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REFLEXÃO HISTÓRICA ACERCA DA EPISTEMOLOGIA DO LÚDICO NA CONSTRUÇÃO
SOCIAL DA CRIANÇA
Estela Garcia Noal (Psicopedagoga Clínica e Institucional)
Resumo: Este artigo é uma retrospectiva da história da criança e do lúdico na sociedade e de
como grandes autores contribuíram para a evolução do processo de educação da criança e do
seu papel na sociedade atual, bem como reflete sobre a importância da ludicidade na
educação, em diversas fases e sua contribuição na Psicopedagogia, como ferramenta
importante na construção da aprendizagem da criança. Os objetivos da pesquisa foram
embasados na observação dos monitoramentos realizados no Ensino Fundamental I em
escolas municipais, onde os alunos encontram-se no processo de alfabetização e
desenvolvimento cognitivo, social, e motora e a resistência dos professores em utilizar o lúdico
em sala de aula como ferramenta crucial para o desenvolvimento e para a superação das
dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. Este artigo tem a intencionalidade de
despertar nos professores e psicopedagogos a relevância do lúdico na aprendizagem não
apenas da Educação Infantil, mas em todos os anos de escolaridade e da importância do lúdico
no autoconhecimento do indivíduo, bem como resgatar conceitos que datam de séculos antes
de Cristo sobre a importância do lúdico na construção social da criança. A metodologia de
pesquisa do referido artigo é de pesquisa bibliográfica. O trabalho esta estruturado em
subseções que vão desde a história antiga referente ao papel da criança na sociedade, assim
como o papel do lúdico no decorrer dos séculos, relata ainda a importância do lúdico na escola
e na psicopedagogia.
Palavras-chave: Lúdico. História. Educação. Aprendizagem. Psicopedagogia.
INTRODUÇÃO
O tema a ser abordado no referente artigo será uma retrospectiva da história da criança
e do lúdico na sociedade e de como grandes autores contribuíram para a evolução do processo
de educação da criança e do seu papel na sociedade atual, bem como reflete sobre a
importância da ludicidade na educação, no processo educacional das crianças em diversas
fases e sua contribuição na Psicopedagogia, como ferramenta importante na construção da
aprendizagem da criança.
Os objetivos da pesquisa foram embasados na observação dos monitoramentos
realizados no Ensino Fundamental I em escolas municipais, onde os alunos encontram-se no
processo de alfabetização e desenvolvimento cognitivo, social, e motora e a resistência dos
professores em utilizar o lúdico em sala de aula como ferramenta crucial para o
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desenvolvimento e para a superação das dificuldades no processo de ensino-aprendizagem.
Este artigo tem a intencionalidade de despertar nos professores e psicopedagogos a relevância
do lúdico na aprendizagem não apenas da Educação Infantil, mas em todos os anos de
escolaridade e da importância do lúdico no autoconhecimento do indivíduo, bem como resgatar
conceitos que datam de séculos antes de Cristo sobre a importância do lúdico na construção
social da criança.
A palavra Lúdico vem do latim Ludus, que significa jogo, divertimento, gracejo, escola.
Este brincar também se relaciona à conduta daquele que joga que brinca e se diverte. Por sua
vez, a função educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo: seu saber, seu
conhecimento e sua compreensão de mundo. O lúdico e uma atividade inerente e natural do
ser humano. Por meio do jogo, do brinquedo e da brincadeira, o mesmo reproduz e recria o
mundo a sua volta.
“Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas mais
triste é vê-los enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a
formação humana”. (Andrade 1987). Então porque ainda é tão comum vermos crianças em
pleno século XXI enfileiradas e copistas?
Por que as instituições de ensino ainda têm
explorado muito pouco o lúdico em sala de aula considerando que já faz algum tempo que as
investigações relacionadas ao tema vêm atribuindo valor destacado ao lúdico como alavanca
de aprendizagem?
Os educadores devem acabar com esse conceito inútil, de o lúdico é uma distração para
as crianças e que deve ser explorado apenas na Educação Infantil, deve- se buscar sempre ter
o suporte do lúdico para aproveitar cada nova situação para aprendermos e vivenciarmos algo,
não apenas na escola, mas no mundo que nos cerca.
