A Contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Mestrado de Estratégia Empresarial Orientador de Projecto Professor Doutor José Manuel Fonseca Tiago Filipe da Silva Pereira 50029537 Lisboa, 31 de Maio de 2015 A Contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC ii Declaração de autoria O conteúdo deste relatório é da exclusiva responsabilidade do(a) autor(a). Mais declaro que não incluí neste trabalho material ou dados de outras fontes ou autores sem a sua correta referenciação. A este propósito declaro que li o guia do estudante sobre o plágio e as implicações disciplinares que poderão advir do incumprimento das normas vigentes. Data Assinatura iii Sumário Executivo Desde sempre, que nenhuma empresa ou organização consegue existir se não tiver definido objetivos na qual ela se propõe e para atingir essas metas é necessário ter uma estratégia. Atualmente a nível económico, os países ainda estão numa fase em que recuperaram da crise, sendo esta a pior crise mundial do século XXI, e para essa recuperação as empresas tem um papel importante em todos os países, porque através da melhoria de produtos e serviços, assim como o desenvolvimento das próprias empresas. A estratégia que as empresas decidem implementar tem que ser dinâmicas, e para as empresas atingirem o topo tem que estar em constante avaliação, ou seja avaliar o seu desempenho usando os vários indicadores possíveis para essa avaliação. A ferramenta mais ajustada a esta avaliação é o Balanced Scorecard, que permite avaliar o desempenho nas empresas, em quatro perspetivas diferentes, sendo elas: a perspetiva financeira, perspetiva do cliente, perspetiva da aprendizagem e a perspetiva dos processos internos da organização. iv Executive Summary Since forever, no company or organization can exist if you have not set targets on which it proposes to achieve these goals and you need a strategy. Currently the economic level, countries are still at a stage recovered from the crisis , this is the worst global crisis of the century, and this recovery companies have an important role in all countries , because by improving products and services as well as the development of the companies themselves . The strategy that companies decide to implement has to be dynamic, and for businesses to reach the top has to be constantly reviewed, or evaluate its performance using various possible indicators for this review. The tool most suited to this evaluation is the Balanced Scorecard, to evaluate the performance in business in 4 different perspectives, namely: financial perspective, customer perspective, learning perspective and the perspective of the internal processes of the organization. v Agradecimentos Agradeço a todas as pessoas que marcaram profundamente o meu percurso académico, vivenciei bons e maus momentos, mas os bons vão perdurar para sempre. Em particular, dedico uma palavra de agradecimento ao Professor Doutor Manuel Fonseca pela dedicação que demonstrou e depositou nas aulas e no apoio ao trabalho final do mestrado. Acompanhou a minha “viagem” nestes últimos 5 meses, por vezes atribulada, todavia considero que contribuiu para o desenvolvimento do meu futuro numa perspetiva positiva. Obrigado pelos novos horizontes de conhecimento e pela sua disponibilidade perante todas as situações desafiantes. Agradeço igualmente as amizades que realizei e que nunca esquecerei. Deixo uma palavra especial de agradecimento à minha namorada Patrícia Martins, pelo tempo que despendeu para ajudar-me em qualquer situação, pelo apoio neste caminho, por vezes difícil de percorrer, e pela força moral para nunca desistir. Sem ela não conseguiria acabar este trabalho final do curso. Solto uma palavra á amiga Juliana Matos Vieira, pelo apoio moral e pelos demasiados incentivos naqueles momentos em que a pressão era maior. Deixo um agradecimento ao Professor Doutor César Ribeiro pela dedicação que demonstrou e depositou no curso referente, e agradecer o tempo disponível nos momentos que mais precisei devido às minhas dúvidas. Por último, quero dar o agradecimento á própria instituição Universidade Europeia por ter conseguido apresentar as melhores condições e os melhores professores, e sei que com isto saiu fortalecido a nível pessoal e a nível profissional, sentido que estou preparado para os desafios no dia-a-dia. vi Índice Declaração de autoria .................................................................................................. iii Sumário Executivo........................................................................................................ iv Executive Summary ....................................................................................................... v Agradecimentos ........................................................................................................... vi Índice de tabelas e figuras ........................................................................................... ix Índice dos gráficos ........................................................................................................ x Lista de abreviaturas .................................................................................................... xi 1 Introdução ............................................................................................................. 1 2 Principais argumentos que sustentam a importância desta investigação ........... 2 3 2.1 Objetivos ....................................................................................................... 3 2.2 Conceitos a investigar ................................................................................... 3 O estágio ............................................................................................................... 5 3.1 A caracterização do local do estágio ............................................................. 5 3.2 Descrição das funções do estágio ................................................................. 5 3.3 Finalidade do estágio .................................................................................... 7 3.4 Percepção de como a Contabilidade poderia usar o BSC para dar suporte às PME´s 7 4 Enquadramento teórico ........................................................................................ 9 4.1 Gestão Estratégica ........................................................................................ 9 4.2 Balanced Scorecard ..................................................................................... 14 4.2.1 Perspetiva financeira........................................................................... 16 4.2.2 Perspetiva clientes .............................................................................. 17 4.2.3 Perspetiva dos Processos Internos...................................................... 18 4.2.4 Perspetiva da Aprendizagem e Crescimento ...................................... 20 4.2.5 Indicadores de desempenho (em relação as perspetivas) ................. 21 vii 4.3 Contabilidade Financeira e Contabilidade Analítica ................................... 25 4.3.1 5 6 O Sistema de Normalização Contabilística (SNC) ................................ 26 Metodologia de Investigação .............................................................................. 29 5.1 Noção PME´s ............................................................................................... 29 5.2 Modelo de Balanced Scorecard .................................................................. 33 5.3 Inquérito sobre o BSC ................................................................................. 38 5.4 Descrição e análise dos dados .................................................................... 40 Conclusão ............................................................................................................ 44 Bibliografia .................................................................................................................. 46 Anexo .......................................................................................................................... 48 Anexo 1 ................................................................................................................... 