XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 REFLEXÃO HISTÓRICA ACERCA DA EPISTEMOLOGIA DO LÚDICO NA CONSTRUÇÃO SOCIAL DA CRIANÇA Estela Garcia Noal (Psicopedagoga Clínica e Institucional) Resumo: Este artigo é uma retrospectiva da história da criança e do lúdico na sociedade e de como grandes autores contribuíram para a evolução do processo de educação da criança e do seu papel na sociedade atual, bem como reflete sobre a importância da ludicidade na educação, em diversas fases e sua contribuição na Psicopedagogia, como ferramenta importante na construção da aprendizagem da criança. Os objetivos da pesquisa foram embasados na observação dos monitoramentos realizados no Ensino Fundamental I em escolas municipais, onde os alunos encontram-se no processo de alfabetização e desenvolvimento cognitivo, social, e motora e a resistência dos professores em utilizar o lúdico em sala de aula como ferramenta crucial para o desenvolvimento e para a superação das dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. Este artigo tem a intencionalidade de despertar nos professores e psicopedagogos a relevância do lúdico na aprendizagem não apenas da Educação Infantil, mas em todos os anos de escolaridade e da importância do lúdico no autoconhecimento do indivíduo, bem como resgatar conceitos que datam de séculos antes de Cristo sobre a importância do lúdico na construção social da criança. A metodologia de pesquisa do referido artigo é de pesquisa bibliográfica. O trabalho esta estruturado em subseções que vão desde a história antiga referente ao papel da criança na sociedade, assim como o papel do lúdico no decorrer dos séculos, relata ainda a importância do lúdico na escola e na psicopedagogia. Palavras-chave: Lúdico. História. Educação. Aprendizagem. Psicopedagogia. INTRODUÇÃO O tema a ser abordado no referente artigo será uma retrospectiva da história da criança e do lúdico na sociedade e de como grandes autores contribuíram para a evolução do processo de educação da criança e do seu papel na sociedade atual, bem como reflete sobre a importância da ludicidade na educação, no processo educacional das crianças em diversas fases e sua contribuição na Psicopedagogia, como ferramenta importante na construção da aprendizagem da criança. Os objetivos da pesquisa foram embasados na observação dos monitoramentos realizados no Ensino Fundamental I em escolas municipais, onde os alunos encontram-se no processo de alfabetização e desenvolvimento cognitivo, social, e motora e a resistência dos professores em utilizar o lúdico em sala de aula como ferramenta crucial para o 396 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 desenvolvimento e para a superação das dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. Este artigo tem a intencionalidade de despertar nos professores e psicopedagogos a relevância do lúdico na aprendizagem não apenas da Educação Infantil, mas em todos os anos de escolaridade e da importância do lúdico no autoconhecimento do indivíduo, bem como resgatar conceitos que datam de séculos antes de Cristo sobre a importância do lúdico na construção social da criança. A palavra Lúdico vem do latim Ludus, que significa jogo, divertimento, gracejo, escola. Este brincar também se relaciona à conduta daquele que joga que brinca e se diverte. Por sua vez, a função educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo: seu saber, seu conhecimento e sua compreensão de mundo. O lúdico e uma atividade inerente e natural do ser humano. Por meio do jogo, do brinquedo e da brincadeira, o mesmo reproduz e recria o mundo a sua volta. “Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas mais triste é vê-los enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação humana”. (Andrade 1987). Então porque ainda é tão comum vermos crianças em pleno século XXI enfileiradas e copistas? Por que as instituições de ensino ainda têm explorado muito pouco o lúdico em sala de aula considerando que já faz algum tempo que as investigações relacionadas ao tema vêm atribuindo valor destacado ao lúdico como alavanca de aprendizagem? Os educadores devem acabar com esse conceito inútil, de o lúdico é uma distração para as crianças e que deve ser explorado apenas na Educação Infantil, deve- se buscar sempre ter o suporte do lúdico para aproveitar cada nova situação para aprendermos e vivenciarmos algo, não apenas na escola, mas no mundo que nos cerca. A metodologia de pesquisa