1. INTRODUÇÃO No processo de aquisição de uma língua como língua estrangeira (L2), percebem-se naturalmente diversas dificuldades na produção de certos fones/sons de seu inventário. Cunhou-se o termo interlíngua para designar a linguagem do aprendiz durante o processo de aquisição da língua alvo (L2), ou como coloca ELLIS (1994, p. 16): “[interlíngua é 1] um sistema de transição que reflete o conhecimento de L2 presente do aprendiz”. Especificamente no caso da fonologia, se aceita amplamente o fato de que a primeira língua do aprendiz influencia a aquisição da fonologia da segunda (ECKMAN, 2004, p. 515). Segundo Flege (1995), em seu Speech Learning Model (SLM), que baseia seu estudo em similaridades e equivalências entre duas línguas – língua mãe (L1) e língua alvo (L2), justamente os sons equivalentes ou similares são os mais difíceis de serem reproduzidos, pois o aprendiz os percebe como sendo os mesmos sons de sua língua mãe, e não como um som novo, ou de uma nova categoria. A produção dos fonemas / / e / / em posição de coda pode enquadrar-se nestes casos onde ocorrem dificuldades, se tomarmos o português como primeira língua ou língua mãe, e o inglês como a língua alvo. A falta de observação da diferenciação entre o inglês e o português na produção dos segmentos/sons [ ] e [ ] nesta posição (eles não ocorrem em final de sílaba em português; o que ocorre é que o grafema “m” ocorre em final de palavra, porém apenas marca a nasalização da vogal antecedente2) pode ser uma das causas dos problemas de pronúncia das seqüências vogal + consoante nasal. Segundo ELLIS, se constatados sistematicamente, constituiriam casos de “erros por transferência de estruturas”, ou simplesmente de “transferência”, “que ocorrem quando o aluno utiliza alguma característica de L1 (fonológica, lexical, gramatical ou 1 A tradução dos textos cujos originais estão em inglês é de responsabilidade da autora deste trabalho. Os originais aparecerão em nota de rodapé, em itálico. …a transitional system reflecting the learner’s current L2 knowledge. 2 A nasalidade no português é um aspecto ainda bastante controverso. Será abordada posteriormente neste trabalho, quando da revisão de literatura, no capítulo 2. 2 pragmática) ao invés daquela característica desejada da língua alvo”3 (ELLIS, 1994, p. 59). Outro aspecto a ser considerado, quando abordamos o problema de pronúncia de alunos de inglês, é o próprio processo de ensino-aprendizagem. Os livros didáticos de ensino de língua inglesa normalmente apresentam seções que privilegiam a pronúncia padrão. São comuns exercícios que mostram claramente o contraste, por exemplo, entre os sons de vogais (sheep [ovelha] x ship [navio]), consoantes consideradas “problema” (thin [magro] x tin [lata, no inglês britânico)], questões relacionadas à tonicidade, ritmo, entonação e outros aspectos relevantes de pronúncia, que melhoram tanto a compreensão auditiva, quanto a clareza do discurso em inglês. Há também alguns livros de apoio, que privilegiam especificamente a pronúncia. No entanto, no caso de [ ] e [ ] em codas, talvez por não serem considerados sons “problema”, muito pouco é dito. Os professores de língua inglesa, por sua vez, talvez também por não terem uma percepção clara de como se processa a produção destes sons quanto ao ponto e modo de sua articulação, especialmente em posição de final de sílaba, falham ao dar aos alunos o feedback necessário, e o problema persiste. Decorre destas observações a hipótese de que os alunos brasileiros de inglês transferem para esta língua o conhecimento que têm do sistema fônico do português e suas convenções ortográficas, tendendo a produzir vogais nasalizadas, sem fazer distinção entre [ ] e [ ] em final de sílaba. Uma palavra como “pin” seria, então, provavelmente realizada como [ ]. O presente trabalho busca, portanto, identificar através de análise acústica, o que é produzido por aprendizes de inglês de nível pré-intermediário, cuja língua materna é o português brasileiro, nas codas de palavras inglesas monossilábicas que possuem a seqüência: vogal + consoante nasal ([ ] e [ ]), utilizando-se pares mínimos cujo contraste reside exatamente no som nasal, em dois ambientes distintos de vogal precedente à nasal: [ ] e [ ], e havendo silêncio após a nasal para se evitarem problemas de co-articulação, muito comuns entre estas. Optou-se pela análise acústica de palavras onde ocorrem [ ] e [ ] em codas, ao invés da análise de outiva simplesmente, pois a caracterização de outiva do contraste 3 [ “ Transfer of structure” ] arises when the learner utilizes some L1 feature(phonological, lexical, grammatical , or pragmatic) rather than that of the target language. 3 entre tais segmentos parece ser difícil até mesmo para falantes nativos: “...crianças cegas têm dificuldade em aprender contrastes fáceis de ver e difíceis de ouvir como os de [ ] e [ ]”4 SCHWARTZ et al. (2002, p. 264). De 451 línguas estudadas por estes pesquisadores (UPSID-451 Database), 94% têm um contraste entre [ ] e [ ], porém eles concluem que é a alta “visibilidade” do contraste o que desempenha um papel importante no fato de que é quase universal (Ibid, p.279). KLUGE (2004, p. 42) em seu estudo de percepção e produção de nasais em final de sílaba, ao realizar testes de percepção entre falantes nativos de inglês em relação ao contraste [ ] x [ ], obteve em média 78.33% de acertos, o que também reitera a dificuldade de outiva de tal contraste até mesmo entre falantes nativos. Portanto, através da análise espectrográfica da produção de tais segmentos, espera-se verificar, se não o que está sendo produzido, a tendência dos alunos no seu processo de aquisição, isto é, sua interlíngua, comparativamente ao que falantes nativos produzem em situação similar. A análise que será realizada neste trabalho será, então, eminentemente comparativa, e para isto foi feita uma análise acústica mais detalhada da produção dos dois nativos que compõem o grupo controle, para que se obtivessem parâmetros confiáveis na análise da produção dos aprendizes. Então, o objetivo geral desta dissertação é observar e descrever, através da análise acústica, o que falantes nativos do português brasileiro estudando a língua inglesa em nível intermediário produzem ao realizar os sons relativos aos fonemas nasais / / e / / em codas de palavras monossilábicas, comparativamente ao que é produzido por falantes nativos de inglês. Os objetivos específicos, por sua vez, consistem em: a) verificar a existência de diferenças acústicas entre nasais bilabiais e aveolares em codas de monossílabos produzidas por falantes nativos de inglês (grupo controle) para a definição de parâmetros comparativos; b) comparar a produção dos alunos de nível intermediário no estudo da língua inglesa com a do grupo controle com base no(s) parâmetro(s) comparativo(s) definido(s) previamente, verificando a similaridade de sua produção com a do grupo controle; c) tentar estabelecer se há ou não efeitos de ambientes (vogal antecedente à nasal) diversos na produção das nasais, favorecendo ou não tal produção. 4 ...blind children have difficulty in learning easy-to-see and hard-to-hear contrasts such as [ ] vs. [ ]. 4 A estrutura desta dissertação está alicerçada em cinco capítulos. Além deste primeiro, introdutório, tem-se outros quatro. O capítulo 2 trata de uma revisão da literatura, com concentração na análise acústica, passando também por tópicos como a nasalização, tanto na língua inglesa, quanto na portuguesa, e estudos já realizados na interlíngua sobre nasais. O capítulo 3 desenvolve os aspectos metodológicos de como foi realizada a pesquisa. No capítulo 4 são apresentados os resultados da análise dos dados e discussão sobre os mesmos, e no capítulo 5 são apresentadas as conclusões do trabalho de pesquisa. 5 2. REVISÃO DE LITERATURA Uma das hipóteses deste trabalho de pesquisa é a de que os alunos brasileiros de inglês transferem para esta língua o conhecimento que têm do sistema fônico do português, isto é, este trabalho aborda a questão de transferência de características de L1 (língua mãe) para L2 (língua alvo). Segundo ELLIS (1994, p. 28), “transferência de L1 usualmente se refere à incorporação de características da L1 nos sistemas de conhecimento da L2 que o aluno está tentando construir” 5. Como o termo “transferência” estava relacionado a teorias behavioristas de aprendizagem de L26, há uma questão terminológica ainda em aberto, sendo que Sharwood Smith & Kellerman (SHARWOOD SMITH & KELLERMAN7, apud ELLIS, 1994, p. 301) sugerem o termo “influência interlingüística” (“crosslinguistic influence”), como sendo neutro, independente de teorias de aquisição. Porém como o uso do termo “transferência” tem persistido, a definição de Odlin é bastante pertinente para este trabalho de pesquisa: “transferência é a influência resultante da similaridades e diferenças entre a língua alvo e quaisquer outras línguas que tenham sido previamente (e talvez não 8 corretamente) adquiridas. ( ODLIN, 1989, p. 27) A questão de transferência de características de L1 nos sistemas de L2 é considerada de relevância: “Apesar de contra-argumentos, entretanto, há um crescente e vasto campo de pesquisa que indica que a transferência é realmente um fator muito importante na aquisição de uma segunda língua ”(ODLIN, 1989, p.3-4)9. Esta transferência é evidente em todos os aspectos da língua – fonologia, sintaxe, semântica, pragmática. Reconhece-se, no entanto, que a transferência é mais pronunciada a nível fonético/fonológico - a existência de sotaques é inquestionável, e que é mais evidente nos primeiros estágios de aprendizado. Não se pode assumir, 5 L1 transfer usually refers to the incorporation of features of the L1 into the knowledge systems of the L2 which the learner is trying to build. 6 Teorias behavioristas de aprendizagem estão atualmente desacreditadas. Baseavam-se na idéia de que a aprendizagem de uma segunda língua era uma questão de formação de hábitos (as bases do behaviorismo encontram-se em: SKINNER, B. Verbal Behavior. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957. Foram rechaçadas por Chomsky já em 1959). 7 SHARWOOD SMITH, M.; KELLERMAN, E. Crosslinguistic influence in second language acquisition: an introduction. In: KELLERMAN, E.; SHARWOOD SMITH, M. (Ed.), 1986. 8 Transfer is the influence resulting from similarities and differences between the target language and any other language that has been previously (and perhaps imperfectly) acquired. 9 Despite the counterarguments, however, there is a large and growing body of research that indicates that transfer is indeed a very important factor in second language acquisition. 6 no entanto, que os erros decorrentes da interferência10 de L1 que aparecem nos estágios iniciais de aprendizagem sejam subsequentemente eliminados, podendo se manifestar até em alunos com nível de aprendizado adiantado. (ELLIS, 1994, p. 331) A nasalização de sons, um potencial caso de transferência que ocorre nas duas línguas em estudo, será vista a seguir. 2.1 NASALIZAÇÃO A nasalização de alguns sons é característica tanto da língua portuguesa quanto da língua inglesa, porém ocorre em ambientes distintos e se manifesta de formas diferentes. Com relação ao português, constitui-se num dos aspectos mais desafiadores da língua (MATEUS & D’ANDRADE, 2000, p.130). 2.1.1 SONS CONSONANTAIS NASAIS Por definição, um som consonantal nasal ocorre quando o véu palatino ou velum encontra-se abaixado, forçando parte do ar que vem dos pulmões a dirigir-se à cavidade nasal. O restante do ar se encaminha à cavidade oral, onde dois articuladores produzem uma obstrução completa da passagem desta corrente de ar. Ladefoged (2001[b], p. 164), no entanto, pontua que “o ar não precisa realmente sair pelo nariz para um som ser nasal. Basta que o véu palatino esteja abaixado tal que as ressonâncias das cavidades nasais afetem o som”. 11 2.1.1.1 No Português Brasileiro12 Três são os tipos de obstrução dos articuladores, resultando nas três consoantes nasais que ocorrem em português: [ ], [ ] e [ ]. A figura 1, a seguir, representa a articulação mais usual de cada um destes sons no PB. 10 O termo “interferência”, associado às teorias behavioristas de aprendizagem, era utilizado quando ocorria “transferência negativa”, isto é, quando a língua alvo diferia de L1. Logicamente, há casos de “transferência positiva”. 11 Air does not actually have to come out of the nose for a sound to be nasal. It is just that the soft palate has to be down so that the resonances of the nasal cavity affect the sound. 12 Há dois dialetos principais de português: o português brasileiro (PB) e o português europeu (PE), tendo o ritmo como uma importante diferença entre eles. Concentraremos nossos estudos no primeiro. 7 FIGURA 1: SEÇÕES TRANVERSAIS MOSTRANDO OS PRINCIPAIS ARTICULADORES NAS FASES MEDIANAS DE PRODUÇÃO DAS NASAIS (PORTUGUÊS)13 FONTE: LAVER, 1994, p. 210 Para a produção do [ ], oclusiva bilabial, o obstáculo é formado na cavidade bucal pelo fechamento dos lábios. No caso do [ ], oclusiva alveolar, a 13 A figura é meramente uma ilustração, pois é estática, e não capta pequenas variações articulatórias existentes nas fala como decorrência de sua natureza dinâmica. 8 obstrução ocorre através da junção da ponta da língua com os alvéolos - região imediatamente posterior aos dentes incisivos superiores, condição mais usual, ou, dependendo do idioleto, diretamente com a parte posterior destes dentes: oclusiva dental. Estes dois segmentos ([ ] e [ ]) são uniformes em todos os dialetos do PB (CRISTÓFARO SILVA, 2003, p.33). Para a terceira consoante nasal [ ], a obstrução ocorre através da junção da coroa da língua com o palato duro – nasal palatal. A consoante nasal palatal [ ] ocorre na fala de poucos falantes do PB. Geralmente um glide palatal nasalizado [y] ocorre no lugar da consoante nasal palatal para a maioria dos falantes do PB.( Ibid, p. 39) Concentremos-nos, pois, na individualidade fonológica dos segmentos [ ] e [ ], que também estão presentes na língua inglesa. O segmento nasal bilabial [ ] ocorre em início de palavra (“mar”), e em meio de palavra, seja seguindo consoante em outra sílaba (“norma”), seja em posição intervocálica (“homeopatia”). Os ambientes de ocorrência do segmento [ ] são semelhantes aos do [ ], ou seja, em início de palavra (“novela”), seguindo consoante em sílaba distinta (“ornar”), e em posição intervocálica (“guinada”). Aqui é muito importante frisar que as letras m e n ocorrem ortograficamente em final de sílaba (tanto no interior de palavras -“limpo” e “tanto”, como no final delas –“tem”), não significando a articulação fonética dos segmentos [ ] e [ ]. [...] Neste caso [fim de sílaba e final de palavra] a letra m marca a nasalidade da vogal anterior e não a articulação de uma consoante nasal. [...] Neste caso [final de sílaba] a letra n marca a nasalidade da vogal anterior e não a articulação de uma consoante nasal. (Ibid, p.60) Este poderia ser um dos exemplos que ilustrariam a afirmação de AVERY & EHRLICH (1992, p. 145) de que “muitos dos problemas de pronúncia incorreta de falantes de português podem ser originados na influência do sistema de grafia do português, e não na falta de habilidade de produzir determinados sons.”14 14 Many of the mispronunciations of Portuguese speakers can be traced to the influence of the Portuguese spelling system rather than to an inability to produce particular sounds. 9 2.1.1.2 No Inglês No caso da língua inglesa, as consoantes nasais também são três. As formas de obstrução que fazem com que o ar se propague pela cavidade nasal são similares às do português para o caso dos segmentos [ ] e [ ] (oclusivas bilabial e alveolar, respectivamente). Para o terceiro caso, ocorre a obstrução através da parte posterior da língua contra o palato mole ou também chamado véu palatino, e tem-se a nasal velar: [ ]. Nossos estudos se concentrarão nas duas primeiras nasais consonantais. FIGURA 2 - PONTOS DE ARTICULAÇÃO DAS CONSOANTES NASAIS DA LÍNGUA INLESA FONTE: UNDERHILL, 1994, p.141 Segundo ROACH (1983, p.58) “as consoantes m e n são simples e diretas, com distribuição similar aos oclusivos correspondentes [para [ ]: [ ] e [ ]; para [ ]: [ ] e [ ]]. Há, de fato, pouco para descrever ”15. A maior atenção é dirigida à nasal velar, “um som que traz consideráveis problemas a alunos estrangeiros e que é tão 15 The consonants m and n are simple and straightforward with distributions like those of the plosives. There is in fact little to describe. 