48 viii Índice de tabelas e figuras Figura 1- Os três níveis de planeamento estratégico -------------------------------------- 14 Tabela 1- Empresas em Portugal em 2010 ---------------------------------------------------- 31 Tabela 2- Empresas em Portugal ---------------------------------------------------------------- 32 ix Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Índice dos gráficos Gráfico 1- Conhecimento da ferramenta BSC ------------------------------------------------ 40 Gráfico 2- Melhores estratégias nas PME´s -------------------------------------------------- 41 Gráfico 3 – BSC como ferramenta a implementar nas PME´s --------------------------- 41 Gráfico 4 – Avaliação do BSC --------------------------------------------------------------------- 42 Gráfico 5 – Conhecimento de clientes que usam o Balanced Scorecard ------------- 42 Gráfico 6 – Aconselhamento do Balanced Scorecard às empresas -------------------- 43 Gráfico 7 – Capacidade de as empresas fornecerem apoio na implementação do BSC ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 43 x Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Lista de abreviaturas BSC - Balanced Scorecard EBITDA - Earnings before Interest, Taxex, Depreciation and Amortization EVA - Economic Value Added I&D - Investigação e Desenvolvimento INE - Instituto Nacional de Estatística IVA – Imposto sobre o Valor acrescentado PME’s - Pequenas e médias empresas SNC – Sistema Normalização Contabilística VAB - Valor acrescentado Bruto xi Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 1 Introdução As empresas necessitam de estratégias para conseguir atingir as metas e os objetivos propostos. No entanto no mercado atual, se uma empresa não tiver uma estratégia está destinada a ter o insucesso, porque o mercado é tao competitivo sendo necessário que as empresas tenham estratégias para não andarem perdidas. Uma estratégia bem definida garante a uma vantagem competitiva, e permite com que estas se adaptem as mudanças do ambiente externo. No entanto só a estratégia é insuficiente, e torna-se necessário conhecer o seu desempenho, para analisar o que decorre e preparar medidas para o futuro. Entre as várias ferramentas de avaliação de desempenho, este trabalho foca-se no Balanced Scorecard. O BSC é uma ferramenta que permite definir e avaliar o desempenho de estratégias em quatro vertentes, sendo elas, a financeira, os clientes, os processos internos e a aprendizagem e desenvolvimento. O presente relatório de estágio, para além da introdução e dos principais argumentos que sustentam a importância desta investigação, estrutura-se em um capítulo a abordagem do estágio, outro capítulo sobre abordagem teórica, outro capítulo nas metodologias de investigação e outro nas considerações finais. No capítulo da abordagem ao estágio pretende-se fazer uma caracterização geral do estágio, como as funções que desempenhamos e qual a finalidade do estágio. No capítulo da abordagem teórica pretende-se definir o que é a estratégia, assim como caracterizar o BSC e as suas quatros perspetivas, abordar os indicadores das respetivas perspetivas e definir o que é a contabilidade. No quarto e quinto capítulo, pretende-se fazer uma breve associação das PME´s em Portugal, assim como realizou-se um exemplo de um Balanced Scorecard e realizouse o inquérito às empresas de contabilidade, por fim analisando os dados estatísticos das respostas, seguindo conclusões e anexos. 1 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 2 Principais argumentos que sustentam a importância desta investigação Existem duas maneiras de um negócio não ser viável: ou é um negócio errado ou é um negócio com má gestão. Reconhece-se que no passar dos anos a complexidade do ambiente organizacional tanto interno quanto externo aumentou, dificultando assim a elaboração de uma estratégia empresarial. Nas atividades da empresa são requeridas compreensão e habilidade na aplicação dos fatores que interagem entre si, bem como a vasta informação sobre os mesmos. No entanto a velocidade com que o conhecimento vai mudando, aumenta com o passar do tempo. Isso gera um enorme impacto na capacidade de permanência das empresas no mercado atual, tornando-se, crucial manter uma equipa em constante aperfeiçoamento. As PME´s necessitam de apresentar meios e objetivos para realizar os planos e atingir as metas definidas, mas ao mesmo tempo para reagirem às mudanças do mercado que sugerem constantemente. Todos esses fatores são imprescindíveis para orientar o comportamento de uma organização, na qual definese como estratégia. No entanto o ambiente atual de informações em relação aos produtos e serviços exige novas capacidades para se conseguir manter o ambiente competitivo. Atualmente todas as informações necessárias para o processo de gestão de um determinado negócio está limitada a relatórios tradicionais, elaborados de acordo com a necessidade do mercado. Na Contabilidade tradicional há dificuldade em atribuir valor a alguns ativos intangíveis como: processos, habilidades, lealdade, flexibilidade. No entanto são estes ativos que possuem a capacidade de ajudar a empresa a desenvolver-se para atingir o sucesso. 2 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC As PME´s devem valorizar a contabilidade e usá-la como uma ferramenta, que pode ser utilizada na gestão estratégica a curto ou longo prazo da empresa. Existem várias ferramentas que podem ser usadas como o Balanced Scorecard. O BSC está referenciado como uma ferramenta de avaliação de desempenho, mas apesar de existirem outras com uma metodologia estratégica, esta é capaz de suprimir as lacunas que outras ferramentas de avaliação de desempenho possuem. Ao mesmo tempo, a BSC além de mostrar uma imagem dos resultados passados, permite a que também seja possível obter uma visão sobre a estratégia definida a longo prazo e o seu impacto. O BSC permite definir e avaliar o desempenho de estratégias em quatro vertentes, a financeira, os clientes, os processos internos da organização e o nível de conhecimento. 2.1 Objetivos O objetivo deste trabalho passa por perceber como a contabilidade pode ser usada como suporte estratégico as PME´s. Mais concretamente, pretende-se analisar o BSC, como ferramenta estratégica de medição, avaliação e controlo nas PME´s. Para alcançar este objetivo, decidiu-se usar os seguintes objetivos específicos: I. Identificar em bases teóricas o que é o Balanced Scorecard; II. Identificar em bases teóricas, as quatro perspetivas do Balanced Scorecard; III. Identificar em bases teóricas, os Indicadores de desempenho (em relação às perspetivas); 2.2 Conceitos a investigar 3 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Os conceitos deste trabalho serão investigados através da pesquisa bibliográfica, possibilitando alcançarmos conclusões. Desta forma, pretende-se abordar os conceitos de gestão estratégica, contabilidade, Balanced Scorecard e as suas perspetivas (clientes, aprendizagem, processos internos e financeira), e os indicadores de desempenho. 4 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 3 O estágio 3.1 A caracterização do local do estágio O estágio foi realizado na empresa Duarte & Paula – Contabilidade e Gestão Lda., em Odivelas, cuja actividade principal é prestação de serviços de contabilidade e gestão, tendo este estágio sido realizado durante o período de 30 de Setembro de 2013 a 29 de Novembro de 2013. A empresa tem 2 sócios gerentes sendo marido e mulher, e a nível de recursos humanos, a empresa têm 3 funcionários. Atualmente, a Duarte & Paula – Contabilidade e Gestão Lda. presta serviços a cerca de 50 clientes, sendo 95% microempresas e os outros 5 % pequenas empresas, de acordo com os critérios de classificação publicados no decreto de lei 373/2007. A maioria dos clientes é da zona de Odivelas, havendo uma pequena percentagem que são de Lisboa, abrangendo várias áreas de actividade, nomeadamente restauração, reparação de automóveis, construção, serralharias, e outras atividades e serviços. Entretanto, este sector de atividade é cada vez mais competitivo, e com a crise sentida nestes últimos anos, houve uma diminuição dos clientes neste mercado devido á falência e encerramento de empresas. 