IV SEMANA INTERNACIONAL
DE PEDAGOGIA - SIP
Centro Cultural e de Exposições
Ruth Cardoso
De 21 a 25 de Novembro de 2015
Maceió - Alagoas - Brasil
I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO
INFANTIL - SLBEI
Colegiado de
Pedagogia
UFAL
Centro Acadêmico
Paulo Freire - CAPed
ISSN: 1981 - 3031
A INFLUÊNCIA DE TEÓRICOS EDUCACIONAIS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DA
DISCIPLINA DE FÍSICO-QUÍMICA 1 CURSADA NO INSTITUTO DE QUÍMICA E
BIOTECNOLOGIA DA UFAL.
Souza, Amanda Oliveira de
E-mail:
[email protected]
Lima, Janielle Cristina Santos
E-mail: [email protected]
Cardoso, Natana da Silva
E-mail: [email protected]
RESUMO
O presente trabalho é fruto de uma pesquisa que faz referência a uma análise sobre a metodologia
que esta sendo aplicada na disciplina de físico-química1, no Instituto de Química e Biotecnologia IQB/UFAL. Esta pesquisa foi realizada com o intuito de identificar por meio de ações/situações em
sala de aula quais teóricos educacionais estão influenciando a prática pedagógica do professor que
leciona esta disciplina. Além disso, veremos realmente se essa metodologia tem atingido o objetivo
proposto pela ementa dessa disciplina.
PALAVRAS-CHAVE: Metodologia. Influenciando. Teóricos Educacionais.
1. PROBLEMÁTICA DA PESQUISA
Podemos conceber a aprendizagem como um processo pelo qual a pessoa
"apropria-se de" ou torna seus certos conhecimentos, habilidades, estratégias,
atitudes, valores, crenças ou informações. Neste sentido esta relacionada à
mudança, a significação e a ampliação das vivencias internas e externas do
individuo.
Segundo Paulo Freire (1996), a apreensão do conhecimento, é estabelecido
fundamentalmente no ato de ensinar e de aprender, do qual o educando e
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educadores fazem parte. Nessa perspectiva, é importante que o aluno interaja em
sala de aula com professores e colegas, numa relação de troca de conhecimento,
tornando a sua aprendizagem mais espontânea. Dentro deste contexto o docente é
visto como um bom aliado para o enriquecimento do saber adquirido.
Ao longo da historia diversos teóricos vem contribuindo com importantes
estudos voltados para educação, os quais têm melhorado as práticas pedagógicas,
o comportamento dos docentes e a relação professor-aluno. Nesse sentido, justificase a necessidade de investigar quais os teóricos educacionais estão influenciando
as práticas dos professores que lecionam a disciplina de física-química no Instituto
de Química e Biotecnologia (IQB) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
2. OBJETIVOS
Este trabalho visa mostrar como as teorias educacionais estão influenciando a
prática pedagógica do professor que ministrou a disciplina de físico-química, durante
o semestre de 2014.1 no curso de Licenciatura em Química da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL). E com isso mostrar que o educador mesmo sem ter consciência
da existência dessas concepções, em sua prática docente se orienta através delas.
3. METODOLOGIA
Inicialmente houve a realização da escolha da disciplina, em seguida
estabelecemos como critérios a
serem observados os seguintes pontos:
comportamentos do professor e do aluno durante as aulas, a metodologia e didática
usadas, a relação professor-aluno e a interação aluno-aluno. Durante o
desenvolvimento do trabalho foram feitas pesquisas em livros, artigos e na internet a
respeito da contribuição de alguns teóricos no processo de ensino-aprendizagem.
Por fim, de acordo com as investigações e observações realizadas foi possível
diagnosticar como o pensamento de alguns teóricos influenciava na prática
pedagógica do docente.
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4. RESULTADOS
Há muitos séculos que as teorias psicológicas dão subsídios a educação e
até hoje norteiam as novas concepções de ensino-aprendizagem, também estão
influenciando as práticas pedagógicas dos docentes.