A metodologia de pesquisa do referido artigo é de pesquisa bibliográfica. O trabalho
esta estruturado em subseções que vão desde a história antiga referente ao papel da criança
na sociedade, assim como o papel do lúdico no decorrer dos séculos, relata ainda a
importância do lúdico na escola e na psicopedagogia.
O LÚDICO, A CRIANÇA E A HISTÓRIA
A ludicidade sempre esteve presente na vida do ser humano e sua relação com a
educação data da época antiga. Gregos e Romanos (séc. V e IV a.C.) falavam da importância
da ludicidade na educação das crianças. Platão (347 a.C.) já pregonizava que os primeiros
anos da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos, sendo que ele ensinava às
crianças em forma de jogo.
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Nos séculos XV e XVI d.C., novos modelos educacionais foram criados para responder
aos desafios estabelecidos pela sociedade Europeia. O Renascimento estimulou o surgimento
de novas visões sobre a criança e sobre tudo de como ela deveria ser educada. Autores como
Erasmo (1465-1530) e Montaigne (1493-1553) sustentavam que a educação deveria respeitar
a natureza infantil, estimular a atividade da criança e associar o jogo à aprendizagem.
A
imagem da criança agora era vista como um ser distinto do adulto e que o ato de brincar fazia
parte da infância e da educação.
Na Idade Moderna, com a Revolução Industrial a todo vapor, começou a se viver o
pragmatismo tecnicista e o desenvolvimento científico, enfatizou-se a importância da educação
para o desenvolvimento social. A criança passou a ser o centro do interesse educativo dos
adultos, começou a ser vista como sujeito de necessidades e objeto de expectativas e
cuidados, para uma preparação para o mundo adulto.
Autores como Comênio, Rousseau, Pestalozzi, Decroly, Froebel e Montessori entre
outros, estabeleceram as bases para um sistema de ensino mais voltado à criança. Embora
com ênfase diferentes, as propostas de ensino desses autores reconheciam que as crianças
tinham necessidades próprias e características diversas da dos adultos, como o interesse pela
exploração de objetos e pelo jogo.
Na atualidade o ato de brincar é um direito fundamental das crianças e está previsto no
Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990), Cap. II, art. 16 § IV e no Referencial
Curricular Nacional para a Educação Infantil, e nos Parâmetros de Qualidade para a Educação
Infantil, volume 1 ( 2002, p. 19).
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA INFÂNCIA
O lúdico desenvolve nas crianças valores como amizade, socialização, respeito,
solidariedade, exercício dos direitos e deveres, visando à aprendizagem cooperativa e os
valores sociais e humanos que implicam no processo de ensino-aprendizagem.
O brincar leva a criança a vivenciar o mundo adulto, experimentar possibilidades lúdicas
e imaginativas a fim de se solidificar um adulto que enfrente sua realidade de vida. A atividade
lúdica produz nas crianças alegria, prazer, estimula sua coordenação motora, o saber
compartilhar, o cumprimento de regras e normas, o raciocínio lógico, a linguagem, o mundo do
faz-de-conta. É através do lúdico que as crianças desenvolvem habilidades e pré- requisitos
que vão acompanhá-las a vida toda.
A criança como todo ser humano, tem necessidades, angústias, desejos, é um ser social
e faz parte de uma organização familiar que esta inserida em uma sociedade. Cada sociedade
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“cria” um modelo de criança e de educação. O meio social em que a criança está inserida irá
determinar sua educação e cultura. Sendo a família biológica ou não que irá ser a referencia
fundamental para compreender o mundo em que vive, as relações com o meio social que a
criança vivencia, será representada nas brincadeiras e na sua linguagem infantil.
É por meio das brincadeiras, que a criança se desenvolve física, social, emocional e
cognitivamente. É através das trocas, dos ganhos e das perdas que ela começa ver e entender
que o mundo não é só dela e o quanto é importante estar e compartilhar com o “outro”,
tornando-se um ser social.
Segundo Piaget (1988, p. 112) a criança aprende de acordo com o nível de maturação
biológica. Essas fases se dão desde o desenvolvimento motor, verbal e mental.
O primeiro Período a qual ele denominou de Período Sensório- Motor, que é onde a
criança tem uma relação com a brincadeira muito forte, desde o nascimento o bebê e a mãe
são um só, assim como sua relação com os objetos, portanto é através da mãe que o bebê
busca concretizar aquilo que procura.