10 pouco usual no seu aspecto fonológico, que alguns discutem a sua existência enquanto fonema na língua inglesa. ”16 (Ibid, p.58). Na língua inglesa, portanto, o segmento [ ] é produzido como bilabial em qualquer posição que ocupe dentro da sílaba, assim como o segmento [ ] é sempre alveolar, ambos podendo ocorrer tanto em início de palavra como em posição mediana ou final. Um fato particularmente interessante é que as consoantes nasais no inglês mostram “timing” diferenciado entre os gestos17 que as compõem, quando estão no início ou em final de sílaba. Quando as nasais se encontram em início de sílaba (por exemplo, em see more [ver mais]), o final do abaixamento do véu aproximadamente coincide com o final do movimento de fechamento dos lábios, enquanto que as nasais em final de sílabas (como, por exemplo, em seem ore [parecem minério]) o final do abaixamento do véu coincide com o início do movimento de fechamento dos lábios (BROWMAN & GOLDSTEIN, 1995, p. 22), de onde se poderia prever uma nasalização da vogal antecedente, já que o abaixamento do véu começa durante a vogal. O fato das nasais em inglês poderem ocupar qualquer posição dentro da sílaba pode vir a causar problemas a falantes de português. AVERY & EHRLICH (1992, p. 147) deixam esta possibilidade clara: Falantes de português frequentemente omitem nasais em final de palavras. As vogais precedentes frequentemente assumem a qualidade nasal da consoante nasal omitida, e então a distinção entre / /, / /, e / / é perdida no final de palavras. Palavras tais como “some” [algum/a], “sun” [sol] e “sung” [cantado] podem ser todas pronunciadas da mesma forma, com uma vogal nasal, mas sem uma consoante nasal.” 18 Este dado é bastante importante se levarmos em consideração a freqüência de uso das consoantes nasais em inglês: “Considerando as três juntas, as consoantes nasais [no inglês] são responsáveis por aproximadamente 10% dos sons na fala 16 …a sound that gives considerable problems to foreign learners, and one that is so unusual in its phonological aspect that some people argue that it is not one of the phonemes of English at all. 17 Assumindo-se, evidentemente, uma perspectiva que toma como unidades de análise fônica os gestos articuladores, como a Fonologia Articulatória de Browman & Goldstein (1986). Por esta perspectiva, as nasais bilabiais seriam constituídas de um gesto de abaixamento de véu, além de um gesto labial, que promove a oclusão dos lábios. Estes gestos sincronizam-se entre si de modo a resultarem na produção do segmento-alvo, sendo as diferenças nos padrões de sincronia responsáveis pelas variantes distintas – que neste caso das nasais se verificam em função de diferenças na posição silábica que a nasal ocupa. 18 Portuguese speakers often omit word-final nasals. Preceding vowels often take on the nasal quality of the omitted nasal, and thus the distinction between / /, / / and / / is lost word-finally. Words such as “some”, “sun”, and “sung” may all be pronounced in the same way, with a nasal vowel but without a nasal consonant. 11 corrente dos adultos” (MINES; HANSEN; SHOUP19, apud KENT & READ, 1992, p. 136) “e ocorrem em uma taxa média de aproximadamente duas [nasais] por segundo.” (KENT & READ, 1992, p. 136) FIGURA 3: SEÇÕES TRANVERSAIS MOSTRANDO OS ARTICULADORES NAS FASES MEDIANAS DE PRODUÇÃO DAS NASAIS (INGLÊS) 19 MINES, M.; HANSEN, B.; SHOUP, J. Frequency of occurrence of phonemes in conversational English. Language and Speech, 21, 221-241, 1978. Taken together, the three nasal consonants account for about 10% of the sounds in adult running speech…and occur at an average rate of about two per second. 12 FONTE: LAVER, 1994, p. 210 2.1.2 NASALIZAÇÃO DE VOGAIS A produção de vogais nasais ocorre quando há abaixamento do véu palatino, permitindo a entrada do ar na cavidade nasal, porém não há obstrução da passagem de ar através do trato oral através de nenhum dos articuladores. 2.1.2.1 No Português Brasileiro Há intensa controvérsia quanto ao status fonológico das vogais nasais em português, basicamente resumida por CALLOU & LEITE (2000, p.87-88) em duas hipóteses: A interpretação fonológica das vogais nasais em português tem sido sempre objeto de discussão por parte dos lingüistas. [...] Na primeira hipótese, admitimos que as vogais nasais são entendidas como fonemas distintos das respectivas vogais não-nasais.[...] Na segunda hipótese, as vogais nasais são interpretadas como variantes não distintas de suas correspondentes orais, resolvendo-se a questão em vogal seguida de um arquifonema consonântico [N]. A hipótese de ampliar o quadro de sete para doze vogais (acrescentando as cinco vogais nasais) é uma solução dada pelos estruturalistas, de cunho 13 monofonêmico (vogais nasais como fonemas distintos das vogais orais, uma para cada vogal oral correspondente ). Dentro de uma abordagem estruturalista, existe ainda uma visão bifonêmica sustentando que a vogal nasal é o produto de dois fonemas – uma vogal oral condicionada pelo fonema supra-segmental de nasalidade (~): as vogais nasais seriam alofones das vogais orais, mas num ambiente em que haveria uma das consoantes nasais do português após a vogal. A hipótese de que a vogal nasal é o conjunto de vogal seguida de consoante nasal na mesma sílaba tem em Mattoso Câmara o maior defensor: A nasalidade pura da vogal não existe, aliás, fonologicamente, porque por meio dela não se cria oposição em português entre vogal pura envolvida de nasalidade e vogal seguida de consoante nasal pós-vocálica [...] Em face de tudo isso, é preferível partir do arquifonema nasal /N/ como o fato estrutural básico, que acarreta, como traço acompanhante, a ressonância nasal da vogal. (MATTOSO CÂMARA, 1975, p. 49) Esta seria uma visão arquifonêmica: o arquifonema [N] se realizaria como labial, dental, velar ou palatal, de acordo com a consoante que o seguisse, correspondendo então a um arquifonema dos fonemas nasais existentes em português, que deles só conservaria o traço comum da nasalidade. Não há ainda um estudo conclusivo a respeito do status fonológico das vogais nasais no português. No entanto, a hipótese de Mattoso Câmara parece a melhor fundamentada até o momento (Sousa, 1994, p. 23). 2.1.2.2 No Inglês Na língua inglesa, tanto o segmento [ ], como o segmento [ ], vindos depois de uma vogal, poderão vir a marcar a nasalidade desta: “vogais nasalizadas são comuns em todos os dialetos de inglês, particularmente quando há uma consoante nasal em cada lado da vogal, como, por exemplo, na palavra man”20 (LADEFOGED, 2001[b], p.164). Um dos problemas para descrever a nasalização em vogais na língua inglesa é que ela não afeta todas as vogais da mesma forma. No entanto, “não faz 20 Nasalized vowels are common in all dialects of English, particularly when there is a nasal consonant on either side of the vowel, as for example in the word “man”. 14 diferença para o significado de uma palavra em inglês se a vogal é nasalizada ou não” (Ibid, p. 165). 21 KENT & READ (1992, p.136) citam que, como em geral vogais precedentes ou seguindo consoantes nasais tendem a se nasalizar em graus distintos, há experimentos que têm demonstrado “que os ouvintes são sensíveis à nasalização da vogal, e usam esta informação para fazer julgamentos perceptuais sobre as consoantes dos ambientes vizinhos.” 22 Dignas de nota são também as observações de SHOCKEY, que destaca uma mera tendência do inglês de, numa seqüência vogal + consoante nasal, nasalizar a vogal e não proceder à oclusão da consoante nasal (“ ...o processo é especialmente comum em inglês para grupos consonantais –nt em finais de sílabas/palavras”23 (SHOCKEY, 2003, p. 40). Porém, como ela mesma cita mais adiante, ... a nasalização de vogais antes de uma consoante nasal, e a perda do hábito de se proceder à oclusão para a nasal é considerada a razão de vogais fonemicamente nasais do francês (e.g. beau/bom) e do português (se/sim[si/s ]) onde se diz que as vogais foram “fonologizadas” porque a distinção passou formalmente da consoante para a vogal. Claramente, não pode se dizer que o inglês foi tão longe assim fonologicamente. 24(Ibid, p. 41-42) 2.2 ANÁLISE ACÚSTICA DAS NASAIS No estudo de nasais, os procedimentos acústicos para a coleta de dados são os que podem ser executados de forma mais prática: não são invasivos, não causam desconforto e são completamente seguros para os informantes (em oposição a métodos, por exemplo, que estudam os padrões de movimento dos articuladores, como as técnicas de imagem, como radiografia, ressonância magnética). Esta praticidade faz com que sejam os mais utilizados. No entanto, deve-se tomar cuidado, pois se sabe que algumas mudanças articulatórias não se refletem diretamente nas medidas acústicas: “além de um certo grau de abertura velo-faríngea, mudanças na posição do véu palatino tem um 21 It does not make a difference to the meaning of an English word if a vowel is nasalized or not. São as transições, importantes nos estudos acústicos das consoantes nasais. ...that listeners are sensitive to the vowel nasalization and use this information to make perceptual judgments about the neighboring consonants. 23 …the process is specially common in English for final –nt clusters. 24 ...vowel nasalization before a nasal consonant and loss of the habit of making the closure for the nasal is thought to be the source of phonemically nasal vowels of French (e.g. beau/bon) and Portuguese (se/sim [si/s ])where it is said to be ‘phonologized’ because the distinction has formally passed from the consonant to the vowel. Clearly, English can not be said to have gone that far phonologically. 22 15 efeito não-linear na quantidade de fluxo nasal de ar, e um efeito mínimo nas propriedades espectrais da fala produzida.”25 (KRAKOW & HUFFMAN, 1993, p. 32). 2.2.1 PROPRIEDADES ACÚSTICAS DA FALA Os principais componentes do aparelho fonador são os pulmões, responsáveis pelo fluxo de ar que se move para cima, passando pela traquéia, a laringe (onde se encontram as pregas vocais), a faringe (garganta) e cavidade oral - estas duas usualmente agrupadas em uma unidade chamada de trato oral, e a cavidade nasal ou trato nasal, que se inicia no véu palatino e termina nas narinas. Quando falamos, produzimos ondas sonoras, que são variações na pressão de ar ao nosso redor. Estas ondas são complexas, isto é, são formadas a partir da combinação de diversas outras ondas ( tons puros ). As ondas sonoras são iniciadas nas pregas vocais, e o papel da laringe, faringe e cavidades oral e nasal é de ressonadores.(SOUZA, 2003, p.22-23) A produção do som da fala humana pode ser considerada conseqüência da geração de uma ou mais fontes de som, e da filtração destas fontes pelo trato vocal e/ou nasal (STEVENS, 1998, p.56). O espectro26 de um som oral, por exemplo, compõe-se de formantes, que são o produto do espectro da fonte do som (as pregas vocais), e as propriedades de ressonância do trato vocal (o filtro), que pode atenuar ou ampliar certos componentes. “Um formante ou pico de ressonância no espectro é uma faixa de frequências que são seletivamente amplificadas pelo trato vocal. O pico desta ressonância é mais pontiagudo (a largura da faixa é mais estreita) se a maior parte da energia acústica se irradia da boca e pouca é absorvida pelas paredes do trato vocal.”27 (OHALA & OHALA, 1993, p.233). KENT & READ (1992, p.11) esclarecem que o estudo da acústica da fala envolve a análise de um sinal (o sinal acústico vem a ser a contraparte física – as ondas sonoras -dos eventos articulatórios que produzem a fala) cuja energia está distribuída por uma faixa de freqüência de aproximadamente 10 kHz, tem uma faixa de energia 25 Beyond a certain degree of velopharyngeal opening, changes in velum position have a nonlinear effect on the amount of nasal airflow and a minimal effect on the spectral properties of the speech produced. 26 O espectro é um gráfico que traz informação sobre a amplitude (eixo vertical) em relação à freqüência (eixo horizontal) das ondas sonoras. 27 A formant or resonance peak in the spectrum is a band of frequencies which are selectively amplified by the vocal tract. The sharpness of this resonance is greater (i.e., bandwidth is narrower) if most of the acoustic energy radiates from the mouth and little of it is absorbed by the walls of the vocal tract. 16 (“dynamic range”) de aproximadamente 60 dB (decibéis) – o que quer dizer que os sons mais fracos são mais ou menos 60 dB menos intensos que os sons mais fortes, e tem variações significativas no tempo que ocorrem em 10 ms (milisegundos, ou milésimos de segundo) ou menos. O sinal acústico da fala é, no entanto, um contínuo, devido a fenômenos coarticulatórios presentes na sua produção (o movimento dos articuladores é contínuo, existindo articulações de transição), e extremamente variável no tempo. Conclui-se daí que os limites do que se convencionou chamar de fones ou segmentos fonéticos não são fáceis de detectar (SOUSA, 1994, p.2-3). 2.2.2 AS CONSOANTES NASAIS NA TEORIA ACÚSTICA DA PRODUÇÃO DA FALA A principal característica articulatória de um som consonantal nasal é que o canal velo-faríngeo está aberto, e a energia sonora é irradiada somente pelo trato nasal; o ressonante nasal se abre para a atmosfera, enquanto o oral está fechado. Apesar de a cavidade oral estar fechada em algum ponto, ela contribui para as qualidades de ressonância das consoantes nasais. Se assim não fosse, seria impossível distinguir uma consoante nasal da outra em produções isoladas. Porém, as narinas são menos eficazes que a boca na irradiação do som para a atmosfera, e isso faz com que, em geral, a “intensidade das consoantes nasais seja mais baixa do que a das vogais com que elas estão associadas, e isso pode ser visto por traços mais fracos nos espectrogramas”28 (FRY, 1979, p. 119). As consoantes nasais constituem, então, uma classe única e complexa, pois são produzidas utilizando duas cavidades de ressonância. Além disso, como as outras classes de consoantes, sofrem influência do contexto vocálico em que se encontram e da interação dos pontos e modos de articulação (KUROWSKI & BLUMSTEIN, 1993, p.198). Uma complicação adicional está no fato de que há grandes diferenças na forma do trato nasal, o que significa que resultados de análises espectrais para um falante podem não dar uma previsão acurada do que poderá ser observado para outros falantes. (KRAKOW & HUFFMAN, 1993, p. 41-42) 28 … the overall intensity level of nasal consonants is noticeably lower than that of vowels with which they are associated, as can be seen from the fainter traces in the spectrograms. 17 A principal razão da complexidade acústica das consoantes nasais está na sua estrutura espectral formada não apenas pelas ressonâncias das cavidades oral e nasal, mas também pelas anti-ressonâncias (anti-formantes) da cavidade oral, que são faixas de freqüência onde a energia acústica é seletivamente atenuada: ...quando a cavidade oral está fechada, em algum ponto, para uma consoante nasal, as freqüências dos anti-formantes são as freqüências nas quais a cavidade da boca curto-circuita a transmissão através do nariz. A energia, nestas freqüências, não passa através da cavidade nasal.29 (KENT & READS, 1992, p. 37-38) FUJIMURA (1962, p.1871), foi um dos precursores de estudos acústicos de consoantes nasais. Tais estudos se basearam no murmúrio de consoantes nasais30 que ocorriam em um grande grupo de palavras inventadas, com a forma /h ’CVC/, isto é, uma sílaba consoante-vogal-consoante, onde caía o acento da palavra, precedida por uma sílaba não-acentuada. No caso das sílabas com / / e / / as consoantes iniciais e finais eram idênticas31. Três foram os informantes. Os resultados mostraram que o antiformante ( que espectralmente está associado a vales de energia) está localizado, para a nasal / / , entre 750 e 1250 Hz, e para / /, entre 1450 e 2200 Hz, sendo o ambiente vocálico em que se encontram as nasais o fator responsável pela ocorrência dos antiformantes em uma ou outra extremidade desta faixa de freqüência. Uma regra geral seria a de que quando o ponto de articulação se move para trás, a freqüência dos antiformantes aumenta. No entanto, “o anti-formante muda sua posição apreciavelmente de palavra a palavra e mesmo dentro da mesma produção, dependendo da variação da configuração da cavidade oral”32 (Id). Fujimura conclui seu ensaio dizendo que apesar de ser possível separar as consoantes nasais por intermédio de seus anti-formantes, os formantes das transições das vogais adjacentes teriam um papel mais importante na individualização das nasais. Então, uma das pistas para se verificar a qualidade da consonante nasal seria a freqüência dos anti-formantes. Porém, além dos estudos de Fujimura, outros indicam a dificuldade de se tomarem os anti-formantes como parâmetros de diferenciação entre as 29 ...when the oral cavity is closed at some point for a nasal consonant, the frequencies of the antiformants are the frequencies at which the mouth cavity shortcircuits transmission through the nose. Energy at these frequencies does not pass through the nasal cavity. 