crianças da Educação Infantil com faixa etária entre 4 e 5 anos, bem como, verificar a realidade a qual as crianças encontram-se inseridas e apresentar possibilidades de transformações percebidas por meio desse estudo, desenvolvido dentro de uma proposta da metodologia da pesquisa-ação. 3 METODOLOGIA O projeto “Dispositivos Móveis (tablets) e suas implicações na formação de professores de Educação Infantil (BDAI/PROEST/UFAL)” desenvolveu suas atividades em duas instituições públicas de Educação Infantil do Município de Maceió. A pesquisa ocorreu em uma creche com crianças de (0-3 anos) e em uma pré-escola com crianças na faixa etária de (4-5 anos). Neste trabalho, discutiremos os dados relacionados às crianças com 4 e 5 anos de idade. A discussão realizada neste artigo fundamenta-se nas análises de sessões desenvolvidas com crianças, a partir da utilização do tablet mediante uma proposta de exploração livre. Assim, as atividades ocorreram de forma que as crianças pudessem integrar entre si, com o pesquisador e com o tablet. 2 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 4 RESULTADOS O que apresentaremos a seguir consiste num episódio ocorrido em uma das sessões realizadas com as crianças durante a aplicação do projeto. Nesse sentido, analisaremos a segunda sessão ocorrida no final do ano letivo de 2014 que teve como objetivo promover uma maior interação entre as crianças, tendo como proposta a livre exploração do tablet entre elas. [...] o pesquisador, ao entregar os tablets às crianças, ele deixam-nas explorar essa tecnologia de forma bastante detalhada. As quatro crianças ficam olhando e mexendo nos seus tablets, clicando na tela com os dedos, jogando algum jogo. Laura nesse momento vira para a direita e fica olhando Sophia jogar o jogo do Pou e fala para esta “ele quer dormir Sophia” [...]. (Fonte: caderno de registros). É notável a existência de interação entre as crianças na medida em que são participantes de uma experiência conjunta. Assim, a expressão “Ele quer dormir”, indica-nos que as crianças brincam de um fazer de conta com personagens do universo digital. Dessa forma, de acordo com Fatin e Muller Atitudes pontuais [...] de demonstrar para o colega o percurso a ser feito para jogar no tablet – estimula crianças a olhar para o outro e entender que a aprendizagem também se constrói a partir do trabalho em grupo, visto que elas trocam experiências entre si e sobre o que estão fazendo. (2013, p. 9). Desse modo, é perceptível que as interações desencadeadas por meio do dispositivo móvel, podem influenciar na ampliação do universo lúdico das crianças. E, ao mesmo tempo, contribuir para o seu desenvolvimento crítico.1 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As crianças têm produzido muitas experiências com as tecnologias. Essas crianças são aquelas que, no século XXI, Palfrey e Gasser (2011) definem como “nativos digitais” e Veen e Vrakking (2009) intitulam como “homo zappiens”. Palfrey e Gasser (2011) definem como nativos digitais a geração das pessoas nascidas após o ano de 1980, quando as tecnologias digitais se tornaram online. De acordo com os autores, essas pessoas aprendem, desde cedo, a lidar com o aparato tecnológico disponível em seu ambiente, com vistas à sua utilização nos 1 Foram colocados nomes fictícios de modo a preservar a identidade das crianças. 3 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 mais diferentes contextos e para as mais variadas atividades diárias: se comunicar com os amigos, editar imagens, enviar e-mails, produzir vídeos, criar blogs, dentre ouras atividades. Destacamos a necessidade de interação entre a escola e o contexto social, pelo fato de que as crianças adentram ao ambiente educacional carregadas de experiências vivenciadas em seu cotidiano. E, por isso, a escola deve lapidar esses conhecimentos trazidos pelas crianças, e concomitantemente, tornar a instituição de Educação Infantil em um lugar prazeroso e capaz de envolver a todos, a fim de desencadear um trabalho conjunto. Portanto, o professor assume uma grande responsabilidade quanto ao seu papel enquanto mediador do conhecimento e contribui significativamente nesse processo de construção da autonomia da criança. Faz-se necessário destacar, que a imagem do professor não deve ser substituída pelos aparatos tecnológicos, mas, esses recursos devem servir como instrumentos agregadores no conhecimento, contribuindo assim na formação de sujeitos capazes de refletir criticamente. REFERÊNCIAS ALMEIDA, J. F. F.; PEREIRA, A. M. Infâncias e tecnologias: os desafios pedagógicos da aproximação dessas realidades. In: Simpósio Luso Brasileiro em estudos da criança. Pesquisas com crianças: desafios éticos e metodológicos, 2., 2014. Anais eletrônicos. Porto Alegre: Faculdade de Educação, s/p. Disponível em: <http://www.estudosdacrianca.com.br/resources/anais/1/1405876477_ARQUIVO_Art igoUEIcompleto.pdf>. Acesso em: 29 set. 2015. FANTIN, M.; MULLER, J. C. Crianças, Múltiplas Linguagens E Tecnologias Móveis Na Educação Infantil. Santa Catarina – 2013. FREITAS, M. T. Letramento digital e formação de professores. Educ. rev. [online]. 2010, vol.26, n.3, p. 335-352. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/edur/v26n3/v26n3a17.pdf>. Acesso em: 1 out. 2015. PALFREY, J.; GASSER, U. Nascidos na era digital: entendendo a primeira geração de nativos digitais. Porto Alegre: Artmed, 2011. 4 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 SANTOS, G. L.; BRAGA, C. B. Tablets, laptops, computadores e crianças pequenas: novas linguagens, velhas situações na Educação Infantil. Brasília: Líber Livros, 2012. VEEN, W.; VRAKKING, B. Homo zappiens: educando na era digital. Porto Alegre: Artmed, 2009. 5