IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 ESTRATÉGIAS NA FORMAÇÃO DE LEITORES: o uso da Sacola Literária no 5º ano do Ensino Fundamental Emanuelle de Oliveira Souza [email protected] Rosilene dos Santos Silva [email protected] Marcia Ney Alves de Assis [email protected] RESUMO Vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBID), do curso de Pedagogia a Distância da Universidade Federal de Alagoas. O projeto em andamento de que trata este trabalho tem o objetivo de utilizar a Sacola Literária para estimular nos alunos o gosto pela leitura, bem como contribuir com o desenvolvimento da escrita, por meio de diversas atividades didáticas relacionadas às leituras que serão socializadas pelos mesmos. Fundamenta-se na pesquisa qualitativa, com abordagem da pesquisa-ação e parte das investigações realizadas numa escola pública municipal de Maceió/AL, com 25 alunos do 5º ano, do turno vespertino, com a participação da professora responsável pela turma. As ações do projeto visam cultivar práticas de leitura, permitindo à criança desenvolver conceitos e competências funcionais relacionadas à linguagem oral e escrita. PALAVRAS-CHAVE: Educação. Ensino Fundamental. Leitura. Escrita. 1 PROBLEMÁTICA DA PESQUISA De acordo com as observações em uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental, e com base nas informações fornecidas pela professora da turma – o que foi corroborado através da sondagem realizada com os sujeitos – verificamos que alguns dos alunos apresentam dificuldades na leitura e na escrita. Atrelado a isso, percebemos também a necessidade de estimular o interesse e o prazer pela leitura, tendo em vista a nova realidade que esses alunos precisarão enfrentar após conclusão deste ano letivo, uma vez que iniciarão uma nova etapa de estudos: o ensino Fundamental II. Nesse contexto, consideramos fundamental, enquanto pesquisadoras, termos a consciência de que a leitura é uma atividade muito complexa, que envolve 1 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 aspectos internos e externos. Podemos chamar de aspectos internos aqueles relacionados à leitura enquanto atividade mental, que envolve processamentos cognitivos e atividades cerebrais como o uso e a ativação de memória. Já os aspectos externos dizem respeito aos usos pessoais e sociais da leitura que estão relacionados ao letramento, cujo conceito é apresentado por como sendo: Ao pensamos em estratégias de leitura, consideramos que estas são: operações mentais que realizamos para atribuir sentido às informações visuais do texto. Elas se desenvolvem com a própria prática de leitura; portanto, quanto mais se lê, mais eficiente se torna o indivíduo no uso dessas estratégias. (SILVEIRA, 2014, p.2) A mesma autora classifica as estratégias de leitura em quatro estágios: predição, seleção, inferência, confirmação e correção. É preciso esclarecer que as estratégias são automáticas, e por isso, inconscientes por parte do leitor ao fazer uma leitura fluente. Nesse caso, elas são consideradas estratégias cognitivas. Entretanto quando há algum problema de compreensão, ocorre uma desautomatização (SANTOS;SILVA, 2015) do processo e assim elas passam a ser estratégias metacognitivas, levando o leitor a monitorar a compreensão do texto de forma mais consciente. Sendo assim, ao ler ou tentar explicar um texto ou mesmo fragmento, o leitor tenta predizer antecipando-se ao texto; seleciona fragmentos importantes para ele, mesmo desconhecendo, às vezes, a função sintática do enunciado; faz inferências na tentativa de completar as informações que não estão explicitas no texto; utiliza-se da confirmação como verificação do que foi predito avaliando como corretas ou não essas predições. A correção faz parte das estratégias, utilizadas pelos leitores, quando ele retorna ao texto para corrigir ou levantar novas hipóteses através de pistas do texto e a ativação de seu conhecimento prévio. (SANTOS; SILVA, 2015, s.n.p.) É importante ressaltar que as estratégias de leitura não são ensináveis, pois cada leitor articula-se cognitivamente para atingir a compreensão de um texto, mas é possível dar condições para o desenvolvimento dessas estratégias no aprendiz através do que Silveira chama de experiências elaboradas de leitura. A autora afirma que: Quando o aluno-leitor já tiver automatizado cognitivamente o processo da decodificação da leitura, o professor pode, aos poucos, mas de forma constante, através da leitura de textos significativos, ir tornando o uso dessas estratégias cada vez mais eficaz e, algumas vezes, de forma consciente, principalmente quando enfrentar dificuldades de compreensão. Espera-se, com isso, fazer com que o aluno-leitor passe a ter uma atitude 2 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 metacognitiva, ou seja, um melhor monitoramento de sua compreensão e, assim, chegar a alcançar graus cada vez mais altos de proficiência. (SILVEIRA, 2014, p. 4) O primeiro passo fundamental para a compreensão leitora, é a decodificação, pois é indispensável que e os alunos reconheçam os signos, os grafemas, os sinais, as conexões e relações entre palavras, frases e