30 Deve-se esclarecer que o murmúrio nasal é o segmento acústico associado à radiação exclusivamente nasal da energia sonora, sendo um dos pontos, além das transições das vogais adjacentes, em que se estabelece o estudo espectral das nasais. 31 Os seus estudos incluiram também a nasal velar / /, em final de sílaba, da seguinte forma /h ’rV /. 32 …the antiformant changes its position appreciably from word to word and also within the same utterance, depending on the change in the configuration of the oral cavity. 18 consoantes nasais: “anti-formantes são extremamente difíceis de localizar e medir pelos métodos usuais de análise da fala.” (HOUSE33, apud KUROWSKI & BLUMSTEIN,1993, p.198). Uma outra característica importante das consoantes nasais, além das faixas de freqüência de seus anti-formantes, é a existência de um chamado “formante nasal”, que ocorre frequentemente na faixa de 200-300 Hz. Este formante nasal está associado ao comprimento do tubo que se estende da laringe até as narinas, e que é relativamente longo – aproximadamente 12,5 cm em homens adultos. KENT & READ (1992, p. 231) colocam que, neste caso (para a fala do homem), o formante nasal pode chegar a uma freqüência de até 500Hz. Uma ainda terceira característica para as consoantes nasais é que seus formantes tendem a ser altamente amortecidos, isto é, eles têm grandes larguras de banda, o que reflete uma rápida taxa de absorção da energia sonora. Exemplos de espectrogramas para as palavras inglesas a Pam e a tan, ambas monossílabas com nasais em coda, são mostrados a seguir. São exemplos similares aos que foram utilizados para os estudos realizados neste trabalho. FIGURA 4 - ESPECTROGRAMA DAS PALAVRAS “ A PAM” E “ A TAN” FONTE: LADEFOGED, 2001(a), p. 181 33 HOUSE, A. Analog studies of nasal consonants. Journal of Speech and Hearing Disorders, 22, p. 190204, 1957. Antiformants are extremely difficult to accurately pinpoint and measure by the usual methods of speech analysis… 19 Ladefoged chama a atenção para uma marca clara das nasais, que é a mudança abrupta no espectrograma no momento de formação da obstrução articulatória, quando os lábios se juntam, no caso do [ ], ou quando a coroa da língua toca os alvéolos, no caso do [ ], mostrada pelas setas logo antes dos símbolos das nasais. A estrutura de formantes das nasais é similar à das vogais, com a diferença que suas bandas são mais fracas e suas freqüências dependerão das características de ressonância das cavidades nasais (particulares para cada indivíduo). Interessante de se observar que o autor relata que “usualmente” (e não “sempre”) há um primeiro formante situado em torno de 250 Hz ( que é o formante nasal) 34, e que a localização dos outros formantes varia, havendo geralmente uma extensa região acima de F1 sem energia. O autor ainda relata que a diferença entre cada uma das nasais (um dos objetivos deste presente trabalho) é frequentemente determinável a partir dos diferentes formantes de transição que ocorrem ao final de cada vogal, havendo um decréscimo no F2 da vogal antes de [m]. Porém, ao final da colocação, ele deixa claro: “Mas as pistas para o ponto de articulação às vezes não são muito claras”35 ( Ibid, p. 181-182). Um outro exemplo: FIGURA 5 - ESPECTROGRAMA DAS PALAVRAS “RAM” E “RAN” FONTE: LADEFOGED, 2001(b), p.54 34 Quando da análise dos dados tanto do grupo controle quanto dos aprendizes, houve realmente considerável variação em torno do valor deste valor de freqüência para F1. 35 But the places cues are sometimes not very clear. 20 Neste caso, ele fala de um primeiro formante, com freqüência muito baixa, em torno de 200 Hz, cita novamente o ponto de distinção entre as nasais, não sendo toda a porção da nasal no espectrograma, mas apenas o seu início, e enfatiza que quando os lábios se fecham para [ ], “os formantes (especialmente o segundo) abaixam a freqüência.”36( LADEFOGED, 2001(b), p.54). Percebe-se que, tanto para a Figura 4, como para a Figura 5, que há pouca diferenciação entre os espectrogramas para [ ] e [ ] em codas. KUROWSKI & BLUMSTEIN (1987) em seus estudos de propriedades acústicas para determinação do ponto de articulação das nasais (“pistas” acústicas37), partiram de dois experimentos: no primeiro (experimento I), três informantes produziram, cada um, cinco “palavras” com [ ] seguido das vogais [ ] , e cinco com [ ] seguido das mesmas vogais. A análise quantitativa de tais produções com os segmentos [ ] e [ ] + vogal indicou que acima de 89% das produções pode ser corretamente classificada com relação a ponto de articulação, comparando a proporção de mudança de energia na região espectral que vai do murmúrio até a soltura da nasal. No segundo experimento (experimento II), procedeu-se à análise de [ ] + [ ] ou [ ] + vogal, realizada por dois informantes na mesma região espectral, e 84% das produções foi corretamente classificada. Tendo demonstrado que os padrões espectrais para consoantes nasais são similares, ao menos em duas posições dentro da sílaba, as pesquisadoras partiram para o trabalho de nasais em posição de coda. A distinção entre as nasais, neste caso, mostrou-se mais difícil: O próprio fato da transição gradual de vogal para completo murmúrio nasal na posição V[vogal]C[consoante], que contribui para a dificuldade de localizar a oclusão articulatória, também parece ter sérias conseqüências para uma medição que depende de uma rápida mudança de energia em um relativamente curto espaço[...] na forma da onda. Presentemente, usando os mesmos parâmetros para as medidas como nos experimentos I e II, as medições 36 …the formants ( particularly the second ) lower in frequency… A função de uma “pista” acústica (acoustic cue) é possibilitar ao ouvinte fazer a distinção entre sons que pertencem a diferentes classes fonêmicas. 37 21 puderam classificar corretamente 75% das nasais bilabiais para um dos falantes. Não mais que 56% para um segundo falante. Todas as alveolares foram problemáticas.38 (Ibid, p. 1924) É interessante ressaltar o papel do murmúrio nasal. Acreditava-se, inicialmente, que ele não carregasse informações significativas sobre ponto de articulação (que define, na língua inglesa, uma nasal como bilabial, alveolar ou velar). Estudos de percepção de nasais indicaram, no entanto, que nem o murmúrio e nem e as transições isoladamente são indicações suficientes para ponto de articulação. Eles constituem pistas integradas utilizadas pelo aparelho auditivo para uma única representação, não sendo então os atributos acústicos para ponto de articulação segmentados pelo aparelho auditivo como componentes separados. (KUROWSKI & BLUMSTEIN39, apud KUROWSKI & BLUMSTEIN, 1993, p.206). No entanto, as autoras citam outros estudos que esclarecem que, apesar de tanto o murmúrio quanto as transições terem tanta informação sobre o ponto de articulação em sílabas VN ( vogal – nasal), como em sílabas NV (nasal-vogal) , as sílabas VN não foram identificadas tão bem quanto as sílabas NV 40 .(REPP & SVASTIKULA41, apud KUROWSKI & BLUMSTEIN,1993, p.207). Em outro estudo de percepção da distinção entre as nasais [ ] e [ ], OHDE, HALEY & BARNES (2006) também apontam para a contribuição do murmúrio nasal e a transição dos formantes das vogais como pistas de identificação das nasais. Nos experimentos destes pesquisadores, três crianças, três homens e três mulheres produziram sílabas NV e VN, com [ ] ou [ ] nas posições de consoantes, com as vogais [ ] ora precedendo, ora seguindo as consoantes. Os participantes dos testes de percepção foram dez falantes nativos. Uma das conclusões dos pesquisadores 38 The sheer gradualness of the transitions from vowel to full murmur in VC position, which contributes to the difficulty of locating closure, also seems to have serious consequences for a metric that depends on rapid energy change over a relatively short (four glottal pulse) span in the waveform. At present, using all of the same parameters for the metric as in experiments I and II, the metric can correctly classify 75% of the labials for one speaker. It did no better than 56% for a second speaker. All alveolars were problematic. 39 KUROWSKI, K. M; BLUMSTEIN, S. E. Perceptual integration of the murmur and formant transitions for place of articulation in nasal consonants, Journal of the Acoustical Society of America, v. 76, p. 383390, 1984. 40 Conclusão a que as autoras haviam chegado em seu estudo de 1987, citado acima. 41 REPP, B; SVASTIKULA,K. Perception of the [ ]-[ ] distinction in VC syllables. Journal of the Acoustical Society of America, v. 83, p. 237-247, 1988. 22 foi que, de forma geral, sílabas NV foram perceptualmente mais distinguíveis que as sílabas VN. 2.3 CONSOANTES NASAIS NA INTERLÍNGUA PB - INGLÊS São poucos os estudos que relacionam as consoantes nasais na interlíngua de estudantes / falantes brasileiros de inglês. Um deles é um estudo feito por Monahan, na Universidade da Flórida, dentro do programa de graduação em Lingüística (Monaham, 2001), cujo objetivo era, adotando a abordagem da teoria da otimalidade, listar as restrições da estrutura silábica do PB, e verificar se falantes nativos de PB as transferiam para o inglês, sua L2. Os processos a serem estudados estavam relacionados à assimilação regressiva da nasalidade e omissão da consoante nasal em codas, epêntese e glide lateral em codas. Os dados foram coletados através de leitura de sentenças por cinco informantes falantes nativos de PB, com idade variando de 21 a 28 anos, estudantes universitários que residiam nos Estados Unidos de quatro meses a três anos, e que lá estudavam inglês, tendo a maioria estudado inglês também aqui no Brasil. As suas conclusões, após análise fonética e fonológica dos dados, no caso específico das nasais, apontam para a nasalização das vogais: Este processo [regressão da nasalidade e queda da consoante nasal em coda] é realmente evidente através de todos os dados, como se suspeitava, com poucas exceções. Através dos dados, forte nasalização de vogais estava presente, e na maioria dos casos não havia, ou havia pouca evidência de consoante nasal42 (MONAHAN, 2001, p.23) As palavras apresentadas que serviram a estas conclusões foram (aparentemente) apenas quatro: plant, clan, owns, ounce. Tanto no caso de falantes nativos de inglês quanto para os brasileiros, o autor indica que ocorre nasalização da vogal anterior à consoante nasal, e se houver uma outra consoante em coda, ela também é articulada. A diferença que ele aponta está exclusivamente no apagamento da consoante nasal por parte dos falantes de PB(Ibid, p.24). Não aparecem dados estatísticos na pesquisa. 42 This process is indeed evident throughout the data, as it was suspected to be, with a few non-notable exceptions. Throughout the data, heavy nasalization of vowels was present and in most cases there was no, or in other cases very little, evidence of the nasal consonant surfacing. 23 BAPTISTA & SILVA FILHO (2006) estudaram a produção de codas simples (com uma única consoante) em palavras em inglês por seis estudantes, com idades entre 19 e 29 anos, alunos de graduação de inglês de uma universidade brasileira, falantes nativos de PB (o português permite somente /r/ e /s/ serem realizados foneticamente como consoantes em final de sílaba). Os autores citam o fato de que outros fonemas consonantais são modificados de alguma forma na sua realização fonética, como, por exemplo, as nasais “/m/ e /n/ são omitidas depois que sua nasalidade é assimilada pela vogal precedente, como em viagem, produzida como [ ’ ]”43 (Ibid, p. 78). O objetivo do estudo foi de examinar as codas produzidas pelos informantes primeiro em relação à sua marcação relativa ao segmento alvo, baseada na sonoridade, como também vozeamento, ponto e modo de articulação, e em segundo lugar com relação ao ambiente. O corpus foi composto por 432 sentenças, cada uma contendo uma palavra monossilábica, terminando numa de 16 consoantes alvo, grupo que incluía as nasais / / e / /. A nasal velar / / foi posteriormente excluída, pois a maioria dos informantes pronunciava um [ ] após a nasal, por questões de grafia. Cada uma das consoantes apareceu em 27 sentenças, em posição final, e seguida por palavras que iniciavam com outras 19 consoantes, glides e vogais. Os resultados, especificamente para o caso das nasais, mostraram que: As seqüências vogal-nasal foram frequentemente pronunciadas como vogais nasais, sem a consoante nasal final. Apesar deste resultado ter sido previsto, as consoantes nasais foram ainda incluídas no estudo por causa do conhecimento de que elas também algumas vezes causam paragoge [epêntese em final de palavra] ao invés de serem apagadas. Embora o conhecimento da fonologia do PB teria sido suficiente para predizer a estratégia preferida de paragoge e o processo de assimilação nasal e apagamento, a fonologia de L1 por si só não poderia ter predito quais consoantes finais causariam maior dificuldade ou em que ambientes. Por estas duas razões, foi necessário considerar a marcação.44( Ibid, p. 80) 43 /m/ and /n/ are omitted after their nasality is assimilated to the preceding vowel, as in viagem ( trip) , realized as [ ’ ]. 44 Vowel-nasal sequences were frequently pronounced as nasal vowels without the final nasal consonant. Although this result was also predicted, nasal consonants were still included in the study because of the knowledge that they also sometimes cause paragoge instead of omission. Although a knowledge of BP phonology would have been sufficient to predict the preferred strategy of paragoge and the process of nasal assimilation and deletion, NL phonology alone could not have predicted which final consonants would cause greater difficulty or in which environments. For these two questions, it was necessary to consider the markedness. As nasais / / e / / juntas causaram paragoge em 3.7% das produções e assimilação / apagamento também em 3.7% das produções. 24 KLUGE (2004) conduziu experimentos de percepção e produção das nasais [ ] e [ ] em codas de palavras no inglês com 20 alunos de nível pré-intermediário cuja L1 era o PB, 13 mulheres e 7 homens, com idade variando entre 16 e 44 anos. Foram realizados 3 testes para a avaliação do desempenho dos alunos em termos de produção e percepção, todos de outiva. O primeiro teste era o de produção e consistia na leitura de uma lista de 72 sentenças com um monossílabo e 72 sentenças com um dissílabo, cada grupo com uma das nasais em questão em posição de coda. No caso dos monossílabos, quatro ambientes vocálicos foram utilizados como anteriores às nasais, / , , , / , e a nasal era seguida por uma vogal, por uma consoante ou por silêncio. No caso dos dissílabos, as palavras alvo seguiram quatro padrões relativos ao acento: as nasais poderiam pertencer à coda da primeira sílaba, com ou sem acento nesta sílaba, ou poderiam pertencer à coda da segunda sílaba, também com ou sem acento nesta sílaba. Através de análise de outiva, os resultados mostraram que em 38.66% dos dados analisados, as consoantes nasais não foram corretamente produzidas, porém a nasal [ ] apresentou resultados apreciavelmente melhores. Das estratégias utilizadas pelos informantes brasileiros, 91.96% consistiu no apagamento da consoante com conseqüente nasalização da vogal antecedente, 8.75% no apagamento sem a nasalização da vogal, e 0.18% de epêntese. Das palavras monossilábicas, 59.30% foram corretamente pronunciadas, e das dissílabas, 63.38% tiveram a produção correta. O segundo teste foi de percepção, um teste de discriminação categorial, consistindo de 72 grupos de três palavras monossílabas. As palavras alvo eram cinco pares mínimos contrastando [ ] e [ ] em coda, com cinco vogais antecedentes (/ , , , , /), gravadas por falantes nativos. Menos da metade dos grupos das três palavras (44%) foi corretamente percebida pelos informantes brasileiros, porém os três falantes nativos utilizados como grupo controle também não tiveram o desempenho esperado: o percentual de respostas corretas foi de apenas 78.33% . O terceiro teste foi também de percepção, para checar se os informantes brasileiros podiam discriminar as nasais em coda de uma pronúncia nativa das nasais em coda de uma pronúncia não nativa. Foram utilizados monossílabos, com as cinco mesmas vogais anteriores utilizadas no segundo teste. As palavras foram gravadas por dois falantes: um americano proficiente em português brasileiro, e um brasileiro proficiente em inglês (ambos gravaram cada palavra com uma pronúncia nativa e com 25 uma pronúncia intencionalmente não-nativa – nasalização da vogal antecedente à nasal e apagamento da nasal). Os alunos recebiam a forma escrita e tinham que identificar qual das duas pronúncias era a “mais nativa”, circulando “1” se fosse a primeira palavra pronunciada, “2” se fosse a segunda, “ambas”, se as duas pronúncias soavam nativas, ou “nenhuma” caso nenhuma soasse nativa. Os resultados mostraram que neste caso também menos da metade das respostas foram corretas (45.75%). A conclusão do trabalho de pesquisa apontou para o fato de que o desempenho dos alunos foi melhor no experimento de produção do que no de percepção, sendo a produção aparentemente influenciada pelo processo de nasalização do português brasileiro ( nasalização da vogal e apagamento da consoante nasal). Os resultados parecem indicar que há uma relação entre a identificação/discriminação das nasais em codas, que são o alvo da pesquisa, e sua correta produção. No entanto, a tendência do presente estudo é a produção ser mais precisa que a percepção. 