A partir das primeiras observações das aulas de físico-quimica1 foi notado
que o professor segue um pouco das características da pedagogia tradicional, a qual
o processo de ensinar está centralizado no mesmo, expondo os conteúdos e os
alunos são apenas receptores. Isso pode ser verificado na forma como o docente
ministra a sua aula, visto que os alunos têm obrigação de memorizarem muitas
informações.
Também se nota que ao final da aula o professor sempre disponibilizava uma
lista, com muitos exercícios, e no próximo encontro o educador tiraria as dúvidas dos
alunos. Com isso se constatou que em sua prática pedagógica este docente tem
sido influenciado por Jean Piaget, para ele a construção do conhecimento é um
processo ativo do homem que tem seu fim apenas quando finda a vida, pois o ser
humano, curioso por natureza, cede aos constantes desafios apresentados a ele e
busca incessantemente conhecer mais ( BESSA ,2008, p. 48).
Caso não houvesse manifestação dos discentes em relação às questões da
lista, o docente fazia uma revisão do assunto utilizando exemplos do dia a dia dos
discentes, e isto ajudava o aprendiz a ter uma melhor compreensão dos conteúdos e
na resolução das atividades. Logo pôde ser notado que o comportamento desse
educador possui características provindas das idéias de Lev Vygotsky, quando o
mesmo afirma que as interações sociais possuem importância no processo de
aprendizagem, pois todo o conhecimento deve ser construído através da
intersubjetividade, como nos ensina (VYGOTSKY, 2005). Assim, esta relação é
necessária para o desenvolvimento individual do sujeito.
Em vários momentos da aula se notou que o professor sempre relacionava o
conteúdo com o cotidiano dos discentes na tentativa de fazê-los compreender
melhor o assunto. Uma das situações que pôde ser observada foi quando ele
abordou "A Lei da Termodinâmica" utilizando o seguinte exemplo; quando uma lata
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de refrigerante esta fechada e fora da geladeira, tanto o líquido, o qual se encontra
dentro do recipiente, quanto a lata esquentam, assim, eles estão perdendo calor
para o meio. Com base no que foi citado acima podemos constatar que o
pensamento de Johann Heinrich Pestalozzi está presente na prática pedagógica
deste educador, visto que para ele, o professor deveria ser carismático e ter a
capacidade de gerar o interesse pela aprendizagem, sua missão era educar o “ser
íntimo” da criança; os alunos eram como folhas em branco, sem conteúdo, o qual é
adquirido através do processo de ensino, ou seja, “ao nascer, a alma é como uma
folha em branco, não possua faculdades ou idéias inatas, mas apenas o poder de
entrar em relação com o mundo exterior, por meio do sistema nervoso” (SANTOS,
1964, p.291).
Outra situação bastante interessante foi na abordagem do assunto de "Gases"
que foi a seguinte; ele propôs que os discentes escolhessem um personagem da
novela Saramandaia e todos escolheram a dona redonda. Em seguida ele escolheu
uma aluna e perguntou: Se houvesse uma corrida qual das duas chegaria primeiro a
magra ou gorda? Então todos responderam que a aluna chegaria primeiro.
Diante das indagações dos discentes o professor explicou que com os gases
isso acontece da mesma forma, ou seja, nós iremos sentir mais rápido um gás cujo
volume è menor. De acordo com as situações relatadas anteriormente pôde ser
observado que na prática pedagógica deste educador estão presentes a
contextualização, interação, dinâmica e comprometimento no processo de
aprendizagem, logo podemos afirmar que este docente está sendo influenciado por
Lev Vygotsky, pois ele enfatiza que o aprendizado inclui a interdependência entre
indivíduos, ou seja, a relação entre aquele que ensina e aquele que aprende
(BESSA, 2008, p. 62).
Notou-se o quanto é importante que o professor interaja com aluno para
poder
facilitar
na
construção
do
conhecimento.