do referido artigo é de pesquisa bibliográfica. O trabalho esta estruturado em subseções que vão desde a história antiga referente ao papel da criança na sociedade, assim como o papel do lúdico no decorrer dos séculos, relata ainda a importância do lúdico na escola e na psicopedagogia. O LÚDICO, A CRIANÇA E A HISTÓRIA A ludicidade sempre esteve presente na vida do ser humano e sua relação com a educação data da época antiga. Gregos e Romanos (séc. V e IV a.C.) falavam da importância da ludicidade na educação das crianças. Platão (347 a.C.) já pregonizava que os primeiros anos da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos, sendo que ele ensinava às crianças em forma de jogo. 397 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 Nos séculos XV e XVI d.C., novos modelos educacionais foram criados para responder aos desafios estabelecidos pela sociedade Europeia. O Renascimento estimulou o surgimento de novas visões sobre a criança e sobre tudo de como ela deveria ser educada. Autores como Erasmo (1465-1530) e Montaigne (1493-1553) sustentavam que a educação deveria respeitar a natureza infantil, estimular a atividade da criança e associar o jogo à aprendizagem. A imagem da criança agora era vista como um ser distinto do adulto e que o ato de brincar fazia parte da infância e da educação. Na Idade Moderna, com a Revolução Industrial a todo vapor, começou a se viver o pragmatismo tecnicista e o desenvolvimento científico, enfatizou-se a importância da educação para o desenvolvimento social. A criança passou a ser o centro do interesse educativo dos adultos, começou a ser vista como sujeito de necessidades e objeto de expectativas e cuidados, para uma preparação para o mundo adulto. Autores como Comênio, Rousseau, Pestalozzi, Decroly, Froebel e Montessori entre outros, estabeleceram as bases para um sistema de ensino mais voltado à criança. Embora com ênfase diferentes, as propostas de ensino desses autores reconheciam que as crianças tinham necessidades próprias e características diversas da dos adultos, como o interesse pela exploração de objetos e pelo jogo. Na atualidade o ato de brincar é um direito fundamental das crianças e está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990), Cap. II, art. 16 § IV e no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, e nos Parâmetros de Qualidade para a Educação Infantil, volume 1 ( 2002, p. 19). A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA INFÂNCIA O lúdico desenvolve nas crianças valores como amizade, socialização, respeito, solidariedade, exercício dos direitos e deveres, visando à aprendizagem cooperativa e os valores sociais e humanos que implicam no processo de ensino-aprendizagem. O brincar leva a criança a vivenciar o mundo adulto, experimentar possibilidades lúdicas e imaginativas a fim de se solidificar um adulto que enfrente sua realidade de vida. A atividade lúdica produz nas crianças alegria, prazer, estimula sua coordenação motora, o saber compartilhar, o cumprimento de regras e normas, o raciocínio lógico, a linguagem, o mundo do faz-de-conta. É através do lúdico que as crianças desenvolvem habilidades e pré- requisitos que vão acompanhá-las a vida toda. A criança como todo ser humano, tem necessidades, angústias, desejos, é um ser social e faz parte de uma organização familiar que esta inserida em uma sociedade. Cada sociedade 398 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 “cria” um modelo de criança e de educação. O meio social em que a criança está inserida irá determinar sua educação e cultura. Sendo a família biológica ou não que irá ser a referencia fundamental para compreender o mundo em que vive, as relações com o meio social que a criança vivencia, será representada nas brincadeiras e na sua linguagem infantil. É por meio das brincadeiras, que a criança se desenvolve física, social, emocional e cognitivamente. É através das trocas, dos ganhos e das perdas que ela começa ver e entender que o mundo não é só dela e o quanto é importante estar e compartilhar com o “outro”, tornando-se um ser social. Segundo Piaget (1988, p. 112) a criança aprende de acordo com o nível de maturação biológica. Essas fases se dão desde o desenvolvimento motor, verbal e mental. O primeiro Período a qual ele denominou de Período Sensório- Motor, que é onde a criança tem uma relação com a brincadeira muito forte, desde o nascimento o bebê e a mãe são um só, assim como sua relação