3.2 Descrição das funções do estágio Durante o estágio, foram muitas as funções que desenvolvi e na qual me ajudou a compreender e aplicar todos os meus conhecimentos adquiridos durante o percurso académico. Neste ponto irei descreve‐las fazendo uma distinção entre as tarefas desenvolvidas na área da contabilidade e gestão. Emissão de balancetes; 5 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Recepção de documentos relevantes para Contabilidade: A prestação de serviços de contabilidade por parte de qualquer empresa deste ramo, inicia‐ se na recepção dos documentos contabilísticos, entregue pela empresa cliente. Estes documentos são escritos comerciais que descrevem e comprovam os factos patrimoniais descritos pela contabilidade. Quando um cliente entrega os documentos à empresa é necessário fazer a separação entre aqueles que são relevantes à contabilidade da empresa e aqueles que não o são, como por exemplo, os que não dizem respeito à atividade da empresa ou são referentes a despesas pessoais. Organização da informação contabilística: Na organização da informação contabilística são vários os procedimentos que se devem seguir, ou seja, inicialmente verifica-se qual a data do documento de forma a ver se coincide com o período em causa e se cumpre com os requisitos do nº 5 do artigo 36º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Depois desta separação os documentos contabilísticos são distinguidos por diários. O diário servirá para registar por ordem de datas, cada um dos factos que modifiquem ou possam modificar o património da empresa. Classificação de documentos contabilísticos: Após a informação estar organizada deve proceder‐se à classificação da mesma. A classificação da informação consiste em atribuir‐lhe os respectivos códigos de contas previstos no POC3. Numeração e lançamentos de documentos contabilísticos: Depois da classificação dos documentos deve proceder‐se à numeração manual dos mesmos. Esta numeração é efetuada com um numerador sequencial em cada diário. Depois de numerados os documentos, procede‐se ao 6 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC lançamento dos mesmos no programa de contabilidade SAGE. Cada documento lançado no programa deve possuir a mesma numeração realizada anteriormente. O lançamento é efetuado por diário e devem ser constantemente confirmados os dados introduzidos, nomeadamente: o mês de lançamento, a descrição do documento, o diário, assim como, o número do documento (por exemplo, no caso de uma factura de fornecedor, introduzir o número da mesma). Apuramento do IVA: O apuramento é efetuado automaticamente pelo Sage. No entanto, antes de enviar a declaração periódica de IVA deve proceder‐se à sua conferência de forma manual, ou seja, consiste em percorrer todos os documentos contabilísticos do período, respeitante ao apuramento do IVA (mensal ou trimestral) e inscrever numa folha de Excel todos os valores do mesmo. 3.3 Finalidade do estágio O objetivo do estágio é perceber, de que forma a empresa pode participar com maior qualidade na produção e fornecimento de dados, obtidos a partir dos documentos contabilísticos que sirvam para suportar processos de decisão estratégica em PME´s, nomeadamente através do modelo Balanced Scorecard. No entanto, consegui perceber que as empresas clientes apenas se interessavam no desempenho financeiro dentro dos limites, não se preocupando em criar uma estratégia ou até mesmo a empresa de contabilidade não mostrou pensamento estratégico em ajudar os seus clientes. 3.4 Percepção de como a Contabilidade poderia usar o BSC para dar suporte às PME´s 7 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Durante o estágio, consegui analisar que a maioria das PME´s tem uma visão e dão uma certa importância só às medidas de desempenho financeiro. No entanto, percebe-se que na maioria das PME´s em Portugal os sócios e gestores são a mesma pessoa, e com isto as PME´s apresentam falta de estratégias. No entanto a Contabilidade poderia ir mais longe e podendo ser o orientador estratégico das PME´s, usando instrumentos como o Balanced Scorecard para se poder avaliar as medidas de desempenho, nas quatro perspetivas: financeiras, clientes, processos internos e aprendizagem e crescimento. O BSC poderia ser implementado e baseado no alinhamento dos objetivos definidos por cada empresa. 8 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 4 Enquadramento teórico 4.1 Gestão Estratégica A noção estratégia torna-se muito vasta devido às várias variáveis que envolve. A palavra estratégia é de origem grega “strategos” na qual está ligado á liderança. Segundo Alfred Chandler (1962), a estratégia consiste na determinação de metas e objetivos de longo prazo para uma empresa, na adoção de recursos de ação e na alocação de recursos necessários para a realização dos mesmos. O autor define a estratégia como um “longo processo racional” na qual, o objetivo passa por maximizar a vantagem competitiva. Citando Porter (1986), “ a estratégia competitiva envolve o posicionamento de um negócio de modo a maximizar o valor das características que o distinguem dos seus concorrentes.” Entretanto, Bartol e Martin (1998) definem a gestão estratégica como um processo na qual os gestores formulam e implementam estratégias, com o objetivo de assegurar a realização dos objetivos da organização, em função do meio envolvente. De acordo com Colin Gilligan e Richard Wilson (2012) citando Peter Drucker (1995), a estratégia de uma empresa consiste em responder às seguintes perguntas: Qual é o nosso negócio? E qual é que deveria ser o nosso negócio? Segundo o IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, a formulação e implementação de uma estratégia é um processo de gestão que visa a tomada de decisão a médio e longo prazo, envolvendo decisões relativas à definição de um negócio (produtos, serviços, clientes alvo e posicionamento da empresa ou marca), aos objetivos de desenvolvimento do mesmo e a fatores críticos de sucesso. Ao conjunto de decisões anteriores que representam o relacionamento futuro da empresa com o seu meio ambiente atribui-se a designação de decisões estratégicas. Precedem e condicionam decisões operacionais, visando obter o maior lucro possível através da satisfação dos seus clientes. 9 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Para um determinado mercado, as decisões estratégicas são tomadas inicialmente através de um processo de formulação de uma estratégia. Tal processo envolve: uma fase prévia destinada a identificar as oportunidades e ameaças que o meio envolvente representa para uma empresa futuro (diagnóstico externo); e a identificação dos pontos fortes e fracos da empresa comparativamente com a sua concorrência (diagnóstico interno). Após a formulação de uma estratégia é possível alcançar as fases sobre a segmentação do mercado; a análise dos segmentos do mercado; a escolha dos targets em que a empresa pretende atuar; e a definição dos objetivos de desenvolvimento a atingir num futuro próximo. Atualmente uma organização para sobreviver a longo prazo, necessita de definir os seus objetivos, planear e definir as metas que ajudarão atingir esses objetivos, e principalmente necessita de uma estratégia definida. De acordo com Lopes dos Reis (2008), a visão é um resumo das intenções e aspirações da organização na qual serve de factor motivante para todos os seus colaboradores. Segundo Freire (1997), “ a visão de uma empresa representa as intenções e aspirações que uma determinada organização tem sobre o seu futuro”, e desta forma tem um papel essencialmente motivador, procurando servir de inspiração para os membros da organização tirarem o máximo de partido das suas capacidades e alcançarem níveis mais elevados de “excelência profissional.” De acordo com Hitt, Ireland & Hoskisson (2008), a visão assenta-se na análise ao ambiente interno e ambiente externo da organização, demonstrando o que a organização pretende ser em ambos ambientes. Lopes dos Reis (2008) defende que “a missão é um suporte da identidade especifica da empresa e das grandes motivações que que fundamentam a sua existência. A partir dela são definidos os objetivos e a estratégia, e tem como elementos: a finalidade, suposições e crenças, valores e comportamentos.” 