parágrafos. Sem a decodificação não há leitura. Porém, a leitura não se limita à decodificação; “ler é [...] um modo e existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo.” (SILVA, 1981, p. 45). Sendo assim, os educandos precisam ir além, precisa haver comunicação, apreensão, fixação, compreensão, transformação. No processo de compreensão da leitura, os conhecimentos prévios do sujeito que lê têm uma importância fundamental, uma vez que “a compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe”. (KLEIMAN, 2013, p.15). Da mesma forma, sem o mínimo conhecimento prévio do leitor, não haverá compreensão. O leitor obtém uma informação que não está totalmente explícita no texto, por meio de uma estratégia cognitiva cujo produto final é chamado de “inferência”. Dell'Issola (2001), define inferência como: uma operação cognitiva em que o leitor constrói novas proposições a partir de outras já dadas. Porém, não ocorre apenas aquando o leitor estabelece elos lexicais, organiza redes conceituais no interior do texto. Ocorre também quando o leitor busca extra-texto informações e conhecimentos adquiridos pela experiência de vida, com os quais preenche os “vazios” textuais. (DELL'ISOLA, apud OLIVEIRA, 2014, p.3) As inferências acontecem sempre que informações são deduzidas a partir das evidências encontradas no próprio texto que interagem com o conhecimento prévio do leitor. Por isso, quanto maior o conhecimento (de mundo, linguístico e textual e também enciclopédico), quanto maior contato com o maior número de textos possível, maior a possibilidade de o leitor chegar às informações implícitas. O professor tem papel fundamental, enquanto mediador entre o aprendiz e a compreensão leitora, pois compete ao docente estimular e incentivar o alunado na busca do conhecimento. Para isso, o docente precisa ter o conhecimento e a ação 3 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 consciente enquanto mediador, buscando constantemente desenvolver a leitura e a compreensão do aluno. Sobre essa ação, baseamo-nos no seguinte pressuposto: Mediar o desenvolvimento da leitura é exercitar a compreensão do aluno transformando-o de leitor principiante em leitor ativo. Isso pressupõe desenvolver sua capacidade de ler com segurança, de decodificar com clareza e reconhecer com rapidez as palavras para uma leitura fluente. Realizar previsões, formular e responder questões a respeito do texto, extrair ideias centrais, identificar conteúdos novos e dados, relacionar o que lê com sua realidade social e particular, ler o que está subjacente ao texto, valer-se de pistas para fazer inferências, sumarizar, ser capaz de dialogar com outros textos são habilidades que vão construindo o sujeito leitor em formação em sujeito proficiente. (FREITAS, 2012, p. 68) O professor precisa conduzir o aluno oferecendo possibilidades de acesso a informações que facilitem o desenvolvimento das suas estratégias cognitivas e metacognitivas, possibilitando a apropriação do conhecimento de forma ativa por parte do aprendiz. 2 OBJETIVOS Objetivo geral: Desenvolver a prática de leitura e escrita de alunos de 5º ano do Ensino Fundamental, utilizando a Sacola Literária e diversas atividades relacionadas aos livros que serão socializadas pelos alunos, visado estimular nos mesmos o gosto pela leitura. Objetivos específicos: Despertar nos alunos o prazer e o hábito da leitura Acrescentar ao cotidiano escolar a prática da leitura como uma das prioridades no processo de aprendizagem; Ampliar os conhecimentos acerca dos gêneros literários, utilizando-os como um critério de seleção/indicação na escolha dos livros e enriquecendo as possibilidades de antecipações e interpretações; Estabelecer relações com outros textos; Interagir com o livro de maneira prazerosa, reconhecendo-o como fonte de múltiplas informações e entretenimento; 4 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 Desenvolver a capacidade de compreensão textual Estimular nos alunos a capacidade de comentarem o que leram; Possibilitar a interação entre os alunos através da socialização das leituras; Compartilhar experiências de leitura; Confrontar interpretações; Contribuir com o desenvolvimento da escrita; Ampliar o repertório literário dos alunos; Estimular a prática do empréstimo de livros. 3 METODOLOGIA A pesquisa será realizada em uma escola de educação básica da rede municipal de ensino de Maceió, tendo como sujeitos interlocutores, 25 alunos, do 5º ano, do turno vespertino e a participação da professora responsável pela turma. A metodologia adotada no projeto baseia-se na pesquisa qualitativa com abordagem da pesquisa-ação, com base no conceito de que: Pesquisa ação [sic.] é aquela que, além de compreender, visa intervir na situação, com vistas a modificá-la. O conhecimento visado articula-se a uma finalidade intencional de alteração da situação pesquisada. Assim, ao mesmo tempo que realiza um diagnóstico e a análise de uma determinada situação, a pesquisa-ação propõe ao conjunto de sujeitos envolvidos mudanças que levem a um aprimoramento das práticas analisadas. (SEVERINO, 2014, p. 120) Para tanto, o estudo será desenvolvido