45 ( Ibid, p. 68) Com relação ao contexto fonológico, os resultados relativos à percepção sugeriram que tanto os alunos quanto os falantes nativos que participaram dos dois experimentos apresentaram dificuldades similares em ambos os testes, sendo que foi o ditongo / / o que mais desfavoreceu a percepção dos nativos para ambos os testes, e dos alunos no terceiro teste. A vogal / / foi a que mostrou os piores resultados para o grupo de alunos no teste de discriminação categorial. Com relação ao contexto fonológico para as palavras monossilábicas, foi com a vogal antecedente / / que os participantes tiveram mais dificuldades nos testes de produção. No ambiente que segue a nasal, a maior dificuldade foi para as nasais seguidas de silêncio. 45 Results seem to indicate that there is a relationship between the identification/discrimination of the target coda nasals and their accurate production. However, the tendency of the present study is for production to be more accurate than perception. 26 2.4 CONCLUSÕES Considerando-se a bibliografia disponível do estudo de nasais, em particular ao seu estudo acústico, verifica-se que a distinção entre as bilabiais e as alveolares continua sendo fonte de estudos ainda inconclusos. Percebe-se que tanto o murmúrio nasal quanto as transições com o ambiente adjacente são indicações de possibilidade de distinção entre elas, e os estudos concentram-se na produção e percepção de dados obtidos com falantes nativos. Com relação a estudos acústicos das nasais na interlíngua, tomando o português brasileiro como L1 e o inglês como L2, há ainda muito que ser feito. É nisso, especificamente no estudo das nasais em codas de monossílabos, que o presente trabalho de pesquisa pretende se concentrar. 27 3. METODOLOGIA DE PESQUISA Para que se pudesse levar a cabo as investigações que permitiriam atingir os objetivos estabelecidos na introdução deste trabalho, diversas variáveis foram definidas e entrelaçadas, conforme a descrição dos itens a seguir. 3.1 AMBIENTES QUE PRECEDEM AS NASAIS Um dos objetivos específicos da pesquisa é avaliar a influência da vogal antecedente à nasal na produção desta. Inicialmente, imaginou-se detectar qual era o grau desta influência, com base no inventário dos quinze fonemas vocálicos do inglês americano (General American), segundo Carr (CARR, 1999, p.60-61)46.O próprio autor, no entanto, aponta que este número pode ser passivo de argumentação contrária ( o décimo sexto fonema vocálico seria o / / [schwa], porém este não ocorre em sílaba onde cai o acento da palavra, o que, no nosso caso, não é significativo, pois todas as palavras do corpus são monossilábicas e tônicas). Devido à escassez de dados (palavras monossilábicas) para alguns destes fonemas e a abrangência de um trabalho de tal dimensão, optou-se por trabalhar, no estudo piloto, com quatro fonemas vocálicos: Vogal anterior fechada / / e posterior fechada / /; Vogal anterior aberta / / e central aberta / /47. Durante esta pesquisa piloto, conduzida no segundo semestre de 2005, perceberam-se diversos problemas de pronúncia entre os dois informantes que dela participaram, especialmente das vogais abertas (/ / e / /), no sentido de não se fazer a diferenciação entre elas, e da posterior fechada (/ /), que nem sempre era pronunciada como vogal longa. Decidiu-se, então, limitar-se a pesquisa a apenas dois ambientes anteriores às nasais: / / e / / . Utilizaram-se pares mínimos conforme a tabela a seguir: 46 / Os fonemas vocálicos do GA segundo Carr: / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, / /, /, / /, / /. A classificação das vogais no quadrilátero vocálico para a língua inglesa difere daquele da IPA (International Alphabet Association), de modo que, por exemplo, o som vocálico que o IPA classifica como vogal meio-aberta ( ) é classificado, na literatura fonética do inglês, como uma vogal anterior aberta. 47 28 TABELA 1 - PARES MÍNIMOS UTILIZADOS NA PESQUISA DE PRODUÇÃO DAS NASAIS [ ] E [ ] [I] [æ ] [ ] [ ] dim din gym gin Pim pin skim skin Tim tin cam can dam Dan gram gran jam Jan Pam pan 3.2 FRASES-VEÍCULO E DISTRATORES: No estudo piloto já mencionado, utilizaram-se duas frases-veículo: “I’m going to say...”( eu vou dizer...) e “I say...quickly” ( eu digo...rapidamente) , para se verificar qual seria a mais adequada . A primeira pareceu mais adequada, pois não haveria interferência alguma de nenhum fone seguinte ao nasal, evitando problemas de co-articulação, o que prejudicaria sensivelmente os resultados. A segunda, de difícil dicção, também mostrou a interferência de seu valor semântico - quickly, em inglês, significa rapidamente, e assim era a frase pronunciada (optou-se por fazer seguir a nasal de uma palavra iniciada com o fone [ ] por causa da distância dos pontos de articulação deste e das nasais). Para o estudo presente, as palavras da Tabela 1 foram inseridas numa fraseveículo ainda mais simples que a utilizada no piloto: “I say...” (Eu digo...) .Optou-se 29 por utilizar esta frase para evitarem-se os problemas de assimilação já mencionados, bastante comuns entre as nasais. Foram utilizados distratores na proporção de um distrator para cada palavra em estudo. 3.3 LIVRETOS Verificou-se no estudo piloto que algumas palavras bastante simples e seguramente do conhecimento dos dois alunos de nível intermediário de inglês que participaram do experimento, foram pronunciadas com bastante desvio da pronúncia considerada padrão. Acredita-se que este fato deveu-se, em parte, à falta de contexto em que elas apareceram. Para minimizar este problema, optou-se pela leitura de cada uma das frases acompanhada por um desenho esquemático mostrando o significado da palavra em questão. Assim, “I say gin” aparecia juntamente com o desenho de uma garrafa indicando que gin era uma bebida. Os desenhos, juntamente com as frases, aparecem no apêndice 1. Foram montados três livretos de 15x10cm onde cada página correspondia a uma frase-veículo carregando uma palavra com o som nasal a ser estudado e o seu respectivo desenho, alternada com uma página onde aparecia a mesma frase veículo com um distrator e também seu respectivo desenho. Cada livreto possuía, conseqüentemente, 40 páginas (20 páginas com palavras alvo alternadas com 20 páginas com os distratores). Como se decidiu que cada palavra seria repetida três vezes, foram montados três livretos, apenas variando a ordem em que as palavras relevantes apareciam nas frases-veículo, sempre intercaladas pelos distratores. As seqüências destes livretos aparecem no apêndice 2. A necessidade da montagem de livretos deveu-se ao fato de que havia necessidade de se estabelecer uma ordem exata para a leitura das frases, para que quando da posterior análise, se soubesse qual foi – ou qual deveria ter sido - a palavra pronunciada, pois como as palavras não eram corretamente pronunciadas, corria-se o risco de não se saber o que tinha sido dito (palavras distintas eram pronunciadas sem distinção). Como este problema havia ocorrido no piloto, onde se usaram tiras com as frases, o uso dos livretos eliminou o perigo de não se saber qual palavra deveria ter sido lida. 30 3.4. INFORMANTES ALUNOS Os informantes foram dez adolescentes, cinco meninos e cinco meninas, na faixa etária dos 14 aos 17 anos, alunos de língua inglesa de nível pré-intermediário, com três anos e meio a quatro anos de estudo formal de inglês na mesma escola de idiomas, onde o dialeto ensinado é o americano, tendo tido em torno de 350 a 400 horas de instrução (sem considerar as aulas em escolas regulares, de ensino fundamental ou médio). Nenhum deles havia morado ou visitado país de língua inglesa, ou tem o inglês como língua usual de comunicação em casa ou com amigos. O grupo era, portanto, bastante homogêneo. 3.5 GRUPO CONTROLE Verificou-se a necessidade da utilização de um grupo controle formado por falantes nativos, para comparação dos dados acústicos obtidos através das gravações. Foram feitas gravações com dois falantes nativos, ambos americanos, também adolescentes: uma menina, B, de 14 anos, natural de Los Angeles, Califórnia, e um menino, M, de 11 anos, natural de Phoenix, Arizona. São irmãos e estavam no Brasil há menos de um ano quando foram feitas as gravações. Ambos estudam em escola cujo idioma falado é o inglês (Escola Internacional de Curitiba), e têm aulas de português para estrangeiros. 3.6 COLETA E ANÁLISE DE DADOS: A leitura e gravação das frases foram feitas em estúdio, tanto para os alunos, quanto para o grupo controle, a uma taxa de amostragem de 44.1 kHz, 16 bites, em.WAV. Para análise dos dados foi utilizado o software PRAAT, um programa de análise acústica e síntese de fala, desenvolvido no Departamento de Fonética da Universidade de Amsterdã, Holanda (esse programa pode ser constantemente atualizado através de download : www.praat.org ). Foi utilizada a versão 4.4.30. Foram analisadas as 120 sentenças pronunciadas e gravadas pelo grupo controle (2 informantes x 20 sentenças x 3 repetições por sentença). Neste caso, como havia necessidade de se estabelecer quais seriam os parâmetros significativos na distinção entre os sons de [m] e [n], foram tabulados os valores correspondentes a: 31 - duração da sentença pronunciada (milisegundos, ms); - duração da palavra que contém o som nasal (ms); - duração da vogal anterior à nasal (ms); - freqüência dos quatro primeiros formantes da vogal (Hertz, ou Hz): F1, F2, F3, F4; - duração da nasal (murmúrio nasal) (ms); - freqüência dos quatro primeiros formantes da nasal (Hz): F1, F2, F3, F4. Os formantes, tanto da vogal, quanto da nasal, foram extraídos no ponto correspondente ao tempo médio de sua enunciação, isto é, se a duração do murmúrio nasal ou da vogal era de 140 ms (0.140s), por exemplo, os formantes foram extraídos a um tempo correspondente a aproximadamente 70 ms (0.070s), utilizando, na grande maioria das vezes a extração automática fornecida pelo próprio PRAAT (poucas vezes foi feita a extração manual, e isto ocorreu com o primeiro formante das nasais apenas). No caso dos alunos, foram analisadas 600 palavras (10 informantes x 20 palavras x 3 repetições por informante). Neste caso, foram tabulados os valores correspondentes a: - duração da palavra que contém o som nasal (ms); - duração da nasal (murmúrio nasal) (ms); - freqüência dos quatro primeiros formantes da nasal (Hz): F1, F2, F3, F4. Os formantes foram extraídos utilizando-se dos mesmos procedimentos metodológicos dos utilizados com o grupo controle. O ambiente em que foram extraídos obedeceu à seguinte configuração, em ambos os casos (configuração padrão do programa): - formante máximo (Hz): 5500,0; - número de formantes: 5,0; - comprimento de janela(s): 0,01; - dynamic range (dB): 30,0. A média, a que se referem algumas das tabelas, corresponde à média aritmética de dados. 32 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 ANÁLISES DAS PRODUÇÕES DO GRUPO CONTROLE Como exposto no capítulo anterior, referente à metodologia de pesquisa, para fins comparativos e devido também à falta de referências específicas na literatura sobre dados acústicos de nasais em codas, tanto de falantes nativos como de alunos brasileiros de língua inglesa, procedeu-se à análise dos dados de dois falantes nativos, adolescentes tal como os alunos, um menino(M) e uma menina(B), tal que pudéssemos, a partir daí, definir parâmetros para a análise da produção dos brasileiros. No apêndice 3 encontram-se os resultados das análises das variáveis das três repetições para cada palavra de cada um dos falantes nativos, e em seguida, as médias aritméticas correspondentes. Optou-se por fazer a média dos três primeiros formantes – F1, F2, F3 - da vogal que antecede a nasal, assim como da nasal (mais propriamente do murmúrio nasal). Os símbolos ( ) e ( ), que aparecem na linha correspondente à média aritmética, foram inseridos apenas para reforçar a idéia de que estas médias referem-se aos dados obtidos com B, a menina, e M, o menino, respectivamente. Os dados aparecem na seguinte seqüência: em cada página, aparecem dados de um par mínimo, por exemplo, CAM x CAN. Inicialmente, os dados obtidos com as três repetições de CAM de B, seguidos pelas respectivas médias aritméticas. Depois, os dados das três repetições de CAN de B, também seguidos de suas médias. Na seqüência, obedecendo à mesma ordem, os resultados obtidos com M: CAM, dados de suas três repetições e as médias correspondentes, e CAN, dados de suas três repetições e as médias correspondentes. As médias sempre aparecem em negrito. Para se facilitar a visualização dos resultados, em alguns casos (por exemplo, no caso dos valores de duração relativa, que não aparecem no apêndice 3) após apresentação das tabelas com dados, optou-se pela elaboração de gráficos que deixassem claras as relações entre os diversos parâmetros de cada um dos pares [ ] x [ ]. Por se acreditar que os valores referentes às durações relativas dos segmentos alvo em relação à palavra em que estavam inseridos, e os valores dos formantes da vogal antecedente à nasal e os da nasal propriamente dita se apresentariam como os mais expressivos, foram elaborados gráficos com ênfase específica nestas variáveis. Os gráficos foram, então, divididos nestes três grupos: 33 - Gráficos referentes aos valores de duração relativa de segmentos; - Gráficos relativos à média dos valores dos formantes da vogal que antecede a nasal; - Gráficos relativos à média dos valores dos formantes da nasal (murmúrio nasal). Também com o objetivo de facilitar a comparação dos dados, os gráficos para B foram seguidos dos similares para M. 4.1.1 VALORES DE DURAÇÃO RELATIVA DE SEGMENTOS Os dados de duração (em milisegundos) que se obtiveram foram os seguintes: - duração da sentença em que a palavra alvo se encontrava (frase veículo + palavra alvo. Por exemplo, duração da frase: I say cam); - duração da palavra (no exemplo, a duração da palavra cam); - duração da vogal (no exemplo, a duração de [ ]); - duração do murmúrio nasal (no exemplo, a duração de [ ]). Isoladamente, cada um destes dados está sujeito a variações por conta do idioleto, características pessoais do informante. Além disso, a velocidade da fala é muito variável e optou-se, então, por considerar-se um valor relativo, que neutralizasse esta variação, levando em consideração a duração do segmento alvo enquanto inserido na palavra alvo.48 Obteve-se este valor relativo, dividindo-se o valor médio da duração do murmúrio nasal (que nos dá a duração do segmento [ ] ou [ ], conforme o caso) pelo valor médio obtido com a duração da palavra alvo, e o resultado multiplicado por 100. O valor final nos diz qual é o percentual que o murmúrio nasal ocupa na duração total da palavra. As diferenças que aparecem nos comentários são diferenças em pontos percentuais. 48 A duração da vogal também se mostraria problemática se fosse usada como parâmetro comparativo, pois os alunos tendem a não pronunciá-la conforme o padrão de um nativo. 34 Informante B: TABELA 2 - DURAÇÃO RELATIVA DAS NASAIS (B) CAM x CAN Duração Relativa da Nasal [ ]x[ ] 32.8 x 29.4 DAM x DAN 32.9 x 27.5 GRAM x GRAN 28.9 x 29.5 JAM x JAN 25.5 x 27.0 PAM x PAN 31.9 x 30.4 DIM x DIN 48.2 x 44.2 GYM x GIN 40.1 x 36.8 PIM x PIN 45.3 x 42.7 SKIM x SKIN 26.6 x 23.3 TIM x TIN 42.0 x 34.3 Palavras Alvo GRÁFICO 1 - DURAÇÃO RELATIVA 60 50 40 [m] 30 [n] 20 10 xD AM A N xG R JA AN M xJ PA A N M xP AN D IM xD I G YM N xG PI IN M SK xPI N IM xS KI TI N M xT IN AM G R D C AM xC AN 0 Comentários: [ ] – As durações relativas do murmúrio são superiores para [ ] nos pares CAM x CAN (3,4%), DAM x DAN (5,4%), e PAM x PAN (1,5%). [ ] - Os tempos relativos de duração da nasal [ ] em relação à duração da palavra em que está inserida são superiores para [ ] em todos os pares, com a diferença máxima para o par TIM x TIN (7,7%). 