Também,
ensinar
exige
disponibilidade para o diálogo, como nos ensina Freire (1996).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Com base no objetivo proposto pela ementa da disciplina que é fazer com que
os alunos possam assimilar os seguintes conteúdos; Sólidos, Líquidos Gases e
Vapores. Termodinâmica Química, Soluções e Equilíbrio. Pôde-se constatar que
todos esses conteúdos são de fato transmitidos para os alunos, porém pelo fato do
professor ser por vezes um pouco duro e cobrar muito dos alunos não se importando
com suas dificuldades os mesmos se sentem incapazes e acabam não absorvendo
o conteúdo.
Conforme aponta Saviani (1992) os educadores devem buscar nortear sua
ação a partir de três objetivos fundamentais: a identificação das formas mais
desenvolvidas em que se exprime o saber objetivo socialmente produzido, a
transformação deste saber objetivo em saber escolar que possa ser assimilado pelo
conjunto dos alunos e a garantia das condições necessárias para que estes não
apenas se apropriem do conhecimento, mas ainda possam elevar seu nível de
compreensão sobre a realidade.
No entanto, os professores têm que ter consciência de que a tarefa docente
vai muito mais além, já que após ter definido os conteúdos e delimitado a
metodologia a ser utilizada, o professor ainda tem que enfrentar um novo desafio: o
fato de que nem todos aprendem do mesmo modo, no mesmo momento, no mesmo
ritmo (MEIRA,1998).
Como não aprendemos da mesma forma vamos desenvolvendo estratégias.
Segundo Pozo, Monereo e Castello (2004) estas estratégias são sistemas
conscientes de decisões em que o aprendiz faz escolhas por meio de instrumentos
simbólicos, como a linguagem, o pensamento e outros processos psicológicos.
Contudo observou-se que a turma se sente reprimida e desconfortável visto
que, esse docente de certa forma não permite que haja interação entre os alunos,
assim acaba inibindo a relação pedagógica em sala de aula. Vygotsky (1989), Freire
(1999) acreditam que, a interação ocorre em um contexto de ação na sala de aula,
onde o conhecimento é entendido como construído por meio da interação de
aprendizes e pares mais competentes (o professor ou outros aprendizes), no esforço
conjunto de resolução de tarefas, explorando o nível real em que o aluno está e o
seu nível potencial para aprender. Assim, o processo de interação em sala de aula
deve ser entendido em toda a sua complexidade, envolvendo dificuldades e
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sucessos na compreensão, negociação das diferentes perspectivas e o controle da
interação dos participantes até que o conhecimento seja compartilhado.
REFERÊNCIAS
BESSA, Valéria da Hora. Teorias da Aprendizagem. Curitiba:IESDE Brasil S.A,
2008.204p.
BOCK, Ana B. M. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia.
São Paulo: Saraiva, 2002.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica
educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura)
FREIRE, A. M. F. (1999) Aquisição do português como segunda língua: uma
proposta de currículo para o Instituto Nacional de Educação de Surdos. In: Skliar, C.
(org.) Atualidade da educação bilíngüe para surdos, 2a ed. Porto Alegre: Editora
Mediação, v. 2, p. 25-34.
MEIRA, Marisa Eugenia Melillo. Desenvolvimento e aprendizagem: reflexões
sobre suas relações e implicações para a prática docente. Cienc. Educ. (Bauru),
Bauru, v. 5, n. 2, 1998. Available from.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica : primeiras aproximações. 3.ed. São
Paulo : Cortez, 1992.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
PONTAROLO, Regina Sviech; COLLARES, Solange Apª de O; NASCIMENTO,
Maria Isabel Moura. As principais contribuições dos educadores e filósofos do
pensamento pedagógico iluminista. Rev.Multidisciplinar.UNESP, São Paulo, N° 02,
2006.
Disponível
em:<
http://www.uniesp.edu.br/revista/revista2/publi-
art2.php?codigo=18>. Acesso em: 10 out.2015.
POZO, J.I; MONEREO, C; CASTELLÓ, M. O uso estratégico do conhecimento.
In: COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento Psicológico e
educação. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 145-180.
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