com os objetos, portanto é através da mãe que o bebê busca concretizar aquilo que procura. A manipulação do próprio corpo e dos objetos a sua volta faz com que o bebê perceba o mundo que o rodeia e interagindo com ele, tornando-se um ser social. As crianças de 2 e 4 anos que é a fase que Piaget chama de Período Simbólico, nesta fase as crianças preferem brincar sozinhas a brincar junto de outras crianças e raramente brincam em cooperação com elas, não são capazes de partilhar, nem que brinquem com os objetos dela. Sua relação com o objeto e com o individualismo é muito forte. Esta criança está dentro de um processo de desenvolvimento normal e só começa a amadurecer através da experimentação, do manuseio, escondendo, apertando e da socialização com outras crianças. Os interesses dominantes nessa fase para o lúdico é pular, correr, encher e esvaziar, de pôr e tirar, desmanchar e armar, apalpar, imitar as tarefas domésticas, brincar de bonecas e brinquedos de ação e barulhentos. Aos 4 e 5 anos as crianças entram na fase do Período Intuitivo, que é onde as crianças gostam de se relacionarem com outras crianças, de propor e partilhar os objetos se expressa melhor, ouvem e aceitam regras, conseguem controlar melhor suas emoções, dominam melhor suas ações, linguagem e pensamentos, assim como sua postura corporal. O lúdico nessa fase surge do desenho, da imitação da dramatização, do faz de conta, do jogo simbólico (carrinhos feitos de sucata). As crianças de 6 e 7 anos, entram na fase dos porquês, distinguem a fantasia do real, o lúdico esta presente nas brincadeiras de correr, pular, cantar, dramatizar, organizar coleções de bonecas, carrinhos, brincarem com jogos de regras. Dos 7 aos 11 anos, as crianças entram no Período Operatório Concreto, é onde sua organização social, percebe e organiza o mundo de forma lógica e operatória, compreende 399 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 regras, estabelecem compromissos, sua linguagem é socializada. Sua ludicidade esta muito presente, porém sabe compartilhar, estabelecer e cumprir regras. Dos 11 anos em diante Piaget denominou de Período Operatório Abstrato, onde o individuo possui memória abstrata e relacionasse muito bem com a lógica matemática e com o intuitivo. Brincar é indispensável á saúde física, emocional e intelectual da criança. É uma ferramenta, que quando bem estimulada e vivenciada na infância, irá contribuir para o equilíbrio adulto. Segundo Froebel (1912, p.55) Brincar é a fase mais importante da infância, do desenvolvimento humano, a brincadeira é a atividade mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela da alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo. A criança que brinca sempre, com determinação, é auto-ativa, perseverante, esquecendo sua fadiga física, pode certamente tornar-se um homem determinado, capaz de auto-sacrifício para a promoção do seu bem e de outros... Como sempre indicamos o brincar em qualquer tempo não é trivial, é altamente sério e de profunda significação. Para Froebel (1912, p. 13) a criança deve ser livre para brincar, pois é a brincadeira que a criança garante interação e construção da realidade em que ela vive. Ao brincar a criança se sente motivada, feliz, desafiada a dominar o que lhe é familiar, quanto a responder ao desconhecido para obter informações, habilidades, descobrir, inventar, agir e imaginar. Para Vygotsky (apud Grassi; Tânia, 2008, p. 98), o brincar a criança está acima da sua idade média, acima de seu comportamento diário. “Na brincadeira de faz de conta, as crianças manifestam certas habilidades que não seriam esperadas para sua idade”. A aprendizagem cria a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a aprendizagem desperta vários processos internos de desenvolvimento. O PAPEL DO BRINQUEDO NA CONSTRUÇÃO DA CRIANÇA E DO LÚDICO O brinquedo é um suporte para a brincadeira segundo Kishimoto, um objeto desencadeador da brincadeira. O brinquedo é o personagem principal de algumas brincadeiras, por isso é importante ficar atento ao manuseio desses objetos. O brinquedo é um tipo de treinamento divertido para a criança, através dele ela começa a aprender conhecer e compreender o mundo que a rodeia. Existem brinquedos para todas as faixas etárias. Quanto mais adequado à idade da criança, mais utilidade ele terá, o brinquedo deverá ser utilizado em várias etapas, acompanhando o desenvolvimento da criança. 