35 Informante M: TABELA 3 - DURAÇÃO RELATIVA DAS NASAIS (M) CAM x CAN Duração Relativa da Nasal [ ]x[ ] 16.7 x 17.7 DAM x DAN 20.7 x 16.8 GRAM x GRAN 17.6 x 15.0 JAM x JAN 17.8 x 16.9 PAM x PAN 18.6 x 17.5 DIM x DIN 28.0 x 32.9 GYM x GIN 28.7 x 28.3 PIM x PIN 30.5 x 28.2 SKIM x SKIN 18.8 x 22.6 TIM x TIN 25.3 x 28.5 Palavras Alvo GRÁFICO 2 - DURAÇÃO RELATIVA (M) 35 30 25 20 [m] [n] 15 10 5 xD AM AN xG R JA AN M xJ PA AN M xP AN D IM xD IN G YM xG PI IN M S K xP I IM N xS KI N TI M xT IN AM G R D C AM xC AN 0 Comentários: [ ] - Os tempos relativos de duração da nasal [ ] em relação à duração da palavra em que está inserida são superiores para [ ] em todos os pares, à exceção de CAM x CAN (1,0% de diferença). 36 [ ] – Os tempos relativos de duração da nasal [ ] em relação à duração da palavra em que está inserida são superiores à [ ] apenas nos pares GYM x GIN (0,4%) e PIM x PIN (2,3%). Observações: Considerando-se que os lábios são articuladores mais lentos (utilizados na produção do segmento [ ]), em comparação ao movimento de ponta de língua utilizado para a produção de [ ]), se esperaria que a duração relativa do segmento [ ] fosse maior que a o do segmento [ ]. Isto ocorreu em 80% das produções da informante B, mas em apenas 60% das produções de M, e em pares mínimos diversos. Não se pode, portanto, considerar a duração relativa dos segmentos [ ] e [ ] como parâmetros confiáveis para se definir se um determinado segmento é ou não bilabial ou alveolar, levando-se em consideração as características particulares deste experimento. 4.1.2 FORMANTES DAS VOGAIS ([ ] e [ ]) ANTECEDENTES ÀS NASAIS Foram considerados os três primeiros formantes da vogal antecedente à nasal, ou seja, F1(correlato acústico da altura de mandíbula), F2 (correlato acústico da posição relativa do dorso de língua na dimensão ântero-posterior do trato vocal) e F3 (parâmetro acústico cujos valores usualmente tendem a acompanhar os valores de F2). O quarto formante não foi considerado por serem seus valores muito variáveis. Os valores de tais formantes também se encontram no Apêndice 3. Para facilitar a visualização das diferenças entre os valores dos formantes da vogal de cada elemento do par mínimo utilizaram-se novamente gráficos, com o valor médio do formante do segmento [ ] aparecendo sempre à esquerda, e o do segmento [ ], à direita para cada par. Há um gráfico para cada um dos formantes de cada um dos dois falantes nativos. 37 4.1.2.1 Formante 1 Informante B: GRÁFICO 3 - F1 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (B) F1 Vogais B 900 800 700 600 500 400 300 200 100 TI M /T IN IN K /S S P K IM M G Y IM /P IN /G IN IN /D D IM P A M /P A N N /J A JA M N /G R A A M G R C A D A M /C A M /D A N N 0 Palavras Comentários: As diferenças entre F1 de [ ] e F1 de [ ] foram menores que 50 Hz, porém às vezes superiores para [ ] e às vezes para [ ], tanto para os pares [ ] quanto para os pares [ ]. Informante M: GRÁFICO 4 - F1 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (M) F1 Vogais 700 600 500 400 300 200 100 Palavras IN M /T TI IN K S K IM /S /P IN IM P IN /G IN M G Y /P A M P D IM /D AN N /J A G R JA M N AM /G R A M /D A D A C A M /C A N N 0 38 Comentários: [ ] - As diferenças entre F1 de [ ] e [ ] foram menores que 50 Hz, sendo F1 de [ ] superior a F1 de [ ] apenas nos pares DAM x DAN e GRAM x GRAN. [ ] – O único par com F1 de [ ] superior ao F1 de [ ] foi GYM x GIN, com uma diferença de 94 Hz. 4.1.2.2 Formante 2: Informante B: GRÁFICO 5 - F2 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (B) F2 Vogais B 2500 2000 1500 1000 500 IN IM /T IN T K S KI M /S IM /P IN P /G IN M G Y IN /D D IM A N A M /P /J A N P A M G R JA M N /G R A /D A M D A C A M /C A N N 0 Palavras Comentários: [ ] – Os valores de F2 de [ ] foram superiores aos de [ ] para todos os pares, à exceção do par DAM x DAN (diferença de 42 Hz, superior para o F2 de [ ]). A maior diferença favorecendo o F2 de [ ] foi para o par JAM x JAN, de 177 Hz. [ ] – Os valores de F2 de [ ] foram inferiores aos de [ ] para todos os pares. 39 Informante M: GRÁFICO 6 - F2 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (M) F2 Vogais 3000 2500 2000 1500 1000 500 IN M /T TI IN K S P K IM /S M G Y IM /P IN /G IN IN /D D IM AM /P A N N P JA M /J A N R A AM /G G R C A D A M /C M /D A A N N 0 Palavras Comentários: [ ] – Os valores de F2 de [ ] foram superiores aos de [ ] para os pares CAM x CAN, DAM x DAN (diferença máxima de 694 Hz) e PAM x PAN. [ ] - Os valores de F2 de [ ] foram superiores aos de [ ] para os pares DIM x DIN e TIM x TIN. Para os demais pares, os valores foram praticamente iguais. 4.1.2.3 Formante 3: Informante B: GRÁFICO 7 - F3 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (B) F3 Vogais B 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 S Palavras IN IM /T T K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D D IM P A M /P A N /J A N JA M N A M /G R A G R /D A M D A C A M /C A N N 0 40 Comentários: [ ] – Os valores de F3 de [ ] foram superiores aos de [ ] apenas para os pares CAM x CAN (diferença de 374 Hz) e PAM x PAN. [ ] – Para todos os pares, os valores de F3 de [ ] foram superiores aos de [ ], sendo a maior diferença a do par PIM x PIN (274 Hz). Informante M: GRÁFICO 8 - F3 DA VOGAL ANTECEDENTE À NASAL (M) F3 Vogais 3600 3500 3400 3300 3200 3100 3000 2900 2800 T IM /T IN S K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D /P A M D IM A N N /J A P A M G R JA M N /G R A /D A M D A C A M /C A N N 2700 Palavras Comentários: [ ] - Os valores de F3 de [ ] foram superiores aos de [ ] para os pares DAM x DAN, JAM x JAN ( diferença de 563 Hz) e PAM x PAN. [ ] - Os valores de F3 de [ ] foram superiores aos de [ ] para os pares DIM x DIN (diferença de 273 Hz), GRIM x GRIN e TIM x TIN. Para os outros dois pares, as diferenças foram ligeiramente superiores para o F3 de [ ]. 4.1.2.4 Observações relativas aos formantes da vogal antecedente à nasal De uma maneira geral, pode-se dizer que os pares com a vogal [ ] apresentam resultados mais constantes que os pares com a vogal [ ]. No entanto, não se pode afirmar que há uma regularidade de resultados. Somado a isto, está o fato de, se tomarmos os formantes da vogal antecedente à nasal como parâmetros de comparação entre a produção dos nativos e a dos alunos, temos que considerar que estes tendem a 41 produzir uma vogal não exatamente de mesma qualidade da vogal produzida pelos falantes nativos, inserindo uma nova variável na avaliação. Optou-se, então, por não se valer dos formantes das vogais que antecedem as nasais como parâmetros significativos nas comparações de produção. 4.1.3 FORMANTES DA CONSOANTE NASAL (MURMÚRIO NASAL) Aqui também foram considerados apenas os três primeiros formantes da consoante nasal, ou seja, F1, F2 e F3. O quarto formante, além de ter valores muito variáveis, tinha sua leitura por vezes bastante dificultada. Os valores de tais formantes encontram-se no Apêndice 3. Nos gráficos a seguir – um para cada um dos formantes - os valores de cada elemento do par mínimo foram colocados um ao lado do outro para se facilitar a comparação, sendo que o valor médio do formante do segmento [ ] aparece sempre à esquerda. Novamente, o gráfico referente aos dados do informante nativo B aparece seguido do gráfico do falante nativo M para um mesmo formante. 4.1.3.1 Formante 1 Informante B: GRÁFICO 9 - F1 DO MURMÚRIO NASAL (B) F1 Nasais B 400 350 300 250 200 150 100 50 S Palavras T IM /T IN K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D /P A M P D IM A N N /J A JA M N /G R A G R A M M A D C A M /C A /D A N N 0 42 Comentários: Os valores de F1 de [ ] são superiores aos de [ ] para todos os pares (com diferenças menores que 50 Hz), à exceção de GRAM x GRAN, par para o qual o valor de F1 de [ ] é superior ao de [ ] (diferença de 6 Hz). Informante M: GRÁFICO 10 - F1 DO MURMÚRIO NASAL (M) F1 Nasais 450 400 350 300 250 200 150 100 50 T IM /T IN S K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D /P P A M D IM A N N JA M /J A N R A /G A M G R D C A A M M /D A /C A N N 0 Palavras Comentários: Os valores de F1 de [ ] são superiores aos de [ ] para todos os pares, à exceção do par DAM x DAN (a diferença, no entanto, é de apenas 11 Hz). 4.1.3.2 Formante 2 Informante B: GRÁFICO 11 - F2 DO MURMÚRIO NASAL (B) F2 Nasais B 2500 2000 1500 1000 500 Palavras TI M /T IN IN K S K IM /S IM /P IN P IN M /G IN G Y /P AM D IM /D AN N /J A P AM G R JA M N /G R A /D A M D A C A M /C A N N 0 43 Comentários: Os valores de F2 de [ ] são superiores aos de [ ] para todos os pares, com diferença mínima entre eles de 229 Hz no par TIM X TIN. Estes valores são médias aritméticas, porém em todas as medições, isto é, nas medições de cada uma das três repetições para cada palavra, obteve-se resultado similar, isto é, o valor de F2 de [ ] sendo superior ao de [ ]. Informante M: GRÁFICO 12 - F2 DO MURMÚRIO NASAL (M) F2 Nasais 2500 2000 1500 1000 500 IN IM /T T S K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D /P A M P D IM A N N /J A JA M N R A /G G R A M M D A C A M /C A /D A N N 0 Palavras Comentários: Os valores de F2 de [ ] consistentemente superiores aos de [ ], especialmente para os pares com vogal antecedente [ ]. A menor diferença entre os valores foi para o par DAM x DAN, de 48 Hz. 44 4.1.3.3 Formante 3: Informante B: GRÁFICO 13 - F3 DO MURMÚRIO NASAL (B) F3 Nasais B 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 IN S T IM /T /S K IN /P IN P K IM M G Y IM /G IN IN /D /P P A M JA M D IM A N N /J A N R A /G A M G R C A D A M M /C A /D A N N 0 Palavras Comentários: Os valores médios do F3 de [ ] de todos os pares foram superiores aos de [ ]. Isto ocorreu não apenas nas médias dos valores das medições, mas em cada uma das três medidas. A menor diferença foi para o par TIM x TIN (123 Hz). Informante M: GRÁFICO 14 - F3 DO MURMÚRIO NASAL (M) F3 Nasais 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 T IM /T IN S K IM /S K IN /P IN IM M G Y P /G IN IN /D /P A M P D IM A N N /J A JA M N /G R A A M M G R C A D A M /C A /D A N N 0 Palavras Comentários: [ ] – Os valores do F3 de [ ] e os de [ ] foram os mesmos para o par DAM x DAN. O valor de F3 de [ ] foi superior ao de [ ] apenas no par JAM x JAN (57 Hz). [ ] – Os valores do F3 de [ ] foram superiores aos de [ ] para todos os pares. 45 4.1.4 OBSERVAÇÕES SOBRE AS PRODUÇÕES DO GRUPO CONTROLE Para fins de análise comparativa, parece claro que os valores do segundo formante da nasal (murmúrio nasal) se mostraram os mais consistentes. Para todas as palavras do corpus, nas três repetições de cada uma, e para ambos os informantes do grupo controle, os valores de F2 foram consistentemente superiores para a nasal [ ] do que para a nasal [ ]. Desta forma, mostra-se como o parâmetro acústico mais indicado para comparar a produção dos alunos à produção dos falantes nativos, no que diz respeito à realização de uma específica nasal. Este parâmetro será, então, o utilizado para este fim. Ladefoged já havia observado o fato de que, quando os lábios se fecham para [ ], o segundo formante desta consoante, em especial, abaixa sua freqüência (LADEFOGED, 2001(b), p.54). Foi o que se observou com os dados desta pesquisa. 4.2 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS PRODUÇÕES DOS FALANTES NATIVOS DO GRUPO CONTROLE E AS PRODUÇÕES DOS ALUNOS Foram analisadas 600 palavras correspondentes à produção dos dez alunos envolvidos no experimento (10 alunos x 20 palavras [10 pares mínimos] x 3 repetições por palavra). Para cada uma destas palavras (inseridas na frase veículo I say ...) foram feitas medidas de duração da palavra alvo (na tabela que consta no Apêndice 4 os valores médios estão sob a coluna “palavra”) e do murmúrio nasal (sob a coluna “nasal”), em ms, e dos formantes F1, F2, F3 e F4 do murmúrio. A partir dos valores das variáveis medidas das três repetições, foi calculada a média aritmética, que consta do Apêndice 4. Portanto, os valores individuais para cada uma das três repetições de cada um dos dez informantes alunos não estão tabulados neste apêndice; apenas constam as médias. Considerando-se que foi o segundo formante do murmúrio nasal o parâmetro escolhido por ser o mais consistente para a distinção de nasais bilabiais das alveolares em codas, de acordo com os dados obtidos a partir do grupo controle composto por dois falantes nativos, ele será o utilizado na comparação entre os dados dos alunos e os dados dos nativos. A comparação será baseada na análise dos pares mínimos: para um aluno ter realizado um som alveolar, sua produção deve ter sido similar à produção de um 46 falante nativo, isto é, o segundo formante do murmúrio nasal do segmento [ ] deve ter sido superior ao segundo formante do segmento nasal [ ] para um mesmo par, e a diferença entre estes dois formantes deve ter sido superior a 100 Hz (as diferenças obtidas com o grupo controle foram, em média, de 352 Hz para B, e 497 Hz para M) para que se afirme que foi produzido um segmento [ ], e não um [ ]. 4.2.1 GRÁFICOS COMPARATIVOS Para facilitar a análise, foram colocados em gráficos os resultados das médias do segundo formante (F2) do murmúrio nasal de cada um das alunas (meninas) e estes serão comparados com o F2 da falante nativa B, para cada um dos pares mínimos. O mesmo ocorrerá com os meninos, isto é, os valores médios de F2 serão comparados com o F2 do falante nativo, também para cada par mínimo. Os alunos estão representados pelas iniciais de seus nomes, assim como os falantes nativos, os quais aparecem por último em cada abscissa. 4.2.1.1 CAM x CAN GRÁFICO 15 – F2 NO PAR CAM X CAN (MENINAS) GRÁFICO 16 - F2 NO PAR CAM X CAN (MENINOS) 2000 2000 1500 1500 CAM 1000 CAN 500 CAM 1000 CAN 500 0 0 BA C L R V B BR CA D G H M Comentários: 60% das produções das meninas foram similares às do grupo controle, contra 20 % dos meninos. Para a informante V, a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de 68 Hz. O mesmo ocorreu com os informantes CA e G, com diferenças respectivamente de 63 e 66 Hz. Uma das meninas (R) e dois meninos (D e H) produziram os segmentos 47 nasais com F2 apresentando valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] superior ao F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 40% das produções similares às dos nativos, 30% das produções indistinguíveis acusticamente, e 30% das produções com valores de F2 opostos aos do grupo controle.49 4.2.1.2 DAM x DAN GRÁFICO 17 - F2 NO PAR DAM X DAN (MENINAS) 2000 GRÁFICO 18 - F2 NO PAR DAM X DAN (MENINOS) 2000 1500 1500 DAM 1000 DAN 500 DAM 1000 DAN 500 0 BA C L R V B 0 BR CA D G H M Comentários: Para as meninas, 40% das produções foram similares às do grupo controle, contra 20 % dos meninos. Para as informantes C, R e V, as diferenças entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foram de, respectivamente, 19 Hz, 47 Hz e 52 Hz. O mesmo ocorreu com os informantes BR, CA, G e H, com diferenças respectivamente de 6, 89, 14 e 51 Hz. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 30% das produções similares às dos nativos e 70% das produções indistinguíveis acusticamente. 49 A idéia de similaridade (valor de F2 de [ ] superior ao de [ ], com diferença mínima de 100Hz), indistinção acústica (valor de F2 de [ ]superior ao de [ ], porém com diferença inferior a 100Hz) ou “oposição” das produções em relação às do grupo controle, que a partir deste ponto serão utilizadas, estão exclusivamente associadas aos valores do segundo formante do murmúrio nasal. 