A manipulação do próprio corpo e dos objetos a sua
volta faz com que o bebê perceba o mundo que o rodeia e interagindo com ele, tornando-se
um ser social.
As crianças de 2 e 4 anos que é a fase que Piaget chama de Período Simbólico, nesta
fase as crianças preferem brincar sozinhas a brincar junto de outras crianças e raramente
brincam em cooperação com elas, não são capazes de partilhar, nem que brinquem com os
objetos dela. Sua relação com o objeto e com o individualismo é muito forte. Esta criança está
dentro de um processo de desenvolvimento normal e só começa a amadurecer através da
experimentação, do manuseio, escondendo, apertando e da socialização com outras crianças.
Os interesses dominantes nessa fase para o lúdico é pular, correr, encher e esvaziar, de pôr e
tirar, desmanchar e armar, apalpar, imitar as tarefas domésticas, brincar de bonecas e
brinquedos de ação e barulhentos.
Aos 4 e 5 anos as crianças entram na fase do Período Intuitivo, que é onde as crianças
gostam de se relacionarem com outras crianças, de propor e partilhar os objetos se expressa
melhor, ouvem e aceitam regras, conseguem controlar melhor suas emoções, dominam
melhor suas ações, linguagem e pensamentos, assim como sua postura corporal. O lúdico
nessa fase surge do desenho, da imitação da dramatização, do faz de conta, do jogo simbólico
(carrinhos feitos de sucata).
As crianças de 6 e 7 anos, entram na fase dos porquês, distinguem a fantasia do real,
o lúdico esta presente nas brincadeiras de correr, pular, cantar, dramatizar, organizar coleções
de bonecas, carrinhos, brincarem com jogos de regras.
Dos 7 aos 11 anos, as crianças entram no Período Operatório Concreto, é onde sua
organização social, percebe e organiza o mundo de forma lógica e operatória, compreende
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regras, estabelecem compromissos, sua linguagem é socializada. Sua ludicidade esta muito
presente, porém sabe compartilhar, estabelecer e cumprir regras. Dos 11 anos em diante
Piaget denominou de Período Operatório Abstrato, onde o individuo possui memória abstrata e
relacionasse muito bem com a lógica matemática e com o intuitivo.
Brincar é indispensável á saúde física, emocional e intelectual da criança.
É uma
ferramenta, que quando bem estimulada e vivenciada na infância, irá contribuir para o
equilíbrio adulto. Segundo Froebel (1912, p.55)
Brincar é a fase mais importante da infância, do desenvolvimento humano, a
brincadeira é a atividade mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo
tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no
homem e de todas as coisas. Ela da alegria, liberdade, contentamento, descanso
externo e interno, paz com o mundo. A criança que brinca sempre, com
determinação, é auto-ativa, perseverante, esquecendo sua fadiga física, pode
certamente tornar-se um homem determinado, capaz de auto-sacrifício para a
promoção do seu bem e de outros... Como sempre indicamos o brincar em
qualquer tempo não é trivial, é altamente sério e de profunda significação.
Para Froebel (1912, p. 13) a criança deve ser livre para brincar, pois é a brincadeira
que a criança garante interação e construção da realidade em que ela vive.
Ao brincar a
criança se sente motivada, feliz, desafiada a dominar o que lhe é familiar, quanto a responder
ao desconhecido para obter informações, habilidades, descobrir, inventar, agir e imaginar.
Para Vygotsky (apud Grassi; Tânia, 2008, p. 98), o brincar a criança está acima da sua
idade média, acima de seu comportamento diário. “Na brincadeira de faz de conta, as crianças
manifestam certas habilidades que não seriam esperadas para sua idade”. A aprendizagem cria
a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a aprendizagem desperta vários processos
internos de desenvolvimento.
O PAPEL DO BRINQUEDO NA CONSTRUÇÃO DA CRIANÇA E DO LÚDICO
O brinquedo é um suporte para a brincadeira segundo Kishimoto, um objeto
desencadeador da brincadeira. O brinquedo é o personagem principal de algumas brincadeiras,
por isso é importante ficar atento ao manuseio desses objetos. O brinquedo é um tipo de
treinamento divertido para a criança, através dele ela começa a aprender conhecer e
compreender o mundo que a rodeia. Existem brinquedos para todas as faixas etárias. Quanto
mais adequado à idade da criança, mais utilidade ele terá, o brinquedo deverá ser utilizado em
várias etapas, acompanhando o desenvolvimento da criança.