10 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Para Freire (1997), “ A missão consiste numa declaração escrita que traduz os ideias e orientações globais da empresa e visa, em última análise, difundir o espirito da empresa por todos os seus membros e congregar esforços para a prossecução dos objetivos gerais”. De acordo com Silva (2013), “a missão é a visão partilhada dos seus líderes”, ou seja, um “conjunto de valores, expectativas e ideias que traduzem as orientações globais da organização para o futuro”. Segundo Certo et al. (2005), a “missão organizacional” é mostrar o objetivo que a empresa quer atingir, justificando a razão de ela existir. Para Dos Reis e Rosa Silva (2012), a “missão é o papel desempenhado pela empresa no seu negócio, sendo a razão da existência da mesma.” No entanto estes autores defendem que “ na formulação da missão a gestão deve ter em conta três elementos-chave”: História – Qualquer organização tem sempre um historial de objetivos, realizações, erros e politicas. Competências distintivas – São as coisas que uma organização faz bem, que constituem uma vantagem sobre as organizações similares. Ambiente – O ambiente da organização determina as oportunidades e as ameaças que tem de ser identificadas antes da formulação da declaração da missão. Silva (2013) defende que o objetivo é “em termos de estratégia” é “ uma finalidade ou resultado” que uma organização se propõe atingir, “utilizando os meios apropriados” para atingir esse fim. De acordo com Certo et al. (2005) “ um objetivo organizacional é uma meta para a qual a organização direcciona todos os seus esforços.” A organização deve estabelecer objetivos, de maneira a incentivar os funcionários de uma organização a expandir as suas competências, na qual existira melhoria dos 11 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC indicadores de desempenho no futuro. De acordo com Freire (1997), os objetivos organizacionais devem abranger 8 áreas essenciais: - Rentabilidade: nível dos resultados e outros indicadores de performance económico-financeiro - Posição no mercado: quota do mercado e volume de vendas - Inovação: desenvolvimento de novos produtos - Desempenho de atitude laboral: nível de performance e empenho dos funcionários - Desempenho de gestão: nível de performance e desenvolvimento da gestão - Produtividade: nível de eficiência operacional - Recursos: natureza e quantidade dos recursos necessários á empresa - Responsabilidade pública: responsabilidade da empresa para com os seus clientes e comunidade De acordo com Daft (2008) existem três tipos de objetivos: - Objetivos estratégicos; - Objetivos táticos; - Objetivos operacionais; Os objetivos estratégicos são os que orientam a organização para o futuro. Os objetivos táticos são dirigidos aos determinados departamentos de uma determinada organização, de maneira a que estes departamentos se focem a realizar os objetivos estratégicos. Os objetivos operacionais estão direccionados as pessoas incluídas nos determinados departamentos, ajudando-as a realizar os objetivos táticos e objetivos estratégicos. 12 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC No entanto, para uma organização torna-se importante construir um plano estratégico para se conseguir colocar tudo em prática após a definição da missão, da visão e dos objetivos pretendidos para a organização. De acordo com Freire (1997), o planeamento estratégico para ser eficaz, tem de ser dinâmico e adaptável á realidade ou a novas situações que possam aparecer de maneira a que a organização esteja preparada para o confronto com o ambiente externo. Santos (2008), defende que o plano estratégico é um documento formal, na qual está definido claramente, onde a organização irá implementar a sua estratégia, qual a missão da organização, quais os objetivos da mesma, e como irá atingir esses objetivos. De acordo com Freire (1997), o planeamento estratégico pode ser definido como processo sistemático, metódico e complementar de apoio, fomento, organização, estruturação e síntese da reflexão estratégica dos membros da organização. Segundo Goncalves (1986) citado por Santos (2008), o planeamento estratégico, que considera elemento fundamental da gestão estratégica, é um procedimento sistemático, analítico, racional e formal de suporte ao processo de gestão estratégica e desenvolve-se através do próprio processo de planeamento formal da organização. Na realidade como refere Steiner (1979), citado por Santos (2008), “o planeamento estratégico é a espinha dorsal de apoio á gestão estratégica”. De acordo com Dos reis e Rosa Silva (2012), “as organizações podem ser divididas em três níveis: estratégico, tático e operacional, de acordo com o tipo de trabalho que é desenvolvido por cada nível.” 13 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Estratégico Tático Operacional Figura 1- Os três níveis de planeamento estratégico Dos reis e Rosa Silva (2012) define os três níveis de planeamento. O planeamento estratégico “tem por objetivo principal situar o sistema de produção no seu ambiente global as tendências do mercado considerando um horizonte de planeamento a longo prazo.” O planeamento tático “tem por objetivo gerir o sistema de produção num horizonte temporal de médio prazo.” O Planeamento operacional “ tem por objetivo a programação das operações ao nível dos recursos elementares do sistema de produção.” 4.2 Balanced Scorecard O BSC é uma ferramenta estratégica, tendo sido desenvolvida em 1992, por Robert Kaplan e David Norton, sendo estes docentes da Harvard Business School. Este estudo foi financiado por dozes grandes empresas americanas, na qual queriam um desenvolvimento de um novo modelo de avaliação do desempenho organizacional. 14 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Segundo vários autores, o BSC é uma ferramenta de apoio á estratégica em termos de controlo e avaliação e, no entanto outros autores defendem que o BSC é uma metodologia estratégica adoptada pelas organizações no decorrer da formulação e implementação estratégica. O BSC ao ser visto como ferramenta permite auxiliar a gestão estratégia na avaliação e controlo do desempenho estratégico das organizações, no entanto se for vista como metodologia, o BSC agrega um conjunto de objetivos e metas estratégicas a que as organizações se podem propor, funcionando como alinhamento da estratégia da determinas organização. Como iremos analisar mais a frente, o BSC divide-se em quatro perspetivas sendo elas, a financeira, clientes, processos de aprendizagem e processos internos. Estas perspetivas estão alinhadas com a missão, visão e a estratégia das organizações, formando em conjunto um sistema de gestão estratégica que se baseia na análise dos indicadores de desempenho das diferentes perspetivas e na qua permite a que organização pode avaliar o seu desempenho estratégico. Segundo Russo (2006), o BSC, para além de controlar o desempenho das organizações, também serve para ajudar a implementar a estratégia das organizações, definir objetivos e tornar as acções coesos com a estratégia e os objetivos definidos. Para Kaplan & Norton (1996), o BSC pode-se tornar útil na estratégia das organizações sem fins lucrativos, na qual o BSC funciona como um ferramenta de motivação, mas são precisas adaptações a este tipo de organizações. De acordo com Santos (2008), o BSC permite as organizações tomada do conhecimento a “tempo” do desempenho estratégico, na qual permite a tomada de decisões a “tempo útil”. De Carvalho & Filipe (2010), afirmam que o BSC “é um sistema de medição de desempenho que possibilita”: 15 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC - Determinar a posição atual da empresa; - Comunicar a direcção ou o caminho; - Estimular a acção nas áreas mais importantes; - Facilitar aprendizagem; - Influenciar os comportamentos; 4.2.1 Perspetiva financeira A perspetiva financeira é uma das perspetivas mais importantes para as organizações, e podemos afirmar que esta perspetiva é a chave para onde se orientam as outras três perspetivas. De acordo com Cruz (2006), as organizações que desejam obter lucro, um dos principais objetivos é aumentar o seu valor, e a perspetiva (financeira) permite que a organização implemente estratégias que garante obter bons resultados financeiros e económicos que irá satisfazer o valor esperado pelos accionistas. De acordo com Santos (2008), “a perspetiva financeira traduz as expectativas daqueles que investiram o seu capital na organização e que, como tal, esperam a satisfação dos seus próprios objetivos: maximização do respetivo retorno (atividades lucrativas); ou manutenção e sobrevivência (atividades não empresariais).” Segundo Kaplan & Norton (1996), esta perspetiva é a orientadora das outras perspetivas do BSC, ou seja, se uma organização tiver um bom desempenho financeiro, esse desempenho influencia e orienta o desempenho das outras perspetivas do BSC. 16 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 4.2.2 Perspetiva clientes Esta perspetiva tem como função traduzir os objetivos estratégicos relacionados com os clientes definidos pela organização, na qual, ajudará a própria a organização a conseguir segmentar estrategicamente o tipo de clientes que a organização necessita para satisfazer os seus objetivos definidos. De acordo com Silva (2013), “para se obter um desempenho financeiro elevado a longo prazo, as organizações necessitam de ter uma oferta de produtos e serviços valorizados pelos clientes, com vista a satisfazer as suas necessidades e fideliza-los, na medida em que são estes a fonte de receitas e recursos das organizações.” No entanto, a análise do impacto desta perspetiva é