48 4.2.1.3 GRAM x GRAN GRÁFICO 19 - F2 NO PAR GRAM X GRAN (MENINAS) GRÁFICO 20 - F2 NO PAR GRAM X GRAN (MENINOS) 2500 2000 2000 1500 1000 GRAM 1500 GRAM GRAN 1000 GRAN 500 500 0 BA C L R V 0 B BR CA D G H M Comentários: 60% das produções das meninas foram similares às do grupo controle, contra 20 % dos meninos. Para a informante R, a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de apenas 76 Hz. O mesmo ocorreu com os informantes BR e G, com diferenças respectivamente de 23 e 46 Hz. Uma das meninas (V) e dois meninos (CA e H) produziram os segmentos nasais com F2 apresentando valores opostos aos dos grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 40% das produções similares às dos nativos, 30% das produções indistinguíveis acusticamente, e 30% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.1.4 JAM x JAN GRÁFICO 21 - F2 NO PAR JAM X JAN (MENINAS) GRÁFICO 22 - F2 NO PAR JAM X JAN (MENINOS) 2500 2000 2000 1500 1500 JAM 1000 JAN JAM 1000 JAN 500 500 0 0 BA C L R V B BR CA D G H M 49 Comentários: As meninas produziram as nasais em 60% dos casos similares às do grupo controle, o que nenhum dos meninos conseguiu. Para as informantes BA e R, as diferenças entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foram de 31 e 56 Hz respectivamente. O mesmo ocorreu com os informantes BR, CA e G, com diferenças respectivamente de 32, 86 e 37 Hz. Dois meninos (D e H) produziram os segmentos nasais cujos F2 mostraram valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 30% das produções similares às dos nativos, 50% das produções indistinguíveis acusticamente, e 20% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.1.5 PAM x PAN GRÁFICO 23 - F2 NO PAR PAM X PAN (MENINAS) GRÁFICO 24 - F2 NO PAR PAM X PAN (MENINOS) 2500 2000 2000 1500 PAM 1000 PAN 500 1500 PAM 1000 PAN 500 0 BA C L R V B 0 BR CA D G H M Comentários: 40% das produções das meninas e dos meninos foram similares às do grupo controle. Para as informantes BA, R e V, as diferenças entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foram de 47, 77 e 70 Hz, respectivamente. O mesmo ocorreu com os informantes CA e D, com diferenças, respectivamente, de 19 e 67 Hz. Um menino (G) produziu os segmentos nasais com F2 apresentando valores opostos aos dos grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 40% das produções similares às dos nativos, 50% das produções indistinguíveis acusticamente, e 10% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 50 4.2.1.6 DIM x DIN GRÁFICO 25 - F2 NO PAR DIM X DIN (MENINAS) GRÁFICO 26 - F2 NO PAR DIM X DIN (MENINOS) 2500 2500 2000 2000 1500 DIM 1500 DIM 1000 DIN 1000 DIN 500 500 0 0 BA C L R V BR B CA D G H M Comentários: 80% das produções das meninas e 40% dos meninos foram similares às do grupo controle. Para a informante R, a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de 11 Hz. Os informantes BR, D e H produziram os segmentos nasais cujo F2 apresentou valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 60% das produções similares às dos nativos, 10% das produções indistinguíveis acusticamente, e 30% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.1.7 GYM x GIN GRÁFICO 27 - F2 NO PAR GYM X GIN (MENINAS) GRÁFICO 28 - F2 NO PAR GYM X GIN (MENINOS) 2500 2500 2000 2000 1500 GYM 1000 GIN 500 1500 GYM 1000 GIN 500 0 BA C L R V B 0 BR CA D G H M 51 Comentários: Das produções das meninas, 60%, e apenas 20% das produções dos meninos foram similares às do grupo controle. Para a informante R, a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de 74 Hz, assim como para os informantes BR, G e H, com diferenças, respectivamente, de 22, 65 e 39 Hz. A informante V e o informante CA produziram os segmentos nasais cujo F2 apresentou valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 40% das produções similares às dos nativos, 40% das produções indistinguíveis acusticamente, e 20% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.1.8 PIM x PIN GRÁFICO 29- F2 NO PAR PIM X PIN (MENINAS) GRÁFICO 30 - F2 NO PAR PIM X PIN (MENINOS) 2500 2500 2000 2000 1500 PIM 1000 PIN 500 1500 PIM 1000 PIN 500 0 BA C L R V B 0 BR CA D G H M Comentários: As meninas produziram as nasais em 60% dos casos similares às do grupo controle, o que nenhum dos meninos conseguiu. Para a informante BA a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de 82 Hz, o que também ocorreu com os informantes BR e D, com diferenças respectivamente de 51 e 8 Hz. Uma menina (V) e três meninos (CA, G e H) produziram os segmentos nasais cujos F2 mostraram valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. 52 No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 30% das produções similares às dos nativos, 30% das produções indistinguíveis acusticamente, e 40% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.1.9 SKIM x SKIN GRÁFICO 31 - F2 NO PAR SKIM X SKIN (MENINAS) GRÁFICO 32- F2 NO PAR SKIM X SKIN (MENINOS) 2500 2500 2000 2000 1500 SKIM 1000 SKIN 1500 SKIM 1000 SKIN 500 500 0 0 BA C L R V B BR CA D G H M Comentários: As meninas produziram as nasais em 40% dos casos similares às do grupo controle, o que 60% dos meninos conseguiu (o único caso em que o desempenho dos meninos para um determinado par foi superior ao das meninas). Para a informante R, a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi de 25 Hz. Duas meninas (BA e V) e dois meninos (G e H) produziram os segmentos nasais cujos F2 mostraram valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 50% das produções similares às dos nativos, 10% das produções indistinguíveis acusticamente, e 40% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 53 4.2.1.10 TIM x TIN GRÁFICO 33- F2 NO PAR TIM X TIN (MENINAS) 2500 GRÁFICO 34 - F2 NO PAR TIM X TIN (MENINOS) 2500 2000 2000 1500 TIM 1000 TIN 500 1500 TIM 1000 TIN 500 0 BA C L R V B 0 BR CA D G H M Comentários: Tanto para as meninas, como para os meninos, 40% das produções foram similares às do grupo controle. Para a informante BA a diferença entre F2 de [ ] e F2 de [ ] foi 96 Hz. Duas meninas (C e V) e três meninos (CA, D e H) produziram os segmentos nasais cujos F2 mostraram valores opostos aos do grupo controle, isto é, F2 de [ ] maior que F2 de [ ]. No geral, para meninos e meninas, obteve-se para este par mínimo, 40% das produções similares às dos nativos e 10% das produções indistinguíveis acusticamente, e 50% das produções com valores de F2 das nasais opostos aos dos falantes nativos. 4.2.2 TABELAS COMPARATIVAS Para se facilitar a análise comparativa dos dados, estes foram agrupados nas tabelas que seguem. Os símbolos, os mesmos para todas as sete tabelas, têm os mesmos significados, ou seja: : diferença entre F2[ ] e F2[ ] 100 Hz. Portanto, a produção do aluno assemelha- se à produção do falante nativo com o qual foi comparado; 54 : F2 de [ ] F2 de [ ]. Resultado oposto ao obtido com o falante nativo; = : F2 de [ ] > F2 de [ ], porém a diferença foi menor que 100 Hz, não-significativa para fins de distinção entre os segmentos [m] e [n] Para as tabelas 4 e 5 ( relacionadas à vogal antecedente [ ]) e 7 e 8 (referentes à vogal antecedente [ ]), a primeira linha mostra os pares mínimos analisados, cada par ocupando uma coluna. A primeira coluna apresenta as iniciais dos informantes alunas (ou alunos, conforme a tabela), e a última, após o traço duplo, o resultado geral de similaridade obtido pelo informante que aparece na linha correspondente. Assim, por exemplo, a informante BA, na Tabela 4, apresentou produções similares às dos nativos para os pares CAM x CAN, DAM x DAN, GRAM x GRAN ( símbolo “ ”) , e produções acusticamente indistinguíveis entre os elementos do par , no que diz respeito às nasais, nos pares JAM x JAN e PAM x PAN (símbolo “=”). Ela obteve, então, um percentual de similaridade de 60% para os pares com vogal antecedente [æ] (que é mostrado na última coluna). Também para estas tabelas, após as linhas com as iniciais dos informantes, há um traço duplo, com os resultados percentuais gerais para cada um dos pares, levando-se em consideração o desempenho dos informantes que aparecem na tabela em questão. Por exemplo, na Tabela 4, para o par CAM x CAN, o percentual de similaridade foi de 60% (símbolo “% ”), 20% de produções com resultados opostos aos do falante nativo, em termos de F2 das nasais (símbolo “% ”), e 20% das produções , para este par, acusticamente indistinguíveis em termos de nasais (símbolo “% =”). As tabelas 6, 9 e 10 são tabelas resumo dos resultados. A tabela 6 corresponde ao resumo das tabelas 4 e 5, a tabela 9 resume os dados das tabelas 7 e 8, e a tabela 10 dá um panorama geral dos resultados obtidos tanto para meninos como para meninas , com as duas vogais antecedentes. 55 TABELA 4 – RESUMO DOS RESULTADOS - [ ] - MENINAS CAMxCAN DAMxDAN GRAMxGRAN BA JAMxJAN PAMxPAN = = = C %GERAL 60% 80% L 100% = R = = = 0% = 20% = = % 60 40 60 60 40 52 % 20 0 20 0 0 8 %= 20 60 20 40 60 40 V Comentário: 52% das produções das meninas similares à produção da falante nativa, 40% indistinguíveis acusticamente, e 8% opostas. TABELA 5 – RESUMO DOS RESULTADOS - [ ] - MENINOS CAMxCAN DAMxDAN GRAMxGRAN JAMxJAN = = = BR CA = = = D G = = = PAMxPAN 40% = 0% = 40% = 0% = H %GERAL 20% % 20 20 20 0 40 20 % 40 0 40 40 20 28 % = 40 80 40 60 40 52 Comentário: 20% das produções dos meninos similares à produção do falante nativo, 52% indistinguíveis acusticamente, e 28% opostas. TABELA 6 – RESUMO - PERCENTUAL GERAL ( MENINOS E MENINAS) DOS RESULTADOS [ ] CAMxCAN DAMxDAN GRAMxGRAN JAMxJAN PAMxPAN % GERAL % 40 30 40 30 40 36 % 30 0 30 20 10 18 % = 30 70 30 50 50 46 56 TABELA 7 – RESUMO DOS RESULTADOS - [ ] - MENINAS DIMxDIN GYMxGIN PIMxPIN SKIMxSKIN = BA TIMxTIN = % GERAL 40% C 80% L 100% R = = = 40% V 20% % 80 60 60 40 40 56 % 0 20 20 40 40 24 % = 20 20 20 20 20 20 Comentário: 56% das produções das meninas similares à produção da falante nativa, 20% indistinguíveis acusticamente, e 24% opostas. TABELA 8 – RESUMO DOS RESULTADOS - [ ] - MENINOS DIMxDIN BR GYMxGIN PIMxPIN = = SKIMxSKIN TIMxTIN % GERAL 40 % CA 40% = D 40% G = 40% H = 0% % 40 20 0 60 40 32 % 60 20 60 40 60 48 % = 0 60 40 0 0 20 Comentário: 32% das produções dos meninos similares à produção do falante nativo, 20% indistinguíveis acusticamente, e 48% opostas. TABELA 9 – RESUMO - PERCENTUAL GERAL (MENINOS E MENINAS) DOS RESULTADOS [ ] DIMxDIN GYMxGIN PIMxPIN SKIMxSKIN TIMxTIN % GERAL % 60 40 30 50 40 44 % 30 20 40 40 50 36 % = 10 40 30 10 10 20 57 TABELA 10 – PERCENTUAL GERAL (MENINOS E MENINAS) DOS RESULTADOS [ ] E [ ] % % % = CAM x CAN 40 30 30 DAM x DAN 30 0 70 GRAM x GRAN 40 30 30 JAM x JAN 30 20 50 PAM x PAN 40 10 50 DIM x DIN 60 30 10 GYM x GIN 40 20 40 PIM x PIN 30 40 30 SKIM x SKIN 50 40 10 TIM x TIN 40 50 10 % TOTAL GERAL 40 27 33 4.2.3 COMENTÁRIOS Pelas tabelas apresentadas acima, podemos verificar diversos fatos interessantes com relação à produção dos alunos e alunas, e à produção distinta entre os pares com vogal antecedente [ ] e os pares com vogal antecedente [ ]. Vamos comparar diversas diferentes variáveis entre si: a) Desempenho das meninas em relação ao desempenho dos meninos: Para os pares [ ], as meninas obtiveram um percentual de similaridade com as produções da falante nativa de 52%, contra 20% dos meninos em relação ao falante nativo. Três informantes-alunas conseguiram percentual de similaridade acima de 50% (BA, C, L), uma delas – L - conseguindo 100%, contra nenhum dos informantes-alunos. Destes últimos, apenas dois (BR, D) conseguiram um percentual de 40%. Das produções das meninas, 40% apresentam valores de F2 para [ ] e [ ] muito próximos entre si, o que faz com que estes segmentos não sejam distinguíveis acusticamente. No caso dos meninos, este valor sobe para 52%. 58 Para os pares [ ], as meninas obtiveram um percentual de similaridade de 56%, contra 32% dos meninos. Duas informantes-alunas conseguiram um percentual de similaridade acima de 50% (C, L) , e a mesma que conseguira 100% de similaridade em [ ] , conseguiu também para [ ]. Dos informantes-alunos nenhum conseguiu percentual de similaridade acima de 40% (quatro dos cinco ficaram em 40%). Das produções tanto dos alunos quanto das alunas, 20% têm valores de F2 para [ ] e [ ] muito próximos entre si. Não era objetivo deste trabalho de pesquisa a verificação comparativa de desempenho entre alunos e alunas, porém os dados mostraram uma significativa diferença entre o desempenho de ambos, com as meninas obtendo resultados bastante superiores. Reforçando o que havia sido dito no capítulo da metodologia, o grupo era bastante homogêneo, tendo basicamente seguido a mesma trajetória em termos de estudos de inglês como segunda língua em escola de idiomas. Logicamente, existem diferenças individuais que eventualmente ficam mais claras em determinados contextos cognitivos, que fugiriam do escopo deste trabalho. b) Desempenhos em relação aos pares [ ] e [ ]: O percentual geral (incluindo produções dos meninos e das meninas) no quesito similaridade foi de 36% para os pares [ ] e 44% para os pares [ ]. Os valores de F2 para [ ] e [ ] são muito próximos entre si em 46% das produções [ ] e em 20% das produções [ ]. Pelos resultados, atesta-se uma maior constância de resultados e similaridade com as produções dos falantes nativos nos pares mínimos onde aparece a vogal anterior fechada [ ] como antecedente às consoantes nasais. c) Desempenho considerando as produções de todos os alunos e todos os pares: Considerando os dez informantes-alunos e suas produções com as duas vogais antecedentes, tem-se um total geral de 40% de similaridade em relação às produções dos falantes nativos e 33% de produções onde não se faz a distinção acústica entre os segmentos [ ] e [ ]. Em 27% dos casos, a freqüência de F2 de [ ] foi superior à de [ ], o inverso do que se observou nas produções dos falantes nativos. O par DIM x 59 DIN foi o que conseguiu o maior percentual de similaridade - 60% -, e para o par DAM x DAN em 70% dos casos não se obteve distinção acústica no que diz respeito ao segundo formante do murmúrio nasal, que considerou o parâmetro distintivo entre os segmentos [ ] e [ ] em posição de coda seguidos por silêncio. Apenas para fins de visualização de alguns espectrogramas, foram colocados no apêndice 5 alguns deles, do grupo controle ( de B, o par CAM x CAN; de M, o par PIM x PIN) e dos informantes alunos ( de BA , também o par CAM x CAN, similar à produção de B; de CA , também o par PIM x PIN, porém não correspondendo à produção de M ). 4.3 TESTE PERCEPTUAL PRELIMINAR Apesar do objetivo deste trabalho de pesquisa estar relacionado apenas à produção dos segmentos nasais [ ] e [ ] em codas, fez-se um estudo preliminar de percepção com os dez informantes, alunos e alunas, que participaram das gravações dos dados. A metodologia utilizada foi bastante simples, pois se tratou de um estudo bastante preliminar: cada um dos informantes escutou uma única vez as suas próprias produções de sentenças do livreto 1 (apêndice 2), ao mesmo tempo em que as escrevia (uma espécie de ditado). Os meninos fizeram o mesmo com as frases do falante nativo M; as meninas escutaram e escreveram as suas frases e as da falante nativa B. Os resultados tabulados a seguir referem-se apenas à produção dos nativos ouvidas pelos alunos, já que ouvir a sua própria produção poderia gerar um erro duplo, pois nem sempre a produção dos alunos corresponde ao padrão das nasais. O símbolo “ ” significa que se conseguiu reconhecer com acerto o som. O símbolo “X” significa que não reconheceu acertadamente o som. O símbolo “%” refere-se ao percentual de reconhecimento do(s) segmento(s). As tabelas 11, 12, 13 e 14 apresentam estrutura similar, alternando ora os resultados de percepção de alunas, ora de alunos, e também alternando o segmento final a ser reconhecido ([ ] ou [ ]). Na primeira linha aparecem, além do segmento a ser identificado, as iniciais dos informantes, e após um traço duplo, o percentual de reconhecimento obtido com cada elemento do par mínimo que aparece na linha correspondente. Assim, por exemplo, com dados da tabela 11, tem-se que as 60 informantes BA, C e L reconheceram acertadamente o som do segmento [ ] em CAM, enquanto as informantes R e V não conseguiram tal reconhecimento. Então, o percentual de reconhecimento deste elemento do par mínimo CAM x CAN foi de 60% entre as meninas. Para cada uma destas quatro tabelas, há uma linha em branco, e depois, por último, o percentual total de reconhecimento para cada um dos informantes da tabela em questão. Por exemplo, BA conseguiu um percentual total de reconhecimento de segmentos [ ] de 90%. A tabela 15 apresenta um resumo dos testes preliminares de percepção, onde aparecem os resultados separadamente para meninos e meninas, e meninos + meninas (na coluna “alunos” desta tabela, para fins de cálculo de percentual de reconhecimento foram desconsiderados os dados relativos ao aluno H, que considerou sistematicamente todas as palavras como se tivessem coda [ ]). Os últimos segmentos de cada palavra alvo aparecem na primeira coluna. Assim, tem-se palavras terminadas em [ ] + [ ], [ ] + [ ] e o conjunto de palavras com segmento final [m]: [ ] + [ ] e [ ] + [ ]. Depois, a mesma seqüência para as palavras terminadas com o segmento [ ]: [ ] + [ ], [ ] + [ ], e [ ] + [ ] e [ ] + [ ]. 