400 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 O brinquedo (objeto), não tem tanto valor para a criança sozinho, porém se elas forem estimuladas pelos adultos, ou por outras crianças, o objeto passa ter valor de aprendizagem. O bom brinquedo estimula a imaginação e desenvolve a criatividade e educa. Brinquedos que ensinam apenas a repetir mecanicamente o que os outros fazem são prejudiciais, irritantes e monótonos. Crianças gostam de brinquedos que possibilitam ações e movimentos, com isso, aprendem a coordenar os olhos, as mãos e o corpo, garantindo uma maior saúde física e mental no futuro. O tempo e a frequência de brincar são extremamente importantes, se a brincadeira for escolar ela deve estar presente na rotina pedagógica. Assim como criar um ambiente favorável, estimulante e desafiador aos alunos, pois é através da brincadeira que a criança se humaniza, aceita regras e obedece a limites. Winnicott (1982, p. 4) coloca que o brincar é universal, facilita o crescimento, a saúde, conduz a relacionamentos grupais, é uma forma de comunicação consigo mesmo e com os outros, brincar vai ajustando o mundo interno da criança com o externo. Já para Negrine (1994, p. 41) brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação. É brincando que a criança desenvolve potencialidades, socializa-se com outras crianças e com os adultos. O brincar é importante porque incentiva a utilização de jogos e brincadeiras. Brincar exige da criança participação e interesse, prepara para aprender, assimilar novos conceitos, adquirir informações e ter um crescimento saudável. Toda criança que brinca vive uma infância feliz, torna-se mais equilibrado emocionalmente, conseguindo superar com mais facilidade problemas que possam surgir no dia a dia. Os brinquedos surgiram nas oficinas dos artesões, que só podiam fabricar produtos do seu ramo, segundo Benjamim (1984, p. 15) “O brinquedo sempre foi e será um objeto criado pelo adulto para a criança, mesmo os brinquedos antigos como a bola, a pipa, desenvolveram as fantasias infantis”. Os jogos e os brinquedos, embora sendo um elemento sempre presente na humanidade, não tinham a conotação que tem hoje, eram vistos como inúteis e fúteis, tinham como objetivo a distração e o recreio. A criança não tinha uma essência social, era considerado “um adulto em miniatura”, seu valor era relativo nas classes altas onde eram educadas para o futuro, porém nas classes baixas a criança tinha que colaborar para a renda familiar desenvolvendo vários tipos de trabalho. Quando houve a mudança da imagem da criança na sociedade, surgiu a valorização dos jogos e brinquedos. Negrine (1994, p. 41) destaca que “as atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente”. Brincar ajuda a criança no seu 401 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, por meio das atividades lúdicas a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento. Segundo Vygostsky (1984), o brinquedo tem um papel importante, de preencher uma atividade básica da criança, ou seja, ele é um motivo para ação. A RELAÇÃO HISTÓRICA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO Ao longo de muitos séculos, o cuidado e a educação das crianças pequenas foram entendidas como tarefas de responsabilidade familiar, particularmente da mãe e das amas de leite. Após o desmame, a criança pequena era vista como pequeno adulto que quando atravessava o período de dependência dos adultos nas atividades cotidianas, onde já sabia fazer o básico para sua sobrevivência, já era visto como um ser atuante na sociedade adulta. Na Idade Antiga, existiam as “rodas”, que eram cilindros giratórios, construídos em muros de igrejas e hospitais de caridade que permitiam que as crianças que ali fossem deixadas seriam colocadas em lares substitutos. Na Idade Média e Moderna, a responsabilidade pelo recolhimento das crianças abandonadas era de encargo da Igreja, que as ensinavam um ofício para trabalhar quando crescessem. Nos séculos XV e XVI uma nova visão de educação foi criada, para atender as complexas mudanças que as sociedades estavam passando. A sociedade que até então era agrária, estava se transformando em urbana e industrial. Com a Revolução Industrial como foi citada anteriormente, a mulher pobre teve que partir para o mercado de trabalho, deixando seus filhos que já viviam em extrema pobreza em lugares que prestavam serviços de atendimento a essas crianças. Esses lugares eram coordenados por outras mulheres da