feita com medidas, como “o nível de satisfação, a imagem, a fidelização e a retenção de clientes, a evolução da quota de mercado, entre outras.” Kaplan & Norton (1996) definem cinco medidas relacionadas com a perspetiva dos clientes, sendo elas: - Participação no mercado: reflecte a proporção de negócios num determinado mercado (em termos de clientes, valores gastos); - Captação de clientes: faz uma medição, termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios consegue atrair ou conquistar novos clientes ou negócios; - Retenção de clientes: a capacidade de controlar, em termos absolutos e relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios retém ou mantem relacionamentos contínuos com os seus clientes; - Satisfação dos clientes: Mede o nível de satisfação dos clientes de acordo com os critérios específicos de desempenho dentro da proposta de valor; - Lucratividade dos clientes: Mede o lucro líquido de clientes, depois de deduzidas as despesas necessárias para sustentar esses clientes; 17 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Kaplan e Norton (1996) afirmam que estas cincos medidas permitem as organizações cumprir os objetivos estratégicos definidos a nível dos clientes e permitem a medição da performance desta perspetiva. De acordo com Santos (2008), “a perspetiva de clientes, íntegra objetivos, indicadores, metas e iniciativas relacionadas com os clientes, cujo bom desempenho induz a obtenção de bons resultados a nível financeiro.” Santos (2008) defende que esta perspetiva preocupa-se fundamentalmente, com vectores de análise tais como: Quota de mercado da organização em determinado segmento ou cliente (medida com base na percentagem de vendas detida pela organização, sobre as vendas totais àquele); Retenção ou fidelização de clientes (medida, essencialmente através da determinação da taxa de crescimento das vendas ao mesmo); Captação de novos clientes (quantificada, sobretudo, através do numero de novos clientes, volume de negócios em novos clientes, ou taxa de adjudicação de propostas); Satisfação dos clientes (aferida com base em indicadores como o seu índice de satisfação, taxa de crescimento do volume de negócios em clientes actuais, a taxa de repetição de compras, o cumprimentos de prazos, o número de reclamações, a quota de mercado, ou outros da mesma natureza); Rentabilidade dos clientes (medida com recurso a rácios como rentabilidade das vendas por clientes, etc.); 4.2.3 Perspetiva dos Processos Internos A perspetiva dos processos internos procura ajudar as organizações a melhorar os processos internos fundamentais para a criação de valor e aperfeiçoar de maneira a obter se melhor eficiência e eficácia. 18 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC De acordo com Silva (2013), “esta perspetiva deve definir os objetivos e medidas para os processos internos seguidamente às perspetivas financeira e do cliente.” O objetivo desta perspetiva é “alcançar a melhoria dos processos operacionais existentes e atingir a qualidade desejada”. Segundo Russo (2006), é importante distinguir as tecnologias, competências e os processos essenciais para marcar a diferenciação em relação a concorrência e são necessários distinguir e perceber quais os indicadores que devem ser usados para avaliação nesta perspetiva do BSC. Kaplan & Norton (1996) afirmam que a gestão estratégica das organizações deve ser usada para definir quais os processos fundamentais para conseguir atingir os objetivos estratégicos propostos pela própria organização. Freire (1997) defende que as organizações para maximizar o potencial estratégico destas, devem impor uma integração estratégica e operacional. De acordo com Santos (2008), “a perspetiva dos processos internos de negócio preocupa-se com a forma como a empresa organiza os seus processos e executa as suas atividades. Em particular, com a forma como organiza a sua cadeia de valor, os seus processos, e as suas atividades, com vista a assegurar a optimização da produtividade, qualidade, nível de serviço e custos, e especialmente, potenciar e induzir o cumprimento dos objetivos definidos para as perspetivas de clientes e perspetiva financeira.” Podemos afirmar que a perspetiva dos processos internos procura assim, ajudar as organizações a definir os processos internos fundamentais de maneira a que as organizações criem valor e ajuda a medir a performance destes processos de maneira a que as organizações os possam aperfeiçoar. 19 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 4.2.4 Perspetiva da Aprendizagem e Crescimento Apos a definidos os objetivos estratégicos nas perspetivas financeira, do cliente e dos processos internos, as organizações focam se na última perspetiva, na qual estas deverão alcançar a vantagem competitiva e o sucesso, através do alinhamento dos recursos das organizações com os objetivos definidos. De acordo com Russo (2006), esta perspetiva tem como função servir de suporte as organizações, para estas poderem analisar as competências organizacionais, as mudanças e os aperfeiçoamentos necessários a serem realizados de maneira a garantir um processo de aprendizagem e crescimento da organização. Kaplan & Norton (1996) defendem que esta perspetiva é tao importante como as outras três perspetivas, na qual os objetivos definidos nesta perspetiva são resultantes dos objetivos das outras. Ao mesmo tempo, afirmam que as organizações que não valorizarem e investirem nesta perspetiva poderão não obter os objetivos estratégicos definidos e na qual a organização poderá fracassar. Esta perspetiva será importante para defender e investir no futuro das organizações. Santos (2008) afirma que esta perspetiva “diz respeito às competências da organização, designadamente ao nível do seu capital humano e dos sistemas e tecnologias de informação”. Assumem especial relevância “ as capacidades dos sistemas de informação, as capacidades dos trabalhadores, motivação, autonomia e alinhamento dos objetivos individuais com os objetivos da organização.” Atualmente, as organizações que valorizam o capital intelectual têm uma maior performance, uma vez que há melhor gestão do conhecimento e garantem inovação de maneira a que estas garantem vantagens competitivas perante os concorrentes. Podemos afirmar que no contexto atual, as organizações criam valor através da gestão do conhecimento, sendo este conhecimento gerido através de novas tecnologias e redes de informação. 20 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 4.2.5 Indicadores de desempenho (em relação as perspetivas) Os indicadores de desempenho permitem avaliar se as estratégias impostas pelas organizações estão a ser cumpridas, e ao mesmo tempo, avalia as acções da tomada de decisão. Os indicadores estão disponíveis a qualquer altura, e devem ser usados de maneira a dar fiabilidade, para que a organização se oriente de maneira atingir os objetivos propostos. Em relação os indicadores de desempenho para o BSC, os indicadores devem ser escolhidos conforme a organização e as estratégias definidas por estas. De acordo com Russo (2006), alguns indicadores de desempenho adaptáveis as 4 perspetivas do BSC são: Perspetiva Financeira: Taxa de crescimento do volume de negócios; Vendas por colaborador; Variação das exportações; Exportações / Vendas totais; Meios Libertos Líquidos = (Resultados líquidos + Amortizações e Depreciações do exercício + Provisões do Exercício); EBITDA – Resultados antes de juros, Impostos, Depreciações e Amortizações; Rendibilidade dos Capitais Próprios = (Resultado Liquido / Capitais próprios) * 100; Rendibilidade Interna das Vendas = ( ( Resultado Liquido + Depreciações e Amortizações + Provisões ) / Volume de Negócios ) *100; Rendibilidade Operacional das Vendas = (Resultado Operacional / Volume de Negócio) *100; Valor Acrescentado Bruto Per Capita = VAB / Nº de funcionários; EVA = (Rendibilidade dos Activos – Custo do Capital) *100; Liquidez Geral = (Activo Corrente / Passivo Corrente); Autonomia Financeira = (Capitais Próprios / Activo) *100; Solvabilidade = (Capitais Próprios / Passivo) *100; 21 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Rotação dos Activos = (Volume de Negócios / Activos); Prazo Médio de Recebimentos (dias) = (Saldo Clientes / (Volume de negócios + IVA)) *360; Prazo Médio de Pagamentos (dias) = (Saldo Fornecedores / (Compras + IVA + Fornecimentos e Serviços Externos)) *360; Gastos totais; Gastos Fixos; Gastos Variáveis; Gastos com funcionários / Volume de Negócio; Perspetiva dos clientes: Número de clientes; Número de contrato realizados com clientes (mês); Vendas a novos clientes; Vendas