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O brinquedo (objeto), não tem tanto valor para a criança sozinho, porém se elas forem
estimuladas pelos adultos, ou por outras crianças, o objeto passa ter valor de aprendizagem.
O bom brinquedo estimula a imaginação e desenvolve a criatividade e educa.
Brinquedos que ensinam apenas a repetir mecanicamente o que os outros fazem são
prejudiciais, irritantes e monótonos. Crianças gostam de brinquedos que possibilitam ações e
movimentos, com isso, aprendem a coordenar os olhos, as mãos e o corpo, garantindo uma
maior saúde física e mental no futuro.
O tempo e a frequência de brincar são extremamente importantes, se a brincadeira for
escolar ela deve estar presente na rotina pedagógica. Assim como criar um ambiente
favorável, estimulante e desafiador aos alunos, pois é através da brincadeira que a criança se
humaniza, aceita regras e obedece a limites.
Winnicott (1982, p. 4) coloca que o brincar é universal, facilita o crescimento, a saúde,
conduz a relacionamentos grupais, é uma forma de comunicação consigo mesmo e com os
outros, brincar vai ajustando o mundo interno da criança com o externo.
Já para Negrine (1994, p. 41) brincar é uma necessidade básica assim como é a
nutrição, a saúde, a habitação e a educação. É brincando que a criança desenvolve
potencialidades, socializa-se com outras crianças e com os adultos.
O brincar é importante porque incentiva a utilização de jogos e brincadeiras. Brincar
exige da criança participação e interesse, prepara para aprender, assimilar novos conceitos,
adquirir informações e ter um crescimento saudável. Toda criança que brinca vive uma infância
feliz, torna-se mais equilibrado emocionalmente, conseguindo superar com mais facilidade
problemas que possam surgir no dia a dia.
Os brinquedos surgiram nas oficinas dos artesões, que só podiam fabricar produtos do
seu ramo, segundo Benjamim (1984, p. 15) “O brinquedo sempre foi e será um objeto criado
pelo adulto para a criança, mesmo os brinquedos antigos como a bola, a pipa, desenvolveram
as fantasias infantis”.
Os jogos e os brinquedos, embora sendo um elemento sempre presente na
humanidade, não tinham a conotação que tem hoje, eram vistos como inúteis e fúteis, tinham
como objetivo a distração e o recreio. A criança não tinha uma essência social, era considerado
“um adulto em miniatura”, seu valor era relativo nas classes altas onde eram educadas para o
futuro, porém nas classes baixas a criança tinha que colaborar para a renda familiar
desenvolvendo vários tipos de trabalho.
Quando houve a mudança da imagem da criança na sociedade, surgiu a valorização dos
jogos e brinquedos. Negrine (1994, p. 41) destaca que “as atividades lúdicas possibilitam o
desenvolvimento integral da criança já que através destas atividades a criança se desenvolve
afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente”. Brincar ajuda a criança no seu
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desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, por meio das atividades lúdicas a
criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão
oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e
constrói seu próprio conhecimento. Segundo Vygostsky (1984), o brinquedo tem um papel
importante, de preencher uma atividade básica da criança, ou seja, ele é um motivo para
ação.
A RELAÇÃO HISTÓRICA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO
Ao longo de muitos séculos, o cuidado e a educação das crianças pequenas foram
entendidas como tarefas de responsabilidade familiar, particularmente da mãe e das amas de
leite.
Após o desmame, a criança pequena era vista como pequeno adulto que quando
atravessava o período de dependência dos adultos nas atividades cotidianas, onde já sabia
fazer o básico para sua sobrevivência, já era visto como um ser atuante na sociedade adulta.
Na Idade Antiga, existiam as “rodas”, que eram cilindros giratórios, construídos em
muros de igrejas e hospitais de caridade que permitiam que as crianças que ali fossem
deixadas
seriam
colocadas
em
lares
substitutos.
Na
Idade
Média
e
Moderna,
a
responsabilidade pelo recolhimento das crianças abandonadas era de encargo da Igreja, que
as ensinavam um ofício para trabalhar quando crescessem.