comunidade. Com o passar do tempo esses lugares começaram a ter um caráter mais formal e filantropo, preocupados com o desenvolvimento infantil. Crianças pobres de dois e três anos eram incluídas nas Charity Schools ou Dame Schools ou ainda Écoles Petites, todas voltadas a movimentos religiosos, mas que não tinham uma proposta de instruir, educar as crianças, embora tivessem aulas de canto, memorização de rezas ou passagens bíblicas e alguns exercícios do que poderia ser uma pré-escrita ou pré-leitura. Esta atividade voltava-se para o desenvolvimento de bons hábitos de comportamento, regras morais e valores religiosos. As crianças de 6 anos em diante, eram direcionadas as “escolas de tricô” (knitting schools), criadas pelo pastor protestante Oberlin na região da Alsácia Francesa, no final da 402 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 segunda metade do século XVIII, onde mulheres da comunidade tomavam conta de crianças pequenas e pobres e as ensinavam a ler a Bíblia e a tricotar. Existiam também outras iniciativas para atender as crianças a cima de três anos, filhos de mulheres operárias, que tinham a preocupação em combater as péssimas condições de saúde das crianças pobres. Estes lugares eram chamados de Infant Schools, ou Nursery Schools. O processo de aprendizagem repassado a estas crianças era o ensino a obediência, da moralidade, da devoção e do valor ao trabalho. Após uma breve citação sobre o contexto histórico da criação da Educação Infantil e de como ela era vista no decorrer da história, passa-se a verificar uma mudança na concepção da educação para as crianças pequenas, alguns pioneiros, contribuíram para diminuir os índices de mortalidade e proporcionar um novo olhar sobre o papel da criança na sociedade. Comênio (1592-1670), em seu livro A Escola da Infância, publicado em 1628, afirmava que o nível inicial de ensino da criança era o “colo da mãe” e deveria ocorrer dentro dos lares. Em 1637 elaborou um plano de escola maternal em que recomendava o uso de materiais audiovisuais, como livros de imagens, para educar crianças pequenas. Já em 1657, Comênio usou a imagem de jardim-de-infância (onde arvorezinhas plantadas seriam regadas) como lugar da educação das crianças pequenas. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) criou uma proposta educacional que combatia preconceitos, autoritarismo e violência contra a criança e a educação dada a ela. Defendia uma educação não orientada pelos adultos, ressaltava que a criança deveria aprender por meio da experiência, das atividades práticas, da observação, da emoção, da curiosidade e da liberdade, criou condições para posteriores discussões sobre a brincadeira infantil. As ideias de Rousseau abriram caminho para as concepções educacionais de Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) que defendia que as crianças deveriam ser educadas com amor desde o nascimento. A educação deveria ser sem dor, num ambiente natural, com amor, bondade, num clima de disciplina estrita, mas amorosa. A educação das crianças deveria ser ordenada pelos sentidos, adaptou métodos com atividades de músicas, arte, soletração, geografia e aritmética. Pestalozzi defendia também a prontidão da criança para o processo de ensino e aprendizagem, assim como a organização graduada do conhecimento. Trabalhava com a pedagogia de treinar a vontade do aluno e de desenvolver atitudes morais. As ideias de Pestalozzi foram levadas adiante por Friedrich Froebel (1782-1852) que criou em 1837 um Kindergarten (jardim-de-infância), onde crianças e adolescentes, pequenas sementes que adubadas e expostas às condições favoráveis em seu meio ambiente, desabrochariam sua divindade interior em clima de amor, simpatia e encorajamento, estariam livres para aprender sobre si mesmos e sobre o mundo. 