nas seguintes etapas: 1. Diagnóstico, utilizando entrevistas semiestruturadas, com os alunos e funcionários da sala de leitura, e teste de sondagem para verificação dos níveis de leitura e escrita; 2. Levantamento bibliográfico, para fundamentação teórica da pesquisa; 3. Planejamento, visando a elaboração de atividades contextualizadas mantendo o processo constante de ação-reflexão-ação; 4. Aplicação das ações, atuando em sala de aula, buscando atingir os objetivos do projeto. A proposta central consiste em utilizar a Sacola Literária, que consiste em sacolas que os alunos levam para casa, contendo: três livros, previamente selecionados; lápis de cor; e uma ficha de leitura para reconto e ilustração de um 5 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 dos três livros contidos na sacola. Cada aluno passa uma semana em posse da Sacola e, ao retornar, é realizada a socialização da leitura para os colegas; em seguida, a equipe de pesquisadoras aplica atividades relacionadas aos livros, envolvendo toda a turma. O processo avaliativo ocorre de forma contínua, por meio de: observações, analisando a atuação dos alunos em sala; análise das fichas de leitura e das produções dos alunos nas ações; sondagem; e portfólio; analisando o desenvolvimento dos mesmos em relação à compreensão textual, ao interesse pela leitura e o desenvolvimento da escrita. 4 RESULTADOS Diante das ações realizadas, o projeto, em andamento, tem obtido resultados consideráveis, entre eles: Considerável melhora da capacidade de compreensão das histórias lidas, por meio da percepção dos pontos fundamentais enfatizados nas ações do projeto, como: identificação dos personagens, identificação do tema central, relação com o conhecimento prévio (analogias que auxiliam na compreensão do tema exposto na história); Maior rapidez na identificação de informações sobre a obra lida, como: autor, ilustrador, título etc.; Melhora no conhecimento sobre os gêneros textuais; Aumento da frequência no empréstimo de livros. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ler e escrever são ações que se completam, para escrever bem é preciso ler bastante, um bom escritor é, sobretudo, um bom leitor. Quanto mais o leitor entra em contato com o texto, mais se torna capaz de estabelecer vínculos, descobrir relações de semelhanças e confrontar ideias expressas no texto que lê com ideias conhecidas a partir de outras leituras. 6 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 As ações deste projeto em andamento tem mostrado o quanto é importante privilegiar o aspecto lúdico no âmbito da leitura e escrita no Ensino Fundamental, de forma a despertar o interesse dos(as) alunos(as), especialmente aqueles(a) que têm dificuldades ou que já estão com o aprendizado defasado. O gosto pela leitura é ainda mais forte quando cultivado desde a criança pequena. Trabalhar com alunos do 5º ano, que estão prestes a ingressar do Ensino Fundamental II, com dificuldades de leitura e escrita, exige do educador criatividade e empenho para utilizar-se de meios atrativos e divertidos que agucem a curiosidade da criança e fomentem o interesse e o prazer pela leitura. Diante da necessidade de desenvolver as habilidades mencionadas anteriormente, temos percebido que o projeto aqui brevemente descrito – o qual reconhecemos que ainda carece de aprofundamento nas análises das ações em curso – tem contribuído com o estímulo à leitura e escrita de alunos do 5º ano, bem como auxiliado na elaboração de estratégias que aprimorem a capacidade de compreensão textual e de verbalização das histórias lidas. Temos buscado, senão sanar as carências individuais percebidas – o que é quase impossível diante do curto espaço de tempo – mas contribuir, de forma criativa, com o caminhar escolar desses alunos; buscando superar as dificuldades que se apresentam, fomentando o hábito e o prazer pela leitura. REFERÊNCIAS FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão leitora. p. 65-85 In : Leitura e mediação pedagógica / Stella Maris Bortoni-Ricardo (orgs.)...[et al.]. – São Paulo : Parábola, 2012, 256p. KLEIMAN, Angela. Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura. São Paulo, SP, Pontes, 2013. OLIVEIRA , Francisco Jailson Dantas de. A compreensão leitora: aspectos inferenciais. Minicurso. 3ª Semana Internacional de Pedagogia (EPEAL), Maceió, AL: UFAL, 2014. SANTOS, Marta Maria Minervino dos Santos; SILVA, Sérgio Rocha da Silva. Protocolos de leitura na interação e compreensão de textos. Minicurso. I 7 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 Congresso de Inovação Pedagógica em Arapiraca (I CIPAR). Arapiraca, AL: UFAL, 2015. SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. atual. São Paulo: Cortez, 2014. SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura crítica – explicitação. In: GADOTTI, Moacir. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo: Cortez, 1981, p. 78-81. SILVEIRA, Maria Inez Matoso. Decodificar e compreender o texto escrito. Maceió, Texto de circulação restrita, elaborado para a disciplina Leitura e Cognição, Mestrado Profissional de Letras (Profletras), FALE/UFAL, 2014. 8