Nos séculos XV e XVI uma nova visão de educação foi criada, para atender as
complexas mudanças que as sociedades estavam passando. A sociedade que até então era
agrária, estava se transformando em urbana e industrial. Com a Revolução Industrial como foi
citada anteriormente, a mulher pobre teve que partir para o mercado de trabalho, deixando
seus filhos que já viviam em extrema pobreza em lugares que prestavam serviços de
atendimento a essas crianças.
Esses lugares eram coordenados por outras mulheres da
comunidade.
Com o passar do tempo esses lugares começaram a ter um caráter mais formal e
filantropo, preocupados com o desenvolvimento infantil. Crianças pobres de dois e três anos
eram incluídas nas Charity Schools ou Dame Schools ou ainda Écoles Petites, todas voltadas a
movimentos religiosos, mas que não tinham uma proposta de instruir, educar as crianças,
embora tivessem aulas de canto, memorização de rezas ou passagens bíblicas e alguns
exercícios do que poderia ser uma pré-escrita ou pré-leitura. Esta atividade voltava-se para o
desenvolvimento de bons hábitos de comportamento, regras morais e valores religiosos.
As crianças de 6 anos em diante, eram direcionadas as “escolas de tricô” (knitting
schools), criadas pelo pastor protestante Oberlin na região da Alsácia Francesa, no final da
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segunda metade do século XVIII, onde mulheres da comunidade tomavam conta de crianças
pequenas e pobres e as ensinavam a ler a Bíblia e a tricotar.
Existiam também outras iniciativas para atender as crianças a cima de três anos, filhos
de mulheres operárias, que tinham a preocupação em combater as péssimas condições de
saúde das crianças pobres. Estes lugares eram chamados de Infant Schools, ou Nursery
Schools. O processo de aprendizagem repassado a estas crianças era o ensino a obediência, da
moralidade, da devoção e do valor ao trabalho.
Após uma breve citação sobre o contexto histórico da criação da Educação Infantil e de
como ela era vista no decorrer da história, passa-se a verificar uma mudança na concepção da
educação para as crianças pequenas, alguns pioneiros, contribuíram para diminuir os índices
de mortalidade e proporcionar um novo olhar sobre o papel da criança na sociedade.
Comênio (1592-1670), em seu livro A Escola da Infância, publicado em 1628, afirmava
que o nível inicial de ensino da criança era o “colo da mãe” e deveria ocorrer dentro dos lares.
Em 1637 elaborou um plano de escola maternal em que recomendava o uso de materiais
audiovisuais, como livros de imagens, para educar crianças pequenas. Já em 1657, Comênio
usou a imagem de jardim-de-infância (onde arvorezinhas plantadas seriam regadas) como
lugar da educação das crianças pequenas.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) criou uma proposta educacional que combatia
preconceitos, autoritarismo e violência contra a criança e a educação dada a ela. Defendia uma
educação não orientada pelos adultos, ressaltava que a criança deveria aprender por meio da
experiência, das atividades práticas, da observação, da emoção, da curiosidade e da liberdade,
criou condições para posteriores discussões sobre a brincadeira infantil.
As ideias de Rousseau abriram caminho para as concepções educacionais
de Johann
Heinrich Pestalozzi (1746-1827) que defendia que as crianças deveriam ser educadas com
amor desde o nascimento. A educação deveria ser sem dor, num ambiente natural, com amor,
bondade, num clima de disciplina estrita, mas amorosa. A educação das crianças deveria ser
ordenada pelos sentidos, adaptou métodos com atividades de músicas, arte, soletração,
geografia e aritmética. Pestalozzi defendia também a prontidão da criança para o processo de
ensino e aprendizagem, assim como a organização graduada do conhecimento. Trabalhava
com a pedagogia de treinar a vontade do aluno e de desenvolver atitudes morais.
As ideias de Pestalozzi foram levadas adiante por Friedrich Froebel (1782-1852) que
criou em 1837 um Kindergarten (jardim-de-infância), onde crianças e adolescentes, pequenas
sementes que adubadas e expostas às condições favoráveis em seu meio ambiente,
desabrochariam sua divindade interior em clima de amor, simpatia e encorajamento, estariam
livres para aprender sobre si mesmos e sobre o mundo.
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Os jardins-de-infância eram casas assistenciais que incluíam uma dimensão pedagógica
onde se trabalhava com atividades de cooperação e jogo, entendidos com a origem da
atividade mental. O manuseio de objetos, expressões livres de gestos, música, a construção
com argilas, blocos, papel, possibilitavam a criança a se desenvolver intelectualmente, assim
como sua linguagem e percepção do mundo.