61 TABELA 11 – ALUNAS OUVINDO AS PRODUÇÕES DE B COM SEGMENTO [ ] [ ] BA C L CAM [ ] R V % X X 60 DAM 100 GRAM 100 JAM 100 PAM % X 80 100 DIM X X 40 100 60 60 80 X X 60 GYM [ ] 100 PIM X SKIM X X X 40 TIM % % [ ] e [I] 80 100 100 80 60 60 80 76 90 90 80 60 70 78 TABELA 12 – ALUNAS OUVINDO AS PRODUÇÕES DE B COM SEGMENTO [ ] [ ] BA C L R V CAN [ ] 100 DAN X GRAN X X JAN X X 80 X X 20 X 40 PAN % [ ] % 100 40 DIN X GIN X 60 X 100 X 80 X 60 68 X 60 X 0 PIN 100 SKIN X TIN X % [ ] e [I] % X X 60 60 20 80 80 60 40 56 30 70 90 70 50 62 62 TABELA 13–ALUNOS OUVINDO AS PRODUÇÕES DE M COM SEGMENTO [ ] [ ] BR CA D CAM X X X H % X 20 X 60 X 80 X X 60 X X X 40 80 40 40 0 52 X X X 40 DAM [ ] X GRAM JAM PAM % DIM GYM [I] 100 X X X 40 X 20 X 0 X 40 PIM X X X SKIM X X X X X 40 0 20 80 0 28 60 20 30 90 0 40 TIM % % G [ ] e [I] X TABELA 14-ALUNOS OUVINDO AS PRODUÇÕES DE M COM SEGMENTO [ ] [ ] BR CA D CAN G H X 80 DAN [ ] 100 GRAN X JAN X X X X 40 X 40 PAN % 100 60 80 60 60 100 DIN GIN [I] 72 100 X X X X 20 PIN 100 SKIN 100 TIN % % % [ ] e [I] X 80 80 80 60 80 100 80 70 80 60 70 100 76 63 TABELA 15 – PERCENTUAIS GERAIS DE RECONHECIMENTO (EM %) ALUNAS ALUNOS50 ALUNAS + ALUNOS [ ]+[ ] 80 65 72,5 [ ]+[ ] 76 35 55,5 [ ]+[ ] e [ ]+[ ] 78 50 64 [ ]+[ ] 68 65 66,5 [ ]+[ ] 56 75 65,5 [ ]+[ ] e [ ]+[ ] 62 70 66 4.3.1 COMENTÁRIOS Um dos fatos que se pode observar foi que havia muita dúvida quanto ao som que correspondia às codas das palavras alvo (com [ ] ou [ ] no final), relatado informalmente pelos próprios alunos. As estratégias usadas pelos alunos para tentar reconhecer o que ouvem na produção deles próprios ou na de falantes nativos variam. Há a negação total do segmento [ ] e conseqüente consideração de todas as palavras ouvidas como se tivessem coda [ ] (H), negação do segmento [ ] quando antecedido por [ ] (CA), reconhecimento da coda [ ] em apenas 30% dos casos (D), reconhecimento da coda [ ] em apenas 30% dos casos (BA) . Os demais cometem menos erros, mas a estratégia de reconhecimento parece ser bastante aleatória. A palavra gin obteve o índice mais baixo de percepção, tendo sido reconhecida por apenas um dos alunos, assim mesmo por um que optou por considerar que todas as codas seriam [ ]. Percebe-se que os alunos percebem alguma diferença, mas não conseguem defini-la exatamente (talvez falta de feedback). As médias de reconhecimento para a vogal antecedente [ ] para o conjunto alunos+alunas foram bem superiores às de [ ] no caso do segmento [ ], 72.5 contra 55.5%, e apenas um ponto percentual superior no caso do segmento [ ] ,66.5 contra 50 Desconsiderados dados de H. 64 65.5%. Isto ocorreu porque os meninos, para o segmento [ ], reconheceram melhor os pares com vogal antecedente [ ]. Note-se que no experimento de produção, os pares [ ] apresentaram percentual de similaridade maior (44 % de [ ] contra 36% de [ ]). O percentual geral de reconhecimento foi de 64% para codas [ ] e 66% para codas [ ], enfim muito próximos entre si. Parece que, pelos resultados obtidos, ocorre mais nitidamente para os alunos que há uma diferença de outiva entre os segmentos [ ] e [ ], porém eles não conseguem reproduzir esta diferença quando produzem os segmentos – melhores resultados de percepção do que de produção (o oposto ao que havia sido obtido por KLUGE (2004), em que a tendência foi que a produção foi mais precisa que a percepção). Talvez haja que se revisar a concepção de que não se produz porque não se percebe. Talvez se perceba, mas se necessite de um reforço para se produzir consistentemente a diferença. 65 5. CONCLUSÕES Para se alcançar o objetivo geral deste trabalho de pesquisa, que era o de verificar o que era produzido pelos alunos quando estes tentavam realizar uma das duas consoantes nasais em estudo, a saber, o segmento [ ] e o segmento [ ], através de análise acústica de dados, faltavam-nos na literatura indicações sobre quais parâmetros acústicos utilizar para a comparação entre os dois segmentos. Apenas Ladefoged assinalava a possibilidade de o segundo formante da nasal do segmento [ ] ter a freqüência mais baixa quando da sua articulação (LADEFOGED, 2001(b), p.54), porém não mencionava comparativamente a produção de [ ]. Foi através da análise comparativa dos dados obtidos nas gravações com os dois falantes nativos do grupo controle que se verificou a consistente superioridade do segundo formante do murmúrio nasal de [ ] em relação ao F2 de [ ] para todos os pares mínimos analisados. Há que se frisar que a pesquisa em questão tem seu escopo limitado, e que muito mais ainda precisa ser feito, porém acredita-se que para monossílabos com a nasal em coda simples e com os ambientes adjacentes às nasais definidos neste trabalho (silêncio após as nasais, ambiente este que apresentou também o maior grau de dificuldade de produção na pesquisa de KLUGE (2004), e vogais de duas qualidades – [ ] e [ ] as antecedendo), a definição de F2 do murmúrio nasal como parâmetro comparativo foi significativa. Então, através de comparações feitas das produções dos alunos com a produção de dois falantes nativos, com base na análise acústica do murmúrio nasal, especificamente do segundo formante deste, verificou-se que 40% das frases produzidas pelos alunos era acusticamente similar à produção das nasais feita por um falante nativo (onde o F2 de [ ] é maior que o F2 de [ ]). Um terço das produções dos alunos mostra valores de F2 para [ ] superiores aos [ ], porém muito próximos entre si, o que talvez possa a vir a sinalizar duas possibilidades: num extremo, a tentativa de acerto, quando o aluno tenta realizar um ou outro segmento, mas não é plenamente bem sucedido, e no outro a possibilidade de que esteja nasalizando a vogal antecedente à nasal, daí a indistinção. Ainda do total, 27% dos resultados traz valores de F2 do murmúrio nasal de [ ] maiores que os de [ ], o oposto do que ocorre com as produções de um falante nativo. 66 A hipótese levantada na introdução deste trabalho de que estudantes de inglês falantes nativos de português brasileiro tendem a produzir vogais nasalizadas pode, portanto, ser verdadeira para um terço dos casos, segundo os resultados obtidos neste trabalho, e nas condições delimitadas nesta pesquisa. Com relação ao ambiente antecedente à nasal, os dados mostraram que com a vogal antecedente [ ] a produção tende a ser, percentualmente, mais próxima à produção de falantes nativos: 56% de similaridade (contra 52% para os pares [ ]) para as meninas, e 32% (contra 20% para os pares [ ]) para os meninos. As meninas conseguiram, no geral, um grau de similaridade com a falante nativa bem superior ao que os meninos conseguem com o falante nativo: 54% contra 26% dos meninos. A título de curiosidade, e num trabalho bastante preliminar, foi realizado um teste perceptual com os alunos, onde 64% das codas [ ] e 66% das codas [ ] foram corretamente reconhecidas. Estes resultados, contrariamente às expectativas iniciais, sugerem que pode ser mais fácil para os alunos perceberem a diferença entre os segmentos [ ] e [ ] do que produzi-la. Neste estudo, trabalhou-se com um corpus limitado a palavras monossilábicas, tendo como ambientes anteriores às consoantes nasais apenas duas vogais: [ ] e [ ]. O campo de estudos, levando apenas em consideração estes ambientes já seria bastante amplo se tomássemos todo o inventário dos fonemas vocálicos da língua inglesa, nos seus dois dialetos mais usados, o americano (General American) e o britânico (Received Pronunciation). Há necessidade também de estudo acústico de nasais em codas de polissílabos, levando em consideração o acento da palavra, o que poderá influenciar a produção da nasal, assim como com ambientes posteriores às nasais que não o silêncio, o que se utilizou neste trabalho. No que diz respeito aos informantes, que no presente estudo foram alunos de nível pré-intermediário apenas, haveria necessidade de se abrir o leque para outros níveis, desde o básico até o adiantado, para se verificar se haveria, como se espera, progresso em níveis de similaridade da produção com falantes nativos à medida que os conhecimentos e o contato com a língua inglesa se intensificam. O número de informantes do grupo controle precisa ser também ampliado para se conseguir mais segurança na definição do(s) parâmetro(s) acústico distintivo entre as nasais bilabiais e alveolares. A idéia é confirmar o F2 do murmúrio nasal como um fator 67 acústico distintivo entre aqueles segmentos em todas as posições dentro de uma sílaba, e em todos os ambientes possíveis, ou se não, encontrar outro(s) fator(es) que o seja(m) . Verifica-se, então, que nesta área de análise acústica de consoantes nasais, muito ainda precisa ser feito considerando-se a interlíngua L1 (português) – L2 (inglês), tal que resultados práticos sejam levados para dentro das salas de aula e dos livros didáticos de ensino de inglês como língua estrangeira. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AVERY, P.; EHRLICH, S. Teaching American English Pronunciation. Oxford: Oxford University Press, 1992. BAPTISTA, B.O.; SILVA FILHO, J. L.A. da. 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Oxford, UK: Macmillan & Heinemann, 1994. 71 APÊNDICE 1 DESENHOS E FRASES-VEÍCULO UTILIZADAS NOS LIVRETOS 72 73 74 75 APÊNDICE 2 SEQUÊNCIAS UTILIZADAS NOS LIVRETOS ( PALAVRAS ALVO ALTERNADAS COM DISTRATORES ) “ I SAY ...” LIVRETO 1 Gin Pam Din Cam Pim Dan Tim Gran Skim Jan Pin Dam Tin Gram Dim Can Gym Pan Skin Jam LIVRETO 2 Cat Skin Fish Jam Car Gym Door Pan Hair Dim Map Can Bee Tin Buck Gram Shoe Pim Bat Dam Eight Skim Plug Jan Flag Tim Vase Dan Tree Pin Boy Cam Desk Din Gran Grass Four Net Gin Pam Vase Map Boy Grass Bat Buck Eight Net Hair Door Car Four Tree Cat Desk Shoe Plug LIVRETO 3 Jam Skin Pan Gym Can Dim Gram Tin Dam Pin Jan Skim Gran Tim Dan Pim Cam Fish Din Flag Pam Bee Gin Net Four Grass Desk Boy Tree Vase Flag Plug Eight Bat Shoe Buck Bee Map Hair Door Car Fish Cat 76 APÊNDICE 3 RESULTADOS DAS VARIÁVEIS PARA O GRUPO CONTROLE Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B CAM 1 1.189 0.322 0.137 B CAM 2 1.186 0.326 0.141 B CAM 3 1.186 0.365 0.169 MÉDIAS B( ) CAM B CAN 1 1.187 0.338 0.149 1.221 0.383 0.184 B CAN 2 1.193 0.343 0.172 B CAN 3 1.211 0.374 0.169 MÉDIAS B( ) CAN M CAM 1 1.208 0.367 0.175 1.337 0.544 0.311 M CAM 2 1.258 0.456 0.262 M CAM 3 1.323 0.475 0.279 MÉDIAS M( ) CAM M CAN 1 1.306 0.492 0.284 1.307 0.468 0.283 M CAN 2 1.252 0.446 0.268 M CAN 3 1.294 0.493 0.290 MÉDIAS M( ) CAN 1.284 0.469 0.280 F1=685 F2=2165 F3=2506 F4=3157 F1=698 F2=2146 F3=2495 F4=3625 F1=760 F2=2187 F3=2682 F4=3601 F1=714 F2=2166 F3=2561 F1=735 F2=2070 F3=2827 F4=3886 F1=731 F2=2092 F3=3033 F4=3806 F1=770 F2=2153 F3=2946 F4=3688 F1=745 F2=2105 F3=2935 F1=558 F2=2678 F3=3633 F4=4226 F1=452 F2=2896 F3=3488 F4=5061 F1=441 F2=2986 F3=3557 F4=4510 F1=483 F2=2853 F3=3559 F1=653 F2=2902 F3=3411 F4=4352 F1=414 F2=2924 F3=3385 F4=4153 F1=500 F2=2129 F3=3321 F4=3601 F1=522 F2=2652 F3=3372 Duração Murmúrio nasal(ms) 0.115 0.105 0.113 0.111 0.113 0.095 0.116 0.108 0.076 0.081 0.089 0.082 0.074 0.076 0.098 0.083 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=288 F2=1525 F3=2477 F4=3471 F1=252 F2=1729 F3=2761 F4=3646 F1=329 F2=1613 F3=2453 F4=3581 F1=290 F2=1622 F3=2564 F1=275 F2=1907 F3=2874 F4=4027 F1=303 F2=1922 F3=2978 F4=4170 F1=313 F2=1780 F3=2943 F4=4361 F1=297 F2=1870 F3=2932 F1=260 F2=1424 F3=2519 F4=4107 F1=270 F2=1251 F3=2708 F4=3812 F1=241 F2=1341 F3=2481 F4=3733 F1=257 F2=1339 F3=2569 F1=292 F2=1875 F3=2743 F4=3809 F1=332 F2=1964 F3=2751 F4=3217 F1=362 F2=1447 F3=2741 F4=3783 F1=329 F2=1762 F3=2745 77 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B DAM 1 1.165 0.299 0.175 B DAM 2 1.140 0.307 0.199 B DAM 3 1.166 0.296 0.194 MÉDIAS B( ) DAM B DAN 1 1.157 0.301 0.189 1.199 0.350 0.240 B DAN 2 1.144 0.304 0.192 B DAN 3 1.133 0.336 0.244 MÉDIAS B( ) DAN M DAM 1 1.159 0.330 0.225 1.257 0.396 0.297 M DAM 2 1.156 0.350 0.280 M DAM 3 1.293 0.401 0.296 MÉDIAS M( ) DAM M DAN 1 1.225 0.382 0.291 1.287 0.410 0.323 M DAN 2 1.280 0.388 0.314 M DAN 3 1.241 0.414 0.322 F1=723 F2=2085 F3=2709 F4=3752 F1=805 F2=2036 F3=3128 F4=3789 F1=667 F2=2147 F3=2836 F4=3775 F1=732 F2=2089 F3=2891 F1=784 F2=2031 F3=2712 F4=3709 F1=757 F2=2091 F3=2643 F4=3881 F1=709 F2=2272 F3=3062 F4=4058 F1=750 F2=2131 F3=2806 F1=610 F2=2649 F3=2970 F4=4229 F1=470 F2=2595 F3=3318 F4=4780 F1=573 F2=2714 F3=2996 F4=4619 F1=551 F2=2653 F3=3095 F1=740 F2=2761 F3=3438 F4=4418 F1=439 F2=2010 F3=3166 F4=4260 F1=469 F2=1107 F3=2951 F4=3843 MÉDIAS M( ) DAN 1.269 0.404 0.320 F1=549 F2=1959 F3=3185 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.111 0.095 0.090 0.099 0.093 0.102 0.078 0.091 0.087 0.057 0.092 0.079 0.071 0.056 0.078 0.068 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=333 F2=1330 F3=2399 F4=3235 F1=252 F2=1525 F3=2506 F4=4023 F1=323 F2=1181 F3=2425 F4=3305 F1=303 F2=1345 F3=2443 F1=288 F2=1845 F3=2895 F4=3907 F1=352 F2=1922 F3=2831 F4=4118 F1=294 F2=1892 F3=2911 F4=4554 F1=311 F2=1886 F3=2879 F1=303 F2=1323 F3=2573 F4=3850 F1=318 F2=2041 F3=2668 F4=4220 F1=319 F2=1425 F3=2566 F4=3808 F1=313 F2=1596 F3=2602 F1=326 F2=1968 F3=2598 F4=4083 F1=282 F2=1661 F3=2667 F4=3785 F1=298 F2=1303 F3=2540 F4=3806 F1=302 F2=1644 F3=2602 78 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B GRAM 1 1.226 0.341 0.237 B GRAM 2 1.160 0.382 0.223 B GRAM 3 1.141 0.337 0.196 MÉDIAS B( ) GRAM B GRAN 1 1.142 0.353 0.219 1.209 0.370 0.208 B GRAN 2 1.250 0.366 0.225 B GRAN 3 1.210 0.414 0.249 MÉDIAS B( ) GRAN M GRAM 1 1.223 0.383 0.227 1.330 0.460 0.330 M GRAM 2 1.263 0.431 0.318 M GRAM 3 1.305 0.485 0.356 MÉDIAS M( ) GRAM M GRAN 1 1.299 0.459 0.335 1.463 0.503 0.396 M GRAN 2 1.258 0.481 0.348 M GRAN 3 1.325 0.474 0.373 MÉDIAS M( ) GRAN 1.349 0.486 0.372 F1=791 F2=2041 F3=2501 F4=3242 F1=791 F2=1988 F3=2463 F4=3511 F1=720 F2=1872 F3=2413 F4=3581 F1=767 F2=1967 F3=2459 F1=705 F2=1792 F3=2147 F4=3461 F1=764 F2=1985 F3=2312 F4=3668 F1=750 F2=1957 F3=2331 F4=3576 F1=740 F2=1911 F3=2266 F1=582 F2=2455 F3=3370 F4=3729 F1=741 F2=2466 F3=3356 F4=4936 F1=617 F2=2158 F3=2944 F4=3969 F1=647 F2=2360 F3=3223 F1=771 F2=2309 F3=3144 F4=3773 F1=476 F2=2517 F3=2869 F4=3875 F1=633 F2=2526 F3=3180 F4=3768 F1=627 F2=2451 F3=3064 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.088 0.109 0.108 0.102 0.123 0.099 0.118 0.113 0.077 0.068 0.099 0.081 0.070 0.080 0.070 0.073 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=321 F2=1579 F3=2456 F4=4357 F1=292 F2=1595 F3=2483 F4=3779 F1=312 F2=1693 F3=2542 F4=3825 F1=308 F2=1622 F3=2494 F1=264 F2=1915 F3=2940 F4=4156 F1=329 F2=1879 F3=3093 F4=4238 F1=312 F2=1893 F3=2933 F4=4283 F1=302 F2=1896 F3=2989 F1=260 F2=1638 F3=2546 F4=3666 F1=312 F2=1583 F3=2196 F4=3503 F1=218 F2=1286 F3=2670 F4=4007 F1=263 F2=1502 F3=2471 F1=354 F2=1907 F3=2775 F4=3898 F1=344 F2=1930 F3=3006 F4=4334 F1=300 F2=2154 F3=2820 F4=4273 F1=333 F2=1997 F3=2867 79 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B JAM 1 1.203 0.374 0.223 B JAM 2 1.113 0.349 0.211 B JAM 3 1.165 0.323 0.183 MÉDIAS B( ) JAM B JAN 1 1.160 0.349 0.205 1.257 0.371 0.234 B JAN 2 1.161 0.357 0.198 B JAN 3 1.188 0.339 0.184 MÉDIAS B( ) JAN M JAM 1 1.202 0.356 0.205 1.284 0.412 0.283 M JAM 2 1.270 0.441 0.300 M JAM 3 1.365 0.459 0.310 MÉDIAS M( ) JAM M JAN 1 1.306 0.437 0.298 1.216 0.454 0.319 M JAN 2 1.268 0.490 0.328 M JAN 3 1.211 0.458 0.319 MÉDIAS M( ) JAN 1.231 0.467 0.322 F1=706 F2=2125 F3=2655 F4=3552 F1=723 F2=1868 F3=2569 F4=3495 F1=648 F2=2188 F3=2409 F4=3352 F1=692 F2=2060 F3=2544 F1=764 F2=1864 F3=2669 F4=3318 F1=708 F2=1748 F3=2516 F4=3529 F1=737 F2=2037 F3=2121 F4=2897 F1=736 F2=1883 F3=2435 F1=510 F2=1274 F3=2767 F4=3742 F1=590 F2=2440 F3=3069 F4=4430 F1=514 F2=2757 F3=3254 F4=4804 F1=538 F2=2157 F3=3030 F1=605 F2=2761 F3=3585 F4=4413 F1=533 F2=2656 F3=3044 F4=4148 F1=600 F2=2742 F3=3597 F4=4257 F1=579 F2=2720 F3=3409 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.090 0.100 0.078 0.089 0.079 0.098 0.110 0.096 0.070 0.080 0.084 0.078 0.075 0.088 0.075 0.079 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=313 F2=1584 F3=2566 F4=3503 F1=317 F2=1295 F3=2684 F4=3501 F1=296 F2=1370 F3=2316 F4=3407 F1=309 F2=1416 F3=2522 F1=280 F2=2047 F3=3349 F4=4685 F1=301 F2=2007 F3=2960 F4=4226 F1=361 F2=1924 F3=2994 F4=3943 F1=314 F2=1993 F3=3101 F1=263 F2=1408 F3=2772 F4=3649 F1=257 F2=1987 F3=2641 F4=4117 F1=238 F2=1177 F3=2853 F4=3993 F1=253 F2=1523 F3=2755 F1=354 F2=1454 F3=2474 F4=3840 F1=348 F2=2122 F3=3114 F4=4124 F1=349 F2=1472 F3=2507 F4=3910 F1=350 F2=1683 F3=2698 80 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B PAM 1 1.221 0.329 0.163 B PAM 2 1.250 0.331 0.165 B PAM 3 1.112 0.317 0.159 MÉDIAS B( ) PAM B PAN 1 1.194 0.326 0.162 1.213 0.338 0.188 B PAN 2 1.126 0.295 0.152 B PAN 3 1.221 0.353 0.194 MÉDIAS B( ) PAN M PAM 1 1.187 0.329 0.178 1.307 0.472 0.296 M PAM 2 1.299 0.437 0.270 M PAM 3 1.254 0.445 0.250 MÉDIAS M( ) PAM M PAN 1 1.287 0.451 0.272 1.276 0.463 0.276 M PAN 2 1.183 0.423 0.267 M PAN 3 1.327 0.501 0.313 MÉDIAS M( ) PAN 1.262 0.462 0.285 F1=691 F2=2063 F3=2746 F4=3786 F1=780 F2=2108 F3=2812 F4=3696 F1=733 F2=2164 F3=2728 F4=3882 F1=735 F2=2112 F3=2762 F1=757 F2=2003 F3=2868 F4=3632 F1=670 F2=2035 F3=2854 F4=3805 F1=696 F2=2129 F3=3030 F4=3789 F1=708 F2=2056 F3=2917 F1=662 F2=2623 F3=3045 F4=4168 F1=494 F2=2860 F3=3346 F4=4718 F1=553 F2=2888 F3=3015 F4=3860 F1=570 F2=2790 F3=3135 F1=575 F2=2582 F3=3234 F4=4123 F1=555 F2=2249 F3=3229 F4=4323 F1=618 F2=2929 F3=3005 F4=3687 F1=583 F2=2587 F3=3156 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.118 0.103 0.092 0.104 0.093 0.091 0.115 0100 0.076 0.085 0.090 0.084 0.084 0.072 0.086 0.081 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=301 F2=1566 F3=2126 F4=3933 F1=293 F2=1421 F3=2219 F4=3847 F1=302 F2=1375 F3=2565 F4=3607 F1=299 F2=1454 F3=2303 F1=347 F2=1844 F3=2948 F4=4064 F1=312 F2=1998 F3=2857 F4=4252 F1=313 F2=1865 F3=3011 F4=4227 F1=324 F2=1902 