403 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 Os jardins-de-infância eram casas assistenciais que incluíam uma dimensão pedagógica onde se trabalhava com atividades de cooperação e jogo, entendidos com a origem da atividade mental. O manuseio de objetos, expressões livres de gestos, música, a construção com argilas, blocos, papel, possibilitavam a criança a se desenvolver intelectualmente, assim como sua linguagem e percepção do mundo. No século XX, os médicos começaram a ficar cada vez mais presentes na vida das crianças, foi onde surgiram dois médicos interessados na educação das crianças e na sistematização de atividades para crianças pequenas, utilizando materiais confeccionados por eles. Foram eles Ovídio Decroly e Maria Montessori. Ovídio Decroly (1871-1932) defendia uma educação de interesse da criança, da qual o ensino deveria ser voltado ao intelectual, com domínio de conteúdos, organizados em redes de interesse. Nos centros de interesse, o trabalho se estruturaria em três eixos: observação, associação e a expressão. Decroly também defendia as turmas homogenias e o confronto da criança com o objeto concreto, para que a partir desse confronto ela venha a analisar e expressar por meio de obra pessoal. Maria Montessori (1870-1952) foi uma das principais construtoras da sistematização da educação para a educação infantil no século XX. Em 1907, foi convidada a organizar uma sala para educação de crianças sem deficiências dentro de uma habitação coletiva destinada à famílias populares. Montessori propunha uma pedagogia cientifica da criança e com espiritualidade, ressaltando aspecto biológico do crescimento e do desenvolvimento infantil, elaborou materiais adequados à exploração sensorial das crianças. Sua proposta era estruturar o brinquedo, fazer dele um aliado a aprendizagem da criança. Ela também adequou o mobiliário usado pelas crianças na pré- escola. O campo da psicologia, uma série de autores oferecia novas formas de compreender as crianças pequenas. Lev Vygostsky (1896-1934), na década de 20 e 30 defendia as zonas de interesse da criança, pelas interações sociais, a criança era um sujeito ativo e interativo com os objetos e com o meio social em que estava inserida. Henri Wallon (1879-1962), na metade do século XX destacava o valor da afetividade, na diferenciação que cada criança aprende a fazer entre si mesmas e com os outros. Wallon foi o primeiro a levar não só a corpo da criança para a escola, mas as emoções também. Fundamentou suas ideias em quatro eixos: A afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu da pessoa. As atividades pedagógicas e os objetos devem ser trabalhados de 404 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 forma variados, deixando a criança livre. A dor, a manipulação, a sedução, a imitação, o ódio e o sofrimento são elementos construtores do eu. Jean Piaget (1896-1980) contribuiu e revolucionou a concepção que se tinha sobre a criança e de como ela aprendia. A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo diz que o pensamento, as habilidades cognitivas se dá de forma gradativa e conforme a maturação biológica do indivíduo. Celestin Freinet (1896-1966) defendia que a educação não deveria estar restrita apenas a sala de aula, mas que a criança deveria estar exposta ao meio social. A pedagogia de Freinet organizava-se em aulas-passeio, desenhos livres, textos livres, jornal escolar, livro da vida, oficinas com trabalhos manuais e intelectuais. Na década de 50 com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, promulgada pela ONU, em 1959, houve uma expansão da educação infantil por toda Europa e Estados Unidos, com a concepção de valorizar e estimular as crianças desde o nascimento. No Brasil com a influência da cultura Européia foi trazida no final do século XIX a concepção dos “jardins-de-infância”, porém contemplava a elite do País. EM 1875 no RJ e em 1877 em SP foram criados os primeiros jardins- de-infância privados do País. Em alguns anos depois foram inaugurados jardins públicos inspirados na pedagogia de Froebel Em 1961 houve a inclusão no sistema de ensino brasileiro os jardins-de-infância com a Lei 4024/61 da LDB. A Educação Infantil passou a ser do ponto de vista legal, um dever do Estado e um direto da criança (artigo 208, inciso IV) do Estatuto da Criança e do Adolesce-ECA, Lei nº 8.069/90. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, Lei nº 9.394, promulgada em dezembro de 1996, estabelece o atendimento as crianças de zero a seis anos e a educação gratuita em creches e pré-escolas. A Educação Infantil e o Ensino Fundamental de 9 anos, atualmente possuem um caráter de desenvolver a criança em vários aspectos: o social, afetivo e o cognitivo. É o lúdico que tem um papel primordial, pois é através das brincadeiras, da interação, da manipulação dos objetos, do mundo de faz de conta que a criança descobre suas habilidades, seus limites, desenvolve-se social, intelectual e emocionalmente. O PAPEL DO EDUCADOR NA CONSTRUÇÃO DO LÚDICO 405 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 O papel do professor diante do lúdico é o de mediador do processo, uma vez que mesmo as crianças estejam em atividades espontâneas, ou jogando, o professor deverá ter uma atitude de observação e intervenção quando necessária. O professor é dentro da sala de aula uma das peças principais e para as brincadeiras no âmbito escolar também, pois é ele que vai estimular iniciar, criar espaços e oferecer materiais para que situações lúdicas aconteçam. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, que orientam a prática pedagógica, também apontam a formação de um novo profissional: A formação de professores se coloca, portanto, como necessária para que a efetiva transformação do ensino se realize. Isso implica revisão e atualização dos currículos oferecidos na formação inicial do professor e a implementação de programas de formação continuada que cumpram não apenas a função de suprir as deficiências da formação inicial, mas que se constituam em espaços privilegiados de investigação didática, orientada para a produção de novos materiais, para a análise e reflexão sobre a prática docente, para a transposição didática dos resultados de pesquisas realizadas na linguística e na educação em geral. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – Língua Portuguesa. p.66 As situações lúdicas devem ser planejadas e orientadas pelo professor, visando aprendizagem, o conhecimento, as atitudes positivas e a relação criança-objeto. O professor deve adequar às brincadeiras e jogos de acordo com o nível de idade e conhecimento de seus alunos e de forma sistematizada indo de acordo com o interesse e participação dos alunos. Deve valorizar a cultura lúdica existente na sociedade local, introduzindo novos personagens ou novas situações para aguçar o interesse dos alunos pela aprendizagem, ou simplesmente pela brincadeira, pois como diz Kami (1991, p.125) Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitarse como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for o mais compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida. O professor deve valorizar as atitudes e limitações das crianças, incentivando-as a fazer o melhor, ou animando-as pelo esforço, deve evitar a competição, pois em jogos competitivos não existem ganhadores e perdedores, pois segundo, Severino (1991p. 23) Os profissionais das escolas infantis precisam manter um comportamento ético para com as crianças, não permitindo que estas sejam expostas ao ridículo ou que passe por situações constrangedoras. Alguns adultos, na tentativa de fazer com que as crianças lhes sejam obedientes, deflagram nelas sentimentos de insegurança e desamparo, fazendo-as se sentirem temerosas de perder o afeto, a proteção e a confiança dos adultos. 406 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 Portanto, ser professor exige do profissional comprometimento, formação continuada, amor, leitura e estudos científicos e principalmente dedicação e respeito à criança ao seu processo de assimilação do conhecimento. Valorizar o lúdico como ferramenta importantíssima no processo educacional e utilizá-lo de forma coerente e ética. Perceber na criança um ser que está em desenvolvimento e valorizar sua natureza infantil, ingênua e lúdica. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA PSICOPEDAGOGIA Brincar é um fenômeno filosófico, sociológico, psicológico, criativo, psicoterápico e pedagógico, pois é através do brincar que a criança se apropria do mundo real, constrói sua identidade, forma sua personalidade, aprende e vivência sentimentos e aprendizagens quer seja de ordem cognitiva, social ou motora. Segundo Grassi (2008 p. 53) Brincar proporciona a aprendizagem e o desenvolvimento, mas, num espaço psicopedagógico, promove um trabalho de significação e ressignificação dos conhecimentos, possibilitando a sua apropriação, a elaboração de sentimentos e pensamentos, o resgate do prazer de aprender, descobrir, pesquisar, explorar, agir, construir e compartilhar. É importante destacar que como em um planejamento habitual em sala de aula, o lúdico em uma oficina psicopedagógica, na brinquedoteca, na observação lúdica deve haver um planejamento e uma intencionalidade para que se consiga alcançar os objetivos propostos. As atividades lúdicas no espaço psicopedagógico exigem do profissional um olhar, uma escuta mais focada, contextualizada com a necessidade dos envolvidos, possibilitando o desenvolvimento do pensamento, a expressão de sentimentos