No século XX, os médicos começaram a ficar cada vez mais presentes na vida das
crianças, foi onde surgiram dois médicos interessados na educação das crianças e na
sistematização de atividades para crianças pequenas, utilizando materiais confeccionados por
eles. Foram eles Ovídio Decroly e Maria Montessori.
Ovídio Decroly (1871-1932) defendia uma educação de interesse da criança, da qual o
ensino deveria ser voltado ao intelectual, com domínio de conteúdos, organizados em redes de
interesse. Nos centros de interesse, o trabalho se estruturaria em três eixos: observação,
associação e a expressão.
Decroly também defendia as turmas homogenias e o confronto da criança com o objeto
concreto, para que a partir desse confronto ela venha a analisar e expressar por meio de obra
pessoal.
Maria Montessori (1870-1952) foi uma das principais construtoras da sistematização da
educação para a educação infantil no século XX. Em 1907, foi convidada a organizar uma sala
para educação de crianças sem deficiências dentro de uma habitação coletiva destinada à
famílias populares.
Montessori propunha uma pedagogia cientifica da criança e com espiritualidade,
ressaltando aspecto biológico do crescimento e do desenvolvimento infantil, elaborou materiais
adequados à exploração sensorial das crianças. Sua proposta era estruturar o brinquedo, fazer
dele um aliado a aprendizagem da criança. Ela também adequou o mobiliário usado pelas
crianças na pré- escola.
O campo da psicologia, uma série de autores oferecia novas formas de compreender as
crianças pequenas.
Lev Vygostsky (1896-1934), na década de 20 e 30 defendia as zonas de interesse da
criança, pelas interações sociais, a criança era um sujeito ativo e interativo com os objetos e
com o meio social em que estava inserida.
Henri Wallon (1879-1962), na metade do século XX destacava o valor da afetividade,
na diferenciação que cada criança aprende a fazer entre si mesmas e com os outros. Wallon foi
o primeiro a levar não só a corpo da criança para a escola, mas as emoções também.
Fundamentou suas ideias em quatro eixos: A afetividade, o movimento, a inteligência e
a formação do eu da pessoa. As atividades pedagógicas e os objetos devem ser trabalhados de
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forma variados, deixando a criança livre. A dor, a manipulação, a sedução, a imitação, o ódio e
o sofrimento são elementos construtores do eu.
Jean Piaget (1896-1980) contribuiu e revolucionou a concepção que se tinha sobre a
criança e de como ela aprendia. A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo diz que o pensamento,
as habilidades cognitivas se dá de forma gradativa e conforme a maturação biológica do
indivíduo.
Celestin Freinet (1896-1966) defendia que a educação não deveria estar restrita apenas
a sala de aula, mas que a criança deveria estar exposta ao meio social. A pedagogia de Freinet
organizava-se em aulas-passeio, desenhos livres, textos livres, jornal escolar, livro da vida,
oficinas com trabalhos manuais e intelectuais.
Na década de 50 com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, promulgada pela
ONU, em 1959, houve uma expansão da educação infantil por toda Europa e Estados Unidos,
com a concepção de valorizar e estimular as crianças desde o nascimento.
No Brasil com a influência da cultura Européia foi trazida no final do século XIX a
concepção dos “jardins-de-infância”, porém contemplava a elite do País. EM 1875 no RJ e em
1877 em SP foram criados os primeiros jardins- de-infância privados do País. Em alguns anos
depois foram inaugurados jardins públicos inspirados na pedagogia de Froebel
Em 1961 houve a inclusão no sistema de ensino brasileiro os jardins-de-infância com a
Lei 4024/61 da LDB.
A Educação Infantil passou a ser do ponto de vista legal, um dever do Estado e um
direto da criança (artigo 208, inciso IV) do Estatuto da Criança e do Adolesce-ECA, Lei nº
8.069/90.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, Lei nº 9.394, promulgada em
dezembro de 1996, estabelece o atendimento as crianças de zero a seis anos e a educação
gratuita em creches e pré-escolas.