por cliente; Quota de mercado; Número de clientes perdidos; Índice de clientes satisfeitos; Índice de fidelidade dos clientes; Crescimento do volume de negócios dos clientes actuais; Índice de rendibilidade do cliente; Custos por cliente; Despesas de marketing; Número de visitas a clientes; Número de reclamações; Índice da imagem da marca; Prazo médio de atendimento de clientes; 22 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Perspetiva Interna Percentagem de entrega nos prazos; Tempo médio de desenvolvimento de novos produtos (dias); Prazo médio de lançamento de novos produtos; Quantidade de produtos lançados face a concorrência; Percentagem de venda de produtos novos; Prazo médio do clico de produção; Prazo médio de satisfação de uma encomenda; Prazo médio de tomada de decisões; Percentagem de ocupação dos equipamentos produtivos; Percentagem de actividade produtivas robotizadas ou informatizadas; Percentagem de não-conformidades no volume de produção; Percentagem de produtos sem defeito; Peso dos custos da não-qualidade nos custos totais; Acréscimo de produtividade nos equipamentos; Peso dos custos de produção no valor de venda; Índice de sinistralidade no trabalho; Atividades de alto risco cumpridoras das normas de segurança; Emissões poluentes por produção; Custos administrativos / Proveitos; Custos administrativos por colaborador; Prazo médio de emissão de documentos de expedição ou venda; Rotação de Stock = Consumo de Stocks / Stock médio; Custos das tecnologias de informação / Custos administrativos; Número de funcionários por computador; Prazo na resolução das reclamações; Custos pós-venda; Credito atribuído / Vendas; Investimento em tecnologia / Vendas; Custos directos de inovação de produtos e serviços; 23 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Perspetiva de Aprendizagem e Desenvolvimento Custos de I&D; Custos de I&D / Vendas totais; Custos de Investigação; Investimento em formação / Vendas; Custos em formação / Numero de colaboradores; Investimento em apoios a novos produtos; Investimento no desenvolvimento de novos mercados; Número de novas patentes da organização (ano); Idade média das patentes da organização; Peso dos novos produtos na gama oferecida pela organização; Número de melhorias sugerida pelo colaborador; Número de melhorias implementadas (resultado das melhorias sugeridas pelos colaboradores); Número de postos de trabalho informatizados; Idade média do hardware utilizado; Idade média do software utilizado; Índice de fiabilidade de informação e segurança do sistema informático; Índice de satisfação dos colaboradores; Índice de liderança; Índice de motivação; Índice de atitude dos colaboradores; Índice de delegação de poderes; Rotação de colaboradores; Acréscimo de produtividade no trabalho; Índice de retenção dos colaboradores especializados; Percentagem de trabalhadores com os objetivos pessoais alinhados com os da organização; Média de anos de serviço dos colaboradores; Idade média dos colaboradores; Tempo de formação (horas/ano) 24 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Tempo de desenvolvimentos de produtos, serviços e processos; Proporção de colaboradores com nível académico universitário; Taxa de Absentismo; Estes são os vários tipos de indicadores possíveis abrangentes às quatro perspetivas do BSC. Os indicadores têm ser escolhidos correctamente dependente da estratégia da organização, e os indicadores tem como objetivo avaliar a performance, comparação de resultados e avaliar a sustentabilidade da gestão usada pela organização. 4.3 Contabilidade Financeira e Contabilidade Analítica Vários autores têm vindo a contribuir para a noção contabilidade. De acordo com António Pires Caiado (1997), a contabilidade é um sistema de recolha, classificação, interpretação e exposição de dados económicos. No entanto António Oliveira (1997) afirma que para além disso, a contabilidade tem outros objetivos, tais como: conhecer o património da empresa, saber a posição da empresa (devedora ou credora) perante terceiros (bancos, clientes, fornecedores, etc.), apurar os resultados das diversas atividades da empresa, e serve como orientação e ajuda a definir as políticas futuras. Da Costa e Correia Alves (1997) a contabilidade é um sistema de informação para a gestão, na qual permite valorizar os recursos á disposição da empresa. No entanto, na contabilidade existe a analítica que tem por objecto analisar os encargos da exploração e determinar os custos e os preços de venda. A contabilidade geral e a contabilidade analítica são autónomas e podem ser articuladas por meio de contas ditas reflectidas. Desde o século XX, aproximadamente desde os anos 40, a contabilidade analítica era considerada como uma contabilidade facultativa, dando-se maior importância à contabilidade patrimonial, ao controlo das contas do património e ao apuramento de resultados. 25 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Mas devido à aceleração das mudanças no contexto organizacional, a partir das últimas décadas do século XX, teve impactos nos sistemas de informação contabilística devido aos fatores como a competitividade, as TIC e ao mesmo tempo a globalização. Com isto, o sistema de informação contabilística tornou-se essencial devido à carência de conseguir mais e melhor informação em tempo real. De acordo com Martins (2005) a contabilidade analítica tem como objetivo principal proporcionar informações úteis para o processo de tomada de decisões. Silva (2011), Citando Vilas-Boas (2004), reforça a importância da contabilidade analítica quando diz que esta determina o grau de utilização dos recursos (custos ou inputs), e ao comparando-os com as previsões, permite determinar os desvios e conduzir as correcções das acções e/ou do planeamento. No entanto as diversas atividades alternativas a desenvolver exigem o conhecimento dos respectivos custos, fornecidos pela contabilidade de custo. Podemos afirmar que a contabilidade é uma ciência que permite controlar e interpretar os factos ocorridos no património das entidades, com o fim de oferecer informações sobre a composição do património, sua variações e o resultado económico decorrente da gestão da riqueza patrimonial. Em relação a contabilidade analítica, esta vai mais além do conhecimento profundo dos custos e proveitos: ela permite uma comparação com o previsto em orçamento, permitindo a correcção da estratégia escolhida ou do planeamento em causa. 4.3.1 O Sistema de Normalização Contabilística (SNC) Com a existência de um cenário de crescimento da economia nacional e internacional, as empresas tiveram que realizar mudanças no conteúdo da informação financeira. No entanto devido a fatores como concentração de atividades empresarias a nível nacional e internacional, globalização da economia, de mercados e produto, crescimento da internacionalização das empresas, foi necessário criar uma harmonização contabilística, onde fosse possível a informação 26 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC ser comparável nos diversos sistemas normativos contabilísticos, não havendo barreiras culturais, jurídicas e politicas. No entanto, desde a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia em 1986, houve diversos ajustamentos em relação aos sistemas normativos contabilísticos: Directiva nº 78/660/CEE (Quarta Directiva), referente às contas anuais de uma entidade pelo que foi publicado, em 1989, o Decreto- Lei nº410/89, de 21 de Novembro, que procedeu a diversos ajustamentos e melhorias no Plano Oficial de Contabilidade; Decreto-Lei nº238/91, de 2 de Julho, que transpôs para a ordem jurídica interna o tratamento contabilístico de consolidação de contas; Decreto-Lei nº 44/99, de 12 de Fevereiro, acolheu o sistema de inventário permanente e a Demonstração de Resultados por Funções, e o Decreto-Lei nº79/2003, de 23 de Abril, introduziu a Demonstração dos Fluxos de Caixa; Decreto-Lei nº88/2004, de 20 de Abril, que estabeleceu as condições de aplicação de justo valor; O Decreto-Lei nº158/2009, de 13 de Julho, que aprovou o novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC), sendo um instrumento constituído por um conjunto de normas coerentes com as International Accounting Standards/International Financial Reporting Standards (IAS/IFRS) e com as atuais versões da quarta e sétima directivas comunitárias, revelou ser um passo em frente no processo de harmonização contabilística nacional e internacional. Esta mudança do Plano Oficial de Contabilidade (POC) para o SNC, em vigor desde 1 de Janeiro de 2010, era necessária apesar que tenha provocado impactos 27 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC significativos, quer a nível contabilístico quer ao nível do planeamento organizacional nos sistemas de informação e respectivas operações, expecto nas empresas cotadas que já aplicavam as ditas IAS/IFRS desde Janeiro de 2005. 