F3=2939 F1=251 F2=1285 F3=2526 F4=4018 F1=284 F2=1256 F3=2576 F4=4003 F1=268 F2=1328 F3=2780 F4=3881 F1=268 F2=1290 F3=2627 F1=319 F2=2106 F3=2978 F4=4383 F1=358 F2=2037 F3=2970 F4=4210 F1=330 F2=1961 F3=2944 F4=4399 F1=336 F2=2034 F3=2964 81 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B DIM 1 1.164 0.303 0.163 B DIM 2 1.133 0.300 0.114 B DIM 3 1.139 0.256 0.125 MÉDIAS B( ) DIM B DIN 1 1.145 0.286 0.134 1.157 0.288 0.122 B DIN 2 1.238 0.326 0.145 B DIN 3 1.137 0.289 0.154 MÉDIAS B( ) DIN M DIM 1 1.177 0.301 0.140 1.223 0.344 0.244 M DIM 2 1.190 0.342 0.222 M DIM 3 1.297 0.351 0.237 MÉDIAS M( ) DIM M DIN 1 1.236 0.346 0.234 1.359 0.395 0.237 M DIN 2 1.273 0.370 0.227 M DIN 3 1.196 0.331 0.220 MÉDIAS M( ) DIN 1.276 0.365 0.228 F1=630 F2=2161 F3=2907 F4=3887 F1=551 F2=2270 F3=3015 F4=3941 F1=558 F2=2191 F3=2997 F4=3887 F1=580 F2=2207 F3=2973 F1=593 F2=2289 F3=2974 F4=4043 F1=620 F2=2197 F3=3053 F4=4282 F1=604 F2=2266 F3=3027 F4=4048 F1=606 F2=2250 F3=3018 F1=444 F2=2412 F3=3215 F4=4794 F1=541 F2=1981 F3=3276 F4=4411 F1=531 F2=2372 F3=3048 F4=4342 F1=505 F2=2255 F3=3180 F1=597 F2=2542 F3=3351 F4=4455 F1=523 F2=2570 F3=3515 F4=4854 F1=521 F2=2654 F3=3493 F4=4710 F1=547 F2=2589 F3=3453 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.125 0.174 0.116 0.138 0.135 0.151 0.113 0.133 0.084 0.106 0.101 0.097 0.137 0.126 0.097 0.120 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=298 F2=1701 F3=2357 F4=3371 F1=298 F2=1901 F3=2454 F4=3487 F1=295 F2=1483 F3=2536 F4=3596 F1=297 F2=1695 F3=2449 F1=383 F2=2031 F3=2906 F4=4195 F1=289 F2=2061 F3=3155 F4=4212 F1=367 F2=2133 F3=2921 F4=3995 F1=346 F2=2075 F3=2994 F1=317 F2=1859 F3=2734 F4=3761 F1=291 F2=1675 F3=2263 F4=3638 F1=343 F2=1591 F3=2658 F4=3242 F1=317 F2=1708 F3=2552 F1=348 F2=2210 F3=3006 F4=4583 F1=364 F2=2180 F3=3096 F4=4443 F1=315 F2=2151 F3=2783 F4=4141 F1=342 F2=2181 F3=2962 82 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B GYM 1 1.187 0.329 0.119 B GYM 2 1.177 0.368 0.131 B GYM 3 1.175 0.314 0.156 MÉDIAS B( ) GYM B GIN 1 1.180 0.347 0.135 1.197 0.361 0.139 B GIN 2 1.167 0.345 0.138 B GIN 3 1.078 0.315 0.134 MÉDIAS B( ) GIN M GYM 1 1.147 0.340 0.137 1.308 0.407 0.228 M GYM 2 1.258 0.387 0.216 M GYM 3 1.225 0.429 0.225 MÉDIAS M( ) GYM M GIN 1 1.264 0.408 0.223 1.296 0.381 0.177 M GIN 2 1.204 0.376 0.220 M GIN 3 1.238 0.419 0.250 MÉDIAS M( ) GIN 1.246 0.392 0.216 F1=504 F2=2105 F3=2796 F4=3781 F1=449 F2=2064 F3=2760 F4=3768 F1=561 F2=2003 F3=3009 F4=3080 F1=505 F2=2057 F3=2855 F1=550 F2=2282 F3=3099 F4=4009 F1=558 F2=2171 F3=2787 F4=3727 F1=439 F2=2167 F3=2906 F4=3750 F1=516 F2=2207 F3=2931 F1=553 F2=2464 F3=3116 F4=4049 F1=544 F2=2335 F3=3210 F4=4164 F1=661 F2=2361 F3=3175 F4=3844 F1=586 F2=2387 F3=3167 F1=531 F2=2460 F3=3342 F4=4736 F1=459 F2=2513 F3=3277 F4=4456 F1=487 F2=2149 F3=3277 F4=4351 F1=492 F2=2374 F3=3298 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.145 0.156 0.115 0.139 0.145 0.129 0.100 0.125 0.126 0.103 0.122 0.117 0.118 0.106 0.108 0.111 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=279 F2=1823 F3=2459 F4=3299 F1=241 F2=1718 F3=2266 F4=3380 F1=295 F2=1579 F3=2473 F4=3678 F1=272 F2=1707 F3=2399 F1=298 F2=2027 F3=3004 F4=4698 F1=296 F2=2063 F3=3033 F4=4198 F1=339 F2=1743 F3=2728 F4=3886 F1=311 F2=1944 F3=2922 F1=322 F2=1678 F3=2513 F4=3891 F1=340 F2=1338 F3=2530 F4=3706 F1=294 F2=1566 F3=2449 F4=3699 F1=319 F2=1527 F3=2497 F1=356 F2=1762 F3=2481 F4=3704 F1=324 F2=2353 F3=3217 F4=4326 F1=347 F2=2299 F3=3125 F4=4658 F1=342 F2=2138 F3=2941 83 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B PIM 1 1.460 0.290 0.114 B PIM 2 1.102 0.283 0.100 B PIM 3 1.105 0.283 0.104 MÉDIAS B( ) PIM B PIN 1 1.222 0.285 0.106 1165 0.290 0.118 B PIN 2 1.175 0.289 0.113 B PIN 3 1.053 0.286 0.109 MÉDIAS B( ) PIN M PIM 1 1.131 0.288 0.113 1.215 0.382 0.190 M PIM 2 1.140 0.379 0.155 M PIM 3 1.232 0.417 0.197 MÉDIAS M( ) PIM M PIN 1 1.196 0.393 0.181 1.203 0.379 0.162 M PIN 2 1.263 0.412 0.215 M PIN 3 1.270 0.391 0.215 MÉDIAS M( ) PIN 1.245 0.394 0.197 F1=622 F2=1992 F3=2763 F4=3773 F1=661 F2=2050 F3=2786 F4=3770 F1=651 F2=2128 F3=2799 F4=3815 F1=645 F2=2057 F3=2783 F1=590 F2=2151 F3=3069 F4=3954 F1=595 F2=2243 F3=3029 F4=3937 F1=617 F2=2195 F3=3072 F4=3951 F1=601 F2=2196 F3=3057 F1=695 F2=2365 F3=3110 F4=4752 F1=427 F2=2455 F3=3389 F4=4325 F1=618 F2=2470 F3=3310 F4=3889 F1=580 F2=2430 F3=3270 F1=702 F2=2586 F3=3320 F4=4358 F1=651 F2=2318 F3=3315 F4=4126 F1=425 F2=2424 F3=3155 F4=3212 F1=593 F2=2443 F3=3263 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.136 0.129 0.122 0.129 0.120 0.136 0.112 0.123 0.107 0.129 0.123 0.120 0.112 0.117 0.103 0.111 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=299 F2=1896 F3=2129 F4=3502 F1=354 F2=1769 F3=2433 F4=3658 F1=344 F2=1453 F3=2313 F4=4036 F1=332 F2=1706 F3=2292 F1=352 F2=1995 F3=3074 F4=4151 F1=293 F2=2096 F3=2957 F4=4159 F1=369 F2=1915 F3=2776 F4=4050 F1=338 F2=2002 F3=2036 F1=321 F2=1564 F3=2568 F4=3625 F1=373 F2=1451 F3=2517 F4=4200 F1=297 F2=1430 F3=2509 F4=3902 F1=330 F2=1482 F3=2531 F1=331 F2=2154 F3=2703 F4=4091 F1=347 F2=2150 F3=3013 F4=4345 F1=377 F2=2253 F3=3183 F4=4469 F1=352 F2=2186 F3=2966 84 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B SKIM 1 1.111 0.513 0.087 B SKIM 2 1.236 0.515 0.121 B SKM 3 1.137 0.516 0.110 MÉDIAS B( ) SKIM B SKIN 1 1.161 0.515 0.106 1.264 0.543 0.117 B SKIN 2 1.181 0.480 0.089 B SKIN 3 1.278 0.432 0.119 MÉDIAS B( ) SKIN M SKIM 1 1.241 0485 0.108 1.327 0.564 0.177 M SKIM 2 1.237 0.544 0.164 M SKIM 3 1.284 0.568 0.202 MÉDIAS M( ) SKIM M SKIN 1 1.264 0.559 0.181 1.308 0.517 0.144 M SKIN 2 1.378 0.570 0.198 M SKIN 3 1.340 0.585 0.152 MÉDIAS M( ) SKIN 1.342 0.557 0165 F1=613 F2=2091 F3=2712 F4=3862 F1=561 F2=2383 F3=2869 F4=4038 F1=696 F2=2123 F3=2724 F4=3857 F1=623 F2=2199 F3=2768 F1=652 F2=2313 F3=2885 F4=4001 F1=564 F2=2255 F3=2914 F4=3740 F1=556 F2=2299 F3=3119 F4=4045 F1=591 F2=2289 F3=2973 F1=421 F2=2835 F3=3599 F4=3716 F1=496 F2=2556 F3=3321 F4=4162 F1=583 F2=2325 F3=3157 F4=3896 F1=500 F2=2572 F3=3359 F1=601 F2=2457 F3=3370 F4=4019 F1=479 F2=2522 F3=3451 F4=4472 F1=522 F2=2777 F3=3162 F4=3972 F1=534 F2=2585 F3=3328 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.125 0.159 0.128 0.137 0.129 0.093 0.118 0.113 0.085 0.108 0.123 0.105 0.115 0.124 0.139 0.126 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=317 F2=1695 F3=2362 F4=3877 F1=270 F2=1828 F3=2185 F4=3571 F1=327 F2=1674 F3=2469 F4=3757 F1=305 F2=1732 F3=2339 F1=330 F2=1878 F3=3058 F4=4114 F1=305 F2=1965 F3=2440 F4=3626 F1=322 F2=2227 F3=3064 F4=4768 F1=319 F2=2023 F3=2854 F1=347 F2=1500 F3=2623 F4=3670 F1=390 F2=1546 F3=2659 F4=3474 F1=350 F2=1420 F3=2713 F4=3871 F1=362 F2=1487 F3=2665 F1=392 F2=2028 F3=2815 F4=4155 F1=410 F2=2192 F3=3104 F4=4508 F1=394 F2=2195 F3=3043 F4=4346 F1=399 F2=2138 F23=2987 85 Informante Palavra Duração Sentença(ms) Duração Palavra(ms) Duração Vogal(ms) Formantes Vogal( Hz) B TIM 1 1.159 0268 0.104 B TIM 2 1.157 0.285 0.108 B TIM 3 1.124 0.288 0.096 MÉDIAS B( ) TIM B TIN 1 1.147 0.280 0.103 1.159 0.277 0.124 B TIN 2 1.167 0.275 0.104 B TIN 3 1.149 0.296 0.128 MÉDIAS B( ) TIN M TIM 1 1.158 0.283 0.119 1.376 0.463 0.213 M TIM 2 1.213 0.436 0.229 M TIM 3 1.230 0.394 0.199 MÉDIAS M( ) TIM M TIN 1 1.273 0.431 0.214 1.259 0.447 0.208 M TIN 2 1.196 0.401 0.162 M TIN 3 1.235 0.397 0.172 MÉDIAS M( ) TIN 1.230 0.418 0.181 F1=587 F2=2116 F3=2922 F4=3871 F1=667 F2=2128 F3=2898 F4=3805 F1=594 F2=2210 F3=2904 F4=4157 F1=616 F2=2151 F3=2908 F1=624 F2=2124 F3=3043 F4=4148 F1=593 F2=2426 F3=3126 F4=4052 F1=557 F2=2205 F3=2984 F4=4023 F1=591 F2=2252 F3=3051 F1=578 F2=2523 F3=3513 F4=4585 F1=609 F2=2283 F3=3267 F4=4238 F1=406 F2=2237 F3=3061 F4=4173 F1=531 F2=2348 F3=3280 F1=562 F2=2464 F3=3223 F4=4181 F1=589 F2=2476 F3=3545 F4=5011 F1=466 F2=2614 F3=3265 F4=4851 F1=539 F2=2518 F3=3344 Duração Murmúrio Nasal(ms) 0.118 0.107 0.130 0.118 0.086 0.111 0.093 0.097 0.137 0.097 0.094 0.109 0.124 0.123 0.109 0.119 Formantes Murmúrio Nasal(Hz) F1=296 F2=1804 F3=2626 F4=4181 F1=281 F2=1837 F3=2786 F4=4113 F1=258 F2=1633 F3=2476 F4=3595 F1=278 F2=1758 F3=2629 F1=311 F2=2027 F3=2952 F4=4029 F1=272 F2=2027 F3=2946 F4=4214 F1=306 F2=1915 F3=2358 F4=3930 F1=296 F2=1987 F3=2752 F1=324 F2=1391 F3=2703 F4=3962 F1=291 F2=1420 F3=2590 F4=3594 F1=328 F2=1640 F3=2697 F4=3923 F1=314 F2=1483 F3=2663 F1=304 F2=2357 F3=3112 F4=4540 F1=404 F2=1859 F3=2926 F4=4214 F1=340 F2=2208 F3=2958 F4=4897 F1=349 F2=2141 F3=2999 86 APÊNDICE 4 VALORES MÉDIOS DAS VARIÁVEIS PARA OS ALUNOS E ALUNAS 51 51 CAM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,378 0,311 0,453 0,388 0,297 0,372 0,360 0,448 0,279 0,395 Nasal 0,119 0,117 0,161 0,093 0,082 0,121 0,113 0,127 0,066 0,093 F1 342 263 292 248 322 305 244 296 215 285 F2 1384 1671 1567 1624 1686 1565 1691 1648 1702 1172 F3 2395 2609 2159 2517 2693 2538 2513 2292 2820 2409 F4 3674 4005 3743 4062 3906 4006 3842 3741 3943 3821 CAN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,389 0,300 0,440 0,390 0,268 0,320 0,335 0,430 0,255 0,405 Nasal 0,112 0,116 0,138 0,107 0,047 0,091 0,077 0,091 0,063 0,084 F1 348 281 279 265 286 289 232 332 249 331 F2 1755 1791 1785 1687 1360 1631 1583 1865 1615 1240 F3 2815 2677 2244 2231 2263 2528 2318 2733 2944 2541 F4 4213 4317 3847 3423 3957 4140 3845 4075 4162 4023 DAM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,383 0,274 0,404 0,362 0,260 0,326 0,312 0,395 0,261 0,358 Nasal 0,105 0,098 0,141 0,113 0,084 0,124 0,077 0,125 0,083 0,112 F1 335 254 278 245 234 244 252 296 217 295 F2 1506 1701 1610 1679 1298 1743 1660 1578 1628 1214 F3 2369 2620 2083 3221 2332 2506 2828 2746 2878 2254 F4 3718 3979 3573 4326 3898 4160 4123 4141 3711 3531 Os nomes dos alunos se encontram em ordem alfabética. 87 DAN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,346 0,282 0,383 0,374 0,266 0,303 0,319 0,399 0,399 0,334 Nasal 0,085 0,095 0,124 0,124 0,073 0,109 0,075 0,114 0,114 0,090 F1 329 269 277 241 224 226 260 323 323 314 F2 1632 1707 1629 1768 1497 1757 1711 1675 1675 1266 F3 2563 2652 2215 2423 2237 2456 2905 2388 2388 2363 F4 4041 4176 3964 3279 3812 4196 4569 3925 3925 3725 GRAM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,370 0,321 0,432 0,449 0,305 0,360 0,335 0,480 0,308 0,417 Nasal 0,097 0,093 0,141 0,118 0,078 0,102 0,074 0,124 0,077 0,114 F1 330 263 289 262 251 222 236 296 221 275 F2 1378 1706 1371 1618 1419 1584 1736 1536 1719 1369 F3 2317 2546 2122 2580 2448 2299 2534 2463 2930 2272 F4 3695 4047 3654 3791 4022 4199 4068 3723 3655 3602 GRAN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,411 0,343 0,427 0,428 0,290 0,320 0,315 0,471 0,311 0,387 Nasal 0,096 0,093 0,135 0,116 0,084 0,085 0,053 0,094 0,064 0,093 F1 331 279 275 251 249 251 214 336 221 319 F2 1562 1729 1752 1592 1664 1630 1607 1674 1795 1231 F3 2504 2699 2260 2272 2768 2588 2611 2464 2413 2529 F4 3439 4247 3678 3555 4158 4069 3767 4185 3211 4009 88 JAM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,345 0,301 0,409 0,418 0,300 0,285 0,342 0,457 0,301 0,407 Nasal 0,078 0,101 0,131 0,108 0,092 0,084 0,130 0,126 0,081 0,119 F1 321 232 294 262 225 238 250 304 208 284 F2 1344 1661 1417 1559 1655 1617 1790 1551 1722 1274 F3 2455 3100 2143 2835 2630 2615 2623 2385 2914 2348 F4 3890 4065 3626 3875 4075 4015 4079 4115 3619 3712 JAN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,366 0,308 0,421 0,383 0,289 0,312 0,335 0,509 0,316 0,465 Nasal 0,094 0,079 0,109 0,103 0,089 0,092 0,089 0,124 0,076 0,163 F1 335 269 277 264 283 225 249 312 250 296 F2 1375 1693 1683 1645 1450 1654 1770 1831 1778 1420 F3 2606 2615 2163 2095 2527 2410 2617 3256 2668 2411 F4 3740 4319 3941 3367 3872 4266 4320 4568 3594 3925 PAM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,291 0,254 0,388 0,355 0,222 0,285 0,276 0,391 0,218 0,352 Nasal 0,072 0,092 0,129 0,102 0,067 0,118 0,082 0,118 0,058 0,097 F1 298 276 299 240 270 227 222 321 221 334 F2 1337 1519 1583 1640 1405 1778 1521 1345 1645 1417 F3 2518 2280 1960 2371 2527 2542 2239 2454 2803 2284 F4 3739 3779 3547 3552 3853 3928 3707 3803 3888 3466 89 PAN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,316 0,276 0,362 0,371 0,223 0,299 0,344 0,397 0,217 0,383 Nasal 0,075 0,118 0,112 0,136 0,055 0,111 0,126 0,120 0,047 0,126 F1 320 225 275 297 213 212 222 322 231 308 F2 1384 1644 1851 1659 1472 1711 1707 1575 1722 1487 F3 2575 2601 2150 2722 2482 2704 2723 2132 2785 2700 F4 4014 4231 3881 4458 3921 3948 4136 3831 3957 4143 DIM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,344 0,266 0,388 0,348 0,284 0,304 0,305 0,417 0,254 0,375 Nasal 0,124 0,107 0,133 0,122 0,104 0,103 0,088 0,126 0,099 0,165 F1 330 199 272 264 217 226 216 304 218 336 F2 1173 1849 1573 1437 1460 1682 1728 1610 1864 1155 F3 2559 2678 2255 2794 2449 2467 2595 2558 2902 2383 F4 3638 4004 3594 4521 3911 4039 3644 3963 3868 3877 DIN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,326 0,283 0,369 0,356 0,277 0,319 0,285 0,401 0,238 0,383 Nasal 0,125 0,107 0,117 0,133 0,094 0,129 0,081 0,101 0,086 0,227 F1 345 235 285 277 233 225 237 344 218 332 F2 1286 1790 1957 1611 1303 1845 1605 1791 1875 1285 F3 2511 2559 2274 2676 2366 2415 2609 2594 2824 2096 F4 3536 4069 4079 4169 3874 4121 3916 4015 3721 3478 90 GYM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,377 0,334 0,401 0,396 0,289 0,339 0,353 0,437 0,256 0,383 Nasal 0,140 0,134 0,154 0,125 0,113 0,118 0,119 0,127 0,116 0,119 F1 334 244 278 268 229 225 288 311 264 320 F2 1363 1741 1595 1709 1298 1717 1799 1532 1744 1221 F3 2676 2941 2078 2876 2349 2596 2531 2537 2849 2302 F4 3881 3841 3620 4262 3856 3875 3975 4071 3656 3658 GIN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,325 0,287 0,400 0,384 0,271 0,310 0,328 0,407 0,256 0,343 Nasal 0,131 0,088 0,115 0,124 0,097 0,107 0,098 0,106 0,094 0,148 F1 317 273 309 254 242 241 219 324 230 344 F2 1637 1763 1701 1566 1403 1782 1838 1713 1818 1112 F3 2495 2573 2429 2784 2357 2354 2517 2368 2859 2293 F4 3451 4138 4177 4356 3888 3945 3599 4067 3645 3694 PIM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,325 0,257 0,375 0,359 0,228 0,376 0,282 0,336 0,205 0,293 Nasal 0,109 0,114 0,167 0,127 0,110 0,238 0,091 0,110 0,090 0,157 F1 333 198 282 251 220 202 219 306 228 333 F2 1627 1798 1476 1772 1298 1747 1619 1438 1720 1251 F3 2596 2667 2199 3129 2340 2484 2514 2257 2563 2226 F4 3966 4040 3588 4471 3774 3794 3933 3866 3573 3711 91 PIN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,317 0,237 0,381 0,367 0,252 0,353 0,286 0,333 0,217 0,300 Nasal 0,132 0,111 0,159 0,182 0,130 0,198 0,092 0,095 0,085 0,170 F1 343 262 284 344 192 207 237 336 212 347 F2 1709 1849 1772 1729 1306 1642 1501 1668 1850 1152 F3 2930 2600 2260 3216 2486 2634 2377 2789 2670 2529 F4 3869 4239 4106 4747 3815 4031 3709 3997 3184 3748 SKIM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,534 0,517 0,592 0,566 0,410 0,503 0,482 0,591 0,482 0,538 Nasal 0,120 0,122 0,187 0,125 0,105 0,132 0,101 0,133 0,075 0,103 F1 352 204 288 271 224 215 240 309 221 337 F2 1267 1640 1551 1594 1218 1865 1737 1593 1897 1196 F3 2379 2560 2172 3072 2390 2767 2601 2906 2790 2548 F4 3715 4004 3581 4315 3848 3839 4134 4050 3765 4111 SKIN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,545 0,493 0,553 0,545 0,454 0,502 0,503 0,574 0,434 0,490 Nasal 0,107 0,127 0,154 0,128 0,099 0,121 0,115 0,101 0,082 0,116 F1 322 254 282 339 232 208 285 360 251 338 F2 1169 1975 1757 1783 1368 1377 1722 1934 1922 1184 F3 2477 2976 2507 2826 2386 2576 2415 2941 2780 2572 F4 3733 4412 4020 4371 3787 3720 3852 4545 3804 3993 92 TIM BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,336 0,301 0,422 0,332 0,289 0,325 0,278 0,431 0,233 0,347 Nasal 0,117 0,130 0,149 0,130 0,104 0,128 0,100 0,126 0,074 0,129 F1 346 264 290 300 237 208 273 296 203 349 F2 1283 1619 1908 1802 1625 1564 1865 1492 1741 1574 F3 2387 2508 2216 3251 2344 2418 2643 2769 3026 2425 F4 3737 3840 3598 4549 3835 4182 4049 4080 3312 3972 TIN BA BR C CA D G H L R V Palavra 0,322 0,318 0,407 0,358 0,310 0,322 0,264 0,417 0,217 0,336 Nasal 0,107 0,123 0,117 0,144 0,116 0,124 0,082 0,113 0,086 0,148 F1 349 231 285 331 201 234 310 337 252 340 F2 1379 1813 1881 1776 1337 1859 1743 1909 2096 1206 F3 2380 2519 2723 3184 2458 2762 2953 2980 3071 2532 F4 3510 3890 4376 5012 3692 3926 4188 4486 4301 3976 93 APÊNDICE 5 ESPECTROGRAMAS - AMOSTRAS 1. Falante Nativo (B) ( ) – Palavra Alvo: CAM 2. Falante Nativo (B) ( ) – Palavra Alvo: CAN 94 3. Informante Aluna (BA) ( ) – Palavra Alvo: CAM Produção similar à de falante nativo 4. Informante Aluna (BA) ( ) – Palavra Alvo: CAN Produção similar à de falante nativo 95 5. Falante Nativo (M) ( ) – Palavra Alvo: PIM 6. Falante Nativo (M) ( ) – Palavra Alvo: PIN 96 7. Informante Aluno (CA) ( ) – Palavra Alvo: PIM Produção não correspondente à de falante nativo 8. Informante Aluno (CA) ( ) – Palavra Alvo: PIN Produção não correspondente à de falante nativo