A Educação Infantil e o Ensino Fundamental de 9 anos, atualmente possuem um caráter
de desenvolver a criança em vários aspectos: o social, afetivo e o cognitivo. É o lúdico que tem
um papel primordial, pois é através das brincadeiras, da interação, da manipulação dos
objetos, do mundo de faz de conta que a criança descobre suas habilidades, seus limites,
desenvolve-se social, intelectual e emocionalmente.
O PAPEL DO EDUCADOR NA CONSTRUÇÃO DO LÚDICO
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O papel do professor diante do lúdico é o de mediador do processo, uma vez que
mesmo as crianças estejam em atividades espontâneas, ou jogando, o professor deverá ter
uma atitude de observação e intervenção quando necessária.
O professor é dentro da sala de aula uma das peças principais e para as brincadeiras no
âmbito escolar também, pois é ele que vai estimular iniciar, criar espaços e oferecer materiais
para que situações lúdicas aconteçam. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, que orientam a
prática pedagógica, também apontam a formação de um novo profissional:
A formação de professores se coloca, portanto, como necessária para que a
efetiva transformação do ensino se realize. Isso implica revisão e atualização
dos currículos oferecidos na formação inicial do professor e a implementação de
programas de formação continuada que cumpram não apenas a função de suprir
as deficiências da formação inicial, mas que se constituam em espaços
privilegiados de investigação didática, orientada para a produção de novos
materiais, para a análise e reflexão sobre a prática docente, para a transposição
didática dos resultados de pesquisas realizadas na linguística e na educação em
geral. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – Língua Portuguesa. p.66
As situações lúdicas devem ser planejadas e orientadas pelo professor, visando
aprendizagem, o conhecimento, as atitudes positivas e a relação criança-objeto.
O professor deve adequar às brincadeiras e jogos de acordo com o nível de idade e
conhecimento de seus alunos e de forma sistematizada indo de acordo com o interesse e
participação dos alunos. Deve valorizar a cultura lúdica existente na sociedade local,
introduzindo novos personagens ou novas situações para aguçar o interesse dos alunos pela
aprendizagem, ou simplesmente pela brincadeira, pois como diz Kami (1991, p.125)
Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho,
aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a
pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitarse como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para
que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for o mais
compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias
adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida.
O professor deve valorizar as atitudes e limitações das crianças, incentivando-as a fazer o
melhor, ou animando-as pelo esforço, deve evitar a competição, pois em jogos competitivos
não existem ganhadores e perdedores, pois segundo, Severino (1991p. 23)
Os profissionais das escolas infantis precisam manter um comportamento ético
para com as crianças, não permitindo que estas sejam expostas ao ridículo ou
que passe por situações constrangedoras. Alguns adultos, na tentativa de fazer
com que as crianças lhes sejam obedientes, deflagram nelas sentimentos de
insegurança e desamparo, fazendo-as se sentirem temerosas de perder o afeto,
a proteção e a confiança dos adultos.
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Portanto, ser professor exige do profissional comprometimento, formação continuada, amor,
leitura e estudos científicos e principalmente dedicação e respeito à criança ao seu processo de
assimilação do conhecimento. Valorizar o lúdico como ferramenta importantíssima no processo
educacional e utilizá-lo de forma coerente e ética. Perceber na criança um ser que está em
desenvolvimento e valorizar sua natureza infantil, ingênua e lúdica.
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA PSICOPEDAGOGIA
Brincar é um fenômeno filosófico, sociológico, psicológico, criativo, psicoterápico e
pedagógico, pois é através do brincar que a criança se apropria do mundo real, constrói sua
identidade, forma sua personalidade, aprende e vivência sentimentos e aprendizagens quer
seja de ordem cognitiva, social ou motora. Segundo Grassi (2008 p. 53)
Brincar proporciona a aprendizagem e o desenvolvimento, mas, num espaço
psicopedagógico, promove um trabalho de significação e ressignificação dos
conhecimentos, possibilitando a sua apropriação, a elaboração de sentimentos e
pensamentos, o resgate do prazer de aprender, descobrir, pesquisar, explorar,
agir, construir e compartilhar.
É importante destacar que como em um planejamento habitual em sala de aula, o
lúdico em uma oficina psicopedagógica, na brinquedoteca, na observação lúdica deve haver
um planejamento e uma intencionalidade para que se consiga alcançar os objetivos propostos.