28 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 5 Metodologia de Investigação Este trabalho tem com objetivo perceber como a contabilidade poderia ser usada como suporte estratégico nas empresas. No entanto este trabalho pretende ser qualitativo na parte teórica, e na vertente prática pretende centrar-se numa análise qualitativa, mas aplicando os conceitos teóricos abordados ao longo do trabalho Para avaliação da abordagem prática, efectuou-se uma recolha de dados de investigação, juntamente com um questionário, sendo esse questionário apresentado a empresas de contabilidade com objetivo de obter um conjunto de resultados. 5.1 Noção PME´s AS PME´s é um conjunto da categoria micro, pequenas e médias empresas, na qual para ser considerado PME´s tem que empregar menos de duzentos e cinquenta pessoas, o volume de negócios anuais não pode exceder cinquenta milhões de euros e o balanço total anterior tem que ser menor que quarenta e três milhões de euros. De acordo com Russo (2006) existem critérios diferentes para as microempresas, pequenas empresas e médias empresas. As microempresas têm como características: Entre 1 a 9 funcionários; Um volume de negócios inferior a 2 milhões de euros; Um activo total inferior a 2 milhões de euros; As pequenas empresas têm como características: Entre 10 a 49 funcionários; Um volume de negócios entre 2 milhões euros e 10 milhões de euros; Um activo até 10 milhões de euros; 29 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC As médias empresas têm como características: Entre 50 e 249 funcionários; Um volume de negócios entre 10 milhões de euros e 50 milhões de euros; Um activo até 43 milhões de euros; No entanto Russo (2006) afirma que a diferença entre as PME´s e as grandes empresas é: Nas PME´s os sócios e gestores normalmente são a mesma pessoa; A Maioria das grandes empresas está cotada na bolsa, sendo o oposto em relação às PME´s; Incapacidade de obter os mesmos recursos e tecnologias que as grandes empresas; Fraca poder de negociação perante os bancos ou até mesmo fornecedores; Normalmente as PME´s encontram se dependentes do proprietário; Fraca capacidade de poder expandir o negócio para outras regiões seja dentro do país ou no estrangeiro; De acordo com o estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), referente a 2009-10, visível na Tabela 1 podemos obter informação importante acerca das PME´s em Portugal. De acordo com a Tabela 1, em 2010, em Portugal existiam: 1 168 964 corresponde ao número total de empresas em Portugal; Em relação ao ano anterior (2009) houve um decréscimo de 4,5%; Do total de empresas em Portugal, 1 144 150 são empresas não financeiras e 24 814 são empresas financeiras; A nível de percentagens, 97,9% corresponde a empresas não financeiras e 2,1% corresponde a empresas financeiras; Do número total de empresas em Portugal, 1 167 811 são PME´s ou seja corresponde a 99,9%. As PME´s detêm um volume de negócios de 219 964 288 ou seja corresponde a 54,8% do volume total em Portugal; 30 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Tabela 1- Empresas em Portugal em 2010 FONTE: INE (2014) No entanto, na Tabela 2 podemos analisar nos últimos anos a percentagem de criação de novas empresas, tendo atingido o valor máximo em 2007 com uma percentagem de 15,19%, tendo depois entrado em declínio ate aos últimos anos tendo atingido um valor de 11,94% em 2010. No entanto, com a crise económica dos últimos 3 anos em toda a Europa, a tendência foi esse declínio manter-se até aos dias de hoje. 31 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Tabela 2- Empresas em Portugal Fonte: INE (2014) Como é visível na Tabela 2, todos os sectores sofreram quebras na criação de novas empresas. A nível de encerramento de empresas existentes, podemos analisar os seguintes factos: No sector da Agricultura e Pesca houve um aumento desde 2004; No sector da Industria e Energia, o aumento começou a sentir se a partir de 2006; O sector da Construção Civil, o aumento da falência de empresas subiu drasticamente a partir de 2006; 32 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 5.2 Modelo de Balanced Scorecard No entanto, para se concluir o estudo, decidiu-se criar um exemplo de um Balanced Scorecard, onde este estaria adaptado para ser aplicado pelas empresas de contabilidades nas PME´s. Este BSC estaria adaptado e era aplicável a todos PME´s, independentemente do sector onde se insere e a sua dimensão. Modelo de Balanced Scorecard *Obrigatório Nome da Empresa Classificação da Atividade Económica * Classificação da Atividade Económica Principal (Rev.3) Volume de Negócios * o Inferior a 250.000 o Entre 250.001 e 500.000 o Entre 500.001 e 1.000.000 o Entre 1.000.001 e 5.000.000 o Entre 5.000.001 e 10.000.000 o Entre 10.000.001 e 25.000.000 o Entre 25.000.001 e 50.000.000 o Superior a 50.000.000 33 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Número de Colaboradores * o 0-5 o 6-20 o 51-100 o 101-200 o Mais de 200 Nível Médio da Classificação dos Colaboradores * o Ensino Básico o Ensino Secundário o Licenciatura o Mestrado ou Outros Nível Médio da Classificação dos Gestores * o Ensino Básico o Ensino Secundário o Licenciatura o Mestrado ou Outros Indicadores de Desempenho - Perspetiva Financeira * Indique os que considera essenciais na gestão da sua empresa o Vendas por colaborador o EBITDA o Meios Libertos Líquidos o Variação das Exportações o Rendibilidade dos Activos o EVA o Liquidez Geral o Solvabilidade 34 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC o Rotação dos Activos o Fluxos de caixa o Autonomia Financeira o Grau da Alavanca Financeira o Grau da Alavanca Operacional o Índice de Endividamento o Outra: Indicadores de Desempenho - Perspetiva dos Clientes * Indique os que considera essenciais na gestão da sua empresa o Número de clientes o Quota de mercado o Vendas por cliente o Vendas a novos clientes o Custos por cliente o Número de reclamações o Prazo médio de atendimento dos clientes o Outra: Indicadores de Desempenho - Perspetiva dos Processos Internos * Indique os que considera essenciais na gestão da sua empresa o Prazo médio de tomada de decisões o Percentagem dos produtos sem defeito o Prazo médio de satisfação de uma encomenda o Prazo médio do ciclo de produção o Percentagem de venda de produtos novos o Prazo médio de lançamento de novos produtos o Percentagem de entrega nos prazos o Outra: 35 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Indicadores de Desempenho - Perspetiva de Aprendizagem e Crescimento * Indique os que considera essenciais na gestão da sua empresa o Custos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) o Custos de I&D / Vendas Totais o Custos de Investigação o Custos em formação / Número de colaboradores o Investimento em novos produtos o Taxa de absentismo o Rotação dos colaboradores o Índice de satisfação dos colaboradores o Outra: Os objetivos estratégicos da empresa na Perspetiva Financeira * Indique os que considera mais importantes o Aumento do Resultado líquido o Aumento das vendas de produtos o Aumento do valor da empresa o Diminuição dos gastos o Outra: Os objetivos estratégicos da empresa na Perspetiva dos Clientes * Indique os que considera mais importantes o Aumento da venda de novos produtos o Fidelização de clientes o Aumento do número de clientes o Aumento da quota de mercado o Diminuição dos custos por clientes o Diminuição do número de reclamações 36 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC o Aumento da rendibilidade por cliente o Melhoria da satisfação do cliente o Outra: Os Objetivos estratégicos da empresa na Perspetiva dos Processos Internos * Indique os que considera mais importantes o Melhorar qualidade do serviço o Melhorar a gestão dos recursos o Melhorar o processo de produção o Outra: Os Objetivos estratégicos da empresa na Perspetiva de Aprendizagem e Crescimento * Indique os que considera mais importantes o Melhorar Competências dos colaboradores o Apostar na investigação e desenvolvimento o Adaptar as novas tecnologias á empresa o Melhorar ambiente de trabalho o Outra: Teria interesse na realização de um Balanced Scorecard na sua empresa? * o Sim o Não Enviar Nunca envie palavras-passe através dos Formulários do Google. 