e a aprendizagem. A ação do lúdico no espaço clínico ou escolar tem a função de prevenção, é terapêutica e mediadora no processo de autoconhecimento e de construção cognitiva, motora e psicológica dos envolvidos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A ludicidade é um dos principais eixos norteadores do processo de ensino- aprendizagem, pois, é uma ferramenta que deve estar presente como recurso didático não apenas na educação infantil, mas em todas as etapas de escolaridade. Compreender o 407 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 universo lúdico é indispensável para o bom desenvolvimento do trabalho pedagógico do professor. A história do papel da criança na sociedade e de como evoluiu a educação destinada a elas, é um compromisso muito grande das novas gerações em manter vivos os ideais de grandes estudiosos que desde o século XVIII vem quebrando paradigmas e destinando as crianças uma educação mais voltada ao seu desenvolvimento e encantamento do mundo infantil. Falar de criança é falar de felicidade, brincadeiras, brinquedos, de limites, regras de convivência, socialização e de interação. Isso tudo deve ser garantido para qualquer criança, pois é por meio do lúdico que construímos nossa percepção de mundo, desenvolvemos estruturas internas para interagir com o externo, nos tornamos adultos saudáveis, autônomos e felizes. A escola tem um papel fundamental nessa estruturação, pois hoje em dia as crianças vão muito pequenas para as creches e para a Educação Infantil, com isso a escola deve estar pautada no lúdico, a escola pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, o educador pode alcançar seus objetivos, suas estratégias pedagógicas sem perder a ludicidade e o encantamento do mundo infantil. O lúdico pode trazer à aula um momento de felicidade, seja qual for à etapa de nossas vidas, acrescentando leveza à rotina escolar e fazendo com que o aluno registre melhor os ensinamentos que lhe chegam, de forma mais significativa. O educador tem um papel fundamental para o desenvolvimento de atividades lúdicas na escola, ele precisa perceber que brincar não é uma questão apenas de pura diversão, mas também de educação, socialização, construção de suas potencialidades motoras e cognitivas. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Básicos de Infra-Estrutura para Instituições de educação Infantil. Brasília. MEC, SEB, 2008. EDUCAÇÃO Ministério da. Secretaria Especial dos Direitos Humanos: Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: MEC, 2005. GRASSI, Tânia Mara. Oficinas psicopedagógicas: 2° ed. Curitiba: Editora Ibpex, 2008. JR, Moisés Kuhlmann. Infância e Educação Infantil: Uma Abordagem Histórica. 2ºed. Porto Alegre: Editora Mediação, 2001. KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos Infantis: O Jogo, a Criança e a Educação: 11ed. São Paulo: Editora Vozes, 2003. 408 XI I I C ON G R ES SO D E E D U C AÇ Ã O DO NORT E PI O N EI RO Ed uc aç ão e m p ers p e ct iv a: c a mi nh os p a ra a t ra ns f o r m açã o d os p a rad i g mas ed u ca ci on ais U E NP -C C H E -C L C A– C A M PU S J A C AR E ZI N HO A N AI S – 2 0 1 3 I SS N – 1 8 0 8 -3 5 7 9 LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394, de 1996, 4°. ed. Brasília, 2007. LEAL, Daniela Nogueira, Makeliny, Oliveira Gomes. Psicopedagogia Clínica: caminhos teóricos e práticos. Curitiba: Editora Ibpex, 2011. MACHADO, Maria Lucia. Encontros e desencontros em Educação Infantil: São Paulo: Cortez, 2002. MALUF. Ângela Cristina Munhoz. Atividades Lúdicas para educação Infantil: conceitos e orientações e práticas: Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. MARINHO, Hermínia Regina Budapeste...(et al.). Pedagogia do movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 2ºed. Curitiba: Editora Ibpex, 2007. MURCIA, Juan Antonio Moreno. Aprendizagem Através do jogo: trad. Valério Campos: Porto Alegre: Artmed, 2005. OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil: Fundamentos e Métodos: 2ed. São Paulo: Cortez, 2001. Para citar este artigo: NOAL, Estela Garcia. Reflexão histórica acerca da epistemologia do lúdico na construção social da criança. In: XIII CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO Jacarezinho. 2013. Anais...UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná – Centro de Ciências Humanas e da Educação e Centro de Letras Comunicação e Artes. Jacarezinho, 2013. ISSN – 18083579. p. 396 - 409. 409