As atividades lúdicas no espaço psicopedagógico exigem do profissional um olhar, uma
escuta mais focada, contextualizada com a necessidade dos envolvidos, possibilitando o
desenvolvimento do pensamento, a expressão de sentimentos e a aprendizagem.
A ação do lúdico no espaço clínico ou escolar tem a função de prevenção, é terapêutica
e mediadora no processo de autoconhecimento e de construção cognitiva, motora e psicológica
dos envolvidos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A
ludicidade é um
dos principais eixos
norteadores do
processo
de
ensino-
aprendizagem, pois, é uma ferramenta que deve estar presente como recurso didático não
apenas na educação infantil, mas em todas as etapas de escolaridade. Compreender o
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universo lúdico é indispensável para o bom desenvolvimento do trabalho pedagógico do
professor.
A história do papel da criança na sociedade e de como evoluiu a educação destinada a
elas, é um compromisso muito grande das novas gerações em manter vivos os ideais de
grandes estudiosos que desde o século XVIII vem quebrando paradigmas e destinando as
crianças uma educação mais voltada ao seu desenvolvimento e encantamento do mundo
infantil.
Falar de criança é falar de felicidade, brincadeiras, brinquedos, de limites, regras de
convivência, socialização e de interação. Isso tudo deve ser garantido para qualquer criança,
pois é por meio do lúdico que construímos nossa percepção de mundo, desenvolvemos
estruturas internas para interagir com o externo, nos tornamos adultos saudáveis, autônomos
e felizes.
A escola tem um papel fundamental nessa estruturação, pois hoje em dia as crianças
vão muito pequenas para as creches e para a Educação Infantil, com isso a escola deve estar
pautada no lúdico, a escola pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, o
educador pode alcançar seus objetivos, suas estratégias pedagógicas sem perder a ludicidade
e o encantamento do mundo infantil. O lúdico pode trazer à aula um momento de felicidade,
seja qual for à etapa de nossas vidas, acrescentando leveza à rotina escolar e fazendo com
que o aluno registre melhor os ensinamentos que lhe chegam, de forma mais significativa.
O educador tem um papel fundamental para o desenvolvimento de atividades lúdicas na
escola, ele precisa perceber que brincar não é uma questão apenas de pura diversão, mas
também de educação, socialização, construção de suas potencialidades motoras e cognitivas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Básicos
de Infra-Estrutura para Instituições de educação Infantil. Brasília. MEC, SEB, 2008.
EDUCAÇÃO Ministério da. Secretaria Especial dos Direitos Humanos: Estatuto da Criança e do
Adolescente. Brasília: MEC, 2005.
GRASSI, Tânia Mara. Oficinas psicopedagógicas: 2° ed. Curitiba: Editora Ibpex, 2008.
JR, Moisés Kuhlmann. Infância e Educação Infantil: Uma Abordagem Histórica. 2ºed.
Porto Alegre: Editora Mediação, 2001.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos Infantis: O Jogo, a Criança e a Educação: 11ed. São
Paulo: Editora Vozes, 2003.
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LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394, de 1996, 4°. ed.
Brasília, 2007.
LEAL, Daniela Nogueira, Makeliny, Oliveira Gomes. Psicopedagogia Clínica: caminhos
teóricos e práticos. Curitiba: Editora Ibpex, 2011.
MACHADO, Maria Lucia. Encontros e desencontros em Educação Infantil: São Paulo:
Cortez, 2002.
MALUF. Ângela Cristina Munhoz. Atividades Lúdicas para educação Infantil: conceitos e
orientações e práticas: Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
MARINHO, Hermínia Regina Budapeste...(et al.). Pedagogia do movimento: universo
lúdico e psicomotricidade. 2ºed. Curitiba: Editora Ibpex, 2007.
MURCIA, Juan Antonio Moreno. Aprendizagem Através do jogo: trad. Valério Campos: Porto
Alegre: Artmed, 2005.
OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil: Fundamentos e Métodos: 2ed. São Paulo:
Cortez, 2001.
Para citar este artigo:
NOAL, Estela Garcia. Reflexão histórica acerca da epistemologia do lúdico na
construção social da criança. In: XIII CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO
Jacarezinho. 2013. Anais...UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná – Centro de
Ciências Humanas e da Educação e Centro de Letras Comunicação e Artes. Jacarezinho, 2013.
ISSN – 18083579. p. 396 - 409.
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Estela Garcia Noal