37 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 5.3 Inquérito sobre o BSC Para reforçar a ideia a empresa onde realizei o estágio, realizei um estudo qualitativo e exploratório nas empresas rivais, consistindo em entrevistas e recolha de dados sobre o tema Balanced Scorecard. O objetivo seria saber qual a opinião das empresas de contabilidade sobre o BSC, e ao mesmo tempo perceber se considerariam uma ferramenta estratégica importante para as PME´s. O inquérito foi apresentado presencialmente, e após preenchidas, as respostas foram inseridas, de maneira a obter-se respostas e gráficos. Inquérito sobre o Balanced Scorecard Balanced Scorecard *Obrigatório Conhece a ferramenta estratégica Balanced Scorecard? * o Sim o Não Se fizesse uma análise global das PME´s em Portugal, acha que estas necessitam de melhores estratégias do que as que usam atualmente? * o Sim o Não Considera o Balanced Scorecard como uma boa ferramenta estratégica para as PME’s em Portugal implementarem? * o Sim o Não 38 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Como avalia esta ferramenta? * 1- Mau, 2- Insuficiente, 3-Suficiente, 4- Bom, 5- Muito bom o 1 o 2 o 3 o 4 o 5 Tem conhecimento de algum cliente que use esta ferramenta na organização? * o Sim o Não Se um cliente pedisse uma sugestão de uma ferramenta estratégica para implementar na organização, sugeria o Balanced Scorecard? * o Sim o Não Considera as empresas de contabilidades estão preparadas para dar apoio na implementação desta ferramenta estratégica nas organizações? * o Sim o Não Enviar 39 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 5.4 Descrição e análise dos dados Analisar-se-ão de seguida as respostas obtidas pelas empresas de contabilidade ao inquérito. De acordo com as respostas no inquérito, em relação ao conhecimento da ferramenta estratégica Balanced Scorecard, analisando o gráfico 1, a ferramenta Balanced Scorecard é conhecida pelas empresas de contabilidade. Gráfico 1- Conhecimento da ferramenta BSC A nível de estratégias, de acordo com o gráfico 2, as entidades em estudo estão em sintonia e consideram que as PME´s em Portugal necessitam de melhores estratégias do que as que usam atualmente. 40 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Gráfico 2- Melhores estratégias nas PME´s De acordo com o gráfico 3, os inqueridos estão de acordo e consideram o Balanced Scorecard como uma boa ferramenta para as PME´s implementarem. Gráfico 3 – BSC como ferramenta a implementar nas PME´s O gráfico 4 mostra qual avaliação das empresas a esta ferramenta para implementar nas PME´s. Podemos analisar que 50% considera esta ferramenta de nível “Suficiente”, e os outros 50% consideram a ferramenta de nível “Bom”. 41 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Gráfico 4 – Avaliação do BSC Analisando o gráfico 5, podemos analisar que apenas uma empresa (25%) tem conhecimento de que têm clientes que usam o Balanced Scorecard. No entanto devemos ter em conta que podem existir PME´s que podem usar essa ferramenta e não transmitir á empresa de contabilidade. Gráfico 5 – Conhecimento de clientes que usam o Balanced Scorecard Podemos analisar no gráfico 6, que 75% dos inquiridos sugeria aos seus clientes para implementar a ferramenta Balanced Scorecard. No entanto a empresa que não sugeria a BSC afirma que “o BSC é difícil de implementar nas PME´s em Portugal 42 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC devido a estas apresentarem uma estrutura rígida e inflexível, assim como existem as próprias dificuldades do BSC e não acredito que as PME´s estejam preparadas”. Gráfico 6 – Aconselhamento do Balanced Scorecard às empresas No gráfico 7 podemos visualizar que os inquiridos têm dúvidas em relação a capacidade das empresas de contabilidade estarem preparadas para ajudar os seus clientes a implementarem o BSC. Dos inquiridos 50% afirmam que não se sentem preparados, e os outros 50% afirmaram “talvez” mas com isto podemos afirmar que tem dúvidas sobre a sua capacidade. Gráfico 7 – Capacidade de as empresas fornecerem apoio na implementação do BSC 43 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 6 Conclusão A nível estratégico as PME´s necessitam de ter uma visão de maneira a fazer perceber quais os objetivos, necessitam de uma missão bem definida e objetiva para que se atinja os objetivos. Todas as PME´s têm um objetivo em comum, ou seja, criar e aumentar o seu valor. No entanto, todas as estratégias necessitam de ser acompanhadas, para se perceber durante o processo, se está tudo a correr como os objetivos propostos. Para evitar problemas, existem várias ferramentas de avaliação e medição de desempenho. Assim houve o surgimento do BSC, sendo este uma ferramenta estratégica, na qual tem a capacidade de alinhar a visão e a missão das PME´s, ajuda a prever o desempenho destas para o futuro, através das 4 perspetivas, sendo estas a financeira, dos clientes, dos processos internos e da aprendizagem e desenvolvimento. A contabilidade é um sistema que pode ser usado como suporte de apoio às PME´s. As empresas de contabilidade podem ter maior importância para as PME´s, se elas tiverem interesse em ajudar a aplicar ferramentas estratégicas aos seus clientes. O BSC é umas das melhores ferramentas para medir o desempenho das PME´s e permite a que estas fiquem preparadas para a evolução constante do mercado, podendo permitir e facilitar a internacionalização das PME´s. O BSC é uma ferramenta que na qual as PME’s ao implementarem poderão obter benefícios. Estes benefícios são: a capacidade de traduzir a estratégia em objetivos e ações concretas, a capacidade de promover o alinhamento de indicadores chaves com os objetivos estratégicos a todos os níveis da organização, a capacidade de proporcionar à gestão uma visão sistematizada do desempenho da organização, também permite à organização desenvolver uma cultura de aprendizagem e melhoria contínua. No entanto, após o estágio conclui que as empresas de contabilidade têm de se expandir ou até mesmo aumentar as suas capacidades, aumentar o recrutamento de 44 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC maneira a conseguirem dar resposta e incentivar as PME´s a implementarem o BSC. Atualmente as empresas de contabilidade não se encontram preparadas nem capacitadas de dar respostas e implementação o BSC. Outro grande problema que as empresas de contabilidade irão encontrar é na incentivação dos proprietários a implementarem o BSC, uma vez que os mesmos só se interessam pela vertente financeira. No entanto, as principais limitações que encontrei na realização neste trabalho foi a falta de informação sobre os clientes da empresa onde realizei o estágio. Essa falta de informação era a nível de estratégias e organização. A nível de apoios bibliográficos, analisei uma limitação de exemplos de implementações do BSC em PME´s em Portugal. 45 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Bibliografia Bartol, K., & Martin, D. C. (1998). Management – Third Edition, New York: Irwing McGrawHill. Certo, S. C., Peter, J. P., Marcondes, R. C., & Cesar, A. R. (2005). Administração Estratégica, São Paulo: Pearson Education do Brasil. Chandler, A. D. (1962). 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Lisboa: Escolar Editora. 46 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Silva, Eduardo S. (2013). Dicionário de Gestão, Porto: Vida Económica. 47 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC Anexo Anexo 1 48 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 49 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 50 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 51 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 52 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 53 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 54 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 55 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 56 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 57 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 58 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 59 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 60 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 61 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 62 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 63 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 64 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 65 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 66 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC 67 Tiago Filipe da Silva Pereira – A contabilidade como suporte do processo estratégico nas pequenas e médias empresas: a aplicabilidade da ferramenta BSC